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FACULDADE MICHELANGELO/JKDE TAGUATINGA

CURSO DE LETRAS

BRUNO GOMES DOS SANTOS


CARLA REJANE OLIVEIRA

LETRAMENTO DIGITAL NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS – EJA

TAGUATINGA – DF
JULHO / 2015
GRUPO JK
FACULDADE MICHELANGELO DE TAGUATINGA
CURSO LETRAS

BRUNO GOMES DOS SANTOS


CARLA REJANE OLIVEIRA

LETRAMENTO DIGITAL NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS – EJA

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado


à banca examinadora da Faculdade
Michelangelo de Taguatinga do Grupo JK
Educacional, como requisito parcial à
obtenção do grau de Licenciado em Letras
sob a orientação da profª. Dra. Claudia
Heloisa Schmeiske.

TAGUATINGA – DF
JULHO / 2015
BRUNO GOMES DOS SANTOS
CARLA REJANE OLIVEIRA

LETRAMENTO DIGITAL NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS – EJA

Trabalho de conclusão de curso apresentado


à banca examinadora da Faculdade
Michelangelo de Taguatinga do Grupo JK
Educacional, como requisito parcial à
obtenção do grau de Licenciatura em Letras
sob a orientação da profª. Dra. Claudia
Heloisa Schmeiske.

Aprovada em de julho de 2015.

BANCA EXAMINADORA

Prof.
Faculdade de Taguatinga

Prof.
Faculdade de Taguatinga

Prof.
Faculdade de Taguatinga
Dedico a minha mãe,
aos meus irmãos e a minha avó.
Dedico ao meu filho Vinícius.
Dedico aos meus filhos: John Victor e
Leonardo.
Dedico á minha irmã Cristiane e ao Amor.
AGRADECIMENTOS

Primeiramente agradeço a Deus por cada dia de minha vida e pela a


oportunidade de estar terminando um curso de graduação
A orientadora Prof. Dra. Claudia Heloisa Schmeiske pela dedicação,
compreensão e atenção nas orientações deste trabalho.
Aos meus pais, por seu amor e carinho.
Aos meus irmãos pelo incentivo.
A minha avó pelo seu amor e dedicação.
Aos amigos, em especial minha amiga e mãe postiça, Carla Rejane Oliveira
pelo apoio, compreensão e pelas broncas durante a graduação.
Aos professores, pelo conhecimento e dedicação.
Enfim todos que, direta ou indiretamente contribuíram para a realização
deste trabalho.
AGRADECIMENTOS

Agradeço a Deus, por ter me guiado na minha jornada acadêmica, me dando


saúde, disposição e força e me abençoando para que eu concluísse minha tão
sonhada graduação.
Agradeço aos meus pais: Zenaide e José de Assis, em memória, por terem
sempre acreditado na minha capacidade e por tudo o que me ensinaram.
Agradeço aos meus filhos John Victor e Leonardo pela força e pela paciência
de me ausentar em algumas horas que precisavam de mim.
Agradeço a minha irmã Cristiane, por me ajudar nas horas em que mais
precisei, pelo incentivo e pela disposição e carinho.
Agradeço ao Jailton Amor por ter sido um anjo, desde que o conheci, me
incentivando e dando força nas horas que mais precisei.
Agradeço aos meus amigos, principalmente o Bruno, a Rayanne, a Sarita.
Edna, Noelia e todos os outros, que se fizeram presentes na minha caminhada,
sempre me apoiando, mesmo diante dos entraves do cotidiano.
Agradeço, aos professores, em especial, minha orientadora, Profa. Dra.
Claudia por seus conhecimentos e por sempre estar disposta a ensinar.
Não posso deixar de agradecer a Marli, o Júnior, George, Hellen, Mônica
Chaves, o Jairo e o Jackson, por sempre me incentivar e por toda ajuda e
conhecimento dado.
Agradeço a toda equipe da Faculdade Jk pela presteza e atenção dados a
minha pessoa.
E todos aqueles que direta e indiretamente me apoiaram nessa caminhada.
“O educador que exerce o papel de
professor-letrador, deve ver o ato de
educar como uma contribuição no
processo de humanização. Pois, esse
processo tem um papel fundamental no
exercício do educador que acredita na
construção de saberes e de
conhecimentos para o desenvolvimento
humano, e que para isso se torna um
instrumento de cooperação para o
crescimento dos seus alunos, levando-os
a criar seus próprios conceitos e
conhecimento”.

Paulo Freire
LETRAMENTO DIGITAL NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS – EJA

Bruno Gomes dos Santos1


Carla Rejane Oliveira2
Claúdia Heloisa Schmeiske Silva3

RESUMO

O letramento digital atualmente vem sendo muito discutido, porque a educação tem
uma ferramenta inovadora para transmitir o conhecimento e que pode motivar o
discente na busca de informações em museus, dicionários, livros e tudo o que a
internet pode proporcionar para torna-lo um cidadão crítico. O objetivo geral dessa
pesquisa é discutir a importância do letramento digital na Educação de Jovens e
Adultos, já que muitos alunos deste seguimento pararam de estudar há muito tempo
e possuem dificuldades no processo de ensino-aprendizagem. A pesquisa realizada
foi quantitativa, pois traduz e expressa os fenômenos do mundo social. Por meio da
pesquisa foi feita uma pesquisa de campo utilizando a entrevista semiestruturada
realizadas para obter os dados necessários para se analisar o tema. Constatou-se
por meio dos questionários aplicados, que os alunos da Educação de Jovens e
Adultos possuem dificuldades para acessar o computador, tablet e celulares com
sistema Android e Windows, principalmente, os mais velhos. Sugeriu-se que as
escolas criem laboratórios de informática e professores especializados para
ensinarem os discentes a utilizarem as novas tecnologias, pois assim, poderão
contribuir com a aquisição de conhecimentos e melhor qualificação profissional
destes.

Palavras-chave: Educação de Jovens e Adultos. Ensino-aprendizagem. Internet.


Letramento digital.

