Você está na página 1de 162

Faculdade Redentor Curso de Graduação em Engenharia Mecânica

Ar Condicionado e Ventilação

Faculdade Redentor Curso de Graduação em Engenharia Mecânica Ar Condicionado e Ventilação
Faculdade Redentor Curso de Graduação em Engenharia Mecânica Ar Condicionado e Ventilação
Faculdade Redentor Curso de Graduação em Engenharia Mecânica Ar Condicionado e Ventilação

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

2

Cronograma da Disciplina

CARGA HORÁRIA TOTAL: 45h

CRÉDITOS: 03

EMENTA:

Introdução: calor, primeira e segunda leis da termodinâmica, mistura ar-vapor d’água, carta psicrométrica, umidificação e desumidificação. Dados para o projeto. Cálculo da carga térmica. Meios de condução do ar. Ventilação e exaustão. Torres de arrefecimento e condensadores evaporativos. Controles automáticos. Instalações típicas.

DISTRIBUIÇÃO DO CONTEÚDO PROGRAMÁTICO, ATIVIDADES TEÓRICAS E AVALIAÇÕES.

Data

Tipo

Assunto

07/02

Teórica

Capítulo 1 Revisão de Transferência de Calor - Exercícios

14/02

Teórica

Capítulo 2 Noções Refrigeração - Exercícios

21/02

Teórica

Capítulo 3 Psicrometria Parte I Exercícios Trazer 5 cópias da carta psicrométrica Anexo 3

28/02

Teórica

Capítulo 3 Psicrometria Parte II Exercícios Trazer 5 cópias da carta psicrométrica Anexo 3

14/03

Teórica

Capítulo 4 Dados para o Projeto

21/03

Teórica

Capítulo 5 Cálculo da Carga Térmica Parte I Exercícios Trazer 3 cópias da planilha de Carga Térmica Anexo 1

28/03

Teórica

Capítulo 5 Cálculo da Carga Térmica Parte II - Exercícios Trazer 3 cópias da planilha de Carga Térmica Anexo 1

04/04

Teórica

Capítulo 5 Cálculo da Carga Térmica Parte III Exercícios Revisão para a Avaliação // Resolução de Exercícios

11/04

Avaliação

1ª Verificação V1 (Valor: 8,0 pontos) Entrega do Projeto 1 (Valor: 2,0 pontos)

25/04

Teórica

Vista de Prova Capítulo 6 Meios de Condução do Ar - Exercícios

09/05

Teórica

Capítulo 7 Ventilação e Exaustão Parte I Exercícios Trazer 1 cópia de cada Ábaco Anexo 4

16/05

Teórica

Capítulo 7 Ventilação e Exaustão Parte II - Exercícios

23/05

Teórica

Capítulo 8 Torres de Arrefecimento e Condensadores Evaporativos

30/05

Teórica

Capítulo 9 Controle Automáticos

06/05

Teórica

Capítulo 10 Escopo de Projetos Revisão para a Avaliação // Resolução de Exercícios

13/06

Avaliação

2ª Verificação V2 (Valor: 7,0 pontos) Entrega do Projeto 2 (Valor: 3,0 pontos)

11/07

Avaliação

3ª Verificação V3

Total

45 horas

 

Bibliografia Básica:

CREDER, Hélio; Instalações de ar condicionado; 6ª edição; Rio de Janeiro. Ed. LTC; 2003; SILVA, J. de Castro, Refrigeração e Climatização para Técnicos e Engenheiros, Ed. Ciência Moderna COSTA, Ennio Cruz. Ventilação. 1ª edição. São Paulo. Ed. Edgard Blucher. 2005.

Bibliografia Complementar:

NBR 16401:2008 Partes 1, 2 e 3. Instalações de ar-condicionado - Sistemas centrais e unitários. Rio de Janeiro: ABNT. DOSSAT, R. J. Princípios de Refrigeração. Ed. Hemus, 1980. MILLER, M. R.; MILLER, R. Refrigeração e Ar Condicionado. Rio de Janeiro: LTC, 2008. SILVA, J. G. Introdução à Tecnologia da Refrigeração e Climatização. São Paulo: Ed. ArtLiber,

2004.

SILVA, R. B. Manual de Refrigeração e Ar Condicionado. São Paulo: FEI PUC, 1968.

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

3

Índice

Capítulo 1 Revisão de Transferência de Calor

6

1.1

Condução

7

1.2

Convecção

8

1.3

Radiação

10

1.4

Condução Unidimensional em regime estacionário

11

1.4.1 Distribuição de temperatura

11

1.4.2 Resistência Térmica

12

1.4.3 A parede composta

13

Exercícios

14

Capítulo 2 Noções de Refrigeração

15

2.1

Ciclo teórico de refrigeração por compressão de vapor

16

2.2

Balanço de Energia para o ciclo de refrigeração por compressão de vapor

18

2.2.1 Capacidade Frigorífica

18

2.2.2 Potência teórica de compressão

18

2.2.3 Calor rejeitado no condensador

19

2.2.4 Dispositivo de expansão

19

2.2.5 Coeficiente de performance do ciclo

20

2.3

Parâmetros que influenciam o COP do Ciclo de Refrigeração

20

2.3.1 Influência da temperatura de evaporação no COP do ciclo teórico

20

2.3.2 Influência da temperatura de condensação no COP do ciclo teórico

21

2.3.3 Influência do sub-resfriamento do líquido no COP do ciclo teórico

22

2.3.4 Influência do superaquecimento útil no COP do ciclo teórico

23

2.4

Sistemas de Refrigeração

24

2.4.1 Sistema de compressão de vapor

25

2.4.2 Sistema de refrigeração por absorção de vapor

26

2.4.3 Sistema por expansão de ar

28

2.4.4 Refrigeração por efeito termelétrico

29

2.5

Fluidos Refrigerantes

30

2.6

Aplicações da refrigeração e condicionamento de ar

34

Exercícios

36

Capítulo 3 Psicrometria

37

3.1 Definições Fundamentais

37

 

3.1.1 Ar seco

37

3.1.2 Ar não saturado e ar saturado

37

3.1.3 Umidade absoluta (UA)

38

3.1.4 Umidade Relativa (UR)

38

3.1.5 Temperatura de bulbo seco (TBS)

38

3.1.6 Temperatura de bulbo úmido (TBU)

38

3.1.7 Temperatura de orvalho

39

3.1.8 Carta Psicrométrica

39

3.2 Processos Psicrométricos

42

 

3.2.1 Aquecimento sensível (Aquecimento seco)

42

3.2.2 Resfriamento sem desumidificação (Resfriamento seco)

43

3.2.3 Resfriamento com desumidificação

43

3.2.4 Resfriamento e umidificação (Resfriamento evaporativo)

44

3.2.5 Aquecimento e Umidificação

45

3.2.6 Mistura de ar

46

3.3 Vazão necessária de ar

47

3.4 Cálculo da absorção de umidade do ar de insuflamento

48

3.5 Capacidade dos Equipamentos do Sistema de Expansão direta

49

3.6 Capacidade dos Equipamentos do Sistema de Expansão indireta

50

3.7 Resfriamento pela evaporação

51

Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr. 4

Capítulo 4 Dados para o projeto

54

4.1

Conforto Térmico

54

4.1.1

Metabolismo

54

4.2

Condições de Conforto

55

4.3

Sistemas de Ar Condicionado

58

4.4

Tipos de Condensação

59

4.5

Tipos de Instalações

59

4.5.1 Condicionador de Ar do tipo Janela

60

4.5.2 Condicionador de Ar Split-System

63

4.5.3 Condicionador de Ar Centrais

68

4.5.4 Condicionador de Água Gelada (Water Chiller)

70

4.6

Sugestões para a escolha do sistema de AC mais indicado

72

4.6.1 Split-System

72

4.6.2 Selfs a água gelada

72

4.6.3 Sistemas evaporativos

72

Exercícios

73

Capítulo 5 Cálculo da Carga Térmica

74

5.1 Cálculo da carga térmica simplificada

74

5.2 Cálculo da carga térmica sem simplificações

79

 

5.2.1 Carga de condução

79

5.2.2 Carga devida à insolação Calor sensível

81

5.2.3 Carga devida aos dutos

84

5.2.4 Carga devida às pessoas

85

5.2.5 Carga devida aos equipamentos

86

5.2.6 Carga devida à infiltração

89

 

5.2.6.1 Método da Troca de Ar

90

5.2.6.2 Método das Frestas

90

 

5.2.7 Carga devida à ventilação

91

5.2.8 Carga Térmica total

93

5.2.9 Total de Ar insuflamento

93

5.2.10 Cálculo da absorção da umidade dos recintos

94

5.2.11 Cálculo do calor latente

94

5.2.12 Cálculo do calor total usando a carta psicrométrica

96

5.2.13 Determinação das condições do ar de insuflamento

96

5.2.14 Preenchimento da Planilha do Cálculo da Carga Térmica Sem

Simplificações (ANEXO 2)

97

Exercícios

101

Capítulo 6 Meios de Condução do ar

104

6.1 Dutos de chapas metálicas

104

6.2 Métodos de dimensionamento de dutos

105

6.2.1 Método da velocidade

107

6.2.2 Método da igual perda da carga

108

6.2.3 Método da recuperação estática

110

6.3 Perdas de pressão em um sistema de dutos

110

6.3.1 Perdas de pressão estática (Pe)

111

6.3.2 Perdas de pressão dinâmica (PV)

111

6.3.3 Perdas de carga acidentais

112

6.3.4 Pressão de resistência de um sistema de dutos (Pr)

113

6.4 Isolamento e junção dos dutos

114

6.5 Dados práticos para o dimensionamento de dutos

114

6.6 Distribuição de ar nos recintos

114

6.6.1 Grelhas simples e com registros

114

6.6.2 Escolha da altura da grelha de insuflamento

116

6.6.3 Distância entre as grelhas de insuflamento

117

6.6.4 Seleção e determinação da vazão de uma grelha

117

6.6.5 Difusores de teto ou aerofuses

118

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

5

Capítulo 7 Ventilação e Exaustão

119

7.1

Definições

119

7.1.1

Características de um ventilador

119

7.2

Tipos de Ventiladores

120

7.3

Trocas de ar nos recintos

121

7.4

Velocidades recomendadas para o ar

121

7.5

Ventilação geral

121

7.5.1

Volume de ar a insuflar

122

7.5.2

Tipos de ventilação

123

7.5.3

Projeto de uma instalação de ventilação geral

123

7.5.4

Ventilação em residências

125

7.6

Exaustão

126

7.6.1

Captor

126

7.6.2

Dutos de ar

127

7.6.3

Ventilador

129

7.6.4

Chaminés

129

Exercícios

131

Capítulo 8 Torres de Arrefecimento e Condensadores Evaporativos

132

8.1

Introdução

132

8.2

Torres de Arrefecimento

132

8.2.1 Tabelas Climatológicas

135

8.2.2 Escolha de uma torre de arrefecimento

136

8.2.3 Perdas de água

138

8.2.4 Quantidade de água de circulação

138

8.2.5 Escolha da Bomba d’água de circulação (BAC)

138

8.2.6 Potência da Bomba d’água de circulação (BAC)

139

8.3

Condensadores Evaporativos

140

8.3.1 Partes constituintes

140

8.3.2 Funcionamento

140

8.3.3 Dados práticos gerais para os condensadores evaporativos

141

Exercícios

142

Capítulo 9 Controles Automáticos

144

9.1 Introdução

 

144

9.2 Sistemas de controles automáticos

144

9.3 Controles elétricos

144

9.4 Diagramas de controle

147

Capítulo 10 Escopo de Projetos de Ar Condicionado e Ventilação

151

10.1 Estudo preliminar

151

10.2 Elaboração do anteprojeto

151

10.3 Projeto definitivo

151

10.4 Localização do equipamento

152

10.5 PMOC

 

153

Referências Bibliográficas

154

Anexo 1 Planilha para Cálculo da Carga Térmica Simplificada

155

Anexo 2 Planilha de Cálculo estimado da carga térmica sem simplificações

156

Anexo 3 Carta Psicrométrica

159

Anexo 4 - Ábacos de Ventilação

160

Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr . 6 Revisão de Transferência de Calor Uma

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

6

Revisão de Transferência de Calor

Uma simples definição, mas geral, fornece uma resposta satisfatória para a perguntar: O que é transferência de calor?

Transferência de calor (ou calor) é energia térmica em trânsito devido a uma diferença de temperaturas no espaço.

Sempre que houver uma diferença de temperatura em um meio ou entre meios, haverá, necessariamente, transferência de calor [1]. Na figura 1.1 é apresenta os diferentes tipos de processos de transferência de calor por modos.

Condução através de um sólido ou fluido estacionário

Convecção de uma superfície para um fluido em movimento

Troca líquida de calor por radiação entre duas superfícies

de uma superfície para um fluido em movimento Troca líquida de calor por radiação entre duas
de uma superfície para um fluido em movimento Troca líquida de calor por radiação entre duas
de uma superfície para um fluido em movimento Troca líquida de calor por radiação entre duas

Figura 1.1: Modos de transferência de calor: condução, convecção e radiação [1].

O termo condução é utilizado quando existe um gradiente de temperatura em um

meio estacionário e sólido. Já o termo convecção faz referência à transferência de calor que ocorrerá entre uma superfície e um fluido em movimento quando eles estiverem a diferentes temperaturas.

