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PSICOPATOLOGIA ESPECIAL

TURMA: 1PSI36A | TURNO: NOITE

PROFESSORA: SONIA MARIA DE CARVALHO MOURA

ALUNA: JANAINA ROCHA DE MENDONÇA ARENARO DE CARVALHO

MATRÍCULA: 20092101314

TRABALHO 1 – PSICOSES – ESQUIZOFRENIA - QUESTÕES:

1. Definição:

Embora seja definida como uma única doença, a esquizofrenia engloba um grupo de
transtornos com etiologias heterogêneas e inclui pacientes com apresentações clínicas,
resposta ao tratamento e cursos das doenças variáveis.

Os sinais e sintomas variam e incluem alterações na percepção, na emoção, na


cognição, no pensamento e no comportamento.

A expressão dessas manifestações varia entre os pacientes e ao longo do tempo, mas o


efeito da doença é sempre grave e geralmente de longa duração. O transtorno costuma
começar antes dos 25 anos, persiste durante toda a vida e afeta pessoas de todas as classes
sociais. Tanto os pacientes como suas famílias muitas vezes sofrem de cuidados deficientes e
ostracismo social devido a ignorância sobre o transtorno. A esquizofrenia é um dos mais
comuns dos transtornos mentais graves, mas sua natureza essencial ainda não foi esclarecida;
portanto, às vezes, ela é referida como uma síndrome, como o grupo de esquizofrenias ou,
como na quinta edição do Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-5), o
espectro da esquizofrenia. Os médicos devem entender que o diagnóstico de esquizofrenia
tem base inteiramente na história psiquiátrica e no exame do estado mental. Não existe um
exame laboratorial para esse transtorno.

“Transtornos do espectro da esquizofrenia e outros transtornos psicóticos” – Cap. 7

Compêndio de Psiquiatria – Kaplan (2017) – pág. 300

2. Epidemiologia:

A esquizofrenia é igualmente prevalente em homens e mulheres.

Ambos os sexos diferem, no entanto, quanto ao início e ao curso da doença. O início é


mais precoce entre homens. Mais da metade dos pacientes com esquizofrenia do sexo
masculino, e apenas um terço dos pacientes do sexo feminino, têm sua primeira internação
em hospital psiquiátrico antes dos 25 anos de idade. As idades de pico do início são entre 10 e

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25 anos para os homens e entre 25 e 35 anos para as mulheres. Diferentemente deles, as
mulheres exibem distribuição etária bimodal, com um segundo pico ocorrendo na meia-idade.
Cerca de 3 a 10% das mulheres apresentam início da doença após os 40 anos. Em
torno de 90% dos pacientes em tratamento têm entre 15 e 55 anos. O início da esquizofrenia
antes dos 10 anos ou após os 60 anos é extremamente raro.

Alguns estudos indicaram que os homens têm maior probabilidade de sofrer sintomas
negativos (descritos mais adiante) do que as mulheres, e que estas têm maior probabilidade
de ter melhor funcionamento social antes do início da doença. Em geral, o resultado para os
pacientes do sexo feminino é melhor do que para os do sexo masculino. Quando o início
ocorre após os 45 anos, o transtorno é caracterizado como esquizofrenia de início tardio.

Na população, A prevalência de esquizofrenia foi correlacionada com densidade


populacional local em cidades com populações de mais de 1 milhão de pessoas.

O efeito da densidade populacional é congruente com a observação de que a


incidência de esquizofrenia em filhos de um ou dois genitores com o transtorno é duas vezes
mais alta em cidades do que em comunidades rurais. Tais observações sugerem que
estressores sociais do contexto urbano afetem o desenvolvimento da doença em pessoas em
risco.

“Transtornos do espectro da esquizofrenia e outros transtornos psicóticos” – Cap. 7

Compêndio de Psiquiatria – Kaplan (2017) – págs. 301 e 302

3. Sintomas Prodrômicos ou Pré-mórbidos:

São os sintomas iniciais da esquizofrenia. Às vezes eles são diagnosticados errôneos ou


tardiamente e se perde um grande tempo para iniciar o tratamento.