1
Graduando do Curso de Licenciatura de Letras da Faculdade JK Michelângelo. Email: brunokys@yahoo.com.br
2
Graduanda do Curso de Licenciatura de Letras da Faculdade JK Michelângelo. Email:
rejanebijux@hotmail.com
3
Profª. Orientadora Dra. Claúdia Heloisa Schmeiske Silva. -
9

1 INTRODUÇÃO

A modalidade de ensino que acolhem jovens e adultos que não tiveram a


devida escolarização necessária durante a idade apropriada é chamada de
Educação de Jovens e Adultos (EJA). Na verdade, é uma forma das pessoas que
não puderam estudar retornar aos estudos ou até aquelas que não foram
alfabetizadas se tornarem letradas.
A tecnologia e a economia avançaram e com isso, o mercado passou a exigir
mão de obra qualificada e assim, as pessoas começaram a se preocupar com a
educação e resolveram procurar a Educação de Jovens e Adultos (EJA), esse fato
contribuiu para combater o analfabetismo dos brasileiros. Por essa razão, é
essencial estudar a Alfabetização e o Letramento na EJA, pois essa modalidade de
ensino é uma política pública educacional, que acolhem jovens e adultos a obterem
escolarização, assim como a própria Lei de Diretrizes e Bases assegura.
Por isso, em face das considerações acima, surge a seguinte questão
norteadora: Como o letramento digital tem sido utilizado na EJA em escolas
particulares do DF?
Nesse contexto, o objetivo geral dessa pesquisa é discutir a importância do
letramento digital na Educação de Jovens e Adultos. Para tanto, traçou-se os
seguintes objetivos específicos: conceituar letramento digital; destacar a
necessidade de incluir os alunos da EJA no letramento digital e elaborar estratégias
de ensino-aprendizagem para que os alunos aprendam a utilizar o computador.
A importância de desenvolver esse tema é devido ao fato de observar que
uma parte da população possui dificuldades de interação com o computador, isto é,
sabem ler e escrever, mas não conseguem ligar ou digitar no computador, nem
preencher um formulário na internet.
Esse assunto é relevante, porque o próprio professor necessita ser letrado
digitalmente para que essa formação seja reflexiva e crítica, sem contar, que alunos
da Educação de Jovens e Adultos, geralmente, pararam de estudar há muito tempo
e não estão familiarizados com as novas tecnologias, principalmente, o computador.
Essa pesquisa pretende contribuir com os acadêmicos da área escolar e com
a sociedade em geral, porque existem alunos cursando o Ensino Superior que não
conseguem utilizar o computador e a internet. Portanto, acredita-se que esse artigo
irá contribuir para que sejam elaboradas novas maneiras de produzir discursos,
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como também novas formas de aprender e ensinar para transmitir o conhecimento.


Por isso, é fundamental elaborar estratégias de ensino para os alunos com
dificuldades em utilizar o computador.
Diante do exposto, a pesquisa será quantitativa, pois traduz e expressa os
fenômenos do mundo social. Por meio da pesquisa será feita uma pesquisa de
campo utilizando a entrevista semiestruturada realizadas para obter os dados
necessários para se analisar o tema.
De acordo com Trivinos (2009) a entrevista semiestruturada tem como
característica questionamentos básicos que se apoiam em teorias e hipóteses que
se relacionam ao tema da pesquisa.
O presente artigo aborda o letramento, o letramento digital e suas
características e sobre a Educação de Jovens e Adultos. Assim como uma pesquisa
de campo que analisa se os alunos estão sabendo utilizar as novas tecnologias.

2 MATERIAS E MÉTODOS

A presente pesquisa teve como foco discutir a importância do letramento


digital na Educação de Jovens e Adultos. Para alcançar os objetivos propostos, foi
utilizada uma revisão bibliográfica a respeito do tema e uma pesquisa de campo.
A pesquisa de campo consiste na observação de fatos e fenômenos tal
como ocorrem espontaneamente, na coleta de dados a eles referentes e no registro
de variáveis que se presumem relevantes, para analisá-los (MARCONI & LAKATOS,
2003, p. 83).
Quanto à abordagem do problema, a pesquisa será quantitativa, que trata
mais objetivamente as informações. De acordo com Almeida (2011, p. 32): “a
abordagem quantitativa é caracterizada pelo uso de métodos estatísticos para
compilação dos dados visando correlacionar as diferentes variáveis previamente
estabelecidas”. A abordagem quantitativa é aplicada a presente pesquisa, pois
pretende tratar os dados obtidos por meio do questionário interpretando-os
numericamente para conseguir compará-los objetivamente.
O universo da pesquisa foi de sessenta alunos da Educação de Jovens e
Adultos, do Colégio Brasil Central. A amostra foi, respectivamente, de quarenta
alunos.
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O objetivo desta pesquisa adotou como recurso para a coleta de dados


questionários com perguntas fechadas para melhor compreender o letramento digital
na EJA. Segundo Gil (2006), o questionário é uma técnica de investigação composta
por um número de questões apresentadas por escrito às pessoas, com o objetivo de
conhecer as suas opiniões.
A partir dos dados obtidos por meio das respostas dos entrevistados foram
elaborados gráficos no programa Excel 2010 para melhor visualização dos
resultados da análise.
O questionário foi aplicado no período 08 a 12 de junho de 2015 para
sessenta alunos da Educação de Jovens e Adultos, nos quais foram preenchidos
totalmente quarenta. O questionário possui quinze perguntas fechadas.
Diante dos questionários respondidos foi elaborada a discussão. Os dados
serão tratados e analisados confrontando as respostas dos entrevistados com a
literatura pesquisada sobre o tema.

