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SUMÁRIO

Introdução
Por que investir?
Conceitos básicos de investimentos
Horizontes dos investimentos: curto e longo prazo
Por que proteger seus investimentos?
Respeite seu perfil de investidor
Diversifique seu portfólio
Monte uma boa carteira de ações
Como escolher uma ação – análise fundamentalista básica
Ativos de proteção: ouro e dólar
Derivativos
Mercado futuro: aspectos básicos
Como fazer o hedge de carteira utilizando minicontratos
Mercado de opções: princípios básicos
Táticas operacionais no mercado de opções visando o hedge
Hedge do Hedge – Seguro do seguro
Comentários Finais
Leitura recomendada
Créditos
Autor
INTRODUÇÃO
Quando pensamos em investir, a primeira pergunta que vem à mente é
aonde aplicar o nosso dinheiro. Caderneta de Poupança, Ouro, Dólar,
Debêntures, Fundos de Investimentos, Tesouro Direto, Previdência
Privada Complementar ou Mercado de Ações? Nem sempre é uma
pergunta fácil de ser respondida. E por vários motivos. Primeiro porque
a maioria dos profissionais liberais e potenciais investidores não tem
conhecimento básico sobre o assunto. Segundo porque no Brasil os
investimentos em renda fixa sempre foram muito rentáveis e
usualmente sem exigir maiores esforços do pequeno investidor. Por
último, antes de optar por um determinado investimento, deveríamos
responder a uma série de quesitos. Qual é o nosso perfil de investidor?
Qual é o horizonte daquela aplicação? Qual é a taxa básica de juros
vigente no país? Isso, dentre outros questionamentos.
Considero que saber investir corretamente é uma missão relativamente
complexa, mas perfeitamente factível. Basta um pouco de estudo e
dedicação. O mercado financeiro é muito amplo: os conceitos
financeiros são extensos, bem como as opções de investimentos e as
armadilhas são perigosamente traiçoeiras. Pior. O mercado está
infestado de bons pastores oferecendo ajuda. Fuja deles. Os bons
profissionais são úteis na orientação e na apresentação dos produtos,
todavia, o mais importante de tudo é que a decisão final sempre
deverá ser sua!
Após a escolha dos ativos, o próximo passo é a preservação do capital.
Este deve ser o primeiro objetivo de qualquer investidor. O mercado
financeiro é muito volátil e cíclico, especialmente o mercado de ações.
Ele é maníaco-depressivo, alternando momentos de euforia com outros
de pânico, por vezes no mesmo dia, por vezes sem razão lógica alguma.
Quase tudo depende do humor dos operadores, das notícias externas e
do movimento dos grandes investidores – os “tubarões” da bolsa.
Não podemos ficar totalmente expostos ao mercado de renda variável,
sem nenhuma proteção, aguardando dias melhores. A maioria dos
pequenos investidores sequer conhece os mecanismos de proteção,
HEDGE. E eles existem. Os que já ouviram falar acham que as
ferramentas de hedge são complexas e exclusivas dos operadores
profissionais. Ledo engano. É muito mais simples do que você pensa.
Este livro tem justamente este propósito: proteger seu portfólio das
crises econômicas vigentes ou vindouras, esperadas ou não. Não é
propósito deste livro comentar de forma pormenorizada os diferentes
tipos de ativos disponíveis no mercado brasileiro.
Algumas táticas de hedge são simples e de fácil execução. Outras são
mais complexas, mas que podem ser executadas pelos pequenos
investidores; basta dedicação, conhecimento e disciplina. Tenho total
convicção de que após a leitura deste livro você estará apto a executar
todas as ferramentas de hedge propostas aqui.
Mais informações, dúvidas ou sugestões: Investir cada vez melhor
Boa leitura.
Marcelo Montandon Jr.
POR QUE INVESTIR?
Se você ainda não é um investidor, selecionei algumas boas razões para
você começar a investir o quanto antes. Não perca tempo.
1. O declínio inexorável da capacidade de trabalho com o avançar da
idade. Infelizmente, não podemos alterar o nosso destino. A
expectativa média de vida dos brasileiros está cada vez maior, desta
forma, devemos estar preparados para o futuro e as reservas
financeiras são absolutamente fundamentais para uma vida
confortável.
2. Confiar a aposentadoria totalmente ao Instituto Nacional de Seguro
Social (INSS) não é um bom negócio. As intervenções do Governo
Federal são constantes e perigosas. Se a reforma da previdência no
Brasil não for feita, o sistema atual é insustentável e faltará dinheiro
para honrar os benefícios. Em 2017, o teto da aposentadoria para os
contribuintes autônomos é cerca de R$ 5.500,00. Para atingir este
limite, a contribuição mensal é relativamente alta. Existem outros
produtos mais interessantes e, melhor, mais confiáveis e seguros.
3. Para a maioria das coisas importantes na vida, o dinheiro é
imprescindível. Esta é a lei no capitalismo. Não tente remar contra a
maré!
4. Garantir um futuro digno para a sua família, com saúde, qualidade
de vida e segurança. Talvez seja o maior sonho de qualquer
trabalhador honesto. É uma meta difícil, mas perfeitamente
possível. Basta que você trabalhe muito, economize parte do seu
salário e, principalmente, saiba investir. Este é o caminho; e quanto
mais cedo, melhor!
5. Como já dito, o objetivo inicial de qualquer investimento é a
preservação do capital, especialmente para combater os efeitos
maléficos do incansável processo inflacionário no Brasil. Os
investimentos no longo prazo podem ser drasticamente corroídos
pela inflação. E mais: as crises econômicas cíclicas destroem parte
do valor dos seus investimentos. Assim, é preciso proteger seu
patrimônio.
6. Por último, não delegue esta missão a outras pessoas. Você precisa
tomar a frente do “negócio”. Seu futuro está em jogo. Participe
ativamente da construção do seu patrimônio. Sempre!
Antes de avançarmos no tema, preciso repassar alguns conceitos
básicos sobre investimentos.
CONCEITOS BÁSICOS DE
INVESTIMENTOS
Qual é o seu perfil de investidor? Conservador, moderado ou
agressivo? Os bancos e corretoras avaliam o perfil do cliente antes de
sugerir as modalidades de investimentos – suitability. Algumas
pessoas são totalmente avessas a riscos, outras mais tolerantes. O mais
importante é respeitar o seu perfil de investidor, caso contrário você
perderá o sono e, pior, seu dinheiro. Evite grande exposição ao
mercado de renda variável, caso você seja muito conservador. O que é
bom para uma pessoa, não necessariamente é para outra. Cada um tem
seu limite. Respeite-o! Veja abaixo as principais características de cada
perfil.
1. Perfil conservador: são investidores que priorizam a preservação
do patrimônio e possuem baixa tolerância ao risco. Devem ficar
menos expostos aos ativos de renda variável. Ativos mais
conservadores e pouco voláteis são os mais indicados. Eles
valorizam também a liquidez dos recursos.
2. Perfil moderado: também priorizam a preservação de capital,
contudo possuem alguma tolerância ao risco. Podem ficar um pouco
mais expostos aos ativos mais voláteis.
3. Perfil agressivo ou arrojado: são investidores que possuem alta
tolerância ao risco na busca de rendimentos mais significativos.
Aceitam os prejuízos com maior naturalidade e não necessitam dos
recursos no curto prazo. A liquidez do dinheiro não é prioridade.

HORIZONTE DO INVESTIMENTO
Antes de fazer qualquer investimento, é preciso decidir qual é o
horizonte daquela aplicação: curto ou longo prazo. Investimentos de
curto prazo – menos de um ano – exigem baixo risco e alta liquidez:
imprevistos acontecem! Já os de longo prazo visam o futuro e a
aposentadoria, assim têm como principal objetivo a rentabilidade: neste
caso é preciso arriscar mais. No mercado não existe almoço grátis!

RETORNO FINANCEIRO
O retorno de um investimento é a taxa de remuneração dos ativos
financeiros, expressa em porcentagem, num determinado período de
tempo. Outro conceito importante é o de rentabilidade absoluta versus
rentabilidade relativa. A primeira refere-se ao rendimento da operação
por si só, sem comparações, enquanto a segunda está relacionada a
algum parâmetro – benchmark. No mundo dos investimentos, o ideal é
utilizar a rentabilidade relativa, pois ela reflete melhor o desempenho
da aplicação. Assim, o rendimento de uma carteira de ações deve ser
comparado a algum índice baseado em ações, por exemplo, o Índice
Bovespa – IBOV. O retorno de um Fundo em Renda Fixa deve ser
comparado com ativos da mesma natureza.
Por outro lado, a rentabilidade esperada é aquela que aguardamos no
futuro, enquanto a rentabilidade observada é referente ao rendimento
que aconteceu no passado. Nem sempre o que ocorreu no passado
acontecerá no futuro, pois existem inúmeras variáveis. Apesar de
simples e óbvio, este detalhe é muito importante. Não há
previsibilidade fidedigna.

RENDA FIXA OU VARIÁVEL


Entende-se por renda fixa aquele investimento em que no ato da
aplicação, já conhecemos a taxa de juros que ganharemos naquele
período. A poupança, o CDB e os títulos do Tesouro Direto são alguns
exemplos. Na renda variável, o investimento é feito na expectativa de
obter uma valorização no futuro, mas sem garantia: imóveis, ouro,
ações, etc.

IDADE E INVESTIMENTOS
Quando somos jovens podemos e devemos arriscar um pouco mais,
pois ainda temos muito tempo para nos recuperar de eventuais erros.
Porém, com o passar dos anos, nossa capacidade de trabalho é menor.
Investimentos em renda variável podem ser muito rentáveis, porém
carregam maior risco, enquanto investimentos em renda fixa são mais
seguros, todavia menos rentáveis. Busque o equilíbrio e ajuste seus
investimentos às suas necessidades e ao seu perfil. Em breve
comentarei mais sobre o assunto.

DIVERSIFICAÇÃO DOS INVESTIMENTOS


Diversificar nada mais é do que investir em múltiplos negócios ao
mesmo tempo, dentre os mais variados tipos de investimentos, com o
objetivo de minimizar os riscos inerentes a cada um. Portanto, em
nossa carteira deveremos ter ativos com boa liquidez, ativos de curto e
longo prazo, ativos vinculados à renda fixa e outros à renda variável.
Nunca aposte todas as suas fichas em um só negócio, mesmo que
pareça bastante seguro e rentável. Ainda comentaremos muito sobre o
assunto neste livro.

JUROS COMPOSTOS
Também chamados de juros sobre juros. Segundo o grande físico
Albert Einstein, “o juro composto é a oitava maravilha do mundo”.
Tratando-se de investimentos, este é o princípio mais importante. Deixe
os juros compostos trabalharem por você: pequenos aportes mensais
bem aplicados, no longo prazo podem atingir pequenas fortunas. Por
outro lado, as dívidas baseadas nos mesmos juros compostos destroem
qualquer orçamento. Veja no exemplo a seguir, a diferença entre os
resultados de aplicações de um mesmo valor, 50 mil reais, e com a
mesma taxa de juros, 1% ao mês. A simulação mostra aplicações de 10
e 20 anos, e com juros simples e compostos. Perceba que o último
resultado é muito superior aos demais, pois as duas grandes
ferramentas foram colocadas ao nosso favor: o tempo mais longo e os
juros compostos.
RISCOS DOS INVESTIMENTOS E O CONCEITO
DE TRADE-OFF.
Qualquer investimento é baseado no tripé: retorno, risco e liquidez.
Assim, ao investir buscamos o retorno financeiro no futuro, mas
devemos estar cientes dos riscos inerentes ao investimento e também da
liquidez dos mesmos, que é a capacidade de convertê-los em dinheiro.
O investimento ideal seria aquele com alta rentabilidade, baixo risco e
ótima liquidez. Entretanto são características mutuamente excludentes a
partir de certo ponto. Para conseguir um pouco mais de uma, temos que
abrir mão de outra. Daí surge o conceito de trade-off, que é a relação
de compensação entre estes três fatores, ou seja, ganha-se num quesito
e perde-se em outro (veja a ilustração). Um ativo com alto risco em
geral tende a apresentar elevada rentabilidade.
Como já comentado, a liquidez de um investimento refere-se à
capacidade de convertê-lo em dinheiro. Assim, um imóvel tem baixa
liquidez, pois em geral, precisamos de um tempo razoável para revertê-
lo em dinheiro. Por outro lado, um fundo de investimento referenciado
em DI (Taxa CDI) costuma apresentar liquidez imediata (D+0). O
mercado de ações apresenta ótima liquidez para os papéis mais
negociados, porém o dinheiro estará na nossa conta apenas no terceiro
dia útil após a venda do mesmo (D+3), que é o prazo de liquidação
deste ativo. Entretanto, apesar da liquidez das ações, em ciclos de
queda da bolsa, fazer resgates antecipados podem gerar grandes
prejuízos.
Todos os investimentos apresentam riscos, todos, sem exceção,
inclusive nosso próprio negócio: uma clínica médica, um restaurante ou
um escritório de advocacia, dentre outros. Aliás, este sim, tem o maior
risco de todos, o que quase sempre é ignorado pela maioria das pessoas.
De uma maneira geral, o próprio negócio tende a oferecer o maior
retorno sobre o capital investido, pois o risco assumido por nós é muito
alto.
Veja a seguir os principais tipos de riscos:
Risco de crédito: refere-se ao risco de não receber o valor aplicado,
bem como seu rendimento. Desta forma, se você comprar uma ação
de uma empresa e depois ela falir, você ficará no prejuízo! Qualquer
investimento tem risco de crédito, até mesmo a caderneta de
poupança e os títulos do governo federal!
Risco de mercado: refere-se ao comportamento do preço do ativo
em função das condições do mercado em geral; por exemplo, uma
crise global poderá afetar grande parte dos seus investimentos,
alguns mais, outros menos.
Risco de liquidez: está relacionado ao tempo necessário para
converter seu investimento em dinheiro. A compra de um
apartamento pode oferecer um grande risco de liquidez, caso haja
queda na demanda. Uma ação de “terceira linha” da bolsa de
valores poderá ter falta de liquidez, isto é, falta de compradores em
determinados momentos ou apresentar um spread importante –
diferença entre a oferta de compra e a oferta de venda.
Risco do negócio: refere-se ao risco do negócio propriamente dito.
Por exemplo, após a compra de um imóvel, a valorização ou
desvalorização do mesmo pode ser afetada por algum novo
empreendimento na vizinhança.
Risco sistemático: é o risco intrínseco que não pode ser reduzido
mesmo com a diversificação dos investimentos.
HORIZONTES DOS
INVESTIMENTOS: CURTO E LONGO
PRAZO
Antes de planejar a sua aposentadoria é preciso garantir o presente.
Assim, os investimentos de curto prazo são imprescindíveis. Este é o
primeiro mecanismo de proteção de sua carteira: mantenha a
liquidez de curto prazo. Nunca deixe de ter uma reserva financeira
aplicada em ativos seguros e com liquidez. A liquidez de parte de
nossos investimentos é fundamental. Portanto, o primeiro passo para
um bom planejamento financeiro é garantir o curto prazo. A falta de
liquidez pode tirar seu sono. Atualmente temos várias opções
interessantes com este propósito. Sugiro que suas reservas financeiras
para o curto prazo correspondam a no mínimo seis meses de seus
gastos habituais. Como exemplo, para quem tem um gasto mensal
médio de 8.0 mil reais, cerca de 50 mil serão suficientes.
Cito, a seguir, duas modalidades de investimentos com este propósito:
os Fundos DI e o Tesouro Selic. Elas apresentam duas características
importantes em comum: baixo risco e liquidez imediata.

Por vezes, utilizo o termo “médio prazo”. Na minha concepção este


horizonte de aplicação está compreendido entre 1 e 3 anos. Considero o
curto prazo, os investimentos com horizonte de até 12 meses e, o longo
prazo, para mais de 3 a 5 anos. Perceba que é um conceito teórico, mas o
mais importante de tudo é você determinar o horizonte para cada
investimento.

FUNDOS DI
Amplamente difundidos na sociedade, os fundos de investimentos
consistem em instrumentos de aplicação financeira, nos quais o
investidor aplica seus recursos por meio de cotas, deixando a
administração desses recursos a cargo de um profissional do mercado.
Portanto, neste tipo de investimento, ao invés de comprarmos ativos
diretamente, compramos cotas de um determinado fundo. O gestor terá
a missão de comprar ou vender ativos para a carteira do fundo, de
acordo com o objetivo de estratégia de cada fundo.
Dentre os vários tipos de fundos temos os chamados Fundos de Curto
Prazo, neles inclusos os Fundos DI, que devem aplicar seus recursos
em títulos públicos federais ou títulos privados de baixo risco,
prefixados ou indexados a alguma taxa de juros. Estes títulos devem ter
prazo médio de 60 dias e prazo máximo de vencimento de 375 dias.
Estes fundos têm por objetivo proporcionar a menor volatilidade
possível dentre os fundos disponíveis no mercado brasileiro. Suas
regras permitem a utilização da cota de abertura e proíbem a cobrança
de taxa de performance. Podem também ser classificados como fundos
de aplicação automática, de forma a remunerar o saldo remanescente
em conta corrente. O problema principal dos fundos de aplicação
automática é que, ao admitir a transferência de recursos da conta
corrente para o fundo, o investidor renuncia às garantias do FGC
(Fundo Garantidor de Crédito), portanto o investidor deve ser alertado
no prospecto do fundo. Fique atento!
Os Fundos Referenciados deverão conter o indicador de desempenho
do fundo. Assim, os Fundos Referenciados em DI, nosso objetivo
neste ponto do livro, seguem a variação da taxa CDI, que por sua vez é
atrelada indiretamente à Selic. São fundos passivos e que devem conter
95% dos ativos financeiros relacionados ao seu benchmark, ou seja,
vinculados a Taxa CDI ou à Selic. Estes fundos têm liquidez imediata e
rendem uma parcela da Taxa CDI – o ideal é que o rendimento médio
seja próximo à taxa CDI (100%). Teoricamente são ativos semelhantes
aos CDBs pós-fixados, porém apresentam duas desvantagens: cobram
taxa de administração e não têm a garantia do FGC.

AS VANTAGENS DOS FUNDOS DI:


Fácil acesso para a população. Todos os bancos e cooperativas de
crédito oferecem esta modalidade de investimento;
O rendimento é razoável, acompanhando a taxa básica de juros e,
portanto, não sofre oscilações bruscas com a mudança da taxa Selic;
Liquidez imediata: usualmente D0 (mesmo dia) ou D+1.

AS DESVANTAGENS DOS FUNDOS DI:


Não tem garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Taxa de administração: evite taxas superiores a 1% ao ano. O ideal
é pagar menos que 0,5%.
Tributação de Imposto de Renda (IR) e do IOF;
Sistema de “come-cotas”.

IMPOSTOS SOBRE OS FUNDOS DE


INVESTIMENTO
Para os fundos de investimentos a alíquota completa do IOF (Imposto
sobre Operações Financeiras) é de até 100% sobre o rendimento. É
cobrada quando o investidor resgata os recursos antes de 30 dias.
Entretanto, esta alíquota é proporcional ao número de dias que o
dinheiro permaneceu no fundo, sendo decrescente até “zerar” com 30
dias.
Já as alíquotas do IR são decrescentes em virtude do tempo de
aplicação. No investimento com período inferior a 180 dias, paga-se
22,5% de IR sobre o rendimento; entre 181 dias e 360 dias, 20%; entre
361 e 720 dias, 17,5% e mais de 720 dias, o percentual é de 15 % (ver
tabela).
O sistema de “come-cotas” de tributação do IR refere-se ao fato de que
a cada seis meses, no último dia útil dos meses de maio e novembro,
mesmo que o cliente não faça a retirada do dinheiro, o administrador
recolhe o IR devido, simulando uma retirada total, reduzindo assim as
cotas de cada investidor – o valor da cota permanece o mesmo. A
alíquota é de 20% para fundos de curto prazo e de 15% para os de
longo prazo. Ao término do investimento, dependendo do tempo do
investimento, será feito o ajuste do IR.

