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TECNOLOGIA

NA
EDUCAÇÃO/
EAD

Org. M.Sc. Regina de Fatima Mendes Schmidlin


2014
1
EMENTA DA DISCIPLINA

DISCIPLINA: Novas Tecnologias na Educação. CARGA HORÁRIA: 45 horas/aula.

EMENTA: Estudo dos meios de comunicação para educação à distância e a implementação da


tecnologia.

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO:

1. Recursos tecnológicos nos processos de ensino e aprendizagem na educação superior.

2. Educação à distância: histórico e definições;

3. Modelos de EAD para o ensino superior;

4. O papel do professor, do aluno e dos tutores;

5. Democratização da informática;

6. Espaços diferenciados de aprendizagem;

7. Mídias na educação: impressos, rádio e audiovisuais;

8. Informática na educação: Softwares educacionais, aprendizagem e interatividade;

9. Edição de texto.

10. Apresentação multimídia.

11. Internet: revolução digital, pesquisa, comunicação e inclusão digital.

Dia da aula: 25/01 – Sábado (13h às 17h – 19h às 22h)

26/01 – Domingo (07h30 às 12h)

PROFª REGINA DE FATIMA MENDES SCHMIDLIN


e-mail: profa.reginadefatima@gmail.com
Celular: 9581-3535

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INTRODUÇÃO

A evolução da sociedade e a utilização crescente de recursos tecnológicos nos processos


educacionais têm transformado o modo de fazer e pensar a educação. Em pouco tempo passamos da
máquina de datilografar para o computador com internet e da carta para o e-mail. Mas devemos
pensar como essas transformações tecnológicas influenciaram e influenciam o processo educacional e
como esse processo influencia essas transformações.
O que muda na relação professor-aluno e nos processo educacionais de ensino-aprendizagem?
Será que aprendemos e ensinamos da mesma forma? Será que a hierarquia das relações pedagógicas
continua a mesma? Quem são os sujeitos nesse contexto tão amplo e tão diverso de recursos e
possibilidades? Quais papéis eles exercem? De acordo com Guimarães (2001, p. 23): “ Para muitos
educadores, para se fazer da escola uma instituição de todos e para todos e, ainda, que realmente
possa interessar aos estudantes, tornando o trabalho pedagógico um espaço de construção prazerosa
de conhecimentos, é necessário que as práticas educativas pautem-se pela realidade do aluno”.
Para ilustrar a nossa fala, vamos conhecer o texto abaixo, muito oportuno para o momento:

A LUTA FINAL?
Brasilio Neto
Prepare-se, professor, você esta no meio de uma batalha épica. De um lado, centenas de anos
de tradição. De outro, as novas tecnologias entrando de supetão em todas as salas de aula.
E, no meio dessa situação, esta o medo.
O medo que já paralisou muitos professores no passado. Já tivemos uma corrente contra a
caneta esferográfica. Serio. Os mestres de “priscas eras” (“priscas eras” é bom) afirmavam que, como
a caneta deslizava muito facilmente no papel, ela dificultava a alfabetização. Os alunos tinham mais e
que sofrer com as penas de latão que arranhavam as folhas e, de quando em quando, causavam aquele
arrepio na espinha (efeito parecido com o de giz novo no quadro).
Quem esta nesta mesma situação, hoje, e o computador e o ensino on-line. Com um
agravante. Ninguém apresentou a caneta esferográfica como salvadora da Educação. Já a informática
parece não conhecer meio termo. Ou e execrada, ou exaltada como solução para todos os males da
nossa área.
Advogando pelo lado dos chips, bits, mp-3 e companhia estão números cada vez mais
impressionantes. O ensino via computador e mais barato, mais eficiente e, ao contrário das
instituições normais, fica aberto 24 horas por dia, sete dias por semana. Caso a comparação for entre
computadores e livros, então, coitadas das velhas paginas de celulose. O micro programado leva a
vantagem de ser polivalente, amistoso e interativo. Ele vai do boletim a apostila sem fim, pode se
transformar em biblioteca, pesquisa, laboratório, treinamento, cultura e lazer.
E assim, como afirma Luiz Fernando Veríssimo, vamos nos tornando uma civilização que só escreve
a mão bilhetinhos Post-it e listas de supermercado. Reforçando essa mensagem vemos todos os
anúncios de escola informando, com destaque, seus laboratórios de informática.
Só que, no final das contas, uma escola informatizada não e muito diferente de uma escola
“quadro-negrada” e companhia. Ou seja, a simples presença das maquinas não muda nada. E preciso,
antes de mais nada, aprender a lidar com as maquinas. Perca o medo do computador e tire-o do altar.
O primeiro passo para ser um professor desses novos tempos e dar a educação informatizada a sua
devida importância. Nem mais, nem menos.
Disponível em:

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http://www.profissaomestre.com.br/php/verMateria.php?cod=882
A Tecnologia na Educação
Eduardo O C Chaves

Muitos autores têm chamado nossa atenção para o fato de que se um médico, um engenheiro e
um professor tivessem sido congelados cem anos atrás, no final do século dezenove, e, agora, fossem
descongelados e tivessem que voltar a exercer suas profissões, o médico e o engenheiro não teriam a
menor condição de voltar a trabalhar sem extensa readaptação, pois suas profissões foram
profundamente transformadas, nos últimos cem anos, em grande parte pelas descobertas científicas e
pelos desenvolvimentos tecnológicos.
O médico (para pegar só esse exemplo) não saberia o que fazer com tomógrafos,
equipamentos de ultrassonografia, ressonância magnética, cintilografia, não conheceria a maior parte
dos remédios hoje disponíveis, ficaria abismado, dentro dos centros cirúrgicos, com as técnicas
cirúrgicas, as operações feitas com a ajuda de microcâmeras, o uso do laser, e de tantas outras coisas.
Ele teria, na realidade, que reaprender a exercer a sua profissão.
O mesmo vale para o engenheiro e para quase todas as outras profissões que já existissem
cem anos atrás.
E o professor? Este, em contraste com o médico, provavelmente entraria sem problemas numa
sala de aula típica de nossas escolas e, ressalvada alguma desatualização nos conteúdos (que estariam
meio envelhecidos), não teria a menor dificuldade em continuar a dar aulas do mesmo jeito que o
fazia há 100 anos – porque esta é a forma que a maior parte dos professores de hoje ainda dá aulas.
Ele não precisaria, de forma alguma, reaprender a exercer a sua profissão.
Por que esta diferença? Por que este contraste? Por que, de todas as áreas de nossa sociedade,
a educação escolar é a que mais tarda em se valer das tecnologias de informação e comunicação que
hoje estão disponíveis?
Se a educação escolar deve, hoje, preparar as pessoas para viverem, como indivíduos,
cidadãos e profissionais, no século XXI, em que a presença da tecnologia na vida diária, social e
profissional certamente será maior ainda, por que não nos valemos, para educar, dos recursos
tecnológicos à nossa disposição?
Não há nada sagrado e permanente nas tecnologias que usamos para educar.
Antigamente, usava-se apenas a voz. Sócrates, talvez, seja o maior educador que se valeu
exclusivamente de sua voz para educar. Ele chegou até mesmo a criticar o uso de materiais escritos
(textos) na educação: segundo ele, textos, além de enfraquecer nossa memória, não permitem a
interação e o diálogo que, para ele, era essencial na educação.
Apesar da oposição de Sócrates, as tecnologias envolvidas na preparação de materiais escritos
entraram, e entraram para ficar, na educação. Originalmente manuscritos, os textos, a partir de
meados do século XV, começaram a ser impressos - o livro impresso sendo mais uma tecnologia que
alterou profundamente nossa forma de educar.
Hoje não saberíamos educar sem usar materiais escritos para preparar nossas aulas, sem poder
esperar que nossos alunos tenham acesso a livros texto, livros paradidáticos, enciclopédias, revistas,
jornais, e materiais impressos de toda a ordem. Levou quase 500 anos para livros e revistas serem
vendidos, por baixo preço, em bancas que encontramos a cada esquina, e para se tornarem
onipresentes na educação.
É possível que daqui a uns vinte anos, quem sabe menos, as pessoas olhem para trás e se
perguntem como é que nós educávamos, no final do século XX, sem computadores, sem redes
digitais que transmitem informações multimídia de um canto para o outro do mundo em
microssegundos, sem ferramentas de busca e pesquisa que nos permitem encontrar qualquer
informação em segundos, sem poder nos comunicar instantaneamente uns com os outros
independentemente do local em que nos encontramos.
Ou será que daqui a vinte anos ainda estaremos educando do mesmo jeito de hoje, do mesmo
jeito que o fazia, cem anos atrás, o professor congelado, usando apenas as tecnologias da voz, do
livro, do giz e do quadro negro?
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Tecnologia na Educação: Conceitos Básicos

Eduardo Chaves

1. Tecnologia na Educação e Conceitos Afins

Optei neste site por usar a expressão "Tecnologia na Educação" por ser mais abrangente, a
mais precisa e a mais correta de todas as têm sido sugeridas.
"Tecnologia na Educação" é expressão mais abrangente do que "Informática na
Educação", que tradicionalmente privilegia o uso de computadores em sala de aula, ou, mais
recentemente, o uso de computadores em rede para conectar a sala de aula com o mundo externo a
ela, através da Internet.
A expressão "Tecnologia na Educação" abrange a Informática na Educação mas não se
restringe a ela. Inclui, também, o uso da televisão, do vídeo, e do rádio (e, por que não, do
cinema) na promoção da educação.
Mas neste site a expressão "Tecnologia na Educação" é ainda mais abrangente. O termo
"tecnologia", aqui, se refere a tudo aquilo que o ser humano inventou, tanto em termos de
artefatos como de métodos e técnicas, para estender a sua capacidade física, sensorial, motora
ou mental, assim facilitando e simplificando o seu trabalho, enriquecendo suas relações
interpessoais, ou simplesmente lhe dando prazer.
Entre as tecnologias que o ser humano inventou estão algumas que afetaram profundamente
a educação: a fala baseada em conceitos (e não apenas grunhidos ou a fala meramente denotativa), a
escrita alfabética, a imprensa (primeiramente de tipo móvel), e, sem dúvida alguma, o conjunto de
tecnologias eletro-eletrônicas que a partir do século passado começaram a afetar nossa vida de
forma quase revolucionária: telégrafo, telefone, fotografia, cinema, rádio, televisão, vídeo,
computador -- hoje todas elas digitalizadas e integradas no computador.
É compreensível, diante do impacto que essas novas tecnologias têm exercido sobre nossas
vidas, que pensemos quase que exclusivamente nelas quando falamos em "tecnologia na educação".
No entanto, não podemos nos esquecer de que a educação continua a ser feita predominantemente
pela fala e pela escrita (especialmente, neste caso, pelo texto impresso), e que a fala, a escrita e o
texto impresso são, e vão sempre continuar a ser, tecnologias fundamentais para a educação
(tanto em suas modalidades presenciais como nas remotas). Este site não quer perder isto de vista.
Na realidade, um de seus objetivos principais é que os educadores percebam que já usam diversas
tecnologias no seu trabalho educacional. É apenas por terem se tornado tão familiares que essas
tecnologias passaram a ser quase transparentes, invisíveis, certamente inconspícuas.

2. Tecnologia Educacional e expressões afins

Acho a expressão "Tecnologia Educacional" profundamente inadequada (a ABT que me


desculpe). A tecnologia, em si, não é educacional -- nem anti-educacional. Ela pode ser usada na
educação, e de diversas maneiras. Mas isso não a torna educacional ou educativa. Por isso, prefiro a
expressão "Tecnologia na Educação".
Igual observação se aplica às expressões "Informática Educacional", "Informática
Educativa", "Informática Pedagógica", etc. Prefiro a expressão "Informática Aplicada à Educação",
que usei quando criei o Núcleo de Informática Aplicada à Educação (NIED) da UNICAMP em 1983.

3. Educação a Distância, Aprendizagem a Distância, Ensino a Distância, etc.

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Hoje em dia essas expressões estão sendo usadas o tempo todo e, algumas vezes, abusadas --
às vezes em suas versões em inglês: "Distance Education", "Distance Learning", etc.
Já argumentei, em vários artigos, que considero as duas primeiras expressões -- "Educação
a Distância" e "Aprendizagem a Distância" -- totalmente inadequadas. A educação e a
aprendizagem são processos que acontecem dentro da pessoa -- não há como possam ser realizados a
distância. Tanto a educação como a aprendizagem (com a qual a educação está conceitualmente
vinculada) acontecem onde quer que esteja o indivíduo que está se educando ou aprendendo -- não há
como fazer, nem sequer entender, "teleeducação" e "teleaprendizagem". (Vide adiante).
Ensinar a distância, porém, é perfeitamente possível e, hoje em dia, ocorre o tempo todo --
como, por exemplo, quando aprendemos através de um livro que foi escrito para nos ensinar alguma
coisa, ou assistimos a um filme, um programa de televisão, ou um vídeo que foram feitos para nos
ensinar alguma coisa, etc. A expressão "ensino a distância" faz perfeito sentido aqui porque quem
está ensinando -- o "ensinante" -- está "espacialmente distante" (e também distante no tempo) de
quem está aprendendo -- o "aprendente". (O termo "distância" foi originalmente cunhado para se
referir ao espaço, mas pode igualmente bem ser aproveitado para se referir ao tempo).
Tradicionalmente, fazia-se ensino a distância através de cartas (as Epístolas de São Paulo no
Novo Testamento são didáticas, e, portanto, exemplos de ensino a distância) e de livros
(especialmente depois que começaram a ser impressos) -- ou seja, com baixa tecnologia. Com as
novas tecnologias eletro-eletrônicas, especialmente em sua versão digital, unidas às tecnologias
de telecomunicação, agora também digitais, abre-se para o ensino a distância uma nova era, e o
ensino passa a poder ser feito a distância em escala antes inimaginável e pode contar ainda com
benefícios antes considerados impossíveis nessa modalidade de ensino: interatividade e até mesmo
sincronicidade. Por isso, ensino a distância certamente é (como sempre foi) uma forma de usar a
tecnologia na promoção da educação.
A educação e a aprendizagem, porém, embora aconteçam dentro do indivíduo, e, portanto,
não possam, literalmente, ser feitas a distância, podem, e devem, ser mediadas através dos contatos
do indivíduo com o mundo que o cerca, em especial, através de seu contato com outras pessoas, seja
esse contato "cara a cara" ou "remoto" ("virtual", no sentido de que não envolve a "contiguidade
espaço-temporal" das duas pessoas). Se for só isso que se quer dizer com as expressões "educação a
distância" e "aprendizagem a distância", então não há porque não utilizá-las.
[...]

Eduardo Chaves - 1/4/99

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TECNOLOGIA

Por Marília Gomes de Carvalho, Samara Feitosa e Sandro Marcos Castro de Araújo

Vive-se hoje numa sociedade polissêmica, ou seja, ela é caracterizada pela diversidade de
significados, ideias, conceitos, palavras, atitudes, objetos, dentre outras manifestações da vida
humana. Esta mesma sociedade vem sendo chamada de "tecnológica", o que significa que se está
cada vez mais rodeado de artefatos, objetos, bens e símbolos que remetem à tecnologia. Entretanto, o
que é tecnologia? O termo é polissêmico na medida em que lhe são dados vários significados,
dependendo do olhar lançado sobre este fenômeno.
No senso comum, por exemplo, a tecnologia é vista como a expressão material de um
processo que se manifesta através de instrumentos, máquinas, dentre outros, cuja suposta finalidade é
melhorar a vida humana. Esta visão vem sendo bastante difundida principalmente através dos meios
de comunicação que constantemente divulgam produtos e serviços tecnológicos que vieram para
facilitar o cotidiano das pessoas, tornando-a mais confortável, mais rápida, mais eficiente, mais ágil e
assim por diante.
Tais produtos são feitos por empresas que, por sua vez, dão à tecnologia um significado
instrumental. Isto quer dizer que a tecnologia tem o papel de possibilitar o aumento de produtividade
e competitividade, melhorando o desempenho destas, assim como de seus próprios produtos. Deste
ponto de vista, a tecnologia foi apontada por Marx (1975) como uma das forças produtivas que,
juntamente com a força de trabalho, garantem a produção de mercadorias em maior quantidade e em
menor tempo. A sua comercialização proporciona a acumulação ampliada do capital e a reprodução
do capitalismo.
Nesta perspectiva, a tecnologia é pensada de maneira a otimizar o processo produtivo de
bens dirigidos ao mercado de consumo, o qual direciona a produção. Esta visão pragmática e
utilitarista da tecnologia está também presente em outras instâncias da sociedade, tais como, órgãos
governamentais, institutos de pesquisa, ensino e financiamento para o desenvolvimento científico e
tecnológico. No Brasil, por exemplo, o Livro Verde do Ministério de Ciência e Tecnologia (2001)
aponta para o fato de que os países em desenvolvimento vêm investindo na produção de
conhecimento e inovação tecnológica pela percepção de que este é o elemento central da nova
estrutura econômica que está surgindo e que a inovação é o principal veículo da transformação de
conhecimento em valor.
Pode-se perceber ainda que órgãos de financiamento como a Fundação .......... (Finep), criam
suas linhas de crédito voltadas ao apoio de pesquisas de caráter científico e tecnológico que
viabilizem principalmente empreendimentos competitivos direcionados para a produção de bens para
o mercado. Isto tem levado a que instituições de ensino e de pesquisa passem a conceber a tecnologia
sob o prisma instrumental, tornando-a o elemento fundamental na produção de bens para o mercado.
Neste processo o conhecimento científico, é considerado crucial para o desenvolvimento tecnológico.
A tecnologia vista como a aplicação de conhecimentos científicos, é outro significado que
este termo recebe, especialmente em Vargas, 1994 que assim o define: "o estudo ou tratado das
aplicações de métodos, teorias, experiências e conclusões das ciências ao conhecimento dos materiais
e processos utilizados pela técnica" (1994, p. 213), ou ainda como "simbiose da técnica com a ciência
moderna, consistindo também num conjunto de atividades humanas, associadas a um sistema de
símbolos, instrumentos e máquinas visando a construção de obras e a fabricação de produtos ,
segundo teorias, métodos e processos da ciência moderna" ( 1994, p. 182).
Entretanto, estas concepções utilitaristas não são as únicas presentes nas discussões acerca
do universo tecnológico. Outras visões manifestam-se, sobretudo, no meio acadêmico, que na
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procura de pensar a tecnologia de forma mais ampla e profunda, apresentam conceitos diferentes dos
abordados acima. Dentre eles, destaca-se a reflexão de Ruy Gama . Para o mesmo, "a tecnologia
moderna é a ciência do trabalho produtivo" (GAMA, 1987, p. 85). Aqui merece ser ressaltado que
Gama considera que tecnologia está ligada apenas ao sistema capitalista, visto que é por meio deste
que se realiza o trabalho produtivo, ou seja, o trabalho que produz um valor de mercadoria, que é
trocado por capital.
Isto fica mais perceptível à medida que Gama esclarece o que, para ele, não é tecnologia,
isto é, a tecnologia não é um conjunto de técnicas; não é a forma como os homens constroem as
coisas, não é o conjunto de ferramentas, máquinas, aparelhos ou dispositivos, quer mecânicos quer
eletrônicos, quer manuais quer automáticos; não é o conjunto de invenções, não é ciência aplicada;
não é mercadoria e não deve ser confundida com o modo de produção capitalista (GAMA, 1986, p.
205-206-207).
Esta visão amplia os horizontes das reflexões acerca do tema. A tecnologia assim concebida,
não é mais apenas instrumental, mas passa a contemplar dimensões socioculturais envolvidas na sua
produção. Porém, tal concepção centraliza a tecnologia como um fenômeno que se manifesta na
sociedade moderna que se caracteriza pela existência do trabalho produtivo. Isto restringe a
possibilidade de pensar que a tecnologia está presente também em outros tipos de organização social
que não se moldam pela lógica capitalista. O processo de humanização por si só já traz a produção de
instrumentos que viabilizam o trabalho por meio de um conhecimento que pode ser considerado
tecnológico, pois implica na solução de desafios permanentemente enfrentados pelo grupo.
Assim, a tecnologia perpassa todas as formações sociais porque na produção das condições
materiais de vida, necessárias a qualquer sociedade, é imprescindível a criação, apropriação e
manipulação de técnicas que carregam em si elementos culturais, políticos, religiosos e econômicos,
constituintes da concretude da existência social. Deste ponto de vista, tecnologia está intrinsicamente
presente tanto numa enxada quanto num computador.
Em sua reflexão, Bastos (1998) incorpora esta concepção, envolvendo a dimensão da
educação com a tecnologia. Sua preocupação não é somente conceituar tecnologia, mas propiciar
uma interpretação de educação tecnológica que aborde questões relacionadas aos aspectos humanos,
sociais , históricos , econômicos e culturais, pois para ele, são elementos fundamentais e
esclarecedores da maneira como os homens criam tecnologia e com ela se relacionam define a
tecnologia como:
"... a capacidade de perceber , compreender , criar, adaptar, organizar e produzir insumos,
produtos e serviços. Em outros termos, a tecnologia transcende a dimensão puramente técnica, ao
desenvolvimento experimental ou à pesquisa em laboratório; ela envolve dimensões de engenharia de
produção, qualidade, gerência, marketing, assistência técnica, vendas, dentre outras, que a tornam um
vetor fundamental de expressão da cultura das sociedades (BASTOS, 1998, p. 32)."
Como já foi mencionado, uma das características marcantes da sociedade atual é a
polissemia. Portanto, não é pretensão nesta rápida discussão esgotar o tema e nem classificar as
possíveis, e por vezes contraditórias, concepções de tecnologia existentes como equivocadas, mas
apenas explicitar algumas formas sob as quais a tecnologia vem sendo interpretada.
Cabe neste momento afirmar que a possibilidade de se compreender a tecnologia em sua
relação com a dimensão sócio-cultural, na qual ela vem sendo gestada, representa, para os objetivos
do GeTec, uma abordagem adequada que permite considerá-la um elemento fundante da vida social
mas não determinante da mesma. Ela é parte da cultura e como tal deve ser compreendida.
Por sua vez, conforme já foi visto, relações de gênero também podem ser pensadas como
construções da cultura. Gênero e tecnologia, portanto, são dimensões que estão interrelacionadas na
prática social e assim podem ser estudadas.

Referências bibliográficas:

BASTOS, João Augusto de Souza L A. Educação Tecnológica: conceitos, características e


perspectivas In: REVISTA TECNOLOGIA E INTERAÇÃO . Curitiba: CEFET - PR, 1998.
8
GAMA, Ruy. A tecnologia e o trabalho na história. São Paulo: Nobel: Editora da Universidade de
São Paulo, 1986.

MARX, Karl. O Capital. Crítica da Economia Política. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1975.

SILVA, C.G. e MELO, L.C.P. (coordenadores) Ciência, Tecnologia e Inovação: desafios para a
sociedade brasileira. (Livro Verde). Brasil: Ministério da Ciência e Tecnologia/ Academia Brasileira
de Ciências, 2001.

VARGAS, Milton. Para uma filosofia da tecnologia. São Paulo: Alfa-Ômega, 1994.

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50 QUESTÕES DE INFORMÁTICA BÁSICA

POR: COLUNISTA PORTAL - INFORMÁTICA E TECNOLOGIA

Este pequeno artigo visa mostrar as mais corriqueiras perguntas e questões sobre informática
básica, a prioridade desse texto não é responder as dúvidas, questões ou perguntas, mas sim mostrar
quais as perguntas mais digitadas nos sites de buscas na internet, confira:

01. O que é vírus de computador?


02. Como ocorre a contaminação?
03. O que eu faço se meu computador for infectado?
01. O que é vírus de computador?
04. Como evitar que o PC seja contaminado novamente?
05. Como funciona o antivírus no computador?
06. O que é firewall? Ele é indispensável?
07. Quanto custa esses programas?
08. Qual o melhor antivírus para meu micro?
09. Tenho um antivírus, mas o PC foi infectado. Por quê?
10. O antivírus garante que meu micro não será infectado?
11. Como saber se meu antivírus está atualizado?
12. Os antivírus gratuitos são confiáveis?
13. O PC pode ser invadido se estiver desligado, porém conectado à rede?
14. Os vírus podem invadir um caixa eletrônico e roubar a minha senha?
15. É perigoso guardar o número do cartão de crédito no micro?
16. Programas espiões são nocivos ao micro?
17. Um vírus pode inutilizar o hardware (peças do micro)?
18. Um CD pode ser infectado com vírus? E um disquete?
19. E os periféricos, como a impressora? Eles podem ser atacados?
20. O que é Download e Upload?
21. O que é Hardware e Software?
20. O que é um arquivo executável? Ele é perigoso?
22. Qual a extensão e qual o nome dos arquivos com vírus?
23. O que o vírus de macro pode fazer no meu PC?
24. O vírus Sexta-Feira 13 ainda é perigoso?
25. É possível mandar vírus por e-mail sem saber?
26. Comprei um antivírus novo. Preciso desinstalar o velho?
27. Como ser avisado do vencimento da assinatura do antivírus se não assinei nada?
28. Posso pegar um vírus simplesmente por acessar um site?
29. E se acessar um chat ou um programa mensageiro?
30. Meu micro de mão pode pegar um vírus quando sincronizo dados com o PC?
31. Se eu ler um e-mail no celular e ele trouxer um vírus, meu celular pode ser contaminado?
32. Eliminei o vírus, mas meu computador não rende mais como antes. O que aconteceu?
33. Se eu comprei um antivírus em 2003, por que comprar outro?
34. Meu filho também usa o micro. Como posso evitar que ele abra um vírus?
35. Meu mouse não funciona direito. É vírus?
36. Meu micro não liga mais. Como saber se é um vírus?
37. Meu PC ficou lento. Ele está contaminado?
38. Há vírus no Word quando escrevo e as palavras mudam?
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39. Quando digito uma letra, no monitor aparece outra. Que vírus é esse?
40. Meu monitor desliga sozinho. É um vírus?
41. Qual foi o pior vírus da história?
42. É verdade que não existem vírus para Macintosh (Mac OS) e Linux?
43. Quem é o responsável pela criação dos vírus?
44. A disseminação de vírus é estimulada pelas empresas de antivírus?
45. Quantos vírus existem espalhados pelo mundo?
46. Por que os antivírus não interceptam os novos vírus?
47. O spam pode prejudicar meu computador?
48. O que o vírus mostra na tela quando é aberto?
49. Como se calculam os prejuízos provocados pelos vírus?
50. Por que o sistema operacional não vem com antivírus embutido?

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CONSTRUCIONISMO DE SEYMOUR PAPERT

O computador pode ser usado na educação como máquina de ensinar ou como máquina
para ser ensinada. O uso do computador como máquina de ensinar consiste na informatização dos
métodos de ensino tradicionais. Do ponto de vista pedagógico esse é o paradigma instrucionista.
Papert denominou de construcionista a abordagem pela qual o aprendiz constrói, por
intermédio do computador, o seu próprio conhecimento.
De acordo com Valente (1993), dependendo do paradigma utilizado em informática
aplicada à educação, instrucionista ou construcionista, o profissional terá um papel mais ou menos
relevante. Na primeira, o uso do computador se restringe como suporte ao ensino da disciplina em
que o professor atua. Na construcionista, o mediador necessita conhecer sobre ferramenta
computacional, sobre processos de aprendizagem, ter uma visão dos fatores sociais e afetivos.
Edição revisada de 'A máquina das crianças' é uma proposta de uso dos notebooks, já em
experimentação no Brasil, por alunos de ensino fundamental e médio, a mais recente onda
tecnológica na educação mundial. A ideia de computadores pessoais como ferramentas de
aprendizagem foi lançada por Seymour Papert há quase 30 anos, com a premissa de que o
computador é importante para a autonomia intelectual do aprendiz a partir dos primeiros anos de
escolarização.

