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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ................................................................................................ 05

1 DIRETRIZES PARA A ELABORAÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMICOS..06

1.1 ARTIGOS. ................................................................................................ 06

1.1.1 Estrutura do artigo .................................................................................. 07

1.1.1.1 Critérios de avaliação ......................................................................... 07

2 PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO DE PESQUISA ...................................... 15

2.1 ASSUNTO..................................................................................................16

2.2 PROBLEMA. ............................................................................................. 16

2.3 OBJETIVOS. ............................................................................................. 17

2.4 JUSTIFICATIVA. ....................................................................................... 17

2.5 CONSTRUÇÃO DAS HIPÓTESES E INDICAÇÃO DAS VARIÁVEIS. .......17

2.6 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS. ................................................. 18

2.7 ORDEM DE MONTAGEM DE UM TRABALHO......................................... 19

2.8 A REDAÇÃO DO TRABALHO................................................................... 23

2.8.1 AS PARTES LÓGICAS DO TEXTO ....................................................... 23

2.8.2 REGRAS GERAIS PARA REDAÇÃO .....................................................23

2.8.3 OS COMPONENTES LINGUISTICOS DA ARGUMENTAÇÃO .............. 26

2.8.4 AS REGRAS PARA CITAÇÃO ............................................................... 28

3 APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS DE PESQUISA............................... 30

3.1 RELATÓRIO DE PESQUISA. .................................................................. 30

3.1.1 INTRODUÇÃO ....................................................................................... 30

3.1.2 REVISÃO DE LITERATURA. ..................................................................30

3.1.3 METODOLOGIA. ................................................................................... 31

3.1.4 ANÁLISE. ............................................................................................... 31

3.1.5 CONCLUSÕES, PROPOSTAS E SUGESTÕES. .................................... 31


3.2 ESTRUTURA DA MONOGRAFIA. ............................................................ 32

3.2.1 INTRODUÇÃO ....................................................................................... 32

3.2.2 DESENVOLVIMENTO ........................................................................... 33

3.2.3 CONCLUSÃO ........................................................................................ 33

3.2.4 APRESENTAÇÃO GRÁFICA DA MONOGRAFIA. ................................. 33

3.2.5 PONTOS PARA AVALIAÇÃO DE UMA MONOGRAFIA. ....................... 34

REFERÊNCIAS .............................................................................................. 37

ANEXOS ......................................................................................................... 38
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INTRODUÇÃO

A diversidade de formatos existentes nas instituições de ensino superior para


elaboração de trabalhos acadêmicos aliada à dificuldade de muitos estudantes em
obter informações precisas sobre questões normativas e metodológicas motivaram a
elaboração desse material, como subsídio às discussões a serem realizadas na
disciplina de metodologia científica.

Devemos muito deste esforço à contribuição de Mª Virgínia Borges Amaral,


nossa orientadora desde a especialização, que tem sido responsável pelo nosso
crescimento intelectual nesses poucos anos de estudo. Estruturamos o presente
trabalho em seções articuladas seqüencialmente, iniciando com uma abordagem
sobre o papel do conhecimento na sociedade atual e perseguimos nosso objetivo até
a discussão pormenorizada dos diversos elementos que compõem o trabalho
científico e sua apresentação.

Trata-se, no entanto, de uma primeira aproximação como fruto daquilo que


temos percebido, juntamente com os estudantes, que não raro expõem diversos
questionamentos, que traduzem conhecimentos dispersos em muitas obras de
autores renomados como Lakatos, Severino e tantos outros, que, ao longo dos anos,
têm contribuído significativamente para o aprimoramento do fazer pesquisa no Brasil.

Esperamos, desta forma, poder deixar algumas colaborações nesse primeiro


momento de contato com a pesquisa, embora devamos posteriores aprofundamentos.
Sabemos, entretanto, que aqui consta o que julgamos mais necessário, para quem
tem buscado trilhar esse longo caminho.
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1 DIRETRIZES PARA A ELABORAÇÃO DE TRABALHOS


ACADÊMICOS

Segundo Assunção (2006), os trabalhos científicos podem ser classificados, do


ponto de vista da sua procedência, em acadêmicos e não- acadêmicos. Os nomes
são auto-explicáveis. Os segundos são, principalmente, livros, artigos científicos em
periódicos, resenhas, relatórios de pesquisa, comunicações, ensaios (paper) e textos
de palestras. Esses trabalhos podem também ser produzidos por e em universidades.
No entanto, há alguns tipos de trabalho que são estritamente acadêmicos: teses
(doutorado), dissertações (mestrado) e trabalhos de conclusão de curso (TCC de
graduação e especialização). Há também os chamados trabalhos didáticos, como:
esquemas, relatórios, resumos e fichamentos.

O termo monografia, muito comum nos meios acadêmicos, é definido pela


ABNT como qualquer trabalho “não seriado, isto é, item completo, constituído de uma
só parte, ou que se pretende completar em um número preestabelecido de partes
separadas”. Portanto, o termo monografia deve ser utilizado como contraposição ao
termo publicação periódica, e assim, inclui além de trabalhos acadêmicos, também
livros, manuais, catálogos, enciclopédias, em um sentido mais amplo do que o de
trabalho acadêmico.

Toda monografia, em princípio, é resultado de uma pesquisa, seja apenas


bibliográfica, seja de campo, implicando em sistematização e análise dos dados
coletados. Assim, um plano de monografia não se confunde com um projeto de
pesquisa; o primeiro deverá ser construído quando se tem em mãos do segundo,
quando o projeto foi realizado e tem-se o resultado da pesquisa (AMARAL, 2004: p.
19).

1.1 ARTIGOS

Os artigos são pequenos estudos, porém completos, que tratam de uma


questão resultante de estudos e pesquisas científicas. São publicados em revistas e
periódicos.

1.1.1 Estrutura do artigo


1. Preliminares
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a) cabeçalho – título (e subtítulo) do trabalho

b) autor (es)

c) credenciais do (s) autor (es) e local de atividades (instituição)

2. Sinopse (resumo ou abstract) – deve conter uma média de


duzentas a trezentas palavras e virá após a folha de rosto
antecedendo o sumário do artigo.

3. Corpo do artigo

a) Introdução – apresentação do assunto, objetivo, metodologia, limitações e


proposição.

b) Texto – exposição, explicação e demonstração do material: avaliação dos


resultados, de forma resumida.

c) Comentários e conclusões – dedução lógica, baseada e fundamentada no texto,


de forma resumida.

4. Parte referencial - Bibliografia e apêndices ou anexos (quando


houver).

d) Data (importante para salvaguardar a responsabilidade de quem escreve, face à


rápida evolução da ciência e da tecnologia, bem como a demora em certas editoras
na publicação de trabalhos.

