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A BATALHA ESPIRITUAL: ANÁLISE DE EFÉSIOS 6.10-20.

I. VISÃO GERAL DA CARTA.

Nos três primeiros capítulos o apóstolo Paulo fala sobre os privilégios dos cristãos e o que significa ser
igreja. A partir disso ele começa a falar de como Deus desde a eternidade elegeu e predestinou dentre
a humanidade aqueles que ele quis salvar. Paulo fala do fato de que Jesus veio ao mundo para morrer
por estas pessoas e oferecer na cruz um sacrifício eficaz por elas, e termina dizendo como o Espírito
Santo chama os eleitos de Deus através da história pela pregação do evangelho e forma um corpo que
é a Igreja. Este corpo é formado por homens e mulheres, pobres e ricos – todos aqueles que professam
o nome Cristo como seu Senhor e Salvador. Tudo isso Paulo aborda do capítulo 1 ao 3.

Depois disso Paulo passa a falar dos deveres dos cristãos, ou seja, da maneira como nós que fomos
alcançados pela graça de Deus nos Evangelhos devemos viver nesse mundo. Ele fala da necessidade da
unidade da igreja e sobre os dons espirituais que Deus deu para a Igreja. Ele aborda também a questão
da santidade e fala como devemos nos separar do pecado, nos despindo do velho homem e nos
revestindo do novo homem em Cristo. Tudo isso no capítulo 4.

No capítulo 5 e metade do capítulo 6 ele nos orienta a buscar uma vida cheia do Espírito Santo. Esta
vida cheia do Espírito Santo está ligada ao casamento, à criação dos filhos e à sociedade (empregados
e patrões).

Paulo termina a carta advertindo seus leitores (e a nós!) de que não será fácil vive nesse mundo com
os privilégios de sermos filhos de Deus e obedecê-lo. Teremos dificuldades de fazer o que Deus nos
pede em relação a nossa família, ao casamento, à sociedade, nos relacionamentos fraternais e na nossa
própria vida. Essa dificuldade se dará porque há inimigos poderosos, mais fortes do que nós, que lutarão
para nos impedir de obedecermos a vontade de Deus. Tudo isso no final do capítulo 6.

1. Autoria.

Podemos afirmar com toda certeza que a Carta aos Efésios é produto da pena de Paulo. Logo no início
da carta ele se apresenta como o autor: “Paulo, apóstolo de Cristo Jesus por vontade de Deus aos santos
que vivem em Éfeso e fiéis em Cristo Jesus” (Ef 1.1). Paulo repete seu nome em Ef 3.1. Esta saudação é
parecida com a saudação de 2Co 1.1 e Cl 1.1. A referência mais antiga que diz que Paulo é o autor da
carta vem do ano 95 a.C. Desde a metade do segundo século, a carta é conhecida entre os cristãos.[1]

Uma tradição antiga descreve Paulo como alguém de pequena estatura, pouco cabelo, pernas curvas,
corpo em boas condições, sobrancelhas juntas e nariz um pouco adunco.[2]

2. Data e Ocasião.

Quatro cartas do apóstolo Paulo são chamadas de “Cartas da prisão” ou “cartas do Cativeiro”. São elas:
Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemom. Sabemos disso porque Paulo nos informa isso: Ef 3.1, 4.1,
6.20; Fp 1.7, 13,14; Cl 4.18; Fm 1,9. A Carta aos Efésios foi escrita durante os dois anos em que Paulo
ficou preso em Roma (At 28.16-31). Esta foi a primeira vez que Paulo ficou preso em Roma,
provavelmente nos anos 58-60 d.C. Foi escrita logo depois da Carta aos Colossenses e ambas foram
levadas por Tíquico (Ef 6.21; Cl 4.7). Efésios foi escrita provavelmente entre 60 ou 62 d.C.[3]

II. ANALISE DE EFÉSIOS 6.10-20.


A partir de agora analisaremos o texto de Ef 6.10-20. Faremos uma análise de cada um dos versículos
dividindo-os em três seções. As palavras em negrito pertencem ao texto bíblico em análise.

Devemos ter sempre em mente o contexto em que Paulo nos introduz o assunto de batalha espiritual.
Desde Ef 4.17, o assunto predominante que Paulo está tratando é santidade, e ele continua com esse
mesmo assunto em Ef 6.10-20. Em Ef 6.10-20, o que o apóstolo está nos dizendo é que não será fácil
levarmos uma vida de santidade neste mundo porque teremos inimigos poderosos que nos impedirão
de fazê-lo.

