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cadernos de teatro . .

LINGUAGEM EVANGUARDA - Jean Vannier


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OQUE VAMOS REPRESENTAR:
SYNGE - VIAJANTES PARA OMAR
TARDIEU - CONVERSAÇÃO SINFONIETA
JOGOS DRAMÃTlCOS
DOS JORNAIS
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MOVIMENTO TEATRAL loutubro/1970 amarço/1971l '~
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CADERNOS DE TEATRO N.o 48 Adolphe Appia: Antonin Artaud:


Janeiro -!eve;eiro-março -1971

Publicação do Serviço Nacional de Tealro (MEC) Virá O tempo emque os profissionais de I


Redação e Pesquislld'O TABLADO· teatro e as peças para êles escritas serão para
Diretor.responsável ·-: ·JoÃOSÉRGIO MARINHO NUNES sempre obsoletos. Em que ahumanidade, liber-
Diretor-erecutioo- MARIA CuRA MÀCHÃOO - ta, cantará em símbolos animados, mais ou
Diretor·tesoureiro - Enny RrzooE NUNES menos dramáticos e consentidos por todos, suas
Redator-chefe - VmGINIA VALU alegrias e tristezas, suas orações, seus trabalhos I
Secretário - SÍLVIA Fu~ elutas,suas derrotas evitórias, edos quais serão
espectadores apenas aquêles que a idade ou as
Rec1ação - OTABLADO
Av. Lineu de Paula Machado, 795 -,-ZC 20 doenças agruparão ao redor de nós, em comu-
Rio de Janeiro - Guanabara -: Brasil nhão e viva simpatia. Tempo em que seremos
, _.'. - artistas - artistas vivos, porque quisemos sê-lo. Omenor ato de criação espontânea é um
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Êsse tempo, eu o invoco, daqui, com tôda a I mundo mais complexo e mais revelador do que
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~ ~ :o .... Os textos publlcados, nos CADERNOS DE TEATRO


só poderão ser represenlados mediaote autoriZação da
Sociedade Brasileir.í 'de AutOres Teatras (SBAT), minha fôrça. qualquer metafísica. .
avo-Almirante Banoso, 97; Guanab:ua. ,
... . : .0 •
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LI NGUAGEM EVANGUARDA teatral: jamais é uma linguagem literal, capaz de signi- ,lireções maioresdessa corrente devanguanla. Odrama
ficar por si mesma e de existir diante de nós como da palavra nâo seIÚ aqui apenas 11m drama do absurdo,
lima realidade dmmalúrgica. Por isso é que êsses auto- e o teatro de linguagem, destruindo seu ohjeto, se tor-
res de vanguarda, ainda que estahelet'e llllo uma nora nar.í um Anli-T('({tro : dialétÍ(~1 cujas eonsequeneias
linguagem atendendo a nevos cbjetil'Os, n~ll operam observamos justamente emttida a obra de lnnescn
nenhuma revolução real nas relações do teatro c rle
,. Essa obra - como fi se observou - parece domi-
Linguagem deTeatro eTeatro de Linguagem sua IlIlgua ~em . nada por uma obsessão fundameulal que é a do lllgar-
É, entretanto, essa revcluçâo que iIÚ promon', uma com11m. Ncs.~e sentido.. ela se prende a uma linun;\lrem
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outra corrcnte de vanguarda, esta. caracteristiea do hem determinada, a lingua!!em feita de clich ês c de
JEAN VAN~IEH apÍls-guerra: essa corrente, que marca uma ruptura [órmulas herdadas, que é a ~Ie uma sociedade alienada,
nítida coma influência teatral de Artaud, é represen- e (Iue é tambéma nossa, na medida emque pertence-
tada pelos nomes de Beckett, Adamov e de Ionesco. mos a essa sociedade ou à imbecilidade que ela segre-
Tudo se passa com êsses autores como se a linguagem ga, quaisquer que sejam nossos esfor~'Os de libertação,
Considerando-se apenas o movimento teatral qne seqiientemente, em vez de uma linguagem transparente teatral, que até aqui não fôra mais que ummeio, se e que contamina, contra nossa vontade, todo nosso
sofren a inllu ênria de Artaud durante o período de c socializada do teatro tradicional. E mais ainda, essa tornasse um objeto capaz de esgotar por si só tôda a comportamento quotidiano. Tal éa linguagem pequeno-
l·nlre-duas-guerras ou ainda o teatro "pcéticc" pós- linguagem poética não se assemdha de modo algum substância do teatro; é que sua originalidade, desta vez, burguesa denunciada por Ionesco na maioria de suas
guerra que não é mais (lUE um prolongamento daqucll', i! de 11mClaudel ou de 11m Ciraudonx. a despeito do l' não reside mais na escolha de uma nova linguagem, peças. Qualquer Ilue seja a diversidade de prcces,os
o problema da linguagem da vanguarda parece h'r Il'le possa ter de estranho para o grande público, a mas sim na instauraçâo de uma dramaturgia das rela- usados por êle para criticá-Ia, êsses processos consis-
aFfIlas um interêsse limitado. Nas obras qne êsses Iillgllagl'm desses autores ainda pcrmanece nitidamente ções humanas no nível da própria linguagem. Origi- tem todos, afinal, emrealizar uma espécie de passagem
movimentos prodnziram, de fatn a originalidade da mnnmla pelo srlo da 'bna literatura". O mesmo não nalidade que se destaca claramente se confrontarmos do limite, cuja função jamais será tirar o sentido a uma
linguagem é lIlais espctaeular do qne prohmda; mais aconlrce tom os autores Ilue citamos: sua poesia se essa dramaturgia como leatro tradicional: nesse teatro, linguagem preexistente, mas obrigar esta a nos denun-
rxatamrntc, diria <Inc ela rstá mais em sua n(/tllre:~1 aproxima f:\tilmente do grito, concebido como a modu- comeíeítc, as relaçêes bumanas nunca são relações ver- I ci~1r el~ própria o.seu absurdo. _Porque, cm resumo,
bais, mas relações psicológicas que a linguagem apenas nao ha mais sentido na expressao pequeno-hnrguesa
do que cmsua {III1Fio. lação scnorn de um frenesi orsânico, e t~'nde muitas
se limita a traduzir. E, semdúvida, é necessário (Iue segundoaqual qucm fllrta11/11 oro {lIrta IIIl1 boi, doque
Odramaturgo trndicional, cuja finalidade líuica era rêm a reenviar a palavra a ~lIna espécie de estado
seus personagens, para defrontar-se e para formar entre naquela pronunciadaporum dospersonagens da Canlora
interessar o espfctlllor na análise das paixiJcs e dos pré-lillgiiístieo da expres~,lo. Acrescente-se,.finalmellte, si os ccnílítes, comuniquempor meio de uma linguagem Careca: Aqllêlc qllc rcnde lI/ll boi hoje, amanll1i, tcrá
laradeies, utilizava uma Iingnagcm nunca iuquietauk I (11Ie a Iingnagemtransformada, assim, numa lorma vocal comum: mas essa comunicação dos homens através do 11m ôro. Asegunda expressão visa apenas a tirar todo
GU dcscnrnizante, porcJue relletia enfim - guarnecida do gesto, Ill'rde igualmente SCIIS privilégios teatrais:
verbo, postulada pelo teatro burguês como ccndiçio áiibi j primeira: pais se não podemos mais escutá-Ia
apenas de alguns atributos liter.írios - a do pílblil11 rcnlnnnmente aos conceitos de ArtaIKJ, para quem o prejudicial do drama, toma-se, precisamente, na nova sem entendê-Ia, essa linguagem ôca, nos revela, aqui,
(Iue a consumia, Na vangoarda (lUc acalnmns de teatro é lima arte íotal, ela se inscreve cm todo um vanguarda, o conteúdo do próprio drama. Alinguagem sua essência, que é, justamente, falar sem dizer nada;
evocar, a linguagemteatral muda de natureza na medi- conjunto de gestos da expressão, da qual nada mais é dos personagens encontra-se, então, pela primeira vez, fórmula falante do pensamento vazio. E ao mesmo
da emque a alitude dodramalurgo cmface do espec- <lne um elemento entre outros; meio eficaz, para êsse Jiteralmente exposta em cena; elevada à dignidade de tempo que sua essência, é a sua função social que ela
tador tambémmuda, De fato, não se trata mais, para teatro do transe, de expulsar dêle a literatura. objelo teatral, torna-se ao mesmo tempo para oespecta- nos mostra: oque faz do lugar-eomum, não só um aci-
ele, de seduzir o espectador com uma pintura realista Êsses autores devaliguarda,operando desa maneira dor uma matéria trágica ou de possível escámeo. Apa- dente inofensivo de linguagem ou um fenômeno pas-
e agradável do coração humano, mas de pror.ocá-lo, uma revolnçân na natureza da linguagem, nio lhe dei- rece, assim - nova e importante figura da vanguarda sageiro de inanidade sonora, como também o produto
l!Cagir Ilsicamente sôbre êle, perturbando seu relacio- xam menos intacta a sua função. É que para êles, - um Teatro de Linguagem em que a palma humana I de uma classe fechada emsua singularidade, ou ainda
namenlo no mundo. Daí a promoçâc de uma nova remo para os representantes da tradição, o aconteci· IJOS é apresentaria como esJletáclIlo. - como é geralmente o caso em Ionesco - ou ainda
linguagem, por si própria bastante densa, a fim de mento tcalml não se representa no nível da própria o de uma célula familiar perfeitamente estanque na
translcrmar màgicamente oespectador, arrancá-lo a seu linguagem. E sem dúvida êsse acontecimento não é história. Falar por lugares-comuns, nesse sentido, é
univmo quotidiano e obrigá-lo a entrar no universo mais, nêles, de essência psicológica, mas de ordem vis- aceitar uma linguagem puramente formal em que as
desmesurado do Teatro. No conjunto de obras colo- eeral ou m:ígica: diferença que os leva, portanto, a A Ul\GUAGE~1 E o TERRon significações são devoradas pelos sinais; é integrar-se
cadas sob a noção de vanguarda, as de um Vauthier, empregar uma neva linguagem e a tentaralcançar, fora numa comunidade que não pode mais fundar sua coe-
de um Pichelle ou de um \Veingarten, por exemplo do campo da palavra, aviltada pelo uso retórico, uma Apartir do momento emque a linguagem Se torna são, como a família de Jacques em que está entendido
apresentamtôdas o mesmo fenômeno teatral: a substi- espécie de selvageria natural do Verbo. Mas essa lin- objeto de uma problemática teatral, há uma consequên- que é preciso gostar de batata-com-toicinho, a não ser
tuição por uma linguagemfascinante e "poética", con- guagem continua sempre absorvida em sua finalidade I cia: as portas se abrem para uma critica de seu valor, em fómllllas privadas de sentido. Vazia, amputada de
e é por isso que a destruição da linguagemé uma das tôda verdade, a linguagem pequeno-burguesa nos diz,
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eníntanto, alguma coisa: o reconhecimento puranll'nte °a dos "lloutc'l res em teatrolo~ia" , louesco jamais o faz J_ t nesse sil êncio dessa noite que se esboça todo o teatromesmo grauem nenhum outro autor). Limitar-nos-emos
ritllal de lima certa servidão com11m, a .\UIJlllLwIOa lima (ln nome de uma o/llra liuguagem, mas cm nome do
de Ionesco, Em tôdas as suas peças com efeito. a mcstrar o llne constitue o paradoxo aparente de En
Ordem II"e .ln se defille por "palavras de onil'm". ~ i!êncil) puro c simples. E l' aqui <iue intervem o qoe
cnconrramos o mesmo itinerário fundamental: comeean- Atlellr/ant Goelol: a grande densidade teatral de uma
Dellllllciando I~sta Iin~lIa~em, loncsco, dessa maneira, ~l' pm!eri:l chamar de ntôrnu dialrtico. Por qnc êsse
do pelo escámeo de uma linguagem ôea, livr.lm~nos linguagem llue se apresenta, todavia, como a própria
ncs liberta da mesma. silênci:J, que l' a \'l'nl:ll!e de sua critica da lio~uagem,
dela rn1ra melhor nos fecharmos no silêncio que essa lin~na~em do tédio. Por um lado, de fato os pl'rso-
Mas essa crÍtic;, de lima lin~lIagem alienalb n:1O [O!ll:SW tenta, tamht'm nos impor slla pn'sl'n ~·a. Deixa- linguagem dissimula. Uma vez destruída sua tênue nagens de lleckctt jamais têm nada a se dizer: nenhu-
deI'(' nos ell!!allar sl"bre as illh'II ~1ies 1I "1~ a diri~l'm : a mos, entân, o dcmíuio do ridículo para entrar - seguu- película de sentido, essa linguagem revela um abismo ma aÇ"~1O os convirla, nenhuma acontecimento real lhes
zombaria da'°lillllllalfl'mIWllUeno-hur!!lU' Sa, nu 11lI1I'Sl1l, do ;; expressân de um autor - no Domínio r/o Terror. cmque Ioneseo nos mergulha junto com seus persona-
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acoutece, ncuhuma paixão os define; o úniro dado ele-
é apellas o aspecto mais imnliatn de 11m desgôsto gene- ~I as CImo .I ngerir êsse silêncio, muna peça cm Cjl:(' gens. Itinerário do qual uma pe~':I como As badeims til'o de suas ridas é uma espera a respeitode UI11 objcto
rali/ado do verbo. Tôda a sua ohra demonslra, nesse sú se dispõe de palavras? Em primeiro lugar pela inca- d:í um eemple peífeito, pois que a palavra humana, sôhro do qual nunca saberemos nada. Eles falarão.
sentido. um mesmo desígnio: o de redllzir a lingllagem paridade radical da linguagem de criar verdmlriras enlouquecida, desaparece aí para dar lugar ao silêncio: c:ntão, sinncnte para "se dar a impressão de existir" e
ao absurdo, considerando-a puramente matéria sonora, relacêes humanas: o esfôrço de Ionesco consiste, assim, é a leitura para uma humanidade fictícia, de uma Men- para mol,jliar a grande dura~ão vazia de sua existência.
e esvaziando sistemiticamcnte essa matéria dos signi- em;1OS fazer eulnver, sôbre; as minas da comunicação sagem revelada por um Orador, de quem se escutam Daí a proliferação de uma linguagem que nem mesmo
ficados II"e est:í encarregada de veicular. Ora, se tal verbal. o silêncio trágico que é o da solidão dos sêres. apenas "es estertores, os gemidos e sons guturais de é ridícula pelo seu absurdo- como é o caso do teatro
prcp'lsito tem valor de revclaçio quandn se trata de lin- N'As Car/eiras, por exemplo, êle nos apresenta uma mudo". A pa/IlGf(I do fim, pra Ioncsco, é justamente de Ionesco - mas que o é pela insignifieancia consti-
guagcm de lugares-comllns, pois êstes apresentam ape- situacân verbal cuidadosamente viciada no início: dois o silêneio; aquela que só um mudo poderia dizer, O tutiva e radical. O ímico exemplo de destruição da
nas lima simples aparência de sentido, êle se torna l'ell1l;s (iíalogam com convilhH)oS inexistentes, e suas fim d'As Cor/eiras nos revela claramente a vontade que linguagem :\ maneira de Ionesco, em En AI/enr/anl
arhitário a partir do momento em ll"e se traia de Falarras. pois llue urio se dirigem a ninguém, se des- anima t&la a destruição da linguagem no teatro de GOdol, é o famoso JIlonólogode Luckv a quemseu amo
linsuarem
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autêntica, duma Iin[!lIa b" em na (I"al certos troem literalmente diante de nossos olhos. f~ eJue a
II Ioneseo: fechar o silêncio do universo sôbre a allsinciaPozzo ordena qne pense. Os perso~ageus de Beckett
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significados tentam realmente ser formulados. 011 ante." l iJ:~ua~('m, por S11a nature za, é para ol/trem; falar é da humanidade. ~las o silêncio é tambéma ausência apems pcderiam repetir à saturação, I'ariando-os apc-
Me nos eundnz então apcnas :l sllbjetividade de lima sai; ll~ si. eshoçar uma relação social, passar da suh- do Teatro: êstc não pode consumar a dcstruiçâo da nas, os mesmos leitmo/ire verbais. discorrer sôbre os
molha mais profunda: qlle consiste emconsiderar h:da jClirid:1Ilc para o início de um universo humano. So- linguagemsemse suprimir. E, semdúvida, o teatro de mais tênlles elementos que a circlII;st,\ncia lhes oferece,
linguagem do exterior, a colocar-se em siluaçio de pt;nh:illlos lima sitna~'üo-limitc em que a rda~'ão com lonesco vive, cm certo sentido, de sua propria morte: ou então. quantlo não lhes resta verdadeiramente mais
eslranhezlI diante da palavra humana. De falo, sl'mp~l' entro (; apcnas fictícia. e a palavra logo se anula. O movimenlo que faz, precisamente, tooa sua lôrça; mas Ilue (\sse recurso, falarsêbre a prúpria palavra Como
é possivel r(,lluzir qua!<lul'r liuguagem a um simpll"i (pie surge, então, dessas ruínas, l: o nn desumano de êle só I'Ít'e também porque retarda esSl morte até o explic~lr, então, a densidal!e tcatral dessa lingnagem?
sub1rato sl;noro: mas isso prcssllpüe antes lI"e se tenha silêncio: (lue ela não consegiu cb~11ar. fim. SlISpenso entre a I'ida e a morte do Teatro, o Pelo fato Ue Ilue ela não cessa de nos rel'elar um certo
f«:usaeb a entrar nela, islol" a colocar-sc 00 inferior tio I I<:ne$co, porém, I'ai mais longe ainda. No fim de Allli-Tcatro de Ionesco é sempre frúgil, porque o silên·aspecto da cendição humana, no qual o espectador é
pensamento (lue tenta se expre:;sar. É isso justanll'ule o JaClHlcs 011 t'l SOllmission, os personagens aC':Ibam poro cio é seu fim nos dois sentidos da palavra: na medida !lhrigado a reconhecer-se. ~lais exatamente, ela nos
(Iue faz IOI1t~~co no coujunto de scu tea~n~, r o. que fêz acktar uma Iíngl!a em que só h:í u~la palavra para em que realiza nisso a sua essênC'ia e também, final- rerela um cnto estado-!imite da existência: aquê!e que
emseu Il1lprolllJlIII de fll/IIIIl, emeluc mhcul:mza certa designar todas as coisas: a palavra golo. Depois de mentc, n~ medida emque êle ao mesmo tempu se su· poderiam viver homens que til'essem perdido todos os
linguagem pelo simples fato de pcirifid-Ia: desue que nos mostrar a incapacidadc da linguagem em criar a prime. E í.~ por isso quc, afinal, todo teatro do terrordados habituais dessa existência, sall'o precisamente a
se remIa a adotar o movimeuto de um pensameuto que cem:micacão entre n; homens, lmll'Sco aqui nos mostra é um impasse: êle só se realiza ue fato neganuo-se. condição humana emestado nu. Esses homens, como
se busca atravÉs de suas palavras, esta, sc tornam cor- uma hum;uidade que iem!l1cia espontaneamente à fala. os personagens de BEekett, ficariam reduzidos ao fr,to
pos estranhos ou ridículos, e opõe-se a uma linguagem De fato. ela não quer mais rea1izar o ato fundamenta!·
puro da palam, sem jamais pouer dar um conteúdo
quc vivia apenas pela sua intençflo significativa, uma mente humano dc' dar nome 1.1 coisas, de distingui-Ias,
A LL~GUAGE\I CO\IO SITUAÇÃO real ou humano a essa mesma palal'ra: êles couhece.
retórica esclerosada que é apenas a sua caricatura. dalllle-Ihes nomes e também identidade. Adestmiç;io
riam o drama dos heróis becketianos, que são dilace.
Basta para isso transformar essa linguagem em coisa, da linllualfemEm Ionesco toma, voluntàriamente, :l for-
Não insistiremos aqui sôbre a linguagem d~ En rados entre a necessidade de falar e a impossibiiidade
absurda como é tôda coisa desde que se a c'Onsidere ma d~ U~l terror que se exerce sôbre a identidade
fora de seu contexto humano. i\ttendanl Goelol, primeiro porque essa peça, mesmo de fazê-lo. ~Ias verificamos, também, que, ccrn Bec-
individual dos .seres e dos objetos. Sabe-se que um
sendo para mim o maior êxito do te.1tro francês con- kett, ultrapassamos a fase do terror puro. Azombaria
Engajando·se nesse caminho, não hámais linguagem de seus processos preferidos consiste em dar o mesmo
temporânoo, seja talyez uma tentatil'a que não se pode da linguagem: nele, não é a destruição: a insignific"ân-
r,ossível. loneseo sabe disso tão bem que no mesmo nüllle a muitos personagens, de modo que êsse nome
renovar, segundo porque UI11 estudo em profundidade cia da palal'ra não cheaa a inhumanidade do silêncio
de sua linguagem deveria necess:\riamente apoiar·se sô- pejo único fato de qu~ essa palavra, em sua própri~
ImprolllJlll/, o ridículo da linguagem das críticas teatrais não serve mais para identificá·los. Sem êsse ato ue
acaba pelo ese<Ímeo ue sua própria linguagemde autor. identificacão não h:í mais nem mesmo mundo, nem
bre um eIame geral da obra ue Samuel Meckett (sabe- insignificância, nos reGeia alguma coisa do homem.
Agora, podcmos, então, entender o sentido de seu pro· mesmo c~is:l~, mas apmas a noite ue um unil'erso ele-
se que todos os seus escritos romanescos têm por centro Com Adamov, descobrimos nma outra saida pos-
pósito: quer critique a linguagem pequeno-burguesa ou mentar em que tôdas as coisas estão ainda mdeHnidas..
uma obsessão de linguagem que não se encontra no sível. De maneira diversa da de Beckett, Adamov rOJll'
essas duas dramaturgias estão uos antípodas lima da
I
p~ .completamcnte coma Iin~ua~cm dr;unatúr~il~1 lra- \Ias essa zombaria da psicolobl1i a pela IimbJu agem
) _I.- outra: uma postula uma realidade exterior do homem
dícional sun se compronetcr com isso uo impasse do cm Adamov, r profundamente diferente do terror que cuja liuguagem é a emanação fiel, a outra, ao contrário,
puro terror. A ori~inalidade de sua tentativa aparece I c!Jserl'amos há ponco no teatro de Ionesco. Aatitude postula uma espécie de silêncio ncrro do homem rJue
sobrehulo uo nivcl do Ping-Pon!!" qne l~ sua ohra-prima I t:ri~inal dI' lonrsco diante ria linguagem, unnn vimos; fere de ínanidade tôdas as palavrasbqnc êle pronuncia.
\Ias, nos dois casos, a linguagemé teatralmente e huma-
teatral. é de cr:JIsider:i-1a como uma coisa, tir'lIldo·lhe também
lcirla a IlIImanidade. Ora, Adamov, nunca nos deixa a u~lInent c desvaloriz..ula: no primeirocaso porque as rela-
No tcatrn tradicional.. tôda Iuneio
\ dramatúrlfica
ti da
possibilidade de adotar uma tal atitude t'lIl relaçâo à çoes humanas se choram na intimidade dos coraçôes,
Iingnagemse reduzia a exprcssar fielmente as paixões
lin~ua~em de seus personagens: qualquer que seja ~11a
sem que o homem tenha jamais de lutar contra sua
e os sentimentos dos personagens. Essa subordinação
insignifidnci~ ou sua falsidade, ela permanece embe-
linguagem, de se conhecer nela e de se inventar através
da Iingnagem à psieologia rcpousava, comefeito, numa dela; no segundo, porqne a ausência do homem muda
coneepçio implícita das rela~"ócs do homcm e de sua bida de humanidade, na medida emque cs homens a
imediatamente qualquer paiavn em silêncio. EmAda-
linguagem: ronccpçâo quc Ihc atribuia ogôzo de uma alimentam a todo instante com suas esperancas seus
mal', ao contrário, sente-se um esfôr~iJ fundamental para
certa "interioridade", de que a palavra nada mais era llesei~s e seus proj€~os. ~ sem dúvida essa Ii~gl;agem fazer da linguagem o próprio lugar da verdade teatral.
que a projcç;io exterior. Adamov subverte completa- os aliena, pOflJlle eles so podem viver através dela,
EmO Ping-Pong, sobretudo, a linguagem nos é real-
mente essas relações: os personagens de suas peças, que lhes furta, emcerto sentido, o poder de viver; mas
mente apresentada como uma situação humana total:
comparando-os comaquêles do teatro tradicional, são essa alienação dos homens a uma certa linguagem é
os personagens se fazempela linguagem, fazendo-se por
cllTicsam~nte desprovidos de qualquer espessura psico- apenas parcial, pois que esta recebe dêles, em troca,
e!a. ~ o que se poderia chamar de linguagem ele
lógica. Eles nunca são bastante reais para que o dizcr, a pnípria verdade da vida. Este metabolismo constante
sl/lIaçao, emoposição à de Beckett que é apenas uma
nêles, jamais nos conduza a IIIn ser. Ao contrário, tudo entre o bomem e sua linguagem, que constitne sem
linguagem de condição: a de uma humanidade redu-
quc pudemos apreender dêlcs se reduz a princípio na díl\'ida uma das grandes fôrças do Ping·Pong, toma-se zida à única condição humana na sua nudez. Adamov
particularidade de uma certa linguagem. Em O Ping- muitas I'êzes aí a fonte de um trásicob insubstituível·• bem que poderia nos indicar o caminho para um huma-
Pong, os persnnagens desdc o início e.stão imersos numa quando Artur, por exemplo, submete ao Diretor do nismo da linguagem, fundada não no terror, mas numa
lingna~em ao mesmo tempo ridícula c prestigiosa: a
Cr:nsórcio sua tíltima e mais brilhante "idéia", nós o nova retórica.
dos bilhares elétricos. Sem dúvida, nlJs os veremos cm I'l'mos apegar-sI' pouco a pouco iI retórica esearninha
seguida se amarem, se odiarem, eavelhccenun, em re- do bilhar délrico; c ao mesmo tempo essa linguagem
sumo, viver ii maneira dos pcrsonagens de teatro clás- puramente convencional e estereotipada adquire, pela
sico. Mas êles nunca se tomarão inteiramente para raiva e desespêro crescentes de Artur, a própria fôrça
nós heróis "psicológicos", porque tôdas as suas relações, de uma Iinguagcmtnígica. Daía vertigem sentida pelo
tôdas as suas paixões e sentimentos só nos serão dados espectader: êle é, simultâneamente, tentado a rir do
através do prisma de uma certa linguagem que se aleta vncabnlá rio do aparelho, onde os têrmos ingleses se
encontram curiosamente misturados .is metáforas de
fatalmente de uma leve mas evidentissima falsidade.
Por isso é que as situações do Ping·Pong - como mos- uma poesia vulgar, e de ver aí, com o próprio Arthur, ...
trou Roland Barthes, não são nunca situações psicoló- uma língua da qual cada palavra põe emjÔl10 a sal.
gicas: o verniz da linguagem que as cobre inteiramente vação do homem e sua perdiçác, Essa ambig~lidade é
nos lira tôda possibilidade de referência a uma inte- ccnstante em Ping-Pong: a lin6'u agem aí é sempre de-
rioridade absolnta dos personagens, isto é, a sentimen- masiado insólita para que !Xlssamos nos interessar de
tcs Gerdaeleiramen/e experimentados por êles fora de dentro na "psicologia" dos personagens, e sempre dema-
sua própria palavra. O que somente nos dão essas siado deusa da própria humanidade dêsses personagens
situaçêes são homens inteiramente comprometidos na para que possamos vê-Ia de fora. Daí um trá~co muito
Singularidade de uma certa linguagem, que os impede particular, que é o das relações do homem e de sua
de adqui~r essa densidade de existência, essa espes· linguagem.
:ura ~e VIda pessoal de que se,co~stituem sempre os Oque me parece ser a originalidade da linguagem
bons personagens de teatro. Ha neles uma espécie de de Adamov, é que êle possui uma realidade dramática
inerência existencial à sua linguagem, que os impede que a dramatur~a clássica e a de um Ionesco ceotri- (Da Rev. Théâlre Populaire, D.o ISl
de existir plenamente. buem paralelamente a tirar-lhes a sua. Everdade Que
TEATRO DA CRUELDADE I

