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N e s t aE d i ç ã o

FidelidadESPÍRITA - NOVEMBRO DE 2002

03 EDITORIAL
04 INVERSÃO DE VALORES
Os Altos Preços do Livro Espírita
Ricardo R. Escodelário

06 GESTÃO
Administração das Instituições Espíritas - USEERJ

08 CIÊNCIA E ESPIRITISMO
O Enigma da Consciência
Prof. Dr. Nubor Orlando Facure

11 ACONTECEU COMIGO
Sua mãe, já morta, lhe apareceu... - Nizia Landini

12 HAGIOGRAFIA
Santa Teresa D’avila - a Mística do Êxtase - Redação

15 CURIOSIDADES BÍBLICAS
Desencarnes Curiosos narrados no Antigo
Testamento - Julieta Closer

16 FILOSOFIA
Orfeu e a Imortalidade da Alma - Redação

18 CAPA
Conversando sobre a Morte - Therezinha Oliveira

25 NOSSO DEVER
Estudar Kardec - Gustavo Marcondes / Clayton Levi

26 RESPONSABILIDADE
Pregação e Testemunho - Joseana Hypólyto

28 HISTÓRIA
Espiritismo - Como Tudo Começou - 2ª parte
Sandro Cosso

31 LITERATURA
O Livro dos Médiuns - USE/SP

32 JUSTIÇA DIVINA
Juízo Final - Benedito Godoy Paiva

TRADIÇÃO
34 A Origem do Dia de Finados - Lino Bittencourt
Lei de Talião - Pasquale Cipro Neto

35 INFORMAÇÃO
O Editor Recomenda - O Editor
Diretor Presidente
E ditorial
Conversando sobre a Morte
Centro de Estudos Espíritas “Nosso Lar”

N
Departamento Doutrinário
o mês em que as teologias tra- comprova a imortalidade da essência
Equipe Editorial dicionais lembram os mortos e humana! Afirmou a influência de espí-
Adriana Persiani por eles choram, os Espíritas re- ritos bons e maus sobre as pessoas
Julieta Closer cordamos os vivos que deixaram o cor- quando Pedro declarou “Tu és o Cris-
Lino Bittencourt
Paulo Rossi po e retornaram para a verdadeira vi- to" (Mt. 16:13/17) e no caso do espírito
Ricardo R. Escodelário da. imundo expulso (Mt. 12:43/45 e Lc. 11:26);
Rogério Gonçalves A Doutrina Espírita, através conversou com Moisés e Elias materia-
Sandro Cosso
de fatos, mostra aos homens toda a rea- lizados (Mt. 17:1/18 e Lc. 9:28/36) e com a
Jornalista Responsável lidade existencial da sobrevivência do legião de espíritos que obsidiava o ga-
Renata Levantesi ser em relação à morte. dareno (Mc. 5:1/20). Anunciou um batis-
Mtb 28.765 Revelado a 18 de abril de mo (mergulho) do espírito que se cum-
1857, o Espiritismo concita os seres pa- priu no dia de Pentecostes (Atos, 1:4/5 e
Revisão Ortográfica ra a transformação moral bradando: a 2:1/39). O próprio Cristo, o profeta do tú-
Rosemary C. Cabral morte não existe! mulo vazio, ressurgiu em Espírito ven-
Esse fato não é novo! Toda- cendo a finitude do corpo, aparecendo,
Administração via, a estrutura doutrinária do Espiri- em vários momentos, aos seus discípu-
Rogério Gonçalves tismo é toda uma revolução! O clamor los (Luc. 24:13/35).
Viviam B. S. Gonçalves
da perenidade da alma ecoa pelos cor- Caberia, porém, a Allan Kar-
Diagramação e Ilustrações redores da história humana desde eras dec a sistematização e comprovação
Alessandra Persiani remotas. científica da imortalidade e comunica-
Na Magna Grécia, os cultos ór- bilidade da alma, proclamando ao mun-
Capa ficos apregoavam a indestrutibilidade do o Consolador prometido pelo Mes-
Octano Design 19 3294.2565 da alma e a reencarnação; Pitágoras fo- tre Nazareno.
ra o seu grande divulgador. Sócrates, o Neste mês de novembro, quan-
Fotolito sábio de Atenas, afirmava com natura- do a saudade daqueles que partiram
Rip Editores Gráficos Associados lidade ser amparado por um espírito ou antes de nós apertar o coração, lembre-
gênio protetor (daimon em grego). Pla- mo-nos de que pelo pensamento pode-
Apoio Cultural tão leva adiante a certeza da vida pós mos ofertar uma prece de amor elevan-
Braga Produtos Adesivos morte, legando aos homens o Fédon, li- do a eles nossas melhores vibrações.
Alvorada Gráfica & Editora vro áureo do imortalismo. Que os cemitérios não são a sua mora-
Do Egito à Grécia, dos hiero- da, mas, o simples depósito das vestes
Impressão fantes aos oráculos, de Orfeu ao após- carnais. Que aqueles a quem amamos
Alvorada Gráfica & Editora 19 3227.3493 permanecem vivos em outra realidade
tolo de Samos, de Sócrates a Platão, a
imortalidade da alma foi cantada pelos da vida para onde iremos também. To-
Assinaturas corifeus da filosofia. E os cânones das dos estamos numa jornada evolutiva
Anual R$ 45,00 verdades espirituais, quais editos do cujo objetivo é a perfeição!
Número Avulso R$ 4,50 Criador, retumbaram desde as terras do No dia dos “mortos" louve-
Nilo à Ágora helênica, do Oriente ao mos a vida e atentemos para a conso-
Para o exterior Ocidente, despertando os homens. ladora mensagem de Jesus: “Ele não é
Anual US$ 35,00 Do Bhagavad-Gîta ao Mahab- Deus de mortos e sim de vivos, porque
hârata, de Krishna a Buda, das práticas para Ele todos vivem" (Lc.20:38).
Correspondência do Diana ao êxtase, ouvia-se a afirma- Com efeito, este segundo nú-
ção: somos imortais! mero da revista FidelidadESPÍRITA,
R: Dr. Arnaldo de Carvalho, 555 - apto 51
Dos druidas aos israelitas, a com a matéria de capa, convida você,
Bonfim - CEP 13070-090
morte perdia sua foice. Os filhos da Gá- amigo leitor, para um interessante en-
Campinas - SP - Brasil
lia confirmavam o progresso espiritual contro, onde estaremos com a querida
Fone/Fax (19) 3233.5596
pelas vidas sucessivas, enquanto os des- professora, escritora e oradora Therezi-
Fidelidade Espírita é uma publicação
do Centro de Estudos Espíritas “Nosso Lar”.
cendentes de Abraão aceitavam os vati- nha Oliveira, na companhia da lógica e
CNPJ: 01.990.042/0001-80
cínios dos espíritos por meio dos pro- da razão, sob a luz do Espiritismo: Con-
Inscr. Estadual: Isento
fetas e das manifestações oníricas. versando sobre a morte!
Com o Cristianismo, porém, a
Internet relação entre “mortos" e vivos se acen-
tuaria. Inúmeras vezes Jesus deu de-
E-mail: fidelidadespirita@terra.com.br monstrações deste intercâmbio que O Editor
Inversão de Valores

Os Altos Preços
do Livro Espírita
“...não leio obras Espíritas porque
não posso pagá-las”
Ricardo Rodrigues Escodelário
Campinas/SP

C om 145 anos apenas, o gação do Espiritismo. Contu- gráficas e artísticas, com belas
Espiritismo tem avan- do, muitas casas de editoração capas e agradável diagrama-
çado de maneira muito que trabalham com a mensa- ção objetivando atrair o leitor
positiva! Hoje, a mensagem es- gem espírita, não estão preo- com o fito meramente comer-
pírita é veiculada através de rá- cupadas com a qualidade dou- cial, almejando exclusivamen-
dios, jornais, revistas e televi- trinária das obras que publi- te o lucro!
são. Entretanto, o maior ins- cam em nome do Espiritismo; O propósito de aprimo-
trumento de divulgação rar capas e qualidade do
da Doutrina continua Colocando o Efeito (a assistência), papel dos nossos livros
sendo o livro! é louvável, mas não po-
Observa-se, com
acima da Causa (a mensagem), de estar acima da pró-
grande satisfação, que a estaremos desviando a Doutrina pria mensagem. Tarefas
cada dia o livro espírita assim fazem aumentar o
divulga a mensagem con-
do seu verdadeiro objetivo: a preço do livro a fim de
soladora e, na atualida- transformação moral do homem. honrar as despesas gera-
de, rompe as fronteiras das com a qualidade da
do nosso movimento atingin- não se interessam em orientar apresentação do volume e,
do grande parte da sociedade, corretamente o leitor acerca com isso, gera-se um grande
levando esclarecimento e con- da doutrina codificada por problema: A mensagem literá-
solo a milhares de pessoas. Allan Kardec e publicam volu- ria espírita ficará restrita so-
Diante disso, nota-se o mes cujo conteúdo não condiz mente àqueles que tiverem
surgimento de muitas editoras com os princípios Espíritas. condições econômicas para
com o objetivo de atender às Infelizmente, parecem estar in- “pagá-la"
“pagá-la". Pensamos nisso por-
necessidades editoriais, coo- teressadas, apenas, com o exte- que estamos em um país onde
perando, assim, com a divul- rior em excelentes produções existem aproximadamente 21

04 FidelidadESPÍRITA Novembro 2002


milhões de pessoas vivendo com razão, que se fossem fei-
em situação de miséria e 50 mi- tas edições populares a baixo
lhões como pobres.1 custo, estariam muito espalha-
2 A Casa Espírita deve
manter uma biblioteca
aberta ao público;
Mesmo que o lucro seja das, com o que ganharia a dou-
revertido para
as obras assis- Se, no mundo moderno, o comércio
tenciais, os mei- é inevitável, atuemos com ética,
3 As editoras devem co-
mercializar os livros
com menor percentagem de lu-
os não justifi- cro, aumentando, com isso, a
cam os fins. responsabilidade e fidelidade venda de exemplares editados,
Invertendo os doutrinária para que o fator mantendo a qualidade e o de-
valores, colo- senvolvimento do setor.
cando o Efeito
econômico não seja um escolho Assim, todos seriam be-
(a assistência), na divulgação do Espiritismo. neficiados e a Doutrina Espíri-
acima da Causa ta ganharia como bem afir-
(a mensagem) que é o móvel trina. Estamos completamente mou Allan Kardec.
propulsor e mantenedor de to- de acordo; esperamos chegar É imprescindível medi-
das as casas que representam um dia a esse resultado..." tarmos sobre a questão, para
o Espiritismo, estaremos des- Atualmente, o projeto que não venhamos prejudicar
viando a Doutrina do seu ver- do Codificador é plenamente a Seara Espírita que Deus nos
dadeiro objetivo: o da trans- viável. Contudo, sabemos que confiou, misturando joio com
formação moral do homem. os livros possuem um custo, o trigo, distorcendo a mensa-
Se não zelarmos pela in- que existem despesas a saldar gem que os arautos do Senhor
tegridade desses princípios po- (impostos, transportes e ou- nos legaram sem cobrarem di-
deremos ouvir, agora ou no fu- tros), mas isso não justifica os reitos autorais.
turo: “...não leio obras Espíri- abusos que se observa em nos- A mensagem espírita é,
tas porque não posso pagá- so movimento com os altos para nós, tão sublime e tão pu-
las"! preços de certas obras. ra que desejamos evitar o co-
mércio excessivo da Literatura
Espírita.
A orientação do Posicionamento Se, no mundo moder-
Codificador no, o comércio é inevitável,
Até que as editoras e li- atuemos, ao menos, com ética,
Allan Kardec interes- vrarias Espíritas se conscienti- responsabilidade e fidelidade
sou-se por essa questão e a tra- zem, algumas alternativas po- doutrinária para que o fator
tou com muita clareza na Re- derão ser utilizadas a fim de econômico não seja um esco-
vista Espírita de dezembro de amenizar esse problema: lho na divulgação do Espiritis-
1868, item VI:
“Muitas pessoas lamen-
tam que as obras fundamen-
tais da Doutrina sejam de um
1 No Centro Espírita, parte
dos descontos obtidos
no comércio dos livros podem
mo.

1
preço tão alto para o grande ser repassados para o leitor, Revista Brasileira de Ciências Sociais
número de leitores e pensam, servindo de estímulo à leitura; vol. 15 nº 42 - fevereiro/2000.