1. O inimigo: Ef 6.10-12.

A primeira tarefa do apóstolo Paulo ao abordar o assunto da batalha espiritual é nos informar sobre os
inimigos que enfrentamos. Paulo deixa bem claro que Deus está no controle de tudo e que é ele que
provê a armadura. Deus é a pessoa chave nessa “batalha”. Aqui o apóstolo nos mostra a funcionalidade
da armadura de Deus, que é para que resistamos às ciladas do diabo, nosso inimigo espiritual e invisível
e que é mais forte do que nós.

Ef 6.10: Quanto ao mais, sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder.

A expressão quanto ao mais[4] significa finalmente ou quanto ao restante. É como se ele estivesse
falando assim: “eu já falei isso e isso, agora só falta falar mais uma coisa”. Paulo nos dá uma ordem:
sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder. A expressão sede fortalecidos[5] está no presente
passivo no texto original. O tempo presente indica que algo está sendo feito agora. A voz passiva indica
que algo está sendo feito em alguém. Isso significa que o ato de ser fortalecido é algo que está
acontecendo agora e que alguém está fazendo isso em nós. Com base no texto podemos descobrir que
é Deus quem nos fortalece e a origem desse poder está nele. É Deus quem nos fortalece nele e em seu
poder. A voz passiva sugere que nós mesmos não podemos fazer isso.

Este poder que vem de Deus é o mesmo que foi mencionado em Ef 1.19 e Ef 3.16. Em Ef 1.19, Paulo diz
que Deus ressuscitou Cristo por meio do seu poder, e em Ef 3.16 lemos que este poder nos é dado por
meio do Espírito Santo para que Cristo habite em nós.[6]

Ef 6.11: Revesti-vos de toda armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo.

Paulo fala sobre nos revestirmos em Rm 13.12-14; 2Co 6.7; 1Ts 5.8. Em Is 59.17 Deus é descrito vestindo
uma armadura. O texto de Ef 6.11 deixa bem claro esta armadura pertence a Deus e não a nós –
armadura de Deus. A palavra armadura no texto grego é panoplía e se refere à armadura de um soldado
fortemente armado da cabeça aos pés.[7] Esta armadura serve para que haja defesa contra as ciladas
do diabo. Paulo introduz o nosso inimigo, e nos diz que seu nome é Diabo.[8] A palavra diabo significa
“acusador”.

Como já foi dito, essa armadura serve par nos defender das ciladas do nosso acusador. A palavra
“ciladas” no texto grego significa tramas, truques.[9] Estas ciladas são os truques de Satanás para
enganar os cristãos (2Co 11.14). As ciladas são também as tentações à incredulidade, ao pecado e à
conformidade com o mundo. Paulo teve experiências com essas ciladas e nos adverte: “não ignoreis os
seus ardis” (confira: 1Co 7.5; 2Co 11.3,14; 1Ts 2.18).[10]

Ef 6.12: Porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades,
contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes.
Paulo deixa claro que não lutamos contra forças humanas, porque ele diz que a nossa luta não é contra
o sangue e a carne. Nossos inimigos são invisíveis aos nossos olhos. São eles: principados, potestades,
dominadores do mundo e forças espirituais. Alguns intendem que os principados, potestades e os
dominadores são uma e a mesma coisa: as forças espirituais do mal, os seres espirituais que o diabo
governa. Outros interpretam como sendo classes hierárquicas do exército de Satanás.

Paulo menciona esses seres espirituais em Ef 1.21; 2.2; 3.10; Rm 8.38,39; Cl 1.13. o texto de Ef 1.21 nos
chama a atenção. O texto diz que Cristo está acima de todo “principado, e potestade, e poder, e
domínio”. Quando lemos o texto de Ef 6.12 à luz de Ef 1.21 aprendemos que Satanás está debaixo da
autoridade de Cristo. Muitas vezes ouvimos tanto que Satanás “tem poder” que parece que ele é um
poder independente, poderoso igual a Deus, mas que anda na direção contrária.[11] Isso é um erro
muito grave. Satanás não é deus, ele não é igual a Deus e ele só vai até onde Deus lhe permitir. Ele está
debaixo do domínio de Cristo. O livro de Jó nos prova isso quando Satanás tocou na vida de Jó e só pôde
ir tocar onde Deus lhe permitiu. Devemos entender que quando a Bíblia diz que Satanás tem poder,
isso se refere ao fato de que ele é mais forte do que nós seres humanos, e não que ele é poderoso em
si.[12]

2. O equipamento: Ef 6.13-17.

Tendo introduzido o nosso inimigo, agora Paulo introduz a armadura de Deus. Lembre-se que esta
armadura não pertence a nós, mas a Deus. Outra coisa que precisamos lembrar é o fato de que o
apóstolo Paulo estava preso junto a um soldado romano da guarda pretoriana. A armadura do soldado
romano serviu de instrumento para Paulo montar sua metáfora da armadura de Deus.