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me dandoas imagens doque seria outra de suas obras,
A Conquista do México, drama da escravização c da
luta de religiões. Aserviço dêsse repertório: uma nova
linguagem física à base de sinai~ e mio de palaGrtlS,
que fazem doator um atleta eletivo; uma nova utiliza-
çâo da linguagemarticulada, uma sonorização na qual
Esbôço de uma arquiíemra tealral emAnlonin Artaud cs"sons, os ruidos, os gritos são hnscados primeiro pt'1a
sua qualidade vibrafária c depois pelo llue rcpresen-
tam"; um emprego .I ngestivo da luz...
ANDn~; FIÍANK Para ter tôda a eficácia, o drama de Artaud neces-
sitava de uma forma renovada de construção teatral
Êle imaginava suas criações num teatro construido para
tal fim, de modo a envolver, enfeitiçar e prender o es-
Em nossa época, a rcvclu ção teatral precedeu de I piaula de wn erotismo semmistério, nrio seio pectador. Era necessário, para êle, romper com o tea-
alguns anos a evolução dos acontecimentos. O corte teatro, poi~ são psicologia ... tro dividido, o teatro de dois universos, platéia e palco.
dramático de 19·10 se deu einco anos após essa falha, Para AA, o espectador devia colocar-se no meio e o
Para AA tratava-se de acabar comas obras-primas r espetáculo emvolta dêle. Aação lançada ao rosto do
essa fissura, aparentemente gratuita e de fato decisiva
na transíormação da arte drnmática: o teatro dll cruel- (Iue não são boas para nós, acabar com os dramas psi- espectador, aos quatro pontos cardíais, podia em certos
dade deAntonin Artand. Teatros de crueldade, o mun- cológicos, com o teatro puramente da palavra. "Como momentos, para enredar-se e desfazer-se, concentrar no
do os conheceu de[Xlis, muitos; mas o de Artaud (luis 6 íJue o teatro ocidental não vê o teatro senão sob o meio. Êste movimento incessante da ação e dos atôres,
sê-lo, denominou-se tal, como se fôsse a anUlll'ial,'ão de aspecto do teatro dialogado? O diálogo - coisa escri- exigia, da parte dos espectadores, certos gestos. Êsses
la e falada - pertence ao livro, e a prova é que se gestos podiam ser facilitados por cadeiras móveis. Artaud
novas revelações do ser e também do nâo ser.
lhe reserva, nos manuais de literatura, um lugar ao sonhava com um hangar, uma granja onde pudesse COIlS-
Arevelação dessa renovaçâo teatral comportou ape- teatro como um ramo acessÍlrio da história da língua truir sen teatro de aeôrdo comos processos que leva-
nas algnmas noites: ;1.1 representa çôes de Os Cenci, articulada." ram à arquitetura de alguns lugares 5.1gTados e de cer-
qne AA escreveu baseado em Stendhal e Shelley. Pou- Tratava-se, em resumo, não de reencontrar a lin- tos templos do alto Tibé.
cos críticos, nenhumpílblico on quase nenhum, Toda- guagem vazia de sentido, mas a linguagem do corpo,
via.. , depois dessas poucas noites, acabes-se o reina- não a linguagem do indivíduo, mas a linguagem dum
do inconteste do teatro de boulemrd e do drama psi- universo do gesto. Ele próprio não falava de 1ingua-
cológico, tomava-se possivel nm Barrault, concebível gemfísica". E também de "teatro de alquimia" e tam-
umVilar e um teatro quc se desejava Ato c não Intriga. bémde "teatro da cruelrlade": cruel não tanto pelo as-
Ação e não mais Paixão, - linha sua primeira apari- sunto, mas porque se tratava de umteatro difícil para
ção. No momento emque AAquase acreditava tomar- os outros e para si próprio. "Não somos livres - dizia
-se diretor de teatro, traçava êle suas linhas mestras. Artaud - e () céu ainda pode cair sôbre nossas cabe-
Êle era visto em reuniões de amigos, em grupos que ças. O teatro é feito para nos ensinar isso em pri-
gravitavamcm tômo do Atelier antes de se reunirem meiro lugar."
dois anos mais tarde no Crenier des Crands Augustins, Não é preciso de resto procurar a crueldade por
e lutar contra um certo teatro e declarar sua fé numa si mesma. Atrás das danças, das "fôrça, negras" de-
outra forma dramática. Ainda hoje, graças aos textos sencadeadas pela magia teatral, devem revelar-se as
reunidos em Le Théatre el Son DOl/ble, podemos re- fôrças benéficas que podem nos fazer "chegar a uma
encontrar o seu eco: tomada de consciência".
Esse teatro ria crueldade, no espírito de AA, tinha
1listórias dedinheiro, rle anglístia por causade seu repertório. Apenas Os Cenci foram representados.
dinheiro, rle arriGismo social, aflições rle amor Mas lembro-me de ter visto Artaud colocando sôbre
cmquejamais entra oaltTllismo,sexualidade sal- . uma mesa o Suplício de Tântalo (que é feito dêle?) e
(TletilOS de arti~o pubL na levo Spedac1eJ, n. 17)
UMA EXPERIÊNCIA TEATRAL PROFÉTICA pois veio a montar Marat-Sade (1965) de Peter Weiss: debater. Citemos em seguida Artaml: "eu não quis
os loucos de Chareton, dirigidos por Sade, dramatizam dizer que queria agir diretamente sôbre a época; disse
a vida de Marat, Fácil de adivinhar o choque terrifi- que o teatro que cu queria fazer supunha, para ser
cante da confrontação Sade-~Iarat, da loucura, da pcr- possível, para ser admitido pela época, uma outra forma
versidade cruel e do assassinato. Representar a lou- dc civilização", Como Bach em música, Artaud, em
cura exige do comediante o recurso a íôdas as suas teatro, não inventou nada. Se um aperfeiçoou uma
Christian Gillcnx:: faculdades corporais e um condicionamento mental; técnica, outro a projetou no tcmpo. Não visando de
uma objctivação da loucura. "E preciso compor a fi- medo alguma eorstru çâo de uma teoria, nem preten-
sionomia espiritual dum mal que mina o organismo e dendo ser umgenial descobridor de novas concepções
a vida até o dilaceramento", como o disse Artaud, de mise-en-scene e de díreçio, não contribuindo com
Brook continua seu trabalho com Édipo, de Sêneca; um método real de trabalho do ator, Artaud serviu-seda
Para conhecer umrio, remontemos às suas nascen- Não confundamos influência e coincidência (por mais Sêneca, cujo sentido metafísico da cmeldade, atraiu palavra de seu grito para exteriorizar sua própria tra-
tes. Para conhecer a inllu ência afetiva de Antonin acentuada que seja, ela não sem fortuita: o teatro, em particularmente Artaud. gédia. Marcou com seu traço catalítico e visionário,
Artaud, remontamos ;l~ fontes do Teatro da Crueldade. suas formas e em suas aspirações, é emanaçio da épo- O Liuing-Theater descobriu, muito tardiamente, o um teatro emmarcha para o absoluto.
O teatro isabclino: conflito das fôr~'3s naturais e ca). Ghelderode, por exemplo, se liga a Artaud na _. Théátreet San DOllble, em1959, quando jáse propusera Apartir daí é fácil criticar-lhe as falhas, como. por
sobrenaturais na violência, mêdo, horror, assassinato, busca do "grito e do insustentável". Alémdisso, a no- I a restituir ao teatro sua função original, de identificá- exemplo, a não especificação do público ao qual um tal
sangue e loucura. Tamhém comparável à peste; à sua ro judaica do Bem e doMal, constante nopensamento lo com as fôrças de vida, de fazer dêle um meio de teatro se dirigiria e de não ter levado em conta o
ahnosfera delirante, em ljue a imaginaçãn, diante de artaudiano, encontra-se na ideologia, inspirada direta- transformar ohomem. Mas essa descoberta foi a revela- contexto social de sua aplicação eventual. O Thédtre
um mundo devastado, se liberta c libera, consequente- mente do Hassidismo, do Lifjing-ThCflter. Coincidên- ção do sentido profundo e das possibilidades de sua Jllfred Jarry e te IlJéâtre et San DOllble não podem
mente, a espiritualidade oculta do ser <[ue o pestífero ciacom Witkiewicr, que se suicidouem 1939, cuja visão açâo: sua orientação definiu-se, acentuou-se, tanto na ser considerados como escritos teóricos que apresentem
ignorava, ljueo alor ~uspeitara dentro de si. do teatro parece próxima da de Artaud: "as obras pro- pesquisa dos sinais físicos, na utilização do espaço cê- um sistema filosófico-teatral; espaçados no tempo, êles
Oteatro rom:lnlil'o de um Kleist ou de um Buech- postas emnossa época sãoobras emque ohomem mo- nico, como na revolta e na noção de exorcismo. O se compõem de manifestos, artigos, programas, proje-
ner: nostalgia dum paraiso em que a vida não é su- demo nãopode perceber, emestado puro, <li sentimen- período de maturação prosseguiu até 196-1, quando êle tos de lIlise-en-scene, relatórios, propósitos dos quais
focada pela lmivel realidade. Comparável tamh{'m à tos metafísicos, ou diga-se, os mistérios da existência montou Mysteries am/ Smaller Pieces: a cootribuição não se excluemas contradições. Se é fácil dizer que
alquimia "do/lMe espiritual, não da realidade qnotidia- como uma Unidade da Pluralidade", ou então: "Para de Artam) se le na brochura-programa: "cu me propo- essas contradições constituemsua riqueza, é mais inte-
na, mas de uma realidade típica c perigosa emque os I mim a finalidade do teatro é prolongar o espectador nho a, no teatro, voltar a essa idéia elementar, toma- ressante notar que essa riqueza se prende ao fato de
Príncipes, como os delfins, assim que mostram a ('3- num estado inacessível no quotidiano". Coincidêucia, da pela psicanálise modema, que consiste, a fim de ob- que Artaud se coloca fora de um sistema. Que os pin-
beça, apressam-se a voltar à obscuridade". de fato, não sômente comdois outros seus compatrio- ter a cura dum doente, emfazê-lo tomar a atitude ex- tores, os músicos, por exemplo, se refirama êle, nada
O teatro dadaista, cujos precursores foram Jarry tas, Gombrowicz, cuja "violência c excesso de sua peça terior do estado ao qual se deseja conduzi-lo", e se con- tem de surpreendente. Reconhecido por seus próprios
c ApolIinaire, pode caracterizar-se, também, pela abo- O Casamento, obteria a admiração de Artaud", e Gra- cretiza por meio de um dos quadros do espetáculo: méritos, não de teórico nem de técnico, mas de catali-
tOlYski, m as de modo mais gera~ com a tradição do "La Peste", exercício de trinta minutos, de acôrde com sador, visionário e poeta, Artaud tem sempre sua atua-
lição do primado do texto, comsua lógica fria que fixa
teatro não-discursivo da Europa Oriental. o texto de Artaud, representação da agonia terrificante Iidade. Ou mais exatamente, nós oatualizaremcs à me-
a realidade em formas estéreis, superficiais, pela "rei-
Fontes, coincidência e, também, aproximação. No- dos pestíferos, que se espalhampeja platéia. dida que nossas pesquisas em domínios aparentemente
vindíea ção de romper com o sentido usual da lingua-
OLicing-Theater pratica (ou procura praticar) um tão diferentes, como a pintura e a concepção do atar,
gem, de quebrar a armadura, de quebrar a carapa~'3"; tadamente com o happening, nessa noção de teatro to-
teatro da crueldade e, através dêle, "ultrapassa" obri- o cinema e a arquítetura; e quanto ao teatro, "se o
atrares de um largo espaço dado aos sonhos, êsse tal; participação do público numa ambientação sonora
gatoriamente a visão artaudiana; por exemplo, pelo teatro é feito para permitirque nossos recalques adqui-
vcícuJo-imagem de nossa vida interior, que transfor- e dramática, como a própria base do espetáculo; noção
próprio fato de agir, êle se situa socialmente e tem que ram vida, uma espécie .de poesia atroz se manifesta
ma o mundo e denuncia nO~:iOS complexos e nossas que se encontra emJohn Cage ou num Béjart, e não
fazer uma escolha política. Nosso propósito não é através de ates bizarros em que as alterações do Iate
inibições; por uma revolta violenta e pura contra as mais, por eiemplo, em GrotolYski.
falar dessa escolha (se bem que ela seja, ímplicitamen- de viver demonstram que a intensidade da vida está
conven ~'ÕeS, os hábitos e os pais Ubu. Quanto à influência efeliva: Peter Brook, o Liring-
te, a de Artaud), mas de acentuar o que pode acarretar intacta e que seria suficiente dirigí-Ja melhor".
No movimento desencadeado por Appia, Craig, Thealer. Peter Brook fentcu, com a Royal Shakespeare
de conservação e de transformação em si próprio um
~Ieyerhold, Stanislavski, essencialmente, que vêem pro- Company, uma aplicação metódica da concepção tea-
tal teatro aplicado em relação à sua "ideologia . (PlaneIe, 20/2/71)
gressivamente a considerar o diretor o verdadeiro cria- tral artaudiana, pelo encaminhamento do Isice, de
dor do espetáculo, e o comediante como o seu centro acôrdo comos métodos de trabalho do atar oriental, à Indagar-se se êsse teatro é possível é uma questão • Chrstan GiUolLt faz parte de um ~po teatral de pes
de gJavidade, Artaml é um dos mais representativos. I emanação, ao alcance metaísico da representação. De- que podemser estudada exaustivamente, mas que ul- quisas práticas sôbre a disponibilidade e as possibilidades cor
trapassaria o âmbito de nosso assunto, e que não cabe porais do ator.
TÉCN ICA DO ATOR