O terceiro modo, radiação térmica, consiste de ondas eletromagnéticas viajando

com a velocidade da luz. Como a radiação é a única que pode ocorrer no espaço vazio, esta é a principal forma pela qual o sistema Terra-Atmosfera recebe energia do Sol e libera energia para o espaço. Na figura 1.2 é apresentada uma ilustração com os três modos de transferências de calor agindo simultaneamente.

modos de transferências de calor agindo simultaneamente. Figura 1.2 : Mecanismos de transferência de calor. Fonte:

Figura 1.2: Mecanismos de transferência de calor. Fonte:

http://fisica.ufpr.br/grimm/aposmeteo/cap2/cap2-9.html

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

7

1.1 Condução A condução está intimamente ligada aos conceitos de atividades atômicas e moleculares, pois são processos nesses níveis que mantêm este modo de transferência de calor [1]. Pode ser vista como a transferência de energia das partículas mais energéticas para as menos energéticas de uma substância devido às interações entre partículas. Considere que a figura 1.3, é um gás, no qual exista um gradiente de temperatura.

Figura 1.3: Associação da transferência de calor por condução à difusão de energia devido à
Figura
1.3:
Associação
da
transferência
de
calor
por
condução
à
difusão
de
energia devido
à
atividade
molecular [1].

Alguns exemplos de transferência de calor por condução: a extremidade exposta de uma colher de metal subitamente imersa em uma xícara de café quente; No inverno, um quarto aquecido, há perda significativa de energia para o exterior. É possível quantificar processos de transferência de calor em termos de equações de taxa apropriadas. Para a condução térmica, a equação da taxa é conhecida como lei de Fourier. Para uma parede plana unidimensional, mostrada na figura 1.4, a equação da taxa é representada na forma:

na figura 1.4, a equação da taxa é representada na forma: Figura 1.4 : Transferência de

Figura 1.4: Transferência de calor unidimensional por condução [1].

(1.1)

O fluxo térmico q‖x (W/m²) é a taxa de

transferência de calor na direção x por unidade de área perpendicular à direção da

transferência e ele é proporcional ao gradiente de temperatura, dT/dx, nesta direção.

O sinal negativo é uma consequência do

fato do calor ser transferido na direção da

temperatura decrescente.

Nas condições de estado estacionário mostrados na figura 1.3, com a distribuição de temperaturas linear, o gradiente de temperatura pode ser representado como:

(1.2)
(1.2)

Com isso, o fluxo térmico pode ser escrito na forma:

(1.3)
(1.3)

A taxa de transferência de calor por condução, qx (W), é dada através da simples multiplicação da área da parede plana pelo fluxo térmico por condução, ou seja:

(1.4)
(1.4)

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

8

Exemplo 1.1: A parede de um forno industrial é construída em tijolo refratário com 0,15 m de espessura, cuja condutividade térmica é de 1,7 W/(mK). Medidas efetuadas ao longo da operação em regime estacionário revelam temperaturas de 1400 e 1150 K nas paredes interna e externa, respectivamente. Qual é a taxa de calor perdida através de uma parede que mede 0,5 m por 1,2 m?

1.2 Convecção O modo de transferência de calor por convecção abrange dois mecanismos:

movimento molecular aleatório (difusão) e o movimento global do fluido. Este movimento do fluido está associado ao fato de que, em um instante qualquer, um grande número de moléculas está se movendo coletivamente ou como agregado. Tal movimento, na presença de um gradiente de temperatura, contribui para a transferência de calor. Considere o escoamento de um fluido sobre a superfície aquecida da figura 1.5.

Distribuição da Distribuição da temperatura velocidade T(y) u(y) Superfície aquecida
Distribuição da
Distribuição da
temperatura
velocidade
T(y)
u(y)
Superfície
aquecida

Figura 1.5: Desenvolvimento da camada limite na transferência de calor por convecção [1].

Uma consequência da interação entre o fluido e a superfície é o desenvolvimento de uma região no fluido através da qual a sua velocidade varia entre zero, no contato com a superfície (y=0), e um valor infinito , associado ao escoamento do fluido. Essa região do fluido é conhecida por camada limite hidrodinâmica ou de velocidade. Além disso, se as temperaturas da superfície e do fluido forem diferentes, existirá uma região no fluido através da qual a temperatura variará de TS, em y=0, até T , associada à região do escoamento afastada da superfície. Se TS > T , transferência de calor por convecção se dará da superfície para o fluido em escoamento. A transferência de calor por convecção pode ser classificada de acordo com a natureza do escoamento do fluido.

Convecção forçada: quando o escoamento é causado por meios externos, tais como: um ventilador, uma bomba, ou ventos atmosféricos;

Convecção natural (livre): o escoamento é induzido por forças de empuxo, que são originadas a partir de diferença de densidades (massas especificas) causadas por variações de temperatura no fluido.

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

9

A figura 1.6 ilustra esta classificação.

Escoamento devido às forças de empuxo Escoamento Componentes forçado quentes sobre placas de circuitos impressos
Escoamento devido
às forças de empuxo
Escoamento
Componentes
forçado
quentes sobre
placas de
circuitos
impressos

Figura 1.6: Processos de transferência de calor por convecção: (a) convecção forçada, (b) convecção natural.

Foi descrito o modo de transferência de calor por convecção como a transferência de energia ocorrendo no interior de um fluido devido aos efeitos combinados da condução e do escoamento global do fluido. A energia que está sendo transferida é a energia sensível, ou térmica interna, do fluido. Contudo, há processos de convecção nos quais existe também a troca de calor latente. Essa troca de calor latente é geralmente associada a uma mudança de fase entre os estados líquidos e vapor do fluido. Dois casos particulares de interesse são a ebulição e a condensação. Por exemplo, na figura 1.7 (a) mostra a transferência de calor por convecção resultante da movimentação do fluido induzida por bolhas de vapor geradas no fundo de uma panela contendo água em ebulição. Outro exemplo, é a condensação de vapor d’água na superfície externa de uma tubulação por onde escoa água fria, figura 1.7 (b).

Ar úmido Gotas de água Água Fria Bolhas de vapor Água Placa quente
Ar úmido
Gotas de
água
Água
Fria
Bolhas
de vapor
Água
Placa quente

Figura 1.7:(a) Ebulição e (b) Condensação [1].

Independemente da natureza específica do processo de transferência de calor por convecção, a equação apropriada para a taxa de transferência possui a forma:

(1.5)
(1.5)

Onde q‖, o fluxo de calor por convecção (W/m²), é proporcional à diferença entre as temperaturas da superfície e do fluido , TS e T , respectivamente. Essa expressão é conhecida como a lei do resfriamento de Newton, e o parâmetro h (W/(m².K)) é chamado de coeficiente de transferência de calor por convecção. Quando a equação 1.5 é usada, o fluxo de calor por convecção é considerado positivo se o calor é transferido a partir da superfície (TS > T ) e negativo se o calor é

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

10

transferido para a superfície (T >TS). Contudo, se T >TS, não existe nada que impeça a representação da lei de resfriamento de Newton por:

(1.6)
(1.6)

A tabela 1.1 são apresentados alguns valores para o coeficiente de transferência

de calor por convecção.

Tabela 1.1: Valores típicos do coeficiente de transferência de calor por convecção [1].

Processo

h

(W/(m².K))

Convecção natural

Gases

2-25

Líquidos

50-1000

Convecção forçada

Gases

25-250

Líquidos

100-20.000

Convecção com mudança de fase

Ebulição e condensação

2500-100.000

1.3 Radiação

A radiação térmica é a energia emitida pela matéria que se encontra a uma

temperatura não-nula. A energia do campo de radiação é transportada por ondas eletromagnéticas. Considere os processos de transferência de

calor por radiação na superfície mostrados na figura 1.8. A radiação que é emitida pela superfície tem sua origem na energia térmica da matéria delimitada pela superfície e a taxa na qual a energia é liberada por unidade de área (W/m²) é conhecido como poder emissivo, E, da superfície. Há um limite superior para o poder emissivo, que é determinado pela lei de Stefan-Boltzmann

Figura 1.8: Troca por radiação em uma superfície [1].
Figura 1.8: Troca por radiação
em uma superfície [1].
(1.7)
(1.7)

Onde TS é a temperatura absoluta (K) da superfície e é a constante de Stefan-

Boltzmann (5,67 x 10 -8 W/(m² . K 4 )). Tal superfície é chamada um radiador ideal ou corpo negro.

O fluxo térmico emitido por uma superfície real é menor do que aquele emitido

por um corpo negro à mesma temperatura e é dado por:

(1.8)
(1.8)

Tabela 1.2: Resumo de processos de transferência de calor.

Modo

Mecanismo(s)

Equação da taxa

Propriedade de

transporte ou

coeficiente

Condução

Difusão de energia devido ao movimento molecular aleatório

k (W/(mK))

Convecção

Difusão de energia devido ao movimento molecular aleatório acrescido da transferência de energia em função do movimento macroscópico (adevecção)

h (W/(m²K))

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

11

 

Transferência

de

energia

por

 

Radiação

ondas eletromagnéticas

Ou

hr (W/(m²K))

1.4 Condução Unidimensional em regime estacionário

Na condução de calor unidimensional em uma parede plana, a temperatura é uma função somente da coordenada x e o calor é transferido exclusivamente nessa direção. Na figura 1.9, uma parede plana separa dois fluidos, que se encontram a diferentes temperaturas. A transferência de calor ocorre por convecção do fluido quente a , para uma superfície da parede a , por condução através da parede e por convecção da outra superfície da parede a para o fluido frio a .

da outra superfície da parede a para o fluido frio a . Figura 1.9 : Transferência

Figura 1.9: Transferência de calor através de uma parede plana. (a) Distribuição de temperaturas; e (b) Circuito térmico equivalente [1].

1.4.1 Distribuição de temperatura

A distribuição de temperaturas na parede pode ser determinada através da solução da equação do calor com as condições de contorno pertinentes. Nota-se que a condução unidimensional em regime estacionário em uma parede plana sem geração de calor e com condutividade térmica constante, a temperatura varia linearmente com x, ou seja, varia com de acordo com a espessura da parede. Aplicando a lei de Fourier para determinar a taxa de transferência de calor por condução, tem-se:

(

)

(1.9)
(1.9)

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

12

Note que A é área da parede normal à direção da transferência de calor e, na parede plana, ela é uma constante independente de x.

1.4.2 Resistência Térmica

Da mesma forma que uma resistência elétrica está associada à condução de eletricidade, uma resistência térmica pode ser associada à condução de calor. Definindo resistência como a razão entre um potencial motriz e a correspondente taxa de transferência, através da equação 1.9 que a resistência térmica para a condução em uma parede plana é:

(1.10)

Uma resistência térmica pode também ser associada à transferência de calor por convecção em uma superfície. A partir da lei do resfriamento de Newton:

 
(1.11)
(1.11)

A

resistência térmica para a convecção é, então,

 
(1.12)
(1.12)

O circuito térmico equivalente para a parede plana com condições de convecção nas duas superfícies é mostrada na figura 1.9 (b).

A taxa de transferência de calor pode ser determinada pela consideração em

separado de cada elemento da rede. Uma vez que qX é constante ao longo da rede,

segue-se que:

(1.13)

Em termos de diferença de temperaturas global,

, e da resistência

térmica total,

, a taxa de transferência de calor pode também ser representada

por:

(1.14)

Como as resistências condutiva e convectiva estão em série e podem ser somadas, tem-se que:

(1.15)

A troca radiante entre a superfície e a vizinhança pode, também, ser importante

se o coeficiente de transferência de calor por convecção for pequeno (como é frequentemente na convecção natural em um gás).

Uma resistência térmica para a radiação pode ser definida tendo-se como referência a equação:

(1.16)

(1.17)

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

13

1.4.3 A Parede Composta

Circuitos térmicos equivalentes também podem ser usados em sistemas mais complexos, como, por exemplo, paredes compostas. Tais paredes podem possuir uma quantidade qualquer de resistências térmicas em série e em paralelo, devido à presença de camadas diferentes materiais. Seja a parede composta, em série, mostrada na figura 1.10, a taxa de transferência de calor unidimensional para esse sistema pode ser representado por:

Onde

(1.19)

é a diferença de temperatura global e o somatório inclui todas

as resistências térmicas. Logo:

(1.19)

[

]

inclui todas as resistências térmicas. Logo: (1.19) [ ] Figura 1.10 : Circuito térmico equivalente para

Figura 1.10: Circuito térmico equivalente para uma parede composta em série [1].

Em sistema compostos, é frequentemente conveniente o trabalho com um coeficiente global de transferência de calor, U, que é definido por uma expressão análoga à lei do resfriamento de Newton. Assim:

(1.20)

Onde é a diferença de temperatura global. O coeficiente global de transferência de calor está relacionado à resistência térmica total e, a partir das equações 1.19 e 1.20, verifica-se que UA=1/RTOT. Portanto, para a parede composto da figura 1.10:

(1.21)

[

]

Em geral, pode-se escrever:

(1.22)

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

14

Exercícios

1.1 Informa-se que a condutividade térmica de uma folha de isolante extrudado rígido

é igual k=0,029 w/(mK). A diferença de temperaturas medida entre as superfícies de

uma folha com 20 mm de espessura deste material é T1 T2 = 10 °C. a) Qual é o fluxo térmico através de uma folha do isolante com 2,0 m x 2,0 m? b) Qual é a taxa de transferência de calor através da folha de isolante?

