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XIII SEMANA PPGFIL

UERJ

Rio de Janeiro
2017
XIII SEMANA PPGFIL UERJ

CADERNOS DE RESUMOS

Comissão Organizadora

Ana Flávia Eccard


Juliane Bianchi
Rafaela Nobrega
Rebeca Louzada
Roberta Damasceno
Verena Seelaender

Rio de Janeiro
2017

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Programação Completa –XIII Semana PPGFIL UERJ

Segunda-feira Terça-feira Quarta-feira Quinta-feira Terça-feira


(24/04) (25/04) (26/04) (27/04) (02/05)

Mesa 1 Mesa 7 Mesa 16 Mesa 26


de 9h a
11h30
Mesa 2 Mesa 8 Mesa 17 Mesa 27

Mesa 9 Mesa 18 Mesa 28 Conferência de


Conferência de
encerramento
de 11h30 abertura
Prof. Danilo
a 13h10 Prof. Fabiano
Marcondes
Lemos (UERJ) Mesa 10 Mesa 19 Mesa 29 (PUC-Rio e UFF)

Mesa Visitante:
Prof. Alberto Mesa 11 Mesa 20 Mesa 30 Mesa 36
de 14h a López (UNAM) e
15h30 Profª. Viviane
Bagiotto Botton Mesa 12 Mesa 21 Mesa 31
(PUC-SP)

Mesa 3 Mesa 13 Mesa 22 Mesa 32


de 16h a
17h30
Mesa 4 Mesa 14 Mesa 23 Mesa 33

Conferência
Conferência Conferência Conferência
Prof. Renato
18h Prof. Mario Prof. Joana Prof. Marcelo
Noguera
Bruno (UERJ) Toledo (CPII) Araújo (UERJ)
(UFRRJ)

Mesa 5 Mesa 24 Mesa 34


de 19h30
Mesa 15
a 21h
Mesa 6 Mesa 25 Mesa 35

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Segunda-feira dia 24/04 de 9h às 11h30: Mesa 1 e Mesa 2

Mesa 1.
Luciano Gutembergue Bonfim Chaves: A ESTÉTICA DO CANGAÇO À LUZ
DO ‘ANDARILHO’ E SUA SOMBRA. (PUC-RJ)
Kaline Viviane de Souza: Das Considerações Extemporâneas à Genealogia
da Moral: um percurso da apropriação e crítica do sentido histórico na
filosofia de Nietzsche. (USP)
Ádamo Bouças Escossia da Veiga: A necessidade da contingência em
Nietzsche e Meillassoux. (PUC-RJ)
Bruno Abilio Galvão: A genealogia como crítica e autocrítica em Nietzsche.
(UERJ)

Mesa 2.
Bianca Pereira da Silva: Tríplice mimesis: uma tríplice experiência (UFF)
Messias Miguel Uaissone: A interrupção ética da fenomenologia em
presença da alteridade (UERJ)
Rodrigo Viana Passos: ONDE ESTÁ O AUTOR?: Considerações
hermenêutico-filosóficas sobre a experiência estética. (PUC-RJ)
Jacira de Assis Souza: A fenomenologia hermenêutica do si: O paradigma
da tradução Mest. (UERJ)

16h às 17h30: Mesa 3 e Mesa 4

Mesa 3.
Ravena Olinda Teixeira: A potência da memória em Espinosa. (USP)
Carmel da Silva Ramos: Descartes: do caráter político do amor (PPGLM-
UFRJ).
Kissel Goldblum: A superação da hermenêutica subjetiva na teoria do
conhecimento de Spinoza.. (PPGLM-UFRJ)
Miécimo Ribeiro Moreira Júnior: A servidão e a dominação no pensamento
político de Bento de Espinosa Doc. (PPLM-UFRJ)

Mesa 4.
Serguey Monin: Foucault e a parresía no cinema de Tarkovski: o problema
da coragem da verdade. (UERJ)

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Raquel Rodrigues Rocha: Da sociedade disciplinar à sociedade de controle
digital. (PPGF-UFRJ)
Juliane Bianchi Leão Mendes: Foucault, estruturalismo e maio de 1968.
(UERJ)

19h30 às 21h: Mesa 5 e Mesa 6

Mesa 5.
Sarah Maria Barreto: A poesia como horizonte de emancipação. (UFF)
Braulyo Antonio Silva de Oliveira: Adorno e o progresso musical. (UERJ)
Jessica Di Chiara: O que há no ensaio que possibilita a dialética negativa
como método? (UFF)
Bruno Victor Brito Pacifico: A INDÚSTRIA CULTURAL APÓS O FIM DA
ARTE. (UFF)
Mesa 6.
Rogério Reis Carvalho Mattos: Do museu das espécies à anatomia
patológica: a arte de fabricar doenças (UERJ)
Priscila Céspede Cupello: Debates entre em Nietzsche e Foucault sobre as
últimas palavras de Sócrates. (PPGLM-UFRJ)
CLAUDIO V. F. MEDEIROS: PRÁTICAS DE LIBERDADE E/OU
PRÁTICAS DE LIBERAÇÃO. (UERJ)
Roberta Liana Damasceno Costa: A CRÍTICA AO NOSSO PRESENTE
HISTÓRICO: A ATUALIDADE COMO QUESTÃO EM MICHEL
FOUCAULT (UERJ)

Terça-feira dia 25/04 de 9h às 11h30: Mesa 7 e Mesa 8

Mesa 7.
Guilherme de Lucas Aparecido Barbosa: Literaturas distópicas e o
desdobramento do programa baconiano de ciência e tecnologia. (UFABC)
Lourenço Fernandes Neto e Silva: O problema da magnitude na metafísica de
Condillac. (USP)
Sacha Zilber Kontic: A passividade do entendimento e a questão da analogia
em Malebranche. (USP)
Fabien Pascal Lins: Michel de Montaigne e o mentir como conhecimento de
si: dissimulação e ficção no capítulo “Dos Canibais” (I,31) dos Ensaios.
(UNICAMP)
Mesa 8.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Michelle Cardoso Montoya: Uma distinção que não deve ser rejeitada:
algumas objeções de Searle ao abandono da distinção analítico-sintético
proposto por Quine.. (PPGLM-UFRJ)
André Moreira Fernandes Ferreira: O Argumento da Linguagem Privada no
Tractatus de Wittgenstein. (UFMG)
Rafael Mófreita Saldanha: A filosofia está mesmo morta? Um olhar sobre o
esgotamento de uma certa prática européia que importamos sem muito
cuidado. (PPGF – UFRJ)
Gustavo Bravo Carvalho: Propriedades disposicionais e causalidade Russel e
Heil (PPGLM-UFRJ)

11h40 às 13h10: Mesa 9 e Mesa 10

Mesa 9.
Fernanda Cristina Lima de Oliveira: O problema da subjetividade na filosofia
de Kierkegaard. (UERJ)
Thales Coi mbra Paranhos Cavalcanti de Paiva: SOBRE O PROBLEMA DA
ORIGEM ÚLTIMA DOS POVOS NO SISTEMA FILOSÓFICO TARDIO DE
SCHELLING. (PPGF-UFRJ)
Gabriel Ferri Bichir: Kierkegaard contra Hegel: um embate entre dois
modelos dialéticos. (USP)
Matheus Maia Schmaelter: Ser livre para tornar-se: a condição dialética da
liberdade humana em A doença para a morte, de Søren Kierkegaard (UERJ)

Mesa 10.
Christiane Costa de Matos Fernandes: Linguagem e verdade no pensamento
Martin Heidegger entre os anos 1920 e 1930. (PPGF- UFRJ)
Felipe Maia da Silva: Aspectos do ‘cartesianismo’ moderno segundo
Heidegger. (USP)
Felipe Ramos Gall: Técnica e espírito de vingança: uma aproximação entre
Heidegger e Nietzsche (PUC-RJ)

14h às 15h30: Mesa 11 e Mesa 12

Mesa 11.
Lucas Macedo Salgado Gomes de Carvalho: O fenômeno do discurso na
ontologia fundamental de Martin Heidegger (UERJ)
Ricardo Pedroza Vieira: Implicações éticas e existenciais da noção de
confiabilidade (Verlässlichkeit”),presente na “Origem da Obra de Arte” de
Heidegger (PPGF- UFRJ e Pedro II)

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Ronnielle de Azevedo Lopes: A EPISTEMOLOGIA DA
INCONTORNABILIDADE EM HEIDEGGER (PUC-SP)
Paulo Henrique Castro: A Aprioridade do Espaço em Kant: análise da
Estética Transcendental a partir da interpretação de H. J. Paton. (PPGF –
UFRJ)
Mesa 12.
Caio Sarack: Metafísica e finitude: um olhar através do ensaísmo de Paul
Valéry e Ernesto Sábato. (USP)
Rafael Zacca: Crítica como “fazibilidade”: as afinidades da crítica literária
em Walter Benjamin com a crítica da economia política de Karl Marx. (PUC-
Rio)
Manoela Paiva Menezes: Lessing e Brecht: o que a peça teatral deve suscitar
no espectador? (UNESP)
Verena Seelaender da Costa: O emudecimento perante a morte enquanto
forma sócio-teológico- jurídica na reflexão sobre a tragédia na obra “Origem
do drama trágico alemão” de Walter Benjamin (UERJ)

16h às 17h30: Mesa 13 e Mesa 14

Mesa 13.
Roberta Ribeiro Cassiano: O fim da metafísica em questão: Nietzsche e
Heidegger sobre a história. (UERJ)
Rafael Rocha da Rosa: Zaratustra e os exercícios espirituais. (UERJ)
Marcus Vinícius Monteiro Pedroza Machado: Como o esquecimento recria a
memória. (UERJ)
William Mattioli: “Seu pensamento não é tanto descoberta quanto
rememoração”: inatismo e inconsciente na teoria do conhecimento de
Nietzsche (UFF)

Mesa 14.
Gustavo Pereira: Diferença e Evolucionismo: Questões Bergsonianas.
(UERJ)
Maria Fernanda Novo dos Santos: Elementos para uma teoria da
individuação em Bergson. (UNICAMP)
Rafaela Francisco da Nobrega: Intuição e emoção na criação artística: uma
estética bergsoniana. (UERJ)
Natália Ranucci Cheade Fernandes: Vida e Criação: A percepção do artista
em Henri Bergson (UERJ)

19h30 às 21h: Mesa 15

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Mesa 15.
Uriel Nascimento: Lacan: teórico da angústia, teórico da indeterminação.
(PPGF - PUC-Rio)
Marcus Vinicius dos Santos Claro: O Processo de Ressignificação como
agente causal no fenômeno da quebra de paradigma (PPGF-UFRJ)
Mônica Ferreira Corrêa: Jaak Panksepp e a perspectiva afetiva da
neurociência das emoções. (UERJ)

Quarta-feira dia 26/04 de 9h às 11h30: Mesa 16 e Mesa 17

Mesa 16.
Gilberto Bettini Bonadio: SUBJETIVIDADE E ARTE: A CONSCIÊNCIA
ÉTICA NO ROMANCE SEGUNDO ALBERT CAMUS. (UNIFESP)
Peter Franco: Tempo e memória, da filosofia como ficção. (UERJ)
Danieli Gervazio Magdaleno: ‘As mãos sujas’, de Jean-Paul Sartre: Dos
conceitos filosóficos à estética teatral. (UNESP Marília)
Filipi Oliveira: VONTADE DE FELICIDADE EM CAMUS. (UERJ)

Mesa 17.
Gabriel Kafure da Rocha: A dialética do Cogitamus: uma leitura
bachelardiana de Hegel. (UFRN)
David Velanes: O realismo instruído da física contemporânea. (UFMG)
Campo Elías Flórez Pabón: Geometría y Física: el nuevo paradigma de
conocimiento en Hobbes. (Unicamp)
Guilherme T M Schettini: A respeito do uso da Matemática nas ciências
políticas. (PPGF – UFRJ).

11h40 às 13h10: Mesa 18 e Mesa 19

Mesa 18.
Leandro Rocha dos Santos: Luta por reconhecimento: agenda de lutas, onda
conservadora e ataques às liberdades. (UFRRJ)
Wilker de Carvalho Marques: O conceito de utopia: uma visita a Richard
Rorty e Roger Scruton. (PPGF – UFRJ).

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Ricardo Cezar Cardoso: GILBERT SIMONDON: A Individuação como
Ontologia Genética. (UERJ)
Marcus Eduardo Bissetti Lima: A linguagem imperfeita poderia gerar
conhecimento? Uma análise sobre o verbo mental no livro XV do De Trinitate
de Agostinho. (UFABC)

Mesa 19.
Roberto Nunes Junior: O CONCEITO DE PRÁXIS EM KARL MARX (UFPE-
UFPB-UFRN).
Victor C. F. Rodrigues: O problema da decadência ideológica da filosofia
burguesa pós-1848. A contribuição de György Lukács para a história da
filosofia contemporânea. (UFJF)
Gabriela De Luca: A Verstehen simmeliana e o problema do perspectivismo.
(UFRGS)
André Guimarães Borges Brandão: O CONCEITO DE AUTONOMIA
KANTIANO: AUTONOMIA PLENA E COORIGINARIDADE ENTRE
AUTONOMIA PRIVADA E PÚBLICA EM JOHN RAWLS E JÜRGEN
HABERMAS. (UFRRJ)

14h às 15h30: Mesa 20 e Mesa 21

Mesa 20.
Aparecida Duarte: Hermenêutica e misticismo em Martinho Lutero e
Friedrich Schlegel. (UERJ)
Diogo Santana: Jacob Boehme e o nascimento da filosofia idealista alemã.
(UERJ)
Guilherme José Santini da Silva: A doutrina das Ideias Eternas de Wilhelm
von Humboldt. (PUC-SP e IFMT)
André Christian Dalpicolo: Objetivação e positividade na Vida de Jesus de
G.W.F.Hegel. (PUC-SP)

Mesa 21.
Pablo Baptista Rodrigues: Franz Kafka: diálogos possíveis entre a Literatura
e a Filosofia (UFRJ)
Wallace Lopes: O pensamento no jardim de Cartola. Doc. (IPPUR-UFRJ.)
Eduardo Eudes Prazeres Lopes Junior: Reforma e revolução no romance Os
demônios. (PPGFIL – UFRRJ).
Gisele Batista Candido: O nada que é tudo: a abordagem filosófica do mito na
obra de Fernando Pessoa (USP)

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
16h às 17h30: Mesa 22 e Mesa 23

Mesa 22.
Marcelo de Almeida Silva: O PRENÚNCIO DE UMA NOVA ABORDAGEM
INSTITUCIONALISTA: núcleo normativo e operacional a partir das obras de
Mangabeira Unger e Nancy Fraser. (PPGF – UFRJ)
Celia Mara de Oliveira Keirsbaumer: Nancy Fraser e a unificação questões de
Redistribuição e Reconhecimento. (UERJ)
Johanna Andrea Bernal Mancilla: Matizes da noção de mulher-objeto desde a
perspectiva de Jean Baudrillard e algumas teóricas feministas. (UFMG)

Mesa 23.
Flavio Telles Melo: Democracia e religião em Habermas: uma possibilidade
de convivência em um Estado secular no contexto de uma sociedade pós-
secular. (PUC-RJ e UVA-CE)
Pedro Henrique Ciucci da Silva: A concepção filosófica e antropológica de
Paulo Freire. (PUC-SP)
Danilo Mendes: “O PROTESTO E O PODER DOS OPRIMIDOS”:
CONTRIBUIÇÕES DE RUBEM ALVES PARA UMA HERMENÊUTICA
FILOSÓFICA DA RELIGIÃO (Ciências da Religião – UFJF)
Wands Salvador Pessin: A PARTICULARIZAÇÃO DA IDEIA DE BEM
COMUM FRENTE A COMPLEXIFICAÇÃO DO FATO DO PLURALISMO
MORAL. (UFES)

19h30 às 21h: Mesa 24 e Mesa 25

Mesa 24.
Arthur Catraio: As ruínas da ética na mundialização industrial. (Universidade
Pantheon- Sorbonne Paris I)
Andreia Lima Campos: O FIM DO PARADIGMA CIENTÍFICO VIGENTE
DA CRUELDADE COM ANIMAIS: MÉTODOS SUBSTITUTIVOS EM
PESQUISAS. (PPGF-UFRJ )
Thiago Ferrare: PENSAR A POLÍTICA PARA ALÉM DO IGUALITARISMO
NIVELADOR:A FALÊNCIA DA CRÍTICA NOS MARCOS DO LIBERALISMO
POLÍTICO . (UNB)
Paloma Fernanda Martins Pereira: A teoria do pensamento complexo: uma
tentativa de efetivar direito ao autor de ato infracional. (PPG em Serviço
Social- PUC-Rio)

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Mesa 25.
Roseli Gonçalves da Silva: A palavra por um fio: Um Gesto de voz. (PPGF-
UFRJ)
Rodrigo do Amaral Ferreira: Notas sobre a presença da metáfora no
pensamento de Jacques Derrida. (UERJ)
Victor Galdino Alves de Souza: Outras filosofias, outras universidades:
Partilha do imaginário e organização da vida. (PPGF – UFRJ).
Fábio Borges do Rosario: O conceito de confissão de crimes contra a
humanidade.. (CEFET-RJ)

Quinta-feira dia 27/04 de 9h às 11h30: Mesa 26 e Mesa 27

Mesa 26.
Mirian Monteiro Kussumi: Lógica e historicidade na Filosofia da História
de Hegel. (PUC-RJ)
João Gabriel Paixão: James Blake ou o não-ser como arte. (PPGFil-UERJ).
Reginaldo Raposo: Ritmo, Harmonia e Melodia na Estética de Hegel. (USP)
Ítalo Alves: A capacidade normativa da contingência- Hegel e Kant. (PUC-
RS)

Mesa 27.
Mauro Juarez Sebastião dos Reis Araujo: Képos – a comunidade de amigos
(PPGF- UFRJ)
Matheus Oliveira Damião: Eixos direcionais e funcionalidade no IA de
Aristóteles: uma interpretação teleológica. (PPGF-UFRJ_
Emerson Facão: Natureza, harmonia, convenção e economia: algumas
considerações sobre o tratado econômicos de Aristóteles. (PUC-RJ)
Mariane Farias de Oliveira: A noção de phainomena e a tese da unidade
analógica do método em Aristóteles. (UFSM)

11h40 às 13h10: Mesa 28 e Mesa 29

Mesa 28.
Eduardo da Silva Barbosa: A relação entre os simulacros e as perturbações
da alma em Lucrécio. (UFF)
Douglas Ramalho: Alma e Vida no De Anima II 1-3 de Aristóteles (PPGLM-
UFRJ)

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Deysielle Costa das Chagas: ILUMINAÇÃO E GERAÇÃO: O NÃO-SER DA
MATÉRIA E O VIR-A- SER DO SENSÍVEL. (PPGF – PUC-Rio)
Aroldo Mira Pereira: A RETÓRICA EM ARISTÓTELES. (Ciências da
Religião Faculdade Unida de Vitória)
Mesa 29.
Rebeca Louzada: A simpatia no Sentimentalismo Moral de Hume e Slote.
(UERJ)
Cleber de Lira Farias: O deísmo de David Hume. (PPGLM-UFRJ)
Mario Tito Ferreira Moreno: Sobre o princípio da cópia de Hume: o
microscópio das percepções. (UFRRJ)
Carlota Salgadinho Ferreira: Sobre o gosto e a reforma do espírito na
filosofia de Hume. (PUC-Rio)

14h às 15h30: Mesa 30 e Mesa 31

Mesa 30.
Rineu Quinalia: Argumentum ad hominem e Argumentum ad Publicum: as
possíveis variações interpretativas do Élenkhos. (UFSCAR)
Irlim Corrêa Lima Júnior: Paradoxos do abrupto: o conceito de exáiphnes
em Platão (PUC-Rio)
Danielle Ferreira da Rocha: ENSAIO SOBRE AS NATUREZAS
FILOSÓFICA E NÃO FILOSÓFICA. (PPGFIL – UFRRJ)
André Miranda Decotelli: A feiura socrática (PUC-Rio)

Mesa 31.
Wescley Fernandes Araujo Freire: APRENDIZAGEM SOCIAL E
SOLIDARIEDADE CIVIL NAS SOCIEDADES PÓS-SECULARES: críticas à
reconstrução da Teoria Crítica da religião de Habermas. (UERJ)
Gilmar do Nascimento Santos: Sobre a validade cognitiva de enunciados
normativos: observações críticas acerca do construtivismo de J. Habermas.
(UERJ)
Charles da Silva Nocelli. DIREITOS HUMANOS E SOLIDARIEDADE:
Uma análise a partir da teoria de Jürgen Habermas. (PPGSD-UFF) e
(PPGFil - UERJ).
Diogo Silva Corrêa: A Arte Arquitetônica no Mundo Contemporâneo a
partir do Pensamento de Jürgen Habermas. Uma abordagem estético-
filosófico em meio a uma relação de poder e a crítica à cultura pós-
moderna. (UFPI e UFMA)

16h às 17h30: Mesa 32 e Mesa 33

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Mesa 32.
Raquel de Azevedo: A cidade de Sócrates: ensaio sobre a natureza da
verdadeira arte política em Górgias. (PPGF – PUC-Rio)
Felipe Ayres de Andrade: A ALMA COMO UMA PÉROLA, UMA NOVA
LEITURA DA IMAGEM DA OSTRA NO FEDRO (250c4-5). (PPGLM-
UFRJ)
Pablo Souto Maior Harduin: Hedonismo Eudemônico: Justiça e Prazer em A
República de Platão. (USP)
Luciana Valesca Fabião Chachá: A noção de aitios e aitía na investigação
teleológica no Fédon. (PPLM-UFRJ)

Mesa 33.
Karoline de Oliveira: As liberdades individuais em John Stuart Mill: uma
análise do problema da passagem do liberalismo ao utilitarismo. (UFFRJ)
Nathan Ramalho Santos: Behemoth versus Leviathan: Carl Schmitt e a
oposição entre terra e mar. (UFF)
Kailla Santos: Desrespeito e Patologias Sociais na Teoria do Reconhecimento
de Axel Honneth. (UFABC)
Pedro Henrique dos Santos Ribeiro: “Carl Schmitt, Donoso Cortés e os limites
do legalismo liberal” (UERJ)

19h30 às 21h: Mesa 34 e Mesa 35

Mesa 34.
Felipe Amancio Braga: A arte e o caos em Bacon e Deleuze: quebra de
clichés e resistência política. (PUC-Rio)
Caio Moreira Bucker: O CONCEITO DE IMAGEM DE GILLES DELEUZE
NO CINEMA DE FLUXO. (UERJ)
Tarsila Costa: As imagens cristalinas em Gilles Deleuze (UERJ)
Diogo Carreira Fortunato: O Jogo da Deformação – um paralelo entre
Deleuze e Rancière. (UERJ)

Mesa 35.
Pablo Barbosa Santana da Silva: Kant sobre analiticidade e conhecimento
conceitual. (PPGLM – UFRJ)
Alessandra Peixoto dos Santos: Do mal radical à banalidade do mal: Uma
questão ética? (UFRJ- Pós Lato Sensu) e (UERJ)
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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Wagner de Moraes Pinheiro: A krisis e o Depurar do julgar. (PPFEN –
CEFET)
Dioclézio Domingos Faustino: A noção de homo oeconomicus e a crítica do
neoliberalismo em Foucault . (USP)
Terça-feira dia 02/05 às 14h: Mesa 36

Mesa 36.
Ana Flávia Costa Eccard: UBUNTU E TEKO PORÃ: O OUTRO LUGAR DA
FILOSOFIA. (UERJ)
Adriano Negris: Como pensar a filosofia a partir de uma perspectiva
geopolítica? (UERJ)
Marcelo José Derzi de Moraes: A filosofia como mitologia branca: violência
colonial e epistemicídio. (UERJ)
Felipe Ribeiro Siqueira: Rubem Alves e o ensino de filosofia: liberdade e
afeto. (UERJ)

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Conferências

Segunda-feira - 24/04/2017

Abertura às 11:30h: Prof. Fabiano Lemos (UERJ) "Sobre o diabo"

14h: Prof. Alberto Constante López (UNAM): "Deep web, saberes profundos"
e Profª Viviane Bagiotto Botton (PUC – SP) “Como dar sentido à existência?
Sobre redes sociais e algumas formas de subjetivação na web”

18h: Prof. Mário Bruno (UERJ) - “Foucault: Prazer, desejo, normas e


histeria”

Terça-feira - 25/04/2017

18h: Prof. Renato Noguera (UFRRJ) "Introdução à filosofia de Amenemope"

Quarta-feira - 26/04/2017

18h: Profª. Joana Tolentino (CPII) "“Existem filósofas? Vozes de mulheres


invisíveis”

Quinta-feira - 27/04/2017

18h: Prof. Marcelo de Araújo (UERJ) “O que é a ética do aprimoramento


humano?”

Terça-feira - 02/05/2017

Encerramento às 11:30h: Prof Danilo Marcondes (PUC-Rio e UFF) “A


retomada do ceticismo antigo no período moderno e a origem da
modernidade”

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Resumos

Ádamo Bouças Escossia da Veiga

A NECESSIDADE DA CONTINGÊNCIA EM NIETZSCHE E MEILLASSOUX


Programa de Pós-Graduação em Filosofia PUC-RIO
Orientador: Rodrigo Nunes
Bolsista CAPES

O presente trabalho pretende analisar a tese da necessidade da contingência de Quentin


Meillassoux sob a ótica da metafísica de um puro devir presente no último Nietzsche. O
pensamento de Meillassoux é o marco inicial de uma retomada especulativa na filosofia
contemporânea. O objetivo é superar a crítica kantiana, acusada de subordinar os
enunciados ontológicos aos epistemológicos de modo a tornar impossível uma filosofia
para além da correlação entre ser e pensar. Esta retomada especulativa, no entanto, deve
evitar o dogmatismo pré-kantiano – o absoluto, agora, deve prescindir de um ser
absoluto. Desse modo, a necessidade da contingência vem a ocupar tal espaço, na
medida em que a negação do princípio de razão suficiente permite que se pense um
absoluto em todo diferente da figura de um deus ou qualquer outro ente responsável
pelo ordenamento do universo. A sua demonstração, contudo, passa pela afirmação da
matemática enquanto modo privilegiado de acesso aos enunciados ontológicos – só ela
nos permite pensar o absoluto da contingência. O que pretenderemos demonstrar neste
trabalho é que a metafísica do último Nietzsche, elaborada mesma no escopo de um
pensamento filosófico livre de uma transcendência ou ser absoluto, já postulara a ideia
de uma necessária contingência do real. Mais, o conceito de um puro devir em
Nietzsche, expõe tal contingência de forma bem mais radical do que Meillassoux. Para
Nietzsche, a matemática mesma estaria sujeita a tal contingência, não possuindo
qualquer privilégio ontológico. A sua estrutura formal, deste modo, sendo apenas uma
visada antropomórfica, não poderia dar qualquer acesso privilegiado ao mundo. A partir
desta reflexão, pretendemos resgatar o potencial especulativo da filosofia de Nietzsche,
procurando situá-lo dentro do debate contemporâneo de renovação da ontologia.

Palavras-chave: Nietzsche; filosofia especulativa; Meillassoux.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Adriano Negris

COMO PENSAR A FILOSOFIA A PARTIR DE UMA PERSPECTIVA


GEOPOLÍTICA?
Doutorando pelo PPGFIL
Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ
Orientadora: Dirce Eleonora Nigro Solis

A proposta deste trabalho consiste em analisar a produção do conhecimento filosófico


sob a ótica geopolítica. Com esse gesto procuramos demonstrar que o apelo à
universalidade e neutralidade do conhecimento filosófico é sustentado por um processo
de “hierarquização epistêmica”, que foi fundamental para o projeto de Modernidade no
Ocidente. Nesse sentido, a perspectiva geopolítica é capaz de elucidar que a produção
desse conhecimento é resultante de uma miríade de relações de poder, que se expressam
através de uma língua específica, uma nação, um povo e uma cultura, cada qual com
origens e histórias específicas. Somente pelo esquecimento desses elementos relacionais
é que o conhecimento pode ser concebido como neutro e universalmente válido. Desse
modo, nosso propósito é apontar a constituição de uma verdadeira “estratégia” de poder
que consiste na ocultação do lugar do discurso, criando-se a invisibilidade do lugar na
construção do conhecimento e a pressuposição da neutralidade do sujeito que fala. Com
isso, buscamos mostrar como a produção de conhecimento filosófico pode esconder
determinadas relações de poder que refletem uma dominação epistêmica, traduzida em
termos de colonização ou racismo epistemológico. A fim de romper esse paradigma de
formação de conhecimento ocidental, apresentamos algumas propostas do chamado
pensamento descolonizador, consubstanciado nos estudos de alguns filósofos
contemporâneos, tais como Franz Fanon, Mogobe Ramose, Maldonado-Torres e
Enrique Dussel.

Palavras-chave: poder; universalismo; pensamento descolonizador.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Alessandra Peixoto dos Santos
DO MAL RADICAL À BANALIDADE DO MAL: UMA QUESTÃO
ÉTICA?
Curso de Filosofia Moderna e Contemporânea - UERJ
(Mestre em Filosofia/UFRJ)
Orientador: Fabiano Lemos

Para pensarmos o mal, confrontaremos dois pensadores de diferentes fases do


pensamento: os filósofos Kant e Hannah Arendt, com as suas respectivas formulações ,
no sentido de fazer um contraponto na modernidade sobre a questão. O problema do
mal em Kant aparece como do âmbito de uma concepção da natureza do homem,
entendendo-se “natureza” não o indivíduo isolado, mas o gênero humano, por isso, o
mal deverá ser entendido como uma realidade universal; e também como uma
propensão inata, porque não pode ser extirpada da natureza humana. É bastante
controverso tudo isso que foi dito a respeito do mal e de Kant e será nosso esforço no
trabalho compreender essa significação. O mal absoluto segundo Kant não pode existir,
simplesmente porque seria impossível que uma vontade má pudesse recusar
deliberadamente a lei moral, seria uma contradição em si, a vontade não pode se voltar
contra sua lei interna, contra si própria. O absoluto é o fim da criatura humana, e nisso
Hannah Arendt concorda com Kant que não haja uma porção diabólica no homem. O
mal radical será, na verdade, uma privação, uma positividade, será uma perversidade do
coração. Será, pois, na liberdade do homem que se manifestará o mal radical. Podendo
escolher pela lei moral, optará pelas máximas contrárias, aceitará justamente aquelas
que o desviam daquela, aí está a maldade radical do homem, quando podemos afirmar
ser ele mau por natureza. Hannah Arendt no julgamento do nazista Eichmann em
Jerusalém (1963) lança um conceito novo, o da “banalidade do mal”, em confronto ao
de “mal radical”, mas muito menos desenvolvido e sustentável. O fato é que um mal
banal retira o peso da monstruosidade nos homens para lançá-la nos fatos. Um homem
banal, sem profundidade, sem ideologia nem qualquer outra designação foi capaz do
maior dos maiores fatores de extermínio da humanidade. Entendemos que a “banalidade
do mal” não elimina o “mal radical”. São elaborações díspares.
Palavras-chave: mal; mal-radical; banalidade do mal.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Ana Flávia Costa Eccard
UBUNTU E TEKO PORÃ: O OUTRO LUGAR DA FILOSOFIA
Doutoranda em Filosofia UERJ e Direito UVA
Orientador: James Arêas
Bolsista CAPES

O atual estudo visa aprofundar filosofias não ocidentais como forma de resistência e
desobediência epistêmica do regime logocêntrico estabelecido pelos povos
colonizadores. Importante se faz ressaltar que há um ponto de convergência dessas
filosofias, ambas são pautadas em uma cosmovisão da coletividade que se contrapõe
radicalmente ao individualismo resultado de uma sociedade capitalista. Essas filosofias
orientam uma forma de viver que contempla uma ligação com o ser humano e a
natureza e ainda enfraquece os discursos egoístas que se compõe de ter em detrimento
de ser. Como aporte teórico temos pensadores como Walter Mignolo, Nelson
Maldonado Torres, Anibal Quijano e Bartolomeu Méllia. Estudar essas duas filosofias é
dar voz a uma filosofia não contemplada pela academia extremamente eurocêntrica, que
produziu e reproduz em sua geopolítica um racismo epistemológico. Tanto Teko porã
como o Ubuntu apresentam práticas éticas que valorizam a ancestralidade e a
multiplicidade do conhecimento, um enaltecimento do próprio lugar de fala a partir do
reconhecimento da sua identidade como legítima, esta manifestada pelo seu próprio
povo e não pelo de fora, colonizador que dita o que é certo para colônia. Trata-se de um
estudo descolonizador dentro da academia que apresenta a riqueza de outro
conhecimento até então desconsiderado, mas possui uma força hermenêutica
fundamentada nas singularidades presentes em seus povos o que nos aproxima de
entender nosso lugar de origem e não o lugar contado pelos outros ora dominantes.

Palavras-chave: teko porá; ubuntu; filosofias não ocidentais.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
André Guimarães Borges Brandão

O CONCEITO DE AUTONOMIA KANTIANO: AUTONOMIA PLENA E


COORIGINARIDADE ENTRE AUTONOMIA PRIVADA E PÚBLICA EM
JOHN RAWLS E JÜRGEN HABERMAS
Mestrando do Programa de Pós Graduação em Filosofia da Universidade Federal Rural
do Rio de Janeiro (UFRRJ)
Orientador: Prof. Dr. Walter Valdevino Oliveira Silva

Trata-se de artigo que objetiva investigar o quanto permanece válido o conceito de


autonomia kantiano nas leituras contemporâneas de John Rawls e Jürgen Habermas,
sobretudo a partir de seu desenvolvimento nas principais obras de Rawls e da
abordagem que recebe em A inclusão do Outro e em Direito e Democracia: entre
facticidade e validade de Habermas. O conceito de autonomia com sua intenção
tipicamente moderna de autolegislação confere legitimidade à justificação pública do
Direito e da moral racional a partir de um procedimento imparcial. Ocorre que, na
contemporaneidade, a relação entre Estado e sociedade ou Direito e política se
intensifica como relação entre direitos humanos e soberania popular no seio de um
Estado Democrático de Direito. Desta forma, uma reinterpretação da razão prática se
torna necessária em sociedades que se pretendem equitativas e cooperativas no contexto
do fato do pluralismo. É este um ímpeto comum aos dois autores. A idéia deste artigo
passa pela contraposição do conceito rawlsiano de autonomia plena com o conceito
habermasiano de cooriginaridade entre autonomia privada e autonomia pública. Após
esta contraposição e a análise do frutífero debate que estes dois autores se envolveram,
veremos até que ponto ambas teorias cumprem o ímpeto moderno da autolegislação, o
qual, diga-se novamente de passagem, é um correlato do conceito de autonomia e pedra
angular da legitimidade requerida em sociedades democráticas reguladas pelo direito
constitucional.

Palavras-chave: autonomia plena; autonomia privada; autonomia pública.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
André Christian Dalpicolo
OBJETIVAÇÃO E POSITIVIDADE NA VIDA DE JESUS DE G.W.F.HEGEL
Professor do Centro Universitário Paulistano (Unipaulistana) e da Faculdade Interação
Americana (FAINAM)
Mestre em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo-SP
Bolsista da CAPES na época do Mestrado
Orientador do Mestrado: Benedito Eliseu Leite Cintra

Este trabalho pretende dissertar sobre os termos objetivação e positividade na obra Vida de
Jesus (1795), de G.W.F. Hegel. Para que isso aconteça, faz-se necessário estabelecer uma
linha de raciocínio que se desdobrará em dois planos. O primeiro plano demonstrarácomo
a objetivação representa a faculdade humana de se exteriorizar junto ao meio circundante em
sua totalidade (natureza e sociedade). Vale frisarque o desenvolvimento pleno dessa
faculdaderevela a verdadeira comunhão entre homem e Deus, uma vez que especifica a
autêntica face da objetividade. Logo, a tarefa essencial de Jesus Cristo na Terra é ensinar a
condição humana a importância de realizar adequadamente sua objetivação, visto que
somente assim suplantará o mal que a circunda. O segundo plano detalhará como a
positividade (falsa objetividade) significa o resultado final de uma exteriorização incompleta
do homem junto ao ambiente (meio circundante). É importante ressaltar que a gênese dessa
positividade se radica no desejo do povo judeu de recuperar o esplendor do seu Estado diante
do império romano. De certo modo, pode-se dizer que esse desejo consolidou leis estatutárias
que aprofundaram a cisão entre homem e Deus, ao invés de realizar a união de ambos. Além
disso, promoveu a crucificação do filho do Artífice por intermédio das autoridades judias.