Dois Exercícios deRelaxamento

Êstes esercicios são mais indicados para amadores num murmúrio baixo, sempre no mesmo ritmo. Faça-
mais jovens e inexperientes que dão seus primeiros pas- os relaxar completamente os membros até que tôda a
sos nesse tipo de atívidade, Pessoas que nunca fizeram tensão desapareça do corpo. Isso deve ser feito du-
exercícios dramáticos, relutam muito em iniciá-los e rante uns 5 minutos. Se alguém adormecer durante o
é por isso que os primeiros são feitos justamente para exercício, 10me isso como um cumprimento. Desper-
romper as inibições e fazer as pessoas agirem. Uma tará mais relaxado e disposto.
noite gasta com exercícios, emvez dessas intermin áveis II - Faça-os deitarem no chão e começarema re-
leituras de textoou ensaios, como tempo, lama-se mais laxar lentamente o corpo, articulação por articulação,
rica de rendimento. Em vez de ensaiar durante muito começando coma ponta dos pés, abandonando qual-
tempo a peça programada. uma iníerrupção Fara uma quer tensão, até relaxar todo o corp1J. Sinta que está
noite de exercício especificamente relacionados com pairando a uns 18 pés acima do chão, sôbre si mesmo.
a produção, pode c-ompensar amplamente o tempo per- Vá falando-Ihes lentamente, em tombaixo e num ritmo
dido. regular. Depois disso, o ensaiador poderá começar a
Peter Brook Para começar, damos a seguir 2 exercícios de rela- quebrar as inibições mandando que todos se sentem
xamento. . no chão, no meio da sala. Qne imaginemestar numa
I - Recomenda-se começar tôdas as reuniões, e caverna no fundo da terra, semlanternas ou qualquer
mesmo os ensaios, com êstes exercícios. Amúsica é de luz. Êles têm que tentar sair dêsse buraco às apal-
grande autiliodurante otrabalho, principalmente Tchai- padelas, procurando saída através de estreitas pontes,
Quantomais intimamente oatol' aborda a tarefa de
ko\Vski. Mande que os membros do grupo se sentem passagens e túneis, encontrando talvez um beco sem
representar, mais êle é solicitado a distinguir, compre-
em círculo no chão, todos voltados para fora. Isso saída e tendo que vollar atrás até encontrarema saída.
ender e preencher simultâneamente um maior número
de exigências. Êle precisa darvida a um estado incons- evita que êles olhem uns para os outros ou fiquem Êstes exercícios apenas abordam a superfície de
ciente pelo qual é completamente responsável. O re- inibidos. Em seguida diga-lhes que imaginem que diversos problemas e não intentam ser uma panacéia
sultado é um conjunto indivisível - mas a emoção é estão seutados sob uma queda ou jato de água tépida, para tôdas as falhas. Podem ser adaptados ao caso
continuamente iluminada pela inteligência intuitiva, de ou fresca, e que a água cstá caindosôbre êles: primei- particular de seu trabalho. Os alunos acharão êste
modo que o espectador, embora cortejado, agradeci- ro sôbre suas cabeças, depois sôbre os ombros, o peito, exercício mais fácil e divertido e começarão a perder
do, distanciado e forçado a reavaliar, acaba por expe- o tronco, as coxas, os tornozelos e os pés. Repita isso a inibição.
rimentaralgo igualmente indivisível. Acatharsis nunca
pode ler sido uma purgação emocional: deve ter sido
um apêlo ao homem total. (Ama/etlr S/age, rol XVII/9)

(O Tea/ro e Seu Espaço (The Emplg Spaeel, tradução


de Oscar Araripe e Tessy Calado, Edilô13 V~)
JOGOS DRAMÁTICOS
Ji/wdeiras,ballliislas, pcscadores. (PRATOS DE LF.\'[ .
RUFAR. ESTRONIJO). A água sobe. Umaonda se
aproxima. Qucbra-se na praia tragandoIlIdoàsua
1}(/ssa~clll, salco o pescador llue continuade pé sô-
1m' aonda.
Oscegos Opavão, o ratinho eoleão As águas
OlRlFEU - Na cidade e no mundointeiro. .. (l'lH-
TOS E.\l rn~CE.'iDO. carros. JORNAIS E CAMF.LÔs cm- .
CHARLES Am-OKETII AlAM A ATF_'1Ç.\O DE TODOS)
Um homem muito humilde e solitário, sentava-se
todos os domingos no banco de uma praç:1. Não tendo OS fugitiws atravessam a cena perseguidos pela
dinheiro para nenhuma diversão, ali ficava, tristemen- áglla: Agarram-sc às montanilas. SobreGicentes.
Três cegos, que não podem falar, atravessam a te, apreciando o mcvimento da rua. Sente-se como um
ratinho, pcqueno, feio e desprezado. Vem vindo pela F.ste jogo foi imagiuado da seguinte maneira: a CORlFEU - Alguns sobreviveram. E quando as
cena. Um dêles vai à frente, andando e tateando, com
praça uma criatura vaidosa e cheia desi, sempre à pro- primeira idéia seria tomar coutato com um elemento, ágnas babaram, o homem retomou seu lugar. (PAUSA )
umbastão. Os outroso seguemapoiados um no'ombro
cura de quem lhe elogie as qualidades físicas. E o no caso, a :ígua. Foram feitos diversos exercícios to- Ateque um dia ...
do outro. De repente, o da frente deixa cair a ben-
pavão. Ao ver o ratinho, sente logo que tera uma pla- mando eontato com a água imaginária. Para variar a
gala e eemeça a procurá-la ansiosamente. Ao fazê-lo,
téia excelente para contar suas vantagens. O ratinho busca, foram imaginados três casos: água normal, água Um naliio. Capitrio ri frente. MrU'inileiro iça as
os três se soltam, e não conseguem se encontrar de
ao ver tal beldade, fica boquiaberto de admiração. O emexcesso c falta de água. Disso resultou um con- Iielas. Capitão ocista terra. Cilama osmarinl,ciros.
nôvo. AOiç:io; na busca de se enconlrarem, fazem
pavão cada vez mais vaidoso (tema mudo),respirando junto de ações ligadas JXlr um texto narrado por um Olham. Um deles sobe aocêstoda gáceaeo/Jser-
movimentos comIIS braços batendo nos obstáculos, cm-
a admiração e aprovação do companheiro, não cabe em eorileu, ra. Depois se abaixa e grita: UE; terra."" "Entrio
zam-se semse tocarem, até que o da frcnte acha o
si de satisfação. Exibe seus dotes (cabelos, cauda, re- Do caos, modelado por um sôpro de é terra qlleacabadeimergir do oceano", diz oca-
bastão. Levanta-se para prosseguir, ainda procurando CORIITI -
lógios, ete.) começa a comparar sua graudeza à pe- vicia, elevaram-se lentamente a terra e as águas. E pi/rio.
os companheiros. Encontra um dêles. Açâo de reco-
nhecimento. Alebrria. Seguem o caminho, deixando quenez do ratinho, que cada vez mais humilhado, mas sôbre a superfície das águas. Nofundo das águas sur-
sempre admirando o outro, se encolhe no banco, Para CORlFEU - Apartir dêste momento a água desa-
o terceiro desesperadn, entregue à própria sorte. Ou, giu uma forma de vida desconhecida.
equilibrar a situação aparcce na praça o leão. Perso- parece pouco a p uco. Nos campos, um vento ardente
então, não conseguem mais se encontrar, estendem os Trêspersonagl'lIs esteio agachadosnomeioda cena,
nagem forte, ao deparar coma cena, coleea as coisas começa a soprar sôbre as plantas sem <lgua.
braços cm desespêro, esperamle tocar os companheiros currados sôbre si mesmos, Oscilam como algas.
de infortúnio; partememtrês direções difercntes e de- emseus devidos lugares: isto é, faz ver ao pavão que Plantas: 4ou5 personagens. Vento.
Poucoa pouco erguema cabeçn e se deuam em-
saparecem. Se êste exercício fôr bem executado, se os ele no fundo não é diferente do ratinho e que cada
balar pelas correntes dágua. Depois se destarol1l CoRlFEU - Algumas pancadas de chuva vêempro-
alunos chegarem a dar a impressão de serem mesmo um tem suas qualidades e defeitos. Opavio, sentindo
do fllndo da áglla e lião àsuperfície. Tiram a ro- longar sua agonia. ( PA~'iDEIRO BATIDAS LEVES ).
cegos, desajeitados e receosos, o público ficará profun- que o público mudou, retira-se envergonhado. O ra-
damente comovido. I tinho, comum olhar agmdecido, sorri para oleão.
beça da áglla começmnanadar para aterra. To-
mal1l pé na praia e partem aronqllistar o mundo. Chum. As plantasreciceiam.
(PRATOS )
CORIFEU - Depois a aridez definitiva cai sôbre a
CoRIFEU - Nos confins da terra e das águas a vida terra. (m llloR)
se organiza.
Aridez. Plantas mirram.
Pescadores, laL1ldeiras, aguadeiros, etc., barco qlle
se empllrra da praia para aáglla (PRATOS) CORIFEU - E um vento de fogo varreu tôda a ve-
getação morta. Os homens se puseram a caminho à
CORlFEU - Depois os homens se fixaram em tôda
procura de água.
extensão da terra c conslmÍram cidades. (RUÍDo DE CI-
DADE. GRITOS. MOVIMENTO. GUARDAS DE TRÂNSITO. PRA- As plantas são carridas pelo Iiento. Três homens
TOS). Mas, um dia, nos confins da terra e da água, em marcha roda cez mais erallstira. Um dêles
(Do livro Cem Jogos Dramálic(J.l, de ~1. C. Machado) aconteceu que.. . ergueacabeça. Aliistaáglla. Correm (no mesmo
lugar) [/m cai, depois outro. O terceiro cai iunto
da água, arrasta-se e bebe. o QUE VAMOS REPRESENTAR?
\.omn:u - Assim, o mundo dos homens parecia
definitivamcntc acabado, quando Deus mmlou de idéia
e permitiu, novamente, que a chuva desse vida ao
mundo,
1\ clll/W mi sôbre os homens. r:les se reanimam,
erguem-se cha gar, in~1édulos e se euchemdeelm- Viajantes para omar, de SYNGE
ra. Partem de IIÔIiO para CI Iiida. (!lATIDAS DE
PA~DEIRO ) Tradução de SÉIIGIO VIOm

Personagens: morrer", disse, "de tanto eh ôro e lamen- e esconde o embrulho. ~ 1.\URl'A enlra
tação". do quarto. .
~IArRY.\
:-lOIl.\ ,1 porta, que NORA l/eixon entreaber· ~ I.\UIIH, o/Iumdo Calli/eell e falando,
c.mU.ErN
ta, é aberta por ullla raiada de cento. nUIII queixume - Essa turfa que você tem
BARnn
:IÍ não dá para hoje até a noite?
CATIIlH.'(, o/lJal1Cla pc/ra fora, ansiosa-
~ IUlIll:IIES mente - Não foi dizer a êlc para não GITIILEEN - Pus um hôlo as.-;audo no
IlollENS deixar Bartley levar os cal'alos à [eira de fogo pra daqui a pouco. (Jo~andtl a tur-
Gahvay? fa) Bartley vai querer levar se lôr a
Conuemara, quando a maré mudar.
/ NonA, fa/r.ndo bairo - E ria? Onde :XOII.\, indo para a esquerda da IIIcsa -
está, "Não vou, roo", disse êle; "mas ruio fiqne NOM (fpanha a turfa e lera pllTO
com mêdo. Ela não anda rezando quase ;unlo cio fogejo.
Cvnuax - Está dei(;I(\;L Deus a que a noite inteira? O Onipolente não vai
~uanle, talv12 esteja dormínd«, se puder MArRY.I, sentando num banel/lill/IO,
deixar que fique abandonada, sem ne- perto da fllgo - Não ir~ nomdia dêsses,
dormir. nhum fílho vivo", como vento soprando do sul e do oeste.
NORA ellra der~~ar e tira Iml CIII - CATlIlF.EK - Omar está muito mim, lá Não irá num dia dêsses; estou certa que
hm/ho de debairo do chale. perto das pedras brancas, Nora? o jovem padre 11;0 deu.,rá.
CAT1Iu:EI', cirnndo a roeu rà/,idllmtn· NORA - ~Iais ou menos, Deus nos ~uar­ :XORA - Deaa sim, mamãe. Eu já ouvi
tr - Que é que você tráz aí? de. Pro poente já anda IrOl'eiando, e I'ai Eamon Simon e Stephen Phecty e Colum
NORA - Foi o ~rem padre que trouxe, ficar pior quando a maré virar na direçio Shawn dizendo que êle ia.
f: a camisa t uma meia que êles tiraram do vento. (Vai até a lIIesa COIII o embru- MAURYA - Onde é mesmoque êle está?
de um homemque se af~ou emDone~al. lho). Abro a~ora?
NoR.\ - Foi ver se tinha outro barco
C.mILEE.'i - Ela pode acordar de re- zarpanda essa semana; não deve demorar
CAT11lH.~ ,Jára a roca com um mod- pente e entrar antes que a gente trnha
lIIento rápido e se inclina para fora para porque a maré está virando em Cabo
acabado. (Indo à mesa.) Vamos levar Verde e o vento sopra as barcas para
rscutar - f: preciso descobrir se sio mes- muito tempo, com nós duas chorando.
mo do Miehlcl, quando ria sair e ficar oeste.
na praia ulbaxlo o mar. NORA, indo àporta que dá para o quar- C.\llILEEN - Escuto ~ente andando nas
lo - Ela está se mexendo na cama. Ela pedras gmndes.
CA11llH.~ - Como é que iam ser de rem para cá daqui a pouco.
MichaeL Non? Como é que êle poderia NolI.\, olhando para fora - Está che-
parar Ião Ion~e, lá para o norte? CATlIlH:.\' - Me dá a escada, Vou ~ando; parece que tem pressa.
botar tudo isso no sólão; assim, eb 11io
NolI.\ - O ~rem padre dissc que eo- B.\RTLEY entra e o/lJa em cD/Ia. Sua
perceberá nada e, talvez, quando a maré'
nhece casos mim. "Se forem mesmo de fala é triste e calma - Onde está aquêle
mudar, ela saia para ver se o corpo dêl~
Michael", dis;e êle, "rá contar a ela que pedaço de corda nova, C.,thleen, que a
está boiando n'água.
êle leve um entêrro bonito, COIII a ~raça gente comprou em Connernara?
(De Cademos de Teatro, n. 19) de DeUS; e se não forem dêle, não deixe Colocam a ooda apoiada na cllOm;- C.UHLEE/i, descendo - Dá para êle,
que nin~uém di~a pra ela; ela poderia néj C.mIl.EEN sobe alguns degraus 1\ora. Está pendurada no pr~o, perto das
Nona, dando-IIIC II fllca - Ouvi tlim C.ITIII.EEN, depois de lima Il/IUSlI - Ela ~Iaunl".\, falanr/o 1lI11itlJ c/er{j~a( - Eu

