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presente trabalho, que agora se difunde para todos os professo-·

ensino. secundário, foi elaborado por um grupo de pro;f'essoree do .


a- soli.d tação, ·da Direcção-Geral.

com a intenção de.participar, de


centenário da publicação de :11os
de vinte e cinco professores do
cão-Geral "promover a·.elaboração de um
o. objectivo de fazer
nomeadamenteos do 3R

usaz-, formaram-se subgrupos


vária ordem fizeram prolongar
para ooncLuaão,dos,
todo o grupo em Abril

nos traba;Lhos dos subgrupos dois .profer·· ,_.,


autores do texto que segue-

.
a dâ.d,áctic;iade "Os Lusíadas"
e colfi!,>;aS•.
.• ··. .. . Umaproposta que não
sej;>,o,ri:ti:o&.d,é},
pa~ que, ganha a eXPeri~ncia no novo
·· ser ~fol'lllu;Lad<Í;·· .•
~er~ comprazer que se reoebel"ão,
· q~rA~ cÓlegaç :e:X:perientesquer de joven~ que
'ª a.(i~11;er•.O'imP<:>rtante ..~.que se acz-ed te í,

estW!o do po~~ O,e Cam5es, umtratamento


v recupere para os nossos alunos
L~ .e é),ue.
'-e-z:~o·::'.'.-;..
e.. ,~ '·
0Abílip Alves Bonito Perfeito
Viana de Alvarenga
Ribeiro dos Santos
Cust6dio Lope13 dos Santos
ria Re,belo Qu.intela
Fráncisco da Costa. Marques
Lu!s Simões Gomes
de Almeida Sousa
Gutierres

Mq,ria Rosa· Br-agariçado Rosário .


Duarte de Rodrigt.tesRamos

vivo reconhecimento
a· àtingil' no· estudo de uma obra li ter,áriaº
estétióos, ideol;i1gioos e morais oontid:os na

da mensagemde "Os Lueµadas11•

·~CJ'O :PE UMA ORIE!iTAÇÃü (}ERAL RELATIVA l DIDJl.CTICA DE "OS


IAS11 18,
18
ÓÓ;riiiid.eraçtles
gerais de. ca;[láoter didáotioo• 19
'D~oliioa.s.
de ensinei 23
de grupo; 23
'debates; 23
estudo comparativo de textos; 23
dramaÚzaçtles; · 23
temas de redacçlfo •
, Máterial .didáotio~~
auxiliares puramente vj_suais;
J:. à)lXiliares sonoros;
J'aiuc±liàres aUdiovis:uais;
,)'mate11Ía1 ~ elaborar peleis alunos ou em oo Labo.ração com
: eies; 26,
e) textos .auiciliares• 27
de 110s Lu~,!adas"i 38
,'li:)' indioaçtles: preliminares; 38
b'Xp+anifioaÇão. 39
de "Us Lusíadas"•
estudo da narração (viagem e mitologia);
a) introdução•
o} a viagem;
o) à mitologia;
d) conc tusõe s-

A :j.mportânciae função da matéria hist6rica;


a) indicações preliminares;
c) o aproveitam,entodas fontes hist6ricas;
o): a apresentação e o tratamento da maté r-í,a
discurso do Gama}
descrição das bandeira;i;
profecia$.
a) su~stões para o estudo de alguns epis6dios;
"fermos!ssima J\laria";
batalha de Aljubarrotai
os Doze.de Inglaterra;
-,Nuno Alvares na descrição das .'Qandeiras;-
s. Tomé.

estudo·das reflexões e comentário~ é:ríticqs d.o


prêi;ê.ndendo-contraria:r os ·objectivos expressos no Pio..:.
ainda. em vigor, mas ·aeseja.nqo, na. medida do
expl!ci te 'e seu aLcance , a. seguir se. apresentii.
op.jectivos que deverão ser convenf.en'tement e ·
· - do elfilino'~

I;nteressar os alúl'!Ós na mensagem humaná, universal e per""


'._inane,n~e ·do .pqeta., Levando-os a -descobrir, na 'epopeià, o
--~e os.póss<1:~auxiliar na compreensão do mundo e dos b:omen~.•

nos alunos, através- da. visãe> épica de C!!.mdei;:,



não scSpor uma é-poca pa.rticular da hist.Sria.-de
ma_s ·t<;1.mb!11n'
pelo conjunto da vida nacional
irifcio•,e' pelos seus. valores permanentes.

compreensa.o"ma s exa.êta
í

pelo Poeta nos


ciei'it!ticá e
<ie coi-ihecer).

norma lin-
do tex't.o

_evolução da l!ngua
e enriquecimento
,e ~n:tes ~e concretizar indicações d.e ordem did4ctica. relati-
Vàâ i!.c estudo !ie "Os Lusíadas", seja-nos permitido introduzir él.lg11111aE1
.···cóns:i;der@.9Q°es, talvez peJ.'.tinentes e necessárias, sobre os. ob~ectivos
···.•/'â.; atingi!'. no •estudo de uma obra· literária (mesmoestudada a. nível de
·· gerl!,1 de ~iceu).

Comoé evide~te, as reflexões que.apresentamos e a inter-


t·~retação ·<tq"e_ pres,suí:i,Õllm•
baseiam-se em leituras, mas sempre af'erida.s
';.·,•;Pela
prá"tica.''docente .e ponde;rade:s.de acordo com a serenidade de jul..;;
•.gf,Unen"to que deve. caracterizar todo o professor. Que nos seja relevada
. a: simplicidade de tal ~ntenção, mas estamos c.onvictos de que, para
, "•.13olémda "leitura de cada um", mais ou menos inteligente, ri·ca 'de sub-
·"••''~ject:i.vidade ou demasiado f'orma.lista, convirá muito que todos os pro-
;·'~~s~o:r!s se pÓssa;inencontrar em perfeita unanimida.de ~obre a inter- ·
C:~rf:l,ta9ao ,de pontOli!f'llndamentais ·.sugeridos nas Instruçoes Programáti,-
,ca~,. <> <IU-8 sé oonside,ra imprescind!vel na tarefa que lhes competes
·~niiínar a..ler ""',independentemente da originalidade· e eficH!ncia que
. cáda.,1lQr .~<tnsiga imprimir a:os seus pro0esêos de ensino.

Se; colDotodo.s aabemos., a' obra literária não pode .conside-


·~r,..sedesenraizada do ambiente social e hist6rico em que se si tuà o
l!u autor - atmosfera que e:tpl~ca a gtfoese da obra literária e des- '
éi;id.à as gJ:"andes'Unhas· de pens,~mentoem que se insere -, ela não é
I9 ,P;i>odutoda sociedadé, ·oomose não limita a reflectir ou a tes-
iµrihar.à,s yáriaf! circunstftncias ou episcSdios que ca.raóterizam él
i'ograf'il!,..dó seu criador. E já parece b~l repetir que a ,literatura
â.rte, ar:t,e da 'palavras o !'riado:r::literário, a.través do material
iiigu!stico que·seleóciona e forja, transfigura a realidade de que
inspir:a; recri~ er utilizando processos literttrios espec!ficos,
trahsmite. a sua, visão •do Mundo, o seu. idettrio, comum' à época, mas ·
,mais .ou nienos enriquecidt> pela :i;nterpret1!.9âopessoal e pelo .poder
'J:,riadór d.e, que disponha •. Assim, a.s ideias contidas na obra~. os valo-
.. iê,s,einprais',. ~no.sCSficos,·ór!ticos e :rel~giosos, nela expressos, t3m
·~.IJ,~is~ut!velinteresse e. imP()rtftncia, sao mesmoimprescind!veis para
~'.f!~ -to.tal •apreciação; maá s.~.J>Odem ser interpretados comopartes
;;i.l!fé~~teiii ide um contexto,·· organizados com outros elementos cons-
.útfvosº de 'lllll;todo - ,a obra: literária -, e inseparáveis, portanto,
mane~l'a{º?Tº foram expressos· pelo autor. .·

;{:,o~..e.fe~t(), ha o'brà li teráz:ia, as ideia.e não t3m exist3noia


''· ;,:ihd"e.Pe~de11te1como~nafilosofià e numd,epoimento social e
o.J.lpoiíti~•: MAÍ!t·11.n:teà·;
inset'.i~s. Ji~,lÍv,idâde, ·.ae;;en(~~~;ooiii~~~~J
d.i.~ÊI e éxplica(l.as re'lll;tivamente todó em que àé in;tEiiJ;-~, ~oineu.;,;
.11.o :
ta.das ein sua. ~ç;ão es~iftico-li;ter4ria., o que, port~to~;o~ftgª 'é>'</
pi'ofessor·•a. reoc>l)hecero ..primàdo do..texto -. Pc>r.isso~ •ººJ.1~1!1~Íi~tiqa~
' que oá va,lores· ideol6gicos e..mora.is.:podemser id*nt:j.cp~ ·ªiii ,ditj(fin,..f
·.teà autores da mesma.~poca. ou de lpooa.s diferentes 1 86 a ·tlfcniéa 'li.:.
ter4ria. .:.:.caract~rizada. p•la escolha. de soluções adeCÍUada11 ~ pel_â~,ca;;
dopção de éonvençÕu Í,i~!sticas expressivas, revé lada'E!#o· cri t4rt~
c:omque o autor aproveita e a.plica uma s!Srie de artif!cio11e~eó!fi;

oós da literatura.- individu;i.liza as criações lit~r~rias•; .. ·•··•···


···.···•••
.·•
· Interoya, pois, que o professor ad~ptéum orititrio esse~
1'cialmentê
esMtico, convict.o de que o que. interessa. i'wldanle.ntalment,e,
' a análise da. obra em si pr6pria, na liua unidade e .u'1:egri,da.aei< '
co.n~iderada .comq- a.rquitectúra s ignific'ante. Dentr0"4!i.ta .l>ri'n.: .·
taçaq, esforçar ...se-4 por levar o alun9 e. atentar na coiis~çao gl~, ·'
ba.1.da obra, nos meios expressivos utilizados pelo poeta e. no~ Pro~
cesses liter~rios que adaptou "" tudo o que precisamjmte oondici~Jia
e Í'evell!l,OS. objectiVOS. do autor, e a'!;rav&sdQS/quais ele tradµ.!IJa··
·orientação ideol6gica inerente à obra. · · ...

··
".· . .•·.. Obsefye-Se'~ .por&m,qÍlf'leste cti;t4rio de a.ril''i.IÍ,Çâô' Íia. ~b~. ,·
li;ter~ria não s6 l.mpÜqa'a, atenção 'aos aspectos. tJ'.a.~ic~onl!l.'lmente cM,;..
Iliªªºª formais, oonsti tuídos por ..um ·conjunto .de elem~ntos .que caracte'.'
•riza a es,trutura e oà materiais da obra liter,ria :...c:i~em.e ,e.trut!i.;..;.0,
7a Pf.• ll!ln'atilr:ª' esqUema.do enredo, pa:ra~elismos'de constru_ção~-ilná"." ·
g].níátioa, sistema. de metitforas, es.tl.lo comparativo,., mitologia, es:...')
tru.túra mátrica, esquema.r!tmico, caracter!sticas do glne~C)_l~teri:.: ;/
,rio a .que Pertence; etc• -,·mas' abrange aindl!l.o processo tota'l. d~ •.~:,,··
laboração e de transfigurl!.9ão liter4ria., o si~ifioat1tece o,.sign~fi:.,;
ca.d0, na medidl!l.• em que. engl~ba o tema. e as r~corríncia,à qt1e.iJDpl:ioat •
·.a intriga. .ou.•acção L ..a s :i,tiia.ção.e -.ca.racteriza.Ção da_s•·9il~Ei- e ~rso~ -,
~ns, arelaçiona.Çl!l,O ~ dependbcia ent~·esta.s, -O Íde~rio que O autc:j:l'i
<'.e!rllrimeat-ravás 4eias, o. carácter .das. suas intervençÕe.s. pe11soais,. ··
···
·.eté., · elementos cónsiderados tradicionalménte eeee iiiçlufdos -Dá" Ilia....,.·
·t4ria 'ou contel1do.

Ao subli~ar'-se a naturezà'pechliar da obra litez-~r:i,a


sua. finalidade. especff'ica - origi!Ul.-s'e v,a.imaginação cril!l,do:ráe .dest
Jll!l.-seessencialmente a d.espertar o prazer ed,tico -, i~si~t~-se ..
. damentalmente na· sua. constituição particular.1 que .se t:ra~11~P«>.r;.:Qlll
e.stilo_ i!ldividual· e epc)cal, ellccO~oZ'a,ndó t~to o factoj:. soc:i,a~-;c0m!)
o ~ist6rico e humano, -Poz-isso, 86 po!l:erd:ser ay!'-liadl!l,se~<;lo ·-º: •
cr:i,Mrio estático~ qne 4 global e :j.ntegral, na medtdl!l. 'em que",este <
consid~ra a obra.litedria .comol1lll todo, composto départes1 ~M••ê>~
luvelmente ligadas - Ulllª 'fo-rmas:j.ghificante - e se tomamem oonli~~íi...:2
- suas qUalidades e !'inaHdades pl"<Spria.s.. . ., . .:;_

Repele-se assim a velhà -dicotomia ou d:ualismo de ,':f~~ ·.•.


aspectos que de~m considerar-se insepard:veis-e-éo~i~
dos os elementos ila·Qbra. iite7.itria são fQ~'i_s;/xo -~9~..::..
tC?doscontribuem pa,ra',a realização inte?raJ dc:iL•. ·- "
··a~to;~·· tqdo~!j>ií.rtipipaJll'na obt~nçã~ do efeitó .
se Prete.nd~. ati:pgir. Note-se ainda que, 110 caso dé "Oi! Lu-.,
~,ponto de v:ist.a escolar, e e.mdetriménto da up.idade in- .
'·P-0ema,·siS parece ter,..se considerado como fornía. a.. es.trn-
ical' ·qué, como:: sabemos~ tem sido supervalorizada, ou me.•
i~á.da pÓJ:"meios poupo adequados; ou então tecem-se ..óonsi-
sóbioe o. idei!rio ·e .o significado da epopeia, desligando
concepçÕes estéticas de CanÍÕeá,expres- ·
o 'seu ~oema, qu:e '' em si mesmoplen&-
estético.

semm:do este critério; coni"lidera...,sea obra literár.ia. ··µin eon-


'sinais e símbolos, uma construção cuja arquitectura obede...:,:
'çe ·a.um!\ serie'dé>l'ªdrÕes.t de convenç,Õe:se de artifícios previamenté
E!l!ltabE!l,e.eidos pela tradiçao do gl11ero l.iterário a que pertence; E é,.
e.i;;ta.a,rqll.Heçtu:ra.simb61ica que convirá· sobretudo r.evelar ,aos al)lÍIQ_.;ii
l'ºr me~o de I,e:i.tu:ras .colllE!J1adase,,atrav.S~ de UIDª,análise adequad)l,' ·.
emb,oranµm,grj"u•d,~.ao~ssibili!iadE!.,<'Ple.•.ªeadapte ao •nível do clll'so
do;.LicE!À~f()•que,p:re~$ufÕ.e,Ld.a •·Par'te.:do professor, ·U!Da.p~epar~""'i
,euidadi>E!I!.,
.
aetivamente completada pelas suas intervençê;es na a.µ.-,;

As!Sirn;.seremos Íevados a. eoncluir que, Q objeotivii do estu-o


guâlquer •.()'l>.ra,literitria consiste em tol"nar o aluno •.apto ..a sen,..,
-~í!té'J;ióam~11t49, reRonhecengó que se ciist ingue por umª' autoi;omia:,..
~. ~ay~illalid,a,~e•, i.1'.lte:i:-ne.:,
aprendendo· a. â.Jia,lisar ea seus
~te~y6~!'.C?,&< e. 013 v~lores lite#rios e. lin.gu!sticos, in,..,
n~ 'cl11i·.ide1J,tif;ica,çao com todos os oútros. valores ineren""
élltrutura• · ·
2 ..; 'os valp.res estéticos,' ideot&~icoà e morais contidos na ei>o'Peia
-,:
o ptoo:t'essoroonsciente, mesmoo. ~is escla.re~id,o .e infórma..;;··
dó; .·não s~ recusarit a meditar sobre estas questões de intel".eÊls~fün;..;
dániêntal para ·todos n.Sss .:. Que_estudar n' "Os L11s!adas"?Que·é a •nos:.:
sa· epopeia? Emque ·asp.ectós convirl!t insistir -para que e>salunos a-
prendam·a apreciá;..la?

As bi.eves z reflexÕé.s qüe seguem.procuram consti:tuir; co.m.


to..;
das as· defici@ncias que. lhes ·reoonhécemos, um contributo, uma.achega,-,
que ajude a libertar o estµdo da.epe>pefa da interfer@ncia il.busiva e
deturpadora de paixões e .de .ideologias. -
,-
._;·:-'''
Limitar-nos'..emos, portanto, a apresentar rápidas S\lgestÕeá
de leitura; insistindo sempre em que a obra liter1(ria é um to.do'Ór-
gânico e que o seu corihecimento deve constituir sempre a base de to-
·dâe as'apreciaçÕes. A aµálise dc:>svalores adiante apontados não po-,
.der~ se;r fe;i.ta separada.mente, como indicaremos para. comodidadede ex-
0 : - · ··posição, mas de forma global, integrados no contexto, conforme jl!t.se
':;,;;··
'-';;~
• -'re·feriu.
--...~ .( .·-·· -

A maneira comoserá mais.conveniente proceder no estu!iO.do


Poema, segunde o nosso critério, ser!!: e:itposta na segunda,parte dês'-.
te tra.balho.
=
.•.. . Retomandoo que já dissemo~, há em cada obra literária um
estilo epocal e O. estilo individual_: O. Segúndo inspira-se directe,-
. ; ment.enó primeiro, mas distingue-se dele .tantc:>mais quanto melhor
. ' se a.firmar comoe:x;pressão pessoal' isto é' quanto mais o autor ti":'
.ver sabido inovar, .recriar originalmente o que é legado ele gerações,
pa.trim6nio .comum ou e.té, uní.camen+e
, modatemporária.. ··

uma.tfJ)oca..é aí.nda,o reflexo, o·:fruto dai;!


cultura.is que a. domí.nam ; do ideal que se pretende·
modelos estéticos a. reproduzir. Não podemos, pois,
abstrair des.tes factos .evidentes,, verdades .reconhecidas ma.a freqúén,...
obliteradas, ao aboz-daz-o poemaépicoi Ca.mÕes foi umhuma-,
nista .e uni renascentista, e o seu poema.é, em primeiro luga.r, uma
·obl'a literd.ria. do Renascimento, que tambémnão esquece o, importanie
contributo nacional implícito neste movimentocul tura.l. ·

Ao fazer. notar aos alunos CI?-e, a estrutura. geral de "Os Lu-,


·s!a.das" (a sua macro-estrutura) ée modela ·essencialmente sobre a
Ene;i.da, quer J:la .urdidura d9 enredo, na.fànta.sia dos ep;i!}6d:i.os,1]-ª
ess@ncia' !ntfma. de muitos conceitos, que,r no pr6prio estilo coinpa-
ra.Uvo. e .no material iinagin!stico que o constitui (embor-anela se
reconheça ainda.a ;i.nfÍu@nciade outraa fontes literária.a clássica.13
e rena.scentes., cuja refer@ncia poder<!:i:luminar ae intençõe_s do P9e:-
ta}, p'oder.1.·concluir-se erradamente qile 'o Poemaé unicamente subsi-
di.1.rio das sugestões da antiguidade cl~ssica, sobretudo la.tina,: e
, ].~t'[x'~tllJ,'~ :l:taiiana da sua ~poc!l.. Co11~irõtentão <r\leo professor
tê,n.ha 9 cµ,id(!.dOde escla'z'ec;er. d,e,µmmodo geral o sentido e o, intui_;
to,desf!a tl.j,.mitaçãon; <r\le, de ,m,aneira nenhuma, o.Poeta procurou en_;
co~i-it~ ·
.\ l

.Comefeito, todas afj semelhanças em relação aos .modelos


são propositadas e tidas na conta de virtude rnétxima,segµndoo Pª""'
drã,o art!&ti()o de ayaliação da. obra. l~terõtria., vigente )la época,
esfe>rÇa.ncJ.o-se•sobretudo o Poeta por nao, :ficar aquém dos .originais•
Por; iss9, •interessa fàze.r. sobressair, Piara 1' desàa concoz-dânc ãa
()()me>critério epoeaã , e.vidente e. não contesta.da, tudÓ o que cons-.
ti,tuii11oyaç~o•- aquilo em que ultrapassou .os cãnone a da...épooa aem
os. despreza,r, .aabendo ser artisticamente original e imprimindo. à.
epopeia. port~esa uma vibração .de tom e uma amplitude de signifi-
cado •••.europeu. e crist~o. -, que difere de todos os ,1Ílo4e1os ·•em que
se inspj_rou• Em tudo isso, a:fina.l, reside a vitalidade do seu poe-
razão por que.,.;ve?1,9eu o tempo.

Co~vtfrir talvez qu,e o professor não esqueça <iue, no Renas-


cimento, a a,rte constitu!a um i4eal, um prino!pio superior de a.fe-
riçã-0 das realizações estltica.s e literõtria.s. Assim, Camões foi,
ante à; <'tetudo, artista e, para um a,rti,sta do Renascimento, a arte
i(ientifica-se com perfei9ão formal, beleza plltstica, equil!br;i.o es-
tru:tural, harmonia r!tmica. Da! que muitas.est!tncias do Poema lem-
brem quadros de, )figµel &1J€elo, de Véroneso e de outros.

<··.....':-,J)evemÇâJíind.a,.ter .Presente. que..CamÕes, so escrevei;. "Os


~'liE!!a<i~E!"• fl.O ill)ita..r com ori.S'inalidade os modelos da Antiguidade,
a() e.~~l!()~a~µma,'linguàgem baseada essencialmente. num sistema de
·•l!let~t',Õra.iJ.edé illllagens faio quaLpode radicar-se o emprego da, mi.:.
tolôgia), a.ti utilizar Íá1;inismos, dirigia-se implici ta.mente a. um
grupo de virt1111-~s~eitores, todos pessoas cultas, inicia.das. jét
nessa técnica. ai-t!stica.Le a quem, portanto, toda a Lf.nguagemin-
directa., f'ei1;a ,dE!alµ,s,êiescul,tas .e. el.aboz-ada aegundo um conceito
sUPerio:r. de :S!!leza, era famili~r e •exigida. como meio,.natural .de
e~res'l!ã'o ,literiri~~ ··. pnp()z;ta, .Porta.nto,. subl inha.r que .as e:qilicà- ·
• çoe'a q,ue<qJ>J.'ot'eE!sor4' .. o'j)rigado a...dar aos aeua alunos, a ••trad.u-
·; ,:çâo"' nllcesslz;ia para a a;preellsão dé aluséies' inerentes, à ex,pres;.;:
~ são poética, E!,impl!~i1;a,s no pensamento do autor, leva-nos, por
.,~., a esqueoE!:r.~ert,os lugares-:-Óonnms•·da poesia da. época e os
· .}'S.quinte.s da l·j,,~E!lll p9ética, ...apreciados pelo leitor Jl,e>eni;ão
.:. - cillta-, a'l;'istocrat11- }J,umanista.e
Ó/, mes1110 sen~i*o in()vdor7 .mas ali~do à shbmi.ssão às '
norma~ !lâ ,U;nguâ, • 13e evidencia, .considerando a epopeia. ao, ponto ••:
de yil!ft!l:li~!stico. Efectiya.mente,. a "l!1JgUa",.de Camões.:é ain- > •;;

o
,~ ~.nossa, pois. .Poet.a soube .fixar aquisições. e oonstruçÕ\J.~.·jõt · r •. !
·~talizadas, Bl)l>e~te aspecto, PE!los'se.us predecessores e éontem- . .. •. ../~
P().:t'~neos,.dando sentido novo a termos jét empregados por ou,1;.l'OS;' ---~~- ·-~-·~~·· ij
a.\tt<l~ª. ou in1;rodulilind.oneologismos e latinismos gra.~i'1cais e ·
~~;itiç~~s com 1;al P,r!)Prisda.d.eque ainda hoje os_~t'imos ou, pe7
10.íl\enos.fsomos····-·•··sens!veis
·;'..:;.e.";'>···:.'-.~--''';_:-···...:_.•'·,_:,· ·-
><_·.' ,-- ·-. ..
·- .. -~-
'à sua: bele~·~vel.
< • .: 'Xas o J.tortU:g'uêf.l
cÍl.moílianodiéti~~...:se al:t>Ciã.
il~r:-cio~~-'d.e~::t
}cr~t}v:os e' picturais, .'!>aséadós essencialméiite. na arte' 00111 ~e: Cà.niÕes'
~~4a.ptou o eàtiJ.o cÓmparativo, caracterfs'l;ico. das li tera'tlll'a.13'.(::Laséi;.;;
; ()as.JAssith7 so'!>·? aspecto ·linguístico, ta.m'l>4inse associam na. êpoP,da
a a;rte do Poeta· e o aprendizado pulto,. numa adà.ptaÇão genial ••·.qu.~. eia,...·
;,; :l!~éteriza ainéj.a hoje superiormente um estilo individual. Note""".~eai1;1.0
'.•'.}-jcUi ~. imp~rt~n'çia do conteiic1o da obra. camonâana' pa;ra a fixáção"Z'e~ativá'
'"'::do·~ortí.tguê.s ·literé'.rf!>•· Compare"".seain(la: a moçlernid.ad.e·da l'íngua,:e~ .:
·.füJ:'~giÍ,dapó!- Càniqes, çom :a do11..humanistas aeus contempor&neost nâo:13~ ·
a.·
;' fl~I1Síyel· proi!micJ.ade •Úngufst ic~ .co.m.O.fiÓSéo tempo, •.Ôo~O.~e:i-mtuie-.
· 'o:e ce;rta C(l!Ícepção dã vida., certo<matiz da •sensibilidade,aspe<l;tos Í>.e.:.
çuliàres de 'um povo que ó. Poeta soube captar e com que se 'ide;iltificou.

corlviré: a.inda nobr que Camões, superando as tertdência·~,~~i~


-c-Ó. ·· .••··. da. linguagem po4tic:a do ,seu tempo, fotroduz ·na poesià._t:e~n)os
....
:,;rea.:LiE!tas- né'.uticos, geográficos, botânicos, .etnogrUicos -; 'nao be...•<·
si.'f;ando, por ve se s , em cingir a d_escri·ção da realidade, elo quÓtidiâno,
•..at;ravés 40
prosaísmo,. cujo valor expre!llsivo e lite;ré'.rio s~ :fo;i.rec.oribe
·~:íidoI!- pà.rtir do século XIX,. e que n' "Os Lúsfadas" ganha l'lo'V'o;valor -
'.em e>Poaição ~"linguagjlm indirecta. · ·

, .··..-. E ainda'.' conveniente que o professai: leve o .âluno a a1iimt:ar


ntl:a•y-«rias lin&'\le.eéns ear:presse.s na. epopeias por exemplo, .na li~ge!ll
<l~Veloso, e~res~âó dá ironia. e dá esporitaneidade, exeniplif'ic~tiva
d~ um humorismo ponular; na. de tn@s de Cast:ró, imbilfda de remi!J.i~d@n~
.e.i~s. c1~s~Apas', pr6pria da figura que 1 .enobreci~ atl alca?lçar a: º!Ir-'.
t~go.o.tfa..:!iemito; ná.rdo ;\dama.ator, com os 'seua vé:rios registos. Distin'
é:çti:[-;..;se4:assim a nart~:tiva féita pelo autor daquela.· em que .este fali
e..
a~r~:vl~ do' 'Gama atentar.:.se-4, no· emprego .de determinada.· quà:J:~dà.dede
'>>v()cab11lé:rió',, '.éonsoánte o ·nfvel de.·li~m que f:le i.ri.sel'e. ·E..seria
ení••.
,. ~?lt.e,:r;éssanteverificar, co.lría cl~sàe, óoiJi~ .~f" fala,s dé Jie;eo e 4e,,,v.r:..
:.',i/ajµ.J!r Palp1tá .hunianidàde, .ténsão psfquióai· · ··•·. ·. ··· .·.•. •'.··./.,:,·;
' - - ' - '- ;:::; .;,_- -: ~-' ~-·

Ma.stod.b o Poema s6 pod~,éônipreender,..se, tinoarárld()..,.ot:)()nic)


um f!Ísteinà (le estruturas, de. pia.nos· in!ie:Pendentes que n.j,.nteey~etrallJ'
,, :·sHi~ari~ménté, ·como éteme?lt~s ,d~ um ~on'juritos :Pl~o mito.16~ico ê. º. cr;.
< 4a Vl.:Mem, o p'Lanoda evocaçao his.t6r:!-ca, o. pla.no. do. comenU:rio. pe1F ,'> ·
;.s'ó~I. . . · · · ····
::··~;··.<<<._.::"_-:<>:-·-._>. __:, -. .:· -:
,.·· .... ''col!lo já·s~ .referiÜ, o emprego da.·rnj,.1;ologiapode.·~9~Etia11ra~--
..•lile o desdobram,$nfo e o de,aenvolvimenfo do sistema 111eta:t6J.'iÇo qúe én.,.
yolve t.odo 9. poell)a•e. que cul,mina na I~ha dos ÃJ!lores,.pela mitificação
dt:).s''he;r6iil, :cru,zando-se .•entê.0-"Ço.llJ.
o p;Lano da H.ij:lt6rià,.;.mas correspon-
·.@···..~.i.m.,u.·.
l@del,?Sl·t··.ª.n···e~.;m.
e.nte·.·.·.
da's antigas ·.·e
...
ªP·
epopeias, ª.º··..
..º.nas
..ír·....
i.·t ~.ª.~.•.. . ··.e~nter.ferem
quais e.··.·
àà ... iim,m
..... ºº..
iittaaççiiãon.s.·
..c.len·t
.e. .·,.dº.·.i;i
na.a ... ..· .. ..y
_lu.o..\ :·.Ç··.··.:··.·.·.·.·.·

ta~ oa homens e assumem a: apa,r~ncia de algu.Íls• .obs~~-;-'-


qt.\e.ºª . uses na eµopeia camondána de algtlrn mod.oconstituem a, pe;rso-
Ji,ificação ... ,na:tureza., não s6 como sfm'6olo dlilo rE)sistencia' que o nnµi:..,,
'•.·.·'done•tural''&:f.eteceu ao s l;'ortugueses,· mas .PQrquf1atl'aV,és,del:e,s;~;xp;ri;..
'f,'.i mé>o Poeta .ª· Ji:enl:;â;.Q da. vida. anfmica,. ·?i!l~IJ.l.e primitiva; ,supe;ra'da' ·
;;.rT-::':nés~homElns, na l!ledlda ·e)n;.qtie..estes éstio :.SIÍl>ordinados áo dever, ·.1ie:n~
-.; cendo o (pie de mais. h'.umariainênteinfé2'iot'..;.é?.e~iste .•na condi9ãíth~~
o.
os processos por
e sentido do é..:..
lhe era"! posto13

~·A~tmlj,se. Ús va,lores estéticbs não se limita, pois,


év'pl.rikrUezà de expressão, à musicalidade da li~gem
:elt>(j'\lt!nciavibrante. de algume.s ta.las, à propriedade do e~
?Í!\vi!rio.13nJveJs e registos de linguagem, à .beleza d,as. de~..,
~wf6rioas, mitol6gicas e naturalistas, nem a' distil1guir a
?r!'l de ~. eJ5~s6dio, o to,rn austero e ama.rgµ.radodos comen-
ó*'
os, ilªfil;8Ó'áis;.· á, qonyisão de certos versos em que o pensamentb
cpn,densa·.·em. máJGílnalãpidár.
~
.: -~;_ ~
.; .; --- - - - .- ..,. ';

..... Pel? ~on:t~~~ºt .se~·~b,st~air da· atenção' à ri~eza. do. sis-:'.


: y-oÇábular e 13intáctico do Poema 4!'. das auas caraeter!sticas es.;;
.fc·p....
li~is:ticas;~ ab.range sobretudo a compreensão global da. obra~
Pl'i~n:taçaô: dê c11:ré(ctera.rquitect6nico que presidiu à organização
. ~ •s~s.·est~ture;'a, a;.oonexão entre as diversas partes e e1ement.os,
:,;qu.~;le;vãr:( à. a~ii-ãr a obra. como·~· "monuinento", independentemente
d);13-í(àlo;i-esinerentes· a qlj.B.lquergrande ob~ li ter4ria..

. '' . ~tente ...se, po:l,s,' particularmente, nas soluções estéticas


§ P?eta B(.)V.be. sncon~r1u··iiara resolvsr habilmente certos PJ:'.Obls..;
!l·eBJ!~C!fiõH .•e. (j'\le deri~cia"! o..aeu ide'1-io;. os. elementos consti~
c't;ivo~ ~e::o11rd.a óanto .e o i;iúm8ro-.de·.estltncias de que se com],)Óem; a
IÍ19,:9='ife'~c.a4&<;qanto> {J:ue·transparece do respectivo inventíbio,. e ..'?·
r41:J;iiibólism;offne~ente'éayítrios epis6d.ios ;..a· cons7rução .d,ps epis6diO!I .· ..-
. . . . parafe'liti,mO~ÍlJ!taJlelecidOB eritre. eles e sua correspondente si~ ;
ão siméti<ica:nó Poemà; a .se,:i.ecçâ:odes· epis6dios hist6;r.icos e •. as
ns~es que estes.oçup~ llll- eóo~oµiii; d,.!!..
~ilopeia; a exaltaçã9 dos
· da lµcdia,··a;),guµs:àeú,s.99ntêmporâ?).eos; ·.º processo de tran~ti;;.
poética .da; Ílist6ri_!i de P,ortugal; '.a Manica em.pregada na.•nar-
'L·;hist6rii·~.Q :Pf.o'cessoçJ)mÓo 'Poeta estabelece a tr.ansição · .
ià,m.entoentre Mii.;t6rià na.n:.a.da pe.lo Autor, hist6rià nartà.da .. ·
cp·da:<GA~ae pelo "U.!llão..s ·~hist6r;i.a." profetizada'; a· imp,ortb-
a; p&},op,oeta ~<l>!!t~?~odo (Iam.ª?reve~ada pela pe:rsist@n?ia.
il)~gE!'e~ÇS.é.~()·Pc<>.elll!!.F
e- S'.ig.ttit'ic13,do1mpl!c1to nas.·trans:fer@'llc:i.a~
~~dÕ.:(;','e"':â\;;in~e:ira
.cómci·se p~e@ssa .a sequ@ncia ... narrativa;.· o. e-,
bJ;'iq'.,
su;e.essi"T,iÍÍJi(ilite::·:a.lçanç11.do
•pel~utor, resultante do.·parale-·
l'$@íii() estab~leoidó elj:t.r~ o'.planoºhi's:t6ri8:l''1l o plano mil.to16gico; ii
f.e~~tução. Ms problêmás ·dá' n&çãcrde tempo, p~ pelas exig3ncias .
àír•. !Jlirràçâ9:. · · · ~. ··

.·:··:
·•···
.•·.·: EVidencf~.--s.~·âf~d,i.t.â: .oriMna.1 idáde. e sentido
..•.•....•
9J?9etâ. '$v.pera'a;S'i1tié\ildades inerentes à estruturá inovadorà>--
}(iára,f:t11riza I/' ep9péia pott1.ljgllesal O enco~tro entre OS,dois pla-
. aá-viagem.e,da mitoiÕgià.-·e a glorificação dos :feito.e dos.·na-,.
·à, .sl,UÍ.·mitificaÇãÕ;''ª -~xaltação dos factos her6icol{/a.nte~ ·
·.';t'Élri()res à, v;ia~ní; â expressão doa valores rena.scentis-
1 • • •

(humanistas, individualistas, naturalistas); ô aproveít,alll~nto d~s ,,


cor:l-entes culturais à.inda v.ivas na tradição Hterária,. como.tainbén\a;
-,tràne':t':i,guraçãode personagens e de. factos, vulgarizados ..pela .tra,dic;:'âq''
oral. '

Certos E!Pis6dios justificam-se, portanto, pela n~cesatd~d~ ·


intrínseca. éla economia.do Poemae pela intenção do Autor~)'lecordein;,.s',ei'
por exemplo, os seguintes: a, expressão .do .que havia.de contingeA:te.,~.de;». :
huma..namente ·.tri(gico, segundo o plano dos faqtos, numatal empresa., a...;: >
proveitando a sv.gestão clássica. -O.oscoros da tragédia grega; -a mani:f'e·S"'"':')
ta.ção directa do ideal cristão de expansão da. U - que era simul,:ta~ei;i:~::<·
ment.eum ideal cavalheiresco e huma.nis·ta.,ao mesmotempo qúe' rE!f'lectiã'- ·
a consci8ncia europeia perante o perigo da ameaça tul'.Cª--r por Dleio·~~(
exaltação do esforço da "pequena Casa Lusitana'' e, a, Censura aos est~,,. >;;;
•· .dos cristãos; a inclusão numpo.ema;baseado na. navegação·e ·11adescober;·.~
·- ta geográi'ica, de uma descrição da Ter~a, enquadrada numadescri9ão: é[o.-' ;
Cosmos1as reflexões e comentários i>cofrentes em.vários passos do Poe,:
ma, dando ao .domf?liÓfactual uma dimensão lata e al)rangendb-a por uma ' ./••1:;
interpretação superior, penetrada de meditação filos6ficà:e sen'tidO' ,crh_:,:=if,t1
tic:oe · · '·-.\~~1~
~'!~-:-{:;_

.. De acordo com o critério global, já defend,i.doe justi:f'ica!i0


a p~op6sito do!!valores estéticos-, intereljlsará, pois; distinguir' na. ê-.
.e. permanentes do seu ideário, par!l"aJ.fm
popeia ,os-oaráote.res, p;r-oíUndbs
das. formas de ,pensamentoo.aracterfsticas .e exclusivàs do seu té111po~ .' ········.··
Por isso,· convirá realçar o que permanece, por ultrapassar :os và.lores /::··,;,;•',
transi t6rios da épooa, em que v:veu. . ...- -: , ~·e,y~~~
Convém,.Pois, distin~ir a parte da cultura recebida(quel': o "' · ·'
Poemareflecte a tradiçao clássica ressuscitada, quero que re.:..
vda .a herança de uma cµltura. .nacional). e a parte de•'0r.iaçãa, origina,l Ú'
..•pel'a qua], áe entende a: expréssão de 'no,vos..conoeitps .crlieexigiam solü-i'
çÕes·pr6prias, com'e contributo 'da experiência- cuitur.al é pessoal do::.-
Poeta..