Palavras-chaves: objetivação; positividade; Vida de Jesus.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
André Miranda Decotelli

A FEIURA SOCRÁTICA
Doutorado em Filosofia/ Programa de Pós-graduação em filosofia PUC-RIO
Orientadora: Luisa Buarque
Bolsista CAPES

Nietzsche certa vez afirmou ser significativo que Sócrates tenha sido o primeiro grande
heleno feio. Tal afirmação se assenta na tradição, a partir da qual a imagem do filósofo
grego foi cristalizada como sendo a de um homem feio. Seja nas Nuvens, de
Aristófanes, no qual ele é descrito como um homem pálido ou no Banquete de
Xenofonte, a noção a respeito da imagem de Sócrates parece corroborar com a sua
definição nas obras de Platão, nosso principal campo de análise. No Banquete de Platão,
a feiura física de Sócrates surge na comparação feita por Alcibíades com as estátuas de
silenos e com os sátiros. Essas estátuas, que não eram atraentes no seu exterior,
escondiam imagens de deuses no interior. Segundo esse relato se pode entender a
relação de Sócrates com os silenos como uma aparência que esconde outra coisa. O
rosto de Sócrates transmite uma mensagem, e ao que nos parece, a associação que
Alcibíades estabelece aponta que sua pessoa real se distingue do que sua aparência
denota. Nesse sentido, objetivamos em nossa comunicação apresentar algumas das
razões pelas quais Sócrates é caracterizado como sendo um homem feio e como tal
aspecto se relaciona com a estranheza da sua filosofia.

Palavras-chave: Sócrates; Banquete; aparência.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
André Moreira Fernandes Ferreira

O ARGUMENTO DA LINGUAGEM PRIVADA NO TRACTATUS DE


WITTGENSTEIN
Universidade Federal de Minas Gerais
Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Federal de Minas Gerais
(PPGFIL-UFMG)
Orientador: Mauro Luiz Engelmann
Bolsista CAPES

O objetivo da comunicação é tornar mais explícita a possibilidade da reprodução do


argumento da linguagem privada, de Ludwig Wittgenstein, no contexto do Tractatus
LogicoPhilosophicus. Normalmente, aquilo que muitos comentadores chamam de
'argumento da linguagem privada' é um conjunto de considerações filosóficas feita por
Wittgenstein nos §§243-315 das Investigações Filosóficas. Esse argumento visa provar
a impossibilidade de uma linguagem privada que seja, por princípio, incompartilhável.
Tendo isso em vista, argumentaremos como a noção de 'argumento da linguagem
privada' pode ser abordada, guardadas as devidas proporções, no contexto conceitual do
Tractaus Logico-Philosophicus. Em um primeiro momento, faremos a exposição do que
alguns comentadores chamam de 'concepções ontológicas' do Tractatus Logico-
Philosophicus. Em um segundo momento, faremos a exposição de algumas
características sintáticas da lógica tractariana. Em seguida, explicaremos como
Wittgenstein critica a noção de 'linguagem privada' nas Investigações Filosóficas e de
que maneira essa crítica de Wittgenstein pode ser reproduzida no Tractatus Logico-
Philosophicus. Concluiremos a nossa comunicação argumentando que Wittgenstein não
desenvolveu o 'argumento da linguagem privada' no Tractaus Logico-Philosophicus nos
mesmos termos em que encontramos nas Investigações Filosóficas, mas sim que
algumas de suas consequências podem ser identificadas no Tractaus Logico-
Philosophicus.

Palavras-chave: Wittgenstein; Tractatus Logico-Philosophicus; Argumento da


linguagem privada.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Andreia Lima Campos
O FIM DO PARADIGMA CIENTÍFICO VIGENTE DA CRUELDADE COM
ANIMAIS: MÉTODOS SUBSTITUTIVOS EM PESQUISAS
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Doutorado em Filosofia/ Programa de Pós-graduação em Filosofia (PPGF)
Orientadora: Profª Drª Maria Clara Dias

A preocupação ética em relação a animais não-humanos já existia em alguns filósofos


antigos, como Pitágoras (séc. VI a. C) e Plutarco (séc. I d.C) ou em Montaigne (séc.
XVI) e em Schopenhauer (séc. XIX). No entanto, a História da Filosofia, nos mostra a
predominância de uma incapacidade de preocupação moral para com eles fortemente
enraizada e que influenciou as práticas e as concepções científicas desde seus
primórdios.O modelo tradicional de ciência, usado ainda hoje no Brasil, baseado na
vivissecação (cortar vivo) iniciou-se de forma sistemática a partir de Claude Bernard
(século XIX) mas já era utilizado desde Aristóteles e foi fortemente influenciado por
Descartes, que afirmava que os animais são incapazes de sentirem dor e de terem
emoções. Essa e outras práticas cruéis são fortemente combatidas por um novo modelo
científico que tem promovido descobertas de novos métodos baseados em uma
concepção de ciência mais ética.A presente pesquisa levanta, portanto, uma crítica a um
modelo científico obsoleto, tanto do ponto de vista técnico quanto ético.Segundo Maria
Clara Dias (2015), para superarmos um ponto de vista moral antropocêntrico, isto é,
onde o homem se coloca em um lugar moralmente privilegiado em relação aos demais
seres, devemos ampliar nossa esfera de consideração moral, a partir de um critério mais
inclusivo.
Palavras-chave: ética animal; antropocentrismo; métodos substitutivos.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Aparecida Duarte
HERMENÊUTICA E MISTICISMO EM MARTINHO LUTERO E
FRIEDRICH SCHLEGEL
Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Filosofia (doutoranda)- PPGFIL
Orientador: Prof. Dr. Fabiano de Lemos Britto

A filosofia que surge com o romantismo de Iena, leu na crítica kantiana uma ironia: o
rigor das delimitações categoriais do conhecimento havia servido de reforço àquilo que
escapava de seu domínio – a liberdade criadora da imaginação. Observamos no
processo de confecção dos textos românticos, um obramento do autor e um
desobramento da obra; igualmente o leitor, ao se identificar com as personagens e com
o autor, no ato da leitura, se reconfigura na autonarrativa. Autor, obra e leitor são um
mesmo elemento. Essa dissolução das identidades rompe com as noções de evidência,
com o princípio da não contradição e com as categorias. O objetivo geral desse trabalho
é, partindo do texto Sobre a incompreensibilidade, analisar de que maneira Friedrich
Schlegel apresenta como objeto de interesse filosófico a reconfiguração do sistema
hermenêutico clássico fundado sobre o triângulo das identidades categóricas: autor-
leitor-obra. Apontaremos também para o modo como essa reconfiguração – operada
como protocolo de leitura – coloca em questão os limites da própria filosofia, em uma
tentativa de buscar novos domínios para sua instauração, incluindo o do misticismo.
Para isso, abordaremos especificamente a proposta de Schlegel da substituição do
modelo lógico pelo modelo performático; como a filosofia nesse momento procura
ultrapassar a dicotomia filosofia- não filosofia; e, por fim, como essa reconfiguração
hermenêutica pode ser associada à tradição luterana, em aproximações e
distanciamentos.
Palavras-chave: Schlegel; Lutero; hermenêutica.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Aroldo Mira Pereira

A RETÓRICA EM ARISTÓTELES
Faculdade Unida de Vitória Espírito Santo
Mestrado Profissional em Ciências das Religiões
Orientador: Kenner Roger Cazotto Terra

Este trabalho pretende investigar o caráter da racionalidade discursiva na Retórica


aristotélica. Inicialmente, analisamos as três provas (pistes) técnicas da persuasão,
conforme apresentadas por Aristóteles no Livro II de sua Retórica, o páthos, o éthos e o
lógos. Começando pelo páthos, analisamos as treze paixões da lista retórica: ira, calma,
amizade, inimizade, temor, confiança, vergonha, desvergonha, amabilidade, piedade,
indignação, inveja e emulação. Na análise do éthos, foram discriminados o caráter dos
jovens, dos idosos e dos adultos, dos nobres, dos ricos e dos poderosos. E, por fim, na
análise do lógos apresentamos a noção aristotélica de entimema, uma espécie de
silogismo de tipo retórico, com premissas simples, geralmente conhecidas por todos e
de fácil assimilação. A persuasão se faz pela confluência dessas provas demonstrativas.
Aristóteles afirma que persuadimos pela disposição dos ouvintes (páthos), pelo caráter
do orador (éthos) e pelo discurso (lógos). No ato discursivo, marcado pela presença da
persuasão, não parece haver espaço determinado para verdades apofânticas, analíticas.
A arte retórica, no entanto, provoca e permite uma outra relação com a verdade que
assume, na dimensão da democracia, um caráter mais político.

Palavras-chave: retórica; Aristóteles; persuasão.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Arthur Augusto Catraio

AS RUÍNAS DA ÉTICA NA MUNDIALIZAÇÃO INDUSTRIAL


Université de Paris I Panthéon-Sorbonne
Mestrado em Philosophie et société (2015)
Orientadora: Sophie Guérard de Latour

A partir do século XX, o industrialismo contemporâneo introduziu as sociedades a uma


novidade sem precedentes: um mundo caracterizado pela potencialidade ilimitada das
fontes de matéria-prima disponíveis a exploração. Ilimitada, porém, não no sentido da
inesgotabilidade de matérias-primas naturais, mas mais propriamente no sentido
segundo o qual nada que possa existir sobre a terra escapa à possibilidade da exploração
produtivista. A novidade deste industrialismo aparece, portanto, na onipresença do
conceito de matéria-prima, de forma que mesmo a humanidade passa a ser englobada
pela lógica industrial e torna-se fonte natural de potencial exploração. Neste sentido,
não seria esta onipresença de uma lógica insuperável da industrialização o indicativo de
um movimento maquinário-industrial de transformação da vida em instrumentos de
produção inanimados? Ao analisar esta marcha do inanimado sobre a anima humana
poderemos reavaliar os riscos e atuais limitações da ética na vida de nossa época, uma
época em que os avanços técnicos, somados a tendências inacabáveis de desigualdade,
reinventam a morte sob o modo de << produção industrial de cadáveres >> em larga
escala. A ética não poderá, neste contexto, ser pensada senão enquanto ruínas:
resquícios de uma monumentalidade que resiste às ameaças do avanço inexorável do
tempo.

Palavras-chave: ética; industrialismo; meios de produção.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Bianca Pereira da Silva

TRÍPLICE MIMESIS: UMA TRÍPLICE EXPERIÊNCIA


Universidade Federal Fluminense
Estética e Filosofia da Arte/ Programa de Pós-Graduação em Filosofia da UFF
Orientador: Bernardo Barros Coelho de Oliveira
Bolsista CAPES

Na obra Tempo e Narrativa, o filósofo Paul Ricoeur pretende analisar as razões que
mostram o porquê de as narrativas fazerem parte da vida humana. Para ele, elas
correspondem às nossas vidas, nos fazem ver outras possibilidades de viver e, mais que
isso, podem responder às nossas perguntas mais profundas e anseios dos mais diversos
modificando-nos. Ou seja, elas tanto podem fazer parte da fruição, como podem
transformar nosso modo de ver e agir no mundo. Por isso, essa comunicação tem como
objetivo relacionar esse aspecto da teoria narrativa desenvolvida por este filósofo,
chamada de Tríplice mímesis ou arco hermenêutico, com as experiências causadas pelas
leituras de narrativas. Esse aspecto da teoria consiste em apontar as operações existentes
no ato de ler uma história. Essas operações são chamadas por ele (após análise da
Poética de Aristóteles) de: pré-configuração narrativa (mimesis I), a configuração
narrativa (mimesis II) e a refiguração narrativa (mimesis III). Essa tríplice operação
revela que o ato de ler necessita de um antes, um durante e um depois para ser
plenamente concretizado. O antes refere-se aos elementos já existentes na vida real e
que são transfigurados para as narrativas; o durante é o ato de criar propriamente, o ator
e sua obra; o depois é, após finalização material da obra, o encontro com o leitor. Essas
operações, como podem parecer, não são separáveis umas das outras, elas formam uma
espiral sem começo ou fim. E, enfatiza nosso autor, essa espiral só, verdadeiramente, se
concretiza quando a obra, em sua completude, encontra o leitor, pois assim as
experiências, tanto do leitor quanto a da obra, são atualizadas. Para mostrar como essa
operação age, utilizaremos três experiências. As experiências levadas em consideração
serão as do romancista Gustave Flaubert, que segundo suas cartas, fazia questão de
escrever histórias bem próximas da vida real, quando escrevia colocava-se na “pele” de
suas personagens e não vivia sem a leitura e a escrita de romances; as experiências da
personagem Emma do clássico Madame Bovary, de Flaubert, em que ela tenta realizar

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
na sua existência o que as heroínas de suas leituras faziam; e as experiências do próprio
Mario Vargas Llosa ao ler o clássico citado. Llosa, em Orgia Perpétua, conta sua
própria experiência da leitura de romances, em especialmente do Madame Bovary. Com
isso, queremos mostrar o quanto esse aspecto da teoria da tríplice mimesis nos revela
uma tríplice experiência.

Palavras-chave: narrativa; experiência; Madame Bovary.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Braulyo Antonio Silva de Oliveira

ADORNO E O PROGRESSO MUSICAL


PPGFIL/Mestrado – UERJ
Orientador: Ricardo Corrêa Barbosa
Bolsista CAPES

Em 1929, Theodor Adorno publica um ensaio no periódico Anbruch de título Reação e


progresso. Esse ensaio tem como objetivo esclarecer a utilização do conceito de
progresso, por parte de Adorno, quando aplicado à música. Já nas primeiras linhas, ele
deixa claro que o progresso não tem à ver com a qualidade das obras ou que se poderia
compor melhor atualmente do que na época de Beethoven. Para Adorno, esse conceito,
quando aplicado à arte, só pode ser visto da perspectiva do material musical. Coloca-se,
portanto, em questão a interpretação de Adorno do material musical. Nesse aspecto, ele
se diferencia de músicos e teóricos de sua época como Schoenberg e Hindemith que
equacionam o material musical com o som. Adorno é bem claro ao dizer que o material
não é o resultado de um processo “naturalmente imutável e igual em cada momento”1 ,
mas tem a ver com configurações históricas específicas que o compositor se defronta no
ato compositivo. Portanto, destaca-se, aqui, um elemento fundamental para a
compreensão do conceito de progresso: a dimensão histórica. Dessa perspectiva,
poderíamos nos perguntar qual tipo de visão histórica é essa que sustenta a afirmação de
Adorno com relação ao progresso já que, como diz Dahlhaus, uma característica
importante das obras de arte é a descontinuidade. Essa comunicação tem como objetivo
discutir o que sustenta a afirmação de Adorno: “O progresso não significa nada mais do
que a utilização do material no mais avançado estágio da sua dialética histórica”2 .

Palavras-chave: Adorno; progresso; material musical.

1
ADORNO. Reaccion y progresso. 1984, p.13.
2
Idem, p.14.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Bruno Abilio Galvão

A GENEALOGIA COMO CRÍTICA E AUTOCRÍTICA EM NIETZSCHE


UERJ- Programa de Pós graduação em Filosofia – Doutorado
Orientador: Fabiano de Lemos Britto

Nietzsche, em seu estado de enfermidade e solidão da década de 1880, vive um período


de crise em seus valores culturais que não são mais compatíveis com a vontade de saúde
e de vida que cria almejando a cura. Esse momento é o terreno ao qual ele efetua sua
crítica ao valor dos valores, crítica que, segundo ele, não havia sido antes executada
pelo fato de os “críticos” sempre partirem dos valores como princípios originários que,
por sua vez, já estariam dados a priori. Nietzsche, ao efetuar a crítica, volta-a contra si
mesmo, pois se compreende como participante dos valores culturais que critica. Então a
crítica é, simultaneamente, uma autocrítica e a genealogia uma autogenealogia. A
autobiografia nietzschiana marca um processo culminante com a ruptura não só
intelectual, no plano dos discursos, mas também na postura daquele que escreve. O
procedimento genealógico que Nietzsche faz para concretizar a crítica incita, por meio
do seu estilo de escrita, o leitor a realizar também a crítica o que, consequentemente,
provoca um reposicionamento, reflexivo e prático, do leitor. Portanto, nosso objetivo é
mostrar como Nietzsche, por meio da genealogia, formula sua filosofia como crítica e
autocrítica de forma que incite, também, o leitor a posicionar-se criticamente.

Palavras-chave: autocrítica; crítica; genealogia.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Bruno Victor Brito Pacifico
A INDÚSTRIA CULTURAL APÓS O FIM DA ARTE
Universidade Federal Fluminense
Programa de Pós-Graduação em Estética e Filosofia da Arte
Orientação: Vladimir Vieira

A presente comunicação tem como objetivo apresentar a relação da indústria cultural e a


tese do fim da arte, presente no volume I dos Cursos de Estéticas, obra póstuma do
filósofo Friedrich Hegel. A indústria cultural é descrita por Adorno e Max Horkheimer,
na obra A dialética do esclarecimento, publicada em 1944. O legado da tese hegeliana
do fim da arte é enorme se observarmos as leituras e interpretações filosóficas
elaboradas a partir do século XX. Sobretudo, aquela à qual pensa o fim da arte como um
problema fundamental para a reflexão e crítica acerca da sociedade e da cultura.A
indústria cultural é descrita num dos capítulos presentes na obra Dialética do
esclarecimento, publicada em 1944. Theodor W. Adorno e Max Horkheimer, ambos
pertencentes à reconhecida escola de teoria crítica, a Escola de Frankfurt, foram os
primeiros a mencionar o termo. Adorno tem como um de seus objetivos, refletir sobre a
relação entre crítica e cultura. Esta indústria se destina a neutralizar o exercício crítico
dos indivíduos porque está associada diretamente com um sistema de dominação, que
por sua vez incorpora aqueles indivíduos à ideologia do sistema. A cultura, portanto,
está integrada a reprodução material da sociedade. É integrada ao aparato da rádio, do
cinema e televisão que a divulgam. Servem de acesso à indústria cultural.

Palavras chave: arte; indústria; cultura.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Caio Moreira Bucker

O CONCEITO DE IMAGEM DE GILLES DELEUZE NO CINEMA DE FLUXO


UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO - UERJ
Programa De Pós-Graduação Em Filosofia
Orientador: Prof. Dr. James Bastos Arêas

“O cinema é capaz de pensar’’, já dizia Jean-Luc Godard (1930-). Os cineastas são


pensadores que pensam por imagens. Para o filósofo francês Gilles Deleuze (1925-
1995), o cinema pode ser visto como campo de experimentação do pensar e uma forma
extraordinária de pensamento. Inspirado pelo livro “Matéria e Memória’’ (1896), de
Henri Bergson, Deleuze afirma que “o cinema cria um movimento real e natural” e que
“os cineastas pensam por imagens’’. A partir disso, elabora duas teses, onde ambas
falam sobre o tempo, de forma diferente. Em 1983, publica o livro “Cinema 1: a
imagem-movimento’’. Dois anos depois, publica “Cinema 2: a imagem-tempo’’. A
primeira predominante no cinema clássico, e a segunda no cinema moderno. No cinema
clássico, observa-se que é através da montagem, indiretamente, portanto, que se
apresenta uma imagem do tempo. Já no cinema moderno, a lógica é inversa. O universo
fílmico se abre para a relatividade do mundo, com uma relação direta com o tempo. As
situações sensório-motoras são substituídas por situações ópticas e sonoras puras. A
partir de 2002, surge uma nova estética cinematográfica: o cinema de fluxo. Capturando
as marcas realistas do mundo, as narrativas são constituídas a partir de sensações, e
fragmentadas ao ponto da ambiguidade temporal. É um cinema que demanda um
comportamento regido pela ordem do sensível. Partindo dos conceitos de Deleuze sobre
a imagem, se atinge o cerne do problema: como ele conceituaria a imagem no cinema de
fluxo?

Palavras-chave: Deleuze; cinema de fluxo; imagem.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Caio Sarack
METAFÍSICA E FINITUDE: UM OLHAR ATRAVÉS DO ENSAÍSMO DE
PAUL VALÉRY E ERNESTO SÁBATO
FFLCH/USP
Filosofia/Estética
Orientador: Márcio Suzuki
Bolsista CAPES

Esta comunicação tem como objetivo expor uma maneira de enxergar a interface
metafísica e finitude. Concordando com Merleau-Ponty em seu texto O Homem e a
adversidade, acreditamos que a cisão ultrapassada de corpo-alma não foi resolvida
simplesmente pelo apaziguamento dessas questões metafísicas, porém o que poderemos
observar no ensaísmo exemplar de nossos dois autores, o argentino Ernesto Sábato
(1911-2011) e o francês Paul Valéry (1871-1945), é que o espaço dessas discussões se
tornará por excelência um espaço de debate estético. A escolha dos dois autores é
estratégica: Sábato observa em Valéry uma pretensão abstracionista e cientificista da
autoria, o que coloca o argentino numa posição de antípoda. Para tanto, elegemos um
objeto a que ambos os autores se propuseram em seus ensaios: Leonardo da Vinci. O
tema do renascimento na figura de Leonardo nos ajudará a contar uma história
subjacente (que irá ultrapassá-lo): a do próprio desenvolvimento histórico e social do
pensamento humano, tendo as criações intelectuais e artísticas como a cristalização
desse processo. Desta forma, traremos de duas proposições: (1) avaliar o símbolo criado
pelos dois autores da persona de Leonardo segundo a própria produção do gênio italiano
e (2) apresentar como essas apropriações demonstram, social e historicamente, a
interação que sugerimos no título desta comunicação.

Palavras-chave: metafísica; finitude; estética.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Campo Elías Flórez Pabón

GEOMETRÍA Y FÍSICA: EL NUEVO PARADIGMA DE CONOCIMIENTO EN


HOBBES
Universidade Estadual de Campinas
Doutorado em Filosofia
Orientadora: Yara Adario Frateschi
Bolsista da Organização dos Estados Americanos, OEA

La presente comunicación tenga como objetivo responder a la pregunta: ¿cómo opera la


ciencia en la Inglaterra que vivió Hobbes durante los años que produjo su Elementa
Philosophiae y el Leviatán?, además de responder ¿por qué esta “nueva ciencia”
(política, filosófica y matemática) se presenta como nuevo paradigma de producción de
conocimiento? Empero, pese a que mucho se ha escrito sobre el autor del Leviatán, se
analiza que son escasas las referencias al tema en particular. Es decir, en lo que se
refiere a pensar en Hobbes como pensamos en Thomas Samuel Kuhn, en la perspectiva
de creación de un nuevo paradigma científico, ya no en la modernidad si no en la época
escolástica. Para abordar, tal perspectiva, y responder los dos interrogantes, se propone
como método, describir el carácter científico de Thomas Hobbes como uno de los
primeros autores, que se atrevió a pensar la ciencia (política) como algo secular, mas no
secularizado, con base en sus observaciones geométricas y físicas. Concluyendo una
ciencia que no uso argumentos metafísicos ni sagrados, sino una disciplina científica
que quiso investigar o proponer los argumentos alejados de la religión para construir lo
que se conocía como verdad con base en la matemática y la física galileana.

Palabras clave: Ciencia; Elementa Philosophiae; Hobbes.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Carlota Salgadinho Ferreira

SOBRE O GOSTO E A REFORMA DO ESPÍRITO NA FILOSOFIA DE HUME


PUC-Rio
Doutoranda em Filosofia na linha de pesquisa de Filosofia Moderna
Orientador: Prof. Danilo Marcondes Filho
Bolsista CAPES

Hume empreende um projeto de compreender na Ciência do Homem todas as ciências


que, servindo-se de um determinado método (empírico, baseado na observação
numerosa e regular) permite o conhecimento da natureza humana em diversos aspetos
(por exemplo, com respeito às ações, ao gosto ou à sua apreensão de objetos externos).
O objetivo deste trabalho é tornar claro como a tarefa de explicar o refinamento do
gosto, a reforma do espírito, o bom senso, se articula necessariamente com a vontade,
mas não necessariamente com a liberdade num sentido forte (cuja busca é mais
eminentemente metafísica), a partir de trechos do Tratado da Natureza Humana, a
Investigação sobre o Entendimento Humano e ensaios presentes nos Ensaios Morais,
Políticos e Literários. A leitura a ser apresentada é a de que esse refinamento ou
reforma resultam da única aceção de liberdade (num sentido mais fraco) prevista pela
forma de conhecimento levado a cabo pelo método empírico, apesar de ter uma natureza
(inter)subjetiva, isto é, que não envolve apenas ideias e, com isso, a verdade, mas, mais
originalmente, impressões de reflexão. Julgamos que o interesse desta investigação
reside no facto de que o fenómeno do refinamento mostra claramente a natureza
humana, enquanto possuidora de uma vontade que pode tê-la a si mesma como objeto
de conhecimento, no que respeita aos seus afetos.

Palavras-chave: refinamento; vontade; conhecimento.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Carmel da Silva Ramos

DESCARTES: DO CARÁTER POLÍTICO DO AMOR


Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Programa de Pós-graduação Lógica e Metafísica (PPGLM)
Orientador: Ulysses Pinheiro
Bolsista CAPES

Em 1646, motivado pelas discussões com a princesa Elisabeth da Boêmia, Descartes


redige um pequeno tratado das paixões, no qual, em seus termos, pretende discutir tais
fenômenos do ponto de vista de um médico (en physicien). Enquanto as consequências
para sua física e sua moral parecem já ter rendido intensas discussões entre seus leitores,
seu caráter propriamente político (e talvez mesmo estético) ainda permanece oculto. Ao
mesmo tempo, observa-se certa tendência no interior da filosofia contemporânea para
pensar as relações políticas conforme dinâmicas afetivas – como o faz, por exemplo,
Frédéric Lordon, apesar de seu interlocutor ser fundamentalmente Espinosa e não
Descartes. Ainda que a recusa do cartesianismo tenha sua razão de ser – afinal, a
política, para ele, não era uma preocupação primeira, menos ainda no Tratado – é
possível deduzir, atentando especificamente para a paixão do amor, uma espécie de
princípio geral organizador da vida em sociedade. Para demonstrá-lo, será necessário,
primeiro, reconstruir a definição cartesiana de amor respondendo à seguinte indagação:
pode o amor puro, isto é, aquele que não surge unido ao desejo, ser desinteressado?
Embora Descartes pareça sugerir, à primeira vista, que sim, tanto pela natureza
necessariamente utilitária de todas as paixões – à exceção da admiração, que é uma
paixão cerebral e não cardíaca como as demais – quanto pelo próprio movimento de
posse por procuração das perfeições do objeto amado, pode-se reabilitar, contra certa
intepretação altruísta do amor presente na literatura secundária mais recente, o traço
interessado dessa paixão. Em seguida, enfatizando a relação de parte e todo idealmente
criada com o objeto amado, o amor poderá ser identificado com o princípio
moralpolítico cartesiano, que exige, além da consideração da participação num todo, o
posicionamento do bem público à frente do bem particular. As notas características do
amor poderão ser aplicadas a uma compreensão mais ampla deste princípio, já que, nele,
o processo de digestão das perfeições do objeto amado, e alegria derivada da

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
consciência da posse dessas, faz com que a composição deste todo seja do interesse do
indivíduo que ama. Desassociando interesse de egoísmo, tal aliança conceitual permitirá
reverter a lógica do contrato social, pois, diferentemente do caso hobbesiano, não
exigese a abdicação do bem individual para a composição de um estado civil.

Palavras-chave: paixões; política; amor.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Celia Mara de Oliveira Keirsbaumer

NANCY FRASER E A UNIFICAÇÃO QUESTÕES DE REDISTRIBUIÇÃO E


RECONHECIMENTO
Programa de Pós Graduação em Filosofia UERJ Mestrado

No decurso das últimas décadas do século XX, o âmbito normativo das sociedades
pluralistas do Ocidente passou a ser caracterizado por uma tensão cada vez mais
acentuada, qual seja: a tensão entre propostas e perspectivas de cunho liberal
redistributivista, por um lado, e propostas de viés comunitarista-reconhecimentista, por
outro lado. A supracitada tensão evidencia uma fratura, por assim dizer, no que
concerne à elaboração de concepções de justiça. As concepções de justiça
redistributivistas tendem a enfatizar as desigualdades socioeconômicas. Seu escopo é a
defesa de que uma sociedade justa é, precipuamente, uma sociedade no interior da qual
exista o mínimo possível de desigualdade de ordem material entre os cidadãos. As
propostas teóricas redistributivistas, assim, enxergam na estrutura socioeconômica
assimétrica, historicamente constituída, o problema básico a ser superado para a
consecução de uma sociedade efetivamente justa. As teorias da justiça do
reconhecimento, por outro lado, assinalam que, para a consecução de uma sociedade
efetivamente justa, a ênfase no aspecto estritamente material, socioeconômico, se
afigura, no mínimo, insuficiente. As propostas dos teóricos do reconhecimento chamam
a atenção para toda sorte de injustiças não decorrentes das assimetrias materiais, e que
constituem, essas sim, o verdadeiro obstáculo à consecução da justiça. O verdadeiro
problema a que se reportam essas teorias diz respeito às assimetrias de ordem
simbólico-cultural, a toda ordem de vexações, humilhações e ofensas a que são
submetidos cidadãos pertencentes a segmentos culturais socialmente estigmatizados.
Com efeito, as duas propostas normativas supracitadas mobilizam esforços para atacar
dois tipos aparentemente distintos de obstáculos à justiça: as desigualdades econômicas,
para os autores da redistribuição, e as desigualdades culturais, para os do
reconhecimento. Assim, parecem constituir duas concepções de justiça irreconciliáveis.
As duas concepções de justiça parecem, pois, realmente partir o cenário normativo
contemporâneo em dois conjuntos de propostas fadados a não configurar uma proposta
unificada de justiça. A filósofa americana Nancy Fraser discorda frontalmente da
asserção feita acima. Ela se propõe a articular as duas concepções de justiça em uma

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
proposta normativa que se pretende um encaminhamento teórico satisfatório para as
limitações das duas propostas acima mencionadas. Fraser busca articular as duas
propostas numa teoria de justiça unificada, fundada na complementaridade promissora
(identificada pela autora) entre redistribuição e reconhecimento. Nossa esforço será em
demonstrar como Nancy Fraser pretende articular essas duas propostas unificando-as.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Charles da Silva Nocelli

DIREITOS HUMANOS E SOLIDARIEDADE: UMA ANÁLISE A PARTIR DA


TEORIA DE JÜRGEN HABERMAS

Universidade Federal Fluminense/Universidade Estadual do Rio de Janeiro

Doutorando em Sociologia e Direito/Doutorando em Filosofia

Orientador(es): Cândido Duarte (UFF) e Luíz Bernardo Araújo Leite (UERJ)

Com o intuito de compreender sua concepção de solidariedade para a atualidade,


levasse em consideração o que Habermas veio a denominar como o princípio do
discurso. O diagnóstico realizado pelo autor aponta o estado em que se encontram as
sociedades contemporâneas na modernidade, e leva a compreender o modo pelo qual a
democracia pode funcionar a partir de um modelo comunicativo. Discutir-se-á sobre os
principais aspectos relacionados ao desenvolvimento da solidariedade como um
postulado da razão comunicativa e da ética do discurso na teoria de Habermas,
apontando quais são os principais elementos que constituem a base de seu argumento.
Apresenta-se sua concepção a respeito do que seria a solidariedade como um postulado
da razão comunicativa e da ética do discurso, propondo-se um conceito que leve em
consideração a passagem de uma solidariedade que se situa apenas no âmbito familiar,
particular e convencional, para uma solidariedade pós-convencional, cosmopolita e
cidadã. Assim, o objetivo desta comunicação é compreender como a solidariedade
social, a partir da teoria habermasiana deve ser entendida, em uma conjuntura mediada
comunicativamente, permitindo a criação de identidades individuais e,
consequentemente o próprio reconhecimento do “outro”, em uma apropriada relação de
simetria. A solidariedade como pano de fundo normativo da sociedade deve ser
cultivada, com o objetivo de se assegurar a coesão da comunidade de comunicação, uma
vez que esta apenas pode ser mantida por meio da ação comunicativa voltada para o
entendimento mútuo.

Palavras-chave: globalização; direitos humanos; solidariedade.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Christiane Costa De Matos Fernandes

LINGUAGEM E VERDADE NO PENSAMENTO MARTIN HEIDEGGER


ENTRE OS ANOS 1920 E 1930

Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ Instituto de Filosofia e Ciências


Sociais- Programa de Pós-Graduação em Filosofia (PPGF)

Orientador: Gilvan Luiz Fogel

Bolsita CAPES

A apresentação tem como objetivo central a interpretação da relação entre linguagem


(Sprache) e verdade (alétheia) no período do pensamento de Martin Heidegger entre os
anos 1920 e os anos 1930. Em Ser e Tempo (1927) a análise acerca da linguagem é
pouco extensiva, Heidegger apresenta as noções de discurso (Rede) - como o lógos
grego retraduzido- interpretado como fundamento ontológico da linguagem, e falatório
(Gerede) como um fenômeno através do qual a própria linguagem sempre se apresenta.
Contudo Heidegger parece não encontrar o fundamento do discurso (die Rede) a partir
de nenhuma ekstase determinada do Dasein, pois o discurso é "temporal em si mesmo".
Desse modo seu sentido ontológico, ou aquilo que sustenta sua origem compreendida
como seu sentido de ser a partir do desvelamento, não é elucidado em Ser e Tempo.
Assim, a partir dessa constatação, pelo comprometimento fenomenológico de
Heidegger, a estratificação da linguagem presente em Ser e Tempo não pode mais
manter-se após a viragem. Pois o fenômeno da linguagem precisa ser reconsiderado a
partir de si mesmo para que seja possível encontrar seu fundamento ontológico.
Considerando que a manifestação da linguagem, desde a análise em Ser e Tempo,
possui uma ligação com os entes na medida em que só pode dizer o que de algum modo
é (lógos tinós), após a assim chamada ‘viragem’ (die Kehre), a linguagem se rearticula
(1) em relação a sua origem e por consequência, (2) em relação a seu alcance como
escuta ao silêncio inerente ao ser. Portanto, é necessário avaliar como a verdade
(alétheia), a partir dos anos 30, compreendida como abertura para o encobrimento, está
essencialmente articulada com a manifestação da linguagem, pois a linguagem está no
interior mesmo do acontecimento da verdade na medida em que como escuta do ser, a
cada vez, só pode dizer o ente. Nesse sentido, a linguagem como escuta está relacionada

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
com a busca do vestígio de negatividade do acontecimento, ou seja, apontar para algo
que há, mas que não é como o ente. Possibilidade realizada, em última medida, pela
linguagem poética, ou lógos poético, pois esse acaba por se mostrar mais fundamental.
Aqui reside um ponto crucial da investigação: o lógos poético seria, então, uma
“correção” ao privilégio outorgado ao lógos apofântico em Ser e Tempo? O lógos
poético seria uma superação do lógos que exige a caracterização de toda enunciação
como síntese e diérese?

Palavras- chave: Heidegger; ontologia; fenomenologia.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Claudio V. F. Medeiros

PRÁTICAS DE LIBERDADE E/OU PRÁTICAS DE LIBERAÇÃO: ENTRE A


DESSUBJETIVAÇÃO E A REVOLUÇÃO
Doutorando em Filosofia pela UERJ / Professor Do Departamento de Filosofia da UFRJ
PPGFIL/UERJ
Orientadora: Vera Maria Portocarrero
Bolsista Faperj

O texto se dedica a elucidar e confrontar dois procedimentos de pensamento histórico-


filosófico importantes para a compreensão de formas e contextos de atuação política
atuais: a “estilística da existência” – situada no projeto de uma “genealogia do sujeito
moderno” de Michel Foucault – e a “teoria da revolução” no cerne do que seria uma
compreensão materialista de “história” marxiana. Poder e liberdade serão os dois polos
temáticos através dos quais iremos acessar estas duas matrizes do pensamento e
explorar as diferenças estruturais entre os dois autores. Com Foucault, delinearemos o
debate ético-filosófico norteado pelo jogo de relações entre cuidado e conhecimento de
si, no centro do qual emerge um quase-sujeito (sem natureza quididativa a priori) que
nutre com a verdade uma relação mediada por uma ideia de liberdade pensada como
“estilística da existência”. Já em Marx, a dinâmica histórica lida a partir da emergência
de um sujeito político, que é o proletariado, cuja práxis revolucionária consiste em
realizar as aspirações da liberdade ou autonomia individual pela eliminação dos
princípios que constituem a dominação de uma classe sobre outra, princípios estes que
seriam o trabalho determinado pela produção dos valores e a propriedade transformada
em atributo fundamental da individualidade.

