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Lição 5 – Ética cristã, pena de morte e Mais populares


eutanásia Confederação de pastores decide
Subsídio para a Escola Bíblica Dominical da Lição 5 do trimestre sobre "Valores apoiar Bolsonaro
cristãos" (https://noticias.gospelprime.com.br/confederacao-
de-pastores-do-brasil-decide-apoiar-
bolsonaro/)
FACEBOOK (HTTP://WWW.FACEBOOK.COM/) por Tiago Rosas
Bolsonaro se consolida como
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preferido dos evangélicos
EUTANASIA%2F&TEXT=LI%C3%A7%C3%A3O%205%20%E2%80%93%20%C3%89TICA%20CRIST%C3%A3%2C%20PENA%20DE%20MORTE%20E%20EUTAN%C3%A1SIA
(https://noticias.gospelprime.com.br/jair-
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)
bolsonaro-evangelicos-ibope/)

O estudo de hoje envolve dois Pastores assembleianos declaram


apoio a Jair Bolsonaro
temas delicados, embora um
(https://noticias.gospelprime.com.br/pastores-
mais controverso que o outro: assembleia-de-deus-apoio-jair-
bolsonaro/)
pena de morte e eutanásia.
Feliciano faz alerta: "nação está
Neste segundo assunto há sendo engolida por mentiras"
Ética cristã, pena de morte e eutanásia quase um consenso de (https://noticias.gospelprime.com.br/feliciano-
alerta-nacao-farsas-mentiras/)
reprovação por parte dos
Casa Branca pretende investigar
cristãos; no primeiro assunto, porém, os cristãos se encontram viés político de rede sociais
divididos: há os que estão de acordo com a pena de morte, e há os que (https://noticias.gospelprime.com.br/casa-
branca-pretende-investigar-vies-
são contrários. “Cada um esteja inteiramente seguro em sua própria politico-do-google-facebook-e-twitter/)

mente” (Rm 14.5). Devido ambos os assuntos trabalharem com o direito Milagre: jovens oram por
sobre a vida e a morte de outra pessoa, julguei por bem não trazer cadeirante e ela volta a andar
(https://noticias.gospelprime.com.br/milagre-
neste estudo um comentário separado referente ao terceiro tópico da jovens-oram-por-cadeirante-e-ela-volta-
a-andar/)
Lição (CPAD), mas tratar disso ao longo dos dois tópicos, mostrando
tanto a opinião de estudiosos da Palavra de Deus, quanto do próprio
Deus em sua Palavra – claro, sempre conferindo a esta a autoridade
Últimas
suprema sobre estas questões. Bom estudo!
Marina pede investigação contra
Bolsonaro e fala em cassar
Antes de prosseguirmos, gostaria de te apresentar um conteúdo que pode registro
lhe ajudar a melhorar suas aulas na Escola Bíblica Dominical. O curso (https://noticias.gospelprime.com.br/marina-
pede-cassacao-do-registro-de-
produzido pela Universidade da Bíblia chama-se Formação de Professores candidatura-de-bolsonaro/)

para Escola Bíblica Dominical e tem matérias sobre a psicologia da Casa Branca pretendeFeedinvestigar
de notícias de Gospel Prime

educação cristã, didática, métodos de ensino entre outros. Clique aqui e viés político de rede sociais
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Leia mais
As orações dos santos no altar de ouro Sexualidade é utilizada contra o
Evangelho, alerta teólogo
(https://noticias.gospelprime.com.br/sexualidade-
e-utilizada-contra-o-evangelho-alerta-
(https://artigos.gospelprime.com.br/as-oracoes-dos-santos-no-altar-
teologo/)
de-ouro/)
Pastores assembleianos declaram
apoio a Jair Bolsonaro
Meninos são revolucionários, homens são conservadores (https://noticias.gospelprime.com.br/pastores-
assembleia-de-deus-apoio-jair-
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2,3% no Brasil
homens-sao-conservadores/)
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de-suicidios-aumentou-23-no-brasil-1-
caso-a-cada-46-minutos/)

Nova novela da Globo ensinará


I. A PENA DE MORTE NAS ESCRITURAS espiritismo
(https://noticias.gospelprime.com.br/espelho-
da-vida-espiritismo-globo/)
• Alguns cuidados iniciais com o assunto