1.1.1.1 CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO DE UM ARTIGO

a) conhecimento suficiente do assunto;

b) exatidão na exposição e referência fiel às fontes;

c) adaptabilidade aos interesses da comunidade acadêmica;

d) linguagem acessível ao médio público (clareza e atualidade são diferenciais);

e) divulgação e não vulgarização

Outros critérios importantes são: adequação, originalidade, ser inédito,


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completo, imparcial, claro, conciso, preciso, coerente, objetivo, equilibrado entre as


partes do artigo, unidade de idéia, honestidade e exatidão.

MODELO DE ARTIGO

“EVASÃO” ESCOLAR DE ALUNOS TRABALHADORES NA EJA


OLIVEIRA, Paula Cristina Silva de
Faculdade de Educação/UFMG
EITERER, Carmem Lúcia. (Orientadora)
Faculdade de Educação/UFMG

RESUMO: Este é um trabalho de pesquisa a partir de uma demanda vivida no PROEF-2 – Projeto de
Ensino Fundamental do Segundo Segmento, projeto de extensão que compõe o Programa de
Educação Básica de Jovens e Adultos da UFMG. Este estudo pretende investigar a “evasão” de alunos
trabalhadores na Educação de Jovens e Adultos (EJA), identificando suas possíveis causas e refletindo
sobre estratégias pedagógicas e sobre o próprio acontecimento que por vezes possui razões que vão
além do ambiente escolar. Ao final, pretendemos identificar as possíveis causas da “evasão” levantadas
pelas fontes, refutar, ou não, as hipóteses levantadas, e, por fim, discutir sobre o assunto, na busca de
estratégias que levam ao entendimento acerca da vida destes sujeitos, pois apenas o oferecimento da
oportunidade educacional pode não ser suficiente para a estadia e sucesso escolar destes alunos.

PALAVRAS-CHAVE: Evasão escolar. Aluno trabalhador. EJA.

1. Introdução

Esta pesquisa foi realizada com base na investigação de fontes que tratam
sobre a temática “evasão” escolar. Este é um trabalho de pesquisa em coordenação
pedagógica, a partir de uma demanda vivida em um projeto de extensão da
Universidade Federal de Minas Gerais, o PROEF-2 – Projeto de Ensino Fundamental
do 2° Segmento, que compõe o Programa de Educação Básica de Jovens e Adultos
da UFMG. Neste Projeto, alunos dos cursos de licenciatura atuam como professores
orientados por professores do Centro Pedagógico e/ou professores da Faculdade de
Educação.
A iniciativa de voltar este trabalho investigativo para a Educação de Jovens e
Adultos – EJA – deu-se por conta da íntima relação construída com este público.
Durante a permanência no PROEF-2, enquanto monitora da área de Pedagogia,
várias foram as ações pedagógicas desenvolvidas, bem como as questões e
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problematizações que permearam a prática educativa.


Dentre as atividades desenvolvidas, cabia a área de Pedagogia a aplicação de
questionários com vistas à elaboração do perfil dos alunos; a organização e o
planejamento de projetos inter e transdisciplinares e a participação no
desenvolvimento destes projetos; a participação em reuniões de turmas junto aos
monitores de cada área e em RCPE’s (Reflexões Coletivas sobre a Prática Educativa),
em que sempre eram discutidas situações-problemas enfrentadas no dia-a-dia; além
do atendimento individualizado dos alunos.
Uma das situações-problema com que convivemos e que me despertou a
atenção foi a “evasão” dos alunos. Questões como por que este aluno pára de
freqüentar as aulas, depois de ter tomado a iniciativa de voltar a estudar, e é tido
como: “evadido” incomodavam-me. Será a metodologia utilizada em sala de aula que
não condiz com o que o aluno esperava? Ou será a situação econômica, o local de
trabalho, que, de repente, tornou-se um empecilho para sua continuidade? Ou ainda,
a inexistência de apoio familiar? Tudo isso se traduz em dois eixos: fatores internos e
externos.
Tais indagações aguçaram-me o pensamento e, como educadora, gostaria de
refletir acerca do fenômeno chamado aqui de “evasão”. Ao fazer uma revisão
bibliográfica sobre o tema abordado, pudemos perceber que existe e persiste a
demanda de produção de conhecimento sobre a área temática – EJA –, pois, segundo
Arroyo (2006) o campo da EJA tem uma longa história, entretanto não é ainda um
campo consolidado nas áreas de pesquisa, de políticas públicas e diretrizes
educacionais, da formação de educadores e intervenções pedagógicas.
Nesta pesquisa o que se pretendeu foi, inicialmente, conhecer o perfil destes
sujeitos que se encontram num processo educativo que tem como um de seus
objetivos atender às suas especificidades, partindo do pressuposto de Arroyo:

Penso que a reconfiguração da EJA não pode começar por perguntar-nos


pelo seu lugar no sistema de educação e menos pelo seu lugar nas
modalidades de ensino. (...) O ponto de partida deverá ser perguntar-nos
quem são esses jovens e adultos (2006, p.22).

Levaremos em conta que os sujeitos desta modalidade de ensino


(especialmente os alunos trabalhadores), devido as mais variadas e diversas
situações vividas em seu cotidiano, às vezes se deparam com períodos de
interrupções nos estudos. Neste sentido, foram as razões destes períodos de
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interrupções dos estudos o objeto de estudo desta pesquisa: a chamada “evasão” de


jovens e adultos em um Projeto do 2º Segmento do Ensino Fundamental da UFMG.

Santos (2003) desenvolveu uma pesquisa com base na análise das narrativas
de quatro egressos do Projeto de Ensino Fundamental para Jovens e Adultos do
Segundo Segmento, localizado no Centro Pedagógico da UFMG evidenciando, dentre
outros fatores, aproximações e semelhanças de sujeitos que, embora únicos em sua
existência, compartilham de uma mesma realidade social. A autora fundamenta-se na
descrição destes sujeitos, e, dessa forma, tem nestas narrativas a principal fonte de
informações para o desenvolvimento de seu trabalho.
Sendo assim, temos em vista o que Santos (2003) afirma, para assumir e
manter a identidade de alunos esses sujeitos, tendo no trabalho e na família a
centralidade de suas vidas, acabam precisando arcar com custos objetivos e
subjetivos diversos, e, em muitos casos, bastante altos; o que pode se tornar um
empecilho na permanência dos estudos.
Dessa maneira, os objetivos deste artigo são apresentar o estudo realizado
sobre as possíveis causas da “evasão” em alunos jovens e adultos trabalhadores na
modalidade EJA, buscando estratégias, e refletindo acerca da vida destes sujeitos.