. Acent'1e-se aâ.ndà que 136poderemos estudar os válore~. i~e'()~;f~2 •• i·


gici:>s;.expressos na epopeia, à 1-uz'da estrutura, socia.l e pol ·. '. ·. á- • ;-'.,: '""
época em que se redióa o Autor .e·do Lugar' que ele o na \Sociedade:;·;/
o que>".orresponàe a um ideário ~T6prio, a e para o qiial soui
be E1ncont;rarexp:refjsão estética~-· -

Homem de se~~mbro. de urna aocáedade empenhadadesde


sempre na c;r-uza~ontra os Infiéis, Camõesintegra-se também'i;ionmne..:'\}<
ro dos hurnan-is'tasportugueses - precisamente dos que revelam a consci•' 't
.@ncia,.nf-tída.do càrácter épico da Hist6ria por-tuguesa e. pana. quema .. /~~},ii
,.reaT1zação da epopeí.a nacfonal consti tufa. o grande "deaiderato, ·-a..má~i+·. .:·'' --;
- ma aspiração. · - '

Come:feito, as navegaçoes portuguesa.a, a


cujo epis6dío central - a viagem de Vasco da Gama
jioo~~n\re péi'dente _e ,Oriente'~. apaixona,.vam
·:entãq todos
p~·lo;aitpeoto·univel"_sal e 'Mmà.n!stico Cl'leimpliÓavame por oporem às
~~'1des\epopéià.E1:fülAntigi1iiiade uJD assunto verídico. A expansão por-
:,:~11sa \poss,iô~litEl.V'ª_~ind'I!.a realiza9ão do ideal humanista de def'e-
;,,;!1~\e.pa.cif'ic11'9aoda Cristandade, ao mesmotempo ll'le justif'icava •a '
:'foÓ~iali.9à na a't'irma9ão do Homeme do seu domínio sobre os elementos,
('ci~ntribut-ndo ainda para. que se u1trapassasse a ooncep9ão do llundo an
:; -t'igo,, cujos _oonceitoá cient!f'icos .e interpreta9Ões Vlilgarizadas eraüi
co=,i!!;idaà ,Pelos moâernos descobridores~ Constituía, poi8, o tema i-
-deál da epopeia moderna. Recorde-se .Cl'le-~á na "Utopia" de .Tom'8Mo-
o Viajante, o HomemUniversal, 1 personif'icado numportugds,-

Coinoo estudo de _nosLus!adas" tamblm-pode ser precedido


leitura' de t'exto11d.e humanistasportugueses - sobretudo João de
'iBarros e J.nt.Snio ~rreira -,o próf'essor deverá.nesse caso extráir
;, ·desses trechos _eistemas hl1!11anistasoaracteristicaniente -portugueses,
, ?i'como_cõntribui9ão 'pa;rll. a epopeia nacional. Assim se evidenoiarão si
'1 :)/)cmultaneamente OSprincip(i.iS Valores ideol6giOOS da nosàa epopeia e-
/;:t'; !le j'!lstificà:rit támb'm o --critlrio seleotivo d_avisão hist6rica que __
'·· 'i'ttel;a se _traduz: a missão pr.ovidenóial dos Portugueses na.1·difusão da
-ff cristã e. na luta contra Oá Infilis, <ia.ese manifesta na conti~ui
:á,âde_-dá.nOS1l3apis-t6ria e.-que ·levaria A destrui9ão das posi9Ões ooU:
padas pelqs Maomet_anos -no Ol'iente (o que s6 era poss!vel de_vidoA--
vi!l.geuido Gama), atitude essa plename,nt'e justifioada., perante a a-
D1ea.9a.que esteà, politicamente orga.nizadi!ll, constituíam para a.Eu-
ropa.· ·

"O!!Lus!a.4as" são, pois, à. concretiza9ão estlftica dos ob


·:,•,jectivos húman!Bticõs, aliadoll a aspira9Ões de raiz naci<inal. --

/ Assi!D-z. a epop_eia.integra-se ria lpoca rena.sct1ntista - c~


_ __di~ificà.9ao do Homem.eglorifica ·o seu esfor90 na oriagÃo do
\.Novo Mundo; valoriza o alargamento da e.ii;peri&nciahumana e a impor
\;t~cia: da observa9ão da na,.tureza; do exame directc dos fen6meno.s,-
,. •Ya.ci desf!.fio ao dogmatismo em matlria Científica; celebra a curiosi-
~fü'.{,·a,a.lie:'.j-:iája.nte
implícita no espÍJ'ito renascentista1 exalta, pelo Bl1
)S~:t)>JitC),é inebril'Í.nte crescimento do Homem,os valores vitais que ca--
~, _racterizàvain Gregos 'e Roma.tios,ultrapassando-os - mas o se11ideiric
\óp~irtitui essencialmente a expressão do ambiente hist6rico, social
''e ·1iteri{rio_ portugil!!s.
,, Efectivamente, Ca.mÕes 'f'oi um portugu@s do seu tempo, ra-
,dica.do ein condi9Ões de, determinado ambiente, fiel à. conceitos. tra-
-. dicionais, que sé reflectem no áeuhumanismo oava.lheiresco, tradu-
zido no seu_lellla de vida .:. nniia.mão sempre a espada e noutra a pe.•.
~"·A slla. epqpeia. devia, pois, re:flectir-um novo conceito de lie-
J'OÍ-smo,que excedia o padrão estritamente humanistas o dos guerrei
:ros, dos obrei:rps da-expansão do Império_e da propa.ga.9ãcda_H, eiii
- 1resa.iique se identificavam,' segundo o id8'rio da época,_ em_bora. a.-
~_im~ta do Qa.Dla. a.o Samor-im
,revele -que Ó!!fac tores econ.Smicosda
áilsíi:9 tamWmnão foram ignorados por Camões.
Re-páre;"-1311,
pois, que, na visão lpica. do portugu!!s de Qíli _._
;;;{~~·.s_intetiza.. para (:aniões o portugu!!s de todas as épocas',
de alargar ~ npeque!Ífl.dasa . .
..,.ctmyergem e .,·se ideiitif'icam o i.dea). cristão. da' dj
e:xa.hac;:ã()do·Home111 .~i ve.:r:-sal.eml wta. contr# a.e :fl>rÇ
lfatur8: ....qu~,- lllitif;icada nos deuses., :u~e·iD1Pe.de .a ~
sua realez8:- .no tTniyerso. Assim,·.o Gamatem -de...l~t!!oi'.cont
f'ísicas e ainda...'i'ociais1 a.s primeiras del'ivadae: de nov:os ··
0).iina.s, noyoà·povos 1 e as segundas p:i:-overiie11te11. ~· ib(f()Í!I;
cónte111por!necs, aque;Jfesprecisamente ..que 'se .~():<t':::;
id.eal ".:z:p11-nsi<>nisb, exaltado na epopei1n atí"tV,de/,
pelas trag.!dias individuais que uma tal einpre11ane;;.,
acarre;taria. .

. N9te-se a,inda que todo o Poemavibra de uma te,nsã~ interna;


result1Íl:lt2 de uma dualidade contrastiva que nele ~r_ocura concil:i.ação.•
ã e.xal.ti!.9aoda dignidade dó Home111, pela divinizaçao da _Humanidade,.-o....
pÕe1..s•a ·precariedade da natureza humanaf a consci8nciá, .f'requent•mêª /:
·te. óonf'essada, fü~•.sua insigriif'ioância e da suà de.pend8ncia da Prov:i..;.
_ _,
d8nciat a•s~ta Guarda".

Podemos ta).yézconoluil' que o que disti?lgue a epopeia.poriU.


guesa 4 a .concépçãq U?!iversàlista e oria,tã que··ª pispira, manif'estàa;:
na exp~ssão do id~_al morai e da vontall.e her6i0a decum pôyo, pe~tti
-cuja empresa,·cs .homens, os her6is individuais, ..seapagam.. ·

.. .· Na verdade, estes detinem-sé unicament~ J>ela obedi8tj.<:~aaó


-,d!'ve.rJ)àtri6tico, identif'icadó com o dever CI'istao, que cond.iciona e• >
··cietermina o fdeal:,tico. e polttico. O novo sentido de 'heroísmo \óa,mo.:..
:
Jliàno '' pois, .de co11cep,gãocristã e c!vica,, ccincei~!,)Sque; no Po~ma·/
:se idei!it:i.f'icam,.tál como o signif'icado mícional se ·tran11oénde e..·én- .•~' .:
gleba nó signif'icado universal~ :! sob este a.specto que se manifesta._ a ~
·aliança do nacionalisll!o e do universalismo. Por isso ainda o hero!s.,; '.;'
· mg guerrê!ro implic.~ virtude e grandeza morals as~;l.IÍIs_e.iust:i.ti9áln .....·
as•ref'lexoes de Camoés, ()&·seus coment!trios sobre as ac"Çóefldps i~d!_
v!duos e sobre o seu sentido .de vida. ·

'.Importa, pois, realçara modernidade intr!nseca.da. ep9peia..<


..,pamonia.na.. Trata,..se de uma n9va me,.t,ria .her6ica., e Camões não se $s..;.7
quece de acéntui>r o .caritc'!;er verídico e real da sua.111aMria épioà, ai.
que poderia acrescentar-se a qa.a.B!!)
oontempora.neidade do, aC.O)lt.ecÍ:nierl..,;->i
to sue ccinstitlli ~-n6dul,o central da obi-a, que é assim, p~e~!Í.'àÉi "B.ciii:o~
. e ?laº de inlaginaçao; a sua estrotura interna revela UllÍanova coricep.....
9âo. dqs valores 'picos, actual;iza,dos pela introcfução do. dever cívico
é móral a .af'erir as aççÕes guel';rei'ras e as críticas sociais. Convé111
ain~ açEtntu,ar a. atitµde ~é ~amÕesasBipneem :;:oélaçÍio; aos seus her6iE1--
a
..•,nao .lhe interessa. expressao do héro!smo individua)., ma.s héroicl <ª
dade oolectiva_, atra.ds da qual se realiza, como .j' se ob~servou,,;o e•(
ideal rel:j.gioso. l!: todas estas inovaçÕe!!!se traduzem, como.sa}>emos,:.',/
por Ulll!l estrotura e feição e1Jté!ioa.orig1.:qai.s, numa ~peraç~o dos c&,.+:
..nanes eàtabelecid9s pela. tradiçao -literária relativamente -a,o,.-~~él'!i··•''
(picp. · ·' · - ·
., _. - .-·. , •-- , ! - - _I

Assim, evidenoiar-E;e-it bem peI'ante os. alunos


·. epópeia nã.o ~~nEl'iét!!'Jna~r:r:'atiVa,: da.s,fa.çanllas de um homem, jl.m '11er6i
· ,in\iiv..id11al, .·tar. como llo,S ,füimais .poemas·épicos, mas é·.antes a .histcSria
' :~os:,fe:i:to~ rhe1'.6icos de Ullia:N~ção·.o h,er6i colectivo é o ••peitR ili,ta"- .·
)tre ;lusitano•• e á visão da histcSria de Portugal, apresentaí:ia pelo Poe
!~',;,:.~a,Jnqide sôbre ;o~-aspEmtos mais significativos ·'!!
e_aé figi1r~-s·_l!la.is
s'-<l'6rosa13,; de acoz-do COI!! o ideal r~ferido e a intençao patente na arqu,!
_tect:ura..e 11a..estilística da obra. · ·

A naWativa da viagem do Gamaé, pois, ponto de pa;ftida rJe,;...


?'.à a gloriticaçã:o do· esfórço ·her6ico português, constitui éi~l tan_e~
inente acção. nodal ou. formal _do Poema e _éa síntese do momento·épic.o
.dá Pá·tr.ia, pelo que/traduz de .sublimação do esforço na.c.ionai li& conse
-,
' '. --- -
' -_.
- - - . " -
2cuçã-0 de/um facto social de funda repercussão na civilização
d.ent_ée na _transformaçao da concepçao do Mundoe do Homem.
do Oci-":'"

Insiata...;se aind.a no novo conceito \').ehercSi, définido


Pe~a port~gues~: o ,indiv!d\io que assume conscientemente' todas
ponsàliilidadeà implícii;à.s na aceitação plena de um idea;L. ·

O her6i camcnd.anoé, poià, essencialmente o agente de uma


~!DPl:'.esaque .o ultrapàssa 'inas que se identifiCa com o ideal colectivõ
.<~.d.a'·NS:Ção, que é també!TIo ideal d!J-\Cr.istandade: o nacdonaâ í.émo con~-
'.:l:í.e-sé:assim· com a· valorizaÇão 1l!liversal, da pátria, na medida em que a
adção pa::tr~6tica se. integra num ideal de universalismo ·C:ristão. •

. . Ífote-.se 11,indaque. Camões não· se limita a exalt;;,r


em si pró~ri·os~em o esfqlyode homens não isentos de defei
_, glorificllL.z..s9't!:r-~tud9ja. ideia que os. in,spira, o ideal q\:te os· nori;eia
]}aJ: que nao. se cç>:(bade censurar os her6i-s, criticando QS rei
v~is, nias_s6_.C:omo fndividuos, P,orque 1.1ãoatingiram. o idea! dá co,1.ecn
v1dàde,·nao-.superar:a11t o plano da. realidade. E.~ asuperaçao_pelo
.ál ciiie se. exprime na epopeãa, .

6Uª;
__, . . . . . .Por' issp a mensagemé perene: interessa aos. portllgueses
iie ·fodos. os teóipo11;. independentemente da contingência dos factos his-
/\ •.t.-6riços'.e .•dai;i·conjunturà.i;i políticas porque incita. à prática das vi:t-tu .
-: ·.des;necessárj_i;i.à a ..um povo em qualquer época da sua hist6ria r: a enéf=
gia; a_coragem1' a inteligência, o saber-2onsCiente e seguz:o, a a.~dá-
/eia na concepçj\o .e a firmeza na realiZáçao de qualquer empresa, a su-
,.~,i~,l'dina~é:o dos, interesse13 particulares ao bem c2mum; atinge o homem
· · do .ru;tu:r0, ná l!le!iida em.que exprime a valorizaçao do esforço humano
'â:o ·se:rviço ·de um ideal de inais perfeita ·humanidade. ·

