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Divulgando Uma Porção

A Mecânica Interna da Torá

Michael Laitman,PhD
Divulgando uma Porção: Os Mecanismos Internos da Torá
Copyright © 2014 by Michael Laitman
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Nenhuma parte deste livro pode ser utilizada ou reproduzida de qualquer forma sem a permissão
por escrito do editor, exceto no caso de breves citações incorporadas em artigos ou críticas.
Layout: Chaim Ratz
Capa: Inna Smirnova
Tradução: Grupo de Portugal
Revisão: Grupo do Brasil
Pós-Produção: Uri Laitman
Primeira Edição: setembro de 2016
SUMÁRIO
Introdução ..................................................................................................................................... 6
Beresheet (No Princípio) ............................................................................................................... 7
Lech Lecha (Ide Adiante) ............................................................................................................. 14
Noé .............................................................................................................................................. 21
Vayerá (O Senhor apareceu) ....................................................................................................... 28
Chayei Sarah (A Vida de Sara) ..................................................................................................... 35
Toldot (Estas São as Gerações) ................................................................................................... 42
VaYetzé (E Jacó Saiu) ................................................................................................................... 49
VaYishlách (E Jacó Foi)................................................................................................................. 57
VaYéshev (E Jacó Se Sentou) ....................................................................................................... 64
Mikétz (No Final) ......................................................................................................................... 71
VaYigásh (Judá Se Aproximou) .................................................................................................... 78
VaYechi (Jacó Viveu) .................................................................................................................... 85
Shêmot (Êxodo) ........................................................................................................................... 92
VaErá (E Eu Apareci) .................................................................................................................... 98
Bô (Vinde) .................................................................................................................................. 105
BeShalách (Quando Faraó Enviou) ............................................................................................ 111
Yitrô (Jétro)................................................................................................................................ 118
Mishpátim (Ordenanças)........................................................................................................... 125
Terumá (Donativo) .................................................................................................................... 132
Tetzavé (Ordem)........................................................................................................................ 139
Ki Tissá (Quando Tomas) ........................................................................................................... 146
VaYakhél (E Moisés Reuniu) ...................................................................................................... 152
Pekudei (Contas)........................................................................................................................ 152
VaYikrá (O Senhor Chamou) ...................................................................................................... 159
Tzáv (Comando)......................................................................................................................... 165
Shmini (No Oitavo Dia) .............................................................................................................. 172
Tázria – Metzorá (Quando uma Mulher Dá À Luz - O Leproso) ............................................... 179
Aharei Mot (Depois da Morte) Kedoshim (Santos) ................................................................... 185
Emor (Dizei) .............................................................................................................................. 192
BaHár (No Monte Sinai) ............................................................................................................ 198
BeHukotai (Nos Meus Estatutos) .............................................................................................. 204
BaMidbar (No Deserto) ............................................................................................................. 211
Nássô (Tomai)............................................................................................................................ 218
BeHa’alotchá (Quando Levantais as Velas) ............................................................................... 225
Shlách Lechá (Enviai) ................................................................................................................. 233
Corá ........................................................................................................................................... 241
Hukat (O Estatuto)..................................................................................................................... 248
Balaque...................................................................................................................................... 254
Pinehás ...................................................................................................................................... 261
Matot (Tribos) ........................................................................................................................... 267
Másaei (Jornadas) ..................................................................................................................... 274
Devarim (Estas São as Palavras) ................................................................................................ 281
VaEtchánan (E Eu Supliquei) ..................................................................................................... 288
Ékev (Porque) ............................................................................................................................ 295
Re’é (Vede) ................................................................................................................................ 301
Shóftim (Juízes) ......................................................................................................................... 309
Ki Tetzé (Quando Ides) .............................................................................................................. 316
Ki Tavô (Quando Vindes) ........................................................................................................... 324
Nitsavim-VaYeléch (De Pé - Foi Moisés).................................................................................... 332
Haazinu (Dai Ouvidos) ............................................................................................................... 339
VeZot HaBrachá (Esta É a Bênção) ............................................................................................ 346
Introdução
No mundo de hoje, a Torá (Pentateuco) é um método que ainda está por ser reconhecido pelo que
verdadeiramente é. Nestas páginas encontrará as histórias da Torá enquanto se desdobram pelas
porções semanais (Parashot). A interpretação única de Dr. Laitman das histórias se calca nas
verdades reveladas em O Livro do Zohar, que contém os segredos da Torá. Estes segredos revelam
um nível profundo e muito pessoal das histórias, fornecendo novas ferramentas para compreender
nossas próprias vidas e as vidas daqueles que amamos.

Aqui, pela primeira vez, as histórias da Torá são interpretadas como o trabalho espiritual de cada
pessoa. Dentro destas páginas você descobrirá que a Torá é mais que a saga da nação Israelita. Ela
é o conto interior de você e eu, de todos nós, e de toda a humanidade. É aqui que as conexões entre
nós como indivíduos e como sociedade podem ser vistas mais claramente.

A interpretação inovadora de Dr. Laitman conta com as fontes autênticas da Cabala e revela novos
sentidos dentro de nós que nos ajudam a conectar uns aos outros a nos compreender uns aos outros,
e verdadeiramente implementar a lei fundamental da Torá: “Ama teu próximo como a ti mesmo. ”
Ao assim fazer, o livro é um instrumento que nos pode ajudar a estabelecer relacionamentos mais
positivos e fortes entre nós baseados em preocupação mútua e uma ausência de malícia.

A Torá oferece-nos uma mensagem espiritual profunda, revela como podemos desenvolver nossas
almas e alcançar o propósito da Criação.

A “sabedoria da verdade”, conhecida como “sabedoria do oculto”, ou a “sabedoria da Cabala”,


contém dentro dela todos os segredos do mundo. Como tal, as histórias na Torá oferecem-nos
novos níveis ricos em entendimento.

Através delas, vemos um processo gradual do nosso desenvolvimento interior pessoal


simultaneamente com o processo coletivo de crescimento conhecido como Tikún Olam (correção
do mundo). Hoje, Tikún Olam é precisamente o que precisamos enquanto enfrentamos múltiplas
crises em níveis pessoais, sociais e globais.

Certamente, estas crises são um resultado do abandono do homem das leis da Natureza, enquanto
a Torá apresenta um plano completo e preciso que nos mostra como podemos ajustar a nós mesmos
a estas leis e prevenir ou aliviar crises. Enquanto sociedade global, temos de nos unir como um,
com um coração, ou até como uma família, e assim nos tornarmos, a nós mesmos, compatíveis com
as leis da Natureza. Esta mensagem na Torá é o que a torna tão importante para todos nós nestes
tempos difíceis.
Beresheet (No Princípio)
(Gênese, 1:1 – 6:8)

Sumário da Porção:
Beresheet (No Princípio) é a primeira porção na Torá (Pentateuco). Ela conta a história da
criação do mundo em seis dias, e o resto no sétimo dia. Ela fala sobre a criação do homem, sua
chegada ao Jardim do Éden, e a criação da mulher. Esta porção também narra as histórias do
pecado da Árvore do Conhecimento, Caim e Abel, as gerações de Caim a Lameque, as dez
gerações de Adão a Noé, a corrupção que engoliu suas gerações, e a esperança renovada emergiu
com o nascimento de Noé.

Comentário
Beresheet contém mais histórias que qualquer outra porção na Torá. De muitas maneiras é também
a mais profunda, pois ela discute a base do nosso ser, a criação da alma. A alma comum foi criada
a partir da vontade de receber deleite e prazer, ou simplesmente, “a vontade de receber”. Essa
vontade é o núcleo da alma, e é afetada por seis qualidades: Chéssed, Gvurá, Tiféret, Netzach, Hod
e Yessód. Estas qualidades penetraram a substância — a vontade de receber — e a desenharam em
sincronia com a força superior, o Criador. A razão porque o homem é chamado “Adam” é que a
palavra vem de Adamah, do versículo, Adameh la Elyon (“Eu serei como o mais alto”, Isaías, 14:14).
Isto se refere à similaridade de Adam ao Criador — a doação sublime, amor sublime — a força
superior que o deu à luz.

Adam é a estrutura da alma que é igual em forma ao Criador, e ela está em Dvekút (adesão) com Ele
no Jardim do Éden. Um jardim significa “desejo”, e o jardim é a parte da criatura, a substância de
Adam — ele é a vontade de receber. Éden marca o grau de doação, o grau de Biná. Adam, que está
no grau de Biná, está no Jardim do Éden.

Isto não pertence ao nosso mundo ou ao universo que conhecemos, mas em vez disso à alma comum
que o Criador criou. Bem desde o início, a alma comum atravessou uma preparação especial, “o
pecado”, porque no seu começo ela era parte da força superior. Isto significa que a alma não tinha
autoridade própria, nada em seu nome, ou qualquer sensação de existência independente. Neste
sentido, a alma era como um embrião no ventre de sua mãe — por um lado, ela existe, por outro
lado, ela é parte de sua mãe e cada uma das suas ações é governada por essa entidade superior.

Tal é a estrutura da alma. Enquanto ela existe no Jardim do Éden, o próprio jardim não permite
independência. “Independência” significa que uma pessoa está além do controle de outrem, em um
estado de se preparar para assumir autocontrole. A estrutura da alma é a criatura, o ser criado.

A palavra, Nivrá (criatura), vem da palavra, Bar (fora). Em prol de permitir à estrutura da alma na
realidade se tornar uma criatura, ela deve ser retirada e removida do Criador. Em outras palavras,
ela deve se tornar oposta ao Criador, e esta oposição é obtida através do pecado.
Explicando o Pecado
A alma consiste de duas forças: Caim e Abel. Abel quer existir ao elevar o Hével (sopro/vapor), ou
seja, a Luz Refletida, ou doação, a força doadora. Caim é o oposto, querendo atrair todos os
prazeres, todas as luzes, para dentro, para a alma.

Caim — a qualidade que atrai prazer, a luz para si mesmo, e não pelo bem do Criador, atrai-a até
que Abel, o desejo de doar, desaparece. Este ato é chamado “Caim matando Abel. “

O Kli (vaso) da alma que recebe luz não pelo bem do Criador se quebra em pedaços, pedacinhos
de desejos egocêntricos. Cada tal desejo é uma alma individual que se torna envolta em um
embrulho semelhante a uma Klipá (casca/pele). Durante o processo de formação destas almas
quebradas, quedas e descidas adicionais ocorrem pelos graus espirituais. Elas trazem-nos para aonde
nos encontramos neste mundo, cada um de nós sendo uma parte da alma comum e singular que
foi criada.

É precisamente porque estamos desconexos uns dos outros pelos nossos egos — imersos na vontade
de receber em vez de na vontade de doar — que temos uma oportunidade de corrigir. Porque já
fomos corrigidos no passado, podemos começar hoje a corrigir a ruína e pecado que tomou lugar
no passado. Embora não sejamos nós que tenhamos cometido o pecado, nossas almas estão
preparadas no interior para nos permitir levar a cabo a correção.

Esta correção é chamada “arrependimento”, constituindo um retorno a precisamente o estado onde


estávamos enquanto no Jardim do Éden. Devemos nos apressar e alcançar esse estado, contudo,
porque o mundo inteiro já está avançando para a conexão, um processo essencial de união e a
percepção de nós mesmos como uma única alma. E finalmente, quando estamos todos em doação
e amor mútuo, teremos sucesso em retornar à estrutura, o estado que mantivemos antes do pecado.
Ao assim fazer, obteremos o estado em que estávamos enquanto no Jardim do Éden, e nos
elevaremos uma vez mais acima da realidade deste mundo.

Nossa presente realidade desaparecerá porque ela só existe enquanto estamos imersos na vontade
de receber em prol de receber. Quando temos a intenção de doar, contudo, não podemos mais
existir na nossa presente realidade. Em vez disso, nossa existência se torna completamente espiritual
e nos conduz de volta ao estado em que antes estávamos antes da nossa criação.

Perguntas e Respostas

Qual é o sentido da Criação e o que a precedeu?

“Criação” refere-se à criação do homem e do mundo. A criação do mundo precede à criação do


homem por cinco dias. As qualidades, Chéssed, Gvurá, Tiféret, Netzach e Hod, são os primeiros cinco
dias, e a qualidade chamada Yessód, a coleção dos anteriores cinco, é o sexto dia, Yessód liga todos
eles juntos e se torna a Yessód (fundação) para a criação do homem. A sabedoria da Cabala descreve
muitas ações que precedem à criação do mundo, tais como “existência a partir da existência” e
“existência a partir da ausência”. Estas são duas forças que criam todos os estados: as quatro fases
de Luz Direta, os mundos, Adam Kadmon e Atzilut. Contudo, não relacionamos estas ações ao nosso
mundo porque a criação do nosso mundo e do homem estão ligadas somente ao mundo de Atzilut.
Qual é o Significado de Beresheet (No Princípio/Gênese)?

Na Cabala, a palavra Beresheet (no princípio/Gênese) não indica o primeiro ato que tomou lugar
na Criação. Beresheet indica que a Criação começou dos céus e da terra, ou seja, de duas qualidades
opostas. Céus é a qualidade de doação, e terra é a qualidade de recepção. Todos outros estados das
criaturas deriva dessas duas qualidades.

Porque a Torá conta a história do meio e não do princípio?


A Torá conta-nos somente a parte que é relevante para nossa correção. É inútil aprender o que não
pertence à nossa correção porque não a sentimos nem compreendemos, nem temos esses níveis ou
qualidades. A estrutura da Criação é vasta, todavia aprendemos somente uma fração dela — aquela
que é necessária para que nos organizemos a nós mesmos para o tempo presente. É exatamente
assim que expomos as crianças ao mundo, como um processo gradual, lhes mostrando mais e mais
do mundo enquanto elas amadurecem para que possam perceber e usar seu conhecimento para seu
benefício.

O que é alma?

A alma é a vontade de receber que já está corrigida em doação. Embora sua natureza, sua substância,
seja a vontade de receber prazer, acima dessa substância está uma correção que o homem faz —
trabalhar pelo bem dos outros.

Se há somente duas forças na Natureza, a vontade de receber e a vontade de doar, onde está todo
o resto?

Certamente, há somente duas forças, e graus das mesmas duas forças, ou seja, maneiras e níveis de
conexão entre elas. Os graus relacionam-se aos níveis inerte, vegetativo, animado e falante.

As duas forças no nosso mundo se manifestam como forças positivas e negativas. Nós as
conhecemos como “elétrons” e “prótons”, e suas várias combinações formam as diferentes
substâncias. Estas substâncias não se tornam sólidas, ou seja, “imóveis”; elas também se tornam
plantas, ou “vegetativas”.

Plantas possuem uma estrutura de absorção, emissão, metabolismo, e assim por diante. O próximo
nível o nível “animado”, demonstra uma estrutura que se percepciona a si mesma como existindo,
movendo e crescendo.

Posteriormente se desenvolve o nível “falante”, a estrutura do ser humano, único na história da


Criação. Todavia, no fim, tudo é composto, nos vários estados de desenvolvimento, de elétrons e
prótons.

O que é uma mulher e o que é um homem?

A vontade de receber dentro da alma é chamada “uma mulher”, e a vontade de doar dentro da alma
é chamada um “homem” (Gever), da palavra Hebraica, Hitgabrut (superar), porque ela supera a
vontade de receber.
Qual é o sentido e propósito das histórias de Beresheet?

As histórias de Beresheet não devem ser tomadas literalmente, como contos de um homem e mulher
que pecaram, histórias de serpentes e maçãs, e assim por diante. Na realidade, as histórias descrevem
as qualidades da vontade de receber e a vontade de doar.

Todas as qualidades de doação e recepção sobre as quais lemos nesta porção da Torá são nossas
fundações. Inicialmente, nossa alma é uma alma, um desejo preenchido até à borda com luz. Ela
está em perfeita congruência com a luz, a vontade de doar, e está desta forma no grau de Jardim do
Éden — o grau de Elokim (Deus).

Isto nada tem a ver com nosso mundo, nem com coisa alguma que vemos e sentimos aqui e agora.
Todas as qualidades descritas na porção são forças da dimensão superior, da qual a alma declina
em qualidade, todavia não tão baixo como o mundo corpóreo.

Todas as quedas da alma são preparações para nossa presente situação. Nós, juntamente com o
universo, desenvolvemo-nos do estado no qual a alma quebrou e recebeu a vontade de receber,
quando o ego começou a se desenvolver. Nós temos nos desenvolvido desse ponto em diante.
Contudo, parece que nós temos nos desenvolvido somente em uma dimensão. Agora, de nossa
geração em diante estamos começando a evoluir em uma maneira mais qualitativa, ascendendo no
nosso desenvolvimento mental.

À medida que descobrimos a negatividade nas nossas vidas, estamos começando a sentir que a vida
podia e devia ser melhor, que nosso desenvolvimento está nos conduzindo para um beco sem saída.
Hoje quando estudamos a Torá, não a estudamos como um documento histórico, mas em vez disso
visamos usá-la para nos ajudar a avançar para nossa designada meta. Isto é, temos de nos elevar uma
vez mais ao nível, ao estado, e às qualidades que tivemos no Jardim do Éden. Esta é na realidade
nossa meta.

Hoje, estamos experimentando muitas crises porque estas forças se divulgam a nós da depravação
da nossa situação, e que devemos corrigir a nós mesmos e nos elevar. Esta porção da Torá, Beresheet,
partilha luz nas nossas vidas, no mundo, e no processo irreversível que estamos atravessando.

Qual é a diferença entre o nosso tempo e o tempo de Noé?


No tempo de Noé, as pessoas não estavam conectadas como estão hoje. É verdade que sempre
fomos egoístas, procurando ter sucesso e lucrarmos para nós mesmos. Contudo, no passado, a
Natureza não nos pressionou como agora faz, e podíamos fazer o que quiséssemos.

A sabedoria da Cabala ensina-nos que temos avançado muito bem usando nossos egos para
construir nossa sociedade. Contudo, agora alcançamos o fim da estrada, embora maioria de nós
está por reconhecer. Os recursos do nosso planeta estão a diminuir, e nós estamos entrelaçados em
uma rede que nos liga juntos contra nossa vontade. Reconhecemos que algo está impedindo nosso
progresso e nos prevenir de fazer o que queremos. E quando não podemos continuar a nossa
abordagem habitual para a vida, ficamos alarmados, e chamamos-lhe uma “crise”.

Hoje sentimos estas crises nos laços familiares, na nossa cultura, ciência e a economia. Temos o
sentido de que não estamos mais em controle do mundo em que vivemos. Sempre corremos de
acordo com os caprichos de nossos egos, mas agora não podemos. O mundo está nos cercando, nos
forçando a nos tornarmos congruentes uns com os outros. Pouco a pouco, o estado que existia no
Jardim do Éden está se manifestando, um estado no qual estamos ligados uns aos outros em garantia
mútua. No Jardim do Éden estávamos conectados “como um homem com um coração”, como uma
única família, uma única alma. Agora devemos alcançar esse estado, mas não estamos equipados
para isso; estamos quebrados.

Como a história como aquela de Caim e Abel pode dar um exemplo?

A história de Caim e Abel não serve como exemplo de boas coisas. Desde o momento em que forças
contraditórias apareceram em Adam, ele foi conduzido a pecar. Agora devemos regressar ao estado
em que estávamos antes do seu pecado. Os estados que estamos experimentando hoje estão nos
obrigam a fazê-lo. Não seremos capazes de escapar. A vida nos pressionará até que procuremos uma
solução, e a solução será nos adaptarmos ao estado do infinito que existia quando todos estávamos
conectados como um.

De O Zohar: O Mundo Foi Dividido em 45 Tipos de Cor e Luz


“Adam HaRishon seguiu a serpente abaixo, e desceu para conhecer tudo o que há abaixo. Isto é,
ele desceu para estender a iluminação da esquerda do alto a tudo o que está abaixo, ao lugar de
Malchut ausente, como a serpente, dado que a extensão da iluminação do Zivug (acasalamento) de
cima para baixo é a proibição da árvore do conhecimento. Desta forma, porque ele veio para atrair
de cima para baixo, ele foi prontamente anexo às Klipot (cascas/peles) “. Zohar para Todos, Beresheet,
2, item 287
É a serpente a causa de todos os problemas?
A serpente é certamente a causa de todos os nossos problemas. A serpente representa todo e cada
nosso pensamento e desejo de usar os outros ao máximo. Ela está sempre em nós, quer estejamos
conscientes disso ou não.

Não é nossa culpa que sejamos assim. Estamos em falta somente com uma coisa: sermos passivos.
Sofremos não porque nascemos egoístas ou indelicados, mas porque somos preguiçosos em nos
corrigirmos a nós mesmos. É como se fossemos crianças que receberam certas qualidades à nascença
e não podem ser culpadas por isso. Contudo, se uma criança pode fazer alguma coisa acerca desses
traços, mas o evita fazer, a atitude da sociedade para com ela muda.

O que podemos fazer hoje?


Podemos começar a aprender sobre o novo mundo em que vivemos, onde nada funciona como
antes: isto inclui a economia, indústria, comércio, família e educação.

Os jovens de hoje não sabem o que estudar — ou se devem estudar de todo. Eles não conseguem
sequer decidir se devem ter filhos!

As pessoas estão face a um meio ambiente pouco claro, onde as coisas parecem enevoadas e
imprevisíveis. Devemos examinar e aprender da Natureza o que está nos acontecendo, mas maioria
das pessoas prefere não ouvir falar disso. Essa relutância deriva do ego, a serpente.

Enfrentamos um problema enorme. As pessoas ainda não são sérias o suficiente para que
compreendam que grandes problemas nos esperam se não mudarmos. Desta forma, devemos
circular a informação sobre o novo mundo e tornar as pessoas conscientes em prol de fazer as coisas
mais fáceis para elas, antes que sofram as consequências.

Além do mais, se avançarmos antes de enfrentarmos esses golpes, seremos como crianças
inteligentes que compreendem que inversamente vão sofrer. Logo, precisamos estudar mais e nos
melhorarmos a nós mesmos, ou seremos forçados a estudar e melhorar, independentemente de
nossa escolha.
O desafio é para todos nós, à medida que esta rede continua se fechando sobre nós, e quanto mais
apertada se torna, mais dificuldades vamos experimentar. Economistas serão incapazes de afetar a
crise econômica mundial, somente se todos nós nos unirmos podemos trazer mudança ao mundo.
Se conseguirmos fazer isto, o sistema monetário, desemprego, indústria, saúde, e o resto dos
sistemas serão reorganizados e melhorados. Sem essa mentalidade, nenhum sistema avançará
favoravelmente.

Termos
Beresheet

Beresheet (no princípio) significa que o Criador criou seis qualidades e o homem. Dentro do homem
estão todas as qualidades pelas quais se tornar semelhante ao Criador. Na realidade, esta é a obra
da Criação — construir a substância, a vontade de receber. Estas qualidades permeiam a vontade de
receber para que a estrutura bem como a alma alcancem o estado do Criador.

O Shabat (Sabat)

Esta é a correção final do Homem, quando ele retorna ao Jardim do Éden. É um estado no qual
nos reunimos em uma única alma.

O Jardim do Éden
No Jardim do Éden, estamos todos em doação mútua, em completa garantia mútua.

A Mulher
A “mulher” é a vontade de receber dentro de nós, que devemos conectar com o homem dentro de
nós para que a vontade de receber tenha a intenção de doar. Estamos imersos na nossa vontade de
receber, um desejo que é inicialmente egoísta e que se destina a se assemelhar ao Criador, a doar
sobre Ele.

A Serpente
A “serpente” é a inclinação ao mal, o anjo da morte. A serpente se tornará um anjo sagrado quando
toda a vontade de receber for corrigida. *

A Árvore do Conhecimento
A “Árvore do Conhecimento” é a maior luz. Ela foi inicialmente recebida em prol de receber, assim
causando a quebra da alma. No futuro, vamos receber essa luz, mas com a intenção de doar.

Sumário
Estamos verdadeiramente em Beresheet, no princípio. A humanidade está finalmente começando a
compreender onde estamos, como estudos de sociólogos e outros cientistas sociais indicam.
Esperemos que em breve percebamos que simplesmente nos devemos unir, que esta é a única
maneira de construir um novo mundo corrigido. Assim fazendo, ganharemos benefícios físicos bem
como espirituais.
É por isso que o ano começa com Beresheet, “no princípio”, pois ele contém tanto o fim como o
princípio. Dentro desta porção, codificada na palavra Beresheet, está o inteiro processo que devemos,
e vamos experimentar.

* “A serpente é a inclinação ao mal; ela é o anjo da morte” (Beresheet, 440).

“O Criador provê Suas correções a todos até que até o anjo da morte retorne a ser muito bom” (Zohar para
Todos, Mishpatim (Ordenanças), 165).
Lech Lecha (Ide Adiante)
(Gênesis, 12:1-17:27)

Sumário da Porção
A porção, Ide Adiante, começa com Abraão sendo ordenado ir para a terra de Canaã, a fome
força-o a descer ao Egito, onde os servos do Faraó levam Sarai, sua esposa. Na casa do Faraó,
Abraão apresenta-a como sua irmã, temendo pela sua vida. O Criador pune o Faraó com infecções
e doenças, e ele é forçado a devolver Sarai a Abraão.

Quando Abraão regressa à terra de Canaã, uma luta irrompe entre os pastores do gado de Ló e
os pastores do gado de Abraão, após a qual eles separam seus caminhos.

Uma guerra irrompe entre quatro Reis dentre os governantes da Babilônia, e cinco Reis da terra
de Canaã. Ló é tomado como refém e Abraão parte para salvá-lo.

O Criador faz uma aliança com Abraão, “a aliança dos pedaços” (ou “aliança entre as partes”), a
promessa da continuação de seus descendentes e a promessa que eles herdariam a terra.

Sarai não pode ter filhos, então ela oferece a Abraão sua criada, Hagar, e eles têm um filho
chamado Ismael.

Abraão faz a aliança da circuncisão com o Criador e é ordenado que faça a circuncisão a si mesmo
e a todos os machos de seu agregado. Seu nome muda de Abrão para Abraão, e o nome de sua
esposa muda de Sarai para Sara.

No fim da porção, o Criador promete a Sara que ela terá um filho cujo nome será Isaac.

Comentário
Todas as histórias da porção que lemos acontecem realmente dentro de nós. Na percepção correta
da realidade, este mundo não existe, nem a história, geografia ou a história da porção. Todas elas
são ocorrências que tomam lugar dentro de nós.

A sabedoria da Cabala explica que a percepção da realidade é um assunto profundo que se relaciona
à nossa mais interna psicologia, nossos sentidos e à nossa estrutura física.

A Torá descreve honestamente o modo como nos desenvolvemos. Todos e tudo aquilo que é
descrito reflete nossas forças mentais. Abraão, por exemplo, é a tendência de se desenvolver para a
espiritualidade, o desejo de se aproximar e descobrir o Criador.

A história de Abraão na Babilônia é na realidade a revelação da única força que existe e conduz o
mundo, e o desejo de descobrir essa força. Aqueles de nós que descobrem quem gere nosso destino
e porquê, ou que questionam, “Qual é o sentido da minha vida? ” Todos começam no mesmo
ponto de partida como começou Abraão, e a força de Abraão está viva e trabalha dentro deles.

Abraão percebeu que ele tinha que avançar para o próximo estado. De fato, ele sentia a Natureza a
empurrá-lo para a frente, lhe dizendo, “Ide adiante de tua terra e de teus familiares, e da casa de teu
pai, para a terra que Eu te mostrarei”. Lá encontrarás o equilíbrio e serás capaz de te realizares a ti
mesmo.
Maimônides e outros Cabalistas escreveram que foi assim que Abraão se mudou para a terra de
Canaã com seu inteiro agregado, e milhares de pessoas que deixaram a Babilônia junto com ele, e
que ele havia estabelecido como a “casa de Abraão”. Quando Abraão alcançou a terra de Canãa,
ele havia chegado ao novo desejo, chamado “Canaã”.

A palavra, Éretz (terra), vem da palavra, Ratzon (desejo).

Abraão descobriu que este desejo não o elevava suficientemente; ele tinha fome e não sabia o que
o sustentaria e o manteria neste ponto da terra de Canaã. Porque esta era uma terra de doação, e
ele ainda não estava em um estado onde ele conseguisse concretizar doação, uma nova situação se
formou, o obrigando a se tornar apegado à vontade de receber. Foi isto o que o fez descer ao Egito.

Um grande desejo apareceu neste ponto, onde a pessoa sente que mais passos com o ego
intensificador são necessários, à medida que o ego alterna de um estado de “Babilônia não é
suficiente”. À medida que o ego cresce, ele exige satisfação. Mas isto suscita o medo que se a pessoa
trabalhar com o ego com a intenção de doar (“Abraão”), ela não seja suficiente para guardar a si
mesma, e assim ela pode arruinar a intenção.

É por isto que as pessoas não estão dispostas a trabalhar com seus egos, a obstrução que cresce por
dentro. O desejo por dentro conta a essa pessoa, “Esta é minha irmã, não minha esposa”. Uma
pessoa fica pronta para se abster completamente do todo do desejo, chamado “Sara”, e permanecer
somente com a intenção de doar, chamada “Abraão”.

Por causa de nossos egos crescentes, carecemos de uma sensação de preenchimento. Em vez disso,
sentimo-nos cada vez mais deficientes e vazios. “Faraó” é o estado impresso dentro de nós que
pergunta, “O que ganho eu com isso? “. Parece que o presente estado é pior que aquele em que
estivemos anteriormente, que é o porquê do Faraó dizer a Abraão para levar o desejo de volta
(“Sara”) porque ele queria permanecer na corporeidade como estava, enquanto esse desejo, Sara, se
estende da espiritualidade.

Estas duas partes dentro de nós estão em uma luta constante. Elas alternam: primeiro, Abraão cresce
e cai, e então Faraó cresce e cai. Isso assemelha-se a como caminhamos, pisando com o pé direito,
então o pé esquerdo. Faz pouca diferença ao que chamamos a estas duas partes dentro de nós
porque elas adquirem diferentes nomes em graus diferentes.

Quando Abraão e sua comitiva regressaram à terra de Canaã, um problema se ergueu entre os
pastores do gado de Ló e os pastores do gado de Abraão. A palavra, Ló, significa “maldição”. A
questão na realidade é, “Em que direção deve-se avançar, na direção da meta de receber, ou na
direção da meta de doar”? Quando enfrentados com esta escolha, ficamos perplexos e não sabemos
o que fazer. Esta é a luta sobre o lugar e os poços na história de Ló, descrevendo a escolha para
distinguir entre as duas forças - recepção e doação.

Esta história ensina-nos que durante nosso desenvolvimento espiritual há muitos eventos onde
devemos olhar para nossos egos e vermos como se intensifica dentro de nós.

E, todavia, embora não desejamos discordar com a direção do mal, devemos também nos abstermos
de destruí-la. Em vez disso, devemos abster-nos dela, como Abraão se absteve de Ló, que mais tarde
o salvou de Sodoma.

Estas são as mudanças que acontecem dentro de nós. Nós usamos nossos Kelim (vasos) maus, bem
como os nossos bons, ou seja, nossas qualidades boas e nossas qualidades más, bem como todos os
nossos pensamentos porque aprendemos deles.
Quando Abraão conclui a luta com os pastores do gado de Ló, ele trava guerra com os quatro reis
que vivem no país. Novamente vemos que enquanto nos desenvolvemos, estamos em uma luta
constante. Os reis são nossas grandes forças, nossos grandes desejos. Eles não nos permitem entrar
na terra de Canaã e cercar Canaã. Desta forma, quando desejamos alcançar certo grau espiritual no
qual começamos a sentir o Criador, a força comum da Natureza, e a eternidade e perfeição na
Natureza, essas Malchuts, esses “reis”, encontram-se no nosso caminho, bloqueando-o.

Depois desta guerra, o Criador aparece a Abraão e diz para ele que ele faz uma aliança com ele. Ele
promete que esta terra verdadeiramente pertencerá à qualidade de Abraão que cresce e se
desenvolve por cima da qualidade de Faraó, das guerras, e por cima de Ló.

Agora essa qualidade é poderosa o suficiente para permitir que se entre na terra de Canaã. Esta é a
qualidade que permite a pessoa alcançar o propósito da Criação, a revelação do Criador, e
alcançar Dvekút (adesão) com o Criador.

Em prol de na realidade alcançar o próximo grau, o contato com o Criador, precisamos de uma
força que “origine” o próximo grau. Somos nós que geramos os novos estados, mas a vontade de
receber, que é “Sara”, ainda não consegue ser a força que dá à luz sob a qualidade de Abraão. A
qualidade de Abraão é ainda fraca na sua intenção de doar, e não consegue nos libertar da vontade
de receber. Contudo, ela consegue fazê-lo com a linha da direita, a força da direita, mas somente
com essa parte dela chamada “Hagar”. O descendente desse é “Ismael”, uma força que pertence à
direita de Biná, chamada a Klipá (casca/pele) da direita.

No fim, depois da aliança e as numerosas correções, Abraão chega a um estado onde ele também
consegue trabalhar com Sara, a vontade de receber geral. É então que Sara dá à luz, daí a grande
alegria refletida na porção.

Perguntas e Respostas

É dito a Abraão para ir da Babilônia para Canaã. O que significa se movimentar de um desejo
para o próximo, a que se parece estar na terra de Canaã?
Nós estamos em um processo de mudanças constantes, exceto que não estamos conscientes dele. A
Torá fala das mudanças pelas quais atravessamos conscientemente, depois de termos decidido que
queremos realmente mudar nossos desejos. A vontade de receber tem sido nossa inteira substância,
e alternamos de um desejo para o próximo, de lugar para lugar. Há uma máxima que diz, “Muda
de lugar, muda de sorte”. Um “lugar” é o desejo que observamos no mundo, O desejo é todas as
coisas; ele é a fonte da qual embarcamos para cada ação.

Cada nome ou palavra mencionados na Torá na realidade detona um desejo. Na sabedoria da


Cabala, falamos de Aviut (densidade), Massach (tela), e Reshimô (reminiscências) que determinam o
estado da Neshamá (alma). Aqui, também, estamos falando das mesmas mudanças que
atravessamos, exceto que a terminologia é diferente.

“Ide Adiante” significa que devemos sempre sentir que no princípio do caminho está
Yessód (fundação), e devemos avançar precisamente alterando de estado para estado. Devemos levar
a cabo estas instruções e alternar de estado para estado até que cheguemos ao fim da nossa correção.
Deste modo, “ide adiante” é o ato que o Criador espera que nós executemos.
Isto significa que podemos avançar em frente somente se compreendermos que a mudança pode
acontecer somente através da união. A inteira diferença entre graus espirituais é o nível de conexão
que conseguimos alcançar, que nos permite conectar todos os elementos dentro de nós para
alcançar nossa meta.

Nada é criado sem uma razão. Precisamos de todos os nossos poderes mentais, incluindo o Faraó,
Ló, o gado de Abraão, o gado de Ló, os reis que estão na terra, Balaão, Balaque, Hamã, os ímpios,
bem como os justos. No fim, a Torá ensina-nos como conectar todos os nossos poderes mentais e
nos tornarmos um indivíduo inteiro.

Qual é o sentido da terra de Canaã em respeito a nossos desejos?

Canaã é a terra que existia antes da terra de Israel. Este é um dos graus, aquele antes da terra de
Israel.

Esta uma pessoa já no caminho para a espiritualidade se o ponto no seu coração despertou?

Sim. Assim que o ponto desperta no coração de uma pessoa, ele ou ela não consegue permanecer
na Babilônia. Tal pessoa deve abandonar a Babilônia e ascender para o grau da terra de Canaã.
Progride-se juntamente com aqueles que se juntam—aqueles desejos com os quais podemos
trabalhar—e sobe para outro grau, onde se pensa na direção da doação, é Chéssed (misericórdia), na
direção que Abraão simboliza.

Do Zohar: Vá Adiante, para Corrigir a Ti Mesmo


Assim que o Criador viu seu despertar e seu desejo, ELE imediatamente se revelou a Si mesmo para
ele e disse-lhe, “Ide adiante”, para te conheceres a ti mesmo e para te corrigires a ti mesmo. Isto é,
que ele deve deixar de medir as forças superiores mas elevar MAN e prolongar um alto Zivug sobre
a Massach que lhe apareceu, com a qual ele será recompensado ao prolongar Dá’at para si mesmo e
se corrigir a si mesmo. Zohar para Todos, Lech Lechá (Ide em Diante), item 28

Alcançar um grau superior é feito pela Aviut (densidade) do novo desejo, e através da intenção sobre
esse desejo. Se uma pessoa executa um Zivug de Haka’á (acasalamento por golpe), ele ou ela alcança
a revelação da luz superior no grau em que o Zivug foi feito.

O que significa que o Criador “viu seu despertar”?


Uma pessoa recebe o despertar do plano geral da Criação. Cada um de nós tem um tempo no qual
começamos a despertar. O “motor” geral de todas as almas gira como um contador e emite ordens
para cada uma. Subitamente, você desperta, você tem um desejo e é conduzido. Você desperta para
a espiritualidade uma ou duas ou três vezes na vida, e você tem que responder; você tem que assumir
a iniciativa e começar a avançar por si mesmo.

O que acontece quando uma pessoa descobre que ela não consegue avançar mais?
Quando subitamente ela começa a sentir que não consegue avançar na espiritualidade, isso significa
que está novamente caindo no desejo egoísta (“Faraó”). Você está descendo ao Egito novamente.

Isto, contudo, é o que deve acontecer. Você precisa intensificar seu ego para avançar, pois tudo isto
é a sua matéria. Tudo é a substância da criação, a grande vontade de receber. Sem Faraó, você não
será capaz de alcançar Monte Sinai.

Você precisa ter uma “montanha” de mal e ódio, que levou do Faraó. Todo o desejo que apareceu
em você se tornou uma montanha ao redor da qual você sente seu ódio aos outros. Quando alcança
este ponto, você diz para si mesmo, “Eu preciso ter a Torá; não tenho escolha; eu tenho que ter a
força que me corrigirá, que é chamada ‘a luz que reforma’”.

O progresso é sempre feito em duas direções: de um lado está o crescente desejo egoísta; por outro
lado está a intenção de doar.

O que é a Klipá da direita, e porque Abraão, a qualidade de Chéssed, gerou uma Klipá?

A qualidade de Abraão é só o princípio; ela não está inteiramente corrigida. Isto é, ela é o desejo
inicial de uma pessoa, que está claro, carece de Aviut. Quando se conecta Aviut a si mesmo em prol
de avançar, a direita e esquerda conectam-se através do escrutínio do desejo dele. Uma pessoa
precisa examinar com que desejos ela pode trabalhar, e com que desejos ainda não pode. Os últimos
serão corrigidos quando ela alcançar graus mais avançados.

Além do mais, ao gerar seu filho com seu desejo parcial, chamado Hagar, as condições mudam.
Sarai torna-se Sara, e Abrão torna-se Abraão. Estes não são simplesmente nomes diferentes. Através
destas correções, chegamos a um estado onde trabalhamos com um novo, desejo diferente
conhecido como “Sara”, e uma nova, intenção diferente conhecida como “Abraão”, que juntas
geram o princípio da nação.

É Isaac o princípio da nação?


Não só Isaac. Há três linhas ao todo: a linha esquerda, direita e a linha do meio, que é Israel.
Adicionalmente, há duas Klipot (cascas/peles): Ismael na direita e Esaú na esquerda. Isso não
significa que elas sejam completamente defeituosas, mas só que com o tempo elas, também, serão
corrigidas.

A Klipá da direita, Ismael, ainda luta hoje contra todos, até mesmo hoje.

Assim permanecerá até ao fim da correção, até que todos nos misturemos juntos e nos unamos.

A circuncisão significa “cortar” no desejo?

Sim, mas circuncisão é mais que simplesmente cortar; ela é também as Klipot, que são desejos com
os quais não consegue trabalhar. Por enquanto, são Klipot até que eles se
tornem Kedushá (santidade). O problema está em você; você não consegue trabalhar com desejos
tão intensos com a meta de doar, uma vez que se receber prazeres os receberá para si mesmo em vez
de doar aos outros.

O que significa afazer uma aliança com o Criador?


Fazer uma aliança com o Criador significa que uma pessoa faz qualquer apelo que seja necessário.
A aliança é uma reorganização especial, interior, que permite que a pessoa, juntamente com as suas
forças, alcance um estado onde nunca cometerá erros, durante todos os graus futuros, desde que
ela mantenha um certo princípio.

O Criador vai me ajudar por causa da aliança?


A aliança significa que o Criador ajuda. O Criador = Natureza. “Eu, o Senhor, não mudo” significa
que de agora em diante você reconhece um certo princípio. Se você se segurar a isso, está garantido
evitar quaisquer erros, quaisquer desvios e quaisquer pecados. Seu avanço espiritual é sempre na
direção de um grau que ainda não conhece. Deste modo, deve se certificar que quando avançar,
não falhe. A aliança é a força que o leva seguramente de um grau para o próximo.
Há duas alianças: a aliança dos pedaços e a aliança da circuncisão. Circuncisão tornou-se uma
conduta Judaica no mundo corpóreo, e ela é um mandamento até este dia. Alguns dizem que é
uma tradição cruel. Qual é a raiz espiritual da circuncisão?

A raiz reside na necessidade de se livrar da vontade de receber que não se consegue corrigir. É aquilo
que fazemos a toda a hora, incluindo com Sara, Hagar e assim por diante. Por um lado, examinamos
a vontade de receber, que está crescendo. Por outro lado, percebemos que devemos “cortar” algumas
delas, semelhante ao fim do Partzuf (face). Precisamos decidir que não podemos lidar com esta parte
por enquanto. Isto é também ao que se referem as Mitzvot (mandamentos) positivos e negativos
(“fazer’ e ‘não fazer’). Porquê “fazer” e “não fazer”? Porque há uma vontade de receber que não
podemos usar.

Deste modo, em cada situação, devemos distinguir entre o desejo que usamos e o desejo que não
usamos. O “lugar” do exame é chamado a “Rosh (cabeça) do Partzuf”, e este é o principal escrutínio
que devemos sempre fazer antes de cada decisão.

É o prepúcio o desejo que não podemos usar?

Sim, o prepúcio, a exposição, e a gota de sangue todos são as correções que envolvem a intensidade
do desejo e sua natureza. Não conseguimos presentemente trabalhar a favor dos outros, tampouco
ao nosso favor, uma vez que não estamos na espiritualidade e não os usamos. A decisão de nos
abstermos de usá-los é chamada “circuncisão”.

É mencionado que Ló é tomado como refém. Quem o capturou e o que é o cativeiro?

Ele foi tomado como refém pelo desejo egoísta de Sodoma. Sodoma, em comparação com o estado
em que nos encontramos, é um estado de grande retidão, e até nos atrevemos dizer, “regra
Sodomita”.

O que significa que nós somos piores que a “regra Sodomita”?


Sim. A regra Sodomita é, “Deixa que o meu seja meu e o teu seja teu”. Eu não toco em ti, e tu não
tocas em mim. Até se eu puder roubar alguma coisa de ti, eu não o faço. Ou até se eu te puder usar,
eu vou evitá-lo. Eu não te vendo algo mau ou te manipulo através da publicidade. Abreviadamente,
eu não te exploro.

“Regra Sodomita” não soa assim tão mal!

É claro. Se estivéssemos na regra Sodomita hoje, este seria um passo em frente para nós. É por uma
boa razão que Ló foi incluído nela. Afinal, ele era próximo de Abraão; estas qualidades não são tão
longínquas uma da outra. Abraão veio para o salvar porque a qualidade de Sodoma era necessária
para suscitar qualquer coisa para a correção. Foi por isso que quando Abraão chegou a Sodoma, ele
examinou os desejos que podiam ser salvos deles enquanto que o resto, que não podiam ser
examinados, tiveram que atravessar a revolta de Sodoma.

Termos
Ide adiante

Ir adiante do seu desejo, independentemente de quão bom ele lhe possa parecer.

Você deve chegar a um novo estado, um novo grau. Cada vez “Ide adiante” indica que você deve
estar constantemente em movimento, avançando para cima.
Canãa

Canãa é a terra de Israel antes dela ser inteiramente corrigida.

Fome

“Fome” significa que eu não consigo satisfazer minha vontade de receber se eu for um Egípcio, ou
que eu não consigo satisfazer o meu desejo de doar se eu for um Judeu, procurando unificação com
o Criador.

Irmã

Há vários nomes que usamos para nos referirmos à vontade de receber. Entre eles estão “irmã”,
“esposa” e “servo”. A palavra, “irmã”, refere-se à vontade de receber que você consegue usar com o
preenchimento de Chochmá (sabedoria), como está escrito, “Dizei para a sabedoria, ‘Vós sois minha
irmã’” (Provérbios 7:4).

Criada e mulher

Uma “criada” é quando uma pessoa usa o desejo de doar em prol de doar. Uma “mulher” é quando
a pessoa a preenche com receber em prol de doar, do qual já é possível gerar filhos.

Fertilidade, Nascimento

As duas palavras acima referem-se a quando você gera o seu próximo grau, o seu próximo estado.

Aliança
Uma aliança é quando você adquire a força de vontade, entendimento, sensação e apoio, quando
você é assistido para mudar de um estado para estado sem falhar. Se há amor entre nós hoje, fazemos
uma aliança para o sustentar amanhã, também. A aliança ajuda-nos quando realmente queremos
que ele aconteça amanhã. Ela é uma força da Natureza que nos ajuda a manter nosso estado.

Sumário
A mensagem chave da porção é verdadeiramente, “ide adiante”. Avançamos de estado para estado
somente através das mudanças nos nossos desejos. Cada momento examinamos e escrutinamos
nossos desejos para decidir que desejos podemos usar, e que desejos não podemos, que desejos
devemos “matar”, e que desejos devemos “cortar” de nós mesmos.

Eu examino sempre como posso avançar através do amor aos outros e em direção ao amor ao
Criador. “Ide adiante” é o caminho que me guia, e é o único que eu posso percorrer.
Noé
(Gênese, 6:9-11:32)

Sumário da Porção
A porção, Noé, fala de pessoas pecadoras e o Criador, que envia um grande dilúvio para o mundo.
“Noé era um homem justo, perfeito nas suas gerações” (Gênese, 6:9). Foi por isso que ele foi
escolhido para sobreviver ao dilúvio.

Mas ele não sobreviveu sozinho. Em vez disso, lhe foi ordenado construir uma arca e se mudar
para ela com seus familiares e um par de cada animal. Eles permaneceriam na arca durante
quarenta dias e quarenta noites até que o dilúvio parasse.

O Criador fez uma aliança com Noé e sua família que o dilúvio nunca regressaria. Como símbolo
da aliança, ELE colocou o arco-íris no céu.

O fim da porção fala da torre de Babel, sobre as pessoas que decidiram construir uma torre cuja
cabeça alcança os céus. O Criador respondeu ao confundir sua língua para que eles não se
compreendessem uns aos outros, e finalmente os dispersando pelo país.

Comentário
A porção, Noé, é longa, intensa, e contém mais detalhes e eventos que outras porções. Como esta
porção toma lugar no começo da Torá, ela também marca o princípio de nosso caminho espiritual,
o tempo mais importante no nosso desenvolvimento espiritual.

Estas fases iniciais desdobram-se muito rapidamente, ao contrário de eventos subsequentes, quando
começamos na realidade corrigir nossas qualidades meticulosamente.

Mais tarde, os eventos descritos são de longe mais detalhados, como veremos naqueles que mais
tarde se revelam na Torá.

Nosso desenvolvimento toma lugar inteiramente sob nossa vontade de receber egoísta, que devemos
tornar em doação. Hoje estamos ainda no meio de um processo onde toda a humanidade deve
começar a trabalhar com seus egos para forjar as conexões certas entre as pessoas. A Luta para
superar o ego é sempre o maior problema, e aparece como ondas de um grande mar,
chamado Malchut de Ein Sof (Malchut do Infinito).

Cada vez, o ego se levanta e não sabemos o que fazer, então nossa única opção é nos escondermos
em uma caixa, em uma arca. Esta não é meramente uma fuga; mas é na realidade uma correção.
Construímos à volta de nós mesmos uma espécie de bolha, a qualidade de doação, e escondemo-
nos nela de todas as nossas terríveis qualidades egoístas. É assim que avançamos.

Quando o ego se manifesta, caminhamos para a arca, ajustamos nossas correções para nos elevarmos
acima do ego e evitarmos usá-lo. Na arca, desconectamo-nos do mundo circundante, onde terríveis
coisas estão acontecendo. Quando assim fazemos, os desejos egocêntricos que ferozmente batem no
casco de nossa arca, tentando puxar-nos para muitos lugares e direções, para as profundezas do mar.
E, todavia, permanecemos no interior da arca, concentrados no desejo de permanecer na qualidade
de doação.

A permanência na arca dura quarenta dias e quarenta noites. Esta é a diferença


entre Malchut e Biná, porque a Malchut toda, todos os desejos, estão incluídos em Biná. Verificamo-
nos a nós mesmos ao questionar o corvo, mas o corvo não responde. A pomba, contudo, realmente
responde porque ela é do lado de Rachamim (misericórdia), da direita, do lado da paz.

Quando recebemos a resposta que todos os nossos desejos são controlados pela qualidade de
doação, isso é um sinal de que sobrevivemos ao dilúvio. Essa é uma indicação de que todos nossos
desejos e qualidades, que são chamados “nossos familiares” (a família que está na arca), passaram a
primeira fase da correção e agora somos capazes de continuar as correções. O propósito do processo
inteiro, este fluxo, é para que nós corrijamos nossas almas egoístas quebradas e as tragamos para
um estado onde elas estejam em doação pura, e assim em completa equivalência de forma,
em Dvekút (adesão) com o Criador.

Quando saímos para o ar, para a terra seca, o Criador diz que Ele fará uma aliança conosco a
respeito de todas as coisas que estamos prestes a atravessar. A aliança é pelo futuro, quando eventos
semelhantes possam ocorrer, para que saibamos que podemos usar as forças que usamos no
passado.

A aliança testemunha que não conseguimos corrigir a nós mesmos e que somos obrigados a usar as
mesmas forças que usamos no passado. É por isso que não gostamos do símbolo do arco-íris no céu.

Aqui está um exemplo: Assumamos que estamos em uma discussão e que nos recordamos que
costumávamos ser amigos. Então, pelo bem do passado relacionamento fazemos a paz novamente.
Logo, o arco-íris, a aliança, não é um bom sinal porque ele marca nossa entrada para um tempo de
fraqueza, onde maiores problemas estão pela frente, para os quais precisaremos desta aliança.

O tempo de Noé marca o começo de um novo desenvolvimento. Há dez gerações de Adão a Noé.
Estas são as dez Sefirot, e há mais dez gerações (Sefirot) de Noé a Abraão. Há muitas qualidades em
nós que crescem dentro de nós e então aparecem, até que novamente reconheçamos nossas
qualidades egoístas. Aparentemente, esquecemos as qualidades da doação que tínhamos quando
na Arca, então não podemos mais cobri-las com Chassadim, a qualidade de Chéssed (misericórdia), e
com o amor aos outros, para sermos como uma família, como foi com Noé na arca quando o mundo
inteiro era como uma família. Nessa altura todos estavam debaixo do dossel de Chassadim, debaixo
de um dossel de amor, colaborando em garantia mútua.

Agora nossos desejos egoístas crescem uma vez mais, eles nos conduzem de volta para Babel - um
estado onde vemos nossos egos pairar, tentando ter e controlar tudo. O grande egoísta que controla
a pessoa é Nimrod. Esta é uma força que está disposta a fazer qualquer coisa.

Nimrod quer controlar nossas vidas. Ele não quer estar acima, na qualidade de doação, mas
somente na qualidade de recepção, como podemos ver ao nosso redor no mundo de hoje.

Tudo aquilo que aconteceu no tempo de Noé tinha que acontecer por causa da regra, “Eu criei a
inclinação ao mal; Eu criei para ela a Torá como tempero” (Kidushin, 30b), porque “a luz nela
reforma”. Em outras palavras, precisamos descobrir o mal em nós, e desta revelação do mal
descobriremos seu antídoto, uma vez que não quereremos permanecer no mal. É por isso que
precisamos obter a luz que reforma, a luz especial que a sabedoria da Cabala nos conta como obter
para que possamos corrigir a nós mesmos com ela.
Todas as histórias da Torá antes de Noé, tais como a de Caim e Abel, descrevem como o ego se
intensificou. Aprendemos sobre isso em O Zohar, que nos conta o verdadeiro sentido das histórias
da Torá. O Zohar diz-nos abertamente o que está simplesmente implícito na Torá. Ele revela-nos
aquilo que se esconde por trás de cada história humana e o que nos está a Torá na realidade a
contar nas suas narrativas. É por uma boa razão que a sabedoria da Cabala é chamada a “sabedoria
da verdade”.

A Torá fala de nossas almas, sobre como devemos retirar essa alma do esconderijo. Devemos
descobrir a alma em cada grau de sua Aviut, em cada fase de sua quebra, e devemos corrigi-la. Dentro
da alma corrigida, devemos sentir nossas vidas espirituais e permanecer nelas, como está escrito,
“Verás teu mundo na tua vida” (Berachot, 17a). Devemos descobrir o mundo espiritual, o Criador,
o “eu” que se encontra no mundo espiritual, e devemos fazê-lo aqui e agora, enquanto estamos
neste mundo.

Contudo, para entrar no mundo vindouro devemos primeiro descobrir nossas almas quebradas.
Neste processo, nossas almas crescerão na linha esquerda. Isto significa que durante as dez gerações
de Adão até Noé, grandes desejos da vontade de receber se desenvolveram na alma. Na fase onde
terminamos com a linha esquerda, seguindo a decisão do Criador, a linha direita aparece e começa
a corrigir a esquerda. A linha esquerda é a Malchut corrupta e quebrada, enquanto que a linha
direita é Biná, as qualidades de doação, qualidades de amor, doação e misericórdia.

Subsequentemente, dez novas gerações chegam, as dez Sefirot de Noé até Abraão - destinadas a
corrigir as anteriores gerações de Adão até Noé - ou seja dez Sefirot de Ór Yashar e dez Sefirot de Ór
Chozêr. Abraão vem depois dessas vinte gerações e recebe o princípio de uma alma em um nível
onde ele já consegue compreender e reconhecer seu propósito. É por isso que ele quebra as estátuas
e começa a combater seu próprio ego enorme, que lhe aparece como Nimrod, como Babilônia.
Com Nimrod na esquerda, e Abraão na direita, podemos começar a combater pela correção da
alma.

Todos estes nomes e incidentes descrevem aquilo que acontece a nossas almas. A Torá fala daquilo
que cada um de nós deve atravessar, e gradualmente descobriremos como podemos, na realidade,
atravessar estas fases.

Perguntas e Respostas
O dilúvio é uma coisa má? Hoje, palavras tais como “tsunami” e “dilúvio” suscitam terror.

Sim, é uma coisa má na espiritualidade, também. Um dilúvio implica “más águas”, ou Gvurot. Água
é essencialmente Chassadim, mas quando conectada a um ego que a controla, ela torna-se água
perigosa.

Nesta história, bem como na história da torre de Babel, aprendemos que o Criador decidiu
confundir as pessoas; Ele as fez pecar, e então aparentemente as puniu.

É claro, nada acontece sem Ele, pois “não há ninguém além d'Ele”. O que importa é como reagimos,
aceitamos e participamos no que está acontecendo. Em cada situação, devemos ser Seus parceiros
e compreender Suas obras. É como uma mãe que brinca com seu bebê. A mãe quer que o bebê a
compreenda e brinque com ela como ela brinca com seu filho. Deste modo, é claro que o Criador
está por trás do processo inteiro, mas a questão é se sabemos como reagir corretamente a aquilo
que se revela em cada momento.
Podemos nós reagir como esse bebê?

Se olharmos para os bebês, veremos que eles nunca estão em repouso. Eles se esforçam
constantemente para perceber o mundo, examinando e aprendendo dele. A infância é como o
tempo de construir o homem, o tempo das correções do homem. Depois dos vinte anos de idade,
todos começam a envelhecer e a minguar.

As fases que se atravessa, as más águas, Noé, e Abraão - colocam-nos em terrível inquietação. Mas
no fim, todos nós temos de atravessar este processo para corrigir nossas almas.

É por isso que a Torá inteira, desde o seu princípio até “Israel”, foi escrita para nós, para que a
possamos experimentar no nosso trabalho interno. Quando corrigimos a alma, entramos no mundo
vindouro.

O que é a Arca de Noé, e como se entra nela?

A arca é a qualidade de Biná. É dito como Biná é feita, aprendemos de suas qualidades e como
as Sefirot, GAR de Biná e ZAT de Biná, se conectam - ou seja as primeiras três Sefirot - Kéter,
Chochmá e Biná. Então aprendemos das sete Sefirot inferiores - Chéssed, Gvurá, Tiféret, Netzach, Hod,
Yessód e Malchut. Também nos dizem sobre as três partes de Biná - uma que pertence ao superior,
uma que pertence à própria Biná e uma que pertence aos inferiores. Biná é uma qualidade que
recebe do alto e se constrói a si mesma em prol de passar para baixo, como uma mãe que recebe do
pai e transforma aquilo que ela recebeu em algo adequado para o bebê.

O que significa “estar em Biná”?

“Estar em Biná” significa receber a iluminação superior.

Tudo vem da influência da luz superior, e nos não a conseguimos encontrar sozinhos ou dentro de
nós. Quando recebemos esta iluminação no interior, sentimos que estamos dentro de uma força
especial onde o ego não consegue magoar ou nos desviar de nosso caminho. Estamos
completamente protegidos lá, como se em uma bolha ou em uma caixa. Isso ainda não é realização,
uma vez que somos protegidos dentro da caixa como um bebê no ventre, mas então o ventre se abre
e o bebê emerge.

Assim que nascemos descobrimos que nossos egos cresceram tremendamente, isto já é o tempo da
Babilônia, e neste estado Nimrod e Abraão crescem no interior.

Inicialmente, Abraão é controlado por Nimrod. Mas quando ele vê que seu ego trabalha contra ele
e que ele se deve libertar, Abraão sai da autoridade de Nimrod e tenta estabelecer sua qualidade
de Chéssed como governante do ego. Embora não o consiga presentemente fazer, uma vez que ele
se tem de desconectar a si mesmo dele, ele finalmente escapa e se volta para a terra de Canaã.

O que representava a torre da Babilônia então? E é diferente agora?


A torre de Babel é o ego que aparece em nós, nos sufocando e não nos permitindo viver. Por um
lado, há Nimrod, que quer crescer tão alto como o céu; por outro lado há Abraão, que vê que esta
meta é impossível.

Nesse estado, eles separam seus caminhos. A maioria das qualidades seguem o ego, com Nimrod.
As qualidades que podem ser separadas da tentação que reside na torre de Babel - e serem corrigidas
por Abraão - são aquelas que se devem começar a corrigir. Estas qualidades (de Abraão) juntam-se
à nossa jornada para a terra de Canaã, na correção parcial da alma.
Hoje, praticamente 4000 anos mais tarde, nós - os “descendentes de Abraão” e os “descendentes de
Nimrod” - estão se reunindo para criar uma conexão conjunta. Nós construímos a Torre
de Babel novamente - nosso império global financeiro e econômico. Enquanto por um lado tudo
desmorona, por outro, nós, os “descendentes de Abraão”, estamos tentando fazer algo para corrigir
isso. Contudo, até então ninguém escuta.

Hoje não temos escolha porque passamos o processo inteiro que O Livro do Zohar detalha. Agora
devemos completar a correção para que Abraão possa governar a Babilônia, o ego.

Os poderes mundiais de hoje não pensam em mudar o homem. Eles concentram-se em mudar os
sistemas financeiros e econômicos para satisfazer o ego ainda mais. Eles não pensam além disso,
nem sequer como no tempo de Noé - entrando na bolha de doação mútua e evitar contato com o
ego.

Eles não pensam em cessar as guerras e a competição porque seu único interesse é lucrar com isso.
Até agora, nenhum dos poderes mundiais está pronto para escutar, dado que o sistema financeiro
é uma projeção de nossas conexões egoístas, daí todas as crises no caminho. Tudo o que podemos
fazer é aprender muito com isso disso.

A presente crise é a última porque ela descreve a totalidade das conexões egoístas entre nós, que
estão prestes a quebrar. A mensagem da união pode ser circulada quando muitas pessoas falam
sobre a crise e sua causa. É possível que este período acabe bem, mas também é possível que ele
decline para uma guerra; isso depende das pessoas do lado de Abraão.

Então nós somos a “soma” à torre de Babel?

Nós pertencemos ao grupo de Abraão, aquele que deixou a Babilônia e se mudou com Abraão para
a terra de Canaã. Os outros, os egoístas, pertencem ao grupo que veio de Nimrod, da Babilônia.
Devemos atravessar este período do último reconhecimento do mal, que é a guerra de Gog uMagog,
após o qual alcançaremos a correção final da alma comum.

Porque é que a confusão das línguas marca o colapso do sistema financeiro?


A confusão das línguas tem estado aqui desde a Babilônia e dura até hoje. Ela surgiu porque o
grande ego singular se quebrou em uma miríade de pedaços para todas as suas inclinações e cada
parte cada parte inclinava e puxava para si mesma. A manifestação externa disto é a confusão das
línguas.

De O Zohar: E o Senhor Cheirou o Doce Gosto


“Depois do dilúvio, 'Eu não novamente,' uma vez que agora a revelação do mal foi completada, pois
Eu não mais preciso acrescentar fogo para divulgar o Din (juízo), pois o mal foi revelado
suficientemente.

‘Pois a inclinação no coração do homem é má desde sua juventude’, e ele não deve ser repreendido,
e todas as punições do Criador são senão correções”. Zohar para Todos, Noé, item 243

“E todas as punições do Criador são senão correções”. Se verdadeiramente nos relacionarmos à


vida deste modo e aceitarmos que tudo acontece pelo propósito da correção, devemos saber
somente como participar, como nós mesmos fazermos parte deste fluxo, mesmo que um pouco,
para experimentar uma vida espiritual cheia de abundância.

Termos
Noé
“Noé era um homem justo, perfeito nas suas gerações”, ou seja, essa qualidade de doação que agora
aparece em uma pessoa. Noé é justo, do lado direito, Chéssed, em relação a esse dilúvio, em relação
a esses desejos egoístas.

Dilúvio

Por um lado, o dilúvio é água. Por outro lado, ele é água com a força de Gvurá, o poder do fogo, o
poder destrutivo egoísta. Ele é uma conexão incorreta entre a esquerda e a direita, onde a esquerda,
o ego, domina a direita.

A Arca

A “arca” é a qualidade de Biná, doação, Chassadim (misericórdia). Ela é uma mãe que precisa
atender a qualquer um que se junte a ela e esteja sob sua influência.

Quarenta Dias e Quarenta Noites


Este período marca a diferença entre Malchut e Biná. Biná é chamada a “Mem bloqueada”
(a Mem final em Hebraico). Mem é quarenta em Guematria (valores numéricos dados a cada letra
do alfabeto Hebraico). A ascensão da qualidade de recepção para a qualidade de doação,
de Malchut para Biná, ou seja, ascender para um grau de quarenta.
O Corvo
O “corvo” é a parte da esquerda que requer correção, em comparação com a “pomba”, que é da
direita. Deste modo, quando a pomba governa em vez do corvo, quando ela regressa com uma folha
de oliveira, está claro que a correção foi completada e o ego está inteiramente sob dominação da
doação.

Uma Folha de Oliveira

A azeitona é usada para muitas coisas, tais como óleo para lanternas. Óleo em si mesmo é uma das
fundações da vida. Ele é a luz de Chochmá que pode estar dentro da luz de Chassadim, quando
entramos em um estado que nos permite continuar a desenvolver. Nosso desenvolvimento toma
lugar através da luz de Chassadim. Estas são sempre duas forças opostas.

Arco-Íris
O arco-íris marca a aliança. Se eu fizer uma aliança contigo, isso não será porque gostamos de estar
juntos, porque nesse estado não há necessidade de assinar coisa alguma. Em vez disso, ela é uma
garantia para amanhã. Tememos ou antecipamos que nosso relacionamento se possa deteriorar;
deste modo, pela assinatura que mencionamos acima somos forçados a manter boas e adequadas
relações.

Em Hebraico, um arco-íris é chamado “um arco na nuvem’. A nuvem não simboliza uma boa
situação, mas o arco, a conexão entre nós que está sobre a nuvem, ata-nos de uma maneira que nos
permite continuar. Precisamos dessa aliança, que é uma caução interminável.

A Torre de Babel
Este é o ego gigantesco que se intensificou durante o tempo de Nimrod. O ego que constantemente
cresce: ele aprece na forma de más águas, em Gvurot no tempo de Noé, então na Torre de Babel, e
então o Faraó, os Romanos e os Gregos. O ego cresce constantemente e usa diferentes fachadas.
Vayerá (O Senhor apareceu)
(Gênese, 18:1-22:24)

Sumário da Porção

A porção, VaYerá (O Senhor Apareceu), começa com a história dos três anjos que vieram a
Abraão e contaram a Sara que ela teria um filho. Sara riu-se porque ela pensou que ela era
demasiado velha para ter um filho. Todavia, ela realmente teve um filho, cujo nome
foi Ytzhák (Isaac), chamado segundo seu Tzhók (riso).

Os anjos continuaram seu caminho para destruir as cidades de Sodoma e Gomorra, pois muitos
pecados estavam sendo cometidos lá. Ló e sua família foram permitidos escapar, mas a esposa de
Ló não obedeceu às ordens dos anjos. Ela virou-se para trás para olhar e tornou-se um pilar de
sal. Ló e suas duas filhas conseguiram chegar a uma gruta. As filhas de Ló estavam seguras que
eles eram os únicos sobreviventes no mundo, então elas enganaram seu pai para ter filhos com
elas.

Mais tarde na porção, depois do pedido de Sara, Abraão expulsou Hagar e Ismael para o deserto;
o Criador ordenou Abraão sacrificar seu filho, Isaac, e no último momento, um anjo impediu a
execução. Abraão levou um carneiro que ele havia encontrado preso em uma mata e ofereceu-o
ao Criador em vez de seu filho.

Comentário
Em “Prefácio para o Livro do Zohar”, uma das introduções de Baal HaSulam ao Livro do Zohar,
ele oferece uma explicação especial da nossa percepção da realidade. A explicação detalha o lugar
onde agora nos encontramos como um quadro de emoções retratadas como sólidos, gases e
líquidos.

O Zohar e a sabedoria da Cabala explicam que percebemos a realidade ao reagir a alguma coisa fora
de nós, que nós não conhecemos, e a qual transformamos em várias cores e materiais. Contudo,
precisamos adquirir sentidos adicionais e nos elevarmos a uma percepção da realidade superior,
acima dos nossos sentidos. É assim que descobriremos o mundo superior.

O Livro do Zohar fala-nos na “linguagem dos ramos”, usando os termos de nosso mundo. Ele conta-
nos como podemos obter e sermos impressionados com a nova forma, que é mais elevada que nosso
mundo. Por vezes nossos conceitos parecem-nos reais, tais como um “pilar de sal”, a revolta de
Sodoma e Gomorra, ou a história dos três anjos, uma vez que “um verso não propaga o literal”
(Masechet Yevamot, 24a).

Todavia, devemos almejar ver estes conceitos como relacionamentos entre nós na alma comum.

Os eventos da porção não são meros contos históricos; eles são fontes que lidam com as conexões
entre nós. O papel destas fontes é ensinar a aqueles que desejam avançar e se elevar à nova percepção
da realidade. Elas mostram como examinar nossos desejos, qualidades, forças, e a conexão entre
eles. Deste modo, podemos desenhar a partir deles a percepção da realidade que é chamada a
porção, ”VaYerá”.

Com cada porção, devemos nos elevar mais alto até que cheguemos à entrada da terra de Israel,
onde todos nossos desejos visam doar, em Dvekút (adesão), para que possamos começar o trabalho
verdadeiro. A Torá revela a luz que reforma, para que possamos avançar desde receber a Torá a
entrar na terra de Israel - um estado onde podemos trabalhar com a inteira substância da Criação e
com todos seus desejos da maneira adequada. A palavra Éretz (terra), vem da palavra, Ratzon (desejo,
e a palavra Yisrael (Israel), vem das palavras Yashar El (direito a Deus).

Os três anjos são três forças que existem dentro de nós: direita, esquerda, e meio, pelas quais nós
avançamos. Há o Abraão dentro de nós, a linha direita. Abraão tem a Klipá (casca/pele) da direita,
Hagar e Ismael, e a Klipá da esquerda, Isaac e Esaú, com quem alcançamos a linha do meio, Jacó,
na conclusão do processo da correção.

Separamos todas as nossas forças mentais das qualidades que visam dar e das qualidades que visam
receber. No meio, entre elas, está a combinação equilibrada das forças, a força
de Chéssed (misericórdia) - direita - é Abraão, e a força de Gvurá - esquerda - é Isaac, enquanto as
forças dos anjos são Miguel na direita e Gabriel na esquerda.

Precisamos separar a partir da profundeza dos desejos com os quais podemos trabalhar pois não
podemos trabalhar com todos nossos desejos em prol de doar. Embora cada Mitzvá (mandamento)
no caminho vise “Ama teu próximo como a ti mesmo”, ainda assim precisamos separar todos nossos
desejos e ver se podemos alcançar o amor aos outros com eles. Se não podemos, evitamos usá-los
até que alcançamos o próximo, estado superior.

Foi por isso que Abraão teve que cortar - alguns para a direita e alguns para a esquerda - como no
caso da contenda entre os pastores do gado de Ló e os pastores do seu gado. Lá, era muito claro
quem estava para a direita e quem estava para a esquerda. Em um estado de Sodoma, há novamente
uma mistura, que requer semelhante escrutínio.

Por um lado, Ló deve ser retirado de lá. Por outro lado, o desejo “feminino” de Ló deve ser
removido. Um macho é uma força de doação, enquanto uma fêmea é a força da recepção. Deste
modo, seguindo a análise, uma vez que não era possível trabalhar com o desejo de Ló, sua esposa
se tornou um pilar de sal. Nós usamos o sal para acrescentar sabor à nossa comida. Sem ele, nossa
comida seria insípida, mas o usamos somente sob condição que ela não tem vida. A água é um
estado de semi-morte, semi-vida. Sal, que é essencialmente um minério, é extraído do solo quando
ele está completamente sem vida; ele não é vegetal nem animal.

É deste modo que a pessoa escrutina mais e mais graus. Quando Isaac é atado, examinamos como
atar a linha esquerda e como a prevenir de usar seus poderes na totalidade. Abraão, a força da
direita, segura a linha esquerda e ata-a, prevenindo-a de ser usada. Ele o faz ao cortar sua própria
parte animal, mas deixando sua parte falante. O resto pode ser sacrificado como oferenda.

Outra forma de escrutínio é através da deportação da parte da direita que não se consegue juntar à
esquerda. Isto é manifestado na expulsão de Hagar e Ismael. Através de sério trabalho interior,
examinamos com que forças da alma podemos trabalhar, e avançamos de porção em porção, de
grau em grau.

A respeito do nosso tempo, o problema de Sodoma e Gomorra assemelha-se à presente abordagem


da América, que diz, “Deixai que o meu seja meu; deixai que o teu seja teu”. Em outras palavras,
há democracia e liberdade para o indivíduo, e cada um é por si mesmo. Clara e inequivocamente,
não chegamos no presente a uma conexão onde ‘Eu sou por ti e tu és por mim’. Hoje, não há
compromisso emocional para ajudar ou nos conectarmos aos outros. É tal como era em Sodoma e
Gomorra.

Desde o início, nos é dito que se queremos avançar no caminho da correção da alma, precisamos
mudar como nos relacionamos uns com os outros. Nossos relacionamentos devem ser direcionados
para a conexão. “Deixai que o meu seja meu; deixai que o teu seja teu” é a regra Sodomita. Até nos
parecer que é uma atitude respeitável, onde ninguém se mete nos assuntos do seu próximo, essa
atitude contradiz o propósito da Criação, que é ser “como um homem com um coração” (RASHI,
Êxodo, 19b), se unir em um único sistema. É por isso que a Natureza hoje nos apresenta um sistema
integral e circular onde todos estão inevitavelmente conectados, o completo oposto da regra
Sodomita.

A porção, VaYerá, ensina-nos o que podemos suscitar da qualidade de Sodoma, até se a esposa de
Ló, suas duas filhas, e o próprio Ló se encontrarem no nosso caminho. Não importa que tenhamos
que continuar a corrigi-los em relação a seus pecados na gruta. O que importa é que desde o início
de nossas correções devemos abandonar a regra, “Deixai que o meu seja meu; deixai que o teu seja
teu”.

Hoje, o mundo está precisamente na mesma situação. É por isso que devemos destruir os anteriores
relacionamentos entre nós que eram baseados em dinheiro e na conexão egoísta de dar e receber.
Em vez disso, devemos conceber um sistema onde todos são interdependentes. Nossa dependência
é semelhante a aquela de uma família, onde não há considerações monetárias, mas em vez disso
emocionais, onde nos aproximamos uns dos outros e nos tornamos “como um homem com um
coração”.

Hoje, a regra Sodomita de “Deixai que o meu seja meu; deixai que o teu seja teu”, caracteriza a
queda de ambos comunismo e capitalismo. Presentemente, não estamos em um estado de “Dar
aquilo que puderes e recebe aquilo que precisas”, como proclamaram os comunistas. Em vez disso,
estamos em um processo onde devemos sair de Sodoma sem destruí-la toda. Invés, devemos
derrubá-la e reconstruí-la a partir dos discernimentos anteriores, uma vez que tudo é criado por uma
razão.

Até as coisas que parecem as piores possíveis podem ser transformadas em boas, dependendo de
como as usamos. Por exemplo, a cobra venenosa contribui seu veneno para produzir muitos
medicamentos. Na realidade, a cobra é o símbolo da medicina.

Está escrito em O Livro do Zohar que quando um veado quer dar à luz à alma, a serpente vem e
morde-o, e somente então dá ele à luz. É impossível dar à luz a qualquer coisa - seja um novo grau
ou a uma nova alma - sem a mordidela da serpente.

Hoje estamos em uma situação muito especial, um ponto de ruptura, uma inversão que devemos
atravessar. É semelhante a uma inversão no nascimento de uma criança, quando a cabeça do feto
se vira para uma posição onde sua cabeça fica para baixo. É assim que emergimos de um mundo
para o próximo. Essa inversão simboliza nossa atitude para o mundo e de uns para os outros; tudo
fica invertido.

Esta é também a inversão de Sodoma e Gomorra, que devemos atravessar nos nossos
relacionamentos - de “deixai que o meu seja meu; deixai que o teu seja teu”. Se o reconhecermos e
compreendermos, vamos atravessá-lo facilmente. Inversamente, vamos experimentá-lo como uma
aflição das forças da Natureza.
Presentemente, a Torá obriga-nos a nos relacionarmos uns aos outros pela regra, “Aquilo que
odeias, não faças ao teu próximo” (Masechet Shabat, 31a). Devemos ser muito claros com esta
atitude, e não a comparar erroneamente à regra Sodomita, “Deixai que o meu seja meu; deixai que
o teu seja teu”.

“Aquilo que odeias, não faças a teu próximo” não significa que você evita somente prejudicar os
outros. Em vez disso, ela significa que você se deve relacionar aos outros de modo a que não os
consiga prejudicar, apesar de seu ego e sua vontade de receber. Esta atitude é chamada “desejar
misericórdia”.

Todavia, esta não é uma atitude de amor. Em vez disso, é como o velho Hilel disse para o gentio
(aquele que deseja se aproximar da verdade). Esta é somente a primeira parte, dizendo sobre uma
perna. Na próxima fase, como diz Rabi Akiva, tratamos os outros de uma maneira de “Ama teu
próximo como a ti mesmo” (Talmude de Jerusalém, Nedarim, Capítulo 9, 30b). Estas são as duas
fases, e agora devemos executar pelo menos a primeira.

Está deste modo claro que o mundo está a entrar no caminho da correção sob coação, sentindo a
quebra, a crise, e os problemas. Estes são os dias do Messias, nos quais um novo mundo está
nascendo diante de nós.

Perguntas e Respostas
O estado de Sodoma e Gomorra, de “Deixai que o meu seja meu; deixai que o teu seja teu”,
parece melhor que nossa presente situação. Pelo menos em Sodoma, as pessoas não roubavam
umas das outras. Estamos realmente em uma situação pior que a dos Sodomitas?

Nossa situação é de longe pior que em Sodoma e Gomorra! A ideologia ocidental de “Deixai que o
meu seja meu; deixai que o teu seja teu”, na realidade diz, “Não interfiras com os assuntos dos
outros”. Ela salienta a privacidade e liberdade do indivíduo. Esta atitude foi o que criou nossa
situação verdadeiramente adversa, então precisamos passar isto e avançar. Nosso progresso para o
novo mundo é mandatário, forçado pela Natureza.

Precisamos sentir os outros para avançar para o novo mundo?


Sim, é esta a precisa razão pela qual passamos pela fase do deserto. Os inteiros quarenta anos no
deserto foram uma fase onde nos elevamos aos nossos egos, tentando não sermos desrespeitosos
uns para os outros. Isto se manifestou em todos os pecados que os filhos de Israel cometeram no
deserto. Cada pecado teve sua própria correção, repetida e incessantemente.

Neste processo, divulgando os profundos e corruptos desejos que os filhos de Israel transcenderam
(“Aquilo que odeias, não faças a teu próximo”) é o princípio de tudo. É assim que devemos lidar
com aqueles no nosso mundo. Esta é uma tarefa muito difícil porque devemos nos elevar acima de
nossos desejos e acima de nossa natureza.

Por que o Criador ordenou Abraão matar seu filho?

“Matar” refere-se a matança da abordagem de uma pessoa para a vida, que se destina a desfrutar do
mundo. Desfrutar significa explorar o mundo.
Você pretende dizer desfrutar às custas dos outros?

Nós comparamo-nos sempre aos outros, tudo aquilo que temos que arruinar dentro de nós mesmo,
e aquilo que construímos como uma atitude completamente nova para os outros.

De O Zohar: E Deus Testou Abraão


“Certamente deveria dizer Abraão, pois ele precisava ser incluído em Din porque anteriormente,
não havia Din em Abraão e ele era todo Chéssed. Mas, agora água se misturou com o
fogo, Chéssed com Din. Até então, Abraão era incompleto, e ele foi coroado para passar juízo e
corrigir o Din no seu lugar, uma vez que há iluminação de Chochmá somente na linha esquerda.
Assim, antes de Abraão ser incluído em Isaac, a linha esquerda, ele era incompleto, ou seja, que ele
carecia da iluminação de Chochmá. Através do atar, Isaac foi misturado e foi então coroado com a
iluminação de Chochmá e foi completado. É por isso que se escreve que ao atar, ele foi coroado para
passar juízo, e assim o Din foi corrigido, ou seja a iluminação da esquerda no seu lugar, quando ele
foi incluído no lugar de Abraão, em Chéssed”. Zohar para Todos, VaYerá (O Senhor Apareceu), item 490

Parece que há um problema aqui da perspectiva da Criação em relação ao Criador. Por um lado, o
Criador precisa criar alguma coisa fora Dele, uma Nivrá (criatura), da palavra, Bar, (fora) do grau.
Por outro lado, para fazer o bem à criatura, o Criador tem de a elevar a um grau onde a criatura é
exatamente como o Criador. Como, então, podem estes opostos se fundir em um em uma pessoa
que é semelhante ao Criador, embora não idêntica?

Para fazer isso, há uma necessidade de criar no homem todos os desejos cuja natureza é oposta
daquela do Criador. Os 613 desejos no homem são então construídos através das 613 luzes da Torá,
que são chamadas “613 caminhos da Torá”. Quando começamos a trabalhar com esses desejos de
receber neles em prol de doar sobre o Criador, é então que nos corrigimos a nós mesmos e
recebemos em prol de doar, que é a própria doação.

Sucede-se que devemos atravessar correções prolongadas assim que nos elevamos acima desses
desejos que nos abstivemos de usar. Este é o começo da correção de Abraão em relação a Isaac. O
escrutínio é feito pela linha do meio - reconhecemos quanto é possível receber dela, e quanto não
é possível. Em outras palavras, à medida de que ascendemos pela escada de graus, constantemente
examinamos nosso uso da vontade receber em prol de doar.

Todavia, está claro para nós que temos desejos chamados “esposa de Ló”, que devem ser “colocados
em espera”. O sal não se estraga; ele pode ser usado passado muito tempo. É também assim que
usamos todos os discernimentos dentro de nós, todos nossos desejos.

No caminho, realizamos uma espécie de aliança: “circuncisão, exposição e a gota de sangue”. * Não
usamos os desejos maiores na alma, o prepúcio, mas os deixamos para o fim da correção, quando
tenhamos a força para usá-los corretamente, de modo a fazer o bem aos outros. Se os usarmos agora
só prejudicaremos os outros. Deste modo, fazemos todas as correções intermédias, chamadas
“esposa de Ló”.

Uma “mulher” é a vontade de receber, o ego de um, pousado na direção do desejo de doar. Ele
pode estar conectado à vontade de receber, chamada “Ló e sua esposa”. Ló é o desejo de doar, que
é o porquê de uma pessoa temporariamente “congelar” a vontade de receber, e o desejo de doar
aparentemente “monta sobre ele” até ao próximo grau, quando ele desperta.
Termos
Anjo

Um “anjo” é uma força da Natureza, tal como a gravidade ou o eletromagnetismo. Um anjo é uma
das forças da alma. As forças das nossas almas contêm direita, esquerda e meio, Gabriel, Miguel,
Uriel, Rafael, e assim por diante.

Riso
“Riso” é a conexão a um grau superior ao qual ainda não conseguimos conectar nosso
conhecimento e entendimento. Rimos de opostos quando não temos tempo para escrutiná-los nesse
momento.

Sodoma e Gomorra

Sodoma e Gomorra são desejos que expressam uma atitude para os outros, chamada “Deixai que o
meu seja meu; deixai que o teu seja teu”. Ela é uma atitude que não é condutora para a conexão;
assim, quando o próximo grau chega - o começo de nossa conexão com os outros - não conseguimos
trabalhar com os outros e temos de os abandonar. Ao mesmo tempo, comprometemo-nos a levar
para fora os desejos que nos pertencem conosco, ou seja Ló. No próximo grau, a luz superior chega
e começa a cuidar de nós, nossas almas, invertendo estes desejos que mais tarde usaremos para graus
maiores.

Não Olhar Para Trás


Parece bastante simples não olhar para trás. “Que o passado seja passado”, nos é dito, e “o que
aconteceu tinha que acontecer” porque “não há ninguém além Dele” (Deuteronômio, 4:35), “Eu
sou o primeiro, e Eu sou o último” (Isaías, 44:6). O anterior momento não dependia de nós e devia
ter acontecido como aconteceu. Não devemos nos arrepender dele; devemos olhar somente para a
frente.

Um Pilar de Sal
Um “pilar de sal” é um desejo que não usamos. Ele é um desejo que colocamos em espera até que
possamos cuidar dele. Isto inclui todos os desejos que separamos e aparentemente jogamos fora -
Ismael, Esaú, Sodoma e Gomorra, um pilar de sal, e assim por diante. Cada vez aparentemente
matamos reis ou nações isso na realidade representa correções dentro de nós. Estes desejos todos
despertam, então esperam para serem usados adequadamente passado algum tempo, e
especialmente para a meta da correção.

Expulsão

“Expulsão” é um desejo que não usamos. O expulsamos, partimos de usar esse desejo.

Atar
“Atar” refere-se a limitar o uso do desejo de uma certa maneira para que passado algum tempo
sejamos capazes de o usar. É como o mundo dos Akudim (atados), no qual primeiro encerramos
toda a luz de Ein Sof (infinito), ou é como as quatro espécies em Sucot.
De O Zohar: E Vede, Três Homens
“Todos os três anjos são necessários. Um é para curá-lo da circuncisão, que é o curador. Um foi
para contar a Sara que ela teria um filho. Este é Miguel, uma vez que ele é nomeado sobre o lado
direito e todas as bênçãos e o bem do lado direito foram dados para suas mãos”. Zohar para Todos,
VaYerá (O Senhor Apareceu), item 54

* Para explicação mais expansiva, veja em Beit Shaar HaKavanot de Baal HaSulam.
Chayei Sarah (A Vida de Sara)
(Gênese, 23:1-25:18)

Sumário da Porção
Na porção, Chayei Sarah (A Vida de Sara), Abraão dá um louvor depois da morte de Sara aos
127 anos de idade. Ele compra um lote para sua sepultura a Efrom o Hitita por
quatrocentos shekels de prata e a enterra na gruta de Machpelá, em Hebrom.

Abraão reprova o casamento de Isaac com uma mulher dos Cananitas, e envia Eliezer, seu servo,
a Aram Naharaim para encontrar uma esposa para seu filho. Quando Eliezer se aproxima de um
poço ele encontra Rebeca e lhe pede que lhe dê água. Ela dá-lhe água e oferece água aos seus
camelos, também. Eliezer leva sua oferta como um sinal de que ela é a mulher certa para Isaac, e
então ele a leva a Canaã.

Depois da morte de Sara, Abraão casa com Ketura, que gera seis filhos, que Abraão envia para o
oriente. Abraão morre aos 175 anos de idade e lega tudo aquilo que ele tinha a Isaac. O fim da
porção elabora sobre as gerações de Ismael, e sobre seu falecimento aos 175 anos de idade.

Comentário
Precisamos nos recordar que a Torá descreve o que acontece no interior à medida que revelamos
nossas almas, nossa parte mais interna. A revelação da alma é gradual e manifesta-se a si mesma nas
histórias da Torá. Abraão é a força inicial com a qual revelamos nossas almas, e abre a interioridade
para descobrir o mundo superior. Ele é a primeira força de superação, a força de doação, juntamente
com a fêmea dessa força, Sara, que é adequada para o grau de Abraão.

Para saber com que desejos podemos trabalhar, devemos separar nossos desejos egocêntricos,
deixando aqueles com que não podemos trabalhar para os próximos graus onde o desejo é mais
forte. Para examinar o desejo chamado “Isaac”, primeiro devemos remover o desejo com o qual não
podemos trabalhar e separá-lo com outra fêmea, com Hagar, de quem vem Ismael,
a Klipá (casca/pele) da direita.

O grau Isaac dentro de nós emerge só posteriormente, e ele é uma extensão do grau de Abraão. Está
escrito sobre Isaac, “Pois em Isaac será vossa semente chamada” (Gênese, 21:12). Isto significa que
a subida de Abraão a um grau mais alto é chamada Isaac. No grau Isaac, devemos examinar
novamente nossos desejos e separar com que desejos podemos trabalhar, e com quais não podemos.

Não podemos examinar sozinhos, pois essa pessoa (Abraão) vem somente de uma força, um lado,
da força de Chéssed (misericórdia). Abraão ainda está sem Gvurá, e primeiro deve adquirir o grau
de Isaac, a fundação de Gvurá. Este é o ponto onde a força de Eliezer chega para nossa ajuda. Eliezer
é como a luz superior - examinando nossos desejos e trazendo-nos ao grau onde podemos separar a
próxima fase da correção de todos nossos desejos. Essa fase é chamada “Rebeca”.

Julgando pelos sinais superficiais, tais como o incidente com os camelos, parece que Rebeca tem a
força de Biná. Sua força não são somente Kelim (vasos) de Galgalta Eynaim, mas são
também Kelim de ACHP, vasos de recepção, para que ela possa regar os camelos. Assim, é possível
continuar a progredir com ela e continuar a correção e abrir nossas almas. É por isso que se diz que
através da força de Eliezer, Abraão conseguiu encontrar a força apropriada de superação para Isaac,
e essa força é a força de recepção, chamada “Rebeca”. Ela é aquela de quem a próxima fase, o
próximo grau, será construído.

Depois de Abraão e Sara, a próxima fase é Isaac e Rebeca. Isaac, também, leva Rebeca para a terra
de Canaã e não a deixa em Aram Naharaim.

Depois de Isaac, Abraão faz escrutínios adicionais com Ketura e os seis filhos que ele envia para a
terra do oriente.

Cada vez que examinamos os desejos, o escrutínio toma lugar em vários graus. Podemos usar alguns
dos desejos em prol de doar e alcançar o amor aos outros. Outros desejos são “colocados em espera”
e evitamos usá-los. Em vez disso, usamos outra parte dos desejos de tal modo que sua correção
preceda as próprias correções. Tais são os “filhos das concubinas”.

No fim dos dias, ou seja, estes dias, podemos ver que tudo está regressando para essa força chamada
“Abraão”, que desperta novamente em nós. Nós estamos corrigindo na humanidade os Kelim que
foram quebrados dos filhos de Israel e os Kelim das nações do mundo. Entre estes estão as dez tribos
(que também têm sua influência) e os filhos das concubinas. Vamos também ver que no decorrer
da história, o mundo tem atravessado um processo de correções.

Começamos a reparar que os desejos que despertam pela correção nas nossas almas são apenas uma
semente que foi semeada em gerações anteriores, em estados anteriores, e que agora estão sendo
corrigidos. Experimentamos eventos na vida que nos recordam estados passados e que nos ajudam
a compreender a novidade e singularidade do presente tempo e como nos devemos relacionar a ele.

O grau de Abraão vive no desejo conhecido como “Sara” (segundo o nome da porção) e o examina.
Assim que o grau de Abraão é separado, o fim do grau, a morte de Abraão, a morte de Sara, e a
Gruta de Machpelá, chegou.

Estes são os elementos mais importantes porque todas nossas correções estão incluídas em uma
correção especial conhecida como Tzimtzum Bet (segunda restrição). Há duas restrições sobre nossa
vontade de receber, nos prevenindo de a usar em prol de receber para nós mesmos, mas somente
em prol de doar sobre os outros.

Devemos viver de tal maneira que conduziremos vidas normais enquanto vendo o além. Hoje, as
pessoas vivem diferentemente. Há cem ou duzentos anos atrás, as pessoas trabalhavam e ganhavam
suas vidas em proporção ao seu trabalho. É por isso que poucas eram ricas.

Contudo, hoje, na era dos desenvolvimentos tecnológicos, produzimos e ganhamos de longe além
do necessário para nosso sustento. É por isso que tantas coisas, tais como o turismo e atividades de
lazer, são desenvolvidas. Compramos, desperdiçando o que ganhamos naquilo que não é necessário
para nosso sustento.

Há duas restrições sobre a vontade de receber, que é a razão de atualmente experimentarmos a


quebra e ruina de nossa existência anterior. Chamamos-lhe “crise global econômica e financeira”.
Primeiro, precisamos entender que devemos deixar para nós mesmos somente aquilo que é
necessário para nosso sustento, dando o resto à tesouraria comum, à nação, à correção do mundo
inteiro. É assim que cada pessoa alcançará Tzimtzum Bet (segunda restrição).

Em vez de tirarmos para nós mesmos, devemos almejar dar aos outros. A presente crise nos obrigará
a compreendê-lo e assim progredirmos, e deste modo atravessaremos a crise fácil, agradável e
rapidamente.
Se não desejarmos compreendê-lo, vamos experimentar a transição para o próximo grau como
dolorosa, do mesmo modo que estamos começando a sentir a presente crise, com todos os
problemas que ela nos causa.

A Gruta de Machpelá simboliza a abordagem de conectar Malchut com Biná. A Malchut inteira, a
totalidade da vontade de receber, está incluída em Biná, no desejo de doar, que trabalha somente
desta maneira. Malchut recebe de Biná somente aquilo que ela necessita em prol de existir e
trabalhar em semelhança a Biná, ou seja em doação. Esta é a correção que teremos de fazer pela
humanidade — alcançar a qualidade da Gruta de Machpelá.

Perguntas e Respostas

O que é uma gruta e qual é o sentido da palavra, Machpelá, da palavra, Kaful (duplicar)?

Uma gruta é um buraco na terra. A palavra, Éretz (terra), vem da palavra, Ratzon (desejo).
Inicialmente, nosso desejo é como está escrito, “A inclinação no coração do homem é má desde sua
juventude” (Gênese, 8:21) porque “Eu criei a inclinação ao mal” (Talmude de Jerusalém, Masechet
Berachot, 27b), enquanto as correções são feitas através do tempero da Torá, através da luz que
reforma. Se sentimos uma corrupção, uma má vontade, um estado onde cada um só quer para si
mesmo e não se importa com os outros, isso é oposto à nossa meta inicial - de alcançar doação sobre
os outros. Isto verdadeiramente nos enterra, então sentimo-nos obrigados a nos corrigirmos.

A correção é feita através do estudo adequado da sabedoria da Cabala. Com a orientação dos
Cabalistas, atraímos a luz que reforma do estudo, que é o porquê da sabedoria da Cabala ser
chamada a “Lei da Luz”, bem como a “Interioridade da Torá”, e a “Torá da Verdade”.

Através do adequado estudo da sabedoria da Cabala, uma força desperta em nós e começa a nos
ajudar a separar nossos desejos, nossa interioridade. Removemos tudo de todos os desejos, paixões,
e qualidades com as quais nascemos, em prol de construir uma alma, um Kli (vaso) para a sensação
do mundo superior.

Essa gota de sémen existe em cada um de nós, e podemos abri-la, nutri-la e educar nossas próprias
almas dela. A alma é a parte de Deus no alto dentro de nós. Contudo, ela está enterrada debaixo
de todos os desejos, pensamentos e problemas nos quais estamos devido a nossos egos.

A “Gruta de Machpelá” significa que fazemos duas grandes correções na transição de receber para
nós próprios até receber somente pelo benefício dos outros. Em outras palavras, nossas vidas inteiras
devem estar em um estado de “Ama teu próximo como a ti mesmo”.

Este estado é chamado Machpelá (multiplicação) porque o processo de correção é feito em duas
fases. Primeiro, corrigimos Malchut, dado que primeiro recebemos para nós mesmos somente aquilo
que precisamos em prol de sobreviver. Subsequentemente, recebemos tudo o resto, somente em
prol de doar. Essencialmente, esta é a correção inteira até que acabemos de abrir nossas almas e as
construir. Abraão realizou a primeira correção, que o trouxe ao grau de Adam HaRishon. É por isso
que ele é chamado o “Pai da Nação”.

Podem pessoas que não estudam a Cabala se acomodar só com necessidades básicas?
Não, isso as estragaria porque isso as faria pensar que são justas e não precisariam de estudar. O
problema é que pensamos que agora compreendemos como realizar as correções. Mas para corrigir,
precisamos da luz que reforma, que é o que separa nossos desejos e nos direciona para aquilo que
devemos fazer.

A luz é o que nos ensina e nos conduz no nosso caminho. Se não evocarmos a força interior
chamada Torá, (as instruções para o que fazermos conosco) não saberemos como avançar. Logo,
não teremos escolha senão estudar a sabedoria da Cabala, através da qual avançaremos
favoravelmente. Foi por isso que ela esteve escondida durante séculos e porque ela está sendo
revelada especificamente agora.

Realmente eu descobrirei estas forças, Sara, Abraão e Eliezer?

É claro que descobrirá todas estas forças dentro de si! A Nukva (fêmea) certa, a mais corrigida, é
Sara.

O que é um enterro, e se importa onde enterramos o desejo?

Nós enterramos o desejo e deixamos de usá-lo ao o eleva-lo ao grau de Biná. Está escrito, “Estes são
os justos, que na sua morte foram chamados ‘vivos’”.

(Talmude Babilônico, Masechet Berachot, 18a).

Isto é, quando você enterra um desejo, você enterra sua intenção de receber e você usa o desejo em
prol de doar. Você eleva-o ao grau da Gruta de Machpelá, que é um grau muito alto.

Até quando este desejo está no solo, como em uma gruta, você usa-o para doar. Estas são correções
muito grandes porque o desejo não está morto, mas vivo. São as intenções que morrem, mas o
desejo em si mesmo nunca morre.

Deste modo, “enterro” não se refere aos desejos em si mesmos, mas a como os usamos.

Quando Abraão alcança um grau onde ele sabe como corrigir todos seus desejos, sua Nukva,
chamada “Sara”, ele alcança o grau de “associar Rachamim (misericórdia) com Din (juízo) “. Nesse
estado ele entra na Gruta de Machpelá. Machpelá significa que o nível deste mundo ascende ao
nível do mundo vindouro.

Diz-se que Sara viveu 127 anos, e que Abraão viveu 175 anos; qual é o significado da idade?

Estes números não se referem à idade, mas a graus. Estes são os graus onde podemos corrigir nossas
almas deste modo.

O grau de Abraão é 175?


Sim, mas nós não sabemos como contar esses graus, tal como na história de Matusalém ou de Adão,
que viveu tantos anos.

Também não sabemos o que significa que Abraão comprou a gruta por quatrocentos shekels de
prata. Kesef (prata/dinheiro) significa Massach (tela), e os quatrocentos shekels são a quantia total
que Abraão pagou pelo campo que ele comprou de Efrom.

Abraão insistiu em comprar em vez de receber; qual é o sentido de comprar? Comprou ele um
desejo?
“Comprar” é expresso em pagamento. Abraão pagou com seu dinheiro e com seu trabalho para que
ele pudesse adquirir a vontade de receber de modo a fazê-lo trabalhar em prol de doar. Trabalho é
o único modo de abrir a vontade de receber e usá-la para alcançar a revelação do superior.

No nosso universo inteiro, usamos somente um por cento da nossa vontade de receber. É por isso
que só percebemos este mundo. Vamos perceber o mundo superior somente quando abrirmos a
vontade de receber em 2 por cento, então três e assim por diante até aos 100 por cento. Quanto
mais você abre o desejo, mais da realidade consegue perceber.

Há uma realidade escondida, e à medida que nossos desejos crescem dia a dia e de ano a ano, vamos
descobrir o mundo e descobrir mais fenômenos e mais revelações no mundo. Cada dia fazemos
novas descobertas; a ciência desenvolve-se e também nós. Contudo, estas descobertas e
desenvolvimentos são muito estreitos e bastante insignificantes.

Nós não percebemos o mundo em si mesmo, mas somente aquilo que está no nosso interesse, uma
vez que esta é nossa natureza. Se desejarmos adquirir o grande desejo, devemos pagar com grande
trabalho. Esse desejo contém imóvel, vegetativo, animal e humano, ou seja, falante. Estas são as
quatro fases, e cada uma delas está em um nível de cem, que somam até 400 (shekels de
prata). Kesef (prata/dinheiro) significa trabalho.

Nós teremos de comprar o desejo inteiro por quatrocentos shekels de prata. Em outras palavras,
primeiro precisamos adquirir Massachim (telas) para trabalhar com aquilo que se manifesta somente
em prol de doar. É por isso que crescemos até certo nível, até certa saciedade no nosso
desenvolvimento, e alcançamos uma crise. Não nos desenvolveremos além disso; vamos parar aqui
até que compreendamos que podemos ora descer, ou continuar a nos desenvolver em um novo Kli
em direção ao mundo superior, que está inteiramente direcionado para a doação aos outros.

Há uma diferença no nível de ego entre uma pessoa que deseja poder, e líderes tais como o
Primeiro Ministro?
Não, porque esse ego está no mesmo nível. Aqui, contudo estamos falando de um ego
completamente diferente, que precisa ser um governante e compreender o que acontece acima da
sua vida, acima da vida e da morte. Este é um ego que nós não compreendemos; ele é a linha
esquerda, Klipot (cascas/peles), que na realidade é contra a Divindade.

As duas forças começam a manifestar-se em nós. A força superior, o Criador, aparece do lado
direito, e a força oposta aparece na esquerda, com você no meio, contendo ambas. É por isso que
ela é chamada a “Gruta de Machpelá” (multiplicação), uma vez que estamos a conectar as duas
forças, a boa bem como a má.

É a vontade de receber eterna?

Ela é eterna como o Criador; ela nunca será cancelada. Sem ela, não haveria criatura. A palavra
Hebraica, Nivrá (criatura), vem da palavra, Bar (exterior), ou seja, exterior ao grau. O desejo é aquilo
que nos separa do Criador. Mas quando o usamos com a intenção de doar, assemelhamo-nos ao
Criador e alcançamos Dvekút (adesão) com Ele, que é o propósito da Criação.

Algumas pessoas dizem ser dos filhos de Ketura e algumas dizem ser dos filhos de Abraão; há
alguma verdade nestes dizeres?

Sim, há. O mundo veio dos Babilônicos, que não quiseram receber o ensinamento de Abraão
através de Nimrod porque eles atravessavam correções que os faziam rejeitá-lo, que é uma correção,
também. Uma pessoa que rejeita algo tem um certo ponto de vista; ela atravessa um certo “filtro”.
Deste modo, uma pessoa que avança da Babilônia através das guerras em Canaã, Egito, e em outros
lugares, é ora dos filhos de Ketura ou das dez tribos que se dispersaram pelo mundo e que fazem
nosso trabalho lá, embora nós não saibamos como isso é feito.

Se conduzirmos testes de DNA veremos que todos se misturaram com todos, e cada um de nós
contém um pouco de todos os outros. É por isso que agora alcançamos o fim da mistura, quando
cada um de nós tem a habilidade de pertencer à correção nos nossos próprios níveis, avançamos
para uma crise que nos conduz a escrutinar nossa situação espiritual. Este é o presente grau da
humanidade.

Por um lado, diz-se que tudo está acontecendo dentro de nós. Por outro lado, estamos vivendo
neste mundo, e é isto que percebemos. Há uma fórmula pela qual possamos agir nas nossas
experiências do dia-a-dia?

Sim há. Algumas pessoas sentem que estão vivendo em um filme que está sendo “projetado” dentro
delas. Elas relacionam-se ao mundo fora delas mas sentem-no por dentro. É como ver um filme e
entrar nele, vivendo-o como o resto dos personagens, incapazes de julgá-lo.

Nós conseguimos até dizer a nós mesmos que este é um filme que está a sendo projetado diante de
nós, que nós estamos nele, e que conseguimos ver a nós mesmos do alto e ver como estamos lidando
com tudo o que está acontecendo.

Podemos também dizer que a imagem que vemos realmente se revela dentro de nós, e que
precisamos reagir a ela. É então que ascendemos do grau do filme para o grau de compreender o
filme, de compreender aquele que projeta o filme dentro de nós, de acordo com nossas reações.
Em outras palavras, depende de como nos relacionamos ao mundo, e é melhor nos relacionarmos
a ele tão realisticamente quanto possível.

De O Zohar: Quatrocentos Shekels de Prata


“Quando Abraão entrou na gruta ... ele viu uma luz lá, a poeira era jogada diante dele, e duas
sepulturas lhe foram reveladas. Então um homem de sua forma se levantou de sua sepultura, e viu
Abraão e riu-se. Com isso, Abraão soube que ele estava destinado a ali ser enterrado.

...Adão disse-lhe, ‘O Criador escondeu-me aqui, e eu me tenho escondido desde então’. Até Abraão
chegar, Adão e o mundo eram incompletos. Foi por isso que ele precisou se esconder, para que
as Klipot não o pudessem agarrar. Mas quando Abraão veio ao mundo, ele corrigiu-o e ao mundo,
e ele não mais precisou esconder a si mesmo”. Zohar para Todos, A Vida de Sara, itens 105-106

Termos
Anos

As palavras, Shanim (anos) ou Shaná (ano), vêm da palavra, Shonê (repetir), quando repetimos as
correções, mas em um nível superior. Há uma escada de 125 degraus. Há cinco mundos, com
cinco Partzufim (faces) em cada mundo, e cinco Sefirot em cada Partzuf.