I;ílmas. lIotei lá ,Ie manhã, porque u por-


rn ,I(~ patas pretas eslava 111mCJIIIo.
1I.IIITI.Ir, pam Nom - Nãu l'>lá che- DesÇoI ali, a funll' I' de isso pra elelIuantlo
que é lon~a a caminhada a Dtlllne~al.
CI11I.EEN, cor/llIldo u barbante - E r hamlho no ablho. I
já vem voltande, Nora. Estou ouvindo um ri a pior L1lis,1 que al.~ui'm IXKlia ver des-
de que Bridl' Dara viu um humem morto
~andll ali mlllhe? passu, Assim o I'er,i e a Ill~ra palavra
mesmo. Imla poum esteve aqui um III~ NOILI, olhando IHlm fum - Está sim. mma crian\':I nos hra\'Us.
Nnna, I/rlllda-lhe II mrdll - t ,'S.'a, ~OIl.I, "lIlIlIIdll Ik/TIl fora .. [~stá p'L~s:md:1 ~'r;1 (blruít!a I'. enliu, \x)ler:\ tlil.::r: mem - o que rendeu aquela fal~1 - L' Vem Iindu para cá. Cxmm~" c ~olla - Oh!
llartley? "Deus 1<' acompanhe", para cte caminhar
vm CllKl Verde, deixandllmir as leias. dis\(' 11"1' SI' ,) ~en le and:LISc pra lá, ali'm CITIIIH~~ - l\sl1lode isso ludo, antes
~IAlInY;\ - SI'ria melhor que rlxl' (h'i- mais d"sc;lIIsadu. daquele rochedo, Irrara sele dias para Agac/ltlm·se diullle c/ii 11?lfltl, i"111u (10
1\'llnu:l', IIlklll/mnelll ti M/S/Ic o /a/lIlClI que eh entre. Talvez da csk~1 mais (~II·
sas\(~ rssa 111nla dqx'lIllnr.HIa lIInl,' da ~ I .\ul'a, 1/1~lII/lt111du II IHill - Ser;, que ,~Ia r em Duue~al. fogo.
ma dl'IKlis da hên\iiu pra llartley, e nío
est:lI'a, lIarlley. (lIari/e9 II II/klll/lII ) Far;, .. '1'1 '111111 nU'ia IM lra pam lbm. V"1:,
. ,I:i tl'IIIIJO til' eu dlt'~a r alll<~ ,Irle?
l\OI\I - E lIue tempo levaria um ho- ramos contar nada enquanto aI' está no
falta ;lIllIi amanhã de m;mh:i, 'X I Ik,xlis 1111' n'r.in rui!ar deulm di' llni\ Ilhl, IIU
I
,i,· amanhã, 011 rm '1IIallllll'r manhã que 1 I n~ 1!i:L\ lall'l'l.IllIatm, se o ITUtU rsll\'l'l ClTIlLFj~~ - SI' fl,r IX1n ,lepreSo'-1. mem, se boiasse? mar. Xonl - Conta pr.1 ~I'n!l' n IllIC' riu,
~la URY.I - Desci alé n 11'1(,1) e fiquei
seja, se ~Iichael [ôr 1'11l1mtr.ldo. Vamns t"olr.1.
ra7.l'r uma mva hml Iumla, 111m a ~'Taça
t ~IWUH, er~IIelldu'se, lt' /II Cl/lli/ibriu -. C.\TIII.EEN, obre o lH1m/e e apallha 11m
pedaço (Ic meill; olha olentll - (Com w:
NOlla, ailldallClo ClltlúeCll a fcrhor o
embmlho - Vamos botar aqui nu canto. rezando prol mim. Nisso che~nu lIartlel'
~laUl ll' , r.,llall(/,~se JlI/lII o fllgo, ClJI~ . Pam mim, andar é muilu dificil.
de Deus, baira). Que Deus nos guarde, Nora! Nãu montando a égua vermelha, mm o pônei
modo o dllJlc w/lle aro/lera - Não é Botmll lJ (mbmlho no nlllto da CM'
C.\TIIlEE1\, ollillndQ-ll, 11IIioslllllellte - é muito difícil dizer ~ são mesmo déle? miné. CalMecn c{l/Ia à roca. cinzente alrás dêle.
llaHTu. - ~sse é o imÍL11 barco qnu dlim'r. cruel o homemque não quersaber
D á o r;ljado pra ela, Nora, SI'llão !Xxle I~'
sai hOjl'; depois, sÍJ cm duns senL1111S nn d:LI palavras de lima velha que procura Nona - Vou pegar a camisa que està Ergue as mãos como (I"e esnlllc/cndo
. dasl;I·lo du mar? corre~ar nas pedras h'Tallllcs. NOUA - Ela vai ver que CII estava cho-
mais. (Começando atrabllllltlr cllma cor· no prego; assim a gente compara as Ila- alguma1'0011 dos ollios.
rando?
1/11 l. 0111; dizer Ilne ser:i uma boa feira C.\TIIlUN .. f: a 1;11a de um U1Ôl,1l, NOIl\ - Que cajado? nelas. (Procura entre algamas roupas de·
p:\fa vender e:walos. CaT1ILEEN - Fique de Cll5!as para 2
I'iaj:\f pe!ll m:\f. E quem L'sctl!aria uma "endurados II um canto l. Não está aqui, MaUIlH - Que o filho de Dl'ILI nos
r.~TIILEEX - O que ~lid~1 trouxe de porta e a luz não cai cm \'oce guarde, i\ora.
~ lAuR\',\ - L:\ cmhaixo 1~ll~ rão fa!:tl \'[.Iha quI'sÍJ tem uma 11lisa a dizcr e fica Connemara. CathlCt'n , onde cslará?
mal de nós se o L11rpo der oa praia c nãn repelindo? NORa se senta no conto dJJ chaminé, C.ITlILEEN - E depois... que é (Iue
CATIlLEEN - Aeho que Bartley vestiu
lim Ileohum 1IIIIlll'm para faZl'r caixão... Maulll"A, segllranelo o cnimlo qlle NO/a de manhã, porque a sua estava eheia de de costas IHIra a porta. MaullJII en· viu?
e cu que pa~uei lãa t~\rn peLts lIlelhon~ BAIITLEY, a1Jlln1Jam/o o C1/bresto - Pre- tm JIlllitlJ demgar. semolhar /l(Jra as
lhe extcnele - )/0 mnndo lá de fom, sal. (Apontanc/o o canto). Umpedaço da
t;lhnas que se lxxlia achar cm (',oone· ciso ir dl'llll~~a. VOII na í'~lIa rcrmelha ns velhos deixaml1liSOl1 para os filhos US01' manga é d.1 mesma fazCllda. Me dá que
moças, illdo scntar·se fIO seu banqui. ~IaUU\"A - Vi o próprio Wchael.
mara. L' o ptinei l;n7.Cnto ir:\ 11lrrendo alrás.. . II/lO, do outro lado do fo~o. Ainda
1)t'ILI ser.1 t'ltll'OSl'tl. (Sai). rem, m::s allni, os mOC;11S é que deitam css.1 serve. C.1Tl1l.EEN, fn/anela Sllllmen/e - Não liu,
BanTu\" - (nmn í· 'Inl' rle ia ,lar na para os I"Clhos.
tra: o r-ão cmbmllll/llo. não, m:mlãe. 1\ão foi o ~liehael qlle viu,
praia se a ~" ot l' o prnl1lllln por lXII'I' ~hGnr.\ . ~ritaodo enqlltloto éle ainda
NOIl\ a Ira: e as duas comparam II
C.ITlIUT.N, depois de rodar a roca - pois seu l'Urpo SI' achou I:i uo norte, e
di:LI e o renhi sopllln I:io forle de l'Sle c esltÍ naIIII//a- ~Ie se foi, Deus nus guaro flanela.
Sai c/ewgor. )/011.1 c/irige·se lHIra a Não lhe deu scu pedaço de pão? teve um entrrro bonito, co'a ~r.JÇ;1 de
sul al~mu h'mlxl alr;lS? de, e !lIml~l u l'l'lcnlOSmais. Ele se foi. E e,\c/u(,I. DI'ILI.
C.\TIILEE.~ .. f: a mesma fazenda, Ko- MaUJlYA começa a se lamentar noca·
~L\l;nYa - li, se I~I" nãu foi :Iehado, qllaodo cair a ne~1 noile já uão lerei ra. ~I as mesmo que seja, tem peças enor· mente, s-em se wltar. ~hUH YA, meio desafiante - Acabei de
1~le \'rntn esl:i levant;nuln n mar. c ti· mais filho no mundo. C,lTIn.EEN - E1llcr.l, Nom, lalrez ria mes na loja de Calway, e muitos homens ver )'liehael hoje, montando e galopaudo.
nha uma l~slri,la subindo na noite; perto vOlle depressa. Anda tão trisll', Dt'us a não podemterl':lmisa igual à de ~lieh.1eI?
CAlllLEE)I - Não viu êle descendo a
CITIII.t:t~~ - Porqlle n:io lhe deu sua c.walo? llartlev leio anles, 111 égua l'Cmlclha; len·
da IU:LSe ftis.'l'mCt'm c:lI'aI05... ou mil
!x;I\'âO enqmntu estara na porta? Já não ajude, que nem se sabe o que é 1~lpaz de NORA, qlle apanhou a meia e ~á con- tei dizer "Deus II' ~'Uie", mas uma mis"
e••valns Ilne VlX1\ tivCSSl', Ilnal o pn' ll de ~laURl".I .. Continlla se lamentando.
hoi bastanle lristC7.õ1 nt'ltl r;Lsa sem mau· fazer. taudo os pantos. Cri/andu - f: de ~Ii· me prendeu as palavms n'l ~ar~anta;
mil t~l\'alos contra o pn' 1) ,II' mn filho, CAT1ILEE.'\, um pOIlCO impaciente - passou Ião deprcss;1. "Deus te abençce",
d:i·lo cmbora com uma palalTa de am, NllItI - J;i p:L lSon pdu arbusto? ehael, C.1thlccn. t de ~liehael. . . que
onde só tem um filho ii? DelIS a perdoe. Não é melhor ~ucr a
uma p,1lma dura dê/c ouvir? Deus tenha pena de sua alma. E que é disse rle, e eo nada pude dizer. Olhei
BanTLEY, Iralml/lllnda no co/Jrc.lto, fa. C.mllEE.\ olhando IJIlra fora - ,.; se (IOe ela vai dizer quando 01ll'Ír esta his· I'OZe dizer o que riu cmvcz de ficar se ehorando pro ptinei einzento, e lá eslara
lando a Ca/Mecn - Dt,~':I tlXlos os dias ~1.\ llIB apon1Jo os tenazes e começa fui. Ju~a logo.. . só Deus ~lbe quando é tória, com Bartley no mar? lamentando pelo que aconteceu? Mina~ Miehael - com uma roupa tão linda,
para ver se :1.1 nvelhas n:io Ilnllr.un no a reto/cer o fo~o, sem llireçeio, lt'lll que ela rai 5:lir de nôvo. viu ou l1io liu Bartley? usando sapatos novos.
It'nteio: e se o eompmdor rier, Hl1tla o olhar /XIra os lados. CATIlLEEli" - f: uma meia lisa.
~on.l, tiranclo o cn/bmlhJ do sótúa - ~laUH\"'\, com w: fraca - De ho~ em C.1TI1U:EII', comcnplIl(lo a se /nmentar
porl'O de pala prela, se o prL'\1l que dt'r NonA - É a s~unda do tell'{'iro par
fôr bom. SOIlI, co//andlHe para e/a - Está ti· O jOI"l'm padre disse qne p:1S~1ria ama· diante, meu coração estará partido. - Estamos desgraçado; de hoje em dian·
que eu fiz parJ êle. Pus três laçadas a
rando a lurfa ,II' dehaiso do bôlo? nhã, e a geote podia d!'Sl't'f e pe~~untar te. Desgraçados... é 1IICSD10.
~hunYA - Cnmo é qne IUltl mÔl,':I mais e deilei fu);ir quatro pontos. GITlILEEll, como antes - Viu ou não
IOnlO ela rai poder remler um porco a C.ITII\.E~, nllm grilo - Que o filho de para rle lá emb.1iIo se silo ml~lno de c.\TIlLEEN, con/ondJJ os panlos - É I;U Bartley? NORA - ~fas o jol'em padre n.io disse
bom pr!,\'U? DeliS nus perdoe, Nom! Esquecemos SCII Michael. como está aqlu. (Num griwl. Ah, Nora, MaGR\".\ - Vi a coisa mais terrÍl'el de que Deus não deimia que ela ficasse
B.\IHU' ·, IHIm CallJleell - Se o vcolo l~tla\'O de pão (Vai para o fogo ). CATIII.EEN, se~urando o embml1Jo - não é amargo pensar nele boiando t~o se \'er. sOzinh~, semfilho nenhum no mundo?
do este tll1ltinuar até o fim da h1, qlle !\Oll\ - Vai estar faminlo quanoo a Ele dissc como foi qne encontr.tram? 10llge, no norte, semninguém que o ator- CATllLEEN, eleira a roca e olha para MaGlIYA, com 00: baira, mas clara -
~ora e roce tragambaslanle turfa. Difi· noile L~lir, sem ter 11lmido nada dl'lde menle a náo ser as negras bruras que fora- Deus a predoe; está passando com
NeR.\, tecendo - "Tinha dois homens Quem é como êle, pouco sabe do mar.
di vai ser de hoje em diante com um que o sol surgiu. voam no mar.. . a égua pelo Cabo Vcrde e o prinri cin·
I:um !wco", disse ele, '\erxlendo tClilSkrj Bartley logo estará perdido. Chamem Ra·
só bomem a fazer todo o trabalho. NOIl\, balallçondo o corpo, eItende os zento correndo atrás dêle.
C.\TIILE~, tirando o 00/0 do fogão - anles do amaohC{'Cr, e o remo de U1l1 ti- mon para me fazer um cahão com as
~!.lURYa - Difícil ~ ai ser quando rOCti braços no meio dJJs roupas - Não é de MAUHY, comEÇa de IIUlneira queocha1e tábuas brancas, pois não \'OU viver muito
Vai ficar f:uninlo mesmo, vai sim. Nin· barou uo corpo quando plSSal':Jm pelos
se afogar como os oulros. Cnmo é que guém pede a~ir com juízo morando numa dar pena quando nada mais resta de um cai da aÚieço sôbre os ombros, deirando depois dêles... Já tive ummarido, e um
eu rou viver, e as meninas eonú~o, eu, casa onde uma velha fala todo tempo. negros rochedos do norte".
homem que era um grande remador e rer seus cabelos lecemn/e esbranquiçados, pai de marido, e seis filhos na casa -
uma velha à procura do túmulo? Canll.EEN, tentando abrirocmbrulho- grande pescador, a não ser umpedaço de CO/ll co: amedrontada - Com o ptinei seis lindos homCflS - apesar de ter sido
~1 .\unY.\ se balança no banco. camisa velha e uma meia lisa?
B.\HTLEY larga do cobrello, lira (I ~Ie dá a faca, Nora; o sll estragou a cinzento l'Orrendo atrás dêle. difícil trJzercada um para o mundo. Uns
caSllCO qlle traz e lroca por outro, da C.ITIILEEK, corlilnelo ampedJJço de pão corda e tem um nó cego que nem numa
me.lma t1ane/a ma.' mnÍt Mr/l I' onrnl/1 nflll num nnnn' tVJtn U nu"ur _ c~m " "'1 I) ntl"JQ '1hn'l
for.un achados, oulros niu~ul~n t1Jusc~niu I\CJIlA - Êles estâo l~trre~ando uma mi- C.ITIlLEEN, li1/fll 11111 rel/w - Taln"l VI}-
achar, c agor.1 todos se loram.. . Tinha o xr; ,. escorre á~n a dn qoe lrazrm, ,Ieilan- 11: e Eamun pudessem faz.cr 11m ülisão
Slcphrn I' o Shawn perdidos 00 vrnlu, " ,lo um raslru nas pt11rolS ~r.ullk5. quando o sol se ptk Tonos 1~ t.1 lIlillleira
ach:\(los IIl'pois na Raia ,Ic Gre~ório ,Ia C,ITIII.t}J(, nllm n'chicllll, lKml as /11 11 - hmnea que ela mrsma unnprou, que Deus
HIit.I -dL~Onru. Truum:un ns dois numa ii ajnde, pcnsandn (IIW ~fidtld SI:nil en-
I"crcl '[IIC ell/mm- f: Ilartley, não?
,;Uma, eutr.uulo por esta porta. eontrado e VOCl'-s Illlllelll I1JIIl"r enl)uanto
U1IAIUS 1lCUltJltli - (.: Bart!lj', sim.
Fil: /)(111.111 por 1Il11 mil/oc% , 11.1 1l1llÇl.l l'~1 ivl'n'll1 tralnlhaudo,
Qlle DeliSn ~uarde.
.se 1Il0~cm COIIW se tkc$.ICIIl olldr/II O VEI.IIll, "lIlImtl" IHlnI 111mleiras -
J)'1I11 jor~/I.l fil/mm c fim/ll/1l1 11 me-
I/.!
Illgo nll por/o I'n/rellherta. Trlll pre~os~
.111; depoi.l. dlli! "amem f.Ilrrcgl/llllo o
:\011,1 - VOI1~ ouvio Calhk,:o? Vlltt:
ouviu um harnlhn ,1 1~)[(It'Stc?
I'IIrJlo de [lar/lcIj 11/111111 lmlllc/m, cam
I)edal~ll de Cc/II IHlr cillla dê/c. CC/-
CHlnU:N - Não, n JI\lIIl, nós nem Conversação Sinfonieta 1
pensamns nos pre~' ll . . . •
10l'I/III-no nll IIICla.
CAll".Ef~'\, num cochicho - AI~!tm OUTIlO /l01IDI - f: estrallho que ela
acabon de hrriliu na praia, CITlllil:N lHlm as mlllhere.r, enqlla',/o \Iiio tenha pensado em prl'~os depois ,le
, 'I
De JEAN TAlilllEU 2
as homens afazem - Como foi que ee se ler visto tanto cairão sendo feito.
~IAllnl'A con/inulI, sem nado IIl1dr -
afogon?
Tinha n Shawn c seu pni, e n pai de seu C.\1lILEEN - Ela já eslá ficando I'elha Traduçtio de \I ANUt:L BA.'WEIRA
pai perdidos na nnite escura, c nân sc U11.\ OASAIUUIERES - O pônei cinzen-
( cansada,
acheu sinal dêles quando veio o sol. E lo :o~ou-o no mar e uma onda o apanlon
onde linha ressaca nos rorhctlos brancos. ~IA UUl'A lemn/a-sede nôw mui/o de-
Patch também se afo~on - a canoa vi-
rada.. . E eu aqui, senlada, com Bcrtlcy ~I.IU I'A se afastoll e se ajoelhou à maar e espalha as peças de roupade
jlCl]ueuo nos meus joelhos. E vi duas mu- cnbeceimda meSll. As IIIIIlheres e>lúo Mléhael ao lado do corpo, sal/lic!lJl-
lheres. e três mulheres e depois qualro se lamell/ando SlIaL-emen/e e balan- do-os com o rr./o de á~ua benta. Personagens:
Há ainda dois microfones dispostos de um lado I
mulh~rcs entrando, se benzendo, sem di- f1/l1l/0 as c0'1IOSnummodmeoto 1m·
zer palavra. Então, olhei para fora, ~'i /0. C~TIILEEX e \'OI\,1 se ajoelham NOILI, S11tl/lrrando pora Ca/lilecn _-
o EmlADOR outro do estrado do Regente. Oensaiador chega tra.
uns homens ehL'I;ando, segurando uma l{ll- do lI11tro lado da 111(".\11. E os IlOmms A~ora ela eslil quieta c tnnqiiila, m~ 110 zendo as partituras. Dispõe-nas cuidadosamente na!
sa enrolada num pt,b \'O dc I'l-l:t vermelha, junto ti /Hlrla. dia cm filie ~Iichael afogou-se, polia-se
ollvir seu chôro daqui até o poço. Ela
Os SEIS CORISTAS: estantes, desloca de alguns centímetros os microfone!
e a á~ua pin~audo - em um,lia lãn 5(\'0, ~ 1.lUnI'A, crgllcol/a a cllberll c falando e cm seguida se retira.
~0r.1, dl'ixandn um rastro na porta, soslava muito de ~fil':!eI, e a!::uém podia fumEIROBAIXO(B 1)
nllllll .se nlio IIOIIH'$.IC ningllém 110 redor - per.s.1r nisso?
Iii se[ommtodos e não há mais uad.1 que Logo depois chegam os Coristas. Têm aspeeír
Faz nam pallM, a meio estmdida cm SEGUNDO BAIXO(B 2)
dircrio ti Ilrlrll'. EIII se ahre defil~ar o mar mI' pos.\,1 fazer.. . \'iío terei Ill3is G.UIllEE.\ dew~ar c c/ara111cnle- Uma "qualquer', mais para triste. Sentam·se em seus Ingare!
c eO/lI1m mlllheres celha.! se benzeno ra7.iío ,le fie:u chnrando I' rf7.1lll!o quando mllhcr velha se cansa depressa com 'Iual- PRIMEIRO Co~mlALTO (C 1) e aguardam com ar quase indiferente.
lIa à m/ratla, IIjocllUlIIdo na frente d~ o vcnlo soprar do slll e se ouvir a ressaca 'Iuer COiSil que far;a, e não faz nove dias
\10 leste, e a reSs.1l<l no 'K '5te, e uma de 11"1' ela está ehorando e endlcndo a casa SEGIJNDO CONTIIALTO (C 2) Chega enfim o Locutor, e vai colocar-se em pé,
1mlco. Trt/zcm lenços cennelllOl 11
cabeça. "lll{lntro a oulra... os dois harulhos lTes- de tristeza. de face para o público, diante de um dos microfones.
t"Il(b nnm só. Não será mais preciso ir SOPRANO (S) Traz na mão umpapel, que relê. Tosse um POUtO,
~J,I UIlI'.I, CD/ocaa cliícara de Cllbe(.ll
MAunl'A , meio em sonho, para CII'
tli/een - ~; Paleh ou é Michael? Quem é.
em Imsl<l de ágUi1 benta na noite escnra,
'.: ncm 1'011 me importar como mar quan-
I'0fll boiro, sôbrc a !IIC.ll1 c junta lU 111áos TE~OR (T) Iim~ando a garganta, depois lanç-a umolhar para os
l,lbre 0.\ pés de Bortlcl[ - Que DeliS todo baSlJdores, do lado por onde saiu o ensaiador. Anm
CATIlLEE." - Michael arabou de scr do as oulras mulheres se lamentarem. poderoso tenha piedade d.1 alma de Bar- O LOCUTOR DE R..\DIO
achado, lá lon~e (Para NonA). Me dá água benla, Nora; Ilev da alma de ~Iiehael, de Sheanms, sinal que êste lhe ted feito, principia a ler o texto de
.. no uorte, e se o encon- O REGE.VJE
.?
Irilmm lá, l'Omo é que podia (~tar aquI.
ainda tem nm POl\('O goanbda. (NoOA Pai~h, Stcven e Shawo (abarrando a ca· apresentação da Sinfonieta.
lhe dá). beço ). E lenha piedade da minha, e de
MAURl'A - 5.io muitos os moços que MAURI'Adeiracairas roupa.\ de Michael O LoarroR- Minhas senhoras e meus senhores,
Nora e de todo aquêle qu ainda está nes-
110iam sem rumo no meio tio mar, e de stibre os llés lle Bartlcy e asperge água II' lIlundo.
A cena representa um estúdio de Rádio ou uma fala aqui a Rádio-cm-Tôda-Parte. Dentro de alguns
que jeito iam S<lber se foi Miehael que Ilenta lÔbre êlc - Xão é que eu não te· sala de concertos, de onde a Sinfonieta sefiÍ transmitida. minutos daremos início à irradiaç-Jo da Conversação.
achamm ou oulro homem qualquer, se nha rez.1do ao Onipotenlc por você, Bar- PallSl1. O lammto fúnebre das 11111-
lhereJ alimenta e depois lliminlli. Ao se descerrar a cortina, a sala está I'azia. As cadeiras Sinfonieta, do compositor Johann Spatgott, Compõe.se
quando um hnmem fica n'á~ua ,nove di~s t!cv. \'áo é que eu não teuha rel.1do por
l'Om venlo soprandn sempre, ata sna mile noiles escuras sem que I'ocê soubesse o
e as estaJllfs dos Coristas estão dispostas defronte do estasinfoniavocal de três movimentos: Allegro maflon
~ 1 ,1t;IIVA, colltinuando - Michael tL~'e
acha difícil di7.Cf qucm é.. . (Iue eu eslal'a dizeudo. Mas agora lerei público, em semi-círeulo, assim como o estrado e a troppo, Andante SlIstenllto e Scher:o cicace.
um enlêrro tão lindo, lá no norte, COIll a
CAll11iõS - f: ~lichael, Deus o prl}- um ~raude deseanso, e já é bem tempo, graça de Deus... Bartley terá um Iind.o estante do regente, segundo o seguinte plano: OAllegro, apósuma eXp1lsição r:lpida, em que tôdas
agora terri um ~rand c cit'SCUlSO, um gran0 caixão feito de tábuas brancas. Que mms
leja. pois ainda há IJOnl'O nos mallllaram as vozes são, uma depois de outra, apresentadas, desen.
de sono pelas noites lon~as. Mesmo que podemos descjar além disso? Nt1Jhum ho-
lá tio norte nm Jlt'bço de suas ronpas.
a geote só lenha um poUl'O de farin!la
S T volvecom autoridade o lema da oposição entre oSonho,
JOem pode lim elemamcntc, e devemos
Adianta-se e entrega a Maurya as molhada para comer, e lalrez um p.:ue
ficar satisfeitos.
C1 C2 simbolizado pelo par Tenor·Soprano, e a Realidade,
roupas que pertenceram a Michael; que 000 cheirasse mal (eln li! ajoelha de
Maurya se /ewnta detagar e as toma r,ôw, fazendo o sinal da fm: e re:.ar.do ~1.WRl'.\ se ajaeUla nommcote e a
B1 B2 cujas afinnações peremptórias estão principalmente con.
nas máos. Nop,A olha poro fora. cm SU.ll1mo). corlina cai. micro micro fiadas às vozes graves. Estas impõem afinal as suas
conclusões, num canto triunfal à glória do equilíbrio
Regente
humano: a saúde antes de tudo.
o E~SAIAl)()R, aparecendo c fa/alll/o rl llIfÍa-w; - instrumcntistas. f!I/L:ertÍ llOis umcontrasteentre o T, muito depressa Bj - Vamos, rapaz, responda!
Acelere um pouco n movimenlo, scnâo vai prejudicar que di:.cm, c as suas ati/udes, quc IJefl/wnecerão
srrias c illlpC.VSOflis, rnm aquela cspécic ,/e des- T- Quem? B2 - Vamos, rapaz, respouda!
o hnrário! (De'\a/wrece).
prelldimcllto próprio d(~ cerlfls IIl1ísir:os profiss1o- C 2, muito de/'ressa C 1- Parece que os dois
O LOCUTOH, com w/ulJilidllf/e e (I lr1da w/ocid(/(/e lIais, /fuc sc cmpen/wmcm toctlr bem, SCIII tlSsu· C 2 - Quem? Estilo encabulados.
- () Andante, movimento lenlo c mCllitanvu. desenrola m;, o ar tlc participtlrcmno 1/'11: I~tiio fazoulo. Deixemo-Ios pois.
lima !auwotaçán soohadora c arrastada, 'P ie 'faz apan'- B ~ sCIIII,rc tl" pé - Não sei ,{uem cstêve ausente
ur em primeiro plano as iunexões patí'licas das vozes Falemos de outra coisa!
()Loontn - Ouçamos, aseguir, o A/lc~ro ma non Se o senhor ou se eu. Con-
femiuinas, tlIjos recilalil'ns comovidns, t'lJm,~~Tallos aos Iropl'0' (O[,ocl/lor mi senlar-se nrmlll cm/dnr do c.\trí- (T e.S sentam-se)
[venhamos]
Espírilos e ilS Aparições, nos conduziriamao domínio
dio). Que um de nós estêvc BI - A estaç-ão anda bem fraca.
inquetanle do A!l'm, se não fôsse in fine contraditados
pela pláeida intervençâo dos baixos, que mais uma vez li 1- Bom dia, minha senhora! [ausente] C2 - Acho que anda horrorosa.
retomamotema da vida todo-poderosa: "Comum bom C 2 - Bomdia. Pois não nos enrontramos. C1- Imaginem que hoje :\ tarde...
jantar!" B 2 - Bomdia, minha senhora! Bomdi1, minha ([Senta-se]) BI - Não interrompa a senhoral
r O ENSAIADOR: m esmo iclgo de cena - O Hegente senhora!
está atrasado, convém falar mais devagar para ir entre- C I (erguendo-se)- Éi ~ada qual p'ra oseu lado, B2- Perdão, minha senhora
C1eC2- (Forte eiuntos) Bom dia. Por tê-la interrompido,
tendo o am!itório. VIve agora tão ocupado.. .
Bl e B 2 e C1 c C2 continuam a replicar em Eu estava distraído.
O LOClJroH, mnito lentamente, depois de dar de B1 e B2 (juntos) - Ocupado, ocupado, ocupa-
surdina, num tom igual, monótono, 1I1l1ifó lIIarlela- CI - Imaginem que hoje à tarde
ombros, amo/ado - Enfim.. . o Scherzo ... liiwce... do.. .
do: "Bomdia", "Bomdia', enquanto Tcr.or e So- Vinha eu descendo os Boulevanls
retomando num ritmo.. . endiabrado... o lema pre- CLcontinuando - Que se fica assim semse ver,
prano, que se puseram de pé, trOCllm tiS suas ré-
cedente... forma ... uma como que farândola ver- B2- A pé?
plicas muito emsaliêncúl ecom fraseado comovido. C2 e S, juntos - Sem se ver, semse ver, sem se
tiginos.1... de movimentos vivos.. . em tômo do
T - Bomdia, ~Iademoiselle! Cmo tem passado, ver. C1- A pé. Sim, a pé, a pé.
tempo.. . inicial .. . qne se toma... súhitamente.. .
Gosto de andar a pé...
tão leve... (juanlo rápido.. . Mademoisellel CI, continuando - Lamento-o infinitamente:
S- (umtempoc emseguida) Bem, obrigada. E Gosto tanto de receber! BI - Ora, não interrompa a senhora!
Enquanto o LoCl/tm pronuncia asúltimas pala~ras, o senhor, bem? CI - Como ia dizendo, hoje
wm chegando o Regente, de casuca, com Iml ar Senta-se. O Tenor e o Soprano lemntam-se ao Vinha eu descendo os Boulevards
ardoroso eatarefado. Salída o príblico, tOlta·lhe as T - Bem, obrigado, ~Iademoiselle, e a senhora? mesmo tempo. .
Quando encontro, adivinhem quê
costas e sobe ao estrado. O Regente empunhaa S- Bem, obrigada. T, inclinando-se para o Soprano: B2- Oquê
batuta, dra a primeira página de sua partitura e
T - Obrigado, e a senhora? Conheço alguém, ~Iademoiselle
dá o tom aos CoristllS. Fá-lo pronunciando a mezm· C2- Oquê?
lioce asílaba BA. A partir dessa indicação, OS bai- S- Bem: obrigada, e osenhor? Que estêve sempre presente '
T - Oque?
xos repetem juntos emvoz grave: BA, BE, BI, BO, De repente tudopára. OTenor senta-se. B2 er- Quando a senhora estava aqui.
BU; os contraltos: DA, DE, DI, DO, DU; o tenor, S, terno- Estêve sempre presente? S - Oque?
guendo-se.
MA, ME, MI, MO, MU; o soprano: LA, LE, LI, C I - Um navio de vela!
LO, LU. Em seguida, repetem por ummomento B2- Estou encantado de ser recebido aqui pela C I - Esttve sempre presente!
tais sílabas, cada qual para si, em desordem, como senhora. Depois de uma ausência tão prolongada. TODOS os OUTROS CM.1'ORR'i JU1>1'OS - Umnavio de
C2- Estêve sempre presente! [vela em plena rua,]
uma orquestra que afina seus instmmentos. B1 muito depressa S, continuando- Estêve sempre presente? Que coisa mais estranha!
O Regente, que é papel mudo, regerá, real· B I - Quem estêve ausente? Eeuqnenão dei por isso! C I, rindo - Mas era um navio-reclame
mente, dentro empouco: dando aentrada de roda Ah ah ah ah ah! ah! ah! ah! ahl
parte, recitatiro ou conjunto, e indirondo as nuan· C1 muito depressa CI e C ~ juntas - Ela não deu por isso!
Ela não deu por isso! (Curto De papelão e madeira pintada,
ças. Os Coristas falarão, tanto quanto posíliCl, sem CI - Quem? Conduzido num automóvel.
modulação cantada, só com efeitos de ritmo ou de silêllcio)
S, muito depressa B2- Ah! Compreendo.
intessidade. Não representarão o significado do e, CI e C 2, juntas - Rapaz, porquê, porquê
que dizem, como comediantes, mas o som, como S - Quem? Não responde você C2 Eu também.
C I - Era a Companhia
Dos lllristas reunidos
, .
T. lIIui/o ,\('ulill/clI(a/ - Com 11m IlOIlCU de amor! OS SEIS J~TOS - Uh, uh, IIh, IIh, uh, nh, IIh, uh, uh,
(Como acima)
B 2, 110 lI/eSlllO10m - Ou p;lpel?
T(' S. ac.\ccm/o - Com11m pontodeamor. fi 1, COII/ lIarmonia - ~linha boa senhora, use o
Qlle fazia pllhlicidade Com limito, milito amor! [crânio]
C I - Outros, ao tonlnírio, são mansos
Para os cruzeiros de verão. E reflita um momento a
B I c II 2, iun/os - Salulc anles dr llldo! Salulc Uns verdadeiros erianços,
S, I~rgllelld()-.\e - (,)lIe decepção a senhora Que se pelam por ser ninados. [sério]
allll':; dI' Imlo!
\le deu agora! Que é (lue um espíritosub-
To!:os Jl':\'IúS, {or/e - Saúde ;mtes dt, Indo! C, ~ erguelldo.se e cOlI/eçando lIIII reeilatieo - Iterrâneo.,·1
EII queria (Ine ft~~se
Sallde antes de tlldo! Eu tive uma vizinha
Umnavin de verdade! B2- 011 mesmo aéreo.. .
Saúde antes de flulo! Cujo innão era doudo.. .
r\ vida é Ião mouótona]
(Pau.\a) fi I e B2: iun/os - Cujo innão era doudo, B 1- Iria fazer com dinheiro,
B I, caff(lllcl/do - Qnal nada, qual nada, qual Coisa inútil no outro mundo!
OLocuror, ergl/elldo-se e pondo·se diallte do mi- Cujo innão era deudo...
nada!
crofone - Andall/e sl/s/ellu/o! (Tornaa sentar-se) C 2 - E como os demais doudos S - Talvez lá, em matéria de c:imbio,
B 2- Qual nada, qual nada, qual nada! Lhe fizesse arranjo:
T - ~Ias o Espírito, podem crer, é quem faz tudo! Via mais que nós todos...
B 1 e B2, ;1/11/0.1 - Qnal nada, qual nad,a, qual Espírito não é anjo.
nada! BI e B2, res/riticos - Quase ludo! Quase tndo! fi 1 e B2 - Via mais que nós todos,
Via mais que nós todos... C 1- E os homens que serão então?
Quase tlldo! Quase tudo!
(ContinualJl elJl surtlilla a dizer: "ql/a/ nadl', qual C 2 - Pois bem.. . C 2 - Ah, os homens, nem é bom falar!
C I - Onde está êle?
nada', enql/allto dura o recitaliliO segl/ill/e) S - ~em é bom falar!
C ~ - Onde está êle? B 1- E então?
C 2, ergl/em/o-se - :\s môças são românticas B2- E então? C I - Nem é bom falar!
S- Onde está? Esl;\ em nos!
Eu também fui assim,
C I, lIIi.l/elioSlllllell/e - Eu 11)U mais longe, C I - E então? C 2 - Nem é bom falar!
Qllerendo não sei o IllH~ .. .
(IJ 1 c n2 parall/ dc canlar)
Senhores e senhoras: C ~ - ~Iuit;l~ vêzes vinha à cozinha BI - Em alma dooutro mundo
Os Espíritos estão O fantasma de algum defunto f: que eu não posso acreditar!
CI - f~ sim, é sim. é sim. Em [cida a parte! Furtar-lhe o presuntn B 2, atirmatieo, acelerando
C1 e C 2, ;ulI/as - ~ sim, é sim, é sim. C2 - Onde estão? Ou uma empadinha. Tãll pouco eu ptlsso acreditar!
BI c B~ iI/II/oS- Qual nada, qual nada, qual nada! S - Onde estão? B1, incrér/u/o ecllocareiro - Legumes tamhém? Oque há neste mundo
Nas mãos, sob os pés,
C 1 e C 2, iUlltas - ~ sim, é sim, é sim! C1- Onde estamos, emtômo den65: C 2 - Legumes, não!
Parece comigo e você,
BI, crguenr/o-se - :\ vida cstá bem como está. Deslisando, es~ucirando-se, hu! B1 - Então era o gato! Se oure, se vê!
E preciso se contentar Os 6 CORISTAS, iun/os - Uh, uh, uh, uh, uh, uh! B2- Era ogato, era ogato! B1, lIIesmo ;ôgo de cena - Tem peso, volume,
Com o que se tem, sem se Uh, uh, uh, uh, uh, uh!
B1e B2- Era o gato o ladrão! Se come ou bebe
[deixar] (Ê~e uM de paGor é an/es murmurado, ma.1 em
Levar por devaneios inúteis. C ~ illdignarlo - O rapaz era doudo, jú disse, Se bebe ou se come!
crc.~cenrio, numa lIIodu/açlio
ascendente e em se-
(Sen/c/·se) ~Ias não que confundisse ..,.T, erguendo.se, com ardor - Se estreita ao coração!
gUida desendcllle e de duraç!io igual à dos rer-
Um gato vagabundo
C I - No fundo, o senhor temrazão. sos precedentes.) S, ousada - Se beija com paixão!
Com alma do outro mundo!
E preciso saber viver,
S - São maus? Kão pOiSO crer C 1- Esaiba o seuhor que lá emcasa Os 6 JU~OS - Oh, oh, oh, oh, oh, oh ...
C 2, pa/é/ica - Semdúvida, sob condição Na maldade dos nossos Certo fantasma sorrateiro, Oh, oh, oh, oh, oh: oh (crescendo
De ter "de que" viver! Pobres antepassados. Kão há muito, edecrescendocomo acima)
B1- Mas eu sempre vivi. C I - Quando são desgraçados Vinha furtar-nos dinheiro. B 1- Oh, oh, na mocidade
B2 - E eu continuo vivendo. E: noite morta, param S - Oquê? Dinheiro? Há tal fogosidade ...
nos lares, que emlida habitaram
C I - Isso é o essencial. Alguns, dizem, são mais daninhos, C1e C2, juntas - Sim, dinheiro, dinheiro, dinheiro. B2- Falemos baixo, falemos baixo...
.'.
C 2- Asaúde antes de tudo. (De Ilê) ~his ferozes que os lôbos, uh! B1, chocareiro - Era 01ll0? B 1- Falemos baixo...
5 - Eu os mima, os acarinho TODOS - De ludo!
B1, Il 2, C I c C2 j/lntos C 1, ergllendo.o(' parti di:c'raSIIa parle e tornan- De ludo!
Falemos baixo! Falemos baixo! do-selogoascntar-sc- Qner srvidn quenle ou frio. C ~ - Eu os coo De Indo!
Falemos haixo! Falemos haixo! Enlato
Coslo de leilão ass;u!:J,,, De Indo!
C I - I;: chegado o momelllo, Engulo
C 2, mewl/I jôgo - De miolos comfarofa, De lllllode ludode ludo de Indode Indode tudn
C ~ - f~ che~ado II momentn De um fran~uiuh l) bemdou- S. I/1l'/lidicllll/CI/tC- Eu os sirl'o {Iaml)(:s ao rapaz De Indo de ludo de ludode lmlode ludo de ludo!
C I - De lexplorar-Ihes o senlinll'nlo [rado] !le IllH'm ~oslo! (Ptlll.\l/)
De anunriar-lhe o casamento" , B1, mesmo jdgo - Deaipo cozinhado em leite . II I - :\ mulher de qucmgosto! (Depois ele .\I/(/(/ar o l',ílJlico, o Jkgcntr' c Cllri.~las
C2 - Com umbom jantar! B2, meslllo jogo- De abichofras com azeite . ~etir;lIIl.se na ponla-dos-pés).
C 1, mclal/C/ílira - ,\0 de lJuem eu ~ostava!
B 1 - Um bomjanlar! Um bomjantar! T - De um clllllcaubr;c/IId a ponto... T, apaixonadamente - Aqnela de (Ioemgosto!. ..
B1 c II 2- Um bom jantar! Umbom jantar! 5, poética - Tres falias decéll .,. (Ligeira pausa)
Os 6 JU~n()s, 11I11ilobairinllO B1 - Como conseglle obtê·las? B1 e B i ;IInlos - Gosto, gosto, gosto!
Um lnm jantar! Umbom jantar! B2 - Como conseglle obte-Ias? Gosto, gosto, gosto! can T INA
Umbom jantar! Umhomjantar! Gosto, gosto, gosto!
(decrescendo) 5, cada fe; maispoética - Cemdois raios deestrê-
Ias... C 1 - De Irutas
UMA PAUSA C1 - Corto-as empedacinhos,.. C2- De flores
OLoa.rrnH, erguendo.se eroltando ao microfone_ C2 - ~lllilo peqlll'n illinhos... B 1- De frilas
Scher:n Vimcc! (Tornaasentar·se) B 1- E como é llue as prepara? B2- De vinhos
B 1 c Il 2, repetindo, em rilmo milito marcado. B2 - E COIIIO é cJlIe as prepara? S - De aspargos
oito re:cs as meMIIIISdilassílabas- .
Gosto, gosto, gosto, gosto, T - E como é qlle as prepara? T - De COIIl'es
Gosto, gosto, gosto, gosto, .. S - Ali grafill lião está bem? B 1 e B2- Gosto. gosto, gosto, gosto!
C 1 - Dc Il êres B1e B ~, IIlllitO IIwrtr/ado- '5túbem, '5tá bem, 'slá Gosto. gosto, gosto, gosto!
I. ACnllccflllÇtÍo-sill!llnit111 loí aprcsentnla, no Brasil, pela
B2- DI' frutas bem, 'stá bem, 'stá bem' Companhia Tôaia-Ccli-Autrau, cm I !).j.~. no Teatro Meshla, com
T - De calor
C1 - EIII fomo, em grelha (Me/eram/o até o Stoguinte elrncn: Oswaldo :\dl'a, Oswaldo Innrciro, M ari~
B1 - De Iritas 5 - De frio ~liranda, Vi~inia Valli, i\apolr-ão ~Iuuiz Freire e Adolfu Celb,
tarte/elas ) ,
B 2- De vinhos com ii direçãe dt~ic último.
C 2 - COIII sal Oll açucar B 2- De açúcar 2. JEAI( T.\I\D1EU (mm'idn cm 1903), mais velho que
S - De creme BI-De sal Ilccketl Adamol' Ceuel c lonesm já era muito nmhceido como
5 - Ao marasquino poeta a~les da 2.. Grande GlIl'ITil.'Tendo lcnlado escrever Jlt, 'aS
T - De grogues C 1 - Do vellido cm sua remoia juventllde, Tanlicu partiu para um estilu lirica-
B1 - Ah, 05 salsichões
B1c B2- mesmo;ogode cena mente poélil'O, lnseado cm MaIlanué, e tomou-se conhecido
Paios, feijões C 2- Da chita como o autor lhs melhores 1r.ldu~;,.'S dos poemas de lloenlelin,
Gosto, gosto, gosto, gosto, Depois <1, ~uem, começou experimeias com lin~ua~em, à ma-
B2- Pudins, pudins T - De lIIanga
gosto, gosto, gosto, gosto ncira de Préverl e Queneau, explormdo os limites e as possibili-
T - De grogues C 1- 05 lagostins 5 - De jaca dades do tenlro. Começou a escrever jX' ,1S experimentais cm
1947, mais 011 menos ao tempo em que Refkett, Adamov, Gene!
5 - De creme T - As costeletas B2- De abiu e luncsco davam SfIIS primeirns passos como drJma t~os, um
cnriese exemplo do Zeit~eist emação.. . Sua obra é constituída
B2- De vinhos 5 - As tarteletas B1- De abricô mais de pequenos sketches de (õlbaré do que propriamente de
B1 e B ~ ;lInlos - '5tá bem, 'stábem! peças de I ato, mas seu alcance é maior do que o de qualquer
B 1- De fritas antro autor de teatro do Absurdo, estendcndo-se do fantástico e
(Todos ;lIntos. Efeitos ad libitlllll. Crescendo e do extraordinário até ao puramente lírico, e em dircç:io à esfera
C 2 - De frutas C 1- EII 05 bato
decrescendo, parodialido cerlas conc1l1Sóes inlenni- do teatro inteiramente abstrato no qual a Iinl(lla~em perde todo
C 1 - De Ilôres
Esmago
E môo
. lIáreis da rIll\sica clássica) conteíldo conceituai e se submcr~e em música.
quer espécie e que possam prescin-
DOS JORNAIS dir de dr.unaturgo-literário-illllil'i-
dualista para forn;ar, ao contrário,
homens de teatro completos. 3) a
ampliação de um circnlo tle públi-
co alualmcnte restrito e umpúbliC{)
maioritárioformado, no com êço, por
jovens universitários e a classe mé-
Itinerário mais pol{\mieo, mais chramentn he-
dia emgeral. í~ um lento eaminho
Ii~cranle. Creio (Iue í· a sesunda
h
I -
de acesso ljue iria da experimenta-
armadilha em (lue caio. As vozes
lOHGE DIAZ cão minoritária ;i recepção maioritá-
dissidentes são perfeitamente dige-
;ia do futuro. Um verdadeiro tea-
ríveis na América Latina. A oligar.
tro popular só se pode prodnzir nu-
quia as apóia porque necessita sen-
ma sociedade recolucion ária ou em
tir-se revolucionária nas palavras.
vias de revclução. E mesmo nessas
Minha apan~'ao no panorama lava imersomedeterminon demodo Não creio ler couseguido quase na-
teatral chileno nos anos de 60 está sociedades !erá necessárioumacons-
decisivo. Hefiro-me concretamente da. No mcmento tenho a vista ene-
tante vigil;\ncia e sensibilidade para
determinada por duas circunstân- ao seguinte: começa a trabalhar, in- veada pela irritaç-:io eoressentimen-
não transformar em condução me-
cias favoráveis, pr:íprias dos países vestigar, escrever e estrear numtea- to. É esta minha única compulsão
atnal cânica o quedeve ser criação autên-
da América (10Sul !Argentina, Chile tro e;ljo público habitual é formado
tica, processo crítico, reflexão cole-
e Unlguai): I) Aexistência do cha- por uma minoria econômicamentc Numa sociedade ii beira de mu-
tiva,
mado teatro independente. Exis- forte. ~ (inha educação. minha for- danças iminentes e radicas, o tea-
tem nesses países gmpos semipro- mação inteleclual é justamentea dê- tro ainda é mantido e dirigido por
Iissionais qne funcionam em locais les. Conl'erto-me, assim. inl'oluntá- uma minoria olig,írquiea. É simples-
prÍlpriosde reduzidasdimensôcs (80 riameníe, em seu autorizado porta- mente pueril pensar que as 1'01eS
e 150 lugares) ecujas montagens são -I'OZ. Torno-me da noite para o dia dissidentes de denúncia num cená-
de eustn reduzido e de grande pa- autor da moda. A lucidez da rio (por mais violentas que sejam)
drão art~tico. Nesses peqnenoscen- situação sohrevém paulatinamente. possam ser armas eficazes para con-
tros experimentais de teatro apare- Estreio [Tn homlJTe l/amado Isla, EI seguir mudanç-as nas estruturas.
cem dramatmgos como OrvaldoDra- \Te/ero en la Botel/a, Ellllgar dOllde Contudo, é necessário sustentar e le-
gím, Carlos Corostiza, ~Iauricio Ho- Muercn Las Mamíferos, Variaôo;lcs vantar cada vez maisa voz. Porque?
sencoí, Jaime Silva. etc. 2) Ointe- Fara MllcrlosdePerClIsiÓII e EI NII- 1) Porque o teatro deve expressar
rêssecrescente do públicoemapoiar do Ciego. Silmcnte dt'IX)is de es- suaexata situação histórica e 2.) por-
.~