-.',Pp:r;"Ço.lio
é acel1tua:t- novamente que os valores ideológicos se·
,j_dent'ificaira;p.aepopeill. portuguesa,·com_os valores morais, dada a no
.· · ,co.?i,cepç~-6épi<?a que c~J;'act~riza o Poema - o que constitui uma das
~~~paii;i)'fl-Z~esde, sua.modernidade.
No.·entl!Jlto,. coriv:éma;inda p6r .emrelevo
:raiE!, imbuídos de sentido crítico, de ~avidade e
da, expre1:1J1os sobretudo nae cons:i,deraço.es com.· que
cantoii;, ou nas re:riexÕes com que o Poeta comenta
epis6di!>s• ,E :faça-se notar a inte·nção com que o Poeta as
:funçãó que desempenha.ln no Põemâ; da.da a·sua ca.tego:ria. de elementos
uma construção'a.rci:uitectcSnica: diminuindo a vibração guerreire. do poe=
Jlla.épico, estão per:feitamente dependentes da acção de caga. canto e:
bro'tam dela comoensinamento necessltrio que muitas vezes re:flecte .a
experi8nc::ia dolorosa do prcSprio Poeta e que convirá tra.nsmitir aos ho-
mens. Camõesretoma, a.:fina.l, a f'ulição do vate, do conselheiro, tio
querida a.os humanistas. -

Note-se ainda que, como acontece, por exemplo, .no :final do


Cánto IX, o mesmosentimento que·gerara a exaltação épica, determina
-à. critica. social: prova-se assim, realmente, que a epopeia camoniana
-~o é a.penas a. glorif'icação dos :feitos guerreiros, independentemente
das.<ra.zÕesmora.is que a eles presidiam. Além do anal tecimento das
acções valorosas, temos de ter em..conta. a. intenção geral em que se
inteçavam. ·

Insis'ta.-se a.inda em observar aos alunos qlle transpà.rece'


nestes coment<!rios o horror àvioll!ncia, à imoralida.d.e, ! ambição,
à cobiça, aos abusos de toda a espécie, e que o va.:te critica ~berta-
mente tod,os os que antepõem a.o bem p"t!blico o interesse par.tioulars
os qqe serv~m, servindo-sé. As suas ceneuras abrangeni oemaus.çonse•
lheiros ,e atingem a inconscil!ncie., o \lesinteresse e fraqueza dos -
reis, tal comoverbera a desintegráçâo nacional, pr-ovcoada peh. mo-
leza e corrupção- provenientes da opuH!ncia e de leis· desigua'is e
injustas. E rebela-:se ainda contra a falta de cultura dó:BPortugue-
ses, -c-ontra o .àeu desinteresse pela Arte, e contra- a Í"Udezado seu
espírito. ··

Faça-se ainda notar que o tom crítico deste!! .comentários'


atinge qllil-Sesempre a g:rayidade moralista, o que conf'irma a prof'Un-
da co.nscil!ncia mora.l e ético-socia.l inani:festada pelo Poeta •

...
da m~nsa.~mde ."Os Lusíadas"

impor.ta sublinhar a.os !!-luno$, no co111e?lt.ário


p&tri6tico transforma-se em feito univêr-
identificar com o ideal cris-
com o ide.à.l lluma.nístico.
'declara aberta.mente ·a.voea...;;
moral da Europa,, do ll)Ulldoci-

Si@ifiead.o nacional e universal confuhdem-se, ppis, na


que o. idealeq:timbieo que guiou Portugal~ no slculo XVl,
se encontrava -com-a nossa -·voca'9ãomarítima de nação pluricontinen.,.
tal' e. com.a. atitude ller6ica. demonstrada desde o início. 'da expansão,
deevendar novos mares.

Mas o uh:i:versal:i.smoda epopeia. revela-se ainda humà.ideia


de .frat.ernid&d(,) que liga .os Portugueses aos habitantes ·das novas re
giÕes,•)là. exp;.essão da sua. abertura. de alma a novas paisagens e a -
di:ferente·s ·povos, na simpatià. coa que são descri tos os novos costu-

Assim,. se o poema camoniano se revela reprelilenta.tivo do


Renasci111erito
e do humanismo·greco-latino, ultrapassa. porlm os valo-
~s culturais que herdou, e, assimilando-os de forma.original, a-
ponta um novo momentode culturas aquele que se define. num período
decisivo 4a eiviliza.Qão mo,derna, recria.do esteticamente na epopefa
·portuguesii.•

Portanto, Camões, utilizando. a erudição e. inspirando-se


. numgl?le;ro estético peculiar, soube realizar a Síntese dos. valo.res
· õ,e·umanação a universal, pelos valores superiormente hWiianosque
e~ltou; ..na9ional, pelo seu patriotismo.

Reto~ndo o que já afirmttm9s, "Os Lusíada~" são verdade±


~eli,te.a epÓ~ia da energia nacional, na medida ein que,néla. se ef
tililUla. o verdadeiro va.lór, e se ena.ltece a. conquista. das qua.lidadf)St
.individuai-a e (,)Í>lec'Uvas,necessêtrias à perenidade de uma.Nação. . ·

i-; Empora todo o es~udc da.,epopeia. se deva. basear na leitura


.e 13>11êtlise a.tenta .do te;~o, que .não deve ser .utilizado como pretexto
-·.pai-à d':Í:v'agaçÕes do pro:fêssor, segundo as suas preferências ou os
aéns juízos Ae v~lor, consideramos básta.nte formativo fazer so'll_res-
sair pera.nteo aluno a .P;ro:f"U.ndidade e a. riqueza da..ctiltU:ra camonia-
na, .ali~d.à. ~ .e±I>erilh1cia pessoal nnUtipla, mas sem cair em exageros
\fe.biografismo e aproveitando sempre o coment4rio do texto. Crem9s,
'ººlll efe.ito, não ser qcioso acerrtuar- que a epopeia resulta da. sínté-
se-de llllla.:cultura.humanística. aprofunstacia., esclarecida e vivifica.da.
PBrlllll,&'!Jlllltipla.e:xperilncia. vital.
~..;<" .- :e--,

.:,:
ainda. hoje são digDas de admiraç~o .il; quan'tida'
e a varieckde d.o sàber condensado ria epopeia - histcSrià Un.iversãl,
geogr_atia, astronomia, mito;logia clássica, literaturas. antigas
tempoi'll.neas, cibo.ias ~da Natureza, cibcia náutica, eto •.•• é. a
0idade com que este;tieatnente em1>regou esse sab.er.

. . . Importa ainda recordi!.r, para al&mdo estudioso:


clíriosidade do viajante~ ·ª vivacidade· de um espírito q11esoube assi:....
m.ilar. toda a vasta e•.variada• e:x:peritncia q11e.
a. vid,a lhe. proporcionou
e os ií.mbientes di;f'erentes :emque viveu, aq11elês q11e.constitue!n
·da -sua e:x:ist@ncia.
·pRQJÉCTO DE UMA.·o~mNTAÇÃO GERAL

RELA'Í'IVA. A DIDJ'CCTICA .DE "OS LUSIADAS"

In'trodugão·

... > . .. frocura.rtdo corresponder A.solic.i tação feit.a pela .:Direcção•.•·


-.Geral da hs:!.no Secundário, relatiVa. a um projecto de trab;Llho sobre
1:1. didáotíea 'de 110s ·tus:~aéfa.s",apresenta-se, para apreciação, o resul.-.
tado,do trabalho de grupo para tal efeito constituído.

1 · Antes, por~m, convirá- esclarecer os critérios que n.ortea.-


..ram as sug_estÕe·sproposte.sJ ' '

a) contribuir; por· meio de reflexões sobre a didi!'.ct.icade


"Os Lusíadas", para a va.lorÚação do estÚdo do Poema.,nos
seus a.spectos estét.icos, naciona.is e· huma.nos;

. "'b) nao ·env&redar por tentatiVa.s de orientação didáctice., que,


pelo seu -ounhode especia.liza.ção, não se jam econaeLhéve í.a
em fMé do principà.l objectivo deste trabalho que é de 0""
terecer sugestões i\.queles colegàs que, por inexperiência'.
ou p:or qualquer outro motivo, tenham necessidade delas;
."

e) ter fugido igua.lnente à tenta.ção de sugerir actividades


' coIhãdas numa.simples consu].ta bibhográfica,, par-a se fo-
d.icaremapenas técnicas. e. temas que já f'oz-amexperimenta-
aos, 'com resulta.dos válidos; pelos professores do grupo;

d) nào procurarem as !;lugest;Jespropostas esgotar a matéria,


assim como·nê'o ser de admitir que um professor a.s vá uti-
lizar indiscriminada.mente; competirá a cada. um esi::ol,her o
. que lhe interessa utiliza.r, ou melhor, aquilo que as con-
dições do meio local, do màterj.al disp.on!vel,_ do nível -.
etário e· intelectual à.a turma lhe aconeeLhar-emcomopre-
·:f'er!vel. ·

Tài.i:sugestÕes encontram-se lj,grupada.spela ordem seguin~

Á) consiaerações gera.is de carácter aidáctiea;


ll) técnicas de. en!3ino;
é) ~a.teria.l diMctico;
l>) planif'ica,ção do estudo de "Os Lusfades" no Curao Geral
· dos Liceus.
2·- Considerações gera.is de da.~ácte;· didáctié:o

A motivação da didáctica de "Os Lus!adas"''.Pode·ser feita de


duas rria.neira.st ou utilizando primeiro extractos de obras precursoras
do Poeína.,para., de seguida, se· passar a.o estudo do mesmo; ou utilizan
dó extra.atos de obras j<l:relaciona.da.s com a. sua feitura.· Dentre as -
.primeiras, poder-E!~-iarncontar o pref<!:cio do "Cancioneiro 'aeral" (s.S.
nos a!!pectos a este prop.Ssito mais significativos); a fa.la de ·Fariimor
ao Impéra.dor.Cla.rimundo,.em o.ita.va rima, profetizando os. feito.e doa
reis.portugueses.desde o comeÇo.da.naéiolll!.lidade a.ti l!.s·navé&"RçÕese
conqu:istas·de JCtrica. e deJCsia (tamMm scSnum breve extracto da."CrcS-
nica·do Imperador Cla.rimtl1ldo11}; trechos de Ant.Snio Ferreira, qlier aa
carta a. E'@rode Andrade Caminha., ilidioa.ndo...lhe comopersonagem prin-
cipal de um seu poss!vel canto o Infante D. Duarte, quer· dá carta. a
·AntcSni.ode Ca.stilho, .exorta.nd.o-oa. entoa.r n••• a. clara.' histcSria.//do ·
nome Portugu@s••• 11, quer ainda de ·toda a ode primeira., na qual o Poe
ta incita os seus confrades .a, cada um fazer n••• alta prova.//de seu-
es-p!ri t.o em tantas/ /Portuguesas conquistas, e vi t6rias".

Dentre as segundas poder-se ...ia.mincluir e:rtractos de obras


·de Fernao Lopes, Jlu,i de Pi!Uj., João de Barros, Diogo do C(iuto, Fernão
Lope!l de Castanheda e dos cientistas Pedr-o Nunes, Garcia dil. órta e
D•.-João de Castro, sem esquecer uma conveniente exemplificação do ro
teiro de Vasco da Gama.,atribu!do à .Hvaro Velho, e do relato do na.Ü
frágio do galeão grande de. S.Joâo, este para documentar a profecia· -
do naufrágio dos Sep1Uvedas.

As obz-e.aLndLcadaa em.se~ndo lugar seriam, a nosso ver, -..


apresentadas à medida que a evoluça.o do Poemaas impusesse.. Dar-se-ia.
assim in!cio a uma.incipiente análise comparativa de obras no intuito
de ·levar o discente a compreender não tanto um problema de fontes, ce
mo o que.Precisa ent~nder-se por criação 'pica. CoDIeste.i1ltimoprop6
sito, poder-se-ia. utilizar a 11Perégrina.çãon, de- uma maneira breve, pã
rá Levar- a reconhecer, quando oportuno, o. fundo contraste entre o he=
r6i solene e hierático de ••os Lus!adas" e o anti-h.er6i de Fernão' Men-
des Pinte•

~ evidente que uma obra como "Os Lus!ad.,.s" implica uma ou


_mais perspeotivas. Umaserá aquela que levou_o Poeta· a olhar a hl.stcS-
-ria de Portugal comouma crli.zada, que sabemos já tardia, dÔ Ocidente
Ib,rico contra o_Oriente. Por meio do esclarecimento desta perspectiva,
os alunos veriam, por exemplo~ justiffoados a importância e õ desen-
volvimento atribu!dos pelo l!:pico aos reis que se ocuparam das-guerras
contra o Mouro, primeiro na Pen!nsula e, de segtíida, em JCfrica e no
Nascente•. Mas,. em con0omitltnc1a a este ideal de cruza.da, há, no Poe-
ma, outra perspectiva que merece atenta realces a que resulta.. dava-
loriza.ção da criação. a.rt!stica e da cultura. como rneios .de entendime_!!
to entre os homens. Na verdade, será' preciso, por um lado, compz:een-
der as razões hist6rioas que levaram o Poeta a aceitar ' a eXàlta.r es
-te ideal de cruzada., que, se, por um Lade,' conduziu a menos fA:oeis -
contactos entre europeus, africanos e a,siátioos, pelo outro, possib!
litou a,rilanifestagâo de um fraterno enteiidilílento entre uns e· outros.

. o poeoia •011 Lus!adas11, como toda a obra httmana, 41reflexo


d.econti11gencias da lpoca em que foi elaborado. Alfm disso, conv4im
lembrar qu" estudá-lo não significa uma aceitação passiva de tudo o
.quê nele se cont.4m. .
MÓdernos conio somos, possuímos novos sentidos de convívio
e de exaltaçãohttmaJÍos. Talvez por isso importe muito aproveitar do
Poema o qÚe de mais tundo,nele se_enoontras uma alegre exaltaçã~ da
.devassa do.mundo, para Ulllacomunhao dos povos a um nível. de con.tinen
tes; a sensação de que .esse mundo se torna novo e.maior s6 porque hÕ
niensde diversos oontinentel!Ipodem, ap6s as viagens transõceln:loas,-
oomunicar .Uns com os outros; a ideia de que a observação do nosso
p1.aneta pelos referid.os homens lhes acarreta uma mais .fécunda manei-
e
ra de o o.o.nhecer dominar; a valoriil:açãoda colectividade •..neste
caso, ·do..povo portugu@s -• que acaba por transcender os valores indi
vid~:ls ilocialm4tntehierarquizados; o amor pela vida; a problemttticã
de valo.r.eshumanos como os da gl6ria. de mandar ou do pr6prio acto.bé
lico; a de11Wicia.da acção. corruptora· do dinheiro; o prot.esto veemen=
=. te daquele que teima ..em ·11é a.firmar num meio que, por vezes, lhe f
hostil; a dignidíi.dehiima.nasempre s6 como resU.ltado do esf'orço pr6-
prio; a f'orça e a fragilidade ·do homem; entim, o humano e o.diVinó.
:Não bana de.tinir aos alunos o que se entende por uma ..
epo-
peia, ma.a progreHivamente mostrar,.,.lhea
que.intenção ela traduz.e de
que meios. se s~rve para o conseguir. A este propósito, um feixe.de
Problemas se nos apresenta. Dever« o Poema ser lido. na íntegra ou se
gu.tldÓcritfrio a.ntol'dgioo? -
·.Optamos, sem.diivida, pelo seu conhecimento na íntegra, em-
bora a atitude ántol6gioa seja essencial e tudo, nesta fase de estu-
dos, deva partir dela .•Das estanoias selecoionadas far-se-"'leitura
ÇOmentadaOUflxpliêada na aula pelo professor e pelos alunos; dases
tàni:i:l,as
não selecoi.onadas.farão os mesmos trabalho pr6prio, em casa-;
a.judádos por uma edição que conten)ia as explicações julgadas necesstt
rias para.o efeito• Este.trabalho servir« para poss!veistaref'asde""
grupo, no sentido de estimular•nos discentes uma leitura do Poema•
.~e!Dà ajuda 11ropriamente dita do professor. Tal orientação pressupõe
ae:x:i.llt8nciaduma edição escolar o mais possível seja atraente, abun
da!lhmen1;e ilustrada de gravura.a que permitam compreender melhor os-
&lilPectoshil!t6ricos~ geográficos e mitológicos de.ataepopeia. E os
trechOS ·dos autores que referimos COll),0inflluenciadores da criaç~o 'de
"Os Lu.Siadas" deverão outrossim ser incluídos nesta edição~ Com .ano-
tã§Q'!ls'.es(;)ll!:recedoras,.
gravuras atraentes e trechos justificativos
dâ,s•!!l~~e'iaamais_ relevantes, estll.leítura, em casa, pelos alunos,
tórnar""se-"'·
m.aisacesdvel e ef:lciente•
a'oonsiderar - e este de primordia;L im-
perseverantemente se.ievar o discente a
re.La-ç1vaÍucidez,··diante de uma oriãção po~tica.
manter sérd:o de mostrar como o vate ca.n
t:>.rá ou 1)0eticanérite 'tra.nsfi[;ttrárá a. ·hist6ria de Portueal. ·A
áê:o dos processos util,ize.dos para. este hino é éssencial.

:A estruture. de "0s Lusfade.a" d.evérá ser '.revelada ta.rito


.tó possível. ExemTllific:;i:ndo: exnlic<ir-se-á não tanto que há uma PROPO
SIGÃO comoo que naz-a um poemaépico sir;nifica a sua existência .• :i:stõ
é: r-udi;,,enta:rmenteensina.r-se...:á a.os alunos cme um poemacomo"Os Lu-
síàdas" ·rião vive a,en.m en;réno de desenvolvimento imprevisto, por-queo
seu prop6sità é ô de exa.ltar ou .hinérbolizar factos já ocorridos. Ou
ainda: deixnr .os alunos - 'e a prob6sitó d!'J.INVOCAÇÃO - ria pa,rafrase
de gueo Poeta, por meio dela, .nede às Husas que ·lhe dêem inspiraç'âo,
não será· de.ixá-lo aem o siéillificado estilístico da. sua u"f;i).izaçâo?
Também a DEJHCATl"JRIA,. ao ser expl f.cada , )>recisará de ser justificáda •
.Ao entrar-se na' narrativa prorriamente dita, esta precisará iglia.lmen-
. te de ser- esclarecida não s6 quanto aos seus diversos narradores, co-
aos. planos tE;>mnorais da aua elabora.ção.

M entra.r...:sena. narrativa propriamente dita, esfa preci13e.rá


i.~a.ln\e.n't;ede ·s(lr esclarecida, não 86 quanto aos· seus diversos ri8:rra-
dores, cornoaos planos terin:>o·rais da sua. elaboração.

O recurso à mitolo~ia é, como.se sabe, esséncial' ao proptSsi


de 'Luís de Cal'iÕes
,,. que é o de heroi:f'ica.r ou imortali,zar os que, -
'.'sendo humanoav; divinos os fizeram "esforço. e ar'te". Por isso mesmo
.: e te.mbéma, thulo exemplificativo ...,.dever-se-á moàtrár- aoé aÍunos .e
que sig?Íifica, na Tlha dos Amores, homense deusas podez-emencontrar.;_
-se Fado a lado, convivendo e amandos :
.'
.i sabido aue o Poemaé ori:entado no sentido
• mortalidade l imorta:lidade. Ora esta é con "'
cio' da narrativa, toda em oitavas de verso
metrífica<lô e•ácent1'.la:do,comopor.uma gama
l:l'.iiticos, dent:t'e os' quais avulta o mitól6gico.
~ê ser descobertos,não para ~e ficar nas suas
OS entender comor-ecur-sosde "um .fec].mdoprocesso
rador de hómens de carp.e e osso er.iheróis 011 imortais. Mostrar aoS'
l'Uonoscomose opera es'ta transfiguração, seja de.histórico humano, se
ja do fisico, - repetimo-lo -, deve constituir escopo primordiP.~~·

Dissem()s·p.trá.s que.o Poeta apresenta no Poemat~nsties ou'


forças corrtz-as'tarrtea, Ora uma que·,julgamoeiainda 'importante- .é à que o
artista vive. ao declara:r .®e só cantará os que do seu canto ache'
cedor-es', A prová-lo,. recordem-se as. est!incias fina.is ,
'nas· que.Lso Poeta confidencia que, por lisonja, não
bido11 "sob pena. de nâ'o sér agra.decido". Este sentido
de irlde"pêndência.na exa.ltaçãó ·é valor moral a relevar.

. Outros finais .do ca.nto são., como já deixámos


tância.s a interpretar, por ser neles· que.o,·])pico nos deixa·, .com
reTat,iva evidência, tre.nspa.recer valores humanosa
Por tudo isto sé deixa supor que á.. interpretação· seja do
. qué:fornão pode revestir aspectós dominantemente de paráfrase ou de
. si~opse. Para.frasear .ou resumir um trecho serit exercício de n1i.tureza
~as.e ma.rginal. Interpretar deverit ser antes uma tentativa de apro-
}~jldàmento de que se esM a ler .• Ess~ aprofundamento serit possível
.s6;na· medida.·em que mais nos aperce·bamosdos recursos estilísticos
--oú.expressivos 'do escritor. Daqui o não se julgar conveniente disso-,
ciar-se conte'ddo .e forma de manei:ra 'extremada como, por vezes, suce.;..

Umaideia admite-se dever ser :f'ixadas a de unia prof'unda re


l1iÇâo·entre o pensamento e á Hngua.gemou seja entre a perspeotiva -
/';gtié·"tenl;lamc:fs
da rea;iidade e a sua expressão. Hit, ;20rtanto, ,ul)la sfrie
..de •pJ;'oblemasindis$ocill:veis7 pelo que a a.nitlise nao dever4 ser ideo-
, · 16gi~a, por um lado, e gramatical ou formal pelo outro •

.·••• ·., . ·..··. Não iinporta leva.r o d~scente ao chamado s_aber nocional ,ou
;~~11i.ssi:f'Í.Cativo•'; Com.e:f'e!Lto, de '~e val_ed levá-lo a designar, por
•.f!ix.em,!lló, esta ou aquela proposiçao de coordena.da ou subordinada, se
/::!~lhe não t.iver _ét1sinadoo que estes esquemas sintd:cticos :signi:f'i-
~aqi:_Íiamente de quem os utiliza? .De que servirit que ele class1fique
·Y .um~c"s1frie proposicional .de assind,tica ou sindética, se não for ie:..
, ·vado·tambémà corripreensâo dos ·seus valores funcionais? ·Ser4 sufici.;.
· · :e\11;eensiná-1<;1a mudar uma oração.;,. da voz a.ctiva. p&J;'aa, passiva, sem-
.se Lhe mostrar o que -esta conversao implica ao plano oon"Qeptual?Le
~L~v9.r-àeo mesmoa di-zer que determinada :f'ormaverbal se encontra no-
[\pret&rito imper:f'eito ou no pret~rito perfeito desté- ou da.Q:u.él~ mo-
•/ ô:oi3, Éieín·eerealçar o sJg?!i:f'icado dos universos temporais que tradu
; sem ou·~a obje0tividade· ou subjectividade que deixam transpa.reÇer, -
••.•
:contribuirá ainda pàra algum progresso interpretativo? Tra.nsf'ormar
iiieoanfca,me,llte,.como_mero.,u:eroíoi.o de. aplicação,, um discurso direc-
. ,;.to. nUlJl'.indirécto,possuirá para o mesmoe_feito real utilida.de? Como
fsal:>el)lo13; descobrir,. a.nalisendo0, os processos grematioa,is de um es-
}critcré percel:>e;rum pouco do uso consciente ou intencional que ele
--f"azde -uma línguâ. que herdou dominantemente ao nível da: linguagem
comum.

> . Finalllíimte, a µtiliza.ção da. chamada expressão metaf6ri0a


;(i.o,ti: figilradaprecisal'á insistimos - de ser entendida sempre mais
m?t~vos do seu emprego que num prop6sito de classifi-
'',,,lici.e~~·?ªSi~veis
;c~çá'o •
.;.~.
3- Técnicas de ensino

a) Tra,ba.lhosde. grupo

Esta; a.ctividade exige que o pro1'essor conheça a.s norma.$


.:f'undamentais da org{l.nização.de grupos de trabalho e da.
za.ção. Além disso, ~erá necessário que a biblioteca da
biblioteca do liceu disponham dos livros necess'1rios· à
do trabalho proposto.

Poderão ser tratados entre outros os seguintes tema.as·


"Os navega.do_resmíticos";
í•os grandes' guerreiros";
"Valor a atribuir à mitologia. no Poema•i;
"Emb<J.rcaçÕes e aparelhagem náutica. do..tempo das desco
berta.s11 (Sendo .possível. este trabalho se:ria; apoí.ado
por uma vi si ta ao Museuda Marinha.);
''A p~eocupação do real em Ca.mÕes
como contraponto
transfigura,çÕes míticas";
"0 ex6tico n' "Os Lusíadas"; .
"A estrtl.tura de "Os Lusíadas": a articuia.ção
. \
mítico e do _tiláriohist6;rico";
"Os Lu·sía.de:s"como expressão do penaamerrto da Reria.s-
cença.. ·

Estes ·e outros temas poderão finalizar .com:


a}1um relat6rfo eLabor-ade por cada; _umdos. gJ"µpos;
b) uma palestra feita. na aula e '.segl.Ífdade .ci>16quio

Também•se sugerem; entre outras actividades1


- A elaboração dummapa (ou 'ma.pas) que permitam a mar--
cação com.fitas de cpres dos itinerários das p:rinci-'
'pais descoberta.e; ·

- a organl.ze,çãó de ficheiros de vocà.bU'lê'.rfo


armas de guerra;
-· fauna._e flora;
fen6menos atmosféricos, etc.

b) Deba.tes

O deba.te é uma das actividades que ma~s despertam


resse do aluno do 32. ano. Além disso, se m;:mdarmoà redigir
clusÕes a que se te:iiha chegado na. àula. precedidas da .argumen"taçaq
que aa dí tau., este _trabalho pode:i'á'constí tuir uma'
uma actividade importante do 32 ciclo 1·a.
·.das" fornec·em-nos tema:s.sugestivos 1
1 - Que pensa da validade ou invalida.de das seguintes
a.firmaçÕess
a) "ô gl6ria de mandar, ~ vã cobiÇa.
Desta. 'Vaidade, ·a. quemchamamosFama.!
11

b) "Oh! M!l.ldito o primeiro que, no l!IUndo,


Na.a'ondas vela. p!l.s,'emseco lenho! 11

2 -.,,;Sera modez-naa figura do Velho dó Restelo?

3 - Seri!'.Veloso umher6i?
4 - Que valor a.tribuir 11. uhliza.ção do dinheiro pelo ho
mem?Ésta.râu as suas ide ias -de acordo com às que· -
Lufs de Ca.;Õesa.presenta. no e. VIII, 96, 97, 98, 99?

$studo comparativo de textos

Al~mdo estudo comparativo com os textos normalmente de


co1110
fontes de" "Os Lus!a:d<1.s11,outros trabalhos do mesmó-
ser feitos. Apontaremos apena.s os que nos parecem mais

a) Confronto com a.uto·res.modernos, por meio do qual .se


revelar€ a. per-errí.dade da temática eamorrí.ane, e se al-
cançará melhor entendimento da capacidade de e:tprét;i-
são do 'Poet~·· Po_rexemplo:

- A Europa. descri te. por Ca.mÕese o instantâ:neo de


Fern.ando-Pessoa .no poema 110 dos Ca.stel0s11;

"O M.ostrengo" e "0. Adamastor";

''Horizonte•• de Per-nando Pessoa. e o significado ge-


'ràl de nos Lusíeita.s11,.

b) Confronto entre pas eoa do pr6prio Poema. Por exemplos


Os discursos de Ji1piter e de Baco.
Os retratos de V~nus e da. formosíssima Maria..

d) Dramatizações

As dramatizações, com o seu aspecto 111dico, são muito'bem


pelos alunos de dez, onze anoa , Emrelação a alunos de ca.-
nze ou dezasseis anos. ~ neç_!lssário agir commuito tacto1
·,:'0de~las de um apur-o e at~ de um nível a.rt!stico que impeçamo ri-
e .a. chacota. Numfim de período, ou como fecho de estudo do
podemos pellsar numa,dramatização, mas não podemoseaquecer- o
para ser feita com dignidade 1 disponibilida.de de tem
n.••
nfi•ssor e dos alunos) e éol!lhecimentos da arte de _dizer e -
Posto i.Sto, sugerimos a d.rama.tiZa.çãoou á leitura dram!_
1 ..;.O consílio dos ·~euses no ólimpo;
2·- O início da f'ala de Vasco da Gama
3 - O epis6dio da :formosíssima}laria;
4 ~O epis6dio de In@s de Castro;
5 - A.f'ala de Nuno1lvares Pereira;
6 - O sonho de D. J>lanuel;
7 -.O episcSdiÔdó Adamastor;
8 ..;.
A primeira. entrevista de Vasco da Gama
e) Témas de redacçaà

lt extremamente vasta a s1frie de teme.a


a "Os Lusíadas". A imaginação de cada um s6 terá uma.
escolha. Limita~-nos-e.mos pois a sugerir como temas, a r~fa.ciona.r
tâmbémcom a eXPeri@ncia pessoal do a.Luno, alguns dos .que poderão
encontrar-se n<)s seguintes versos. do Poemas"

"E aqueles que por obr'as valerosa.a


Se vão da l.ei da morte .libertando".

"Onde pode·acq].her-se um ;(raoo humano,


Onde terá segura a.'eur+a vida,
. Que não se arme e se ·indigne o é~u sereno
Contl'a um bicho da te'rra tão pequeno?" .

"Nóvos mundos ao mundo~rão mostrando".

"Naquele engano de alma, ledo e cego,


Que a f'ortuna não deixa.durar muito".

"Dura Jnquietação da alma e da vida".


recor
tantÕ-

que tamMm a quaL ida"-


ser considerada,

nuz-amerrte visue.is:

Fotogra.fias, projecçÕes (diascopia, episcopia)s


Qü?.dro "A morte de c~mÕes". de Domingos Ant6nio $equeira;
edição do Morgado de Mateus, com as suas famosas ilustra.
çÕes (1817); .. . . -
monumerrto a Camões do. escultor Vítor Bastos, inaugurado
em 1867.;
gruta.· 11de C"mÕes"em Mac,,u, segundo a tradiçeo;
t11mU:lo 11. mem6ri1"de Ce.mÕes,nos Jer6nimos; ·
a. casa rle.C<:mstâncie, onde se diz que o Poeta. viveu dur-an
te 1lm dos seus desterros;
(Algunms destas suges:tÕés podem servir tamMm par-a vis:l.ta.s
de estudo.ligada.s à leitura do Poema},

i\,uxil:iareà sonoros:

Discos e. fitas -ma.gn~ticas:


Í1ós.t.11à:i'.adp$•1,a.e
Camões (gravaçáo do Imave de rec,ita.ção
de .alguns.epis6dios); ·.
'!Hino a Camões" de. Carlos Gomes;
''Réquiem a .cii.mÕes''de João Domingos Bontempo;
"EVocaçáo.de 110s 1usfnd11si1'.' de Viann da !fota;
''Propos1çâ'o e, Invoca..ç;;:on- musicacl.as por Herm!niÔ··doN~s
c âmerrto; · -
••Epi~~di.o.de Inês de Castro" de João de Arroyo;
''Poema~Sinf'6µicó sobre o Epis6dio do Gigante Adama.stór"
de Francisco de Lacerda;
t1J:nêsde Ca,stro", 6per8. do mP.eatro Ruy Coelho;
"Sinf'onia.s Camonãanas" de Ruy Coelho;
''AConquista dé Lisboá:11, cantata sobre quatro estâncias
d' 'IOs Lnsía.das" de Joly Braga. sa.ntos.

exposição interpret'a:
de Desenho); -

dás naus";
110
colorido da nau melindana na sua visita a Vaspó
Gama"·
'·' -,_ . - - .
"A representaçao de Mercúrio".

b) Mapas histcSricos e geográficos (se possível, em colabora.


ção com as disciplinas de Geografia. e HistcSria).

c) Mapada acção de "Os Lus:!adas": a narrsção .,. os cantos e


os episcSdios; sua localização.

d) Gravaç~es de leituras feitas na aula.

e) Textos auxiliaress

João de Barros

Melinde -

SeguindOVasêo da Gamaseu caminho com esta presa de mou


ros, ao outro dia que .era de Páscoa.da Ressurreição, indo com}ôd~
los navios embandeirados, e a companha deles com grandes folias por
solenidade da festa., chegou a Melinde-, aonde logo por um degredado,
em companhãa de um dos mouros, mandou dizer a el-réi quem era, e o
caminho que fazia .~ a necessidade que tinha de piloto (e que esta.
fora a ca.usa de tomar aqueles homens) pedindo que lhe mandasse dar
um.

El-rei, havido .este recado, posto que ao nome cristão ti-


vesse aquele natural 6dio que lhe têm tôdoloá mouros, como era ho-
membem inclinado e sesudo, sabendo por este· mouro o modo de como
os nossos se houveram com eles e que lhe pareciam homens de grande
âµimo no feito-da guerra, e na conversação brando$ e caridososi s~
gundo o bom tratamento que lhe fizeram depois de os ·torila.rem,nao
querendo' perder amizade de tal gente com más obras'. como perderam
os outros príncipes por cujos portos passaram, .assentou de leva.r
outro mddo Çom eles, enquanto !).âovisse sinal contrário do que .lhe
este mouro contava. E logo por ele é'pelo degregado mandou dous ho
mens ao capitão, mostrando em palavras o contentamento que tinha
de sua vinda; que descansasse, porque pilotos e am aade tudo' acha.-
í

ria naqueLe seu porto; e que' em sinal de seguridade Lhe mandava a-


quele anel de ouro; e lhe pedia houvesse por bem de ~~.ír en ter::·2.
p~ra se ver com ele.

Ao que Vasco da. Gama.respondeu conforme à venta.de de el-


...;rei; pez-õ, quanto ao sair em terra. e se ver com ele, ao pre.sente
·não o podí.a fazer,, por el-re.i seu senhor lho defender, ~é levar.
seu recado a el-re.i de Calecut e a outros príncipes .da Tndí.a, Que
para. eles ambos assentarem paz e amizo.de, por ser a cousa que lhe
el'."'.rei seu senhor mais encomendava, nenhum outro mod-0lhe parecia
meLhor-, _por não •sa.ir do ·seu regimento,- que ír ele em seus ba.téis,
até, junto da praia, ,e sua rea.l senhoria meter-se 'ns.queles zambu-,
cos t com que ambos se poderiam ver no mHr; porque, para. ele ga.nhar
· por amigo tam podez-osc príncipe como era. el...:rei de Portugal i'
jo ca.pitão ele era, maiores e.ousas devia :fazer. , ·
Vasco da Gama em Melinde

E , , • aeaent ou .Vasco. da Gamà que· seu irmíi:o e Nicolau ·Coe


. fica:ssem em os navios a. bom r-ecado e tanto a, pique, que pudes:
sem 1.J,Cu~ira qua Lquez' necessidade; .e ele, com to.dos os batéis e a
mai~. limpa gente da frota vestidos de festa por fora e a.rma.s secre
tas, com grande apara.to de bandeiras e toldo no batel, fosse ao lu
ga:r das vístas; a quçi,i·ordem se teve, quando veio ao dia delas, -
~artindo ).Tasco da Gama dos navios com grande estrondo de tr011\betas,
.o que tudo respondia com a.s, vozes da gente, animando-se uns aos ou
.t:ros em prazer daquela festa; porque, como era na terceira oitava.-
da, Páscoa, tempo em que eles cá no Reino eram costumados .a festa,s
e pra.zer, pç,recia,-lhes que esta.va.m entre os seus. Vasco da. Gama, in
do assim neste acto, à meio caminho mandou suspender o remo, por -
/el-rei .nii:o·ser.ainda recolhido ao seu. zambuco, o qual vinha a.o lon
go. dá. :Praia metido 'em um esperavel de seda com as c.ortinaá da. parta
do mar. a],evantada.s, e· ele lançado em um andor sobre os ombros de
qua'tz-o hqmens, cercado de muita gente nobre, e a do povo diante e
detrás,, bem..afastada, para. darem vista aos nossos, todos com ga-a.n-
de aparato de festa, e tangeres a seu modo.

Entrando el-rei no aambucocom aIgumaa peasoaa principais


mimestréis que tangiam,. toda a maís gente que podí.a se embarcou
por.5mt;;,os ~arcos, cez-cando el-rei por todas as partes; sbmente dei
:z:aramuma-aberta, que tinha a vista para os nossos, em modode cor:
tesia.

paz que lhe Vasco da Gamamandou.fa


de festa, foi mandar·os da.guerra,-
e no fim deles uma gz-ande grita
navios com outra tal obra até tirarem

tomou no zambuco,
O que el-rei. mui-
Gamacomoel-rei, seu
maiores naus que aquelas,
com as quais o poderia. Hju
el,.-Tei conta que, a pouco-
rei poderoso pa.ra.·as suas.
__ Bapedí.do ~Vascoda Ga.madele, depois que o deixou
_tornou-se aos navd os , e os dias que ali e1:1tevesempne., f'oi _visi.:..:
de l e com muit~s ref'r;scos, que deu cau.sa a ser tamMpi visitàdo i:.
de· uns mouros que àli estavam do reino -de Camba.iaem as naus que lb..e
tinham dito- os niourcil'Ique .t._o_mou
no zampuco. Entre os quais viera.nl-_
-.-certó_shomens a que,..chamamBa.neanes do mesmogentio dci._reino de caín-
haia., gente tâ:o ,religioslJ, na seita de Pitágoras, que _até a. iniund{cie
que criam em si :nâ:oniat<irn•nem comemcoLaa v.iva. Estes, entrandÓ em
o navf,o de Vascq da Gama.e vendo na sua câmana; uma imagemde Nossa
- senhora em Umretábulo de pincei e aue os nossos lhe f'ázia.ni'reve-rên-
caa, f'izeram eÚis adora._çâ:ocom_muitÔ maior acatBJíJe]lfo;.e, co'!1ogerij;e
cttie se delei ta.va na, vista daquela. Lmagem, logo ao outro d.La tornaram
'a ela, oferec,endo,,.lhe cravo, --pimenta e outras mostra.a de espeqia.rias
_dà.s que vieram al·i _vender, e se foram contentes dos nci.ssos :pelo·aga..:..:
srüho que recebéra.m· e manéira de sua a.doraçâ:o; te.mbéme-l:es_f'icárain .. _
satisfeitos do seu modo, parecendo..,.lhes "Ser aquéla mostra de a.lguma_
()I'.ista.ridade,que heveria na Ind.ia do tempo de s. Tomé; entre os quais·
'vinha um _mouroguzM·a.te1 de naçâ:q, chamad.z Maleno Ca,né,, ii _qual aesim .'
peLo cóntentamento que teve dE!:conyersaçao dos nossos, como po;r,com..:
prazer. a el-rei que_buscava piloto: para lhe -dar, e.ceii:ou querer ir
com eles. Do saber- do qual, Vasco da.Gama, depois que praticou com e7
le; fiCOUmuito COj'ltente, principalmente q\landoJhe mosí:rouuma car:..
·ta dé tod;;i;:a costa de. In'dia &rr,uma.daao .modo dos mour-os, que era em
meridianos e paralelos mui mjildos ·••

E, mostra.ndo...;lhevas.co da Gamao grande astroláb.io de pau


que_:I,éirava.,e ou'tr-oa de metal com que .tomiwa a. altura.. do s.ol, i;iio,se
espa.nto11o mouro disse, 'dizendo que alguns pilotos do mar -:Roxõusa-
vam .de instrumentos de la.tão de figura triangular e quadrantes com
que toma.vama etltura do So;t.e principa.lmente da estrela, de que se
servj;~.mem a n,avegaçí:io• • • ---

Va.scoda Ga.ma,cóln estas e..outras prátiée.s cfu.e, por vezes1


t_eve com este piloto, parecia-lhe ter nele um grão tes-ouro· e, por o.
não perder q mais breve que 'pôde, depois que meteu por 00-nsentimen-
fodll el-rei um padríio por IlomeSan.to Espí:t,:ito na povo\1-ção,dizendo
·ser um tes.teffiunho da 11az_e a.mize,deque com ele assentl!,ra, se fez·.à·
vela camânhó da !ndia' a vinte e quatro dias de Abril e ,

-"Ãsia'' - Década

Va.sqo ela,Ge.ma:
é recebido

.-. _ Vindo o rece.dô. do Sàm0rim qite


· doze, pessoas em lerre., onde re.cebeu
Úé'. tu!i.1, acompànhado
fa:tó ..doscnosiibs,.e
de .sua pesaoa, é. outros .de o traze:rein
dôs qua,is andores foi também
.datual e ele em càmiifuo para Calecut ••• chêgarám
. < ..... d7 uma povóaÇão, onde estava apoaerrtado out:r;'o,Cà..-
. .1.i}ll~ssoa ma.is not~vel,, que vinha. por mandado do Samori rece bez-
·sco',dá ,Gama.,O qual, quando saiu a ele., era muita gente de guerra,
.••dos·adargad'os a. seu modo•. Chegadó·o. Catual a.Vasco da Gama, depois
fgúê' 'se/nlndo o s~u uso o .recebeu com.muita cortesia, mandou;_lhe dar
:b.utro. ando~ quê tra~:i.aadiante, melhor consertado que. aquele em qlie
_Vinh'."-;e", se~ fazer m,ais detença, seguiram seu carnin!!o aos ·paços de
~H-re]., onde Vasco _dll-~ii:maeaper-ou p_àlo~ seus, que nao podiàní liturar
/Ó~curl',lodaqÍiélf)s qile.levavalll .o andor; e· o maior dano que r-ecebí.am .era
·~\> gl'à:ndê poro qÚe quase os)eva.vli à.foga.dos por ver. H Enj;raram• em um
P"~t~Q de ;J;lpén~res, onde achar-amVasco da Gama., e o Catual com e,lgumà
_gente mais limpa esperando por eles; e1 sem tomar algum repouso da.que
;~a: .afi;?ntá em-qiie '.vi_nha.m,ep.traram ·todÓs _emuma grã casa térrea.t. em -
}qu~ estava aquele grii:nde Samori da províp.cia. Malabar por eles tao de-
>:'~~jMo de vel' •.J)e jiínto do qual se alevantou um homemde gtande ida.de
·' {giie'era 'o _seu Brâmáne :maior, vestido de umàs vestiduras. bràncas, re-
. ·esentando nel_as e em sua idade e continência ser homemreligioso; e,
e~ado ao meio da.·casa, tomou Vasco da Gama'pela' mão e o foi apresen
Ê.titr áo~Samor:i.. · -
11A:sia11-·~oada I.
-·-.-· 1
lli.ogo. õ.o Couto

Manuei 'de•.sousâ· Seplllvedà

... M~rluel~de··sousa Sepi11 veda com os da sua oompanhâ.a.foi. séguin


Ji:>P!l.tíiin!Ío do rio Momb,a.ç~. com determ:i.~ação de se deixarem, ficar nele
·a,,~ele;rei Uio consentisse; e' indo assim, tornaram os oafres a dar
~~r··~-J~sc gúe. ficou sopre os col'pos foi roubad2 deixand0'.""osnus. E
Leg.~:r, quando os oafres a,.quiseram despir,_ o na.o q11is consentir,
;e_:'!à:;i, b?f.et_adas e,às dentadas como leoa magoada se defendia, porque
efs qÚe~c:l!!; que a 111atassem,que a despiÊJsem. Manuel de Sousa Sepi1lve-
..:'Vendosua àmada e spcaa naquele estado e os filhos.. no. chão éhorando,
e,.qàe à' mágoa e dor-lhe ressuscitou o entendimento (como accnteoe
.1Ç.e:i.aqµe se quer apagar, dar, antes disso, maior claridade), e,
'#l,õ\,sob~. si lllªiE! algum tanto, se chegou à mulher e, tomando..a só
·l:íraços, 'lhe, disse:_

7- Senhora.,;-4e:i.:ícai-vor;í·
despir e lembrai-vos que todos ~sce-
nus.1 e pois <list-0 é ))eus _serv'ido, sede v6s contente que El~ haverá
· que se,ja isto 'em·penit3neia dos ncasos pecados. ·

. > CoroistO sé.


deixou .despi~, nâq. lhe de:i.~Emdoaqueles 'bruto.a
lé!Jgo,faa àl&'llffia.9~!11.
qui! se pud-ess~ cobrir. Vendo...se ela 'nua,
·1;.à~.
no chiq e;'.espalhou os. sêu$ ~OI'moeís.si.mõse compridos· cabê
los por dia.ntez. com o rosto .todo baí.xo , porque a pudeS'sem cobrir, e
assim com as ma.os :fez uma cova na. areia onde se meteu até ~. ci11ta.,
sem ma._is se querer 1evanta.r dali. õs homens da. c ompanhãa, vendo
D. Laonor, :foram-se afastando, de mágoa. e vergonha. Vendo ela a An:-
dré Vaz, -o piloto, que virava. a.s costas 'par-a se ir, chamou por· ele
e lhe disse1

-.Bem vedes, piloto,. como estamos e qu.e já não podemos


pa.ssa.r daqui, onde parece ter Deus ordana.do que eil e .meus :filhos
acabemos por .meus pecado aj ide ••vos ·muito embora., :fazei por vos sal
var-e encomer;dai-v()s a. 'Deus; e, se :fordes à !ndia. e a Portugal em-
a1gum·'tempo-, dizei como nos deixa.stes a Hanuel de Sousa..e a. mim com
meus :filhos•

. André Vaz, enternecido_ de mágoa daquele piedoso e spec tãou' ·


lo, virou as costa.e sem responder na.da, mas todo bànhado em lágr:Í.--
mas se :foi continuándo o seu caminho, apõs os outros que iam já ad í.an
te. Manuel de Souaa, com todos aqueles infortúnios .e mágoas, não se -
esqu:eceu da necessidade da mulher e dos tenros meninos que estaya.m
chorando com :fome;foi-se aos _matos para buscar- algum~ coisa para lhes.
dar e, quando t()rno.u com algumas :fruta•s br-avas , achou· já um dos meni-
nos morto e D. Leonor como pá.ama.da. com os olhos nele e com outro no ·
colo. Ele, pondo os olhos :fitos nela. e no menino morto, :ficou assim
um pequeno espaço sem :falar de coisa. alguma.• Passado ele,· :fe;; uma CQ
va na. areia e por sua mão o enterrou, lançando-lhe a. derradeira ben=·
Ção; Feito isto, tornou-se ao ma.to a busca.r ma.is frutas para a muLhez-.
e para 9 outro menino; !;!, qua.hdo tornou, achou ambos falecidos e cin-
co_escrava.a sua.s_sobre os corpos com grandes gritos e prantos; vendo
Manuel.de Sousa. $epúiveda. aqueLa desventura., apartou da.li as escravas
e a.ssentou--se perto ..da mulher com o· rosto sobre uma das mãos e os- olho-s··
- nela, e assim asteve e spaço de meia hora seméhorar nem d.i:z.er paLavz-a•
.Passado aquele -fermo, Levarrtou-ae e começou a. fazer uma-co'V'.acom a ajil
da .das escnavas (sempre sem falar coisa a.lgurne.)_ e, torna.ndo'a mulher. -
nos braços, chegando um pouco o seu rosto ao dela., a. dei tau na, ..
cova"
com o filhO; e, depc s de a cobrir, sem dizer coisa. a.lguma_às moças,·..··
í

11e·tornou a meter pelo mato, onde deaapar-eceu sem ma.Lsse sa.ber dele; --
e siimpre se presumiu que os tigres o comeram.

"/.si~'n - Dé.cadaVI •

Do "Roteiro da Viagem de Vasco da Gama", e~ 14971 atribuído

'i , Melinde A. Ida.

Ao dia de Páscoa nos disseram estes inouros,que


tivos,. que em a, dita vila. de Melinde estavam quatro J:\avio~ de
tão11, os quais eram índios; e que, se os,qu:iséssemos ali lêva.;r,,
daria~ por; si pilo;tos cristãós, e tudo_ o que nosJize'sse :ini.stel".,
sim de c~rnes, ál!;Ua.,lenha e.,outra1;3coisas. - -· - ·
- 32 -

E o capitão-mor, que muito de'sej.,va. haver pilotos daquela


terra., depois de termos .trata.do este partido com estes. mouros, fo~
· pous·a.r. defronte da vã La., a. meia. l_égua de terra .•

E os da. vilà nunca ousaram de vir aos..naví.os , porque es-


já .aví.aadoa e, sabiam que tomáramosuma.barca com os mouros.

A segunda feira, pela ma.nhãmandouo capitão-mor p8r aque


le mouro velhb em uma.baixa que esttl:_defronte da vila, e ali veio -
uma.aImadáa por ele; ovqueI mouro foi dizer a. el-rei o que o cc.pitão
queria, e como folga.ria. de fazer paz com ele •

.-,E, depois de, jantar veio o mouro -em uma zavra, em a qual o
rei daquela vila mandouum seu cavaleiro e um xerife, e mandoutrês
càrneiros; e mandoudizer ao capitão que ele folgaria. de entre eles
havez- paz e estarem 'bem; e que, se lhe cumprisse alguma.coisa. de sua
terra, que lho daria .commui boa vontade, assim os pilotos como qual
quer outra. coisa. :E o cap í,tão-mor lhe mandoud sez- que ao outro ilia-
í

:fria por dentro do porto.

E mandou_-lhelogo pelo mensageiró um baLandr-au , e dois r-a


mais de ·cora.is, e três bacias, e um chapéu, e caacãve s, e doí.a lam
í

-Mis;_ .

Logo ã. terça. feira nos chegámos mais para. ;junto da vila, e


el-rei mandouao capitão seis carneiros, ..e muitos cravos, e cominhos,
- e··-geng_ibre,e noz-moscada, e. pimenta, e mandou-d.he dizer que à quarta.
feira._·se queria ver. com ele no ma.r; que ele iria em sua, zavr-a, e que
fosse ele no seu batel.

A -quarta feira, depois de jantar, veio el•rei em uma za.vra.,


e veio junto dos navios; .e·o' ca.pitão saiu em o seu batel, muito bem
corrigido. E, comochegou-onde 'e1.:.rei estava., logo se o d.í,to rei me-
t_e_ucom ele.

E. ali passaram mu tas. palavras e boas, entre a.s quais foram


í

dizendo el...:rei ao cap t8:o que lhe roga.va que f'oaae "comel.e a
í,

casa folgar.!. 'e que ele iria dentro aos seus na.vios; e o capitão
disse que nao trazia licença, de seu Senhor para aai.r- em..terra, ·e
'ilt:l em'terra sa,!sse, que dar-ía de si má conta a quemo U'. manda-.
E orei tespondeu que, se ele aos seus navios fosse, que conta
â,à.rfa _dé si ao seu povo, ou que diriam? E perguntou comohavia; nome
o nosso re'i,. e mandou-,oescrever; e ·disse que, _se n6s por aqui tor ...•
nássemós, que ele manda .ria,
. um emba.ixador, ou lhe escreveria .•

E, depois de terem_:fala.do, cada um o que querí a, mandou·o


todos OJ?. mouros que t-!nha.mosco.ti vos, e deu-lhos todos;
:foi mui·contente, e disse que rnaís pr-ezave.·aquilo que
vila. ·
E o r-e andou folgando' de redor dos
í,

.IJiui1ias
·bombardaa e e Le .:folgava muito de
to andaram obra de três horas.

,E, quando se .:foi,. deixóu no navio um seu :filho;


·Xeri:fe, e :foramcom ele a. sua CE!-Sa dois homens dos nóssôs,
ele tne~mo' pediu que queria que 'f'o,llsemver
se 'ao capitão "que, pois ele não queria ir
. tl'o dia,· ..~.·.que andasee ao Longo da terra,
gar seus cavaíeiros.

2. !>lel.i'!lde.- A Volta
A see,imcl,a,
:feira, 'que :forà.msete dias do dito mês, fl'lrrios
pousar ·ae ava.nte.f!elinde, aonde logo el..:.rei mandouum.bal:'colongo;
O qual trazfa muita ge,nté, e mandou ca.rneiros; e ·mandoudi,zer ao oa
;iitão que ele :fosse benvãndo, que já havia dí.aa que esperáva,,por, '"'"
ele,· e as sãm mC1.ndoudizer outras muí,tas pale.vras de amizade é -pa~.

E o capitão, com est.es qué vieram, um homema terra., pa-


ra ao outr-o dia trazer· laranjas, que muito desejavam os c1oerites que
.tra.z:!;imns;'comorle :feito as, trouxe logo, com..outra.a muita:s
posto que·não apr-ove tare.m aos. <ióentlis - pois que·a terra .os
í,

pou em t;;d ·maneira que '."qu'ise nos :finaram muitos .•

.E assim .v í.nham muitos móur-oa 'a bordo por


e trc>ziam muú11sg1"1inhas e ovos, a resgatar.

E. o capitão, vendo comonos :fazia te.nta


nos era tão necess~ria,,, mandon-d.he um serviço; ,e r;m,ndou:..lh
por um dos nossos J1omer;is,o qua.L ..erO\ó· que sa.bia.
lhe pedia qi+elhe ,desse um?,buzi·na.de mar:fim
seu Senhor> e o:ue lhe· mandaaae
ce.ase em sinal de amfsade ,

E el•reiclisse que
que ele d.izil".,.por amor d~.el-rei
· sj'!rvir e ser' sempre a seu :;ierviço
zina ao capitão, e mandou le.var o

E e.ssim envió'u u."1-mo'uro


mancebo, o qual
vir connosco ; que queri'avir v,er Portugal; o qual
dou muito encomêndar ao c~pi"j;~oe, bem assim, lhe ínan~ou
ele mandava aquele rna.ncebo,para. que êl-rei de Portugál '-~·•""'"'"'"'
ouarrto ele dese.ja,.v!l.
sua anrí.aade,

~Ie.ste lug:.>.r
·e'l"tivenios cinco, dias, :t'olgl'!.dóS"
de· qi.ianto tra.balho tfoh:.>.mos .passado M tra.yessi1i
de· morrer. · ·
Pedifo }'11.nes
-------------

, __ _._ Não hR dií:via:->.


que ç s navet;8:çÕesdeste Reino i de cem anos
e-,~sta porte,~sê'oas ma,iores,;mais maravilhosas, de mais altas_ con
~-flqt~re.s,.do que a.s de nenhuma.o_utra gente do mundo. Os Portugueses
?B-Sar;:i.mcom_eter o grande Oceano. Entraram por ele sem nenhum receio.
:Oespobri,ra~ novas :i}ha.s, novas terras, novos mares, ncvos povos, e,
o _q\lemais é, novo (léu .e novas _estrelas, E ne_rderam-lhe tanto o me-
_dó, que nem.a. e,-rànde que!'-t-µradá. zonai forra.dlj;, nem o de scompe-seo
-frio.da. e:x:tr~ma-parte dó~ul, co~- que os a.ntig-os escritores _nos a-
meaçavam, os p6deestorvar._ Perdendo a Estrela do l'!orte e torna.n_do
.;-'ª a _cobra!', descobrindo e passando o temeroso cabo da. Boa Ei;peran
\-ga( o mar- dà. Etiópia, da. Arábia e da Pérsia, puderam chega.;rã !n~-
- dia.

