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RESENHA

fato de o computador poder executar a seqüência de comandos que foi fornecida significa que ele
está fazendo mais do que servir para representar idéias. Ele está sendo um elo importante no ciclo
de ações descrição-execução-reflexão-depuração, que pode favorecer o processo de construção de
conhecimento
A aprendizagem decorrente tem sido explicada em termos de ações, que tanto o aprendiz quanto o
computador executam, as quais auxiliam a compreensão de como o aprendiz constrói novos
conhecimentos: como o aprendiz, durante o processo de resolução de uma tarefa, passa de um nível
inicial de conhecimento para outros mais elaborados.
O ciclo de ações pode ser identificado como a descrição da solução do problema usando comandos
da linguagem de programação; a execução desses programas, apresentando na tela um resultado. O
aluno pode usar estas informações para realizar uma reflexão sobre o que ele intencionava e o que
está sendo produzido, acarretando diversos níveis de abstração: abstração empírica, abstração
pseudo-empírica e abstração reflexionante (PIAGET, 1995; PIAGET, 1997b; MANTOAN, 1994); e
essa reflexão pode acarretar a depuração do programa quando o resultado obtido é diferente da sua
intenção original. A depuração pode ser em termos de alguma convenção da linguagem de
programação, sobre um conceito envolvido no problema em questão (o aluno não sabe sobre
ângulo), ou ainda sobre estratégias (o aluno não sabe como usar técnicas de resolução de
problemas). A depuração implica uma nova descrição e, assim, sucessivamente, repetindo o ciclo
descrição-execução-reflexão-depuração-descrição.
Em algumas situações, o aluno pode não dispor do conhecimento necessário para progredir e isto
significa abortar o ciclo.

A proposta construcionista de (PAPERT, 1994) ao empregar o computador como


ferramenta para construção do conhecimento possibilita o desenvolvimento da forma
autônoma de pensar do aluno. Neste processo, o desenvolvimento da ação pedagógica de
aprendizagem possibilita o uso pedagógico do computador, com os princípios construcionista.

O autor referido apresentou os princípios que fundamentam e permitem a criação de novas


situações de aprendizagem (apud ALMEIDA, 2000).
Inicialmente a teoria construcionista de Papert foi utilizada no computador com o uso
da linguagem de ‘programação Logo’ e, com a evolução das tecnologias, atingiu diferentes
ambientes educacionais. O conceito do construcionismo foi ampliado por Valente (1999), ao
especificar os elementos que constituem o “ciclo descrição-execução-reflexão-depuraçãodescrição”
(p. 93). As ações pedagógicas do ciclo são:
a) Descrição da resolução do problema: O aluno utiliza todas as estruturas dos
conhecimentos que possui para representar e explicitar as etapas da resolução do problema em
termos da linguagem de programação do computador.
b) Execução dessa descrição pelo computador: ao realizar a execução da atividade, o
aluno consegue um ‘feedback’ fiel e imediato, com um resultado obtido somente daquilo que
foi solicitado ao computador.
d) Reflexão sobre o que foi produzido pelo computador: O aluno, ao refletir sobre o
que foi executado no computador, nos diversos níveis de abstração, pode provocar alterações
em sua estrutura mental. No nível de abstração empírica, que é o nível mais simples, o aluno
age sobre o objeto, extraindo informações tais como: a cor e a forma do mesmo. No nível de
abstração pseudo-empírica o aluno pode deduzir algum conhecimento da sua ação ou do
objeto. Na abstração reflexionante o aluno pensa sobre suas próprias idéias. O processo de
reflexão sobre o resultado do programa pode acarretar uma das seguintes ações: o aluno não
modifica seu procedimento porque sua idéia inicial sobre a resolução do problema corresponde ao
resultado apresentado pelo computador e, então, o problema está resolvido; ou
ele depura o procedimento, quando o resultado apresenta-se diferente da sua intenção inicial.
e) Depuração dos conhecimentos por intermédio da busca de novas informações ou do
pensar: O processo de depuração acontece quando o aluno busca novas informações
(conceitos, convenção de programação) em outros locais e essa informação é assimilada pela
estrutura mental, passando a ser conhecimento e pode ser utilizada no programa para
modificar a descrição definida anteriormente. Nesse momento repete-se o ciclo descriçãoexecução-
reflexão-depuração-descrição. O computador é visto como uma ferramenta para
resolver problemas.

As inter-relações que se estabelecem entre o aluno, o professor, a tecnologia e os


demais recursos disponíveis, constituem o ambiente de aprendizagem em que o computador
funciona como um elemento de interação que propicia o desenvolvimento da autonomia do
aluno. Isto é, não direcionando sua ação, mas auxiliando-o na construção do conhecimento de
distintas áreas do saber, por meio de explorações, experimentações e descobertas

Dessa forma, se permite que o aluno, ao depurar o seu programa, possa inserir novos
conceitos ou estratégias. Depois de ter feito as alterações na descrição do programa, ele é
novamente executado e o ciclo descrição-execução-reflexão-depuração-descrição se repete
em um nível superior ao inicial, até atingir o resultado satisfatório

A construção do conhecimento solicita que o professor trabalhe sob a ótica da


aprendizagem ativa. “A interação que se estabelece entre as ações do aluno e a resposta [que
surge na tela] do computador promove a participação ativa do aluno” (ALMEIDA, 2000, p.
34), buscando sua autonomia no processo de aprendizagem. Esse conhecimento pode ser
compartilhado ou não com o professor e/ou com os colegas.

O professor, quando pretende que seu trabalho seja fundamentado na construção do


conhecimento, precisa assumir uma teoria pedagógica que oriente o aluno no
desenvolvimento do próprio conhecimento. Neste sentido, a abordagem construcionista

Segundo Pozo (1998), a característica mais importante do processamento da informação é a composição


recursiva dos processos cognitivos. Ou seja, para que haja entendimento acerca de um processo
cognitivo faz-se necessária a sua decomposição nas suas unidades mínimas componentes. São estas
unidades mínimas que ao unirem-se formam um programa. Estas unidades componentes ou sub-
processos nas quais se decompõe um programa ou processo requerem tempo de forma serial e aditiva.
Além disto, estas diferentes partes do processo cognitivo são independentes entre si. Então, os processos
cognitivos para serem estudados devem, segundo a abordagem do processamento da informação, ser
decompostos em operações mais simples.

Segundo Pozo (1998), a característica mais importante do processamento da informação é a composição


recursiva dos processos cognitivos. Ou seja, para que haja entendimento acerca de um processo
cognitivo faz-se necessária a sua decomposição nas suas unidades mínimas componentes.

Portanto, o valor educacional da programação de modo geral, está no fato de que um programa representa
descrições escritas de um processo de pensamento, o qual pode ser examinado, discutido com outros e depurado.
Nesse sentido, a programação pode ser vista como uma janela para a mente.

Esse processo tem como base duas concepções o “estar junto virtual”,
caracteriza-se como uma concepção de educação pautada na colaboração, construção
coletiva do conhecimento mediado pela tecnologia e da “espiral de aprendizagem”, que
tem como base “A ideia de ciclo de movimentos contínuos para novas compreensões –
é central nas teorias que propõem a aprendizagem como processo de construção do
conhecimento que há na interação do sujeito com o seu meio”
Tais teorias concebem a tecnologia como elemento que potencializa o processo
de construção do conhecimento tendo como referência a colaboração, a reflexão, a
recontextualização, a interação e o desenvolvimento do processo de apropriação da
aprendizagem em ciclos, não fechados, ou seja, em espiral ascendente.;

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