Você está na página 1de 26

ECA - USP

Btbllote ca TEATRO POPULAR


EESTÉTICA

ANDRÉ VElNSTEIN

"Estético" não se confunde com "artístico", como


secrê muitas vezes. Por estética énecessário entender O--
estudo dos fatos de ordem artística. Falar de Teatro
Popular eEstética não se limita, assim, aexpor conceitos
artísticos próprios ao teatro popular ou concepçõessobre
o estilo próprio às manifestações do teatro popular. A
estética se interessa diretamentepor essas duasordens de
fatos, mas também por todos os outros fatos relativos ao
teatro popular, quer seja de ordem histórica, psicoló~ca ,
socioló~ca ou económica assim como aos problemas e
controvérsias que lhe são próprias1. Eem primeiro lugar,
cabe àestética observar, a partir dosanos 1950-1955, o
impetuoso movimento em favor do teatro popular, movi-
mento que continua ainda hoje.
Esse movimento se caracteriza:
• pela criação de teatros edegrupos epela produ.
ção de espetáculos;
• porum certo repertórioeum certo estilo;
• por publicações (livrose revistas) de textos de
doutrina, decríticas sobre oprocessodaprodu-
ção teatral corrente, de coleções de livros con-
sagrados ao repertório, de reflexões de homens
deteatro;
• pela criação de associações ou pelas atividades
de associações criadas, precisamente, junlo aos
teatros populares;
• pela criação de condições favoráveis ao desen-
volvimento do teatro popular, resultantedo inte-
resse cada vezmaior dado aos lazeres namaioria
dos países;
• pelas primeiras disposições positivas dessa polí-
tica, compreendendo a construção de edifícios
TEATRO POPULAR·2 de destinação cultural, edifícios cujo centro é
oteatro;
próprias, uma série de posições ede oposições que cons- ~ão deve ser excluido do teatro. Notemos, entretanto,
• no curso dos dez últimos anos, observam-se, wn Schiller, Strehler, Peter Brook, quanto aos direto-
tituem a fonte direta de problemas de interesse estético que nenhum m IOOtivOS nos atém, como se poderia
ainda, entre os partidários do teatro popular res. Mas Brecht e o Berliner Ensemble continuam sendo que convém analisar agora.
divergências (quer se trate de idéias ou de rea- as fontes essenciais. supor, àteoria de arte pela arte. Oteatro tem um conteú-
Iizações); do forte (intrigas, temas, idéias, pensamentos, situações,
Por outro lado, oTNP estabeleceu e experimentou 1. Antes de tudo, partidários ou representantes personagens) se ocompararmos à música, ou à pintura,
• aestética observa, ainda, reações suscitadas por todo um conjunto de medidas de pesquisa, de conqaista do teatro popular atnlJUem ao teatro uma missão. Tal por exemplo. Fora de algumas concepções ~oladas, como
suas produções e suas concepções e, indireta· do público. pretensão se choca frontalmente com um primeiro grupo as do teatro abstrato, o teatro não é um exercício pura-
mente, a existência de manifestações e de pes- Emprega alguns autores cuja reputação ultrapassa de oposições: essas oposições se manifestam por opiniões mente formal, a obra teatral nunca é forma pura.
quisas diferentes ou opostas; largamente o quadro da empresa, assim como pintores bem conhecidas: "a única missão do teatro é ser ele _Se se examinam os diferentes tipos de missões aüi-
• há ainda a considerar as questões práticas que, de valor. Esse esforço foi coroado pelo que se conven· próprio". "Oartista não tem que se submeter aqualquer buidas ao teatro pelos partidários do teatro popular,
nas próprias realizações e pelo seu progresso, o cionou chamar de grande sucesso de público; mas esse diretiva, a nenhuma palavra de ordem". "Toda criação aborda-se um terceiro grupo de oposições que resultam
teatro popular impõe aos seus partidários. sucesso está singularmente comprometido pelo fato de artística supõe uma totaI h1Jerdade no interior de uma de fato das próprias variações e que reI'elam as diferen-
Recolocados na conjuntura histórica, esses diferentes que esse público, em sua grande maioria, não pode ser redede constrangimentos que estão exclusivamente liga- tes concepções entre si.
