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DIREITO CIVIL I – PARTE GERAL

3º BIMESTRE

Fato jurídico em sentido amplo: • fato jurídico em sentido estrito


• ato: • ato jurídico em sentido amplo: • sentido estrito
• negócio jurídico
• ato ilícito

• fato jurídico em sentido estrito: causas naturais, que apesar de não controlarmos podem
interferir em nossos direitos. São coisas que acontecem naturalmente, sem podermos intervir,
mas é um evento da natureza que vai modificar, criar ou extinguir nossos direitos.

• ato (aquele que tem vontade das partes, todo ato jurídico é lícito, se for ilícito é explícito) jurídico
em sentido amplo

• ato jurídico em sentido estrito: acontecimento em conformidade com a lei. Como por exemplo
a emancipação, pois todos os efeitos da emancipação já estão prescritos na lei, não posso
escolher os efeitos da maioridade.

• negócio jurídico: está dentro dos fatos jurídicos, só acontece a partir da vontade. O contrato é
o negócio jurídico por excelência. O dever jurídico pode nascer de uma relação jurídica
contratual, como uma compra e venda, de uma lei ou de um ato ilícito. Os efeitos são escolhidos
pelas partes, como pagamento e etc. Art. 107, se a lei não falar sobre os efeitos, quem decide
são as partes, ou seja, apenas se for expressamente exigido por lei é que não será decidido
pelas partes, exemplo, registrar imóvel no cartório de imóveis é a lei que assim decide, mas a
negociação não.

× Se preocupar com os artigos a partir do 104.

VALIDADE:

→ Art. 104. A validade do negócio jurídico requer:


I - agente capaz;
II - objeto lícito, possível, determinado ou determinável;
III - forma prescrita ou não defesa em lei.

Deve ter um agente capaz, ser um ato lícito, possível determinado ou determinável, forma
prevista ou não defesa em lei. A validade requer agente capaz, mas não diz que deve ser
relativamente ou totalmente. Qual a incapacidade?

→ Art. 3o São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil:


I - os menores de dezesseis anos;
II - os que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário discernimento para
a prática desses atos;
III - os que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir sua vontade.

→ Art. 4o São incapazes, relativamente a certos atos, ou à maneira de os exercer:


I - os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos;
II - os ébrios habituais, os viciados em tóxicos, e os que, por deficiência mental, tenham o
discernimento reduzido;
III - os excepcionais, sem desenvolvimento mental completo;
IV - os pródigos.
Parágrafo único. A capacidade dos índios será regulada por legislação especial.
→ Art. 116. A manifestação de vontade pelo representante, nos limites de seus poderes, produz
efeitos em relação ao representado.

→ Art. 171. Além dos casos expressamente declarados na lei, é anulável o negócio jurídico:
I - por incapacidade relativa do agente;
II - por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou fraude contra credores.

EXISTÊNCIA: Sujeito, objeto, forma e vontade.

• ato ilícito: art. 186 e 187, dão o fundamento do que é um ato ilícito. A partir desse ato passa a
existir uma obrigação de reparação do dano. No art. 927 é mostrada a obrigação de indenizar
por aquilo que é responsável, pelo dano que causou, independentemente de culpa. Não posso
escolher os efeitos do que fiz, é tudo previsto em lei.

→ Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar
direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.

→ Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede
manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons
costumes.

→ Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a
repará-lo.
Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos
especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano
implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem.

Existência Validade art. 104 Eficácia


- sujeitos - agente capaz (3º, 4º, 166, - condição
- objetos 167, 171) - termo
- forma - objeto lícito, possível e - encargo
- vontade determinável
- forma

Obs: procuração perde a força com a morte da pessoa. Só tem força em negócio jurídico entre
vivos. Após a morte, apenas com testamento.

× O imóvel tem que ser feito por escritura pública.

→ Art. 80. Consideram-se imóveis para os efeitos legais:


I - os direitos reais sobre imóveis e as ações que os asseguram;
II - o direito à sucessão aberta.