Nos fundos de investimento o recolhimento do IR é de inteira


responsabilidade do agente financeiro (administrador).

TESOURO SELIC – TAMBÉM DENOMINADO


DE LFT (LETRAS FINANCEIRAS DO
TESOURO)
São indexados exclusivamente à Selic e por isso são considerados os
títulos mais conservadores. Não sofrem ágios ou deságios bruscos. Têm
vencimento de médio prazo, atualmente 2023. Numa analogia,
funcionam como os fundos DI e, portanto, são indicados em períodos
de incerteza sobre a taxa Selic e para investimentos que visam o curto
prazo.
Se o seu objetivo é garantir o curto prazo e a liquidez do investimento,
evitando oscilações bruscas na cotação dos ativos, a melhor opção no
programa do tesouro direto é o Tesouro Selic: LFT. É o título público
mais conservador. A remuneração é diária e vinculada à Selic.
Desde que o programa do TD passou a oferecer vendas diárias, 2016,
muitas pessoas perguntam o que é mais vantajoso, o Tesouro Selic ou
os Fundos DI? Ótima questão. Precisamos comparar os rendimentos e
os custos. O rendimento do Tesouro Selic é conhecido: a taxa Selic
com um mínimo deságio (0,10%), a chamada Taxa Selic Efetiva. Os
bons fundos DI rendem praticamente o mesmo ou, por vezes, um pouco
mais. Por outro lado existem péssimos fundos DI no mercado que
rendem muito abaixo da taxa CDI, e por isso devem ser evitados.
Em relação aos custos, eles precisam ser bem avaliados e comparados.
Sobre os títulos do TD incidem duas taxas: aquela cobrada pelo agente
custodiante (de zero a 1,0% ao ano) e outra devida à Bovespa (0,30%
ao ano). Já nos fundos DI temos apenas uma taxa, a de administração,
porém, às vezes, ela é muito salgada: 2% ou mais. Posto isto, fica claro
que o investidor precisa ficar atento e comparar estas taxas antes de
investir.
Tenho uma aplicação pessoal num Fundo DI na XP investimentos.
Veja a seguir. A taxa de administração é de 0,4% e quase sempre este
fundo supera seu benchmark, no caso a Taxa CDI (mais de 100% desta
taxa). Assim, é mais vantajoso aplicar no Fundo DI do que na taxa
Selic, além do que é um pouco mais simples e o dinheiro cai na conta
no mesmo dia, se solicitado antes das 13 horas (cada fundo tem suas
próprias regras de resgate). Problema: teoricamente o risco de crédito
num fundo DI é maior que no Tesouro Selic. Então, o que fazer?
Sempre comento com meus leitores que devemos ter uma reserva de
curto prazo de pelo menos seis meses Usualmente recomendo manter
aplicado em fundo DI, duas vezes a despesa mensal média. Para o
restante da reserva de curto prazo (os outros quatro meses), sugiro
manter no Tesouro Selic.

E o Tesouro Selic em relação à “saudosa” caderneta de poupança? A


diferença de retorno é absurda. Enquanto a poupança rendeu pouco mais
de 8% em 2016, o Tesouro Selic atingiu 14%. Se tirarmos o IR (alíquota
de 17,5%) e a taxa de administração do título, o rendimento líquido
superou os 11%, isto é, 35% a mais que o resultado da poupança. É
verdade que alguns vão dizer que a poupança é garantida pelo Fundo
Garantidor de Crédito (até 250 mil reais por CPF), e os títulos não.
Contudo, os títulos públicos são garantidos pelo próprio Governo Federal,
ou seja, eles têm risco soberano: o menor de todos. Mais uma
característica positiva do Tesouro Selic: enquanto ele rende diariamente
(pró-rata), na poupança o dinheiro precisa permanecer em conta durante os
30 dias corridos (até a data do “aniversário”), caso contrário você não
receberá o rendimento algum. É por essas e outras que os saques da
poupança aceleraram a partir de 2015. Fuja da caderneta de poupança, o
quanto antes, melhor! Não indico a caderneta de poupança nem para o
curtíssimo prazo.

Após garantir o curto prazo, passemos ao próximo tópico.


POR QUE PROTEGER SEUS
INVESTIMENTOS?
Todos os ativos têm seus ciclos de alta, de baixa e de estabilidade nos
preços: imóveis, ouro, dólar, commodities agrícolas e minerais, todos,
sem exceção. Alguns apresentam ciclos curtos e outros mais longos. A
correção nos preços em algum momento faz parte do mercado de renda
variável, mesmo em ativos com forte tendência de alta. Assim, nada
sobre eternamente, e vice-versa.
Outro ponto importante: de tempos em tempos, eventos não esperados
ocorrem, os chamados “cisnes negros” (Black Swans), e a maioria dos
ativos se deprecia fortemente, por vezes de maneira aguda, como nas
últimas crises internacionais de 2000 e de 2008, onde o mercado
acionário desabou mundo afora.
A construção de riqueza deve ser constante e paulatina. Todavia, se
você não estiver devidamente protegido, uma crise aguda pode arrasar
seus lucros de vários anos e você ficará no prejuízo por muito e muito
tempo até uma nova onda de valorização dos ativos. Não deixe isso
acontecer com você.
Volto a insistir: o objetivo principal deste livro é apresentar de uma
maneira simples e objetiva que existem mecanismos para proteger seu
patrimônio. Algumas ferramentas são simples e outras um pouco mais
complexas, mas todas perfeitamente factíveis e ao alcance dos
pequenos investidores. Assim, decididamente, não é preciso ser um
profissional do mercado financeiro para aprender os mecanismos de
proteção de carteira. E o melhor de tudo: quando trabalhamos com
hedge de carteira teremos uma noite tranquila, sem pesadelos e sem
sofrimentos, e tiraremos férias sem peso na consciência, pois parte de
nossos investimentos estará protegida. Nada mais prazeroso do que
saber que o patrimônio está devidamente protegido. Posso garantir!
A partir de agora apresentarei os mecanismos de hedge propriamente
ditos, passo a passo. São eles:
Respeite seu perfil de investidor;
Diversifique seu portfólio;
Monte uma boa carteira de ações;
Compre seguros no mercado futuro e mercado de opções;
RESPEITE SEU PERFIL DE
INVESTIDOR
Aqui está outro ponto fundamental no gerenciamento de patrimônio.
Não queira replicar a carteira de outras pessoas. Cada um tem seu
perfil. O que é bom para mim, pode não ser bom para você, e vice-
versa. Pode parecer óbvio, mas muitos pequenos investidores insistem
em não respeitar seus limites.
Sempre tive um perfil muito arrojado. Talvez este fato tenha
colaborado com meu sucesso no mercado financeiro, aliado a uma
dedicação extrema, muito acima da média. Entrei no mercado
financeiro em 2008, no começo da maior crise econômica global no
pós-guerra. Se eu tivesse um perfil mais conservador, com certeza eu
teria abandonado o mercado de ações. Por outro lado, o meu perfil
perseverante e de muita dedicação corroborou para atingir os objetivos
desejados.
Portanto, fica a dica: respeite seus limites. Se você sofre
exageradamente com as oscilações diárias dos ativos de renda variável,
o melhor a fazer é montar uma carteira bem conservadora evitando
grandes exposições ao mercado de ações. Caso contrário você perderá
o sono e, provavelmente, seu dinheiro. Pequenos investidores insistem
em comprar na alta e vender na baixa: não toleram a dor. Faça
diferente!
Por outro lado, não insista em posições perdedoras. Avalie sua carteira
com frequência. Se algum ativo estiver destoante, analise os motivos do
fraco desempenho. Pesquise, estude e o tome a decisão de maneira
tranquila e sem atropelos. Erros acontecem. Faz parte do jogo. O que
você não pode fazer é insistir no erro. É sinal de pouca inteligência.
DIVERSIFIQUE SEU PORTFÓLIO
De uma forma simplista, além dos investimentos de curto prazo, já
comentados, manteremos em carteira títulos de renda fixa e ações. Os
títulos de renda fixa são os mais diversos possíveis e podem ser
privados e públicos. Usualmente os títulos privados apresentam maior
risco de crédito e, portanto, maior retorno financeiro; já os públicos são
mais seguros. Os títulos públicos federais são os ativos com menor
risco do mercado – risco soberano. Como já dito, foge do objetivo deste
livro apresentar de maneira pormenorizada os prós e contras de cada
ativo. Nos meus outros livros você poderá obter uma descrição sobre os
mesmos. Por uma questão didática, vou colocar os títulos públicos
como representante de todos os ativos de renda fixa.
Os títulos públicos federais no Brasil correspondem aos títulos
vendidos no programa do Tesouro Direto, como exemplos, o Tesouro
prefixado e o Tesouro Inflação. Nos Estados Unidos, os títulos públicos
são chamados de Bonds. De uma maneira geral, uma carteira de longo
prazo deverá conter as duas classes de ativos: bonds e ações. A
proporção entre eles deverá respeitar o perfil do investidor.

COMO MONTAR UMA CARTEIRA DE


INVESTIMENTOS
A intenção de montar uma carteira de investimento é reduzir o risco
inerente a cada segmento. Assim, independente do perfil do investidor
uma carteira deverá ser diversificada. Sempre!
Na medida do possível devemos ter aplicações em ativos de renda fixa
e variável. As razões são simples e já comentadas. Parte do nosso
capital deve ser aplicada em renda fixa por dois motivos básicos:
segurança e liquidez imediata. Não podemos ficar totalmente expostos
às oscilações inerentes ao mercado de renda variável e nossas
aplicações devem estar disponíveis para conversão em moeda corrente
a qualquer momento. Imprevistos acontecem e parte dos nossos
investimentos poderá ser resgatada para suprir algumas necessidades
esporádicas, como uma doença na família, a perda do emprego, etc.
Entretanto, aplicações exclusivas em renda fixa são menos rentáveis e
no longo prazo os rendimentos são corroídos pela inflação. Assim, toda
carteira de investimentos deverá conter ativos de renda variável,
especialmente ações, visando os objetivos de longo prazo.
Daí surge uma pergunta importante: qual a porcentagem de divisão
entre cada ativo? Nunca é uma resposta fácil, mas devemos ficar
atentos a três fatores básicos: o perfil do investidor, a faixa etária e o
montante de recursos a ser aplicado. Pessoas pouco afeitas a risco
devem evitar grandes exposições à renda variável. Indivíduos na faixa
etária acima dos 65 anos também. A explicação em relação aos mais
idosos é simples: uma crise pode perdurar muito tempo e, desta forma,
limitará a chance de reversão de eventuais prejuízos no curto e médio
prazo. Quando somos jovens podemos e devemos arriscar mais. Outro
fator é o montante do patrimônio já acumulado. Quanto maior for o seu
patrimônio, menor é a necessidade de arriscar. Nesta situação o mais
importante é a preservação do capital, isto é, que o retorno financeiro
supere a inflação e que o portfólio esteja protegido das crises
econômicas.
A maioria dos especialistas sugere que uma boa carteira de
investimentos deva apresentar uma base ampla em ativos de renda fixa
e a ponta contendo ativos de renda variável: uma pirâmide.
A seguir, veja os gráficos contendo as porcentagens sugeridas para
cada perfil: conservador, moderado e agressivo (arrojado). Para os
investidores acima de 65 anos e para aqueles que já possuem um
grande patrimônio, use a tabela do perfil conservador, pelos motivos
expostos anteriormente. Estes limites são teóricos. Representam apenas
uma base para você fazer o seu próprio portfólio. Ajustes periódicos
são bem-vindos e necessários. Não crie raízes nos ativos: manter a
mobilidade dos ativos financeiros em carteira é uma grande virtude.
Pense nisso. Recomendo fortemente a leitura do livro Axiomas de
Zurique de Max Gunther.
.
REBALANCEAMENTO DA CARTEIRA
Uma vez determinada qual a porcentagem de cada ativo em carteira, ela
deverá ser mantida no médio e longo prazo, mantendo seus objetivos
originais. Como os ativos terão rendimentos distintos, com o tempo a
carteira perderá as porcentagens da distribuição pré-determinada. Desta
forma, um rebalanceamento frequente se faz necessário. Não há uma
regra clara, mas um rebalanceamento anual tem bons resultados. Com
fazer? Transfira os recursos de um investimento para outro com o
intuito de reestabelecer a carteira original. Assim, os ativos que tiveram
melhor desempenho recente cederão recursos para os menos rentáveis.
Como a maioria dos ativos tem seus próprios ciclos, sabe-se que esta
estratégia é a que tem melhor resultado no longo prazo. O que foi bom
este ano pode não ser ano que vem, e vice-versa. A própria
diversificação e a realocação de recursos se encarregam de corrigir as
eventuais distorções. O mais importante é o resultado no longo prazo e
vários estudos comprovam que esta é a melhor tática.