2. A “evasão” do aluno trabalhador

Campos (2003) desenvolveu sua pesquisa acerca da relação trabalho/


educação na EJA. A autora, ao trazer um breve histórico das políticas públicas
educacionais da EJA notou que o pouco que foi feito não permite que jovens e adultos
possam inserir-se e manter-se como trabalhadores-cidadãos em condições de
igualdade e competitividade no mercado de trabalho, além de não permitir a promoção
do acesso e permanência a uma educação básica, de qualidade.
A autora, ao tratar dos motivos da infreqüência dos alunos trabalhadores jovens
e adultos em um curso de alfabetização oferecido pelo PROEF-I (Projeto de Ensino
Fundamental – 1º Segmento) da UFMG assinala que em muitos desses
trabalhadores/alunos que buscam a (re) escolarização há uma contradição entre o seu
discurso e a realidade. Os alunos afirmam que estudar é importante, mas quando
estão matriculados em um programa de EJA, o que se verifica é uma significativa taxa
de infrequência.
Entretanto, cabe ressaltar que infrequência não está relacionada com o mesmo
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conceito de “evasão”. Para Campos (2003) a evasão escolar na EJA pode ser
registrada como um abandono por um tempo determinado ou não. Diversas razões
de ordem social e principalmente econômica concorrem para a “evasão” escolar
dentro da EJA, transpondo a sala de aula e indo além dos muros da escola.
Campos (2003) citando Fonseca (2002), afirma que os motivos para o
abandono escolar podem ser ilustrados quando o jovem e adulto deixam a escola para
trabalhar; quando as condições de acesso e segurança são precárias; os horários são
incompatíveis com as responsabilidades que se viram obrigados a assumir; evadem
por motivo de vaga, de falta de professor, da falta de material didático; e também
abandonam a escola por considerarem que a formação que recebem não se dá de
forma significativa para eles.
Dessa forma, a autora que desenvolveu sua dissertação também no Programa
de Educação Básica de Jovens e Adultos da UFMG, observa que para se entender
melhor a especificidade da EJA, se faz necessário o conhecimento do fenômeno da
infrequência como uma variável que pode ocasionar a inviabilidade dos cursos e
programas para este público, bem como os motivos que levam estes jovens e adultos
a serem infreqüentes. Faz-se importante, também, identificar e levar em consideração
em que medida as expectativas trazidas por estes alunos vão ao encontro do
compromisso de se manterem freqüentes.
Santos M. A. (2007) fez um estudo sobre a permanência de jovens e adultos
no ambiente escolar. Ela afirma que é importante pensar o trabalho pedagógico da
EJA de forma que o educando participe do desenvolvimento da sociedade. Sendo
assim, nós, enquanto educadores, temos a responsabilidade de criarmos uma
dinâmica metodológica que atinja o interesse do educando, de maneira que a escola
recupere seu objetivo social e supere o fracasso escolar, a repetência e a “evasão”.
A autora ainda considera que diversos são os fatores que interferem no cenário
escolar em forma de repetência e “evasão”, uma vez que ainda não há compreensão
de que a função da escola não é somente ensinar ler e escrever. A mesma autora
chama atenção para o fato de que o aluno de EJA é um aluno diferente, um pouco
inseguro e, são as diversas derrotas vividas ao longo de um processo escolar, muitas
vezes já iniciada no ensino regular, que irão abalar sua auto-estima. Para a autora,
qualquer decepção, por mínima que seja sofrida na escola faz com que este sujeito
abandone o ambiente escolar.
Santos, M. A. (2007) ainda traz dados sobre os fatores que causam evasão no
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Distrito Federal: a distância da escola; o cansaço do alfabetizando que trabalha o dia


inteiro; a inadequação da sala de aula para jovens e adultos/ idoso, que muitas vezes
não tem iluminação adequada; a ausência de um lanche a ser distribuído ao aluno
que vem direto do trabalho para a escola; e o despreparo do corpo docente para
trabalhar com a especificidade da EJA, pois, muitas vezes o professor não valoriza a
experiência de vida que este aluno já traz consigo, como trabalhador, como adulto
inserido num processo de produção.

3. A especificidade da educação de jovens e adultos trabalhadores

Santos (2001) chama atenção de que durante os “percalços e interrupções nos


estudos” dos alunos de EJA a exclusão precoce da escola ocorre também na
escolarização tardia, resultado da baixa escolaridade, que acarreta constrangimentos
sociais diversos. A autora trabalha na perspectiva de que por mais que seja importante
ampliar a compreensão da exclusão e da reinserção, enquanto fenômenos do sistema
educacional brasileiro, não se pode deixar de considerar que tais fenômenos
constituem experiências que sujeitos específicos vivenciam em momentos
determinados de suas vidas.
Sendo assim, após analisarmos todos os fatores internos e externos citados
pelos autores e ao analisarmos o contexto no qual a Educação de Jovens e Adultos
está inserida, havemos de tomar o devido cuidado para não cairmos na perspectiva
que Arroyo assinala a seguir:
[...] os jovens e adultos continuam vistos na ótica das carências escolares:
não tiveram acesso, na infância e na adolescência, ao ensino fundamental,
ou dele foram excluídos ou dele se evadiram; logo propiciemos uma segunda
oportunidade (ARROYO, 2006, p.23).

Dessa maneira, muitas vezes o sistema escolar continua a ser pensado em


uma lógica e estrutura interna que nem sempre tem facilidade de se abrir para a
pluralidade de indicadores que vem da sociedade e dos próprios alunos jovens e
adultos. Assim, concordamos com a perspectiva de Arroyo (2006), quando o autor
afirma que a juventude e a vida adulta trazem consigo um tempo de marcas de
socialização e de sociabilidade, de formação e intervenção. Dessa forma, esses
“tempos de vida” do jovem e do adulto, assinalados pelo autor, devem ser tratados
como “tempo de direito” que culmina na urgência de se elaborar e implementar
políticas públicas dirigidas à garantia da pluralidade de seus direitos e ao
reconhecimento de seu protagonismo na sociedade.
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Referências:

ARROYO, M. Educação de Jovens e Adultos: um campo de direitos e de


responsabilidade pública. In: GIOVANETTI, Maria Amélia, GOMES, Nilma Lino e
SOARES, Leôncio (Orgs.). Diálogos na Educação de Jovens e Adultos. Belo
Horizonte, MG: Autêntica, 2006, p.19-50.

CAMPOS, E. L. F.; OLIVEIRA D. A. A Infrequência dos alunos adultos trabalhadores,


em processo de alfabetização, na Universidade Federal de Minas Gerais. 2003.
Dissertação (Mestrado em Educação) – Faculdade de Educação, Universidade
Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2003.

SANTOS, G. L. Quando adultos voltam para a escola: o delicado equilíbrio para obter
êxito na tentativa de elevação da escolaridade. In: SOARES, Leôncio (Org.).
Aprendendo com a diferença – estudos e pesquisas em educação de jovens e adultos.
Belo Horizonte, MG: Autêntica, 2003, p.11-38.

SANTOS, G. L.; SOARES, L. J. G. Educação ainda que tardia a exclusão da escola e


a reinserção em um programa de educação de jovens e adultos entre adultos das
camadas populares. 2001. Dissertação (Mestrado em Educação) – Faculdade de
Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2001.