Novembro 2002 FidelidadESPÍRITA 05


Gestão

Administração das
Instituições Espíritas
RECOMENDAÇÕES RELATIVAS AOS RECURSOS FINANCEIROS


P ara alguém fazer qualquer coisa de sério, tem que se submeter às necessida-
des impostas pelos costumes da época em que vive e essas necessidades são
muito diversas das dos tempos da vida patriarcal. O próprio interesse do Espi-
ritismo exige, pois, que se apreciem os meios de ação, para não ser forçoso parar a
meio do caminho. Apreciemo-los, portanto, uma vez que estamos num século em
que é preciso calcular tudo”.

Allan Kardec - Obras Póstumas - Constituição do Espiritismo - Vias e meios.

Considerando:
a) que as instituições espíritas necessitam de recursos econômicos para atender às
despesas de implementação e manutenção de suas atividades doutrinárias, assistenciais
e administrativas;

b) que o trato com esses recursos econômico-financeiros reclama adequado plane-


jamento e controle eficiente, a fim de se atender aos seus objetivos, bem como às exi-
gências e obrigações legais, fiscais e trabalhistas.

06 FidelidadESPÍRITA Novembro 2002


Recomenda-se: 1) que as instituições espíritas, na busca dos recursos econô-
mico-financeiros de que necessitam, observem os meios ade-
quados e coerentes com os princípios doutrinários, preservando,
inclusive, o respeito que a atividade espírita vem conquistando perante a opinião
pública;
2) que a obtenção de auxílios, doações, contribuições e subvenções, inclusive
por meio de convênios, seja sempre desvinculada de qualquer compromisso que
desfigure o caráter espírita da instituição, ou que impeça o normal desenvolvimen-
to de suas atividades doutrinárias e assistenciais, preservando-se, assim, a total in-
dependência administrativa da entidade;
3) que, para a obtenção desses recursos, sejam realizados eventos que propi-
ciem aos freqüentadores da instituição oportunidades de trabalho e de confraterni-
zação, tais como:
a) a realização de chás e de almoços beneficentes;
b) a realização de bazares e de feiras comunitários, com venda de trabalhos
manuais, artesanatos, roupas, plantas, flores, livros e outros objetos, não se inclu-
indo produtos cujo uso conflita com os princípios morais doutrinários, tais como:
cigarros e bebidas alcoólicas;
c) a elaboração de listas, para angariar donativos, as quais devem ser distri-
buídas entre sócios e amigos da instituição;
d) a realização de atividades artísticas, com a apresentação de arte espiri-
tualizada ou com mensagem espírita;
4) que, em nenhuma circunstância, sejam angariados recursos financeiros nas
reuniões de assistência espiritual ou doutrinária, “de vez que tais expedientes po-
dem ser tomados à conta de pagamentos por benefício";
5) que se evite que as atividades destinadas a angariar recursos econômico-
financeiros sejam realizadas nos ambientes reservados às atividades mediúnicas
ou de aplicação de passes;
6) que sejam desenvolvidos esforços no sentido de tornar a instituição econo-
micamente auto-suficiente, em especial as que tenham caráter assistencial perma-
nente, tais como: lares, abrigos, creches, etc;
7) que os recursos financeiros destinados à manutenção ou desenvolvimento
das atividades assistenciais sejam corretamente aplicados segundo a sua destina-
ção, controlados e registrados para a adequação de contas aos cooperadores, sejam
órgãos públicos ou particulares;
8) que em todas as atividades relacionadas com a obtenção e controle de re-
cursos econômico-financeiros sejam, sempre, observadas as exigências legais mu-
nicipais, estaduais e federais.

Fonte:
1) Manual de Administração das Instituições Espíritas - Assuntos Diversos, nº 5 -
elaborado e atualizado até 1994 pela União das Sociedades Espíritas do Estado do Rio
de Janeiro - USEERJ, por recomendação do Conselho Federativo Nacional da FEB.

Novembro 2002 FidelidadESPÍRITA 07


Ciência e Espiritismo

O ENIGMA
^
DA CONSCIENCIA
A construção da mente - uma visão filosófica
Prof. Dr.º Nubor Orlando Facure - Campinas/SP
Exclusivo para FidelidadESPÍRITA. ção, é chamada de percepção
percepção.
Para Hume
Hume, as percepções são

A definição de mente e
sua interação com o cé-
rebro são dilemas ain-
da não resolvidos pela Ciência.
De qualquer forma, o homem
ja num texto falado ou escrito
ou numa composição artística
qualquer. Em todas suas mani-
festações, o pensamento será
sempre o veículo que expressa
constituídas de idéias e impres-
sões
sões. As impressões podem se
originar da experiência senso-
rial ou de atividades como a me-
mória.
compreende sua mente através essas idéias. Diz ainda Hume
Hume, que a
das idéias que ela expressa. Pa- Não escapa do raciocí- impressão pode não ter a mes-
ra René Descartes
Descartes, nós já nas- nio de qualquer um de nós que ma nitidez das idéias produzi-
cemos com um conteúdo de as idéias podem ter graus de das pela experiência sensorial.
idéias inatas e Leibniz (Gottfri- maior ou menor complexidade. Ela precede sempre as idéias
ed W. Leibniz, 1646-1716) su- Locke (John Locke,1632-1704), produzidas pelas sensações e, o
gere a existência de mônadas por exemplo, considera que as que não pode ser imaginado
na estruturação da mente. Para idéias podem ser simples ou não pode ser experimentado
experimentado.
outros, o conteúdo mental é complexas e, elas seriam resul- Definindo a mente, Hu-
produzido pelos estímulos que tado das nossas sensações ou me a considera uma espécie de
atravessam os nossos sentidos. das nossas reflexões. teatro
teatro, onde várias percepções
A discussão filosófica David Hume (1711- fazem a sua apresentação su-
interpreta as idéias como sendo 1776) diz que o pensar é pensar cessivamente.
todo nosso conteúdo mental. por meio de imagens,
imagens é imagi- Diz Hume que não te-
Elas podem ser expressas em di- nar e, que toda experiência, se- mos a menor noção do lugar
versas formas de linguagem, se- ja na sensação ou na imagina- onde essas cenas são represen-

08 FidelidadESPÍRITA Novembro 2002


O homem
compreende
sua mente
através das
idéias que
ela expressa.

tadas, nem dos materiais que as


compõem. Nossa mente seria
apenas uma sucessão de per-
cepções. A humanidade seria
um acervo ou uma coleção de
diferentes percepções que se su-
cedem umas às outras, numa ra-
pidez inconcebível e se acham
num estado de perpétuo fluxo Reprodução

ou movimento.
Eu para Hu-
A noção de Eu, que mais especificamente se de- sentam o mundo.
me é impossível. É um disfarce nomina Alma humana. George Berkeley,
Berkeley (1685-
para confundir uma sucessão O filósofo inglês, Jonh 1753) considerava que o existir
de idéias, com a idéia de identi- Locke
Locke, no Ensaio sobre o enten- de alguma coisa é o mesmo que
dade que formamos de algo dimento humano (1690), revive ser percebido. Isso significa di-
que permanece igual durante a afirmação de Aristóteles, con- zer que os objetos que se perce-
um período de tempo. siderando a mente como uma be estão na própria mente.
mente Nos-
A idéia de que a mente folha de papel em branco cujo sa percepção visual, por exem-
interfere na percepção das coi- conteúdo seria preenchido pela plo, não são de coisas externas,
sas não é nova. Spinoza (Ba- experiência. Locke chama esse mas simplesmente idéias que es-
ruch Spinoza - 1632-1677), conteúdo mental, de idéias. As tão na mente. No seu Princípio
considerava que “está na natu- sensação" que se-
“idéias de sensação", do conhecimento humano de
reza da mente perceber as coi- riam originadas da observação 1710, Berkeley especifica sua
sas sob um certo ponto de vista do mundo exterior através dos fórmula básica de que “ser é ser
atemporal". Para Leibniz
Leibniz, é a nossos sentidos e as “idéias de percebido"
percebido". O que na verdade
disposição das mônadas
mônadas, cada reflexão" que surgiriam quan-
reflexão", conhecemos e comentamos são
qual com uma disposição dife- do a mente observa a si mesma
mesma, conteúdos mentais. Isso fica cla-
rente, que dá a aparência à rea- é quando a mente analisa por si ro, por exemplo, quando ouvi-
lidade. Cada objeto consiste de mesma o seu conteúdo. Dizia mos alguém. O que entende-
uma colônia de mônadas e o Locke que tudo o que nós co- mos é o “conteúdo mental" do
corpo humano tem uma môna- nhecemos são idéias, e essas, que ele diz, mais do que uma sé-
da dominante, privilegiada, por sua vez, retratam ou repre- rie de sons verbais isolados uns

Novembro 2002 FidelidadESPÍRITA 09


dos outros e depois encadeados uma contra declaração e, final- do em 1806. Ele mostra possuir
como as contas de um colar. mente, as duas se combinam considerável percepção da men-
Georg Hegel (1770- numa espécie de acordo. Penso te humana. Na psicologia do de-
1831) partia da história para eu que o oxigênio é vital para senvolvimento intelectual, a
construir seus princípios da dia- nossa sobrevivência, mas, num dialética é, até certo ponto, um
lética. Seu método se aplicava incêndio, o oxigênio pode agra- método perspicaz de observa-
var o fogo e nos comprometer ção e aprendizado. Percebe-se
a vida. Concluímos que, con- que, com freqüência, a mente
A evolução da forme as circunstâncias, o oxi- progride segundo o padrão dia-
mente pode ser gênio pode ser indispensável lético seguindo a seqüência da
ou perigoso para nossas vidas. tese, da antítese e a conclusão
revelada numa No discurso inicial, segundo a da síntese.
abordagem dialética de Hegel
Hegel, podem se A Filosofia para Hegel é
opor proposições contraditó- definida como o estudo da sua
dialética. rias, mas a conclusão deve exi- própria história. Foi a explica-
gir um arranjo composto. A ção detalhada dos aconteci-
não só como um instrumento contradição pode existir no dis- mentos que fez Hegel publicar
da teoria do conhecimento, curso inicial, mas no mundo co- a Filosofia da História de onde
mas diretamente como uma des- tidiano dos fatos não existe a retirou sua dialética.
mundo Todo passo
crição do mundo. contradição. Creio eu que os aconte-
dialético percorre três etapas. A Hegel foi autor do Feno- cimentos e o significado de ca-
uma declaração inicial se opõe menologia do Espírito publica- da evento no decorrer do tem-
po, pode nos fazer compreen-
der o sentido das coisas. Nesse
aspecto, a evolução da mente
pode ser revelada numa abor-
dagem dialética.

O articulista é médico, formado


pela Faculdade de Medicina do Triângulo
Mineiro, em Uberaba. Fez especialização
em Neurologia e Neurocirurgia no Hos-
pital das Clínicas da Universidade de São
Paulo. Lecionou na Faculdade de Medici-
na de Campinas UNICAMP - durante 30
anos, onde fez doutorado, livre-docência
e tornou-se professor titular. Fundador
do Instituto do Cérebro em Campinas, em
1987, tendo ultrapassado a marca de
100.000 pacientes neurológicos registra-
dos em sua clínica particular. Além dis-
so, é espírita sobejamente conhecido, res-
peitado e querido dentro e fora do nosso
movimento. Seus artigos guardam, sem-
Reprodução
pre, absoluta FidelidadESPÍRITA.

