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O cristianismo não é religião

Vivemos num tempo de obscuridade onde a verdade do evangelho foi substituída por um tipo de
religião humana. Mas a vida cristã nada mais é do que Cristo em nós. Transformar Cristo numa
religião é dizer que o seu sacrifício na cruz foi inútil e que precisamos fazer algo por nós mesmos
para alcançar a salvação.
No dia em que o Senhor Jesus morreu na Cruz o evangelho diz que o véu do templo se rasgou de
alto a baixo. Mas hoje temos um templo reconstruído em São Paulo. Simplesmente costuraram o
véu que o Pai havia rasgado. Estão passando um conceito, algo que eles acreditam. E se cremos no
erro inevitavelmente cairemos no abismo.
As pessoas estão acostumadas a pensar no cristianismo como uma religião, mas o cristianismo não
é uma religião.
Cristianismos é crer corretamente. Não é antes de tudo uma questão de se comportar corretamente,
mas crer corretamente.
Todo comportamento é resultado de uma crença. Uma crença errada sempre vai produzir um
comportamento errado. Baseado nisso posso dizer que uma crença errada pode destruir a
edificação da Igreja.
Como podemos identificar conceitos e práticas religiosas na igreja? Toda religião, possui cinco
características básicas.

1. O templismo

Recentemente uma igreja resolveu construir o Templo de Salomão na cidade de São Paulo. É a
expressão máxima do templismo nos dias de hoje. Nossa visão é muito clara sobre isso. Nós não
temos templos. Mas e os demais evangélicos? Todos eles possuem templos. Eles não podem
criticar essa obra, mas e quanto a nós?
Infelizmente ainda temos alguns sinais de templismo entre nós. Um deles é a ênfase na visitação
de Deus e não na sua habitação. No Velho Testamento havia visitação, mas no Novo Testamento
temos habitação de Deus.
O que você prefere, um visita de Deus ou tê-lo habitando em nós eternamente? Não há dúvida que
a habitação é muito melhor, mas mesmo assim ainda temos irmãos buscando uma visitação Divina.
Quando buscamos uma visitação estamos reconhecendo que ele não habita conosco.
Quando vivemos de acordo com a verdade de que o Senhor agora reside em nós a nossa atitude
muda completamente. Nos tornamos ministros lá fora e não pensamos que perdemos a presença
de Deus quando deixamos o culto.
Um segundo sinal de templismo é a ideia de que ficamos mais próximos de Deus em nosso culto.
Será que podemos ficar mais perto de Deus? É incrível, mas muitos irmãos quando chegam ao
culto pensam que estão longe de Deus e precisam de se aproximar.
No Velho Testamento Deus habitava primeiro no Tabernáculo e depois no Templo em Jerusalém.
Hoje ele habita em cada crente individualmente e na igreja como um corpo.
Segundo o conceito do Velho Testamento você ficaria mais perto de Deus quanto mais perto
estivesse do Templo.
Precisamos entender que somos o templo de Deus e que Deus não habita em prédios. Nós somos
Sua morada. Deus não mora no prédio da igreja. Quando você vai embora depois do culto, Ele o
acompanha. Ele habita com você, porque sagrado é você, e se você está cheio de Deus, aonde você
for, torna-se sagrado também. Somos o Seu templo e O carregamos dentro de nós. Onde nós
pisamos, Deus finca Suas pegadas; aonde nós chegamos, Deus chega junto.
O prédio para nós é apenas um lugar de treinamento e celebração, a vida normal da igreja acontece
em outros lugares em nosso dia-a-dia.

2. O legalismo

A segunda característica fundamental de toda religião é a lei. Não há religião sem a lei. A lei é o
centro da vida de um religioso. Não podemos ser cristãos e ainda continuarmos no legalismo.
Isso significa que não estamos mais sujeitos a lei alguma? É claro que cumprimos a lei, na verdade
nós que andamos no Espírito é que verdadeiramente cumprimos a lei.
O verdadeiro reino de Deus não é uma lei, mas o novo nascimento. Essa é a glória do evangelho.
Somente o evangelho tem poder de mudar o homem por dentro.
Eu não mato porque tem uma lei que me punirá se eu matar. Eu não mato porque sou nova criatura
e as tendências homicidas foram retiradas de mim.
O Espírito nos ensina a respeito de todas as coisas. A lei do Espírito foi impressa dentro do nosso
próprio espírito e não precisamos mais seguir a lei de Moisés que está presente em todas as
religiões.
O fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que Nele crê (Rom 10.4). Não devemos mais
seguir leis exteriores. O Espírito da Verdade nos conduz a toda verdade.