SANTOS, M. A. M. T., A produção do sucesso na educação de jovens e adultos: o


caso de uma escola pública em Brazilândia. 2007. Dissertação (Mestrado em
Educação) – Faculdade de Educação, Universidade de Brasília, Brasília, 2007.

ANOTAÇÕES:
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2 PLANEJAMNETO E EXECUÇÃO DE PESQUISA

Segundo de Sá e cols (2001: p.22), “a elaboração de um trabalho técnico,


científico ou cultural pressupõe a existência de uma idéia, de uma intenção ou de uma
necessidade, e sua execução depende de planejamento e método”. Nesse percurso,
tem-se a necessidade de elaboração do chamado projeto de pesquisa, aqui entendido
como “uma seqüência de etapas estabelecida pelo pesquisador, que direciona a
metodologia aplicada no desenvolvimento da pesquisa”. (FACHIN, 2003: p. 105).

Segundo Fachin (2003), um projeto de pesquisa é composto pelas seguintes


etapas:

ASSUNTO (TEMA e TÍTULO)

FORMULAÇÃO DO PROBLEMA (DELIMITAÇÃO DO PROBLEMA)

OBJETIVOS (GERAL E ESPECÍFICOS)

JUSTIFICATIVA

HIPÓTESES (E VARIÁVEIS)

METODOLOGIA (PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS)

DEFINIÇÕES DE CONCEITOS

DELIMITAÇÃO DO UNIVERSO (POPULAÇÃO/UNIVERSOE


AMOSTRA)

PRESSUPOSTOS (REALIZAÇÃO DO ESTUDO)

ANEXOS (CRONOGRAMA, ORÇAMENTO, TERMO DE


CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO...)

REFERÊNCIAS
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2.1 ASSUNTO

Segundo de Sá e cols (2001: p.23) “a escolha de assunto a ser desenvolvido é


tarefa complexa que exige reflexão. É preciso seleção cuidadosa que evite problemas
após o início da pesquisa”. A referida autora sugere então alguns parâmetros para
nortear a escolha do objeto de estudo:

a) Definição precisa do tema e relevância;

b) Compreensão clara do mesmo;

c) Familiaridade ou afinidade intelectual com a matéria escolhida;

d) Existência ou não de informação sobre o assunto;

e) Possibilidades concretas de desenvolvimento do estudo.

Há, nesse sentido, alguns passos que podem ajudar bastante nesse processo
de clareamento de idéias, como: uso da biblioteca; pesquisa em artigos publicados
em sites acadêmicos, revistas e periódicos; seleção de fontes, compilação de dados,
etc. Posteriormente a este momento de investigação, de pesquisa exploratória, faz-se
uma leitura mais minuciosa do material selecionado, utilizando-se a técnica de
fichamento. Um a vez, tendo concluído esta etapa, tem-se assim um material estudado
suficiente para subsidiar a etapa seguinte.

2.2 PROBLEMA

Fachin (2003) entende como problema uma questão sem solução, objeto de
discussão e de muito estudo. É um fato, algo significativo que, a princípio, não possui
respostas explicativas, pois a solução, a resposta ou a explicação será dada por
intermédio do desenvolvimento da pesquisa. O problema pode também surgir de uma
curiosidade e, em geral, apresenta-se em forma de pesquisa. No entanto, para
delimitar o problema, a referida autora recomenda que “parece melhor conceber por
inteiro o campo de investigação que interessa. Esse campo deve ser imediatamente
dividido nos seus problemas componentes e apenas um deve ser selecionado para
estudo” (p. 112).
16

2.3 OBJETIVOS

O objetivo é um fim a que o trabalho se propõe atingir. É o resultado que se


pretende em função da pesquisa. De acordo com a abrangência dos objetivos, podem
ser gerais ou específicos. No primeiro caso, indicam uma ação muito ampla do
problema e, no segundo, procuram descrever ações pormenorizadas, aspectos
detalhados das raízes que se supõe merecerem uma verificação científica.

São exemplos de objetivos gerais: refletir, compreender, estudar, conhecer,


analisar, etc. Por sua vez, exemplificam objetivos específicos: identificar, descrever,
verificar, discutir, investigar, comparar, propor, implantar, medir, estabelecer, etc.
Observem que o verbo deve vir no infinito OBRIGATORIAMENTE.

2.4 JUSTIFICATIVA

Na justificativa, faz-se uma narração sucinta, porém completa, dos aspectos de


ordem teórica e prática necessários para a realização da pesquisa. A justificativa
destaca a importância do tema abordado, levando-se em consideração o estágio atual
da ciência, as suas divergências ou a contribuição que se pretende proporcionar ao
pesquisar o problema abordado. Ela envolve aspectos de ordem teórica, quando se
faz uma reflexão crítica, e aspectos de ordem pessoal, que englobam o interesse e a
finalidade da pesquisa. É uma fase que leva o pesquisador a repensar a escolha do
assunto e a razão de sua escolha (FACHIN, 2003: p. 114).

2.5 CONSTRUÇÃO DAS HIPÓTESES E INDICAÇÃO DAS VARIÁVEIS

A formulação das hipóteses deve ser expressa de forma simples e


compreensiva, passível de verificação ou de experimentação. Seu enunciado deve
estar correlacionado com as variáveis independentes (fator conhecido, a causa do
problema), as variáveis dependentes (efeito, o que se quer medir, provar) e as
variáveis intervenientes (fator oculto na hipótese, ou seja, variáveis que não aparecem
na formulação da hipótese, porém, poderão valorizar, modificar ou eliminar a relação
entre as variáveis independentes e dependentes). As variáveis são passíveis de
mudanças, ao longo do estudo.

2.6 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

É a etapa da adequação metodológica conforme as características da pesquisa


17

a ser realizada. A pesquisa bibliográfica é o primeiro passo de qualquer tipo de


trabalho científico. Pode ser desenvolvida independentemente ou com outras
modalidades de pesquisas, como a de campo, de laboratório e documental.

No caso da execução de uma pesquisa de campo, deve-se fazer uma descrição


da população a ser pesquisada e a maneira de realizar a amostragem. Deve-se
indicar, também, o instrumento de pesquisa (como questionário, formulário,
entrevista), e como ele será aplicado na coleta de dados. E, ainda, como será
conduzido o registro das informações a serem coletados.

Em procedimentos metodológicos, deve-se explicar os métodos que serão


empregados (comparativo, histórico, estatístico etc). Se a pesquisa for trabalhada com
o método estatístico, será necessário explicar também o tipo de amostragem. É
oportuno mencionar que nem todos os projetos seguem essas mesmas orientações
metodológicas, uma vez que tal fato depende do objeto de cada pesquisa.