10 FidelidadESPÍRITA Novembro 2002


Aconteceu Comigo

“sua mãe, já morta, lhe apareceu


dizendo que não deixasse meu pai sair para o
trabalho porque havia um grande perigo”
Nizia Landini - Firenze/Itália

N o ano de 1932 aconteceu


a Revolução Constitucio-
nalista onde o Estado de
São Paulo esteve bastante envol-
vido.
um seu companheiro de trabalho
veio à nossa residência para comu-
nicar-lhe que o “Vermelhinho” ha-
via atirado uma bomba e que esta
caíra exatamente sobre a bancada
quando o corpo repousa o espírito
se desprende parcialmente do va-
so físico podendo se relacionar
com os espíritos no plano espiri-
tual, nesse caso o sonho será a re-
Durante esse período, Cam- de meu pai. Se ele lá estivesse te- cordação da nossa convivência
pinas, no interior do estado, foi ria morrido. com espíritos superiores ou inferi-
atingida por bombas atiradas por Os Espíritos amigos, cien- ores, do mundo espiritual, confor-
aviões que, por serem pintados de tes dos planos daqueles que atira- me for nossa conduta moral.
vermelho eram chamados de "Ver- ram a bomba, aproveitaram o pe- Todavia, a Divina Provi-
melhinhos". dência permite que nesses encon-
Nessa época meu pai, Age- tros, por méritos ou necessidades,
nor Landini, trabalhava na C.P.F.L recebamos ensinamentos, orienta-
(Companhia Paulista de Força e ções, avisos ou oportunidades de
Luz) localizada na rua Dr. Ricardo, trabalho. Foi se utilizando dessa
no centro da cidade. possibilidade que os amigos espi-
Numa manhã, minha mãe, rituais auxiliaram meus pais pro-
Clarinda de Carvalho Landini, tegendo-os de um grande perigo.
acordou bastante aflita por causa Avião modelo Falcon utilizado durante a Revolução de 1932.
Foto contida no livro: História Geral da Aeronáutica Brasileira vol. 2
2,, Lembremo-nos, portanto,
Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica.
de um sonho que tivera com sua de orarmos nos preparando para
mãe, minha avó, de nome Rosina ríodo do sono físico de minha mãe essas horas de liberdade parcial
Carvalho, que havia falecido pou- e, durante a vivência dela no pla- que gozamos, rogando ao Pai Cria-
cos meses antes. no espiritual, puderam alertá-la dor a oportunidade de estarmos
Nesse sonho, D. Rosina quanto ao perigo que meu pai cor- na companhia de Espíritos bondo-
lhe apareceu, em espírito, dizendo ria. sos que nos dêem trabalho e ensi-
que não deixasse meu pai sair pa- namentos e permita que ao des-
ra o trabalho porque havia um Análise Espírita: pertarmos possamos trazer as lem-
grande perigo. Meu pai, entretan- Que é o sonho? branças dessa nossa convivência
to, foi trabalhar porque pensava que certamente nos guiarão nas
que, no dia seguinte, dizer a seu É a lembrança da nossa vi- atividades do nosso dia-a-dia.
chefe que faltara ao serviço por vência durante o nosso sono físi-
causa de um sonho da esposa não co.
Nota da redação:
seria uma justificativa aceitável. Como sabemos, o sonho O editor garante a veracidade dessa história.
Porém, ao chegar no local pode ser decorrente de uma gran-
de trabalho, logo que se colocou de preocupação, de uma enfermi- Encaminhe para a redação fatos espíritas
como esse, absolutamente verídicos. Envie no-
diante de sua bancada, para inici- dade, de um problema físico, o re- me, telefone e endereço completos, estando dis-
ar o labor, sentiu um grande mal ponível para eventual encontro com a reda-
sultado daquilo que sobreexcitou ção. Após análise publicaremos seu caso na co-
estar e lembrando-se de imediato nossa mente enquanto no estado luna: “Aconteceu Comigo”. Ressaltamos, ain-
da, que as histórias serão, após doação autoral,
das palavras de minha mãe retor- de vigília (são os sonhos fisiopsí- de propriedade exclusiva dessa revista.
nou à casa. quicos). Porém, o Espiritismo nos Nosso endereço: R. Luis Silvério, 120, Vl.
Marieta, Campinas/SP, CEP 13043-330.
Passadas algumas horas, ensina que, além desses estados,

Novembro 2002 FidelidadESPÍRITA 11


Hagiografia

Santa Teresa D'avila - a Mística do Êxtase


“Quando entrou no quarto, viu, tomada de espanto,
Teresa sentada calmamente no caixão como se
nada tivesse acontecido. De fato, não estava morta!"

tinianas de Santa Maria da Gra-


ça. Com medo de que a filha
amada tivesse o mesmo destino
da mãe, isto é, o de se casar e
morrer na hora do parto, resol-
ve, então, enviá-la para o refe-
rido convento, para onde todas
as moças de boa família se diri-
giam a fim de serem educadas e
se isolarem das turbulências
mundanas, matriculando-a no
dia 31 de julho de 1531. Os pri-
meiros dias foram de muito so-
frimento, mas ao final de uma
semana estava mais contente
Reprodução
que na casa do pai. No fim de
1532, é obrigada a deixar o con-
Da Redação vento, por causa de uma estra-
nha doença, voltando para a ca-

C orria o ano de 1515, no Francisco que os reconduziu à sa paterna. Estava, contudo,


dia 28 de março, numa casa paterna. transformada, todos notavam
quarta feira, nasceu Tere- Os pais de Teresa, Dom seus pendores religiosos.
sa Ahumada, em Ávila na Espa- Alonso Sanches de Cepeda e Entretanto, diante do de-
nha. Sua vida foi marcada por Beatriz de Ahumada, tiveram sejo de seguir fielmente a vida
estranhos acontecimentos. Des- nove filhos, Teresa fora o de nú- religiosa, comunica ao pai sua
de menina, acostumada, pela mero três. Todavia, após o difi- resolução, e este lhe proíbe ter-
mãe, na leitura da vida dos már- cílimo parto do nono filho, Bea- minantemente: “Depois de mi-
tires do Cristianismo, teve dese- triz, a mãe, com apenas trinta nha morte farás o que quere-
jo de segui-los. Por isso, na in- anos, morreu! Teresa e os ir- rás”. Mas Teresa foge para o
genuidade infantil, fugiu com mãos ficaram órfãos. mosteiro da Encarnação e rece-
o irmão Rodrigo para ser mar- Dona de uma beleza in- be aos 21 anos de idade o hábi-
tirizada na “terra dos mouros", comum, Teresa fora conduzida to de carmelita.
plano esse sustado pelo seu tio pelo pai ao convento das agos- Em 03 de novembro de

12 FidelidadESPÍRITA Novembro 2002


1536, Teresa estava fraca por ras contrações por cerca de três chente do rio Arlanzón tornou
uma enfermidade desconheci- anos. intransitáveis as estradas entre
da, no final de 1537 a doença Mas a estranha “doen- Palencia e Burgos. Teresa quer
atingiu o auge e os médicos de- ça" lhe fazia cair num processo dar prosseguimento à viagem.
clararam sua morte! Entretan- de êxtase e não raro, Teresa flu- As carroças atolam. Os cami-
to, Dom Alonso, que havia leva- tuava, seus músculos ficavam nhos desaparecem. O Arlanzón
do a filha para casa a fim de cui- lânguidos, entrava numa espé- divide-se em vários braços que
dar dela, disse: “minha filha cie de transe, tinha visões do têm de ser atravessados por
não está morta!". As freiras ca- mundo espiritual e conversava pontes de madeira, mas naque-
varam a cova no cemitério do com o próprio Jesus. Seu espí- le dia tudo era “água".
convento, os preparativos do rito era arrebatado de tal forma Uma carroça se afasta.
velório foram feitos e a priore- que, às vezes, ficava vários dias É a da Madre. Ela exclama ale-
sa foi buscar o corpo de Teresa, nesse estado especial. gremente: “Vou na frente, se eu
mas o pai se recusou dizendo Sofreu inúmeros cons- me afogar voltem à hospeda-
mais uma vez: “minha filha trangimentos, desde a descon- gem!” Todos ficam aterroriza-
não está morta". Na terceira fiança das suas irmãs de con- dos. Ela desce à água e fere a
noite em que Teresa permane- vento até a Inquisição, que nun- perna. Dirigindo-se a Jesus, ex-
cia no ataúde na casa do pai, ca conseguiu condená-la gra- clama: “Senhor! Depois de tan-
um dos irmãos, que estava de ças à veracidade dos êxtases e tos sofrimentos este vem a ca-
vigília, adormeceu de madru- pela pureza de seu coração. lhar". O Senhor lhe aparece e
gada e pela manhã acordou em Fundou quinze mostei- diz: “É assim que trato meus
desespero, pois que, uma das ros que deram origem à Ordem amigos, Teresa". E no seu ex-
velas, consumida até o fim, das Carmelitas Descalças. Mul- traordinário bom humor ela res-
atingiu a mortalha, o fogo se es- tiplicando-se pelo mundo, che- pondeu: “Ah! Meu Senhor, é
palhou sobre o féretro, quase gando ao número de oitocentos por isso que tendes tão poucos
destruindo o corpo de Teresa. e trinta conventos. amigos". E com esforço íntimo
Assim, a madre superio- Nas viagens apostólicas, e ajuda espiritual chegou do ou-
ra, irritada com a demora de coisas curiosas aconteceram. tro lado da margem.
Dom Alonso em lhe devolver a Numa ocasião ouviu uma voz Depois de uma vida de
freira morta para ser sepultada que lhe disse: “O adversário faz lutas, viagens apostólicas, do-
no cemitério do convento, re- todos os seus esforços para im- res físicas, humilhações, retor-
solveu ter uma conversa defi- pedir esta fundação. Faze todos nou ao mundo espiritual, em
nitiva com o fidalgo a fim de le- os teus, por mim, para que ela 04 de outubro de 1582.
var o corpo da falecida a qual- se realize". No dia 2 de janeiro Escreveu vários livros,
quer custo! Quando entrou no de 1582 lança-se na estrada, en- atendendo as ordens de seus su-
quarto, viu, tomada de espanto, frentando neve e vento. No pri- periores. Mais de cinco mil pá-
Teresa sentada calmamente no meiro dia, a tempestade não ginas escritas em forma de car-
ataúde como se nada tivesse cessa. Teresa é acometida de pa- tas, em prosa ou verso. Da sua
acontecido. De fato, não estava ralisia. A chuva gélida os acom- vasta obra se destacam: O Livro
morta! panha até Medina. Em Valla- da Vida, Caminho da Perfeição,
Todavia, retornou ao dolid, dizem-lhe que se detiver As fundações, Castelo interior e
corpo pior do que antes do ata- ali, nunca mais se levantará. O sua Autobiografia.
que de letargia, pois que sentia tempo piora cada vez mais. A Em 1970, foi proclama-
dores terríveis permanecendo chuva desce como um dilúvio. da pelo papa Paulo VI como a
com paralisia parcial com seve- Alguém vem avisar que a en- primeira “Doutora da Igreja".

Novembro 2002 FidelidadESPÍRITA 13


Análise Espírita tência espiritual, recebeu a ins- próprio Jesus, além de ver e fa-
piração de que a filha não esta- lar com outros religiosos já de-
va morta. sencarnados.
Teresa D'avila se consti- Entretanto, a beleza da
tui numa das mais extraordi- vida de Teresa D'avila não está
2) Êxtase:
nárias médiuns da história da nos fenômenos e sim na sua au-
Igreja. Nela podemos reconhe- O êxtase é o resultado toridade moral, no seu idealis-
cer os seguintes fenômenos: da emancipação parcial da al- mo, na luta contra suas pró-
ma (quando o espírito se afasta prias tendências inferiores, na
1) Letargia: do corpo, ainda fica a ele liga- paciência devotada aos seus ad-
do por cordões fluídicos) no versários, no suportar das alfi-
É um estado fisiológico mais alto grau que se possa netadas das que lhe eram com-
que enseja a perda momentâ- compreender, onde o espírito panheiras de mosteiro, nas via-
nea de sensibilidade e do movi- do estático é mais independen- gens apostólicas para fundar os
mento. Nesse caso, como as fun- te e pode penetrar nos mundos conventos, suportando as in-
ções orgânicas ficam bem redu- superiores e desfrutar da pre- tempéries, demonstrando uma
zidas, é muito parecido com a sença de espíritos sublimes. coragem que poucos homens já
morte; mas o letárgico perma- (Ver O Livro dos Espíritos Li- demonstraram.
nece ainda vivo, sem contudo, vro II itens 439 - 446). Trouxemos, nesta edi-
poder expressar qualquer rea- ção, a figura desta extraordiná-
ção física. O estado do corpo ria mulher, por ser o símbolo
3) Motores:
impede que o letárgico se comu- da confiança e determinação
nique. Esse estado particular do Aqueles que produzem na vivência do Evangelho,
físico nos dá a prova de que o movimento dos corpos iner- além de ser a prova incontestá-
existe no homem alguma coisa tes. vel da imortalidade da alma e
além do corpo, pois o corpo da comunicação com os espíri-
não está funcionando mas o es- 4) Suspensão: tos, precedendo em vários sécu-
pírito continua a agir. Conside- los, as modernas pesquisas so-
remos, contudo, que na letargia Os que produzem a bre as experiências fora do cor-
o corpo não está morto, pois translação aérea e a suspensão po.
existem funções que conti- dos corpos inertes no espaço,
nuam a realizar-se; a vitalida- sem ponto de apoio. Há os que
de se encontra em estado laten- podem elevar-se a si mesmos.
te, mas não se extingue. Quan- Mais ou menos raros, segundo Para saber mais, consulte:
do os laços que ligam o espírito o desenvolvimento do fenôme-
1) Elisabeth Reynaud, Teresa de Ávila
ao corpo se desatam totalmen- no; mais raros no último caso. ou o divino Prazer, Ed. Record. 2001.
te, aí está a morte, mas quando (Ver O Livro dos Médiuns se- 2) Patricio Sciadini, OCD, Teresa
alguém aparentemente “morto" gunda parte cap. XVI item D'avila, Ed. Loyola 1996.
3) René Fulop Miller, Os Santos que
retorna à vida é que a morte 189). Abalaram o Mundo, Ed. José Olimpio,
não estava consumada. (Ver O 2001.
Livro dos Espíritos itens 422 Superioridade Moral 4) João Baptista Lehmann, Na Luz Per-
pétua, Vol. II Ed. Lar Católico, 1935.
424) Teresa era também, no 5) Allan Kardec, O Livro dos Espíritos,
Foi isso que aconteceu campo dos efeitos inteligentes, Ed. Feb.
com Teresa. E seu pai, Dom médium de audição e de vidên- 6) Allan Kardec, O Livro dos Médiuns,
Ed. Feb.
Alonso, certamente sob assis- cia. Afirmava conversar com o