Políbio (210 a.C. – 120 a.C.) escreveu diversos livros de história e por isso se tornou autoridade em
táticas de guerra. Em um de seus livros, ele fez uma descrição completa da vestimenta que a infantaria
romana usava. Paulo omite duas peças essenciais: as grevas, parte da armadura que cobria as pernas
desde os joelhos aos pés, e as lanças. Entretanto, alguns estudiosos entendem que Paulo não estava se
baseando totalmente na figura do soldado romano, mas que ele tinha em mente a figura do Antigo
Testamento que descreve Deus como um guerreiro nos textos de Is 11.4,5; Is 59.14-17.[13]

Não há nada de surpreendente na armadura. O que encontramos nela é o velho “feijão com arroz” que
aprendemos na Escola Dominical: oração, leitura da Palavra, vida justa reta diante de Deus etc. O que
Paulo nos apresenta aqui é apenas uma ilustração daquilo que caracteriza a vida cristã. Essas
características são tudo aquilo que Cristo conquistou na cruz para nós.

Ef 6.13: Portanto, tomai a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mal e, depois de terdes
vencido tudo, permaneceis inabaláveis.

Este versículo é crucial para entendermos o papel do soldado que Paulo está descrevendo. É muito
comum ouvirmos dizer que a igreja tem que ir ao ataque os demônios, ir contra os poderes do mal. No
entanto, não é essa a figura que Paulo pinta aqui. A figura de Paulo diz respeito a um soldado que está
em terreno conquistado, mas que está sofrendo ataque e precisa se defender. Esta ideia torna-se mais
clara quando percebemos a expressão ficar firmes do versículo 11 e permanecer inabaláveis do
versículo 13. Embora na tradução em português haja duas palavras diferentes, no texto grego é o
mesmo verbo. Este verbo é usado num sentido militar indicando assumir um posto de vigia ou também
significa sustentar-se numa posição crítica durante a batalha.[14]

Paulo repete a exortação de Ef 6.11 sobre tomar a armadura de Deus. Perceba que o texto insiste em
deixar claro que a armadura pertence a Deus. O objetivo de tomar essa armadura é para “resistir o dia
mal”. Em Ef 5.16 lemos que os dias são maus. O “dia mal” de Ef 6.13 é o dia do conflito da nossa alma,
e pode ser qualquer luta espiritual em nossa vida. Lembremo-nos do que diz o Sl 34.19: “Muitas são as
aflições do justo, mas Senhor de todas o livra”.[15]

Ef 6.14: Estai, pois, firmes, cingindo-vos com verdade e vestindo-vos da couraça da justiça.

A palavra firme aparece novamente no texto e é o mesmo verbo utilizado nos versículos 11 e 13 (vide
acima).[16] A NVI traduziu a frase estais, pois, firmes por “assim, mantenham-se firmes”. A NTLH
traduziu por “portanto, estejam preparados”. Cingir significa por à cintura, apertar.

Os versículos 14 ao 17 nos apresentam seis peças da armadura: quatro são mencionadas de modo
específico, mas o cinturão e as sandálias estão implícitos. Neste versículo o apóstolo Paulo nos
apresenta as duas primeiras ferramentas da armadura de Deus: o cinturão e a couraça. Começaremos
pelo cinto ou cinturão. A primeira coisa que temos que saber é que cingir significa por à cintura,
apertar.[17] O cinto[18] era uma correia ou tira que cercava a cintura com uma só volta a fim de apertá-
la, e era também usada como suporte para as bainhas das espadas (2Sm 20.8). Alguns cintos eram de
couro. O cinto era a peça que mantinha firme todas as peças da armadura; o cinto é o elemento que
mantém a estrutura. Esta estrutura é chamada verdade.[19] No versículo 11, o nosso inimigo nos é
apresentado com o nome de diabo, nome de significa acusador. Em Jo 8.44, Jesus nos diz que o diabo
é o pai da mentira. Sendo assim, só poderemos resistir-lhe se estivermos fundamentados na verdade.
Se, pois, estivermos cingidos com a verdade, nosso inimigo, que nos acusa e que é mentiroso, não terá
argumentos válidos para lançar contra nós, pois estamos alicerçados na verdade. Para Paulo, a verdade
é um atributo essencial. Essa verdade pode ser integridade, autenticidade e honestidade. Devemos
seguir a verdade em amor (Ef 4.15). Falar a verdade é uma das características de uma vida santificada
(Ef 4.25).[20]