A pergunta a ser respondida com o estudo da pena de morte é: por


uma ótica cristã, pode-se dizer que é moral a aplicação da pena de
morte? Se apenas Deus tem o poder de dar e o direito de tirar a vida,
como pode ser justificável que o Estado execute criminosos? Os que são
contrários à pena de morte logo dirão que somente Deus, não o Estado
tem esse direito; os que são favoráveis, com facilidade poderão
interpretar que pela Bíblia o Estado é investido por Deus deste direito
de aplicar a pena capital (assim como a Lei de Moisés investia os líderes
e ou anciãos daquele tempo de aplicarem a pena de morte sobre os
transgressores).

Não estamos diante de um assunto de fácil solução, e quase sempre


convicções pessoais, sociais e/ou denominacionais têm sua
interferência aqui. E também, especialmente por estarmos vivendo dias
de grande violência urbana, quase sempre somos condicionados pelo
momento de crise a clamar por medidas extremas de punição aos que
atentam contra a paz e a segurança da sociedade. Neste momento
precisamos daquele fruto do Espírito: “…moderação…” (Gl 5.22).

• O problema da indefinição teológica

Os teólogos cristãos estão divididos quanto a moralidade da pena de


morte, e não podemos ter a pretensão de resolver toda a tensão em
volta deste assunto numa única aula dominical (ainda mais quando o
assunto está imprensado com outro tema delicado, que é a eutanásia,
assunto do segundo tópico).

Olhando para os primeiros séculos da Igreja, parece que aqueles


cristãos eram contrários à pena de morte, à participação no exército
romano e às guerras. Tertuliano (160-230 d.C.) é seguro em seu
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posicionamento: “Se somos exortados a amar nossos inimigos, a quem é
que podemos odiar? Se somos injuriados, é-nos proibido vingar-nos, a não
ser que nos tornemos tão maus como eles”. E então, aquele Pai da igreja
afirma: “Na nossa religião é considerado melhor ser morto do que matar”
[1].

No final da Idade Média, o famoso anabatista Menno Simons (1496-


1561), caminhando em direção contrária, inclusive a dos reformadores
Lutero e Calvino, que eram favoráveis à guerra justa e à aplicação da
pena de morte pelo Estado, rejeita o envolvimento de cristãos na morte
cruel e premeditada: “Diga-me, como é que um cristão pode defender
biblicamente a retaliação, a rebelião, a guerra, o golpear, o matar, o
torturar, o roubar, o espoliar e o queimar cidades e vencer países?… Oh!
Abençoado leitor, nossas armas não são espadas nem lanças, mas a
paciência, o silêncio, a esperança e a Palavra de Deus” [2]. Nos dias de João
Calvino (1509-1564), até mesmo a heresia era punida pelo Estado com
execução, e o próprio reformador suíço chegou a pleitear a prisão e a
morte do herege Miguel Servetus, um médico cristão que negava a
Trindade. Lamentavelmente, marcas de sangue mancham as páginas
do Protestantismo como do Catolicismo outrora.

O comentarista da Lição que parece ser contrário à pena de morte, o


Dr. Douglas Baptista, reconhece a dificuldade do assunto: “A pena de
morte tem sido um dos mais controvertidos temas éticos da atualidade”, e
em seguida diz qual a maior dificuldade deste assunto em sua visão:
“conciliar o ordenamento jurídico da pena capital com o sexto mandamento
prescrito no Antigo Testamento – ‘Não matarás’ (Ex 20.13) –, que pressupõe a
preservação da vida e a proibição do assassinato premeditado” [3].

Admitindo também a mesma dificuldade, mas reconhecendo que a


questão crucial é outra e não a conciliação da pena de morte com o
sexto mandamento, o teólogo português Alan Pallister, que é
favorável à pena de morte, faz a seguinte ponderação: “A única
questão crucial, a nível de interpretação bíblica, é se o Novo Testamento traz
alterações, em relação àquilo que o Antigo Testamento ensina. Será que a
guerra e a morte eram aceitáveis em uma dispensação e deixaram de ser
em outra?”. [4] A conclusão de Pallister é a mesma de Hanegraaff, que
afirma: “embora a pena de morte possa ser repreensível a partir de
uma perspectiva secular, é fundamental a uma cosmovisão bíblica”
(Hanegraaff, p. 113).

