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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE - FURG

ESCOLA DE QUÍMICA E ALIMENTOS – EQA


Disciplina de Bioprocessos em Alimentos

Jéssica Teixeira da Silveira


• Graduação: Engenharia Bioquímica
• Mestranda em Engenharia e Ciência de Alimentos (2º ano)

• Contato: jessicatsilveira@hotmail.com
• Laboratório de Engenharia Bioquímica (LEB)
Tópicos abordados:
• Aulas de 03/09 a 23/10 • Aeração e agitação
• Segundas - 15h30min até 17h10min • Otimização de Bioprocessos
• Terças - 13h30min até 15h10min • Produção de enzimas
• 17/9 e 18/9 – SAEQA
• 01/10 e 02/10 – MPU

• PROVA: 08/10

Rio Grande, 2018


UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE - FURG
ESCOLA DE QUÍMICA E ALIMENTOS – EQA
Disciplina de Bioprocessos em Alimentos

AERAÇÃO E AGITAÇÃO

Jéssica Teixeira da Silveira


jessicatsilveira@hotmail.com

Rio Grande, 2018


LIVROS:
PROCESSOS AERÓBIOS:

• Antibióticos
• Enzimas
• Vitaminas
• Fermentos e inoculantes
• Proteínas recombinantes (hormônios de crescimento, insulina, etc.)
• Cultivo de células animais para produção de produtos
• Obtenção de vacinas
• Tratamento biológico de águas residuais
Processos envolvendo células aeróbias

O2 fase gasosa O2 fase


líquida

Injeção de ar Microrganismo
PROCESSO FERMENTATIVO AERÓBIO

Bioquimicamente:

• Coenzimas da reação de desidrogenação


• Armazenamento de energia
• Síntese de moléculas

C6H12O6 + 6O2 → 6CO2 + 6H2O

Elevadas Alta velocidade de


Alto consumo de
Cultivo eficiente velocidades de consumo de
O2
crescimento celular carbono
SISTEMAS DE TRANSFERÊNCIA DE O 2

• Superfície ou profundidade – várias formas


• Algumas mais eficientes na aeração
• Menos eficientes, outras vantagens – menor cisalhamento de
células
• Unidade vazão de ar: min-1 ou vvm (volume de área por
volume de meio por minuto)
SISTEMAS DE TRANSFERÊNCIA DE O 2

1 Reator bandeja ou lagoa


✓ Superfície
✓ Contato com ar atmosférico
SISTEMAS DE TRANSFERÊNCIA DE O 2

2 Reator de leito fixo


✓ Superfície
✓ Células imobilizadas
REATORES SUPERFÍCIE

• Sistemas contínuos
• Mais econômicos
• Reuso do agente operacional
• Operações mais demoradas
SISTEMAS DE TRANSFERÊNCIA DE O 2

3 Coluna de bolhas
✓ Profundidade
✓ Somente borbulhamento de ar
✓ Transferência de O2 e agitação
SISTEMAS DE TRANSFERÊNCIA DE O 2

4 Air-lift
✓ Profundidade
✓ Movimento cíclico do ar
✓ Tubo difusor central onde é inserido o ar
REATORES APENAS AERADOS

• Menor cisalhamento que reatores agitados


• Simplifica construção do reator
• Economia de energia
• Maior altura bem superior ao diâmetro = maior tempo de residência do ar
em contato com o líquido
• Menos formação de espuma
SISTEMAS DE TRANSFERÊNCIA DE O 2

5 Tanque agitado e aerado

✓ STR: “stirred tank reactor”


✓ Mais comum industrialmente
✓ Profundidade
✓ Altura = diâmetro
✓ Impelidor tibo turbina
✓ Chicanas para evitar vórtice
SISTEMAS DE TRANSFERÊNCIA DE O 2

6 Draught-tube
✓ Profundidade
✓ Impelidor no interior de um duto
✓ Formação de vórtice
✓ Sistema que causa maior cisalhamento nas células
REATORES AGITADOS E AERADOS

• Maior cisalhamento de células


• Melhor homogeneização
• Suspensão de sólidos
• Líquidos mais viscosos
AGITADORES/ TURBINAS/ IMPELIDORES

