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UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA

Centro de Ciências Exatas e da Natureza


Departamento de Química

Técnicas de preparação de
amostras para determinação de
contaminantes emergentes

Kátia Messias Bichinho

Recife, julho 2016


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Contaminantes de preocupação emergente

Rachel Carson foi bióloga, ecologista e


escritora norte-americana.
Em 1962, escreveu o livro intitulado Silent Spring,
em que abordou o uso indiscriminado de pesticidas
nos Estados Unidos e seus efeitos sobre o ambiente
natural.

A repercussão foi imediata em nível mundial,


considerado até os dias atuais como o primeiro alerta
sobre os impactos ambientais das atividades
humanas, apresentado numa abordagem científica
difícil de ser contestado.
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Contaminantes de preocupação emergente

“Man is a part of nature, and his


war against nature is inevitably a
war against himself.”
Rachel Louise Carson

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Contaminantes de preocupação emergente

“Elixirs of Death”
Em menos de duas décadas de uso de
pesticidas sintéticos, uma das tantas indústrias que
se estabeleceram a partir da Segunda Guerra
Mundial, esses compostos químicos foram
encontrados em todo o lugar!

 Águas superficiais e subterrâneas.


 Solos.
 Bioacumulados em peixes,
pássaros, répteis e outros animais
selvagens, animais domésticos.

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Contaminantes de preocupação emergente

“Elixirs of Death”

 Peixes que habitavam lagos montanhosos


localizados em locais remotos.

 Em minhocas.

 Em ovos de pássaros.

 E no próprio corpo humano, incluindo o leite


humano.

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Contaminantes de preocupação emergente

“Elixirs of Death”
Pesticidas organoclorados – DDT (1874)

Fórmula: C14H9Cl5
Massa molar: 354,49 g/mol
IUPAC: 1,1,1-trichloro-2,2-bis(4-chlorophenyl)ethane
Densidade: 990 kg/m³
Ponto de fusão: 108,5 °C
Ponto de ebulição: 260 °C
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Contaminantes de preocupação emergente

“Elixirs of Death”
Pesticidas organoclorados
“Aldrin is somewhat a misterious substance...”
“Aldrin, like most of this group of insecticides,
projects a menacing shadow into the future,
the shadow of sterility.”

Figura adaptada de Química Nova vol.30 no.1 São Paulo Jan./Feb. 2007
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Contaminantes de preocupação emergente

Contexto mundial
No cenário mundial, as questões ambientais
compõem a agenda dos países, de forma permanente e
crescente.

 1972, Estocolmo, Suécia: a primeira, ONU, criação do


PNUMA.

 1988, Toronto, Canadá: clima, primeiro alerta sobre gases


do efeito estufa e criação do IPCC (Painel
Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas).

 1990, Genebra, Suíça: foi proposto a criação de um


tratado internacional do clima.
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Contaminantes de preocupação emergente

Contexto mundial
 1992, Rio de Janeiro, Brasil: foi realizada a conferência das
nações Unidas para o Meio Ambienta e do Desenvolvimento
(CNUMAD), conhecida como Rio 92, que culminou com a
elaboração da Agenda 21 e a Convenção da
Biodiversidade.

 1995, Berlim, Alemanha: foi realizada a Conferência das


Partes (COP 1), com definição de metas para a redução da
emissão de gases do efeito estufa.

 1996, Genebra, Suíça: realização da COP 2, fortalecendo o


IPPC.

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Contaminantes de preocupação emergente

Contexto mundial
 1997, Kyoto, Japan: realização da COP 3, criação do
Protocolo de Kyoto, com meta de redução dos gases de
efeito estufa de 5,2 %, com especial importância a adesão
dos países desenvolvidos (maiores emissores!). Conceitos de
Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL) e os
certificados de carbono.
 Buenos Aires (COP 4); Bonn (COP 5); Haia (COP 6); Bonn
(COP 6/2) e Marrakesh (COP 7); Nova Déli (COP 8); Milão
(COP 9); Buenos Aires (COP 10); Montreal (COP 11); Nairóbi
(COP 12); Bali (COP 13); Copenhague (COP 14); Poznan
(COP 15); Cancún (COP 16): Fundo Verde do Clima; Durban
(COP 17): nova etapa do Protocolo e Kyoto, estendido até
2017; Rio de Janeiro (Rio + 20): o objetivo foi garantir e
renovar o compromisso mundial para o desenvolvimento
sustentável.
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Contaminantes de preocupação emergente

Contexto mundial

A Agenda 21 (1992)
Um dos conceitos fundamentais para o
desenvolvimento sustentável aborda ética e cidadania:

“Pensar globalmente e agir localmente”.

www.mma.gov.br

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Contaminantes de preocupação emergente

Contexto mundial

Os Objetivos Do Milênio – ODM (2000)

Com base na avaliação dos maiores problemas


mundiais, o Programa das Nações Unidas para o
Desenvolvimento – PNUD estabeleceu oito objetivos
para o milênio, que no Brasil são chamados de 8
Jeitos de Mudar o Mundo.

Leia mais sobre o assunto em www.pnud.org.br

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Contaminantes de preocupação emergente

Contexto mundial

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Contaminantes de preocupação emergente

Contexto mundial

O que é, afinal, desenvolvimento sustentável?

“ Desenvolvimento capaz de suprir as


necessidades da geração atual, garantindo a
capacidade de atender as necessidades das
futuras gerações.”
“É desenvolver sem esgotar os recursos para o
futuro.”
É possível???
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Contaminantes de preocupação emergente

Contexto mundial

Aquecimento global – relatório IPCC


Presença excessiva de gases na atmosfera:
 CO2
 CH4
 NO2

O estudo mostra que a concentração desses


gases na atmosfera aumentou significativamente a
partir da Revolução Industrial atividades
antrópicas!!
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Contaminantes de preocupação emergente

Contexto mundial
Riscos para a humanidade apontados no relatório IPCC:

 Derretimento de geleiras: ameaçará o


suprimento de água para mais 50
milhões de pessoas;
 Entre 1 e 4 bilhões de pessoas a mais
enfrentarão problemas de
escassez de água.

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Contaminantes de preocupação emergente

Contexto mundial

Organização Mundial da Saúde (OMS) divulga que:

 Atualmente,
mais de um bilhão de pessoas
no mundo não possui acesso à água potável;

 Mais de 10 milhões de pessoas morrem


anualmente em decorrência de doenças de
veiculação hídrica.

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Contaminantes de preocupação emergente

Contexto mundial

O relatório para desenvolvimento humano – RDH 2006,


publicado pelo Programa das Nações Unidas para o
Desenvolvimento (PNUD) afirma que:

“a crise global da água condena uma


considerável parte da humanidade a vidas de
pobreza, vulnerabilidade e insegurança.”