O rebalanceamento de ativos em carteira é uma rotina nos grandes fundos


de investimentos. A carteira do fundo deve seguir rigorosamente as
premissas do regulamento. Portanto, numa alta expressiva do mercado de
ações, o gestor tem a obrigação de vender parte do seu portfólio de ações
para se adequar. Por outro lado, se o mercado de ações despencar ele é
“obrigado” a comprar mais ações, como certa vez li num texto de Luis
Stuhlberger do Fundo Verde. Faça o mesmo, mas nunca no curto prazo.
Esqueça os ruídos de curto prazo. Sugiro que você faça anualmente.
MONTE UMA BOA CARTEIRA DE
AÇÕES
É preciso montar uma carteira de ações diversificada e com boas
empresas. Esta será a sua maior proteção. No longo prazo os bons
fundamentos das empresas são imunes às turbulências passageiras e ao
humor do mercado, e o resultado final quase sempre é muito bom.
Nunca aposte todas as suas fichas numa única empresa ou em poucas
empresas, mesmo que te pareça uma grande oportunidade. Esta regra
nunca pode ser violada. A diversificação na montagem de uma carteira
de ações é fundamental para a proteção do seu patrimônio.
Muitos críticos desta metodologia, incluindo o megainvestidor
americano Warren Buffet, comentam que a diversificação de uma
carteira de ações é o mecanismo que os “investidores sem
conhecimento” utilizam para investir no mercado de ações. Segundo
eles, se você conhece bem a empresa, uma maior diversificação seria
totalmente desnecessária. Bastaria escolher a melhor ou as melhores
empresas e pronto. Aqui está o grande problema deste pensamento:
devemos assumir que somos ignorantes e falhos em avaliar uma
empresa, e que uma avaliação segura das empresas é uma tarefa muito
complexa. Desta forma, afirmo categoricamente, que é melhor assumir
a nossa limitação como analista. Não pense que você é melhor que os
outros players do mercado. Não seja tolo!
Quando comecei a investir no mercado de ações usei a tática de colocar
poucas empresas na carteira. Inclusive no primeiro meu livro indicava
ao leitor que a “carteira ideal” deveria conter entre cinco e dez ativos.
Desde então mudei completamente de opinião e atualmente mantenho
entre 20 e 30 ações no portfólio, e os resultados foram muito melhores.
Procuro selecionar as melhores empresas de cada setor: uma a duas por
setor da economia. Até pouco tempo atrás, eu achava que era uma
diversificação muito exagerada, mas recentemente lendo o livro Fora
da Curva, 2016, na parte da entrevista com o Luis Stuhlberger do
Fundo Verde, um dos gestores com melhores resultados no mercado
brasileiro, ele cita mais ou menos o seguinte: “consta no regulamento
do fundo verde que deve haver uma exposição média de 30% ao
mercado acionário, local ou internacional, assim mantenho no meu
portfólio entre 20 e 30 empresas”. Se ele executa esta maior
diversificação, porque nós, pequenos investidores, não devemos segui-
lo. É óbvio que se o seu capital for reduzido colocar esta ideia em
prática será quase impossível. Assim, neste caso, é melhor selecionar o
melhor ativo de cada setor. Mas nunca, eu disse nunca, aposte todas as
suas fichas em uma empresa só. Não cometa este erro infantil.
A utilização da análise fundamentalista é imprescindível no intuito de
selecionar os melhores ativos. No meu livro, Não Seja o Pato da Bolsa
de Valores, faço uma introdução básica sobre o assunto, de forma
simples e didática, mostrando ao pequeno investidor como escolher as
melhores ações, inclusive com vários exemplos reais. No próximo
capítulo comento sobre os principais indicadores fundamentalistas. Os
bons profissionais do mercado financeiro – analistas profissionais,
agentes autônomos e corretores – poderão lhe auxiliar nesta tarefa.
Relatórios feitos por analistas independentes também são úteis, mas
lembre-se, a decisão final sempre deverá ser sua. Selecione as melhores
empresas de cada setor e seja um sócio de verdade. Entenda o negócio
da empresa e participe do crescimento da empresa.
Dentro da carteira de ações você deverá manter ativos sólidos e
seguros, como as ações dos maiores bancos: Itaú, Bradesco e Banco do
Brasil. Não é coincidência que atualmente o setor financeiro representa
cerca de 30% da composição do IBOV. Faça o mesmo. O Banco Itaú
(ITUB4) é o “queridinho” do mercado e com mérito, haja vista que ele
sempre é o “campeão” dos melhores resultados – mais de 20% de
retorno sobre o capital investido. A nova gestão do Banco do Brasil
(BBAS3), a partir de 2016, pode elevar o banco a outro patamar, pois
ele ainda está muito descontado em relação aos seus pares. Por outro
lado, por ser uma empresa estatal, o risco político sempre estará
presente. Gosto muito também das ações da BM&FBOVESPA
(BVMF3) e vejo muito potencial desta ação para o longo prazo. A
bolsa brasileira é um verdadeiro “monopólio” e a compra da CETIP em
2016 pode ampliar ainda mais seus resultados.
Você deverá escolher também empresas maduras e sedimentadas de
outros setores do mercado. Vou citar três empresas que são líderes em
seus ramos e que mostram resultados quase sempre impecáveis: a
Ambev (ABEV3) do setor de consumo (bebidas), a Raia Drogasil
(RADL3) do setor de consumo (medicamentos) e a Ultrapar (UGPA3),
esta última, empresa dona de algumas marcas importantes, com
destaque para a rede de postos de gasolina Ipiranga. Não espere por
grandes ralis de curto no preço destas empresas, mas sim por aumento
contínuo de preços.
Invista também em outros setores da economia: consumo e alimentos,
papel e celulose, mineração e siderurgia, petróleo e outras fontes de
energia, construção civil, educação, transportes e setor elétrico, dentre
outros. Procure selecionar o melhor ativo de cada setor, ou os melhores,
se seu capital permitir. Percebo que muitos pequenos investidores
ficam exageradamente expostos às commodities, por isso recomendo
muito cautela. Mantenha estes ativos em carteira, porém não exagere na
dose. Eles são cíclicos e dependem de fatores externos. Desta forma,
diversifique em minério (VALE5), petróleo (PETR4), papel e celulose
(FIBR3), siderurgia (GGBR4). E não se esqueça de colocar alguns
ativos atrelados à moeda americana, como exemplo, a Embraer
(EMBR3).
Os ativos do setor elétrico também são ótimas opções para investidores
que buscam segurança e também o recebimento de dividendos
generosos. Opte principalmente pelas transmissoras de energia que são
menos susceptíveis aos fatores climáticos, às frequentes intervenções
do governo federal e a receita é quase sempre muito previsível. Gosto
muito da Taesa (TAEE11) e da Alupar (ALUP11).
Por último, deixe uma pequena parcela do seu capital, 5 a 10% do seu
portfólio em ações, para investir em pequenas empresas (Small Caps)
ou em companhias que passam por dificuldades momentâneas, mas que
podem se recuperar no médio e longo prazo (empresas em
turnaround). O risco do investimento pode ser recompensado com
grandes valorizações no futuro.
Recomendo ainda que o investidor mantenha o ativo BOVA11 em
carteira, 10%. Ele é um fundo de índice que replica a variação do
IBOV, pois contém as mesmas ações do índice Bovespa (IBOV) e na
mesma proporção. Assim, como acredito que estamos iniciando um
verdadeiro BULL MARKET de longo prazo em 2016 / 2017, nada
mais óbvio que seguir a variação do índice. Um fator que corrobora
com esta ideia é que desde o ano de 2014, a metodologia do IBOV
ficou muito melhor e as ações ruins aos poucos estão sendo expurgadas
do índice. Desta forma, o BOVA11, as ações dos bancos e os ativos
mais sólidos serão o alicerce do seu portfólio.
Posto isso, fica claro que você deve gastar a maior parte do seu tempo
escolhendo as melhores ações. Não tenha pressa. Não compre uma ação
sem saber o que a empresa faz. Entre no site da empresa, explore o
negócio e confira os “números” da empresa.
Utilize os indicadores fundamentalistas para comparar as ações do
mesmo setor. Saia da sua zona de conforto e dedique-se a seu futuro.
Não espere por dicas milagrosas!
Veja a seguir uma sugestão de uma hipotética carteira de ações dividida
por setores, isso para um montante mínimo de 50 mil reais. O ideal é
100 mil reais ou mais. Se você não tem esta disponibilidade aplique o
valor dedicado para o mercado de ações no ativo BOVA11. Ele fará a
diversificação para você!
A divisão anterior é apenas uma sugestão. O melhor é compor os
setores de acordo com seu perfil de investidor e seus interesses. No
intuito de aprimorar sua capacidade de selecionar ações, comento agora
os principais indicadores fundamentalistas. Isso é o mínimo que você
precisa entender. Não pare por aqui. Invista no seu futuro e aprimore
sua capacidade de análise.
COMO ESCOLHER UMA AÇÃO –
ANÁLISE FUNDAMENTALISTA
BÁSICA
Regra número 1: compre barato. Ninguém sabe o valor futuro de um
ativo e nunca saberá. Assim, nenhuma pessoa pode afirmar com certeza
o potencial de valorização de uma ação. O que temos em mãos é o
preço atual de mercado, ou seja, o valor que o mercado está disposto a
pagar naquele momento. A partir dele, é preciso avaliar se a ação em
questão está cara ou barata. Pagar caro é muito arriscado. Comprar
barato é o objetivo principal. Será a nossa margem de segurança do
investimento – temos que mitigar o risco de queda. Porém, muito
cuidado com ações em forte queda. A compra de ativos muito
desvalorizados pode ser um péssimo negócio. Empresas ruins
comumente perdem grande parte do seu valor de mercado. A nossa
missão é buscar boas empresas e negociadas a preços razoáveis. Esta é
a lógica do bom investidor. Portanto, a regra número 2, e tão
importante como a primeira, é comprar apenas ações de boas
empresas. O objetivo deste capítulo é mostrar para você quais os
indicadores fundamentalistas, também chamados de múltiplos pelo
mercado, que devem ser avaliados com este intuito.
A principal razão da existência de uma empresa é gerar lucros para seus
acionistas. E melhor, queremos lucros constantes, e se possível,
resultados melhores no futuro. Assim, precisamos escolher as melhores
empresas. Queremos ser sócios e partilhar do sucesso. Não queremos
dívidas. Não queremos má gestão. Pense rápido: você investiria numa
empresa onde o seu principal controlador, o acionista majoritário,
interfere diretamente na gestão e prejudica de forma recorrente os
lucros da empresa e, por conseguinte, seus acionistas? Com certeza a
reposta é não. Isto aconteceu com as Estatais no governo petista.
Interesses do governo (e do partido) deixaram de lado os interesses da
empresa e dos minoritários – pequenos investidores.
Para separar o joio do trigo, temos os indicadores fundamentalistas, que
são nossos grandes aliados. Não é preciso ser um grande especialista
para dominá-los. Todo investidor almeja o retorno financeiro. Uma
companhia que gera bons lucros é quase sempre bem avaliada pelo
mercado. Contudo, o preço da ação pode estar momentaneamente caro,
apesar dos bons fundamentos. O que fazer? Existem vários indicadores
fundamentalistas – baseados nos dados oriundos dos balanços
trimestrais obrigatórios – que buscam comparar o preço vigente da ação
(preço de mercado), com o valor contábil da ação. A partir daí,
podemos avaliar se a ação está cara ou barata. A seguir descrevo os
indicadores que julgo mais importantes. Nenhum deles deve ser
avaliado isoladamente. O ideal é avaliar em conjunto. Outro ponto
significativo é que num primeiro momento os indicadores podem
parecer muito complexos, mas basta um pouco de dedicação e você
perceberá que não são. E o mais importante: é preciso ter familiaridade
com os termos utilizados nos relatórios produzidos pelos analistas
profissionais para você fazer uma leitura fácil e ter uma perfeita
compreensão dos termos. Os indicadores fundamentalistas estão
disponíveis de forma gratuita em alguns sites, como o Fundamentus.
VPA (Valor Patrimonial por Ação) – é o resultado da divisão entre o
patrimônio líquido (PL) pelo número total de ações emitidas. O PL
corresponde à simples diferença entre os ativos (bens, direitos e
disponibilidades financeiras) e as dívidas da empresa, sejam elas de
curto ou longo prazo. Teoricamente, o VPA representa o valor que o
acionista receberia por cada ação, em caso de liquidação da empresa. Já
a relação P/VPA compara o preço (P) de mercado da ação com o VPA
(ou P/B em inglês: Price to Book). Desta forma, uma empresa com o
preço de mercado abaixo do VPA, estaria subavaliada; em
contrapartida, um preço acima indicaria que a ação está cara. Simples?
Nem tanto. O índice é mais utilizado apenas para determinar o valor de
liquidação da empresa. Isoladamente este indicador tem pouco valor,
pois muitas vezes empresas com graves problemas financeiros
apresentam um valor de mercado muito inferior ao VPA. Já as
empresas saudáveis e muito lucrativas têm um P/VPA alto, ou seja, é
negociada com “ágio”, criado pelo próprio mercado. Isso não é
necessariamente ruim, pois para empresas muito lucrativas, o índice
tem pouco significado. Todos os participantes do mercado desejam
uma boa empresa: lei da oferta e da procura. Estes dados somados a
outros que comentarei a seguir, podem mostrar a verdadeira alma da
empresa. De acordo com Benjamin Graham você deveria evitar a
compra de uma ação com P/VPA acima de 1.5, pois a margem de
segurança seria pequena. Entretanto, acredito que ações de empresas
muito rentáveis podem ultrapassar este limite, como comentaremos em
breve e isto será corroborado por outros indicadores.
P/L (relação Preço / Lucro)– é o indicador mais usado pelo mercado
financeiro. É obtido pela simples divisão do preço da ação pelo lucro
líquido anual por ação (o lucro líquido é obtido após a dedução de
todas as despesas). É uma boa ferramenta para comparar ações. De uma
maneira bem simplista, seria o tempo, em anos, que o investidor teria
de volta o dinheiro investido, caso o lucro da empresa fosse constante
no futuro. Problema: o indicador avalia os dados pregressos e faz uma
previsão para o futuro da companhia. Frequentemente não funciona.
Inúmeras variáveis podem alterar o lucro futuro de uma empresa. Desta
forma, empresas com alto P/L apresentam uma boa perspectiva futura,
baseada nos resultados passados, mas nenhuma garantia. No mercado
nacional, empresas com grande potencial de crescimento apresentam
um alto P/L, em geral, acima de 20. Por outro lado, empresas
deficitárias podem apresentar uma relação baixa ou até mesmo
negativa. Qual a relação ideal? Não existe um número mágico, mas
guardem na mente estes valores: para empresas maduras, considerar um
valor ideal entre 5 e 15; já para as empresas em crescimento e muito
rentáveis podemos aceitar um P/L entre 15 e 25. Valores superiores
indicam que a ação está muito cara; e, lembre-se, um P/L muito baixo,
denuncia graves problemas financeiros na empresa. Fique atento: em
alguns relatórios, os analistas expressam o P/L da seguinte forma: a
ação “Z”negocia a 10x (10 vezes) o lucro, isto é, um P/L de 10.
Enterprise Value (EV) ou Valor da Firma– Este indicador é baseado
no valor de mercado da companhia acrescido da dívida líquida, ou seja,
é o valor total da empresa para todos financiadores, acionistas e
detentores das dívidas da empresa. O valor de mercado (market
capitalization) é a cotação da ação multiplicada pelo número de ações
emitidas. Já a dívida líquida é a dívida total da empresa subtraída do
caixa (disponibilidades financeiras). O valor da firma é utilizado para
determinar o preço que um potencial comprador pagaria pela empresa,
isto é, o adquirente compraria tanto a parte dos acionistas (ações),
como as dívidas.
EBITDA – A sigla em inglês significa Earnings Before Interest, Tax,
Depreciation and Amortization, ou seja, são os lucros auferidos pela
empresa antes do pagamento de juros, impostos, depreciação e
amortização. Lembrando que as despesas contáveis de depreciação e
amortização são pagas em momentos diferentes da contabilização e por
isso são subtraídas. O EBITDA é também chamado pelo mercado de
geração de caixa operacional. Diferentemente do lucro líquido que é
o lucro final após a dedução de todas as despesas, o EBITDA é obtido
pela simples subtração das despesas operacionais do lucro bruto.
Portanto, o pagamento de juros, impostos, depreciação e da
amortização não entram nos cálculos. O EBITDA pode ser considerado
o fluxo de caixa que remunera os dois financiadores da empresa: os
acionistas e os detentores das dívidas. Ele é usado para avaliar a saúde
financeira da empresa. Muitas vezes este indicador é usado para
estimar o valor de uma empresa. Por exemplo, a empresa tem um valor
estimado em 4 a 5x o EBITDA anual.
EV / EBITDA – É uma forma muito eficiente de comparar os preços
entre ações. Quanto mais baixo o indicador, mais barata a empresa está.
Exemplo: uma empresa negocia a 12x o EV / EBITDA e outra a 10x,
ou seja, a segunda, por este indicador, é mais atrativa, isto é, mais
barata. Teoricamente, é um indicador semelhante ao P/L e, como tal,
não deve ser utilizado isoladamente.
ROIC e ROE – ambos os indicadores mostram a relação entre o lucro
da empresa e o capital investido. Eles medem a rentabilidade da
empresa para os acionistas. No ROIC, a fórmula é um pouco mais
complexa, pois entra nos cálculos o capital investido por terceiros – os
detentores da dívida da empresa. Já no ROE temos o lucro líquido
anualizado dividido pelo patrimônio líquido. A correlação entre os dois
indicadores é muita clara e estreita, pois ambos mostram em
porcentagem, a capacidade da empresa em gerar lucros. A partir daqui
utilizaremos apenas o ROE, mas é bom frisar que no dia a dia, em
alguns casos, faz se necessário avaliar os dois múltiplos para evitar
distorções. Como já falamos, o lucro é o principal motivo que faz o
investidor comprar uma determinada ação. Empresas com alto retorno,
acima de 30%, são negociadas com ágio, por motivos óbvios. A Cielo é
um ótimo exemplo (ROE de 50%). O ROE mede a eficiência dos
lucros para os acionistas da empresa. Um retorno entre 10 e 20% é
considerado bom, principalmente se for constante ao longo dos anos.
Para um retorno inferior a 10%, no Brasil, por enquanto, é melhor o
investidor aplicar em renda fixa, pois o rendimento atual é maior, e o
risco é bem menor. Empresas com ROE negativo são literalmente
massacradas pelo mercado. Esta é a regra! Contudo, boas empresas
podem passar por momentos ruins, e mesmo assim, serem boas opções
de compra, particularmente quando pensamos num prazo mais longo.
Elas podem entrar no que chamamos de turnaround: empresas que se
recuperam de momentos ruins.
Dívida Líquida (DL) / EBITDA – é um indicador muito importante
para analisar o endividamento de uma empresa e que comumente é
usado pelos mais diversos analistas. Lembre-se de que não queremos
companhias endividadas. O numerador é a dívida total menos o caixa
da empresa. Já o denominador é o EBITDA dos últimos 12 meses.
Portanto, quanto maior o indicador (dívidas) e menor o denominador
(“lucros”), maior é o endividamento da empresa. Um endividamento de
até 3x é saudável. Acima de 3,5 a 4x é elevado. Existem outros
aspectos a serem considerados como o custo da dívida (taxa de juros), o
prazo da mesma (as dívidas de curto prazo são mais relevantes; veja o
próximo tópico) e o momento do mercado como um todo.
Especialmente nas crises, este aspecto é muito importante. As empresas
endividadas sofrem drasticamente nestes períodos.
Índice de liquidez corrente (LC) – ele indica a capacidade da empresa
em honrar seus compromissos no curto prazo, passivos de menos de 1
ano, pois o índice é obtido pela divisão dos ativos de curto prazo pelos
passivos, as dívidas, também de curto prazo. De uma maneira geral, o
mercado considera ideal um índice maior que 2. Porém, comumente
empresas que geram muito lucro e com alto potencial de crescimento,
podem ter um índice inferior a 2, sem maiores problemas, mas sempre
maior que 1, pois caso contrário, o risco de inadimplência é alto. Nem
toda empresa se encaixa nestas exceções!
Margem de lucro – não basta que a empresa fature muito, ela precisa
manter uma boa margem de lucro. Cada setor da economia tem seu
próprio padrão de margem de lucro. Mas um fundamento deve ser
comum a todos: as margens devem ser constantes e de preferência
melhores e crescentes. Margens reduzidas ou gradativamente piores
podem indicar uma má gestão, a ineficiência do negócio ou a entrada
de fortes concorrentes. Fique de olho!
Mais três detalhes importantes na seleção das ações. Avalie a análise
da estrutura do capital da empresa, a análise da capacidade de
reinvestimento e também a análise comparativa entre os balanços
patrimoniais trimestrais. A estrutura de capital da empresa nada mais
é que a relação entre o capital de terceiros, dívidas e empréstimos, e o
capital próprio – capital investido pelos acionistas. Uma relação muito
alta não é saudável em virtude do alto grau de alavancagem da
empresa. A capacidade de reinvestimento de uma empresa é
primordial. Nenhuma empresa manterá bons lucros e crescimento
sustentável sem novos investimentos. O último aspecto a ser analisado
é que queremos empresas com lucros crescentes no decorrer dos anos.
Este dado pode ser analisado através da comparação entre os balanços
trimestrais. Almejamos dados melhores. Sempre! A deterioração
seguida de balanços pode ser um sinal de alerta.
Agora, por último, mais dois múltiplos relevantes para quem almeja
montar uma carteira de dividendos, o Dividend Yield (DY) e o
Payout:
DY – A relação entre os lucros anuais distribuídos aos acionistas e o
preço de mercado da ação é um importante critério a ser considerado na
hora de comprar um ativo, especialmente quando o investidor visa
rendimentos frequentes no curto prazo, como numa carteira de
dividendos. Essa distribuição dos lucros pode ser por meio de
pagamento de dividendos ou de juros sobre o capital próprio (JCP),
dentre outros. O DY é expresso em % e, como já comentado, é
anualizado. O cálculo é obtido dividindo-se o valor do dividendo pago
por cada ação pelo preço de mercado da mesma. Assim, representa a
porcentagem que receberemos em dividendos em relação ao preço da
ação. Boas empresas pagadoras de dividendos apresentam um DY entre
10 e 20%. Alguns analistas acreditam que o pagamento mínimo de
dividendos anual deveria ser o equivalente a 6% da cotação da ação.
Cabe a ressalva de que o dividendo depende do lucro recorrente da
empresa. Assim, não há garantia alguma que o dividendo pago hoje
será o mesmo no futuro. O contrário também é verdadeiro: empresas
em fase de desenvolvimento retêm boa parte dos dividendos para
investimentos, para que no futuro possam pagar bons dividendos.
Payout – Também expresso em % e anual. O cálculo é simples:
dividendo pago por ação dividido pelo lucro por ação. Representa a
porcentagem do lucro que é revertida em proventos para os acionistas.
Teoricamente indica o grau de maturidade da empresa, pois empresas
maduras costumam apresentar altas taxas de payout. Investidores
tendem a pagar mais caro por empresas com alto payout. Entretanto,
empresas com alto payout podem representar um “grande risco”, pois a
estratégia da empresa pode não se sustentar por muito tempo, uma vez
que sem reserva de recursos para novos investimentos, o crescimento
da empresa pode ser prejudicado e, por conseguinte, comprometer a
manutenção do pagamento dos dividendos atuais.

Um aspecto muito importante na montagem de uma carteira de dividendos


é que não adianta nada a empresa ter um bom DY e um alto payout, se o
preço de mercado da ação é decrescente, com queda constante no valor das
ações. Desta forma, você ganha numa ponta e perde na outra. Usualmente,
isto mostra que os lucros distribuídos atuais não são sustentáveis no longo
prazo, por motivos intrínsecos à empresa. Então o que queremos? Simples.
Manteremos em nosso portfólio empresas maduras e sustentáveis que
mantém seus valores de mercado e pagam dividendos constantes. Esta é a
lógica de uma carteira de dividendos.

Até aqui comentamos sobre a importância dos investimentos de curto


prazo, a necessidade de respeitar o perfil do investidor, o aspecto
salutar da diversificação da carteira e, o árduo e imprescindível
processo de escolha das ações. Comento agora dois ativos “seguros” e
que devem fazer parte de qualquer carteira de longo prazo. O objetivo é
proteger parte do seu patrimônio durante as crises do mercado.
ATIVOS DE PROTEÇÃO: OURO E
DÓLAR
Além dos títulos de renda fixa, de curto e longo prazo, e do
investimento no mercado de ações, parte dos seus investimentos deverá
estar aplicada em ativos mais seguros, como o dólar americano e o
ouro. Usualmente estes ativos são imunes às crises mundiais e, por
conseguinte, protegerão parcialmente sua carteira nos momentos de
turbulência. Eles têm uma correlação inversa ao mercado acionário.
O ouro e o dólar americano são considerados pelo mercado financeiro
os ativos mais seguros nas crises econômicas. Na época da bonança
eles são esquecidos e se desvalorizam lentamente. Por outro lado, nos
momentos de incerteza e nos eventos imprevistos, eles explodem para
cima.
Assim, independentemente da cotação do dólar americano, ele deverá
fazer parte de sua carteira, talvez entre 5 e 10% de sua carteira total
(durantes as crises este montante poderá ser aumentado). A moeda
americana é um porto seguro contra as mais diversas crises. Durante os
momentos difíceis da economia global e do aumento da aversão a
riscos, os investidores literalmente “correm” para o dólar, isto é,
investem na economia americana em detrimento dos mercados
emergentes. Essa é a lógica.
Segundo Mark Spitznagel, num estudo publicado em 2016, o ouro é o
ativo que tem a melhor correlação inversa com os índices acionários
mundo afora – no estudo em questão foi utilizado o índice americano
S&P500. Assim, seguindo esta premissa, todo portfólio deveria conter
uma fatia deste ativo de segurança. Segundo Mark, para uma proteção
“perfeita”, a proporção de ouro na carteira deveria ser muita alta, o que
prejudicaria o desempenho da mesma no longo prazo, haja vista que os
períodos de euforia são mais longos do que os de depressão. Posto isto,
com o objetivo de proteger estruturalmente a sua carteira, você deverá
manter de 5 a 10% do seu portfólio aplicado em ouro e dólar
americano. Já para a prevenção de catástrofes, os “cisnes negros”, onde
ocorrerão quedas agudas e rápidas dos ativos de risco, incluindo os
títulos públicos, recomendo a estratégia do tail hedge, proposta mesmo
autor, que comentarei em breve. A seguir, escrevo sobre as opções para
se investir em ouro ou na moeda americana.

