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UNIVERSIDADE FEDERAL DO VALE DO SÃO FRANCISCO

CURSO DE MEDICINA

DISCIPLINA: PSICOLOGIA MÉDICA

DOCENTE: GABRIELA SOUSA

DISCENTE: CARLOS RAMON ROCHA

MEMORIAL FORMATIVO

1. Formação psicológica do médico:

A profissão médica foi ao longo da história, e ainda hoje, é vista não


somente como uma profissão, mas como um dom, vocação, dádiva e até como
uma arte. Ao longo dos anos o médico sempre teve uma posição de status e
poder. A sociedade alimenta a expectativa que o médico tenha características
lógicas e racionais como competência técnica e objetividade, capacidade de
tomar decisões, indiscriminação social, e também características subjetivas
como afetividade, ser acolhedor e atitude altruísta. É a soma dessas
características que formam a identidade do médico.

A formação médica está estabelecida sob um tripé, composto por sólido


conhecimento teórico-técnico, aquisição de habilidades práticas e
desenvolvimento de atitudes adquiridas na vida e na formação médica. A
formação psicológica do médico é decisivo nesse processo. O jovem estudante
deve desenvolver sua subjetividade, a capacidade de escuta ativa e empatia.

2. A relação médico-paciente

A relação do médico com o paciente mudou com o tempo. Ela é


construída espontaneamente, porém sua qualidade depende de esforços e
habilidade do profissional de saúde de adequar-se às características subjetivas
de cada paciente. É indubitavelmente fundamental, já que o resultado do
trabalho médico depende bastante da forma como que esta relação foi
construída. Diferenciam-se quatro possíveis modelos de relação médico-
paciente: o sacerdotal, o engenheiro, o colegial e o contratualista. A Medicina
atual vive numa realidade bastante conflituosa: de um lado as especializações
e muitas áreas dificultam o desenvolvimento de uma boa relação; do outro, a
humanização da Medicina e a valorização integral do indivíduo ganham força
nas recentes décadas. Uma relação médico-paciente pouco comunicativa
pode implicar em danos físicos e morais irreparáveis ao doente, além de
punições severas aos médicos recorrentes de processos judiciais. Acusações
processuais contra médicos multiplicam-se hoje, devido ao comportamento não
mais passivo dos pacientes, que agora se informam facilmente, pelos meios de
comunicação, sobre as patologias que eventualmente lhe interesse. Deve o
médico, desta forma, atuar de maneira a respeitar a autonomia do paciente e
utilizar seu conhecimento científico a favor da elaboração de propostas que
buscam a melhor orientação e tratamento de seu paciente.

3. Violência infantil e contra a mulher

Nas duas últimas décadas tem ocorrido um aumento importante dos


estudos na área da saúde sobre a violência, principalmente nos casos de
violência contra a mulher. Isso ocorre por conta do reconhecimento da
dimensão do fenômeno como um grave problema de saúde pública, por sua
alta incidência e pelas consequências que causa à saúde física e psicológica
das pessoas que sofrem violência.

A discussão dessa temática em aula foi de extrema importância, tendo


em vista que o médico em muitas situações, são solicitados a diagnosticar
possíveis lesões em decorrência de violência. Em muitos casos os médicos
devem estar treinados para, mesmo em caso de não haver violência explícita,
saber identificar sinais de outros tipos de violência, como a violência
psicológica.

4. Saúde mental do médico e do estudante de medicina

O relacionamento entre médicos e pacientes assim como entre médicos


e organizações públicas ou privadas está se tornando cada vez mais complexo.
De um lado, os médicos têm sido vistos com desconfiança tanto pelos
pacientes como pelos empregadores públicos e privados. Por outro lado, os
médicos mostram-se insatisfeitos e estressados; 80% dos médicos brasileiros
consideram a atividade médica desgastante, sendo os principais fatores de
desgaste: excesso de trabalho/multi-emprego, baixa remuneração, más
condições de trabalho, responsabilidade profissional, área de atuação/
especialidade, relação médico-paciente, conflito/cobrança da população, perda
da autonomia. A própria graduação já é um momento de extremo desgaste
emocional, devendo, portanto, o estudante estar atento aos sinais de alarme
que o seu corpo e emoções possam expressar. O médico e o estudante devem
zelar ao máximo pela sua saúde, pois somente através do perfeito estado de
saúde ele será capaz de ajudar aos outros.
5. Luto