A segunda peça que nos é apresentada neste versículo é a couraça da justiça. A couraça[21] era feita de
couro duro ou de metal e envolvia o corpo todo do soldado, para que todo o tórax (onde estão os
órgãos vitais) fosse protegido. A justiça da qual o texto se refere é aquilo que Cristo conquistou na cruz
para nós: a justificação (2Co 5.12; Ef 4.24).[22]

A Doutrina da Justificação pela Fé é uma doutrina fundamental para o cristão, mas que infelizmente
tem caído no esquecimento na maioria das igrejas pentecostais e neopentecostais. Romanos 5.1 diz:
“Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo”. A
justificação é o ato de Deus redimir os pecados dos culpados e admitir esses culpados como justos
gratuitamente pela sua graça mediante a fé em Jesus Cristo, não por méritos dos pecadores, mas
porque Jesus Cristo guardou a lei em nome deles e os redimiu (Rm 3.23-26; Rm cap. 4 ao 5). Porque
todos pecaram, todos estão condenados à perdição (Rm 3.9,23). Ninguém poderá ser justificado
mediante a guarda da lei de Deus, ou seja, por seus próprios esforços. Os crentes são “feitos justiça”
diante de Deus porque ele os trata conforme o merecimento de Cristo. Os crentes são justificados em
Cristo (Gl 2.17). Os que foram justificados por meio do sacrifício de Cristo são aqueles que foram
predestinados desde a fundação do mundo, (Rm 8.29-30; Ef 1.3-7).[23]

Em resumo, a justificação é algo que não depende de nossos esforços; nós a alcançamos por meio do
sacrifício de Cristo. Outro ponto que devemos considerar é que somo justificados pela fé (Rm 5.1). A fé
é um dom de Deus, ela não pertence ao ser humano (1C 12.9; Ef 2.8). É Deus quem nos concede a fé.
Em Rm 10.11 lemos que “… a fé vem pela pregação…”, pois será pela pregação do Evangelho que os
eleitos e predestinados serão convertidos. Para encerrar este assunto, em 2 Ts 3.2 lemos que fé não
pertence a todos. Deus a dá para aqueles que ele predestinou desde a eternidade.

Ef 6.15: Calçai os pés com a preparação do evangelho da paz.


Paulo nos apresenta agora as sandálias. As sandálias militares de um soldado romano eram calçados
duros, de couro, para proteger os pés, que tinham tachas para manter o equilíbrio em terrenos
acidentados proporcionando apoio aos pés. Paulo usa a ilustração da sandália para representar a
preparação[24] do evangelho.[25] Isso pode significar duas coisas: 1) o Evangelho é o firme fundamento
no qual os cristãos devem apoiar-se; 2) o soldado cristão deve estar preparado para seguir o Evangelho
e levá-lo por onde andar para propagá-lo. Se calçarmos (calçai)[26] as sandálias de Evangelho teremos
os “pés formosos” de Is 52.7 (cf. Rm 10.15).[27]

O evangelho da paz[28] é a paz com Deus pela salvação através da pregação (Ef 2.17). Em toda a Carta
aos Efésios, Paulo ressaltou como o Evangelho traz paz, reconciliando-nos com Deus. Em Efésios, a paz
é o elo que mantém a unidade entre os cristãos. Esta paz é a mesma referida em Rm 5.1, a paz que
temos com Deus por meio do sacrifício de Cristo na cruz do calvário. Outrora nossa condição perante
Deus era de inimizade, pois quem ama o mundo odeia a Deus (1Jo 2.15). Mas agora, pelo sacrifício na
cruz, temos paz com Deus, pois fomos reconciliados com ele mediante o Senhor Jesus. Deus não mais
nos considera como inimigos, mas como filhos por meio da adoção, Ef 1.5 (cf. Rm 8. 15). É de
fundamental importância salientar mais uma vez que este ato da soberania de Deus não nos é dado
por nossos méritos, mas unicamente pelo sacrifício substitutivo de Cristo na cruz.

Ef 6.16: Embraçando sempre o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados
do maligno.

O escudo[29] aqui emocionado era aquele maior e mais pesado que protegia todo o corpo. Media cerca
de 80 cm por 120 cm. Esses escudos eram escavados na madeira e coberto com couro. A referência é
ao scutum dos soldados romanos que tinha uma estrutura metálica e, às vezes, uma massa de metal
no centro. Frequentemente as várias camadas de couro eram ensopadas e socadas na água antes da
batalha, a fim de apagar as setas incendiárias do inimigo.[30]

A fé[31] aqui descrita é a confiança em Deus. A fé que traz libertação é a fé que nos guarda. Ela nos
protege dos dardos inflamado do maligno.[32] Satanás lança dardo inflamados em nosso coração e em
nossa mente: mentiras, pensamentos blasfemos, pensamentos de ódio contra os outros, dúvidas e
desejos ardentes pelo pecado. Se não apagarmos esses dardos pela fé, eles começarão um
incêndio.[33]

Ef 6.17: Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus.