3 REFERENCIAL TEÓRICO

3.1 Letramento

3.1.1 Conceito e História do Letramento

O objetivo desse capítulo é abordar o letramento, a partir de sua trajetória


histórica, bem como seus conceitos. O processo de ensino aprendizagem de jovens
e adultos atende ao princípio da adequação de metodologia e recursos didáticos à
realidade cultural deste grupo.
Vygotsky (2008) comenta que a aprendizagem resulta da interação entre as
estruturas do pensamento e o contexto social, num processo de construção pela
ação do sujeito sobre o objeto a ser conhecido. Ela é necessária para enfrentar as
situações desafiadoras que propiciam aos alunos o conhecimento, necessitando da
intervenção de outros sujeitos.
Adquire-se o conhecimento por meio da interação social, pois o individuo se
relacionando na sociedade, considera a experiência de vida, os valores, as crenças,
ou seja, a cultura do alfabetizando. Freire (2007) entende que uma aprendizagem
significativa se dá por um processo de análise da prática social e também
contribui para repensar a forma de atuação no mundo. Para ele, a sociedade é
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permeada por práticas de leitura e escrita, o papel do professor transcende a sala de


aula e suas práticas pedagógicas podem interferir no desenvolvimento do aluno na
construção de uma sociedade mais justa. O diálogo fundamenta a construção do
sujeito, como mecanismo de compreensão da estrutura social, de conscientização e
de transformação.
Kleiman (2005, p. 15) define o letramento como:

Um conjunto de práticas sociais que usam a escrita, enquanto istema


simbólico e enquanto tecnologia, em contextos específicos. As práticas
específicas da escola, que forneciam o parâmetro de prática social segundo
a qual o letramento era definido, e segundo a qual os sujeitos eram
classificados ao longo da dicotomia alfabetizada ou não alfabetizada,
passam a ser, em função dessa definição, a pena um tipo de prática – de
fato, dominante – que desenvolve alguns tipos de habilidades, mas não
outros, e que determina um a forma de utilizar o conhecimento sobre a
escrita.

De acordo com Soares (2006), essas práticas sociais tem fundamental


importância para a vida das pessoas, porque valoriza o impacto qualitativo. Quando
as pessoas entendem o que escrevem, elas passam a entender a importância da
leitura e da escrita para a sua comunicação com outros indivíduos da sociedade.
A autora Magda Soares (2006) ainda comenta que o letramento é uma
palavra recém-chegada ao vocabulário da Educação e das Ciências Linguísticas na
segunda metade dos anos 80. Dessa época aos dias atuais, ela apareceu em vários
livros. Ainda segundo a autora (2006, p. 18) letramento “é o resultado da ação de
ensinar e de aprender a ler e escrever: o estado ou a condição que adquire um
grupo social ou um individuo, como consequência de ter se apropriado da escrita”.
Usa-se letramento referente à alfabetização que é o “ato de alfabetizar, ou seja, o
ato de ensinar a ler e escrever”.
Para Ribeiro (2009, p. 91):
Alfabetização é o processo pelo qual se adquire o domínio de um código e
das habilidades de utilizá-lo para ler e escrever, ou seja: o domínio da
tecnologia – do conjunto de técnicas – para exercer a arte e ciência da
escrita. Ao exercício efetivo e competente da tecnologia da escrita
denomina-se Letramento que implica habilidades várias, tais como:
capacidade de ler ou escrever para atingir diferentes objetivos.

O sentido ampliado da alfabetização, o letramento, de acordo com Soares


(2006), designa práticas de leitura e escrita. A entrada do aluno no mundo da escrita
se dá pela aprendizagem de toda a complexa tecnologia envolvida no aprendizado
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do ato de ler e escrever. Além disso, o educando necessita se envolver nas


atividades de leitura e escrita e ele só aprende ao ler uma história em quadrinhos,
uma revista, um jornal entre outros. Por isso, ler e escrever também implica na forma
de usar o conhecimento em benefício de expressar sua comunicação em um
contexto cultural.
Nesse contexto Ribeiro (2009) menciona que no Brasil, desde o final do
século XIX, especialmente com a proclamação da República, a educação ganhou
destaque como uma das utopias da modernidade. Neste momento, a escola se
consolidou como um lugar institucionalizado onde se preparavam as novas gerações
aprendiam a ler e a escrever. Saber ler e escrever era um instrumento privilegiado
para adquirir o saber, pois nem todo mundo podia estudar, pois a aprendizagem
ainda era restrita a poucos e ocorria no âmbito privado do lar, ou de maneira menos
informal, mas ainda precária, nas poucas escolas do Império.
De acordo com Soares (2006, p. 20), “em 1876 surgiu em Portugal, a Cartilha
Maternal ou Arte da leitura, ela foi escrita por João de Deus, um poeta português.
Essa cartilha foi muito usada no início da década de 1880”. O método dessa cartilha
se fundamentava nos princípios da linguística moderna dessa época, iniciava-se o
ensino da leitura pela palavra.
O método analítico na primeira década republicana orientava que o ensino da
leitura era iniciado pelo todo e só depois se analisava as partes que as constituíam.
Segundo Soares (2006), a palavra alfabetização só passou a ser usada no final da
década de 1920 e se referia ao ensino inicial da leitura e da escrita. A partir da
segunda metade da década de 1920, passaram a utilizar os métodos mistos,
chamados de analítico-sintético ou vice-versa, esses métodos se estenderam até o
final da década de 1970.
Segundo Kleiman (2005), o pensamento construtivista de alfabetização foi
introduzido no Brasil, na década de 1980, por meio de pesquisas de Emília Ferreiro
e Ana Teberosky que estudaram a Psicogênese da Língua Escrita. Sendo assim,
concluíram que o construtivismo se constituía na desmetodização, que propunha
uma nova forma de ver a alfabetização, que funcionava como um mecanismo
processual e construtivo com etapas sucessivas. Essa foi à época que muitas
pessoas foram alfabetizadas. Porém, foram considerados analfabetos funcionais
(pessoas que só decodificavam o signo linguístico), essas pessoas não conseguiam
entender o que liam.
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Assim, surgiu o letramento que, segundo Soares (2006) é a capacidade de


ler, escrever e fazer uso desses conhecimentos em situações cotidianas. A autora
(2006, p. 23) ainda afirma que:

Alfabetizar letrando ou letrar alfabetizando pela integração e pela


articulação das várias facetas do processo de aprendizagem inicial da
língua escrita é sem dúvida o caminho para a superação dos problemas que
vimos enfrentando nessa etapa da escolarização, descaminhos serão
tentativas de voltar a privilegiar esta ou aquela faceta como se fez no
passado, como se faz hoje, sempre resultando no reiterado fracasso da
escola brasileira em dar às crianças acesso efetivo ao mundo da escrita.