Nas formulações teóricas sobre o curso da esquizofrenia, sinais e sintomas pré-


mórbidos aparecem antes da fase prodrômica da doença.

Essa diferenciação implica a existência desses indicadores antes do processo


patológico se tornar evidente e que os sinais e sintomas prodrômicos fazem parte da evolução
do transtorno. Na história pré-mórbida típica, porém não invariável, da esquizofrenia, os
pacientes tinham personalidade esquizoide ou esquizotípica, caracterizados como quietos,
passivos e introvertidos; na infância, tinham poucos amigos. Adolescentes pré-esquizofrênicos
podem não ter amigos próximos, nem interesses românticos, e também evitar esportes de
equipe. Muitas vezes, preferem assistir a filmes ou televisão, escutar música ou jogar games de
computador a participar de atividades sociais.

Alguns pacientes adolescentes podem exibir início súbito de comportamento


obsessivo-compulsivo como parte do quadro prodrômico.

...A validade dos sinais e sintomas prodrômicos, quase invariavelmente reconhecidos


após o diagnóstico de esquizofrenia, é incerta; depois que o transtorno é legitimado, a
recordação retrospectiva dos primeiros sinais e sintomas é afetada. Apesar disso, embora com

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frequência se acredite que a primeira hospitalização marque o início do transtorno, os sinais e
sintomas muitas vezes estavam presentes por meses ou mesmo anos. Os sinais podem ter
iniciado com queixas de sintomas somáticos, tais como dores de cabeça, dores nas costas,
dores musculares, fraqueza e problemas digestivos, e o diagnóstico inicial pode ser simulação,
síndrome da fadiga crônica ou transtorno de somatização. A família e os amigos podem, por
fim, perceber que a pessoa mudou e não está mais funcionando bem em atividades
ocupacionais, sociais e pessoais.

Durante esse estágio, um indivíduo pode começar a desenvolver um interesse por


ideias abstratas, filosofia e por questões ocultas ou religiosas. Outros sinais e sintomas
prodrômicos incluem comportamento acentuadamente excêntrico, afeto anormal, discurso
incomum, ideias bizarras e experiências perceptuais estranhas

“Transtornos do espectro da esquizofrenia e outros transtornos psicóticos” – Cap. 7

Compêndio de Psiquiatria – Kaplan (2017) - Pág.311 e 312

4. Sintomas Positivos e Negativos:

Esquizofrenia deficitária. Na década de 1980, foram divulgados critérios para um


subtipo de esquizofrenia caracterizado por sintomas negativos persistentes, idiopáticos. Dizia-
se que esses pacientes exibiam a síndrome deficitária. Diz-se agora que esse grupo de
pacientes tem esquizofrenia deficitária (ver os critérios para o suposto diagnóstico da doença
na Tab. 7.1-2). Considera-se que indivíduos apresentando esquizofrenia com sintomas
positivos têm esquizofrenia não deficitária. Os sintomas usados para definir a esquizofrenia
deficitária (sintomas negativos persistentes) são fortemente interligados, embora várias
combinações dos seis sintomas negativos nos critérios possam ser encontradas.

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Os pacientes deficitários (sintomas negativos persistentes) têm um curso da doença
mais grave do que os não deficitários (sintomas positivos), com uma prevalência mais alta de
movimentos involuntários anormais antes da administração de medicamentos antipsicóticos e
funcionamento social mais pobre antes do início dos sintomas psicóticos. O início do primeiro
episódio psicótico é mais frequentemente insidioso, e esses pacientes apresentam menor taxa
de recuperação das funções a longo prazo do que os não deficitários. Pacientes deficitários
(sintomas negativos persistentes) têm menor probabilidade de casar do que outros pacientes
com esquizofrenia. Entretanto, apesar de seu nível mais pobre de funcionamento e de maior
isolamento social, ambos os quais devem aumentar o estresse e, portanto, o risco de
depressão grave, pacientes deficitários (sintomas negativos persistentes) parecem ter risco
menor de depressão maior e provavelmente também menor risco de suicídio.

