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Intradermoterapia, Preenchimento

Facial, Toxina Botulínica,


Prescrição Biomédica Esteta e
Farmacologia

Brasília-DF.
Elaboração

Juliana Tironi Machado

Produção

Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração


Sumário

APRESENTAÇÃO.................................................................................................................................. 5

ORGANIZAÇÃO DO CADERNO DE ESTUDOS E PESQUISA..................................................................... 6

INTRODUÇÃO.................................................................................................................................... 8

UNIDADE I
MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA.................................................................................... 9

CAPÍTULO 1
INTRODUÇÃO À INTRADERMOTERAPIA....................................................................................... 9

CAPÍTULO 2
MEDICAMENTOS UTILIZADOS NA INTRADERMOTERAPIA............................................................. 15

CAPÍTULO 3
PROTOCOLOS E TÉCNICAS DE APLICAÇÃO DE INTRADERMOTERAPIA ...................................... 33

CAPÍTULO 4
CLASSIFICAÇÃO DE GORDURA LOCALIZADA........................................................................... 51

UNIDADE II
PREENCHIMENTO FACIAL...................................................................................................................... 54

CAPÍTULO 1
INTRODUÇÃO AO PREENCHIMENTO FACIAL............................................................................ 54

CAPÍTULO 2
TÉCNICAS DE APLICAÇÃO DE PREENCHEDORES..................................................................... 61

UNIDADE III
TOXINA BOTULÍNICA.............................................................................................................................. 68

CAPÍTULO 1
INTRODUÇÃO À TOXINA BOTULÍNICA....................................................................................... 68

CAPÍTULO 2
TIPOS DE TOXINA BOTULÍNICA.................................................................................................. 72

CAPÍTULO 3
ANATOMIA.............................................................................................................................. 76

CAPÍTULO 4
RESULTADOS DE APLICAÇÃO DA TOXINA BOTULÍNICA............................................................... 80
UNIDADE IV
PRESCRIÇÃO BIOMÉDICA..................................................................................................................... 88

CAPÍTULO 1
RESOLUÇÕES DO BIOMÉDICO ESTETA..................................................................................... 88

UNIDADE V
FARMACOLOGIA BÁSICA...................................................................................................................... 94

CAPÍTULO 1
INTRODUÇÃO À FARMACOLOGIA........................................................................................... 94

CAPÍTULO 2
MEDICAMENTOS................................................................................................................... 100

CAPÍTULO 3
FARMACOCINÉTICA – PARTE II............................................................................................... 105

PARA (NÃO) FINALIZAR.................................................................................................................... 110

REFERÊNCIA................................................................................................................................... 111
Apresentação

Caro aluno

A proposta editorial deste Caderno de Estudos e Pesquisa reúne elementos que se


entendem necessários para o desenvolvimento do estudo com segurança e qualidade.
Caracteriza-se pela atualidade, dinâmica e pertinência de seu conteúdo, bem como pela
interatividade e modernidade de sua estrutura formal, adequadas à metodologia da
Educação a Distância – EaD.

Pretende-se, com este material, levá-lo à reflexão e à compreensão da pluralidade dos


conhecimentos a serem oferecidos, possibilitando-lhe ampliar conceitos específicos da
área e atuar de forma competente e conscienciosa, como convém ao profissional que
busca a formação continuada para vencer os desafios que a evolução científico-tecnológica
impõe ao mundo contemporâneo.

Elaborou-se a presente publicação com a intenção de torná-la subsídio valioso, de modo


a facilitar sua caminhada na trajetória a ser percorrida tanto na vida pessoal quanto na
profissional. Utilize-a como instrumento para seu sucesso na carreira.

Conselho Editorial

5
Organização do Caderno
de Estudos e Pesquisa

Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em unidades, subdivididas em


capítulos, de forma didática, objetiva e coerente. Eles serão abordados por meio de textos
básicos, com questões para reflexão, entre outros recursos editoriais que visam a tornar
sua leitura mais agradável. Ao final, serão indicadas, também, fontes de consulta, para
aprofundar os estudos com leituras e pesquisas complementares.

A seguir, uma breve descrição dos ícones utilizados na organização dos Cadernos de
Estudos e Pesquisa.

Provocação

Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado assunto antes
mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho pertinente para o autor
conteudista.

Para refletir

Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o aluno faça uma pausa e reflita
sobre o conteúdo estudado ou temas que o ajudem em seu raciocínio. É importante
que ele verifique seus conhecimentos, suas experiências e seus sentimentos. As
reflexões são o ponto de partida para a construção de suas conclusões.

Sugestão de estudo complementar

Sugestões de leituras adicionais, filmes e sites para aprofundamento do estudo,


discussões em fóruns ou encontros presenciais quando for o caso.

Praticando

Sugestão de atividades, no decorrer das leituras, com o objetivo didático de fortalecer


o processo de aprendizagem do aluno.

6
Atenção

Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam para a


síntese/conclusão do assunto abordado.

Saiba mais

Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/conclusões


sobre o assunto abordado.

Sintetizando

Trecho que busca resumir informações relevantes do conteúdo, facilitando o


entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos.

Para (não) finalizar

Texto integrador, ao final do módulo, que motiva o aluno a continuar a aprendizagem


ou estimula ponderações complementares sobre o módulo estudado.

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Introdução
Esta sem dúvida é a apostila mais aguardada pelos alunos de pós-graduação da
Biomedicina Estética. A partir da Resolução que habilitou os profissionais biomédicos
a entrar na área dos procedimentos injetáveis, esta apostila disponibilizará a vocês
alunos conhecimentos sobre a farmacologia das medicações como sua forma de uso,
via de administração, tipos de medicamentos, entre outros, para isso será estudado os
princípios básicos da farmacologia para então ser aplicado nos procedimentos que mais
será utilizado na prática clínica, como por exemplo: intradermoterapia ou mesoterapia,
preenchimento facial e aplicação de toxina botulínica. Sendo que as mesmas também
serão estudas meticulosamente nesta apostila.

A partir disso, o aluno poderá então ter conhecimento teórico e domínio sobre as técnicas
exigidas pelo conselho federal de biomedicina na área de estética, poderá saber quais
medicações deve ser usadas para uma finalidade específica, seja para rejuvenescimento,
gordura localizada ou celulite e o porquê disso.

Objetivos
»» Promover o conhecimento fisiológico, farmacológico e terapêutico
das técnicas de intradermoterapia, aplicação de toxina botulínica e
preenchimento facial.

»» Compreender mecanismo de ação das técnicas de intradermoterapia,


aplicação de toxina botulínica e preenchimento facial.

»» Compreender método de aplicação mais atual das técnicas de


intradermoterapia, aplicação de toxina botulínica e preenchimento facial.

»» Entender o processo farmacológico básico decorrente das vias de


administração de um medicamento e a consequência da distribuição do
mesmo no organismo até a via de excreção.

»» Orientar a prescrição biomédica.

»» Ter domínio teórico sobre os procedimentos injetáveis.

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MESOTERAPIA – INJETÁVEIS UNIDADE I
INTRADERMOTERAPIA

CAPÍTULO 1
Introdução à Intradermoterapia

Linha do tempo da mesoterapia


A mesoterapia também é denominada de Intradermoterapia, ela é uma técnica bastante
utilizada pelos biomédicos(as) esteta, pois os resultados obtidos são extremamente
relevantes e sua aplicação é relativamente simples. Porém, com o objetivo de compreender
melhor os princípios que envolvem os tratamentos que utilizam a intradermoterapia,
faz-se necessário ter um conhecimento prévio sobre os processos históricos que
fundamentaram a técnica.

»» 400 a.C → Hipócrates teria usado folha de figueira da Barbária (cacto)


para tratar dores no ombro de um pastor local. No entanto, chineses, já
usavam essa técnica há 2.000 anos com martelos guarnecidos de pontas,
denominada, acupuntura (LE COZ, 2012);

»» 1793 → foi comprovada a ação terapêutica de substâncias injetáveis, pelo


Dr. Pravaz (LE COZ, 2012);

»» 1832 →esse mesmo pesquisador inventa a seringa e a agulha oca (LE


COZ, 2012);

»» 1900 → na França surge o “Ressuscitador”, aparelho que contem


numerosas agulhas maciças fixadas, com ajuda de um sistema elástico
essas numerosas agulhas são espetadas na pele, por unguento (LE COZ,
2012);

»» 1910 → na Bélgica, é visto pelo Dr. Lemaire, aplicações de procaína para


tratar neuralgias, e mais tarde Leriche, aplica Procaína em gânglios e
tendões dolorosos (LE COZ, 2012);
9
UNIDADE I │ MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA

»» 1948 a 1950 → Drs. Pistor e Lebel expandem as infiltrações locais de


procaína para diversas áreas de aplicações (LE COZ, 2012);

»» 1952 → Marco da Mesoterapia – Dr. Pistor trata um sapateiro asmático


com uma injeção de 10 mL de procaína por via intravenosa, no entanto,
não há melhora evidente da dispneia, enquanto que a surdez do mesmo
diminui; Desse modo, Pistor teve a ideia de injetar localmente, ou seja,
próximo ao lóbulo da orelha, doses baixas de procaína que resultou em
diminuição substancial da surdez (LE COZ, 2012);

»» 1953 → a técnica de Pistor é divulgada e muitos o procuram, no entanto,


ele observa que a técnica não é eficaz para todos os pacientes surdos que ele
trata, entretanto, ele observa melhora em outros aspectos, por exemplo:
dores da articulação temporomandibular são eliminadas, eczemas do
conduto auditivo desaparecem e que os zumbidos são reduzidos (LE
COZ, 2012);

»» 1953 a 1958 → os locais de injeção se multiplicam, promovendo a


descoberta de outras indicações (LE COZ, 2012);

»» 1958 → O nome Mesoterapia é proposto na imprensa médica em um


artigo publicado na revista “La Presse Medicale” em 4 de junho, por Pistor.
Neste artigo, ele destacava as novas propriedades da procaína local na
patologia humana. Propondo que “A ação sobre os tecidos originários do
mesoderma é tão significativa que esses tratamentos mereceriam o nome
global de mesoterapia” (LE COZ, 2012).

É interessante ressaltar nesse momento que atualmente, a técnica


não abrange somente tecidos da mesoderme (vasos, tendões, tecidos
conectivos etc.), mas, por exemplo: lesões dermatológicas (ectoderma),
patologias digestivas (endoderma) também podem ser amenizadas pela
mesoterapia (LE COZ, 2012);

»» 1960 → Prof. Bordet pede ao Dr. Pistor que ensine Mesoterapia aos
estudantes de Medicina Veterinária, isso vai até 1965, quando Bordet
toma a liderança do ensinamento para os alunos ( LE COZ, 2012);

»» 1961 → primeiro livro publicado de Pistor: La Mésothérapie (LE COZ,


2012);

»» 1964 → é criada por Pistor a Sociedade Francesa de Mesoterapia,


nomeando o Dr. Lebel para a presidência, de primeira instância foram
reunidos 16 médicos (LE COZ, 2012);

10
MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA │ UNIDADE I

»» 1976 → Pistor resumiu a técnica de mesoterapia com as seguintes


palavras – “POUCO, POUCAS VEZES E NO LOCAL ADEQUADO” (LE
COZ, 2012);

»» Ainda nesse ano Pistor reconheceu que suas recomendações eram


empíricas baseada em sua própria experiência clínica (LE COZ, 2012);

»» 1978 → Pistor faz uma conferência nos EUA, em Nova York (LE COZ,
2012);

»» 1980 → Pistor cria o multipuntor (seringa com multipunturas) (LE COZ,


2012);

»» 1982 → falecimento do Dr. Lebel, sobre quem Pistor disse: “O homem


que mais ajudou a mesoterapia em seus momentos difíceis acaba de
falecer. Ele era meu mestre e meu amigo. Se a mesoterapia de hoje
reúne nomes que começam a ser conhecidos, um deles, particularmente
insubstituível, que está estritamente ligado ao início histórico da
mesoterapia e que não poderá jamais ser esquecido, é o nome de Mario
Lebel” ( LE COZ, 2012).

Lebel teve três ideias e ações principais que foram:

›› a agulha curta ser o pequeno elo entre todos;

›› ter sido o primeiro presidente em 1964;

›› a difusão da técnica entre os veterinários.

criaram também em 1912, o primeiro diploma da Universidade de


Mesoterapia pela Faculdade de Paris XIII (LE COZ, 2012);

»» 1991 → Dr. Pistor cede seu lugar a frente da Sociedade Francesa de


Mesoterapia ao Dr. Le Coz (LE COZ, 2012);

»» 1992 a 2002 → Drs Pistor e Le Coz viajam juntos pelo mundo para difundir
a mesoterapia e ensiná-la aos médicos da América do Sul, Europa e África
( LE COZ, 2012);

»» 2001 → surgiram trabalhos indexados no MedLine sobre o uso da


Intradermoterapia/Mesoterapia para as dermatoses inestéticas (LE COZ,
2012);

»» 2002 → criação do diploma interuniversitário. Qualificação do ato


mesoterápico pelo Caisse Nationale d´Assurance Maladie (CNAM) (LE
COZ, 2012);

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UNIDADE I │ MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA

»» 2003 → falecimento do Dr. Pistor (LE COZ, 2012);

»» 2004 → Médicos americanos encontram-se na França (Paris) para estágios


do Dr. Le Coz e partem para difundir a técnica de origem francesa para
o outro lado do Atlântico. A partir daí Le Coz é regularmente convidado
para ir ao Canadá e EUA ensinar a técnica aos colegas (LE COZ, 2012);

»» 2005 → Ásia administra a nova abordagem terapêutica (LE COZ, 2012);

»» 2007 → o diploma interuniversitário de Mesoterapia já compreende


cinco faculdades (LE COZ, 2012);

»» 2008 → até o momento o ato mesoterápico introduzido na nomenclatura


do CNAM ainda não foi numerado (LE COZ, 2012);

Intradermoterapia na prática biomédica


A intradermoterapia é uma técnica minimamente invasiva que consiste em injeções
intradérmicas ou subcutânea de várias misturas diluídas de extratos naturais de
plantas, agentes homeopáticos, produtos farmacêuticos, vitaminas e outras substâncias
bioativas que são infundidas em quantidades muito pequenas que variam de 0,1 mL a
0,2 mL por meio de múltiplas punturas dérmicas ao invés de poucas injeções (BROWN,
2006; TANRIKULU,2007; KALIL, 2006). Essa técnica também é conhecida como
mesoterapia, no entanto, este nome não condiz apenas com um tratamento estético em
específico, e sim, descreve um método de fornecimento de drogas. Além disso, o termo
mesoterapia é proveniente da mesoderme, uma das três camadas germinativas do
embrião que origina tecido conjuntivo, muscular, circulatório, entre outros (ROTUNDA;
KOLODNEY, 2006).

É interessante ressaltar que, antes da mesoterapia ser aceita como uma modalidade
de tratamento estético, a intradermoterapia era utilizada no tratamento de diversas
patologias, principalmente para dores e reumatismo (KALIL, 2006). Michel Pistor,
médico francês, em 1952 foi o primeiro a relatar a utilização da mesoterapia com injeções
de procaína próxima à orelha de pacientes com deficiência auditiva para melhorar a
audição, embora essa tenha sido restaurada por um curto período. Foi relatado melhoria
nas articulações, zumbido e eczema na região tratada (ROTUNDA;KOLODNEY, 2006;
PISTOR, 1964).

Desde então, a intradermoterapia vem se tornando cada vez mais popular no ramo
estético, principalmente por sua extensa finalidade, pois a mesma pode ser usada para
tratamento de rejuvenescimento facial, flacidez, hidrolipodistrofia, ginoide, alopecia,
redução de medidas e emagrecimento (DUNCAN; ROTUNDA, 2011; ROTUNDA,2009).

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MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA │ UNIDADE I

Mecanismo de ação da intradermoterapia


Segundo Sivagnanam (2010), a derme é uma junção das funções imunológicas,
circulatórias e neurológicas. Deste modo, o mesmo propõe que a ação medicamentosa
da técnica de intradermoterapia pode atuar em uma dessas funções desencadeando o
processo de reparo, seja na flacidez, ou estria produzindo colágeno e elastina ou então
pela vasodilatação aumentando o processo lipolítico no local, por exemplo.

A pele tem uma propriedade de reservatório, principalmente no nível da camada córnea.


A função de barreira é assegurada pela camada córnea, cuja eliminação aumenta
consideravelmente a permeabilidade da pele (WEPIERRE J., 1980a). Desse modo, os
produtos injetáveis ativam os receptores dérmicos e se difundem lentamente, por meio
da microcirculação. Não é necessária a presença física do fármaco no órgão alvo, pois
o produto pode atuar por meio de receptores responsáveis por desencadear um influxo
nervoso por liberar mediadores químicos com ações à distância. Esses receptores são
numerosos, porém variam em quantidade segundo sua localização e profundidade
(KAPLAN, 1992).

De modo geral, na mesoterapia preconiza-se a aplicação do medicamento na região


mais próxima do órgão-alvo. É possível pensarmos que o produto injetado localmente
tenha um valor energético, mais do que químico, em certas condições. Além disso, as
moléculas grandes e os compostos fortemente lipofílicos são reabsorvidos de forma
lenta e preponderantemente por via linfática. As moléculas pequenas são absorvidas
principalmente por via sanguínea (WEPIERRE J., 1980b).

A retenção nas estruturas cutâneas e subcutâneas permite ao medicamento


permanecer concentrado sob a zona de aplicação e produzir efeitos farmacológicos
locais, enquanto sua difusão periférica permanece reduzida e não acarreta ação
sistemática (LE COZ, 2012).

A persistência de medicamentos nas regiões profundas da pele foi comprovada após


aplicação de alguns corticoides, de tiroxina, de estradiol, entre outros. Esse experimento
mostrou que após a absorção, os medicamentos aplicados retornam diretamente ao
coração sem passar pelo fígado (WEPIERRE J.,1980c). Os efeitos secundários por via
intradérmica são reduzidos com relação às vias subcutâneas e intramuscular, uma vez
que estas atingem a grande circulação de forma mais rápida quando comparada a via
intradérmica (LE COZ, 2012).

Disponível em: <htp://www.vichy.pt/international/Lalaborat%C3%B3rios-Vichy/


Camada-granulosa-1cmp1204.aspx>.

Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/abd/v86n1/v86n1a13.pdf>

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UNIDADE I │ MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA

Disponível em: <http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=vtl


s000439406&fd=y>.

A punctura promove um estimulo no sistema neuroendócrino, dando origem à liberação de


uma série de neurotransmissores, tais como: a encefalina responsável pela modulação da
dor, promovendo um efeito anestésico após a sua liberação; a betaendorfina responsável
pela ação lipolítica e aumento da imunidade, aumentando a concentração de linfócitos T,
como acontece também na pratica de exercícios físicos; a substância decapeptídio,
envolvida nas respostas inflamatórias, liberada quando se provoca uma irritação ao
tecido, causando vasodilatação, taquifilaxia, aumento da permeabilidade venular
(edema), eritema, liberação de aníon superóxido e outros mediadores como, histamina,
prostaglandinas, enzimas lisossômicas e, finalmente induz a reação inflamatória irritativa,
desencadeando reflexos somáticos e viscerais. A puntura promove também estimulo a
produção de colágeno e elastina (recuperação tecidual) (MAYA, 2007).

Mrejen em 1992, observou que injetando medicações em diferentes profundidades


dérmicas, no caso entre 4 mm e 10 mm havia diferença no tempo de excreção da medicação.
Aplicando em uma profundidade de 10 mm percebeu-se que o produto atingia a circulação
mais rapidamente e sua eliminação ocorria antes do desejado. No entanto, quando o
produto era aplicado em uma profundidade de 4 mm o tempo que o medicamento ficava
disponível na camada era maior. Com isso, padronizou-se a aplicação da intradermoterapia
em uma profundidade ideal de 4 mm. Nessa profundidade, após 10 minutos decorrentes
da aplicação, a quantidade do fármaco no local da aplicação permanece em 50%. Em
profundidades maiores que 4 mm, após 10 minutos a permanência do fármaco declina
para 16% (TENNSTEDT, 1976; AMIN et al, 2006).

Dessa forma, é evidente que as injeções intradérmicas se difundem por via sanguínea.
Assim, concluiu-se que a difusão de um produto em intradermoterapia depende da
profundidade a que é injetado. Esta diferença pode ser ilustrada com curvas de eliminação:
o caminho intradérmica superficial teria uma curva de eliminação monoexponencial,
enquanto que o caminho intradérmica mais profunda iria ter uma curva biexponencial
(eliminação inicial mais rápido, correspondendo a uma injeção intravenosa, seguida de
eliminação mais lenta no reservatório derme) (MREJEN,1992).

Por muito tempo, a base de cada mistura foi a procaína. Atualmente, além da
procaína utilizamos hoje com muita frequência lidocaína ou soro fisiológico
como solvente de base. (LE COZ, 2012). Na hora da mistura das medicações na
mesoterapia é importante saber que estas precisam ser preparadas em uma
ordem precisa de pH para evitar flóculo. (LE COZ,2012)

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CAPÍTULO 2
Medicamentos utilizados na
intradermoterapia

Medicações
Em 2012, saiu a Resolução nº 4.302 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(ANVISA) proibindo o uso de alguns extratos vegetais isolados ou associados com outras
substâncias, são eles:

1. chá verde;

2. centella asiática;

3. ginkgo biloba;

4. melilotus;

5. castanha-da-Índia;

6. dente-de-leão;

7. sinetrol;

8. ayslim;

9. girassol

Posteriormente, em 2013, foi publicada outra Resolução nº 128 da ANVISA proibindo o


princípio ativo Tiratricol. Além disso, substâncias alcoólicas e oleosas foram proscritas
dos tratamentos injetáveis mesoterápicos por apresentarem risco de desenvolvimento
de necrose tecidual.

Não obstante, a intradermoterapia possui uma vasta variedade de medicamentos que


podem ser utilizados em diferentes tratamentos. A seguir, estão listados algumas classes
medicamentosas e os medicamentos que fazem partes delas.

1. anestésicos / paticolíticos;

2. venotróficos (venolinfáticos ou vasoativos);

3. lipolíticos;

4. eutróficos entre outros.

15
UNIDADE I │ MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA

Anestésicos / paticolíticos
Na grande maioria dos protocolos de intradermoterapia, os anestésicos, preferencialmente
utilizados para minimizar a dor do procedimento, são lidocaína a 1% (para as condições
agudas) ou procaína a 1% (para condições crônicas) sem epinefrina. Na França, drogas
como buflomedil (vasodilatador) e pentoxifilina também são utilizados, pois se acredita
que podem aumentar a microcirculação no tecido local, e facilitar a eliminação de resíduos
metabólicos. (ADELSON, 2005).

Em estudos com animais, pentoxifilina tem sido demonstrado que possuem efeito
anti-hiperalgésico. Ervas como alcachofra, ginko biloba, melilotus também são
utilizados para melhorar a circulação local. (VALE et al,2004).

Procaína (pH - 5,0)

A procaína é uma amina secundária, pertencente ao grupo éster. É considerada um


anestésico fraco de curta duração (~ 1h). Sua toxicidade é 110 x maior por via intravenosa
em relação à via subcutânea. A procaína é utilizada na mesoterapia por suas propriedades
simpaticolíticas, analgésicas e vasodilatadoras (CALAIS,1987).

Lidocaína (1% ou 10 mg/mL)

É um anestésico local de pH neutro (6,0-7,5) mais potente que a procaína com potência
de 60 a 75 minutos, apresenta um período de latência menor que a procaína sendo mais
estável entre todos os anestésicos conhecidos. É uma amida. Existem várias diluições
de lidocaína na mesoterapia, sendo a mais encontrada e utilizada a de 1%. Um estudo
sobre as reações secundárias com 2.839 pessoas que aplicaram injeções de mistura
contendo lidocaína não mostrou nenhum choque anafilático ou vagal (CAHIER,1990).

Anestésicos locais geralmente atravessam a bainha do nervo na forma não ionizada,


porém interagem com os receptores situados na membrana neural na forma ionizada,
estabilizando o potencial da referida membrana, bloqueando a condução nervosa.
A despolarização talvez ocorra devido à interferência com o fluxo de íons Na+ e K+
através da membrana plasmática (CAHIER,1990). A lidocaína assim como outros
anestésicos locais podem ser ineficazes em áreas inflamadas, pois nestas, o pH, por ser
mais baixo facilitando a ionização das moléculas de lidocaína, dificultando assim sua
penetração nas fibras nervosas (CAHIER,1990).

Apesar da sua grande utilização na prática clínica, a lidocaína pode apresentar alguns
efeitos adversos, tais como: reações locais de origem alérgica ou citotóxicas, dores,
edemas, neurite e dermatite e eczematoide.
16
MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA │ UNIDADE I

Venotróficos (venolinfáticos ou vasoativos)


Os vasoativos são muito usados na mesoterapia, e sua utilização parece ter efeito
importante. São fármacos responsáveis pelo efeito vasodilatador, permitem uma
melhor absorção e difusão dos outros fármacos (LE COZ, 2012).