Palavras-chave: filosofia política; Karl Marx; Michel Foucault.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Cleber de Lira Farias

O DEÍSMO DE DAVID HUME

Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ

Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Lógica e Metafísica - PPGLM


Orientador: Prof. Dr. Alberto Oliva

Hume é considerado um dos grandes filósofos britânicos pela extensão e profundidade


de seu pensamento, o qual abarca temas centrais da epistemologia, metafísica, moral e,
particularmente, religião. Considerando a relevância dos argumentos de Hume acerca da
temática religiosa, buscaremos na comunicação apresentar os argumentos por ele
desenvolvidos sobre o modo pelo qual podemos tentar saber se Deus existe, e quais são
seus atributos, a partir do prisma da causalidade, ao qual é conferido o papel crucial de
crivo epistemológico. No caso de Hume, essa óptica desponta como pano de fundo, uma
vez que a compreensão da causalidade resulta decisiva para a abordagem e
enfrentamento das questões religiosas. Sendo assim, basearemos nossa comunicação na
análise histórico-filosófica realizada por Hume e que se faz presente em sua obra
História natural da religião. Nela, busca compreender se a origem da religião é
predeterminada pela revelação ou se é subproduto da natureza humana. Por conseguinte,
distinguindo o teísmo supersticioso do teísmo genuíno, procuraremos compreender os
efeitos oriundos da religiosidade na vida e na conduta humana, tendo em vista que
Hume compreende que o progresso reflexivo humano se relaciona paralelamente com o
entendimento da divindade. Desse modo, pretendemos avaliar em que se estribam os
argumentos de Hume que questionam o surgimento e o desenvolvimento do sentimento
religioso no homem e que desembocam numa concepção deísta.

Palavras-chave: causalidade; crença; deísmo.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Danieli Gervazio Magdaleno

‘AS MÃOS SUJAS’, DE JEAN-PAUL SARTRE: DOS CONCEITOS


FILOSÓFICOS À ESTÉTICA TEATRAL

UNESP Marília – Universidade Estadual Paulista ‘Júlio de Mesquita Filho’


Programa de Pós-Graduação em Filosofia – UNESP
Orientador (a): Ana Portich
Bolsista CAPES

A literatura, em seu aspecto mais geral, representa para Sartre a possibilidade de


desvelar a condição humana, concepção defendida sobretudo em ‘Que é literatura?’. Ela
se torna um espelho crítico que, ao lançar a luz do esclarecimento, traz ao leitor a
consciência de seu lugar no mundo. Assim, pela própria ambiguidade da escrita, - por
ser significaçãodo que é real e ao mesmo tempo fruto do imaginário - através do teatro,
pode-se mostrar ao espectador sua condição.O personagem no teatro sartriano, por
exemplofuncionacomo um mecanismo de expressãodo ser-no-mundo, isto é, alguém
diante de questões relacionadas diretamente à condição de desamparo e liberdade em
que o homem se encontra. No teatro sartriano, a expressão de como o homem é
constituído não se dá através de caracteres morais prontos, construídos e expostos de
antemão, por isso, esses personagens não têm características fixas que impossibilitam
qualquer mudança de pensamento,estão todos por se fazer e se formar; o único caráter
constituído de antemão é o da escolha, frente às situações que o personagem enfrenta.
Na peça As mãos sujas, Hugo, personagem principal que estará presente em toda a obra,
está inserido em um ambiente que se mostra degradado e isso lhe causa desconforto e
sentimento de desamparo perante o futuro, levando-o ao conformismo. A partir dessa
situação o personagem começa a agir do modo como Sartre caracteriza a má-fé.
Palavras-chave: Sartre; estética; teatro.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Danielle Ferreira Da Rocha
ENSAIO SOBRE AS NATUREZAS FILOSÓFICA E NÃO FILOSÓFICA
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
PPGFIL-UFRRJ
Orientadora: Alice Bitencourt Haddad

Há dentro da obra A República de Platão um recurso chamado mentira útil, apresentado


pelo autor aos seus interlocutores da seguinte forma: “Se, de fato, dissemos bem há
pouco, se na realidade, a mentira é inútil aos deuses, mas útil aos homens sob a forma
de remédio, é evidente que tal remédio se deve dar aos médicos, mas os particulares não
devem tocar-lhe.” (PLATÃO. A República, 389b).Esclareço, ainda que de modo
sucinto, o que é uma mentira útil:considerando a obra A República é possível afirmar
que uma mentira útil caracteriza-se como um conteúdo misto, composto de verdades e
fabulações acerca daquilo que não se conhece.Porém, a partir desse tópico, como as
naturezas entram em questão? No trecho supracitado, a mentira útil é tomada como um
remédio, termo originário do grego phármakon, que serve para designar tanto o remédio
que cura, quanto o veneno que mata, seu efeito dependerá unicamente da dosagem
ministrada conforme a necessidade, e assim como a prescrição de remédios não pode
ficar ao encargo do paciente, mas sim do médico, a mentira útil também não deve ser
ministrada por todo e qualquer um, mas apenas pelo governante, e então faz-se
necessário analisar a qual das duas espécies [naturezas] é que se deve fazer chefe da
cidade? A filosófica, ou a não filosófica?
Palavras-chave: mentira; natureza; governante.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Danilo Mendes
O PROTESTO E O PODER DOS OPRIMIDOS: CONTRIBUIÇÕES DE RUBEM
ALVES PARA UMA HERMENÊUTICA FILOSÓFICA DA RELIGIÃO
UFJF
Mestrando em Ciência da Religião
Orientador: Frederico Pieper
Bolsista CAPES

Esta comunicação visa apresentar de que forma as releituras que Rubem Alves (1933-
2014) faz das críticas à religião de Feuerbach (1804-1872), Marx (1818-1883) e Freud
(1856-1939) contribuem para uma hermenêutica filosófica da religião. É possível notar
que Alves incorpora aos seus escritos os pressupostos destes autores, entretanto,
formula outras conclusões. Desta forma, pode-se dizer que suas considerações a cerca
do significado do fenômeno religioso são de altíssima importância, principalmente
frente à noção de que o "desencantamento do mundo" e a "secularização" não condizem
com as previsões da superação da religião anunciados por tais críticos. Assim, a
discussão e reinterpretação de tais teorias fez-se possível em Alves, não de modo a
revelar as "falsidades" presentes em cada uma delas, antes salientando o que em cada
uma parece condizer com sua leitura.Apresenta-se, então, de qual forma a crítica se faz
fértil para uma hermenêutica filosófica da religião que vá para além do posicionamento
apriorístico moderno, perpassando uma espécie de hermenêutica funcionalista e
chegando, enfim, a uma tradição que seja justa com o fenômeno e suas possíveis
compreensões. No limite, as contribuições de Rubem Alves para esta hermenêutica não
se justificam apenas no ato filosófico de interpretar uma das esferas sociais mais
complexas da atualidade - que acaba por perpassar diversos outros estudos. Justificam-
se também pela instrumentalidade na ação de transformar o mundo interpretado.

Palavras-chave: Hermenêutica filosófica da religião; Rubem Alves; Religião.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
David Velanes
O REALISMO INSTRUÍDO DA FÍSICA CONTEMPORÂNEA
Doutorando Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG
Programa de Pós-Graduação em Filosofia.
Orientadora: Profa. Dra. Patrícia Kauark Leite

Este trabalho tem como objetivo demonstrar a natureza da Física contemporânea a partir
da epistemologia de Gaston Bachelard. Para tanto, caracterizaremos a noção
bachelardiana de realismo instruído como ponto fundamental para se compreender a
nova base epistemológica da Física. A Física contemporânea instituiu um novo tipo de
realismo como base de pensamento em ruptura com o espírito científico clássico.
Bachelard afirma que é possível considerar o ano de 1905 como o marco de um novo
espírito científico, uma vez que a Relatividade rompeu com conceitos sedimentados e
tomados como inquestionáveis. Bachelard aponta que a Relatividade e Mecânica
Quântica não somente modificaram a forma de se pensar os fenômenos físicos, mas
também instituíram, como inovação, novos métodos de investigação. Então, rompe-se
com o mundo comum ao não exigir o real imediato para sua aplicação. A Física rompe
com o natural e institui o modelo teórico-matemático como instrutor da experiência
enquanto a atividade técnica apenas se aproxima indiretamente da Natureza. Então, a
nova Física se trata de uma ciência inventiva, que não tem como objeto de estudo os
fenômenos da realidade natural. Os corpúsculos são construções que não se tratam de
pequenos sólidos da realidade comum. Eles são fenômenos induzidos matematicamente.
Pode-se dizer que a nova Física é uma ciência artificial, pois seus objetos são
construídos através de técnicas totalmente novas e muito peculiares.

Palavras-chave: Bachelard; física; realismo.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Deysielle Costa das Chagas

ILUMINAÇÃO E GERAÇÃO: O NÃO-SER DA MATÉRIA E O VIR-A-SER DO


SENSÍVEL
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio)
Mestrado em Filosofia
Orientador: Renato Matoso Brandão
Bolsista CAPES

O presente trabalho tem por objetivo apresentar uma reflexão acerca da possibilidade da
geração, natureza e função da matéria sensível no sistema filosófico de Plotino. Para
tanto, utilizaremos os tratados presentes nas Eneadas, em especial o tratado Sobre a
Materia (II, 4 [12]) e Contra os Gnósticos (II, 9 [33]). Plotino, ao discorrer sobre a
ordem existente das realidades, apresenta-nos uma hierarquia das realidades
suprassensíveis originadas no Uno, seguidas pela Inteligência e pela Alma e a relação
desta com a matéria sensível. A matéria sensível, no tratado II, 4, é apresentada como
aquilo que é desprovido de função ontológica, de “ser algo”, ou seja, ela “é” um “não
ser”. Porém, esta mesma matéria é necessária na constituição da realidade sensível para
que ela possa ser distinta daquela realidade suprassensível que lhe atribui formas. Aqui
se revela o problema da conciliação da ideia de matéria sensível, enquanto
“privação/irrealidade”, ser condição necessária para geração da realidade sensível. Para
compreender essa ambiguidade, Plotino nos apresenta, em seu outro tratado (II, 9 [33]),
a relação entre as realidades sensível e inteligível como uma eterna iluminação da
matéria por intermédio da Alma. Por fim, analisar-se-á se esta eterna iluminação pode
ser compreendida como geração atemporal e constante dos seres sensíveis e, inclusive,
da própria matéria sensível.

Palavras-chave: ontologia; iluminação; matéria.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Dioclézio Domingos Faustino

A NOÇÃO DE HOMO OECONOMICUS E A CRÍTICA DO


NEOLIBERALISMO EM FOUCAULT
Universidade de São Paulo – USP
Filosofia – Programa de Pós-graduação em Filosofia
Orientadora: Marilena de Souza Chaui
Bolsista FAPESP
Trata-se de compreender como Foucault pensa o liberalismo clássico e, em
consequência, o neoliberalismo contemporâneo, e o que neles podem aparecer como
defesa de uma certa liberdade individual, de uma redoma que, embora circunscrita, nela
estariam salvaguardadas as liberdades individuais. Desse modo, ao apresentar o
problema do aparecimento do homo oeconomicus, Foucault oferece elementos de sua
posição, como ele mesmo diz, já na própria formulação do problema. E esta sutileza da
formulação foucaultiana deve ser enfatizada, e em especial contra uma certa leitura que
pretenda atribuir a Foucault, ao pensamento foucaultiano, a defesa de um tipo de
“liberdade” que encontraria fundamento, ou mesmo filiação, no regime liberal clássico
ou contemporâneo. A formulação foucaultiana consiste precisamente no seguinte ponto:
se, de fato, já mesmo no século XVIII, se tratava, com o homo oeconomicus, de garantir
uma esfera sob a qual a ação do governo não incidiria e, portanto, a construção de um
reduto de liberdade assegurada sob a figura, sob este “átomo”, que é o homo
oeconomicus no XVIII diante do “pesado” poder de um governo possível: ora, diz
Foucault expressamente, este não é, não foi, o propósito; ao contrário, deve-se ler o
homo oeconomicus “como parceiro, como vis-à-vis, como elemento de base da nova
razão governamental tal como se formula no século XVIII”. O ponto é que a invenção
do homo oeconomicus foi, na verdade, e Foucault mostrará, um elemento para uma
nova arte de governar, que teria a economia como princípio. Então, nem garantia de
liberdade individual, tampouco invasão da economia no governo. A operação foi um
tanto mais sofisticada: uma assimilação, uma introjeção, na arte de governar de
princípios da economia, criando, portanto, algo que Foucault formula, pois, como uma
nova razão governamental. E essa razão governamental, embora não se confunda com o
liberalismo clássico, encontra nele ancoragem.

Palavras-chave: neoliberalismo; governo; liberdade

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Diogo Silva Corrêa

A ARTE ARQUITETÔNICA NO MUNDO CONTEMPORÂNEO A PARTIR DO


PENSAMENTO DE JÜRGEN HABERMAS. UMA ABORDAGEM ESTÉTICO-
FILOSÓFICO EM MEIO A UMA RELAÇÃO DE PODER E A CRÍTICA À
CULTURA PÓS-MODERNA

Mestre em Filosofia

Docente UFMA

O presente trabalho parte de uma análise da relação de poder, tendo em vista a tese
habermasiana acerca da colonização do Mundo da Vida, no que tange algumas
intervenções de ordem estético-filosófico sobre a arquitetura como arte herdeira de uma
modernidade cultural e como representação ligada a fins sob o prisma do mundo
sistêmico, que inclui a economia, a administração bem como a função técnica e política
da engenharia civil na sociedade. Em escassos escritos de Habermas sobre uma crítica
da arquitetura pós-moderna evidenciou-se algumas análises na dimensão de uma relação
de poder, que por meio da arquitetura se amplia para as questões culturais e sistêmicas
no mundo contemporâneo. Com a proposta da Racionalidade Comunicativa, o
pensamento habermasiano, atrelado à questão do poder comunicativo e da distinção
Mundo Sistêmico e Mundo Vida, levando em consideração o funcionalismo
arquitetônico, obteve uma constituição de relações conceituais que provocam
significativas intervenções acerca dos desafios funcionalistas da arquitetura no mundo
atual diretamente voltados para a cultura e o homem do mundo atual a partir das
proposições de Jürgen Habermas.

Palavras-Chaves: arquitetura pós-moderna; racionalidade comunicativa; poder


comunicativo.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Diogo Carreira Fortunato

O JOGO DA DEFORMAÇÃO – UM PARALELO ENTRE DELEUZE E


RANCIÈRE
UERJ
Filosofia/PPGFIL
Orientadora: Prof.ª Dr.ª Marly Bulcão
No artigo Existe uma estética deleuzeana?, nosso ponto de partida, o filósofo francês
Jacques Rancière propõe-se em analisar a razoabilidade de uma estética deleuzeana
apesar de sua suspeição quanto ao significado do pensamento de Deleuze. Enquanto
arranjo, Rancière empenha-se em deformar o pensamento do autor para posteriormente
refigura-lo. Não só ele, mas também Deleuze veem como função do escritor desterrar o
autor tencionado. Em 1972 Deleuze dirige a Michel Cressole uma carta na qual expõem,
dentre outras coisas, sua compreensão da danosidade que representa a história da
filosofia a Filosofia. Em vista de escapar a esta repressão Deleuze principia por autores
contrários a tradição racionalista como Lucrécio, Hume, Espinoza e Nietzsche, polos
opostos ao hegelianismo e a dialética. Esse passa a se relacionar com os autores por
prazer, a exceção de Kant a quem considera um inimigo. Vê a si mesmo enrabando
(enculage) os filósofos e gerando-lhes um filho monstruoso o qual remete ao autor que
concomitantemente passa por desterramentos. Tal qual Rancière, temos em Deleuze um
deslocamento espacial dos autores que são retirados de sua zona de conforto –
influência, e realocados a um lugar ao qual antes não pertenciam. Ademais, o conceito
de jogo vede nos dois autores. Rancière cita em diversos livros e artigos o poeta e
filósofo alemão Friedrich Schiller, principalmente a Carta XV do livro A educação
estética do homem. A partir de sua leitura de Schiller e Kant é que Rancière
desierarquiza o sensível e o entendimento na arte, que passam a alcançar um sensível
heterogêneo através do seu livre jogo. É no regime estético da arte onde o livre jogo das
faculdades torna autônomo o modo específico da experiência, este conceito de jogo ao
qual associamos a nossa metodologia. Deleuze também aborda o conceito de jogo,
tratamos aqui de dois momentos: Décima Série: do jogo ideal, em Lógica do Sentido e
Tratado de nomadologia: a máquina de guerra, em Mil Platôs Volume V. De modo que
nossa apresentação versa sobre o jogo comum a Rancière e a Deleuze de deformação
dos pensadores.

Palavras-chave: Deleuze; Rancière; Jogo.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Diogo Alves da Conceição Santana
JACOB BOEHME E O NASCIMENTO DA FILOSOFIA
IDEALISTA ALEMÃ
Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Filosofia. Orientador (a): Regina Schopke

É possível determinar o nascimento da filosofia alemã? Postura controversa. Nietzsche


para tanto evocou o espírito da cultura greco-romana como legítima aos povos
germânicos, valores solapados com a cristianização, e antes, com o socratismo. A
reforma protestante luterana por sua vez tenta conciliar a “alma alemã” com um
cristianismo de índole subjetivista, possibilitando uma série de sincretismos culturais e
religiosos. Incidindo diretamente sobre a origem do pensamento filosófico alemão,
particularmente do idealismo. Nenhum recuo está alheio a riscos, sendo assim, a
proposta de Nietzsche ao evocar um passado emblemático como paradigma, torna-se
bem problemática diante da alternativa luterana de evocação de um presente a ser
construído. O presente trabalho tem como objetivo evocar a figura de um dos herdeiros
de tal empreendimento: Jacob Boehme (1575-1624), místico e sapateiro teutônico;
demonstrando como seu pensamento, configurando uma série de relações entre
gnosticismo cristão, alquimia e teologia luterana, influencia a filosofia de Hegel e
Schopenhauer, assim como outros filósofos leitores de sua obra e que correspondem ao
movimento idealista germânico, a partir de sua epistemologia e cosmologia.

Palavras-chave: Boehme; idealismo; filosofia alemã.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Douglas Ramalho

ALMA E VIDA NO DE ANIMA II 1-3 DE ARISTÓTELES


Programa de Pós-Graduação Lógica e Metafísica – PPGLM/UFRJ
Orientadora: Profª. Drª Carolina Araújo

Em De Anima, Aristóteles, objetiva investigar a natureza da alma e como ela é princípio


de vida. Assim, em DA II 1 se enuncia que a a alma é substância como forma de um
corpo natural que tem vida em potência. Esta definição pela forma permitirá que
Aristóteles deduza outras duas propriedades anímicas, a saber, que a alma é a atualidade
primeira e essência do corpo. Em linhas gerais, a definição pela forma estabelece a alma
como o princípio estruturante do ser vivente, determinando suas disposições e
propriedades específicas. Entretanto, a definição pela forma é genérica diante da
pluralidade dos modos de vida. Diante dessa insuficiência, DA II 2 enuncia a alma
como causa de vida definindo a alma como princípio das capacidades que denotam o
viver. Portanto, a definição pelas capacidades garante que a alma seja causa de vida em
sua pluralidade, já que é princípio da vida vegetativa, animal e humana através das
capacidades de nutrição, percepção e intelecção, respectivamente. A definição pelas
capacidades se desdobra, em DA II 3, na definição seriada na qual os tipos de alma se
dispõem em séries ordenadas hierarquizadas na qual a anterior subsiste na posterior em
potência, mas não o contrário. Ou seja, a atividade nutritiva subsiste potencialmente na
perceptiva, e esta na intelectiva, ainda que a vida vegetativa seja plena, bem como a
animal e a humana. Nota-se que há um conflito entre a primeira e as outras duas
definições, pois a definição pela forma é uma noção geral que nem enuncia a alma como
causa de vida nem sua disposição seriada. Assim, enquanto os comentários de Putman,
Ackrill, Bolton, Nussbaum, Everson, Code&Moravicsik interpretam a definição pelas
capacidades como a noção aristotélica de alma em detrimento da definição pela forma,
Polansky e Diamond enxergam unidade teórica e argumentativa entre as três. A hipótese
que sustento se alinha com o segundo grupo, argumentando que apesar da definição pela
forma ser insuficiente para enunciar os tipos específicos de vida e sua disposição
seriada, ela é a fundamentação ontológica sem as quais as definições pela capacidade e
seriada não se sustentam.

Palavras-chave: alma; forma; capacidade.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Eduardo da Silva Barbosa

A RELAÇÃO ENTRE OS SIMULACROS E AS PERTURBAÇÕES DA ALMA


EM LUCRÉCIO
Universidade Federal Fluminense Instituto de Ciências Humanas e Filosofia –ICHF
Programa de Pós-Graduação em Filosofia – PFI
Mestrado em filosofia
Orientador: Celso Azar Filho
Bolsista CAPES

A presente comunicação tem por objetivo elucidar como, na compreensão do poeta e


filósofo Lucrécio, os simulacros (emanações atômicas que se desprendem dos corpos)
interferem em nossa existência produzindo mitos, superstições e perturbações na alma.
Como continuador do epicurismo no mundo romano do século primeiro antes de Cristo,
Tito Lucrécio Caro compreendia a filosofia como um exercício prático voltado para
ética; Lucrécio julgava ser a filosofia epicurista a maneira mais competente para libertar
o homem do domínio das ilusões aterrorizantes e de suas consequências. Sua grande
preocupação foi livrar o homem do sofrimento e do temor provocado por crendices
absurdas sem fundamentos na razão, tornando-o capaz de viver sem as aflições da alma
que assolam desnecessariamente a existência humana. Desmistificar a realidade era o
caminho para eliminar grande parte de nossos tormentos; assim sendo, o entendimento
dos mecanismos de funcionamento da natureza (pelo atomismo) é de fundamental
importância, somente o apurado estudo da physis poderia libertar o homem das falsas
explicações oriundas de equivocadas conclusões sobre as leis que regem o mundo
natural. Nessa perspectiva, o homem seria capaz de compreender corretamente os
princípios fundamentais da realidade livrando-se das angústias e abrindo caminhos para
uma vida emancipada e prazerosa. A vida feliz é, para Lucrécio, o objetivo de toda
filosofia; filosofar é libertar-se do julgo das superstições e dos medos irracionais.

Palavras-chave: simulacros; Perturbações; physis.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Eduardo Eudes Prazeres Lopes Junior

REFORMA E REVOLUÇÃO NO ROMANCE OS DEMÔNIOS


Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
Mestrado acadêmico em Filosofia – PPGFIL-UFRRJ
Orientador: Affonso Henrique Vieira da Costa (PPGFIL- UFRRJ) Co-orientador:
Ulysses Pinheiro (PPGLM – UFRJ)
Bolsista UFRRJ/CAPES

Publicado em 1872, o romance Os demônios se insere na fértil tradição de romances


políticos russos, tipo literário que inclui outras obras célebres como Pais e filhos, de
Turguêniev, e o romance favorito de Vladímir Lênin, O que fazer?, de Tchernichévski.
Pretendo apresentar de que maneira os conceitos políticos de reforma e revolução se
enfrentam no romance Os demônios. Para isso, irei contrapor ao romance duas obras de
revolucionários russos do século XIX – o já mencionado O que fazer? e o panfleto do
radical niilista S. Netcháiev, O catecismo do revolucionário. A questão, importantíssima
para os russos letrados de então, deve ser vista por mais de um viés: primeiro é
necessário analisar as questões de classe, de modo que pretendo expor, ainda que
brevemente, as diferenças sócio-econômicas das duas classes sociais que eram
protagonistas dos debates – a classe majoritariamente revolucionária dos raznotchíntsi e
a classe majoritamente reformista da intelligentsia. Para além da questão de luta de
classes, pretendo expor como a questão se apresenta, também, em termos ético-políticos
nos três textos, de modo que a disputa se dá tantos em termos políticos sobre os meios
de produção quanto em disputas acerca do modo como devem viver as pessoas em suas
vidas íntimas – detalhe que se torna claro ao analisar as diversas estratégias que os
diferentes autores utilizam para defender suas concepções morais prediletas.

Palavras-chave: Dostoiévski; Tchernichévski; séc. XIX russo.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Emerson Facão

NATUREZA, HARMONIA, CONVENÇÃO E ECONOMIA: ALGUMAS


CONSIDERAÇÕES SOBRE O TRATADO ECONÔMICOS DE ARISTÓTELES.
Puc-Rio
Núcleo de Filosofia Antiga da Puc-Rio (NUFA)
Orientador: Danilo Marcondes
Bolsista CAPES

Independentemente da discussão que envolve a verdadeira autoria do tratado conhecido


na antiguidade pelo título de Econômicos (Perí oikonomías), que para muitos
especialistas pertence ao círculo aristotélico. Essa obra apresenta preciosas informações
sobre a organização sócio-política dos gregos no período clássico. Na literatura antiga, a
palavra economia é formada a partir de dois vocábulos: oikos (casa, propriedade e lar) e
do radical nem (administrar e organizar) que está na palavra nomos (convenção/lei), ou
seja, é a administração da casa, que não se restringe apenas ao espaço físico, mas
também refere-se a relação entre as pessoas que compartilham esse determinado espaço
que em um plano macro associa-se diretamente à busca da plenitude existencial
(eudaimonia) que é o fim último almejado pela cidade (pólis), segundo o próprio
Aristóteles no livro I da Política. É importante ressaltar que a dimensão política que está
relacionada ao plano macro não deixa de ter relação com o plano micro, e,
consequentemente, com a esfera ética. Sendo esse um dos principais objetivos que pode
ser subtendido através da leitura do tratado. O diálogo entre a Ética e a Política deveria
ser norteado pela estudo da ontologia que sabe contemplar a beleza do cosmo. Logo, o
homem precisa através da filosofia aprender a reconhecer a importância dessa relação
ao observar a Natureza (Phýsis) que engloba também a vida humana como uma parte
desse estudo que visa estabelecer uma relação de equilíbrio no mundo. A presente
comunicação visa apresentar alguns desses aspectos que podem ser encontrados na
leitura dessa importante obra aristotélica.

Palavras-chave: natureza; política; filosofia.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Fabien Pascal Lins

MICHEL DE MONTAIGNE E O MENTIR COMO CONHECIMENTO DE


SI:DISSIMULAÇÃO E FICÇÃO NO CAPÍTULO “DOS CANIBAIS” (I,31) DOS
ENSAIOS
Universidade Estadual de Campinas- Unicamp
Curso de Filosofia, Programa de Pós Graduação- Instituto de Filosofia e Ciências
Humanas- IFCH
Orientador: Prof. Dr Enéias Júnior Forlin- Unicamp
Bolsista CAPES

No capítulo ‘Dos Canibais’, Montaigne nos apresenta diversas informações acerca dos
costumes indígenas. Não tendo ele nenhuma experiência in situ da realidade ameríndia,
nosso filósofo funda seu conhecimento à luz dos testemunhos das “pessoas simples”,
cujo saber “topográfico” seria mais digno de confiança que o saber livresco das
“pessoas finas”, que “mentem cosmograficamente”. Todavia, ao consultar as fontes
bibliográficas inerentes ao texto, assim como a realidade histórica à qual remete,
percebe-se o quão Montaigne reproduz o que ele mesmo condena: após ter duvidado da
honestidade intelectual dos Cosmógrafos, ele mesmo não teria resistido “ao prazer de
alterar um pouco a História”.Em que medida, pois, poder-se-ia justificar a paradoxal
coexistência, no seio de um mesmo capítulo, dessa explícita exigência de honestidade e
de um conteúdo repleto de meias-verdades, intencionalmente elaboradas? “Meio mau,
para um bom fim”, parece-nos que o “mentir” seria o meio de alcançar o conhecimento
de si (objetivo maior ‘Dos Canibais’), e que se expressaria: a) como forma de
dissimulação. Procedimento estratégico relacionado ao contexto histórico no qual se
encontra Montaigne, que o leva a “mentir de boa fé”, elaborando um discurso de cunho
heterológico; b) como expressão da ficção. Postura epistemológica oriunda da relação
cética que nosso filósofo entretém com o conceito de verdade, que o leva a elaborar um
“mentir verdadeiro”, graças à força da imaginação.

Palavras-Chave: Montaigne; dissimulação, ficção.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Fábio Borges do Rosario

O CONCEITO DE CONFISSÃO DE CRIMES CONTRA A HUMANIDADE


Mestrando em Filosofia e Ensino pelo Centro Federal de Educação Tecnológica Celso
Suckow da Fonseca
Orientadora: Professora Doutora Talita de Oliveira e Co-orientador Professor Doutor
Luis Cesar Fernandes de Oliveira

Exploro neste trabalho as condições da Universidade, especialmente da Filosofia, como


local de investigação e confissão do racismo como impedimento do estabelecimento
pleno da democracia e da emergência da confissão da Escravidão, da Shoah e do
Apartheid como um ato performativo que possibilite a democracia por vir. Nesta
trajetória, identifico como interlocutor Jacques Derrida. Buscarei localizar neste filósofo
pistas para a compreensão da temática e da emergência da luta contra o racismo, isto é,
da fundamentação do conceito de antirracismo. Será examinado como a investigação do
conceito de racismo impossibilita a construção plena da democracia, especificando a
confissão da Escravidão, da Shoah e do Apartheid como crimes contra a humanidade
como a possibilidade da superação dos efeitos que tais acontecimentos produzem, e
argumentar que somente na democracia por vir o racismo será superado.

Termos chaves: racismo; confissão; democracia por vir.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Felipe Amancio

A ARTE E O CAOS EM BACON E DELEUZE: QUEBRA DE CLICHÉS E


RESISTÊNCIA POLÍTICA
PUC-Rio
Programa: Programa de Pós-graduação em Filosofia (Mestrado)
Orientador: Paulo César Duque Estrada

O presente trabalho visa investigar o pensamento de Gilles Deleuze desenvolvido a


partir de suas observações acerca da obra de Francis Bacon. Tratar-se aqui não de uma
análise focada nas qualidades artísticas, mas especificamente, de uma investigação
centrada em conceitos fundamentais que, consoantes à prática do artista, nos ajuda a
entender certas dinâmicas da criação. As considerações de Deleuze são tomadas em
conjunto com as de Bacon, sendo desta maneira apresentada a questão mais pregnante
aos dois autores: como escapar da representação na pintura? Como pintor, Bacon
enfrenta tal questão em suas telas pelo uso do acaso, das marcas ao acaso que formam
diagramas que o auxiliam a escapar dos clichês, da representação figurativa e narrativa.
Deleuze, de início, comenta tal prática pelo conceito de figural, de Jean
FrançoisLyotard, que nos auxilia a compreender imagens não abstratas e nem
naturalistas, e, posteriormente a partir do conceito de caos. Segundo o filósofo, na
pintura, o caos é acionado a partir do trabalho com o acaso, pela indeterminação das
marcas que deformam as figuras e assim, as aproximam do conceito de corpo sem
órgãos de Antonin Artaud, de formas de vida não orgânicas, não estruturadas
hierarquicamente. Deste modo, mais do que pela oposição à representação naturalista,
Deleuze destaca a obra de Bacon pela resistência política de suas figuras, que se
insurgem contra estruturações opressoras a diferentes formas de vida.

Palavras-chave: caos, pintura e representação.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Felipe Ayres de Andrade

A ALMA COMO UMA PÉROLA, UMA NOVA LEITURA DA IMAGEM DA


OSTRA NO FEDRO (250c4-5)
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Programa de Pós-Graduação Lógica e Metafísica (PPGLM)
Orientadora: Carolina de Melo Bomfim Araújo
Bolsita Faperj

No Fedro, Platão retrata os seres humnos como viventes compostos de corpo e alma.
Sua ênfase no estatuto metafísico da alma, enquanto fonte tanto do movimento
corpóreo, quanto do agenciamento da personalidade, é amiúde correlacionada a uma
visão inescapavelmente depreciativa do corpo e daquilo tudo que lhe é associado. Para
rechaçar essa leitura algo ascética do diálogo, eu me debruçarei sobre uma imagem, a
qual é costumeiramente considerada como um dos alicerces dessa vertente
interpretativa, a famosa metáfora da ostra (250c405), em que o corpo supostamente
seria comparado a uma tumba e a uma outra que enclausuram a alma. Um tratamento
tão abrasivo do corpo, argumentarei, não é exigido pela sua precedência metafísica
sobre o corpo, nem se sustenta a partir de uma leitura cuidadosa das imagens
encontradas alhures no mito da palinóda sobre a queda da alma e sua subsequente
encarnação. A alma cai porque perde suas asas, por conta dos conflitos entre suas
partes. Sem as asas, ela cai dos céus e, ao chegar na terra, encarna em um corpo. A
pessoa formada por essa união tem, então, duas opções. Ela pode esperar por quase dez
milênios, segundo a temporalidade do mito, para recuperar suas asas ou pode praticar a
filosofia a fim de reduzir drasticamente esse período para “apenas” três mil anos. Para
filosofar, no entanto, a alma precisa se valer das percepções sensoriais do corpo para
rememorar as Formas. Já que o corpo não tem influência alguma na queda da alma e, na
verdade, colabora para que seja superada, ele se mostra menos um obstáculo para a
contemplação do que uma ferramenta, conquanto limitada, para a rememoração. O
corpo, então, não seria como uma ostra porque aprisiona a alma e ativamente a limita.
Ao contrário, a metáfora apenas ressaltaria como o corpo protege a sua “pérola”, a alma,
conforme instaura uma relação cooperativa que permite à pessoa, à composição, como
um todo, recuperar suas asas psíquicas. O corpo não é algo que deve ser rejeitado o
quanto antes, mas um instrumento indispensável para a alma recobrar seu aspecto e

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
capacidade prévias à encarnação. A imagem, ao aconselhar uma certa relação entre as
componentes humanos, permite que se advogue em prol de uma nova noção de
personalidade, do “si mesmo”, baseada nessa dinâmica. A alma desempenha um papel
tão importante na vida humana, no mito platônico, que não seria possível conciliar tal
primazia com qualquer tipo de influência corpórea no desenrolar dos perigos que a
cercam. Ao rejeitar a leitura tradicional e negativa acerca do papel do corpo na vida
humana, em prol de uma bem mais neutra, tornar-se-ia mais fácil apreciar plenamente a
precedência metafísica da alma sobre o corpo e, outrossim, como ambos devem
cooperar para que a pessoa, formada por essas componentes, possa viver de maneira
verdadeiramente filosófica.

Palavras-chave: Fedro; imagem; Platão.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Felipe Maia da Silva

ASPECTOS DO ‘CARTESIANISMO’ MODERNO SEGUNDO HEIDEGGER


Orientador: Alex de Campos Moura
Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo (FFLCH/USP)
Mestrado em Filosofia Contemporânea
Bolsista FAPESP

Esta investigação trata de alguns aspectos marcantes da leitura heideggeriana de


Descartes. No contexto da ampla interpretação de Heidegger da história da filosofia a
partir do problema ontológico, a modernidade surge como a decisiva instauração de
uma posição metafísica caracterizada sobretudo pela primazia do sujeito. O pensamento
cartesiano é considerado inaugural, assim, não somente porque estrutura a res cogitans
como a primeira verdade adquirida segundo a ‘cadeia de razões’, mas também porque,
ao propor um método de investigação baseado numa certa compreensão do
entendimento matemático, estabelece uma nova forma de verdade a respeito do ente.
Nosso intuito aqui é apresentar o modo como Heidegger, a partir da apresentação da
gênese dos conceitos fundamentais cartesianos, insere o filósofo francês e sua influente
postura ‘subjetivista’ no interior de uma problemática mais ampla, a saber: a questão da
relação entre o homem e o mundo - a transcendência. Para Heidegger, nesse sentido, as
razões de certas aporias e inquietações modernas a respeito de uma resposta concludente
acerca da transcendência humana passam por uma deficiente colocação ontológica do
problema. Indicaremos, assim, em que sentido Heidegger, contrapondo-se ao
‘cartesianismo’ da modernidade, pretende estabelecer um novo espaço para a
elaboração da relação entre homem e mundo.

Palavras-chave: Heidegger; Descartes; metafísica.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Felipe Ramos Gall

TÉCNICA E ESPÍRITO DE VINGANÇA: UMA APROXIMAÇÃO ENTRE


HEIDEGGER E NIETZSCHE
PUC-Rio
Doutorando pelo Programa de Pós-graduação em Filosofia
Orientadora: Luisa Severo Buarque de Holanda
Bolsista CAPES

No pensamento tardio de Heidegger, isto é, após a chamada virada, o tema da técnica


apresenta-se como um dos mais essenciais. “Técnica”, para Heidegger, diz muito mais
do que um saber técnico específico, um know-how, e é algo muito mais profundo e
essencial que quaisquer maquinários ou invenções tecnológicas. A técnica também não
deve ser compreendida de modo antropológico-instrumental, isto é, como um meio para
um fim – instrumental, no sentido de ser um meio, e antropológica, no sentido de servir
a um fim designado pelo homem. A técnica é, antes, um modo de desencobrimento, isto
é, um modo da verdade, modo este que é privilegiado em nossa época. Tendo como
intuito compreender a relação hodierna entre verdade e existência, é dizer, de como se
dá a existência na época da vigência da técnica, o presente trabalho busca uma
aproximação com o pensamento de Nietzsche, em especial da ideia de “espírito de
vingança”, apresentada em Assim falou Zaratustra. A vingança, para Nietzsche, não é
um sentimento contra indivíduos, tiranos ou classes sociais; é contra o tempo, o
passado, o devir, a mudança, a finitude. É a própria essência da metafísica, ou seja, do
platonismo. Nossa hipótese é a de que o “espírito de vingança”, tal como concebido por
Nietzsche, manifesta exemplarmente a essência da técnica, entendida por Heidegger
como o ponto culminante da metafísica.