OURO
Este metal precioso é considerado pelos investidores uma espécie de
porto seguro nos momentos de crise. Um dos motivos é que a oferta de
ouro é relativamente pequena, pois a produção e as reservas são
limitadas, aspecto que difere de algumas moedas estrangeiras, por
exemplo, o dólar norte-americano. Teoricamente, o dólar pode ser
emitido pelos Estados Unidos da América a qualquer momento,
aumentando a oferta da moeda no mercado internacional e
consequentemente depreciando seu valor. Outro motivo que demonstra
a solidez do ouro é que os principais países em desenvolvimento têm
aumentado suas reservas financeiras, antes apenas aplicadas em dólar e
títulos públicos do governo americano. Desde então uma parcela
significativa está diretamente aplicada em ouro. Assim, muitos
economistas acreditam que não há sinais de reversão deste cenário.
No Brasil, como pessoa física, basicamente temos as seguintes opções
para se investir em ouro:
1. Barras de ouro (teor de pureza de 99,99%) . Há algumas
empresas oficiais no Brasil que estão autorizadas pelo BACEN e
pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) a comercializar
barras de ouro, como exemplo, o tradicional grupo Marsam. Podem
ser adquiridas diretamente na loja ou através da internet do site
Riservadoro com entrega em domicílio; neste último caso o cliente
paga o frete e um seguro: 1% do valor. Há um ágio – cerca de 5% –
em relação ao preço cotado na BM&FBOVESPA. A guarda do
metal é de responsabilidade exclusiva do cliente. Caso haja a
necessidade de venda, as próprias empresas recompram, porém com
deságio. Entretanto, deve-se guardar a nota fiscal de compra e a
embalagem da barra não pode ser violada. Este último aspecto é
primordial. O mercado informal tem o mesmo propósito, porém a
aquisição do ouro é feita no “mercado negro”. É comum nos centros
das grandes cidades a oferta deste produto. Os preços são mais
camaradas, porém não há garantia por parte dos órgãos oficiais,
nem garantia da pureza do metal.
2. Joias. Decididamente não é uma boa opção para se investir em
ouro. Primeiro, porque no preço das joias está embutido o valor do
trabalho do joalheiro – designer. Segundo, porque é muito comum a
mistura com outros metais, o que desvaloriza o ouro.
3. Fundos de investimentos. Existem fundos de investimentos que
seguem a variação do ouro. Eles comumente estão atrelados à
moeda americana e usualmente o resgate não é imediato, o que
limita a liquidez.
4. Ouro físico BM&FBOVESPA. Existem contratos físicos
negociados na bolsa e custodiados na CBLC, como qualquer outro
ativo. O contrato com maior liquidez é o de 250 gramas. A cotação
no Brasil é feita por unidade (um grama) sob o código OZ1D.
Apenas a título de informação, a cotação do ouro em janeiro de
2017 era de R$ 120,00. Portanto, apenas um contrato (250 gramas)
valia cerca de 30 mil reais. Este contrato não tem prazo de validade,
pois é um contrato físico. Como todo ativo negociado em bolsa,
temos as taxas de negociação, custódia, etc.
5. Contratos futuros da BM&FBOVESPA. São derivativos
baseados na cotação do ouro. Funcionam como qualquer outro
derivativo no mercado futuro. Tem prazo de vencimento,
possibilidade de alavancar seu capital, etc.
Após esta breve exposição, conclui-se que devemos alocar parte do
nosso capital nesta modalidade de investimento: ouro. Opte pela
aquisição física do metal, barras e contrato físico da BM&FBOVESPA,
ou por aplicar em fundos de investimentos atrelados à variação da
cotação do ouro, esta última talvez a opção mais fácil e segura.

DÓLAR
A taxa de câmbio é a relação de valor entre a moeda local e uma moeda
internacional. O dólar norte-americano é a principal moeda de
referência no mundo. No Brasil, a Taxa PTAX pode ser considerada
como a cotação oficial do dólar norte-americano em relação ao real,
sendo definida como a taxa média de todos os negócios com dólares
praticados no mercado interbancário ao longo do dia. A PTAX é
divulgada pelo BACEN e serve como base para correção de contratos
vinculados à moeda americana.
O dólar comercial à vista é a cotação mais difundida da moeda. Em
contrapartida, o dólar futuro é um consenso de mercado sobre a cotação
do dólar numa data futura. O dólar futuro é baseado na cotação atual do
dólar acrescido de juros – de maneira semelhante ao IBOV futuro, que
estudaremos em breve.
O regime oficial de controle da taxa de câmbio no Brasil é o de “livre
flutuação cambial”, ou seja, não deveria existir controle direto por parte
do Governo Federal – Banco Central. Porém, na verdade, poderíamos
melhor classificá-lo como “regime de flutuação suja”, pois o governo
atua de forma indireta, vendendo e comprando dólares (leilões de
swaps), como intuito de manter o dólar americano flutuando dentro de
uma faixa desejável. Do Plano Real até o ano de 1999, a taxa de
câmbio no Brasil foi fixa e imposta pelo Governo Federal, o que muitas
vezes não refletia o valor real da moeda.
A taxa de câmbio tem grande impacto na balança comercial de um país.
Uma moeda nacional sobrevalorizada prejudica a exportação e
consequentemente a balança comercial, favorecendo o déficit. Por
outro lado, o câmbio desvalorizado facilita a exportação e o superávit
na balança comercial. Desta forma, num mundo com mais de uma
centena de países, o somatório dos superávits comerciais dos países
sempre deverá ser igual ao somatório dos déficits comerciais nos países
restantes. De uma maneira geral, os países que apresentam superávit
comercial tendem a emprestar dinheiro para os deficitários. Portanto, a
taxa de câmbio é um aspecto vital para a economia de qualquer país. Os
países com economia forte têm moeda forte, e países com economia
fraca têm moeda fraca. Certo? Nem sempre. Justamente pelo controle
“sujo” da moeda. A China é o grande exemplo, pois mantém o câmbio
sobredesvalorizado com o intuito de impulsionar as exportações.
Para nós, pequenos investidores, a cotação do dólar americano pode
nos afetar diretamente de várias formas, seja no aumento da inflação,
seja no aumento do custo de uma viagem internacional ou na aquisição
de bens importados. Assim, não podemos ficar alheios à cotação da
moeda americana. E mais, acredito que todo investidor deva aplicar
uma parte de suas reservas financeiras em investimentos atrelados ao
câmbio, com o objetivo de preservação do capital.
Basicamente existem três maneiras possíveis de se investir no dólar
americano: aplicando em fundos cambiais, disponível em qualquer
banco comercial, comprando diretamente a moeda estrangeira ou
investindo no mercado futuro. Sem dúvida, o mais simples e mais
recomendado é o fundo cambial. Todavia, para os investidores que têm
um maior conhecimento sobre o mercado financeiro, a aplicação em
derivativos é uma ferramenta valiosa.
Antes de comentar sobre o dólar futuro, preciso comentar que existe
uma quarta forma de ficar exposto ao dólar americano: comprando
ações de empresas brasileiras exportadoras. Desta forma, como a
receita destas empresas é extremamente atrelada à variação da moeda
americana, uma alta da moeda refletirá nos lucros das empresas e, por
conseguinte, no valor de mercado das mesmas. Cito duas empresas que
preenchem este critério: A Fibria, do setor de papel e celulose, e a
Embraer que produz aeronaves visando principalmente o mercado
externo. De meados de 2014 até o fim de 2015, com a explosão da
cotação do dólar americano, de 2,20 para 4,20 reais, as ações da Fibria
subiram quase 200%. Já em 2016, com o recuo do dólar as ações
caíram mais de 60%. É óbvio que existem outras empresas com o
mesmo perfil e que também estão listadas na bolsa brasileira.
Para operar o dólar futuro use os fundamentos que comentarei em
breve sobre o IBOV Futuro, pois eles são semelhantes: margem de
garantia, ajustes diários, etc. O que muda, obviamente, é a tendência do
ativo. Comumente o dólar caminha em sentido oposto ao do IBOV: se
o IBOV sobe, o dólar cai, e vice versa. Porém, esta premissa nem
sempre é verdadeira.
A seguir comento rapidamente os aspectos básicos para você operar o
minidólar. Se você não tiver conhecimento sobre derivativos, pule esta
etapa agora e retorne após a leitura dos capítulos sobre o mercado
futuro.

OPERANDO O MINIDÓLAR FUTURO


Código do ativo: WDO + letra (mês) + ano. Diferentemente do
IBOV futuro, o dólar vence todo mês, sempre no primeiro dia útil;
contudo, já no último dia do mês anterior ao vencimento, o mercado
passa a negociar o próximo contrato. Faça o mesmo e migre sua
posição para o mês seguinte no penúltimo dia de cada mês –
rolagem de contrato. As letras referentes aos meses são semelhantes
às do índice futuro. Veja:
A cotação unitária refere-se a um montante de 1.000 dólares.
Atualmente, fevereiro de 2017, cerca de R$ 3.176,00. No HB, a
cotação aparece de 50 em 50 centavos: 3.176,00; 3.176,50;
3.177,00...
Cada minicontrato tem o valor de 10.000 dólares, ou seja, 10 vezes
o valor da cotação unitária. Já o contrato de dólar futuro “cheio”
equivale a 50.000 dólares.
O lote-padrão é de 1, ou seja, podemos comprar de 1 em 1 contrato.
Fórmula para cálculo do ajuste diário: diferença de cotação
(fechamento de hoje – fechamento de ontem) x 10 x número de
minicontratos. Exemplo: você está comprado em 5 minicontratos.
Ontem o dólar futuro fechou em 2.350,00 e hoje subiu, fechando a
2.370,00. Qual será o ajuste? A fórmula: 20 (2.370 – 2.350) x 10 x
5 (minicontratos). Portanto, o ajuste será de 1.000 reais. Como
estamos comprados e o dólar subiu, o ajuste será positivo. Dinheiro
na conta!
Como já comentado, releia este tema, minidólar, após a leitura
completa sobre o IBOV futuro para sedimentar os conhecimentos aqui
comentados.

A compra direta da moeda estrangeira com o intuito exclusivo de


investimento, tanto nas lojas oficiais de Exchange, como no mercado
paralelo, quase sempre é desvantajosa para o cliente, pois o ágio para a
compra é alto e o deságio para a venda também, ou seja, perdemos na
entrada e na saída.

Após descrever os mecanismos mais simples de hedge (mas não menos


importantes), comento as ferramentas utilizando os derivativos, um
pouco mais complexas, mas que são fundamentais para o sucesso do
investidor.
DERIVATIVOS
Por definição, o derivativo é um ativo que deriva de outro, um conceito
óbvio. Desta forma, o dólar futuro deriva do dólar comercial
americano, o IBOV futuro, do Índice Bovespa (IBOV) e qualquer
opção – mercado de opções – da sua ação base. O mercado futuro
também negocia todos os tipos de commodities: boi, grãos, ouro, etc.
O mercado de derivativos tem como função básica a proteção do
investimento – hedge. Deste modo, o investidor que tem em sua
carteira ações da VALE5, ITUB4 e PETR4, pode usar o mercado de
opções e / ou o mercado futuro para proteger parte do seu capital frente
a uma importante queda nos preços, fazendo uma espécie de seguro,
como veremos nos próximos tópicos. Várias operações podem ser
montadas, das mais simples às mais complexas, mas o intuito é sempre
o mesmo: proteger o capital investido. Obviamente, sempre que
protegemos parte do capital, reduzimos o nosso potencial de lucro –
lembre-se do conceito de trade-off. Os grandes fundos e gestores estão
constantemente montando estas operações.
Um aspecto bem peculiar do mercado de derivativo é a alavancagem,
isto é, podemos montar grandes posições com um capital reduzido, pois
no início da transação pagamos apenas um prêmio (mercado de opções)
ou uma margem de garantia (mercado futuro), e não o valor total da
operação. Em virtude deste aspecto, o mercado de derivativos atrai
muitos especuladores. O objetivo deles é completamente diferente dos
investidores. Eles apenas “apostam” nas variações de curto prazo e,
decididamente, não visam à proteção de capital – estas operações são
chamadas pelo mercado de “operações a seco”. Assim, fortunas podem
ser criadas em pouco tempo, mas o risco é muito alto, o que leva
frequentemente à perda total do capital investido, haja vista que
operações mal estruturadas têm sempre o mesmo desfecho: grande
prejuízo! Entretanto, nós, pequenos investidores, podemos aumentar
nossos ganhos através de operações bem executadas, com pouco capital
e baixíssimo risco, e o mais importante: ficaremos protegidos de
eventos não esperados e não precificados pelo mercado.
Outra característica bem típica e importante do mercado de derivativos
é o prazo de validade. Um derivativo sempre terá uma data de
vencimento, a partir do qual ele perderá seu valor. Comento agora o
mercado futuro do Índice Bovespa (INDFUT) e depois o mercado de
opções.
MERCADO FUTURO: ASPECTOS
BÁSICOS
PASSOS PARA OPERAR O ÍNDICE BOVESPA
FUTURO
Primeiro passo. Antes de entrar no mercado futuro, você precisa ter
algum conhecimento sobre o mercado de ações. Não tem como ser
diferente. Ninguém entra no ensino médio, sem passar pelo
fundamental. Se você não tem o domínio sobre o mercado de ações,
indico a leitura dos meus livros – Investir Cada Vez Melhor, 5
Investimentos que Garantem seu Futuro e Não Seja o Pato da
Bolsa de Valores – eles darão a você o suporte básico necessário para
compreender o fascinante mundo do mercado de ações. Lá você
encontrará também outros livros recomendados. Conhecimento nunca é
demais!
Segundo Passo. Opere o mercado futuro em parceria com sua carteira
de ações, por dois motivos: proteger seu capital e potencializar seus
ganhos. Como já dito, a razão principal das ferramentas de hedge é a
proteção do capital em momentos de crises e de obras do acaso (Black
Swans: cisnes negros). As crises funcionam como o mercado de renda
variável e também são cíclicas. Por vezes com ciclos longos e
cansativos. Por outro lado, fatos não previstos e não recorrentes, podem
mudar o rumo de qualquer economia. O mercado de ações é cíclico,
mesmo numa forte tendência de alta, os momentos de correção (queda
nos preços) ocorrerão. Assim, podemos utilizar estas pequenas
retrações do mercado para maximizar nossos lucros.
Terceiro passo. Habilite-se junto a sua corretora para operar o
mercado futuro. Quase sempre é uma tarefa fácil. Sugiro que você
opere na mesma corretora onde você tem as ações em custódia. Porém,
certifique-se que sua corretora está habilitada junto a
BM&FBOVESPA para a manutenção de posição dos contratos futuros.
COMO OPERAR O MINI-ÍNDICE FUTURO?
O mini-índice é um contrato do mercado futuro que deriva do Ibovespa
(IBOV) acrescido de juros. Através dos minicontratos podemos
preservar parte da nossa carteira de ações ou apenas apostar no
caminho mais provável do mercado. Cada minicontrato equivale ao
valor de 20% dos pontos do IBOV futuro. Se o IBOV futuro estiver
cotado a 60.000 pontos, cada contrato valerá R$ 12.000,00. Entretanto,
para adquirir ou vender um contrato não é necessário desembolsar toda
esta quantia, e sim apenas uma margem de garantia, que equivale
aproximadamente a 20 a 30% do valor do minicontrato. Assim, com
cerca de R$ 3.000,00 em garantia é possível comprar um minicontrato
– variável entre as corretoras.
A compra pode ser feita através do Home Broker (HB) ou através da
mesa de operações da corretora. No HB a compra ou venda é muito
semelhante à negociação de qualquer ação. O código do mini-índice
sempre é composto por quatro letras e dois números. As três primeiras
letras são fixas (WIN), a última representa o mês de vencimento. O
contrato vence na quarta-feira mais próxima do dia 15, sempre nos
meses pares, ou seja, a cada dois meses: fevereiro (G), abril (J), junho
(M), agosto (Q), outubro (V) e dezembro (Z). Ao fim de um contrato,
temos o início da série seguinte. Os números finais representam o ano.
Desta forma, em 2017, todos os contratos apresentavam o final 17.
Como exemplo, o contrato com vencimento em abril de 2017 tinha o
seguinte código: WINJ17 (WIN + mês de vencimento + ano de 2017).

Como já comentado, o dólar futuro e o minidólar, diferentemente do mini-


índice, têm vencimento todo mês e não somente nos meses pares. Nos
meses coincidentes, as letras de referência são as mesmas. Reveja.
POR QUE O TERMO “MINI-ÍNDICE”?
A resposta é simples. Existe também o contrato padrão, o “índice
cheio”, chamado de Índice Futuro do IBOV, representado pelas letras
IND, que tem rigorosamente as mesmas características do
minicontrato, existindo apenas algumas diferenças básicas, como
veremos a seguir.
A margem de garantia do mini-índice é cinco vezes menor e a
oscilação de cada ponto do índice, gera um lucro ou prejuízo de R$
0,20. Isso equivale a dizer que cada minicontrato oscila 20% do IBOV.
Já no contrato cheio, cada oscilação de ponto do IBOV futuro equivale
a R$ 1,00, ou seja, 100% do IBOV. Vamos a um exemplo prático: você
compra um contrato de mini-índice a 60.000 pontos. Se o índice subir
para 61.000 pontos, quanto você ganhará? Simples: 1.000 pontos vezes
R$ 0,20 é igual a R$ 200,00. Numa eventual queda de 1.000 pontos
(IBOV cai para 59 mil pontos), o prejuízo seria de R$ 200,00. Já no
contrato cheio, o lucro ou prejuízo seria de R$ 1.000,00. A última
diferença é que no mini-índice podemos comprar os contratos de um
em um (o lote padrão é igual a 1). No índice cheio, apenas de cinco em
cinco (lote padrão de 5). Portanto, fica claro que para operar o contrato
cheio precisamos ter um capital muito mais robusto.
Ambos os contratos apresentam ótima liquidez. A minha escolha pelo
mini-índice é por estar mais acessível a todos os pequenos investidores,
pelo menor valor de mercado. Todavia, todos os fundamentos de
operação são semelhantes. Como já dito, os minicontratos podem ser
adquiridos normalmente pelo HB. Mas atenção! Nem toda corretora
está apta a operar o mercado futuro. Consulte a sua.

MARGEM DE GARANTIA
Quando compramos ou vendemos um minicontrato futuro, devemos
“depositar” uma margem de garantia na corretora por exigência da
BM&FBOVESPA – parte do nosso dinheiro ou dos nossos ativos
ficará indisponível durante a operação. A garantia pode ser em moeda
corrente, ações, títulos públicos, ouro físico, etc. Atenção: as cotas dos
fundos de investimentos imobiliários até o momento, fevereiro de
2017, ainda não podem entrar como garantia.
A chamada de margem é automática e aparecerá no seu extrato no dia
seguinte. Caso não haja saldo, você pagará uma multa sobre o saldo
devedor. Para colocar ações na margem de garantia, em geral, você
deverá fazer a solicitação na sua corretora por telefone ou email. Não é
automático! Outra coisa, comumente existe um pequeno deságio no
valor dos ativos colocados em garantia. Por exemplo: você colocou em
garantia 1.000 ações da VALE5, com um valor de mercado total de R$
30.000,00; o valor da garantia ficará abaixo deste valor, comumente um
deságio de 10 a 15%, dependendo da qualidade do ativo. A margem de
garantia exigida oscila diariamente – em caso de dúvidas consulte sua
corretora. A margem para day trade é bem menor. Em fevereiro de
2017, numa das corretoras que tenho conta, a margem de garantia para
operações de day trade era de aproximadamente R$ 700,00, e para a
manutenção de posição – manter o contrato de um dia para o outro –
cerca de R$ 3.500,00 por contrato.

Como já dito, use suas próprias ações em carteira para fazer a margem de
garantia, especialmente aquelas que visam o longo prazo. Para evitar
transtornos, coloque mais ações do que o inicialmente previsto. Não
haverá nenhum prejuízo, inclusive os dividendos são recebidos
normalmente. Se você optar por vender as ações, obviamente elas sairão
da garantia e sua margem será reduzida. Apenas as ações já liquidadas,
após D+3, podem entrar como garantia. Assim, caso você tenha comprado
as ações, mas as mesmas estiverem no prazo de liquidação, elas não
servirão como garantia!