PAPERT, SEYMOUR (1994) – A Máquina das Crianças; repensando a escola na era da


informática. Porto Alegre, Brasil. Artes Médicas, 1994

Disponível em: http://www.gepete.sitedaescola.com/brasil/node/6

CONHECENDO SEYMOUR PAPERT: O CONSTRUCIONISMO


UMA PEQUENA BIOGRAFIA

Quem é Papert? Para responder a essa interrogação nos fundamentaremos no texto do site
http://www.din.uem.br/ia/a_correl/iaedu/biografia.htm [capturado em 28 de junho de 2004 – fala do
autor].
Dr. Seymour Papert é matemático e é considerado um dos pais do campo da Inteligência
Artificial. Além disso, ele é internacionalmente reconhecido como um dos principais pensadores
sobre as formas pelas quais a tecnologia pode modificar a aprendizagem.
Nascido e educado na África do Sul, onde participou ativamente do movimento
antiapartheid, o Dr. Papert engajou-se em pesquisas na área de matemática na Cambridge University
no período de 1954-1958. Então trabalhou com Jean Piaget na University of Geneva de 1958 a 1963.
Sua colaboração principal era considerar o uso da matemática no serviço para entender como as
crianças podem aprender e pensar.
No início dos anos 60, Papert afiliou-se ao MIT onde, em conjunto com Marvin Minsky,
fundou o Laboratório de Inteligência Artificial e co-autorou seu trabalho fundamental "Perceptrons"
(1970) .
Ele é autor de Mindstorms:Children Computers and Powerful Ideas" (1980) e "The
Children's Machine: Rethinking School in the Age of the Computer" (1992). Ele também tem
publicado inúmeros artigos sobre matemática, Inteligência Artificial, educação, aprendizagem e
raciocínio.

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Mais informações sobre Papert podem ser obtidas no Media Lab, do MIT , do qual é um
dos fundadores e principais membros.

PIAGET E PAPERT

Esse tópico é todo fundamentado – e transcrito – do artigo de duas autoras (2004),


psicopedagogas renomadas. Seus nomes: Alba Maria Lemme Weis e Mara Lúcia R. M. da Cruz.
Ele também questiona muitas práticas da escola tradicional.

- Papert é seguidor de Piaget. Em que questões ele o segue?

· PIAGET

Eis ideais de Piaget que Papert “se ligou:”:Uma das chaves principais do
desenvolvimento é a ação do sujeito sobre o mundo e o modo pelo qual isto se converte num
processo de construção interna.
O professor será aquele que enriquece o ambiente, provoca situações para que o aprendiz possa se
desenvolver de forma ativa, realizando também suas próprias descobertas, ao invés de somente
assimilar conhecimentos prontos, baseados na memorização.
Este sujeito aprende / pensa, mesmo sem ser “ensinado'', uma vez que está em constante
atividade na interação com o ambiente, elaborando e reelaborando hipóteses que o expliquem.
As crianças são vistas como construtoras de suas próprias estruturas intelectuais.
Diante dos estímulos, a partir de seus esquemas mentais, formulam hipóteses, na tentativa
de resolver essas situações.
Quando não conseguem resolvê-las, passam por conflitos cognitivos que as levam à
busca de reformulações dessas hipóteses, ampliando cada vez mais seus sistemas de compreensão,
num contínuo movido pela busca de equilíbrio de suas estruturas cognitivas.
Dessa forma, a aprendizagem é resultante da interação do sujeito com o objeto do
conhecimento, que não se reduz ao objeto concreto, mas inclui o outro, a família, a escola, o social.

· CONSTRUCIONISMO - é uma reconstrução teórica a partir do construtivismo piagetiano, feita


por Seymour Papert (1994).
Papert concorda com Piaget de que a criança é um ‘'ser pensante'' e construtora de suas
próprias estruturas cognitivas, mesmo sem ser ensinada.
Porém, se inquietou com a pouca pesquisa numa área e levantou a seguinte interrogação:
- Como criar condições para que mais conhecimento possa ser adquirido por esta criança?
A atitude construcionista implica na meta de ensinar, de tal forma a produzir o máximo
de aprendizagem, com o mínimo de ensino.
A busca do construcionismo é alcançar meios de aprendizagem fortes que valorizem a
construção mental do sujeito, apoiada em suas próprias construções no mundo.
Dizer que estruturas intelectuais são construídas pelo aluno, ao invés de ensinadas por um
professor não significa que elas sejam construídas do nada.
Pelo contrário, como qualquer construtor, a criança se apropria, para seu próprio uso, de
materiais que ela encontra e, mais significativamente, de modelos e metáforas sugeridos pela cultura
que a rodeia (PAPERT, 1986).
Piaget acreditava que o processo de formalização do pensamento tinha como base a
maturação biológica, seguida de processos de interação com o meio, originando estágios universais
de desenvolvimento.
Papert enfatiza que essas etapas são determinadas, também, pelos materiais disponíveis
no ambiente para a exploração da criança, e que, esse processo se intensifica à medida em que o

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conhecimento se torna fonte de poder para ela. Isto explicaria o fato de certas noções serem mais
complexas para algumas crianças compreenderem, por não terem como experimentá-las no cotidiano.
Papert põe em relevo o estudo das operações concretas pesquisado por Piaget e critica
seguidores (pesquisadores e escolas) que buscam como progresso intelectual, a passagem rápida da
criança do pensamento operatório concreto para o abstrato (formal).
Para ele, é muito importante que a construção do conhecimento, no pensamento concreto,
seja fortemente solidificada, desenvolvendo-se as entidades mentais relevantes, ampliando-se a
capacidade do sujeito operar no mundo.
Dessa forma, a criança terá um instrumental maior para atuar ante as situações de forma
flexível e criativa, capacidade essa, cada vez mais exigida na sociedade. Salienta que o pensamento
concreto é usado por todos nós, mesmo os cientistas, durante o nosso processo de raciocínio, sendo
os princípios abstratos usados como ferramenta para intensificá-lo.
É fundamental para compreendermos e interferimos no desenvolvimento dos processos
cognitivos do sujeito e, por que não dizer também nos processos afetivos, o conceito de Papert que
enfatiza as conexões do novo como o que já se sabe, já se experimentou.
Nós nos motivamos a aprender o novo conhecimento significativos para nós.
É importante a conexão entre as entidades mentais existentes, para o progresso e criação
de novas entidades mentais. É assim que se dá a aprendizagem espontânea e informal, tanto na
criança, quanto no adulto.
Dessa forma, o professor deve ter o papel de facilitador criativo, proporcionando um
ambiente capaz de fornecer conexões individuais e coletivas, como, por exemplo, desenvolvendo
projetos vinculados com a realidade dos alunos, e que sejam integradores de diferentes áreas do
conhecimento.
Assim , estará sendo um agente preventivo das DPA.
Todas essas ideais são desenvolvidas e aplicadas por Papert no Massachusetts Institude of
Technology (MIT), Boston, EUA.
Papert viu na Informática a possibilidade de realizar seu desejo de criar condições para
mudanças significativas no desenvolvimento intelectual dos sujeitos.
Para tal, Papert desenvolve uma linguagem de programação, chamada Logo, de fácil
compreensão e manipulação por crianças ou por pessoas leigas em computação e sem domínio em
matemática.
Ao mesmo tempo, o Logo tem o poder das linguagens de programação profissionais.
Papert vem desenvolvendo, entre seus colaboradores, uma metodologia de ensino-
aprendizagem no ambiente computacional (metodologia Logo).
Segundo ele próprio (1994):
- Minha meta tornou-se lutar para criar um ambiente no qual todas as crianças – seja qual for sua
cultura, gênero ou personalidade – poderiam aprender Álgebra, Geometria, Ortografia e História de
maneira mais semelhante à aprendizagem informal da criança pequena, pré-escolar, ou da criança
excepcional, do que ao processo educacional seguido nas escolas.
A linguagem de programação Logo parte, basicamente, da exploração de atividades
espaciais, desenvolvendo conceitos numéricos e geométricos.
A criança comanda uma tartaruga ( de solo ou de tela, na forma de cursor), com uma
terminologia próxima da sua, que se locomove, de modo direto ou através de programação, criando
gráficos e animações. Como exemplo de comandos de locomoção e de rotação utiliza: para frente 10,
para trás 10, direita 90, esquerda 90. Nesse processo, os movimentos pelos quais as crianças
‘'ensinam'' à tartaruga , favorecem que elas externalizem suas hipóteses e conceitos. Tal fato
possibilita que se pense e fale sobre eles, podendo fazer e refazer, descobrir novos caminhos, criar
novas soluções, trazendo outra perspectiva para a questão do erro.
Como já foi dito, o ambiente que se deve criar em torno do Logo prioriza uma ‘'
pedagogia de projetos '', onde as diversas áreas do conhecimento podem ser integradas nas
resoluções de diferentes problemas, numa atitude cooperativa do grupo, facilitada pelo professor.
Assim, essa linguagem oferece ao professor a possibilidade de acompanhar, passo a passo, o
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raciocínio lógico da criança e ver como é capaz de analisar o que fez. Como facilitador, é preciso que
espere o tempo de cada sujeito. Esta vivência desperta na criança a responsabilidade sobre seu
desenvolvimento, a segurança diante de situações desconhecidas, além de levá-la a refletir sobre seu
próprio conhecimento (metacognição).
Hoje, estão sendo desenvolvidas diferentes versões do Logo, integradas ao Windows,
ampliando a gama de sua utilização, como por exemplo, utilizando os recursos da multimídia ou
ainda da robótica. O Logo também proporciona, com linguagem de programação, a possibilidade de
ser utilizado como ‘'software de autoria'', ou seja, permitindo a criação de outro softwares, a partir
dele.
Podemos observar que o computador desperta, na maioria dos alunos a motivação que
pode ser o primeiro ‘'triunfo'' do educador para resgatar a criança que não vai bem na sala de aula.
Ele funciona como um instrumento que permite uma interação aluno-objeto, aluno-aluno e aluno-
professor, baseada nos desafios e trocas de experiências.

LINGUAGEM LOGO

Para este tópico vamos recorrer fundamentalmente ao site:


http://www.din.uem.br/ia/a_correl/iaedu/biografia.htm [capturado em 28 de junho de 2004 – pelo
autor].
"Logo" - A palavra "logo" foi usada como referêcia a um termo grego que significa
"pensamento, raciocínio e discurso", ou também, "razão, cálculo e linguagem".

O que é o Logo?

Logo é uma linguagem de programação simples e estruturada voltada à educação, que


tem como objetivo permitir que uma pessoa se familiarize, através do seu uso, com conceitos lógicos
e matemáticos através da exploração de atividades espaciais que auxiliam o usuário a formalizar seus
raciocínios cognitivos.
Especialmente desenhada para ser utilizada pelas crianças, a linguagem LOGO apresenta
uma proposta de ensino-aprendizagem baseada nas teorias de Psicologia Genético-Evolutiva de Jean
Piaget, onde as crianças podem ser vistas como construtoras de suas próprias estruturas intelectuais.
A partir disto um grupo de pesquisadores do M.I.T. (Massachussetts Institute of
Technology) liderados pelo professor Seymour Papert em meados dos anos 60 e início de 70,
desenvolveu-se uma filosofia educacional chamada LOGO - "onde o computador é a ferramenta que
propicia à criança as condições de entrar em contato com algumas das mais profundas ideais em
ciências, matemática e criação de modelos". Ao trabalhar com a Linguagem Logo, o erro é tratado
como uma tentativa de acerto, ou seja, uma fase necessária à nova estruturação cognitiva.
As respostas mencionadas aos comandos são direcionadas ao estímulo para uma nova
tentativa.
Esta linguagem desafiadora pode ser usada por alunos de todas as idades, ou por qualquer
usuário interessado em "criar e construir o seu conhecimento".
Pesquisas apresentam sua importância educacional em relação ao desenvolvimento
cognitivo, afetivo e emocional dos alunos. Progressivamente, várias versões, da linguagem, tem sido
desenvolvidas em busca de fornecer ao usuário recursos modernos e atraentes.
A Linguagem de Programação LOGO esteve desde sempre ligada às problemáticas do
ensino-aprendizagem, da comunicação com máquinas em linguagem natural e da inteligência
artificial. Esta linguagem popularizou-se nas escolas de todo o mundo em que se desenvolveram
projetos de integração das T.I.C (Tecnologias de Informações e Comunicação) na educação,
sobretudo durante os anos 80.
O LOGO apresentou-se não só como o melhor caminho de iniciação à programação, mas
sobretudo como uma forma diferente de encarar a informática na educação em oposição à tendência
E.A.C. e suas variantes.
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A maioria das pessoas tem uma visão distorcida da linguagem LOGO pela mística de ser
mais conhecida como uma linguagem infantil e limitada, e por possuir um vocabulário de fácil
acesso.
Esse ponto de vista é extremamente errôneo, pois o LOGO permite a criação de
procedimentos, ou seja, novos programas que podem fazer parte dos comandos primitivos da
linguagem, aumentando a capacidade e a facilidade de programação.
O Logo é uma linguagem verdadeiramente interativa, por permitir que a criança comande
suas ações e receba respostas imediatas

Disponível em: http://www.neaad.ufes.br/subsite/psicologia/obs08papert.htm

http://muitomais.wordpress.com/2007/09/08/seymour-papert-e-paulo-freire-dialogo/

EDUCAÇÃO E NOVAS TECNOLOGIAS


TRABALHO AVALIATIVO

A MÁQUINA DE ENSINAR

Skinner se debruçou nos problemas do sistema educacional americano. Na década de 50


havia uma grande pressão pública pela melhoria da qualidade do ensino, devido à guerra fria e a
competição com os russos pela exploração do espaço. Além disso, havia também um número muito
grande de alunos e poucos professores disponíveis.
Imagine um professor de matemática “A”. Ele explica sua matéria para uma turma de
alunos. Alguns têm maior facilidade de entenderem os conceitos, enquanto outros ficarão frustrados
por não terem tal facilidade. Na hora da prova a situação se repete. Os alunos com maior facilidade
passam sem problema, enquanto os outros se frustrarão novamente, com a reprovação. O ideal seria
um professor “B”. Ele daria a matéria de acordo com o ritmo de cada aluno, fornecendo um feedback
imediato (de reforço positivo) para cada aluno.
As máquinas de ensinar de Skinner funcionavam como o professor “B”. Eram artefatos
automáticos que davam a matéria de acordo com o ritmo do aluno, interrogando-o para encontrar
falhas na compreensão e fornecendo feedback imediato.
Segundo Skinner “a boa instrução exige duas coisas: os alunos devem ser informados no
mesmo instante se é certo ou errado o que fazem e, quando certos, devem ser orientados para o passo
seguinte”. (Schultz & Schultz, 1992)
As máquinas de Ensinar de Skinner foram precursoras dos modernos computadores e o
sistema on-line de ensino.

Referência:

Schultz D.P., Schultz S.E., História da Psicologia Moderna. Cultrix, São Paulo, 1992.
Myers, David. Introdução à Psicologia Geral. Rio de Janeiro, 1999. LTC
Transcrição da fala do vídeo:

"Esses jovens estudantes estão estudando de uma forma nova. Pode ser aritmética, ou álgebra, ou
gramática, qualquer coisa envolvendo o uso de símbolos. Esses estudantes estão usando uma
máquina de ensinar. Um equipamento que cria condições rápidas e aperfeiçoadas para um estudo
efetivo.

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O que são máquinas de ensinar? Como elas são usadas? O que elas podem ensinar? Quem prepara
os materiais que elas ensinam? E como esses materiais diferem de livros-textos, aulas e TV
educativa? Que impacto as máquinas de ensinar terão na organização escolar?
Algumas dessas questões podem ser respondidas pelo menos de uma forma preliminar.
Olá, eu sou B.F. Skinner, professor de psicologia da Universidade de Harvard. Eu gostaria de
discutir algumas das razões porque o uso das máquinas de ensinar é freqüentemente bastante
efetivo.
Com a máquina que vocês verão em uso, os estudantes veem um pouco do texto ou material impresso
em uma janela. Isso pode ser uma ou duas frases ou uma equação em aritmética. Alguma pequena
parte está faltando. E o estudante deve completá-la, escrevendo em uma tira de papel. O texto pode
ser a resposta para uma questão, a solução de um problema. Mas geralmente é apenas um símbolo
ou uma palavra que completa o material que ele acabou de ler. Assim que o aluno responde, ele
opera a máquina e vê imediatamente se estava certo ou errado.

Esse é um grande aperfeiçoamento em relação ao sistema em que os trabalhos são corrigidos por
um professor. Em que os alunos devem esperar pelo menos por um dia para verificar se estavam
certos ou errados. Esse conhecimento imediato tem dois efeitos. Leva mais rapidamente a formação
do comportamento correto. O estudante rapidamente aprende a ser correto. Mas há também um
efeito motivador. O estudante está livre de indecisão ou ansiedade sobre seu sucesso ou falha. Seu
trabalho é prazeroso. Ele na tem que se forçar para estudar. As classes nas quais as máquinas são
usadas são usualmente uma cena de concentração intensa.
Portanto, uma função da máquina de ensinar é dar um relatório para o aluno da adequação de sua
resposta. Isso é importante não apenas para a aprendizagem eficiente, mas gera um alto nível de
motivação e entusiasmo.
Uma outra vantagem é que o aluno é livre para se mover no seu próprio ritmo. Em técnicas nas
quais os alunos são forçados a caminharem juntos, os estudantes mais brilhantes perdem tempo,
esperando os outros alunos os acompanhar. E os estudantes mais lentos, que podem não ser
inferiores em nenhum outro aspecto podem ser forçados a se mover muito rapidamente, sem
completar o trabalho de um dia. É ainda menos provável que ele complete o trabalho do segundo
dia. E ele fica cada vez mais atrás, e, normalmente, desiste de tudo, a menos que sejam tomadas
providências. Um estudante usando a máquina de ensinar se move no ritmo que for mais eficiente
para ele. O estudante rápido completa o material em um tempo mais curto. Mas o estudante mais
lento ao ter mais tempo para estudar, completa o mesmo espaço. Ambos aprendem o material
profundamente.
Uma terceira característica que a máquina de ensinar possui é que cada estudante segue um
programa cuidadosamente planejado. Saindo de um estágio inicial, no qual ele é pouco familiar com
o material, para um estágio final, no qual é competente. Ele faz isso através de um grande número
de pequenos passos. Arrumados de forma coerente. Cada passo é tão pequeno, que ele quase
certamente irá fazê-lo corretamente. O material é planejado de modo a dar ao aluno a maior ajuda
possível. Ele não está de forma alguma sendo testado. De fato, pistas auxiliadoras, sugestões e
comandos, maximizam a chance de que ele estará correto".

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QUESTÃO 1

Após ter assistido ao vídeo e ter feito a leitura do texto acima, o que você achou desse método de
ensino e de sua ferramenta tecnológica? Comente-o, discuta em dupla, colocando-se a favor ou não,
justiçando a sua resposta (10,0).

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A INTEGRAÇÃO DAS TECNOLOGIAS NA EDUCAÇÃO

José Manuel Moran - Especialista em mudanças na educação presencial e a distância


jmmoran@usp.br
As tecnologias evoluem em quatro direções fundamentais:
Do analógico para o digital (digitalização)
Do físico para o virtual (virtualização)
Do fixo para o móvel (mobilidade)
Do massivo para o individual (personalização)
Carly Fiorina, ex-presidente da HPackard
A digitalização permite registrar, editar, combinar, manipular toda e qualquer informação, por
qualquer meio, em qualquer lugar, a qualquer tempo. A digitalização traz a multiplicação de
possibilidades de escolha, de interação. A mobilidade e a virtualização nos libertam dos espaços e
tempos rígidos, previsíveis, determinados.
As tecnologias que num primeiro momento são utilizadas de forma separada – computador,
celular, Internet, mp3, câmera digital – e caminham na direção da convergência, da integração, dos
equipamentos multifuncionais que agregam valor.
O computador continua, mas ligado à internet, à câmera digital, ao celular, ao mp3,
principalmente nos pockets ou computadores de mão. O telefone celular é a tecnologia que
atualmente mais agrega valor: é wireless (sem fio) e rapidamente incorporou o acesso à Internet, à
foto digital, aos programas de comunicação (voz, TV), ao entretenimento (jogos, música-mp3) e
outros serviços.
Estas tecnologias começam a afetar profundamente a educação. Esta sempre esteve e continua
presa a lugares e tempos determinados: escola, salas de aula, calendário escolar, grade curricular.
Há vinte anos, para aprender oficialmente, tínhamos que ir a uma escola. E hoje? Continuamos,
na maioria das situações, indo ao mesmo lugar, obrigatoriamente, para aprender. Há mudanças, mas
são pequenas, ínfimas, diante do peso da organização escolar como local e tempo fixos,
programados, oficiais de aprendizagem.
As tecnologias chegaram na escola, mas estas sempre privilegiaram mais o controle a
modernização da infra-estrutura e a gestão do que a mudança. Os programas de gestão
administrativa estão mais desenvolvidos do que os voltados à aprendizagem. Há avanços na
virtualização da aprendizagem, mas só conseguem arranhar superficialmente a estrutura pesada em
que estão estruturados os vários níveis de ensino.
Apesar da resistência institucional, as pressões pelas mudanças são cada vez mais fortes. As
empresas estão muito ativas na educação on-line e buscam nas universidades mais agilidade,
flexibilização e rapidez na oferta de educação continuada. Os avanços na educação a distância com
a LDB e a Internet estão sendo notáveis. A LDB legalizou a educação a distância e a Internet lhe
tirou o ar de isolamento, de atraso, de ensino de segunda classe. A interconectividade que a Internet
e as redes desenvolveram nestes últimos anos está começando a revolucionar a forma de ensinar e
aprender.
As redes, principalmente a Internet, estão começando a provocar mudanças profundas na
educação presencial e a distância. Na presencial, desenraizam o conceito de ensino-aprendizagem
localizado e temporalizado. Podemos aprender desde vários lugares, ao mesmo tempo, on e off line,
juntos e separados. Como nos bancos, temos nossa agência (escola) que é nosso ponto de referência;
só que agora não precisamos ir até lá o tempo todo para poder aprender.
As redes também estão provocando mudanças profundas na educação a distância. Antes a EAD
era uma atividade muito solitária e exigia muito auto-disciplina. Agora com as redes a EAD
continua como uma atividade individual, combinada com a possibilidade de comunicação
instantânea, de criar grupos de aprendizagem, integrando a aprendizagem pessoal com a grupal.
A educação presencial está incorporando tecnologias, funções, atividades que eram típicas da
educação a distância, e a EAD está descobrindo que pode ensinar de forma menos individualista,
mantendo um equilíbrio entre a flexibilidade e a interação.
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Alguns problemas na integração das tecnologias na educação

A escola é uma instituição mais tradicional que inovadora. A cultura escolar tem resistido
bravamente às mudanças. Os modelos de ensino focados no professor continuam predominando,
apesar dos avanços teóricos em busca de mudanças do foco do ensino para o de aprendizagem. Tudo
isto nos mostra que não será fácil mudar esta cultura escolar tradicional, que as inovações serão mais
lentas, que muitas instituições reproduzirão no virtual o modelo centralizador no conteúdo e no
professor do ensino presencial.
Com os processos convencionais de ensino e com a atual dispersão da atenção da vida urbana,
fica muito difícil a autonomia, a organização pessoal, indispensáveis para os processos de
aprendizagem à distância. O aluno desorganizado poderá deixar passar o tempo adequado para cada
atividade, discussão, produção e poderá sentir dificuldade em acompanhar o ritmo de um curso. Isso
atrapalhará sua motivação, sua própria aprendizagem e a do grupo, o que criará tensão ou
indiferença. Alunos assim, aos poucos, poderão deixar de participar, de produzir e muitos terão
dificuldade, à distância, de retomar a motivação, o entusiasmo pelo curso. No presencial, uma
conversa dos colegas mais próximos ou do professor poderá ajudar a que queiram voltar a participar
do curso. À distância será possível, mas não fácil.
Os alunos estão prontos para a multimídia, os professores, em geral, não. Os professores
sentem cada vez mais claro o descompasso no domínio das tecnologias e, em geral, tentam segurar o
máximo que podem, fazendo pequenas concessões, sem mudar o essencial. Creio que muitos
professores têm medo de revelar sua dificuldade diante do aluno. Por isso e pelo hábito mantêm uma
estrutura repressiva, controladora, repetidora. Os professores percebem que precisam mudar, mas não
sabem bem como fazê-lo e não estão preparados para experimentar com segurança. Muitas
instituições também exigem mudanças dos professores sem dar-lhes condições para que eles as
efetuem. Frequentemente algumas organizações introduzem computadores, conectam as escolas com
a Internet e esperam que só isso melhore os problemas do ensino. Os administradores se frustram ao
ver que tanto esforço e dinheiro empatados não se traduzem em mudanças significativas nas aulas e
nas atitudes do corpo docente.
A maior parte dos cursos presenciais e on-line continua focada no conteúdo, focada na
informação, no professor, no aluno individualmente e na interação com o professor/tutor. Convém
que os cursos hoje – principalmente os de formação – sejam focados na construção do conhecimento
e na interação; no equilíbrio entre o individual e o grupal, entre conteúdo e interação (aprendizagem
cooperativa), um conteúdo em parte preparado e em parte construído ao longo do curso.
É difícil manter a motivação no presencial e muito mais no virtual, se não envolvermos os
alunos em processos participativos, afetivos, que inspirem confiança. Os cursos que se limitam à
transmissão de informação, de conteúdo, mesmo que estejam brilhantemente produzidos, correm o
risco da desmotivação a longo prazo e, principalmente, de que a aprendizagem seja só teórica,
insuficiente para dar conta da relação teoria/prática. Em sala de aula, se estivermos atentos, podemos
mais facilmente obter feedback dos problemas que acontecem e procurar dialogar ou encontrar novas
estratégias pedagógicas. No virtual, o aluno está mais distante, normalmente só acessível por e-mail,
que é frio, não imediato, ou por um telefonema eventual, que embora seja mais direto, num curso à
distância encarece o custo final.
Mesmo com tecnologias de ponta, ainda temos grandes dificuldades no gerenciamento
emocional, tanto no pessoal como no organizacional, o que dificulta o aprendizado rápido. As
mudanças na educação dependem, mais do que das novas tecnologias, de termos educadores,
gestores e alunos maduros intelectual, emocional e eticamente; pessoas curiosas, entusiasmadas,
abertas, que saibam motivar e dialogar; pessoas com as quais valha a pena entrar em contato, porque
dele saímos enriquecidos. São poucos os educadores que integram teoria e prática e que aproximam o
pensar do viver.
Os educadores marcantes atraem não só pelas suas ideais, mas pelo contato pessoal.
Transmitem bondade e competência, tanto no plano pessoal, familiar como no social, dentro e fora da
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aula, no presencial ou no virtual. Há sempre algo surpreendente, diferente no que dizem, nas relações
que estabelecem, na sua forma de olhar, na forma de comunicar-se, de agir. E eles, numa sociedade
cada vez mais complexa e virtual, se tornarão referências necessárias.

http://www.eca.usp.br/prof/moran/integracao.htm

OS NOVOS ESPAÇOS DE ATUAÇÃO DO EDUCADOR COM AS TECNOLOGIAS


José Manuel Moran1
1
Especialista em mudanças na educação presencial e a distância. Autor do livro: A educação que desejamos novos
desafios e como chegar lá. Campinas: Papirus, 2007. Texto publicado nos anais do 12º Endipe – Encontro Nacional de
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Introdução
Uma das reclamações generalizadas de escolas e universidades é de que os alunos não
aguentam mais nossa forma de dar aula. Os alunos reclamam do tédio de ficar ouvindo um professor
falando na frente por horas, da rigidez dos horários, da distância entre o conteúdo das aulas e a vida.
Colocamos tecnologias na universidade e nas escolas, mas, em geral, para continuar fazendo
o de sempre – o professor falando e o aluno ouvindo – com um verniz de modernidade. As
tecnologias são utilizadas mais para ilustrar o conteúdo do professor do que para criar novos desafios
didáticos.
O cinema, o rádio, a televisão trouxeram desafios, novos conteúdos, histórias, linguagens.
Esperavam-se muitas mudanças na educação, mas as mídias sempre foram incorporadas
marginalmente. A aula continuou predominantemente oral e escrita, com pitadas de audiovisual,
como ilustração. Alguns professores utilizavam vídeos, filmes, em geral como ilustração do
conteúdo, como complemento. Eles não modificavam substancialmente o ensinar e o aprender,
davam um verniz de novidade, de mudança, mas era mais na embalagem.
O computador trouxe uma série de novidades, de fazer mais rápido, mais fácil. Mas durante
anos continuo sendo utilizado mais como uma ferramenta de apoio ao professor e ao aluno. As
atividades principais ainda estavam focadas na fala do professor e na relação com os textos escritos.
Hoje, com a Internet e a fantástica evolução tecnológica, podemos aprender de muitas
formas, em lugares diferentes, de formas diferentes. A sociedade como um todo é um espaço
privilegiado de aprendizagem. Mas ainda é a escola a organizadora e certificadora principal do
processo de ensino-aprendizagem.
Ensinar e aprender estão sendo desafiados como nunca antes. Há informações demais,
múltiplas fontes, visões diferentes de mundo. Educar hoje é mais complexo porque a sociedade
também é mais complexa e também o são as competências necessárias. As tecnologias começam a
estar um pouco mais ao alcance do estudante e do professor. Precisamos repensar todo o processo,
reaprender a ensinar, a estar com os alunos, a orientar atividades, a definir o que vale a pena fazer
para aprender, juntos ou separados.
Com a Internet e outras tecnologias surgem novas possibilidades de organização das aulas
dentro e fora da Universidade. Podemos ter uma parte das aulas de forma virtual ou freqüentar
cursos a distância. Como uma universidade e seus professores podem se organizar para estas
mudanças inevitáveis, da forma mais adequada, equilibrada e coerente? Por onde começar e
continuar?