ESCASSEZ DE ÁGUA QUANTIDADE DISPONÍVEL

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Contaminantes de preocupação emergente

Contexto mundial
Água doce versus água salgada

Fonte: Companhia Riograndense de Saneamento 20


Contaminantes de preocupação emergente

Contexto mundial
Distribuição de água doce no mundo

www.rededasaguas.org.br 21
Contaminantes de preocupação emergente

Contexto mundial
Distribuição de água doce no mundo

Fonte: UNESCO 22
Contaminantes de preocupação emergente

Contexto mundial
Distribuição de água doce no Brasil

Fonte: IBGE, 2010 23


Contaminantes de preocupação emergente

Contexto mundial
Principais usos de água doce no mundo

www.rededasaguas.org.br 24
Contaminantes de preocupação emergente

Contexto mundial
“A água é classificada como recurso natural não
renovável.”

Nesse contexto, além da quantidade, outro aspecto


torna-se relevante: a qualidade das águas.

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Contaminantes de preocupação emergente

Qualidade das águas


Fontes relevantes de contaminações:
 Produtos industriais (solventes, tintas, pilhas e
baterias, plásticos, alimentos, medicamentos);
 Efluentes industriais;
 Esgotos domésticos;
 Pesticidas usados na agricultura;
 Produtos de cuidado e higiene pessoal

Todo esse aporte constante e ininterrupto


de contaminantes no ambiente natural e a
bioacumulação têm causado preocupações.
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Contaminantes de preocupação emergente

Qualidade das águas


Fontes relevantes de contaminações:
 Resíduos sólidos urbanos

Metais tóxicos como Cd,


Pb, Ni, Co provenientes
de pilhas, baterias,
monitores de
computadores e de
televisores.

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Contaminantes de preocupação emergente

Qualidade das águas


Fontes relevantes de contaminações:
 Pesticidas usados na agricultura

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Contaminantes de preocupação emergente

Qualidade das águas


Fontes relevantes de contaminações:
 Produtos industriais (solventes, tintas, pilhas e baterias,
plásticos)

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Contaminantes de preocupação emergente

Qualidade das águas


Fontes relevantes de contaminações:
 Esgotos domésticos e produtos de limpeza

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Contaminantes de preocupação emergente

Qualidade das águas


Fontes relevantes de contaminações:
 Esgotos domésticos e medicamentos

Ibuprofeno

Paracetamol
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Contaminantes de preocupação emergente

Qualidade das águas


Fontes relevantes de contaminações:
 Esgotos domésticos e produtos de cuidado e higiene
pessoal

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Contaminantes de preocupação emergente

Qualidade das águas


Fontes relevantes de contaminações:
 Esgotos domésticos e produtos de cuidado e higiene
pessoal para pets!!

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Contaminantes de preocupação emergente

Qualidade das águas


Fontes relevantes de contaminações:
 Nanomaterias (nanopartículas, quantum dots)

Nanotubos
de carbono
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Contaminantes de preocupação emergente

Contaminantes emergentes?

Produtos industrializados como


pesticidas, fármacos, surfactantes,
retardantes de chama, plastificantes,
hormônios, produtos de cuidado e higiene
pessoal e materiais nanométricos são hoje
denominados contaminantes emergentes ou
contaminantes de preocupação emergente.

(MONTAGNER et al., 2014). 35


Contaminantes de preocupação emergente

Contaminantes emergentes?

A preocupação essencial está no fato


de que esses produtos são continuamente
produzidos, utilizados e dispostos no
ambiente e existem estudos que
demonstram efeitos de bioacumulação,
toxicidade e atuação sobre o sistema
endócrino em animais aquáticos.

HALLING-SØRENSEN et al.,1998
COOGAN et al., 2007; FARAG et al., 2011; GIUDICE e YOUNG, 2010; SOOD 36
et al.,
2013).
Contaminantes de preocupação emergente

Contaminantes emergentes?

A Agência de Proteção Ambiental dos


Estados Unidos mantém uma lista de
substâncias químicas candidatas a CE, ou
seja, substâncias das quais ainda não se
conhece apropriadamente os efeitos sobre a
biota e saúde humana.

Disponível em https://www.epa.gov/ccl, acesso em julho/2016. 37


Contaminantes de preocupação emergente

Contaminantes emergentes?

Disponível em https://www.epa.gov/ccl/chemical-contaminants-ccl-4, acesso


38
em julho/2016.
Contaminantes de preocupação emergente

Contaminantes de preocupação emergente

Segundo a IUPAC, o termo


contaminante emergente ambiental refere-
se a um diversificado grupo de substâncias
que incluem tanto novos produtos químicos
como aqueles que já estão presentes no
ambiente por um longo período de tempo,
mas para os quais dados de monitoramento
e efeitos toxicológicos são limitados ou
indisponíveis.

http://www.iupac.org 39
Contaminantes de preocupação emergente

Contaminantes de preocupação emergente

Os CE apresentam características físico-


químicas como persistência, lipofilicidade e
bioacumulação em tecidos vegetais e
animais, as quais facilitam sua distribuição e
permanência no ambiente.

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Contaminantes de preocupação emergente

Contaminantes de preocupação emergente


Water Analysis: Emerging Contaminants and
Current Issues
Susan D. Richardson* and Susana Y. Kimura
Department of Chemistry and Biochemistry,
University of South Carolina, Columbia, South
Carolina 29208, United States.

Anal. Chem., 2016, 88 (1), pp 546–582


DOI: 10.1021/acs.analchem.5b04493
Publication Date (Web): November 30, 2015
Copyright © 2015 American Chemical Society
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Contaminantes de preocupação emergente

Contaminantes de preocupação emergente

Classes de CE Exemplos
Pesticidas

Inseticidas DDT, Aldrin, dieldrin,


carbofuran, metomil,
carbaril.
Fungicidas Carbendazim, benomil,
carbamatos fuberidazol

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Contaminantes de preocupação emergente

Contaminantes de preocupação emergente

Classes de CE Exemplos
Interferentes endócrinos

Hormônios naturais 17 β-estradiol, progesterona,


estrona
Fenóis Bisfenol A

Nonilfenol

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Contaminantes de preocupação emergente

Contaminantes de preocupação emergente

Classes de CE Exemplos
Medicamentos

Antibióticos (veterinário Eritromicina, sulfametoxazol,


e humano) trimetropim
Analgésicos e anti- Ácido acetilsalicílico,
inflamatórios diclofenaco, paracetamol,
ibuprofeno
Contraceptivos Etinilestradiol, desogestrel,
mestranol

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Contaminantes de preocupação emergente

Contaminantes de preocupação emergente

Classes de CE Exemplos
Produtos de Higiene Pessoal

Protetores solares Benzofenona, parabenos

Antimicrobianos Clorofeno, triclosan e


triclocarban

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Contaminantes de preocupação emergente

Contaminantes de preocupação emergente

Classes de CE Exemplos
Drogas de abuso e metabólitos

Anfetaminas

Cocaína e benzoilecgonina (metabólito


encontrado na urina de usuários).