HORÁRIO DE NEGOCIAÇÃO
O mercado futuro tem um pregão mais longo do que o mercado de
ações à vista. Abre às 9 horas da manhã e fecha às 18 horas, sem
intervalos. Antes da abertura, temos o leilão de abertura, que
determinará o preço inicial do IBOV futuro. Nos 5 minutos finais do
pregão temos o leilão de fechamento, com a mesma finalidade. Na
vigência do horário de verão, usualmente existem pequenas mudanças
nos horários de negociação. No mercado futuro não existe o after-
market.

COMO PREENCHER A BOLETA?


Siga os seguintes passos: Selecione a boleta de compra ou venda do seu
HB. Insira o código do minicontrato vigente. WING17, por exemplo.
Preencha o número de minicontratos desejados. Coloque o valor da
ordem. Sempre em múltiplos de cinco: 60.000, 60.005, 60.010, etc. A
ordem pode ser a mercado ou limitada. Particularmente, eu uso
somente as ordens limitadas. Coloque sua senha e clique em enviar.
Pronto!
O uso de stop é permitido, porém válido somente para o mesmo dia, haja
vista que no final do dia teremos o ajuste diário de posição.

AJUSTE DIÁRIO
Após o término do pregão ocorrerá um ajuste diário de posição, ou seja,
todo dia nossa posição será ajustada: ou receberemos um crédito em
conta corrente ou sofreremos um débito. Será creditado ou debitado no
dia seguinte, gerando uma nota de corretagem. Há também a remota
chance de ficarmos no zero-a-zero: comprar ou vender o contrato pelo
mesmo valor do preço de fechamento.
O preço de fechamento do minicontrato é calculado pelo preço médio
das negociações no fim do pregão: na verdade, uma complexa média
ponderada, levando em conta também o volume negociado. Sempre à
noite a BM&FBOVESPA divulga o ajuste do pregão com o valor exato
(digite no Google: “ajuste pregão Bovespa”). Desta forma, o último
preço registrado pelos softwares de análise técnica pode dar uma noção
do preço de fechamento, porém não reflete o valor exato de
fechamento.
TAXAS
As taxas no mercado futuro são semelhantes às de outras operações, ou
seja, emolumentos, liquidação e registro. Para os minicontratos estas
taxas em conjunto têm um valor muito baixo. Existe ainda a taxa de
manutenção de posição, que é muito pequena. As taxas de corretagem
também são bem mais camaradas quando comparadas às do mercado
de ações, especialmente para day trade. Consulte sua corretora!

VENCIMENTO DOS CONTRATOS


Todo contrato futuro tem seu dia de vencimento. O mini-índice vence a
cada dois meses, sempre nos meses pares, na quarta-feira mais próxima
do dia 15. Caso seja feriado, o vencimento passa para o dia seguinte.
Ao término de um contrato, no dia seguinte começaremos uma nova
série. Como o ajuste é diário, diversamente do mercado de opções, os
contratos futuros não viram “pó”. Apenas são encerrados! No dia do
vencimento você não é obrigado a encerrar sua posição, pois caso você
não o faça, o próprio sistema da bolsa o fará: se você estiver comprado
o sistema venderá os contratos na mesma proporção de sua posição, e
se estiver vendido, o sistema fará o inverso. A seguir, confira o
calendário de vencimento para o ano de 2017.
O último dia de negociação do mercado é marcado pelo baixo volume de
negociação. O motivo? Grande parte dos investidores já migrou para a
nova série no dia anterior ao vencimento (usualmente às terças-feiras).
Faça o mesmo! Por vezes, já faço a rolagem na segunda-feira antes do
vencimento.

ROLAGEM DOS CONTRATOS


No vencimento do contrato, caso você queira permanecer “comprado”
ou “vendido” no mini-índice, é preciso fazer a rolagem dos contratos.
Se você estiver comprado, você deverá vender a quantidade exata de
sua posição atual e comprar a série seguinte, sempre ao mesmo tempo,
evitando assim oscilações bruscas e mantendo o objetivo original de
sua operação. Se você estiver vendido, faça o inverso!
DIFERENÇA ENTRE A COTAÇÃO DO IBOV E
DO IBOV FUTURO
Geralmente o IBOV futuro está cotado num valor superior ao do IBOV,
basicamente em virtude do acréscimo de juros (correlação com a Selic)
relacionados ao dia do vencimento (contrato futuro). Porém, em raras
ocasiões, o IBOV futuro pode estar cotado abaixo da cotação do IBOV,
como ocorreu no segundo semestre de 2013. A razão? Pessimismo do
mercado. Outro dado óbvio: a série seguinte também tem uma cotação
acima da série vigente, decorrente do maior prazo de vencimento do
contrato e, por conseguinte, da maior taxa de juros.

QUAIS INVESTIDORES OPERAM NO


MERCADO FUTURO
Basicamente temos cinco grupos de investidores:
1. Institucionais (fundos de pensão, fundos de investimentos, etc. –
eles movimentam grande volume financeiro);
2. Estrangeiros;
3. Pessoas jurídicas financeiras (Bancos);
4. Pessoas jurídicas não financeiras (empresas comuns);
5. Pessoas físicas.
Os três primeiros grupos representam a grande maioria. O uso do
mercado futuro por eles é uma rotina. Eles não podem ficar totalmente
expostos ao mercado de renda variável sem proteção, pois lidam com
grandes fortunas. Seus clientes não permitiriam grandes erros. Desta
forma, por que não operar como eles? Este é o ensinamento. Se eles
fazem com as grandes fortunas, porque não podemos fazer o mesmo
com as nossas pequenas economias? O objetivo é o mesmo: proteção.
Os grandes investidores operam o “índice cheio” e não o mini-índice.
Entretanto, como já comentamos, os fundamentos são rigorosamente os
mesmos. E o mais importante, a liquidez também.

CONTRATOS EM ABERTO
Diariamente ao final do pregão a BM&FBOVESPA divulga o número
de contratos em aberto e a relação dos grupos de investidores que estão
posicionados. O saldo final de contratos vendidos e comprados é
sempre zero! Para um comprador, sempre teremos um vendedor.
Existem fatores importantes para você prever a direção mais provável
do IBOV Futuro no curto prazo. Primeiro, o número de contratos em
aberto. O aumento de contratos indica que mais investidores estão
preocupados com o futuro, mostrando um viés negativo para o IBOV.
O segundo fator é o saldo dos investidores estrangeiros. Sempre é
importante recordar que os estrangeiros representam mais de 50% dos
investidores na Bolsa de São Paulo. Assim, uma forte posição de
contratos comprados pelos estrangeiros também infere um viés
positivo. Por outro lado, os investidores institucionais estão sempre
com saldo negativo, ora mais vendidos, ora menos vendidos. O
motivo? Hedge de carteira, que comentarei em breve.
Terminamos aqui a parte de fundamentos básicos para operar o
mercado futuro. Em caso de dúvida, releia o texto. Se persistir a dúvida
acesse meu site e envie seus questionamentos: Investir cada vez
melhor. Após a perfeita compreensão destes fundamentos, você já
pode proteger sua carteira usando minicontratos.
COMO FAZER O HEDGE DE
CARTEIRA UTILIZANDO
MINICONTRATOS
Apesar do nome estranho – da língua inglesa: proteger, limitar, cercar –
muitas pessoas já conhecem na prática o fundamento deste importante
mecanismo de proteção. Um exemplo: quando compramos um carro, a
primeira coisa que providenciamos é a compra de um seguro. Desta
forma, estamos fazendo um hedge, isto é, estamos comprando uma
“opção de venda” (uma “PUT” como veremos no capítulo do mercado
de opções) em caso de sinistro, e para tanto pagamos um prêmio, isto é,
o valor anual do seguro. O mercado futuro e o mercado de opções tem
fundamentalmente o mesmo propósito: proteger um bem, neste caso
uma carteira de ativos. Outro exemplo: quando uma empresa adquire
uma dívida em moeda estrangeira para a compra de um equipamento
importado, uma maneira simples de proteger a sua capacidade de pagar
as dívidas atreladas ao dólar é aplicar parte de suas reservas em fundos
cambiais. Assim, uma oscilação brusca na moeda estrangeira não
afetará a capacidade da empresa em honrar suas dívidas.
Para proteger o nosso capital através do hedge, temos que abrir mão de
alguma coisa: se o mercado de ações subir, deixaremos de ganhar. Em
contrapartida, em caso de correção, nosso patrimônio estará
preservado. Outro ponto positivo: a proteção de carteira nos permite a
manutenção das ações em carteira e, por conseguinte, o recebimento
natural dos dividendos. E mais: em caso de queda do IBOV, o valor
total de nossa carteira continuará o mesmo, mas as ações cairão de
preços e nosso caixa aumentará, isto é, dinheiro líquido oriundo dos
ajustes diários, permitindo a aquisição de mais ações, aumentando
nossa carteira, nossos dividendos e nosso patrimônio. Em breve
abordaremos mais o assunto.

CENÁRIOS IDEAIS PARA O HEDGE


Basicamente temos dois cenários ideais para a execução de um hedge
no mercado de ações, utilizando o IBOV futuro: o primeiro baseado no
cenário macroeconômico e o segundo em dados de análise técnica.
Vejamos:
1. BEAR MARKET. A perspectiva de um mercado fortemente
baixista e na vigência de uma crise no mercado acionário, local ou
global, são cenários ideais para a utilização do hedge. Nestes casos,
o uso do hedge é primordial, quase obrigatório. Neste modelo
podemos fazer o hedge sem o auxílio da análise técnica, como
veremos em breve. A intenção é a proteção do capital e aguardar
momentos menos insanos. Em momentos de incertezas o mais
prudente é ficar protegido e evitar riscos.
2. Correções eventuais do IBOV. A expectativa de uma correção do
índice Bovespa após várias altas consecutivas também é um bom
cenário para fazer uma proteção temporária da carteira de ações,
garantindo parte dos lucros. Este segundo cenário é importante para
aumentar nossos ganhos, porém exige maior conhecimento por
parte do investidor. Altas consecutivas do IBOV por mais de seis,
sete pregões seguidos são incomuns. Portanto, temos que ter em
mente que nenhum ativo sobe em linha reta, ele quase sempre o faz
através de altas seguidas de correções nos preços. É óbvio que num
mercado altista os períodos de euforia são preponderantes. Assim,
podemos aproveitar este zigue-zague natural da evolução dos
preços. Todavia, devemos estar cientes de que acertar os pontos
exatos de inflexão (virada) do mercado não é uma missão fácil. Para
tanto, a análise técnica é uma ferramenta imprescindível. Os
fundamentos das empresas ou macroeconômicos, neste cenário, não
têm muita importância. O que precisamos saber é se o mercado está
sobrecomprado e consequentemente passará por uma correção em
breve. Se você não domina a análise técnica e não tem um bom
corretor para auxiliar, o melhor é não arriscar. Fique de fora ou
aproveite as correções para aumentar seu portfólio. Mas lembre-se
de uma característica marcante do mercado acionário que é a
resiliência (grosso modo, poderia ser traduzida como a capacidade
elástica do objeto quando submetido ao estresse), isto é, quando o
mercado sobe ele vai ao extremo e usualmente ultrapassa os limites
esperados. Portanto, evite fazer o hedge precipitadamente. Faça
proteção aos poucos. É improvável que você acerte o ponto exato de
inflexão.
O horário ideal para executar o hedge é sempre ao final do pregão,
depois das 17 horas, pois já temos o preço de fechamento das ações
durante o pregão normal e o mercado futuro ainda está aberto até às 18
horas. Assim, calcule o valor total de sua carteira e faça o hedge. Evite
ao máximo realizar o hedge em outros períodos, especialmente na
primeira hora do dia, uma vez que grandes distorções podem ocorrer
em virtude da volatilidade de IBOV futuro de um dia para o outro.
Lembre-se: a intenção é proteger o nosso dinheiro e não especular
sobre qual será o movimento do dia!
Como já dito, o Índice Futuro deriva do Índice Bovespa. Assim, antes
de estudarmos o hedge propriamente dito é preciso entender a
composição atual do IBOV e as principais ações do índice brasileiro.
Veja a seguir as empresas com maior peso no IBOV em fevereiro de
2017, e a evolução nos últimos anos. Repare que juntas, elas
representam 75% do índice. Assim, fica claro que o movimento destas
ações é fundamental para a oscilação do IBOV.
ÍNDICE BOVESPA – IBOV
O índice Bovespa foi criado em 1968 e é considerado o mais
importante indicador de desempenho médio do mercado de ações
brasileiro. Sua importância está no fato de reunir os principais papéis
negociados na bolsa de São Paulo. Com o intuito de aprimorar o
desempenho do índice e corrigir falhas na metodologia, no final de
2013 a direção da Bovespa anunciou a primeira mudança metodológica
no cálculo do índice. Desde maio de 2014 já temos a nova composição
do IBOV. Agora há prioridade do valor de mercado da empresa e não
somente o volume financeiro negociado das ações. A vantagem é que
ativos ruins podem até apresentar grande volume financeiro negociado
em bolsa, mas não ter bons fundamentos. Outra mudança é a exclusão
de ações com valor inferior a R$ 1,00. Atualmente, o índice é composto
por aproximadamente 60 ações e é revisto a cada quatro meses, ou seja,
algumas ações podem entrar ou sair do índice, além de poder ocorrer
alteração no peso de cada ação. A cada ação do índice é dado um peso
de importância. Confira a seguir, no site da Bovespa a composição
atual do novo IBOV:

COMO FAZER O HEDGE DE SUA CARTEIRA


NUM CENÁRIO HIPOTÉTICO DE QUEDA DO
IBOV?
Chegou a hora de aprender a fazer o hedge. Veja como é simples.
Primeiro calcule o valor de sua posição acionária: some o valor de
todas as ações em carteira. Depois faça a análise do mercado de ações.
Se o cenário do IBOV for de queda, como aqueles comentados a pouco,
devemos vender minicontratos – como se fosse uma “venda a
descoberto”, pois não temos o ativo em carteira. A intenção é
recomprar o minicontrato por um preço mais baixo. Assim, com a
queda do valor das ações, perderemos. Entretanto, com a queda do
IBOV, ganharemos. Simples, uma posição cobre a outra.
Para isso basta usar a seguinte fórmula: o número de contratos a vender
é igual ao valor financeiro (valor total em ações) dividido pelo
resultado (pontuação do IBOV x R$ 0,20). Para ficar mais fácil, vamos
ao exemplo: você tem R$ 120.000,00 em ações e o IBOV futuro está
cotado a 60.000 pontos (janeiro de 2017). Então, quantos contratos
você deverá vender? Vamos às contas: 120.000 / (60.000 x R$ 0,20) =
10 minicontratos. Simples. Obviamente não teremos uma proteção total
do capital, pois os ativos podem sofrer uma queda mais acentuada que
o IBOV, e vice-versa. Entretanto, a ideia é minimizar a queda, sem
desfazer das ações. Ajustes podem ser feitos e serão comentados a
seguir. Veja:
Na tabela anterior temos uma simulação de hedge em duas carteiras de
ações, uma com 240 mil reais na coluna 2 e outra com 60 mil reais na
coluna 3. O hedge foi iniciado com o IBOV cotado a 60.000 pontos. Na
primeira carteira vendemos 20 minicontratos e na segunda 5
minicontratos (reveja a fórmula para o cálculo). No primeiro cenário,
numa queda de 20% do IBOV, temos uma redução no valor nominal
das ações, porém houve uma entrada de dinheiro em nossa conta: uma
posição cobre a outra. Perceba que o valor das carteiras permanece o
mesmo neste hipotético “hedge perfeito”. Já no cenário de alta do
IBOV (10%), ocorre justamente o contrário: o ajuste diário é negativo
(debitado em dinheiro na conta corrente da corretora), todavia houve
um aumento do valor nominal da carteira.
Faça um balanço semanal do seu hedge, comparando o valor final da
sua carteira. Num hedge bem executado, não deveremos ter oscilações
bruscas no patrimônio total. Para minimizar o erro no hedge de carteira,
podemos ajustá-lo ao Coeficiente Beta de sua carteira.
COEFICIENTE BETA
É muito comum ouvirmos no mercado financeiro sobre o Coeficiente
Beta de um ativo, ou simplesmente, Beta. Ele é um cálculo matemático
(covariância) baseado na oscilação de um ativo durante um período,
geralmente 60 meses (prefiro usar um período menor, como veremos
em breve), comparando sua oscilação com a de seu principal
benchmark, que no caso do mercado de ações brasileiro é o próprio
IBOV. O Índice Bovespa, por definição, é composto por várias ações,
teoricamente compondo uma “carteira perfeita”.
Assim, se uma ação tem Beta igual a 1, indica que ela tem o mesmo
grau de oscilação do IBOV, ou seja, a mesma volatilidade, tanto nos
períodos de queda, como nos de alta. Ativos com Beta acima de 1 (Beta
alto) apresentam maiores valorizações na alta, porém tendem a grandes
desvalorizações nos períodos de baixa, portanto apresentam maior risco
de mercado. Já os ativos com Beta inferior a 1 são considerados mais
defensivos, pois suas quedas são mais limitadas que as do IBOV,
entretanto, as altas também são menos agudas.
A fórmula do Beta é complexa, contudo, no meu site, você encontrará
de forma gratuita o Beta atualizado dos principais ativos, inclusive com
periodicidades menores (3 a 12 meses), o que usualmente oferece
melhores resultados para o hedge no mercado brasileiro.
Resumindo, quanto maior o Beta de um ativo maior será sua oscilação
frente à variação do IBOV. Como exemplo, cito as ações do setor de
construção civil e as Small Caps que em geral apresentam um Beta
muito alto. Em contrapartida, a maioria das ações do setor elétrico
usualmente apresenta um Beta menor que o IBOV.

AJUSTE DO HEDGE PELO BETA


A princípio pode parecer complicado, mas não é. Além dos dados
necessários para o cálculo do hedge, já comentados, precisamos
calcular a porcentagem de cada ação em relação à carteira total e
procurar o Beta de cada ação (dica: utilize o Beta de 6 meses, já
calculado no meu site). Depois, multiplique o Beta de cada ação por
sua respectiva porcentagem na carteira, e em seguida some todos os
dados, assim teremos o Beta final ajustado. Veja o exemplo abaixo.
Desta forma, teremos uma proteção mais fidedigna à própria carteira,
porém mesmo assim, o hedge nunca será perfeito, pois estamos
utilizando critérios do passado para prever a movimentação futura dos
ativos, o que quase sempre não funciona.

COMO EU AJUSTO O HEDGE NA PRÁTICA


Mesmo com a utilização do Beta, o hedge é imperfeito, pois utilizamos
dados passados para estimar o futuro, o que muitas vezes é falho. Um
exemplo: certa ação apresentou um Beta muito próximo do IBOV nos
últimos três anos, porém nos últimos meses ela está muito mais volátil
do que IBOV, o que afeta diretamente a eficiência do hedge. Este
cenário, infelizmente, é relativamente comum: oscilações bruscas e
inesperadas. Assim, no dia a dia, ajusto o hedge da minha carteira de
acordo com o desempenho semanal. Desta forma, faço o cálculo o
valor total do patrimônio na sexta-feira, próximo do fechamento de
mercado, e faço o hedge. Na outra sexta-feira refaço as contas e vejo se
preciso ou não alterar o número de minicontratos vendidos, de acordo
com meu objetivo. É um processo muito simples, mas que deve ser
feito com atenção, disciplina e dedicação.

QUANDO ENCERRAR O HEDGE?


O hedge deverá ser encerrado quando o cenário macroeconômico
estiver melhor e estável. Porém, ninguém te avisará pelas redes sociais
ou por telefone. Será uma decisão pessoal. Quanto mais informações de
qualidade você obtiver, melhor será sua decisão. Um bom corretor
poderá lhe ajudar. Para a estratégia de hedge, esqueça o curto prazo e
pense somente no médio e longo prazo. Como não existe uma receita
ideal, o melhor é reduzir o hedge aos poucos, de acordo com a
evolução dos fatos. Aqui, mais uma vez digo que a análise técnica é
útil. Teoricamente, deveríamos retirar o hedge apenas quando o
mercado retornasse para uma clara tendência primária de alta.