Os fatores de risco dos pacientes deficitários (sintomas negativos persistentes)


diferem dos de pacientes não-deficitários (sintomas positivos); enquanto a esquizofrenia
deficitária (sintomas negativos persistentes) está associada com um excesso de nascimentos
no verão, indivíduos não deficitários (sintomas positivos) têm um excesso de nascimentos no
inverno. A esquizofrenia deficitária (sintomas negativos persistentes) também pode estar
associada com um maior risco familiar de esquizofrenia e de características deficitárias leves
nos parentes não psicóticos de probandos deficitários. Em uma família com múltiplos irmãos
afetados, a categorização deficitário(sintomas negativos persistentes)-não deficitário
(sintomas positivos) tende a ser uniforme. O grupo deficitário (sintomas negativos
persistentes) também tem uma prevalência mais alta em homens.

A psicopatologia dos pacientes deficitários (sintomas negativos persistentes) tem


impacto no tratamento; a falta de motivação, a falta de interesse, o maior comprometimento
cognitivo e a natureza antissocial enfraquecem a eficácia das intervenções psicossociais, bem
como a adesão aos regimes medicamentosos. O comprometimento cognitivo (sintomas
negativos persistentes), que é maior do que o de indivíduos não deficitários (sintomas
positivos), também contribui para essa falta de eficácia.

“Transtornos do espectro da esquizofrenia e outros transtornos psicóticos” – Cap. 7

Compêndio de Psiquiatria – Kaplan (2017) - Pág.310 e 311.

5. Curso Evolutivo:

O curso clássico da esquizofrenia é de exacerbações e remissões. Após o primeiro


episódio psicótico, o paciente se recupera de forma gradual e funciona de modo relativamente
normal por um longo tempo. As recaídas são comuns, e o padrão da doença durante os
primeiros cinco anos após o diagnóstico em geral indica o curso do paciente. A deterioração do
funcionamento basal é cada vez maior após cada recaída da psicose. Esse fracasso em retornar
ao nível anterior de funcionamento é a principal distinção entre a esquizofrenia e os
transtornos do humor. Às vezes, uma depressão pós-psicótica clinicamente observável se
segue a um episódio psicótico, e a vulnerabilidade do paciente com esquizofrenia ao estresse
costuma se manter por toda a vida. Os sintomas positivos tendem a tornar-se menos graves
com o tempo, mas a gravidade dos sintomas negativos ou deficitários socialmente

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debilitantes, pode piorar. Embora cerca de um terço de todos os indivíduos com esquizofrenia
tenha alguma existência social, ainda que marginal ou integrada, a maioria tem vidas
caracterizadas por falta de objetivos, inatividade; hospitalizações frequentes e, no contexto
urbano, falta de moradia e pobreza.

“Transtornos do espectro da esquizofrenia e outros transtornos psicóticos” – Cap. 7

Compêndio de Psiquiatria – Kaplan (2017) - Pág.317

6. Prognóstico:

Diversos estudos mostraram que, ao longo de um período de 5 a 10 anos após a


primeira hospitalização psiquiátrica por esquizofrenia, apenas cerca de 10 a 20% dos pacientes
podem ser descritos como tendo um desfecho positivo. Mais de 50% deles apresentam
resultado insatisfatório, com hospitalizações repetidas, maior exacerbação de sintomas,
episódios de transtorno do humor e tentativas de suicídio. Apesar desses números
desanimadores, a doença nem sempre tem um curso deteriorante, e diversos fatores foram
associados a um bom prognóstico (Tab. 7.1-4).

As taxas de remissão relatadas variam de 10 a 60%, e uma estimativa razoável é de


que 20 a 30% dos pacientes sejam capazes de levar vidas relativamente normais. Cerca de 20 a
30% continuam a apresentar sintomas moderados, e entre 40 e 60% permanecem
comprometidos de forma significativa pelo transtorno durante toda a vida. Pacientes com
esquizofrenia têm desfechos muito piores do que os afetados por transtornos do humor, ainda
que entre 20 a 25% destes últimos também apresentem perturbações graves no
acompanhamento de longo prazo.