<< y <) •._Orama.nifesto/~ que estes dei;cobrimentos de costas, ilha.s


,,e >terras firmes_ 11~0 se :fizeram, indo a acertar, mas partiram os nos
--•
soi;"rnarea.ntes mui ens;inados e providos de· instrumentos e regras •de-
e.strolo,"\ia e geometria, que são as coisas de que os cosinógraf'os hão
- c.:.d.e
andar- ape:r>cebi.dos.Levp.ram~a:rta.s mui-particularmente rumadas e
- já· as de que os antig,os usav~m.

"Tratado da Esfera"

D• .João de Castro

Caminho

_Domingo 14 de .J\).11~.º todo o dia f'oi o vento sue e+e e les-


e assi. COfll() .. larga.va. OU e soa.seava, assi f'a.ziamos O caminho,
9 •(T"Ual,discompenssa.ndo um por outro, ficaria. à mea partida do nor
nordeister e~te d_ia às 10 horas, de pela ma.n!lâvimos da banda do nÕr
oet:;te Uma;S nuvens ')Ja.gta.s.e dobrada S, e, do meio delas descia .ao mar
a~ostra:c'9r:io tro.-nba.dalif'ante, a que o~ marinheiros chamamma_:;,
e pórderredordésta t;i-ombaou manga nao havia coi-sa alguma '
nos. impedi-fis·ea· vi-sta., assim como nevoeiro ou sarração.

- -. .A.J)êliI'tedes~a tromba que apegava nas nuvens, afastava_ por


í:'_tf:l'f e 011tra tB.-zia uma testa, eda.li para baixo até o mar_era
1-çit·~. ~edo:11d13:T a. pôpta que pegava no _ma.r erguia um grande.
de:r'red,ot,<e S~f:Undonotavamoe os que isto vi-amos, ]Jl}re-.
- -{Í :L~YFlapor á_entto Cla tromba.acima; dur-ar-La,,isto
r•t_o;.d!;\
ji1or.a,,:e>estaria.mos a.redados dela pouco Ó)a;is
de meia legua; e como se desfez, deunos uma chuva grossa. com trovões:
o princípio como se ordenou esta manga.,foi parecer no mar uma grande
fumaça e. fervªncia. de água do tamanho de uma nau, e. em espaço de dóis
cr-edos f.oi crescendo para; o céu, a.tê peguar nas nuvens, deixando figu
rada. esta tromba. por onde sobia agop. a ela.s.(l) -

De noite começarama dar muitos Relâmpagos por toda.a as par


tes do ceu comgrande m1merode trovoes; os fuzis ez-amtp.ntos..que ne:
nhummomentode tempo es.t(l.vasem eles; o vento era sueste es.ca.soe
fresco; governamos ao nordeste quar-ta do nortes o Piloto e marinheiros
haviam por cousa muito averiguada que todos !?Stes sinais demonstravam
calnÍaria, mas o mestre receoso ou guiado por Deus, amainou as vela.s,
sendo passados quatro Relogios da prima, do que clamavammuito os ma-
rinheiros; e acabado a.s vergas de serem embaí.xo, deu em nós t:?.manho
vento, qual a.tê qui não temos visto nesta viagem: durou este vento
grande e espantoso até o fim do quarto da inadorra, e entra.ndo o quarto
da lua. abonançou, e tornamos dar as veLa.s sem monetas, governando ao
nornordeste; o.vento seria comolessuest.e; toda esta noite choveu mui
to, e o ma.randou muito ma.nso.

"Roteiro de Lisboa. a Goa"

Nól<0íÍ:
--µ) Este. excelente descrição do noMvel fenómeno não pode deixar
de..causar admiração, pela perfeição e nunucLosa observação com que foi
feita. Para. melhor se apreciar, basta. citar a descricão das trombas m1J.,-
rÚima'8 que se encontra na Physica.l Geography de w.Íle:;iborough. CooTen
"Os mais importantes fénómenos vorticosos da atmosfera, diz ele, são
os turbilhões produzidos pela conflagração, vortices de poeira ou a.reilÍ.,
tromba,s,._tornados, e ciclones. Quandoumca.navial extenso e seco ou um
mato estao ar-dendo; vª-se sobre cada energica labareda.,. uma c9lumna de.
fumo, ascendendo em espiral e abrindo-se superiormente em fórma. de fu-
nil ••• As trombas teem luga.r entre os fenómenos mais singulares da na-
turez.a. são columnas de água ou vapor opaco Levarrtando-sae do màr e jun
tando-se superiormente au'.ma nuvemem flírma de cone invertido. A água.-
na base está em violente, àgitação, como se estivesse fervendos e a co-
lumna, ao paasoique cá.minha, revolve-se comviolªncie. perigosa,, mesmo
para grr.ndes nevios ••• A columna de. água pode explic2.r-.se supondo um
turbilhão na atmosfera, o qual, como o ar é impelido·p11.rafora pela for
ça centrifuga, cria o vácuo no eixo do movimento, no quaL -
certa altura. A cima d'esta a.lturaí a continuação opaca,
ser f'.orma.dade vapor, subindo da. parte inferior, ou baí.xando
Duárté Pacheco Pereira.

Do· que disseram e.lguns escritores· e.ntigos, comoa linha. eqúinociá.l


e a. te;ra que faz debà.ixo dela era inabi tavel

Nunca ós nossos antigos· antecessores, ·nemoutros muito ma'is


doutre.s estr-anhos geraçÓes, puderam érer que podia. vir temno
o nosao oucdderrte fora do ouriente conhecido e· da India .. pelo modo
agora é; por-oue 013 escritores, que daquelas partes f'aLar-am , escre
verq.mdelas tantas fã.bulas, por onde todos j)areceu impossible <i:ueos-
:in'iiianos mares e -terras do nosso oucidente se pudessem navega:!'.•

Tolomeuescreve, na. pintura .de suas antigas tábuas .de coémó


o mar Indico ser assi cdmoÜa a.lagoa, apartado, POI' muito .es:
nosso má.'.roceano ouéiderítal que pela Eti.Spia meridionaf pas-
A que an+ne estes dousmares ia Üa ourela de terra, por impedimen
qual, oer-a dentro, pera aq)lele.·gólfão Indico, per nenhummodo-:
nau no.dia.1)a.sspr. outros disseram .que este; caminho era de ta.má
carrt i de.de que, por "sua longura, se não podia. navegar-, e. que nele'.""
havia. mu'í t"-s ·serPiiJ.s_e ou'tz-ós grandes peixes e animais nocivos, pelo·
ouaL e,sta· navega.cão se não poi).ia fazer.. -·

PompónioMela, noQrincípio do seu grande livro e asai no


terceiro de Situ Or-b.í.a , e Mest_reJoão de Sacrobosco, Ingr@s,
e aut or-, na a.rte da astronomia, no fim do terceiro ca.p!tulo
seu ..'.I're tado da Esfera., -oada um destes em seu lugar, ambos.disseram
as partes da equinociaL eram .in1;1.bitáveispoLa muito granei.equerrtu
do Sol;· donde pa:rece que, segundo sua tenção, aquela tórrida zona-
esta causa E!enã() podia navegar-, pois que a. fortaleza do sol impe
n~q haver. i habita,ção de gente; o 'que tudo isto é falso. Certa.meu
tê'mós muita e muita ra.zão de nos espa.nta.r de tão excelentes homens,
éornóestes foram, e ç,ssi Plínio. e outros autores @e isto mesmo'afir-
-mar-am, 'ca!reni.em tamarího.erro cornoneste caso ddsaez-am , por-que eles
todos confessam.a India ser verdadeiramente ourienta.l é povorada.de·
E comoassi seja que o verd1;1.deiroourient~ é o cí:r-
' que per Quin~ e pelll. India e coma. maior partE! de
cr-ar-amerrtese mostra. ser .falso o que escreveram; -
hã tanta habât açao de gente, quanta

que a
experHlncia. é madre das cousas, .per ela
a verdade, porque o nosso César Manuel, inventi-
excelente ba.ra.o, mandouVasco da. Oama,comenda.dorda Ordemde
· e cortesão "de sua Conte, por c!l.pitão de suas naus e gente, a
e saber aqueles mares e terras com que nos os Antigos pu- ·
medoe espanto. E ind.o commuito trabalho achou o con
disseram.
_ rio do Inf'.arite em diante, no quaJ Tuga.r o'
·Sere·nissimô·Rei. D. João acabcu seu de'scobrimento e naveg~ção,. coL
mo.atrd:s é dito_, e correndó Vasco da Gema.,com.suas (ÍUa.tronaus ,
pera ª<Illela cqsta da incógnita. Etiópia sob'""F.gl.pto,achou a 'etiópi•
ca vila dé Melinde, onde soube as novas da. Jndia que ia .busoar-r e'_
dali, at:ravessa.zid9aquele grande g61fão de setece11t>wléguas ®e,
nàquele mei.o·jaz·/ deacobr-Iu e novamente soube ~1g\ía 1)a.rte·da·dese
jadà. !ndia Inferior.

Q.ua:rtoLivro do 11Esmer<>ldo
Capítulo .:r~
de. •.•os Lusía&i,s"

nr~Úmil'Í~rês .

Çom<"> ~ 6bvio, o. êi'rtudo de uma obra. nã.o deve.·s.er empreên-


d_idosem f\tndaméntação e motivação convenientes. Por is-
frO mesmo7e n:J.rticu°la:rímente no caso de '"Os Lus1adas"; dé,
ver:?:o. nrof'essor utilizar estudos e lei tur1>.s.
anteriores_
da: clássê no sentido eh~f'acil:í.tar a melhor apreensão do
PoÉ'!ma.

- 2 - Assim; lembra-se4 mais uma v~z, que o estudo d~ hi_stori6-


V'ªf'oif como Fernao Lope's, Joao de Barros, -Fernao 'Lopes de
Gás_tarihedae Diog-o·a.oCouto;. de Roteiros e Itiner~rios7
cono .o da ViaR-eriJ'·
do G~.ma~·a Carta dê Pêr-o de Andrade Ga....
mí.nhar d~_nar~~.t:l..vasela Rist6ria Trágico,..!Jarítima: de li-
teratiira exótica como a. de }i'ernãoMendes_Pinto; de poetas
comi>Gil/Vi'cente e :Ant~nio Ferreirá._deve~ pr,eparar, ou
c::orvpa.1ü1ar,,
o estudo de "Os Lús!a.das11•

Outra!'. leitura.e como ..as de Pedro Nunes, :r>uarte_Pacheco Pe


reira., Garcia de Orta e D. João de Gastro,·de que noutro-
luga.r se apresentam "à,lituns excertos, deverão ser - como
_a.litunia.ie
·das a.ntério;r~s - opor-tuàamerrtef'ei tas~ _à medí.da:
q\Íe o, estudo dqs vários passos ,do Poéma.o aconselhem.

Inú,tÜ se tOrnll. lembra~ quê o estudo de "Os Lusíadas" nem


dev<0onsti tttir a:êhvid~de inicial no 3g Ano dos Liceus,
hem'il;ei.xar_de·_
pcupár,. por out;:o lado, uma.grande· parte do·
a.no lectivo ( qiiarenta a cinquenta lições).

5 :...Q~a.nto·ao esquema.a seg!lir apresentado1 é ·de notai-, que


nao_nretende constituir-se emorientaçao wiica. e obriga-
t6ria nem indfoa t odaa as actividades que o est"Q.dode
"'Os.Lusía_da.s":comporta.• -

6 - Compet.:i.r~,igiialmente, ao prof'essor, ..distribuir pelos


vários tenmos lectivos a matéria em estudo; 'dando a este_
a amplitude_ que' enténder ne,cessária. Por is1>0 mesmo, o -
n-dmEiro.dealíi;leas 'que dão eeqnêncí.a à :plan~_:ficaç~o.não
.corksponde, de modoálgµm, ã.o número de tempos léctivos
necessários ê. rea.lizàção dos as-pectos nelas cont-âdca,
:~'º-.

7 -' I)e_stemodo, o prof'essor colltinuará livre para quaisquer


iniciativa.$ •. ·
b) Planifica.ção

Canto' I--

l - Intrôdução ao estudo dê "Os Lllsíada.s", evocá~do:


aspectos verificados, ou a verificar, nos cronistas
sobre a épocade Qµinhentos;
o 11elimaii ~e exaltação e as tentativas épicas.

2"" Início do·estudo do Poema- Proposiçãos


- $eu s'ignificado.

3 - Estudo da ~nvocal?,ão- ests. 4 e 51


- sµa ju!ltificaçao na.estrutura do Poema.

4 - Estudo. da .dedicat6ria - eat s, 6 a. 181


- estudo das ests. 6 a, 15;
- .leitura ', e comentá:rio global das este. 16 a 18.

5 ..,.I'fà.rra.ção- .Concílio. dos Deuse s no Olimpo - ests. 19 a 411


estudo da est~ 19 - a ,armada no. mar largo;
razão 'da .não coincidêneia do início da. narração com o
início da. acção do",J?oema.; ·
possível referência. ao "pla·no" de "Os Lusíadas".
Estu,do das ests e . 20 a 40 ..• Concílio dos Deuses no Olimpos
· funç:ão deste .eJ;>is6diona nar:ração;
a..interv~nçâo e 0,11-ntagonismode Baco_e de Vénus: valor
desta alegoria na economia do Poema;
primeira· e breve referência aos "elementos•r do género é
pí.co , · .

6 - Continuação-da narraçãos
- comentário global das ests~ 42 a 68: ,....na costa de Moçam
bique; -
estudo das ests.. 70 a 76 ,;.. maquinaçô'es de Baco para a
destruiç~o.dos Portugueses;
sugere-sé a leitura. atenta. das ests. 42 a 44 - r-ecomeç o
da narração ..• e 45 a 48 pelo à.pontamente realista que
encerram. As mulheres da Il!Ía de Moçambiqueainda hoje
se. vestem .aaaãm , '
Esta.e estl!ncia.s poderão motivar uma.aula. de projecçÕes
de diapositivos .sobz-ecoabumes de Moçambique.

7 - Leitura e comentário ideológico global das este. 77 <'· 102


com o estudo a.tento das estis. 84, 89 e 94.
- Estudo dàs ests.' 103 a 106 ,.,.chegada à vista de Momba.ç~i
a.tente-se no conteúdo das ests. 105 e 106 - consideraçoes
a prop6sito da insegurança da vida. humana,.
- 40 -

- Carrto II -

8 - E!!\Lom~aça
Leitura e comentário gLoba.I. das eet s , l a 28;
estudo das .es t s , 29, 30 e 33,
- valor estético da.s exclam~.çÕesdo Gama- est.. 30;
- e. sUplic;{ do Gama à, 11Gun.rde. 80bere.nR" - Deus;
- a intervenção de Vênus;
- a presença.·do ma.ravilhoso cristão e pa.gao no mesmopasso.

9 - ComenMrio global das ests. 34 a 43;


estudo _das es t s , 44 e 45 - p;rofecias de Júpiterr
- justificação das profecias.

10 - Partida. de l.:O.mba.ça
- Chega.da.a. rirelinde,
Comentário global das..est s , 64 a 107;
estudo das ests. 108 8.109;
sugere-se o estudo daa e·stârtcia.s f'Lnaí s do canto - 112 e 113:
- possível leitura de textos de cronistas que terão sido co-
nhecidos pelo Poeta;
referllhcia. a. fontes de informe.ção; .
- ó _Rei de Melinde pede ao Gama~ nar-r-a'tí.va da. Hist6ria. de
Portugal;
- o esquerna da futura narra.ção do Gamano.e ests. 109 e 110;
os navegadores. portugueses gigantes do reino de Nereu;
alusão ao sentido da verdadeira. gl6ria. - es t s , 112 e 113.

- Canto III ~

11 - Em!Ielinde
Leitura e comentário da':s est s , 1 e 2 - invoca.ção·a ca.Hope;
estudo das es t s , 3 a.·5_ f'a.l a do Gama
.•
O porquê de nova invocação il. musa de poesia êpica;
...:.
.sugere-se que se deixe bem nítida. a. ideia. da. mudança de
narra.dor;
- -justificação de ser a fa.la. do Gamnuma m'rração de tipo
retrospectivo.

12 - Comentá.rio ~lobal do cont'eúdo da.s ests. 6 "' 16 e 18 a 19 -


- LocaLi.z.aç ao do ·11Reino Lusita.no" na Eur-opa;
estudo da.sests. 17,. 20 e 21;
- deverá. notar-se a ternura pelo "ninho" "paterno". afirma
de. ta.mbêmem outros lugares do Poema (cf. c. V,e'st. 3 e-
c , IX, est.13l; /
- comoem rela.ça.o a. alé:Uns versos anteriores, será, por~
véntura,de sugerir, aqui, aos alunos, "· µ1emorizaçãodo
12 verso da est. 21:' ·
"Esta é a. di t osa oátria. minha,amadav,
13 •""Jfatudõ díis· ésts. 23 a 26 -· D. Henrique
e 42 a 44 - D. Afonso Henriques ,.. É0talh.a
de Ourique;
conienti!'.r'.i_o
globa.l fias ests. 27 a 41;
sugêre-se ainda a. leitura e comentário das ests •·1
22 - Viria.to
e 36 a. 41 - Egas Moniz - o .s!mb.olo da :fide
Lí.dade portugu.esa;.

'14 - Coriíentil:rio
·global das ests. 45 a. 95 - de Afonso He!ll"iques
a Afonso III;
·sugere-se o estudo de a.Lgumaedesta.s estitncia.s, comopor
exemplo: · ·
45 e46- milagre de Qurique;
53 e54 - a. origem da nossa bandeira;
57 - a.Conquista de Lisboa;
84 - morte de Afonso.Henriques.
Estud.o das es+s; 96 a· 99 - D. Dinis: '
éxplicáção do esca.ssÕ ni1merode esta. concedidas a este·
rei.

15 - Estudo das ests• 102 a. 106 - epis6dio da "Ferl!los!ssima


/.!arfa"; · . . ..
comen+ãr-ão global das esta. Ül7 a 117 -Batalha do Saladci:
a si1p1ica:'de Maria; ·
o "re'tra to•• da rainha de "lindo •• ,gesto", mas ,"fora de
al-egria.11 -.

16 - Estudo pormenorizado das ests. 118 a. 135 - epis6dio de


In@à dê. Ca.stro: ·
- valei~ Hrfoo e dre.mático do epis6dio de fnês de Castro
e razão da inclusão de epis6d·it>s comoeste e o .anterior
numaepopeia; ... .
possível confronto de. :fa.la de In@s coma. si1plica da c<iis 11

tro" de·.AntcSnioFerreira. · -
Comentário globa.l das ests. 136 e 137 - vingança de D. ·Pe-
dro; .
estudo··das esta •. 13$ e 139 - D. Fernando;
sugere-se a. leitura e comentáriõ a.tento das esta •. 142 e
143 - :fina.is de oàntci - pelas considerações rela.tivas ao
poder do a.mor.

Ca.nto rv·

17 - Introdução ao estudo do canto: ·rela.eiona.ção com.o anterior:


Comentário global, pelo professor, do cont.!li1dÓ das .esta.· l·
a. 12 - interregno; ·
estudo de.s es'ts , 13 a. 19 - üitervenção de Ntm'AlvaJres
Coméntário global do contei1do das ests. :20 a 27 - prepa-
rativos à.e f\U.erra:;' ,
estudo .das ésts. 28 a. 33 e 42 .a 44 • a. Batalha;
leitUl'a comerrtada , ou leitura dirigida, das ests •. 34 â. 41.
'Atent·e-se: ·. t,; ••
-~no. ..;;üõr expressivo da hipérbole de. est. 28 comopr-oce s
,iio 'estético exempl.í üí.cado, alias1 em todo o Poema; -
- no valor gradativo da ;:i.-a.jectivaçao.do22 verso da mesma
estância.; .
na harmonia imita.tiva. larga.men_teexemplifica.da na. des-
criÇão· do fragor da Batalha - esfs. 31 e 42, por e:;;Pmplo,
no•valor intensivo da ap6strofe da..est .• 33; ·
no heroísmo de Nun'Ãlvarés - ests. 30 a 35;
no decrescer do movimênto, no ritmo mais vagaroso e n;:i.
de.salent.a.da dol' doe vencidos - e at , 43;
nas.ideias Contidas nos quatro primeiros versos da est.
44 (a àpncxfmar-,ma.is t(l,rde, da.s ideias semelhant-es en-.
corrtz-adas na fa.la. do Velho do Restelo).

Cornentarie>, g Lobal, das ests. 45 a 65;


sµgere-se ·o estndo das es'ts , 66 a 74 - Sonho de D. i.ranue1:
estudo de. est. 50 e niemotizàçâo - à semelha.nça do que po
deró'. fazer-se· com muitos -ouür-ca- do seu i11tirrio·versos -
. 11Inclita. gera.çáo, altos Infantes";
o significado da mit:ificação do Ganges;
a'p9.ise.gem Levan'tí.na s folhas ••• , montes••• , rios .••• ;
a pr-cf'ecLa do. Ga.nges;
o· significado· premonitor (lo.''sçmho" de D. '1lanuel.

Comé'ntário-g].oba.Í das ests. 7.6 ·a·83 - pr-epar-a'tfvoa para. .a


pB.rtida de.s naua; ·
estudo das e-s,ts. 8~fa 93 -.. a armada no Restelo, com espe-
cial a.tençáo par-a as ests. 89 D 93; .
estudo pe>rmenorizadod;:i,s.ests. 94 a 104 - epis6dio do Ve-
lho do Restel6. ·
Atente-se:
na. descrição dá. "figura." do Velho;
no signif±cádq· do seu menear 11três vezes a. cabeça, des-
.·éontente11
. .
.
•.
nasinvectivas
' .
que traduzem esse descontentamento;
na. cen,sµrê. da a.:nbição e dos males 'qlie provoca. nos "pei-
tos vâós11•
' '
no significado -
• ·
.pr-of'undoda .fàla do Velho ·~ na sugestao
. -
pr-9;fétic:z d.osiseus "a.ge>µros".qlie vão ter, à.diante, con-,
cretiz.açao nas ''a.meaça.s"do Ada.mastor;
na profúnd:Íde.d.edo epifQnema que encerra a. úl tiina estro
.
Je do canto'~
-~----~
-- Ca.nto V -

21 - Est.udo des/ e at s v s l a. 3
ps.r-trda da.·arma.da-;
\. 13continuação da viagem;
14a vie,gem no Hemisfério .Sul - a
na.vega.çãoa.stro~mica ·e o "Cru
zeiro do Sul";
!6 n .23 "Ps pe.r-í.goaaa cousas ..do mar"
e ~5 a 27 desemba.rque na Baía de Sa,nta.
Helena. O uso do astrolábio .e
da Ca.rta..-de Ha.rea..r,
Far-se-á un» refergn~i2 globe.l às demaí,s estâncias não
referidns.
"Os Lunf ado.s",r-eveLo.dor-e
s do "Novo Mundo"- relacio-
ne-se, eventuvlmente, com e. le.i tura de textos auxil_:!:_
a;res;
o quadro de rea._lismo na.ture.lista. - o "lume vivo" e a.
"tromba i-;a.rítima" reveladores de uma.provável experi
ênc í.a do c.utor; - -
o vo.Loz-estético da·
expressão "Vi, cLaremezrte visto".

22 - Leitura e comentário. literário do episódio de Fernão Ve-


loso .,. ests, 30 a. 361 .
- o tipo de her§i representado por Veloso,

23 - Epis6dio do Giga.nte Ada..ma.stor.


Estudo dc.s e s t s , 37 e. 50 e 56 a 60.
Divisão do episódio em partes:
l) prólo.s;o - aparecimento e retrato do Giga.nte;
2) núcleo centra 1 do episódio -· a fa.la do. Adamastor:
as sue.s cólera.a contra. a ouead a lusitana.;
í _
as a.rneaça.sproféticç,:3 de ví.ngançaa (mrnfrágio de
Sepi1lveda, por exemplo);
a. interrupção do Gigante feita pelo Gama.;
á hum2nize.ção d.o monstro, seus a.mores e metamor-
fose:
3) o epÍlogo .,. desepaz-ectmen'to do Gigante.
A.mitifica.ção ·do Promontório;
'o des,encontro da. cria.ção poética com e história, que r~
vele. ter-se paaaadc o Ca.bocom "rara felicidade", se-
gundo os croniilta.s; .
síntese dos e.spect os trP'.gico-:marít imos das naveg<".çÕes
portugueses (er, os votic:!nios do Velho do Restelo);,
obser..,...açãodos efeitos sonoros de o.Lguns:versos;
o valor estético .da apóstrofe: "Ô gente ouaada, •• ";
- maís uma'vez o valor d»s profecÚ•.s mi economí.a do Poe-
f.18,.
24· - comen.Mrío globàl da.11ests. 61 a, 8o e 84 a 100;
estud,o das. ests. 81 a '83 - o escorbuto; .
sugex:e-se ain,da a. leitura e comenti!rio das seguintes está.:
· 85, 86, · 88 e 89 - Vasco da. Gama a .conclu-
ir a sua narrativa ao
reide rirélinde;
92 a 100 - fum;:ão. da Arte na· per-
' petuidade dos feitos.

Canto VI ;:...

25 - No. lpdico. .
Com.antitrio ideol6glco global das est.s. 1 a ·69, com r.eferin-
cia particular ao conte11do.das seguintes:
·- ests. 1 a ·5 ...,pa.rtida dé Melinde e 'recomeço da v:j.a,gem;
- este. 6 a 34 - o. ÓQne!l.io submarino - noll'a traiçâif de
Baco.;
- esta. 43 ª· 69 o epis6dig dos 11Dcizede Inglaterra".
''Os Doze_de.Inglaterra": a função do e~i-
s6dio· na estrutura do Poema.•

26 - A Tempestade -·
Estud.o das ests. 70 a. 841
~.tratamento poético .da.viagem não çoincidente, neste. caso,
·com_a·realidade hist6rica - suas razões;
e·studo.do .realismo deste passo narra.tive.

27 - CcimenMrioglobal das ests. 85 a 91 - intervenção de Vénus;


refleuo mais &terita sobre as ests.·1
· 92 e 93 ·- enxerga-se Calecut;
. 95 a 99 ..:.111ed.i
taçÕes sobre a fama alca~
çada pôr mérito pr6prio.

Cq.ntoVII

·28 - Estudo ,das ests. 1 a 9; .14 e 15;


comentário glo'b,al das ests.1
· - 16 a; -22 - reoomezo da narra2ão, 13.gora,novarnente,por Luís
de Ca.moes 1 ai tua.çao geográfica da lndia e infor
maÇÕe,s a 'seu-respeito. ·
Cha.mar-se-á'a ;:i.tençãopar;:i.1·
a chégadà .dos ·Portugueses à l'.ndie.- 'est. 1;
a severa. crítica a algumas nações europeias;
- à reafirmação do espírito por'tugu@s·de cruzada.

29 ,...Estudo das ests.1 23 a 25; ·30 e. 31; 74; 78 a 82;


comentário global das ests.1 26 a 29; 32 a 41; 43 a 13; 75
· -- a 771
conta.etc dos Portugueses com os 'Asiáticos;
o media.neiro muçul.mano - J.íonçaid~;
.taiii. de Mtjnçaid.e. ao Gama - inf'ormaçÕe ..s sobre o
a caminho do paUcio do Samorim e fa.b do Gama.
nhor: de Ca.lecut .(eê;ts.' 60 a. 63); . -
o' Ca,tual visita' a arrnada,

.30 - Estud9 das ei;ts. 78 a 82;


sugere-se o·estudó das ests.·83 a 87.
Regiéta.r-se~: ·
o l.nfcio da ·na:rrativa. de Paulo da
da: por:nova invocàçã:ó (ést. 78) e
invócaçã:o. . ·

Canto VIII - -

31 - Ei;tudo.das ests. 30 a. 32; .


coment<triciglobal das ests.s
.1 a 38 - .as figuras ·das bandeiras; ,
39 a 42 - considerações de Pau.Loda Gama.referentes.
· desinteresse pelá. cul turà~.
97 a 99 - reflexÕes"do Poeta sobre o poder corruptor ào
. ouro , >, .· -·

d;i.'leitura de algumas
~.r'-~e-l nôtar,, <1;tra#~j;l ,·,·,
EistS:ncias
'
.dás :(iguras das bandairas:
- a razão por que ~. agÔra Paulo _da Gamaa conÜhuar a 'his
t'6~ia p!ttria·; ·
"-·'o diferente processo ·esMtico aqui utílizado

Canto IX -~

32 - :EstUdodas ests •. 1, ..4, 13, 14 e .15;


comentitri_oglobal: das demais est!!hciass
- est, 13 - re~_sso à. P!ttria;
ests .• 21 â 2.9 - util;i.zação da figura de. Cupido .para a
censura de. alguns aspectós _soci?is (o
desamor do bem comum) •

•• Canto X -

33 -Estudo das ests~: 9 a 13; 8o a 82;.127. ~ 12'8; 140; 145;.


.. 154 a. 156; · ·
coment!trio global; das restantes ests,, c_ommais demorada
atenção nas seguintes: _ _
··-- 2 a 6 .- banquete de T.!tis ellihonra: dos descoôridores;
.8 e 9 ~ a. quarta invocação do Poema s sua justificação
e seu· éarlf.cter de confidê_ncià; ··
·- 13 .,.·final do canto' profético da Ninfa;
22 a 25 reflexões cr!ticas do Poeta.;
8o e 81 a '.fa.la proUtiéa de Tétis a Va.scoda ·aa.ma
et;trutura. do I4undoseliundo.a concépÇâo d.e
lomeu; ·· ·
significa.do e prop6sito esMtioo do uso da
Mitologia.;
o na,drági,o do Poeta.;
terras de. Santa Cruz;
- conclusão da profecia. de Tlftis; ..
chegada. ~' Pátria. (:rina.l da Na;rra.ção};
- seu .sentido de desa.ba.fo; ... . ·
- N:flexÕes sobre o espírito de .heroicidade
:aoeLPortugueses e sobre a obrigação de os
gÓvetnantes o estilnula.'rem;
exorta.ção a D. Sebastião e promessa :r:i:íial
'do Poeta •

.Jfotás
~'""""::----_,
fÍna.is_

, > , l ~ N11!st~'. tep.ta:"l;ivÍj.de planificação nao Se.procµrou., como


jã,>:f()i·dito, :focar .ps a:spectos múltiplps ·a considerar no comentário
de il.m;te'.l!:~o·
o qu~,. 1).l~mde .inc.ompo,1.'táve1,.se teve po:r desnec.essár:i:o~
~á.•que ce. pro:fesso;-es poderão encontrar. material informativo .e.didác
tfoo em a.~gurt.scánítulos·qu~ compÕem.~stetrabalho •• Pret~nd~u.,.se,so:
mente; ..deixar hréves a.ponte.mentes que, necessa.riámente, .P<)d~r:i.a.m .ser
repe.'\;idos em vkii:s. das.e,lfneas, e Plgumas.sugestões de ;váriocarác-
tt'.r,·nó intu,ito de. poder ser .,litiJ.. a..ssinala.ndo alguns .a:spectos e ori-
erit8;çôes qu~ o professor orga.nümrá e completará a. seu modo,

:Z>.,. Note....ae a.í.ndaque, ao indica.r-se o "cÓmen.tário glpbal


de' ál~a.s estâncias"; s~ admite que eie possa ser feito -pelo pro-
.;fessot;, peLo's a:lunos, como produto de uma.leitura di]:'igidA.1 ou como
m()t;iveçâ<)de tra.be.Ího,~ de oútra natureza., a. executar apenas pelos ..a."-
luno.s ou .em colaboração com () profess0 r.
ORrENTÀÇÔES DIDJ{CTICAS DE.CAHICTER ESPECIFICO-

l ,...A iniciação do estudo de "Os Lusfa.da.s"

. l!! evidente que o problema. em ep:!gra.fe não node ser resol-


vido senão em concordância. com·a inotivar:G:o.éscolhida pelo nro:fessor.
Esta, sé houver feito apelo ao l'.los13Jvelconhecimento ele enooeí.as a.n
tigas '?.~. sua maté,riá len.dá.ria.ou. semilendária, ao seu. c0rácte:r po:
pular ou erudito, .se já tiver evocado os acorrt-ecí.merrt os de rrue "0.s
Lus:!adas" se ocupam, se houver chamado a. 8.tenéão nar-a o 2mbiente cul.
tural ·português ~ suas asµiraçÕes de competiç~o literária. renescen:
.tista, .se tiver estuda.do ~á, como urepªra.cão r-emo ta de ca.rácter liti
gu!s1;ico, e.st.il:!stiç:o e temático, ou+r-osautores e obras ou trechos
do, séct1;ÍàXVI, .terá consÚ tu:!do, pon. si ·mesma.um cami.nho.aberto e ;u-
ma.e;ii:pliç:ação- antecipada: de alguns dos o.epect os mais sa.lientes de _
i•os Lus!a:da,s".

Ó seu estudo ..deverá ter.,. ao encer-r-e.r--ee


·o cur-ao gera.1 ao
ensino nos Liceus, um c.arácter centra.l e termin2l, ou seja. uma fei-
ção polarizadora e evolutivamente comoIement ar- de · outros· estudos •
Por. isso. ·também,não ser_á excessivo, numaida.de escolnr já relativ2
mente avançada, com base em possíveis Lei t ur-as de êar<fote:r é.pico e
em e13tudoscertamente já feitos do género nar-r-o.tívo. ou drfimático, ,in
ferir "a priori" e ·por comparação O$:elementos f'undamerrtaís do ~e:
ma camorrí.anoe· seus aapeot oa maís r-eLevantes e a. ex.is.tência de: 'uma.
narração e ds.jna..téria .ern:gueinéide, c:e um..her6i da. a.cçã.o•e dé per-
sonagens"várias, o aprovei ta.mente énico dás fontes históricas e li-
terárias ·conhecidas por Ca.mÕe's, e a.té a consideração de e.Lgunaas -
pectos formais (cantos, oitave. r i.ma, verso decass:!labo italiano,
etc,), não serão difi.culda.des que o sentido seLec'tívo e a brevi.de.de
sintética., aliados ao bom senso do professor, não possam superar.

J!: claro que não se pretenderá esgotar tal matéria nem p8:..
..-Lade lado, 'depois de referida~ 'l,'ratar-se.;..á apenas da "leitura" de
uma"cartá topográfica" anterior à observação dos lugares que nos
pr-opomos. visita.r; Mà.s'tal "leitura." de modoalgum perderá· o. seu ca-
rácter "de informação prévia, de sina.1ização i.nic±a.l, a comprovar e
·a completar oportuna e posteriormente,

_ Será este, pois.t um poss:!vel..caminho de abordagem de "Os


Lus!adas11·, de uma motivaçao e introduçao que têm em conta leituras
feitas, ·estudos realizados, informações gera-is. l ias não podemoses.-
0

que.cer que, de acordo com orienta.ção moderna dos estudos li terári


á

os e. com as indicações de ordem peda,gógica e didáct.ica maí.s corren:


+es , o "mer~lho" ime~ia.to na leitura. extensiva do !exto de ca.mÕes_,
a impregnaçao e a v sao da! resul ta.ntes se afigurara.o,· para. a.lguns,
í

processo maís a.certa.do e mais útil. Não se nég<J._ aqui, e. tal orienta
çâo, a po$sibilidade de êxito, sobretudo se essa. Lei.tur-a, de e'ltten:
siva e peasoa.Lrnerrteemo'tí.va., passar a ser gradualmente dirigid,e.· e '.:-
hJÜitica.mentê intensiva., nos pontos ncda.is da estrutura do Poema., e
nos..lugares de mais .saliente ou mais perfeita. rea,liza.ção artística.
Dest.e modo se virá da. visão globt>.l na.ra e. obseMTaçãoanalítica:, do
estud.o do.geraJ pa.ra o oomentário ao. particular, atitude que na.tu-
ralment(l .e:.X:igiráulterior articulação das ua.rtes e nova considera-
ção do-todo.

l!l$te caminho, todavia., não permite aqui, além do que .:fi-


cou dito, sugestões conere+as e bem determina.das, pois que s6 o dia
a dia escolar, a reacção• esporrbânea da turma e a ea.pa.cidadeorien-
.tadora e estimuladora do professor poderão ind.ica.r.a iniciativa mais
profícua ou a solução mais aderruada, Por isso também,neste. lugar,
será mais .conveniente reflecti.r s.obre o. processo ma.is usual e de .seri
tido inverso, que p!lrte da leitura e=.licada -na aula para o trabalh..Õ
de estudo e de -preparação ou revisão em caaa , que, sem p;reterir a co
laboração dos alunos durante os tempos lectivos, lhes remove·as difI
culdades mais desencorajàntes, para gradualmente os habilitar a·uma-
leitura mais facilmente cursiva, sem perda de sentido analítico,
nu.'ltacada vez mais perfeita combinação do prazer estético-literário
com o espírito crítico e.o enriq'l.lecimento_ cultural, coisas que mutua.
mente.se completame apunam , Aliás, o carácter denso a.e uma obra -
como','OsLusfofü•.sri,a sua podez-osaestrutura. e variedade facetada.,
as suas implicações de or.demideol6gica, cultural e artística, pare-
cem aconselha.r o caminho do oorrtaot o explicativo inicial, da leitura
comentada grada.tiva, do progressiyo desembaraço de compreensão e sen
sibilidade. )!: evidente, porém, que o professor não deixará de e$far-
atento a9s valores da fruição estético-literária e que nâ.o deverá
omiti-los ou diminuí-los, no conjunto da sua. actuação peda:g6gica.
~empelo contrário, procurarll: que estes avultem cada vez mais, à me,...
dida que a compreensão e ·o conhecimento do Poemaforem·aumentando.

=
Sendo esta, pois, a orientação.de que falaremos, nao por-
que a outra não seja possível ou não haja entre ambas naturais pon-
tos de encontro, começaremospor considerar r-ecomendãve l, que a pri-
meira lição de contacto com o texto de nos Lusíadt1s11, depois de fei
tà.s a motivação e a introdução já referidas, não ultrapasse as trgã
primeiras esta.ncias do canto Prime.iro.

Haverá então oportunidade, se ,iá arites ela nao tiver o-


corrido, de atentar no título do Poema, no seu significa.dq, na sua
utilização apenas eÍntal lugar e no. seu caré.cter de neologismo eru-
dit.o possivelmente aproveitado .de André de Resende pe l.o Poeta. As-
sim se despertará o espírito d.os alunos para verem como em outros
paasos , e de variados modos, Camões.se refere aoa Portuguesés.

1'!1;l.s
a leitura inicial da proposição de-
verá ser feita pelo professor, e este próprio conceito
çâo constituirá.uma das_primeiras ideias a elaborar
dade cof!1Preensivados alunos. A simple$ relação
mesma:faidlia (r'Pl'()PÓr_;sen:,
"proplSsiton, "proposição")
. r!. à razão.·de ser desta nomenclatura~

.jmportàr! depois atentar, pelo me13mo proceQs.ode elà.bora·


ça:q,no_pro{lcSsitodo Poeta,. na sua afirmação fundamental, modesta=
mente oondiciona<las "Cantando espalharei por toda parte,/S:e.atail-
e
tome11judar o engenho arte"• E logo tamblm o objeçto do verbo
subordin!J.nte,z.compoi;itoà.e trb elementos, mostrar«i o tr!plice in..;
tuito de. ~amoese o carãcter não simples mas complexoAa ProPOsi -
ção do .Poema. Tal. intuito não '• poréu; ilimitado ou absolutos cada.·
um dos objectos do .canto 1 acompanhadoda sua restrição, de afirma
çÕes.que.as oraÇÕes relativas estiecialmente delimitam. Assim se ar
ticúlar!, semá.s identificar, à compreensão l&gica com a à.dlise -
sint4ctica.: e· se ter! do tiensamento do Poeta Umconhecimento mais
esclareêido e completo. . .

·..·. . A tercel.ra estltncia mostr!!r!, por _suavez,. que _Lu!s de


C!!_mões desenvolve a propósição, não acrescentando UDi. intento .novo,
mas estabelecélldo comparação contrastiva e relevante entre as V:it&
rias nacio~is e as de Alexandre e de Trajano, entre oseuprop&s!
to. e o das epopeias antigas, ao tempo..tão conhecidas e -celebràdas7
Mas este.desenvolvimento, que é tamb'in uma s!ntese, enricÍuece-se
com a afirmação global de que o seu intuito 1 o de divulgar e glo-
rificar por. efi!Crito, eiri poema fpico ("cantando espalharei"), todo
. o 4ero!smo dutioo e militar do "peito ilustre lusitano", -todo ova
lor colectivo portugu@s•. Poemade ep;l tação nacional, portánt-o, mãs
de·tudo e."d.e todos, sem horizontes mais.largos e sem razões morais
que a justifiquem? As.simficarão os. alunos prevenidos para ir dan-
do repetida resposta a esta interrogá.9ão, no .·decorrer do seu est:u-
.do~>Mashaver! neoessidade ainda, apcSsesta interpI"etaçã9 geral,
de cqnhe?e:r mais an"liticamente o te:icto, de iluminar elementos par
cela)l,'eEiacaso mal a,pr\:)endidos. . . -

Efectivamente, .a Ü:nguagemcamoniana (comoa de. outros


escrito~es cl!ssicos, m~EItalvez mais acentuadamente do que·a des-
tes) utiliza termos e expressões cujo significado e alcance, apa -
rentemente ~mediato e f!cil, não 1 01 qiie se afigura desde log9 a
leitorefil desprevenid.os• Este ser!, portanto, um dos cuidàdos in_ic:Í.
ais do pro:t:essor, a· manter e: reavivar durante o estudo do Poéma•-
Tal é o'cà'só de substantivos como "barões" e "memcSrias",d\:ladjec-
tivos como ''.vicio_sás"' de verbos como "promete:r"' "devastar"., '"obe .
decer"· e •icessar". · · .- ·

.•.. .Poz-outro. lado, have.r! tamblm nec.essidade de informações.


e coment!'tr.ios, .semos .quais a compreensão do t.erlo ficar! diminu!-.
dªs passar "alémda.Taprob!!.na" não signifiéa apenas ultrápassar. a
ilha 'de .CE!Úão_..(ou de. Sumat:i;-a,como alguns entendêm), mas .ir._para
..~iit de to9.o o mllll:íiO:
.conhecí.dó da geoirafia antiga;· o "~ovo Nino" ·a
· qllE!na primeira· est!tnc ia -se alude na.o é mais ao que o ·reino, de Po=:
tur:af estendido <J.O Oriente; "a Fé, o Império" querem signi:ficar a !iJ -
cristã e o senhorio português .supessiva ·e concomi~antementedil.ata-
'dos; "a Musa antiga" é tode. a poesia épica grega' e ~ati?U!o,agora re-_
movida para lugar subaiterno, em compe,raçãcicom o va:Lorpo:r::tugUês
que' se. deseja cantar. Haver;! neceeis~dadeainda de fa!lll;lrregistar
"Por.mares nunca dantes_ navegados", rião somente.pela sUa:feição sin;..
Mt.ica e lapidar, mas por ocin§tituir.um"leit motiv" do Poema, uma.
iõ.eie..:.mestraele 11 o·sLusíadas", frequentemente repetida. por :f'orma.sdi
ver-sas , a consÍderar:. ' .

Mas, se to!l.os estes áspectos ideol6gicos e cul tura:is nao


podemfiear na sombra, tampouco.o.s líterários que neles se conglobam
é numou. noirtr-o ponto se manifestam por processos de estilo ou for-
mas de el!'pressão mais':saliEmtes. Por isso·ta.mbéll!se comentarão al-
guns mais importantes/esquecendo out:ros de menor relevo .ou deixa.ndo
-()S para; futuro ehpontro mafa,favorável. Pessoalmente, esco:l_hér!amos
''ocident'a.l praia 1usita.rui.", naqueles que por obras va.lerosas/Se vão
da lei da. morte liberte.ndo••, "sábio Grego", "Troiano", "peito 'ilus-
tre lusitano", e explicarl;lmos pqrq:uêt .é que não s6 estes pas~os inci -
dem em pontos capitaii;i de ·compreensãodo~texto e ajudam a coriipletlC.;.-
-la., comoas per!frases1 antonomásias esiriédoques Eierãoprôcessos
frequ2ntemente registados n' "Os'Lus:!adas" e seu natural meio de ex-
presse.o.

'tU.e.isto;.porém; rião seja visto como primâcial: ll!enosim-


port<i.ca.talo~r, atribuir etiquetas, utilizar .nomenclatura c.lassifi:-
cat6ria, do 'que e:icplicar o significado das denominà.çÕese, sobretudo,
a ;r.?zãpde ser do-acpa.recimen1;o de de1;erminadoprocesso. Porque se :ra.:.
lá'de-"ocidenta.lpraialusitana.11, em perífrase e sinédoque evidentes,
epJvez.dê, se r~:ferir apenàs Portugal, .serião porque.se alude-a navega-
doree, que, nece_ssá:r'iamimtê,não poderiam partir de qualquer ponto in
terior. do Reino? Porque se regista o esquecimento como '!lei.da morte",
senãópprque se .quer _chamara atenção para. o carácter excepcãonaI da
if'.lorta!idade, à:Lcançadapelo valor dos :feitos? Porqu13se :fala._de Ulie_
sl:!s;e-de Eneias, por antonomásia, serião porque o'usddesae·processo-
-f'a.~ia a.vultàr figuras· antigas, .Logo•removidas para. e_egÚndo plano pelo·
.mais a.lto v'a.lor dos Port_ugueseà?Porque se estabelece a conexão entre
·cora.gêmé 11 pe:Í.tõilust:r:'e", senão p9rqué é neste que ~posta.mente resi
de a vai'en1;ia e, é este que se condecore com os sinais visíveis do va=
·lor ·dàs i;;Ua.s -acções? · - -

-Nemse esqiieÇa.,· por outro lado, o 13mprego sign:i,f:i,cativo de


•ipa.lavras.de va.l.or": os a.djectivos 11assinaiados11, "esforça.dos"; "re- ..
> mo-ta"; "gloriosàs•1, ''valerosa_s", "grandes", de conotaÇão ~uper~ativa,
as formas comparativas mas igue.lrnente supe,rlativantes ("mais do que
prome_tia'~,"ouiró valor. ma.is.alto"), assim comoos. quanti tativos.,.in-
de.f'inidos ou'ºª. ádvérbios negà.tivos, de igual significação, ("a tán.-
to11,' "tudo o que", "nunca dantel!J"),
Comisto estará o aluno preparado para. uma leitura final,
que pode.ter para o professor intençÕes de verificação, mas que pa-
ra a(fllele há-de representar sobretudo umarecapitulação sinMtica
do que ini.cialmente apreendera e do (fileem todo o traball;l,o da auLa
se foi esclarecendo e organizando. Também essa leitura, no entanto,
há-de s.er imediatamente preparada e imediatamente corrigide.: que"se
discuta. previame?!,teo tom geral maí,s recomendável par-a ela, que se
indiquem gs versos ou palavras que mais convirárea.1çar, (file se có-
mente a leitura. feita por este ºR ~quele Luno e se convide e, melho

rá-la, na pr6pria aúla ou:na lição seguinte.

Terá esta comofim particular o estudo da invocação do


Poema; mas, porque este é relativamente restrito e carece. de ser
eµquadradõ em conhecimentos anteriÓrmente ad(flliridos, deverá ser
precedido do questionário recapitulativo conveniente, na linha in-
trodut6ria desse mesmoestudo.

Semelhantementeao (file já foi dito para a proposição, im


pol'ta (file os aluno~ aejam conduzidos à !;deia. de invoca.xãopoética-;-
& consciencializaçao de que a solicita.çao às Tágides-nao é um pedi
do literariamente 'convencional, mas o reflexo de uma prepcupação
condizente coma magnitude da empresa l_iterária (fileLuís de Camões
se propõe. Surgirá tambémaqui, possivelmente pela primeil'a vez, a
ideiÍ!, de maravilhoso greco-latino, completada pela informação de
qÚe será_ igualmente a André de Resende qiie o Poeta deve a. designa-
ção de ·"Tágides". ·

No entanto, a explore.ção das est!!ncias constitutiva1;1 da


invocação deverá ter, desta. vez, carifoter predominantemente litel'á
;i:fo. Os.alunos µâo s6 advel'tirão nas expressões metaf6l'icas do'Poe
ta comoserão conduzidos ·(ou reccnduaãdoe ) ao conceito clássico de
géneros literários. e ao caráctér específiéo do género épico, que
de novo impol'tará aclarar. Os dizeres "novo engenho ardente", "som
alto e sublimado", "estilo grandUoco e corrente", "f11l'ia grande e so
norosa11,'11tuba canora e belicosa" serão-explicados e comentados
em face de "verso humilde", "agreste avena", "fra.uta ruda". Por
eles se obterá a boa caracterização do género épico, servindo-nos
do pr6prio conceito que Luís de Camõesdele fazia.
1
A 9onsideraç;;:o da refer@ncia às águas de Hipocréne, pa-
ra solicitar das Tágides a equivall!ncia inspira.dora desejada pelo.
Poet?., e_a e.notação do pedido de um canto igual aos feitos, envol
vendo ia d~yida de que tal sejll. poss!vel, introduzirão os alunos.-
'na viy@nciii de uma estética litedria e de uma atmosfera cuU=al
:imprescindíveis para a boa inteligência de muitos passos pos'teri~
res e para o. entendimento de que esta invocação de entidades· sobre-
naturais greco-latinas não surge apenas por mera imitação de poemas .
a~tigos, mas tamb41!1 comomeio de._signif~~ar, como jit a.e dias!, a 81'!!1.
deza da tarefa e o empenhoque o Autor poe na sua boa execuçao.

_ . .Com·isto igualmente· se prenderit o esclarecimento das ra-


·.zÕespeias qÍia.iso '?oetafaz a :invocação às Titgides (ninfas imagina
tiv,amente nacionai,a, do maior rio de Portugal, do estdrio donde pão
tiram as grandes navegações) e se prepararit o aluno para a ideia de
que esta invóc#lção maior ou.geral do Poemapoderit ser apoiada pÓr
invocações..men.oresou particulares, noutros pontos da el?opei,acamo-
niana, a registar ulteriórmente. Por outro lado, a e.lusa.o do profes
'ser~ Pl'Oposição e à invocação da "Eneida", e A adaptação do prooeii
só por parte de·CamÕes,pe:rmitirl ~hamara.atenção dos alunos para.-
uma primeira ideia. de imhação original., patente em toda a arte cl~ ·
sica.

:Nãose.dispensar4.contudo aquele de-fazer atentar em al-


guns pormenores do texto. l!! o caso. do.valor afectivo de "minhas"('M
gides minhas), do uso do perfeito composto {"criado/tendes"), da -
função sintitctica·inferida da' interpretação de "de mi" (4, verso4•),
do significado da preposição "defl (em "de vossas i(guasn), do o.arité-
ter incl.ull!ivo da dis.juntiva "ou" ("agreste avena ou frauta ruda"),
do valor semhtioo-das palavras "corrente",· "gestõ" e·"Ereço11.'.J(as_
ser( tambfm ooasiíi:o de relacionar o conoeito de invocaçao c_ómo pro
nome 11v6s",.de assinalar o uso e:tpressivamente repetido da t.Srmula-
"dai-'llle:, de mais uma vez .observar o àparecimento de palavras de .~
nifioaçao superlativante, devido ao seu pr6prio sentido e-utili-za-
ção adequa.das engenho "ardente", som "alto e sublimado"·, estilo "gnm
d!loco", ·fflia "grande e sonorosa,", "famosa" gente vossa, "sublil!leii ·
preço.

E1darão os aLunca então preparados ]_)arauma boa leitura


final, segundo a orientação jit acima :Í.ndioada, ou outra equivalente.
E, se a' lição. começouEeta reca~itulação de_estudos an:tel'iores, em
part.icular _da proposiçao, porque não ler agora as primeir11-scinco .
estlllicias, de ~Os Lus!adas", tende>antes o cuid11-dode 11-ssinalar a mu
dança do tom .geral, a ·partir do· in!cio da quarta estlh1cia, e as mo=
dificaçÕesde entoação e ritmo a operar nessa e na seguinte? E, ha-
vendo tempo e possibilidades, porque não ouvir finalmente a grava -
_ ção de um gl-upo coral, segundó a mdsica de Hermínio _doNascimento,,
' relativa às '11-timastr@s das cinco estltnciae j! estudadas?' Que essa
leitura ou essa audição.z. ~odavi11,,não sejam passivas1 que os _alunos
meQ.itemnas suas ·variaçoea e no seu maior .ou menor ajustamento a to
da a e~réssiv:i,dade- que o texto comportã; qiie sintam que este & tiiiii'
bim de 11-.lgüm modoÜma:Partitura que se enriquece e valoriza .como -
, ., 'No,vàlic;:ão serit prt!enób.ida com o estu~o da de.dicat\Sr~a, j,
deia ·que h~e ..ser tam'IJlminferida da leitura inicial dei c.onjunto e
CUJc:i .aspeÇtC>,
~nvocat\Srio,· não ·jit em.referOJióia A.aTitg'ides.ID!loB
ao rei
pol'tU&Ub-supo1ttamenté presênte e ouvinte, se h~e lingu!stic8: C!'ell
tilisticament1Lrevelar pelo UI!() da, copulativa e do. prolio!lle"v6sn, ã
.naforiéamerite empregado no decorrer do di11curso.

E '.será esta palavra e este ~oncieito de "discurso" qúe im-


'por't;a aoehtuàr •. A dedicat6ria do Poema 4 tambfm um pedido, wríá.. invo
cação do favor d.o Rei, em forma órat\Sria. Aind!lo qile· relativamentê
breve, esta 11fala11 do Poeta I composta. das pa.rtes naturalmente dia..;
·.tintas q1le a an:tigá RetlSric;la.disc.iPlinadamente classfficou e:x:6rdio
(~s:ts; 9 - 8), e~cisiçãô (estl;I. 9 - 11), 9onf'irmação (estis. 12_- i4)
e peroraÇão (esta• 15 - 17) com o seu ep!l,ogo (est. 1.8). O reconhe-
cimento ·destas. }lar'l;~s constiti.iirl para os alunos a.determinação da
estrttura do te~o. Por sua vez' .o seú co3!tei1dogeral, de caracte -
r!sticas palacianas e com nova manifestac;:ao.de espírito, lpico, pre-
Par4,..los.-...~
para serem. sens!veis a. outros tipos de' disclir130, A.varie
dade orat.6ria que n.'110sc r.us!adas" hão-de vir a encontrarc disc11rsos·
prê'dbmi~nteme3!te narrativos, e:x:ortativos_, di1:'1omáticos1 implorati-
dé acusaçao é de· defesa.

Umestudo mais pormenorizado das estft.ncias do' ex6rdio e


d11_e:x:posição poderá combinar a ·análise. 16gica com a g:r:'amatical,·a a
nál.ise lingu!st'ica com a anáHse semllJ!,ticae litemria; ~s13im,de
· ~terminar a o;ra.ção subordinante iniciál e suas coordenadae. I di,scri-
111i.~ro pet;lidp do Poeta; examinar os apo,stos do pronome 11v6s11, ~x:
.pressivamente.-repetido no..ex\Srdio, ..f.compreender a atitude palac.ia-
na- do Autor; a preparar esse pédido; x<écionhecero valor metaf"l'Srico
da palavra 11c:n-ão11I a.ip.da sentir·as exigências pragmitticas dafpoca
é a situàçào cQrtesanesca·"de Camões perante o Rei; mas considerar cs
futuros. e os imperatiV()S verbais. ("vereis", 11ouvi11},e sua. repeti ...;.
çâ;o, ·f 'tamb.fm.
