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1.

A realidade, que nos é sempre exterior, por vezes nos confunde em sua interpretação,
onde achamos que por mera dedução podemos refleti-la. Este pensamento é
metafísico, de uma lógica aristotélica.

2. Podemos afirmar que a “filosofia está na vida”, no cotidiano encontramos uma série de
questões que nos colocam em dúvidas e que exigem de nós tomadas de decisões. Nesse
sentido, todos nós somos filósofos, pois estamos constantemente refletindo sobre que
rumo devemos tomar, que projeto de vida temos, em quais objetivos queremos chegar
etc. Somos tomados por questionamentos mais e menos importantes constantemente,
portanto, somos sujeitos pensantes. A reflexão pode ser definida como: Retomar o
próprio pensamento, pensar o já pensado, voltar para si mesmo e colocar em
questão o que já se conhece.

3. O homem só pode ser compreendido a partir da sua realidade, do seu mundo, e os


professores necessitam considerar este ponto de partida para poderem efetivamente
educar. Ao aprenderem sobre as suas práxis e o que as mesmas provocam nos
seus alunos em termos de aprendizagem significativa e de amplitude de visão de
mundo, os professores conseguem a promoção de uma educação de qualidade,
além de se replanejarem constantemente.

4. As inquietações que nos rondam são: o que é filosofia? Para que existe? Qual seu
objetivo e seu objeto de estudo científico? Historicamente falando, houve muitas
tentativas de se definir Filosofia, no entanto, seu conceito é volátil e bastante movediço.
Portanto, é correto afirmar: A Filosofia é compreendida como sendo a lógica.

5. Quando nos dedicamos a estudar a Filosofia da Educação, buscamos um


aprofundamento da prática pedagógica frente aos sistemas de ensino, metodologias,
teorias, entre várias outras possibilidades que nos indiquem e nos levem a uma tomada
de consciência da educação que estamos praticando. Aprofundar a prática pedagógica
significa refleti-la com bases teórico-práticas.

6. Podemos afirmar que os primeiros filósofos tinham uma preocupação em estudar a


composição do universo, sua evolução e estrutura, visões mitológicas e dogmáticas.
Estes ficaram conhecidos historicamente como sendo: pré-socráticos.

7. O que significa para os temas transversais “trazer a vida para a sala de aula”? É a
possibilidade de tematizar a realidade, trazendo para a sala de aula questões
sociais emergenciais, conforme a Lei Federal de Diretrizes e Bases.
8. A postura de buscar verdades (onde os sujeitos nunca estão prontos e acabados) é o
que nos remete constantemente a questionamentos, nos impõe atitudes hipotéticas.
A verdade sobre a realidade é considerada pela Filosofia como sendo: Um processo de
questionamentos, portanto, a realidade é relativizada.

9. A Filosofia tem no seu conceito variantes movediças, fazendo-nos buscar suas origens
históricas para melhor compreendê-la e contextualizá-la. Diante do exposto, podemos
afirmar que etimologicamente Filosofia significa: Amor à sabedoria ou amigo do saber.

10. Quanto mais ricos são os aspectos culturais da humanidade, em termos de respeito
às diferenças e não de uma cultura superior a outra, mais tendência teremos para uma
Filosofia Educacional menos propensa a refletir somente o nível do senso comum. Ao
contrário, o pensamento tende a ser culturalmente mais amplo e, portanto, aprofundado.
A Filosofia Educacional considera a linguagem produtora da cultura e que os
conceitos abstratos vão tornando-se mais profundos na medida em que os alunos
podem questioná-los e estabelecer relações destes com o cotidiano.

11. Para Freire (1980), “todo resultado da atividade humana, do esforço criador e
recriador do homem, de seu trabalho é por transformar e estabelecer relações dialogais
com outros homens”. Sobre tal posicionamento, é correto afirmar que: o diálogo requer
argumentos, saber ouvir e colocar-se socialmente, politicamente, economicamente,
em todas as dimensões da realidade;

12. A teoria repercutida por Carl Rogers engloba um processo de ensino-aprendizagem


centrado somente no aluno, deixando a Educação nas mãos do estudante. Esta prática,
mesmo considera democrática, implica em técnicas de autocontrole, pois não existe
diretividade no ensino, como se o mesmo acontecesse ao acaso. Teoria Escola Nova.

13. Os comportamentalistas são igualmente conhecidos como behavioristas, ou ainda


como empiristas e positivistas lógicos, por considerarem que o conhecimento é tão
somente ordenado por experiências e eventos da realidade. Nenhuma das anteriores.

14. Referente ao conhecimento que construímos da realidade, é correto afirmar que: O


conhecimento traz em si próprio aspectos objetivos e subjetivos da realidade e do
sujeito em interação.

15. A concepção que diz que o mundo produtivo é massacrado por classes sociais
abastadas, ou, ainda, que o modo de produção capitalista divide a sociedade em classes
dominante e dominada é: a visão de Karl Marx, a partir do Materialismo Histórico.
16. Com o Estado Novo de Getúlio Vargas, a Educação passa a supervalorizar
a educação profissionalizante e a ser dividida em: Ensino Primário, Ginasial e Colegial.

17. A visão naturalista pode também ser compreendida como comportamentalista. Sobre
ela podemos afirmar que: o homem é produto de um processo evolutivo, com
mudanças acidentais e genéticas, responsáveis tanto por seus erros quanto por
suas virtudes;

18. Toda ação deve ser precedida de reflexão sobre o homem e de uma análise do meio
de vida do mesmo. O homem é considerado um ser concreto, a quem se deve ajudar para
que se eduque. Esse tipo de concepção refere-se à teoria: histórico-social.