A delimitação do universo envolve o aspecto do tempo e do espaço e torna-se


mais evidente a partir da escolha do tema. No momento da elaboração do projeto, é
necessário reunir informações mais precisas sobre a delimitação do universo de
pesquisa, descrevê-lo em suas grandes linhas e decidir se a pesquisa se fará sobre o
universo todo ou sobre uma amostra dele. Nesse caso, as informações sobre o
universo deverão permitir a estratificação para a escolha da amostra representativa
ou significativa.

2.7 ORDEM DE MONTAGEM DE UM TRABALHO

Segundo a NBR 14.724/05 apud Iskandar (2009), são elementos de um


trabalho científico:

Elementos pré-textuais

Capa (obrigatório) – na capa, imprimem-se as formulações indispensáveis à


sua identificação, na seguinte ordem:
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. Nome da instituição e do curso;

. Nome do autor do trabalho;

. Título e subtítulo (quando houver, precedido de dois pontos);

. Número de volume (se houver mais de um volume);

. Local (cidade) da instituição onde o trabalho deve ser apresentado;

. Ano de entrega do trabalho.

Folha de rosto (obrigatório) – deve conter os elementos essenciais à


identificação do trabalho. Imprimem-se nela as seguintes informações:

. Nome do autor do trabalho;

. Título e subtítulo (quando houver, precedido de dois pontos);

. Número de volume (se houver mais de um volume);

. Natureza (tese, dissertação ou outros trabalhos) e objetivo


(aprovação em disciplinas, grau pretendido e outros fins); nome da instituição a
que é submetido; área de concentração;

. Nome do orientador e, se houver, coorientador;

. Ano de entrega do trabalho.

Errata (opcional) – é uma lista das folhas e linhas em que ocorrem erros,
seguida das devidas correções, da seguinte forma:

ERRATA

Folha Linha Onde se lê Leia-se

20 5 aprobado aprovado

Folha de avaliação (obrigatória em teses, dissertações e outros trabalhos que


exijam) – deve conter o nome do autor do trabalho, título por extenso e subtítulo,
quando houver, local e data de aprovação, nome, assinatura e instituição dos
membros da banca examinadora.
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Dedicatória (opcional) – aqui o autor do trabalho presta homenagem ou dedica


seu trabalho a alguém.

Agradecimentos (opcional) – os agradecimentos são destinados àqueles que


contribuíram de maneira relevante à elaboração do trabalho.

Epígrafe (opcional) – é um pensamento pertinente ao tema. É colocado na


abertura do trabalho.

Resumo na língua vernácula (obrigatório em alguns trabalhos) – é


apresentação concisa dos pontos relevantes de um trabalho. O resumo deve
apresentar uma visão rápida e clara do conteúdo e das conclusões do trabalho.
Constitui-se em uma seqüência de frases concisas e objetivas, e não, de uma simples
enumeração de tópicos. Não deve ultrapassar 500 palavras. Logo abaixo do resumo,
colocam-se as palavras-chaves.

Resumo em língua estrangeira (obrigatório em alguns trabalhos) – é uma


versão do resumo em idioma de divulgação internacional. No caso do Brasil,
geralmente se utiliza o Inglês, o Espanhol ou o Francês.

Sumário (obrigatório, maiúsculo, centralizado, negrito, tamanho 14) – consiste


na enumeração das principais divisões, seções e outras partes do trabalho, na mesma
ordem e grafia em que a matéria nele se sucede, acompanhado do respectivo número
da página. Se houver mais de um volume, deve constar em cada volume o sumário
completo do trabalho.

Lista de tabelas, figuras, anexos etc. (opcional) – deve ser elaborada de


acordo com a ordem apresentada no texto, com cada item acompanhado do
respectivo número da página. Recomenda-se a elaboração de lista própria para cada
tipo de ilustração (lâminas, fotografias, plantas, organogramas etc.).

Elementos textuais (maiúsculo, negrito, centralizado, tamanho 14):

. Introdução

. Desenvolvimento (apresenta-se por seções ou capítulos)

. Conclusão
20

Elementos pós-textuais (negrito):

. Referências (obrigatório, maiúsculo e centralizado);

. Glossário (opcional);

. Anexos (opcional);

. Índice (s) (opcional).

Elementos que devem aparecer centralizados na folha:

. Introdução;

. Listas;

. Desenvolvimento (os principais capítulos e seções);

. Conclusão/recomendação;

. Referências.

OBS. Os elementos acima mencionados devem figurar em folhas separadas. Isto


significa, por exemplo, que, se a introdução ocupar quatro páginas e meia, o item
seguinte deve ser iniciado numa nova folha.

Espaços a utilizar num trabalho

Espaço de entrelinhas no texto, de acordo com a NBR 14.724/05:

.O texto de um trabalho deve ser digitado com espaço 1,5 de entrelinhas;

. Espaço entre título e o início do texto: 1,5;

. Espaço entre texto e citação com mais de três linhas: 2 espaços 1,5 para iniciar
a citação e o mesmo espaço para reiniciar o texto;

. Espaço entre um parágrafo e outro, sem texto: 1 espaço

1,5; A divisão silábica deve ser feita somente com hífen.

OBS. Nas referências, utilizar espaço simples de entrelinhas na mesma


referência e espaço duplo entre uma referência e outra.
21

Exemplo:

KUHN, Thomas S. A estrutura das revoluções científicas. 2. ed.


São Paulo: Perspectiva, 1987, 257 p.
REALE, Giovani; ANTISERI, Dario. História da filosofia. 2. ed. São
Paulo: Paulinas, 1990, 3 v.

Para digitação: utilizar Times New Roman (mais utilizada) ou Arial, tamanho 12.

A seguir, temos um exemplo da cada uma dessas partes do trabalho.

ANOTAÇÕES:

2.8 A REDAÇÃO DO TRABALHO

Segundo Amaral (2004), ao decidir escrever, pergunte-se:


a) Para quem escrevo? (o público específico ou o leitor);
b) O que escrevo? (tipo do texto, a forma expositiva a dar ao trabalho, as
informações necessárias para situar o leitor: um projeto, um texto, um ensaio
têm objetivos definidos e distintos). Para responder a essas duas questões põe-
se uma exigência básica: ser claro. Disto decorre a terceira questão.
c) Como escrevo?

2.8.1 As partes lógicas do texto

A produção acadêmica resulta na elaboração de um texto composto de três


partes que estão articuladas entre si e constituem a estrutura lógica do trabalho:
introdução, desenvolvimento e conclusão.
Introdução
Na introdução cabe apresentar o problema que se vai analisar; os objetivos do
estudo; a metodologia empregada; a teoria que serviu de referência para a pesquisa;
22

o estágio de desenvolvimento do tema e a importância da pesquisa realizada.