• O que a Bíblia diz?

Está claro como a luz do sol, e é inquestionável, que o Antigo


Testamento não só reconhece como prescreve – estabelece! – a pena
capital para alguns crimes. Ainda nos dias do patriarca Noé, Deus já
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havia estabelecido que aqueles que matassem um homem seriam
punidos com a execução, “sangue por sangue e vida por vida” (Gn 9.6).

A Lei de Moisés estabelece a pena capital em muitos casos e de


muitas formas:

1. Execução por apedrejamento: culpados de infanticídio (Lv 20.2-5),


adivinhação (Lv 20.27), blasfêmia (Lv 24.15,16), profanação do sábado
(Ex 31.14), falsa profecia (Dt 13.1-10), falsa adoração (Dt 17.2-7), filho
incorrigível (Dt 21.18-21), e adultério (Dt 22.22-24).

2. Execução pela espada: apóstatas (Ex 32.27), assassinos (Nm 35.19-21)


e idólatras (Dt 13.13-15).

3. Execução pelo fogo: relação promíscua envolvendo outros parentes


(Lv 20.14), filha do sacerdote que cometesse prostituição (Lv 21.9).

A Lei de Moisés, entretanto, estabelecia a necessidade de duas


testemunhas (quando não em caso de confissão do crime ou pecado)
para efetivação da pena (Dt 17.6); e também ressalvava que se alguém,
em legítima defesa, matasse um bandido à noite, estava isento de culpa,
e aquele que matasse alguém por acidente (sem intenção), podia
refugiar-se numa das muitas cidades de refúgio.

No Novo Testamento, também está claro como a luz do sol que,


diferente da congregação de Israel, os cristãos não tomam para si o
direito de aplicar pena capital seja a quem for, ou um criminoso ou um
pecador. Neste específico, a Igreja aplica sempre a disciplina com
caráter corretivo ou, no máximo, procede a expulsão do membro
da comunidade cristã. Mas nunca pratica ou pleiteia a aplicação da
pena de morte para transgressores. A razão disso pode estar na
declaração de Jesus aos seus discípulos, que desejavam a morte dos
samaritanos por estes haverem recusado ao Senhor: “…o filho do
homem não veio para destruir as almas, mas para salvá-las” (Lc 9.56).

Assim, é preciso deixar claro que embora a pena de morte exista no


Novo Testamento e que ela não seja, ao menos explicitamente e
vigorosamente, condenada por Jesus e seus apóstolos, tal pena nunca é
aplicada pelos cristãos, nem por eles buscada contra alguém. No Novo
Testamento é o Estado romano (pagão, diga-se de passagem) que
detém o poder e o direito de sentenciar à morte (e suas razões nem
sempre são justificáveis, se observarmos por um prisma cristão
ocidental moderno). Cristo e os apóstolos reconhecem esse poder dos
magistrados. Vejamos:

– Jesus reconheceu a legitimidade da pena de morte diante de Pilatos –


embora, não necessariamente, tenha reconhecido a legitimidade de seu
julgamento, que todos sabemos, foi injusto (Jo 19.11).

– Paulo reconheceu que os magistrados são “ministro de Deus, e


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vingador[es] para castigar o que faz o mal” e que têm o direito de julgar
os transgressores com a espada (Rm 13.3,4). Diante do governador
romano Festo, o apóstolo Paulo se predispôs a aceitar a pena de morte,
caso ficasse comprovada a sua culpa (At 25.11). Aliás, o próprio Paulo
provou a pena capital pela espada de Roma, embora as razões de sua
sentença tenham sido religiosas (e injustas!). A tradição cristã nos
informa que Paulo morreu decapitado por volta do ano 64-65, no
mesmo tempo do apóstolo Pedro, que também morreu sob sentença
romana, embora crucificado. Paulo, como cidadão romano, podia
receber a pena capital destinada aos romanos, o golpe de misericórdia
rápido e indolor pela espada; Pedro, judeu sem cidadania romana, teve
que amargar a morte demorada e dolorosa da crucificação, destinada
aos estrangeiros insurgentes.