19. O homem é um ser social, político, histórico e cultural que recebe influências e
também influencia.

20. A metafísica significa aquilo que está além da física. Trata-se da doutrinação do
homem, dos estudos de sua essência ou ainda da essência das coisas que permeiam a
realidade. Sua origem vem de Aristóteles, chegando até Kant. Tentou dar uma
explicação estritamente racional e científica da realidade, especulando o caráter
positivo das Ciências.

21. Características da filosofia: Temos na Filosofia da Educação as condições


necessárias para refletir a prática pedagógica, por isso, a mesma deve ser considerada
pano de fundo nos programas de formação continuada de educadores.

22. A problemática levantada pelo filósofo italiano Gramsci, a respeito da alienação, pode
sugerir que existe quem saiba pensar e quem não saiba? A verdade como resposta ao
pensamento é sempre uma busca.

23. Sobre práxis: A ação-reflexão-ação necessita automaticamente de uma teoria para


que possamos dialeticamente analisar a realidade, melhor fundamentados.

24. O eurocentrismo é uma política do governo brasileiro instaurada para evidenciar o


valor da Europa e de seus conhecimentos no mundo.

25. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 2015, avalia a situação do


contexto educacional brasileiro em termos gerais, bem como aponta dados e índices a
respeito de outras áreas importantes em nossa sociedade para a construção de políticas
públicas após análise da realidade.
O pensamento crítico chega à sala de aula através de práticas pedagógicas
fundamentadas em teorias progressistas e/ou sociointeracionistas, que contemplam a
visão dialética sobre o conhecimento.

UNIDADE 1 – A FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO

O CONCEITO DE FILOSOFIA é volátil e carregado de significados que a História da


Filosofia esclarece melhor, no entanto, o termo “terra de ninguém”, remete-nos a um
conhecimento sem objeto específico de estudo, portanto, necessita ser filosofia de algo.

A FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO pressupõe reflexão sobre as práticas pedagógicas,


trazendo a vida cotidiana para a sala de aula e possibilitando ao educador ação-reflexão-
ação, ou seja, uma tomada de decisão e consciência crítica.

Os programas de formação continuada de professores devem ter como pano de fundo a


Filosofia da Educação, a fim de refletirem sobre as problemáticas que envolvem a
mesma, repensarem o PPP institucional e seus próprios planejamentos junto aos alunos.

O SABER DA FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO é bem exemplificado nos PCNs, onde


aparecem os temas transversais, conceitos, conteúdos, questões emergentes na
realidade social e que devem transversalizar os currículos, como um feixe de
conhecimento que estabelece relações com outras áreas.

O PENSAMENTO FILOSÓFICO é crítico e este se aprende dialeticamente, quando


tematizamos a realidade, analisamos e mesma e, por fim, sintetizamos um novo
conhecimento que traz em si mesmo novas problemáticas, fazendo-nos acreditar que
estamos constamente em processos de aprendizagens. Este é um pequeno início do
pensamento dialético de Hegel e utilizado por Marx.

A palavra FILOSOFIA vem do grego (philosophia), resultando da união das palavras philo
e sophia. Philo significa amizade ou amor fraterno. Sophia quer dizer sabedoria. Assim,
filosofia significa amor à sabedoria ou amigo do saber. Concebida por Pitágoras de
Samos, pode ser definida como uma busca incessante e amorosa pela verdade.
A Filosofia pode ser concebida como uma “Terra de Ninguém”. Pode ser assim entendida
porque ocupa algum lugar intermediário entre a Teologia (conhecimento baseado em
dogmas) e a Ciência (conhecimento definido e demonstrado).

Há autores que definem Filosofia como sendo uma postura de questionamentos e


levantamentos de problematizações frente à realidade. Nesse sentido, a Filosofia se
caracteriza por preocupar-se em fazer perguntas e não necessariamente encontrar
repostas ou verdades cristalizadas. O campo de definição da Filosofia se torna bastante
hipotético, pois, ao levantar questionamentos, estaríamos filosofando, ou seja, nos
construindo como sujeitos históricos que se iniciam, no campo do pensamento, tornam-se
críticos, questionadores. O sujeito questionado e questionando, define-se como
inacabado, “sendo”, sempre em desenvolvimento de aprendizagens.

FILÓSOFOS PRÉ-SOCRÁTICOS: tinham uma preocupação em estudar a composição do


universo, sua evolução e estrutura, pois visões mitológicas e dogmáticas ainda eram
refletidas. Os pré-socráticos começam a duvidar do que é “colocado” como verdade e os
métodos utilizados, o que marca o início da busca de uma explicação racional para a
realidade.

A Filosofia não possui, segundo Saviani, um “objeto de estudo”, mas define-se por
sua “forma de abordagem do objeto”. Para Rios, estaremos sempre falando da
“filosofia de”, ou seja, de alguma coisa, sempre problemática na realidade em que nos
encontramos, buscando um saber de respostas que mais se aproximem da profundidade,
do rigor, da reflexão.

A “Filosofia está na vida”. No cotidiano, encontramos uma série de questões que nos
colocam em dúvidas e que exigem de nós tomadas de decisões. Nesse sentido, todos
nós somos filósofos, pois estamos constantemente refletindo sobre que rumo devemos
tomar, que projeto de vida temos, etc.