5x5x5 são os 125 degraus, ou graus onde precisamos repetir as correções, cada vez em um degrau
mais avançado. É assim que avançamos de fase em fase, de degrau a degrau, até ao fim de todas as
correções, onde somos incluídos no mundo de Ein Sof (infinito), em Dvekút (adesão) com a força
superior e em completa similaridade com ela.
A Gruta de Machpelá

A “Gruta de Machpelá” é o grande Tikun (correção) de Malchut que é incluída em Biná. É assim
que ela se consegue corrigir a si mesma em equivalência de forma com Biná. Malchut é a vontade
de receber, e Biná é o desejo de doar. Quando Malchut e Biná se igualam uma à outra, então
inserimos a força de Biná até à terra, o desejo, abaixo até o estado chamado uma “gruta”.

Local de Enterro
Um “local de enterro” é um lugar onde enterramos nossos egos. Não enterramos a vontade de
receber, mas somente a intenção de receber, as qualidades que trabalham a nosso favor e contra os
outros. Quando enterramos as qualidades que nos fazem sentir bem, como o desejo de explorar,
derrotar, ou ver os outros como inferiores, enterramos a vontade de receber. Logo, não enterramos
o desejo, mas somente sua forma egoísta que se manifesta em nós.

Casamento

“Casamento” é uma fase na qual podemos repetidamente assumir várias qualidades egoístas da
nossa vontade de receber, corrigi-las, e assim cobri-las. Este é o sentido da cerimónia matrimonial,
com a Huppá (dossel matrimonial) sendo a Massach (tela). O Zohar explica-o muito claramente no
ensaio, “A Noite da Noiva”.

De O Zohar: E Isaac Trouxe-a para a Tenda


“‘E ele levou Rebeca, e ela se tornou sua esposa, ele a amou’. Mas uma vez que todas as pessoas no
mundo amam suas esposas; qual é a diferença pela qual lá escreve especificamente de Isaac, ‘E ele
a amou’?

O despertar do amor masculino para a Nukva é somente da linha esquerda, como está escrito,
‘Deixe que sua mão esquerda fique debaixo de minha cabeça’. E trevas - linha esquerda, noite -
e Nukva são como uma, dado que a esquerda sempre desperta o amor para a Nukva e a
agarra”. Zohar para Todos, A Vida de Sara, itens 251-252

Intenções de doar são masculinas. Se, perto do lado masculino - o lado que supera, há fortes
intenções de doar sobre a mão esquerda — ele leva o lado inteiro da mulher, a vontade de receber,
e ele a consegue usar em prol de doar. Isto é chamado o “princípio do Zivug (acasalamento)
adequado”, “Deixe que sua mão esquerda fique debaixo de minha cabeça, e sua mão direita me
abraçará” (Cântico dos Cânticos, 8:3). O próprio Zivug é sobre o que lemos em Simchat Torá (a
Alegria da Torá).
Toldot (Estas São as Gerações)
(Gênese, 25:19-28:9)

Sumário da Porção
A porção, Toldot (Estas São as Gerações), começa com o casamento de Isaac e Rebeca. Passados
vinte anos de infertilidade, Rebeca concebe e o Criador diz-lhe que ela terá dois filhos. O primeiro
é Esaú, e o segundo, que segura o calcanhar de seu irmão, é Jacó. Esaú torna-se um caçador e Jacó
estuda Torá.

A primeira confrontação entre os gémeos surge pela venda do direito de primogenitura. Esaú
regressa de mãos vazias de uma caça, e Jacó oferece-lhe um guisado de lentilhas em troca da
primogenitura. Esaú concorda. Passado algum tempo, Esaú descobre que Jacó o enganou. Mais
tarde na porção, Isaac cava dois poços, ambos os quais são levados pelos Filisteus. Um terceiro
poço permanece nas mãos de Jacó, e ele chama-lhe “Rehovot”. Finalmente, Abimeleque e Isaac
fazem uma aliança entre eles.

A segunda confrontação entre os gêmeos acontece quando seu pai os deseja abençoar. Isaac quer
abençoar Esaú, seu primogênito e Rebeca pede a Jacó que se vista como Esaú de modo a receber
a bênção do primogênito. Quando Esaú descobre que Jacó recebeu sua bênção, ele quer matá-lo,
então Rebeca envia Jacó para Haran, para seu irmão, Labão.

Comentário

O drama diante de nós é, de fato, o processo do desenvolvimento espiritual do homem. A história


lida com as forças mais fundamentais do homem, embora ela tenha sido transformada em um
romance.

O Criador criou a vontade de receber. Esse desejo é a totalidade da substância da Criação. É possível
usar a vontade de receber ao nosso próprio favor ou em favor dos outros. De fato, toda a Criação é
propensa a usar o desejo a favor dos outros, como está escrito no Talmude de Jerusalém, “Ama teu
próximo como a ti mesmo; esta é uma grande regra na Torá” (Masechet Nedarim, Capítulo 9, 30b).
Esta é a lei do todo da realidade, do todo da Natureza.

Por um lado, devemos usar a vontade de receber e a satisfazer como pudermos. Por outro lado, a
ação de satisfazer, na qual atraímos tudo para nós mesmos, deve ser pelo benefício dos outros. Isto
parece contraditório, mas é vital para usar o ego, a vontade de receber, somente em uma direção
que é boa para todos. Não conseguimos compreender essa contradição, que é o porquê de não
conseguirmos compreender a Torá, tornando seu significado oculto de nós.

A porção aparentemente explica esta contradição ao dizer que embora Abraão amasse Ismael, ele o
mandou embora. Isaac, que amava Esaú - a vontade de receber, toda a substância da Criação - agiu
similarmente, embora Esaú seja nossa inteira natureza, a qual necessitamos e usamos em todas as
coisas que fazemos na vida.

Devemos aprender a usar Esaú com a meta de doar, um estado onde nossos egos se voltam da
inclinação ao malpara a boa inclinação. “Ama teu próximo como a ti mesmo” significa que
inicialmente atua somente de acordo com o “como a ti mesmo”, ou seja, como você se ama a si
mesmo. Subsequentemente, você vira a intenção para o amor aos outros.

Esta inversão não acontece através de ações porque uma ação no nosso desejo é receber. Em vez
disso, ela é feita ao receber em prol de doar aos outros. Então, tudo aquilo que existe no mundo,
todas as luzes e tesouro atravessam todo e cada um de nós e fluem para o resto do mundo. Desta
maneira, todos são nutridos.

Hoje, enquanto descobrimos quão interconectados todos estamos, temos uma oportunidade de
compreender que somente através de boas conexões entre nós receberemos nós todas as satisfações
que tanto desejamos. Isso acontecerá somente quando satisfizermos os outros; é então que
desfrutamos.

Este é o sentido do direito de primogenitura. O primogênito é aquele por cima, no Rosh (cabeça).
A cabeça deve ter a intenção de doar, de beneficiar os outros, de amar, que é chamada “Jacó”, que
está a estudar Torá, que é doação.

A porção discute nossa necessidade dos Kelim (vasos) de Esaú, tal como em Purim falamos das luzes
de Hamã que recebemos vestidas por Marduqueu, que é o fim da correção. É como os bolsos de
Hamã, onde os bolsos são seus Kelim. Esaú, o caçador traz todo o desejo egoísta debaixo do reino
da doação, a Torá de Jacó. Esta é a maneira certa de usarmos nossos egos, nossa vontade de receber.

Isto torna a combinação de Esaú e Jacó adequada. Isaac, o mais velho, o grau maior, na realidade
adora o próximo grau, que é inteiramente como Esaú, uma vontade de receber que está a vir à
superfície. Em cada novo grau, sua forte vontade de receber aparece primeiro, e subsequentemente
a correção toma lugar. Em outras palavras, quando “Esaú” nasce em você, você gradualmente
corrige-o através de Jacó até que o possa usar.

Um exemplo da combinação certa são os “três poços”. Dois poços, direita e esquerda, não são uma
boa combinação. O terceiro poço é verdadeiramente Rehovot (amplo/largo), “Pois agora o Senhor
fez espaço para nós” (Gênese, 26:22), que nos permite atrair grande benefício dele.

Jacó recebe toda a luz que vem do grau superior, dos patriarcas, uma vez que Esaú não consegue
receber a bênção. De fato, Esaú abdica dela caso contrário ele morreria à fome. Somente através de
Jacó, que opera corretamente os Kelim de Esaú, nossos desejos - podem todos ser saciados porque
Jacó direciona todos seus desejos pelo benefício dos outros.

Depois do roubo da primogenitura, uma guerra irrompe entre Jacó e Esaú porque eles são
completamente diferentes. Finalmente, eles encontram o terceiro poço, a terceira linha, fundada
por ambos.

Temos os mesmos problemas no nosso mundo. Por um lago, o sistema emergente global, integral
nos obriga a estarmos atados uns aos outros. Contudo, não sabemos como conectar as duas
extremidades. Cada um de nós quer tudo para seu eu, mas a natureza integral emergente não o
permite; ela “argumenta” que todos estamos conectados.

Logo, todos somos como Esaú, enfrentando a natureza emergente que é como Jacó. Agora devemos
complementar as duas, precisamos construir o poço bem através do superior, Isaac, em prol de
resolver a crise.
Perguntas e Respostas
Sara foi estéril durante muitos anos, e também foi Rebeca. Subitamente, elas ficaram grávidas.
Qual é o sentido da esterilidade e gravidez, e a transição entre elas?
No mundo espiritual, o nascimento implica o advento de um novo grau. Em outras palavras,
pegamos na parte de nossos desejos que conseguimos direcionar para doar sobre os outros e os
corrigir no amor aos outros. Os “descendentes” desta operação são chamados um “filho”.

É por isso que passamos tantos anos a procurar como separar nossos desejos egoístas, como retirar
deles somente aqueles com os quais podemos construir nosso próximo grau. Logo, a esterilidade de
Rebeca durante vinte anos representa dez Sefirot de Ór Yashar (Luz Direta) e dez Sefirot de Ór
Chozêr (Luz Refletida), até que todas elas abrangem uma estrutura completa que se torna um
nascimento.

No nascimento de um novo grau, sempre geramos tanto Esaú como Jacó. Jacó não pode nascer sem
Esaú porque não pode haver uma intenção de doar sem algo sobre o qual o estabelecer. Em
semelhança, Esaú não pode nascer sem Jacó porque não há nada que possamos fazer somente com
nossos egos. Logo, ambos têm de nascer juntos.

É por isso que “pecado rasteja à porta” (Gênese, 4:7): primeiro, a vontade de receber egocêntrica
que primeiro deve crescer nasce, e subsequentemente o desejo de doar surge. Ambos desejos, ou
ambos os filhos, crescem. Um torna-se um caçador, estando com animais, com nada senão
vitalidade egoísta. O caçador trabalha com o ego, a vontade de receber, e aumenta-a. O outro desejo
tem a meta de doar e nos faz contemplar como usarmos nossa natureza para ascender a
concretizações maiores além desta vida, para um grau mais alto.

Quando os desejos crescem e alcançam o grau superior, uma luta se revela entre eles, dentro de nós,
entre a direita e esquerda. Ela é tratada pelo meio do terceiro poço. Esaú deve vender sua
primogenitura a Jacó ou ele morrerá à fome e nunca será capaz de receber a luz superior. Em
semelhança, Jacó não consegue passar sem Esaú pois sem ele, ele não tem Kelim com os quais
receber a luz superior. Logo, eles precisam um do outro.

Assim que Esaú nasce - nosso ego, como está escrito, “Eu criei a inclinação ao mal” - o segundo
nasce, Jacó, e corrige-a, como está escrito, “Eu Criei para ela a Torá como tempero”. Tanto Jacó
como Esaú no fim alcançam a correção completa. Eles usam todos os Kelim de Esaú e todas as
intenções de Jacó, em semelhança a Hamã e Marduqueu. Deste modo, todos alcançam completude
na terceira linha, o terceiro poço.

O que é a “primogenitura” e como pode ser transferida ou vendida?

“Primogenitura” significa ser o líder. Quem conduz, a intenção ou o desejo? De acordo com a Torá,
o primogênito herda tudo aquilo que o pai tem. Não há sentido ser o primogênito senão nisso.
Pode muito bem acontecer que o segundo ou terceiro filho tenha mais sucesso porque eles
aprenderam das experiências do ancião.

Claramente, a inclinação ao mal vem primeiro, ou seja, o desejo que o Criador criou, como está
escrito, “Eu criei a inclinação ao mal”. Inicialmente, todos somos maus; todos nós emergimos da
quebra dos vasos; todos somos egoístas. Só posteriormente nos corrigimos a nós mesmos de acordo
com nosso livre arbítrio.
O primogênito é sempre Esaú. Contudo, vemos que não conseguimos ter sucesso com nosso Esaú.
Podemos ver através da crise de hoje que estamos em uma situação impossível; não há para onde
ir. Não levará muito tempo até que não tenhamos mais nada no mundo, nem sequer comida.
Estamos em “modo de busca”, no campo de Esaú, mas não conseguimos achar qualquer
preenchimento nisso.

A sabedoria da Cabala ensina-nos como compreender coisas antes que elas aconteçam. Não tendo
escolha, devemos voltar-nos para Jacó e pedir-lhe que assuma controle, nos acompanhe, e faça gestão
de nós, uma vez que Jacó conhece os caminhos do Criador. Ele estuda Torá e ele está na luz. Jacó
revelou o Criador e sabe como alcançar o amor aos outros. Em um mundo global e integral temos
que estabelecer essas conexões, também, mas não sabemos como fazer isto corretamente em prol
de nos sustentarmos a nós mesmos. É por isso que, finalmente, o Jacó em nós dá um passo em
frente e nos gere, ou seja ele torna-se o ancião.

Então porque Esaú se sentiu enganado e procurou vingança?

Esaú é a inclinação ao mal. Até que seja corrigida, ela sempre aparece assim, mais e mais cruel. Estas
são as “dores do Messias”, onde nossos egos, nossos desejos de receber, aparecem de modo a que
os possamos corrigir gradualmente.

De O Zohar: E os Meninos Cresceram – pois Ele tinha um Sabor pelo Jogo


“Isto assim foi até enquanto nos intestinos de Rebeca; cada um foi para seu lado, uma vez que
quando ela se envolvia em boas ações ou quando ela passava o lugar onde é bom realizar
as Mitzvot da Torá, Jacó jubilaria e se agitava para sair. E quando ela passou perto de um lugar de
idolatria, esse ímpio se agitaria para sair. Por esta razão quando eles foram criados e saíram para o
mundo, cada um deles foi separado e foi atraído para seu lugar adequado”. Zohar para Todos,
Toldot (Estas São as Gerações), item 74
O homem nasce querendo apenas devorar todas as coisas à vista. Até quando somos pequenos,
cada um de nós quer todas as coisas. Quanto mais crescemos e expandimos nossos campos de visão,
mais queremos dominar e governar sobre todas as coisas. É natural e bom porque nosso ego tem
que crescer.

Na nossa evolução enquanto seres humanos, nós crescemos durante milênios usando nosso desejo
de Esaú. Este desejo cresceu e atraiu-nos para a frente, mas agora o mundo nos obriga a continuar
a avançar, mas com nosso desejo de Jacó, não o de Esaú.

Nós somos a vontade de receber e sempre perseguimos prazeres, mas não somos ainda felizes. Pior
ainda, afundamo-nos na depressão e ansiedade.

Durante milhares de anos pensamos que obtínhamos o melhor, que construíamos o “Sonho
Americano”. Agora descobrimos que não somos felizes porque Esaú já não nos conduz. Por todo o
mundo estamos descobrindo que o Esaú em nós não consegue mais caçar coisa alguma. Isso não
aconteceu no primeiro dia quando ele saiu para o campo porque o mundo se havia desenvolvido e
se tornou um caçador bem-sucedido enquanto Jacó estudava Torá.

Mas desde o dia em que os Cabalistas chegaram, as questões mudaram. Eles estavam sentados
sossegadamente se envolvendo apenas com conexão com a fonte superior da luz que reforma, que
nos corrige, enquanto o resto do mundo continuava a se desenvolver com a tecnologia, que só
causou que as pessoas quisessem tudo em uma corrida interminável de adquirir.
Hoje Esaú regressa do campo, cansado e esfomeado, e pede para ser alimentado. Não levará muito
tempo até que os decisores compreendam a gravidade de nossa situação e procurem conselho. Eles
o procurarão até na sabedoria da Cabala, e é então que trabalharemos juntos.

Esta não é uma questão simples pois falamos sobre astúcia. Até Jacó é considerado uma fraude
porque ele enganou Esaú duas vezes.

Não é verdadeiro engano pois Esaú tinha fome. Hoje, não temos escolha; completamos a fase de
Esaú e devemos começar o período em que Jacó está na frente. Esaú não desapareceu; ele só trabalha
com o método de Jacó, e é especificamente com esse método que ele encontra preenchimento.

Se você tiver fome e quiser preencher a si mesmo, o modo é se conectar à natureza que agora emerge.
Todos estamos conectados; não temos escolha. O mundo e a Natureza mostram-se a si mesmos
como reciprocamente conectados. Devemos trabalhar em concordância e parar nosso egocentrismo
e preconceitos. Precisamos verdadeiramente nos construirmos diferentemente através da educação,
e devemos explicar a toda a pessoa no mundo quanto somos interdependentes, e que somente
através de nossas conexões seremos capazes de nos sustentar.

Porque roubou Jacó a primogenitura?


Jacó fez isto porque Esaú não conseguia compreender; ele é a inclinação ao mal. Esaú não é
meramente a vontade de receber em prol de atrair, de se satisfazer. Esaú vê que ele não tem escolha,
que ele não tem mais que comer, então ele é obrigado a pedir o guisado de lentilhas. Seu
consentimento de comer o guisado exprime a transformação de seu preenchimento.

Qual é o sentido do guisado de lentilhas?

Ele significa receber prazer em dar, em satisfazer os outros, e então todas as luzes passarão através
de nós. Viveremos de tal maneira que recebemos para nós mesmos somente o que precisamos para
a vida comum e concentraremos nossas mentes e corações em conectar-nos aos outros e satisfazer
todos.

Cada um de nós se ata a outro, e esta é a garantia mútua. Ela é uma grande mudança psicológica.
Se nos conectarmos deste modo uns aos outros, cada um de nós será preenchido tanto no corpo
como mente. Mas para isso, devemos alterar nossas estruturas internas.

É como se tivéssemos de enganar a nós mesmos. Devemos escolher por que caminho queremos
avançar. Podemos tomar o caminho do sofrimento; isto nos deixará esfomeados e de mãos vazias
mental e fisicamente, e eventualmente nos forçará a mudar. A Natureza, também, nos forçará
porque tudo foi disposto desta maneira para nós, deliberadamente, para que compreendêssemos.

Alternativamente, podemos escolher o outro caminho, mudar voluntariamente. No minuto em que


colocamos Jacó a conduzir e Esaú por trás, tudo cairá no lugar harmoniosa e perfeitamente em
todos os níveis: na economia, água, ecologia, e assim por diante.

No fim, Esaú ainda quer matar Jacó. Ele não se acalma, mas só se intensifica.

Tem que ser deste modo. O ego deve crescer constantemente dentro de nós. No próximo grau
subiremos a um nível ainda maior de egoísmo e descobriremos que devemos travar guerras
adicionais.

Em outras palavras, estamos aprendendo um método aqui.


Estas duas forças, direita e esquerda, encontram-se em graus mais altos cada vez. Todas as vezes, elas
alcançam um acordo temporário até ao fim da correção, quando todos usarmos o ego singular e
enorme que o Criador criou. Então, o tornaremos em doação.

Nada mudou durante a história; as mesmas duas forças continuam lutando uma com a outra.

É claro as coisas não mudam em qualquer um de nós, ou em todos nós juntos. Contudo, devemos
desfrutar desta revelação. Devemos querer que esta situação apareça ainda mais. É verdadeiramente
um grande deleite quando sabemos o que está acontecendo e assim estamos em um estado de
conexão, procurando e implementando estas duas forças. Logo, a pessoa constrói a linha do meio
a cada vez e aprende a usar a sua natureza corretamente, na direção da conexão com o mundo, com
os outros. Nesta solução, encontramos a conexão com a força superior.

De O Zohar: As Bênçãos
“Bênçãos significam dar força para o fim da correção, como está escrito, ‘E ide para o campo de
jogo e caçai para mim’, com uma Hey (na palavra “caçai” em Hebraico). Isto implica a correção de
Malchut de Tzimtzum Alef, seja no caminho de Esaú ou no caminho de Jacó, para perpetuar esse
caminho para sempre.

É sabido que por causa da quebra dos vasos, 320 centelhas caíram da santidade para as Klipot
(cascas), e que posteriormente o Emanador corrigiu algumas delas. E por causa do pecado da Árvore
do Conhecimento, elas caíram para as Klipot uma vez mais, e nosso inteiro trabalho em Torá e
Mitzvot é levar essas 320 centelhas das Klipot e as trazer de volta para a santidade. Elas são
o MAN que nós elevamos”. Zohar para Todos, Toldot (Estas São as Gerações), item 147

Nós elevamos MAN através das 288 centelhas. Não podemos corrigir o coração de pedra (32
desejos), e ele é corrigido somente no fim da correção.

O que significa elevar MAN?

Elevar MAN significa aumentar a conexão entre nós. Somente através de um pedido chamado
“oração por muitos” - vem a força conhecida como “A Luz que Reforma” do alto e nos conecta.
Nesta conexão entre nós, no novo e corrigido Kli (vaso), descobrimos o mundo superior, nossa vida
eterna e espiritual aqui e agora.

Parece da história que Rebeca favorece Jacó, e Isaac favorece Esaú. Porque assim é isto? Em
muitas famílias nós descobrimos que os pais favorecem o filho, e as mães favorecem a filha; qual
é a raiz espiritual deste fenômeno?
A raiz disso é que primeiro revelamos a inclinação ao mal, o ego, que é chamado “o filho”, “o
primogênito”. Em cada novo grau, a inclinação ao mal cresce primeiro, e o pai está feliz com isso
porque ele quer que seu filho inicialmente cresça sem as correções, para ser forte, para querer
“devorar” o mundo. Esta é a fundação, a vontade de receber que está pronta para a correção, embora
esta vontade não esteja ainda pronta para ser usada. Doravante, a correção virá de Rebeca, a mãe.

Isso é como nós aprendemos dos Partzufim (plural de Partzuf) superiores, Aba ve ima (Pai e Mãe)
superiores de quem as forças de correção emergem. Ima vem do lado de Chéssed (misericórdia);
assim, seu filho favorecido é Jacó, a qualidade de Jacó. Ela o mantém da mesma maneira
que Biná dá à luz a ZON. Reciprocamente, dentro do pai está a força de Chochmá, que atua contra
os vasos de recepção. Isto vem do lado de Isaac, o pai. A mãe, o poder de Chassadim (misericórdias),
a força de Biná, corrige estes Kelim.
Também precisamos manter em mente que Isaac é o lado esquerdo de Abraão, que emergiu como
a linha esquerda, em relação a Abraão. Isto significa que sua própria essência é trazer ao mundo a
força chamada “Isaac’, a força de nossos egos, para a descobrir, então ele é certamente mais próximo
de Esaú.

Termos
Esterilidade

“Esterilidade” é a incapacidade de dar à luz o próximo grau. É possível dar à luz somente com a
combinação certa de ego e a intenção de doar sobre os outros.

Gravidez
“Gravidez” é um estado onde estamos prontos para dar à luz o próximo grau. Isso inclui nove meses
de concepção, bem como outras coisas. Estas abrangem nove Sefirot de Ór Yashar (Luz Direta)
e Malchut, onde na décima nós damos à luz.

Nascimento
“Nascimento” é admissão para um novo grau, nova doação. Ele é a habilidade de se conectar com
todos em um novo nível. Em concordância, recebemos a revelação da Divindade no próximo nível.

O Direito da Bênção
“Ter um direito” significa ser purificado. Quando mais pudermos trabalhar com nossos egos em
prol de doar, mais purificados podemos ser. Nossos egos podem ser mais densos, mas nós os
superamos e nos tornarmos mais puros. Logo, a pessoa se desenvolve em oposição ao outro.

Vender a Primogenitura
Saber que nossos egos são desadequados para serem usados poupa-nos grandes dores. Isso também
nos traz à voluntariedade de sacrificar nossos egos em prol de trabalhar sob a intenção de doar.

Em outras palavras, a inclinação ao mal também se torna a boa inclinação. A diferença entre elas
está somente na questão, “Para quem trabalho eu, a favor de quem? É a meu próprio favor, ou é a
favor dos outros”? Este é um problema psicológico. Se estivermos trabalhando a favor dos outros,
podemos ter sucesso somente através da influência do meio ambiente, através de educação especial.
Então, subitamente descobrimos que tudo se abriu diante de nós; os canais da abundância se
abriram e o mundo se preenche de abundância.

Guisado de Lentilhas
O “preenchimento pela luz superior” significa ser preenchido com a intenção de doar. Esaú, que
não consegue alcançar isso, está disposto a se dobrar, a ser pequeno em prol de receber
preenchimento de Jacó. Ele não tem escolha porque tem fome. Em outras palavras, os vasos de
recepção estão todos vazios; não há modo de receber sustento deles.

Rehovot (amplo/largo)
“Pois agora fez o Senhor espaço para nós” (Gênese, 26:22). Nós recebemos luz de Chochmá vestida
na luz de Chassadim sem quaisquer limitações. Isto é chamado “luz de Chassadim na iluminação
de Chochmá”. É assim que a recebemos até ao fim da correção. Posteriormente, a luz de Chochmá é
recebida na totalidade porque nós despertamos o coração de pedra.
VaYetzé (E Jacó Saiu)
(Gênese, 28:10-32:3)

Sumário da Porção
A porção, VaYetzé (E Jacó Saiu), começa com Jacó deixando Berseba e dirigir-se para Haran. Ele
para passar a noite e sonha de uma escada “montada na terra, com seu topo alcançando os céus;
e eis os anjos de Deus subindo e descendo nela” (Gênese, 28:12). O Criador aparece diante dele
e promete-lhe que a terra sobre a qual ele está deitado será sua, e ele terá muitos filhos, e que Ele
zelará por ele. Na manhã seguinte, Jacó monta um monumento naquele lugar e chama-lhe “Beit
El” (Casa de Deus).
Jacó chega a um poço perto de Haran, onde ele encontra Raquel e seu pai, Labão o Arameu. Ele
oferece-se trabalhar para Labão durante sete anos em retorno de sua permissão para casar com
Raquel. No fim dos sete anos Labão engana Jacó e dá-lhe sua irmã, Lea, no seu lugar. Ele obriga
Jacó a trabalhar para ele durante mais sete anos, após os quais ele lhe dá Raquel. Jacó casa com
ela.

Lea tem quatro filhos de Jacó, enquanto Raquel é estéril. Raquel dá a Jacó suas filhas, que dão à
luz a mais quatro filhos dele. Lea dá à luz a mais dois filhos, até que finalmente Raquel concebe
e dá à luz a José.

Jacó pede a Labão que lhe pague pelo seu trabalho e Labão dá-lhe algum do rebanho, embora eles
tivessem um acordo diferente. Jacó mostra ao rebanho os cochos e eles concebem e dão à luz.
Alguns dos cordeiros nascem listrados, alguns são salpicados e alguns são manchados.

Jacó sente que Labão não o trata como antes. Ao mesmo tempo, um anjo aparece diante de Jacó
e pede-lhe que regresse à terra de Israel. Ele parte sem notificar Labão e Raquel rouba os ídolos.
Labão persegue-o em busca dos ídolos e apanha-os no Monte Gileade, onde ele o repreende por
fugir e roubar os ídolos.

Finalmente, os homens fazem uma aliança na montanha. Jacó prepara-se para entrar na terra de
Israel, vê que anjos o acompanham, e chama a ao lugar, Mahanaim (dois acampamentos).

Comentário
A Cabala interpreta sempre as histórias como fases no crescimento interno de uma pessoa, de
acordo com o propósito de um homem neste mundo: de descobrir o Criador e alcançar Seu grau,
ou seja, alcançar Dvekút (adesão).

Até então, todas as porções se relacionam ao ponto inicial do homem, Abraão, que é escrutinado
através do estudo, o grupo, conexão com o professor e livros de Cabala. Subsequentemente,
descobrimos a próxima fase, Isaac, seguido de Ismael, e então Esaú.

A porção, VaYetzé (E Jacó Saiu), fala de Jacó, que é a linha do meio. Abraão é a linha direita, e Isaac
é a linha esquerda. Jacó é especial no sentido que a linha do meio contém todas as qualidades - as
boas bem como as más. Na linha do meio, a inclinação ao mal e a boa inclinação se fundem em
prol de alcançar o grau do Criador, nossa meta.
O trabalho na linha do meio é feito inteiramente em fé acima da razão, em doação, acima do ego,
esta é a qualidade de Jacó em nós, e é assim que ela se desenvolve. Jacó deixa Berseba, ou seja, um
certo lugar, um estado interior, e dirige-se para Haran, outra fase no caminho. No caminho para lá,
ele tem de alternar de estado para estado durante o dia e a noite. Em outras palavras, Jacó
experimenta ascensões e descidas espirituais.

Cada ascensão significa que subimos acima de nossos corações de pedra, acima da pedra que Jacó
havia colocado debaixo de sua cabeça, e realizamos uma operação especial conhecida como “sono”,
que significa elevar MAN. Subsequentemente, em um sonho - ao nos conectarmos ao nosso grau
superior, nós descobrimos a “escada de Jacó”, que é a escada de graus. A escada consiste de 125
graus que nós subimos até à casa de Deus.

Enquanto ainda não conseguimos ver a escada inteira, vemos que ela alcança os céus. Esta é a
descoberta do princípio do caminho, obtido na linha do meio. É por isso que o Criador aparece
diante de Jacó e lhe diz que Ele lhe dá uma Éretz (terra), ou seja, Ratzon (desejo), com o qual ele
agora começará a trabalhar.

Em outras palavras, o desejo inteiro será santificado, trabalhará em prol de doar, se aproximar do
Criador, e Jacó está garantido de alcança-lo. Foi por isso que Jacó montou um monumento desse
lugar no pé da escada e determina que esta é a casa de Deus (Beit El). Doravante, ele ascende
diretamente para o propósito da Criação.

Como sempre, quando começamos a trabalhar com o desejo, começamos a mudar. Por um lado,
mais inclinação ao mal aparece. Por outro lado, nós a corrigimos através da boa inclinação.

Um desejo vazio é chamado um “fosso”. Quando ele está cheio, ele é chamado um “poço”. Nós
vemos nas histórias na Torá que estados especiais de ascensão de um estado para outro tomam lugar
perto de poços. Isto acontece com Abraão, Isaac, Eliezer, Moisés e Zípora.

De O Zohar: E Ele Olhou, e Eis um Poço no Campo

Quando Jacó se sentou perto do poço e viu que as águas subiam para ele, ele sabia que sua esposa
sairia de lá. Isto é o mesmo com Moisés: quando ele se sentou perto do poço e viu que as águas
subiam para ele, ele sabia que sua esposa sairia de lá. E assim foi: A esposa de Jacó havia vindo de
lá, como está escrito, ‘Enquanto ele falava com eles, Raquel chegou com as ovelhas de seu pai. ... E
veio a passar-se, quando Jacó viu...’

“E assim foi com Moisés, como está escrito, ‘E os pastores chegaram e os conduziram para longe’, e
sua esposa, Zípora, lá chegou, uma vez que o poço lhes havia causado isso. O poço é
a Nukva superior. E como eles se encontraram com a Nukva superior, eles se encontraram com
a Nukva neste mundo”. Zohar para Todos, VaYetzé (E Jacó saiu), item 95

O Zohar coloca uma ênfase especial sobre os paralelos entre Jacó e Moisés pois aqui, um
prolongamento da linha do meio foi construído. Nos poços anteriores que nossos pais cavaram,
eles ainda estavam nas linhas direita e esquerda. Aqui, contudo, eles estão na linha do meio.

De acordo com a sabedoria da Cabala, a chegada de Jacó a Labão (Lavan em Hebraico significa
branco) indica a brancura superior, uma luz muito poderosa, a luz de Ein Sof (infinito). Embora
esteja escrito que Labão era ímpio, isto assim foi porque ele apareceu oposto à inteira vontade de
receber antes dele ser corrigido. É por isso que ele é chamado “ímpio”.
Obviamente, Labão está muito interessado em Jacó. Ele concorda, e fica muito satisfeito porque é
na realidade o governo do Criador aparecendo do alto, tanto da inclinação boa e da inclinação ao
mal. Esta governança atua em todos.

Labão, a luz superior, o governo oposto ao desejo inteiro que o Criador criou, deseja que o inteiro
desejo seja corrigido em nós, não meramente como uma pequena parte conhecida como Raquel, a
pequena Nukva (fêmea), mas também Lea, a grande Nukva. É por isso que Labão imediatamente
vai pelo desejo inteiro, oposto à sua brancura superior. Este é o desejo pelo qual ele procura
correção.

É por isso que ele engana; esse é o governo do Criador. É assim que Ele nos engana em toda e cada
altura, nos manipulando e compreendemos que é precisamente assim que somos endireitados:
através de enganos ostensivos. O “engano” é porque nós mesmos somos retorcidos.

O resultado é que somos obrigados a pegar no que quer que esteja disponível, ou seja que até se
esta não for a amada Nukva, ainda assim devemos pegar nela e elevar-nos a ela, apesar da dificuldade
e desfasamento de nossos graus.

Perguntas e Respostas
A Nukva é uma deficiência, um grande desejo?

Sim, Nukva é uma deficiência. Está escrito* que a esposa de um homem é como seu próprio corpo.
O corpo é chamado uma Nukva, o desejo (na alma) com o qual trabalhamos.

Na história sobre os listrados, salpicados e manchados, parece que Jacó sabia como definir o
processo genético. O trabalho aqui está nas três linhas, listrados, salpicados e manchados, que são
os três mundos.

“Listrados” refere-se ao mundo de Adam Kadmon, o mundo mais alto, onde Labão é mais
dominante. Então vêm os “Salpicados” (mundo de Nekudim), onde a quebra tomou lugar. É daqui
que os pontos negros sobre o fundo branco vêm. É especificamente através destes que recebemos a
revelação. O mundo dos “Manchados” é aquele de Atzilut, oposto à alma de Adam. Através dele,
nos corrigimos a nós mesmos e descobrimos a Divindade inteira.

Jacó, a linha do meio, definiu seu trabalho de tal maneira que a inclinação ao mal e a inclinação ao
bem se conjuntam, ou seja, que a intenção de doar se funde com o desejo egoísta de receber. Jacó
consegue trabalhar sobre a pedra, sobre o coração de pedra; ele consegue conectar dentro dele todos
os três mundos - listrados, salpicados e manchados. Através deste trabalho na linha do meio,
verdadeiramente ascendemos a Beit El, a casa de Deus.

Está claro que desta maneira, Raquel não consegue dar filhos devido à falta de Chassadim, a falta da
vestimenta para a luz de Chochmá. A luz de Chochmá não consegue alcançar a pequena Nukva,
somente a grande, Lea. Todavia, podemos ainda avançar. Dando à luz mais e mais Kelim (vasos) no
presente grau, podemos corrigir nossa vontade de receber para os próximos graus, chamados nossos
“filhos”.

Logo, Jacó tem quatro filhos de Lea, então mais filhos das filhas de Raquel, e finalmente Raquel
dá-lhe José.

Quando Jacó pede o pagamento que ele merece, ele quer receber a luz superior em prol de doar
nos seus Kelim, mas Labão insiste que tudo lhe pertence. Certamente, a inteira vontade de receber
que foi criada, foi criada oposta à luz superior, que é Labão. Jacó ainda não está pronto para isso
porque ele ainda é chamado “pequeno Jacó”; logo, ele deve lutar e ascender muitos graus antes de
se tornar grande e merecer o nome, “Israel”.

Deste modo, é inevitável que Jacó e Labão partam. Jacó e Labão se separem. Jacó aparentemente
escapa de Labão e Raquel rouba os ídolos pois eles são seus poderes, seus Kelim, que têm que ser
corrigidos.

Qual é o sentido do roubo de Raquel?


Na espiritualidade, “roubar” significa receber aquilo que não nos pertence (em relação ao nosso
presente estado), mas aquilo pelo qual pagaremos mais tarde. Não podemos receber aquilo que não
merecemos. Não há viés na espiritualidade; tudo trabalha de acordo com a regra, “Eles tomaram
emprestado de Mim e Eu coleto” (Talmude Babilônico, Masechet Beitzá, 15b). Em outras palavras,
podemos receber agora e pagar mais tarde porque não o conseguimos fazer com nossa presente
força. É assim que crescemos.

As crianças merecem receber tudo da família, embora elas não tragam qualquer vencimento. No
próximo grau, quando as crianças se tornarem pais, elas vão reembolsar.

Jacó foge e Labão apanha-o perto do Monte Gileade, onde eventualmente fazem uma aliança. No
caminho, Jacó segue a linha media, que aparentemente é inconveniente para Labão porque ele quer
revelação em todos seus Kelim. Contudo, está claro que a revelação deve ser limitada, em pequenas
porções. Foi por isso que houve um conflito entre Jacó e Labão, e porque eles fizeram a aliança. O
homem e a força superior formam um sistema especial no qual gradualmente avançamos até que
alcançamos congruência com a força superior.

Quem são os anjos que aparecem na porção quando eles sobem e descem a escada, e quando eles
acompanham Jacó?

“Anjos” são forças em nós no caminho para a revelação do Criador nos Kelim corrigidos, de acordo
com a Lei de Equivalência de forma. Constantemente adquirimos novas forças sobre a vontade de
receber, correspondendo ao ego, até que sejamos corrigidos para nos direcionar para doação,
avançando do ódio ao amor.

O caminho para alcançar o Criador é através de “Ama teu próximo como a ti mesmo”. Esta é a
grande regra; nossa inteira correção - o amor aos outros. Quando avançamos neste caminho e
constantemente ascendemos, temos forças de assistência. Na Véspera de Shabat dizemos (como está
escrito no texto do serviço de Shabat), “Vinde em paz, anjos da paz, anjos do superior”.) Isto
simboliza o fim da correção.

É uma força de dentro ou são estas forças que o Criador opera?


Estas são forças que o criador opera, que é o porquê de serem chamadas “anjos”. Anjos são como
o imóvel, vegetativo e animal deste mundo que nos ajudam a nos sustentar. Um anjo pode ser um
cavalo ou um burro, forças que nos acompanham e ajudam a levar a cabo nossas tarefas, mas que
são geridas pelo grau humano em nós.

Quando uma pessoa descobre um anjo, essa é uma descoberta da força que opera sobre a pessoa?
É uma descoberta de forças pelas quais continuamos a subir de grau em grau.
O Criador parece aparecer sempre nos sonhos. O que é um sonho?

Um “sonho” é um grau superior ao qual presentemente não conseguimos subir. Contudo, podemos
corrigi-lo ao anularmos nossos Kelim: nossas mentes, nossos cérebros e nossas emoções. É como se
entrássemos em um estado de Katnút (pequenez/infância), frequentemente deitados, em prol de
alcançar um grau superior.

Quando colocamos uma pedra debaixo de nossas cabeças, assim cancelamos todas nossas
percepções e desejos e caminhamos para um sonho. Isto é, entramos em um estado
de Katnút especificamente em prol de obter um grau superior, uma vez que todas as coisas que
adquirimos no grau anterior são desadequadas para o grau superior.

Na espiritualidade há uma diferença entre graus. Cada grau superior é o completo oposto do seu
predecessor. É por isso que há o conceito de atravessar a noite, atravessar um sonho, e lutar com os
anjos, especialmente com o anjo de Esaú. Cada vez, devemos superar o ego e separar aquilo com
que devemos continuar para o próximo grau, e aquilo que devemos nos abster de usar, entretanto.

Podemos ver muitas ligações daqui para o grau superior: um sonho é uma conexão; os ídolos
roubados são um empréstimo para o próximo grau; Labão é um grau que é ainda inatingível. É
tudo um tipo de ligação aqui?
A conexão acontece especificamente agora, quando Jacó quer entrar na terra de Israel,
quando Malchut se conecta com Biná, quando a vontade de receber se conecta com a intenção de
doar, quando correção tão grande se revela no desejo. Está deste modo claro porque ele chama ao
lugar Mahanaim (dois acampamentos), um lugar onde o Criador já se encontra presente. Ele é o
próprio começo da escada, que um alcança através dos “anjos do superior”.

De O Zohar: E Eis uma Escada Estava Posta Sobre a Terra

“Uma escada implica que ele viu que seus filhos estavam destinados a receber a Torá no Monte
Sinai, uma vez que Sulam (Escada) é Sinai porque Monte Sinai está, como está escrito, ‘Disposto
sobre a terra com seu topo’, seu mérito, ‘Alcançando os céus’.

Todas as Merkavot (estruturas/carruagens) e os acampamentos dos altos anjos desciam lá


juntamente com o Criador quando Ele lhes deu a Torá, como está escrito, ‘E eis os anjos de Deus
subiam e desciam nela’”. Zohar para Todos, VaYetzé (E Jacó Saiu), item 70

Nós subimos a escada de graus somente ao usar o ego, a vontade de receber, o ódio, Monte Sinai.
A escada é construída de acordo com exatamente o mesmo princípio que aquele da Torre de Babel.
É o todo do ego que o Criador criou porque “Eu criei a inclinação ao mal”. Quando a corrigimos,
nos elevamos acima dela através do “tempero da Torá”, usando toda a Torá, toda a luz, Labão, ou
seja, a brancura superior. Nós usamos estes para nos corrigirmos até alcançarmos os Céus, um
estado onde nossa inteira vontade de receber é como a doação, amor.

Esta porção relaciona-se ao que está acontecendo hoje? Estamos também, em face de um grau
que não compreendemos?
Hoje, todos nós pelo mundo devemos compreender que primeiro e antes de qualquer coisa,
estamos conectados; não há saída disso. Porque estamos conectados, devemos compreender que é
impossível continuar a usar somente a linha esquerda, a linha egoísta pela qual temos crescido até
então, e pela qual o mundo inteiro tem progredido. Em vez disso, agora devemos também encontrar
a linha da direita dentro de nós e construir a linha do meio a partir das duas. É por isso que a
situação em que nos encontramos neste momento é semelhante a nos encontramos no pé da escada.
Coação, por um lado, e a disseminação da sabedoria da Cabala, pelo outro lado, por fim nos trarão
a um estado onde sentiremos que temos dois anjos, um na direita e um na esquerda. É então que
pediremos, “Vinde em paz, anjos da paz”. Pediremos que eles venham, façam a paz, e coloquem
alguma ordem entre nós, bem como tornar as qualidades egoístas em cada um de nós nas qualidades
de doação. Hoje, seremos capazes de nos conectar uns aos outros através destes anjos. Todas as
correções são do alto. Quando elas chegarem, nosso desejo torna-se a casa de Deus, Beit El.

De acordo com a história da porção, parece que as coisas eram mais fáceis no passado. Haviam
somente Jacó e seu pai. Hoje, há muitas pessoas e é muito difícil comunicar.

A Torá parece apresentar apenas uma história, mas é ela que devemos atualizar no nosso mundo.
A Torá a narra como uma alegoria, e nós precisamos conhecer e saber como a usá-la.

Temos nós um lugar onde possamos atuar?


Hoje o mundo inteiro é um grande Esaú. Para contrariar isto, devemos “extrair” essas pessoas que
se envolvem na parte interior da Torá, que são do lado da direita. Diz-se sobre eles, “Pois vós sois
os menores de todas as nações” (Deuteronômio, 7:7). Contudo, são elas que têm o método.

Aquelas da esquerda também devem ser extraídas, e das duas juntas, a linha do meio precisa ser
construída, “pois todos eles me conhecerão dos maiores aos menores deles” (Jeremias 31:33). Cada
um de nós, e o mundo inteiro devem subir até Beit El.

Nós vemos que há outra falsidade aqui. Como pode um Cabalista saber que não está sendo
enganado para o próximo grau? É assim que deve ser?

Porque não? Jacó coloca sua inteira razão como uma pedra debaixo de sua cabeça e quer subir a
uma escada em sonho. Ele não quer subir a escada senão em seu sonho.

Significa isto que inversamente o ego não o deixará acontecer?


Devemos dedicar-nos a nós mesmos a esta ascensão; é assim que subiremos ao grau superior; Caso
contrário, não seremos capazes de abandonar o anterior. Acontece sempre debaixo da força de
doação do alto, da força de doação é conhecido como “fé acima da razão”.

Quando estudamos, parece por vezes que somos verdadeiramente operados, é muito difícil sentir
isto nas nossas vidas do dia-a-dia.

É por isso que temos um meio chamado “grupo”, onde aprendemos a nos anular a nós mesmos
diante dos outros no grupo, diante do amor de amigos, amor aos outros. Desta maneira,
aprendemos a deixar nossas mentes e corações, e nos conectarmos aos outros “como um homem
com um coração”, literalmente em um desejo, até que não consigamos distinguir o nosso do dos
outros. Simplesmente nos tornamos um com todos.

Pode esse estado existir em uma família ou entre conjugues?

Pode, desde que o mundo inteiro seja atraído para isso. Nós aprendemos a agir desta maneira em
um grupo porque para o grupo, conseguimos medir este estado. Conseguimos avançar com as
pessoas com as quais estudamos e trabalhamos em trabalho espiritual recíproco. Quando todos no
grupo se esforçam por isso, cada membro adquire todos os poderes que existem no grupo e consegue
ascender. Qualquer outro meio é impossível.
Termos
Escada de Jacó

“Escada de Jacó” é a linha do meio pela qual se deve caminhar; ela é o caminho dourado. Ela é a
linha pela qual se conecta todos os seus elementos, os bons e os maus.

De fato, nada é mau. Se soubermos como usar o mau corretamente, o tornamos bom e útil. É por
isso que a Escada de Jacó são nossos desejos, que inicialmente são a inclinação ao mal, como está
escrito, “Eu criei a inclinação ao mal”. Contudo, se conectarmos estes desejos a “Eu criei para ela a
Torá como tempero”, esta combinação cria a linha do meio.

Por um lado, constantemente corrigimos piores e piores desejos, uma vez que “aquele que é maior
que seu amigo, seu desejo é maior que o dele” (Masechet Sucá, 52a). Quanto mais avançamos, mais
descobrimos quão maus somos. Uma força maior vem até nós, a força da luz que descobrimos, que
devemos expor e com a qual nos corrigimos a nós mesmos. Quando as duas se conectam nos graus,
nos tornamos mais “ricos”, tanto do desejo como da luz que corrige o desejo.

Logo, a soma total da nossa alma cresce (na conexão entre eles), e nela, o Criador aparece cada vez
mais. É assim que alcançamos a linha do meio, até que alcançarmos na realidade Beit El.

Amor
“Amor” significa que em vez do meu próprio desejo de desfrutar, eu uso os desejos dos outros e os
satisfaço. Amor significa usar todas as minhas capacidades para satisfazer os outros. Amor é auto
anulação; eu não tenho desejos meus, nem coisa alguma que eu queira fazer para mim mesmo. Eu
sou somente pelos outros.

Quando nos conectamos uns com os outros desta maneira de amor, adquirimos todas as almas,
todos os outros desejos, que então se tornam nossa alma. Quando os satisfazemos, obtemos o
infinito (Ein Sof).

Sete Anos

“Sete anos” significa sete graus: há seis graus de Zeir Anpin, chamado “Sagrado, abençoado seja Ele”,
e o sétimo é Malchut. Juntos eles são sete graus que devem alcançar a união. Sete é sempre um
número completo. Há também o número dez, que é Gadlút (maturidade), mas normalmente, a
estrutura consiste de sete.

Recompensa
No nosso mundo, “recompensa” significa que me satisfaço a mim mesmo. Na espiritualidade
“recompensa” significa que eu tenho uma oportunidade de satisfazer os outros.

De O Zohar: Seu Pensamento Era de Raquel


“Se Ele dispôs Seu coração sobre o homem, Ele reunirá seu espírito e soprará para Si Mesmo”. A
vontade e o pensamento atraem a extensão e fazem a ação com tudo o que é necessário. É por isso
que na oração, um desejo e um pensamento para direcionar são necessários. Similarmente, em
todas as obras do Criador, o pensamento e a contemplação fazem a ação e atraem as extensões a
tudo o que é necessário”. Zohar para Todos, VaYetzé (E Jacó Saiu), item 189

Não podemos evitar pensamentos, quedas, desilusões e erros ao todo. Isso é introspecção,
semelhante ao que fazemos no começo de cada ano. Precisamos sempre fazer e ela é boa agora que
atravessamos tal processo pelo mundo. A humanidade está finalmente a começando a compreender
quão errados seus caminhos têm sido. É possível que deste estado nós todos subamos até Beit El.

* Talmude Babilônico, Masechet Bechorot, 35b


VaYishlách (E Jacó Foi)
(Gênese, 32:4-36:43)

Sumário da Porção
Na porção, VaYishlách (E Jacó Foi), Jacó quer fazer paz com Esaú depois de fugir dele e estar com
Labão durante muitos anos. Esaú envia anjos a Jacó, que o informam que Esaú se dirige para ele
com quatrocentos homens.

Jacó fica alarmado com o encontro iminente, e à noite um anjo aparece diante dele. Jacó luta
com ele e derrota-o, mas é magoado no tendão da sua coxa. Os anjos alertam Jacó que seu nome
mudou a partir desse momento de Jacó para Israel. Quando Esaú chega, eles abraçam-se e fazem
a paz, e Jacó muda-se para a área de Siquém.

Mais tarde, a porção fala de Diná, a filha de Jacó, que é raptada por Siquém — o filho de Hamor,
o Hivita — que se quer casar com ela. Os filhos de Jacó permitem o casamento sob a condição
que todos os homens na cidade se circuncisem a si mesmos. Assim que eles realizam a circuncisão,
os filhos de Jacó matam todos os homens, trazem Diná de volta e pilham a cidade.

O Criador instruiu a Jacó que se mude para Beit El, onde Ele abençoa Jacó com
muitos descendentes e a herança da terra. No fim da porção Raquel morre quando ela dá à luz
seu segundo filho, Benjamim. Isaac também morre e é enterrado pelos seus filhos, Esaú e Jacó.

Comentário
Esta porção lida com escrutínios muito profundos que fazemos dentro de nossas almas para nos
corrigirmos a nós mesmos da intenção de receber, da forma egoísta da alma. Precisamos destes
escrutínios para a alma pois ela foi quebrada em um processo conhecido como “a quebra dos vasos”,
a ruína.

Assim que alcançamos o grau de Jacó, que é ainda um grau de Katnút (infância), descobrimos que
é impossível avançar em frente. Tendo se elevado acima do ego, acima da vontade de receber, e
tendo alcançado um estado de Katnút, chamado Galgalta e Eynaim, não tendo nada com o qual
avançar.

Em prol de avançar, temos de encontrar dentro de nós inclinações adicionais, Kelim (vasos)
quebrados adicionais. Sob sua correção, podemos elevar-nos junto com eles. Em outras palavras,
quando quer que estejamos em um certo estado, primeiro devemos descer e nos misturar com o
negativo, e somente então subir até ao positivo.

A porção fala precisamente desse estado. Isto é, aqueles que alcançam o estado de Jacó não
conseguem avançar mais e devem se conectar novamente com a inclinação ao mal que ainda não
está corrigida. Avançamos para o Esaú no interior apesar de temermos que o desejo egoísta nos
possa subjugar, que talvez não sejamos capazes de sair desse estado.

Isto requer uma preparação especial. A Torá narra que Jacó dividiu todas as coisas, as mulheres, as
crianças, e todas as pessoas com ele. Em outras palavras, vamos clarificar nossos desejos, ordenando
todas nossas qualidades em preparação para a divulgação dos defeitos no interior. Assim podemos
lidar adequadamente com eles.
Perguntas e Respostas
Está escrito que Jacó sai com um presente, uma oração e com uma guerra. Ele prepara toda a
táctica.

Verdade, ele divide seu inteiro agregado. É lhe dito que Esaú se dirige para ele com quatrocentos
homens. Quatrocentos é uma medida completa, quatro Bechinot (discernimentos), e
cada Bechiná (singular de Bechinot) é quatrocentas vezes seu poder.

Por um lado, Jacó teme tal poder. Por outro lado, ele sabe que não tem escolha. Para avançar para
a Dvekút (adesão) com o Criador, ele deve atravessar essas fases.

À noite, Jacó luta com o ministro de Esaú e atravessa uma correção especial, que aparece nele como
um defeito no tendão da coxa. Mas ele descobre que esse defeito na realidade o guarda. Por esta
razão, ele recebe uma bênção que todas as revelações que ele terá da parte de Esaú nele -
simbolizando suas qualidades negativas - aparecerão somente em um modo de causa e
consequência, à extensão e na forma que ele consiga corrigir sem falhar. Embora fracassos
adicionais o esperem pela frente, tais como com Diná, ele está garantido que no final é precisamente
o grande ego que o Criador criou nele que o assiste no seu progresso.

Deste modo, depois de seu encontro com Esaú, Jacó muda-se para Siquém equipado com forças
maiores, e está agora prestes a subir do grau de Jacó, que é a Katnút da alma, tendo somente vasos
de doação, para Gadlút (maturidade), para Israel.

“Israel” significa que todos os desejos de um, todas as qualidades que apareceram até então, estão
direcionadas para o Criador. Aquele que visa se assemelhar ao Criador, se apegar ao Criador, e
deste modo executa ações na Escada de Jacó, alcançando um estado chamado Yashar El (direito a
Deus), Yisrael (Israel). Avançar noutra direção, será como está escrito, “Todos eles são como bestas”
(Salmos, 49:13). Se não nos envolvermos em corrigir a alma usando a sabedoria da Cabala, todos
somos como as “nações do mundo”, como Esaú, não corrigidos.

Diná, filha de Jacó, já se encontra no próximo grau. É por isso que Siquém a acha tão atraente. Há
violação aqui e coação, que significa que os vasos de doação ficam debaixo dos vasos de recepção.
Embora ela esteja em Din (juízo), como seu nome, Diná, implica, uma grande vontade de receber
chega sobre ela. É por isso que só há duas correções que os filhos de Jacó podem realizar: a primeira
é a circuncisão dos filhos de Siquém; a segunda é matá-los. Isto indica a partida da luz superior de
dentro desses Kelim, que os rendem como mortos.

O que implica a pilhagem da cidade?

Uma “cidade” é um lugar da vontade de receber nos Kelim que o obriga a separar a vontade de
receber da luz da vida. Inversamente, você não mudará para a correção da vontade de receber. No
nosso mundo, se você matar alguém isso é considerado um crime. No mundo espiritual, quando a
força superior recebe todos os prazeres dos nossos desejos, dos nossos Kelim, removendo a sensação
de vida e vitalidade, e nos sentimos como se estivéssemos mortos, essa sensação de morte ajuda-nos
a alcançar a vida. Nesta vida, conectamo-nos à luz superior e nos preenchemos a nós mesmos com
prazeres eternos na realização da Divindade, e sentimos nossa vida eterna, completa.

A matança mencionada na porção relaciona-se à questão de porque estamos nós a matar. É


semelhante a uma pessoa com câncer. Essa pessoa luta para matar o tumor. Deste modo, isso
depende do tipo de matança de que falamos, a que discernimentos dentro de nós nos relacionamos.
Neste caso, a matança da cidade é no nosso melhor interesse; ela é uma correção.

Não seria suficiente ficarmos pela circuncisão?

Não. Circuncisão é quando você divide os seus desejos em bons e maus. Se depois da circuncisão
ainda há desejos que não podem ser corrigidos, você os deve separar por enquanto da luz, e esta é
a matança. Com isso você salva Diná, que deve estar conectada à linha do meio por enquanto e a
Jacó, pelo qual ele ascende até Beit El (a casa de Deus).

O Criador diz para Jacó, “Agora estás pronto para subir ao próximo grau, chamado Beit El”. Quando
Jacó chega ele recebe a bênção, vasos de doação, as forças com as quais ele consegue manter o grau
e alcançar a revelação da espiritualidade nesse nível.

Jacó recebe a bênção que a terra inteira, o desejo inteiro, será seu. Isto é, no fim ele será
gradualmente corrigido, e então “a terra inteira está diante de vós” (Gênese, 13:9). Logo, até se os
desejos são dominados pelas outras nações, ou seja, que eles não estejam conectados à doação e
amor aos outros, um os consegue corrigir para terem a direção de doar.

O fim da porção fala da morte de Raquel e Isaac.


Tanto Esaú e Jacó participam no enterro de Isaac. Esta será a correção do grau anterior, que deve
ser enterrado. “Enterro” é a construção do próximo grau por cima do anterior.

Jacó e Esaú são qualidades conflituosas. O que significa que eles se abraçam?
Há muitos níveis de conexão entre as qualidades, até entre qualidades conflituosas. “Aproximar”
significa um abraço da direita, um abraço da esquerda, um beijo, um alto Zivug (acasalamento), e
um baixo Zivug, tal como “Sua esquerda debaixo de minha cabeça, e sua direita me abraçará”
(Cântico dos Cânticos, 2:6). Em outras palavras, há muitas espécies de correções da inclinação ao
mal.

Jacó está disposto a abraçar Esaú, a entrar em contato com ele depois das correções que ele
atravessou à noite. Aquele que atravessa estas correções - em situações muito complicadas, à noite,
com o ministro de Esaú - está pronto para lidar com a inclinação ao mal, para a separar, e para
corrigir essas partes que um consegue agora corrigir e subir a um novo nível.

Há sempre saídas e entradas, como Jacó, que deixa e retorna à terra de Israel, que escapa a Esaú,
tem experiências, e agora é forte o suficiente para lidar.

O que atravessou Jacó na casa de Labão?


É assim que nos saímos, grau a grau. Se estamos em um certo grau e precisamos subir até
ao próximo grau espiritual, devemos pegar em mais algum do ego, da vontade de receber, e o corrigir
para trabalhar em prol de doar. O desejo recentemente corrigido junta-se à alma, e assim
ascendemos um grau. No grau que agora cresceu, recebemos revelação adicional da Divindade, uma
conexão maior com a Divindade, e a ascensão continua até que alcançamos o estado final, onde
nossa alma inteira está corrigida.

Porque está Jacó certo agora que ele terá a força para lidar com Esaú?
Jacó recebe uma bênção do ministro de Esaú e conecta-se a essa força de uma maneira semelhante
à história com Labão. Ele recebe essa força da esquerda e consegue corrigi-la para trabalhar em prol
de doar. Isso é chamado uma “bênção”. Uma bênção significa que juntamente com a revelação do
ego vem a luz superior, que nos ajuda a separar a vontade de receber e o novo, desejo corrupto.
Podemos então examinar que parte do desejo pode ser somada ao novo estado e que parte não
pode. Então, com a nova soma, uma pessoa alcança um novo grau.

O Criador abençoa Jacó com muitos filhos. O que significa isto espiritualmente?

“Muitos filhos” significa que o Criador nos abençoa com corrigir todos nossos desejos, que subirão
da grande Malchut de Ein Sof (infinito), da Criação inteira, para que os possamos corrigir para
trabalharem em prol de doar. É por isso que ele é chamado “Israel”, Yashar El (direito a Deus). Ele
domina o todo da Criação em uma tendência para a doação recíproca.

De O Zohar: Não Lavrareis Com Um Boi E Com Um Burro

“O único desejo dos graus de impureza é de atacar os graus sagrados. Todos eles espreitaram e
atacaram Jacó, que era sagrado, como está escrito, ‘e Jacó chegou inteiro’. Primeiro, a serpente o
mordeu, como está escrito, ‘ele tocou no buraco de sua coxa’. Diz-se sobre o ministro de Esaú que
ele montava uma serpente. Agora o Hamor (burro) o mordeu, Shéchem, o filho de Hamor, que é
a Klipá da direita”. Zohar para Todos, VaYishlách (E Jacó Foi), item 146

Devemos sempre considerar as forças negativas como uma oportunidade para subir ao
próximo grau. Não há mal no mundo, nem sequer agora com todos os apuros e problemas
que emergem. A coisa importante é saber como usar estas forças corretamente, como a Torá nos
ensina. Nosso problema é que não trabalhamos de acordo com a Torá. Se agíssemos de acordo com
a sabedoria da Cabala, que nos explica como realizar estas correções, veríamos o mundo como nada
senão oportunidades para melhores condições.

Quem faz a correção, o Criador ou a luz circundante?

A luz circundante faz a correção, mas a pessoa precisa atraí-la. Como ela recebe esta instrução?
(Afinal, Torá significa instrução.) Embora a luz nela reforme, ela também segue nosso desígnio, de
acordo com nosso entendimento de como precisamos ser corrigidos. Devemos fazer todas as ações
de escrutínio, divisão, e separação dentro de nós mesmos e com a realidade geral, e então pedir a
correção. Embora não tenhamos o poder da correção, nós como pequenas crianças, devemos
constantemente trabalhar para compreender e perceber as coisas como elas devem ser. Este é o
nosso trabalho.

Se os anjos são forças, o que significa lutar com um anjo? É uma pessoa que luta com a gravidade
ou magnetismo?

É nos dito - como está escrito no excerto de O Zohar acima, que um anjo vem ora da direita ora da
esquerda.

Há diferentes anjos com os quais devemos lidar de uma certa maneira em prol de soma-los à linha
do meio, chamada Adam (homem).

A coisa importante é saber como nos relacionarmos aos estados, correto?

O que mais é necessário? Nós estamos na Natureza, que em Guematria é Elokim (Deus). As leis da
Natureza e os mandamentos do Criador são um e o mesmo. A Torá ensina-nos como usar todas as
coisas dentro de nós, todos os elementos, e suas qualidades internas, bem como externas.

Especialmente agora estamos em um mundo tão confuso que ninguém sabe o que fazer;
não fazemos ideia do que o amanhã trará e a vida parece vaga e ameaçadora. Se as pessoas soubessem
o que está escrito sobre a vida na Torá, elas compreenderiam que temos uma oportunidade de subir
a um novo grau, a um nível completamente novo, para a revelação da Divindade. O mundo está
já bastaste próximo de uma grande e especial correção.

A correção depende de nós ou do Criador?

A correção depende de nós. Há uma meta diante de nós e dois caminhos para lá chegar. O caminho
esquerdo é o caminho do sofrimento. O (lado) direito é o caminho da Torá, o caminho da luz que
corrige. O caminho esquerdo significa avançar com a vara que nos desenvolve e nos obriga a
avançar. O caminho direito significa atrair a luz que reforma.

Em tal caso, nossos egos, a vontade de receber, a inclinação ao mal em nós, deve ser corrigida.
Como isso vai acontecer depende da nossa abordagem para a correção, e do nosso entendimento
de que todas as coisas que aparecem diante de nós só são assim para que possamos corrigir a nós
mesmos, ou seja para nos fazer atrair a luz que reforma.

Isto nos traz de volta à sabedoria da Cabala, que devemos usar porque ela é o interior da Torá, a lei
da verdade, a lei da luz. E precisamente ao usá-la corretamente, podemos atrair a luz que reforma.
Este caminho nos poupará de golpes pois avançaremos agradável e facilmente de grau em grau
acima pela escada de Jacó.

De O Zohar: E Jacó Enviou Anjos


“‘Pois Ele dará a posse de Seus anjos sobre vós, para vos guardar’. Quando uma pessoa chega ao
mundo, a inclinação ao mal imediatamente vem junto com ela e sempre se queixa dela, como está
escrito, ‘pecado rasteja à porta’. Pecado rasteja - esta é a inclinação ao mal. ‘À porta’, a porta do
ventre, ou seja, assim que se nasce”. Zohar para Todos, VaYishlách (E Jacó Foi), item 1

É assim que nós nascemos, com uma pequena, egocêntrica vontade de receber. Até depois de nos
desenvolvermos, ainda somos pequenos animais, como está escrito, “Todos eles são como bestas”
(Salmos, 49:13). Embora nos pareça que há pessoas muito ímpias no mundo, isto não é considerado
impiedade. “Impiedade” aparece quando uma pessoa verdadeiramente quer prejudicar o público,
prejudicar a humanidade. Uma pessoa vulgar não é boa nem má; ela é inconsequente. Tal pessoa é
operada pela Natureza, e nada há que venha inerentemente da pessoa.

Hoje a inclinação para o mal aparece pelo mundo porque Elokim (Deus), que em Guematria é
Natureza, nos está mostrando que o mundo inteiro está interconectado. Deste modo, nós, também,
devemos estar conectados. Através desta conexão alcançaremos equivalência de
forma, Dvekút (adesão) com o Criador. Se resistirmos a essa conexão e agirmos ao contrário,
egoisticamente, nos tornando mais fechados por dentro e removidos dos outros, é precisamente
assim como nos podemos tornar ímpios.

A inclinação ao mal primeiro aparece quando o mundo começa a se manifestar a si mesmo como
circular, conectado, integral e global. Todavia, nós ainda não “saltamos nisso”; ainda não nos
unimos e não nos conectamos. Ainda estamos imersos em nossos egos, na inclinação ao mal, o
exato oposto da condição que o Criador apresenta diante de nós.

Estamos no limiar da destruição, ainda assim as pessoas não mudam as suas visões.

Este é o problema. É por isso que a sabedoria da Cabala está vindo à superfície passados milhares
de anos de ocultação. A ideia é que através da Cabala, o povo de Israel venha a entender que ele
tem um papel muito importante a desempenhar, sendo “uma luz para as nações” (Isaías, 42:6), e
que tem de se corrigir a si mesmo. Nós somos meramente uma transição para a correção do mundo
inteiro. Se não realizarmos a correção a tempo, o mundo inteiro a exigirá dos Judeus sem sequer
saberem porquê, e o ódio aos Judeus se intensificará. Deste modo, devemos agir depressa.

O que exatamente precisamos corrigir?

Nós precisamos ser uma sociedade que é conduzida em garantia mútua, vivendo pelas condições
que existiam ao pé do Monte Sinai, onde todos já estão prontos para se unir “como um homem
com um coração”. Assim nos tornaremos uma nação, e somente sob essa condição continuaremos
a existir.

Por agora, existimos verdadeiramente pela graça de Deus “em provação” até que implementemos a
garantia mútua, como mencionado no ensaio de Baal HaSulam, “Um Discurso para a Conclusão
de O Zohar”. Mas nosso tempo pode se esgotar, e podemos não receber mais extensões. Então não
seremos capazes de viver na terra de Israel; teremos que fugir pois esta terra nos rejeitará uma vez
mais, como está escrito na Torá, em O Zohar, e em muitos outros lugares. *

Hoje temos uma grande oportunidade quando nos juntamos para exigir a correção no mundo.
Embora não saibamos o que é, nós, enquanto donos do método e estando em posse da Torá,
devemos revelá-lo a todos, mas primeiro e antes de mais, a nós mesmos. É por isso que precisamos
nos unir, sermos como “um homem com um coração”, nos conectarmos juntos como uma nação,
conectar-nos a Yashar El, e sermos “a nação de Israel”. Precisamos nos segurar à linha do meio e
começar a subir com ela para Dvekút com o Criador, para maior e maior conexão entre nós em
“ama teu próximo como a ti mesmo”, ou seja, em amor fraterno. Uma vez perdemos esse amor e o
Templo foi arruinado, então devemos regressar a esse estado e puxar conosco o resto da
humanidade.

Então é Jacó conexão e Esaú é separação? E nossa tarefa é superar a separação através da conexão?
Precisamente. Estas são as duas forças conflituosas, e precisamos “empossar” o Jacó em nós sobre o
Esaú em nós, e fazer o mesmo na nossa sociedade. As pessoas precisam de compreender a
mensagem, a essência, o sentido deste conflito, e agir em correspondência.

Termos
Luta

A “Luta” é interior entre o ego, que nos puxa para os prazeres corpóreos tais como a comida, sexo,
família, dinheiro, respeito, conhecimento, poder e o sentido da vida, que é descobrir o reino
superior, ao qual precisamos subir, para uma vida eterna e completa.

Também, precisamos fazer agora, como está escrito, “Vereis o teu mundo na tua vida” (Masechet
Berachot, 17a). Aqui nas nossas vidas é onde descobrimos a vida eterna da alma, que é o porquê de
vivermos em dois mundos. Precisamos chegar a um estado onde a morte do corpo não a sentimos
como morte de todo. Não é como se tivéssemos perdido qualquer coisa de nós próprios; em vez
disso, permanecemos porque descobrimos que o grau superior da vida é várias vezes maior que as
sensações da vida física.

Esta é a meta que devemos alcançar, e podemos somente alcançá-la através de uma luta com um
grupo e uma sociedade, e ao estudar as fontes certas. Para nos elevarmos acima da vida física e
corpórea, não devemos a devemos menosprezar, mas usá-la em prol de subir.
Reconciliação e Paz

“Reconciliação e paz” significam que por agora, não conseguimos lidar com a inclinação ao mal e a
tornar em uma boa inclinação, a usando em prol de doar. Primeiro, devemos transformar as
qualidades que existiam em nós como negativas, pelas quais as usávamos somente para nosso
próprio prazer e contra os outros, em qualidades de doação sobre os outros.

Não há conflito entre as duas qualidades?


Não há conflito. Está escrito que o anjo da morte se torna um anjo sagrado. ** Não matamos, nem
menosprezamos ou eliminamos coisa alguma em nós. Só corrigimos o modo como usamos nossas
qualidades.

Israel

Yisrael (Israel) significa Yashar El (direito a Deus). Isso significa que nos direcionamos diretamente
para a qualidade do Criador. A qualidade do Criador é amor e doação, e constantemente
procuramos alcançá-la. Temos vários meios para fazer isso: professores, livros, grupos e amigos. Se
os usarmos adequadamente, de acordo com o método explicado nos livros, aquele do qual Abraão
foi o primeiro a falar e a escrever, podemos executar as correções muito facilmente.

Deste modo cada um de nós - e todos nós juntos - nos tornaremos Israel.

Uma pessoa de Israel em cada um de nós, e todos nós juntos somos o povo (ou nação) de Israel.

Circuncisão
Uma “circuncisão” é como uma aliança. Quando executamos uma correção na nossa vontade
de receber, devemos sempre colocar de parte esses desejos que ainda não se consegue corrigir, e
lidar somente com aqueles que podemos acrescentar a Biná, à doação. Deste modo, de todos nossos
desejos (que estão divididos em 620 desejos), podemos cortar a parte que é em prol de receber.
Aquela que existe em nós por agora, e que não conseguimos corrigir, é colocada na poeira.

Esta ação simboliza nossa incapacidade de corrigir essa parte. Contudo, ela será corrigida no fim da
correção. Ela é o coração de pedra, que deve ser corrigido, como está escrito que devemos na
realidade executar a correção do coração.

De O Zohar: Se Desanimares no Dia da Adversidade

“Mas um entre mil é a inclinação ao mal, que é uma daqueles 1000 prejudicadores, que se
encontram na direita, porque ela sobe e recebe permissão, e subsequentemente desce e condena à
morte.

Assim, se um homem caminhar no caminho da verdade, essa inclinação ao mal se torna sua escrava,
como está escrito, ‘Melhor é aquele que tem um escravo que um inferior’. Nessa altura, ela sobe e
se torna uma advogada e fala diante do Criador a favor do homem”. Zohar para Todos, VaYishlách (E
Jacó Foi), item 185

* “Quando Israel não se envolvem na Torá, a esquerda se intensifica e o poder das nações idolatras cresce. Elas sugam da
esquerda, governam sobre Israel, e infligem sobre eles leis. Devido a isso, Israel foram exilados e dispersos entre as nações”
(Zohar para Todos, BeShalách (Quando Faraó Foi), item 306).

** Zohar para Todos, Mishpatim (Ordenanças), item 165; Zohar para Todos, Beresheet (Gênese), item 440.
VaYéshev (E Jacó Se Sentou)
(Gênese, 37:1-40:23)

Sumário da Porção

Na porção, VaYéshev (E Jacó Se Sentou), Jacó mora na terra de Canaã. O protagonista desta
porção é José, o filho mais novo de Jacó. José foi dotado com uma aptidão para sonhos proféticos.
Ele conta-lhes sobre isso e traz sua inveja contra ele.

Seus irmãos conduzem o gado até Shéchem (Siquém) para lá pastar, e seu pai o envia até eles. No
seu caminho ele encontra um homem e pergunta-lhe sobre seus irmãos: “Procuro meus irmãos”
(Gênese 37:16). Na altura em que José encontra seus irmãos, eles já conspiram matá-lo devido a
sua inveja. Rúben consegue preveni-los de cometerem o assassinato. Em vez disso, os irmãos
decidem jogar José para um fosso, planeando vendê-lo aos Ismaelitas. Uma escolta de Midianitas
que está de passagem leva José com eles até ao Egito.

Quando José chega ao Egito, ele esconde-se na casa do capitão da guarda de Faraó, Potifar. A
esposa de Potifar tenta seduzir José, mas ele recusa-a. Ela vinga-se ao reclamar que José se tentou
forçar nela. José é jogado para a masmorra como resultado.

No fosso, José encontra dois oficiais do Faraó, o copeiro chefe e o padeiro chefe. Ele interpreta
seus sonhos e prevê que dentro de três semanas o chefe copeiro será libertado, e o chefe padeiro
será enforcado. José pede ao chefe copeiro que assim que seja liberto, vá até ao Faraó e lhe diga
que José está preso sem razão e que peça sua libertação.

Comentário
Esta porção contém uma mensagem espiritual profunda. Ela narra a correção da alma, que é o
propósito na vida do homem, e a razão pela qual a Torá foi dada. Inicialmente, a inclinação ao mal
aparece, como está escrito, “Eu criei a inclinação ao mal, Eu Criei para ela a Torá como tempero”
(Masechet Kidushin, 30b), pois “a luz nela a reforma” (Eichá, “Introdução”, Parágrafo 2).

“Reformar” significa regressar a um estado de “ama teu próximo como a ti mesmo”. Isto é, ela nos
traz de volta à qualidade de doação, à semelhança com o Criador. É isso que devemos concretizar,
como está escrito, “Regressai, Ó Israel para o Senhor vosso Deus” (Oseias 14:2).

A Torá demonstra como o ego, a vontade de receber, continua a mudar até que seja corrigida. No
exemplo demonstrado nesta porção, vemos como todas as nossas qualidades se conectam, então se
separam, manifestando desequilibro entre elas até que produzam qualidades mais avançadas que
sejam mais próximas da doação.

Jacó é o princípio da qualidade de doação dentro de nós.

Abraão, Isaac e Jacó são os três patriarcas. Jacó é na realidade o sênior, contendo tanto o desejo de
receber e o desejo de doar dentro de nós, pois podemos somente suscitar a linha do meio usando
ambos. A linha do meio, Jacó, ainda não é atribuída ao nível de implementação em nós, mas ao
nível de tomada de decisões.
A expressão do nível de Jacó da implementação é seus filhos, desde Rúben, o mais velho, a José, o
mais novo. E precisamente nesta hierarquia que pendem as qualidades dentro de nós. É assim que
o ego, em todas as suas formas (ainda incorretas), é corrigido. Aquele que as completa é José, o
justo. Ele reúne todas as qualidades anteriores na qualidade de Yessód (fundação), que se chama “o
justo José”) ou “um justo, a fundação do mundo” (Provérbios 10:25).

Por um lado, José usa todas suas qualidades anteriores - Kéter, Chochmá, Biná, Chéssed, Gvurá, Tiféret,
Netzach, Hod e Yessód - mas por outro lado, ele precisa os conduzir até Malchut. Malchut é a vontade
de receber egoísta, Faraó, Egito, simbolizando a totalidade de nossos egos.

Assim que tenhamos alcançado um estado de descobrir no interior estas qualidades de doação -
desde Abraão, a qualidade de Chéssed, passando por Gvurá, Tiféret, Netzach, Hod e até Yessód, que é
José — está na hora de abandonarmos os pais e pertencermos à vontade de receber. Primeiro,
precisamos permear a vontade de receber, e então a vontade de receber nos permeará.

Assim que sejamos permeados por ambas as qualidades - recepção e doação - e devemos ver que
primeiro, a qualidade de doação entra na qualidade de recepção e começa a corrigi-la. Somente
então começa ela a remover a parte da vontade de receber que pode ser corrigida.

Isso é semelhante a um educador que trabalha com um bando de criminosos. Ele consegue levar os
membros mais avançados do grupo que estão dispostos a trabalhar com ele, e os trazer à correção.
Em outras palavras, quando entramos na vontade de receber, entramos no exílio. E
quando saindo dele, saímos com “grande substância”, ou seja, com vários “vilões” que desejaram
correção e a consideram redenção. Assim que eles são corrigidos, eles têm “grande substância”
porque eles adquiriram poder adicional na qualidade geral de doação.

Assim, através de todos esses exílios e redenções, corrigimos a inteira inclinação ao mal. É assim
também como compreendemos o inteiro processo, como chegamos a conhecer o plano da Criação,
e como nos tornamos similares ao Criador. José, a última das qualidades de doação, atravessa
muitos processos em prol de se separar da qualidade de doação e se preparar para entrar na
qualidade de recepção, vulgo, Egito.

Esta é também a razão para sua contenção com seus irmãos. Eles o odeiam porque eles não
conseguem compreender o que ele quer. Eles não compreendem como o filho mais novo pode ser
o maior. Mas José é diferente deles.

Banim (filhos) é três vezes Yod-Hey-Vav-Hey, em três linhas. Estes são os doze filhos. Não só José é o
maior porque ele está disposto a se conectar com eles, mas os outros também se dobram para ele,
se rendem para ele. Enquanto não entrarem na Malchut, enquanto ele se encontrar misturado já
com o Egito, eles o aceitam porque podem ver como essa situação pode ser mais tarde realizada na
vontade de receber pelo propósito da correção.

Sucede-se que atravessamos fases que nos parecem completamente incorretas e más, tal como não
compreendemos a conduta de seus irmãos com José. Jacó sofre e está desamparado. Os irmãos
desejam matar José e mentem a Jacó, mas estranhos salvam José do fosso, embora sua intenção seja
vendê-lo.

É assim que nos tornamos separados de nossas qualidades anteriores. Acumulamos essas qualidades
anteriores dentro das qualidades de Yessód, a qualidade de José, e nos separamos a nós mesmos de
as usar. Colocando-o diferentemente, deixamos a terra de Canaã e entramos no Egito.

No Egito, quando entramos em contato com a vontade de receber, quando a qualidade de doação
entra na qualidade de receber, a vontade de receber imediatamente sente quanto pode ela ganhar
e lucrar disso. Se fosse só outra forma de recepção, não importaria assim tanto. Mas se podemos
doar em prol de receber, então somos como comerciantes. Calculamos toda a maneira de doação
que podemos somar à vontade de receber ao nos conectarmos a todas as coisas e através da
negociação podemos ganhar lucros delas para nós mesmos.

Desta maneira, descobrimos que a qualidade de José pode ser muito lucrativa para a vontade de
receber. A pessoa se sente mais retorcida, mais poderosa e mais bem-sucedida que as outras. Não se
comporta tão agressivamente em prol de receber, mas em vez disso obtém pela deliberação: “Vos
venderei isto e me vendereis aquilo”. Este é um desenvolvimento do ego.

É por isso que, quando a qualidade de José se mistura com nossa vontade de receber, como José se
misturou no Egito, ela traz grandes lucros para aqueles que estão com ele no Egito, ou seja, para
nossas formas egocêntricas.

De fato, o lucro é tão grande que desenvolvemos um desejo de usá-lo em prol de receber, mas o
humano em nós não consegue concordar com isso. Foi isto que aconteceu quando José chegou à
casa de Potifar. Quando ele chegou, ele estava bem, mas com sua esposa passou o limite. Aqui, o
humano em nós vê que há um desejo de o explorar em prol de receber, ou seja para nos separar de
nossa fundação, e isto é algo com o qual não conseguimos concordar. Quando discordamos disso,
sentimo-nos desamparados, aprisionados e encarcerados.

Essa sensação dura muito tempo e cresce durante as “forças” estranhas, o chefe copeiro e o chefe
padeiro, no estado de estar na prisão. Estas qualidades dentro de nós estão em contato com o José
dentro de nós. Elas trazem-nos a Faraó e acompanham-nos.

A qualidade do chefe padeiro é destruída porque ele pertence às forças de doação do ego, com
as quais José compreende que não consegue trabalhar.

Mas as forças do ego de recepção - o chefe copeiro, que é equivalente ao vinho - são aqueles que
despertam. O chefe copeiro não salva José imediatamente, mas somente depois de despertarmos da
queda, da descida.

Em prol de subirmos de um grau para o próximo, sonhamos. Um sonho é um estado de perder o


estado anterior e alcançar um novo. Precisamos ser invertidos para renascermos.

Experimentamos três estados: deitar-nos, sentar-nos e levantar-nos. “Deitar-nos” é o estado de


sonhar. Quando nesse estado, nossa cabeça, corpo e pernas estão todos no mesmo nível, indicando
que não temos nem intelecto nem sabedoria. Mas é precisamente nesta forma que adquirimos
os Kelim (vasos) do próximo grau e nos tornamos invertidos, tal como um bebê recém-nascido
emerge do ventre de sua mãe. Enquanto no ventre, ele está com sua cabeça para cima, mas perto
do nascimento ele vira-se ao contrário, e assim que está fora, ele vira-se para cima novamente.

“Deitar-nos” significa perder todas nossas Mochin (luz de Chochmá, sabedoria). É assim que devemos
transferir de um estado para o próximo. Por um lado, perdemos nosso grau anterior, e por outro
lado, começamos a adquirir o próximo grau, que se torna um inteiro novo mundo para nós. Esta é
a visão interior com a qual começamos a compreender o sentido de “amanhã”, o próximo grau no
qual entramos.

Este grau nada se assemelha aos sonhos no nosso mundo. Em vez disso, aqui a Torá conta-nos sobre
a entrada para um nível mais alto. No estado de sonho, vemo-nos a nós mesmos em formas mais
avançadas, sabendo como usar tais qualidades como o chefe copeiro, o chefe padeiro e Faraó, e
podemos avançar com elas pois elas já estão formadas no interior.
No fim, quando José é encarcerado devido à esposa de Potifar, ele descobre dentro dele as
qualidades do chefe copeiro e o chefe padeiro. Precisamente porque ele mata o chefe padeiro e
nutre a qualidade do chefe copeiro, ele chega à casa de Faraó.

Pela evolução das gerações há ódio entre irmãos, entre Caim e Abel, entre Isaac e Ismael e entre
Jacó e Esaú. Este ódio é definido como Klipá (casca/pele) e Kedushá (santidade). Nesta porção, há
doze irmãos, os filhos de Jacó, que são as qualidades do homem, mas não há ódio tal entre eles que
estejam dispostos a matar a qualidade chamada “José”.

Contudo, o ódio é somente para José. Os irmãos compreendem-se uns aos outros. Cada um deles
representa uma qualidade diferente dentro de nós. Nós temos muitas qualidades, mas nenhum
conhecimento de como as integrar na linha do meio. Não compreendemos como trabalhar com as
várias qualidades juntas, ou seja, com nossos egos, nossa vontade de receber.

A coisa interessante sobre José é que ele conta a seus irmãos, “Uma pessoa tem um desejo egoísta,
não as qualidades de doação que você tem. Isto é, eu posso conectar suas qualidades ao desejo
egoísta; eu sei como fazê-lo”. Deste modo, cada um que representa uma certa qualidade sabe que
através da doação ele alcançará alguma coisa, da direita ou da esquerda - para Chéssed, para Gvurá,
para Tiféret, para Netzach, para Hod, exceto Yessód.

A inteira estrutura dos doze irmãos, doze filhos de Jacó, é que todos eles trabalhem acima do ego,
acima da vontade de receber, doando em prol de doar. Isto assim é porque a linha do meio, Jacó,
que ainda pertence à cabeça, ao grau dos patriarcas, gera todas as qualidades dos irmãos exceto
aquela de José, e todos eles estão também, em doação, de baixo para cima.

Perguntas e Respostas

Então porque Jacó o compreendeu e até amou José?


Jacó amou José pois ele era uma continuação de si mesmo; ambos estavam na linha do meio — Jacó
em Tiféret e José em Yessód.

O que significa que cada irmão representa uma certa qualidade?

Os doze filhos de Jacó são qualidades que se relacionam à doação. Na realidade, eles são onze,
porque José não tem qualidade; ele é uma coleção de qualidades.

A ideia por trás da qualidade de José em nós é que podemos pegar em todas essas qualidades, as
fundi-las com diferentes combinações, e as usarmos com nossos egos. Em outras palavras, podemos
começar a trabalhar com o ego para que ele trabalhe com essas qualidades e as apoie. Desta maneira,
podemos nos corrigir a nós mesmos. Estas qualidades não compreendem como é possível roubar
em prol de doar.

O que é uma qualidade? É roubar uma qualidade? São a ira e preguiça qualidades?

Chéssed, por exemplo, é a qualidade de doação. Em um estado de Chéssed, uma pessoa está
em Chassadim (misericórdia). Tal pessoa dá, contribui e faz tudo aquilo que ele ou ela possa. Isto
pede a pergunta, “Como se pode juntar nosso ego à nossa Chéssed”? Uma pessoa pode dar, mas
somente se for em prol de ganhar lucros. De fato, é assim que José é usado no Egito, primeiro na
casa de Potifar, então com Faraó.
José lhes traz a qualidade de Chassadim e eles a usam. O Egito torna-se rico e próspero através de
José porque todos os egoístas compreendem que a doação faz todos se beneficiarem egoisticamente.

Contudo, as qualidades de doação em si mesmas não compreendem como é possível usar o ego em
prol de as apoiar. Esta é a essência do contraste entre Abraão e Isaac, que amou Ismael porque a
qualidade pura não consegue manter sua forma limpa e ao mesmo tempo se conectar com Malchut,
a vontade de receber.

Há um processo muito especial e complicado aqui de ódio e desentendimentos entre eles. Mas José
consegue conectar as qualidades da doação à vontade de receber para que, eventualmente, isso
beneficie as qualidades de doação. Os irmãos - qualidades de doação dentro de nós - não
compreendem como é isto possível, então eles protestam. Nós, também, não compreendemos como
é isto possível.

A sabedoria da Cabala nos ensina como usarmos as qualidades de doação em prol de corrigirmos
nossos egos. Além da Cabala, ninguém lida com isso porque ninguém tem o método das três linhas.
Todas as religiões, fés, e métodos estão aparentemente acima do ego; nós
subimos ostensivamente acima do ego como se não fossemos egoístas, e estamos todos em doação.

Significa isso que o “eu” vive entre as duas linhas?


Sim, mas somente as qualidades de José e Jacó. Jacó está nesta qualidade na linha do meio na
cabeça, e José está no fim da linha do meio, na entrada para Malchut, pois ele é Yessód. Em José há
contato com a casa do Faraó desde o início, e então com o próprio Faraó. Foi isto o que ele
entendeu mal; os irmãos não conseguem compreender o que ele quer fazer. Eles pensam que seu
contato com o ego, a vontade de receber, os prejudicará.

Nós somos o mesmo por dentro, como na sociedade humana. Podemos ver que todos odeiam a
sabedoria da Cabala. Ninguém entende o que ela faz, nem sequer sabe para que serve porque a
Cabala lida com coisas estranhas - a correção do homem, a correção da alma. Parece irracional pegar
nessas qualidades sublimes, doação e Divindade, e conecta-las ao ego, aos desejos de roubar, violar,
os piores níveis do ego. Mas é por esta razão que este método é chamado “a sabedoria da Cabala
(Hebraico: recepção) ”: ela ensina como usar a pior vontade de receber em prol de alcançar o amor
precisamente através dela.

Nenhum outro método pode alcançar a correção do homem, um estado de “Ama teu próximo
como a ti mesmo”. É por isso que todos se esquecem desta regra da Torá e não roubam dela.
Somente a sabedoria da Cabala nos corrige. Devemos recordar-nos que todos aqueles que trabalham
“acima” do ego, toda a religião e fé, não compreendem como é possível corrigir o ego do homem,
então eles realizam gestos superficiais sem mergulhar no ego e genuinamente atender a ele. Eles não
lidam com a essência: “Eu criei a inclinação ao mal; Eu criei para ela a Torá como tempero”.

Nesta porção, vemos pela primeira vez quão difícil é lidar com isso. Doravante, haverá uma razão
para todas as ruínas, transgressões, os problemas no deserto e todas as guerras. O problema que
ainda permanece é como juntar adequadamente as qualidades de doação com as qualidades de
recepção em nós, para corrigir nossos egos.

Como podemos deduzir disso sobre o que hoje acontece no mundo? Afinal, hoje o mundo está
escravizado aos nossos egos. Quem é o José de hoje?

Os Josés de hoje são aqueles que têm o método para corrigir o ego, que está aparecendo no mundo
através da força superior. Em outras palavras, são aqueles que estudam a sabedoria da Cabala, como
está escrito, “Eu criei para ela a Torá como tempero”, pois “a luz nela a reforma”. O método da luz
é a sabedoria da Cabala, e é muito difícil explicá-la ao mundo. E também difícil aceitar que há uma
maneira de corrigir o ego, o ódio reciproco, as crises que experimentamos, que são os resultados
dos nossos egos.

José não tentava explicar coisa alguma; ele foi simplesmente vendido à escravidão, foi para o Egito
e lá se misturou. Porque precisamos explica-la hoje?

Hoje é o que precisamos fazer: explicar ao disseminar a sabedoria da Cabala, que é chamada
“o Shofar (trombeta feita de chifre) do Messias”. Devemos circulá-la e espalhá-la pelo mundo porque
ao assim fazer nos tornamos incluídos nas nações do mundo, como foi José no Egito. Desta maneira,
plantamos as sementes da doação que farão todos começarem a compreender a razão para todos os
problemas até que eles, também, possam subir.

Estes problemas estão a intensificar-se e não há modo de os evitar devido a nossa descida, nossa
evolução, é contínua. O presente estado das coisas é uma causa para a guerra. A guerra de Gog
uMagog deriva da mesma razão, como todas nossas guerras. Nós encontramo-nos no ponto de
ruptura, e esta porção é muito pertinente e significativa.

O ponto focal do problema é ódio sem fundamento entre irmãos, e este é o estado em que nos
encontramos hoje. Por um lado, parece que não há nada que possamos fazer; o ódio existe entre as
pessoas, bem como para a sabedoria da Cabala. Além do mais, ele é esperado se intensificar, pois é
difícil para as pessoas entenderem a sabedoria da Cabala apesar de todas as explicações. Por outro
lado, este mesmo ponto revela os dois opostos dentro de nós: a alma e o corpo. É impossível
desconectá-los, e José é o ponto que os conecta.

Termos
José
Yosef (José) é Yessód, uma qualidade que inclui todas nossas boas qualidades, as qualidades de
doação. Ele é uma coleção de todas as qualidades de doação e porque ele não tem nada de seu, mas
a coleção de prévias qualidades, ele consegue conectar-se com a qualidade de recepção.

Esta qualidade consegue conectar dentro dela todas as qualidades de doação na sua parte superior,
e todas as qualidades de recepção na sua parte inferior. Isso é José pois ele coleta todas as qualidades
dentro dele. *

Yosef é também chamado “a fundação do mundo”, uma vez que o mundo verdadeiramente aparece
nesta qualidade, uma coleção de duas forças, doação e recepção, onde o Criador e a criatura se
encontram.

A Túnica Listrada

A túnica listrada são três listras, que na realidade são duas, aparentemente brancas e pretas, pois ela
é feita de lã, que é tanto preta como branca. Contudo, a partir do preto e branco emerge uma linha
do meio que não existe na realidade. Ela não existe na túnica, mas é o humano que a faz. Quando
usando a túnica listrada, uma pessoa torna-se a linha do meio entre as duas listras.

Eu Procuro Meus Irmãos

José compreende que sem o poder de todas as qualidades acima dele - seus irmãos - ele não será
capaz de lidar com o Egito. É aqui que ele os encontra no Egito ele diz, “Quão bom e quão agradável
é que irmãos se sentem juntos” (Salmos, 133:1). Isso significa que agora realmente se torna aparente
quão bom que eles estejam misturados no Egito, e que haja uma abertura para a correção do Egito,
uma porta para a correção do ego do homem.

De O Zohar: E Um Homem O Achou


“Yosef foi a aliança superior, Yessód de ZA. Enquanto a aliança, que é Yosef, existiu, a Divindade
existiu como devia, pacificamente em Israel. Desde que Yosef, a aliança superior, deixou o mundo,
pois ele foi vendido para a escravidão, a aliança e Divindade e Israel todos foram exilados”. Zohar
para Todos, VaYéshev (E Jacó Se Sentou), item 104

* O nome José (Yosef) vem da palavra Osef (coletar/reunir).


Mikétz (No Final)
(Gênese, 41:1-44:17)

Sumário da Porção

A porção, Miketz (No Final), começa com o sonho do Faraó com sete vacas saudáveis e bem
alimentadas que vêm do Nilo, seguidas de sete vacas magras e desnutridas. Em um segundo
sonho, o Faraó vê sete espigas de trigo saudáveis e cheias, seguidas de sete espigas que eram finas
e chamuscadas. Como com as vacas, as espigas finas comem as cheias. Nenhum dos conselheiros
do Faraó conseguiu interpretar seus sonhos. O chefe copeiro, que foi salvo, recordou-se de José e
seu presente de decifrar sonhos. Ele tomou a oportunidade e pediu para tirar José da prisão. José
veio e solucionou o sonho do Faraó. Ele disse que haveriam sete anos de prosperidade e fartura
no Egito, imediatamente seguidos de sete anos de fome, e que Faraó se deveria preparar para eles.
José também sugeriu como Faraó se deveria preparar para eles. Faraó nomeou José como
encarregado, segundo somente ao rei, para que ele montasse os armazéns.

Certamente, os sete anos de fartura foram seguidos de sete anos de fome, e a nação inteira se
voltou para José para aliviar sua fome e os ajudar através disso. Cada um, incluindo os filhos de
Jacó, que estavam na terra de Israel, vieram para o Egito para evitar a fome. Os filhos de Jacó
vieram até José, mas eles não reconheceram seu próprio irmão. Inicialmente, José pensava que
eram espiões. Posteriormente, ele enviou Simeão para a prisão e disse para seus irmãos,
“Regressai, mas sem Simeão”. José escondeu uma taça nos pertences de Benjamin e declarou que
se o ladrão que roubou a taça fosse apanhado, ele seria condenado à morte, e todos seriam
punidos.

Os irmãos regressaram para Jacó e contaram-lhe do pedido de José que seu irmão, Benjamin,
deveria descer ao Egito com eles. Inicialmente, Jacó recusou enviar Benjamin de volta a Faraó
pois ele já havia perdido José e Simeão, mas ele finalmente concordou em libertá-lo.

A porção descreve os diferentes apuros que José fez seus irmãos atravessar, os fazendo se
separarem, mas os irmãos reforçaram sua unidade.

A porção termina com todos estando no Egito. Benjamin é acusado de roubar a taça, e José
decide mantê-lo como escravo.

Comentário
Estas histórias representam diferentes estados que devemos atravessar à medida que avançamos na
correção de nossas almas. A Torá conta-nos como devemos executar a correção.

Não há necessidade de corrigirmos nossos corpos porque eles são parte do reino animal e existem
como em todos os outros animais. Devemos obter nossas almas, contudo, a partir do presente
estado, e esta porção narra como devemos abordar a correção e alcançar o nascimento de nossas
almas.
Está escrito, “Eu criei a inclinação ao mal; Eu criei para ela a Torá como tempero” (Masechet
Kidushin, 30b). Em outras palavras, nossa fundação é a inclinação ao mal, nosso ego. Quando
reconhecemos o ego e começamos a trabalhar com ele, experimentamos em primeira mão o
processo inteiro que a Torá descreve.

As anteriores porções lidaram com o ponto no coração que desperta e se desenvolve em uma pessoa.
Todos nós viemos de um Kli (vaso) quebrado, que deve ser corrigido e conectado. Esta é a correção
através da qual alcançamos a regra, “Ama teu próximo como a ti mesmo; é a grande regra da Torá”
*, se referindo à conexão de todos nós em um único Kli, quando todas as pessoas são como um.

Primeiro, o povo de Israel alcançará a unidade. Subsequentemente, eles servirão como “uma luz
para as nações” e conectarão todos a esse Kli. Logo, “Todos eles ME conhecerão do menor deles ao
maior deles” (Jeremias 31:33). Conhecer significa alcançar, como está escrito, “E o homem
conheceu Eva, sua esposa” (Gênese 4:1). É esta a meta que devemos alcançar, e ela é alcançável
somente através de união.

Quando nos conectarmos, descobriremos quão perversos nós somos, quão indesejável a conexão é
para nós, e como preferimos evitá-la. Aqueles entre nós pensam nestes dias sobre amor fraterno,
sobre “ama teu próximo como a ti mesmo”? Embora esteja escrito na Torá, embora seja uma grande
regra sobre a qual a inteira Torá se apoia, ninguém se envolve na verdadeira implementação desta
ideia.

Virtualmente nos esquecemos dessa única regra, sem a qual a inteira Torá é insignificante. A porção
explica como devemos abordar a correção fase após fase. Todos as Mitzvot (mandamentos) na Torá
são apenas correções interiores de nós mesmos para alcançar este princípio, a grande regra da Torá,
e mudar do amor ao homem para o amor a Deus, como Baal HaSulam escreveu em Matan Torá (A
Doação da Torá), e A Arvut (A Garantia Mútua).

O amor ao homem é o Kli dentro do qual aparece a luz superior do Criador e a revelação do Criador
às criaturas é o propósito da Criação, como está escrito, “E todos eles ME conhecerão do menor
deles ao maior deles”.

Quer queiramos ou não, atravessamos fases nas quais descemos a um estado chamado Faraó. Nesse
estado, o ego aparece. Faraó, o ego, aparece precisamente quando nos queremos unir, quando
compreendemos que o propósito da Criação é obter conexão, união. Quanto mais tentamos
concretizá-la entre nós, mais descobrimos Faraó dentro de nós. Faraó é um grau grande e importante
no nosso progresso para a realização do grau espiritual, o nível humano.

A vida como a conhecemos é no nível animal. Para alcançar o nível humano, precisamos estar
conectados como Adam HaRishon (Adão, o primeiro homem), que incluía a inteira humanidade
dentro dele. A alma de Adão dividiu-se em 600,000 almas, que então se multiplicaram de modo
em que em cada um de nós haja uma centelha de Adam HaRishon. O nível humano é o nível de
coletar essas centelhas em cada um de nós. Contudo, estamos ainda no nível animal e devemos nos
elevar do nível animal ao nível falante.

A porção explica que podemos subir ao nível falante somente ao reconhecer Faraó dentro de nós,
com o desejo egoísta que quer somente receber e nada dar. Aproximamo-lo e chegamos a conhecê-
lo precisamente quando estamos em um estado que ele nos “alimenta”, e nós estamos desamparados
contra ele.

É o mesmo nas nossas vidas hoje: se deixarmos nossos egos, nada teremos para comer. Se, por
exemplo, abolirmos toda a competitividade entre nós, a inveja, cobiça e perseguição de poder e
respeito, o mundo deixará de se desenvolver. Deste modo, precisamos destas forças, como está
escrito, “Inveja, cobiça e honra libertam o homem do mundo”. **

Estas forças nos libertam deste mundo, e para um mundo mais elevado e mais espiritual.

Devemos chegar a conhecer Faraó, nosso ego, em um sentido mais profundo. Devemos chegar a
querê-lo, embora naturalmente não queiramos. Esse desejo contradiz nossa inclinação natural.

Se nos direcionarmos para a conexão com as pessoas, compreendendo que o propósito da Criação
é alcançar amor e conexão, aparentemente nos opomos a ele. Deste modo, o ego necessariamente
aparece em nós. Por outro lado, o ego compreende que devemos usar todas nossas boas qualidades.

Esta situação instiga uma divisão em duas forças - a força de Jacó e a força de Faraó, ou a força de
José e a força de Faraó. Gradualmente, aprendemos a discernir entre essas duas forças em nós e
compreendemos como elas se complementam uma à outra, como José se mistura com Faraó, e
como Faraó se mistura com José.

José é “o justo José”. Ele é Yessód, que coleta todas nossas qualidades de doação, dar e o amor. Faraó
é a correção de todas as más qualidades egoístas. Estas duas qualidades devem se unir em prol de
se complementarem uma à outra, para que as qualidades más se tornam boas, para que a inclinação
ao mal se torna a boa inclinação do bem, como está escrito, “O anjo da morte está destinado a se
tornar o sagrado anjo”. ***

Estes processos acontecem dentro de nós. Reparamos que estamos confusos, como Faraó, que está
confuso pelo seu sonho. Um sonho é uma indicação muito elevada do nosso progresso. Ele ocorre
quando estamos confusos e desorientados. Na transição de estado para estado, não compreendemos
o que se está a passar, tendo abandonado o estado anterior, mas ainda não alcançamos o
reconhecimento, o novo entendimento e deste modo estamos confusos.

Quando nos envolvemos em autoexame, ou em pesquisa ainda mais superficial, experimentamos


períodos onde ainda não estamos em controle da nova percepção. Ao mesmo tempo, devemos
abandonar a percepção antiga ou não seremos capazes de subir para o novo nível. É por isso que
esse estado é chamado “um sonho”. Similarmente, no nosso mundo, entre cada dois dias deve haver
a noite, trevas, abandono do intelecto, razão. O sonho ajuda-nos a preparar para perceber o que o
novo dia nos reserva.

Aqui podemos ver a mistura que existe entre qualidades espirituais, as qualidades do Criador e as
qualidades da pessoa, a criatura. As qualidades do Criador, que visa doar somente, são chamadas
“o lado direito”. As qualidades da criatura, que visa inteiramente receber, são o “lado esquerdo”. A
conexão entre elas ocorre quando Jacó e seu agregado inteiro desce para o Egito.

Jacó está no Egito e se mistura com os Egípcios em prol de mais tarde suscitar todos os Kelim, para
suscitar todo o poder do ego, exceto o próprio ego. Este estado é chamado “E posteriormente eles
sairão com grande substância” (Gênese 15:14).

A inteira porção lida com a descida para esse estado. Podemos ter bons desejos, mas ainda somos
incapazes de progredir com eles porque estes desejos são demasiado magros.

Quando começamos a estudar, descobrimos um desejo de avançar e compreendermos a nós


mesmos, de conhecer a realidade que nos governa, a realidade superior. Por outro lado, sentimos
que não temos este poder. Por outro lado, sentimos que o processo que estamos atravessando está
pré-instalado em nós, então é inevitável que descubramos a inclinação ao mal, Faraó, dentro de
nós. Nossas boas qualidades estão incluídas nas qualidades egoístas e isto é chamado “pois a fome
estava na terra de Canaã” (Gênese 42:5). Deste modo, não temos escolha senão descermos ao Egito.

Quando não vemos a espiritualidade como uma forte base, nos tornamos incluídos na nossa
vontade de receber. A vontade de receber então cresce e torna-se mais cruel e mais intensa, até ao
ponto que parece que ela está prestes a nos engolir. Mas quando avançamos na direção certa,
descobrimos que José já existe dentro de nossa vontade de receber.