Na opinião de Ruiz (1988, apud Amaral, 2004, p. 43):

[...] a introdução deve ser bem cuidada. Embora pareça no início do trabalho,
é a última parte a ser definitivamente redigida. Tem como características
principais a brevidade, a segurança e a modéstia, isto é, deve acenar para o
histórico da questão, sem reconstituí-lo; deve referir-se às partes do corpo do
trabalho a largos traços, sem maiores desenvolvimentos; deve, ainda,
despertar confiança com relação à seriedade e à validade da pesquisa, sem
prometer muito e sem adiantar conclusões. Lembre-se, ainda, o aluno de que
o examinador colhe a primeira imagem de seu trabalho através da leitura da
introdução. E bom artista se conhece logo pela entrada em cena.

Desenvolvimento
O desenvolvimento é a parte mais extensa do trabalho. Tem por objetivo
demonstrar a idéia principal, analisando-a, ressaltando os aspectos mais importantes,
apresentando a comprovação ou a negação das hipóteses da pesquisa de acordo
com os dados e a documentação levantados.
Esta parte do trabalho pode ter algumas divisões como: capítulos, itens,
subitens, ficando a critério do autor e dependendo da complexidade e da natureza do
estudo. Não existe norma de divisão que seja válida para todos os trabalhos.
Segundo Ruiz (1988: p. 75 apud Amaral, 2004, p. 44),

os títulos das partes, dos capítulos e de cada item devem exprimir clara, direta
e precisamente a idéia principal neles contidas. E todas as partes devem estar
articuladas logicamente, a partir da idéia principal que gera a visão
harmoniosa e equilibrada do todo.

Conclusão
A conclusão é o ponto para o qual converge todo o processo da análise do tema
em estudo. Tem por finalidade

reafirmar sinteticamente a idéia principal e os pormenores mais importantes


já colocados em plena luz no corpo do texto; retomar o argumento decisivo
em seus delineamentos fundamentais, sem maiores análises ou comentários;
ressaltar o alcance e as conseqüências dos esclarecimentos prestados pela
pesquisa e o possível mérito de seus ‘achados’, com indicações e aberturas
para novas pesquisas (RUIZ, 1988, p. 75 apud AMARAL, 2004, 44).

2.8.2 Regras gerais para redação, segundo Amaral (2004)

. Evite períodos longos. Não receie repetir o sujeito na oração seguinte. Elimine
o excesso de pronomes e de orações subordinadas (muitas intercaladas prejudicam
a clareza do texto). Evite: dela, a mesma, cujo, onde;
23

. Evite escrever como um futurista. Inovações para assumir papel de


vanguarda, onde não se respeitam as regras do discurso crítico. Cada auditório requer
estilo discursivo particular: “quando Marx queria falar com os operários não escrevia
como um operário de seu tempo, mas como um filósofo. Quando depois escreveu com
Engels o Manifesto de 1848, utilizou um estilo jornalístico, de períodos curtos,
muitíssimo eficaz e provocatório. Mas não é o estilo do Capital que se dirige aos
economistas e políticos” (ECO, 1988, p.160 apud AMARAL, 2004, p.45).
. Faça parágrafo com freqüência. Quando for necessário, quando a pausa do
texto exigir, mas quanto mais vezes melhor, embora parágrafos curtos cansem a
leitura.
. Escreva tudo que passar pela cabeça, mas só no rascunho. Em seguida,
elimine os excessos, as divagações. Ponha as informações a serem acrescidas ao
texto em notas ou apêndice.
. Verifique se outra pessoa compreende o que escreveu. Submeta o texto à
crítica.
. Não teime em começar a escrever no primeiro capítulo, ou na introdução do
texto. Inicie pelo que está mais documentado. Os capítulos anteriores ganharão
confiança.
. Evite reticências (só quando em citação quando se subtrai parte do texto do
autor) ou ponto de exclamação, não explique as ironias. Os textos científicos
deveriam, preferencialmente, ser escritos em uma linguagem referencial (usar os
nomes comuns das coisas, evitando equívocos). Mas nada impede que se recorra às
metáforas, à ironia, ou litotes (modo de afirmação pela negação do contrário. Ex.: “não
é nada correto” por “é incorreto”). Ao se usar figuras de retórica presume-se que o
leitor está em condições de entendê- las, por isso não é necessário explicá-las. As
reticências só se utilizam no corpo de uma citação para assinalar os trechos que foram
omitidos, quando muito no final de um período para indicar que uma enumeração não
terminou.
. Defina sempre um termo quando introduzi-lo pela primeira vez. Se não sabe
defini-lo, dispense-o. Se for um dos termos principais do trabalho que está elaborando
e não conseguir defini-lo, refaça tudo.
. Quando se escreve sobre um pensador, a obra de um autor, ou escritor deve-
se fornecer os dados biográficos necessários (se for um autor desconhecido, pôr a
biografia em nota de rodapé), mesmo que seja em nota, de forma condensada. “Nem
24

todo leitor por mais especializado que seja, sabe de memória a data do nascimento
de Eliot” (ECO, 1988: p.164).
. Eu ou nós? Diz-se “nós” (sempre), porque se presume que o que se afirma
possa ser partilhado pelos leitores. “Escrever é um ato social: escrevo para que tu que
lês aceite aquilo que te proponho” (ibidem: p. 164) – Princípios da intencionalidade e
da aceitabilidade do texto. Pode-se, também, evitar pronomes pessoais e usar
expressões como: “é possível dizer que”, “vê-se que”, “conclui-se daí que”, “o artigo
citado”.
. Não use artigo antes do nome próprio (“o Marx”, “a Gramsci”, “o Weber”).
. Não aportuguese os nomes próprios estrangeiros (“Jean Paul Sartre” e não
“João Paulo Sartre”). Só se deve aportuguesar os sobrenomes estrangeiros em caso
de tradição consagrada (Lutero, Confúcio, Tomás de Aquino).

2.8.3 Os componentes linguísticos da argumentação

Expor um pensamento ou uma idéia significa organizar um texto de tal maneira


que o conteúdo possa ser compreendido pelo leitor, que as afirmações sejam
expostas com elementos suficientes para serem aceitas ou contestadas. Para isto, o
escritor recorre a técnicas de argumentação. Segundo Borel (1972, apud Vigner,
1988: p.112), “uma das características da argumentação é a de

justificar uma ou várias afirmações. Neste sentido, pode pressupor a existência de


mecanismos que encadeiam as proposições com a finalidade de sustentar
nacionalmente algumas delas”.
Vejamos algumas indicações de organização forma da exposição do conteúdo
de um texto, segundo Vigner (1988 apud Amaral, 2004, p.47).
Fórmulas introdutórias:
. Comecemos por
. A primeira observação recai sobre
. Inicialmente, é preciso lembrar que
. A primeira observação importante a ser feita é
As transições
. Passemos então a discutir sobre a questão
. Voltemos então a
25

. Mais tarde voltaremos a


. Antes de passar a... é preciso observar que...
. Sublinhado isto
As fórmulas conclusivas
. Logo (evitar usar “portanto” e “logo” no início do texto)
. Conseqüentemente
. É por isso que
. Afinal
. Em suma
. Pode concluir afirmando que
A enumeração
. Em primeiro lugar (segundo, etc.)
Lugar