A RIGOROSIDADE DO PENSAMENTO FILOSÓFICO pressupõe uma reflexão ampla, de


conjunto, radical, uma vez que deve nos levar a raiz das problemáticas, sistematizada e
sempre aprofundada no contexto em que os sujeitos históricos vivem. Sem o
conhecimento da realidade, tendemos a nos deixar levar pela mesma, repetindo-a e não
promovendo mudanças que possam transformá-la.
FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO: buscamos um aprofundamento da prática pedagógica
frente aos sistemas de ensino, metodologias, teorias, entre várias outras possibilidades
que nos indiquem e nos levem a uma tomada de consciência da educação que estamos
praticando.

A filosofia da educação indica nossos posicionamentos frente ao mundo educacional e a


nossa práxis. A palavra PRÁXIS significa ação – reflexão – ação. Na educação, este
processo está diretamente relacionado às práticas de ensino-aprendizagem. A práxis
implica em tomada de decisões frente aos saberes referente à educação.

O homem só pode ser compreendido a partir da sua realidade e os professores


necessitam considerar esse ponto de partida para poderem efetivamente educar. É
essencial que o professor aprenda sobre as suas práxis e o que as mesmas provocam
nos seus alunos em termos de aprendizagem significativa e amplitude de visão de mundo.

SENSO COMUM: são noções baseadas na mera observação simplista do dia a dia. Não
está baseado em métodos ou explicações científicas, trata-se de uma cultura que corre de
“de boca em boca”, empírica.

Quanto mais ricos são os aspectos culturais da humanidade, em termos de respeito às


diferenças e não de uma cultura superior à outra, mais tendência teremos para uma
FILOSOFIA EDUCACIONAL menos propensa a refletir somente no nível do senso
comum.

Cabe ao FILÓSOFO acompanhar reflexiva e criticamente a ação pedagógica, de modo a


promover a passagem de uma educação assistemática (guiada pelo senso comum) para
uma sistemática (alcançada ao nível da consciência filosófica).

A ESCOLA não é de modo algum o mundo e não deve fingir sê-lo; ela é a instituição que
interpomos entre o domínio privado do lar e o mundo com o fito de fazer com que seja
possível a transição, de alguma forma, da família para o mundo.

A RELAÇÃO ENTRE A FILOSOFIA E A FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO está na tarefa de


interpretar, ou seja, na competência do professor em conseguir estipular interpretações,
valendo-se da problematização das temáticas que envolvem a educação.
A INTERPRETAÇÃO será sempre uma forma de ver, trazer à luz da reflexão pontos de
vista que são necessários para a contemporaneidade da história da humanidade e que
igualmente se entrelaçam, permeiam as práticas pedagógicas.

DUAS ESFERAS DO PENSAMENTO CONFUNDIDOS PELA METAFÍSICA: de um lado


o processo mental pelo qual se elabora o conhecimento propriamente, a saber, a
representação mental das feições da realidade exterior ao pensamento. Do outro, a
consideração dessa mesma representação mental elaborada pelo pensamento e nele
presente como conceituação constituinte do conhecimento, da ciência em particular.

A FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO está no conhecimento problematizado do conhecimento


sobre a práxis. A ação – reflexão – ação que acompanha o professor torna-se o
componente de categorização para que o mesmo tenha possibilidade de interpretar seu
contexto e, com isso, dar significado ao seu fazer pedagógico, estabelecendo vínculos
indissociáveis entre teoria e prática.

O educador não pode realizar a sua tarefa e dar a sua contribuição histórica, se o seu
projeto de trabalho não estiver lastreado na visão de totalidade humana. À filosofia da
educação cabe então colaborar para que esta visão seja construída durante o seu
processo de formação.

TEMAS TRANSVERSAIS que, conforme os Parâmetros Curriculares Nacionais apontam


para uma alavanca no sentido de trazer a vida para a sala de aula: 1) trabalho, consumo e
cidadania; 2) sustentabilidade e meio ambiente; 3) tecnologia e informação; 4) ética; 5)
pluralidade cultural; 6) educação sexual; 7) alimentação e saúde; 8) educação no trânsito.

Os temas transversais representam um pouco do saber na educação articulado com a


filosofia, pois exige de professores e alunos pesquisa, trato com a informação,
sistematização de conceitos, estabelecimento de relações destes conceitos com a vida
diária. É, portanto, um EXEMPLO CLARO NA PRÁXIS DO LUGAR DA FILOSOFIA DA
EDUCAÇÃO.

Todo ser humano pensa, no entanto, o pensamento rigoroso, exigente, filosófico, que
extrapola o senso comum, exige método e é passível de aprendizagem. Aprender a
PENSAR FILOSOFICAMENTE requer a competência da crítica. No senso comum
escutamos com frequência uma crítica positiva, tentando camuflar os diversos
significados que este conceito pode sugerir.

A DIALÉTICA é um jeito de pensar o mundo, a realidade. Foi discutida por Hegel e o


Marxismo Histórico, de Karl Marx, que também se valeu deste jeito filosófico de pensar
para refletir sobre a sociedade de classes.

UNIDADE 2 – REFLEXÕES CRÍTICAS ACERCA DO HOMEM E SUAS IMPLICAÇÕES


PARA A EDUCAÇÃO

O homem, para ser compreendido como sujeito, necessita ser contextualizado na época
histórica em que vive e ser capaz de ter, a partir da mesma, uma consciência crítica;

O homem é um SER SOCIAL, que vive em sociedade e luta por seus direitos, visando a
transformação da realidade.

As TEORIAS PEDAGÓGICAS influenciam diretamente nas práxis e tal influência pode


nos levar a formar sujeitos conscientes, críticos, ou superficiais, no nível do senso
comum.