p8r em evidência a segurança da sua promessa,, a..cons-
cil!ncia do quê ·a.firma e. a verdade do sentimento honroso que o ani11111...

A ren,oya,ção e. ácrescentamento de uma ideia j4 conhecâda Çla.


esUnci;:i. pelos alunos permitirá que a undécãrna cons"j;~t)Ui,
ponto de, partiQ.a para novo exame e consideração dos motivo~ gerado;,_·
·1'es·cio entusiasmo tfp~ço: a grandeza, superioridade e verqade funda.'-"
'!Deiita.l·dos .feitos po~tugueses,. 'em comparaç,ão com as empresas cantia-«
das, mas 'in,veritadas;- ciRAntigui,dade, e átl de uma.epopeia reoeniie C1J
moia de Ariósto .: Isso tambfm mostrará a natural ocorrl!ncia da. -
1a:~~;, pfogréssiva. de. qualificativos (••vãs, :fantásticas, fingidas,
· Ínentirosas, sonhadas; fabulosas") e da insistênCia. do verbo "ex-
céder" .em repet;i.da. ora.ção consecutiva., reforçada. ainda pela con-.
:firuil admitida pe l o Poeta. . .

. . A consideràçã.o .das tr@s ésttt.nc:i-asda conf;i.r~açâ'.o(12-- ·


.14).levará por sul', yeg; à ideia de uma nova proposiçao de nos·L~
síadM", Pia.is pÓrmenoorizada .e individualize.da, comonum,descerrar
•(!e1,imé!;gale'rfa,·avis;i.tar maí s ta.rd,é•. E .será então oportuno aten-
.tar. em e.lC"ili1á ení·fe-tos.:~picos corno 11:fero",,":fortíssimo",.•· 11terrí- .
>.•; billt., ou no "lei t motiv1,1 -já. conhecido da imortalidade alcança-a.a.
riela. gl6rfa dos :feitost nE outros .ern queinpoder- não téve a morte"
(cf. I, 2; vv. 5 - 6). :

_ , __Fin11.lmente,o e~trtdo ela neroraçã.o4 coni o seu ce.rácter


. • exortativo, .incita~•mto !.\\terreiro e a.ntrvisao de imortalidt\de,
:;e te:(-á de ev,Ócaro amhient·e que antes da publicação d.(.') "Os Lusía:..
'.e~'-?ªªª"rodeava. ó Rp,i.ou forél...cria.do nor- éle, e anunoí.ar- desde já
,;·,· â.ç>s. al).mos-:,o;retornq da mesmaideia .no final do Poema, quando.
;)•>,_•J,uís. a_e· C.amÕes de·novo se dirigir directam'ente a D. ··Sebastião.
:\_,; i'; 'Nem1:>9risso, eorrtudo, se· h,á-<1 e esquecer o valor. '[lr6prio da·.es-
;q:>,' tâtlcfá.18ª, onde .se refoI'lJlula.o pedí.do do Poeta relativo à acei-
.. tacíl:o-e<apadrinha.mentopelo mais -aI to representante da Na.çâó.de
llllÍ"po(.')rna
,de gi()rif.icação nacional (explice.ção na.tural da dedica-
e
,. 'f;6J:'iaao,rei',;portu~ês) se conyida este, em hábil passagem para.
; a.. narrat:j.va da apcao épic<J,,"'·co11templa:r;- pelo espírito e pela i.:.
· mà:gin~c_s:ãq a, via.ge,m:dosA~gonautçi,slµàitanos, que :já no largo o-
?ea.no,-,~ave&"1o1.va.M11._I~tom~smocon:;:titutrá explic~xªº f'orm~l para
o ret_omar da .:fala d.irecta ele•Camoesa D, Sebastiao, no :final do
·can+o X; ao terminar a na.rrativa do Poema .•

E;fectivàl'l~nte, n~o par-oce;desa.conselhável ou' inopoJ:>tUno,


procédimento d;icláctico. Se é .cer-to que a. observação e eonsi.,..
','d~rae~(}dos; ·Processos forl'lais utilizados pelo Poeta deverão acol'l-
lfp~.rfp~ssu" a leitura e· estudo· de "Os.Lusíadas", -também·
l;anhá.!-.,
i>.orvezes se afigura útil que o pro:fessor se, ant í.cí.pe à observa-,
'. , cã.otdos ,alunos, sinalizando' os 'pontos de re:fer@ncia mais importan
'\ · kes, pronto, todavia. à :fazer;_lhés recordar, .ne, ocasião própria, a.-
;isi'la1a.Çã.oe :t)mção.desses mesmospontos.
'/.'_.,,.-· '

.:'.-'S,, ·.·· a
.. Apre.pa,raçâo e ,explicação do texto. não poderão, con-
<tiid91 it;:on~ide'.!'ar-setermina.d.àe;.E n~tm:e,l que. os al.unoa precisem
C\dé~êscl<l.recimiintoshistóricos .aobre apostos l~udat6r.ios como ,(bem
_P.iJ.SCig,àsegurança/Da lusi tàna, a,ntiga liberdàde" ou 11ténro-e novo
rà.mo_:flbreéente(oe .Íia á'I'Vore.dé .Cristo ••• ", e que esses esclare-
tó!l ou otitros>sejam necessá?-iôa pari!; o desenvolvimento dos .
meamon apostos, com suas alusões e referências epocais. Ma.s.nao se
deixará ta,m'Oêm.de p-8r em r.elevo o êxito meta:f6rico e expressivo de
pais apostos·, o valor a:f('lctivo da perífrase "por um pre15âo do. ni-
nho meu paterno", a síntese épica e lapidar dos dod s 111
timos ver-
sos da estância décima: "E julga.r.eis qua.L é maí s excelente, /Se ser
do mttndo re:j., se de tal gente". Tampouco se esquecerá a. arrtonomã-,
sia exprêssiva e bem a'[lroprie.de. que apresente, ao Rei os ne.veea,do-
res por=tuguese s como· seue e novos Areonautas.

, Igualmente se. há-de considera.r e permanência:do tipo de


lingiiagem nobre ou eriidita., obvfamerrte adequada ao r:énero épico e
~. ne.tureza, do discurso. Por isso fa.mbémse atentárá em.latinismos
como"vitupér:Í.011, '"superno"' •!invicto"' "e:idcio", 1.•c'eriile611, 11Sém-
ituinosas", "se,lso argento", .e se regista.rir., neste úl tim<'lca.so,. a.
fusão :feliz da eY}'lressãolatina com a perífrase colorida.me.ntemeta
:f6rica que ela envolve.

_ Ta.mbém o des:t'a.si>.riento
se,,,11.ntjcoda. lineita.f'.'em
cl~ssic~ en
relaçao ao r>ortnei-\@scontemporâneo, rüéri da nersistllncia. ev).dente·
de algumas fornas elo portugu@s :wce.foo, ma s uma vez ser<!:re,,..ista.-
í

ao. A Isso se presta.rãõ e:iqiressÕes como"maravilha fata.111., "torpe


Ismaelitàn., "licor do s·a.ntorio", "tenro gesto", "inteira ida.de••,·
"versos numerõS'õ'ã","novo exemplo" óu novo atrevimento", ·susce)'ltí.c.
veis de fácil mas erra.da. interpretação-.--

Reunidos assim com a pr-ecí.sáo rioss!vet estes e outros va


lores do texto, me.í.s uma.vez ocorrerif. ~ necessidade ou .a c-Onveni@n
eia da sua leitura, final. '.Será ela., no entanto.%.precedide. ta.mbém
das. advert@!lcie.sa.conselháveis,1.da representaçao menta.l da.s cir-
cunstância.a em que Luís de Ce.moessuposta."!ente se i!irige, eri dis..,
curso dí.r-ecbo; 2.0 Rei. Est::i evo:ação ime.g-inadado 'Poeta uera.!"te
D. Sebastião determina.rá nos alunos o sentimento a.e uma si tu11.çí).n
oue os levará a, imprimir ê, sua leitu:ré. o tom de gra.vida.de'e sole.ni
dade inicia.is (ests." 6 .- 8), de comed.ime:nto e modéstia. segtiintes -
(ests. 9 - 10), ze segure.nça e_entusia.smo posteriores (ests• 11 -
-14), de exor:t;açao e solicit<J,ça~_finais (es"f;s._15 - 18). '-!as, a.ssim
comopara a leitura dâ. pronosiçao e da invocaçao; numT'.itmoinici- ·
almente grave e convfoto (ests , 1 - 2), depois entusiástico.'( es t ,
'3); a se-gi.tirbra,ndo e evocador ( est. 4) e ·finalmente instante e
exortativó (ests• 4 -. 5), se terá olhado previamente a. pontos Bar,.
ticulareli e·.a "pala.vra.s de valor", ta,mbémagora esse cpIdado nao
ser,á esc'rueci'do,no P~ento a imnrimir, por exemplo, ao nr-onome"v6s 11,

aos àpostos e aos epítetos mais salientes, às formas ve:rbs,is de -


"ver", ºouvir" é ºdar". ·
Sem dúvida, as três lições de que neste lugar se :falou
não implica.mforçosamente, ou a.penas, a ocupação de tr@s tempos
.lectivos. l!: este, aliás, um problema.que·ao pro:f'essor exclusiva-
mente cabe resolver dentro da sua turmà.. Master-se-á .dado ao. me
nos, pelas indicações acimá.deixadas, ideia dos :fins e nie os de-
í

estudo de "Os_Lusíadas", segundo um deter.minadoespírito· e cr-íen


ta.ção, o que nâ:o sigrli;f'ica que não possa haver outros ·julgados -
mais úteis ou mais adap'táveis ·a outras.e diversas intenções•

Não se .pense tambémque o ritmo de leitura e estudo, ao


longo.do Poema, tenha de ser continuamente o que a.cima se deixa
implícito, ou que tudo o que :foi dito haja de ser por igu!ll e o-
brigatoriamente assimilado. O tratamento da narrativa., como·par..,
- te mais importante e mais extensa de "Os J;,usíad.as", com.outras e
' diversas características, há-de ter outra :feição. Alémdisso, to-
madoó contacto inicial comos pr6:positos e a criação literária
de C.àmÕes; habituados os al'unos à linguagem clássica e épica, às
re:f'er@nciashist6riM.s, geográ:f'icas e mí, tol6gicas, aos processos
de estilo mais comunaou mais ca.raéterísticos (v, g. a. compara-
ção narra.tiva, a hipérbole intenciona,l, ..a. ap6stro:f'e admirativa),
ha.verá_possibilidade de leit_ura mais erlensiva.e menos analítica,
de ms.ià'ratenção a aspectos mais gerais ou a situações. narrat.ivas
de interesse mais imediato. Caberá ao professor escoIher- os pon-
t.os' a.s estttn:cias' os versos em que deve substituir ou completar
a. interpreta.cão generica. pelo comentário de' pormenor, o debate e
·esclarecimento das ideias pela. observa.cão das estruturas e da.a
'formas plásticas pof que elas se exprimem.

Assim se procurará conduzir os alunos ao just~I apreço


pelo Poema,não o sobreca.rree-andocoma.nóta.ç-Oes dispensáve:Cs.de
ordem linguística ou gra.matica.l, com.excessivos comentifrios mito-
16gicos e eruditos, nemdele fazendo derívar, por outro lado, in-
q_onsidera.dae a.critica.mente, a.penas o interesse pelos aspectos
exteriores da. narra.tiva. Queà.s ideias ·e pensamentos camorrí.anoa ,
sentl.mentos e af'ect os , matéria épica. e sua interpretação crítica
e li.uma.nístiCase reúnamao estudo da sua elal1oraçio e disposixão
_es't.rutural, das suas particularidades e variedades de expressa.o,
de modoque umportugu@13 de.mediana:cultura venha a adquirir oco
nhec-inento interno e·estéticó da nossa· principal obra. literárià. -
c16ss~ca., simultaneamente coma consideração dos valores nacdo-,
n11,fse unive:Í:-saisque ela comporta.
2 - O estudo da. na.rração (vfo,geme mitologia)

a) ~dEQ_ã,o
Parté.-se do. princíp:i.o. de..que•·
e.s finalidades. e objê°<)ti·vos
do est.udo. de ltOsLus!adasn se cliferenciam sensivelmente consoante
se trata. .do curao geral do. liceu ou do curso complementar
ramo de ensino.. . '

Assim1ao nível do eurso geral, n~o serit •aconselhável


sistir numavisao histórico-literária. nem tao pouco em
la.cionados éomas fontes e a. irnitatio. Não deve também
o i'oema para Í>e<mpitulaçãoda hist6ria pátria. nem para
gramática· da. língua actual.

A orit;intação d.idáctica. referente ao e'studo da viagem


mitologia pressupõe ainda quer ·

8.) O enad.noda 11leitura.11de nos Lusiada1111corisid;ere.. o .Poe-


ma.como•.oJ:>rade arte em contacto directo. e integ.ral com
·.O a.lúno, ao qual oferece beleza numa mensagem que..tra.ns
·mité um oonjurrbo d;e va.lores. apreendidos pele. sénsibÜi=
e
da.de dir;igido.s tanto à il1teligência como~ faculdade
.volihva. ·

b) Ao professor·
ceba.,
tico,
tica. O ensino..deve tender a suscitar
vol'ltimento.emiipârã'.vel, na sua
estét.ica, ao ·dos léi tores do
ra pu,blic~ção. o, estímhlo da capacidade
derá,aaumentar a.experi~ncilôl
tensificar a suá maleabilidade

cf !festa ordem de
ohamadoá "meios auxiiiares"
comotambém
sobretudo à
seia e:z.em
d;aptacao de
tar ~a leitura
pág. 62).
·... .· L.- lia constl'ttcão de "Os Lu~!adas", a Via.gemdo dfscobri ·
. a- !ndia ~onstitui ·a.·est:riuturc\"'f'undã.
m~11tb,'di>c!Í.nii'nho.<maritimoparâ.
'\i'mimt?;l. ·~···
gor.ela qire se garante "· unadade do Poema. 1
/< ,').e d_j;vêrsa'sp!J.rteE!de~te relaciona.m-se com:a Via.gim como
11l;ll)s..:1;rutu,ra.!},._~~gàí:i~~a<las
em flilição.:,~eum todo. ·

nes~~·rií6~'o'e'l~ ae~~rl'~;;_Í'gir como .o ponto


'?. < ·-·-- ··>··. :· . ./. _,·_'·'. _,._,_-... ' . - '
de·
~,.
re.fer@nciii..
'

, ·--E .oa ftlunos'irão• tênd'2 conhecimEmtbdos vár~'ósmomentos


da. viagem à medi-da.e l1B. Ilropo:('ça.9em..que.º Poeta os a.'\)res~_nta. _

•·.- _i.~ ~ela'oionâ~ões ·e sínteses quê, no decurso do estl.lcio,


-Ó,

Híe·éonl!id,erâ'.['emopqrtun:Js, fa:r.-.se-ão em refi:ra com os elenientós dos


.P-assos precefü;mt~à-·dóPoema•

.<: .:ª:- Tod.o··,Ó. t~ab'~iho se. orienta para a, grádual construção,


n~ espíritf} do a1.i{no(imaginação, sensibilidide, intdig@ncia), dq
c.'. córiJl.lnt9·integrado pelos elementos da real ida.de transfigurada, e
q;u.eé,a criação do a.utór:

> Opfo:f'ess0r: a.compànhâe a.juda· o aluno pari pa.ssu com a


leitur~. ~-up:rea.à defi0i@11cias l'elativa.s às dificuldades de ordem
lillgÍÍfsÚca,e culturPl; ·_noque respeita· à significi:ação e .às ~lusÕes.
Ma.a-nao·-devé,ul tra.passa.r· o necessário e conveniente e-xigido em cada
momerrto_dil.-marcha gradual a caminho da compreensão global do conteii
do da ob'ra, na sua configure-9~º _estético-li terárie .•

3 - _O:método utiliza.dó ser~ o da leitura. e~'Plioada,.

O g;r?.u,de intensida.dece extensão, por unidade lectiv:J:,· V_'.'.:


riEJ_:t;~consoante as oareoter!stioa,s do..te:x:to. fü•.saos a.lunós _deve _ser
'prc:i!lprÇionado o conhéc ímento integr1>1,do Poema, sem corte de estân-
·cii.i.sL;por~m, do modo·que, didáotica. e pedagogicamente, hic et nunc
'sej!'- lllaia é.dequado. "

,.... 4 ;J>adó, -C[uea mat&rfa. d~ viagem ~ sujeita. ao trti.ta.mento


··poético da. \;:I;ansfi~ra.ção,. torna-se imperioso que o prpfess~r :faci
lite aos alunos. o aceaao ao mundo de "Os Lusíada.a••. Este aoom-panhã
mento 'd.o a.liÚiopelo pr0:f'essor _atrav~.s da rea.lidade poé t í.ca é indis
pensável, ao nível do/é-µrso gera.i dó liceu. -

A es,trútp,ra. do Poema.encamí.nha-para. isso, visto que o i-


nício da,.narraça,o da via.gem se enlaça com o acorrteeãmento .do
1.io dos deuses no Olimpo.

_ . Os alunos começam,pois .t. a le.i tura da viagem, . apoiando- ,


-se em·pontos de ·:refer@ncia que nao coincidem com os da·.réalidade
"factual. hi!jlt6r:i,ca.

A inserção neste -uni verso pclÚco deverl!'.processar.-se·gra-


(l.ual:méntee.'aoinesmo.:t;eml>º• ser acompanhadapelo aperfei2oall\entõ'"".""
da sensibilidade :e d0-gostoj a fim dé apreciar a realizaçao· a.rt!sti
ca e aPrtieilder os va.lóres ([Uea obra irradia.

5 - Comoeleméntos a salientar para esí,;i. peda.gc>gié.de


"leit~au d~ 'poemaépico, nó ([Ue.ê. viagem l'espeita, "enlUlcia.m-.sti
os
seguintes, .entre :outros: · · ·. ·

a,)·çolocação de início da llal'raçã~ no·momentoem'qúe a


viagem, decorr.ida já uma parte notável, vai entrar em
, -, pleno desconhecido;·

b) inse:i;-çãodo maravi~h,cso na trama do acontecimento;

c ) tratamento 'aos factos contidos no roteiro atribuído a


Alva:i;-oVelho -e nos relatos de naufrágios bem comonas
ob:i;-asdê Fernj:ó I..opes de Castanheda e d'e joão d,e Ba.r-
ro_s;_

d) utilização da.lí~gua nos_diversos planos, desde o das


sonoridades ao da c·omposição, evidenciando os vários
recursos ou meios estil!sticos e processos literário~,
enquarrto..rela.cionados com a na;rrativa da viagem e inte-
grados nela;

e) ?riação de um universo de valores de que a realida.de .


poética da viagiim é a manifestação: humanos, morais,
religiosos, curturais e estético'"'literá:rios.

6 - Entre os "meios auxiliares" a que é oonve.niente recor


rer, sálien:t;a-se o planisfério, ciue sugere melhor,a vastidão dó mun
do a que respeita a. viagiim•.A sua utilização pode revestir modalid.ã
des diversa.a. Umadelas consiste em ir apresentando db planisfério_
~penas a parte referente ao que vai sendo estudado no Prema, ··

7 - ·Maso 'ma.is importante é a_preparaçao do estudo do te~.


to p~):a·<e:iq:>1icaçãodos aspectós'lirigu!sticos essenci;;ds, não deven
do esquece.r-se o· c'ontei1do de alusão cultural do vocabui:lrio:· mito=
l.Sgico, hist.Srico, re1igi0so.

8 - A leitura, isto ' a a.ctUB.lizaçãooral, deve:r;-1Lserob


jecto ·de p<1rticular atenção. Para~er adequadamente realizada, de=·
ve Easear-se no conhecimento da organização sinMcticia e. da utili":"
za.ça.odos. meios·est·il :f.sticos que caracterizam. o respectivo texto.

Os a.luno.eprecisam de ce.rta. preparaçãos s.S'depois desta


ca.pa:zesde l~:r deforma a.dequada. . ·

Aparte réspeità.nte via.gem, como texto não excllieiva -


ã

narrativo -que '• ilnplicra sucessivas transposi2Ões de "tom",


correlipond!nte: modif'.ica~ãode ritmo, de entoaça.o e d! ênfase.
âc.tualizaçao oral .requer, por isso, particular atençao.

e) A Mitologia
\ ~====
I,.- ·Aonr:Vel·dó cuz-aogeral 'do liceu, a mi1'pl,Qgia, .em
"Ôs Lui;!a.da:s••,dever.1'.ser encarada. Comoum aspecto da tra.nsfigura-
ção po,tice. da ree.lidaae segundo um pz-oceaeoafim do. da meMfora e
e
da ·alegoria· sua.a relações com o s!mbolo• Camões·ap,rove:i.touas. fi.
gura.s do pê.nte~o greco-romimo e assimilou ó modode mitifica ão di° ·
A,ntiguidade. Pelê. t:ransfÍguI'a.ção po t.ica animizou, quândo nao per-
sonificou, as força.a. ni>.t:urais-que-fa.voreciam e as que se..opunham
.empreendímentoda viagem ~. India.

Este p:çocesso ·comporta.um desenvolvimento e c~mplexidàde ..


que culminam.na. contextiira dê urna intriga logo de início apl'esent::,.
da,'no_seu ni1cleo essencia.l,.ao realizar-se o condJio·do.s deuses"
Olimpo. ·

.2 -·Desde entãó, -qs Portuguet;es_são ajudados ou prejudi-


cados peLas rea.lida.des. naturais_mitificadas, causas tornadas cons.2
C'ient(ls,· dc»ta.da.s
de poder sgbre••humano'~ deriva.dél.sou rela.cionadas
por lig<i.çÕ~sde. p;i.re'ntesco e de hierarquização.

Ao en<j:uà.drj!-r
a realização do Poema.no modelo"cU:ssico _dá
ep,opei'.'.,'CàMÕes.adopt ou uma terminologia mit.Ql.Sgióa.,porfm recriou
a intriga., ~m.que os deusee .estão ,pre~entes ao longo da. viag.em,~ e
s9a.lmente'-impl;ica.dose entrechocando os seus interesses, mas emfbr
1• ma invis:f.vel. -
'3 .: A mençrliod~ seres mitol6gic.os não aparece na f'à.la ci~
.nenhuma persoJ1à.is_em ...da ·~i.st6riá~fül -Por-tugaL referida no Po~mà,' ne~m
. h<I', contacto direeto, Emtre.·as·.personagens ..reais e as figuras dos
deuses, cuja existência as :primeiras ignora.m, a.t~ se de.:r, na Ilha
·dos -,Alllore.sc.a a.pote.óse em que oa 'ne.vegá.ntes _,<Jâo ·introduzidos na
": fà.m:tlia..da·s'divinda.des.
-,.,.
A pa.itir deste último momento, Camões não apresenta mais
Vi>.scÓda (lamÍ!.e, os seus maririheiros a, .debaterem-se nas dificulda.d:es
•:i>rórh·ias.de ll!lla.viagem marítima •

.Transcenderam a condicâohumá.na e recebéràm os dotes de


..uma.~:Xist@ncfag;l-oriosa. que irao viver na. pátria.
_··.··'<'_'·~_:·_--,-,<--_,_·::.,:.:'·:·-:,_\·: •. _··->_:,_' ..,_-",'_ .: .. _-"_:ç(,' :,-- -·-
<.> ·.·•·. 4 ':- A• refer@ncia. aos deuses, ení·."OsLusía.dais'', a.pena.rise
vérÚÍça. nas'àltuà.ç·~es'. coineideiÍtes com os t6poi clássicos·tra.cfici'°"
?náis. do géne~ó ·épico e ,66 na medida em que"""ãficção poé'ti9a. pode··
servil;' à realça.r a:.gra.nd:eza.dos feitos dos Portugueses e .é suscep-
tiveF.de .se apresentar como compatível com a Fé católica. .de vasco
dá Gall,lii;e· seus 00,mpa))lleiros.de navegaçao, bem assim do .próprio poe:..
'erda.• na;çã'o.pórtuguesa.. . .

p~ ~dôs,da..mi'i;Ólogia estão ap:sentes, quando são a)?resêri-


o I)énsp.men:to·e.os- sentimentos' de persona.eens portuÍSJlesas. __
..

. .: nest~· Jn()dÓ s:··àntÍnomia. nÍaravilhÓso pa;gão/crisÚa.P.ismo nê;:


traliza,..;11é ~~ "Os Lmiia~·s''• Estetfoa.mente nao é sentii!.e•.- nao exis·
te .-.• porque os d&~s si.liltemas fu.nciop.amcada um em seu pla:nº.'. hie-c-
,ra,rqJ1iz'ados. Vasco da qe·.!nªi. 'como todd>o mor-te.l., ienora as .forças o-;
' culta.e, c:l~:ru::t'!lreza.,;pois nao conheç~.·toda.·a, hiera~qu,ia drú1' ?ausa.s
s·e~n!ill>S 'que ()ónduz.e.té .e Causa Primei!•a:e . Esta.a :força.a ou ca.us~s,
•mefjIT(o''quándp ciitifiéadas, movem-se.pelo 11ensa.mentodo "Poderma.fs
a'ltp". (a·Ca,1.\13ª· Primeira.), que ouve ?· ore9âo de Gamae, como "Divi-
na Guàl'da'' ou Providênciá, decid!l o· resul t1i.dodos conflitos ~ntre
a:qúelas fÓI'<}?·ª 'níitifiea.d!l.s, istcf ~.•.as divinda.des f'ine-id"a.sifo ·PÕe-
ta, 8·f'~m de.que os que .s6 pretendem 'o serviço do ''Al}jo Pod~r'! não
seje.m yeriefdolil pelos perigos do mar; da·terre. ·E! .das eentes .; pelas·
divinda.des desfavoráveis. . ·

5.-" o tla.p1.
da mi-t~logfa em."Os.r,usfade.s"

apresen1;á

'simples alul;lÊÍO(por
b)cdesênyolvinento (concíliO dos deuses no Olimpc>,,
etç.);, · ,

e) cria,çã:o ( Cl e modoespecial, o Aa.a:mastor


),

6 .~·o seu tra.t<>mento·didáctico' insere-se no dÍ'l. .própria


viagem, com.releyo 'para·ª explicação do vocabulário (norneadamen-
' te o léxico ·d·o·.
mundo;.mitól6gico) e dos d!idos cultiirais.
-~- - -- : .' - _- ' - ' ' - '.li - - - -- ·.. :-
A accao pea.a.é('qgico-didáctica., hesta parte do Poema, des.-
tilla.-se a. çonci11zir,os· ~.lunos à compreensão estét.ico;;.literária da
mitolog~a, ~. sua iritep;ra.ção - com o maravilhoso rea.J, - no unive:rso
'poéti:co e .à a.preensão do seu significa.do- simb6lico; ·.enquanto tipi~
cficação, exemplificà.tiva. ,de valores. , , '

''•·... ~ loms,.an,tes, comoprel)e.razão geral de. "leitu:ra" do Poema,


há-de ·te: sido fil.ita uma•a.mhie!'lta,ça,o
estético-cultural. Entre di..-
ve.rá0s, outros rn~ios, pode,. como atdá já. ±;icou sugerido; (cfr, pág~
< 57), :recor:rer;:se à leitura dirigida da :Eneida (adaptação,; em por-
··.tugql)s; de. Joaoc,d:eBa:rr:os')e de, por exemplo, 15 Lendas 1lA .Mitolo-
"'gl.a, (EditÓ~ial Verbo, Lisboà.)•

.· . 7 - Pa.re: cada :i;mrte que ·for sendo objecto de estudi>.í,o


~ont?.cto. direc.to com o foelÍla deve ser precedido pela e:xplicazao
f'l,Obfetudoda.a a~usÕes,initÓ16giças;, num);exto ôral de trartsiÇao .•

. ,.Haverá. que estj,mular a receptivida.de à mensagempoética,


para a siJ1tonizá.çâo com o ]'.l!'6priofoema, evitando o que pôSM en-
:fr(l;_quece,r''
a· 11.mbientaçâo~pfoa.

·•no mol'.Jehtoó~fortillio, convém conside:ra:r o ,,.a1C>i- PM-'


8 ~•.
~1fo do. ll)ito do Adame:store salientar a ()apacide.de evidenciaa.a
i' P?!' Ga;mões _demitiricàr. a r(;'alidade, pele. assimilação· do processo
exempli,:fiq'a.do'n~:s vária:s cr-Laçoes míticas da. antiguidade greco-
..""4'roifla.na. ·

do mito do Adame.stqrnão pode omitir a dim.en.;·


es1'a :fiéµra·e o contexto em que ela

- dps·'.navega.ntés e o ·acompanhf1,me11to
·
constituem· duas faces da me.smareálida-
de poét!i.02. e,. como ~?.is, dévem ser didpctica.mente apr-e serrtadoa,

l - Nesta mi>.cro-estrutura se inserem es diversas nar-«,


r-a.tí.vas dos féi tos po.SSl".dos ou futuros dos Portul'"lieses e -as in-
terven~Ões do Poet o., ··-

Os alunos devem, gr2.dua.lmente, ser orienta.dos par-a ob:


servar- a coerência na rebção errtre as diversas _sub;::truturçs -
assim como o relativo equilíbrio +ant'o na: distribuiçao destas
comono pr6prio m!mero de estrofes que a.s consti tiiem.

2·- Ao chegar.,ose ao fim dn "leitura" de "Osp,sfad~s",


avul tar'1,com ela.reza, p harmonia do, Poema, o qua.l,.f'unoí.one,como
um todo integrado de .eii!ti'lttura-:-8--q;.ié-1ile-transmitem
pe.Lacoez-ên-.
. eia. da sua. Significf).ç·ão.umaunádade tr1mscendente •.

3 - Esta. unadade é a. que cara.cteriza. a. obra .de .arte


como tal - e o Poema 1108 Lusíadas'~-, par-a 1>.lém do. efeito de
unide.de.·que·res'll ta.·da· existêncfa .. de .umúnico r-esponaãveL da
viagem (Vasco. da GamB.),.représentante ·do "peito .ilustre Lueí,te,
no" - o Povo Português - que, de facto, se sobrepõe, no fim,
como errtí.dade·colectiy!l. a._o-·her6iindividual.

·é os compenheiros a pouco e pouco vã.o-


Vé'.scoda Ga.rrie
,·-se mitifiçando.t esvaem-se cornonuvemno céu, e apar-e ce j em gra.;;
de plrin,o,. a Nàçao Portuguese., que o "Alto Poder" yota',,a um.des-'
tino. ,de grandeza, fata.l porque maz-cadom1.s profecias da. "bela.
ninfa:" e de Tétis (Tethys).

4 - O cant o X deverá. ser ·objecto de. atenção espeoí.e.l,


par!l nao pa.ssa.r ciesnercebida a função r-eLevarrte que de.sernpenha ·
·p.a.economia do Poema, dando a. "Os ,LusÍê.des" o ca:r:á.bter de '·!ó- -
br-a aberta.ir, ef!tTUturq.lmentcesusceptível de ser, co.nt·;inuadaccom
a matéri2 futura. anuncí.ada nos vaticínios da I:Llrados Amores,'
embora.né:o7deixe de constituir por si mesma.um Poema.integr1i:l-
mente rea.l iza.do. - ·
·:l.m'poI'tânci:a
e fu.nção de. matéria. his.tórica

IndicaçÔes preliminares

Camões:Propas,;,secantar a. glória do povo portugilês. Assim,


a '7i<ig<E!n( d.e Vefi!codai Gama.constitui o, ei;J:osobre o <JUal.se vão inse.:.
~'rindo aconfec ímenfos vários que propiciarão a apresentação da histó-
r.ia de 'Portjig'a.1. E sobX'~.esses. passos que nos irell)os deb~çar •.

Apontemos, entiio, do Poema.os passos em qué CaníÕesintrodu


matéria histórica, anteriOr ou posterioX' l viagem do Gamas-

cfo.ÜI {est.21 e. s~s.) e IV + .l• pàI'te da


narrativa d.o Galllaao Rei
de Melinde;.
-e.VI (es.ts.42-69) - veio.se c9nta aos comp!
nheiros o episódio dos .
Doze de Inglaterra;
e.VIII {e.11ts.1-42)- Paulo..da Gamadescreve
ao Catual.as tapeçaI'iàs
que enfei tQ.mas nauaj
(ests.44-55) - Júpiter, em síntese,
profetizà à filha os mais
ilustres feitos dos Portu
gueses no Oriente;
(ests.42-48) - o Adamastor anuncia ao
Gamaalguns futuros nau-
2.Feitos posteriores fr<!gios dos Portugueses;
X (ests.10-74) - cânt í.ce profético da
Sirena;
ests.92-143) - Tétis, descrevendo a
máquina do mundo, anuncia
feitos dos Portugueses no ·
Oriente.

No estudo da. epopeia, será conveniente não esqtlecer pllr em

l - o cari!'.cter essencial .e n,iiomera:menteacessório destes passo.s ·


de naturetahistórica, pois que fazem parte integrante da
acçao do Poema(cf. herói de "Os Lusíadas"), permitindo ao
Poeta, dumaforma.artística, e não simplesmente cronológica,
contar o que aconteceu antes e depois da viagem do Gama;
2 - a consequente importitncia que tl!m dentro da estrutura do Poe-
ma (os feitos hist6ricos portugueses canta.dos por C<1moes pos
sibilitamuma actua.liza.ção da aoção central - a.'viagem do Gã
ma; só a inclusão da história anterior e posterior dá a essã·
viagem o carácter. de epopeia nacional); ·
a. sua distribÚição. aq ·longo. cie todo o Poel)'la, os, div~tsoi;i'-
·'mõmentos em que Q Poeta os in:trodúziti e o équilflírfo·e vi.;..·
ried~de que daí. resul te:m; verifif[Ue-se quéi
é'a),na, narrativa 4Q-Gll.ma.;. ao. a.presentar. a his{&,rilj!.de Pqr:.
...· tugal, qar,iÕesconjuga tr@~ factores innforta;ntes11'. <.
'-'~Qbec;iece à ..verdade hist6rica. (segundo 'J. de ~rr?s ;
·-. n~~OB:da I''• liv:r;o IV, -0ap.VI "."e F, L. ><leq;i.s~a.nh~
••da - 1'l{ist6:i;~:ado Descobrimento e Conquista .da..!nl;l·iél.'
pelos Portugueses", livro!, cap.12 .-..,o'Rei'déÍ•le- .·
linde teria interrogado Vaso.o da Gama.sobre a Íocal.i~
zaçâo fl hfst6):'ia de portugal); . ·
integra ..,-se na estrutura. clássica da epopeia.;,
revela intuicão do momento'psicól6gico; mais opor-tuno
em que ela.c~ntribuiria para ó bomªicito da viagem,
..·· . desluníbranqo.e' ·convencendoo Rei de Melinde;
b }' 1:1.s pr.9fe?ias drámáticas do Adamastor sufr,em precis;.>.men
te na·.p1:1.ssagem do Cabo, sublinhando, assim, ..as di.f:i,oul
dades deste acÓntec.imentb; -
o·).~·deseriÇão das bandeiras quebra a monotonia das. nego-
ciaÇpes\entre Ve.sco.da Gamaé o Samorim; .. .
a) à·s prpfec.ia.s da "Ninfa e de·Tétis sobre .oa acon'tec ímen-,
toe: posterióres ê. viagem só surgem na narrativa dor~-
gresso;

4 - a forma que reveste a a.presentação desse!! aconteciment·os


e 'qile,.·contribui também, com a sua variefü1.de, pal'a .umava-
lorizaçaó estética do Poema;.veja-se quer
a) '
013 feitos
anteriores à'v:i,agemdo Gamasão põstos, de
· fÔrmá narrativa ou descri tiva, na· boca de unia·per-sona-,
gemhistórica. (porquê hist6rica r) viva e, impl:(ce'.danés
sa mesmaviagem, que o Poeta. considera o t·émpoj:>l'esen=''
te da/epopeia,;
b) os feitos poste,r.~ores à viagem são anunciados pelos
deuses ou por- entidades míticas - Adamastor, Sirena -,
os' únicos que logicamente poderiam conhecer o futuro; ··

·5 -.a au;s@ncia116gicada inte~e~ção das diviµda.des pagãs


acontecimentos·históricos destes mesmospài;isos.
. ·~:tif)~s~;rmC>sna.~ ari.fmaçÕeE!do. .Poeta na proposiç~q (eJi'ts.
v~IfEimi:>fl qµe.'.. ·.·.
•. ' . .t .•·· > . . < .•.· · ·•....
i: • - ~pgó..~stF'-..parece indiqal'· qu,e.os.:Portugueseà aesumiràrri
..dup+a:missão ~ dilatar a Fé e dilatar o Império;
- '!o peito 'ilustre I:iusitâ.no/a qu'emNeptuno e nfu.rte obedece-
, ram" (I,est.3)Vv•5-6) prenun~ia já que os Portugueses não-
-de dominar· o·mar e' ~e hâo..a.4 distinguir na guérra•
PoI:.isso: ; · · ·\. ·
·l'.'.. ~O!'!Lusíad!'l.s'1:mo:StI:am oé Po~túgueses empenhadoss
· 'a:k.nà õ,c;mquista 'a.á-indeí>e~!iê~çia; .•~ PenínSula
.P.·. ).·.. ·.·.n.º
. ·.··
..ª. l··.·ar
· ..·
..g.anie··
·.·" '··. ...
··.
nto. do terr1t6r.·i,··º.
· .. ,- ·.
t.enas• ·.'.do ·.Além-Màr;
... . '
·.. . .
<Z:m_
. . .·· .

a hist.6ria .de Portugal é aí concebida como crv:zada; de .Fé


nas lu~áE!,contra os Moµros, primeiro na Pen:tnsúla<(p.ÍII),
deJlois, er:i Jl:f'rica (e.IV) e, finalmente, contra esteij
tr;i. 013._geni;';i.os, ,rio_·Orie.nte.

·A .inte:rpretagâ'.6 provid~rl~i~1:i:sta da missão dei povo ·•portu-


se
revela:. . . ' .. •. . •·..· . . .
no ni;>.sçimento·.de·Portug11l com origéni na recionquista cr'istã
. . •... ·.
. dai;;cryzàqas. do Ocidente: (c.III,23-25), · ... · . .
b) ~no,, 1;iasc±rne!l'1iôde ·:D. Afonso· Henriques, prémio concedido por
· 'Deus·a: D~:·HenriqÚ.ene Las suas vi Mrias contra a. "escrava'
Úí, 2b), .. -,
Àga.:r~•.fci. ' ' ·•.·. . . .
c) .~no·f!·f>á.rec~menfo ·de Cristo arrte s da batalha d,é.
..•.
·....i45;:-49).z.. .: ..·' .·'.··.. ·.· '. .. ·.·..· ·.···, • ..
>4) na.v.isao qq.e tive-re,m'·óf:! .PortugueSe$ a.ntes
.·...A:'Lc.ácerdo S1'~1(c~VHI; • 3-24),· · f
}.( ····.•·
.. ' ~). e. ~ irrl;erveIJ.Çãwdivin~-.,na .conqq.ista. (le_
t~~'11oder.ia.entéríder-'se -ae os Portugijéses fossem um
··~â;:t, .. .,'. ..... . . \ ' i . < ... '
· · a) .º :rélevo
dado. no Poéma às lutas contra os
..·.. •na.dos de D> Afonso Ííenriques e D-, .:roã0 J) . .
•': ·,·_b) • é a· 1),rotecção divina· :iiga,d<J.tamMm à consolidagão dá. :tndepen.-
···· · · Q.êncié. (cf'. é.vrrr; 30~.31)• · --,/

1;%Ç .. : < .· ..· .: ··.· •..•.. ,; . ' .. ·

fé(}:)-Í > <· . lJo é.stU.~odiJstes Pé.iJsos de ca.rácter hist6rico


'~:'.~j~~~i~~~êi>ci8,·.··i3mosfr~;ro:;bom:ª·. dev~.da.oportunida.9e, . . .•.' ...•·
· ,:',,I ·- p conce'i:o.: ele'.hist6riá.. da.· época Q.iferia. consiQ.e:ra.velmente
·· c1Q. 29tu{J~·'·não. r<"'(ltgnimcloª·?s nr6prios historia<Ipres apro-
vel:i,tç.,;r;:('m
·ce,rfas.1-endas.·ç-.Onsa,G'l'ada.s_.Pelll
.. tradição.,• como.-.fsz
C9ní{i·~s\n' · nbs, Lus:fada.s"' M. iná.ice.r .Luso como origem dos Lu-.
si tano'ii e. Ulisaes oorco f'undador- -, de I>isboa.~ ' · ·
0f a.hist?~ü.>. CÍ•e'PoÍ'tü,-c:.il, nos seus primeiros :tempos; tem
-umcarãcter Lruorreif.o, cave.Lhe i.r-enco e m•ira.culoso ,@e
·. esttf.in':l;itJ~'.'lente coridicion1'io peLaa f'orites hist6rica.s
en que. ó· Poeta. se
ex.s
- o âpa.rec;i.tnéntode Cri~to na. ba'ta Lha d.e Qu:fiq\l,eestá
registado .em Duarte .Galvâ'o; "Cr6nic.a de D.' Af; H.en~
riquesÍ•' cà.p.xy; '' ' ' .. ' ' ' 'í.
- â vii>âQ do exé':reito portuguêi> arrte s da. empre~a de
Alc~.cer do $.8-1 já fora. ~a.;rra.diJ,por Rui de PiM.;
"Cr6riic.a de;D, Af, TI11, ca'.p.VII; . .. . .
b) mai>.z.
ao eont;rário do. que a.contecia nu outrai> epopeiai>;
Camo~i> aprei>ent~ delil?eradamente uma hist6r.ia de rea;I.i- ·
dades:, pelos her6is e pelos factos (cf.t,n,1/'V.l-4},
embora haja todavia. ;t"aétos apr-eaerrtadoe como verdade{:..:
ros que a ddtioá hist6r:Lea moderna considera menos
e:ícaétos;
e:.x.~:" :·, . .- . -- : .. , . - "
os;incidente~ .9co:r::;r~d?s.ent:i;e
'J?· .Afonso ~en:r::.iques. e
sua mãe(cr.sarnento e prisão de~ta -. cf. TJ:l,29-33),
sobre. ~ verecidade d_osquais o pr6prio Camóes emite
já alguma.s dúvide.s (In;29,vv.l-2) estão relatados
em Duart~ Galvão (ob.Ci t. ,cep. VI); . . . -.· "
.ª demaaí.ada importância e .o alto signVicà.do atril?u!
dos no séc -. XVI à bafalh11 de Ourique encont;rl!.m-sedÕ'·
cumen~ados no mesmoéfoniste (ibidem, 02p~,XVe .XV!,:J,
q:ue C~l)!Õesi;;eguiu.de muito perto; •.. .· ·
nóte-se, rio !lntan;to, a. este r!lspeito que rot veze.s Ca-
mões,. embor-aapoia.ndo;,.se numa :fonte hist6ri.oa,. não deí,
xa de fa.zer alusão a- outra. corrente diferente {cf. j sp
br-e o:c:igemdo conde, D/Henrique, III, ·2.5 e 2.8 !l .VIII,
~); .

a apr~sentayão dos· factos hist6ricos poste;riores A.viagem


do· Gàma.
•ressente..,.se:
8,) de; terem ooor-r-Ldo em ;terr~.~ d;i.stantes;
b) de., por serem cor1te!llpo;râneosdo .Poet a, CámÕessobre
poder emitir uma.opinião pessoal;
c ) de, sendo -recentes 1 lhes f'e.lta.r e.Lnd a a. perspect:i.va
t6rica; ... .·....
note-se, por exemplo, que a ~spera.. censura feita. por camÕes
a Albuqµerque (cf.X,45-'-4,9) .e.a. qmissão de a.lgu,ris.es:peotos
deste v.ice.,..rei i>ueerem, quando compar-amoacom.n
ele. a.cç;_;:o
llJaneirs .comotr0te putrÍ's figuras;. umá grmJ.a.çÃ.o de va.lo:res
qll:er hist6ria ..moder-ne.modificou;
C~mÕes,•homemdo Ee~asbimento, não .se limita a exa.lfar o
Povo PortÚ1'u!ls, mas, ao cóntrário do que seria. de esperiir
nu.mpoema épico,, tqma. e. liberdadfi de criticar, por sxemnl.e,
D• Afonso Henriques (cf.IH, 69-70) .e D. Manuel (cf.X,22-..25);
mas UI!) artista, e i~tê:rvai
r
neceeaar-í.amenüeno Poema assim 1
de Portugal essencia1111entea-
qu'ele.s factos qu.e se prestavam a um tratamen.to épico,
pmitinclo, porta!lto., outros, que hoje considera.ríamos
não·menoa importàntes. Não se .referiu, por exempÍo, à
acÇão povoadora.de D. Sancho, .à figura. do Dr. João das
Regras, à empresa do Tnf'arrt e D•. Henrique, e ao esforço
centrá.li:!;ador de D. João II•
b) deu. iriesuer":do r-el evo a pormenores que embeIe zam a naz-
.ra~iva+ tais como à. figura da "fermosíssimçi.Maria" e à
mort.e'de Inês de Cas~ro, ou que acentuam a importância
de outros· acontecimentos> como fl. referllncia à aclama-
ção· antecipada de D. João I por i•hUa.mâ.rrí.na" que "ante
tempo fal~ndoo nomequ";
e) 1.ntroduziu conséientemente algumas modificações narea.;.
lidade•hist6rica, como, por exemplo:
apresenta a "fermosíssima Maria" como ••caríssima con-.
l:lOrte11do rei de Castela;
limita, na, .fala do Gama,a luta da. independência ap6s
a morte:•de·D. Fernando quase exclusiva.menté à -batalha.
de..Aljuba;rrota;
simplifica. es_ta mesma bata.lha, não a.Lud í.ndo sequer à.
t~cniqa inglesa 'a.:!usada i
.d) a.próveitóÚ él.leUnSdados,· loce.liza.ndo-os, no entanto,
. ' ·noutro. nomerrt o hist6rico, de maneira a valorizár artis-·
ticJl.mente o Poernaj
ex.:
;....transferiu o sonho aue tra.dicionalmenté era. atribuído
ao Infa.11teD. Renric[ue (cf. J. de Barros,· 11J!:sia11, Me.
I, Cap,II) para a figura de D, Manuel;
deslocou para imediatamente a.ntes da chegada à 1ndia
a. riarrã.tiva dà. tempestade:
e) soube e.preseritâr .de forma.o;.iginal a opinião dos que
ddsoor-davam da. pol!tice. ul trc>.marina.,cria.ndo a figura
.do Velho.d.o Restelo.
... . ...9E!;,;,d~s-c'o~eçó1la, e.presentação da hist6:l-ia
1Í. '.fo_rrila<dediscurso no quaL; pri'ncipia:ndo pela descricao
da.P~nínsura., Jfesco da Gama.nos ilá .ume. .y~sêo gl.oba.L.e
feitos ·portuf{l1e13es
desde as q:rigens, d'à nacãons.l, idade
dá a MeliÍide.~. · ·

A inclUs;;:o, na estru't;hra. do Poeria, de quatro s~culos de


. de Port1lgal, em visP'.çir-etz-oapeotí.va , traria.-
d_ificul_dadespar-a ·o
eqililíb:rio da obr-a,

Gonvirá,.pois, fazer rioúi.r;'


_à) que ó Poet a,'teve imedia..ta. consciência desse problema, que
su,rge claramente· posto nas razões que, no exórdio dó d~l?.~
curso; o.-Gama. apr-e serrta ao .Rei de Melinde,-{cf.III,4,yv.5.;6};
b) que,)porfaso; logo Ó,Gameadv~rte os ouvintes de que·os. ···
feítgs que vaínarrar serão objecto de uma ÍndispenE?ável
selecção (cf.IIl,,5,vv,.3 .•.4) é de .uma síntese ·c:.011tínua(cf.
III,4,v.8) que deve'rão.ser postPS em relevo ao: longo· do
d,iscilrso; · '
c ). que essa mesma ..ri.'ecessidade de ser breve se revela· ainda
no uso cde certe.8' e:X:pressô'esque Sugerem a rapidez 1dà na:t'_
ràção pela ap:r,esentação quase brusca de uni riovo quadro -
(cf .III, 33, 42, 10 7,) -.

\ . • ·. ;·..'•.. <·· ···,'


No estuqodestes cantos,,e 'po;r:que.:fazem
parte dumdiscur;..
se podem esquecer duas reàlide.des que neles coexistems
1 - um.aud,itório
2 - o pró~rfo orador.
A existência desse auditório cria. no Poeta a consciência
daJ!ecessidade .de cap:tar a sua atengão, e daí o.Gam~usar·
processos frequentes· na oratória;: ·
a)' interpela directamente_. o Rei, consegüi_ndo.assim avi'liar
'o interesse deste (repáre-Be nqs vocativos - III,J,v.5 ·
e IV,B7,v.5);' ~ · ··. · ·• · ·· .
,b ) imprime, por vezes, forte visual ismo ~. a.presentáção dos
f'ac'toa .é à evoôaçê'o das figuras, sugerido pelo uso do
present.e do indiciJ.tivo ou de cer-tae
bios e pro-nome~(cf.Ill,96,v.l; IV,32:,-v~l;
lil,B,vv~l e_ 5; IÜ.:j 1..20,vv.l e 5);
>
;;

e~i>t~;·Í~~~Jsetaa,$':mehte com.exortações ..Cõr:


a. r113.frat;i.va
:i;c;n,~5J~·I?~;),o,µ,.:r6rmtilas tradiciom•is. de·•.aelamaçãd
f~~~.:r~:r.,46,v'Vi}~8;.·:rv,3,vv.7-8: rv,21,v.8); ·•··.: ..•.·•....
ini;npt~/a, <3.~gull:.ª<~r~ch()s umcunho marce,dfl,ment~·drtJ;máti.éó,•
e ••• fa.z;n<l.9-~p.rgir ·.çl~<!,n'l;e
dos ouvin.te s perspna.gen~.·cujos ···
· di~c~rs9s ~s <!,Prese~tam,em•pela ll.cçâo·(c:f.III ,J8:"39;.,..· ..•.
lJ;l,c 1Q3.-105LHl,lf6.-l29;. IV,15...19; .·IV,.37-'38; .tV,73-74Í
IY,78:..795:IV,79-80;,)V.o91; IV,95••. 104}; . . .··..•..
p;rocura, vincar certos facto~, recorrendo a a11áf',0I>as
(cf'.IJ!, 92-'-93; IV, 99) ·e a intefrogàçÕes de carácter
reMflCO (cf.I1]',15 ••i7; IV,97):
ma'terializa as .suas e.firmaçÕe~, àervin.do-se de compa-
raç,~~s <trl'a.ncll.daiimuitas vezes aõ mundoantJgo (C:f,III,
·106(IJT,l.f;. IV,32) e reserva; os s:(miles,. de efeitos
ai~da mais ~Picos, . para. os momerrto s mais. importa.nter;
da njjl,.rrativa (ct'.II,I,47-50; ·III,131-132; IV120.,.21~·
:rv, 36-37). ·

orador não se •e.presenta. comoum narrador


'profun~a,mente empenha.donos factos

impoJ,'t~.nte aspecto, será de tod13,a convehiên

frêquentes mudanças de pez-epec'tâva em que·


narra. os f!3.ctos; e quê se revelam: . .. _
·-., ria ,variaçf'o .da,s pessoas gr<!,matica,is, marcando urnà
n~:l'.ida<~ep~raçâo•(;i. ..311pessoa até, aos prepa.rçMvos.
çl"l-, viagem para .a. h,ist6;ria de. Po;rtuga.l na.rra:çJ.e;;à. l •
J>e,SSO!\h d!!,Sde ···ª' estância 77r. carrto IV' para,,ª hifit~
ria. de Portugal vivida; a 2~, quando lança vibrantes
apóstr,ofes), .:' .···.··.•. .... -:. . . , -: .'·· ...
e, na, oscilação .dos tempos verbais (o oa.ssado tormi:-se
pl'e~en.te no.s momentos de maior vigor Ífpico .e de mais
acent'Uàdo visu~.lismo); . · ..' . .·, • .. -
nãp esouecer- os comentários pessoais que, sobretudo .so'b,
a. :fo;rmade -:
a11iSstrofes.{c:r•.nr;.133,vv-.l-4),
exclam;:i.çÕes .(cf .IU,l2,v,8~ III, 15,y.8; UI,, 33,v.8';.
ur,113,v.~; .._ru,1.w,v.2) ... . . ·
e interrog;:i.çoes r~t6ricas (cf.III,130,v.7-8; III,140,
w.5-7;. IV,51,vv.S-8) ·.·•
imprimem tambémvariedade a.o texto e cont±-ibuem para o
Eleutom .ore.t6rio; ....•... ·. ... . . .· . ·
º.ªr em•rel.evo a cma.nifestação dum con:fessad.o e arden'j;e
,><1.iiiºr 11~tl'i~ :12a:ten1;,eado
em a;f'irmaçoes d;i.:recfa.s (c:f'.III,21,vv.l-4; W,87,vv.~-8),
na._,exe;tação. do p~vo ,Porj;1%'.iês, revelada em pormenores 1
ença,reOf'-<io:re~ {ef'..III,43,vv.4 e 8;. III,67, 17.8;, ;qr,ro3)
e ,em compa.reçÕesçom :f'igu.ra.s·D•:fe.madas de, An'!:i~tida,çl!"-·
'{cf.IV,25ivt1•7..:8}; .
d ). repal'a,r no. movimento dai li~e.gelll que ·pa:pece.,
o
acompa.Ílha.r ritmo dos acdritecimentoss • .·...·
_.;frases de: ~ovimento ma: Ls. ampLonos momerrt oa
mos d,a.-narração (cf. II!, 94-95); . .
fra.s~s de. ritmo mais sinoopa,do e nervoso nos momentos
de ma or- tensão (cf~IIÍ;.47-48);
â . .. .•.·
e} oonsd.der-az-qu!i o pr6prio eqÍlilíbrio da estrutura da fre .
. sé'.parece, por. v.eze;;, ·quebrado 'por uma apar-errte ·desordem
dos. seus el emerrtoe (cf.Iv,93), por expref>siv.a.s fa.1tú de
concor-dâncaa..(cf.IV,16,vv.2 e:4 - "Da.queles que••• /ven-
ceste$ ••• '.:;.}V,21,vv.l é 3 -"Dest8.rte a gente,.,removem •• ,••)
ou por naturais anacolutos.

neve também da:r:-se o devido realce aos seguintes a.specto.s


estes, .oontr-íbusm para iinp:r'infr va.ried?.de ao. discurso:
a ) Vasco .da Ga.m<>.
'começa.por n~.rrar a. hist6ria de Portugal
na 3~ pe.aaoa, ma.s, a. pa.rtir da. estllncia, 77 do oa.n,to ÍV
- começo deis preparativos· da via.fjem -, pas sa logicamente
à .1ª· pessoa; no entanto, já• desde o infoio do di:scurso,
usa' a. 21. pessoa nos· seus comentários, apostrofando, por
exem:glo, rios ( cf", IlI, 55) r- cidades, (cf. TU, 57),figura:s
. hist6ricas (cf.IU, 89), errt í.dades mitol6gica.s (cf•III, 32);
b) o descr;itivo, entrela.ça.-se, na fa.fa do Ga.m;i,com.o .nar-r-a.;
t í.vo, e o rl.ramático e o lírico a.liB-m-se ao épfoo;
o ) o Poe.te.·.detém-se, ..excepc ona.l.merrte, em a.lgi.tma.s.
í fígura.s -
(Egas l!oniz, "fermosíssima: ~ia.ria.", Lnê s de Castro), cr-í an
.·no épis6dios que, pela. feição que 2.nresenta.m, evita.m e. mÕ
notqpia. do. rela.to e quebr-ama tensão épice. das: batalhas.""'

Desc:H9â:o das. bàndéi'.riJ.S

No canto VITI1 a hist6ria: ·de 'Portugal é-nos 8presenti>.dl'!.


d i.f'ez-errtés os heróis :sureem numa sucéssâb rnais ou 'menos cro-
nológica, 'me.s como .fipuré\s Lsol ad»s , Par-a isso contribuiu o fac.to de
o Poeta., ~. maneira. dos: poemas li.ntigos, ·f! ta1véz ÍnspirP.do naa inú,,,e_
;ra.s ta.peçà.rfas da. êpocâ :qi1etinha.r'i como motivo as gl6rie.~; ilos desco-
. br-âment os ,' os ter ima.gina.do.]Tinta.dos ne.a bande ira.s que, nas naus , de s
pertara.m á. our-Losã.dade do Ca.tue.l. '

PauLo da. Gama.,dia.nte da.s bande í.r-as, 1>.gecomo um bom cice'.'"'


'rone , J;?Ó'!'ldo
em relevo aoe nas os pormenores ma.is s~nentes,. e assim a
oonc so.o da sua Lí.nguagerné B. ·mP.isconveniente ne s+as circunstll.ncii<ls •.
í

')lo estudo deste.' pe.rte do Poema, será conveniente pôr e.inda.


relevo;,·
diál?gÓ entre o Catual e o dá.ma
.Pêrmintas e réspostasf ', • , . . ..•..·
que o Catual-pede esq-larecimêl'.J.tOs (cf.
este outro cá" e 10,y.l •:-··''.Quemé,. me·

o f'ort.e visual~smo da descrição que resultai . .. . . ..·. . -


a)'do largo émprego do verbo ver, substituído às vezes pqr
olhar e 'umà ou outra vez poratentar, qua.s~.-sempreusà-
do1>..em re1ev'ànt~ ·posição. no verso, a coiriddir éom o pri-
meiro acento r~tmico_ou no' inj:cio do verso; ~
b) do tempo, modo.e forma em que estes verbos. saC> ·ueados
· ex.1 - "V@seste que••• 11 (16,v0l) -
"Vê-lo ..cá va.i.,.11' (16,v-5)
"N<J.O v@s••• ?0 (18,v.l);
e) de. sábia-esco;I:J:iad,é pronomes e a.dvérbios
exs e - ºOlh11.estoutra bandeirá" (9,v.l)
0Vi!ls
este que; •• n (16,v.l)
nv.11'-l<fcáva.i. •• 11 (cf. 16,v.5);

3 -· 1'>.
inclusão de' um ou outro paaac de caracter narrativo 'na des
criçã.o d;is bandeiras (originaaa pela nece13sidade de e?ltar--
.os feitos desses
\ ' .. <, her6is) e que contribui
- ' para a.ligeirá-.la;
.

4.,- a 7resenca .dê algumas cara.cterfstioas já ericóntrada,s na t:la.1'-


ra.tiva dg .(}?.ma,embora estejamos, agora., pera.nté -um trecho
do Poe111a .essencialmerÍ~!l def!critivo: . .. . . .Ó

a) o orgulb.o que Paulo da Ga.ma. sente de ser poj:itugu,@se1 que


se refiecte nas $ue.ií.excla.ma.çÕesincontidas pe;-ante os
:factos ·qúe aponta (cf.16,v.4; Zl,v. 7; 32,-v.6; ·)5,:vv.7-8~
b) à. CO!lJP~.ra.çã.o
dos her6is lusíadas com os da Ant:tguil'lade·•·
(cf.12, .15 e 31) ;. . , .
c} a veemi!lncià.convincente das.palavras.proferidas por'Pau.-·
lo da. G!l.mà(8,tente.,.se _nâ.repetiçáo da negàt~vá nà!t e_s-
» tân,ciá.s 6;v~7 e 7,v.I); . ·-.. · .._. .,_ · ·
d}"o valor expressivo da repetiçê:o (cf .lO;vv.~1 e
e 5). ·

poster~o:res .~

, geralmente, um tom ve:go, muito mais nebu.,.


"o s feitos anteriores. (cf. a13prof'eciás
as profecia!! trágicas do Ada,mastor);
,cru~ ~-f!se ,é:~ ál'~~s., -o __
,:_t_:Ot!1, .:çfuf?,
o'tq:,'Tlqúe::r,evest:j_bma,s1frofécfas do.
_':'/--_.. '_-/::"":-<' ·._.:,/ -'. ' '_;,->':.· .: .... ·_ - .. ··
t(l.íE;l.
c;óritrillui narp esse tot.i vo.go'a.
.nome cios )'l.eróis·,·ina.s que os .fa.ctos pr.o:fetizados
·:ts,so·ae.:ix{,mde' sf,r hÚitqricos; .. · ·
.a:~;íT!Ú~à.sp~o'iêcies. em que, por .vezes\ e s so ~missão se.
'vE;lrif:í,ca·,
são ç,13do carrt o X, :após e. descoberta; do cami.;..'
r,iar:!timo pa~<i·2 lndia; . . .. --. _ ... , •·· ... • .' . ·
-.~.~·a ..•
~~~'\Ja.~t:icÍlla.:r-iz17çô'.o
doe h,er6is. de a.lm.ln1ifeito~
nq,:í,s um
a.fgur,1ent,opa.ra:,:co,nsidera;r que' em·"Oa '<IilJ:!3fé:da:s11'
o ~e füte'I:e~:S.1.l e1313éncia.l.mentEÍ'€ à exalt.ação dum herói·
é.olediv:o ,;..,o .Pevo l{ortilgú.~s. · · -