E por último (só se enumerou antes)


. E em último lugar
. Inicialmente
. E em seguida, além do mais, além disso, além do que, aliás
. Enfim
. Se acrescentarmos por fim
. A / / se acrescenta por “outro lado’ se tiver dito “de um lado”
As fórmulas concessivas
. É certo que
. É verdade que
. Evidente, seguramente, naturalmente
. Incontestavelmente
. Sem dúvida alguma
. Pode ser que
A expressão da reserva
. Todavia
. No entanto, entretanto
. Mas, porém
. Contudo
As fórmulas de insistência
26

. Não apenas... mas


. Mesmo
. Com muito mais razão
. Tanto mais que
A inserção de um exemplo
. Consideremos o caso de
. Tal é o caso de
. Este caso apenas ilustra
. O exemplo de... confirma

2.8.4 As regras para citação


Citações são os textos transcritos com a máxima fidelidade durante a pesquisa
bibliográfica que se prestam a apoiar os argumentos do pesquisador em torno das
hipóteses da pesquisa.

Tipos de citação
a) Cita-se um texto sobre o qual depois nos debruçamos interpretativamente.
b) Cita-se um texto para apoiar nossa interpretação.
Regras para citações
a) Os trechos a serem interpretados são citados com uma extensão razoável. Não
se deve ultrapassar a meia página; caso seja necessário é melhor transcrevê-lo
por inteiro no apêndice.

b) Os textos da literatura crítica só são citados quando, com sua autoridade,


corrobora ou confirmam uma afirmação do pesquisador. Trata-se do argumento
por autoridade.
c) A citação pressupõe se partilha a idéia do autor citado, a menos que o trecho
seja precedido e seguido de expressões críticas.
d) De todas as citações devem ser claramente reconhecíveis o autor e a fonte
impressa ou manuscrita. Adote uma dessas formas:
. Chamada e referências em notas;
. Nome do autor e data de publicação entre parêntese, após a citação;
. Um simples parêntese que refere o número da página, quando todo o capítulo
ou toda a tese versão sobre uma única obra do mesmo autor.
27

e) Quando uma citação não ultrapassa duas ou três linhas pode inserir-se no corpo
do parágrafo, entre aspas. Quando a citação é mais longa, é melhor deslocá-la
do parágrafo, com menos espaços entre as linhas; nesse caso não são
necessárias as aspas.
f) As citações devem ser fiéis. Não se deve eliminar parte do texto sem que isto
seja sinalizado: põe-se reticência entre colchetes no lugar do texto eliminado –
[...]. Não se deve qualquer comentário ou interpolações, se necessário devem
aparecer dentro dos parênteses. Os sublinhados que não são do autor devem
ser assinalados (“grifo nosso” ou “sublinhado nosso”). Se o autor citado incorre
em algum tipo de erro, deve-se respeitá-lo, mas assinalá-lo, dessa forma: [sic].
g) As referências devem ser exatas e precisas para que possam ser encontradas e
testemunharem que são dignas de crédito.
h) Atenção a distinção entre citação, paráfrase e plágio. Certifique-se que os
trechos que copia são paráfrases e não citações sem aspas, o que corresponde
ao plágio. Sobre ABNT ver Iskandar (2009).

As notas de rodapé1
Servem para:
a) Indicar as fontes de citações;
b) Acrescentar a um assunto discutido no texto outras indicações bibliográficas de
reforço;
c) Fazer referências externas (“cf.”), aquelas que remetem a outros textos, e
referências internas, que remetem ao próprio texto (“como tratamos no capítulo
2, p. 59 desse livro”);
d) Introduzir uma citação de reforço que no texto quebraria o ritmo da leitura;
e) Ampliar as informações que se fizeram no texto. São notas de conteúdo,
informações adicionais. Exemplo; “Netto (op. cit., p. 123) considera que a
direção social estratégica não pode contentar-se coma as demandas do
mercado de trabalho, devem estar conectadas com as transformações
societárias macroscópicas”;
f) Fornecer a tradução de uma citação em língua estrangeira.

1
Para por uma nota de rodapé, põe-se o cursor ao lado da palavra que se quer acrescentar uma nota,
e digita-se control-alt-f, em seguida aparece uma linha na margem inferior da página e o número
correspondente à nota. Digita-se então a nota em tamanho 10, entrelinha simples.
28

3 APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS DE PESQUISA

3.1 RELATÓRIO DE PESQUISA Estrutura do

relatório Preliminares

1. Folha de rosto

2. Sumário

3. Agradecimentos

Texto

3.1.1 Introdução

a) Caracterização da organização (local de realização de


estágio) e do ambiente;

b) Formulação do problema ou oportunidade: dados e/ou


informações que dimensionam a problemática; limites definidos
para tratar o problema (forma sucinta);

c) Objetivos: geral (define o propósito


da pesquisa; específicos (operacionalizam o
objetivo geral);

d) Justificativa: oportunidade do projeto, viabilidade do projeto; sua importância;

e) Comentários, justificando alterações nos itens acima, em relação ao projeto.

3.1.2 Revisão de literatura

Implica:

a) Levantar conceitos teóricos, métodos e instrumentos de análise;

b) Rever trabalhos ou aplicações semelhantes em outros contextos;

c) Descrever, comparar, criticar a literatura sobre o tema.


29

3.1.3 Metodologia

Relata o método que foi utilizado para a coleta e análise de dados.

a) Plano ou delineamento da pesquisa;

b) Definição da área ou ‘população-alvo’ do estudo;

c) Plano de amostragem (quando for aplicável);

d) Instrumentos de coleta de dados;

e) Cronograma desenvolvimento e comentários sobre o processo de coleta de


dados. Inclui relato de qualquer desvio em relação ao projeto original, tendo em
vista dificuldades de acesso aos dados ou tempo para concluir o planejado.

3.1.4 Análise

Trata da apresentação dos resultados.

a) Descrição dos dados coletados (situação atual ou sistema existente);

b) Análise (identificação da problemática existente, com base


na análise dos dados);

c) Pode envolver comparação dos resultados com outros projetos ou


situações;

d) Normalmente, envolve o uso de tabelas e gráficos ou, ainda, de estatística;

e) Os resultados são analisados à luz de modelos teóricos


(revisão de literatura).