– Pedro não faz menção direta à execução, mas ordena honrar o rei
(1Pe 2.17), e diz que “se alguém sofre como cristão, não se envergonhe,
mas glorifique a Deus por meio desse nome” (1Pe 4.16; Conf. v. 15).

Algumas conclusões morais podem com razoabilidade ser tiradas


desse estudo:

1. Ninguém pode fazer vingança com as próprias mãos e por deliberada


vontade. Para vingança contra crimes, leis e governos foram
estabelecidos para que a justiça seja feita.

2. Ao acusado, a Bíblia estabelece direito de defesa antes da aplicação da


pena.

3. A aplicação da pena não compete à Igreja, mas ao Estado.

4. Cristãos se submetiam à pena de morte e reconheciam a legitimidade


do Estado em aplica-la, mas nunca a reclamavam para outros.

5. Mesmo em casos em que a lei estabelecia a pena capital, o perdão


(seja da parte dos magistrados, seja da parte de Deus) podia ser
ofertado ao transgressor, livrando-o da execução. A lei de Moisés,
como vimos, ordenava a execução do adúltero, mas Deus perdoou a
Davi, que havia adulterado com Bate-Seba, e o poupou da morte (2Sm
12.13). Em situação semelhante encontrava-se a mulher adúltera que
diante de Cristo alcançou misericórdia, quando seus acusadores
buscavam apedrejá-la (Jo 8.10,11).

– E, então, é moral ou imoral?

Concluo este tópico dizendo que creio ser moral a aplicação da pena de
morte pelo Estado, se tal prática já está regulamentada; mas creio ser
imoral cristãos clamarem pela execução de quem quer que seja, antes
devendo sempre olhar com lamento a morte programada de alguém
por quem Cristo se ofereceu na cruz do Calvário. No tocante à vida, o
grande princípio da ética cristã repousa sobre o próprio Cristo: “eu
vim para que todos (todos!) tenham vida, e a tenham com
abundância” (Jo 10.10). Creio que o ideal é embainharmos nossas
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espadas, para não retirarmos sequer a orelha de nossos inimigos! (Mt
26.52) Que dirá a vida…
Cristãos não devem juntar-se à fileira daqueles que pedem pena de
morte para ladrões, estupradores ou assassinos, ainda mais em virtude
de que Cristo nos ordena “amar nossos inimigos” (Mt 5.44) e “abençoar
e não amaldiçoar” (Rm 12.14). Isso não significa ser condescendente
com o erro, nem afrouxar a justiça ou o valor da vida (da vítima);
significa antes considerar que a vida do transgressor é igualmente
preciosa à da vítima, e que se a vida desta não foi preservada, ao menos
a daquele deve ser, dando-lhe inclusive tempo e oportunidade para
arrependimento e salvação da alma, antes que a morte natural chegue
para ele a seu tempo.

No mais, há muitas outras formas de justo julgamento aos que


cometem crimes gravíssimos contra a pessoa humana e a sociedade,
que não envolvam nem a tortura, nem a morte cruel; e de minha
particular avaliação penso que a prisão perpétua (não praticada no
Brasil, bem como a pena de morte) seria uma pena justa e adequada ao
invés da pena de morte. Quando se há “entranháveis afetos de
misericórdia” (Fp 2.1), prefere-se a privação da liberdade do infrator do
que a privação de sua vida. Tanto quanto pudermos deixar que o
próprio Príncipe da vida (At 3.15) coloque um termo à vida de qualquer
homem, deixemos que assim seja.

Cristãos devem orar pelos que governam (1Tm 2.1-2) e cooperar


com o poder público para o desenvolvimento de uma sociedade de
justiça e paz, onde a pena capital nem necessite ser criada, nem
praticada. Creio que este é o caminho de uma ética cristã
excelente, que tem em Cristo o seu grande referencial!

II. EUTANÁSIA: CONCEITOS E IMPLICAÇÕES

A “boa morte” ou “morte misericordiosa”, como a eutanásia é conhecida,


tecnicamente é “a doutrina segundo a qual é lícito antecipar a morte de
pacientes terminais, que estejam sofrendo de enfermidade incuráveis,
aflitivas e dolorosas” (5).