Atualmente, o construtivismo às vezes, é mal interpretado e os métodos


tradicionais não dão conta do contexto atual. Portanto, os métodos atuais devem se
basear na fundamentação teórica e na prática. Sendo assim, é importante conhecer
o papel do educador no letramento.

3.1.2 O Papel do Educador no Letramento

Freire (1990) apud Peixoto et al (2004) comenta que o educador que exerce o
papel de professor-letrador, deve ver o ato de educar como uma contribuição no
processo de humanização. Pois, esse processo tem um papel fundamental no
exercício do educador que acredita na construção de saberes e de conhecimentos
para o desenvolvimento humano, e que para isso se torna um instrumento de
cooperação para o crescimento dos seus alunos, levando-os a criar seus próprios
conceitos e conhecimento.
Nesse caso, o professor tem que aceitar romper paradigmas e acreditar que
as transformações que ocorrem na sociedade atingem todos os setores, assim como
também a escola e os saberes do educador. Por isso, existe a necessidade de se
aprimorar e atualizar o conhecimento. Pois o mesmo nunca se completa ou se finda.
Portanto, o professor antes de querer exercer esse papel de "professor-letrador"
necessita se conscientizar e buscar ser letrado, ou seja, ele precisa dominar a
produção escrita e buscar informação. Mas, para isso é necessário, ser um bom
leitor e um bom produtor de textos, para que se torne capaz de letrar seus alunos.
Peixoto et al (2004, p. 48) afirma que:
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O papel do "professor-letrador" é analisar a prática do letramento, ele


também destacou alguns passos para o desempenho desse papel, são
eles:
 Investigar as práticas sociais que fazem parte do cotidiano do aluno,
adequando-as à sala de aula e aos conteúdos a serem trabalhados;
 Planejar suas ações visando ensinar para que serve a linguagem escrita e
como o aluno poderá utilizá-la;
 Desenvolver no aluno, através da leitura, interpretação e produção de
diferentes gêneros de textos, habilidades de leitura e escrita que funcionem
dentro da sociedade;
 Incentivar o aluno a praticar socialmente a leitura e a escrita, de forma
criativa, descobridora, crítica, autônoma e ativa, já que a linguagem é
interação e, como tal, requer a participação transformadora dos sujeitos
sociais que a utilizam;
 Recognição, por parte do professor, implicando assim o reconhecimento
daquilo que o educando já possui de conhecimento empírico, e respeitar,
acima de tudo, esse conhecimento;
 Não ser julgador, mas desenvolver uma metodologia avaliativa com certa
sensibilidade, atentando-se para a pluralidade de vozes, a variedade de
discursos e linguagens diferentes;
 Avaliar de forma individual, levando em consideração as peculiaridades de
cada indivíduo;
 Trabalhar a percepção de seu próprio valor e promover a autoestima e a
alegria de conviver e cooperar;
 Ativar mais do que o intelecto em um ambiente de aprendizagem, ser
professor aprendiz tanto quanto os seus educandos;
 Reconhecer a importância do letramento, e abandonar os métodos de
aprendizado repetitivo, baseados na descontextualização.

Todos esses passos norteiam a prática dos professores que buscam exercer
verdadeiramente o papel de "professor-letrador". Portanto, o bom professor exerce a
função de ensinar rompendo paradigmas e se atualizando de acordo com o mercado
de trabalho e com sua formação profissional.

3.2 Letramento digital

O letramento digital surgiu devido as novas tecnologias. Para Xavier (2009), o


letramento digital não é saber somente ler e escrever, mas também utilizar as novas
tecnologias, isto é, realizar práticas de leitura e escrita que são diferentes das
tradicionais, pois a internet proporciona conteúdos em seus sites com vários gêneros
de texto. O indivíduo precisa saber ler e interpretar esses textos, além de saber
utilizar o computador. Necessita saber pesquisar, selecionar, realizar um download,
ou seja, utilizar os instrumentos disponíveis para cumprir seus objetivos.
Para Mey (1998), tanto o letramento usual quanto o digital são importantes,
porque a tecnologia da informação chegou para mudar a forma de ensinar e de
buscar conhecimento, é muito mais do que saber ler e escrever e utilizar a internet, é
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necessário utilizar esses recursos para aplicá-los no cotidiano, em benefício do


próprio usuário.
De acordo com Magda Soares (2002, p. 156) afirma que “o letramento digital
é o confronto de tecnologias digitais de leitura e de escrita com tecnologias
tipográficas, salientando que cada uma tem seu espaço e um efeito na sociedade”.
Souza (2007, p. 57) define letramento digital como “o uso da tecnologia
digital, ferramentas de comunicação e/ou redes para acessar, gerenciar, integrar,
avaliar e criar informação para funcionar em uma sociedade de conhecimento”. Já
Cesarini (2004, s/p apud Souza 2007, p. 57) define como “uma série de habilidades
que requer dos indivíduos reconhecer quando a informação faz-se necessária e ter a
habilidade de localizar, avaliar e usar efetivamente a informação necessária”.
Paul Gilster (2006, p. 154) assevera que letramento digital é “a habilidade de
entender e usar informação em formatos múltiplos de uma vasta gama de fontes
quando esta é apresentada via computadores”. O autor ainda comenta que um ser
letrado é capaz de usar e entender informações vindas de vários suportes digitais,
porque tem a habilidade de usar as novas tecnologias para melhorar sua qualidade
de vida. Sabe-se que o computador, o tablet e o celular com sistema Android ou
Windows proporcionam aos indivíduos acesso a internet, a busca pelo conhecimento
devido as informações de texto, como imagens, sons, o preenchimento de um
formulário, a realização de uma pesquisa dentre outros.
Segundo Bawden (2008), o letramento digital deve ir além da capacidade de
usar as novas tecnologias, porque é uma maneira de formar o pensamento crítico.
Gilster (2006, p. 145) relata que “existem quatro competências essenciais da
literatura digital: pesquisas na internet; hipertexto; navegação e montagem;
conhecimento e avaliação de conteúdo”.
Ribeiro (2009) comenta que há pessoas que são consideradas letradas
digitalmente, mas só conseguem acessar e-mails ou conversar nas redes sociais e
que são letradas somente para o que as interessam. Mas, sabe-se que o letramento
digital é mais que isso, porque é necessário saber utilizar as novas tecnologias para
a busca de conhecimento e se tornar um cidadão crítico. Além de saber o que é
hipertexto e conhecer os gêneros textuais que existem na internet.
Hipertexto, de acordo com Marcuschi (2001, p. 91-93), é um texto não linear,
porque apresenta uma flexibilidade desenvolvida na forma de ligações permitidas ou
sugeridas entre as pessoas que constituem a rede, é volátil, pois não tem a mesma
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estabilidade dos textos de livros, é topográfico, um espaço de leitura e escritura que