Palavras-chave: técnica; espírito de vingança; metafísica.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Felipe Ribeiro Siqueira

RUBEM ALVES E O ENSINO DE FILOSOFIA: LIBERDADE E AFETO


Doutorando em filosofia pelo Programa de pós-graduação em filosofia da UERJ
Orientador: João Ricardo Moderno

A nossa comunicação ambiciona apresentar algumas reflexões de Rubem Alves acerca


da educação tendo como foco as contribuições da disciplina filosofia no ensino médio.
O problema da educação está presente em grande parte da obra de Rubem Alves,
entretanto a educação no, chamado, ensino médio foi abordada de um modo específico
em A alegria de ensinar, Lições do velho professor, Ao professor, com meu carinho, A
escola com que sempre sonhei sem imaginar que pudesse existir, Entre a ciência e a
sapiência e Quarto de badulaques. Nessas obras, Rubem Alves destaca a importância
da disciplina filosofia por ela atuar em duas frentes que são os afetos e a liberdade. Em
relação aos afetos, Rubem Alves afirma que uma das finalidades da filosofia no ensino
médio é estimular a sensibilidade das relações estudante-escola, estudante-professor e
consequentemente estudante-vida. Para Rubem Alves, cabe ao professor não fazer da
filosofia algo para a faculdade do entendimento e sim para sentir. Desse modo, é feita
uma crítica à educação que tem como base a memória. A proposta de Rubem Alves será
uma educação fundamentada na imaginação criadora, desembocando, assim, num Ler-e-
sentir. Nesse contexto, a aliança com a arte passa a ser uma das mais importantes para
o professor de filosofia. Já em relação à liberdade, Rubem Alves destaca o papel do
professor de filosofia em fazer com que o estudante repense a própria estrutura do
sistema educacional.

Palavras-chave: Rubem Alves; educação; alegria.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Fernanda Cristina Lima de Oliveira

O PROBLEMA DA SUBJETIVIDADE NA FILOSOFIA DE KIERKEGAARD


Mestrado em Filosofia, PPGFIL/UERJ
Orientador: Luiz Bicca

Um bom primeiro passo para compreender a filosofia de Kierkegaard é procurar


entender a diferença entre sua concepção de sujeito e aquela de Descartes. Ao contrário
do filósofo francês, que concebe o sujeito primordialmente desde um ponto de vista
epistemológico, Kirkegaard constrói um ponto de vista que podemos chamar de
existencial. Ao situar o sujeito no âmbito da existência, Kierkeggard retirao da posição
de fundamento, seja epistemológico ou ontológico, e o coloca na posição de resultado
da atividade existencial. Para examinar esta ideia, exploraremos especialmente o
conceito de alma, tal como aparece no texto “Adquirir sua alma na paciência” um dos
“Quatro Discursos Edificantes”, de 1843. Entendemos que o termo “alma”, aqui, indica
algo da ordem do que chamamos de subjetividade. Porém, o próprio título do texto,
assim como o seu estilo exortativo, já indicam que a alma é algo a ser construído por
intemédio de uma certa atividade. Como critério para a boa execução desta atividade,
indica-se a paciência, que é um afeto relativo ao tempo e ao modo de desenvolvimento
da atividade. Assim, é possível trazer à tona o campo de problemas e temas que
permitem situar a noção de subjetividade na filosofia de Kierkegaard, evitando-se o mal
entendido de assimilá-la à tradição moderna proveniente de Descartes.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Filipi Oliveira

VONTADE DE FELICIDADE EM CAMUS


Doutorando PPGFIL UERJ
Orientadora: Dra. Maria Helena Lisboa da Cunha

Albert Camus (1913-1960) é conhecido pela sua contribuição ao pensamento filosófico


do século XX graças a sua aproximação com a corrente existencialista francesa. Na
verdade, se analisarmos de perto, Camus não pode ser nomeadamente elencado como
um pensador existencialista, uma vez que parte de seu arcabouço conceitual e literário
endereça rechaços declarados à tendência intelectual de maior expressão do período
pós-guerra capitaneada por Sartre. Camus, ao contrário de um filósofo existencialista
deve ser entendido, antes, como o filósofo do absurdo, isto é, como aquele que se
empenhou em travar uma discussão aprofundada sobre o tema da irracionalidade
premente na relação homem/mundo. Como conseqüência disso, Camus se deu conta de
que o absurdo implica em causas incompreensíveis e em resultados decisivos. O
homem, para Camus, desde o momento em que constata de que vive alienado ao seu Si
e privado inicialmente de “espírito” e de “existência”, que sua condição de vida é
composta por contradições violentas, percebe que isso abala a estrutura sobre a qual
antigos paradigmas estão consolidados. Brota daí o sentimento de absurdo nauseabundo
e incômodo que conduz o homem a um estado afetivo angustiado: a sensação de que o
tempo se esvai cada vez mais em direção ao passo final, ou seja, à morte. Então o que
fazer? “Só resta a ação”, conforme ele declara. Mas uma ação de natureza desesperada,
que quer a todo custo superar esse entrave fatal, buscando meios de resistir ou de se
entregar ao absurdo, levando-o mais adiante e assumindo a vida enquanto tal. Felicidade
é a exigência imediata daquele que se deu conta de que o absurdo é uma relação
essencial entre o homem/mundo. Sem a felicidade e sem o absurdo, outros princípios
éticos como a justiça, a verdade e a liberdade não podem ser abordados. Por isso, é
possível mapear a felicidade ao longo da obra camusiana, desde as primeiras crônicas e
narrativas, passando pelas peças de teatro, os grandes romances que lhe deram fama e
fortuna, seus artigos de jornal e, por fim, seus ensaios filosóficos. A noção de felicidade
em Camus não é nada mais do que uma “vontade” dirigida a se tornar a “mais eficaz
regra de ação” na qual o homem pode se conectar com o reino que lhe é próprio, com o
único meio com o qual ele é capaz de se relacionar: a vida terrena. Com vistas nessa
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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
análise, a presente comunicação busca compreender de que maneira a felicidade pode
convergir com o desespero mais agudo contrariando a tendência idealista de considerar
esse conceito ético incompatível com afetos negativos.

Palavras-chave: absurdo; felicidade; ética.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Flávio Telles Melo

DEMOCRACIA E RELIGIÃO EM HABERMAS: UMA POSSIBILIDADE DE


CONVIVÊNCIA EM UM ESTADO SECULAR NO CONTEXTO DE UMA
SOCIEDADE PÓS-SECULAR

Estudante do Doutorado Interinstitucional em Filosofia da PUC Rio com a UVA Ceará


Orientador: Prof. Dr. Danilo Marcondes de Souza Filho (PUC Rio)

Na perspectiva da teoria do discurso de Jürgen Habermas e de seu projeto de


democracia deliberativa, nosso trabalho tem como objetivo analisar a questão da
possibilidade, dos valores religiosos virem ainda a justificar o agir humano na esfera
pública política. Um dos desafios que nos impomos, para atingir essa meta, é aquele de
refletir como se dá a relação entre crentes e não-crentes no embate em que se pretende
fundamentar o agir humano. O diagnóstico de Habermas é o de que nossa sociedade se
encontra em um contexto de mundo pós-metafísico, onde o real não é mais pensado a
partir de axiomas e de pressupostos transcendentais. Assim sendo, as esferas da vida no
âmbito da cultura, do direito e da política não se sustentam em razões que vão para além
das realidades factuais, mas na racionalidade comunicativa consensual do ordenamento
jurídico elaborado pelos próprios concernidos., O Estado assume sua neutridade diante
das pretensões de validade exclusivista da metafísica. O Estado moderno secular é
aquele onde é exigida a separação entre o Estado e a Igreja e por isso as instituições
jurídicas e políticas devem ser rigorosamente imparciais em relação aos valores e aos
imperativos morais das religiões. Assim, o Estado liberal, por isso neutro, no entender
de Habermas, deve se propor a dirimir possíveis polêmicas entre convicções religiosas e
entre os cidadãos crentes e não crentes. Ao mesmo tempo, esse Estado neutro é
representativo da autonomia dos cidadãos, pelo uso público da razão, de uma sociedade
que agora denominamos de “pós secular”, refletida filosoficamente no pensamento pós
metafísico. A sociedade pós secular é caracterizada pelo reconhecimento público que se
dá a vários enfoques, à várias visões de mundo. Reconhece-se que a “modernização da
consciência pública” abrange tanto mentalidades religiosas como mentalidades
seculares e que ambas devem contribuir, em processo de aprendizagem, em “temas
controversos” da esfera pública política. Por fim, a possibilidade de convivência entre
crentes e não crentes se dá pela exigência que o contexto pós metafísico faz que se

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
traduza a linguagem religiosa à uma linguagem universalmente aceita por todos os
cidadãos e apoiada numa base de entendimento comum.

Palavras-chave: política; religião; pós-secular.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Gabriel Ferri Bichir

KIERKEGAARD CONTRA HEGEL: UM EMBATE ENTRE DOIS MODELOS


DIALÉTICOS
Universidade de São Paulo (USP) – Programa de Pós-graduação da Faculdade de
Filosofia, Letras e Ciências Humanas.
Prof. Dr. Vladimir Pinheiro Safatle
Bolsista CAPES

A presente comunicação tem como objetivo propor uma análise crítica dos modelos
dialéticos de Hegel e de seu antípoda, Kierkegaard. O aspecto lógico-dialético rigoroso
da obra kierkegaardiana foi por muito tempo ignorado pela tradição de comentários, que
se focava, sobretudo, em seu momento “existencial”, desprezando a centralidade de seu
embate com Hegel. Desde os anos 1990, observou-se um renascimento dessa temática
(sobretudo com o comentário-referência de Jon Stewart, Kierkegaard’s relations to
Hegel reconsidered) e a constante tentativa de precisar em que termos esse confronto
entre os dois pensadores deve ser entendido. Resgatando alguns elementos importantes
desse debate, buscaremos problematizar até que ponto é possível falar de duas dialéticas
distintas ou de um mesmo modelo com diferentes ramificações. Para tanto, dividiremos
a exposição em três momentos: no primeiro, tratar-se-á de introduzir a concepção
kierkegaardiana de dialética e como ela deve ser compreendida no interior de sua
produção como um todo; em seguida, apresentaremos suas principais críticas a Hegel,
tendo por guia problemas eminentemente lógicos (como a questão do início sem
pressuposição da Lógica hegeliana, seu conceito de movimento e de contradição etc);
por fim, buscar-se-á apontar a dimensão da dívida kierkegaardiana a Hegel, ressaltando
tanto os aspectos conflituosos como aqueles convergentes em suas filosofias.

Palavras-chave: dialética; Kierkegaard; Hegel.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Gabriela DeLuca
A VERSTEHEN SIMMELIANA E O PROBLEMA DO PERSPECTIVISMO
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Programa de Pós Graduação em Filosofia
Orientador: Felipe Gonçalves Silva Co-Orientador: Eros Moreira de Carvalho

Tendo em vista o problema da objetividade do conhecimento científico que orientava os


primeiros modelos filosóficos dirigidos à sustentação
das Geistwissenschaften (problema que já se colocava para autores como Dilthey,
Rickert e Windelband, para citar alguns), a comunicação procura reconstruir o quadro
epistêmico encontrado nos escritos filosóficos de Georg Simmel, salientando o modo
peculiar como o autor procura harmonizar seu perspectivismo metodológico com a
demanda por objetividade nas ciências humanas. Nesse quadro, a Verstehen, ou
compreensão, assume um papel central, primordialmente em sua filosofia da história.
Para Simmel, a investigação histórica deveria resultar em formas da história capazes de
manter o caráter vivo próprio de sua natureza e que é perdido no processo inevitável de
intelectualização que fragmenta os conteúdos. A compreensão simmeliana surge como o
processo, tanto metódico como fundamental, capaz de fragmentar e de recuperar a
continuidade própria da vida, através do uso dos chamados conceitos gerais escolhidos
por um sujeito. Pela dinamicidade da vida, pela multiplicidade de pontos de vista e pela
possibilidade de escolha do conceito geral, as formas da história serão diversas, de
modo que cada uma complemente o mosaico da realidade histórico-social. Assim, a
multiplicidade de formas é inerente ao processo de compreensão nas ciências humanas,
tornando o perspectivismo um facilitador na busca pela verdade, e não o contrário.

Palavras-chave: filosofia da ciência; Verstehen; Georg Simmel.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Gilberto Bettini Bonadio

SUBJETIVIDADE E ARTE: A CONSCIÊNCIA ÉTICA NO ROMANCE


SEGUNDO ALBERT CAMUS
Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP – campus Guarulhos
Doutorado/Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Federal de São
Paulo – UNIFESP – campus Guarulhos;
Orientador (a): Profª. Drª. Arlenice Almeida da Silva
Bolsista FAPESP

Este trabalho pretende investigar a reflexão de Camus sobre o romance enquanto obra
de arte e intervenção corretiva da inteligência do artista em relação às suas vivências.
Na obra O Homem Revoltado, o capítulo “Revolta e arte” evidencia a significação ética
e metafísica do romance que em seu próprio movimento criativo propõe a “correção” do
mundo real para que o homem encontre os limites e a forma que atribuiriam um sentido
às suas vivências; uma vez que Camus enxerga na atividade artística uma forma que
sugere outro valor à vida humana, a criação estética constitui-se então como a atividade
suprema pela qual o homem confere sentido à existência marcada pelo absurdo. Assim,
no chamado romance clássico francês, tal como o entende Camus, pode-se notar a
presença de inteligência ordenadora e exemplar que, à maneira de uma consciência que
age no mundo, confere uma forma ao sofrimento e às paixões humanas ao dominá-los
pelo discurso, oferecendo, com isso, a ilustração de uma conduta a ser seguida e o
estreitamento das relações entre arte e vida que, segundo o autor, o romance realiza. A
partir da investigação sobre a criação artística, podemos já vislumbrar as implicações
éticas para as quais a estética de Camus se inclina em vista de uma filosofia prática,
voltada eminentemente para questões que estimulem e possibilitem a reflexão e a ação
moral do homem frente ao sentimento do absurdo e da revolta.

Palavras-chave: Albert Camus; romance; ética.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Gilmar do Nascimento Santos
SOBRE A VALIDADE COGNITIVA DE ENUNCIADOS NORMATIVOS:
OBSERVAÇÕES CRÍTICAS ACERCA DO CONSTRUTIVISMO DE J.
HABERMAS
Doutorado em Filosofia/ PPGFIL UERJ
Orientador: Marcelo de Araújo
Bolsista CAPES

Por meio da distinção entre os sentidos de validade de proposições descritivas, por um


lado, e de proposições normativas, por outro lado, Habermas postula, especialmente no
texto Correção versus verdade: o sentido da validade deontológica de juízos e normas
morais, uma relação de analogia entre “verdade” e “correção”. Tal relação denota um
construtivismo normativo cognitivista, em bases rigorosamente deontológicas. O
objetivo da comunicação será sugerir que, não obstante o estabelecimento de uma
relação de analogia entre “verdade” e “correção” possuir plausibilidade, essa analogia
não precisaria ser defendida em um registro exclusivamente deontológico. Para a defesa
dessa relação de analogia, bastaria, com efeito, recorrer à tradição das teorias
nãodeontológicas do contrato social. Habermas, todavia, incorre em dois equívocos que
o levam a rejeitar por completo um construtivismo cognitivista de viés contratualista.
Mais precisamente, Habermas recusa a ideia mesma segundo a qual o contratualismo
poderia ser caracterizado como uma vertente normativa cognitivista. Os equívocos
supracitados são: a) a apreensão parcial de um traço distintivo básico das teorias do
contrato social, o autointeresse; e b) uma concepção por demais exigente das
possibilidades da racionalidade humana. A rejeição acima mencionada, por sua vez,
impede Habermas de oferecer uma justificação mais convincente do teor cognitivo de
proposições normativas.

Palavras-chave: construtivismo; Habermas; contratualismo.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Gisele Batista Candido
O NADA QUE É TUDO: UMA ABORDAGEM FILOSÓFICA DO MITO NA
OBRA DE FERNANDO PESSOA

Doutora em Filosofia pela Universidade de São Paulo - USP


Orientador: Prof. Dr. Márcio Suzuki
Bolsista FAPESP

O oxímoro expresso no verso inaugural do poema Ulisses de Fernando Pessoa condensa


de forma exemplar o caráter fictício e ao mesmo tempo fundamental que o mito adquire
em seus escritos: “o mito é o nada que é tudo”. Embora a ocorrência do mito no livro
Mensagem (1934) seja reconhecida por sua repercussão messiânica, política e
sociológica, que envolve a reinterpretação do sebastianismo e a edificação da identidade
portuguesa, a compreensão sintetizada no primeiro verso de Ulisses, poema que compõe
tal livro, reflete uma dimensão metafísica do mito que permeia toda a obra pessoana.
Diante da condição existencial contingente do ser humano, o discurso mítico surge
como artifício privilegiado pelo poeta, devido a sua potencialidade criadora, capaz de
“entrar na realidade e fecundá-la”. Conforme a peculiaridade de cada escrito, esse
discurso também assume diversas fisionomias e fomenta o pensamento poético-
filosófico característico de Fernando Pessoa, ao mesmo tempo em que é desenvolvido e
inclusive privilegiado por ele. Com efeito, além de criar uma espécie de panteão
peculiar com seus heterônimos, semi-heterônimos e personalidades heteronímicas, o
poeta desenvolve reflexões sobre política, linguagem, metafísica, ética e até mesmo
sobre sua própria aspiração, recorrendo a uma perspectiva mítica de alcance e
relevância filosófica. Este trabalho visa desenvolver um estudo sobre as variações do
discurso mítico na obra de Fernando Pessoa, considerando sua articulação com o
pensamento poético-filosófico do autor.

Palavras-chave: filosofia; mito; poesia.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Guilherme de Lucas Aparecido Barbosa
LITERATURAS DISTÓPICAS E O DESDOBRAMENTO DO PROGRAMA
BACONIANO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA
Universidade Federal do ABC (UFABC)
Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Filosofia
Orientador: Prof.ª Dra. Luciana Zaterka
Bolsista UFABC

As distopias tecnológicas da primeira metade do século XX [1984, Nós e Admirável


Mundo Novo, por exemplo] são sátiras políticas que criticam os ideais que permeiam o
tempo no qual foram escritas. Retratam de forma realista sociedades totalitárias que
utilizam, dentre outras coisas, da tecnociência como forma de coerção. Por realizarem
uma crítica à sua sociedade são herdeiras das ficções utópicas, representandouma etapa
posterior as utopias clássicas;utilizando da força do Estado para manter um projeto de
cidade. As utopias clássicas Seiscentistas [como: A Utopia (1516, Thomas More) e
Cidade do Sol (1602, Tommaso Campanella)] são o “não-lugar” (do grego: u- topos), a
negação da Europa dos séculos XV e XVI. A estrutura de uma utopia clássica, como a
de Morus e Campanella, faz-se ilustrada pela busca do paraíso terreno, pela geometria
de suas ruas e por certo interesse na ordem e na engenharia social. Os conhecimentos e
os avanços científicos vinculados a uma nova concepção de progresso fazem da The
New Atlantis (1624), texto utópico de Francis Bacon, uma importante obra para as
futuras utopias pós – século XVII, dentre estas as ficções científicas contemporâneas.
Nesta utopia estão expressos os ideais da filosofia baconiana de ciência como
tecnologia, no conhecimento-domínio, e do leitmotiv: Saber é Poder, uma concepção de
ciência que deve, sobretudo, visar o bem-estar da humanidade. Na filosofia de Bacon as
descobertas feitas pela ciência devem ter como objetivo facilitar a vida humana sobre a
Terra. Possivelmente, ao apresentarem sociedade demasiadamente tecnológicas e
opressoras, a literatura distópica contemple uma visão pessimista e crítica ao
desenvolvimento do conhecimento-domínio do programa baconiano de ciência e
tecnologia, devido aos desdobramentos do programa que não foram assimilados na
totalidade, ou seja, sem os ideais de Caritas (Caridade) e Commonwealth(Bem-estar da
comunidade).

Palavras-Chave: utopia; distopia; Francis Bacon.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Guilherme José Santini da Silva

A DOUTRINA DAS IDEIAS ETERNAS DE WILHELM VON HUMBOLDT

PUC-SP e IFMT

Doutorado em Filosofia/Pós-Graduação em Filosofia

Orientador: Mário Ariel González Porta

Bolsita CAPES

Em 1821, Wilhelm von Humboldt, fundador da Universidade de Berlim, escreveu um


artigo intitulado Über die AufgabedesGeschichtschreibers – “Sobre a Tarefa do
Historiador”. Endereçado à Academia Prussiana de Ciências, o artigo, como o próprio
título já diz, apresenta teses que falam de Historiografia. O que é a escrita da História e
como ela deve ser feita? -estas são as perguntasque Humboldt se propõe a
responder.Muito embora pareçaque o artigo contenha teses de interesse exclusivo para
historiadores, nós pretendemos assinalar que as teses ali contidas possuem interesse
para filósofos também, pois repousam sobre um tema cujo tratamento será decisivo para
a Hermenêutica filosófica: a interpretação e suas condições de possibilidade.
Alcançando o tema do conhecimento histórico, na medida em que o problematiza,
Humboldt insinuará no artigo uma crítica ao mesmo; crítica propriamente dita, em
sentido kantiano, como investigação das condições subjetivas de sua possibilidade; e
como possibilidade de conhecer a verdade de um fato histórico, já pressupondo que isto
é possível. Assim é que Humboldt chegará, no mesmo artigo, à formulação da doutrina
dasIdeias Eternas. O nosso objetivo será assinalar, então, que as teses ali contidas
podem ser consideradas seminais para a Hermenêutica filosófica; logo,que é um artigo
importante para a História da Filosofia Contemporânea.

Palavras-chave: Humboldt; hermenêutica; filosofia da história.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Guilherme T M Schettini

A RESPEITO DO USO DA MATEMÁTICA NAS CIÊNCIAS POLÍTICAS


Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Programa de Pós Graduação em Filosofia (PPGF)
Orientador: Jean-Yves Beziau
Bolsista CAPES

O fato da Matemática se aplicar adequadamente à realidade empírica pode ser objeto de


espanto para aqueles que, à semelhança de Eugene Wigner, concebem essa disciplina
como uma ciência inteiramente inventada “para os seus próprios propósitos”. Com
efeito, no caso de Wigner certamente o é: para o autor, a pertinência da linguagem da
Matemática para a formulação das leis da Física, por exemplo, não é outra coisa senão
um milagre. Há, no entanto, posições na filosofia da matemática contemporânea que,
sem apelo ao Desconhecido, pretendem explicar o porquê da aplicação aparentemente
bem sucedida da Matemática nas ciências empíricas. Os melhores exemplos disso são,
possivelmente, a tese do mapeamento e a concepção inferencial. Grosso modo, a tese do
mapeamento assevera que a Matemática pode (e é) aplicada às ciências empíricas
porque há uma relação de similaridade estrutural entre o “mundo empírico” e o “mundo
matemático”, funcionando este como um mapa daquele. A concepção inferencial, por
sua vez, reconhece a existência de mapeamentos entre o “mundo empírico” e o “mundo
matemático”, mas enfatiza que o papel fundamental da Matemática nesses
mapeamentos é o de produzir inferências (i.e., novas verdades a partir de “verdades
iniciais”), que de outro modo dificilmente seriam produzidas. Nesta comunicação,
pretendemos discutir o uso da Matemática nas ciências políticas, em especial no
Paradoxo de Condorcet e nas teorias de escolha pública, com ênfase nas perspectivas do
mapeamento e da concepção inferencial.

Palavras-chave: tese do mapeamento; concepção inferencial; Paradoxo de Condorcet.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Gustavo Bravo Carvalho

PROPRIEDADES DISPOSICIONAIS E CAUSALIDADE


UFRJ PPGLM – Programa de Pós-Graduação Lógica e Metafísica
Orientador: Guido Imaguire

Na história da filosofia a questão da causalidade é um tópico central. O que significa


dizer que X é causa de Y? Qual é o fundamento ontológico da relação de causalidade
entre os entes? A questão da causalidade é fundamental na medida em que o conceito de
causa é parte essencial de nossas descrições da realidade na linguagem ordinária e
também na linguagem científica, a despeito do famoso artigo de Russel, On the notion
of Cause (1912), que sustenta que a noção de causa não tem lugar na ciência. Nesta
comunicação abordaremos o tópico da causalidade a partir do chamado realismo de
disposições, tal como elaborado por John Heil em seu livro From an Ontological Point
of View (2003). Propriedades disposicionais se distinguem das chamadas propriedades
categoriais. Uma propriedade disposicional, em termos genéricos, é aquilo que torna um
ente qualquer capaz de certas ações específicas, por exemplo, a capacidade de um fio de
cobre para conduzir eletricidade. Por outro lado, propriedades categoriais dizem respeito
aos atributos que um ente possui e que não causam processos específicos em
determinadas circunstâncias, como, para retomar o exemplo, a extensão e a cor do fio de
cobre. Podemos considerar a disposição como uma capacidade para manifestar certo
comportamento quando determinado estímulo está presente em condições ambientais
adequadas. Segundo a metafísica das disposições, poderes causais são ontologicamente
irredutíveis a propriedades categoriais e mesmo a análise de locuções disposicionais não
pode ser feita em termos puramente regularistas ou contrafactuais. Para Heil,
disposições ou poderes causais são aspectos de propriedades de substâncias que
fundamentam as ações e as relações causais de um determinado agente. Toda disposição
tem como correlato um determinado tipo de manifestação. Assim, uma disposição como
a solubilidade é individuada pela sua manifestação característica. Entretanto,
manifestações não são disposições, porque estas existem ainda que não se manifestem.
Na visão de Heil, disposições são os veridadores (ou fazedores de verdade, truthmakers)
de proposições condicionais contrafactuais como “Se A não existisse, então B também
não existiria”. Nesse caso, B não existiria, porque depende do poder causal de A.
Segundo Heil, a redução de enunciados disposicionais a proposições contrafactuais –

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
como o faz Daviz Lewis, para evitar o compromisso ontológico com a existência de
disposições – é um beco sem saída porque não resolve a questão dos veridadores destes
condicionais, mesmo que a redução dos enunciados seja bem-sucedida (e Heil entende
que ela não é). Neste sentido, Heil é um realista acerca de disposições, porém, ele não
pensa que disposições sejam propriedades distintas das chamadas propriedades
categoriais ou ocorrentes. Propriedades são atributos de substâncias que as sustentam e
possuem tanto um aspecto categorial plenamente manifestado, quanto um aspecto
disposicional responsável por seus poderes causais.

Palavras-chave: ontologia; causalidade; disposições.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Gustavo Pereira

DIFERENÇA E EVOLUCIONISMO: QUESTÕES BERGSONIANAS


Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ
Doutorado/Programa de Pós-Graduação em Filosofia – PPGFil
Orientador: Ivair Coelho Lisboa R. de N. Itagiba Filho

A filosofia da diferença pensada por Bergson, em composição com os conceitos de


diferenciação e de impulso vital, abre espaço para uma potencialização fundamental
acerca da vida e para um alargamento do horizonte do evolucionismo. Pela
diferenciação, qualquer virtualidade potencial pode vir a atualizar-se, anunciando sua
concretude em existência sob a forma dos organismos vivos. Paralelamente, Bergson
marca o impulso vital como o autor do processo de diferenciação, a possibilidade da
expressão da diferença. Assim, o plano da diferenciação é exatamente o que se entende
por evolução: evoluir é transformar-se, atualizar-se; é instaurar novas composições,
assumir novidades vitais, através de um incessante movimento de atualização da
potência da vida, sob as mais diversas formas e linhagens biológicas, ao longo do
tempo, num processo biológico inesgotável de criação do inédito viável. Adicionando-
se a ideia de diferença como fundamento à evolução da vida, estende-se o fundo da
evolução biológica: ao lado da adaptabilidade dos organismos vivos às circunstâncias
ambientais objetivas, está a potência inerente da diferença interna à própria vida, seu
élan vital, estruturando novos planos de possibilidades para a eterna criação de
composições do vivo. É em associação a essas entranhas metafísicas da biologia que as
considerações aqui propostas ganham relevância de estudo. Este olhar sobre a diferença
é a novidade na filosofia de Bergson. Este é o triunfo da concepção da diferença
bergsoniana.

Palavras-chave: Bergson; diferença; evolução.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Irlim Corrêa Lima Júnior

PARADOXOS DO ABRUPTO: O CONCEITO DE EXÁIPHNES EM PLATÃO


PUC-Rio Doutorando em Filosofia
Orientador: Edgar Lyra
Bolsista da CAPES

No Parmênides, Platão expõe uma série de paradoxos e incongruências entre o uno e o


múltiplo, problematizando sua própria teoria das ideias, concluindo a obra em aporia.
Numa difícil passagem, o que se evoca pelo nome de exáiphnes possui uma natureza
estranha situando-se como termo intermediário entre os binômios uno/múltiplo,
repouso/movimento... Frequentemente traduzido por instante, esta tradução mascara a
natureza insólita do exáiphnes, pois Platão frisa que não se situa em tempo algum e,
portanto, não devemos compreendê-lo como um fenômeno interno à temporalidade do
mundo sensível. A palavra admitiria traduções como: súbito, repentino, imediato.
Assim, nada obstante possuir relação íntima com o acontecimento mesmo do tempo, o
súbito parece ser considerado por Platão de forma marginal à trama e à fluidez do
tempo. Como evento súbito – seja ele estruturalizante do tempo ou lhe sendo
extraestrutural –, é a instância paradoxal na qual as incongruências se mostram, por um
lado, simultaneamente possíveis e intercambiáveis e, por outro, indissolúveis em sua
antinomia inconciliável. A intenção deste trabalho será o de refletir sobre o caráter
paradoxal desse conceito, contextualizando-o e contrastando-o com noções cruciais que
integrariam à teoria das ideias, a fim de compreender certas aporias e superações
próprias do pensamento de Platão.

Palavras-chave: Platão; metafísica; exáiphnes.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Ítalo Alves

A CAPACIDADE NORMATIVA DA CONTINGÊNCIA


Mestrando Programa de Pós-Graduação em Filosofia, PUCRS
Orientador: Dr. Thadeu Weber
Bolsista CNPq

A contingência pode ser normativa? Em outras palavras, aquilo que tanto pode ser como
pode também não ser tem a capacidade de determinar o que deve ser? A questão, que
aqui perscruto com vistas à filosofia política, remonta à filosofia moral de Kant, para
quem a resposta era, basicamente, não – a lei moral é imperativa, necessária, não há
espaço para a contingência. Em Hegel, porém, duro crítico de Kant, a contingência
adquire papel central, servindo de motor para o desenvolvimento de todo seu edifício
filosófico. Neste trabalho, proponho uma investigação do papel da contingência no
sistema hegeliano com vistas a responder à questão inicial: a contingência é capaz de
normatividade política? Procedo, inicialmente, com uma exposição da dialética das
modalidades, seção da Lógica que demonstra que necessidade e contingência
imbricamse mutuamente. Em seguida, busco demonstrar como essa imbricação se
apresenta na Filosofia Real, primeiro na Filosofia da Natureza e depois, num grau
maior, na Filosofia do Espírito, reino da liberdade humana. Abordando especificamente
a Filosofia do Direito, argumento pela possibilidade de uma leitura em que: (1)
compreenda-se a normatividade processualmente, em níveis progressivos de
determinação do Conceito; (2) a contingência, embora passível de mitigação, nunca seja
extirpada do sistema e sirva como garantia da liberdade; e (3) a presença da
contingência nos permita inserir elementos como o dissenso e o conflito no próprio
processo de formação normativa.

Palavras-chave: Hegel; normatividade; contingência.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Jacira de Assis Souza

A FENOMENOLOGIA HERMENÊUTICA DO SI: O PARADIGMA DA


TRADUÇÃO
Mestranda em Filosofia pelo PPGFIL – UERJ
Orientadora: Dra. Elena Moraes Garcia

A hermenêutica do eu esta situada em igual distancia entre a apologia do Cogito e a sua


destituição. Ricoeur toma como equivalentes a filosofias do sujeito das filosofias do
Cogito. Tais filosofias têm um traço que lhes é comum: a oscilação da figura do Cogito
ora enfraquecido, ora fortalecido. A fenomenologia hermenêutica do si é formulada por
Ricoeur, ela experimenta de diversos modos a pergunta “quem”? . Procura pelo sujeito
moral da imputação. Essa é uma questão que traz em seu bojo uma polissemia inerente:
“ quem fala de quê? Quem faz o quê? De quem e de quê fazemos narrativa? Quem é
moralmente responsável de quê?”1 . Esses exemplos são suficientes para demonstrar a
extensão polissêmica da questão. Outro traço que marca a pergunta “quem” é a
contingência do questionamento que está ligada conjuntamente as divisões da gramática
das línguas naturais e o uso do discurso comum. A resposta para a pergunta “quem”
Ricoeur diz que é o “si”. O lugar privilegiado onde os problemas da identidade e da
alteridade se colocam é o campo da tradução. Porque é na tradução que a multiplicidade
das línguas, que serve como modelo das relações inter-humanas, que o exercício de
aproximação e distanciamento com o outro se dá. O que colocaria em articulação o
problema teórico da tradutibibilidade e o problema prático da atividade de tradução. A
inter-relação da competência e da performance no nível do sujeito falante. Diante do
dilema prático - nem fidelidade sem traição – o paradoxo teórico: a falta de um terceiro
texto que mostraria a identidade de sentido, a única saída é buscar uma equivalência de
sentido entre a mensagem da língua original e esse da língua do tradutor. O dilema se
assenta nessa equivalência presumida que dá lugar ao dilema prático fidelidade/traição.
A solução que Ricoeur aponta para este dilema está em forma de paradoxo: “levar o
leitor até o autor, trazer o 1 RICOEUR,Paul Si-mesmo como um outro, Campinas, São
Paulo: Papirus, 1991 p. 31 autor até o leitor”2 . A tradução em ato se transforma em
desejo de traduzir, desse modo revela seu caráter paradigmático; se revela como um
hospedar, um acolhimento do estrangeiro no seu habitat. Estrangeiro aqui, no sentido de
estranho, de algo que é outro de si. É essa consideração a hospitalidade lingüística que

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
coloca a nota moral sobre o desejo e o prazer de traduzir. Em Tempo e Narrativa III
Ricoeur introduz sua concepção de identidade narrativa, na obra Soi-même comme um
autre essa noção é desenvolvida numa reflexão radical do sujeito de modo não
subjetivista, Le juste 2 “o paradigma da tradução”. Pretendo demonstrar que o confronto
entre identidade e diferença se coloca na tradução.

Palavras chaves: identidade; tradução; alteridade.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Jessica Di Chiara

O QUE HÁ NO ENSAIO QUE POSSIBILITA A DIALÉTICA NEGATIVA


COMO MÉTODO?
Mestranda em Filosofia pela UFF, na linha de Estética e Filosofia da Arte
Orientador: Pedro Süssekind

Enquanto Benjamin ao ler, em 1937, parte da Metacrítica da teoria do conhecimento


comenta que “é preciso atravessar o deserto de gelo da abstração para alcançar
definitivamente o filosofar concreto”, Adorno anuncia no prefácio de sua Dialética
Negativa, em 1966, querer traçar justamente um caminho retrospectivo na filosofia:
partir do filosofar concreto para (talvez) chegar à abstração. A filosofia que, para
Adorno, esteve ligada idealmente a uma separação fundamental entre matéria e ideia
(ou entre sujeito e objeto, forma e conteúdo) porque pensada de forma pouco histórica,
teria necessidade de subverter essa proposta idealista de separação das esferas para que
a pergunta sobre a sua atualidade, principalmente após a morte de Hegel, pudesse
continuar a ser respondida. Pensando, sobretudo, o momento da produção (a forma do
pensamento que pela autorreflexão denuncia a inadequação entre coisa e conceito), o
método dialético negativo seria a interpretação materialista da história dessa razão que
produziu uma relação de identidade entre filosofia e idealismo. Desvencilhar a filosofia
de seu passado idealista e metafísico é revogar a ela uma tarefa específica: ater-se tanto
à matéria do mundo quanto à sua própria materialidade. O ensaio, que se movimenta
internamente por conceitos (a matéria da filosofia), e especula de forma privilegiada
sobre objetos específicos da cultura, ou seja, sobre obras de arte (a matéria enformada
do mundo) aparece, em O ensaio como forma, texto de 1958, como um modelo crítico
de escrita. Quando mesmo uma escrita engajada parece sucumbir ao domínio do
mercado, como pensar que existe algo na própria tessitura do texto, algo como forças
atuando dentro dele que movem o pensamento ao invés de paralisá-lo? A autocrítica
teria a ver com esse procedimento? À pergunta lançada por Adorno sobre a
possibilidade de se escrever poemas depois de Auschwitz, este trabalho devolverá a
seguinte pergunta: “É possível escrever filosofia diante de todo o sofrimento?” ou
“Como escrever filosofia hoje?”. Este trabalho se propõe, assim, a pensar junto com
Adorno o que a escrita filosófica, particularmente o modelo crítico de escrita filosófica
que é o ensaio, pode inaugurar. O que é que o ensaio abre nessa relação entre ideia e

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
matéria (entre forma e conteúdo, entre sujeito e objeto)? Por que uma aposta no ensaio?
O que, por fim, há no ensaio que possibilita a dialética negativa como método?

