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UNIVERSIDADE FEDERAL DO ACRE – UFAC

CENTRO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS E SOCIAIS APLICADAS


COORDENAÇÃO DO CURSO DE DIREITO

ALAN FURTADO MACHADO


ELLEN CAMILA DA SILVA FERNANDES
MARCUS VINÍCIUS LIRA PADILLA

ANÁLISE DOUTRINÁRIA:
AS DEFINIÇÕES DE JEAN-JACQUES ROUSSEAU ACERCA DO ESTADO.

Rio Branco, Acre.


Agosto de 2018
UNIVERSIDADE FEDERAL DO ACRE – UFAC
CENTRO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS E SOCIAIS APLICADAS
COORDENAÇÃO DO CURSO DE DIREITO

ALAN FURTADO MACHADO


ELLEN CAMILA DA SILVA FERNANDES
MARCUS VINÍCIUS LIRA PADILLA

ANÁLISE DOUTRINÁRIA:
AS DEFINIÇÕES DE JEAN-JACQUES ROUSSEAU ACERCA DO ESTADO.

Trabalho acadêmico feito para a


Universidade Federal do Acre, com o intuito de
somar-se à nota parcial da disciplina de Teoria
Política.

Orientador: Prof.

Rio Branco, Acre.


Agosto de 2018
COLABORAÇÃO INDIVIDUAL:
AS PRERROGATIVAS DE PODER E SOBERANIA SEGUNDO ROUSSEAU.

ELLEN CAMILA DA SILVA FERNANDES

A democracia é hoje a principal forma de aquisição de poder dentro das


nacionalidades pós-modernas. Ela se ramifica em inúmeras vertentes a depender do Estado ao
qual está vigorando e também do doutrinador que a postula. Rousseau, assim como todos os
contratualistas, segue a linha democrática do poder-objeto, no qual a soberania, que é a
representação desse poder, é passível de posse por um ente ou estrato social.
Nessa perspectiva, Rousseau defende a aplicação dela segundo o caráter mais
etimológico possível (do latim, demos: povo; cracia: governo), isto é, a democracia, de fato,
só acontece quando o governo emana do povo e, quando pontua povo, distancia-se ao máximo
do que tange à representação. Em síntese, pois, caminha pela linha participativa – ou direta –
da democracia.
Acerca dessa soberania popular são ditadas por Rousseau quatro características
basilares e inerentes à existência dela: o perfil absoluto, infalível, indivisível e inalienável. O
primeiro se caracteriza pela plena convicção de que “o pacto social dá ao corpo político um
poder sobre todos os seus” (ROUSSEAU, 2012, p. 108), isto é, sendo o pacto social um
acordo do povo para com o povo, o povo, e somente ele, pode reger-se. O segundo emerge da
máxima de que, sendo essa soberania a representação do bem comum, ela jamais falhará. A
terceira carece de um ar explicativo mais denso, dado que ele também defende a divisão do
Estado em três poderes e como, pois, dividir o indivisível? Esta dita divisão não é da
soberania em si, mas sim do poder administrativo emanado dela, ou seja, a soberania – da
vontade geral – deve ser contínua e indivisível, mas o poder oriundo dela pode ramificar-se. A
quarta e última característica é embasada exatamente no que tange à democracia direta, pois a
soberania “jamais pode alienar-se, e [...] o soberano, que nada é senão um ser coletivo, só
pode ser representado por si mesmo.” (ROUSSEAU, 2012, p. 105), parafraseando, portanto,
só o povo pode representar a sua soberania e, a partir disso, tornar-se-á inalienável.
O modo como essa democracia seria aplicável, porém, é um mistério até mesmo para o
próprio Rousseau que em alguns momentos chega a tomar como utópica tal tese, como no
seguinte trecho: “Se existisse um povo de Deuses, ele se governaria democraticamente. Um
Governo tão perfeito não convém aos homens” (ROUSSEAU, 1995, p. 125), no qual ele toma
como plausível a democracia, em essência, somente numa coletividade de deuses e não nas
sociedades humanas. Ainda no que tange à aplicabilidade externa-se a seguinte
reinterpretação:
Rousseau rejeitou a representação como tal e, por consequência, rejeitou a ideia de
democracia baseada na representação. [...]. Dependendo da parte da obra de
Rousseau que se considere, ele parece pensar em uma democracia direta ou, às
vezes, de modo paradoxal, em uma democracia plebiscitária (Weffort, 1992, p. 107)

Admitindo como válida a utopia, pode-se pensar nela como uma consequência da
defasagem do princípio de infalibilidade da soberania. Adentrando numa atmosfera de
retomada, Rousseau afirma que tal princípio é dado segundo o pressuposto de expressão da
vontade geral, entretanto, essa vontade não é uma coletânea de interesses particulares, mas
sim um externar daquilo que o corpo coletivo julga melhor à coletividade. Quando acontece
uma confluência de interesses particulares e esses acabam representando a maioria, mas não o
bem comum, tem-se caracterizado o início do que Karl Marx chama de dominação de classes
– inclusive, afirma que “toda a história da humanidade é a história da luta de classes”
(MARX, 2012) – e Michel Foucault (1975) caracteriza, em outra vertente, como consequência
de relações desarmônicas de poder que acabam levando à consolidação de uma sociedade
disciplinar.
REFERÊNCIAS

FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Petrópolis: Editora Vozes, 1987.

MARX, Karl. As lutas de classes na França de 1848 a 1850. São Paulo: Boitempo Editorial,
2012.

ROUSSEAU, Jean-Jacques. Discurso sobre a origem da desigualdade entre os homens.


Coleção Completa de Obras, Genebra, 1780-1789, vol. 1. Edição online: 2012. Disponível
em: <www.rousseauonline.ch/Text/volume-1-ouvrages-de-politique.php>. Acesso em: 20
ago. 2018

WEFFORT, Francisco. Qual democracia? São Paulo: Companhia das Letras, 1992.