não tem limites definidos, fragmentário, possui constante ligação com outros textos,
tem acessibilidade ilimitada, porque acessa todo tipo de fonte, é multisemiótico, pois
se caracteriza pela possibilidade de interconectar simultaneamente a linguagem
verbal com a não verbal (musical, cinematográfica,, gestual e visual) e interativo,
pois procede pela interconexão interativa, isto é, pela contínua relação de um leitor-
navegador com múltiplos autores chegando a simular uma interação face a face.
Portanto, o letramento digital torna-se necessário nos idas de hoje, porque o
analfabeto digital como relata Xavier (2009) é aquele que não sabe utilizar as novas
tecnologias e buscar o conhecimento. É necessário que a educação aproveite essa
inovação para formar cidadãos críticos que sabiam utilizar as novas tecnologias para
o seu engrandecimento profissional e social.

3.3 Educação de Jovens e Adultos – EJA

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB 9394/96) substituiu o nome de


Ensino Supletivo para Educação de Jovens e Adultos – EJA e segundo o Ministério
da Educação e cultura – MEC (2002, p.17) estabeleceu que:

A reafirmação do direito dos jovens e adultos a um ensino básico adequado


às suas condições, e o dever do poder público de oferecê-lo gratuitamente
na forma de cursos e exames supletivos. E a alteração da idade mínima
para a realização de exames supletivos para 15 anos no Ensino
Fundamental e 18, no Ensino Médio, além de incluir a educação de jovens e
adultos no sistema de ensino regular.

A LDB 9394/96 também dedicou dois artigos para a educação de jovens e


adultos, in verbis:
Artigo 37 – A educação de Jovens e Adultos será destinada àqueles que
não tiveram acesso ou continuidade de estudos no Ensino Fundamental e
Médio na idade própria.
Artigo 38 – Os sistemas de ensino manterão cursos e exames supletivos
que compreenderão a base nacional comum do currículo, habilitando ao
prosseguimento de estudos em caráter regular. (grifo nosso)

Portanto, a partir de 1997 a história da EJA começou a ser registrada no


intitulado “Boletim da Ação Educativa”. No ano de 2000 foi publicado um dos
documentos mais importante para a EJA, pois ele regulamentou e normatizou essa
modalidade e foi aprovado pelo Parecer 11/2000 e pela Resolução 01/2000, que sob
a responsabilidade do Conselho Nacional de Educação – CNE apresentou um novo
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paradigma para essa modalidade, a idade para o início desse curso mudou para 14
anos para o Ensino Fundamental e 17 anos para o Ensino Médio.
O Ministério da Educação e Cultura – MEC fez um anúncio em 2003, no qual
relatou que a alfabetização de jovens e adultos seria uma prioridade. Portanto,
desde então, a EJA atualmente está presente em todos os estados brasileiros e
possui um foco amplo. Ela trabalha para haver uma sociedade igualitária e uma
educação eficaz é necessária que todas as áreas da educação sejam focadas e
valorizadas, pois uma depende da outra.

3.3 O Perfil do aluno da EJA

Os alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) são as pessoas vindas de


famílias de baixa renda, que tiveram que deixar de estudar para dar preferência ao
trabalho ou porque não tinham condições de estudar na época que estudavam
tradicionalmente.
Em 2000, a Educação de Jovens e Adultos teve um documento muito
importante para a sua atuação, foi o Parecer 11/2000 e a Resolução 01/2000, que
sob a responsabilidade do Conselho Nacional de Educação (CNE) sugeriu a
extinção do supletivo e restabeleceu o limite etário para se ingressar na EJA (14
anos para o Ensino Fundamental e 17 anos para o Ensino Médio); a atribuição das
funções reparadora, equalizadora e qualificadora para a EJA e promoção dos
docentes para o público específico da EJA. A contextualização curricular e
metodológica de acordo com os princípios de equidade e diferenças sistematizados
pela EJA.
O EJA passou por algumas mudanças. Porém, o portal do MEC divulgou
neste ano de 2012, que “os sistemas de ensino têm até 2013 para desenvolver
programas que garantam a permanência na escola regular, dos jovens de 15 a 17
anos, pois, a partir de 2013 o EJA só atenderá maiores de 18 anos”.
Segundo o Portal Gazeta do Povo (2012) ao declarar seu voto favorável ao
Parecer, e destacar a qualidade dos trabalhos desenvolvidos, o presidente da CEB,
Conselheiro César Callegari, manifestou dúvidas sobre a capacidade de os sistemas
de ensino atender jovens de 15 a 17 anos e impedirem a evasão escolar. Callegari
observou que hoje em dia muitos sistemas sequer conseguem cuidar a contento dos
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alunos que não apresentam problemas de idade, e questionou a capacidade desses