Segundo Mrejen (1992), haveria uma terceira circulação no corpo humano, além da
sanguínea e a linfática. Existiria uma circulação que ocorreria entre o plasma e o líquido
intersticial, mais especificamente na substância fundamental amorfa da derme.

Assim, os medicamentos injetados ficariam no interstício dérmico e seriam absorvidos


por unidades microcirculatórias, atravessariam a parede capilar e atingiriam a circulação
linfática ou sanguínea, de acordo com a especificidade do produto (HERREROS
et al, 2007).

Buflomedil (Alfabloqueador 10mg/mL pH-6,5)

Utilizado nos fenômenos de insuficiência venosa, pois é um vasodilatador arteriolar,


importante para o aporte de oxigênio no tecido. Estimula a drenagem de toxinas.
Além disso, inibe agregação plaquetária, melhorando o fluxo sanguíneo. O mesmo pode
ser usado via intradérmica em celulite e alopecia e subcutânea para gordura localizada.
Por fim, não se vê reações adversas em intradermoterapia devido à baixa dosagem
utilizada (ADELSON, 2005).

Minoxidil

Promove ação vasodilatadora periférica. É indicado para alopecia, pois estimula a


microcirculação em torno do folículo piloso auxiliando o crescimento capilar (LE COZ,
2012).

Benzopirona (5mg/mL pH-7,0)

Conhecida também como Cumarina, atua principalmente na redução do edema,


aumentando a resistência da parede dos vasos e diminuindo o conteúdo de macromoléculas
no interstício (o que faz com que o edema se perpetue). Substância marcadora (substância
ativa) do Melilotus, diminui a fragilidade dos capilares, otimiza o retorno venoso e assim
diminui o edema local. Favorece a migração de macrófagos para o local do edema e
desta forma contribui para a fagocitose de macromoléculas impróprias do interstício que
desencadeiam o edema (VALE et al, 2004).

17
UNIDADE I │ MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA

Benzopirona com rutina (pH -0,5%-2,5%)

Atuam em sinergismo melhorando circulação periférica e diminuem a fragilidade capilar,


desta forma otimizam o retorno venoso e reduzem o edema. Indicado para a realização de
protocolos para o eixo vascular. Apresenta ação antioxidante (MREJEN, 1992).

A rutina é um flavonoide, age na cadeia do ácido araquidônico diminuindo a inflamação


e a permeabilidade capilar. Sintetiza colágeno. O uso deste composto é intradérmico.
Composto considerado vasculoprotetor e venotônico (MREJEN,1992).

Pentoxifilina (20mg/mL pH-7,0-8,5)

As pentoxifilinas apresentam ação sobre a deformabilidade das hemácias, são


considerados vasodilatadores periféricos. Além disso, elas são utilizadas em membros
inferiores por serem considerados medicamentos interessantes para celulite em grau
III e IV (LANCET, 2002). Além de sua ação vascular, atribui-se a ela propriedades anti-
inflamatórias, fibrinolíticas e lipolíticas (GEORGE, nº 132).

Medicamentos lipolíticos
São aqueles medicamentos que por meio de diferentes mecanismos de ação, possuem
a capacidade de quebrar a gordura localizada. Estimulando a lipólise e/ou inibindo a
lipogênese no nosso organismo (RIBEIRO, 2010).

Sabe-se que a quebra de gordura estocada nos adipócitos é regulada pelos receptores
α-2 e β-receptores, na superfície da célula adipocitária. A lipólise ocorre por hormônios,
incluindo estrógeno ou estimulantes químicos, incluindo a cafeína, por exemplo.
A atividade do β -receptor aumenta a lipólise. Já a atividade do receptor α-2 inibe o
β-receptor. Por isso, a ativação β-adrenérgica e a inibição α-2 adrenérgica aumentam a
lipólise nos adipócitos (MATARASSO; PFEIFFER, 2005).

O número de razão de α-2 e β-receptores nos adipócitos variam em diferentes áreas do


corpo, por exemplo: quadril e coxa contêm mais α-2-receptores, desse modo, a gordura
nessas áreas é mais resistente à lipólise já os β–receptores são encontrados em maior
quantidade no abdômen (MATARASSO; PFEIFFER, 2005).

É interessante salientar que, a lipólise representa um processo pelo qual os triglicérides


intracelular é hidrolisado, ou seja, degradado em ácidos graxos livres e glicerol, os quais
ficam disponíveis na circulação. No entanto, a lipólise não produz um efeito permanente,
tais como: apoptose ou necrose celular. Em vez disso, a lipólise dispara uma resposta
metabólica aguda que é, com toda a probabilidade, transitória (ROTUNDA, 2005).
18
MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA │ UNIDADE I

Devido a isso, deve ser orientado para a paciente tanto durante como após o tratamento
estético permanecer com a reeducação alimentar e a prática de exercício físico, para
assim manter por mais tempo os resultados da intradermotrapia. Não obstante, estudos
já salientaram que o desoxicolato de sódio também é capaz de levar o adipócito a morte
celular por apoptose e necrose (MATARASSO; PFEIFFER, 2005; JAYASINGHE et al,
2013; SCHULLER-PETROVIC et al,2008 ).

Os lipolíticos apresentam mecanismos importantes como, diminuição na formação


de triglicérides (lipogênese); inibição na fosfodiesterase e aumento de AMPc ─ esta
quando ativada inibe lipólise ─ ; bloqueio dos alfa receptores, estímulo dos beta
receptores e bloqueio dos receptores neuropeptídeos (estes agem principalmente na
celulite, restabelecendo a macrocirculação local e diminuindo o edema) (RAWLINGS,
2006; DUNCAN, 2007; RIBEIRO, 2010).

Não é recomendado o uso de terapias que estimulem a circulação periférica logo


após o procedimento nem mesmo a realização de atividades físicas. O aumento
da circulação periférica induz a perda de medicamento do tecido para a corrente
sanguínea, contrariando o princípio da técnica.

Algumas medicações e mesclas medicamentosas, assim como formas de


aplicações podem vir a causar uma discreta reação de resposta celular no nível do
panículo adiposo que reveste o plano muscular. Trata-se de um pequeno afluxo
de células linfoides diversas (fibrócitos, histiócitos, macrófagos, plasmócitos)
localizados na periferia das grandes células vascuolares de gordura. Nota-se
também uma vasodilatação dos capilares.

Tipos de medicamentos lipolíticos

Cafeína (250mg/mL, 5% ou 50mg/mL, pH- 7,0)

A cafeína ou 1,3,7-trimetilxantina é lipossolúvel e, quando ingerida, é rapidamente


absorvida pelo trato gastrointestinal; sua metabolização acontece no fígado, iniciando
com a retirada dos grupos metila 1 e 7, reação catalisada pelo citocromo P450 1A2,
levando à formação de três grupos metilxantinas. Sua ação lipolítica se deve à
mobilização dos ácidos graxos livres dos tecidos ou estoques intramusculares. Atua
ainda como competidor dos receptores de adenosina e como estes atuam inibindo
a lipólise, tem-se um aumento nos níveis de AMP’c, que ativa as lipases hormônios
sensíveis, promovendo a lipólise (MELLO; KUNZLER; FARAH, 2007).

Sua ingestão pode contribuir para o aumento da perda de peso e para a manutenção
do mesmo, por meio da oxidação da gordura e termogênese (DUNCAN, 2007). Seu efeito
19
UNIDADE I │ MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA

estimulante sobre o sistema nervoso central se dá pelo aumento da concentração


plasmática de noradrenalina, assim estimula o processo lipolítico ao inibir a
fosfodiesterase, aumentar a meia-vida do AMP’c e, consequentemente, a atividade da
proteína quinase A (PKA) e da lipase hormônio sensível (LSH) (CURI et al, 2003).

Adicionalmente, parece aumentar os níveis de proteínas desacopladoras do tipo 3 (UCP-3)


no tecido adiposo branco. As proteínas desacopladoras estão presentes nas mitocôndrias
das células e têm a capacidade de desacoplar a fosforilação oxidativa por dissipar na forma
de calor, o gradiente eletroquímico que foi gerado pelo processo respiratório. É por meio
desse processo que nos mantemos aquecidos durante o inverno, a chamada termogênese.
Foi demonstrado que animais transgênicos que expressavam essas proteínas além do
normal apresentaram redução do tecido adiposo. Portanto, esta seria outra ação da
cafeína na lipodistrofia localizada e no fibro edema ginoide (RAWLINGS, 2006; MORI
et al, 2009).

A cafeína também é encontrada no mercado na forma combinada com a sinefrina, que


é extraída da laranja amarga, recebendo o nome comercial de Amarashape®.
A sinefrina tem estrutura semelhante à adrenalina, ela se liga a receptores adrenérgicos
dos adipócitos e aumenta a quantidade de AMPc intracelular levando a lipólise.
Considerando que a cafeína é a substância lipolítica mais conhecida, que atua inibindo
a fosfodiesterase (que faz a quebra do AMPc), a junção desses dois princípios aumenta
a quantidade de AMPc e, consequentemente, a atividade lipolítica (TERRA; MININ;
CHORILLI, 2009).

A teofilina, outra metilxantina, tem taxa de permeação cutânea inferior à cafeína, baixa
solubilidade em água e efeitos secundários marcantes, mas o ácido teofilino acético, um
derivado da teofilina, é hidrossolúvel e seguro para uso tópico (RIBEIRO, 2010).

Resumindo, a cafeína, inibe de fosfodiesterase, aumenta o AMPc intra-adipocitário e


consequentemente estimula a lipólise. Faz parte da família das xantinas. Indicado para
tratamentos com gordura localizada e celulite (hidrolipodistrofias) e estimula o SNC.
(MORI et al, 2009).

Além disso, aumenta a termogênese e a oxidação das gorduras (maior metabolização dos
ácidos graxos). Geralmente utilizada nas hidrolipodistrofias, mas favorece claramente
os hematomas. É preferível, portanto, injetá-la em subcutânea com dose baixa, diluída
(MORI et al, 2009).

No entanto, pode ser visto este composto em aplicações intradérmicas (para gordura
localizada) e intramuscular (melhora o desempenho físico, pois ativa o metabolismo)
também (MORI et al, 2009).

20
MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA │ UNIDADE I

Na aplicação intramuscular pode apresentar reações como taquicardia, insônia em


pacientes mais sensíveis, além disso, podem ocorrer interações em pacientes fumantes
metabolizando mais rápido o composto ou em pacientes que fazem uso de anticoncepcional
retardando a metabolização (RIBEIRO, 2010).

Contraindicado: para pacientes que apresentam hipersensibilidade às xantinas,


hipertensos e cardiopatas (RIBEIRO, 2010).

***Substâncias da família das xantinas como cafeína, aminofilina entre outras


são estimulantes lipolíticos, ou seja, aumentam os beta-receptores dos
tecidos adiposos promovendo a lipólise no local tratado (VELASCO et al, 2008;
MORIMOTO et al, 2001).

Pentoxifilina (pH-7,0)

Como já falado no tópico dos venotróficos, esta xantina apresenta efeito benéfico na
microcirculação por inibir a agregação plaquetária, melhorar a deformidade dos
eritrócitos diminuindo a viscosidade do sangue e por apresentar efeito vasodilatador
sobre os capilares (GUIRRO; GUIRRO, 2007).

Indicada para tratamentos com gordura localizada e celulite. As reações adversas que
pode apresentar são urticária e prurido no local da aplicação, mas regride ao término
do tratamento (GUIRRO; GUIRRO, 2007).

Aminofilina (pH-9,0)

Esta última xantina apresentada também tem ação lipolítica aumentando a produção
de AMPc e consequentemente quebrando os triglicérides em ácidos graxos e glicerol.
Inibem a produção de prostaglandinas e liberação de histamina e leucotrienos diminuindo
o processo inflamatório. Também é indicado para tratamento de celulite (GUIRRO;
GUIRRO, 2007).

Pode apresentar dor no local da aplicação e sensação de calor. É contraindicado para


aplicação intramuscular em cardiopatas (GUIRRO; GUIRRO, 2007).

Ioimbina (0,5%, 5 mg/mL, pH-5,0)

Alcalóide da planta Pausinistalia yoimbina, antagonista de receptor alfa adrenérgico


em adipócitos. Este antagonismo induz a lipólise intra-adipocitária. Em outras palavras,
se liga à receptores alfa 2 adrenérgicos aumentando a disponibilidade de ligação da
norepinefrina à receptores beta 2 adrenérgicos, consequentemente aumentando a
lipólise e diminuindo a lipogênense (RASCOVSKI, 2000).
21
UNIDADE I │ MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA

É indicado para tratamento com gordura localizada, nas mulheres: quadril e coxa;
homens: região lateral do tronco (RASCOVSKI, 2000). Não deve exceder dose máxima
de 10 mg/mL por sessão (RASCOVSKI, 2000).

Não associar este composto com cafeína (xantinas) e a outras substâncias


de ph alcalino – precipitação

As reações locais podem ser ardor no momento da aplicação e por ter uma ação
vasodilatadora podem ocorrer hematomas. É contraindicado para pacientes com
hipersensibilidade à ioimbina, hipertensão ou problemas cardíacos. Essa medicação
apresenta complicações na maioria dos pacientes, muitos relatam sentir reações como
calafrios e náuseas por 3 horas após a aplicação, geralmente recomenda-se ao paciente
não se alimentar por 2 horas antes de aplicar este composto (RASCOVSKI, 2000).

L-carnitina (30%, 300mg/mL, pH-7,0)

É um aminoácido sintetizado nos tecidos, que favorece a hidrólise total da molécula


de ácido graxo na mitocôndria. Aumenta o ATP nos músculos quando associado ao
exercício físico (KEDE; SABATOVICH, 2009; RIBEIRO, 2010).

Responsável por transportar os ácidos graxos livres do citosol para as mitocôndrias para
assim serem oxidados. Além disso, pode ser usado via intradérmica e intramuscular. As
reações causadas podem ser ardor no local da aplicação (KEDE; SABATOVICH, 2009;
RIBEIRO, 2010).

Outros aminoácidos podem também ser utilizados, como L-ornitina associado


com L-arginina atuam na mobilização de gorduras do organismo. L-taurina evita
a degradação das proteínas favorecendo o uso de gorduras como fonte de energia
e aumentando a insulina, o qual melhora o metabolismo da glicose. Na aplicação
intramuscular é interessante associar com inositol trifosfato (KEDE; SABATOVICH,
2009; RIBEIRO, 2010).

Para melhorar desempenho recomenda-se fazer restrição de carboidratos e gorduras na


dieta, fazer exercícios físicos e é interessante utilizá-la com outros lipolíticos trifosfato
(KEDE; SABATOVICH, 2009).

Mesoglicano (pH-7,0)

Apresenta ação lipolítica estimulando a lípase e inibindo e dificultando a deposição


de gordura, ideal para tratamento de celulite graus III e IV tem tendência a causar

22
MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA │ UNIDADE I

hematomas, é interessante associar com benzopirona. Além da sua ação lipolítica o


mesoglicano apresenta ação fibrinolítica e anti-edema por lisar as traves fibrinogênicas
e por reorganiza-las (CHORILLI et al, 2007).

Desoxicolato de sódio (4,75% pH-7,0)

O desoxicolato de sódio é um sal biliar solúvel em água que promove a lise celular, levando
a redução do tecido adiposo subcutâneo (ROTUNDA et al, 2004), além disso, também
tem sido mostrado na redução de lipomas (ROTUNDA et al, 2005). No intestino, ele é
capaz de emulsificar a gordura proveniente da alimentação, sendo também um produto
metabólico de bactérias intestinas (JAYASINGHE et al, 2013). Brown (2006) discutiu o
possível papel do desoxicolato de sódio no tecido adiposo.

Ele sugeriu que este composto dentro do tecido subcutâneo poderia desempenhar
quatro diferentes formas, a micela, vesículas e/ou monômeros e cristais. Deste modo,
o desoxicolato de sódio em forma de vesículas e/ou monômeros leva à necrose celular,
quando na forma de micela, poderia resultar na mobilização da saída da gordura
dos adipócitos, e por fim, na forma de cristal poderia ser prejudicial ás células, isso
dependeria da sua concentração (BROWN, 2006). Matarasso (2009) relata que a
associação de desoxicolato de sódio com vasodilatadores resulta em uma rápida
absorção do desoxicolato de sódio para dentro da célula.

Sua aplicação deve ser subcutânea. Se aplicado via intraderme, causa necrose, 5% dos
pacientes têm chances de formação de nódulos doloridos, sua duração persiste de
7-15 dias. As reações comuns da aplicação deste composto são vermelhidão, prurido,
inchaço (até 5 dias), leve incomodo no local, este incomodo é persistente durante todo
o tratamento (BROWN, 2006).

Para tratamentos com desoxicolato de sódio, aconselhe seu paciente a fazer


semanalmente drenagem linfática, sempre espaçando 48 horas da aplicação.
Caso ocorra nódulo indique na hora do banho para que massageie o local ou
então com uma compressa de água quente faça a massagem no local. Para
que ocorra o menos possível de nódulo é essencial aplicar 0,1 mL por ponto,
no entanto, não é só isso que fará ocorrer o nódulo, já que esta faz parte do
mecanismo de ação do composto.

Este produto deve ser usado sempre com um anestésico e venolinotrófico.

Não fazer retroinjeção com desoxicolato de sódio

23
UNIDADE I │ MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA

Figura 1. Após duas sessões de intradermoterapia com o protocolo desoxicolato de sódio, L-carnitina, buflomedil,
lidocaína, cafeína, houve uma redução de 13 cm na circunferência abdominal total.

Fonte: Machado JT, liberada pelo paciente da autora da apostila,2015.

Figura 2. Complicações com desoxicolato de sódio após má conduta na aplicação ─ Necrose tecidual.

Fonte: <http://g1.globo.com/mato-grosso/noticia/2012/08/mulheres-feridas-ao-eliminar-gordura-em-clinica-ficam-sem-
medicamento.html>. Acesso: 14 set. 2015.

Silício orgânico (0,5%, ou 5 mg/mL, pH6,0)

Apresenta ação lipolítica pelo aumento de AMPc, consequentemente bloqueado a


enzima fosfodiesterase como também apresenta ação eutrófica regenerando as fibras
dérmicas. É elemento estrutural do colágeno, elastina, proteoglicanos e glicoproteínas.
Apresenta ação anti-fibrótica e antioxidante, opondo-se a peroxidação lipídica.
24
MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA │ UNIDADE I

É indicada para lipodistrofias, celulite, mesolifting facial, hidratante, antinflamatória,


antienvelhecimento e estrias (KEDE ; SABATOVICH, 2009).

Eutróficos
São responsáveis por melhorar o tecido conjuntivo, desse modo, agem estimulando as
produções de fibras colágenas reorganizam às já existentes e contribuem também para
a formação da matriz extracelular deste tecido (LE COZ, 2012).

Fatores de crescimento

Os fatores de crescimento são proteínas reguladoras, mediadores de vias de sinalização


no interior das células e entre elas. Eles são encontrados em vários tecidos em fase de
cicatrização e renovação celular (ZOE, 2009).São mediadores biológicos naturais que
atuam sobre os processos de reparo e regeneração. Os fatores de crescimento podem ser
aplicados em cicatrização e cura de ferimentos, ação anti-anting, estímulo de crescimento
capilar, inibição de crescimento de pelos, crescimento de cílios e tratamento para manchas,
sendo utilizados com o intuito de remover células epidermais danificadas, estimular a
produção de novas células e nutrir as existentes (BEN et al, 2006).

São indicadas para estrias, flacidez e rejuvenescimento facial:

1. IGF: aumenta níveis de colágeno e elastina, estimula a mitose celular,


estimula os folículos capilares a produzirem um cabelo mais denso e
forte. Importante papel no crescimento capilar (BEN et al, 2006).

2. EGF: melhora a aparência de cicatrizes e manchas, reduz e previne rugas


pela ativação de novas células da epiderme (BEN et al, 2006);

3. TGFb3: estimula novas células da epiderme, reduz rugas e estrias pelo


estímulo da síntese de colágeno e elastina (BEN et al, 2006);

4. b-FGF: melhora a elasticidade da pele e a circulação periférica (BEN et


al, 2006);

5. VEGF: estimula o crescimento capilar, facilita a nutrição do folículo e


induz a angiogênese (BEN et al, 2006).

Ácido alfa-lipóico (0,05%)

O ácido alfa-lipóico é sintetizado naturalmente pelo organismo, com atuação no fígado,


rins e coração. Foi descoberto em 1951, por sua atividade nos processos de síntese
25
UNIDADE I │ MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA

de energia como coenzima atuando na descarboxilação oxidativa do ácido pirúvico e


dos alfas cetoácidos. Mais tarde suas propriedades antioxidantes foram descobertas
e então, sua utilização foi voltada para a redução de processos inflamatórios e em
combate ao envelhecimento. Atualmente, é utilizado para tratamentos em estrias,
flacidez e rugas, é um importante antioxidante, anti-inflamatório e lipotrópico.
É contraindicado para pessoas com hipersensibilidade aos componentes da formulação
(PERRICONE, 2001)

O ácido alfa-lipóico apresenta dupla solubilidade (em água e em gordura ─ lípides), dessa
forma consegue penetrar facilmente em todas as partes e estruturas da célula protegendo-a
contra a ação dos radicais livres. Por ser um elemento sintetizado naturalmente pelo
organismo o ácido alfa-lipóico exerce diversas funções no organismo, dentre as quais
podem ser citadas: regulação do metabolismo lipídico e carbônico, ação lipotrópica, ação
anti-inflamatória, atuando como: antioxidante metabólico por controle de radicais livres.
E, restituição das funções mitocondriais devido à atividade antioxidante e por fazer parte
do complexo de enzimas presentes nesta categoria (PERRICONE, 2001).

Benefícios após aplicação:

»» redução da inflamação;

»» melhora do aspecto da elasticidade e tônus da pele;

»» diminuição de rugas finas;

»» diminuição das dimensões, coloração e profundidade das estrias;

»» prevenção do eritema causado pela exposição ao sol;

»» alisamento do relevo das cicatrizes hipertróficas e normotróficas;

»» suavidade das rugas profundas.

Sugestão de protocolo de aplicação

Aplicação ponto a ponto ou retroinjeção uma vez por semana durante seis semanas a
depender da avaliação/ anamnese.

Ácido glicólico (1%)

O ácido glicólico é um agente ceratolítico de pH 3,5 extraído da cana de açúcar


pertencente ao grupo dos alfa-hidroxi-ácidos. É constituído por dois átomos de carbono
que lhe conferem uma rápida difusão a nível intercelular por ser hidrofílico e por não
necessitar de proteínas plasmáticas para exercer sua função é indicado para tratamentos
26
MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA │ UNIDADE I

como foto envelhecimento, mesolifting facial, estrias jovens e flacidez (HERNANDEZ;


FRESNEL, 1999).

O ácido glicólico apresenta ação ceratolítica por diminuir a coesão de corneócitos por
interferência na formação de ligações iônicas, destruindo a proteína que une um corneócito
a outro. Além disso, atua na síntese de glicosaminoglicano e outras substâncias da matriz
intracelular da derme (HERNANDEZ; FRESNEL, 1999).

Os glicosaminoglicanos promovem uma intensa hidratação devido a grande capacidade de


absorção de água. Por esta razão, preenche as lacunas deixadas nas estrias, rugas, flacidez
cutânea. Histologicamente, observa-se aumento na espessura do estrato granuloso na
epiderme na adesão da união dermoepidérmica e do número de fibras elásticas, colágenas e
seu reordenamento, reposicionando-as paralelamente (HERNANDEZ; FRESNEL, 1999).
Consequentemente estimula a síntese de colágeno e elastina. Aumenta a incorporação de
prolina no colágeno (HERNANDEZ; FRESNEL, 1999).

Ácido mandélico (pH- 5,0)

Apresenta as mesmas propriedades que o ácido glicólico, só difere no tamanho da


molécula sendo esta última maior. É contraindicado para pessoas com hipersensibilidade
aos componentes da formulação e aos alfa-hidroxi-ácidos (GARG et al,2009)

Glucosaminoglicanos (GAG)

Gel amorfo constituído por condroitin sulfato, queratan sulfato, heparan sulfato e
dermatan sulfato. Apresenta forte agregação às proteínas de ligação, é uma estrutura
organizada e estimula a síntese de matriz extracelular, promove efeito esponja na derme
(CHORILLI et al, 2007).

Indicado para preenchimento transitório, flacidez dérmica facial e corporal, estrias


jovens e antigas (CHORILLI et al, 2007).