14 FidelidadESPÍRITA Novembro 2002


Curiosidades Bíblicas

Você Sabia...
Desencarnes Curiosos
narrados no
Julieta Closer - Campinas/SP Antigo Testamento

T
endo sido reservado, no Calendário, o dia dois de novembro para homena-
gear os mortos na carne, mas vivos em Espírito, julgamos oportuno trazer à
curiosidade dos nossos leitores, relatos inusitados do desencarne de alguns
personagens do ANTIGO TESTAMENTO.

A bsalão, filho do rei Davi, era o homem mais belo de Israel. Perfeito da cabeça aos pés. Possuía far-
ta cabeleira. Ao final de cada ano, cortava-a, porque o cabelo pesava duzentos siclos, aproxima-
damente três quilos. Certo dia, quando fugia da guarda, montado num burro, enfiou-se sob a folha-
gem espessa de um grande carvalho. Quando o burro se foi, ele ficou preso nos galhos e suspenso entre
o céu e a terra. Joab, seu perseguidor, foi até o local e atirou três dardos no coração de Absalão que ain-
da estava vivo entre os galhos do carvalho. Os escudeiros de Joab golpearam-no até morrer . II Sm 14,
25-26 e 18, 9-16.

E li, sacerdote em Israel, estava assentado na sua cadeira, ansioso por notícias da Arca da Aliança.
Quando soube que a Arca havia sido tomada pelos filisteus, levou um susto tão grande que caiu pa-
ra trás, quebrou o pescoço e morreu, porque era idoso e pesado. I Sm 4, 13-18

S ansão, personagem conhecido por seu romance de amor com Dalila e por sua enorme força física,
desencarnou junto com três mil filisteus ao colocar-se entre as duas colunas centrais do templo do
deus Dagon e empurrá-las com todas as suas forças. O edifício desmoronou sobre os príncipes e sobre
todo o povo que ali se encontrava e, assim, Sansão, que era prisioneiro daquele povo, destruiu milha-
res deles de uma só vez . Jz 16, 23-30.

G olias, de Gat, guerreiro filisteu, era um gigante. Sua estatura era de seis côvados e um palmo, apro-
ximadamente três metros e doze centímetros; seu capacete era de bronze e vestia uma couraça de
escamas, cujo peso era de cinco mil siclos de bronze, aproximadamente sessenta quilos. Usava pernei-
ras e escudo de bronze e a ponta de sua lança pesava aproximadamente nove quilos. Morreu quando
Davi (futuro rei de Israel ), jovenzinho ruivo, de bela aparência, o atingiu na fronte com uma pedra ar-
remessada por sua funda (estilingue). I Sm 17, 4-7 . 42-49.

Conforme observamos, esses personagens não desencarnaram tranqüilamente, mas, todos


sem exceção, com seus erros e acertos, e como nós mesmos o faremos, voltaram para o mundo es-
piritual, seguindo a linha ascencional do progresso, reencarnando quantas vezes forem necessá-
rias para evoluírem até a perfeição.

Novembro 2002 FidelidadESPÍRITA 15


Filosofia

Orfeu e a
Imortalidade da Alma
Da Redação

N arram os mitólogos que


Orfeu, o poeta trácio,
ganhara de Apolo, o
deus das artes, uma lira, trans-
formando-a em cítara, alteran-
morte da esposa, o grande vate
resolveu descer às trevas do Ha-
des, para trazê-la de volta.
Orfeu, com sua cítara e
sua voz divina, encantou de tal
terrível dúvida lhe assaltou o es-
pírito: e se não estivesse atrás
dele a sua amada? E se os deu-
ses do Hades o tivessem enga-
nado? Mordido pela impaciên-
do de sete para nove cordas em forma o mundo subterrâneo cia, pela incerteza, pela sauda-
homenagem às nove musas; e que as entidades que sofriam de, pela “carência”, o cantor
porque fora abençoado por Ca- no tártaro tiveram momentos olhou para trás, transgredindo
líope (a voz bela), a musa da de alívio. Comovidos por tama- a ordem dos soberanos das tre-
eloqüência, retórica e da poesia nha prova de amor, Plutão (o vas. Ao voltar-se, viu Eurídice,
épica, ele cantava lindamente deus dos infernos) e Prosérpina que se esvaiu para sempre nu-
e, também, encantava. Quando (sua mulher) concordaram em ma sombra, “morrendo pela se-
entoava seu canto era capaz de devolver-lhe a esposa. Im- gunda vez...”; ainda tentou re-
acalmar as feras mais terríveis, puseram-lhe, todavia, uma con- gressar mas o barqueiro Caron-
de amansar os homens mais ti- dição extremamente difícil: ele te não mais permitiu.
rânicos e até as copas das árvo- seguiria à frente e ela lhe acom- De volta à superfície,
res se reclinavam para ouvi-lo. panharia os passos, mas, en- Orfeu decide contar tudo quan-
Todavia, Orfeu se apai- quanto caminhassem pelas tre- to havia visto na região do Ha-
xonou por Eurídice, uma bela vas infernais, ouvisse o que ou- des fundando uma escola teo-
ninfa e se casou com ela. visse, pensasse o que pensasse, lógica que haveria de influen-
Entretanto, um dia o apicultor Orfeu não poderia olhar para ciar Pitágoras, Sócrates e Pla-
Aristeu tentou violar a esposa trás, enquanto o casal não tão.
do cantor da Trácia, ao fugir, transpusesse os limites do impé- A escola dos órficos pre-
Eurídice pisou uma serpente, rio das sombras. O poeta acei- gava os seguintes princípios:
que a picou, causando-lhe a tou a imposição e estava quase a) no homem se hospeda um
morte. Inconformado com a alcançando a luz quando uma princípio divino, um espíri-

16 FidelidadESPÍRITA Novembro 2002


to(...); “mortos”. Orfeu, ao se dirigir Doutrina Espírita vem, agora
b) esse espírito não apenas para as regiões inferiores, com- que a humanidade está mais de-
preexiste ao corpo, mas tam- prova que aqueles que estão vi- senvolvida, explicar de manei-
bém não morre com o corpo, es- vos, os encarnados, podem fa- ra metódica e racional aquilo
tando destinado a reencarnar- lar com os chamados “mortos”, que estava na conta de “misté-
se em corpos sucessivos, atra- os desencarnados. Destarte, sob rios”, vem ainda, colocar ao al-
vés de uma série de renasci- essa perspectiva, bradar de ma- cance de todos o que era reser-
mentos(...); neira dogmática que a alma é vado somente para os inicia-
c) com seus ritos e suas prá- mortal, que a vida acaba com a dos.
ticas, a “vida órfica” é a única morte do corpo biológico, sem Com efeito, podemos
em condições de pôr fim ao ci- se colocar à disposição para constatar que as idéias de
clo das reencarnações, liber- pesquisar e analisar seriamente Orfeu influenciaram Pitágoras,
tando, assim, a alma do corpo; as coisas, sem usar o logos (o ra- Sócrates e Platão e estes dois úl-
d) para quem se purificou ciocínio) proposto por Platão, timos são considerados por
(os iniciados nos mistérios órfi- sem voltar-se para si no “co- Allan Kardec como os precur-
cos) há um prêmio no além (da nheça-te a ti mesmo” é perma- sores do Cristianismo e do pró-
mesma forma que há punição necer no orgulho e na descon- prio Espiritismo.
para os não iniciados). fiança sem jamais ter certeza. Destarte, a filosofia Espí-
Em algumas tabuinhas Todavia, mergulhando rita, com as cinco obras básicas
órficas encontradas nos sepul- no mundo e nas tradições helê- que a constituem, nos abre as
cros de seguidores dessa seita, nicas, “vendo” com o raciocí- asas da razão e nos permite vo-
entre outras, podem-se ler estas nio, o que se constata é que pa- ar nos céus da eternidade, ento-
palavras, que resumem o nú- ra os habitantes das ilhas do ando, junto aos poetas e filóso-
cleo central da doutrina: “Ale- Egeu a imortalidade da alma, fos mais ilustres da antigüida-
gra-te, tu que sofreste a pai- bem como sua interferência na de, o canto da Imortalidade da
xão: antes, não havias sofrido. vida humana e o seu retorno ao Alma!
De homem, nasceste deus!”1. corpo físico, faziam parte das
tradições mais sagradas dos gre-
Análise gos.
1
Giovanni REALE, História da Filo-
Orfeu representa um O Espiritismo sofia Antiga, vol. I p. 18 e 19.
canto sobre a imortalidade, sua
tragédia simboliza a inconfor- O Espiritismo, como Ter- Para saber mais, consulte:
mação do ser em relação à mor- ceira Revelação, através de me-
1) Junito Brandão, Mitologia Grega,
te e sua luta para compreender todologia própria, na chamada Vol. II - cap. V. - Ed. Vozes.
o porquê da vida. ciência Espírita, comprova me- 2) Abril Cultural, Mitologia, Vol. II -
Esse mito, evidencia e diante fatos aquilo que os gre- pág. 513-528.
3) Luiz A. P. Victoria, Dicionário Básico
fundamenta a crença dos gre- gos cultivavam em suas tradi- de Mitologia, pág. 111 - Ed. Ediouro.
gos na imortalidade da alma. ções. Desdobra, explica e com- 4) Thomas Bulfinch, O Livro de Ouro da
Quando Eurídice é picada pela pleta esses ensinamentos. Não, Mitologia, cap. XXIV. - Ed. Ediouro.
5) Giovanni Reale, História da Filosofia
serpente, sua psiquê é levada o Espiritismo nada copiou das Antiga, vol. I - pág. 18 e 19.
para o Hades, onde continua vi- tradições helênicas, mas como 6) Allan Kardec, O Evangelho Segundo o
va na companhia dos outros a verdade é sempre a verdade, a Espiritismo, Introd. item 4 - Ed. Feb.

Novembro 2002 FidelidadESPÍRITA 17


Capa

Morrer é mudar, continuando


J. P. Andrade

em essência o mesmo...
Therezinha Oliveira
Campinas/SP

O que a Morte parece ser? pos, o fim de tudo. liga do corpo que perdeu a vita-
Mesmo entre os espiri- lidade e não lhe pode mais ser-

C ostuma-se simbolizar a
morte por um esqueleto
chacoalhante (o que res-
tara do corpo), armado de foice
(com que cortaria o fio da vi-
tualistas, grande parte encara a
morte com temor. Crêem em al-
go além do corpo mas apenas
de modo teórico. Como não se
vir para a sua manifestação no
mundo terreno.
O espírito não morre
quando o corpo morre. Não de-
utilizam do intercâmbio medi- pende dele para existir. Antes
da), portando uma ampulheta único, faltam-lhes a experiên- de encarnar neste mundo, o es-
(para contar o tempo de vida cia pessoal, as provas quanto à pírito já existia e vai continuar
das criaturas) e vestindo um sobrevivência do espírito. Em existindo depois que o corpo
manto preto (no qual esconde- conseqüência, a morte lhes pa- morrer.
ria para sempre de nós, a pes- rece porta de entrada para o Desligado do corpo que
soa que morreu). desconhecido. E nada mais as- morreu, o espírito continuará a
Será a morte feia e terrí- sustador do que aquilo que não viver, em condições diferentes
vel assim? se conhece. de manifestação, em outro pla-
Para os materialistas, no de atividades: o mundo espi-
que somente acreditam na ma- O que a Morte realmente é? ritual, sua pátria de origem.
téria, a morte é o fim da vida Para entendermos bem
nos seres, a completa e irresis- A morte é apenas o pro- isso, recordemos como é que en-
tível desorganização dos cor- cesso pelo qual o espírito se des- carnamos e desencarnamos.