fatos conferem ao teatro popular as características de um considerado como um público popular. dos à obra e à arte aos quais ela pertence". Charles Se d
Outros teatros populares são criados na periferia
DIIu in, que por sua carreira e sua ação, surge como um . _ gun ouma primeira concepção, oteatro teria por
verdadeiro acontecimento. dos pl'one'Iros do teatro popuIar na França, escreveu: mssao 'apresentar meios, fatos, acontecimentos tais quais
Retomemos o exame desses fatos tendo em conta de P~, ao mesmo tempo que se intensifica uma ação com aunica finalidade de operar no público uma tomada
seu encadeiamento cronoló~co . Tomemos, por exemplo, cultural cujos centros dramáticos nacionais e as casas "deixemos de lado as peças ditas de propaganda que de consciência. Oteatro documentário de um Peter \Veiss,
de cultura constituem os principais focos. cheiram àlição de coisas esão grosseiramente iQUais aela
a França. Em linhas gerais e com uma aproximação - o , o teatro realista de um \Vesker se ligam de certa forma
variável, oencadeamento éo mesmo para outros nuae- Esses fatos, quase constantes, nos países da ~uropa ingênuas: essas peças dão as costas à arte... " Tais às concepções de André Antoine no Teatro Livre. Coa-
opiniões estão profundamente arraigadas em nuaercsos f
rosas países. ocidental, não diferem quase daqueles que caracte~m o orme uma segunda concepção, o teatro teria por missão
oconjunto das manifestações próprias à Europa onental. artistas, críticos e teóricos. Elas se baseiam em impor· oprogresso cultural e social. É nesta perspectiva que se
Quase simultaneamente: publicação de uma revista lantes -trabalhos de estetas e de psicólogos da -arte pode situar um Fmnin Gémier, quando ele considera
(Théâtre Populaire) efundação de um teatro: oTeatro Observa·se, na maioria dos países do leste uma grande moderna
Nacional Popular que se instala numa sala de 3.000 atenção do público para com o teatro, mas um fr~~sso que oteatro deve se tornar uma festa cujo objeto é"exal.
quanto à participação realmente popular ,d~se pubh~o. Um segundo grupo de oposições resulta, indreta- tar a vida do povo".
lugares, o Palas de Chaillot. Seu animador, Jean Vilar,
havia criado alguns anos antes um festival ao ar livre, Durante os cinco últimos anos, o repertono e o estilo mente, de certas funções atribuídas ao teatro: "Cada fato _ escreve Gémier _ será como um
o Festival de Avinhão. da maioria das manifestações teatrais que se desenrola· • uma indústria; dos atos de uma imensa peça que exaltará a vida do
ram nos países Como a Hungria, a Polônia, a Checos· • um jogo; povo e que será representada pelo próprio povo", A
Ogrupo editor da revista TP é composto de jovens lováquia eaIugoslávia, marcam um abandono do repsr-
universitários e críticos progressistas. • um divertimento; mesma opinião é de Jacques Copeau quando ele se opõe
tório brecntiano e um apelo generalizado a um repsr- a um "teatro de classe e de reivindicações", "umteatro
Hárelações, não liames orgânicos, entre esse grupo tório de divertimento tomado principalmente dos teatros • um meio de ilusão e de evasão; de união e de regenerações". Essas opiniões inspirarão
editor e o TNP. Esse grupo até marcará, rapidamente, in~eses, franceses, italianos e americanos. Ao mesmo • um instrumento de pesquisa artistica para poe- aindaumCharles Dullin ou um Jean-Louis Barrault.
suas distâncias em relação ao teatro. tempo, alguns desses países. AChecoslováq?ia e a Po~ô­ tas, pintores, músicos, diretores; Mais prema, UlDa terceira concepção faz do teatro
Profundamente influenciado pela doutrina e oteatro nia, principalmente, se entregam a psqusas propna· • um meio dereunião, de união, de troca em que um serviço público que tem por missão o progresso
de Brecht, esse grupo tenta provocar uma ruptura radio mente artísticas que estão entre as mais ori~nais . Um a política pode, ocasionalmente, intervir como cultural e social. Jean Vdar sustentará freqüenlemente
cal com a produção do teatro contemporâneo (repertó- centro de pesquisas como o Instituto Cenográfico de tese mas não como fim. essa opinião.