da Ninfa

agora em.que_: .
e sta \Jrofeci~ toma a.d,~qu1;1d~nÍente
a forma de cãrrt í.co _.(cf.
a função. do .epin!ci9). a que nem séquer falt~. o refrão
( cf.X;J4) (' - .
ao qÓ~tráriodÓ•que. abqfiÚce d'íscur-ao do Cíamà.e- na de s
ó Poeta, interro:npe a; a-pr1;:1senti3.ção
0riçâó. das pande.irt>s/
ida ma;tér~a históriqa. (cf•, _porexemplo; X;45-5G);
<'to prin,~!piq ao' Úm· desta profecia, o poeta -va,i .frê'quénté
01f1énte
fa;z,er lembra~ que os feitos estão a' ser panta.dos -
pela: ;Nin.f.3.,(çf'.X,6,v.l;io,v.l; 11,v.l; 12,v.l: 18,,v.l;
22,;'l-·5;.-2§,v.l; 39, v,2:45, v.1' )o,v.1, 74, v.1); · ·
o, ~~.nhco -tem par:isos _qu~,f)/1,recem_sugerir que ~. N'ipf2.:,,va.i
~.p0rtta,~do"5)sfei.tos à meélida que este;; Lhe oC:OrremJçf';
iX,,32,v,;5;. 33;v.J.; .37,v.4; :39,v.l; 42, v.l) ,. pods que e.la,'
qs :te!)l-gttahlados na ...memófia por lhe terems:i.dO transmit,i
(los .:por,P~qteu que, por sua..vez, ºf:· c onhecez-e. Júp:ite~ de
'(cf.X77h .·- - - ---
-- - :: _. ' ;.':"_::~-,- -_ ..- . - : : - - :. ' . :
- _- - ' :: ·: - -- - - - - . - - - :. : - - -_ - :-. - - - _::
-'t;reih-z'1la.·r:.J..ii!wriin:ir variede,de .?o qS.nt'ico, d.Poeta:us;,·.
'ílas:ua,co~-pOsiçíi:p,'à_ama:j.9rliberda,á.e1 _. i -~-<- .n:
e,) ut':ilizâ, no..cântiqo da Ninfa. qra o pretérito- ;(éf. U ·~·l),;
ór,a._o,·p:i_:é!Jenté {of.;r2,v.1); · ··.·.. . ·-.- ..•. ; - ..•'.' ' -;
,41t-nos o cânt;i.cO'ora'de ,formâ,indirecta (o-r~~,1o-}; C>rS.·:
11eíni!Í.irebta,(.cf.X,l8), ora directa- (cf .•X,est.15),v.~5-a.
,est•2.í):i., ..--'. . < -. ·.-.-·
. .· . Ó:.,Ó, .~ .' :<<
imagina a :Ni~:fa--&<;?·?tt'a.r, __ps feitos ora -ná -3•,)>esso11-,-
, .·. . ora a _põe a apO's"tfofaJ::.d-ife:c,t_e.menteos her~is. (21· ;
:-,,··.··-~··.
··.· - ·.• ..·....
··.·•·.·
.. -.--
... ..á..).,' o·r··ª.·.·
··'e.ss··.q ..11..r.e.:v·-
.... ·Sl_\a,;·~.·~.·
el.ll.r.~..·.s·
.... .. Ões,.. na.\•.pe···.··s.so?.
;. ·•-
• ..":· ·. ·•.·..·.. d.} a.pres.e.nte-nos â.s p·-r· -o.fe.
ca.as da Ninfa~.emmpprreeggiana ..o
..- o '.:
. _._:., · - -JYturq, ora o present·e (cf'.X,61,v.l .e 2; ~),
:< ". ·-. ,· .·. ~-~-'---"---e--'--'-.-,-- •-·: .-.. '"j,_ ~'-----.:_;
,Ele··tl.'ª~!!.<;J,ê'•••17111·•·•·•
fro,I'i,rue ..c.~ntico.,.··ô.P0eta··sugere; - mà.:i,1;1
-.ou.
menos e~Plfcitamentê, ca.ra;cte.rfsticas de uma · melodil),'t
q;) àpcwta, dif"erengas de .al~ur<f.(cf.X,22,v.l:-3: 39,v.2);
15) ?J.'ia diferen'ças de <j.ndp-ment0 (qf.X.,36 e 43, à.e a:ndll.:-
ipent.oma:i,sr;inido do. .g;ueo que nos é sugerido pela ,
t;st~pcia 37); ·... . ·...·.. . ...· . . . > .
ac7:niua ce,rta.s frases gue c1il'._se-iammelMicas (cf.
nas estãncfas 22, 23 e 24;. as e:x:preuÕes "Se em ti •• •"
'/"Aqui tens ••• !'./"Aqui tens ••• " "Em ti.,,11/11Istofa,...
:zem.,~•''/~~Isto fa..zem.••,.'' )j .. ,_. _:-- ___ .- _.:
d) acompanha e reforça o signi:ficll.do de certas estâncias
Pelo timbre depalp-vras a:! 1lsadas (c:r.x,20, onde o
predomínio de sone de timbre a - em s:!labll, t.6nica ou. a
cÔi:ll()idir com .ª 4ltimà sílaba- métrica - sugerem o es;,..
pa.ntó-causado pelos feitoe de Duarte Pacheco Pereira)•