sistemas, de reter o contingente de jovens que costumam evadir.
Sabe-se que é necessário manter ações governamentais para os projetos
dentro da EJA, pois os resultados serão muito melhores se houver seguimentos nos
programas já implantados, porque evita a perda de tempo e dinheiro público na
criação de novos projetos.
A maioria dos alunos da EJA retorna a escola para se sentirem incluídos na
sociedade, pois querem melhorar sua condição de vida e também almejam melhor
qualificação profissional. Além, de muitos buscarem a leitura para se tornarem mais
participativos e críticos na sociedade e até para aprender a ler para conseguir ler a
bíblia.
Os alunos da EJA possuem certas dificuldades para retornar as aulas, porque
muitas vezes são alvos de chacotas e possuem até traumas por não ter conseguido
estudar anteriormente por vários motivos, desta forma os alunos criam um bloqueio,
por isto o professor precisa estar seguro para quebrar estes bloqueios e assim,
ajudar esses alunos, motivando e incentivando.
As turmas da EJA funcionam geralmente a noite, pois é o horário disponível
para as pessoas que trabalham diariamente, tentarem concluírem seu curso. Para
isso, esses alunos precisam ter coragem, incentivo e muita força de vontade. Sabe-
se que o número de evasão na EJA é muito grande, porque os alunos se sentem
desmotivados e cansados, pois trabalham o dia inteiro, pegam ônibus lotado, entre
outros. Portanto, os professores da EJA tem que ser dinâmicos para aproximarem o
conteúdo à realidade do aluno, procurando sempre inovar e não criar barreiras para
afastar esses alunos.

3.3.1 Diretrizes Pedagógicas da Educação de Jovens e Adultos no Distrito

Federal

De acordo com o MEC (2010), em outubro de 2008, o Currículo da Educação


Básica do Distrito Federal foi publicado, contando com a participação de todas as
Diretorias Regionais de Ensino e teve como objetivo expressar a realização efetiva
da aprendizagem. Esse currículo orienta os componentes curriculares e apresenta
as trajetórias de ensino e aprendizagem que reconhecem o respeito às diferenças
sociais, culturais, raciais e étnicas entre outros. Além de estarem presente em todas
20

as modalidades e etapas de ensino, ele também está de acordo com o artigo 26 da


LDB.
O Currículo da Educação Básica – Educação de Jovens e Adultos (2008, p
21) afirma que:
(...) a intenção desse documento não é a de esgotar ou mesmo de
apresentar um conceito de currículo que limite à sala de aula. Ao contrário,
pretende-se aqui, orientar possibilidades educacionais que apliquem em
situações concretas de aprendizagem, de modo interdisciplinar,
contextualizando o articulado à vida social.

Esse currículo deseja aumentar a bagagem sociocultural dos educandos e


construir pontes de aprendizagem.
A Resolução n° 1/2009 do Conselho de Educação do Distrito Federal foi
criada em 16 de junho de 2009, a fim de estabelecer as normas para o sistema de
ensino e os meios de avaliação no Distrito Federal. A educação destinada para
jovens e adultos é citada como modalidade de ensino no artigo 27. Já o artigo 32,
dessa Resolução declara:

Parágrafo único: Os cursos de Educação de Jovens e Adultos a que se


refere o caput devem adotar currículos flexíveis e diferenciados, formas de
avaliação e de frequência adequadas á realidade dos jovens e adultos.
Garantir matrícula em qualquer época do ano, assegurando o direito de
todos à educação.

A Educação de Jovens e adultos exige a participação dos educadores no


processo de ensino-aprendizagem para que os alunos alcancem a suas metas
educativas.

4 RESULTADOS

A análise dos dados foi realizada por meio das respostas que os alunos
deram no questionário. Quanto ao gênero, 60% dos alunos da Educação de Jovens
e Adultos são do sexo masculino e 40% são do feminino. Quanto à idade, 60%
possuem 18 a 29 anos, 20% entre 30 a 39 anos e 20% estão acima de 40 anos.
Quanto á escolaridade, 30% estão na Educação de Jovens e Adultos do segundo
seguimento (6º ao 9º ano) e 70% estão cursando a EJA (Ensino Médio).

Na primeira pergunta foi questionado se os discentes sabiam ligar um


computador.
21

Gráfico 1 – Ligar um computador

32%
Sempre

A maioria das vezes

68% Raramente

Nunca

Fonte: Autores da pesquisa, 2015.

Quanto aos entrevistados saberem ligar um computador, 58% sempre sabem


e 32% nunca ligaram. Observa-se que a maioria sabe ligar um computador, porém,
ainda existem pessoas que não conseguem ligar porque acham complicado ou
porque não estão familiarizadas com o equipamento.

Gráfico 2 – Acesso á internet

23%
70% Sempre

7% A maioria das vezes

Raramente

Nunca

Fonte: Autores da pesquisa, 2015.


Dos alunos pesquisados, observa-se que 70% possuem acesso a internet,
7% a maioria das vezes acessam e 23% não possuem acesso à internet. Apesar da
globalização vir integrando todos os povos do planeta devido ao uso da internet, pois
22

é um moderno meio de comunicação disponível, ainda existem muitas pessoas que


ainda não possuem acesso a essa tecnologia.
Sendo assim, a internet se caracteriza como globalização da informação,
porque milhões de pessoas pelo mundo compram, vendem, negociam, leem
revistas, jornais, fazem pesquisas, tudo isso sem saírem de suas casas ou locais de
trabalho, ela surgiu para facilitar a vida das pessoas.

Gráfico 3 – Leitura de textos na internet

22%

Sempre

A maioria das
vezes
8% 55%
Raramente

Nunca

15%

Fonte: Autores da pesquisa, 2015.

Quanto à leitura de textos na internet, 55% dos discentes sempre leram textos
na internet, 22% nunca leram, 8% raramente e 15% a maioria das vezes. Percebe-
se que o uso da internet para algumas pessoas é complicado e algumas das
pessoas que responderam o questionário ainda abordaram que se alguém ligar o
computador ou tablet e colocar no texto conseguem ler, mas se fosse para eles
colocarem não conseguiriam.
Para Xavier (2009), as pessoas necessitam, com os avanços da
modernidade, aprender a lidar com o computador e com a internet, porque há
variados tipos de textos que possuem características próprias. Já Marcuschi (2001)
relata que todos os textos se manifestam em algum gênero textual e são reflexos do
ambiente em que são produzidos. O autor ainda aponta que no ambiente virtual há
diversos gêneros como e-mail, chats, entrevistas e blogs.
23

Gráfico 4 – Preenchimento de formulários

37%
Sempre
35%

A maioria das
vezes
Raramente

Nunca
15%
13%

Fonte: Autores da pesquisa, 2015.

