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LIÇÃO 13

SUBSÍDIO PARA O ESTUDO DA 13ª LIÇÃO DO 3º TRIMESTRE DE


2018 – DOMINGO, 23 DE SETEMBRO DE 2018

AS ORAÇÕES DOS SANTOS NO ALTAR DE


OURO

Texto áureo
“Cheguemos, pois, com
confiança ao trono da graça,
para que possamos alcançar
misericórdia e achar graça, a fim
de sermos ajudados em tempo
oportuno.” (Hb 4.16)
LEITURA BÍBLICA EM
CLASSE – LV. 16-12,13; AP
4.6-10.
COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Estamos em reta final, distinto leitor, e, desta feita, colocando pela fé As


Orações dos Santos no Altar de Ouro. Doze importantes Lições já foram estudadas,
logo, o próximo semestre se avizinha, e espero que, animosamente, também esteja
ansioso para estudar as próximas Lições. Nesta lição de número treze, vamos
mostrar que somente o Sumo Sacerdote Poderia Entrar no Lugar Santíssimo; e
reconhecer que as Orações dos Santos são qual Incenso precioso.

Portanto, tenham uma boa leitura e bons estudos!

INTRODUÇÃO
1
Os Israelitas frequentemente queimavam incenso, mas o santo incenso (Êx
30. 34-38), em cuja receita Deus oferece nestes versículos, poderia ser queimado
apenas no Tabernáculo. De aroma doce, era queimado em pratos rasos, chamados
queimadores de incenso, e demonstrava honra e reverência a Deus. Era semelhante
à oração que sobe até Deus, e também constituía uma parte vital da sagrada
cerimônia do Dia da Expiação, quando o Sumo Sacerdote levava seu incensário
para o Lugar Santíssimo (Lv 16. 12,13). Assim como o azeite da unção, este incenso
era tão sagrado que as pessoas estavam terminantemente proibidas de copiar sua
fórmula para uso pessoal.

I – O LUGAR SANTÍSSIMO

Era um pequeno cômodo de 10 cúbitos x 10 cúbitos (5x5m) separado do


Lugar Santo pelo véu. Ali havia uma peça da mobília remissória, a Arca da Aliança,
com seu propiciatório. Ali não havia nenhuma luz natural como a do sol, e nenhuma
luz artificial, mas a própria Glória de Deus – a Shekinah iluminava o Lugar
Santíssimo.

1. O lugar Santo.

Pois bem, já conhecemos o Lugar Santo, isto é, a estrutura do tabernáculo,


até porque nos é conhecido o Castiçal de Ouro que ficava à esquerda, a Mesa dos
Pães da Proposição à direita, e o Altar de Ouro de Incenso na parte de trás, antes do
véu.
Este lugar, para ser mais preciso, era um quarto de 20 cúbitos de extensão,
por 10 cúbitos de largura e 10 cúbitos de altura (10x5x5), portanto, 2.000 côvados
cúbicos. Seus lados eram formados por armações verticais douradas. A bela cortina
de linho com seu molde (bordado) de querubim, poderia ser vista pela armação na
frente e no teto. Havia quatro colunas douradas à entrada e na parte de trás do
quarto, e atrás do véu santo estava a arca da aliança.

2. O altar do Incenso.

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É Interessante notar que havia dois altares no Tabernáculo de Moisés: o altar
de bronze e o altar de ouro. O altar de bronze era para o holocausto e estava
localizado no pátio, à porta do Tabernáculo. Já o altar de ouro era para queimar o
incenso e estava diante do véu, no Lugar Santo. Este altar era chamado por
diversos nomes na Bíblia. Vejamos:

 Altar de incenso (Êx 30. 27 e 31.8);

 Altar de ouro para o incenso (Êx 40.5);

 Altar de ouro (Êx 39. 38; 40.26);

 Altar de ouro diante do trono (Ap 8.3);

 Altar que pertencia ao Santuário interno (1 Rs 6.22);

 Altar que está perante o Senhor (Lv 16. 12,18);

 Altar de madeira de Acácia para queimar incenso (Êx 30.1);

 Altar do incenso aromático que está perante o Senhor (Lv 4.7).

O altar de ouro servia para queimar o incenso ao Senhor. Nas Sagradas


Escrituras o incenso sempre aparece relacionado às orações e intercessões dos
santos, que sobem a Deus como cheiro suave. (Lc 1. 8-10; Sl 141.1,2; Ap 5.8; Ap 8.
2-6;). O incenso era colocado no altar pelo homem, e ao queimar, sobia até Deus.
Semelhantemente, nossas orações iniciam em nosso coração e ascendem aos céus
até Deus.