O capacete[34] da salvação[35] era um traje militar ajustado e mais leve para proteger a cabeça e fazia
com que o soldado parecesse mais alto e imponente. Os capacetes romanos eram feitos de bronze e
tinham uma camada de feltro ou esponja. Satanás deseja atacar nossa mente, foi assim que ele
derrotou Adão (Gn 3). O capacete da salvação refere-se à mente controlada por Deus.[36]

A espada[37] do Espírito, ao contrário do que se pensa, não é uma arma de ataque. Ela é uma arma de
defesa! Na armadura de Deus (Ef 6.11) não há peças de ataque, só de defesa. Lembre-se de que o
soldado que Paulo descreve aqui já está em terreno conquistado e ele tem que se defender do inimigo
que o ataca. A palavra grega para espada usada aqui é macaira (lê-se márraira). Este tipo de espada era
pequena, aquela que o soldado usava no combate corpo a corpo. Não era a espada mais longa usada
em combates. A expressão “espada do Espírito” tem conotação possessiva: pertence ao Espírito, a
espada é dele. Isso fica claro uma vez que essa espada é a palavra de Deus e que o Espírito Santo é seu
autor (2Pe 1.20,21). Em termos práticos, essa espada é a Palavra específica que precisamos
desembainhar numa determinada situação. Para ter a Palavra precisa à mão, o cristão deve conhecer
intimamente toda a Bíblia (a Palavra de Deus, ou seja, a espada) e saber manejá-la. Quando Jesus foi
ao deserto para ser tentado pelo diabo, ele resistiu aos ataques do diabo respondendo com textos
bíblicos: Dt 8.3; Dt 6.16; Dt 6.13 (Dt 10.20). Quando Satanás vier te tentar, que texto você usará para
rebater os ataques dele?

3. A energia: Ef 6.18-20.

Esta é a última seção que estudaremos sobre o texto que nos relata a batalha em que estamos
inseridos. O assunto geral desta seção é a oração, o único meio de diálogo com o nosso Senhor, por
isso não abordaremos cada versículo de forma isolada, mas os trataremos todos juntos.

Ef 6.18-20: Com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda
perseverança e súplica por todos os santos e também por mim; para que me seja dada, no abrir da
minha boca, a palavra, para, com intrepidez, fazer conhecido o mistério do evangelho, pelo qual sou
embaixador em cadeias, para que, em Cristo, eu seja ousado para falar, como me cumpre fazê-lo.

O versículo 18 parece fazer par com o versículo 13. É como se os versículos 14 ao 17 fossem parêntesis.
Sendo assim, o meio pelo qual podemos tomar a armadura de Deus é por meio da oração. A frase
oração e súplica quer dizer todo tipo de petição diante de Deus. Note que a oração não é uma das
partes da armadura. A comunhão com Deus é a atividade mais elevada de que as pessoas são capazes.
A doutrina bíblica da oração destaca o caráter de Deus e a necessidade de estar num relacionamento
correto de aliança com ele (Jo 4.24). Em 1Ts 5.17 lemos: “orai sem cessar”.

BIBLIOGRAFIA.

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2. Introdução ao Novo Testamento.

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3. Edição do Novo Testamento em grego.


SAYÃO, L. A. T. (ed.) (1998) Novo Testamento trilíngue: Grego, Português e Inglês. São Paulo: Vida.

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RADMACHER, Earl D; ALLEN, Ronald B; HOUSE, H. Wayne. (eds.) (2010) O novo comentário bíblico NT,
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RICHARDS, Lawrence O. (2008) Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 3ª ed. Rio de


Janeiro: CPAD.

WIERSBE, Warren W. (2006) Comentário Bíblico Expositivo: Novo Testamento: volume II. Santo André,
SP: Geográfica Editora.

Você pode baixar este estudo aqui.

[1] Pfeiffer, Vos, Rea, 2007, p. 602, 603; Douglas (org.), 206, p. 372; Hörster, 1996, p. 73.

[2] Willimas (ed.), 2000, p. 279.

[3] Pfeiffer, Vos, Rea, 2007, loc. cit.; Hörster, op. cit., p. 76; Carson, Moo, Morris, 1992, p. 313; Harrison,
1987, p. 317; Tenney, 1995, p. 333; Hale, 1983, p. 196, 203.