1.2 O fluxo térmico através de uma lâmina de madeira, com espessura de 50 mm,

cujas temperaturas das superfícies sãod e 40 e 20°C, foi determinado como de a 40W/m². Qual é a condutividade térmica da madeira?

1.3 As temperaturas interna e externa de uma janela de vidro com 5 mm de espessura

são de 15 e 5°C. Qual é a perda de calor através de uma janela com dimensões de 1

m por 3 m? A condutividade térmica do vidro é de 1,4 W/(mK).

1.4 Uma câmara de congelador é um espaço cúbico de lado igual a 3 m. Considere

que a sua base seja perfeitamente isolada. Qual é a espessura mínima de um isolamento à base de espuma de estireno (k=0,030 W/(mK)) que deve ser usada no topo e nas paredes laterais para garantir uma carga térmica menor do que 500 W, quando as superfícies interna e externa estiveram a -10°C e 35°C?

1.5 Um aquecedor elétrico encontra-se no interior de um longo cilindro de diâmetro

igual a 30 mm. Quando água, a uma temperatura de 25°C e velocidade 1 m/s, escoa perpendicularmente ao cilindro, a potência por unidade de comprimento necessária

para manter a superfície do cilindro a uma temperatura uniforme de 90°C é de 28kW/m. Quando ar, também a 25°C, mas a uma velocidade de 10 m/s está escoando, a potência por unidade de comprimento necessária para manter a mesma temperatura superficial é de 400W/m. Calcule e compare os coeficientes de transferência de calor por convecção para os escoamentos da água e do ar.

1.6 O vidro traseiro de um automóvel é desembaçado pela fixação de um aquecedor

em película, fino e transparente, sobre a sua superfície interna. Aquecendo eletricamente este elemento, um fluxo térmico uniforme pode ser estabelecido na superfície interna. Para um vidro com 4 mm de espessura, determine a potência elétrica, por unidade de área do vidro, necessária para manter uma temperatura na superfície interna em 15°C, quando a temperatura do ar no interior do carro e o coeficiente convectivo são T ,i= 25°C e hi = 10 W/(m²K), enquanto a temperatura e o coeficiente convectivo no ar exterior (ambiente) são T ,e = - 10°C e he = 65 W/(m²K).

1.7 Uma janela de vidro, com 1 m de largura e 2 m de altura, tem espessura de 5 mm e

uma condutividade térmica de kv= 1,4 W/(m.K). Se em um dia de inverno as temperaturas das superfícies interna e externa do vidro são de 15°C e -20°C, respectivamente, qual é a taxa de calor através da janela, é costume usar janelas de

vidro duplo nas quais as placas de vidro são separadas por uma camada de ar. Se o afastamento entre as placas for de 10 mm e as temperaturas das superfícies do vidro em contato com os ambientes estiverem nas temperaturas de 10°C e -15°C, qual é a taxa de perda de calor em uma janela de 1m x 2m? A condutividade térmica do ar é ka = 0,024 W/(m.K).

Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr . 15 Noções de Refrigeração Uma simples definição,

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

15

Noções de Refrigeração

Uma simples definição, sobre refrigeração, é que seu objetivo é remover o calor de um corpo. O calor é uma forma de energia que o homem não pode destruir. Por isso, ao ser removido, o calor é transferido de um local onde não é desejado para outro onde não incomoda. O estudo apresentado aqui será dedicado ao condicionamento de ar para o verão. Na figura 2.1 um recinto é condicionado cuja temperatura interna é TS, a temperatura externa é TE, calor que entra no recinto representado por QE, o calor gerado ou existente no recinto QG e calor total Q, uma vez que TE > TS.

T S Q E Recinto Condicionado T E Q Q G Equipamento frigorígeno
T S
Q E
Recinto Condicionado
T
E
Q
Q G
Equipamento
frigorígeno

Figura 2.1 Balanço térmico de um recinto. Adaptado: [2]

Realizando o balanço térmico do recinto mostrado na figura 2.1, tem-se a seguinte equação:

(2.1)
(2.1)

Com isso, o equipamento de refrigeração deverá retirar o calor e mais o calor devido às perdas no processo. Refrigeração é o termo usado quando o sistema é mantido a uma temperatura mais baixa que a vizinhança. Como a tendência do calor é penetrar no recinto, por diferença de temperatura, a quantidade de calor deve ser retirada do sistema para manter a sua temperatura TS. Na figura 2.2 o diagrama de um ciclo de refrigeração a compressão de vapor.

de um ciclo de refrigeração a compressão de vapor. Figura 2.2 : Ciclo de refrigeração a

Figura 2.2: Ciclo de refrigeração a compressão de vapor. [2]

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

16

Também

pode-se

conforme figura 2.3.

representar

o

ciclo

de

refrigeração

num

diagrama

T-S,

2.3. representar o ciclo de refrigeração num diagrama T-S, Figura 2.3 : Diagrama T-S do ciclo

Figura 2.3: Diagrama T-S do ciclo de refrigeração. [3]

O efeito da retirada do calor do sistema é efetuado pelo evaporador entre os pontos 2-3, pois para se efetuar a evaporação do fluido necessita-se do ―calor latente de vaporização‖. A quantidade de calor rejeitado e de calor absorvido é obtida através da área correspondente no diagrama.

Exemplo 2.1: Em um ciclo Carnot, os processos ocorrem às seguintes temperaturas e entropias:

Quais devem ser as quantidades de calor removido, Qa, e rejeitado, Qr, por kg de refrigerante circulado no ciclo?

2.1 Ciclo teórico de refrigeração por compressão de vapor

Um ciclo térmico real qualquer deveria ter para comparação o ciclo de CARNOT, por ser este o ciclo de maior rendimento térmico possível. Entretanto, dado as peculiaridades do ciclo de refrigeração por compressão de vapor, define-se um outro ciclo que é chamado de ciclo teórico, no qual os processos são mais próximos aos do ciclo real e, portanto, torna-se mais fácil comparar o ciclo real com este ciclo teórico (existem vários ciclos termodinâmicos ideais, diferentes do ciclo de Carnot, como o ciclo ideal de Rankine, dos sistemas de potência a vapor, o ciclo padrão ar Otto, para os motores de combustão interna a gasolina e álcool, o ciclo padrão ar Brayton, das turbinas a gás, etc). Este ciclo teórico ideal é aquele que terá melhor performance operando nas mesmas condições do ciclo real.

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

17

Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr . 17 Figura 2.4: Ciclo teórico de refrigeração por

Figura 2.4: Ciclo teórico de refrigeração por compressão de vapor. [5]

A Figura 2.4 mostra um esquema básico de um sistema de refrigeração por compressão de vapor com seus principais componentes, e o seu respectivo ciclo teórico construído sobre um diagrama de Mollier, no plano P-h. Os equipamentos esquematizados na Figura 2,4 representam, genericamente, qualquer dispositivo

capaz de realizar os respectivos processos específicos indicados. Os processos termodinâmicos que constituem o ciclo teórico em seus respectivos equipamentos são:

a) Processo 12. Ocorre no compressor, sendo um processo adiabático reversível

e, portanto, isentrópico, como mostra a Figura 2,4. O refrigerante entra no compressor

à pressão do evaporador (Po) e com título igual a 1 (x =1). O refrigerante é então comprimido até atingir a pressão de condensação (Pc) e, ao sair do compressor está superaquecido à temperatura T2, que é maior que a temperatura de condensação TC.

b) Processo 23. Ocorre no condensador, sendo um processo de rejeição de

calor, do refrigerante para o meio de resfriamento, à pressão constante. Neste processo o fluido frigorífico é resfriado da temperatura T2 até a temperatura de condensação TC e, a seguir, condensado até se tornar líquido saturado na temperatura T3, que é igual à temperatura TC. c) Processo 34. Ocorre no dispositivo de expansão, sendo uma expansão irreversível a entalpia constante (processo isentálpico), desde a pressão PC e líquido saturado (x=0), até a pressão de vaporização (Po). Observe que o processo é irreversível e, portanto, a entropia do refrigerante na saída do dispositivo de expansão (s4) será maior que a entropia do refrigerante na sua entrada (s3).

d) Processo 41. Ocorre no evaporador, sendo um processo de transferência de

calor a pressão constante (Po), consequentemente a temperatura constante (To), desde vapor úmido (estado 4), até atingir o estado de vapor saturado seco (x=1).

Observe que o calor transferido ao refrigerante no evaporador não modifica a temperatura do refrigerante, mas somente muda sua qualidade (título).

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

18

2.2 Balanço de Energia para o ciclo de refrigeração por Compressão de vapor

O balanço de energia do ciclo de refrigeração é feito considerando-se o sistema operando em regime permanente nas condições de projeto, ou seja, à temperatura de condensação (TC), e temperatura de vaporização (TO). Os sistemas reais e teóricos têm comportamentos idênticos, tendo o ciclo real apenas um desempenho pior. A análise do ciclo teórico permitirá, de forma simplificada, verificar quais parâmetros têm influência no desempenho do ciclo.

2.2.1 Capacidade Frigorífica

A capacidade frigorífica ( ̇ ) é a quantidade de calor, por unidade de tempo, retirada do meio que se quer resfriar (produto), através do evaporador do sistema frigorífico. Este processo está indicado na Figura 2.5. Considerando-se que o sistema opera em regime permanente e desprezando-se as variações de energia cinética e potencial, pela primeira lei da termodinâmica, tem-se:

̇

̇

pela primeira lei da termodinâmica, tem-se: ̇ ̇ Figura 2.5 : Processo de transferência de calor

Figura 2.5: Processo de transferência de calor no evaporador. [4]

Normalmente, se conhece a capacidade frigorífica deve do sistema de refrigeração, a qual deve ser igual à carga térmica, para operação em regime permanente. Se for estabelecido o ciclo e o fluido frigorífico com o qual o sistema deve trabalhar, pode-se determinar o fluxo mássico que circula através dos equipamentos, pois as entalpias h1 e h4 são conhecidas e, consequentemente o compressor fica determinado. A quantidade de calor por unidade de massa de refrigerante retirada no evaporador é chamada de Efeito Frigorífico (EF), e é um dos parâmetros usados para definir o fluido frigorífico que será utilizado em uma determinada instalação.

2.2.2 Potência teórica de compressão

Chama-se de potência teórica de compressão à quantidade de energia, por unidade de tempo, que deve ser fornecida ao refrigerante, no compressor, para se obter a elevação de pressão necessária ao do ciclo teórico. Neste ciclo o processo de

compressão é adiabático reversível (isentrópico), como indicado na Figura 2.6. No sistema de refrigeração real o compressor perde calor para o meio ambiente, entretanto, este calor é pequeno quando comparado à energia necessária para realizar o processo de compressão. Aplicando-se a primeira lei da termodinâmica, em regime permanente, no volume de controle da figura baixo e desprezando-se a variação de energia cinética e potencial tem-se equação Abaixo:

̇

̇

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

19

Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr . 19 Figura 2.6 : Processo de compressão adiabática

Figura 2.6: Processo de compressão adiabática reversível no compressor. [4]

2.2.3 Calor rejeitado no condensador

Conforme mencionado, a função do condensador é transferir calor do fluido frigorífico para o meio de resfriamento do condensador (água ou ar). Este fluxo de calor pode ser determina através de um balanço de energia no volume de controle da Figura 3.8. Assim, considerando o regime permanente, tem-se:

̇

̇

Assim, o condensador a ser especificado para o sistema de refrigeração deve ser capaz de rejeitar a taxa de calor calculada pela Eq. (3.4), a qual depende da carga térmica do sistema e da potência de compressão.

da carga térmica do sistema e da potência de compressão. Figura 2.7 : Processo de transferência

Figura 2.7: Processo de transferência de calor no condensador. [4]

2.2.4 Dispositivo de expansão

No dispositivo de expansão, que pode ser de vários tipos, o processo teórico é adiabático, como mostra a Figura 2.8, e, neste caso, aplicando-se a primeira lei da termodinâmica, em regime permanente, desprezando-se as variações de energia cinética e potencial, tem-se:

as variações de energia cinética e potencial, tem-se: Figura 2.8: Processo no dispositivo de expansão. [4]

Figura 2.8: Processo no dispositivo de expansão. [4]

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

20

2.2.5 Coeficiente de performance do ciclo

O coeficiente de performance, COP, é um parâmetro importante na análise das instalações frigoríficas. Embora o COP do ciclo real seja sempre menor que o do ciclo teórico, para as mesmas condições de operação, pode-se, com o ciclo teórico, verificar que parâmetros influenciam no desempenho do sistema. Assim, o COP é definido por:

̇

̇

Pode-se inferir da Eq. (3.6) que, para ciclo teórico, o COP é função somente das propriedades do refrigerante, consequentemente, depende das temperaturas de condensação e vaporização. Para o ciclo real, entretanto, o desempenho dependerá em muito das propriedades na sucção do compressor, do próprio compressor e dos demais equipamentos do sistema, como será visto adiante. Outra forma de indicar eficiência de uma máquina frigorífica é a Razão de Eficiência Energética (EER), cujo nome se deriva do inglês Energy Efficiency Rate, sendo dada pela expressão abaixo:

[

]

Uma forma bastante usual de indicar a eficiência de um equipamento frigorífico é relacionar o seu consumo, em kW/TR, com a capacidade frigorífica, em TR, o que resulta em:

̇

[

̇

]

[

]

2.3 Parâmetros que influenciam o COP do Ciclo de Refrigeração

Vários parâmetros influenciam o desempenho do ciclo de refrigeração por compressão de vapor. A seguir será analisada a influência de cada um deles separadamente.