→ Art. 108. Não dispondo a lei em contrário, a escritura pública é essencial à validade dos
negócios jurídicos que visem à constituição, transferência, modificação ou renúncia de direitos
reais sobre imóveis de valor superior a trinta vezes o maior salário mínimo vigente no País.

O que é imóvel segue a regra dos imóveis, mas mesmo que eu esteja falando de um carro que
está em uma herança (art. 108), também deve ser feito por escritura pública. Art. 80 e art. 108 –
são iguais nesse parâmetro, é equiparação sempre que se tratar de herança.

→ Art. 111. O silêncio importa anuência, quando as circunstâncias ou os usos o autorizarem, e


não for necessária a declaração de vontade expressa.
Quem cala consente? Não. “Quando as circunstâncias, usos e costumes autorizarem, o silêncio
pode ser interpretado como concordância”. Deveria dizer que depende da situação.

→ Art. 112. Nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção nelas consubstanciada do
que ao sentido literal da linguagem.

Nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção nelas consubstanciada do que ao


sentido literal da linguagem. O legislador privilegia o que você quer fazer.

→ Art. 113. Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos do lugar
de sua celebração.

Levar em conta a boa fé.

REPRESENTAÇÃO:

É uma das formas de fazer algo. Arts. 115 ao 120.


A representação aparece nessa parte do código para dar a ideia de validade da manifestação da
vontade da pessoa. É uma forma de fazer algo e ser valido, caso você não possa ou não queira
fazer.
É o representante quem vai exprimir vontade se o representado não quiser ou não puder
comparecer ao negócio jurídico em questão.
Existem duas formas: legal (imposta) e convencional (feita por meio de convenção)
Exemplos: representação legal – mãe e pai // representação convencional – a pessoa escolheu

• Negócio jurídico com si próprio: quando você compra um apto por um valor e revende por outro
muito maior, pois já sabia que ia haver um investimento ali. É anulável.

• Contrato unilateral: só precisa da vontade de um para tornar o negócio jurídico perfeito.


Exemplo: doação (se não impor a outra parte algum encargo), desde que a coisa doada seja de
pequeno valor e móvel. Promessa de recompensa é um exemplo melhor. Renúncia e testamento
é unilateral.

EFICÁCIA:

• Condição é algo futuro, e incerto. Não tem data certa, e nem sabe-se se realmente irá
acontecer.

Os elementos de validade estão à arbítrio das partes? Não, a lei quem diz, exemplo da
capacidade. Já no caso da eficácia dá para selecionar alguns elementos, exemplo: algo só vai
acontecer se você fizer certa coisa, é são elementos acidentais. Todos os elementos acidentais
são critérios de eficácia. Segue abaixo cláusulas comumente encontradas em doações.

→ Art. 121. Considera-se condição a cláusula que, derivando exclusivamente da vontade das
partes, subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto.

Se nada for dito quando um pai doa um imóvel para um filho, é válido e eficaz ao mesmo tempo.
Não se presume elementos de eficácia, estão ao arbítrio das partes e não do legislador. Pode-
se se jogar os efeitos para frente, condicionado a um evento futuro e incerto.
Condição: art. 121. Subordina o fato do negócio jurídico a evento futuro e incerto.

→ Art. 122. São lícitas, em geral, todas as condições não contrárias à lei, à ordem pública ou
aos bons costumes; entre as condições defesas se incluem as que privarem de todo efeito o
negócio jurídico, ou o sujeitarem ao puro arbítrio de uma das partes.
Deve ser algo lícito, que eu consiga cumprir.

→ Art. 123. Invalidam os negócios jurídicos que lhes são subordinados:


I - as condições física ou juridicamente impossíveis, quando suspensivas;
II - as condições ilícitas, ou de fazer coisa ilícita;
III - as condições incompreensíveis ou contraditórias.

→ Art. 124. Têm-se por inexistentes as condições impossíveis, quando resolutivas, e as de não
fazer coisa impossível.

“Te empresto meu carro enquanto você estiver em Marte.” É resolutiva, mas é impossível, sendo
assim, tira a condição impossível e continua o negócio jurídico.

• Condições suspensivas e resolutivas:

→ Art. 125. Subordinando-se a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva, enquanto


esta se não verificar, não se terá adquirido o direito, a que ele visa.