No percurso histórico e filosófico da Educação, tivemos VISÕES que interferiram


diretamente na educação escolar, nas suas metodologias, planejamentos, objetivos,
projetos político-pedagógico, entre outros: a VISÃO HISTÓRICA, ANTROPOLÓGICA,
METAFÍSICA, NATURALISTA E HISTÓRICO-SOCIAL. Tais visões de homem e de
mundo estão diretamente relacionadas com as teorias pedagógicas em cada época
histórica e as mesmas direcionam as práxis dos educadores.

O homem é o ÚNICO SER VIVO CAPAZ DE PENSAR; o pensamento rigoroso, criterioso,


filosófico, de tomada de consciência crítica, vem através de vários fatores, mas,
sobretudo, da sua atitude de questionar o mundo em que vive, a realidade e de
estabelecer relações dessa crítica com a Educação e outros organismos públicos.
O homem o sujeito que CONSTRÓI E DESCONTRÓI CULTURAS, preserva-as ou não,
por ser o único ser vivo que pode pensar com rigor e método; portanto, é fazedor de
História e aprendente, em constante movimento sobre os contextos em que atua.

É através da LINGUAGEM que o homem constrói ou desconstrói culturas, sendo o único


com possibilidades biológicas e culturais capaz de construir conceitos abstratos,
estabelecer relações aprofundadas entre os conceitos abstratos e a vida cotidiana, ter
potencialidade para superar situações e pensar de forma espiral dialética, onde o
movimento de ir e vir sobre a realidade traz potencial cognitivo.

A FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO é fundamental nos programas de formação continuada


dos educadores, uma vez que suscita o pensar crítico, o estabelecimento de relações
frente aos conceitos científicos e à realidade.

O SER HUMANO é genuinamente um ser social, que pode interagir, dialogar, participar
democraticamente, construir conhecimentos, via o compartilhamento de pensamentos,
ideias; O homem sempre terá uma visão a partir do tempo e do espaço em que está
inserido.

A CULTURA é uma representação social da visão de mundo dos homens, uma


representação simbólica.

RELAÇÃO HOMEM- MUNDO: pesquisadores nos apontam algumas abordagens nesse


processo. Aranha (2006) destaca:

VISÃO ANTROPOLÓGICA: Etimologia da palavra antropologia: estuda semelhanças e


diferenças culturais, origem e história das culturas do homem, sua evolução e
desenvolvimento, estrutura e funcionamento, em qualquer lugar e tempo. A perspectiva
filosófica e histórica traz a antropologia como a natureza e a história construída pelo
homem no seu percurso no universo. Este homem vai além da aparência, possui também
uma essência. É a essência que nos distingue de todas as demais coisas que ocupam
lugar no universo. Tal essência explica o homem como sendo o que ele realmente é: um
ser livre, com autonomia, protagonista de sua história, que evolui e aprende
constantemente, e se comunica, porque é dotado de LINGUAGEM, fato que o torna
capaz de produzir CULTURA. Foi o filósofo italiano Gramsci o primeiro a questionar sobre
o homem.

A teoria pedagógica tradicional e a escola nova encaixam-se perfeitamente. A


EDUCAÇÃO TRADICIONAL valoriza a transmissão da cultura geral e a realização
intelectual do homem. Para cumprir esse projeto, centra a atividade escolar na figura do
mestre, transmissor do conhecimento. Já na proposta da ESCOLA NOVA o ensino se
volta para a existência, para a vida, para a atividade do aluno, passando este a ser o
centro do processo.

A ESCOLA NOVA, que teve como precursor Carl Rogers engloba um processo de
ensino-aprendizagem centrado somente no aluno, deixando a educação nas mãos do
estudante. Esta prática, mesmo considerada democrática, implica em técnicas de
autocontrole, pois não existe diretividade no ensino, como se o mesmo acontecesse ao
acaso.

VISÁO METAFÍSICA: etimologicamente metafísica significa aquilo que está além da


física. Trata-se da doutrinação do homem, dos estudos de sua essência ou ainda da
essência das coisas que permeiam a realidade. Tem origem histórica nos primórdios de
Aristóteles, chegando até Kant. Essa visão, também vai influencia a escola tradicional,
onde a criança e o homem devem se esforçar para alcançar níveis altos de
aprendizagem, é o período da busca da perfeição e do máximo em potencialidade
humana. Trata-se de uma VISÃO DETERMINISTA do homem e de suas relações com o
mundo.

VISÃO NATURALISTA: as influências naturalistas são vistas ainda nos dias atuais junto
às teorias pedagógicas e influenciam a práxis nas escolas. Encontramos aí um olhar
positivista sobre o homem e suas relações com o mundo. O homem passa a ser
influenciado pelas forças que o cercam no ambiente e baseia-se no estímulo-resposta, de
Skinner. O homem era considerado como “um produto de um processo evolutivo, com
mudanças acidentais e genéticas responsáveis por seus erros quanto por suas virtudes”.
O processo ensino-aprendizagem é visto como controlador e regulador do comportamento
humano.
VISÃO HISTÓRICO-SOCIAL: também considerada por muitos como visão ou concepção
histórico-sócio-cultural. Nessa visão, homem e mundo são indissociáveis, pois há o
diálogo interativo entre ambos, fundamentado nas contradições sociais, sobretudo de
classes, em que este embate humano, de luta, vai promovendo transformações sociais e
culturais. A práxis social está posta por um sistema de relações sociais. O homem, o
mundo e suas relações é que podem gerar novo conhecimento, considerando o contexto
em que este homem-sujeito histórico insere-se.