.Profecies de Tétis

No, estudo desta '·parte do Poema.,sêrl! conveniente nofaI' que'

sâod;i,Úrentes as at;i,tudes da Ninfa e de Téti.s ao PI'(lfeti-


za.rem feitc:is dos pqrtul\Ueses no Oriente, na medida. em que
a ,intemião de Tétis ·.é. .mostrar o. mundo, especia1men1ie o glo
.bo. ter:l'estr,e, e. nele.a;pon!ar,alguns ·(cf .x, 131,v'v.l-2;. lA27
y,.t·~-2}d?s l)lg'B.res f!UeIi.ao-.cleser evangelizados e domina-
dos l'elolil Portugueses; ·

Té,ti.s··é, por isso, fuí1damentalmenteJuma descri-


ção, semeada' de informaÇÕes sobre costumes,• riquezas, su-
:perstiç3es. e tr<j.diçõ'es e cortada., por uma longa narrativa
- o ·epii,i6dio de s. Tomé;

- 'como.descriÇâo que é, M' aqui muitas semelhanças •formais


com a 'des.9,,riçâodas bl!indeiras (atente-se, por exemplo, no
emprego dos m.esmosverb0s olhar e ver que lhe conferem um
idªntico cunho:visualista)~ -- · '

por vezes, '.qúandoyiü referir ()S feitos de algwnherói,


Tétisc~ama .:ma.is particularmente· a a.tenção (lo Game,para
ali!regioes onde eles se vão. desenrolar (cf'.X,lOl;v.3 e
ío3,v.5); ·

'Tét}s não. se •preocupp-tanto em carrtar- feitos indiV:idua.is -


- embora ªP.(lnte. alguns heróis (cf.X,93,96,rnl e l<l4) - co-
. moe.mexa],tar f'açanhas de um povo (cf.x,106,11V·7-&; 107,
vv.5..:.8; 137,vv.3-4; 138.,vv.;,,_2).
d) Sugestões pi'tfa. o es:tua:oide algun!'l episódios

"Fermõsíssiina.Ma.rie"
1 - Loca.liza.r e, enquadrar o e_pisódío na. estrutúra do.
2 - Confront~-lo como passo que lhe -cor-r-esponde na ··~cr6nica.
de El-Rei D. Afonso IV" (ci>.p •. LVI) de Rui de Pina. e pro-
curar as tra.nsf'orme.çÕesC!Ueo Poeta imprimiu à _matéria..
)listórica, anotandos
· · ·· presença. de D.Bea.triz
a) o que omitiu· ___-.--.., - d . D Af IV

b
)
o
. ~~a

qt ·
\ <ª
1a e •

le' modifi'cou ·
·
onso

.
infidelidade
. . ·.
· a perspectiva
de Afonso XI
. .
dos ecorrtec íment os

1 c) o
3 ·:..Justificar
que acre scent.ou
< a beleza de D. Maria
. d.
o seu ·iscurso

a. ra.zão de tod,as estas tránsformaçÕes, ohaman


do especialmente a. a.tençãó para o facto de o ·Poeta ee ter
mantido fiel às Lanhas gerais lia verdade histórica, embo
ra perspectivando--a de maneirà. diferente ao dar particu=
lâr r.eleyo à figura de D. Maria que, pelas suas palavras
e atitudes, terl de tornàr inevitável a resolução· do pai;
Da.! que nos apareçà a defjlÍiner a sua cauea. (_cf.103-io5 ),
nafiguI-a de·mulher
amada .,.."ce.r!ssimaconsorte" (6f.íII,lOl;v.6)
bela -"fermos!ssima Mar;;>· a!
·"lindo º.gesto•• .····...·. cf.III,102)
"cabelos Pngélicos"
"ebúrneo-s ombros"
- triste e chorosa-"l)la!'lfora. de a.legrie._11
"e seus olhos em
grimas banhados"
H'.- .
)<
"cabelos ••• espaLhadoa" cf ~ITI, 102)'
(cf. significado de ·
tal atitude nesse
tempo)
iiestas palavras tais
chorando, .espalha 11

4 .,...Atentár na fa.la. de D. Ma.ria, procurando salienta.r a fina ·


intuição PJicológica que o Poeta. revela.s .. - .
a ): ao apz-eserrtar- ~abrupta e exagera.da.mente(vejam-se as hi
pérboles da eat. 1Ó3) o exército muçulmanoe o medo
que.va.i cauaandoj
b) ao demmciar a1;1coneequênc ías funesta1;1que dele poderiam
vir para "a nobre ESpanha", para 1;1eu marido e Para d;
e) ao encarecer 'o valor do povo portugub atravé1;1da f·igura
do seu !lei (c:r.nr,105,vv,l-2);
d) ao apelar ta.mMmpar-a o seu amor de pai (cf.IlI,105,vv.6-8);
e) ao sugerir e. gravidi\de da, situação .e a forte tensão emo-
cional, pelo uso de expr-eesí.vos imperativos que, de espa'"'.'
çados (cf.III,105;v.3), se tornam seguido1;1(c:r.nr,105,v!7).

5- Notar assim que o Poeta torna convincente a intervenção da:


"fe.rmos'tssima.Maria" pela eloqu@ncia da sua Languageme pelo
patético da sua figura.

6 - Salientar certas particularidades formais que va.Loz-Laam' o


epis6dios .
a) a excepc í.ona.Lrique~a da adjective.çâo;
b) o ve.lor_estilístié:o de al/!;Un.11H~
forma,s verbe.is, tais como
· ••entrava" (cf.102,v .1), "corres"··(cf .105, v. 7); "1;1.ocorres"
(cf,105,v.8); . ---
c) o valor sugestivo e musical.obtido por determinados .sons,
como, -por exemp l.or / .. ·
timbres abertos e claros (cf."paternais pa.çós sublimados",
102,v,2) que ,sugerem a majestade e grandeza: dos paçoii',
a.lternância, na 11:1
time, s:!laba. métrica., do di toiigo iu com
o som naaaI aberto. -an(ha) que parece traduzir umõhoro
entrecortado (cf.103-oVV'.1'"'.'6~
pred"Om!niode sons i ,e :u que acentuam o toni Lamerrtoao e
tr6.gíco da situação-de D. Ma.ri.a(cf .104, vv , 7-8);
a) o poder plastica.mente· evocador de "fermos!ssima", pala,vra,
' que, ocupando a quase teta.lide.de do verso a.trai· a atenção,
e a expressivi<l.ade de "espalhados", cuja t6rtic.a aberta
parece concentrar tqdo o significado da palavra (cf .102,
vv.1-6). · · ·

7 - Fazer ressaltar os proc'essos de que o Poeta se serviu para


dar- feição épica ·ao epis6dio1 · ·
-a) la_tinisinos, que enriquecendo o vocabuããr-í.o , emprestam ine-
g<tvel cunho cl6.ssico ao episM.io· (cf. o significado do
substantivo "gesto" - est.102,v.3 - e. formas como "subli-
. ma.dos"; 11eMrneos11,_ ·11miseranda11, ''inff!-ndo"); _
-b )· adjectivos de car<tcter ence.recedor fcf. as expr-easoeer "Pa-
ços sub l ímadoe" - est.102,v.2 - e "nobre Espanha-"-,,est.1031 ·
v.4);
e) hipérboles que enaltecem o và.lor dos Portueúeses (cf .UI,
105,v,l-2) ou irão cfon:tribuir para sua, maior. gl6rfa ( cf. rrr,
'103);
d) comparação da. atitude de D. ~la.ria com a de 1V•fous1_e.caba.n-
do·por fundir os do.í,a epis6dios ao sugerir a. resolução do
Rei por confronto com a.de Ji1:piter. ·
1 ..,..Localizar e ·enqUadrar o epis6dio na estrutura do .floelll!L.

2 Atel1tar.no•re1evo·dado pelo Poeta à batalhadeAIJµba.rrotà·


e a.os s~us antecedente$ e preparativos (repare-se que oç11-
pa. <l.B ests.12-45; inclusive, num total de'50 ests. dedica•
das à criE1e de l383/13il5 e ao reina.do de D. João I}.

3 Alud,ir 't>revementéà fidelidade hist6rica, bastante acentua;;;.


da;:em algüns passos.
Ei:
- Foram os Castelha. "Deu sinal a trombeta castelhana"
:lioqque ,deram si::: . {cf.IV,28,v:.l)
na.I.para. o in:!rio
da ba.ta.lhll. (of.F.
L. iicr6niôa de D.
;roã9 ru;, 2• parte,
cap~ XLI).
= "Rompem;..se
aqui do•.nosi3oe.os primei
- •>,.· .: váilguarda. portu
guesC1,.
foi, de.fac ros" -
to, forçada pelos (of. µ-, 34,v .l)
Ca.stelhf!,nos (.ibi._
dem). ·
=
! reál o au:dlio
XXX

·lll'esta.dop9rl>,:.J~
ao e a .e;ico:rtàça.o
"Sentill. Joa.nne a afronta
......... ··-·· ·-·
Pel11ja.;i..verda.deirosPortugueses•
·-·- ..
que .lmtão .pronun- (cf~XV,36-,.138)
eãeu {ibid.).
4 "' Salienta.,r,• no en!ta.nto, qU~ omitiu. refel'ericiâs l est:i-aMgia
. guerl'e~ra a:f ueada , .e .de primordial imporl~cia no desenla.-..
ce da ba.,talha, para exaltar a gl6ri;i; dos Porlúgueses, poià
atribui a vit6ria. ápeµas à sua bravura.

5- Repe.ra.r em·
alguns a.spectos mais d.irectamente .retaciorUi.dos·
· com a e~~rutu:ra do epis6dio:
a) o p,erfei to ~·larga.ment.e
· passos BU!!Oeptíveis de toma..remuma
lista.1 -'.·· .·•.. .. '.·
b) a aeçao da batalha. é apresentada em rmtltiplos e
~dros, ora gerais, .•orà•·inciividua;i.s;
c} ana.r:i-ac;âoé interrompida por digressões de
ferenter .. .· .· ·.. . . . ,
- con!!ide:raçÕesque envolvem .preocupaçÕe~
col6gica (cf~.IV,29)
-·e,.coment!trios 9l'!ticos, sob a forma de simples
ou ~~ ap6strofel! (cf~XV,32 é 33); ....
,d) a :fála de l). João I., ·apresentad!!- em di!!curso directlJ.
. intuição psicológica, ao apeIar- p0.rf!.o' ~rio dos
. cavaleiros portugueses, e. reveste-se de grande conci-
. .são e impres'sionismo •

Salientar :certas particularide.des form0.is que va.lor:i.zam


epis6diot · ·
e-. exi>réJ!sÍvidade de. lidjectivaçâ.o (cf.IV,28;v.2);
·o emprego dum diminutivo {cf.IV,28.tv.8) que pela. sua
raridade aasume pa;-ticular conot8.çRo afectiva ~
e) o .valor sugestivo do movimento do verso, como, por
e;x:emplo: . · ·
- est.30.- movimento lento e reenlar dos quatro pri-
meiros. versos. em contraste coma irregufa-
. r-Ldade do ·ritmo dos. versos seguint~s, dada
pelo encavalgamento, frases de membr-oseur-.
tó8:, polissíndeto. e aliteraçÕes; .·.. -
- est .32 - sugestão "rítmica que lhe inprirne o .di to?igo
··-ão Usado 1la1;1s!lab~.smétricas de maior r-e
l:e;fo:doverilo(cf.v.l);. . ·.-
_, eá't •42 ..:: mqyimento rápido que, junt1.,,mente· com a ri.,.
queza ,e variedade. de pormenor.es, sugere ·o
recrudescer dâ. batalha;
est.43 ._ ritmo calmo e. regular que mais 8.céntua .o
. cHma:içde. e!'!tbcia anterior; ·· . · .·
d ) a. coloca.çâo eXP,r,esf!iVad~ algumas p1l.lavras, cham,ando..
par.a .elas especial 'á.tençao .·{cf. "desdi tosas"""'44,v. 8). ou

'reforglJ,rtdo seu val9r. onomat.opaico ( cf. "espede.gam~se"
~31,v.5,.. e "Rompem_.se"-34,v•l); ·
a mesma<t'eição.onoma'topaãea conferi de. a. alguns versos:
- pelas sibilantes e f'?'icativas, a sugerir o sibilar
de setae e dos "vários tiros'" (cf.3i,vv •.l e 2; 35, ..
vv.3 e4),' . ·
- pelas dentais, a marcar o tiropear dos cavalos (cf.31,
vv.3 'e 4)
- e pelo reêontro ·dos sons -o e' .;..am,a lembrar uma ex-
:i>losãó{cf. 31,vy.A e 6); - · -
f) o emprego.de trocaB,ilhos e jog'os õ.e palavra.é (cf.40,
~o.7-:8; .31,w.7-8).

~Dé,r part icule.r e.tenção a alguns e.spectos que conferem a,


este. 'episódio um:cunho clitssico e épicos
a) latinismos (cf;· a. acepção com que aparece á pala.vra.
"virtude" -.35,v.8 ""'• e formas como "sÍtil:m.ndo'.'-' 44,
v~4·.,.., "misera.ndo" - 44;y.5 -, "furibundo-" - 41,v.7 "'
,v~,3}; . · _
3-6 e 38,v.7-8) e perso!lificaçoes
e 6); ,
M'rl!.e't.,.,. mitol6gico (cf.33,v.5; 39,v.~;

(ct~t>edfra.ses indiCada.s e 41,vv.

factos e f'igurPs do mundocUssico,


rri0.isvivas )'lelo recurso à e.p6s-
:f) s:(miles de natureza e vigor :fortemente expres!!ivos
(o:f.34, v.3-8; 35, v.1-4.; 36, v.'):-8 e 37, v•1.:.2).

Os Doze de Inglaterra

1 - I,oca.liza.r e en~dra.r o epis6dio na acção do Po.emae pres


ta.r particular atenção ã. arte com que o Poeta introduz e-
conclui a narra.tiva de Ve;I.oso.

2 - Notar o carácter especial deste episódio - pequena novela


tradicional· de, .cavalaria que ·Camõesapresenta· comoverda,.«
deí.r-a. (o:f. Vl,42, v.3-4), talvez porque já á..encontrara
registàda no •í.MenÍorialdas Proezas da Segunda Tilvola Re-
donda" de J. Ferreira de.Vasconcelos.

3 - Frisar.que o episódio, de declarada intenção pragmáticl!-


(Cf•. 42" v.5-6), encarece o ideal de cavalaria, medie'\'al,
mas aponta já para uma.:faceta do Renascimento - a curio- ·
sidade.cultural document~da.pela figura.!'le Ma.grigo.

4 - Ateritár na f:tmção do episódio na estriltura


viandó a monptonia da viagem, descansa navegl!-ntes e
res;

5 - Salientar que .a.narrativa de Veloso não reveste o tom ora


· ·· tório do discurso de Gamae que o epis6dio apresenta cer::
tas características.que documentambem a arte de contar
em·CamÕes:
a) rapidez, concisão e :flu@ncia da narraÇãó.qtie SElgu.er~
pida, despida de pormenores supér:fluos aM áo__tôrneio
- comoconvéma uma simples exposigâo de fáotê>s ..,pe,ra
se tor;na;r mais minuciosa até ao seu desfecho, a.presen..•
ta.do de forma .sintética; ·-
b) naturalidade dó estil.o resultante
do vcroabulário menqs empolado e mais corrente (excep
tua-se, neste último caso, o de carácter· iafom.co no-
que resp_e:í.taaos torneiost armadura.$, lugar e fasea
da'acção) e pela .menororiginalidade' e erudição das
metátoras (cf~43, v.1~2; 47, v.4; 52,- v.4); ·· ·
da tentativa de anulação .do efeito pr6xi.modas
(cf~ encavalgamentos est.59);
da desigual partição dos versos
do uso mais frequente da.ordem
tam frases que1 em prosa, não
(óf'•44 e 45);
c) movimentaçii'.o dos acontecimentos:
pelo visual ismo {bf .46, v.4-8);
.;..pela expectativa conferida ã. chegada de
(d•57 e 62) ; .
pelo reàlismo na descrição d'o combate.
crítico de Camões.tamMniàqui se re-
1feloso (cf.44, 5;:_6;46, .1-4).·

.,•.•
.,.•.•.
=,,,,_,.,algunsaspeotos estiHstioos, tais .como
s,
podef sugestivo de alguns vocãbul.oe (cf ."m8,Stj_gam"
61.; v. Il; . . ' - . ... .·. ·. . . .
a répetiçao da conjunç,ão integrante (cf.·45, v.3), de
forte vigor expressivó;
e) o relevo dado à eXpressão'"dos onze" (cf.57, y.3) pela
sua é'olo:caçâone. frase, que provocou.uma concordâncãa
· . de sent:íiio e não gramati0al (cf .57, v , 3-4);
d}' o uso _deúm jogo de palavras tão pr6prio da. ~p.ocade
Magrigo (cf .•55, v.4); . ..
e) o movímentosugestivo do verso (cf.51, v.1-2;· 63,. v.4 ••
-8; 64, :v.4-8);. .. . . ' ..
f) a sonoridade sugestiva de alguns versos(cf'. ests.5i e
56). .

8 - Acentyã.ra feição clássíca e o carácter ~pico dó epiS6dio,


pondo·emrel.evo 1
a) latinismds como"mo.derava"(c±'.43, v.2), •lexperto" (cf.
_ 50, v.l); ·
b) perífrases (cf~56, ·v.4; 58, v.6; 63, v.3) e personifica
çÕes (c±'.43,vv.6-8)>irispiradas na mitoiogiaolássica; -
c) comparàçÕescom figuras do mundoromano (cf .•68,vv. 7:..8);
d) a af'irmtJ:çãodó Duque.de•·Lencastre (cf.48) e a. coragem
atJ:'ibuída aos ingleses (cf.6Q7vv.5-8) que contribuem pa
rã exaltar ovalor, d,osPortugueses.. . -

.Uva.rês na' descri.2_âridas bandeiras

-1 ·•. Atenta.r na insistênda. com que·PáU.lo·da Ge.machama a. aten-


9ão do Catual par1:1. esta. figiira(cf."Atenta ••• " - 28, v.l -;
nnão.no vês ••.•?11 _; 28, ..v.5; "olha" - 29, v.l; "Vês.•0.? -
- 29, v.5; "J.ia.s.não vê s ••• ? _; 30, v.l; "Vll-1.o.~
••" - 30, v.5;
"Mas olha" .;,.31, v.l) e no excepcione.l m1merode est'âncias
que lhe dedica no cõmptrtogerál da descrição,. o :\P1ª indica
o particular relevo que o Poeta. lhe concedé,

- Verificars
a) a. forma. métà:f6rica comoPau'lo da Gamaintroduz a perso-
nágem do. Coniiestável, o que contrilmi para suscitar o
interesse do Câ.tu.ã.l; ·
. b) a forma variada como se lhe dirige. e que' contribui tam-.
Mm para manter vivo esse interesse (er, uso dos verbos
11a.tent1:1,r11, "olhal:''' e.·11ver11 ;- empr-egode imperativos ou
de presentes do indicativo.que mais umavez conferem um
carácter visua.'Lista. à' descriçâp; recurso à. forma a.firma
tiva, ;i.ntt;rroga.tíva e interrog11-tiva.-?egativa).t . · _-:
a expectativa. de que se- reveste a. identificà,çaó do herói
e que prepara o ar-r-onbopatriótico e Hrico cóm que rema
:··':~-:-.>-:<'~-/
----·,::,'._';_ ~:'

·,1~·~~atiro.

•ª~
$2 l:i,!")'l~!l·r v~rias cenas da: aoeao
·v1p;7s;i·~pI'esentl!,~~.s
..·ne.si b<i,néleir~;;i
!!
dado à sua figura na ~atalha de Valveroe
,v.~ ,.-.e131;.31) em
confronto QQl11 a.de Aljuba.rrota
29,vv•.1~4). ·

tfoti;i.r.'qtteâ. cle,sóriç~o
(cf. FeI'nâoL,opés:, !1Cr611icade]). João Í", 21 ·'!)arte., cap,
LI\T á, LVII); revestindo,~se, todavia.; da ,conc'isão adequa-,.
da. · · .· ·

5- P~r em :f.e~évo;;, epicfdade que o Poeta confere 'a est.e


so, ·chamand,pde. n?Yº a atenção
a) para o 'emprego e Va.1õrdee
látini~rnos (cf. "alúno" - 32,v.8):
Pe.rifrases (cf~29, v.7-8; 30, v.4; 32,;;v•.6-T};
inversão.da ordem ·nôrmal da estrutura <lã frase {cf.
a coloci:>.çãode "respondia" e "re,sponde" -.. 31,v.2 e
31, V'.8 - e a sintaxe aos versos 1-3 da est~ 32};
b) p4ra a projecçãõ épi\'.ia dãda.;à figura do Condé'stável e
•oon11eibl.ida.1, · > , · . ·. > . . .. , '·,
e
pelo poder ,(orÇa Ôortferidos ao inimigo ,{<if.~9;v.4
~ 29,:v·.7); . . . . . . ..'... . ' ·.. ' ' .'
Pe~IJ.·ººJllpªríi.çãoélara ou implícita de D~ Nuno
t'igul'à& mitol6ticas ou,de. Ant1iguidade ( éf .31,
32, v~3-4; 28,. v.4 ,.. veja-se representaçao da
de Atlas}.

}iepa,~aindânos seguintes aspectos:


a:),,na natura,:!Jdade. dá. fala de PauLo da. Gama,.Çiptic1a:
1 pelas ip.terrogaç~es e exclamações; -, .s
.: Jlel<? encav!i\lgamentci; > ,. <

- pelá,s pausas (cf-;29,v.l; 32,v.ô); / · ,


- pelosve!sos sáf:i,cos (cf •. 29,v.8; 32,5;..6)'f, _
)'la,~e11et:i,çaoexpressiva da palavra só em '{)pãiçoés-sàl~
ente1(,do vérso _(cf. 29,.vv.2e. 3); .. ', · .. •
, e) n~ tónus poét'ico da palavra "suspirará" (ct. 32,v.8}~

.··s:. Tom'
:·L- J,oca+izàr º· epi136dio na estrut~a do Poemae 'na fal;i,de
Tétis {recomen~-se. aqui, .comoem.tod;i,.esta fala, -o uso
dumlllf'P<l-
para l'oca,lizaç~o d0 passo}.

2 - Atél:ltar ~a ditereilte na.~ureza'deste episódio, que nâ'.o


é_ , <·
··guerreiro, nem ca,vall~eii:e~oo, mas documentil.clarafuen;t_e,~ :~"
rnaravilhoso cristãoe __revela a.té, :i-través cie'.çérte,s iiot~f!.'.'f•
dumquase ,lirismó religios9 :(cf. est. 118)' à. forlná:ç~o t .p!l('::

"t6Üca do f?Oeta.,emboz-aCamÕés,dentpo 'clume;ip!r~tp:·~ti.ft;:>


. . . ~,~ ·~··
'
%~*!:!~~'#
~~flir~~~f~~!' a

/~~:l!!f~~J.~.a!larecitnento. dufii .··. .... .· . é '>.,


· l\)i;9>f'Ô~tE>,j•,g:ue coneiidera t!;!r ~;ido .P;rinc.ip<i,1()~j.f;et:i,;;..'
· vo da .~:x'.IJi:\!láâ:o
portugil~sa •·na..India. à "dila1;1;1.Çã;o p:a.·
·)·é·~/ a'.Pre~eJÍta,a. fio/a. deste Santo ta.lvez ~n1t1~h>!,.
d!l ,Bfl,rros.lcf •• l/éçada III, livr? VII, ·.·
,,;do.11,o;)f?.cit.o
>Cap~ ll):refe:i;i;r:-, que, este. j~,prof'etizara. a á.éção e
v.ang-elizádora doa.Portugueses hoOrientep .·. .-;-:
.e~tepii,11\f!q,>dE!;ca:rãc:ie:r,nárr,ativ?, g:uebra~ ·pe~9 sé\i
' aeméç~9·áried6tié.o, ···~'inoriotoniâ íiuma.enumeração i.eiJ.;_
·gr;~:rte~.; ' ·· · · · · ·· ·
, __ .•. 1," ' . ·-:_,_ · .• -_ . . -~~- ' ' - - ' . ·:·,· ·--- ..... ·... ' . " ._,_.

Aludir ~ :()l;'ehca.da época. ha. ye:i'acic.aile dos milagres


: narr~dos 'nest~ '·epis6dio e que , apaz-ecendo registados
'em. Caátll,nheda ( "Hist~ria. de ..Descobrimento e .Cong:uista
dt>:.Ind:ia>pelos Portv.eueses", r,ivro T, cap , LXI) e Bar-
ros· .("Décàda III,. L~vro VU-, cap , XI), conferem uma
f~içll.o híst.Sriea'às e.stânclas .cai;ionianas. · .

···,·5·.., i•loi;Jtra.roue o ês.tilo do épis6dio difere bastante do:


· top géml da. '.fale. de Tétis e .
·.'."-t

·······~- (lbs,erv:a~ ·,~. o;futli.rp, .'tem'!"onormll.l da prbfecb, •.deve7,


>• r~a..~. ~e13te paaao , se.r substitµ:!db pelo p11.s. aado (j!i que
:'1'~ti:1>·,:h<irra.
a.çontecimen~os. mui.ti) anteriores aoa f'ortU:.,..-
,o::i~ê~es
),:·11u1,sque. o. P?eta, .ap6s ter iniciado a. ~arr,a.t·i_, ·
' iva:ho ,pa,~saÍioJ ac~b!il por usar o ,pre.11,entenaa estânc,:fa.11
· q11.é ,ma:is dil'e~temente tradµzem a a.éção, do episódio . · ··
;{çf'~uó:.;'r17), · · ·
'
' '•7 •• sal~~rt~;r~e''.o,êJ)is6dio .a:Presenta. cara.cter!i;Jticas que
•.!!18-±fl'
uma yez documentam a.rté de contar .de càmõé's.' Re a
:p~;e:.;se, p<)r;e:<:emplo, na. :rai!>idez,,.concisão e a.ué@nc,:~a.;.
•·a·e P'clrrn,epÕr€leffiU,Pé;r-flu0,s,'
da narretiVll,, e na naturàlid~ '
:.' d,é· im')r.imida ~..linP,'lta.gem pelo vocabvlário menos empola,
,. .. elo.éJl;~ai~••col'I'ent~:.t ?ela inElxist@ncie. dEl metffora.á; ,Pi
.·i: ;r!fr~.pes ,. c1J7Pa,re.coes0~µ outras ,f;i.P,"Urii.s 'com v:iUor. de.,..
• )~J.'a'rl(·~a.i:í~ni;_e
lite~~rip e ~Pico. · ·

-~--R'~?<'~~·r
rrue ·esta.fl e~tânéias não à tingem formalmente
.'.--~·:r1:2,i~::2g~o.~., que. ,nos··.hab t~ou.· linguagem í 11..
··.:a,).,wir·se'-:t,er cinr,1do ', demas í.ado ~.s fontes, ,em
·.;~>..:fi.ó :j'.$;rto de· Barro13; -: ·. .. . ·
"tj)': cftOI\ lhe.s:•ter c(uerido; imprimir, uma cor mary.a.dà.menté
, '.}.'.ºP1lJ.a,r,. já que ·.a.lenda era. da tra.dição do povo ..,.;<Ji
•>s(lt,Undo milagre. corre aí.rida- a.trilm!do .a Santo Ant.S••.
:n•i'Q(repa.!!:Elfiee,a este ,prop6s-ito, na. justific.ação·
,:;ii~·est.~,l·f:4;.v•~27 muito própria duma narração poP'U~
no enfanto, que logo na est .rre à a.fi~stro:f'e',é o
tra.ta.ffie?lt\l.por)u ~·.qq;e destroem ·tJ.... impassibiliqade e pu
ra~obje~tividAde dá deusa ;.. cr-í.am'um momento:de' arróÚbÔ
Ürico. ·
')'<•\ -,.\ ;·:~:~::;·;
-

~:i4~1,
c(~~t~~o
â~é '~ftexrieé '; ~menti!riós. crítfoos .·do
/· '. ··~. :•·;··:·····,.·.,.···:; ···-·.·· . , ..."·;· .'· .. - -··· .·- . .. .· >-.. - •· .. - :'- .....· -:-···.·=··... _.-,<.:_... ·:.:, .•e,·~
....< , )lrn • ei"'t~d?.f!!a"tis:f'at6ri()de ·"0.s Lusíadas"
~o po~erd;·d~sPé.n...,.
s~r ~·con~i~el'ª9ªº' dos l?ªScaos,e111 qu,e o Poeta :fala directf!.ment.e,de Bi
'mesmó.é ~' da«!!?;eles011tros em qu,e :f'a.zre:f''.!.exÕesou expQe comentifi'ib.8
<fy-e
.iÍl(lidem -sopre. a.~rratiYa do, Poema·ou dela. aão natu:ralrilente:aEi'-
r~và<Ío,se , Sem \llllil. cóisa e sem outra, não seril poss!~J: compree'.nâer -
caibalnfe~te a :f'iprà'húmana de Camões nem o alcance iiltimo.::.sign:i.f'i_;,. e
.cado ...
da Eixaltaçao
- . ;_--
'dos seus
..
her6is.
'.
.. !
· ·

..Por isso i'mporta, por .um :i,ado,'conhecer ou tomar mais sen-


êo:g.tacto com a perl!Jorial·idade.do Poeta, na sua humanidaàe 110.:.0.
:f'redor11.,sobre a qu.a.l, alii111, não somente. se lalJ!enta c.om0tã.mMm
criticamente :racfoqina~ As eatânçiàs 78-83 do cant<i VII e 8-9 do
cà.nto Xi em jeito>de cónf'id@ncia eom as Nin:f'as e comCaUope., aí
·estão para· o comprovar e. Pªl"8.. ot;ere0er aos.·nossos alunos uma idei.a
'mais Perf'eita. .e complet,a do homem, qu,e'hUll)anamenteae quei~, ma;s
'hU111anament~. ta.mMmaabe ,tmperar oa ,seus .sofrimentos! Nisto mesmo
ta~ã um-exempt.o e um e'.stímulo EiduéaÜvo. . '

Por out'r~ l!i,do, não d~erá esquecer-se o sentido e o 1:1en-


time?}to dij. Pl'6pria dignidade. que Luís de Camões manif'es1;a na dedi-
r&t6ria .dSJPoema.e nas sUa,s estâncias, ;f'ina:i,s, •emcomuniéação suj>oé-
ta,mente di:ifE!ctaco.m·o rei port.ugu.@s~Particularmen1;e, as e$trof'es
9-10 do c:iemto •.I e ,154--15~•do oarrto X s1lscita.m a. este respeii;o uma.
....coriSci!lera~;~oÍl.tE).l'l.ta1
por isso que p~rece de .rejeitar ª· opinião .~e
,<:que o Poeta. asSUlÍla.atitudes de aristocratismo servil ou de lisonjà
.j:ortes·;mesca .censurável. ".°AsimposiÇÕes da pra..im.ãtica do \tempo, a.
. situa.Ção.hist~rfoa. ..Portugilesa à. data. dá publicação de "Os. L'riBíadas11,
às' éxig~nciii.s -d().pr6prio -género épico, ·.com seu necessário tom lau~.
dat6rio El' éstimulan1;e,, explicarão aatisf'àtoria.mente aquilo que. hoje
se poderia. julga.l' exces·aivo ou de~locado.

'··.····
.• Aliás, o elogio genea.16gioo (r, ô-7), a expeo'tativa dé
'fut'11ras.vit6rias (I, 8 e 15.;;17; X, 155-156), .a.prome1:1sade no'vo
c~nt_o·('JÇ, 156) não f'a.zem"esqtlecer que o Poeta re'.vela, sobretudo,
vivo sen:j;id9 do valor do seu propósito (I, 9-10) e a. plena., cori-.
•v.icta e não orgulhosa. eo:isci@ncia. dõs se~s méritos (X, 154-1,25),
dE!que seria natural corolário a aceitaça.o real. Sempretensoes
injus:i;if'icaveis, o que o Poéta solicita. ou promete asScen1;a, sem '
f'alsa modéstia .e sem estul ta vaidade, no reconhecimento. natural
eprovàdo do pr6prio·val9r. E também isto será de fazer senti:r e-
a~comenta,r, num iiltuito def'orm~ção moral dos nossos alunos e:do
;'i;íeu ;i:ust.o:apreço por Lufa de Camoes.

/"'
- -.:.'--:;:-.

~·;;>{',;C'~~iii:i~.
,-,.-

.documentado,. é o·_das·reflexaes
P~,'. ~•• diffroo ~· ~i~fjjf
e coinE!ntárioEI c"J;'ftic.6$ d'l?'..
es'f;a m.ais o~~mjni~-.cli
.;, ~ecÚfr~·l'.\:e,~;lia, :i:a:f:ra.tiva .épiéa .ou :('>Ól':
'..;mente ;p1spt:l'ét'i:Os ••

>.>·· ............•........, ~~re.


o.·seít e.studo, 'nã~ se;á tiMtil dist~~ir, emc."f!',,
;1 .~.~ix\c>J:uga.r, p.<pié Luí!l'·deqiil)l·Ões,<J:iz em seu p~pri~:.hme,·daqúFf
;,..:(;i , lc), <:íUE!.,:?-tr~'bui bem·::<
a Pe'i'.lipnage:ilshi,stprioét~ .ou mitql6gica.s, '6cE!.··
· ' que<num e •I1ºutro caso, e na maior parte das vezes, os óomehtltri0s
\ il:lâo;gé~xem,de ser pes~()âlmenté camoniano:!,· pois em'ger~l nâõ sé, ·
y~El.!Uín"lii'a.,119
Poema, .ín~il! a,-J;el1toA na~açao ·épica .quE!..~. (\aracteri~
za.çao·hist?;t;i9a e psicbdr1Mnática, ó. il1tui tq de aju1:rti).r modos. de.,
yer·e .d;~sé,I1tirjde.aprecifar ..e.·de comenfar-, A índole 'de.•cada,uma ....,
"das. pei-so:i~él'\s• F;Els'l1. dis'Ühçâo ·será, portanto, n11.quàâe: totali...:. -',·..·
détdé' dos ciasos,:·.mér~ní.el11;é, formal; ·
i '

,, . '> .· ~fé.~11~··
ô1Í.f:r:11-·a{~.1;in~á'.o
que. mais
importa. fa.~e;t': ll'que/e0>%'
' x{Elte E!n1;1';J?reve1(spJfo!iema.s' ou rápidas' consideraçÕé's 4e:je,itJ>,pétj- '
.:i'én,téti,pp, \lJ)r:17e~es a:inda Umitadal'J. a, simples quali,fica~'tiyo~o~ ~;::;'
, pí~_etqs, ª>?\{tl'ps pasiso!3 ma.is e::densos, onde o pensamento 'do Poe · ·. ·
'Ele/e~rime C?mmaior d,ese!l,V?lvimento_e }lermit,e po:i:'isE19maior pe ...·.
.traç11-o.dó., se;11 •.corrteüdo, Ta:):p,enetra.9ao torna.-se ·efect:j.~amenj:e. n,e-,.
i c~ás'i!ria, l3,e.ciuiserrnos. cómpreendér melhor o Au:tor, a .própria .. narr~
,'·tiVli, ·épica. ª<o signi'ficad.o. P.e,r~icular do poema ce.inOn~e:ric;í, ''indepe;n.,;.::,
d~titem.en<t;e4'<1,' d.iscua'llãó de oro~m..estéti,ca .que á .:a.pr~sen~aÇão .de r ~;·
s ,

:tais reflexões ·nilma.·Qºil'étdes~·s. género literário péide_rá.·lJÚ~Ç~ta:t~. ·


\---

' : <<·' .N.ão'~erã:o; nhrém,'eii<{Uec;idos, é' evidénte,


epít,e:tJ>!31'epifonemas e .con13:j,deraçÕes parentética.El'
os'fe:f~rfdoç
cru~ em toqo; p
·(fóemét. ocas'ional ou l'epetida.mente. deixam ent.rever º. ·~enâamen.to a.,e
, ;ica.inÇ,e~, :in:ciden'f;e sobr-e vári,os àspe:ctos ou matize13 P!;l!lc~l6gieoà,.,<·
· 1;1oçiais e mpr11-isqa vida humana. (1,), Deste modo, por orev·es anota'-'
ÇÕes ou Ílimpl.f!s registo a. af.eçtuar por cada aluno qü gi-µpo d;e e.l)i+:.·
n.o:s, s.e po,del'i! organizar uiria'espééie áe leva.ntamentó' das orserv~ '
çÕes psiçol,6~icas de CamÕes;.'da.s S'll.all convicções rel:Lgios11,S', dos:c •
seus coneei'f;ós morais, das .lô:uasopÍniÕes e censura.s·csocfaiso·, .