A ampliação dos espaços de ensino-aprendizagem


A sala de aula é o espaço privilegiado quando pensamos em escola, em aprendizagem. Esta
nos remete a um professor na nossa frente, a muitos alunos sentados em cadeiras olhando para o
professor, uma mesa, um quadro negro e, às vezes, um vídeo ou computador.
Com a Internet e as redes de comunicação em tempo real, surgem novos espaços
importantes para o processo de ensino-aprendizagem, que modificam e ampliam o que fazíamos na
sala de aula.
Abrem-se novos campos na educação on-line, através da Internet, principalmente na
educação a distância. Mas também na educação presencial a chegada da Internet está trazendo novos
desafios para a sala de aula, tanto tecnológicos como pedagógicos.
O professor, em qualquer curso presencial, precisa hoje aprender a gerenciar vários
espaços e a integrá-los de forma aberta, equilibrada e inovadora. O primeiro espaço é o de uma
nova sala de aula equipada e com atividades diferentes, que se integra com a ida ao laboratório para
desenvolver atividades de pesquisa e de domínio técnico-pedagógico. Estas atividades se ampliam e

Didática e Prática de Ensino, in ROMANOWSKI, Joana Paulin et al (Orgs). Conhecimento local e conhecimento
universal: Diversidade, mídias e tecnologias na educação. vol 2, Curitiba, Champagnat, 2004, páginas 245-253 -
jmmoran@usp.br
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complementam a distância, nos ambientes virtuais de aprendizagem e se complementam com espaços
e tempos de experimentação, de conhecimento da realidade, de inserção em ambientes profissionais e
informais.
Antes o professor só se preocupava com o aluno em sala de aula. Agora, continua com o
aluno no laboratório (organizando a pesquisa), na Internet (atividades a distância) e no
acompanhamento das práticas, dos projetos, das experiências que ligam o aluno à realidade, à sua
profissão (ponto entre a teoria e a prática).
Antes o professor se restringia ao espaço da sala de aula. Agora precisa aprender a gerenciar
também atividades a distância, visitas técnicas, orientação de projetos e tudo isso fazendo parte da
carga horária da sua disciplina, estando visível na grade curricular, flexibilizando o tempo de estada
em aula e incrementando outros espaços e tempos de aprendizagem.
Educar com qualidade implica em ter acesso e competência para organizar e gerenciar as
atividades didáticas em, pelo menos, quatro espaços:

1. Uma nova sala de aula


A sala de aula será, cada vez mais, um ponto de partida e de chegada, um espaço
importante, mas que se combina com outros espaços para ampliar as possibilidades de atividades de
aprendizagem.
O que deve ter uma sala de aula para uma educação de qualidade?
Precisa fundamentalmente de professores bem preparados, motivados, e bem remunerados e
com formação pedagógica atualizada. Isso é incontestável.
Precisa também de salas confortáveis, com boa acústica e tecnologias, das simples até as
sofisticadas. Uma sala de aula hoje precisa ter acesso fácil ao vídeo, DVD e, no mínimo, um ponto de
Internet, para acesso a sites em tempo real pelo professor ou pelos alunos, quando necessário.
Um computador em sala com projetor multimídia são recursos necessários, embora ainda
caros, para oferecer condições dignas de pesquisa e apresentação de trabalhos a professores e alunos.
São poucos os cursos até agora bem equipados, mas, se queremos educação de qualidade, uma boa
infra-estrutura torna-se cada vez mais necessária.
Um projetor multimídia com acesso a Internet permite que o professores e alunos mostrem
simulações virtuais, vídeos, jogos, materiais em CD, DVD, páginas WEB ao vivo. Serve como apoio
ao professor, mas também para a visualização de trabalhos dos alunos, de pesquisas, de atividades
realizadas no ambiente virtual de aprendizagem (um fórum previamente realizado, por exemplo).
Podem ser mostrados jornais on-line, com notícias relacionadas com o assunto que está sendo tratado
em classe. Os alunos podem contribuir com suas próprias pesquisas on-line. Há um campo de
possibilidades didáticas até agora pouco desenvolvidas, mesmo nas salas que detêm esses
equipamentos.
Essa infra-estrutura deve estar a serviço de mudanças na postura do professor, passando de
ser uma “babá”, de dar tudo pronto, mastigado, para ajudá-lo, de um lado, na organização do caos
informativo, na gestão das contradições dos valores e visões de mundo, enquanto, do outro lado, o
professor provoca o aluno, o “desorganiza”, o desinstala, o estimula a mudanças, a não permanecer
acomodado na primeira síntese.
Do ponto de vista metodológico o professor precisa aprender a equilibrar processos de
organização e de “provocação” na sala de aula. Uma das dimensões fundamentais do educar é ajudar
a encontrar uma lógica dentro do caos de informações que temos, organizar numa síntese coerente
(mesmo que momentânea) das informações dentro de uma área de conhecimento. Compreender é
organizar, sistematizar, comparar, avaliar, contextualizar. Uma segunda dimensão pedagógica
procura questionar essa compreensão, criar uma tensão para superá-la, para modificá-la, para
avançar para novas sínteses, novos momentos e formas de compreensão. Para isso o professor precisa
questionar, tensionar, provocar o nível da compreensão existente.
Predomina a organização no planejamento didático quando o professor trabalha com
esquemas, aulas expositivas, apostilas, avaliação tradicional. O professor que dá tudo mastigado para

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o aluno, de um lado facilita a compreensão; mas, por outro, transfere para o aluno, como um pacote
pronto, o nível de conhecimento de mundo que ele tem.
Predomina a “desorganização” no planejamento didático quando o professor trabalha encima
de experiências, projetos, novos olhares de terceiros: artistas, escritores...
Em qualquer área de conhecimento podemos transitar entre a organização da aprendizagem
e a busca de novos desafios, sínteses. Há atividades que facilitam a organização e outras a
superação. O relato de experiências diferentes das do grupo, uma entrevista polêmica podem
desencadear novas questões, expectativas, desejos. Mas também há relatos de experiências ou
entrevistas que servem para confirmar nossas idéias, nossas sínteses, para reforçar o que já
conhecemos.
Por exemplo, na utilização do vídeo na escola, vejo dois momentos ou focos que podem
alternar-se e combinar-se equilibradamente: 1) Quando o vídeo provoca, sacode, provoca
inquietação e serve como abertura para um tema, como uma sacudida para a nossa inércia. Ele
age como tensionador, na busca de novos posicionamentos, olhares, sentimentos, idéias e valores.
O contato de professores e alunos com bons filmes, poesias, contos, romances, histórias, pinturas
alimenta o questionamento de pontos de vista formados, abre novas perspectivas de interpretação,
de olhar, de perceber, sentir e de avaliar com mais profundidade. 2) Quando o vídeo serve para
confirmar uma teoria, uma síntese, um olhar específico com o qual já estamos trabalhando. É o
vídeo que ilustra, amplia, exemplifica.
O vídeo e as outras tecnologias tanto podem ser utilizados para organizar como para
desorganizar o conhecimento. Depende de como e quando os utilizamos.
Educar um processo dialético, quando bem realizado, mas que, em muitas situações concretas, se
vê diluído pelo peso da organização, da massificação, da burocratização, da “rotinização”, que
freia o impulso questionador, superador, inovador.

2. O espaço do laboratório conectado

Um dia todas as salas de aula estarão conectadas às redes de comunicação instantânea.


Como isso ainda está distante, é importante que cada professor programe em uma de suas primeiras
aulas uma visita com os alunos ao “laboratório de informática”, a uma sala de aula com micros
suficientes conectados à Internet. Nessa aula (uma ou duas) o professor pode orientá-los a fazer
pesquisa na Internet, a encontrar os materiais mais significativos para a área de conhecimento que ele
vai trabalhar com os alunos; a que aprendam a distinguir informações relevantes de informações sem
referência. Ensinar a pesquisar na WEB ajuda muito aos alunos na realização de atividades virtuais
depois, a sentir-se seguros na pesquisa individual e grupal.
Uma outra atividade importante nesse momento é a capacitação para o uso das tecnologias
necessárias para acompanhar o curso em seus momentos virtuais: conhecer a plataforma virtual, as
ferramentas, como se coloca material, como se enviam atividades, como se participa num fórum,
num chat, tirar dúvidas técnicas. Esse contato com o laboratório é fundamental porque há alunos
pouco familiarizados com essas novas tecnologias e para que todos tenham uma informação comum
sobre as ferramentas, sobre como pesquisar e sobre os materiais virtuais do curso.
Tudo isto pressupõe que os professores foram capacitados antes para fazer esse trabalho
didático com os alunos no laboratório e nos ambientes virtuais de aprendizagem (o que muitas vezes
não acontece).
Quando temos um curso parcialmente presencial podemos organizar os encontros ao vivo
como pontuadores de momentos marcantes. Primeiro, nos encontramos fisicamente para facilitar o
conhecimento mútuo de professores e alunos. Ao vivo é muito mais fácil que a distância e confiamos
mais rapidamente ao estar ao lado da pessoa como um todo, ao vê-la, ouvi-la, senti-la. Depois, é mais
fácil explicar e organizar o processo de aprendizagem, esclarecer, tirar dúvidas, organizar grupos,
discutir propostas. É muito mais fácil também aprender a utilizar os ambientes tecnológicos da
educação on-line. Podemos ir a um laboratório e nivelar os alunos, os que sabem se sentam junto com

24
os que sabem menos e todos aprendem juntos. No presencial também é mais fácil motivar os alunos,
atender às demandas específicas, fazer os ajustes necessários no programa.
O foco do curso deve ser o desenvolvimento de pesquisa, fazer do aluno um parceiro-
pesquisador. Pesquisar de todas as formas, utilizando todas as mídias, todas as fontes, todas as formas
de interação. Pesquisar às vezes todos juntos, outras em pequenos grupos, outras individualmente.
Pesquisar às vezes na escola; outras, em outros espaços e tempos. Combinar pesquisa presencial e
virtual. Comunicar os resultados da pesquisa para todos e para o professor. Relacionar os resultados,
compará-los, contextualizá-los, aprofundá-los, sintetizá-los.
Mais tarde, depois de uma primeira etapa de aprendizagem on-line, a volta ao presencial
adquire uma outra dimensão. É um reencontro tanto intelectual como afetivo. Já nos conhecemos,
mas fortalecemos esses vínculos; trocamos experiências, vivências, pesquisas. Aprendemos juntos,
tiramos dúvidas coletivas, avaliamos o processo virtual. Fazemos novos ajustes. Explicamos o que
acontecerá na próxima etapa e motivamos os alunos para que continuem pesquisando, se encontrando
virtualmente, contribuindo.
Os próximos encontros presenciais já devem trazer maiores contribuições dos alunos, dos
resultados de pesquisas, de projetos, de solução de problemas, entre outras formas de avaliação.

3. A utilização de ambientes virtuais de aprendizagem


Os alunos já se conhecem, já tem as informações básicas de como pesquisar e de como
utilizar os ambientes virtuais de aprendizagem. Agora já podem iniciar a parte a distância do curso,
combinando momentos em sala de aula com atividades de pesquisa, comunicação e produção a
distância, individuais, em pequenos grupos e todos juntos.
O professor precisa hoje adquirir a competência da gestão dos tempos a distância combinado
com o presencial. O que vale a pena fazer pela Internet que ajuda a melhorar a aprendizagem, que
mantém a motivação, que traz novas experiências para a classe, que enriquece o repertório do grupo.
Os ambientes virtuais aqui complementam o que fazemos em sala de aula. O professor e os
alunos são “liberados” de algumas aulas presenciais e precisam aprender a gerenciar classes virtuais,
a organizar atividades que se encaixem em cada momento do processo e que dialoguem e
complementem o que estamos fazendo na sala de aula e no laboratório. Começamos algumas
atividades na sala de aula: informações básicas de um tema, organização de grupos, explicitar os
objetivos da pesquisa, tirar as dúvidas iniciais. Depois vamos para a Internet e orientamos e
acompanhamos as pesquisas que os alunos realizam individualmente ou em pequenos grupos.
Pedimos que os alunos coloquem os resultados em uma página, um portfólio ou que nos as enviem
virtualmente, dependendo da orientação dada. Colocamos um tema relevante para discussão no
fórum ou numa lista e procuramos acompanhá-la sem sermos centralizadores nem omissos. Os
alunos se posicionam primeiro e, depois, fazemos alguns comentários mais gerais, incentivamos,
reorientamos algum tema que pareça prioritário, fazemos sínteses provisórias do andamento das
discussões ou pedimos que alguns alunos o façam.
Podemos convidar um colega, um pesquisador ou um especialista para um debate com os
alunos num chat, realizando uma entrevista a distância, atuando como mediadores. Os alunos gostam
de participar deste tipo de atividade.
Nós mesmos, professores, podemos marcar alguns tempos de atendimento semanais, se o
acharmos conveniente, para tirar dúvidas on-line, para atender grupos, acompanhar o que está sendo
feito pelos alunos. Sempre que possível incentivaremos os alunos a que criem seu portfólio, seu
espaço virtual de aprendizagem próprio e que disponibilizem o acesso aos colegas, como forma de
aprender colaborativamente.
Dependendo do número de horas virtuais, a integração com o presencial é mais fácil, Um
tópico discutido no fórum pode ser aprofundado na volta à sala de aula, tornando mais claros os
pontos de divergência que havia no virtual.
Creio que há três campos importantes para as atividades virtuais: o da pesquisa, o da
comunicação e o da produção. Pesquisa individual de temas, experiências, projetos, textos.
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Comunicação, realizando debates off e on-line sobre esses temas e experiências pesquisados.
Produção, divulgando os resultados no formato multimídia, hipertextual, “linkada” e publicando os
resultados para os colegas e, eventualmente, para a comunidade externa ao curso.
A Internet favorece a construção colaborativa, o trabalho conjunto entre professores e
alunos, próximos física ou virtualmente. Podemos participar de uma pesquisa em tempo real, de um
projeto entre vários grupos, de uma investigação sobre um problema de atualidade. O importante é
combinar o que podemos fazer melhor em sala de aula: conhecer-nos, motivar-nos, reencontrar-
nos, com o que podemos fazer a distância pela lista, fórum ou chat – pesquisar, comunicar-nos e
divulgar as produções dos professores e dos alunos.
É fundamental hoje pensar o currículo de cada curso como um todo, e planejar o tempo
de presença física em sala de aula e o tempo de aprendizagem virtual. A maior parte das
disciplinas pode utilizar parcialmente atividades a distância. Algumas que exigem menos laboratório
ou estar juntos fisicamente podem ter uma carga maior de atividades e tempo virtuais. A
flexibilização de gestão de tempo, espaços e atividades é necessária, principalmente no ensino
superior ainda tão engessado, burocratizado e confinado à monotonia da fala do professor num único
espaço que é o da sala de aula.

4. Inserção em ambientes experimentais e profissionais (prática/teoria/prática)

Os cursos de formação, os de longa duração, como os de graduação, precisam ampliar


o conceito de integração de reflexão e ação, teoria e prática, sem confinar essa integração
somente ao estágio, no fim do curso. Todo o currículo pode ser pensando em inserir os alunos
em ambientes próximos da realidade que ele estuda, para que possam sentir na prática o que
aprendem na teoria e trazer experiências, cases, projetos do cotidiano para a sala de aula. Em
algumas áreas, como administração, engenharia, parece mais fácil e evidente essa relação, mas
é importante que aconteça em todos os cursos e em todas as etapas do processo de
aprendizagem, levando em consideração as peculiaridades de cada um.
Se os alunos fazem pontes entre o que aprendem intelectualmente e as situações reais,
experimentais, profissionais ligadas aos seus estudos, a aprendizagem será mais significativa,
viva, enriquecedora. As universidades e os professores precisam organizar nos seus currículos e
cursos atividades integradoras da prática com a teoria, do compreender com o vivenciar, o fazer
e o refletir, de forma sistemática, presencial e virtualmente, em todas as áreas e ao longo de
todo o curso.

Conclusão

A Internet e as novas tecnologias estão trazendo novos desafios pedagógicos para as


universidades e escolas. Os professores, em qualquer curso presencial, precisam aprender a gerenciar
vários espaços e a integrá-los de forma aberta, equilibrada e inovadora. O primeiro espaço é o de uma
nova sala de aula equipada e com atividades diferentes, que se integra com a ida ao laboratório
conectado em rede para desenvolver atividades de pesquisa e de domínio técnico-pedagógico. Estas
atividades se ampliam a distância, nos ambientes virtuais de aprendizagem conectados à Internet e se
complementam com espaços e tempos de experimentação, de conhecimento da realidade, de inserção
em ambientes profissionais e informais.
É fundamental hoje planejar e flexibilizar, no currículo de cada curso, o tempo e as
atividades de presença física em sala de aula e o tempo e as atividades de aprendizagem conectadas, a
distância. Só assim avançaremos de verdade e poderemos falar de qualidade na educação e de uma
nova didática.

Bibliografia

26
AZEVÊDO, Wilson. A vanguarda (tecnológica) do atraso (pedagógico): impressões de um educador
online a partir do uso de ferramentas de courseware. Disponível em
<www.aquifolium.com.br/educacional/artigos/vanguarda.html>. Acesso em: 18/01/2004.

BELLONI, Maria Luisa. Educação a distância. Campinas: Autores Associados, 1999.

LITWIN, Edith (org). Educação a distância; temas para o debate de uma nova agenda educativa.
Porto Alegre: Artmed, 2000.

LUCENA, Carlos & FUKS, Hugo. A educação na era da Internet. Rio de Janeiro: Clube do Futuro,
2000.

MORAN, José Manuel, MASETTO, Marcos & BEHRENS, Marilda. Novas tecnologias e mediação
pedagógica. 15. ed. São Paulo: Papirus, 2008.

___________. Textos sobre Tecnologias e Comunicação in www.eca.usp.br/prof/moran

PALLOFF, Rena M. & PRATT, Keith. Construindo comunidades de aprendizagem no


ciberespaço – Estratégias eficientes para salas de aula on-line. Porto Alegre: Artmed Editora, 2002.

PETERS, Otto. Didática do ensino a distância. São Leopoldo, RS: Editora Unisinos, 2001.

SILVA, Marcos (Org.). Educação Online: teorias, práticas, legislação, formação corporativa. São
Paulo: Loyola, 2003.

TRABALHO 1 - EM GRUPO

Leia o texto acima de Moran, em especial o item 4. Inserção em ambientes experimentais e


profissionais (prática/teoria/prática, observando que o autor fala sobre os espaços de atuação
do professor na utilização das TICs na educação, porém, ressalta que tal prática está trazendo
novos desafios pedagógicos para as universidades e escolas. Descreva de forma sucinta as
ideias do autor.

TRABALHO 2

A UTILIZAÇÃO DAS NOVAS TECNOLOGIAS NA EDUCAÇÃO

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1. INTRODUÇÃO

Não resta dúvida de que, nos dias de hoje, a utilização de novas formas de interação on-line
atende às novas necessidades dos alunos; o incentivo à aprendizagem ativa e significativa ao aluno já
pode ser comprovada por meio de vários projetos já desenvolvidos em todo pais; é evidente o acesso
rápido e eficiente na obtenção de informações relevantes e diversificadas e a melhoria da qualidade
da comunicação entre professores e alunos são viabilizadas pelas ferramentas interativas.
Hoje a tecnologia é útil ao aprendizado, pois o seu desconhecimento vem gerando no mundo
atual o mesmo tipo de exclusão que sofre o analfabeto no mundo da escrita. .Mas agora vem a
seguinte pergunta, o que é necessário? Esta é uma pergunta difícil de ser respondida, pois depende do
contexto, da realidade em que se vive e da autonomia de cada um. O que se pode afirmar, sem erro, é
que é preciso entender que o essencial é acreditar no potencial cognitivo de cada um. "É essencial à
descoberta da alegria do conhecimento, pois ela é à base da autonomia e da subjetividade".
Uma outra medida importante é não dar ouvidos aos mitos. A questão “os computadores
tomarão o lugar dos docentes”, vem sendo sempre colocada, o que faz com que se reforce a idéia de
que o docente se recusa a inovar-se. Mas o que existe de verdade é a falta de conforto com o uso da
tecnologia nos ambientes educacionais, que é decorrente do escasso investimento governamental em
políticas de formação e atualização do professor.
Para o docente que vê na tecnologia uma forma de qualificar melhor suas práticas
pedagógicas, é fundamental enxergar a realidade e principalmente lutar contra o discurso neoliberal
paralisante que domina o meio educacional. É preciso conhecer as políticas equivocadas que fazem
parte da história da utilização da informática na educação no Brasil.
Evitar a resistência pelo desconhecimento é entender que o computador e o software
educacional, seja ele qual for, é uma ferramenta auxiliar do processo de aprendizagem do aluno. Uma
aula ruim é ruim com ou sem tecnologia, e uma aula boa será sempre boa independentemente da
tecnologia utilizada. Isto significa dizer que: a qualidade está no conteúdo que deve ser bem
planejado e disponibilizado de modo que seja possível a aquisição de conhecimento pelo aluno.
A mídia deve ser adequada ao conteúdo, pois este vem em primeiro lugar. A tecnologia não
cria ambientes que prescindem do professor, é preciso que o professor tome para si a tarefa de
projetar o material didático e a pedagogia a ser utilizada no processo de ensino. Não inovar na
produção do material didático e nas metodologias de aprendizagem, significa deixar a cargo de
profissionais da área tecnológica, a tarefa de ensinar por meio de software desenvolvido sem o viés
da educação, o que de um modo geral vem ocorrendo com frequência.
É fato que os perfis dos profissionais, que hoje planejam software educacional, são de
programadores de computador, que desconhecem a área educacional. O planejamento de um bom
projeto necessita da formação de uma equipe multidisciplinar, cujos participantes complementam o
projeto utilizando suas competências específicas e diversificadas.
Hoje muito se fala da necessidade de se educar para os meios, ou seja, educar para o uso da
ferramenta própria do mundo digital. Mas muito se fala e pouco se faz, a respeito da preparação de
professores na orientação do aluno diante desses novos conceitos e novas relações, que surgem nesse
mundo tecnológico. É nesse contexto que informações provenientes de diversas direções chegam a
indivíduos cuja realidade não lhes permite desenvolver capacidade crítica de análise, competência
fundamental para evitar o colapso de valores importantes para o desenvolvimento da cidadania, da
ética e da solidariedade. Por meio dessa abordagem, o uso da tecnologia integra novos saberes à
prática educacional proporcionando ao professor uma maior capacidade crítica de sua ação
pedagógica e um leque maior de possibilidades na busca pelo interesse dos seus alunos.