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Contaminantes de preocupação emergente

Contaminantes de preocupação emergente

Classes de CE Exemplos
Cianotoxinas

Microcistinas

Saxitoxinas

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Contaminantes de preocupação emergente

Contaminantes de preocupação emergente

Saxitoxinas 48
Contaminantes de preocupação emergente

Contaminantes de preocupação emergente

Microcystis sp

Floração de cianobactérias
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http://cyanobacteria.myspecies.info/taxonomy/term/323
Contaminantes de preocupação emergente

Afinal, quantos contaminantes emergentes já


passaram por ti hoje desde a hora que acordaste?

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Contaminantes de preocupação emergente

Contaminantes de preocupação emergente


Ocorrência – Ar

CHEN et al (2009) investigaram os níveis e


distribuição de bifenilas policloradas na atmosfera
de uma área urbana. As maiores concentrações
de PCBs foram detectadas em um antigo bairro
industrial, sugerindo esse local como a principal
fonte de emissão dessas substâncias na área
estudada. As PCBs mais abundantes foram tetra-
bifenila policlorada, seguido por tri e penta-
bifenilas policloradas.

CHEN, Z. F. et al. Anal. Bioanal. Chem., 404, 3175–3188, 2012 51


Contaminantes de preocupação emergente

Contaminantes de preocupação emergente


Ocorrência – Águas

LOPES et al. (2010) avaliaram a ocorrência


dos hormônios estrona e 17β-estradiol em águas
de abastecimento público, encontrando esses
contaminantes em 22% das amostras
analisadas. A maior concentração determinada
foi de 0,6 μg L-1 para estrona e a menor de 30,6
ng L-1 para 17β-estradiol.

LOPES, L. G. et al. Química Nova, 33 (3), 639-643, 2010. 52


Contaminantes de preocupação emergente

Contaminantes de preocupação emergente


Ocorrência – solos
ZENG et al. (2008) avaliaram a ocorrência
de 16 ftalatos em solo de região agrícola. Essas
substâncias foram detectadas em todas as
amostras de solo analisadas, sendo
predominante a presença dos ftalatos di-
isobutil-ftalato, di-n-butil ftalato e di(2-etil-hexil)
ftalato. As concentrações variaram entre 0,195
e 33,6 µg g-1.

ZENG, F. et al. Environmental Pollution, 156, 425-434, 2008.


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Contaminantes de preocupação emergente

Contaminantes de preocupação emergente


Bioacumulação

GATIDOU et al. (2010) avaliaram a


bioconcentração do nonilfenol, triclosan e
bisfenol A em mexilhões e comprovaram o
poder de bioacumulação desses
compostos.

GATIDOU, G.; VASSALOU, E.; THOMAIDIS, N. S. Marine Pollution Bulletin, 60, 2111-2116,54
2010.
Contaminantes de preocupação emergente

Contaminantes de preocupação emergente


Bioacumulação

ZARATE Jr et al. (2012) estudaram a


bioconcentração do triclosan e triclocarban
em plantas e sedimentos de áreas húmidas.
Os resultados mostraram que esses
contaminantes facilmente acumulam-se nos
tecidos de raízes de plantas de vida livre
dessa região.

ZARATE JR, M. F.; SCHULWITZ, S. E.; STEVENS, K. J.; VENABLES, B. J.


Chemosphere, 88, 323-329, 2012. 55
Contaminantes de preocupação emergente

Contaminantes de preocupação emergente


Bioacumulação

GOMEZ et al. (2012) investigaram a


bioconcentração dos compostos 2-etilhexil-4-
trimetoxicinamato e octrocrileno (presentes
em filtros solares), tetrazepam e diazepam
(fármacos) em organismos marinhos,
evidenciando ligeira acumulação das duas
primeiras substâncias.

GOMEZ, E. et al. Environ. Sci. Pollut. Res., 19, 2561–2569, 2012.


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Contaminantes de preocupação emergente

Contaminantes de preocupação emergente


Toxicidade

LAMEIRA (2008) avaliou os efeitos letais e


subletais do triclosan; os resultados indicaram
uma toxicidade aguda de 0,22 mg L-1 para
Daphnia similis e 0,08 mg L-1 para
Ceriodaphnia dúbia.

Ensaios ecotoxicológicos

LAMEIRA, V. Programa de Pós-Graduação em Ciências da


Universidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. 2008. 57
Contaminantes de preocupação emergente

Contaminantes de preocupação emergente


Toxicidade

SERVOS (1999 apud SILVA et al., 2007)


mostraram a toxicidade do nonilfenol e
octilfenol para diferentes espécies. Para
peixes, são relativamente tóxicos a uma
concentração letal para 50% dos organismos,
CL50, de 17 a 3.000 µg L-1, invertebrados de 20
a 3.000 µg L-1 e algas de 27 a 2.500 µg L-1.

SILVA, F. V. et al. Revista Brasileira de Toxicologia, 20 (1 e 2), 1-12, 2007.


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Contaminantes de preocupação emergente

Cafeína

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http://inctaa.com.br/
Contaminantes de preocupação emergente

Contaminantes de preocupação emergente

Possíveis vias de transporte


de cafeína no ambiente,
assim como vias para
muitos CE (hormônios,
pesticidas, antibacterianos,
fármacos, metabólitos.

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Fonte: Cafeína em águas de abastecimento público no Brasil, 2014.
Contaminantes de preocupação emergente

Fonte: Cafeína em águas de abastecimento público no Brasil


Cafeína como
indicador químico
de contaminação
antrópica

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Contaminantes de preocupação emergente

Cafeína como indicador químico de contaminação


antrópica

Fonte: Cafeína em águas de abastecimento público no Brasil 62


Contaminantes de preocupação emergente

Cafeína como indicador químico de contaminação


antrópica

Fonte: Cafeína em águas de abastecimento público no Brasil


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Contaminantes de preocupação emergente

Cafeína como indicador químico de contaminação antrópica

Fonte: Cafeína em águas de abastecimento público no Brasil 64


Técnicas de preparação de amostras

Preservação das amostras coletadas


Para realizarmos uma análise química, um
adequado procedimento de coletas é essencial
para garantir a representatividade das amostras.

65
Técnicas de preparação de amostras

Preservação das amostras coletadas

Amostra pode ser definida como uma parte


representativa retirada de um todo sobre o qual
se deseja conhecer a composição química.