18 FidelidadESPÍRITA Novembro 2002


A Encarnação que uma doença ou acidente da- e, ao mesmo tempo, vá se de-
nifiquem o corpo material de senvolvendo intelectual e mo-
A ligação do espírito modo irrecuperável. ralmente.
com a matéria se dá através do Morto o corpo, vem o Cada encarnação só de-
perispírito (corpo espiritual) e desprendimento perispiritual, ve durar o tempo suficiente pa-
se faz desde a concepção. que começa a fazer sentir seus ra que o espírito cumpra a tare-
Ligado ao ovo, o peris- efeitos pelas extremidades do fa que lhe foi designada e en-
pírito vai servir de molde para organismo. Desatam-se os la- frente as provas e expiações
a formação do corpo material, ços fluídicos nos centros de for- que mais sejam necessárias à
sendo utilizados nessa forma- ça, sendo o centro cerebral o úl- sua evolução, no momento.
ção os elementos hereditários timo a se desligar. Depois de cada encar-
fornecidos pelo pai e pela mãe. Às vezes, médiuns vêem nação, o espírito se desliga da
As células se multiplicam em o desprendimento dos fluidos vida terrena e retoma o seu esta-
obediência às leis da matéria e perispirituais, que vão forman- do natural, que é o de espírito li-
em conformidade com a in- do um outro corpo, o fluídico, berto.
fluência que o perispírito do re- acima dos agonizantes. No intervalo entre duas
encarnante exerce. encarnações, o espírito vive de
Quando o corpo apre- Por que temos medo de modo muito mais amplo do
senta condições de vida inde- Morrer? Não poderíamos ficar que quando encarnado, porque
pendente do organismo mater- vivendo para sempre na Terra? o corpo lhe limitava um tanto
no, se dá o nascimento físico. as percepções e atividades espi-
O objetivo do espírito rituais.
A Desencarnação não é permanecer no plano ter- Então, avalia os resulta-
reno. Seu ambiente natural e dos da encarnação que findou
A carga vital que havía- definitivo é o plano espiritual. e prossegue se aperfeiçoando
mos haurido ao encarnar, um O espírito encarna em espiritualmente na vida do
dia se esgotará, acarretando a mundos corpóreos para cum- Além.
morte física. Esse esgotamento prir desígnios divinos. Deus Encarnará novamente,
ocorre por velhice, por exces- quer que o espírito cumpra quando isso se fizer necessário
sos e desregramentos ou por- uma função na vida universal e oportuno para a continuidade

Novembro 2002 FidelidadESPÍRITA 19


de seu progresso intelecto- É uma readaptação ao do que manter a conduta moral
moral e ao cumprimento da fun- plano do espírito. Quando nas- cristã.
ção que Deus lhe designar na vi- cemos na Terra, levamos algum
da universal. tempo adaptando-nos ao novo O que influi no processo de
corpo. Quando desencarnamos, Desencarnação?
Desencarnar é um processo também precisamos de uma fa-
doloroso? se de readaptação ao plano espi- O processo todo da de-
ritual. sencarnação e reintegração à vi-
Não mais do que as do- da espírita dependerá:
res e dificuldades que muitas Demora muito essa readapta-
vezes experimentamos aqui na ção ao Mundo Espiritual? a) das circunstâncias da morte
Terra. Depende muito de como do corpo:
a pessoa encara os aconteci- A duração vai depender
mentos e das condições que ela da evolução do espírito. Para al- Nas mortes por velhice,
tenha para os solucionar ou su- guns, breves instantes bastam. a carga vital foi se esgotando
portar. Para outros, demora até o equi- pouco a pouco e, por isso, o des-
É comum o recém- valente a muitos dos nossos ligamento tende a ser natural e
desencarnado sentir, de início, anos terrenos. fácil e o espírito poderá superar
uma certa perturbação. logo a fase de perturbação.
Nas mortes por doença
Somente a prática do bem e prolongada, o processo de des-
Por que a perturbação? Não
uma consciência pura ligamento é feito pouco a pou-
estamos voltando ao nosso
verdadeiro mundo? Tudo asseguram ao espírito um co, com o esgotamento paulati-
deveria ser muito natural! despertar pacífico e sereno no da vitalidade orgânica e o es-
na pátria espiritual. pírito, vai-se preparando psi-
Deveria e assim aconte- cologicamente para desencar-
ce com os espíritos mais evolu- nação e se ambientando com o
ídos. Mas, geralmente, nos Quem não se preparou mundo que, às vezes até come-
prendemos demais às sensa- para a vida espiritual, sentirá ça a entrever, porque suas per-
ções físicas durante a vida do maior dificuldade em se rea- cepções estão transcendendo
corpo, canalizamos muito as daptar ao novo plano de vida, ao corpo.
sensações em nossos órgãos razão porque, há espíritos que Nas mortes violentas
dos sentidos. Desencarnados, se comunicam dizendo estarem (acidentes, desastres, assassi-
ainda queremos continuar a perturbados, desorientados. natos, suicídios, etc), o rompi-
ver com os olhos, ouvir com os Quem se preparou bem, mento dos laços que ligam o es-
ouvidos, sentidos corpóreos passa rapidamente pela fase e pírito ao corpo é brusco e o espí-
que já não temos. Por isso, de logo se sente readaptado ao pla- rito pode sofrer com isso, e a
início não percebemos bem o no espiritual. perturbação tende a ser maior.
novo plano em que passamos a O preparo para a vida es- Em casos excepcionais (como o
viver. Temos de habituar-nos piritual vem do cultivo de nos- de alguns suicidas), o espírito
às percepções perispirituais em sas faculdades de espírito e da poderá sentir-se “preso” ao cor-
vez das percepções dos senti- busca do equilíbrio com as leis po que se decompõe, o que lhe
dos materiais. da vida. Para isso, nada melhor causará dolorosas impressões.

20 FidelidadESPÍRITA Novembro 2002


b) do grau de evolução do espí- ção os que estão retornando à
rito desencarnante: vida espiritual.
Alguns amigos e fami-
De modo geral, quanto
mais espiritualizado o desen-
liares (desencarnados antes)
costumam vir receber e ajudar
O milagre da
carnante, mais facilmente con-
segue desvencilhar-se do corpo
o desencarnante na sua passa-
gem para o outro lado da vida,
transformação:
físico já sem vida. Quanto mais
material e sensual tiver sido
o que lhe dá muita confiança,
calma e, também, alegria pelo
de crisálida à
sua existência, mais difícil e de-
morado é o desprendimento.
reencontro.
Todos receberão essa
borboleta.
A perturbação natural ajuda, normalmente, se não “Após desligar-se do corpo
por se sentir desencarnado é apresentarem problemas pes- material, o espírito conserva
menos dolorosa para o espírito soais e comprometimentos com sua individualidade”.
evoluído. Quase que imediata- espíritos inferiores. Em caso
mente ele reconhece sua situa- contrário, o desencarnante às
ção, porque, de certa forma, já vezes não percebe nem assimi- Charaxis Jasius, uma
se vinha libertando da matéria la a ajuda ou é privado dessa as- das borboletas mais
bonitas da Galicia.
antes mesmo de cessar a vida sistência, ficando à mercê de es-
orgânica (vivia mais pelo e pa- píritos inimigos e inferiores,
ra o espírito). Logo retoma a até que os limites da lei divina
consciência de si mesmo, per- imponham um basta à ação des-
cebe o ambiente em que se en- tes e o Espírito rogue e possa re-
contra e vê os espíritos ao seu ceber e perceber a ajuda espiri-
redor. Para o espírito pouco tual.
evoluído, apegado à matéria,
sem cultivo das suas faculda- Depois da morte
des espirituais, a perturbação é
difícil, demorada, sendo acom- Após desligar-se do cor-
panhada de ansiedade, angús- po material, o espírito conserva
tia e podendo durar dias, meses sua individualidade, continua
e até anos. sendo ele mesmo com seus de-
feitos e virtudes.
A ajuda espiritual Sua situação, feliz ou
não, na vida espírita será con-
A bondade divina, que seqüência da sua existência e
sempre prevê e provê o que pre- de suas obras. Os bons sentem-
cisamos, também não nos falta se felizes e no convívio de ami-
na desencarnação. gos; os maus sofrem a conse-
Foto contida no livro:
Por toda parte, há Bons qüência de seus atos; os media- Guia das Borboletas da Galicia
de José Luís Iglesias e Julio Astor Camino.
Espíritos que, cumprindo os de- nos experimentam as situações
sígnios divinos, se dedicam à ta- de seu pouco preparo espiritu-
refa de auxiliar na desencarna- al.

Novembro 2002 FidelidadESPÍRITA 21


Através do perispírito, Revolta, desespero, ocupar-se de seus de-
conserva a aparência da última angústia pela partida do veres e da prática de ações
encarnação, já que assim se desencarnado podem repercu- boas, do auxílio ao próximo,
mentaliza. Mais tarde, se o pu- tir nele de modo triste, desfa- em vez de ficar remoendo im-
der e desejar, a modificará. vorável, deprimente, desani- produtivamente sua dor e sau-
Depois da fase de tran- mador. dade;
sição, poderá estudar e traba-
procurar fazer o bem
lhar na vida do Além e prepa-
O preparo para a vida que a pessoa desejaria ou deve-
rar-se para nova existência ter-
espiritual vem do cultivo de ria ter feito quando estava na
rena a fim de continuar evolu-
nossas faculdades de espírito Terra.
indo.
e da busca do equilíbrio com
as leis da vida. Para isso, Podemos ter notícias de
O conhecimento Espírita
nada melhor do que manter quem desencarnou?
garante uma boa situação no
Além, ao desencarnarmos? a conduta moral cristã.
Podemos rogar a Deus
O conhecimento espírita que nos conceda essa bênção,
nos ajuda muito a entender a É por não entendermos essa misericórdia.
questão da desencarnação e po- a morte, o seu porquê e os seus Se vierem notícias via
de fazer que o espírito, ao de- efeitos, que agimos assim? Con- mediúnica, analisemos as men-
sencarnar, compreenda rapida- vém, então, estudarmos as in- sagens e informações recebi-
mente o que lhe está aconte- formações espirituais quanto à das. Condizem com a realidade
cendo e saiba o que deve fazer desencarnação, para sabermos espiritual e a boa orientação
para se readaptar melhor ao pla- como nos comportar ante esse cristã? Em caso afirmativo,
no espiritual. fato inevitável. agradeçamos a Deus o consolo
Mas não nos assegura Sentir saudade é natural recebido. Não correspondem à
uma boa situação no Além, se a e, por vezes, não há como identidade do nosso querido de-
ela não fizermos jus por nossos evitar o pranto. Mas que não sencarnado? Com tranqüilida-
pensamentos, sentimentos e resvalemos para o choro ex- de, sem revolta nem desanimar
atos. cessivo, exigente e inconfor- na fé, ignoremos a mensagem
Somente a prática do mado. recebida.
bem e uma consciência pura as- Ante os que nos antece- Do ponto de vista espi-
seguram ao espírito um desper- dem na grande viagem, pode- ritual, nem sempre é considera-
tar pacífico e sereno na pátria mos e devemos: do útil e oportuno que tenha-
espiritual. mos notícias sobre os desen-
orar por eles, com re- carnados. Nesse caso, é preciso
signação e esperança no futuro saber aceitar a ausência de notí-
Os que ficam na Terra não espiritual;
podem ajudar? cias, continuando a confiar na
não guardar demais sabedoria e amor a Deus por to-
Podem, sim. As atitudes objetos e coisas da pessoa que dos, seus filhos.
e ações de quem fica, em rela- desencarnou nem as ficar con- Por vezes, as notícias
ção ao desencarnado, influem templando e acariciando inde- vêm através de sonhos espe-
muito sobre ele. finidamente; ciais, porque, ao dormir, nos