rio, estilo, modo de exploração, sistema de subve~ção), Praga, um cenógrafo como Svoboda, um ani~ador c?~o
quer se trate do teatro com preocupação comerCIal ou Grotowskí constituem um exemplo dos mais notavelS Esta última _opinião se encontra em Jean-Louis Uma quarta concepção atribui ao teatro uma missão
do teatro com pretensão artística; quer se trate do teatro dessa tendência. Hoje, ainda quanto à França, o desen· Barraelt, que concorda com Louis Jouvet quando este de ação política revolucionária: um Meyerhold, durante
de Boulevard, do teatro abstrato, do teatro do absurdo, volvimento do teatro popular passa por grave crise, cujas escreve: "Nomomento em que, entre as nações, se abrem os primeiros anos seguintes à revolução rnssa, um Pisca-
dos festivais de tendência folclórica ou turística; quer causas são complexas, mas a principal está no fracasso discussões e disputas fecundas em antagonismo e em tor na Alemanha, um Léon Schiller, na Polónia susten.
se trate de certas formas de teatro popular de inspiração do desenvolvimento desse teatro quanto ao público popu- dissentimentos, é-ms necessário procurar definir o uso tarão esta mesma opinião.
confessional ou burguesa. lar. Anoção de busca do não-público obseda os jovens e o futuro do teatro, buscar propagar e desenvolver a Segundo uma quinta concepção, que se acha formu-
animadores após os acontecimentos de maio e junho. arte dramática". "Oteatro - acha ainda Jouvet - deve I' lada por Romain Rolland desde 1889, reaparecem alter-
Anoção de um teatro politico, de inspiração mar-
xista, toma um lugar cada vez maior no interior da
noção de teatro popular ao mesmo tempo que alguns
nomes de autores ede diretores se juntam ao de Brecht:
O"acontecimento teatro popular" nos planos aríls-
tico, socioló~co, psicoló~co, social, político eeconómico,
contém, no momento de seu aparecimento e de sua evo-
permanecer como uma oferta, uma troca de amizade e de
amor entre os hom~ns':. P.ondo de p~rte o primei~o, que
faz do teatro uma mdustna, esses diferentes motivos de
I nativamente a concepção de um teatro, reflexo da vida
social, e ade um teatro de ação revolucionária. RO,main
Rolland escreve de fato: "o teatro do povo não e um
2 lução, ao lado das realizações e das idéias que lhe são oposição se ligam àquele segundo o qual o caráter de artigo da moda e um jogo de diletante, é a expressão
Adamov, Gatli, Peter \Veiss... quanto aos autores.

- -- - - - ---- - - -
-l _
......._iiiiiiliiiílillliliiililillllll_iiiiiiiiõõõ~===::=:_
___=__------ -._ - - -- --- -
teatro. Os mais adiantados entre eles concordam em sub- lidade. Que a presença de um graude auditório incita o
imperiosa de uma nova sociedade, sua voz e seu pensa- cidade (local de trabalho ou local de habitação); meios meter o espetáculo a um estilo realista e adaptar, con- autor eseus intérpretes a provocar um efeito de identi-
mento; eé, pela força das coisas, nas horas de crise, sua de acesso; preço dos ingressos; horários (depois do tra- forme Piscator e Brecht, o famoso processo de Jisrau- ficação, de comnnhão ou, ao contrário, de recuo, de ds-
máquina de guerra contra uma sociedade caduca evelha". balho ou depois do jautar); concurso dos Comitês de ciamento. tauciamento, oproblema não émenor, convencer omaior
empresa, das associações de espectadores; repartição dos Essa volta ao realismo pode parecer surpreendente. número: donde a necessidade, como autidoto ao arti-
Pelas duas primeiras concepções, o tealro é tomada
pontos de venda de bilhetes ou de locação; informação Após os graudes reformadores do teatro moderno: Appia, fício,de introduzir dados brutos que rnvam de argumentos
de consciência, acompanhaudo e acentuaudo a evolução
do público, propagauda; conferência nos locais de traba- Gordon Craig, Copeau, muitos poderiam pensar que o de convicção.