Ácido hialurônico (40mg/2mL ou 2,5% ou 60mg/mL)

O ácido hialurônico um polissacarídeo aniônico (anteriormente chamado de


mucopolissacarídeo de alto peso molecular, presente naturalmente na matriz extracelular
do tecido conjuntivo, liga-se a proteínas, outros polissacarídeos aniônicos atraindo
moléculas de água formando uma matriz em forma de gel, dando sustentação aos tecidos,
aumenta a espessura derme-epiderme mantendo sua elasticidade e auxiliando em suas
trocas metabólicas. Principal glicosaminoglicano da pele. É indicado para tratamentos
27
UNIDADE I │ MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA

como flacidez facial e corporal, mesolifting facial e estria, por apresentar poder hidratante,
cicatrizante e hidroscópico (CHORILLI et al, 2007; HERREROS,2011).

O ácido hialurônico devido a grande capacidade de absorção de água (cada molécula de


ácido hialurônico consegue reter de 200 a 500 moléculas de água). Quando aplicado
por via intradérmica também ocorre hidratação intensa, preenchendo as lacunas
deixadas pela estria e a flacidez cutânea. O ácido hialurônico incorpora-se a matriz
que proporciona elasticidade, tonicidade e maciez a pele. Além disso, devido a sua
ação anti-inflamatória impede a criação de cicatrizes e aderências. É contraindicado
para pacientes alérgicos a polissacarídeos. Deve-se evitar aplicações próximas á áreas
vascularizadas (irritação e inflamação) (CHORILLI et al, 2007; HERREROS, 2011).

Ácido hialurônico com condroitin (XADN)

O condroitin também é um polissacarídeo que auxilia no equilíbrio do tecido conjuntivo


(HERREROS, 2011).

Essa associação XADN é indicada para flacidez por melhorar a hidratação da pele, o
uso intradérmico, e em estrias devido a ação anti-inflamatória do condoritin, melhora
a cicatrização, uso por retroinjeção. É contraindicado para pessoas que tem alergia aos
componentes da fórmula (HERREROS, 2011).

Colágeno (1%)

O colágeno é uma das proteínas que formam as fibras do organismo. Constituído


principalmente pelos aminoácidos glicina hidroxiprolina, hidroxilisina e prolina.
O colágeno está presente em grande quantidade nos tendões, pele, ligamentos e
músculos. Suas fibras formadas por um arranjo regular de moléculas de tropocolágeno
são praticamente inextensíveis e tem como característica principal a resistência a
tensões. É indicado para tratamentos de flacidez facial e corporal e estrias, devido seu
poder hidratante e eutrófico do tecido conjuntivo (MACIEL; OLIVEIRA, 2011; KEDE;
SABATOVICH, 2009).

Quando aplicado por via injetável exerce o eritema de preenchimento em locais no qual
as fibras de colágeno e elastina estão danificadas como em estrias, sulcos e regiões que
apresentam flacidez (MACIEL; OLIVEIRA,2011; KEDE; SABATOVICH, 2009).

DMAE (3%)

DAMAE ou 2-Dimetil Aminoetanol é um composto que funciona como estabilizadora e


antioxidante da membrana plasmática celular e eficaz anti-aging. Possui excelente ação
28
MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA │ UNIDADE I

tensora a curto e em longo prazo. Sendo precursor da acetilcolina, o neurotransmissor


responsável pela contração muscular. Além disso, estimula a produção de fibroblasto
na síntese de matriz extracelular (PERRICONE, 2001).

Apresenta efeitos lifting antirrugas, anti-idade, diminuindo os sinais do envelhecimento.


Desse modo é indicado para o tratamento de flacidez dérmica e muscular tanto facial
quanto corporal (abdômen, parte interna de braços e pernas) (PERRICONE, 2001).

Deve ser injetado uma vez por semana ponto a ponto, em todo o rosto, mesmo ao redor
dos olhos e pálpebras superiores e inferiores e pescoço. O efeito lifting dura em torno de
3-4horas, no entanto, há efeito acumulativo com o uso (PERRICONE, 2001).

A reação adversa pode ser coceira e vermelhidão. Este tratamento é contraindicado


para pacientes que usam botox, por possuir efeito antagônico (PERRICONE, 2001).

Elastina (1%)

A elastina é uma das proteínas que formam as fibras do organismo. Sendo indicada
para flacidez corporal e facial e estrias, apresenta grande poder hidratante e nutritivo
(KEDE; SABATOVICH, 2009).

Com o envelhecimento vários processos ocorrem na derme e epiderme que podem


danificar as fibras colágenas, tais como: ação de radicais livres, associação de lipídeos aos
grupamentos hidrofóbicos e aumento de conteúdo de cálcio e magnésio. Estes fatores
formam as fibras mais espessas e frágeis, fato que leva à perda de sua flexibilidade com
risco de consequente rompimento. Alterações bruscas de peso, que promovem o chamado
“efeito sanfona” também podem romper essas fibras, provocando o aparecimento
de estrias, linhas de expressão e flacidez na pele (MACIEL; OLIVEIRA,2011; KEDE;
SABATOVICH,2009).

Silício orgânico (1mg pH-7,0)

O silício orgânico apresenta efeito Lipolítico, como também antioxidante e eutrófico


no tecido conjuntivo. É indicado para tratamentos de flacidez facial, estrias, gordura
localizada, celulite associada à flacidez e rugas. ─ geralmente associado a um venotrófico
(KEDE; SABATOVICH, 2009).

No organismo humano constitui um elemento estrutural do tecido conjuntivo atuando


como um blocatalizador, intervindo em diferentes processos enzimáticos (KEDE;
SABATOVICH, 2009).
29
UNIDADE I │ MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA

O silício orgânico participa da constituição das macromoléculas que formam o tecido


conjuntivo como a elastina, colágeno, proteoglicanos e glicoproteínas evitando sua
degeneração e favorecendo e estimulando sua regeneração induzida e regulando a
proliferação dos fibroblastos (KEDE; SABATOVICH, 2009).

Atua também como regulador, normalizador, estimulante e protetor dos processos


metabólicos e de divisão celular atuando como agente antioxidante, opondo-se a
peroxidação lipídica reorganizando os fosfolípides da membrana. Dessa forma, o silício
participa o envelhecimento precoce (KEDE; SABATOVICH, 2009).

O silício induz e regula a produção de fibroblastos no tecido conjuntivo, atua como


antioxidante inibindo a formação de radicais livres por participar da constituição das
macromoléculas que formam o tecido conjuntivo, reduz a degeneração das fibras de
colágeno e elastina e estimula sua regeneração (KEDE; SABATOVICH, 2009).

O mesmo não deve ser aplicado em pessoas que apresentam alergia aos componentes
da fórmula e aos salicilatos e seus derivados (KEDE; SABATOVICH, 2009). DMAE está
citado nos artigos científicos para uso tópico na sua forma base (líquida).

Vitamina C (20% ou 222mg/mL, pH-6,0)

Trabalhos demonstram que embora a capacidade proliferativa e a síntese de colágeno


sejam idade dependente, o ácido ascórbico é capaz de estimular a proliferação celular
bem como, a síntese de colágeno pelos fibroblastos dérmicos independente da idade.
A vitamina C atua também como importante cofator para enzimas (PERRICONE, 2001).

É essencial para a formação do colágeno, não é produzido pelo organismo. À medida


que a pele envelhece a derme torna-se fina e seu colágeno diminui. Essas alterações
aceleram-se ainda mais com a exposição a raios UVA e UVB de forma crônica
(PERRICONE, 2001).

Por sua ação na biossíntese do colágeno e por seu efeito redutor de radicais livres,
a possibilidade de liberar doses farmacológicas de ácido L-ascórbico via percutânea
apresenta-se como uma interessante e importante terapêutica (PERRICONE, 2001).

Benefício:

»» potente ação antioxidante;

»» restaura a luminosidade da pele fotoenvelhecida;

»» estimula a síntese de colágeno e elastina.

30
MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA │ UNIDADE I

Uso intradérmico, sua principal indicação é flacidez, mesolifting facial e estrias.


Apresenta reações como ardor no local da aplicação momentâneo.

Outros tipos de medicamentos utilizados


São aqueles fármacos que não se enquadram em nenhuma das categorias citadas
anteriormente ou por possuírem mecanismo de ação diferente.

Mesoglicano (pH- 7,0)

Além do que já observado nos comentários do tópico lipolítico o composto mesoglicano


apresenta ação fibrinolítica, seu estímulo se dá pela lípase advinda das lipoproteínas.
Desse modo, inibe depósito de lípides e melhora o endotélio vascular. Seu uso é
intradérmico. Tem efeito adverso por causar hematoma e quando associado à benzopirona.
É contraindicado a pessoas que tem hipersensibilidade a heparinóides (CHORILLI et al,
2007).

Hialuronidase (pH-5,5)

É uma enzima proteolítica. Este produto parece poder ser degradado pela aplicação de
antisséptico alcoólico. Concedeu-se a ele uma responsabilidade de “descompartimentação”
na celulite. Atribui-se a esse produto propriedades de estimulação dos fibroblastos.
No entanto, ele pode causar reações locais intensas imediatas ou retardadas. É capaz
de mudar a permeabilidade do tecido conjuntivo, diminuir edema, seu uso pode
ser intradérmico para celulite ou subcutâneo para gordura localizada (CHORILLI
et al, 2007).

Há necessidade de fazer teste cutâneo

As reações que pode vir a causar são processos alérgicos (eritema, prurido, vermelhidão)
até depois da 4ª aplicação.

A aplicação deve ser feita intralesional em uma concentração de 200UTR por


local onde foi feito o preenchimento irregular.

Frasco: 3000URT em 10mL soro

200UTR = 0,7mL

31
UNIDADE I │ MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA

Ácido tranexâmico

Age nos compostos que atuam na diferenciação dos melanócitos inibindo-os e assim
evitando a formação de mais células produtoras de melanina.

É indicado na redução da pigmentação do melasma; na remoação de hemossiderina; na


remoção da hiperpigmentação da pele resultante de cicatrizes de acne; manchas senis;
hormonais, medicamentosas e por exposição solar e para tratamento para olheiras
(ALBUQUERQUE, 2005).

Ácido kójico

Despigmentante natural, não é fotossensível e não causa alergia, diminui a produção de


melanina pela tirosinase (MAYUMI et al,2007).

Associando dois despigmentantes na fórmula de ação sinérgica otimiza os resultados


(MAYUMI et al,2007).

Tripeptídeo – 41

Derivado do fator de crescimento TGFβ, é um produto nanolipossomado, desse modo,


apresenta facilidade na absorção. É indicado para tratamentos de gordura localizada e
celulite (ROVER et al, 2001; CHORILLI et al, 2007).

O tripepdeo-41 ativa NFKb que aumenta a produção de citocinas pró-inflamatórias como


o TNFα. Ele aumenta o AMPc em adipócitos e bloqueia o PPARγ (estes são receptores
importantes na adipogênese).Reduz a expressão de C/EBP (fator de transcrição essencial
na adipogênese) e por último, mas não menos importante reduz o acúmulo de triglicérides
pela inibição de PPARγ e C/EBP (ROVER et al, 2001; CHORILLI et al, 2007).

32
CAPÍTULO 3
Protocolos e técnicas de aplicação
de intradermoterapia

Sugestões de protocolos de intradermoterapia


Os protocolos são essenciais no nosso dia a dia, no entanto, para que possamos
desenvolvê-los da melhor forma possível, precisamos ser capazes de dominar a técnica.
Além disso, precisamos saber avaliar o real problema do nosso paciente. Pois, dessa
forma saberemos qual melhor protocolo deve ser utilizado para obter os melhores resultados.

Abaixo, são apresentados alguns exemplos de protocolos interessantes a ser usados no


cotidiano, contudo, na prática acabamos desenvolvendo nossos próprios protocolos, sem
contar que em muitos casos serão necessários desenvolver protocolos personalizados, o
que os diferenciará no mercado de trabalho.

Despigmentante

Aplicação intradérmica por toda a extensão da mancha a ser tratada, adicionar 0,1mL
por ponto durante 12 semanas, sendo realizada 1x/semana.

»» Ác. Tranexâmico 8mg.

»» Ác. Kójico 20mg.

»» Lidocaína 8mg.

»» Veículo qsp 2mL.

Flacidez corporal ou facial ou estrias

»» ADN ( ácido hialurônico 10% + condroitin 2,5%) 2mL.

»» Elastina 1% 2 mL.

»» Lidocaína 1% 2mL.

»» Silício orgânico 1mg/2mL.

»» DMAE 3%/2mL.

33
UNIDADE I │ MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA

Rugas e linhas de expressão

»» Ácido hialurônico 40mg/4mL.

»» Glucosamina 20%/4mL.

»» Silício Orgânico 1mg/2mL.

Flacidez corporal

»» Ácido hialurônico 10%/2mL.

»» DMAE 3%/2mL.

»» Condroitin Sulfato 200mg/2mL.

Flacidez facial I

»» Ácido glicólico 1%/2mL.

»» DMAE 3%/2mL.

»» Ácido Hialurônico 40mg/2mL.

»» Lidocaína 1%/2mL.

Flacidez facial II

»» Condroitin sulfato 10%.

»» Ácido hialurônico 0,06%.

»» Silício orgânico 0,5%.

»» DMAE 2,5%.

»» Lidocaína 1%.

Rejuvenescimento facial I
»» DMAE 7%.

»» Lidocaína 2%.

Rejuvenescimento facial II
»» IGF.
34
MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA │ UNIDADE I

»» TGP2.

»» EGF.

»» Ácido Mandélico.

»» Ácido Kójico.

»» GAG.

Estria vermelha

»» IGF.

»» Vit. C 20%.

»» Ácido hialurônico 1% + Condroitin 2,5% (XADN).

»» Silício Orgânico 10mg/mL.

»» Glicerinol.

»» Lidocaína 1%.

Estria branca

Mescla I

»» IGF.

»» Vit. C.

»» Polidocanol 0,5% - 0,5mL.

»» Silício Orgânico 10mg/mL.

»» Componente Isolado - Gluconato de Cobre 0,28% - 0,5mL.

Mescla II

»» Ácido hialurônico 0,06%.

»» Buflomedil 1%.

»» Sulf. magnesio 10%.

»» Silicium P 3%.

»» Lidocaína 1% .
35
UNIDADE I │ MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA

Lacidez corporal

Mescla I

»» Silício Orgânico 10mg/ml.

»» Colágeno 2%.

»» IGF.

»» TGF.

»» Ácido hialurônico 1%.

Mescla II

»» DMAE 2,5%.

»» Silício orgânico 0,5%.

»» Polidocanol 0,5%.

»» Lidocaína 1%.

»» GAG 17,2%.

Celulite

»» Benzopirona + Rutina 1mg/2mL.

»» Cafeína 50 mg/2mL.

»» Mesoglicana.

»» Lidocaína 2% .

Celulite grau II

»» Ioimbina 0,5%.

»» Buflomedil 1%.

»» Crisina 100mcg.

»» L-carnitina 30%.

»» Lidocaína 10%.

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MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA │ UNIDADE I

Celulite grau III

»» Desoxicolato 122mg.

»» Pentoxifilina 2%.

»» Crisina 100mcg.

»» Silício Orgânico 0,5%.

»» Lidocaína 1%.

Para gordura localizada

Mescla I

»» Desoxicolato de sódio 4,75%.

»» Cafeína 100mg/2mL.

»» Silício orgânico 10mg/mL.

»» Bbuflomedil 10mg/2mL.

»» Lidocaína 1%.

Mescla II

»» Tripeptideo -41 1,2% 2mL.

»» Cafeína 10mg/2mL.

»» Lidocaína 1%.

»» Silício orgânico 10mg/2mL.

»» Aminofilina 40mg/2mL.

Intramuscular – emagrecimento

»» Aminofilina 20mg.

»» Furosemida 5mg.

»» Lidocaína 40 mg.

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UNIDADE I │ MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA

»» Cafeína 100 mg.

»» Inositol 100mg.

»» Veículo qsp 5mL.

Emagrecimento grau I

Mescla I

»» Picolinato de cromo 200mcg.

»» L-ornitina 150mg.

»» L-fenilalanina 50mg.

»» Inositol + Taurina 200mg.

»» Lidocaína 10 mg.

Mescla II

»» Vit. B12 + Metionina + inositol + colina 2mL.

»» L-cornitina 600mg.

»» L-ornitina 150mg.

»» L-fenialanina 2,5%

»» Lidocaína 2%.

Mescla III

»» L-carnitina 600mg/ 2mL Emagrecimento grau II e III.

»» L-Fenilalanina 2,5%/ 2mL.

»» L-ornitina 150 mg / 2mL.

»» Lidocaína 1% 2mL.

Técnicas manuais de aplicação


As técnicas manuais de aplicação são realizadas por via parenteral, sendo as mais
utilizadas na intradermoterapia ou mesoterapia a intradérmica, subcutânea e
38
MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA │ UNIDADE I

intramuscular, lembrando que a aplicação intramuscular não é considerada uma


técnica mesoterápica, uma vez que Pistor relata que a técnica consiste em injeções
intradérmicas ou subcutâneas de um fármaco ou de uma mistura de vários produtos
denominado, melánge ou mesclas.

Outras técnicas conhecidas e utilizadas na aplicação são as técnicas, ponto por ponto,
descrita pela primeira vez por Pistor, a qual envolve a aplicação da mescla no volume
de 0,02 a 0,05mL perpendicular a pele (4 mm de profundidade) com uma distância de
1 a 2 cm entre os pontos. Sendo injeções com pouco volume sempre perpendicular a
pele em um profundidade precisa na derme profunda, distanciando em torno de 1 a 2
cm, como relatado acima, esta técnica é usada principalmente para redução da gordura
localizada (ADELSON, 2005).

A técnica Nappage é uma técnica mais superficial (2 mm de profundidade), ocorre


pressão constante sobre o êmbolo durante a aplicação, como se imitasse uma máquina
de costura em um ângulo de 45°, com uma agulha de 4 mm. Este procedimento é um
dos mais desconfortáveis ao paciente, geralmente esta técnica é utilizada no couro
cabeludo e na celulite (ADELSON, 2005).

Nesta técnica de Nappage, o profissional, com um movimento de vibração rápido no


pulso, vai produzir múltiplos impactos invisíveis no nível da epiderme. O gesto deve
ser perfeitamente dominado para evitar escoriações cutâneas durante o mesolifting
assim como o sangramento. O produto depositado nessas multipucturas é absorvido
rapidamente. Isso porque esta técnica permite estimular as seguintes estruturas
sub-basais e basais, como (LE COZ, 2012):

1. unidade microcirculatória: importante efeito vasoativo (alternância


cruzada de vasoconstrição e vasodilatação) (LE COZ, 2012);

2. unidade de competência nervosa: efeito mecânico direto da ponta da


agulha sobre os receptores sensitivos da camada córnea (LE COZ, 2012);

3. unidade de competência imunitária: efeito farmacológico dos medicamentos


utilizados na camada basal para a imunoestimulação (LE COZ, 2012);

4. unidade de competência fundamental: a absorção cutânea dos produtos é


rápida. Ela segue uma passagem transdérmica. A substância fundamental
é supostamente visada por essa passagem (LE COZ, 2012). Está técnica é
realizado em toda a extensão da face e pescoço, principalmente.

A técnica epidérmica será relatada no tópico a seguir.

39
UNIDADE I │ MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA

Figura 3. Ângulos de inserção da agulha segundo a via de administração: intramuscular (IM), subcutânea (SC) e
intradérmica (ID).

SC
IV
IM ID

IM – INTRAMUSCULAR
SC – SUBCUTÂNEA
IV – INTRAVENOSA
ID – INTRADÉRMICA

Fonte:<http://dlb-network.com/photographyomn/intramuscular-injection-technique>. Acesso em :17 set. 2015

Intraepidérmica

A mais superficial (1 mm de profundidade) de todas as técnicas, em que a camada basal


da pele não é penetrada. As agulhas de calibres 27-31 são usadas com o bisel orientado
para longe da pele e arrastado ao longo com uma leve pressão positiva aplicada ao
êmbolo, feito de um padrão de grelha, a intervalos de 1 cm ao longo de toda a área
afetada. Esta técnica é útil para pacientes com baixo limiar de dor e é ideal para o
rejuvenescimento facial (ADELSON, 2005).

Múltiplas injeções de pequenas doses de medicamentos, em locais precisos, em uma única


sessão exigem muito do terapeuta. Para superar esta difícil tarefa, muitos profissionais
usam um dispositivo chamado Mesogun. Os benefícios da Mesogun incluem injeções

40
MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA │ UNIDADE I

mais rápidas, entrega precisa da dose, profundidade consistente de penetração e mais


conforto para o profissional e o paciente. (LEIBASCHOFF, 2006)

Além das tradicionais agulhas e seringas para o tratamento, também podem ser utilizadas
sofisticadas pistolas de mesoterapia. Essas pistolas possuem injetores eletrônicos
de múltiplos pontos que permitem a quantificação do volume e da profundidade da
aplicação. A desvantagem no uso da pistola está na dificuldade de esterilização de
todo o conjunto, uma vez que somente a agulha é descartável (HERREROS et al, 2011;
ROHRICH et al, 2005).

Nesta técnica de injeção utiliza-se uma agulha de 13 mm de comprimento com um


diâmetro de 0,29 mm (30 G) (LE COZ, 2012). A agulha é colocada superficialmente à
pele, ou seja, a 15º aproximadamente com o bisel para cima.

A técnica tradicional pode ser utilizada para tratamento de estrias, flacidez e


rejuvenescimento facial, nestes procedimentos é necessário fazer uma pápula para
administrar a medicação, também a 15º. Na estria esse tratamento deve ser aplicado
dentro dela, na flacidez em toda a extensão e no rejuvenescimento em pontos chaves
para a produção de colágeno e elastina da área tratada (LE COZ, 2012).

Quando for aplicar a técnica de intradermoterapia para rejuvenescimento na face e


pescoço, os principais pontos a considerar serão:

»» oval do rosto pescoço e colo;

»» músculo plastima;

»» músculo orbicular oral;

»» zona dos malares;

»» músculo orbicular ocular;

»» músculo prócero;

»» músculo corrugador do supercílio;

»» zona da testa;

»» profundidade das injeções 0,5 a 4,0 mm

Intradérmica

Utiliza-se a mesma agulha 30 G, no entanto, aplica-se a 45º, acometendo um plano mais


profundo quando comparado à via epidérmica (LE COZ,2012). Os lugares possuem

41
UNIDADE I │ MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA

poucos pelos, possui pouca pigmentação e pouca vascularização, por exemplo: face (LE
COZ, 2012).

Geralmente é injetado em torno de 0,05 a 0,1mL por ponto. Em aplicações intradérmicas,


duas técnicas são bastante usadas: a ponto por ponto e a múltiplos pontos. (ADELSON,
2005).

A técnica de múltiplos pontos necessita precisamente do posicionamento do ângulo da


agulha a 45º, fazendo-a penetrar de 0,5 a 2 mm de profundidade (derme superficial). É
interessante salientar que somente 1/3 da dose propelida é injetada (ADELSON, 2005).

“A escolha da técnica de múltiplos pontos é guiada pela noção de “INTERFACE-MESO” ─


definida pelo Dr. Kaplan, que diz: “A ação de estimuloterapia local e a ação farmacológica
local ou sistemática da mistura injetada vão depender do número de receptores
ativados, que é nomeado de nociceptores cutâneos, de unidades microcirculatórias ou
de unidades de competências imunológicas” (KAPLAN, 1992).

Desse modo, a superfície de contato entre a mistura injetada e o tecido-hospedeiro é


bem maior em reconstrução do que em injeções contínuas ponto por ponto. Assim, para
1 mL de líquido injetado em 10 pontos de 0,10 mL, a interface-meso será de 10 cm2, mas
se para o mesmo volume, injetar em 200 pontos a reconstrução será de 0,005mL e
então,a interface-meso será de 28,5 cm2 (KAPLAN, 1992).

A INTERFACE-MESO – seria a superfície de contato estabelecida entre os produtos


injetados e o tecido injetado. Assim, quanto mais fragmentada a substância (por
múltiplos pontos, com menor quantidade de substância), maior a interface-meso
e maior o número de nociceptores/receptores dérmicos ativados (KAPLAN, 1992).

Já na injeção intradérmica profunda, feitas entre 1 a 3 mm de profundidade sem pápula,


com dose variando de 0,1 a 0,2 mL por ponto.

Figura 4. Esquematização de aplicação intradérmica na técnica de intradermoterapia (Figura A e B).

Fonte: http://enfermagemcontinuada.blogspot.com.br/2011/02/medicacao-via-intradermica.html.Acesso em: 14/ set. 2015.

42
MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA │ UNIDADE I

Fonte: <http://slideplayer.com.br/slide/350077/>acesso16/09/15

Hipodérmica – subcutânea

Absorção é lenta, por meio dos capilares ocorre de forma contínua e segura. As regiões
de aplicação podem ser, por exemplo: braço (apresenta velocidade média de absorção da
medicação), abdome e flancos (velocidade rápida), perna e subglúteo (velocidade lenta).
O local da aplicação deve ser revezado quando for aplicado por período indeterminado
(LE COZ, 2012).