Com relação ao preenchimento de formulários, 37% dos discentes relataram


que conseguem preencher, 35% afirmaram que não, porque não entendem e acham
difícil, pedindo sempre para alguém preencher, 15% raramente e 13%, a maioria das
vezes conseguem.
Observa-se a dificuldade que certos indivíduos mesmo sendo alfabetizados e
letrados possuem para compreender ou entender como se preenchem formulários
na internet. Quanto a essa dificuldade, percebe-se que nem todo letrado e
alfabetizado é letrado digitalmente, porque não se atualizou ou têm muitas
dificuldades para compreender a linguagem da internet, pois existem vários tipos de
textos e ainda há sítios que além de preencher formulários pedem que enviem
cópias de documentos e uma pessoa que não tem o conhecimento adequado não
consegue fazer.
Xavier (2009) afirma que o iletrado eletrônico é comparado ao analfabeto, por
ser incapaz de atribuir qualquer sentido a uma palavra qualquer no computador,
exatamente porque não tem domínio e possui dificuldades para compreender e
utilizar as ferramentas necessárias para buscar o conhecimento.

Gráfico 5 – Digitação de textos no word


24

37% Sempre

A maioria das
vezes
Raramente
63%

Nunca

Fonte: Autores da pesquisa, 2015.

Quanto a digitação um texto no word, observou-se que 63% dos alunos


conseguem digitar e 37% não conseguem. Como os alunos tiveram orientações para
preencher os questionários, alguns se manifestaram e relataram que digitam, mas
não sabem formatar, isto é, deixar o trabalho padrão como os professores exigem.

Gráfico 6 - Hipertexto

25%
Sempre
A maioria das vezes
Raramente
Nunca

75%

Fonte: Autores da pesquisa, 2015.

Quando perguntado se sabia o que era hipertexto, 75% dos discentes


relataram que não sabiam e 25% que sim. Para Xavier (2009, p. 171), hipertexto é
25

uma “forma híbrida, dinâmica e flexível de linguagem que dialoga com outras
interfaces semióticas, adiciona e acondiciona à sua superfície outras formas de
textualidade”. São links (nós) que promovem a ligação entre informações.
De acordo com Marcuschi (2001, p. 83), um hipertexto “consiste numa rede
de múltiplos segmentos textuais conectados, mas não necessariamente por ligações
lineares”. Ainda destaca que exige um maior grau de conhecimento prévio, pois
exige do leitor uma noção de coerência de forma mais aberta e interativa.
Mas Xavier (2009, p. 173) menciona que “o uso inadequado dos links pode
afetar a leitura por quebrar o texto que garantiria a continuidade do fluxo semântico
responsável pela coerência, tal como ocorre em uma leitura de texto convencional”.
O hipertexto é uma espécie de simulação na relação do leitor com o texto, na
produção de sentido, embora o hipertexto seja um ponto de referencia relevante
para o leitor, já que reflete um percurso a ser seguido por este.

Gráfico 7 – Possui celular com sistema Android ou Windows

25% Sempre

A maioria das
55%
vezes
Raramente
8%
Nunca

13%

Fonte: Autores da pesquisa, 2015.

Com relação à pergunta se possui celular com sistema Android ou Windows,


555 dos discentes relataram que sempre, isto é, desde que forma inventados, 135 a
maioria das vezes, 8% raramente e 25% que nunca tiveram celulares com esses
tipos de sistemas, porque não conseguem mexer direito.
26

Xavier (2009) assevera que crianças e adolescentes letrados digitalmente se


comunicam com mais intensidade, principalmente se comparados com as gerações
anteriores. Hoje em dia, as crianças já possuem acesso às novas tecnologias por
meio dos tablets e celulares, o que contribui para o conhecimento.

Gráfico 8 – Utiliza as funções do celular

33% 33% Sempre

A maiorira das
vezes
Raramente

Nunca
17% 17%

Fonte: Autores da pesquisa, 2015.


Com relação à pergunta se sabem usar as funções do celular, 33% relataram
que sabem, 17% que a maioria das vezes, 17% raramente sabem e 33% disseram
que não sabem usar. Mais uma vez, percebe-se a dificuldade de utilizar as novas
tecnologias.

Gráfico 9 – Utiliza as funções do tablet ou computador

33% Sempre
33%

A maiorira das
vezes
Raramente

Nunca
17% 17%
27

Fonte: Autores da pesquisa, 2015.

Quanto à pergunta se os alunos utilizam as funções do tablete ou


computador, 33% relataram que sabem, 17% que a maioria das vezes, 17%
raramente sabem e 33% disseram que não sabem usar.

Gráfico 10 – Possui conta nas redes sociais

33% 50% Sempre

A maioria das vezes

Raramente

10%
7% Nunca

Fonte: Autores da pesquisa, 2015.

Com relação à pergunta se possuem redes sociais, 50% relataram que


sempre, 7% que a maioria das vezes, 105 que raramente e 33% que nunca
possuíram, alguns discentes ainda relataram que possuem embora não saibam usar
porque os familiares ou amigos os ajudam a interagir com outras pessoas.
Xavier (2009) comenta que o letrado digital exige do sujeito modos
específicos de ler e escrever, pois se deve utilizar com facilidade os recursos
expressivos como imagens, desenhos, vídeos para interagir com outros sujeitos.
28

Gráfico 11 – Assiste vídeos no Facebook ou Youtube

26% Sempre
41%
A maioria das
vezes
Raramente
9%
Nunca

24%

Fonte: Autores da pesquisa, 2015.

Quando os discentes foram perguntados se assistem vídeos no Youtube ou


no Facebook, 41% dos entrevistados relataram que sempre, 24% a maioria das
vezes, 9% raramente e 20% que nunca. Alguns alunos relataram que assistem que
se alguém colocar para eles.