da sociedade. Seu próprio progresso é ln1>utário da evo-
lho, nas feiras, nas escolas; publicação de prospectos e realismo estava excluído do teatro, definitivamente. Essa No teatro politico de hoje, como no teatro reli~oso
lução da sociedade; na terceira concepção, oteatro con-
periódicos; instituição de correspondentes locais; arqui- volta pode levar, em estética, areflexões muito especiais, do passado, oreal eofictício estão necessariamente jus-
tribui para provocar, para desencadear a evolução e a
tetura das salas (teatro num circo, teatros de cena aberta exclusivamente válidas para oteatro ede que lhes apre- tapostos ou misturados, em relações complexas que seria
revolução. em oposição às salas à italiaua); número de lugares sento alguns elementos. do maior interesse definir. Além disso, acompreensão da
(menos de 500 para alguns, de 1.500 a 3.000 para obra exige, amaioria das vezes, que se informe olugar, a
2. Segunda observação: os partidários do teatro Haverá, com efeito, fora do fenômeno histórico de-
outros); cuidados na acolhida do público; comodidades situação, o momento, qualidades, classe social dos per-
popular estão muito preocupados com os beneficiários nominado realismo - concepção e estilo - correspon-
dadas aos espectadores (restaurantes, guarda-de-objetos); sonagens através de pormenores do cenário, da ilumina-
dessa missão, isto é o público e a composição social dente a um período determinado da história do teatro,
caráter dado ao quadro (festas ou ambiente de trabalho); ção, das roupas e dos acessórios. Afastado do realismo,
desse público. uma contribuição constante do real, não de modelos, mas
repertório; grupos anânimos ou apelos ocasionais às vede- entretanto, Appia não excluía tais sinais imediata e·c1a-
Eles constatam que, desde o início do século 20, de elementos em estado bruto, ou relativamente pouco
tes; auimação cultural de ambiente (exposições, confe- ramente perceptiveis. Ehá mais: numerosos autores - à
opúblico de teatro éfornecido por elementos burgueses elaborados de acordo com aprópria natureza do ato dra-
rências, audições musicais). frente dos quais encontramos Hugo Gouhier - acham
e intelectuais da sociedade; que um imenso público, o mático ecom os efeitos próprios aesse ato?
As opo~ções rapidamente anotadas de passagem I que énas qualidades irredutíveis dessa realidade da pre-
dos operários e pequenos empregados ignoram o teatro; II Sob o titulo de efeito procurado, caberia reunir as
(principalmente aconcernente às dimensões, àarquitetura sença humana do ator em cena que reside a essência
que éesse público novo que convém conquistar. Aoposi- das salas) resultam de opiniões que, mais un1nez,per~
, .. .. respostas aumaenquête, feita sobre omodeln da de Binet
verdadeira do teatro.
ção a essa opinião é raramente formulada de maneira I e Passy, relativa à psicolo~a do autor dramático. A
tencem todas aos partidários do teatro popular. I Oteatro não tem que se submeter aum estilo único:
expressa. Ela aparece, entretanto, em certos partidários i que preocupações psicoló~cas respondiam os autores eos
Um segundo grupo de questões é concernente ao intérpretes realistas do passado e respondem os autores o realismo. Mas qualquer que seja seu estilo, as obras
do teatro idealista de cerca de 1910. Para eles, o teatro
espírito que auima os partidários do teatro popular, o e intérpretes realistas de hoje? É estranho que se deixe teatrais não podem escapar inteiramente do realismo,
éoprolongamento da poesia. Eles taxam oteatro popu-
estilo eos processos empregados ou preconizados por eles. às vezes de interrogar os primeiros interessados. Que eisto tem menos aver com amissão que lhe éconfiada
lar do século 19 edo início do século 20 de arte inferior
Duas tendências se manifestam quaudo se trata do efeitos autores eintérpretes terão desejado produzir, que do que com sua própria natureza.