Essas injeções podem variar de 4 a 13 mm de profundidade em função das localizações,


a aplicação ocorre com a agulha no ângulo de 90º dependendo da prega adipocitária, se
o paciente for muito magro, deve-se fazer ângulo de 45º, no entanto, padroniza-se usar
agulha 30 G para tratamentos de gordura localizada (LE COZ, 2012).

Complicações que a técnica hipodérmica


pode apresentar

»» infecções inespecíficas;

»» formação de tecido fibrótico;

»» embolias por lesão de vaso ou uso de drogas oleosas ou em suspensões;

43
UNIDADE I │ MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA

»» lesão de nervos;

»» úlcera ou necrose de tecidos.

Figura 5. Esquematização da aplicação subcutânea na técnica de intradermoterapia.

Fonte:< http://www.acervosaude.com.br/videos_enf_24.html> Acesso em: 16 dez. 2015.

Intramuscular – IM

No dossiê de medicamentos enviados a Sociedade Brasileira de Biomedicina Estética


─ SBBME em 2011, foi relatado que o biomédico esteta do ponto de vista técnico-
científico apresentava todas as condições necessárias para a aplicação de medicações
magistrais a nível intramuscular, desde que bem preparado para isso, mas neste dossiê
não havia sido descrito a liberação da aplicação da via IM para os biomédicos. Até que
em novembro de 2015 o Conselho federal de Biomedicina – CFBM se posicionou e
aprovou a aplicação intramuscular para nossa classe profissional.

A aplicação IM é de rápida absorção. O músculo escolhido dever ser bem desenvolvido


de fácil acesso, não possui grandes calibres e nem nervos.

Os músculos e volumes injetados são:

»» deltoide – de 2 a 3 ml;

»» glúteo – de 4 a 5 ml;

»» músculo da coxa (quadríceps – vasto lateral) - de 3 a 4 mL.

Aplicação do músculo glúteo

Dividir o glúteo em quatro quadrantes e aplicar no quadrante superior externo.

44
MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA │ UNIDADE I

Complicações que a técnica intramuscular no músculo


glúteo pode apresentar

As complicações que podem ocorrer na aplicação IM são: embolia, infecção e abscessos.


O profissional deve tomar cuidado com o nervo ciático na aplicação na região glútea.

Figura 6. Ilustrações A, B, C, D e E da aplicação intramuscular para a técnica de intradermoterapia na região glútea.

A B

C D

5mL 5 mL

Fonte: <http://instrumentalenfermero.blogspot.com.br/2012/12/dentro-del-musculo-via-intramuscular.html>acesso27/08/15. <www.youtube.com/


watch?v=_KBVuy-92QI> .Acesso em: 27 ago. 2015 <http://mariaspaces.bligoo.es/asociacion-espanola-de-pediatria> Acesso em: 27 ago. 2015

45
UNIDADE I │ MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA

Aplicação do músculo deltoide

5 a 6 cm depois do final do ombro (~ 4 dedos)

Complicações que a técnica intramuscular no músculo


deltoide pode apresentar

Vásculos-nervosas com paralisia muscular.

Figura 7. Ilustração da aplicação intramuscular da técnica de intradermoterapia na região deltoide.

Fonte:<http://pt.slideshare.net/jlassala/administrao-de-medicamentos-44264270> Acesso em: 27 ago. 2015

Aplicação no músculo da coxa

Distanciar um palmo a partir do joelho até o vasto lateral.

Complicações que a técnica intramuscular no músculo


da coxa pode apresentar

Nesta aplicação o Biomédico (a) Esteta deve tomar cuidado com o nervo fêmuro-cutâneo.
Podendo causar, abscessos, nódulos e dores.
Figura 8. Ilustração da área proposta para a injeção intramuscular na região anterolateral da coxa, utilizando-se a
metade distal do quadrilátero (área hachurada) como local de escolha para a aplicação desta injeção (IM).

Fonte:ROCHA ET AL.,2002.

46
MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA │ UNIDADE I

Figura 9. Ilustração da área preconizada pela literatura para realização da injeção IM na região ântero-lateral da coxa.

Fonte: ROCHA et al.,2002.

Seringas utilizadas na intradermoterapia


Lembre-se que a é estéril, descartável, em plástico é utilizada uma para cada paciente em
cada sessão. Todos os tipos de seringa podem ser usados com um tipo de aparelhagem
específico para o seu tamanho. Seu tamanho varia, por exemplo (LE LOZ, 2012):

I. seringas com volume de 1 a 2,5 mL, geralmente usadas para intervenções


na face ou sobre o couro cabeludo, pois as graduações são mais precisas e
a pressão na injeção menor;

II. seringa de 5 mL geralmente para intervenções manuais de áreas médias;

III. seringa de 10 mL na maioria das vezes é utilizada para grandes áreas,


para tratamento de gordura localizada, celulite, flacidez (dependendo da
região), estria (dependendo da quantidade) (LE COZ, 2012).

É preciso sempre prestar atenção nas graduações da seringa para controlar as


quantidades injetadas. É prudente manter uma compressa ou um algodão seco na hora
da aplicação, após a assepsia da local, (um algodão embebido no álcool faz sangrar
novamente). Esse algodão serve para comprimir os pontos de injeção para evitar que
eles sangrem, mas não deve tocar a agulha (LE COZ, 2012).

O excesso do conteúdo inserido nas seringas só deve ser expelido após a


colocação da agulha, desse modo, será retirado o ar e as bolhas que haviam
ficado até então lá dentro.

47
UNIDADE I │ MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA

Agulhas utilizadas na intradermoterapia


Cada agulha ou perfuro cortante deve ser descartado em um recipiente sólido feito para
este fim ou em um incinerador (LE COZ, 2012).

As agulhas geralmente usadas são classifica em:

I. Para ressuspender a medicação usa-se a de 18G 1½ 40 x 1,2mm (rosa).

II. Para gordura localizada usa-se a de 30G ½ 13mm (aplicação SC) (amarela).

III. Para estrias, lipodistrofia e flacidez pode-se utilizar a de 30G1/2 13 mm


(técnica de retroinjeção para estria; aplicação SC para lipodistrofia, ponto
por ponto e flacidez aplicação ID) ou 30G ½ 4 mm (técnica ponto a ponto
– ID para todas as disfunções).

IV. Para aplicações IM usa-se a de 22G 1 ¼ 0,70 x 30mm (cinza).

Figura 10. Ilustração das agulhas usadas na intradermoterapia e seus respectivos tamanhos.

Fonte: <http://novidadesvaincre.blogspot.com.br/>acesso16/9/15. <http://loja.cirurgicaestilo.com.br/ecommerce_site/


produto_713_8114_Agulha-Descartavel-E-Esteril-Todos-os-Tamanhos-Caixa-C-100-PRECISION-GLIDE-BD>acesso 16/09/15

Produtos
As ampolas devem ser abertas no último momento, pois alguns produtos são degradáveis
pela luz. É imprudente até mesmo perigoso, preparar misturas com antecedência.
Além disso, é proibido pela ANIVSA. Desse modo, opte por comprar kits de ampolas
separadas e não mesclas já prontas (LE COZ, 2012).

As preparações devem comportar poucos produtos a fim de diminuir os riscos de


incompatibilidades física e química. Na hora que preparar, atente-se no pH das ampolas,
sempre ordenando do pH maior para o menor ou do menor para o maior, para que
assim você não desestabilize a mistura. ISSO É MUITO IMPORTANTE.

Se caso assim não fizer, a mistura pode turvar, e o composto não fará efeito podendo
gerar efeito colateral na maioria das vezes (LE COZ, 2012; ADELSON, 2005).
48
MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA │ UNIDADE I

Aplicação
Não injetar uma quantidade muito grande por ponto, pois isso pode provocar dor e
nódulos que demoram a desaparecerem.

Uma quantidade excessiva do produto pode provocar adenopatias.

Técnicas
Em determinados casos a injeção pode causar dor ao paciente, isso pode estar relacionado
às seguintes fatores:

»» a agulha tocou um pequeno vaso;

»» a agulha atingiu uma ramificação nervosa;

»» a injeção foi aplicada muito rapidamente;

»» a quantidade injetada foi muito grande;

»» o produto foi mal diluído;

»» a injeção foi muito superficial.

Desse modo, é interessante intervir no primeiro momento, fazendo uma aplicação


rápida da agulha (para isso requer experiência), e no segundo momento, fazendo uma
injeção progressiva do produto (LE COZ, 2012).

É interessante sempre ficar observando seu paciente para perceber a feição dele, caso o
paciente demonstre estar sentido dor é indicado mudar o movimento.

Além disso, não se deve repetir as sessões de maneira muito aproximada. Isso é inútil (o
efeito benéfico da sessão precedente é diminuído) e, as vezes, perigoso (multiplicação
dos hematomas). ─ Não se deve aplicar em cima de hematoma (LE COZ, 2012).

Figura 11. Técnica por Retroinjeção.

Fonte: <http://jolidermis.de/doc/injection-treatment.html> Acesso em: 17 set. 2015.

49
UNIDADE I │ MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA

Fonte:<http://www.plasticsurgerypulsenews.com/4/article_dtl.php?QnCategoryID=34&QnArticleID=82&QnCurPage=2> Acesso em: 17 set. 2015.

Figura 12. Técnica Ponto a ponto.

Fonte:<http://www.plasticsurgerypulsenews.com/4/article_dtl.php?QnCategoryID=34&QnArticleID=82&QnCurPage=2> Acesso em: 17 set. 2015.

50
CAPÍTULO 4
Classificação de gordura localizada

Hiperlipodistrofia
A gordura corporal tem um papel fundamental nas reservas energéticas do ser humano,
equilibrando a temperatura e homeostase corporal, transporte de vitaminas lipossolúveis
e proteção de órgãos vitais contra choques. Além disso, é sabido que o tecido adiposo é o
principal reservatório energético do corpo (XAVIER; PETRI, 2009).

No entanto, sempre que um indivíduo excede a ingestão da quantidade de caloria em


relação ao seu gasto energético diário a energia acaba sendo reservada em forma de
gordura (XAVIER; PETRI, 2009).

Desse modo, deduz-se que indivíduos sedentários em sobrepeso ou obesos apresentam


gordura corporal em excesso, pela ingestão ser maior que o gasto energético (XAVIER;
PETRI, 2009).

A hiperlipodistrofia resume-se ao aumento exacerbado e anormal de gordura proveniente


da alimentação, sendo armazenado na forma de triglicérides nos adipócitos. Este
armazenamento acomete áreas diferentes dependendo do gênero, sendo nos homens na
região abdominal na maioria dos casos, e, nas mulheres na região glúteo-femoral, por
representar áreas de menor atividade metabólica. Além disso, o aumento da gordura
localizada está relacionado ao ganho de peso (LE COZ, 2012) (Figura 13).

Contudo, é interessante frisar que as mulheres que estão no período de mudanças como
a menopausa ou que já passaram, tendem a apresentar taxas hormonais baixas, o que
interfere no acúmulo, metabolismo e consequentemente disposição da gordura corporal,
que muitas vezes torna-se uma gordura de aspecto androide e não mais ginoide.

Figura 13. Desenho mostrando as regiões que acometem maior quantidade de gordura localizada na mulher
(pera ─ ginoide) e no homem (maçã ─ androide).

Fonte: <http://www.dermatofuncional.pt/hiperlipodistrofia-gordura-localizada> Acesso em: 27 ago. 2015.

51
UNIDADE I │ MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA

Os fatores etiológicos que podem desencadear a hiperlipodistrofia são:

»» genéticos/ hormonais;

»» qualidade de vida.

Para avaliar a hiperlipodistrofia é interessante levar em consideração:

»» IMC (Índice de Massa Corpórea) > 25;

»» medidas de circunferência;

Quadro 1. Classificação segundo Organização Mundial da Saúde (OMS) do IMC.

Fonte:<http://blogs.universal.org/cristianecardoso/pt/descubra-onde-voce-esta/> Acesso em: 27 ago 2015.

IMC = peso/ altura2

Quadro 1. Valores de comprimento de circunferência abdominal considerados como risco para doenças
associadas à obesidade.

Fonte : Sampaio, 2004.

Os tratamentos eficazes para essa condição é o emagrecimento primordialmente e


qualquer que seja o programa de emagrecimento, todos eles devem estar associados a
uma atividade física regular. Existem diferenças na resposta lipolítica ao exercício em
função da localização dos tecidos adiposos (BORGES, 2006; GARCIA et. al, 2006).

Durante o exercício em ambos os sexos, a lipólise do tecido adiposo subcutâneo


abdominal aumenta exacerbadamente, no entanto, a do tecido adiposo fêmoro-gluteal
aumenta, mas de forma mais insignificante. Essa diferença é ainda mais marcante na
mulher, o que pode explicar a dificuldade de conseguir reduzir essa região, mesmo
durante exercícios que estimulam a lipólise dos outros depósitos de gordura. Desse

52
MESOTERAPIA – INJETÁVEIS INTRADERMOTERAPIA │ UNIDADE I

modo, conseguimos propor de forma decrescente as partes do corpo dos homens e das
mulheres que apresentam um gasto energético maior durante o exercício físico (LE
COZ, 2012; BORGES, 2006; GARCIA et. al, 2006). Ou seja, no homem, durante o
exercício físico o gasto energético começa maior no abdome > tronco > braços > pernas,
enquanto que na mulher o maior gasto energético começa nos braços > tronco > pernas.

Um tratamento intradermotérapico que vem para associar a uma reeducação


alimentar, exercício físico regular e/ou tratamento medicamentoso é o tratamento
intramuscular de intradermoterapia. A associação desses fatores pode corroborar para
um emagrecimento mais rápido.

Lembrando que é muito importante nós como biomédicos pedirmos os últimos exames
laboratoriais do paciente e ver se esse paciente está apto para fazer o tratamento em
questão, ou se ele é um paciente que apresenta uma das contraindicações como já
citado acima.

A figura 14 apresenta um esquema ilustrativo de corpo que podemos seguir durante


um tratamento em nossos pacientes. Podemos pintar, por exemplo, a área que o mesmo
almeja tratar, para que assim fique mais fácil de identificar o local a ser trabalhado
em cada paciente. Devemos sempre procurar a melhor forma para a realização de um
trabalho bem feito.

Figura 14. Esquematização de aplicação para gordura localizada e/ou celulite.

Fonte: <http://www.brasilblogado.com/como-eliminar-as-gordurinhas-localizadas > . Acesso em:17 set. 2015.

53
PREENCHIMENTO FACIAL UNIDADE II

CAPÍTULO 1
Introdução ao preenchimento facial

História
A partir do século XIX foi possível a realização de procedimentos cirúrgicos devido ao
desenvolvimento de anestesia local e geral, o que deu origem a procedimentos estéticos
cada vez mais invasivos. No século XX, a gordura tornou-se o preenchedor mais comum
da época, principalmente após pacientes sofrerem grandes traumas, no entanto, a
mesma não tinha efeito duradouro. Nos anos de 1970, a cosmética estava no seu auge,
assim, estudos estavam sendo desenvolvidos com base na produção do colágeno bovino,
isso porque, nesse momento o mundo já se dava conta de que o envelhecimento era um
processo natural e cronológico, não obstante, retardá-lo, traria grandes promessas à
pesquisa como também ao setor financeiro (PECK; PECK, 1970; WATSON et al, 1983).

O desenvolvimento do preenchedor foi pensado primeriamente em repor a perda de


volume e/ou correção das imperfeições dérmicas, subcutâneas e até mesmo musculares
que resultaram de um traumatismo, defeito cirúrgico, condição de lipoatrofia ─ cicatrizes
de acne, agentes ambientais, por HIV ─ fotoenvelhecimento ou envelhecimento
cronológico. Mas também esta técnica foi pensada nas mulheres que se preocupam com
a beleza e que por motivos de tempo não tem mais tanta disponibilidade de se ausentar
das suas tarefas rotineiras como antes. Uma vez que o procedimento em questão não
requer tempo de recuperação (GLADSTONE; CARRUTHERS, 2005; AVRAM et al,
2008). Com isso, a técnica de preenchimento transformou-se na primeira opção de
tratamento estético antes da escolha da correção cirúrgica.

Anatomia e indicação
Para que possamos entender a indicação e técnica de aplicação de um preenchimento
é essencial enterdermos primeiramente a anatomia da face. Para isso, precisamos
54
PREENCHIMENTO FACIAL │ UNIDADE II

saber os principais músculos e regiões que serão e poderão ser aplicados o preenchedor
pelo biomédico(a) esteta. Lembrando que, este é um curso de especialização modo
básico, devido a isso, vamos ensinar na teoria o preenchimento do terço inferior apenas.
Pois, essa região é mais indicada para aprendizagem da manipulação dos preenchedores.
Além disso, essa regição supracitada é a mais comumente relatada em cursos de
pós-graduação.

Partindo do suposto que todos tiveram aula de anatomia na graduação, a explicação


será direcionada no aprendizado em questão.

Abaixo deixo referências de livros de anatomia importantes para o estudo básico


ser aprimorado.

SOBOTTA, Johannes et al.. Sobotta atlas de anatomia humana. 23. ed. Rio de
Janeiro: Guanabara Koogan, 2012. 3 v.

Madeira, Miguel Carlos; Rizzolo, Roelf J. Cruz. Anatomia Facial - Com


Fundamentos de Anatomia Sistêmica Geral - 4ª Ed. 2012

Primeiramente, nossa face é divida em 3 regiões: superior, média e inferior, como


demonstrado na figura 15. O terço superior se estende da linha da implantação do cabelo
até a glabela, o médio vai da glabela até abaixo do nariz e o terço inferior se estende da
região abaixo do nariz até o mento (TAN;GLOAU, 2005).

Figura 15. Divisão do rosto em terço superior, médio e inferior.

Fonte:< http://www.moreirajr.com.br/revistas.asp?fase=r003&id_materia=5546> Acesso em: 28 jun. 2015.

O biomédico(a), quando especializado na área estética poderá no terço inferior da face


preencher somente com ÁCIDO HIALURÔNICO, conforme figura 16:

»» sulco nasogeniano ou nasolabiais;

»» rugas peribucais (superior e inferior);


55
UNIDADE II │ PREENCHIMENTO FACIAL

»» contorno e volume labial;

»» comissuras orais;

»» crista do filtro (as linhas entre a boca e o nariz).

A partir da experiência adquirida pelo biomédico(a) esteta após sua formação e prática
com vivência no dia a dia, ele poderá se tornar capaz de realizar outras técnicas com
ÁCIDO HIALURÔNICO, como:

»» cicatrizes de acne;

»» recuperação e contorno da pálpebra inferior ou infra-orbital;

»» aumento da área malar;

»» linhas periorbitais profundas

»» aumento de mento;

»» linhas do sorriso ou Linhas de marionete.

As linhas do sorriso ou linhas de marionete, em indivíduos mais idosos ou


com acnes acentuadas apresentam flacidez facial, o preenchimento desses
sulcos pode criar pequenas ondas laterais à zona de injeção. Assim, faz-se o
uso concomitante de toxina botulínica nos músculos depressor do ângulo da
boca, do mento e orbicular da boca, prolongando e melhorando a aplicação do
preenchedor (GLADSTONE; CARRUTHERS, 2005).

Vale resaltar que em determinados pontos da face a aplicação do ácido hialurônico é


contraindicado, pois o mesmo pode causar complicações no paciente, deixando sequelas
consideraveis. Tais locais são:

»» linhas de preocupação ou frontais;

»» linhas glabelares;

»» linhas periorbitais superficiais.

Há relatos de aplicações realizadas nessas regiões que ocasioram oclusão arterial,


isquemia e até mesmo embolismo, uma vez que o ácido hialurônico apresenta facilidade
de se deslocar do local de aplicação para as regiões relatadas. Com isso, o profissional
que realizar apliação do produtos nessas regiões deve ter bastante prática e assumir o
risco das complicações que possam aparecer. (TAMURA, 2010)

56
PREENCHIMENTO FACIAL │ UNIDADE II

Figura 16. Foto ilustrativa das regiões de aplicação de preenchimento com ácido hialurônico, nível básico e
avançado, para indicação do Biomédico Esteta.

Fonte:< http://plasticafacialemmanaus.blogspot.com.br/> Acesso em: 28 jun. 2015.

Envelhecimento
Para se usar de maneira apropriada o ácido hialurônico, para maximizar o seu efeito
cosmético e ao mesmo tempo minimizar o risco de complicações, o biomédico(a) esteta
deve ter um entendimento amplo da estética da face e das mudanças que ocorrem com
o envelhecimento.

A estética geralmente tende a exibir um padrão de beleza, no entanto, este padrão se


difere em relação aos rostos atraentes de homens e mulheres, pois os mesmos apresentam
características distintas, ou seja, cada um obedece a um formato e proporção, assim, a
face feminina deve exibir alguns desses tópicos:

»» testa maior e suave com nariz menor;

»» sobrancelhas arqueadas ou com formato de asa de gaivota;

»» olhos um pouco distantes, causando um olhar expressivo e largo;

»» maçãs do rosto proeminentes;

»» estreitamento em formato de coração da parte inferior da face, com uma


razão menor entra a parte inferior e superior do rosto;

»» lábios cheios e vermelhos.

57
UNIDADE II │ PREENCHIMENTO FACIAL

A face ideal masculina deve exibir:

»» sobrancelhas proeminentes e horizontais com arqueamento mínimo;

»» olhos mais profundos e próximos;

»» nariz ligeiramente maior;

»» boca mais larga;

»» região inferior da face com formato quadrado com uma razão mais
equilibrida entre as partes superior e inferior;

»» barba ou superfície áspera na pele da região inferior da face.

Contudo, a estética se realiza pela harmonia e o equilíbrio da face que existe em toda
grande forma, tamanho e configurações das partes individuais, desse modo, devemos
considerar e entender essas mudanças que a face sofre com o passar do tempo.

Como já foi dito anteriormente, o envelhecimento é um processo natural e cronológico,


entretanto diversos fatores podem desencadea-lo de maneira mais rápida trazendo
consequências danosas à pele, principalmente. A exposição solar pela radiação ultravioleta,
tabagismo, desidratação, grandes perdas e ganhos de peso são um desses fatores.

Além destes fatores externos que podem influenciar e adiantar o processo de


envelhecimento. O envelheciemnto, por si só gera:

Tan e Gloau (2005, p.12)

Perda de gordura subcutânea: em geral, com a idade, existe


uma perda do volume e da circunferência dos contornos da face, que
são observados na juventude, resultando na aparência achatada ou
afundada das estruturas faciais.

Mudanças na musculatura intrínseca das expressões faciais


e sua influência na pele: os músculos da expressão facial são os únicos,
pois eles se inserem diretamente na pele. Anos de expressões faciais
constantemente dobrando a pele, resulta na formação progressiva
de rugas hiperdinâmicas que inicialmente aparecem apenas com o
movimento facial, mas posteriormente permanecem como rugas em
repouso. Rugas hiperdinâmicas são mais proeminentes em áreas onde
os músculos e a fáscia subjascentes estão mais diretamente ligados
à pele, tal como nas regiões frontal, glabelar, nasolabial, perioral
e periocular.

58
PREENCHIMENTO FACIAL │ UNIDADE II

Mudanças gravitacionais pela perda de elasticidade tecidual:


com o envelhecimento, as partes moles da face perdem sua elasticidade
inerente e sua habilidade a resistir o repuxamento. Inevitavelmente
eles começam a ceder e decair sob os efeitos da gravidade.

Remodelamento das estruturas ósseas e cartilaginosas


subjacentes: com o tempo, a reabsorção óssea pode resultar em
uma diminuição do volume facial aparente, e a força gravitacional em
estruturas cartilaginosas pode resultar na queda de algumas estruturas,
como a ponta nasal. Assimetria facial devido a mudanças nas estruturas
ósseas e cartilaginosas é difícil de corrigir,e indicar estas diferenças
aos pacientes no início da consulta é importante para adequar as suas
expectativas.

Quadro 2. Classificação de Glogau do fotoenvelheciemento.

Tipo I – Sem rugas


»» fotoenvelhecimento inicial;
»» alterações de pigmentos leves; sem ceratoses; rugas mínimas;
»» pacientes jovens – 20 ou 30 anos (maquiagem mínima ou ausente).
Tipo II – Rugas em movimento (Rugas Dinâmicas)
»» fotoenvelhecimento leve a moderado;
»» lentigos senis visíveis iniciais; ceratoses palpáveis, mas não visíveis; linhas paralelas ao sorriso começando aparecer lateralmente à boca;
Pacientes final dos 30 e 40 anos (geralmente usam alguma maquiagem).
Tipo III Rugas em repouso – (Rugas Estáticas)
»» fotoenvelhecimento avançado;
»» discromia visível e telangiectasias; ceratoses visíveis; rugas mesmo sem movimentação facial;
Pacientes – 50 anos ou mais velhos (sempre usam base corretiva em quantidade).
Tipo IV Apenas Rugas
»» fotoenvelhecimento grave;
»» pele com coloração amarelo-cinzentada malignidades cutâneas prévias; rugas por todas a face, não há pele normal;
Paciente – sexta ou sétima década, não pode usar maquiagem, pele de aspecto “rachado”.