José está já no Egito, e através disso nos tornamos incluídos no ego. É por isso que há sempre uma
espécie de partição entre as qualidades de doação e as qualidades de recepção.

José diz para Simeão que os irmãos são espiões, e envia o resto dos irmãos para sua pátria. Contudo,
eles não têm escolha senão regressar ao Egito porque não temos escolha senão trabalhar com o ego,
a vontade de receber, ou não haverá progresso de todo.

O ego foi criado contra nós, e se não o invertermos em prol de doar, não seremos capazes de entrar
na Criação e descobrir o mundo superior.

De fato, trabalhamos somente com nossas próprias qualidades. É por isso que esta sabedoria é
chamada Chochmat HaKabalah (a sabedoria da recepção) uma vez que recebemos dentro dos vasos
de recepção os Kelim que foram cruéis. Sentimos o mundo espiritual somente depois de corrigirmos
nossos Kelim.

Como acaba de ser dito, os irmãos regressaram a José pela segunda vez. Contudo, desta vez José
deu-lhes um Kli, uma taça que ele recebeu do Egito. Ele entregou-a para a casa de Jacó, assim
puxando todos eles de volta e todos os filhos de Israel desceram para o Egito. José está conectado
ao Egito de uma maneira especial - na qualidade de Yessód que o caracterizou. Esta qualidade
concentra dentro dela todas as qualidades superiores que entram em Malchut, nossa vontade de
receber - através dela.

José casou com a filha de um dos conselheiros espirituais de Faraó, Osnat, e tiveram dois filhos,
Efraim e Manassés (Menashê). Isto significou que com a entrada dos filhos de Israel no Egito, Faraó
começou a mudar. Parece que embora uma conexão tivesse sido feita que funcionou a favor de
Faraó, uma vez que o mundo inteiro vinha até ele, até Malchut, a única que pode fornecer nutrição.
Mas esta nutrição foi na realidade recebida das primeiras nove Sefirot, não de Malchut.

As primeiras nove Sefirot estão incluídas em Malchut porque primeiro elas têm de ser incluídas em
Faraó, Malchut. Absorvemos estas qualidades e as usamos em prol de receber. Usamos aquilo que
adquirimos para nosso próprio benefício, enganando as pessoas, corrompendo bons meios e
roubando quando possível.

Devemos atravessar tal período em que nossas boas qualidades são “cativas”, embora as usemos para
nosso próprio prazer, elas ainda trabalham gradualmente sobre nós, tal como com os filhos de Israel
no Egito. Quando os filhos de Israel desceram ao Egito, eles se conectaram a Faraó para que
posteriormente, quando as pragas descessem sobre Faraó, eles ainda sentiriam que não podiam
permanecer mais com a vontade geral de receber e trabalharem a favor de seus egos, e então eles
correriam com grande substância.

A conexão entre as qualidades do Criador e as qualidades da criatura. As nove Sefirot do Criador


entram na décima Sefirá (singular de Sefirot), Malchut, a qualidade da criatura, nosso ego, mas isso
não acontece instantânea, mas gradualmente.
Perguntas e Respostas
Nesta porção, José testa seus irmãos, separando-os. Eles o superam e se reúnem, então ele os
separa novamente. Parece que presentemente o mundo está em semelhante situação:
compreendemos que temos de nos conectar, mas não conseguimos, devido aos nossos egos. O
que podemos aprender desta porção sobre a direção que o mundo deve tomar?
Esta porção serve como um grande sinal de aviso, especialmente para o povo de Israel. O povo de
Israel tem que descer a Faraó. Isto é, devemos ir para o mundo e ajudá-lo a subir. Se falharmos em
fazer isso, será mau pois esse não é o caminho da Torá.

Devemos direcionar todo nosso ensinamento, toda a luz para disseminar a sabedoria da Cabala
pelo mundo. Ela é chamada o “a trombeta do Messias”.

Está escrito em O Zohar que somente através do poder de O Livro do Zohar sairão os filhos de
Israel do exílio. Contudo, ainda não estamos no exílio; primeiro devemos entrar
nele. Exílio é quando queremos nos conectar, mas não sabemos como o fazer pois há algo que nos
impede. Procuramos o ego, que nos impede, e devemos encontrar Faraó dentro de nós e entre nós.
É por isso que primeiro nos devemos conectar entre nós tanto quanto pudermos, como em “todos
de Israel são amigos”. ****

Devemos circular a Educação Integral de “Ama teu próximo como a ti mesmo” pela nação e explicar
de uma maneira cientifica tudo aquilo que a Cabala divulga, que devemos obter unidade e garantia
mútua, ou nossa situação será desesperante. Devemos transmitir ao mundo a mesma mensagem,
também, ou o mundo inteiro virá até nós com exigências. Eles não saberão sequer porquê, mas
estarão certos pois isso está de acordo com as leis da Natureza. Esta exigência do mundo é “a guerra
de Gog uMagog”, a guerra do fim dos dias.

É por isso que a casa de Jacó desce ao Egito, e é isso o que nós, também, devemos fazer. Devemos
começar a nos conectar entre nós, sentindo nossos Faraós internos, e devemos começar a cuidar
deles. Devemos estudar a Torá de tal modo que ela se torne para nós uma luz reformadora. Em
outras palavras, vamos atrair luz para nós através do desejo de nos unirmos.

Quando estudamos Torá, direcionamo-nos somente para a conexão. Não aspiramos conhecimento
ou esperteza, mas somente à união entre nós. Esta é a regra que a Torá exige de nós: “Ama teu
próximo como a ti mesmo; ela é a grande regra da Torá”. Essa é a única razão pela qual a Torá foi
dada.

“Eu criei a inclinação ao mal; Eu criei a Torá como tempero pois a luz nela a reforma”. Devemos
observá-la e hoje o mundo inteiro exige-o de nós.

Logo, finalmente organizaremos nossa nação. Nossa nação foi fundada sobre a unidade dos exílios
desde a Babilônia ao redor de Abraão. Maimônides escreve que eles estavam conectados baseando-
se na regra, “Ama teu próximo como a ti mesmo”“, e foi por isso que se tornaram uma nação. Assim
que perdemos esse princípio, deixámos de ser uma nação. Em vez disso, nos tornamos uma coleção
de exílios. Estamos ainda no exílio, em uma espécie de coleção, então devemos circular estas
palavras e notificar todos tão rápido quanto pudermos.

Se circularmos por todas as nações o método para conectar todos em mutualismo, como a Natureza
o exige, como a presente crise o exige, de acordo com a sabedoria da Cabala, veremos
diferentemente como todos se relacionam para nós. Eles exigirão se conectar e pedirão ajuda.
O que significam os anos de fartura e os anos de fome, e porque é o número sete mencionado
duas vezes?

Esse é um processo pelo qual devemos passar, em ascensões e descidas, uma vez no nível animal e
uma vez no nível vegetativo. É semelhante à quebra dos dois Templos. Em uma descida do alto, do
grau de Jacó, precisamos descer uma vez mais ao nível de Môchin de Chaiá e uma vez no nível
de Môchin de Neshamá. É o mesmo com os dois Templos, o Primeiro Templo e o Segundo Templo,
o mesmo como a ruína que nos aconteceu no mundo espiritual, o mundo de Nekudim.

Cada pessoa terá de o experimentar pessoalmente?


A uma extensão, todo e cada um de nós experimenta este processo.

Mas quando avançamos juntos para a conexão, esse não é um problema; podemos atravessar o
processo inteiro com alegria.

Se disseminarmos a sabedoria e o mundo escutar e compreender, será necessário que o mundo


atravesse este processo?
Ele é o reconhecimento do mal. É assim que chegamos a conhecer nossa doença. Tal como um
médico usa o diagnóstico para examinar a enfermidade de uma pessoa e prescreve o remédio
adequado, nós “diagnosticamos o mal” e subimos a um grau mais alto. Deste modo, não devemos
ter medo. Se todos marcharmos para a garantia mútua e unidade, não teremos problemas pois até
as coisas que parecem indesejáveis funcionarão para nossa realização do grau que foi preparado para
nós, Yashar El (direito a Deus), direito à união.

Termos

Anos de Fartura e Anos de Fome

“Anos de fartura e anos de fome” são os sobes e desces que devemos atravessar, que se dividem em
anos. O número sete representa as Sefirot Chéssed, Gvurá, Tiféret, Netzach, Hod, Yessód e Malchut.

Estes anos conectam-se a Zeir Anpin, que contém seis Sefirot, com Malchut. Esta conexão cria um
novo Kli entre as qualidades do Criador e as qualidades da criatura.

A sabedoria da Cabala refere-se às seis qualidades como “o Sagrado Abençoado seja Ele (Kadosh
Baruch Hu )”. A sétima qualidade é a Shechiná (Divindade), que é presentemente Faraó, também
conhecida como “Divindade em exílio”. Depois da correção, Faraó torna-se um lugar sagrado, em
prol de doar, o lugar de nossas almas, o lugar da conexão entre nós.

Os Sábios do Egito
A sagacidade do Egito é chamada “sabedoria externa”. Ela afirma que você não precisa mudar por
dentro em prol de obter todo o bem nesta vida e na vida espiritual, e que se pode acomodar com o
intelecto. Estudar sem mudar; não pensar sobre a correção do coração, no seu ego, que você precisa
mudar; estude algumas páginas e ficará feliz. Isto, em essência, é a sabedoria do Egito, tal como está
escrito, “há sabedoria nas nações, acredita”. *****
Grão e Fome

“Fome” é uma sensação da vontade de receber que não se consegue satisfazer a si mesma. O grão
corresponde ao grau de fome no qual você sofre. Isto refere-se a dois graus - o grau de Môchin de
Chaiá e o grau de Môchin de Neshamá.

Irmãos
“Irmãos” significa conexão. Quando os desejos de receber se conectam em intenções comuns
e Massachim (telas) comuns, quando todos se desejam unir em prol de obter a meta sublime, eles
são chamados “irmãos”. É por isso que há Malchut, Egito, Faraó e no alto há a inteira casa de Jacó.
(Yod-Hey-Vav-Hey) vezes três linhas, quatro letras vezes três linhas, que são os doze irmãos.

Uma Refeição

O preenchimento do Kli acontece quando há comida e bebida. Como em Purim, isso exige duas
porções. Esta é toda a luz, os sabores que se espalham da Pé (boca) do Partzuf para baixo. A luz
interna que se espalha pelo Partzuf é chamada “uma refeição”. Se o fazemos em Partzufim que estão
integrados juntos, isso é como a lei dos vasos que se comunicam, onde todos se preenchem com o
mesmo nível, que é chamado “uma refeição de irmãos”. É por isso que essa é a única condição onde
o termo, “Quando irmãos também se sentam juntos” (Salmos 133:1) é verdadeira.

De O Zohar: E Os Homens Tinham Medo Pois Eles Foram Trazidos Para A Casa De José

“A boa inclinação precisa da alegria da Torá, e a inclinação ao mal precisa da alegria do vinho,
adultério e orgulho. É por isso que o homem precisa sempre a enfurecer desse grande dia, o dia do
juízo, o dia da contagem, quando tudo o que protege uma pessoa são as boas ações que ela faz neste
mundo para que elas o protejam a partir desse tempo”. Zohar para Todos, Mikétz (No Final), item 198

* “Ama teu próximo como a ti mesmo. Rabi Akiva diz, 'É uma grande regra na Torá’” (Talmude de Jerusalém, Seder
Nashim, Masechet Nedarim, Capítulo 9, p 30b).

** Mishná, Seder Nezikin, Masechet Avot, Capítulo 4, p 27.

*** Mencionado em Os Escritos de Rabash, Vol. 1, “O que é Torá e Trabalho no Caminho do Criador? “

**** Mishná, Shekalim, Ikar Tosfot Yom Tov, Capítulo 8, Mishná 1.

***** “Se um vos disser, 'há sabedoria nas nações, acreditai; há Torá nas nações, não acrediteis” (Midrash Rába, Eichá,
Parashá 2, Parágrafo 13).
VaYigásh (Judá Se Aproximou)
(Gênese, 44:18-47:27)

Sumário da Porção

Na porção, VaYigásh (Judá Se Aproximou), José pede a seus irmãos para deixarem Benjamin,
tendo descoberto a taça de prata que ele mesmo escondeu nos seus pertences. Judá explica a José
que ele não pode deixar Benjamin para trás pois é responsável por ele, e ele prometeu a seu pai
o trazer de volta em segurança. Judá diz a José que ele já havia perdido um irmão, desconhecedor
que José é aquele que gere o evento por trás das cenas.

José decide se expor a si mesmo a seus irmãos. Ele conta-lhes como ele ser vendido à escravidão
se tornou o melhor, e que agora ele pode apoiar sua família pois ele é o encarregado de todo o
Egito. Depois da reconciliação, José envia os irmãos a Jacó com carroças e bens e pede a Jacó para
vir para o Egito.

Inicialmente, Jacó não consegue acreditar na história. Mas assim que os irmãos o presenteiam
com o presente de José, ele fica deleitado e quer ir para o Egito para ver José antes que morra.
No caminho para o Egito, Jacó para e oferece sacrifícios. O Criador aparece a Jacó e promete-lhe
que seus descendentes serão uma grande nação no Egito e que eventualmente todos eles
regressarão à terra de Israel.

Jacó e seus filhos chegam ao Egito, na terra de Gósen (Goshen), onde José os encontra. Ele
irrompe em lágrimas quando vê seu pai passados todos esses anos. José conta-lhes que Faraó os
quer encontrar.

Para preparar o encontro, José diz à família para dizer que são pastores e desejam viver em um
lugar separado dos Egípcios, na terra de Gosén. José apresenta seu pai e irmãos a Faraó,
que concorda que eles viverão na terra de Gósen.

A fome continua e José provê para todos. Os Egípcios e todos os outros que abdicam de
seu dinheiro e eventualmente de si mesmos como escravos de Faraó.

No fim da porção, José estabelece um sistema de taxação pelo qual Faraó guarda todos os bens;
ele fornece aos Egípcios sementes para suas colheitas, e eles lhe dão um quinto da colheita.

Comentário
A porção descreve tanto os processos internos do desenvolvimento do homem como o processo
geral da correção do mundo. O homem e o mundo são um; particular e geral são iguais.

Esta é uma porção especial, que é ainda pertinente. Ela lida com a força espiritual que entra em
uma pessoa e a corrige.

Para o propósito da conexão, uma pessoa precisa tanto da força física como da força espiritual, tal
como os céus e a terra. As duas forças, do Criador e da criatura, se juntam, e a vontade humana
cresce delas. Este é verdadeiramente o propósito de nosso desenvolvimento, de conectar a
substância material com a forma humana, que é semelhante ao Criador.
Não é simples fazer estas duas forças se encontrarem. A Criação consiste somente destas duas forças,
a força de dar, o Criador e a força de receber, a criatura, que o Criador criou propositalmente como
uma réplica de Si Mesmo.

As duas forças têm de se juntar, então a criatura se torna incluída no Criador, e o Criador se torna
incluído na criatura, onde há entendimento, uma conexão entre eles. Nessa conexão, a criatura
pode apresentar pedidos ao Criador, que os compreende e doa sobre a criatura através de sua
conexão mútua, através da parte do Criador que está na criatura, para que a criatura, também, possa
compreender o Criador.

Isso é semelhante aos relacionamentos entre as pessoas. Assumamos que não temos conexão entre
nós e simpatizamos com os sentimentos uns dos outros, cada um de nós recebe uma parte do outro.
A conexão entre nós é feita através das partes que temos em comum.

No mundo material, também, devemos regular instrumentos para os fazer trabalhar no mesmo
comprimento de onda, para que se possam “compreender” uns aos outros. Por exemplo, para um
computador “compreender” outro, precisa haver um modem com certas limitações, certos registos,
e assim por diante.

Isso é semelhante com a conexão entre o Criador e a criatura. O propósito inteiro da Criação é
para a criatura ascender em Dvekút (adesão) ao grau do Criador. Eles alcançam Dvekút de acordo
com sua equivalência de forma, equivalência de suas qualidades. No fim, o humano deve ter as
qualidades do Criador.

“A inclinação no coração do homem é má desde sua juventude” (Gênese 8:21). Nós somos Faraó;
essa é nossa natureza, nosso “eu”. A primeira qualidade do Criador que aparece em nós é chamada
Abraão. É por isso que ele é chamado “o pai da nação”, ou seja, a qualidade de doação em nós.

Subsequentemente, a partir da linha de Abraão, a linha direita, a linha de Chéssed, emerge da


qualidade de Gvurá, Isaac. Finalmente, a qualidade de Tiféret, que é Jacó, sai.

Jacó é o princípio da formação da conexão certa entre Abraão e Isaac; é isto que faz dele o patriarca
mais especial, o sênior. Ele consegue combinar as duas forças, doação e recepção, e as organizar
dentro dele na linha do meio.

Contudo, isso não é suficiente. Precisamos aprender nós mesmos como implementar estas três
linhas, que chegam até nós do alto, do Criador. A porção descreve como a força superior
gradualmente nos permeia, tal como a água coa para o solo para chegar ao lugar onde está seco, ao
Egito.

O cerne do problema reside nas qualidades de Jacó, que também são seus filhos. Com a exclusão
de José, eles não compreendem o que devem fazer. José compreende que há necessidade de unir
todos os filhos. Ele diz-lhes “Todos vós vos dobrareis para mim pois eu sou a Yessód, a fundação que
une todos vós”. Mas eles não compreendem.

Embora contenhamos todas as qualidades e comecemos a conectá-las juntas, não


compreendemos como o fazer. É por isso que vender e comprar nos ensina como trabalhar com
essas qualidades dentro de nós.

A sabedoria da Cabala não lida com eventos históricos, ela lida com a correção do homem por
dentro. Nosso inteiro processo de trabalho trata-se da correção. Inicialmente, absorvemos a
qualidade de doação, amor, e afinidade aos outros. Correspondentemente, nos aproximamos do
Criador, mudamos e nos corrigimos a nós mesmos.
A porção conta-nos como as coisas se revelam, começando com a venda de José no Egito. José é a
força de doação, enquanto o Egito é nosso vaso de recepção, o desejo de receber. O desejo de
receber só pode trabalhar como simples agricultores, mas José é uma qualidade que já sabe como
trocar ferramentas com os outros, como comprar e vender. Ele dá colheitas e recebe do exterior em
troca, das pessoas, tais instrumentos.

Através da negociação, dar e receber, é possível conectar, para ganhar riqueza e ascender em graus.
A qualidade de José permite-o porque ela sabe como conectar partes egoístas que não conseguem
inversamente se conectar. É isto que acontece no Egito dentro de nós; é também o que acontece
no Egito físico.

Podemos vê-lo pela história. Os judeus que viveram entre as nações trabalharam e operaram na
educação e cultura, mas especialmente no comércio, que é uma conexão de todas as nações. Assim
que se desenvolveram no comércio, começaram a desenvolver a industria, tal como aconteceu no
Egito, que subitamente começou a prosperar. Juntamente com a prosperidade veio um problema -
quanto mais se cultiva, mas é provável declinar, cair, revelar o novo mal.

É daqui que os anos de fartura e os anos de fome vêm. Somente a força de doação dentro de nós
os consegue gerir. Quanto mais avançamos na nossa correção, mais atravessamos o processo de uma
maneira boa e adequada. Deste modo, todas as anteriores qualidades de doação, a casa de Jacó, se
mudam para o Egito, para a vontade de receber. Esta é enriquecida por elas ao ponto que quando
Jacó vem com sua família para o Egito, Faraó compreende quanto ele ganha com isso.

Quando começamos a trabalhar com os vasos de doação - eu lhe ajudo e você me ajuda, nossos egos
se desenvolvem. Aquele que sabe como se conectar com os outros e cambiar com eles, semelhante
ao que acontece dentro de nós, sabe trabalhar com as forças de recepção e doação juntas.

Inicialmente, este trabalho é chamado Lo Lishmá (“não em Seu nome”), uma vez que uma pessoa
ainda lucra e pensa que tudo corre bem, e deste modo trabalha com ambas as forças. Quando as
forças superiores são incluídas em nós, começamos a descobrir o desenvolvimento do processo, que
conduz à sensação do exílio e ao êxodo do Egito.

Isto acontece apesar do fato de que, por enquanto, as duas forças - a força de doação e a força de
recepção - trabalham em nós a favor do ego, e Faraó ganha riquezas. Em outras palavras, a parte
de Malchut, a quinta parte de Kéter, Chochmá, Biná, Zeir Anpin e Malchut, está verdadeiramente a ser
preenchida.

Nosso ego recebe vinte por cento do lucro geral, e assim cresce. É o mesmo para todos
os Egípcios, nossas qualidades egoístas - eles vivem e crescem. A casa de Jacó cresce, também, se
multiplicando ao se acrescentar a si mesma mais do ego dos Egípcios, a vontade de receber.

Nós acrescentamos ao ego, crescendo e avançando, como preparação para o processo da


correção. Aquele que estuda a sabedoria da Cabala enquanto está neste mundo desfruta deste
mundo bem como do mundo espiritual, ganhando de ambos. Enquanto neste mundo, o estudante
chega a compreender e a sentir o que lhe está a acontecer a ele ou ela, e aparentemente sobe acima
dos outros. Tal pessoa também ganha da sabedoria da Cabala, assim sentindo que ela lucrou de
ambos os mundos. Contudo, isso muda passado algum tempo.

Por agora, contudo, tanto a casa de Faraó e a casa de Jacó ganham riquezas. O lucro vai para as
qualidades do Criador e para as qualidades da criatura; a vontade de receber e o desejo de doar
misturam-se e trabalham juntos. Há uma grande conexão entre eles até que se cruzem com um
ponto de crise que não os deixe continuar.
É aqui que o mundo inteiro se encontra atualmente. Até agora, temos usado a força de doação para
desenvolver tecnologias, técnicas, instrumentos e assim por diante. Estamos em uma rede global de
indústria e comércio em praticamente todo o reino. E, todavia, alcançamos o reconhecimento do
mal, o entendimento de que devemos estar conectados melhor para avançar mais. Mas nossos egos
nos previnem de conectar.

Foi isto o que os filhos de Israel descobriram no Egito - o ponto foi para os empurrar além, para
um nível mais alto, para a terra de Israel. Nosso mundo, também, terá de emergir desta crise para
o nível da terra geral de Israel, para todos.

Perguntas e Respostas
O mundo está agora avançando para os anos de fome, todavia a maioria das pessoas se recuse a
reconhecer. Onde está a qualidade de José de hoje, a qualidade que diz que ele deve coletar
durante os bons anos para que tenhamos alguma coisa que nos faça avançar pelos anos de fome?

No tempo de abundância, tudo era ótimo. José estava em Malchut, no Egito. Mas quando a fome
começa, também começa a segunda metade do exílio no Egito e estamos a sentir o exílio. É então
que José completa seu papel; ele não está mais aqui.

As nove Sefirot - Kéter, Chochmá, Biná, Chéssed, Tiféret, Netzach, Hod e Yessód - são a descida da
abundância de cima para baixo. José é a nona; ele coleta as oito Sefirot anteriores e as traz
para Malchut. É por isso que ele é chamado “José” (da palavra Hebraica Osef [coletar]). Malchut é
nosso inteiro ego, a vontade de receber, a qualidade da criatura, nós. José inclui todas as qualidades
anteriores, as qualidades do Criador: abundância e luz para todos.

O que significa que “um novo rei se levantou sobre o Egito, que não conhecia José” (Êxodo 1:8)?
Este é o princípio do processo na direção de Moisés. Há várias fases no processo: primeiro, os filhos
de Israel descobrem que estão no Egito. Há uma diferença entre o trabalho pessoal e o processo
geral no mundo; eles são muito diferentes.

O que está hoje acontecendo no mundo?

A presente situação no mundo é que estamos no ponto de ruptura. Devemos compreender que
doravante Faraó assume controle, então vamos experimentar estados de fome e estados de fartura.
José vem e diz para Faraó que ele não tem escolha senão estabelecer uma nova ordem no Egito,
onde tudo esteja sob seu completo controle.

Todavia, ele deve dar-lhes sementes e receber vinte por cento em impostos deles e o divide de modo
que Israel fica pobre.

Em outras palavras, nossos desejos egoístas precisam se sentir pobres, que nada têm a não ser
pertencer ao ego, para sua mera sobrevivência e o que os mantém é a conexão com José. José dá-
lhes sementes, sustento, vida e recebe deles o imposto. É assim que nós, também, nos devemos
sentir - que somente nossa força de conexão pelo mundo nos une em um e nos permite avançar,
viver, reanimar nossas almas e que inversamente, estamos condenados.

Primeiro, devemos estudar estas coisas. Devemos atravessar este processo inteiro e avançar na
direção da revelação que devemos corrigir a nós mesmos, incluindo o Faraó em nós. Devemos subir
acima dele e escapar ao Egito. O processo inteiro nos direciona para a fuga.
A correção do Egito envolve dois estados: se queremos corrigir certa qualidade em nós, devemos
primeiro deixar de trabalhar com ela completamente. Posteriormente, avançamos para ela e
trabalhamos com ela de uma nova maneira, talvez menos que antes. Por exemplo, se estamos
proibidos de comer sal por razões de saúde, primeiro devemos evitar o sal por completo, então
retomar comendo pequenas quantidades dele.

Devemos escapar ao Egito para que possamos verdadeira e finalmente nos unir. Não nos podemos
unir enquanto no Egito. Dentro do Egito, somente os filhos de Israel podem se unir, e somente de
uma certa maneira. Quando estamos nos nossos egos e tentamos nos construir adequadamente,
para estar de acordo com a Natureza, subitamente descobrimos que estamos construindo Pitom e
Ramsés.

Tudo o que construímos é engolido no ego, na vontade de receber, então nunca ganhamos
coisa alguma. Hoje estamos vendo como tudo o que construímos pelo mundo está sob ameaça
de tsunamis que não deixarão rasto de nosso trabalho e não temos garantia para o futuro de nossos
filhos e netos.

José deu um tratamento especial a sua família. Ele planeou o que eles deveriam dizer e como.
Isto demonstra que ele se preocupava com eles pessoalmente. No mundo espiritual, há tal coisa
como ser “o favorecido”?

O Egito não pode existir e o mundo não pode existir sem os filhos de Israel. Similarmente,
pessoalmente não podemos existir sem contato com a abundância superior e estamos
verdadeiramente prestes a sentir isso. Somente ao juntarmos todos juntos, incluindo os Egípcios,
ou seja, o mundo inteiro, seremos capazes de avançar.

José diz que os filhos de Israel devem viver somente fora do Egito, na terra de Gósen. Isso assim é
porque para avançar, precisamos separar nossos vasos de recepção dos vasos de doação.
Inversamente, podemos descobrir que estamos trabalhando somente para o ego e nunca seremos
capazes de sair dele.

Para gerir adequadamente o Egito, as qualidades de doação devem estar fora do Egito. É por isso
que os filhos de Israel, que estão na terra de Gósen, fora do Egito, trabalham em empregos que
parecem indignos aos olhos dos Egípcios, tais como pastores, dado que com eles, eles nutrem
aparentemente as qualidades de doação nas qualidades de recepção. Os Egípcios trabalham de tal
maneira que todas as qualidades de doação são boas para preencher as qualidades de recepção neles,
o ego. Para os Judeus, o trabalho é diferente; seus egos inteiros, as qualidades de recepção, trabalham
para desenvolver as qualidades de doação.

Parece que José favoreceu sua família, como se ele lhes desse preferência.
Isto está correto, mas até Faraó compreendeu que isso era para seu próprio bem, até ao momento
em que eles se separaram. Enquanto ambos estavam na vontade de receber, isso era vantajoso. Esse
é um período chamado Lo Lishmá. Tens uma parte e eu tenho uma parte. Podes ter mais e eu posso
ter menos, ou ao contrário, mas nos damos bem. Não podemos passar um sem o outro.

É assim que avançamos até que alcançamos uma crise, uma barreira que devemos cruzar com
esforço. Essa transição acontecerá no pé do Monte Sinai, onde o humano nasce.

De O Zohar: Néfesh, Ruách, Neshamá

“Então ... o aproximou” este é o aproximar do mundo em um mundo, o aproximar do mundo


inferior, Nukva, Néfesh, Judá, do mundo superior, Yessód de ZA, Ruach, José, para que todas as coisas
sejam uma. Porque Judá era um rei e José era um rei, eles se aproximaram um do outro e se uniram
um no outro. Zohar para Todos, VaYigásh (Judá Se Aproximou), item 22

Há muitos discernimentos pelo processo de José, começando com ele sendo vendido, sua chegada
ao Egito, o enviar de seus irmãos e sua recepção, aquilo do Criador e aquilo da criatura.

O problema em conectar as qualidades de doação com as qualidades de recepção em uma pessoa


não é assim tão simples. Vemos isso nos nossos amigos, especialmente entre principiantes. Vemos
quão difícil é para eles aceitarem estas qualidades espirituais, que nunca sentiram anteriormente.
Eles começam a sentir que há doação, amor e conexão aqui, um novo modo de ver o mundo através
de novos “óculos”, e não é assim tão fácil.

Termos
Colheita

Uma “colheita” é uma planta que cresce a partir do inerte. Ela é a habilidade de se elevar da vontade
de receber, nosso desejo egoísta, que é o inerte. Se há uma semente no inerte e você lhe dá água,
minerais e o cultivo adequado, uma planta crescerá a partir dele - o próximo grau na sua evolução

Todas as coisas emergem do inerte. A vontade de receber é a substância geral, e as formas que saem
dele - vegetativo, animal e falante - são as formas do desejo de doar juntas com a vontade de receber.
A vontade de receber dá toda a substância. Se, por exemplo a forma é vegetativa, sua próxima forma
será um animal, seguido pela forma falante.

Bênção

A “bênção” é a força superior que vem de Biná. Bet é Berachá (“bênção”). Sem esta força superior
não há crescimento. É semelhante à água, que representa a força de Biná no nosso mundo.

Promessa
Esta é a promessa que foi dada a José que ele seria capaz de sair do Egito. O grande problema é
como trabalhar com nossos egos e estar certo que ele não nos “engole” por aí abaixo. Foi por isso
que foi dito a José, “Ide para o Egito um certo tempo, então regressai para a terra de Israel com
grande substância”.

Chorar

“Chorar” é um estado de Katnút (pequenez/infância), onde se alterna de estado para estado.


Entretanto, deve-se ser “pequeno”, como um embrião ou como um bebê recém-nascido que chora.
Estes são os sinais de Katnút. Nessa fase uma pessoa ainda não tem Môchin (Luz da Sabedoria);
ainda não compreende onde ela existe. Tal pessoa está em arrependimento, em apuros, em um
lugar estreito onde não há Chassadim suficientes, daí o choro.

Escravo

Um “escravo” é nosso desejo. Em geral falamos sempre somente do desejo. O todo da Criação é
senão uma vontade de receber dividida em 613 desejos. Um escravo é um daqueles desejos, que
está sob completo controle de baixo. Ele está abaixo ora do lado de Faraó ou do lado do Criador.
Isto é, ora é um servo do Criador ou um servo de Faraó, ele não pode estar no meio.
De O Zohar: Levai Carruagens ... para Teus Pequenos

Israel estiveram sob a regra desta novilha durante 210 anos quando eles estavam no Egito. .... Foi
somente em prol de examinar essa carruagem, que é VAK da esquerda, que Israel estava debaixo
da Klipá do Egito durante vários anos e várias vezes, enquanto mais desta medida, chamada
“carruagem”, é proibida retirar do Egito. Zohar para Todos, VaYigásh (Judá se aproximou), item 112

Nosso Exílio foi para durar 400 anos, como quatro Behinot (discernimentos), mas passámos
somente 210 anos de exílio. Esta é a raiz de todos os exílios.
VaYechi (Jacó Viveu)
(Gênese, 47:28-50:26)

Sumário da Porção

Na porção, VaYechi (Jacó Viveu), Jacó e seus filhos se juntam a José no Egito. Quando o tempo
da morte de Jacó se aproxima, ele chama José e o faz jurar o enterrar na terra de Israel e não no
Egito. José pede-lhe que abençoe seus dois filhos, Efraim e Manassés (Menashe), antes que morra.
Jacó abençoa-os e diz que eles serão como seus filhos, Rubén e Simeão. Subsequentemente, Jacó
abençoa o resto de seus filhos e ordena-os que o enterrem na Gruta de Machpelá na terra de
Israel.

Depois da morte de Jacó, José recebe permissão especial de Faraó para ir e enterrar seu pai na
terra de Israel. Jacó vai para Canaã com seus irmãos e todos os anciãos do Egito, chega à Gruta
de Machpelá, enterra Jacó lá e então regressa ao Egito.

No caminho, seus irmãos temem que ele tome vingança contra eles por o venderem à escravidão,
mas José acalma seus medos. Ele promete-lhes que sempre permanecerá seu irmão e não seu
inimigo.

As bênçãos de Jacó tornam-se realidade e Manassés e Efraim têm muitos filhos. Perto do fim
da porção, José está prestes a morrer. Ele evoca seus irmãos e conta-lhes que o Criador os trará e
a seus filhos para fora do Egito, e ordena que eles levem seus ossos e os enterrem na terra de
Israel.

Comentário
A Torá ensina-nos como desenvolvermos nossas almas, nós temos somente o ponto no coração. Ele
aparece quando começamos a questionar sobre a razão e o sentido da vida. Através desta pergunta,
começamos a ver que a vida não serve somente para aqui viver neste mundo durante setenta anos.
Em vez disso, esta vida foi dada como uma oportunidade para nós desenvolvermos a alma.

A alma desenvolve-se a partir da inclinação ao mal, oposta à qual se encontra a “luz que reforma”.
Em outras palavras, se corrigirmos a inclinação ao mal usando a luz que reforma, desenvolveremos
então a alma. É assim que a inclinação ao mal se torna a boa inclinação.

Esta correção não se relaciona meramente a ter boas relações humanas. Em vez disso, através da luz
também começamos a experimentar o mundo espiritual, Divindade, como está escrito, “Vereis o
teu mundo na tua vida”. *

A porção lida com as três forças principais: Abraão, Isaac e Jacó, que são Chéssed, Gvurá e Tiféret.
Estas forças existem na alma de cada um de nós, ou na alma geral chamada “Adam”. Abraão e Isaac
são duas linhas opostas - direita e esquerda, Chéssed e Gvurá - enquanto a qualidade Jacó em nós, o
patriarca sênior, inclui Abraão e Isaac dentro dela e é a linha do meio, chamada Tiféret. Usando a
qualidade de Jacó, ou seja, as duas forças que existem nela, somos direcionados pela primeira vez
para a maneira adequada de corrigir a alma.
Os “filhos de Jacó” são as qualidades que emergem da qualidade de Jacó, a qualidade média que
usa as forças todas da natureza para desenvolver a alma dentro de nós, a parte Divina, superior
dentro de nós. A estrutura de Sefirot termina com a qualidade de José - a fundação que coleta todas
as qualidades precedentes: Chéssed, Gvurá, Tiféret, Netzach e Hod.

O justo José é chamado Yessód (fundação) porque ele é “justo, a fundação do mundo” (Provérbios,
10:25). O mundo é a estrutura que opera na relação de Malchut e o todo de Israel, para todos nossos
desejos.

Nossos desejos são o Egito, o ego dentro de nós. Se posicionarmos adequadamente esta estrutura
superior, que contém Chéssed, Gvurá, Tiféret, Netzach, Hod e Yessód, podemos agir adequadamente
para o Egito em nós, para com Faraó, a inclinação ao mal, nosso ego.

A porção descreve o princípio do trabalho recíproco com nossa parte Divina, que inclui os
patriarcas acima e inclui José. O trabalho recíproco inclui todas as qualidades de Israel, que descem
até ao ego e operam nele. Deste modo, a Torá ensina-nos como trabalharmos com nós mesmos,
como encontrar dentro de nós todas as qualidades sublimes das nove Sefirot superiores, que
terminam em Yessód - José - doando sobre Malchut, a décima Sefirá - Faraó.

Jacó é a parte superior nas qualidades do Criador - Abraão, Isaac e Jacó - que são o triângulo
superior: Chéssed, Gvurá, Tiféret. As qualidades de Netzach, Hod e Yessód, todavia, são o
triângulo inferior. Estas são as qualidades da casa de Jacó e os filhos de Jacó, incluindo José. Quando
estas qualidades operam adequadamente dentro do Egito, ao Egito é concedida abundância e todos
estão felizes e a se desenvolver.

O falecimento de Jacó marca a conclusão da tarefa da parte superior da estrutura da alma, que foi
levada a cabo através de José no Egito, através de José ela atende aos Egípcios, o Egito é enriquecido
e todos, incluindo Faraó, estão contentes.

Enquanto isto toma lugar, forças de doação entram no Egito e gradualmente se desenvolvem na
vontade de receber egoísta e a força de doação compreende que ela pode ganhar disso, por exemplo,
ao negociar com os outros ou ao ter consideração pelos outros. Isso é semelhante ao comercio
internacional de hoje, que é conduzido pelo incentivo de que podemos beneficiar uns dos outros.
Este é um desenvolvimento das qualidades de doação, que ainda trabalham com as qualidades de
recepção.

Deste modo, a qualidade de Jacó desce até Malchut, Egito, a vontade de receber geral. Esta
qualidade é como um cavalo de Tróia que entra no nosso ego. A vontade de receber fornece ao ego
tudo para seu deleite. O ego desfruta da qualidade de doar trabalhando nele para seu benefício e a
sensação de que tudo funciona suavemente. Mas isto continua até chegarmos a hoje e estarmos em
um estado onde sentimos que alguma coisa terminou.

Uma coisa semelhante aconteceu no Egito: Jacó faleceu e os anciãos do Egito, com a bênção de
Faraó, conduziram-no para a terra de Canaã, a Gruta de Machpelá, onde ele foi enterrado pelos
seus filhos. O nome, Gruta de Machpelá, significa Chachpalá (duplicar), uma vez que há dois
mundos nessa gruta, Biná e Malchut, juntos unidos.

Passado um pouco, quando os filhos de Jacó regressarem ao Egito, a narrativa repetiu-se a si mesma
com José. Mas ao contrário de Jacó, Jose permaneceu no Egito e somente passado algum tempo
foram seus ossos trazidos de lá.

Assim, o osso, a fundação instada no Egito, as qualidades de doação que trabalham com a vontade
de receber egoísta, eventualmente nos traz a pessoa ao estado de desespero, aos sete anos de fome.
Depois de todos estes problemas, percebemos que devemos abandonar o ego. É assim que o
processo de sair do ego começa.

Duas forças emergem da qualidade de José: Efraim e Manassés. Elas recebem a bênção de Jacó,
emergem do triângulo superior para o inferior, e operam no Egito. Antes de sua morte, José diz às
pessoas ao seu redor que a seu tempo todas elas sairão do Egito e que a razão pela qual elas haviam
entrado nele fora para retirar dele tudo o que podia ser corrigido, exceto o coração de pedra.

Tudo pode ser trazido do Egito exceto a Yessód do último mal, que não podemos corrigir até ao fim
da correção. É por isso que está escrito que eles sairão com grande substância (Gênese, 15:14).

José faleceu para que possamos alcançar o reconhecimento do mal. Quando nos desenvolvemos
egoisticamente, ficamos separados de qualquer coisa boa que as qualidades de doação e as
qualidades de recepção possam produzir. Chegamos a um estado de desespero, secura e finalmente
a um estado de “E os filhos de Israel suspiraram por razão da obra” (Êxodo, 2:23). É então que
nosso êxodo começa.

Perguntas e Respostas

A porção contém um elemento repetitivo - a bênção antes da morte. José pede a Jacó que abençoe
seus filhos, então José abençoa seus próprios filhos. A conclusão de um grau significa morte. Qual
é o sentido da bênção dos filhos e netos?

Um grau que terminou torna-se o próximo grau, que segue no seu lugar. O novo grau é muito mais
denso, com maior desejo e maiores concretizações. Os patriarcas foram grandes, eles sobressaiam
na sua pureza. Nós somos os últimos, contudo, agora estamos fazendo o maior trabalho.

Cada grau abençoa o grau seguinte, dando todos seus Reshimô (recordações), todos seus poderes e
apoia-o por dentro, de baixo. Isto é chamado “o enterro dos ossos” do grau. Dentro da alma
estão Moach (medula), Atzamot (ossos), Gidim (tendões), Bassar (carne), e Or (pele), que são cinco
discernimentos. Nós enterramos os Atzamot do grau, e é assim que o próximo grau é construído e
continua.

A bênção é na realidade a luz de Chassadim que o grau inferior transmite para o superior. Em outras
palavras, é Ór Chozêr (Luz Refletida), Massach (tela), e Ór Chozêr. Todas as qualidades de doação que
são obtidas no grau anterior avançam conosco para o próximo. De fato, não há nada mais para
levar de um estado para outro estado, mas somente a força de doação que foi obtida, a força do
amor, de abdicação.

Mas isto não ajuda com a nova Aviut (densidade, vontade de receber), uma vez que os filhos têm
uma Aviut muito maior. Então como é que a bênção do pai, que é de um nível inferior de Aviut,
ajuda com novo desejo?
Isto depende dos filhos. Há muito mais no pai que há nos filhos, mas o pai não consegue atualizar
sua Aviut. Deste modo, ele dá aquilo que ele tem aos seus filhos, e se eles sabem como trabalhar
com ela eles usarão aquilo que eles receberam em prol de avançar.

Os filhos não têm mais que a Aviut que eles receberam dos seus pais. Contudo, precisamente
devido a sua Aviut maior - sua maior vontade de receber, seus egos - eles podem atualizar uma força
potencial de doação a partir dessa bênção de acordo com quem eles são.
Como sabe um que ele está prestes a morrer, tal como com Jacó e José?

Quando um grau termina. Na corporeidade, o estado espiritual afeta o corpóreo. Mas na


espiritualidade, há um processo em um grau chamado TANTA (Ta’amim, Nekudot, Tagin, Otiot). A
expansão da luz e sua partida são graduais. Primeiro há o Bitush (golpear) da interna e externa
no Partzuf da alma, dentro da alma.

Nesse estado, se sente que deixou de trabalhar devido à sua incapacidade de continuar a corrigir a
si mesmo. Para avançar com a correção, ele deve começar de novo, começar um novo período,
reentrar na vontade de receber egoísta, mas mais profundamente e com mais força.

Todos nós consistimos de quatro Bechinot (discernimentos) de Ór Yashar (Luz Direta), ou do


nome HaVaYaH (Yod-Hey-Vav-Hey). Todas as coisas na realidade se dividem em cinco
discernimentos: raiz, então as quatro Bechinot de HaVaYaH. É por isso que temos de continuar a
recomeçar, e porque há vida e morte, um processo da expansão e partida da luz, uma vez que não
podemos fazer a correção toda de uma vez, em “um dia”“, mas exige muitas ações (dias) para alcançar
a correção geral.

Somos nós que realizamos a correção ou é a luz que faz a mudança em nós?

A luz faz a correção em nós, mas isso acontece de acordo com nosso pedido e exigência. Isto é
chamado “trabalho” da nossa parte. Não temos a força, mas temos o poder de decidir e reconhecer
e querer que aconteça.

De O Zohar: Vede, Vosso Pai Está Doente

Está escrito, “A José foi dito, ‘Vede, teu pai’”, pertencendo ao mundo vindouro, ZA em Môchin de
Biná superior, que é chamado “o mundo vindouro”, querendo fazer o bem a Seus filhos para que
eles saíssem de seu exílio. E se, na Tua veracidade, não quiseres, ou seja, “HaVaYaH é um” (“O
Senhor é um”) lhe corrigirá e a Divindade regressará ao seu lugar. Isto assim é porque se os filhos
não são dignos de sua própria redenção, ZA os corrigirá para os elevar para o mundo vindouro, que
é Biná, e com isso, a unificação de Um HaVaYaH será estabelecida. Zohar para Todos, VaYechi (Jacó
Viveu), item 37
Tudo o que precisamos fazer da Gruta de Machpelá, a conexão entre Biná e Malchut, é duplicar.
Devemos elevar todas as coisas que estão dentro de Malchut, santificá-las em Biná, ou seja a bênção,
então combinar os elementos de tal maneira que Biná e Malchut sejam como um. Este é o sentido
de conectar os céus e a terra. Através destes atos que realizamos entre Biná e Malchut, nos corrigimos
a nós mesmos. Finalmente, quando todas essas ações são feitas, todo o mal em nós será corrigido
em bem.

Esta porção contém muitas entradas e saídas do Egito para Israel. José entrou no Egito; os irmãos
partiram dele e então regressaram; José foi enterrar Jacó em Israel, então regressou ao Egito. É
assim que as qualidades do superior se conectam ao inferior?

É claro. Em todo e cada momento, estamos realizando minúsculas correções entre nove Sefirot, as
qualidades do Criador e a décima Sefirá, Malchut, a qualidade da criatura, o homem, o ego. Até a
pessoa mais vulgar ainda atravessa correções através dos estados passageiros. É por isso que há
“tempo” no nosso mundo. Contudo, estas correções ocorrem sem nossa consciência.
Devido ao desespero e frustração pelo que está acontecendo no mundo, começando desta geração
para a frente, gradualmente perceberemos que devemos fazer mudanças. Neste mundo, estas
mudanças se manifestarão em como nos relacionamos uns com os outros. Devemos implementar
o amor aos outros, nos corrigirmos e às relações entre nós, e servirmos como exemplo para o
mundo, ser uma luz para as nações. **

Se tratarmos bem os outros, assim ativaremos a força de Biná, a força de José, ou até a força de Jacó
e os patriarcas para Malchut, ou seja, para o resto do mundo.

Mas a vontade de receber não muda, então ela sempre permanecerá nosso “motor”?
A vontade de receber não muda, somente como a usamos muda. Ela sempre permanece nosso
motor. Usando a vontade de receber, podemos fazer tanto bem como mal, dependendo de como a
usamos.

Mas a vontade de receber é sempre motivada pelo pensamento de que uma recompensa espera no
final, enquanto que no desejo de doar é o oposto.

A doação é a recompensa. Anteriormente, pensávamos que podíamos alcançar qualquer coisa,


que conquistaríamos o espaço e faríamos grandes concretizações em todo o reino. Hoje vemos que
temos “tudo”, mas que tudo é vazio. Do ponto de inverter o uso do desejo, encontramos um
caminho para progredir favoravelmente. Simplesmente alteramos a forma como usamos nossos egos
da inclinação ao mal para a inclinação do bem usando a luz que reforma.

Em outras palavras, tudo o que precisamos é mudar nossos valores?


Correto, só precisamos mudar nossos valores. Então, quando nos conectarmos a todos como um,
com um coração, amando nossos próximos como a nós mesmos, descobriremos a vida espiritual.

Parece que há tal processo no mundo hoje. Há calma, então um golpe, então alguns tentam
reverter o que aconteceu enquanto outros estão tateando no escuro, questionando-se sobre o
futuro. É esta a conexão com o que está acontecendo hoje?
Sim, porque não conseguimos conter todas as mudanças de uma vez. Isso acontece para que
possamos compreender, nos acostumarmos de como era, e então avançarmos. Nosso presente
pensamento e modo de vida em comparação com o que éramos há milhares de anos atrás é
radicalmente diferente. Não conseguimos perceber como as pessoas viviam então. Não é como viajar
para uma parte diferente do mundo; elas eram pessoas completamente diferentes. É por isso que o
processo de desenvolvimento leva milhares de anos. Embora hoje nos desenvolvamos muito mais
rápido, é ainda impossível agir rapidamente.

É o mesmo na mecânica; se queremos transmitir grandes quantidades de dados, precisamos de


frequências altas, muitos impulsos. É por isso que é claro que a crise não terminará de uma só vez,
mas se prolongará, nos desgastará e regressará. Mas, a cada regresso vamos compreendê-la mais
profundamente.

Frequentemente, os golpes não vêm como um único golpe que seja experimentado durante muito
tempo. Se assim fosse, nos habituaríamos a isso. A vontade de receber fica habituada a todas
as coisas, até à pressão constante. Ela começa a proteger-se e deixa de sentir os golpes. Somente
porque há intermissões podemos contemplar e compreender a razão, e da próxima vez nos
relacionamos à realidade de uma maneira completamente diferente. Cada vez, nosso
reconhecimento de nosso mal se aprofunda, e quando o compreendemos melhor, o conectamos à
causa, bem como à possível consequência, ou ao desejável, e isto dá-nos livre arbítrio.
Termos
Morte

“Morte” é um estado de partida da luz da alma. Isto não se refere à alma. Isto não se refere ao
corpo proteico, dado que a Torá não lida com a vida do corpo físico, mas com a alma, com
o preenchimento da alma. Nosso desejo é preenchido com a luz superior, chamada “vida”. A partida
da luz é chamada “morte”. Pessoas no nosso mundo estão separadas da vida. É por isso que está
escrito que os ímpios nas suas vidas são chamados “mortos”. ***

Contudo, aqueles que obtêm a alma usando a sabedoria da Cabala, que atraem a luz que reforma,
são aqueles que alcançam Arvut (garantia mútua), o amor aos outros. Eles têm um Kli (vaso), um
receptáculo no qual descobrir a luz superior, Divindade, que é vida.

Bênção

Uma “bênção” é a força que recebemos através da qual começamos a sentir o mundo superior. O
mundo superior é bênção, todo Bet (a primeira letra da palavra Berachá [bênção]), todo Biná. É por
isso que a Torá começa com a letra Bet, com Berachá.

Cama

Uma “cama” é um estado onde se deixa de trabalhar com seus Rosh, Toch e Sof (cabeça, interior e
fim, respectivamente), ou seja, em uma posição ereta, onde não se tem luzes que se desenvolvam de
cima para baixo. Onde Rosh, Toch e Sof estão no mesmo nível e as luzes NRNHY partem, o que
sobra é somente “Um bolso de vida”.

A Gruta de Machpelá

A conexão entre Biná e Malchut é chamada Machpelá. A vontade de receber e o desejo de doar
encontram-se juntos no grau de Malchut e lá está a entrada para o mundo superior e por outro lado
ela é a porta para a eternidade.

Temor (da vingança)


O medo é que se José usa adequadamente as qualidades para corrigir o Egito, ele pode subestimá-
los e ser incapaz de utilizar seu potencial inteiro. Cada um dos filhos de Jacó é uma forma de doação,
mas não está conectado ao Egito, Malchut.

Somente José, que completa as nove Sefirot, os pode conectar a todos a Malchut. Sem ele eles têm
medo pois eles dependem dele, sem ele, é como se não se realizassem a si mesmos. Eles temem que
não haja uma conexão adequada sem Jacó, que partiu porque ele era o guardião da linha do meio.

Eles também temem que José tenha poder suficiente para levar todos os filhos entre ele e Jacó. O
superior é Jacó e o inferior é José e as qualidades todas entram no ego do homem, Egito. É assim
que eles operam.

De O Zohar: O Egito Chora


Enquanto Jacó estava no Egito, a terra fora abençoada por causa dele, o rio Nilo fluiria e regaria a
terra, e a forme parou devido a Jacó. Assim, os Egípcios choraram e ele é chamado segundo
eles. Zohar para Todos, VaYechi (Jacó Viveu), item 816

Jacó e José trouxeram bênção ao Egito. Quando eles faleceram, quando esse grau terminou,
o reconhecimento do mal chegou, os sete anos de fome. Embora houvesse abundância, ela não
preenchia e tudo o que sobrou foi uma coisa: um novo desejo mais alto, que mandava o êxodo do
Egito.

* Talmude Babilônico, Masechet Berachot, 17a

** “Eu o Senhor vos chamei em retidão, e eu segurei firmemente vossa mão, e vos guardei, e fiz para vós uma aliança para
o povo, uma luz para as nações” (Isaías, 42:6).

*** Talmude de Jerusalém, Masechet Berachot, página 15b.


Shêmot (Êxodo)
(Êxodo, 1:1-6:1)

Sumário da Porção

A porção, Shêmot (Êxodo), começa com o falecimento de José e todos os seus contemporâneos:
“E um novo rei se levantou sobre o Egito, que não conhecia José” (Êxodo, 1:8).
Subsequentemente, Moisés nasceu no Egito e sua irmã o escondeu em uma arca. Ela colocou a
arca no Nilo e seguiu-a. A irmã de Faraó desceu para se banhar no rio, encontrou a arca, e levou
o bebê. A irmã de Moisés ofereceu-se a ajudar a encontrar uma ama Hebraica e levou a mãe de
Moisés para cuidar do bebê.

Moisés cresceu e viveu no lar de Faraó durante quarenta anos. Um dia, ele viu um
homem Egípcio a bater em um Hebreu. Ele golpeou e matou o Egípcio e enterrou-o na
areia. Quando ele percebeu que um dos seus irmãos Hebreus o havia visto na ação, ele temeu ser
relatado e fugiu para o deserto. No deserto, ele encontrou Jétro (Yitrô), sacerdote de Midiã.
Moisés casou-se com sua filha. Quando ele viu a sarça ardente, lhe foi dito que ele deveria
regressar para Faraó e para o povo de Israel, e lhes dizer que era tempo de sair do Egito.

A porção termina com os filhos de Israel se queixarem sobre sua situação infeliz. Moisés se voltou
para o Criador, que disse para ele: “Agora, portanto, verás o que hei de fazer ao Faraó, pois é pela
intervenção de minha mão poderosa que os fará partir, e por minha mão poderosa os expulsará
do seu país! “ (Êxodo, 6:1).

Comentário
Estas histórias lidam com a alma do homem. A Torá conta-nos como nos corrigirmos de modo a
desenvolver a alma dentro de nós, como a abrirmos para a luz superior, para a revelação do Criador
e como sentir dentro dela o mundo espiritual superior.

O processo começa com um desejo especial, chamado “Abraão”, que desperta e se questiona sobre
o sentido de nossas vidas, nos conduzindo a abrir nossas almas. Nosso desejo em desenvolvimento
deve escapar à Babilônia, a soma de nosso grande ego.

Subsequentemente, esse desejo cria outro desejo, Isaac, que gera, todavia, outro desejo, Jacó. Estes
três desejos formam a fundação da alma.

Jacó, que é um desejo especial, tem doze filhos. Ele é um desenvolvimento do terceiro desejo, que
alcança equivalência com a força superior - o Criador - que é doação pura. O êxodo da Babilônia
simboliza nosso desejo de alcançar esse mesmo nível de doação. Jacó é o primeiro a atualizar esse
desejo através de seus filhos, particularmente através de José, que reúne todas as qualidades de
doação da correção que Abraão, Isaac, Jacó e o resto dos filhos fizeram.

José é o único que consegue descer ao seu ego com todas as correções e começar a trabalhar com o
ego, que é chamado “Egito”.
Todos da casa de Jacó descem ao Egito. Lá, eles completam suas correções e morrem. Passado um
pouco, uma criança nasce na tribo de Levi. Ao contrário do resto das crianças Hebraicas que Faraó
condenou à morte, esta sobrevive. Em termos espirituais, Faraó “engoliu” todos os desejos que
foram corrigidos direcionados para doar.

Ele condena-os à morte, pelo ego tomar posse de todos os desejos. Assim, até se uma pessoa quiser
avançar para a espiritualidade, o ego, a vida e o meio ambiente o tornariam impossível.

No período que precede ao nascimento do desejo chamado “Moisés”, não se conseguia avançar
para a espiritualidade. Ele tinha que esperar até que o desejo Moisés aparecesse e crescesse, graças
a sua mãe, que cuidava dele e a Bátia, a filha de Faraó, que o recebeu posteriormente.

Bátia é Bat Yáh (Filha do Criador); ela é uma parte da qualidade de Faraó dentro de nós, uma parte
especial do nosso ego, a vontade de receber. Esta parte consegue conectar-se com o desejo de doar
e crescer.

Moisés cresceu na casa de Faraó como neto, o filho da filha de Faraó, Bátia. Ele foi criado como
um príncipe que foi educado em toda a sabedoria do Egito até que tivesse quarenta anos.

Quarenta anos de idade é a idade de Biná (entendimento). Esta não é uma indicação do número
de anos, mas uma fase na qual o desejo não só cresce e atrai do lado de Faraó, o ego, mas começa a
se corrigir a si mesmo, também. O desejo que alcança a idade-estado de quarenta descobre sua
oposição a Faraó e usa-o para lhe escapar.

Nosso êxodo do Egito começa quando sentimos que não conseguimos tolerar mais a luta. Ele
acontece quando há resistência, quando sentimos ambos Faraó e Moisés dentro de nós, e os Judeus
em nós desejam a união, mas são incapazes de a alcançar porque eles são escravos de Faraó. É aqui
que descobrimos os governantes de Faraó. Há uma luta interna entre os Judeus e os governantes de
Faraó e o percebemos como insuportável. É aqui que começamos a resistir e devemos tomar ação e
nos corrigirmos.

A força de Moisés no interior mata os homens de Faraó - os Egípcios - dentro de nós, e deste
modo deve fugir de Faraó. De fato, quando Moisés mata os Egípcios dentro dele, a luta entre ele e
seu ego só se intensifica, e ele tem de afastar para muito longe de seu ego. Este é o sentido da “fuga
do Egito”.

Contudo, não se consegue escapar de todo pois o resto dos desejos, os filhos de Israel, estão ainda
escravizados no Egito debaixo do ego, trabalhando em prol de receber. Só Moisés cresceu e escapou
para Midiã, para Jétro, casou com a filha do sacerdote, Zipora, e permaneceu lá durante quarenta
dias.

Enquanto no deserto, Moisés compreendeu que lá havia um ponto especial, a sarça ardente, que o
podia levantar. Com Jétro, ele se conectou durante quarenta anos. Ele continuou a crescer lá e
adquiriu toda a sabedoria de Jétro, que lhe deu um trampolim de volta ao Egito, para o começo de
sua confrontação com Faraó.

O Criador disse para Moisés, “Vamos até ao Faraó pois ‘Eu endureci seu coração’”. Em outras
palavras, nós sentimos as duas forças novamente, que fornecem o entendimento e a habilidade de
lidar com o que é necessário, com o ego. Então, compreendemos que “nada há senão ELE”
(Deuteronômio, 4:35), que nada há senão a força singular que, por um lado, brinca com o ego e
endurece o coração do Faraó. Por outro lado, ela vai conosco e ajuda-nos a avançar acima dele.
Assim, o Criador gradualmente nos traz em direção a sairmos de nossos egos inteiramente quando
saímos do Egito.
Ao mesmo tempo, “os filhos de Israel suspiraram do trabalho” (Êxodo, 2:23), construindo Pitom
e Ramsés, belas cidades correspondendo ao primeiro e segundo Templos, todavia foram para Faraó.
O ego continuou a crescer, tal como os filhos de Israel, e todas estas qualidades de doação dentro
de nossas forças de recepção perseguiram o Egito em nós, nossos egos.

Podemos ver a grande força que existe nestas qualidades somente quando avançamos. Enquanto
estamos escravizados pelo Faraó, elas são cidades de pobreza, um estado no qual se deseja sair do
ego e avançar para a espiritualidade, mas não tem saída pela qual escapar. “Cidades de pobreza”
indicam que uma pessoa está em perigo* porque se ela permanecer no seu ego, ela nunca alcançará
o mundo espiritual.

Durante seu tempo com Jétro, Moisés adquiriu os poderes para lidar com Faraó. Ele fez uma aliança
e chegou ao Egito com seu filho, Gerson (Gershon). Aquando seu retorno ao Egito, ele começou a
lidar com Faraó. Ele reuniu-se com seu irmão, Aarão, e juntos eles reuniram o resto dos anciãos de
Israel.

Colocando-o diferentemente, nós evocamos todas as forças interiores com as quais acreditamos que
pode nos elevar acima de nossos egos e nos corrigirmos. As forças, pensamentos e intenções com as
quais podemos nos elevar acima de nossos egos, acima do Egito, são aquelas que estão em
equivalência de forma com o Criador. É nesses desejos que a força superior é revelada e recebemos
um vislumbre do mundo espiritual.

Nessa luta, podemos conectar-nos com o Aarão interior, o lado direito, e com Moisés, o lado
esquerdo. Juntos, eles são Cohen (sacerdote) e Levi (Levita). Então, evocamos todas essas forças
interiores e descobrimos evidência do Criador através de “milagres”, ou seja, forças que atuam sobre
nossos desejos. Um pouco da força espiritual aparece em nós, podemos separar os desejos com os
quais podemos construir o Kli (vaso) para revelar o Criador, a “alma”. Estes desejos destinam-se a
exigir de Faraó, “Deixai Meu povo partir” (Êxodo, 5:1).

Nesse ponto, sentimos que estamos em uma encruzilhada e que temos resistência. Exigimos nos
separarmos do ego e subir ao nível de Biná, fora do Egito. Nossa força não se manifesta toda de
uma vez. O Faraó no interior diz, “Nem pensar”, e “Quem é o Senhor para que eu obedeça à Sua
voz? “ (Êxodo, 5:2).

Dentro de nós está uma grande luta, nos prevenindo de nos separarmos a nós mesmos de nossa
natureza. Isso resiste-nos ao nos puxar para nossa natureza, e tentamos, mas somos constantemente
puxados para trás. É por isso que sofremos os golpes chamados as “Dez pragas do Egito”. Estes
golpes empurram-nos para a frente.

Este é um processo duro. A luta assemelha-se a dores de parto. Certamente, o êxodo do Egito é
chamado “nascimento” - o nascimento do homem espiritual. Neste estado, nós (o povo de Israel)
sofremos de todos os desejos e intenções em nós. Ficamos muito frustrados e precisamos de muito
apoio. É muito difícil atravessar estes estados sem o apoio do meio ambiente adequado, que serve
como uma “parteira” no Egito.

Nesse estado precisamos dessas parteiras em prol de reunir a necessária força para nos trazer a
necessitar da força superior, a sentir que sem a ajuda do Criador nunca nos elevaremos acima de
nosso Egito.

Desta forma vemos que há um “jogo” significativo aqui entre o fortalecimento de Faraó e
o fortalecimento de Israel. Mas somente quando chegamos a um estado de desamparo e confusão
diz o Criador, “Vinde ao Faraó” (Êxodo 7:26) “pois Eu endureci seu coração” (Êxodo 10:1). Isto é,
o Criador deseja salvar-nos precisamente através do endurecimento. Com isso, Ele mostra-nos Sua
grandeza.

O dramático processo e condições difíceis que enfrentamos são pelo nosso próprio bem. Durante
o estudo da sabedoria da Cabala, quando nos elevamos acima de nossos egos e descobrimos a
espiritualidade, a força superior, atravessamos um processo complicado de autoexame e lutas
internas entre desejos, forças e intenções. O experimentamos para que possamos sentir a força
superior, o mundo espiritual, e onde ele está, porque não podemos quer vê-lo ou senti-lo com nossos
sentidos.

Devemos coletar estas forças de apoio - Faraó, Jétro, Aarão, Israel no Egito, e todos os patriarcas,
como forças que desejam que nos elevemos acima do ego e descubramos o mundo espiritual. Estas
forças enfrentam Faraó, o ego e exigem se elevar acima dele, como está escrito, “Deixai Meu povo
partir para que eles Me possam servir” (Êxodo, 7:16). Isso necessitava da ajuda que se recebe do
alto, do Criador.

Este é o único modo que podemos adquirir o poder que o Criador nos envia, a força superior, a
força da doação, o amor aos outros, através do qual nos elevamos acima do ego e saímos do Egito.
Este é nosso nascimento espiritual, e somente então começamos nós a sentir o mundo espiritual.
Doravante, seremos ressuscitados.

A porção abre diante de nós uma nova fase no nosso desenvolvimento. É por isso que o
livro, Shêmot (Êxodo), é o segundo livro na Torá. Há cinco livros no Pentateuco.
Estes correspondem aos cinco desejos egoístas que precisamos corrigir em cinco graus: os
mundos Assiá, Yetzirá, Briá, Atzilut, e Adam Kadmon, até que alcancemos o fim da correção,
redenção completa. Cada mundo contém cinco graus internos, que, por sua vez, contêm outros
cinco graus em cada um. Assim, ao todo há 125 graus pelos quais ascendemos até à correção final
e completa, nossa redenção completa.

Redenção começa depois da primeira fase preparatória, quando descobrimos o verdadeiro Faraó
no interior, o verdadeiro ego. Porque enfrentamos duas forças conflituosas, Faraó e Moisés,
precisamos de uma terceira força que decida entre elas. Essa força é o Criador, a força superior, que
então aparece e nos ajuda.

Perguntas e Respostas

A porção descreve as preparações para um nascimento espiritual. É semelhante ao que hoje está
a acontecer no mundo?
É claro. Todos estamos em um estado de examinar nossos egos, seu controle sobre nós e os estreitos
limites que eles nos permitem. Estamos ainda por concretizar o reconhecimento de que o ego é
mau, mas muitas pessoas hoje já começam a ver que estamos desamparados pois não sabemos como
corrigir as crises que o ego criou.

É esta a sensação Egito ou ainda não?

Esta é já a sensação do Egito. Nós estamos debaixo de grande stress porque não determinamos se
Faraó é nosso “bom avô”. Ele está sentado com Moisés no seu colo e dispensa as alegrias da vida
(incluindo os Judeus que estão no Egito, desfrutando da abundância) ou há uma nova fase a surgir
aqui?

Durante milhares de anos nós temos progredido através de nossos egos crescentes e desfrutamos
disso. Pensamos que prosperaríamos indefinidamente. Mas subitamente, descobrimos que essa
mesma força pela qual agradecemos pela nossa abundância se tornou uma força prejudicial. Este é
Faraó alterando sua atitude para os Judeus no Egito, se tornando o mau governante, como está
escrito, “Agora lá se levantou um novo rei sobre o Egito, que não conhecia José” (Êxodo, 1:8).

Durante os últimos cem anos, mas em particular desde a viragem do século, temos estado envolvidos
neste autoexame e devemos terminá-la rapidamente. Contudo, tudo depende das pessoas que
compartilham seu conhecimento da situação, pois ninguém sabe o que fazer.

Isso é semelhante ao que acontece em Purim, quando a cidade de Shushan está atónita e as pessoas
não sabem quem está certo — Marduqueu (Mordechai) ou Hamã. Similarmente, a história no Egito
se repete a si mesma com o Judeu que queria revelar como Moisés matou o Egípcio.

Desta forma, devemos explicar a todos o que está realmente a, a razão para todas as coisas más, as
crises e como nos podemos elevar acima de todas elas. Foram somente nossos egos que nos
trouxeram para este problema. Através do processo certo, como nos conta a Torá, devemos ver o
ego como uma força má sobre a qual deve brilhar a luz que reforma. ** Em outras palavras, o
Criador que agora aparece a Moisés e lhe diz, “Vinde ao Faraó pois Eu endureci seu coração”, ou
seja, “Eu causei a crise para que tu Me encontrasses, pois somente Eu te posso ajudar a sair dela”.

Devemos passar esta mensagem a todos tão rápido quanto possível e demonstrar como podemos
descobrir a força superior que nos recompensa com a abundância. Se nos relacionarmos às nossas
crises da maneira certa, obteremos, enquanto nesta vida, o mundo espiritual, eternidade e perfeição.

O que é Moisés na espiritualidade, e o que são todas as fases que ele atravessou no nível espiritual?
Moisés é a força que nos puxa para fora do Egito (nossos egos), nos elevando acima deste mundo e
para o espiritual. Isso é contrário ao que Bátia diz: “Eu o puxei da água” (Êxodo, 2:10). Moisés é a
força que agora nos deve conduzir de lá até que entremos na terra de Israel.

Porque é a filha de Faraó chamada Bátia (a filha do Criador)? Não são eles opostos?

Faraó é o lado posterior do Criador. A força superior está a brincar conosco. Está escrito, “Eu criei
a inclinação ao mal”, que é Faraó, “Eu criei para ela a Torá como tempero” (Masechet Kidushin, 30b),
pois “A luz nela a reforma” (Eichá, “Introdução”, Parágrafo 2). Em outras palavras, Ele reforma
Faraó, a inclinação ao mal.

No fim do processo, nós devemos tirar do Egito todos os Kelim (vasos), todos os desejos e esvaziar
os Egípcios de todas as coisas, como está escrito sobre os filhos de Israel que eles saíram com
“grande substância” (Gênese, 15:14). É assim que santificamos estes Kelim, estes grandes desejos -
que até então trabalharam para nosso próprio bem. Agora os invertemos para trabalhar pelo bem
dos outros e é precisamente nestes desejos que descobrimos nossa vida eterna.

Porque recusou Faraó deixar Israel partir do Egito?


Quando os Israelitas estão no Egito, eles dão grande substância ao Faraó. As forças de doação dentro
da vontade de receber são muito úteis para Faraó e a vontade de receber sabe como negociar, como
desenvolver indústria, ciência e assim por diante.
Parece que o Criador espera a aprovação de Faraó, porque depois de Faraó recusar, o Criador os
retira com pressa.

Esta é nossa própria escolha. Nos encontramos entre o ego, a força da recepção e a força da doação.
Somos nós quem reconhece o mal no Faraó e podemos ver este mal gradualmente perdendo sua
força pelas nossas ações, podemos deixá-lo para trás.

Termos

Moisés
“Moisés” é a força dentro de nós que nos puxa deste mundo para o espiritual.

Sarça Ardente

A “sarça ardente” é Malchut que sobe até Biná e recebe a luz de Chochmá.

Faraó

“Faraó” é a totalidade de nosso ego. A palavra, Faraó, vem da palavra, Oref (traseiras do pescoço),
que é o posterior de nossa vontade de receber. A vontade de receber é a substância da Criação. Essa
substância pode se direcionar para seu benefício próprio, mas ela também se pode direcionar para
o benefício dos outros, dependendo de como a usamos.

Por agora a recebemos, como está escrito, “Eu criei a inclinação ao mal”, como Faraó. Devemos
torná-la a boa inclinação através do tempero da Torá, que é a luz superior que atraímos através de
nossos estudos. É assim que mudamos do ódio aos outros para o amor aos outros.

Nilo

O Nilo é toda a sabedoria do Egito. Está escrito, “Há sabedoria nas nações, acredita” (Midrash Rába,
Eichá, Porção 2). Israel é pequena, a menor de todas as nações. Ela não tem o poder da sabedoria
(Chochmá), o grande desejo. Ela tem somente a força de doação, amor. O Nilo simboliza toda a
sabedoria do Egito.

* A palavra Hebraica, Miskenot, significa tanto Misken (pobre) como Mesukan (perigoso).

** Midrash Rába, Eichá, ”Introdução, Parágrafo 2.


VaErá (E Eu Apareci)
(Êxodo, 6:2-9:35)

Sumário da Porção

Na porção, VaErá (E Eu Apareci), o Criador aparece diante de Moisés e promete libertar os filhos
de Israel do Egito para a terra de Canaã. Moisés volta-se para os filhos de Israel, mas eles não
escutam “por impaciência e por árduo trabalho” (Êxodo 6:9).

O Criador instruiu Moisés a se voltar para Faraó e lhe pedir que os filhos de Israel saiam do
Egito. Moisés teme que não tenha sucesso na sua missão e pede ao Criador um sinal. O Criador
diz a Moisés que ele será como Deus para Faraó, enquanto Aarão será como o profeta que tratará
de falar. O Criador endurecerá o coração de Faraó e faz chover bastantes sinais e símbolos sobre
o Egito. O Criador dá a Moisés e a Aarão uma vara, e quando Moisés lança a vara para o chão,
ela se torna uma serpente. Quando Moisés e Aarão vão para Faraó, Moisés tem oitenta anos de
idade e Aarão tem oitenta e três. Há muitos magos e adivinhos à volta de Faraó. Quando Moisés
e Aarão chegam, eles jogam a vara e ela torna-se uma serpente. Os magos de Faraó fazem o mesmo
e suas varas também se tornam serpentes, mas a serpente de Moisés engole as serpentes dos magos.

Apesar dessa representação, Faraó permanece desafiador e as dez pragas do Egito começam. Esta
porção menciona sete das pragas: sangue, rãs, piolhos, moscas, pestilência, sarna e saraiva. Depois
de cada praga, Faraó volta atrás na sua palavra e recusa deixar os filhos de Israel partirem.

Comentário
Embora esta descrição seja gráfica, ela na realidade transmite o interior da Torá, a verdadeira lei
que nos instruiu a como sair do Egito dentro de nós. A Torá não nos diz para abandonar um lugar
físico em favor de outro, mas em vez disso como nos podemos libertar a nós mesmos de nossos
egos.

A porção é para aqueles de nós que trabalham duro e descobrem que estamos no Egito. Ela também
lida com nosso desejo de não estar no Egito - o ego, a essência do mal. Deste modo, devemos escapar
de lá enquanto discutimos com nossos egos. Não podemos tolerar o ego nesta situação, temendo
que ele nos possa enterrar ou matar, então nos elevamos acima dele e começamos a partir dele.

Há duas forças em nós. A primeira é o ego, que é Faraó e todo o Egito. A outra é um ponto “saliente”
chamado “o ponto no coração”. Todos nossos desejos que estão no Egito e são alimentados por ele
enquanto há uma “fome na terra de Canaã” (Gênese, 42:6) criam uma luta interior em nós. Esta é
a guerra da qual procuramos escapar, nos elevarmos acima do ego com todos nossos desejos. De
fato, somente Moisés, o ponto no coração, escapa e se eleva acima do ego, fugindo do Egito para
Jétro e para tudo aquilo que há em Midiã.

Passados quarenta anos, durante os quais ficamos mais fortes em Midiã trabalhando para aumentar
a força de Moisés, o Criador aparece para nós na sarça ardente. Através de nossa voz interior,
escutamos e compreendemos que devemos regressar, lutar contra o ego e sair dele, ou não seremos
capazes de alcançar a espiritualidade.

A espiritualidade é alcançada somente ao corrigirmos nossos desejos, ao corrigirmos nossas


intenções de visarem receber - a forma egoísta - para visarem dar, amar os outros. Devemos alcançar
a regra, “Ama teu próximo como a ti mesmo”. Esta é a grande regra da Torá. O ponto no coração,
o Moisés em nós, sente que está na hora de fazer isto. A voz do Criador diz-nos para começarmos a
trabalhar com nossos desejos egoístas ao enfrentarmos Faraó.

Neste estado, ficamos completamente atônitos. É muito difícil enfrentar nossa natureza básica e o
mundo literalmente mostra-nos que é impossível o fazer. Parece que para onde
quer que nos voltemos, estamos rodeados pelos nossos egos. Estes são os adivinhos de Faraó, seus
sábios, começando a descobrir quão irrealista é o caminho espiritual de nos elevarmos acima de
nossos egos e alcançar o amor aos outros. Certamente, onde encontramos amor aos outros no
mundo? Alguém apoia isto?

A Israel em nós é uma força muito fraca e embora pareça que possamos fazer qualquer coisa através
de nossa espiritualidade, podemos também fazê-lo - e até com mais “sucesso”, através das forças do
ego.

Por vezes provamos a nós mesmos que nos elevamos através do grupo que estamos
a construir, através do bom e certo meio ambiente no qual nos encontramos. Tal como Faraó
concordou em deixar os filhos de Israel partirem, mas mudou de opinião e capturou-os, nós também
atravessamos sobes e desces que nos previnem de sairmos de nossos egos.

Experimentamos sete golpes que nos purificam e corrigem. Estes são ZAT do grau, e as sete Sefirot do
fundo - Chéssed, Gvurá, Tiféret, Netzach, Hod, Yessód e Malchut, correspondendo às sete pragas do
Egito: sangue, rãs, piolhos, moscas, pestilência, sarna e saraiva.

As últimas três pragas são como GAR do grau: as primeiras três pertencem a Rosh (cabeça), não
ao Guf (corpo) do grau. Aqueles que atravessam são liberados.

No nosso trabalho interior, enfrentamos lutas duras entre o ego e o ponto no coração. Estas atraem-
nos para a liberdade, doação e até ao que Baal HaSulam chama nos ensaios, Arvut (“Garantia
Mútua”) e Matan Torá (“A Entrega da Torá”), “do amor ao homem ao amor a Deus”.) É assim que
emergimos de nossa natureza para a natureza do Criador.

Há somente duas forças na existência: a força da doação e a força da recepção. Nós estamos imersos
na força da recepção, que nos condena à morte, torna nossas vidas amargas e limitadas e encurta-as
até que não façamos ideia do que nossas vidas eram suposto serem.

A espiritualidade fornece uma resposta a perguntas a respeito do sofrimento no nosso mundo. Nós
chegamos à espiritualidade devido às questões: “Qual é o sentido da minha vida?” “Para que serve
a vida?” Na espiritualidade, constantemente examinamos estas questões e através delas emergimos
para o mundo eterno e iluminado. Fazemos isso apesar da garra do ego sobre nós que não nos solta
e nos puxa “pelos nossos pés” de volta para dentro, não nos deixando escapar.

Os livros de Cabala discutem estas lutas prolongadamente. Este é nosso trabalho interior, a razão
pela qual estudamos sua sabedoria. A luz que reforma que obtemos ajuda-nos através das pragas, de
uma praga para a próxima, de baixo para cima, em direção a golpes até maiores. Quanto mais
avançamos, mais duro o trabalho e mais duros os golpes.
Embora sintamos como a força do mal em nós nos destrói, nos mantendo no nível animal, não
podemos nos livrar a nós mesmos dela. Finalmente, chegamos a um estado onde sabemos que a
menos que fujamos agora, com a ajuda da força superior, vamos permanecer no ego porque não
conseguimos escapar a nós mesmos. O Criador deliberadamente o dificulta para nós, como está
escrito, “Vinde ao Faraó” (Êxodo 7:26) “pois Eu endureci seu coração” (Êxodo 10:1).

O Criador propositadamente endurece o coração de Faraó, nossos egos, o coração com


todos nossos desejos, para que precisássemos de Sua força, para que sentíssemos cada vez mais como
precisamos Dele e como nos apegamos a Ele, para que Ele nos liberte do Egito.

Como foi acima dito, há somente duas forças na realidade: a força má, Faraó e a força positiva do
Criador, e devemos escolher a qual delas nos apegamos. Através da guerra entre as forças,
aprendemos que não temos alternativa senão alcançar Dvekút (adesão) através da força do Criador.
É assim que saímos do Egito.

Bem desde o início, vemos que Moisés foi para o povo de Israel e lhes disse que o Criador havia
aparecido diante dele, e foi por isso que ele sugeria que eles saíssem do Egito. Mas o povo recusou;
eles não queriam escutar.

Sua recusa pode atingir-nos como estranha pois pareceria racional que o povo de Israel quisesse sair
do Egito. Contudo, devemos recordar-nos que este é o povo de Israel no exílio, debaixo do governo
de Faraó. Tivesse o povo de Israel estado em Canaã, as questões seriam muito diferentes.

Mas em Canaã houveram problemas, também. Houveram contendas e fome porque a vontade de
receber crescia e não podia mais ser usada. Foi por isso que foi dito que havia lá “fome”. Deste
modo, para usar o desejo, o povo de Israel teve de descer ao Egito, uma vez que somente ao
acrescentar o ego poderiam eles sair do Egito com as qualidades de Israel neles, a Yashar El (direito
a Deus).

Devemos sair do desejo egoísta que anteriormente tínhamos, e com o qual descobrimos o
mundo espiritual. Nada temos senão nossa essência natural. Depois da ruína, a quebra, o pecado
da Árvore do Conhecimento e os outros pecados, nossa natureza foi completamente arruinada. Ela
foi completamente quebrada, muito como o mundo de hoje, que gradualmente descobre a crise em
que nos encontramos. Este foi o começo do sistema egoísta que se encontra entre nós.

Os filhos de Israel tiveram de descer ao Egito para reanimar suas almas. Todavia, por agora eles são
ainda como José, como os filhos de Israel. Eles viveram separados dos desejos egoístas até que
começaram a se misturar com o ego. São especificamente aqueles que estudam a sabedoria da
Cabala, que fazem aquilo que está escrito nos ensaios e seguem o conselho dos Cabalistas em prol
de descobrir o mundo espiritual, que se sentem cada vez mais baixos, à medida que almejam
ascender. Este estado é chamado “os filhos de Israel no Egito”.

Os filhos de Israel tiveram de estar no Egito durante quatrocentos anos, como foi dito a Abraão.
Os quatrocentos anos são quatro graus desde a raiz - um, dois, três, quatro, ou Yod-Hey-Vav-
Hey. Também nós devemos estar no exílio em prol de revelar o Kli inteiro (vaso) e alcançar redenção
com ele em um Kli corrigido. Em outras palavras, todas nossas almas se conectarão e descobrirão
nessa conexão com a luz superior, o Criador. É assim que a alma se une com a força superior, com
a luz; esta é a redenção completa.

Primeiro, devemos nos misturar com nossos quatro níveis de Aviut (vontade de receber, egoísmo).
Passámos somente 210 anos no Egito, então há exílio adicionais depois do Egito, até à medida de
quatrocentos anos estar cheia. Presentemente encontramo-nos na conclusão desse período.
Devemos descer ao Egito e absorver estes quatrocentos graus, que são como quatrocentos shekels de
prata, o preço com o qual a Gruta de Machpelá foi vendida. Esta é uma medida especial de nossos
egos, que Faraó simboliza de uma maneira quebrada na alma corrigida. No final, trazemos
estes Kelim (vasos) do Egito porque saímos com grande substância, os corrigimos e descobrimos
neles a terra de Israel.

Perguntas e Respostas

Porque o Criador nos quer fora do Egito, por um lado, e então endurece o coração do Faraó,
tornando mais difícil a saída dos filhos de Israel?
Quando as pessoas vêm estudar a Cabala, elas chegam com um grande desejo de aprender, então
percebem quão difícil é e não têm sucesso. Elas começam a “adormecer”. Seus egos crescem, elas
rendem-se para ele, e afundam-se nele. Elas não conseguem compreender que o que lhes aconteceu
foi que elas entraram no Egito. Nós precisamos continuar a trabalhar, até quando nos afundamos
no ego; não devemos permanecer nele.

Há também aqueles que se separam a si mesmos das correções e da sabedoria da Cabala por
completo. Eles fluem com a vida e podem até adotar novos hábitos. Mas se eles não continuarem e
avançar pela quebra, os golpes internos, até que sintam que têm de sair do Egito, como está escrito,
“E os filhos de Israel suspiraram do trabalho” (Êxodo, 2:23), e gritarem para a força superior os
puxar para fora, eles serão puxados para fora.

A sabedoria da Cabala lida com fatos, com leis naturais. Todavia são mostrados sinais aos filhos
de Israel, tais como uma vara que se torna uma serpente. Isso simboliza algo sobrenatural?
Esse é um estado interno que frequentemente experimentamos. A vara se tornar na serpente
representa incidentes onde a espiritualidade e perfeição aparecem diante nós. Sentimos que
verdadeiramente compreendemos alguma coisa da qualidade de doação, que estamos prontos para
nos conectar com os outros e que estamos com eles com mente e coração, “como um homem com
um coração”. Então, pouco depois vem a descida, como uma nuvem negra desce sobre uma pessoa.
Muito da mesma forma, a vara e a serpente alternam.

Pode ser dito que a atitude em relação à espiritualidade é chamada uma “vara” ou uma
“serpente”?
Sim, e nós somos jogados entre elas.

Como os magos do Egito fazem o mesmo que Moisés com as suas varas?
Nossos egos criam coisas para nos mostrar quem tem razão. Na história de Ester, quando eles não
sabiam quem tinha razão, tiveram de decidir acima da razão. O mesmo se aplica a nós. Nós não
queremos deixar o Egito para nosso ganho, mas também não queremos permanecer no Egito para
nosso ganho. Isto é, não vem do lado da recepção nem do lado da doação.

Cada um gostaria de se conectar à espiritualidade e alcançar o mundo espiritual e assim ter tudo.
Contudo, nos é feito entender que tanto na recepção e doação não receberemos ganho pessoal nos
nossos egos. Quando avançamos, como os magos do Egito, avançamos para a Klipá (casca/pele)
para doar em prol de receber, para recebermos para nós mesmos o próximo mundo, também. Mas
a doação significa que nos elevamos acima de qualquer recompensa que se pareça.
O que significa que a serpente de Moisés e Aarão engole as serpentes dos magos Egípcios?

Isso significa que no fim teremos de avançar em fé acima da razão. Isto é chamado uma “vara”, e
com ela nossa importância da doação aumenta em vez de diminuir, nos fazendo descer aos vasos de
recepção.

Todos nós experimentamos estes golpes, cada um de nós, até agora?

A Torá fala de tudo aquilo que acontece a aqueles que estudam a Cabala. A crise na qual o mundo
hoje está nos preparando para que compreendamos que não temos alternativas; devemos avançar.

Com a exceção dos filhos de Israel, o mundo não avançará através dos passos que aprendemos na
Torá. O mundo avança ao se juntar aos filhos de Israel, como está escrito, “E os povos os levarão,
e os trarão ao seu lugar; e a casa de Israel os possuirá na terra do Senhor” (Isaías, 14:2). O mundo
inteiro precisará de o apoiar.

O que fazemos para sair agora do Egito?


A Torá conta-nos que até que tenhamos sofrido todos os golpes, não gritaremos tão alto que o
Criador nos salve. Quando isso acontecer, a força superior, a luz que reforma, nos influenciará tão
fortemente que seremos capazes de nos separar do ego.

De O Zohar: Eu Trarei, Eu Libertarei, Eu Redimirei, Eu Tomarei


O Criador desejou primeiro lhes contar do mais belo - o êxodo do Egito. O mais belo de tudo é, “E
Eu vos tomarei por Meu povo, e serei vosso Deus”. Mas Ele lhes disse isto depois. Na altura, não
havia nada mais belo para eles senão saírem pois pensaram que nunca sairiam de sua escravidão,
dado que viram que todos os prisioneiros entre eles estavam atados por laços mágicos dos quais
nunca sairiam. Foi por isso que primeiro lhes foi dito o que lhes era mais favorável. Zohar para
Todos, VaErá (E Eu Apareci), itens 52-3
É a obra do Criador. Não somos nós que fazemos o trabalho, e não é o trabalho que o Criador faz
quando nos corrige. Em vez disso, é o trabalho que o Criador faz “nos bastidores”. Ele é “as traseiras
do pescoço”. Isto é, endurecer o coração de Faraó é o trabalho que o Criador faz para que
precisemos Dele.

É então que queremos sair do Egito?

É então que queremos sair do Egito e é também então que definimos o que significa
sair corretamente. Se questionar uma pessoa vulgar, “Porque você está orando? “ “O que é
redenção? “ “O que ou quem é o Messias? “ Você escutará muitas respostas. Todos temos nossos
próprios Messias. Mas aqui, falamos de uma pessoa que precisa alcançar um estado de Messias. Isto
traz um ao amor aos outros, um estado de “Ama teu próximo como a ti mesmo”, a regra que inclui
todos nós, uma vez que todos nós devemos estar mutuamente contidos nela, em garantia mútua.

É por isso que a garantia mútua é tão importante para nós; ela é como o êxodo do Egito, como
a redenção. Enquanto não há garantia mútua, não haverá redenção. É por isso que todos precisam
de trabalhar para o fazer acontecer e explicar a todos que quanto mais perto nos aproximamos deste
ideal, maiores nossas chances de sair do Egito em breve.
Termos
Profeta

Um “profeta” é uma pessoa que fala com o Criador, a força superior. Ele é aquele que está em um
nível de falar. “Falante” é uma divulgação, a emissão de Hével (fumo, nevoeiro) da boca. Hével da
boca é a Ór Chozêr (Luz Refletida) emitida do Partzuf, da alma, como a luz de doação.

Também, há um profeta que vê, que está em um nível mais alto. Alguns profetas dizem, “Eu vi”, e
alguns profetas dizem, “Eu escutei”. Este é um grau de um Cabalista que está em dois graus - um
grau de falar ou um grau de ver.

Moisés

“Moisés” é a força superior em nós, que nos puxa em frente para a doação, para o amor aos outros,
e assim para o amor ao Criador. Ele é uma força que não nos dá repouso. Esta força vem até nós
do sopro da alma como uma centelha de luz dentro de nós. Se a centelha desperta em nós, isso é
considerado que recebemos um convite. Isso nada garante, senão um convite que foi dado a na
realidade começarmos o nosso trabalho sagrado.

“Sagrado” significa doação. “Subir a montanha da santidade” significa que subimos acima de nossos
egos com nosso ponto de Moisés, e assim nos atualizamos a nós mesmos.

Aarão
“Aarão” é a força oposta a Moisés. As duas forças têm de trabalhar juntas. Depois delas há os
sacerdotes, Levitas e Israel. Há Abraão, Isaac e Jacó. Nosso trabalho é sempre na linha do meio.

Quando vemos as duas forças, Aarão e Moisés, até antes do todo da linha do meio emergir. Estas
duas forças trabalham juntas: Aarão organiza-nos e Moisés dá-nos direção.

Símbolo/Sinal

Um “símbolo” (ou um “sinal”) é uma iluminação de um grau mais alto. Ele é uma força adicional
pela qual avançamos em cada grau. Ele é uma distinção em todos aqueles estados que ocorrem em
nós de forma não natural, em um estado pouco familiar para nós em termos de poder e intenção
no presente grau. Esse estado ocorre quando um grau aparece do alto e revela o símbolo. O grau
superior pode vir da direita ou da esquerda.

A Klipá (casca/pele) está também na espiritualidade. Klipá e Kedushá (santidade) são duas linhas
entre as quais construímos a nós mesmos. Pegamos um pouco da Klipá, a corrigimos usando a
Kedushá e no meio alcançamos progresso na linha do meio, no caminho dourado. A mesma coisa
acontece no próximo grau, e no próximo, até que subimos todos os 125 graus.

De O Zohar: Levai Tua Vara

Era claro para o Criador que esses magos fariam serpentes. Assim, qual é a importância de fazer
serpentes diante de Faraó? É porque houve um começo de todas as punições, isto é a serpente
primordial que falhou a Adão e Eva. A dominação de Faraó começa desde o princípio da serpente,
do lado esquerdo. Então, quando eles viram a vara de Aarão se tornar uma serpente, todos os magos
ficaram felizes pois assim foi o começo da sabedoria de suas serpentes. Zohar para Todos, VaErá (E
Eu Apareci), itens 118
A serpente de Aarão consumiu as serpentes dos magos. Há uma diferença entre uma serpente, um
crocodilo e uma baleia. Há muitas apelações para a mesma vontade de receber porque no caminho
da correção, atravessamos diferentes estados que exprimimos diferentemente na nossa linguagem.

A “serpente” é a serpente primordial, a força do mal, a força da recepção que nos faz falhar.
Precisamos compreender que todos esses fracassos não são realmente fracassos. Em vez disso, nos
são mostrados nossos defeitos, nos é dada uma chance de pedir a luz que reforma para os corrigir.

Há opostos escondidos aqui: do alto, há sempre algo com o qual lidar, algo que nos é adequado e
pelo qual podemos pedir ajuda. Este é um estado que podemos corrigir. É dada a uma pessoa um
estado que a fará falhar.

Os magos e o tornar da serpente em uma vara e o inverso acontece para que aprendamos como
caminhar entre as linhas, na linha do meio. Devemos aprender como virar o ego, nossa vontade de
receber, que nos destrói e agarra pelos nossos pés até que não possamos tomar outro passo em
frente, em um desejo de doar. Esta é uma luta interna, trabalho interior muito duro.

Isto acontece para que gritemos por ajuda. Sem pedir ajuda, nunca descobriremos o Criador.
Enfrentamos uma barreira tentando descobrir o Criador; é como se disséssemos, “Não precisamos
de Ti. Estamos bem”, porque estamos separados da sensação do Criador. É por isso que precisamos
desta experiência; ela é feita como ajuda contra nós.

Não fosse a serpente, Eva, o lado esquerdo inteiro, e Faraó, cujo coração se endurece, não precisaria
da luz que reforma. Como resultado, nunca avançaríamos para o Criador. Deste modo, a ajuda de
Faraó é necessária, como se diz que Faraó trouxe os filhos de Israel mais perto de seu pai nos céus.
Bô (Vinde)
(Êxodo, 10:1-13:16)

Sumário da Porção
Na porção, Bô (Vinde), o Criador - através de Moisés - diz ao um desafiador Faraó que ele deve
deixar o povo de Israel partir. O Criador joga mais duas pragas sobre Faraó, Gafanhotos e Trevas,
e Faraó diz para Moisés, “Ide para longe de mim! Cautela; não vejas minha face novamente pois
no dia em que vires minha face morrerás” (Êxodo, 10:28). Moisés responde, “Estais certo; eu
nunca mais verei tua face” (Êxodo, 10:29). Certamente, Moisés mantém sua palavra.

O Criador diz para Moisés que depois da praga final, Faraó deixará os filhos de Israel partirem.
Os filhos de Israel preparam-se para a décima praga, a praga do primogênito e levam emprestado
dos Egípcios vasos de ouro e prata, bem como vestes, preparando sua libertação.

O Criador salienta para Moisés as regras da oferenda de Pêssach que os filhos de Israel devem
seguir: matar um cordeiro no crepúsculo, espalhar seu sangue nos umbrais (Mezuzot) e nas
travessas e comer o cordeiro nessa mesma noite juntamente com Matzot (pão ázimo)
e Maror (rábano). Os filhos de Israel obedecem.

À meia-noite, quando um grande choro se levanta no Egito com o golpe da Praga do


Primogênito, o Faraó incita os filhos de Israel a saírem do Egito com pressa. Os filhos de Israel
partem, levando a multidão misturada juntamente com eles, e rebanhos e gado em grandes
números.

Comentário
O êxodo do Egito descrito nesta porção é muito significativo e dramático. Cada momento das
nossas vidas é uma recordação do êxodo do Egito. Este é o ponto no qual o humano em nós nasce,
quando saímos de nossos egos, da vontade de receber.

Todos começamos egoístas, como está escrito, “Eu criei a inclinação ao mal”. * A inclinação ao mal
cresce dentro de nós e faz-nos ser cada vez mais egoístas. No decorrer da história humana, nos
desenvolvemos desta maneira até que chegamos a um estado onde sentimos que nossa natureza
inteira é má e que devemos sair dela e assim procuramos uma solução. Este é um processo que se
revela nos indivíduos e pela sociedade.

Quando o Faraó - nossa inclinação ao mal, cresce em nós, ela não nos deixa viver. O ponto no
coração, Moisés em nós, escapa do ego em prol de ganhar força, então regressa em prol de combater
com ela. Somente assim que compreendemos como este “jogo” se revela em nós regressamos então
para lutar com o ego, muito como Moisés regressa ao Egito para lutar com Faraó.

Quando começamos a descobrir a força superior, até um pouco, descobrimos que tudo acontece
do alto, que “ninguém há além Dele” (Deuteronômio, 4:35), e isso inclui Faraó, o Criador e Moisés
entre eles. Nesta luta, nosso Moisés interno deve decidir quem governará, Faraó ou o Criador.

O Criador ensina a Moisés a enfrentar o ego, combater com ele e se elevar acima dele. Ele envia
sempre Moisés a Faraó pois “Eu endureci seu coração” (Êxodo, 10:1). Se soubermos, durante a
sabedoria da Cabala, como atrair a “luz que reforma” ** e passar pelas dez Sefirot de nossa inclinação
ao mal, as dez pragas, o processo não será tão duro. Este processo é chamado “apressar”, em
contraste com o caminho, “a seu tempo”, que está pavimentado de tormentos, guerras e outros
eventos desagradáveis.

A sabedoria da Cabala emerge em prol de nos aliviar através do “apressar”. Os primeiros e


experimentá-lo será o povo de Israel, seguidos pelo resto do mundo, como está escrito, “Todos eles
Me conhecerão desde o menor deles ao maior entre eles” (Jeremias, 31:33), “Pois MINHA casa será
chamada ‘uma casa de oração’ para todas as nações” (Isaías, 56, 7). É por isso que todos enfrentarão
o êxodo do Egito e os primeiros a fazê-lo serão o povo de Israel pois é nossa tarefa sermos uma “luz
para as nações” (Isaías, 42:6).

Nossos egos, Faraó, não nos deixarão unir e alcançar um estado de “Ama teu próximo como a ti
mesmo; é uma grande regra na Torá”*** — pela qual nos devemos conectar em Arvut (garantia
mútua). Quando lutamos contra nossos egos, somos conduzidos às três pragas finais e mais duras:
os GAR do grau, as primeiras três: Gafanhotos, Trevas e a Praga do Primogênito.

Durante a última praga, quando sentirmos quão ímpia nossa inclinação ao mal é e como ela nos
separa da vida, separamos a nós mesmos dela. É por isso que Faraó alerta Moisés que se ele o
abordar uma vez mais ele será condenado à morte, dado que esta inclinação verdadeiramente nos
condena à morte.

O Moisés em nós está pronto para esta praga pois ele sabe que através disso ele nascerá; ele sairá do
Egito e subirá a um nível de conexão entre todos, e descobrirá dentro dele a qualidade de doação.
Ele alcançará a sensação do mundo vindouro, a sensação da eternidade, perfeição e a força superior
que reside nele.

Quando alcançamos a perfeição através deste complicado processo, fazemos um sacrifício. A palavra
Hebraica para sacrifício é Korban, da palavra Karov (próximo). Quando oferecemos um sacrifício,
nos aproximamos da qualidade de doação. A oferenda de Pêssach exprime nossos esforços de
alcançar a boa inclinação, que está acima da qualidade de recepção, a inclinação ao mal. Nós
“passamos sobre” o ego e aproximamo-nos do desejo de doar. Esse movimento é feito com o sangue
de Pêssach, semelhante ao sangue do nascimento. Nós nascemos em sangue, como está escrito, “No
vosso sangue, vivei” (Ezequiel 16:6).

Avançamos deste modo até que chegamos à noite do êxodo do Egito. Nesse estado “levamos
emprestados vasos dos Egípcios”, levando deles desejos. Em vez da intenção de receber, temos
somente a intenção de doar. Levamos o desejo de receber juntamente com o desejo de doar
e saímos do Egito com ambos. Tudo o que deixamos são as intenções de receber, que são o mal.
Isto é, nós levamos a inclinação, mas deixamos o mal para trás.

Subsequentemente, acrescentamos à inclinação, o desejo de doar, assim o fazendo uma boa


inclinação. Foi por isso que entrámos no Egito para começar - para trazer dos Egípcios o desejo de
receber, com o qual todos nascemos inicialmente.

Posteriormente vem a Praga do Primogênito a todos os Egípcios em nós, a nossa inteira inclinação
ao mal. Este é o golpe final, trazendo com ele a luz que reforma e entregando um golpe final à
dominação da inclinação ao mal sobre nós. É então que nos elevamos acima dela e avançamos para
a conexão com os outros.

Nessa conexão, começamos a sentir o êxodo do Egito, da inclinação ao mal, que interferia com
nossas conexões e com estarmos na Assembleia de Israel, que nos aproxima. Somente ao nos
conectarmos descobrimos o Criador, a luz superior, o mundo espiritual, nossa perfeição e
eternidade.
Quando saímos do Egito, há uma refeição festiva da oferenda de Pêssach com o mal. Saímos com o
pão, o pão do pobre, Matzot, e renascemos quando nos elevamos acima de nossos egos, acima da
vontade de receber e para o desejo de doar. Doravante, estaremos prontos para nossa ascensão
espiritual.

O primeiro grau que alcançamos aquando nosso êxodo do Egito é o nascimento espiritual. Esta é
a transição mais difícil, na qual jogamos fora todos os hábitos e costumes pelos quais percebíamos
a realidade, o mundo e nossos relacionamentos. Nesta transição, subimos acima de todos os
elementos que nos edificam e através dos quais nos desenvolvemos no nosso mundo. Mudamos de
lá para um mundo que opera inteiramente em doação, em Arvut, em conexão.

Quando atravessamos, começamos a experimentar a Natureza da maneira oposta, seguindo as leis


de doação, em vez das de recepção. Começamos a agir diferentemente, seguindo diferentes regras,
e a realidade parece diferente que era anteriormente. Continuamos a nos desenvolver com o mesmo
Faraó que havíamos deixado para trás; levámos somente os vasos dele, como está escrito,
“posteriormente sairão eles com grande substância” (Gênese, 15:14).

Quando estamos rodeados de uma sociedade, estudos e a luz que reforma, atraímos as forças que
nos puxam para fora do Egito. Deste modo, em todas as situações muito difíceis não precisamos
temer enfrentar nossos egos.

Perguntas e Respostas
Quando sentimos que saímos do Egito?

Isso acontece subitamente, no escuro. Nada sentimos antes de acontecer: estamos aturdidos,
desorientados, tal como no nascimento. Saímos para uma nova vida que desconhecemos e levamos
somente o que precisamos - os desejos que não têm intenções de receber, sem as más intenções,
chamadas os “grandes vasos”, que levamos do Egito. Os filhos de Israel são aqueles que os levam,
aqueles que querem ser Yashar El (direito a Deus), direito à doação, ao amor aos outros.

O êxodo do Egito acontece à meia noite. De acordo com a sabedoria da Cabala, é então que a
construção dos Kelim (vasos) começa em direção à aurora. Nesse estado nos sentimos mal devido às
trevas e desorientação e confusão. Não compreendemos o que nos está acontecendo. Mas um ponto
em nós diz-nos, “Faça-o”, e estamos dispostos a fazê-lo, seguindo a preparação que não nos deixa
permanecer nos nossos egos - que realmente nos condenam à morte. Então saímos e escapamos.

De O Zohar: Um Cordeiro por Casa

“Israel não saiu do Egito até que o governo de todos seus ministros tivesse sido quebrado no alto”.
Isto é chamado “todas as dez Klipot (cascas/peles) “, as dez pragas pelas quais o Egito é quebrado.
“E Israel partiram de seu domínio e chegaram ao domínio da superior santidade”, chamada
“doação”, “amor aos outros”, no Criador, e atados a Ele ... que, “ ‘Eu (os) trouxe da terra do Egito’;
Eu os trouxe para fora da outra autoridade e os trouxe para Minha autoridade”. Zohar para Todos,
Bo (Vinde), item 165
A ideia é mudar da intenção de receber para a intenção de doar, de um estado de pensarmos
constantemente em nós mesmos - como lucrar, ter sucesso e explorar nosso mundo - para o estado
oposto. É verdadeiramente uma revolução interna naquele que ainda não compreende que há outro
modo de viver, em doação, amor, elevando-se acima do eu - embora haja desejos constantes de
receber dentro de nós.
Durante os quarenta anos no deserto, os filhos de Israel experimentam eventos tais como o bezerro
de ouro e a divisão do Mar Vermelho. Estes eventos não são mais simples que o êxodo do Egito,
mas o êxodo é nossa separação de nossos egos.

Depois da saída há descidas e ascensões e nossa vontade de receber continua a mostrar mais e mais
de si mesma. Os filhos de Israel não saem sozinhos. Junto com eles vem a multidão misturada:
pessoas que são atraídas a eles, que também querem alcançar o mundo iluminado, mas sem
corrigirem seus egos. Elas estão dispostas a manter Torá e Mitzvot, mas sem corrigir o ego.