[4] No texto grego: tou/ loipou/ (tu loipu), (Sayão [ed.], 1998, p. 544).

[5] No texto grego: evvndunamou/sqe (endunamusqe) (Sayão [ed.], loc.cit). Vem do verbo
evvvvvvvndunamo,w (endunamów) que significa fortalecer, e na voz passiva significa tornar-se forte
(Gingrich, Danker, 2012, p. 73).

[6] Davidson (org.), 1997, p. 2138; Howard, et al, 2012, p. 194; Radmacher, Allen, House (eds.), 2010,
p. 514; Rienecker, Rogers, 1995, p.401.

[7] No texto grego: panopli,a (panoplía), (Sayão [ed.], loc.cit; Gingrich, Danker, op. cit., p. 154).

[8] No texto grego: dia,boloj (diábolos), (Sayão [ed.], loc.cit; Gingrich, Danker, op. cit., p. 53; Mitchel,
Pinto, Metzger, 2002, p. 80).
[9] No texto grego: meqodei,aj (meqodéias), (Sayão [ed.], 1998, p. 544; Gingrich, Danker, 2012, p. 131).
Esta palavra aparece em Ef 4.14 referindo-se às “artimanhas de homens”.

[10] Davidson (org.), 1997, p. 2138; Howard, et al, 2012, p. 194; Radmacher, Allen, House (eds.), 2010,
p. 514; Rienecker, Rogers, 1995, p.401; Wiersbe, 2006, p. 74.

[11] Alguns ramos do pentecostalismo e neopentecostalismo são dualistas. O dualismo é um sistema


de crença que acredita que há duas forças opostas (bem e mal) que lutam entre si para ver quem é a
mais forte. O cristianismo bíblico não aceita esta ideia, pois crê que há somente um Deus verdadeiro e
soberano.

[12] Howard, et al, 2012, p. 195, 196; Radmacher, Allen, House (eds.), loc. cit.; Wiersbe, loc, cit.

[13] Howard, et al, op. cit., p. 197.

[14] No texto grego: sth/nai (sthnai), ficar firme (Sayão [ed.], 1998, p. 544; Rienecker, Rogers, 1995,
p.401). Esta forma vem do verbo i´´[sthmi (hísthmijjjjjjjj) (Gingrich, Danker, 2012 p.103).

[15] Davidson,

[16] No texto grego: sth/te (sthte). Esta é a forma mais forte do verbo i´´[sthmi. A forma sth/te
significa tomar posição. (Sayão [ed.], 1998, p. 544; Rienecker, Rogers, 1995, p.401;Gingrich, Danker,
2012 p.103)

[17] Boyer, 1999, p. 143.

[18] No texto grego: ovrfu/j (orfus) significa cinto ou cinturão (Sayão [ed.], loc. cit.; Rienecker, Rogers,
loc. cit.; Gingrich, Danker, op. cit.; p.150).

[19] No texto grego: avlh,qeia (alhqeia) significa verdade (Sayão [ed.], loc. cit.; Gingrich, Danker, op. cit.;
p.16; Mitchel, Pinto, Metzger, 2002, p. 77).

[20] Davidson (org.), 1997, p. 2139; Howard et al, 2012, p. 197, 198; Radmacher, Allen, House (eds.),
2010, p. 514; Richards, 2008, p. 432; Wiersbe, 2006, p. 75.

[21] No texto grego: qw,rax (qwrax) significa couraça, peitoril. Em Ap 9.9 provavelmente significa tórax,
caixa torácica. A palavra qw,rax indica qualquer peça que protegesse o corpo entre os ombros e os
lombos (cf. Rienecker, Rogers, loc. cit.; Sayão [ed.], loc. cit.; Gingrich, Danker, 2012 p.99)

[22] Howard et al, op. cit., p. 197; Radmacher, Allen, House (eds.), loc. cit.; Wiersbe, op. cit., p. 75.

[23] Williams (ed.), 2000, p. 204.

[24] No texto grego: e“toimasi,a (hetoimasía) significa prontidão, preparação. A palavra pode significar,
neste contexto, firmemente e expressar solidez, firmeza, fundamento sólido (cf. Rienecker, Rogers,
1995, p.401; Sayão [ed.], 1998, p. 544).

[25] A palavra evangelho(euvagge,lion [euangelion]) significa boas novas ou boas notícias (Gingrich,
Danker, 2012 p. 87; Mitchel, Pinto, Metzger, 2002, p. 83). Esta palavra é usada mais de 75 vezes no
Novo Testamento, é a boa nova de que Deus em Cristo cumpriu suas promessas a Israel e de que se
abriu um caminho de salvação para todos (Mc 1.14; Lc 4.16) (Willams (ed.), 2000, p. 122).