Fonte: adaptado de Glogau (1994 - 1996)

As mudanças do fotoenvelhecimento mais vistas no terço inferior da face, afetam


principalmente os lábios, o queixo, a região da bochecha e o pescoço. As rugas que
se formam ao redor do lábio são decorrentes do repuxamento constante do músculo
orbicular da boca quando a pele se torna mais inelástica dos lábios superior e inferior,
criando rugas angulares, radiais e verticais. O efeito da gravidade resulta em uma queda
das comissuras orais lateralmente e para baixo, o que leva a uma aparência mais triste
e cansada. A perda de elasticidade aumenta a queda da pele, ainda no envelhecimento
acontece atrofia no músculos orbicular da boca e perda de tecido subcutâneo levando

59
UNIDADE II │ PREENCHIMENTO FACIAL

a um achatamento e perda de volume dos lábios com menor área vermelha aparente
(GLOGAU, 2002).

Assim, como vimos o envelhecimento apresenta fatores externos que potencializam


sua ação ocorrendo desse modo, o aparecimento do fotoenvelhecimento cutâneo
com:

»» linhas dinâmicas de expressão;

»» rugas estáticas;

»» pregas causadas por fotodano e elastose da pele e perda de suporte


tecidual posterior por remodelamento ósseo e atrofia de gordura.

60
CAPÍTULO 2
Técnicas de aplicação de preenchedores

Tipos de preenchedores
Existe uma vasta quantidade e marcas de substâncias denominadas preenchedores
hoje no mercado. Como substâncias biodegradáveis e não permanentes ou também
não biodegradáveis e permanentes. Os preenchedores mais tradicionais são os
biodegradáveis, ou seja, aqueles que podem ser absorvidos e excretados pelo organismo
em um determinado tempo, geralmente curto. Sabe-se que por mais que estas
substâncias apresentem reações de hipersensibilidade, elas têm segurança comprovada
(GLADSTONE; CARRUTHERS, 2005).

Além dos preenchedores biodegradáveis, existe os semi-permanentes e os permanentes,


no entanto, é interessante evidenciar que o Biomédico(a) estéta só pode aplicar o
biodegradável, no caso o ácido hialurônico.

Os semipermanetes apresentam efeito mais duradouro, entretanto, podem causar


maiores complicações, como granulomas, uma vez que, desenvolvem-se tardiamente
(mais que um ano depois do tratamento), como por exemplo a hidroxiapatia de calcio.
Estes costumam conter microsferas que não são biodegradáveis. Os preenchedorres
permanentes resultam em alta incidência de granuloma e extrusão, como por exemplo o
polimetilmetacrilato ─ PMMA e silicone, no entanto, alguns autores consideram o PMMA
como sendo um preenchedor semipermanente (GLADSTONE; CARRUTHERS, 2005).

Ácido Hialurônico

O ácido hialurôico aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) em 2003,
representa um grande avanço na história dos preenchedores. Isso porque esta substância
é gerada por fermentação bacteriana e também de crista de galos, não existindo a
necessidade de testes alérgicos. Este é um preenchedor versátil e parece ter efeito mais
prolongado que o próprio colágeno.

O ácido hialurônico (AH) é um polissacarídeo linear que ocorre na natureza composto


de resíduos alternados dos monossacarídeos D-glicurônico e N-acetil-D-glicosamina.
Este composto é altamente distribuído na matrix extracelular dos tecidos conjuntivos,
no fluído sinovial, nos humores aquoso e vítreo do olho e em outros tecidos.
Sua estrutura química é uniforme por toda a natureza, e portanto, não tem potencial para

61
UNIDADE II │ PREENCHIMENTO FACIAL

imunogenicidadena sua forma pura. Na pele, o AH forma a matrix fluída elastoviscosa


na qual fibras de colágeno, fibras elásticas e outras estruturas intercelulares estão
embebidas. Sintetizado nas membranas celulares e então secretado no espaço extracelular,
o AH é o maior (50kDa) e é o glicosaminoglicano (GAG) mais abundante na matriz
extracelular da derme. Ele se difere dos demais GAG, pois ele não é sulfatado ou
ligado a uma proteína central (BOWMMAN; NARINS, 2005).

O AH liga-se a uma grande quantidade de água e múltiplas cadeias de AH se emaranham


e se interpenetram umas as outras para formar soluções altamente elastoviscosas, o
que dá a pele uma maleabilidade e elasticidade. Assim, como dá volume e preenche o
local injetado. Em contrapartida, a quantidade de ácido hialurônico na pele diminui
com o envelhecimento, resultando em uma menor hidratação e consequentemente
aumento do enrugamento (BOWMMAN; NARINS, 2005). Além disso, a meia vida do
AH no tecido é de apenas 1-2 dias ( o AH exógeno é rapidamente removido da derme
e degradado no fígado a dioxido de carbono e água), ele é um candidato ruim para
preenchimento tecidual em sua forma não modificada (BOWMMAN; NARINS, 2005).

Já os géis de AH conhecidos como hilanos, são géis químicos, conectados por ligações
covalentes, como também hidrogéis, pois são inchados com 95% do seu peso por
água, sendo lentamente absorvidos no tecido com o passar dos meses (BOWMMAN;
NARINS, 2005).

Agente a ser implantado

Existem vários tipos de preenchedores e marcas de ácido hialurônico, existem aqueles


preenchedores finos que devemm ser aplicados na derme média à superior que são
utilizados para rugas finas e superficiais, existem preenchedores mais espessos para
rugas mais profundas que deve ser colocado mais profundamente na derme e por fim,
preenchedores mais robustos para áreas que requerem aumento substancial de volume
como bochecha ou região temporal com colocação na interface derme/subcutâneo
(BOWMMAN; NARINS, 2005).

Um exemplo de produto é o Restylane, pois existe 3 formulações iguais as citadas acima


de hilano para serem preenchidos em profundidades diferentes na derme. A Restylane,
Restylane Fine Lines e Restylane Perlane. A concentração de AH nesses produtos é
de 20mg/mL, o que difere os produtos é o tamanho das partículas de AH, número de
partículas de gel por mL, e a profundidade do alvo do implante.

»» O Restylane Fine Lines apresenta as menores partículas, consequentemente


é menos viscoso. O produto é injetado pela agulha de 31G e é usado na
derme mais superficial para corrigir linhas finas. O seu uso é indicado no

62
PREENCHIMENTO FACIAL │ UNIDADE II

geral para: linhas de “preocupação” da fronte, linhas periorbitais, linhas


do sorriso e linhas periorais.

»» O Restylane apresenta partículas maiores e é injetado por uma agulha de


30 G. Sua aplicação é realizada na derme média para corrigir geralmente
os sulcos nasogenianos moderados e fornecer aumento labial. Ademais, é
indicado no geral para: linhas glabelares, crista do filtro, pregas nasolabiais,
contorno labial, aumento labial, linhas do sorriso e comissuras orais.

»» O Restylane Perlane apresenta partícula de maior tamanho,


consequentemente é mais viscoso. O produto é injetado por uma agulha
de 27G no plano profundo e no tecido subcutâneo superficial, para tratar
pregar profundas. É indicado no geral para: aumento das bochechas,
pregas nasolabiais, comissuras orais, aumento labial e aumento do queixo.

Como observado, mais de um tipo de restylane pode ser usado no mesmo local, isso irá
depender do grau de profundidade da ruga, sulco ou prega como apresentado na figura
X abaixo, podendo ser usado com os preenchedores em conjunto ou separadamente.

Figura 17. Camada superficial da pele que demonstra a linha, ruga e sulco/prega da face.

Fonte:< http://www.moreirajr.com.br/revistas.asp?fase=r003&id_materia=5546.. < http://www.tratamentopararugas.med.br/


preenchimento.html> Acesso em: 28 jun. 2015.

Técnica

Para correta aplicação do ácido hialurônico no paciente, alguns protocolos precisam


ser adotados pelo profissional para garantir que o procedimento seja realizado com
segurança. Desta maneira, os resultados os resultados obtidos serão altamente
relevantes. Abaixo está listado um protocolo básico de aplicação do produto.

1. após remover maquiagem, a área deve ser limpa com clorexidina 0,5%;

63
UNIDADE II │ PREENCHIMENTO FACIAL

2. se você preferir deixar seu paciente deitado em uma maca, é útil, demarcar,
as linhas de expressão antes de deita-lo com um lápis de maquiagem,
por exemplo, pois ao deitar as linhas podem sumir; no entanto, antes de
aplicar o preenchedor deve-se remover a marca do lápis;

3. se preferir pode fazer a aplicação com o paciente sentado deixando a


cabeça do paciente recostada em um parte fixa;

4. é interessante aplicar um anestésico tópico (DERMOMAX – 3%) pelo


menos 10-30 minutos antes do procedimento, isso irá reduzir a dor
da aplicação, no entanto,quanto mais espesso for o preenchedor, mais
profundo ele deve ser implantado, maior a agulha necessária e com isso
maior é a probabilidadede da utilização de anestesia (injetável);

5. a maioria dos autores recomenda manter o bisel da agulha para cima,


pois na maioria das vezes a ponta da agulha é vista e mais precisamente
controlada quando a pele é perfurada. A entrada da agulha na pele
geralmente é uma questão individualm, no entanto, alguns biomédicos(as)
entram em ângulo de 30º ou 45°.

Como a viscosidade do ácido hialurônico diminui com o aumento da temperatura,


o aquecimento da seringa, provocado pela mão antes da injeção pode ajudar.
Assim, ocorre diminuição de força na injeção na hora da aplicação.

Figura 18. Agulha indicada para aplicação do ácido hialurônico: 30G (mesma usada na intradermoterapia).

Fonte:< http://www.fibracirurgica.com.br/agulha-descartavel-13-x-03-30g1-2-40120-c-100-sr-3525/p> acesso: 28 jun. 2015.

Para melhor aplicação do ácido hialurônico recomenda-se a agulha com ângulo


de 45º, pegando a derme profunda, o qual obtêm os melhores resultados, no
entanto, isso dependerá do tipo de preenchedor que você estará usando e o
tipo de anamnese realizada. Por exemplo: Você deve observar qual escala de
ruga, seu paciente apresenta, nesse exemplo: o paciente apresenta uma prega,
e seu preenchedor é o viscoso. Por isso, que irá aplicar a 45° pegando a derme

64
PREENCHIMENTO FACIAL │ UNIDADE II

profunda. Lembrando, que dependendo da prega ou sulco ou ruga muda-se a


profundida e a viscosidade do preenchedor.

A técnica de aplicação linear retrógrada é a mais usada. Segurando a seringa


paralela ao comprimento da ruga ou prega a ser tratada, perfure a pele e avance
com a agulha por toda a sua extensão. Enquanto retira lentamentea a agulha da
pele, aplique uma pressão constante no êmbolo para liberar o material na derme
(em rugas finas e superficiais, observe a saída do material enquanto retira a agulha
retrogradamente). Rugas ou linhas superficiais curtas, podem ser eliminadas em apenas
uma aplicação.

A técnica das punturas seriadas é a mais fácil tecnicamente (pois a ponta da agulha não
se move durante a injeção) e é a preferida dos iniciantes. Para esta técnica a agulha entra
na pele até a profundidade desejada, deposita uma pequena quantidade do produto
e é retirada. Injeções individuais deste tipo funcionam bem para cicatrizes de acne,
enquanto as sucessivas podem dimunuir rugas.

Para você saber se está na derme média, quando for aplicar um preenchedor
próprio para essa área, é só observar se o contono da seringa fica visível, quando
você injeta, mas não a sua cor.

Guie o seu tratamento, sabendo que para materiais (ácido hialurônico) mais
finos, deve se atentar a parâmetros visuais e para materiais mais espessos
deve se atentar a parâmetros táteis. A resistência deve ser sentida, na derme
profunda.

As técnicas em leque e com aplicação cruzada são apenas variações da técnica retrógrada,
geralmente ela é usada quando se preenche com maior quantidade de material e em
maior profundidade. Caso ocorra erro ao injetar o material no plano profundo as
rugas não são corrigidas, mas o erro é visível. Já quando o erro ocorre na superfície
do tecido os defeitos são passíveis de correção, no entanto, a superfície pode ficar com
irregularidades.

Após a injeção é recomendado massagear levemente o local, no qual o preechedor


foi aplicado, para que dessa forma seja excluido qualquer propensão a nódulo ou
irregulariedades na região. Dessa forma, estamos garantindo que o produto acomode-se
aos contornos dos tecidos. No entanto, quando o local é massageado mais de 20%
do produto pode ser eliminado. Com isso, é interressante fazer a hipercorreção. Por
fim, deve haver um limite de 1,5-2,0 mL por sessão e o retoque pode ser feito de 2 a 4
semanas depois da aplicação.

65
UNIDADE II │ PREENCHIMENTO FACIAL

Figura 19. Técnicas de implantação dos hilanos (ácido hialurônico).

Fonte: <http://www.moreirajr.com.br/revistas.asp?fase=r003&id_materia=5546> acesso:28/06/15

Figura 20. esquema adaptado da sequência de injeção para aumento labial

Fonte:< http://caras.uol.com.br/makeup/maquiagem-descubra-quatro-utilidades-do-lapis-de-boca#.VZCqpvlViko> Acesso :28


jun.2015. - figura adaptada pelo autor da apostila

Não há uma sequência na técnica de aplicação de ácido hialurônico labial, vai depender
da preferência pessoal, no entanto, muitos profissionais começam pelo canto direito do
lábio inferior.

Pré e Pós Procedimento (GLADSTONE; CARRUTHERS, 2005).


66
PREENCHIMENTO FACIAL │ UNIDADE II

Existem questões importantes a sererm feitas na anamnese do paciente antes da


aplicação do ácido hialurônico, tais como:

»» Experienência passada com outros preenchedores?

»» História de cicatrizes e quelóides?

»» História de infecção por herpes simples?

»» História de hematomas/sangramento fácil?

»» Condições dermatológicas que exibem patergias?

»» Qualquer inflamação ativa na area a ser tratada?

»» Tolerância alta à dor?

»» Planos sociais importantes nos próximos 3-7 dias?

»» Expectativas realisticas?

É interessante realizar as perguntas acima, para o profissional ficar ciente do estado


do quadro do paciente, como também se ele já obteve satisfação em uma realização
anterior do tratamento. Qualquer relato citado acima e confirmado pelo paciente deve
ser intercedido o tratamento pelo profissional, devido a grandes chances do tratamento
dar errado (BOWMMAN ; NARINS, 2005).

O paciente que for fazer o preenchimento facial não deve tomar aspirina por pelo
menos 8 dias, vitamina E, anti-inflamatórios não esteroidais (AINES) por pelo menos
cinco dias antes do tratamento. Suspender os fitoterápicos a base de cumarina e Gingko
biloba. Já, a aplicação de Arnica montana, no local da aplicação no pré-procedimento
parece reduzir o surgimento de equimoses, por mais que ainda não tenha evidências
científicas. Além disso, fotos do pré-procedimento e do pós de ângulos frontal, oblíquo
e perfil são extremamente importantes para a satisfação do paciente.

Após o procedimento é aconselhável deixar o paciente descansar por alguns minutos,


devido à ansiedade causada pelo trauma da agulha. Compressas frias, ou arte mesmo o
gelo irão reduzir o edema e a sensibilidade causadas pelas múltiplas pinturas realizadas.
Oriente o paciente a reduzir as expressões faciais pelas primeiras 48 horas.

67
TOXINA BOTULÍNICA UNIDADE III

CAPÍTULO 1
Introdução à toxina botulínica

Envelhecimento e atuação da
toxina botulínica
O envelhecimento é um processo natural que o organismo passa durante o seu clico de
vida, ocasionando alterações fisiológicas e funcionais nos órgãos, tecidos e sistemas.
Um dos primeiros órgãos a denunciar que um determinado organismo está envelhecendo
é a pele, causando em muitas pessoas incomodo e queda na autoestima. As características
de uma pele envelhecida denunciam a idade e até os mesmos hábitos de vida de uma
pessoa, pois as regiões que apresentam os primeiros sinais do envelhecimento são
justamente aquelas que ficam mais expostas, tais como: face, pescoço e colo. Essas regiões
além de sofrerem com o envelhecimento cronológico também são afetadas por fatores
epigenéticos, como o sol (BIOT et al, 2012).

A toxina botulínica revolucionou os tratamentos estéticos em todo o mundo para paciente


de ambos os sexos. O terço superior da face é o local que recebe a maior atenção em
tratamentos que utilizam a neurotoxina, obtendo-se resultados bastante satisfatórios
na correção de rugas dinâmicas. Não obstante, virou consenso entre os profissionais da
saúde que trabalham com a toxina que o seu uso deve ser realizado de forma moderada
nos tratamentos. O objetivo é evitar o aspecto de congelamento da face (ausência de
expressão) em especial nos pacientes do sexo masculino (MESKI, 2012).

Introdução e História
O uso da neurotoxina botulínica tipo A foi originado em 1970, como uma alternativa
não cirúrgica, primeiramente usada para o tratamento do estrabismo. A partir daí, a

68
TOXINA BOTULÍNICA │ UNIDADE III

lista de utilizações médicas para essa toxina em questão foi crescendo rapidamente.
Como técnica estética ela foi averiguada após o tratamento de blefaroespasmo, que se
observou pela primeira vez a diminuição das rugas (BERRY;STANEK, 2012).

A história da neurotoxina botulínica tipo A começou entre 1817 a 1822 com o alemão
Justinus Kerner, que denominou a toxina como “sausage poison”, por observar a
presença dessa toxina em salsichas, enlatados e produtos com carnes mal preparadas.
Meio século depois, seu compatriota Muller Latinised, denominou a doença como
botulismo proveniente de “botulus” = salsicha. No entanto, a bactéria causadora
dessa doença, Clostridium botulinum só foi cultivada pela primeira vez, em 1897
por Van Ermengen (ERBGUTH, 2004; VAN ERMENGEN,1897). Em 1949, foi
descoberto o mecanismo de ação mais conhecido atualmente na área da estética,
proveniente dessa toxina, o bloqueio neuromuscular (BURGEN; DICKENS;ZATMAN,
1949).

Um dos primeiros estudos científicos sobre a neurotoxina botulínica tipo A como


cosmético foi certamente relatada pelo casal de autores Carruthers em 1992, abordando
a melhoria no enrugamento da pele próximo ao tratamento de blefaroespasmo
(CARRUTHERS, 1992).

Taxonomia e fisiologia
Clostridium botulinum é uma bactéria gram positiva, anaeróbica. Apresenta-se em
forma de bacilo e forma esporos, o qual produz uma potente exotoxina, direcionada
neurologicamente. Existem oito tipos sorológicos de exotoxina, que são reconhecidos
com base na especificidade antigênica de cada exotoxina. Estes oito tipos sorológicos são:
A, B,C1,C2,D,E,F e G. No entanto, somente os sorotipos A e B são as formas disponíveis
comercialmente, sendo a toxina botulínica do tipo A (mais potente). Devido a isso, ela foi
utilizada primeiramente para fins terapêuticos e somente anos mais tarde foi utilizada
na estética. Já a neurotoxina tipo B é indicada para tratar distúrbios neurológicos,
principalmente (PECORA; FILHO, 2012). Ademais, apresentam funções semelhantes
e são antigenicamente diferentes, o que permite que aqueles poucos pacientes que
desenvolverem anticorpos, ainda podem se beneficiar com o tratamento da outra
neurotoxina (BERRY; STANEK, 2012).

É importante salientar que a ação da neurotoxina botulínica apresenta diferentes


consequências quando injetada dentro da pele, no intuito de técnicas estéticas. Isso
porque, injeta-se 200 milhões de vezes menos do que a dose letal (CARTEE; MONHEIT,
2011).

69
UNIDADE III │ TOXINA BOTULÍNICA

Propriedades da toxina botulínica –


mecanismo de ação
Existem atualmente no mercado mundial diferentes tipos de toxinas botulínicas do tipo
A. No entanto, no mercado brasileiro há a comercialização de 5 marcas, são elas: Botox
(toxina onabotulínica), Dysport (toxina abobotulínica), Prosigne, Xeomin (toxina
incobotulínica) e Botulift (PEROCA; FILHO, 2012).

A neurotoxina é formada por duas cadeias, uma leve que possui 50 KDa (kilo daltons)
e uma pesada constituída por 100 KDa, elas são unidas por uma ponte de dissulfeto.
Quando a toxina botulínica encontra-se na forma ativa (150 KDa) ela é envolvida por
um complexo proteico constituído por hemaglutininas e não hemaglutininas (proteínas
não tóxicas). Essas proteínas protegem a neurotoxina do ataque do suco gástrico
quando a toxina encontra-se em algum alimento contaminado ocasionando, portanto o
botulismo. (PECORA; FILHO, 2012).

O tamanho do complexo proteico da toxina é obtido através da somatória da porção


ativa (150 KDa) com às proteínas associadas, que são as hemaglutininas e as não
hemaglutininas. Essa composição do complexo pode variar de acordo com o fabricante do
produto (PECORA; FILHO, 2012). Além disso, a presença ou ausência de um complexo
proteico pode interferir no tamanho do complexo de toxina e consequentemente na
antigenicidade do produto (DRESSLER ; HALLETT, 2006).

Quando a neurotoxina é ingerida ou injetada o seu mecanismo de ação fica limitado ao


sistema nervoso periférico, ou seja, a toxina irá atacar os nervos. Pois, ela não possui
a capacidade de ultrapassar a barreira hematomeníngea, ocasionando na musculatura
uma paralisia flácida.

Este mecanismo de ação pode ser divido em quatro etapas:

1. ligação da toxina em um dos receptores presentes na porção terminal do


neurônio alvo;

2. penetração ou internalização na terminação nervosa do complexo


presente entre a neurotoxina e o receptor do neurônico nas suas vesículas
de endocitose;

3. translocação da cadeia leve do compartimento das vesículas até o citosol


da célula;

4. realização de ataque proteolítico (protease) pela cadeia leve de uma


das proteínas de ligação do fator sensível à N-etilmaleimida solúvel
(SNARE), responsável pelo acoplamento da membrana e pela fusão das

70
TOXINA BOTULÍNICA │ UNIDADE III

vesículas sinápticas que liberam a acetilcolina, ocasionando a interrupção


da exocitose.

A ligação entre a toxina e o neurônio alvo ocorre por meio de uma ligação altamente
específica entre a cadeia pesada e os receptores que ficam expostos na superfície do
neurônio durante a liberação dos neurotransmissores na fenda sináptica (PEROCA;
FILHO, 2012). É interessante ressaltar que o receptor da toxina botulínica varia
dependendo do sorotipo injetado, quando injetado o sorotipo A o receptor é a proteína
SV2, quando injetado o B, o receptor é a sinaptotagmina.

Ademais, o tempo de ação desses sorotipos também é diferente, a toxina botulínica do


tipo A tem um tempo de ação de vários meses, enquanto que a do tipo B age por um
tempo menor.

Em alguns casos, depois de passar um tempo da aplicação da toxina botulínica, mas


antes que a terminação nervosa tenha recuperado por completo sua funcionalidade,
pode vir a ocorrer, a chamada neoinervação, que é o brotamento das terminações
nervosas, podendo levar a antecipação da contração muscular. No entanto, isso só
acontece quando ainda há ação da toxina botulínica no local, após sua finalização essa
neoinvervação se retrai (POULAINA et al,2009; WORTZMAN; PICKETT, 2009).

Resumindo o mecanismo de ação

A toxina botulínica atua na placa das terminações neuromusculares colinérgicas


pré-sinápticas, inibindo a liberação de vesículas de acetilcolina nessas terminações.
As toxinas apresentam diferentes sítios de ação no receptor conhecido como SNARE
A recuperação funcional pode ocorrer em 3 a 4 meses, depois que os brotamentos dos
axônios novos substituem as placas terminais bloqueadas. A ação da toxina botulínica
em nível molecular consiste na sua ligação extracelular a estruturas glicoproteicas em
terminais nervosos colinérgicos e no bloqueio intracelular da secreção de acetilcolina (DE
MAIO, 2011).

É interessante ressaltar que, a toxina botulínica está relacionada não somente a


paralisia muscular, mas também à inibição reflexa espinal, promovendo ainda o
bloqueio de fibras autonômicas para músculos lisos e glândulas exócrinas, bem como
efeito analgésico por bloqueio da substância P, do glutamato e do peptídeo relacionado
ao gene da calcitonina (DE MAIO, 2011).

Além disso, a toxina apresenta efeitos indiretos sobre o SNC por não ultrapassar a
barreira hematoencefálica, que são: inibição reflexa, reversão das alterações da inibição
recíproca, da inibição intracortical e de potenciais evocados somatossensoriais (DE
MAIO,2011).
71
CAPÍTULO 2
Tipos de toxina botulínica

Difusão da toxina botulínica no organismo


A difusão da neurotoxina no organismo é objeto de estudo de várias pesquisas clínicas.
Tais estudos relatam que se a toxina for aplicada em excesso ela pode ocasionar o
aparecimento de efeitos colaterais indesejados. Vários fatores podem dificultar a difusão
correta da substância, tais com (PEROCA; FILHO, 2012):

1. massa molar;

2. volume elevado de soro na reconstituição da toxina;

3. altas doses;

4. conservação inadequada da toxina.