Se no assunto da pena de morte os teólogos estão divididos, na questão


da eutanásia percebemos uma opinião quase comum e que é contrária
a tal prática. Em virtude disso, não necessitaremos nos alongar tanto
nesta questão.

Falando sobre organizações que buscam a legalização da eutanásia,


Hanegraaff diz que na visão destas organizações “‘assassinatos por
misericórdia’ quando se trata de doenças, incapacidades e casos terminais
são um passo para luz”, na ética cristã, porém, “são um passo para a Feed de notícias de Gospel Prime

escuridão” (6).

• Eutanásia: passiva e ativa


Eutanásia passiva – quando o doente recusa tratamento médico que
está lhe causando dores e sofrimentos e aceita o curso natural da
doença com o risco da morte (ele não pretende morrer, pretende livrar-
se do sofrimento do tratamento que, não raras vezes, demonstra-se
ineficaz).

Quando o paciente continua sendo medicado, mas com restrição aos


usos de tratamentos que provoquem dor, e recebendo cuidados
farmacológicos mínimos que ao menos alivie seu sofrimento,
reconhecendo que  a doença tem seu curso natural e que o
prolongamento artificial da vida biológica não é benéfica para o
paciente, então diz-se que neste caso ocorre a ortotanásia (“morte
correta”), e não eutanásia.

Eutanásia ativa – quando o processo de morte é acelerado


intencionalmente, seja por desligamento dos aparelhos hospitalares,
seja por injeção de alguma droga, para por um fim imediato à vida do
paciente. Uma questão a se ponderar é se neste caso, o fato do
paciente permitir que pratiquem contra ele a eutanásia, não estaria ele
também praticando uma forma de suicídio (suicídio assistido), ou se os
médicos ou parentes que concordam em acelerar a morte do paciente
não estariam por isso cometendo homicídio. No Código Penal Brasileiro,
em seu Artigo 122, a eutanásia é tipificada como crime já que tal prática
é “induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio para que o
faça”.

Hank Hanegraaf diz que “Embora a eutanásia passiva seja moralmente


admissível, pois permite que o processo de morte siga seu curso natural, a
eutanásia ativa é moralmente proibida, porque envolve, de forma direta, o
ato de tirar a vida humana” (7).

Alan Pallister, num discurso que representa opinião cristã majoritária,


entende que “praticar eutanásia é usurpar o lugar do Deus soberano. Este
dá o espírito que torna o homem uma alma vivente (Gn 2.7) e, quando Deus
estende, o espírito volta para ele (Ec 12.7)”. [8]

• O problema do sofrimento

Quase sempre o argumento a que recorrem os defensores da


eutanásia, é o argumento emocional: por que não antecipar a morte de
uma pessoa cuja doença é incurável e que já está em estágio terminal,
livrando-a assim de ficar dias ou até meses sofrendo com a doença
sobre uma cama?

Claudionor de Andrade e também Alan Pallister questionam se este Feed de notícias de Gospel Prime

argumento é mesmo sincero, ou se o interesse pela eutanásia é muito


mais financeiro: por um lado, parentes que querem se livrar das
despesas e de suas obrigações para com o doente; por outro lado,
operadoras de planos de saúde que não desejam custear altos gastos
com tratamento do doente. Mas, quanto vale uma vida?

Embora não devamos buscar a dor, nem desejar o sofrimento, fato é


que, como diz Pallister, “faz parte dos propósitos de Deus permitir que a
maioria de seus filhos atravessem períodos de grande sofrimento – os quais
contribuem para seu amadurecimento e santificação (Rm 5.3-5; 2Co 4.16,17;
Tg 1.2-4)” [9]. Como dizia o crítico literário C.S. Lewis, “Deus sussurra em
nossos prazeres, fala em nossa consciência, mas grita em nossas dores; é
seu megafone para despertar um mundo surdo” [10].

O apóstolo Paulo, aquele que trazia as marcas do sofrimento por amor


de Cristo em seu corpo (Gl 6.17; 2Co 11.23-38), inspirado pelo Espírito
Santo nos exorta que a nossa “leve e momentânea tribulação produz
para nós um peso eterno de glória mui excelente” (2Co 4.17). Davi com
muita confiança assim salmodia ao seu Pastor: “Ainda que eu andasse
pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás
comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam” (Sl 23.4). Em horas de
grande aflição, precisamos nos unir aos coraítas e assim cantar com fé:
“Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia”
(Sl 46.1).