3. O clericalismo

A terceira característica da religião é o clericalismo. Você consegue perceber que estamos


edificando algo que foge completamente da religião? Quando realmente praticamos a visão das
células e a visão do evangelho, nós saímos fora de toda religião. A religião destrói a vida de Deus e
danifica o corpo de Cristo.
A verdade é que muitos vão aos cultos a cada domingo esperando receber uma unção nova. Mas
nós precisamos de uma unção nova? Você não precisa de uma nova unção. Somente precisaríamos
de uma nova unção caso a unção que possuímos se acabasse ou ficasse velha. Mas a verdade do
Novo Testamento é que a unção permanece em nós e ela não envelhece.
No entanto, você sabia que a palavra “unção” ou “ungido”, referindo-se aos crentes, só pode ser
encontrada em apenas 3 passagens no Novo Testamento?
Temos de rejeitar essa mentalidade religiosa. A unção permanece conosco. A unção que
recebemos desde o princípio vai permanecer conosco por toda a nossa vida.
Todo crente nascido de novo é ungido e todos nós temos um chamado maravilhoso de Deus em
nossas vidas.
Toda religião possui algum tipo de classe clerical. Toda elas possuem algum tipo de sacerdote que
está acima das pessoas comuns, mas hoje todos somos um em Cristo (3:28).

4. O ritualismo

No Velho Testamento o crente confiava em rituais e sinais exteriores como a circuncisão. Mas hoje
o cristianismo não é algo exterior, porém, é essencialmente algo interior e espiritual, algo que
procede do coração.
Ainda hoje, muitos procuram introduzir práticas e cerimônias exteriores na vida cristã. Em nosso
país tornou-se comum os objetos abençoados como flores, azeite, moedas, etc. Esse é o maior sinal
da decadência espiritual, pois esses mesmos acessórios tornaram-se parte do catolicismo na idade
média.
Os judaizantes concentravam-se em uma coisa exterior, a circuncisão, e faziam disso a base da fé.
Paulo, porém, mostra que as coisas exteriores não nos definem, ele diz que nem a circuncisão é
coisa alguma, nem a incircuncisão, mas o ser nova criatura. O que realmente importa é o novo
nascimento.
Não estou dizendo que o exterior e o físico não tenham lugar na vida da Igreja. Eles existem, mas
apenas como sinal visível de uma realidade interior e espiritual. Tudo o que é espiritual
inevitavelmente terá uma realidade exterior, mas nem tudo o que é exterior possui realidade.
O batismo é um exemplo disso. Ele é equivalente da circuncisão no Novo Testamento, mas
precisamos ser cuidadosos para não enfatizarmos exageradamente o batismo colocando-o como
meio de salvação. O batismo é uma cerimônia que apenas tem valor se houver a realidade interior
do novo nascimento.