devido ao fato de que ele se manifesta e concretiza por
meios materiais de apresentação destinados a agradar espírito. &quematizações: para uns (Gémier, DuIlin,Bar- efeitos psicoló~cos? Oprocesso de distanciamento, considerado do ponto
ao "vuIgar". rault, VIlar) o espetáculo é uma festa Para os outros Ocaráter direto, brutal, a ressonância física que se de vista da estética, provoca numerosas observações:
Essa opo~ção aparece ainda implicitamente pela (Piscator, Brecht, Peter \Veiss) é, antes de tudo, um sis- concorda em atribuir ao efeito dramático, não encontra Seu uso espontâneo em diferentes artes émuito nsis
própria atitude que certos países adotaram em relação tema de informações, um ersino. Para os primeiros o uma ocasião privile~ada para se manifestar numa répli- geral do que parece.Começaram aaparecer estudos sérios
ao teatro, a politica fiscal adotada, que faz dele um teatro permanece como uma arte e todos os estilos e ca cujos termos, estilo, tom, num objeto cujo aspecto especialmente relativos à psicolo~a do comdiaute e às
comércio de luxo. processos artísticos são possíveis - com 3 conuição de poderia parecer provir diretamente do autigo teatro natu- artes plásticas.
permanecer nos limites no interior dos quais idéias e ralista? Antes de sorrir, pensou-se no efeito, no valor emo- Avelha teoria estética oposta, dita do Ein/iihlung,
Ela aparece, por fim, implicitamente, em numerosos sentimentos permanecem perceptiveis, onde os meios de- tivo particular que deviam produzir, mesmo num quadro isto é, da comunhão ou fusão do amador com o ob~to
países, pelas próprias condições da exploração mercantil
vem permanecer simples, puros, diretos. naturalista, um verdadeiro esquicho dágua, a fumaça da de arte, é, para seus defensores, um fim a atin~, uma
aque está s*ito oteatro.
Para os segundos, o teatro é antes de tudo um ins- sopa, a irrupção de galinhas verdadeiras ciscando cm espécie de conclusão da contemplação artística.
3. Terceira observação: Os partidários do teatro trumento de comunicação que deve empregar a lingua- cena? No teatro, mais particularmente, a distanciação ca-
popular têm buscado os meios de realizar sua missão. gem de todos os dias, o realismo surgindo como oestilo Por outro lado, oautor eseus intérpretes não podem racteriza, se for visto de mais perto, aprópria elaboração
queresponde aessa condição. Para os primeiros, o efei- escapar inteiramente às condições impostas pelo audi- das grandes obras. Odistanciamento está, necessariament~,
Por ocasião dessa busca, muitos problemas concre- to desejado é uma aproximação, uma comunhão, uma tório do teatro: apresença eonúmero, ocoeficiente mé- ligado àpsicolo~a da criação no ator dramático eda prá-
tos, ~êm sido :olocados, q~e interess~m ~iretamente à participação; para os segundos, o efeito buscado é um dio de sua emotividade, de suas possibilidades de com- tica, no diretor e ator. Em relação aos personagens e à
estetica. Sugestoes, concepçoes ou reahzaçoes apelam, a afastamento favorável a uma tomada de consciência, a preensão. Com mais forte razão, se a preocupação do- ação, verossimilhança eeficácia exigem um corte radical
r~s~.ito, para soluções variáveis e às vezes contra- um julgamento crítico. Se alguns partidários do te,a~ro minante, como é precisamente ocaso no atuaI realismo, entre o criador esuas criaturas. Não é significativo que
dií érias, I popular entendem em colocar-se fora da arte, a estetlca é a ordem social e política. Oautor, como diz Brecht, Shakespeare, o maior poeta dramático, tenha peanae-
Os primeiros problemas a resolver consistem em só pode limitar-se a constatar uma opinião q.ue parece, deve comprometer-se com arealidade, trabalhar certas his- cido um desconhecido, e que sua obra, todavia tão rica,
emocionar, em agrupar justamente os elementos desse pelo menos teoricamente, lhe escapar. Na realidade, essa tórias em uma determinada linguagem, que é a da rea- nada nos diga a respeito dele próprio?
