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1. PROPOSTA DE REDAÇÃO

Tema 1

No mundo contemporâneo, cada vez mais a temática da “intolerância” tem assumido


notoriedade. Frequentemente, somos abordados por notícias envolvendo alguma prática de
intolerância, manifestada sob formas inclusive violentas. Agressões contra minorias sexuais,
étnicas ou religiosas, por exemplo, não são raras e nos levam a questionar que rumos a
humanidade tem tomado, quando se fala tanto sobre a necessidade de um maior respeito às
diferenças individuais e sociais.
Leia, atentamente, os textos a seguir. Trata-se de matérias jornalísticas que retratam bem como
a intolerância tem se tornado um agravante no nosso cotidiano.

Texto I
Polícia investiga ação de skinheads contra gays no Rio de Janeiro
Italo Nogueira

Cartazes em defesa do “orgulho hétero” e cartilhas contra o projeto que criminaliza a homofobia
foram espalhados pela periferia do Rio por grupos de skinheads. Para a polícia do Rio, essas
gangues são responsáveis por uma série de ataques a homossexuais da zona sul do Rio, em
Nova Iguaçu, São Gonçalo e Niterói. A polícia diz não saber quantos gays foram vítimas dos
skinheads, que se organizam pela web. Mas apura se Alexandre Ivo, 14, torturado e morto há
duas semanas em São Gonçalo, foi vítima de ataque homofóbico.
Ele e amigos participavam de uma festa quando começou uma discussão com outro grupo.
Após a briga, com agressões verbais e físicas, os amigos de Alexandre foram à delegacia
registrar queixa e voltaram para a festa. Por volta de 1h30, o menino foi embora sozinho. Não
foi mais visto. No dia seguinte, seu corpo foi achado em um terreno baldio. Havia sido asfixiado
e tinha lesões no crânio, possivelmente causadas por pedradas e agressões com barras de
ferro.
A polícia chegou aos suspeitos pelo Disque-Denúncia e apura se o crime foi motivado por
homofobia ou pela briga. Para a mãe de Ivo, Angélica Vidal Ivo, 40, ele “sofreu a agressão por
conviver com homossexuais”. Os três envolvidos, Allan Siqueira de Freitas, 22, André Luiz
Maçole, 23, Eric DeBruim, 22, presos preventivamente, negam o crime e ligação com
skinheads. A Secretaria Estadual de Direitos Humanos do Rio acompanha as investigações e
ONGs organizaram passeata contra o crime. Amigos de Ivo dizem, porém, que foram
ameaçados. “Uma pessoa me ligou e disse que ia me matar se eu viesse”, disse um rapaz. A
Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática diz fazer rondas sistemáticas para tirar do
ar sites que defendam a homofobia. “Conseguimos tirar quando há defesa clara a agressões ou
assassinatos, por ser incitação ao crime. Mas uma lei contra a homofobia, como existe contra o
racismo, facilitaria nossa ação”, diz a delegada Helen Sardenberg.

Folha de São Paulo Online. 6 de julho de 2010. Disponível em:


http://criasnoticias.wordpress.com/2010/07/07/
policia-investiga-acao-de-skinheads-contra-gays-no-rio-de-janeiro/

Texto II

Missão de investigação sobre casos de intolerância religiosa em escolas do Rio de


Janeiro
Relatoria do Direito Humano à Educação deu início ontem (4/5) à missão de investigação

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sobre casos de intolerância religiosa em escolas do Rio de Janeiro.


Centro de Integração da Cultura Afro-Brasileira

A viagem integra a missão nacional “Educação e Racismo no Brasil”, a ser realizada em 2010
em vários estados. Além da problemática da intolerância religiosa contra estudantes, famílias e
profissionais de educação vinculados ao candomblé, à umbanda e a outras religiões de matriz
africana, a missão nacional 2010 abordará outros casos de racismo no cotidiano das unidades
educacionais (das creches a universidades) e a situação da educação em áreas
remanescentes de quilombos.
A missão sobre intolerância religiosa no Rio de Janeiro ocorre até amanhã (6/5) e ouvirá
lideranças religiosas, estudantes e familiares, pesquisadores(as) e autoridades do Ministério
Público e da Segurança Pública. Ontem, a equipe da Relatoria foi recebida em audiência pela
Secretária Estadual de Educação, Teresa Porto, e por sua equipe e visitou terreiros de
candomblé na região metropolitana. A missão conta com o apoio da Comissão de Combate à
Intolerância Religiosa do Rio de Janeiro.
"Submetida a um pacto de silêncio, a discriminação e violência históricas contra pessoas
adeptas de religiões de matriz africana sofre de profunda invisibilidade no debate educacional.
As denúncias apontam que ela vem aumentando em decorrência do crescimento de
determinados grupos neopentecostais nas periferias das cidades e de seu poder midiático; da
ambiguidade das políticas educacionais com relação à defesa explícita da laicidade do Estado
e do insuficiente investimento na implementação da lei 10.639/2003 que tornou obrigatório o
ensino da história e da cultura africana e afro-brasileira em toda a educação básica", afirma
Denise Carreira, Relatora Nacional de Educação.
Entre as denúncias que chegaram à Relatoria de diversas regiões do país encontram-se casos
de violência física (socos e até apedrejamento) contra estudantes; demissão ou afastamento de
profissionais de educação adeptos de religiões de matriz africana ou que abordaram conteúdos
dessas religiões em classe; proibição de uso de livros e do ensino da capoeira em espaço
escolar; desigualdade no acesso a dependências escolares por parte de lideranças religiosas,
em prejuízo das vinculadas à matriz africana; omissão diante da discriminação ou abuso de
atribuições por parte de professores e diretores etc. Essas situações, muitas vezes, levam
estudantes à repetência, evasão ou solicitação de transferência para outras unidades
educacionais, comprometem a autoestima e contribuem para o baixo desempenho escolar.
As informações da missão ao Rio de Janeiro e de outros estados farão parte do relatório
nacional, que será apresentado pela Relatoria ao Congresso Nacional, ao Conselho Nacional
de Educação, ao Ministério Público Federal, às autoridades educacionais, aos organismos das
Nações Unidas e às instâncias internacionais de direitos humanos.