De acordo com os princípios de Fick, quanto menor a massa molecular, maior será o
raio de difusão de uma substância. Com isso, complexos de neurotoxinas com peso
molecular baixo possuem maior raio de difusão quando comparados a complexos que
possuem um peso molecular elevado (Beylot, 2009). Entretanto, esse conceito não é
compartilhado por todos os pesquisadores, uma vez que outros cientistas abordam
que se houver diferença na difusão será por conta da dose e volume inapropriados
(PICKETT, DODD, RZANY,2008; PICKETT,2009; WOHLFARTH,2008).

Atividade biologia e grau de pureza da toxina


Ao longo dos anos a quantidade de proteína clostridial presente nos fracos de toxina foi
diminuindo. Na década de 1990 o Botox apresentava 25 ng/frasco de 100 U. Atualmente,
esse valor foi reduzido para 5 ng/frasco de 100 U. O valor de proteína clostridial
corresponde à quantidade de toxina ativa e inativa presente no frasco. (FREVERT;
DRUGS, 2010). Durante a produção e armazenamento parte da neurotoxina pode
ser inativada, ademais, todas as preparações possuem alguma porcentagem de toxina
inativa, consequentemente essa toxina inativa não possui efeito terapêutico, mas
funciona como antígeno na produção de anticorpos neutralizantes (BEYLOT, 2009).

A quantidade de toxina presente em um frasco é chamada de atividade biológica


específica. Quanto menor a quantidade de neurotoxina inativa e proteína clostridial

72
TOXINA BOTULÍNICA │ UNIDADE III

associada à toxina ativa, maior será o grau de pureza da neurotoxina. A atividade


biológica é expressa em U/ng de proteína, e deve ser a maior possível. (FREVERT;
DRUGS, 2010).

Antigenicidade da toxina botulínica


Determinadas formulações de neurotoxinas podem levar ao desenvolvimento de
anticorpos, que podem ser neutralizantes contra o complexo proteico. Os anticorpos
neutralizantes são aqueles formulados para atacar a toxina botulínica ativa, causando
a anulação ou redução do efeito do tratamento. Os anticorpos que atuam contra o
complexo proteico são denominados de não neutralizantes e como o próprio nome já
diz não apresentam efeito direto na ação terapêutica (PEROCA; FILHO, 2012).

Basicamente qualquer principio proteico não humano pode agir com antígeno,
provocando a criação de anticorpos. Outro fator que deve ser levado em conta quando
estamos analisando a antigenicidade da toxina é a quantidade de neurotoxina inativa
presente no frasco, porque apesar de não apresentar efeito terapêutico, ela possui a
capacidade de induzir a criação de anticorpos neutralizantes. Além disso, aplicações
frequentes com curtos intervalos entre uma sessão e outra (Exemplo: 1 mês), com
dosagens superiores a 200 U (unidades) e injeções intravenosas acidentais também
ocasionam a formação de anticorpos neutralizantes (DRESSLER; HALLETT, 2006).

Reconstituição da toxina botulínica tipo A

O volume utilizado para a reconstituição da neurotoxina pode ser adaptado de acordo


com as preferências do biomédico(a) esteta e necessidades do paciente. No entanto,
algumas recomendações de protocolo devem ser mantidas para garantir a eficácia e
segurança do tratamento (FILHO; PECORA, 2012).

Toxina de qualquer marca deve sempre ser reconstituída em uma solução de cloreto
de sódio (NaCL) a 0,9% sem preservativo (soro fisiológico - SF 0,9%) estéril. Algumas
marcas são mais sensíveis a fortes diluições e ao turbilhonamento do frasco, pois pode
provocar à fixação de toxina ativa no frasco, ocasionando perda da sua potência (FILHO;
PECORA, 2012).

Quando a neurotoxina é utilizada para fins estéticos, é utilizada uma reconstituição


padrão. Frascos que possuem 100 U de toxina são reconstituídos em 1mL de SF
a 0,9% estéril, para reduzir a possibilidade de difusão e tornar a aplicação menos
dolorosa, pois quando menor o volume, menor será a distensão (FILHO; PECORA,
2012).

73
UNIDADE III │ TOXINA BOTULÍNICA

Para outros tipos de aplicações, como ocorre no caso dos tratamentos de hiperidrose
ou neuralgia pós-herpética, é indicado realizar uma reconstituição em 2mL de SF 0,9%,
porque neste tipo de tratamento é preconizado que a toxina atinja uma maior dispersão
(FILHO; PECORA, 2012).

Quadro 3. Volume de reconstituição

U Botox®/Prosigne®/Xeomin®/ U Dysport® 1:2,5 U Dysport 1:3


Botulift® (em relação ao Botox®) (em relação ao Botox®)
Dose 1U 2,5U 3U
1mL(frasco 100U) 2mL(frasco 500U) 1,66mL(frasco 500U)
Volume de Reconstituição
0,01mL =1U 0,01mL =2,5U 0,01mL =3U
2mL(frasco 100U) 4mL(frasco 500U) 3,32mL(frasco 500U)
Volume de Reconstituição
0,02mL =1U 0,02mL =2,5U 0,02mL =3U

Fonte: Alterado do Filho e Pecora, 2012.

Os laboratórios recomendam a reconstituição do frasco de toxina botulínica na hora da


aplicação e manutenção sob-refrigeração (2ºC a 8ºC) por até 8 horas.

Para estabelecimento de uma nomenclatura internacional a toxina botulínica


Dysport® são denominadas de Speywood, referência à companhia que
desenvolveu o produto.

Potência e razão de conversão


A primeira toxina botulínica a ter aprovação para uso tanto terapêutico como estético
foi o Botox®, em 1989, logo após as outras toxinas que vieram a ser aprovadas
buscaram a liberação por meio de estudos científicos que as comparassem com o
Botox®, demonstrando uma baixa prevalência de eventos adversos e equivalência nos
resultados clínicos. Sendo assim, seguem na tabela abaixo as comparações entre as
marcas de toxinas botulínicas disponibilizadas atualmente no Brasil.

Quadro 4. Comparações entre as principais toxinas botulínicas disponíveis no Brasil.

BOTOX® DYSPORT® PROSIGNE® XEOMIN® BOTULIFT®


Aprovação 1989 1991 2005 2005 2004
Nome Onabotulínica Abobotulínica - Incobotulínica -
Beaufor-Ipsen
Fabricante Allergan Lanzhou Cristalia Merz-Biolab Medy-Tox Bergamo
Galderma
Tamanho 900kDa 500kDa 900kDa 150kDa 950kDa
Conservação -5ºC a 8ºC 2ºC a 8ºC 2ºC a 8ºC 15ºC a 30ºC 2ºC a 8ºC
Pós-Reconstituído 2ºC a 8ºC 2ºC a 8ºC 2ºC a 8ºC 2ºC a 8ºC 2ºC a 8ºC

74
TOXINA BOTULÍNICA │ UNIDADE III

Apresentação 100 U 500 U 50 a 100 U 100 U 100 U


Estabilização Secagem à vácuo Liofilização Liofilização Liofilização Liofilização
Validade 36 m 12 m 24/36 m 24 m 24 m
Potência 1U = LD 50 1U = LD 50 1U = LD 50 1U = LD 50 1U = LD 50
Razão 1U 2,5U 1U 1U 1U

Fonte: Alterado do Filho & Pecora, 2012.

Material utilizado na aplicação da toxina botulínica

As seringas utilizadas na aplicação da toxina são escolhidas de acordo com a


reconstituição realizada. Neurotoxinas que apresentam 100 U no frasco nas quais é
adotada a diluição utilizando 1 mL de SF 0,9%, o indicado é utilizar seringas de insulina
com 30 U (0,3 mL) ou seringas de insulina de 50 U (0,5 mL) com agulhas curtas (30 G,
13 mm). Tais seringas são graduadas de 0,01 mL, no qual 0,01 mL é correspondente a 1
U (FILHO; PECORA, 2012).

O tipo de seringa mais indicado para realizar reconstituição em 2 mL é a seringa de


insulina de 100 U (1mL), com graduação referente a 0,02mL, em que 1 U é correspondente
a 0,02 mL (FILHO; PECORA, 2012).

75
CAPÍTULO 3
Anatomia

Classificação estética do padrão muscular


segundo DE MAIO
A musculatura facial é importantíssima para expressar os sentimentos de uma pessoa,
sendo por meio da contração ou relaxamento muscular, ou até mesmo pela junção desses
fatores é o que determina e caracteriza muitas vezes a personalidade do indivíduo.
Por exemplo, existem pessoas que apresentam uma expressão ou contração mais enrijecida
(forte), ou seja, cinética, enquanto outros apresentam expressões hipocinéticas.
Desse modo, o tratamento com toxina botulínica deve ser adequado pela característica
pessoal ser humano (DE MAIO, 2011).

Tipos de Indivíduos

Cinéticos: apresentam movimentação natural, ou seja, apresentam movimentos


suficientes e não exagerados, exemplo: ao sorrir, contrai-se o músculo orbicular do olho
e forma-se linha de expressão natural e suave na região periorbital (DE MAIO, 2011).

Hipercinéticos: apresentam movimentação excessiva de determinado grupo


muscular, como por exemplo, o palhaço, que eleva excessivamente o supercílio; ou
então pessoas constantemente bravas que contraia região glabelar ou o músculo frontal
(DE MAIO, 2011).

Hipocinético: apresentam movimentação lenta de determinado grupo muscular. Sua


expressividade é baixa (DE MAIO, 2011).

Tônico: apresenta o tônus muscular normal, e para sua expressividade as estruturas


anatômicas estão posicionadas corretamente (DE MAIO, 2011).

Hipertônicos: apresentam distorção anatômica e formação de rugas compostas,


perderam a capacidade de relaxar um determinado grupo muscular. Isso é comum nas
regiões frontal, glabelar, periorbital, comissuras dos lábios e pescoço, assim como as
platismais (DE MAIO, 2011).

Hipotônicos e/ou hipocinéticos: apresentam flacidez cutânea, relaxamento


excessivo e pouca expressividade. Podem desencadear com o tempo algumas dessas
características citadas, como a flacidez, por exemplo, como também podem já estar
76
TOXINA BOTULÍNICA │ UNIDADE III

presentes. Além da flacidez pode haver ptose de determinadas estruturas anatômicas


(DE MAIO,2011).

Muitos indivíduos podem apresentar padrões musculares variados na face, podendo ser
um grupo muscular hipercinético e outro cinético, desse modo, cada região necessitará
de um tratamento específico (DE MAIO, 2011).

Locais de aplicação no terço superior da face


É necessário o conhecimento minucioso da musculatura e da anatomia facial para o uso
e a administração adequada da toxina botulínica.

»» Músculo levantador:

›› Músculo frontal.

»» Músculos abaixadores:

›› Músculo corrugador;

›› Músculo prócero;

›› Músculo orbicular do olho.

Observação: os músculos corrugadores e prócero formam a glabela.

O Músculo frontal origina-se na gálea óssea frontal, e se insere nas fibras do prócero,
corrugador e orbicular do olho. O modo de contração desse músculo varia entre as
pessoas, existem os que contraem de forma igual e outros que contrai de forma desigual.
Lembrando que nos pacientes calvos a contração da musculatura é perceptível, desse
modo, deve-se aplicar na área sem o cabelo (FAGIEN,1999).

Os pontos devem ser marcados ao longo das linhas transversais da fronte. Em geral, utiliza-se
pontos de 1 a 3 unidades adicionadas a intervalos de 1,5 cm através do meio da testa, a um
mínimo de 2 cm acima da parte superior da sobrancelhas. Já pacientes que apresentam
ptose de sobrancelhas ou ptose da pálpebra superior, aplicar 3 cm acima, mas as vezes a
melhor opção é não tratar o músculo frontal(CARRUTHERS; CARRUTHERS, 2001);

»» Complicações na região frontal por altas doses:

›› ausência de expressão;

›› dificuldade de olhar para cima;

›› ptose de sobrancelha e piora na ptose de pálpebra superior.

77
UNIDADE III │ TOXINA BOTULÍNICA

As assimetrias podem ocorrer, em geral, pela ausência de aplicação de toxina


botulínica nas regiões mais laterais, causando elevação exagerada da porção
lateral das sobrancelhas, conferindo um olhar diabólico (MESKI, 2012). Caso
esse erro ocorra nas sobrancelhas, elas podem ser corrigidas aplicando a
toxina botulínica em uma região mais alta, para que a região inferior do
músculo frontal que não recebeu toxina aumente o tônus de repouso e eleve
a sobrancelha (MESKI, 2012). Outro ponto chave que deve ser aplicado é acima
da linha mediopupilar ou na porção média do orbicular do olho, para que a
sobrancelha não fique com aspecto de acento circunflexo (CARRUTHERS;
CARRUTHERS, 2007).

O tratamento da aplicação de toxina botulínica na região frontal faz total diferença para
o rejuvenescimento e para a prevenção do envelhecimento precoce tanto em homens
quanto em mulheres, no entanto, este deve vir sempre acompanhado ao tratamento da
aplicação na região glabelar, o que permite um resultado mais natural e suave na face
(MESKI, 2012). Depois de aplicada a toxina botulínica, em até 15 dias podemos esperar
os resultados que podem ser obtidos pela sua ação. Desse modo, deve-se tomar cuidado
com a reaplicação de toxina antes do tempo na região tratada.

Na Glabela encontram-se os músculos corrugador dos supercílios e o prócero. O complexo


glabelar origina-se na porção nasal do osso frontal, e se estende no sentido lateral e para
cima, para inserir no terço médio da sobrancelha. O corrugador é um músculo mais
profundo na porção medial e superficial lateral. É visível uma ondulação na pele durante
sua contração. O prócero é um músculo fino, estreito e superficial, é o responsável pela
formação de rugas horizontais sobre o ápice nasal (KNIZE, 2000; GOODMAN,1998).

Os pontos de aplicação nos músculos corrugadores geralmente são em duas partes,


sendo, a parte inferior e a superior dos corrugadores. Nos homens, as doses da aplicação
variam de 4 a 12 unidades na região superior e 2 a 8 unidades na região inferior.
Nas mulheres de 4 a 8 e 2 a 6 U, respectivamente (MESKI, 2012).

A aplicação deve ser feita 1 cm acima da margem óssea supraorbital, para se evitar
complicações. Já no prócero, aplica-se de 2 a 8 U em um único ponto central, em uma
linha média, abaixo da linha da junção dos supercíclios (MESKI,2012).

O músculo orbicular do olho circula a região periorbitária e se insere nos tendões


dos cantos interno e externo, assim como nas fibras dos músculos frontal, prócero e
corrugadores dos supercílios (AVRAM et al, 2008). Pacientes que apresentam rugas
na região periobicular dos olhos (pés-de-galinha) que surgem na área do canto externo
dos olhos, se beneficiam com a aplicação demasiada na elevação das sobrancelhas, pois
estas atenuam as mesmas (MESKI, 2012).

78
TOXINA BOTULÍNICA │ UNIDADE III

É importante saber diferenciar as rugas das linhas que formam no sorriso pela contração
dos músculos zigmáticos que elevam a região malar. Isso porque o excesso de toxina
neste local pode indicar um efeito artificial e, em homens pode causar aspecto feminino
(WIEDER; MOY, 1998).

Os pontos de aplicação no músculo periocular, geralmente são de 2 a 5 pontos variando


de 2 a 4 unidades por ponto. Os pontos de aplicação são determinados com o paciente
forçando ao máximo o sorriso. As aplicações são realizadas nas áreas que se formam
as rugas, distanciando 1 a 2 cm da margem óssea orbital, para se evitar complicações
(MESKI, 2012). A complicação mais evidente nessa área é a formação de hematomas,
por isso a injeção deve ser bem superficial, intradérmica (MESKI, 2012).

Envelhecimento e mímica

A musculatura da face deve ser analisada com um conjunto de forças vetoriais que
atuam de forma sinérgica e antagônica. Desse modo, deve-se ter cuidado, por exemplo,
com a cauda do supercílio que poderá ser cada vez mais elevada quanto mais fraca
for à força de ação da porção temporal depressora do músculo orbicular do olho ou
quanto mais fortes forem as fibras laterais do músculo frontal. Contudo, essa força
de ação resultante pode ser modificada com o tempo, no processo de envelhecimento
(DE MAIO, 2011).

A partir da mímica podemos notar que a ação de um músculo ou de um grupo muscular


interfere em outros músculos da mesma região. Isso acontece por conta das fibras dos
músculos que atuam sobre uma área específica, ou seja, a contração de um músculo
provoca relaxamento de seu antagonista e vice-versa.

Com o envelhecimento o vetor gravitacional (descendente), supera os vetores responsáveis


pelo aspecto natural e jovem da estrutura facial, observando queda de estruturas
anatômicas em sentido caudal (DE MAIO, 2011).

79
CAPÍTULO 4
Resultados de aplicação da
toxina botulínica

Técnicas de aplicações
As toxinas mais utilizadas na prática clínica são o Botox® e o Dysport®. Segundo os
fabricantes o tempo de uso destes compostos é de 24h e 8h após aberto, respectivamente,
no entanto, sabe-se que na prática clínica a toxina botulínica normalmente é armazenada
no refrigerador por dias até semanas. Com o passar do tempo, tende a diminuir sua
eficácia e aumentar o risco de contaminação (DE MAIO, 2011).

Diferente do preenchimento que há diversas técnicas de aplicação. A toxina apresenta


apenas dois tipos de aplicações. A técnica padrão e a microinjeção. Na técnica Padrão
injeta-se no músculo um volume de 0,05 mL ou mais a depender do tipo do músculo
conforme já visto nos capítulos anteriores, com uma agulha de calibre 30 ou 32, em
ângulo perpendicular ou oblíquo. Esta técnica apresenta um risco de comprometimento
menor de músculos vizinhos (DE MAIO, 2011; AVRAM et al,2008).

Na técnica de Microinjeção injetam-se na derme pequenas quantidades de toxina


botulínica, ou seja, quantidades menores a 0,025 mL a uma distância média de 1 cm, muito
superficialmente também com uma agulha no calibre de 30 ou 32. A fim de proporcionar
o efeito de mesobotox (AVRAM et al,2008).

Indicações estéticas para aplicação de


toxina botulínica

Fronte

O paciente deve fazer a contração do músculo frontal, elevando as sobrancelhas, para


observar as assimetrias e linhas de expressão. O objetivo é diminuir as rugas da fronte
provocadas pela contração do músculo occipitofrontal. Geralmente, faz um total de
4 a 6 pontos, a dose depende do tipo de musculatura e do produto que estiver usando.
Em média dose de Botox® de 10 a 15 UI e de Dysport® de 25 a 40 UI (DE MAIO, 2011).

Os pontos laterais determinam o grau de movimento das sobrancelhas, assim quanto


mais medial a aplicação, maior o movimento lateral (sobrancelha arqueada). A injeção
deve ser feita profundamente, sem contato com o periósteo (AVRAM et al, 2008).

80
TOXINA BOTULÍNICA │ UNIDADE III

As complicações mais aparentes são: ptose de sobrancelha lembrar-se de afastar um dedo


pra cima para poder aplicar o primeiro ponto, sinal de Mefisto (quando se restringe a
aplicação dos pontos na área entra as linhas médias das pupilas, arqueando as sobrancelhas
exageradamente) e rugas residuais de supercílio (DE MAIO, 2011).

Classificação dos padrões de contração frontal

Padrão total

É o mais frequente, apresentam rugas (rítides) horizontais por toda a região frontal sendo
que avançam lateralmente além das linhas mediopupilares, até o final da cauda das dos
supercílios. Sugere-se ponto de aplicação ao longo de toda a musculatura, com doses
maiores na região central e menores na região lateral (Figura X) (BRAZ; SAKUMA, 2010).

Figura 21. Padrão total de contração do músculo frontal A) Anatomia B) Paciente em contração máxima C)
Sugestão de distribuição dos pontos de aplicação da toxina.

Fonte:<http://www.surgicalcosmetic.org.br/detalhe-artigo/79/Estudo-piloto-dos-padroes-de-contracao-do-musculo-frontal > .
Acesso: 21 nov.2015.

Padrão Médial

As rugas horizontais se concentram na região central da fronte, geralmente até a região


mediopupilar. Para estes pacientes sugere pontos de aplicação, variando de um a três,
na região medial da fronte. Quando utilizam três pontos formam-se um triângulo ao
contrário (BRAZ; SAKUMA, 2010).

Figura 22. Padrão medial de contração do músculo frontal A) Anatomia B) Paciente em contração máxima C)
Sugestão de distribuição dos pontos de aplicação da toxina.

Fonte:<http://www.surgicalcosmetic.org.br/detalhe-artigo/79/Estudo-piloto-dos-padroes-de-contracao-do-musculo-frontal >.
Acesso em: 21 nov. 2015

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UNIDADE III │ TOXINA BOTULÍNICA

Padrão lateral

É o tipo menos frequente, as rugas horizontais apresentam-se nas laterais da fronte, a


maioria após a linha mediopupilar. Geralmente apresentam sobrancelhas arqueadas
diferentes das demais. Para esses pacientes sugerimos pontos de aplicação nas regiões
laterais, com doses baixas, para não comprometer o movimento da cauda da sobrancelha,
muitas vezes não é necessário pontos na região central (BRAZ; SAKUMA, 2010).

Figura 23. Padrão lateral de contração do músculo frontal A) Anatomia B) Paciente em contração máxima C)
Sugestão de distribuição dos pontos de aplicação da toxina.

Fonte:<http://www.surgicalcosmetic.org.br/detalhe-artigo/79/Estudo-piloto-dos-padroes-de-contracao-do-musculo-frontal >.
Acesso em :21 nov. 2015

Glabela

Normalmente esta é a primeira região a ser tratada com a toxina botulínica. O paciente
deve fazer a contração dos músculos corrugador e prócero, fazendo uma feição enfurecida,
por exemplo. O objetivo é reduzir as linhas verticais proporcionadas pelos músculos
corrugadores e as linhas horizontais originadas pelo músculo prócero. As possíveis
complicações são: ptose palpebral e alargamento entre as sobrancelhas. A injeção
deve ser feita profundamente, sem contato com o periósteo (DE MAIO, 2011; AVRAM
et al, 2008).
Figura 24. Forçando os corrugadores.

Fonte: <www.botoxcosmetic.com .Acesso em: 21 nov. 2015

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TOXINA BOTULÍNICA │ UNIDADE III

Figura 25. Forçando o prócero.

Fonte: <http://boletim.med.br/boletim/artigos_ver.php?id=289>. Acesso em: 21 nov. 2015.

Orbicular (pés de galinha e pálpebra inferior)

O paciente deve fazer a contração do orbicular dos olhos, sorrindo por exemplo.
Estas rugas são estáticas e dinâmicas localizando na parte lateral da pálpebra inferior.
São injetados superficialmente. A injeção na pálpebra inferior deve ser feita com
cautela para evitar resultados indesejáveis, como ressecamento ocular, lagoftalmo
(incapacidade total ou parcial da pálpebra fechar) e aparecimento de bolsas palpebrais.
As complicações podem ser: equimoses e hematomas (DE MAIO, 2011; AVRAM
et al, 2008).

Figura 26. Região do pé de galinha.

Fonte: <http://www.saudeocular.com.br/?s=sa%C3%BAde+ocular > Acesso em: 21 nov. 2015.

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UNIDADE III │ TOXINA BOTULÍNICA

Figura 27. Região de pálpebra inferior.

Fonte: <http://www.portaldepaulinia.com.br/saude/beleza/26633-veja-a-tecnica-que-elimina-as-rugas-ao-redor-dos-olhos.
html> .Acesso em: 21 nov. 2015.

Avaliação Clínica
A avaliação clínica é primordial para o sucesso do tratamento, desse modo, o exame
da função da musculatura facial é feito pela observação do paciente em repouso, com
verificação do tônus muscular, da simetria, de contrações e espasmos musculares e
das linhas e expressão facial, incluindo sulco nasogeniano. A função motora também é
testada. Deve solicitar ao paciente que eleve os supercílios, feche os olhos firmemente,
mostre os dentes, contraia os lábios entre outras expressões/mímicas (DE MAIO, 2011).

Conforme o paciente realizar as mímicas citadas acima e as linhas de expressão aparecer,


com um lápis de maquiagem branco, por exemplo, o profissional irá demarcar a área
que será aplicada a toxina fazendo pontos entre as linhas que surgirem. Estes pontos
devem ser feitos em locais precisos para que no ocorra ptose, como já comentado em
capítulos anteriores (DE MAIO, 2011; AVRAM et al, 2008).