Qual é a diferença entre o êxodo do Egito para aqueles com um ponto no coração e para aqueles
sem o ponto?
Há uma grande diferença entre eles. Israel são chamados Li Rosh (“Eu tenho mente”) porque eles
o fazem conscientemente, conscientes do que lhes está a acontecer. Nós realizamos estas ações sobre
nós mesmos e as experimentamos com o Criador. Nós atraímos a luz que reforma, e isto é chamado
“trabalhar sobre a Galgalta e Eynaim, como está escrito, “E vós sereis para MIM um reino de
sacerdotes e uma sagrada nação” (Êxodo, 9:6), ou seja todos em doação.

Inversamente, aqueles que não precisam disso - porque carecem do tipo de conexão à Divindade, o
ponto no coração - são chamados “as nações do mundo”. Eles não sentem que devem corrigir o mal
neles, seus egos, ou que se devem elevar e estar em Dvekút (adesão) com o Criador.

Nós estamos a viver em um tempo muito especial. O mundo inteiro está em uma crise; todos têm
que renascer, quer queiram quer não.

Verdade, mas o mundo está sendo empurrado por trás através de sofrimento. Eles não têm, e não
terão, a atração da frente. O resto do mundo sente a necessidade de saírem de seus problemas,
enquanto que nós, Israel, sentimos uma necessidade de nos atrairmos à doação, amor aos outros e
através disso alcançar o amor ao Criador. Essa é uma diferença fundamental. Nós estamos
avançando através da força positiva de doação, a força de atração, enquanto o resto do mundo está
avançando através da força que os empurra. Isso é muito diferente, que é o porquê de eles não
avançam por si mesmos.

Devemos conectar-nos a eles como Galgalta Eynaim para o ACHP, e passar a doação para eles através
de nós. Devemos ser sua “luz para as nações”. Embora não compreendam o que estão fazendo, eles
se conectarão a nós, como diz Isaías, “E os povos os levarão e os trarão ao seu lugar e a casa de Israel
os possuirá como uma herança na terra do Senhor” (Isaías, 14:2). É assim que eles serão corrigidos.

O que foi o grande choro no Egito na altura da Praga do Primogênito? Foi o choro
dos Egípcios para o ego?

A Praga do Primogênito encontra-se oposta a Kéter; ela foi a conclusão de todas as pragas. Com cada
praga, outra fatia da intenção de receber foi cortada da vontade de receber. A intenção de receber
é uma Klipá que é selecionada e separada e a vontade de receber permanece nua e sem utilização.

Malchut, Yessód, Hod, Netzach, Tiféret, Gvurá, Chéssed, Bina, Chochmá, e Kéter correspondem às dez
pragas. A praga correspondente a Kéter é a mais dura pois ela é como a Rosh (cabeça) em relação ao
resto dos golpes, e também porque sua Aviut (densidade, vontade de receber) é a maior. De todos
os graus do desejo - raiz, um, dois, três, quatro - Kéter é o mais forte desejo egoísta.

É assim que nos separamos do ego e aparentemente “matamos” Faraó. Precisamente deste modo
começa o ego a compreender que realmente existimos em prol de doar e ele pede aos filhos de Israel
para abençoarem isto.
Não é simples pois ainda não percebemos tudo isso. No final, “Não há outro além Dele”. Uma
única força, o Criador, gere tudo. Faraó é um anjo que parece estar contra nós, mas também ele,
está nas mãos do Criador; é assim que eles trabalham juntos. Presentemente, é assim que nossa
correção toma lugar na direita e esquerda com que trabalhamos, mas posteriormente aprenderemos
como trabalhar com ambas, nas três linhas. Vamos aprendê-lo em relação ao Massach de Chirik, nas
grandes correções.

De O Zohar: E Veio a Passar-se à Meia-Noite

Até “Todos os primogénitos”. Um primogênito é considerado Chochmá e “Todos os primogénitos”


indica que até os mais altos e baixos graus foram quebrados de seu domínio. Todos esses graus que
governam pelo seu poder de Chochmá, que é a sabedoria do Egito, como está escrito, “Todos os
primogénitos na terra do Egito”. Zohar para Todos, Bo (Vinde), item 118

Nossos egos sofrem cada golpe no mais alto nível. Nossa vontade de receber está em nós e
em nenhum outro lugar, nem sequer no Egito. Tudo se revela no interior porque o homem é um
pequeno mundo. Estamos a começar a sentir que o anjo da morte está destinado a se juntar a nós
a doar, como está escrito que o anjo da morte será o anjo sagrado. É por isso que Faraó pede uma
bênção, pois ele ainda não se consegue conectar sozinho. E, todavia, ele compreende que uma nova
era começou.

O Egito de hoje também demonstra sinais disso. Há pirâmides que os filhos de Israel construíram
e há pirâmides que os egípcios construíram e elas são construídas completamente diferente.

Em relação ao processo dentro de nós, parece que temos dupla personalidade. Temos dentro de
nós o atormentado Faraó por um lado e Moisés se deleitando no êxodo por outro lado?

Sim, estas duas forças estão dentro de nós. Frequentemente as sentimos quando ascendemos ou
descemos. Quando somos egoístas, ou quando não sabemos o que fazer com nossos egos, estamos
no escuro. Inversamente, quando estamos inspirados, trabalhando em prol de doar, como o
Criador, a luz brilha para nós. Um principiante é como Moisés que regressa de Jétro; ele já descobriu
o Criador, então ele agora regressa com ambas as forças.

Experimentamos ambas as forças?


Em uma luta, experimentamos tanto a força de Faraó como a força de Moisés. Já sabemos como
fazer a força de doação reinar sobre a força de recepção.

É por isso que se diz, “Vinde ao Faraó”?


Sim, e cada vez o Criador faz a vontade de receber mais pesada, mais dura. Ele cada vez mais abre a
vontade de receber dentro de nós e devemos superada e avançar.

Termos
Gafanhoto

Em todas as pragas do Egito, uma pessoa sente quão benéficas são as pragas. A praga vem porque
uma pessoa está imersa no ego, em uma situação especial e as pragas ajudam um a sair desse estado.
A praga do gafanhoto corresponde a Biná.

Trevas
Em cada estado temos trevas. Todavia, em estados de escuridão, isso são nossas trevas pessoais das
quais podemos escapar para outro estado. Aqui, o estado de trevas vem quando estamos confusos,
não sabendo coisa alguma, como se disse na história de Purim quando as pessoas não sabiam se
Hamã ou Marduqueu estava certo. Em um estado de trevas, precisamos obter a luz
de Chassadim porque as trevas vêm da luz de Chochmá e saímos delas através da luz de Chassadim.
Precisamos de Chassadim, compreendendo que precisamos da luz e porque estamos já prontos, o
pilar de fogo ou a nuvem aparecem.

Praga do Primogênito

“A Praga do Primogênito” é o maior e final golpe. Ele é um golpe que está na raiz pois o primogênito
é o homem. Esta é a vontade de receber maior no nível de Kéter, depois da qual nada mais há para
fazer no Egito. É aqui que Faraó se rende.

Faraó é deixado sem exército, sem coisa alguma. Assim que os filhos de Israel deixam o Egito, Faraó
envia atrás deles o que quer que tenha sobrado do seu exército. Mas posteriormente, a multidão
misturada junta-se a Israel, também e Faraó é deixado sem nada.

O Choro do Egito

“O choro do Egito” é o choro de nossos egos questionando, “Como viverei eu se estou nu sem
qualquer recepção para mim mesmo, sem qualquer entendimento de como existir no mundo? Não
estou habituado a esta situação. Eu tenho que mudar para um novo paradigma, para um mundo
oposto que seja todo dar, conexão, garantia mútua e amor. Não posso viver assim. Eu não sei como!

Este é o grande grito de nossos Kelim egoístas. Ele é um estado que atravessamos, semelhante ao
nascimento físico onde o bebê recém-nascido atravessa um tipo de trauma, também. Aprendemos
do Zohar que sua raiz é a mordida da serpente no veado. Isto é, Malchut é a fonte e ela é aquela que
dá à luz à alma. Este é um estado muito dramático e especial. Se atravessarmos esse estado juntos
com união entre nós, como explica a Torá, vamos sentir-nos inspirados e alerta e sairemos dele com
facilidade.

De O Zohar: Louvar o Êxodo do Egito


Todo o homem que conta a história do êxodo do Egito e se deleita nessa história jubilará com a
Divindade (que é alegria de todos os lados) no mundo vindouro. Este é um homem que está
deleitado com seu mestre e o Criador está deleitado com essa Sua história. Zohar para Todos,
Bo (Vinde), item 179
Há dois opostos aqui. Uma pessoa dá à luz a si mesma por si mesma. Por um lado, arrependemo-
nos da parte em nós que nos pressiona durante as dores de parto até que rompemos e nascemos no
novo mundo. Por outro lado, estamos deleitados que essa parte de nós esteja conectada ao Criador.
Isso é semelhante à nossa alegria no nascimento de uma criança.

* Talmude Babilônico, Masechet Kidushin, 30b

* Midrash Rába, Eichá, ”Introdução”, Parágrafo 2.

** Talmude de Jerusalém, Séder Náshim, Maséchet Nedárim, Capítulo 9, p 30b.


BeShalách (Quando Faraó Enviou)
(Êxodo, 10:17-17:16)

Sumário da Porção
Na porção, BeShalách (Quando Faraó Enviou), Faraó envia os filhos de Israel do Egito depois
das dez pragas que ele e os Egípcios sofreram. O Criador não conduz os filhos de
Israel diretamente para a terra de Israel pois isso significa que terão de atravessar a terra dos
Filistinos. O Criador não quer que os filhos de Israel temam a guerra e regressem ao Egito, então
Ele envia-os pelo deserto.

Moisés leva os ossos de José. O Criador caminha diante do povo, iluminando o caminho para
eles com um pilar de nuvem durante o dia e um pilar de fogo durante a noite.

Quando Faraó sabe que os filhos de Israel realmente escaparam do Egito, ele muda sua opinião
e decide persegui-los. Ele reúne 600 carruagens escolhidas que perseguem os filhos de Israel todo
o caminho até ao Mar Vermelho.

Os filhos de Israel encontram-se a si mesmos com o mar diante deles e Faraó atrás deles. É então
que o primeiro milagre toma lugar: Moisés golpeia o mar com sua vara, o mar é separado em dois
e os filhos de Israel passam pela terra seca. Quando os Egípcios tentam passar, a água se encerra
sobre eles e todos eles se afogam. Em gratidão para o Criador pelo milagre, os filhos de Israel
cantam a Canção do Mar (Êxodo, 15).

Moisés conduz os filhos de Israel pelo deserto na estrada para Shur. Quando o povo fica com
sede eles chegam a Mará, um lugar onde a água é tão amarga que não a conseguem beber. Aqui
outro milagre ocorre e a água se torna doce (fresca). Moisés e o povo continuam a avançar para
Eilam, onde eles descobrem doze nascentes de água e setenta palmeiras. Eles lá repousam e então
continuam para o deserto de Sim. O povo queixa-se que se esgotaram os mantimentos e o Criador
realiza dois milagres: no primeiro, maná desce do céu. No segundo, codornizes voam sobre o
acampamento de Israel para que tenham carne à noite.

Os filhos de Israel recebem o primeiro mandamento - de observar o Shabat. Lhes é dito que no
Shabat, nenhum maná descerá do céu e que no sexto dia eles devem reunir mantimentos para
dois dias. Os filhos de Israel continuam do deserto de Sim e chegam a Refidim. Uma vez mais
não há água e o Criador realiza outro milagre: Moisés golpeia uma rocha e água jorra dela.

Na sua chegada ao Monte Sinai, Amaleque aparece e luta contra Israel. Quando Moisés levanta
suas mãos, Israel vence; quando ele as baixa, Amaleque vence. Finalmente Israel derrota
Amaleque e o Criador diz para Moisés escrever em um livro de recordação que a memória de
Amaleque deve ser apagada de debaixo dos céus.

Comentário
O homem nasce com um desejo inerentemente egoísta de receber. Contudo, quando o ascendendo,
nossa perspectiva muda e não mais pensamos em nós próprios. Desde o momento em que
nascemos queremos usar o mundo inteiro para nosso próprio benefício. Isto é o Amaleque em
nós. Amalek é um acrónimo para Al Menat LeKabel (em prol de receber). Nós tornamos a vontade
de receber em uma qualidade espiritual que está direcionada para a doação através de um processo
no qual cada um de nós trabalha sobre o eu, usando a luz que reforma. A luz que reforma* é uma
força que desperta naqueles que estudam corretamente a Cabala em um grupo. Essa força desperta
e sentimos mudanças a acontecerem constantemente no interior.

Estas são as mudanças que a Torá descreve nesta porção. Faraó realmente manda embora o povo
de Israel. Isto é, nossos egos estão sob stress e sofrimento em um conflito entre as forças que operam
sobre ele. Finalmente, ele “permite-nos” liberdade e joga-nos fora de nós mesmo.

De fato, estamos somente a observar o revelar da guerra do Criador contra Amaleque (Êxodo,
17:16), a guerra do Criador contra Faraó, e o inteiro processo (Êxodo, 10) de endurecer o coração
de Faraó, “Ide ao Faraó”, e “Vinde ao Faraó”.

Quando os filhos de Israel escapam do Egito com todos os Kelim, ou seja, desejos, nos elevamos
acima do ego, mas as intenções egoístas permanecem. No processo de desenvolvimento,
gradualmente nos livramos a nós mesmos delas durante as numerosas mudanças que atravessamos
quando saindo do governo de Faraó e entrando sob o governo da qualidade do Criador - o reino
da qualidade de doação e amor aos outros.

Na transição do amor ao eu para o amor aos outros, atravessamos várias mudanças que nos fazem
sentir como se Faraó ainda nos perseguisse e tentássemos escapar. Por vezes podemos correr e
outras vezes não podemos. É por isso que a realidade exige um milagre, ou seja, a influência da
força superior sobre nós.

A influência da força superior sobre nós manifesta-se na sensação de que nos encontramos diante
do mar, com as 600 carruagens escolhidas de Faraó atrás, e não há nada que consigamos fazer. Cada
vez chegamos a um ponto onde não há nada pela frente e todas as estradas parecem bloqueadas,
um milagre ocorre. É assim que alternamos de grau para grau, de estado para estado.

A diferença entre os graus é que o próximo grau se abre sempre depois de termos concluído o
anterior. Cada vez, não sabíamos o que fazer e ficámos desesperados. Embora
estivéssemos habituados a isto, somos surpresos cada vez de novo.

Depois da divisão do Mar Vermelho chegamos ao deserto. Um “deserto” é um estado onde não
conseguimos fazer coisa alguma. Nada temos com que nos alimentarmos e estamos em um estado
de vazio, não sabendo o que fazer. Nesse estado, parece que a vida não é vida, nem no presente nem
no futuro.

Na próxima fase, a água é amarga e deve ser adocicada usando a vara. Isto significa que elevamos o
desejo de doar e degradamos o desejo de receber pelo bem de receber. Deste modo alcançamos o
grau de Biná em vez de Malchut e nos elevamos acima do ego, novamente rompendo para o próximo
grau. Chegamos a um lugar chamado Eilam, onde há doze fontes de água e comida de setenta
palmeiras.

Isso acontece toda e cada vez. Nossa vontade de receber egoísta desperta sem nós sabermos o que
fazer com ela porque não temos a força para lidar quando ela grita em terror. É então que a força
superior nos salva. Assim, repetida e gradualmente, nosso êxodo tomar lugar.

No êxodo do Egito, corrigimos a vontade de receber passo-a-passo. Elevamo-nos acima dela


continuamente para que possa até lugar com Amaleque. As mãos de Moisés, que se levantam e
caem, simbolizam a força de ascensão de Biná e descida de MAN.

Quando entramos na espiritualidade, ainda nada temos com o qual nos reanimarmos exceto a
comida dos céus. Antes disso, nos satisfazíamos a nós mesmos egoisticamente, tentando ganhar às
custas de todos tanto quanto possível. Mas agora, na nossa transição para o amor aos outros -
preenchemo-nos a nos mesmos com doação. É por isso que é chamada “comida dos céus”, “o
alimento dos céus”.

Isto ocorre quando estamos dispostos a sair para a “luz da aurora”, a estarmos na qualidade de
doação que brilha sobre o ego, a vontade de receber na qual um agora se sente vazio. Quando
estamos dispostos a permanecer na vontade de receber até sem preenchimento, mas somente na
doação sobre os outros, é então que o maná vem, o preenchimento dos céus.

Quarenta anos no deserto é o período em que obtemos a qualidade completa de doação.


Somos alimentados ao darmos aos outros, que é verdadeiramente dos céus, pois quem somos nós
para dar? Temos nós alguma coisa para dar? Porque devemos preencher a nós mesmos ao dar?

Esta sensação, a intenção que adquirimos sobre a vontade de receber, a inclinação para os outros,
a conexão com os outros, é o grau chamado “aquilo que odeias, não faças ao teu amigo”. ** Ao nos
conectarmos aos outros como a nós mesmos, recebemos o preenchimento chamado MAN, Meyin
Nukvin (Aramaico: Água Feminina), que eleva nossa vontade de receber até Biná, o grau de doação.

Perguntas e Respostas
Muitos milagres tomam lugar nesta porção, praticamente todos os quais dizem respeito a água:
atravessar o Mar Vermelho, a água amarga, Moisés golpeando a pedra e a água jorrando dela. O
que é um milagre e porque está ele tão estritamente conectado a água especificamente nesta
porção?

Água é a qualidade de doação, Biná. Há a água da contenda (Méribá), água amarga, e doce (fresca),
água potável. Há também “água fria para uma alma desmaiada” (Provérbios, 25:25), e há outros
termos que dizem respeito à água.

Água é vida. Enquanto nos desenvolvemos no ventre de nossa mãe, estamos imersos em água.
Certamente água é nossa vida inteira; evoluímos na água e então subimos à terra. Água é a qualidade
de Biná; ela emite de si mesma tal como os oceanos geram a vida.

Isto acontece cada vez através de um milagre, pois nós não possuímos a qualidade de doação, Biná,
amor aos outros, a conexão a favor do outro. Por esta razão, a recebemos do exterior naquilo que é
considerado um milagre. Tudo o que fazemos é causar esse processo se revelar, e quando acontece,
ele é como um milagre, como está escrito, “Eu trabalhei e achei”.*** Achar é na realidade o milagre
e nosso caminho para a doação, tudo acontece através de milagres.

O Criador levou os filhos de Israel em uma “tournée” no deserto por medo de lutarem com os
Filistinos, para que eles atravessassem Sinai. Porque Ele não os levou diretamente para Israel?

Os filhos de Israel caminharam no deserto durante quarenta anos, mas você pode na realidade
atravessar o deserto em uma semana. Temos uma vontade tão grande de receber: guerras com os
Filistinos, com Amaleque, pecados tais como o bezerro de ouro e o pecado dos espiões e muitos
outros problemas só para chegar à entrada para a terra de Israel. Adicionalmente, há a guerra para
conquistar a terra.

São necessárias muitas guerras para conquistar a vontade de receber e a transformar de um desejo
egoísta, Egito, em um desejo pela terra de Israel. Éretz (terra) significa Ratzon (desejo). Devemos
direcionar nosso desejo não para trabalhar em prol de receber, que é Amaleque, mas em prol de
doar, que é Yashar El (direito a Deus), Yisrael (Israel). É um processo muito longo no qual milagres
ocorrem constantemente.

Porque evitam os filhos de Israel lutar com os Filistinos?

Porque os filhos de Israel não são fortes o suficiente ainda. Eles têm de adquirir a força de doação
que os permitirá lutar e confrontar os Filistinos. Ainda não há linha direita, a força da doação,
então é impossível usar a linha do meio e avançar com ela. Quando temos somente a força de
recepção, a linha esquerda, devemos saltar os Filistinos.

De O Zohar: E Israel Viram a Grande Mão


“E Israel viram a grande mão ... e eles acreditaram no Senhor”. Mas eles não acreditavam no Criador
até então? Afinal, está escrito, “E o povo acreditava; e quando escutaram”. Além do mais, eles viram
todas as grandes ações que o Criador fez por eles no Egito. Contudo, “E eles acreditaram” significa
que eles acreditaram no que ele disse, “E Moisés disse para o povo, ‘Não temeis! Ficai e vede a
salvação do Senhor. ’” Zohar para Todos, BeShalách (Quando Faraó Enviou), item 203

Em cada fase avançamos por graus. Nosso caminho, tal como escreve O Zohar, é 600 carruagens
escolhidas, seis dias e o sétimo dia, Shabat, que corresponde ao fim da correção, o sétimo milénio.
A estrada do êxodo do Egito até ao fim de nossa correção atravessa 125 graus, com cada grau se
dividindo em graus adicionais. Há milagres cada vez e cada vez nos tornamos mais aderidos à força
superior.

Estamos no meio de duas forças: por um lado, há a vontade de receber, que é a natureza com a qual
nascemos, como está escrito, “a inclinação do coração do homem é má desde sua juventude”
(Gênese, 8:21). Por outro lado, há o desejo de doar ao qual devemos chegar. Nesta escada de nossa
natureza, a vontade de receber está no fundo e o Criador, o desejo de doar, está no topo, conosco
no meio, como se pendendo a meio do ar. À extensão que a força do Criador aparece diante de
nós, podemos subir até que alcancemos Dvekút (adesão) com Ele.

É por isso que só precisamos revelar nossa necessidade pelo Criador. Está escrito, “E os filhos de
Israel clamaram do trabalho” (Êxodo, 2:23). Todos os choros e contendas são divulgações de nossa
carência a partir da sensação de que temos de receber ajuda do alto.

É assim que vivemos pela misericórdia do Criador. É assim também que a luz superior, a luz que
reforma, chamada Torá, aparece e nos salva. Até hoje devemos compreender que se revelarmos a
carência certa, a força que nos libertará de todos os problemas aparecerá e vamos atravessar o Mar
Vermelho na terra seca.

Então o que tem a fé a ver com tudo isto? O que significa que eles viram o milagre e acreditaram?

Fé é a força de doação, de Biná. Através da força de doação, vemos o mundo que nos rodeia, o
mundo de Ein Sof (infinito), o mundo espiritual, os graus e as forças. Contudo, ainda não temos a
visão da doação da conexão com os outros. Quando nos conectamos com os outros desenvolvemos
novos “óculos” através dos quais vemos o mundo inteiro como circular, somente com uma força
operando nele.

A sabedoria da Cabala ensina-nos a como descobrir a força do Criador que opera no mundo, o
método para revelar Sua Divindade a Suas criações neste mundo.
Parece que o Criador continuamente coloca o povo de Israel em apuros, tais como a água salgada,
então liberta-os dela, tal como a tornando em água doce. O que representa este processo?

Precisamos perceber que podemos entender as coisas somente ao ver ambos os lados, trevas bem
como luz, pois “a vantagem da luz a partir das trevas” (Eclesiastes, 2:13). É por isso
que continuamos a descobrir que o ego é pior que pensávamos e procuramos uma saída
dele, compreendendo que a força superior deve estar envolvida.

Quando nos tornamos conscientes de que precisamos da força superior e clamamos, o Criador
aparece. Cada vez, temos de chegar a tal estado - revelar nossa carência, a necessidade de Sua ajuda
para que Ele possa aparecer. É assim que construímos nosso Kli (vaso) e é por isso que comemos a
maná (MAN) no deserto. Nunca somos os donos ou senhorios; pedimos somente que o processo
tome lugar.

É o mesmo hoje com o processo que atravessamos e processos ainda mais duros à nossa frente.
Afinal, o propósito do processo é simplesmente nos trazer a um estado de descontrole, completo
desamparo e desespero, que obriga a força superior a aparecer. Sem ela, não seremos capazes de
avançar. Quando melhor compreendermos o processo, esta predileção melhor nos preparamos
para ele, mais seremos capazes de atrair a força superior antes de estarmos em um estado
desesperado. Foi por isso que a Torá foi dada, o interior da Torá, a sabedoria da Cabala, para que
saibamos cada vez como prescrever a cura antes da doença.

Hoje é muito difícil fazer as pessoas entender que não têm controle. Estamos acostumados a pensar
que através da ciência e tecnologia controlaremos a Natureza.

Assim foi até ao irromper da crise. Agora compreendemos que não temos controle de coisa alguma.
Não controlamos o sistema de educação, nossas famílias, nós próprios, terrorismo, comércio,
economia ou finanças e estes são sinais da crise abrangente, a quebra sistêmica na qual todos os
sistemas estão a colapsar. Estamos a alcançar um estado onde precisaremos de uma revelação
especial da força coletiva da Natureza.

Estamos feitos de tal maneira que cada um de nós puxa para o seu lado e a crescente crise prova
que todos estamos atados juntos, dependentes uns dos outros e que somente em dependência
mútua seremos capazes de resolver o problema. Contudo, dado que não conseguimos estabelecer
uma conexão de Arvut (garantia mútua), precisaremos da ajuda da força superior. Levará muito
tempo até que compreendamos que precisamos da força de unidade, que é o Criador fazer a paz
entre nós, como está escrito, “Aquele que faz a paz nos Seus céus, Ele fará a paz sobre nós e sobre
toda Israel” (da oração de Kadish).

O que representa o processo de atravessar o Mar Vermelho?

Quando Malchut entra em Biná, há água superior e água inferior. Em semelhança, no tempo da
criação do mundo, havia a força superior que vem e deixa a vontade de receber entrar no mar, a
água - assim conectando a vontade de receber com o desejo de doar. A vontade de receber é a força
da terra. Israel, que conecta a força do solo, revela o solo dentro do mar, enquanto o mar em si
mesmo é a força doadora, onde há Gvurot, um mar revolto.

Israel também revelam a força especial, Nachshon, que salta primeiro para a água. Esta é uma força
dentro de nós disposta a avançar com completa dedicação, somente para alcançar a qualidade de
doação, a conexão com Biná, aconteça o que acontecer. Quando saímos, fazemos o primeiro
contato com o desejo de doar. A inteira fuga do Egito é uma fuga de nós próprios para todos os
outros, para nos conectarmos com os outros.
De O Zohar: E Faraó Aproximou

Israel se aproximavam do mar e viram o mar diante deles se tornar mais revolto, suas ondas se
endireitando para cima. Eles tiveram medo. Eles levantaram seus olhos e viram Faraó e seu exército,
e fundas e flechas e estavam aterrorizados. “E os filhos de Israel clamaram”. Quem causou Israel a
se aproximar de seu pai nos céus? Fora Faraó, como está escrito, “E Faraó aproximou”. Zohar para
Todos, BeShalách (Quando Faraó Enviou), item 67
Cada vez, nossos egos despertam e não nos deixam avançar. De fato, o ego trabalha para nós porque
Faraó (o ego) é o lado posterior do Criador, que criou a vontade de receber. Ele revela-se
constantemente para nós até que vejamos que a vontade de receber, a serpente, está a condenar-nos
à morte, para que tenhamos de escapar dela.

Hoje estamos em uma situação similar. Gradualmente estamos a aprender que nossos egos não nos
deixam conectar e construir sistemas adequados, viver em famílias, nações e estados, ou construir
o planeta e o mundo como circulares e conectados, dado que é isto que nos promoverá para a
correção. É por isso que vivemos em um tempo especial, quando verdadeiramente determinaremos
que a Arvut (garantia mútua) é a conexão entre nós.

Moisés foi instruído a escrever em um livro que a memória de Amaleque deveria ser apagada.
O que é um livro no sentido espiritual?
Um livro é uma divulgação. Ele é uma divulgação de que temos no livro da Torá, que descreve as
obras do Criador em relação à criatura. Nós agimos através destas revelações, através das letras, que
estão escritas em preto sobre o branco em prol de apagar a intenção de Amaleque - para fazer a
vontade de receber em prol de receber se tornar um desejo de receber em prol de doar. Isto é
chamado Ratzon (desejo), Éretz (terra), e “em prol de doar” é como o Criador, quando alcançamos
Yashar El (direito a Deus), Yisrael (Israel).

Em outras palavras, Amaleque é o oposto da terra de Israel. Amaleque é um termo geral, muito
como Hamã, serpente e Faraó, exceto que ele também partes mais pequenas e específicas.
Aprendemos que cada vez, o povo de Israel as enfrenta. Cada um de nós é como o povo de Israel,
feito de qualidades de doação que são colocadas debaixo da vontade de receber.

Termos
Filistinos

“Filistinos” são nossos desejos egoístas. Até depois da fuga do governo da vontade de receber, eles
ainda estão conectados à doação. Isso é chamado “doar em prol de receber”. Quando damos,
alcançamos os outros. Mas quando começamos a dar, vemos que podemos também ganhar com
isso. Deste modo, devemos elevar-nos acima dos desejos de fora das fronteiras do Egito, também,
embora a correção neles seja diferente daquela que tomou lugar no Egito.

Não conseguimos descobrir estes desejos enquanto no Egito pois fomos “enterrados” debaixo de
nossos egos. Quando emergirmos do ego, veremos como ele puxou a todos nós durante os quarenta
anos no deserto e até posteriormente, na terra de Israel, quando conquistámos a terra.

A Canção do Mar
A “Canção do Mar” são louvores. Ela é gratidão por atravessar a fronteira, nunca regressando ao
Egito. Por vezes choramos pelo passado, como nesta porção, mas não há voltar atrás. Fazemos a
saída final do Egito. Depois da fuga, começamos a sentir o mundo espiritual e não apenas a
existência deste mundo e esta sensação induz uma explosão de alegria.

MAN

MAN é Mey Nukvin (Aramaico: água feminina). Ela é a vontade de receber querendo subir ao nível
de Biná. Quando sentimos que podemos e devemos doar nestes desejos, pedimos que aconteça.
Assim precisamos da ajuda da força superior para o fazer acontecer e então a força aparecerá do
alto.

Quando começamos a usar esta força, ela preenche-nos com doação sobre os outros e isto é
chamado “comer maná”. Mas neste mundo, nunca nos sentiremos deste modo pois neste mundo
estamos preenchidos pela recepção, enquanto no mundo espiritual estamos preenchidos pela
doação.

De O Zohar: A História de Hamã

O mais precioso de tudo é a comida que os amigos que se envolvem na Torá comem, comida que
vem da alta Chochmá, própria Chochmá. Isto é porque a Torá sai da Chochmá superior e aqueles que
se envolvem na Torá entram na essência das raízes, assim sua comida vem do alto e sagrado lugar.

Zohar para Todos, BeShalách (Quando Faraó Enviou), item 382

* Midrash Rába, Eichá, ”Introdução”, Parágrafo 2.

** Talmude Babilônico, Maséchet Shabat, 31a

*** Talmude Babilônico, Maséchet Meguilá, 6b.


Yitrô (Jétro)
(Êxodo, 18:1-20:22)

Sumário da Porção

A porção, Jétro, começa com Jétro, sacerdote de Midiã, saindo com Zipora e os dois filhos de
Moisés para encontrar Moisés e o povo, que saíram do Egito. Jétro dá a Moisés algumas dicas
organizacionais a respeito de como julgar a nação, explicando que ele os deve dividir em ministros
de milhares, ministros de centenas, ministros de cinquentas e ministros de dezenas

Os filhos de Israel chegam ao Deserto Sinai no terceiro mês de seu êxodo do Egito, como está
escrito, “E Israel lá acamparam, diante da montanha” (Êxodo, 19:2). Moisés sobe o Monte Sinai
e o Criador diz-lhe, “E agora, certamente obedecerás a MINHA voz e manterás MINHA aliança,
então sereis para MIM um Segulá (escolhidos/virtude/remédio) de todas as nações, pois toda a
terra é MINHA. E sereis para MIM um reino de sacerdotes e uma sagrada nação. Estas são as
palavras que falareis para os filhos de Israel” (Êxodo, 19:5-6).

Moisés informa os anciãos das palavras do Criador e eles dizem, “Tudo o que o Senhor falou nós
faremos” (Êxodo 19:8). O Criador ordena o povo através de Moisés se santificarem a si mesmos
durante dois dias e estarem prontos no terceiro dia, pois é então que o Criador aparecerá diante
da inteira nação. No terceiro dia, os filhos de Israel se encontram no fundo da montanha, mas
eles não querem encontrar o Criador face-a-face, então Moisés e Aarão sobem ao Monte Sinai, e
Moisés traz para baixo os Dez Mandamentos.

Os filhos de Israel pedem a Moisés para falar para eles em vez do Criador porque eles têm medo
de morrer. Moisés explica-lhes que não precisam de temer pois o Criador descerá para os testar.
Ele colocará o medo Dele neles para que eles não pequem. O Criador instrui Moisés para dizer
aos filhos de Israel que porque O viram a falar com eles, estão proibidos de fazer deuses de ouro
e prata. Em vez disso devem construir um altar no solo e fazer um sacrifício nele.

Comentário
Jétro, sacerdote de Midiã, não é de Israel. Ele é da vontade de receber, uma Klipá (casca/pele)
mitigada por Moisés. Jétro sobe e se conecta a Moisés através de sua Nukva (fêmea), sua filha Zipora,
com quem Moisés tem dois filhos. Esta é a grande e quebrada vontade de receber que Moisés em
nós gradualmente corrige.

Quando Moisés vem até Jétro depois de ter fugido, uma conexão é feita entre o ponto no coração,
Moisés e o ego. Assim, uma correção é feita para que posteriormente seja mais fácil para nós
fazermos correções em fases mais avançadas.
A correção ajuda-nos a começar a dividir-nos em dezenas, cinquentas, centenas e milhares, ou seja,
construir a estrutura da alma. A Torá inteira lida com a construção de nossas almas e como podemos
tornar nosso desejo egoísta em um desejo com a direção de doar. Quando o desejo adquire a direção
de doar, ele é chamado uma “alma”.

A força da recepção é chamada o “eu”, “este mundo”. Todas as coisas que vemos e sentimos são a
força de recepção. A força de doação é nossa saída da recepção. Quando trabalhamos em prol de
doar, em “Ama teu próximo como a ti mesmo”, obtemos nossas almas. Nosso Moisés interno afasta-
se da qualidade de recepção para a qualidade de doação, nos trazendo para fora de nós mesmos e
nos permitindo ver o mundo superior e começar a sentir o Criador.

O Livro do Zohar falar sobre isso em grande detalhe na porção, Jétro, mas ainda não é fácil de
perceber. Isto diz respeito às três linhas, a estrutura da alma, recepção, doação e a linha do meio,
que é a combinação adequada entre elas. O Zohar descreve como dividir a alma - primeiro em
dez Sefirot, de acordo com os Dez Mandamentos, então de acordo com as três linhas, que são trinta.
Há também uma divisão em Rosh, Toch, Sof (cabeça, interior e fim [respectivamente]), e há muitas
outras divisões interiores que incluem a Sefirá (singular de Sefirot) Dá’at.

Quando nos relacionamos a nós mesmos como saindo do Egito, nos examinando do exterior,
examinamos como podemos usar nossos egos para nos avançarmos espiritualmente, para a direção
de doar. Atravessamos situações difíceis, tais como a fuga do Egito e o rasgar do Mar Vermelho até
que alcançamos Monte Sinai. É assim que nos construímos no caminho para a correção, através
dos conselhos de Jétro, bem como através de ações.

Estar no pé do Monte Sinai requer preparação. Este é o “evento principal”, quando encontramos
o Criador. Embora estejamos no escuro, não compreendamos porque precisamos avançar e seguir
o ponto nos nossos corações, Moisés.

Em um sentido, Moisés ajuda-nos a sair do Egito quando escapamos no escuro. Contudo, nós não
somos participantes conscientes neste processo. No pé do Monte Sinai é onde a força superior
primeiro nos aparece. É então que começamos a compreender nossa própria essência e a essência
da força superior, bem como a como nos relacionarmos a nossa situação e como precisamos avançar
em frente.

Nesta porção, recebemos nossa primeira consciência. Com ela despertamos todos nossos desejos
no nível humano. Estes são chamados “o povo”, ou a “nação”, e eles têm medo. Estes desejos ainda
não se conseguem conectar ao Criador; eles não O conseguem escutar ou ver, então eles dizem para
Moisés, “Fala tu”. Este é o estado no qual chegamos do exílio, Egito, nossos egos.

Começamos a escutar um pouco somente ao descermos de Kéter (coroa), que é o Criador.


Este processo se revela através de Chochmá e Biná quando Moisés e Aarão começam a trazer para
baixo a grande luz que aparece na vontade de receber como leis, como os Dez Mandamentos. Isto
começa com o primeiro mandamento, “Eu sou o Senhor vosso Deus, que vos trouxe para fora da
terra do Egito, fora da casa da escravidão” (Êxodo, 20:2), e termina com o mandamento final.

Os Dez Mandamentos incluem todas as 620 Mitzvot (mandamentos). Há 620 correções, que são
613 mais sete Mitzvot de nossos sábios, pelos quais temos de corrigir nossos desejos. Isto é,
consistimos de 620 desejos que se dividem em 613+7 desejos.

As 613 Mitzvot estão divididas em 248 e 365, estas compõem a estrutura da alma. A alma em
si mesma consiste de dez partes, dez Sefirot e sua correção é chamada “Dez Mandamentos”, que são
os Mitzvot (correções/mandamentos) principais que foram dados ao homem. Ascendemos de
acordo com nossa posição, por como nos encontramos diante da luz que aparece diante de nós.
Escutar é o grau de Biná e ver é o grau de Chochmá.

Atravessámos o processo inteiro e saímos do Egito, subindo acima do ego, estamos dispostos a
receber o programa de doação, o programa de nos conectarmos ao todo da humanidade. Então
estamos prontos para a revelação da Divindade na conexão entre todas as pessoas, como está escrito,
“Ama teu próximo como a ti mesmo; Rabi Akiva diz, ‘É uma grande regra na Torá. ’” ** Esta regra
é tanto a fundação e resultado de manter os Dez Mandamentos, com a meta de ser Kéter, alcançar
o amor e através do amor aos outros alcançar o amor pelo Criador.

No nosso presente estado, parte da humanidade descobre que está no Egito, outra parte descobre
que quer sair do Egito e uma parte descobre como sair e avançar para o Monte Sinai. Estamos
começando a sentir que estamos no escuro, em um processo que não compreendemos. Cada dia
nossa necessidade pela luz, pela revelação do Criador, está a crescer. Precisamos dela para trazer
uma pequena iluminação para nossas vidas para que possamos compreender o que nos está
acontecendo.

Precisamos consertar Jétro, a vontade de receber egoísta, como está escrito, “Se alguém vos disser,
‘há sabedoria nas nações, acreditai. ’” *** Se Moisés não se conectasse ao desejo chamado Jétro, ele
não teria recebido dele o conhecimento e governação, que são necessários para a recepção da Torá.

Ao compartilhar o método da correção com as nações do mundo, o método da Arvut (garantia


mútua) e a necessidade pela sabedoria da Cabala, estamos fazendo o trabalho que Moisés fez com
Jétro. Por isso, seremos recompensados com nos encontrarmos no pé do Monte Sinai.

Perguntas e Respostas
Na porção, Jétro, o povo de Israel recebe os Dez Mandamentos. Esta pode ser a porção mais
importante porque a Torá é correção. Então porque é esta porção nomenclada segundo um
desejo “externo”, Jétro?

Jétro é o sacerdote de Midiã, uma Klipá que se encontra oposta. Ele é um dos servos de Faraó,
semelhante a outras forças que se encontraram perto da vontade de receber e ajudaram Faraó a se
conectar e suscitar tanto quanto possível do desejo de doar, Israel. O Zohar parece estar a escrever
coisas más sobre ele, mas ele é uma ajuda feita contra nós. Afinal de contas, tudo está dentro de
nós.

O que sai do Egito são Kelim (vasos), ou seja, desejos. Nos desejos que saem, não há ainda intenção
de trabalhar com a vontade de receber. Moisés, a força de Biná, quer julgar a vontade de receber,
que está separada dele. Embora se encontrando diante de Faraó, ele queria extrair a vontade de
receber, embora não em prol de conectar ou de suscitar coisa alguma dela, mas para a julgar.
Contudo, ele não teve sucesso.

Quando chegamos ao estado que existe entre Moisés e a nação que saiu do Egito, um sistema
especial tem de ser construído de acordo com a vontade de receber, de acordo com a corporeidade.
Este sistema também inclui a multidão misturada e todas as camadas que se opõem ao processo de
doação e amor aos outros. Moisés não o consegue construir; ele só consegue dar do alto,
aparentemente “derramando”, mas isso não é absorvido pelo povo. Como está escrito, Moisés fica
cansado, e o povo, que não consegue encontrar a conexão certa, se encontra perto dele todo o dia.
Porque não conseguimos achar o relacionamento adequado entre nosso desejo para o alto, para o
Criador e nossos egos -na família, no trabalho e na comunidade - precisamos de um sistema que
nos forneça Jétro. A sabedoria tem de vir especificamente da vontade de receber, como está escrito,
“Se alguém vos disser, ‘há sabedoria nas nações, acreditai. ’” Embora ela não pertença ao grau
de Biná, ela estava anteriormente incluída nela quando Moisés passou quarenta anos com Jétro.
Moisés cresceu até ao grau de Biná com Jétro. E agora Jétro aparentemente está a retribuir.

Jétro ordena Moisés e os desejos para que Moisés se possa libertar a si mesmo para o que interessa
- receber a Torá?

Jétro retorna a Moisés o que recebeu dele quando Moisés estava com ele. Moisés veio até Jétro
depois de fugir de Faraó. Ele cresceu enquanto com Jétro do grau de Malchut até ao grau de Biná,
que é doação pura. Ele cresceu no lar de Jétro e “acima de” Jétro, através de sua conexão com Zipora
e seus dois filhos da direita e da esquerda, com Moisés no meio. Tudo o que Moisés deu a Jétro e
instou nele agora regressa para ele; Jétro, Zipora e os dois filhos. Houve uma mistura de Biná e
Malchut e agora Malchut retribui a Biná.

Agora, Moisés pode construir o sistema inteiro de conectar Biná a Malchut e ele está pronto para
receber a Torá. É por isso que o primeiro encontro com o Criador é chamado Jétro, dado que o
sistema construído anteriormente nos permite alcançar o estado de estar no Monte Sinai.

Por um lado, os filhos de Israel tinham medo de se voltar para o Criador por medo de morrerem.
Por outro lado, é sabido que o Criador recebe orações que venham especificamente do coração.
Então de onde vem o medo? Porque tinham medo os filhos de Israel

Nossa vontade de receber não está ainda equipada com uma Massach (tela) que consiga suportar a
luz, então a luz ainda parece trevas. Qual é o sentido do êxodo do Egito no escuro? De fato, não há
escuro, mas parece escuro para nós pois ainda não estamos corrigidos. A palavra
Aramaica, Orta (noite), e muito semelhante com a palavra Hebraica, Ór (luz). Isto é, em um tempo
é de noite e noutro tempo é luz, dependendo de como o experimentamos.

De O Zohar: E Jétro Escutou


Todos eles agitaram e olharam para Jétro, que era sábio e o grande nomeado sobre todos os ídolos
do mundo. Quando eles o viram se aproximar e servir o Criador, dizendo, “Agora eu sei que o
Senhor é maior que todos os deuses”, todos eles se desviaram se suas obras e souberam que elas
eram fúteis. Então a glória do sagrado Nome do Criador foi glorificada de todos os lados. Foi por
isso que esta porção foi escrita na Torá e o começo da porção é com Jétro. Zohar para Todos, Jétro,
item 42
Jétro é a primeira vontade de receber que se rende e aceita a soberania do Criador. É por isso que
esta porção é chamada segundo ele. O Zohar também menciona Guematria, porque Jétro é
chamado Jétro, porque Zipora é chamada Zipora e todos os outros eventos na porção.

Nesta porção escutamos que os filhos de Israel acamparam no pé do Monte Sinai. O que significa
acampar lá?
Acampar é semelhante ao que acontece em Chanucá. Está claro que não conseguimos corrigir
nossos egos nessa altura, mas somente recebermos conselho sobre um caminho, um programa, uma
meta que pode ser implementada com o tempo de acordo com o nível de nosso entendimento do
programa. Somente no fim do deserto e na entrada para a terra de Israel descobre o povo de Israel
tudo aquilo que Moisés diz para eles nas suas palavras finais, antes de seu falecimento.
De O Zohar: Não Matarás; Não Cometerás adultério

Quando essa imundice foi removida deles, Israel permaneceram corpos puros sem
qualquer imundice, e a alma dentro do corpo era como a claridade do firmamento para receber
luz. Assim eram Israel, que viram e consideraram a glória de seu mestre. Isto assim não foi no mar
porque a imundice não foi removida deles nessa altura, enquanto aqui em Sinai, quando
a imundice parou do corpo, até os fetos nos intestinos de suas mães viram e olharam para a glória
de seu Mestre. Todos eles, todo e cada um, recebeu como se adequava a ele. Zohar para Todos, Jétro,
itens 572-573
Ascensão espiritual pode ser o resultado de dois estados - um despertar do alto e um despertar de
baixo. Em um despertar do alto, a luz brilha do alto e nos santifica, dando a força da doação através
da qual começamos a olhar para a distância contra nossos egos. Assim, vemos que o mundo fora de
nós, o mundo espiritual e conhecemos a força superior, o Criador. Um despertar de baixo, vem até
nós através de prolongados esforços de nos conectarmos com os outros. Quando reunimos
despertares de todos, alcançamos o mesmo despertar que pode ser recebido do alto.

Naturalmente, nosso próprio trabalho de baixo é mais desejável e valorizado porque se reunimos as
forças de nossos amigos e cada um deles faz o mesmo, e cada um tem sua própria força, essa força
torna-se permanentemente deles. Aqui, estamos aparentemente a acampar para que possamos
receber conselho sobre o que fazer. Para escutar o conselho, devemos despertar. Isso é semelhante
ao êxodo do Egito através de uma força externa do alto que nos puxa e empurra. Mas
posteriormente devemos atualizar as forças que recebemos durante os quarenta anos no deserto.

Algo especial acontece no Monte Sinai - purificação - uma força especial que recebemos.

A luz que nos afeta é chamada “a luz que reforma”. Está escrito, “Eu criei a inclinação ao mal; Eu
criei para ela a Torá como tempero” **** porque “a luz nela os reforma”. ***** Ela reforma a
inclinação ao mal e a torna boa. Inicialmente todos estamos na inclinação ao mal, egoístas e tudo
o que precisamos é da Torá, assumindo que ela é a verdadeira Torá, como está escrito, “Se alguém
vos disser, ‘há sabedoria nas nações, acreditai; há Torá nas nações, não acreditai. “******

Uma “pessoa das nações” é um desejo de receber que quer receber para si mesmo. Israel é aquele
que se esforça por alcançar a doação, amor pelos outros e do amor pelos outros alcançar o amor
pelo Criador.

É por isso que aqueles que desejam são chamados “Israel”, e eles aprendem a sabedoria da Cabala
porque ela traz a luz que reforma. É assim que nos tornamos santificados, adquirindo a força de
doação e subindo através dela. Quanto maior a força de doação que possuímos, maior o amor pelos
outros e mais agrados somos considerados.

Termos
Jétro
“Jétro” é a vontade de receber que pode ser santificada e juntada a Moisés e com ele fazer a conexão
entre o sistema superior - Kéter, Chochmá e Biná - GAR da alma e a vontade de receber, o povo
abaixo, ZAT da alma. Jétro foi incluído em Moisés quando Moisés viveu com ele; ele é como a força
de Malchut que é incluída em Biná. É por isso que Biná consegue se conectar com Malchut e trazer
a ela o novo sistema.

Monte Sinai
Está escrito, “Eu criei a inclinação ao mal; Eu criei para ela a Torá como tempero” *******, porque
“a luz nela os reforma”. ******** A inclinação ao mal é o Monte Sinai; ela é todo o ódio que aparece
entre as nações do mundo e Israel. As nações do mundo são nossos desejos de receber, e Israel é
nosso desejo de doar. Deste modo se uma diferença entre o desejo de receber e o desejo de doar
aparece em nós, sentimos ódio e pode ser dito estar no pé do Monte Sinai.

Este ódio aparece quando queremos conectar, quando nos encontramos ao redor da montanha e
devemos estabelecer a garantia mútua. É por isso que está escrito, “Ele disse para eles, ‘Se receberes
a Torá, bom, e se não, lá será vossa sepultura. ’” ********* Isto é, se não se conectarem como um
homem com um coração, aqui serão enterrados.

O ódio é para com a união. Se não nos queremos conectar, não descobriremos nosso ódio pelos
outros, não chegaremos ao Monte Sinai e certamente não alcançaremos correções. Isto pode dizer-
nos quão longe estamos do Monte Sinai.

Estar no pé do Monte Sinai é um grande grau que vem depois de termos trabalhado nossas vidas
inteiras no Egito, trabalhando sobre a conexão entre as pessoas. E
embora quiséssemos uma conexão de amor pelos outros, não o conseguimos fazer até
que entendêssemos que isso era impossível. É então que o ponto que nos puxa para fora de nós
mesmos aparece e compreendemos que é possível escapar e deste modo escapamos e nos elevamos
acima de nossos egos.

Assim que emergimos do ego, nossa relação para com ele torna-se cada vez mais aparente para nós.
O que aparece é a diferença entre o ego e a atração para fora do ego. A diferença é chamada “Monte
Sinai”. Este é o estado onde Moisés em nós está no alto, tentando se apegar ao Criador no topo da
montanha, enquanto que o inteiro ego ainda por corrigir está abaixo, tal como o povo não se
conseguia conectar com o Criador. Contudo, este é já o começo da marcha para a correção.

Um Povo de Segulá (escolhido/virtuoso/remédio)

Segulá refere-se ao sinal de pontuação Segol. Segol são três pontos [ ֶ], representando as três linhas
da força de dar e a esquerda - a força de receber. Através delas nos edificamos ao juntar a direita à
esquerda. É costume cantar no Shabat, “Vinde em paz, anjos da paz, anjos do superior”. Tal como
caminhamos sobre duas pernas e avançamos, construímos a linha do meio pela qual avançamos a
partir das duas linhas, dois anjos.

“Sai em paz” significa que depois de termos construído a linha do meio em quatro estados - Yod-
Hey-Vav-Hey - e termos alcançado o fim da correção. É então que dizemos, “Sai em paz”.

É assim que usamos todas as coisas que temos por dentro para fazer correções. Nos são dadas do
alto a direita e a esquerda - a força de doação, Kedushá (santidade) e a força de
recepção, Klipá (casca/pele) e cabe-nos as combinarmos. Fazemos isso em prol de avançar ao
constantemente melhorarmos a combinação entre elas, a fazendo mais benéfica. É por isso que a
terceira linha é chamada a “linha do meio”. A força superior é as duas linhas, duas forças que nos
ajudam a conectar adequadamente. Elas são chamadas Segulá (virtude/remédio). Vivemos somente
através delas; se essa força não vem, não conseguimos fazer coisa alguma abaixo.

Sumário
Desta porção podemos aprender que a uma medida, nossa conexão entre o desejo de doar e a
vontade de receber deve existir constantemente. A sabedoria da Cabala não nos diz para
arruinarmos nossos egos, mas em vez disso os usar corretamente. É por isso que ela é
chamada Chochmat há Kabbaláh (a sabedoria de receber); ela é a sabedoria de como usar os vasos de
recepção.

Não precisamos evitar usar os vasos de recepção, ou estar “acima” da vida mundana. Em vez disso
precisamos descobrir que a inclinação ao mal nos separa da conexão com o resto do mundo, como
foi dito a Moisés, “E vós sereis para Mim um reino de sacerdotes e uma sagrada nação” (Êxodo,
19:6). Isto é, o papel de Israel é se oferecerem a si mesmos ao serviço do resto do mundo.

* “Ama teu próximo como a ti mesmo. Rabi Akiva diz, ‘Ela é uma grande regra na Torá’” (Talmude de Jerusalém, Séder
Náshim, Maséchet Nedárim, Capítulo 9, p 30b).

** Talmude de Jerusalém, Séder Náshim, Maséchet Nedárim, Capítulo 9, p 30b.

*** Midrash Rábah, Eichá, Parashá 2, Parágrafo 13.

**** Talmude Babilônico, Masechet Kidushin, 30b.

***** Midrash Rábah, Eichá, ”Introdução”, Parágrafo 2.

****** Midrash Rábah, Eichá, Parashá 2, Parágrafo 13

******* Talmude Babilônico, Maséchet Kidushin, 30b

******** Midrash Rábah, Eichá, ”Introdução”, Parágrafo 2

********* Talmude Babilônico, Maséchet Avodá Zára, 2b.


Mishpátim (Ordenanças)
(Êxodo, 21:1-24:18)

Sumário da Porção

Na porção, Mishpátim (Ordenanças), o Criador dá a Moisés uma coleção de leis e julgamentos a


respeito de vários tópicos: leis entre o homem e homem, escravos hebreus, criada hebraica, matar,
roubar, emprestar dinheiro e outros. O Criador também dita leis a respeito do homem e Deus,
carne e alimentos de ração, o Shabat, Shmitá (ano da omissão, se refrear de cultivar colheitas),
etc.

Moisés transmite aos filhos de Israel a mensagem que o Criador os ajudará a entrar na terra de
Israel os alerta sobre praticar idolatria. Moisés lê para eles do livro da aliança e o povo responde,
“faremos e escutaremos” (Êxodo, 24:7). Moisés constrói um altar e oferece sacrifícios ao Criador
e uma aliança é assinada entre o povo e o Criador. Moisés leva a cabo a ordem do Criador, ascende
ao Monte Sinai para receber as tábuas da aliança, acompanhado de seu servo Josué e fica lá
durante quarenta dias e quarenta noites.

Comentário
Na porção, Mishpátim (Ordenanças), Moisés ascende ao Monte Sinai, embora já tivesse recebido as
leis e ordenanças e os filhos de Israel já mantivessem a Torá e leis a respeito das oferendas. Isto
conta-nos que leis e ordenanças são uma única coisa, enquanto a Torá é outra.

A porção detalha todas as leis do mundo espiritual, tudo o que precisamos saber e fazer. Em prol
de sermos capazes de as seguir, devemos receber a Torá. A Torá foi dada porque “Eu criei a
inclinação ao mal, Eu criei para ela a Torá como tempero”. * Isto é, é mostrado a um a quem é ele
comparável no grau de “homem”, em um estado de amar os outros e conexão entre todos, um
estado de correção de todos os desejos egoístas.

É por isso que as leis vêm primeiro. Quando começamos a estudar a sabedoria da Cabala,
compreendemos que primeiro nos corrigimos, nossa atitude para o grupo, para as pessoas e para o
mundo. Há muitas correções internas da inclinação ao mal que devemos realizar. Quando
compreendemos o que devemos fazer, o período de receber a Torá chega. Aprendemos a receber a
luz que nos corrige durante nossos estudos.

É assim que gradualmente obtemos o Criador, a força superior que preenche o mundo superior. É
por isso que se diz, “Faremos e escutaremos”. Primeiro devemos fazer e então - nos Kelim (vasos)
corrigidos que construímos, descobriremos o Criador preenchendo esses Kelim.
A porção explica a estrutura da alma porque isso é tudo o que há. Embora estejamos a viver na alma
agora, também, sentimos e compreendemos este mundo dentro da alma a um grau muito limitado,
o grau inerte (inanimado). A porção conta-nos como abrir a alma, o Kli (vaso) e como corrigir e a
expandir. Isto permite-nos transcender os limites deste mundo.

Quando corrigimos todos os níveis da alma, nomeadamente os desejos corruptos e descobrimos


dentro deles a dimensão superior, o mundo superior. Assim, em acréscimo a nossa percepção deste
mundo, também sentimos o mundo superior, como está escrito, “Vereis o vosso mundo na vossa
vida”. ** A Torá foi nos dada de modo a nos abrirmos para a percepção do mundo espiritual, para
que vivêssemos em ambos os mundos através de nossa presente percepção, através de nossos corpos.

Hoje, o mundo inteiro, a humanidade inteira, está em uma crise. É uma fase de transição de
somente perceber este mundo para perceber o mundo espiritual, também.

Em conferências que discutem o futuro do mundo, cientistas afirmam que o todo da humanidade
está a transitar para uma nova percepção. Deste modo vemos que estamos a alternar para novas leis
e uma nova percepção da realidade.

A porção, Mishpátim, é hoje pertinente, também, pois estamos a descobrir que não conhecemos as
leis que afetam nosso mundo, tornando difícil para nós lidar com ele. Quando começarmos a
compreender o mundo, descobriremos que para lidar com ele precisamos da Torá para nossa
instrução, pois “Eu criei a inclinação ao mal; Eu criei para ela a Torá como tempero. “

Devemos reconhecer que não temos ainda o poder da luz que reforma, a Torá da luz,
nomeadamente a sabedoria da Cabala, com a qual podemos corrigir a natureza humana. Com a
natureza corrigida, veremos uma nova, realidade expandida.

Quando Moisés chega com Josué ao Monte Sinai, ele deixa-o em baixo e ascende. Ele permanece
na montanha durante “Quarenta dias e quarenta noites” (Gênese, 7:4) em prol de receber o poder
da Torá. Isto significa que ele subiu um grau.

O homem é um pequeno mundo. Deste modo, devemos chegar para ver que a realidade inteira
está dentro de nós. Dentro de nós estão todas as leis, todas as ordenanças, o povo de Israel, todas
as partes de nossa vontade de receber que devemos ordenar como a estrutura de nossas almas.
Deixamos o que é considerado “Josué” em baixo, enquanto Moisés sobe para o topo da montanha.
Quando dispusermos a imagem corretamente na fase de nosso progresso espiritual chamado “a
porção, Mishpátim”, avançaremos para alcançar a meta da Criação. Nesse estado, sentiremos como
aquele que sobe para a montanha e já se encontra em contato com o Criador.

Perguntas e Respostas
A porção detalha muitas regras a respeito dos escravos Hebreus, ingerir carne e comidas de ração,
etc. Estas estão detalhadas em duas partes: entre o homem e homem e entre o homem e Deus.
Por um lado, dizemos que tudo se trata das relações entre as pessoas. Por outro lado, dizemos
que tudo se trata de se conectar ao Criador. Porque fazemos essa divisão?

Todas as regras foram destinadas à correção da alma, ou seja, de nossa vontade de receber. Tudo
o que foi criado é a vontade de receber e cada um de nós está imerso nela. A vontade de receber
está dividida em dez Sefirot: Kéter, Chochmá, Biná, Chéssed, Gvurá, Tiféret, Netzach, Hod,
Yessód e Malchut. Ela está também dividida em três linhas, em cinco Bechinot (Discernimentos)
e em Aviut (densidade, níveis de desejo), Shóresh (raiz), Alef (um), Bet (dois), Guimel (três)
e Dálet (quatro). Ela contém tudo.

Nós vivemos dentro de nossa vontade de receber, chamada uma Neshamá (alma) e o Criador é a
força geral de doação e amor, nós não conseguimos descobrir o Criador na nossa alma. Ele está
escondido. Podemos descobri-Lo somente se corrigirmos nossa vontade de receber para que ela
trabalhe em prol de doar, em amor pelos outros. Nesse processo aparece a força de doação e
amor, chamada “o Criador”.

Então como a corrigimos e como aproximamos a correção?


O Mundo inteiro está enganado quando fazendo essa pergunta. Todos pensam que compreendem
o que precisamos fazer na vida; é por isso que há tantas religiões e sistemas de crença. Mas nenhum,
com a exceção dos verdadeiros Cabalistas tem qualquer noção clara.

De fato, nossa Torá é muito simples. Até está escrito, “Ela é uma coisa fácil”. *** Precisamos nos
juntar a um grupo que se envolva somente no amor de amigos e que esta seja sua meta. Se formos
como “um homem com um coração”, **** receberemos a Torá. Se não formos, aqui será nosso
enterro, como está escrito, “Se receberes a Torá (lei), bom; se não, lá será vosso enterro”. ***** Isto
é, tudo se relaciona à conexão.

Há duas fases no amor pela humanidade. Primeiro, há “Aquilo que odeias, não faças a teu amigo”.
****** Depois, há “Ama teu próximo como a ti mesmo ... é uma grande regra na Torá. “*******
Ambas as fases são levadas a cabo em um grupo, onde aprendemos todas as regras entre o homem
e homem.

Quando compreendermos, como e tivermos dominado estas leis, e pudermos senti-las, vamos
compreender como avançar do estado de “...e vós amareis o Senhor vosso Deus com todo vosso
coração e com toda vossa alma e com a vossa força” (Deuteronômio, 6:5). Nesse estado adquirimos
a mente, coração, entendimento e inclinação para isso quando nos envolvemos no
amor pelos outros. É por isso que avançamos de amar as pessoas para amar o Criador.

Estas são regras a respeito do homem e homem e há regras a respeito do homem e Deus. Porque
sentimos que é mais fácil observar os mandamentos entre o homem e Deus?
É mais fácil porque quando realizamos mandamentos entre o homem e Deus sentimos que
podemos dizer o que nos apetece. É suficiente enfiar uma nota em uma fenda no Muro das
Lamentações em Jerusalém para nos acalmarmos. É agradável; não recebemos resposta; ninguém
nos diz se fazemos bem ou mal, ou se é suficiente ou não. Contudo, para os amigos, parentescos,
vizinhos, a nação, estado e a humanidade, precisamos na realidade alcançar nossa meta: examinar
se os amamos ou não.

“Amor” significa que pegamos nos desejos dos outros e os satisfazemos como pudermos, cuidando
deles antes de cuidarmos dos nossos próprios desejos. Este é o sentido do amor. É servir os outros
de todas as maneiras, em vez de nos servirmos a nós mesmos. Hoje isso parece impossível, então é
mais fácil encobri-lo dizendo, “Não te preocupes, eu me dou bem com o Criador”. Contudo, isto
leva-nos para muito longe da verdadeira Torá.

De O Zohar: Administrar Justiça pela Manhã

Porque o Criador achou adequado dar os julgamentos a Israel, ou seja, a


porção Mishpátim (Ordenanças), depois dos Dez Mandamentos?
A Torá foi dada a Israel do lado de Gvurá. Por esta razão, devem eles estabelecer paz entre eles
através de julgamentos e ordenanças, para que a Torá seja mantida de todos seus lados. O mundo
existe somente sobre Din, pois sem o Din ele não existiria. E por esta razão, o mundo foi criado
em Din e existe. Zohar para Todos, Mishpátim (Ordenanças), item 517

O mundo vive pelo julgamento pois o Criador criou somente a vontade de receber, um desejo
egoísta que se quer satisfazer a si mesmo e se sentir bem. Não há nada na realidade senão o desejo
de doar, que é a força superior e o desejo de receber, que é a força da criatura. Tudo aquilo que
existe é o equilíbrio entre estas duas forças. Podemos também ver como ele se revela na ordem dos
mundos, em Yod-Hey-Vav-Hey, como ele está enraizado e pende abaixo até este mundo.

Este mundo, também, é construído sobre quatro princípios. Se eles não existissem, não seria
possível sustentar o universo com todas suas estrelas, a terra e a vida sobre ela. Estes quatro
princípios existem nos átomos e no relacionamento entre as partes do átomo.

A vontade de receber é a fundação. Quando começamos a trabalhar com essa fundação em prol de
doar, permeamos a Criação. Nunca fizemos isto anteriormente pois só temos usado as leis que estão
em nós de forma egoísta.

Até agora, temos seguido o caminho pavimentado para nós pela Natureza. Agora, pela primeira vez,
assim que chegamos à sabedoria da Cabala começamos aparentemente a trabalhar contra nossa
natureza. É por isso que este trabalho é chamado “Meus filhos Me derrotaram” ********, porque
nós vamos aparentemente contra o Criador.

O Criador criou a inclinação ao mal e nós podemos torná-la a boa inclinação, assim abrindo para
nós mesmos uma realidade completamente nova. Somente neste novo mundo sentimos apenas
nossa natureza.

Como está escrito em O Zohar, as correções são através da correção de Gvurá, que é o porquê de
nos tornarmos Gevarim, da palavra hebraica Hitgabrut (superar). Isto é, nos elevamos acima de
nossos egos e entramos no mundo acima do ego, o outro mundo - o mundo da doação.

O Livro do Zohar é especial por causa da influência da luz sobre nossa correção. Nunca na história
houve outro evento onde dez grandes Cabalistas se reunissem, cada um correspondendo a
uma Sefirá na cabeça do sistema de governação. Eles se reuniram e escreveram em primeira mão o
plano seminal para governar e guiar o todo da realidade. De fato, eles mesmos foram parte dessa
fonte.

Deste modo, quando lendo o que eles escreveram, atraímos sobre nós a luz para que ela nos possa
santificar e nos trazer ao nível de Biná, que é chamada “sagrada” ou “santificada”, ou seja doação,
amor pelos outros. É então que recebemos nossa melhor arma contra nossos egos.

De O Zohar: O Avô

Muitas são as pessoas no mundo cujas mentes estão confusas e não veem verdadeiramente na Torá.
Cada dia, a Torá evoca-as com amor por elas, todavia elas não desejam voltar suas cabeças para trás
e escutá-la. Na Torá, uma coisa sai de seu lençol, aparece brevemente e prontamente se esconde.
Quando ela aparece do lençol e prontamente se esconde, a Torá o faz somente para aqueles que a
conhecem e que são conhecidos nela.

.... Assim é uma palavra de Torá: ela aparece somente para aquele que a ama. A Torá sabe que o
sábio de coração circula o portão para sua casa cada dia. O que faz ela? Ela mostra sua face de dentro
do palácio, dá-lhe uma pista e prontamente regressa para seu lugar e se esconde. Todos aqueles de
lá não sabem nem olham, mas somente ele, cujas entranhas e coração e alma a seguem. É por isso
que a Torá aparece e se cobre e vai para seu amado com amor, para despertar o amor com ele. Zohar
para Todos, Mishpátim (Ordenanças), itens 97-99
Quando precisamos revelar, também precisamos ocultar. E todavia, é exatamente quando
ocultamos que revelamos. Esta é a Torá, o Meguilá de Ester (a história de Ester). Ela torna-
se Megulé (revelada) especificamente em ocultação. Quanto mais ocultamos nossos egos, mais
revelamos o lugar acima do ego onde o Criador aparece. Esta é a contrariedade que as pessoas não
compreendem. Nossos sentidos não o conseguem perceber pois a técnica de ocultação e divulgação
é construída a partir do oposto.

Qual é o sentido dos mandamentos que a porção discute?


Todos os mandamentos são leis que dizem respeito à alma. Carne e comida de ração correspondem
à direita e esquerda e observar o Shabat diz respeito à proibição de tocar na última parte da vontade
de receber, que por agora permanece não atendida pois não temos a força para o fazer. Somente
quando completamos todas nossas correções e alcançarmos o sétimo milénio, depois dos seis mil
anos - os seis dias de trabalho sobre nossas correções, nossa vontade de receber, alcançaremos
o Shabat, nomeadamente repouso. No Shabat, evitamos tocar em desejos que dizem respeito à
sétima parte.

A porção descreve a humanidade aparentemente saltando um grau; que salto é esse?


Quando Moisés e o povo de Israel se aproximam de Monte Sinai, a natureza na qual eles se
encontram - que eles devem corrigir - aparece para eles. Hoje, esse estado de correção necessária está
gradualmente a aparecer diante da humanidade e muitas conferências académicas e científicas pelo
mundo estão a discutir a correção que a humanidade está a atravessar.

Vão aparecer novas leis diante da humanidade?

Sim, e as pessoas começarão a falar sobre isso. Elas o compreenderão e o sentirão. Estamos
mudando a cada dia. Uma nova consciência, nova sensação e nova percepção chegará ao mundo,
fazendo as pessoas mais sensíveis. Subitamente, conseguimos perceber que há outra dimensão fora
de nós, que estamos a viver nos nossos egos, dentro de nossa vontade de receber e que é aqui que
percebemos a realidade. Sentimos através de nossos desejos e caso eles mudem, percepcionaremos
uma realidade diferente, como está escrito, “Eu vi um mundo invertido”. *********

O que significa ver um mundo invertido?

Todas as leis da Torá foram destinadas somente a explicar como descobrir leis que são opostas a
nós, como avançar do amor pelo eu para o amor pelos outros. Este é o sentido de ser invertido.

Termos
Lei, ou Regra

Vivemos debaixo de leis. A Natureza inteira é uma lei. O Criador é uma lei; a criatura é uma lei;
tudo é uma lei - a lei de equivalência de forma com a força superior. A força superior é a principal,
a fundação e constantemente nos medimos e todas as outras leis em relação a ela.

As leis são instâncias particulares de uma única lei, a lei de equivalência de forma. O todo da
Criação deve alcançar o equilíbrio, equivalência e similaridade com a força do Criador. Cada um
de nós, no nosso grau, devemos alcançar a doação e amor.
Qual é a diferença entre lei e julgamento?

Devemos aceitar a lei da doação e amor como superior ao ego. Assim, o que controla o ego e o
sustenta, o que lhe dá a forma de doação em vez da forma de recepção, é a força de Din (julgamento).
O homem deve restringir o ego, o prender e construir acima dele um novo Kli (vaso).

Isto é natural, vindo da Natureza?


Não, aquilo que a Natureza nos deu é o ego, a vontade de receber. Em prol de o tornar em um
desejo de doar precisamos ter o impacto da luz superior. Precisamos de uma força externa que venha
e nos ajude, a luz que reforma, que reforma essa força negativa e a torna em uma boa força. Ela foi
em tempos uma boa força; é por isso que ela é chamada “reformadora”, tornando-a de volta para o
bem. Agora é essa nossa tarefa de tornar a força negativa em uma positiva. Este é nosso trabalho.

Idolatria

“Idolatria” é servir a força que constantemente só quer para si mesma. Este trabalho é estranho para
aqueles entre nós que verdadeiramente desejam manter as ordens da Natureza, as ordens do
Criador.

Um Escravo Hebreu e uma Criada Hebraica

Estas são as partes de nossa vontade de receber egoísta - que contém todas as coisas desde rei a
escravo, incluindo mulheres, crianças, homens, jovens e velhos. O mundo inteiro
está nela, incluindo os animais, o céu, a terra e as estrelas. Todas estas são partes de nossos desejos,
que vemos desta maneira - como se eles estivessem fora de nós.

Matar, Roubar
“Matar” refere-se ao desejo egoísta. É por isso que há um mandamento que se alguém o vier matar,
você o deve matar primeiro. “Roubar” refere-se a roubar do gentio. Isto é, se a vontade de receber
é considerada “um gentio”, é um mandamento roubar dela, ou não haverá justificação. Quando
lemos as palavras literais, é impossível compreender a Torá pois ela fala inteiramente do mundo
espiritual, a correção da alma e a revelação do Criador nela.

De O Zohar: Olhando pelas Janelas

Por esta razão, o coração vê, o coração escuta, o coração entende, o coração sabe. “E no coração de
todo o sábio de coração coloquei Eu sabedoria”. Assim, sabedoria, inteligência e conhecimento
estão no coração, pois neles os céus, a terra e os abismos foram feitos e neles foi o tabernáculo
feito. Zohar para Todos, Mishpátim (Ordenanças), item 424

Um tabernáculo é o ponto de encontro da Divindade com o Criador.

* Talmude Babilônico, Maséchet Kidushin, 30b.

** Maséchet Berachot, 17a.

*** Midrash Rába, Devarim, Porção 11, item 11.

**** RASHI, Êxodo, 19b.

***** Talmude Babilônico, Maséchet Avodá Zára, p 2b.

****** Maséchet Shabat, 31a.

******* Talmude de Jerusalém, Séder Nashim, Masechet Nedarim, Capítulo 9, p 30b.


******** Talmude Babilônico, Maséchet Nezikin, Baba Metziá, 59b

********* Talmude Babilônico, Maséchet Nezikin, Baba Bátra, 10b.


Terumá (Donativo)
(Êxodo, 25:1-27:19)

Sumário da Porção

A porção, Terumá (Donativo), lida principalmente com a construção do tabernáculo. O Criador


instrui Moisés a dizer aos filhos de Israel, “E eles levarão por Mim um donativo de cada homem
cujo coração o mova levareis Meu donativo” (Êxodo, 25:2). Os donativos do tabernáculo e seus
instrumentos - a arca da aliança, a tampa da arca, a mesa de pães, a Menorá (lâmpada), as tábuas
do tabernáculo, os casquilhos, o véu, o altar de cobre e os pendentes do tribunal. O Criador
também conta a Moisés como construir o tabernáculo. A porção é chamada Terumá (donativo)
por causa do mandamento de doar.

Comentário

Tudo o que temos é a construção do tabernáculo. É aqui que o Criador é revelado e é aqui que Ele
reside. Devemos construí-lo através de um donativo e elevar a importância da qualidade de doação
e amor pelos outros (em Hebraico, a palavra Terumá (donativo) também diz respeito
a Haramá (elevar), como em, “elevando a Hey”*). Quanto mais exaltamos a qualidade de doação e
a usamos adequadamente, mais corrigimos nossos Kelim (vasos), nomeadamente nossos desejos,
que presentemente usamos para nós mesmos, como está escrito, “Eu criei a inclinação ao mal..”.**

A construção do tabernáculo explica o processo de nossa correção do mais fácil para o mais difícil,
à medida que gradualmente construímos o tabernáculo dos nossos mais leves aos mais pesados,
maiores e mais egoístas desejos.

Nosso donativo para o tabernáculo deve vir do coração, que contém todos os desejos. Somente
aqueles que são conduzidos pelo impulso do coração são permitidos oferecer um donativo e deste
“investimento” eles construirão seus Kelim. Os Kelim são as conexões entre nós que estabelecem o
tabernáculo. No tabernáculo aparece a força superior, o Criador, de acordo com nossa equivalência
de forma. Isto é, descobrimos o Criador à extensão de nossa semelhança com Ele.

O Criador é uma força oculta e não nascemos inerentemente com instrumentos para O descobrir
pois não possuímos qualidades semelhantes às Suas. Por exemplo, escutamos sons porque nossos
tambores auditivos reagem a certas frequências. Similarmente, podemos distinguir diferentes
odores pois temos neurónios olfativos que os detectam. Estes são nossos Kelim (em
Hebraico, Kelim significa tanto “vasos” como “ferramentas”). Contudo, somos desprovidos de
instrumentos para detectar a força superior, o Criador, a fonte da energia.

Porém, todas as coisas se movimentam e existem por esta força. Sua origem, contudo, está escondida
de nós, tal como a direção de sua movimentação, seu “vetor”, meta e porque ela se movimenta e
opera todas as coisas.
Este conhecimento é revelado no tabernáculo à medida que nos corrigimos de acordo com a
influência da força superior, em equivalência de forma com ela. Equivalência significa que se Ele é
bom e faz o bem, se Ele ama o mau tanto quanto ao bom***, nós também devemos alcançar o
estado de “Ama teu próximo como a ti mesmo. ” **** Construímos o tabernáculo de acordo com a
correção gradual de nossos desejos do egoísmo para a doação e amor.

A Torá e o Talmude ensinam-nos que o tabernáculo, com todos seus detalhes, simboliza a correção
da alma. Não se trata da construção de um belo edifício em Jerusalém, nem de ferramentas físicas.
Em vez disso, trata-se do coração do homem e sua correção interna.

Pois está escrito, “Eu criei a inclinação ao mal; Eu criei para ela a Torá como tempero”*****, pois
“a luz nela reforma. “ ******* É por isso que está escrito que somente uma pessoa com um bom
coração deve fazer donativo, pois com isso, um verdadeiramente deseja corrigir o seu coração.

O “donativo” é a remoção gradual dos desejos egoístas que podem ser corrigidos, avançando de um
estado de separação e ódio pelos outros para a doação e amor pelos outros.

Esta porção aparentemente se relaciona a aqueles que se desejam santificar, se edificar a si mesmos
de tal maneira que a fonte de energia, essa qualidade superior, apareça neles. Isto permite-os saber
de onde a vida e toda a nossa energia vêm e porquê, bem como ajuda-los a determinar para onde
se dirigem.

Devido a abrangente crise na qual nos encontramos, precisamos de informação sobre este processo,
sem ela, não saberemos o que fazer. Aqueles que estudam a sabedoria da Cabala descobrem como
podem proceder na vida.

No passado, se encontrássemos problemas, sabíamos como os superar. O mundo ainda não


se havia tornado redondo, global. Mas hoje, enquanto o mundo se tornou redondo, global, uma
lei geral aparece, que podemos compreender somente se nós mesmos nos tornarmos redondos.

Isto é, agora nos é pedido saímos de nós mesmos, da nossa mentalidade pessoal, individualista, e
começar a conectarmos com os outros. Correspondendo à força comum que aparece entre nós,
nomeadamente o Criador - que aparece entre nós como o habitante do tabernáculo, descobriremos
como resolver esta crise abrangente.

É isto o que torna esta porção tão pertinente. Assim que começarmos a seguir o requisito da Torá
de construir o tabernáculo a partir de nossos corações, até se apenas ligeiramente, começaremos a
compreender o que nos é requisitado em prol de restaurar o equilíbrio. Quando compreendermos
a Lei do Equilíbrio, a lei geral da realidade, saberemos como solucionar a crise. Hoje, estamos
espantados com o que devemos fazer conosco no futuro. É por isso que nos é mostrada destruição
em escala que não consegue ser resolvida, até através da guerra e outros eventos trágicos.

Deste modo precisamos circular a sabedoria da Cabala para revelar a solução para todos os
problemas. Esta é a única razão pela qual a Cabala está a aparecer aqui e agora, para que possamos
usar os instrumentos que nos são dados adequadamente. Tudo o que precisamos é concertá-los um
pouco e gradualmente compreendermos o Criador, o Revelar e avançar para a correção da crise,
para uma vida feliz.

Perguntas e Respostas
Parece que quanto mais tentamos colocar ordem no mundo, mais desordem nós criamos.
Isto é verdade somente se agirmos com nossa própria razão em vez da razão do Criador.

Esta é a situação hoje; todos estão a tentar colocar as coisas na ordem porque ninguém quer
desordem.
Verdade. A Natureza é atraída para o equilíbrio. Podemos ver que se um lugar está mais quente que
o outro, eventualmente as temperaturas se equilibram. Similarmente, se há pressão de ar quente
em um lugar e baixa pressão de ar noutro, o vento equilibrará a pressão. É assim que o todo da
Natureza opera. O movimento da Natureza sempre aponta para o equilíbrio - desde átomos até às
moléculas e até todas as partes da Natureza.

Há elementos na Natureza onde parece que não há necessidade de acrescentar energia. elétrons,
por exemplo, rodam interminavelmente e em alta velocidade. E, todavia, deve haver energia que
promove este movimento constante. Não fazemos ideia de onde os elétrons recebem sua energia,
mas isso é somente porque a energia se encontra abaixo das fronteiras de nossos sentidos.

Em correspondência, sabemos quantas calorias devemos consumir em prol de funcionar, ou quanta


energia temos que gastar para operar uma máquina. Testamos nossas fontes de energia, tais como
o petróleo e gás e construímos centrais energéticas e barragens de água para usar esta energia. Na
verdade, tudo está em desequilíbrio entre esses dois níveis, entre o menos e o mais e usando a
tensão entre eles construímos várias coisas, tais como pilhas.

Hoje testemunhamos um esgotamento dos recursos energéticos; estamos “ficando sem


combustível”.

Felizmente, receberemos a energia que precisamos do Criador. Ele nos desgasta de propósito para
que possamos alternar para energia em um nível superior e aprendamos como a utilizar
adequadamente.

O que é então, um tabernáculo contemporâneo? São as relações entre nós que devemos
estabelecer desta maneira?
Sim, não temos escolha. Se estabelecermos as conexões adequadas entre nós, de amor, ou pelo
menos de garantia mútua, nos tornaremos responsáveis uns pelos outros e compreenderemos que
somos partes de um único sistema. Então descobriremos a verdadeira fonte energética e seu
programa (software), e aprenderemos como usá-lo adequadamente.

Falamos sobre uma energia que traz equilíbrio aos movimentos entre o negativo e positivo. Como
é que esta energia, à qual chamámos o “tabernáculo”, vai fazer o equilíbrio acontecer?
Nós não descobrimos a energia no tabernáculo em si mesma. Em vez disso, descobrimos sua origem,
o Criador. Este é o poder que falta no mundo. Há bastante matéria no mundo; tudo o que falta é
o poder para a ativar, o poder da doação. Nestes dias vamos aprender quão incapazes somos de
trabalhar com os poderes que temos. O problema é, não temos falta de energia negativa, mas
precisamos de mais energia positiva.

Quando nos conectarmos “como um homem com um coração” (RASHI, Êxodo, 19b), de acordo
com a explicação de Moisés a respeito da construção do tabernáculo, chegaremos ao lugar onde a
qualidade do Criador aparece, nomeadamente a força superior. Esta é a fonte de energia à qual
chamamos “luz”. Certamente, até o estudo da física considera a luz a mais alta forma de energia.
Quando estamos em equilíbrio, estamos certos de ter sucesso. Além do mais, o sucesso não é só
nesta vida transitória, mas também na conexão com a força superior, pois fluímos na corrente da
vida eterna de acordo com ela.

Depois do tabernáculo, receberemos o tipo certo de energia?

Vamos recebê-la no tabernáculo. O Criador é revelado no tabernáculo, que contém nossos desejos
corrigidos e os desejos desconhecidos que tínhamos que eram anteriormente odiosos e rancorosos
uns para os outros. A força superior aparece quando nos elevamos acima desses desejos.

De O Zohar: Fareis o Tabernáculo com Dez Cortinas

O estabelecimento do tabernáculo é de vários graus, pois está escrito sobre isso, “E o tabernáculo
era um”, demonstrando que todos os órgãos do corpo do tabernáculo são de um único corpo. Isso
é como uma pessoa que tem vários altos e baixos órgãos. Os internos estão dentro e os revelados
estão fora. Contudo, todos são considerados um corpo e isso é considerado uma pessoa em uma
conexão. Assim é o tabernáculo: todos os órgãos são como o citado e quando todos eles se unem
como um, está escrito, “E o tabernáculo era um”. Zohar para Todos, Terumá (donativo), itens 664-665

É assim que descobrimos a força singular chamada “a força superior”, que devemos experimentar.
Sem isto, gradualmente perdemos a vitalidade, como é evidente no que testemunhamos hoje.

Como será revelada a nova ordem de nos “sentirmos como um”?


Através da carência, precisamos compreender que somos incompetentes; não conseguimos ter
sucesso. Ao procurar o elemento pelo qual podemos ter sucesso, descobriremos a futilidade de
nossos esforços. Isto, acompanhado do desenvolvimento e circulação da sabedoria da Cabala através
de garantia mútua, é quando compreenderemos que não temos alternativa senão nos conectarmos
gradualmente a esse poder eterno, completo, omnipotente e omnisciente, que é a derradeira fonte
de energia.

Ao todo, quando as pessoas dão um Terumá (donativo), elas querem ser honradas e recordadas
e então o donativo adquire valor adicional. É esta a direção certa?

Não. Terumá relaciona-se à conexão de corações. Se uma pessoa tenta usar o donativo em prol de
ganhar respeito, notoriedade ou valorização como uma grande pessoa, até se ninguém souber desta
sua ambição, isso ainda é preenchimento egoísta. Esse indivíduo não se está a conectar com outros,
mas em vez disso, os está a idolatrar.

Como pode isto mudar para que se torne verdadeiramente um donativo pelo Criador?

Desamparo faz-nos sentir diferentemente e ao disseminar a sabedoria da Cabala, estamos a somar


grande poder a esta transformação. Pode parecer que não fazemos muito, mas nossas atividades
estão a induzir muitas revelações do Criador no mundo. Por agora, tais revelações são em um nível
em que as pessoas estão dirigidas para essa busca de direção, sentindo que as conexões entre elas as
podem salvar. Estamos a ver os protestos no mundo em uma perspectiva positiva, bem como da
(aparente) negativa. Através de tais rebeliões, podemos ver que nossa única esperança é nos
conectarmos, que somente a conexão nos fornecerá a força da vida.

Quando isso acontecer, qual será o donativo?

O “donativo” é a conexão. Se valorizarmos o poder de doação, isso é chamado fazer “donativo”.


Por um lado, o exaltamos, por outro, sentimos quão baixos e inferiores nós somos. O mundo é
redondo, integral e podemos ser salvos somente através da união. Todavia, estamos conscientes que
somos o oposto da união. Sabemos que precisamos da força superior para nos influenciar e conectar
para que estejamos de acordo com a Natureza, com o mundo global.

De O Zohar: E Levarão Eles Um Donativo para Mim


Como sabemos que o Criador o deseja e coloca Sua abadia dentro dele? Quando vemos que a
vontade do homem é buscar e se esforçar pelo Criador com seu coração, alma e vontade, saberemos
de certeza que a Divindade ali está presente. Então precisamos comprar esse homem a preço inteiro,
nos conectarmos com ele e aprendermos dele. Aprendemos sobre isso, “E comprai para ti um
amigo”. Ele deve ser comprado peço preço inteiro para ser recompensado com a Divindade que
está nele. É até aqui que precisamos buscar um homem justo e o comprar. Zohar para Todos,
Terumá (donativo), item 39
As pessoas não compreendem o sentido do termo “donativo”, pensam que se trata de dinheiro.
Contudo, donativo diz respeito a uma Massach (tela) da qual um projeta o eu, se sacrificando a si
mesmo.

Está escrito, “Compra para ti mesmo um amigo. “******** Isto é, nós anulamos nossos egos e nos
conectamos com o outro, querendo derrubar esta partição entre nós. Nossos
corações inerentemente querem ser individualistas, egoístas e removidos dos outros, todavia
devemos ser o exato oposto. Se queremos nos conectar com alguém, devemos ser mais humildes
que esse alguém. Este é o sentido de conectar, nomeadamente o donativo. Não é assim que estamos
habituados a pensar sobre isso; o “doador” é aquele que está disposto a doar a si mesmo, seu coração
e todos os seus desejos e capacidades. Quando doamos, nos tornamos incluídos nos outros e assim
nos conectamos.

Termos
Donativo
Um “donativo” é o que uma pessoa consegue colocar de parte, a parte do ego que um consegue
sacrificar e corrigir para trabalhar em prol de doar. Cada vez, devemos colocar de parte mais e mais
de nossos corações para a correção até que eles sejam inteiramente “corações de carne” em vez dos
presentes “corações de pedra”.

Expiação
A alma coletiva foi quebrada; todos estamos quebrados. “Expiação” significa que devemos corrigir
a intenção desses vasos quebrados, desejos quebrados - os 613 desejos quebrados que são nossa
alma.

Devemos nos conectar com os outros e assim descobrir o Criador que aparece em nenhum de nós,
mas em vez disso na união entre nós. Gradualmente, devemos construir o tabernáculo e nele
alcançar a revelação do Criador. Está escrito que o Criador diz cada vez, “Fazei este ou aquele
trabalho e Eu virei e aparecerei diante de vós lá e vos direi o que precisa ser feito”. O trabalho
comum das pessoas é o que produz a revelação do Criador entre elas e o que clarifica o próximo
passo.

A Arca da Aliança
É daqui que a força superior vem - o lugar de onde o Criador aparece.

Menorá (o candelabro sagrado)

Esta é a divulgação da força superior dentro dos nossos Kelim (vasos). A Menorá é a revelação do
Criador, que aparece como as sete Sefirot de Zeir Anpin, em sete qualidades - cada uma
representando a Menorá.

Casquilhos, Véu

Um “casquilho” um “véu” diz respeito ou à vontade de receber ou à Massach (tela) sobre ela, que a
transforma de trabalhar em prol de receber para trabalhar em prol de doar. Há somente três
elementos no todo da realidade: a substância, nomeadamente a vontade de receber; a qualidade de
doação que pode estar sobre ela, ou seja a Massach; e a luz superior, o Criador. A luz superior
aparece como a força que opera no operado, que somos nós à extensão que estamos abertos para
aceitar essa força externa.

Cujo Coração O Move


O “coração” são todos os 613 desejos do homem, que são tudo o que temos. Nós queremos
aproximar nossos corações, dos desejos que são mais fáceis de corrigir até aos mais difíceis, através
de todos os 613 desejos e 125 graus, em três linhas, em Yod-Hey-Vav-Hey. É assim que nos tornamos
corrigidos.

A correção não é feita por nós. Devemos tomar em consideração todos os outros que estão conosco
na rede e é isto que devemos corrigir. Não corrigimos a nós mesmos, mas nossas conexões com os
outros. O elemento decisivo revela-se somente de acordo com os outros. Isto é, a correção é de
nossas conexões, não de nós mesmos.

De O Zohar: Um Dióspiro e uma Cadeira de Sedã


20) “Rei Salomão lhe fez uma cadeira de sedã das árvores do Líbano”. Uma cadeira de sedã é o
palácio inferior, Malchut, como o palácio superior, Biná. O Criador lhe chamou “o Jardim do
Éden”, e Ele o plantou pelo Seu deleite. Seu desejo é brincar nele com as almas dos justos onde
todos eles se encontram e são inscritos dentro dele. Um dióspiro é o palácio superior, que está
coberto e oculto, Biná. A cadeira de sedã, o palácio inferior, é Malchut, na qual não há apoio até
que seja apoiada pelo palácio superior.

Zohar para Todos, Terumá (donativo), itens 20-21


Apoiar é a qualidade “redonda” de Biná, GAR e ZAT de Biná. Malchut, que é nosso
inteiro Kli (vaso), nomeadamente todas as criações - se conecta à força superior, Biná, a qualidade
de doação. Quanto mais Malchut se conecta a Biná, mais ela ascende até Biná juntamente com os
outros desejos pela correção e mais uma conexão é feita entre a cadeira de sedã e o dióspiro.

O dióspiro em si mesmo é fechado. Este é o dióspiro superior, GAR de Atzilut. Ele é o inteiro
pensamento da Criação, um estado que aparecerá somente no fim da correção. Contudo, através
da ascensão de Malchut gradualmente pertencemos a ele e recebemos dele, embora ele apareça
somente na cadeira de sedã, Malchut.

Porque o centro é a conexão entre nós, o tabernáculo que aparece entre nós, como nos
corrigimos?
A inteira Torá fala somente de “Eu criei a inclinação ao mal; Eu criei para ela a Torá como tempero
porque a luz nela reforma. “ Porque reforma ela? Em prol de alcançar um estado de “Ama teu
próximo como a ti mesmo”, a regra basilar que nos guia a toda a hora.

Esta porção especial detalha como nos corrigimos, nos ensinando sobre a anatomia de nossos
corações, sobre nossos desejos, suas formas e o grau ao qual os podemos corrigir.

* Rabash, Os Escritos de Rabash, vol. 3, p 1806

** “Eu criei a inclinação ao mal; Eu criei para ela a Torá como tempero” (Talmude Babilônico, Maséchet Kidushin, 30b).

*** Baal HaSulam, Os Escritos de Baal HaSulam, “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot”, item 90, p 789.

**** Talmude de Jerusalém, Séder Nashim, Maséchet Nedarim, Capítulo 9, p

***** Talmude Babilônico, Maséchet Kidushin, 30b.

****** Midrash Rába, Eichá, ”Introdução”, Parágrafo 2.

******* Mishná, Maséchet Avot, Capítulo 1, item 6.


Tetzavé (Ordem)
(Êxodo, 27:20-30:10)

Sumário da Porção

Na porção, Tetzavé (Ordem), o Criador fornece a Moisés os detalhes adicionais a respeito do


tabernáculo e ordena os filhos de Israel a levarem o óleo de oliveira para acender a vela
interminável na tenda do encontro fora do véu, para que ele possa arder do anoitecer ao
amanhecer.

O Criador instruiu Moisés para nomear Aarão e seus filhos, Nadáv, Avihu, Elazar e Itamar para
serem seus sacerdotes. Ele elabora sobre o mandamento de preparar as vestes sagradas “pela honra
e glória” (Êxodo, 28: 2): a couraça, franja, casaco e o resto das vestes do sacerdote.

Posteriormente vem uma explicação sobre a santificação de Aarão e seus filhos para seus papeis
no tabernáculo. Isto inclui sua oferenda de um boi e dois carneiros no altar, de incenso a ser
posicionado dentro do tabernáculo diante do véu e como o incenso deve ser feito.
Finalmente, Yom Kipur (Dia do Perdão) é mencionado, que deve tomar lugar uma vez por ano.

Comentário

A porção Tetzavé (Ordem), é muito pés-na-terra, curta e pragmática. A inteira substância da Criação
é o desejo de receber. Esta é a base sólida da qual devemos começar. Devemos sentir a vontade de
receber dentro de nós dividida em quatro níveis: inanimado, vegetativo, animado e falante. Todos
nossos desejos estão divididos desta maneira e damos-lhe a forma da doação, nomeadamente os
direcionando para dar. Todos os desejos devem estar direcionados para nossa conexão “como um
homem com um coração” *, com amor pelos outros, como em “Ama teu próximo como a ti mesmo.
“**

À extensão que corrigimos cada um de nossos desejos, formamos a imagem do homem, assim nos
tornando similares ao Criador. Este é Adam HaRishon (o primeiro homem), que se quebrou e
dividiu em uma miríade de almas. Nosso propósito é reunir essas almas nessa única alma.
Alcançamos isso ao anular nossos egos e conectarmos todos nossos desejos. A conexão é nos níveis
de inanimado, vegetativo, animado e falante. Nestes graus gradualmente reconectamos todas as
coisas na nova realidade que a Torá descreveu.

Primeiro, o óleo para a lâmpada é um óleo especial que deve ser aceso de uma maneira especial.
Subsequentemente, da luz emitida, podemos preparar as vestimentas do sacerdócio que vestem a
vontade de receber.

A vontade de receber permanece a mesma, quer ela se esforce pelo benefício dos outros ou a si
mesma. A diferença reside em como a usar, para seu próprio bem ou pelo bem dos outros. Isto é,
queremos usá-la para beneficiar a nós mesmos, até se for prejudicial para os outros? Ou queremos
beneficiar os outros? Estas são nossas duas opções, com miríade de variações.
Tudo isto se relaciona a “vestimentas” sobre o desejo. A Torá detalha como desenhar estas
roupagens - como colocar as intenções certas sobre nossos desejos, ou seja, os graus Yod-Hey-Vav-
Hey, ou graus de Aviut (densidade, vontade de receber) Alef (um), Bet (dois), Guimel (três)
e Dálet (quatro).

Os desejos corrigidos podem ser do inanimado (inerte), tais como a construção da tenda de
encontro e a arca da aliança, ou do vegetativo, tais como lã ou linho, ou do animado, que são as
próprias oferendas.

O “falante” são pessoas que estão unidas no seu grau e que usam as roupas que se adequam ao alto
sacerdote, tais como a couraça, um cinto, uma mitra ou uma túnica. O alto sacerdote é aquele cuja
direção é inteiramente para a doação, amor pelos outros, através do qual esta pessoa alcança o
Criador. Há um sacerdote e um alto sacerdote. Isto é, há Katnút (infância) e Gadlút (maturidade)
neste grau. Estas são as fases através das quais devemos progredir em prol de corrigir nossos desejos.

A soma do desejo que o Criador criou em cada um de nós é de 613 desejos, que são 613 desejos
que devemos inverter da inclinação de receber para o desejo de doar sobre os outros. É assim que
nos conectamos uns com os outros, reunindo todos estes desejos em um único mecanismo.

Perguntas e Respostas

Podemos mudar desejos através de nossas intenções?


Sim, podemos mudar desejos através de nossas intenções. Ao querermos dar uns aos outros, atamos
nossos desejos como um único corpo em um Kli (vaso) conhecido como Beit
HaMikdash (literalmente A Casa da Santidade; trad. Templo). Bait (casa) é um Kli de
Kedushá (santidade), doação, amor pelos outros, a direção de dar. Este é o Adam que construímos,
nossa alma comum, Shechiná (Divindade), a Assembleia de Israel, Malchut de Atzilut e lá aparece o
Criador.

Esta porção explica que nossos desejos estão divididos, também. Os escritos do ARI ensinam-nos
que nossas almas consistem de Shóresh, Neshamá, Guf, Levush, Heichál (raiz, alma, corpo, veste, salão,
respectivamente. Shóresh está dentro de nós. Neshamá é nossa parte mais interna. Guf são os
desejos em si mesmos e Levush e Heichál são acréscimos.

A Torá conta-nos que a Levush (veste) consiste de cinco tipos de vestimentas do alto
sacerdote. Heichál (salão) são as imediações - a tenda do encontro com todos seus detalhes. É claro,
nada disto se relaciona a qualquer tenda física, pessoa, vasos ou a uma lâmpada. Em vez disso, o
texto relaciona-se ao modo como desenvolvemos a vontade de receber para trabalhar em prol de
doar, como o Criador doa sobre nós. Através destas correções de muitos graus e partes nos nossos
desejos, alcançamos similaridade com o Criador e Dvekút (adesão) com Ele.

O fim da porção também menciona Yom Kipur (o Dia do Perdão). Todas as correções que
realizamos durante o ano, as preparações, correções sobre as nações do mundo, sobre o povo de
Israel e sobre os Levitas e sacerdotes, trazem-nos ao grau do alto sacerdote. Quando nos elevamos
acima destes desejos e os trazemos juntos a um lugar de doação geral, chamado Beit HaMikdash, um
lugar de união especial onde alcançamos unidade com o Criador - o ponto de Dvekút - isso é
chamado “o trabalho do sacerdote no Santo dos Santos no dia da expiação”.

Aarão e seus filhos estão todos na espiritualidade, todavia sabemos que a espiritualidade não é
transferida por herança. Muitos Cabalistas não tiveram filhos, ou tiveram filhos que não se
tornaram Cabalistas. E ainda assim, vemos uma ordem muito clara de Aarão e seus filhos. Além
do mais, alguns pesquisadores afirmam que é possível achar genes de sacerdotes até hoje. Qual é
o sentido desta ordem?

Isto é verdade: eles podem ser achados tanto no mundo material como no mundo espiritual. Há
muitas razões para isso, mas o que compreendemos é que um Kli (vaso) que está em doação, ou
seja, um Partzuf espiritual, ou Neshamá (uma alma) que trabalha em doação em prol de doar - opera
em doação ativa e gera um Partzuf mais avançado, chamado um “filho”.

É um “filho” o próximo grau do sacerdote?

Sim. É por isso que é impossível que um sagrado Partzuf surja de um Partzuf que não doe em prol
de doar ou receba em prol de doar. No nosso mundo, podemos ou não prestar atenção a isto pois
ao se projetar na corporeidade, torna-se simples costumes. Mas na espiritualidade, compreendemos
de onde vem; um Partzuf que tem uma Massach (tela), Aviut (densidade) e Ór Chozêr (Luz Refletida)
e trabalha em santidade não pode produzir um ato impuro. É por isso que o sacerdócio é herdado
de pai para filho.

Porque não sabemos o que aconteceu aos filhos de Moisés, mas sabemos dos sacerdotes?

Moisés representa contato com o Criador, no qual todos estão incluídos, acima de tudo o
sacerdócio. Os sacerdotes fornecem direção no trabalho do Criador, nas correções e Moisés é o
ponto de contato. Esta não é uma direção, mas meramente um ponto de anexação, de Dvekút.

Em outras palavras, ele está em todos nós; não falamos de um Moisés físico.

Não, não há tal coisa como um Moisés físico; ele está dentro de todos nós. Quando nos conectamos
entre nós, produzimos um Kli que produz uma sensação de conexão, união entre nós. Primeiro vem
o amor pelas pessoas, como está escrito, “Ama teu próximo como a ti mesmo. ”* Posteriormente, o
amor pelo Criador chega. O todo da humanidade deve alcançá-lo, o povo de Israel, bem como os
não, Judeus que são atraídos a isso e podem alcançar verdadeira conexão com o Criador.

É por isso que Moisés não pertenceu aos sacerdotes, ou aos Levitas, ou a Israel; ele é um ponto
acima de qualquer definição. Embora ele os inclua, ele ainda está acima deles. A correção do mundo
é que todos nós nos unamos. Quanto mais nos unimos e nos tornamos semelhantes à luz superior,
o Criador, mais Ele está conosco e dentro de nós.

Esta porção detalha vestimentas. Diz-se que somente os “sábios de coração” podem preparar estas
vestimentas. Quem são os sábios de coração?
Os “sábios de coração” são aqueles cujos corações, ou seja, desejos, estão ordenados de acordo
com Chochmá (sabedoria). Estes não são desejos vulgares, mas aqueles que foram ordenados pela
luz de Chochmá. Desta forma, o começo da porção fala sobre a luz geral que reforma, que ilumina
todos os Kelim (vasos). Somente com esta luz é possível levar a cabo as Mitzvot (mandamentos)
descritos na porção, que é o porquê dela ser chamada Tetzavé (Ordem). A ordem do Criador vem
somente para nos dar a luz que reforma. O Criador conta-nos como usá-la em prol de alcançar
correções, tais como as vestimentas do alto sacerdote e a construção do tabernáculo.
É somente quando alcançamos uma certa fase de sabedoria do coração que podemos usar estas
vestimentas?

O coração é o tabernáculo de todos os nossos desejos, mas somente se nós ordenarmos todos nossos
desejos na ordem certa, usando a luz superior, a Menorá (lâmpada) que ilumina para essa pessoa, a
luz que reforma. A “ordem certa” significa em prol de doar, de fácil ao difícil. Não é algo que
precisemos de construir; isso constrói-se por si mesmo. O mandamento relaciona-se somente a nossa
voluntariedade; devemos colocar-nos debaixo da luz com nosso Kli, então o Kli vai adquirir a forma
da luz. Os sábios de coração não sabem como fazer tudo; eles só sabem como se prepararem para
que a luz trabalhe sobre eles.

Porque é o envolvimento com as vestimentas possível somente deste ponto em diante?


“Vestimenta” é a intenção de doar.

Então quais são as intenções dos de sábio coração?

Os de sábio coração são aqueles que se preparam a si mesmos para a correção. Quando ela chega,
ela traz-lhes estas vestimentas.

De O Zohar: E Vós Ordenareis


Quando lá escreve, “E vós”, significa incluir a Divindade na ordem e no discurso. A luz
superior, ZA e a luz do fundo, Nukva, estão incluídos juntos na palavra, “E vós”, dado que “vós” é
o nome da Nukva e a Vav somada (“e”) é ZA, como está escrito, “E Vós os preservais a todos”,
relacionando-se a ZA e Nukva. Zohar para Todos, Tetzavé (Ordem), itens1-2

Zeir Anpin é o Criador, a força superior, a luz que nos alcança. A nós que queremos nos conectar e
construir a Nukva. Embora ela mesma não exista, esta parte foi deixada após a quebra. A alma foi
quebrada e seus pedaços estão espalhados. Tanto quanto quisermos conectar, não conseguiremos.
Contudo, temos a tendência para isso e em correspondência, a luz nos afeta e conecta. Se há uma
inclinação adicional, então luz adicional nos influencia e conecta.

É por isso que nosso trabalho é chamado “dia-a-dia”, como em “Dia-a-dia derrama discurso”
(Salmos, 19:3). É assim que chegamos ao fim do ano, o Dia do Perdão que nos conecta e nos conduz
para todas as correções. E então que expiamos por nossas iniquidades.

Todavia, estas não são nossas iniquidades, mas desde o tempo da quebra de Adam HaRishon, antes
de termos sido criados, dado que “a inclinação no coração do homem é má desde sua juventude”
(Gênese, 8:21). Quando examinamos estas questões e as quisermos superar e nos conectar acima
de todas as diferenças e ódio para alcançar o amor, alcançamos o pé do Monte Sinai.