2. A EDUCAÇÃO E AS NOVAS TECNOLOGIAS

Na área da educação acontece, naturalmente, coisa símile. O educador sempre sentiu a


necessidade de se atualizar, não somente no campo de seu conhecimento, como também na sua
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função pedagógica. Os métodos de ensino tradicionais são aqueles consolidados com o tempo, que
dominam nas instituições de ensino. Ainda persiste, com muitos professores, o método onde o
professor fala, o aluno escuta; o professor dita, o aluno escreve; o professor manda, o aluno obedece.
A maioria, porém, já é mais maleável: o professor fala, o aluno discute; o professor discursa, o aluno
toma nota; o professor pede, o aluno pondera. Em casos específicos, o aluno fala, o professor escuta,
o grupo debate e todos tomam nota, inclusive o professor, procurando ir ao encontro das necessidades
que surgem.
Isto e outras questões levam à crise do ensino, desde o Ensino Fundamental (primário) até a
universidade. Popularizou-se muito, nas instituições, o uso de projetores de multimídia (ou
retroprojetor, ou projetor de transparências, que mereceu o apelido de professor “datashow”ou
"retroprofessor"). Facilitou um pouco a vida do professor, não precisando escrever sempre no quadro
negro, principalmente quando o docente leciona a mesma disciplina para mais de uma turma,
contemporaneamente ou não. Aliás, até o quadro e o giz se modernizou: hoje já é muito comum a
lousa branca com o pincel especial cancelavel. Mas o que prejudica não é o uso do projetor, como em
outras aplicações tecnológicas, mas sim o mau uso do mesmo.
Antes de qualquer coisa, temos que ter cuidado com os excessos: o professor não deve
somente ler, ou ditar, ou escrever ou mesmo projetar transparências durante toda a aula. Deve
oferecer alternativa. O uso de uma técnica (como o retroprojetor ou datashow), por mais de uma hora
contínua, torna-se cansativo, e os alunos perdem a concentração. Outro projetor, que não é tão usado
devido à qualidade da projeção, é o episcópio, ou projetor de opacos. Ele permite a projeção de
imagens ou textos de um livro, sem a necessidade de criar transparências. Mas para projetar textos
não é aconselhado, por necessitar de uma sala escura e perde muito a qualidade na visualização.
Também o aparelho de vídeo, com um monitor (TV), está cada vez mais popular. A maioria
das universidades, escolas públicas e particulares possuem, no setor de audiovisuais, televisores com
vídeo incorporado, facilitando o transporte e uso dos mesmos. [...]. Ter uma videoteca disponível na
universidade seria ideal, mas poucas instituições organizam um setor do gênero. Além de
documentários muito interessantes produzidos principalmente pelas televisões públicas, temos filmes
que são clássicos de literatura ou que tratam de temas polêmicos ou de interesse cultural.
Quem faz uma universidade melhor, não é somente um reitor, mas todos participam do
processo. Os professores e os alunos são grandes responsáveis por isso. Talvez não sejam conscientes
disso. Quando se exige de uma instituição, ela pode ficar indiferente no início. Porém se as
exigências persistem as instituições não pode se fazer de cega e surda. Assim, por exemplo, se uma
universidade não possui uma videoteca, provavelmente não se demonstrou tal necessidade. Os
equipamentos para uso didático estão cada vez mais sofisticados. [...]
A tecnologia muda os meios de comunicação de massa e, paralelamente, os meios de ensino,
não somente dentro da sala de aula, como falei até agora. Está mudando inclusive a própria sala de
aula, com a introdução do ensino a distância, por exemplo. Primeiro foram os correios tradicionais
que incentivaram o ensino em domicílio, por correspondência. As aulas particulares já não
precisavam mais da presença do professor. Depois veio o rádio: o professor fala com você sem estar
ao seu lado fisicamente, não importa onde você esteja desde que esteja com um rádio ligado. Os
discos de vinil e as fita "K-7" fizeram o seu tempo, até o aparecimento dos Cds, contemporaneamente
com a televisão e o vídeo, facilitando ainda mais o ensino a distância: som e imagem ao seu dispor.
Agora temos a internet, com uma variedade quase infinita de possibilidades. O correio ainda continua
presente: enviando fitas e discos, de áudio, imagens e multimídia, além das apostilas. A internet aos
poucos está cada vez mais confiável.

3. TRABALHO E FORMAÇÃO DOCENTE

"Globalização" e trabalho docente: no enredo das tecnologias seja a globalização, objeto dos
estudos de Torres (1998, p.28), caracterizada como construção ideológica, seja, como quer alguns,
posta como conceito explicativo de uma nova ordem mundial, um aspecto desta realidade não pode
29
ser ignorado: a educação como um todo e o trabalho docente, em especial, estão sendo
reconfigurados.
Em outras palavras, na perspectiva da "globalização" e do "globalitarismo", termo cunhado
por Ramonet (1999) para dar conta da espécie de ditadura do pensamento único que regula a
construção ideológica, a escola deve romper com a sua forma histórica presente para fazer frente a
novos desafios. A pretensão, neste trabalho, é analisar as determinações (concretas e pressupostas) e
os sentidos (hegemônicos e em disputa por hegemonia) dessa reconfiguração, tomando por base os
discursos que introduzem e justificam as atuais políticas de formação de professores.
No movimento de reconfiguração de trabalho e formação docente, outro aspecto parece
constituir objeto de consenso: a possibilidade da presença das chamadas "novas tecnologias" ou, mais
precisamente, das tecnologias da informação e da comunicação (TIC). Essa presença tem sido cada
vez mais constante no discurso pedagógico, compreendido tanto como o conjunto das práticas de
linguagem desenvolvidas nas situações concretas de ensino quanto as que visam a atingir um nível de
explicação para essas mesmas situações.
Em outras palavras, as TIC têm sido apontadas como elemento definidor dos atuais
discursos do ensino e sobre o ensino, ainda que prevaleçam nos últimos. Atualmente, nos mais
diferentes espaços, os mais diversos textos sobre educação têm, em comum, algum tipo de referência
à presença das TIC no ensino. Entretanto, a essa presença têm sido atribuídos sentidos tão diversos
que desautorizam leituras singulares. Assim, se aparentemente não há dúvidas acerca de um lugar
central atribuído às TIC, também não há consenso quanto à sua delimitação.
Lévy (1999) afirma que, no limite, as TIC estão postas como elemento estruturante de um
novo discurso pedagógico, bem como de relações sociais que, por serem inéditas, sustentam
neologismos como "cibercultura". No outro extremo, o que as novas tecnologias sustentam é uma
forma de assassinato do mundo real, com a liquidação de todas as referências, em jogos de
simulacros e simulação (BAUDRILLARD, 1991).
Para Moran, (2004) no entremeio, podem constituir novos formatos para as mesmas velhas
concepções de ensino e aprendizagem, inscritas em um movimento de modernização conservadora,
ou, ainda, em condições específicas, instaurar diferenças qualitativas nas práticas pedagógicas. Em
síntese, a presença das TIC tem sido investida de sentidos múltiplos, que vão da alternativa de
ultrapassagem dos limites postos pelas "velhas tecnologias", representadas principalmente por
quadro-de-giz e materiais impressos, à resposta para os mais diversos problemas educacionais ou até
mesmo para questões socioeconômico-políticas.
Nas palavras de Mattelart (2002, p. 9), a segunda metade do século XX foi marcada pela
"formação de crenças no poder miraculoso das tecnologias informacionais". Mesmo que, em
princípio, pareça ingênuo, este último movimento está inscrito em um modo de objetivação das TIC
inextricavelmente ligado à concepção de "sociedade da informação".

4. As TIC para a Educação a Distância

Para Fonseca (1998) os organismos internacionais têm forçado, por meio do estabelecimento
de "condicionalidades" para a concessão de créditos e a aplicação de sanções pelo seu
descumprimento, a incorporação das TIC como elemento central de qualquer política educacional
atenta às transformações engendradas pela chamada revolução científico-tecnológica e às
necessidades da economia.
Nas palavras de Barreto e Leher "Um admirável mundo novo emerge com a globalização e
com a revolução tecnológica que a impulsiona rumo ao futuro virtuoso". (...) A partir dessa premissa,
organismos internacionais e governos fazem ecoar uma mesma proposição: é preciso reformar de alto
a baixo a educação, tornando-a mais flexível e capaz de aumentar a competitividade das nações,
únicos meios de obter o passaporte para o seleto grupo de países capazes de uma integração
competitiva no mundo globalizado". (2003, p. 39).
Nesse movimento, tem sido anunciado um novo paradigma educacional. O anúncio é
recorrente no site do MEC, cuja formulação, vale insistir, levou o discurso dos organismos
30
internacionais às últimas conseqüências, posicionando as tecnologias no lugar dos sujeitos. Esse
paradigma é constituído pela substituição tecnológica e pela racionalidade instrumental, está inscrito
na "flexibilização", especialmente na precarização do trabalho docente, sendo coerente com a lógica
do mercado: quanto maior a presença da tecnologia, menor a necessidade do trabalho humano.
Chaui (1999) prevê cada vez menos professores e mais alunos, sob a alegação de que o
desempenho dos últimos depende menos da formação dos primeiros e mais dos materiais utilizados.
A rigor, o discurso do MEC opera duas inversões: substitui a lógica da produção pela da circulação e
a lógica do trabalho pela da comunicação, na crença de que, "sem alterar o processo de formação de
professores do ensino básico e sem alterar seus salários aviltantes, tudo irá bem à educação desde que
haja televisões e computadores nas escolas".
Ainda na fala de Mattelart (2002) as propostas dos organismos internacionais, "o acesso via
Internet ao 'saber universal', que necessariamente terá a sua fonte nos monopólios de saber já
existentes, resolveria o problema não apenas da fratura digital, mas também o da fratura social"
(MATTELART, 2002, p. 164). Nestes termos, é formulada a proposta de "tecnologias para todos",
como superação do chamado "divisor digital".
Em contrapartida, como afirma Leher (1997, p. 130), o próprio Banco Mundial, ao assinalar
que a utilização das tecnologias é o "instrumento privilegiado para inserir os países no fluxo
hegemônico do Tempo", também reconhece a inviabilidade de que os países caracterizados pelos
tempos lentos (em desenvolvimento, periféricos, do Sul) venham a ser inseridos no ritmo acelerado
dos países centrais (do Norte).
Desse modo, ao passo que são apregoadas novas possibilidade, como a superação do divisor
digital, é instituída, com base na sua própria ressignificação, uma espécie de apartheid educacional
em escala planetária. Ao passo que o discurso trata da democratização do acesso, as práticas sociais
evidenciam que essa espécie de linha divisória entre os incluídos e os excluídos não diz respeito a
acesso ou ausência de acesso, mas aos modos como ele é produzido e aos sentidos de que é investido.

5. Tendências atuais

Para Freitas (1992), as formulações da virada do século, ainda que em novas bases, não
deixam de constituir uma retomada das propostas produzidas na década de 1970. "Mantém-se aqui
sua característica fundamental: uma análise da educação desgarrada de seus determinantes históricos
e sociais". Portanto, assumem cunho marcadamente neotecnicista, do gerenciamento da educação a
partir de competências, passando pela aposta nos materiais ditos "autoinstrucionais", até as
alternativas de uma sociedade sem escolas.
O que há de novo são discursos muito mais elaborados, sob os mais diversos pontos de vista,
assim como mais ágeis na conquista de materialidade mais espessa. Assim, nas relações entre
discurso e mudança social, a "comodificação" do discurso educacional ultrapassa os limites da
dimensão simbólica e instaura, concretamente, o lugar da sobremercantilização da educação: os
cursos como pacotes, a prestação de serviços educacionais, o gerenciamento da OMC. Ou, por outro
ângulo, o campo da ideologia teria sido reconfigurado para promover as condições mais favoráveis às
mudanças pretendidas.
De qualquer modo, as relações entre discurso e mudança social precisam ser objeto de atenta
análise política, com o fim dar conta de novos clichês que, circulando, contribuem para a produção de
um imaginário o qual faz com que uma interpretação particular apareça como sendo a necessária, ao
sustentar a legitimação e a fixação de sentidos hegemônicos.
Vale lembrar que, do ponto de vista discursivo, ideologia corresponde a hegemonia de
sentido. O sentido hegemônico das TIC aponta para o primado da dimensão técnica, apagando as
questões de fundo. Em se tratando da sua incorporação educacional, parece não haver espaço para a
análise dos seus modos e sentidos.
Na perspectiva maniqueísta de "plugados ou perdidos", quaisquer objeções podem ser alvo
da desqualificação que marca o segundo grupo. Enquanto isso, no primeiro, as discussões podem ser
travadas a partir de questões como as diferenças entre aprendizagem cooperativa e colaborativa, ou
31
entre construtivismo e construcionismo (Papert, 1993), nos limites da esfera dita pedagógica, sem
remeter às suas dimensões econômicas, políticas e sociais.
Neste contexto, é importante verificar a afirmação de um "novo paradigma", recorrente no
site do MEC, ou paradigma emergente, em geral associado ao afastamento das objetivações
supostamente marcadas pela simplicidade, em direção à complexidade (MORIN, 1998). É inegável a
hegemonia do movimento de virtualização do ensino, na perspectiva de e learning, cuja tradução
mais comum tem sido "educação a distância via Internet": uma forma de aprendizagem em que a
mediação tecnológica é destacada, nos mais diversos "ambientes de aprendizagem".
Mesmo sem entrar no mérito da polissemia desta expressão, é importante pontuar que ela
deixa de contemplar o ensino, concentrando-se no segundo elemento do par: a aprendizagem. É
quebrada a unidade ensino-aprendizagem, que tem dado sustentação aos mais diversos estudos acerca
das práticas educativas, supondo a aprendizagem sem ensino ou, ainda, o ensino inteiramente
identificado aos materiais que sustentam as alternativas de e-learning. Em qualquer das hipóteses,
essa quebra não pode ser desvinculada do "novo lugar" do professor, na condição de profissional do
ensino.
Ainda quanto aos clichês em circulação, é possível verificar um deslocamento significativo
de "não se aprende apenas na escola" para "não se aprende na escola", na medida em que remete à
tendência de desterritorialização da escola. Não apenas toda a ênfase está sendo posta nos ambientes
de aprendizagem, mas os textos já contemplam "educações" diversas, materializadas nas expressões
"educação acadêmica" e "educação corporativa".
Retomando o ponto de partida deste conjunto de reflexões, é possível afirmar que a
desterritorialização proposta não pode ser pensada fora dos parâmetros mercadológicos e do
pressuposto de que a escola deva romper com a sua forma histórica presente para fazer frente aos
desafios da "globalização". Rejeitando esta lógica, o desafio maior é fazer frente à tentativa de
apagamento dos determinantes históricos e sociais da escola. Nas palavras de Alves (2004, p. 218):
O que está em jogo não é só o discurso competente: "Aquele que pode ser proferido, ouvido
e aceito como verdadeiro ou autorizado porque perdeu os laços com o lugar e o tempo de sua origem"
(Chaui, 1989, p. 9). É, entre outras questões, a redução das TIC à EAD, como forma material da
"comodificação". São os embates contemporâneos entre a proposta de educação como mercadoria e a
sua defesa como direito e prática emancipatórias.

6. A Utilização das Novas Tecnologias na Educação

Estudos demonstram que a utilização das novas tecnologias de informação e comunicação


(NTICs), como ferramenta , traz uma enorme contribuição para a prática escolares em qualquer nível
de ensino. Essa utilização apresenta múltiplas possibilidades que poderão ser realizadas segundo uma
determinada concepção de educação que perpassa qualquer atividade escolar.
É importante salientar que, desde o inicio da década de 90, as escolas públicas de vários
estados têm sido equipadas com um verdadeiro arsenal de tecnologias: TV Escola, vídeo-escola,
centrais de informática, etc. Todos esses projetos têm a pretensão de ensinar com o apoio das
máquinas e assim melhorar a prática pedagógica. Certamente tais tecnologias têm auxiliado, em
algum momento, o processo de ensino e talvez o de aprendizagem, mas o resultado tem sido pouco
observável na prática e a educação formal continua essencialmente inalterada.
Para Loing (1998), a introdução das NTICs na educação deve ser acompanhada de uma
reflexão sobre a necessidade de uma mudança na concepção de aprendizagem vigente na maioria das
escolas atualmente.
Segundo Litto (1992), o atual sistema educacional é um espelho do sistema industrial de
massa, onde os alunos passam de uma série a outra, numa seqüência de matérias padronizadas como
se fosse uma linha de montagem industrial. Os conhecimentos acumulados são despejados em suas
cabeças; alunos com maior capacidade para absorção de fatos e comportamento submisso são
colocados em uma trilha mais veloz, enquanto outros são colocados na trilha de velocidade mediana.

32
"Produtos defeituosos" são tirados da linha de montagem e devolvidos para "conserto".
Estamos vivendo em uma era de transformações, uma era de interdependência global com a
internacionalização da economia e a super valorização da comunicação e informação. Organizações
da sociedade industrial estruturadas para desempenhar tarefas de natureza hierárquicas de comando e
controle estão sendo substituídas, devido à competitividade e à complexidade, pela formação de
grupos em torno de projetos específicos.
Comando e controle dão lugar à aprendizagem e resposta, numa tentativa, por parte de cada
organização, de ser a primeira a chegar ao mercado com produto ou serviço de boa qualidade. O
ambiente apropriado para a realização desse tipo de trabalho tem sido o que privilegia reuniões
presenciais de grupos, mas também fornece acesso instantâneo à rede Internet e aos discos e
disquetes contendo respostas para permitir as tomadas de decisões do grupo. Comprovando assim
que o ambiente de aprendizagem ou trabalho determina, em parte, a natureza do produto.
Com a revolução tecnológica e científica, a sociedade mudou muito nas últimas décadas.
Assim a educação não tem somente que adaptar às novas necessidades dessa sociedade do
conhecimento como, principalmente, tem que assumir um papel de ponta nesse processo. Os recursos
tecnológicos de comunicação e informação têm se desenvolvido e se diversificado rapidamente. Eles
estão presentes na vida cotidiana de todos os cidadãos, que não podem ser ignorados ou desprezados.
Embora seja possível ensinar e aprender sem eles, as escolas têm investido cada vez mais
nas NTICs. Pela enorme influência que essas NTICs, especialmente a computação, têm exercido
atualmente na educação é que torna-se necessária uma reflexão sobre a concepção de aprendizagem
que deverá perpassar a utilização dessa tecnologia na prática educativa.
Uma idéia muito difundida na educação é que as NTICs, principalmente a informática,
servem para facilitar o processo de ensino e aprendizagem. Essa idéia está ligada ao fato de que a
tecnologia entrou na vida do homem para facilitar. Dessa maneira a utilização das NTICs está
fundamentada em uma concepção de aprendizagem Behaviorista, onde aprender significa exibir
comportamento apropriado. Assim o objetivo principal da educação se restringe a treinar os
estudantes a exibirem um determinado comportamento e controlá-lo externamente.
Uma segunda idéia é o uso do computador na educação como dispositivo para ser
programado, realizando o ciclo descrição execução reflexão depuração descrição, que é de extrema
importância na aquisição de novos conhecimentos. Segundo Valente (1998), diante de uma situação
problema, o aprendiz tem que utilizar toda sua estrutura cognitiva para descrever para o computador
os passos para a resolução do problema, utilizando uma linguagem de programação.
A descrição da resolução do problema vai ser executada pelo computador. Essa execução
fornece um "feedback" somente daquilo que foi solicitado à máquina. O aprendiz deverá refletir
sobre o que foi produzido pelo computador; se os resultados não corresponderem ao desejado, o
aprendiz tem que buscar novas informações para incorporá-las ao programa e repetir a operação.
Dessa forma, o computador complica a vida do aprendiz ao invés de facilitá-la.
Com a realização desse ciclo, o aprendiz tem a oportunidade de encontrar e corrigir seus
próprios erros e o professor, entender o que o aprendiz está fazendo e pensando. Portanto, o processo
de achar e corrigir o erro constitui uma oportunidade única para o aluno aprender sobre um
determinado conceito envolvido na solução de um problema ou sobre estratégias de resolução de
problemas.
A realização do ciclo descrição execução reflexão depuração descrição não acontece
simplesmente colocando o aprendiz diante do computador. A interação alunocomputador precisa ser
mediada por um profissional agente de aprendizagem que tenha conhecimento do significado do
processo de aprender por intermédio da construção de conhecimento, para que ele possa entender as
idéias do aprendiz e como atuar no processo de construção do conhecimento para intervir
apropriadamente na situação, de modo a auxiliá-lo nesse processo.
Essa idéia está fundamentada nos princípios da teoria construtivista de Piaget, que parte da
premissa que o conhecimento não procede apenas da programação inata do sujeito e nem de sua
única experiência sobre o objeto, mas é resultado tanto da relação recíproca do sujeito com seu meio,
quanto das articulações e desarticulações do sujeito com esse objeto. Dessas interações surgem
33
construções cognitivas sucessivas, capazes de produzir novas estruturas em um processo contínuo e
incessante.
Portanto, o uso das NTICs na educação deve ter como objetivo mediar a construção do
processo de conceituação dos alunos, buscando a promoção da aprendizagem e desenvolvendo
habilidades importantes para que ele participe da sociedade do conhecimento e não simplesmente
facilitando o seu processo de ensino e de aprendizagem. Para que as NTICs promovam as mudanças
esperadas no processo educativo, devem ser usadas não como máquinas para ensinar ou aprender,
mas como ferramenta pedagógica para criar um ambiente interativo que proporcione ao aprendiz,
diante de uma situação problema, investigar, levantar hipóteses, testá-las e refinar suas idéias iniciais,
construindo assim seu próprio conhecimento.
A utilização das NTICs na educação não garantirá por si só a aprendizagem dos alunos, pois
as mesmas são instrumentos de ensino que podem e devem estar a serviço do processo de construção
e apropriação do conhecimento dos aprendizes. A introdução desses recursos na educação deve ser
acompanhada de uma sólida formação dos professores para que eles possam utilizá-las de uma forma
responsável e com potencialidades pedagógicas verdadeiras, não sendo utilizadas como máquinas
divertidas e agradáveis para passar o tempo.

7. A informática como objeto de estudo

Devemos propor a informática como objeto de estudo e não apenas como recurso de ensino-
aprendizagem. Este estudo deveria ser informado por pesquisas na área que investiguem:
 A questão do próprio uso da informática na educação, a partir da experiência e
práticas não desenvolvidas pela defesa a priori de que esse uso está à melhoria do processo
ensino-aprendizagem e à aprendizagem significativa;
 Cultura da informática e suas relações com a cultura escolar e outros universos
culturais.
Cabe perguntar: em que medida o uso, por exemplo, da internet favorece a construção de
uma perspectiva intercultural na escola ou o fortalecimento de posturas monoculturais ou de
preconceitos em relação à cultura dos diferentes, ou ainda, em que medida o uso da internet implica
uma cultura diferente, no entrecruzamento das culturas na escola.
Deve-se ainda estudar, nos processos de educação à distância mediada pelo computador:
 A relação da flexibilização do tempo para as atividades de ensino-aprendizagem com
questões de intensificação do trabalho docente;
 As novas características do papel do professor e dos processos de avaliação.
Deve-se, finalmente, lidar com os recursos tecnológicos da sociedade do conhecimento de forma
crítica, o que envolve o entendimento de que:
 Esses recursos estão inscritos nas relações capitalistas de produção, num contexto de
redefinição da teoria do capital humano, que é reconceptualizado, nas novas organizações,
com capital intelectual;
 Esses recursos se articulam com questões atuais do desemprego estrutural e subemprego;
 No entanto, o conhecimento o conhecimento e o desenvolvimento tecnológico são forças
materiais também na concretização de valores que se relacionam com os interesses dos
excluídos, contradizendo os valores próprios da acumulação capitalista;
 Em todo contexto discutido, a educação assume papel crucial na socialização e
construção do conhecimento e da cultura, podendo ultrapassar o caráter instrumental do
conhecimento, tendo em vista a formação de cidadãos comprometidos com: a igualdade e a
inclusão sociais; a tolerância e o diálogo intercultural.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

As transformações nas formas de comunicação e de intercâmbio de conhecimentos,


desencadeadas pelo uso generalizado das tecnologias digitais nos distintos âmbitos da sociedade
34
contemporânea, demandam uma reformulação das relações de ensino e aprendizagem, tanto no que
diz respeito ao que é feito nas escolas, quanto a como é feito. Precisamos então começar a pensar no
que realmente pode ser feito a partir da utilização dessas novas tecnologias, particularmente da
Internet, no processo educativo. Para isso, é necessário compreender quais são suas especificidades
técnicas e seu potencial pedagógico.
As Novas Tecnologias e Educação visa discutir as possibilidades que o ciberespaço oferece
para a criação de novos padrões de aquisição e construção dos conhecimentos, ao permitir o uso
integrado e interativo de diversas mídias, a exploração hipertextual de um volume enorme de
informações e a comunicação a distancia.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALVES, N. Imagens de tecnologias nos cotidianos das escolas, discutindo a relação"


localuniversal". In: ROMANOWSKI et al. (Org.). Conhe- 1199 Educ. Soc., Campinas, vol. 25,
diversidade, mídias e tecnologias na educação. Curitiba: Champagnat, 2004.

BARRETO, R.G.; LEHER, R. Trabalho docente e as reformas neoliberais. In: OLIVEIRA, D.A.
(Org.). Reformas educacionais na América Latina e os trabalhadores docentes. Belo Horizonte:
Autêntica, 2003.

BAUDRILLARD, J. Simulacros e simulação. Lisboa: Relógio d'Água, 1991.


http://www.webartigos.com/artigos/a-educacao-e-as-novas-tecnologias/3050/

...............

TRABALHO 3
TEXTO 1.

Não resta dúvida de que, nos dias de hoje, a utilização de novas formas de interação on-line atende às
novas necessidades dos alunos; o incentivo à aprendizagem ativa e significativa ao aluno já pode ser
comprovada por meio de vários projetos já desenvolvidos em todo pais; é evidente o acesso rápido e
eficiente na obtenção de informações relevantes e diversificadas e a melhoria da qualidade da
comunicação entre professores e alunos são viabilizadas pelas ferramentas interativas.
Hoje a tecnologia é útil ao aprendizado, pois o seu desconhecimento vem gerando no mundo atual o
mesmo tipo de exclusão que sofre o analfabeto no mundo da escrita. .Mas agora vem a seguinte
pergunta, o que é necessário? Esta é uma pergunta difícil de ser respondida, pois depende do
contexto, da realidade em que se vive e da autonomia de cada um.

QUESTÃO 1

Leia o parágrafo acima e observe que o texto ressalta a importância das novas formas de interação
on-line, ou seja, há uma clara necessidade da utilização das novas tecnologias da informação e
comunicação, bem como o incentivo à aprendizagem ativa e significativa do aluno através das
ferramentas interativas.
A parte mais relevante que o autor destaca em relação à utilização das NTICs é a seguinte: “Hoje a
tecnologia é útil ao aprendizado, pois o seu desconhecimento vem gerando no mundo atual o mesmo
tipo de exclusão que sofre o analfabeto no mundo da escrita”.
Comente esse fato, justificando a sua concordância ou não à afirmativa citada.

35
QUESTÃO 2

Outro parágrafo que contém considerações importantes sobre a utilização das tecnologias na
educação é o seguinte: “Evitar a resistência pelo desconhecimento é entender que o computador e o
software educacional, seja ele qual for, é uma ferramenta auxiliar do processo de aprendizagem do
aluno. Uma aula ruim é ruim com ou sem tecnologia, e uma aula boa será sempre boa
independentemente da tecnologia utilizada. Isto significa dizer que: a qualidade está no conteúdo que
deve ser bem planejado e disponibilizado de modo que seja possível a aquisição de conhecimento
pelo aluno”.

Você concorda com a afirmação do auto? Justifique.

TECNOLOGIAS PARA A EAD - VIA INTERNET

Mário Sérgio da Silva Brito2

2
Mário Sérgio da Silva Brito (brito@uefs.br) - é graduado em Informática (UCSal), especialista em informação em
saúde, mestre em saúde coletiva (UEFS) e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana/BA (UEFS).