Negócio jurídico realizado em 23.08.15, e se menciona o dia da colação de grau em tal dia, é um
evento futuro e incerto, se por acaso colarmos grau em 10.10.2018. Até se colar grau fica
suspenso o negócio, ou seja, até eu colar o grau não recebo a casa prometida. Tem efeito infinito,
sem fim. Se for “quando”, é suspensiva.

→ Art. 126. Se alguém dispuser de uma coisa sob condição suspensiva, e, pendente esta, fizer
quanto àquela novas disposições, estas não terão valor, realizada a condição, se com ela forem
incompatíveis.

Uma condição é totalmente incompatível com a outra, e sendo assim não tem como realizar.
Sendo assim, se mantém a primeira, e se exclui a segunda.

→ Art. 127. Se for resolutiva a condição, enquanto esta se não realizar, vigorará o negócio
jurídico, podendo exercer-se desde a conclusão deste o direito por ele estabelecido.

“Você irá morar nesse imóvel até se formar”. Até que a pessoa se forme, ela viverá naquele
imóvel, após a colação de grau, irá ter que se retirar. Tem feito finito e definido, existe um fim,
um término de uma situação. Se for “até que”, é resolutiva.

→ Art. 128. Sobrevindo a condição resolutiva, extingue-se, para todos os efeitos, o direito a que
ela se opõe; mas, se aposta a um negócio de execução continuada ou periódica, a sua
realização, salvo disposição em contrário, não tem eficácia quanto aos atos já praticados, desde
que compatíveis com a natureza da condição pendente e conforme aos ditames de boa-fé.

Você tem o carro até que você leve uma multa, ao levar, é obrigada a devolver o carro. Mas
também não é obrigada, por exemplo, a pagar o aluguel do carro por isso, tudo o que aconteceu
antes é válido. Se quiserem negociar algo novo, será a partir desse acontecimento.

→ Art. 129. Reputa-se verificada, quanto aos efeitos jurídicos, a condição cujo implemento for
maliciosamente obstado pela parte a quem desfavorecer, considerando-se, ao contrário, não
verificada a condição maliciosamente levada a efeito por aquele a quem aproveita o seu
implemento.

Se impõe uma condição, a da colação de grau, por exemplo. No entanto, você fica tentando
impedir que se cumpra essa obrigação, para que maliciosamente a pessoa não consiga e você
não precise cumprir com a sua obrigação. Arrependimento não é causa para invalidade de causa
jurídica. Caso seja comprovada a má fé, o negócio jurídico se tem como concretizado.
× Subrrogação pessoal: trocar um devedor pelo outro. / Subrrogação real: trocar uma coisa
por outra. Exemplo: trocar um apto por outro, por que a pessoa ficou paraplégica, e não pode
subir até o quarto andar sem um elevador. No entanto, é uma cláusula restritiva e tem efeito
imediato. Portanto, não se encaixa aqui.

→ Art. 130. Ao titular do direito eventual, nos casos de condição suspensiva ou resolutiva, é
permitido praticar os atos destinados a conservá-lo.

Posso ajudar a manter o patrimônio do bem que eu provavelmente irei herdar.

→ Art. 131. O termo inicial suspende o exercício, mas não a aquisição do direito.

Exemplo: dia 31.12.2015, evento futuro, porém é certo! Termo é evento futuro e certo, tem data
certa para acontecer. Direito adquirido desde logo, exercício fica suspenso.

→ Art. 132. Salvo disposição legal ou convencional em contrário, computam-se os prazos,


excluído o dia do começo, e incluído o do vencimento.
§ 1o Se o dia do vencimento cair em feriado, considerar-se-á prorrogado o prazo até o seguinte
dia útil.
§ 2o Meado considera-se, em qualquer mês, o seu décimo quinto dia.
§ 3o Os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número do de início, ou no imediato, se
faltar exata correspondência.
§ 4o Os prazos fixados por hora contar-se-ão de minuto a minuto.

→ Art. 133. Nos testamentos, presume-se o prazo em favor do herdeiro, e, nos contratos, em
proveito do devedor, salvo, quanto a esses, se do teor do instrumento, ou das circunstâncias,
resultar que se estabeleceu a benefício do credor, ou de ambos os contratantes.