Porque é Yom Kipur (Dia do Perdão) considerado o dia mais sagrado?

Ele é o ponto de contato de todos os desejos que preparámos para se conectarem a todos em
um único Kli, para estarem em Dvekút com o Criador. Isto é, ele é a implementação de nosso
trabalho neste mundo.

Depois devemos alcançar a revelação do Criador, unidade e amor pelos outros. Yom
Kipur simboliza-o.
Isso é um dia especifico do ano?

Não, um dia é um grau. Se uma pessoa realiza todas as correções, o grau que um alcança é
chamado Yom Kipur. Isso poderia acontecer em qualquer um dos dias do ano pois não se trata de
um dia, mas de um estado espiritual.

O que há de tão especial neste dia que somente a qualidade conhecida como o “alto sacerdote” faz
a correção necessária no Santo dos Santos?

Quando somamos todas as correções nos níveis inanimado, vegetativo, animado e falante na sua
forma final, alcançamos Dvekút (adesão). Tem de ser “mundo”, “ano”, “alma” e “lugar”. Isto é,
ordenamos todos os desejos - inanimado, vegetativo e animado - “as vestes”, que são também a
cobertura da tenda e todas nossas vestes do vegetativo. O “animado” são as oferendas de Yom Kipur.
O “alto sacerdote” inclui o todo da humanidade, com todas as correções no nível humano, falante.

Se as juntarmos no dia especial chamado Yom Kipur (Dia do Perdão) isso traz-nos ao ponto
de Dvekút com o Criador. Este é o mais alto nível que conseguimos alcançar, o fim da correção e a
ascensão a uma dimensão superior.

De O Zohar: Soprai o Chifre (Shofar) na Lua Nova


Assim, “Serve o Senhor com alegria”, dado que a alegria do homem atrai outra alegria, a superior.
Similarmente, o mundo inferior, Malchut, quando ela é coroada, também ela prolonga do alto. É
por isso que Israel se apressam a despertar um som no Shofar, que inclui fogo, vento e água, a linha
do meio, que consiste das três linhas que se tornam uma e sobe para cima. Zohar para Todos,
Tetzavé (Ordem), item 94
As três linhas descrevem o trabalho dos sacerdotes - Sacerdote, Levita e Israel - que descrevem nosso
trabalho. Eles são duas Klipot (casca/peles): a Klipá (singular de Klipot) da direita, Ismael e
a Klipá da esquerda, Esaú. Direita e esquerda são nosso trabalho e nossa vontade de receber, oposta
à qual está o desejo de doar e a medida à qual conseguimos somar estes desejos ao remover
as Klipot de Ismael e Esaú.

É assim que construímos a linha do meio, a linha de Dvekút, chamada Adam. Nesta linha, quanto
mais conectamos todos estes desejos entre nós, mais alto ascendemos na nossa conexão. Estes
incluem todas nossas intenções de alcançar similaridade com o Criador, doação e amor pelos outros
e daí para o amor pelo Criador. Se alcançarmos união nessa linha, alcançámos o propósito da
Criação.

Devemos compreender que as presentes mudanças que o mundo está a atravessar, a miríade de
problemas, a crise global, são sinais que devemos começar a conectar, dado que somente ao nos
conectarmos seremos capazes de resolver a crise.

Esta é a razão pela qual a sabedoria da Cabala está agora a surgir à superfície, para que a luz que
reforma, a Menorá iluminada, possa brilhar sobre aqueles que se querem santificar a si mesmos e
chegar ao Templo, para realizar sua tarefa no mundo. Hoje, estamos no meio da própria realização
da porção, “Ordem”.

O Criador soa a uma força dominadora e opressiva, enquanto a criatura está em um estado de
constante pecado e pedido por perdão. Este é um sistema algo complicado.
Pelo que deve um pedir perdão? Se está escrito, “Eu criei a inclinação ao mal”*****, então o Criador
a criou. Porque devemos pedir perdão? Pelo contrário, devemos exigir, “Eu quero que TU corrijas
aquilo que TU criaste em mim”. Isso é chamado “Meus filhos Me derrotaram. ”****** O Criador
vai acolhe-lo. Interpretamos mal a Torá ao pensar que somos pecadores, enquanto o pecado não
está em nós. Nosso único pecado está em não pedir correção. Aquilo que está em nós não veio de
nós; não nos podemos culpar por aquilo com que nascemos.

Devemos dizer em respeito a todas nossas qualidades, personalidade e tudo aquilo que somos, “Ide
ao artesão que me fez. ” ******* Nós não somos culpados. Nossa culpa, nossa mácula, está em não
nos examinarmos e pedir correção, nos tornando semelhantes ao Criador - doando, amando os
outros e benevolentes.

Quando não revelamos e não pedimos correção, é então que estamos em falta. Não cometemos a
transgressão pela qual exigimos correção. Isto é simplesmente algo com o qual conectar com o
Criador, para estar em constante diálogo com Ele. A inclinação ao mal é “ajuda feita contra nós”.
Por um lado, ela remove-nos do Criador. Por outro lado, ela dá-nos uma razão “oficial” para nos
conectarmos com Ele.

Termos
Vela Interminável
Uma pessoa que quer alcançar o ponto de contato com o Criador chamado “o trabalho do sacerdote
no Templo”, primeiro deve zelar por sempre ter a luz que reforma, pois somente com ela é um
santificado - acrescentando a direção de doar aos seus desejos, assim subindo mais perto do Criador.

Óleo de Oliveira

Na espiritualidade, “óleo de oliveira” é a luz que alcança Zeir Anpin, Malchut.

Sacerdote
Um “sacerdote” é o mais alto grau do homem. Ele vem da linha esquerda e da linha direita e alcança
a pura e completa doação. Este grau inclui o grau de Biná, ZAT de Biná e o grau superior, GAR de
Biná. É impossível ser um sacerdote sem também ter Levitas e Israel no interior. Isto é, um
“sacerdote” é aquele que atende ao mundo inteiro, bem como a Israel e se une com todos.

É trabalho duro alcançar o grau de um sacerdote pois um deve atualizar os maiores e mais poderosos
desejos.

Couraça

A “couraça” é um daqueles elementos de vestuário que pertence à parte interna da alma.

Sumário

A porção, Tetzavé, é nossa abordagem para o Criador. Se queremos nos corrigir, temos a
possibilidade de fazê-lo enquanto dando aos nossos corpos materiais o que quer que precisem.
A coisa importante na vida é alcançar o mundo eterno e completo, como está escrito, “Verás o teu
mundo na tua vida”*, aqui e agora. Tudo é expresso na conexão entre nós: do amor pelo homem
ao amor pelo Criador. É assim que alcançamos o fim da correção. Podemos fazê-lo aqui e agora;
isso depende inteiramente de nós.

* RASHI, Êxodo 19b.

** Talmude, Séder Nashim, Maséchet Nedarim, Capítulo 9, p 30b.

*** Talmude de Jerusalém, Séder Nashim, Maséchet Nedarim, Capítulo 9, p 30b.

**** Talmude de Jerusalém, Maséchet Berachot, 27b.

***** Talmude Babilônico, Maséchet Nezikin, Bába Metzia, 59b.

****** Talmude Babilônico, Maséchet Taanit, p. 20b.

******* Masechet Berachot, 17a


Ki Tissá (Quando Tomas)
(Êxodo, 30:11-34:35)

Sumário da Porção
A porção, Ki Tissá (Quando Tomais), começa com o pedido do Criador a cada um dos filhos de
Israel doar meio shekel para a construção do tabernáculo. A porção menciona outros detalhes
sobre o tabernáculo tais como o óleo de unção, a mesa e a Menorá e seus vasos. Bézalel, filho de
Uri Ben Hur, é nomeado chefe artesão, com Ahaliav Ben Achisémech como seu assistente. O
Criador também ordena aos filhos de Israel a observarem o Shabat.

Mais tarde, Moisés ascende ao Monte Sinai para receber as tábuas da aliança, mas se atrasa a
regressar, para que os filhos de Israel procurem prova que o Criador existe. Eles exigem que
Aarão construa um bezerro de ouro. Aarão concorda, leva seus vasos de ouro, os derrete e
constrói o bezerro de ouro.

Quando Moisés regressa da montanha e o vê, ele quebra as tábuas. O Criador deseja destruir e
arruinar o povo inteiro de Israel e Moisés roga por suas almas. Moisés fala “face-a-face” com o
Criador e deseja se ocultar a si mesmo.

No fim do processo, o Criador concorda e faz uma aliança com o povo de Israel. O Criador
também promete que eles entrarão na terra de Israel e repete o mandamento dos três festivais de
Peregrinação (Shálosh Regalim) e a proibição da idolatria.

Moisés fica com o Criador no Monte Sinai quarenta dias e quarenta noites, escreve sobre as
tábuas e desce da montanha. Está escrito, “E veio a passar-se quando Moisés desceu do Monte
Sinai com as duas tábuas do testemunho na mão de Moisés ... que Moisés não sabia que a pele de
sua face havia descolorado enquanto falava com Ele” (Êxodo, 34:29). Assim foi tanto que ele teve
de se esconder do povo novamente pois eles temiam falar com ele.

Comentário
Aqueles que não conhecem a linguagem da Cabala vão achar difícil compreender que o texto na
realidade discute o desenvolvimento interno de uma pessoa. Ele diz respeito à nossa natureza, que
é a vontade de receber, um desejo egoísta que requer correção. A Torá fala somente da correção do
desejo, como está escrito, “Eu criei a inclinação ao mal; Eu criei para ela a Torá como tempero”*,
pois “a luz nela os reformaria. ” **

O propósito da correção é transformar nossa inclinação ao mal (egoísta), que se direciona somente
para a autogratificação e exploração do mundo inteiro para si mesma e a transformar em amor pelos
outros, como em “Ama teu próximo como a ti mesmo. ” ***

A Torá fala de um processo que não é simples, mas que todos nós experimentamos. A crise geral
em que nos encontramos nos causará alcançar a luz, a correção, semelhante ao que iniciou o êxodo
do Egito. Hoje todos nos encontramos diante do Monte Sinai com enormes egos, com todos
os Kelim (vasos) que levámos do Egito. Durante os milénios de desenvolvimento, a humanidade
acumulou um ego massivo; agora não temos ideia do que fazer com ele, senão escapar dele.
Quando somos atraídos para o Monte Sinai, descobrimos uma montanha de ódio entre nós.
Somente o ponto dentro de nós, chamado “Moisés”, nos puxa para a frente para a conexão com
algo maior, um grau humano maior de similaridade com o Criador.

Somos ainda como bestas ****, operando inteiramente através de nossos egos, nossa natureza. Em
vez disso, devemos ser como uma nação livre, no nosso país, li na sua vontade. “Tal é o caminho da
Torá”. *****

Para fazermos isso, se desejarmos ascender ao grau humano e descobrirmos o Criador e os mundos
ao nosso redor, devemos seguir a linha única conhecido como “meio shekel”, ou seja, nem para a
direita nem para a esquerda, mas na junção das duas. A vontade de receber, também, participa,
pois, ela é “ajuda feita contra nós” (Gênese, 2:18), e também contra ela precisamos da luz
reformadora.

Nós temos duas linhas: na esquerda está a vontade de receber; na direita está a luz. Quanto mais as
combinamos, mais corrigimos a vontade de receber para a semelhança com a luz - trabalhar em prol
de doar. Está escrito, “E a noite brilhará como o dia; trevas como a luz” (Salmos, 139:12). É assim
que avançamos. Esta é a primeira correção - não mais e não menos, mas, precisamente metade.
Avançamos quando alcançamos essa correção, esse método de avanço.

Subsequentemente, o tabernáculo e seus vasos devem estar preparados incluindo o óleo e tudo
aquilo que vem com isso. O papel foi dado somente a Bézalel. Bézalel dentro de nós é aquele que
está Bétzel El (na sombra de Deus), debaixo da sombra do Criador. Betzalel mimetiza as qualidades
do Criador, que apareceu para ele e é por isso que ele é chamado “sábio de coração”. Ele conhece
a combinação certa entre o coração, o desejo e a sabedoria, nomeadamente o intelecto. Bezalel
combina a direita com a esquerda adequadamente e tem sabedoria do coração. É por isso que ele é
aquele que consegue estabelecer o tabernáculo.

O tabernáculo é a ordenação da alma que construímos dentro de nós a partir dos nossos 613
desejos. Ele é construído de acordo com as qualidades certas, nas quais todas as partes estão
conectadas em sincronismo com o Criador. É assim que nos tornamos semelhantes a Ele.

Nossa inclinação ao mal tem 613 qualidades que devemos direcionar em prol de doar, em direção
ao amor pelos outros. Somente aqueles que vêm a qualidade de Bézalel - copiar as qualidades do
Criador para si mesmos e se tornarem como Sua sombra - o podem fazer.

Alcançamos isto ao nos conectarmos com a Shechiná (Divindade), Malchut de Atzilut, que começa a
duplicar estas qualidades de Zeir Anpin de Atzilut. Zeir Anpin tem seis Sefirot: Chéssed, Gvurá, Tiféret,
Netzach, Hod e Yessód, onde Malchut vem por último e duplica. É por isso que nosso trabalho é
duplicar estas seis qualidades de Zeir Anpin - chamado HaKadosh Baruch Hu (O Sagrado, Abençoado
Seja Ele), ou Zeir Anpin de Atzilut - na aparição do Criador em todos os dias úteis.

A sabedoria da Cabala apresenta nossa meta - a revelação do Criador às criaturas neste mundo.
Através de nossos sentidos, quando o Criador é revelado para nós, nos juntamos e cada vez mais
nos anexamos a Ele.

Quando concluímos duplicar as seis qualidades vem a sétima qualidade conclusiva, o Shabat.
O Shabat conclui-se a si mesmo por sozinho do alto. É por isso que ele é considerado um “despertar
do alto”. Uma luz especial vem e dispõe as seis qualidades na ordem certa e não há nada mais que
precisemos fazer.

É por isso que a proibição contra trabalhar durante o Shabat é equivalente a intervir com alguma
coisa que pertença à luz superior. Trabalhamos seis dias dispondo as linhas direita e esquerda,
direcionando a vontade de receber e a luz, a mente e o coração. Finalmente, apresentamos nosso
trabalho e então “O Senhor concluirá por mim” (Salmos, 138:8). É então que recebemos a
conclusão do grau. Este é o processo que devemos atravessar até à correção da alma inteira, semana
após semana, até que concluamos os seis mil anos.

Devemos também considerar que nossas almas consistem de desejos da inclinação ao mal que não
podem ser avistados pelo exame comum. Estes desejos requerem exame especial que somente o
bezerro de ouro pode fazer.

Embora a Torá o apresente deste modo, o bezerro de ouro não representa uma queda
ou declínio, nem culpa alguém. Qualquer pessoa que experimente este processo tem que atravessar
todas as descidas e quedas, tal como aconteceu com Faraó no Egito e com os filhos de Israel no
deserto depois dos eventos do Monte Sinai.

Até quando avançamos do Monte Sinai para os quarenta anos no deserto, vamos continuar a
experimentar fases que parecem negativas. Cada vez desejos por corrigir vêm à superfície, “caímos”
neles, então não temos escolha senão os descobrir e corrigir. Está escrito, “Não há um homem justo
sobre a terra que faça o bem e não venha a pecar” (Eclesiastes, 7:20), ou “Uma pessoa não
compreende palavras de Torá a menos que tenha nelas falhado”. *

Assim, primeiro devemos falhar, então examinar o fracasso e o corrigir. Somente então nos é
garantido não o repetir. Estamos garantidos a sermos guardados pois esse desejo já foi corrigido
para ter a direção de doar. É assim que progredimos para o amor pelos outros.

Quando descobrimos que apesar do trabalho que fizemos, não revelámos o Criador, isso é
considerado que Moisés não regressou do Monte Sinai. Isto é, retrocedemos para a intenção de
receber, o desejo egoísta chamado “o bezerro de ouro”.

Nossos desejos corrompidos são chamados “multidão misturada”. Eles perguntam, “Para onde foi
Moisés”? Eles reivindicam que devemos avançar como o entendemos, seguindo nossa razão e
intelecto, em vez de avançar acima da razão.

Quando regressamos a trabalhar dentro da razão, ficamos deleitados. Parece-nos que desta maneira
compreendemos e sentimos todas as coisas. Podemos não estar a ascender a altos graus, mas pelo
menos estamos em um mundo que se adequa a nossos egos. Esse é um estado muito apelativo.
Podemos ver por nós próprios quão difícil é explicar as pessoas o que a Natureza nos está a obrigar
a fazer agora, qual é o método da correção e como podemos subir ao próximo nível. O Criador, a
Natureza, Elokim (que é Natureza em Guematria) pressiona-nos e deseja elevar-nos e nós estamos
aparentemente a resistir-lhe com um bezerro de ouro, celebrando e desfrutando.

Quando o ponto no coração aparece, ele colide muito poderosamente com o desejo egoísta que
irrompeu uma vez mais. Essa colisão é a quebra das tábuas.

A colisão entre o ponto no coração, através do qual desejamos subir e nos apegar ao superior, a um
grau superior, descobrindo mundos, o infinito e estarmos em um reino de doação - e a revelação
de que estamos na realidade no ponto de sermos um bezerro de ouro. Não conseguimos tolerar esse
contraste. Isto causa todos os elementos que anteriormente estavam em Kedushá (santidade) a
quebrarem.

Aqueles que pecaram com o bezerro foram sentenciados à morte. Subsequentemente, Moisés
chamou, “Quem quer que seja pelo Senhor, venha até mim! ” (Êxodo, 32:26). Esta é a correção dos
desejos que agora apareceram, que estão conectados ao bezerro de ouro e com os quais não podemos
continuar.
Depois da correção de todos os outros desejos - os três discernimentos que Moisés matou - ele sobe
ao Monte Sinai uma vez mais. Isto significa que esse ponto dentro de nós sobe uma vez mais e nós
recebemos as tábuas da aliança uma vez mais. Descobrimos novamente a Divindade, o Criador e
começamos a descer com as segundas tábuas.

Todavia, há uma grande diferença entre as primeiras tábuas e as segundas tábuas: Yom Kipur (Dia
do Perdão). As primeiras tábuas e o bezerro de ouro tomaram lugar no 9 de Av (11º mês no
calendário Hebraico). As primeiras tábuas foram dadas desde Shavuot até a 9 de Av. As segundas
tábuas tomaram lugar desde 9 de Av até Yom Kipur. Quarenta dias mais quarenta noites são a
estrutura temporal da correção da qual podemos continuar.

De O Zohar: Meio Shekel

“Meio Shekel, meio hin” significa meia medida. A Vav é o meio entre as duas Heys porque a Vav é a
linha do meio, chamada “balanças”, que pesa as duas luzes, direita e esquerda, sendo as duas Heys,
para que a esquerda não seja maior que a direita. É por isso que ele diminui a esquerda, para que
ela não brilhe de cima para baixo mas somente de baixo para cima. Zohar para Todos, Ki
Tissá (Quando Tomais), item 4
Nossa grande vontade de receber, o ego, está no lado esquerdo. A luz que podemos atrair se
trabalharmos corretamente, de acordo com a sabedoria da Cabala, está na direita. Estas são as
duas Yod, como na letra Alef, com a diagonal no meio como uma Parsá (partição) [‫]א‬. Devemos
juntar a luz do alto, a Yod superior, com a vontade de receber de baixo, nomeadamente
a Yod inferior (por vezes escrita como uma Dálet, que é Bechiná Dálet, a Malchut em nós, em vez
da Yod). A linha diagonal mantém o equilíbrio entre elas, assim criando a linha.

É por isso que Alef é a primeira letra no alfabeto. A porção, Ki Tissá (Quando Tomais), é o princípio
da própria Torá pois ela se envolve na construção e preenchimento do tabernáculo. É por isso que
devemos constantemente manter essa metade, para que a direita não seja mais que a esquerda ou o
inverso. Se há um excesso de desejos de receber que não corrigimos na totalidade, não estamos no
desejo de doar. Se levarmos da vontade de receber mais do que podemos corrigir, estamos em um
estado de reconhecimento do mal. Tem de ser uma operação muito precisa.

Assim que restringimos todos os nossos desejos e evitamos usar o desejo em prol de receber,
mas somente em prol de doar, podemos continuar a separar essas pequenas partes do nosso desejo
dos leves aos pesados e juntarmos todas as correções à luz.

Esta é a letra, Vav, com os sinais de pontuação, Holam, Shuruk, Hirik, ou Kamatz, que é como
a Parsá. A luz deve estar acima dela pois todas as correções são em ascensão. No nosso mundo -
nossa situação - nunca alcançaremos a revelação da Divindade. Podem haver vários fenômenos
psicológicos, mas a revelação da Divindade pode acontecer somente se nos elevarmos acima
da Parsá.

Depois da restrição, assim que tenhamos a linha do meio, então nos juntamos a um grupo e
tentamos sair de nós mesmos e avançar acima da razão, acima da Vav diagonal, de baixo para cima,
então receberemos a revelação do mundo espiritual.

Perguntas e Respostas
Beresheet (Gênese) fala da criação do mundo. No deserto, as coisas levam imenso tempo para se
revelarem, com numerosos detalhes no caminho, como descrevem as porções. O que simbolizam
esses detalhes?

A Torá não nos pode contar sobre tudo o que atravessamos. Ela só explica os marcos no caminho.
É semelhante a conduzir em uma estrada onde cada quilômetro ou vários quilômetros estão
marcados por sinais.

Porque são mencionados no deserto as várias vestes e uma descrição do altar?

Esta é a correção de nossas almas. Recebemos um sistema de 613 desejos, cada um dos quais consiste
de todos os outros e todos estão conectados. Esse sistema está completamente quebrado. É como
se nos fosse dado um dispositivo electrónico ou mecânico que está completamente quebrado e não
fazemos ideia de como o concertar. Olhamos para ele atônitos sem saber como o aproximar.

É assim que nos é ensinado como o fazer: “Olha para isto, concerta aquilo, então isto, mas primeiro
aquilo”. Há tantos detalhes nas nossas almas e todas se devem tornar semelhantes ao Criador em
termos da estrutura e modo funcionamento. Embora essa seja a substância oposta ao Criador,
“existência a partir da ausência”, a alma deve chegar a se assemelhar à “existência a partir da
existência”.

Não conseguimos compreender quão importante é o nosso mundo, com todas as suas
complexidades e miríade de conexões - cada átomo e cada célula no universo. É por isso que há
tantos detalhes na correção da alma. Quando percorremos este caminho, participamos nele e
descobrimos nele, isso suscita imensa excitação e uma sensação de harmonia e preenchimento.

Como explica você que tudo existe e acontece simultaneamente - o ponto no coração está no
Monte Sinai, a mais alta conexão, enquanto os outros desejos estão a construir um bezerro de
ouro?
Esta é a desconexão interior, onde o Moisés em nós desaparece. Quando Moisés desaparece
perdemos contato com o Criador, pois este é o único ponto que nos conecta com Ele. Assim que
nos desconectamos nos encontramos imersos nos nossos desejos, caindo no bezerro de ouro. Estes
são os Kelim (vasos) que levámos do Egito, Kelim que querem a luz de Chochmá (sabedoria),
nomeadamente prazer somente para nós próprios.

Como é que o desejo obtém contato com a força superior e prontamente depois cai na
conexão com o bezerro de ouro?

Não há atrasos. Ora há Kedushá (santidade) ou Klipá (casca/pele). Não há intermédios. Devemos
nos habituar a constantemente estarmos em um dos dois estados.

As subidas e descidas de Moisés no Monte Sinai são as subidas e descidas das quais falamos?

Trata-se de revelações e ocultações em alternância. Isso é semelhante ao festival de Purim e a história


de Ester, que é também revelação e ocultação. Não pode haver revelação se não for precedida de
ocultação. Se Moisés não tivesse subido ao Monte Sinai, não teria havido o bezerro de ouro. Mas
sem o bezerro de ouro não saberíamos o que corrigir. É assim que progredimos sempre, em duas
“pernas”.
Termos
Meio Shekel

“Meio Shekel” é a condição que definimos para nós mesmos sob nosso próprio escrutínio e correção,
de modo a nunca chegar a um estado de atrair luzes para nós mesmos de cima para baixo, mas
sempre receber luzes de baixo para cima, em rejeição. É assim que descobrimos Ein Sof (infinito).

O problema é que constantemente atraímos para nós mesmos, podemos somente ver a
camada mais próxima de nós, conhecida como “este mundo”. Tudo o que se encontra por trás desta
camada são mundos, Ein Sof, eternidade, inteireza, que estão escondidos e separados de nós. Se
percebemos a realidade não ao atrairmos para nós mesmos, mas ao saímos de nós mesmos,
subitamente descobriremos Ein Sof.

Somos nós que determinamos o meio shekel?

Sem o meio shekel, não podemos começar a trabalhar com a Torá. Cada um de nós deve dar o
meio shekel. Devemos definirmos a nós mesmos de tal maneira que deste momento em diante,
nosso instrumento para a revelação da Divindade seja o equilíbrio do meio shekel, somente dando
e com tanta equivalência de forma quanto o possível.

O Bezerro de Ouro

O “bezerro de ouro” é todo o Zahav (ouro), ou seja, Zê Háv (dar isto). Ele é o todo da imensa
vontade de receber que existe dentro de nós por todos os prazeres. Todos nossos desejos existem
simultaneamente.

Povo Teimoso

Trabalhamos com a revelação dos nossos desejos egoístas e deste modo constantemente regressamos
a eles. A parte de trás do pescoço é como Faraó, o lado posterior da Criação. Quando a grande
vontade de receber aparece, ela na realidade ajuda-nos.

“Povo teimoso” não é necessariamente mau; temos enormes Kelim com os quais podemos atrair
a divindade. Uma pessoa com pequenos desejos não pertence a Israel; Israel tem de ser
muito egoísta. As nações do mundo, contudo, têm pequenos Kelim e deste modo não conseguem
obter a Divindade. O povo de Israel é chamado um “povo teimoso”, ou seja, que temos algo com o
qual progredir, algo para corrigir e com o qual trabalhar.

Sumário
A coisa mais importante é continuar a avançar, segurarmos na meta e avançarmos para ela.
Independentemente do que aconteça, seja o bezerro de ouro ou três mil mortos ou outras
condições, tudo passa. E apesar de tudo, alcançaremos nossa meta.

* Talmude Babilônico, Maséchet Kidushin, 30b.

** Midrash Rábah, Eichá, ”Introdução”, Parágrafo 2.

*** Talmude de Jerusalém, Séder Nashim, Maséchet Nedarim, Capítulo 9, p 30b.

**** Salmos 49:13.

***** Zohar para Todos, Pinehás, item 247.

****** Talmude Babilônico, Maséchet Gitin, p 43a.


VaYakhél (E Moisés Reuniu)
Pekudei (Contas)
(Êxodo, 35:1-38:20, 38:21-40:38)

Sumário da Porção

A porção, VaYakhél (E Moisés Reuniu), começa com o mandamento, “Em seis dias será o
trabalho feito, mas o sétimo dia será para vós um dia sagrado” (Êxodo, 35:2). A porção também
lida com o donativo das pessoas de ouro, prata, cobre e tecidos preciosos e assim por diante.
Moisés determina que Bézalel e Aoliabe realizarão a obra sagrada pois eles são sábios de coração
e coletarão o donativo que veio da nação inteira, incluindo das mulheres.

Bézalel e Aoliabe contam a Moisés que os donativos são tão volumosos que há um excesso e não
há necessidade de mais. Moisés anuncia isto ao povo.

A porção elabora sobre a construção do tabernáculo pelos sábios de coração: as vestimentas,


tábuas, trancas e a Menorá. A porção Pekudei (Contas), menciona os nomes das pessoas que
participaram na construção do tabernáculo: Itamar, filho de Aarão o sacerdote; Bézalel, filho de
Uri; e Aoliabe, filho de Aisamaque.

Quando a construção do tabernáculo é concluída, os filhos de Israel o trazem a Moisés, que se


certifica que foi feito de acordo com o mandamento do Criador. O Criador diz a Moisés sobre
que dia estabelecer o tabernáculo e por que ordem santificar cada um de seus elementos. Ele
também ordena Moisés a untar Aarão e seus filhos como sacerdotes.

O fim da porção conta sobre a nuvem que cobre a tenda do encontro. Cada vez que a nuvem
sobe acima do tabernáculo os filhos de Israel viajam. E cada vez que ela desce sobre o tabernáculo,
eles acampam.

Comentário
Ambas as porções apresentam uma sequência de um tópico. A Torá começa com “Eu criei a
inclinação ao mal; Eu criei para ela a Torá como tempero. ” * A inclinação ao mal é nossa inteira
natureza que se manifesta no nosso ódio de uns pelos outros. Primeiro devemos descobri-la; assim,
a primeira revelação da inclinação ao mal toma lugar com Abraão na Torre da Babilônia.
Subsequentemente, a descobrimos no trabalho forçado no Egito, então no pé do Monte Sinai, onde
o ódio prevaleceu entre todos, como está escrito, “Ódio desceu para as nações do mundo”.** Este
é o reconhecimento do mal.

Não é simples tarefa conhecer o mal. É mais do que descobrir que um é preguiçoso ou enganador,
ladrão ou explorador. Em vez disso, o mal aparece somente quando queremos nos unir com os
outros. Isso acontece somente entre aqueles que são atraídos para a conexão, para “Ama teu
próximo como a ti mesmo. ” *** Quando tentamos, a Natureza resiste e não nos deixa conectar.
De acordo com a Torá, que é a força superior, se desejarmos verdadeiramente alcançar o amor pelos
outros e através dele o amor pelo Criador (o amor abrangente) e queremos descobrir a força
benevolente comum que prevalece no mundo, tudo o que precisamos é da Torá.

Hoje, pode parecer que o mundo é terrível porque o estamos a examinar através da nossa inclinação
ao mal, através de nossas qualidades corruptas. Mas “Todos aqueles que jogam defeito, jogam no
seu próprio defeito. ” **** À medida que nos corrigimos, nos tornamos justos e justificamos o
Criador e Sua Criação. Então começamos a ver o mundo como bom. Baal HaSulam descreve-o no
seu ensaio, “Ocultação e Revelação da Face do Criador”. ***

Quando começamos a nos conectar com os outros e a os amar, quando nos aproximamos do mundo
global e integral - à medida que o descobrimos cada dia, daí a presente vinda à superfície da
sabedoria da Cabala - começamos a sentir o mal. Então e somente então precisamos nós da Torá, a
“luz que reforma”. *****

A Torá não se trata de estudar o texto. Em vez disso, ela trata-se de estudar em prol de receber a luz
que corrige, de adquirir mais e mais amor pelo mundo. Assim, nos tornamos mais e mais
semelhantes ao Criador, regressando à imagem do homem, chamado “Adão”. A parte que
alcançamos e corrigimos sobre nossa inclinação ao mal, a parte que torna a inclinação ao malem
uma boa inclinação, é chamada uma “alma”.

É por isso que levamos do Egito os principais Kelim (vasos), que são valiosos aos olhos da grande
inclinação ao mal. É através destes que emergimos do período conhecido como “Egito” e
reconhecemos a inclinação ao mal, construindo dela o bezerro de ouro. Quando tudo aparecer clara
e intensamente, verdadeiramente precisamos da Torá.

Por esta razão, as primeiras tábuas eram desadequadas para a correção. Somente as segundas tábuas
que Moisés trouxe a Israel no Dia do Perdão eram adequadas para a correção, assim que o povo
havia reconhecido o mal dentro deles. Conhecemos o mal em nós e precisamos da Torá somente
depois de vermos o bezerro de ouro dentro de nós. Assim, resistimos amar os outros, em vez disso
querendo explorar o mundo inteiro.

A Torá explica as fases da construção do tabernáculo - precisamos escolher entre todos os maus
desejos que temos para os outros que podemos corrigir de receber para dar, do ódio ao amor. Esta
é a Torá inteira, as instruções de como fazer isto. Em vez de estarmos imersos na nossa inclinação
ao mal, vendo somente a realidade estreita deste mundo, se corrigirmos nossos desejos até
ligeiramente podemos abrir-nos para ver o mundo superior, aqui e agora.

À medida que nos desenvolvemos desta maneira, o mundo ao nosso redor se abre e aparece como
o mundo de Assiá, Yetzirá, Briá, Atzilut e Adam HaRishon - o mundo de Ein Sof (infinito), no fim da
correção. Primeiro, construímos uma pequena Neshamá (alma) comum a todos. Esta é a “tenda do
encontro”, que inclui os níveis inanimado, vegetativo, animado e falante, isto é, nossa qualidade, o
Yod-Hey-Vav-Hey, o completo HaVaYaH dentro de nós. Precisamos tomar de cada desejo e conectar
tudo a um único desejo integral que é comum a todos, que conecte todos prontos para isso,
construindo juntos um Kli (vaso) unido comum. É assim que todos avançarão.

Precisamos ter as qualidades de um sacerdote, como Bezalel ou Aarão e certas qualidades de Moisés,
o primeiro dos sacerdotes, Levitas e Israel. A Torá explica como podemos usar a luz que atraímos em
prol de compreender que desejos podemos corrigir agora e quais podemos corrigir mais tarde.

Como disse Moisés na anterior porção, somente metade dos desejos foram corrigidos usando o meio
shekel, o shekel da santidade. A outra metade vem do alto. A metade é nossa carência e a outra
metade é a luz que corrige e complementa. Com nossos esforços construímos tudo o que depende
de nós, todas as qualidades da alma: sacerdotes, Levitas e Israel, usando prata, ouro e várias pedras
preciosas.

Através da mente e coração que somente as qualidades de Bézalel têm - pois são uma réplica do
Criador - sentimos que temos um exemplo através do qual construirmos nossas almas de acordo
com o Criador que aparece diante de nós. É assim que construímos a alma. Nela, experimentamos
o novo mundo, o Kli, nossos desejos corrigidos. Dentro desses desejos está a força de doação e amor
chamada Boré (o Criador), das palavras Bó Re’eh (Venha e Veja). É assim que chegamos para ver,
descobrindo o Criador.

Os primeiros passos alternam na aparição entre nuvem e fogo, enquanto o Criador ascende e desce.
“Levantai-vos, Ó Senhor, dispersai Teus inimigo e que aqueles que Te odeiam fujam diante de
VÓS” (Números, 10:35). Na nossa presente situação, no nosso mundo, não podemos falar destas
coisas ou das partes que precisamos corrigir pois ainda não temos sensação de nossas almas. Não
encontramos estes desejos em nós ou sabemos como examiná-los ou os conectar neste sistema
extremamente complexo.

A Torá fala-nos disto na forma de uma história que é uma réplica do nosso mundo terreno: rochas,
árvores, pessoas, roupas, tempo, movimento e lugar. Estas formas são descritas para que possamos
discernir que partes da alma devemos corrigir.

Dentro da alma há forças que trabalham em prol de receber; estas devem ser transformadas para
trabalharem em prol de doar. Ainda não conseguimos exprimir estas forças e dar-lhes um nome
pois não as conhecemos, então a Torá conta-nos a história à sua própria maneira e os Cabalistas o
transmitem na “linguagem das raízes e ramos”.

Os Cabalistas contam-nos sobre as forças que operam, sobre as partes da alma. O Livro do Zohar
com o comentário Sulam (Escada) que Baal HaSulam escreveu o narra na linguagem da Cabala,
para que possamos compreender que a Torá fala somente das partes de nossa alma e a correção do
coração, que são nossos desejos. Desta maneira, podemos revelar a inteira Torá, descobrindo-a nos
nossos corações como um sistema corrigido e descobrir a força superior, o Criador, dentro de tudo
isso.

Perguntas e Respostas
O que significa reunir?
“Reunir” refere-se aos filhos de Israel que Moisés reúne em prol de declarar o dia de Shabat,
a conclusão da obra. A meta deve ser clara desde o início pois “o fim de uma ação está no
pensamento preliminar”. * Se soubermos porque devemos alcançar adesão com o Criador, porque
devemos nos tornar a nós mesmos semelhantes, o descobrindo e sendo como Ele, literalmente “face-
a-face”, estando no grau de Moisés, devemos saber isto em avançado. Até na mais pequena ação,
deve haver a mesma meta, a mesma linha clara desenhada, nos obrigando a avançar somente nesta
direção. Quaisquer que sejam os problemas que surjam no caminho, ascensões, descidas e
reviravoltas, todas elas serão lidadas para que possamos progredir.

É por isso que no deserto que Israel atravessam há constante reconhecimento do mal e isso é na
realidade para o melhor. Desejos adicionais continuam a vir à superfície e devemos corrigi-los em
prol de avançar para a terra de Israel - o desejo corrigido onde o Criador reside.
Porque temos de saber todos os detalhes pelos quais avançar, estas ascensões e descidas?

É assim que alcançamos o plano da Criação, seu propósito, a sensação e entendimento dele. Há
uma diferença entre a vontade de receber que o Criador formou em existência a partir da ausência
no princípio da Criação e a vontade de receber no fim da Criação. No fim da Criação, esse desejo
tem uma mente. Ele permanece a mesma vontade de receber, mas com uma mente, compreensão,
reconhecimento e sensação. Tudo vem da conexão entre a mente e coração.

Vamos experimentar necessariamente todos os elementos descritos nesta porção?

Não os vamos experimentar sem o planear, sem desejar participar, sem elevar MAN e pedir para
corrigir. Somente aqueles entre nós que querem, sentem e estão conscientes de quanto odeiam mas
querem amar, vão experimentar alguma todas as coisas. Deste modo, devemos corrigir algo do
inanimado em nós, algo do vegetativo e assim descobrir a realidade na qual nos encontramos e
disso revelar a outra realidade.

Gradualmente, nos tornamos uma estrutura que contém a mente e coração, toda a sabedoria no
mundo. O todo da Natureza está dentro de nós e nós incluímos todos os mundos. Nada há fora de
nós. O vaso mundo que descrevemos fora de nós não existe realmente; ele é somente retratado
desta maneira nos nossos Kelim externos, que se devem todos tornar internos. Assim, nada há
senão o homem e o Criador, que são como um único sistema.

De O Zohar: Quem Quer Que Seja de Coração Generoso, Que O Traga a Mim
“Tomai de entre vós um donativo”. Quando uma pessoa coloca sua vontade pela obra de seu
Mestre, essa vontade primeiro se sobe ao coração - a persistência e a base do corpo inteiro.
Posteriormente, essa boa vontade sobe sobre todos os órgãos do corpo, a vontade de todos os órgãos
do corpo e a vontade do coração se juntam, puxando sobre elas a claridade da Divindade para morar
com eles. E essa pessoa é a porção do Criador, como está escrito, “Tomai de entre vós um donativo”.
“De entre vós” é a extensão, de assumirmos sobre nós mesmos esse donativo, a Divindade, para que
a pessoa seja uma porção do Criador. Zohar para Todos, VaYakhel (E Moisés Reuniu), item 71

Inicialmente, há um desejo egoísta que corrigimos pelo donativo. O donativo é a parte da


vontade de receber com a qual podemos aumentar a qualidade de doação. O donativo eleva a parte
da doação com a qual queremos dominar e avançar.

Com donativos que separamos do ego, nomeadamente partes que santificamos e invertemos em
doação e amor, avançamos para o fim da correção. Nessa altura, não construímos um tabernáculo
ou a avançar no tabernáculo em tempo, lugar e movimento. Em vez disso, estamos a alcançar o
Monte Moriá e a construir o Templo.

Os Cabalistas alcançam a estrutura completa, a alma completa, chamada Beit HaMikdash (Casa de
Santidade, Templo). Nele estão todas as partes: sacerdote, Levita, Israel e as nações do mundo. O
grande Cabalista, Ramchal (Rabi Moshé Chaim Lozzato), escreveu um ensaio especial conhecido
como “O Lugar de Moradia do Altíssimo”, no qual ele retratou em grande detalhe como se deve
parecer o terceiro Templo. Ele não se referiu às rochas de Jerusalém, mas à estrutura da alma
corrigida, que deve eventualmente estar no Shabat, como foi dito no princípio da porção.
Chegamos ao Shabat aquando da conclusão dos seis dias, ou seis mil anos, quando todos os Kelim
estão corrigidos e nada mais há para fazer ou com que trabalhar senão desfrutar, na felicidade e paz.

Quando os filhos de Israel trazem donativos, Moisés diz, “Isso é suficiente, haveis ido longe demais”.
Soa estranho pois dizemos que não há limites para a doação.
Verdade, mas cada grau tem seu próprio escrutínio. A alma consiste de três partes: NHY, HGT,
HBD ou Ibur (gestação), Yeniká (nutrição), e Môchin (consciência/maturidade), ou Néfesh, Ruach,
Neshamá. Neshamá é chamada segundo a grande luz que pode estar nela.

Assim, ao grau que Israel dão um lote, no grau dos Letivas eles não dão tanto e no grau dos
sacerdotes eles dão ainda menos. Isso depende do grau de uma pessoa e de quem realiza o
escrutínio.

Isso também depende do grau ao qual elevamos nossos desejos. Se permanecemos nos desejos do
grau de Israel, o que quer que tragamos é suficiente. Mas quando os desejos estão no nível de Levitas
ou sacerdotes, não temos forças suficientes para estarmos em grau tão alto com todos nossos desejos,
então eles são restringidos. Este é o sentido dos “graus na alma”.

Se o Criador nos dá e então diz, “Dai de volta”, porque deu Ele em primeiro lugar?
O Criador criou um mundo inteiro, o mundo de Ein Sof, então quebrou-o e deu-nos um mundo
quebrado e um Adam quebrado (alma) para que o concertemos. Isso é semelhante a um puzzle ou
peças de LEGO que montamos e aprendemos enquanto avançamos. Se dermos este jogo a uma
criança sem o desmontarmos, a criança o desmontaria, pois, as crianças são conduzidas pelo
impulso de separarem as coisas para as compreenderem. Por natureza, não podemos abordar uma
coisa completa. Para a compreender, estudar, devemos quebrá-la ou fazê-la quebrar.

Como tudo isso se conecta aos donativos?

Nós pegamos nos nossos desejos quebrados e os elevamos tão alto quanto conseguimos para a
correção e a correção vem do alto. O Criador nos deu tudo quebrado; precisamos somente de elevar
essa corrupção (a reconhecer) e pedir para Ele participar na correção. A correção em si mesma vem
sempre do alto através da luz que reforma, como está escrito, “Eu criei a inclinação ao mal; Eu criei
para ela a Torá como tempero ... pois a luz nela reforma. ”******

Nós estamos no meio. Nós não pertencemos à inclinação ao mal; ela não é nossa pois na verdade,
o Criador a fez e nos deu. Também não pertencemos à luz que reforma. Nosso trabalho é somente
conectar as duas: o desejo corrupto abaixo com a luz do alto. Tudo o que precisamos fazer é pedir,
exigir e orar pela correção.

Como o fazemos adequadamente? Como nos devemos preparar para este trabalho para que a
tragamos ao Criador da maneira certa?

Nosso desejo é separar cada desejo cujo tempo chegou. Primeiro o examinamos através da luz, então
o definimos para a correção através da luz e pedimos a correção. Estas coisas podem acontecer
somente pela luz que brilha, sem estudar a sabedoria da Cabala é impossível fazer coisa alguma,
pois é isto o que nos traz a luz.

Recebemos a luz quando estudamos a Cabala?

Sim. Durante o estudo, começamos a ver como tudo encaixa no seu lugar. Se estudarmos
adequadamente, leva algum tempo para na realidade o concretizar, mas podemos estudar a Bíblia,
o Pentateuco, a Gemará e Mishná e todos eles serão uma fonte de luz para nós.
De O Zohar: Estas São as Contas do Tabernáculo

E como o desejo de todos de Israel estava em que eles se voluntariaram, assim era seu desejo nesse
cálculo. Pelo seu desejo, eles prolongaram as Mochin do cálculo e então o trabalho inteiro foi feito
pelo desejo. Assim, cálculo é necessário aqui no tabernáculo, dado que pelo cálculo é o trabalho
feito. É por isso que está escrito, “Estas são as contas do tabernáculo”.

Esse é um cálculo que macula todos os cálculos no mundo - prolongamentos de GAR de Chochmá -
que não são de Kedushá (santidade), pois eles persistem, mas destroem o lugar para o qual são
atraídos. Todavia, este cálculo no tabernáculo, que é VAK de Chochmá, persiste mais que todos os
outros e com ele o tabernáculo persiste e não por outro. Zohar para Todos, Pekudei (Contas), item 49

Há uma grande diferença entre VAK e GAR. GAR significa que nós mesmos atraímos; VAK significa
rejeitamos, que tudo é feito em doação. As luzes todas passam através de nós; recebemos o inteiro
Ein Sof em prol de o transmitir para todos. Mas não somos prejudicados quando trabalhamos
somente para doar, assim nos fazendo semelhantes à fonte, o Criador. Ele passa através Dele até
cada um e cada um a todos, a grande esfera chamada “a alma comum de Ein Sof” é feita.

Termos
Trabalho

“Trabalho” é a correção do sistema do tabernáculo. Nada há mais que isso. Há nove obras na obra
do tabernáculo; o resto não são trabalho ou arte.

Nuvem

Uma “nuvem” indica ocultação. O Criador esconde-se a Si Mesmo, mas a divulgação é em


ocultação, quando um vê que Ele está escondido. Há opostos aqui, que é o porquê de nos corrigir.
A nuvem conduz-nos e até Moisés foi para a nuvem.

Donativo
Um “donativo” para o Criador significa que quanto mais aumentamos a importância do Criador
aos nossos olhos, a importância da qualidade do amor e doação, mais avançamos.

Tabernáculo e Tenda do Encontro

A alma contém um meio ambiente, um Kli externo (vasos). Embora ela contenha grandes luzes, elas
são luzes circundantes. Também, há Kelim internos (plural de Kli), que são o tabernáculo. Em
semelhança ao nosso mundo, temos uma Shoresh, Neshamá e Guf (raiz, alma e corpo,
respectivamente) dentro de nós, e Levush e Heichal (veste e salão, respectivamente) que são o resto
do mundo. É assim que somos construídos, como percebemos o Kli onde estamos. Mas tudo está
dentro de nós, até quando nos parece que tudo é externo.

O mesmo é verdadeiro para o tabernáculo. Ele é um tabernáculo interno, rodeado da tenda do


encontro, um tribunal e muitos outros detalhes. Quando começamos a reparar nele e a estudá-lo,
vemos que cada elemento é verdadeiramente uma forma única de obra.

De O Zohar: Belos Galhos, a Alegria da Terra Inteira

A beleza do mundo e a visão do mundo não são vistas no mundo até que o tabernáculo fosse
construído e estabelecido e a arca entrasse no lugar sagrado. Desse tempo em diante, a visão de
todas as coisas, da Divindade, foi vista no mundo e o mundo foi estabelecido. Os dignos entram
no tabernáculo e na arca até que cheguem ao ponto médio que lá está, que é “Belos ramos, a aletria
de toda ..”. Assim que lá chegaram, a arca começou e disse, “Este é Meu lugar de repouso para
sempre; aqui morarei eu, pois eu o desejei”. Zohar para Todos, Pekudei (Contas), item 42

Quando chegamos a este momento excitante, não há nada mais sublime. Estamos em contato e
Dvekút (adesão) com o Criador e descobrimos a meta para a qual durante tanto tempo trabalhámos.
Doravante, só melhoramos o ponto de Dvekút até ao fim da correção.

Hoje o mundo está em uma crise. Ela é o princípio da inclinação para a conexão. Mais precisamente,
é o princípio da revelação da sabedoria da Cabala. Está escrito, “E eles não mais ensinarão a cada
homem seu próximo e a cada homem seu irmão, dizendo, ‘Conhecei o Senhor’, pois todos eles Me
conhecerão, desde o menor deles ao maior entre eles” (Jeremias, 31:33).

Em outras palavras, todos saberão do Criador. Esta é a sabedoria pelo qual foi escrito, “todos eles
Me conhecerão”, e “Minha casa será chamada 'uma casa de oração para todas as nações'“ (Isaías,
56:7).

Em outras palavras, o tabernáculo, a tenda, o Terceiro Templo, todos os desejos, tudo o que existe
no universo alcançará conexão e correção. Como está escrito sobre isso, “Eu os trarei à montanha
de Minha santidade e Eu jubilarei neles na Minha casa de oração, seus holocaustos e seus sacrifícios
serão aceitáveis no Meu altar, pois Minha casa será chamada uma casa de oração para todas as
nações” (Isaías, 56:7).

* Talmude Babilônico, Maséchet Kidushin, 30b.

** Midrash Rabah, Shemot (Êxodo), Porção 2, Parágrafo 4.

*** Talmude de Jerusalém, Seder Nashim, Maséchet Nedarim, Capítulo 9, p 30b.

**** Talmude Babilônico, Maséchet Kidushin, p 70a.

***** Os Escritos de Baal HaSulam, p 766.

****** Midrash Rabah, Eichá, “Introdução”, Parágrafo 2.

******* Lechá Dodi, Elkabetz, cantado na Noite de Shabat

******** Talmude Babilônico, Maséchet Kidushin, 30b; Midrash Rabah, Eichá, “Introdução”, Parágrafo 2.
VaYikrá (O Senhor Chamou)
(Levítico, 1:1-5:26)

Sumário da Porção
A porção, VaYikrá (O Senhor Chamou), lida com as regras do sacrifício e sacerdotes servirem no
tabernáculo. Algumas oferendas são opcionais; algumas são mandatárias. Algumas das oferendas
são queimadas em cinzas no altar e algumas permanecem para os sacerdotes e o dador da
oferenda.

As regras das oferendas falam de uma “oferenda queimada” que a pessoa traz voluntariamente
do gado, rebanho e aviário. Há também uma “oferenda de presente”, que um traz
voluntariamente da flora. Também, há a “oferenda da paz”, que é uma oferenda que um trás do
gado, ovelhas e cabras. A “oferenda do pecado” é uma oferenda trazida por aquele que pecou por
engano. Essa pessoa faz uma oferenda para expiar pelo pecado.

Comentário
A porção, VaYikrá (O Senhor Chamou), ensina-nos sobre o trabalho das oferendas, que são
também o tópico principal no Talmude. Aprendemos todos os trabalhos do Templo.

Quando as pessoas se aproximam do propósito da Criação e Dvekút (adesão) com o Criador - o


nível humano e a sensação da Natureza como completa e eterna, como foi preparado para nós, essa
aproximação é chamada Korban (oferenda/sacrifício), da palavra Karov (perto). Estamos a aproxima-
lo passo a passo ao corrigir nossa natureza.

Há 613 desejos em nós que devemos corrigir um de cada vez, cada desejo com todas suas partes.
Nossos desejos se dividem em quatro níveis: inanimado, vegetativo, animado e falante. O trabalho
das oferendas ensina-nos a como os sacrificar e corrigir para que estejam em doação e amor. A regra
no nosso trabalho é corrigir nossa natureza e alcançar o estado, “Ama teu próximo como a ti mesmo;
esta é uma grande regra na Torá. ”* Assim, nos tornamos similares ao Criador e
alcançamos Dvekút com Ele.

A correção do desejo egoísta de receber para mim mesmo para a doação sobre os outros é chamada
uma “oferenda”. A oferenda pode vir de várias fontes. Ela pode vir do inanimado, como está escrito,
“Sobre todas tuas oferendas ofertarás tu sal” (Levítico, 2:13), ou água ou óleo. Pode também ser do
vegetativo ou plantas processadas, tais como o pão da presença. Do animado, somente uma certa
espécie é ofertada. O trabalho diário dos sacerdotes e Levitas no Templo é sacrificar o rebanho e o
gado.

Há oferendas que se deve fazer em uma base diária, semelhantes ao nosso progresso do dia-a-dia de
acordo com o plano da Criação, em um ritmo predeterminado. Quando não seguimos o exemplo,
as forças negativas empurram-nos por trás.

As oferendas que não podemos fazer, nomeadamente os desejos que não conseguimos corrigir
direcionando-os para doar sobre os outros, tornam-se as forças negativas que se manifestam como
problemas. Estes problemas empurram-nos por trás através de sofrimento e se acumulam até que
irrompam como crises, semelhante à crise abrangente que agora experimentamos.
Uma crise não é um estado negativo. Ela é um resultado de negligência. Ela ocorre porque estamos
submersos em materialismo em vez de nos elevarmos acima dele e porque somos tão obstinados e
nos recusamos a escutar a orientação dos Cabalistas.

De fato, a crise é um ponto de novo nascimento. Ela aponta para nossa incapacidade de viver de
acordo com o velho paradigma. Nossa perspectiva sobre a vida e nossa atitude para os valores nas
nossas vidas quebra e se desmorona, enquanto se manifesta na educação, relações familiares e assim
por diante.

Se em cada momento corrigirmos mais e mais pedaços do nosso egoísmo para altruísmo e amor
pelos outros, em conexão com a humanidade, com a Natureza, nos aproximaremos do Criador, a
única força que existe na realidade. Desta maneira, estamos em equilíbrio com ela e não há melhor
estado para nós que esse. Afinal, nesse estado não precisamos coisa alguma e residimos em um
mundo de felicidade absoluta.

VaYikrá detalha a ordem da correção de todos os 613 desejos quebrados egoístas em conexão com
os outros e através disso, nossa conexão com o Criador. Está escrito, “Do Amor pelo homem para
o amor a Deus”. ** Contudo, antes de nos conectarmos com os outros, devemos ser adequadamente
edificados por dentro e devemos nos preparar para a conexão interna, bem como externamente.

Assumamos que uma pessoa tem de ser “casada”, ou seja ter uma carência. Uma mulher é uma
carência ao lado do homem, uma carência adaptada à habilidade de a corrigir. A parte feminina de
uma pessoa é como uma carência, o lado esquerdo, enquanto a parte masculina é o lado direito,
que complementa a mulher. Em estado de trabalho colaborativo, uma pessoa é considerada
“casada”.

O homem - que é mais elevado que a mulher e quer avançar e corrigir a carência - faz uma oferenda.
A oferenda é também pela parte feminina da pessoa. O mesmo se aplica ao resto do povo.

O trabalho das oferendas é o trabalho no Templo, o Kli comum onde exprimimos nossa atitude
para o Criador. Há muitos detalhes neste trabalho: como matar, queimar e discernir todas as partes
nas oferendas.

Há uma parte de nós que desfruta e uma parte que é como “fumo”. A palavra “fumo” é um
acrônimo de Olam, Shaná, Néfesh (ASHAN [fumo]) pelo qual transcendemos as limitações do nosso
mundo, assim avançando para o propósito da Criação.

Quando começamos a nos conectar e a aproximar o Criador através de nossas oferendas, nos
tornamos mais ajustados ao Criador. Cada vez, um dos 613 desejos se torna mais adequado ao
Criador. Deste modo, começamos a sentir que o sistema no interior se está a tornar mais semelhante
a aquele do Criador. Então, começamos a compreendê-Lo uma vez que contemos uma amostra
parcial Dele que gradualmente se expande. Quanto mais nossos desejos se fecham em uma estrutura
semelhante à da Divindade, mais o Criador se “veste” na pessoa. Assim, nos tornamos mais
semelhantes ao Criador.

Através de nosso sistema interno, onde já se encontra uma parte do Criador, começamos a
compreender e a conhecê-Lo. Podemos imaginar ou visionar esse sistema, pensamentos, desejos e a
abordagem do Criador para conosco. Assim, podemos compreender crescentemente nossa atitude
para o Criador. O modelo que construímos no interior permite-nos estar em conexão recíproca
com o Criador e é assim que nos tornamos um homem (Adam).

Desde o princípio da Criação até seu fim, devemos atravessar um processo pelo qual nos devemos
corrigir a nós mesmos e nos elevar do nosso mundo ao mundo de Ein Sof (infinito). Devemos fazê-
lo internamente, na nossa estrutura interna, para que cada vez mais nos tornemos semelhantes a
força superior. Este é o trabalho com que esta porção lida.

O Criador convida-nos a fazer este trabalho, esperando que a humanidade responda. O trabalho
inteiro é da parte de nós chamada “Israel”, e sobre a qual foi escrito, “E vós sereis para Mim um
reino de sacerdotes e uma sagrada nação” (Êxodo, 19:6). Os sacerdotes são aqueles que gerem o
trabalho no Templo, trazendo o resto da nação a esta obra para que todos sejam capazes de se
corrigir a si mesmos.

Toda a Israel é considerada sacerdotes, em relação ao resto do mundo. VaYikrá (O Senhor Chamou)
é primeiro e antes de mais um chamamento para Israel e porque Israel está obrigada a ensinar o
resto da humanidade a como se aproximar do Criador. Está escrito sobre isso, “Todos eles Me
conhecerão, do menor deles ao maior entre eles” (Jeremias, 31:33), e, “pois, Minha casa será
chamada ‘uma casa de oração’ para todas as nações” (Isaías, 56:7), assim que seja construída.

É por isso que VaYikrá é um chamamento para a nação inteira de Israel se corrigir a si mesma tão
rápido quanto o possível, assim também corrigindo a crise global, os problemas mundiais e abolindo
o antissemitismo. Então, cada um será verdadeiramente como uma nação.

Perguntas e Respostas

Nós sacrificamos para o Criador, mas sacrifício na realidade significa aproximação entre as
pessoas. Qual é a ligação entre aproximar as pessoas e sacrifício para o Criador?
Há uma ação e há a intenção. Para realizar uma correção, devemos aproximar-nos dos outros. Não
nos podemos aproximar dos outros a menos que a força comum de doação que existe no mundo,
nomeadamente o Criador, apareça entre nós. Com a aproximação mútua podemos construir uma
oportunidade, um lugar, um espaço de desejo mútuo onde a força mútua de doação aparece, ou
seja, a força do amor, que não existe no nosso mundo. Essa força não existe nas nossas qualidades
a menos que nos esforcemos para o fazer, abrindo espaço para ela. O lugar onde a força de doação
aparece é chamado “morador” ou “a revelação da Divindade”. Ela requer três condições de modo
a existir: você, eu e o Criador.

Qual é a ordem entre eles? Parece razoável dizer, “Dá-me este tipo de templo e eu sacrificarei
minha vaca lá”.

Tudo está dentro de nós. A vaca, também.

Sucede-se que devemos nos aproximar do Criador para que Ele nos dê a força para amar os outros.
Deste modo, não alcança uma pessoa o Criador através dos outros, mas do Criador alcança os
outros? Porque os problemas estão entre nós e não com o Criador?

Verdade, não há outro modo. Começamos a odiar-nos uns aos outros; não temos desejo que se
pareça de nos aproximarmos dos outros. Somente através de problemas e apuros, quando
perguntamos como e porquê, qual é o sentido da vida, o que está acontecendo no mundo,
compreendemos que precisamos corrigir nossa natureza e começar a procurar uma solução. Nossa
correção é da recepção para a doação, do ódio para o amor, do entendimento que o ódio está a
destruir o mundo e nossas vidas.

Hoje o mundo inteiro está a lidar com corrigir a natureza humana pois ela arruína tudo, incluindo
este planeta. Muitos cientistas nos alertam sobre estes problemas, que já estão a causar nosso
colapso.
O problema é que não conseguimos restringir a natureza humana. Marchamos como ovelhas para
a matança, incapazes de nos impedir a nós mesmos. Baal HaSulam escreveu que o anjo da morte
vem com uma gota de veneno na ponta de sua espada e você abre sua boca para ela porque há um
último pedaço de prazer nela e então você morre. “Você não consegue ver além de si mesmo e até
se conseguir, simplesmente tem de ter esta gota”. *** Tal e qual, avançamos cegamente, seguindo
nossa natureza para guerras e apuros, arruinando tudo no caminho pois tudo é feito sem a
orientação superior.

Nós precisamos da força superior. Esta necessidade surge da sensação de apuros e problemas que já
aparecem no mundo, mas ela devia vir com uma explicação. Deve haver um sistema que fornece
informação que nós, os filhos de Israel, devemos transmitir ao resto do mundo. Este é o sentido
de “serão um reino de sacerdotes”. Os sacerdotes são aqueles que ensinam as pessoas, como está
escrito, “E vós sereis para Mim um reino de sacerdotes e uma sagrada nação” (Êxodo, 19:6).

Devemos tornar a razão da crise conhecida, bem como o meio para corrigir a natureza humana, em
prol de trazer o todo da humanidade ao equilíbrio com a Natureza, ou não sobreviveremos.

Embora as condições para isso já tenham sido preparadas, temos de fazer nossa quota deste
trabalho. É por isso que estamos a testemunhar um aumento no antissemitismo global, que só
aumentará a menos que tornemos o método de correção e seu uso conhecidos a devido tempo e
promovamos sua implementação por todo o mundo.

Deste modo está claro que nós mesmos devemos estar conectados ao Criador, estudarmos e
exigirmos a revelação do Criador em prol de nos permitirmos avançar. Tudo o que precisamos é da
sensação de carência e nosso impulso para isso, dado que no momento em que precisarmos de Sua
força, a pediremos e receberemos.

O que significa que sacrificamos uma vaca, uma ovelha ou uma cabra?

O Livro do Zohar explica que estas não são vacas, ovelhas ou qualquer outro animal kosher. Em vez
disso, é uma pessoa que precisa se corrigir, de discernir a parte animal no interior, a parte falante,
que é o sacerdote, Levita e Israel. Uma pessoa oferece e sacrifica parte do animal, que é todo o
animado dentro de nós. Na realidade, sacrifício diz respeito aos desejos dentro de nós, que estão
divididos em inanimado, vegetativo, animado e humano.

Então porque é tão difícil oferecer o sacrifício?

Não podemos executar correção sem primeiro saber o que fazer, sem internamente distinguir o bem
do mal. Presentemente, não sabemos o que corrigir. Você pode dizer, “Sim, por vezes eu minto”,
mas como pode dizer que é isto o que deve corrigir? Qualquer um pode dizer isso, pelo menos para
si mesmo. Contudo, até então, não é uma confissão sincera. Então como saberá o que o impede de
se aproximar da meta? Para isto, você precisa da revelação do Criador, a luz que reforma, para
iluminar os desejos que podemos sacrificar.

De O Zohar: Aquele Que Não Casou Com Uma Mulher é Defeituoso


“Quando qualquer homem de vós trouxer uma oferenda” significa excluir aquele que não casou
com uma mulher, dado que sua oferenda não é uma oferenda e não há bênçãos nele, nem acima
nem abaixo. Isto significa que quando ele escreve, “Quando qualquer homem de vós trouxer uma
oferenda”, ele é diferente, não um humano e não incluído no homem. Divindade não está sobre
ele pois ele é defeituoso e chamado “mutilado”, e aquele que é mutilado é removido de todas as
coisas, tanto quanto o mais do altar, de oferecer sacrifícios. Zohar para Todos, VaYikrá (O Senhor
Chamou), item 63
Pergunte a maioria das pessoas e elas lhe dirão, “Eu estou bem com o Criador; eu dou-me bem com
Ele”. Como sabem elas? Elas sentem deste modo? É assim que o Criador é retratado para elas?

Elas sentem-se assim pois o Criador está escondido delas, para que elas tenham a certeza que estão
bem com Ele.

Se a pessoa está bem com o Criador, porque está Ele escondido?

Nós não fazemos essa pergunta a nós mesmos. Dizemos, “Eu pago meus impostos, sou amigável aos
meus vizinhos, até coloco o lixo nos contentores certos. Estou bem”.

Como você explica para as pessoas que há a conexão, que devemos descobrir a qualidade de
doação dentro de nós, que isto é o Criador? Como explica que VaYikrá significa que o Criador
nos chama para nos aproximarmos de algo muito diferente?

Determinamos nossa própria situação na balança, de acordo com a força superior, que é
benevolente, inteira, na qual não há ódio, mas somente amor. Medimos quão semelhantes ou
diferentes somos do Único, de Quem tudo foi criado e para Quem tudo retorna. Primeiro, devemos
sentir e ver quão diferentes ou semelhantes somos Dele. Devemos também nos envolver na
sabedoria da Cabala, ou não teremos chance de nos aproximar Dele.

É assim que todos pensam, e é por isso que é impossível nos voltarmos para alguém desta maneira.
Precisamos nos medir a nós mesmos em comparação com o Criador e então será possível ver quão
obrigados nós estamos e como o Criador assim nos fez. Podemos dizer, “Ide ao artesão que me fez”,
**** dado que Ele me fez deste modo e somente ao trazer a luz superior será alguma coisa resolvida.

Nossas qualidades foram desenhadas desde a infância pelos nossos pais, educação, o meio ambiente,
o Criador, genes, avós e gerações anteriores. Então há nossos acréscimos. Sobre essa parte, que
podemos evitar acrescentar a nós mesmos, temos uma escolha e podemos dizer, “Isto eu preciso de
corrigir”. Este é o escrutínio inicial. Esse é um trabalho muito especial, que é o porquê de não
chegarmos imediatamente às oferendas.

Durante todas as porções anteriores, avançamos para este trabalho, descobrindo o Criador - a força
superior - no nível em que estamos através da qualidade de Moisés em nós. Nos medimos em
comparação com esta qualidade e somente então podemos corrigir nossas qualidades e sabemos
quantas delas precisamos concertar e como. Afinal, temos muitas qualidades que não precisam de
correção pois elas são corrigidas por si mesmas, uma vez que não nos pertencem.

Termos

Oferenda/Sacrifício

A palavra, Korban (oferenda/sacrifício), vem da palavra, Karov (perto), como está escrito, “Quando
Faraó se aproximou, os filhos de Israel olharam, e eis, os Egípcios marchavam atrás deles e eles
ficaram muito assustados; então os filhos de Israel clamaram para o Senhor” (Êxodo, 14:10). Faraó
é nossa maior força de avanço. De fato, tudo o que matamos no altar, tudo o que corrigimos, são
partes de Faraó, essa grande vontade de receber da qual cortamos fatias e sacrificamos. Com isso,
nos tornamos corrigidos e nos aproximamos, até que a imagem do Criador emerge em nós da
imagem do Faraó.
Pecado

“Pecado” é a divulgação completa de nossa natureza, mostrando quão absorvidos estamos no amor-
próprio em vez de amor pelos outros.

Erro

A corrupção da força de Biná em nós é chamada “erro”. A corrupção da força de Malchut em nós é
chamada “pecado” (ação deliberadamente faltosa). No nosso mundo, os pecados são de longe
maiores que erros. Tomemos por exemplo, uma pessoa que quer roubar; o erro é que ela é invejosa
de outra e aparentemente não lhe faz mal ao ser invejosa.

A correção do erro é quando uma pessoa transcende a sua vontade de receber e não a quer usa.
Nessa altura, a pessoa se torna desconexa do erro e mais tarde inverte o ego inteiro, a inteira vontade
de receber, ao ter a direção de doar sobre os outros. É assim que corrigimos os pecados.

De O Zohar: Se Sua Oferenda For Uma Oferenda Queimada

A oferenda queimada sobe sobre o coração, ou seja, sobre o pensamento, que está acima do coração.
É sabido que aquele que se encontra sobre o coração é o pensamento, dado que o pensamento, que
é Chochmá (sabedoria), é considerado macho e o coração como feminino - Biná (entendimento), o
coração entende - pois ela recebe de Chochmá. É por isso que uma oferenda queimada sobe e todos
eles são machos e é por isso que a escritura começa com uma oferenda queimada mais que todas as
outras oferendas, dado que o pensamento é o princípio de todas as coisas. Zohar para Todos,
VaYikrá (O Senhor Chamou), item 73
Sucede-se que tudo acontece nas nossas mentes. Não precisamos trabalhar fisicamente. O mundo
inteiro é um mundo espiritual, um de forças. Nós vemos pela tecnologia como avançamos para um
estado onde grandes fábricas e máquinas que produzem metais se estão a tornar redundantes.
Quando agimos pelo pensamento, o mundo se torna muito mais “etéreo”, espiritual. Através de
nossos pensamentos, e por eles nos aproximarmos da boa vida.

* Talmude de Jerusalém, Séder Nashim, Maséchet Nedarim, Capítulo 9, p 30b.

** Rav Yehuda Ashlag (Baal HaSulam), Os Escritos de Baal HaSulam, “O Amor por Deus e o Amor pelo Homem”, p
482.

*** Rav Yehuda Ashlag (Baal HaSulam), Os Escritos de Baal HaSulam, “Introdução ao Livro, Panim Meirot
uMasbirot (Face Brilhante e Acolhedora) ”, p 149.

**** Talmude Babilônico, Maséchet Taanit, p 20b.


Tzáv (Comando)
(Levítico, 6:1-8:36)

Sumário da Porção
A porção, Tzáv (Comando), lida com as regras de sacrificar, especialmente aquelas relacionadas
aos sacerdotes. A porção menciona o comando de doar fertilizante, a oferenda presente, a
oferenda de pecado, a oferenda de culpa, a oferenda da paz e a proibição contra
comer gordura animal.

Tzáv também menciona punições para aqueles que comem carne não-kosher, como está escrito,
“A alma que come dela produzirá iniquidade (Levítico, 7:18). Aquele que come gordura das
oferendas, “A alma que come será separada do seu povo” (Levítico, 7:25), e aquele que come das
oferendas de sangue, “Essa alma será separada de seu povo” (Levítico, 7:20).

Subsequentemente, a porção lida com os sete dias de preenchimento e a inauguração do


tabernáculo. O Criador ordena Moisés a reunir Aarão e seus filhos, os sacerdotes e toda a
congregação na porta da tenda de encontro. Moisés lava Aarão e seus filhos e os veste nas roupas
do sacerdócio. Moisés coloca o óleo de unção sobre o tabernáculo e tudo o que está nele e santifica
Aarão e seus filhos, demonstrando aos sacerdotes - seguindo a ordem do Criador - o que fazer
com os vários órgãos das oferendas.

Comentário
O Korban (oferenda/sacrifício, da palavra, Karov [perto]) é a forma de se aproximar do Criador.
Nada há senão as oferendas. Hoje, nós estamos no pior estado na história. Nada há pior que este
mundo e nosso presente estado. Devemos sair desse estado e avançar para o Boré (Criador), das
palavras Bô Re’é (venha e veja). Descobriremos o Criador de acordo com as mudanças e correções
em nós pois a força superior, nomeadamente a luz superior, está em repouso absoluto e todas as
mudanças ocorrem em nós, como está escrito, “Eu o Senhor não mudo” (Malaquias, 3:6).

Aproximação do Criador depende de nossas qualidades. Deste modo, devemos nos mudar a nós
mesmos e corrigir todos os desejos negativos e egoístas em nós, de acordo com a ordem que a Torá
narra. A palavra Hebraica Torá, vem da palavra, Ora'á (instrução), ou seja, como corrigir nossos
desejos egoístas, direcionando-os para a doação e amor e alternando de ódio infundado para o amor
absoluto.

A crise global está a acontecer devido ao ódio infundado entre todos. Não podemos estabelecer a
justiça social, conexão, unidade e não nos conseguimos organizar a nós mesmos e a nossas vidas
melhor por causa do nosso carácter, como está escrito, “A inclinação no coração de um homem é
má desde sua juventude” (Gênese, 8:21). Para corrigir o coração, que simboliza nossos 613
desejos egoístas, corruptos, precisamos da Torá.

A Torá é a “luz que reforma”. * Aquele que trata a Torá adequadamente descobre a sua impiosidade,
como está escrito, “O mundo foi criado somente para os completos ímpios ou para os completos
justos”.** Isto é, devemos descobrir que somos completamente ímpios, criados com uma inclinação
ao mal. Então, “Eu criei para ela a Torá como um tempero”***, pois “a luz nela os reforma”. ****
Então, chegamos a um estado de completos justos. É assim que o devemos ver.
A palavra, Tzáv, significa “mandamento”. Podemos atravessar o processo ao sofrer e receber golpes,
mas este caminho não é nem respeitável nem desejável aos olhos do Criador, ou aos nossos. Mas
há outro caminho. Podemos atravessar o processo reconhecendo e entendendo que estamos a ser
conduzidos para descobrir a força superior e estamos sendo elevados a uma dimensão superior. A
crise e o sofrimento que sentimos neste mundo são dirigidos a nos empurrar para nos
desenvolvermos em um nível superior, o humano, que se assemelha ao Criador.

Há muitas fases neste trabalho. Algumas fases são chamadas “as nações do mundo”, e nelas
escrutinamos nossos desejos e os corrigimos ligeiramente no nível das “nações do mundo” que
seguem sete Mitzvot (mandamentos). Somente então alcançamos o grau de Israel, ou seja Yashar El
(direito ao Criador), onde já nos direcionamos para o Criador.

Manter ou observar Mitzvot (em Hebraico, é descrito como “fazer”) significa corrigir nossos desejos.
Dos 613 desejos que pertencem ao trabalho de Israel, alcançamos o grau de Levitas e o grau de
sacerdotes. Assim, podemos atravessar o Yod-Hey-Vav-Hey de baixo para cima, de Malchut passando
por Zeir Anpin, Biná, Chochmá e Kéter até alcançarmos Dvekút (adesão) com o Criador.

Esta é a ordem inteira do trabalho que a Torá descreve e é apresentado no Talmude Babilônico. As
oferendas são um assunto mais complicado - elas são, de fato, nosso inteiro trabalho. “Fazer uma
oferenda” significa aproximar o Criador através de correções consecutivas de nossos desejos.
Gradualmente nos aproximamos o Criador com correções que começam com os mais fáceis desejos
e continuamos até aos mais duros, mais pesados e mais egoístas.

Estes são desejos que separamos dentro de nós e então determinamos como os corrigir. É por isso
que o texto menciona partes do corpo, óleo, tempo, movimento, lugares, a força pela qual
corrigimos e em que estado. Também devemos manter em mente que tudo isto diz respeito somente
a nossa estrutura interna.

Nós estamos imersos em um oceano de luz superior, que é o Criador, como está escrito, “A luz
superior está em repouso absoluto”*****, e todas as mudanças aparecem somente a nós, que estamos
dentro da luz. Se não sentimos que a luz, o Criador, está a preencher o todo da realidade, isso
significa que estamos em um estado de “dupla ocultação”. Isto é, não temos sensação de que algo
está escondido de nós. O primeiro grau que alcançamos é a sensação de ocultação, a consciência
que alguma coisa está escondida de nós.

Hoje, toda a humanidade está a começar a percebe-lo. Cientistas e psicólogos estão a começar a ver
que o mundo é redondo. Eles falam de uma única força que nos cerca e controla, que há orientação
e governação unificada e que o mundo está atado em harmonia através de leis fixas.

Está escrito, “Ele deu uma lei que não será quebrada” (Salmos, 148:6). Gostemos disso ou não,
eventualmente teremos de nos aproximar dessa lei, a estudar, a imitar e a manter. Se o quisermos,
bom. Se não o quisermos, seremos forçados a aceitá-la através de golpes, como muitas histórias da
Torá descrevem.

A Torá conta-nos sobre coisas más que ostensivamente acontecem se não fizermos o que devemos.
É necessário reconhecer o mal e sua divulgação. Está escrito, “Eu criei a inclinação ao mal”******,
para que cada vez que a inclinação aparece, a devemos corrigir. Podemos discernir a inclinação ao
mal somente se cairmos nela. Mas se chegarmos preparados, não nos misturaremos com ela ou
cairemos debaixo dela, mas a controlaremos e corrigiremos. Foi por isso na realidade que nos foi
dada a Torá.

O mundo inteiro está a aproximar-se desse reconhecimento. Muitos cientistas já afirmam que
existimos em um sistema circular, que há uma força na Natureza que atua sobre nós, exigindo que
nos adaptemos a ela em um mundo global e integral, em harmonia e equilíbrio com a Natureza.
Eles já falam sobre holismo e outros tais fenômenos, então há excitação e algumas novas impressões
que se aproximam da verdade.

Primeiro devemos reconhecer que há verdadeiramente algo escondido de nós. Isto é considerado
“ocultação”, e isso é bom; essa é a sensação de exílio. Quando estamos no exílio, o sentimos através
do nosso contato com a força superior que nos controla e atua sobre nós. Isto assim é, embora não
saibamos como funciona ou como ela nos controla, nem compreendemos suas ordens ou o que ela
quer de nós. De fato, até se compreendêssemos, não saberíamos como levar a cabo sua vontade.
Seríamos incapazes de melhorar nossa situação. Internamente, reconhecemos que não o saber seria
uma perda terrível. O mundo inteiro está gradualmente a avançar para este reconhecimento.

Perguntas e Respostas
Quando dizemos “Ele”, estamos a referir-nos a uma lei superior, ou ao Criador?
Não nos estamos a referir a uma imagem, mas a uma qualidade abrangente que nos governa, a
qualidade de completa doação e amor. Quanto mais perto dela, melhor a conseguimos detectar.

Aproximamo-nos dela ao fazermos boas conexões entre nós, como está escrito, “Do pelo homem
ao amor por Deus”. ******* Se estabelecermos grupos que ensinam a natureza superior em prol de
nos aproximarmos e estarmos em amor fraterno, começaremos a sentir a força superior de acordo
com a lei de equivalência de forma, nomeadamente a equivalência de qualidades. Então,
descobriremos que estamos verdadeiramente em exílio. Este é o princípio do processo. Assim,
quando lemos a história de Ester, descobrimos ocultação, que é o primeiro passo.

Quando nos aproximamos de Pessach, a um estado onde sentimos que estamos no Egito, exilados
da revelação da luz, a força superior, temos o “grande Shabat”, que salienta a importância da
sensação do exílio. É impossível alcançar a redenção sem essa sensação. A diferença entre Gadlút
(exílio) e Geulá (redenção) é a soma da letra Alef, em Geula, representando o Aluf (Campeão) do
mundo, no qual o Criador aparece. Exílio é o desejo de O descobrir, pois é a Ele que devemos
alcançar.

Quando queremos descobrir o Criador, trazemos todos nossos desejos a um estado onde eles não
impedem o caminho da luz, como está escrito, “Sua glória preenche o mundo”. * Ele preenche tudo
sem interrupção de nós. Quando restringindo nossa sensação de auto importância, o ego,
independência e a sensação de singularidade, nosso inteiro “Eu” - sentimos que o Criador passa
através de nós. É assim que O descobrimos.

Mas primeiro, devemos ser “transparentes” e evitar ser uma partição, interferindo com a qualidade
de doação e amor que prevalece no mundo. Então descobrimos que estamos verdadeiramente
imersos na luz superior que preenche todas as coisas e que estamos nela. Este é o grau que devemos
alcançar. Esta é a primeira fase da redenção.

A aproximação é sentida dentro de nós e começamos a sentir que estamos dentro da luz superior
que preenche todas as coisas e faz tudo, como está escrito, “Ele fez, faz e fará todas as ações”.
********* Esta é nossa salvação de todas as crises, desespero e confusão nas nossas vidas.

A oferenda é para o Criador. A queimamos e assim aparentemente damos alguma coisa. Porque
não nos sacrificamos uns para os outros em prol de nos aproximar? Deste
modo poderíamos realmente dizer que através do amor pelos outros, obtemos algo superior.
Isso só parece desse modo devido a como usamos nossa linguagem. A respeito do trabalho com as
oferendas, precisamos trabalhar com cada desejo egoísta que repele os outros, desejos com os quais
desejamos explorar os outros e sermos absortos deles. O sacrifício é parar esse desejo que nos
dificulta aproximar dos outros.

Quando nos aproximamos dos outros, criamos um sistema de doação mútua e descobrimos a luz
superior que está entre nós, não dentro de nós individualmente. A atraímos e a descobrirmos
precisamente ao criar a qualidade de doação entre nós.

Significa que esta aproximação toma lugar entre nossos amigos no mundo?
A aproximação é entre as pessoas, não dentro de nós. Dentro de nós, podemos somente sentir
fenômenos egoístas. É por isso que presentemente sentimos somente este mundo através dos nossos
cinco sentidos físicos.

Como se oferece um sacrifício do grupo para o Criador?

É o mesmo se corrigimos nossos desejos para os outros ou para o Criador. Todos realizamos a
correção juntos, entre nós, para revelar a qualidade abrangente de doação e amor que prevalece no
mundo.

A qualidade de doação é o Criador. Ele é uma qualidade, o pensamento da Criação. Nós não nos
direcionamos para certa entidade. É difícil explicar pois no nosso mundo tudo é muito “terra-a-
terra”, revestido em matéria, enquanto que na sabedoria da Cabala não há tal substância, somente
forças.

Está escrito nesta porção que se os filhos de Israel não fizerem adequadamente a oferenda, eles
serão punidos. Qual é a punição?

A punição é que a faremos independentemente, como está escrito, “Pois nenhum banido será
exilado Dele” (Samuel 2, 14:14), e tudo retornará à sua raiz.

Está escrito na porção, “essa alma será separada do seu povo” (Levítico, 7:20). Que significa isso?
Isso significa que somos separados do nosso grau. Se já estivemos no nível de “Israel” (Hebraico:
Yisrael), ou seja Yashar El (direito a Deus) e caímos dele para o grau de “nações do mundo”,
sofreríamos porque havíamos nos afastado da doação, amor, revelação, entendimento
e consciência. Assim, devemos passar mais tempo a buscando de um modo desagradável e somente
então regressaremos. Esta é a punição.

Não conseguimos processar a informação adequada e rapidamente ao trabalhar sobre o desejo com
nossas mentes, como nos convida a Torá a fazer, faremos o mesmo trabalho, mas levará mais tempo
e será desagradável. Similarmente, se as crianças escutarem o que lhes é dito e fizerem o que lhes é
pedido, elas beneficiam. Se não fizerem, ainda têm de fazer suas tarefas pois não têm escolha, mas
elas sofrem.

Como podemos usar o tópico das oferendas na nossa educação?

Não há diferença. Se nascemos preguiçosos e teimosos, podemos voltar-nos para nossos pais e lhes
dizer, “Tu me fizeste desta maneira; Eu não quero estudar; Eu não quero te escutar; tudo o que
quero é brincar é assim que sou. Pedi estas qualidades? Não, nada há que eu possa fazer”.

É culpa dos pais ou nossa? O que podemos fazer é criar um meio ambiente que nos ajude a tornar
espertos e bem-sucedidos. Nosso meio pode ajudar-nos a entender o propósito da Criação, como o
alcançar e como diminuir o sofrimento. Tudo depende do meio ambiente. Se trabalharmos em um
meio ambiente adequado, bom que nos apoie, aprenderemos como ser dadores e desfrutar disso. É
assim que nos aproximamos da doação e amor - esse é o trabalho das oferendas que realizamos.

A porção fala de sacerdotes, que indicam um grau muito alto. As questões podem ser atribuídas
à educação também neste nível?
Começamos do zero, do grau de “nações do mundo”. Todos estão destinados a alcançar este grau.
O propósito da criação é que todos cheguem a este trabalho, corrijam a si mesmos e alcancem o
fim da correção, chamado “redenção completa”. No Primeiro Templo, o povo de Israel já estava no
nível da redenção, Môchin de Chaiá. No Segundo Templo, descemos ao nível de Môchin de Neshamá.
Agora devemos chegar ao Terceiro Templo, o mais alto grau na escada de graus espirituais, onde
incluímos o todo da humanidade.

Se o sacrifício significa nos aproximarmos da sociedade, incorporamos a educação nisso, ou essa


é uma questão separada?

Não podes ser educado sozinho, somente em uma sociedade. Somos ensinados a nos conectar com
os outros em um relacionamento cuja qualidade é semelhante a aquela do Criador. Descobrimos
esta qualidade entre nós pois é somente entre nós que Ele é revelado. Isto é semelhante a alterar
algo em um receptor de rádio para que ele receba a onda no exterior.

De O Zohar: NRN dos Dias da Semana e NRN do Shabat


Um sábio discípulo deve ver-se a si mesmo igual a todos os estudantes da Torá. É assim que ele se
deve considerar a si mesmo da perspectiva das NRN noéticas. Mas da perspectiva dos órgãos do
corpo, a perspectiva das NRN animalescas, ele se deve considerar a si mesmo como se o mundo
inteiro dependesse dele”. Por esta razão, ele deve direcionar sua mente, espírito e alma para fazer
esses sacrifícios com todas as pessoas no mundo e o Criador acrescenta um bom pensamento à ação.
Com isso, “Homem e besta VÓS libertais, Ó Senhor”. Zohar para Todos, Tzav (Comando), item 71

A luz superior está destinada a reformar cada um - aqueles no grau animado e aqueles no grau
humano. É por isso que ninguém pode dizer, “Isto não é para mim”. Tem de haver um estudo da
sabedoria da Cabala pois não conseguimos atrair a luz sem ela. É por isso que a sabedoria da Cabala
é chamada “Torá da luz”, “interioridade da Torá”, e a luz que reforma.

É somente a luz que corrige? Nunca seremos capazes de corrigir nossos relacionamentos sem ela?
Nunca é o mundo está a começar a entendê-lo. Pode levar algum tempo, mas já estamos nos
aproximando disso e a começar a concordar com isso.

Sinto que o mundo está à beira de desistir de praticamente todo o resto.

Isso é sentido e o mundo está finalmente a avançar na direção certa. As pessoas já compreendem
que a mudança tem que acontecer dentro de nós, independentemente de ser judeu ou não, secular
ou ortodoxo. A mudança tem de ser substancial e igual para todos - aquela de começar a corrigir a
natureza humana. Não há problema se um seguir aquilo que é chamado de “Mitzvot práticas”
(mandamentos), mas também não há se ele não as seguir. Em relação à mudança interna, todos
somos iguais e todos a devemos fazer.

A direção é considerada para onde o mundo se dirige um sacrifício?


Ainda não. Sacrifícios começam somente através da luz que reforma pois é ela que nos corrige.
Todos estamos no pior grau, embora ainda tenhamos de o reconhecer como o pior. Estamos ainda
inconscientes em respeito ao mal.
Termos
Donativo

“Tarum (“elevar”, mas também “doar”) ao Criador”. Para avançarmos para a meta, devemos
envolver-nos na singularidade, importância e grandeza da força superior. Devemos ver que não há
outro senão Ele, Ele é o único operador na realidade, nós estamos nele e somos totalmente
operados. À extensão que adquirimos Suas qualidades, nos tornamos independentes. Isto é,
assumimos sobre nós mesmos as ações que podemos levar a cabo corretamente e começamos a fazê-
las nós próprios até que nos tornemos como Ele, até que possamos fazer tudo aquilo que Ele faz.

É assim que começamos a reconhecer e compreender esse grau, o todo da realidade, o propósito,
o princípio e o fim, a causa e a consequência, o inteiro processo pelo qual estamos a atravessar.
Assim, nos tornamos tão grandes, sábios, fortes e unidos como o Criador. Isto é verdade para cada
um de nós e para todos nós juntos.

Assim que tenhamos nos corrigido e alcançado a completude da correção e todos nós juntos
tenhamos nos tornado completamente como Ele, outro desenvolvimento nos espera. Precisamos
nos corrigir e adquirir o poder e sabedoria para realizar outro, trabalho muito especial depois do
fim da correção, depois do Terceiro Templo. Mas por agora, nossa percepção é desadequada para
compreender a realidade que descobriremos nessa altura.

A Inauguração do Tabernáculo
A “inauguração do tabernáculo” é como a celebração de novo lar. Concluímos a construção de certa
fase do trabalho, a partir da qual podemos começar a nos corrigir. O tabernáculo é o lugar da
correção.

Óleo

A luz de Chochmá (sabedoria) é chamada “óleo”. “Óleo para acender” significa que a luz de Chochmá
nos ilumina. Ela não pode iluminar sem a luz de Chassadim, sem o Kli especial (ferramenta/vaso)
destinado para isso. Óleo, sal e água são forças desenhadas para corrigir nossos desejos. Elas aliviam
os desejos e a combinação certa entre elas ajuda-nos a trazer nossos desejos mais perto da correção.

Punição Espiritual

Através da punição, nos aproximamos de algo bom. Se soubermos o que é a punição, podemos
aprender dela. Se as crianças não aprendem o que é permitido e o que é proibido, elas não saberão
como se comportar adequadamente no mundo. Punição é o limiar. Nós temos de experimentar
limites ou nos tornamos desorientados. Limites fornecem uma sensação de posse e entendimento.
Sem limites, não conseguimos saber onde nos encontramos.
Sumário
Tzáv (Comando) é uma aproximação de Aarão e seus filhos através dos quais Ele alcança todas as
qualidades do homem. Devemos entender que o Criador dispôs todo o nosso trabalho nos nossos
desejos. Para onde quer que nos voltemos, especialmente nos relacionamentos, se alcançarmos o
amor de Israel corrigiremos tudo. Este é o comando.

* Midrash Rabá, Eichá, “Introdução”, Parágrafo 2.

** Talmude Babilônico, Maséchet Berachot, p 61b.

*** Talmude Babilônico, Maséchet Kidushin, 30b.

**** Midrash Rabá, Eichá, “Introdução”, Parágrafo 2.

***** Rav Yehuda Ashlag (Baal HaSulam), Os Escritos de Baal HaSulam, p 521.

****** Talmude Babilônico, Maséchet Kidushin, 30b.

******* Rav Yehuda Ashlag (Baal HaSulam), Os Escritos de Baal HaSulam, “O Amor a Deus e o
Amor ao Homem”, p 482.

******** Parte da Tefilá Amidá (Oração de Pé (18)).

********* Dito depois da oração matinal (Tefilat Shacharit), o primeiro dos 13 princípios de
Maimônides.
Shmini (No Oitavo Dia)
(Levítico, 9:1-11:47)

Sumário da Porção
A porção, Shmini (No Oitavo Dia), lida com os eventos do oitavo dia depois dos sete dias de
preenchimento. * Este é o dia de inauguração do tabernáculo. Aarão e seus filhos oferecem
sacrifícios especiais neste dia. Moisés e Aarão vão abençoar o povo e finalmente, o Criador
aparece ao povo de Israel. Os filhos de Aarão, Nadáv e AVihu, pecam ao fazer uma oferenda
sobre um fogo estrangeiro e o fogo os consome. Aarão e os filhos remanescentes recebem
instruções especiais para se conduzirem a si mesmos na situação e entre outras ordens, eles são
proibidos de carpir.

Cometário:
Esta porção conta outro mal-entendido entre Moisés e Aarão e seus filhos, a respeito de comer a
oferenda do pecado. A porção termina com regras sobre comida proibida, detalhando os animais,
bestas, aves e peixes que são proibidos* de comer. Regras de alimentação. Regras de Tuma’a
(impureza) e Tahará (pureza) são também brevemente explicadas.

Perguntas e Respostas

A porção menciona muitos detalhes a respeito do tabernáculo e oferecer sacrifícios, o que é


proibido e o que é permitido. Como devemos compreender isto internamente?
Precisamos examinar quais dos nossos 613 desejos precisamos corrigir e como. Foi dito sobre o
Homem, “Eu criei a inclinação ao mal; Eu criei para ela a Torá como tempero”, * então podemos
corrigir nossa inclinação ao mal, os desejos egoístas, nos quais pensamos somente em nos mesmos
e não conseguimos realizar uma única ação de dar e amor pelos outros.

Está escrito, “Ama teu próximo como a ti mesmo”. ** Esta é uma força especial e a Torá foi dada
pelo único propósito de a obter. Se estudamos a interioridade da Torá adequadamente,
nomeadamente a Cabala, a sabedoria da luz, atraímos a luz que reforma, que nos corrige.

Os desejos em nós são chamados a “inclinação ao mal”. Inicialmente, eles são egoístas pois
“a inclinação no coração de um homem é má desde sua juventude” (Gênese, 8:21). Nossa meta é
corrigi-la através de nossos estudos e a transformar na intenção de doar sobre os outros, com a meta
da conexão e amor. Ao nos corrigirmos, obtemos a qualidade de doação, equivalência com o
Criador e Dvekút (adesão) com Ele em prol de ser como Ele. Este é o propósito da criação do
Homem, de ser como o Criador.

Para corrigir nossos desejos e inclinações, precisamos seguir uma certa ordem, do fácil ao difícil.
Para corrigir adequadamente nossa natureza, devemos conduzir-nos de acordo com nosso nível de
desenvolvimento. Como uma criança que se torna uma pequena criança, então um jovem e
finalmente um adulto, cada fase do nosso desenvolvimento requer mais atividades de maior
complexidade. Em cada fase, atraímos a luz que reforma. Isto separa para nós, de acordo com a
ordem de dificuldade, os desejos cujo tempo de correção chegou. É por isso que a Torá é chamada
Ora'á (instrução), pois através dela avançamos e subimos a escada de graus até ao fim da correção
de todos nossos desejos.

Na porção, Shmini, escrutinamos que desejos podemos corrigir, como os podemos corrigir e que
desejos não podemos corrigir. Dentro de nós há desejos que não podem ser corrigidos, chamados
o “coração de pedra”. Estes desejos são a base de nossa natureza. Eles são tão intensos que não
conseguimos sequer pedir pela sua correção.

Ao corrigir o que devemos e ao nos arrependermos de não sermos capazes de corrigir o coração de
pedra, bem como distinguindo o que é corrigível e o que está além de nossa habilidade de corrigir,
ganhamos uma percepção clara da diferença entre eles. Ao nos arrependermos do que não
conseguimos corrigir, todavia fazendo tudo o que podemos em respeito a estes desejos, eles se
tornam corrigidos.

É por isso que as leis de Kedushá (santidade) são chamadas “leis de Kashrut” (o substantivo do
adjetivo, Kosher). Examinamos estas leis - o que é kosher e o que não é, no inanimado, vegetativo,
animado e humano, como as devemos realizar e em que nível.

A palavra, Kashrut, refere-se à palavra, Kosher (“permitido”, “adequado”, “licito”), referindo-se à


prontidão para a doação. Uma “pessoa kosher” é aquela que se corrigiu a si mesma em todos os
desejos de doação e amor pelos outros, pelo menos em um certo nível.

A medida do desejo é a soma de todos os desejos em nós nos níveis de inanimado, vegetativo e
animado. Quanto mais o desejo se mistura com a emoção, razão, entendimento, conexão com as
pessoas e a força superior, mais nós o corrigimos. As leis de Kashrut contam-nos como santificar,
como trazer cada desejo à correção e como o usar para doar. A Torá dá-nos exemplos do nosso
mundo, como usando o desejo por comida que na realidade se refere à correção do homem.

Contudo, estamos destinados a falhar, como crianças que não conseguem compreender como um
novo brinquedo funciona até que elas o quebrem. Elas não entendem sequer que elas o quebraram,
ou como, se de todo, é possível o concertar. Enquanto a criança não compreender totalmente a
concepção do brinquedo - como foi ele feito e o papel de cada parte - a criança não se tornará
apegada a ele.

Similarmente, devemos compreender as fundações da Criação e tocar nos nossos mais básicos,
desejos egoístas, como está escrito, “Não há um homem justo na terra que faça o bem e não peque”
(Eclesiastes, 7:20). Devemos experimentar todos os pecados, falhar e então os corrigir. Não há outro
caminho.

Devemos reconhecer todo o mal em nós, como diz o Criador, “Eu criei a inclinação ao mal”. Somos
nós que devemos descobrir onde reside nossa inclinação ao mal. Quando a descobrimos, somos
considerados “ímpios”, “transgressores”. Reconhecemos o mal e nos arrependemos dele.

Contudo, não nos arrependemos do reconhecimento do mal dentro de nós pois foi assim que
fomos feitos. Em vez disso, nos arrependemos que nossa inclinação não seja doar, mas receber para
nós mesmos. Exigimos a força corretora e receber do alto a luz que reforma. Assim, mudamos de
usar cada desejo egoisticamente e procurando autogratificação, para procurar o benefício dos
outros. É assim que nos corrigimos a nós mesmos.

O reconhecimento geral da inclinação ao mal ocorre pela quebra dos vasos nos mundos superiores.
Esta é nossa raiz da qual este mundo foi criado, preparada nas raízes superiores, o sistema superior.
Ela está embutida na fundação da nação, nos atos de Nadáv e Avihu, como abaixo descrito. Agora
devemos descobri-lo em nós neste mundo.
Nadáv e Avivhu tiveram de atravessar este processo e embora possa parecer que eles cometeram
uma transgressão, sua ação ajuda-nos a descobrir a fundação de “Eu criei a inclinação ao mal” para
que a possamos corrigir.

Nadáv e Avihu quiseram alcançar o fim da correção instantaneamente. Contudo, quando assim
fizeram, descobriram a vontade de receber em prol de receber, a inclinação ao mal, Sitra Achra, Klipá
(casca/pele), na sua pior forma. Nadáv e Avihu atrairam uma luz tão poderosa para si mesmos que
não conseguiram recebê-la em prol de doar, então a receberam em prol de receber e deste modo
morreram.

Aquele que avança nos graus também assim faz. Dentro de nós estão forças chamadas “Nadáv” e
“Avihu”, em acréscimo às forças de “Aarão” e “Moisés”.

“O homem é um pequeno mundo”, * e o que quer que seja contado na Torá existe em todo e cada
um de nós. Podemos fazer as mesmas transgressões e corrigi-las passado algum tempo. É assim que
nos tornamos conscientes da verdadeira inclinação ao mal, o coração de pedra, que não pode ser
tocado. Através destas histórias, aprendemos a corrigir os desejos que podem ser corrigidos, na
ordem certa da correção.

As leis de Kashrut no fim da porção derivam de todos nossos escrutínios. Elas explicam-nos como
nos podemos corrigir a nós mesmos e como é melhor trazer o incenso, os desejos que estão
adequadamente misturados, as forças de doação e recepção dentro de nós, para que se corrijam
uma à outra.

É com isso que a porção, Shmini, (No Oitavo Dia) lida. Ela assim é chamada pois Malchut que
ascende até Yessód é a oitava Malchut e nós devemos saber como a corrigir. Ela é chamada “Oitava”
segundo a correção básica, de distinguir entre as partes de Malchut que não podem ser corrigidas e
aquelas que podem ser e como podemos atrair as forças de correção. Examinamos tudo isso no
nosso caminho espiritual, em uma correção chamada Shemini.

O número 7 aparece muitas vezes nesta porção. Há um sentido especial nisso?

Está escrito que há seis dias de trabalho e o sétimo é o Shabat*. Os seis dias são Chéssed, Gvurá,
Tiféret, Netzach, Hod e Yessód. “Dias” são na realidade graus pelos quais podemos corrigir nossos
desejos. O Sétimo dia é Malchut, que é corrigido por si mesmo pelo que fizemos durante os seis
graus e ao atrair a luz. De fato, todas as correções são feitas no sétimo dia.

O Shabat não é na realidade um dia de repouso, mas um estado onde não é mais possível examinar
ou organizar qualquer coisa. Em vez disso, “Aquele que trabalhou na Véspera de Shabat comerá no
Shabat” **. Somente aquilo que fazemos durante os seis dias entra em Malchut e é corrigido em
Malchut, na nossa Yessód (também “fundação”), na nossa substância, nossos desejos.

O oitavo é a recepção da qualidade de Aarão, a qualidade de Biná, como está escrito, “Filhos de
Biná, oito dias”. *** Malchut conecta-se a Biná, da qual atraímos a força da correção no oitavo dia.

O sistema superior é chamado Zeir Anpin, ou HaKadosh Baruch Hu (O Sagrado Abençoado Seja
Ele). Ele é o sistema que nos corrige, a vestimenta, Malchut, que se conecta ao sistema superior. Em
outras palavras, nossas almas se conectam ao Criador.

A alma é também chamada a “Assembleia de Israel” porque ela assembla todas as almas que desejam
a correção. É assim que chegamos ao oitavo. Aqui, devemos ser cuidadosos quando encontramos
situações, como encontraram Nadáv e Avihu, mas ainda temos de as experimentar.
Como já mencionado, “Não há um homem justo na terra que faça o bem e não tenha pecado”
(Eclesiastes, 7:20). Significa isto que encontraremos muitas mais experiências para escrutinar
quando seguimos nossas raízes e seguimos o que aconteceu a nossos antepassados. Depois de todas
as correções e exílio que atravessámos, chegaremos à divulgação e saberemos como continuar.
Adicionalmente, teremos boas instruções da sabedoria da Cabala, para que quando
enfrentemos escrutínios exigentes, os atravessemos rapidamente e continuemos nossa jornada.

A respeito do exemplo de Nadáv e Avihu, nós queremos sempre que nossos filhos não cometam
erros. Isto mostra-nos que os erros são mandatários?

Sem estarmos conscientes disso, constantemente conduzimos nossos filhos para erros. E não
só crianças - até estudantes da universidade prestes a se tornarem doutores aprendem ao lhes serem
apresentados problemas. O processo de aprendizagem em si mesmo envolve solucionar problemas.
Apresentamos a crianças problemas e queremos que elas brinquem e os resolvam.
Alternativamente, damos-lhes alguma coisa para montar ou exercícios em matemática, física ou
química. Constantemente as desafiamos com problemas.

Quando nossas crianças se tornam jovens ou jovens adultos, ainda nos preocupamos que elas
possam cometer erros. Como educamos crianças que não atuem sobre seus desejos intensos,
como fizeram Nadáv e Avihu, que foram queimados por isso?

As crianças aprendem o que fazer, como o fazer e se o devem fazer completamente, somente por
tentativa e erro. Similarmente, nós, também, aprendemos por tentativa e erro. Nós temos de
descobrir a quebra, a crise, nossa natureza, ou não saberemos como a corrigir. Foi assim que nos
foi dada a Torá, cuja luz brilha para nós e clarifica as matérias.

Há luz para o escrutínio dos Kelim (vasos) e há luz para a correção dos Kelim. Se soubermos como
usar nossos Kelim (desejos) corretamente, vamos avançar pelas correções rápida e agradavelmente.
Se cada vez que encontrarmos corrupção também soubermos que a podemos concertar e ao assim
fazer descobrir outra porção do mundo espiritual, nossa eternidade, perfeição, não há dúvida que
seremos felizes quando essa corrupção aparecer.

Em relação à educação, quando vemos nossos filhos cometerem erros e a corrigi-los, devemos ver
isto como algo bom?

Sim. Há costumes onde agimos alegremente (até no Dia do Perdão [Yom Kippur]), em oposição à
tristeza expressa pelos outros costumes. As diferenças derivam de entender mal o que estamos a
descobrir. Na verdade, há algo a ser dito sobre as expressões de todos os costumes. Em cada
revelação do mal deve haver também alegria, dado que temos o meio para a corrigir e alcançar
contentamento. É impossível sentir-nos bem sem descobrir e corrigir o mau.

Está escrito que todos saberão a diferença entre as regras de Tuma’á (impureza) e Tahará (pureza).
Diz-se que no tempo do Primeiro Templo, toda a criança de seis anos de idade conhecia essas
leis. O que significa isso?

Isto não se refere a crianças no sentido físico da palavra, embora fosse esse o tipo de educação
prevalecente nessa altura e as crianças realmente crescessem com entendimento, sensação e
percepção da força superior. Elas recebiam educação que as trouxesse à doação e abertura dos seus
olhos. Além deste mundo, que elas viam através dos seus cinco sentidos físicos, elas assistiam em
desenvolver um sexto sentido, chamado Neshamá (alma). Com esse sentido, elas experimentavam a
força superior e deste modo sabiam o que era bom e o que era mau. Elas conseguiam distinguir
entre ambos e assim cresciam.
Tudo depende do meio ambiente. O meio ambiente educava as crianças para correções e cada
criança cujo ego (vontade de receber) crescesse recebia a educação adequada. Educação é um sistema
de correção através do meio ambiente, com explicações e apoio enquanto nossos desejos crescem.
Educação significa ensinar crianças que seus desejos estão constantemente a crescer e devem ser
usados em prol de doar, pelo amor.