Palavras-chave: Theodor W. Adorno; dialética negativa; ensaio.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
João Gabriel Paixão

JAMES BLAKE OU O NÃO-SER COMO ARTE


Universidade Estadual do Rio de Janeiro
Orientador: Noéli Ramme
Bolsitas CAPES

O ponto de partida desta pesquisa é o trabalho do músico James Blake cuja obra é feita
com grandes zonas de silêncio que são como buracos vazios impostos no interior das
composições. Somando-se a este vazio, ainda estão o uso de graves muito profundos,
mais tácteis do que melódicos, e de distorções e ecos nos sons em geral, o que abre a
uma atmosfera sonora menos lúgubre do que árida, devido à “pobreza” de sons ali
trabalhados. A partir daí, este projeto quer articular o trabalho deste silêncio com o
conceito de negatividade, do não-ser, caro particularmente a Hegel, através da seguinte
lógica conceitual: (1) a música de Blake é atraída para o silêncio, ou seja, para o que é
negativo à música, como se essa atração levasse-a a sair do terreno propriamente
musical; (2) a música é incapaz de “sair” da música, porque obviamente deixaria de ser
música, de forma que esta atratividade do vazio é uma reflexão da música sobre si
mesma (porque passa a compreender seus limites). Este percurso realizado, do vazio à
reflexividade, espelha ao percurso da própria consciência, tal como demonstra Hegel,
avançando através de um momento de negatividade para uma síntese posterior de
reflexividade. A arte, sendo assim um espelho da consciência, pode pensar?

Palavras-chave: negatividade; reflexividade; Hegel.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Johanna Andrea Bernal Mancilla

A NOÇÃO DE MULHER-OBJETO: UMA LEITURA DESDE A TEORIA DA


TROCA SIMBÓLICA DE JEAN BAUDRILLARD
Doutorado em filosofia na Universidade Federal de Minas Gerais, Grupo de Pesquisa:
Filosofía, educación y pedagogía (Colombia)
Orientador: Telma Birchal Coorientadora: Magda Guadalupe dos Santos
Bolsista CAPES

A partir das teorizações da troca simbólica e da sedução, Jean Baudrillard mostra que na
história existe, pelo menos, três modos de produção: o intercâmbio primitivo, o
capitalismo e o post-fordismo, e que cada um deles configura três ordens econômicas
com diferentes regras e leis. De maneira que, nas sociedades originarias se configura a
ordem do intercâmbio primitivo com seu princípio de reversibilidade: dar, receber e
retribuir, nesta ordem se diz que circula um objeto-símbolo; nas sociedades capitalistas
se configura uma ordem regida pela lei de equivalência: valor de uso/valor de troca e
um princípio de acumulação que põe em circulação um objeto-mercadoria; por último,
nas sociedades post-fordistas configuram uma ordem do consumo na qual o valor-signo
põe em circulação um objeto-signo. Nessas três ordens econômicas as relações entre
sujeito e objeto se modificam, pois no intercâmbio primitivo das sociedades originarias
e no intercâmbio das sociedades post-fordistas entram em relações que Baudrillard vai
chamar como relações de sedução, a diferencia das relações de poder e negação que
surgem nas sociedades modernas e capitalistas. Para o pensador francês, se o objeto
pode adquirir diferentes conotações quando entra em outras ordens de intercambio
diferentes à ordem mercantilista e capitalista, então não resulta tão contraproducente
pensar à mulher como objeto, já que este lugar não assinalaria simplesmente uma
relação de dominação ou opressão. Neste projeto de pesquisa procura-se ampliar a
perspectiva da noção de mulher-objeto que tem sido trabalhada por algumas teóricas
feministas como Luce Irigaray, Celia Amorós, Catherinne Mackinnon e Carole
Pateman, as quais enfatizam na ideia de que no momento em que as mulheres não
podem ser sujeitos de direitos, sujeitos nos intercâmbios e, pelo contrário, elas são
assumidas como objetos pelos homens, então surgem as relações de opressão. A
intuição que seguimos com as teorias de Baudrillard é que resulta possível pensar à

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
mulher no estatuto do objeto como uma mulher objeto-símbolo ou uma mulher objeto
signo, sem que este lugar remita a um estado de opressão ou exploração.

Palavras chave: troca simbólica; mulher-objeto; Jean Baudrillard.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Juliane Bianchi Leão Mendes

FOUCAULT, ESTRUTURALISMO E MAIO DE 1968


Uerj Mestrado – PPGFil
Orientador: Prof. Dr. Fabiano de Lemos Britto
Bolsista Faperj Nota 10

O evento maio de 1968 ocorrido na França reuniu críticas e questionamentos a diversos


aspectos da sociedade da época. O “movimento” estruturalista – muito influente na
intelectualidade francesa até então, em áreas tão diferentes como psicanálise, linguística
e filosofia – não passou imune; um dos famosos grafites dos jovens de maio foi
precisamente “As estruturas não saem às ruas”; uma clara crítica dos estudantes a
alguns dos pressupostos estruturalistas. François Dosse, em seu A História do
Estruturalismo coloca 1968 como marco para a reconfiguração de questões no
estruturalismo/pós-estruturalismo. Julian Bourg afirma que os eventos de 1968
colocaram questões que geraram uma virada ética em diversos autores do período. O
presente trabalho aponta em que medida esse evento foi importante no desenvolvimento
do trabalho de Michel Foucault com ênfase no problema do sujeito; apontando algumas
respostas que ele apresentou para questões levantadas pelos eventos de maio. Trata
também da relação de Foucault com o estruturalismo, que passou de uma proximidade
explícita em 1967, logo após a publicação de As Palavras e as Coisas, para um
afastamento enfático em 1972, momento em que ele afirma nunca ter sido estruturalista.

Palavras Chave: Foucault; estruturalismo; maio de 1968.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Kailla Santos

DESRESPEITO E PATOLOGIAS SOCIAIS NA TEORIA DO


RECONHECIMENTO DE AXEL HONNETH
Universidade Federal do ABC
Pós Graduação em Filosofia
Orientador: Silvio Carneiro

Reconhecimento é um conceito chave para compreender a atual realidade social. É uma


categoria de origem hegeliana que tem sido atualizada pelos filósofos políticos
contemporâneos afim de entender os conflitos gerados pelo capitalismo globalizador
que acelera as relações transculturais, pluralizando os horizontes de valor e politizando
as diferenças. Axel Honneth, filósofo alemão e teórico critico, em sua obra Luta por
Reconhecimento: a Gramática Moral dos Conflitos Sociais propõe uma teoria do
reconhecimento que pretende entender como os indivíduos e os grupos sociais estão
inseridos e se relacionam na sociedade. Essa teoria inclui uma categorização da
realidade social que aparecem em três esferas: amor, direito e solidariedade. A luta pelo
o reconhecimento acontece quando somos desrespeitados dentro de alguma dessas
dimensões. Esse desrespeito além de prejudicar a autorrealização plena do indivíduo em
sociedade, é a base para o desenvolvimento de patologias sociais. Este trabalho
intenciona tratar como Honneth articula sua argumentação dentro da teoria do
reconhecimento, partindo da noção de desrespeito e de seus exemplos, para expor o
desenvolvimento da sua elucidação com relação as patologias sociais e seus
desdobramentos, prevenção e ou recuperação.

Palavras-chaves: reconhecimento; patologias sociais; desrespeito.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Kaline Viviane de Souza

DAS CONSIDERAÇÕES EXTEMPORÂNEAS À GENEALOGIA DA MORAL:


UM PERCURSO DA APROPRIAÇÃO E CRÍTICA DO SENTIDO HISTÓRICO
NA FILOSOFIA DE NIETZSCHE
Universidade de São Paulo (USP) – Programa de Pós-graduação da Faculdade de
Filosofia, Letras e Ciências Humanas
História da filosofia contemporânea
Orientador: Prof. Dr. Carlos Alberto Ribeiro de Moura

Esta comunicação terá como objetivo apresentar um estudo a respeito da transformação


do conceito de história ou ainda sobre o sentido histórico em dois momentos diversos da
filosofia de Friedrich Nietzsche. Partimos, assim, de um de seus textos considerados de
“juventude”, no caso a Segunda Consideração Extemporânea: sobre a utilidade e
desvantagem da História para a vida (1873), chegando até o período tardio da
Genealogia da Moral (1887). Por meio de tais textos, a intenção é mostrar qual o tipo de
apropriação e concomitante crítica que o nosso autor faz da história levando em conta as
mudanças operadas em seu referencial teórico; o que Nietzsche entende por História ao
mesmo tempo em que é modificado mais tarde mantém traços essenciais do que foi
primeiramente desenvolvido. Enquanto pensador alemão da segunda metade do século
XIX e homem de seu tempo, Friedrich Nietzsche, desde cedo já anuncia os perigos da
autonomização da história como um saber e seu consequente caráter totalizador, bem
como nos mostra qual utilidade esta pode ter à afirmação da vida; não se desfazendo
dela por completo. Ou seja, é a crítica aos excessos históricos da Segunda Consideração
Extemporânea que permitirá a retomada genealógica e consequente da história para se
perguntar sobre a origem dos valores da modernidade e a recusa à metafísica platônico-
cristã. Fundamentaremos tal relação, portanto, através da centralidade e continuidade
em seu pensamento do “conceito” de Vida.

Palavras-chave: história; vida; Nietzsche.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Karoline de Oliveira
AS LIBERDADES INDIVIDUAIS EM JOHN STUART MILL: UMA ANÁLISE
DO PROBLEMA DA PASSAGEM DO LIBERALISMO AO UTILITARISMO
Mestranda em Filosofia no PPGFIL-UFRRJ
Orientador: Walter Valdevino Oliveira Silva
Bolsista CAPES

A fim de pensar como a equação composta por Estado, sociedade e indivíduo pode se
organizar para tornar-se equilibrada, o filósofo liberal inglês John Stuart Mill (1806-
1873) escreveu em 1859 o ensaio Sobre a Liberdade, no qual nos apresenta argumentos
que tentam demarcar os limites das intervenções do Estado e da sociedade na vida do
indivíduo. Se considerarmos apenas a concepção política liberal de Mill, não teríamos
grandes problemas para defender que situações em que as ações dizem respeito a um
indivíduo adulto e em pleno gozo de suas faculdades mentais – sendo ele diretamente o
único afetado/prejudicado por suas ações – devam ser livres de intervenções estatais. O
grande problema surge quando o filósofo inglês assume um posicionamento ético
utilitarista, que estabelece que uma atitude moralmente correta é aquela que maximiza a
felicidade do maior número de pessoas. Ora, se, por um lado, Mill defende que o
indivíduo deve ter liberdade irrestrita para agir quando o principal afetado por suas
decisões é ele próprio, por outro lado, ao assumir uma postura utilitarista, parece que a
liberdade individual, sempre vista como algo a ser defendido acima da tirania de
qualquer governo e da opinião pública, é colocada em risco. O presente trabalho
pretende analisar passagens contidas nas obras On Liberty (1859) e Utilitarismo (1861)
e apresentar duas das possíveis formas de encarar o problema.

Palavras-chave: liberalismo; utilitarismo; compatibilidade.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Kissel Goldblum
A SUPERAÇÃO DA HERMENÊUTICA SUBJETIVA NA TEORIA DO
CONHECIMENTO DE SPINOZA
Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Filosofia e Ciências Sociais,
Programa de Pós-Graduação em Metafísica e Lógica
Orientador: Dr. Ulysses Pinheiro

Na primeira parte da Ética, na qual Spinoza trata sobre Deus3, o autor expõe a estrutura
ontológica do mundo, baseada em uma substância única composta por infinitos
atributos, cada um dos quais modificados por infinitos modos: “Pois além da substância
e dos modos nada existe, e os modos nada mais são do que afecções dos atributos de
Deus.” (SPINOZA, 2007, p. 51). Se além de Deus não pode existir outra substância,
devemos compreender o homem como um modo de um atributo de Deus e não como
uma substância separada da Natureza. Parte essencial da Ética, os gêneros de
conhecimento4, são as maneiras pelas quais é possível conhecer a substância e seus
atributos. Estes mesmos gêneros do conhecimento têm sido, tradicionalmente,
analisados da perspectiva de faculdades humanas e consequentemente são
compreendidos como interpretações de uma hermenêutica subjetiva. Pretendo expor
uma linha de análise que revela o processo de conhecer de maneira distinta, a saber:
tomando-o como o próprio meio pelo qual Deus conhece a si mesmo, isto é,
compreendendo o estudo da epistemologia spinozana como inerente à sua teoria
ontológica. “Seus três gêneros do conhecimento não se referem a três gêneros de
alguma faculdade humana; ao contrário, eles são as três maneiras pelas quais Deus
conhece a sua própria natureza.” (VINCIGUERRA, 2012, p.136)5.

Palavras chaves: epistemologia; ontologia; conhecimento.

3
Vale ressaltar aosnãofamiliarizados com o conceito de Deus na obra de Spinoza - endende-se Deus como Natureza
ou Substância, ou seja, Spinoza não conserva nenhuma característica religiosa ou antropomórfica de Deus.
4Cf. SPINOZA B. Ética, Parte II, Proposição 40 (2007, pp. 130-134). Os trêsgêneros do conhecimento, a saber, a

imaginação, a razão e intuição estruturam aquilo que podemos chamar de teoria do conhecimento de Spinoza.
5“His three kinds of knowledge do not refer to three different human faculties; instead, they are the three ways in

which God knows his own nature, modified as it is by infinite and finite modes, some of them human ones.”

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Leandro Rocha dos Santos

LUTA POR RECONHECIMENTO: AGENDA DE LUTAS, ONDA


CONSERVADORA E ATAQUES ÀS LIBERDADES
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
Mestrado em Filosofia Programa de Pós-Graduação em Filosofia – PPGFIL
Prof. Dr. Walter Vadevino Oliveira Silva
Bolsista CAPES

Inspirado em algumas discussões filosóficas sobre o problema das liberdades


individuais, o objetivo deste trabalho é oferecer luz às discussões filosóficas e políticas
da luta por reconhecimento de direitos sexuais das pessoas LGBT e inferir as reais
consequências que a sua não concessão provoca, refletindo desde a ausência de políticas
públicas e direitos civis, por exemplo, até processos de exclusão e estigmatização.
Como efeito disso, percebe-se um expressivo aumento das violências, que são
fomentadas por diversas instituições sociais como a família, a igreja e pelo próprio
direito – por meio de seus legisladores, instâncias e ordenamentos jurídicos –,
reificando, ao que nos parece, esse estigma social brasileiro que são as violências contra
a população LGBT. Em uma época em que as liberdades individuais das pessoas LGBT
vêm sendo constantemente restringidas, mesmo diante de significativas conquistas,
surge a necessidade de pensar quais são os agravantes da ilegítima intervenção da
sociedade e do Estado na vida de seus membros. O pluralismo e as diferenças são
características marcantes da sociedade moderna, e é a partir deles que pensaremos os
direitos sexuais das pessoas LGBT nas democracias contemporâneas. Sinalizaremos que
sua negação, por parte do Estado e das instituições sociais, reforça os preconceitos e
estigmas sociais, contribuindo para o aumento da violência psicológica, simbólica e
física, contrária às bases democráticas.

Palavras-chave: liberdades individuais; reconhecimento; direitos sexuais LGBT.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Lourenço Fernandes Neto e Silva

O PROBLEMA DA MAGNITUDE NA METAFÍSICA DE CONDILLAC


FFLCH-USP Programa de pós-graduação em Filosofia
Orientador: Pedro Paulo Garrido Pimenta
Bolsista CNPq

Ao contrário do que em geral se toma como dado, o século XVIII não simplesmente
abandonou a metafísica do XVII: as disputas em torno do legado dos grandes sistemas
metafísicos daquele século continuam se desenvolvendo ao longo do século das luzes.
Este trabalho apresentará o rearranjo por Condillac de um problema que aparece a
princípio em Leibniz mas terá profundas repercussões: a questão dos diferentes graus de
magnitude dos fenômenos do universo, e as relações estabelecidas entre tais graus. Para
esta análise, veremos o legado de uma disputa entre Clarke (um newtoniano) e Leibniz,
na sua interpretação por Voltaire, e na forma que Condillac lhe dá afinal em sua
dissertação anônima intitulada As Mônadas, de 1747. A questão aqui trabalha o
problema da relação entre o tempo e o espaço rumo à refutação de algo de absoluto: o
universo agora deverá ser equacionado numa rede de relações recíprocas. Trata-se de
fato das origens da importantíssima noção de “sistema” na forma como a entenderam os
enciclopedistas. Mostraremos ainda a relação desses problemas com as tecnologias
desenvolvidas na mesma época, particularmente com os instrumentos ópticos, e como
este cenário molda em grande medida o desenvolvimento futuro das investigações
científicas ao reformular a estrutura semiótica da compreensão humana.

Palavras-chave: metafísica; magnitude; Condillac.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Lucas Macedo Salgado Gomes de Carvalho
O FENÔMENO DO DISCURSO NA ONTOLOGIA FUNDAMENTAL DE
MARTIN HEIDEGGER
UERJ PPGFIL
Orientador: Marco Casanova

A comunicação tem por tema o fenômeno do discurso no projeto da ontologia


fundamental de Martin Heidegger. Na economia interna de Ser e Tempo, linguagem
significa o pronunciamento do discurso, que por sua vez é definido como uma
articulação originária da compreensão – outra expressão com significado específico no
interior do tratado. A escolha do discurso como tema deste trabalho foi feita por o
compreendermos como um elemento central para o desenvolvimento da ontologia
fundamental, de modo que seguindo o fio condutor desse fenômeno é possível
conquistar uma compreensão privilegiada do todo do projeto filosófico heideggeriano
da década de 1920. Se Heidegger afirma que “Ser e Tempo não tinha como tarefa outra
coisa senão o projeto concreto-desvelador da transcendência”, tarefa essa que, por sua
vez, tinha como único intuito conquistar o horizonte transcendental da questão do ser,
entendemos que o modo como essa transcendência se dá é discursivamente. O que está
em jogo nesse todo da ontologia fundamental pode ser sintetizado pela afirmação: o ser
só “se dá” porque a verdade é, e esta só é à medida e enquanto o ser-aí é. O que
Heidegger tem em vista é um acontecimento composto pela unidade cooriginária de
seus momentos constitutivos, que são: verdade, ser-aí e ser – este entendido como ser
do ente. Assim, abordaremos esse acontecimento cooriginário com a intenção de
conquistar maior clareza em relação ao ser do ente através de uma análise do discurso.

Palavras-chave: Heidegger; ser; discurso.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Luciana Valesca Fabião Chachá
A NOÇÃO DE AITIOS E AITÍA NA INVESTIGAÇÃO TELEOLÓGICA NO
FÉDON
Programa de Pós-Graduação lógica Metafísica UFRJ
Orientador: Carolina de Melo Bomfim Araújo
Bolsista CAPES ,

A presente comunicação tem por objetivo analisar a noção de aitios e aitía na


investigação teleológica do diálogo platônico Fédon. Nas suas últimas horas de vida de
Sócrates, o círculo socrático se reúne em torno de seu mestre. Em meio à discussão
acerca da imortalidade da alma, Sócrates passa a narrar seu percurso investigativo. Ele
conta a seus amigos que, inicialmente, interessou-se pela investigação das ciências
naturais. No entanto, não conseguiu nenhuma resposta satisfatória às suas indagações.
Após desistir da investigação material, Sócrates encontra ouve a leitura de um livro de
Anaxágoras. Nesse livro, Anaxágoras afirmaria ser o noûs o agente responsável pela
ordenação de tudo. Encantado, Sócrates imagina que a doutrina do noûs de Anaxágoras
lhe explicará por que é melhor para algo ser de uma maneira e não de outra. Assim,
Sócrates volta sua atenção à investigação teleológica. Ao longo desse tipo de
investigação, acreditamos ter Sócrates discernido entre o noûs como o agente
responsável (aitios) por um determinado estado de coisas e a razão pela qual esse agente
produz esse bom estado de coisas, isto é, a aitía. Mais ainda, é a partir dessa distinção
que Sócrates considera a explicação de Anaxágoras falha e parte para famosa “segunda
navegação” ou explicação pelas Formas. Dessa maneira, pretendemos mostrar que o
exame de Sócrates da doutrina de Anaxágoras o conduz a formular, ainda que de
maneira incipiente, uma explicação teleológica para os eventos do mundo.

Palavras-chave: Platão; causalidade; teleologia.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Luciano Gutembergue Bonfim Chaves

A ESTÉTICA DO CANGAÇO À LUZ DO ‘ANDARILHO’ E SUA SOMBRA


Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro PUC-Rio
Doutorado em Filosofia
Orientador: Prof. Dr. Luiz Camilo Dolabella Portella Osorio de Almeida

Os cangaceiros, apesar das agruras e da rudeza da vida, gostavam de se aformosear, de


se vestir de maneira bela e extravagante. Não tinham medo das volantes, dos grupos
policiais, muito menos das cores fortes, vivas, naturais. Não tinham medo de música,
não tinham medo da dança. De maneira destemida preenchiam-se de vermelhos e azuis
fortemente encarnados em suas vestimentas, em seus embornais, em sues anéis de ouro
carregados de pedras preciosas. Para além da funcionalidade, a estética do cangaço se
estabelece como um elemento fortíssimo de criação de uma identidade e de uma
fabulação específica. A estética do cangaço se apresenta como uma forma exuberante de
afirmação da vida no sertão nordestino em situações em que obra de arte e artista, em
seus aspectos mais singulares de individuação e sonho (Apolo) ou de sociabilidade e
delírio (Dionísio), se misturam de tal forma que “o homem não é mais artista, torna-se
obra de arte” inserida no azul do céu, cinza ou verde da paisagem. Nesta estética da
exuberância, “Apolo” e “Dionísio” ressurgem em plena caatinga nordestina, iluminados
e embriagados pelo sol e luar do sertão. Busca-se refletir sobre as suas motivações
(origem), criação (composição), finalidade e recepção da estética do cangaço tendo
como referencial básico inicial os conceitos de Apolíneo e Dionisíaco, presentes na obra
de juventude de Friedrich Nietzsche, especialmente n’O nascimento da tragédia.

Palavras–chave: estética do cangaço; Apolíneo; Dionisíaco.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Manoela Paiva Menezes

LESSING E BRECHT: O QUE A PEÇA TEATRAL DEVE SUSCITAR NO


ESPECTADOR?
UNESP – Campus de Marília/SP Programa de Pós-Graduação em Filosofia
Orientadora: Ana Portich
Bolsista CAPES

Neste trabalho, compararemos as respostas de dois dramaturgos alemães quanto à


seguinte pergunta, essencial para a vertente da estética que privilegia o receptor da obra
de arte: o que a peça teatral deve suscitar no espectador? Através de alguns escritos
teóricos, como a Dramaturgia de Hamburgo, Gotthold Ephraim Lessing, no século
XVIII, fundamentou o drama burguês alemão. Lessing, ao tentar seguir as prescrições
aristotélicas, argumentou que o aspecto principal dessa forma era seu efeito catártico e,
no que diz respeito ao público burguês, esse objetivo seria mais facilmente atingido à
medida que se reconhece como protagonista dos dramas. Já Bertolt Brecht, no século
XX, nas Notas sobre a ópera Grandeza e Decadência da Cidade de Mahagonny e no
Pequeno Organon para o Teatro, ao defender uma radical mudança na forma dramática,
visa suscitar no espectador a compreensão de seu papel na transformação das
determinantes sociais das relações humanas. Com esse intuito, em contraposição às
prescrições aristotélicas, vários recursos são sugeridos por Brecht para obter o efeito de
distanciamento. Esse efeito deve surpreender o espectador, que é forçado a lidar com
aquilo que lhe parecia natural e imutável. Dentre os recursos literários empregados por
Brecht para produzir o efeito de distanciamento estão a ironia, a paródia, a comicidade
etc. No que diz respeito aos recursos cênicos e cênico-literários: cartazes, projeção de
textos, cenário anti-ilusionista etc.

Palavras-chave: Brecht; Lessing; estética teatral.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Marcelo José Derzi Moraes

A FILOSOFIA COMO MITOLOGIA BRANCA: VIOLÊNCIA COLONIAL E


EPISTEMICÍDIO
Universidade do Estado do Rio de Janeiro PPGFIL
Orientadora: Dirce Eleonora Nigro Solis

Para Derrida, mitologia branca é a crença do homem branco europeu em sua


superioridade. A partir desta constatação, junto com as críticas de Quijano e Ramose,
traremos a questão: a filosofia europeia foi cumplice das maiores violências em termos
de alteridade, a saber, a colonização, a escravidão e o assassinato de povos indígenas e
africanos. Para alguns filósofos, como Hegel e Kant, esses povos não possuiriam um
ser, uma essência, uma linguagem ou história. Com isso, diversas formas de dizer que
essas populações não seriam homens ou homens completos. Podemos apontar duas
violências promovidas pela filosofia, uma é que esses povos seriam privados de uma
ontologia e até de fazer ontologia, segue-se, como incapazes de fazer filosofia. Para
eles, essas sociedades não possuiriam uma linguagem, e quando a possuíam, seria uma
linguagem primitiva, não sendo capaz de dizer o ser. Esses elementos que comandam a
filosofia, ontologia e linguagem, além de serem excluídas destes povos não-europeus,
de forma violenta e racista são usadas contra eles, ao negar o ser do outro,
impossibilitando-o de se reconhecer e de ser reconhecido enquanto homem. Assim, para
esses que não possuiriam uma essência, logo, uma identidade, seria preciso atribuir-lhes
uma identidade, ou seja, nomeá-lo, o que, para Lévinas, seria uma das maiores
violências em termos de alteridade. Portanto, questionar o universalismo da filosofia
europeia é fazer justiça as culturas vítimas do colonialismo e do epistemicídio.

Palavras-Chave: epistemicídio; colonialismo; universalismo.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Marcelo de Almeida Silva

O PRENÚNCIO DE UMA NOVA ABORDAGEM INSTITUCIONALISTA:


NÚCLEO NORMATIVO E OPERACIONAL A PARTIR DAS OBRAS DE
MANGABEIRA UNGER E NANCY FRASER
Universidade Federal do Rio de Janeiro Filosofia/PPGF – Doutorado
Orientadora: Susana de Castro
Bolsista CAPES

Embora persista uma parcela de intelectuais que acredite na inviabilidade de um projeto


social que satisfaça de forma simultânea clamores por reconhecimento e redistribuição,
a tese de Nancy Fraser, de que tal projeto é, não apenas viável, mas necessário, continua
a reunir adeptos. Esta tese ganha ainda mais destaque observada no interior de uma
manifestação de insatisfação em relação as instituições da social democracia.
Intelectuais conservadores e liberais se revezam em apontar novos motivos para
desconfiar da capacidade das instituições na forma atual da social democracia estarem
aptas a desempenhar as reformas que cada grupo considera necessárias. Fazendo coro
com esta insatisfação está Roberto Mangabeira Unger e sua proposta de que é
necessário combinar desenvolvimento econômico com empoderamento civil (privado e
coletivo) sob o objetivo maior de promover uma experiência social de alta energia. As
contribuições de ambos dizem respeito ao redirecionamento do desenvolvimento
institucional, Fraser com foco na teoria da justiça e Unger na reforma da própria
concepção da nossa relação com as instituições. Aliando tais contribuições com a crítica
de Alketa Peci ao novo institucionalismo, pretendemos defender o argumento de que é
possível falar, não apenas do clamor, mas, de um possível núcleo normativo e
operacional para uma nova abordagem institucionalista que se desenha de forma
orgânica em vários nichos intelectuais, administrativos e privados.

Palavras-chave: teoria institucional; teoria da justiça; desenvolvimento social.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Marcus Eduardo Bissetti Lima

A LINGUAGEM IMPERFEITA PODERIA GERAR CONHECIMENTO? UMA


ANÁLISE SOBRE O VERBO MENTAL NO LIVRO XV DO DE TRINITATE DE
AGOSTINHO
Universidade Federal do ABC
Programa de Pós-Graduação em Filosofia: Mestrado em Filosofia
Orientadora: Cristiane Negreiros Abbud Ayoub

Uma das bases centrais para a filosofia medieval, a linguagem busca compreender
melhor a relação entre os fenômenos linguísticos e as coisas significadas. Agostinho
quando interpreta certos princípios da filosofia grega pagã aliado a moral cristã, cria um
modelo de pensamento em que o sucesso e o fracasso das ações humanas dependem da
Vontade da alma estar inclinada ou não aos vícios. O verbo para Agostinho é a efetiva
produção de um pensamento verdadeiro que pode ser comunicado. Na filosofia
apresentada pelo autor, a linguagem também sofrerá o efeito da condição humana, que
viciosa gerará incongruências entre os sinais, sejam falados ou escritos, e o que eles
pretendem significar, tornando muitas vezes a comunicação do verbo algo impossível.
Vemos essas limitações apresentadas com grande habilidade no De Magistro, mas é em
uma de suas últimas obras, o De Trinitate que o autor expõe bases para que possamos
pensar que é pelo bom ou mau uso da Vontade humana que ocorreriam erros de
significação. É pelo desvio moral que o verbo do homem se distancia do conhecimento
verdadeiro do que os signos apontam. Agostinho demonstrará que é por meio do
exercício de amor a Deus que a Vontade do homem pode comprovar o valor dos sinais
da linguagem e tratá-los de fato como meios para o conhecimento. Assim temos a
produção do verbo verdadeiro. Compreender o princípio da vontade será, portanto,
fundamental para justificar o sucesso da linguagem.

Palavras-chave: Agostinho; Trinitate, verbo.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Marcus Vinicius dos Santos Claro
O PROCESSO DE RESIGNIFICAÇÃO COMO AGENTE CASUAL NO
FENOMENO DA QUEBRA DE PARADIGMA
Instituição: UFRJ/IFCS/PPGF
Orientador: Jean-Yves Beziau

Neste artigo abordaremos o papel da ressignificação na promoção da quebra de


paradigma, na obra de Thomas Khun, bem como sua concorrência sobre o entendimento
pela Filosofia da Ciência, à luz de nossa teoria da ressignificação. Trataremos
fundamentalmente da obra Estrutura das Revoluções Científicas como texto base de
nossa argumentação. À medida que uma teoria científica avança, entram em pauta duas
possibilidades: a primeira é a sua confirmação e o seu sucesso enquanto comprovação
de uma crença, tornando-se uma evidência material através da experimentação e da
matematização da teoria em voga. A segunda possibilidade é que os testes podem dar
errado, e os valores tidos como verdadeiros, são questionados, uma vez que resultados
de testes, as equações matemáticas e dados da investigação não mais comprovam nem
confirmam suas premissas. Visto que uma teoria passa a dar errado, seja por
formulações lógicas, discussões com bases empíricas, seja por formalizações em
diferentes linguagens, principalmente matemática, verificamos que as crenças que
nortearam a teoria científica vacilam e as evidências dão lugar a incertezas: a convicção
enfraquece e a dúvida leva à crise. Eis o processo da cognição se realizando em um
claro deslocamento de conceito, provocando uma mudança de significado, isto é, inicia-
se o processo de ressignificação. Considerando L1 como, denotativo inicial, e L2 o
conseguinte, inferimos que L2 é o lugar que amparará a percepção (Gestalt) do
deslocamento. Nestes termos, a ressignificação, no âmbito da Epistemologia Científica
nos conduz à definição de mudança de sentido, consoante ao acordo (paradigma) de
dada comunidade científica; isto é, a ressignificação é um processo ocorrido em nossa
episteme. A consequência do processo de ressignificação é a questão epistemológica
que se percebe. Ocorre que a episteme anterior à crise, à dúvida, à incerteza, aos
cálculos incoerentes, ou seja, anterior ao processo de ressignificação é o mesmo que
Kuhn chama de ciência normal. Fica entendido, portanto, que a ressignificação é um
fenômeno mental disparado por um momento crítico, de indecisão por imposição de
incerteza, causado por razões não previstas pela ciência normal, ou pelo paradigma

106
Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
estabelecido. O despertar de uma revolução científica, como a Revolução Copernicana,
é o modelo para disparar o processo de ressignificação provocado pelo surgimento ou
descoberta da anomalia, elemento fundamental para a instalação da crise, do momento
crítico e decisivo. No caso de Galileu, temos o agravante da doutrina religiosa,
dogmática por excelência, diametralmente oposta à defesa racionalista que Galileu
propunha. Este caráter racional imprimiu tamanha força, que o racionalismo adotou a
ciência de forma avassaladora até nossos dias. Disso podemos inferir imediatamente
que a evidência pode se apresentar sob bases perceptivas diferentes. Primeiro, por
crença em uma constatação apriorística, imediatista e puramente empírico-
fenomenológica; segundo, acreditando-se nas evidências como resultado de
investigações e verificações empíricas complementares, analisadas metodicamente
(como através de instrumentos de medição e de cálculos matemáticos). Somente com o
deslocamento de uma Terra central para uma Terra planetária e consequente
ressignificação é que se tornou compreensível e, portanto, dotado de significado
verdadeiro o modelo astronômico proposto por Copérnico (1543).

Palavras-chave: paradigma; teoria da ressignificação; epistemologia.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Marcus Vinícius Monteiro Pedroza Machado

COMO O ESQUECIMENTO RECRIA A MEMÓRIA


UERJ/ Mestrado/PPGFIL
Orientadora: Maria Helena Lisboa da Cunha

A comunicação tem como princípio analisar o esquecimento a partir dos diversos


modos que ele ocorre na filosofia de Nietzsche e como é valorado a partir de então.
Assim como a memória é parte do jogo de forças, o esquecimento também o é, a
oposição entre memória e esquecimento está intimamente imbrincada, as investigações
seguirão por aí. É importante perceber como o esquecimento configura-se desde algo
nefando para o homem pois põe em dúvida sua identidade, até algo salutar pois, o abre
novas possibilidades para a existência. Ele só é possível porque existe a memória e vice-
versa são forças que trabalham a favor da vida afirmando-a em uma constante tensão. O
esquecimento torna possível a memória e ela que dá a melhor forma ao esquecimento.
Essa postura ativa em cada uma das forças faz com que a vida se potencialize ao
contrário da postura reativa que definindo o mundo de uma maneira moral trabalha para
eliminar o esquecimento em favor da memória, destruindo-a, assim permitindo somente
o esquecimento do próprio esquecer. De tal modo pretende-se discutir como se dá essa
tensão entre memória e esquecimento e qual o seu papel no interior do processo de
transvaloração de todos os valores, articulando-a com conceitos que são capitais para o
entendimento da filosofia de Nietzsche. A memória está a todo tempo criando-se e
recriando-se querendo para frente e para trás.

Palavras-chave: descontinuidade; oposição; criação.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Maria Fernanda Novo dos Santos

ELEMENTOS PARA UMA TEORIA DA INDIVIDUAÇÃO EM BERGSON


Doutoranda pela UNICAMP Programa de Pós-Graduação em Filosofia
Orientador: Luiz Orlandi
Bolsista Fapesp

A presente pesquisa procura esboçar os pressupostos para fazer da teoria da matéria


bergsoniana a fundamentação de um tipo particular de teoria da individuação. Para
tanto, é necessário investigar a ontogênese bergsoniana em suas proposições mais
fundamentais como a fabricação e organização, diferenciação, indeterminação e
imprevisibilidade. A crítica aos modelos evolucionistas, apresentada em A Evolução
Criadora, a partir da abordagem sobre o mecanicismo e o finalismo prepara uma
formulação decisiva, a saber, as gêneses da matéria e da inteligência organizadas a
partir da diferenciação entre instinto e inteligência, fabricação e organização. O que
Bergson reclama como evolucionismo é mais uma história não linear, divergente do que
uma evolução retilínea. O que na teoria de Bergson deve servir menos para encontrar
uma coerência entre uma suposta herança biológica de um mesmo e igualmente suposto
patrimônio hereditário, do que para lembrar que a individuação é a solução de
problemas que vida coloca, em que cada individuo diverge de si mesmo. Há no
individuo um intervalo entre o gérmen e a vida adulta onde há mais resistência que
continuidade, onde há mais conflito que harmonia. O que parece ser uma divisão
inconciliável entre as duas direções divergentes (instinto e inteligência) revela uma
conexão sistemática. As proposições sobre a co-dependência entre os conhecimentos de
natureza instintiva e intelectual é parte da formulação de um problema central para a
concepção do individuo como um processo que combina diferentes modos de
individuar-se equacionando as relações do individuo consigo mesmo e com o meio.