5. As obras mortas
O Velho Testamento era caracterizado pelo que o homem poderia fazer para Deus, mas o Novo
Testamento não é mais uma questão do que fazemos para Deus e sim do que ele fez por nós.
O verdadeiro arrependimento é o arrependimento de obras mortas.
O que são obras mortas? Muitos pensam que se trata do pecado em que vivíamos, mas a verdade
é que as obras mortas são aquelas obras que fazíamos com o intuito de ganhar a nossa salvação.
Era a nossa mentalidade antiga de barganha com Deus.
Precisamos viver constantemente debaixo da verdade do Novo Testamento: não é o que eu faço
para ele, mas o que ele fez por mim. Não apenas a salvação, mas toda a vida cristã é baseada nessa
verdade. Toda religião ensina que a salvação depende das obras humanas. Todas elas ensinam que
devemos merecer o favor de Deus através de nossas boas obras.
Por causa disso todo religioso é hipócrita, pois ele sabe que não consegue agradar a Deus com as
suas obras, mas mesmo assim insiste nesse caminho. A cruz de Cristo anula nossas obras humanas.
E o que há na cruz de Cristo que enraivece o mundo e o leva a perseguir aqueles que a pregam?
“Cristo morreu na cruz por nós, pecadores, fazendo-se maldição em nosso lugar (3:13). Dessa
forma a cruz nos diz algumas verdades muito desagradáveis acerca de nós mesmos. A cruz mostra
que somos pecadores, que estamos sob a maldição da lei de Deus e não podemos nos salvar por
nós mesmos. Paulo mostra que se houvesse possibilidade de sermos salvos pelas nossas boas obras
certamente e cruz nunca teria acontecido (Gal. 2.21).
Cada homem que olhar para a cruz ouvirá Cristo dizendo: “eu estou aqui por sua causa”. É o seu
pecado que estou assumindo, é a sua maldição que estou sofrendo, é a sua dívida que estou
pagando, é a sua morte que estou morrendo. A cruz nos coloca na posição correta. Ela provoca
uma grande ferida no orgulho humano.
A cruz é a prova divina de que somos maus e merecedores do inferno. A cruz mostra o imenso
amor de Deus e prova que toda a obra de salvação é feita por ele.
Precisamos viver constantemente debaixo dessa verdade: não é o que eu faço para ele, mas o que
ele fez por mim. Não apenas a salvação, mas toda a vida cristã é baseada nessa verdade.
Não sofreremos perseguição e oposição se pregarmos bons princípios espirituais ou o alto padrão
moral do cristianismo. O mundo não se importa com isso, mas se falarmos do Cristo crucificado e
da sua graça sofreremos perseguição. A graça anula as assim chamadas boas obras e a cruz destrói
o orgulho humano, por causa disso o mundo sempre resistirá a mensagem da cruz.
E o cristianismo é, fundamentalmente, essa relação que se dá do homem com Deus. Relação essa
que se dá por iniciativa do próprio Deus, já que não seria possível ao homem ferido pelo pecado
chegar a plena comunhão por si mesmo. Deus sai, então, ao nosso encontro enviando o seu Filho
único para nos salvar.
É claro que esse encontro fundamental com Deus tem suas consequências na vida prática.
Percebemos o amor de Deus e o chamado a uma vida santa. Percebemos que muitas vezes pecamos
e que precisamos de conversão. Mas se mudamos de vida, não é por que queremos seguir um
conjunto de regras e de normas frias e sem sentido, mas porque queremos viver como Filhos
amados de Deus que somos. Queremos que esse encontro com Jesus transforme toda nossa vida.
E nesse sentido, podemos dizer que o cristianismo é mais uma relação com Deus que uma religião,
ainda que os dois conceitos não se excluam mutuamente.
Longe de ser um conjunto de regras frias, o cristianismo é sustentado pela compreensão de que
Deus ama seus filhos. Ele habita neles por meio do Espírito Santo, guiando-os em sua boa, perfeita
e agradável vontade. Tal compreensão lança nova luz ao relacionamento com o Criador, o qual é
pautado pela alegria de obedecê-lo e de agradar o seu coração.
Religião, não produz ‘doutrina’, ou seja, conhecimento de tipo cognitivo.
Em seu âmago, o cristianismo não é religião, embora se expresse em termos religiosos. O que Jesus
pediu aos seus discípulos era seguimento, não adoração, reza, culto, liturgia. A maioria, dos que
hoje seguem o cristianismo, não trilha no caminho de Jesus, mas está no outro polo, na religião, ou
seja, se dedica à doutrina, ensina a doutrina, defende a doutrina contra os hereges e as heresias’.
A Escritura fala sobre fé de diferentes formas. Aqui mencionaremos apenas dois de seus
significados mais amplos. Primeiro, “fé” pode se referir à religião cristã em si, isto é, a série de
doutrinas e práticas que a definem, como quando dizemos “a fé cristã” e “o conteúdo da fé” (Judas
3). Ou, “fé” pode se referir à crença pessoal nessa religião, como quando dizemos “tenha fé em
Deus” (Marcos 11:22) e “temos ouvido falar da fé que vocês têm em Cristo Jesus” (Colossenses
1:4).