HEDGE PARCIAL OU TOTAL


Até aqui escrevi sobre o hedge total, isto é, para 100% da carteira de
ações. Todavia raramente utilizo o hedge completo. Prefiro um hedge
parcial, entre 20 e 80% da carteira.
Se o mercado estiver fortemente altista (BULL MARKET), como a
situação do IBOV desde janeiro de 2016 até o momento que escrevo,
fevereiro de 2017, opto por fazer um hedge bem leve, especialmente
nos períodos esticados do índice (sobrecomprado). Não reme contra a
maré num mercado em forte alta. Neste cenário, faça hedge
ocasionalmente e, mesmo assim, sempre parcial. Aproveite o ciclo de
alta.
Contudo, mesmo na vigência de um mercado fortemente altista, a
ocorrência de períodos curtos e vigorosos de queda no preço das ações
pode ocorrer, e sempre ocorre. Por isso, se o seu capital for robusto ou
se sua carteira tiver uma grande exposição ao mercado de ações (perfil
mais arrojado), o mais prudente é manter sempre uma pequena parcela
de hedge.
Por outro lado, em cenários mais nebulosos e em estados exagerados de
sobrecompra do IBOV, faço um hedge mais próximo de 80%. Já num
mercado estabelecido de forte queda (BEAR MARKET), usualmente
utilizo o hedge total.
Você poderá utilizar a análise técnica para dar uma sintonia fina ao seu
hedge, e assim o faço. Após quedas consecutivas do IBOV, a
aproximação de um forte suporte ou da linha inferior das Bandas de
Bollinger, e o estado sobrevendido do índice (uso o IFR, índice de
força relativa), indicam que você poderá assumir o risco de reduzir o
hedge ou mesmo retirá-lo por completo, na dependência do grau de
confiança nos dados. Basta comprar parte dos minicontratos vendidos,
assim você estará encerrando parcialmente o hedge. Não tenho uma
fórmula mágica para estes cálculos. Quanto mais experiência você
acumular, maior será seu índice de acerto nestes ajustes. Esta sintonia
fina você aprenderá com o tempo. É preciso colocar a mão na massa.
Como tudo na vida, a experiência é fundamental. Não desista!

Em forte tendência de baixa estabelecida no IBOV, por vezes, opto por


fazer um hedge maior que a carteira, de 120 a 150% da carteira. É uma
“aposta” na queda. Desta forma, aumentarei meus ganhos com a queda do
índice. Por outro lado posso perder dinheiro com este “over hedge”.
Somente faça isso após ter domínio completo da operação. Não
recomendo para iniciantes. Outro ponto muito importante: como já
comentado, desde janeiro de 2016 estamos vivenciando um mercado
fortemente altista no IBOV e ao que tudo indica perdurará por muito
tempo. Assim, torço para que nos próximos anos o uso do “over hedge”
seja muito raro.

APROVEITANDO O SALDO POSITIVO DO


HEDGE: A CEREJA DO BOLO!
Aqui está a melhor parte do hedge. Se fizermos corretamente o hedge e
o cenário de queda for confirmado, os preços das ações cairão e o
IBOV também. Com a queda das ações perderemos, porém com a
queda do IBOV ganharemos. Uma coisa pela outra, certo? Nem tanto.
Apesar do valor nominal da carteira ser o mesmo – a soma das ações
em carteira e do dinheiro em conta corrente na corretora –, neste
cenário de hedge, entrará mais dinheiro em nossa conta. Quanto maior
for a queda do IBOV, mais robusto será o nosso caixa: dinheiro
líquido. Assim, passada a tempestade, teremos maior liquidez para
aumentar a posição acionária e potencializar ainda mais nossos ganhos
futuros.

O ESTRESSE DOS AJUSTES DIÁRIOS DO


HEDGE: NEM TUDO É PERFEITO!
Por outro lado, um aspecto que gera muita dor de cabeça e estresse na
estratégia de hedge é o ajuste diário. Ele é cruel. Acontece com todos
os investidores que usam esta tática de proteção. Como o ajuste do
hedge precisa ser feito em cash, dinheiro na conta da corretora, caso o
mercado continue subindo fortemente após a execução do seu hedge, e
isto vai acontecer algumas vezes, você precisará de uma boa reserva
financeira. Portanto, para evitar maiores preocupações e insônia,
mantenha uma folga no seu caixa, pelo menos uma variação positiva de
10% sobre o IBOV. Por exemplo: você começou o hedge em 60 mil
pontos e está vendido em 10 minicontratos; o ideal é você ter fôlego
para aguentar até os 66 mil pontos, ou seja, você precisa ter em conta
na corretora pelo menos 12 mil reais (resultado da variação do IBOV x
10 minicontratos x R$ 0,20). Entretanto, uma alta vigorosa no IBOV e
num curto espaço de tempo, como neste exemplo, especialmente se
acompanhada de bom volume financeiro, pode ser o primeiro sinal de
alerta: é hora de repensar o hedge e talvez desfazê-lo!
Uma alternativa para aumentar seu caixa no caso de hedge desfavorável
é vender parte das ações em carteira, preferencialmente aquelas que
mais subiram, e recalcular o hedge. Lembrando que na venda, o
dinheiro estará disponível apenas no terceiro dia, D+3. Recompre as
ações vendidas num próximo recuo do mercado: fique tranquilo, ele
virá, basta ter paciência.
Algumas boas corretoras oferecem o serviço personalizado de compra e
venda de minicontratos: basta uma ligação telefônica e / ou uma
autorização por email. As taxas de corretagem mais pesadas, mas podem
ser recompensadas pelos bons resultados. Porém, fique de olho no
resultado das operações. Se no começo você tiver dúvidas, opere pela
“mesa”, e depois migre naturalmente para a compra e venda direta pelo
HB. Sim, é possível fazer sozinho!

APROVEITANDO OS “BENEFÍCIOS” DO
IMPOSTO DE RENDA
No caso de prejuízo mensal nos ajustes diários no mercado futuro, você
poderá compensá-lo no futuro com os ganhos auferidos nos meses
subsequentes. Melhor. A compensação poderá ser feita entre os
diferentes mercados: mercados à vista, de opções e a termo. Desta
forma um hipotético prejuízo mensal de 1.000 reais no mercado futuro
poderá ser compensado em lucros futuros, reduzindo o montante do
imposto de renda (IR) a ser pago.
Para as “operações comuns”, aquelas não “daytrade”, a alíquota do IR é
de 15% sobre os lucros. Você poderá obter mais detalhes sobre o tema
no meu livro: Imposto de Renda sobre as aplicações financeiras. Lá,
você encontrará um guia fácil e prático para seguir corretamente as
normativas da receita federal e aproveitar outras brechas legais para
pagar menos impostos. Tudo dentro da lei!
Qualquer dúvida entre no meu site e escreva para mim : Investir cada
vez melhor. Passemos agora ao mercado de opções.
MERCADO DE OPÇÕES: PRINCÍPIOS
BÁSICOS
INTRODUÇÃO
Talvez o mais intrigante, o mais apaixonante e o mais arriscado dos
mercados, quando mal utilizado. Fortunas e perdas totais podem
ocorrer de um dia para o outro. Basta um dia de sorte ou um de azar,
para tudo mudar. Notícias repentinas podem ser suas aliadas ou,
simplesmente, prenúncio de seu fracasso! São vários os exemplos de
pessoas que ganharam muito ou perderam tudo no mercado de opções.
Infelizmente o insucesso é muito mais comum. As razões são múltiplas,
como veremos ainda neste capítulo.
Segundo o Dr. Alexander Elder, os operadores profissionais vendem a
“esperança” à multidão de amadores e ela quase sempre não se realiza!
O número de ações de uma empresa é facilmente conhecido, porém o
número de opções é imprevisível, pois as opções são criadas do nada,
por lançadores que respondem às demandas dos compradores.
Complexo? Talvez no início sim, mas tenho certeza de que após alguns
comentários você compreenderá melhor o mercado de opções.
Para as estratégias de hedge utilizaremos as opções como mecanismo
de proteção e sem nenhuma alavancagem. As operações propostas por
mim terão sempre prejuízos limitados, como veremos em breve. O
intuito principal é proteger sua carteira de investimentos. Desta forma,
apesar das “palavras fortes” no começo deste capítulo, você não deve
ter medo de trabalhar com o mercado de opções. Vou propor operações
seguras e com perdas limitadas. Fique tranquilo.

GENERALIDADES
O mercado de opções foi criado no século de XVII na Holanda como
uma ferramenta de hedge para o mercado de tulipas – um tipo de planta
com flores. O objetivo dos mercadores era limitar o risco e assegurar
uma boa margem de lucro. Eles compravam dos produtores a opção de
compra das tulipas no futuro, mediante o pagamento de um “prêmio”,
porém eles não tinham a obrigação de comprá-las, caso os preços
estivessem mais baixos. Assim, o mercado de opções atraia produtores
e mercadores em busca de proteção, como também os especuladores.
Os primeiros visavam apenas proteger seus negócios, no caso o
comércio de tulipas, os outros apenas especulavam com os preços
futuros.
Mas como proteção? Simples, você faz um contrato futuro, onde você
adquire o direito de vender ou comprar a mercadoria por um
determinado preço, num determinado dia. Para isso, você pagará ou
receberá um prêmio. Vamos a um exemplo corriqueiro do nosso dia a
dia, já comentado neste livro: quando compramos um carro,
usualmente providenciamos a compra concomitante de um seguro do
automóvel e para tal pagamos um prêmio à seguradora. Desta forma,
estamos fazendo uma opção de venda em caso de sinistro. O seguro de
um carro geralmente tem validade de 12 meses. É fácil entender que
quanto menor o tempo de seguro, menor será o prêmio. Basta trocar de
carro neste ínterim que você comprovará o que estou escrevendo.
Portanto, temos até aqui um conceito muito importante: toda opção tem
um prazo de validade e seu prêmio é extremamente correlacionado ao
tempo de vigência deste contrato.

TIPOS DE OPÇÕES
Temos dois tipos: opção de compra (CALL) e opção de venda (PUT).
Na opção de compra (CALL) temos o direito, mas não a obrigação, de
adquirir tal ativo numa data pré-determinada pelo preço estipulado no
contrato. Assim, somente executaremos o nosso direito, caso seja
vantajoso para nós (valor de mercado maior que preço estipulado em
contrato), caso contrário o nosso direito será perdido e o prejuízo ficará
limitado ao prêmio pago. Na opção de venda (PUT) é o contrário,
temos de o direito de vender um ativo, mas não a obrigação.
No mercado brasileiro as opções de venda (PUTs) ainda têm menor
liquidez, mas melhorou muito nos últimos anos, o que já permite várias
operações.
Por uma questão didática, a partir de agora, os aspectos que serão
comentados a seguir são sobre as opções de compra (CALLs). Apenas
no final, volto a comentar sobre as opções de venda (PUTs).
Utilizaremos os dois tipos de opções como ferramentas de hedge,
porém com propostas distintas.

MERGULHANDO NO MERCADO OPÇÕES


Antes de passar para os conceitos básicos optei por começar
demonstrando um exemplo prático. Ao estudar o gráfico ou um
relatório fundamentalista da empresa Vale (VALE5), chegamos à
conclusão que a tendência mais provável deste ativo é de alta para as
próximas semanas. Assim, temos duas opções de investimento,
comprar diretamente o ativo ou comprar uma opção de compra
(CALL). Imagine que a ação da VALE5 esteja cotada a R$ 36,00 e
que pelo nosso estudo, os preços podem atingir o valor de R$ 40,00 no
curto prazo. Podemos comprar 1.000 ações, desembolsando R$
36.000,00 ou comprar uma opção de compra da VALE5, como
exemplo, a VALED38 (preço de exercício à R$ 38,00), e que
hipoteticamente seu prêmio esteja cotado à R$ 1,00. Desta forma,
poderíamos comprar 1.000 opções de compra da VALED38,
desembolsando apenas R$ 1.000,00. Para facilitar os cálculos,
esqueçamos as taxas de negociação e corretagem.
Quais as vantagens do mercado de opções neste caso: menor aporte
financeiro pela operação e maior potencial de ganho. Entretanto, o risco
é muito maior, pois caso sua previsão esteja errada, isto é, os preços da
VALE5 recuarem ou permanecerem estáveis, você perderá o capital
investido. Continuemos com o nosso exemplo em três cenários
possíveis e você entenderá melhor:
Cenário A – A VALE5 atinge os R$ 40,00. Caso tenha comprado as
ações você ganhará R$ 4.000,00 pelas 1.000 ações, ou seja, um lucro
aproximado de 11,0%. Caso tenha comprado a VALED38, o prêmio
estará no mínimo em R$ 2,00 – na dependência do tempo que resta
para o exercício desta opção. Vamos supor que a cotação esteja em R$
2,50. Caso você encerre sua posição, seu lucro será de R$ 1.500,00, ou
seja, 150% sobre o valor investido, uma verdadeira “bolada” em apenas
alguns dias.
Cenário B – A VALE5 permanece em R$ 36,00. Caso tenha optado
pelo mercado de ações à vista, você teria ficado no zero-a-zero. E no
mercado de opções? Você com certeza perdeu dinheiro, pois no
mercado de opções, usualmente o tempo é seu inimigo. Quanto mais
próximo da data de exercício, menor é a expectativa que os preços
atinjam o valor de R$ 40,00 e, por conseguinte, menor o prêmio. Qual
o prejuízo? Vai depender da data de encerramento de sua posição.
Quanto mais próximo da data, maior é a chance de você perder todo o
prêmio pago.
Cenário C – A VALE5 despenca para R$ 32,00. No mercado de ações
você perderá R$ 4.000,00 (12%). E nas opções? Você perderá tudo
(100%), pois o prêmio estará muito próximo de zero. Quando as opções
perdem todo seu valor, o mercado usa o jargão que as mesmas viraram
pó.
Portanto, neste simples exemplo, já percebemos que apesar do belo
potencial de ganhos, a chance de perder é maior que ganhar – pelos
menos duas vezes, sem levar em conta outros fatores. Após este
exemplo inicial, vamos conhecer os conceitos básicos do mercado de
opções.

O QUE É UMA OPÇÃO?


Como já vimos, a opção de compra (CALL) confere ao titular o
direito, mas não a obrigação, de comprar certa quantidade de uma ação,
a um preço fixo e num prazo determinado. Literalmente é uma aposta
na valorização do preço da ação.

PRÊMIO
É o valor pago para adquirir uma opção.

PREÇO DE EXERCÍCIO (STRIKE)


É o valor exato que caso a opção de compra seja exercida, o
proprietário da opção pagará para adquirir a ação do vendedor.
Exemplo, VALED36: o preço de exercício corresponde aos dois
números finais, portanto R$ 36,00 por cada ação. Importante: nem
sempre os dois últimos números correspondem ao valor do strike.
Consulte o site da Bovespa para checar todas as opções disponíveis
para o mês de vencimento escolhido por você.

CLASSIFICAÇÃO DAS OPÇÕES


As opções podem ser classificadas em três tipos quando
correlacionamos seu preço de exercício ao preço atual da ação-base
correspondente.
Opções no dinheiro (at-the-money): são aquelas em que o valor de
exercício está muito próximo ao preço vigente da ação (ex.: ação a
R$ 36,10 e o preço de exercício da opção em R$ 36,00). São as
mais voláteis, pois o preço do ativo pode se movimentar e seu
prêmio mudar de valor drasticamente, para cima ou para baixo.
Dentro do dinheiro (in-the-money): são aquelas em que o preço
de exercício está dentro do valor atual da ação, isto é, num patamar
inferior (ex.: ação a R$ 36,10 e o preço do exercício da opção em
R$ 34,00). São opções com maior chance de exercício e, portanto,
mais caras. Quanto mais “dentro do dinheiro”, maior a
probabilidade de exercício. Importante: usualmente as opções com
preço de exercício muito “dentro do dinheiro” tem baixíssima
liquidez.
Fora do dinheiro (out-of-the-money): são aquelas que têm o preço
de exercício acima do valor atual da ação (ex.: ação a R$ 36,10 e o
preço do exercício da opção em R$ 40,00). Os prêmios são mais
baratos, pois teoricamente as chances de exercício são mais
remotas.

Como o tempo de validade de uma opção é relativamente longo a opção


pode mudar de categoria em diferentes momentos de sua existência,
obviamente de acordo com a movimentação da ação-base.

Basicamente, o prêmio de uma opção tem dois componentes básicos: o


valor intrínseco e o valor extrínseco.

VALOR INTRÍNSECO
Corresponde ao valor resultante da subtração do preço vigente da ação
pelo preço de exercício da opção. Assim, apenas as opções dentro do
dinheiro possuem valor intrínseco. Nas opções no dinheiro este valor
é muito próximo de zero e nas opções fora do dinheiro ele é zero. No
nosso exemplo, o preço da ação a R$ 36,10 e o preço de exercício a R$
34,00, o valor intrínseco da opção é de R$ 2,10. Desta forma, este é o
valor mínimo do prêmio. A este valor somaremos o valor extrínseco.

VALOR EXTRÍNSECO
É o valor excedente entre o valor atual da ação e o preço de exercício.
Corresponde à expectativa do comprador. Lembre-se da frase do Dr.
Alexander Elder: corresponde a esperança! Assim, dentre outros
fatores, fica claro concluir que o tempo restante de vigência da opção é
o fator preponderante na determinação do valor extrínseco de uma
opção. Quanto mais distante for o vencimento, maior será o valor
extrínseco.

LOTE PADRÃO NO MERCADO DE OPÇÕES


Sempre múltiplos de 100. Não existe mercado fracionário.

VALIDADE DE UMA OPÇÃO


Toda opção de compra tem seu prazo de validade. O vencimento das
opções no mercado brasileiro ocorre na terceira segunda-feira de
cada mês. Após esta data, se não exercidas pelo detentor, elas perdem
o valor. Em geral, mas não obrigatoriamente, as opções mais líquidas
são lançadas com prazo inferior a 60 dias antes do seu vencimento.
Desta forma, quase sempre teremos duas séries com liquidez em
andamento no mercado de opções. Entretanto, as opções com
vencimento mais próximo são as mais líquidas.

QUEM LANÇA AS OPÇÕES, ISTO É, QUEM


VENDE AS OPÇÕES DE COMPRA?
Lançador é aquele investidor que vende uma opção de compra, ou seja,
ele tem a obrigação de vender o ativo numa data futura e por um preço
pré-estipulado, isto é, vender pelo preço de exercício. Como é uma
operação de venda, no início este investidor tem um fluxo de caixa
positivo, referente ao prêmio, ou seja, entra dinheiro na conta corrente.
Por outro lado, o comprador da CALL desembolsa o valor do prêmio.
Basicamente, temos dois grupos de lançadores: os lançadores cobertos
e os descobertos. Ambos com uma característica em comum: em geral
representam grandes investidores. Para o lançamento coberto, você
precisa ter a ação-base em carteira, assim, se você tiver 10.000 ações da
VALE5, você poderá vender 10.000 opções de compra. Já para o
lançamento descoberto, você não precisa ter o ativo, mas precisa estar
respaldado por um grande capital depositado como garantia na
corretora (margem).

QUEM COMPRA AS OPÇÕES DE COMPRA?


Em geral os amadores esperançosos, os jogadores, os traders e os
profissionais pouco capitalizados. Todos com o mesmo objetivo: lucrar
muito e rápido com a alta do ativo. Entretanto, como já vimos, é muito
mais difícil ganhar dinheiro comprando opções do que comprando
ações. Esta é a regra e a razão é simples. É necessário acertar o
movimento direcional e o tempo tem que trabalhar a nosso favor.
Precisamos de movimentos bruscos. Altas lentas destroem
paulatinamente o valor das opções. Com o passar do tempo, as opções
de compra perdem o valor – viram pó. Somente é válido comprar se
esperamos um movimento rápido dos preços. Os profissionais e os
bons traders tendem a comprar opções de compra somente em
ocasiões especiais, quando se espera grandes reversões do mercado.