Palavras-chave: individuação; matéria; inteligência.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Mariane Farias de Oliveira

A NOÇÃO DE PHAINOMENA E A TESE DA UNIDADE ANALÓGICA


DO MÉTODO EM ARISTÓTELES
Universidade Federal de Santa Maria
Mestrado/Programa de Pós-graduação em Filosofia
Orientador: prof. Dr. José Lourenço Pereira da Silva
Bolsista do CNPq

Astrônomos como Eudoxus, Callipus e Aratus defendiam a máxima de “salvar os


phainomena” no método da astronomia observacional. Essa máxima foi herdada por
Platão e Aristóteles e aqui veremos especificamente como foi herdada na filosofia
aristotélica. Vemos em passagens como Metafísica Lambda 8, Primeiros Analíticos
I.30, Metereologia (339b20-7), Metereologia I.7, De Caelo I.3, argumentos nos quais
Aristóteles repetidamente apela ao método astronômico de “salvar os phainomena”.
Assim, sua posição pode ser resumida à preocupação de que os phainomena/endoxa é
que deverão ser os pontos de partida da investigação e posteriores contrastantes da
teoria com a experiência. Sua aversão àqueles que já possuem uma tese pré-determinada
e buscam apenas encontrar os phainomena que sejam acomodados nela é evidente. Isso
mostra que Aristóteles quer estar sempre próximo da experiência para chegar às
conclusões de suas teorias, sem nunca primeiramente determinar o que será encontrado
para depois buscar suas razões. Desejamos defender a possibilidade de que haja um
método que fundamenta suas variantes como procedimentos utilizados nos tratados, mas
que, em última instância, estes se baseiam todos na máxima herdada dos astrônomos de
“salvar os phainomena”. Nossa investigação terá de analisar o uso dos phainomena nas
principais obras de Aristóteles para então ver como se estabelece de maneira específica
na Ética Eudêmia.

Palavras-chave: Aristóteles; phainomena; método.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Mario Tito Ferreira Moreno
SOBRE O PRINCÍPIO DA CÓPIA DE HUME: O MICROSCÓPIO DAS
PERCEPÇÕES
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
Mestrado Filosofia/ PPGFIL
Orientador: Alessandro Bandeira Duarte

O princípio da cópia é uma máxima humeana que não comporta exceções. Tal princípio
diz que toda ideia simples tem uma impressão simples a qual se assemelha, por
exemplo, a ideia de vermelho que formamos não se difere da impressão da cor vermelha
em natureza, apenas em graus de força. Tal princípio é referente à ideias/impressões
simples, que seriam pra Hume àquelas que não podem ser divididas, uma cor, por
exemplo. Tal princípio operaria como uma espécie de microscópio, ou alguma
ferramenta do tipo, que analisaria ideias e as tornaria mais claras e precisas, descobrindo
assim de quais impressões elas são originárias. Toda ideia/impressão composta é feita
de um agrupado de ideias/impressões simples, por isso o Princípio da Cópia possui a
função de garantir o projeto filosófico de Hume, na medida em que vai até a impressão
originária pra justificar qualquer tipo de ideia, seja ela complexa (por meio de
verificação de sua composição) ou simples. O intuito da presente inquietação é tentar
provocar, de certa forma, possíveis problemas dentro do próprio princípio da cópia
relatados pelo próprio autor, e apontar possíveis defesas para o argumento humeano. A
presente inquietação é um esboço de um trabalho que pressupõe certa compreensão
prévia da filosofia de Hume.

Palavras-chave: Hume; empirismo, princípio da cópia.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Matheus Oliveira Damião

EIXOS DIRECIONAIS E FUNCIONALIDADE NO IA DE ARISTÓTELES:


UMA INTERPRETAÇÃO TELEOLÓGICA
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Mestrando em Filosofia- Programa de Pós-graduação em Filosofia- PPGF/IFCS
Orientador: Henrique Cairus
Bolsista CNPq

O presente trabalho tem dois objetivos: apresentar a exposição que Aristóteles faz das
διαστάσεις, ou eixos direcionais, no De Incessu Animalium (IA) e mostrar como a
teleologia possui importante papel na definição destas estruturas. Neste tratado elas são
anunciadas como um das premissas para o estudo da marcha dos animais e são
definidas- apesar de seu caráter formal- a partir da existência de funções orgânicas
específicas de cada grupo de ser vivo, a saber, as funções de alimentação, percepção e
locomoção. Assim, se estabelece uma relação de dependência entre os eixos direcionais
e as funções que determinado ser vivo possui, apontando como a estrutura enquanto
forma de um ser vivo, em Aristóteles, é determinada pelas funções que o definem. Tal
modo funcional de definição dessas estruturas parece ser oriundo do princípio
teleológico da natureza, que delimita segundo o télos de um ente, na teoria hilemórfica
de Aristóteles, sua configuração espacial e a relação entre forma (eidos) e matéria
(hyle). Em outras palavras é à partir do télos, entendido como efetivação da função
definidora do ente, que se torna possível compreender melhor a dependência entre a
presença das funções no ser vivo e os eixos direcionais, já que é este télos que seleciona
determinadas configurações físicas para o ente. Deste modo, este trabalho propõe
entender a definição funcional dos eixos direcionais no IA como uma consequência
direta da teleologia na filosofia da natureza de Aristóteles.

Palavras-chave: eixos direcionais; função; teleologia.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Mauro Juarez Sebastião dos Reis Araujo

KÉPOS – A COMUNIDADE DE AMIGOS

Universidade Federal do Rio de Janeiro -UFRJ

Curso/Nome do programa: Doutorando em Filosofia/PPGF

Orientador: Celso Azar

O képos epicurista representava a sede de uma comunidade hedonista de amigos. Para


seus frequentadores, o prazer constituía o bem supremo e, por essa razão, cabe ao
homem afastar-se de tudo que o impede de alcançar tal objetivo. Nesse sentido, era
indispensável saber discernir sobre quais desejos ou situação poderiam implicar em
consequências desagradáveis. Contudo, o mestre do képos ministrava regularmente suas
preleções para instruir sobre os instrumentos necessários para se alcançar uma vida de
intenso prazer. Em um primeiro contato, a valorização do prazer por parte dos
epicuristas pode soar como um convite à libertinagem, mas o prazer buscado por
Epicuro e seus discípulos representa a ausência completa de dor no corpo e perturbação
na alma (aponía e ataraxía). Para Epicuro, é possível obter a imperturbabilidade através
de um estilo de vida comedido, tanto através de uma dieta simples como também no
emprego moderado das palavras. O objetivo epicurista é o regresso a um estado de
harmonia presente no ceio da Natureza. Esse estado de tranquilidade destoa da busca
por reconhecimento e poder perante os homens. Sendo assim, no presente trabalho,
nossas atenções estarão voltadas para a vida comunitária do Jardim, isto é,
investigaremos a aplicação prática da terapia epicúrea para o bem viver.

Palavras-chave: epicurismo; prazer; amizade.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Messias Miguel Uaissone
A INTERRUPÇÃO ÉTICA DA FENOMENOLOGIA EM PRESENÇA DA
ALTERIDADE
Mestrado em Filosofia
Filosofia/ Programa de Pós-graduação em Filosofia/ IFCH/ UERJ
Orientadora: Profa Dra Elena Moraes Garcia
Bolsista CNPq

A visada epistémica consiste em identificar e determinar o que são os entes. Procura


montar um catálogo de toda a realidade. Esse exercício epistémico começa a tornar-se
complexo quando tenta identificar e catalogar a alteridade. Esta é complexa demais que
seu estatuto não só é difícil de determinar, mas também existe a possibilidade de nem
ter estatuto ontológico algum. E sendo a alteridade transcendente, o exercício
epistémico que questiona para recolher conhecimento enfrenta questões éticas da sua
recolha. Partindo da explicação de como a visada epistémica do si é levada a cabo, o
artigo pretende mostrar que a alteridade não se oferece ao conhecimento e tudo o que se
possa dizer acerca dela fica envolto em interrogações científicas e éticas. O artigo
exemplifica essa dificuldade de o conhecimento aceder à alteridade recorrendo ao modo
como a ética interrompe a fenomenologia. Em seguida, o artigo apresenta as razões do
equívoco epistémico sobre a alteridade e termina com a abordagem de Levinas que
defende a transcendência da alteridade. A intenção é mostrar que o conhecimento não
consegue chegar ao seu objetivo de apresentar a verdade sobre a alteridade porque este
resiste à luz que o invade, e preserva seu segredo que interrompe a totalidade de afrontá-
la. Na iluminação do si não obterá conhecimento válido nem escapará das questões
éticas daí decorrentes, a saber, escolher entre ser moral ou não ser humano.

Palavras-chave: visada epistêmica; fenomenologia; alteridade.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Michelle Cardoso Montoya
UMA DISTINÇÃO QUE NÃO DEVE SER REJEITADA: ALGUMAS
OBJEÇÕES DE SEARLE AO ABANDONO DA DISTINÇÃO ANALÍTICO-
SINTÉTICO PROPOSTO POR QUINE
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Mestrado em Filosofia - Programa de Pós-Graduação Lógica e Metafísica (PPGLM)
Orientador: Prof. Dr. Dirk Greimann
Bolsista CAPES

Em Speech Acts (1969), John Searle procurou tratar da linguagem de um modo geral,
sobretudo daquela que é capaz de produzir verdades, declarações ou promessas,
independente de se tratar da linguagem natural ou da de algum idioma em específico.
Sendo assim, ao longo de Speech Acts, o autor buscou dividir suas análises em dois
âmbitos: o das caracterizações linguísticas e o das explanações linguísticas que
buscaremos esclarecer ao longo da apresentação do presente trabalho. Destarte,
tomando tal divisão como ponto de partida, apresentaremos a leitura de Searle sobre a
distinção kantiana clássica, a saber, a de analítico-sintético , proposta pela primeira vez
por Immanuel Kant (1724-1804),na Crítica da Razão Pura (1781- 1a versão; 1787- 2ª
versão) .Contudo, antes disso, apresentaremos brevemente as críticas de Willard Von
Quine a distinção analíticosintético presente em seu artigo “Dois Dogmas do
Empirismo”, em que propõe o abandono desta distinção, bem como a tese do
naturalismo biológico de Searle, que será fundamental para algumas de nossas
considerações. Por fim, pretendemos analisar a crítica de John Searle ao abandono da
distinção analítico-sintético proposto por Willard Von Orman Quine em “Dois Dogmas
do Empirismo”. A partir disso, suscitaremos as seguintes questões: A distinção
analítico-sintético deve ser rejeitada? Ou devemos reconhecê-la? Caso optemos em
reconhecê-la, qual seria sua finalidade filosófica?

Palavras–chave: analítico-sintético; naturalismo Biológico; caracterização linguística.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Miécimo Ribeiro Moreira Júnior
A SERVIDÃO E A DOMINAÇÃO NO PENSAMENTO POLÍTICO DE BENTO
DE ESPINOSA
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Programa de Pós-graduação Lógica e Metafísica
Orientador: Ulysses Pinheiro

É próprio do pensamento espinosista fazer da razão um instrumento de convergência e


agregação. Entretanto, esse esforço de agregação e convergência é fruto também de um
pensamento influenciado por uma física que explica a relação de corpos e ideias através
do choque e da modificação de superfície. Portanto, ainda que Bento de Espinosa
(1632-1670) defenda certo tipo de organização política, sua filosofia será uma filosofia
de perseveração (conatus) ininterrupta. No âmbito político, isso significa que Espinosa
não se presta a fantasiar sociedades ideais, mas apenas a apontar maneiras de proceder
que promovam o aumento de potência, encarando o fato de que não caminhamos rumo a
uma sociedade global harmoniosa. O trabalho proposto visa examinar a tensão entre a
soberania do Estado e os súditos. Para que fiquem nítidas as decisões conceituais
presentes na filosofia política de Espinosa, também utilizamos pontualmente algumas
escolhas teóricas de Thomas Hobbes (1588-1679), cujo pensamento político foi
profundamente importante para Espinosa. Contrapor a maneira com que esses filósofos
lidam com esses conceitos políticos é um interessante instrumento de estudo e,
principalmente, um importante recurso de caracterização da singularidade do
pensamento espinosista.

Palavras-chave: Estado; soberania; servidão.

Mirian Monteiro Kussumi

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
LÓGICA E HISTORICIDADE NA FILOSOFIA DA HISTÓRIA DE HEGEL
Puc-Rio Programa de pós-graduação em Filosofia
Orientador: Pedro Duarte
Bolsista CAPES

Diante do sistema filosófico de Hegel, duas atribuições que lhe concedemos são 1- seu
caráter essencialmente intelectualista e 2- a eclosão da filosofia da história que marcou
não só o pensamento filosófico posterior à Hegel, mas também o político e social. Se
por um lado a Ciência da Lógica surge a ontologia hegeliana, por outro, é na Filosofia
da História que observamos uma possível exteriorização das categorias e elementos do
pensamento – Ser, dialética, conceito. Segundo Marcuse em Razão e Revolução, “a
lógica demonstrou a estrutura da razão; a filosofia da história expõe o conteúdo
histórico da razão”. O desenvolvimento da razão explicaria o desenvolver histórico, na
medida em que atualiza o que Hegel conceitualizou como Espírito. Contudo, certas
questões surgem: como seria possível que a história se organizasse não como narração
de fatos, mas como seguindo o fio condutor da razão? Seria possível pensar a totalidade
da história como organizada pela racionalidade, esta que sempre aparece como
permeada por um teor subjetivo e interno ao intelecto humano? Como a razão, algo
inerente ao homem de modo individual, poderia se manifestar exteriormente na história?
Ora, não haveria uma inadequação em associar o modo de funcionamento da
intelectualidade humana com a própria realidade (aquilo que acontece e aconteceu no
mundo)? É pelo entendimento dos próprios conceitos de Lógica e de História que
podemos compreende a associação entre o histórico e o racional em Hegel.

Palavras-chave: história; lógica; Espírito.

Mônica Ferreira Corrêa

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
JAAK PANKSEPP E A PERSPECTIVA AFETIVA DA NEUROCIÊNCIA DAS
EMOÇÕES
Doutorado em Filosofia/PPGFIL UERJ
Orientador: Karla Almeida Chediak
Bolsista CNPq

A presente comunicação visa apresentar o trabalho do neurocientista Jaak Panksepp que


se destaca pelo estudo das “emoções básicas” em animais não humanos. Panksepp
nasceu na Estônia e quando criança migrou com a família para os Estados Unidos, onde
hoje trabalha. Ficou mais conhecido por sua pesquisa sobre “vocalizações” de ratos,
similares ao riso humano. Desde seus estudos de pós-graduação, na década de 1960,
dedica-se a investigar os “afetos emocionais” em animais, apesar de ter iniciado tais
investigações em ambiente behaviorista radical, cujas ideias e metodologias não
favoreciam a pesquisa de temas relacionados à subjetividade animal. Panksepp defende
que as emoções se formam no cérebro, em regiões subcorticais concentradas no sistema
límbico, evolutivamente antigas e, portanto, presentes em todos os mamíferos. A
radicalidade do pensamento desse cientista gira em torno de ele afirmar que as mesmas
regiões cerebrais que produzem emoções, com seus aspectos “autonômicos” e
“comportamentais”, também produzem os “afetos emocionais”, que são a versão sentida
ou vivenciada de um “episódio emocional”. Em seu livro de 1998, Affective
neuroscience: the foundations of human and animal emotions, Panksepp identifica sete
sistemas cerebrais produtores de “emoções básicas”, com neuroanatomia e
neuroquímica homólogas entre as espécies estudadas. Esses sistemas envolveriam os
mecanismos relacionados aos sentimentos de curiosidade, raiva, medo, desejo sexual,
cuidado materno, pânico/tristeza e alegria da brincadeira. Dentre as implicações
filosóficas que podem advir da “neurociência afetiva” de Panksepp, essa comunicação
se limitará a examinar a noção de “consciência afetiva”, promissora aos estudos da
consciência.

Palavras-chave: emoção; afeto; neurociência.

Natália Ranucci Cheade Fernandes

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
VIDA E CRIAÇÃO: A PERCEPÇÃO DO ARTISTA EM HENRI BERGSON
Programa de Pós-graduação em Filosofia - Mestrado UERJ
Orientador: Prof. Dr. James Bastos Arêas

A possibilidade de uma teoria estética em Bergson se dá inicialmente através da


potência criadora da intuição, na capacidade de uma consciência alargada que pode
ultrapassar reducionismos analíticos, e nos emancipa de tudo que traz imobilidade e
fixidez. Arte e criação resultam em uma intuição, que também é duração, e que poderá
então ser a força impulsionadora de uma reconciliação entre homem e natureza, em um
"esforço de fundir-se novamente no todo". (BERGSON, EC, p.29) Para Bergson há um
impulso vital que leva à criação, e que como um artista, se vê na necessidade
fundamental de produzir. O impulso da vida é uma exigência que parte da criação, mas
que não pode realizar-se enquanto criação completa porque encontra a matéria, que
apresenta justamente o movimento inverso a ela. Assim, a criação busca apossar-se da
própria matéria, de forma a introduzir indeterminação e liberdade. E a própria evolução
traz em si uma potência capaz de explodir e expandir-se em diversos novos caminhos
evolutivos. Desta forma a evolução mesma trata do que Bergson estabeleceu enquanto a
metafísica da duração. Se a arte foi muitas vezes menosprezada por seu estudo ser
restrito ao conceito de belo e de fruição, Bergson nos leva a crer que o discurso artístico
trata de uma possibilidade de expansão perceptiva que alcançará a realidade, podendo
afastar símbolos, representações e toda sorte de conceitos mediados, e desta forma,
encontrará e poderá experienciar o absoluto. A arte nos sensibiliza a realidade que está
fora, mas também a que está dentro de nós, permitindo que possamos experienciar a
duração em estado puro, sendo então um ato de duração. Assim, Bergson estabelece o
problema da criação artística de forma expandida, ultrapassando os domínios da própria
filosofia da arte, colocando o problema fundamentalmente no seio da filosofia da
natureza, o que na filosofia bergsoniana trata da própria metafísica. Desta forma
podemos inclusive entender que Bergson torna possível também uma nova filosofia da
natureza a partir da noção de duração e dos aspectos relacionados a esta nova
metafísica. Bergson caracteriza os homens perfeitamente adaptados à vida através de
um equilíbrio que consiste não somente na capacidade de convocar as lembranças
relacionadas a uma determinada situação, mas também através de uma “barreira
intransponível” que as lembranças inúteis ou indiferentes encontrariam no próprio

119
Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
indivíduo ao se apresentarem ao limiar da consciência. Já aquele que vive no passado,
no qual as lembranças invadem livremente a consciência, não está adaptado à ação. Esta
relativa desatenção à vida caracteriza indivíduos como o artista e o filósofo, que são
capazes de nos conduzir à uma percepção mais completa da realidade, desviando a
atenção aos aspectos práticos da vida. Bergson esclarece que ainda que possa parecer
contraditório, o artista mesmo sendo um distraído, percebe mais aspectos da realidade
que um homem de ação porque não necessita agir de acordo com seu apego à realidade,
o que contrairia sua percepção, de forma a limitar o campo de visão. Assim, Bergson
estabelece como a função da Arte e do próprio Artista, fazer ver aquilo que os outros
indivíduos não perceberam naturalmente. Ainda que abstenha-se da atenção ao que pode
ser útil a vida, a desatenção do artista não se caracteriza por um desligamento total do
mundo, mas por uma atitude voltada a buscar o que pode ter passado despercebido por
aqueles que não conseguem orientar-se senão pela ação. Na concepção de Bergson
acerca do que é Arte, o artista, assim como sua obra, são veículos da criação universal,
uma extensão do próprio ato criador, colocando-se no mesmo sentido do impulso vital.
Os movimentos das duas formas extremas da duração, através da contração e distensão,
apresentam sua vitalidade, e sendo assim, a vida é, sem dúvida, criação. E em meio ao
movimento criador que impulsiona a própria vida, o artista é aquele que encontra-se no
seio da criação da natureza, onde seu próprio modo de ação é diferente dos outros seres
vivos da mesma espécie.

Palavras-chave: duração; arte; percepção.

Nathan Ramalho Santos


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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
BEHEMOTH VERSUS LEVIATHAN: CARL SCHMITT E A OPOSIÇÃO
ENTRE TERRA E MAR
Universidade Federal Fluminense
Mestrado em Filosofia –Programa de Pós-graduação em Filosofia
Orientador: Dr. José Maria Arruda
Bolsista CAPES

A partir das obras Land und Meer e Der Nomos der Erde do jurista e filósofo político
alemão Carl Schmitt, visamos examinar a oposição conceitual proposta pela filosofia
política schmittiana entre os conceitos de land (terra) e meer (mar), e apresentá-los
como categorias histórico-filosóficas fundamentais para a compreensão da dinâmica
histórica da modernidade. Uma das imagens usadas por Schmitt para indicar a dimensão
conflitiva existente entre a terra e o mar foi a imagem mítica do combate entre o
monstro terrestre, o Behemoth, e o monstro marítimo, o Leviathan, do livro bíblico de
Jó. Essa oposição se tornou profícua na obra de Schmitt por apresentar a terra como
princípio de ordem política baseada na espacialidade com territórios e fronteiras bem
delimitados e uma lógica que faz clara distinção entre guerra e paz, política e comércio,
em oposição ao mar como princípio de ordem política que se estabelece como uma
espacialidade sem limites e fronteiras, sem solidez e estabilidade, sem uma
determinação espacial concreta. A partir dessa oposição conceitual, Schmitt nos oferece
uma chave para a compreensão da formação da ordem geopolítica da modernidade e da
questão da atual ordem internacional.

Palavras-chave: filosofia política; Carl Schmitt; espacialidade.

Pablo Barbosa Santana da Silva

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
KANT SOBRE ANALITICIDADE E CONHECIMENTO CONCEITUAL
Cursa doutorado em Filososofia no Programa de Pós-graduação Lógica e Metafísica
(PPGLM) UFRJ.
Orientador: prof. Dirk Greimann,
Bolsista CAPES

O objetivo do presente texto é analisar as noções kantianas de a priori e a posteriori e


relacionar a distinção analítico e sintético à teoria kantiana da discursividade do
conhecimento humano. Allison6 2 chama a atenção que na introdução da crítica da razão
pura, na apresentação oficial da distinção analítico e sintético, não é clara a relação
dessa distinção com a teoria geral do juízo de Kant. E esta é uma das principais razões
porque essa distinção kantiana tem sido mal compreendida e exposta a críticas errôneas.
Essas noções são fundamentais para o intento kantiano de proceder a uma revolução na
filosofia pela via crítica, já que Kant não considerava satisfatórias nem a posição do
empirismo e nem a do racionalismo. Defenderemos que as noções de analítico e
sintético, ao se olhar de forma mais detida, estão intimamente ligadas à teoria geral do
juízo kantiana. Esta relação não é muito clara na apresentação oficial na introdução da
primeira crítica, mas pode ser melhor observada em textos como a controvérsia com
Eberhard.
Palavras-chave: analítico-sintético; a priori-a posteriori; juízo.

66
ALLISON: (1992, p. 130). In: El idealismo trascendental de Kant: una interpretación y defensa.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Pablo Souto Maior Harduin
HEDONISMO EUDEMÔNICO : JUSTIÇA E PRAZER EM A REPÚBLICA DE
PLATÃO
Universidade de São Paulo; Mestrado em Filosofia; Programa de Pós-Graduação em
Filosofia da Faculdade de Letras, Ciências Humanas e Filosofia
Profº. Drº. Mário Mirando Filho
Bolsista CAPES/PROEX

A defesa da justiça dramatizada em A República dá-se em função de um problema ético


fundamental: o que é melhor para a vida humana em termos de felicidade, a justiça ou a
injustiça? O problema, posto por Gláucon no Livro II, é resolvido por Sócrates no Livro
IX através de três provas de que a vida justa é melhor que a injusta. Em 583b, Sócrates
concede a prova decisiva: a vida justa é melhor que a injusta por ser mais prazerosa. A
prova consiste em uma teoria do prazer cuja função é demonstrar que a vida justa é a
mais feliz por ser a única capaz de gerar prazer verdadeiro, enquanto à injusta resta um
prazer deficiente – nas palavras de Sócrates: um fantasma do prazer verdadeiro (586b).
Deste modo, a defesa da justiça se resolveria em termos hedônicos. Contudo, essa
relação entre justiça e prazer é objeto de controvérsia entre os intérpretes do diálogo.
Apesar da diversidade das interpretações, a maioria dos intérpretes concorda que a
prova hedônica em 583b não desempenha papel relevante na defesa da justiça - a
despeito da própria evidência textual que a instaura como decisiva . Sob essa
perspectiva, esta comunicação possui dois objetivos: a) abordar o problema
interpretativo instaurado pela relação entre justiça e prazer e b) explicitar a
plausibilidade da hipótese de que a prova hedônica funciona como resposta definitiva ao
problema ético posto no Livro II. Se corretos, o prazer em A República é um elemento
indissociável da eudaimonia .

Palavras-chave: ética; Platão; hedonismo.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Pablo Baptista Rodrigues
FRANZ KAFKA: DIÁLOGOS POSSÍVEIS ENTRE A LITERATURA E A
FILOSOFIA
Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro
Teoria da Literatura/Programa de Pós-graduação em Ciência da Literatura
Orientador Professor Doutor Ricardo Pinto de Souza
Bolsista CNPq

“Só se pensa por imagens. Se você quiser ser filósofo, escreva romances”. A afirmação
citada foi feita pelo romancista e filósofo Albert Camus em seu livro Esperança do
mundo (Editora Hedra, 2014). A premissa se encontra em um dos cadernos do autor de
língua francesa, e por meio dela corroboramoso presente diálogo entre a Filosofia e a
Literatura. Somente a crença na Literatura e na Filosofia permitem a escritura e rasura
de um trabalho como este, que busca olhar a Literatura com forma de pensar a vida,
portanto, Filosofia por meio da Literatura. Em nosso caso escolhemos um dos autores
caros a Camus, Franz Kafka. Buscaremos em nosso trabalho observar o texto kafkiano
como forma singular de se “fazer” Filosofia. Se o lugar do romance para pensar a
Literatura e Teoria literária está mais que evidenciado, cabe nos agora perguntar o que
em Franz Kafka nos desperta o questionamento ao filosofar. Partindo dos principais
leitores do autor de A metamorfose, entre eles Walter Benjamin, Gilles Deleuze, entre
outros autores, observaremos o método narrativo de Franz Kafka para problematizar a
literatura e a tradição literária, e a filosofia e seu de . Tendo como premissa que é por
meio da inversão das categorias que Franz Kafka trabalha sua Literatura e nos auxilia a
perceber a conexão do literário com o filosófico. Inverter as noções dos clássicos de
uma dita “literatura universal”, bem como inverter as formas explicativas de nossas
vivências e anseios, como a busca do homem em ser livre.

Palavras-chaves: Franz Kafka; literatura; filosofia.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Paloma Fernanda Martins Pereira
A TEORIA DO PENSAMENTO COMPLEXO: UMA TENTATIVA DE
EFETIVAR DIREITO AO AUTOR DE ATO INFRACIONAL
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
Programa de Pós-graduação em Serviço Social – Mestrado
Orientadora: Irene Rizzini
Bolsita CNPq

Os direitos assegurados ao adolescente autor de ato infracional, encontram-se cada vez


mais ameaçados, não apenas na execução das leis, mas em sua teorização. As medidas
socioeducativas estão em perigo diante das propostas que intencionam sua substituição
por medidas punitivas e repressivas, estas violam a Constituição e o Estatuto da Criança
e do Adolescente. Vale ressaltar, que a atual conjuntura sócio-política contribui para
esse avanço de retrocessos, no qual o “discurso de ódio” sobressai, caracterizando a
intolerância e, consequentemente, a violação de direitos. O autor de ato infracional deve
ser visto para além do ato que comete, é necessário desmitificar concepções pré-
concebidas, entender o que não está explícito na história de vida desse cidadão e que
precisam ser levadas em consideração. Segundo Morin, cada indivíduo tem uma
multiplicidade de identidades e personalidades que acompanham sua vida, além disso
um contexto alheio a ele que o influencia em seu modo de viver. Diante disso, cabe a
utilização da teoria da complexidade a um melhor entendimento sobre essa questão.
Para Morin, a complexidade é o desafio e não a resposta. Não elimina a simplicidade e
não é o mesmo que completude. Assim, o pensamento complexo é um anseio constante
por um saber não generalizado e o reconhecimento de que ele não se esgota. Tem
relação com a ação e esta é uma escolha.

Palavras-chave: teoria do pensamento complexo de Morin; ato infracional; efetivação de


direito.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Pedro Henrique Ciucci da Silva
A CONCEPÇÃO FILOSÓFICA E ANTROPOLÓGICA DE PAULO FREIRE
Mestrando em Filosofia-PPGF PUC-SP
Professor: Antonio Valverde
Bolsista CAPES

A presente pesquisa visa a análise filosófica e antropológica nas obras de Paulo Freire,
onde o autor nos mostra a importância da alfabetização política e a participação do
homem no mundo, ou seja, não basta estar no mundo, mas construí-lo. O principal
equívoco que emana da obra freireana, é a falta de uma leitura aprofundada e com olhar
filosófico, pois um dos principais erros postulados a este autor é nomeá-lo simplesmente
como um mero pedagogo, ou um alfabetizador, e até muitas vezes mal interpretado
como alguém que, simplesmente, desenvolveu um método de alfabetização. Nas obras
de Freire fica claro que a alfabetização política está relacionada com a
transcendentalidade do homem neste mundo para com os problemas que o envolvem. A
importância filosófica acerca deste problema é a postura que o indivíduo tem na
construção do mundo e de suas relações com os outros. Paulo Freire em suas obras
justifica a importância de alfabetizar o outro não simplesmente pelas letras, mas para
uma consciência política que tem sua relação na transcendentalidade. A principal
preocupação de Freire está em mostrar para o outro um mundo de possibilidades, nunca
de forma adversa a isso. Esta possibilidade de poder ser no mundo é elucidar àqueles
mais oprimidos, mais esquecidos, a ideia de que ele está e pode construir e intervir neste
mundo, não em outro. O método freireano não se esgota tão somente, na proposta da
alfabetização política, mas também na relação do homem com este mundo e a sua
transcendentalidade sócio-historico-cultural. A importância de tal estudo está no fato de
afirmar as ideias de Freire e torná-las atuais, pois estamos vivendo numa perspectiva de
individualidade humana, nos afastando cada vez mais da proposta que não só Freire nos
mostra, mas outros autores que falam da noção de transcender em nós mesmos enquanto
seres humanos, pois é esta a ideia que o autor nos encarrega de entender, ou seja, é nos
preocuparmos que somos indivíduos políticos, temos o poder de construir, de fazer, de
escolher, de agir, de ser ator, pois o mundo contemporâneo nos mostra uma ideia
inversa desta perspectiva apontada pelo nosso autor, pois tenta nos tirar a ideia de
sermos atuantes, nos colocando em um mundo de inúmeras fragmentações, mas nunca

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
em um mundo de realizações; como diz Freire temos que marchar para alcançar os
nossos anseios, temos que buscar as nossas principais necessidades.
Palavras-Chave: antropologia; educação; praxis.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Pedro Henrique dos Santos Ribeiro
CARL SCHMITT, DONOSO CORTÉS E OS LIMITES DO LEGALISMO
LIBERAL
PPGFIL / Mestrado em Filosofia UERJ
Orientador: Prof. Dr. Luiz Bernardo Leite Araújo

Desde ao menos a sua instituição formal e legal na Roma Antiga, o fenômeno da


ditadura tem sempre atraído o interesse dos filósofos e juristas. Na Modernidade, em
particular, a tradição política liberal, na sua luta originária contra o absolutismo
monárquico e na sua ênfase intensa sobre os direitos individuais, tem feito um esforço
sempre maior, ao longo dos séculos, por limitar o exercício do poder discricionário, isto
é, não sujeito às normas jurídicas vigentes. Será, no entanto, possível, no mundo real e
concreto, a existência de uma ordem política liberal até às últimas consequências, onde
os governantes sejam totalmente submetidos ao império da lei? Ou não será talvez
constitutivo do próprio modo de ser da política a existência de um âmbito de decisão
pessoal do governante que é irredutível à normatividade jurídica e que só pode ser
compreendido em termos de disputa por poder? Em suma, é possível uma sociedade
inteiramente fundada no Estado de Direito ou não serão, no fim das contas, sempre a
força do poder soberano e a imposição de sua vontade o fundamento último da própria
legalidade jurídica? Eis o problema que examinaremos, à luz da contribuição dos
filósofos Carl Schimitt e Juan Donoso Cortés.

Palavras-chave: Donoso Cortés; Carl Schmitt; Ditadura.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Peter Franco
TEMPO E MEMÓRIA, DA FILOSOFIA COMO FICÇÃO
PPGFIL-UERJ
Orientadora: Izabela Bocayuva

Albert Camus abre seu livro O Mito de Sísifo com a sentença: só há um problema
filosófico realmente sério: o suicídio. Suicídio em nossa compreensão de Camus não
quer dizer o mesmo que já ter suicidado, não está falando necessariamente de tirar a
própria vida; uma diferença sutil, porém crucial. É preciso compreender que suicídio é a
experiência mais próxima do que Camus quer chamar de uma reavaliação de todas as
coisas,o que para Nietzsche seria a transvaloração detodos os valores e, com mais
precisão;os dois pensadores querem chamar atenção para o instante, aquele
extraordinário momento representado pelo suicida, em Camus, que decide de uma vez
por todas viver ou morrer, e pelo demônio em Nietzsche. A imagem do suicida traz
consigo os aspectos do silêncio, da escolha, da possibilidade, em suma: do poder-ser.
Esta imagem muito se aproxima de dois momentos da obra de Nietzsche que traremos
para o diálogo com Camus: A passagem Da visão e do enigma, de Zaratustra, e O maior
de todos os pesos, em A gaia ciência. Em ambas as passagens Nietzsche nos apresenta
momentos cruciais, momentos-limite nos quais seus personagens reavaliam todo o
percurso de vida caminhado até ali e sobre sua necessidade, finalidade, qualidade e,
consequentemente, seu retorno. Analisaremos as semelhanças entre as obras desses
pensadores começando pela 1. Avaliação de suas filosofias por meio de personagens
que suscitam conceitos, 2. Implicações morais e éticas no jogo da vida e, por fim 3. Nas
questões de temporalidade, relacionando tempo individual e tempo cósmico.

Palavras-chave: ficção; tempo; instante.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Priscila Céspede Cupello
DEBATES ENTRE EM NIETZSCHE E FOUCAULTSOBRE AS ÚLTIMAS
PALAVRAS DE SÓCRATES
Programa de Pós Graduação em Lógica e Metafísica UFRJ
Orientador: Alice Haddad
Bolsista FAPERJ

No diálogo, Fédon, as últimas palavras de Sócrates foram: “Críton, devemos um galo à


Asclépio” (Platão, Fédon, 118). Para Nietzsche, essas palavras significaram “Críton, a
vida é uma doença!” (FW, § 340) sendo interpretado como uma afirmação pessimista
por parte de Sócrates sobre sua experiência da vida.Sócrates foi visto por Nietzsche
como um “anti-grego” e o precursor da decadência do ocidente. Entretanto, Michel
Foucault tem uma interpretação diferente sobre as últimas palavras, de modo que, para o
filósofo, “a ideia de que a vida é uma doença da qual a morte cura não pode de modo
algum funcionar, coincidir, se integrar com todo o ensinamento socrático” (Foucault,
2011, p. 86). Foucault argumenta diretamente contra a interpretação nietzschiana e
ratifica: “Sócrates nunca diz, nem pensa e não pensou que a vida é uma doença”
(Foucault, 2011, p. 88). Portanto, este trabalho busca fazer emergir esse campo de
conflitos entre os posicionamentos de Nietzsche e Foucault sobre as últimas palavras de
Sócrates.