2.3.1 Influência da temperatura de evaporação no COP do ciclo teórico

Para ilustrar o efeito que a temperatura de evaporação tem sobre a eficiência do ciclo será considerado um conjunto de ciclos em que somente a temperatura de evaporação (TO), é alterada. Estes ciclos estão mostrados na Figura 2.9. Nesta análise utilizou-se R22 como refrigerante, o qual é típico de sistemas de ar condicionado. Como pode ser observado, uma redução na temperatura de evaporação resulta em redução do COP, isto é, o sistema se torna menos eficiente.

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

21

Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr . 21 Figura 2.9: Influência da temperatura de evaporação

Figura 2.9: Influência da temperatura de evaporação no COP do ciclo teórico. [4]

2.3.2 Influência da temperatura de condensação no COP do ciclo teórico

Como no caso da temperatura de vaporização, a influência da temperatura de condensação é mostrada em um conjunto de ciclos onde apenas se altera a temperatura de condensação (TC). Esta análise está mostrada na Figura 2.10. Observe que uma variação de 15 °C na temperatura de condensação resultou em menor variação do COP, se comparado com a mesma faixa de variação da temperatura de evaporação.

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

22

Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr . 22 Figura 2.10: Influência da temperatura de condensação

Figura 2.10: Influência da temperatura de condensação no COP do ciclo teórico. [4]

2.3.3 Influência do sub-resfriamento do líquido no COP do ciclo teórico

De forma idêntica aos dois casos anteriores, a Figura 2.11 mostra a influência do subresfriamento do líquido na saída do condensador sobre a eficiência do ciclo. Embora haja um aumento no COP do ciclo com o aumento do sub-resfriamento, o que é ótimo para o sistema, na prática se utiliza um sub-resfriamento para garantir que se tenha somente líquido na entrada do dispositivo de expansão, o que mantém a capacidade frigorífica do sistema, e não com o objetivo de se obter ganho de eficiência.

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

23

Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr . 23 Figura 2.11 : Influência sub-resfriamento no COP

Figura 2.11: Influência sub-resfriamento no COP do ciclo teórico. [4]

2.3.4 Influência do superaquecimento útil no COP do ciclo teórico

Quando o superaquecimento do refrigerante ocorre retirando calor do meio que se quer resfriar, chama se a este superaquecimento de superaquecimento útil. Na Figura 2.12 é mostrada a influência desse superaquecimento na performance do ciclo de refrigeração. Como pode ser observado na última parte da figura 2.12, a variação do COP com o superaquecimento depende do refrigerante. Nos casos mostrados, para o R717 o COP sempre diminui, para R134a o COP sempre aumenta e para o R22, o caso mais complexo, há um aumento inicial e depois uma diminuição. Para outras condições do ciclo, isto é, To e Tc, poderá ocorrer comportamento diferente do aqui mostrado. Mesmo para os casos em que o superaquecimento melhora o COP ele diminui a capacidade frigorífica do sistema de refrigeração. Assim, só se justifica o superaquecimento do fluido, por motivos de segurança, para evitar a entrada de líquido no compressor. Este aspecto da influência do superaquecimento na capacidade frigorífica do sistema será estuda com mais detalhes quando da análise operacional dos compressores alternativos e de sua eficiência volumétrica.

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

24

Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr . 24 Figura 2.12: Influência do superaquecimento no COP

Figura 2.12: Influência do superaquecimento no COP do ciclo teórico. [4]

2.4 Sistemas de refrigeração

Os meios artificiais reduzem a temperatura de uma substância mediante o consumo de energia sob um princípio de funcionamento característico do tipo de processo de refrigeração. A Tabela 1.1 apresenta um resumo dos processos mais comuns, seus princípios de funcionamento e aplicações típicas. Inicialmente, a refrigeração artificial foi usada para produzir gelo e reduzir a dependência das condições climáticas. Embora os sistemas de expansão de ar, de absorção e de compressão mecânica de vapor estivessem disponíveis, suas utilizações em instalações comerciais e residenciais eram inviabilizadas pelos custos elevados e riscos que representavam aos usuários.

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

25

Tabela 2.1: Processos de refrigeração, princípios de funcionamento e aplicações típicas.

Processos

Princípio de funcionamento

Aplicações típicas

Compressão mecânica de vapor

Um fluido volátil (refrigerante primário) recebe calor e evapora em baixa pressão e temperatura.

Aparelhos de ar condicionado de janela, refrigeradores domésticos, sistemas comerciais e industriais de grande porte.

Absorção de vapor

O vapor de um fluido volátil, absorvido por outro fluido em baixa pressão e temperatura, é destilado da solução sob alta pressão.

Em pequenos refrigeradores domésticos e em instalações de refrigeração e ar condicionado de grande porte.

Efeito termelétrico

Uma corrente elétrica atravessa uma junção de dois metais diferentes (efeito Peltier)e produz resfriamento.

Pequenos instrumentos de medição, como os existentes para medir o ponto de orvalho do ar, e equipamentos eletrônicos.

Expansão de ar

O ar em alta pressão, sofre expansão adiabática e realiza trabalho sobre um pistão, tem sua temperatura reduzida.

Resfriamento de aeronaves.

Após a Segunda Guerra Mundial (19391945) a indústria da refrigeração consolidou-se. Dois fatores foram determinantes: primeiro, o desenvolvimento, em 1930, dos refrigerantes cloro-fluor-carbono (CFC’s) que apresentavam índices baixos de toxicidade e periculosidade, adequados às instalações residenciais e comerciais; segundo, o surgimento do sistema selado de pequeno porte, com baixos custos de aquisição e operação, pois exigia pouca manutenção.

2.4.1 Sistema de compressão de vapor

A Figura 2.13 mostra o esquema do sistema de refrigeração por compressão mecânica de vapor. Os componentes principais são: evaporador, compressor, condensador e dispositivo de expansão. No evaporador, a mistura líquido-vapor em baixa pressão remove calor da substância que se quer resfriar. Essa transferência de calor faz com que o líquido evapore. O compressor aspira vapor formado no evaporador, numa taxa suficiente para manter a pressão de evaporação, e o comprime até que sua temperatura seja maior do que a do fluido de resfriamento que escoa no condensador. No condensador, o vapor refrigerante rejeita calor para o fluido de resfriamento e liquefaz na pressão de condensação correspondente. No dispositivo de expansão, a pressão do líquido é reduzida até a pressão de evaporação para que ele possa ser reaproveitado no ciclo. O dispositivo de expansão é um controle de fluxo do refrigerante, que mantém a diferença de pressão entre o condensador (lado de alta pressão) e o evaporador (lado de baixa pressão) do sistema.

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

26

Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr . 26 Figura 2.13 : Esquema do sistema de

Figura 2.13: Esquema do sistema de refrigeração por compressão mecânica de vapor. [6]

2.4.2 Sistema de refrigeração por absorção de vapor

Uma forma de remover o vapor da superfície de um líquido é absorvendoo por meio de uma substância com a qual ele reaja quimicamente e nela se dissolva facilmente: o vapor d’água é absorvido rapidamente pelo ácido sulfúrico. Este princípio foi usado em 1810 por John Leslie para produzir gelo artificialmente. Ele usou dois vasos conectados por um tubo: um contendo água e o outro ácido sulfúrico forte. Com o passar do tempo uma fina camada de gelo formavase na superfície da água: a água evaporava pela redução da pressão de vapor sobre ela, que removia entalpia de vaporização do restante que permanecia líquido; a temperatura caía e a água congelava. Uma bomba de vácuo podia ser usada para remover o vapor formado e acelerar o processo. O método de Leslie tornouse a base de várias máquinas comerciais para fabricação de pequenas quantidades de gelo. Entretanto, havia a necessidade de recargas periódicas de ácido sulfúrico. Para operar ininterruptamente havia necessidade de aspiração contínua de ácido sulfúrico do recipiente, de modo que a solução fosse concentrada por ebulição. Um equipamento desse tipo foi projetado por Windhausen em 1878 e obteve algum sucesso comercial, porém, nunca foi muito popular. Era usado para fabricar gelo e resfriar água. Neste sistema, a água atuava como refrigerante; o ácido sulfúrico era denominado absorvente. A Figura 2.14 mostra o esquema e os principais componentes do sistema de absorção. Comparando as Figuras 2.13 e 2.14, verificase que o condensador, o evaporador e a válvula de expansão existem em ambos os sistemas. Entretanto, o compressor é substituído por um conjunto composto de absorvedor, bomba de solução forte, trocador de calor e gerador. Esse conjunto retira o vapor em baixa pressão do evaporador e o entrega em alta pressão no condensador, tal qual faz o compressor. O absorvedor é alimentado com a solução fraca de águaamônia que absorve o vapor de amônia. A absorção da amônia pela água é um processo que libera grande quantidade de calor, e, se nenhum resfriamento for providenciado, a temperatura aumenta e o processo de absorção cessa. Geralmente, a mesma água usada para resfriar o condensador resfria antes o absorvedor, vinda de uma torre de resfriamento. A solução forte, formada no absorvedor, tem sua pressão elevada pela bomba e é descarregada no gerador depois de passar no trocador de calor. No gerador, a solução forte é aquecida e o vapor produzido é então retificado para que amônia quase pura seja descarregada no condensador. A solução fraca que é formada está quente. Por isso, um trocador de

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

27

calor é interposto entre o gerador e o absorvedor a fim de aquecer a solução forte até a temperatura do gerador e resfriar a solução fraca até a temperatura do absorvedor. Para manter a diferença de pressão entre o gerador e o absorvedor é instalada uma válvula na tubulação da solução fraca um pouco antes da entrada do líquido no absorvedor.

fraca um pouco antes da entrada do líquido no absorvedor. Figura 2.14 : Principais componentes do

Figura 2.14: Principais componentes do sistema de refrigeração por absorção. [6]

A Figura 2.15 mostra o esquema da máquina de refrigeração por absorção de vapor usando a solução de brometo de lítioágua. O brometo de lítio (Li-Br) puro é sólido e se misturado adequadamente com água forma uma solução aquosa homogênea. Nesse caso, a água é o refrigerante e a solução de brometo de lítio o absorvente. O funcionamento é semelhante ao do sistema águaamônia. Entretanto, como o brometo de lítio não é volátil, na saída do gerador formase somente vapor d’água tornando dispensável o uso do retificador. Máquinas modernas, baseadas no esquema da Figura 2.15, reúnem o gerador com o condensador e o evaporador com o absorvedor, resultando em equipamentos compactos de custo reduzido e alta eficiência. O sistema de brometo de lítio é indicado para obtenção de água gelada em sistemas de ar condicionado de grande porte (100 a 1.200 TR). Os primeiros sistemas por absorção de vapor usavam o carvão como combustível para aquecimento do gerador; eventualmente, vapor quente proveniente de uma caldeira era utilizado. Atualmente, esses sistemas queimam gás natural ou óleo combustível para gerar calor. O aproveitamento de energia residual de outros sistemas térmicos também está sendo muito difundido em sistemas de co-geração.

está sendo muito difundido em sistemas de co-geração. Figura 2.15: Esquema do sistema de absorção com

Figura 2.15: Esquema do sistema de absorção com solução de H2O-LiBr. [6]

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

28

2.4.3 Sistema por expansão de ar

Quando o ar em alta pressão é expandido adiabaticamente, de modo que realize trabalho sobre um pistão, sua temperatura é reduzida em decorrência da redução de sua energia interna. Esse princípio, conhecido desde o século 18, foi usado em 1828 por Richard Trevithick para descrever um processo de refrigeração. A Figura 2.16 mostra o princípio de funcionamento da máquina de refrigeração de expansão de ar com ciclo aberto. O ar da câmara fria é conduzido para o interior de um cilindro onde é comprimido. Durante o processo a temperatura do ar aumenta com o aumento da pressão. O ar quente passa então através de um trocador de calor onde sua temperatura é reduzida pela água de resfriamento. O ar comprimido é expandido dentro de um cilindro realizando trabalho sobre o pistão e tem sua temperatura reduzida. O ar frio é descarregado na câmara onde resfria os produtos armazenados.

O trabalho realizado pelo ar sobre o cilindro de expansão é usado para fornecer parte

do trabalho necessário à movimentação do compressor. A máquina a vapor usada para movimentar o compressor era montada geralmente na mesma base dos cilindros de compressão e de expansão e estava diretamente acoplada neles. O sistema aberto foi, por mais de 20 anos, o principal método de refrigeração do setor naval, e durante esse tempo ele foi melhorado em diversos aspectos.

e durante esse tempo ele foi melhorado em diversos aspectos. Figura 2.16 : Esquema simplificado do

Figura 2.16: Esquema simplificado do ciclo aberto de refrigeração por expansão de ar.[6]

Atualmente, o sistema de expansão de ar com turbo-expansor é usado para

resfriar cabinas de aeronaves. Uma vantagem deste sistema é que ele não utiliza partes móveis tipo cilindropistão para comprimir e expandir o ar. A Figura 2.17 mostra seu esquema. No ponto 0, o ar ambiente em velocidade subsônica, que circunda a aeronave em alta altitude, é forçado para dentro da turbina e sua pressão aumenta do ponto 0 ao ponto 1. O ar é comprimido até o ponto

2, elevando sua temperatura. No trocador de calor, o ar aquecido do ponto 2 libera

calor para a corrente de ar extraída pelo ventilador, alcançando o ponto 3. Ao passar pelo turboexpansor tem sua temperatura reduzida até o ponto 4, e então é

descarregado na cabina para resfriar a aeronave. Depois de remover calor da cabina

o ar é descarregado na atmosfera. Isto caracteriza um ciclo aberto, visto que nenhum

ar é recirculado.