Todos os dias estamos em contato com eventos e fatos relacionados à


morte. Sejam eles em nossas cidades ou praticamente em todos os locais do
mundo, através das mídias. Assimilamos a ideia de que a morte, o sofrimento
humano e as perdas estão muito distantes de nossas realidades cotidianas. A
morte é parte de nossa própria vida. É um fato e também um tema profundo e
impactante. Causa medo, intranquilidade e a qualquer momento a vida pode
ser acometida pela morte. Geralmente a morte é entendida como o ponto final
de nossa vida biológica.

A dor da perda, o sofrimento e o luto não dizem respeito somente em


casos de morte. Estamos sujeitos a várias situações de perdas como: derrotas
e fracassos do dia a dia, as frustrações profissionais, os fracassos
sentimentais, os desejos de posse, doenças graves. A dor da perda, o
sofrimento e o luto não dizem respeito somente em casos de morte. Estamos
sujeitos a várias situações de perdas como: derrotas e fracassos do dia a dia,
as frustrações profissionais, os fracassos sentimentais, os desejos de posse,
doenças graves.

Quando alguém recebe uma notícia impactante, uma doença fatal, entra
em um processo de perda onde vai desenvolver cinco fases. A negação, a
raiva, a barganha, a depressão e a aceitação. Estas fases estão descritos no
livro de Elisabeth Kübler-Ross intitulado “Sobre a Morte e o Morrer”.

O primeiro estágio: a negação e isolamento. Ao tomar conhecimento de


sua doença as pessoas reagem negando o fato, não acreditando no primeiro
momento. A negação não se trata somente do acreditar na notícia, mas
também nos exames, nos laudos e nas avaliações médicas.

O segundo estágio, a raiva, acontece quando não é mais sustentado o


primeiro, da negação, onde se assume a consciência de que realmente o fato
existe e não se pode mudar o quadro. Neste momento, a pessoa se pergunta o
porquê do fato estar acontecendo com ela. Kübler-Ross apresenta tal situação
claramente em um trecho do seu livro. Quando não é mais possível manter
firme o primeiro estágio de negação, ele é substituído por sentimentos de raiva,
de revolta, de inveja e de ressentimento. Surge, logicamente, uma pergunta:
“Por que eu?

Terceiro estágio: a barganha. Acontece por um tempo curto, uma


negociação, assim como os filhos fazem com os pais. Se eu fizer isso, você me
dá aquilo! A maioria das barganhas é feita com Deus. As pessoas propõem
uma meta, por exemplo: vou participar mais da igreja se conseguir me manter
vivo por mais um determinado tempo.
Quarto estágio: a depressão. A falta de conhecimento daqueles que
estão por perto agravam o quadro de pacientes que passam por esta fase. Eles
tentam motivar, dizendo para não ficarem tristes, mas como não ficarem
tristes? Pois como já vimos é difícil a aceitação de se perder tudo. Estamos
falando de um primeiro momento, onde há perda não só da vida, como se isso
não bastasse, mas as consequências causadas. Perde-se o emprego, as
condições financeiras, a dignidade, e as pessoas se afastam. No primeiro
momento as pessoas reagem frente a estes fatos, e no segundo eles se
preparam.

Quinto estágio: a aceitação. O referido estágio é possível para aquelas


pessoas que tiveram tempo necessário para superar as outras etapas. Não
necessariamente, todas as fases ou estágios em uma sequência lógica, mas
receberam algum apoio para enfrentá-las. Pessoas que não morreram de
forma abrupta, ou inesperada.

A abordagem dessa temática é de extrema importância para a formação


médica, haja visto que na maioria das áreas de atuação da medicina, lidaremos
com processos de perdas. Estar aptos a lidar com as diversas reações
apresentadas pelos pacientes e seus familiares, nos tornará profissionais
diferenciados.