A representatividade da amostra é fornecida


pela similaridade de sua composição com
aquela do todo que se deseja conhecer, assim...

66
Técnicas de preparação de amostras

Preservação das amostras coletadas


... é necessário preservar a amostra desde o
instante da coleta, considerando-se o transporte até
o local onde as amostras serão analisadas, até o
início efetivo da etapa de preparação.

Os contaminantes emergentes são hoje


encontrados em águas, solos, tecidos animais,
alimentos, fluidos biológicos humanos etc., diferentes
aspectos devem ser observados para garantir a
preservação das amostras.

67
Técnicas de preparação de amostras

Preservação das amostras coletadas

 Inativação de enzimas que possam estar


presentes, como proteases e lipases, que
podem alterar a composição das amostras.

Congelamento, liofilização, secagem ou uso de


conservantes.

68
Técnicas de preparação de amostras

Preservação das amostras coletadas


 Preservação lipídica: lipídios insaturados
podem sofrer oxidação (exposição à luz,
oxigênio do ar ou outros agentes oxidantes.

Frasco âmbar, armazenar em local escuro sob


temperatura controlada e até armazenar sob
atmosfera de N2 (inerte), especialmente amostras
que possuem lipídios com altos graus de
instauração.
69
Técnicas de preparação de amostras

Preservação das amostras coletadas

 Mudanças de estados físico, que podem


alterar a composição por evaporação, fusão
ou cristalização, devem ser evitadas.

Recipientes adequados que evitem perdas por


volatilização, controle de temperatura,

70
Técnicas de preparação de amostras

Preservação das amostras coletadas


Frascos e recipientes devem ser adequados.
 Compostos orgânicos voláteis podem
evaporar.
 Analitos orgânicos podem interagir com o
polímero que constituiu o frasco plástico.
 Ftalatos difundem do polímero do frasco e
contaminam a amostra.
 Moléculas orgânicas podem adsorver e ficar
retidas nas paredes internas dos frascos
plásticos.
71
Técnicas de preparação de amostras

Preservação das amostras coletadas

Frascos e recipientes devem


ser adequados.

 Contaminantes emergentes
são analitos orgânicos,
portanto, utilize frascos de
vidro para a coleta e
armazenamento!
 Obs: limpeza

72
Técnicas de preparação de amostras

Preservação das amostras coletadas


A escolha da técnica para preparação de
amostras requer...

... conhecimento das propriedades químicas e


físicas dos analitos, da amostra e da matriz
(possíveis interferentes).
Solubilidade, estabilidade química,
estabilidade térmica, coeficiente de partição,
lipofilicidade, pressão de vapor, hidrofobicidade
(ligações de hidrogênio da água líquida).
73
Técnicas de preparação de amostras

Características gerais das amostras analisadas


para determinação de contaminantes emergentes
 Complexidade das matrizes (ambientais, biológicas,
alimentos).
 Baixa concentração dos analitos nas amostras: nível
traço

Extração tem por finalidade extrair o analito da matriz para


minimizar efeitos de interferentes.

Pré-concentração permite a obtenção de uma fração


(extrato) enriquecida com o analito, viabilizando a
detecção.

Obs: tratamento prévio, precipitação de proteínas. 74


Técnicas de preparação de amostras

Precipitação de proteínas
A precipitação de proteínas é classificada
como uma técnica de tratamento prévio de
amostras, especialmente, especialmente
aplicada a tecidos biológicos, sangue e plasma
sanguíneo e alimentos.

Trata-se de um procedimento simplificado e de


baixo custo, que pode ser finalizado com uma
separação física das fases por centrifugação.

É uma etapa que promove a desnaturação das


proteínas, portanto, visando a liberação do analito a
ser determinado. 75
Técnicas de preparação de amostras

Precipitação de proteínas
A precipitação clássica de proteínas é feita
com a utilização de solventes, sais e ácidos.

O procedimento de precipitação pode ser


repetido no sobrenadante obtido, o que resulta em
um segundo sobrenadante mais límpido.

O sobrenadante obtido pode ser submetido a


outros procedimentos de extração e pré-
concentração de amostras, como LEE, SPE etc. Ao
final, usa-se ainda a filtração do extrato obtido,
especialmente se for destinado a análises
cromatográficas. 76
Técnicas de preparação de amostras

Precipitação de proteínas
Proteínas são solúveis em meios aquosas
devido à polaridade desses moléculas.
NH2CH2COOH ⇆ NH3+CH2COO-
Glicina zwitterion
(aminoácido)

No ponto isoelétrico (pI), a proteína não possui


cargas na sua superfície. Por isso, a sua solubilidade
em meios aquosas diminui (acima do pI: cargas
negativas; abaixo do pI: cargas positivas).

77
Técnicas de preparação de amostras

Precipitação de proteínas
Solventes orgânicos: diminuem a constante
dielétrica do plasma, por exemplo, aumentado a
atração entre moléculas carregadas por interações
eletrostáticas. Ainda, deslocam as moléculas de águas,
que solubilizam as proteínas, assim promovendo a
precipitação.

Adição de ácidos: formação de sais com os


grupamentos amino das proteínas.

Sais: soluções salinas de concentrações elevadas


competem pelas moléculas de água do meio aquoso,
provendo interações hidrofóbicas das proteínas, que
agregam e promovem a precipitação das proteínas.
78
Técnicas de preparação de amostras

Precipitação de proteínas

Caseína do leite
79
Técnicas de preparação de amostras

Precipitação de proteínas
É usual a centrifugação das amostras para promover a
separação das fases sólida e líquida (sobrenadante). O
procedimento de precipitação e centrifugação pode ser
repetido para a obtenção de um sobrenadante mais purificado.
Além disso, outros procedimentos de purificação do
sobrenadante podem ser necessários como SPE seguida de
filtração.