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

29

Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr . 29 Figura 2.17 : Sistema de expansão de

Figura 2.17: Sistema de expansão de ar usado em resfriamento de cabines de aeronaves. [6]

2.4.4 Refrigeração por efeito termelétrico

Este método de refrigeração é baseado numa descoberta de Peltier em 1834:

quando uma corrente elétrica percorre um circuito composto de dois metais diferente uma das junções é resfriada e a outra é aquecida. Com metais puros este efeito é comparativamente pequeno e é em grande parte encoberto pelo aumento de temperatura devida à resistência dos condutores e pela condução de calor entre a junção quente e a fria. Apesar disso, usando bismuto e antimônio, Lenz fabricou uma pequena quantidade de gelo em 1838. Nos metais puros a condutibilidade térmica reduzida está relacionada com a baixa condutibilidade elétrica, de modo que se metal puro for usado à condução de calor de uma junção para outra é pequena, mas a perdas devido à resistência são grandes. A efetividade depende principalmente da potência termelétrica, que nos metais puros é muito pequena. Em anos recentes alguns semicondutores com elevada potência termelétrica foram desenvolvidos, tornando possível a construção de pequenos refrigeradores. Os semicondutores podem ser de dois tipos: tipo-n se a corrente é conduzida pelos elétrons e tipo-p se não o é. Estes são fabricados pela contaminação da substância pura com pequenas quantidades de impurezas para fornecer os condutores de corrente. O semicondutor mais usado atualmente para fins de refrigeração é bismuto- telúrio (Bi2 Te3). Um elemento de refrigeração é mostrado na Figura 2.18, composto de materiais tipo-n e tipo-p. Os dois blocos são montados em um circuito usando elementos de cobre como condutor. Aqui, o próprio cobre não toma parte no processo agindo somente como um condutor. É necessária uma fonte de corrente contínua de baixa voltagem. Visto que cada elemento utiliza somente uma fração de Volt, vários deles são conectados em série para formar um módulo ficando as junções quentes de um lado e as frias do outro.

ficando as junções quentes de um lado e as frias do outro. Figura 2.18 : Esquema

Figura 2.18: Esquema do sistema de refrigeração usando o princípio termelétrico. [6]

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

30

2.5 Fluidos Refrigerantes

Fluidos frigoríficos, fluídos refrigerantes, ou simplesmente refrigerantes, são as substâncias empregadas como veículos térmicos na realização dos ciclos de refrigeração. Inicialmente foram utilizadas, como refrigerantes, substâncias com NH3, CO2, SO2, CH3Cl entre outras, mais tarde, com a finalidade de atingir temperaturas em torno de -75°C, substâncias com N2O, C2H6 e mesmo o propano, foram empregadas. Com o desenvolvimento de novos equipamentos pelas indústrias frigoríficas, cresceu a necessidade de novos refrigerantes.

O emprego da refrigeração mecânica nas residências e o uso de compressores

rotativos e centrífugos, determinaram a pesquisa de novos produtos, levando a descoberta dos CFCs (hidrocarbonetos à base de flúor e cloro). Os CFCs reúnem, numa combinação

única, várias propriedades desejáveis: não são inflamáveis, explosivos ou corrosivos; são extremamente estáveis e muito pouco tóxicos.

Em 1974, foram detectados, pela primeira vez, os problemas com CFCs, tendo

sido demonstrado que compostos clorados poderiam migrar para a estratosfera e destruir moléculas de ozônio. Por serem altamente estáveis, ao se liberarem na

superfície terrestre conseguem atingir a estratosfera antes de serem destruídos. Os CFCs foram então condenados como os maiores responsáveis pelo aparecimento do buraco na camada de ozônio sobre a Antártica.

A camada de ozônio tem uma função importantíssima na preservação da vida.

Ela é responsável pela filtragem dos raios ultravioleta que, em quantidades elevadas,

são prejudiciais ao meio ambiente. Ao ser humano podem causar doença da pele como queimadura, câncer, envelhecimento precoce, etc. Devido ao efeito dos CFCs sobre a camada de ozônio estratosférico, o Protocolo de Montreal de 1986, determinou sua substituição, provocando uma verdadeira revolução na indústria frigorífica.

A substituição dos CFCs, juntamente com o desenvolvimento de equipamentos

eficientes, constitui um verdadeiro desafio. Novos componentes e equipamentos têm sido desenvolvidos, novas tecnologias tem sido introduzidas, especialmente aquelas relacionadas à eletrônica e a informática. Nos últimos dez anos têm surgido inúmeros substitutos dos CFCs, a maioria no âmbito da família dos hidrocarbonetos halogenados, quer como substâncias puras, quer como misturas binárias ou ternárias. Refrigerantes naturais como CO2, têm sido seriamente cogitados pela comunidade científica e industrial.

A amônia tem sido adotada na maioria das instalações industriais de construção recente, dominando o setor. Uma vasta gama de produtos alternativos aos CFCs têm sido colocada no mercado pelos produtores de compostos halogenados, tornando

difícil ao projetista, decidir quanto ao refrigerante que melhor se ajuste à sua instalação em particular. Determinados setores da indústria optaram por um substituto em particular, como no caso do condicionamento de cabinas para aplicações automotivas, onde o CFC-12 foi substituído pelo HCFC-134a.

O afinamento da camada de ozônio, segundo modelos das reações

fotoquímicas envolvendo a irradiação solar ultravioleta, resulta de um efeito em cadeia promovido por átomos de cloro (e bromo), entre outros. Os átomos de cloro são transportados por compostos clorados, emitidos na biosfera, atingindo a estratosfera. Devido a sua estabilidade química, as moléculas desses compostos mantêm sua integridade durante todo o período em que permanecem na atmosfera até atingirem a estratosfera. Essa estabilidade química é justamente uma das características que credenciou os CFCs como refrigerantes. Uma molécula de refrigerante R12, que é um CFC, apresenta uma vida útil na atmosfera da ordem de

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

31

100 anos, tempo suficiente para que, eventualmente, atinja a estratosfera, transportada por correntes atmosféricas. De acordo com a resolução 267 de 14 de setembro de 2000, do Conselho Nacional do Meio Ambiente CONAMA, ficou estabelecida a proibição, em todo território nacional, da utilização do CFC-11, CFC-12, além de outras substâncias que agridem a camada de ozônio, em instalações de ar condicionado central, instalações

frigoríficas com compressores de potência unitária superior a 100 HP e em sistemas de ar condicionado automotivo. Tornou-se proibida, a partir de primeiro de janeiro de 2001, a utilização dessas substâncias em refrigeradores e congeladores domésticos, e em todos os demais equipamentos e sistemas de refrigeração.

As

importações de CFC-12 sofrerão reduções gradativas em peso, da seguinte

forma:

a)

15% no ano de 2001;

b)

30% no ano de 2002;

c)

55% no ano de 2003;

d)

75% no ano de 2004;

e)

85% no ano de 2005;

f) 95% no ano de 2006; e

g)

100% no ano de 2007.

As

importações de CFC-11 só são permitidas em situações especiais, descritas na

resolução, como por exemplo, suprir os consumos das empresas cadastradas junto ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA e que tenham projetos de conversão às tecnologias livres dessa substância. A Tabela 2.2 apresenta as datas previstas para a proibição dos CFCs.

Tabela 2.2: Resumo das datas previstas para a proibição dos CFCs

―Phase-Out‖

Refrigerante

Ação

1996

R11, R12, R500

Extingue a produção dos refrigerantes. Equipamentos não mais fabricados

2010

HCFC-22

Equipamentos não mais fabricados

2020

HCFC-22

Extingue a produção dos refrigerantes

2020

HCFC-123

Equipamentos não mais fabricados

2030

HCFC-123

Extingue a produção dos refrigerantes

Nos últimos anos o problema da camada de ozônio tem se composto com o problema do efeito estufa. O efeito estufa consiste na retenção de parte da energia solar incidente, devido à presença de certos gases na atmosfera que atuam de forma semelhante a um vidro, sendo transparentes à irradiação solar na faixa de comprimentos de onda que sensibilizam a retina, que a grosso modo varia entre 0,4 e 0,7μm, mas opacos a radiação infravermelha, caracterizada por comprimentos de onda superiores a 0,7μm. Boa parte da energia solar se compõe de fótons na faixa visível de comprimentos de onda, ao passo que a superfície terrestre emite energia radiante na faixa de comprimentos de onda que correspondem a radiação infravermelha. Dessa forma, parte da irradiação solar incidente vai sendo progressivamente armazenada, provocando um aumento na temperatura da superfície terrestre. Esse processo é semelhante ao ocorre numa estufa, daí o nome ―efeito estufa‖.

A maioria dos compostos halogenados utilizados em instalações frigoríficas,

inclusive os substitutos, podem provocar o efeito estufa. Entretanto, como suas emissões são muito inferiores às do CO2, que é o principal responsável pelo efeito estufa, sua ação não é tão significativa. Para a caracterização do nível de ação sobre a camada de ozônio e do efeito estufa, dois índices foram criados. O primeiro, referente a camada de ozônio,

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

32

quantifica o potencial de destruição dessa camada que o particular composto

apresenta em relação ao refrigerante R11, ao qual é atribuído o valor 1. Esse índice é denominado de " Potencial de Destruição da Camada de Ozônio" designado pelas iniciais ODP do inglês "Ozone Depleting Potential". O segundo índice refere-se ao efeito estufa que é resultado de dois efeitos: o efeito direto, causado pela presença física do composto na atmosfera e o efeito indireto, resultante da emissão de CO2 pela queima de um combustível fóssil para produzir a energia elétrica necessária para acionar a instalação frigorífica que opera com o particular refrigerante. O índice para o efeito estufa é o GWP, do inglês "Global Warming Potential" , que é relativo ao efeito estufa direto causado pelo refrigerante R11, ao qual é atribuído arbitrariamente o valor 1. As características desejáveis de um refrigerante são:

Pressão de vaporização não muito baixa

É desejável que o refrigerante apresente uma pressão correspondente à

temperatura de vaporização não muito baixa, para evitar vácuo elevado no evaporador e também, um valor baixo da eficiência volumétrica do compressor devido à grande relação de compressão.

Pressão de condensação não muito elevada

Para uma dada temperatura de condensação, que é função da temperatura da água ou do ar de resfriamento, quanto menor for a pressão de condensação do refrigerante, menor será a relação de compressão e, portanto, melhor o desempenho do compressor. Além disso, se a pressão no lado de alta pressão do ciclo de

refrigeração for relativamente baixa, esta característica favorece a segurança da instalação.

Calor latente de vaporização elevado

Se o refrigerante tiver um alto calor latente de vaporização, será necessário menor vazão do refrigerante para uma dada capacidade de refrigeração.

Volume específico reduzido (especialmente na fase vapor)

Se o refrigerante apresentar um alto valor do calor latente de vaporização e um pequeno volume específico, na fase de vapor, a vazão em volume no compressor

será pequena e o tamanho da unidade de refrigeração será menor, para uma dada capacidade de refrigeração.

Entretanto, em alguns casos de unidades pequenas de resfriamento de água com compressor centrífugo, é às vezes preferível que o refrigerante apresente valores elevados do volume específico, devido à necessidade de aumentar a vazão volumétrica do vapor de refrigerante no compressor, tendo em vista impedir a diminuição de eficiência do compressor centrífugo.

Coeficiente de performance elevado

O

refrigerante utilizado deve gerar um coeficiente de performance elevado pois

o custo de operação está essencialmente relacionado a este coeficiente.

Condutibilidade térmica elevada

Um valor elevado da condutibilidade térmica do refrigerante é importante na

melhoria das propriedades de transferência de calor.

Baixa viscosidade na fase líquida e gasosa

Devido ao pequeno atrito fluido dos refrigerantes pouco viscosos, as perdas de carga serão menores.

Baixa constante dielétrica, grande resistência elétrica e característica de não-

corrosão dos materiais isolantes elétricos. Estas características são especialmente

importantes para aqueles refrigerantes utilizados em ciclos de refrigeração com compressores herméticos.

Devem ser estáveis e inertes, ou seja, não devem reagir e corroer os materiais metálicos da instalação de refrigeração.

Não deve ser poluente

Não devem ser tóxicos ou excessivamente estimulantes.

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

33

Apesar dos circuitos frigoríficos se constituírem em sistemas fechados, a

possibilidade de vazamentos impõe que os compostos utilizados como refrigerantes apresentem nível reduzido de toxicidade, o que é satisfeito pela maioria dos CFCs.

Não devem ser inflamáveis ou explosivos.

A possibilidade de vazamentos também impõe que os refrigerantes não sejam

inflamáveis, devido ao risco de incêndio e explosão.

Devem ser de detecção fácil quando houver vazamentos.