EDUCAÇÃO: amplamente falando, no nível do senso comum, as pessoas costumam


associar a educação às atitudes, hábitos e costumes que são herdados pelo conjunto da
família e da escola. A civilidade está bem próxima ao ato educativo, pois parece que
quanto mais civilizada uma pessoa é, melhor deve ter sido a sua educação, e tendemos a
considerá-la uma “pessoa educada”.

EDUCAÇÃO TRADICIONAL: entendida como instrução, transmissão de conhecimentos


e restrita à ação da escola.
EDUCAÇÃO COMPORTAMENTALISTA: transmite conhecimento, assim como
comportamentos éticos, práticas sociais, habilidades consideradas básicas para a
manipulação e controle do mundo/ambiente.
EDUCAÇÃO HUMANISTA: consiste em deixar a responsabilidade da educação ao
próprio educando. As características frequentes são a autodescoberta e a
autodeterminação, sem, no entanto, oferecer um ensino crítico e consciente.
EDUCAÇÃO COGNITIVISTA: respeita as etapas de desenvolvimento do aluno, promove
desequilíbrios considerando tais etapas. Precursor: Piaget.
EDUCAÇÃO SÓCIO-CULTURAL: toda ação, deve ser precedida de reflexão sobre o
homem e de uma análise do meio de vida do mesmo. O homem é considerado um ser
concreto, a quem se deve ajudar para que se eduque.

EDUCAÇÃO COMO FATO HISTÓRICO: ao chegar ao Brasil, a Companhia de Jesus


tentou catequizar os índios. Com eles, vieram os primeiros métodos e teorias
pedagógicas, cujo objetivo era a alfabetização, a fim de converter os nativos politeístas ao
catolicismo. As ações pedagógicas eram sem discussão e o pensamento crítico jamais
fez parte das salas de aula. Por anos e anos essa foi a práxis no Brasil. Com a
Constituição brasileira de 1824, a educação é institucionalizada, e é o início propriamente
dito da escola formalizada. Com o francês, August Comte, de 1826 até 1856, houve um
salto de qualidade no processo educativo. Somente em 1930, como governo de Getúlio
Vargas, é que a educação volta a ser pensada e passamos, finalmente, a ter a criação do
Ministério da Educação e Saúde Pública. Em 1934 a educação passa a ser considerada
de todos e que deve ser de responsabilidade dos órgãos públicos e das famílias. Com o
Estado Novo de Getúlio Vargas, a educação passa a supervalorizar a EDUCAÇÃO
PROFISSIONALIZANTE e a ser dividida em cinco anos de curso primário, três anos de
curso ginasial e mais três de colegial. Somente com o fim do regime militar os educadores
começam a discutir, de forma ampla e democrática, a educação no Brasil. A aprovação da
Lei de Diretrizes e Bases (LDB) sai em 1996.

EDUCAÇÃO COMO FATO POLÍTICO: usamos a política para discutirmos todas as


questões relativas à polis, à cidade-estado, às dimensões da vida coletiva e em
sociedade. A política estaria autorizada a estabelecer a ordem social, governamental,
econômica, e estaria acima de todas as dimensões de poder. Freire afirma que “educar é
um ato político”. Por que a educação é considerada um ato político? Talvez porque é
inserida em perspectivas ideológicas que nos cercam em nossas práticas pedagógicas,
que estão embutidas, inclusive, nos livros didáticos, passando por nossos olhos sem que
muitas vezes percebamos os preconceitos que estamos ensinando nas salas de aula.

EDUCAÇÃO COMO FATO SOCIAL: Émile Durkheim foi o primeiro a considerar o


indivíduo como um ser social. O aspecto social é imprescindível nas práticas
pedagógicas. Ambos valem-se do pensamento dialético, para destacarem a superação do
indivíduo como ser único. Tratam da dicotomia entre a sociedade e o indivíduo, onde a
personalidade somente pode ser formada no meio social, existindo sujeitos sociais, que
justamente se formam nesse conviver com os demais.

EDUCAÇÃO COMO FATO CULTURAL: cultura vem do latim colere, tendo como sentido
criar, cultivar, tomar conta e cuidar. A cultura em todos os tempos foi constantemente
construída e reconstruída, portanto, somente um pensamento em espiral dialético pode
representá-la em seus diversos significados. A cultura se move no tempo e no espaço
devido a um sistema de comunicação, que é a linguagem. É a linguagem que cria a
imagem que temos sobre objetos, coisas, realidades e, através dela, damos à realidade, a
esse contexto, nossas impressões. Quem constrói ou reconstrói a cultura é o homem,
através da linguagem.
ESPIRAL DIALÉTICA: um processo, um movimento de idas e vindas no pensamento, em
formato de um espiral (imagem) que nos faz superar a superficialidade de conceitos,
dando um salto de qualidade, via aprofundamento.

UNIDADE 3 – A METODOLOGIA DIALÉTICA NA EDUCAÇÃO

A DIALÉTICA mostrava-se como um diálogo argumentativo, com base em fundamentos


que podem concluir uma determinada discussão sobre as questões humanas inseridas no
contexto mundano, requerendo dos filósofos e da própria ciência a busca da “verdade”.
Por outro lado, em uma perspectiva mais moderna, temos como significado do conceito
de dialética a CONTRADIÇÃO, em que a realidade está permanentemente em
transformação.