3.1.5 Conclusões, propostas e sugestões

Dependendo do tipo de projeto desenvolvido, o conteúdo do capítulo poderá


tratar de:

a) Resumo e conclusões de uma pesquisa;

b) Apresentação de um plano/programa;

c) Sugestões para melhoria de um plano/programa;


30

d) Sugestões para implementação de um plano/programa

Anexos

Referências

3.2 ESTRUTURA DA MONOGRAFIA

Segundo Severino (2000 apud Amaral, 2004: p.77), uma monografia que se
elabora como Trabalho de Conclusão de Curso, dissertação ou tese é constituída
pelas seguintes partes:

Capa
Página de rosto
Página de dedicatória
Página de aprovação (quando se trata de trabalhos finais que se submeterão a uma
banca examinadora)

Sumário
Lista de tabelas e/ou figuras

Resumo
Corpo do trabalho: introdução - desenvolvimento – conclusão
Apêndices
Anexos
Referências
Contracapa (folha em branco ao final do trabalho)

3.2.1 Introdução

Para Amaral (2004, p.77),

nesta parte, devem constar os antecedentes da questão em estudo, o debate


atual e as controvérsias. Referem-se à delimitação do tema e aos objetivos
do trabalho; indicam a importância e a relevância do estudo, expõem-se as
hipóteses; discorre-se sobre o conteúdo dos capítulos que formam o todo da
monografia.
31

3.2.2 Desenvolvimento

É o núcleo do trabalho monográfico e pode ser organizado em capítulos, itens e


subitens. Nesta parte expõe-se a fundamentação do problema. Tem por objetivo descrever as
idéias, as posições dos autores consultados, os conceitos e a teoria que embasou a
discussão. Demonstram-se, interpretam-se e expõem-se os resultados da pesquisa
(AMARAL, 2004).

3.2.3 Conclusão

Segundo Amaral (2004, p.78), nesta seção apresenta-se um resumo da


argumentação em torno das idéias desenvolvidas ao longo do trabalho; sintetizam-se
os principais resultados do estudo realizado e aponta-se para possíveis futuros
estudos.

3.2.4 Apresentação gráfica da monografia

As orientações seguintes servem, segundo Amaral (2004), para a parte do


corpo do trabalho monográfico texto (introdução, desenvolvimento e conclusão). As
referências têm orientações especiais (ver ISKANDAR, 2009).

. Papel a ser utilizado: A4 (21 cm x 29,7 cm)

. Tipo de letra recomendado: Arial ou Times New Roman

. Tamanho da letra: 12 (o texto adentrado deve ter tamanho 10, com


espaçamento entre linhas simples e recuo de 1,5 cm)

. Espaçamento entre linhas: 1,5 (exceto se o texto estiver adentrado)

. Margens das páginas

a) Superior: 3 cm;

b) Inferior: 2 cm;

c) Esquerda: 2 cm;

d) Direita: 2 cm.

. Espaçamento em relação aos títulos dos capítulos, itens e subitens:

Iniciam-se os capítulos novos em folhas novas. O título do capítulo entra ao alto


32

da folha, antecedido pelo número; todas as letras em maiúscula. Após o título deixa-
se o especo correspondente a duas linhas em branco; põe-se então o título do item e
subitem.

3.2.5 PONTOS PARA AVALIAÇÃO DE UMA MONOGRAFIA2

Quanto à apresentação

1. A folha de rosto está completa?

2. O título descreve de forma concisa os conteúdos do


trabalho monográfico?

3. O uso de títulos está consistente na monografia? Os subtítulos são concisos?

4. Os termos técnicos, símbolos ou abreviações estão suficientemente explicados?

5. Há consistência na ortografia e no uso de letras maiúsculas, hífens e aspas?

6. Todas as referências bibliográficas estão precisas, principalmente na ortografia


dos nomes? As datas da lista de referências estão de acordo com o texto?

7. Confira o sumário

8. O propósito e o âmbito do trabalho monográfico estão claros na introdução?

9. Todas as páginas estão numeradas na ordem correta?

10.O trabalho está equilibrado quanto ao tamanho dos capítulos e volume de


anexos?

2
Roteiro criado por Amaral (2004) com base em Roeschi (1999).
33

Quanto à redação científica

11. Cada frase é necessária? Há repetições?

12. O sentido de cada frase poderia ser mais bem expresso? Há palavras
desnecessárias?

13. Cada frase é fácil de ser lida? Ela soa bem quando lida em voz alta? A ênfase
está bem determinada?

14. Todos os parágrafos são relevantes, necessários e estão no lugar apropriado?


A conexão entre os parágrafos está clara? Tudo o que era irrelevante foi
retirado? O tópico está claramente indicado? Tudo que está no parágrafo é
relevante para o tópico?

15. Todos os argumentos estão adequadamente desenvolvidos e conduzem


diretamente a uma conclusão lógica; tudo o que é original está suficientemente
enfatizado?

16.O trabalho monográfico se ajusta aos requisitos da escrita científica? Cada


informação está precisa, baseada em evidência suficiente, livre de contradições
e erros de omissão? Existem palavras tais como algum ou qualquer que possam
ser substituídas por números?

17.Existe algum ponto importante que deva se mais claramente expresso ou que
deva ser destacado em uma ilustração? Alguma ilustração deve ser substituída
por um texto?

18.O objetivo do trabalho foi atingido, e o trabalho manteve-se dentro do âmbito


proposto?

19.Alguma informação essencial ficou fora? As conclusões estão expressas de


forma clara?

Em anexo, demonstramos os elementos que compõem um trabalho acadêmico,


como referência.
34

ANOTAÇÕES:
35

REFERÊNCIAS

AMARAL, Mª Virgínia Borges. Apostila da Disciplina Metodologia da pesquisa. Curso


Formação para docência do ensino superior. Maceió/AL: CESMAC, 2004. Não
Publicado.

ASSUNÇÃO, Luiz Márcio. Metodologia do trabalho científico. Apostila de aula. Recife,


2006. Não Publicado.

FACHIN, Odília. Fundamentos de Metodologia. 4. Ed. São Paulo: Saraiva, 2003.

ISKANDAR, Jamil Ibrahim. Normas da ABNT. Comentada para trabalhos científicos.


4 ed. Rev. e atual. Curitiba: Juruá, 2009.

LAKATOS, Eva Mª. Fundamentos de metodologia. São Paulo: Atlas, 1983.

LAKATOS, Eva M. e MARCONI, M. A. Metodologia do trabalho científico. São Paulo:


Atlas, 2001.

OLIVEIRA, Paula Cristina Silva de; EITERER, Carmem Lúcia. “EVASÃO” ESCOLAR
DE ALUNOS TRABALHADORES NA EJA. Local: ? s.d.

SÁ, Elisabeth Schneider de; cols. Manual de normalização de trabalhos técnicos,


científicos e culturais. Coordenação Elisabeth Schneider de Sá.../ et al. Petrópolis/RJ:
Vozes, 1994.

SALOMON, Délcio Vieira. Como fazer uma monografia: elementos de metodologia do


trabalho científico. 4 ed. Belo Horizonte: Interlivros, 1996.

SEVERINO, Antônio J. Metodologia do trabalho científico. 22. ed. e ampl. de acordo


com a ABNT. São Paulo: Cortez, 2002, 2000, 2006.