uma literatura dramática própria. treare dedefrontar uma e outra vez que apesar de o nôvo teatro não ser
Este público só se identifica plena- cem omesmopúblico complascente, uma arma eficaz na açâo imediata,
mente com a linl,Tuagem e as situa- dou-me conta de que meu propósito cria consciência, prepara uma mu-
çôes quando se apresentam obras de denúncia crítica é fundamental- danço: de mentalidade, forma sensi-
nacionais. mente ingênuo, porquese afoga sem- bilidades.
pre no aplauso benévolo e nas pal- Onde estará, então, a justificação
Esta dupla circunstância deter um
madas no r.mbro. Desorientado e do trabalho teatral. que direção to-
local próprio onde experimentar e
um [:ouco farto, saiodoChile. Viro mar? Penso que temos que tentar
um certo público receptivo a essa
vários anos fera do meu país e com coisas concretas: I) a marginaliza-
experimentaçâo, torna-se possivel mi-
a nora perspectil'a que consigo da ção dosistema cmpresarial-capitals.
nha aparição e consolidação como
América Latina e como contato en- ta alienante mediante a criação de
autor teatral no Chile.
riquecednr de outras problemáticas, pequcnos teatros subterrâneos, co- Oladri, Ij6/iO- Latin AIlIt'TiCllll
Devo reconhecer também que o minhas idéias se radicalizam. Co- munitários. 2) a criação de equipes Thcalre Rcriell', 4/J/iO)
contextoeconómico-social em que es- meço a escrever umteatrodiferente, de trabalho semvedetismo de qual. .....
de Peter Brook, oude as pessoa.~
são utilizadas l11111 seus cquipameu-
los naturais dl' vez e eipressâ o cor-
poral. "sem os onrcismos do tea-
tro 1II00]efllo-, diz Clltemh~r~ -
(1'1('. durante cinco ams, nn Ala-
EmBrasília, oteatropopular na praça goas, jamais perdl'u um grllpDim-
Fllftaute repl"l'sl'lItallllo autos 11e
Natal. Segulldo êlc, íôdas ' essas
oteatroea individualidadedohomem
ClIISTINA AUTlWi mau i fcstaçõI~s (fallllangos, clH-
gan~';\.~J pastoris, reisados, gUCITei- Rmr AN SZYDLOW5KI
ros, caboclinhas] nada mais são(11Ie
autos medievais trazidos pelos por-
Foi a partir de pesquisas de fol- palavras de m;ígico J e vâo se apre- tuguêses e que, com o tempo, fo-
clore e autores populares do nor- sentando uma um, em roupagens ram sofrendo adaptaçõcs, conser- Qual é o lugar do teatro no mundo de hoje? A I número daqueles que podem assistir aos espctá culcs c
deste que Luís Gutemberg. joma- m odernas, São José nada mais é vandono entanto uma estrutura co resposta condiciona muitas coisas: a natureza, o estilo. I pela impossibilidade de imitação por outros teatros, SO-
lista e menção honrosa ano passa- (Iue Jeão Openírio; N. Senhora se mum, E foi a procura dessa estru- os objetivos e as responsabilidades do teatro contempo- mente csperiências autênticas e criadoras podcm ser a
do do Prêmio Anchicta de Teatro transforma em Laurinha Dona-de- tura que motivou Gutemberg em râneo. Ao lado do teatro, vê-se desenvolver opoderoso base dêsse teatro da íntima verdade interior. Será
de S. Paulo, comsua primeira peça Casa, que ensina ao pessoal uma tôda sua pesquisa. fenômeno doteatro da televisão, num meio termo entre então posivel tomar como modêlo os princípios filosófi-
O Processo Crisjlilll - enveredou receita popular nordestina de gali- - Nos folguedos populares a dis- cinema e teatro vivo e oferecendo-se todas as noites, a I cos e estêticos de Grotowski? Somente éle pode criar
pelo caminho do teatro na praça. nha cheia (distribuída na praça lrihuiçâo dos personagens vem em milhões de espectadores. Por outro lado. rê-se o de- seu próprio teatro; sempre de nôvo, demolindo o (Iue já
O seu AI/lo da uljlinllll Mágica, através de pannetos); os reis ma- fun~~io de sua atívídade na vida co- Icnder-se e às rêzes Fassar ao ataque, o cinema, outro- construiu e renegando em cada espetá culo o que fêz
comfigurinos de :\tos Buleâo, mú- gos sãoJoaquim 19:30, velho bacha- mum: assim, orei do reisado l~ sem- ra temível concorrente doteatro e, ntuahnente, seucom- até então. Não há repeti çào, nem mesmo daquilo que
sica de Fernando Cerqueira, e re- rel emdireito, que vire discutindo pre o chefe da comunidade, o almi- panheiro ameaçatlo pela televsâo e que transpõe o li- êle próprio descobriu; nada mais que uma l)('s(luisa: não
presentado por alunos da Universi- cemAndré 1971, que é jovem, mo- rante da chegança também é o li- miar da senilidade antes de ter atingido completa ma- no cousciente, mas nas trevas de nossa personalidade.
dade de Brasília, ii moda das mam- demo, de cabeça no lugar. O ter- der; a rainha é a mulher mais bo- turidade. Gro!o\\'ski debruçou-se sôbrc tudo que há de ines-
bembadas, cm cima de um cami- ceiro rei é Manuel Político, dema- nita - é uma das condições de Gu- Como h:í centenas de milhares de anos, o teatro piorado e obscuro no homem - seus instintos, suas
nhão. E a experiência vem desper- gogo conciliaI • 1or. O fI autista se tembcr,g" consesue sair vitorioso contra todos os IJerigos.
~ c
Nas- cbsessôes, angústias metafísicas e sua nostalgia religio-
tando tamanho interêsse que até transforma empalhaço e a pastori- Além da observaçie pessoal, o cido do rito, encontra nele a sua fonte e, hoje, volta a sa. Êsse rito semcrença (GrotOldi declara-se ateu)
pensam cm filmá-la. nha numa menina de hoje. que muito oajudouemseu trabalho êle sob muitos aspectos, pode ter algum atrativo. Não pode, entretanto, ser
«A pe~';\ é um grande Happe- E o detalhe em tMa essa lrans- foram as obras do antropólogo Teo Mas que éoteatro hojeeque será êleamanhã?Uma universal. Oque resta como campo de ação ar> teatro
ning", conta Gutemberg. Começa Brandão, de Alagoas. O Auto da coisa b certa: êle é e será cada vez menos uma diver-
com um mágico, que se propõe a formação é que os personagens se Lapinha Mágica estreou dia 14, no ,- são pura. Sua função recreativa, êle já a cedeu fàcil-
normal é aparteconsciente da personalidadedo homem.
fazer um espetileulo de hipnotis- apresentam ao povo com os proble- Núeleo Bandeirante, numa promo- mente aos espet áculos de variedades, à televisão, aos Aqui, chegamos ao tema de nossas conisderações.
1110 colenvo, transportando todo o mas comuns aos tipos que represen· çâo da Fundaç-ão Cultural do DF. conjuntos pOjl, às vedetes da canç-jú nn ~eus famosos O maior prazer que o teatro pode dar ao homemde
nossa é\Jo.ca é o prazer de pensa~. E não M nenh~lIna
pessoal da praça a 1970 anos alr:ís. tam: assim, Nossa Senhora tem pro- Atéodia 21, a peça vai ser apresen.
Pede a todos que se concentrem, blemas com a falta de carne; S. tada duas vêm por noite em cada
locais: oOlympia, San Remo, Sopet, Opole, etc. Como
resultado de uma violenta reacio ao teatro recreativo. I contradíçâo entre jlensor e sentir ou essa contradiçâe
fechem os olhos eJ pronunciando as Jose com os baixos salários; o pa; cidade-satélite, numa (ltlfaç;iode 5-5 apareceu o teatro da cmeldacÍe. Nada de prazer i I é apenas aparente. Entramos na época das grandes
palavras cabalísticas sím-sala-bim, lhaço, com a falta de CIrCOS; Andrc minutos, a que os espectadores as. apenas o sofrimento. Esse teatro, que teve seu promo- descobertas. As ciências da natureza estão mais adian-
apresenta-lhes nm verdadeiro pre- 1971, com a miséria; Joaquim1930, sistem de pé e sem pagar ingresso. tor emAntonin Artaud, enceníra emJerzi Grotowskiseu I tadas que as dohomem eda sociedade. Ohomem e sua
sépio, comas figuras nadidcnais" com a juventude desnorteada. IDodia 22 emdiante. oAI/to da La· melhor realizador. Seus espeíâculos S;1O uma experiên- personalidade ficaram muitas vêzes na fase do XIX.
Oteatropode trazer uma contribuição das mais essen-
Só que os personagens dêsse Aencenação do auto utiliza su- pinha será encenado nas praças do cia sugestiva e emocionante; êles participam do grande
quadro estático tomam vida comas gestões do chamado teatro rústico, I Plano Pilôto. teatro, numa tentativa de espleraçâo e estimulaç-ão do ciais à modernização do aparêlho conceituaI do homem
subconsciente, sendo psicodrama e metafísica. Quais contemporâneo: à formação de sua persenalidade, à
são suas perspectivas de futuro, se êle as tem? Como amplificação de suas faculdades de raciocínio, de tudo
(De ]B, 28/12/íO)
/'. uma teoria - certamente sim, como uma terapia de que será indispensável hoje e ainda mais necessário
cheque, talvez; como teatro, talvez não, pelo pequeno amanhã para usar eficazmente a tecnologia modema.
Coml'U'mos pela faculdade de racioeÍllio llialí:tico.
~elll () (1~lal llã o ~ mais possíl'e! compreender o processo
interveniente no mundo moderno, suas transformnrócs
e seu mecanismo, .
Adança macabra segundo Ionesco
As mudanças (lue se operalll 110 11lI1I1l10 dccorrnn
das l'Illltradi~õl'5 llue lhe são illlwren\!'s. (~plssírrl
mostrá-las 110 tealm? Issol' lião só possivcl romonrces- JACQUES LnI ARC\lA1\D
sárin Oconflito é a essência do teatro, COIllO o é tam-
bém da dial ética, Mostrar a luta dos contrârios e sua
te,~dência ii ullidade, de onde decorrem as contradiçôes
existentes e nascem as oposiçees e os noves conflitos, É impossível não evocar, escutando }el/I de Mas- os quais a Águia de ~leallX estava profissionalmente
eis uma tarefa apaixonante para oteatrocontemporâneo. Sl/cre, última obra dramática deEugcne Ionesco, a feroz obrigadoa apelar, Olhar a morte face a face, piscando
. Dessa maneira, o teatro toma-se, 011 tem oportu- e inesquecível Dança Macabra de La Chaise-Dieu. para a Eíemidade, é um pouco trapaeear, como olhar
nidade de tcrnar-se uma escola da dial ética, Isso. COII- Digo obra dramática em vez de peça, porque }el/I de osol de frente através de vidros enfumaçados. Ioneseo
t?do, lIã~ esgota suas funções na sociedade contempo- Massacre, como o célebre alresco, se organiza em uma olha diretamente e semanteparo.
Ta?:a. Ele pode encorajar à açio, empreendendo a sequência de quadros, e tira sua grandeza terrível da Há alguma coisa de muito mais sério, Êle tem o
crítica dos aspectos negativos da rida social c indicando justaposição imediata, rápida, dos instantes (lUe a com- sensoagudo, Íntimo, daquilo que o homem inventou de
os meios de remedi á-los. põem. Tema único: amorte - a morte emsi. Oteatro, melhor para dar àmorte uma dimensão humana, arran-
• Ouíra flln~,io ~mportante do teatro contempor âneo creio, nunca nos propôs uma imagem tão nua, tã o pura, cando-a à sua frieza clínica, ao seu absurdo meclnco.
c a de formar a J1nagina~,io do homem. Escoln de isto é, tão exata da morte, Aí ela se nos apresenta des- É a ternura que une às vêzes os sêres humanos, e (Iue
pensamento, .0 teatro é tambí'm escola de ima~inação, pojada depalavrório filos6fico, de seus ourip éis rom ân- é muito mais profunda e forte que o amor c seus lam-
capaz de estimular a sensihilidade estrtica c social, de ticos e das túnicas da tragédia bem como dos horrores pejas. A ternura torna a morte "dilacerante" c êsse
recuar os limites da compreensão e da associaeáo de do realismo. Ela se mostra como é, inevit ável neces- dilaceramento é o sentimento que o homem conhece
idéias e de desenvolver a acuidade (: a receptividade sária, tranqüilamente viíoriosa, magnificamente iguala- melhor, por tê-loexperimentadodesde a mais longinqua
da mente. dom e inteiramente indiferente aos comentários (Iue ínlância Amorte que rompe, ou vai romper, uma ter-
. . Oteatro do passado era odas gralldes experi éncías sua passagem possa suscitar. Os [emais anunciamde nura, só aparece agora como um dilaceramento a mais.
VIVidas. Tal o 1':150 da trJgL-dia grega, qlle operara a tempos emtempos que, anualmente, o automóvel "risca Ela não é mais o traiçoeiro golpe que é o acidente,
catarse do espectador c o liberara. Em nosso século. do mapa da França oequivalente à população de uma mas a rolta a nm antiquíssimo e muito doloroso - e
Artaud, Crotowski c seus seguidores nos prepõon 1II~ cidade da importância de Angoulême". Isso não tem muito lamentável, é certo - hábito.
teatro de choque, um teatro cm qlle o público deve gravidade, vistoque acada quinze lustrosmais oumenos Jorge Lavelli, organizador dos jenr, conferiu-lhe a
submeter-se à fôrça hipoótica dos aíôres, ~Ias esse é JO .
a morte tira do planeta o equivalente à sua população, unidade dramática nascida da obsessão, que era neces-
um teatro que não corresponde à atitude ativa do Oque }enI deMas5tlcre nos mostra tem essa simplicida- sária ao equilíbrio de um espetáculo. Suas invenções
homem contempcrâneo, e que ser.í inaceitável para o de elementar. E essa simplicidade é emocionante, pessoais, ricas e sempre eratas, tendem a acentuar o
homem de amanhã. Oteatro nôvo deve ser um teatro Como, em teatro, é preciso apressar um pouco as que há de mais universal no discurso de Jonesco - e
de deb~te, de troca de idéias, algumas vêzes pol êmieo coisas, lonesco faz intervir uma epidemia numa cidade. isso por meios estritamente tcalrais, semceder ;\ moda,
e (~e discussão do palco com a platéia. Não podemos Isso vai mais depressa. E os micróbios ou vírus têm O admirável eenirio de Pace - êle inventa o sinistro
mais nos contentar comos problemas p'Ostos pelo teatro a facilidade de possibilitar êsse abreviamento, essa ace- alegre - tem o colorido e relêvo exigidos pela mais
de olltror~. com a catarse e os choques, Esperamos leração, que torna imediatamente sensível o que tem de bela dança macabra.
respostas as questões essenciais de nosso tempo, mesmo iusignificante uma vida humana, qualquer que seja seu
que contradigam nossas idéias. O teatro de amanhã chocalho. Arrancam-lhe logo o brinquedo. Bossuet
não poder.í omiti-las, Por isso del'er.í ser um teatro também dizia isso, e a Côrte estremecia. ~Ias isso
sensato, mais sábio que os espectadores, convincente e lonesco o diz de maneira infinitamente melhor que
apaixonado, um teatro filosófico que nos ensine a viver Bessuet, porque odiz sem eloqüência, di-lo muitas vêzes
e pensar, a compreender omandoe nele encontrar nosso rindo, e odiz sem propor nenhum dêsses recursos para (Le Figaro Liltéraire, 28/9/70)
lugar. . (D-J rev, te Théâtrc en P%gne, 617/70)
V,) ,nu)\",,) cv \lU\..."UIII III\1HV ".u ...V ll · r "'.. · ']:..... , . ...... -- - J O , ••- • • - • u •