36
A educação a distância (EAD) pode e tem sido realizada por diversos meios, seja rádio,
correio, telefone, televisão, dentre outros. No entanto, o sucesso dos cursos não depende unicamente
da tecnologia empregada, assim como, muitas experiências atuais não obtêm o êxito esperado devido
a diversos fatores alheios ao meio tecnológico utilizado. Entretanto, não se pode negar que o
surgimento de novas tecnologias de informação e comunicação (NTIC), originadas na década de 60 e
consolidadas nos anos 90, têm corroborado sensivelmente para o crescimento do ensino a distância.
As NTIC provocaram uma revolução não somente no campo da educação, mas também
influenciaram todo o estilo de vida da sociedade do final do século XX. A característica principal que
impulsionou sua aplicação na EAD foi a possibilidade de manter, de forma fácil e rápida, a interação
professor-aluno. A mediação desta interação pode ser realizada por diversos métodos e técnicas que
seu tilizam de abordagens síncronas e assíncronas. As abordagens síncronas são aquelas onde
professor e aluno devem estar utilizando o meio no mesmo instante. Já nas assíncronas, a interação
pode se dar independente da presença de ambos, podendo ser realizada em momentos distintos.
As abordagens síncronas têm como vantagem a possibilidade de interação em tempo real,
não sendo necessário esperar para obter respostas ou realizar discussões. Entretanto, sua utilização é
limitada, não somente porque encontram mais empecilhos tecnológicos para serem implementadas,
como sempre haverá problemas de compatibilidade de horários, além das restrições de tempo do
próprio professor que não poderá estar o tempo inteiro disponível para este tipo de interação. Como
síncronas, podem ser citadas as interações mediadas por chat (batepapo), telefone e videoconferência.
Como no modelo assíncrono não há necessidade da presença dos atores do processo ensino-
aprendizagem no mesmo momento, torna-se mais flexível a interação entre eles. A possibilidade de o
aluno enviar suas dúvidas a qualquer momento e o professor poder respondê-las sem a preocupação
da iminência do final da aula estabelece uma dinâmica importante para o desempenho dos alunos e os
estimula a criarem questões bem elaboradas, colaborando para a sistematização de suas dúvidas e
uma melhor organização de seus questionamentos acerca do tema em estudo. Como exemplos do
modelo assíncrono, podem ser citados o correio eletrônico (e-mail), os fóruns de discussão, o correio,
a televisão, as páginas web, as listas de discussão, dentre outros.
Entretanto, segundo Romani e Rocha (2001), há que se levantar alguns pontos que podem
interferir na efetividade dos mecanismos baseados em abordagem assíncrona:
· tempo de resposta: é preciso que as questões e/ou considerações efetuadas pelo aluno sejam
prontamente respondidas, sob pena de desmotivar o aluno;
· sobrecarga do professor: caso não seja realizado. Num planejamento adequado, o professor pode
ser inundado por um mar de perguntas e/ou considerações. Dessa forma, será incapaz de responder a
todos, além de causar um retardo no tempo de resposta aos alunos;
· motivação do aluno: é preciso estar atento a procedimentos que mantenham o aluno com um nível
de motivação elevado, colaborando assim para que se sinta cada vez mais impelido a interagir com o
professor e com os demais alunos. É preciso que ele perceba que suas questões são importantes e que
sua colaboração é extremamente relevante para o crescimento do grupo como um todo. Vencer a
timidez do aluno é uma difícil tarefa que permeia o processo de ensino-aprendizagem em qualquer
metodologia, seja ela a distância ou presencial;
· sistematização de questões: deve ser uma preocupação constante dos envolvidos no curso, pois
questões evasivas serão menos compreendidas pelo professor, interferindo no tempo de resposta, e
poderão não ter o resultado que o aluno esperava, interferindo em sua motivação;
· sistematização das respostas: o professor também deverá estar preparado para responder de forma
clara o objeto de dúvida do aluno. De sua clareza e objetividade dependerá a motivação do aluno,
pois saberá que pode contar com o apoio da equipe de ensino nos momentos em que tiver
dificuldades;
Para melhor entender as tecnologias de EAD e compreender suas características positivas e
negativas, serão apresentadas a seguir algumas tecnologias utilizadas atualmente. Serão
primariamente enfocados os mecanismos de comunicação e informação disponíveis na Internet, visto
37
que as demais tecnologias, como televisão, rádio, CD-ROM, dentre outras, não fazem parte do
escopo deste trabalho. Logicamente não se descarta a importância destes meios para a elaboração de
experiências em EAD, muito menos se questiona ou põe em xeque a possibilidade de sucesso ou a
qualidade de cursos realizados com estas tecnologias.

Internet - A Internet tem se mostrado como um meio natural para a difusão da EAD em todo o
mundo. O motivo principal é a diversidade de ferramentas de interação que possui.
Ademais, seu baixo custo e a popularização alcançada desde a década de noventa, fez com que aos
poucos fosse se tornando parte indispensável na vida das pessoas. É claro que há muito o que evoluir
não somente no aspecto tecnológico, mas sobretudo no que diz respeito à sua democratização,
permitindo o acesso de camadas da população de baixa renda.
Bittencourt (1999) acrescenta, como vantagens da Internet, a possibilidade do rompimento
de barreiras geográficas de espaço e tempo, permitindo ainda o compartilhamento de informações em
tempo real, o que apoia o estabelecimento de cooperação e comunicação entre grupos de indivíduos.
Outro ponto positivo da Internet é a disponibilidade de mecanismos de mediação síncronos ou
assíncronos, que podem ser utilizados ao mesmo tempo, ou não. A combinação destes mecanismos
torna a Internet um meio flexível e dinâmico para o estabelecimento da EAD. Buscaremos relacionar
aqueles mecanismos que mais têm sido utilizado.

HTML - A Hypertext Markup Language (HTML) é uma linguagem criada para a manipulação e
exibição de hipertextos disponíveis em todos os servidores da Internet.
Por meio dela, é possível se realizar a interligação entre documentos com o auxílio de “links”
(Bittencourt, 1999).
A HTML se apresenta como um dos principais mecanismos de apoio a EAD na Internet,
visto que sua utilização permite a disponibilização do material didático necessário para o
desenvolvimento das aulas, criando apostilas on-line que podem ser utilizadas pelos alunos.
Entretanto, suas possibilidades vão muito além da simples apresentação de documentos, que
em conjunto com outras linguagens como Java, VBscript, PHP, JavaScript, dentre outras, permite o
acesso a diversas outras ferramentas que surgiram originalmente independentes e hoje se encontram
integradas a uma página HTML. Dessa forma, o usuário tem uma maior diversidade de recursos, com
dispositivos de interface semelhantes, e o administrador de um curso de EAD pode contar com
inúmeras ferramentas administrativas para gerenciar o curso e permitir maior interação entre
professor e aluno. É mediante a integração da HMTL com outras linguagens e com Sistemas
Gerenciadores de Banco de Dados (SGBD) que são construídos os ambientes virtuais
proporcionando ao aluno a sensação de estar em um Campus Virtual.
Os documentos HTML são apresentados e manipulados por aplicativos desenvolvidos para
possibilitar a navegação entre as páginas, denominados de Browsers ou Navegadores. Diversos
navegadores estão disponíveis na Internet, possibilitando uma grande variedade de recursos, além de
possibilitar a integração com Plugins, que permitem adicionar novas funções ao navegador advindas
de outros produtos ou fabricantes, tais como o Macromedia Flash, que permite a visualização de
conteúdo animado no navegador.

E-mail - Como ratificado por Laudon e Laudon (1999) e Goldwein (1998), o e-mail, correio
eletrônico, é um dos serviços mais utilizados na Internet. Com ele é possível enviar correspondências
em texto, ou com arquivos de quaisquer tipos anexados (por exemplo imagens ou textos), para
qualquer pessoa de forma assíncrona.
O e-mail causou grande impacto nas relações de comunicação entre pessoas e organizações,
reduzindo substancialmente os custos com a comunicação e aumentando a velocidade de transmissão
da informação. Antes a comunicação era realizada basicamente por telefone e correios, o que
acarretava em altos gastos com ligações de longa distância e na espera durante dias para que algum
documento fosse enviado via correios, quando estes não eram extraviados.

38
Tem se tornado comum nos mais diversos campos e com variados objetivos, podendo tanto
ser utilizado para o envio de uma simples mensagem para um amigo, como para o envio de
propagandas em malas diretas contendo recursos gráficos sofisticados, como animações em Flash.
Na EAD, o e-mail exerce um papel fundamental, pois é responsável pela interface entre
alunos-professores, alunos alunos e professores-professores, ou seja de um modo geral, engloba todos
que estão envolvidos com o curso ou com a administração do ambiente virtual, fazendo
questionamentos, comentários ou sugestões. Entretanto, sua utilização deve ser exercida com
cuidado, pois pode se tornar em um instrumento de desmotivação do aluno caso não sejam
observados certos aspectos como os citados anteriormente: tempo de resposta; sobrecarga do
professor; sistematização de questões; e sistematização de respostas (Romani; Rocha, 2001).

Fórum - Os fóruns representam discussões assíncronas realizadas por meio de um quadro de


mensagens, que dispõe de diversos assuntos e temas sobre os quais o usuário pode emitir sua opinião,
sendo possível ainda, contra-argumentar opiniões emitidas por outros usuários formando uma cadeia
dinâmica de debates.
Um fórum pode ser classificado por assuntos e as mensagens relacionadas em ordem
cronológica, mantendo uma organização hierárquica das mensagens, podendo identificar a seqüência
da discussão e a que assunto estão relacionadas (Fischer, 2000).
Ao estabelecer uma gama variada de temas que podem ser acessadas a qualquer momento,
os fóruns se tornam uma ferramenta importante para o desenvolvimento da EAD. Além de emitir
opinião, o aluno pode utilizá-los para o esclarecimento de dúvidas, mediante a leitura do que já tenha
sido abordado pelos demais membros do grupo.
Porém, como as demais ferramentas disponíveis para a EAD, a utilização do fórum necessita
de certos cuidados, pois, em muitos casos, o aluno não se sente motivado a participar do fórum, ou
apresenta timidez em expor suas ideias ao grupo por escrito. Esta afirmação é ratificada por estudo de
Giannella, Salles e Struchiner, que aponta o fórum como uma ferramenta muito rica para a
construção colaborativa de conhecimento, onde tanto alunos como professores podiam sugerir
temáticas e incluir comentários livremente (2001: 30), e apesar disso comprova um baixo número de
contribuições em um fórum.
Santanché (2001) apresenta como possíveis razões para a baixa participação dos alunos em
fóruns a dificuldade de organização de debates que seguem uma metodologia e a falta de objetividade
dos participantes de um debate. No entanto, destaca que a solução para o problema pode advir da
estimulação do aluno pelo professor ou de inovações metodológicas na concepção das ferramentas de
fórum, tais como a one minute essay, a recitation-style e a confrontation and debate, propostas por
Jackson e Madison e implementadas pelo ambiente de EAD POLIS.
A estratégia de confrontação e debate chama a atenção pela estimulação do aluno. Neste
modelo, o aluno é solicitado a escolher entre duas alternativas relacionadas a um tema. Em seguida
deve comentar a razão pela qual escolheu determinada alternativa.
Após a primeira interação, o sistema apresenta um comentário de outro aluno que
anteriormente defendeu a outra alternativa como resposta e pede que ele comente a posição daquele
aluno.
Após analisar e comentar as posições de seus colegas, o aluno poderá decidir se deseja
manter sua opinião inicial ou modificar sua posição acerca do tema justificando sua decisão.
Este mecanismo é apenas um exemplo de como podem ser criadas alternativas para a
melhoria da motivação e participação do aluno. Novas formas e modelos podem ser criados ou
adaptados para a solução deste problema. É claro que não depende apenas de ferramentas
tecnológicas.
A metodologia utilizada pelo professor será fundamental para se alcance sucesso na
utilização do fórum na EAD.

Chat - O Chat, mais conhecido no Brasil como bate-papo, éoutra ferramenta que pode ser aplicada a
EAD, tendo como objetivo principal o estabelecimento de discussões síncronas por via textual
39
(Fischer, 2000). Os participantes do chat, identificados por pseudônimos, podem enviar e ler
mensagens, estabelecendo uma discussão em grupo e, ainda, trocar mensagens de forma reservada e
particular.
Esta possibilidade de “conversar on-line” pode ser utilizada com diversos objetivos na EAD:
esclarecimento de dúvidas, discussões ou debates, dentre outros. No entanto, existe grande
possibilidade de apresentar desmotivação e/ou desvio do objetivo pretendido. Como o mecanismo é
aberto, ou seja, não existe controle de software sobre o que será discutido, ou mesmo na ordem da
discussão, muitos alunos podem perder o estímulo em participar da discussão ou desviar o papo para
um assunto adverso à finalidade do encontro.
Muitos alunos podem, ainda, sentir-se inibidos a emitir opiniões, seja por receio de expor
suas ideias ao grupo e ser repreendido ou chacoteado, ou simplesmente pela falta de experiência com
o ambiente utilizado, ou por não conseguir acompanhar o ritmo ágil e de certa forma desordenado de
uma seção de chat.
Assim, o professor exerce um papel fundamental para o bom aproveitamento deste
instrumento. Ele deve estar atento para identificar os alunos que não estão participando e instigá-los a
se expressar, com o cuidado de não parecer uma obrigatoriedade, o que poderia provocar maior
retração por parte do aluno. É preciso, ainda, que o professor esteja atento a desvios na discussão,
emitindo considerações que levem o grupo a retomar o objetivo pretendido.
Para que o professor possa melhor desempenhar sua função de coordenador de debates ou
discussões em chats, é preciso que a ferramenta utilizada lhe forneça uma série de informações
gerenciais que o auxiliem na identificação de possíveis problemas. Dentre as possibilidades
gerenciais estão o controle de autorização, permitindo acesso apenas a alunos de uma turma, quando
necessário; saber a frequência de intervenção dos participantes; excluir da sala usuários que não
respeitem as normas estabelecidas; saber quais alunos estão realizando conversas paralelas, pois a
depender da frequência isto pode interferir no debate do grupo; além de várias outras possibilidades
que auxiliem o professor na tarefa de coordenar a discussão (Fischer, 2000).
Outro aspecto importante é a possibilidade de armazenar toda a discussão realizada e
disponibilizar o conteúdo para que um aluno que não participou do evento possa se inteirar do que foi
discutido, ou para que algum membro do grupo possa examinar com mais cuidado a discussão
realizada. É importante ainda para que o professor analise o andamento e qualidade da discussão e o
comportamento dos alunos, podendo, assim, traçar novas metodologias a serem utilizadas nestes
encontros, além de observar o nível de conhecimento exposto pelos alunos, identificando fatores
positivos e negativos que podem ou devem ser explorados durante a realização do curso.
Uma opção muito comum é a utilização dos chats no próprio navegador de Internet,
desenvolvidos em linguagens como o java, php, asp e outras, possibilitando assim uma interface de
maior familiaridade aos usuários. Dessa forma, é possível a integração de sistemas de chat no próprio
ambiente virtual no qual o curso será desenvolvido, restringindo a utilização a participantes do curso,
ou convidados.
Os sistemas de chat existentes dispõem de várias alternativas de interface visando minimizar
a sensação de distância e impessoalidade destes sistemas. Nesse sentido, Carneiro (2002) e Andrade e
Beiler (1999) apresentam alguns destes produtos como o Microsoft Chat, que usa a metáfora de
histórias em quadrinhos para o desenvolvimento da discussão, onde o usuário escolhe um
personagem que o represente e se expressa com o auxílio de balões, que podem representar
pensamentos, cochicho ou fala normal. Os personagens podem ainda exprimir emoções faciais,
selecionando uma dentro da coleção de ícones que as representam.

40
Figura 1 - Interface do Microsof Chat (Carneiro, 2002)

De forma semelhante, o The Palace (Fig. 2), a conversação é realizada por meio de balões,
com os participantes dispostos em uma sala virtual e representados por ícones, denominados de
avatares.

Figura 2 - Interface do The Palace (Andrade; Beiler, 1999)

Lista de Discussão - As listas de discussão são particularmente interessantes para a realização de


cursos a distância, pois possibilitam o envio de correspondências eletrônicas a um único endereço,
sendo repassadas a um grupo de endereços previamente cadastrados em um Servidor de Listas.
Assim, reduz-se sensivelmente o esforço no envio de mensagens para o grupo e possibilita que
qualquer membro do grupo possa enviar dúvidas ou comentários que deseja compartilhar com todo
os integrantes.
As listas de discussão podem ser livres ou moderadas, ou seja, as mensagens enviadas
podem estar sujeitas à aprovação de uma pessoa, chamada de moderador, que irá decidir se o
conteúdo da mensagem deve ou não ser repassado para o grupo. Dessa forma, evita-se que circule na
lista informações que não dizem respeito a seu objetivo, pois sem controle a lista seja sobrecarregada
com mensagens diversas, fazendo com que os usuários tenham suas caixas de mensagens lotadas com
grande número de correspondências, causando-lhe transtorno no recebimento e tempo leitura de tais
mensagens. Entretanto, a moderação reserva um trabalho extra ao professor, que pode preferir uma
alternativa mais simples, deixando a lista sem restrições, apenas estabelecendo normas de conduta na
utilização da lista.

Realidade Virtual - Segundo Whatis, a realidade virtual pode ser definida como a simulação de um
ambiente real ou imaginário que pode ser visualizado em três dimensões, podendo fornecer uma
experiência visual interativa em tempo real com sons, sensações táteis e outras formas de interação
(2001:1), gerando assim uma percepção da realidade nos usuários desta tecnologia.
Esta interface possibilita que, por meio de movimentos naturais e tridimensionais do corpo, o usuário
manipule e visualize objetos e dados em tempo real com a utilização de dispositivos como capacete
de visualização e controle, luva, dentre outros.
Na Internet, vem sendo implementada basicamente pela Virtual Reality Modeling Language
(VRML), ou Linguagem para Modelagem em Realidade Virtual, que permite que um desenvolvedor
distribua ambientes virtuais na Web, possibilitando a manipulação de objetos tridimensionais.
Sua principal restrição para a Internet é ainda a largura de banda, além do custo de
acessórios e equipamentos, caso pretenda reproduzir sensações não visuais. Logo, a utilização da
realidade virtual na EAD ainda é mais uma promessa que uma realidade. Porém, não se pode negar as
perspectivas que esta tecnologia irá introduzir no ensino a distância, como também seu potencial para
aplicação no ensino presencial (Santanché, 2001).

Videoconferência - A videoconferência é definida por Oliveira (1996) como um conjunto de


facilidades de telecomunicações que permite aos participantes, em duas ou mais localidades distintas,
estabelecer uma comunicação bidirecional mediante dispositivos eletrônicos de comunicação,

41
enquanto compartilham, simultaneamente, seus espaços acústicos e visuais, tendo a impressão de
estarem todos em um único ambiente.
A videoconferência é uma das melhores ferramentas de abordagem síncrona, pois possibilita
o uso de imagem e som em tempo real e é a única que possibilita a explorar a linguagem corporal, a
qual é responsável por 80% das impressões do indivíduo durante uma interação (Musey apud Fischer,
2000). Entretanto, este sistema ainda não pôde se tornar uma realidade popular devido a seu alto
custo e à falta de uma infra-estrutura de telecomunicações adequada (Cardoso Neto, 2001).
A videoconferência pode ser oferecida por meio das salas de videoconferência ou por meio
do computador, cujas conexões podem ou não ser realizadas pela Internet. Essas salas são formadas
por auditórios equipados com TV’s, câmeras de vídeo e consoles de controle. As soluções por
computador são compostas por modem, placa processadora de som e imagem, uma pequena câmera e
um microfone, além do software para videoconferência (Cardoso Neto, 2001). Esta solução apesar de
mais barata e acessível, possui mais limitações, principalmente devido a baixa largura de banda
disponível para transmissão de imagem e som via Internet.
Muitas vezes, os que optam por utilizar videoconferência via Internet são obrigados a limitar
o uso dos recursos disponíveis, tais como utilizar somente o áudio, sem imagens, ou estabelecer
mecanismos de controle, tais como, só o professor transmite imagens e os alunos transmitem apenas
áudio. Muitas outras estratégias podem ser adotadas para viabilizar o seu uso enquanto não se dispõe
de infra-estrutura mais adequada para seu funcionamento.
Os sistemas de videoconferência dispõem de outras ferramentas que facilitam a interação
entre os participantes, fazendo com que se tornem ambientes mais completos e interativos. Com este
intuito, as salas de videoconferência também dispõem de computadores, além de outros
equipamentos como as câmeras digitalizadoras de documentos, onde um documento colocado sobre
ela pode ser visualizado por todos os participantes da conferência.
Podem ser apontados como vantagens da videoconferência em relação ao ensino presencial
(Carneiro, 2001, Fischer, 2000):
· aumento da motivação dos alunos;
· amplia a capacidade de comunicação e apresentação;
· agilidade e aumento da produtividade, pois permite maior interação entre os participantes;
· economia de recursos, com a redução dos gastos com viagens;
· economia de tempo, evitando o deslocamento físico para um local especial;
· comodidade de estar em mais de um lugar ao mesmo tempo, pois permite a comunicação simultânea
entre pessoas distantes umas das outras;
· resolução parcial de problemas de planejamento e agendamento de encontros, aulas ou reuniões,
pois não é necessário deslocamento pelos participantes, resultando em praticidade;
· mais um recurso de pesquisa, já que a reunião pode ser gravada e disponibilizada posteriormente;
· visualização de documentos e alteração pelos integrantes do diálogo em tempo real;
· compartilhamento de aplicações;
· compartilhamento de informações (transferência de arquivos).
Na Internet, a videoconferência traz ao modelo de EAD alguns avanços relacionados à tão
criticada impessoalidade existente nas demais ferramentas. Ela permite estabelecer um contato visual
entre o alunos e professores, deixando este de ser um mero referencial simbólico que faz contato por
cartas eletrônicas para desenvolver a personificação dos indivíduos envolvidos na interação.
É claro, como já foi dito, existem limitações tecnológicas e estruturais para um bom
funcionamento da videoconferência. Se não forem tomados os cuidados necessários, pode se tornar
em um instrumento de desmotivação do aluno, visto que tentará falar com o professor e apenas verá
uma imagem intercalada por uma sequência de outras imagens que apenas sugerem a ocorrência de
algum movimento e sons que de tão interrompidos se torna impossível produzir um significado
compreensível.
Alguns softwares para videoconferência via Internet já estão disponíveis para uso, tais
como: Cu-SeeMe da desenvolvido por Tim Dorcey na Universidade de Cornell, EUA; o NV,
desenvolvido por Ron Frederick na Xerox PARC, EUA; o VIC, desenvolvido por Steven McCane e
42
Van Jacobson no Lawrence Berkeley Laboratory e University of California, Berkeley, EUA; o IVS,
desenvolvido por Thierry Turletti no Inria, Sophia-Antipolis, França; o sistema do MCRLab,
desenvolvido por Louis Lamond e Grant Henderson na Universidade de Ottawa, Canadá; o TVS do
Laboratório TeleMídia, PUC-Rio; e o NetMeeting, da Microsoft (Oliveira, 1996).
Os softwares de videoconferência para Internet são geralmente baseados em uma interface que
apresenta as imagens daqueles que estão conectados no momento. A maioria disponibiliza ainda
outras ferramentas adicionais como um chat (bate-papo) para a interação via texto. Este recurso é
fundamental para superar obstáculos de comunicação, substituindo parte do que seria dito, em áudio,
por textos.

Quadro Branco - Quadro Branco é uma ferramenta que possibilita transcender às limitações
impostas pela interface de texto para a discussão e difusão de ideias entre participantes de um curso
on-line. Muitos assuntos e conceitos não podem ser compreendidos rapidamente por meio de texto
escrito, por voz, ou até mesmo mediante gestos transmitidos por vídeo. Em situações presenciais, isto
também acontece, sendo necessário a utilização de outros recursos.
Desenhando esquemas e/ou gráficos em papel ou em um quadro, é possível elucidar estes
casos, proporcionando visualmente uma sequência lógica para o fluxo das informações que se quer
transmitir. Nesse sentido, o Quadro Branco busca reproduzir esta situação com uma janela em
branco, onde se pode escrever, desenhar, colar dados e imagens, cujo conteúdo é propagado para os
demais participantes dispersos geograficamente.
A utilização de um Quadro Branco eletrônico possui características que precisam ser
observadas, algumas precisam de suporte tecnológico, enquanto outras podem ser resolvidas com o
estabelecimento de normas e regras de utilização:
· quem pode escrever: deve-se decidir se todos os usuários poderão escrever no quadro. Isto pode
gerar confusão, pois dificulta saber quem escreveu o quê, e a sequência com que as informações
foram adicionadas, já que os usuários estão dispersos geograficamente. Uma solução simples, mas
que diminui a interação, é permitir que apenas o professor possa escrever no quadro;
· quando escrever: o professor pode autorizar o aluno a usar o quadro quando este solicitar,
garantindo assim maior clareza das informações. Como solução tecnológica, pode-se usar um
mecanismo de controle da caneta, que o professor liberaria, quando necessário, para um dos
participantes;
· controle de cores: o estabelecimento de uma cor de caneta para cada participante possibilitaria a
identificação do conteúdo com o seu autor. Entretanto, em um número não muito grande, pode gerar
uma certa confusão visual com o excesso de informações;
· controle do apagador: deve-se definir quem detém o controle do apagador, pois este pode interferir
no desenvolvimento de ideias de outros participantes.
Com o controle de cores, cada participante poderia apagar conteúdo escrito com sua cor.
Com a definição de normas, ou com a criação de suportes tecnológicos, o quadro branco se constitui
como uma ferramenta excelente para a apresentação ou discussão de ideias em grupo. Claro, que seus
resultados, vão depender bastante da forma como será utilizado, mas isto é uma característica comum
a todas as tecnologias educacionais disponíveis.

Outras Tecnologias - Uma gama variada de tecnologias estão disponíveis nos diversos cursos e
ambientes de EAD existentes em todo o mundo, sendo impossível catalogar toda sua extensão.
Entretanto, na sequência deste estudo serão apresentados alguns ambientes de EAD, que reúnem
várias tecnologias em um único website, possuindo ainda características necessárias para o
gerenciamento do curso, como por exemplo, funções administrativas de um curso.

Ambientes de EAD - Ambientes de EAD, denominados por Fischer (2000) como Sistemas de
Gerenciamento para a EAD (SGEAD), são ferramentas que possibilitam a criação, administração e
manutenção de cursos a distância, ofertando diversos recursos de interação que visam proporcionar o

43
fácil estabelecimento de comunicação, síncrona ou assíncrona, entre os envolvidos no processo de
ensino, bem como sua relação com o conteúdo didático disponível.
Apesar de não ser fator preponderante para o sucesso de cursos a distância (Sherry, 1996), o
oferecimento de bons e diversos recursos de interação permite ao professor uma maior flexibilidade
para definir a metodologia que será utilizada para o desenvolvimento do curso. Não é preciso que o
professor lance mão de todas as alternativas disponíveis, entretanto, para cada situação, ou seja, para
cada público, objetivo, área de conhecimento ou conteúdo a ser abordado, o professor poderá ter
ferramentas disponíveis para dar suporte às necessidades de aprendizagem dos alunos.
Existem diversos ambientes de EAD, dentre proprietários e gratuitos, que se utilizam de
várias ferramentas de comunicação e interação, alguns baseados em uma tecnologia simples, outros
mais sofisticados. Para maior compreensão de como estes ambientes funcionam, a seguir serão
apresentados alguns deles, ressaltando suas principais características.