Funções: Características:
• Homogeneização do meio • Relação diâmetro da turbina com diâmetro do reator
• Mistura das fases • Quantidade de agitadores
• Dispersão do ar • Localização
• Transferência de O2 e calor • Posição das pás
• Suspensão de sólidos • Tipos

Performance:
Dispersão de altos Transferência de calor
Tempo de mistura
volumes de ar
TIPOS DE AGITADORES

1 – Âncora
2 – Hélice
3 – Turbina de disco com 6 pás planas
ou turbina de Rushton
4 – Remo
5 – Âncora para fluxo radial
1 2 3 6 -Helicoidal

4 5 6
FATORES QUE AFETAM A EFICIÊNCIA DO
AGITADOR

1 – Agitador inundado (“impeller flooding”) – baixa velocidade do agitador, alta alimentação de gás
2 – Agitador carregado (“impeller loading”) – alta velocidade do agitador, baixa alimentação de gás
3 – Dispersão completa – velocidade e alimentação de gás adequadas
QUAL O OBJETIVO PRINCIPAL DE UM SISTEMA DE
AERAÇÃO E AGITAÇÃO?

Fornecimento de oxigênio para a manutenção de uma dada


atividade respiratória de um certo conjunto de células.

Transferência de O2:
Transferir Dissolver O2 chegue O2 penetre O2 seja
O2 fase Fase líquida O2 no as células nessas consumido
gasosa meio suspensas células na reação
CONSIDERAR PARA EFICIENTE
TRANSFERÊNCIA DE O 2

• O2 deve ser fornecido durante todo o processo;


• Deve ser compatível com escala e densidade celular;
• Sempre deve ser mantida o sistema biológico em condições de aerobiose;
• Bolhas pequenas (de 2 a 3 mm) são melhores, pois aumentam a interface de
contato e tem maior tempo de residência no meio líquido, mas não menores
que 1 mm (ficam estagnadas);
• Bolhas grandes (> 3 mm) coalescência;
• O2 é muito pouco solúvel em água.
CONCENTRAÇÃO DE O 2 DISSOLVIDO
EM SOLUÇÕES SATURADAS
PRESSÃO PARCIAL DE O 2

AUMENTO DA
PRESSÃO
PARCIAL DE O2
NA FASE
GASOSA
PRESSÃO PARCIAL DE O 2

AUMENTO DA
PRESSÃO
PARCIAL DE O2
NA FASE
GASOSA

Enriquecimento
do ar com O2
PRESSÃO PARCIAL DE O 2

AUMENTO DA
PRESSÃO
PARCIAL DE O2
NA FASE
GASOSA

Enriquecimento
do ar com O2

Inibição celular
TEMPERATURA

AUMENTO DA
TEMPERATURA
TEMPERATURA

AUMENTO DA
TEMPERATURA

Diminuir
temperatura
TEMPERATURA

AUMENTO DA
TEMPERATURA

Diminuir
temperatura

Maioria dos
processos fermentativos
de 30 – 40 °C
CONCENTRAÇÃO DE SAIS

AUMENTO DA
CONCENTRAÇÃO
DE SAL
CONCENTRAÇÃO DE SAIS

AUMENTO DA
CONCENTRAÇÃO
DE SAL

Não usar sais


CONCENTRAÇÃO DE SAIS

AUMENTO DA
CONCENTRAÇÃO
DE SAL

Não usar sais

Essenciais nos
meios de cultivos de
micro-organismos
COMO CALCULAR A CONCENTRAÇÃO
DE SATURAÇÃO DE O 2 ?

• Mudança na composição química do meio de cultura é alterada a todo o instante e da mesma forma a
concentração de oxigênio dissolvida na saturação

LEI DE HENRY: 𝑪𝒔 = 𝑯. 𝒑𝒈 ou 𝑪𝒔 = 𝑯. 𝒙𝑶𝟐 . 𝑷


Onde:
Cs = concentração de oxigênio na saturação (gO2/m3)
H = constante de Henry (gO2/m3. atm)
pg = pressão parcial de O2 na fase gasosa (atm) = xO2.P
xO2 = fração molar ou volumétrica do O2 no gás
P = pressão total do gás (atm)

Se a composição química do meio variar, a constante de Henry também mudará!