Palavras-chave: Parresia; estética da existência; ética.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Rafael Rocha da Rosa.

ZARATUSTRA E OS EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS


Doutorando/ UERJ
Orientadora: Rosa Dias
Bolsista CAPES
Pierre Hadot, em seu livro, Exercícios espirituais e a filosofia antiga, afirma que as
obras filosóficas da Antiguidade não visavam meramente a exposição de um sistema
hermético de pensamento. Justo o contrário: teriam um efeito formativo, com o fito de
trabalhar a disposição de seus leitores, conduzindo-os a uma superação, a uma certa
forma de viver. A subversão de uma existência, alterando o ser do indivíduo, levaria à
passagem de um estado de vida sem autenticidade, agrilhoada, para um estilo de vida
autêntico, de liberdade interior. Assim, haveria nas escolas helenísticas de filosofia o
impulso eversivo da perspectiva do indivíduo e do modo como este conduzia suas
ações. Nas palavras de autor, “os exercícios espirituais terão precisamente como
objetivo a realização dessa transformação”.7 Meditação, exame da consciência,
vigilância do espírito e fórmulas interiores, visavam a criação de um hábito e tinham
como meta a preparação para um viver livre e consciente de seu lugar no cosmos.
Também havia a compreensão da filosofia como cura, como terapêutica, conduzindo a
alma à alegria de existir. Nietzsche, filólogo e profundo conhecedor da filosofia grego-
romana, concebe a Modernidade como decadente. Seus valores degenerados e sua
cultura nociva precisariam ser transvalorados. Sua doença seria o niilismo. A fórmula
encontrada pelo filósofo alemão para a superação dessa condição seria o eterno retorno:
um teste existencial que conduziria os fortes e criadores a outro estilo de vida,
afirmando alegria no viver, desejando a repetição infinita de sua existência, tamanho o
júbilo encontrado na mesma. Tal atitude existência seria possível apenas para uma nova
estirpe, frutos do super-homem, esse seria o conteúdo de seu ensinamento, como ele
anuncia: “eu vos ensino o super-homem. O homem é algo que deve ser superado”.8 Em
nossa hipótese, essa afirmação seria possível através de uma série de práticas que teriam
por finalidade a transformação do indivíduo.

Palavras-chave: Nietzsche; Hadot; exercícios espirituais.

7
HADOT, P. Exercícios espirituais e filosofia antiga. P.22.
8
NIETZSCHE. Assim falou Zaratustra. Prólogo, §3.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Rafael Zacca

CRÍTICA COMO “FAZIBILIDADE”: AS AFINIDADES DA CRÍTICA


LITERÁRIA EM WALTER BENJAMIN COM A CRÍTICA DA ECONOMIA
POLÍTICA DE KARL MARX
Programa de Pós-Graduação em Filosofia / PUC-Rio (Doutorando)
Orientador: Pedro Duarte
Bolsista CNPq

Certas obras se apresentam com tamanha autoridade diante de alguém ou de uma época,
que nada, nesses casos, nenhuma fala ou gesto, parece estar à altura de seu poder
fascinante, e condicionam, dessa maneira, uma recepção servil. Existe um conceito na
obra de Walter Benjamin que nos ajuda a pensar uma relação mais criativa com a arte: o
conceito de “poetificado”, das Gedichtete. Encontramo-lo no ensaio sobre “Dois
poemas de Friedrich Hölderlin”. E se, frequentemente, poetas queixam-se de que uma
definição qualquer de poesia ou de poema (mesmo quando “abertas” e cheias de
abstrações vagas o suficiente para não liquidarem uma potência criativa) tende a esgotar
cedo demais as possibilidades de atuação artística, a nossa hipótese aqui é a de que o
conceito de “poetificado” abre não apenas um vastíssimo horizonte poético, como
também, no seio de cada poema, a possibilidade de um fazer sempre renovado. Isto é, o
conceito de “poetificado” autoriza uma recepção não servil dos poemas. O jovem
Walter Benjamin, ainda distante de seu marxismo da década de 1930, colocou no
coração do poema uma questão fundamental para qualquer teoria engajada com a
transformação do mundo: “Que fazer?” Com isso, quero propor que o conceito
consequente de crítica (de poesia) que se erige do conceito de “poetificado” guarda, não
obstante Benjamin ainda não tivesse travado contato com a literatura marxista, algum
parentesco com o conceito de crítica (da economia política) erguido pelos escritos de
maturidade de Karl Marx – ou seja, se assemelham na exigência de um abandono de
uma postura contemplativa passiva diante de um “objeto” do saber e na busca dos
possíveis prognósticos diante de uma determinada “situação” do saber.

Palavras-chave: crítica; filosofia da arte; epistemologia.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Rafaela Francisco da Nobrega

INTUIÇÃO E EMOÇÃO NA CRIAÇÃO ARTÍSTICA: UMA ESTÉTICA


BERGSONIANA
PPGFIL – UERJ
Orientador: Prof. Dr. James Arêas
Bolsista CAPES

O presente trabalho objetiva abordar a partir da concepção de Bergson o método


intuitivo considerando a emoção criadora no âmbito da experiência estética. A intuição
não é aqui compreendida como sentimento ou instinto, mas como método filosófico,
segundo nos aponta Deleuze, ela seria um método que nos permite alcançar o cerne dos
problemas bergsonianos visto que por ela somos capazes de nos ater aos problemas
verdadeiros e nos afastar dos falsos, os pensando a partir da duração. A duração através
da intuição nos situa no tempo em detrimento do espaço, espaço este que está mais
aproximado das razões científicas, portanto ligado à inteligência. Nesse movimento a
arte propicia uma comunicação dinâmica com as coisas uma vez que a intuição em
Bergson está fundada na experiência. Neste estudo é primordial entender que para
Bergson criação é emoção. Contudo, essa emoção não compreende a emoção comum,
trivial, aquela cuja origem ou cujo destino se encontra no corpo físico ou em atribuições
psicológicas. A emoção que aqui se fala é aquela presente no espírito, aquela em contato
com a duração, sendo a responsável por gerar a percepção capaz de provocar a
singularidade no todo. Nosso objetivo, portanto, é compreender como a emoção se lança
no processo criativo impulsionando e organizando os elementos trabalhados pelo artista.

Palavras-chave: intuição; emoção; Bergson.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Rafael Mófreita Saldanha

A FILOSOFIA ESTÁ MESMO MORTA? UM OLHAR SOBRE O


ESGOTAMENTO DE UMA CERTA PRÁTICA EUROPÉIA QUE
IMPORTAMOS SEM MUITO CUIDADO
PPGF-UFRJ
Orientador: Tatiana Roque
Bolsista CAPES

A fala em questão pretende abordar o tópos clássico, do fim da filosofia. De Hegel a


Derrida, passando por Heidegger e Wittgenstein (entre outros), encontraremos a
pergunta sobre um certo esgotamento da prática filosófica. Como se o pensamento
conceitual tivesse alcançado seus limites - variando, segundo o autor em questão, o que
fazer diante do esgotamento. Wittgenstein, porém, nos abre um caminho para entender
esse esgotamento de outra forma, pois desses três últimos exemplos, apenas ele de fato
assumiu esse esgotamento em sua prática, movimento que culmina com as sucessivas
tentativas de abandonar a vida filosófica. O que se percebe, porém, por meio de um
olhar mais atento aos movimentos da vida de Wittgenstein é que talvez não seja a
filosofia que esteja morta. Talvez aquilo que esteja morto (se é que algum dia viveu)
seja a filosofia enclausurada no mundo universitário - ou seja, a filosofia submetida as
especializações e divisões de trabalho impostas pelo capitalismo industrial e neoliberal.
Se pensarmos na universidade, como sugere Paulo Arantes, como um espaço que não
produz mercadoria ou valor (no sentido marxista), fica claro (após o vôo da coruja) que
esse lenta e penosa morte que observamos nas universidades do mundo inteiro
(inclusive, na UERJ) foi antes fruto de um assassinato premeditado e engenhoso.
Diversas práticas são inseridas na economia da universidade, se tornam dependentes
dessa economia, para em seguida, serem mortas junto com essa economia.

Palavras Chaves: filosofia; capitalismo; universidade.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Raquel de Azevedo

A CIDADE DE SÓCRATES: ENSAIO SOBRE A NATUREZA DA


VERDADEIRA ARTE POLÍTICA EM GÓRGIAS
Programa de Pós-Graduação em Filosofia – PUC-Rio
Orientadora: Déborah Danowski
Bolsista CAPES

Cálicles, célebre interlocutor de Sócrates com quem a dialética não funciona, ocupa uma
posição peculiar no esquema analógico de Platão em Górgias. Enquanto os demais pares
de personagens do diálogo parecem indicar uma relação entre mestre e discípulo, entre
uma determinada arte e aquilo que ela produz – vejam-se Górgias e Polo, Sócrates e
Querofonte –, Cálicles, terceira figura a ser submetida ao elenchos socrático, tem como
par o não-diálogo, aquilo que ele produz é precisamente o não funcionamento da
dialética. Mas o que exatamente falha quando a dialética falha? Minha hipótese é que
essa é a forma negativa de se perguntar em que consiste a arte de Sócrates. Cálicles,
como o próprio Sócrates reconhece, é sua pedra de toque (486d2-e2), mas só pode dizer
algo sobre a arte socrática às avessas, perturbando e inviabilizando completamente o
processo de homologia. Pela correspondência entre a alma e a cidade, podemos assumir
que o não-diálogo também se desdobra em duas cidades distintas, uma sendo o avesso
da outra, como na anedota acerca dos dois discursos sobre Helena proferidos por
Górgias. A diplomacia entre essas cidades não é, porém, “como um brinquedo”, tal qual
a conclusão do Elogio, não há indiferença entre os dois modos de vida. Sua relação é de
uma guerra em que uma das cidades, a de Sócrates, tem de lutar no interior da topologia
da outra, a saber, nos discursos.

Palavras-chave: Platão; Górgias; recalcitrância.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Raquel Rodrigues Rocha

DA SOCIEDADE DISCIPLINAR À SOCIEDADE DE CONTROLE DIGITAL


Doutorado em Filosofia - Programa de Pós-graduação em Filosofia/ Universidade
Federal do Rio de Janeiro
Orientador: Prof. Dr. Filipe Ceppas

Tomando como pressuposto que o advento da cibercultura influência diretamente nas


relações entre os indivíduos e a sociedade, não há como separar a evolução da Era
digital dos acontecimentos sociais das últimas décadas. Ante tal pensamento, o presente
artigo visa estabelecer um breve excurso acerca da transformação da sociedade
disciplinar em uma sociedade de controle digital, que tem na cibercultura e em seus
avanços tecnológicos a principal ferramenta de controle dos indivíduos. A
popularização da internet e o surgimento das redes sociais, faz com que cibercultura
torne-se como fundamental na constituição da sociedade contemporânea, promovendo
transformações significativas na maneira como as relações sociais, econômicas e
políticas são estabelecidas com os indivíduos. Nosso excurso começa a partir da
compreensão do que é a biopolítica e como é constituída a sociedade disciplinar a partir
do pensamento de Michel Foucault, para depois compreender o que é a sociedade de
controle digital. Deste modo, é possível apontar como os acontecimentos sociais
relativos ao surgimento da cibercultura, bem como àqueles provocados pela
cibercultura, aos poucos fazem com que a estrutura social disciplinar, de controle,
ligada principalmente a produção capital fabril, seja transformada numa sociedade de
controle digital, baseada no modelo neoliberal de produção que transforma os
indivíduos em sujeitos de rendimento influenciados pelo ideal de liberdade propagado
pela cibercultura.

Palavras –chave: sociedade; disciplina; cibercultura.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Ravena Olinda Teixeira

A POTÊNCIA DA MEMÓRIA EM ESPINOSA


Universidade de São Paulo/FFLCH-USP
Orientador: Luís César Guimarães Oliva
Bolsista do CNPq

Espinosa nos diz, na segunda parte da Ética, que a memória é resultado das afecções do
corpo. No escólio da proposição XVIII, a memória é definida quando ele nos explica
que as imagens são formadas na mente quando um corpo é afetado e arranjado pelos
traços de um corpo exterior. No final da última parte da Ética, o filósofo fala em duas
partes da mente: uma que perece e outra que permanece, apesar da morte do corpo. Em
seguida, ele coloca a imaginação e a memória como partes da mente que perecem com o
corpo e que são insignificantes em relação àquilo que subsiste dela. O problema surge
porque Espinosa jamais rejeita por completo a verdade que a experiência nos impõe.
Nesse sentindo, a memória é um critério legítimo, fornecido pela experiência, para
determinar a individualidade de um ser humano. No entanto, há quem defenda que essa
individualidade, percebida pelo primeiro gênero do conhecimento (imaginação) seja
ilusória. Chantal Jaquet, por exemplo, interpreta que embora o eu não seja odioso como
em Pascal, ele simplesmente não existe. Além disso, muitos intérpretes da filosofia
espinosana consideram que a salvação que Espinosa propõe pelo terceiro gênero do
conhecimento não envolve relação com o corpo; pelo contrário, parece ser uma negação
do corpo e, de certa forma, da memória. Não obstante, nosso trabalho pretende analisar
os textos da Ética sobre a memória para entender qual a sua potência e o seu papel no
projeto ético espinosano.

Palavras-Chave: potência; memória; espinosa.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Rebeca Louzada

A SIMPATIA NO SENTIMENTALISMO MORAL DE HUME E SLOTE


UERJ PPGFIL- Doutoranda
Orientador: Marcelo de Araújo

Este trabalho pretende investigar como é possível fundamentar a moralidade na


simpatia, ou seja, na capacidade de nos imaginarmos no lugar de outrem, para tal
utilizamos dois filósofos do Sentimentalismo Moral, David Hume e Michael Slote. No
Tratado da Natureza Humana (1739) Hume defende que a natureza humana possui um
princípio que explica porque somos incapazes de ficarmos indiferentes diante da
felicidade ou sofrimento alheio: a simpatia. Esta é a responsável pela emergência das
paixões indiretas, tais como orgulho e humildade, amor e ódio; além disto, ela faz a
transição das paixões não morais do egoísmo e da benevolência restrita para
sentimentos morais. Atualmente, houve uma nova tentativa de fundamentar a
moralidade em sentimentos morais, Slote defende em Ethics of Care and Empathy
(2007) e Moral Sentimentalism (2010) que a empatia, ou a simpatia humeana, é o
princípio moral por excelência. Em nossa vida, afirma ele, pensamos e agimos de forma
a não machucar, não magoar, nos preocupamos com o bem estar não apenas de quem
nos é mais próximo, mas também de pessoas as quais sequer conhecemos. Julgamos e
seguimos preceitos morais que nos permitem viver melhor e tornam as vidas de todos
melhores.

Palavras-chaves: simpatia; Sentimentos Morais; paixões.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Reginaldo Rodrigues Raposo

RITMO, HARMONIA E MELODIA NA ESTÉTICA DE HEGEL


Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP
Programa de Pós-Graduação em Filosofia (Mestrado)
Orientador: Prof. Dr. Marco Aurélio Werle

O intuito deste trabalho é discutir a maneira peculiar através da qual a Estética de Hegel
(tanto a célebre edição Hotho quanto os demais cadernos de alunos) se insere na questão
que se tornará a mais decisiva para o século XIX no âmbito artístico - a autonomia. Os
elementos estritamente musicais presentes num discurso de caráter acima de tudo
metafísico especulativo evidenciam a particularidade que delineia essa temática em
Hegel. Entre esses elementos, podemos sublinhar “medida temporal, compasso e
ritmo”, “harmonia” e “melodia”, que são tratados com algum destaque no interior dos
textos sob a égide de uma oposição aos elementos oriundos daquilo que Hegel
denomina de Espírito Subjetivo9 - principalmente “sensação”, “sentimento de si”
(antropologia filosófica), “intuição” e “representação” (psicologia filosófica). Hegel,
muito embora nossa orientação seja a de que sua sistematização estética se dê através da
sistematização filosófica mais ampla da Enciclopédia das Ciências Filosóficas, nesse
sentido dá um passo decisivo para que se possa verdadeiramente falar de uma “ciência
da música” ou musicologia de meados do século XIX.

Palavras-Chave: Hegel; música absoluta; musicologia.

9
Primeira seção do terceiro volume de sua Enciclopédia das Ciências Filosóficas.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Ricardo Cezar Cardoso

GILBERT SIMONDON: A INDIVIDUAÇÃO COMO ONTOLOGIA GENÉTICA


Instituição: Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ
Curso/Programa: Doutorado/PPGFIL-UERJ
Orientadora: Dirce Eleonora Solis

Logo na introdução de “L’Individuation à la lumière des notions de forme et


d’information”, sua tese de doutorado e obra principal, Simondon sinaliza que a busca
de um Princípio de Individuação supõe “que existe um princípio de individuação
anterior à própria individuação, suscetível de explicá-la, de produzi-la, de conduzi-la”.
De imediato, ele se opõe a Aristóteles e a toda tradição hilemórfica, a qual tem no
“indivíduo constituído a realidade interessante, a realidade a explicar”; caracterizando,
assim, uma “ontogênese invertida”. Diante desse entrave imposto pela ontologia
clássica (hilemórfica), Simondon busca no conceito de ontogênese, caro à Biologia, uma
saída capaz de explicar a individuação a partir da individuação ela mesma. Porém,
mesmo aí, Simondon esbarra com o fato de que a ontogênese, tal como nos é dada por
Haeckel, que diz “a ontogenia recapitula a filogenia”, mantém traços de hilemorfismo,
na medida em que toma a individuação como a realização de um “tipo”, por um lado, e
o indivíduo como diferença em relação a outros indivíduos, por outro, e que, por isso
mesmo, mantém tanto o indivíduo quanto o meio como anteriores à própria
individuação. Segundo Simondon, uma ontogênese real visa dar conta da gênese do par
indivíduo-meio. Daí o uso de conceitos como Transdução e Metaestabilidade. A
individuação como processo transdutivo, faz da ontogênese real a produção do novo, e
não a reprodução de um tipo. Assim, a individuação como transdução, faz da ontogenia
uma Ontologia Genética.

Palavras-chave: individuação; Transdução; Metaestabilidade.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Ricardo Pedroza Vieira

IMPLICAÇÕES ÉTICAS E EXISTENCIAIS DA NOÇÃO DE


CONFIABILIDADE ("VERLÄSSLICHKEIT"), PRESENTE NA "ORIGEM DA
OBRA DE ARTE" DE HEIDEGGER
Professor do Colégio Pedro II (CPII), Doutor em Filosofia pelo PPGF/UFRJ

O trabalho consiste em uma reflexão sobre a relação existencial com o ser-utensílio


(Zeugsein) caracterizada como confiabilidade (Verlässlichkeit) na "Origem da Obra de
Arte" de Heidegger. A confiabilidade é uma dimensão originária de afetividade e
engajamento com a existência e com as coisas. Procuramos refletir sobre as implicações
desta dimensão da existência para as relações entre arte e vida cotidiana e para as
possibilidades de orientação humana no mundo e com relação aos entes. Por fim,
consideraremos o impacto destas implicações para o problema do sentido existencial da
ética. Como pensar a ética como uma tarefa humana rigorosa, enraizada na dinâmica
hermenêutica da existência, se esta é marcada por transformações e incertezas no
âmbito das orientações sobre as quais se assentam quaisquer regras ou padrões de
conduta? Para auxiliar no aprofundamento conceitual destes pontos, também se procura
traçar um paralelo entre a noção de confiabilidade e a noção de estar-certo (Gewiss-
sein) e suas variações, apresentadas no §52 de Ser e tempo. Particularmente,
procuramos levar em conta aquela certeza que é considerada existencialmente
privilegiada neste texto, a saber, a certeza da morte. O paralelo visa esclarecer a relação
entre os diferentes modos de confiança e certeza, na perspectiva das implicações que
indicamos.

Palavras-chave: confiança; Heidegger; Verlässlichkeit.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Rineu Quinalia Fh
ARGUMENTUM AD HOMINEM E ARGUMENTUM AD PUBLICUM:

AS POSSÍVEIS VARIAÇÕES INTERPRETATIVAS DO ÉLENKHOS

Universidade Federal de São Carlos


Doutorando em Filosofia
Orientadora: Prof. Dr.a. Eliane Christina de Souza
Bolsista CAPES

Élenkhosé principalmente sinônimo de inspeção. Tudo tem início com uma simples
pergunta: “que é?” (ti estí;). O ti estí basicamente estabelece a relação entre o sujeito
que aplica a pergunta (Sócrates) e outro que deve defendê-la (quase sempre um
renomado interlocutor). O modelo tradicional do élenkhosé o seguinte:1) O interlocutor
propõe uma tese X, Sócrates decide refutá-la;2) Sócrates cria um estado de
homologia (um acordo) com o principal interlocutor para que a discussão prossiga
mediante o fornecimento de outras premissas ligadas à tese X, por exemplo, premissas
Y e/ou Z. O consenso é ad hoc: sendo assim, Sócrates aparentemente parece deixar de
lado momentaneamente a tese X e começa a argumentar sobre as premissas Y e
Z;3)Sócrates demonstra, a partir do consentimento do interlocutor, que Y e Z implicam
não-X; 4) Sócrates, por fim, afirma ter demonstrado que não-Xé verdadeira, logo, a tese
Xdefendida por seu interlocutor, é falsa. Muitas vezes, porém, toda essa performance
ocorre diante de um público. Este aspecto dramático nos interesse particularmente.
Ocorrem duas clássicas modalidades interpretativas da inspeção socrática; uma é
chamada de “élenkhosprioridade de definição(PD)” e outra que respeita a mesma
estrutura, Vlastos chamará de “élenkhospadrão”.Estes dois modos de ler o élenkhos
baseiam as hipóteses levantadas para o desenvolvimento deste trabalho, que sugere
propor algumas variações interpretativas do élenkhos a fim de torná-lo mais abrangente.

Palavras-chave: história da filosofia antiga; Sócrates; élenkhos.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Roberta Ribeiro Cassiano

O FIM DA METAFÍSICA EM QUESTÃO: NIETZSCHE E HEIDEGGER


SOBRE A HISTÓRIA
UERJ PPGFIL
Marco Casanova

Por meio da leitura da interpretação de Nietzsche por Heidegger, procuraremos avaliar a


situação do pensar contemporâneo em seu autodeclarado movimento de ruptura com a
tradição metafísica que o precede e possibilita. Buscaremos avaliar a afirmação
heideggeriana segundo a qual Nietzche, em sua formulação da vontade de poder como
princípio de articulação do real, permanece no interior do domínio da metafísica e, em
verdade, promove sua mais elevada e derradeira consumação, mesmo consideradas a
radicalidade e as inúmeras consequências filosóficas de suas críticas a esta tradição.
Além disso, nos interessa localizar o confronto com o pensamento nietzscheano no
interior do movimento de viragem (die Kehre) do caminho de pensar de Martin
Heidegger a partir da década de 1930, onde aparecem e ganham força as noções de
acontecimento apropriativo (Ereignis) e a caracterização da metafísica como história do
Ser. Buscaremos interrogar aqui justamente a reformulação dos termos de colocação de
problemas centrais já em seu projeto fenomenológico e hermenêutico desenvolvido em
Ser e Tempo e outros textos da mesma época. Com isto, poderemos enfim evidenciar,
neste contexto, as considerações dos autores mencionados sobre a questão acerca da
história e demarcar seu caráter decisivo para ambos. Palavras-chave: história.
Metafísica. Vontade de poder. Acontecimento apropriativo.

Palavras-chave: Heidegger; Nietzsche; metafísica.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Roberta Liana Damasceno Costa

A CRÍTICA AO NOSSO PRESENTE HISTÓRICO: A ATUALIDADE COMO


QUESTÃO EM MICHEL FOUCAULT
Universidade do Estado do Rio de Janeiro- UERJ Programa de Pós- Graduação em
Filosofia – PPG-Fil
Orientadora: Profa. Dra. Vera Maria Portocarrero

A proposta deste ensaio é ser uma análise da noção de “ontologia do presente”,


apresentada pelo filósofo Michel Foucault, na perspectiva de instrumento para o
diagnóstico da atualidade. O termo ontologia, em Foucault, é herdado por suas leituras
do filósofo alemão Immanuel Kant e reinterpretado como crítica, enfrentamento aos
dispositivos de assujeitamento e domínio das formas de existência, forjados pelas
instituições disciplinares, formas de governos que são revestidos pelas relações entre
poderes e saberes. O filósofo francês em seu escrito O que são as luzes, deixa em
evidência que através da crítica, ver-se uma possibilidade da realização de uma
“ontologia crítica de nós mesmos”. Para tal empreendimento crítico, é preciso ser
evidenciado os limites instituídos aos sujeitos (campo da experiência do pensável,
dizível e factível), sejam por normas, acontecimentos históricos, gestão da vida por
políticas estabelecidas. A ontologia do presente é um modo de abordar fenômenos
históricos e sociais. Caberá a tarefa de investigação do contexto de surgimento da noção
de crítica da atualidade, ao retomar os escritos foucaultianos, para que seja
compreendido na transformação dos processos históricos de subjetivação, a
problematização do papel da liberdade e da autonomia na formação do cidadão ou
sujeito político na atualidade. O entendimento da ontologia, como crítica, abre um
campo de pesquisas que visa compreender os acontecimentos históricos que nos
levaram a nos tornar o que somos, indicando formas de resistência e transformação do
espaço social e político.

Palavras-chave: ontologia do presente; política; liberdade.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Roberto Nunes Junior

O CONCEITO DE PRÁXIS EM KARL MARX


Universidade Federal de Pernambuco Programa de Pós-Graduação Integrado de
doutorado em Filosofia (UFPE-UFPB-UFRN)
Orientador: Luís Vicente Vieira
Bolsista CAPES

Em seu texto Teses sobre Feuerbach, o filósofo alemão Karl Marx cunhou, na XI tese, a
célebre frase “Os filósofos apenas interpretaram o mundo, de forma diferente, o que
importa é mudá-lo”. Partindo da análise de que esse não é apenas um chamamento para
que os filósofos se engajem na transformação do mundo, mas a expressão de um novo e
revolucionário conceito na teoria de Marx, a práxis, pretendo analisar este conceito
como resultado de um processo de acúmulos teóricos e políticos que, conectados com o
ambiente intelectual e com as lutas políticas da época, abriu caminho para a posterior
construção teórica do autor. Desta forma, a comunicação pretende fazer uma breve
retrospectiva histórica, e teórica, sobre o caminho percorrido por Marx desde os Anais
franco-alemães até as referidas teses com o intento de levantar duas questões principais
na teoria marxista: 1) a chegada ao conceito de práxis foi totalmente coerente com o
processo prático e teórico vivido pelo próprio autor, que formulou e reformulou sua
teoria de acordo com as experiências da vivência política da época; 2) o abandono da
separação entre teoria e prática, que até então marcara a história da filosofia, implica um
engajamento político e revolucionário, pelo menos por parte dos que se consideram
marxistas. Ora, em que medida e de que forma isso é possível no mundo de hoje?

Palavras-chave: práxis, teoria; prática.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Rodrigo do Amaral Ferreira
NOTAS SOBRE A PRESENÇA DA METÁFORA NO PENSAMENTO DE
JACQUES DERRIDA
Pós-graduação em Filosofia / Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Orientadora: Dirce Eleonora Nigro Solis

Em seu ensaio A mitologia branca, o pensador franco-argelino Jacques Derrida


questiona a “presença” da metáfora no texto filosófico em geral, objetivando demonstrar
como essa figura de estilo excede os limites da retórica – seu campo disciplinar – e
incide sobre o discurso especulativo, próprio à filosofia em sentido estrito. No curso do
texto, fica claro que é não é tanto o uso da metáfora que interessa a Derrida e aos
propósitos do que ficou conhecido por desconstrução, mas o modo como a figura
aparece e interfere no processo de constituição do discurso filosófico que se apoia na
subsunção de uma pretensa língua natural para, a partir dela, formar os conceitos
abstratos com os quais opera a filosofia. Nessa perspectiva, partiremos da apresentação
desse ensaio de Derrida para, em seguida, propormos uma chave de leitura que
extrapola o campo estritamente linguístico no qual se desenvolve a discussão sobre a
metáfora. Referimo-nos à possibilidade de balizarmos certos efeitos ético-políticos
oriundos dessa discussão cujo impacto ressoa tanto na economia da assinatura Derrida,
ou seja, na sua obra em geral, quanto em questões prementes à contemporaneidade. A
partir desses dois movimentos, julgamos ser possível marcar a proficuidade e a
atualidade do pensamento derridiano, com todos os ganhos e perdas que ocorrem ao
fazermos com que ele cruze a linha dos trópicos.

Palavras-chave: metáfora; desconstrução; Jacques Derrida.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Rodrigo Viana Passos

ONDE ESTÁ O AUTOR?: CONSIDERAÇÕES HERMENÊUTICO-


FILOSÓFICAS SOBRE A EXPERIÊNCIA ESTÉTICA
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
Programa Pós-graduação em Filosofia (Mestrado)
Orientador: Paulo César Duque-Estrada
Bolsista CAPES

O presente trabalho busca refletir, a partir do paradigma da hermenêutica-filosófica,


sobre o lugar hermenêutico do autor de uma obra artística consumada e lançada ao
mundo para ser experienciada. No fundo é perguntar: quando nos pomos diante da obra,
o que buscamos é autor e sua consciência criadora expressa na obra ou algo diverso e
independente – um conteúdo em si mesmo subsistente? Tal problema pode ser extraído
das próprias considerações de Gadamer sobre o acontecimento artístico presentes tanto
em Verdade e Método, quanto em seus artigos periféricos sobre estética (vol. 8 e 9,
Gesammelte Werke). Lá o encontramos preocupado em deslocar a experiência estética
de um âmbito puramente subjetivo – consciência estética aliada a um tipo de
consciência histórica – para um âmbito ontológico de acontecimento da verdade. A
obra, sob esse novo olhar, passa a ser compreendida como parâmetro de si mesma, ou
seja, ela própria possui o primado da experiência estética na medida em que se
configura como representação (Darstellung) de uma verdade. Por outro lado, parece ser
legítimo questionar se o autor deixa de ter qualquer função hermenêutica aí. E se tem,
qual o caráter de tal presença autoral na obra? Acreditamos que, à princípio, não se pode
compreender a tese gadameriana como “anti-autoral”, promovendo uma cisão artificiosa
entre a obra e sua origem. O autor é o mediador original da verdade desvelada e a
configuração artística final: um verdadeiro “sacerdote” da verdade.

Palavras-chave: hermenêutica; arte; autor.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Rogério Reis Carvalho Mattos

DO MUSEU DAS ESPÉCIES À ANATOMIA PATOLÓGICA: A ARTE DE


FABRICAR DOENÇAS
Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ)
Doutorando em Filosofia Moderna e Contemporânea / Programa de Pós-graduação em
Filosfia da UERJ
Orientadora: Vera Portocarrero

O trabalho se baseia nas discussões sobre o nascimento da medicina moderna, da


clínica, no século XIX, e seus vínculos com o pensamento biológico como revelado
pelos escritos de Canguilhem e Foucault. Este problematiza a diferenciação da clínica e
das ciências da natureza a partir da definição das “condições de possibilidade” tanto de
Cuvier quanto de Saint-Hilaire para a emergência do saber médico e dos problemas
colocados pela antropologia oitocentista. A questão da "confusão do duplo empírico-
transcendental", a capacidade de "fabricar" doenças - algo já apontado no primeiro livro
da História da Sexualidade, de Foucault (como também em seus cursos), quando fala
sobre Charcot, é bem desenvolvido pelo historiador da arte francês Georges Didi-
Hubemarn, com a sua "Invenção da histeria". Neste sentido, encontramos similaridades
com o que se fez no Brasil com Carlos Chagas e a doença que levou seu nome. A
questão das imagens e como, a partir delas, fabricar uma doença, pode levá-la, talvez se
possa dizer, a "níveis hollywoodianos". Carlos Chagas contribuiu para a revista de
Charcot na Salpetrière, onde se exibiam as fotos das "poses" das histéricas e também a
dos que sofriam do mal de Chagas; por outro lado, como o "grande mal" que era a
doença de Chagas, com o tempo foi virando algo cada vez mais circunscrito em termos
clínicos, a identidade da doença sofreu uma mudança brusca, talvez menos pela
melhoria das condições sociais do que pelo própria percepção clínica da doença. Uma
outra antropologia.

Palavras-chave: antropologia; nascimento da clínica; pensamento biológico.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Ronnielle de Azevedo Lopes

A EPISTEMOLOGIA DA INCONTORNABILIDADE EM HEIDEGGER


Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará. Mestre em
Filosofia pela PUC-SP

Compreendemos existir em Martin Heidegger, principalmente após a reviravolta


(Kehre) de seu pensamento, uma epistemologia da incontornabilidade em que a
tecnociência esbarra no seu próprio limite. O limite da tecnociência é o incontornável
em seu objeto, o ser do objeto, a dimensão inacessível à representatividade moderna.
Pensar o limite da tecnociência é buscar superar sua principal ameaça: a absolutização
de um desvelamento único do real, a objetivação plena da vontade de poder do sujeito
frente à natureza. Conceber uma epistemologia da incontornabilidade em Heidegger é se
lançar a tarefa de compreender tal superação, resguardando o incontornável da ciência:
a natureza como natureza, o homem como homem, a linguagem como linguagem... os
fenômenos como fenômenos. A epistemologia não é concebida, pelos estudiosos de
Heidegger, como um problema central no pensamento do filósofo de Freiburg. Na
contramão de todos os filósofos da ciência, Heidegger não determina a ciência
diretamente vinculada à teoria do conhecimento. Na tradição, incluindo seu mestre
Husserl, a filosofia da ciência diz respeito ao conhecimento científico e sua validação.
Por seu turno, Heidegger, principalmente a partir de meados da década de 1930,
concebe que a ciência é um acontecimento epocal e suas bases são fundamentalmente
ontológicas, no caso da ciência moderna, a metafísica da vontade de poder.
Compreender a filosofia da ciência de Heidegger exige que seu projeto seja situado em
relação ao giro epistemológico central ao neo-kantianismo e à fenomenologia
husserliana, ainda dominantes na filosofia. Para ambos os neo-kantianos e Husserl, a
reflexão filosófica sobre a ciência diz respeito ao conhecimento científico. A ciência
visa estabelecer conhecimento objetivamente válido, enquanto a filosofia buscava
clarificar as bases de sua validade... Epistemólogos tratam o conhecimento como uma
relação entre entes: um conhecedor, um objeto conhecido e a representação do
conhecedor sobre o conhecido. A tarefa é, então, compreender como esses entes devem
estar relacionados para atingir conhecimento genuíno (ROUSE, 2014, p. 171). O que
move a ciência moderna em sua essência é a vontade de poder. A vontade de poder
transforma a totalidade dos entes em objeto calculável do sujeito: “A vontade de saber

149
Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
que aqui irrompe e sua organização geral controlável apontam um aumento da vontade
de poder” (HEIDEGGER, 1969a, p. 21-22). A vontade de poder permite ao sujeito
assenhorar- se, por meio da tecnociência, da totalidade dos entes concebidos, nesta nova
determinação ontológica, como objetos disponibilizados no cálculo e na representação.
A investigação moderna está engajada, com outros modos de representação e com
outras espécies de produção do ente, no elemento característico daquela verdade,
conforme a qual todo o ente se caracteriza como vontade de vontade. Como forma
antecipadora começou a aparecer a “vontade de poder”. “Vontade”, compreendida como
o traço básico da entidade do ente é, tão radicalmente, a identificação do ente com o que
é atual, que a atualidade do atual é transformada em incondicional factibilidade da geral
objetivação. A ciência moderna nem serve a um fim que lhe é primeiramente proposto,
nem procura uma “verdade em si”.

Palavras-chave: tecnociência; representação; epistemologia da incontornabilidade.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Roseli Gonçalves da Silva

A PALAVRA POR UM FIO: UM GESTO DE VOZ


Doutoranda do PPGF-IFCS – Universidade Federal do Rio de Janeiro
Orientador: Rafael Haddock-Lobo
Bolsista CAPES

Esta proposta de comunicação tem por objetivo central pensar tanto o gesto quanto a
palavra enquanto indecidíveis, a partir do argumento no qual a aparição do gesto se
torna possível unicamente no curto espaço de tempo que se dá no quase-vir-a-ser, entre
o furto e a falta da palavra, ou como diz Derrida a despeito de Artaud: na confusão que
se dava entre a “origem” e a “necessidade” da palavra concomitante à sua falta. Reitero,
digo aparição e não nascimento, uma vez que nascer nos remontaria a uma origem. No
gesto, creio, não há uma origem, o que há é um diálogo do corpo com o pensamento,
mais, uma quase resposta; e esse movimento, esse gesto, se faz possível bem aí neste
fortuito intervalo entre o pensamento e a palavra falada ou mesmo entre o pensamento e
a palavra escrita. Para travar tal discussão partirei do texto “A Palavra Soprada” de
Jacques Derrida e a noção de Crueldade posta por Artaud, donde vislumbro a
possibilidade de pertencimento: meu gesto me pertece porque se comunica com meu
pensamento e se expressa no meu corpo uma única vez; um gesto não se repete jamais.
Assim esse gesto que me é “próprio” escapa-me; e ao escapar-me marca a
impossibilidade do roubo, como o é com as palavras. Trata-se portanto, não de partir de
uma “mesma”metafísica dualista amplamente discutida e por que não dizer refutada por
eles: Derrrida e Artaud, mas sim de uma tessitura que perpasse o pensamento de ambos
e assim possa promover uma discussão outra na qual não só a palavra, mas o gesto
inscreva-se enquanto indecidível.