4 público popular: situação da sala de espetáculos na opinião só aparece ocasionalmente entre os homens de
$ ri--
As reaçóes do espectador diante da obra ob~tiva são
eminentemente variáveis, Oesteta Charles laia, bá ons
citar, pela míngua do prazer, tomadas de consciência e
de sentimentos, aqualidade da tomada de consciência e
1 dessas peças não poderia ser posto em questão. Seria
tempo de se recordar os efeitos da antipropaganda pro-
por seu lado, para estudar as conseqüências de tal ati·
tude nos planos psicoló~co e artístico.
duzidos pelas más peças políticas, retomandll novamente Dito isto, que pensar da posição dos críticos ou teó-
trinta anos, oos lembrou que diante do mesmo fato artís- de sentimentos dependendo diretamente da qualidade do este aúoma: os bons sentimentos (políticos) não b~tam ricos, diretores de consciência política? Oteatro popular
tico, o comportamento de um mesmo personagem, h~ prazer' (Escritos sobre oTeatro). para fazer boas peças (políticas). dos quinze últimos anos faz aparecer, de fato, na tipo-
entre outras relações constantes, participação em alguns Na perspectiva aberta por essas observações, duas Encontra-se também entre os mesmos uma espécie lo~a dos críticos e teóricos teatrais, novos personagens
e sentimento de distância em outros. Apesar do emprego importantes séries de fatos podem ser lembradas aqui:
ortodoxo das técnicas de distanciamento pelo Berliner de crença permanente e tranqüila no valor ena objerivi- que, renunciando à atitude reservada de juiz ou de teste-
Opassado do teatro popular se encontra um tanto dade das fontes históricas de onde são tiradas num~nsas munha, operam uma ação direta de militantes sobre os
Ensemble, uma pesquisa efetuada entre os espectadores,
negligenciado nos estudos gerais recentes e isto, verda- peças pertencentes ao teatro político, as quais anisam, homens de prática: autores, diretores e atares.
provavelmente chegaria a resultados imprevistos.
deiramente, a fim de operar com mais segurança essa com este poder de afirmação próprio à arte tealrdl, a Limitar o teatro, como o fazem, a uma única mis-
No teatro grego,pelo jogo do coro edo protagonista, ruptura, intervém essa necessidade própria aos seus adep-
não haveria uma alternância participação-distanciamento, apresentar como fatos meras interpretações. são, e seu estudo auma única disciplina (a sociologia),
tos de fazer do teatro popular um acontecimento. Há Aestética deve ainda pesquisar o que é o teatro só pode constituir um amesquinhamento de sua própria
de um valor ao mesmo tempo dialético edramático excep- ilustres precedentes no teatro grego, no teatro isabelino,
cional? Fmalmente, essa alternância participação-distan- popular - especialmente o político - nos países que posição: o desconhecimento do ponto de vista psicol6-
no teatro medieval, na commedia delfarte e,mais próxi- têm um regime político da mesma linha Seria do maior ~co, ~~ matéria d~ ~isti.n~o, constitui um exemplo ca-
ciamento constitui a réplica dessa outra, porém seme- mo de nós, na obra de um Gémier, no esforço das Uni-
lhante, alternância que conhecem oautor, odiretor e o interesse efetuar uma pesquisa sobre os gostos eas curie- ractenstico dessa dumnUlçao.
versidades populares do início do século, na experiência sidades de certos teatros pertencentes aos paíss da Euro- Sem dúvida convém levar em conta ocontexto excep-
atar durante a criação e a execução.