[26] No texto grego: u“pode,oma (hupodeoma) significa calçar. Esta palavra pode se referir à caliga,
um forte e pesado sapato usado pelos soldados romanos, ou aos calceus, um sapo grosseiro que era
usado pelos oficiais (cf. Rienecker, Rogers, 1995, p.401).

[27] Davidson (org.), 1997, p. 2139; Howard et al, 2012, p. 198; Radmacher, Allen, House (eds.), 2010,
p. 514; Wiersbe, 2006, p. 76.

[28] No texto grego: eivrh,nhj (eirhnhsj) significa paz, tranquilidade (Sayão [ed.], 1998, p. 544; Gingrich,
Danker, 2012 p. 64,65; Mitchel, Pinto, Metzger, 2002, p. 81). A palavra grega eivrh,nhj equivale à
palavra hebraica MOwlAH (shalom).

[29] No texto grego: qure,oj (qureos) significa escudo (Sayão [ed.], loc. cit.; Gingrich, Danker, op. cit., p.
99).

[30] Davidson (org.), loc. cit.; Howard et al, loc cit.; Radmacher, Allen, House (eds.),op. cit., p. 514;
Wiersbe, op. cit, p. 76..

[31] No texto grego: pi,stij (pistis) significa fé (Sayão [ed.], loc. cit.; Gingrich, Danker, op. cit., p. 167;
Mitchel, Pinto, Metzger, op. cit., p.91).

[32][32] No texto grego: ponhro,j (ponhros) significa maligno (Gingrich, Danker, op. cit., p. 172).

[33] Davidson (org.), 1997, p. 2139; Howard et al, 2012, p. 198; Radmacher, Allen, House (eds.), 2010,
p. 515; Wiersbe, 2006, p. 76. Richards, 2008, p. 432.

[34] No texto grego: perikefalai,a (perikefalaia) significa capacete (Sayão [ed.], 1998, p. 544; Gingrich,
Danker, 2012 p. 164).

[35] No texto grego: swthri,a (swthria) significa salvação (Sayão [ed.], loc. cit.; Gingrich, Danker, op. cit.,
p.202).

[36] Howard et al, op. cit., 198, 199; Radmacher, Allen, House (eds.), loc. cit.; Wiersbe, op. cit., p. 76;
Rienecker, Rogers, 1995, p.402.

[37] No texto grego: ma,caira (macaira) significa espada (Sayão [ed.], loc. cit.; Gingrich, Danker, op. cit.,
p.131).
Efésios 6:10-24

Este trecho nos traz mais uma exortação de Paulo e o encerramento do livro.

6:10-18

A exortação final de Paulo neste livro se refere à preparação do cristão para enfrentar os desafios no
mundo. Devemos ser fortalecidos no Senhor (10).

**Obs.: Mais uma vez, observamos que o poder não vem de nós, mas de Deus. Muitos cristãos se
sentem derrotados porque olham constantemente para as coisas erradas. Vêem as tentações e as
provações e estas parecem enormes. Olham no espelho e enxergam suas próprias falhas e fraquezas.
O problema é o foco. Qualquer homem é pequeno e frágil, mas Deus é muito maior do que nossos
desafios. Foi assim que pensou o bom rei Ezequias quando o exército da Assíria ameaçou o seu país:
"Sede fortes e corajosos, não temais, nem vos assusteis por causa do rei da Assíria, nem por causa da
multidão que está com ele; porque um há conosco maior do que o que está com ele. Com ele está o
braço de carne, mas conosco, o Senhor, nosso Deus, para nos ajudar e para guerrear nossas guerras. O
povo cobrou ânimo com as palavras de Ezequias, rei de Judá" (2 Crônicas 32:7-8). Deus é maior do que
nossos problemas!

É com a armadura de Deus que podemos enfrentar e vencer o diabo e as outras forças do mal (11-12).

**Obs.: O diabo é um derrotado, um perdedor. Sinceramente fico triste com as igrejas que enfatizam
demasiadamente os poderes do diabo e seus servos. Parece que algumas igrejas falam mais sobre as
forças do mal do que sobre o Vencedor e Senhor de todos. Preocupam-se com questões de hierarquias
de poder no reino das trevas; fazem espetáculos dramáticos de expulsão de demônios; falam
detalhadamente sobre características e poderes de Satanás. O Novo Testamento apresenta o diabo
como um derrotado contra quem devemos resistir confiantes na vitória (Hebreus 2:14-15; 1 João 3:8;
Apocalipse 12). Ele tem poder (veja 1 Pedro 5:8-9), mas o poder dele nem se compara com a força
superior do nosso Rei!