.•· ,,Acfesce:nte-s~ .e,inda· que alguns que.lifiCaiivos~·ou«si,mp:, .


.eÍ'íítgt9s., e
sua,..gra.da.çâ:o e' ada;ptaç~o' às .ci:rcuns1;linçit';s:;- désde ·.<Ne
éf9Í!)));i-eenqcid.os
no seu verdf.!;d.eiro significado por vezes a.inda rm1ito.
.adi;itrit.o ao sen,tidb .,Yati;;o' oriein~riÚ: (te.l o caso de 11torp~", 111:..
mundo", ."viÇ'ioso", 11:fe:ro'',' 11h.orrendo11).são ta.mMmgere.l.~ent,e ~v~
l~~J)res ·do pensamento do Poeta, no qne toça. a Portufts~el'l~s ~ IÍli,Qmé
t·â.nos, a Pretos, ·Turcos .ou- Ind.ios.

··•·•·
(1 )Em ll,<lt'a.ra:pEinsa,,cite.remos -e. tí.tnlo
. ,i,,lgtl,i.s desses tif!•ssos. ··
;tli~o,§~ii.~â. ~~i~~~á~
..~
1~l>~ent4l'i.~~.o,~!~~çâ~\~~;q$~,,
lã.~;tl"~*p.CipJ.~i!-'sob:i:i_e~Udó
em'...
nontos _.•esp.eciái1Jdeter'; •
:>·
·~~~:~:~#~,:!t~;~~~~:ra
o,~!~:~~~.-~n!=~~i~=~i
·
,t~t() de e:qiF1caçao,~~ !},eC()IJlªP.ti!r7_0'.moral
ªf!-_Pct~l.,,
,_ que deveri!<conv:ergir <º ~sforç()· in~é~ta~
'·_t!s:i;esr_P:or-tantó
.iie p~ófe13f!ortillà .allino~, situa,nd()""'.()ª
;dévid~nte lf& es:t~~-\
--' 6br~'.iePQl1d.Oem evidência o seu cari!OtE1re:x:plicativo' co,mpltimei:Í.
_·;_:;+);t{!.:f ou introaut6río,. "bemcomo, .pór vezes, a sua feição cr:ftic-a· Q1C ''
:cjsiinl?~licà, < · · - - , ·--··· _
, .:- · • , Limital'7no,s~m<is aqiii,' no e?itanto; a -indi~íi.:r's~ar:l~me~-
'•'te, /e~sé°s:-.
pas~OS e essas id.eia1;1'f_d~ixa)ld.o a.-cada profeSS()J:'.<11-S
ob!Jer .,
· y~çdeJ3 e>consiaeraç9e!'l .que el.e!! l.he\..sugt!rírem e jy.lg11.ell! cónvenien:
al)inop; O:u e,stes p~prios
:•.,te-:tr~Ze.:F.a.oes:píri;to dOJ!'SeUl(I o#gJ.nenis

a) e .I~est;s.105-lO~s i~segufança da, vida huma.n?-;

-~i-o.rf:·est11~U2-113: distinçãó e~;tre () désl!jº ~a- sini~l~ll' __.-_


< celebriP-ade e o se~tido· da verdadeira glól'ia:, entre a 1\111 "' -
.J' -~ bição --
do ~nome e' o -valor de verdadeiros feitos nU:strei; ..
~--- ·;,,·- .. : , ,,<;._ ·::_: .: ~-'.(' ~:- /: ':' ,-> :;-·~
, é};"c.J,Il.,;eS-~.s:140-i43s .a t>ai;xâ~amorosa e os d'esastres a que:
ela ()oildu~; · _· -.. < ·.·.. -. _.. •••·---·
•.•.•
_-,
·- d) ~~IV,tlfi~s~94-ío4~ a fal~ ,do v;e190 de Reé.telo.'e ~.~-t~ci>~e .ª
}. . . . ta9fü> 0,11ipterpretaçÕes de quE!é susceptí-V!!l:; anvérso· e·f
.<, :• .re.ve,X:liodas•grandes e,níprésasrhumanas; · -
"'.;"

_.-_ é) ~ ~v-,'ést:S·~86-.1001
1 v~rdade f'unaâméntai, .embora litEiraria,meri:i
â.o Ga!liaao rei,dti Keli~d.e,·;·ºº)].""'.-:
-..'.,\:' ··;.. ~te' tra,ta.aa• na .J,la,rI,.atj.:va
, _...
-.· trá:i>osta aé)s, feit5:1_siT~in€rio13 de epopeias àntigas; f'Un.:-'
· y. çao e valor das _letras,' 11erp~tttadoras. de. alt.oi;i feitos; ,in
- çit!).!Ô~ntóà realizaç.()' destes,' independentemente da sua -
-__f~ao pelas letras;

·:f) ê~v+,e13ts•29.:33: a superação dos deuses pelo eníprêenailn~n:


· t~, .audácia é esforço fü:is Portugueses; - -

Tit) .c~V,~,ests.95-991 elogio da ~ida perigósa,, condenaçÍio ··aa_ -;


·· •.. vidi;i.'E!feníina.da;::va.l,or da experiência esclarecedora ~ó- en;.;
· ;te~~mento -e·despreza!lora d,a,s'Ão~s e. dinhe_iro •·tor~aU,os- .,
,-__P,:LB. :ventura, e ~opela "v.irtude justa e dura";·. -._--

.·•i1l:t);Ó.V;:\;I;,tit~:i714~,o
espíri:f;o port~8s de c.nsada_; razo,es
;\'fr:/{; ~l:t}stórj,~aé. JI or:istãs do louvor da Pátria;· · -

;·.;-if~i}-·~"~v'.!T;~~-~~~8~87';
__
••é,i>ildenaÇãodos ambiciosos;'aos--ll~pÓ~ri~--
. · ··-::t;as}'dosroub11.dore's.dopovo,-do.s maue avaliadore's.ao.tra..;
bfl.lho·~lhei;Ó, >dos_-.fal11os.se-rvidores 'do ~ta!lo •e-.do,s_f!?-l...::
',·-
. :sósdie:i.1'Vid1lresde DeúÍi;·.d~f'in:i:ção dos ve:rdá,déiros her6i·sr;:
.,•..•... · ....: .•.-··...... ·., ..- ' -·,... ' ' '1- ·- - ---:.·,.
e.iv1ti,ests:69-731 a gtoandezs,dos
·:reeida dé crédito e f'é
t:i.il.a'·éorno
verdadeira;

c.vrtr,,ests.87-89s elogio do capitão prudente,


do·.impruden.~e;

e.VIII,estl!.;96:-99• -o poder· corruptor. do


cado'.em todos os tempos, em todas as
vida }!Oéial;

o..-Ix, esta. 27-29s condenação do desinteress.e


b.lico, dos egoístas e dos aduladores, dos_aamu.rancz-ee
)uetiqà e integridade, dos tiranizadores do

q)·c.IX,ests.84··e 88-89! -significado· __


simbÍSl~co
'Amó:i-ese do casament.o dos Portugueses .éomas Nin;f'às;

·r) c.IX;ests.90-95scS.minhos paraà'.'icançar a


ã, 'Ve_rdadeiragl6riai
,-;,
-- ·

sJ'c.X,eats. 73 e 143-1441 significado


gl6r~a: dos' ria.vegadores:glória de Portugal;

c.X,~stê,80:...851 ;;, efe.buÍaçio poética


o verdadeiro Deus _e seus santos;

c~x;ests.i46:...153s consideração 'do


vo apesar.de muitas dificuldade!!, e
Sebastião aos a_ctos goii:ernativos
mo nació;nal. ·

De tudo isto, porém, e do mais que o


e ref'iectido de_"Os I;usfadas" póderá sugerir
rá, d-omojá foi dito, que'professor ealunos cheguem
çã0 do Poemabaseada nos seus pr6prios valores e .caracter!st.iôas.
Ora, se -é certo que o estudo da narra.tiva (te
estrutura. e-và.1o:r·literário; linguíst~co e
ser menosp:rer;ado,ta.mMmé verdade que
' !l;lglllna.1!!
ideiaà fundamentais sobre -a
'bre .o alcance e pbjectivoà do seu
pe;i~s por enal-Íiecer umaeonteci~nto memol!ánl da nova
o:r repréi!é11far.uma.esptfoie inífdita de poeeiri épica, no
ltaire;·e 1.Uli'Poemà
da,civilização ocidental, seguÍldo a
..4é Cerv11-ntés~'Espécie foé.d:ita de poesia épícá., por issó .
..;ifesta um AcV9 cp?;ceitp de he~!smo., não•militar· por miu.,..
nào assente e111 .paixoes indi_viduais P!r vezes ·censuráveis; mas
·:illncià. dê uriidever c!vic·o e cris!ao, 0onf'orme c!m a con•.
do seu tempo•. Poemada civpizaçao ocidental;. JÍ.!l.O f'undamen
te .'!>orglorif'.icà.r navegações e ·descobrimentos,· más por expri'
·mir .um conceito de nacionalidade ao serviço de va.lores·11niversais-;".
.•;seguliéj.o •O.S critérios valorat.ÍVoS e as ideias morais da civilização
·do Ocident.e. ~ste 1110do ..se mostrar4 qu.e o elogio da vida_peri~sa,
.o ·carácter. belic'oso de alguns .epis6dios, e .a sua exaltaçao, riao
:siµ'gemn• ·~osLudadasli pÓl;'eles pr~prios,. mas determinádos 'Pelo
··cilmprimento.convicto e liVI'emente aceit.e de uma missão, e'pelo sen
..timento· básico de. que as' virtudes .militares ·e náuticas s6 verdade!
• ramente o são, 'qú.andopostas ao, serviç.o de .causas c!viaas e morais,
nac:i,onai11e universa·is, necéssariàinente vi!!'tas e julgadàs segundo
·O, esp!ri to' da sua épocá..: .

Umaleitura "ideol6gica" de "Os Lusíadas", cromparticu-


aténção aos pontos de renexão do Eloeta, directa ou indirecta
... ,-_,te·e:x:po11tos,e não 1 sim:!!les narra9ão 'do .Poema, por muitos. v,;;;.
· l~res estético-literário.2 que ela posáUa, mostrar4 cromoestamos
e.Ili f'rente' de uma epopeia <Jl?ln um conceito crítico de ~er!ioidade,
cqni i.de;fas moraiS' pr6prias,.'éque .lhe determinam uma feiçao .diversa
• dos :Poemasda Antiguidade,· PU.da Idade Média ~terior, e podem
. sensibilizar os nossos alunos 1 consci8ncia de um nacionalismo es
.·01arecido, não :f'echadonem exc!usivist&, e 1 de. um universalismo-
.·:húmà.n:!sti:oo,~bos estes perf'eitamente. conciliáveis entre si. e
· ~éroadeiramente f'ormativos. · . ·

, ·,· ..'•·,Para ~e .tal acôriteça e ~O! Lu.s!adas" constituam, :Por•


. :tanto, J)roveitoso elemento .de f'ormaçao do espírito, ,do carácter e
·5' dà..··sensibilidade moral,· nacional e humana dos alunos,. importar(
·' ~c.iiãod~inr :na soínbra al,gtÍn'sdos •pa11sosdo Poema já acima referi:..
. ,d:QiS, clos·.~ais justif'icadaniente se. desprenderão i~eias .e concei-
'.t#f!. básicos;
·;,<..,:.···--.-\·
algtins
--· \ -- -----· .. ·-,. - - - .. - _,_. '..· .'.
dos.;,-· quais
' .. ,• -. - .
talvez convenha
.. -.__---·· --· - '
enumerar aquil

.·á.) louvor do ·h•roÍ11mQ de tunção nacional, mas


. com.·valores universais; .

c;;nvi~ção. dé que o b,~nef'ício da Pá.tria é tamb'm o da


Cristandade {I'ol-ça motr~z dos navéip.dores .e guérreir0s,
'" e f'orça•motriz do pJ:>6prio.Poema}; '

b) ~ialtaçi~. do esf'orç() civilizador. dos Portugueses, ex-


I)fessâlÍlente reconhecido n•.tÍOs tus!adaa" 'Júpiter por
{II,46) e pelo Poeta (VII,15);
·feitos

dp .valor·
~'.i:-minismô;

·: ;c."<l:- /·•.•• · .\ ·.· .. :;•·• ·•······· >


º~D.$~liei:~9âí).
;1······~~· do heroísmo' JJ\ilitar ()U ná1,tt~êo.º·ºIliº .ll.ge'#!il!X
·· .· ~~,d.<i~~aor:~os,
homen.se .comoponto de conçentra,çã9:41V.:'
' ·· ~"V•~1rtU,<ié"
·i~divi.dual ,011· colectiva; · ·' ·.•..· . ···

...
: :'~;E~i-~:f~;::~i~!~~~
,<~).vis~º ±<le~~.a.Os acontéoi~nt~~ hi'3tórió<>s ·J>t~~ri,a .d~g~:.. 1

:nero épico; com·superaçao pelo espfrito dos !i'3Pec'tos vul


gares ou iiifer:fores da-· ~ida humana;
;·..: ,. -- -
· -
Di1>. obstante~· visP'o··cr!ticá e huil)anrstioa da;?JXe:ito.i.e~da<i~
wmsura dás fracrqezà~ ·f d~~91i~ijc ·
".; ººlll a;1()orr~s,p"éinil,~nte
.~ da v+~~ socil.à:fe· n,aciA?~~i.da13·própri~13 1t~iut'~!3yll.~~~~,x'
·.'· eal!l<:Lo1lV:~·d!l.~
(\ ea.n.ta.d~!3.
cornp!~"V,9.l,,eroaas:•,
~~!3 o, ·~~~m'·~"
.· de·equando;·0:,1foram.i···e•éénsí.iradas .onde~':o··m~reei;i;mr ...··.;
• i~é·~~*~!~eiite.~;éés~~~ª·e.e.·;R_ai'àio!.~oe_:~··ae.;~;;efc:it~rL~?·~é~'
·...··.)·.~
· .it' erl:'};7e1:i'!mô ~uman!~t1.eo, .de ;rei'le.ehr sobre o.sentido,r;ia.;.
···\ /.·> ;via~\'8,.da:s;.;41'éçp~13.40!! se)fs
heróis, .ae mul!iplioa,l'.:~~·s:U,i·
1

··'· : ' ·cop~i~g<'·ÇO,~~ f1lo~~f1,c;:!l,s,as .suas reflexoeS' .lJ!ora,7!\I'.•'


~~ .;
\ª'~
',f ..·.·· ceh~1,1ras•i~d'i~~0~e,iséQU\ º;l,ectivas1I • ;" o '.....•.•..•
·.
.,...,~ri!~~~~iji~~~
. <Y .· P?ema.••~x~l~ador ..d,13/ acç~o:':00,m,0;
,:··.,b,oas'•e b~.rrvc):e~eirm~nad~s··êond~ç?es,
1
·1a.mb.J111.49.!'Iv:".~
'ª •poc):eJ!lj(~li
· ·.; ))rov9óa,r..á. sti;à.ê;c;:éitaÇãoé
. . . - ·•... "'' .. .
-
·.10.: uí;róN
- .. -
.
· n. ·
.,_,:,
"·. - . --~

º?p,r;t~~~ol-.~~a~;~
;;\.';.,)·E···;.·•.~~?3i=if~J
i>'(},a!,lloes
-.~. W3,l'~;co,nt.a.
1

de.s,,iptenço1is do Bf111~poema., sl:mul'


=
e%p1iea~··1oé~µe,*ii~.~~,#t·
•m'o~~'til'a~d?.•c:rue;e; a1is*eitô ~~.;e111 ?'8.J:'ªf· se nã;o !rat<i.r ..
Z()]lde ..p.qntos. ª!1-'lie';lteiida,·.na.;r;r:-á'tive, as, :l'?flexoes.,e1•
'71~~ç~s., ~'ci·;Poét~'é<1.';lst·i~1,1ein
•.·é!em.ento,11 ..fy.lldá;ll)e.htais;·.·.
';1~·.·.
obl'a."e/lh.e d4ó pe':i's.PeótiVa.sC[U"e
,_.·- .- sê ·llâo
. .,.''.
pqctem
··- ·-'ignor<i.~~·
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__:exPl icúá·--·~•<f:te~~~é~ac~é~:-- -
-refl:exoes: e comentários- cr:tticps verific,a.da no Poemaj em que 11..:tJ.iir'
~le
~1:1,çâo---~Íi(). 1:i_or;elà :Í)X:6.p_ri9:, como ~m-epopeias ·anier'io:;es-; mas ""'"-,
,tic:i'ap~ef!e11:ta.il1i~i_ríada,.esclarecida-f3 cómpletada•I>i:ir'ººº'.l"den.a<las_-
-- < id~Q16gici.Às.e.1rrórais, acaso discutíveis, mas que o P9eta visi'vel:..
;-/:mefrEe' çonsiderou válidas e indispensáveis. Náo se tratarê'.; ~Óis, -
~---
-•-de uma,c1e~iéi~_ncil!,_estética, segundo o_·parecer e conceito _de-l;)Í'f-'' -
•'.~;;,< tico's que ,tomaram e.s epopeí.aa clássica:s -como padrão e ~Qde'.íà,irJ,a.-o.
~--..moVfveis,- mas M unÍa característica nova corre1monderite '·a um-nOV'O
' ;:;'eonceito d,e ~erofsmo~~ de poesia épica, a uma n~Va ooncepc;i'~oc:r'!..,.-
/·:tica ·•ehumanístic!'l, de hero:lcidade_.
~'.:~::,;.-> -_ -. ,- '. '·. "< ··_:~.-'.:.'..' ---- ' e -_ --
-: 'Por out~o 1ado;_ ~ de observar ai_nda quê muitos ãe,sse.i:i
.:ssps _são' ta.ryibém,_altamente revelad.óres de, capacãdade de e:itPr!!ssão
~r,t.Íst;i:Ça.. de êaniões e que a !111ªbeleza literária acompanha iguil;. ou
yla:'i.1;> de .muitos outros lugares do Poema mais cónhecãdos ou citados";'.
i~ ll'r6prio '.rosf Agostinho de Ma9edo, na obr? que· signifioàtiyamente ·
i:n,t~tu}o~. de ,''Cénilure,_das Lll;SÍadast1,·re.91mheceu, •.apesar Sisso, a -
Jj1'1>f'1111deza..dos· conceitos. e. a beleza fórmal dessas reflex~es·. Por
'Ííiw~vl:Í~.io.c'araeal·Sa.raiva.,.na-sua -"Ap9logia de CamÍÍes", oita~do
·i'~f-lÚé,le!!lbrà-que' "as_ el_oguentes -mora.lida,des. com que<º Poeta ter
\,_.e fu.in~qntise ,todJ;i;s,0s seus ca1ltos são porventura os pa!JsÓs 'maís beiii
,~--tra!bàlh_í;\dosda.sua obrai•. -

- -
e ' •__
-•-·_· .se: esta, porta.nto, deverá ser uma das, mat~rias dé éstudó
~e.·~·qf!LH11J.a:él.2spor 11, isso que não s6 é; fundamental para o e:x:aeto
g-onheÇim,entz,e b?a explicação do P()entacomo também !!.brange po11tds
:d~ -réalfzaçaó li1;erá:l'.ia de a.lto nível, importará agora demora,_.;..nos
:CPºl15ͺ •Jnai~ s_obre as possibiÍidades é processos de ,actuàção .di-
õ~_io!l, 110 que toca. _aeste cà:P,ít11lo de..estuQ.o. ·
>:-_'-'•_-.. _.__
.Ó, -.': :' :,.,.._,
-. ---:'."\"'','- ••

·r.:<. - . ·. - - - -- ;; ·: ·-_ __, - .


· :e , .sem,q~vida, •()er:tos,eomentários breves e· sintéticoe, cer
>~;-~~ff'onemas'e ·epítetos, facilrrtente compreendidos _nó seu -'aigni=
ca.g:õ e•l!-t·ca,p.ce' IJâ:oÔa.recem de exPlicaçÕes ou dei,tenvol'!imen,to
.ewpreta'ftvos.'' :Bastará: que· ó profess-or 'alerte o aluno para' tais
~Ci!s>eo ~evf!!;a·de,teroiinã.r a sua :função pr6pria dentro da nàrra.
- · s:i,!Ilo eÍu:1am~~13,ril: do inte-resse linea.r que esta pod.e euper
1;te'provocar para1 o a.pi)ófundament.odos factos eu pé-rsl)na::
esb0Ço;d~ penetração jii-dicatN~,'..i:~ai :·à)
gene ·apre~ent~.'dp·s,.·num.•
do Poeta, ou .cwta. 1dive:rien'fie por boas e ponlferada:s<razoes·•> ·~·
âg
'·.. r' \ \. Oiltr~e lí.tgares, rio ~entant.o, pela 'impo':rtihi~:La s~ii'~;
s±grii~icaqo, pelo a.Lcance gas auaa reflexões, péla>co111plelçi~ .
de:.á.o~ seu.s ml>tivos,-çi:l.reeem•de .ateiição mais.·deimor~.da.. e. !}.e "'.".'
tr<í,t~ment()'ma.i.scú:i,dado.·Urna, lei ti.ira apress1J.da .e supe:rficial · > ,
feita,' em çáeia/ .~. c()mentário rápi!}.o çcorrente. na.:'a.tila. não se~? ó p;
P():i,a, acpriselMveis: .ou eseie.lei:tur11 domést~ca há-de sez- cii:i'.'da- .z-:

dt;>sa;menteprepareda, com ;eréviae interrogaçoeà orientado,:ra.s e . ·~·


~.s~'iO?l8,d.?.ras da .reflexao do -aLuno (de que este da.rá'co.zrta, in \
· diyl.!lual ()Ueni gr~po, oralmente ou ·por escr'ito) o.u a. l~iture:-ru<'
aula h'á..-desel' p.tente, f! colecti,va ..• capaz de pr-ovooar-da parte'
do al].Írio rea;cÇões concordantes, diac9rdantes ou retic,entes, .crtl.~
"o ·;profe;ssóTse esforça.ré'.. por nele tornar racionà.lmente cr~teri9.
sà.s ê legi.t:l.mainente fundàrÍienta.das, sem que para ta,nto se .demitã ·
do se.u pr6prio parecer ou deixe de contribuir, quando neéessá,;.
rio' para· ci eiiciarecimento final de um problema •

. .A isto ee p~êsta: evidentemente a técnica do debate,


nao totalmente ignorada da escola e.ntiga, mas ultimam.ent.e de'-
_senvolvida, pela didáótica moderna;e cujos efeitos forma,tivos
ll)Uito dependem do tempo disponível, da capacidade da;turma,-, da.'
prepa._i;açâoe autodomínio do profes's~r, para 1?-ão11eimi~cµir .
prejudicialmente, mas tambéin par-ã nao deixar em suspenso; em
ééptico relativismo ou -indeterminaçíi:o total, .o .que exige uma'
visão· esclarecida e 'uma opção consciente.

Pa'ra ta.is debÇ1.tesestão naturalmente 'indica'dos •quase.


'todos .os finais de canto- de "Ós Lusíadas" e alguns out:ros pa,ssós
introdut6rios ou oonoIuaãvoe de,.movimentos mais gerais, d.a nàr,;.
rativa, que já acima foram sinalizadoi;. Por vezes também,.é'
verde.de, uma simples estância j)idicativa, três ou quatro ver-
. seis. ccnce í.tuosoe , um breve ép:Í.fonemasentencioso poderão· oriL
gi~ar, sem imiteis derramamentos, pequenos debates esc Lar-ece-,
dores •. Más, ,tanto num caao como,noutro, será oc<J.sionalmente,
po·ssível ao professor riâo ficar por a.qui e completar. a sua IJ,c-·
·tuáçâ:o formativa, provocando nos ai'unos a s!ntE)se escrita. do '
' que foi'dito e ápur-ado ou, pelo contrário, encamânhe.ndc-Jdspii-
I'ª uma,pequena disserta.ção ora1 ou escrita, que tire quanto' pç)é.
s!vel ao trâbalho destes o carácter de um exercício de elocuçâiõ
ou de redacÇão meramente·.imposto.

, ~ !: que, se a prop6sito de epis6dios salientes da na.rr<'-


tiva. de "0.s Lusfadi:i.s" (depoi~ de estudados no seu signif'icad?,C'.·
na estrutura. da sua. oomposí.çao , nas qua.lí.dades da sue e:x:pressa.,o; '-·1
'"rt:l'.eitica) se pode e deve orientar o a.l.uno para. a 'mah'ifEHita,çãoc-•·'
óralou; por .e~critodas suas àprec;iaçÕes, numà.têntati"a ~di,..;'' ··
rrient(l.rdé'futliros eneaíos de críticá: literária, •tarnbé'rnem·tef~'
·. ção óom os pÓntos de que f'alltmos será aconae Lhãve.l,a Ílii;ia.e.I'1
de fílosofia moral, por muito el emerrtar-que ela seja, mas,,.tâ:q
_;,:.;·
tudo :i:sto Ô,everá, todavia,. ociÍpa.J.'no esfudo
J:.µ~!~d,aíf"
.•..que necessariá.mente t.erá de abranger oµ.t;ros a.s-.
, .'.·.····•··
e sit~~:fazer· il,•putros ..importa,ntes objf)ctivo!l • s6 ..o•·pro:feis.:.
~~r d<li,túrma Pºde:rá ter ·ideia. clara. e razões concretas a,t:í.nentes a
.iipi;o/ reso'].ução .proveitQ!llh. Pretender substituí-lo seria ..utopic111men-
' tei engana,c1()r.Ma.s.t.a título de sugestão exemplificativa, qµe não •·
'/ de: m2delo ou. pa,draQ de actu11ção do9ente, :faremos a~nda .algu.mas ;re.:..
··•
••Jf'10xoe.f!relativas.?·º ;i:pr?yeitament'Q de um paeeo do Poernà, no senti
'•il.P gq.e acíma se procurou definir •• será ele constituído pelos qú.a--
,t:r()'ú;t.timos :vers~s .dl'J.est(tncia_número 105 e pela estê,ncia m!me;rq
-:: 1Q6.d.o canto primeiro de. "Os·Lusíadas", .

·> \ .N~Sta '.1-ltura d.e estudo do Poema, já os alunos térão i"7.


·~e::i.~d.e çme.a .~a.rrii.toi'<,ra.
deste' canto .é cma.se toda Preenchida. pela
pPÍ>siç~o·e ..f<>.vordos \ieuse:s. no. Ol~mpo,,pelas insÚg9.çÕes de ,Ba9Õ
.~ i11te;rvenç9e:sde Vémis,· n()' plan,omitol6gico, enquarrto. no "Qlano
ti P;iiTal'lo.se à.esenvoJ.ve<a t~áiç?:o do XEtq;ttede Jfoçnmbiq:Úe.e. EU~·anun-.
c;c:;la-~,§1.<do,Piloto que este• mesmo.deí::ç.aos na.vega.dores portugueses.
··,,Ji!'s·.oc<J,'s;i.ão
deo P()et11.inter:fe;r;i.r directamente na. nar;re.tiva e d,e
•,,.é; Ptjl,'lsidera;r pelo p;ri.sma.··•
a.as auaa re:f•lexÕes sobre a. it11iegur1mçaí
· .à;,i. yig.à. humana. · ·

, ... •.'.E$ta id.,eiá ceintJ:,ii.1,.··qu.e,·


longe de, apr-eserrt ada , deVerá.
sé~ if.e:duz:i.da,
f>e1o,e!lf():t'ço··
inte;!'pretat,ivo'd.os alunos enca.minJi.a.d()
e ª·\1.X;i.l~a;do
peló professqr, se necessário, não. dispenst> contudo,
;~ ppr iss9 m~smo, a ()ónsi<l.eração c1ealguns pontos de pormenor:

o~e.lá~ é)cp;licilotivo intt'õduzido pelo "que" ocorrente


no '[)rincfpÍo do tercei;ro ver-se e o seu va l or- consecu-.
tivo registado no penúltimo;

inco:t'réeçâo de "aonde" justificada. pela


hist6rico-Unguística dada. pelo px-of'essor;

o Vl'\l9r semâ.ntico de "apercebida" e de "necessida.de'',


qµeizode.rão atraiçoa,x- o entendimento dos alunos,ain~
da. nao i:nteiramente :familia:t'izádos com a linguagem
qláss;i.ca;

~>'rEii,gµif'~ea~o.
p:t'6prio do ;!;ermo!'humano" e a. ele.a.se
'mor:f'ol6gica .da palavra da,:{conae querrte ,

AJ.0aiiça.c10 irlto,J>o;érn' inÍ:~ric1f1.··a: ideia. principa1_e


esta "m lifeµ13e;t~mé!lt9s'Pa~;i.cula;!'eS. de. Siellif'i()a\faO,
à• evidenciai
"•·_: ci. .'·
;:.·.'. ._,.
'· processo
.... exclamativo
-._--· '. . e. i!lter;!'oga-
l
tívó' do- Poeta é:a-:.t·epeticia ut±lizaÇão do qÚa
•"tanto". !-!as·nàc;se deverá f'icar por aqÚí. Impor--
- ~ntar a naturãl ocorrllncía destes pro.ce.ssos·-est~
· SituaÇãe:,- :pi>ícol6gica de qÚe eles obvía.mente·deri _
ó's· alunos prenarados .para· rélerein expresàivame:rité
•ríii:>:
· de_pois d'e o terem' apreendido e séritido devidamente.
··.,<--._,,:,·-<·:_' _ -_:''_ <<_ _- >--_, -,.,;' ' - -._ ' : 'd:--··-~
No en'j;an,to, as.relacionações por ele provoóli;dás _
-l!l~i!longe~_Porveniiurá, terão" -Osalunos já l,;idÓ7·numaci1nÇào
tre Caríio:es;ide-ias setnelliantes a estas e aí terao sentido à apr
senta-ção. individuai de uma situação_ agora general:i.zadá:. tà-rnb~m
contra .o Póeta,- "na sua situação particular, o Cé~ as. Estr!'llaEI
'e :Fadô se·volvem·, "mostrantlo-se· -Potentes e indigna_tios/conira:·
terreno ,_/bicli-oda terra vil e tão pequeno~". · ·

__ . "Mas -será esta uma verdade geral e- absolúta?


s~mpre rimbiclio da terra _vil e. pequeno? O pensam·~
ª'
:éa:l' so,bré- miséria. e à gràndez'a do homempoderá ser
_-
super.l.or~_da,dedeste; ainda.-ém fa_cé do maior oataclism_o, pod
_vir e. prop6sito; _até os versos _de José· Régio, da 11.sã.·rça: A
_-•;;. "b.iélio-da· terra. vil e tâ:o p-e-queno,/quenem sequer apr-en
> _s.erterreno" - poderão· _trazer 'a.,sua contribuiçãq~·-.Há,- .na
_q p'oder·.ilo homemsobre o'Universo, há'.os ·aescobri;ilentos .d
H€dia, \'S _invenções ·científtce.s da Ida.de Contempor5nee, .P
ou 'PI'ováve.is_viagens interpla'netffrias do _riundo ·<>e.tua _
a-mbém a morte no céu,- na. terra. e no. mar, numà tef!Jpe'stade·
:riumaciâente-de viação, na. simules troca. de um f!Jedica;mefnto
ma.J>reve .de\>c<':r'gP·de energi<> el~ctricP.·. O homem- v:rtimP·âo ·
vf'.tCima· das suas pr6jlrÍPs' :tnvençÕes.:.
.•• Em que fica.mos? !J.'em-
rà-zão? Níio '!;em ra7.Íio? Fa.rá.el e um,,,'õ.firmB.g;;-,o
à.tienas parciP
,verdàdeira e
conveÍiiente p!'<,rPo téor .ds sua. narre.tiva.? ·
.- .:: ·- -·-, • -.·: . ·•. ·-·. ·. < -·- ._. .-' .,·.·· .·.·,: ... ·

Àssim'por ei;te ce~inhoou·por ~utro de-ínten


lhartte-s se haverá. .oriente.do o. debate e esclnecído ó p
·não será. a.gÓra.oca.si;;'o de os z-Luricsr-eunãr-em ideia.i;, cé
agp-ectol3-e :fa.zerempor e.scrito uma peqúena disnerteçâ:-0 ·Sl
m1sériá, sobre à. grõ.nd~za ou sobre ? insegurane:a era.vidà.
Ou sobr-e tudo isto? E nâ;o po·derâo servir de título ou sub
de início ou-de fecho, de centro polarizador de comentári!
ou maí,s destes ver-soá de· (Ja_rliões? ·

.. Nemse diga que deste modo se


peilsa:mt:lntàe o sentimento· do'..a.Lujto•
."."lo.s, :provocá-los, enriquecll-101;1_de
ter 'que_dber,. e a_ésejí-.ré PÍCócurar
:fé monotê:tàta, cristã e . .
a implícams I, 21 e 65; II,· 12, 42 e 104; .· ..
e
28 69; IV, 83, 86, 87; V, 12 e 68; VI, 75, (36,~ -
94; VII, 2, 47 e 49; VIII, 30, 45, 46 e 56;
15, 31, 79, 80r 81~ 8~.· 85 e 108•
.:.~oprovidenêíalísmo õu.o simples auxílio dívíno·, com.é> ín
terpretàção ·é e:X:í>lícaçãode fáctos hfst6rícós t, I,; 1); ·
J'I, 30;..32,-:
59 e 82;. III,- 20, 34; 73, 82, 109, 111, 112,
..Ü7; IY; 3, .45, .66; V, 45, 60 e .85; VI, 55, 82.e ·83;'. . -
VII, -31; :VIII, 18 é 29; IX, 5 e 15; X, 20, 29, 38,_ 40
e 118. ·

..:.·rntenÇões e carácter cristãos .de ;i.lgumas


portiigúesas: V, 13; VII, 14, 15 e 25~

_::O e.sf'o;ço cívilizadór dos Port~esess II; 46;


i.. A·hÍ:unl!>#ídade
cqhtrapostà. à brutalidades r, 49.;
.81, 82, 86.;.v, 62: . .

/6 ~ A .Í!lóría,. unícá. e verdadeira rééompensa dos


·-·52 e 93; IV, 78, 19; VII, 56 e 85; ÍX, 39 e
--?. .-·A beléhridáde '!)roduzida. pelos feitos: H,

m~recida.r

83,
portuguesa e, nor vezes, o
32, 33; VIII; B; X, 140.
x,
·22.
imprtid~ncia

Os efeitoi;i sÕciafs da tirania: VII, 8.

:21 "'-ÚSfavQ,res. ou desfavores do Fado e da Fortunas


.e 44.; ÍI, 98; IIIj 120.; VI, 15 e 33. .

.22 :;.A. fo~ça dá Necesj!JiUadesVIII, 7 e 63.

:23 ..,.,4. ~danças IV, 51; V, ,80.

24. _; O.a.provéitamento das b·oa.soportunidades: I, 76.


~ Os de~coMertos <li!. W~turez;!.1III, 138.

-<Os erros•aqq.eestá.si+jei'l;o o juízo humanos

27 -' A gI.6iia de mallMrs . IV,· 57.


'.28- v, Os erros
54; vr,
provocados pelo amors III, 119, 122,,
24·e 89; 1x,
20, 25, 26, 34, 35; x,
i4o..,l43;
49•.
29 _; Os tiiaus efe;ttos da vida· de prazeres: VII, 8.

~o.,; Cbndenaçâo. dos desregramentos sensuaisr VII;

males da cobiça: VÍI, 62; VIII, 59, 92 e •94~


1sedu.tores
- Os efeit'os do..dinheiro: VIII, 6q.

- A :influência da educação paterna: III, 28.

34 _; A venera.ção 'd.os país.: UI, 33•.

- 35.- A condena.Çã,oda ~nversão do amor materno: III7


32•;.

.. 36 ~A werdadei~a coraeem.: I, 68.

I.. A ;Lmpotência.da. ·córagem


inimi{!.'ós: :rv, 35.
~: •' • 1 ' ••

.38 "'".o v~lor a.a: 01.lsa:a.ia.1 'rx, 69.


I, 39,

15.

x, 54.
; A facilidàde em.'encontrar. ·sepultura 1 V, 83•./

O poder da:virtµde: ~· 55,

A verdadeira-e " falsa virtudes X, 113!


Os -falsos missionár.ioss X, 119,

O amor e a. saudade da Pátria: III, 21; V, 3; IX, 13;


16 e 17.

dor do apar-tamerrto s IV, 93,

dos encontros em ·terra estrangeiras VII, 27,


pelos coinpanhéiros de empresa: v, 83.
conf'Lança nos amigost VIII, 85,

provas sociais de amizade: VIII,..


62.
O sent:i\io presságico da vidas I, 84,
Os receids provocados pelas pr6pria.s intenções maldo-
sas: II, 9,

credulidade ne.tural nos. bem intenciona.dosi rr, .16,


.os pe:r:igos: ÍV, 29,
a eapez-anças VIII, 66,

por, vezes único estímulo: V, 66,

desEÍspero: V, 70 e 71,