Pode tal educação ser estabelecida hoje, também?

Isso acontecerá de qualquer modo porque a Natureza hoje nos está a obrigar a fazê-lo. Estamos a
dirigir-nos para um estado onde teremos de instar este tipo de educação pelo mundo, não só para
nós, mas para o mundo inteiro. Precisamos ser “uma luz para as nações” (Isaías, 42:6), e transmitir
o método em diante, “pois Minha casa será chamada 'uma casa de oração' para todas as nações”
(Isaías, 56:7), para que elas sejam todas como uma.

Hoje estamos no último exílio, que precede a nossa completa redenção. Deste modo, devemos
primeiro trazer esta educação ao povo de Israel e subsequentemente ao resto do mundo. Estamos
em fases avançadas neste caminho. A crise que experimentamos, o desamparo na educação e o
colapso da estrutura familiar todos estamos destinados a abrir nossos olhos para grandes mudanças.

Isso significa que a crise foi destinada a nos fazer pedir uma solução em um nível superior?

Sim. A solução já existe e ela é simples: devemos entender que não há outra escolha, que temos um
meio fácil e eficiente de obter prosperidade e felicidade, especialmente com nossos filhos.
Inversamente, que tipo de mundo lhes vamos deixar?

Sabemos que os dias e ocasiões mencionados na Torá simbolizam mudanças internas; qual é a
fase do dia da “inauguração do tabernáculo”?
Assim que uma pessoa tenha separado todos os seus Kelim na mente e coração, ou seja os seus
desejos, pensamentos e intenções, essa pessoa pode trabalhar com estes Kelim em poder completo.
Isto é chamado “a inauguração do tabernáculo”. Uma pessoa os traz como oferendas quando são
escrutinadas.

As oferendas são todos os desejos que podemos transformar de direcionados para receber, de
egoístas (inclinação ao mal), para direcionados para doar, para a forma de doação e amor. Esta é a
correção. Ao corrigir mais e mais dos nossos desejos para doação e amor, nos aproximamos do
Criador. A palavra, Korban (sacrifício/oferenda), vem da palavra Karov (perto/próximo), e Makriv
(aproximar/oferecer/sacrificar). Este é o principal trabalho do Homem. Assim, “a inauguração do
tabernáculo” significa que um preparou os Kelim com os quais ele pode começar a trabalhar.

Estar na luz, durante o dia, se refere a um estado que é oposto à noite?


Está escrito (Salmos, 36:10), “Pela Tua luz veremos nós luz”. Assim que que nos tenhamos corrigido
a nós mesmos no grau de doar em prol de doar, o grau de Aarão - corrigimos esses desejos que estão
em recepção para em prol de doar. Avançamos constantemente de querer receber para nós mesmos
em todos nossos desejos, para um estado onde o que nos está a acontecer nos é claro. Assim,
neutralizamos esses desejos em um ponto onde não os queremos usar para nosso próprio bem, uma
vez que isso literalmente destruiria e “queimaria” nossa alma”. Nos prepararmos é “o tabernáculo”.
Doravante, começamos a corrigir esses desejos em prol de doar.
Termos
Inauguração do Tabernáculo

“Inauguração do tabernáculo” é o ponto do qual podemos trazer oferendas, ou seja, corrigir nossos
desejos de fato. Nesse estado, podemos corrigir cada desejo ao torná-lo semelhante à doação, amor
pelos outros e o Criador. Nos tornamos semelhantes ao Criador nesse desejo, compreendendo a
inteireza e eternidade da Criação. Nós mesmos nos tornamos como o Criador, como está escrito,
“Regressai, Ó Israel, ao Senhor vosso Deus” (Oseias, 14:2). É isto que devemos alcançar e estas
ações trazem consigo grande alegria.

Então não é coincidência que a revelação do Criador seja mencionada no mesmo dia que a
inauguração do tabernáculo. Mas, o que significa revelar o Criador?
Ao começar a realizar a obra do tabernáculo, descobrimos o Criador, de acordo com a lei de
equivalência de forma. À medida que realizamos as mesmas ações que o Criador, o Criador “veste-
se” em nós e começamos a sentir que nossas ações criam nossa situação, nosso lugar e nosso estatuto.
Aquele que realiza ações de doação e amor, corrigindo a inclinação ao malde um, se torna como o
Criador. É por isso que tal pessoa é chamada “Homem” (Adam), da palavra Doméh (semelhante) ao
Criador.

Nadáv e Avihu se sacrificaram com fogo estrangeiro. O que significa isso?


“Fogo estranho” é atrair luz que vem para a vontade de receber em prol de receber. Nadáv e Avihu
não sabiam que isto era impossível pois eles não conseguiam calcular. Eles pretendiam agir com a
direção de doar; eles queriam santificar ainda mais, fazer correções maiores do que era possível. Foi
por isso que falharam. Eles pecaram ostensivamente, mas não é verdadeiramente um pecado pois
eles não tinham conhecimento prévio disso.

Um “pecado” é quando sabemos que algo é um pecado, todavia o fazemos. Não temos tais pecados.
Todos nossos pecados no caminho espiritual são de não saber e as questões subitamente aparecem
como egoístas. Da próxima vez, tentamos evitá-lo. Não é como o pecado de Adam HaRishon, de
quem está escrito, “Eu comi e eu comerei mais”. Este foi um pecado verdadeiro.

De O Zohar: No Oitavo Dia

Nesse dia, houve a alegria da assembleia de Israel, Malchut, conectando em laços de fé com todos
os laços sagrados em todas as Sefirot de ZA. Isto assim é porque o incenso conecta tudo como um,
que é o porquê de ser chamado “incenso”. Nadáb e Avihu vieram e ataram todos estes ao Sitra
Achra e deixaram a Malchut fora pois eles não a conectaram às Sefirot de ZA. Eles ataram outra coisa
no lugar de Malchut, que é o porquê de mais tarde ele alertar os sacerdotes, como está escrito “Com
isto virá Aarão para o sagrado lugar”, quando ele ata Malchut, chamada “isto”. Zohar para Todos,
Shmini (No Oitavo Dia), item 37
Aquando da recepção da luz, Nadáv e Avihu quiseram misturar todos os desejos juntos, para os
corrigir e realizar uma ação de doação com eles, mas sem primeiro realizarem o trabalho de
escrutínio. Contudo, é impossível atrair tudo de uma vez; isso deve ser feito gradualmente. Somente
através deste trabalho, que cada um de nós experimenta, compreendemos nós como continuar na
ordem adequada da correção.
* “Vós não saireis para fora da entrada da tenda do encontro durante sete dias, até ao dia em que o período da ordenação
seja concretizado; pois ele vos ordenará durante sete dias” (Levítico, 8:33).

** Talmude Babilônico, Maséchet Kidushin, 30b.

*** Talmude de Jerusalém, Séder Nashim, Maséchet Nedarim, Capítulo 9, p 30b.

**** Midrash Tanchumá, Pekudei, item 3

***** “Seis dias será trabalho feito, mas no sétimo dia há um Shabat de repouso absoluto, uma convocação sagrada. Vós
não fareis qualquer trabalho; esse é um Shabat para o Senhor em todas vossas moradias” (Levítico, 23:3)

****** Talmude Babilônico, Maséchet Avodá Zara, p 3a.

******* Como cantado na canção de Chanucá, Maoz Tzur.

******* Midrash Rabá, Beresheet, Porção 19


Tázria Metzorá (Quando uma Mulher Dá À Luz -
O Leproso)
(Levítico, 12:1-13:59 – 14:1-15:33)

Sumário da Porção

Na porção, Tázria (Quando uma Mulher Dá À Luz), aprendemos sobre leis relacionadas a uma
mulher que deu à luz. Se ela der um menino, ela é considerada impura durante sete dias. No
oitavo dia, o rapaz é circuncidado e a mulher começa o período de 33 dias de purificação. Se a
mulher der uma menina, ela é considerada impura durante quarenta dias e o período de
purificação dura 66 dias. A porção também detalha regras a respeito das aflições. Uma pessoa
que é infectada com alguma coisa deve ir ao sacerdote, que diagnostica o mal e sabe as regras a
respeito de cada enfermidade.

Comentário
A porção, Metzorá (O Leproso), é dedicada às regras a respeito da lepra e o que fazer quando um é
infectado com ela. Um leproso que foi curado deve ser examinado pelo sacerdote, então trazer dois
pássaros. O sacerdote mata um pássaro e molha o outro em água limpa. O fim da porção discute a
impureza da ejaculação noturna e as regras a respeito de uma mulher em menstruação - qualquer
um que toque nela é considerado impuro até ao anoitecer.

Perguntas e Respostas

Porque estão as regras nas porções descritas em tamanho detalhe?

A inteira Torá é uma instrução pela qual corrigir nossa natureza. O homem foi deliberadamente
criado com um desejo egoísta; é por isso que queremos tudo para nosso próprio bem, como está
escrito, “Pois a inclinação do coração de um homem é má desde sua juventude” (Gênese, 8:21). A
criação em si mesma é a inclinação ao mal, a soma de nossas qualidades negativas. A natureza
inanimada, vegetativa e a animada ao nosso redor são completamente neutras - nem boas nem más.
Elas são geridas pelas leis da Natureza que atuam instintivamente sobre todos seus elementos.

Mas o homem tem livre arbítrio e deste modo usa o ego para fazer mal aos outros. Tal é o “software”
do qual somos construídos. Constantemente nos examinamos em relação aos outros para
determinar se estamos pior ou melhor que eles. É assim que a natureza constantemente nos opera,
enquanto nos questionamos, “Como posso eu me beneficiar a mim mesmo ou prejudicar os
outros”? Aquele que não vê isto está inconsciente desta lei.
A Torá indica e explica como nos corrigirmos, como nos transformarmos de uma forma oposta que
a do Criador para uma forma corrigida e completa. É por isso que não conseguimos ver os mundos
superiores, a força superior, a eternidade e perfeição em que nos encontramos, que nos está
escondida. Podemos ver somente uma minúscula esfera conhecida como “este mundo”. Neste
mundo, não há nada senão um tempo definido durante o qual existimos, então partimos, tal como
animais. Encarnamos do alto, descendo do mundo superior e voltamos a subir, inconscientes das
fases no nosso desenvolvimento.

A Torá diz-nos como nos podemos corrigir para que possamos começar a descobrir nossas formas
eternas e completas. A Torá mostra-nos como devemos trabalhar de modo a descobrir o mundo
eterno e perfeito e como sair de nossa sensação de que estamos no exílio, mudando-nos em vez
disso para um mundo bom e iluminado.

As duas porções indicam todas as correções que devemos fazer. Tázria e Metzorá detalham como
podemos corrigir os sinais egoístas e corruptos que descobrimos constantemente em nós mesmos.

Está escrito em Tázria que o nascimento é uma coisa boa, um novo grau. Aquele que pode dar à luz
é o desejo que anseia o nascimento, nomeadamente se voltar a si mesmo para a doação. Quando
esse desejo consegue dar à luz da mulher a parte masculina dele, todos os excessos da vontade de
receber que não podem ser corrigidos são segregados como sangue de parto impuro.

Nessa altura, uma pessoa é chamada uma “mulher”, embora possa muito bem ser um homem. Isso
depende se um está em um estado de recepção ou doação. Se uma pessoa dá à luz de si mesma um
ato de doação, essa pessoa é chamada uma “mulher”, que dá à luz uma criança. Então, é dito a uma
pessoa o que fazer com tudo o que não saiu nesta ação, chamada “recém-nascido”. Assim, esses
desejos que ele ou ela usou, mas ainda não estavam corrigidos, saem como sangue, como várias
secreções, tal como em um nascimento físico. Passado algum tempo, estes desejos regressam e
tornam-se corrigidos em graus superiores.

Correspondentemente, depois de dar à luz um rapaz, atravessamos sete dias de Tuma’a (impureza),
uma circuncisão nos oitavo e trigésimo terceiro dias de purificação. Depois de dar à luz a uma
menina, atravessamos sessenta e seis dias de purificação. Estas são correções especiais. Assim que
tenhamos corrigidos estes desejos através de uma ação especial, chamada Korban,
(sacrifício/oferenda), realizamos uma ação em prol de doar. Aqui, sacrificamos, ou seja, nos
aproximamos da doação sobre o Criador, de acordo com a lei de equivalência de forma, em prol
de nos tornarmos mais semelhantes ao Criador. É assim que progredimos outro degrau na correção.

Aqui as correções são nas minúsculas revelações de todas as formas do desejo egoísta, que aparecem
através da lepra e outros problemas que nos encontram nos nossos lares e nossos animais,
nomeadamente em todos os graus - desejos do inanimado, vegetativo e animado.

A porção, Metzorá, detalha as correções realizadas pelo sacerdote. Começamos a discernir forças na
nossa estrutura interna que nos ajudam com a experiência - de correções anteriores - a nos
corrigirmos em todas as qualidades que nos aparentam ser “más”.

A porção fala de um homem que se traz a si mesmo ou a sua esposa ao sacerdote. A porção detalha
como corrigir os “vestidos” sobre a alma, chamados “vestimentas”. A vestimenta é chamada, Ór
Chozêr (Luz Refletida), ou Ór Chassadim (luz da misericórdia), ou seja, uma intenção de doar.

Embora nasçamos com desejos egoístas, se os “vestirmos” com a meta de doar e quisermos realizar
atos de doação, assim corrigimos nossas “vestimentas”. O mais alto grau nesta correção é limpar as
roupas e as mostrar ao sacerdote para seu exame. Este é o sentido da relação entre os graus no
sistema superior. Desta maneira, avançamos nos nossos desejos corrigidos para a revelação do
mundo superior, como está escrito, “Vereis vosso mundo na vossa vida”. *

Constantemente nos desenvolvemos e descobrimos o mundo. Nos sentimos mais e


mais incluídos em algo eterno e completo. Vivemos neste mundo como corpos animados,
todavia descobrimos a parte eterna no interior chamada a “alma”. Identificamo-nos com essa parte
pois ela é muito maior e mais poderosa que a parte animada. Essa simpatia faz-nos sentir que nossa
parte animada é como um animal domesticado que mantemos no quintal. Não nos faz diferença se
ele está morto ou vivo porque o eu, o humano que criámos no interior, que construímos em
similaridade com o Criador, é eterno e completo tal como Ele é.

Tudo isto é feito através de trabalho pelo qual descobrimos tudo o que ainda não está “limpo” em
nós. Nos limpamos de todos os pensamentos e intenções enfermos direcionados para nosso próprio
benefício e para o dano dos outros.

Com cada correção e purificação nos tornamos cada vez mais semelhantes ao Criador.

As duas porções estão conectadas. Uma fala de uma qualidade chamada “mulher” e a outra de
um leproso. O que é uma mulher? O que é um leproso? E qual é a conexão entre eles?
Na nossa percepção, “o homem é um pequeno mundo”. * Dentro de nós está uma força especial
que “pinta” uma imagem nas traseiras de nossas mentes, na nossa consciência, que há um mundo
diante de nós, fora de nós. Mas se um de nossos sentidos desaparecesse, tal como a visão ou audição,
parte de nossa percepção também desapareceria.

O mundo é um produto de nossos sentidos, que retratam dentro de nós uma certa realidade. Essa
realidade nada tem a ver com o que está na realidade a acontecer no exterior. Se estudarmos animais
que vivem perto de nós, descobriremos que eles percepcionam nosso mundo muito diferentemente.
O mundo de um cão, por exemplo, está cheio de odores. Os cães percepcionam o mundo usando
esse sentido. Cobras percepcionam seu mundo através da temperatura, distinguindo cada elemento
com grande exatidão. Noventa e sete por cento da percepção de nosso mundo depende da nossa
visão. Assim, cada um tem uma imagem diferente da realidade, mas ela ainda é uma imagem da
realidade.

Quando alcançamos a percepção da própria realidade, um sexto sentido se abre em nós.


Começamos a ver a força superior, o mundo superior juntamente com este mundo. O mundo
superior está presente aqui e agora e não precisamos morrer em prol de o perceber. Nossa morte
nada muda neste caso. Também, começamos a descobrir que o mundo é muito diferente do que
anteriormente imaginávamos. É por isso que está escrito sobre nosso mundo que ele é imaginário:
“Eu vi um mundo invertido”. **

Nós alcançamos verdadeira percepção através de todas as correções que aparecem nas
porções diante de nós, quando corrigimos nossos desejos para terem a intenção de doar mais e
mais. Se usarmos nossos desejos com a meta de receber, constantemente absorvemos tudo o que
nossas minúsculas e limitadas ferramentas de percepção retratam para nós. Mas quando saímos de
nós mesmos para as frequências intermináveis além de nossos ouvidos e olhos, cujo alcance é muito
limitado, entramos no sentido chamado “em prol de doar”, o “sentido de dar e amor”. Nesse estado,
achamos uma realidade ilimitada, como se tivéssemos emergido de nossa pele, como está escrito,
“Depois de minha pele eles o levantaram” (Jó, 19:26). Então a realidade que começamos a ver não
está limitada aos cinco sentidos físicos, mas é a verdadeira realidade, o mundo superior que a Torá
descreve.
Nesse sentido, o que é uma mulher que dá à luz e o que é um leproso?

“Uma mulher que dá à luz” é uma correção de um dos sentidos, assim alcançando nova realização,
nova doação, na qual descobrimos outro novo mundo. Todavia, não podemos usar estas forças para
a correção em prol de doar, uma limitação formada pelo contraste nele. Percebemos tudo através
de opostos. Enquanto criaturas, vemos sempre uma coisa oposta a outra. Quando temos somente
uma cor, ou algo sem um oposto, ou algo para o qual não temos balança com o qual medir ou
comparar, não conseguimos ver ou senti-lo. Se não há situação de preto e branco, não conseguimos
ver o preto, branco ou amarelo.

A revelação de nossa correção é sempre limitada e o limite dá-nos um sentido de orientação, que
estamos em alguma coisa, com posse de alguma coisa. Inversamente, não fazemos ideia do que é
permitido e do que é proibido. Nesse estado, tudo é completamente amorfo e nossas sensações
desaparecem.

A mulher é aquela que dá à luz. O Criador podia ter criado um homem que desse à luz; porque
criou Ele somente a mulher com a habilidade de dar à luz?

Uma mulher é chamada “a vontade de receber”. Um homem é chamado “a intenção de doar”.


Deste modo, o homem assiste ao parto; não pode acontecer sem ele. O homem dá somente uma
gota, da qual a mulher cria o recém-nascido. O homem produz somente a vontade de receber através
da correção que ele realiza sobre si mesmo. Estas correções são chamadas “nove meses de gravidez”.

No livro de Baal HaSulam, O Estudo das Dez Sefirot, tal como em toda a sabedoria da Cabala,
aprendemos sobre esta forma na qual crescemos e nos colocamos em uma situação complicada, o
ventre superior - uma situação na qual podemos crescer. Estamos a assistir ao nosso crescimento
dentro do ventre. É um grande trabalho que fazemos em prol de nos adaptarmos ao grau do Criador
até que sejamos semelhantes a Ele. Então, nascemos. Contudo, cada um de nós tem uma realidade
pessoal, a fase da maturidade, oposta à fase de Katnút (infância/pequenez). O resto das fases
continuam até alcançarmos o nível completo.

Então uma mulher simboliza a vontade de receber e um homem simboliza o desejo de doar?

Sim.

Estão as questões ordenadas do alto para que a vontade de receber seja a única que pode dar à
luz, enquanto o homem, que é doação, não possa?

O homem fornece a forma futura de doação. Não fosse a força de doação, a mulher não seria capaz
de dar à luz. Se não há expansão para a vontade de receber ela mesma através da força de doação,
ela não seria capaz de dar à luz a coisa alguma.

A porção, Metzorá, lida com infecções capilares. Porquê especificamente a pele? Há muitas outras
aflições!

A pele é nosso lugar de escrutínio. Nossos desejos consistem de cinco graus: Mocha (medula),
Atzamot (ossos), Gidin (tendões), Bassar (carne), e Or (pele). O desejo Or contém sete camadas; ele é
o desejo final e mais rude. É por isso que é onde podemos escrutinar nossas intenções egoístas,
nossa habilidade de corrigir e como assim fazer.

Nós corrigimos uma parte da pele ao escrever um livro de Torá sobre cabedal. Há um pergaminho
de cabedal que cortamos ao meio e escrevemos as letras do livro da Torá na parte externa.
Separamos a parte que não pode ser corrigida. Esta parte será corrigida somente no fim da correção,
quando não há limitações nem letras. A revelação do Criador na realidade é no último grau mais
egoísta que pode ser corrigido.

A “lepra” simboliza um uso desadequado deste conceito?

“Lepra” simboliza a revelação do limite, o lugar de reconhecimento do mal que uma pessoa corrige
através da força interior - a grande força de doação chamada “sacerdote”.

A Torá lida com uma doença que ainda hoje é incurável.

Todas as doenças de pele são difíceis de curar e muitos de nós sofrem delas todas nossas vidas. Isso
acontece, pois, a pele é o último grau do corpo, então é muito difícil para nós o influenciar. A
tratamos como o fim do corpo, uma cobertura externa para nossos órgãos internos, mas a pele é tal
como o coração, pulmões e rins. Ela é um órgão em e por si mesma, que ainda estamos por
compreender.

Quando pesamos a pele, descobrimos que é o órgão mais pesado no corpo. Também, não podemos
viver sem ela.

Verdade. Podemos ver com os problemas que as pessoas que sofreram sérias queimaduras têm. Isso
é um resultado da espiritualidade, onde correções neste grau são as mais difíceis. Ela é Malchut na
sua conclusão.

É a pele “curável” ou é uma doença crónica?


Somente no fim da correção, quando tenhamos corrigido tudo o resto, seremos capazes de corrigir
a pele. Então, a luz brilhará na Alef através da estrutura inteira conhecida como “Adam”, bem como
dentro da pele, na letra Ayin.

De O Zohar: Dois Pássaros Vivos


“Ele levou para a purificação dois pássaros, vivos e puros e um cedro e um escarlate e hissopo”.
Aquele que se envolve na obra do seu mestre e se envolve na Torá, o Criador está sobre ele e a
Shechiná (Divindade) conecta-se com ele. Quando um vem para ser corrompido, a Shechiná parte
dele, o Criador parte dele e todo o lado de Kedushá (santidade) de seu mestre parte dele. Então o
espírito de Tuma’a (impureza) e o lado inteiro de Tuma’a estão sobre ele. Se ele vem para ser
purificado, ele é ajudado. Assim que ele se tenha purificado e arrependido, o que partiu dele a ele
retorna e o Criador e Sua Shechiná estão sobre ele. Zohar para Todos, Metzorá (O Leproso), item 18

Isto diz respeito a uma pessoa que veio para ser purificada. Ela traz dois pássaros diferentes,
bem como uma parte de uma árvore, através de certas pessoas. É assim que nos corrigimos através
de nossas próprias forças, os desejos que aparecem na estrada da correção. Tais pessoas devem
descobrir os desejos que requerem correção e os corrigir.

Termos
Uma Mulher em Trabalho de Parto

Esta é a vontade de receber que recebeu o poder para se desenvolver e produzir novos atos de doação
em todo o homem.
Circuncisão

A “circuncisão” é uma correção de um desejo recém-nascido. Se ele é um homem, ele deve atravessar
uma correção especial que o impeça de usar seu Siúm, Yessód, em prol de tocar a Malchut. Aqui
podem ser encontrados os maiores e piores desejos, que podem ser corrigidos somente no fim da
correção. Deste modo, aquele que deseja ser Yashar El (direito a Deus, Israel), deve fazer uma
circuncisão, ou seja, se limitar a si mesmo de usar o desejo de doar além do seu ponto de Yessód.
Também reconhecemos estes sinais como costumes no nosso mundo.

Menstruação

“Menstruação” é o sangue, as secreções que temos depois dos escrutínios dos desejos que podem
ser corrigidos. Distinguimos os desejos que não podem ser corrigidos e partimos deles, os
permitindo partir dos desejos destinados à correção. Subsequentemente, há imersão (gotejar) na
água, onde devemos trazer a luz de Chasadim pela qual corrigir esses desejos.

Um Pássaro
Um “pássaro” são nossos desejos no grau de (inanimado). Ele tem um significado especial nas
oferendas. Dentro do inanimado há uma divisão interna em vegetativo, animado e humano. O
humano é especial e é em um dia especial. Através da vestimenta especial se vestir em nós e ao lugar
especial, trazemos os desejos especiais em uma combinação especial para a correção chamada
Korban.

Devemos aprender todos os detalhes; cada vez, isso tem uma complexidade diferente. É por isso
que é chamado “incenso”, um pouco como uma salada. Somente ao combinar as razões e a
combinação certa entre elas alcançamos a correção. Cada vez, montamos uma situação inteira, um
mundo inteiro e este é nosso novo grau.

* Talmude Babilônico, Maséchet Berachot, 17a.

* Midrash Tanchumá, Pekudei, item 3.

** Talmude Babilônico, Maséchet Nezikin, Baba Bátra, 10b; Talmude Babilônico, Maséchet Pesachim, 50a.
Aharei Mot (Depois da Morte) Kedoshim (Santos)
(Levítico, 16:1-18:30—19:1-20:27)

Resumo da Porção

As porções, Aharei Mot (Depois da Morte) e Kedoshim (Sagrados), estão conectadas. Na porção,
Aharei Mot, depois da morte dos dois filhos de Aarão - Nadáv e Avihu - o Criador dá a Moisés
várias regras a respeito do modo como Aarão pode se aproximar dos Santos no tabernáculo: eles
requerem que Aarão ofereça vários sacrifícios. Aarão deve escolher entre dois bodes, um para ser
sacrificado como oferenda de pecado e outro para ser enviado para o deserto como um “bode
para Azazel”.

A porção também descreve a proibição contra matança por comida sem trazer uma oferenda à
tenda de encontro. O Criador instruiu Moisés a comandar o povo para não seguir os caminhos
dos Egípcios e Cananitas e para não obedecer a suas regras. No fim da porção, o Criador diz ao
povo de Israel para não serem corrompidos por todas as impurezas das nações que moram na
terra de Canaã diante deles. Se eles se tornassem corrompidos, a terra os repeliria.

Na porção, Kedoshim (sagrados), o Criador diz para os filhos de Israel através de Moisés: “Vós
sereis sagrados pois Eu o Senhor vosso Deus sou sagrado” (Levítico, 19:2).

A porção detalha muitos diferentes mandamentos entre o homem e Deus, entre o homem e
homem e alguns que dizem respeito a oferecer sacrifícios. A porção também lida com temer a
Mãe e Pai, observar o Shabat e a proibição contra idolatria. Alguns das Mitzvot (mandamentos)
se relacionam à terra de Israel, a terra de Canaã, dizimo, frutos da árvore, idolatria e outras leis.

A porção termina com uma completa proibição contra o incesto e adultério, que serão puníveis
com morte. O Criador ordena os filhos de Israel a manterem as leis quando chegarem à terra de
Israel e se refrearem daquelas que tinham enquanto no Egito. Eles devem separar bestas puras
das impuras e em semelhança, o Criador separará Israel do resto das nações. É assim que Israel
serão Sagrados para Ele.

Comentário
Maioria acreditam que a Torá fala deste mundo, que ela é cheia de ações físicas e descrições de
animais, pessoas e objetos, regras de conduta social, o que é permitido e o que é proibido. Ora nos
esquecemos, ou nunca soubemos, que este mundo é senão uma réplica do mundo espiritual.

Na verdade, as histórias na Torá narram somente o mundo espiritual. Percebemos forças espirituais
como uma réplica da espiritualidade. Elas são retratadas em nós de acordo com nossos graus e
nossas percepções do mundo. É por isso que nos parece que estamos a ver um mundo inteiro com
todos seus detalhes, que a Torá detalha exatamente como nos devemos comportar, favorável ou
desfavoravelmente, de acordo com a vontade do Criador.

O Criador quer fazer o bem às Suas criações, as elevar ao Seu nível. “Regressai Ó Israel ao Senhor
vosso DEUS” (Oseias, 14:2) significa as fazer serem como Ele - amáveis e doadoras. A regra “Ama
teu próximo como a ti mesmo”*, é a regra inclusiva da Torá. Ela é a regra pela qual alternamos de
amar os outros para amar o Criador no fim da nossa correção.

Precisamos escrutinar a conexão entre matar bestas e evitar certas ações, cometendo outras ações e
Dvekút (adesão) com o Criador, amor por Deus, amor por Israel e amor pelo mundo inteiro. A Torá
não fala de qualquer outra correção senão a correção do coração, como está escrito que ela foi dada
aos homens de coração. ** Assim, todos os mandamentos escritos na Torá - como Iben Ezra escreve
no seu comentário sobre a Torá - foram feitos somente para corrigir o coração, ou seja o desejo do
homem e inclinação. A Torá foi destinada a nos trazer ao amor pois nossa natureza inicial é o
oposto do amor: ela inclui a inclinação ao mal, inveja, cobiça e a busca de honra, como claramente
vemos no nosso mundo.

É por isso que a Torá nos conta nos corrigirmos, nossos desejos, de acordo com nossa percepção
deste mundo. Não podemos corrigir nossos egos instantaneamente de visar recebermos para nós
mesmos para visarmos doar sobre os outros. As numerosas correções que realizamos sobre nossos
desejos são graduais.

As duas porções, Aharei Mot (Depois da Morte) e Kedoshim (Sagrados), são adjacentes e conectadas
pois elas contêm duas grandes correções. A primeira doar em prol de doar, como está escrito,
“Aquilo que odeias, não faças ao teu amigo” (Maséchet Shabat, 31a). A segunda é “Ama teu próximo
como a ti mesmo”, que é uma correção mais avançada.

A primeira correção é meramente evitar prejudicar os outros. Quando constantemente procuramos


nosso próprio benefício, o resultado é sempre às custas dos outros. A primeira correção foi dada a
um prosélito, a um egoísta que quer ser corrigido, a se elevar do ego, das “nações do mundo no
interior, para o grau de Israel, a um estado de “Aquilo que odeias, não faças ao teu amigo”. Com
isso, restringimos nossos egos e evitamos magoar os outros. A próxima fase é o grau mais avançado,
“Ama teu próximo como a ti mesmo” ***, que devemos alcançar.

Depois dessas Mitzvot e correções, percebemos o mundo que é retratado em cada um dos 613
desejos que nos compõem. Quando corrigimos esses desejos do egoísmo para querer dar e amor,
vemos um mundo oposto, como está escrito, “Eu vi um mundo invertido”.**** Chegamos a ver um
mundo superior conduzido por regras completamente novas e diferentes - de dar, amor e conexão.
Hoje não só o mundo nos aparece como integralmente conectado, nós mesmos nos estamos a
tornar integrais e nos relacionamos ao mundo desta maneira. Incluímos todos e vemos tudo como
um todo.

É esta a razão pela qual as duas porções estão juntas. A correção na porção, Aharei Mot, é a correção
de emergir da inclinação ao mal. Na próxima correção, aquela na porção, Kedoshim, transcendemos
a inclinação ao male elevamos os desejos que corrigimos ao próximo grau. Primeiro, aparentemente
nos “varremos”, então os elevamos até dar, amor até ao lugar dos sagrados.

Primeiro, nos elevamos acima da nossa vontade de receber egoísta e mudamos os pecados para erros
e erros para Mitzvot (mandamentos/boas ações/correções). Depois, corrigimos os pecados (que
anteriormente tornamos em erros) em Mitzvot. Agora, tudo funciona com amor.

Ao tratar todos com amor absoluto, alcançamos o amor por Deus. Este é o resultado final onde
obtemos equivalência com Ele, como está escrito, “Regressai Ó Israel ao Senhor vosso Deus”
(Oseias, 14:2). Em outras palavras, obtemos Dvekút (adesão) com Ele. Este é o propósito das
correções, o propósito da Criação, do caminho que devemos tomar.
Tudo começa com a quebra, com o reconhecimento do mal. Foi isto que Nadáv e Avihu fizeram
na anterior porção e é por isso que a porção é chamada Aharei Mot (Depois da Morte). Todas nossas
ações em correções são construídas consecutivamente.

Não nos devemos esquecer que as verdadeiras correções são somente nos nossos desejos.
Corrigimos nossos corações e nosso mundo é o mundo inanimado, um mundo imaginário no qual
brincamos como crianças na areia.

Hoje, o mundo entra em uma nova era, enfrentando uma crise global que deve ser resolvida. Este
é nosso “exercício”. Se o aproximarmos corretamente, como nos conta a Torá, receberemos a Torá
- sua interioridade - como a Torá da verdade e saberemos como alcançar redenção do exílio dos
pecados nos quais nos encontramos. Então, alcançaremos a fase de Aharei Mot, de Kedoshim (santos).

A porção conta-nos como o povo de Israel entrou na terra de Israel. Se eles escolherem seguir as
leis dos Cananitas, a terra os expulsaria. Esta porção é sempre próxima do Dia da Independência
Israelita, que é estranho pois regressámos a nossa terra passados 2000 anos, mas parece que ainda
não mantemos as leis espirituais.

Parece também que não temos posse sobre a terra de Israel. Ainda estamos “sob ponto de
interrogação” nesta terra. Talvez não gostemos de o admitir, mas estamos. Estamos conscientes de
que estamos ainda dependentes de nossos vizinhos e do resto do mundo. Se o mundo inteiro nos
pressionasse agora, não teríamos escolha senão fazer como eles dizem.

As palavras, “o mundo inteiro”, referem-se ao Criador, a força superior que define as condições
pelas quais verdadeiramente nos arrependeremos e começamos a ser na realidade o povo de Israel
na terra de Israel. Yisrael (Israel) vem de Yashar El (direito a Deus), ou seja, se assemelhar à força
de doação e amor, a força superior, que exige que estejamos em um estado de “Ama teu próximo
como a ti mesmo”.

Se alcançarmos amor fraterno de acordo com as leis de Arvut (garantia mútua), as leis da Cabala,
de educação integral - enquanto as circulamos - verdadeiramente ganharemos uma posse sobre a
terra. Éretz (terra) vem da palavra, Ratzon, (desejo); este é nosso mais interno desejo, que determina
precisamente quão anexos estamos ao solo, à terra de Israel.

Tudo depende de nós. Nos foi dada uma pequena porção e se nós não conseguimos viver de acordo
com esta parte, uma parte de nós será cortada, então outra parte e então outra. Não é porque os
países vizinhos decidiram alguma coisa; é porque nós mesmos não nos encaixamos na terra de Israel.

Na realidade, a ameaça já está lá pois “o coração de ministros e Reis está nas mãos do Senhor”
(Provérbios, 25:1). Se estamos de acordo com a terra de Israel, a receberemos e ninguém governará
sobre nós - tudo depende de nosso acordo com a terra de Israel. Se direcionarmos nossos desejos
para a santidade, como em “Vós sereis sagrados pois Eu sou sagrado” (Levítico, 19:2) — santidade
significa doação e amor - então não há dúvida, a receberemos neste mundo, também, o todo da
terra de Israel. Ninguém será capaz de dizer coisa alguma; todos concordarão que somos nós que
temos verdadeiramente de aqui estar na terra. A nação que viverá aqui será uma diferente, “O povo
de Israel” vivendo de acordo com “Ama teu próximo como a ti mesmo”, como era antes da ruína.
Perguntas e Respostas
Há uma sensação de que embora estejamos oficialmente na nossa terra, ainda estejamos em exílio.

Sim, é por isso que está escrito que estamos na reunião dos exílios.

O que significa que “a terra expulsa os desejos”?


Se não nos correspondermos com a vontade de Deus, com a terra de Israel, a terra nos ejeta, nos
rejeita. Isso é devido a nossa falta de equivalência de forma. “Equivalência de forma” é a lei geral
da natureza que determina quão adequados e conectados estamos à terra, ao solo. Equivalência de
forma existe à extensão que nos conectamos uns aos outros, à extensão que alcançamos garantia
mútua entre nós, unidade e amor fraterno. Se não o fizermos, não pertencemos à terra de Israel.

Isto refere-se à terra de Israel de hoje? Afinal, lá diz “desejos”, não pessoas. Então trata-se isto de
desejos ou da terra?

Ainda não estamos na verdadeira terra de Israel porque nós e nossos desejos estão ainda
corrompidos e negativos, como está a energia entre nós. Assim, não permitimos que a terra de Israel
seja justa (bela). Ainda não sentimos que nossa terra floresce.

De O Zohar: Híbridos e Misturados


Quando o Criador criou o mundo, Ele dispôs cada coisa, cada um no seu lado, seja para a direita
ou para a esquerda e nomeou forças superiores sobre eles. E não há sequer uma minúscula lamina
de grama na terra sobre a qual não haja força superior no alto nos mundos superiores. Tudo o que
eles fazem em cada um e todas as coisas que cada um faz é tudo pelo prevalecer da força superior
que é nomeada sobre ele no alto. Zohar para Todos, Kedoshim (Santos), item 108

Estamos muito atrás, mas nos é agora requisitado que estejamos no grau de a “terra de Israel”. O
que pode ser mudado aqui? Como podemos alcançar o grau de a terra de Israel?
Se começarmos a examinar nossas qualidades em relação aos outros, veremos quão imersos
estamos no Egito, como nossos egos, nossos Faraós internos, nos dominam. Denegrimos todos por
inveja, cobiça e a busca de honra e nos relacionamos aos outros somente em prol de os usar. Isto é
exílio. Não é um ponto geográfico, mas um estado interno. Finalmente quereremos emergir dele
ao nos conectarmos às pessoas e começarmos a questionar, “Quando alcançarei eu minha correção,
o estado de ‘Ama teu próximo como a ti mesmo’”?

Quando o alcançarmos, começaremos a avançar para a correção. Então, veremos quão incapazes
disso somos. Este é o sentido de “a terra de Israel não nos pertencer”. Não podemos estar juntos
em amor fraterno, então devemos exigir do Criador que o corrija. Devemos gritar, orar, Lhe mostrar
nossa necessidade. Na realidade, tudo o que atravessámos aconteceu para que reconheçamos nossa
dependência Dele, para que sentíssemos que todas as correções dependem somente Dele.

Estamos a atravessar tudo isto de propósito; o Criador o fez deste modo. Inversamente,
nos esqueceríamos Dele. Quando nos voltamos para o Criador por correção, Ele vem e “instala-se”
com a qualidade de doação e amor entre nós. Progredimos e O descobrimos entre nós, ou seja, que
descobrimos o mundo superior.

Este é o sistema superior no mundo espiritual entre nós, no qual chegamos a nossa correção. E
porque nosso desejo fora corrigido devido à presença do Criador, assim é na terra de Israel, um
estado de redenção chamado “a terra de Israel”. Anteriormente, isso foi na Babilônia, na terra de
Canaã, Egito e no deserto. “A terra de Israel” é um estado de conexão entre nós, que o Criador
preenche.

Falamos frequentemente de conexão espiritual. Tratam-se as coisas de que falamos de coisas


espirituais, incluindo a terra de Israel?

Tudo está dentro de nós e entre nós.

Porque escutamos que o Criador não julga os filhos de Israel ou coisa alguma a respeito deste
mundo, todavia eles são punidos neles mundo?

Eles são julgados pois devemos regressar para o grau espiritual que tínhamos antes da ruína do
Templo.

Embora sempre tenhamos pensado que o Criador não “guarda rancor” conosco neste mundo?

O ARI começa seu livro, Árvore da Vida, explicando que “A luz superior e simples preenche toda
a realidade”. Em semelhança, está escrito, “Eu o Senhor não mudo” (Malaquias, 3:6), e “ELE deu
uma lei e ela não será violada” (Salmos, 148:6). Há um estado constante pelo qual nos devemos
medir. Ele é um estado absoluto de amor e uma apertada conexão entre todos, não só entre os
filhos de Israel, como foi antes, mas por todo o mundo. Nós somos o “povo escolhido”, aqueles
que devem ser “um reino de sacerdotes e uma sagrada nação” (Êxodo, 19:6). Primeiro devemos
alcançar esse estado, então devemos dar um exemplo para o resto do mundo.

De O Zohar: Ah, Terra do Zumbido de Asas

“Ah, terra do zumbido de asas”. Quando o Criador criou o mundo e desejou revelar as profundezas
do escondido e luz a partir das trevas, eles se misturaram um no outro. Devido a isso, Luz saiu das
trevas e o abismo saiu e apareceu do escondido; um saiu do outro. E do bem, veio o mal; da
misericórdia, veio o julgamento e tudo foi incluindo um no outro. Zohar para Todos, Kedoshim
(Santos), item 7
Depois da quebra, tudo se tornou misturado. Agora, depois da ruína, devemos distinguir entre o
bem e mal, luz e trevas e assim nos construirmos. Nossa visão do mundo e as relações entre nós tudo
resulta do escrutínio. A ruína é a nosso favor pois ao corrigi-la nos edificamos, tal como as
crianças constroem com peças de LEGO e assim aprendem.

O que é o grau de Kadosh e Kedoshim (santos)?

“Santos” é o mais alto grau, como está escrito (Levítico, 19:2), “Vós sereis santos pois Eu o Senhor
vosso Deus sou santo”. Significa isto que um transcende o ego e evita usá-lo, senão pelo benefício
dos outros. “Doar em prol de doar” é a primeira fase. A segunda fase é “receber em prol de doar”.
A primeira fase é como Hilel diz, “Aquilo que odeias, não faças ao teu amigo” (Maséchet Shabat,
31a). Isto é, não prejudique os outros. Este é o começo das correções. Mas assim que o tenha
alcançado, você aceita os desejos dos outros e começa a servi-los, a preenchê-los. Isto é chamado
“amor”.

Isto é, Aharei Mot é uma condição prévia para Kedoshim?


Certamente, há duas fases da correção de Galgalta e Eynaim da alma e a correção do AHP da alma.
Há dois tipos de Kelim nos quais há Mitzvot positivos e negativos (mandamentos de fazer alguma
coisa ou evitar fazer alguma coisa) da Torá. Cada mandamento é uma ação de se elevar acima do
ego, de beneficiar os outros, ou pelo menos não prejudicar os outros. Estes são todos os 613
mandamentos - 248 e 365.

Há uma conexão especial entre o Criador e o povo de Israel? Porque são eles sagrados? É isso
somente porque Ele é sagrado?
O homem precisa da luz superior em prol de se elevar acima do ego e doar sobre os outros. Não
temos força de doação nossa pois consistimos da substância de “somente recepção”. Podemos dar
somente se a luz superior brilha sobre nós, como está escrito, “Eu criei a inclinação ao mal; Eu criei
para ela a Torá como tempero” pois “a luz nela reforma”. *****

Assim, o Criador ilumina essa qualidade para nós, nos eleva acima do ego e tudo o que precisamos
é querê-lo. As ações vêm do alto, que é o porquê de serem chamadas “a obra de Deus”, dado que é
o Criador que faz o trabalho. Contudo, Ele trabalha somente por nosso convite.

Termos
Kadosh (Sagrado)
“Santos” significa usar a vontade de receber que era anteriormente em prol de receber. Ela é a forma
inversa do ego e beneficia somente os outros ou o Criador. Quando ela é a favor dos outros, ela
está ainda no grau de doar em prol de doar, o grau dos Levitas. Mas quando recebemos em prol de
doar, ela está no grau de sacerdotes, o oposto da sua natureza inicial.

Guardar Rancor
Não nos conseguimos corrigir se ainda “guardamos rancor”. Essa é uma energia interna. Há
correções muito profundas que nos assombram quando aparecem; subitamente compreendemos
quão profundos são nossos cálculos para nosso próprio benefício.

Proibição contra a Divinação

“Divinação” é proibida pois ela contradiz a doação. Se uma pessoa quer doar, não faz diferença o
que acontecerá no futuro. Tudo o que precisamos é conectar com os outros e lhes dar o que eles
desejam. Ao assim fazer, encontraremos uma nova vida. Se fizermos qualquer cálculo, isso é para a
vontade de receber.

Aquele que avança verdadeiramente para a doação é indiferente para com o futuro. Doação pura é
tudo aquilo que essa pessoa deseja “ser” na outra. Nesse estado, um não tem conexão com a
divinação, pois não podem haver quaisquer considerações. Assim, devemos fazer correções dentro
de nós pois em cada um de nós há o desejo de conhecer o futuro ou de o adivinhar.

Um Bode para Azazel

“Um bode para Azazel” são todos os desejos que ainda não conseguimos corrigir. Há 613 desejos
em nós e alguns ainda não estão corrigidos. Porque há uma falta de luz que brilha sobre nós, não
os conseguimos concertar. Separamos estes desejos de nós, que é o porquê de haverem animais que
matamos e elevamos a Kedushá (santidade). Estes são desejos dentro de nós no nível animal.
Contudo, há desejos onde não podemos fazer isto. Assim, por agora estamos a libertá-los para que
eles não permaneçam conosco, como se não os tivéssemos.
* Talmude de Jerusalém, Séder Nashim, Maséchet Nedarim, Capítulo 9, p 30b.

** Rav Yehuda Ashlag (Baal HaSulam), Os Escritos de Baal HaSulam, p 141.

*** Talmude de Jerusalém, Séder Nashim, Maséchet Nedarim, Capítulo 9, p 30b.

**** Talmude Babilônico, Maséchet Nezikin, Bába Batra, 10b; Talmude Babilônico, Maséchet Pesachim, 50a.

***** Talmude Babilônico, Maséchet Kidushin, 30b; Midrash Rába, Eichá, “Introdução”, Parágrafo 2.
Emor (Dizei)
(Levítico, 21:1-24:23)

Resumo da Porção

A porção, Emor (Dizei), começa com regras a respeito de sacerdotes, os proibindo de casar com
uma mulher divorciada, uma viúva ou uma prostituta e os permitindo se casar somente com uma
virgem. Eles também estão proibidos de se aproximar dos mortos. Somente parentescos são
permitidos serem corrompidos ou se aproximar dos mortos. O Sumo Sacerdote está proibido de
ser corrompido, até se seus próprios parentescos tenham morrido. Eles estão proibidos de
barbear suas cabeças e barbas e estão proibidos de lançar quaisquer defeitos nos seus corpos. Um
Cohen (sacerdote) com uma mácula no seu corpo não será considerado um sacerdote e não será
capaz de servir no Templo. A porção também introduz leis de pureza e impureza para sacerdotes,
tais como a proibição contra comer oferendas e as regras para uma filha estéril ou divorciada de
um sacerdote. A porção também menciona muitas regras a respeito do Shabat, Pessach, o sétimo
dia de Pessach, Shavuot, a Contagem do Omer e Yom Kipur (Dia do Perdão). O fim da porção
fala de uma discussão entre dois homens, um deles amaldiçoou o nome do Criador. Ele foi
punido pela expulsão do acampamento e execução por apedrejamento.

Perguntas e Respostas
O que há de tão especial sobre esta porção que elabora tanto acerca dos sacerdotes e festivais?
A correção é somente uma correção do coração, que contém todos os 613 desejos que precisamos
corrigir de usar nossos egos para receber em usá-los para doar sobre os outros e para amar os outros.
A Torá inteira lida com a correção do coração. A primeira fase na correção do coração é quando
nos livramos do ego. A segunda fase é quando usamos todo nosso coração a favor dos outros.

A porção descreve todos os níveis de correção. Está escrito, “E vós sereis para Mim um reino de
sacerdotes e uma sagrada nação” (Êxodo, 19:6). Significa isto que todos devem alcançar o mais alto
grau (um Cohen [sacerdote]) depois da preparação descrita nas porções, Aharei Mot (Após a Morte)
e Kedoshim (Santos). A Torá promove-nos constantemente até que entremos na terra de Israel
e alcancemos Dvekút (adesão) com o Criador.

A porção começa ao elaborar os termos do grau de sacerdotes. Um deve corrigir seus desejos, como
ela especifica - há uma proibição contra casar com uma divorciada, uma viúva ou uma prostituta.
Um sacerdote deve também evitar barbear sua face e sua cabeça. Ele deve também manter estas
proibições até que ele esteja corrigido e veja seus desejos na imagem do Homem. É como
aprendemos sobre a percepção da realidade: o mundo inteiro é um reflexo de nossos desejos, uma
projeção externa de nossa interioridade.

Um sacerdote deve ter desejos naturais que tenham sido corrigidos para terem a direção de doar.
Ele não deve debilitar seu corpo, colocar quaisquer tipos de pinturas nele, ou tocar no seu cabelo.
O cabelo é uma correção especial. A palavra, “Se'arot (cabelo), vem da palavra, Se’ará (tempestade).
O cabelo é para ser corrigido e deste modo não deve ser removido.

Um “sacerdote” é um estado no qual um pode verdadeiramente trabalhar com todos os desejos em


prol de doar, com todas as carências, com o “cabelo tempestuoso”. Suas fêmeas, nomeadamente
seus desejos de receber, foram corrigidos e não estão mais nos graus de prostituta, divorciada ou
uma viúva. Em vez disso, eles estão no grau de virgens. Uma pessoa chega a um grau em que ela
corrige seus desejos de volta ao seu estado natural.

O sacerdote deve abordar a obra de Deus através de sacrifício. Ele deve aproximar seus desejos mais
e mais da direção de doar, de amar. Todos devem alcançar este grau sendo considerados como
“servir no Templo”. No grau de sacerdotes, colocamos todos os 613 desejos, chamados “nosso
coração”, na casa de Kedushá (santidade) como um sagrado Kli (vaso) que está inteiramente em
doação.

Durante os festivais, nos corrigimos em fases que são aparentemente externas. O sistema muda e dá-
nos uma chance de corrigir nossos desejos mais em condições externas nos festivais mencionados
na Torá: Pessach (Páscoa), Shavuot (Festival das Semanas) e Yom Kipur (Dia da Expiação). A Torá
conta-nos sobre todos os festivais, exceto Chanucá e Purim.

Chanucá significa Chanu Kô (aqui acampado). Alcançamos a correção de doar em prol de doar
quando nos elevamos acima de nossos egos e alcançamos o grau de Biná, da frase, “Aquilo que
odeias, não faças ao teu amigo”. * Deste modo, nos separamos da vontade egoísta de receber e nos
elevamos acima dela.

Purim é quando uma pessoa alcança na realidade o fim da correção. Em Yom Kipur (Kipur significa
Kê Purim [como Purim]), descobrimos o mal em nós e nos arrependemos. Ao mesmo tempo, estamos
felizes pois agora sabemos o que corrigir. Yom Kippur não se trata somente de um dia de choro. Em
vez disso, ele é um dia de grande alegria pois estamos felizes que um trilho pelo qual alcançaremos
Purim se abriu para nós e corrigimos todos os desejos em doação, para o amor. Em Purim matamos
o Hamã em nós, todo o mal em nós e alcançamos o fim da correção - completa equivalência com o
Criador.

A porção, Emor, contém todas as preparações, todas as porções anteriores. Ela lida com ascender ao
mais alto grau. A porção lida também com o Shabat, um ano sabático, o sétimo dia de Pessach, o
sétimo dia da semana e o sétimo ano. Este é um grau que sempre adquirimos no caminho pois Zeir
Anpin contém seis dias de semana; ele é o Partzuf superior, do qual recebemos as luzes.

Todas as luzes, que correspondem a Chéssed, Gvurá, Tiféret, Netzach, Hod e Yessód, entram nos
nossos corações (Malchut) durante os seis dias. Então chega o sétimo dia, quando nada fazemos.
Estas qualidades concluem o trabalho, então não nos são requisitados mais esforços, excerto manter
a situação para que as luzes a tratem e santifiquem. É por isso que o sétimo dia é considerado um
“dia de santidade”, dado que nele elevamos todos os desejos para a direção de doar.

Posteriormente vem o sétimo dia de Pessach, o sétimo dia de Shavuot, como está escrito, “Sete
semanas inteiras haverão” (Levítico, 23:15), que são quarenta e nove dias de Pessach a Shavuot e o
sétimo ano, Shmitá (omissão). Tal é o ciclo de sete.

O sétimo de Pessach, a Contagem do Omer, Shavuot - parece que é um processo. O que é Pessach
e qual é o processo entre Pessach e Shavuot?
“Pessach” é nossa fuga do ego, do Egito. Embora comecemos a nos separar dele, ele continua a nos
acompanhar em futuros graus, na forma de problemas que caem sobre nós, tais como o bezerro de
ouro, as águas da contenda e espiões. Estes são todos resultados do Egito.

“O deserto” é um estado onde um se separa e purifica do ego até ao grau de Biná, a entrada para a
terra de Israel. Esse estado é chamado “quarenta anos no deserto” porque ele é a correção que
recebemos ao sair do ego. Não é simples; as correções são um reconhecimento de nossa natureza, a
divulgação de nossos desejos quebrados e o entendimento de como os corrigir.

A primeira correção é quando emergimos do ego e nos elevamos acima dele. Ela é chamada o
“êxodo do Egito” e o “rasgar do Mar Vermelho”. Instantaneamente alternamos da vontade de
receber em prol de receber, nomeadamente Egito e avançamos para o deserto. É por isso que ainda
não sabemos o que fazer, ou o que nos acontecerá e como isso se revelará. Não podemos saber como
trabalhar com nossa natureza quando não para nosso benefício. Por esta razão, atravessamos um
período de confusão até que cheguemos ao rasgar do Mar Vermelho e estejamos no pé do Monte
Sinai.

Aqui a correção é na mesma vontade de receber da qual nos separámos e sobre a qual
transcendemos. Na direção de Shavuot, começamos a corrigi-la em prol de doar, na direção da
recepção da Torá. Sete Shabates são sete vezes sete, que são quarenta e nove dias para correções.
Nossa correção é feita pelas seis Sefirot da força superior, Zeir Anpin, que é chamado “O Abençoado
Seja Ele”. Este é o sistema superior que nos corrige, contendo seis qualidades - Chéssed, Gvurá,
Tiféret, Netzach, Hod e Yessód - que entram em Malchut, nossa vontade de receber, nos corrigimos
na realidade pela contagem. Isto é, aparentemente contamos dinheiro, pagamos ao realizar
correções cada dia.

Durante cada dia e noite, abençoamos a Sefirá (singular de Sefirot), um resultado da passagem do
dia, da noite para o dia, como está escrito, “E houve tarde e houve manhã” (Gênese, 1:5). No dia
anterior, corrigimos no anoitecer, também, na revelação do mau, bem como durante o dia, na
revelação do bom. Atraímos luzes que corrigiram os desejos de receber e assim concluímos o dia. É
por isso que damos graças por termos corrigido a Sefirá. Contamos as Sefirot, que é o porquê de
ser chamado a “Contagem do Omer”. É assim que todos nossos desejos são corrigidos.

Passados trinta e três dias, há um dia especial, LAG baOmer, LAG significa trinta e três nas Sefirot
Chéssed, Gvurá, Tiféret, Netzach, Hod, Yessód e Malchut. Multiplicando as sete Sefirot por sete temos
quarenta e nove. Começamos a procurar o meio. Se recebermos todas as luzes antes de alcançarmos
o meio, então nos é garantido terminar com sucesso. Isso é semelhante a uma pessoa a quem não é
dado tudo. Contudo, se algumas das forças forem dadas e algumas forem corrigidas, essa pessoa
pode começar a compreender e a avançar independentemente para o final - a correção de Shavuot.
Este é o estado de uma pessoa no 33º dia da contagem.

Nós contamos Chéssed, Gvurá, Tiféret e Netzach, que são Sefirot completas, as luzes que nos devem
alcançar. Na Sefirá Hod, contamos cinco Sefirot - Chéssed, Gvurá, Tiféret e Hod. Em Hod de Hod, se
tivermos recebido as luzes do alto até ao ponto de incisão, nos é garantido continuar com sucesso.
Trinta e três simboliza a recepção de todas as luzes da correção; é por isso que estamos felizes e
celebramos o Festival da Luz ao acender fogueiras.

A trigésima terceira Sefirá, Hod de Hod, simboliza a conclusão de parte do processo?


Sim. Daí em diante, não há dúvida que a pessoa concretizará Shavuot. É por isso que a proibição
de casar (que começa depois da noite de Pessach) é levantada nesse dia. Casamento significa conexão
com Malchut. Outras proibições também são levantadas nesse dia, tais como a proibição contra
cortar o seu cabelo. Estas correções manifestam-se externamente, também, mas a maioria das
correções são por dentro, correções que realizamos sobre nós mesmos pela luz que brilha sobre nós
e através de tal dádiva obtemos o amor pelos outros.

Porque é que quando alcança o grau de “sacerdote”, você está ainda atado a muitas leis e
proibições?

Está escrito, “Vós sereis sagrados, pois Eu sou sagrado” (Levítico, 11:44). Quando em Kedushá
(santidade), nos deleitamos nestas ações. Elas não são indesejáveis, mas em vez disso desejáveis.
Logo, se tentarmos afastar uma mãe de fazer metade do trabalho necessário para seu bebê, ela não
o permitirá. Ela tem prazer daquilo que ela faz pelo bebê. Este trabalho pode nos parecer difícil,
mas quando se torna doação e como resultado recebemos a luz que brilha sobre nós e nos preenche,
sentimos a eternidade da Natureza e perfeição e nos elevamos acima de todas as limitações deste
mundo. Então, há somente bondade para nós.

Porque é o casamento uma questão tão séria para um sacerdote? É o casamento a conexão?

Sua vontade de receber (Malchut) deve ser purificada de quaisquer maculas. Anteriormente, ele
era aparentemente “casado” com uma prostituta, uma viúva ou uma divorciada; isto é, seus desejos
eram defeituosos. Agora, ele se elevou a tamanho grau que seu desejo de receber é “virginal”, como
o desejo que o Criador criou. O Criador deu-nos um desejo de receber, mas o descobrimos somente
na quarta e final fase, Yod-Hey-Vav-Hey. É assim que atravessamos todos os desejos até
que cheguemos à “virgem”, ou seja como o Criador o deu. Deste modo, podemos trabalhar com o
desejo inteiro.

Porque é proibido dizer o nome do Criador?

“Dizer” é revelar. Há uma revelação interna, que é doar em prol doar. Há limitações nela, mas isso
não se refere a dizer as palavras ADNI, HaVaYaH e assim por diante. Uma pessoa faz um Zivug de
Haka’á sobre a luz superior que deve alcançar os Kelim. Ao revelar, um a divulga dos lábios para
fora aos “externos”, desejos que não foram corrigidos. É proibido divulgar o nome do Criador, a
luz superior, aos desejos externos. Estes estão fora de Kedushá e não foram corrigidos e isto
aparentemente causaria “curto circuito” a luz com um Kli que não foi corrigido com uma Massach
(tela) e Ór Chozêr (Luz Refletida). É por isso que isso é chamado a “revelação do mal”, e não a
“revelação do bem”.

De O Zohar: Os Filhos de Aarão


Aarão é o princípio de todos os sacerdotes no mundo pois o Criador o escolheu de todos para fazer
a paz no mundo e porque os caminhos de Aarão subiam com ele até ela. Isto assim é, pois, todos
os dias de Aarão, ele tentaria aumentar a paz no mundo. E porque assim foram seus caminhos, o
Criador levantou-o para o sacerdócio, para que ele instasse a paz no agregado do alto, pois pela sua
obra, ele causou o Zivug do Criador com Sua Divindade e paz é feita em todos os mundos. Zohar
para Todos, Emor (Dizei), Item 2
O papel de um sacerdote é aumentar a paz no mundo.

Uma pesquisa na genética revelou que o sacerdócio é hereditário. Os pesquisadores testaram Judeus
com apelidos que indicam relação ao sacerdócio (Kahana, Katz, Cohen, etc.) de todas as facções do
povo Judeu. Eles descobriram o mesmo gene entre todos eles. Como ser um Cohen se relaciona ao
mundo corpóreo se devemos todos ser sacerdotes?
Não podemos saber que mudanças genéticas acontecerão quando todos estivermos corrigidos.
Talvez subamos acima de tudo o que é físico. Devemos entender que há o primeiro HaVaYaH no
mundo de Ein Sof (infinito), então uma duplicação do HaVaYaH nas quatro Bechinot
(discernimentos) de Ór Yashar (Luz Direta) em cada grau, chamada “dez Sefirot”. Cada grau final
consiste de uma substância mais materializada que seu superior adjacente, mas a combinação,
HaVaYaH, permanece. É por isso que está escrito, “Eu o Senhor não mudo” (Malaquias, 3:6).

O primeiro HaVaYaH é a luz que se expande em quatro Bechinot e alcança Malchut. Essa estrutura
permanece. De acordo com este padrão, enquanto a luz desce de grau em grau, do mundo de Ein
Sof até ao nosso mundo, ela dá-nos Partzufim (plural de Partzuf), mundos, Sefirot e tudo o que
aprendemos no sistema superior. É assim que está em todos os mundos.

A Neshamá (alma), chamada Adam HaRishon (o Primeiro Homem), também foi criada pela mesma
estrutura, seguindo a mesma fabricação interna. Esse padrão existe em todas as coisas.

Aprendemos que Abraão quis corrigir toda a Babilônia e que em cada um de nós está uma raiz pela
qual podemos alcançar o nível de sumo sacerdote. Todos o devem alcançar, como está escrito,
“Todos eles Me conhecerão, do menor deles ao maior entre eles” (Jeremias, 31:33), e “Minha casa
será chamada 'uma casa de oração' para todas as nações” (Isaías, 56:7).

Há desejos e almas que são mais fáceis de corrigir e há aqueles que são mais difíceis, dependendo
do nível do defeito. Os mais fáceis são os filhos de Israel. Eles têm de ser os primeiros a corrigir;
assim, há centelhas mais fortes de luz neles, que são claras e ardentes e aparecem como Cohen, Levi
e Israel.

Há pessoas que olham para uma pessoa e sabem se ele ou ela é uma Cohen (descendente de um
sacerdote). É difícil assinalar um Levita ou Israel. Não surpreendentemente, podemos encontrar
estas coisas na biologia e medicina pois tudo no nosso mundo vem do mundo de Ein Sof e é uma
réplica no nosso mundo físico, nos nossos genes. É por isso que também deve acontecer neste
mundo.

Talvez não tenhamos descoberto todos os fenômenos, mas está claro que cada fenómeno no mundo
é o mesmo que o fenómeno que existe no alto, exceto que eles existem na matéria, não em potencial.

Termos

Cohen (Sacerdote)
Um “sacerdote” é o mais alto grau na correção do homem, onde um se torna semelhante ao Criador
em todos os seus desejos, na sua inteira fabricação e está em um estado de doação e amor. Ao assim
fazer, um se corresponde a si mesmo ao Criador e alcança Dvekút (adesão) com Ele. Este é o
propósito da Criação.

Tum’á (Impureza)

Tum’á é intenção para si mesmo. Todas as condutas de Tum’á são as mesmas intenções sob
diferentes nomes, tais como Faraó, Balaão, Balaque e todas as outras forças ímpias.
É ao contrário com os mesmos desejos assim que tenham sido corrigidos com a direção de doar.
Os desejos permanecem o mesmo, mas os nomes que um recebe são em vez disso Cohen, Levi e
Israel.

Maldição
Uma “maldição” significa que descobrimos que não podemos concordar com o Criador acerca de
nossos desejos. Descobrimos como Balaão, Balaque e assim por diante. Se descobrirmos o termo
da força superior, o Criador, Natureza, devemos trabalhar em prol de doar, em amor e dar. Se
descobrirmos que nossos desejos são opostos, trabalhando em prol de receber, amaldiçoamos,
resistimos, colidimos com o Criador e somos opostos em forma.

Divorciada, Viúva

Este não é o grande desejo inicial, mas podemos trabalhar com ele de uma maneira mais restrita. É
por isso que ele não é uma “virgem”. Uma virgem significa que não tocamos no desejo, mas o
deixamos como é. Se lhe tivermos tocado e realizado correções sobre ele, isso é chamado
“divorciada”, “viúva” ou “prostituta”. Podemos trabalhar com estes desejos, mas no grau de um
sacerdote. De fato, alcançamos o grau de sacerdote através de todos os desejos chamados por estes
nomes.

Barbear a Cabeça e a Barba

Como aprendemos em O Estudo das Dez Sefirot (Parte 13, Tikuney Dikna), Se’arot (cabelo) é um
tema extenso. O termo, Se’arot, vem da palavra So’er (tempestuoso), que aponta para pressão. Os
canais de abundância que chegam até nós de Ein Sof devem ser restringidos, se tornarem mais
estreitos e gotejar para nós naquilo que é chamado Mazal (sorte), da palavra Nozel (gotejar). Através
do cabelo, as luzes vêm muito finas e em quantias limitadas, devido às limitações sobre a pessoa.
Isso acontece deste modo para ajustar o tamanho da “colher” (o vaso) na quantidade que um possa
receber, tal como com um bebê. A luz vem intermitentemente, em gotas, de acordo com a medida
do tempo e peso.

“Barbear” refere-se ao próprio cabelo. Partzuf Se’arot é um Partzuf especial, uma estrutura ou
sistema que cria a correspondência entre a luz de Ein Sof e os pequenos - nós. Nós podemos receber
somente um pouco, que é o porquê de ser proibido barbear ou cortar o cabelo. Um sacerdote está
proibido pois ele usa este sistema inteiro precisamente em prol de doar.

* Maséchet Shabat, 31a.


BaHár (No Monte Sinai)
(Levítico, 25:1-26:2)

Sumário da Porção

A porção, Bahár (No Monte Sinai), lida principalmente com o que parecem ser leis das finanças.
Ela começa com Moisés estar no Monte Sinai, recebendo do Criador o Mitzvá (mandamento de
Shmitá (omissão do cultivo) da terra em cada sétimo ano e as Mitzvot (plural de Mitzvá) de Yovél
(jubileu, 50º aniversário). O Criador dá Sua bênção para o fazer para que no sexto ano seja tão
produtivo que produção suficiente cresça para durar para os próximos três anos, para observar
as Mitzvot (mandamentos) de Shmitá e Yovél sem se preocupar com o sustento. Mais tarde, a
porção detalha leis da venda de uma casa ou propriedade, redenção de uma casa ou de um campo
de uma pessoa para outra, leis do lote dos Levitas, proibindo a venda de cidades ou casas que lhes
pertençam, leis de venda de uma pessoa de Israel para a escravidão, como tratar tal pessoa e leis
que proíbem ídolos, pilares e pedras figurativas.

Comentário

As leis que esta porção detalha são leis espirituais. Shmitá* é uma questão profunda e sagrada. Ela
existe somente na terra de Israel, em um desejo direcionado para o Criador, em prol de doar, para
o amor pelos outros. Um Shmitá pode ocorrer em um desejo somente no processo da correção da
alma.

A alma consiste de seis Sefirot: Chéssed, Gvurá, Tiféret, Netzach, Hod, Yessód (CHGT NHY). A sétima
Sefirá é como Shabat, Shmitá. Também, sete vezes sete são 49 e a Yovél (jubileu, aniversário do 50º
ano) na contagem do Omer. Estes são graus que subimos.

Não podemos corrigir a sétima qualidade, Malchut, somente as seis qualidades incluídas nela.
Deste modo, a deixamos e evitamos a correção e esta é a observação do Shabat, semelhante à
observação do Shmitá. Depois das correções está um estado definido como “Aquele que não
trabalhou na Véspera de Shabat comerá no Shabat”, oposta a “E aquele que não trabalhou na
Véspera de Shabat, de onde comerá ele no Shabat? ” **

No Shabat, tudo o que um recebeu das correções feitas durante os seis dias de trabalho se torna
verdade. A correção permeia o sétimo dia e aparece sobre ele. É por isso que no Shabat tudo é a
dobrar: as refeições e os costumes, como é o caso com o ano de Shmitá. Nesse ano, uma pessoa deve
trabalhar e viver de tal maneira que no fim do sexto ano haja colheita suficiente para durar no
sétimo ano, durante o qual um não trabalha e também suficiente para o oitavo ano, até que novos
cultivos sejam colhidos. É por isso que os lucros no sexto ano devem ser a triplicar o normal.

Quando subimos em graus enquanto corrigimos a alma, saltamos as três Bechinot (discernimentos),
Alef, Bet, Guimel e somente Bechiná Dálet (número quatro) aparece. É impossível corrigir Malchut;
é somente possível saltar por cima dela pois ela coleta e nos dá os resultados do que
aconteceu anteriormente.

Não é que não façamos lucros no Shabat, Shmitá ou Yovél. Pelo contrário, há regras especificamente
para esses anos, tornando-o possível vender, comprar e fazer outras correções que não podem ser
feitas noutros anos. Especificamente, no sétimo ano e nos seus produtos (7x7), condições especiais
aparecem onde se um tivesse trabalhado e ganho nos estados anteriores, o lucro é recebido agora.
Estes não são anos de mãos-vazias, mas em vez disso um tempo de receber nossa recompensa pelo
trabalho que demos.

Estas regras dizem respeito à Shmitá. A respeito da compra e venda de casas, devemos compreender
que na espiritualidade, uma casa é o “embrulho” de uma pessoa. Nossa estrutura interna consiste
de mocha (medula), Atzamot (ossos), Gidin (tendões), Bassar (carne/músculo) e Or (pele). Outro
modo de o colocar é, Shoresh (raiz), Neshamá (alma), Guf (pele), Levush (veste) e Heichal (casa/salão).
Levush é a vestimenta e Heichal é tudo o que está fora de nós.

Especificamente, durante Shmitá, é possível corrigir desejos muito grandes nesses graus, tais como
vender casas, levitas, etc. Não é fácil alcançar esses graus, especialmente as leis que dizem respeito
aos escravos israelitas: comprar e vendê-los, libertá-los da escravidão e entregar, ou fazer um ídolo e
uma imagem, que é um alto grau.

Os graus de Shmitá e Yovél pertencem ao grau de Biná. Nossa correção inteira diz respeito a juntar
Biná com Malchut. Biná é a qualidade de doação, conhecida como “desejar misericórdia”, enquanto
Malchut é a vontade de receber egoísta, que inicialmente é corrupta. A meta é conectar as duas,
como escrito sobre Rute e Naomi, “E as duas foram” (Ruth, 1:19).

A porção é chamada Bahar (No Monte Sinai) porque especificamente quando subimos para o
Criador, para o grau de Biná, recebemos as leis do Shabat, Shmitá e Yovél, que simbolizam nossa
vontade de receber egoísta com as qualidades do Criador, as qualidades de Biná.

O símbolo do Shabat, a Yovél e a Shmitá, é a conexão entre Malchut e Biná, quando Malchut é
incluída no grau de Biná, a qualidade de doação. Dessa união - a conexão entre os graus de Biná e
Malchut, enquanto proibindo tocar na vontade de receber e a corrigir - emergem todas as leis do
Shabat, a proibição de realizar as 39 obras, as correções de Malchut.

Perguntas e Respostas
Com todos os esforços dos governos e economistas, não conseguimos resolver a crise global.
Estamos sem sucesso à procura de uma solução. O que reflete a economia hoje?
A economia reflete nossos egos. Não trabalhamos adequadamente com nossos egos. Se os
direcionarmos até ligeiramente para beneficiar os outros, conexão, amor, garantia mútua e
compartilhamento, começaremos a sentir seu benefício em todo o reino da vida.

Devemos compreender que as leis mencionadas nesta porção foram dadas muito antes
da económica moderna ter sido estabelecida. Nessa altura não haviam bancos, investimentos
ou comércio multinacional. As pessoas viviam da terra. Então, subitamente, lhes foi dito que
deixassem de amanhar suas terras e deixassem de colher seus cultivos.

Isto coloca uma questão existencial, aparentemente derivando de uma abordagem irracional para o
mundo. Ela deriva do fato de que não seguimos as regras das nações, mas a regras de Israel. “Israel”
significa Yashar El (direito a Deus). É por isso que devemos realizar correções sobre Malchut depois
de sua conexão com o grau de Biná, com a qualidade superior de doação, com a luz superior.
Devemos deixar a luz superior trabalhar.

Em um ano de Shmitá, deixamos nosso desejo e não o corrigimos. A menos que recebamos poderes
do alto, não teremos força para o corrigir. Deste modo, devemos corrigir o grau no qual a luz dá de
um alto grau, de Biná e nos preenche. Somente então podemos corrigir os desejos na alma usando
estas seis qualidades, CHGT NHY. Novamente, devemos ser preenchidos pelo grau de Biná, receber
o poder dela e subsequentemente nos tornarmos corrigidos.

Deste modo, como mencionado acima, Shabat vem como resultado dos seis dias de trabalho:
“Aquele que não trabalhou na Véspera de Shabat, de onde comerá ele no Shabat?” Além do mais,
isso “carrega-nos” com força para a semana seguinte, para a próxima correção, o próximo grau. Cada
semana é um novo grau e o mesmo serve para Shmitá. As omissões não significam que comemos
aquilo que semeamos mais cedo. Em vez disso, ela é um sumário do anterior, uma preparação para
o próximo grau, os seis anos à frente. Se mantivéssemos isto na espiritualidade, estaríamos em uma
situação maravilhosa.

Que conselho prático podemos dar aos economistas para melhorar a situação?
Podemos melhorar a situação somente através de trabalho interno, quando temos uma
necessidade genuína para corrigir nossos desejos e os elevar ao grau de Biná, “desejar misericórdia”,
ou pelo menos para a atitude, “Aquilo que odeias, não faças ao teu amigo”. *** Desse modo,
podíamos pelo menos evitar prejudicar ou explorar os outros. Mas idilicamente deve ser “Ama teu
próximo como a ti mesmo”. ****

A que se parecerá a nova economia em um futuro próximo?


Nada pode ser feito neste momento, pois a situação económica na Europa, por exemplo, é muito
má. Correções são possíveis, mas somente ao educar primeiro.

Primeiro, precisamos reeducar as pessoas através de Educação Integral, que explica a circularidade
da Natureza e nossa interconexão. Ao compreender isto, estabelecemos a primeira condição: Arvut
(garantia mútua).

Precisamos elevar o entendimento da humanidade nas áreas seguintes: o que nos está a acontecer,
o tipo de mundo em que vivemos, os desafios que enfrentamos, porque nos são eles enviados e por
quem, porque devemos nos corrigir especificamente desta maneira, o que ganhamos com isso e se
temos livre arbítrio na matéria.

Como podemos fazer este trabalho?


Nós precisamos o fazer através de nossas relações com os outros. Nós precisamos criar
a infraestrutura a partir de nossos desejos corrigidos para os outros, como os outros
farão, mutuamente, para que a Divindade apareça nesses desejos.

Então em prol de solucionar problemas económicos na nova era, primeiro devemos construir uma
infraestrutura social pelo mundo?

Sim, porque inversamente nada acontecerá. Como podemos ver, pelo mundo ninguém consegue
chegar a qualquer acordo. Não há sequer planos ou fantasias de alcançar um. O mundo não sabe
como solucionar a situação e existe somente ao acumular dívida.

Como você “traduz” as leis especificadas nesta porção em uma infraestrutura social?
Estamos a falar de desejos em Shoresh, Neshamá, Guf, Levush e Heichal, ou Mocha, Atzamot, Gidin,
Bassar e Or. Nosso mundo é somente uma réplica dos desejos corrompidos sobre a luz. Semelhante
às imagens a preto e branco que vemos nos filmes. Preto é a ausência do branco. Somos nós que
lançamos sombra sobre a luz e a escurecemos. Precisamos nos neutralizar para que tudo seja luz e
então seremos capazes de nos manter em um mundo completo e eterno.

De O Zohar: Então A Terra Terá Um Shabat Para O Senhor

Hey é repouso do superior e inferior. É por isso que há a Hey superior de HaVaYaH, Biná e a Hey
inferior de HaVaYaH, Malchut. A Hey superior é repouso dos superiores e a Hey inferior é repouso
dos inferiores. A Hey superior são sete anos sete vezes, os quarenta e nove portões de Biná e a Hey
inferior é somente sete anos. A inferior e chamada Shmitá e a superior é chamada Yovél (Jubileu,
aniversário de cinquenta anos). Zohar para Todos, BaHar (No Monte Sinai), item 7

Todas as coisas derivam de Malchut e Biná, entre os quais há 49 graus, como contamos na Contagem
do Omer entre Pessach e o festival de Shavuot. Todas nossas correções estão em Malchut, que é uma
coleção de desejos que devemos elevar ao grau de Biná, desejando misericórdia.

Esse não é o fim do processo, somente seu meio. Ao fazer esta correção, fazemos a correção de
“desejar misericórdia”, como Hilel o Ancião disse. “Aquilo que odeias, não faças ao teu amigo”.
***** Contudo, isso é somente o meio do caminho. O resto diz respeito a elevar o grau de Biná ao
grau de Kéter, que é “Ama teu próximo como a ti mesmo”. ****** Este é trabalho adicional, que
forma um termo do qual em diante uma pessoa produzirá uma colheita.

Como você pode explicar para uma pessoa contemporânea que em cada sete anos se tem de
deixar de produzir?

Se uma pessoa não foi educada nesta direção, ele ou ela não será capaz de o entender, nem será
possível explicar sobre isso. Educação deve vir em antemão.

Educação está dividida em duas secções: aprender e educação. Aprender (o fornecimento de


informação) envolve explicar sobre o processo pelo qual a humanidade está a atravessar de acordo
com o mundo superior e as regras e forças que operam no nosso mundo. Devemos aprender como
estas forças evocam em cada um de nós o Reshimô (lembrança), do gene espiritual que nos
desenvolve. Precisamos compreender a direção, propósito e meta que alcançaremos enquanto nos
desenvolvemos de dia para dia e de momento para momento. Precisamos saber como podemos
direcionar nosso destino - como se com duas rédeas - para chegar em paz ao estado final e perfeito.

Se não recebermos uma explicação sobre o sistema inteiro, o mundo em que vivemos, a física do
mundo e como ela funciona, como ele se movimenta, não seremos capazes de o compreender.
Simplesmente será dito às pessoas, “Deixe de trabalhar.

Isso é feito hoje; sabemos que há alimentos como pão que são feitos em um ano que não é Shmitá.

Certamente, mas não se pode observar uma coisa na totalidade antes que ela seja mantida na sua
raiz espiritual.

De O Zohar: O Escravo e o Filho

O sentido desses dois graus, filho e escravo, se encontra nas palavras, “E Ele disse para mim, 'Vós
sois Meus servos, Israel, em quem Eu serei glorificado.'“ “E Ele disse para mim, 'Vós sois Meus
servos'“ é o grau de escravo, linha esquerda, Malchut. “Israel” é o grau de filho, linha direita, ZA.
Quando eles estão incluídos como um, está escrito, “Em quem Eu serei glorificado”. Zohar para
Todos, BaHar (No Monte Sinai), item 85
Por um lado, um escravo do Criador é um alto grau. Por outro, “Vós sois os filhos do Senhor vosso
Deus” (Deuteronômio, 14:1) é também um alto grau e ambos se conectam à linha do meio.
Comparar os graus é semelhante a Torá escrita versus a Torá oral, a lei versus regra, a Zeir Anpin
versus Malchut. Aqui, também, devemos chegar a um estado onde o grau de escravo e o grau de
filho não entram em conflito, mas em vez disso se conectam um com o outro, alcançando a linha
do meio, a Massach de Chirik. É assim que avançamos.

Por um lado, um escravo é um grau muito alto. Foi dito sobre Moisés que ele era o servo do
Senhor. Por outro lado, esse é um grau de humildade. Também sabemos que há leis que proíbem
a venda de escravos. Como se encaixa tudo?

O homem está no meio, nem filho nem escravo, mas ambos. O homem contém as linhas direita e
esquerda. As apelações referem-se a uma pessoa trabalhadora que avança para o Criador, onde cada
apelação aponta para uma maneira única de se conectar à revelação do Criador.

Termos
Economia
Na espiritualidade, “economia” relaciona-se à questão, “Como sustento Eu minha alma”? A luz
pode entrar na alma somente quando ela está em Dvekút (adesão) com o Criador. Na medida de
Dvekút com o Criador, assim é a medida de preenchimento pelo Criador. É assim que o Criador
“sustenta” a alma. É possível alcançar isto ao corrigir o desejo. Enquanto corrigimos cada desejo da
recepção para a doação, somos prontamente preenchidos com a luz superior na medida de nossa
correção. Isto é chamado “sustentar” e esta é a economia adequada.

Venda de Propriedade
Quando não podemos trabalhar com um desejo porque ele é demasiado grande ou porque ele
oferece tamanho prazer que não conseguimos trabalhar com ele, nós o “vendemos”. Há correções
nos nossos desejos que pertencem aos grandes desejos, Levush e Heichal. Deixamos fora dos limites
dentro dos quais trabalhamos, os retirando do nosso domínio, aparentemente os depositando.

Shmitá (Omissão de Amanhar a Terra em cada Sete Anos)


Shmitá é a conexão com o grau de Biná, quando a luz superior corrige todas as coisas que
aconteceram e nos dá força para o próximo grau. É por isso que há regras especiais a respeito da
dívida e venda de itens sob a tutela de Biná, a grande qualidade de doação.

Colheita (Produção/Grão)

“Colheita” é a recompensa na vontade de receber. Através dela, começamos a trabalhar realmente


com os vasos de doação em prol de “alimentar” o mundo.

Terra

“Terra” é desejo. Há muitos nomes para “desejo”, dependendo de seu grau: terra, solo, terreno,
campo. Nomenclamos o desejo e o usamos de acordo com seu grau. Nosso mundo é um retrato da
correção de nossos desejos. Não que tudo realmente exista; em vez disso, tudo é retratado dentro
de nós.

Escravo
Um “escravo” é um desejo não corrigido. Ele não consegue ter autocontrole, mas é corrigido ao
pertencer e se tornar incorporado no grau de Biná. Ele “anexa-se” a ela e assim guarda o que se
revela nesse grau. Um escravo é controlado como um embrião no ventre de sua mãe. No grau de
embrião espiritual, nos cancelamos e deixamos o superior governar.

Sumário
A grandeza do grau de Biná - o grau de doação que atua sobre nós - é que ele nos dá luz, nos
preenche e nos concede a força para alcançar Kéter, onde “Ama teu próximo como a ti mesmo” e
“Vós amareis o Senhor vosso DEUS” (Deuteronômio, 6:5) existem na totalidade. Os graus, Shmitá
e Yovél, são aqueles que nos elevam mais alto.

* Omissão do cultivo da terra em cada sétimo ano.

** Talmude Babilônico, Maséchet Avodá Zara, 3a.

*** Maséchet Shabat, 31a.

**** Talmude de Jerusalém, Seder Nashim, Maséchet Nedarim, Capítulo 9, p 30b.

***** Maséchet Shabat, 31a.

****** Talmude de Jerusalém, Seder Nashim, Maséchet Nedarim, Capítulo 9, p 30b.


BeHukotai (Nos Meus Estatutos)
(Levítico, 26:3-27:34)

Sumário da Porção

A porção, BeHukotai (Nos Meus Estatutos), lida principalmente com o tópico da recompensa e
punição para os filhos de Israel de acordo com se eles seguem ou não os caminhos do Criador.
Está escrito, “Se caminhais nos Meus estatutos e mantiveres MEUS mandamentos e os fizeres”
(Levítico, 26:3). A porção começa com a apresentação da recompensa: “Então Eu vos darei chuvas
na sua época, para que a terra produza e as árvores do campo gerem seu fruto” (Levítico, 26:4).

Oposto a isso está a apresentação da punição: “Mas se não Me obedecerem e não levarem a cabo
todos estes mandamentos” (Levítico, 26:14), “Eu nomearei um terror sobre vós: a tuberculose e
a malária”, (Levítico, 26:16), e a pior punição de todas, o exílio.

Se o povo de Israel se arrepender, o Criador promete recordar-se da aliança que Ele fez com eles
e os perdoar. Está escrito, “Todavia apesar disto, quando eles estão na terra de seus inimigos, Eu
não os rejeitarei, nem os abominarei para os destruir, quebrando Minha aliança com eles; pois
Eu sou o Senhor seu DEUS” (Levítico, 26:44). A porção termina com leis adicionais que dizem
respeito a votos, ostracização, dízimo e outras.

Comentário

O assunto da recompensa e punição não foi apresentado no princípio da Torá pois não o
conseguimos compreender a menos que tenhamos livre arbítrio. Sem esta habilidade, é inútil para
nós recebermos instruções neste assunto. Primeiro, devemos aprender as leis e julgamentos. Então,
se as mantivermos, seremos recompensados. E se não, seremos punidos.

Não podemos ser punidos em avançado, pois primeiro precisamos alcançar o grau espiritual de
alternar de ódio sem fundamento para o amor fraterno, para “Ama teu próximo como a ti mesmo”,
que é toda a Torá. É deste modo que devemos caminhar: devemos corrigir nossas inclinações do
mal e as transformar em boas inclinações através da luz que reforma. ** Alcançamos isto ao estudar
a sabedoria da Cabala, a sabedoria da luz.

Uma pessoa vulgar não tem livre arbítrio; em vez disso, tal pessoa é “gerida” pelos
Reshimô (lembranças). Estes são desejos e pensamentos que despertam no interior sem a sua
consciência da sua origem. As pessoas simplesmente querem as coisas sem saberem as origens de
seus desejos, vivendo suas vidas com a meta de satisfazerem o desejo que desperta no interior, sem
qualquer habilidade de governar ou se elevarem acima destes Reshimô, estes pedaços de informação.

Tais pessoas não conseguem escrutinar e separar suas vontades, como está escrito, “E não seguireis
vosso próprio coração” (Números, 15:39). Em vez disso, eles seguem seus instintos como parte do
processo de desenvolvimento. Este tipo de trabalho não requer recompensa ou punição. É por isso
que está escrito, “Eles são como bestas” (Salmos, 49:13).
Começamos a desenvolver-nos através da Torá ao estudar a sabedoria da Cabala e atrair a luz que
reforma, assim corrigindo o coração. O “coração” são todos os desejos que devemos corrigir
de direcionados a receber para nós mesmos para direcionados a doar, a amar os outros, a favor do
mundo e em equivalência de forma com o Criador, enquanto procuramos similaridade com Ele,
para nos tornarmos bom como Ele é.

Contudo, não sentimos esta bondade pois ela está escondida de nós. Através de nossos egos,
sentimos tudo como mau como está escrito, “Eu criei a inclinação ao mal”. * Deste modo, nos é
requisitado ganharmos abrangente conhecimento e experiência em prol de nos corrigirmos para
controlarmos nossas inclinações e pensamentos, para direcionar essas luzes, essas forças superiores
e as conectarmos com a abordagem certa em mutualidade e parceria com o Criador.

Ao assim fazermos, aderimos ao Criador, nos conectamos com Ele, compreendendo o propósito da
Criação, tudo o que está a acontecer e o processo que devemos atravessar.

No mundo físico, ensinamos crianças até que elas tenham cerca de vinte anos de idade. De acordo
com a Torá, aos vinte anos uma criança está pronta para tudo, ao contrário dos treze. Aos vinte
anos de idade podemos controlar todas as coisas e estarmos no nosso próprio direito. Esse grau dá-
nos a habilidade de suportar qualquer correção na espiritualidade, de enfrentar a recompensa e a
punição.

Não podemos dizer a alguém que nada sabe, “Seja cuidadoso ou será punido”. Essa pessoa é como
uma pequena criança que não faz ideia do que lhe está a ser pedido. Deste modo, recompensa e
punição requer séria preparação.

Esta porção vem depois de uma pessoa ter atravessado imenso - a saída da Babilônia, o
desenvolvimento que conduz ao exílio no Egito, a recepção da Torá e assim por diante. Seguindo a
instrução no deserto, aparentemente subimos um pouco acima do ego e gradualmente alcançamos
o estado de recompensa e punição.

Hoje, o mundo inteiro está envolvido em um processo e um sistema que são, de fato, recompensa
e punição. Todas as 613 Mitzvot (mandamentos) são para corrigir o mal em nós para com os outros.
Devemos inverter este padrão e nos tornarmos considerados somente dos outros pois somente do
amor pelo homem alcançamos o amor pelo Criador.

Muitas pessoas duvidam que se corrigirem sua atitude para os outros, tal como em “Ama teu
próximo como a ti mesmo”, a grande regra da Torá, todos os problemas e enfermidades e todo o
mal no mundo venham a ser corrigidos. Podemos prevenir tais doenças e pragas ao corrigir nossas
relações? O clima subitamente mudará para o melhor e viveremos no paraíso? Qual é a ligação entre
tratar os outros bem e uma boa vida em todo o sentido e em todos os níveis?

É simplesmente assim que funciona - manter a lei, “ama teu próximo como a ti mesmo”, corrige
todas as coisas; não há outras Mitzvot (mandamentos). Todas as 613 Mitzvot são os 613 desejos de
nossa alma. Elas aparecem quando começamos a corrigir e a nos elevar acima de nossas “bestas” na
correção do humano em nós, no nosso desejo de conectar com os outros, de lhes dar abundância,
desejando nos elevarmos acima de nós mesmos em prol de descobrir o Criador.

À medida que começamos a conhecer os 613 desejos da alma, descobrimos que todos eles são maus.
É por isso que dizemos nos dias dos Slichot (pedir perdão, dias especiais antes de Yom Kipur [Dia
da Expiação]) e em Yom Kipur, “Nós somos culpados”, “Nós estamos em falta”, sem entender de
onde todo este mal veio.
À medida que descobrimos nossas almas, primeiro descobrimos que elas estão quebradas. Foi assim
que as recebemos pois “Eu criei a inclinação ao mal”. * Se corrigirmos estes desejos, não
precisaremos de corrigir mais coisa alguma e todos os nossos problemas desaparecerão.

Está escrito nesta porção que se seguirmos esta instrução, teremos amplas chuvas quando
necessário, boa saúde e sucesso em todas as coisas que fizermos. Seremos abençoados em tudo.
Parece perplexo que haja uma conexão entre a chuva e bom comportamento, especialmente se
falamos sobre como tratamos os outros. E, todavia, esta é a solução para todos.

De acordo com o desenvolvimento da humanidade, agora estamos a começar a tomar controle


sobre nossos destinos, algo que não tínhamos anteriormente. É surpreendente pois sempre nos
desenvolvemos através de desejos que apareciam do interior.

Hoje, contudo, estamos a avançar para uma situação muito especial onde o próximo grau nos está
a aparecer, o grau do mundo “redondo” e integral, onde todos estão interligados e onde a obrigação
de ser “como um homem com um coração”* está a aparecer.

Pela primeira vez na história, devemos implementar esta lei e não só em Israel, mas por todo o
mundo. Desta forma, devemos falar sobre ela e explicá-la a todos, aprender e ensinar e nos
tornarmos a “luz para as nações” (Isaías, 42:6). Devemos transmitir a luz que corrige a inclinação
ao male é assim que o mundo inteiro alcançará a correção desejável.

Perguntas e Respostas
Se eu posso ver e sentir a recompensa ou punição, não há necessidade de explicar. Se
erroneamente coloco minha mão no fogo, naturalmente a vou retirar de lá. Mas se não puder
ver ou sentir a transgressão, qual é o sentido de a explicar? Eu não consigo manter aquilo sobre
o qual não sei, então para que servem a recompensa e punição e para quem é a explicação?
Não falamos sobre colocar nossas mãos no fogo. Falamos sobre corrigir nossos desejos egoístas.
Cada desejo nos atrai para aquilo que parece como bom para que lucremos às custas dos outros,
nos consideremos somente a nós mesmos e nunca pensemos naquilo que acontece fora de nós. É
assim que nos sentimos naturalmente, nomeadamente, que o mundo foi criado para meu próprio
prazer. Mas a Torá requer o oposto - que nos elevemos acima do ego e transformemos nosso desejo
em “Ama teu próximo como a ti mesmo”.

É por isso que devemos estabelecer garantia mútua entre nós, que foi a condição prévia inicial para
a recepção da Torá. Garantia mútua significa que pensamos em todos e os creditamos. Garantia
mútua é como assinar por todos e ser responsável pelo que cada pessoa faz. Isso pode soar irracional,
mas este é o grau e a correção que devemos eventualmente alcançar.

O mundo está a avançar. Cada dia descobrimos que ele está a mudar, a avançar para estas exigências
de nós. A Torá explica que se fizermos isto, as coisas serão boas e se não fizermos, seremos punidos.
E se formos completamente indignos, seremos exilados.

“Exílio” é separação completa, um estado onde um vive uma dura vida, separado e atormentado.
Estes tormentos são como os tormentos de Faraó, nos conduzindo de volta à meta, como foi dito
sobre Faraó, que “trouxe os filhos de Israel mais perto de nosso Pai nos céus”. * Deste ponto em
diante, tentamos novamente subir ao grau de escolha.
É melhor se aprendermos em avançado o que fazer e como e de que depende esta elevação.
Precisamos aprender a lei geral da realidade usando a sabedoria da Cabala, que explica como as
forças atuam sobre nós, como estão elas definidas e como elas nos educam como embriões e como
crianças em crescimento.

Enquanto avançamos para esse estado, devemos assumir sobre nós mesmos as leis da vasta realidade
e as mantermos consciente e voluntariamente. Em outras palavras, temos de mudar nossos desejos,
como está escrito, “Fazei do vosso desejo como o SEU”. **

O mundo está em um estado muito difícil hoje. Se olharmos para onde estamos e o que nos espera
pela frente, nos sentiremos obrigados a fazer esse salto de fé e espalhar a sabedoria da Cabala.

De O Zohar: Se Caminhares nos Meus Estatutos

“Se caminhares nos Meus estatutos”. “Nos Meus estatutos” é Malchut, o lugar do qual as sentenças
da Torá dependem, como está escrito, “Meus estatutos mantereis vós”. Malchut é chamada “lei”.
As sentenças da Torá estão incluídas nela. “Minhas ordenanças mantereis vós”. Uma ordenança é
outro, alto lugar, ZA, ao qual o estatuto, Malchut, se agarra. Logo, superior e inferior se juntam. Os
estatutos em Malchut estão nas ordenanças em ZA e todas as Mitzvot (mandamentos) e todas as
santidades na Torá estão agarradas a estes ZA e Malchut, dado que a Torá escrita é ZA e a Torá oral
é Malchut. Zohar para Todos, BeHukotai (Nos Meus Estatutos), item 16

Malchut é chamada a “Assembleia de Israel” pois ela se assemelha a todas nossas almas. Ela é
também chamada Shechiná (Divindade) pois o Criador Sochen (reside) nela. Ela se torna revelada
pela lei de equivalência de forma.

O Criador é chamado, “O Sagrado Abençoado Seja Ele”, Zeir Anpin. Para Malchut, ele é o superior,
e o superior é sempre considerado o “emanador”. Nosso trabalho é somente corrigir Malchut
(reinado/realeza), como está escrito, “Para corrigir (também estabelecer) o mundo no reino de
Shadai (o Senhor)” .*

O mundo está oculto e devemos revelar todas as coisas. Shadai significa Shê Dai (suficiente), ou seja,
“sob limitações”. Quando Malchut se segura a Zeir Anpin, haverá um Zivug (acasalamento), uma
conexão entre eles. Isto conectará o Criador e a Shechiná, Zeir Anpin e Malchut, lei e ordenança, a
Torá escrita e a Torá oral.

Esta não é a Torá que conhecemos como livro impresso ou como texto no pergaminho. Em vez
disso, a Torá é a revelação do Criador para nós, Suas criaturas. De acordo com nosso nível de
revelação, temos a Torá escrita e a Torá oral, seja no nível de Malchut ou no nível de Zeir Anpin.
O Zohar relaciona-se a nossa ascensão de almas espalhadas nos mundos de Briá, Yetzirá e Assiá, à
coleção de nossas almas, desejos e anseios de revelar o Criador e nos elevarmos a Seu grau quando
todos nos reunimos em Malchut, a Assembleia de Israel. Pela força de nosso desejo de estarmos
juntos, obrigamos Malchut a se elevar a Zeir Anpin e se unir com ele. É assim que alcançamos
Dvekút com o Criador.

A recompensa e punição indicam que não agimos de acordo com as leis da Natureza, então a
Natureza atua contra nos desfavoravelmente?

Vivemos em um mundo que construímos para nós mesmos. Até agora nos encontramos bem diante
da luz de Ein Sof (infinito). O mundo é uma projeção de nossas próprias qualidades. O Criador
preenche todas as coisas; somente sentimos o mundo e os outros como externos. Isto é, sentimos
nossas próprias qualidades - inanimado, vegetativo, animado e falante - projetando várias sombras
sobre a luz abstrata, que vemos como a imagem do mundo. Não fazemos ideia de quão
verdadeiramente imersos estamos nesse retrato, na charada.

Construímos nossos mundos pessoais nós mesmos. A sabedoria da Cabala escreve com frequência
sobre isso, tal como o “Prefácio ao Livro do Zohar” de Baal HaSulam e no Portão para as Intenções
do ARI.

Hoje, até a ciência diz que na medida em que nos corrigimos, veremos um mundo oposto. Se
mudarmos uma das nossas qualidades de má para boa, veremos um mundo diferente. É assim que
corrigimos todos os desejos que a luz que reforma nos mostra. É claro, é impossível corrigi-los
sozinhos, mas podemos pedir a correção e simpatizar com ela, assim alcançando o estado corrigido.

Em outras palavras, o grau animado no qual a humanidade presentemente se encontra deve falecer
e se elevar a um grau mais alto, chamado “Adam” (humano). Somente então vamos compreender o
que recompensa e punição são verdadeiramente e os sentirmos.

Quando e como tomará lugar essa transformação?


Isso acontecerá somente ao disseminar a sabedoria da Cabala, como escrevem os Cabalistas. Foi
por isso que os Cabalistas a esconderam até agora, como escreve Baal HaSulam no seu ensaio, “A
Hora de Agir”. Hoje, devemos disseminar a sabedoria e nos corrigirmos enquanto trabalhando pela
correção do mundo, assim sendo uma “luz para as nações”.

É este o fluxo natural da humanidade?

É claro, nós temos de o fazer. É o futuro de toda a humanidade. Em um futuro próximo, todos nós
teremos de fazer essa mudança. Primeiro, o povo de Israel vai dissipar o antissemitismo e a atitude
negativa para Israel que prevalece no mundo hoje.

Na realidade, antissemitismo é uma atitude natural que só vai piorar enquanto o ego cresce na
humanidade e o povo de Israel atrasa a correção. Israel será culpada pelo mundo não estar em uma
boa condição. Isso está ordenado dessa maneira do alto. O mundo está a senti-
lo inconscientemente e nós estamos a testemunhar reflexos dessa acusação em uma base diária.

De O Zohar: Sete Vezes Mais pelos Vossos Pecados


O amor sublime do Criador por Israel é como um rei que tinha um filho único que pecou diante
do rei. Um dia, ele pecou diante do rei. O rei disse, “Todos esses dias Eu vos tenho golpeado, mas
não haveis recebido. Doravante, vede o que farei por vós. Se Eu vos expulsar da terra e vos levar
para fora do reino, ursos podem vos atacar no campo, ou lobos selvagens ou assassinos vos podem
destruir do mundo. O que fareis? Em vez disso, vós e Eu sairemos da terra”.

“Vós e Eu sairemos da terra e iremos para o exílio”. Foi isto que o Criador disse para Israel. “O que
farei convosco? Eu vos bati e vós não escutais; Eu trouxe inimigos em guerra e malfeitores sobre vós
para os golpear, mas vós não escutais. Se Eu vos tirar somente a vós da terra, temo que vários ursos
e vários lobos se levantem contra vós e vos destruam do mundo. Mas o que farei convosco? Assim,
vós e Eu deixaremos a terra e iremos para o exílio, como está escrito, 'E Eu vos punirei,' ao ir para
o exílio. E se vós disserdes que Eu vos abandonarei, Eu, também, estou convosco”. Zohar para Todos,
BeHukotai (Nos Meus Estatutos), item 49-50
O supracitado texto não diz respeito ao exílio do pedaço de terra em que vivemos e chamamos “a
terra de Israel”. Em vez disso, esse é o exílio da terra espiritual de Israel. A palavra, Éretz (terra), vem
da palavra, Ratzon (desejo). Yisrael (Israel) vem das palavras, Yashar El (direito a Deus). Queremos
corrigir todos os nossos 613 desejos um de cada vez, para que todos eles se direcionem Yashar El,
em prol de doar, como o Criador.

Isso é chamado “estar na terra completa de Israel”. Enquanto quisermos corrigir nossos desejos para
que eles sejam Israel, seremos dignos de estar nesses desejos, bem como na terra física de Israel.
Baal HaSulam escreve que recebemos a terra de Israel e o estado de Israel em avançado, para que
possamos começar a correção. Contudo, não a merecemos na realidade e se não levarmos a cabo a
correção, ela nos será retirada.

Termos

Recompensa

Uma recompensa é tudo o que todos queremos. Um não pode dar aos outros algo que eles não
querem. Uma “recompensa” é o objeto de nossos desejos. É avançar para o nosso destino. Não
podemos estar noutro lugar porque estamos a corrigir no desejo, então o movimento em si mesmo
é a recompensa, como está escrito, “A recompensa de um Mitzvá (mandamento) - Mitzvá” .* A
recompensa de um Mitzvá é conhecer o Metsavé (comandante). Conhecer significa conectar, como
está escrito, “E Adam conheceu sua esposa novamente” (Gênese, 4:25).

Punição
“Punição” é o oposto de recompensa. É aquilo que ninguém quer ou gosta. Esse é um grau onde
compreendemos que nosso progresso é recompensado e o oposto disso é punição. Recompensa e
punição são egoístas, onde uma pessoa faz algo e recebe uma recompensa algures.

Temor
“Temor” significa ter medo de falhar corrigir. Tudo acontece devido a nossos esforços e nosso
pedido da luz que reforma que venha e nos corrija. É possível que não tenhamos trabalhado o
suficiente em prol de a atrair.

Sumário
Esta porção nota que a escolha está nas nossas mãos: Ora vamos para a recompensa ou para a
punição. Se aprendermos o que precisamos fazer e se o mundo aprender, também, podemos ter
sucesso e ter ambos os tipos de Torá, nomeadamente grandes luzes - a Torá escrita e a Torá oral, a
luz de Chassadim e a luz de Chochmá que preenchem nossas almas. Assim, subiremos ao grau de
eternidade e perfeição.
* Talmude de Jerusalém, Seder Nashim, Maséchet Nedarim, Capítulo 9, p 30b.

** “Ao se envolverem nela, a luz nela os reformaria” (Midrash Rába, Eichá, Introdução, Parágrafo 2).

*** Talmude Babilônico, Maséchet Kidushin, 30b.

**** Talmude Babilônico, Maséchet Kidushin, 30b.

***** RASHI, Êxodo, 19b.

****** “Quem fez com que Israel se aproximasse do seu pai nos céus? Foi Faraó, como está escrito, ‘E Faraó aproximou’”
(Zohar para Todos, BeShalách (Quando Faraó Enviou), item 67).
******* Mishná, Seder Nezikin, Maséchet Avot, Capítulo 2, Mishná 4.

******** Likutei Moharan (Sermões selectos de Rabbi Nachman de Breslev), Parte 1, 17.

********* Mishná, Seder Nezikin, Maséchet Avot (Pirkei Avot), Capítulo 4, p 2.


BaMidbar (No Deserto)
(Números 1:1-4:20)

Sumário da Porção

A porção, BaMidbar (No Deserto), começa com o Criador ordenar aos filhos de Israel (pela tribo) a
trazer homens que haviam servido no exército e que tivessem pelo menos vinte anos de idade e os
nomear como cabeças de tribos e como presidentes. Depois da nomeação, é pedido a Moisés que
lhes explique onde cada tribo deve estar durante a jornada e enquanto parando no deserto, se
ordenarem a si mesmos por tribos e bandeiras de acordo com as quatro direções, com o tabernáculo
no meio.