Palavras-chave: Derrida; Artaud; palavra.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Sacha Zilber Kontic

A PASSIVIDADE DO ENTENDIMENTO E A QUESTÃO DA ANALOGIA EM


MALEBRANCHE
Programa de Pós-Graduação em Filosofia (PPGFil) Universidade de São Paulo (USP)
Orientadora: Tessa Moura Lacerda
Bolsista Fapesp

A presente comunicação tem como objetivo analisar o modo como Malebranche


defende a completa passividade do entendimento tanto diante dos sentimentos quanto
das ideias a partir de uma analogia entre a substância espiritual e a substância extensa.
Esta questão é central para a sua filosofia na medida em que, segundo ele, todo o
conhecimento que podemos ter de nossa própria alma é dado pelo que o oratoriano
chama de “sentimento interior” ou “consciência”, ou seja, por um conhecimento
obscuro que não permite a elaboração de uma ciência ou de um discurso positivo sobre
a alma e suas propriedades. Assim, diferentemente de Descartes, Malebranche considera
que os corpos, na medida em que são modificações da extensão, ou seja, que são
constituídos por relações de distância e por movimentos, podem ser mais facilmente e
mais claramente conhecidos do que a alma. Por não possuir uma ideia clara de nossa
alma, nós apenas sentimos suas modificações e suas propriedades, enquanto que
conhecemos por ideias claras as modificações da extensão. Entretanto, Malebranche
indica ser possível falar sobre a alma e suas modificações por meio de uma analogia
entre o conhecimento claro da extensão e os sentimentos confusos da alma.
Analisaremos assim como esse procedimento leva Malebranche a defender uma
completa passividade do entendimento, análoga à passividade dos corpos extensos da
física cartesiana, assim como as suas consequências para a concepção malebranchiana
de conhecimento.

Palavras-Chave: Nicolas Malebranche; analogia; passividade.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Sarah Maria Barreto

A POESIA COMO HORIZONTE DE EMANCIPAÇÃO


Programa de pós-graduação em filosofia da UFF – PFI - Mestrado
Orientador: Patrick Pessoa

No mesmo mundo em que a poesia de Shakespeare foi escrita, em que a Capela Sistina
foi pintada e que Davi foi esculpido, uma bomba atômica foi lançada em Hiroshima
matando milhares de pessoas. O ser humano foi responsável por todas essas coisas. O
que teria mudado nesse tempo para que a τέχνη (techné) fosse usada para fins tão
violentos? Foi a humanidade que mudou? Foi a tecnologia que mudou? Afinal, a
história tem registros de muitas guerras mas nenhuma tão brutal quanto essa, pelos dois
aspectos tanto do ponto de vista humano, do holocausto, quanto do ponto de vista
tecnológico, das bombas atômicas. A τέχνη em sentido grego era produção. Era fazer
aparecer no mundo de objetos, construções e também de arte e poesia. Na
contemporaneidade a produção de tecnologia está a todo vapor, mas será que ainda
somos capazes de produzir arte? Qual é o lugar da arte e da poesia em um mundo que
promoveu o holocausto? Elas ainda são possíveis? Como elas podem existir nesse
mundo cheio de horrores? O nosso principal objetivo será interpretar a frase adorniana
que diz: “Escrever um poema pós Auschwitz é um ato bárbaro.” Analisando o lugar da
poesia na contemporaneidade e de como ela é capaz de emancipar a subjetividade
humana, que ao longo da história foi se tornando objeto da sua própria racionalidade.
Para tal usaremos alguns textos do Adorno, Hegel e poesias de Paul Celan.

Palavras-chave: poesia; Adorno; holocausto.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Matheus Maia Schmaelter

SER LIVRE PARA TORNAR-SE: A CONDIÇÃO DIALÉTICA DA


LIBERDADE HUMANA EM A DOENÇA PARA A MORTE, DE SØREN
KIERKEGAARD
Universidade do Estado do Rio de Janeiro Programa de pós-graduação em filosofia
Orientador: Alexandre Marques Cabral
Bolsista CAPES

Em A doença para a morte, obra de 1849, Søren Kierkegaard afirma que o ser humano é
uma síntese, que um ser humano é espírito e que espírito é o si-mesmo. Entretanto, o
simesmo não é meramente uma síntese, tal qual o autor descreve o ser humano, mas é a
relação da sítntese relacionando-se consigo mesma. Então, enquanto um ser humano é
uma síntese, quer dizer, uma relação entre elementos opostos, um si-mesmo é o
indivíduo humano consciente de si como relação relacionando-se consigo mesmo. Para
que o indivíduo humano possa verdadeiramente tornar-se si-mesmo faz-se necessário
que a relação componente do simesmo esteja em equilíbrio, caso contrário o que há é
desespero. Desespero é, portanto, perda, ausência de si mesmo. O si-mesmo, no entanto,
é liberdade10,1 afirma o autor, de modo que um indivíduo que não é verdadeiramente si-
mesmo não é verdadeiramente livre. Analisando as formas de desespero expostas por
Kierkegaard na obra em questão pretendemos demonstrar como, no interior do
pensamento do autor dinamarquês, a liberdade é uma categoria existencial dialética e
que só pode ser alcançada mediante o equilíbrio na relação que compõe todo e qualquer
ser humano.

Palavras-chave: si mesmo; desespero; liberdade.

10
KIERKEGAARD, The Sickness Unto Death, p. 29.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Serguey Monin
FOUCAULT E A PARRESÍA NO CINEMA DE TARKOVSKI: O PROBLEMA
DA CORAGEM DA VERDADE
UERJ - Filosofia - PPGFIL (mestrado)
Orientador: Ivair Coelho Lisboa
Bolsista CAPES

O presente trabalho busca fazer uma investigação sobre o estudo que o filósofo francês
Michel Foucault faz das práticas de liberdade na Antiguidade e, em particular, do
conceito de parresía, estabelecendo ressonâncias que esta prática discursiva tem com o
pensamento e a obra cinematográfica do cineasta russo Andrei Tarkovski. Ao fazer uso
da contribuição filosófica de Gilles Deleuze, buscarei estabelecer uma relação de
composição mútua entre o pensamento de Foucault e a arte de Tarkovski.Veremos que
quando Foucault fala de uma ética dos gregos, está presente também uma estética - uma
estética da existência. E esse princípio criativo, que aspira sempre uma reinvenção da
vida como obra de arte, será ancorado em nossa análise pelos problemas mais
fundamentais da obra de Tarkovski, expostos tanto nos temas de seus filmes como no
seu livro “Esculpir o Tempo”.Depois de analisar os pontos centrais das práticas de
liberdade em Foucault, com foco na noção de parresía, e estabelecer ressonâncias com o
cinema de Tarkovski, otrabalho se debruçará sobre o seguinte problema: como estas
práticas de liberdade, que são fundamentalmente práticas de subjetivação do sujeito
consigo mesmo, de conhecimento de si e de processos de veridicção do indivíduo,
podem se expressar na coletividade e possibilitar uma emergência de uma ética e uma
política para um mundo por vir?

Palavras-chave: Foucault; parresía; Tarkovski.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Tarsila Costa Conrado dos Santos
AS IMAGENS CRISTALINAS EM GILLES DELEUZE
Pós-Graduação em Filosofia (PPGFIL-Uerj)- Mestrado
Orientador: Prof. Dr. James Bastos Arêas
Bolsista CAPES

O presente trabalho investiga os problemas imanentes ao conceito de imagem-cristal


apresentados na obra de Gilles Deleuze, “Cinema 2: a imagem-tempo” (2005), mais
especificamente, no quarto capítulo “Os cristais de tempo”. Deste modo, em minha
pesquisa tenho trabalhado em uma cartografia das imagens cristalinas apresentando
possíveis relações entre cinema, pintura e sistemas de minerais cristalinos já
classificados pela ciência. Portanto, a partir de possíveis ressonâncias entre tendências e
“texturas” observadas nas manifestações das imagens cristalinas vistas nos meios
supracitados, busco demonstrar as intrínsecas relações existentes entre arte, ciência e
filosofia já constatadas na obra “O que é a filosofia? ” (1992) de Gilles Deleuze.
Também, apresento uma possível progressão evolutiva/involutiva no sentido
bergsoniano entre a taxonomia dos cristais de tempo feita por Deleuze. A classificação
deles segue a ordem à frente: cristal perfeito, cristal rachado, cristal germinativo e
cristal em decomposição. Consequentemente, essas manifestações cristalinas poderiam
nos indicar a existência de outros tipos de imagem-cristal. Os artistas que compõem este
estudo são:Giuseppe Pelizza da Volpedo (1868-1907) e Max Ophüls (1902-1957),
Edgar Degas (1834-1917) e Jean Renoir (1894-1979), Paul Cézanne (1839-1906) 3 e
Federico Fellini (1920- 1993), William Hogarth (1697-1764) e Luchino Visconti (1906-
1976), Andrei Tarkovski (1932-1986) e BélaTarr (1955).

Palavras-chave: filosofia; arte; ciência.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Thales Coimbra Paranhos Cavalcanti de Paiva

SOBRE O PROBLEMA DA ORIGEM ÚLTIMA DOS POVOS NO SISTEMA


FILOSÓFICO TARDIO DE SCHELLING
Mestrado em Filosofia no PPGF Universidade Federal do Rio de Janeiro
Orientador: Rafael Haddock-Lobo
Bolsista CAPES

Um dos problemas capitais abordados por Schelling em sua última etapa especulativa
(Filosofia da Mitologia) consiste na elucidação do problema da origem e constituição
dos povos. Retomando as concepções e teorias vigentes em sua época para em seguida
contestá-las em seus fundamentos, Schelling propõe sua própria interpretação da
natureza das representações mitológicas, indissoluvelmente ligadas ao nascimento dos
povos. Em função disto, Schelling pensa o conjunto da história e da essência humana.
De acordo com a solução apresentada pelo filósofo alemão, o campo de ação histórica
que coube a cada povo é determinado pela sua respectiva figura religiosa, e cujo
movimento evolutivo culmina no advento do cristianismo. Nossa comunicação visa
reconstruir o exame crítico pelo qual Schelling nos guia nesta obra tardia, assinalando o
erro de doutrinas tais como a Evemerista ou Naturalista, para então apontarmos a
perspectiva original da interpretação que Schelling fornece sobre o papel do fenômeno
mítico na origem última dos povos, cuja contribuição para a renovação do interesse que
surgiu no século XX pelo estudo da mitologia em diversas áreas de conhecimento, tais
como a antropologia de Eliade, van der Leeuw e Johannes Jensen ou a Psicologia
Profunda de Carl G. Jung, foi fundamental.

Palavras-chave: mitologia; origem dos povos; meta-história.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Thiago Ferrare

PENSAR A POLÍTICA PARA ALÉM DO IGUALITARISMO NIVELADOR:

A FALÊNCIA DA CRÍTICA NOS MARCOS DO LIBERALISMO POLÍTICO

Universidade de Brasília – UnB

Mestrado em Ética e Filosofia Política – Departamento de Filosofia

Orientador: ProfºDrº Erick Calheiros de Lima

Bolsista CNPQ

Havia um sentido para que Policarpo11 abandonasse a profissão de relojoeiro: “os relógios
deste mundo não marcam a mesma hora” (ASSIS, 1997, p. 6). O caráter abstrato da marcação
do tempo é visto pelo narrador como promessa de objetividade – “a única explicação dos
relógios era serem iguaizinhos” (ASSIS, 1997, p. 6) A surpresa lhe vem da percepção de que
a concretude das vivências determina a experiência temporal. Não há tempo abstrato, a
história não existe enquanto pura forma. A concretude das vivências subjetivas determina a
compreensão do mundo social, daí a necessidade de se pensar a distância que separa a
imparcialidade do tempo de relógio e a verdade das experiências concretas: “tão certo pode
ser o meu relógio, como o do meu barbeiro” (ASSIS, 1997, p. 6); não são iguaizinhos. Pode
ser não é relativismo. Uma estratégia de elucidação deste ponto nos vem da análise e crítica
da noção de fato do pluralismo razoável. A externalidade entre diferentes concepções de bem
impele a teoria política liberal à aproximação entre razoabilidade e verdade. O espaço público
é delimitado por critérios constitucionais de razoabilidade para além dos quais não se
caminha: juízos enfáticos de validade se perdem na indiferenciação das vivências diante da
história. Se a razoabilidade é o critério suficiente para as demandas por justiça, a verdade se
dilui na relatividade das concepções de bem. O ponto é: a retórica relativista do liberalismo
esvazia a política. O motivo? O não conhecimento da razão pela qual Policarpo mudou de
profissão: os relógios do mundo não marcam a mesma hora. Compreendida nos marcos do
pluralismo razoável, a sociedade civil é um vazio de narrativas concretas. As diferentes

11
Policarpo é o narrador de uma série de crônicas de Machado de Assis. Sobre a mudança de profissão do
personagem, veja-se Sidney Chalhoub: “Policarpo era um antigo relojoeiro que havia descrido do ofício. O
motivo da decepção fora a constatação de que os relógios deste mundo não marcam a mesma hora. Segundo o
ex-relojoeiro, a única explicação dos relógios era serem iguaizinhos, sem discrepância; desde que discrepam,
fica-se sem saber nada. Decepcionado com a impossibilidade de precisão e objetividade num ofício onde tais
requisitos pareciam indispensáveis, Policarpo tornou-se cronista, uma atividade cuja parcialidade e caráter
subjetivo podiam ser explicitados até de forma desabusada”. In: CHALHOUB (1996, P. 180).

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
concepções de bem se isolam em posições sociais que não se situam no tempo histórico. “Em
todas as lutas, estou sempre do lado do vencedor” (ASSIS, 1997, p. 11): a histórias tem lados
e o liberalismo político não leva isso a sério.

Palavras-chave: liberalismo político; pluralismo razoável; crítica social.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Uriel Nascimento
LACAN: TEÓRICO DA ANGÚSTIA, TEÓRICO DA INDETERMINAÇÃO
Programa de pós graduação em filosofia da PUCRIO
Orientador: Pedro Duarte
Bolsista: CNPq

Usualmente pensada de maneiras distintas como uma saída para o capitalismo ou para o
“identitarismo” por ele gerado, a indeterminação parece ser a única solução possível que
nos resta nos tempos atuais. Pensadores tão distintos quanto os românticos de Jena em
seus fragmentos e Foucault em sua leitura de Kant sugerem que não há outro caminho
que não alguma figuração daquilo é irredutível a apenas uma identidade e que, por isso,
se configura como um híbrido ou como algo que nunca se atualiza completamente. Para
além de meramente afirmar, alguns autores levam tal compreensão à consumação
máxima quando a performatizam quer na forma da escrita, quer nas disciplinas com as
quais escolhem dialogar. Propoem, assim, a indeterminação como um caminho, pois
que errar, no duplo sentido do termo, parece ser a solução mais frutífera. Posto isso,
buscamos pensar em que medida há verdade nessas proposições, tomando por base
crítica-expositiva o conceito lacaniano de angústia, por ser ele o momento no qual o
autor se debruça sobre o indeterminado. Para Lacan, se a angústia é o indeterminado e é,
ao mesmo tempo, o único afeto que não engana, é também aquele que não pode ser
sustentado, sendo antes passagem e motor, não meta. Nesse sentido, se a angústia é o
leitmotiv da clínica e da teoria lacanianas, é também o momento no qual fica claro que
algo falha e, portanto, é uma etapa a ser ultrapassada. Por ser o afeto índice da inscrição
do sujeito entre o já não mais ser e o ainda não ser, sua emergência é também o
momento revelador do encontro do sujeito com um nada que já se soube algo e que
consegue, ainda, vislumbrar um projeto. Trata-se, aí, de algo que desestabiliza na
medida em que deve sua existência à ausência de estabilidade. Porque pensa um sujeito
(ainda que do inconsciente), Lacan não pode nunca abandonar de vista a manutenção de
sua constituição, ou seja, não pode nunca pensar uma atitude de recusa completa e
permanente da identidade e dos fundamentos (como certa leitura do romantismo ou o
Foucault parecem sugerir). A exposição buscará tornar claro como esse é o motivo pelo
qual o psicanalista elege a angústia como momento e motor, mas nunca como telos em
sua teoria psicanalítica e buscará, também, apontar como um equilíbrio tenso entre

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
identidade e não-identidade (à la Hegel) é também uma possibilidade de solução ao
identitarismo.

Palavras-chave: angústia; Lacan; filosofia & psicanálise.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Verena Seelaender da Costa

O EMUDECIMENTO PERANTE A MORTE ENQUANTO FORMA SÓCIO-


TEOLÓGICO-JURÍDICA NA REFLEXÃO SOBRE A TRAGÉDIA NA OBRA “
ORIGEM DO DRAMA TRÁGICO ALEMÃO” DE WALTER BENJAMIN

Programa de Pós-Graduação em Filosofia - Universidade do Estado do Rio de Janeiro


Orientadora: Profa. Dra. Izabela Aquino Bocayúva

Bolsista CAPES

Em sua tese de livre-docência “Origem do Drama Trágico Alemão” (192x), Walter


Benjamin faz uma rigorosa e original interpretação do teatro barroco alemão dos séculos
XVII e XVIII. Ao buscar diferenciar as características específicas que tornariam
diversos o drama trágico (Trauerspiel) e a tragédia propriamente dita, Benjamin refletiu
sobre a relação entre tragicidade e sociedade na Grécia trágica, guiado por autores tão
diversos quanto Nietzsche, Franz Rosenzweig e Carl Schmitt. Este trabalho busca expor
as relações lançadas pelo autor entre direito, linguagem e religião engendradas pelo
herói trágico na hora de sua morte tanto do ponto de vista do conteúdo dramático-
textual da tragédia quanto do da representação agônica experimentada socialmente pelos
seus espectadores. A tragédia representa para Benjamin - a partir de uma teoria estética
influenciada metodologicamente pela teoria política de Schmitt - um ponto de inflexão
dentro das formas sócio-culturais vividas pela sociedade grega de então através da
atualização dos mitos e lendas de origem dessa própria sociedade. O emudecimento do
herói no momento em que este toma consciência do seu destino tem, assim, um sentido
mais profundo do que simplesmente uma obstinação diante do inevitável, sendo
também e além disso uma marca das mudanças histórico-sociais pelas quais a Grécia
passava enquanto comunidade durante a curta existência do gênero trágico.

Palavras-chave: Walter Benjamin; tragédia; direito.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Victor C. F. Rodrigues

O PROBLEMA DA DECADÊNCIA IDEOLÓGICA DA FILOSOFIA


BURGUESA PÓS-1848. A CONTRIBUIÇÃO DE GYÖRGY LUKÁCS PARA A
HISTÓRIA DA FILOSOFIA CONTEMPORÂNEA

Mestrando em Serviço Social pela UFJF

Orientador: Ronaldo Vielmi Fortes

O presente projeto tem a pretensão de situar a categoria de decadência ideológica de


Lukács, no intuito de demonstrar que na história da filosofia burguesa há uma etapa
progressista, que vai dos pensadores renascentistas a Hegel. 2) De correlacioná-la, ao
momento de radical ruptura, a partir de 1830-1848, no qual se assinala a referida
decadência, pelo abandono das conquistas do período anterior. “A história da filosofia,
o mesmo que a da arte e a da literatura não é – como acreditam os historiadores
burgueses – simplesmente a história das ideias filosóficas ou das personalidades que as
sustentam. É o desenvolvimento das forças produtivas, o desenvolvimento social, o
desenvolvimento das lutas de classes, ao que apresenta problemas à filosofia e assinala a
esta os caminhos para sua solução. E os contornos fundamentais e decisivos de uma
filosofia, qualquer que seja não pode colocar-se de relevo senão a base do conhecimento
destas forças motrizes de ordem primária.”12

Palavras chave: decadência; Ideologia; filosofia burguesa.

12
LUKÁCS. G. “El Asalto a la Razón.” Trad. Castelhana, México, 1959. p. 3 (Tradução minha)

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Victor Galdino Alves de Souza
OUTRAS FILOSOFIAS, OUTRAS UNIVERSIDADES: PARTILHA DO
IMAGINÁRIO E ORGANIZAÇÃO DA VIDA.
Programa de Pós-Graduação em Filosofia (PPGF) UFRJ
Orientadora: Carla Rodrigues (PPGF/UFRJ)
Agência de fomento: FAPERJ

O objetivo da comunicação será apresentar o conceito de partilha do imaginário,


elaborado a partir do conceito de partilha do sensível do filósofo francês Jacques
Rancière, apontando para questões envolvendo noções de possibilidade/impossibilidade,
utopia/realidade, plausibilidade/implausibilidade e outras que se associam a uma série
de coisas em nosso imaginário político, determinando ou influindo no modo como
pensamos nas possibilidades de organização da vida em sociedade, por exemplo. Assim
como a divisão entre o que é visível/invisível e audível/inaudível, essa partilha no
âmbito da imaginação humana se colocaria de forma anterior às hierarquias de nossa
sociedade, sendo complementar ao conceito de Rancière. A partir disso, a ideia é
apresentar perspectivas sobre a produção de conhecimento em filosofia e sobre a
constituição das universidades dentro de um contexto mais amplo de reflexão sobre
como organizamos a vida em sociedade, colocando a própria filosofia como conjunto de
ferramentas teóricas capazes de romper com as partilhas e consensos de nosso mundo e
abrir as janelas de nossa sensibilidade e imaginação, permitindo que compartilhamemos
algo com outros mundos que estão próximos em certo sentido, mas isolados pelo
adestramento de nossa imaginação política e pelas cegueira e surdez embutidas nos
processos de socialização que temos.

Palavras-chave: Rancière; imaginação; política.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Wagner de Moraes Pinheiro
A KRISIS E O DEPURAR DO JULGAR
Orientadora: Taís Silva Pereira
PPFEN CEFET/RJ

O presente trabalho tem como objetivo defender a compreensão do julgar crítico no


pensamento de Hannah Arendt a partir do exercício de krisis. Para tal, se apresenta a
noção de krisis no seu uso da prática da administração da pólis grega. Posteriormente,
se desenvolve brevemente um intercurso a respeito da noção de crise em Hannah
Arendt. A crise para Hannah Arendt é apresentada no presente trabalho através dos
aspectos advindos da crise da modernidade, sendo esta abordada por meio da crise da
tradição e da crise na autoridade. Após esses pontos, se defende a ideia de que o
julgamento na crise se põe constantemente em questão. Faz-se isso, apontando que o
julgar possui o caráter de um momento de decisão. Além disso, nota-se que na crise, o
sujeito perde os parâmetros que dão base para seu julgamento, e que, por isso, é
necessário um exercício crítico para construir a oportunidade para o que Arendt chama
de “novo início”. O julgar na crise, um julgar crítico, não seria um momento único de
decisão, mas um processo de depurar de suas decisões por meio da reflexão e do debate
com outros – que seria a expressão pura do exercício da krisis. Conclui-se então, que a
relação entre o krisis e o julgar crítico se estabelece na capacidade de depurar o julgar
diante do que Arendt chama de Exercício compreensivo – que esta define com o
interminável diálogo com outras vozes, que começa no nascimento e termina na morte.

Palavras chave: Hannah Arendt; julgar; krisis.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Wallace Lopes Silva

O PENSAMENTO NO JARDIM DE CARTOLA: POR UMA AVENTURA


POÉTICA NO ESPAÇO DO PENSAR
Estética Filosofia e História (IFCH/UERJ)
Doutorando IPPUR/UFRJ

O pensamento é música, condição estética para que as rosas falem. Para entrar nesta
condição cenográfica da poeticidade deste jardim, é preciso ouvir a música da terra e
dos ventos. Isto é o ato primeiro. Desde tempos idos o universo, a vida e o mundo,
foram cantados pelos poetas. Entretanto, há um espanto extraordinário entre Cartola e as
rosas, uma abertura do pensamento, um chamamento, e ali que se faz o estado de
poeticidade do mundo. Tudo neste Jardim está na véspera de um acontecimento, num
lugar, numa morada do vira- ser. O tema aqui é o disfarce do pensamento enquanto rosa.
É ali que se faz o estágio emergencial do mundo. Nada está fora do lugar. Somente
Cartola, que mergulha numa atmosfera de embriaguez do perfume metafisico das rosas.
O poeta interrompe o silencio do mundo, age nas palavras para fazer o real se mostrar.
O real, não se mostra para os homens surdos e cegos pela técnica no espaço. Homens
que foram apartados do conjunto do real. O divino da beleza, não se faz mais presente.
Tivemos uma cisão antropológica entre homem-natureza e homem-técnica. De algum
modo no curso da história da metafisica ocidental, a filosofia criou imagens, disfarces e
forjou estratégias para que o pensamento pudesse sobreviver e cantar, e encantar a vida.
Vida, sendo uma questão vital, poética e necessária para as potencialidades do que faz o
pensar, pensar. A imagem do pensamento se disfarçou de rosa para suportarmos a
beleza. Poesiapensamento são matérias quânticas, celulares e orgânicas do átomo do
pensamento do filósofo negro Cartola.

Palavras-chave: Cartola; Rosas; Coreografia.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Wands Salvador Pessin

A PARTICULARIZAÇÃO DA IDEIA DE BEM COMUM FRENTE A


COMPLEXIFICAÇÃO DO FATO DO PLURALISMO MORAL
Mestre em filosofia pela Universidade
Federal do Espírito Santo - UFES/PPGFil

Orientador Prof. Dr. Ricardo Corrêa de


Araújo

Bolsista parcial CAPES

A comunicação abordará, a partir de pressupostos da teoria da justiça rawlsiana, como a


noção moral tradicional de bem comum sofre um processo de corrosão e
descentramento, considerados os âmbitos do domínio do político e da razão pública.
Sem ignorar sua relevância genética para a cultura democrática moderna, assim como
sua função motora e estabilizadora dessa mesma cultura política, indicamos que sua
aceitação pública abrangente não se verifica do mesmo modo, dados os efeitos do fato
do pluralismo moral e sua complexificação contemporânea. Destacaremos como se dá a
perda de organicidade política fundada na ideia do Bem tida de modo unitivo e
uniformizante, chegando-se ao modelo social cunhado pela ideia de indivíduos que
apenas se realizam a partir de uma auto-normatização aberta aos desejos tidos como
próprios. Essa tendência à restritividade das concepções do bem expressaria a prioridade
do justo sobre a diversidade das ideias do bem presentes nas sociedades democráticas.
Em Rawls, a construção moral é própria aos agentes não no sentido de uma autonomia
da racionalidade, simplesmente, mas como construção politicamente autônoma, ou seja,
não exterior à própria cultura e interna ao processo político. Assim, sem se afastar a
autoridade epistemológica em relação à sociedade, se limita a exteriorização ou
abrangência das doutrinas morais particulares internas aos cidadãos, inibindo a
dependência de qualquer concepção moral específica, externa ou mesmo interna à
própria sociedade. A base para isso é, na prática, a elevação da equidade (moral) à
condição de questão política estrutural para as sociedades democráticas. O que se
sustenta é que a unidade das noções de bem e comum tenha sido dessubstancializada,
gerando-se, por consequência, a necessidade de uma justificada conjunção dos termos, a

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
reboque de sua cisão moral. Em outros termos, a univocidade tradicional entre os ideais
de Bem e comunidade política restou cindida. Daí nosso postulado no sentido de uma
redescrição do conceito, apontando-se o surgimento de outra ideia moral fundamental,
que definimos como “bem do comum”, em distinção à concepção tradicional de bem
comum. Com essa distinção espera-se melhor convergência parcial (substancial ou
procedimental) à noção de algo comum, sobretudo em seu aspecto político, dadas as
concepções diversas e até conflitantes de vida boa. Conjuga-se, assim, a independência
da sociedade política em relação a quaisquer moralidades abrangentes, inclusive a
doutrina do bem comum, e a influência que essas moralidades exercem sobre essa
mesma sociedade. A partir desse distanciamento das particularidades, ingressa-se num
jogo de atrações à abertura ao diálogo a partir mesmo do confronto entre moralidades.
Essa proximidade pública entre moralidades independe de uma moralidade particular
singular. Isso não significa que não dependa de certo arranjo entre moralidades
particulares que nutram ideias como cooperação, respeito e tolerância. Mas esse arranjo
também é relativamente aberto a redescrições.

Palavras-chaves: bem comum; democracia; pluralismo.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Wescley Fernandes Araujo Freire

APRENDIZAGEM SOCIAL E SOLIDARIEDADE CIVIL NAS SOCIEDADES


PÓSSECULARES: CRÍTICAS À RECONSTRUÇÃO DA TEORIA CRÍTICA DA
RELIGIÃO DE HABERMAS

(Doutorando) Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ Programa de Pós-


Graduação em Filosofia – PPGFIL da UERJ

Orientador: Prof. Dr. Luiz Bernardo Leite Araújo

Este trabalho analisa, problematiza e critica a reconstrução empreendida por Habermas


em sua Teoria Crítica da religião. Em Theorie des Kommunikativen Handelns (TKH,
1981) Habermas expressou preocupação com o esgotamento da solidariedade social,
discussão retomada em Ein Bewusstesein vom dem, was fehlt (2008) sob a perspectiva
da recordação da consciência das violações à solidariedade no mundo, discussão que
prosseguiu anteriormente em textos como Glauben und Wissen (2001), Dialektik der
Säkularisierung (2005), Zwischen Naturalismus und Religion, Nachmetaphysisches
Denken II e, mais recentemente, em Im Sog Der Technokratie (2013), onde a
solidariedade civil (staatsbürgerliche Solidarität) permanece devedora da herança das
grandes religiões universais, bem como pressuposto para a tradução cooperativa dos
potenciais semântico-normativos dos conteúdos religiosos enquanto resultado de
processos de aprendizagem social (soziale Lernprozess) que ocorrem na esfera pública
(Öffentlichkeit) das sociedades pósseculares (postsäkularen Gesellschaft). Do ponto de
vista metodológico, procedo analítica e críticoreconstrutivamente ao considerar os
textos de Habermas que tratam da religião, desde a elaboração de TKH, confrontando a
incipiente leitura funcional da religião com as formulações teóricas intermediárias que
se seguiram a TKH, presentes em obras e textos como Nachmetaphysisches Denken I
(1988), To Seek to Salvage an Unconditional Meaning Without God is a Futile
Undertaking (1991), Transcendence from Within, Transcendence in this World (1991),
Israel or Athens: Where does Anamnestic Reason Belong?, Vom sinnilichen Eindruck
zum symbolischen Ausdruck (1997), A Conversation About God and the World (1999),
com as obras recentes do filósofo alemão acerca da religião, onde a perspectiva
observada é a do resgate da herança cultural e dos potenciais semântico-normativos dos

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
conteúdos religiosos para a compreensão da modernidade e do papel da religião na
esfera pública das sociedades pós-seculares, tema de obras e textos como Dialektik der
Säkularisierung (2005), Zwischen Naturalismus und Religion (2005) e
Nachmetaphysisches Denken II (2012). A meu ver, o revisionismo da Teoria Crítica da
religião habermasiana é posto à prova em função tanto da possibilidade quanto da
institucionalização da tradução dos potenciais semântico-normativos dos conteúdos
religiosos, dado o “fraco teor” institucional-normativo do conceito de esfera pública,
obstáculo ao processo de aprendizagem social da solidariedade civil.

Palavras-chave: Teoria Crítica da religião; aprendizagem social; solidariedade civil.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
Wilker de Carvalho Marques

UTOPIA E DISTOPIA: UMA VISITA A RORTY E SCRUTON


Programa de Pós-Graduação em Filosofia. Doutorado UFRJ/IFCS
Orientador: Prof. Dra. Susana de Castro Amaral Vieira

As utopias nascem do profundo desejo humano de que o mundo – a realidade, a vida –


seja diferente, seja melhor. As distopias, por sua vez, nascem do reconhecimento de que
o mundo poderia ser bem pior do que é, bastando que algumas das suas características
fossem potencializadas, o que seria suficiente para transformar a vida humana em um
suplício. De todo modo, utopia e distopia, partem do que se tem, das "coisas como elas
são", em direção a uma possibilidade. A Literatura e a Filosofia, especialmente a
Filosofia Política, estão juntas onde há utopias e distopias, descrevendo-redescrevendo a
condição humana, construindo-desconstruindo a ideia de homem e de boa vida. Grandes
nomes da história do pensamento, como Platão, Thomas Morus, Tomaso de
Campanella, Francis Bancon, Aldous Huxley, George Orwell, e muitos outros,
dedicaram-se à tarefa imaginativa de pensar o mundo que temos e aquele que
poderíamos ter (para o bem ou para o mal). Mas ainda há espaço para utopias e
distopias no pensamento político contemporâneo? Ainda faz sentido a utilização dessas
palavras no vocabulário político? O filósofo norteamericano Richard Rorty (1931-2007)
desenvolveu, no século XX e início do XXI, uma concepção de utopia cosmopolita
social democrática e liberal, vislumbrando a construção de uma sociedade democrática a
partir da reforma das instituições consolidadas nas sociedades liberais, assumindo como
uma espécie de telos a extinção da crueldade e da humilhação dos homens por outros
homens e a contínua substituição da força pelo diálogo. Em defesa do pessimismo, e
denunciando os perigos da falsa esperança, o filósofo e literato inglês Roger Scruton
(1944), por sua vez, apresenta-se como uma voz crítica face à utopia, incluindo aquilo
que denomina "falácia utópica" em seu rol de sofismas correntes na contemporaneidade,
que, para ele, contribuem para obscurecer realidade política. Neste trabalho,
apresentamos uma visita aos conceitos de utopia e distopia, percorrendo os escritos
fundamentais de Rorty e Scruton, traçando um paralelo entre esses discursos e
destacando a controvérsia que entre eles é valioso verificar.

Palavras-chave: política; utopia; distopia.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017
William Mattioli

“SEU PENSAMENTO NÃO É TANTO DESCOBERTA QUANTO


REMEMORAÇÃO”: INATISMO E INCONSCIENTE NA TEORIA DO
CONHECIMENTO DE NIETZSCHE
Bolsista de Pós-Doutorado (PNPD - CAPES)
Universidade Federal Fluminense Programa de Pós-Graduação em Filosofia
Supervisor de Pós-Doutorado: Tereza Calomeni

No aforismo 20 de Além do bem e do mal, Nietzsche apresenta sua tese do


condicionamento do pensamento, especialmente do pensamento filosófico, atraves de
funçoes gramaticais inconscientes. Segundo ele, os filósofos descrevem, “a merce de
um encanto invisivel” e “graças ao dominio e direção inconsciente das mesmas funçoes
gramaticais”, sempre a mesma órbita. Dessa forma, eles preenchem sempre um certo
esquema basico de filosofias possiveis, o que significa que seu pensamento e sempre
condicionado inconscientemente pelas estruturas da linguagem. Na medida em que as
estruturas de base da linguagem são algo como uma herança de um passado remoto da
humanidade, a qual esta ligada nossa crença mais antiga, pensar (sobretudo o pensar
filosófico) representa então um “atavismo de primeirissima ordem”. Dai a tese de que o
pensamento filosófico, “na realidade, não e tanto descoberta quanto reconhecimento,
rememoração; retorno a uma primeva, longinqua morada perfeita da alma, de onde os
conceitos um dia brotaram.” Aqui, alem de considerar o filosofar como uma forma de
atavismo, Nietzsche faz ainda uma referencia enviesada a teoria platônica da
reminiscencia. Nietzsche encerra então o aforismo com a seguinte frase: “Isso como
resposta a superficialidade de Locke no tocante a origem das ideias.” O objeto do
presente trabalho e apresentar uma interpretação desse aforismo tendo como base a
critica de Nietzsche ao sensualismo de Locke e sua releitura do apriorismo como
momentos importantes de sua teoria do inconsciente, que, por sua vez, desempenha um
papel central em sua compreensão do que e o conhecimento.

Palavras-chave: linguagem; atavismo; inconsciente.

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Caderno de Resumos da XIII Semana PPGFIL UERJ, Abril 2017