Aulanet - O Aulanet é um ambiente desenvolvido pelo Laboratório de Engenharia de Software


(LES), do Departamento de Informática da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-
RIO), com apoio do CNPq. Desde o início de seu projeto, em 1997, o Aulanet tem conquistado
grande espaço, sendo utilizado por diversas instituições brasileiras e internacionais, tendo mais de 4
mil cópias distribuídas.
Apesar de ser um software de distribuição gratuita, é representado e distribuído,
exclusivamente, pela empresa Eduweb (http://www.eduweb.com.br).
Segundo Lucena et al (1999), o ambiente foi concebido com o objetivo de proporcionar a
manipulação de cursos por usuários leigos, não necessitando que o autor seja um expert em
informática. Assim, com uma interface mais amigável, o Aulanet pode proporcionar uma transição
da sala de aula convencional para a sala de aula virtual de maneira mais tranqüila, possibilitando,
também, sua utilização como ferramenta de apoio a cursos presenciais (Fischer, 2000).
O Aulanet prevê a existência de três grupos de usuários: o administrador: que desempenha
as funções administrativas, gerenciamento do cadastro de alunos e professores, configuração da
interface, dentre outras; o professor: que cria os cursos a serem ministrados, gerencia o conteúdo,
controla a agenda do curso, dentre outras funções. É possível ainda existir outros professores, co-
autores, no mesmo curso; o aluno: é o usuário final do curso, que pode acessar o conteúdo
disponibilizado pelo professor, interagir com os demais usuários por meio de ferramentas de
comunicação disponíveis no ambiente, além de poder receber o status de co-autor e colaborar com o
professor na produção de material.
Estes usuários interagem entre si e com o ambiente por meio de ferramentas disponíveis em
mecanismos definidos pelo sistema como de comunicação, cooperação e coordenação. Elas são
definidas pelo professor durante a configuração de cada curso, indicando quais recursos estarão ou
não disponíveis àquele curso, de acordo com as necessidades instrucionais de cada público alvo e/ou
área de estudo.
Mecanismos de Comunicação: Com eles é realizada a comunicação entre professores e
alunos e entre alunos.mEste mecanismo dispõe de ferramentas de comunicação assíncrona, tais
como: o e-mail; o grupo de discussão, semelhante a uma lista de discussão, onde é possível o envio
de mensagens que são distribuídas para todos os membros do curso e, ainda, armazenadas no
ambiente, podendo ser acessadas no futuro; o grupo de interesse, onde a discussão se dá no sistema
de fóruns de discussão. Para a comunicação síncrona, existem as ferramentas de debate, onde a
interação entre os participantes pode ser realizada por meio de ferramentas de texto, com o uso de
chat (bate papo), ou pelo software de videoconferência CuSeeMe®. Mecanismos de Coordenação:
são aqueles voltados ao planejamento de tarefas e à avaliação, tais como: a agenda do curso, onde se
divulgam os eventos do curso, como as sessões de chat, datas de provas, trabalhos e exercícios; as
notícias do curso, onde são apresentadas outras notícias relativas ao curso ou à temática estudada,
informes, dentre outras; as provas, os exercícios e os trabalhos, que permitem ao professor definição
e configuração dos instrumentos de avaliação do curso. As provas são gerenciadas por uma
ferramenta de criação e correção automática, possibilitando a avaliação formativa do aluno.
44
Mecanismos de Cooperação: de onde provêm o instrumental pedagógico que será disponibilizado ao
aluno pelo professor, tais como: transparências, representadas por apresentações em Powerpoint;
apresentação gravada, disponibilizando arquivos do tipo RM, de conteúdo previamente gravado e
convertido para o referido formato; texto de aula, permitindo a utilização de textos no formato HTML
ou PDF; livros textos no formato HTML; bibliografia, apresentando a bibliografia, ou URL, como
material de referência do curso; demonstração, exibindo demonstrações sobre a área de estudo em
forma de figuras (formatos GIF ou JPG) ou vídeos (formatos RM, AVI ou MOV); co-autoria de
professor, onde o professor, autor do curso, pode convidar outros professores para se tornarem co-
autores do curso, podendo publicar materiais nos formatos já descritos anteriormente; co-autoria de
alunos, onde o professor pode indicar alunos para publicarem material instrucional no curso, devendo
ser certificado pelo professor antes da publicação.
O aprendiz irá acessar o curso pela interface de aluno, onde após indicar o curso que deseja
assistir, será apresentada uma janela com as informações do curso, contendo ementa, descrição e
imagem do curso, ou seja, a tela de apresentação inicial do curso e, ainda, uma segunda janela
simbolizando um controle remoto, onde o aluno poderá ter acesso aos mecanismos de comunicação,
cooperação e coordenação selecionados e configurados pelo professor. Com todas suas facilidades e
serviços, o Aulanet se constitui um bom ambiente para a EAD. É claro que pode, deve e vem sendo
otimizado mediante atualizações periódicas realizadas pela empresa Eduweb, detentora do código do
ambiente, acrescentando novas opções e atendendo expectativas apresentadas pelos usuários.

WebCT - Desenvolvido pela University of British Columbia, no Canadá, é uma ferramenta voltada à
construção de ambientes educacionais para a web. É uma das mais utilizadas em todo o mundo,
sendo atualmente usada por mais de 1500 instituições em 61 países (BOLETIM-EAD, 2001, Cunha;
Campos; Santos, 1999, Fischer, 2000). Todo o funcionamento do curso se dá por meio de páginas
WWW, construídas pelos próprios professores, que podem ainda personalizar o ambiente
incorporando novas ferramentas ou alterando o layout do curso.
O ambiente dispõe de uma variedade de ferramentas, como chat, auto-avaliação, controle de
acesso, lista de discussão, correio eletrônico, geração de índices automáticos, calendário de curso,
homepage de alunos, pesquisa de conteúdo de cursos, caderno de anotações, dentre outras.
Outra ferramenta interessante é a possibilidade de criar grupos de trabalhos, determinando
uma área onde um grupo de alunos pode interagir. Nesta área apenas os membros do grupo podem
escrever, porém os demais alunos podem observar as colaborações que foram realizadas.
Os usuários do WebCT estão divididos em quatro classes: Administrador: tem a
responsabilidade de administrar a inclusão e exclusão de cursos no ambiente, além de controlar
senhas de usuários. Após a criação de um curso, sua manipulação é transferida ao Designer. O
WebCT permite a existência de apenas um usuário administrador.
Designer: para cada curso existe um Designer, ou Projetista, normalmente esta posição é assumida
pelo professor responsável pelo curso. O Designer tem como funções o gerenciamento do curso e a
manutenção e a inserção de conteúdo. Assim, ele deve elaborar provas e exercícios, controlar notas,
checar o progresso dos alunos, criar grupos de trabalhos, além de gerenciar contas de estudantes.
Assistente: são indivíduos que possuem os mesmos privilégios que os alunos podendo, entretanto,
fazer a correção de provas e alterar as notas dos alunos. Cada curso pode ter um número ilimitado de
assistentes.
Estudante: são os usuários do curso, tem número ilimitado, não podem fazer alterações em conteúdo,
exceto em áreas de apresentação de trabalhos, homepage de alunos e área de anotações. Mais
informações sobre o WebCT, estão disponíveis no endereço http://www.webct.com.

Web Course in Box (WCB) - O WCB é um ambiente comercial desenvolvido pela Virginia
Commonwealth University. A princípio é voltado para suporte a cursos presenciais, sendo acessado
na web por meio de navegadores com versões iguais ou superiores a 4.x. Pode ser instalado sob as
plataformas UNIX, Windows NT ou Macintosh. Possui uma interface simples, mas que permite
algum nível de personalização dos componentes visuais.
45
Os cursos realizados no WCB podem ser acessados pelo endereço
http://www.wcbcourses.com/, que dispõe de uma lista de instituições e seus cursos ministrados com
utilização do WCB, alguns com conteúdo de acesso restrito, e outros com algumas partes de acesso
livre. Mais informações sobre o ambiente WCB podem ser encontradas em
http://www.wcbinfo.com/.
O ambiente provê ferramentas de comunicação, como fórum e chat e e-mail para contato
com o professor; administrativas, como notícias do curso e agenda; de avaliação, como exercícios
autocorrigíveis; didáticas, como transparências e referências na web; e ainda a possibilidade
de alunos e professores criarem suas próprias home-pages (Fischer, 2000).

Lotus® LearningSpace - O Lotus® LearningSpace é um ambiente de EAD desenvolvido pela


Lotus® Education e pela IBM®, com base no software Domino. É um software comercial que cria
uma infra-estrutura virtual necessária para o ensino a distância, permitindo que apostilas, anotações
de aula, gráficos, tabelas e vídeos sejam acessados de forma remota, via Internet ou na intranet de
uma instituição.
O LearningSpace é um ambiente composto por módulos:
· programação (schedule): é utilizado para apresentar uma lista de tarefas e atividades que serão
realizadas durante o curso. A partir desta o usuário poderá ter acesso ao conteúdo de qualquer uma
das aulas, exercícios e testes relacionados. Pode ser exibido em tópicos, provendo uma estruturação
hierárquica do curso, ou por um calendário.
· centro de recursos (media center): este módulo funciona como uma biblioteca do curso
armazenando textos, imagens, áudio e vídeo disponíveis. Estes recursos multimídia, mantidos pelos
responsáveis pelo curso, podem ser classificados por título, autor, palavra-chave ou tipo da mídia,
além de dispor de uma área de anotações.
· sala de aula (course room): é o local onde serão realizadas as discussões e tarefas do curso. A
ferramenta de discussão permite a criação de tópicos a serem discutidos no formato de fórum, que
pode ser apresentado por aluno ou por data. Possibilita, ainda, a criação de enquetes automáticas
gerenciadas pelo próprio aluno, além do envio de arquivos anexados. As tarefas sugeridas pelo
professor poderão ser encaminhadas pelos alunos por meio de arquivos, podendo ser realizados
trabalhos em equipe.
· perfis (profiles): neste são exibidas informações sobre os participantes do curso e as avaliações
realizadas.
As informações disponíveis podem ser exibidas na forma texto e/ou imagens.
· gerenciador de avaliações (assessment manager): este módulo é de acesso exclusivo aos instrutores.
Nele serão executadas as avaliações da performance do aluno, assim como a atribuição de
notas. Apesar das características apresentadas, no que concerne a ferramentas de comunicação e
interatividade, o LearningSpace, na sua versão mais atual, conta apenas com chat, videoconferência e
sistema de mensagem online, a exemplo do famoso ICQ. Esta versão permite ainda a capacidade de
personalização do lay-out.
Nas versões anteriores, mediante um servidor LearningSpace, havia a possibilidade de
adicionar componentes que realizem o suporte à interface áudio visual, tais como o Microsoft
NetMeeting, o Data Beam Java Application Sharing, o Data Beam Java Virtual Classroom, o Data
Beam MeetingTools e o Data Beam Farsite.

TopClass - Software desenvolvido pela WBT Systems (Web-Based Training Systems) que é
utilizado por mais de 600 organizações e instituições em todo o mundo. Dispõe de ferramentas de
colaboração e administração que permitem o gerenciamento do ambiente e a comunicação e interação
entre os participantes.
O TopClass dispõe uma ferramenta de autoria, o TopClass Publisher, que permite ao
professor a rápida criação, estruturação e publicação de cursos. É possível a adição de recursos
multimídia como áudio, vídeo, animações, dentre outros (Micropower, 2002).

46
O ambiente usa o conceito de turmas, onde os alunos matriculados terão a sua disposição os
cursos oferecidos, que podem ser ofertados para apenas um aluno, ou turma específica.
O TopClass é composto de uma interface simples, com poucas variações entre a visão
disponível para o aluno e para o professor, dispondo de ferramentas de colaboração, administração e
interação, tais como: E-mail: com uma ferramenta de e-mail interno os participantes podem se
comunicar enviando e recebendo mensagens, podendo, ainda, anexar arquivos, organizar as
mensagens em pastas e subpastas e incluir HTML.
Lista de discussão: funciona como um fórum de discussão, podendo ser moderada, ou não. O
ambiente possibilita a existência de uma lista de discussão para cada turma.
Quadro de avisos: normalmente usado para comunicar listas para leitura e outras informações para
uso de todos os participantes do curso.
Utilitários: oferecem opções que permitem alterar senha ou exibir o retrato on-line.
Bate-papo integrado: o ambiente dispõe de uma ferramenta de chat, desenvolvida pela MicroPower,
com recursos específicos e especialmente voltados para o TopClass. Existem salas totalmente abertas
e salas exclusivas para cada turma ou cada curso. As informações podem ser gravadas e
disponibilizadas para acesso posterior.
Relatórios e estatísticas: todas ações dos alunos são gravadas em um banco de dados do sistema
(Oracle 8.0.6 Standard ou Oracle Enterprise Edition). Estas informações são retornadas aos
instrutores por meio de relatórios coletivos e individuais configuráveis.
Pesquisa de conteúdos de cursos: o TopClass possui uma ferramenta para a busca e pesquisa,
mediante palavras-chave, de conteúdos armazenados no banco de cursos do sistema.
O estudante pode visualizar a sua progressão no curso consultando seu registro de
classificações. O Top Class mantém um registro de status das mensagens publicadas na área de
conferências, permitindo que cada estudante visualize rapidamente quais as mensagens lidas e não
lidas.
Em relação à interatividade e à comunicação não são disponibilizadas ferramentas de
suporte à videoconferência ou de transmissão de áudio e vídeo no ambiente. Diante do exposto, é
possível perceber que as tecnologias para a EAD são diversas, algumas são simples e estão
disponíveis para utilização pelo professor de acordo com suas necessidades de ensino. Outras são
incipientes e/ou extremamente complexas, necessitando de muitos estudos e desenvolvimento para se
constituírem como uma alternativa real diante dos recursos tecnológicos de informação e
comunicação disponíveis. Contudo, o desenvolvimento da educação a distância não é carente apenas
de tecnologias ou fórmulas miraculosas. É preciso que os profissionais de educação tenham maior
contato com estas tecnologias e conheçam suas possibilidades e perspectivas, podendo assim
perceber como integrá-las no seu cotidiano de ensino.

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47
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WHATIS. Disponível em <http://www.whatis.com>. Acesso em 04 dez. 2001.

REVISTA EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA: TRILHANDO CAMINHOS

QUESTÃO

Leia o texto acima. Selecione e descreva sobre pelo menos 3 tecnologias utilizadas na educação via
internet, ressaltando a sua importância.

PARTE 2 - EAD

EMBROMAÇÃO A DISTÂNCIA?3

“No seu conjunto, as avaliações não deixam dúvidas: é possível aprender a distância”

3
Claudio de Moura Castro é economista - Fonte: Revista Veja Ed. 2108 - 15/04/2009

49
Novidade incerta? Mais um conto do vigário? Ilustres filósofos e distinguidos educadores
torcem o nariz para o ensino a distância (EAD).
Logo após a criação dos selos de correio, os novidadeiros correram a inventar um ensino por
correspondência. Isso foi na Inglaterra, em meados do século XIX. No limiar do século XX, os
Estados Unidos já ofereciam cursos superiores pelo correio. Na década de 30, três quartos dos
engenheiros russos foram formados assim. Ou seja, novo não é.
EAD significa que alunos e professores estão espacialmente separados – pelo menos boa parte
do tempo. O modo como vão se comunicar as duas partes depende da tecnologia existente. No
começo, era só por correio. Depois apareceu o rádio – com enorme eficácia e baixíssimo custo. Mais
tarde veio a TV, área em que Brasil e México são líderes mundiais (com o Telecurso e a Tele-
secundária). Com a internet, EAD vira e-learning, oferecendo, em tempo real, a possibilidade de ida e
volta da comunicação. Na prática, a tecnologia nova se soma à velha, não a substitui: bons programas
usam livros, o venerando correio, TV e internet. Quando possíveis, os encontros presenciais são
altamente produtivos, como é o caso do nosso ensino superior que adota centros de recepção, com
apoio de professores “ao vivo” para os alunos.
Há embromação, como seria esperado. Há apostilas digitalizadas vendidas como cursos de
nomes pomposos. Mas e daí? Que área escapa dos vigaristas? Vemos no EAD até cuidados
inexistentes no ensino presencial, como a exigência de provas presenciais e fiscalização dos postos de
recepção organizada (nos cursos superiores).
Nos cursos curtos, não há esse problema. Mas, no caso dos longos, o calcanhar de aquiles do
EAD é a dificuldade de manter a motivação dos alunos. Evitar o abandono é uma luta ingente. Na
prática, exige pessoas mais maduras e mais disciplinadas, pois são quatro anos estudando sozinhas.
As telessalas, que reúnem os alunos com um monitor, têm o papel fundamental de criar um grupo
solidário e dar ritmo aos estudos. E, se o patrão paga a conta, cai a deserção, pois abandonar o curso
atrapalha a carreira. Também estimula a persistência se o diploma abre portas para empregos e traz
benefícios tangíveis – o que explica o sucesso do Telecurso.
Mas falta perguntar: funciona? Prestam os resultados? Felizmente, houve muita avaliação.
Vejamos dois exemplos bem diferentes. Na década de 70, com Lúcia Guaranys, avaliei os típicos
cursos de radiotécnico e outros, anunciados nas mídias populares. Para os que conseguiam se
graduar, os resultados eram espetaculares. Em média, os alunos levavam menos de um ano para
recuperar os gastos com o curso. Em um mestrado de engenharia elétrica de Stanford, foi feito um
vídeo que era, em seguida, apresentado para engenheiros da HP. Uma pesquisa mostrou que, no final
do curso, os engenheiros da HP tiravam notas melhores do que os alunos presenciais. Os efeitos do
Telecurso são também muito sólidos.
Para os que se escandalizam com a qualidade do nosso ensino superior, sua versão EAD é
ainda mais nefanda. Contudo, o Enade (o novo Provão) trouxe novidades interessantes. Em metade
dos cursos avaliados, os programas a distância mostram resultados melhores do que os presenciais!
Por quê? Sabe-se que a aprendizagem “ativa” (em que o aluno lê, escreve, busca, responde) é
superior à “passiva” (em que o aluno apenas ouve o professor). Na prática, em boa parte das nossas
faculdades, estudar é apenas passar vinte horas por semana ouvindo o professor ou cochilando. Mas
isso não é possível no EAD. Para preencher o tempo legalmente estipulado, o aluno tem de ler, fazer
exercícios, buscar informações etc. Portanto, mesmo nos cursos sem maiores distinções, o EAD
acaba sendo uma aprendizagem interativa, com todas as vantagens que decorrem daí.
No seu conjunto, as avaliações não deixam dúvidas: é possível aprender a distância. Cada vez
mais, o presencial se combina com segmentos a distância, com o uso da internet, e-learning, vídeos
do tipo YouTube e até com o prosaico celular. A educação presencial bolorenta está sendo ameaçada
pelas múltiplas combinações do presencial com tecnologia e distância.

50
O QUE É A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA (*)

José Manuel Moran


Professor da Universidade Bandeirante e das Faculdades Sumaré-SP
Assessor do Ministério de Educação para avaliação de cursos a distância
jmmoran@usp.br

Educação a distância é o processo de ensino-aprendizagem, mediado por tecnologias, onde


professores e alunos estão separados espacial e/ou temporalmente. É ensino/aprendizagem onde
professores e alunos não estão normalmente juntos, fisicamente, mas podem estar conectados,
interligados por tecnologias, principalmente as telemáticas, como a Internet. Mas também podem ser
51
utilizados o correio, o rádio, a televisão, o vídeo, o CD-ROM, o telefone, o fax e tecnologias
semelhantes.
Na expressão "ensino a distância" a ênfase é dada ao papel do professor (como alguém que
ensina a distância). Preferimos a palavra "educação" que é mais abrangente, embora nenhuma das
expressões seja perfeitamente adequada.
Hoje temos a educação presencial, semi-presencial (parte presencial/parte virtual ou a
distância) e educação a distância (ou virtual). A presencial é a dos cursos regulares, em qualquer
nível, onde professores e alunos se encontram sempre num local físico, chamado sala de aula. É o
ensino convencional. A semipresencial acontece em parte na sala de aula e outra parte a distância,
através de tecnologias. A educação a distância pode ter ou não momentos presenciais, mas acontece
fundamentalmente com professores e alunos separados fisicamente no espaço e ou no tempo, mas
podendo estar juntos através de tecnologias de comunicação.
Outro conceito importante é o de educação contínua ou continuada, que se dá no processo de
formação constante, de aprender sempre, de aprender em serviço, juntando teoria e prática, refletindo
sobre a própria experiência, ampliando-a com novas informações e relações.
A educação a distância pode ser feita nos mesmos níveis que o ensino regular. No ensino
fundamental, médio, superior e na pós-graduação. É mais adequado para a educação de adultos,
principalmente para aqueles que já têm experiência consolidada de aprendizagem individual e de
pesquisa, como acontece no ensino de pós-graduação e também no de graduação.
Há modelos exclusivos de instituições de educação a distância, que só oferecem programas
nessa modalidade, como a Open University da Inglaterra ou a Universidade Nacional a Distância da
Espanha. A maior parte das instituições que oferecem cursos a distância também o fazem no ensino
presencial. Esse é o modelo atual predominante no Brasil.
As tecnologias interativas, sobretudo, vêm evidenciando, na educação a distância, o que
deveria ser o cerne de qualquer processo de educação: a interação e a interlocução entre todos os que
estão envolvidos nesse processo.
Na medida em que avançam as tecnologias de comunicação virtual (que conectam pessoas
que estão distantes fisicamente como a Internet, telecomunicações, videoconferência, redes de alta
velocidade) o conceito de presencialidade também se altera.
Poderemos ter professores externos compartilhando determinadas aulas, um professor de
fora "entrando" com sua imagem e voz, na aula de outro professor... Haverá, assim, um intercâmbio
maior de saberes, possibilitando que cada professor colabore, com seus conhecimentos específicos,
no processo de construção do conhecimento, muitas vezes a distância.
O conceito de curso, de aula também muda. Hoje, ainda entendemos por aula um espaço e
um tempo determinados.
Mas, esse tempo e esse espaço, cada vez mais, serão flexíveis. O professor continuará
"dando aula", e enriquecerá esse processo com as possibilidades que as tecnologias interativas
proporcionam: para receber e responder mensagens dos alunos, criar listas de discussão e alimentar
continuamente os debates e pesquisas com textos, páginas da Internet, até mesmo fora do horário
específico da aula. Há uma possibilidade cada vez mais acentuada de estarmos todos presentes em
muitos tempos e espaços diferentes. Assim, tanto professores quanto alunos estarão motivados,
entendendo "aula" como pesquisa e intercâmbio. Nesse processo, o papel do professor vem sendo
redimensionado e cada vez mais ele se torna um supervisor, um animador, um incentivador dos
alunos na instigante aventura do conhecimento.
As crianças, pela especificidade de suas necessidades de desenvolvimento e socialização,
não podem prescindir do contato físico, da interação. Mas nos cursos médios e superiores, o virtual,
provavelmente, superará o presencial. Haverá, então, uma grande reorganização das escolas.
Edifícios menores. Menos salas de aula e mais salas ambiente, salas de pesquisa, de encontro,
interconectadas. A casa e o escritório serão, também, lugares importantes de aprendizagem.
Poderemos também oferecer cursos predominantemente presenciais e outros
predominantemente virtuais. Isso dependerá da área de conhecimento, das necessidades concretas do
currículo ou para aproveitar melhor especialistas de outras instituições, que seria difícil contratar.
52
Estamos numa fase de transição na educação a distância. Muitas organizações estão se
limitando a transpor para o virtual adaptações do ensino presencial (aula multiplicada ou
disponibilizada). Há um predomínio de interação virtual fria (formulários, rotinas, provas, e-mail) e
alguma interação on-line (pessoas conectadas ao mesmo tempo, em lugares diferentes).
Apesar disso, já é perceptível que começamos a passar dos modelos predominantemente
individuais para os grupais na educação a distância. Das mídias unidirecionais, como o jornal, a
televisão e o rádio, caminhamos para mídias mais interativas e mesmo os meios de comunicação
tradicionais buscam novas formas de interação. Da comunicação off-line estamos evoluindo para um
mix de comunicação off e on-line (em tempo real).
Educação a distância não é um "fast-food" em que o aluno se serve de algo pronto. É uma
prática que permite um equilíbrio entre as necessidades e habilidades individuais e as do grupo - de
forma presencial e virtual. Nessa perspectiva, é possível avançar rapidamente, trocar experiências,
esclarecer dúvidas e inferir resultados. De agora em diante, as práticas educativas, cada vez mais, vão
combinar cursos presenciais com virtuais, uma parte dos cursos presenciais será feita virtualmente,
uma parte dos cursos a distância será feita de forma presencial ou virtual-presencial, ou seja, vendo-
nos e ouvindo-nos, intercalando períodos de pesquisa individual com outros de pesquisa e
comunicação conjunta. Alguns cursos poderemos fazê-los sozinhos, com a orientação virtual de um
tutor, e em outros será importante compartilhar vivências, experiências, idéias.
A Internet está caminhando para ser audiovisual, para transmissão em tempo real de som e
imagem (tecnologias streaming, que permitem ver o professor numa tela, acompanhar o resumo do
que fala e fazer perguntas ou comentários). Cada vez será mais fácil fazer integrações mais profundas
entre TV e WEB (a parte da Internet que nos permite navegar, fazer pesquisas...). Enquanto assiste a
determinado programa, o telespectador começa a poder acessar simultaneamente às informações que
achar interessantes sobre o programa, acessando o site da programadora na Internet ou outros bancos
de dados.
As possibilidades educacionais que se abrem são fantásticas. Com o alargamento da banda
de transmissão, como acontece na TV a cabo, torna-se mais fácil poder ver-nos e ouvir-nos a
distância. Muitos cursos poderão ser realizados a distância com som e imagem, principalmente cursos
de atualização, de extensão. As possibilidades de interação serão diretamente proporcionais ao
número de pessoas envolvidas.

Teremos aulas a distância com possibilidade de interação on-line (ao vivo) e aulas
presenciais com interação a distância.
Algumas organizações e cursos oferecerão tecnologias avançadas dentro de uma visão
conservadora (só visando o lucro, multiplicando o número de alunos com poucos professores). Outras
oferecerão cursos de qualidade, integrando tecnologias e propostas pedagógicas inovadoras, com
foco na aprendizagem e com um mix de uso de tecnologias: ora com momentos presenciais; ora de
ensino on-line (pessoas conectadas ao mesmo tempo, em lugares diferentes); adaptação ao ritmo
pessoal; interação grupal; diferentes formas de avaliação, que poderá também ser mais personalizada
e a partir de níveis diferenciados de visão pedagógica.
O processo de mudança na educação a distância não é uniforme nem fácil. Iremos mudando
aos poucos, em todos os níveis e modalidades educacionais. Há uma grande desigualdade econômica,
de acesso, de maturidade, de motivação das pessoas. Alguns estão preparados para a mudança, outros
muitos não. É difícil mudar padrões adquiridos (gerenciais, atitudinais) das organizações, governos,
dos profissionais e da sociedade. E a maioria não tem acesso a esses recursos tecnológicos, que
podem democratizar o acesso à informação.
Por isso, é da maior relevância possibilitar a todos o acesso às tecnologias, à informação
significativa e à mediação de professores efetivamente preparados para a sua utilização inovadora.

Bibliografia

53
LANDIM, Claudia Maria Ferreira. Educação a distância: algumas considerações. Rio de Janeiro,
s/n, 1997.

LUCENA, Marisa. Um modelo de escola aberta na Internet: kidlink no Brasil. Rio de Janeiro:
Brasport, 1997.

NISKIER, Arnaldo. Educação a distância: a tecnologia da esperança; políticas e estratégias a


implantação de um sistema nacional de educação aberta e a distância. São Paulo: Loyola, 1999.

Páginas na Internet
Página do Prof. Moran: www.eca.usp.br/prof/moran/textosead.htm
Texto do Ivonio de Barros: Noções de Ensino a Distância: www.intelecto.net/ead/ivonio
Eduardo Chaves. Ensino a Distância: Conceitos básicos em: http://www.edutec.net/Tecnologia%20e
%20Educacao/edconc.htm#Ensino%20a%
20Distância
_________________________
(*) Este texto foi publicado pela primeira vez com o título Novos caminhos do ensino a distância, no
Informe CEAD - Centro de Educação a Distância. SENAI, Rio de Janeiro, ano 1, n.5, out-dezembro
de 1994, páginas 1-3. Foi atualizado tanto o texto como a bibliografia em 2002.