Os METAFÍSICOS trouxeram como significado para a dialética o aspecto de fenômeno da


superfície, com o objetivo de dar ao conceito maior segurança, do que o movimento e a
transformação que o mesmo traz em si.

Kant traz que a “CONSCIÊNCIA” HUMANA não é mera registradora, passiva, de


impressões referentes ao mundo exterior; ao contrario, ela é consciência de um ser que
interfere, transforma a realidade, fato que na época colocou em xeque o conhecimento
humano. O filósofo afirma que todas as FILOSOFIAS ERAM INGÊNUAS ou meramente
dogmáticas, uma vez que interpretavam a realidade sem primeiro ter resolvido uma
problemática anterior, ou seja, definir o que é o conhecimento.

Hegel, filósofo idealista, que percebeu algo fundamental, o TRABALHO. Para ele, o
trabalho passa a ser a mola propulsora e impulsionadora de todo o desenvolvimento do
homem; o trabalho é um divisor de águas entre o homem e a natureza e sem o mesmo
não haveria a relação sujeito-objeto.
O materialista Karl Marx valeu-se de aspectos do pensamento de Hegel para construir a
TEORIA DO MATERIALISMO HISTÓRICO. Com Marx, passamos a ter uma VISÃO
SOCIAL DO TRABALHO, atividade em que o homem cria e cria-se. O homem submetido
ao processo onde os modos de produção pertencem às classes economicamente
dominantes é um ser alienado, uma peça no processo de produção, que toma
consciência de si, da sociedade a qual está subjugado, a partir do momento em que
desnuda tal processo explorador de trabalho.
Enquanto uma forma de pensamento, a DIALÉTICA segue um processo de idas e vindas,
como uma espiral, como uma perspectiva crítica de conceber a realidade em movimento,
buscando com isso uma explicação para o trabalho. O TRABALHO passa a ser visto
como mola propulsora da sociedade e o proletariado como uma classe considerada
explorada.

O materialismo histórico, vale-se do pensamento dialético e Marx vale-se da tese, antítese


e síntese para explicar o trabalho como a mola propulsora da sociedade e o proletariado
como uma classe considerada explorada.

SÍNTESE: possibilidade de verdade de um “todo”, que, ao trazer novas questões, por


vezes, volta para rever conceitos e formas, a fim de que se tenha mais qualidade de
processo; é a negação da negação, uma espiral de pensamento rigoroso, aprofundado,
crítico. TESE: problemática. ANTÍTESE: análise, pesquisa.

METODOLOGIA DIALÉTICA requer por parte do professor atenção nos seguintes


aspectos: mobilização para o conhecimento (sensibilização), construção do conhecimento
e elaboração da síntese do conhecimento.

Para Wallon, que desenvolveu uma vasta produção a respeito da contextualização das
atitudes infantis, o MATERIALISMO HISTÓRICO DIALÉTICO de Marx é o único jeito de
agrupar todas as concepções filosóficas que permitem ultrapassar a fronteira, ou ainda,
superar as denominadas antinomias (oposição ou contradição entre duas leis ou
princípios) que deixam nebulosa a objetividade real.

Wallon passa a usar o método dialético de análise para explicar as emoções e o processo
cognitivo no DESENVOLVIMENTO INFANTIL. Rego (1995) afirma que a emoção em
Wallon “encontra-se na origem da consciência, operando a passagem do mundo orgânico
para o social, do plano filosófico para o psíquico”.

A COGNIÇÃO e a AFETIVIDADE tornam-se aspectos teóricos de fundamentos das


práxis pedagógicas. A díade afetividade e cognição podem dar dialeticamente significado
aprendizado dos alunos.
Em síntese, o desenvolvimento das FUNÇÕES PSÍQUICAS superiores são as
significações e reproduções de ideias, do pensamento, tornando o homem construtor do
conhecimento por sua consciência.

Na METODOLOGIA CIENTÍFICA, para a Filosofia, há consensos: análise com relação


ao conhecimento produzido pela pesquisa; coerência e consistência temática;
intencionalidade em captar a realidade estudada e não a sua deturpação; interpretação
não factual da temática que se pretende aprofundar.

O SENSO COMUM são certezas que temos sobre algumas coisas, sem grandes
questionamentos. Essas “certezas” podem virar dogmas, crenças por vezes irrefutáveis,
uma vez que são subjetivos e, por vezes, baseiam-se em meras opiniões de uma ou mais
pessoas, resultado de um contexto experienciado. Tal visão com base no senso comum,
subjetiva, generalizadora, angustiante, torna-se perigosa, pois autentifica uma verdade
por vezes preconceituosa.

O CONHECIMENTO CIENTÍFICO, que necessita de método, vem a ser o oposto do


conhecimento no nível de senso comum. Nesse sentido, o conhecimento científico traduz
o que poderia estar mais próximo de hipóteses verdadeiras, um conhecimento, saber,
materializado. Tal conhecimento é volátil, modificável ao longo do tempo, não nos é dado,
nem está pronto e acabado.

O conhecimento visto como transmissor de poder é o único capaz de dar crítica à


realidade e transformá-la. O conhecimento científico interfere de maneira bastante
relevante no sistema educacional de ensino, envolvendo alunos e professores a
aprender a aprender, a aprender a saber pensar, valendo-se da dialética e da
metodologia científica rigorosa que a mesma sugere.