Gráfico 12 – Download de livros e músicas

31%
46% Sempre

A maioria das
vezes
Raramente

Nunca
9%

14%

Fonte: Autores da pesquisa, 2015.


29

Quando os discentes foram perguntados se sabem fazer downloads de livros


e músicas, 46% disseram que sempre, 14% que a maioria das vezes, 9% que
raramente e 31% que nunca.

5 DISCUSSÃO

Ao analisar os dados coletados, percebeu-se que os alunos da Educação de


Jovens e Adultos possuem dificuldade ao acessar as novas tecnologias, na maioria
das respostas, observou-se que foram os alunos mais velhos que possuem maiores
dificuldades. Este é um problema que as escolas precisam resolver, já que a
educação atualmente tem uma ferramenta pedagógica efetiva que é indispensável
para o pensamento humano.
A internet, o computador, o tablet e os celulares com sistemas avançados
proporcionam uma grande quantidade de informações no mundo virtual, é possível
entrar em sítios de museus, bibliotecas, mapas, isto é, buscar conhecimento em
tempo real, o que enriquece o conhecimento dos indivíduos, pois a tecnologia serve
para ajudar o homem a progredir e a viver melhor.
Moran (1997, p. 9) menciona que “diante de tantas informações, o educador
deve propiciar desafios aos seus alunos, para que superem a dificuldade”. Para isso,
é necessário refletir e debater sobre a informação acessada e também lançar
desafios para os alunos, assim como toda escola ter um laboratório de informática
para ensinar e motivar os alunos a se envolverem com as atividades de
aprendizagem, porque as novas tecnologias favorecem a motivação do aluno, já que
proporciona um ambiente mais atrativo e dinâmico.
O autor ainda comenta que ensinar com a internet leva a resultados
significativos quando se deseja alcançar mudanças no processo de ensino-
aprendizagem. Portanto, cabe aos professores possibilitar aos alunos um vasto
mundo de informações, construir conhecimentos e principalmente desenvolver o
senso crítico para romper o senso comum na sociedade. Sabe-se que hoje, a
internet está presente em toda a parte e até para ter uma boa qualificação
profissional, ela é necessária.
30

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante do exposto neste trabalho, observou-se que o letramento digital é uma


realidade que precisa de maior aprofundamento nas escolas e na vida das pessoas.
Também necessita de maiores pesquisas por parte das instituições e do Ministério
da Educação para que possa promover um conhecimento a altura para os alunos
das escolas públicas e particulares, pois não basta ter laboratórios de informática, é
preciso também ter professores qualificados para ensinar os discentes a
manusearem as novas tecnologias para buscarem conhecimento.
A internet é importante para a educação, porque formam cidadãos e favorece
um mundo virtual com vastas informações que auxiliam o ensino-aprendizagem, mas
os professores também necessitam estarem atualizados com as novas tecnologias
para proporcionar aos alunos mais acesso aos textos eletrônicos, vídeos entre
outros.
O letramento digital faz parte da área educacional, mas necessita de
adaptação e inovação focada na inclusão digital dos indivíduos que não possuem
acesso à internet e as novas tecnologias.
Os professores necessitam elaborar estratégias que facilitam a aprendizagem
dos discentes e que os motivem a buscar maior conhecimento e principalmente, que
aproveitem para conhecer os gêneros textuais da internet e o que são hipertextos
dentre outros.
As escolas deveriam elaborar políticas juntamente com o Ministério da
Educação para introduzir aos alunos aulas de informática no currículo escolar e
assim, propor melhores condições de ensino. As escolas necessitam ter progresso
assim como o mundo moderno.
Portanto, o professor não deve ser somente um aplicador das novas
tecnologias, mas também ensinar os alunos a refletirem sobre a forma de utilizá-las
para o seu melhor desenvolvimento e para a formação de seu caráter-reflexivo
crítico. Por isso, não basta ser somente alfabetizado e letrado, mas compreender os
tipos de letramento existentes na educação.
31

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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constitucionais de Revisão nº 1 a 6/94. – Brasília: Senado Federal, Subsecretaria de
Edições Técnicas, 2006.

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XAVIER, Antônio Carlos dos Santos. Letramento Digital e Ensino. Alfabetização e


Letramento: conceitos e relações. Belo Horizonte: Autêntica, 2009.
33

APÊNDICE – Questionário

Prezado (a) Colaborador (a),

O objetivo dessa pesquisa é discutir a importância do letramento digital na


Educação de Jovens e Adultos. Esta pesquisa faz parte de trabalho de conclusão do
curso de graduação em Letras da Faculdade JK Michelângelo, sos alunos Bruno
Gomes dos Santos e Carla Rejane Oliveira, orientada pelo Drª. Claúdia Heloisa
Schmeiske Silva. Os respondentes não serão identificados. Sua ajuda é muito
importante para a pesquisa. Muito obrigada por sua consideração e interesse!

1-Qual é a sua idade? ( ) 18 a 21anos. ( ) entre 22 a 30 anos. ( ) entre 31 a 40 anos ( ) entre 41 a


50 anos. ( ) entre 51 a 60 anos. ( ) mais de 60 anos
2-Seu sexo é: ( ) Masculino ( ) Feminino
3-Qual é o seu grau de instrução? ( ) Ensino Fundamental. ( ) Ensino Médio incompleto. ( )
Ensino Fundamental incompleto.

Sempre A maioria Raramente Nunca


das vezes
1 Você sabe ligar um computador?
2 Você consegue acessar a internet?
3 Você consegue ler textos na internet?
4 Você consegue preencher formulários
na internet?
5 Você consegue digitar textos no word?
6 Você sabe o que é hipertexto?
7 Você tem celular com sistema Android
ou Windows?
8 Você sabe utilizar as funções do
celular?
9 Consegue usar as funções do tablete
ou computador?
10 Você possui conta nas redes sociais
como Twitter, Facebook. Instagram ou
outras?
11 Consegue assistir vídeos no Facebook
ou Youtube?
12 Você consegue fazer download de
livros, músicas entre outros?