sempre Ical, dos colegas de trabalho. Alguns cômicos custo devida, etc. - não são mais utilizadas. Otlollble
de televisão vão buscar no teatro de revistas sugestões sense, que muitos consideram pernicioso, é a grande
Quando ohumor balança mas não sai Qnem tiver paciência para assistir aos sete progra·
para quadros e até mesmo copiar integralmente as saída para se fazer rir. Menos agressivo que as nove-
mas semanais do humor produzidos pela televisão cario-
ca pede ler uma surpresa. Verá, comIJCcjucnas varia- anedotas. É acrisedetextos. \Iax Nunes exemplifica: las, que transmitem laras.e anomalias .sexuais; o hu~~r
MACKSEN LUIS çêes, os mesmos tipos, as velhas piadas e as antigas - Se alguém pegar um livro de humor, de qu~l­ doulJle sClIse tem a duraçao de uma piada. Iassa rapl-
situa~'i)('S do rádio numa repetição monótona e sem quer país, pode servir-se das piadas à vontade. Sao do, não tem nenhuma intenção c é ingênuo.
gm~'a . tôdas isuais àquelas que esrcve ou de qualquer outro.
É a piada sem riso dos quadros humoristieos, O Em u~ livro turco, existem umas 80 histórias que são
velhote, que pede desesperadamente, um aumento ao entamente iguais às clássicas piadas (~e português. (Do JH, oul./70)
Sentados numa sala cheia de poltronas velhas, 05
patrãoetem têda asemanaseu pedido negado, enquanto Sabemos muito bem que o público não quer o sorriso,
eômieas lêem, semmuito interêssc, suas partes do sCript.
a secretária - bonita e insinuante - nem precisa pedir mas sim a gargalhada. Quando uma piada não fun-
Decoram velhas piadas que minutos depois irão dizer
para conse~ui-Io, está, com pequenas variações. CJII ciona, o ator tem que apelar para os movimentos de
frente às câmaras. De há muito conhecidos a maioria
todos os canais. Os nomes mudam, os atôres são outros, corpo. Veja o exemplo de Costinha. O diretor artis-
é do rádio - os cômicos são quase os mesmos nos 20
mas a situação e a piada 5<10 as mesmas. Por que? tico da televisão é o público. A televisão não tem
anos da televisão. Repetem monotonamente os tipos
Falta de imaginaç;ie ou mau hábito do público? a função de educar. Opovo, não tendo colégios, não
que um dia já fizeram sucesso. Os redaíores de humo-
Hareldo Barbosa e ~Iax Nunes, os dois nomes mais aprende. E é lá que se ensina. A televisão apenas
rismo não têm também apreocupação deinovar. Sabem antigos do humorismo de televisão - tramferidos do diverte. Ohumor é uma das melhores coisas que exis-
que ao público a quem o humorismo da tclevisão se rádio - têmuma explicação para ersas repetições. tem na televisão. Qualquer opinião contrária- é falso
dirigequanto mais as coisas são repetidas, mais se comu- - No humorismo, não se pode inventar muito. Com intelectualismo.
nicam. Esta teoria da massificação às avessas tem dado a obrigaç'ão de escrever dois a três programas semanais, Haroldo Barbosa concorda com a opinião de Max
bons resultados. não há como deixar de repetir. Duvido que Deus tenha Nunes. Para êle a televisão reflete as condições em
Com pequenas adaptações, os programas são cópias mais bossa do que os humoristas de televisão. que vive.
do velho humorismo do rádio. Hoje, tanto quanto no Os programas lallgh-in dos Estados Unidos têm um
tempo da Rádio Nacional, O Balança Mas Não Cai é (erpo de redaíores para produzir uma série por mês.
líder absoluto do horário. l.1 estão o primo pobre, Aqui tudo é feito em pouco tempo, por [Xluca gente
as vizinhas faladeiras, asecretária insinuante eomenino ecom muito improviso. ~Ias nem por isso os americanos
inconveniente. É isto - e nada mais - que n público deixaram de nos copiar. Eles próprios reconhecem que
quer, dizem os produtores. o laugh-in foi inspirado nos programas brasileiro. TVI.
HUMOR ESTACIONADO
Agora dois elementos novos talv€Z modifiquem a rvo e Balança Masnão Cai.
estruhna do humor na televisão: a Censura e progra- Os humoristas reconhecemque são poucas as situa- Haroldo Barbosa, que, como a maioria dos reda-
mas tipo laugh-in. O Código de Censura, que entra ções que podem ser tratadas com humor pela TV. Limi- tores de humor, começou a escrever por acaso, há quase
em vigor ainda êste mês, proíbe taxativamente a apre- taçêes de íôda ordem - Censura, lbope, público servil, 30 anos, não faz outra coisa. Na rádio, criou tipos que
sentação de tipos aleijados ou com qualquer delorma- verbas - esvaziam as bases (universais) do humor. A ficaram populares. Apesar de sentir interêsse por um
çâo psíquica, de anomalias sexuais e críticas às insti- televisão está reduzida ao nonsense (aforma mais sim- humor mais elaborado, sabe que não será possível na
tuições do país. Com isto deverão acabar as histórias ples de fazer rir, o pastelão, muita açãoe (Xluco texto) televisão.
de gago~, hcmossemaís, velhos senis e tipos mulheren- ao c/ouble sense e à leve crítica de costumes. - O humor na televisão está estacionado. Não
gos. O que limitará a já reduzida galeria de tipos. - Televisão não é diálogo, é imagem. O humo- pode acompanhar a liberdade do cinema e do teatro.
A solução será a linguagemnova: piadas rápidas, cortes rismo na tdevsão deve ter muita mímica e mise-en- Em têrmos comparativos, e humorismo do rádio era
sucessivos, poucos tipos e muitas situaçctI. Chico Aní- scene. O público !lO auditório também não é impor- bem melhor. Qualquer esfôrço para mudar o estilo
sio, Renato Côrte Real e Jo Soares - Chico Anísio tante. Umprmrrama sravado em estúdio fechado tem encontra uma barreira, o público. t il' é um pouco
Especial, Faça 1lumor, Não Faça a Guerra - estão o
muito mais recursos b
cênicos do que aque'Ie preso
' a um
lento. Culturalmente estagnado, não quer nada que
adotando a nova técnica com resultados de audiência. palco de auditório. faça pensar.
É o comêço de uma nova fase para o humor, ou a Aopinião é do ator cômico Renato Aragão, que Paulo Celestino, humorista por tradição, diretor de
televisão ainda não está pronta para receber no\;dadcs? breve lançará Patrulha 6, dentro do esquema laugh-in. programas e redator, já pensa de forma diferente.
IVIVV IIVI[I~ IV I [t\ I Kt\L
JAN MICIIAlSKI: ALZIRA POWER TEATRO JOÃO CAETANO
Uma jovem companhia, o No Cl áucio Gil
Numa retrospectiva dos 10 anos
Grupo Gente, ocupa o Teatro
Claucio Gil, comuma pcçacuja '
i \1ma O
P ' 1
' d At'
llier, comer la e n o I do gmpo
-Oficina,
, •foram apresenta-
Período de outubro/novembroj<!ezembro/1970 e janciro/fevereirojmarço/1971 montagem original norte-ame- . B' di - ] \b'
1110 ivar, ireçao <e J uJilmra,
dos durante três meses nesse teatro:
Os Pequeno's Burgueses, O Rel' lIa
ricana foi aclamada, não só nos com lolanda C ardoso e Marcelo V I G1'1 G1'1 '
. I' e a e ll! eu ll! e!, em remon-
Estados Unidos, como também PICC II. . 'da por Jose' CI
tagem d'mgl eso, com
por ocasião de uma extensa
nôvo elenco: Renato Borghi, j\tlsé
TEATRO ARENA DA por Colé, Darlene Glória, Nick Ni· gida por Aurimar Rocha, interpre- viagem pela Europa, como uma
Wilker, Ester Góis, Henriqueta
cola, Marta Andersen e grande tada por Aurimar Rocha e Lílían experiência original e estímu-
GUANABARA Brieba, Tessy Calado, Brandão Fi·
elenco, Fernandes José Maria Monteiro, lante: A Serpente, de Jean
lho e outros. Temporada popular:
ViDa ADiferença! - Produção de Nelson Caruso e Regina Célia. Claude VanItaIlie. Nos Esta·
Girândola S/A - A. - Guilherme 5,00 muito prestigiada pelo público,
Silva Filho, com sua Companhia Direçãodo autor e cenário: de [oel dos Unidos, a peça foi montada TEATRO GINÁSTICO
Kohler; Dir. - Mario Príeto; intér- pelo conhecido conjunto expe·
Jovem: Eloina e "30 espetaClllares Carvalho, "Duasopções: morrer de
pretes: Manou Kroff, Edarg, Mar- rimental Open Theatre, com a
nude-Iooh", Teatro pora o povo: rir ou rir de morrer". Promessas e Promessas, comédia
tcrelli Otávio Pamseli e Alexandre direção, de Joe Chaikin (que
Colossi. 5,00, musical produzida por Vitor Berba-
estêve recentemente no Rio
Casa Grande & Senznla, adapta- ra com Jardel Filho, Rosemary,
dirigindo um bem sucedido
ção de J. C. Cavaleanti Borges da TEATRO DULCINA Ariston Andrade, Mara Rúbia, Irma
laboratório de interpretação
obra de Gilberto Freire, Dir. Luis TEATRO DE BÔLSO para jovens atêres profissio- Alvarez, Francisco Dantas, Fernan-
Mendonça. Com Léia Garcia Ra- Costinha, o Donzelo, "a comédia nais, na Escola de Teatro da do Reski, Valdir Maia e outros. TEATRO MADUREIRA
fael de Carvalho, Eni Ribeiro, Elié- Omínimo que se pode dizer, mais engraçadado ano", de E. Ro- FEFIEG), Chaikin incorporou
zer Gomes, Mercedes Batista e seu com o máximo Ue suavidade, drigues e Cestinha, com Wilma no seu trabalho as sugestões Dois Perdidos Numa Noite Su;a,
Balé. é que as comédias de Aurimar Fernandez, Andréia, Sebastião Apo- surgidas de um longo processo de Plínio Marcos, com Roberto Pi-
Rocha não constituem propria- lônio e Fininho. de improvisações de todo o rilo e Abelardo de Abreu.
mente o meu prato teatral pre- elenco, porém, assumiu peso
ferido. Mas um outro mínimo soalmente, como díretor, a res- TEATRO IPANEMA
TEATRO COPACABANA ~onsabilidade pela seleção de-
que precisa ser dito é que TEATRO GLAUCIO GIL
Escândalo em Sociedade [um finitiva das sugestões aceitas, e As Môças, de Isabel Câmara, di-
Nunca de Sabe, comédia de Rous- título algo capcioso, diga-se de pela forma final assumida pejo reção de Ivã de Albuquerque e
sino Direção de Henriette Mori- passagem) arrancou-me, apesar ASerpente, de Jean Claude Italie, espetáculo, Já o Grupo Gente interpretação de Leila Ribeiro e
neau, interpretação de: Jorge Dória, de tudo, algumas razoáveis ri- autor norte-americano de vanguarda, resolveu abolir em A Serpente Maria Teresa Medina. Essa peça
MAISON DE FRANCE
Deizi Lúcidi, Delorges Caminha, sadas, enquanto a maioria do baseado numa interpretação de epi- a figura do diretcr, e partiu
sódios bíblicos. Criação coletiva do foi substituida por um espetáculo
Suzi Arruda Moacir Deriqu ém, Lú- público presente parecia diver- para uma criação coletiva, na ADama do Camarote, direção de
Grupo Gente. Expressão corporal
Quorpo-Santo e Cercantes, cuja
cia Alves e outros. tir-se a valer. (JMichalski). qual o própriO grupo define a Amir Haddad, com Regina Rodri-
dir, por Teresa Aquino, com I1va estréia se deu em dezembro no pal-
forma definitiva da encenação. gues, substituída depois por Hilde-
Nino, lara Vitória, Gilson deMoura, co d'O TABLADO.
Segundo o autor, a peça é ape· gard Augel, Elsa Gomes, Mauro
Substituindo Escândalo, entrou em Linda Bartfield, Araci Estêves Caio nas um esqueleto. O grupo A Vida Escrachada, de Braulio
TEATRO CARLOS GOMES cartaz no mesmo teatro: Guimarães, Jupiraci Lopes, Maria poderá respeitar ou não as in- Pedroso, com músicas de Roberto Gonçalves. Sarnir de Montemor e
Cego, Surdo e Mudo, Porém Sen- Guilhermina, Viviam Trajtag, J. dicações postas no texto, pois e Erasmo Carlos, com Marilia Pêra Otacílio Coutinho.
Ninguém Segura o Mocotó, "uma sual ou as "Venturas e desventuras Antônio Acíoll, Antônio Mesquita, qualquer montagem de A Ser· e Carlos Koppa, direção de Antô- Oh! Que Belos Dias, de Beckett,
revista de undergrounã, produzida de um pecador com estôfo de santo' Marcelo Peimíe, Vera Monteiro e pente é completamente livre nio Pedro. tste espetáculo veio de direção premiada de lvã Albuquer.
por Carlos Machado, interpretada - comédia de Aurimar Rocha, dírí- Isabel Silvia Gomes. para quem a montar. São Paulo e continua seu sucesso que, cenários de Au~io Medeiros e
ainda no segundo trimestre dêste interpretação de Fernanda Mente-
(Do IcmwI tÚJ BTIIJi/) ano. negro e Sadi Cabral.
TEATRO SÉRGIO PÔRTO NEW CATACUMBA dia, espetáculorapresentadopor um
TEATRO MESBLA TEATRO JAIME COSTA I O IImI E~1 DO PRINCíPIO ..
.,.. gmpo de alunos da Escola de Tea-
AO F[~I tro da FENIEG. Direção de Már-
(Banlo de Bom Retiro, 941) Elas Dão Algo Mais, musical de Tem Piranha na Lagoa, musical
TeÚl de Aranha, comédia policial Meíra Guimarães, com Col é, Maria interpretadopor Leila Diniz, Nestor cio Sgreccia.
de Agalha Christie, produção de Nonôro Teatro doSENAC(Pom- Garibaldi, Juju, Selma Helena e Montemar, Luis Armando Queiroz, Oswaldo de Andrade, que o mo-
Os CilÍmes de Um Pedestre, de
Cloris Dalye Claudio Ferreira, com Martins Pena, dircção de Nobel pt'u Loureiro, 4.5): Vera Seta, Nonna Sueli e oulros. demo teatro brasileiro redescobriu
outros.
TeresaAmayo,Antônio Patiiio,Jorge Medeiros, pelo gmpo Teatro Erpres- O Homem do Princípio ao Fim, através dosucesso de ORei ela Ve-
CheTljues e Labanca. de ~I ilor Fernandes, remontagem la estêve emcartaz no auditóriodo
são, com Marcos Darles, Solange
baseada na direção de Fernando Conservatório Nacional de Teatro,
Hodislovich, Eunice Deniz, Eulália.
Tôrrcs, com Fernanda Montenegro, comAMorla, a última peça por êle
Faria, Cario Silva e outros.
Sér~o Brito eFábio Sabag. Nohall escrita.
do nôvo tealro - uma exposição
TEATRO NACIONAL DE
sôbre o teatro do absurdo, prepara COMÉDIA
MUSEU DE ARTE TEATRO SANTA ROSA
oespectador para a estréia do nôvo
MODERNA cartaz, Fim de /ôgo, de Beckell, Vivendo emCima da Árvore, de
Seu Tipo Inesquecível, de Eloi
TEATRO RIVAL direção de Amir Haddad. Peter Uslinov, direção e produção
Araujo, dircção de Fauzi Arap, com
AComnnidade apresenta Depois de Ziembinski, com Ziembinski, Ilo- TEATRODO BÔLSO
Teresa Raquel e Odavlas Pelli.
do Corpo, deA1mir Amorim, direção Vira Pra Ver o Que Dá, "luxno- sita Tomás Lopes, Paulo Padilha,
Hildegard Angel, Sérgio Oliveira,
"6meses deviolentosucesso emSão A Rapôsa e as Uvas, de Cuilher-
de Amir Haddad, com Mnria Esme- sa" revista, com Carvalhinho, Lur- Paulo", com Odete Iara,
ralda, Rubens Araujoe MarioJorge. des Salada, Tiririca, Sueli Pinto, Angela Vasconcelos, Reinaldo Colia me de Figueiredo. Direção de Au-
[cel de Carvalho concebeu oespaço Maria Quitéria, Jimmy Pippiolo, Braga, Valquiria Colares e Roberto rimar Rocha, com Magalhães Cra-
cénico do espetáculo e Geraldo Edon Gil eZdenka. "5 Strip-teases". Lousada. Êste cspetáculo substituiu ça, Miriam Pérsia, Aurimar Rocha;
Em Família, que teve mais de 300 Teresa Barroso, Olegário de Ho-
Tôrres fêz a ambientação sonora.
TEATRO GLÓRIA representações. landa e J. C. Santos.