22 FidelidadESPÍRITA Novembro 2002


desdobramos espiritualmente com a existência anterior ou
(saímos do corpo), então, pode- que já tinha na vida espiritual,
mos nos encontrar com os ou- porque na curta vida como cri-
tros espíritos no plano invisí- ança, nada pôde fazer de bom
vel. ou de mal que alterasse a evo- A maravilha
lução, que representasse um de-
A criança após a morte senvolvimento, um progresso. da metamorfose.
Mas pode estar melhor
Que significado ou va- na sua conscientização e no
lor espiritual pode ter a vida de seu equilíbrio espiritual e, tam- “Desligado do corpo que morreu,
alguém que desencarnou ainda bém, ter reajustado, no proces- o espírito continuará a viver,
bebê? so de ligamento e desligamento em condições diferentes de
Essa curta vida teve tam- com o corpo, algum problema manifestação, em outro plano
bém sua finalidade e proveito, espiritual de que fosse porta- de atividades: o mundo espiritual,
do ponto de vista espiritual. Po- dor. sua pátria de origem”.
de ter sido, por exemplo:
uma complementação Como são vistos os espíritos
de encarnação anterior não de quem desencarnou
aproveitada integralmente; criança?
uma tentativa de en-
Uns se apresentam
carnação que encontrou obstá-
“crescidos” perispiritualmente
culos no organismo materno,
e até já em forma adulta, pois
nas condições ambientes ou no
como espíritos não têm a idade
desajuste perispiritual do pró-
do corpo.
prio reencarnante; serviu, en-
Se desejam se fazer reco-
tão, para alertar quanto às difi-
nhecidos pelas pessoas com
culdades e ensejar melhor pre-
quem conviveram, podem se
paro em nova tentativa de en-
apresentar com a forma infan-
carnação;
til que tiveram.
uma prova para os
Se vão ter de reencarnar
pais (a fim de darem maior va-
em breve, poderão conservar a
lor à função geradora, testemu-
forma infantil do seu perispíri-
nharem humildade/resigna-
to, que facilitará o processo de
ção), ou para o reencarnante (a
nova ligação à matéria.
fim de valorizar a reencarna-
ção como bênção).
Cremação de Cadáveres e
Transplante de Órgãos
Qual é, no plano espiritual, Reprodução

a situação de quem desen- O corpo é uma veste e


carnou criança? um instrumento muito valioso
e útil para o espírito, enquanto
É a mesma que merecia encarnado. Depois de morto,

Novembro 2002 FidelidadESPÍRITA 23


nenhuma utilidade tem mais pa- Comemorações fúnebres nas orações - ora sem-
ra o espírito que o animou. Po- pre pelo bem estar e progresso
derá vir a ser cremado ou lhe se- Variados são os costu- espiritual dos desencarnados
rem retirados órgãos para mes, idéias e atitudes que a so- mas sabe que não é indispensá-
transplantar em quem os ne- ciedade e a religião adotam, an- vel ir aos cemitérios para isso,
cessite, sem que nada disso tra- te os corpos mortos e os espíri- porque as vibrações alcançam
ga qualquer prejuízo real para tos que os deixaram. o espírito, onde quer que ele es-
o espírito desencarnado. O espírita respeita tais teja.
Pensam alguns que se o procedimentos mas nem a to-
seu corpo for queimado ou lesa- dos aceita; e, nos que aceita, “Nascer, morrer, renascer
do haverá prejuízo para o seu age sempre em função da reali-
ressurgimento no mundo espi- dade espiritual e não das apa- ainda e progredir
ritual. Entretanto, não é com o rências. sempre, tal é a lei”
corpo material que continua a Allan Kardec
viver além-túmulo nem é ele Assim, o espírita:
que irá ressurgir, reaparecer,
mas sim o espírito com o seu Nos velórios - não se de-
corpo fluídico (perispírito), que sespera; mantêm-se em atitude 1 Therezinha Oliveira é presidente da
nada tem a ver com o corpo respeitosa, pois sabe que o espí- área doutrinária do Centro Espírita
que ficou na Terra. rito desencarnante está em deli- "Allan Kardec" de Campinas/ SP. Com
mais de 40 anos de trabalhos no movi-
No caso da cremação, é cada fase de desprendimento mento espírita. É oradora com mais de
recomendável um intervalo ra- do corpo e de transformação de 1.500 palestras executadas dentro e fora
zoável após a morte (Emma- sua existência. Não usa velas, do país, além de programas de rádio e te-
levisão. Escritora de rara sensibilidade,
nuel diz 72 horas), a fim de se coroas, flores, pois o espírito com várias obras publicadas, tornando-
ter maior segurança de que o não precisa dessas exteriorida- se a referência doutrinária em Campinas
desligamento perispiritual já se des; mas procura oferecer o e Região. Seus artigos guardam, sempre,
absoluta FidelidadESPÍRITA.
completou. que o desencarnante realmente
No caso de doação de ór- precisa, que é o respeito à sua
gãos, basta que as pessoas se memória, orações, pensamen- Para saber mais, consulte:
acostumem com a idéia de a fa- tos carinhosos em favor de sua 1) Allan Kardec - O Céu e o Inferno - cap.
zerem de boa vontade e este- II - Ed. Feb.
paz e amparo no mundo espiri-
2) Allan Kardec - O Livro dos Espíritos -
jam bem esclarecidas a respei- tual. É fraterno com os familia- itens 68/70 - Ed. Feb.
to. Encarnados doam órgãos res e amigos do desencarnante, 3) Allan Kardec - A Gênese - cap. IX -
por amor, para ajudar alguém e Ed. Feb.
ajudando-os no que puder.
4) Léon Denis - O Além e a Sobrevivên-
não receiam qualquer sofri- cia do Ser - Ed. Feb.
mento ou inconveniente que is- Nos sepultamentos - 5) Herculano Pires - Educação para a
so lhes traga. Por que não doar Morte - Ed. Correio Fraterno do ABC.
não adota luxo, ostentação,
6) Camille Flammarion - A Morte e seu
órgãos depois de estar morto o nem se preocupa em erigir tú- Mistério - vol. I e II - Ed. Feb.
nosso corpo, quando eles já mulos; mas lembra sempre com 7) Therezinha Oliveira - Curso de Inicia-
nem nos servem mais e nem so- ção ao Espiritismo - Ed. CEAK.
afeto os entes queridos já de-
8) Gabriel Delane - A alma é Imortal -
freremos quando forem retira- sencarnados e procura honrá- Ed. Feb.
dos do corpo que houvermos los com atos bons e carinhosos 9) Ernesto Bozzano - Fenômenos Psíqui-
abandonado? cos no Momento da Morte - Ed. Feb.
em sua homenagem.

24 FidelidadESPÍRITA Novembro 2002


Nosso dever

ESTUDAR

KARDEC
P ercebe-se na atualidade, a tendência de
determinados grupos espíritas em ado-
tar certas teorias e práticas incoerentes
com os postulados da Codificação apresentada
por Allan Kardec.
fim de tornar-se mais útil nas tarefas a que se
encontra ligado.
O estudo dos postulados básicos da Co-
dificação, porém, representa dever inquestio-
nável para desenvolver a necessária coerência
Empolgados com as novidades passa- em suas atividades:
geiras que chamam a atenção, mas não escla- - enriquecer-se de conhecimento, sem
recem ninguém, inúmeros companheiros dei- esquecer Kardec;
xam-se levar por modismos de ocasião, preju- - atualizar-se culturalmente, sem per-
dicando a si mesmos e à tarefa do Movimento der de vista Kardec;
Espírita. - acompanhar e incorporar o progres-
Relegam a segundo plano o estudo das so, sem desligar-se de Kardec.
Obras Básicas do Espiritismo, entregando-se a Conscientizemo-nos de que a tarefa de
teorias desprovidas de conteúdo. divulgação doutrinária representa enorme res-
Com isso, trocam a estrada pavimenta- ponsabilidade perante o público e nós mes-
da e segura por atalhos incertos que, na maior mos, razão pela qual, a valorização das Obras
parte das vezes, conduzem à decepção e ao des- Básicas em nossas atividades constituirá sem-
crédito. pre o meio mais seguro e eficaz de propagar-
Diante disso, impõe-se como necessi- mos o Espiritismo, consolando e esclarecendo,
dade inadiável o fortalecimento do estudo dou- conforme as metas estabelecidas pela Codifi-
trinário nas Casas Espíritas, priorizando as cação.
Obras Básicas como alicerce.
Não se trata de exclusivismo alienador. Gustavo Marcondes
Importa, porém, conhecer em profun-
didade o conteúdo da Doutrina, sobre o qual
deverão estar fundamentadas todas as ativida-
des de divulgação e estudo. (Mensagem psicografada pelo médium
O Espírita pode e deve abastecer-se de Clayton Levi em 31/03/02
cultura, em todas as áreas de conhecimento, a no Centro Espírita “Allan Kardec”de Campinas/SP)

Novembro 2002 FidelidadESPÍRITA 25


Responsabilidade

Pregação e
Testemunho
Joseana Hypólyto - Jundiaí/SP

Q uantas lutas e dificul- confrades que, em geral, têm


dades enfrentam os ex- muitas atividades;
positores espíritas. De fa- 3º - confirmada a pre-
to a Seara é grande e poucos sença do expositor, agir com
casa. Ex. crianças chorando, ca-
chorro latindo, visitas a todo
momento, peregrinações para
conhecer todas as obras assis-
são os trabalhadores. Ocupar a gentileza perguntando a prefe- tenciais da cidade, etc...;
tribuna é algo de muita respon- rência de hospedagem; 5º - se for mais conve-
sabilidade! Divulgar o Espi- niente um hotel, não exage-
ritismo é tarefa que requer rar no luxo, nem na simpli-
conhecimento doutrinário, - Tem dinheiro para o ônibus, meu filho? cidade, oferecer condições
amor e muita paciência. - Não, mãe! Não tenho! básicas de higiene e des-
Quantas vezes temos - Os confrades não enviaram as passagens?! canso;
encontrado expositores que - Não senhora. 6º - enviar com antece-
nos relatam as mais diversas dência, o valor referente às
- Por que você não disse a eles, meu filho,
experiências, isto é, doloro- despesas de viagem de ida
que não tinha dinheiro?
sas experiências por conta para o evento. Imagine um
da falta de organização do
- Fiquei com vergonha mãe.
expositor que tenha dez via-
nosso movimento espírita. - Leva então este e, se possível, gens por mês pelo Brasil, no
Assim, antes de efeti- traga o troco, é o dinheiro do pão de serviço da Seara, não se pe-
varmos qualquer evento, é amanhã. É tudo que temos! Vai, meu ga um ônibus, em média,
preciso tomar algumas pro- filho, Deus te abençoe. por menos de R$ 35,00.
vidências: Ida e volta, no final do mês
1º - verificar a data são R$ 700,00 de despesa
da palestra e a agenda do expo- 4º - caso seja oferecida apenas com passagens que
sitor; casa de família, tomar o cuida- nem sempre são reembolsa-
2º - organizar as idéias do de preservar a intimidade do das. No final de um ano serão
sendo breve ao telefone para convidado, evitando constran- R$ 8.400,00! Evite, ainda, o
não ocupar muito tempo dos gê-lo com o rítimo comum da constrangimento de no final da