A porção reitera o papel dos Levitas, que devem servir no tabernáculo. A tribo de Levi é especial
pois ela não tem lugar ou lote seu; ela deve servir e ajudar a todos, especialmente os sacerdotes no
tabernáculo. O papel dos Levitas é reunir ou separar o tabernáculo em cada paragem durante a
jornada dos filhos de Israel. Eles devem seguir rígidas regras que lhes explicam o que fazer com cada
parte do tabernáculo e como manterem os vasos do tabernáculo.

Comentário

A Torá está dividida em duas partes: externa e interna. A Torá externa é aquela que lemos e
conhecemos. Ela é a Torá que nossos pais observaram no passado. Contudo, há coisas a clarificar
nela.

(Na realidade, nossos pais são nós mesmos em encarnações anteriores, dado que nossas almas
reencarnam de geração para geração.)

A Torá descreve a jornada dos filhos de Israel no deserto e como se devem eles conduzir a si mesmos
lá. Ela detalha como construir o tabernáculo, se dividir em sacerdotes, Levitas e tribos, como montar
o acampamento e como continuar a jornada onde cada um se movimenta de lugar para lugar sob a
bandeira da tribo, até as fronteiras da terra de Israel e começo de sua conquista.

A Torá interna é na realidade a coisa principal. Através dela corrigimos e nos ajustamos
internamente em prol de descobrir essa força superior da qual recebemos a Torá de fato. Isto é, a
Torá interna trata-se de revelar o Criador às Suas criaturas. Aqui, falamos de como o Homem é um
pequeno mundo, onde tudo o que é descrito na Torá - sacerdotes, Levitas, Israel e as doze tribos -
estão dentro de nós como réplicas. A Torá interna toca em cada um de nós e instrui-nos ao que
devemos fazer para descobrir a força superior aqui e agora.

Até que nos tenhamos corrigido a nós mesmos, estamos imersos no ego, a inclinação ao mal, como
está escrito, “Eu criei a inclinação ao mal; Eu criei para ela a Torá como tempero”. * Esse estado é
chamado um “deserto”. A sensação do deserto é o lugar das Klipot (cascas/peles), ou seja, desejos
por corrigir. Enquanto nessa sensação, não temos nada que nos reanime, que nos dê vida espiritual.
Até se tivermos abundância material, ainda sentimos que estamos no deserto.
Podemos vê-lo na vida de hoje, também, através de nosso mundo desesperado. Julgando pelas taxas
de divórcio, abuso de drogas e terrorismo, mais e mais pessoas estão infelizes. Elas sentem que a
vida não é mais satisfatória. Crescemos e não nos conseguimos acomodar com aquilo que temos;
aspiramos por mais. Nossa sensação é que esta vida é um deserto.

Se pudermos comparar nossas vidas a um deserto, devemos ordená-las correspondentemente para


que possamos as atravessar em paz e chegar à terra de Israel. A palavra, Éretz (terra), significa Ratzon
(desejo), e Yisrael (Israel) significa Yashar El (direito a Deus), então estou direcionado somente para
a revelação da Divindade.

Para tal, devemos usar a sabedoria da Cabala. A Cabala é um método para revelar o Criador para
as criaturas neste mundo. “Alcançar a terra de Israel” significa corrigir nosso desejo para um estado
onde descobrimos o Criador e o mundo espiritual aqui e agora, como está escrito, “Vereis vosso
mundo na vossa vida”. *

A Torá oferece-nos instruções, nos contando que se seguirmos as fases descritas na porção,
atravessaremos o deserto em paz e alcançaremos a revelação da Divindade. Este é o propósito de
nossas vidas; somos feitos e destinados a obter esta revelação. Assim, devemos ver todas as regras e
conselhos na porção como correções internas que devemos descobrir e seguir.

Nossas “doze tribos” são nossa própria vontade de receber. Isto é, elas são nossas qualidades internas
que devem ser ordenadas de acordo com o Yod-Hey-Vav-Hey, pelas três linhas. Essa é uma estrutura
de nossas almas — CHBD-HGT-NHY. O sacerdote, Levita e Israel são CHBD. Abraão, Isaac e Jacó,
Moisés, Aarão, José e David são a estrutura das qualidades da alma e nos devemos definir a nós
mesmos em concordância.

À extensão que corrigirmos nossos desejos, gradualmente chegamos a um estado onde descobrimos
as fases de “caminhar no deserto”. Nesse processo obtemos as qualidades de doação, Biná. Aquando
da conclusão da “caminhada”, alcançamos o estado de Moisés - agora, somos leais pastores. Isto
significa que nos elevamos ao grau de fé, doação e completude. Quando o Moisés em nós morre,
tendo concluído seu trabalho, esse grau permanece “do outro lado do Jordão”. É então que nos
mudamos para a terra de Israel e a começamos a conquistar.

No deserto, bem como na ocupação da terra, há Klipot e lutas. No deserto, só adquiríamos a


nova qualidade de doação sobre nossa vontade de receber. Nos elevámos acima da vontade de
receber. Mas na terra de Israel, devemos conquistar a terra. Quando entramos na terra de Israel,
literalmente invertemos nossa vontade de receber da recepção para o desejo de doar. A ocupação é
gerir nossos egos na forma de doação e amor.

A porção explica a abordagem para as primeiras grandes correções que experimentamos no nosso
caminho espiritual. O processo inteiro de nossa correção se divide em duas partes: o deserto e a
terra de Israel. Nossa jornada através do deserto durante os quarenta anos é Malchut subindo a Biná,
simbolizado pela letra Mem, que é quarenta em Guematria (valores numéricos dados a cada letra
no alfabeto Hebraico).

De Biná, subimos ao grau de Kéter, conquistando a terra e construindo o Templo. É então que o
coração se torna um Kli (vaso) para a recepção da luz, a revelação da Divindade. Isto é chamado Beit
HaMikdash (Casa do Templo, ou simplesmente o Templo).
Perguntas e Respostas
Porque começa a porção com a necessidade de nomear cabeças das tribos e contar todos dos vinte
anos de idade para cima?

Este processo representa uma pessoa ter de escolher que princípios seguir. Somos somente desejos
de receber, mas também temos um pouco do desejo de doar do alto. Isso é chamado “uma porção
de Deus do alto” (Jó 31:2). Esse é o princípio da alma.

Usando o princípio desta alma como cabeça e começando a gerir nossa vontade de receber geral
para a doação, amor pelos outros, Arvut (garantia mútua), “ama teu próximo como a ti mesmo”, *
e “aquilo que odeias, não faças ao teu próximo”,** dividiram esta massa de nossa vontade de receber
adequadamente. Ela seguirá uma ordem de tribos, milhares e dezenas. Esta divisão também
acontece dentro de cada tribo - em sacerdote, Levita e Israel.

Os sacerdotes e levitas que os ajudam são separados das tribos. Eles servem somente nossas
necessidades espirituais. É por isso que são considerados a “cabeça coletiva”. Através desta
psicologia interna, distinguimos o que é importante, o que não é e gradualmente nos corrigimos,
onde o secundário se junta ao principal e o segue.

Presentemente, não conseguimos sentir esta divisão. Mas à medida que trabalhamos sobre nós
mesmos, começaremos a sentir que nossa vontade de receber não é meramente um desejo, mas
consiste verdadeiramente de doze tribos - homens, mulheres, crianças, animais, o deserto e outras
partes - até o mundo inteiro.

Descobriremos que nossa vontade de receber está dividida em graus: inanimado, vegetativo,
animado e humano. O inanimado, vegetativo e animado compõem o mundo circundante. O
humano, é claro, são pessoas. Nos desejos que pertencem ao grau humano, temos livre arbítrio e
podemos geri-los. É assim que devemos separar nossos desejos para que possamos avançar.

Dentro de nós, nada há senão desejos e instruções. As instruções são a Torá - a sabedoria da Cabala
como a Torá interna. Separamos os desejos para que cada desejo, que é o falante, o Kli (vaso) que
foi levado do Egito, seja corrigido em um Kli que pertença à terra de Israel, ao Templo e em prol
de doar, em direção do amor.

De O Zohar: A Contagem e o Cálculo

E, todavia, o mundo não foi enraizado na sua raiz até que Jacó gerou doze tribos e setenta almas e
o mundo foi plantado. Contudo, ele não foi completado até que Israel tivessem recebido a Torá e
o tabernáculo tivesse sido estabelecido. Então os mundos persistiram e foram completados e os
superiores e inferiores foram perfumados. Zohar para Todos, BaMidbar (No Deserto), Item 6

Abraão, Isaac e Jacó são as três linhas. A linha direita é Abraão e sua Klipá (casca/pele) é Ismael. A
linha esquerda é Isaac e sua Klipá é Esaú. A linha do meio é Israel e sua Klipá é frequentemente
referida como a “multidão misturada”. Temos de gerir esta ordem através da Torá, nomeadamente
pelo estudo adequado da sabedoria da Cabala, onde a luz está oculta, pois esta é a Torá da luz,
como está escrito, “A luz nela os reformaria”. *

Se verdadeiramente nos queremos corrigir e nos ver ordenados e corrigidos como a Torá descreve,
em três linhas, devemos estudar para que a luz nos influencie. Estamos divididos de tal maneira
que na esquerda temos o ego e na direita temos a luz da Torá que reforma. Quanta mais da luz da
Torá reforma o ego de acordo com nosso trabalho, a linha do meio - que inclui estas duas forças -
acumula e subjuga o ego para o governo da luz. Assim, um Kli é formado no qual o poder do
Criador, a luz superior, aparece.

Constantemente adicionamos ego à correção, usando uma luz maior que aparece. Deste modo,
subimos a linha do meio, a linha de Jacó. Assim, antes da chegada de Jacó, não há correspondência
entre o Homem e a força superior, o mundo superior. Assim que colocamos o Abraão, Isaac e Jacó
internos na ordem destas três linhas, começamos a corresponder com a força superior e a trabalhar
com ela em reciprocidade.

O que precisa uma pessoa de fazer até que estes discernimentos se desenvolvam?

Precisamos seguir à letra o que os Cabalistas escrevem: estudar em um grupo com amor de amigos.
Nossas três fontes principais são O Livro do Zohar, os escritos do ARI e os escritos de Baal HaSulam.
Internamente, devemos seguir somente o que está escrito nestes livros.

Porque foi Israel mandada nomear homens que serviram no exército e que tivessem vinte anos de
idade ou mais. Ter vinte anos de idade na espiritualidade significa que um é adequado para os
negócios “concretos”. Ibur (concepção), Yeniká (nutrição/infância) e Môchin (maturidade/idade
adulta) são as três fases pelas quais crescemos. É como um feto que nasce passados nove meses que
começa a crescer. As fases do crescimento espiritual são idênticas - da infância à maturidade. A
infância espiritual termina aos treze anos.

Na espiritualidade, Ibur é um grau muito alto: nos tornamos completamente anulados no


superior, incluídos nele como uma gota de sémen, enquanto o superior a nutre. Para a luz
nos influenciar, devemos nos cancelar a nós mesmos como se não existíssemos. Se queremos atrair
a luz para que ela nos eleve, devemos aprender com um grupo e fazer parte dele; devemos querer o
bom meio ambiente e a luz que vem através dele para nos influenciar. Deste modo avançamos em
fases que podem durar menos que nove meses. Tudo depende de nossos esforços.

Quando nascemos, nossa vontade de receber já é maior que a de nossos predecessores.


Desenvolvemos em consciência e entendimento até que estejamos nos treze anos e daí continuamos
até aos vinte. Aos vinte, não somos meramente crescidos; em vez disso, podemos ser donos de nossa
terra. “Terra” refere-se à maior, mais baixa, mais básica vontade de receber. Doravante, estamos
prontos para toda a correção interna.
Há uma conexão entre os graus espirituais de Levi (Levita) e Cohen (sacerdote) e pessoas cujo
último nome assim é?

Não, os papeis de Levi e Cohen aparecerão de acordo com nosso nível espiritual, não pelo seu
apelido. Na espiritualidade, o filho de uma pessoa indica um resultado de um grau espiritual pois
a sabedoria da Cabala fala somente de graus espirituais. No mundo físico, não podemos saber quem
é um sacerdote, quem é levita e quem é Israel. Tudo isto aparecerá a devido tempo.

Estabelecer o Templo será possível somente depois de nos corrigirmos e restaurarmos o Templo
nos nossos corações. Então, como com Bezalel, seremos capazes de construir a estrutura externa a
partir de nossa realização e entendimento. Quando somos sábios de coração e nossos corações estão
cheios da luz de Chochmá (sabedoria), a revelação da Divindade, saberemos que ação externa tomar
através de nossas sensações. No Templo haverão sacerdotes, Levitas e Israel e cada um de acordo
com o seu grau.

Esta porção foca-se na tribo de Levi; o que há de tão especial nela?


Está escrito sobre Israel em relação às nações do mundo: “E vós sereis para Mim um reino de
sacerdotes e uma sagrada nação” (Êxodo 19:6). Falando na generalidade, neste mundo nos é exigido
somente reconhecer o negativo, nos tornarmos sensíveis ao que é mau e o corrigir para ser bom. À
medida que descobrimos que nossa natureza é má, nos queremos livrar a nós mesmos dela. Mas
nosso problema é a educação - de nós mesmos e dos outros.

Deste modo, o único papel dos sacerdotes e Levitas é educar o povo. Os sacerdotes conectam-se a
um grau mais alto e trazem de lá a luz que reforma em prol de a passar para os Levitas, que então a
passam ao povo. Logo, cada grau, cada Partzuf espiritual, se divide em três partes: CHBD, CHGT,
NHY, que são Cohen (sacerdote), Levita (Levi) e Yisrael (Israel).

Os Levitas não têm lote pois o Criador é seu lote. Eles estão em Dvekút (adesão) com um grau mais
alto, a força superior. Eles não têm desejo seu, que precisem de corrigir. Eles alcançaram um nível
de correção onde sua vontade de receber se direciona inteiramente para doar. Por esta razão, eles
estão anexos à força superior. Através dos Levitas, nós - Israel, que estão em um grau mais baixo -
podemos receber a luz e a direção para o progresso.

Há um sentido na ordem das porções e se assim for, isso diz respeito ao nosso desenvolvimento
espiritual?
Sim, é como nosso mundo está dividido. No nosso mundo, bem como no mundo espiritual, há
termos, alturas do ano que são divididas em porções. Tudo possui uma força única. Assim, cada
semana tem sua própria porção pois há uma força especial que atua do alto correspondentemente.
À medida que avançamos de porção em porção, nos corrigimos.

Deste modo, como raiz e ramo, este estado também ocorre no nosso mundo. Não se deve misturar
as porções; cada uma deve ser lida no seu tempo adequado. Logo, você não pode ler a porção,
Bamidbar (No Deserto), em Rosh Hashaná (A Noite de Fim de Ano Judaico), nem pode ler durante
o inverno uma porção que é para ser lida no verão.

Por vezes quando lemos uma porção, parece que não nos é mais relevante.
Não tratamos as porções como estando no passado. A Torá é a lei da vida. Para alcançar a fonte da
vida, devemos assumi-lo sobre nós mesmos.

A Torá foi dada somente para que descobríssemos o Criador e nos apegássemos a Ele.
Qual é o sentido do “alarido” a respeito do tabernáculo: se levantar, partir, viajar e se encontrar
ao seu redor?

Ele é o Kli sagrado, corrigido dentro de nós. Nós focamos todos nossos desejos, discernimentos,
inclinações e qualidades em um estado de doação, que é semelhante ao Criador, a força de doação,
o bom que faz o bem. Tentamos corrigir e trazer-nos a um estado onde nosso núcleo, nossa
esperança, nosso ser inteiro tem algo no interior que é semelhante à força superior, para que a luz
superior venha e nos corrija para esse estado.

O “tabernáculo” na realidade é a alma do homem. Se, a partir da nossa vontade de receber egoísta,
corrigimos uma parte para que ela se direcione para doar, sentimos o Criador nessa parte. Essa
parte é chamada “uma alma” e o que a preenche é a revelação do Criador.

O trabalho da correção torna-nos um tabernáculo e rodeia-nos no tabernáculo. Nós, de fato, nos


devemos tornar a nós mesmos no Templo.

O quê ou quem é o pastor na porção?

Um “pastor” é o grau de Moisés, o leal pastor. Nós devemos escolher este grau cada momento, pois
em cada junção temos de escolher o que nos conduz e para onde, de que se tratam nossas vidas,
quem é nosso pastor e a quem devemos seguir com nossos desejos e pensamentos.

Nossa correção é caminhar em um caminho conhecido como “a Torá, Israel e o Criador são um”.
Se queremos ser Israel, devemos seguir a luz que reforma. Quando a seguindo, a luz nos traz à
qualidade do Criador, como está escrito, “Retornai, Ó Israel, ao Senhor vosso Deus” (Oseias 14:2).

Devemos decidir que precisamos dessa qualidade de doação e amor absoluto. Esta é a única razão
pela qual a Torá nos foi dada e é isto que recebemos quando a usamos. Foi dito sobre isso, “Eu
criei a inclinação ao mal; Eu criei para ela a Torá como tempero”, * pois “a luz nela os reformaria”
**.

O que reforma é o Bom que faz o bem, a qualidade de doação e amor que adquirimos. Alcançamos
essa qualidade no interior, não em certa imagem fora de nós. Percebemos dentro de nós a qualidade
doação e amor a que chamamos Boré (Criador), nas palavras Bô Re'éh (venha e veja).

Esta orientação aparecerá no nosso mundo em um estado mais corrigido e se assim for, como?

É claro que a orientação aparecerá. Hoje, o mundo cai em uma crise global e sentimos que estamos
verdadeiramente no deserto. Este deserto nos empurrará para avançar somente para a terra interna
de Israel, porque este é o propósito inteiro da crise global.

Termos
Tribos
“Tribos” são uma parte da vontade de receber, que está dividida em CHBD, CHGT, NHY. Em
todas elas, há HaVaYaH (Yod-Hey-Vav-Hey) e HaVaYaH vezes três é doze. Nossa vontade de receber
está dividida em doze partes que, quando corrigidas, são chamadas “tribos”.

O Santo dos Santos

“O Santo dos Santos” é GAR de Biná, a qualidade absoluta de doação.


Exército

O “exército” é todos os desejos que se podem juntar à cabeça, fé, o pastor.

Bandeira

Uma “bandeira” é a tarefa que eu assumo. Cada parte e cada grupo nas doze tribos tem sua própria
bandeira, que indica como cada parte progride e se corrige. A bandeira é única para cada tribo, daí
que a divisão em doze tribos permaneça até depois de alcançarem o desejo corrigido, a terra de
Israel.

Tabernáculo

O “tabernáculo” é onde eu corrijo minha vontade de receber para a direcionar para doar. Este é o
lugar melhor e mais importante para nós.

Levita
“Levitas” são os assistentes dos sacerdotes. Seu papel é coordenar a parte sagrada no homem com a
parte corrupta e corrigir a parte corrupta ao a juntar através de si mesmos à parte sagrada.

Deserto
O “deserto” é a vontade de receber que deve ser corrigida. Ele é um desejo no qual vemos serpentes
marinhas, escorpiões e problemas. Nesse desejo nada temos com o qual nutrir nossas almas. Logo,
devemos tornar o deserto na terra de Israel. Avançamos do deserto para a terra de Israel, mas de
fato, é o Egito que se tornou um deserto e o deserto se tornou a terra de Israel. Permanecemos
sempre dentro de nosso desejo, que corrigimos mais e mais até ao fim da correção.

A Terra de Israel
“A terra de Israel” é o desejo corrigido. O desejo que corrigimos é inteiramente Yashar El (direto a
Deus), totalmente direcionado para doar contentamento sobre o Criador, como Ele doa sobre nós.
Nós estamos ambos em Dvekút (adesão), doando um ao outro.

Acampar

Enquanto avançamos de fase para fase, precisamos fazer paragens, como em Chanucá. Há muitas
paragens na jornada no deserto. Acampamentos são ascensões e descidas, a atração da luz de
Chassadim face à luz de Chochmá.

* Talmude Babilônico, Maséchet Kidushin, 30b.

** Talmude Babilônico, Maséchet Berachot, 17a.

*** Talmude de Jerusalém, Seder Nashim, Masechet Nedarim, Capítulo 9, p 30b.

**** Maséchet Shabat, 31a.

***** Midrash Rába, Eichá, Introdução, Parágrafo 2.

****** Talmude Babilônico, Maséchet Kidushin, 30b.

******* Midrash Rába, Eichá, Introdução, Parágrafo 2.


Nássô (Tomai)
(Números 4:21-7:89)

Sumário da Porção

A porção descreve as preparações dos filhos de Israel para saírem em uma jornada do Monte Sinai
para a terra de Israel. O grosso do trabalho revolve à volta do tabernáculo. A sondagem da tribo
de Levi continua e há uma descrição da distribuição de deveres entre as famílias de Levi, Gerson,
Kochat e Merari. O Criador dá uma ordem para enviar as pessoas impuras para fora do
acampamento como preparação para a inauguração do tabernáculo.

Posteriormente, a porção narra diferentes situações nas quais as pessoas precisam de ajuda dos
sacerdotes e do tabernáculo. Os incidentes incluem actos negativos, tais como roubar, uma pessoa
evocar o nome do Criador em vão (peo qual um deve oferecer um sacrifício) e uma mulher que
se tenha desviado ou seja suspeita de cometer adultério e desta forma seja trazida ao sacerdote.

Há também incidentes positivos, tais como a história do eremita, detalhar as leis que uma pessoa
que faz um voto assume sobre si mesma e a bênção dos sacerdotes ao povo.

O fim da porção discute os presentes dos presidentes e a grande celebração - a inauguração do


tabernáculo. A porção termina com a conclusão das preparações, quando o povo de Israel
consegue partir para a terra de Israel.

Comentário

A Torá fala somente de nossas almas e como as devemos corrigir. Não corrigimos o corpo porque
o corpo é um animal e atua de acordo com sua natureza. Devemos reinstaurar a “porção de Deus
do alto” (Jó 31:2); isto é a alma.

Fazemos como está escrito, “Eu criei a inclinação ao mal; Eu criei para ela a Torá como tempero”
*, pois “a luz nela reforma” **. Quando começamos a conectar aos outros sob a condição, “Ama teu
próximo como a ti mesmo”,*** achamos esta ação repelente. Não queremos ver ninguém se não os
pudermos usar para nosso próprio benefício.

Esta é nossa natureza, como disse o Criador, “Eu criei a inclinação ao mal”. Contudo, quanto mais
estudamos e nos tentamos aproximar uns dos outros, mais descobrimos quão absolutamente
impossível isso é e mais sentimos nossa natureza como má, como má vontade, como a inclinação
ao mal. Então, precisamos de um meio para a corrigir e este é a luz que reforma.

Quando estudamos a sabedoria da Cabala no grupo certo, com pessoas que querem adquirir a boa
inclinação, a revelação do Criador, que querem mudar e melhorar, então descobriremos dentro de
nós um mundo inteiro de camadas, graus e outras partes. Certamente, os sacerdotes, Levitas, Israel
e o mundo inteiro com seus inanimado, vegetativo, animado e falante estão todos nos nossos
desejos, na inclinação ao mal.

A Torá conta-nos através de que contexto e com que ordem começaremos a transformar a inclinação
ao malpara uma boa inclinação. É isso que precisamos fazer neste mundo. A Torá ensina-nos a usar
a luz que reforma, que partes da inclinação do mal devem primeiro ser tratadas e quais mais tarde.

Este processo é como um doutor que diz a um paciente, “Primeiro, vamos cuidar de uma coisa,
então a outra. Se um paciente tem um problema de coração, esse é o assunto mais urgente, até se o
paciente disser, “Mas minha perna dorida dói mais”. Aqui o doutor tem de dizer, “Espere, já
chegamos lá, mas esse não é o problema mais urgente”. O mesmo serve para nós.

A Torá instrui-nos como escrutinar cada detalhe, como o corrigir, como atar todas as partes
corrigidas juntas e como partir temporariamente dos desejos que ainda não podem ser corrigidos
pois são demasiado grandes, então devemos colocá-los de parte por agora. Avançamos para a
conexão com os outros em prol de descobrir o Kli (vaso) da alma, onde descobrimos a luz superior,
Boré (Criador), chamado Bô Re'éh (venha e veja). Descobrimos Boré gradualmente, um passo de
cada vez, através de causa e efeito.

A porção anterior falava de dividir nossos desejos em tribos, sacerdotes, Levitas e Israel. Quem são
os sacerdotes e qual é seu papel entre o povo? Como deve o povo se dividir em doze tribos? Porque
são especificamente doze, três linhas e HaVaYaH, três vezes HaVaYaH, que são as quatro letras,
perfazendo doze partes da vontade de receber?

Agora, falamos sobre a próxima fase na correção da alma daquele que a quer corrigir e nutrir, uma
vez que ela é uma “porção de Deus do alto”. O Criador é absolutamente bom e faz o bem, então
aqueles que querem trabalhar com a inclinação do bem, em vez de com a má, o fazem ao adquirir
a boa inclinação, a forma do Criador. É por isso que isso é chamado “venha e veja”.

A porção descreve como é isto feito. O tabernáculo é misterioso e desconhecido, um lugar especial
na nossa vontade de receber. Nada há senão a vontade de receber; o todo da Criação é desejo de
receber e dentro do nosso desejo há um lugar especial onde estamos conectados com a luz superior.
Trazemos nossos desejos lá do mesmo modo que vamos a um médico. Isso é chamado “um curador
para aqueles de coração quebrado” *, e eles são corrigidos lá. O tabernáculo é o lugar principal onde
nossos desejos são corrigidos

Perguntas e Respostas
Cada um de nós se conecta ao Criador separadamente?

Sim, cada um deve fazê-lo. É por isso que nosso trabalho é principalmente o trabalho de sacrifícios.
Antes disso, fazemos todos os escrutínios: o que é kosher (ajustado/adequado/legitimo), como pode
ser feito e o que dentro de nós é um Letiva, um sacerdote, Israel, nações do mundo, Klipot
(cascas/peles), inanimado, vegetativo, animado ou falante. Precisamos aprender como separar e
ordenar nossos desejos. No fim de todos os escrutínios, trazemos uma oferenda. A palavra, Korban
(oferenda/sacrifício), vem da palavra Karov (perto/próximo). Quando corrigimos nossa vontade de
receber no tabernáculo, estamos no ponto de nos aproximarmos do Criador.

É verdadeiro trabalho sagrado pois os sacerdotes são a qualidade pura de doação em nós. O alto
sacerdote é GAR, ou seja, a “cabeça” desta qualidade em nós. Ele é a força dentro de nós que é
chamada “sacerdote”. É também isto que podemos corrigir em todas as camadas da vontade de
receber que estão abaixo dela. É por isso que há tamanha elaboração sobre o que fazer com que
partes da vontade de receber tais como um homem ou mulher não corrigidos, ou outros problemas
que surgem no processo da correção.

Nosso progresso inteiro no caminho da correção é semelhante a estar no deserto. Descobrimos


nossa inclinação ao male aprendemos que ela é um desejo inteiramente egoísta e que não
conseguimos extrair qualquer vitalidade dele. É por isso que sentimos como se estivéssemos no
deserto. Assim, todos somos nutridos pela luz do alto, chamada ”maná dos céus”; é assim que
avançamos.

O deserto é uma curta fase no processo. Porque permanecemos nela tanto tempo? Está escrito
que o podíamos ter atravessado em três dias, todavia levou-nos quarenta anos. Porquê?
Os “três dias” são aquilo que leva para obter três linhas. “Quarenta anos” são a participação de
Malchut em Biná, que é chamado o “grau de quarenta”. Isso não são quarenta anos; a Torá não se
refere a anos do mesmo modo que nós. Em vez disso, é um grau. Uma pessoa que atinge um grau
na vontade de receber que é chamado Biná ascende ao grau da qualidade de doação e está
inteiramente imersa no desejo de doar. Embora a vontade de receber que ainda não foi corrigida
arde por dentro tal como antes, essa pessoa “congela-a” e restringe-a, mantendo o ardor por dentro.
É como se houvesse uma caixa prestes a entrar em erupção como um vulcão e nós colocamos a
tampa por cima e ficamos por cima dela. Tal pessoa é controla todos os desejos egoístas e isto é
chamado ”ascender ao grau de Biná e estar pronta para entrar na terra de Israel”.

“Subir acima do vulcão” significa elevar-se acima dos grandes desejos, sobre todos os grandes Kelim
(vasos) que levámos do Egito. Cada vez que descobrimos o mal no deserto, isso é considerado que
pecamos no deserto. Através deste processo de errar e pecar, nova e novamente, Moisés e Aarão
atendiam a estas matérias.

Em outras palavras, descobrimos todos os pensamentos e desejos corruptos na mente e no coração


e constantemente procuramos ações e esforços de nos conectar ao meio ambiente, ao grupo no qual
estamos, à luz superior, ao Criador. Isto é feito em prol de descobrir como nos conectar aos
elementos externos, os aproximar do Criador e sermos santificados através deles.

Não paramos de dizer que a única coisa que precisamos corrigir são nossas conexões; contudo, tudo
o que aqui é descrito parece ser interno. Se dizemos que as preparações terminaram e podemos
começar, trata-se isto de algo que fizemos sozinhos?

Completámos as preparações com todos os desejos, os ordenámos e separamos em ordem. Já nos


equipámos com nossas armas. Agora podemos partir e descobrir os novos desejos que indicarão
como proceder no deserto.

Com quem avançamos?


Nós avançamos com nossos próprios desejos, que estão já preparados para este processo, incluindo
os sacerdotes, Levitas, Israel, tribos e as divisões feitas na porção anterior. Depois de atender a cada
desejo, partimos com eles. Em outras palavras, estamos agora prontos para avançar para a terra de
Israel, Biná, com todos os desejos que foram “pausado”. Agora podemos avançar com todos esses
desejos - as mulheres, crianças e todos os homens.

Até os animais são levados, ou seja, todos os desejos, nosso inteiro mundo inteiro. Daqui em diante
avançamos inteiramente para a doação, para a qualidade de Elokim, chamada Biná.
Qual é a medida de dependência? Por exemplo, se um amigo já se encontra lá, mas eu não, isso
significa que estou atrasando o meu amigo?

Isto nada tem a ver com amigos; trata-se do nosso próprio trabalho interno. Nossos amigos podem
somente ajudar do exterior, evocar a importância de alcançar a terra de Israel e estar em um estado
de Yashar El (direito ao Criador), onde todos os desejos visam doar. Amigos podem ajudar-nos a
aumentar nosso desejo de corrigir a inteira inclinação ao malem uma boa inclinação e eles podem
aumentar a importância da meta, assim indiretamente nos ajudando e despertando e reunir nossa
força.

Alguns dos escrutínios que fazemos são feitos com amigos?

Todos os escrutínios são internos. Isso é trabalho interno e os outros não devem saber o trabalho
que estamos a fazer.

O que são “pessoas impuras”, ou uma mulher que se desviou?


Todos nós temos tais desejos, daí que os descubramos. A Torá fala do que existe dentro de nós. Isto
abre o nosso próprio interior e explica o que podemos achar no interior: desejos, qualidades e
pensamentos. Isso também explica como devemos trabalhar com o “eu”. Precisamos trazer para fora
todas estas qualidades e desejos para se identificarem com o Criador, como está escrito, “Retornai,
Ó Israel, para o Senhor vosso Deus” (Oseias 14:2). Isso não se refere a nos elevarmos “acima da
lua”, mas à ascensão espiritual, nossa elevação interna das nossas próprias qualidades.

Meus pensamentos também me são enviados; é o Criador que os envia?


Tudo nos é enviado. O Criador diz, “Eu criei a inclinação ao mal”. Nada temos com que nos
preocupar; isso é o “Seu problema”. Tudo o que precisamos fazer é pedir que a luz que reforma
venha e transforme a inclinação ao malem uma boa inclinação. Este é nosso trabalho inteiro; nossas
vidas inteiras são para esse propósito.

Se, por exemplo, eu descubro dentro de mim uma qualidade chamada uma “mulher que se
desviou”, o que significa que a trago a um sacerdote? O que faz o sacerdote?
Isso refere-se ao que santificamos. Neste caso, santificamos um desejo chamado “uma mulher que
se desviou”. “Uma mulher que se desviou” é um desejo de receber que não quer trabalhar em prol
de doar, mas somente de receber. Ele é um desejo que quer atrair a luz de Chochmá (sabedoria) de
cima para baixo, em vez de baixo para cima. Em outras palavras, ele não quer trabalhar em doação
e amor pelos outros, mas por si mesmo. Esse é um desejo egoísta no grau de uma mulher.

Há um marido, uma esposa e nações do mundo. Todos estes estão dentro de nós. Nosso desejo
subitamente parece-se com aquele que só quer para si mesmo, como não tendo intenção sequer de
ser próximo do Criador, dos outros ou da doação. Quando descobrimos que somos assim e que é
isto que atrasa nosso progresso, o descobrimos como “uma mulher que se desviou”.

Em resposta para aqueles que dizem, “E as mulheres que cometem adultério”, um pode dizer que
há homens adúlteros, também. Além do mais, hoje o adultério é muito prevalecente.

Os homens e mulheres neste caso são nossos próprios desejos. Você não pode dizer que homens
ou mulheres fazem algo de errado. Tudo está no nosso mundo interno, os homens e mulheres são
todos nossos desejos.
Uma mulher transporta com ela uma maior carência, enquanto um homem é mais propenso para
Masachim (telas), para o poder de superar. Mas de fato, quando uma pessoa descobre estes
discernimentos trata-se dos nossos próprios desejos e não faz diferença se eles são chamados,
“mulher”, “homem”, “sacerdote”, “Levita”, “Israel”, ou “nações do mundo”. Todos eles devem ser
ordenados pelos níveis e qualidades para ver o que deve ser feito de acordo com a Torá, chamada
Hora'á (instrução), ou seja, o que deve ser corrigido dentro de mim a seguir.

Há qualquer conexão entre isso e nossos relacionamentos na vida diária?


Não há conexão que se pareça. Você pode encontrar-se com uma pessoa na rua que lhe parece
ímpia ou tola, ou alguém que lhe parece esperta, ou alguém que é completamente justa, mas não
consegue realmente falar do interior dessa pessoa. Isso nada mais seria senão uma ação.

De O Zohar: Uma Mulher Que Se Desviou

Porque deve um homem trazer sua mulher a um sacerdote e não a um juiz? O juiz é o padrinho da
rainha, corrigindo a Malchut para um Zivug com ZA. Assim, a correção do defeito mulher que se
desvia, que alcança Malchut, lhe pertencendo. .... Somente o sacerdote é adequado para isso. Ele é
a qualidade de Biná, a forte qualidade de doação. Sacerdotes têm um carácter especial. Ele é
tão poderoso e forte desejo e tão corrigido em prol de doar, que ele pode adicionar a si mesmo
todos os pequenos e corrompidos desejos e os corrigir ... porque ele é o padrinho da rainha.
Também, todas as mulheres no mundo são abençoadas pela Assembleia de Israel ... enquanto o
sacerdote está pousado para corrigir as palavras da rainha, Malchut e olhar para tudo o que ela
necessita. É por isso que somente o sacerdote é digno disso e não outro. Zohar para Todos, Nássô
(Tomai), item 61
Falámos sobre a força do sacerdote, mas esta porção também menciona eremitas e até regras sobre
eles. O que é um eremita?

Um “eremita” é qualquer um que se limite a si mesmo ou a si mesma. Se uma pessoa que pesa 136
kg para de comer alguma coisa, isso não faz dele ou dela um eremita? Em semelhança, quando
vemos que não podemos trabalhar com a revelação do Criador, com maiores prazeres nos serem
revelados e recebemos tudo para nos mesmos e nos tornamos egoístas uma vez mais, nós nos
limitamos e não atraímos estes prazeres. Na sabedoria da Cabala, isso é considerado “não atrair luz
de Chochmá”. Tal pessoa não toca em uvas ou produtos de uva tal como o vinho. Isto é chamado
“ser-se eremita”. Contudo, assim não é para um sacerdote, que é permitido obter um pouco dele.

Estas são formas de correção que todos terão de experimentar em alguns dos seus desejos. Através
delas, corrigimos o desejo e avançamos. Nesse estado, já sabemos como usar a luz de Chochmá de
baixo para cima e a receber. Tudo o que foi proibido foi somente por falta de força de o usar com
a meta de doar.

Assumamos que uma pessoa nos oferece uma caixa de óptimos chocolates e nós adoramos doces.
Embora a pudéssemos dar a outros, dizemos, “Não a dês a mim”. Isto é chamado “ser-se eremita”.
Posteriormente, adquirimos uma Massach (tela) maior e adquirimos uma medida de amor por
alguém e essa medida é maior que o amor que temos pelo chocolate. Agora dizemos, “Dá-o a mim”
porque agora estamos prontos para fazer uma ação de doação, para passar esta luz, este prazer, ao
outro.

No nosso mundo, os Cabalistas falam de se ter de desfrutar da vida, casar, conduzir uma vida
normal. Isto é, podemos fazer qualquer coisa desde que tragamos estes prazeres a um nível espiritual
e não os percamos no corpóreo. Afinal, no nível corpóreo não podemos desfrutar de tudo na vida.
A Torá ensina-nos como nos elevar a tamanho nível de prazer que ele flua através de nós para os
outros e regresse, andando para trás e para a frente. Isto é chamado “vida espiritual” - interminável,
inteira e para a qual estamos a ser elevados. Quando agarramos para nós tudo o que pensamos que
merecemos, imediatamente isso impede o fluxo e nos deixa com nada no seu lugar até que
morramos. Contudo, se entrarmos no círculo de energia, fluxo, conhecimento e sensação dos
prazeres intermináveis - porque ele passa entre todos - somos considerados levar uma vida espiritual.

O que é uma bênção na espiritualidade?

Uma “bênção na espiritualidade” é uma força que existe no nível de Biná, influenciando os desejos
inferiores e os abençoando, os conduzindo ao nível de Biná, também. Uma benção é o grau de
doação, Biná; ela é a habilidade de doar, de dar.

Termos
Monte Sinai

“Monte Sinai” é uma montanha de Sina’á (ódio). Se descobrirmos todo o mal no interior, isso é
considerado estar no pé do Monte Sinai. Contudo, é possível o descobrir somente se o ponto no
interior, chamado Moisés, subir essa montanha. Lá, no abismo entre o fundo da montanha e seu
pico, sob essa condição adquirimos a Torá. Isto acontece porque sentimos que simplesmente
devemos corrigir, mas não sabemos o que fazer. Tais pessoas são dignas de receber a luz que reforma,
chamada “Torá”.

Família

Uma “família” é uma pessoa inteira consistindo de um homem, mulher, crianças e uma casa e o
mundo inteiro. Ela é um Kli completo.

Impuro

Aquele que é “impuro” está impregnado de interesse pessoal. Tal pessoa corrompe todas as coisas
em que ele ou ela toca porque qualquer coisa que essa pessoa queira é somente para a
autogratificação, em vez de dar aos outros. Inversamente, dar, ou doação sobre os outros, é chamado
de Kedushá (santidade), pureza.

Acampamento, ou Estar Fora do Acampamento


Um “acampamento” é a parte da vontade de receber que podemos definir e dizer, “nesta parte,
estamos a avançar somente com a intenção de doar”. Isto é, um “acampamento” é nossos desejos
corrigidos.

Tabernáculo e a Inauguração do Tabernáculo


“Inauguração” é quando estabelecemos o tabernáculo. É quando alcançámos o ponto de estabelecer
esse estado.
Presente

À medida que conseguimos abdicar da vontade de receber para nós mesmos, é como
se estivéssemos a dar um presente ao sacerdote, a nossa própria forma de doação, à qualidade de
doação. Quando nos relacionamos ao grau de um sacerdote, a esse desejo de doar, é considerado
que recebemos uma bênção por isto em retorno e que santificámos esse desejo.

Bênção
Uma “bênção” significa que a luz que reforma derrama sobre a vontade de receber e a corrige para
ter a meta de doar. Esta é a correção.

Bênção dos Sacerdotes

A “bênção dos sacerdotes” é a luz que vem do grau de Biná para o grau de Malchut e o corrige,
quando Malchut se começa a relacionar a si mesma ao grau de Biná. Um “sacerdote” é o grau de
Biná.

Isto não é somente a correção da vontade de receber; isso relaciona-se à doação e aproxima-se do
grau do Criador. Um “sacerdote” é o grau de Elokim, Biná, desejar misericórdia e doação. Sacerdotes
não têm lote; eles estão no grau de desejar misericórdia, inteiramente em doação. Assim, se Malchut
não se consegue juntar a ele, ela recebe uma bênção, uma correção, a bênção dos sacerdotes.

Falso Voto

Um “falso voto” ocorre quando nos conectamos ao grau de Biná e recebemos sua força, então
deliberadamente usamos essa bênção com a intenção de receber, ou seja, doar em prol de receber.
Isto é, estamos dispostos a dar, mas tencionamos receber um benefício para nós mesmos como
resultado.

De O Zohar: Porque Cheguei Eu e Não Havia Ninguém


Quão amados são Israel pelo Criador? Onde quer que estejam, o Criador está com eles pois ELE
não remove SEU amor deles, como foi dito, “E deixai-os ME fazerem um Templo, para que Eu
possa morar entre eles”. (Êxodo 25:8). Zohar for All, Nássô (Tomai), item 105

“E deixai-os Me fazerem um Templo, para que Eu possa morar entre eles” significa que se tornamos
a nossa vontade de receber como um Templo, é aqui que encontramos o Criador.

* Talmude Babilônico, Maséchet Kidushin, 30b.

** Midrash Rába, Eichá, Introdução, Parágrafo 2.

*** Talmude de Jerusalém, Seder Nashim, Maséchet Nedarim, Capítulo 9, p 30b.

**** O Livro do Zohar, Chayei Sára (A Vida de Sara).


(Quando Levantais as Velas)
(Números 8:1-12:16)

Sumário da Porção
A porção, BeHa’alotchá (Quando Levantais as Velas), toma lugar um ano mais depois da recepção
da Torá. O povo de Israel está a preparar-se para viajar e têm uma cerimónia especial pela
inauguração do altar. A porção detalha as leis a respeito de fazer a oferenda da Segunda Pessach
para aqueles que não puderam participar na primeira Pessach.

A porção fala do tabernáculo, sobre o qual havia constantemente uma nuvem. Isso é uma
indicação para os filhos de Israel para quando se devem levantar e viajar e quando se devem
acalmar. A porção também fala das duas trombetas de prata que foram usadas para reunir o povo
em tempos de guerra, quando fazendo oferendas, em Shabats, festivais e ocasiões especiais.

Perto do fim da porção, vários eventos tomam lugar que apontam para o crescimento do ego. Os
ímpios da nação queixam-se de Moisés e do Criador e um fogo consumidor é enviado aos ímpios
na extremidade do acampamento. A turba, um grupo de prosélitos que se juntaram aos filhos de
Israel durante sua saída do Egito, se queixa de sua condição e em retorno o Criador dá água a
codornizes no acampamento. Qualquer um que salte sobre as codornizes é condenado à morte.
Este é o lugar chamado “as sepulturas do anseio”.

O fim da porção fala sobre Miriã - a irmã de Moisés e Aarão - escarnecer Moisés. Ela diz para
Aarão, “O Criador me apareceu, bem como a vós, então porque é Moisés o líder? Porque o
escutais somente a ele”? Ela é punida por isso com lepra. Moisés pede ao Criador que a perdoe e
Ele a ordena para o isolamento durante sete dias. A nação, que tem de viajar, espera sete dias até
que ela regresse.

Comentário

Todos os eventos são estados espirituais dentro de nós. Precisamos nos corrigir e alcançar
equivalência de forma com o Criador, como está escrito, “Retornai, Ó Israel, para o Senhor vosso
Deus” (Oseias 14:2). O texto fala somente de correção. Não se trata de ter de atravessar o deserto e
alcançar o rio Jordão, o atravessar e alcançar a terra de Israel. Em vez disso, trata-se de ascender,
como em BeHaalotchá(Quando Levantais).

“Ascender” refere-se a edificar a alma. Cada um de nós constrói nossa própria alma e o faz
gradualmente. A alma é chamada “uma porção de Deus do alto” (Jó 31:2). Um começa a obra
espiritual, querendo se construir a si mesmo e alcançar doação e amor pelos outros, conexão com
todos, porque é assim que nos tornamos semelhantes ao Criador, como está escrito, “Do amor pelo
homem ao amor por Deus”*, de amar as pessoas a amar o Criador.

Nós alcançamos o amor em fases, embora o odiemos pois somos seu oposto completo. Há fases
descritas em todas as porções. Inicialmente, a Torá fala somente de quando recebemos a centelha
chamada o “ponto no coração”. Com essa centelha começamos a nos corrigir. A Torá descreve este
processo até ao fim da correção, através do que é chamado “diante dos olhos de toda Israel”
(Deuteronômio 34:12), até ao fim da Torá (Pentateuco).

Deste modo, quando começamos a trabalhar e nos corrigimos, imediatamente achamos todos os
tipos de problemas dentro de nós. Está escrito na porção que um ano depois de todas as
preparações, quando os filhos de Israel se começam a mover, problemas começam a surgir no
acampamento. Pessoas começam a encontrar muitas obstruções tais como pensamentos e desejos
que foram contra as ascensões espirituais.

As obstruções que apareceram eram na realidade revelações dos desejos e pensamentos, a mente e
coração que precisavam de correção. É precisamente ao os corrigir que ascendemos. Assim, não
precisamos ver estes como obstruções, mas como um meio para a ascensão, um trampolim.
Podemos ver em nós mesmos e nos grupos em Israel e noutros lugares que problemas começam no
momento em que tudo está organizado e todos estão prontos e ansiosos para começarem a corrigir
as conexões. É então que o problema começa, mas isso é o caminho certo, o único caminho para
ascender.

Os problemas que aparecem revelam diferentes desejos e camadas de desejo dentro de nós. Nosso
desejo geral está dividido em muitas camadas, então não é surpresa que as “pessoas” subitamente
apareçam, ou seja aqueles desejos dentro de nós. O todo de Israel é chamado “Adam”. Ele inclui
todas as coisas, até as nações do mundo dentro de nós. Contudo, “Israel” são os desejos com os
quais podemos avançar por enquanto, enquanto as nações do mundo são mantidas “congeladas”
de modo a não lidarmos com elas.

Quando queremos avançar somente com desejos com os quais possamos subir à
espiritualidade, descobrimos que até com estes, não é fácil. Há desejos que não se santificaram a si
mesmos, que é o propósito da Segunda Pessach. Todos aqueles que não concretizaram isto durante
o êxodo do Egito podem agora os corrigir, para que agora os santifiquemos. “Santificar” significa
que trazemos os desejos à qualidade de doação, Kodesh (santidade, da mesma raiz da palavra,
Kedushá), doação, ou amor pelos outros.

Devemos aprender a separar os desejos que estão prontos para serem corrigidos em nós daqueles
que não estão prontos. O mesmo serve para os pensamentos, trabalhar na tenda de encontro e no
tabernáculo. Estes são trabalhos de escrutínio e correção.

A obra dos sacrifícios, ou as Mitzvot (mandamentos) conecta-se às oferendas, isto é o mais


importante pois isso envolve instruções sobre como separar cada desejo do resto deles, como os
processar e entender, como saber o que são eles e quão possível ou impossível é avançar com cada
desejo.

Nosso único modo para avançar é ao transformar nossos desejos egoístas em desejos de doação e
amor. Há sempre problemas neste processo, tais como lepra ou pragas, como é descrito sobre Miriã
ou aqueles que quiseram comer carne. Isso acontece que nosso desejo está dividido em inanimado,
vegetativo, animal e falante. “Falante” refere-se aos diferentes tipos de pessoas que a Torá menciona:
sacerdote, Levita e Israel. Todavia, descobrimos que há também estranhos, prosélitos, multidões
misturadas e outros que aparentemente não pertencem a Israel, todavia se juntaram a ela.

A separação e escrutínio não são feitos imediatamente aquando do êxodo do Egito, mas mais tarde,
quando acontece que nada mais há para corrigir. Precisamos separar a parte santificada do resto
dos nossos desejos, que temporariamente “colocamos em espera”. Alguns destes desejos podem ser
corrigidos e através deles é possível serem santificados e avançar. É possível doar com eles, ascender
na escada. Mas com alguns desejos é impossível o fazer.
As partes que já podem estar em doação e receber em prol de doar já despertaram. A luz brilha
nelas, como está escrito, “Quando levantais as velas” (Números 8:2). Há claros sinais nos
escrutínios, que indicam quando tomar certas ações. Se estamos debaixo de uma nuvem, sentados,
isso é preparação. Se a nuvem desperta, o peso e escrutínios despertam sobre nós e podemos
começar a nos movimentar. A Torá inteira trata-se de como corrigir a vontade de receber, que partes
nela e como as podemos escrutinar.

Perguntas e Respostas

O que é a Segunda Pessach? Os desejos que não exteriorizamos subitamente fazem


um discernimento mais elevado de modo que eles, também, merecem ser exteriorizados?

Não é um discernimento mais elevado, mas um mais exato, mais delicado. Descobrimos que desejos
com os quais pensávamos que podíamos deixar no Egito e continuar para a recepção da Torá e a
terra de Israel não apoiam realmente a doação. Éretz (terra) significa Ratzon (desejo), e Yisrael (Israel)
significa Yashar El (direito a Deus). Depois de tomarmos alguns passos em frente, descobrimos
alguma “impureza” dentro de nós que anteriormente havíamos subestimado. Somente agora que
avançámos podemos discernir desejos com os quais não podemos avançar, então os separamos e
corrigimos.

Separamos e corrigimos nossos desejos em fases. É possível arruinar os desejos, os matar, separar,
ou de algum modo os remendar, como com a obra das oferendas. Dividimos nossos desejos em
inanimado, vegetativo, animado e falante e separamos os desejos no nível de falante em sacerdote,
Levita e Israel. Também nos devemos recordar da multidão misturada, os prosélitos e as nações do
mundo - os vários gentios que despertam dentro de nós.

Há desejos primários no nível inanimado pois a alma consiste de Shóresh (raiz), Neshamá (alma), Guf
(corpo), Levush (vestimenta) e Heichal (casa/salão), ou Moach (medula), Atzamot (ossos), Gidin
(tendões), Bássar (carne) e Or (pele), dependendo de como os dividimos. Quando nos referimos a
Moach, Atzamot, Gidin, Bassar e Or, não conseguimos corrigir a Or. A correção da Or é fazer
pergaminho dela, sobre o qual a Torá é escrita. A Or é dividida em duas - o exterior e Duchsustus
(parte interna). É assim que ela alcança correção.

Antes disso, corrigimos um Kli (vaso) de Bássar no grau animal. Este é nosso principal trabalho no
altar. Enquanto há sal, água e outros elementos no altar, o principal é a carne. Este é o único Kli
pelo qual podemos corrigir nossa vontade de receber, que é o mais importante. A carne é vermelha;
sua estrutura é a grande vontade de receber; assim, o trabalho das oferendas, tal como descreve a
Torá, é principalmente no Kli (vaso) de Bássar (carne).

Antes disso, não sabemos ou pensamos que há necessidade de realizar estas correções.
Compreendemos isso somente quando avançamos em casa fase, estacionamos nas paragens,
preparamos todos os acampamentos, cada um com sua própria bandeira e cada um no seu lugar na
divisão. Se pegarmos na população inteira de Israel dividida em acampamentos, tribos, de acordo
com a localização e forma, ou avançamos ou permanecemos imóveis. Em vez de encontrar a tenda
de encontro, todos os desejos se encontram ao redor da tenda. Os Levitas, os sacerdotes e o inteiro
acampamento só descrevem a estrutura da alma.
Problemas maiores vêm à superfície cada vez no acampamento - sejam pensamentos e desejos
externos que se querem juntar às fileiras, tribos durante o caminho que os atacam, ou pessoas no
deserto que não se corrigiram a si mesmas dos seus desejos para um desejo que seja inteiramente
Yashar El, que é a terra que está cheia de leite e mel. Isto é, há a luz de Chassadim e luz de Chochmá,
enquanto no deserto tudo é seco; não há água, nem luz de Chassadim; logo tudo são somente
escrutínios.

Há muitas descrições “físicas”, tais como a nuvem que anda em frente do acampamento e quando
os filhos de Israel repousam, ela repousa, também.

Isto é ocultação: só vemos nossa medida de ocultação da revelação do Criador. Se a nuvem, ou seja,
ocultação, parte de nós, nós avançamos. Se a ocultação desce sobre nós, baixamos nossas cabeças,
nos sentamos e escrutinamos. Certamente, maioria dos quarenta anos do deserto foram passados
sentando e escrutinando, somente para avançar um pouco em frente e parar novamente para o
escrutínio.

Porque foi escrito que a nuvem anda diante do acampamento?


Seguimos a ocultação porque a queremos aceitar, dado que de acordo com a ocultação descobrimos
o processo pelo qual avançamos.

O que é a ocultação em relação a nós?


“Ocultação” é quando a recebemos da vontade de receber, quando queremos estar nela, como está
escrito, “sabedoria está com os humildes” (Provérbios 11:2), ou Safra Tzniuta (Livro da Humildade,
parte de O Zohar), ou seja, divulgações. Safra significa livro (em Aramaico) e um livro é divulgação,
um Meguilá (pergaminho), da palavra Gilui (divulgação). Quando nos escondemos, concordando
receber ocultação do Criador, é então que avançamos.

Verdade, isso contradiz o senso comum, dado que significa “caminhar em doação”? É então que
não queremos qualquer divulgação e a rejeitamos aparentemente. Avançamos com Ór Chozêr (Luz
Refletida) pois estamos nos quarenta anos no deserto.

O que isso nos dá?

É assim que Malchut sobe a Biná. Adquirimos as qualidades de Biná de doação no nosso Kli de
Malchut. Com as qualidades de doação, caminhamos com nossos olhos fechados pois seguimos a
ocultação, a nuvem, até que alcançamos a entrada para a terra de Israel. Aquando entrando na terra
de Israel, a luz de Chochmá começa a aparecer através da luz de Biná, que é adquirida durante os
quarenta anos no deserto. É então que começamos a ver.

A terra de Israel é uma terra onde o Criador está presente, um desejo preenchido pelo Criador,
quando já O descobrimos. Mas antes disso, quando Malchut sobe somente a Biná, adquirimos a
ocultação e consentimento para trabalhar somente em doação sem coisa alguma em retorno.

De onde vem a força para caminhar em tamanha ocultação?

A força é dada do alto. Ela é a força da luz recebida quando recebendo a qualidade de doação. O
problema inteiro é que a espiritualidade não é como a corporeidade, onde todas as coisas estão nas
nossas mãos, nos nossos vasos de recepção e é assim que avançamos. Não é difícil avançar deste
modo, dado que permanecemos no ego.

Na espiritualidade, nós não avançamos egoisticamente. Em vez disso, temos de receber força
adicional do alto, um desejo adicional chamado “uma nova terra”, “um novo céu”. Tudo é novo.
“Através do deserto” significa que não conseguimos achar quaisquer respostas na nossa vontade de
receber e não conseguimos achar qualquer preenchimento nela.

Então o que nos motiva? Porque avançamos?

A motivação vem de começar a sentir que seguimos a força superior. É bom senti-la, mas somente
se estivermos dispostos a seguir a nuvem, a ocultação, com nossos olhos fechados.

O que significa caminhar “com nossos olhos fechados”?

“Caminhar com nossos olhos fechados” significa que não recebemos qualquer justificação para
avançar em doação, nem nas nossas mentes nem nos nossos corações. Nossas mãos, nomeadamente
nossos Kelim (vasos) corpóreos e egoístas, estão onde sentimos no coração e entendemos na mente.
Aqui não sentimos ou entendemos coisa alguma. Tudo o que queremos é a chance de avançar
acima destes Kelim mundanos e subir a outra dimensão mais alta. Existimos lá em Kelim
completamente diferentes daqueles em que entendemos e sentimos.

Como sabemos sequer que estamos a fazer qualquer progresso lá?


A nuvem, a ocultação, mostra-nos o caminho, mas somente à extensão que estejamos dispostos a
fazer sacrifícios constantes. Isto é, sacrificamos partes da carne dos vários desejos. Se sacrificarmos
e não nos quisermos envolver neles e também estivermos dispostos a os deixar sem rima ou razão,
nos aproximamos. Korban (sacrifício/oferenda) vem da palavra, Karov (perto/próximo). Deste
modo, nos aproximamos da qualidade do Criador, à doação pura, Biná.

Qual é o sentido do que acontece a Miriã a profetiza? Ela faz uma justa reivindicação a respeito
da liderança de Moisés. Se uma pessoa quer conduzir, então por que somente Moisés?

A qualidade de Moisés de Biná é perfeita, completa, GAR de Biná. Não assim é com qualquer outro
desejo.

Como fala o Criador para Moisés e como falou Moisés para Ele?

Esta é a revelação. Na espiritualidade, não temos visão, audição, paladar, olfacto ou tacto. Em
vez disso, nos é convidado “Provai e vede que o Senhor é bom” (Salmos 34:9). Não provamos na
boca, mas nos Kelim que aparecem.

Uma pessoa prova além dos cinco sentidos físicos?

Há Chochmá, Biná, Zeir Anpin e Malchut, Yod-Hey-Vav-Hey. Chochmá é visão, Biná é audição. Alguns
profetas disseram, “Eu vi”, e alguns disseram, “Eu escutei”. O Criador falou para Moisés, no grau
de Biná, GAR de Biná, pura Biná e fiel. Ele era fiel, ou seja, no grau de fé. Ele escutou, ou seja, que
ele estava principalmente no grau de escutar, que é o grau de Biná. Foi assim que o Criador lhe
apareceu.

Miriã não sabia disto? Qual foi a punição que ela obteve? Sabemos que não há punições, então
foi que depois da lepra ela entendeu?
Todas as punições são correções. Quando Miriã fica enferma e se senta durante sete dias fora do
acampamento, o acampamento inteiro espera que ela regresse e somente então avançam eles no
deserto. “Enquanto eles caminhavam” fala de correções. A Nukva (fêmea) é uma carência que se
encontra oposta a Moisés. Ela não fala no grau de GAR de Biná, como fala Moisés, mas do grau de
VAK de Biná. Isto é, o grau inteiro está conectado a essa audição. O Criador para todos, mas Moisés
também sabe porque ele está na parte de Biná onde a luz de Chochmá (sabedoria) se veste, em GAR
de Biná.
Aarão e Miriã não estão em GAR de Biná?

Não; é por isso que Moisés é considerado o confiado do Criador, como está escrito, “Ele é fiel em
toda Minha casa” (Números 12:7).

Miriã é uma mulher e quase em todo o lugar na Torá são os homens que lideram.

Não propriamente. As mulheres existem em cada fase e em cada ação, mas elas não são
mencionadas. Por exemplo, Abraão gerou Isaac, mas também teve filhas.

Onde se escreve Et na Torá, isso refere-se a uma fêmea?

Sim, é claro. A mulher é a parte principal da Torá; ela transporta a carência que o homem corrige.
A razão pela qual falamos mais sobre homens que mulheres é porque a parte masculina é a Massach
(tela) que traz Ór Chozêr (Luz Refletida) que divulga o Zivug de Haka’á (acoplamento) sobre a
carência da mulher. Nesta porção, está bastante claro que sem a Profetiza Miriã, não
nos poderíamos aproximar. Em outras palavras, ela está no grau de Biná, o grau de revelar o
Criador.

Termos
Menorá (Lâmpada)
A “Menorá” simboliza a alma. Ela simboliza a alma. Ela simboliza as sete Sefirot da alma que
precisamos saber como acender, de que modo e por que ordem.

Korban (Sacrifício/Oferenda)

Um Korban é a vontade de receber que corrigimos e através dele nos tornamos mais Karov
(próximo/perto) do Criador.

Segunda Pessach

A “Segunda Pessach” relaciona-se a desejos que achamos ora desnecessários ou impossíveis de


santificar. Estes são desejos que não reconhecemos. Contudo, eles podem ser corrigidos mais tarde,
em uma fase mais avançada no processo.

Impureza

“Impureza” é uma força que trabalha em prol de receber, a força egoísta que aparece em nós.

Nuvem
Uma “nuvem” é ocultação que vem ora do Criador, que se esconde a Si Mesmo de nós, ou de nós,
que nos escondemos a nós mesmos Dele. O último é chamado “nuvens de glória”.

Um Guia
Um “guia” é a qualidade pura de doação que queremos seguir e nos apegar, assim alcançando nossa
meta.

Trombetas de Prata
As duas forças que descobrimos e pelas quais avançamos, são chamadas “trombetas de prata”. Estas
forças puxam-nos para a frente da direita e da esquerda.
Prata

“Prata” é o grau de Biná; ouro é o grau de Chochmá.

Prosélito

Um “prosélito” é um desejo de receber que se converteu e está disposto a ser corrigido e se juntar
a Israel.

Turba

A “Turba” é um tipo de desejo de receber que precisamos descobrir e o encontramos “infectado”


com uma intenção de receber.

Codorniz
“Codornizes” são desejos finos, um tipo de desejo no grau animal do qual podemos fazer uma
oferenda.

Lepra
“Lepra” é uma doença no desejo do Homem, na intenção de receber, que aparece no último e pior
grau da pele.

Boca a Boca
Um Zivug (acoplamento) “boca a boca” significa espírito com espírito, quando duas almas, ou o
Criador e uma alma, estão nessa espécie de conexão.

Punição
Uma “punição” é uma correção. A punição é dada quando nos sentimos incapazes de usar o desejo
em prol de doar. Ela não é uma incapacidade de receber. Em vez disso, a punição é a incapacidade
de doar. Contudo, a punição conduz um à correção pois já sabemos o que corrigir com esse desejo
e alcançámos um Mitzvá (mandamento/correção). Um Mitzvá é uma ação de doação, uma ação de
amor.

Miriã

“Miriã” é um tipo da vontade de receber em nós que se encontra oposta a Moisés. Moisés, também,
descobriu essa parte em si mesmo. Em outras palavras, o grau em nós que é chamado “Moisés”
descobriu um certo toque pela Nukva (fêmea), Miriã, que ainda precisava de correção. Moisés
também sobe cada vez juntamente com o povo; ele é um discernimento na alma, assim, com cada
discernimento, o discernimento do grau de Moisés é também corrigido.

Com cada termo e cada fase, nossa vontade de receber cresce e incha e nós a corrigimos com a
intenção de doar, de servir os outros e ao Criador.

O Criador dentro de nós é o que nos pune?

Tudo está dentro de nós. O homem é um pequeno mundo que precisa alcançar a correção
completa.
De O Zohar: E as Águas Se Tornaram Doces

Nesses segredos que serão revelados através de vós, “As águas se tornaram doces”. Como o sal
que adoça a carne, elas serão adoçadas pelos segredos que serão revelados através de vós. Todas
essas questões e a disputa da água amarga na Torá oral regressarão a ser doces águas na Torá. E
vossas agonias serão doces para vós através desses segredos que serão revelados por vós. E todos
vossos apuros retornarão para vós como sonhos fugidios. Um sonho (em Hebraico) tem as letras da
palavra “sal”, invertidas. Como o sal adoça a carne, também a agonia fica doce. Zohar para Todos,
BeHaalotchá (Quando Montais as Velas), item 86

Sumário

A porção, BeHaalotchá (Quando Montais as Velas), lida com o acender das velas, com ver todo o
desejo do Homem. O homem divide-se em muitas partes e precisamos vê-las como a Menorá é o
símbolo da alma. Nós precisamos acender todas as suas sete qualidades, brilhando com a luz
superior, com doação sobre os outros, com amor.

* Rav Yehuda Ashlag (Baal HaSulam), Os Escritos de Baal HaSulam, “O Amor por Deus e o Amor pelo Homem”, p 482.
Shlách Lechá (Enviai)
(Números 13:1-15:41)

Sumário da Porção

A porção começa com Moisés enviar os doze chefes das tribos para espiarem na terra de Israel, a
examinarem e se prepararem para entrar nela. Os espiões retornam e descrevem uma terra fluindo
com leite e mel, mas ocupada por gigantes que tornarão impossível entrar, conquistar e governar a
terra. Suas palavras espalham medo no povo, excepto para Yeoshua Ben Nun e Caleb Ben Yefuné.
Isto enfurece o Criador e Ele quer destruir o povo inteiro. Moisés ora e pede misericórdia sobre o
povo. Como resultado, somente os dez espiões que escarneceram a terra morrem na praga. Os
outros dois, Yeoshua Ben Nun e Caleb Ben Yefuné, continuam a acompanhar o povo.

Mais tarde na porção, o povo de Israel erra uma vez mais e procura correr de volta para o Egito. No
fim eles se arrependem e abortam sua decisão. Posteriormente, Israel cometem outro erro: eles
tentam combater e conquistar a terra sem as instruções para assim fazerem e deste modo fracassam.

A porção termina com as instruções de vaguear outros quarenta anos no deserto até que a geração
inteira de espiões faleça, excepto Yeoshua Ben Nun, que deve conduzir o povo para a terra de Israel.

Comentário
Nós temos de desenvolver nossa vontade de receber, dos nossos egos, para um estado no qual
chegamos a ser “o povo de Israel”, quando todos somos Yashar El (direito a Deus), tendo a qualidade
do Criador: doação e amor. Todos estaremos em doação e amor. Todos estaremos em “Ama teu
próximo como a ti mesmo”,* em amor pelos outros, porque não temos escolha.

Não devemos avançar pela nossa própria razão, que alterna entre ditados de avanço e retirada. Em
vez disso, devemos lutar enquanto examinando se fazemos o que está certo, e se o caminho é certo.
A porção explica que não podemos saber o que fazer ou até onde começar. Esse é um problema
pois estamos acostumados a trabalhar pelo modo, “Um juiz tem somente o que seus olhos vêem”.**
Parece que devemos avançar ao seguir nossa essência, de acordo com nossos Kelim
(vasos/instrumentos), usando nossas mentes e corações.

O Criador exige que nos desenvolvamos e façamos algo. Mas como podemos fazer algo se não
sabemos distinguir o certo do errado, se não sabemos se avançamos em frente para a guerra ou
corremos de volta para o Egito? Podemos ver que há gigantes na terra de Israel. E embora haja
também frutos lá, não conseguimos dizer quem governa lá, que desejos existem e quão grandes são
eles.

Assim, a porção, Shlách Lechá (Enviai) explica como avançar corretamente. Há uma exigência pela
qual devemos verificar a estrada com nossa razão e ver como avançar no desenvolvimento espiritual.
A Torá fala do desenvolvimento espiritual, tal como devemos avançar de um estado de egoísmo
para um de amor pelos outros, como em, “Ama teu próximo como a ti mesmo; essa é uma grande
regra na Torá”.* É por isso que devemos avançar pelo que nossos olhos veem e examinar nossos
egos, nossa má vontade, para que vejamos como odiamos os outros, os repelimos, pensamos
somente em nós mesmos e aprendemos quão isolados somos dos outros, que não conseguimos
sequer pensar neles.

Em vez disso, devemos retratar o que é o amor, se e quanto amamos os outros, quanto pensamos
nos outros e nos unimos com eles (como exige a crise global que façamos nestes dias). Sentimos que
enfrentamos esta grande tarefa, que é a razão da sabedoria da Cabala estar a aparecer, então pedimos
ajuda para subir ao grau de conexão e unidade, de verdadeiro amor pelos outros, dado que sem ele
não sobreviveremos neste mundo em desenvolvimento.

A hora chegou para nós começarmos a atualizar a Torá. É por isso que chegámos à terra de Israel
e nos estabelecemos lá depois do exílio, depois de todas as preparações que experimentámos
durante toda a história. Hoje, devemos ser como espiões, escrutinando o sentido de “ser-se espião”
e o sentido de “Ama teu próximo como a ti mesmo” para ver se o fazemos ou não e o que devemos
fazer em prol de o alcançar.

Quando consideramos nosso estado presente, em comparação com o estado ideal que devemos
alcançar, vemos que é impossível. Este é o problema dos espiões, a quem foi dito que tinham de
fazer outra coisa além de verificar que era impossível. Todavia, eles o querem tanto que sentimos
que temos de alcançar o amor pelos outros pois esta é a vontade do Criador. É assim que nosso
desenvolvimento inteiro deve ser.

Devemos alcançar um dos dois pontos de pressão: o primeiro é que não conseguimos alcançar o
amor pelos outros e o segundo é que devemos alcançá-lo porque sem ele não temos vida. Temos de
chegar a um grande grito com fé acima da razão e então a luz que reforma virá, como está escrito,
“Eu criei a inclinação ao mal; Eu criei para ela a Torá como tempero”** pois, “a luz nela reforma”.
*** a luz embutida na Torá - no estudo adequado dela, na interioridade da Torá, nomeadamente a
sabedoria da Cabala - vem e corrige-nos.

Deste modo, não há necessidade de correr de volta para o Egito ou chorar que não o conseguimos
fazer pois “Não nos cabe a nós completar a obra, nem estamos nós livres para nos afastarmos dela”.
* Em vez disso, tudo o que precisamos é agir, como está escrito, “o que quer que vossa mão ache a
força para fazer pela vossa força, fazei isso” (Eclesiastes 9:10). E no minuto em que chegamos a um
ponto de quebra completa, então “O Senhor lutará por vós” (Êxodo 14:14).

Deste modo, não precisamos ir para a guerra e pensarmos que venceremos pela nossa própria força.
Quem somos nós, afinal? Por um lado, diante de nós está o massivo ego explosivo que nos impede,
como gigantes vivendo na terra de Israel retratam”. ** Na verdade, eles são nossos próprios desejos
nos enfrentando e nós não os podemos superar. Por outro lado, devemos elevar-nos à fé, ao grande
poder de exigência até que a luz venha e corrija estes desejos de hostis para desejos da terra de Israel.

Certamente, esse é um dilema que enfrentamos antes de entrarmos no grau para o qual nos
devemos preparar.

Isso sucede-se toda a vez. A guerra interna é contra nossos desejos e qualidades pois “a inclinação
do coração do homem é má desde sua juventude” (Gênese 8:21). Todos nós nascemos com um ego
que se continua a desenvolver. Se avançamos para a ascensão espiritual, ela desenvolve-se ainda
mais, como está escrito, “Aquele que é maior que seu amigo, sua inclinação é maior que ele”.*** É
por isso que não conseguimos combater com o sempre crescente ego.
Contudo, se estamos no meio ambiente certo e nos anulamos a nós mesmos diante dele,
considerando as pessoas ao nosso redor como as maiores da geração, começamos a absorver delas a
importância da meta. Nossos amigos dão-nos a sensação que é possível, que podemos irromper de
tal maneira que isso conduzirá a uma oração genuína, ao “portão das lágrimas”.

Por um lado, estamos conscientes que não podemos atravessar essa correção em nós; por outro
lado, sabemos que a luz, o Criador, a pode fazer acontecer em nós, se ao menos pedirmos, se a meta
for mais importante para nós que qualquer outra coisa. É por isso que nosso trabalho é em um
grupo, no meio certo, pois essa é a única maneira em que podemos reunir a força para avançar no
caminho certo.

Perguntas e Respostas

Leva tempo antes que um possa adoptar um novo meio ambiente.

Verdade, há muitas lutas internas e coisas para superar, mas nem sempre se parece a isso. Isto é,
experimentamos diferentes situações. Algumas são boas, outras não são tão boas e algumas são
assustadoras. Isso depende do ritmo de progresso e o tempo que dedicamos a isso.

O que são espiões? A quem enganamos?

Os espiões estão por dentro e quando queremos saber como avançar apesar de tudo, precisamos
examinar a estrada à nossa frente. Depois de a examinarmos, não devemos continuar com os
espiões, os favorecer ou os escutar, dado que examinamos a estrada somente com nossos cinco
sentidos egoístas.

Em outras palavras, não devemos acreditar no que pensamos e sentimos?

É claro que não. Assumamos que estamos em um certo grau e precisamos subir a um mais alto. A
diferença entre os graus é uma vida inteiramente diferente e mente e coração diferentes. Como
podemos subir de grau para grau quando não sabemos a que se parece o próximo grau pois ele está
em uma dimensão espiritual diferente? Nessa dimensão, as qualidades e pensamentos são
diferentes, a percepção da realidade é diferente e também é a visão do mundo.

Quando compreendemos que subimos um grau?

Compreendemos esse grau somente quando o alcançamos. A questão é, “Como o alcançamos”? Os


desejos e os frutos na terra de Israel são tão enormes; tudo é grande. Do ponto onde nos
encontramos, não conseguimos ascender sozinhos pois somente a luz superior que criou o ego o
pode corrigir. É por isso que está escrito, “Eu criei a inclinação ao mal; Eu criei para ela a Torá
como tempero”, pois “a luz nela reforma”. Isto é, somente através da luz somos nós reformados. E
assim que sejamos corrigidos, subimos a um grau mais alto.

O que significa que dez espiões dizem uma coisa e dois deles dizem outra coisa qualquer? Isto é
muito confuso.
Eles são qualidades dentro de nós. “O homem é um pequeno mundo”.* Todas as poções na Torá
lidam com o desenvolvimento da alma do homem. Esta porção descreve os espiões, com dez
pensando de uma maneira e dois pensando de outra. Contudo, esta é uma boa situação, quando a
alma avança adequadamente; é por isso que dez estão contra e dois são a favor.

Como sabemos a quem devemos escutar?


Esse é um problema. Nós temos de cometer erros. Está escrito, “Uma pessoa não consegue entender
as palavras da Torá a menos que tenha falhado nelas”,** e também, “Não há um homem justo na
terra que não faça o bem e não peque” (Eclesiastes 7:20). Em cada passo, nós pecamos, caímos no
mal e provamos nosso próprio mal. Nossa falta de progresso é causada somente por nós. Nós vemos
como podemos tornar nossas próprias vidas amargas, como se nos afastando mais longe de nosso
ponto inicial.

Este é na realidade um sinal de que estamos a avançar corretamente e devemos avançar. Isto é,
devemos atravessar tudo o que está a acontecer na Torá, todos os erros, problemas e tudo o que
vem na nossa direção.

Há alguma coisa que possamos fazer?

Não podemos evitar fazer. Devemos examinar nossa inclinação ao mal na totalidade e pedir ajuda
cada vez que estejamos presos. Se não provarmos o amargo, não exigiremos a luz que virá e corrigirá
nosso mal. Então a luz entra no mal, corrige-o e nós recebemos uma alma. O mal, juntamente com
a luz que o corrigiu e o preencheu, são chamados uma “alma”. Esta é a única maneira de obter uma
alma. Antes disso, não temos nenhuma.

É isso que significa “uma terra que flui com leite e mel”?

Sim. Éretz (terra) significa Ratzon (desejo), um desejo que é todo leite e mel. Isto é, ele é o grau de
Biná, a luz de Chassadim, o desejo de doar, com a luz de Chochmá no interior, ou seja realização,
proximidade ao Criador.

Os espiões apontam para as nações que vivem na terra; porque é isso importante?
Estes são desejos dentro de nós que precisamos corrigir nas três linhas. Precisamos os corrigir nas
doze tribos — Yod-Hey-Vav-Hey nas três linhas, o tornando Yod-Hey-Vav-Hey vezes três.

A terra é também chamada “a terra de Canaã”. Moisés não os conduziu para a terra de Israel?
Antes de ela ser chamada “a terra de Israel”, ela era chamada “a terra de Canaã”. Antes de ela ser a
terra de Canaã, ela era Egito e então um deserto. Ela é sempre o mesmo desejo; há somente uma
terra, mas lhe são dados diferentes nomes cada vez de acordo com sua corrupção ou correção.

Canaã é um desejo que é escrutinado antes que se torne Israel?

Antes que um conquiste o desejo da maneira adequada, ele é chamado “a terra de Canaã”.
O que são frutos gigantes?
Os frutos são o que recebemos como resultado do nosso trabalho. Esse é o sabor da intenção de
doar que realizamos e sentimos na vontade de receber. Estes são verdadeiramente enormes frutos,
620 vezes maiores. Provamos prazeres pois nos desenvolvemos e compreendemos o que a doação
significa, a que se parece o Criador em um desejo corrigido.

Os filhos de Israel estão ainda na vontade de receber, todavia lhes é dito sobre frutos que existem
no desejo de doar. Como podem eles perceber de que se trata isto ou saber se é bom?

Quando nos encontramos diante do próximo grau para o qual ascendemos, é possível ver esse grau
“de longe”, em semelhança a Moisés, que viu a terra de Israel do Monte Nevo.

O que significa que provamos o bem, que é então tirado de nós para que possamos subir outro
degrau?
Nós podemos receber estes frutos, os transportar nas nossas costas e possui-los, mas não os
provarmos. Não há ainda Kli (vaso) no qual nos preenchermos com todas as realizações, prazeres e
preenchimentos que existem no desejo de receber em prol de doar em uma alma corrigida.

Soa a uma grande promessa; alguém quereria fugir dela?


Ela requer correções substanciais e difíceis, que são impossíveis de fazer. A recompensa por as fazer
é maravilhosa, mas isto requer lugar contra enormes desejos - todas as nações que moram na terra
de Israel.

Mas não se trata de uma guerra que combatemos sozinhos; em vez disso, a luz fâ-lo. Não é fácil
alcançá-lo, perceber que não corrigimos o desejo. Os filhos de Israel querem avançar, que é o erro.
Alternativamente, eles querem fugir de volta para o Egito ou ir para a terra de Israel sozinhos, ambos
os quais seriam erros, também.

Então o que se faz?


Clamamos e exigimos ajuda.

Onde encontra um a força para continuar não sendo capaz de combater ou fugir? É o grupo que
dá a força?

Sim, nós ganhamos força da Arvut (garantia mútua). O Criador quebrou a alma singular que Ele
criou em uma miríade de pedaços.

Ele nada mais criou. E Ele fez isto para que possamos sentir que nós somos independentes de nossas
próprias partes e sejamos capazes de adquirir o resto das partes, assim nos tornando semelhantes a
Ele. Cada um de nós adquire essa grande alma; cada um se torna tão grande como o Criador e está
em Dvekút (adesão) com Ele.

Nosso inteiro propósito é continuar a adquirir partes de nossa alma, que nos parecem não ser
nossas, mas pertencer aos outros. O meio para fazer isto é o grupo, como está escrito, “Ou a amizade
ou a morte”.* Quando nos conectamos a um grupo, às pessoas que querem a mesma meta, criamos
unidade entre nós, que eleva a importância da meta até que estejamos prontos para a exigir. Então
a luz vem e reforma.
O Criador quis destruir o povo de Israel e Moisés orou por eles. Que tipo de solução é essa?

Ela é uma luta interior. Moisés é o ponto que nos puxa para a frente, o ponto de Biná. Ele é o fiel
pastor. Constantemente avançamos com fé, com o poder da doação. O termo, “fé”, não se refere à
fé cega, como normalmente o definimos, onde fazemos o que nos é dito para fazer. Em vez disso,
fé é a qualidade de doação. É quando um está disposto a dar a todos, como está escrito, “Aquilo
que odeias, não faças ao teu amigo”,** e “Ama teu próximo como a ti mesmo”, ou seja dá tudo
aquilo que tens. Esta é a meta que devemos alcançar.

Moises é esse ponto dentro de cada um de nós, o gene espiritual que nos puxa para essa qualidade.
Ele desenvolve-se gradualmente em nós e através dele alcançamos a terra de Israel.

Porque morreram os espiões?

Não há vida e morte no sentido em que pensamos nisso. Sua morte significa que seu papel terminou
pois eles não podiam avançar na sua presente forma. Estas são qualidades dentro de nós. É possível
avançar com as qualidades conhecidas como Yeoshua e Caleb, mas não com o resto das qualidades.
Yeoshua e Caleb são duas linhas, Guematria, qualidades.

De O Zohar: Os Espiões
Contudo, não vos revoltais contra o Criador. Não nos devemos revoltar contra a Torá pois a Torá
não requer riqueza ou vasos de prata e ouro. E vós, não temais o povo da terra, pois se um quebrado
corpo se envolver na Torá, ele achará curativo para tudo. Está escrito, “E saúde para toda sua carne”.
Todos os escarnecedores sobre uma pessoa se tornam seus ajudantes e declaram, “Abram caminho
para este ou aquele, o servo do Rei!” Em outras palavras, que ninguém o impeça de vir até ao Rei
para O servir. Zohar para Todos, Shlách Lechá (Enviai), item 67

É impossível avançar para o próximo grau, a terra de Israel, até que a vejamos como um grande e
sublime grau, o grau de Biná. Quando entrando no grau da terra de Israel quando o adquirimos,
ele torna-se Kéter (coroa), ou seja, “o mundo de Ein Sof (infinito) ”. Quando vemos que frutos
cresceram lá e quão incapazes somos de os obter, entramos no deserto.

Não podemos dar a volta ao deserto ou evitar caminhar por ele. Quarenta anos é a distância entre
Malchut e Biná, a distância da ascensão para esse nível. Passados quarenta anos, estamos prontos
para readquirir a qualidade de doação, de reentrar no ego e começar a corrigi-lo na intenção de
receber em prol de doar, nomeadamente o grau da terra de Israel.

Depois do deserto, entramos na terra de Israel, onde guerras pela conquista da terra tomam lugar.
Lá, tornaremos a vontade de receber no desejo de doar. Em todos os quarenta anos do deserto,
só tínhamos a intenção de doar em prol de doar. Isto é, nos corrigimos somente ao ponto de não
magoar os outros. Mas assim que entramos na terra de Israel, fazemos o bem aos outros.

Porque o Criador não deixou o povo vencer? Afinal, eles despertaram com um certo desejo e
aparentemente Ele preveniu-o deles.

O Criador não o preveniu; Ele só mostrou quão despreparados eles eram para entrar na terra de
Israel. Contudo, ao verem que eram despreparados, eles entenderam que Kelim tinham de adquirir.
Eles são quarenta anos no deserto, as grandes correções que temos de atravessar.

Termos
A Terra de Canaã

Nós estamos imersos em desejo. Tudo o que temos é um desejo que deve ser corrigido de magoar
os outros para lhes fazer o bem. A “terra de Canaã” é esse desejo quando ainda está por corrigir,
mas está prestes a ser corrigido.

Quarenta Dias

“Quarenta” é o grau de Biná. A diferença entre Malchut e Biná é chamada “quarenta”. Ela é a
diferença entre a vontade de receber, o ego e o grau de fé, Biná, o nível de doação.

Fluindo com Leite e Mel

“Leite e mel” representam a abundância que recebemos no desejo corrigido.

Amaleque
“Amaleque” é a fundação de todo o mal. Ele é a intenção de receber em prol de receber, que existe
dentro de nossa natureza.

Yeoshua Ben Nun


Nun é cinquenta, o quinquagésimo grau, cinquenta portões de Biná. Yeoshua, como Moisés, puxa.
Yeoshua salva os filhos de Israel ao os trazer para estarem no quinquagésimo grau, os portões de
Biná. Moisés completou o grau de quarenta pois ele faleceu na entrada da terra de Israel e Yeoshua
o sucedeu.

Espiões, a Qualidade de Espiar


A “qualidade de espiar” são nossos desejos egoístas de receber que constantemente
procuram roubar para nós mesmos em vez de dar, doar e subir acima da recepção.

A Geração do Deserto
A “geração do deserto” são nossos próprios desejos, que todos devem morrer com suas intenções
de receber. A intenção de receber deve morrer e somente os desejos com intenções de doar devem
entrar na terra de Israel. É por isso que a inteira geração do deserto teve de morrer no deserto.

Praga

“Pragas” são as maiores e melhores correções que podemos experimentar. Subitamente, podemos
corrigir muitos desejos e qualidades de uma vez, que são invertidas para terem a direção de doar.
Com isso, nos sentimos mais próximos do Criador. É assim que gradualmente nos aproximamos
de Israel.

Conquistar a Terra

“Conquistar a terra” segue-se a esta porção, quando os espiões foram espiar. A palavra, Éretz (terra),
vem da palavra, Ratzon (desejo). Nós temos a vontade de receber egoísta que corrigimos no deserto
para ter a intenção de doar e agora esse desejo se tornou doação. Em outras palavras, agora
recebemos dos outros somente porque queremos doar, dar. Desta maneira, os outros desfrutam e
nós desfrutamos, também; todos desfrutamos de dar uns aos outros. Ter este tipo de
relacionamento com o Criador significa estar em Dvekút (adesão) com Ele, no mundo de Ein Sof
(infinito). Mas até se for o mundo de Ein Sof, todos devemos O alcançar aqui neste mundo enquanto
ainda estamos vivos.
Uvas, Vinho

“Vinho” e “vinha” são o grau de Chochmá. Essa é a mesma luz, realização e sensação do Criador que
se veste na luz de doação, a luz de Chassadim.

De O Zohar: Letras Voadoras


Quando as letras voam, uma pessoa vê escrita no ar, feita de grandes letras, que são Biná, por
enquanto. “No princípio Deus criou os céus e a terra”. Estas palavras são de Biná, grandes letras.
Posteriormente, pequenas letras as atingiram, Malchut ascendeu e atingiu Biná, que a diminuiu.
Esta é a Yod que entrou na luz, criando Avit (ar). Elas voam e o versículo, “E Deus disse, 'Haja luz,'
e houve luz. E Deus viu a luz que ela era boa”, aparece delas.

Posteriormente, as pequenas letras atingem as grandes letras novamente, ou seja, que Malchut sobe
a Biná novamente e a diminui. Então as palavras, “E Deus disse, 'Haja um firmamento,'“ aparecem
nelas, bem como a inteira obra da criação. As obras destas letras são grandes maravilhas e alegrias
para os pobres. Felizes são as pessoas que aguardam tudo isso. Zohar para Todos, Shlách Lechá (Enviai),
item 153

Sumário
O homem precisa fazer todo o esforço e somente então alcança ele a “terra de Israel”. Este é o
propósito da Criação, verdadeiramente uma terra que flui com leite e mel.

* Talmude de Jerusalém, Seder Nashim, Maséchet Nedarim, Capítulo 9, p 30b.

** Talmude Babilônico, Maséchet Baba Batra, 131a; Masechet Sanhedrin, 6b.

*** Talmude de Jerusalém, Seder Nashim, Maséchet Nedarim, Capítulo 9 p 30b.

**** Talmude Babilônico, Maséchet Kidushin, 30b.

***** Midrash Rába, Eichá, Introdução, Paragrafo 2.

****** Mishná, Seder Nezikin, Maséchet Avot (Pirkei Avot), Capítulo 2, Mishná 16.

******* Deuteronómio 1:28.

******** Talmude Babilônico, Maséchet Sukkah, 52a.

********* Midrash Tanchuma, Pekudei, item 3.

********** Talmude Babilônico, Maséchet Gitin, 43a.

*********** Talmude Babilônico, Maséchet Taanit, 23a.

************ Maséchet Shabbat, 31a.


Corá
(Números, 16:1-18:32)

Sumário da Porção

A porção começa com a história de Dotã e Abirão, e 250 dos presidentes da congregação que se
revoltaram contra Moisés e Aarão com o que se parecia ser um justo argumento: Uma vez que a
inteira nação é sagrada, Moisés e Aarão deviam ter o mesmo estatuto que o resto do povo. A
resposta que receberam foi que embora todos fossem iguais, Moisés e Aarão são os únicos líderes
que podem estar em contato com o Criador. Depois do motim, o solo engoliu os 250 presidentes
da congregação, bem como Corá e sua companhia e o povo sofreu de uma praga até que Moisés
pedisse ao Criador que o terminasse.

O fim da porção debate a questão da liderança na nação. O teste foi feito entre todas as varas
(bastões) de todos os líderes e a única que floresceu foi a vara de Aarão, que sinalizou sua
inequívoca liderança.

Comentário

Podemos interpretar a explicação da Torá (Pentateuco) em dois níveis - o nível deste mundo e o
nível do mundo oculto, espiritual. No nível do nosso mundo, a história de Corá é muito relevante
até hoje.

Durante milhares de anos, nosso mundo se tem desenvolvido através de nossos egos. Há 3800 anos
atrás vivíamos naquela que é conhecida como Antiga Babilônia. Foi então que Abraão - a qualidade
de Chéssed (misericórdia) - subiu, bem como os sacerdotes que o seguiram, que também são da
qualidade de Biná, Chassadim.

Abraão descobriu que o mundo inteiro se deve desenvolver e alcançar um estado de unidade e
conexão e sua revelação compartilhada com os Babilônicos. Embora muitos o tivessem seguido, eles
eram só uma mão cheia em comparação com a maioria que rejeitou suas ideias. Abraão teve de
fugir da Babilônia, perseguido por Nimrod, o rei da Babilônia.

Abraão estabeleceu um método para corrigir a natureza humana. Hoje chamamos a esse método,
“a sabedoria da Cabala”, cujo propósito é elevar o homem das profundezas do egoísmo para o nível
de doação e amor.

Esta ascensão é, de fato, a meta de nosso desenvolvimento - subirmos do nível deste mundo para o
nível do mundo espiritual. A espiritualidade é doação e amor pelos outros através dos quais
adquirimos eternidade e inteireza. Este é o sentido do texto nesta porção, bem como no Livro do
Zohar, que fala sobre liberdade do Anjo da Morte.

De acordo com a sabedoria da Cabala, inicialmente todos na Babilônia estavam unidos como uma
nação falando a mesma língua. Mas então a “praga” do ego irrompeu e as pessoas se começaram a
odiar umas às outras, eventualmente se alienando a si mesmas umas das outras. Porque os
Babilônicos não assumiram sobre si mesmos o método da correção de Abraão (mas em vez disso o
de Nimrod), a humanidade se dispersou pelo globo.

A Cabala explica que desde o momento em que as pessoas escolheram entre os métodos, se tornou
necessário as reunir. Caso nos tivéssemos corrigido então, teríamos alcançado a unidade
na Babilônia e teríamos alcançado o propósito da Criação - ser “como um homem com um
coração”. Teríamos concretizado a revelação da Divindade e teríamos concluído a correção. Mas
uma vez que os Babilônicos escolheram um caminho diferente, somos agora obrigados a avançar
com o processo da correção.

Descemos ao Egito e saímos dele, ascendendo na espiritualidade até ao grau do Primeiro Templo,
seguido pelo Segundo Templo. Atravessámos destruições, exílios, redenções e hoje estamos no fim
do último exílio - começando a subir para a última e completa redenção.

Hoje, estamos em uma situação muito semelhante a aquela que se formou na Babilônia. A diferença
é que hoje não temos para onde nos dispersar, dado que já cobrimos o globo. Embora possam haver
muitos “Nimrods” hoje, eles nada podem dizer pois já reconhecemos nossa negatividade. Já estamos
conscientes que nossos egos estão a destruir a sociedade humana. A realidade mostra que a menos
que nos unamos, vamos desaparecer da face da terra. A pior das hipóteses é que nos matemos uns
aos outros, ou que o resto da Natureza nos extermine, uma vez que vivemos contrários à Natureza,
que é Deus.

Em Guematria, HaTeva (Natureza) é Elokim (Deus). Devemos alcançar equilíbrio com a Natureza e
isto é alcançado ao nos unirmos “como um homem com um coração”. União pertence não só ao
pequeno número de pessoas que fugiram da Babilônia, se encontraram no pé do Monte Sinai,
receberam a Torá e se tornaram uma Nação. Em vez disso, ela pertence a todos.

Os judeus devem se tornar “uma luz para as nações”, lhes explicando o método de Abraão pelo
qual todos podemos nos unir, como está escrito na Torá, “Todos eles Me conhecerão, do menor
deles ao maior entre eles”, e “Pois Minha casa será chamada uma casa de oração para todos os
povos”, e também, “E todas as nações fluirão para Ele”.

Enfrentamos um enorme e crucial desafio: de finalmente alcançar o propósito da Criação. Teremos


sucesso nisso somente através da união entre todas as pessoas.

Essa união pode tomar lugar depois de grandes dores, que a sabedoria da Cabala e os profetas
profetizaram a respeito dos dias do Messias. Ou, podemos tomar o método da Cabala, que é
destinado a atrair a luz que reforma.

Os Cabalistas avisam-nos que a menos que usemos a sabedoria da Cabala, uma terceira e até uma
quarta guerra mundial vão irromper, que somente uma mão cheia sobreviverá e eles terão de
implementar o propósito da Criação. Assim, não temos escolha senão fazê-lo. Podemos fazê-lo de
uma maneira favorável, que é curta, agradável e fácil, através do Livro do Zohar, os escritos do ARI
(Rav Isaac Luria) e os escritos de Baal HaSulam (Rav Yehuda Ashlag). Podemos usá-los para nos
unir através da luz que nos afetará. A Cabala é chamada “o interior da Torá”, “a verdadeira Torá
(ensinamento/instrução) ”, devido à luz nela. Por esta razão, hoje devemos explicar a todos a
necessidade de divulgar e utilizar este método.

A história de Corá é um exemplo perfeito destas palavras. Corá veio da tribo de Levi. Dotã, Abirão
e os 250 representantes da nação inteira, todas as tribos, aparentemente contestaram a
unidade. Eles rejeitaram a hierarquia, mas não havia outra escolha. Tinha que haver um líder,
Moisés, conectando o Criador aos sacerdotes, seguido pelo seu irmão sacerdote, Aarão, a linha
direita, a qualidade de misericórdia que eles haviam ensinado ao povo. Aqueles que atualizaram a
obra inteira, além dos sacerdotes, foram os Levitas, seguidos pelo resto das tribos, que foram
ordenadas de acordo com a estrutura da alma comum.

O Criador criou uma alma, um desejo. O povo de Israel está ordenado por essa estrutura e o resto
da humanidade deve estar conectada ao seu redor. Quando o povo subitamente se levanta e diz,
“Não! Nós queremos uma ordem diferente; não queremos estar tão estreitamente conectados”, isso
vai contra o propósito da Criação, contra a própria união.

“Ama teu próximo como a ti mesmo” é a regra que induz a conexão entre nós. Ela é uma grande
Klal (“regra”, mas também “coletivo”) da Torá. Ela é uma Klal que é também um Kli (vaso) comum
que construímos e no qual a luz - o Criador - aparece. Nosso único meio de ser “como um homem
com um coração”, em garantia mútua, é unidade, conexão, tal como quando recebemos a Torá. É
assim que nós, as criaturas, alcançamos a revelação do Criador.

É por isso que não há nada pior do que aquilo que Corá fez. Isso é chamado “uma disputa não pelo
bem do Criador”, que é diferente de outras disputas, tais como uma entre a casa de Shamai e a casa
de Hilel. Essas foram “disputas pelo bem do Criador”, onde as questões foram discutidas e
escrutinadas.

Há direita e há esquerda. Cada vez que adquirimos um pouco de espiritualidade, um ego maior - a
linha esquerda - aparece em nós. Quando adquirimos mais espiritualidade - a linha direita, Aarão -
Dinim (julgamentos\juízos) reaparecem. É assim que subimos, como se caminhando sobre duas
pernas, subindo de um degrau para o próximo, como se em uma escada.^

As linhas direita e esquerda aparecem alternadamente, uma após a outra. A linha esquerda dá a
substância e a linha direita corrige-a para ter a intenção de doar. Por um lado, há o desejo egoísta;
por outro lado, há a linha direita que vem e corrige-o para estar em prol de doar sobre os outros.

É assim que avançamos e é por isso que a sabedoria da Cabala encoraja o aumento do desejo, daí
seu nome, “a sabedoria da Cabala (recepção) ”. Ela ensina-nos a como receber todas as coisas - toda
a luz - para alcançar a meta na sua totalidade. A Cabala é dirigida especificamente para as pessoas
mais egoístas, mas que também sabem como corrigir seus egos.

Este é o método de Abraão, que difere de todos os outros métodos que se originaram na Babilônia.
Abraão ensinou outras nações, também, tais como os filhos das concubinas que ele teve, que ele
enviou para o oriente. Ele ensinou-lhes o método oposto, dado que se você não corrigir o ego
usando a sabedoria da Cabala - ao atrair a luz que reforma - é melhor manter o ego sob guarda e
não o deixar crescer.

Por esse propósito, ele lhes deu métodos, religiões e fés que encorajam a diminuição dos desejos e
anseios e tratar os outros amavelmente, diminuindo a vontade de receber tanto quanto possível.
Ele fez isso pois se não soubermos como corrigir um desejo, é melhor ter um ego pequeno em vez
de um grande, assim causando menos dano a nós e aos outros.

Mas quando usamos a sabedoria da Cabala, usamos o maior ego. E quando ele cresce, somos até
mais felizes pois “Aquele que é maior que seu amigo, sua inclinação é maior que ele”, exceto que
essa inclinação é corrigida.

Foi por isso que Corá quis dividir, rasgar a conexão. O que ele queria realmente era quebrar essa
escada. Ele queria que o povo de Israel não estivesse conectado, não estar sob essa hierarquia, de
acordo com a adequada estrutura das tribos.
As tribos são Yod-Hey-Vav-Hey. Quando multiplicando as letras pelas três linhas incluídas em cada
uma delas, você obtém as doze tribos. Corá queria quebrar essa estrutura, mas isso é impossível pois
sem essa estrutura, não conseguimos alcançar nossa meta. É por isso que seu pecado é tão grave e
isso é chamado “uma disputa não pelo bem do Criador”, não na direção do progresso.

O argumento de Corá e sua companhia parecia certo. Tudo o que pediam era igualdade. Eles não
disseram que não se queriam unir, pelo menos não abertamente. Eles só questionaram porque
Moisés e Aarão eram de estatuto superior e pediram provas de sua superioridade.

É impossível quebrar o processo de correção a meio do caminho. Você não mostra a um tolo um
trabalho por terminar. Corá estava certo ao dizer todos alcançaremos a igualdade, “como um
homem com um coração”, um desejo. Contudo, este é o fim do processo, que acontecerá no fim
da correção, não no meio, na fase do deserto.

O deserto é uma fase intermédia que atravessamos em prol de alcançar a qualidade de Biná, a
intenção de doar em prol de doar. Apenas posteriormente vem a entrada na terra de Israel, onde
transformamos a vontade de receber em doação completa - uma intenção de receber em prol de
doar. No deserto, estamos ainda somente a conquistar nosso próprio ego, não o deixando explodir
em prol de receber para si mesmo e contra os outros. Este é um grau chamado Chafetz Chésed
(desejar misericórdia).

Nestes graus, é impossível fazer aquilo que Corá diz. Por um lado, ele está certo, mas por outro
lado, seu timing está errado. Haverá um tempo em que esse desejo será concretizado, mas não é
agora. Os desejos e reivindicações do povo, sejam bons ou maus, se tornam totalmente satisfeitos
somente no fim da correção.

A solução está na Maté (vara/bastão). Maté significa que sabemos para onde ir e como chegar lá.
Nós recebemos um sinal que não podemos avançar no caminho pelo qual andamos, senão ao usar
a luz da fé, seguindo a vara de Aarão e a vara de Moisés.

Perguntas e Respostas

Como é que apadrinhar eventualmente se torna positivo?


A Torá explica a nossa interioridade, nossas qualidades, nossos pensamentos, emoções e nossos
desejos. As lutas que temos não só entre nós, mas também dentro de nós. Nós queremos avançar
egoisticamente, mas sabemos que isso é errado e que temos de superá-lo e seguir um caminho de
doação e amor pelos outros. Afinal, assim está escrito. Este é o propósito e a qualidade do Criador
- doação e amor - e nós somos opostos da qualidade do Criador.

Estes cálculos funcionam sempre dentro de nós e jogam-nos de um lado para o outro. Cada um de
nós tem um Faraó interno, um Corá interno, Hamã, Moisés e Aarão. Nós somos “pequenos
mundos” feitos de todas as forças. À medida que avançamos pelo caminho espiritual, estas forças
crescem e tornam-se contraditórias e encontramo-nos a combater poderosas batalhas internas.

É por isso que o povo está correto, quando visto de sua própria perspectiva subjetiva. Estas são as
forças da Natureza, que o Criador criou e há uma boa razão para pensarmos de uma maneira ou da
outra. Afinal, todas estas forças - das piores às melhores - existem na Natureza.
A questão é como uma pessoa as usa. Não devemos eliminar coisa alguma que exista dentro de nós.
No fim, nós corrigimos até o Corá dentro de nós. Nós cortamos a besta no interior, a queimamos
e derramamos o resto do seu sangue.

Por enquanto, realizamos tais ações físicas, não fazemos ideia de que ações internas representam
elas. No máximo, só “congelamos” o desejo. Mas isso, também, é uma correção, para mais tarde ser
usado.

Porque Corá o vê como apadrinhar?

Há sempre uma luta entre as forças dentro de nós. Nos colocamos em balanças e devemos nos
certificar que uma força não se sobrepõe à outra, que a linha direita não seja muito mais baixa que
a esquerda. Isto é chamado “caminhar na linha direita”. O mandamento é de estar sempre na
direita, embora a esquerda cresça correspondentemente e nos equilibre de modo a
que avancemos na direita.

Essa sensação de luta interna é uma sensação muito boa. Cada vez, sentimos quão imersos estamos
nestas mudanças. É como uma roda, onde o topo avança para a frente e o fundo parece se mover
para trás, todavia a roda está constantemente a avançar para a frente.

O que é a Correção de Ser “Engolido” pelo Solo?


“A terra” é a vontade de receber geral, a força que presentemente não conseguimos usar
corretamente, com a direção de doar. Sua correção é semelhante a aquela que fazemos com um
corpo morto – nós a enterramos.

Um desejo “falecido” é aquele que não podemos usar com a direção de doar e que apareceu em nós
com a direção de receber. Essa direção de receber é Corá. O desejo em si mesmo não é bom nem
mau; o que importa é a intenção - se usamos este desejo para nós mesmos ou pelo bem dos outros.
A Torá instrui-nos a como examinarmos com exatidão nossas intenções, se para nós mesmos ou
para os outros e devemos transformar a intenção de receber para nós mesmos para o benefício dos
outros, para doar.

Nós podemos ora “enterrar” a intenção de receber no solo, ou queimá-la. Isto é, ora o solo a engole,
ou ela é oferecida como um holocausto (Hebraico: Korban, da palavra Karov - próximo) em prol de
nos aproximar. Quando corrigimos essa direção de recepção para doação, nos aproximamos do
Criador, daí o nome, Korban.

Estas correções nada têm a ver com pessoas de carne e osso, ou tais eventos trágicos como ser-se
engolido pelo solo, queimado, ou morrer em uma praga, embora estas coisas realmente ocorram
no nosso mundo. Em vez disso, estas descrições relacionam-se às correções que ocorrem dentro de
nós. É por isso que se diz que o homem é um “pequeno mundo”.

Nós precisamos verificar e achar Corá, Abirão, Dotã e os 250 presidentes dentro de nós, o que
significa ser igual ou desigual e descobrir o propósito da Criação. É por isso que precisamos separar
nossos desejos e intenções.