(**) Texto publicado no site: http://www.eca.usp.br/prof/moran/dist.htm, acesso em


29/08/2005.

ESTUDO DIRIGIDO SOBRE EAD

TEXTO DE José Manuel Moran – O que é EAD?

Após ter conhecido várias definições sobre EAD, responda:

1. Segundo Moran, o que é EAD?

2. Quais as modalidades de educação citadas por Moran? Identifique cada tipo.

3. O que é educação continuada?

4. O que o autor fala sobre a Open University da Inglaterra?

5. O que você entende por:

a. Tecnologias interativas;

b. Tecnologias de comunicação virtual.

6. Você concorda com o autor quando este diz que “a interação e a interlocução deveria ser o
cerne de qualquer processo de educação”? Por quê?

7. Por que o conceito de presencialidade, de curso e de aula se alteram com o avanço das
tecnologias da comunicação utilizados na educação? Utilize os exemplos citados pelo autor
para enriquecer a sua resposta, principalmente em relação à flexibilidade.

54
8. Você concorda que “as que as crianças não podem prescindir do contato físico e da interação
na educação”? Justifique.

9. E como serão os cursos médios e superiores?

10. Por que o autor diz que estamos numa fase de transição da EAD? O que já se pode perceber
de avanço nesse percurso?

11. Explique a citação do autor: “Educação a distância não é um "fast-food" em que o aluno se
serve de algo pronto. É uma prática que permite um equilíbrio entre as necessidades e
habilidades individuais e as do grupo - de forma presencial e virtual”.

12. O que o autor fala sobre as possibilidades da internet e da banda larga para a educação atual?

13. O autor conclui falando sobre o processo de mudança na educação a distância. Comente.

EAD - ENTRE MITOS E DESAFIOS


Andrea Cecilia Ramal*4

Os problemas de hoje vêm das “soluções” de ontem. (Peter Senge, 1990)

4
* Andrea Cecilia Ramal é doutora em Educação pela PUC-Rio, pesquisadora do Centro Pedagógico Pedro Arrupe e
diretora executiva da Instructional Design.
Disponível em: http://instructionaldesign.com.br/artigos/EAD_entre_mitos_desafios.pdf

55
Alguns entusiastas da educação a distância (EAD) têm defendido que ela é a solução para os
problemas do ensino. Embora adepta da EAD, que, acredito, enriquecerá muito os processos de
construção do conhecimento, vejo que essa nova modalidade traz consigo também novas
contradições e desafios. Neste artigo, questiono alguns dos mitos criados em torno da EAD, em uma
tentativa de distinguir as contribuições positivas e os desafios lançados pelas novas mídias. Além
disso, na última parte, proponho uma definição para o instructional designer, profissional-chave nos
percursos educacionais que envolvem tecnologia.

A EAD é para todos? Com a EAD, são vencidos muitos fatores da exclusão educacional. Em vez de
ser necessário construir edifícios e contratar professores para os novos alunos, bastam alguns
equipamentos em telepostos para ampliar o acesso ao conhecimento e possibilitar que pessoas de
qualquer ponto do país possam ingressar nos cursos que mais lhes interessarem.
No entanto, é inegável que, mesmo vencidas as distâncias que nos afastavam do conhecimento, ainda
existe o risco de se ampliar o abismo entre as classes mais poderosas e os excluídos – os sem-modem
– pelo menos enquanto não se define uma política mais eficaz de democratização do acesso às
tecnologias da comunicação e da informação no país.

A EAD é sempre personalizada? A escola tradicional é o espaço da homogeneização: tudo para


todos ao mesmo tempo – a mesma aula, a mesma data de prova, o mesmo conteúdo cobrado. Os
exercícios de caligrafia, os uniformes e o monitoramento da disciplina marcam o cotidiano de uma
instituição que se estruturou sobre um modelo único, um padrão desejável legitimado socialmente.
Os currículos escolares têm margens bem-definidas, com conteúdos escolhidos antes mesmo de se
conhecerem as turmas.
A EAD, em especial pela internet, propõe o currículo sem limites. Saberes até então excluídos
do ensino invadem a cabeça dos estudantes e, de forma transgressora, convidam os mesmos a fazer
links e a ousar abrir janelas que trazem luzes inusitadas para os ambientes educativos. Em vez de
grades, um currículo em rede, marcado pela metamorfose, pela hipertextualidade, pelo
descentramento. Conteúdos que fazem mais sentido, que se relacionam com outras aprendizagens e
que são acessados conforme a necessidade e o interesse de cada um.
O desconforto típico do estudo – ouvir professores ao longo de quatro horas por dia – é
substituído pela comodidade de aprender diante do computador, da TV, em salas de vídeo, podendo
acessar livros, jornais e imagens com um clicar do mouse em tempo real.
Não é mais necessário o conceito de turma, tal como concebido na escola tradicional, quase
sempre em função da faixa etária dos alunos – ou, nos piores casos, em função do gênero (meninos e
meninas). Temos turmas flexíveis, grupos autônomos com suas listas de discussão e chats;
comunidades virtuais que configuram o conceito de inteligência coletiva – uma inteligência
distribuída por toda parte, “incessantemente valorizada, coordenada em tempo real, que resulta em
uma mobilização efetiva das competências” (Lévy, 1998). Parcerias, pesquisas cooperativas,
groupwares que produzem conhecimento e trocam idéias são algumas das múltiplas possibilidades
dessa modalidade educacional flexível, aberta e interativa.
Até o problema do tempo é superado, pois não é preciso parar de estudar logo aquele
conteúdo que estava agradando só porque “bateu o sinal”: a navegação continua sempre que se
desejar. Quando um assunto não interessa, é possível mudar a direção, em um percurso que é sempre
pessoal. A EAD vem trazer a possibilidade de respeito aos ritmos de cada um.
Contudo, há desafios: o baixo custo da EAD somente é alcançado se houver poucos
professores para muitos estudantes conectados. Ora, volta o problema da massificação, e quem pode
dizer que não teremos, de novo, o mesmo para todos e, além disso, sem a relação interpessoal
mediando a aprendizagem? Com a rede que interliga cidades e países, caem as fronteiras, mas
paradoxalmente se afastam as pessoas: tanto o professor do aluno quanto os próprios estudantes, que
às vezes sequer conhecem os colegas – o que faz com que se perca uma importante parcela de
afetividade, presente em qualquer processo formativo.

56
O currículo sem margens pode implicar a desorientação dos alunos, perdidos em avalanches
de informações, sem saber selecionar o que é pertinente, sem agir criativamente sobre os dados. O
currículo hipertextual apresenta links imprevisíveis, muitas vezes carregados de conteúdos
desaconselháveis para a faixa etária dos estudantes ou eticamente questionáveis. O conforto da
navegação com diversas janelas abertas e a nova relação com o tempo trazem os riscos da dispersão.
O respeito aos ritmos individuais ameaça a seriedade do estudo, e alguns temem o que pode
ocorrer com aqueles alunos que só estudam sob pressão (embora possamos questionar se a pressão de
assistir às aulas presenciais teria, nesse aspecto, alguma eficácia).
Na internet, há liberdade de navegação; já na EAD, a camisa-de-força dos planos de curso é
substituída por ferramentas de ensino que, se não forem customizadas de forma criativa, podem
tornar-se novas grades, reproduzindo esquemas e apresentando paisagens previsíveis.
O conceito mais aberto de turma também apresenta a impossibilidade de estabelecer grupos
duradouros. Porém, a vinculação a uma comunidade institucional relaciona-se com a constituição da
identidade dos sujeitos – haja vista os encontros anuais de ex-alunos, tradicionais em algumas escolas
–, e que desaparece nos grupos virtuais.
Precisarão ser formados novos sentimentos de pertencimento através de processos que ainda
não foram inventados.

A EAD traz necessariamente um novo conceito de professor? Na EAD, o professor transmissor de


conteúdos é substituído (Ramal, 2000). O computador saberá transformar as exposições maçantes em
aulas multimídia interativas, em hipertextos fascinantes, em telas coloridas e interfaces amigáveis.
Então poderemos, finalmente, ficar com a melhor parte. Está nas mãos dos professores a
criação do espaço para o diálogo amigo, a discussão coletiva, a partilha dos sentidos. Está em nossas
mãos a escola mais feliz, feita por mestres e alunos que saibam, juntos, fazer do aprender não uma
tarefa penosa, e sim uma aventura.
Contudo, há desafios: muitos cursos a distância, procurando minimizar os custos, utilizam
exclusivamente a figura dos tutores ou dinamizadores, que entram em cena com o simples papel de
animar a discussão dos estudantes, ou de atuar como agendadores de tarefas. Isto retira a perspectiva
formativa que existe na relação professor-aluno. Como ensinou Vygotsky, ao tratar da zona de
desenvolvimento proximal, são necessários auxiliares externos que façam a mediação adequada entre
alunos e conhecimentos. Sem um professor qualificado, como garantir os melhores percursos
cognitivos?
Apesar disso, estão sendo encontradas saídas interessantes na EAD. Participei de um curso em
que houve formatura virtual. Foram “ouvidos” os discursos do paraninfo, do orador da turma, os
agradecimentos... Como de costume em uma conversa virtual, todos os falantes eram interrompidos
pelos ouvintes, em uma espécie de interlocução inusitada e, inegavelmente, revolucionária e
subversora dos formalismos acadêmicos tradicionais.

A EAD renova a educação tradicional? Na escola tradicional, o professor trabalha isoladamente, e


a compreensão de trabalho interdisciplinar limita-se às reuniões entre representantes das disciplinas
escolares. A avaliação é restrita ao final do processo, caracterizando-se por ser massificadora,
excludente, instrumento de pressão e controle para o professor, motivo pelo qual se constitui em um
momento de tensão e angústia para os estudantes (Klein, 1998).
Na EAD, há alternativas: a avaliação ocorre ao longo dos processos; é diversificada, já que há
muitos ambientes de interação; é mais centrada na pessoa, e a prática da auto-avaliação é, muitas
vezes, a melhor opção para estudantes interessados em verificar o próprio rendimento.
Além disso, surge com a EAD a constituição de equipes multidisciplinares para desenvolver
processos educacionais. Programadores, webdesigners, comunicadores e informatas passam a fazer
parte da tarefa pedagógica, inaugurando novas concepções de pesquisa e propondo outras formas de
olhar a realidade, o que pode gerar férteis discussões epistemológicas.
Contudo, também aqui há riscos. Muitas equipes de EAD incluem apenas informatas, sem
uma orientação segura sobre o mecanismo da aprendizagem não-presencial.
57
Existe a tendência de que os profissionais de informática reproduzam, nos aplicativos que
criam, o estilo de educação que eles mesmos receberam em sua época de estudantes (fenômeno
compreensível se estudado a partir da noção de habitus, de Bourdieu – disposições que nos levam a
sentir, fazer e pensar de uma certa maneira, interiorizadas e incorporadas em virtude de nossa
trajetória social). Os resultados refletem-se em conteúdos pesados, difíceis de serem lidos e
assimilados, e em um modelo transmissivo de educação, no qual a interatividade é reduzida ao clicar
do mouse e o aluno assume, como no ensino tradicional, um papel passivo. Um ensino que acaba
reproduzindo, com imagens novas, um modelo escolar obsoleto.
A maior liberdade nos processos de avaliação também produz desafios. Na época do ensino
por correspondência, era difícil a credibilidade pública de cursos nos quais as provas eram realizadas
em casa, sem a vigilância do professor. Agora o problema da credibilidade, queiramos ou não, ainda
se faz presente. A legitimidade da EAD deverá ser conquistada através de estratégias inteligentes,
que envolverão testes on-line, acompanhamento personalizado e novos conceitos de avaliação, na
qual passem a ser medidas, mais do que a memória e a assimilação de conteúdos, as competências
desenvolvidas ao longo do processo.

A EAD relega a segundo plano a leitura e a escrita? Muitos alunos não gostam de escrever na
escola, pois escrevem para um professor preocupado apenas em detectar seus erros gramaticais, ou
lêem textos cujo sentido pouco se relaciona com suas vidas. Já na internet, vemos um renascimento
das práticas de leitura e escrita: crianças e jovens conectados lêem e escrevem todos os dias, e com
prazer, porque acessam informações que lhes interessam, que despertam sua curiosidade, e porque
dialogam por escrito em um monitor que, mais do que máquinas, anuncia pessoas do outro lado da
linha.
A tendência é a de que se formem leitores mais autônomos, mais protagonistas dos próprios
percursos, com maior capacidade para compreender os textos e relacioná-los com intertextos. A
leitura monológica dá lugar, na navegação hipertextual, à polifonia – são muitas vozes, olhares
diversos, espaço para todas as leituras e interpretações possíveis.
Os novos desafios ligam-se à produção e à recepção dos sentidos. Que impactos provocam os
signos comunicacionais sobre os usuários? Como são veiculadas as ideologias nesse discurso? Como
se constrói a negociação das vozes em um diálogo que é plural e polifônico? Se assumimos, como
Bakhtin, que o discurso é a mediação privilegiada na constituição do sujeito, precisamos analisar os
conflitos sociais, políticos e interpessoais travados na nova arena virtual das contradições, que é o
discurso digital. Sem falar nos problemas implicados na introdução das línguas estrangeiras, que
acompanham as tecnologias, carregando consigo um conjunto de valores e interesses que pertencem
a outra cultura.

É fácil fazer EAD? A EAD processa-se em um contexto de novos sujeitos, resultado das mudanças
nas relações entre trabalho, cidadania e aprendizagem. Dominar as linguagens, compreender o
entorno e atuar nele, ser um receptor crítico dos meios de comunicação, localizar a informação,
utilizá-la criativamente e locomover-se bem em grupos de trabalho e produção de saber são saberes
estratégicos para a vida cidadã no contexto democrático.
No entanto, como se aprende hoje? Neste momento, instaura-se um terceiro pólo
comunicacional, no qual se notam desestabilizações dos modos anteriores de gestão do
conhecimento. A informática transforma o conhecimento em algo não-material, flexível, fluido e
indefinido, provocando rupturas: a interatividade, a manipulação de dados, a correlação dos saberes
através de nós de rede, a plurivocidade, o apagamento das fronteiras rígidas entre textos-margens e
autores-leitores. Os suportes digitais e os hipertextos são, a partir de agora, as tecnologias intelectuais
de que a humanidade passará a se valer para aprender, interpretar a realidade e transformá-la.
Com toda a complexidade desse contexto, ainda há quem pense (e são muitos!) que para se
fazer um curso a distância basta escrever conteúdos que eram transmitidos em palestras e cadastrá-los
em uma ferramenta visualmente interessante. A meu ver, não creio que seja tão fácil ensinar nem
aprender a distância.
58
Nesse sentido, é crucial a figura que surge hoje de um novo profissional: o instructional
designer. Trata-se de uma profissão muito recente, não havendo grande produção teórica sobre a
mesma. Minha definição provisória é a de um profissional que, nos processos de educação a distância
ou de acesso ao conhecimento através de conexão em redes, é responsável por analisar as
necessidades, projetar os caminhos possíveis de navegação para que o usuário construa ativamente o
conhecimento, selecionando para tanto os meios tecnológicos mais adequados, concebendo
atividades pedagógicas e avaliando permanentemente a sua utilização.
Trata-se de um estrategista do conhecimento, alguém que procura retirar da EAD suas
potencialidades mais positivas, ao mesmo tempo em que evita os erros que porventura possam ser
cometidos quando não se observa a outra face das novidades.
O instructionl designer está cada vez mais presente nas equipes multidisciplinares de
construção de cursos a distância. Ele não é a solução Com a presença de profissionais qualificados da
área educacional nas equipes de criação e aplicação de cursos, a EAD terá, seguramente, mais
chances de se constituir em um processo educativo realmente eficaz e proveitoso para o estudante,
superando de forma consistente os problemas que, muitas vezes, os mitos consolidados não permitem
detectar.

Referências

KLEIN, L. F. Alegria de aprender, alegria de avaliar. In: OSOWSKI (org.). Provocações da sala de
aula. São Paulo: Loyola, 1998.

LÉVY, P. A inteligência coletiva. São Paulo: Loyola, 1998.

RAMAL, A. C. O computador vai substituir o professor? In: Revista Aulas e Cursos (UOL), em
http://www.uol.com.br/aulasecursos, março de 2000.

SENGE, P. Fifth discipline: the art and practice of the learning organization.
Londres: Century, 1990.

MAIORIA DOS ALUNOS DE EAD É MULHER, TEM ATÉ 30 ANOS E TRABALHA

Mulheres que trabalham e têm até 30 anos representam o perfil padrão entre os
5.772.466 alunos dos cursos a distância no Brasil. Essas informações fazem parte do Censo EAD BR
2012, divulgado no último dia 26 pela Abed (Associação Brasileira de Educação a Distância).
As alunas são a maioria (51%) nos cursos autorizados e livres (que não precisam de autorização do
Ministério da Educação), perdendo apenas nos cursos corporativos (aqueles oferecidos por empresa
aos seus funcionários), onde os homens estão em maior número.

59
EAD POR GÊNERO
Cursos Homens Mulheres
Autorizados 45% 55%
Livres 45% 55%
Corporativos 56% 44%
Por disciplina 49% 51%
Fonte: Censo EAD BR 2012

No entanto, outro dado chama atenção: entre 2011 e 2012, o número de homens entre os
alunos de EAD cresceu mais do que o número de mulheres. Em 2011, os homens representavam 43%
dos alunos de cursos autorizados e livres, e 52% nos corporativos, em 2011. Em 2012, esses números
subiram para 45% e 56%, respectivamente.

Alunos mais novos

Segundo a pesquisa, a maioria dos estudantes tem entre 18 e 30 anos, tanto entre os cursos
autorizados (50%), quanto nos cursos livres (59%). Apenas nos cursos corporativos os alunos com
idade entre 31 e 40 anos são maioria.
"Tivemos uma mudança nesse perfil em relação aos anos anteriores. Antes, eram alunos
mais maduros, já com alguma formação. Isso se deve, em parte, à medida do MEC que autorizou as
instituições educacionais a desenvolverem 20% das disciplinas dos cursos presenciais, de nível
superior, na modalidade a distância. Isso fez cair bastante a idade", avalia Ivete Palange,
coordenadora do Censo EAD BR.

MAIS SOBRE EAD

Saiba como escolher um curso de graduação a distância

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Apenas 13 cursos de graduação a distância têm nota máxima do MEC

O perfil do aluno de EAD traçado na pesquisa mostra ainda que a maioria dos estudantes,
um total de 85%, divide o tempo entre os estudos e o trabalho. Para Ivete, isso explica, em parte, o
aumento da oferta de cursos livres. Em 2010, 74,4% das matrículas de EAD foram feita em cursos
livres, que também são os mais oferecidos. Do total de 9.376 cursos de EAD no Brasil em 2012,
7.520 (80,2%) eram livres.
Para o censo, a Abed ouviu 231 instituições de ensino e avaliou cursos autorizados, livres,
corporativos e disciplinas de cursos presenciais que são executadas a distância. Cerca de 800
instituições foram convidadas para participar do levantamento.

Matrículas em EAD superam 5 mil

As universidades privadas concentram a maioria das matrículas. Nos cursos autorizados,


foram 69,8% dos matriculados, contra 17,4% nas instituições públicas, e nos livres, 59,7%.
"Devemos considerar que o número de universidades privadas é muito superior ao das públicas,
assim como o de alunos, o que explica essa diferença", diz Ivete.
Entre os cursos autorizados, a maioria dos oferecidos é de nível superior -- 1.571 de um total
de 1.856. As áreas de ciências humanas e ciências sociais são as mais procuradas pelo estudante de
EAD, sendo administração e gestão o curso mais oferecido pelas instituições que trabalham com
ensino a distância, com 337 ao todo.
"Outro ponto que chama atenção é o aumento significativo de cursos de graduação
tecnológicos nos últimos dois anos", comenta Ivete.

61
Na graduação, o número de cursos tecnológicos oferecidos é de 191, e fica atrás apenas dos
de licenciatura (205) e de pós-graduação lato sensu (825). Em relação ao número de matrículas em
cursos autorizados em 2012, os tecnológicos (26%) ficam atrás apenas da licenciatura (30,8%).
Para o professor Henrique Heidtmann Neto, chefe do Centro de Graduação da Ebape/FGV e
que coordena cursos de tecnologia, o aumento na oferta desses cursos responde a uma demanda.
"Esses cursos são uma tendência. São cursos rápidos, com dois anos de duração, e que são mais
objetivos em sua formação", diz Neto.
"O tecnólogo é aquele estudante que está tentando otimizar seu tempo. Ele tem um perfil um
pouco mais velho, tem família, trabalha mas não conseguiu concluir a graduação antes e retoma com
esses cursos. Olhando os dados do Censo/IBGE 2010, por exemplo, você observa que caminhamos
para uma sociedade mais velha, e para se manterem no mercado essas pessoas procuram algo rápido
e complementar profissionalmente. Por isso é uma forte tendência", completa o professor.

EAD no Censo da Educação Superior

Os dados do Censo EAD BR 2012 confirmam alguns números do Censo da Educação


Superior 2012, divulgado pelo MEC em 17 de setembro. O levantamento apontou que, entre 2011 e
2012, as matrículas nos cursos a distância aumentaram 12,2% contra 3,1% nos presenciais. Assim, o
EAD já representa mais de 15% do total de matrículas em graduação.
Dos estudantes matriculados no ensino superior a distância, 72% estudam em universidades
e a maioria (40,4%) cursa licenciatura. Os que optaram por bacharelados são 32,3%, e por cursos
tecnológicos, 27,3%.
Os dados completos do Censo da Educação Superior 2012 serão divulgados em outubro no
site do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas), responsável pelo levantamento.

62
VERDADES E MITOS

1. A avaliação do EAD apresenta falhas porque algumas tarefas, como testes de múltipla escolha, são
corrigidas automaticamente por um sistema. MITO: O EAD permite uma maior personalização no
ensino que a educação presencial pois o aluno recebe orientação individualizada, diz Pulino. Ele
acredita que o professor tradicional não tem condições para comentar uma prova e dar retorno de
rendimento para cada um de seus alunos em apenas 50 minutos de aula. "Já no EAD, o aluno tem a
supervisão do professor e de tutores. Além disso, os testes de múltipla escolha não são o único meio
de avaliação"

2. O ensino a distância ameaça o emprego do professor. MITO: Este profissional é essencial para
verificar o aprendizado a distância do aluno. O computador não vai substituí-lo. Na opinião do
professor Athail Pulino, da UnB, o professor de EAD consegue até acompanhar melhor o
desempenho dos alunos. Isso é feito por meio de atividades próprias dos cursos a distância, como
fóruns de discussão, testes online e atividades extras, que são em quantidade maior que nos cursos
presenciais, segundo ele.

3. Preciso de um computador muito bom para acompanhar um curso de EAD. MITO: O nível de
conhecimento em informática é básico, e o computador precisa ter configurações mínimas com um
navegador de internet, pacote Office ou similar (BrOffice), programas para abrir arquivos em PDF e
rodar vídeos, além de uma conexão de internet a partir de 500kbps para assistir a videoaulas sem
pausas e interrupções. Todos os computadores mais recentes vêm com essas funções, mas, caso haja
dúvidas, a instituição de ensino dá orientações ao aluno.

4. O ensino a distância é a opção de quem interrompeu os estudos e não concluiu um curso superior.
VERDADE EM PARTE: "Hoje o grande lance do ensino a distância é a possibilidade dada à
universidade pública e à privada de sair de sua esfera e atingir municípios distantes e menores que
jamais terão uma instituição de ensino superior de qualidade. Ainda existe o preconceito contra a
aprendizagem remota, mas isso está cedendo e a média de idade dos alunos, entre 30 e 40 anos, tende
a baixar no futuro"

5. O aluno de EAD pode ficar desmotivado a estudar por não ter professores em cima dele. MITO:
"Em muitos casos, ter um professor em cima da gente é pior. A motivação do aluno vem da
integração com outros alunos. Eles podem estudar e tirar dúvidas sozinho ou em grupo. Além disso,
há os polos presenciais da graduação a distância. É lá que o aluno presta contas se estudou ou não aos
tutores, que são formados na área de conhecimento do curso e que esclarecem e checam os pontos da
matéria que os alunos não assimilaram"

6. O ensino a distância é para alunos que não têm tempo e querem tirar um diploma sem muito
trabalho. MITO: "O ensino a distância proposto por instituições de ensino competentes pode requerer
muito mais trabalho do que em uma sala de aula presencial. Para que você assimile o conhecimento,
tem de se programar, ter disciplina, assumir o compromisso de estudar com autonomia, gerenciando
seus horários. Para aqueles que entram em um curso qualificado, saibam que terão de trabalhar
bastante para obter o diploma", afirma a consultora da Abed (Associação Brasileira de Educação a
Distância).

7. Há muita distração para quem estuda em um computador. MITO: Um bom curso de EAD é
estruturado com estratégias e atividades que prendem a atenção do estudante, e não o contrário,
comenta Rosely Zen Cerny, coordenadora da Universidade Aberta do Brasil da UFSC. "É claro que
um desvio, como para as redes sociais, pode ocorrer com muita facilidade. Mas se o aluno não
cumprir o que é exigido, o tutor intervém. Se o aluno não faz uma atividade, o tutor entra em contato.
Há muitas técnicas de ensino para manter a atenção dos alunos nos estudos"
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8. Alguns professores de cursos presenciais e o mercado de trabalho têm preconceito contra o EAD.
VERDADE: "Hoje vale essa máxima. O preconceito parte da ignorância, da falta de conhecimento de
como funciona o EAD. Não há outra explicação", comenta Pulino. "Por sorte, há professores do
método presencial que procuram ferramentas online para melhorar o ensino", diz. Rosely Zen Cerny,
coordenadora adjunta da Universidade Aberta do Brasil da UFSC, acrescenta: "Os professores que
vêm trabalhar com ensino a distância acabam mudando a tática pedagógica que era adotada em sala
de aula porque percebem que o mesmo material não funciona no EAD. O ensino a distância não tem
lugar para improvisação, as atividades são pontuais"

9. O desempenho de um estudante de EAD pode ser falsificado porque existe a possibilidade dele
colar nas provas ou colocar outra pessoa para fazer o seu trabalho. VERDADE EM PARTE: "Se o
aluno fizer a avaliação pelo computador, sem controle ou acompanhamento, é óbvio que poderá
falsificar um exame. Por isso que, em cursos certificados ou diplomados no EAD, as provas são
realizadas em polos de forma presencial e com monitoramento e controle, como exige o MEC
(Ministério da Educação)"

10. Não dá para comparar curso a distância com curso presencial porque são duas metodologias de
ensino completamente diferentes. VERDADE: "Podemos comparar a aprendizagem (domínio de uma
competência, uma habilidade ou um conhecimento), mas não a forma pela qual ela foi adquirida, que
pode ser presencial, a distância ou mista", diz Stavros Panagiotis Xanthopoylos, diretor da FGV
Online. "O que podemos afirmar é que a internet trouxe uma nova dimensão de comunicação que
permitiu alavancar nossa vida pessoal e profissional e a formação escolar. Esse fenômeno é
irreversível e tem revolucionado os processos pedagógicos, sem prejuízo nos resultados da
aprendizagem quando comparados com os métodos tradicionais."