Publicado em 5 de maio de 2010. Disponível em: http://portalciafro.org.br/index.php?


option=com content&task=view&id=432&Itemid=39

Lidos os dois textos, escreva um texto dissertativo-argumentativo em que você exponha as


suas reflexões acerca do seguinte tema:

AS VÁRIAS FACES DA INTOLERÂNCIA NO MUNDO CONTEMPORÂNEO

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Gabarito:

Resposta da questão 1:
Após a leitura dos textos que servem de apoio para a elaboração de uma dissertação
argumentativa e valendo-se de informações amplamente noticiadas pela mídia, poderiam
ser ressaltados alguns fatos reveladores das inúmeras facetas que a intolerância
apresenta no mundo contemporâneo, possíveis causas e consequências.

A questão da intolerância- econômica, política, religiosa, sexual, linguística- é


fundamentalmente cultural e intensificou-se nos últimos tempos. Os processos da globalização
desencadeados pelas novas tecnologias exigem um entrecruzamento de várias culturas que
não se restringe apenas ao fluxo global de informações entre pessoas, mas também entre
sistemas econômicos, onde a lógica do mercado de capitais se impõe. O abismo da
desigualdade social se amplia e o preconceito e a intolerância, aberto ou dissimulado, tende
também a perdurar.

Em nome da segurança, o homem aceita racionalmente a intolerância do Estado contra outros


povos e culturas que ameaçam a ordem interna ou prejudicam seus interesses econômicos.
Conflitos bélicos, invasões de territórios, embargos econômicos são justificados através da
visão maniqueísta do mundo, em que uns são disseminadores do Mal e outros os paladinos do
Bem. Os atentados de 11 de setembro em Nova Iorque foram logo associados à ideia de que
quem se opõe aos interesses geopolíticos ou religiosos do mundo dito “civilizado” constitui
adversário que deve ser destruído.

Se na Idade Média, a intolerância religiosa se intensificou contra os judeus e os heréticos em


geral, na atualidade, ações como a de Anders Behring Breivik, norueguês que cometeu o
atentado terrorista na ilha de Utoeya, revelam convicções que atribuem superioridade a alguns
de acordo com a matriz racial.

No Brasil, a pobreza, herança ainda não apagada do passado da escravidão, é indesejável e


ações antimendigo proliferam nas cidades onde pobre é sinônimo de lixo. Em muitas delas,
bancos com braçadeiras especiais e vasos nas calçadas afastam os sem-teto e cercas de
vedação de lagos e chafarizes impedem-nos de tomar banho. O preconceito linguístico valoriza
a língua culta, acessível apenas a uma faixa restrita da sociedade, e é vista como ponte para a
ascensão social onde quem não a domina é marginalizado ou ridicularizado.
A Constituição de 1988 tornou a prática do racismo crime sujeito à pena de prisão, mas
estatísticas revelam que crimes motivados por homofobia cresceram absurdamente no Brasil.

A intolerância propaga-se de maneira intensa pelo mundo digital. Milhares de sites


e comunidades virtuais escapam da fiscalização, disseminam o ódio e estimulam atitudes
agressivas ou repressoras para com as diferenças de outrem relativamente à etnia, opinião ou
modo de vida. Mesmo quando alguns são punidos e encerrados, reaparecem em outros
provedores com total impunidade.

Se a cultura foi criada pelo homem para a sobrevivência da espécie, não pode haver espaço
para atitudes que contribuam para a sua destruição. Portanto, quando alguém se apropria de
convicções para a negação do outro, é preciso intervenção. Para isso, é urgente o acesso geral
e irrestrito da população ao ensino público de qualidade e que, em todos os níveis escolares, o
respeito aos direitos humanos seja a base formativa do futuro cidadão. Paralelamente, a
criação de leis que desestimulem os infratores, maior rigor da Polícia e da Justiça e
conscientização social para denunciar todo e qualquer tipo de ato discriminatório contribuirão
também para uma sociedade mais justa.

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Resumo das questões selecionadas nesta atividade

Data de elaboração: 22/04/2018 às 13:16


Nome do arquivo: redação simulado epcar

Legenda:
Q/Prova = número da questão na prova
Q/DB = número da questão no banco de dados do SuperPro®

Q/prova Q/DB Grau/Dif. Matéria Fonte Tipo

1.............106375.....Média.............Português......G1 - cftrj/2011.......................Analítica

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