Este altar era de madeira de acácia (Êx 30.1-3) , revestida com ouro puro e
estava mais alto do que qualquer outra peça no lugar santo, 2 côvados (90 cm) de
altura. Media um côvado quadrado e tinha ao redor, no topo, uma coroa de ouro.
Tinha também quatro chifres dourados da mesma maneira que o altar de bronze no
pátio. Abaixo, em cada lado, tinha anéis dourados para inserir as varas para o
transporte (Êx 30 1-10).

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O altar de ouro era usado com incenso ardente, que duas vezes por dia era
oferecido pelo sacerdote, após ter acendido o pavio e abastecido de azeite as
luminárias santas.

3. A composição do incenso.

O incenso era uma mistura de três especiarias aromáticas, ricas e raras.


Estas eram misturadas com o puro incenso, moídas e misturadas com sal; uma
parte dele era posto diante do testemunho, na tenda da congregação (Êx 30. 34-38).
Esta fórmula fora totalmente proibida para ser cheirada por qualquer indivíduo.
Apenas podia ser usada na adoração a Deus no Santo Lugar.

O incenso era queimado com pedaços de brasas que o sacerdote removia


com um incensário ou vasilha do altar do holocausto no pátio. Um incensário era
uma tigela rasa ou panela com uma manivela. Também era usado para remover as
cinzas do altar, ou recolher as partes queimadas do pavio do candelabro.

Segundo estudiosos neste campo do saber judaico, o sacerdote queimava o


incenso santo no altar mais de 700 vezes ao ano, contudo, ele sabia muito bem que
nenhum sacerdote, além do Sumo Sacerdote podia ir além daquele ponto, e apenas
no Dia da Expiação (Lv 16.12).

Em Êx 30. 34, 35, assim está escrito: “(v.34) Disse mais o SENHOR a Moisés:
Toma substâncias odoríferas, estoraque, ônica e gálbano; estes arômatas com
incenso puro, cada um de igual peso; (v.35) E disto farás incenso, perfume segundo
a arte do perfumista, temperado com sal, puro e santo.” – ARA. Vejamos cada uma
dessas especiarias.

 Bálsamo: Também chamado de “estoraque”, pois o mesmo era extraído


da seiva perfumada de uma árvore com este mesmo nome, cujo
significado seria “pingar” ou “destilar”. Para ser usado, nesta mistura,
teria que ser espremido (Dt 32. 1,2);

 Ônica (onicha): Este era um molusco encontrado dentro das conchas


localizadas no fundo do Mar Vermelho (Hb Yam Suph: “mar de juncos”
- Êx. 15.4). Sua fragrância se originava das coisas das quais se

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alimentava. Ele também precisava ser bem triturado para ser usado no
incenso.

 Gálbano: Era uma seiva ou goma encontrada em uma espécie de


arbusto. Por ser amarga, era usada para repelir insetos (Is 53; Hb 5.7).
Assim como os demais ingredientes, este também tinha que ser
bastante triturado;

 Incenso Puro: Era de cor branca e provinha da seiva de uma árvore.


Branco representa pureza e justiça. O incenso puro é assim um
presente adequado para ser colocado diante do Sol da Justiça (Mt
2.11; Ct 4.6; Jo 19.39);

 Sal: O sal atua tanto como tempero quanto como conservante.


Representa um falar puro, agradável e cheio de graça (Cl 4.6). Exprime
a qualidade de algo permanente e durável. Deus fez com Davi uma
aliança de sal (2 Cr 13.5). Tudo isso está incluído na Nova Aliança em
Cristo (Mt 26. 26-28; Lv 2.13; Mt 5.13; Mc 9. 49, 50).

É digno de destaque que este incenso ainda apresentava outras


características interessantes:

1. Doce (aromático): O ministério de Jesus era cheio de doçura (Ct 5.15);

2. Puro: Cristo era absolutamente peru (Hb 7.26);

3. Santo: Cristo ministrou em absoluta santidade e sem qualquer pecado (1 Jo


2.1; Hb 7.26);

4. Perpétuo: O sacerdócio de Cristo é perfeito. Ele agora vive sempre para


interceder por nós (Hb 7.25; Ef 6.18; Cl 4.2; Ap 8.3);

5. Perfumado: Jesus entregou seu corpo em sacrifício como aroma agradável a


Deus (Ef 5.2).

Destarte, o altar de incenso (“das orações”) diz respeito ao ministério de


oração e intercessão.

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4. A cerimônia.

Em Lv 16. 12, 13, assim está escrito: “(v.12) Tomará também, de sobre o altar,
o incensário cheio de brasas de fogo, diante do SENHOR, e dois punhados de
incenso aromático bem moído e o trará para dentro do véu. (v.13) Porá o incenso
sobre o fogo, perante o SENHOR, para que a nuvem do incenso cubra o
propiciatório, que está sobre o Testemunho, para que não morra.”