Os refrigerantes são designados de acordo com a norma ASHRAE 34-1992, por números de, no máximo, quatro algarismos, de acordo com a seguinte regra:

O primeiro algarismo da direita indica o número de átomos de flúor na molécula;

O segundo algarismo indica o número de átomos de hidrogênio mais 1;

O terceiro algarismo indica o número de átomos de carbono menos 1;

O quarto algarismo a partir da direita é utilizado para designar compostos derivados de hidrocarbonetos não saturados

Uma forma simples da regra de numeração dos refrigerantes é a seguinte:

(C-1)

(H+1)

(F)

As

valências não preenchidas correspondem aos átomos de cloro na molécula.

O

primeiro algarismo nulo a partir da esquerda, por convenção, não é escrito.

Esse é o caso, por exemplo, do R12, cuja composição química é CCl2F2. Como esse refrigerante apresenta apenas um átomo de carbono, e C-1 é nulo, então sua designação é feita por um número de dois algarismos. Os isômeros são designados pelos sufixos ―a‖, ―b‖, ―c‖, etc., em ordem crescente de assimetria espacial. Esse é o caso, por exemplo, do R134a, que é um isômero espacial do composto 134. As misturas não azeotrópicas são designadas pela série 400, em ordem crescente de cronologia de aparecimento. As misturas azeotrópicas são designadas pela série 500, os compostos orgânicos, pela série 600 e os compostos inorgânicos pela série 700, em ordem crescente, de acordo com a massa molecular. A

amônia, NH3, por exemplo, de massa molecular 17, é designada como refrigerante 717, a água, H2O, de massa molecular 18, é designada como refrigerante 718.

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

34

Tabela 2.3: Relação de alguns refrigerantes, sua designação, nome e composição química.

sua designação, nome e composição química. 2.6 Aplicações da refrigeração e condicionamento de ar

2.6 Aplicações da refrigeração e condicionamento de ar

As áreas de refrigeração e ar condicionado são correlatas, e os seus campos de atuação foram representados na figura 2.22. O ar condicionado de conforto pode ser definido como o processo de condicionamento de ar objetivando o controle de sua temperatura, umidade, pureza e distribuição de modo a proporcionar conforto aos ocupantes do ambiente condicionado.

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

35

Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr . 35 Figura 2.22: Correlação entre os campos de

Figura 2.22: Correlação entre os campos de atuação. Fonte: Stoeker e Jones

Os sistemas de ar condicionado são classificados de acordo com a finalidade em sistemas para conforto e para processo. A Tabela 2.4 lista as aplicações típicas dos sistemas de ar condicionado: os sistemas de conforto tratam o ar a fim de manter o conforto térmico e preservar a saúde das pessoas durante suas atividades no ambiente condicionado; os de processo tratam o ar para manter o controle de condições adequadas aos processos de fabricação, armazenamento de produtos ou quaisquer outros processos ligados à indústria.

Tabela 2.4: Aplicações típicas dos sistemas de ar condicionado.

 

CONFORTO

Setor comercial

Prédios de escritórios, supermercados, lojas de departamentos, shopping-centers, restaurantes, etc.

Setor público

Estádios, bibliotecas, museus, cinemas, igrejas, teatros, salas de concerto, centros de recreação e lazer, etc.

Setor residencial e serviços

Hotéis, motéis, prédios de apartamentos, residências particulares, etc.

Setor de saúde

Hospitais, centros de recuperação, centros cirúrgicos, unidades de terapia intensiva (UTI), etc.

Setor de transporte

Aeronaves,

automóveis,

transporte

público

(metrô),

ferroviário, etc.

 
 

PROCESSOS

Indústria têxtil

Muitas fibras naturais e/ou manufaturadas são higroscópicas (absorvem umidade). Por isso, nos processos de fabricação a umidade relativa do ambiente deve ser rigorosamente controlada.

Indústria de eletroeletrônicos

Fazem uso de salas-limpas onde a temperatura, a umidade relativa, e a granulometria das partículas em suspensão no ar são rigorosamente controladas.

 

A

fabricação e a utilização de instrumentos de

Indústria de mecânica de precisão

precisão, geralmente necessitam de controle rigoroso

de

temperatura.

Indústria química e farmacêutica

Geralmente os processos de fabricação necessitam de controle de temperatura, umidade relativa e nível de contaminação do ar.

 

A

indústria de alimentos perecíveis congela os

Indústria de alimentação

alimentos para manter suas qualidades nutritivas. Entrepostos frigoríficos preservam essa qualidade durante o transporte até os pontos de consumo. São

controladas a temperatura e a umidade relativa.

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

36

Exercícios do Capítulo 2

2.1 Quando os CFC’s atingem altitudes onde a incidência de radiação ultravioleta é

muito intensa, suas moléculas são decompostas em formas químicas mais reativas, liberando determinados átomos, que, ao reagirem com as moléculas de ozônio, acabam destruindo-as. Tais átomos prejudiciais são de:

(A)

flúor

(B)

enxofre

(C)

carbono

(D)

cloro

(E)

hidrogênio

2.2

Explique como é o funcionamento do sistema de refrigeração por absorção de

vapor.

2.3 Em um ciclo de Carnot, os processos ocorrem às seguintes temperaturas e entropias:

a) Situação I:

Quais devem ser as quantidades de calor removido, Qa, e rejeitado, Qr, por kg de refrigerante circulado no ciclo e COP? Faça o gráfico T x s.

b) Situação II:

Quais devem ser as quantidades de calor removido, Qa, e rejeitado, Qr, por kg de refrigerante circulado no ciclo e COP? Faça o gráfico T x s.

2.4 Explique detalhadamente o funcionamento do circuito Frigorígeno. Esquematize a

união entre todos os componentes.

2.5 Uma determinada empresa possui chillers em funcionamento à base de R-12. O

dono da empresa estuda a compra de novas unidades à base de R-22 ou de R410a. Considerando os protocolos de Montreal e de Kyoto, apresente uma análise, de 20 até 30 linhas, indicando se o empresário deve manter o sistema como está ou se deve efetuar uma troca, apontando, nesse caso, qual dos dois refrigerantes é o mais adequado. A análise deve contemplar

os principais objetivos do protocolo de Montreal.

os principais objetivos do protocolo de Kyoto.

uma comparação entre os refrigerantes mencionados.

uma conclusão com a indicação do refrigerante mais adequado, especificando as vantagens envolvidas.

Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr . 37 Psicrometria O estudo detalhado da mistura

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

37

Psicrometria

O estudo detalhado da mistura ar seco – vapor d’água e de tal importância que

constitui uma ciência à parte, a Psicrometria, dotada de todo um vocabulário próprio.

A Psicrometria é definida como o ramo da física relacionado com a medida ou

determinação das condições do ar atmosférico, particularmente com respeito à mistura ar seco – vapor d’água, ou ainda, aquela parte da ciência que esta de certa forma intimamente preocupada com as propriedades termodinâmicas do ar úmido, dando atenção especial às necessidades ambientais, humanas e tecnológicas.

O conhecimento das condições de umidade e temperatura do ar é de grande

importância. Além do conforto térmico, que depende mais da quantidade de vapor presente no ar do que propriamente da temperatura, também em muitos outros ramos

da atividade humana. A conservação de produtos como frutas, hortaliças, ovos e carnes, em câmaras frigoríficas depende da manutenção da umidade relativa adequada no ambiente. Por exemplo, a perda de peso depende da umidade do ar na câmara de estocagem, se a umidade é baixa, a perda de peso é elevada e vice- versa.

3.1 Definições Fundamentais

3.1.1 Ar Seco

É a mistura dos gases que constituem o ar atmosférico, com exceção do vapor de água. A tabela 3.1 mostra a composição aproximada do ar seco ao nível do mar.

Tabela 3.1: Composição do ar seco ao nível do mar.

Componente

% em volume

% em peso

O2

20,99

23,19

N2

78,03

75,47

Ar (Argônio)

0,94

1,29

CO2

0,03

0,05

H2

0,01

0,00

3.1.2 Ar não saturado e ar saturado

Ar não saturado é a mistura de ar seco e vapor de água superaquecido, e ar saturado é a mistura de ar seco e de vapor de água saturado. Mais precisamente é o vapor de água que está saturado e não o ar.

A figura 3.1 mostra o esquema de uma carta psicrométrica, tendo como eixo das

abscissas a temperatura e como eixo das ordenadas a umidade absoluta, que será definida no próximo item, onde somente aparece a linha de saturação. Quando o ar está saturado, o estado do mesmo se dá sobre a linha de saturação da carta psicrométrica, significando que uma redução de temperatura causará uma condensação do vapor de água do ar.

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

38

Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr . 38 Figura 3.1: Esquema de uma carta psicrométrica

Figura 3.1: Esquema de uma carta psicrométrica para o ar saturado.

3.1.3 Umidade Absoluta (UA)

Umidade absoluta é a quantidade de vapor presente na mistura ar-vapor. A umidade absoluta é expressa em kg de vapor d’água por m³ de ar.

3.1.4 Umidade Relativa (UR)

A umidade relativa (UR) é a relação entre a umidade absoluta existente e a máxima umidade absoluta a uma dada temperatura, ou seja, quando o ar estiver saturado de vapor. Ou seja:

(

)

Onde:

UR = umidade relativa; = massa de vapor d’água em 1 m³ de ar (umidade absoluta); = massa de vapor d’água que teria se 1 m³ de ar estivesse saturado a uma dada temperatura.

3.1.5 Temperatura de Bulbo seco

A temperatura de bulbo seco (TBS) é a temperatura indicada por um termômetro comum, não exposto à radiação.

3.1.6 Temperatura de Bulbo úmido

Se o bulbo de um termômetro for coberto com uma mecha de algodão saturado com água, a sua temperatura descerá, primeiro rapidamente e depois lentamente até atingir um ponto estacionário. A leitura neste ponto é chamada de temperatura de bulbo úmido (TBU) do ar (figura 3.2), sendo que esta temperatura é aproximadamente a que seria indicada pelo saturador adiabático. Para se obter valores corretos para a temperatura de bulbo úmido, a velocidade do ar, que se deseja medir a temperatura deve ser de 5 m/s, com relação ao bulbo.

medir a temperatura deve ser de 5 m/s, com relação ao bulbo. Figura 3.2: Termômetro de

Figura 3.2: Termômetro de Bulbo Úmido e Bulbo Seco. [7]

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

39

3.1.7 Temperatura de Orvalho

A temperatura de orvalho (T0) é a temperatura na qual o vapor de água se condensa, ou solidifica, quando resfriado a pressão e umidade absoluta constante.

O diagrama T-S da figura 3.3 ilustra esta definição. Nesta figura, o ponto 1

representa um estado do ar úmido tal que o vapor de água presente na mistura se encontra superaquecido. Quando resfriado à pressão constante, o vapor passa pelo ponto 2, que corresponde ao ponto de orvalho, e onde tem início a condensação do vapor.

de orvalho, e onde tem início a condensação do vapor. Figura 3.3 : Temperatura de orvalho

Figura 3.3: Temperatura de orvalho (To)

Chama-se ponto de orvalho (dew point) a temperatura abaixo da qual se inicia a condensação, à pressão constante, do vapor d’água contido no ar.

T Temperatura de bulbo úmido Pressão constante do vapor Linha de vapor saturado Ponto de
T
Temperatura de
bulbo úmido
Pressão
constante do
vapor
Linha de vapor
saturado
Ponto de
orvalho
s
s

Figura 3.4: Temperatura de bulbo seco e bulbo úmido.

3.1.8 Carta Psicrométrica

O uso das cartas psicrométricas permite a análise gráfica dos processos que

envolvem o ar úmido, facilitando assim a solução de muitos problemas típicos dos sistemas de condicionamento de ar. A figura 3.5 apresenta a carta psicrométrica para

o nível do mar. Essa carta contêm todas as propriedades do ar úmido discutidas anteriormente.

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

40

Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr . 40 Figura 3.5: Carta psicrométrica para o nível

Figura 3.5: Carta psicrométrica para o nível do mar.

Na Carta Psicrométrica:

Evaporação: consiste em percorrer uma linha de TBS igual ao acréscimo de umidade do ar. Condensação: é o contrário.

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

41

Calor Sensível: é o calor que aumenta a temperatura do ar, sem alterar o conteúdo de umidade do mesmo. Na Carta Psicrométrica: uma alteração do Calor Sensível é representada por uma linha de Umidade Absoluta constante (horizontal). Ocorrem variações de entalpia e de TBU. Na figura 3.6 é mostrada esquematicamente a divisão de todas as partes que compõem a carta psicrométrica.

de todas as partes que compõem a carta psicrométrica. Figura 3.6 : Partes da carta psicrométrica.

Figura 3.6: Partes da carta psicrométrica. [2]

Essa carta é constituída das seguintes partes:

1 - linha de temperatura do bulbo seco (BS), em °C;

2 - linha da umidade específica em kg de umidade p/kg de ar seco;

3 - linha da escala de umidade específica (UE);

4 - linha da temperatura de bulbo úmido (BU), em °C;

5 - linha do volume específico em m³ de mistura p/kg de ar seco;

6 - linha de escalas de entalpia (h) em kJ/kg de ar seco na saturação;

7 - linha da umidade relativa (UR) em %;

8 - linha da razão de calor sensível (RCS) igual ao Calor sensível/Carga térmica

9 - linha do desvio da entalpia em relação à entalpia específica na saturação.