26 FidelidadESPÍRITA Novembro 2002


palestra, na frente de todos, sando por certas dificuldades e, para cumprir as despesas da ta-
acertar com o expositor as des- desejando honrar os compro- refa. Cuidemos, ainda, da di-
pesas de viagem e hospedagem. missos das exposições, sem ter vulgação, é justo que um maior
Dará a impressão de estar sen- recursos para viajar, teve de número de pessoas possa apro-
do pago pela palestra executa- aceitar o concurso dos pais e es- veitar a mensagem Espírita.
da. Por isso, acerte tudo com te carinho da mãe: Lembremo-nos de que
antecedência. O expositor mere- - Tem dinheiro para o divulgar a Doutrina é necessá-
ce esse carinho, às vezes são oi- ônibus? rio e importante, o expositor de-
to, dez, doze horas de viagem - Não, mãe. Não tenho! ve ser tratado com carinho fra-
para executar a alegria da pre- - Os confrades não envi- ternal, como todo ser humano.
gação; aram as passagens?! Se é fato que não deve haver en-
7º - Evite deixar o expo- - Não senhora. deusamento, também, não de-
sitor esperando, lembre-se de - Você não disse a eles ve faltar a fraternidade que ca-
que ele está fora de casa em ci- que não tinha dinheiro? racteriza os seguidores do Cris-
dade e ou estado que não co- - Não, mãe! Fiquei com to.
nhece. E é sempre angustiante vergonha. Quanto aos expositores,
estar em local distante, sem co- - Leva, então, este e, se apesar de certas dificuldades, é
nhecer ninguém. No caso do ex- possível, traga o troco, é o di- preciso saber suportar, muitas
positor se locomover de ôni- nheiro do pão de amanhã. É tu- vezes em silêncio, para não
bus, que os confrades o espe- do que temos! Vai, meu filho, comprometer o serviço na Sea-
rem nos terminais rodoviários, Deus te abençoe; ra, pensando no público e na
é preferível que quem convi- 9º - Se o expositor levar honra do uso da palavra para
dou espere, por estar em sua um acompanhante, aceitemos divulgação do Espiritismo.
própria terra, do que o convi- de bom grado, pois que Jesus Atendamos, portanto, as or-
dado, o que naturalmente é bas- enviou os seus discípulos para dens de Jesus: Ide e Pregai, hon-
tante deselegante; a pregação de dois em dois rando a tribuna e o movimento
8º - não se esqueça, ain- (Luc.10-1). Muitos dissabores com um trabalho de qualidade
da, da alimentação. Muitos ôni- acontecem nas viagens, assal- e de absoluta Fidelidade Espíri-
bus não param na estrada e tos, enfermidades, etc. Assim, ta, testemunhando em cada si-
muitos expositores não têm re- de dois em dois, se constitui nu- tuação a mensagem de Jesus. O
cursos para despesas mínimas. ma equipe mínima de trabalho; resto é com Deus! A cada um se-
Recordo-me de um compa- 10º - Preparemos bem o gundo o seu comportamento
nheiro com sérios compromis- evento; se for o caso, façamos (Mat. 16.27).
sos na Seara, contar que pas- campanhas com antecedência

Ide e Pregai, honrando a tribuna.


O resto é com Deus!
A cada um segundo o seu comportamento
(Mat. 16.27).

Novembro 2002 FidelidadESPÍRITA 27


História

Espiritismo -Como tudo começou


Sandro Cosso - Campinas/SP
2ª Parte

As Mesas Girantes do que fazer uma mesa girar e preender os fatos.


andar é fazê-la falar: pergun- Há 50 anos, se tivesse di-

F
“ oi em 1854 que ouvi fa-
lar pela primeira vez em
mesas girantes. Encon-
trando-me um dia com o Sr.
Fortier, magnetizador que eu
tam e ela responde.
- Isso é outra questão,
respondi-lhe. Só acreditarei se
vir ou se me provarem que a
mesa tem cérebro para pensar,
to, pura e simplesmente a al-
guém que era possível a trans-
missão de um despacho a 500
léguas, e a recepção da respos-
ta, dentro de uma hora, obter-
conhecia, havia muito, disse- nervos para sentir e que pode se-ia uma gargalhada em troca,
me ele: tornar-se sonâmbula. Até en- aliás bem firmada em razões ci-
- Sabeis que se acaba de tão, permita-me que considere entíficas, que provavam a im-
descobrir no magnetismo uma isso história fabulosa. possibilidade material do fato.
singular propriedade? Parece Hoje, que a lei da eletricidade é
que não somente as pessoas conhecida, ninguém o contes-
que se magnetizam, mas, tam- Apliquei a esta ta, nem mesmo um campônio.
bém, as mesas que giram e an- ciência o método O mesmo acontece aos fenô-
dam à nossa vontade. menos espíritas.
experimental, não
- É com efeito, singular, Para quem não conhece
respondi-lhe; mas isso não me
aceitando teorias a lei que os rege, parecem so-
parece rigorosamente impossí- preconcebidas brenaturais, maravilhosos e,
vel. O fluido magnético, espé- por conseguinte, impossíveis e
cie de eletricidade, pode muito ridículos. Conhecida, porém, es-
bem atuar sobre os corpos iner- Esse raciocínio era lógi- sa lei, desaparece o maravilho-
tes e fazê-los mover. co. Eu compreendia a possibili- so e eles não têm mais nada
As notícias dadas pelos dade do movimento por uma que repugne a razão, porque se
jornais de experiências feitas força mecânica, mas ignorava lhe compreende a possibilida-
em Nantes, Marselha e outras a causa e a lei do fenômeno. Pa- de.
cidades, não permitiam duvi- recia-me absurdo atribuir inte- Eu achava-me, pois, di-
dar da realidade do fenômeno. ligência a uma coisa material. ante de um fato contrário às
Tempos depois, tornei a encon- Coloquei-me na posição dos in- leis conhecidas da natureza e re-
trar Fortier, que me disse: crédulos dos nossos dias, que pugnante à minha razão. Ain-
- Mais extraordinário negam, porque não podem com- da não tinha visto, nem obser-

28 FidelidadESPÍRITA Novembro 2002


Prancheta ou cesta com lápis
amarrado (Corbeille toupie),
utilizada para a comunicação
com os espíritos.

vado nenhum caso. As expe-


riências feitas na presença de
pessoas acima de toda a suspei-
ção e dignas de maior fé, não
me permitiam duvidar do efeito
puramente material; mas a
idéia de uma mesa falante não
podia entrar em meu cérebro.
Foto contida no livro: Espiritismo, a Doutrina e o Movimento,
Therezinha Oliveira - Editora CEAK.

Só acreditarei
se me provarem que aumentaram as minhas dúvi- Batelière, 18, aceitei o convite
das. com sumo prazer. Emprazamo-
a mesa tem cérebro
- Um dia serás dos nos- nos para terça-feira, às oito ho-
para pensar, nervos ras da noite. Ali, pela primeira
sos. Disse-me, e eu respondi-
para sentir e que lhe: vez, fui testemunha do fenô-
pode tornar-se - Não digo que não, ve- meno das mesas que giram, sal-
sonâmbula remos mais tarde. tam e correm, e o fui em condi-
Algum tempo depois, ções de não poder alimentar dú-
No ano seguinte, em em maio de 1855, fui à casa da vida. Vi, também, alguns en-
princípios de 1855, encontrei o Sr.ª Roger, sonâmbula, em com- saios, muito imperfeitos, de es-
Sr. Carlotti, amigo de 25 anos, panhia de Fortier, seu magneti- crita mediúnica em uma ardó-
que, com o entusiasmo, que des- zador. Ali encontrei o Sr. Pâtier sia, com o auxílio de uma ces-
pertam as idéias novas, falou- e a Sr.ª de Plainemaison, que ta.
me dos fenômenos que me preo- me falaram no mesmo sentido
cupavam. O Sr. Carlotti era cor- que Carlotti, mas em outro não admitia
so (da Córsega - ilha francesa tom. por valiosa uma
do Mediterrâneo) de natureza O Sr. Pâtier era empre- explicação, senão
ardente e enérgica, e eu sempre gado público, homem de meia quando ela podia
estimei nele as qualidades, que idade, muito instruído, de cará-
resolver todas as
distinguem uma grande e bela ter grave, frio e calmo. A sua
alma, mas desconfiava da sua linguagem comovida, isenta de
dificuldades
exaltação. Foi ele quem pri- entusiasmo, produziu-me viva da questão
meiro me falou da comunica- impressão, e, quando me con-
ção dos Espíritos, contando-me vidou para assistir às experiên- Longe estava eu de fir-
tantas coisas surpreendentes, cias que se realizavam em casa mar minhas idéias mas ali se de-
que, longe de me convencerem, da Sr.ª Plainemaison, na Rua parava um fato, que deveria ter

Novembro 2002 FidelidadESPÍRITA 29


uma causa. Entrevi, oculto, na- clui toda a possibilidade de par- observava atentamente, com-
quelas futilidades aparentes, e ticipação das idéias do mé- parava e deduzia as conse-
entre aqueles fenômenos, de dium. Por ele vi comunicações qüências, dos efeitos procura-
que se fazia um passatempo, al- seguidas e respostas dadas não va elevar-me às causas, pela de-
go de muito sério, talvez a reve- só a perguntas que eram pro- dução e encadeamento dos fa-
lação de uma nova lei, que fiz o postas, como até a mentais, fa- tos, não admitindo por valiosa
propósito de descobrir. Bem ce- to que denunciava, em toda a uma explicação, senão quando
do tive ocasião de observar evidência, a intervenção de in- ela podia resolver todas as difi-
mais atentamente do que até teligência estranha. culdades da questão. Foi assim
então o havia feito. Os assuntos aí tratados que procedi sempre em meus
eram geralmente frívolos, ocu- anteriores trabalhos, desde 15
Estudando o Fenômeno pavam-se principalmente de anos.
coisas da vida material, nada
Em uma das sessões da verdadeiramente sério, sendo a Cumpria-me
Srª. Plainemaison, travei rela- curiosidade e o passatempo o
ções com a família Baudin, que principal móvel dos assisten-
proceder com
morava na Rua Rochecourt. O tes. O Espírito que se manifes- circunspecção e
Sr. Baudin convidou-me para tava habitualmente, dava o no- não levianamente,
as suas sessões semanais, nas me de Zéfiro, de acordo com ser positivo e não
quais fui assíduo. As reuniões seu caráter e com o da reunião; idealista para não
eram muito numerosas, admi- entretanto, era muito bom e ti- me deixar levar
tindo-se quem quer que o pe- nha-se declarado protetor da fa- pelas ilusões
disse, além das pessoas habitu- mília. Se quase sempre fazia
ais. As duas médiuns eram as rir, sabia, a propósito, dar bons
conselhos e manejar, conveni- Compreendi logo a gra-
entemente, o epigrama mordaz vidade da tarefa que ia empre-
Observava e espirituoso. ender, e entrevi naqueles fenô-
atentamente, Em pouco nos relacio- menos a chave do problema,
comparava e deduzia namos e ele deu-me constantes tão obscuro e tão controverti-
as conseqüências, provas de grande simpatia. Não do, do passado e do futuro da
dos efeitos procurava era muito adiantado, porém, humanidade, cuja solução vivi
elevar-me às causas, mais tarde, assistido por espíri- sempre a procurar; era, enfim,
pela dedução e tos superiores, ajudou-me nos uma revolução completa nas
encadeamento meus primeiros trabalhos. De- idéias e nas crenças do mundo.
dos fatos pois disse-me que devia reen- Cumpria-me, pois, pro-
carnar, e nunca mais tive notí- ceder com circunspecção e não
cias suas. levianamente, ser positivo e
Srtas. Baudin, que escreviam Foi ali que fiz meus pri- não idealista para não me dei-
numa pedra, com o auxílio da meiros estudos sérios sobre xar levar pelas ilusões”.
cesta, chamada toupie (a cesta), Espiritismo, não tanto pelas re-
descrita em O Livro dos Mé- velações, como pelas observa-
diuns. ções. Apliquei a esta ciência o Continua no próximo número.
Esse método, que exige método experimental, não acei-
o concurso de duas pessoas, ex- tando teorias preconcebidas, e

30 FidelidadESPÍRITA Novembro 2002


Literatura

O Livro dos Médiuns


publicado em janeiro de 1861

“Comece pelo começo”


Dentre os vários as- à identidade dos Espíritos, às
suntos que aborda, evocações de personalidades vi-
destacam-se: provas vas, à telegrafia humana, além
da existência dos de vários temas intimamente re-
Espíritos, o mara- lacionados com o Espiritismo
vilhoso e o sobre- experimental.
natural, modos de Não menos importante
se proceder com são os capítulos dedicados às re-
os materialistas, uniões nas sociedades espíritas,
três classes de es- ao regulamento oficial da So-
píritas, ordem a que de- ciedade Parisiense de Estudos
vem obedecer os estudos espí- Espíritas e ao Vocabulário Espí-

E ste livro reúne o ensino


especial dos Espíritos Su-
periores sobre a explica-
ção de todos os gêneros de ma-
nifestações, os meios de comu-
ritas, a ação dos espíritos sobre
a matéria, manifestações inteli-
gentes, as mesas girantes, mani-
festações físicas, visuais, bi-
corporeidade, psicografia, labo-
rita.
Como se observa, O Li-
vro dos Médiuns é a obra bási-
ca da Ciência Espírita; graças a
ele, o Espiritismo firmou-se co-
nicação com os espíritos, o de- ratório do mundo invisível, mo Ciência Experimental.
senvolvimento da Mediunida- ação curadora, lugares assom- Embora publicado há
de, as dificuldades e os trope- brados (com comentários sobre mais de 100 anos, seu conteú-
ços que eventualmente possam o exorcismo), tipos de médiuns do é atual; seus ensinamentos
surgir na prática mediúnica. e sua formação, perda e sus- permitem ao leitor estabelecer
pensão da Mediunidade, in- relações evidentes da Ciência
Seu conteúdo é convenientes e perigos da Medi- Espírita com várias conquistas
apresentado em 2 partes: unidade, a influência do meio e científicas da atualidade.
da moral do médium nas comu-
nicações espíritas, mediunida-
1- Noções preliminares; de nos animais, obsessão e Fonte:
meios de combatê-la; trata, Transcrito do folheto “Comece pelo co-
meço" USE/SP.
2- Das manifestações espíritas. também, de assuntos referentes

Novembro 2002 FidelidadESPÍRITA 31


Justiça Divina

Juízo Final Benedito Godoy Paiva


Anuário Espírita de 1981

S
“ entado o Padre Eterno em trono reful-
gente,

Olhar severo envia a toda aquela gente!


