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23/02/2018 Estudando: Direito Administrativo | Prime Cursos

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ESTUDANDO: DIREITO ADMINISTRATIVO


Órgãos Públicos
O Governo e a Administração, como criações abstratas da Constituição e das leis, atuam por intermédio de suas
entidades (pessoas jurídicas), de seus órgãos (centros de decisão) e de seus agentes (pessoas físicas investidas
em cargos e funções).

Teorias que tentam explicar a manifestação de vontade do Estado através dos Órgãos Públicos:

1) Teoria do Mandado-> "existe um contrato de mandado entre o Estado e o agente, sendo o Estado o mandante
e o agente o mandatário" (mandado é um tipo de contrato que apresenta a figura do mandatário para realizar
tarefas).
Crítica: essa teoria tem a deficiência de não explicar quem representaria o Estado para outorgar esse mandado;

2) Teoria da Representação-> segundo esta teoria, o Estado seria um tutelado ou curatelado e o Agente Público o
seu tutor ou curador, tal como acontece no D. Civil onde determinadas pessoas podem, através da lei, manifestar a
vontade de outras (tutor e curador).

Críticas: 1ª) Sabemos que de acordo com o D. Civil, o tutelado e o curatelado podem manifestar as suas vontades
através do tutor e do curador, respectivamente. No entanto, quando estamos diante da relação Estado-agente, a
vontade é uma só, ou seja, o agente não manifesta o seu desejo; 2ª) No D. Civil existe uma lei que dá a sucessão
de quem será o tutor enquanto que na relação Estado-agente não há essa lei;

3) Teoria Orgânica-> Otto Gierke, buscando a explicação no D. Público, afirma que "a teoria orgânica assenta-se
no D. Constitucional por força de cujas disposições a vontade de determinados indivíduos, os Agentes Públicos,
vale como manifestação de pessoa jurídica de D. Público operando como órgão, ou seja, como instrumento".

O Congresso Nacional tem competência de elaborar leis através de uma vontade do Estado e a Constituição é
quem distribui para uma série de Órgãos Públicos a competência de cada um deles de manifestar a vontade do
Estado.

Esta teoria superou as duas anteriores e foi unanimemente aceita, tendo sido ampliada com a inclusão de 3
correntes:

1ª) corrente subjetiva: segundo Planiol e Ripert, o Órgão Público confunde-se com a pessoa do agente;

2ª) corrente objetiva: segundo Vitta e D´Alessio, o Órgão Público confunde-se com um conjunto de atribuições a
serem desempenhadas, ou seja, Cargo Público;

3ª) corrente técnica: segundo Ranelleti e De Valles, o Órgão Público é constituído de dois elementos
fundamentais: um elemento subjetivo que corresponde ao Agente Público encarregado de manifestar a vontade do
órgão e um segundo elemento objetivo que corresponde ao complexo de atribuições definido na lei, ou seja, Cargo
Público.

Os Órgãos Públicos são elementos despersonalizados incumbidos da realização das atividades do Estado
através de atos praticados por seus agentes. Segundo Hely Lopes Meirelles, Órgão Público é o centro de
competência instituído para o desempenho de funções estatais através de seus Agentes Públicos ocupantes de
cargos públicos cuja atuação é imputada à pessoa jurídica a que pertencem.

Seja o órgão governamental ou administrativo, vai ter cargo e Agente Público. Quando são milhares de cargos
públicos estes cargos podem não estar providos, isto é, podem estar vagos mas o órgão terá a sua existência
independentemente da existência do agente. As tarefas realizadas pelos agentes vão representar a manifestação
da vontade estatal. De acordo com a Constituição, somente a União, os Estados, o DF , os Municípios e as
Autarquias é que são consideradas pessoas jurídicas. Os órgãos não possuem personalidade jurídica, eles só
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podem manifestar a vontade destas pessoas elencadas pela C.F.. Por exemplo, o Estado só pode ser citado na
pessoa do procurador geral do Estado. É ele quem representa judicial e extrajudicialmente o Estado (art. 12 do
CPC).

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