O Estranho, de Edgard Rocha TEATRO POEIRA


TEATRO RUTE ESCOBAR Miranda, direção de João Beíheu-
TEATRO NÔVO ceurt, cenário efigurinosdeArlindo Aqui Oh! - "a revista do anoF,
Rodrigues, interpretação de Felipe SENHORITA JÚLIA
Despedindo-se, o O CemUério ele terto de Ser~o Pôrto e ~feira Gui·
Wagner, Ari Fontoura, Paulo Nolas- marães, dircção de Luis Adelmo,
Despedindo-se do Rio o musical Automóveu, direção de Vitor Gar- Dois novos teatros foram inaugu-
co e Vera Brahim. música de João Roberto Kelly, com:
Hair, depois de muitos mêses de cia, com Stênio Garcia, Jacqueline rados em1971.
casas cheias. Laurenee, Margarida Rei, Cecil ..... Aizita Nascimento, Rui Cavalcanli,
Thiré e outros. Héreio Machado, Sandra Brea e
"a/ração": Carlos Gil.

TEATRO DAS ARTES


TEATRO OPINL\O
(Lagoa)
TEATROSANTA ROSA TEATRO SERRADOR
Miss, .4pesar ele Tudo, Brasil, Apresentando
comédia musical de MC Machado, Numa produç-ão de Casali, Que Caiu uma Môça na Minha Sopa, TEATRO DO
título original Miss Brasil. Dircção Preguiça, autoria e direção de Ri· comédia de Terence Frisby, sucesso Senhorita Júlia, de Strindberg, CONSERVATÓRIO
de João Marcos Fuentes, música de cardo Talesnik, com Amândio, Ma· na Europa. Dircção de Fábio Sa- com Maria Fernanda, Leonardo
Ródril, com Tânia Scher, Nestor ria Helena Dias, Zilka Salaberry, bag; com Ioná Magalhães, Carlos P~ue·n~ue no Front, de Arrabal
Vilar e Beatriz Lira. Direção de
Montemar, Licia Magna, Maria Emiliano Queiroz, Artur Costa Filho Alberto, Ida Gomes, Osvaldo 100- I e Madame CaveJn, de René d'Obal-
Martim Gonçalves.
Aparecida e Haroldo de Oliveira. e Fernando José. sada e outros.
~ erglO v UlHjítJ V ~ c
NO TABLADO TEATHU MtSliLA ! 'htüUl:;lII l eu- ltU l1 l V'{V .l.IUU 1U ... .u VA .U ....

Teatro Infantil .,..J• •


doro.
OS EMBRULHOS Circo de Marionetes Malmequer, oTABLADO
de Cloris Daly e Claudio Ferreira,
combonecos de fio. TEATRO SENAC Afaroquinhas Frufru, de MC Ma·
Os embrulhos, de Maria Clara TEATRO GLAUCIO GIL
A Tartartlga c a Lebre e o Leão chado, direção da autora, pelo gru-
Machado, direçâo da autora, com
c o Ralinho, díreção deJorge Paulo. po ao TABLADO. Vitorioso êste
Marta Hosman e Hamon Pallul. O Maroquinhas Frufru, de MC Ma- Os Abacalis de D. S!wke51Jearc,
"Hacerá distribuição grátis de ba- espetáculo no Festival Infantil, pas-
texto foi publicado nos cr u. 47. chado, pclo gnlpo d'O TABLADO, de Hamilton Vaz Pereira, pela Sér-
las e revistaI" gio Brito Produções Artísticas. sou, a partir de dezembro, a ser
que conquistou o 1.0 lugar do Fes- apresentado no Teatro Glaucio Gil,
tival deTeatro Infantil da CB, pas-
com casas cheias durante três me-
sando a exibir-se no teatro oficial
TEATRO MIGUEL LEMOS ses.
após meses de sucesso no teatro da TEATRO SANTA ROSA
Gávea.
Pepito O Gato Xerife, "musical do
Um Chá Maravilhoso, de Frede-
E tipo farlJj~f, direção de Carlos
rico Francisci, com Tania Seber,
• Ao , Nobre.
QORPO-SANTO Paul Roberto, Paulo César e Para-
TEATRO IPANEMA O Totó e a Pulguinllll, de Sylvia
na.
I III FESTIVAL DE TEATRO
Paezzo e Luis C. Curi, com "gran-
A Colher Mágica ele Monsieur
INFANTIL DA GB
Qorpo-Santo & Cervantes, que reu- de elenco, mrísicas inéditas, bal-
Romeu e Julieta, de Rubem Ro-
niu 2 peças em1 ato: Hoje Sou Um, lets, cenários maravilhosos', uma Lolô, de Lucio Gentil e Helena Classificaram-se nesse Festival os
Amanhã Outro e o Retábuw elas Ma- cha Filho, direção de Sérgio Brito, Oliveira, direção de Claudiomar
superprodução do Grupo Apronto. seguintes espetáculos:
ravilhas, produção de Pedro e 110, música da Banda Antiqua, com Né- Carvalhal, pelo Crupe Cacilda Bee-
TEATRO DE BÔLSO lia Tavares, Francisco Hosanâ, Ho- Maroquinhas Frufru, de MCM -
dircção de Pedro Touron, com os ker.
mesmos no elenco e mais, Susana mero Magalliães, Nice Rissone, Ri· pimeiro lugar, prêmio no valor de
Cinderela (com samba, polca e naldo Genes, Luis Armando Quei- TEATRO OPINIÃO 2.500 cruzeiros e temporada de 3
Faini, Maria Cristina, Alcxim Nu-
maxire], autor - Claudio Gonzaga. roz, Diana Antonaz, José Steinberg meses no Teatro Glaucio Gil.
nes, Luis Armando Queiroz, Vieen-
"A imortal estória ela Cata Borra-
te Rocha e Pascoal Vilaboim Neto. e Paulo Vasconcelos. No Reino da Bic1ll1raela, de Ha- TEATRO DE ARENA O Ladrão no Parque, de Gloria
lheira no colorido Rio de 1920".
Música e bonecos de 110 e Pedro. milton Tostes, com Dinorá Marzu- Frossardí, pelo grupo Nós & Cia.
ACasa de Chocolate, de Nazi Ro- lo, Paulo Sandini, Luisa Camargo e OCoelhinho Pitoiliba, emseu 39
Trilha sonora de Cecilia Conde. Prêmio de 1.500 cruzeiros,
cha, com Wanda Cristiskaia, Ester
outros. mês de sucesso. AOnça e o Bode, de Cleber Ri-
Ferreira, Luis Carlos Valdez, VaI·
ter Soares e Lola Nagy. TEATRO GINÁSTICO Mimi, oGato Pregu~oso, de Ha- O Rapto elas Cebolinhas, do ~IC beiro Fernandes e
milton Tostes, dircção de Matosinho, Machado, direção de Luis Mendon- AColher Mágica de Mr. Lolô, de
com Hamilton Tostes, Marleninha, ça.
AU AU Sr. Ratão, de Wilma H. Oliveira e Lucio Gentil, pelo
Paulo Sandim, Dinorah ~larzulo e Pedro na Casa do Sol, de Zuleika Grupo Cacilda Becker. Êstes últi-
Harf, direção de Luiz Peduto, com
Bira de Aquino. "Cadacriança re- ~lelo, pelo Gmpo Carrorssel. mos receberam uma ajuda de custo
Wilma Hart, Luis Peduto, Clarisse
ROMANCEIRO DA cebegrátis 11m brinde do Laborató- da Divisão de Teatro da GB.
Miranda e outros.
rio Anakor.
INCONFIDÊNCIA
TEATRO NACIONAL
De Cecília Meireles foi apresen- TEATRO COPACABANA TEATRO POEIRA DE COMÉDIA
lado pelo GRUPO MOVIMENTO, TEATRO JOÃO CAETANO
no teatro do Colégio Zacarias. A Oficina de Papai Noel, pelo Cru-
João e Maria da Era Espacial, AOnça e o Bode, de Cleber Fer-
direção fo! de Roberto Frota, músi- po Carroussel, substituida depois Mogli o Menino Lôbo, adaptação
com Lígia Diniz, Tania Oliveira, nandes, com Ãngela Cunha e [or-
ca de Chíco Buarque de Holanda, pela peça premiada A Colher AI á- de Sueli Castro, pelo Grupo Car-
Célia Silber, Flávio Vila Verde, ge Candido.
Gilberto Chiarelli e Ser~o Saraceni. I gÍCll. roussel
I Lr\ I f\V II~rt\l~ II L C,IVI UCnf\ I t
J.. TEATRO CIBl