Sangue é separado somente por centrifugação 80


Técnicas de preparação de amostras

Precipitação de proteínas
A técnica de meios de acesso restrito
(restricted acess media – RAM) foram
desenvolvidos em 1991 por Desilets e
colaboradores.
Trata-se de sorventes capazes de promover o
fraccionamento de amostras biológicas como soro,
plasma, urina e leite, onde uma fração contem as proteínas
e a outra os analitos.
Permitem a injeção direta de amostras biológicas
em sistemas HPLC, pois propiciam a exclusão das proteínas,
que são macromoléculas, que interagem com grupos
hidrofílicos, que estão dispostos na superfície externa do
suporte. 81
Técnicas de preparação de amostras

Precipitação de proteínas
Meios de acesso restrito (RAM)

82
Técnicas de preparação de amostras

Precipitação de proteínas
Meios de acesso restrito (RAM)

Mecanismo de exclusão
de proteínas: as
moléculas pequenas
interagem com a fase
ligada à superfície interna
do material, enquanto as
macromoléculas
interagem na superfície
externas, excluídas por
barreiras físicas e
químicas.
83
Técnicas de preparação de amostras

Precipitação de proteínas
Meios de acesso restrito (RAM)
Sorventes RAM encontram-se comercialmente
disponíveis em recheios de colunas cromatográficas para
HPLC.
As colunas RAM podem ser utilizadas em sistema
simples: a amostra biológica é injetada diretamente na
coluna, sem tratamento prévio. O processos de exclusão
das macromoléculas ocorre e é sucedido pela separação
dos analitos por eluição em gradiente.
As colunas RAM também podem ser utilizados no
modo bidimensional, ou seja, utilizada como pré-coluna ou
coluna de guarda, seguida por eluição isocrática na
coluna analítica. 164 84
Técnicas de preparação de amostras

Precipitação de proteínas

RAM são utilizados para a determinação de


moléculas orgânicas pequenas como pesticidas,
inseticidas, interferentes endócrinos, produtos de
limpeza e fármacos.

85
Técnicas de preparação de amostras

Extração Líquido-líquido (LLE)


É a mais clássica das técnicas de extração. Baseia-
se no fenômeno físico-químico de partição da amostra
entre duas fases imiscíveis, uma orgânica e outra aquosa.

Coeficiente de partição é definido como sendo a razão


entre as concentrações que se estabelecem nas condições de
equilíbrio de um composto químico quando dissolvido em sistema
constituído por uma fase orgânica e uma fase aquosa, e está
associado à mudança de energia livre provocada pela
substância sobre o equilíbrio termodinâmico do sistema.

Kd = [orgânica]/[aquosa]
Kd deve ser maior do que dez

Kd: coeficiente de partição


[orgânica]: concentração do composto na fase orgânica
[aquosa]: concentração da substância na fase aquosa. 86
Técnicas de preparação de amostras

Extração líquido-líquido (LLE)

87
Técnicas de preparação de amostras

Extração líquido-líquido (LLE)


A eficiência da extração
depende da:
a) Afinidade do analito pelo solvente;
b) Da proporção entre as fases;
c) Do número de extrações, lembrando
que cada extração corresponderá a
um prato teórico.
Em geral, o analito encontra-se
concentrado na fase orgânica, ao final
do procedimento de extração.

Atualmente, volumes bem menores


variando entre 1 e 15 mL têm sido Biodiesel (superior)
utilizados para LLE (tubos).

88
Técnicas de preparação de amostras

Extração Líquido-líquido (LLE)

É possível aumentar o valor da constante de


distribuição entre as fases mediante:

a) Ajuste de pH para evitar a ionização de ácidos e


bases;
b) Formação de par iônico para analitos ionizáveis
(contra íon);
c) Formação de complexos lipofílicos com íons
metálicos;
d) Adição de sais para diminuir a solubilidade de
compostos orgânicos na fase aquosa.

89
Técnicas de preparação de amostras

Extração Líquido-líquido (LLE)

Vantagens da LLE clássica

a) Requer vidraria simples de laboratório como funil


de separação ou tubos e centrífuga;

b) Diversidade de solventes: garantem a


solubilidade da grande maioria das amostras,
possibilitando certa seletividade da extração.

90
Técnicas de preparação de amostras

Extração Líquido-líquido (LLE)

Vantagens da LLE clássica

a) Requer vidraria simples de laboratório como funil


de separação ou tubos e centrífuga;

b) Diversidade de solventes: garantem a


solubilidade da grande maioria das amostras,
possibilitando certa seletividade da extração.

91
Técnicas de preparação de amostras

Extração Líquido-líquido (LLE)

Vantagens da LLE clássica

a) Requer vidraria simples de laboratório como funil


de separação ou tubos e centrífuga;

b) Diversidade de solventes: garantem a


solubilidade da grande maioria das amostras,
possibilitando certa seletividade da extração.

92
Técnicas de preparação de amostras

Extração Líquido-líquido (LLE)


Desvantagens da LLE clássica

 a) Analitos com elevada afinidade pela água são


extraídos parcialmente, comprometendo os
parâmetros de desempenho da metodologia analítica,
especialmente exatidão, precisão e o percentual de
recuperação.
 É necessário a utilização de solventes de elevada
pureza química (ultrapuros) para evitar a
contaminação das amostras durante a etapa de
extração.
 Possibilidade de formação de emulsões (indesejáveis)
devido à natureza das amostras, principalmente
gorduras.
93
Técnicas de preparação de amostras

Extração Líquido-líquido (LLE)


Recentes avanços da LLE
Extração líquido-líquido assistida por suporte

A técnica requer o uso de seringas cilíndricas


recheadas com terras diatomáceas, comercialmente
disponíveis inclusive com opções tamponadas para garantir
ajuste de pH. Possui a grande vantagem de facilitar a
automação analítica.

94
Técnicas de preparação de amostras

Extração Líquido-líquido (LLE)


Recentes avanços da LLE
Extração líquido-líquido assistida por pressão
A técnica submete solventes orgânicos a temperaturas
acima de 200 °C e pressões na ordem de 20.000 kPa, suficientes para
garantir a forma líquida dos solventes.
São favorecidos o aumento de energia de solvatação desses
solventes e da velocidade de extração, uma vez que frequência
analítica também é um requisito importante nos dias atuais.
Requer equipamento similares àqueles utilizados para
extração por fluido supercrítico.

Obs: no fluido supercrítico não existe


distinção entre a fase gasosa e líquida
do solvente, que adquire propriedades
de gases e líquidos
95
Técnicas de preparação de amostras

Extração Líquido-líquido (LLE)


Aplicações da LLE

Aflatoxinas em cervejas não-alcoólicas (5 mL)


extaídas com acetato de etila (15 mL).

96
Técnicas de preparação de amostras

Extração Líquido-líquido (LLE)


Aplicações da LLE

Pesticidas carbamatos em sucos de uva (2 mL)


extaídos com acetronila (4 mL) e 0,03 g de NaCl

Carbaril

Adilcarb Carbofuran

97
Técnicas de preparação de amostras

Extração Líquido-líquido (LLE)


Aplicações da LLE

Testosterona em sangue humano (0,2 mL)


extaídos com terc-butil metil éter (1 mL).

98
Técnicas de preparação de amostras

Extração por headspace

O termo headspace refere-se à fase gasosa que


se forma quando uma amostra é confinado em um
tubo hermeticamente fechado.

Headspace estático K = CL/CG


99
Técnicas de preparação de amostras

Extração por headspace

O termo headspace refere-se à fase gasosa que


se forma quando uma amostra é confinado em um
tubo hermeticamente fechado.