FATORES QUE AFETAM O VALOR DE UMA


OPÇÃO
Além do preço de exercício da opção, basicamente temos quatro fatores
que afetam o preço das opções (o valor do prêmio):
Preço vigente da ação-base;
Tempo de vida da opção (prazo para o vencimento);
Volatilidade da ação-base;
Taxa básica de juros vigente no país (Selic).
A literatura sobre o mercado de opções descreve vários modelos
matemáticos para determinar o valor justo de uma opção, mas o modelo
mais utilizado foi o proposto por Fischer Black e Myron Scholes na
década de 70 (1973), e que por este estudo ganharam o prêmio NOBEL
de economia (Modelo Black-Scholes). Segundo esta teoria, os
principais fatores determinantes para compor o preço de uma opção são
representados por letras gregas, como veremos a seguir.

AS FAMOSAS GREGAS
Foge do propósito deste livro uma descrição mais detalhada do modelo,
entretanto um conhecimento mínimo será muito útil para entendê-lo e,
principalmente, compreender a composição do valor de uma opção.
Vamos “às gregas”, sem trocadilhos:
DELTA – teoricamente representa o valor que a mudança do preço
do ativo reflete sobre o valor de uma opção. Complexo? Vamos a
um exemplo prático para melhor compreensão: o que é uma opção
com delta de 0,4, ou melhor, delta de 40%? Isto significa que se a
ação subir R$ 1,00 a opção subirá R$ 0,40. Se ação cair R$ 1,00, a
opção cairá R$ 0,40. Simples! O delta varia de 0 a 1, ou,
simplesmente, de 0 a 100%. Desta forma, uma opção muito dentro
do dinheiro terá delta próximo de 100% (ex.: ação a R$ 36,00 e o
preço de exercício a R$ 30,00). Isto significa que se ação subir R$
1,00 a opção subirá quase que totalmente este valor. Grosso modo,
o delta representa a porcentagem de chance da opção de compra ser
exercida!
GAMA – reflete a velocidade de mudança do delta de uma opção
frente à movimentação dos preços da ação. Assim, uma opção com
delta de 40%, caso o ativo suba de preço, o delta também subirá.
Portanto, o gama reflete a taxa de mudança do delta em relação à
alteração do valor do ativo. Teoricamente, se o ativo não mudar de
preço, o gama não altera o delta.
THETA – está relacionado ao tempo restante de vida de uma
opção. Assim, se outros fatores permanecerem estáticos, o theta
corresponde ao valor de depreciação diária do prêmio de uma
opção. Por exemplo: uma opção com theta de R$ 0,10, significa que
a cada dia o prêmio perderá este valor. Porém, o theta não é linear
no tempo, sendo muito mais influente nos últimos dias de validade
da opção, especialmente nos dez últimos. Assim, quando optamos
por comprar CALLs, devemos escolher as mais longevas. Por outro
lado, quando vendemos opções de compra (lançamento coberto), o
tempo curto é nosso aliado: devemos vender as CALLs que têm
menor tempo de existência!
VEGA – representa a volatilidade implícita do ativo. É obvio que
quanto mais volátil estiver a ação-base, maior será o prêmio se suas
opções, pois seus preços podem sofrer maiores oscilações em
virtude da maior volatilidade e, por conseguinte, apresentar maior
amplitude de movimento. A volatilidade é expressa em %. Uma
maneira indireta de perceber a volatilidade do ativo é analisar as
Bandas de Bollinger (um indicador de análise técnica). Bandas
estreitas indicam baixa volatilidade, enquanto as bandas abertas
denotam alta volatilidade. Desta forma, um ativo na vigência de
uma alta volatilidade gera um valor extrínseco muito alto e, por
conseguinte, um maior prêmio: as opções ficam bem mais caras!
RÔ – está relacionado à taxa de juros vigente. Na prática, este fator
é pouco importante.
Dentre os fatores comentados, os mais relevantes são o Delta e o Theta
(lembrando que, na vigência de alta volatilidade, o VEGA também é
muito importante). A compreensão destes itens é fundamental para
qualquer tática operacional. Não ouse desconhecê-los!
COMO IDENTIFICAR O CÓDIGO DE UMA
OPÇÃO
O código de uma opção é usualmente composto por cinco letras e dois
números (por vezes, apenas um número). As quatro letras iniciais
representam a ação-base, a quinta letra o mês de vencimento da opção
(ver tabela a seguir) e os números finais correspondem ao preço de
exercício. Assim, a PETRK30, é opção de compra da Petrobrás
(PETR4), com vencimento no mês de novembro (K) e preço de
exercício em R$ 30,00.

Como já dito, nem sempre os dois últimos números refletem


exatamente o preço de strike. Consulte o site da Bovespa. Veja figura a
seguir. Basta selecionar a data de vencimento e a empresa, e todas as
“opções” disponíveis serão apresentadas. Não confunda as opções
referentes às ações ON (ordinárias) com as PN (preferenciais),
especialmente se você estiver fazendo “lançamento coberto de opções”.
As últimas usualmente têm maior liquidez.

LIQUIDEZ DAS OPÇÕES


Felizmente a liquidez do nosso mercado tem aumentado muito nos
últimos tempos. Se antes apenas poucas empresas possuíam liquidez,
atualmente são várias, notadamente as ações das grandes empresas, as
blue chips. E são elas que você utilizará para fazer a proteção de
carteira, pois como já estudamos, representam a maior parte da
composição do IBOV.

GRÁFICO DA OPÇÃO OU DO ATIVO?


Sempre vem a pergunta dos pequenos investidores que querem estudar
o ativo pela a análise técnica: que gráfico utilizar, da ação ou da opção?
Sem dúvida, devemos utilizar o gráfico da ação-base, pois o gráfico da
opção é muito ruidoso, e os suportes e as resistências não são
confiáveis.

MESES E DIAS DE VENCIMENTO


As opções vencem mensalmente, sempre na terceira quarta-feira do
mês.

RISCO VERSUS SEGURANÇA


Antes de comentar as táticas operacionais no mercado de opções,
precisamos relembrar mais uma vez que este mercado, apesar de
fascinante, apresenta alto risco. Assim, devemos ter um controle de
risco muito mais apurado, caso contrário, nosso prejuízo pode ser
irreversível. Exemplos de falências não faltam no mercado. Não se
deixe levar pelo canto da sereia. A esperança e a ganância devem ser
controladas. Opero no mercado de opções há mais de sete anos.
Infelizmente aprendi com os erros comuns aos amadores. E não foram
poucos! Meu primeiro ano foi desastroso, em virtude da falta de
conhecimento e principalmente da ganância! Somente a partir de
estudos mais aprofundados e de um controle de risco mais rígido é que
passei a obter melhores resultados. Pense nisso!
Por outro lado, nas operações de hedge, que comentaremos a seguir, o
risco é mínimo, pois as operações apresentam prejuízos limitados.
Desta forma não tenha medo. Se as operações recomendadas forem
bem executadas, o prejuízo, se ocorrer, será limitado.

OS CUSTOS NO MERCADO DE OPÇÕES


As taxas cobradas pela BM&FBOVESPA são semelhantes ao mercado
de ações, porém percentualmente um pouco mais caras. A corretagem
costuma ter o mesmo valor do mercado de ações.
AFTER-MARKET
O mercado de opções não funciona no after-market.

PRAZO DE LIQUIDAÇÃO
Diferentemente do mercado de ações, as opções têm prazo de
liquidação em D+1, ou seja, no próximo dia útil.

CORRETORA
As corretoras são mais exigentes e não permitem qualquer investidor
operar neste mercado, o que acho muito prudente. Outras não permitem
venda a descoberto. Por vezes, é necessário ligar na corretora para
habilitar algumas operações. Em outras, você passará por um “teste
online” para verificar seu grau de conhecimento. Assim, certifique-se
com sua corretora o funcionamento deste mercado.

DIA DO EXERCÍCIO (VENCIMENTO DO


CONTRATO)
A maioria dos investidores não carrega as posições até o vencimento
das opções. Sendo assim, nada precisa fazer no dia do vencimento, pois
as opções já foram liquidadas. Entretanto, os investidores que carregam
posições até lá, por vezes, precisam exercer seus direitos ou apenas,
perdê-los. Vamos às situações e o que fazer no dia do vencimento:
Sua opção virou pó: nada a fazer, exceto lamentar o prejuízo!
Você tem uma opção de compra e quer exercê-la: é preciso ligar na
corretora e solicitar o exercício. Há um horário específico para tal:
período de exercício das opções. Cheque o horário na sua corretora.
Se você estiver vendido numa opção de compra – lançamento
coberto – e for exercido, não é preciso fazer nada. O sistema
automaticamente venderá suas ações correspondentes e emitirá a
nota de corretagem pelo valor do exercício, incluindo as taxas de
negociação. Em D+3 você receberá o dinheiro em conta.
Se você estiver vendido a descoberto e for exercido: é necessário
comprar os ativos para entrega aos compradores que exercerão a
opção de compra. Antes de comentar as táticas de hedge usando as
opções, seguem alguns aspectos referentes às opções de venda
(PUTs).

OPÇÕES DE VENDA (PUTS)


As opções de venda (PUTs) já têm mais liquidez na BM&FBOVESPA
e, portanto, podemos operá-las. Os fundamentos são muito semelhantes
aos das opções de compra, exceto pelo fato de que devemos inverter
toda a lógica do processo (veja a seguir). Aqui, teoricamente, vamos
comprá-las quando a perspectiva do ativo é de queda ou de correção.
Quanto mais a ação-base cai, mais o preço da opção de venda sobe. O
contrário também é verdadeiro: se a ação subir, a opção de venda cai.
A PUT confere ao titular o direito, mas não a obrigação, de vender uma
determinada ação, a um preço fixo, num prazo determinado. É uma
aposta na queda do preço da ação. Desta forma, o titular deste direito
poderá vender suas ações no futuro a um preço pré-determinado.
De uma maneira geral, os preços dos ativos tendem a cair duas vezes
mais rápido do que sobem. Alguns analistas brincam que os preços
sobem de escada e descem de elevador. “Nas tendências de alta a
ganância é um sentimento persistente e duradouro, enquanto nas de
baixas, o medo é um sentimento mais contundente e violento”, Dr.
Alexander Elder.
Quando percebemos que um mercado em alta está perdendo força,
poderemos montar posições vendidas, comprando PUTs. A grande
vantagem é que o processo é muito simples e feito pelo próprio HB.
Outro aspecto importante: como é uma operação de compra, não é
necessária garantia alguma, basta você ter o dinheiro em conta e
comprar o ativo. Por último, segue a tabela com as letras e os
respectivos meses de vencimento das opções de venda (PUTs).
TÁTICAS OPERACIONAIS NO
MERCADO DE OPÇÕES VISANDO O
HEDGE
São inúmeras as táticas operacionais no mercado de opções, das mais
especulativas às operações conservadoras de proteção de carteira. Neste
livro tratarei apenas dos mecanismos de proteção. São eles:

1. Comprando PUTs – Tail Hedge (Tail Insurance).


2. Comprando PUTs – ações em carteira muito esticadas na alta.
3. Vendendo CALLs (lançamentos cobertos) – remuneração de
carteira.

COMPRANDO SEGUROS – TAIL HEDGE OR


TAIL INSURANCE
Antes de ler este capítulo, se possível, sugiro que você assista este
vídeo publicado no youtube em 19 de junho de 2015: “o paradoxo do
alto retorno financeiro e o baixo risco”, que contraria o conceito de
trade-off. O autor da publicação é Mark Spitznagel, um gestor
americano especializado em hedge fund. Ele propõe e comenta, de
maneira sucinta, os fundamentos desta estratégia de proteção de
carteira.
A maioria dos gestores recomenda um balanceamento da carteira de
investimentos entre ações e bonds, como já comentei. Você deve
lembrar-se do exemplo do Fundo Verde. Lá, grosso modo, a proposta é
manter 70% em ativos de baixo risco, bonds, e 30% em ações. As ações
representam o risco da carteira, em contrapartida, apresentam a maior
possibilidade de ganhos no longo prazo. Já os bonds têm o sentido
contrário: menor risco e menor rentabilidade, representando a
segurança do portfólio.
O balanceamento entre estes ativos traria menor volatilidade e menor
risco a sua carteira de investimentos. As composições são as mais
variadas possíveis, mas segundos especialistas sempre deverá
predominar os bonds numa proporção de 90/10, 80/20, 70/30 e até
60/40. Lembre-se, se você é jovem e tem o perfil mais arrojado ou
possui pouco capital, o seu portfólio poderá ficar mais exposto à renda
variável. Assim, se você preencher todos estes quesitos e seu capital for
pequeno, a proporção 50/50 é até aceitável.
Daí surge o mecanismo de diversificação proposto por Mark
Spitznagel. O objetivo central é aumentar a proporção de ações na
carteira no intuito de potencializar os lucros no longo prazo, contudo,
ao mesmo tempo, você deverá se proteger de eventos não esperados,
comprando seguros – PUTs. Ele propõe investir até um 1% do seu
capital total neste tipo de seguro. Veja a seguir:

Num cenário econômico normal, sem turbulências, os bonds e as ações


se valorizarão, e as PUTs perderão seu valor com o tempo. Em
contrapartida, na ocorrência de catástrofes, as ações despencarão, mas
as PUTs apresentarão uma valorização extraordinária: 200, 300, 400%
ou muito mais em poucos dias ou semanas. A assimetria de ganhos é
muito recompensadora. Assim, eu diria que perderemos um pouco
seguidamente, em vários meses, mas um único período de caos no
cenário econômico será o suficiente para ganharmos muito mais que as
perdas anteriores e proteger o portfólio.
O professor Nassim Taleb, sócio de Mark e um dos maiores
especialistas em risco no mundo, afirma categoricamente que as
medidas de risco propostas pelos diversos analistas são muito falhas.
Apesar de inúmeros modelos matemáticos propostos, todos são
ineficientes em prever as crises vindouras. Portanto, devemos assumir
que os modelos de construção de portfólio são ineficazes. Nunca deixe
ser portfólio sem proteção. Aposte no que ele chama de
“antifragilidade”, isto é, compre ativos com alta assimetria entre o
custo e o retorno financeiro. Essa é a ideia.
Posto isto, como fazer o Tail Hedge proposto por Mark? É
relativamente simples. Compre ativos que tenham uma marcada
assimetria entre perdas e ganhos, isto é, pagaremos muito pouco por
eles, porém eles apresentam um alto potencial de valorização em caso
de crises sistêmicas agudas. Estes ativos têm nome: PUTs – opções de
venda.
Como já dito, o autor recomenda que você utilize até 1% do seu
portfólio na compra de PUTs. Particularmente, acho muito, e
usualmente compro no máximo 0,5 a 0,75%. Assim, numa carteira
hipotética de 100 mil reais, incluindo os bonds, o limite máximo para
tal fim estaria entre 500 e 750 reais, que deverão ser convertidos em
PUTs. Compre PUTs dos ativos mais líquidos e importantes na
composição do IBOV: Itaú, Banco do Brasil, Bradesco, Vale,
Petrobrás, Brasil Foods e BVMFBOVESPA, dentre outros.
Busque por opções de venda bem “fora do dinheiro” e, portanto de
baixo custo. Um exemplo: se a VALE5 está sendo negociada a 30 reais,
compre PUT com preço de exercício em 25 reais ou menos – uma
hipotética queda de mais de 15%. Dê preferência para as PUTs com
vencimentos acima de 30 dias, ou seja, da série que vencerá em dois
meses. O ideal é fazer uma cesta destes ativos: compre entre 3 e 5
PUTs, evitando comprar apenas um tipo de ativo. Assim,
resumidamente, você deverá repeitar os seguintes critérios:
1. Mantenha uma carteira balanceada entre bonds e ações.
2. O Tail Hedge lhe permitirá aumentar um pouco a posição
acionária. Se antes você mantinha uma proporção de 90/10, por
exemplo, com a execução desta estratégia, você poderá aumentar
para 70/30 ou 60/40, entre bonds e ações, na dependência do seu
perfil.
3. Como já dito, o percentual dedicado ao seguro deverá corresponder
entre 0,5 e 1% do seu portfólio.
4. Compre PUTs das principais ações do IBOV.
5. Faça uma pequena carteira destes ativos: diversifique!
6. A cada 30 a 45 dias você deverá reorganizar seu portfólio: rolando e
/ ou comprando novas PUTs.
Após o entendimento destes conceitos, para sedimentar ainda mais o
assunto, veja como fazer o Tail Hedge na prática:
1. Some o valor da sua carteira: ações e bonds.
2. Você deverá comprar PUTs respeitando o limite máximo de até 1%
do valor da carteira de ações. Repito, eu uso entre 0,5 e 0,75%.
Deste modo, num capital hipotético de 100 mil reais, você comprará
até 500 a 750 reais em PUTs.
3. Agora, o próximo passo é selecionar os ativos a serem comprados.
As opções de venda sobre o Índice Bovespa têm liquidez limitada, e
aquelas sobre o ativo BOVA11 também. Assim, deveremos fazer
seguros comprando PUTs das ações mais líquidas e que
representam fortemente a composição do IBOV: Bancos, Petrobrás
e Vale, dentre outros, como já comentado.
4. Prefira comprar PUTs da série seguinte, pois apesar de mais caras
elas apresentam um maior prazo de vencimento. Assim, se estamos
em janeiro, compre PUTs com vencimento em março. Na verdade,
o ideal seria comprar PUTs com vencimento de mais de três meses,
porém no Brasil ainda não existe liquidez para as mesmas.
Contente-se com a série seguinte.
5. Obviamente, o preço de exercício tem que ser menor que o preço de
mercado. Usualmente procuro por PUTs com deságio de mais de
15% sobre o valor de mercado. Talvez o ideal seja 20 ou 30%. As
PUTs muito próximas do dinheiro são caras. Na vigência de alta
volatilidade, as PUTs ficam ainda mais caras.
6. Como já dito, evite comprar PUTs da série vigente, isto é, do
próximo vencimento. Elas são mais baratas, porém têm uma vida
muito curta. Não recomendo comprar PUTs visando esta estratégia
com menos de 21 dias para o vencimento, pois o efeito Theta
(tempo) “comerá” rapidamente o valor das mesmas.
Vamos a um exemplo na prática. No dia 10 de fevereiro de 2017, o
IBOV fechou em forte alta: um pouco acima dos 66 mil pontos. Tudo
indicava que continuaríamos em alta. O objetivo é o topo histórico em
73 mil. O que fazer? Zerar as ferramentas de hedge, descansar e curtir a
alta? Definitivamente não. O caminho mais provável é a alta, mas no
mercado de renda variável, nenhuma previsão tem 100% de chance de
estar correta. Vivemos de probabilidades e nunca de certezas. Portanto,
a melhor opção é curtir a alta e comprar um pequeno seguro. Como o
IBOV tinha acabado de corrigir nas últimas semanas, por análise
técnica, vender minicontratos não era uma boa estratégia. Lembre-se,
num mercado fortemente altista usaremos esta tática somente após altas
consecutivas, o que não é o caso. Portanto, a estratégia de Tail Hedge
se encaixa perfeitamente nesta situação. No capital total de 100 mil
reais, incluindo os bonds, podemos gastar no máximo 750 em PUTs.
Neste dia, na última hora do pregão, pesquisei por três PUTs, veja:
ITUBO5: preço de exercício em 35,16 (ação ITUB4, cotada a
40,00) com vencimento em 20 de março de 2017 e cotação unitária
a 15 centavos. Compre 2.000 PUTs.
PETRO14: preço de exercício em 14 reais (ação PETR4 cotada a
15,58) com vencimento em 20 de março de 2017 e cotação unitária
a 21 centavos. Compre 1.000 PUTs.
VALEO25: preço de exercício em 25,48 (ação VALE5 cotada
31,23) com preço de vencimento em 20 de março de 2017 e cotação
unitária a 22 centavos. Compre 1.000 PUTs.
Assim, fizemos uma cesta destes ativos. Gastaremos 730 reais. Na
verdade um pouco mais de 750 reais em virtude das taxas de
corretagem. Pronto. Agora você está preparado para curtir a alta do
IBOV e, ao mesmo tempo está protegido de eventuais catástrofes. Após
duas ou três semanas da execução, neste exemplo no final de fevereiro
ou no começo de março, é hora de estudar a rolagem das PUTs para o
mês de abril. Mais uma vez repito que o ideal seria comprar PUTs com
vencimentos mais longínquos, contudo a liquidez do mercado, por
enquanto, ainda não permite. É provável que no futuro tenhamos mais
liquidez para vencimentos mais distantes o que será muito bom para a
estratégia, pois as rolagens serão menos frequentes e pagaremos menos
pelas taxas de negociação e corretagem.