A Bíblia ensina a consolar-nos uns aos outros (1Ts 4.18), chorar com
os que choram (Rm 12.15), socorrer os que sofrem (1Tm 5.10,16; Mt
25.34-36), orar pelos doentes (Tg 5.14,15) e medicá-los quando
preciso (1Tm 5.23). Mas a Bíblia nunca nos manda antecipar a
morte de ninguém, para poupar-lhe da dor e de doenças
prolongadas!

O segundo maior mandamento, na perspectiva de Cristo é: “amar ao


próximo como a si mesmo”. E o amor “O amor é sofredor, é benigno…
Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1Co 13.4,7). Além do
mais, como Jó que em meio ao sofrimento obtive uma sublime
revelação de Deus tal qual nunca dantes tinha recebido em seus cultos
matinais, assim também é perfeitamente possível que em meio ao
sofrimento, Deus esteja querendo se revelar a nós ou a nossos parentes
e amigos de maneira maravilhosa. Como disse o profeta Naum, “o
Senhor tem o seu caminho na tormenta” (Na 1.3).

Nas palavras do filósofo cristão William Lane Craig, “muito do sofrimento


desde mundo pode parecer totalmente sem sentido em relação ao objetivo
de produzir a felicidade humana, mas não pode ser sem sentido em relação
a trazer um conhecimento mais profundo de Deus” (11). Antes do Feed de notícias de Gospel Prime

sofrimento intenso que amargou, e mesmo quando sua mulher lhe


sugeriu amaldiçoar a Deus e morrer, Jó só conhecia a Deus de ouvir
falar; depois do sofrimento, quando Deus se revelara a ele
pessoalmente em meio ao redemoinho (Jó 38.1), Jó então pode dizer:
“agora meus olhos te veem…” (Jó 42.5). Creio que mesmo sofrendo
dores terríveis, precisamos confiar em Deus, como uma mulher grávida
confia que dará a luz ao filho querido, ainda que em meio a terríveis
dores de parto.

CONCLUSÃO

Embora não haja uma proibição bíblica para a pena de morte aplicada
pelo Estado, a ética cristã que deve buscar uma justiça que exceda a dos
escribas e fariseus (Mt 5.20) precisa reclamar por julgamentos que ao
mesmo tempo punam o transgressor, mas poupem-lhe a vida, para que
ele se arrependa, repare o seu erro e converta-se de seus pecados. Não
creio ser compatível com o Evangelho reclamarmos ao Estado que puna
com pena capital seja a quem for. E no quesito da eutanásia,
reforcemos nosso coro em favor da vida, mesmo daqueles que jazem
em doenças terminais. Não adotemos o discurso da mulher de Jó,
sugerindo às pessoas que se entreguem logo à morte; antes, cuidemos,
oremos e amemos até o fim. A “boa morte” (se é que a maior inimiga da
humanidade pode assim ser chamada) é aquela que ocorre na
presença do Senhor, no ano, mês, dia e horário estabelecidos por Deus
segundo a sua boa, perfeita e agradável vontade. Somente desses é que
podemos dizer: partiu para as mansões celestiais!

REFERÊNCIAS

[1] Tertuliano, em “Acerca da idolatria”. Citado por Alan Pallister em Ética


Cristã hoje, Shedd Publicações, p. 132
[2] Menno Simons, citado por Alan Pallister, op. cit., p. 135
[3] Douglas Baptista. Valores cristãos: enfrentando as questões morais
do nosso tempo, CPAD, pp. 51,2
[4] Alan Pallister, op. cit., p. 137
[5] Claudionor de Andrade. As novas fronteiras da Ética Cristã, CPAD, p.
81
[6] Hank Hanegraaff. O livro das respostas bíblicas, CPAD, p. 431
[7] Hank Hanegraaff. Op. cit., p. 431
[8] Alan Pallister. Op. cit., p. 146
[9] Alan Pallister. Op. cit., p. 146
[10] C.S. Lewis. Citado por Hanegraaff, op. cit., p. 432
[11] William L. Craig. Em Guarda, Vida Nova, p. 181

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