TRANSFERÊNCIA DE O 2

Transferência do Difusão do O2
Consumo do O2
gás para o líquido até a célula
TRANSFERÊNCIA DO GÁS PARA O LÍQUIDO

Resistências:

1 – película gasosa estagnada

2- interface gás-líquido

3- película líquida estagnada ao


redor da bolha de gás
TRANSFERÊNCIA DO GÁS PARA O LÍQUIDO

Resistências:

1 – película gasosa estagnada

2- interface gás-líquido

3- película líquida estagnada ao


redor da bolha de gás

Resistências 1 e 2
podem ser
desprezadas em
virtude da intensa
movimentação das
moléculas na fase
gasosa
TRANSFERÊNCIA DE O 2

Levando em consideração a resistência associada à película líquida:

TRANSFERÊNCIA DE O2: Na =kL a (Ca∗L−CaL) ou NO = kLa Cs∗ −C


2
Onde:
gmol
• Na = NO = taxa volumétrica de transferência de massa
2 m3 .s
• k L a = coeficiente volumétrico de transferência de O2 (h-1)
kL = coeficiente de transferência de massa da película líquida (m2)
a=área de transferência de massa por unidade de volume (m-1)
• (Ca∗L −CaL ) = Cs∗ −C = gradiente = força motriz
Ca∗L = Cs∗ = solubilidade do oxigênio no meio líquido/ concentração de saturação/ máximo O2 que consegue
armazenar no meio
kg
CaL =C=concentração de oxigênio no meio
m3
FATORES QUE AFETAM A TRANSFERÊNCIA DE O 2

Enriquecer P no Vazão de
Agitação
O2 fermentador aeração
Rompimento e
Acúmulo de bolhas de
Lei de Henry Lei de Henry dispersão de mais
ar no líquido
bolhas de ar

a = área interfacial a = área interfacial


Cs =H.xO . P Cs =H.xO . P líquido-gás por unidade líquido-gás por unidade
2 2
de volume de volume

Redução da espessura maior arraste de CO2


Gradiente Gradiente do filme produzido

kL = coeficiente de
Cs∗ −C Cs∗ −C transferência de massa Cs =H.xO . P
2
da película líquida
DIFUSÃO DE O 2 ATÉ A CÉLULA

Resistências:

4 – difusão do O2 até as células


DIFUSÃO DE O 2 ATÉ A CÉLULA

Resistências:

4 – difusão do O2 até as células

Resistência 4 pode
ser desprezada se o
líquido estiver
suficientemente
agitado.
CONSUMO DE O 2 PELA CÉLULAR

Resistências:

5 – película líquida em torno da


célula
6 – membrana celular
7 – difusão do O2 no citoplasma
8 – velocidade da reação de
consumo de O2
CONSUMO DE O 2 PELA CÉLULA

Resistências:

5 – película líquida em torno da


célula
6 – membrana celular
7 – citoplasma
8 – velocidade da reação de
consumo de O2

Resistências 5 e 7
podem ser
desprezadas devido
pequenas dimensões
da célula e enorme
área exposta ao
líquido. A resistência 6
pelo mecanismo de
difusão de O2 pela
membrana.
RESPIRAÇÃO MICROBIANA

Levando em consideração o consumo de oxigênio dissolvido:


𝟏 𝒅𝑶𝟐
VELOCIDADE ESPECÍFICA DE RESPIRAÇÃO (qO2): 𝒒𝑶𝟐 = .
𝑿 𝒅𝒕
Onde:
• qO2 = velocidade específica de respiração (gO2 gcel-1 h-1)
• X = Concentração celular (gcel m-³)
• (dO2/dt) = velocidade de consumo de O2 (gO2 m-³ h-1)

TAXA VOLUMÉTRICA DE CONSUMO DE O2 (QO2): 𝑸𝑶𝟐 = 𝒒𝑶𝟐 . 𝑿

Dada pelas características biológicas do sistema: microrganismo, composição do


meio, condições de fermentação, etc.
CONCENTRAÇÃO CRÍTICA DE O 2

Manutenção da
concentração de O2
dissolvido acima da
concentração crítica

qO2 é constante e máximo

O2 não pode ser um


limitante no processo!
Depende do microrganismo