O termo “rolagem” significa encerrar o contrato vigente e comprar o


seguinte. Assim, você deverá vender as PUTs compradas da série atual e
comprar PUTs da série seguinte.

Já presenciei aumentos exponenciais de PUTs em poucos dias. Por


vezes, mais de 2.000%. São eventos raros, mas que acontecem. Não
existe uma receita de bolo para a execução do Tail Hedge. A ideia é
nos proteger de uma forte desvalorização aguda do mercado. Você
aprenderá muito colocando os ensinamentos em prática. Não há outro
caminho. Mãos à obra!
Outra dica muito importante: nos períodos de baixa volatilidade do
mercado e, paradoxalmente, de maior risco para a carteira em relação à
ocorrência de eventos não esperados (“a calmaria precede a
turbulência”), os preços das PUTs ficam muito baixos e, portanto, mais
atrativos. Fuja do consenso da maioria. Aproveite a baixa volatilidade
do mercado para fortalecer o seu seguro. A explicação para a queda no
preço das Puts é simples: quanto menor o fator VEGA de precificação
das opções, menor será o valor das opções, especialmente aquelas fora
do dinheiro. Guarde na memória: a volatilidade é um fator muito
importante na composição do valor de uma opção.
Por último, volto a insistir que o ideal é manter PUTs com prazo de
validade maior que 3 a 4 semanas, porque além deste prazo, o “efeito
tempo” afetará muito o valor das mesmas. Posto isto, na prática, você
precisará rolar suas PUTs quase que mensalmente. Ossos do ofício.
Paciência. Contudo, faça as contas de compra e venda, e respeite o
limite proposto por Mark: até 1% do portfólio (ou até 0,75%, como
proponho). Não exagere na dose. Equilíbrio é a palavra-chave.

COMPRANDO PUTS: ATIVOS ESTICADOS NO


CURTO PRAZO
Não é incomum que ações de grandes empresas – blue chips –
disparem de tempos em tempos com altas expressivas. Os motivos são
os mais variados possíveis: boatos sobre aquisições e fusões, balanços
trimestrais excepcionais e revisão de preço justo por parte de corretoras
e bancos, dentre outras razões. Se este ativo fizer parte da sua carteira,
você ficará muito contente e, por vezes, muito tentado a vendê-lo. Acho
justificável a venda de bons ativos que tiveram apreciação expressiva
de 20, 30% ou mais no curto prazo. Se você optar por vender,
recompre-o numa futura correção. Porém, existe um problema. Qual?
Esta valorização no curto prazo pode ser o prenúncio de um grande
ciclo de alta. Um exemplo: as ações da VALE subiram mais de 350%
em 12 meses, de janeiro de 2016 a janeiro de 2017. Se você tivesse
vendido as ações poderia perder este grande ciclo de valorização.
Assim, uma maneira de “salvar” parte do seu lucro, sem vender o ativo,
é comprar PUTs do ativo em questão. Desta forma, você está fazendo
um pequeno seguro sobre a ação-base. Se as ações continuarem
subindo, você ganhará com as ações, mas perderá o valor do seguro.
Em contrapartida, se as ações caírem você protegerá parte dos ganhos
com o significativo aumento do valor do seguro comprado. O
raciocínio é exatamente o mesmo da estratégia do Tail Hedge, porém
aqui, você está apenas protegendo parte do lucro oriundo de um
movimento rápido de um ativo em carteira. Outra opção é vender uma
CALL (lançamento coberto), como estudaremos a seguir. Todavia, se
ativo continuar subindo fortemente você limitará seus ganhos, pois sua
CALL será exercida.

REMUNERAÇÃO CONTÍNUA: LANÇAMENTO


COBERTO DE OPÇÕES
Uma maneira interessante e inteligente de obter lucros frequentes no
mercado de ações e, por conseguinte, reduzir o preço pago pelas ações
em carteira, sem negociá-las diretamente, é através do mercado de
opções. Esta operação tem nome: lançamento coberto de opções. A
maioria dos pequenos investidores sequer conhece ou já ouviu falar
desta operação. Contudo, esta negociação pode sim ser executada pelo
pequeno investidor.
Atualmente, as ações mais líquidas na Bovespa têm um mercado de
opções negociável e a tendência natural é a de aumento da liquidez para
os variados ativos, favorecendo ainda mais este tipo de operação. Não
deixe de conhecer esta importante ferramenta de remuneração de
carteira.
A ideia central é obter uma remuneração mensal extra, sem desfazer de
suas ações. A operação tem baixo risco e é extremamente eficaz. A
seguir, descrevo um exemplo.
Suponha que você tenha em carteira de longo prazo 5.000 ações da
PETR4 que estão cotadas a 12 reais e faltam 21 dias para o próximo
vencimento do mercado de opções – como já dito, as opções vencem
mensalmente na terceira segunda feira do mês. Agora a sua missão é
escolher uma opção de compra (CALL) fora do dinheiro, isto é, com o
preço de exercício acima da cotação atual. Mais uma vez acesse o site
da Bovespa e pesquise as opções de compra. Imagine que exista uma
CALL com o preço de exercício em R$ 13,20 e que está sendo
negociada a 0,20 centavos. Desta forma, você venderá até 5.000
opções: uma operação garantida pelas suas ações em carteira e, por
isso, denominada de lançamento coberto. Neste momento você
embolsará 1.000 reais (menos as taxas de corretagem e negociação):
dinheiro em caixa! As ações da PETR4 ainda são suas, porém elas
apenas serão “bloqueadas” nestes 21 dias na sua corretora, em garantia
à operação realizada por você. Se tudo der certo, este será seu lucro,
isto é, 1,67% sobre o capital investido (1.000 reais sobre 60 mil reais:
5.000 ações da PETR$ a 12 reais cada) e as ações sairão da garantia.
Perceba que o ganho é muito maior que o obtido na renda fixa – taxa
CDI.
Após a execução da operação, nos próximos 21 dias de “vida” da
CALL, quais serão as possibilidades para o desfecho desta negociação?
O melhor cenário é que as ações estejam cotadas abaixo de 13,20
(preço de exercício), pois a opção vendida virará pó, ou seja, ela
perderá o valor de mercado e a validade, e o prêmio recebido será
definitivamente seu.
E se a ação ultrapassar os 13,20 reais? Você será exercido pelo
comprador da CALL, isto é, quem adquiriu as opções de compra
terá o direito de comprar suas ações pelo preço combinado, R$
13,20 (por isso, as ações ficam bloqueadas em garantia). Porém,
neste cenário, você ganhou duas vezes: na valorização da ação e
pelo recebimento do prêmio da CALL no momento da venda das
opções. Posto isso, é como se você tivesse vendido cada ação da
PETR4 por R$ 13,40.
Mas, e se você não quiser ser exercido? Basta recomprar a opção,
no prejuízo, ou seja, mais cara, e vender a série seguinte, do
próximo mês – você estará “rolando” o lançamento coberto.
Importante: escolha uma opção fora do dinheiro. Quanto mais o
preço de exercício da opção estiver perto da cotação atual (opções
dentro do dinheiro), mais cara ela é, contudo ela terá maior chance
de exercício. Desta forma, o objetivo é selecionar uma CALL que
tenha pouca chance de ser exercida, porém com um valor de
mercado que compense a operação.
Nesta estratégia, com os ganhos frequentes e contínuos, o preço médio
de aquisição das ações em carteira vai decrescendo paulatinamente.
Com o tempo poderemos ter “ativos de graça” em nossa carteira, pois
os pequenos ganhos auferidos mensalmente diminuem drasticamente o
preço pago pela ação. Mas não se esqueça, este é um processo lento e
sistemático. Não se consegue da noite para o dia!
Resumindo, os lançadores cobertos de opções possuem as ações em
carteira. Vendem as opções de compra para remunerar a carteira.
Lançam CALLs fora do dinheiro. Caso não sejam exercidas,
embolsam o prêmio. Se forem exercidas, embolsam os prêmios e
também o lucro da venda das ações. Com os lucros, recompram mais
ações no momento mais adequado e lançam novas opções de compra.
Esta é a lógica básica!
Se você tiver conhecimento de análise técnica esta estratégia ficará
ainda mais poderosa. Um exemplo: você deverá vender CALLs com
preço de exercício acima de resistências imediatas. Resistências são
faixas de preço que no passado o ativo teve muita dificuldade em
superá-las e recuou. Obviamente, as estratégias de lançamento coberto
são as mais diversas possíveis e um estudo mais aprofundado foge do
objetivo deste livro. Outro ensinamento importante: tenho ações da
VALE5 na minha carteira visando o longo prazo e que me permitem
este tipo de negociação. Entretanto, evite o lançamento coberto em
cenários de alta volatilidade e com grande potencial de valorização do
ativo, como o ocorrido no ano de 2016, já comentado. É provável que
após um período de maior volatilidade, o ativo volte à oscilação
habitual. Valorizações expressivas no curto prazo, como as ocorridas
em 2016 não são comuns. Desta forma, diante de cenários de alta
volatilidade, opte por comprar PUTs no intuito de proteger sua carteira,
pois o prejuízo é limitado. Evite o lançamento coberto neste cenário.
Para terminar apresento mais um exemplo real de lançamento coberto,
passo a passo, no intuito de sedimentar ainda mais os conhecimentos:
1. As ações do Itaú (ITUB4) subiram fortemente entre meados de
dezembro de 2016 até o dia 26 de janeiro de 2017. Uma alta de
mais de 25%: de 30 para 38 reais.
2. As ações aproximaram-se de uma forte resistência no gráfico diário,
em R$ 38,30.
3. Ao invés de vender as ações e realizar lucros, você poderá vender
opções de compra (CALLs): lançamento coberto.
4. Assim, você deverá vender CALLs da série seguinte, neste caso a
série B com vencimento em fevereiro de 2017 (20/02). Escolha uma
com preço de exercício de no mínimo 10% acima da cotação atual
(lembre-se que o objetivo básico é não ser exercido). Exemplo:
ITUBB22 (preço de exercício em 42,26). Esta opção abriu o pregão
do dia 27 de janeiro cotada a R$ 0,16.
5. Se você tivesse 2.000 ações do Itaú em carteira e vendesse estas
opções você receberia em conta 320 reais (sem contar as taxas).
6. Se a operação fluir positivamente, ou seja, se o valor das ações do
Itaú não ultrapassar o preço de R$ 42,26 até o dia 20/02/17, este
ganho será seu, o que corresponde a 0,42% sobre o capital em
pouco mais de três semanas.
7. Mais uma vez: esta estratégia visa ganhos pequenos e contínuos,
sem desfazer das ações de seu portfólio. Como o velho ditado: “de
grão em grão a galinha enche o papo”.
HEDGE DO HEDGE – SEGURO DO
SEGURO
Confesso que nunca li nada sobre o tema, mas de tempos em tempos,
executo esta estratégia “idealizada” por mim. Veja. Suponhamos que
você tenha uma carteira de ações e que decida usar uma ferramenta de
hedge: vender minicontratos futuros ou comprar PUTs. Pois bem, se os
seus estudos derem certo o mercado recuará e você protegerá sua
carteira e aumentará seu caixa. Por outro lado, se o mercado continuar
subindo, o hedge limitará seus ganhos, especialmente se você estiver
usando o mercado futuro. Daí surge o conceito de “hedge do hedge”,
isto é, uma proteção sobre a proteção. Explico melhor. Para tal, após
fazer o hedge usando as ferramentas citadas, você deverá comprar
CALLs das ações mais importantes do IBOV. Compre CALLs bem
fora do dinheiro, pois o valor de mercado das mesmas é irrisório –
poucos centavos. Assim, se por acaso o mercado disparar, estas CALLs
limitarão seu prejuízo no hedge, haja vista que elas terão uma
valorização expressiva. Nesta tática, não uso mais que 0,1% do meu
portfólio total. Veja um exemplo na prática:
1. O IBOV chegou a 65 mil pontos. Uma forte resistência.
2. Você opta por fazer um hedge parcial da sua carteira e vender
minicontratos: nas suas contas um hedge de 50%.
3. Ótimo, 50% da sua carteira estarão protegidos.
4. Todavia você opta também por fazer um “hedge do hedge”,
comprando algumas CALLs baratinhas, bem fora do dinheiro.
Exemplo: a Vale está cotada a 31 reais e você compra CALLs com
preço de exercício em 36 reais.
5. Se o IBOV continuar subindo existe uma boa chance das ações
acompanharem e você diminuir o prejuízo do hedge feito no
mercado futuro.
6. Não utilize mais que 0,1% do seu capital nesta estratégia.
7. Ela funciona como a “estratégia do pozinho” proposta pelo trader
Fernando Roxo do Portal Infomoney. Porém, a ideia aqui é
minimizar os efeitos negativos do hedge. Lá, a ideia é apenas
apostar na explosão futura do ativo.
8. Utilizo esta tática frequentemente. Sempre respeitando o limite
operacional.
COMENTÁRIOS FINAIS
Ganhar dinheiro no mercado financeiro não é uma tarefa fácil. Esqueça
as fantasias juvenis e as promessas milagrosas dos internautas e gurus
de plantão. A construção de patrimônio é uma missão trabalhosa e
paulatina. O sucesso advém de muito esforço, dedicação e disciplina.
Como amplamente comentado neste livro, o primeiro objetivo de
qualquer investidor é proteger o portfólio. Evite riscos em demasia.
Seja um investidor cauteloso e ao mesmo tempo sábio utilizando todas
as ferramentas disponíveis no mercado. E lembre-se, o mais importante
de tudo é fechar o mês com um saldo maior em conta corrente em
relação ao mês anterior. É muito prazeroso terminar o mês com o
patrimônio maior do que o mês precedente, de preferência com ganhos
superiores ao CDI. Este deve ser o maior objetivo. Lucros contínuos e
duradouros. Literalmente, é um trabalho de formiguinha. Nada adianta
você obter lucros exorbitantes momentâneos, seguidos de prejuízos
monumentais.
Relembrando, resumidamente, as ferramentas de proteção propostas
por mim:
1. Mantenha a liquidez do curto prazo. Imprevistos acontecem.
2. Monte uma carteira de investimentos bem diversificada.
3. Respeite plenamente o seu perfil de investidor.
4. Monte uma carteira de ações com ótimas empresas. Esta será sua
maior proteção.
5. Inclua “ativos seguros” na carteira, como o dólar americano e o
ouro.
6. E por último, compre seguros no mercado futuro e no mercado de
opções.
Muito obrigado por ter conseguido chegar até aqui. Sei que não foi uma
missão fácil. Foram muitas e muitas informações. Com certeza é o livro
mais importante que já escrevi. O assunto é árduo e quase sempre
negligenciado pelo pequeno investidor. Mas faça diferente. Estude
muito o assunto, releia o conteúdo, consulte outros analistas e aplique
os ensinamentos no seu dia a dia. Posso garantir que valerá a pena. É
muito bom conquistar a segurança dos investimentos e, ao mesmo
tempo, ter uma noite tranquila, sem pesadelos. Guarde na sua memória:
quase sempre o amanhã é imprevisível.
Bons investimentos.
Marcelo Montandon Jr.
LEITURA RECOMENDADA
BARTUNEK, Florian e cols. Fora da curva. Primeira edição. São
Paulo, SP: Editora Schawarcz, 2016
ELDER, Alexander. Aprenda a operar no mercado de ações. Sexta
edição. Rio de Janeiro: Editora Campus/Elsevier, 2006.
ELDER, Alexander. Aprenda a vender e operar vendido. Rio de
Janeiro: Campus/Elsevier, 2009.
GRAHAM, Benjamin & ZWEIG, Jason. O investidor inteligente. Rio
de Janeiro: Nova Fronteira, 2007.
GUNTHER, Max. Os axiomas de Zurique. Vigésima terceira edição.
Rio de Janeiro: Editora Record, 2009.
KOBORI, José. Análise Fundamentalista. Primeira edição. Rio de
Janeiro: Elsevier, 2011.
LUEDERS, Anderson. Investindo em Small Caps: um roteiro
completo para se tornar um investidor de sucesso. Terceira edição.
Rio de Janeiro: Campus/Elsevier, 2008.
MONTANDON JR, Marcelo. 5 investimentos que garantem seu
futuro. Primeira edição. Goiânia: edição do autor, 2014.
MONTANDON JR, Marcelo. Análise Técnica no Mercado de Ações
– Aprenda a operar na bolsa de valores através dos gráficos.
Primeira edição. Goiânia: edição do autor, 2015.
MONTANDON JR, Marcelo. Investir Cada Vez Melhor. Primeira
edição. Goiânia: edição do autor, 2013.
MONTANDON JR, Marcelo. Não Seja o Pato da Bolsa de Valores.
Primeira edição. Goiânia: edição do autor, 2013.
MONTANDON JR, Marcelo. O investidor e o Leão – Imposto de
renda sobre as aplicações financeiras. Primeira edição. Goiânia:
edição do autor, 2015.
TOWN, Phil. Regra número 1. Primeira edição. Rio de Janeiro:
Editora Best Seller, 2007.
CRÉDITOS
Goiânia, Goiás - Edição do Autor - 2017
Marcelo Montandon Jr.
1ª EDIÇÃO
2017, Marcelo Montandon Jr.
Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.610, 1998.
Nenhuma parte deste livro, sem autorização prévia por escrito do autor,
poderá ser reproduzida ou transmitida sejam quais forem os meios
empregados: eletrônicos, mecânicos, fotográficos, gravação ou
quaisquer outros.
Revisão ortográfica: Raquel Eckert Montandon.
Edição final: Marcelo Montandon Jr.
Edição digital: Beto Marques Internet Solutions

NOTAS:
1. Este livro tem como simples objetivo informar o leitor sobre o
funcionamento do mercado financeiro. O conteúdo do mesmo não
deve ser interpretado como uma fonte de indicação de investimento.
O autor não assume qualquer responsabilidade por eventuais danos
ou perdas pessoais, originados do uso desta publicação.
2. O mercado de renda variável envolve grandes riscos de perda e o
investidor deve ter total ciência dos mesmos.
3. As regras no mercado financeiro são muito dinâmicas e
frequentemente modificadas pelos órgãos competentes; desta forma,
todas as informações aqui repassadas devem ser confrontadas com o
cenário atual
4. Muito cuidado e técnica foram empregados na edição deste livro,
entretanto, podem ocorrer erros de digitação ou dúvida conceitual.
Nestas hipóteses, solicitamos a devida comunicação com o autor,
para que possamos esclarecer a questão.
Este livro é dedicado aos meus queridos filhos, Ana Paula e Vitor, à
minha esposa, Raquel, e aos meus pais, Marcelo e Ione.
AUTOR

Marcelo Montandon Jr é médico


especialista em diagnóstico por imagem
e radiologia, graduado pela
Universidade Federal de Goiás (UFG)
em 1994 e com residência médica na
Universidade Estadual de Campinas
(UNICAMP) de 1995 a 1997. Presidente
da Sociedade Goiana de Radiologia
(SGOR) no biênio 2007 / 2009. Membro
Titular do Colégio Brasileiro de
Radiologia (CBR) desde 1998.
Investidor e estudioso do mercado
financeiro desde 2008 com ênfase em
análise técnica no mercado de ações.
Certificado profissional em
investimentos (CPA – 10) da
Associação Brasileira das Entidades
dos Mercados Financeiro e de
Capitais (ANBIMA).
Certificado nacional de profissionais
de investimento, CNPI-T, e é
credenciado pela Associação dos
Analistas e Profissionais de
Investimento do Mercado de Capitais
(APIMEC).
Criador do site de educação
financeira em 2013: Investir cada
vez melhor

Autor dos livros