Mas é preciso voltar aessa negação sistemática dos
de Jacques Copeau, na experiência do Cartel (busca de
um novo público, animação cultural), os teatros popu-
p~ d~ leste, frC9üentados - o, ~aso não éfreqüente - ~r Icional no qual esses críticos e esses teóricos intervêm:
valores propriamente artísticos do teatro, afirmada por lares e oTeatro operário francês dos anos 1935/6! Fi- p~bhco autenllcamente op:r~no . Cerca de ,1960, o pu- • após uma guerra, que quase se perdeu e uma
certos adeptos do teatro político, nalmente a tradição popular do teatro flamengo poderia bhco de Nova-Uta, na Poloma, se pronuacava, segundo paz que podem, não sem razão, consider:lr
por si só constituir um modelo. os diretores de teatro, muito mais afavor da inclusão no como falha;
Essa opinião se choca novamente com o imenso
. esforço empreendido pelos teóricos eartistas dos 80 Ulti- . .. Aanálise dos espetáculos pertencentes a esse pam- programa de representantes ~~ teatro do absurdo que dos • após fracassos de precedentes tentativas de tea-.
mas anos, exaltando os valores eas qualidades que fazem do poderia de fato nos permitir dar aessa noção de públi- representantes do teatro político. tro popular e teatro político, notadamente na
do teatro uma arte independente, específica, àqual estão co popular, uma definição que até o presente nos fazia Durante os últimos cinco anos, pesquisa sobre 03 França na época da Frente Popular;
ligados certos efeitos permanentes (emoção esentimento) falta: sem dúvida se podia pensar em incloir aí operários programas de teatro na Hungria, Checoslovááquia e Po- • tratando-se de teatro e de revolução, e de luta
buscados há milénios pelo público de teatro, Trata-se e pequenos empregados. Com efeito se vislumbra, na lônia surpreendia por sua composição, que traduzia uma contra potências temíveis: o dinheiro, certos
de Antoine, Appia, Craig, Stanislaviski, Meyerhol~ aos composição do público dessa grande man~estação do pas- nítida preferência a favor do teatro de pesquisa ou do costumes teatrais seria normal que os criticas ·
quais se juntaram alguns adeptos do teatro popular, de sado, uma espécie de representação proporcional de todas teatro de divertimento, Em matéria de cenografia, re- e teóricos não ~capem a uma certa paixão;
Dullin a Vilar, e cujas opiniões se acham curiosamente as camadas, de todas as classes da população ou. pelo ná,ri? e, direção, .as pe~q~isas propriame~te ~rtísticas mais • era necessária uma ruptura, e houve uma rup-
confirmadas afinal pelos dois líderes do teatro político: menos, de determinado meio. Durante pesquisa recente ongmas dos qUlOze ultimas anos provem JUstamente de tura
Piscator e Brecht. levada a efeito na França, no quadro do VPlano, junto países como aChecoslováquia ou a Pclêaia
, - Apartir desse desejo, próprio do teatro popular, de
Oprimeiro escreve,em sen Teatro Político: "o efeito a diretores de teatro e da periferia de Paris, de anima- Na rersta alema Theater Heute, \Vehvarth nota, ~m , , . t I" , , ' omsicr número
dores culturais, de urbanistas e arquitetos, interrogados . 'd 1968 Q d B I? tomar aceSSlvelS, meIgIvels e senslvelS a
da propaganda política émais convincente onde aforma artigo publIca o em : ue resta e tec II. que, alt alares artísticos ehumanos do teatro operou-se
sobre a oportunidade de criar o novo teatro popular às ' ' al - d . b h' B h os os V ,
artística atinge aperfeição". Ena mesma obra: "o teatro c~ntranamente a egaçao ~ mUIlo~ ~ec lIanos, re~ t uma tomada de posição arespeito de todos os aspectos do
tem necessidade de ser teatral, É aúnica maneira de ser portas de Paris, foi esta mesma definição que uniu a nao pensou so~enle no regllDe ca,pltahsta; sua do~tnna teatro: seus meios de expressão, oestilo de suas mani-
eficaz. Só depois éque ele pode se permitir ser realmente maioria dessas personalidades. e sua ~bra, maiS be~ compreendIdas, devem continuar festações, sua natureza emissão.