100
Técnicas de preparação de amostras

Extração por headspace

A técnica de headspace dinâmico, muito


utilizada para a determinação de composto
orgânicos voláteis, é também conhecida como
purge and trap.

Envolve duas etapas: a primeira de purga


dos analitos voláteis e adsorção sobre a superfície
de uma fase sólida (trap) e a segunda, a
dessorção dos analitos para o sistema de injeção
de um cromatógrafo a gás.

101
Técnicas de preparação de amostras

Extração por headspace


Esquema de um sistema de purge
and trap para extração de
compostos orgânicos voláteis
(VOCs). O gás de purga (N2) extrai
os analitos da amostra, que são
posteriormente adsorvidos no
primeiro trap. O segundo trap é
utilizado como garantia de que não
ocorreram perdas dos analitos. A
purga ocorre durante um tempo
determinado para garantir a
extração. Então, os analitos são
eluídos do trap mediante rápido
aquecimento e conduzidos até a
coluna cromatógrica por gás He.
102
Técnicas de preparação de amostras

Extração em fase sólida (solid-phased


extraction – SPE)
Princípio
A SPE é uma técnica de extração por adsorção dos
analitos em uma fase sólida, ou seja, uma técnica de
extração líquido-sólido.

Material adsorvente (fase sólida) são fixados em um


tubo do tipo seringa ou barril, através do qual passa a
amostra líquida submetida a uma vazão constante
(pressão).

A seletividade depende dos analitos, matriz, material


adsorvente e dos solventes utilizados na SPE.
103
Técnicas de preparação de amostras

Extração em fase sólida (solid-phased extraction – SPE)

Cartucho típico
Tubo de polipropileno
de 5 cm de comprimento e 1
cm de diâmetro, preenchido
com 50 a 500 mg de fase
sólida, que possui tamanho
de partícula entre 40 e 60 um
de diâmetro, fixados entre
dois filtros.

104
Técnicas de preparação de amostras

Extração em fase sólida (solid-phased extraction – SPE)


Discos: fase sólida impregnada sobre a superfície de
um disco .
Disco típico: 47 mm de diâmetro, 0,5 mm de
espessura, 500 mg de sorvente, partículas de 8 um de
diâmetro e 6 nm de tamanho de poro imobilizadas no
suporte, que pode ser constituído de microfibrilas de
PTFE ou vidro.

47 mm
Barril

105
Técnicas de preparação de amostras

Extração em fase sólida (solid-phased extraction – SPE)

Configurações para uso de cartuchos

106
Técnicas de preparação de amostras

Extração em fase sólida (solid-phased extraction – SPE)

Processo de extração – discos


 Filtração à vácuo (similar à filtração com kitassato);
 Imersão do disco diretamente na solução da amostra.

107
Técnicas de preparação de amostras

Extração em fase sólida (solid-phased extraction – SPE)

Extração em ponteira de pipeta descartável (disposable


pippete extraction – DPX)

108
Técnicas de preparação de amostras

Extração em fase sólida (solid-phased extraction – SPE)

Etapas importantes
 Ativação da fase sólida adsorvente;
 Condicionamento do adsorvente;
 Introdução da amostra no cartucho sob vazão
constante;
 Definição do volume de amostra compatível com o
tipo de analito, tipo de material adsorvente e
quantidade de material adsorvente;
 Lavagem do material adsorvente para retirar
impurezas;
 Eluição e medida no cromatógrafo.

109
Técnicas de preparação de amostras

Extração em fase sólida (solid-phased extraction – SPE)

110
Técnicas de preparação de amostras

Extração em fase sólida (solid-phased extraction – SPE)

Tipos de materiais adsorventes

Os mais diversos, atualmente, com propriedades


polares, apolares, troca iônica, covalente (materiais
utilizados para confecção de fases estacionárias em
colunas cromatográficas, entre outros) e os
tradicionais da cromatografia líquida em coluna
como a sílica, a alumina, carvão ativado, entre outros.

111
Técnicas de preparação de amostras

Extração em fase sólida (solid-phased extraction – SPE)

Tipos de materiais adsorventes Sílica C18

Sílica C8

112
Técnicas de preparação de amostras

Extração em fase sólida (solid-phased extraction – SPE)


Tipos de materiais adsorventes – fornecedor Waters

113
Técnicas de preparação de amostras

Extração em fase sólida (solid-phased extraction – SPE)

Principais adsorventes à base de sílica:


 Fase reversa: adsorvente é menos polar do que o
solvente de eluição;
 Fase normal: solvente é menos polar que o
adsorvente;
 Troca iônica.

Aumentando a seletividade da extração:


a) Empregar fases mistas: um única fase sólida que
contém diferentes grupos funcionais;
b) Extrações sucessivas com diferentes cartuchos
(diferentes fases sólidas);
c) Cartucho com fase sólida do tipo sanduíche. 114
Técnicas de preparação de amostras

Extração em fase sólida (solid-phased extraction – SPE)

Comparação cartucho x disco


Discos ganham a comparação por possuírem:
 Fase sólida fisicamente mais homogênea;
 Menores pressões são requeridas: fase sólida é mais fina;
 Minimização dos problemas associados aos caminhos
preferenciais (fase sólida mais fina);
 Menor tamanho de partícula promove aumenta da
velocidade de transferência de massa.
 Maior área de interação do analito com a fase sólida;]
 Menor volume de solvente é requerido para a eluição;
 Assim, incrementos na repetibilidade e, claro,
reprodutibilidade analítica.

115
Técnicas de preparação de amostras

Extração em fase sólida (solid-phased extraction – SPE)

Desvantagens
 Maiores dificuldades para o condicionamento da
fase sólida;
 Partículas que compõem a fase sólida possuem
dimensões muito pequenas: obstrução dos poros.

Aumento da seletividade
Pode ser facilmente obtido o aumento da
seletividade por empilhamento de discos de mesmas
fases sólidas (como se estivessem sendo feitas mais de
uma extração) ou diferentes fases sólidas.

116
Técnicas de preparação de amostras

Microextração em fase sólida (solid-phased


microextraction – SPME)

Segue os mesmos
princípios descritos para
SPE, no entanto, utiliza-
se uma fibra inserida em
uma agulha.

117
Técnicas de preparação de amostras

Microextração em fase sólida (solid-phased


microextraction – SPME)
Exemplo de exposição da fibra: imersa na
solução contendo os analitos e dessorção, em geral,
térmica.

118
Técnicas de preparação de amostras

Microextração em fase sólida (solid-phased


microextraction – SPME)
Exemplo de exposição da fibra na técnica de
cromatografia gasosa por headspace: a fibra não é
imersa na solução. A fibra é exposta aos analitos
presentes na fase gasosa.