Maria Clara Machado comum, excitamento coletieo, a dispersão, o fácil c o


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dstribuiçin de balas c balões ao final do cspeí áculo.
\!uitos autores raciocinam: "as crianças ~ritaram, Jogo
a peça é boa"; outros confundem provot;lção com co-
- Em nome de uma comunieaçio teatral, ou municação.
melhor, de uma participação de criança no espctáculo, Deve haver uma revisão de conceitos no teatro
muita gente tem l'Omelido crimes contra oteatro e con- infantil atual, através de uma consciência educativa.
tra a criança, declarou Maria Clara Machado, ontem,
a OGlobo, a propósito do III Festival de Teatro Infan-
til, programado para o dia 3 de outubro no Teatro
Glaucio Gil, sob opatrocínio da Secretaria de Educaçiio.
Depois de frisar que a crianças de hoje gostam dos mes- oTeatro Gibi, teatro de bonecos
mos símbolos queencantaram gerações passadas, só que Amontagem de Romell e Julieta do Setor de Teatro Infantil da Se-
apresentados de uma forma nova e atual, MCM denun- procura, com evidentes boas inten- cretaria de Educação e Cultura da
ciou os "aventureiros que se atrevem a fazer teatro para ções, renovar e dignificar o gênero GB, realizou em mo 72 espetácuIos
crianças descenheeeadn a criança, ignorandl}-a até, além infantil; mas, infelizmente, perde em isual número de escolas do
de desconhecer as regras básicas para se fazer um bom em grande parle a chance de trans- Estad~ , abransendo
o uma plateia de
espetáculo. Oproblema do gôsto da criança em teatro formar-se numa contribuição signi- 26000 crianças.
éetemo; oteatro infantil se confunde com a pedagogia ficativa: o resultado situa-se mais Os espetáculos têm como objetivo
c com arte, mas para ser pcdagôgico precisa ter arte". perto das realizações convencionais
levar às crianças o teatro visando
Na opinião de MCM, os mitos infantis de hOje são do gênero (embora, sem dúvida, a aprimorar o senso estético, est.i.
os mesmos da infância dos seus pais, apesar da aventura bem acima do nível médio) do que mular a fantasia, inclusive por meio
no cosmo, da novela e dos filmes de ficção cientifica. das raras encenações verdadeira- tle variedades técnicas, estudar rea-
mente inspiradas, como as da ini-
- É engano pensar que se deve acabar com fadas, Rubem Rocha·Filho qualável Maria Clara Machado.
çôes da platéia infantil.
fantasmas e assombrações para dar às crianças apenas O Setor de Teatro Infantil da
coisas pra frente. Os símbolos são etemos e a criança O texto é bastante hábil, para
provar que é perfeitamente possível Secretaria de Educação desenvolve
deseja apenas que o autor modernn mude a fonna de suas atividades através do Teatro
apresentação dêsses símbolos. Até a inflexão nos diá- fazer uma peça infantil vagamente
inspirada em Romeu e Julieta de Gibi, que apresenta textos originais,
logos dos personagens deve ter o toque da atualidade, Partimos da idéia de que a criança precisa em pri- escritos, montados e interpretados
de como se fala hoje, de como elas vêem os pais, os Shakespeare. Muito vagamente, bem
meiro lugar gostar do teatro, sentir gôsto em participar entendido: quanto menos rígida- pelo próprio Setor. Através do
conhecidos e os coleguinhas falarem. do espetáculo e prestar atenção ao que diz o atar. Teatro de Demonstração, especffica-
mente o autor se atém à tragédia
Segundo MCM, os temas de comunicação, partici- Então, devemos dar um outro sentido ao teatro infan- mente para as dirigentes de Biblio-
shakespeariana, mais convincente é
pação e provocaç-ão devem ser discutidos. Em geraL til. Odivertimento complementa um texto sério, uma tecas, oSetor faz a triagem de gru.
o resultado. Felizmente, RRF pa-
oque se vê no teatro infantil, hoje, são espetáculos p0- produção bem cuidada e um elenco selecionado. Per- pos profissionais candidatos à pe-
bres onde os aíôres apenas defendem o eachê, sem se rece ter ompreeadido esta óbvia
que a criança não quer mais ser enganada com fadas verdade, pois sua peeinha toma em- netração nas escolas e promove a
empenharem realmente nos papéis que representam. e coelhinhos que a ela nada mais dizem. E a televisão ida de crianças a bons espetáculos.
prestados de Shakespeare apenas
Os críticos não vão ver os espetáculos e os pais nem mostra-lhe a imagem da violência nos desenhos anima- Em cada escola há dirigentes de
têm coragem de entrar no teatro, deixam os filhos na
alguns elementos básicos perfeita-
dos, ou então - o que é pior - as deturpadoras tele- mente ao alcance da sensibilidade Biblioteca encarregadas de desen-
porta. Otipo de teatro que se faz geralmente para as novelas que têm um índice enorme de audiência volver atividades de teatro com
infantil: o namôro de um casal de
crianças tende a desenvolver a vulgaridade, o lugar. infantil. crianças, por meio de jogos dramá-
adolescentes, contrariado pelo con-

í flito entre as duas famílias. ticos.


Oitavo Prêmio Moliere MELHORESDE ImO
EM SÃO PAULO
Foram distribuídas 1,Ielll'ões ao
Circo do Povo, pela popul;ri7A 1çiio
J..
;
FESTIVAIS DE TEATRO
do teatro, ao Teatro daCidade (Sto.
André ), à Escola de Arte Dramáti-
ca c ao Studio São Pedro (pela
Prêmio dI' ~Ielhor Autor: bbd criação de uma companhia experi-
Câmarn, pda (le'i<l As Mdçlls. melital ).
Prêmio de ~Il'lhor Dirrtor: Ivã
AI!JlI(lucfllue, pl'!o seu tralnlho de ~Jellll)r espetáculo: O Interro/!/,- para justificar a promeçâo ,.II' I Piga, Ped~o de la Barra c.Victor
direçâo dI' O Arquite/o e 11 i mlJe- trírio, de Peter Weiss. FESTIVAL NACIONAL DE
PCM, e deveriam inclnsive de- Jara (ChJ!e); Fernando ,Côrtes e
raelor ,elll Assíria. ~Ielhor diretor: Celso NI!I!e5 TEATRO DE ESTUDANTES terminar a fonna que o Festi- Carlos Cassols (Pem), alem de re-
Prêmio de Mcihor Atriz: ~laria (Um,Dois, Trc1s..., O Albeí~lle, A (Aldeia de Arcozelo) vaI poderá assumir nas suas fu- presenta~tes argenti~os, Augusto
Fernanda, emO Babo. Longa Noi/e ele Cril/!II, o In/criO- turas edições. Boal fara palestras .sôbre o t~atro
Prêmio de ~l elhor Ator: José gatório e As Bacantes). Realizou-se em Arcozelo o maior brasileiro e o seu SIStema COrlnga.
Wilker, cm() Arqlliteto... Melhor ator: José Wilker (O Ar· festival de teatro amador, com a Outros espetáculos que participa-
Prêmio de Melhor Ccnúgrafo: quiello.. .) p~rticipação de dezenas de gmpas, rão do Festival: ~ão: LII Remolien-
Joe! de Carvalho, pelo seu trabalho Melhor atriz: Berta Zemcl (A tendo sido apresentado 34 espe- da, pelo Teatro Universitário do
emFim eleJôgo, ADalila elo Cllllla- Vinda do Me.ssias.... táculos provenientes de diversos FESTIVAL LATINO Chile. La Chica Está Fermen/ando,
rote e outras peças. Estados. pelo Crupe Histríon (Peru). Cada
Na categoria especial: Cecília
Melhor Autor: t esar Vieira (O AMERICANODE TEATRO arupo exibir-se-á durante uma sema-
Cende, por lima série de trahalhns.
ECllngelllO Segundo 7..ebedel/)
SIMPÓSIO NACIONAL DE " '
na e, paralelamente, desenrola-se a
~ Ielh or llJadjul'ante masculino -
o maior ínterêsse do Festi- oTeatro de Arena de São Paulo P Exposição Internacional de Tea-
E~SINO TEATRAL val Nacional de Teatro l!e
Zanone Ferrite (As Alegres COllla- estreoucmBucnosAires, inauguran- tro - ExposhclV, de 17/12flO a
I elres, () Interrogatório) Estudantes, que Pascoal Carlos do o LUFestival Latino-Americano 17/1(71.
~l elhor
coadjuvante feminino - o I Simpúsio Nacional do Ensi- }lagno promove desta vez no de Teatro, que se realiza no Tea-
1:0 e da Profissão Teatral realizou- ideal quadro da Aldeia de Ar- tro da 1,3 Rural, emPalermo, bair-
Ana Maria Dias (ÁlbullI de Famí-
o [nri do Premio ~Ioliiorc reco- lia e Mar/a de Ta/) se na Guanabara e foi presidido cozelo, reside sem sombra de ro elegante na capital argentina. O
(Henrique Oseu]
nhece quI' o tcatm mais vigoroso C pdo professor Alberto Meireles, rei- dúvida no contato díreto de Arena apresenta ArenaConta Zum-
interessante atualmcnle exislcille no ~! elhor Cenógrafo: Bassmo Va- centenas de jovens que, nas
íor da FEFIEG. A criação de cur- M, de Guamieri e Augusto Boa!.
Hio é o chamado teatro jovem, lIuC earini Neto (Memórias de um Sa f- so de alor emnível superior, indu- mais variadas regiões do país,
gel/lo... ) commúsica de Edu Lôbo, numa en-
trabalha e peslJlIi~a dentro de um são do ensino de teatro nos cursos se dedicam à causa comum do « naçâo de Augusto Boal e tendo
espírito de pennanoue renova~io ~Ielhor figurinista: José de An- Fimário e médio s-jo al~nmas das teatro. E preciso ter passado no elenco: Lima Duarte, Ant~nio
de valores e dos meios expressivos chiela (Zcbedeu) reirindi ca~'Ões apresentadas neste pelo meDOS um dia na Aldeia Pedro, Bibi Vogel, ~larcos Baird,
da arte dramática. E mais uma ~Ielhor tndu çâe: Luis de Lima Simpósio. para sentir a avidez ccrn a qual Germano Batista, Cecilia Tbnam,
vez o TEATHO IPANE~IA afirma- (O Preço) Odiretor da Escola de Teatro da êsses jovens, e muito especial- Denise Fallotico, Celso Frateschi e VII FESTIVAL REGIONAL
se como o principal centro (on As revelaçées do ano foram: Ti- GR, professor José Maria Bezerra mente aqueles vindos dos cen- Toninho, além do "iolinista Romá-
pelo menos um dos principais cen- mochenco Wehbi (A Vinda do MES- de Paiva, fêz um retrospecto de en- tros mais afastados do eixo Rio- rio José edo baterista Wilpliam Ca-
São Paulo, proeuram íníonnar- O Teatro da MABE recebeu o
tros ) onde êsse espírito reuovatlor sias), Dionísio Amadi, COl1l0 dire- sino teatral nos últimos cem anos, ran. prêmio de melhor espetáeulo no
está sendo cultivado com particular ter (O Barbeiro de Secilha); Paulo pedindo definição para os segd!l- se e trocar idéias com os seus
competência, dos seis profissionais Hesse, atar (Pena que ela seja, wlegas mais experientes. .\ Além de participar, como repre- VII Festival Regional de Teatro
tes temas: criação do curso de alor sentante do Brasil, no Congresso de Amador, promovido pela ATA, com
premiados, quatro írabalharam em Fim de Jornadae Macbe/ch) ; Regi- em nível superior, curso de teatrn falta deaeesso a fontes penna-
1970 na companhia dirigida por Ivã na Braga, como atriz (A Cantora nente de informação e a falta Direteres Latino-Americanos, que a peça ASagrada Família, de Cri-
no primário e médio, concessão de se realizará na capital argentina e soli e Tito Lemos. Em segundo lu-
de Albuquerque e Rubens Correia. Careca e Interrogatório); Luis P3r- vantagens iguais a êsses cursos. de intercâmbio tão necessário
ao progresso da vida teatral, ao qual estarão presentes Ataualpa ' gar, colocou-se o grupo Clã Pes-
reiras, figurinista (O Barbeiro); Outro tema tratado no Simpósio foi
que se revelam tão nitidamen- dei Cioppo, Pacco Larreta (Uru- quisa, de Marechal Hermes, com a
Klaus Viana e àlarika Gidali, como a regulamentação da profissão de
te DCS!e enccntre; bastariam guai), Engênio Dittbem, Domingo peça Antígona, de Sófocles.
(Do }8, jan.nO) coreógrafos. ator.
SEMINÁRIO NA ESCOLA DE TEATRO J.

Textos à disposição dos leitores na Secretaria d'O TABLADO

Anômmo O Pastelão e a Torta :?'3


Duas Farsas Tabarínicas 2.5
O Jôgo de Adão :.. ..... .. .. 37
Albee Edward AHistória do Zoológico 40
of'.. Araujo Hilton Vamos Festejar o Natal .. .... .... .. ..... .... ... 17
Arrabal Piquenique no Front 36
Azevedo Artur Uma Consulta .. ... .. .. .. .. .. .. ... .. ... .. .. .. 2.5
Barr &Stevens O\Iêço Bom e Obediente (nô) 28
Seminário livre de dramaturgia Brecht Berthold Aquêle que Diz Sim 41
Cervantes ACOI'a de Salamanca 38
Chancerel Lcon Jêgo de S. Nicolau 26
Antígona (adaptação) 31
ChecovAnton O Urso 29
Nosegundo semestre de 1970, realizou-se na EsCG-
O Pedido de Casamento 38
la deTeatro da FEFIEC, a título experimental, umSe-
OJubileu 4ü
minário Livre de Dramahugia, desvinculado das ati-
vidades curriculares da Estola c, portanto, aberto a Drummond de Andrnde OCaso do Vestido .. .. ... ... ....... .. ... .. .... 39
Cheldercde Michel Os Cegos ~4
quaisquer autores, profissionais ou não. O resultado
LabicheEugene A Gramática 47
dêsse trabalho de gmpo foi considerado amplamente
Lins Otávio Natal Segundo S. Lucas 14
estimulante, e a Escola resolveu mantê-Io a título per-
Macedo J. Manuel O Nêvo Otelo 43
manente.
Machado Maria Clara OBoi e o Burro 32

í
Orientado, agora, por Bárbaro Heliodora, Henrique
As Interferências 36
Oscar, Maria do Socorro Fonscca de Oliveira e por Jan
Os Embrulhos 47
MichaIski, oSeminário consistirá de um ciclo de deba-
Machadode Assis Antes da Missa ..;.. .. .. .. .... .. .. .. .. .. .. .. .. 38
tes, durante o qual as obras inscritas serão sucessiva e
~farlins Pena As Desgraças de Uma Criança 4~
exaustivamente analisadas pelo grupo, que procurará Sumidagawa (nô) ·12
avaliar as possibilidades de funciouamento cênico dos Motomasa Juro
Onna Suminuri ADama \fascamda 42
textos,sugerir possíveis caminhos de elaboraçâo, eorien-
Corpo-Santo Eu Sou a Vida 4.5
tar os autores em todos os aspectos do seu trabalho.
Sófocles (Chancerel) Antígona 31
Na medida do possive~ cada peça será posteriormente
Suassuna Teríuras de Um Coração -t4
reapresentada ao grupo, para estudo das modificações
Tagore OCarteiro do Rei 3.~
introduzidas pelo autor. Em virtude do pequeno nú-
Vicente Gil Os \Iistérios da Virgem 20
mero de vagas no grupo, no interêsse do próprio Semi-
Todo Mundo e Ninguém 31
nário, as peças inscritas serão submetidas a uma sele-
Yeals OÚnico Ciúme de Emer 13
ção prévia, antes do início dos trabalhos.
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... . ..... ).,. ' 0~ ...."' : . .-- .' . :- ~

'~J1ivros àvenda na secretaria d'ü TABLADO


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• ~ .:. ." I " • •, ... . ,' ;&
I .. , \

Ant~ona, de Sófocles 4,00 Livros de autoria de Maria Clara Machado: .., .


Assim na Terra Como no Crn, de Fritz Ilnch- C<lValinho Aznl (conto) . I~oo
walder 6,00 Como Fazer Teatrinho de Bonecos .. I~oo
Chapéu de Seho, de Francisco Pereira da Silva 5,00
Vol. contendo: A Menina e o Vento, Maroqui-
Édipo Bei, Sófocles 5,00
nhas, AGala Borralhcira e Maria Minhoca . 10,00
Está Lá Fora Um Inspetor, de JB Priestlcy 5,00
Joana D'áre, de Claudel 5,00 Fluft, o Fantasminha, o Rapto, Chapêuzinho
Lisbela e o Prisioneiro, de Osman Lins 5:CO Vermelho e oBoi e oBurro . 10,00
OLivro de Cristóvão Colombo, de Claudel .,.. 5,00 Cavalinho Aznl, O Embarque de Noé, A Volta ; .
De Uma Noite de Festa, de Joaqnim Cardezo . 5,00 de Camaleão, Camaleão na Lua . 10,00
OPagador de Promessas, de Dias Gomcs 5,00 Cem Jogos Dramáticos .. 10,00
APena e a Lei, de A. Snassuna 5,00
Estão também à venda n'O TABLADO:
OTeatro e Seu Espaço, de Peter Brook 13,00

8,00 I ~~~~~~O:n~~ ~~~~~~,..~~~.er~.~~~~~.:::


Pinto Calçudo Descobre o Brasil, de Virginia 5:00
Valli 20,00

, ,

I:

O pagamento de qualquer pedido poderá ser


feito mediante cheque visado, em nome de
Eddy Rezende Nunes, pagável no Rio de Ja- impresSo por
GRÁFICA EDITôRA DO uno
neiro GB.
1 ... J!i~ ~ Janeiro, GB