Contraindicações
Pacientes com esclerose lateral amioatrófica, Miastenia gravis, Esclerose múltipla,
e Síndrome de Eaton Lambert todas estas patologias apresentam transmissão
neuromuscular que podem se agravar em contato com a toxina botulínica (DE MAIO,
2011). Pacientes que apresentam hipersensibilidade ou alergia à classe de toxina
botulínica ou seus incipientes (DE MAIO, 2011).

Interações medicamentosas, algumas substâncias como: aminoglicosídeos, ciclosporinas,


D-penicililamida, quinidina, sulfato de magnésio, lincosamidas e aminoquinolonas

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TOXINA BOTULÍNICA │ UNIDADE III

podem interferir na transmissão neuromuscular ou neuroglandular se associadas com a


toxina botulínica (DE MAIO, 2011; AVRAM et al, 2008).

Além disso, o profissional deve ter cuidado com pacientes dismórficos, pois esses são
excessivamente preocupados com defeitos reais ou imaginários. Desse modo, cabe ao
profissional que irá realizar a aplicação esclarecer todos os possíveis resultados do
procedimento, ainda mais quando sabe que o mesmo não será atingido (DE MAIO, 2011).

Até o presente momento não foram publicados dados confiáveis sobre efeitos teratogênicos
da toxina botulínica em humanos, mesmo assim devemos evitar tratamentos com
mulheres grávidas, lactantes ou pacientes em tratamentos oncológicos (DE MAIO, 2011;
AVRAM et al, 2008).

Efeitos adversos da toxina botulínica

Equimoses

Os lugares mais comuns do ocorrer são na região frontal e na região periobicular.


Para evitarmos esse evento logo após a aplicação pode-se colocar uma compressa
gelada no local fazendo pressão. Além disso, o paciente pode ser orientado a suspender
o uso de anti-inflamatório não hormonal, alfa-tocoferol e Ginkgo biloba 10 dias antes
da aplicação (FILHO; PECORA, 2012).

Cefaleia
A toxina botulínica pode induzir cefaleia em alguns casos, principalmente quando aplicado
na região frontal, com etiologia desconhecida, podendo durar até quatro semanas sendo
necessário a administração de analgésicos(FILHO; PECORA, 2012).

Muscular
A toxina botulínica em excesso pode acarretar em perda de expressão facial, paralisia
muscular incompleta, paralisia de músculos inadequados por dispersão da toxina para
grupos musculares indesejados (FILHO; PECORA, 2012).

Ptose palpebral
Pode ocorrer dispersão da toxina botulínica por meio forame orbital, com acometimento
do músculo levantador da pálpebra superior, levando ao aparecimento de ptose palpebral
entre 2 a 10 dias. Para evitar essa complicação deve-se respeitar a distância de 1 cm da
margem óssea orbital superior, assim como evitar a injeção muito baixa na lateral do

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UNIDADE III │ TOXINA BOTULÍNICA

nariz, com dispersão da toxina por meio do septo orbital e acometimento do músculo
levantados da pálpebra superior. Esse evento geralmente desaparece por volta de um
mês. O que pode melhorar e antecipar o estímulo da musculatura é carboxiterapia,
eletroestimulação no local da ptose. Colírio de Tartarato de Brimonidina 0,2%, e
agonista alfa-adrenérgico, que estimula o músculo Müller também ajuda (1 gota no
olho acometido a cada 8 horas) (FILHO; PECORA, 2012).

Figura 28. Ptose palpebral à esquerda após aplicação de toxina botulínica A para tratamento de espasmo hemifacial.

Fonte: OLIVEIRA et al., 2010

Ptose de sobrancelha
Ocorre geralmente com altas doses nos pontos da região frontal. Nessa região a aplicação
da toxina botulínica deve ser de 2,5 cm acima da sobrancelha, mantendo sempre alguma
atividade do músculo frontal diminuindo o aspecto de congelamento, lembrando que
os pontos devem ser sempre entre as linhas hemipupilares (FILHO; PECORA, 2012).

Sinal mefisto
Quando o paciente apresenta a sobrancelha com aspecto demoníaco. A correção desse
evento indesejado se faz com aplicação posterior de 1 ou 2 U de toxina botulínica
(Botox®) nas fibras laterais da região frontal (FILHO; PECORA, 2012).

Figura 29. Sinal Mefisto, sobrancelha arqueada com aspecto demoníaco. Excesso de ponto na linha mediopupilar.

Fonte : <http://mmayrink.com.br/tag/ana-maria-pellegrini>.Acesso em: 21 nov. 2015.

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TOXINA BOTULÍNICA │ UNIDADE III

Bunny Lines

Consiste na intensificação ou aparecimento de linhas nasais após a aplicação de toxina


botulínica tipo A na glabela, evidenciada no sorriso. Pode ser corrigida aplicando 2 UI de
Botox® de cada lado da lateral do nariz, no músculo nasal. No entanto, deve ter atenção
nessa aplicação, o ideal é aplicar acima da linha nasofacial, evitando o acometimento
do músculo levantador do lábio superior e da asa nasal, com consequente ptose labial
(FILHO; PECORA, 2012).

Figura 30. Linhas Nasais proeminentes a partir do sorriso ou de uma mímica.

Fonte: <http://www.lkaesthetics.com/botox-treatments/2015/9/3/botox-for-bunny-lines> .Acesso em: 21 nov. 2015.

Diplopia

Tratamento de rugas periorbiculares deve ser respeitado a distância de pelo menos 1 cm


da margem óssea lateral da órbita, e além disso, deve utilizar volumes pequenos, para
evitar acometimento do músculo retolateral, com consequente diplopia a até mesmo
estrabismo (FILHO; PECORA, 2012).

87
PRESCRIÇÃO BIOMÉDICA UNIDADE IV

CAPÍTULO 1
Resoluções do biomédico esteta

Resolução biomédica
A partir da resolução no 241, de 29 de maio de 2014, dispõe ao Biomédico(a) Esteta
a regulamentação da prescrição para fins estéticos. Este documento foi um marco
histórico na vida e na carreira do profissional biomédico(a), visto como um divisor de
águas, uma vez que esse profissional agora, por sua vez, torna-se mais independente
na realização e evolução de seus tratamentos, dando a liberdade para conduzir o seu
paciente em tratamentos diversificados e diferenciados, desde procedimentos clínicos
injetáveis e/ou formulados como, tratamentos home care, seja estes orais, tópicos,
fitoterápicos, entre outros como serão vistos a seguir.

O profissional Biomédico(a) Esteta poderá prescrever após habilitado produtos para


fins estéticos incluindo, tais como:

I. toxina botulínica tipo A;

II. substâncias para intradermoterapia;

III. preenchedores dérmicos (exceto Polimetilmetacrilato-PMMA);

IV. fitoterápicos;

V. nutrientes (seguindo normatização ANVISA);

VI. cosméticos, dermocosméticos, óleos essenciais e fármacos de administração


tópica;

VII. formulações magistrais, peeling químicas, biológicos, enzimáticos,


incluindo ácido retinóico de 0,01% à 0,5%, sendo de uso domiciliar e até
10% de uso clínico.
88
PRESCRIÇÃO BIOMÉDICA │ UNIDADE IV

Assim, o processo da prescrição será baseado em, identificar as necessidades estéticas


do paciente e logo após definir a prescrição do tratamento estético, seja de natureza
farmacológica, biotecnológica ou procedimentos invasivos não cirúrgicos.

Os tratamentos estéticos escolhidos pelo profissional biomédico sempre deverá ser


baseado em comprovações científicas e seguras ao paciente. Seguido essas etapas, redija
a prescrição, oriente o paciente, avalie os resultados e deixe sempre tudo documentado
e registrado desde fotos como também termos de consentimento dos tratamentos
adotados e assinatura do paciente em acordo com o procedimento.

Na RDC 67 de outubro de 2007, a Agência Nacional da Vigilância Sanitária ─ ANVISA,


orientou aos profissionais de saúde habilitados em prescrever medicamentos
manipulados realizar em receituário próprio a ser proposto em regulamentação
específica, contemplando a composição, forma farmacêutica, posologia e modo de usar.

Para a dispensação de preparações magistrais contendo substâncias sujeitas a controle


especial devem ser atendidas todas as demais exigências da legislação específica.

Em respeito à legislação e códigos de ética vigentes, os profissionais que podem


prescrever são impedidos de prescrever fórmulas magistrais contendo código, símbolo,
nome da fórmula ou nome fantasia, cobrar ou receber qualquer vantagem pecuniária
ou em produtos que o obrigue a fazer indicação de estabelecimento farmacêutico,
motivo pelo qual o receituário usado não pode conter qualquer tipo de identificação ou
propaganda de estabelecimento farmacêutico.

No caso de haver necessidade de continuidade do tratamento, com manipulação do


medicamento constante de uma prescrição por mais de uma vez, o prescritor deve
indicar na receita a duração do tratamento.

Ainda referente à RDC acima a ANVISA, notificou avaliarmos na hora de prescrevermos


uma receita manipulada para não cometermos erros, pois a ausência de dados
importantes pode acarretar o não atendimento da prescrição, desse modo, a prescrição
deve sempre apresentar:

I. ausência de rasuras, clareza na escrita e limpeza;

II. identificação da instituição ou do profissional prescritor com o número


do registro no respectivo conselho profissional, endereço do consultório
ou da instituição pertencente;

III. identificação do paciente;

IV. endereço residencial do paciente ou localização do leito hospitalar para


os casos de internação;

89
UNIDADE IV │ PRESCRIÇÃO BIOMÉDICA

V. concentração/dosagem, forma farmacêutica, quantidades e respectivas


unidades, identificação da substância ativa segundo a DCB ou DCI;

VI. não é permitido abreviar formas farmacêuticas;

VII. vias de administração;

VIII. modo de usar ou posologia;

IX. duração do tratamento;

X. local e data de emissão;

XI. assinatura do profissional.

Quadro 5. Modelo de prescrição (paciente).

NOME DO PROFISSIONAL BIOMÉDICO


CRBM
NOME DO PACIENTE
ENDEREÇO DO PACIENTE
RG (NO CASO DE ÁCIDO RETINÓICO)

USO (VIA DE ADMINISTRAÇÃO): TÓPICO, ORALSUBCUTÂNEO, INTRADÉRMICO


DESCRIÇÃO DO FÁRMACO OU FORMULAÇÃO/ DOSAGEM:
BIO ARCT 75MG
EXSYNUTRIMENT 75MG

QUANTIDADE : 120 CÁPSULAS

POSOLOGIA:TOMAR 1 CAPSÚLA 2X AO DIA ÀS 10H E ÀS 17H.


DURAÇÃO DO TRATAMENTO 2 MESES

DATA, ASSINATURA E CARIMBO DO BIOMÉDICO

ENDEREÇO COMPLETO DO CONSULTÓRIO, CLÍNICA OU INSTITUIÇÃO A QUAL


PERTENCE

Fonte: Machado JT.,2015, modificada da RDC 67 de outubro de 2007.

90
PRESCRIÇÃO BIOMÉDICA │ UNIDADE IV

Quadro 6. Modelo de prescrição (clínica).

NOME DO PROFISSIONAL BIOMÉDICO


CRBM

RG (NO CASO DE ÁCIDO RETINÓICO) DO BIOMÉDICO

USO EM CONSULTÓRIO/ CLÍNICA


DESCRIÇÃO DO FÁRMACO OU FORMULAÇÃO/ DOSAGEM:
ÁCIDO RETINÓICO 10%
BASE NEUTRACOLOR QSP 30G
QUANTIDADE: 1 BISNAGA

DATA, ASSINATURA E CARIMBO DO BIOMÉDICO

ENDEREÇO COMPLETO DO CONSULTÓRIO, CLÍNICA OU INSTITUIÇÃO A QUAL


PERTENCE

Fonte: Machado JT.,2015, modificada da RDC 67 de outubro de 2007.

Exemplos de classes de substâncias não habituais


de prescrição para os biomédicos

Fitoterápicos

Agar agar (laxativo suave, colágeno vegetal) – 500mg.

Alcachofra e Beringela (controle do colesterol e TG, protege o fígado) – 450mg.

Ayslim e Gymnema (tratamento de obesidade e diabetes) – 500mg.

Belladona (microcirculação e anti-inflamatória) – creme 20%.

Bio Arct, Exsynutriment e Goji Berry (ação anti aging) – 100mg.

Camomila (sedativo e antiespasmódico) – 200mg.

Guaraná, Canela e Gengibre (Termogênico) – 300mg.

Cáscara Sagrada e Sene (laxativos) – 350mg.

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UNIDADE IV │ PRESCRIÇÃO BIOMÉDICA

Cassiolamina (inibe lipase) e Faseolamina (inibe amilase) – 500mg.

Castanha de Índia, Centella Asiática e Ginkgo biloba (microcirculação) – 200mg.

Chá verde e Pholia magra (termogênico e diurético) – 400mg.

Cimicifuga e Prímula (TPM) – 80mg.

Citrus Aurantium (aumenta metabolismo) – 500mg.

Ext Batata, Quitisana e Pholia Negra (saciedade) – 300mg.

Garcinia Camboja e Picolinato de cromo, respectivamente (diminui vontade do doce)


– 300mg, 500mg.

Kawa Kawa e Passiflora (ansiolíticos) – 350mg.

Tribulus terrestris (inibidor de aromatase) – 400mg.

Sais minerais

Zinco (imunidade).

Fe (transporte de Oxigênio).

Ca e P (contração muscular).

I (regula tireoide).

K e Na (formação das células).

Mn (crescimento).

Mg (metabolismo energético).

Tabela 7. Peelings químicos.

CLASSIFICAÇÃO ATIVOS USO


SUPERFICIAL Ácido glicólico 30-50% (1-2 minutos). Melhora a aparência geral, o brilho, a textura e a tonalidade
da pele.
Solução de Jessner (1-3 camadas) ATA 10% (1 camada).
Resorcinol 20-30%.
MÉDIO Ácido glicólico 50-70% (2-20min) . Tratamento de dano solar ameno, acne e melasma.
Ácido salicílico 20-30% Solução de Jessner (4-10
camadas).
Resorcinol 40-50% (60 min) ATA 10-20% .
Tretinoína 1-5%.

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PRESCRIÇÃO BIOMÉDICA │ UNIDADE IV

CLASSIFICAÇÃO ATIVOS USO


PROFUNDO Ácido glicólico 70% (3-30min) Linhas finas, rugas, fotodano ameno, cicatrizes superficiais
e pigmentação.
ATA 35%-50%.
Solução de Jessner + ATA 35%.
Ácido glicólico 70% + ATA 35%.

Fonte: (DE MAIO, 2011)

93
FARMACOLOGIA BÁSICA UNIDADE V

CAPÍTULO 1
Introdução à farmacologia

A Farmacologia passou a ser estudada no final do século XIX, é o estudo da interação


dos compostos químicos com os organismos vivos. A mesma pode ser conceituada
como uma ciência experimental que lida com as propriedades das drogas e seus efeitos
nos sistemas vivos, assim como, as alterações provocadas nos organismos pelas drogas
ou medicamentos.

Na Farmacologia atual, são apresentados diversos segmentos que facilitam o encontro


das diversas áreas dessa formação, como demonstrado abaixo.

Diferentes áreas da farmacologia


Farmacocinética: é o caminho que o medicamento percorre dentro do organismo.
Este processo estuda as etapas que a droga sofre desde a administração até a excreção.
As etapas são: absorção, distribuição, biotransformação e excreção (KATZUNG, 2003;
DALE, 2007; FERREIRA, 2000; FUCHES et al,2004).

Farmacodinâmica: estuda o efeito que a droga causa no organismo, ou seja, nos


tecidos. Podendo observar ação tóxica às vezes do componente (KATZUNG, 2003;
DALE, 2007; FERREIRA, 2000; FUCHES et al,2004).

Farmacotêcnica: estuda o preparo, a manipulação e a conservação dos medicamentos.


Também está relacionado com o desenvolvimento de novos produtos, relação com
o meio biológico, técnicas de manipulação, doses formas farmacêuticas, interações
físicas e químicas entre os princípios ativos, visando conseguir melhor aproveitamento
dos seus efeitos benéficos no organismo (KATZUNG, 2003; DALE, 2007; FERREIRA,
2000; FUCHES et al,2004).

94
FARMACOLOGIA BÁSICA │ UNIDADE V

Farmacognosia: é o ramo mais antigo das ciências farmacológicas, este nome é


proveniente do grego pharmakon (fármaco) e gnosis (conhecimento). Esta ciência
estuda os princípios ativos naturais, sejam animais ou vegetais, contemplando
propriedades físicas, químicas, bioquímicas e biológicas, a partir das fontes naturais,
sendo passíveis de uso terapêutico (SBF, 2009).

Farmacoterapêutica: envolve não só o uso de medicamentos, como também outros


meios para a prevenção, o diagnóstico e tratamentos das enfermidades. Esses meios
envolvem cirurgia, radiação, exames, fisioterapia e outros (FUCHES et al., 2004).

Imunofarmacologia: é uma área nova que tem se desenvolvido muito graças à


possibilidade de se interferir, através do uso de drogas, na realização dos transplantes e
de se utilizar com fins terapêuticos substâncias normalmente participantes da resposta
imunológica (FUCHES et al., 2004).

Disponível em: <http://portal.anvisa.gov.br/wps/wcm/connect/92aa8c004


74586ea9089d43fbc4c6735/Cartilha%2BBAIXA%2Brevis%C3%A3o%2B24_08.
pdf?MOD=AJPERES>.

Conceitos básicos em farmacologia


Além das áreas segmentadas dentro da farmacologia, encontramos também diversas
palavras com significados específicos da área. Para melhor entendimento das definições
dos vocábulos utilizados na farmacologia e consequentemente aquisição de novos
conhecimentos relacionados a utilização de diferentes substâncias na prática clínica,
leia com atenção as palavras listadas abaixo:

Dose letal: leva o organismo a falência (morte) generalizada (DALE et al, 2007).

Dose máxima: maior quantidade de uma droga capaz de produzir efeitos terapêuticos
(KATZUNG, 2003; DALE et al, 2007).

Dose mínima: menor quantidade de uma droga capaz de produzir efeitos terapêuticos
(eficácia) (KATZUNG, 2003; DALE et al ,2007).

Dose tóxica: maior quantidade de uma droga que causa efeitos adversos (KATZUNG, 2003).

Dose: quantidade a ser administrada de uma vez a fim de produzir efeitos terapêuticos
(KATZUNG, 2003; DALE et al,2007).

Droga: qualquer substância química, exceto alimentos, capaz de produzir efeitos


farmacológicos, ou seja, provocar alterações em um sistema biológico (DALE et al, 2007).
95
UNIDADE V │ FARMACOLOGIA BÁSICA

Efeito colateral: efeito diferente daquele considerado como principal por um fármaco.
Esse termo deve ser distinguido de efeito adverso, pois um fármaco pode causar outros
efeitos benéficos além do principal (KATZUNG, 2003; DALE et al, 2007).

Fármaco: Sinônimo de droga (KATZUNG, 2003).

Farmacopéia: livro que oficializa as drogas e/ou medicamentos de uso corrente e


consagrado como eficazes (KATZUNG, 2003; DALE et al,2007).

Forma farmacêutica: forma de apresentação do medicamento: pílula, drágea, comprimido,


xarope, colírio, pomada, entre outros (KATZUNG, 2003; DALE et al,2007).

Medicamento: droga ou preparação com drogas usadas na terapêutica (KATZUNG,


2003; DALE et al, 2007).

Nome químico: diz respeito à constituição da droga (KATZUNG, 2003).

Placebo: “Vou agradar” do latim. Na farmacologia significa uma substância inativa


administrada para satisfazer a necessidade psicológica do paciente (KATZUNG, 2003;
DALE et al, 2007).

Posologia: é o quanto de dose o indivíduo irá receber (KATZUNG, 2003; DALE et


al,2007).

Pró-droga: substância química que precisa transformar-se dentro do organismo a fim


de tornar-se uma droga ativa (KATZUNG, 2003).

Reações adversas: qualquer resposta prejudicial ou indesejável e não intencional


que ocorre com medicamentos para profilaxia, diagnóstico, tratamento de doença ou
modificação de funções fisiológicas (KATZUNG, 2003; DALE et al, 2007).

Remédio: Palavra usada pelo leigo como sinônimo de medicamento e especialidade


farmacêutica (KATZUNG, 2003).

Conceitos básicos em fitoterapia


Dentro da área da farmacologia existe um segmento denominado fitoterapia, que é o
estudo das plantas para o tratamento de doenças. Assim como, foram definidas diversas
palavras que fazem parte da farmacologia, na área da fitoterapia também existem
vocábulos específicos dessa área, como os que estão listados abaixo:

Adjuvante: substância de origem natural ou sintética adicionada ao medicamento com a


finalidade de prevenir alterações, corrigir e/ou melhorar as características organolépticas,
96
FARMACOLOGIA BÁSICA │ UNIDADE V

biofarmacotécnicas e tecnológicas do medicamento (LEITE, 2009; SCHULZ; HANSEL;


TYLER, 2002).

Carminativo: agente que favorece e provoca a expulsão de gases intestinal (LEITE,


2009; SCHULZ; HANSEL; TYLER, 2002).

Catártico: purgante mais enérgico que o laxante e menos drástico (LEITE, 2009;
SCHULZ; HANSEL; TYLER, 2002).

Colagoga: agente ou substância que provoca e favorece a produção da bílis (LEITE,


2009; SCHULZ, HANSEL, TYLER, 2002).

Colerética: agente ou substância que aumenta a liberação de bílis ((LEITE, 2009;


SCHULZ; HANSEL; TYLER, 2002).

Derivado de droga vegetal: produtos de extração da matéria-prima vegetal: extrato,


tintura, óleo, cera, exsudato, suco e outros (LEITE, 2009; SCHULZ; HANSEL; TYLER,
2002).

Droga vegetal: planta ou suas partes, após processos de coleta, estabilização e secagem,
podendo ser íntegra, rasurada, triturada ou pulverizada (LEITE, 2009; SCHULZ;
HANSEL; TYLER, 2002).

Emenagoga: agente que restabelece o fluxo menstrual (LEITE, 2009; SCHULZ;


HANSEL; TYLER, 2002).

Estomáquico: agente que estimula a atividade secretora do estômago (LEITE, 2009;


SCHULZ; HANSEL; TYLER, 2002).

Etnofarmacologia: disciplina que estuda como as populações tradicionais interagem


com as plantas e como as usa no tratamento de suas doenças (LEITE, 2009; SCHULZ;
HANSEL; TYLER, 2002).

Fórmula fitoterápica: relação quantitativa de todos os componentes de um medicamento


fitoterápico (LEITE, 2009; SCHULZ; HANSEL; TYLER, 2002).

Fitofármaco: medicamento feito a partir de substância de origem vegetal, porém de


forma (LEITE, 2009; SCHULZ; HANSEL; TYLER, 2002).

Fitoterápico: medicamento obtido empregando-se exclusivamente matérias-primas


ativas vegetais. É caracterizado pelo conhecimento da eficácia e dos riscos de seu
uso, assim como pela reprodutibilidade e constância de sua qualidade. Sua eficácia e
segurança são validadas por meios de levantamentos etnofarmacológicos de utilização,
documentações tecnocientíficas em publicações ou ensaios clínicos na fase três.

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UNIDADE V │ FARMACOLOGIA BÁSICA

Não se considera medicamento fitoterápico aquele que, na sua composição, inclua


substâncias ativas isoladas, de qualquer origem, nem as associações destas com extratos
vegetais (LEITE, 2009; SCHULZ; HANSEL; TYLER, 2002).

Marcador: componente ou classe de compostos químicos (ex.: alcaloides, flavonoides,


ácidos graxos etc.) presente na matéria-prima vegetal, idealmente, o próprio princípio
ativo e, preferencialmente, que tenha correlação com o efeito terapêutico, que é utilizado
como referência no controle de qualidade da matéria-prima vegetal e dos medicamentos
fitoterápicos (LEITE, 2009; SCHULZ; HANSEL; TYLER, 2002).

Matéria-prima vegetal: planta medicinal fresca, droga vegetal e derivado de droga


vegeta (LEITE, 2009; SCHULZ; HANSEL; TYLER, 2002).

Medicamento: produto farmacêutico, tecnicamente obtido ou elaborado, com finalidade


profilática, curativa, paliativa ou para fins de diagnósticos (LEITE, 2009; SCHULZ;
HANSEL; TYLER, 2002).

Nomenclatura botânica oficial completa: gênero, espécie, variedade, autor do binômio,


família (TYLER, 2002).

Nomenclatura botânica oficial: gênero, espécie e (LEITE, 2009; SCHULZ; HANSEL;


TYLER, 2002).

Nomenclatura botânica: gênero e espécie (LEITE, 2009; SCHULZ; HANSEL; TYLER,


2002).

Princípio ativo de medicamento fitoterápico: substância ou classes químicas (ex.:


alcaloides, flavonoides, ácidos graxos etc.), quimicamente caracterizadas, cuja
ação farmacológica é conhecida e responsável, total ou parcialmente, pelos efeitos
terapêuticos do medicamento fitoterápico (LEITE, 2009; SCHULZ; HANSEL; TYLER,
2002).