119
Técnicas de preparação de amostras

Microextração em fase sólida (solid-phased


microextraction – SPME)
Aplicações

 Menos utilizada para a grande maioria dos


contaminantes de preocupação emergente.
 Furano (um contaminante alimentar com provável
ação carcinogênica segundo a Agência Internacional
para a Pesquisa do Câncer – IARC), em alimentos in
natura e industrializados e fornecidos em frascos de
vidro como sucos, vegetais, papinhas para bebês e
molhos, pois o furano é volátil.

120
Técnicas de preparação de amostras

Microextração sortiva em barra de agitação (stir


bar sorptive extraction – SBSE)
Nesta técnica, o material sorvente mais utilizado é o
polidimetilsiloxano (PMDS) fixado sobre a superfície de uma barra
magnética. Uma camada típica de PMDS possui espessura entre
0,3 e 1,0 mm.

121
Técnicas de preparação de amostras

Microextração sortiva em barra de agitação (stir


bar sorptive extraction – SBSE)

O PMDS possui propriedades apolares, portanto


promove interações hidrofóbicas com os analitos, que
resultam em fenômenos de sorção, prioritariamente.

O uso de PMDS é tão amplo devida às


propriedades do polímero como mecânicas, de
difusão e termoestabilidade, o que permite recorrer à
elevação de temperatura para favorecer o processo
de extração dos analitos.

122
Técnicas de preparação de amostras

Microextração sortiva em barra de agitação (stir


bar sorptive extraction – SBSE)

A SBSE requer duas etapas: a de contato ou


exposição da barra aos analitos, que pode ocorrer de
diferentes formas, seguida da etapa de eluição dos
analitos adsorvidos, que pode ser feita por dessorção
líquida ou térmica.

123
Técnicas de preparação de amostras

Microextração sortiva em barra de agitação (stir


bar sorptive extraction – SBSE)
Aplicações

 Pesticidas em águas

 Hormônios e drogas, incluindo metabólitos,


em águas residuais, urina e saliva.

 Demais aplicações usuais para extrações em


fase sólida convencionais ou miniaturizadas.

124
Técnicas de preparação de amostras

Microextração em sorvente empacotado


(Microextraction by packed sorbent – MEPS)
Esta técnica foi proposta pelo Professor Mohamed
Abdel-Rehim e colaboradores e trata-se da miniaturização
da SPE.

Uma microcoluna é recheada com adsorvente


sólido (1 a 4 mg) e conectada à agulha de uma
microsseringa (gas tigh 100 a 250 µL, contendo filtros em
ambos os lados.

125
Técnicas de preparação de amostras

Microextração em sorvente empacotado


(Microextraction by packed sorbent – MEPS)

1 cm 0,2 mm

126
Técnicas de preparação de amostras

Microextração em sorvente empacotado


(Microextraction by packed sorbent – MEPS)

127
Etapas da extração MEPS 167
Técnicas de preparação de amostras

Microextração em sorvente empacotado


(Microextraction by packed sorbent – MEPS)
Principais etapas da extração MEPS

 Pré-concentração: um único ciclo ou vários


(quatro ciclos de 50 µL).

 Limpeza: água contendo metanol, acetonitrila


ou isopropanol, solução de ácido fórmico 0,1 %.

 Eluição: alíquotas de 20 a 100 µL de solvente


orgânico.

128
Técnicas de preparação de amostras

Microextração em sorvente empacotado


(Microextraction by packed sorbent – MEPS)
Aplicações
Fármacos em fluidos biológicos
 Amostras diluídas em solução-tampão para que
estejam ou na forma não-ionizada ou ionizada,
procedimento que favorece a transferência de
massa dos analitos para a fase extratora por
diminuir a viscosidade.
 Ativação da fase extratora como metanol seguida
de água;
 Pré-concentração: um único ciclo ou vários (quatro
ciclos de 50 µL).
 Limpeza: água contendo metanol, acetonitrila ou
isopropanol, solução de ácido fórmico 0,1 %.
 Eluição: alíquotas de 20 a 100 µL de solvente
orgânico.
129
Técnicas de preparação de amostras

Microextração em sorvente empacotado


(Microextraction by packed sorbent – MEPS)

130
Técnicas de preparação de amostras

Microextração em sorvente empacotado


(Microextraction by packed sorbent – MEPS)
Aplicações

 Compostos estrogênicos em águas


de rio e residuárias por GC-MS,
obtendo LOQ entre 38 e 360 ng L-1.

 Ácidos fenólicos hidroxibenzoico e


hidroxicinâmico em vinhos por
UHPLC-PDA, com LOD igual a 7,2 µg
mL-1 e LOQ de 24 µg mL-1. Ácido
p-hidroxibenzoico

Ácido
p-hidroxicinâmico
131
Técnicas de preparação de amostras

Dispersão da matriz em fase sólida (matrix solid-


phased dispersion – MSPD)
A técnica consiste em misturar a amostra com um
suporte sólido que possua propriedades adsorventes e
promover a homogeneização dessa mistura, seguida da
eluição dos analitos.

O analito estará distribuído entre os dois materiais, a


amostra e o adsorvente sólido, portanto:

Kd = [Analito] adsorvente / [Analito] matriz

132
Técnicas de preparação de amostras

Dispersão da matriz em fase sólida (matrix solid-


phased dispersion – MSPD)
Etapas de extração MSPD
Uma massa de amostra é medida e transferida para
um almofariz (vidro ou ágata), que contém o sólido
dispersante. Promove-se a homogeneização desses
materiais para obter o resultado de dispersão da amostra
no suporte sólido.

A técnica pode ser aplicada para amostras como


frutas, peixes, grãos, vegetais, plantas etc., podendo
requerer etapa prévia de redução do tamanho partículas
(moagem).

133
Técnicas de preparação de amostras

Dispersão da matriz em fase sólida (matrix solid-


phased dispersion – MSPD)

Etapas de extração MSPD 134


Técnicas de preparação de amostras

Dispersão da matriz em fase sólida (matrix solid-


phased dispersion – MSPD)
Aplicações
 Florisil foi usado como dispersante sólido para a
determinação de pesticidas em frutas, solo e mel e
bifenilas policroradas em frutos do mar.

 Bifenilas policloradas em carne suína foram tratadas


como sílica acidificada com ácido sulfúrico para
remoção de gorduras, seguida de MSPD com Florisil.

 Alumina neutra foi utilizada para extrair sulfonamidas


presente em músculo de galinha.

 Alumina ácida foi recomendada para extrair


pesticidads e organoclorados de gordura animal. 135
Técnicas de preparação de amostras

Dispersão da matriz em fase sólida (matrix solid-


phased dispersion – MSPD)
Aplicações

 Florisil retém fortemente compostos polares, por isso é


indicado para na determinação de compostos
apolares como pesticidas e bifenilas policloradas em
matrizes lipídicas.