TEORIA PEDAGÓGICA TRADICIONAL: O papel da escola é a preparação moral e


intelectual dos alunos, com conhecimento transmitido, conteúdos fixados, cópias,
memorizações, posturas autoritárias e disciplinadoras. Os alunos são repetidores
passivos do saber dos professores, sem expressão de seus próprios pensamentos e suas
hipóteses frente ao conhecimento, que é aceito e compreendido como uma verdade
inquestionável.
TEORIA PEDAGÓGICA NOVA: O objetivo maior é aprender fazendo, o meio social em
que o aluno se insere, deve se adequar a ele. Há personalização do sujeito, visto como
individual. O ensino do professor é visto como apoiador, um facilitador do
desenvolvimento personalizado dos alunos. Aqui, o planejamento não é diretivo, portanto,
o aluno aprende por descobertas. Busca estabelecer relações com problemas do dia a
dia. A participação dos alunos é um critério relevante de avaliação.

TEORIA PEDAGÓGICA TECNICISTA: Seu fundamento é a qualificação de mão de obra


especializada para trabalhar na indústria. Há transmissão de informações, somente com
bases técnicas. Mais uma vez, os alunos são receptáculos das informações que devem
ser fixadas, repetidas. Torna-se desnecessário construir conhecimento, já que este é
dado em módulos instrucionais, livros didáticos infalíveis, manuais e etc.

TEORIA PEDAGÓGICA SOCIOINTERACIONISTA OU HISTÓRICO-CULTURAL: Traz


para o cenário educativo Vygotsky, que amplia e complementa Jean Piaget. Tal teoria
está embasada em princípios coletivos para a construção do conhecimento e significação
das aprendizagens. Nessa visão, o conhecimento é construído em espiral dialética. O
homem nasce com um arcabouço biológico e traz consigo as funções psíquicas
superiores, em constante processo de desenvolvimento, tanto social quanto cognitivo, de
conceitos que ultrapassam o senso comum, buscando o conhecimento científico. Para
tanto, a intermediação entre a aprendizagem e o sujeito se dá via mediação cultural, com
outro sujeito que já domina os conceitos que se pretende construir, ao mesmo tempo em
que potencializa o pensamento, com análise, estabelecimento de relações, sínteses,
percepções, memória de longo prazo, entre outras estratégias.

O SOCIOINTERACIONISMO é apontado nos dias atuais pela Lei de Diretrizes e Bases


como sendo a tendência a ser seguida pelas instituições de ensino no Brasil.

TENDÊNCIAS LIBERAIS: assumem um caráter superficial de neutralidade, muito


embora, politicamente falando, legitimem a ordem econômica e social vinculada ao
sistema capitalista. Essas tendências não educam para o pensamento crítico, mas para a
acomodação da sociedade, sem interesse em sua transformação, de forma que a
educação nesses moldes molda sujeitos à realidade em que se encontram.
TENDÊNCIAS PROGRESSISTAS: consideram as realidades sociopolíticas, como ponto
de partida para o ensino, diagnosticando o lugar da práxis pedagógica. Estão baseadas
em visões marxistas, onde o materialismo histórico aponta para a compreensão crítica da
sociedade. Assim, tais tendências buscam a transformação social, problematizando os
contextos, segundo os quais a educação atua, tendo na reflexão o caminho mais
adequado.

UNIDADE 4 – A FILOSOFIA E SEUS IMPACTOS NA SOCIEDADE E NO


CONHECIMENTO

A Filosofia traz para a sociedade atual, uma reflexão detalhada, com conhecimento
sistematizado frente às problemáticas que atingem diretamente nossas vidas.A Filosofia
nos provoca no mundo atual, onde a Ciência domina as discussões e o conhecimento
coloca em questão nossos valores, princípios e verdades diante de tanta informação,
tornando-nos fragilizados, incertos.

O perfil de outro sujeito, mais tecnológico, virtualizado, que faz uso de novas mídias e
novas formas interpessoais de relacionar-se com o coletivo, nos desafia.

A Filosofia na sociedade do conhecimento ocupa um lugar profundo, onde o seu


conhecimento é resultado de reflexão, de construção e reconstrução de saberes, visões, é
a instauração do novo.

O conhecimento produzido, como resultado das reflexões, é livre, trazendo em si mesmo


sua essência, sua rigorosidade e, portanto, argumentos legítimos de posicionamentos,
ações e atitudes que o homem passa a ter frente a um conjunto de saberes.

É a democracia que regula e legaliza a liberdade, ou seja, o debate sobre o que se pode e
não se pode fazer no espaço público escolar, e é através de exemplos que podemos
formar para a cidadania, tendo atitudes.

A liberdade é fonte rica de imaginação, de criatividade, de aula construída e não apenas


dada, é também conquistada e a formação continuada dos professores é um ponto
importante a ser considerado nesse cenário.
O espectro de conhecimento resultante da exigência de um pensamento que se vale de
muitos saberes, de uma coesão multidisciplinar, é o valor que a mesma tem no
movimento de uma sociedade contemporânea corrida, que nos obriga a nos determos, a
sermos mais cuidadosos com o que dizemos, pensamos e como agimos socialmente.
Essa VISÃO MULTIDISCIPLINAR da Filosofia com a Educação é o que dá sentido e
significado para as práticas pedagógicas.

Refletir sobre a sociedade enquanto uma rede de informações, de conhecimentos e


relações diversificadas é fundamental para a Educação, pois é nesse cenário social que a
cultura e a linguagem vêm transformando as pessoas e as suas práticas cotidianas.

Os DADOS estão na complexidade da realidade que nos cerca. São colhidos por
pesquisas e levantamentos. Sem contextualizações ou sem darmos a eles o devido
tratamento, os dados não significam informações ou conceitos significativos. Os dados
tratados adequadamente, selecionados, armazenados, classificados, geram informações
mais amplas sobre determinados objetos, conteúdos, o que se está buscando construir.