→ Art. 134. Os negócios jurídicos entre vivos, sem prazo, são exeqüíveis desde logo, salvo se a
execução tiver de ser feita em lugar diverso ou depender de tempo.

→ Art. 135. Ao termo inicial e final aplicam-se, no que couber, as disposições relativas à condição
suspensiva e resolutiva.

→ Art. 136. O encargo não suspende a aquisição nem o exercício do direito, salvo quando
expressamente imposto no negócio jurídico, pelo disponente, como condição suspensiva.

Encargo é uma recessão a liberalidade, não suspende nem o exercício e nem a aquisição do
direito, é modal. Lhe dou algo, mas você tem que fazer outra coisa. Exemplo: lhe dou esse imóvel,
mas você precisa construir uma igreja aqui.
→ Art. 555. A doação pode ser revogada por ingratidão do donatário, ou por inexecução do
encargo.

→ Art. 137. Considera-se não escrito o encargo ilícito ou impossível, salvo se constituir o motivo
determinante da liberalidade, caso em que se invalida o negócio jurídico.

Encargo é restrição à liberdade, existe uma doação modal. Ao receber algo, você também recebe
uma obrigação. Tudo o que necessita ser mantido dá muito trabalho, então é uma doação com
peso. É mais fácil fazer como condição, porque então a pessoa não é dona do negócio, ela
apenas usufrui e você consegue fiscalizar de maneira mais simples. Quando ocorre uma doação
modal, não se tem como controlar o que acontece depois. Tem que então revogar, o que é um
processo muito trabalhoso e extenso.

Questões aula dia 14.09.2015:

1) Condição é o acontecimento futuro e certo de que depende a eficácia do negócio


jurídico.
2) A condição resolutiva suspende o exercício do direito.
3) O termo o inicial suspende a aquisição e o exercício do direito.
4) O encargo não suspende a aquisição nem o exercício do direito.
5) As condições ilícitas invalidam os negócios jurídicos que lhe são subordinados.
6) As condições impossíveis invalidam o negócio jurídico.
7) Em determinadas condições, suspensivas ou resolutivas, é irregular que o titular de
direito eventual pratique ato destinado a conservá-lo.
8) Enquanto a condição suspensiva não se verificar, não se terá adquirido o direito a que
ele visa.
9) O termo final suspende a aquisição e o exercício do direito.
10) O reconhecimento de filiação admite condição, desde que resolutiva.
11) A emancipação admite condição, desde que suspensiva.
12) É licita a clausula que obriga a mudança de religião.
13) São consideradas inexistentes as condições impossíveis quando suspensivas.
14) Encargo é uma restrição imposta por ato de liberalidade.
15) É anulável o negócio jurídico por incapacidade relativa do agente.

4º BIMESTRE:

× Prescrição está vinculada diretamente ao direito subjetivo e nasce da violação desse direito,
sempre questões monetárias, nunca conectada a direitos da capacidade. Todos os direitos de
crédito são prescrição. Decadência também é um instituto que se instigue com o tempo, no
entanto, é um direito que eu me manifesto sozinho, como dolo, erro, coação, são direitos
decadenciais (4 anos). É decadência porque posso entrar na justiça indiferente do outro, e a
prescrição só vai ocorrer se ocorrer uma violação (de um pagamento por exemplo).

Na prescrição extingue o direito de pedir em juízo, mas o direito não se extingue, não existe mais
a possibilidade de agir. Já na decadência se extingue o próprio direito.

Art. 194. Impossibilidade de a prescrição ser declarada de ofício, desde 2006.


A regra sempre protege o incapaz.
Impedimento é a impossibilidade de começar a contar o prazo.
Suspensão é parar o prazo depois que já começou a correr. O que passou, passou.

A decadência pode ser convencionada pelas partes. Exemplo: quando você faz um contrato e
escolhe o prazo.
Art. 210. Se for convencionada você pode renunciar e o juiz não pode reconhecer de juízo.

Incapacidades, a partir do negócio jurídico (2º semestre)