No dia da Expiação (Hb. Yom Kippur), o Sumo Sacerdote entrava no Lugar


Santíssimo carregando o incensário. A nuvem do incenso o impedia de ver a Arca da
Aliança e a presença de Deus – de outra maneira ele morreria. Além disso, o
incenso poderia ter tido um propósito muito prático: o cheiro doce chamaria a
atenção do povo para o sacrifício matutino e vespertino, e ajudaria a encobrir o mau
cheiro ocasional.

Este e todos os outros rituais da Antiga Aliança foram substituídos pela morte
vicária (substituta) de Jesus Cristo, definitivamente. Hoje, podemos ter os nossos
pecados perdoados e a culpa removida ao depositarmos nossa confiança em Cristo
(Hb 10 1-18).

II – AS ORAÇÕES DOS SANTOS

1. A receita para uma oração perfeita: nosso incenso.

As Sagradas Escrituras nos ensinam que os santos, nós, devemos orar no


Espírito (Jd 20) e através do Espírito (Rm 8.26). O verdadeiro incenso é aquele que
brota do coração do crente e sobe até o Santuário celestial, através do caminho
aberto pelo nosso grande Sumo Sacerdote, Jesus Cristo (Sl 141.2; Ap 5.8).

Logo, quando levamos nosso incenso ao Senhor, todo nosso ser deve bestar
envolvido (1 Ts 5.23). Vejamos o que a oração representa para cada cristão:

a) Adoração (1Samuel 2.1); d) Intercessão (1Timóteo 2.1); g) Súplica (Sl 119.170).

b) Confissão (Esdras 10.1); e) Intimidade (Êxodo 33. 11);

c) Gratidão (Mateus 11. 25-27); f) Louvor (Tiago 5.13);

2. A oração como sacrifício ao Senhor.


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Eis o que nos diz, William Barclay, sobre o texto de Ef 5.2:

Paulo usa uma frase típica do Antigo Testamento: fala do "aroma fragrante".
A frase se remonta a uma idéia tão antiga como o próprio sacrifício. Quando
se oferecia um sacrifício no altar, o aroma da carne que se queimava subia
aos céus e supunha-se que o deus a quem se fazia o sacrifício se deleitava
com o aroma. Um sacrifício que tinha um "aroma fragrante" era o sacrifício
particularmente grato e aceitável ao deus a quem se oferecia. Paulo adota a
frase que o tempo tinha consagrado — ocorre quase cinqüenta vezes no
Antigo Testamento — e a aplica ao sacrifício que Jesus ofereceu a Deus. O
sacrifício de Jesus foi agradável a Deus; foi um sacrifício em que Deus teve
complacência. E qual foi esse sacrifício? O sacrifício de Jesus foi uma vida
de perfeita obediência a Deus e de perfeito amor aos homens; uma
obediência tão absoluta e um amor tão infinito que chegou ao extremo de
abraçar a cruz. Paulo diz o seguinte: "Imitem a Deus. Se desejam imitar a
Deus e imitar o sacrifício que Jesus ofereceu só poderão obtê-lo amando
aos homens com o mesmo amor sacrificial com que Jesus os amou e
perdoando-os com amor como Deus o fez." A afirmação de Paulo é que o
cristão deve reproduzir em sua própria vida a atitude divina de amor,
bondade, perdão e misericórdia.

Portanto, nossa oração deve ser qual uma oferta a Deus – de aroma
agradável.

3. A oração dos santos na Grande Tribulação.

A semelhança entre o incenso e a oração também provém dos salmos. “Suba


à tua presença a minha oração, como incenso, e seja o erguer de minhas mãos
como oferenda vespertina”, diz o salmista (Salmo 141.2).
Em apocalipse 5.8 está escrito que as orações daqueles santos, mártires da
Grande Tribulação, eram recebidas nos céus qual incenso especial e agradável (Ap
8. 3)

CONCLUSÃO

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Portanto, concluindo o comentário desta lição de número 13, relembremos as
palavras do autor aos Hebreus, que nos diz: “(v.19) Tendo, pois, irmãos, intrepidez
para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus,” (Hb. 10.19).

Assim, cantemos alegremente e em espírito de oração e adoração, o coro do


hino 88 da nossa Harpa Cristã:

Revela a nós, Senhor Jesus, meu salvador.


As maravilhas mil do Teu divino amor;
E com veraz louvor, fervente gratidão;
Eleva a Ti, Jesus Senhor, o nosso coração.

[Professor. Teólogo. Tradutor. Bibliotecário. Jairo Vinicius da Silva Rocha –


Presbítero; Superintendente e Professor da E.B.D da Assembleia de Deus no
Pinheiro.]
Maceió, 22 de setembro de 2018.