Também, devemos aprender sobre a vara de Aarão, a vara de Moisés e o que seu florescimento
significa dentro de nós - que no caminho abrimos o vaso da recepção para a luz superior e assim
avançamos.
De O Zohar: E Corá Tomou

“Corá foi por caminho de disputa, que é remover e repelir acima e abaixo. E aquele que deseja
repelir a correção do mundo está perdido de todos os mundos. Uma disputa é remover e repelir a
paz. E aquele que discorda com a paz discorda com Seu Sagrado Nome, uma vez que Seu Sagrado
Nome se chama Paz”. Zohar para Todos, Corá, item 5

Shalom (paz) refere-se a Shlemut (inteireza), um estado que alcançamos quando as linhas esquerda e
direita se complementam uma à outra. Nossa natureza e a natureza do Criador se igualam e
alcançam conexão e Dvekút (adesão). Este é o resultado desejável que produz paz, então nunca
seremos opostos, separados, ou distanciados, mas em vez disso tão conectados que será impossível
nos separar.

Nós devemos alcançar Dvekút com a Divindade, quando Ele e nós nos tornamos um. Por muito
irreal que possa parecer, essa é nossa meta e nós devemos avançar para ela. Quanto mais avançamos
nós mesmos, mais nos pouparemos de sofrimento.

Porque está o caminho espiritual preenchido de tantas dúvidas?


A razão porque estamos constantemente cheios de questões e incertezas é que devemos crescer e
nos desenvolver. Quando encontramos sérias dúvidas, podemos chegar a um estado onde pedimos
que o chão se “abra e nos engula inteiros”. Pode parecer que nós somos os operadores, mas na
realidade é o Criador quem opera. Nós só observamos os eventos a acontecer diante de nós, como
se um filme tocasse dentro de nós.

Gradualmente, desenvolvemos uma visão interna que detecta qualidades tais como Moisés, Aarão,
Corá, Dotã, Abirão, tribos, vara e a terra dentro de nós. Nós separamos estes elementos nas nossas
qualidades e vemos a situação como uma imagem dentro de nós. Isto ilumina como avançamos
enquanto examinando a rede de conexões entre os elementos.

Dentro dessa rede interna de qualidades - os 613 desejos egoístas que visam receber - direcionamos
nossos desejos para que eles trabalhem em prol de doar. Isto é chamado “observar as 613 Mitzvot
(mandamentos) ”. A luz que vem e corrige a intenção de receber para uma intenção de doar é
chamada “realizar um Mitzva (correção/boa ação) ”.

Enquanto realizamos as Mitzvot, descobrimos nosso mundo interno e nesse mundo vemos como
nos conectar aos outros. É assim que descobrimos nossas almas e aprendemos como as preencher.
Estes são escrutínios, lutas e conexões que devemos atravessar e os preenchimentos que recebemos.
É assim que descobrimos a obra do Criador. Esta é a verdadeira obra de Deus que realizamos.

Deste modo, chegamos a um estado onde compreendemos o propósito da Criação, a correção da


Criação e como a levar a cabo. No fim, chegamos a um estado onde compreendemos todas as coisas.
Isso é chamado “E todos eles Me conhecerão, do menor deles ao maior entre eles”. Obtemos um
Kli (vaso) completo que é chamado “uma casa”, “Pois Minha casa será chamada uma casa de orações
para todos os povos” (Isaías 56:7). Essa é a casa de todos os nossos desejos; todos eles lá estão e em
todos eles sentimos na realidade a Divindade na nossa alma inteira.
Termos

Presidente

Um “presidente” é a qualidade que presentemente controla todas as outras qualidades.

Inveja de Contadores

Este é o desejo de contar quanto ganhámos, quanto recebemos, quanto damos e quanto avançámos
na espiritualidade. Avançamos especificamente através de inveja; ela é uma boa inveja. Nossa inveja
do meio ambiente promove-nos para sermos mais espirituais.

Corá

“Corá” é a qualidade de receber que parece oposta (em contraste à) qualidade de Moisés. É através
desta disputa que avançamos.

Praga

Uma “praga” é um modo de correção. A correção separa e põe nossas intenções de receber em
ordem - ela corrige-as para estarem em prol de doar, seja no grau de Biná, ou no grau de Kéter.

Fogo dos Céus

“Fogo” é Gvurot que aparecem na linha esquerda, sem Chassadim. Podem haver Gvurot mitigados e
bons Gvurot. Essa é uma força corretora que vem da esquerda.

Sagrado

Este é o grau de Biná, doação.

Expiação
A luz que vem e nos dá a força para expiar pelas nossas iniquidades, as transformando de recepção
em doação. Todas nossas iniquidades, nosso ego, tudo o que estava em nós, agora se tornou doação.

Vara (bastão)
A “vara” é a linha do meio pela qual um alcança a meta. Se conectamos a ela adequadamente todas
as qualidades, todos os discernimentos, ela floresce.

Florescer
“Florescer” é a linha do meio que nos mostra que estamos a ser preenchidos de luz.

O Que É 'Paz, Paz, para Aquele Que Está Longe e Para Aquele Que Está Perto,' no trabalho?
“O que é uma disputa? Ela é remoção e rejeição de cima e de baixo ... remoção e rejeição da paz ...
a paz de cima - a linha do meio, que é chamada Torá, fazendo a paz entre a direita e esquerda - e de
abaixo, de Moisés.... Uma disputa é onde quer que hajam dois opostos .... Uma disputa é necessária
... pois é impossível corrigir coisa alguma a menos que se conheça o defeito. Deste modo, quando
conhecemos a disputa entre os desejos, podemos fazer a paz entre eles”.

Rav Baruch Ashlag, Os Escritos de Rabash, vol. 2, p 1361

Nós devemos respeitar as disputas, mas fazer delas construtivas, como está escrito, “Uma
contradição de anciãos edifica” (Talmude Babilônico, Nedarim, 40a), e com isso alcançamos a meta.
Hukat (O Estatuto)
(Números, 19:1-22:1)

Sumário da Porção

A porção, Hukat (O Estatuto), lida com a continuação da jornada de Israel, com o Mitzvá
(mandamento) da vaca vermelha (novilha), as leis da impureza dos mortos e o episódio conhecido
como Mei Merivá (águas de Meribá [Hebr.: discutir]). Neste episódio, os filhos de Israel queixam-
se da falta de água e o Criador ordena Moisés a falar para a rocha. Contudo, em vez de falar, ele
golpeia a rocha. Moisés e Arão são punidos por este ato ao serem banidos de entrar na terra de
Israel. O povo de Israel alcança a terra de Edom e o rei de Edom proíbe-os de passarem pelo seu
território.

Arão morre e Elazar, seu filho, sucede-o como alto sacerdote. O povo de Israel continua a queixar-
se das dificuldades no caminho e o Criador envia-lhes cobras para os morder. Moisés faz uma
cobra de cobre e mostra-a ao seu povo e qualquer um que veja a cobra de cobre é curado.

O povo de Israel alcança a fronteira da terra de Moabe e canta “o cântico do poço”. O povo
combate com Siom, Rei dos Amoritas e Ogue, Rei de Basã. Israel vence e conquista sua terra.

Comentário

Esta história detalha a principal correção nas correções das almas. Porque nossas almas são
inicialmente o desejo de receber e de desfrutar, em prol de as corrigir, devemos inverter a intenção
desse desejo para a doação. Devemos corrigir nossas almas para terem uma direção de doar, de amar
os outros, pela qual nos assemelharemos ao Criador. Isto dotará Dvekút (adesão) com o Criador, o
propósito da Criação, para todo e cada um da nação. É por isso que precisamos nos misturar e nos
tornarmos integrados com a força de doação, chamada Biná e com a força de recepção chama de
Malchut.

Conectar as duas forças - as duas Sefirot supracitadas - resulta em quatro opções: Malchut em
Malchut, Malchut em Biná, Biná em Biná e Biná em Malchut. Quando Biná está dentro de Malchut,
essa é a força má pois Malchut governa Biná e quando isso acontece, todas as forças do mal emergem.

Embora estas forças possam ocasionalmente parecer boas, elas aparecem somente para nos atrair e
atiçar, nos conduzindo para o mal. Essa é uma Klipá (casca/pele) especial, astuta e retorcida, que
está em Malchut. É assim que Malchut adquire Biná e a usa. É também o porquê de ter sido dito que
o mal pode existir no mundo somente se ele inicialmente aparecer como bem.

Inicialmente, as únicas forças que existem no Homem são inanimado, vegetativo e animado, ou
seja, Malchut no nível de inanimado, vegetativo e animado. Esta é uma vontade de receber direta.
Aqueles que possuem o poder de Biná dentro da vontade de receber tornam-se muito espertos e
muito retorcidos. Tais pessoas sabem como aparentar dar aos outros e os servir, embora na realidade
estejam a tirar dos outros e a usá-los tanto quanto possível. É assim que as forças negativas operam
quando a força de doação é “tomada em cativeiro” pela força de recepção.

Inversamente, quando elevamos Malchut a Biná e nos tornamos incluídos nela - quando
queremos permear Biná e estar lá como servos, como um embrião no ventre da sua mãe - Biná é
chamada “Ima (mãe) superior”. Nessa altura, queremos nos desenvolver somente pela integração,
ao sermos dominados pelo poder de doação sob a “proteção” do poder do Criador. Estas são boas
forças, que gradualmente pegam em pedaços do desejo egoísta e os corrigem.

A porção, Hukat, começa com a vaca vermelha, que corrige alguns dos desejos e corrompe outros.
É esse pêndulo entre Biná e Malchut que purifica o impuro e corrompe o puro. Esse tópico é
escrutinado por toda a porção em diferentes níveis, tal como as cinzas da vaca, o poço e o fosso.

O fosso é seco, absorvendo todas as coisas, mas permanecendo completamente vazio. Por outro
lado, um poço está cheio de água. Isto compara-se a Biná em Malchut e Malchut em Biná. Se o poço
está vazio, ele é Malchut. Se há água no poço, esse é o tipo certo de integração. E quando Malchut
ascende a Biná, a deficiência de Malchut sobe a Biná, aos céus e traz água dos céus, que é a chuva.

Posteriormente, a serpente é mencionada. A serpente não é simplesmente a vontade de receber; ela


é uma pessoa em quem há integração de Biná, oposta à qual há a serpente de cobre.

Na história das águas da disputa (Meribá), há a rocha, o solo. Se estamos integrados em Malchut e
falamos com ela no nível do deserto (o nível de Biná), suscitamos água dela. Inversamente, aqueles
que golpeiam a rocha suscitam águas da disputa. Esta água é chamada ”águas de Gvurot”, que é
dominada por Malchut. Furacões, dilúvios e tsunamis compartilham a mesma raiz que as forças
dominadas por Malchut.

Perguntas e Respostas

Qual é o sentido da vaca vermelha?

A palavra, Adumá (“vermelha”) vem da palavra, Edom, ou seja, conectada à Adamá (terra). A vaca
simboliza o poder de Biná, dando leite, que é um dos símbolos do festival de Shavuot no qual
comemos lacticínios. Ela é um símbolo do poder de dar.

Contudo, quando conectada a Malchut, que é Edom, ela tem os poderes de se misturar com Malchut
oposta ao poder de Biná. Quando a força de doação e a força de recepção - Biná e Malchut, estão
juntas, tudo depende do indivíduo. Se desejamos ser corrigidos, alcançar a doação, combinar estas
forças em uma combinação conhecida como “vaca vermelha” permite-nos suscitar a força da doação
e nos tornarmos purificados.

Inversamente, se somos puros, a mistura de Biná e Malchut tem o efeito oposto. Nós precisamos
entender que esta forma oposta é somente nossa descoberta que estamos em um bom grau. Isto é,
nós descobrimos um desejo adicional com o qual não podemos trabalhar.
Qual é o sentido dos atos de purificação?

Estes são rituais, uma espécie de idolatria. Não é assim tão simples achar uma vaca vermelha, a
queimar e então lidar com suas cinzas. A vaca vermelha não existe no nosso mundo, mas ainda
procuramos.

Diz-se no passado, que realmente havia uma vaca vermelha no tempo do Templo, quando a nação
inteira estava em um grau espiritual usando a sabedoria da Cabala. Está escrito, “Eles verificaram
de Dan a Beer Sheva e nenhum ignorante (pessoa por corrigir) foi achada de Gevat a Antipris e
nenhum menino ou menina, homem ou mulher foi encontrado que não fosse cuidadosamente
versado nas leis da pureza e impureza (correções de acordo com a lei de Moisés) ”. *

Isto é, as leis de impureza e pureza (Tuma’á e Tahará, respectivamente) explicam precisamente o que
significa trabalhar em prol de receber e o que significa trabalhar em prol de doar, com todos os
desejos, todos os problemas e todas as comunicações com todos e com a Divindade.

No passado, a maioria das pessoas alcançavam realização completa com exceção de alguns poucos,
como sabemos da história sobre as disputas que tomaram lugar tão longe no tempo como o Primeiro
Templo. Aqueles que alcançaram um grau espiritual conheciam as leis de impureza e pureza: eles
estavam no nível de conexão de Biná e Malchut, um nível conhecido como a “vaca vermelha
(novilho) ”.

A Torá detalha uma ordem de correção e instruções de como corrigir a alma. Estas pessoas viviam
por ela e corrigiram-se a si mesmas do estado do “Egito” para o estado de “recepção da Torá”,
avançando pelo “deserto” e para a “terra de Israel”, nomes que representam graus espirituais.

Se Edom é Biná, porque o rei de Edom não deixou Israel passar?

A vaca vermelha é Biná. A terra de Edom é a conexão entre Biná e Malchut, como deve ser de acordo
com os graus. O rei de Edom é um desejo que se senta dentro de nós. Embora o povo de Israel
desejasse atravessar a terra de Edom, eles primeiro deveriam entrar pela Klipá (casca/pele) que está
em Edom, o rei de Edom. Eles devem atravessar a mistura de Malchut e Biná no grau de Edom. Essa
Klipá não os deixa passar. A passagem depende da correção - ora eles dão a volta a Edom, ou eles
lutam e a atravessam.

É esse um desejo com o qual não conseguimos trabalhar?

Ele é o nosso próprio desejo. O Rei de Edom reside dentro de nós.

Moisés, o maior dos profetas, conduz a nação. Ele é a qualidade mais sublime do homem e parece
que ele não faz aquilo que o Criador lhe mandou fazer.

De fato, não é que ele desobedeça ao Criador. Em vez disso, há a nação, ou seja, desejos individuais,
há Moisés e há uma possibilidade de absorver “águas de Biná” ao elevar Malchut (a vontade de
receber) para Biná. Dado o estado do povo nessa altura, Moisés não conseguiu reunir a força para
atrair todos os seus desejos, que são chamados “povo” ou “nação”, para o nível de Biná. Assim, em
vez de subir um grau e falar e agir lá, ele atua no grau de realizar ações. Esta foi sua transgressão.

Porque parece que ele foi punido?


Todas as punições na Torá são correções. Embora seja claro que um deva alcançar o nível de falante
- um nível de conexão entre Malchut e Biná que é mais simples, curto e mais correto - nós não
conseguimos achar outra maneira de correção, mas realizá-la de fato. Isso é similar a Moisés usar
seu bastão.
Isso é como uma experiência, onde nos são dadas ferramentas para levar a cabo a tarefa, todavia
devemos falhar?

Certamente nós temos de falhar. Embora pareça que somos punidos nas nossas correções, na
verdade, não há punições.

Mas quando Moisés desejou entrar na terra de Israel, ele foi recusado.

É claro que ele foi recusado. A terra de Israel não é o grau de Moisés. Moisés é “o fiel pastor”, cujo
mais alto grau é Biná. Deve haver uma melhoria aqui, que deve ser realizada pelos seus seguidores,
aqueles que não são da geração do deserto, tais como Yeoshua.

De O Zohar: Eles Viajaram de Montanha para Montanha

“E Israel viajaram ... e eles foram atrás da serpente inclinada que governava na terra de Edom”. Zohar
para Todos, Zohar Chadásh, Hukat (O Estatuto), item 3
“Inclinada” significa que ela continuamente se torce e caminha à frente de uma pessoa, então é
impossível discernir o que é bom e o que é mau nela.

Eles pareciam se ter “desviado” da montanha. Na verdade, eles não conseguiam subir a montanha
devido aos pensamentos durante o caminho, as dúvidas na fé e na realização da doação mútua e
unidade. E porque eles foram incapazes de alcançar, eles “deram a volta” a essa situação. Por um
lado, não é o caminho certo. Por outro lado, se eles não tivessem circulado a montanha, não
conseguem avançar acima dela. Por agora, este é o caminho - pelo endurecimento do coração. A
correção é sempre feita sobre um desejo egoísta com o qual é muito difícil de lidar, mas após o qual
um obtém abundância.

De O Zohar: Eles Viajaram de Montanha para Montanha


“Eles se queixavam de tudo - da Torá oral, da Torá escrita ... pois não há pão, Torá oral, nem água,
Torá escrita e as palavras da Torá oral eram triviais aos seus olhos”. Zohar para Todos, Zohar Chadásh,
Hukat (O Estatuto), item 3
“Triviais” significa que a Torá oral não era muito importante. Este era o problema, dado que a Torá
oral chega até nós do alto, do grau de Zeir Anpin, enquanto a Torá escrita está em Malchut. Isto
cria uma desconexão entre Zeir Anpin e Biná para a recepção, para receber a qualidade de doação.
Também, está claro que eles não tinham a força e deste modo deram a volta ao Monte Horebe.

A respeito das serpentes, conhecemos a história da serpente e de Adão e a história de O Livro do


Zohar sobre a serpente que morde o veado e se retira. Contudo, a porção diante de nós apresenta
outro aspecto: uma serpente de cobre que cura qualquer um que a veja.

Nós curamos os defeitos em nós, nossos egos, de acordo com o modo como nos conectamos à
serpente, pelo modo como olhamos para ela e retiramos dela a força que queremos. Esta é a vontade
de receber que podemos extrair para nossos Kelim (vasos) e o desejo de doar para nossas intenções,
pelo qual somos corrigidos.

Nosso avanço é de acordo com nossos egos, através de formas de serpentes - uma serpente inclinada
ou uma serpente de cobre - que transformam todos esses desejos que presentemente se escondem
dentro de nós e que são inicialmente cruéis e astutos, em prol de receber - da primeira serpente de
Adão - em desejos com a direção de doar.

Agora, como então, não há nada pior que a cobra, o veneno, a força destrutiva. Devemos
transformar o poder da serpente em uma força curativa, tal como no símbolo da medicina, porque
curativo vem do mesmo lugar. É tudo uma questão de abordagem: se soubermos como usar essa
força corretamente, ela é uma força curativa; se não soubermos como a usar corretamente, ela é
uma poção da morte.

É a serpente um mensageiro do Criador?


A serpente é nossa vontade de receber que vem do Criador. A Torá, que é chamada “a poção da
vida” e “a poção da morte”, também vem do Criador. Nos nossos desejos, intenções, todas as coisas
e em detalhe, há o bem assim como o mal e nós podemos usá-los para o melhor ou para o pior.

Está escrito que todos amavam Arão até mais do que amavam Moisés. O que é a qualidade de
Arão dentro de nós e o que significa que algo morre?
Os sacerdotes estão no grau da ação; eles são o poder dentro de nós que na realidade executa as
correções. Moisés é a única força que se conecta ao superior, ao próximo grau, à Divindade,
enquanto Arão prepara as ações e as leva a cabo. É por isso que o seu trabalho inteiro é o Templo.

Então e seu filho, que foi nomeado depois dele? É este trabalho hereditário?

Há dois graus, tal como no nosso mundo há um costume que o filho herda tudo do pai. Assim é
na realeza, até na biologia, nos genes.

Parece que a história se repete a si mesma: há uma vontade de receber que precisa correção e precisa
receber a luz e se transformar da recepção na doação. Por que então há todas estas subtis diferenças,
como se cada porção fosse uma história diferente por completo?

Certamente, a única coisa que foi criada é a vontade de receber. Esse desejo é usado de forma
egoísta e a Torá descreve seu processo de correção. A vontade de receber contém 613 “sub-desejos”,
todos os quais devem ser alterados de serem usados de forma egoísta para serem usados de forma
altruísta - pelo bem dos outros, pelo amor pelos outros. Isto é chamado “observar 613 Mitzvot
(mandamentos) ”. A Torá inteira consiste de instruções pelas quais podemos receber luz nestes
desejos corrigidos, uma luz chamada “Torá”, ou “a revelação da Divindade”.

Deste modo, estas não são subtis diferenças, mas graus consecutivos que aparecem um de cada vez
de um modo de causa e consequência. Em cada fase, corrigimos todos os 613 desejos de “No
princípio” até a “Aos olhos de toda Israel”, as palavras finais do Pentateuco. Somente então o
concretizamos e nos tornamos na realidade Israel - Yashar El (direito a Deus).

Termos

Mákom (lugar)
Um “lugar” é um desejo. Cada desejo é um lugar no qual algo aparece, seja bom ou mau.

Pureza

Este é o poder da doação.

Impureza
Este é o poder da recepção.

Morte
“Morte” é a incapacidade de trabalhar em prol de doar.

Água

“Água” é uma força que reanima a vontade de receber e transforma sua intenção da recepção para
a doação.

Uma Rocha

Uma “rocha” é uma vontade de receber que precisa ser corrigida para que possa ser usada em prol
de doar, ou seja que um pode usar a água que sai dela no ato da doação. Há dois modos de ação
para realizar um ato de doação: 1) golpear a rocha, que são águas de Méribá (disputa) ou águas de
Gvurot, 2) falante, que são águas de Chassadim (misericórdia), águas de doação, a água da vida.

Uma Fronteira

Uma “fronteira” é um lugar onde um deve parar a sua ação de doação por falta de força para a
direcionar em prol de doar. Ele é um ponto onde um se deve restringir a si mesmo e se refrear de
usar mais o seu desejo.

Uma Serpente

A vontade de receber egoísta que destrói uma pessoa e a consome é a “serpente”. A serpente existe
no núcleo da vontade de receber existente em cada pessoa.

Curativo
“Curativo” é uma correção. Se usarmos a mesma serpente corretamente, em favor das vidas das
pessoas, ela torna-se uma boa força. Está escrito, “Eu criei a inclinação ao mal, Eu criei para ela a
Torá como tempero”, pois “a luz nela o reforma”, ou seja reforma a serpente. Isto é, a inclinação ao
mal torna-se uma boa inclinação.

Herança

“Herança” é aquilo que recebemos de um grau superior, do pai ou do avô. Na espiritualidade,


também, há graus. Nós recebemos força de um grau superior, uma força que nos deixa ascender;
isso é chamado “herança”.

Este é o Estatuto da Lei

“As criaturas foram criadas com a natureza de serem receptoras ... Uma vez que é impossível ir
contra a Natureza, Ele nos deu o conselho que através da Torá e Mitzvot seremos capazes de
transformar a natureza dentro de nós”. ** É por isso que as leis da Torá são consideradas leis
somente quando a inclinação ao mal questiona ... e então um precisa assumir sobre si mesmo tudo
como um estatuto, que é Chassadim, doação, onde tudo é somente acima da razão, que é chamado
“fé”.

* Rav Baruch Ashlag, Os Escritos do Rabash, vol. 3, “Este É o Estatuto da Lei, nº 2” p 1825.

** Talmude Babilônico, Maséchet Sanhedrin, p 94b.


Balaque
(Números, 22:2-25:9)

Sumário da Porção

A porção, Balaque, começa com o povo de Israel conquistar a terra dos Amoritas. Balaque, rei
de Moabe, entende que os filhos de Israel se aproximam dele e prepara a face da nação que saiu
do Egito. Ele envia mensageiros a Balaão, filho de Beór, que ficou famoso pela sua grande
sabedoria e poder de suas maldições - e pede-lhe que amaldiçoe o povo de Israel.

Balaão parte para a terra de Moabe, tendo aceitado a dura estipulação de dizer somente aquilo
que o Criador permitir. No caminho sua égua para. Balaão bate-lhe, mas a égua não se move.
Balaão não consegue ver o anjo que impede a égua. A égua abre sua boca e fala para ele e em vez
de amaldiçoar Israel, Balaão abençoa-os.

Balaque fica furioso com Balaão. Como compensação, Balaão revela que Israel têm um ponto
fraco: as filhas de Moabe. Balaque envia as filhas de Moabe e o povo de Israel fornica com elas
tanto que até Zimri, filho de Salu, um dos presidentes da tribo de Simeão, leva uma mulher
Midianita.

Esta situação deixa Pinehás, filho de Elazar, sem escolha. Ele leva uma lança e trespassa Zimri e
a mulher até à morte, assim impedindo a praga que se espalhou na nação colhendo vinte e quatro
mil vidas.

Comentário

Esta história não acontece no nível corpóreo. Não se trata de um processo que se revela entre duas
nações, mas em vez disso um processo de correção interna que uma experiência. A própria história
nos mostra como corrigir a inclinação ao mal. Não é um conto sobre crianças ou adultos, nem é
uma história sobre nações, países, guerras, prostitutas ou éguas. Tudo o que descreve é a correção
da inclinação ao mal. Essa é a única coisa que a Torá (Pentateuco) descreve desde o princípio, desde
Adão, que começou a correção, até ao fim.

O texto fala daquele que atravessou este caminho como Adam HaRishon (Adão), como Abraão e
como Moisés e que atravessou o processo inteiro do Egito e do deserto. Durante a gradual correção
do desejo, um gradualmente se aproxima da terra de Israel até que ele seja enfrentado com a
“conquista” da terra.

O “deserto” é um desejo que ainda não conseguimos usar corretamente e deste modo não
conseguimos ver os frutos de nosso trabalho com ele. Estas correções precedem a aquelas
conhecidas como a “terra de Israel”.

Os espiões descobriram que a terra de Israel era um desejo que, se inteiramente direcionado para
o Criador, produzia um belo fruto (Israel significa Yashar El [direito a Deus]). Aqueles que se
aproximam dessa correção inicialmente adquirem a terra dos Amoritas, então a terra de Moabe,
que é um grau mais alto. O desejo egoísta do Homem, conhecido como “o rei de Moabe”, Balaque,
começa aparentemente a se revoltar contra ele porque ele não quis as correções.

Todos os nossos desejos são inicialmente inclinações do mal, como está escrito, “Eu criei a
inclinação ao mal” É por isso que o desejo chamado Balaque procura um modo de resistir. Essa é
resistência para aquele que tenta corrigir um desejo de cada vez, grau a grau, até que todos os desejos
sejam Yashar El, direito ao Criador, direcionados para doar sobre o Criador.

O desejo chamado “Balaque” não consegue fazer coisa alguma sozinho. Um desejo é simplesmente
isso - um desejo desprovido de qualquer força. O poder encontra-se na intenção que direciona o
desejo e trabalha com ele. O desejo é chamado “Balaque” e a intenção é chamada “Balaão”. A
intenção de trabalhar em doação em prol de receber é chamada uma “maldição”. Desta maneira, a
inclinação ao mal opera na sua mais completa forma.

É por isso que Balaque convida Balaão e lhe diz, “Vinde, vamos trabalhar juntos”. Entretanto, um
conflito irrompe entre a substância (égua) e o anjo (humano) que caminha direito para o Criador e
se direcionando a si mesmo para o sucesso. Por outro lado, dentro do homem está o próximo grau,
Moabe, a vontade de receber em Moabe, que é Balaque. Por outro lado, uma pessoa pretende
controlar o desejo em prol de receber, que é Balaão, que é recompensado com o verdadeiro
benefício egoísta disso.

A substância interna nesse grau, a égua, não pode avançar pois ela detecta a resistência, o anjo que
se encontra diante dela não deixando a substância avançar, que é ajuda do alto. Contudo, o homem
não o consegue detectar pois ele está no grau de Balaque e Balaão. Em outras palavras, não
conseguimos avançar em intenção, mas a inclinação ao mal não nos pode falhar mais com a
intenção pois o grau anterior, o Amorita, já foi corrigido e não há razão pela qual caiamos agora.

Nós estamos em uma posição na qual não cometemos erros nas nossas intenções ou desejos. O
povo de Israel se encontrou diante do próximo grau, mas não conseguiu avançar mais. Por um lado,
eles foram bloqueados por Balaão e Balaque. Por outro lado, não havia outro modo de avançar.

Depois da sua bênção, Balaão não deixou Israel avançar pois a bênção não tinha nada no qual se
apoiar. A bênção deve “montar” sobre a vontade de receber do próximo grau de modo a que o
avanço ocorra. “Eu criei a inclinação ao mal; Eu criei para ela a Torá como tempero”, porque “a luz
nela o reforma”. É assim que avançamos com um desejo maior, um desejo que é corrigido em prol
de doar e continuamos grau a grau.

É por isso que não há nada que possamos fazer no próximo grau. Nós avançamos ao falhar, mas
esse falhanço não é devido a nossa intenção corrompida. Em vez disso, isso é devido à aumentada
vontade de receber na linha esquerda.

É por isso que Balaão aconselha Balaque a fazer o povo falhar ao aumentar a inclinação ao mal, as
“mulheres” neles. As carências começam o endurecimento dos corações dos filhos de Israel com
um desejo que é mais egoísta, mais centrado em si mesmo. Este desejo chama-se uma “mulher
fornicadora”. Uma mulher tem duas “direções”: ora justa ou uma prostituta, ou seja, em prol de
doar ou em prol de receber. É por isso que é possível fazer uma pessoa tropeçar e cair porque na
verdade, é impossível avançar sem falhar.

A Torá conta-nos sobre os graus que devemos experimentar. Todas as ações e nomes na Torá são
sagrados. Quando beijamos uma palavra em um livro da Torá durante um serviço, não prestamos
atenção à palavra que beijamos. Pode muito bem ser Balaque ou Balaão, todavia beijamos-a e
fazemos a bênção da Torá.
As fases do progresso todas se direcionam para nossa correção. Contudo, há degraus no caminho
chamados Balaão, Balaque, países, Midianitas, suas esposas e alcançamos um estado onde os
corrigimos.

Quando matamos os desejos de receber com a intenção de receber, na realidade matamos a


intenção. Juntamente com esses desejos, devemos matar a conexão entre Israel e Midiã, que é um
grau de vinte e quatro mil, doze e doze, correspondendo às tribos, em Luz Direta e Luz Refletida.
O “milhar” é a altura do alto grau das doze - doze no nível de Zeir Anpin. Quando se elevando ao
alto grau de Arich Anpin, isso é chamado “um milhar”.

Perguntas e Respostas
Qual é a diferença entre uma bênção e uma maldição?

Uma “bênção” é um ato que uma pessoa pode fazer, um ato que vise doar. Uma “maldição”,
contudo, é um ato em prol de receber. Devemos tomar nota que um ato em prol de receber é
necessário pois sem ele, nunca descobriríamos a inclinação ao mal. Em cada grau, há um processo
de divulgar o mal e o corrigir através da Torá. É assim que somos reformados e nos elevamos ao
próximo grau, como está escrito, “Eu criei a inclinação ao mal, Eu criei para ela a Torá como
tempero”.

Assim que estamos no grau, o “ritual” da a esquerda - direita - meio se repete a si mesmo, ou seja,
uma maldição onde se é corrigido e ascende. Correção é impossível sem maldições, sem a inclinação
ao mal. Sem o Inferno, é impossível subir ao grau de Céus.

Quem é Pinehás, Filho de Elazar o Sacerdote, o poder da luz?

Pinehás, filho de Elazar, é o mais alto grau que aparece. A luz é o que faz a correção usando o Kli
(vaso). Tudo acontece nos Kelim (plural de Kli). Até quando falamos de “luzes”, na realidade
referimo-nos a uma impressão dos Kelim, uma impressão à qual chamamos “luz”.

Similarmente, não conseguimos sentir a eletricidade que corre por uma lâmpada, mas
experimentamos sua manifestação. Em outras palavras, podemos somente sentir manifestações, não
as forças em si mesmas. As forças devem se “exprimir a si mesmas” através de uma substância.

No nosso caso, Pinehás, filho de Elazar, era dos sacerdotes dos quais temos todas as correções.

Pode uma pessoa amaldiçoar outra pessoa, lançar um mau olhado sobre outra?

Se falamos do nosso mundo, independentemente desta porção da Torá, então, é claro. Todos
nossos desejos têm um impacto, até os menores. As pessoas estão conectadas; nossos pensamentos
estão conectados. Nós vivemos em uma rede global e integralmente conectada.

Nós podemos provar como fato de que há instâncias em que as pessoas pensam em alguma coisa
em uma extremidade do mundo e as pessoas na outra extremidade pensam na mesma coisa ao
mesmo tempo. Foi dito que este conceito também foi comprovado nos macacos. No livro, O
Centésimo Macaco, é relatado um estudo de macacos em uma ilha perto do Japão em 1952. Os
cientistas observaram que alguns dos macacos aprenderam a lavar batatas doces, um
comportamento que se espalhou pelo bando.
Assim que se espalhou entre um número crítico de macacos - o chamado centésimo macaco - este
comportamento espalhou-se instantaneamente para macacos em ilhas próximas.

De O Zohar: Não Temas, Meu Servo Jacó

“Esse ímpio, Balaque, era sábio em todos os graus do alto, em todos esses laços pelos quais realizar
bruxaria e magia, em todos esses graus no alto pelos quais eles forçariam os graus inferiores.
...Balaque e Balaão disse para ele, 'Durante todo esse tempo, nós bruxos, magos e adivinhos temos
certos graus e certos anjos que são conhecidos aos bruxos e magos. Mas doravante, vós deveis olhar
para outro lugar, mais alto.'“ Zohar para Todos, Zohar Chadásh, Balaque, itens 60-61

Uma pessoa sabe somente do seu próprio grau, que é o grau de Balaque. Aqui Balaque governa
sobre o pedaço chamado “Moabe”. A vontade de receber em prol de receber que opera em uma
pessoa de um grau para o próximo, com a meta de receber, ela é chamada “Moabe”.

Uma pessoa sabe da limitação, que há outro, lugar mais alto?

Sim, é por isso que precisamos atrair uma força maior e não deixar a correção acontecer.

Seremos capazes de ver Moabe enquanto avançamos nos nossos estudos e os escrutinamos por
dentro?
Até sem ler a porção semanal da Torá, descobriríamos a Torá dentro de nós. A Torá sai da vontade
de receber que é gradualmente corrigida.

Quando uma pessoa descobre a porção Balaque no interior, também se descobre a égua falante?
Ele ou ela falará tal como está escrito na Torá e ao mesmo tempo conhecerá os detalhes no seu
verdadeiro sentido.

O que significa que a égua fala em uma pessoa?

Ela é a vontade de receber. A égua é a fêmea do burro. Isto é, a partir das dez Sefirot de Malchut,
nove são o burro e a décima é a égua.

É especificamente a vontade de receber que sente o anjo?


Sim.

É a vontade de receber incapaz de ver? Ela é cega?

É especialmente a vontade de receber que realizará a ação, que sentirá - seja em prol de receber ou
em prol de doar. É lá que todas as operações das forças tomam lugar. É por isso que todas as forças
da correção ou corrupção se direcionam para ela.

É por isso que foi dito que o Messias virá montado em um burro branco?
Um “burro branco” significa que uma pessoa precisa tornar o burro branco. Somente então ela o
sentirá.

O que significa o branquear?


Isso significa que uma pessoa “branqueia” completamente a substância, a tornando inteiramente
em prol de doar, que é chamado “branco”.
Há um processo estranho a acontecer aqui. Balaão, é a vontade de receber em prol de receber, ou
até a vontade de doar em prol de receber. Balaão atravessa um processo: no princípio ele quer
amaldiçoar, mas então ele jura que somente agirá pela ordem do Criador e finalmente ele abençoa.
Balaão actua com a intenção de doar.

Ele foi corrigido?

Não, ele não o consegue fazer no próximo grau. De fato, Balaão não realiza ações aqui; nem
Balaque, ou o Criador. Somente Israel atua. Isto é, se nós queremos subir ao próximo grau, a bênção
está diante de nós e podemos avançar, só que não temos a força.

Nós precisamos descobrir que não podemos avançar usando Balaão, Balaque, o Criador, a égua, ou
qualquer outro factor até que nos encontremos atónitos, não sabendo como avançar no próximo
grau, ou como adquirir este desejo chamado “Moabe”. Os filhos de Israel devem conquistar Moabe,
algo precisa aparecer e só aparece ao conectar com as mulheres de Moabe.

Nós precisamos levar as fêmeas de lá, as carências desse grau. Quando pegando nessas carências, há
bastante substância para avançar. Assim que nos conectamos a toda a substância, uma correção
aparece que é conhecida como “a matança da intenção de receber”. Nós corrigimos a vontade de
receber ao direcionar doar. Este ato é chamado “a conquista de Moabe”.

Há um elemento sexual aqui. Por um lado, o desejo sexual é muito natural, mas por outro lado,
parece um mau exemplo pois eles levaram mulheres Midianitas.

Não lidamos com moral aqui ou com ética. No nosso mundo, a sexualidade é animalesca, ou seja,
ela existe nos animais.

Mas nesta porção, a sexualidade é apresentada como uma obstrução, com o presidente trazendo
uma mulher Midianita para a tenda.

Verdade, isso parece negativo. Contudo, todas as medidas aqui discutidas são passos necessários no
caminho. Não podemos ter sucesso sem eles. Está escrito, “Não há um homem justo na terra que
faça o bem e não peque”. Isto é, que devemos atravessar o pecado; nós não temos escolha, até se
não o quisermos.

A ordem dos graus é tal que uma pessoa falha e então se levanta. Mas a queda não é da nossa
própria vontade, embora ela seja como um constrói a ascensão.

Deste modo, Israel não procuraram se misturar com os Midianitas; eles simplesmente não tiveram
escolha pois um se deve misturar com todas as fêmeas no próximo grau. Se “misturar” significa estar
no grau da fêmea, Malchut do próximo grau, a mulher fornicadora, inteiramente imersa na sua
intenção de receber, e subsequentemente a corrigir.

Quando subindo de um grau para o próximo, precisamos desesperar aparentemente, então pedir
ajuda. Claramente, há uma força que se abra diante de nós e ajude, mas o esquecemos de um grau
para o outro.

Porque nos esquecemos disso? Porque parece se tornar mais difícil? Afinal, se apanhámos a ideia
uma vez, devia ser mais fácil. A questão é que a obtemos no pecado anterior que corrigimos. No
presente pecado, nada percebemos. Tudo o que tivemos está no passado e é como
se tivéssemos esquecido tudo pois nos elevamos de baixo para cima. Não é que realmente nos
tenhamos esquecido, mas os velhos caminhos simplesmente não funcionam no novo grau.
Na correção da “matança do Midianita”, o presidente da tribo de Simeão é morto, também.
Porque é isto assim? Afinal, ele era parte de Israel e era suposto ser corrigido?

Ele pertence ao grau anterior.

Então ele não conseguiu lidar com o novo grau?


Ele não conseguiu lidar com ele pois ele se conectou a ela e ambos estão na intenção de receber.
Ambos precisam de se corrigir. Não é somente a inclinação ao mal que é corrigida; é também a
força que desce para a inclinação ao male se conecta com ela. Ambas sobem juntas.

Aquele que desce, desce inteiramente para a intenção de receber, até à Klipá (casca/pele) com todo
o sucesso anterior. Posteriormente, a luz toma efeito e salva ambos. Isto é considerado que no
caminho ela “mata” os pois eles visam receber.

Termos
Rei
A força que governa um grau é um “rei”.

Mensageiros
As forças pelas quais ações são realizadas em um certo grau, um certo estado de uma pessoa. O
estado de uma pessoa é chamado um “grau”. Aquele que governa cada grau é chamado o “rei do
grau”, que é vulgarmente a Sefirá (singular de Sefirot) a que chamamos Kéter (coroa). Os mensageiros
são forças que atuam dentro desse grau. Ao todo, são as oito Sefirot de Chochmá a Yessód.

Maldição
A força egoísta que trabalha em prol de receber, que nos governa e pela qual atua como uma
maldição.

Égua
A égua é nossa substância, a fêmea do burro. Ela é a própria vontade de receber que sente e distingue
entre as forças dentro de nós.

Anjo

Um anjo é a força que atua em um grau e é direcionada pelo governante, a Kéter, o rei.

Estrada Bloqueada

Esse é o caminho pelo qual um vai corrigir a sua vontade de receber, com a intenção de alcançar o
próximo grau, maior Dvekút (adesão), maior clareza de visão na espiritualidade, mas que ele não
consegue alcançar. Isto é, desta maneira, é impossível avançar. Um descobre que para alcançar o
próximo grau, uma nova substância é necessária.

Se Desviar do Caminho

“Desvio” acontece quando avançamos no caminho para a doação quando subitamente algo corre
mal e descobrimos que nos desviámos do caminho. Contudo, esta descoberta é já uma correção em
si mesma.
Como a descoberta do desvio é uma correção?

Ao descobrir o desvio, sabemos como continuar. Nosso esforço para a meta é como
um míssil guiado. O míssil deve constantemente detectar seus desvios e os corrigir. Se ele
se movimentar em uma linha direta, ele não consegue acertar no seu alvo. É o mesmo conosco: não
podemos mover-nos em uma linha direta para nossa meta. Em vez disso, devemos examinar
constantemente nossos desvios, pois somente através deles avançamos para a meta.

Voto

Um “voto” é quando a vontade de receber, Malchut, se conecta a Kéter em um único eixo e está
pronta para seguir a vontade de Kéter acima da razão.

De O Zohar: O Criador Brinca com os Justos no Jardim do Éden

“Assim que o Criador cheirou e brincou com eles e com todos os segredos da sabedoria, Ele aparece
diante deles e eles veem a agradabilidade do Criador. Então todos eles jubilam em grande alegria
até que sua claridade e luz se espalhem. Desse espalhar, sua claridade e luz de sua alegria dão frutos
e rebentos no mundo, que são as almas e esses frutos vêm debaixo das asas da Divindade até ao
tempo adequado”. Zohar para Todos, Zohar Chadásh, Balaque, item 6

Nós somos as almas quebradas nos mundos de Briá, Yetzirá e Assiá neste mundo. Nós devemos subir
ao estado de Malchut de Atzilut, a essa Divindade - essa correção, ao conectarmos nossas almas em
unidade, em garantia mútua. No caminho, nós conquistaremos o Deserto Sinai e a Terra de Israel.
Pinehás
(Números, 25:10-30:1)

Sumário da Porção

No princípio da porção, o Criador agradece a Pinehás por impedir a praga e dá uma “aliança da
paz” e uma “aliança de sacerdócio interminável” a ele e aos seus descendentes. Entretanto, os
filhos de Israel se preparam para combater com os Midianitas.

Seguindo as instruções do Criador, Moshé (Moisés) divide a terra em lotes, depois de sondagens
feitas ao povo pelas tribos e pelas famílias. Na conclusão das sondagens, as filhas de Zelofeade, da
tribo de Menashê, se queixam a Moisés que seu pai morreu e enquanto mulheres elas não
receberam seu lote. Moisés levou a questão ao Criador e o Criador estipula que para fazer justiça,
às filhas de Zelofeade será dado um lote na terra, que será chamado segundo seu pai.

O Criador ordena a Moisés que suba a Montanha de Avarim para ver a terra de Israel, na qual
Moisés não entrará e nomear Yeoshua (Josué), filho de Nun, como seu sucessor.

No fim da porção, há uma descrição detalhada das oferendas que precisaram de ser sacrificadas
cada dia e em diferentes ocasiões durante o ano.

Comentário

De acordo com O Livro do Zohar, a porção, Pinehás, é profunda e evoca muitas questões. A história
fala de pessoas tais como Pinehás, que são aparentemente maiores que Moisés. O Criador abençoa
e louva-o, dizendo que ele é tão grande como Yeoshua, que ele substitui Moisés, que desce do palco
central. Há também o problema dos direitos das mulheres, algumas das quais podem ser vistas como
homens, recebendo um lote.

Como sabemos, a Torá não fala de eventos corpóreos ou de corpos físicos, mas de almas. As almas
são o que é importante, a parte eterna em cada um de nós. É por isso que precisamos entender que
o texto descreve o “humano dentro de nós”, que deve experimentar todas as porções da Torá no
decorrer do nosso desenvolvimento espiritual.

Esta porção fala de um ponto muito especial que desperta em nós, um desejo especial chamado
“Pinehás”. Somente este ponto, este desejo, alcança a “aliança da paz” - paz e inteireza com o
Criador. O desejo conhecido como “Pinehás” une-se em Dvekút (adesão) com o Criador, em uma
aliança de completa e eterna conexão que dura para sempre e não esvaece. Esta é a primeira das
fases da correção e conexão que a alma atravessa. Nessa correção, ela torna-se anexa ao mais alto
grau na sua correção e desenvolvimento.
A segunda fase vem depois de todos os sucessos dos filhos de Israel. Agora, todas as forças dentro
de nós são chamadas “Israel”, Yashar El (direito a Deus), tendo recebido as anteriores correções.
Começamos com uma vontade de receber egoísta que saiu do Egito na sua totalidade. Nessa fase,
dificilmente escapámos aos nossos egos e queremos evitar usar essas qualidades. Nessa fase nada
temos. É como se nos encontrássemos no deserto sem nada para comer.

“Comer” é uma realização da espiritualidade que preenche a alma até que ela seja completamente
saciada com Divindade, com a revelação do Criador. “Retornai, Ó Israel, ao Senhor vosso Deus”,
conscientemente, com entendimento, preenchimento e uma sensação da realização do Criador.
Estas são as fases da correção da alma, desde a entrada no deserto durante as guerras, e até a esse
ponto, Midiã.

Assim que temos posse em um grau elevado, uma parte da alma comum, então todos somos partes
de uma única alma, “como um homem com um coração”. Todos estamos em garantia mútua, nessa
aliança que concordámos pela primeira vez em que recebemos a Torá.

Os filhos de Israel constantemente fortalecem a aliança. Cada dia, passamos pelo “deserto” nas
nossas vidas vazias, não sabendo o que fazer, imersos em lutas e correções. Cada transgressão e erro
que os filhos de Israel cometem é porque a inclinação ao mal está a vir à superfície. Contudo, ela é
uma descida em prol de ascender.

Nós descobrimos que estamos quebrados e não podemos doar, então clamamos e exigimos a luz
que reforma. A luz, ou seja, o Criador, vem e corrige e guia-nos a como agir contra a vontade de
receber. Isto é chamado “punir o ego”, para que o Homem em nós ascenda.

Este é o processo pelo qual passamos. Essa é uma fase de profundos discernimentos egoístas em nós
que podemos corrigir. Estes discernimentos são chamados “Midiã”.

É assim que Moisés - que emergiu da casa de Faraó - cresce. Sua esposa vem da casa de Midiã pois
Yitrô (Jétro) era o sacerdote de Midiã.

Moisés nutre Pinehás, que na realidade é Moisés em um grau mais alto e neste progresso ele é a
complementação do grau.

Nessa fase, todas as forças, todos os elementos dentro de nós estão prontos para travar guerra sobre
Midiã. Uma “guerra” é um despertar novamente de todos os desejos corrompidos em nós que
pareciam ter se acalmado, mas que ainda estão para ser corrigidos. Esse é um tempo de calcular, de
descobrir o número de Israel, quem está no acampamento, quem está fora do acampamento e esse
é um tempo de contar as cabeças (chefes) das tribos.

Calcular significa alcançar um grau sobre o qual a luz de Chochmá (sabedoria) se veste na luz de
Chassadim (misericórdia). Ver um cálculo (contabilizar) é a luz da visão, a luz de Chochmá. Nesse
grau, podemos já contar o que está nele e o que não está. Esse não é um grau de VAK, o grau do
deserto. Em vez disso, ele é já o GAR do grau.

Em um grau completo, há a luz de Chassadim e a luz de Chochmá. Podemos usar nossos desejos
tanto em doação e na intenção de receber em prol de doar. Estes são atos de Gadlút (maturidade)
do grau, com os quais corrigimos nossas almas em um nível muito elevado.

Esta é uma correção profunda de parte da vontade de receber, da carência nas nossas almas. É por
isso que as mulheres vêm e dizem, “Nós precisamos da correção e não podemos recebê-la. Como o
fazemos”? Esse é o ponto de carência em um homem, a profunda vontade de receber que é corrigida
ao trabalhar em prol de doar. Esta é também a razão para a resposta de Moisés para as filhas de
Zelofeade.

Por esta razão, quando os maiores desejos aparecem, os desejos chamados “desejos de uma mulher”,
é possível os corrigir, como com aqueles de um homem. Com os homens, é uma intenção de doar
em prol de doar, enquanto que com as mulheres, e uma intenção de receber em prol de doar -
desejos maiores e correções mais profundas.

A porção, Pinehás, narra uma fase no avanço para o fim da correção. A porção detalha correções
muito profundas na alma na parte corrigida da alma. Nossas almas são o desejo que o Criador
criou. Elas parecem-nos quebradas, como nossos egos que precisam de ser corrigidos.

Devíamos estar felizes quando um pedaço do ego aparece pois está escrito, “Eu criei a inclinação ao
mal”, que é a aparição, “Eu criei para ela a Torá como tempero”, pois “a luz nela reforma”. Isto é,
depois da revelação da inclinação ao malem nós, assim que tenhamos aprendido que não fazemos
ideia de como trabalhar com ela, descobrimos o tempero da Torá. Através da Torá podemos corrigir
a inclinação ao mal.

O tempero é a luz oculta que é chamada Zohar (esplendor) ou Zihará Ilaá (Aramaico: claridade
superior). Esta é a luz que corrige e reforma e este é o processo que devemos atravessar.

Posteriormente, a porção fala de Moisés subir o Monte Avarim e olhar para a terra de Israel de lá.
Esta é a conclusão do grau de Moisés, que é o “fiel pastor”, inteiramente aderido a Biná, doação, a
direção de doar em prol de doar. Esse estado não o permite entrar na vontade de receber chamada
“a terra de Israel”, na qual a correção é trabalhar em prol de doar.

A palavra Hebraica, Éretz (terra), vem da palavra, Yisrael (Israel), vindo das palavras, Yashar El
(direito a Deus), ou seja, diretamente para a doação. É por isso que essa fase foi dada a Yeoshua e
não a Moisés.

O Criador disse para Moisés que seu lugar seria dado a Yeoshua, que Yeoshua é aquele que entrará
na terra de Israel, enquanto Moisés permanecerá no exterior, no grau de Moisés. O próximo grau
é a próxima fase, que Yeoshua, filho de Nun, deve corrigir. Yeoshua é um prolongamento do grau
de Moisés, tal como Pinehás é um prolongamento da mesma alma.

A qualidade chamada “Moisés” em cada um de nós desenvolve-se para a qualidade chamada


Pinehás, então avança para a próxima qualidade, Yeoshua. Moisés, o observador, traz a luz de
Chochmá, a luz da visão. Ele traz esse grau a toda a Israel. Contudo, aquele que leva a cabo esta
acção é a parte corrigida na alma - Yeoshua, filho de Nun.

A porção também fala das oferendas (sacrifícios). Quando descobrimos que nossa natureza é má,
queremos livrar-nos dela e escapar dela. Estamos dispostos a sacrificar, queimar, matar, chacinar e
e fazemos qualquer coisa para nos livrar-nos do mal no interior. Ao sacrificar, não chacinamos
qualquer coisa dentro de nós, somente a besta no interior. Nós chacinamos o vegetativo e até o
inanimado no interior, como está escrito, “Sobre todas vossas oferendas oferecereis vós sal”
(Levítico, 2:13).

Nós “processamos” os desejos abaixo do grau humano - nos graus de inanimado, vegetativo e animal
- até ao grau humano dentro de nós. Transformamos desejos que eram com a meta de receber,
desejos egoístas com a inclinação ao mal, naqueles que trabalharão com a meta de doar. Nós os
“sacrificamos”. Em Hebraico, Makriv significa tanto “sacrificar” como “aproximar”. Logo,
aproximamos os desejos da correção e através disso nos aproximamos do Criador e nos tornamos
como Ele.
Isto é chamado a “obra dos sacrifícios”, “obra sagrada”, “obra dos sacerdotes”, os “Levitas” que
existem dentro de nós. Israel é a parte que traz a oferendas. A parte de Israel dentro de nós traz a
parte nos desejos nos níveis de inanimado, vegetativo e animal aos Levitas e aos sacerdotes. Deste
modo, levamos todos os desejos no interior e os elevamos até à correção através da obra dos
sacrifícios.

De O Zohar: Manter a Aliança

“Está escrito em Pinehás, 'Eu lhe darei MINHA aliança da paz’, ou seja, paz do anjo da morte, que
nunca o controla e naqueles juízos ele não é julgado. Caso digais que ele não morreu, ele morreu,
mas certamente não morreu como o resto das pessoas. Ele viveu mais que todos
seus contemporâneos pois ele se segurou a essa aliança superior. Quando ele faleceu do mundo, em
sublime paixão e graciosa Dvekút (adesão), ele partiu do resto das pessoas no mundo”. Zohar para
Todos, Pinehás, item 22
Cada vez corrigimos nossos desejos corruptos e os somamos à estrutura da alma dentro de nós. Os
desejos corrompidos são chamados “desejos que compõem a alma, o “Kli (vaso) da alma”, o “corpo
da alma”. Os desejos são corrigidos para trabalhar em prol de doar pelo bem dos outros e do amor
pelos outros ao amor pelo Criador.

A alma tem um corpo: são os desejos fora de nós que trabalham pelo bem dos outros. Estes são
desejos que atuam a partir da inclinação ao malem favor de nós mesmos, mas recebem a forma da
boa inclinação, trabalhando em prol de doar e em amor, como está escrito, “Ama teu próximo
como a ti mesmo”, esta é a grande regra da Torá. À medida que agimos dentro desses desejos,
realizando ações de doação e verdadeira outorga, sentimos a “vestimenta do Criador”, a “roupagem
da luz superior”.

Foi por isso que se disse que Pinehás não morreu como os outros. Em vez disso, ele é uma fase
dentro de nós que somente cresce. É esse grau corrigido de realização da Divindade dentro do Kli
corrigido com a luz que o preenche.

Perguntas e Respostas
A espiritualidade pode ser transmitida por herança?

Há uma lei inquebrável aqui: tudo é um homem. Não há muitas pessoas no mundo; há somente
uma. Em outras palavras, a Torá está escrita para uma única pessoa que inclui o mundo inteiro no
interior. Está escrito que “O homem é um pequeno mundo” (Midrash Tanchumá, Pekudei, item 3).
Tudo está incluído dentro de nós; nós percebemos o todo da realidade externa dentro de nós.

Nós não fazemos ideia se existe alguma coisa fora de nós. Tudo o que sabemos é aquilo que sentimos
no interior. Por exemplo, quando tocamos em alguma coisa, não conseguimos dizer se na realidade
lhe tocamos, mas podemos senti-lo como sólido, líquido, quente ou frio.

Nós sentimos que existe e que lhe estamos a tocar. Mas no final, tudo o que sentimos é a nós
mesmos. Nós vemo-nos existindo em certa realidade, mas essa realidade é retratada dentro de nós,
na parte de trás de nossas mentes. As pessoas e os objetos ao nosso redor na realidade não estão lá;
eles estão dentro de nós.

A realidade que percebemos está dividida em inanimado, vegetativo animal e humano. Nós somos
aqueles que sentem todos eles deste modo, pois é assim que nossa vontade de receber está
construída. Ela está dividida em quatro fases - 1, 2, 3 e 4 - onde ela percepciona sensações e
impressões.

No que diz respeito à história dos Judeus, é como se a Torá descrevesse uma peça, mas estas são
todas coisas que acontecem dentro de nós. Se queremos ler a Torá como ela é verdadeiramente,
devemos atribuir tudo aquilo que está lá escrito a nós mesmos. Devemos ler cada palavra na Torá
como uma explicação daquilo que existe dentro de nós: Pinehás, Yeoshua, Midiã, um Sacerdote,
um Levita, Israel, as tribos e tudo o resto.

Um sacerdote, por exemplo, é um grau de uma pessoa. Ele chega quando a vontade de receber está
inteiramente corrigida para trabalhar em prol de doar. É por isso que os sacerdotes não têm lotes.

Quando o grau de Moisés termina e o grau de Pinehás começa, Moisés sobe ao Monte Avarim e
olha para a terra de Israel. Este é um certo grau chamado “ver”. Através dele, ele faz uma correção
para a nação inteira. O que é a correção de ver?

Moisés realiza uma grande correção. Há uma correção em potencial e há uma correção na realidade,
de fato. Uma “correção em potencial” é quando não há ainda Kelim (vasos) que sejam grandes o
suficiente para se ajustarem à correção. Moisés é um grau no qual um não trabalha com vasos de
recepção com a intenção de doar. Foi por isso que ele não entrou na terra de Israel - o desejo que
deve estar transformado em Yashar El (direito a Deus), Israel.

Seu grau seguinte, Yeoshua, filho de Nun, o fará, pois este é um grau mais prático. Yeoshua é uma
extensão, um grau que está anulado diante do grau de Moisés. Foi por isso que Yeoshua foi o
assistente de Moisés, sempre o apoiando e sempre ao seu lado e ele foi escolhido para o suceder.

O relacionamento entre eles era tal que Yeoshua montaria secretárias no seminário de Moisés.
Contudo, Moisés, também, fez grandes correções espirituais. Ele pertencia ao grau de Biná. Mas
porque Biná está separada de Malchut, Yeoshua foi aquele que implementou as correções.

Termos
Aliança

Uma “aliança” é a conexão entre o Criador e a criatura. Quando as pessoas se opõem uma à outra,
elas são consideradas distantes. Quanto mais semelhantes elas são, mais próximas se tornam.
Quando são semelhantes de um só modo, é como se dois círculos se começassem a sobrepor. Eles
são completamente iguais, eles estão em uma aliança, em unidade. Uma aliança é união. Ela é uma
correspondência entre as qualidades da criatura e as qualidades do Criador e então essa pessoa é
chamada Adam (homem) da palavra, Domé (semelhante).

Aliança interminável

Uma “aliança interminável” é aquela que o Criador teve com Pinehás. Ela é um grau no qual a
qualidade que uma pessoa adquiriu nunca desaparece e nunca se torna corrompida.

Lote

Um “lote” é a vontade de receber que foi corrigida para trabalhar em prol de doar em um grau que
não desaparece nem precisa ser readquirido.
Família, a Família de Zelofeade, a Família dos Gersonitas

A criatura é somente um único desejo que foi criado, chamado “uma alma”. Essa alma está dividida
em muitas partes interconectadas, como células nos nossos corpos. Algumas células são
semelhantes, próximas, ajudam-se e apoiam-se umas às outras, existindo em inteireza e trabalhando
em reciprocidade, em uma conexão especial. Estas são chamadas “família”.

Estas “células” são partes da alma singular que trabalham entre si mesmas de uma maneira mútua
especial que é ao mesmo tempo independente, como nossos filhos. Nós viemos de diferentes áreas
e ninguém escolhe coisa alguma, mas as coisas acontecem correspondendo à hierarquia pela qual
pendemos através dos mundos de cima para baixo.

Mudar

Este é o novo grau. Hoje podemos estar de uma maneira e amanhã somos diferentes. É como se
nos mudássemos.

Líder

Cada grau é composto por dez Sefirot. Kéter é o líder, aquele que ilumina para todos os graus até
Malchut, onde a execução na realidade ocorre. Kéter tem cabeças (chefes) de tribos, centenas,
milhares e assim por diante e no fim, a execução é no povo.
Matot (Tribos)
(Números, 30:2-32:42)

Sumário da Porção

Nesta porção, Moisés alerta os chefes (cabeças) das tribos sobre os mandamentos ligados a fazer e
desfazer os votos. A porção também fala de Pinehás, que conduz Israel para uma guerra, com
Midiã e emerge triunfante. Depois da guerra, o texto detalha a divisão dos excessos (alguns dos
quais são dedicados ao Criador), bem como os mandamentos de tornar os Kelim Kosher ao
molhar e os submergir em água a ferver.

No fim da porção, as tribos de Gad e Rúben pedem para permanecer no banco Oriental do Rio
Jordão pois seu solo é bom para seus rebanhos de gado volumosos. Eles enfurecem Moisés pois
ele pensa que procuram evitar a guerra pela conquista da terra. No fim, eles se comprometem
em participar na guerra e Moisés concede seu desejo de um lote fora da terra de Israel.

Comentário
Os Cabalistas alcançam as forças e discernimentos do mundo espiritual. Estas são forças que
operam e gerem nosso mundo, incluindo o inanimado, vegetativo, animal e humano, cada um dos
quais tem uma força que o conduz. É por isso que é impossível pedir coisa alguma de pessoas que
não são Cabalistas, pois elas não têm livre arbítrio, como está escrito, “Todos eles são como bestas
(animais”. Quando lemos uma história na Torá que parece acontecer neste mundo, precisamos
entender que suas raízes estão no mundo espiritual, na rede de forças que governa o mundo.

Hoje, já sentimos e compreendemos que nos aproximamos da rede de forças da natureza integral.
Elas aproximam-se de nós e obrigam-nos a nos comportarmos em correspondência. Esta é a aparição
da Divindade, que gradualmente se aproxima de nós.

Nós vemos que não conseguimos mais gerir o mundo, pois cada dia sentimos mais e mais
claramente que nada no mundo depende de nós. Estamos a perder nossa habilidade de gerir o
mundo pois não conseguimos agir mais na vida usando nossos egos.

Os Cabalistas descobriram a rede superior e contam-nos como ela se manifesta no nível superior.
Eles o assim fizeram usando palavras e histórias deste mundo, nosso mundo, pois tudo aquilo que
existe no superior desce ao inferior.

Durante os quarenta anos no deserto e até antes, Moisés escreveu seus cinco livros, o Pentateuco.
Durante sua realização, Moisés escreveu parte do Pentateuco sobre os tempos que precederam o
seu. Ele escreveu-o na linguagem dos ramos, nas conexões entre superior e inferior. Moisés escreveu
sobre todas as coisas que tomam lugar no mundo superior e como as forças são geridas. Ele falou
delas como resultados, como “marionetes” que se movimentam pelo nosso mundo e mudam.
É por isso que é inútil tentar lidar com este mundo; ele é absolutamente governado e não há nada
nele que lhe pertença. Para saber tudo, precisamos subir ao grau superior, o lugar onde as decisões
são tomadas, onde as forças operam e influenciam nosso mundo.

Nós não conseguimos mudar coisa alguma neste mundo e estamos bem conscientes disso. Todavia,
há um modo pelo qual podemos mudar. Se isso acontecer, podemos estar em doação e amor de
acordo com nossa aproximação para as forças na nossa natureza. Deste modo, podemos mudar
nosso destino aqui neste mundo.

De fato, somente ao nos mudarmos a nós mesmos podemos nós alcançar “Eu criei a inclinação ao
mal, Eu criei para ela a Torá como tempero”, pois “A luz nela os reforma”. Somente através da luz
que atraímos do estudo da sabedoria da Cabala podemos nós nos mudar a nós mesmos e subir ao
grau superior. Desse grau superior, podemos influenciar as decisões e os mecanismos que operam
nosso mundo. Foi por isso que Moisés se voltou para os chefes das tribos e lhes explicou sobre
desatar os votos, ir contra Midiã e mais.

Precisamos imaginar o Homem como um pequeno mundo e tudo aquilo que acontece no mundo
como acontecendo no interior. Certamente, dentro de nós estão Moisés e a estrutura inteira
chamada “o povo de Israel”, com seus sacerdotes, Levitas e Israel sendo as três linhas que compõem
nossas almas. Há também as nações do mundo dentro de nós, os Midianitas, Faraó e tudo o resto
que a Torá narra.

Quando descobrimos e detectamos dentro de nós todas essas forças e qualidades, reconhecemos a
Torá como uma instrução. Em correspondência, nós agimos para mudar e nos adaptarmos de estar
neste mundo para subir a um humano superior e espiritual, consciente do mundo espiritual no
grau espiritual conhecido como Matot (tribos).

Este é um grau muito alto, trabalhando através de Chéssed, a mais alta Sefirá (singular de Sefirot) da
estrutura da alma. Das dez Sefirot, Kéter, Chochmá e Biná são as Sefirot do topo. Elas estão acima de
nossa realização e são aquelas que nos gerem. Nos aproximamos delas através de nossas qualidades
internas, ao as ordenarmos adequadamente como Chéssed, Gvurá, Tiféret, Netzach, Hod, Yessód e
Malchut, que são as sete Sefirot remanescentes.

Nós corrigimos estas sete Sefirot repetidamente em cada grau e elas são chamadas “os sete dias da
semana”. Chéssed, Gvurá, Tiféret, Netzach, Hod e Yessód correspondem aos dias da semana e Malchut
corresponde ao Shabat. Ao as corrigirmos, avançamos pelas semanas em um círculo que
eventualmente nos traz a Kéter, Chochmá e Biná, as três Sefirot do topo, ou seja o fim da correção.

Cada semana no ano tem sua porção da Torá ou porções. Estas são graus pelos quais gradualmente
nos elevamos a nós mesmos ao grau do topo ao abrirmos nosso interior. Enquanto fazemos isso,
encontramos as forças dentro de nós e agimos junto com elas.

A qualidade de Moisés em nós volta-se para os cabeças das tribos em nós, de acordo com a divisão
da alma em doze tribos. Estas foram as tribos que ele ordenou corretamente enquanto trabalhando
com o ego crescente, de um estado chamado “recepção da Torá” para um estado chamado “entrada
para a terra de Israel”. O processo que atravessamos entre os estados é chamado “os quarenta anos
no deserto”. O deserto representa nossa necessidade de separar os desejos dentro de nós e os
corrigirmos da recepção para nós mesmos para a forma altruísta de doação, para a abordagem certa
para os outros, que pode ser resumida na máxima, “Aquilo que odeias, não faças ao teu amigo”.
No grau de “tribos”, escrutinamos nossas qualidades e aprendemos como trabalhar com a vontade
de receber.
Inicialmente, podemos escrutinar os votos. “Votos” são fases e condições pelas quais alcançamos
um grau mais alto. Os votos indicam as limitações que assumimos sobre nós mesmos sem falharmos.
Contudo, quando não conseguimos persistir com elas, podemos livrar-nos delas, muito como o
desatar de votos antes de Yom Kipur (Dia da Expiação).

Há leis fundamentais na espiritualidade que dizem respeito ao Homem e ao escrutínio que toma
lugar no interior, tais como a que medida podemos pedir correção para nós mesmos e trabalhar
com a força que corrige. Depois destas preparações, tornamo-nos conscientes de nossa habilidade
de trabalhar com nossos egos no nível de Midiã. Assim, trabalhamos com a força conhecida como
Pinehás, que é a próxima fase da força de Moisés.

É então que verdadeiramente vamos para a guerra. Vamos contra nossos egos em prol de os
conquistarmos e trabalharmos com a parte deles em prol de doar. Podemos ascender a um grau
espiritual ao corrigir a inclinação ao malem uma boa inclinação. Não há outra substância senão
nossa própria vontade de receber.

Primeiro, ela vem somente com a intenção de receber. Neste ponto, ela é chamada “a inclinação ao
mal” porque ela se previne a si mesma de participar com os outros. Quando ela se torna a boa
inclinação, ela se conecta a todos. Isto significa que tivemos sucesso na guerra e conquistámos o
ego.

Assim que o tenhamos feito, damos os excessos às tribos, o sacerdote, o Levita, Israel, as mulheres
e as crianças. Nós damos excessos de tudo o que podemos levar dos graus inanimado, vegetativo,
animal e falante (humano). A Torá detalha aquilo que precisamos fazer com a parte masculina, que
é o lado direito da Klipá (casca/pele) e o que precisamos fazer com a parte feminina, o lado esquerdo
da Klipá.

Perguntas e Respostas
Em Yom Kipur, há um costume de desatar os votos. Porquê, então, há uma necessidade de votos
em primeiro lugar?
Nós não conseguimos crescer sem um voto. Quando nos aproximamos de um grau superior, temos
de nos anular diante do superior pois ainda não alcançámos esse grau e deste modo não
conseguimos avaliá-lo com exatidão. Enquanto estudamos, constantemente corrigimos e nos
“atualizamos” a nós mesmos.

Há também ações complementares, tais como a Segunda Pessach, onde se não nos preparámos para
a correção conhecida como “Pessach”, onde “passamos sobre” o ego, chegamos a ela um mês mais
tarde.

Isto soa a uma negociação. Fazemos votos para que possamos completar a obra mais tarde, então se
fizermos alguma coisa, receberemos isto e aquilo.

Não, não há tal coisa. Não é assim que a espiritualidade funciona. Nós fazemos tudo honestamente
até que descobrimos que é impossível continuar a avançar, ou que as condições mudaram. Estamos
em um sistema de almas interligadas que nos apoiam quando caímos. Aprendemos sobre nosso ser
em um sistema integral de Moisés, que não fez nada de errado senão golpear a rocha, todavia a
nação inteira sofreu devido a isso.

Havia somente um Moisés, mas nós somos somente principiantes.


Não há nada que possamos dizer sobre este mundo. Aqui, nada somos mais que resultados do
mundo espiritual. Se pudermos influenciar o mundo espiritual através do estudo da Cabala,
mudaremos este mundo, também. Se não o fizermos, nada mudaremos.

De fato, podemos ter impacto no mundo espiritual somente ao aspirar ascender à espiritualidade e
isto impactará o mundo favoravelmente. Se não tivermos habilidade ou desejo de alterar nossa
situação espiritual, até se pudermos, nosso mundo ainda assim avançará, mas ele avançará em um
caminho de sofrimento.

Como podemos mudar nosso mundo se ele é somente um mundo de resultados e nós estamos a
ser operados sem qualquer livre arbítrio?

Assim que começamos a ascender para o mundo espiritual, começamos a mudar este mundo. Nada
neste mundo muda exceto as forças que o influenciam do alto. Deste modo, nossa única escolha
neste mundo é nos elevarmos acima dele.

Isto é feito ao nos conectarmos e nos unirmos com os outros?


Sim, através de união com os outros.

Vamos melhorar nossa situação financeira, também, ao estudar a Cabala?


Tudo mudará. Todos os resultados neste mundo dependem somente das conexões entre nós. Nada
há verdadeiramente vantajoso de fazer senão assegurar nosso sustento e dedicar o resto do tempo à
ascensão espiritual. Isto, em retorno, mudará tudo.

É a correção pessoal, ou ela afeta a todos?


A correção é tanto pessoal como geral, mas hoje ela é principalmente geral.

Porque é assim tão difícil de entender, embora soe tão simples?

Nós somos edificados de acordo com nossos egos individualistas. Nós vemos o mundo
egoisticamente. E precisamente devido a isto, os sistemas de hoje da economia e educação se estão
a tornar disfuncionais. Não podemos ter sucesso mais porque tudo está quebrado e disperso.
Durante a história, nos habituámos a avançar ao usarmos nossos egos e tentar lucrar e nos beneficiar
ao máximo. Mas hoje, estes sistemas egoístas lineares deixaram de funcionar. Avançamos para
sistemas que são redondos, integrais e conectados.

O impacto recíproco é sentido imediatamente?

Sim, as pessoas se sentirão mais importantes, mais bem-sucedidas e até mais fortes que o governo.
Os governos atuam egoisticamente como uma flecha linear. Inversamente, as conexões entre as
pessoas são circulares. Hoje, nós estamos em um mecanismo global, em uma natureza que é integral
e global. Como resultado, não podemos continuar a avançar egoística ou linearmente, como antes.
Agora temos de aprender como ascender, como aumentar a direção de nos conectarmos “como um
homem com um coração”, porque somente através da união podemos nós mudar a maneira como
as coisas são.

De O Zohar: Matot (Tribos)


“‘E vós que vos apegais ao Senhor vosso Deus estais todos vivos e cada um de vós neste dia.' Qual é
a razão? É porque a alma de Israel vem do espírito do Deus vivo. 'Pois o espírito diante de Mim
envolverá.' 'Diante de Mim,' significa diante da Divindade, de ZA, o Deus vivo”. Zohar para Todos,
Matot (Tribos), item 5
O que é o excesso?
O “excesso” é um resultado do trabalho do homem com a inclinação ao mal. Nesta guerra,
transformamos a inclinação ao malem uma boa inclinação, usando a luz que reforma. Como
resultado, recebemos luz através dessa inclinação. A luz que nos preenche - a realização, essa
sensação sublime - é uma grande posse. Este é o excesso.

A divisão do excesso se refere a como um divide a luz entre todas as suas partes, todos os seus desejos
e qualidades. Ela nota como um opera esse mecanismo de divisão, quem recebe mais e quem recebe
menos.

Esta porção parece discutir a raiz da conduta de fazer utensílios kosher.

A raiz da questão está nos nossos Kelim (vasos), a vontade de receber. É aqui que recebemos a luz.
A luz pode aparecer nas nossas vidas sob a condição que eles não trabalham somente em prol de
receber, mas também em prol de doar para que eles possam ser compartilhados com outros.
Quando nos conectamos aos outros deste modo, a luz aparece em nós. Sucede-se que todas nossas
correções são realmente qualificações de nossos Kelim, os tornando kosher.

Colocando-o diferentemente, precisamos qualificar nossa vontade de receber para que ela se
direcione doar, para que ela esteja conectada aos outros. A água, que representa Chéssed, qualifica os
Kelim. Se precisamos corrigir um Kli (singular de Kelim) de metal, o tornar kosher, isso requer uma
correção mais profunda. Ele tem de ser passado pelo fogo, representando Gvurá. Um Kli de metal
representa um desejo que foi usado egoisticamente, que deve ser corrigido e limpo mais
poderosamente através do “branqueamento” (aquecer ao ponto em que o metal se torna branco),
Mikvé Kelim (uma banheira usada para a imersão ritual de utensílios), e Hagaálá (mergulhar em água
a ferver).

Corrigir nossos Kelim é tudo o que temos na sabedoria da Cabala. A correção dos Kelim toma lugar
assim que os tenhamos adquirido e os tenhamos alternado da direção de receber para a direção de
doar, tendo corrigido nossos desejos. Isto não se trata apenas de corrigir os Kelim no sentido de
utensílios, ou pratos, mas de corrigir os Kelim quando fazemos as oferendas.

A oferenda é um Kli no nível animal. Nós “matamos” nossa vontade de receber, ou seja, o modo
no qual a vontade de receber era usada anteriormente, egoisticamente. Nós a trazemos como uma
oferenda (Korban), da palavra Hitkarvut (aproximação), para a doação, em favor dos outros. Somente
então podemos nós doar amor sobre os outros, usando essa mesma vontade de receber que agora
se torna sagrada.

Esta não é a única porção da Torá onde há guerras e contendas.

Nós estamos sempre em guerra, sempre lutando, até alcançarmos o fim da correção.

Se já tivermos alcançado um certo grau e desfrutarmos da luz nele, devemos abdicar dela?
Porque agora a queremos passar aos outros. Mas e se essa pessoa ainda não tem desejo para passar
a luz aos outros. Querer passá-la é uma condição prévia para receber a luz.
Você quer dizer, em prol de receber a luz, você precisa querer abdicar dela?

É claro. Nós já a queremos receber pois ouvimos que ela é boa. Mas não a receberemos até que a
desejemos compartilhar com os outros. Nosso mundo ordena que nos tornemos conectados pois
nos aproximamos do fim do processo da correção.

Assim que um tenha experimentado a luz, o que o impediria de a querer a toda a hora?

Nós avançamos “em duas pernas”. A pessoa recebe Kelim, os corrige, os preenche de luz, os
compartilha com todos e assim faz uma ação muito boa, um Mitzvá (boa ação/mandamento). Usar
a vontade de receber em favor dos outros é chamado um Mitzvá. Assim que um Mitzvá é feito, outra
parte do ego da pessoa que estava escondido no interior se levanta e aparece.

Eventualmente, o “Egito” inteiro de uma pessoa aparece e um agora está imerso em um ego que se
espalha sobre o bem. Quando isso acontece, uma pessoa se torna ímpia e a luta começa de novo: o
grau anterior desaparece no interior, se “afogando” no mal.

Quando Israel entram em Canaã e a conquistam, há o lado do leste do Rio Jordão. Gad
e Rúben quiseram esse lote. Porque é que Moisés contestou sua moradia no banco do leste do
Jordão?

Nossa vontade de receber está nos três mundos, Briá, Yetzirá e Assiá. Há também o Templo,
Jerusalém, Monte Moriá e o resto dos graus: a terra de Israel, ao redor da qual estão o Jordão,
Líbano, Síria e Babilônia. Adicionalmente, há o resto das terras no mundo, mas elas não são
consideradas espiritualmente significativas.

O banco do Leste do Jordão é a primeira fronteira fora da terra de Israel e deste modo ele não tem
o mesmo nível de santidade como a terra de Israel em si mesma. É por isso que Moisés, a força que
gere todas as correções dentro de nós, se opõe à presença dos filhos de Israel lá. Todos os filhos de
Israel devem primeiro estar dentro da terra de Israel e apenas posteriormente há as conquistas de
David, que incluem o Líbano, Síria e Babilônia, do Nilo ao Eufrates.

Termos
Tribo

Uma “tribo” é um grupo. Tal como o corpo tem sistemas tais como o sistema linfático, o sistema
cardiovascular, o sistema nervoso, etc., uma tribo é um dos doze sistemas que compõem a alma. A
alma divide-se em doze sistemas conhecidos como CHBD, CHGT, NHY. Em cada Yod-Hey-Vav-Hey
há três linhas, que se somam em doze.

Votos
Nós não podemos avançar sem eles; eles são um tipo de consideração para o próximo grau. Embora
não saibamos o que ele é, ainda avançamos para ele. Na espiritualidade, é considerado que fazemos
um voto para nos corrigirmos e somente posteriormente verificarmos se isso é de todo possível.

Excesso

O “excesso” é a luz recebida nos Kelim corrigidos na espiritualidade, a luz de Chochmá (sabedoria)
que se veste na luz de Chassadim (misericórdia).
Hagaalá dos Kelim (molhar utensílios em água a ferver)
Hagaalá é uma das formas de corrigir nossos Kelim espirituais. Nós temos Kelim nos níveis
inanimado, vegetativo, animal e humano. Os desejos dividem-se em quatro graus de acordo com
sua Aviut (densidade). Os Kelim que são semelhantes aos nossos Kelim são corrigidos através do que
é chamado Hagaaalá.

Um Kli Kosher

Um “Kli Kosher” é um desejo de receber que adquiriu a intenção de doar. Inversamente, um desejo
de receber que tem a intenção de receber é “não-kosher”.

Lado Oriental do Jordão

Esta é a parte que ainda pertence à terra de Israel, mas está em Tiféret do mundo de Briá. Está escrito
sobre isso nos escritos do ARI e no Estudo das Dez Sefirot.

Cólera

Isto é o crescimento dos Gvurot em Malchut pois não conseguem receber por falta de Chasadim
(misericórdia). No nosso mundo, uma pessoa fica zangada por falta da luz de Chasadim dentro do
Kli.

De O Zohar: Matot (Tribos)

“‘Eu disse, ‘Que um mundo feito de misericórdia seja feito’’. Chéssed (misericórdia) é uma das Sefirot
superiores do rei, uma Sefirá mais alta que as sete Sefirot do fundo. O Criador chamou-lhe à alma
de Israel Chéssed sob a condição que Chéssed seja construída e a Chéssed não seja apagada do
mundo”. Zohar para Todos, Matot (Tribos), item 6

Chéssed é a mais alta das sete Sefirot, Chéssed, Gvurá, Tiféret, Netzach, Hod, Yessód e Malchut. É por
isso que Chéssed é a Sefirá do topo da estrutura da alma. Ela é a responsável, atraindo e gerindo
nosso processo inteiro da correção. Deste modo, Chéssed atua verdadeiramente como Chéssed
(misericórdia).
Másaei (Jornadas)
(Números, 33:1-36:13)

Sumário da Porção

A porção, Másaei (Jornadas), descreve as jornadas dos filhos de Israel, as paragens onde
estacionaram no deserto e suas preparações finais para entrar na terra de Israel. A porção detalha
vários mandamentos, tais como a obliteração da idolatria, cidades de refúgio, regras a respeito de
matança involuntária, nomear presidentes para as tribos sob a liderança de Yeóshua (Josué), filho
de Nun e Elazar o sacerdote, dedicar cidades ao povo da tribo de Levi e uma descrição das
fronteiras da terra.

A porção termina com a continuação da história das filhas de Zelofeade, o medo da tribo de
Ménashe que suas mulheres casassem com homens de outras tribos, assim fazendo com a tribo
perdesse seus lotes. Em consequência, Moisés emite um mandato proibindo as filhas de Zelofeade
de casarem com homens de outras tribos, bem como outras proibições que dizem respeito a
casamentos de pessoas de diferentes tribos.

Comentário

A porção é uma preparação para entrar na terra de Israel. Nesta fase, começamos o trabalho interno,
nos elevando a um grau onde nossa vontade de receber se conecta à força superior. Aqui
descobrimos a força superior pois vivemos dentro desse desejo.

Está escrito que a terra de Israel é a terra onde o Criador está presente desde o princípio do ano até
ao seu fim. Isto é, Ele está sempre na terra de Israel, em um desejo direcionado inteiramente à
doação, Yashar El (direito a Deus). Descobrimos a força superior dentro desse desejo e estamos em
Dvekút (adesão) com ela. Esta é a intenção da terra de Israel.

Disto, podemos aprender a que medida não estamos na terra espiritual de Israel, mas na corpórea.
Os Cabalistas contam-nos que nos foi dada a oportunidade de regressar à terra corpórea (física) de
Israel para que possamos subir à espiritual. Por este propósito, todos devemos estar juntos, unidos
como em uma família, “como um homem com um coração”, como em “Todos de Israel são amigos”
e como em, “Ama teu próximo como a ti mesmo”. Nos conectámos sob a estipulação de garantia
mútua, pois somente se encontrarmos este critério entraremos na terra de Israel.

Todas as condições e leis que adoptámos até então - e tentámos manter enquanto lidando com
problemas que surgiram dentro de nós como desejos desfavoráveis que devem ser corrigidos - foram
corrigidas na porção anterior, Matot (Tribos). Em Matot, ordenámos os Kelim (vasos) como um
sumário do que atravessámos durante nosso período no deserto, quando subimos ao estado de
querer doar em prol de doar. Agora enfrentamos a entrada para a terra de Israel, a vontade de
receber em prol de doar.

Por esta razão, diante de nós está um sumário das questões anteriores e um último exame das
condições. Somos coordenados no nosso estado corrigido, um estado chamado “a terra de Israel”.
Por um lado, devemos estar conectados a todas as tribos, e todos os outros, nossos irmãos. Devemos
estar em um estado de “todos de Israel são amigos”, “como um homem com um coração”,
procurando o favor de todos e devemos estar em equivalência entre nós.

Por outro lado, precisamos ver outros aspectos do povo: detectar as doze tribos e aderir à proibição
contra a miscigenação. Essa proibição significa que devemos corresponder o desejo certo ao ato
certo. Isto é chamado, “condizer uma mulher com um homem” para que eles estejam em
congruência e possam alcançar os adequados, bons resultados e não sejam confundidos um pelo
outro. Para obter alguma coisa, devemos trabalhar com os desejos com os quais nascemos e não
confundir os outros com concretizações no nível terreno.

O mesmo é verdadeiro para as cidades de refúgio, a divisão da terra e as fronteiras da terra. A


palavra, Éretz (terra), vem da palavra, Ratzon (desejo). Ao conhecermos o nosso próprio desejo e o
desejo geral das pessoas, devemos todos, como células em um organismo, trabalhar como rodas
dentadas de uma maneira uniforme para alcançar o estado de “o povo de Israel na terra de Israel”.
Então, de acordo com o nível de congruência entre nós, a integração favorável e a conexão certa,
sentiremos que a força superior está presente entre nós. Esse estado nos protegerá contra todo o
apuro e praga, da menor à maior.

Se todos chegarmos, até se somente um pouco, a um estado que se assemelhe a esse desejo, um
estado de doação mútua, amor mútuo, conexão mútua, como a verdadeira definição da terra de
Israel, estamos garantidos de sermos recompensados com a força superior. Seremos recompensados
com o “telhado” espiritual mais forte possível, debaixo do qual prosperaremos e afastaremos nossos
inimigos.

Perguntas e Respostas
O povo de Israel regressou à terra de Israel há sessenta e quatro anos atrás, mas ainda procura
um verdadeiro sentido para estar “na terra de Israel”. O que significa verdadeiramente estar em
Israel?
O homem é composto da inteira vontade de receber (que é o coração) e o pensamento (que é a
mente). Estes são os dois elementos principais que existem em nós, que distinguem os humanos
dos animais, das bestas. O corpo do homem é um organismo que faz parte do reino animal, mas
somos distinguidos desse reino pelos nossos desejos e pensamentos. Por essa razão, são somente
nossos pensamentos e desejos que devemos corrigir.

Nossos desejos estão divididos em “desejos corpóreos” por comida, reprodução e família e “desejos
sociais” por dinheiro, respeito e conhecimento. Podemos querer muitas coisas, mas todos nossos
desejos basicamente se encaixam nessas sete vontades primárias. Queremos preencher todos nossos
desejos, tanto no nível físico-corpóreo de comida, reprodução (sexo) e família e no nível social
dinheiro, respeito, poder e conhecimento. Todos estes desejos existem em todos, mas em
combinações diferentes em cada um de nós.

Há outros desejos que surgem nas nossas vidas do dia-a-dia dos quais estamos inconscientes, tais
como os desejos entre as pessoas. Estes desejos são voltados para os outros, tais como aquele que
dá de si mesmo aos outros, não procurando obter qualquer benefício para si mesmo. Estes desejos
são os 613 desejos entre o homem e homem.

Quando nos conectamos aos outros sem a meta de explorar ou ganhar, mas verdadeiramente sair
de nós mesmos pelo bem dos outros, descobrimos esses 613 desejos. Primeiro o descobrimos na
sua forma egoísta, mas se os alternarmos para trabalhar pelo bem dos outros, esta é uma correção,
a realização de um Mitzvá (boa ação/mandamento).

Nós realizamos os Mitzvot (plural de Mitzvá) através da luz que vem até nós quando estudamos a
sabedoria da Cabala corretamente. Ela é chamada “a luz que reforma”. A sabedoria da Cabala é
chamada “Torá”, “A Torá da luz”, “a interioridade da Torá”, ou “a verdadeira lei (Torá) ”, dado que
ao estudá-la atraímos para nós a luz que corrige os desejos entre nós.

Corrigir os 613 desejos entre o homem e homem conduz um ao desejo corrigir que inclui os 613
desejos de amor, doação, amizade, união, conexão e garantia mútua. Este desejo é chamado “a terra
de Israel”, onde todos os desejos são Yashar El (direito a Deus, ao Criador). Eles são Yashar El não
somente devido a nossa abordagem para os outros, para os amigos, para o povo de Israel, mas
porque este é um desejo de doar, o mesmo desejo do Criador, um desejo de fazer o bem a todos.

Assim, quando alcançamos a terra de Israel, o desejo direito aos outros, também vivemos na terra
física de Israel. Isso, contudo, deve ser sob a condição que temos uma conexão recíproca, chamada
“a terra espiritual de Israel”, um estado de “todos de Israel são amigos”.

É por isso que os Cabalistas tais como Baal HaSulam (Rav Yehuda Ashlag) e o Rav Kook escreveram
que hoje nos foi dada uma oportunidade para regressar à terra corpórea de Israel. Contudo, estamos
ainda não a merecemos, para que possamos alcançar a correção - conexão - em um curto espaço de
tempo que nos foi dado. Os Cabalistas explicam que se não contemplarmos isto e avançarmos nessa
direção, não merecemos permanecer aqui e seremos exilados.

Porque há tão rígida divisão em doze tribos com uma proibição contra miscigenação?

“Conectar” significa casar. Os diferentes órgãos nos nossos corpos trabalham muito diferentemente
uns dos outros. Não podes conectar os rins com os pulmões ou o fígado ao coração porque cada
órgão trabalha dentro do seu próprio sistema. É como um motor no qual um pistão trabalha em
uma direção e o outro trabalha na outra. Não podes simplesmente conectar estes opostos sem um
ajuste adequado. Isso tem de seguir um plano geral.

É o resultado final um único sistema?

O resultado é um sistema: o povo de Israel na terra de Israel.

O que são as partes?

As partes são como pistões, como partes de um motor, avançando em direções opostas, mas de
acordo com o mesmo vector.

Então uma pessoa individual é como um pistão?

O indivíduo é uma parte do todo. Cada parte deve atualizar seu desejo da maneira certa. Se todos
nos realizarmos com as qualidades com que nascemos, alcançaremos o fim da nossa correção no
nível pessoal, nossa concretização pessoal. Deste modo, não nos confundiremos uns aos outros.
É isto igualdade versus diferença?

Precisamente.

Como é que fazemos essa igualdade?

Inicialmente, não somos iguais; nós somos diferentes. Não há razão para o negar. Imagina uma
pessoa que tem um talento único para algo, tal como a música e nós dizemos-lhe, “Não, tu tens de
ser mecânico”. Podes forçar um músico a ser mecânico?

Como sabemos o nosso papel?

Nestes dias, ficamos “dispersos” em toda a direção. É por isso que nos é dito, “Não te cases, não
olhes para os outros, procura por ti mesmo onde pertences”. Se nascermos em uma tribo
e possuímos certas qualidades na alma comum chamada “o povo de Israel”, devemos encontrar o
nosso destino e atualizá-lo. É então que seremos felizes.

Com as crianças, é fácil ver como cada uma é especial. Todavia, isto conduz à competição.

Não pode haver competição de um é mecânico, outro é músico, um terceiro físico, um quarto é
autor e um quinto é engenheiro. A única competição que é possível é em quanto cada um de nós
contribui para a sociedade.

Assumamos que dois mecânicos nascem em uma tribo de mecânicos. Um deles é mais espero que
o outro e consegue inventar máquinas especiais. O menor deve ser como um líder de equipa em
uma grande fábrica que desenvolve motores, enquanto o menos astuto deve trabalhar em uma
pequena garagem ou para o dono de uma garagem.

Porque é que a sociedade valoriza o mecânico menor de longe mais que o simples.

O problema é que nossa sociedade não é uniforme e não valoriza as pessoas de acordo com seus
relativos esforços. Em uma família admiramos um bebê que faz a coisa mais tola como se fosse a
maior das concretizações. Mas para um observador não envolvido, não seria algo do qual nos
alegrarmos.

A questão é que se nos tratarmos uns aos outros com amor, sentiremos quando um contribui para
a sociedade do fundo do coração, essa pessoa deve ser valorizada de longe mais que aquela que é
simplesmente talentosa e para quem a contribuição não requer qualquer esforço.

Hoje, não temos consideração por aqueles que contribuem para a sociedade, mas idolatramos os
ricos e famosos.

Este é o problema, não estamos a atualizar a meta para a qual recebemos a terra de Israel. É por isso
que nossa situação é tão negra.

Este é o tipo de “idolatria” que a porção menciona?


Sim, é idolatria quando admiramos pessoas famosas e ícones sociais e assim por diante.

Como podemos alterar isso? Isso não faz parte do mecanismo humano?

O único modo de o alterar é através de educação, explicando-o às pessoas em uma base diária
durante um período de tempo até que elas vejam a situação como ela é verdadeiramente e então
mudarem. Hoje, o mundo está a pressionar-nos, não seremos capazes de prosseguir como nos
apetecer. Não nos podemos isolar do mundo em declínio.
Para entrar na terra de Israel, idolatria deve ser abolida. É esta uma tarefa praticável?

Qualquer ação que não una a nação em igualdade e amor, ou que não coloque o conceito da união
acima de todos os outros valores, conduz à idolatria.

Como podemos reconhecer as fronteiras do desejo chamado “a terra de Israel” antes de


entrarmos nele?

Nosso desejo contém dentro dele o todo da realidade. Disso podemos discriminar todo o desejo
que está na terra. Desse desejo que está na terra, podemos discriminar o desejo adicional chamado
“a terra de Israel”, que é um país muito pequeno se olharmos para o mapa.

Quase não se vê.

Isto dá-nos uma ideia do que podemos corrigir. Primeiro, devemos corrigir este desejo. Assim que
o corrijamos, podemos avançar para corrigir o desejo geral, o resto dos continentes e o mundo
inteiro. Este é o sentido de se ser “uma luz para as nações”. O texto não o menciona, mas a entrada
para a terra de Israel deve ser através de nós transcendermos o nosso desejo egoísta e estarmos
prontos para começar a corrigir os nossos desejos para o amor pelos outros.

Como encontramos as fronteiras desta terra?


Quando trabalhamos sobre nossas conexões com os outros, começamos a ver com quais, dos nossos
613 desejos, nos podemos relacionar aos outros. Estas são as fronteiras. Dentro de nós há tantos
mais desejos, chamados “desejos das nações do mundo”. Estes são muito poderosos, como o
tamanho do mundo em comparação com o tamanho da terra de Israel, mas os corrigimos mais
tarde.

Estas são fases. Qualquer um que se envolva na sabedoria da Cabala alcança ambos os tipos de
desejos.

Na Torá, lemos sobre fronteiras de longe mais amplas que o ponto que vemos hoje no mapa. É
isto algo que alguma vez alcançaremos?
Sem dúvida.

Fisicamente?
Vamos alcançá-lo fisicamente, mas elas não serão mais fronteiras. Isto é, não haverá fronteiras
ou que se pareça pois estaremos no estado de redenção completa.

Há fronteiras na espiritualidade, também?

Não, que é o porquê de todos nós, o mundo inteiro, vir a ser como “um homem com um coração”.
Os filhos de Israel serão aqueles que começarão a correção, mas mais tarde, como “uma luz para as
nações”, eles juntarão o mundo inteiro na correção, como está escrito, “Pois MINHA casa será
chamada uma casa de oração para todas as nações” (Isaías 56:7). Aquilo que anteriormente era
limitado se torna ilimitado.

Outra questão são as cidades de refúgio onde, se uma pessoa mata outra, o assassino pode fugir
para uma cidade de refúgio e ser protegido lá.

Isto ocorre quando ainda não trabalhamos com todos nossos desejos. Se cometermos um erro ou
falharmos em alguma coisa, isso não é porque não sejamos mais dignos de estar na terra de Israel,
mas porque há vários escrutínios e problemas nisso, também. Claramente, entramos no desejo para
que ele esteja direcionado para o amor fraterno, amor por todos. Isto era impossível no deserto,
exceto através da lei, “Aquilo que odeias, não faças ao teu amigo”. Quando entrando na terra de
Israel, a lei, “Ama teu próximo como a ti mesmo” aplica-se, a lei do amor.

É possível cometer erros aqui?

É claro. Há novos desejos, novas correções e há a conquista da terra. Em todos estes desejos,
precisamos enfrentar nossos desejos egoístas e explorar, derrotar, quebrar e expulsá-los
verdadeiramente. Precisamos fazer todo o trabalho que o povo de Israel fez na terra de Israel na
história. Aqui, contudo, isso diz respeito a uma história interna relacionada aos desejos dentro de
nós e aqui podemos errar. Foi por isso que nos foi dada a Torá. Tal como Israel cometeu
repetidamente erros no desejo e então se corrigiram a si mesmos, o mesmo se aplica à conquista da
terra. Cometemos erros e então os corrigimos.

O que significa cometer erros se dizemos que não há outro além d'Ele?
Isso significa que devemos descobrir esses desejos.

Onde eu começo verdadeiramente corrigir?

Cada vez que temos sucesso, imediatamente caímos em um erro, uma transgressão.

Isso é porque atribuímos o sucesso a nós mesmos?


Não. O erro, a transgressão, nem sequer é nossa. Nós estamos a ser apresentados ao novo desejo
corrupto onde nos vemos como pecaminosos, como o pecado dos espiões, o pecado da água, o
pecado das serpentes e muitos outros pecados. O povo de Israel nunca parece escutar o que lhe é
dito.

Contudo, isto acontece somente porque eles realmente têm sucesso. Mais e mais de seus desejos
corruptos são apresentados para corrigir. Todos nós viemos da quebra, do Faraó. É por isso que o
Faraó gradualmente aparece como cruel, quebrado e egoísta e precisamos o corrigir.

Deste modo, não precisamos atribuir nosso egoísmo a nós mesmos pois “aquele que é maior que
seu amigo, seu desejo é maior que o dele”. Pelo contrário, tudo o que é revelado a nós na Torá é
nossa própria alma quebrada, que nós corrigimos. E não somos sequer nós que o fazemos; isso foi
feito antes de nós. O Criador conta-nos, “Eu criei a inclinação ao mal”, e “Eu endureci o coração
de Faraó” (Êxodo 10:1).

A “obliteração” relaciona-se à idolatria?


Nosso trabalho é corrigir. É por isso que revelamos constantemente o mal e o corrigimos.

Mas ele parece interminável.

Ele não é interminável. Nós já estamos a viver na terra de Israel e estamos a construir nela uma casa
de santidade. Já há luz de Chochmá sendo preenchida com a luz de Chassadim e ela preenche nossas
almas, então estamos já a começar a descobrir o mundo eterno e perfeito.

É a terra de Israel um estado “sem erros”, um estado perfeito?

Ela é o estado perfeito. Hoje precisamos chegar a um estado onde a terra de Israel se espalha por
todo o país e todo o continente. Ela é chamada “a terra da gazela” porque o desejo com a meta de
doar, de amar os outros, deve eventualmente abranger o todo da realidade.

Nós temos o método que explica como o fazer e devemos explicá-lo ao resto da humanidade. O
trabalho de disseminar a sabedoria da Cabala é chamado “o Shofar do Messias”. É nosso dever levá-
lo a cabo porque inversamente a humanidade ainda alcançará a correção completa, mas depois de
grande tormento, enquanto fazendo-o da nossa maneira significa que a humanidade consegue
alcançar a correção rapidamente, usando a luz que reforma.

Termos
Paragens
“Paragens” são graus através dos quais avançamos para a correção. Há o período de preparação e os
estados onde entramos na correção, no desejo de doar em prol de doar, um estado de “Aquilo que
odeias, não faças ao teu amigo”. Devemos ser neutros, como se neutralizando nossos egos. Isto é
chamado “obter o grau de Biná”, ou manter as Mitzvot (mandamentos) dos 248 órgãos.
Na espiritualidade, isso é chamado Galgalta ve Eynaim (crânio e olhos). Estes graus são chamados
“os graus do deserto”.

Posteriormente, entramos nos graus chamados “terra de Israel”, Yashar El (direito a Deus), onde
alcançamos “Ama teu próximo como a ti mesmo”. Nesses graus, temos a correção dos desejos
chamados “365”. Estes são 248 órgãos nos graus do deserto e 365 tendões nos graus da terra de
Israel e em todos eles estão as partes da alma.

Idolatria
“Idolatria” é quando não queremos trabalhar em doação para os outros, mas somente para nós
mesmos. Tratamo-nos como deuses e dobramos para nós mesmos.

As Fronteiras da Terra
As “fronteiras da terra” são as fronteiras pelas quais a nossa grande vontade de receber marca quão
longe podemos alcançar, com que desejos podemos doar e que desejos devemos restringir e refrear
de usar.

Cidade de Refúgio
“Cidades de Refúgio” são desejos que “congelamos”. Por vezes estamos imersos em tais
pensamentos, desejos e predileções que não conseguimos trabalhar em corrigi-los. Deste modo
colocamos esses desejos “em espera”. Este é um estado onde somos impotentes, desprovidos de uma
Massach (tela) com a qual trabalhar em doação sobre os outros. Contudo, podemos estar em um
“lugar” onde nos corrigimos e passado algum tempo saímos para o exterior e regressamos ao
mundo.

A Terra Completa de Israel

“A terra completa de Israel” é perfeição. Ela é chamada Shalom (paz), da palavra Shlemut
(inteireza/perfeição). Isso significa que tudo é corrigido para o amor pelos outros, como está escrito,
“Ama teu próximo como a ti mesmo; é uma grande regra”...

Não há nada mais que isso. É por isso que a terra completa de Israel é um desejo que está
inteiramente corrigido para ser Yashar El, para a conexão com os outros. A questão desta porção é
descobrir a Divindade nela através da conexão, em Dvekút (adesão).
Devarim (Estas São as Palavras)
(Deuteronômio, 1:1-3:22)

Sumário da Porção

A porção, Devarim (Estas São as Palavras), começa com um longo discurso que Moisés faz diante
do povo de Israel precisamente antes de sua morte. A porção contém uma revisão histórica de
quarenta anos no deserto, que Moisés descreve ao povo de Israel. A porção também lida com
nomear os presidentes das tribos e os juízes, o pecado dos espiões e sua punição, os
relacionamentos entre Israel e Edom, Israel e Moabe e Israel e Amon, bem como as guerras com
Siom e Ogue. Moisés apoia Yeóshua (Josué), filho de Nun, como o próximo líder do povo de
Israel, que os conduzirá para a terra de Israel.

Comentário

Do cascatear dos graus espirituais e o que aprendemos sobre a percepção da realidade, sabemos que
não há mundo fora de nós. Tudo aquilo que existe são estados espirituais que atravessamos, estados
retratados dentro de nós. Tudo está dentro de nós, como foi dito, “O homem é um pequeno
mundo”.

Avançamos de estado para estado. Cada estado emerge do seu predecessor e é incluído nele. Isso é
chamado um Partzuf (face). Cada estado contém aquilo que existe no anterior, as Reshimô
(recordações), impressões e memórias das quais ele nasceu e que agora deve implementar. Nenhuma
coisa vem do nada; tudo depende daquilo que o precedeu.

Estas são as fases pelas quais ascendemos do grau do deserto para o grau da terra de Israel. O grau
da terra de Israel contém todos os graus anteriores, desde Adam HaRishon (o primeiro homem,
Adam), com o qual a Torá começa. É por isso que achamos que a Torá sempre repete estados
descritos em livros anteriores e os prolonga para o próximo grau superiores.

Nós usamos o mesmo padrão nas nossas vidas diárias na escola, repetindo o mesmo material, mas
cada vez em um nível mais alto. Isto é, estudamos as mesmas leis, mas em maior detalhe. Quando
estudamos as leis de Newton no nível do liceu, voltamos a encontrar aquilo que já aprendemos
várias vezes na escola. A diferença é que mais fórmulas são adicionadas. Este padrão se repete em
várias áreas da vida.

Nesta porção, ascendemos a um grau muito alto. “A terra de Israel” é composta de todos os desejos
do homem que são processados e corrigidos para terem a direção de doar, ou seja que são corrigidos
completamente.

Tudo o que precisamos é corrigir aquilo que está em nós desde o estado no qual nascemos e do
qual evoluímos. Precisamos transformar de visar usar nossos traços egoistamente para os usar pelo
bem dos outros, como em “Ama teu próximo como a ti mesmo; essa é uma grande regra na Torá”.
Na realidade, é a inteira Torá que nos explica como corrigir o coração, ou seja todos nossos desejos,
que são chamados “coração”.

Hoje, não sabemos quem nós somos. Queremos descobrir o sentido de nossas vidas, a razão para a
vida. Esta e questões semelhantes despertam especificamente na nossa geração e frequentemente
conduzem à depressão e abuso de drogas e alcoolismo, pois não fazemos ideia do que fazermos com
elas.

Há pouco menos de um século atrás, pensávamos que quanto mais tivéssemos, mais
seriamos felizes. Acreditávamos q