-Mulher! Para
onde vais?!!!
E o que passou-
se, então,
Ninguém esque- Reprodução
Enquanto anjos cantam, outros vão levando, ce mais:
Ante a figura austera desse Venerando,
As almas que da tumba emigram assustadas
Vendo o tribunal solene, majestoso, - Eu vou para o inferno, ao lado do meu filho,
Em que vão ser julgadas. A repartir comigo a sua desventura!
As lágrimas de mãe, as gotas do meu pranto,
Dois grupos são formados, Acalmarão no averno a sua queimadura.
Um de cada lado:
O da direita, céu; o da esquerda averno. Eu deixo para ti esse teu paraíso.
Essa mansão celeste onde o amor é surdo!
E Satanás ao canto, o chifre fumegante, Onde se goza a vida a contemplar tormento,
Espera impaciente, impávido, arrogante,
Onde a palavra amor represa um absurdo!
A "turba" para o inferno.

Aconchegando o filho, a alma bem amada, Entrega esse teu céu às mães malvadas, vis,
E que na Terra fora algo desassisada, Que os filhos já mataram para os não criar,
Uma mulher se chega e a sua prece faz, Pois só essas megeras poderão, no céu,
Rogando ao Padre Eterno poupe do inferno Ouvir gritar seus filhos sem se consternar!
O pobre do rapaz.
Desprezo esse teu céu! O meu amor é grande!
Cofia o Padre Eterno a longa barba branca Imenso! Assaz sublime! E posso te afirmar
E, o óculo ajustado à ponta do nariz,
Que se não te comove o pranto lá do inferno
O olhar dirige, então, à pobre desgraçada
E compassado diz: E os que no averno estão são todos filhos teus,
O meu amor excede ao próprio amor de Deus!
"Os anjos vão levar-te agora ao paraíso
E dar-te a recompensa: o teu descanso eterno! E ante o estupefato olhar do Padre Eterno,
Ali desfrutarás felicidades mil,
Porém, teu filho mau irá para o inferno.” A mãe beijou o filho
Um anjo toma o moço e o leva a Satanás; ... E foi para o inferno!"
Porém, a pobre mãe, ao ver partir o filho,
Aflita, corre atrás!

E, ao incorporar-se às hostes infernais,


Eis grita o Padre eterno, em tom assustador:

32 FidelidadESPÍRITA Novembro 2002


Entendendo
Da Redação

N o livro O Céu e o Inferno Allan Kardec, o


codificador do Espiritismo, faz uma aná-
lise acerca das definições que dão nome
ao livro.1 Assim, céu e inferno não são locais geo-
gráficos e sim estados de consciência.
Glossário
Padre eterno:
eterno (Do lat. Pater, “pai”) sm =
Dessa forma a lei de causa e efeito, como Deus.
norma divina para regulamentar as atitudes mo- Averno sm 1. (lat. Avernu) Poét. inferno.
Averno:
rais dos seres, nos fará colher, na mesma encar- adj. 2. V avernal.
nação, no mundo espiritual ou em existência fu-
tura, as reações boas ou más das nossas ações.2 Satanás
Satanás: Adversário.
O objetivo da lei não é o de punir, mas o
de educar. Desassisada = adj. (Part. de desassisar) 1
O educando, portanto, é convocado, pela Que não tem siso. 2 Desatinado, desvaira-
lei, a recompor com o bem o mal que tenha feito do, louco. Antôn. (acepção 2): prudente.
e a recolher, de maneira natural, a bondade que Cofiar
Cofiar: (fr. coiffer) vtd Afagar, alisar com
tenha semeado. a mão a barba ou o cabelo.
Deus é justo e bom.
Se a justiça divina exige a reparação de to- Hostes = s.f. (lat. hoste) 1 Tropa, exército
do mal, a reencarnação, representando a bonda- beligerante, corpo de exército. 2 Bando,
de de Deus, nos concederá quantas existências chusma, multidão.
corpóreas forem necessárias até atingirmos a per-
Vil - Vis = adj. m+f (lat. vile) 1 De pouco
feição, isto é, o desenvolvimento no mais alto
valor; que se compra por baixo preço. 2
grau de todas as nossas capacidades morais e in- Baixo, reles, ordinário. 3 Mesquinho, hu-
telectuais. milde, miserável. 4 Desprezível, abjeto. 5
Na atualidade, nem mesmo a Igreja Roma- Infame, torpe. s m+f Pessoa vil, abjeta,
na adota a idéia de locais inferiores onde o sofri- despresível.
mento é perene e locais de felicidade eterna, on-
de as criaturas passam a eternidade contemplan-
do o criador; e até mesmo o demônio, segundo o
Papa João Paulo II,3 já não existe mais. Que pro-
gresso! 1 Ver o livro O Céu e o Inferno de Allan Kardec, cap. III
Tudo isso o Espiritismo vem divulgando à
e IV. Ed. Feb.
mais de 145 anos.
Na poesia Juízo Final, Benedito Godoy 2 Ver o livro O Céu e o Inferno de Allan Kardec, cap. VII
Paiva ilustra, de maneira magistral, o absurdo da - Código Penal da Vida Futura. Ed. Feb.

idéia de céu e inferno, bem como a existência do 3 Maria Teresa Costa, jornal Correio Popular - Campi-
diabo,4 entidade mitológica, diante da justiça e nas/SP - 19/08/1999.
bondade divinas. 4 Ver o livro O Céu e o Inferno de Allan Kardec, cap. IX,
estudo completo e racional sobre os demônios e sua
inexistência enquanto seres à parte da criação.

Novembro 2002 FidelidadESPÍRITA 33


Tradição

A Origem do dia de finados


Pesquisa de Lino Bittencourt
todos os deuses". O Papa Boni- fizessem no templo orações em

S egundo os bons léxicos, fácio IV obteve-o, por doação intenção desses mortos.
Finados quer dizer: aque- do Imperador Focas e fê-lo puri- Só em 998 d.C, dez sécu-
le que finou, que faleceu, ficar, recolhendo a ele os tesou- los depois do Cristo, o Abade da
que acabou, morreu. ros e os despojos mortais das ca- ordem dos Beneditinos, em
O “Dia de Finados" não tacumbas dos cristãos e consa- Cluny, instituiu em todos os
tem origem em ensinamentos grou-o a Santa Maria dos Már- mosteiros da ordem na França,
dos Espíritos. Derivou da festa tires. a comemoração dos “mortos", o
Católica Romana de 1º de No- Gregório IV, em 835 d.C dia de “finados", nesse 2 de No-
vembro: “Dia de todos os San- instituiu, em antítese à “festa de vembro; culto que a Santa Sé
tos". todos os deuses" a “festa de to- aplaudiu e oficializou para todo
Quando da destruição dos os Santos", em homenagem o Ocidente.
dos templos pagãos em Roma, aos santos que não tinham culto
um entre todos foi poupado, por- em dia destacado no calendário,
que constituia obra prima de ar- universalizada, depois, para to-
Para saber mais, consulte:
quitetura e riqueza. Construído do o orbe católico. Mas para que 1) O Dois de Novembro - Almerindo
por Marcos Agripa, denomina- não ficassem esquecidos ante Martins de Castro, revista Reformador
va-se Panteão e nele, a 1º de No- Deus, os fiéis da Igreja e os peca- Novembro de 1990.
dores, foi estabelecido que no 2) Os mortos vivem - Maria Helena Mar-
vembro, era celebrada pelos pa- com, jornal Mundo Espírita, Novembro
gãos com excessos, a “festa de dia seguinte, 2 de Novembro se de 1997.

Lei de T alião não se trata do nome de ninguém, mas simplesmente


da forma portuguesa de “talionis”, do latim.

Trata-se da família de “talio”, “talionis”, “talis”, “tale”, da


talião qual provém a nossa palavra “tal”, que tem, entre outros, o signifi-
cado de “semelhante”, “igual”, “análogo”, e se usa também nas ex-
pressões “tal qual” e “tal e qual”, que indicam idéia de igualdade.
A lei é de “talionis” justamente porque inflige ao criminoso
Pasquale Cipro Neto o mesmo mal que praticou. Por falar em talião, é bom lembrar “re-
taliar” (que vem do latim “retaliare”) é da mesma família e signifi-
ca “tratar segundo a lei de talião”, “revidar com dano igual ao da-
no recebido”, “impor a pena de talião”.
Transcrito do jornal:
Correio Popular Que fique claro, pois: grafa-se “talião”, com minúscula (des-
Campinas/2001. de que não inicie a frase).

34 FidelidadESPÍRITA Novembro 2002


O EDITOR RECOMENDA
AS OBRAS BÁSICAS DE ALLAN KARDEC
O Livro dos Espíritos
O Livro dos Médiuns
O Evangelho Segundo o Espiritismo
O Céu e o Inferno
A Gênese
De Allan Kardec Editora FEB.
Pedidos: Fone: 0(xx) 21-2589.6020

Só se pode compreender bem o Espiritismo conhecendo as


obras acima citadas. A ciência, a filosofia e a religião espíritas num
Pentateuco valioso e pouco estudado.
Leitura obrigatória para todo aquele que deseja conhecer,
de verdade e com profundidade, o Espiritismo.

A ESQUINA DE PEDRA
De Wallace Leal V. Rodrigues. sendo introduzidos, no Cristianis-
Editora “O Clarim”. 416 páginas. mo, o culto às imagens, as roupas
Pedidos Fone: 0(xx) 16-282.1066 / 282.1471 especiais, a organização sacerdo-
tal, que inicialmente, no colégio
Para aqueles que gostam de saber “como apostólico, não existia.
tudo começou” este livro é indicado. Aponta com O livro é um primor, rari-
extraordinária lucidez os desvios do Cristianismo. dade mesmo! Entretanto, o leitor
Demonstra, ainda, como a doutrina simples de precisará estar preparado, pois que
Jesus, começou a sofrer deturpações e a servir aos vai encontrar um estilo elegante e
interesses dos imperadores romanos. Fala, com erudito que coroa esta obra. So-
muita propriedade, como foi fundada a Igreja Ca- mente ela, bastaria para consagrar
tólica Romana, além de demonstrar como foram seu culto e valoroso autor, já desencarnado.

DEUS NA NATUREZA maneira racional a manifestação divina atra-


vés da própria natureza. Todos os seus apon-
tamentos trazem bases científicas. O leitor é
De Camille Flammarion. conduzido para o macro e o microcosmos e en-
Editora FEB. 416 páginas. contra Deus. Caminha pelas várias ciências co-
Pedidos Fone: 0(xx) 21-2589.6020 mo: física, química, fisiologia, matemática, as-
tronomia, psicologia, etc, e encontra Deus!
O autor foi contemporâneo de Allan Obra extraordinária, que deve e mere-
Kardec, astrônomo de renome mundial, con- ce ser estudada. Não é um romance, mas é
verteu-se ao Espiritismo, ofertando-lhe extra- uma explosão de cultura, um mergulho na na-
ordinária contribuição. tureza em busca de Deus, uma verdadeira Teo-
Deus na Natureza é um clássico Espí- dicéia. Para os que gostam de leituras filosófi-
rita. Do início ao fim Flammarion aponta de cas e científicas é Imperdível! Confira!

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