11. Cursos idealizados e formatados somente com videoaulas são ruins. VERDADE: Apesar de
exemplos bem-sucedidos de tutoriais e aulas em vídeos, como a Khan Academy para os alunos da
educação básica, cursos mais complexos perdem qualidade se forem dados apenas com a exposição
de vídeos e animações que explicam o conteúdo escolar. "O melhor formato é aquele baseado em
"comunidades de aprendizagem", com interação entre alunos e com professores"
http://educacao.uol.com.br/noticias/2013/10/10/mulheres-com-ate-30-anos-e-que-trabalham-sao-
maioria-dos-estudantes-de-ead.htm

ENSINO A DISTÂNCIA: VEJA RESPOSTAS PARAAS DÚVIDAS MAIS FREQUENTES

Luciana Alvarez -Do UOL, em São Paulo - 14/02/201207h00

Assim como o presencial, o curso a distância tem provas, exercícios, notas mínimas e repetência
CONCEITO
O que é ensino a distância?
Segundo a Abed (Associação Brasileira de Ensino a Distância), fazem parte do ensino a distância
(EAD) os cursos nos quais mais de 70% do conteúdo é desenvolvido por meio de atividades que não
exigem que aluno e professor estejam no mesmo espaço, na mesma hora. O material pode chegar ao

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estudante por diversos meios, como rádio, satélite, correio ou internet –recurso mais comum
atualmente.
Quem pode fazer EAD?
Não há restrições em relação ao perfil do aluno. Assim como em cursos presenciais, porém, os cursos
a distância têm pré-requisitos segundo o nível de escolaridade: para fazer uma graduação é preciso ter
concluído o ensino médio, por exemplo. Além disso, o aluno precisa ter acesso à infraestrutura
mínima exigida pela instituição, como computador ou telefone.
Um curso a distância é mais fácil que um presencial?
Não. Os cursos a distância, assim como os presenciais, têm exames, trabalhos, frequência, notas
mínimas e repetência, exigindo tempo e dedicação. Para muito estudantes, contudo, a modalidade é
mais fácil porque oferece mais liberdade para estudar em um ritmo diferente do tradicional.

Quais as vantagens de se fazer um curso a distância?


De maneira geral, as três principais vantagens são: montar a própria rotina de estudos, dedicando-se
às aulas nos horários mais convenientes ao aluno; economizar tempo ou dinheiro com o
deslocamento até a instituição de ensino; pagar um preço mais baixo pelo curso.
Que tipo de cursos são oferecidos nesta modalidade?
É possível fazer cursos a distância em quase todos os níveis de ensino: médio e técnico, graduação,
especialização e cursos profissionalizantes. Existe também uma ampla oferta de cursos livres, como
os preparatórios para concursos, cursos de idiomas e corporativos.
Preciso mostrar algum diploma para fazer EAD?
Em geral, sim. Assim como na versão presencial, se a intenção é fazer um curso superior, é preciso
apresentar o diploma de conclusão do ensino médio; se o interesse é por uma pós-graduação, o
candidato deve comprovar que tem nível superior. Já os pré-requisitos para cursos livres variam de
acordo com cada instituição, que pode, por exemplo, exigir que o aluno seja apenas alfabetizado.
Como verificar se um curso está regular no MEC?
O MEC mantém uma lista oficial de instituições de ensino autorizadas a oferecer cursos de
graducação e de pós-graduação lato sensu, que pode ser consultada em seu site. O sistema de busca
funciona por município.
Cursos a distância são mais baratos?
Sim. Por exigirem menos infraestrutura, geralmente os cursos a distância têm preços mais baixos do
que os seus correspondentes presenciais. Em uma mesma instituição, o valor para a modalidade a
distância chega a ser 75% menor, segundo levantamento feito pelo consultor João Vianney, da Abed.

DIPLOMA

Um diploma de EAD tem o mesmo valor dos demais?


Sim. Desde 1996 a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) prevê a existência de cursos a
distância para a educação básica e superior (ensino médio, técnico, graduação e pós-graduação) e
determina que seus diplomas tenham o mesmo valor que dos presenciais.
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O diploma especifica que o curso foi feito a distância?
Não. Como o diploma obtido em um curso a distância tem o mesmo valor legal daquele obtido em
aulas presenciais, não há nada no documento que diferencie um e outro.
O diploma de EAD também é válido em concursos públicos?
Sim, tanto quanto o diploma de curso presencial. Entretanto, ainda é possível encontrar editais que
tentam excluir os candidatos formados por EAD. Como essa diferenciação não encontra amparo
legal, nos últimos anos os editais que fazem essa exigência têm tido a cláusula anulada judicialmente.

MERCADO DE TRABALHO

Na hora de procurar emprego, há discriminação por parte das empresas?


Em geral, não. Embora alguns setores da sociedade ainda mantenham preconceito em relação a
profissionais graduados a distância, a resistência das empresas está cada vez menor, garante
Constantino Cavalheiro, diretor da Catho Educação. Para ele, muitas corporações já encaram a
modalidade como um diferencial positivo do currículo. “Para fazer um curso a distância, o aluno
deve desenvolver algumas características que o mercado julga essenciais, como iniciativa, disciplina,
organização, conhecimento de tecnologias e planejamento”, afirma.
É preciso explicitar em uma entrevista de emprego ou no currículo a modalidade de formação?
Não. O que importa são os conhecimentos adquiridos durante o curso, não a modalidade por meio da
qual eles foram obtidos. “A preocupação [do contratante] deve estar sempre voltada para reputação
da instituição, grade curricular do curso, qualidade dos professores, tecnologias utilizadas e
capacitação para o mercado de trabalho”, diz Constantino Cavalheiro, da Catho Educação. No
entanto, se o entrevistador perguntar, não omita a informação e explique os motivos que o levaram a
escolher o ensino a distância.
Quem fez EAD ganha menos do que quem fez cursos presenciais?
Não. O estudo "A Educação Profissional e Você no Mercado de Trabalho", publicado em 2010 pelo
professor da FGV (Fundação Getulio Vargas) Marcelo Neri, mostrou que alunos que completaram o
ensino técnico presencial e a distância tinham a mesma média salarial.

ESTRUTURA DE ENSINO
Ensino a distância tem prova?
Sim. Por lei, todos os alunos de cursos da educação básica e superior (ensino médio, técnico,
graduação e pós-graduação) têm que se submeter a exames presenciais regulares. Quem não atinge a
média é reprovado, precisa cursar a disciplina mais uma vez e, depois, refazer a prova. Em cursos
livres não existe essa obrigatoriedade, mas é comum as instituições de ensino concederem o
certificado apenas ao estudante aprovado em exame presencial.
Se o curso é a distância, por que é preciso assistir a aulas presenciais?
Uma portaria do MEC determina que, mesmo no ensino a distância, ao menos 20% da carga horária
da graduação seja feita de modo presencial. Entre as atividades presenciais obrigatórias estão
estágios, práticas em laboratórios e defesa do trabalho de conclusão de curso.
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Para estudar, é preciso ter um computador muito potente ou entender muito de informática?
Não. Um computador com configurações básicas e acesso a internet banda larga e o conhecimento de
procedimentos simples, como downloads e reprodução de vídeos on-line, são suficientes. Se forem
necessários programas específicos, a instituição de ensino deve orientar os alunos quanto à obtenção
e ao uso. Todas as dúvidas em relação ao acesso e à utilização do material on-line devem ser
esclarecidas por tutor ou responsável pelo curso.
Qualquer tipo de curso pode ser feito a distância?
Por lei, o ensino médio e o técnico e qualquer curso de graduação e de pós-graduação podem ser
feitos a distância. Na prática, porém, ainda não há no Brasil a oferta de cursos de medicina, nem de
doutorados, por exemplo.
Se vou estudar em casa no meu ritmo, por que os cursos têm duração pré-determinada?
Porque a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) determina que os cursos a distância para os
ensinos médio e técnico e para graduação e pós-graduação sejam projetados com a mesma duração da
modalidade presencial. Para os cursos livres, o critério de tempo varia de acordo com cada
instituição.

http://educacao.uol.com.br/noticias/2012/02/14/ensino-a-distancia-veja-respostas-para-as-duvidas-
mais-frequentes.htm

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TRABALHO PARA AVALIAÇÃO FINAL

COMPREENDA O TEMA LENDO A REPORTAGEM ABAIXO. PARA AMPLIAR OS


CONHECIMENTOS, ACESSE O LINK DA REVISTA ÉPOCA SOBRE REDES SOCIAS.
DISCUTA COM SEU GRUPO E APRESENTE A SÍNTESE DO ASSUNTO APONTANDO OS
SEGUINTES ASPECTOS:
• DEFINIÇÃO DE REDE SOCIAL;

• OBJETIVOS DAS REDES SOCIAIS;

• PRINCIPAIS PÁGINAS NA WEB QUE APRESENTAM AS CARACTERÍSTICAS DE


REDE SOCIAL;

• COMO E PARA QUE ESTÃO SENDO MAIS UTILIZADAS AS REDES SOCIAIS;

• VANTAGENS E DESVANTAGENS NA UTILIZAÇÃO DAS REDES SOCIAIS;

• CONCLUSÕES.

O PODER DAS REDES SOCIAIS

[...] A Internet está se tornando um modo de vida. Milhares de usuários da internet são
membros de uma ou mais redes sociais.
Segundo o site wikipedia, as redes sociais são relações entre os indivíduos na comunicação
por computador. O que também pode ser chamado de interação social, cujo objetivo é buscar
conectar pessoas e proporcionar a comunicação e, portanto, utilizar laços sociais. Mas e quais são as
redes sociais na Internet? Resposta simples: redes sociais na Internet são as páginas da web que
facilitam a interação entre os membros em diversos locais. Elas existem para proporcionar meios
diferentes e interessantes de interação.
A temática acerca do poder dessas redes sociais, vem sendo tratada sobre diversos pontos de
vista em vários campos do conhecimento, como na comunicação, sociologia, filosofia, etc.
De fato, as rede sociais virtuais, isto é, os laços sociais criados e potencializados a partir do
ambiente online, representam um poder de comunicação impressionante. Tanto para as relações
entre as pessoas, como para fins comerciais. E esse poder tem sido extremamente destrutivo para
muitas empresas, ao que me parece, estas ainda não compreenderam as redes sociais em seu sentido
completo.
Quando afirmamos que as redes sociais tem poder, conceitualmente estamos dizendo que as
redes sociais são como uma dinamite, que possui a força de desbravar e destruir. Quando pensamos
na questão do poder de desbravar, podemos fazer referência a quebra de barreiras geográficas, onde
determinada mensagem pode ser conhecida mundialmente em um curto espaço de tempo.

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Já na esfera “destrutiva” das redes sociais, da mesma forma que essa comunicação
avassaladora consegue engajar as pessoas, divulgar ideias e conteúdo, as críticas diante um erro se
tornam algo devastador. Uma verdadeira dinamite. Empresas e pessoas que são “vítimas” do poder
das redes sociais no que se refere ao lado negativo da exposição, tem suas vidas mudadas da noite
para o dia.
Atualmente, existem vários sites da rede social que operam mundialmente. As redes sociais
na internet congregam 29 milhões de brasileiros por mês. Nada menos que oito em cada dez pessoas
conectadas no Brasil têm o seu perfil estampado em algum site de relacionamentos.
Numa definição mais completa, uma rede social on-line é uma página na rede em que se
pode publicar um perfil público de si mesmo – com fotos e dados pessoais – e montar uma lista de
amigos que também integram o mesmo site. Como em uma praça, um clube ou um bar, esse é o
espaço no qual as pessoas trocam informações sobre as novidades cotidianas de sua vida, mostram as
fotos dos filhos, comentam os vídeos caseiros uns dos outros, compartilham suas músicas preferidas
e até descobrem novas oportunidades de trabalho. Tudo como as relações sociais devem ser, mas com
uma grande diferença: a ausência quase total de contato pessoal.
Os sites de relacionamentos, como qualquer tecnologia, são neutros. São bons ou ruins
dependendo do que se faz com eles. E nem todo mundo aprendeu a usá-los a seu próprio favor. Os
sites podem ser úteis para manter amizades separadas pela distância ou pelo tempo e para unir
pessoas com interesses comuns. Em excesso, porém, o uso dos sites de relacionamentos pode ter um
efeito negativo: as pessoas se isolam e tornam-se dependentes de um mundo de faz de conta, em que
só se sentem à vontade para interagir com os outros protegidos pelo véu da impessoalidade.
O sociólogo americano Robert Weiss escreveu, na década de 70, que existem dois tipos de
solidão: a emocional e a social. Segundo Weiss, "a solidão emocional é o sentimento de vazio e
inquietação causado pela falta de relacionamentos profundos. A solidão social é o sentimento de
tédio e marginalidade causado pela falta de amizades ou de um sentimento de pertencer a uma
comunidade".
Vários estudos têm reforçado a tese de que os sites de relacionamentos diminuem a solidão
social, mas aumentam significativamente a solidão emocional. É como se os participantes dessas
páginas na internet estivessem sempre rodeados de pessoas, mas não pudessem contar com nenhuma
delas para uma relação mais próxima. A associação entre a sensação de isolamento e o uso
compulsivo de comunidades virtuais foi observada em pesquisas com jovens na Índia, na Turquia, na
Itália e nos Estados Unidos.
Na Austrália, um estudo da Universidade de Sydney com idosos mostrou que aqueles que
usam a internet principalmente como uma ferramenta de comunicação tinham um nível menor de
solidão social. Já os entrevistados que preferiam usar os computadores para fazer amigos
apresentaram um alto grau de solidão emocional.
Ao contrário do e-mail, sites como Orkut, Facebook e Twitter, por sua instantaneidade,
criaram esse novo tipo de ansiedade: a de ficar sempre plugado para evitar a impressão de que se está
perdendo algo. Lev Grossman, colunista de tecnologia da revista americana Time, revelou há pouco
ter decidido cancelar sua conta no Twitter porque percebeu que estava ficando mais interessado na
vida alheia do que na própria.
A produtora cultural Liliane Ferrari, de São Paulo, é extrovertida e comunicativa. No
entanto, como trabalha em casa e tem uma filha pequena, considera ter pouco tempo para se
encontrar pessoalmente com os amigos. Em compensação, passa duas horas por dia atualizando e
conferindo os 21 sites de relacionamentos e blogs dos quais faz parte. Mas já está ficando apreensiva.
"Quando fico conectada com um monte de gente por muito tempo, tenho a impressão de que, no
fundo, não conheço ninguém. É uma coisa meio esquizofrênica, parece que estou ficando louca", diz
Liliane. Ela não tem dúvida de que, em relação aos amigos mais íntimos, nada substitui o contato
pessoal. "Quando se desabafa com um amigo pela internet, alguns sinais de afetividade são deixados
de lado, como o olhar, a expressão corporal e o tom de voz", diz a psicóloga Rita Khater, da
Pontifícia Universidade Católica de Campinas.

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As amizades na internet não são sequer mais numerosas do que na vida real. De nada adianta
ter 500 ou 1 000 contatos no Orkut. É impossível dar conta de todos eles, porque o limite das relações
humanas é estabelecido pela biologia. O número máximo de pessoas com quem cada um de nós
consegue manter uma relação social estável é, em média, de 150, segundo o antropólogo inglês
Robin Dunbar, um dos mais conceituados estudiosos da psicologia evolutiva. Dunbar observou que o
tamanho médio dos conjuntos de diferentes espécies de primata depende do tamanho do seu cérebro.
Extrapolando a lógica para o Homo sapiens, o pesquisador chegou ao seu número mágico,
confirmado pela análise de diversos grupos humanos ao longo da história. Sua teoria é que, desde o
paleolítico, nossos ancestrais foram desenvolvendo a linguagem ao mesmo tempo em que ampliavam
o seu círculo social – ou seja, aqueles indivíduos com quem se acasalavam, faziam alianças,
fofocavam, cooperavam e, eventualmente, brigavam. Amigos, numa versão mais rudimentar.
Há cerca de 10 000 anos, chegou-se ao limite calculado por Dunbar, estabelecido pela
impossibilidade de o ser humano aumentar a sua capacidade cognitiva, o que inclui as habilidades de
comunicação. Dunbar começou a estudar o assunto na década de 90 e, agora, o seu cálculo está sendo
confirmado nos sites de relacionamentos. Em média, o número de contatos nos perfis do Facebook e
de seguidores no Twitter é de 120 pessoas.
No Orkut, cada brasileiro tem cerca de 100 amigos. Mesmo quem foge do padrão e
consegue amealhar alguns milhares de companheiros virtuais não conhece, de fato, muito mais do
que uma centena. A cantora Marina de la Riva tem, entre Orkut, Facebook e MySpace, 4 700
contatos. "Mas não me comunico com mais do que 100 deles", diz Marina.
O número de Dunbar, 150, não é uma unanimidade entre os cientistas. Valendo-se de uma
metodologia diferente, um grupo de antropólogos americanos, entre os quais Russell Bernard, da
Universidade da Flórida, concluiu que, nos Estados Unidos, os laços de amizade de uma pessoa
podem chegar a 290. Cento e cinquenta ou 290 pessoas: não importa qual seja a cifra, ainda está
muito longe do número de amigos que os mais ativos apregoam ter na rede eletrônica. "A internet é
muito boa para administrar amizades já existentes, garantindo sua continuidade mesmo a grandes
distâncias, mas é ruim para criar do zero relações de qualidade", disse Dunbar à revista.
Existem diferentes níveis de amizade, é lógico. As mais distantes são mais abundantes. É o
que se chama, em sociologia, de "laços fracos". Relações sociais estáveis como as estudadas por
Dunbar e Bernard são chamadas, por sua vez, de "laços fortes". Dentro dessa categoria há um núcleo
reduzido de confidentes, que não costumam passar de cinco. Esses são os amigos do peito, com quem
podemos contar sempre, mesmo nos piores momentos.
As mulheres costumam ter um núcleo de confidentes maior que o dos homens. A
característica se repete na internet. No Facebook, por exemplo, um homem com 120 contatos na lista
responde com frequência aos comentários de sete amigos, em média. Entre as mulheres, esse número
sobe para dez. "As mulheres têm mais facilidade para fazer amizades próximas do que os homens",
diz a antropóloga Claudia Barcellos Rezende, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Já os
homens se especializaram em estabelecer um número maior de relações, mas com um grau de
intimidade menor. Em termos evolutivos, isso se explica pela necessidade do homem de sair para
buscar o sustento, fazendo alianças temporárias com uma quantidade maior de indivíduos, enquanto
as mulheres ficavam com os filhos e se juntavam às outras mães para proteger a prole.
A vida moderna, curiosamente, pode estar tornando as relações de amizade mais
masculinizadas. "O tamanho médio do núcleo de amigos próximos parece estar diminuindo, enquanto
a rede de contatos fracos aumenta", disse a VEJA o sociólogo Peter Marsden, da Universidade
Harvard, nos Estados Unidos. Ou seja, cresceram as relações superficiais, efêmeras, e reduziram-se
as mais afetivas, profundas. A tendência é reproduzida à perfeição – e intensificada – nas redes
sociais on-line. É como se a maioria das relações fosse estratégica, tal como as dos homens das
cavernas. "Nesses sites, é possível manter os relacionamentos a uma distância segura. Ou seja,
aproximações e afastamentos se dão na medida do necessário", afirma Luli Radfahrer, professor de
comunicação digital da Universidade de São Paulo.
Um exemplo conhecido dos adeptos do Orkut no Brasil são os ex-colegas de escola que,
depois de anos sem se comunicar e mesmo sem ter nenhuma afinidade pessoal, passam a engordar a
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lista de amigos virtuais uns dos outros. Quando conveniente, o contato é retomado para resolver
questões práticas. Esses laços fracos são muito úteis, por exemplo, para descobrir oportunidades de
trabalho. Amigos próximos são menos eficientes em tal quesito porque, em geral, circulam no mesmo
meio e têm acesso às mesmas informações. Uma das redes sociais com o maior crescimento de
adeptos no mundo é justamente o LinkedIn, especializado em estabelecer vínculos profissionais.
Na internet, é fácil administrar uma enorme rede de contatos, com pessoas pouco
conhecidas, porque estão todos ao alcance de um clique. A lista de amigos virtuais é uma espécie de
agenda de telefones, com a vantagem de não ser necessário ligar para todos uma vez por ano para não
ser esquecido. Basta manter o perfil atualizado e acrescentar à página comentários sobre, por
exemplo, suas atividades cotidianas. Isso cria um efeito conhecido como "sensação de ambiente". É
como se cada um dos contatos de determinada pessoa estivesse fisicamente presente no momento em
que ela reclama de uma coceira nas costas ou comenta sobre a música que está ouvindo.
O Twitter explora esse princípio na sua forma mais crua, ao incitar os seus participantes a
responder em apenas 140 caracteres à pergunta: "O que você está fazendo?". Os comentários vão de
"comendo pão de queijo" a observações espirituosas sobre a vida. O fluxo constante de informações
pessoais cria um paradoxo: ao mesmo tempo que ele é necessário para cativar a atenção dos amigos
virtuais, pode pôr em risco a imagem pública do indivíduo. Certamente seria embaraçoso para um
candidato a um emprego que o seu futuro chefe lesse a seguinte revelação encontrada pela
reportagem de VEJA em um perfil do Orkut: "No colégio, eu tinha o hábito de bater no bumbum das
alunas com uma régua, quando elas passavam pela minha mesa".
Cada perfil nos sites de relacionamentos pode ser comparado a um pequeno palco. Esse
exercício até certo ponto teatral é, no entanto, apresentado a uma audiência invisível. "Como não
estamos vendo nossos espectadores, somos incapazes de observar sua reação ao que estamos fazendo
e, com isso, ficamos à vontade para nos expor mais do que seria prudente", disse a VEJA Barry
Wellman, professor de sociologia da Universidade de Toronto, no Canadá. As táticas para driblar a
superexposição nas redes sociais on-line são variadas. Há quem mantenha dois perfis no mesmo site:
um para laços fracos, com informações pessoais mais contidas, e outro para laços fortes, em que se
pode permitir um grau de exposição maior.
A atriz Mel Lisboa teve, durante algum tempo, um perfil com pseudônimo no Orkut, por
meio do qual mantinha contato apenas com os amigos mais próximos. Quando os fãs descobriram,
ela passou a receber pedidos incessantes de entrada em sua lista de amigos. "Era uma situação
complicada, porque eu não estava ali para divulgar o meu trabalho", diz Mel. "Eu ficava sem graça de
recusar um pedido de autorização e acabei desistindo do Orkut." Atualmente, há uma página com o
nome e a foto dela no site, mas é falsa. Alguém se passa por ela. Outra forma de manter a privacidade
on-line é usar os filtros, disponíveis em muitos sites, que permitem selecionar quais amigos podem
ver determinadas partes do perfil pessoal.
A necessidade de classificar os contatos virtuais na sua página do Orkut ou do Facebook
segundo o grau de intimidade desafia um dos princípios da amizade verdadeira: a total reciprocidade.
Na vida real, o desnível da afinidade que uma pessoa sente pela outra costuma ficar apenas implícito
na relação entre elas. Na internet, ele é escancarado. Pode-se simplesmente bloquear o acesso de
certos amigos a determinadas informações. Além disso, ela não estimula aquele tipo de solidariedade
que faz com que dois amigos de carne e osso aturem, mutuamente, os maus momentos de ambos.
Esse grau de convivência e aceitação de azedumes ou mesmo defeitos alheios é quase inexistente nas
redes sociais. Quando alguém começa a incomodar, é ignorado ou deletado. "Se o objetivo é um
vínculo afetivo maior, é preciso se encontrar pessoalmente", resume candidamente Danah Boyd,
pesquisadora do Microsoft Research, um laboratório inaugurado em Massachusetts pela empresa de
Bill Gates para o estudo do futuro da internet.
Ao fim e ao cabo, usar as redes sociais para fazer uma infinidade de amigos – quase sempre
não muito amigos – é uma especialidade de Brasil, Hungria e Filipinas, países que têm o maior
número de usuários com mais de 150 contatos virtuais. Uma pesquisa nos Estados Unidos, por
exemplo, mostrou que 91% dos adolescentes usam os sites apenas para se comunicar com amigos

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que eles já conhecem. Parecem saber que, como dizia Aristóteles, amigos verdadeiros precisam ter
comido sal juntos.

Trabalhar com redes sociais exige preparo, mais que isso, é preciso extrema atenção e foco em
tudo aquilo que é feito. A cada tweet, postagem, resposta ou comentário, uma nova “bomba” pode
ser ativada em poucos segundos. E mesmo que o profissional faça essa missão todos os dias, por
diversas vezes, ele não pode e não deve relaxar no momento dessa missão. A atenção e o foco são
pilares fundamentais na vida desse profissional. Imagine a responsabilidade de um profissional que
gerencia a página de um jornal, o público que ele está lidando. Qualquer erro pode prejudicar a
credibilidade e a marca do jornal. Isso não é nenhuma brincadeira de garoto de faculdade, é assunto
de gente grande.
No livro marketing 3.0, Kotler fala acerca do poder das mídias sociais. Para Kotler, a
medida que as mídias sociais estão se tornando cada vez mais expressivas, os próprios consumidores
poderão influência outros consumidores compartilhando suas opiniões e experiênciais com
determinada marca.
Kotler afirma que as pessoas estão dedicando o seu tempo a novas atividades, e por esse
motivo, estão menos expostas aos anúncios tradicionais. Nesse cenário, as mídias sociais se tornam
ferramentas cada vez mais eficientes, isto é, seu baixo custo e alto potencial de propagação de
informação, torna as mídias sociais como uma das ferramentas mais promissoras para o futuro da
comunicação.

Confira um vídeo produzido pelo Discovery Channel e certifique-se do poder que as redes sociais.
Texto organizado por Regina de Fatima Mendes Schmidlin, tendo como referência os artigos
disponíveis em:

http://www.natanaeloliveira.com.br/o-poder-das-redes-sociais/
http://www.jornalistasdaweb.com.br/?pag=displayConteudo&idConteudoTipo=2&idConteudo=3965
http://minilua.com/poder-das-redes-sociais/

..........................................

QUESTÕES SOBRE EAD

1. Compare os conceitos de EaD formulados em diferentes momentos, e observe as mudanças


ocorridas nesses conceitos.
2. Que diferenças você estabelece entre as expressões “ensino a distância” e “educação a
distância” ?
3. Cite as diferentes gerações de EaD e as tecnologias empregadas em cada uma delas.
4. Faça uma auto-análise e verifique quais as características positivas que você possui para
estudar a distância e quais as barreiras que precisa superar para ter sucesso neste curso.
5. Em que contexto se encontra a EAD no Brasil?
6. EAD pode ser compreendida a partir da história dos meios de comunicação?
7. De que forma a flexibilidade da EAD pode comprometer a qualidade da aprendizagem?
8. Qual a importância da integração das diversas tecnologias na relação professor-aluno dentro
da EAD?

AVALIAÇÃO

LEIA OS TEXTOS ACIMA. RESPONDA OS EXERCÍCIO. SELECIONE 2 PARA ENTREGAR.

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UM TRABALHO FAÇA EM GRUPO DE 4 COMPONENTES.
O OUTRO TRABALHO FAÇA EM GRUPO DE 2.
ENTREGUE COM CAPA, DIGITADO. NÃO ESQUEÇA DE IDENTIFICAR OS AUTORES
DATA DA ENTREGA: Até o dia 22 de fevereiro. (CADA UM VALE 10 PONTOS)

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