Exemplo 3.1: Dados para um recinto condicionado: temperatura BS = 25°C e umidade relativa 50%. Para a mistura ar-vapor achar:

(a)

Temperatura de bulbo úmido (TBU);

(b)

Umidade Específica (UE);

(c)

Entalpia (h);

(d)

Volume específico (VE);

(e)

Umidade Percentual (UP)- definida como a relação entre a umidade específica

(item b) e a umidade específica para a mesma temperatura BS, na saturação.

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

42

3.2 Processos Psicrométricos

Os processos com ar úmido podem ser representados graficamente em uma carta psicrométrica, onde podem ser facilmente interpretadas. Da mesma forma a carta pode ser utilizada na determinação da variação de propriedades tais como temperatura, umidade absoluta e entalpia que ocorre em processos. Na figura 3.7 têm-se os principais processos que podem ser obtidas com o uso da carta psicrométrica.

que podem ser obtidas com o uso da carta psicrométrica. Figura 3.7 : Uso da carta

Figura 3.7: Uso da carta psicrométrica. [2]

3.2.1 Aquecimento Sensível (Aquecimento Seco)

Quando se fornece energia ao ar, a temperatura aumenta, mas a razão de umidade permanece constante, pois não há aumento nem diminuição na quantidade de massa de mistura (ar seco-vapor d’água). Assim, o processo de aquecimento sensível (aumento de temperatura somente) é representado no gráfico por linhas horizontais, paralelas à abscissa, a partir do ponto de estado em que se encontra o ar, como mostra a figura 3.8.

de estado em que se encontra o ar, como mostra a figura 3.8. Figura 3.8: Processo

Figura 3.8: Processo de aquecimento seco.

Exemplo 3.2: Um ar à temperatura BS = 2°C e UR = 60% é aquecido através da passagem em uma bobina para BS = 35°C. Achar: para BS = 35°C, a temperatura BU e Umidade Relativa, bem como a quantidade de calor adicionada ao ar por kg de ar fluente.

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

43

3.2.2 Resfriamento sem Desumidificação (Resfriamento seco)

A figura 3.9 demonstra o processo de resfriamento seco na carta psicrométrica.

o processo de resfriamento seco na carta psicrométrica. Figura 3.9 : Processo de resfriamento seco. O

Figura 3.9: Processo de resfriamento seco.

O calor retirado do ar pelo processo pode ser calculado da mesma forma que o caso anterior. Na figura 3.10 é apresentado um esquema básico do processo de resfriamento seco, onde a água gelada com a temperatura superior, igual ou pouco menor que a temperatura de orvalho do ar, passa por um circuito de tubos.

de orvalho do ar, passa por um circuito de tubos. Figura 3.10 : Esquema básico do

Figura 3.10: Esquema básico do processo de resfriamento seco.

Exemplo 3.3: Um ar à temperatura BS = 25°C e TBU = 20°C sofre um processo de resfriamento para BS = 20°C. Achar: para BS = 20°C, a temperatura BU e Umidade Relativa, bem como a quantidade de calor retirada ao ar por kg de ar fluente.

3.2.3 Resfriamento com Desumidificação

No resfriamento do ar, quando se atinge a curva de umidade relativa máxima (UR=100%), tem-se o ponto de orvalho. O resfriamento desse ar moverá o ponto de estado sobre a linha de saturação, ocorrendo condensação de parte do vapor d’água presente no ar. Consequentemente, a razão de umidade diminuirá.

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

44

Exemplo 3.4: Um ar à temperatura BS = 28°C e UR = 50% é resfriado até a temperatura BS = 12°C e BU = 11°C. Achar: (a) o calor total removido; (b) a umidade total removida; (c) a razão de calor sensível no processo (RCS).

3.2.4 Resfriamento e Umidificação (Resfriamento evaporativo)

A adição de umidade de ar sem que se acrescente energia faz com que o ponto de estado se mova sobre uma linha de entalpia constante (transformação isoentálpica). A transformação ocorre praticamente com temperatura de bulbo úmido constante. A figura 3.11 demonstra um método de se realizar essa transformação. Em A uma vazão de ar não saturado é insuflado em uma cortina de água gelada, saindo mais frio e com a mesma energia (entalpia) inicial.

saindo mais frio e com a mesma energia (entalpia) inicial. Figura 3.11 : Exemplo de processo

Figura 3.11: Exemplo de processo de resfriamento e umidificação.

3.11 : Exemplo de processo de resfriamento e umidificação. Figura 3.12 : Processo de Resfriamento e

Figura 3.12: Processo de Resfriamento e Umidificação.

Define-se Eficiência de Saturação a relação:

Onde:

tA = temperatura de bulbo seco do ar na entrada do processo;

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

45

tB = temperatura de bulbo seco do ar na saída do processo;

tC = temperatura de bulbo úmido do ar na entrada, a qual coincidiria com a

temperatura de bulbo seco da saída se o ar saturasse completamente.

Na prática, se o condicionador é suficientemente grande/potente e possua um mínimo de duas linhas de pulverização, a eficiência da saturação pode alcançar e até superar 92%. Este processo foi um dos primeiros a ser empregados nas instalações de ar condicionado e é ainda empregado nas indústrias têxteis e, em geral, naquelas que necessitam para seus ciclos de produção uma massa de ar com umidade relativamente elevada.

Exemplo 3.5: Um ar à temperatura de BS = 32°C e BU = 18°C passa através de um ―spray‖ de água que o deixa na umidade de 90%. A água está à temperatura de 18°C. Achar a temperatura BS do ar.

3.2.5 Aquecimento e Umidificação

O ar pode ser aquecido e umidificado simultaneamente se o fizermos passar por

um condicionador que contenha uma tubulação que pulverize água quente ou simplesmente mediante uma injeção direta de vapor, como é ilustrado na figura 3.13.

injeção direta de vapor, como é ilustrado na figura 3.13. Figura 3.13 : Exemplo de processo

Figura 3.13: Exemplo de processo de aquecimento e umidificação.

Esse processo é caracterizado por um aumento da entalpia e da razão de umidade do ar tratado. Mas a temperatura de bulbo seco final pode ser menor, maior ou igual a temperatura inicial, em função das temperaturas, o começo do tratamento, do ar e da água e de suas respectivas vazões.

A) Se a vazão de água pulverizada é grande em comparação com a vazão de ar.

O ar sai quase saturado e com temperatura próxima a da água. Na figura 3.14

estão representados os diversos casos possíveis.

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

46

Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr . 46 Figura 3.14 : Processo de Aquecimento e

Figura 3.14: Processo de Aquecimento e Umidificação.

- AB representa a transformação sofrida pelo ar no caso da temperatura da água pulverizada ser inferior à temperatura de bulbo seco do ar na entrada.

- AC e AD representam transformações análogas, onde a temperatura da água

pulverizada se encontra, na mesma temperatura de bulbo seco do ar de entrada

(AC) e acima desta última (AD).

Como no caso do processo de resfriamento e umidificação (resfriamento adiabático), o ar sairá saturado do condicionador. A capacidade de saturação do ar pode ser expressa da mesma forma que a Eficiência de Saturação.

B)

Se

a

quantidade

da

água

pulverizada

é

relativamente

pequena

em

comparação com a vazão de ar insuflado.

A água se esfriará notavelmente, em contato com o ar e o processo ocorrerá como representado na figura 3.14, pelos pontos B’, C’ e D’. Observa-se que o ar resultante não estará saturado, estando com uma umidade relativa próxima dos 90%, dependendo das condições colocadas anteriormente (temperatura água, vazão da água, O processo pode ser também efetuado por uma injeção direta de vapor no ar insuflado, fazendo este último passar sobre a uma superfície de água, que é mantida quente por meio de serpentinas por onde circulam vapor de água a temperaturas elevadas ou por meio de resistências elétricas. Nesse caso, o ponto representativo do ar no diagrama pode ser calculado fazendo-se um balanço de entalpias e razões de umidades.

3.2.6 Mistura de ar

Em instalações de ar condicionado é comum o ar de retorno do ambiente ser misturado com o ar exterior, para recompletar as diferentes perdas de ar. Se, na carta psicrométrica da figura 3.15, colocarmos o ponto A como relativo às condições internas do recinto e o ponto E ás condições do ar exterior, em um ponto C da reta AE teremos as condições da mistura.

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

47

Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr . 47 Figura 3.15 : Na carta psicrométrica, a

Figura 3.15: Na carta psicrométrica, a mistura de correntes de ar.

Exemplo 3.6: Em uma instalação de ar condicionado, temos as seguintes condições:

- Internas: TBS =25,5°C e UR =50%.

- Externas: TBS=34°C e TBU = 27,2°C.

A percentagem do ar exterior é de 20% do total. Quais as temperaturas BS e BU da

mistura?

3.3 Vazão necessária de ar

Qualquer ambiente de ar condicionado, para manter as condições desejadas, necessita de uma determinada vazão constante de ar, insuflado pelo ventilador, depois de passar pelo evaporador, umidificador ou desumidificador. Essa vazão de ar frio ou quente é que, em mistura com o ar do ambiente, faz a temperatura e a umidade permanecerem dentro das condições desejadas, combatendo o fluxo de calor que entra no recinto (ou dele sai). Como será visto em outro capítulo, a carga térmica do recinto é expressa em kcal/h; é a soma do calor sensível e do calor latente. Para o calor sensível, tem-se:

Onde:

= Calor sensível em kcal/h; m = quantidade de ar em jogo em kg/h; c = calor específico do ar = 0,24 kcal/kg°C para o ar padrão; = temperaturas do ar na entrada e na saída em °C.

Sabe-se que o ar seco, nas condições normais de pressão e temperatura, tem o

volume específico

= 0,833 m³/kg, então:

[

Onde:

Q= vazão de ar em m³/h.

]

[

]

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

48

Assim a expressão do calor sensível será:

Ou

Válida para o ar padrão ou:

3.4 Cálculo da Absorção de Umidade do Ar de Insuflamento

Como já foi visto, a absorção de umidade do ar de insuflamento pode ser feita com o equipamento de refrigeração. O ar a ser insuflado no recinto passa através do evaporador de equipamento e, se a temperatura do evaporador estiver abaixo do ponto de orvalho do ar, haverá condensação do vapor d’água, que deve ser eliminado para o exterior. Para se saber a quantidade de vapor d’água que deve ser eliminada, é preciso conhecer as umidades específicas que são fornecidas pela carta psicrométrica, mas que também podem ser calculadas pelas equações já estudadas. Como o nosso objetivo é o do projeto de instalações de ar condicionado, usaremos a carta psicrométrica. Na figura 3.16 vamos imaginar que no ponto E loquemos as condições do exterior e, no ponto A, as condições a serem mantidas no recinto, através do exemplo seguinte.

a serem mantidas no recinto, através do exemplo seguinte. Figura 3.16 : Carta psicrométrica e balanço

Figura 3.16: Carta psicrométrica e balanço energético. [2]

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

49

Exemplo 3.6: As condições do ar exterior são: BS = 34°C e umidade relativa 65%. As condições a serem mantidas no recinto são: BS = 26°C e umidade relativa 45%. Se a vazão de ar é de 125 m³/h, queremos saber a umidade que precisa ser eliminada pelo equipamento de refrigeração e a capacidade desse equipamento.

3.5 Capacidade dos Equipamentos do Sistema de Expansão Direta

Para se determinar a capacidade total dos equipamentos dos sistemas de expansão direta, podemos agir de três maneiras:

I. Pelo cálculo do calor absorvido pelas serpentinas do evaporador, através de equações que foram vistas anteriormente:

Onde:

= Calor total em kcal/h; = Vazão de ar em m³/h; = Entalpia do ar entrando e saindo em kcal/kg.

Sabendo-se que 1 kcal = 4.186 kJ.

Exemplo 3.7: Utilizando os dados do exemplo anterior, e desprezando a entalpia do condensado, o calor total é:

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

50

II. Pelo cálculo do calor transferido para a água do condensador:

Onde:

= Calor total em kcal/h;

= Vazão de água em litros por minuto; = Diferença entre as temperaturas da água na saída e na entrada do condensador.

Exemplo 3.8: Utilizando novamente os dados do exemplo 3.6, e considerando que a temperatura da água ao entrar no condensador é de 38°C e ao sair é de 46°C e a vazão de água é de 6,25 m³/h. Calcular a capacidade de absorção de calor do condensador.

III. Pela capacidade de retirada dos calores sensível e latente obtidos através das temperaturas de entrada e saída das serpentinas do evaporador:

Exemplo 3.9: Calcular o calor total retirado do ar que entra no evaporador na temperatura de 34°C e sai na temperatura de 13,2°C, a umidade é retirada na razão de 12,6g por kg de ar seco e a vazão de ar é de 125 m³/h.

3.6 Capacidade dos Equipamentos no Sistema de Expansão Indireta

Para determinar a capacidade dos equipamentos do sistema de expansão indireta, podemos calcular da seguinte maneira:

I. Pela vazão de água gelada necessárias na central:

Onde:

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

51

= Vazão de água gelada em m³/h;

= Capacidade total em kcal/h;

= diferencial de temperatura em °C no resfriador de água.

II. Pela vazão de água necessária no condensador:

Onde:

= Vazão de água de condensação em m³/h;

= Capacidade total em kcal/h;

= diferencial de temperatura em °C no condensador.