“Transtornos do espectro da esquizofrenia e outros transtornos psicóticos” – Cap. 7

Compêndio de Psiquiatria – Kaplan (2017) - Pág.317 e 318

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7. Subtipos:

* Esquizofrenia Catatônica (Grupo Rubens):

O tipo catatônico da esquizofrenia, que era comum há várias décadas atrás, tornou-se raro na
Europa e na América do Norte. Sua característica clássica é um distúrbio acentuado da função motora,
que pode envolver estupor, negativismo, rigidez, excitação ou posturas bizarras. Por vezes, o paciente
exibe alternância rápida entre extremos de excitação e estupor. As características associadas incluem
estereotipias, maneirismos e flexibilidade cérea. O mutismo é particularmente comum. Durante a
excitação catatônica, os pacientes necessitam de supervisão constante para impedir que machuquem a
si mesmo ou outras pessoas. Pode ser necessário atendimento médico devido à desnutrição, exaustão,
hiperpirexia ou autolesões.

“Transtornos do espectro da esquizofrenia e outros transtornos psicóticos” – Cap. 7

Compêndio de Psiquiatria – Kaplan (2017) - Pág.309

* Esquizofrenia Paranóide (Grupo Janaina):

O tipo paranoide da esquizofrenia caracteriza-se pela preocupação com um ou mais


delírios ou alucinações auditivas frequentes. Classicamente, esse tipo é marcado, sobretudo
pela presença de delírios de perseguição ou grandeza (Fig. 7.1-4).

Esses pacientes costumam ter seu primeiro episódio da doença em idade mais
avançada do que aqueles com os tipos catatônico ou desorganizado. Pacientes nos quais a
esquizofrenia ocorre no fim da segunda ou terceira décadas de vida em geral já estabeleceram
uma vida social que pode ajudá-los a enfrentar a doença, e seus recursos de ego tendem a
serem maiores do que os de afetados por esquizofrenia catatônica e desorganizada. Além
disso, demonstram menos regressão de suas faculdades mentais, de respostas emocionais e
de comportamento do que em outros tipos do transtorno.

Indivíduos com esquizofrenia paranoide tendem a serem tensos, desconfiados,


cautelosos, reservados e, às vezes, hostis ou agressivos, mas também ocasionalmente
capazes de se comportar de forma adequada em algumas situações sociais. Sua inteligência
nas áreas que não são invadidas pela psicose tende a permanecer intacta.

“Transtornos do espectro da esquizofrenia e outros transtornos psicóticos” – Cap. 7

Compêndio de Psiquiatria – Kaplan (2017) - Pág.307

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* Esquizofrenia Desorganizada (Grupo Giovanna):

O tipo desorganizado da esquizofrenia é caracterizado por regressão acentuada para um


comportamento primitivo, desinibido e desordenado e pela ausência de sintomas que satisfaçam os
critérios para o tipo catatônico. O início desse subtipo costuma ser precoce, ocorrendo antes dos 25
anos de idade. Os pacientes desorganizados em geral são ativos, mas de uma forma não construtiva,
sem objetivo. Seu transtorno do pensamento é pronunciado, e o contato com a realidade é pobre. Sua
aparência pessoal é desleixada, e o comportamento social e as respostas emocionais são inadequados,
com frequência explodindo em risos sem nenhuma razão aparente. Sorrisos e caretas incongruentes
também são comuns nesses pacientes, cujo comportamento pode ser mais bem descrito como tolo ou
insensato.

“Transtornos do espectro da esquizofrenia e outros transtornos psicóticos” – Cap. 7

Compêndio de Psiquiatria – Kaplan (2017) - Pág.307

FONTES CONSULTADAS:

→DSM-V

→CID 10

→ Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais – Paulo Dalgalarrondo (Págs. 328-333);

→Manual de Psicopatologia – Elie Cheniaux.

FONTE UTILIZADA:

→ COMPÊNDIO DE PSIQUIATRIA - KAPLAN