 Amostras líquidas viscosas de cosméticos (xampu,


creme facial, creme dental, sabão líquido) e
produtos de limpeza (detergentes, sabões para
máquina de lavar) foram tratados com Florisil e
sulfato de sódio anidro.

136
Técnicas de preparação de amostras

Dispersão da matriz em fase sólida (matrix solid-


phased dispersion – MSPD)
Vantagens
 Requer pequena quantidade de amostra
 Massa de 0,5 g de amostra concentrada em 10 uL de
solvente resulta em FC de 50.
 Não é necessário a secagem do solvente para
recuperação em volumes menores, como SPE.
 Alternativa para amostras sólidas, semissólidas e
viscosas, que requerem procedimentos prévios À
extração por SPE.

Desvantagens
 Dificulta a automação e dependa da habilidade do
analista para proceder a dispersão da amostra na
fase sólida. 137
Técnicas de preparação de amostras

Microextração em fase líquida (liquid phase


microextraction – LPME)
Microextração em gota única (single drop microextraction
– SDME)
LLLME: fase
aquosa doadora,
fase orgânica
extratora e uma
segunda fase
aquosa
receptora.
O extrato é
aquoso, portanto
ideal para HPLC
em fase resversa,
eletroforese
capilar, técnicas
eletroanalíticas.
138
Técnicas de preparação de amostras

Microextração em fase líquida (liquid phase


microextraction – LPME)
Microextração em gota diretamente suspensa (directly-
suspend droplet microextraction – DSDME)

139
Técnicas de preparação de amostras

Microextração em fase líquida (liquid phase


microextraction – LPME)
Microextração em gota sólida (solidification of floating
drop microextraction – SFDME)

140
Técnicas de preparação de amostras

Microextração líquido-líquido dispersiva (dispersive


liquid-liquid microextraction – DLLME)
Esta técnica proposta por Rezaee e colaboradores
baseia-se em um sistema ternário de solventes,
fundamentado no processo de partição dos analitos entre
duas fases imiscíveis, como já comentado para a LLE.

LLE: requer sucessivas etapas de extração.


DLLME: uma única etapa é satisfatória.

O objetivo é favorecer a partição dos analitos entre o


solvente extrator e o solvente dispersor.

Requisitos: o solvente dispersor é miscível na fase aquosa


(amostra) e no solvente extrator (fase orgânica).
141
Técnicas de preparação de amostras

Microextração líquido-líquido dispersiva (dispersive


liquid-liquid microextraction – DLLME)
Requisitos do solvente extrator

 A solubilidade na fase aquosa deve ser baixa,


para garantir satisfatória recuperação dos
analitos.

 Deve ser compatível com a técnica analítica,


para evitar procedimento de secagem e
redissolução.

 Favorecer a formação das microgotas (cloudy


solution).
142
Técnicas de preparação de amostras

Microextração líquido-líquido dispersiva (dispersive


liquid-liquid microextraction – DLLME)
Etapas de extração: uso de solvente extrator mais
denso do que a água.

143
Técnicas de preparação de amostras

Microextração líquido-líquido dispersiva (dispersive


liquid-liquid microextraction – DLLME)
Etapas de extração: uso de solvente extrator menos
denso do que a água assistida por ultrassom.

144
Técnicas de preparação de amostras

Microextração líquido-líquido dispersiva (dispersive


liquid-liquid microextraction – DLLME)
Aplicações da DLLME
 Hormônios em águas, 80 µL de
tetracloreto de carbono e 1,25 mL
de acetona, com fator de
concentração (FC) entre 71,0 e
78,5. Dietilestilbestrol (DES), sintético

Estrona e 17  estradiol (naturais) 145


Técnicas de preparação de amostras

Microextração líquido-líquido dispersiva (dispersive


liquid-liquid microextraction – DLLME)
Aplicações da DLLME
 Triclosan, triclocarban e metil-triclosan em águas, 15 µL
de diclorobenzeno e 1,0 mL de tetraidrofurano, com FC
entre 210 e 234.
a)

Triclocarban

a) Triclosan e b) metil-triclosan146
Técnicas de preparação de amostras

Microextração líquido-líquido dispersiva (dispersive


liquid-liquid microextraction – DLLME)
Aplicações da DLLME
 Bifenilas policloradas em peixes, 30 µL de diclorobenzeno
e 1,0 mL de acetona, com FC entre 87 e 123.

147
Quím. Nova vol.24 no.3 São Paulo May/June 2001
Técnicas de preparação de amostras

QuEChERS (quick, easy, cheap, effective, rugged


and safe)
O método QuEChRES foi proposto por Anastassiades
e colaboradores como estudo das condições até então
utilizadas para a análise de multirresíduos de pesticidas em
alimentos. Trata-se de método de extração não-seletivo.
O método foi proposto com base em três etapas
principais:

 Extração com solvente acetonitrila;


 Partição dos analitos promovida por adição de sais como o
sulfato de magnésio e cloreto de sódio;
 Limpeza do extrato obtido empregando a técnica de
extração em fase sólida dispersive (dispersive solid phase
extraction, d-SPE).
148
Técnicas de preparação de amostras

QuEChERS (quick, easy, cheap, effective, rugged


and safe)

Determinação

149
Técnicas de preparação de amostras

QuEChERS (quick, easy, cheap, effective, rugged


and safe)

150
Técnicas de preparação de amostras

QuEChERS

151
Técnicas de preparação de amostras

QuEChERS

152
Técnicas de preparação de amostras

QuEChERS
S o
o c
r t
Sorvente etilenodiamino-N-porpilsilano v a
e d
n e
t c
e i
l
s
i
l
a
n
o

Sorvente carbono grafitizado C18


153
Técnicas de preparação de amostras
QuEChERS

154
Técnicas de preparação de amostras

QuEChERS
Aplicações
 Agrotóxicos em frutas

Extração

Partição

Limpeza
155
Técnicas de preparação de amostras

QuEChERS
Aplicações
 Agrotóxicos em alimentos infantis

Extração

Partição

Limpeza

156
Técnicas de preparação de amostras

QuEChERS
Aplicações
 Medicamentos veterinários em alimentos de origem
vegetal
3 Limpeza
1 Extração

2 Partição

157
Técnicas de preparação de amostras

Principais referências bibliográficas

158
Técnicas de preparação de amostras

Principais referências bibliográficas

159
160
João Pessoa – Paraíba

“Na aurora do terceiro milênio, é preciso


compreender que revolucionar, desenvolver,
inventar, sobreviver, viver, morrer, anda tudo
inseparavelmente ligado”.

161
Rio Amazonas, Brasil.

Obrigada pela atenção!

162

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