3.7 Resfriamento pela Evaporação

A atmosfera é o absorvedor inesgotável de todo o calor emitido nas transformações das máquinas térmicas. Nas grandes máquinas, como, por exemplo, nas centrais termoelétricas, o vapor, depois de passar pelas turbinas, deve ser condensado. A condensação do vapor exige grandes vazões de água, o que evita a sua descarga direta na atmosfera. Há inúmeros tipos de máquinas, cuja condensação exige água, que, após o processo, deve ser refrigerada. Usam-se, para o processo de refrigeração de água de condensação, as torres de arrefecimento (ou de resfriamento). No tipo mais comum de torre, o tipo úmido, a água quente é lançada, sob a forma de gotículas, contra uma massa ascendente de ar; isso aumenta a área de transferência de calor. Usam-se também ventiladores, normalmente na parte superior para aumentar a corrente de ar circulante, como mostrado na figura 3.17.

a corrente de ar circulante, como mostrado na figura 3.17. Figura 3.17 : Torre de Arrefecimento.

Figura 3.17: Torre de Arrefecimento. [2]

Para que haja transferência de calor da água para o ar, é necessário que a temperatura da água seja superior à do bulbo úmido do ar. Teoricamente a temperatura limite com a qual a água pode ser refrigerada é a do bulbo úmido do ar circulante. A diferença entre a temperatura da água na saída da torre e a temperatura BU do ar é o approach. O rendimento da torre é medido pela seguinte relação:

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

52

Onde:

= Temperatura da água quente que entra;

= Temperatura da água fria que sai;

= Temperatura do bulbo úmido do ar; = approach.

O ar em contato com a água eleva a temperatura do BU, o que significa também que sai sob a forma saturada. Esse contato faz com que parte da água seja evaporada e deve ser reposta para não haver deficiência (água de reposição ou make-up). Essa reposição é pequena, da ordem de 2% da água de circulação, por isso a torre deve ter uma ligação com a caixa-d’água de abastecimento do prédio, que mantém o nível da bacia no fundo da torre, através de uma torneira-boia.

Exemplo 3.10: A temperatura da água ao entrar em uma torre é de 46°C, sua vazão é de 6,25 m³/h e a pressão atmosférica é normal. O ar entra nas temperaturas BS =35°C e BU = 25°C e deixa a torre na temperatura de 38°C, saturado. A temperatura da água ao sair da torre é de 29,2°C. Calcular o rendimento da torre e o approach.

Exercícios do Capítulo 3

3.1. A parede externa de uma sala é composta das seguintes placas: 15 cm de

concreto, 10 cm de madeira e 20 cm de cortiça. A temperatura do ar exterior é de 34°C e no interior é de 25°C. Calcular o fluxo de calor por m² de superfície de parede em kcal/h

3.2. Em um ambiente com ar condicionado desejamos que o fluxo máximo de calor

seja de 10 kcal/h por m², do exterior a 34°C para o interior a 25°C. Se a parede for construída com espessura de concreto de 15 cm, revestida por 10 cm de madeira, que espessura deverá ter a camada interior de cortiça?

3.3. Em um recinto com ar condicionado, tem-se as seguintes condições:

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

53

(a)

Ambiente 1: TBS = 23°C e UR = 60%.

(b)

Ambiente 2: TBS = 28°C e UR= 40%

(c)

Ambiente 3: TBS = 26°C e TBU= 16°C

Determinar as propriedades do ar em cada ambiente.

3.4. Um ar na temperatura de 10°C e umidade relativa de 65% é aquecida por uma

resistência elétrica até a temperatura de 40°C. Calcular, usando a carta psicrométrica,

a umidade relativa no final do aquecimento.

3.5. Num ambiente com ar condicionado a temperatura do bulbo seco deve ser

mantida a 25°C e a umidade relativa 50%. Calcular a temperatura do BS em que o ar

deixa as serpentinas do evaporador, supondo-o saturado e usando a carta psicrométrica.

3.6. Em uma instalação de ar condicionado, temos as seguintes condições:

- Internas: BS = 24°C e BU = 19°C

- Externas: BS = 32°C e BU = 26°C

A percentagem do ar exterior é de 10% do total.

Calcular as temperaturas BS e BU da mistura.

3.7. Um ar com UR=50% e BS = 14°C é aquecido através da passagem em uma bobina

para BS=38°C.

3.8. Em BS=38°C, achar BU, UR e a quantidade de calor adicionada ao ar por kg de ar

fluente.

3.9. Determinar, utilizando a carta psicrométrica, as propriedades termodinâmicas de

ar úmido a 29,4°C de temperatura de bulbo seco, e 21,1°C de temperatura de bulbo úmido, e pressão barométrica de 1 atm.

3.10. Determinar a capacidade do equipamento de refrigeração em TR, supondo que

o ar, ao transpor o evaporador, teve uma queda de entalpia de 32,5 kcal/kg e a

vazão de ar é de 350 m³/h.

3.11. Calcular a vazão necessária de ar em m³/h para que o equipamento de

refrigeração elimine a carga térmica de calor sensível de 150.000 kcal/h para um diferencial de temperatura no evaporador de 10°C.

3.12. Calcular a capacidade de um condensador de um equipamento de ar

condicionado que recebe a água da torre em 29°C e descarga em 34,5°C e a vazão

de água é de 20 l/minuto.

3.13. A temperatura da água ao entrar em uma torre de resfriamento é de 38°C e ao

sair 29°C. O ar entra na torre nas temperaturas BS = 35°C e BU =25°C. Calcular o rendimento da torre.

3.14. Calcular a vazão de ar necessária, supondo-se que o ar deixa a torre na

temperatura de 39°C, saturado, e a vazão de água é de 20 l/minuto.

Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr . 54 Dados para o projeto Os seguintes

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

54

Dados para o projeto

Os seguintes dados são indispensáveis ao projeto de instalação de ar condicionado: plantas de arquitetura, cortes, vistas, número de ocupantes do recinto, posição do Sol em face do prédio, fim a que se destina a instalação (conforto, equipamento, industrial, etc), local para a casa de máquinas, tipo de insuflamento e retorno, fontes de calor no recinto, iluminação, regime de ocupação, prédios vizinhos, coordenadas geográficas do local, cores de paredes, telhados, janelas etc. Em seguida, deverão ser fixados: temperatura, umidade relativa, temperatura dos bulbos seco e úmido, ponto de orvalho para o ar exterior e interior.

4.1 Conforto Térmico

Condições ambientais de temperatura e umidade que proporcionam sensação de bem-estar às pessoas que ali estão.

sensação de bem-estar às pessoas que ali estão. Figura 4.1: Fatores que afetam o conforto térmico.

Figura 4.1: Fatores que afetam o conforto térmico. [8]

4.1.1 Metabolismo

Processo pelo qual o corpo converte a energia dos alimentos em calor e trabalho. O calor que é gerado continuamente pelo corpo deve ser eliminado a fim de que a temperatura interna se mantenha constante. A energia total, M, produzida no interior do corpo é dissipada da seguinte maneira:

M = E ± R ± C + B ± S

Onde:

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

55

M: metabolismo, W;

E:

perda por evaporação, W;

R:

transferência de calor por radiação, W;

C:

transferência de calor por convecção, W;

B:

perda de calor por respiração, W;

S:

taxa de variação de energia armazenada no corpo, W.

4.2 Condições de Conforto

O simples conhecimento da temperatura do ar não é suficiente para determinar

se o ambiente é confortável ou não, como ilustra a figura 4.2, uma pessoa está em um

ambiente onde a temperatura encontra-se entre 23 a 27°C, que deveria proporcionar conforto, no entanto se a umidade relativa for muito alta, a pessoas sente-se abafada

pelo excesso de água que a envolve.

sente-se abafada pelo excesso de água que a envolve. Figura 4.2 : Efeito da umidade relativa

Figura 4.2: Efeito da umidade relativa alta.

Sendo o conforto térmico humano, afetado por muitas variáveis já que ele é função do metabolismo, não é possível estabelecer-se para as mesmas regras fixas. Os melhores resultados são obtidos com condições aproximadas para as quais a maioria dos ocupantes de um ambiente se sintam confortáveis. Experiências foram realizadas com pessoas vestidas com roupa comum e submetidas a várias condições de temperatura, umidade relativa e movimento do ar, anotando-se as reações em face das diversas condições, donde surgiu um parâmetro de conforto denominado temperatura efetiva que representa um índice que se aplica ao corpo humano e diz respeito ao grau de calor ou de frio experimentado em certas combinações das grandezas citadas.

A figura 4.3 mostra o ábaco de conforto para verão e inverno da ASHRAE para

ocupações contínuas durando mais que três horas e movimentação do ar de 0,08 a

0,13 m/s. A temperatura efetiva é sempre menor do que a lida no termômetro de

bulbo seco, somente na umidade relativa de 100% é que são iguais. Durante o verão,

a maioria das pessoas que tenham permanecido numa atmosfera condicionada

durante mais de 3 horas, sentir-se-á tão fria a 24°C de bulbo seco e 60% de umidade como a 26°C de bulbo seco e 30% de uma idade, porque ambas as condições caem na linha de 22°C de temperatura efetiva na figura 4.3. A curva na porção superior esquerda da figura 4.3 indica a percentagem de pessoas que se sentem confortáveis durante o tempo de verão para as condições entre 18°C e 26°C de temperatura efetiva. Os estudos conduzidos pela American Society of Heating, Refrigerating and Air Conditioning Engineers, ASHRAE com umidades relativas entre 30 e 40% indicam que 98% das pessoas se sentem confortáveis quando as temperaturas de bulbo seco e

úmido caem na linha de 22°C de temperatura efetiva.

A figura 4.3 foi preparada para aproximadamente 40 de latitude Norte e altitudes

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

56

Ar Condicionado e Ventilação Prof. Juvenil Jr . 56 Figura 4.3 : Ábaco de Conforto da

Figura 4.3: Ábaco de Conforto da ASHRAE.

Em sistemas de ar condicionado para o conforto de pessoas, deve-se levar em conta o tempo de permanência no recinto. Assim, a tabela 4.1 mostra as indicações para as temperaturas e umidades relativas em função da permanência.

Tabela 4.1: Temperaturas e umidades relativas em função da permanência. [2]

Temperaturas e Umidades Relativas em Função da Permanência

Permanência

Temperatura

Temperatura de Bulbo Seco

Umidade Relativa

Efetiva

Mais de 3 horas

22,7°C

25,5°C

55

%

Entre 45 minutos e 3 horas

23,3°C

26,6°C

50

%

Menos de 40 minutos

23,8°C

27,7°C

45

%

As temperaturas elevadas causam danos ao ser humano (exaustão térmica, câimbras, insolação) e, em resumo: - prejudicam a saúde da pessoa, diminuem a capacidade de trabalho e a resistência à infecção (pois o número de glóbulos brancos do sangue diminui). O controle da qualidade do ar interior importa na manutenção dos odores abaixo da concentração limite de percepção e em manter a taxa compatível de oxigênio. Estes objetivos são conseguidos conjuntamente com a renovação do ar por ventilação. Os odores devem-se à matéria orgânica contida nos recintos, ao fumo dos cigarros, a processos químicos, perfumes, etc., geralmente, o controle do odor, satisfaz a taxa de oxigênio, pois a quantidade de ar a renovar para diluir o ar ambiente,

Ar Condicionado e Ventilação

Prof. Juvenil Jr.

57

levando a taxa de concentração abaixo do limite de percepção, é bem maior que o necessário à manutenção da taxa compatível de oxigênio. Os principais meios usados para a recuperação do ar, separando-o dos odores são: - filtragem comum, lavagem em água, filtragem eletrostática, tratamento com carvão reativado, uso de substâncias absorvedoras, etc. Contaminantes externos também podem ser responsáveis por problemas na qualidade do ar interior, como: CO, CO2, NO2, chumbo, fumaça em geral, particulados, etc. e no sistema de ar condicionado dependendo da manutenção pode haver a proliferação de algas, fungos, poeiras e microrganismos. As soluções recomendadas são: - eliminação das fontes internas ou exaustão localizada, ventilação em níveis adequados, correção no posicionamento da captação de ar externo, filtragem adequada, adequação do projeto e estabelecimento de rotina de manutenção, prevenindo-se contra o acúmulo de poeira e umidade no sistema de climatização. As condições de conforto para verão são dadas pela tabela 4.2, para indivíduos em repouso ou em atividade moderada.

Tabela 4.2: Condições de conforto para verão. [2]

Finalidade

Local

 

Recomendável

Máxima

TBS (°C)

UR(%)

TBS (°C)

UR(%)

 

Residências

       

Conforto

Hotéis

23

a 25

40

a 60

26,5

65

Escritórios

 

Escolas

       
 

Bancos

       

Lojas de

Barbearias

curto tempo

Cabeleireiros

24

a 26

40

a 60

27

65

de

Lojas

       

ocupação

Supermercados

 

Teatros

       

Ambientes

Auditórios

com

Templos

grandes

Cinemas

cargas de

Bares

24

a 26

40

a 65

27

65

calor

Lanchonetes

   

latente e/ou

Restaurantes

sensível

Bibliotecas

Estúdios de TV

Locais de

Boates

       

reuniões

 

24

a 26

40

a 65

27

65

com

Salões de baile

   

movimento

 

Depósitos de