Ao pensarmos no CONHECIMENTO, devemos ter certos zelos, como preocupação


referente aos aspectos que o envolvem: a percepção, a memória, a imaginação, a
linguagem, o pensamento e a tomada de consciência.

Os primeiros filósofos, os chamados PRÉ-SOCRÁTICOS, questionavam-se sobre o que


era o mundo, o que eram as coisas e o que era o ser, o que os fez dar um caráter
ontológico à Filosofia. A filósofa Chauí afirma que esses filósofos tinham como principal
preocupação “o conhecimento como conhecimento”. Em Sócrates, conhecer “é começar a
examinar as contradições das aparências e das opiniões para poder abandoná-las e
passar da aparência à essência, da opinião, ao conceito”.

É com os FILÓSOFOS MODERNOS que nasce efetivamente a teoria do conhecimento


(séc. XVII). Essa mudança ocorreu em função do cristianismo, que leva a Filosofia a ter
que enfrentar novos problemas.

CONHECIMENTO TEOLÓGICO: a verdade está nos desígnios de Deus, que é perfeito e


não erra. O foco do conhecimento desloca-se para Deus com o centro do universo, onde
a verdade não pode encontrar-se na realidade dos seres humanos, mas na
intelectualidade divina.

CONHECIMENTO FILOSÓFICO: temos na sua origem greco-romana uma vasta


importância, onde de filósofo para filósofo, o pensamento sobre o universo foi
transformando-se em um jeito rigoroso de reflexão, com métodos que ultrapassaram a
mera especulação e opiniões preconceituosas. Em resumo, esse tipo de conhecimento
quer-se totalizante, contextualizado, problematizado.

CONHECIMENTO EMPÍRICO: os julgamentos precedem a verdade, ou seja, está no


nível do senso comum, das aparências, de tudo o que é efêmero, é passado de época em
época, popularizado.

CONHECIMENTO CIENTÍFICO: requer metodologias específicas, sistematizações


próprias de cada área, comprovações, experimentações e, no entanto, não considera a
verdade como absoluta, pois está sempre questionando os resultados.

OS DADOS ENCONTRAM-SE NA REALIDADE. Processados ou tratados, geram


informações, que, quando questionadas, levam-nos ao conhecimento e este se
transforma em saber com base nas experiências, histórias, objetividades e subjetividades
dos sujeitos envolvidos no seu processo de construção.

A filosofia da educação é o pano de fundo do projeto político-pedagógico (PPD) de uma


instituição.

O homem MORAL é aquele que age bem ou mal na medida em que acata ou transgride
as regras do grupo. A ÉTICA ou Filosofia Moral é a parte da Filosofia que se ocupa com a
reflexão a respeito das noções e princípios que fundamentam a vida moral. A moral,
enquanto conjunto de valores ou regras de conduta herdados da tradição que orientam o
comportamento dos membros de uma sociedade, apresenta caráter histórico e social.
Significa dizer que o comportamento moral dos indivíduos muda segundo o tempo e o
lugar, bem como em relação à forma como estes se encontram organizados socialmente.
Sócrates teria sido, por assim dizer, o iniciador da ÉTICA OU FILOSOFIA MORAL
enquanto campo de investigação filosófica, vindo a ser aprofundado posteriormente por
Platão e Aristóteles.

Na Idade Média a visão teocêntrica do mundo impregnou nas concepções éticas os


valores religiosos. Dessa forma, a moral cristã promoveu mudanças significativas na
antiga concepção ética: primeiro, sustentou a tese de que a virtude se define por nossa
relação com Deus e não com a cidade (a polis) e com os outros; depois, aceitou que
somos dotados de livre-arbítrio, mas que este nos dirige para o mal e para o pecado, isto
é para a transgressão das leis divinas. O CRISTIANISMO introduz na ética a ideia do
dever.

No século XVIII, no lugar das explicações religiosas, o ILUMINISMO fornece três tipos de
justificação para a norma moral: ela se funda na lei natural (teses jusnaturalistas), no
interesse (teses empiristas, que explicam a ação humana como busca do prazer) e na
própria razão (tese kantiana). Com o Iluminismo, então, a moral é secularizada,
desligando-se da religião e dos pressupostos religiosos, possibilitando a construção de
um projeto moral fundamentado na razão autônoma.

IMPASSES DA FILOSOFIA MORAL: De um lado, o prevalecimento da ordem subjetiva


das vivências e emoções, a anarquia de princípios ou a simples ausência deles. De outro
lado, a razão dominadora, instrumento de repressão, como nos denunciaram Marx,
Nietzsche, Freud e muitos outros.

Educar para a cidadania, para a autonomia, para a construção de sujeitos críticos,


reflexivos, nos sugere uma amplitude nos currículos no que tange aos conteúdos a serem
trabalhados com os alunos. Esse fator de repensar o sujeito que queremos formar com o
nosso projeto político-pedagógico nos remete a termos clareza da importância de certos
conteúdos nas escolas.

As práticas pedagógicas que negam o diálogo, a democracia, a liberdade de ser o que se


é, está fazendo a educação do oprimido, conforme Paulo Freire. Nessa práxis, alunos e
professores são igualmente oprimidos: em uma relação hierarquizada em sala, quem
oprime é o professor, o papel de oprimido fica com o aluno, que dialeticamente reproduz
este processo em suas relações com os demais.