Para vencer o Adversário e "permanecer inabaláveis", precisamos vestir a armadura de Deus (13-17;
veja 1 Tessalonicenses 5:8):

(1) O cinto da verdade (14). O cinto do soldado foi a peça central de sua armadura, segurando a roupa
dele perto do corpo e dando lugar para carregar a sua espada e outras necessidades da batalha. Na
vida do discípulo, esta peça central é a verdade, que vem de Deus (João 17:17). Para servir de proteção,
a verdade precisa ser conhecida, recebida e aplicada. Isso exige estudo cuidadoso, aceitação de coração
bom e sincero, e a coragem de aplicar a palavra em nossas vidas e efetuar as mudanças necessárias.

(2) A couraça da justiça (14). A couraça protege o coração, o peito do soldado. A proteção do servo de
Deus não vem por meios carnais. A injustiça de mentiras, engano, etc. não protege ninguém do inimigo
real. A justiça, a santidade, a integridade moral são a proteção do servo do Senhor.

(3) Os calçados (sandálias) de preparação do evangelho (15). As sandálias usadas pelos soldados
romanos, na época de Paulo, tinham cravos para dar aos soldados uma vantagem contra inimigos
despreparados (com sandálias inadequadas ou até descalços). O servo do Senhor tem de estar
preparado, com as sandálias já nos pés. Se esperar a invasão do inimigo para se vestir, não conseguirá
resistir. A preparação do soldado de Cristo é o evangelho da paz. É interessante que, no meio a tanta
linguagem de guerra, Paulo nos lembra que a nossa missão é de reconciliação, como servos do Príncipe
da Paz (veja 2:14-18).
(4) O escudo da fé (16). O escudo do soldado romano cobria boa parte do corpo dele, e servia para
repelir dardos, flechas, etc. O diabo lança seus dardos inflamados, mas o cristão se defende com o
escudo da fé. Quando temos convicções fundadas na palavra de Deus, podemos resistir aos assaltos do
Inimigo (Romanos 10:17).

(5) O capacete da salvação (17). O capacete é de extrema importância. A nossa proteção contra golpes
mortais é a salvação que Cristo nos trouxe (Atos 4:12).

(6) A espada do Espírito (18). Não devemos entender que a nossa guerra seja apenas defensiva.
Entramos na batalha armados para enfrentar e vencer o Inimigo. "Porque, embora, andando na carne,
não militamos segundo a carne. Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em
Deus, para destruir fortalezas, anulando nós sofismas, e toda altivez que se levante contra o
conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo, e estando prontos
para punir toda desobediência, uma vez completa a vossa submissão" (2 Coríntios 10:3-6). A nossa
espada, nossa única arma ofensiva, é a palavra de Deus.

Assim armados e confiando no Senhor, devemos desenvolver o hábito de oração constante (18). Note
aqui:

(1) Oração é a comunicação com Deus.

(2) Súplicas são apelos ou petições pedindo ajuda.

(3) Orando "no Espírito" tem duas possíveis interpretações: (a) Orando como aprendemos do Espírito
Santo, de acordo com a vontade do Senhor; (b) Orando no espírito (a letra maiúscula não está no
original; é questão de interpretação) no sentido de oração sincera do coração.

(4) Vigiando com perseverança sugere uma atitude de dedicação incansável à oração.

(5) Devemos orar pelos santos, fazendo súplicas em favor dos irmãos em Cristo.

**Obs.: A comunicação sempre envolve dois sentidos. Uma pessoa fala e a outra ouve. Depois esta fala
e aquela escuta. A comunicação com Deus funciona da mesma maneira. Quando oramos, nós falamos
e Deus ouve. Quando lemos e estudamos a palavra, Deus fala e nós escutamos. Este entendimento
sugere dois perigos que devemos evitar: (1) Ouvir sem falar. Não é suficiente meramente estudar a
Bíblia. Precisamos desenvolver a comunhão com Deus em oração. (2) Falar sem ouvir. Algumas pessoas
oram muito, até fazendo súplicas constantemente, mas não dão importância ao estudo da palavra. É
importante falar com Deus, mas jamais devemos negligenciar o estudo da palavra dele.

6:19-20

Paulo especificamente pediu orações por ele, para que pudesse ter coragem de falar a palavra de Deus
(19).

Embora em cadeias, ele era embaixador de Cristo (20). A prisão de Paulo apresentou várias
oportunidades para ele pregar a palavra (Atos 23:11; Filipenses 1:12-18).

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