Medicamento fitoterápico novo: aquele cuja eficácia, segurança e qualidade sejam


comprovadas cientificamente junto ao órgão federal competente, por ocasião do
registro, podendo servir de referência para o registro de similares (LEITE, 2009;
SCHULZ; HANSEL; TYLER, 2002).

Medicamento fitoterápico tradicional: é aquele elaborado a partir de planta medicinal,


de uso alicerçado na tradição popular, sem evidências, conhecidas ou informadas
de risco à saúde do usuário, cuja eficácia é validada por meio de levantamentos
etnofarmacológicos e de utilização, de documentações tecnocientíficas ou publicações
indexadas (LEITE, 2009; SCHULZ; HANSEL; TYLER, 2002).

98
FARMACOLOGIA BÁSICA │ UNIDADE V

Medicamento fitoterápico similar: aquele que contém as mesmas matérias-primas


vegetais, na mesma concentração de princípio ativo ou marcadores, utilizando a
mesma via de administração, forma farmacêutica, posologia e indicação terapêutica de
um medicamento fitoterápico considerado como referência (LEITE, 2009; SCHULZ;
HANSEL; TYLER, 2002).

Planta medicinal: espécie vegetal designada pelo seu nome científico e/ou popular
utilizada com finalidades terapêuticas (LEITE, 2009; SCHULZ; HANSEL; TYLER, 2002).

Princípio ativo: substância, ou grupo delas, quimicamente caracterizada, cuja ação


farmacológica é conhecida e responsável, total ou parcialmente, pelos efeitos terapêuticos
do medicamento fitoterápico (LEITE, 2009; SCHULZ; HANSEL; TYLER, 2002).

Produto natural: é toda substância encontrada na natureza (vegetal, mineral ou animal)


de origem orgânica ou inorgânica que pode ser utilizada diretamente ou processada
pelo homem (LEITE, 2009; SCHULZ; HANSEL; TYLER, 2002).

99
CAPÍTULO 2
Medicamentos

Tipos de medicamento
A maioria dos medicamentos é composta por várias substâncias. A parte fundamental
corresponde a um ou vários princípios ativos, que são as substâncias responsáveis pelos
efeitos benéficos. As demais partes, que constituem o resto do conteúdo do medicamento,
correspondem aos excipientes, substâncias de natureza diversa, cuja função consiste
em servir de suporte aos princípios ativos, proporcionar a sua adequada conservação e
facilitar a sua administração.

Os medicamentos podem ter diversas origens como, por exemplo, natural, vegetal,
animal e até microbiano. Hoje em dia é comum processarmos em laboratórios os
compostos para purificarmos as amostrar de contaminantes isolando seus princípios
ativos o que dá maior eficácia e segurança na sua administração. Mas isso não
impossibilita de utilizar os compostos da forma como são encontrados na natureza.
No entanto, a manipulação do princípio ativo em laboratório tem a capacidade de
tornar-se menos ou mais potente ou então, com mais ou menos efeitos colaterais.
Vejamos abaixo, os tipos de medicamentos existentes hoje em dia no mercado:

Fitoterápicos: é o medicamento feito exclusivamente à base de plantas (FUCHES,


2004).

Medicamento alopático: substâncias preparadas em laboratórios por processos


químicos têm composições e ações idênticas aos produtos naturais ( FUCHES,2000;
FUCHES,2004).

Medicamento de referência: seguro e eficaz, liberado pela ANVISA, comercializados a


mais de 40 anos no mercado (FUCHES,2000; FUCHES,2004; ELOIR, COLAB, 2004).

Medicamento genérico: contém o mesmo princípio ativo ─ na mesma dose e forma


farmacêutica ─ de um medicamento de referência. É administrado pela mesma via e tem
indicação idêntica. E o mais importante: é tão seguro e eficaz quanto o medicamento de
marca, mas em geral custa menos (FUCHES, 2000; ALMEIDA, 2005; FUCHES, 2004).

Medicamento homeopático: é conhecida como dinamização (energização do


medicamento). Sendo a homeopatia uma técnica mais natural, comparada à alopatia
(FUCHES, 2004).

100
FARMACOLOGIA BÁSICA │ UNIDADE V

Medicamento manipulado: produzidos em farmácias de manipulação, seguindo


prescrição médica/biomédica (FUCHES, 2000; FUCHES,2004).

Medicamento similar: vendido sobre uma marca comercial. As embalagens não contêm
a frase medicamento genérico. É similar ao medicamento de referência, diferindo
somente em tamanho e forma do produto, prazo de validade, embalagem, rotulagem,
excipientes e veículos. Esse é mais barato. E as farmácias ao comprar um, acabam
ganhando da distribuidora outros dois, assim, representam lucro certo (FUCHES,2000;
ALMEIDA,2005; FUCHES,2004).

Tipos de medicamentos quantos à


forma farmacêutica
As formas farmacêuticas são as diferentes formas físicas que os medicamentos podem
apresentar, para facilitar o seu uso pelo paciente.

Gasosos: recipientes cilíndricos especiais: balas e em geral são administrados por


inalação (KATZUNG, 2003; DALE et al, 2007; PRATT; TAYLOR, 1990; LA MATTINA;
GOLAN, 2009).

Líquidas: soluções, emulsões, xaropes, elixires e loções (KATZUNG, 2003; DALE et al


,2007; CRAIG; ROBERT; STITZEL, 2005; LA MATTINA; GOLAN, 2009).

Pastosos: normalmente de uso tópico ─ géis, cremes, pomadas etc. (KATZUNG, 2003;
DALE et al,2007; CRAIG, ROBERT, STITZEL.,2005; GRAHAME, ARONSON,2004;
LA MATTINA; GOLAN, 2009).

Sólidos: em pó ou em formatos sob a compressão ─ comprimido, drágea, pílula, cápsula


e supositório (KATZUNG, 2003; DALE et al,2007; LA MATTINA; GOLAN, 2009).

Farmacocinética
Todos os fármacos devem satisfazer certas exigências de efetividade clínica. Como por
exemplo, atravessar barreiras fisiológicas para proteger o organismo de patógenos.
Na farmacocinética observamos a absorção, distribuição, metabolização e excreção do
fármaco, combatendo, por muitas vezes o processo patológico no paciente. A absorção
pode ocorrer por meio de vários mecanismos que exploram ou rompem estas barreiras
fisiológicas, que geralmente são as membranas celulares. Já distribuição ocorre por vasos
sanguíneos ou linfáticos, alcançando então os órgãos-alvos, mas para que isso ocorra é
necessário o fármaco apresentar uma concentração apropriada e essa posteriormente

101
UNIDADE V │ FARMACOLOGIA BÁSICA

precisa ser metabolizada, inativando o fármaco por degradação enzimática e pela


excreção, considerada a parte final da eliminação do fármaco no corpo (LA MATTINA;
GOLAN, 2009).

Absorção

As membranas celulares são compostas por proteínas (45%), fosfolípides (27%),


colesterol (25%) e uma pequena porção de carboidratos em alguns tipos de membranas,
associados à superfície externa (GODIN,1995).

O fármaco pode atravessar as membranas celulares por meio de difusão simples que
não envolve energia nem proteínas carreadoras, difusão facilitada, ou seja, quando
não há necessidade de energia, mas neste caso há presença de proteínas carreadoras,
transporte ativo, neste caso, há necessidade de geração de ATP e proteínas carreadoras,
produzindo gradiente de iônico. Com isso, o fármaco, internaliza no interior celular
sendo então liberada da proteína da membrana. Além desses tipos demonstrados
acima de absorção, o fármaco pode ligar-se a receptores específicos, e então ocorre a
chamada, endocitose, a qual a membrana celular forma uma vesícula internalizando
fármaco para a célula (LA MATTINA; GOLAN, 2009).

Ao contrário da maioria das regiões anatômicas, o sistema nervoso central (SNC), está
protegido pela barreira hematoencefálica que impede a difusão passiva de substâncias
estranhas, dessa forma, só fármacos pequenos e hidrofóbicos ou então os fármacos que
conseguem utilizar as proteínas de transportes existentes na barreira hematoencefálica
são os que conseguem penetrar nas estruturas centrais (LA MATTINA; GOLAN, 2009).

Distribuição dos fármacos

A distribuição ocorre pelo sistema circulatório, enquanto que o sistema linfático


também contribui de forma moderada. Uma vez no plasma o fármaco é capaz de
alcançar qualquer órgão-alvo, além disso, o seu efeito no tecido correlaciona-se com
sua concentração plasmática, na maioria das vezes (CRAIG; ROBERT; FUCHES,
2004; ELOIR; COLAB, 2004; GODIN, 1995; PRATT; TAYLOR, 1990; LA MATTINA;
GOLAN, 2009).

Os órgãos e os tecidos variam na capacidade de captar diferentes fármacos, bem como


na proporção do fluxo sanguíneo, por exemplo, os órgãos que mais recebem aporte de
fluxo são rins, fígado e o cérebro, desse modo, afetam enormemente a concentração do
fármaco no plasma (ELOIR; COLAB, 2004; GODIN,1995; PRATT; TAYLOR, 1990; LA
MATTINA ; GOLAN, 2009).

102
FARMACOLOGIA BÁSICA │ UNIDADE V

O volume de distribuição de um fármaco representa o volume de líquido necessário


para conter a quantidade total do fármaco absorvido no corpo, em uma concentração
uniforme equivalente à do plasma no estado de equilíbrio dinâmico (LA MATTINA;
GOLAN, 2009).

A fase de distribuição resulta em acentuada diminuição da concentração plasmática


do fármaco pouco depois de sua administração por injeção intravenosa direta.
Mesmo quando o fármaco já está equilibrado entre seus reservatórios teciduais, a sua
concentração plasmática continua declinando, devido à eliminação do fármaco do
corpo. A velocidade de declínio da concentração plasmática de um fármaco durante
a fase de eliminação é mais lenta que aquela durante a fase de distribuição, visto que,
durante a fase de eliminação, o “reservatório” de fármaco nos tecidos pode difundir-se
novamente para o sangue, a fim de substituir o fármaco que foi eliminado (LA MATTINA;
GOLAN, 2009).

O tecido muscular e o tecido adiposo frequentemente exibem maior capacidade de


captar o fármaco do que o compartimento altamente vascularizado. Como o tecido
adiposo frequentemente é aquele que apresenta maior capacidade de captar um fármaco
e um fluxo sanguíneo mais lento, esse compartimento também pode captar uma maior
quantidade de fármaco do que os outros compartimentos, porém em uma taxa mais
lenta (GRAHAME, ARONSON, 2004; LA MATTINA ; GOLAN, 2009).

Os fármacos tendem a sair dos compartimentos altamente vascularizados, seguido do


tecido muscular e por fim, o tecido adiposo. Os fármacos são captados em maior ou
menos grau por esses tecidos. Por exemplo, em pacientes obesos, os fármacos serão mais
captados pelo tecido adiposo, enquanto que em pacientes atletas serão mais captados
pela massa magra (músculo) (PRATT ; TAYLOR, 1990; LA MATTINA ; GOLAN, 2009).

Metabolismo dos fármacos

A maior parte do metabolismo dos fármacos ocorre no fígado. Os fármacos altamente


lipofílicos penetram facilmente nas células, principalmente nos hepatócitos. Com isso,
a metabolização nesse órgão ocorre em sua grande maioria nos fármacos hidrofóbicos.
Entretanto, além da metabolização este órgão também é capaz de produzir enzimas que
modificam quimicamente os fármacos, inativando-os, e assim facilita sua eliminação,
isso se chama biotransformação (PRATT; TAYLOR,1990; GODIN,1995). As reações de
biotransformação podem ser:

Reações de oxidação/redução: O fígado possui enzimas que podem oxidar ou reduzir


um fármaco. A via mais comum é o sistema do citocromo P450 microssomal que
medeia reações oxidativas. Muitos fármacos são administrados na forma inativa, ou
103
UNIDADE V │ FARMACOLOGIA BÁSICA

seja, pró-fármaco e em contato com reações de oxidação/redução no fígado alteram


metabolicamente para a forma ativa (fármaco), obtendo assim várias vantagens ao
fármaco (DALE et al, 2007; GRAHAME, ARONSON ,2004; FUCHES,2000; 1995;
PRATT; TAYLOR, 1990; LA MATTINA; GOLAN, 2009).

Reações de conjugação/hidrólise: hidrolisam um fármaco ou então o conjugam a


uma molécula grande e polar para assim inativa-lo, o que aumenta a sua solubilidade
e excreção na urina ou na bile (DALE et al., 2007; GRAHAME, ARONSON,2004;
FUCHES,2000; 1995; PRATT ;TAYLOR, 1990; LA MATTINA ; GOLAN, 2009).

Excreção dos fármacos

Os fármacos e seus metabólitos são excretados do corpo por meio do rim e da


bile. A eliminação desses fármacos ocorre em sua grande maioria pelos rins e uma
pequena porcentagem pela bile. Muitos fármacos de administração oral sofrem
absorção incompleta pelo trato gastrointestinal superior, obtendo excreção fecal.
Em quantidades mínimas, os fármacos podem ser excretados por vias dérmicas e
respiratórias (GODIN,1995; PRATT ;TAYLOR, 1990; LA MATTINA ; GOLAN, 2009).

A depuração de um fármaco é o parâmetro farmacocinético que limita o tempo de ação


do fármaco em seus alvos moleculares, celulares e orgânicos. A depuração pode ser
definida como a taxa de eliminação de um fármaco do corpo em relação à concentração
plasmática do fármaco. Como também, a depuração é a taxa à qual o plasma teria que
ser depurado do fármaco para justificar a cinética da mudança observada na quantidade
total do fármaco no corpo, partindo do princípio de que todo o fármaco no corpo está
presente na mesma concentração que a do plasma (CRAIG; ROBERT; STITZEL, 2005;
DALE et al, 2007; GRAHAME, ARONSON,2004; FUCHES,2000; ALMEIDA,2005).

Meia-vida dos fármacos

A meia-vida de eliminação é o tempo durante o qual a concentração do fármaco no


plasma diminui para a metade do seu valor original. A meia-vida de um fármaco permite
calcular a frequência de doses necessárias para manter a concentração plasmática do
fármaco dentro de uma faixa terapêutica (CRAIG, ROBERT, STITZEL ,2005; DALE et
al, 2007; GRAHAME, ARONSON, 2004; FUCHES,2000; ALMEIDA,2005; FUCHES,
2004; ELOIR, COLAB, 2004; GODIN,1995; PRATT ;TAYLOR, 1990; LA MATTINA ;
GOLAN, 2009).

104
CAPÍTULO 3
Farmacocinética – parte II

Vias de administração
É o caminho pelo qual uma droga é colocada em contato com as barreiras do nosso
organismo. A biodisponibilidade interfere nas propriedades farmacocinéticas de uma
droga, isso vai depender das circunstâncias, condições do paciente, aceitabilidade,
necessidade, doença, entre outras condições. Além disso, a mesma droga, dependendo
da via de administração pode produzir diferentes resultados no organismo
(GODIN, 1995).

A biodisponibilidade pode ser definida como quantidade de fármaco que alcança a


circulação sistêmica pela quantidade de fármaco administrado. Isso porque a maioria
dos fármacos alcança seus locais de ação, no entanto, a administração intravenosa é
injetada diretamente na circulação sistêmica, para esses fármacos a biodisponibilidade
é igual a 1.0, enquanto que, por exemplo, na absorção gastrointestinal incompleta a
biodisponibilidade é menor que 1.0 (ELOIR, COLAB, 2004; GODIN,1995 ;PRATT ;
TAYLOR, 1990; LA MATTINA; GOLAN, 2009). As vias de administração podem ser:
Tópica, enteral e parenteral:

Administração tópica

A administração tópica possui efeito local e sua aplicação é realizada diretamente onde
se deseja sua ação. Abaixo estão listados os tipos de aplicações tópicas.

Epidérmica: aplicação sobre a pele (DALE et al, 2007).

Gotas otológicas: antibióticos e corticoides para otite externa são os principais


exemplos deste tipo de aplicação tópica (DALE et al, 2007).

Administração transdérmica: é utilizada para promover a absorção lentamente


de modo contínuo por um período prolongado. Não existe risco associação à infecção
(DALE et al, 2007; GRAHAME; ARONSON, 2004).

Colírios: este tipo de aplicação tópica atua sobre a conjuntiva (DALE et al., 2007);

Intranasal: para esta via de administração tópica o spray é a forma mais utilizada
para descongestionantes nasais (DALE et al, 2007);

105
UNIDADE V │ FARMACOLOGIA BÁSICA

Administração na membrana: esta via de administração provoca rápida absorção,


pois as mucosas por serem muito vasculares, alcançando rapidamente o órgão-alvo.
Apresentam baixa incidência de infecção.

Administração enteral

São as vias oral, sublingual e retal. Apresentam efeito sistêmico, não local, via trato digestivo.

Administração enteral pela boca (oral e sublingual)

Neste tipo de administração oral, as drogas podem ser tomadas pelo paciente no
formato de cápsulas, comprimidos, pós ou em gotas. Esses fármacos estão sujeitos ao
metabolismo de primeira passagem no fígado. Nesse processo, as enzimas hepáticas
podem inativar uma fração do fármaco. Desse modo, fármacos orais, devem apresentar
concentrações suficientes para conseguirem chegar até o órgão-alvo e desempenharem
o respectivo papel (ALMEIDA, 2005; FUCHES, 2004; ELOIR, COLAB, 2004;
GODIN,1995). Essa via não é indicada para aqueles pacientes que apresentem náuseas,
vômitos ou dificuldade em engolir.

Na administração sublingual, ocorre rápida absorção, os níveis séricos são mais altos, não
chega a ocorrer efeito de primeira passagem como na administração oral. Passa para a
circulação sistêmica direto, não cai no estômago, ou seja, não tem contato com alimentos
nem com o suco gástrico, entretanto não são todos os medicamentos que podem ser
administrados dessa maneira (CRAIG; ROBERT; STITZEL, 2005; DALE et al, 2007;
GRAHAME, ARONSON, 2004; FUCHES,2000; ALMEIDA,2005; FUCHES,2004).

Administração enteral pelo reto (supositório)

Este tipo de administração é muito útil. Pois, não há microvilosidades no reto como
no intestino, possuindo desse modo, poucas regiões de absorção, fazendo com que a
absorção do fármaco seja mais lenta. Diminuindo o efeito de primeira passagem no
fígado por exemplo.

Esta via de administração é útil quando o paciente encontra-se inconsciente, vomitando


ou com infecção intestinal inflamatória. Além disso, essa via evita o efeito de primeira
passagem pelo fígado (CRAIG; ROBERT; STITZEL, 2005).

Administração parenteral

A administração parenteral de fármacos consiste na introdução direta de fármacos por


meio das barreiras de defesa do corpo na circulação sistêmica ou em algum outro espaço

106
FARMACOLOGIA BÁSICA │ UNIDADE V

tecidual. Ela pode ser realização através de aplicação Intravenosa, intramuscular,


intradérmica, subcutânea, intracardíaca, intraperitoneal e intra-arterial. Além disso, a
velocidade de início de ação do fármaco, dependendo da taxa do fluxo sanguíneo para
o tecido. Por exemplo, na administração subcutânea, onde há comprometimento de
vascularização, resulta em uma velocidade de início de ação mais lenta do fármaco,
quando comparada à via de administração intramuscular, já que músculos são
regiões bem vascularizadas. Os fármacos que são apenas solúveis em soluções à base
de óleo são frequentemente administrados por via intramuscular (ALMEIDA, 2005;
FUCHES,2004; PRATT; TAYLOR, 1990; LA MATTINA; GOLAN, 2009).

Já a circulação venosa, arterial ou no líquido cefalorraquidiano, a introdução do fármaco


nestas vias, faz com que este alcance mais rápido os órgãos-alvos (LA MATTINA;
GOLAN, 2009).

Tipicamente, a injeção intravenosa não é limitada na quantidade de


fármaco que pode ser liberada, como podem sê-lo as injeções subcutâneas
e intramusculares. As infusões intravenosas contínuas também têm a
vantagem de uma liberação controlada do fármaco, de modo que a dose
do fármaco administrado pode ser ajustada a qualquer momento (LA
MATTINA; GOLAN, 2009).

No entanto, a administração parenteral apresenta algumas desvantagens, tais como:


chances de maior contaminação e infecção; necessidade de um profissional na área
da saúde para a aplicação, a chance de erros com doses incorretas e toxicidade são
elevadas comparadas com as demais vias.

Ao mesmo tempo, essa via também apresenta vantagem, como a velocidade de início
de ação ( ELOIR, COLAB, 2004; GODIN,1995; PRATT ;TAYLOR, 1990; LA MATTINA;
GOLAN, 2009).

Fatores que afetam a absorção


dos medicamentos
Pacientes com maior massa corporal, que apresentam um aumento da área de superfície
por meio da qual pode ocorrer difusão, bem como um maior volume tecidual no qual
o fármaco pode distribuir-se. Ambos os fatores aumentam a tendência de um fármaco
a ser absorvido. A absorção de alguns fármacos de administração oral é afetada pela
presença ou ausência de alimento na luz do trato gastrintestinal por ocasião de sua
administração (FUCHES, 2000; ALMEIDA, 2005; FUCHES,2004; ELOIR, COLAB,
2004; GODIN,1995; LA MATTINA; GOLAN, 2009).

107
UNIDADE V │ FARMACOLOGIA BÁSICA

Farmacodinâmica

A farmacodinâmica pode ser resumida na ligação entre o ligante (fármaco) com seu
receptor no respectivo tecido para gerar a resposta, sendo ambos de concentrações
proporcionais (HARRIS; GOLAN,2009).

Agonistas

É uma molécula que é liga a um receptor e o estabiliza numa determinada conformação,


geralmente na conformação ativa (HARRIS; GOLAN, 2009).

Antagonistas

É uma molécula que inibe a ação de um agonista, mas que não exerce nenhum efeito na
ausência do agonista (HARRIS; GOLAN, 2009).

Classificação dos antagonistas

Os antagonistas podem ser divididos com base na sua ligação a um sítio do receptor
para o agonista (antagonistasdos receptores) ou interrupção da sinalização do complexo
agonista ─ receptor por outros meios (antagonistas sem receptores). Os antagonistas
dos receptores podem ligar-se ao sítio do agonista (ativo) ou a um sítio alostérico no
receptor; em ambos os casos, eles não afetam a atividade basal do receptor (isto é, a
atividade do receptor na ausência do agonista). Os antagonistas dos receptores no sítio
do agonista (ativo) impedem a ligação do agonista ao receptor.

Quando o agonista compete com o ligante pela sua ligação ao sítio agonista, é denominado
antagonista competitivo; a presença de altas concentrações do agonista pode superar o
antagonismo competitivo.

Os antagonistas não competitivos no sítio do agonista liga-se de modo covalente ou


com afinidade muito alta ao sítio agonista, de modo que até mesmo concentrações
elevadas do agonista são incapazes de ativar o receptor. Os antagonistas dos receptores
em sítio alostérico ligam-se ao receptor em um local distinto do sítio agonista. Não
competem diretamente com o agonista pela ligação ao receptor, porém alteram a Kd
(Klivre/Kligado, é uma propriedade intrínseca de qualquer par fármaco-receptor) para a
ligação do agonista ou inibem a resposta do receptor à ligação do agonista. Em geral, a
presença de concentrações elevadas do agonista não é capaz de reverter o efeito de um
antagonista alostérico.

108
FARMACOLOGIA BÁSICA │ UNIDADE V

Os antagonistas sem receptores são divididos em duas categorias. Os antagonistas


químicos sequestram o agonista e, por conseguinte, impedem a interação do agonista
com o receptor. Os antagonistas fisiológicos induzem uma resposta fisiológica oposta
àquela do agonista, porém por meio de um mecanismo molecular que não envolve
o receptor do agonista (HARRIS ; GOLAN,2009; PRATT ;TAYLOR,1990; BERG et
al,1995). Abaixo, esquematização do que acabou de ser explicado:

Figura 31. Antagonista.

109
Para (não) finalizar

A área da estética é uma área que sempre se renova e se atualiza desse modo, nós
profissionais da área da saúde que atuamos com o paciente precisamos sempre estar
à frente dos mesmos. A renovação faz parte do aprendizado e conhecimento trazendo
segurança não só para nós, mas também conforto para nosso cliente.

A cada ano que passa novos princípios ativos surgem no mercado com um propósito
novo para atuação, seja como injetável, cosmético, oral, tópico, e nós biomédicos como
profissionais habilitados na prescrição temos o dever de indicarmos sempre o padrão
ouro aos nossos pacientes/clientes. Contudo, o aprimoramento de novas técnicas,
atualizações em palestras, livros, especializações e afins é de extrema importância ao
profissional que almeja sucesso e crescimento em sua carreira.

110
Referência

ADELSON H. Francês Mesoterapia para o tratamento da dor. Disponível em:


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