.um teatro de propaganda", Sem dúvida, se trata aí de uma definição do teatro sua açao, tendo em vsta o fato de que mesmo em um D t 'ltimos anos os animadores do teatro
para opovo, que convém não confundir com uma noção ' '1'[ " t f - d d libc uraneosu ,
Bechí, de sua parte, em Invenções Políticas eMétier p~IS saCIa IS a, a rans ormaçao o mun ~ e a .~a- popular conseguiram um alargamento de público. Pro-
(1951), escreve: "chegamos afalar de uma verdade que própria notadamente nos Festspiels suíços enas concep- çao ,d? h~,mem de~e , se tomar u~a ~ane1fa de V1~:r vocaram uma noção mais clara da contribuição positiva
distinguíamos da poesia, eaté, ultimamente, eanão mais ções de um Gémier de um teatro para o povo, cujas quolIdtana . Esta,s rapldas observaçoes ~ao pode~ íemi- do público no espetáculo e, através das noções de troca,
examinar de modo algum as obras de arte sob seu aspecto obras provieram do povo ou foram inspiradas por ele, e nar sem se conSIderar aqueles qu~ estao na ongem,do de cantata, entre atares e espectadores, das concepções
poético (sob seu aspecto de obra de arte), e anos con- cuja execução requer sua participação ativa. acontecimento teatro popular, especl3Jmente de sua one- práticas positivas com relação à mise-en-scene, à arquite-
tentar com obras de arte desprovidas de qualquer atra- À análise precedente sugerida, dever-se-ia acrescen- tação política ede seu desenvolvimento. tura, os estilos de apresentação,
tivo poético e de representação de todo valor artístico. tar a das obras pertencentes ao teatro popular moderno Dessa tomada de posição, odiretor sai confirmado
Mas obras, representações desse tipo teriam uma certa econsideradas (se os adeptos desse teatro o admitirem) Oartista élivre, Ele é, então, livre para escolher e em seu papel, que se estende para ofuturo em direção a
eficácia mas essa eficácia não iria muito longe, mesmo como fracassos, Os partidários do teatro político, mais responder a imperativos políticos. Mas o esteta é livre, uma ação cultural e social. Ela permitiu, ainda, marcar
no plano político, Por que épropriedade do teatro sas- particularmente, parecem considerar evidente que oI'alor
com mais nitidez duas séries de relação entre teatro e
sociedade. Uns esperando do teatro uma reforma da s0-
1 APOCALYPSIS Ipa de cada sinal maravilhosamente precisa, mas tudo é
sobreposto eacaba desaparecendo. Ametade dosproble-
mas esboçados nós mal podemos re~strar com o canto
ciedade, outros esperando de uma reforma da sociedade, CUM FIGURIS I dos olhos mas ainda assim eles se alojam em nossa cons-
a do teatro. ciência, eteríamos que rever cada seqüência muitas vezes
Mas é na medida em que o movimento saudável se quiséssemos descrevê-la em pormenores eencheríanlOs
assim desencadeadonão limitar oteatro a um só modelo duas colunas inteiras - assim como a análise perfeita
e a um só aspecto, e seu estudo a uma única disciplina, detodos os sentidos em uma linha de boa poesia.
e que seus promotores cessarem de confundir estudo e Bapenas a soma desses significados que Ihe5 cá
ação militante, que ele tomará toda sua amplitude. sentido, eé uma plenitude de múltiplas camadas eespi-
Apocalypsis cum Figllris, de Grotowski, há muito cais de referências, de contradições deliberadamente aen-
exige uma descrição. B um espetáculo de teatro total, tuadas, articuladas numa ló~ca absoluta e claridade até
criado coletivamente, não só concebido como orqees- oponto em que se dissolvem noopaco. Empregando um
trado com instrumentos próprios, no caso, os membros termo de pintura, cada cena no Apocalypsis empre~a
da companhia. Em Apocalypsis há apenas um esquema cores esmaecidas. Oufalando de outra maneira, há u~a
nu como scenario. A leitura, o texto é uma confusão quebra de densidade, não só da fantasia como do pensa-
casual de citações da Bíblia, cantos litúr~cos, Dostoie- mento queé ao mesmotempo ocúmulo de simplicidade.
wski, T. S. Eliot eSimone Weil. Aparentemente não há É muito mais fácilcompreenderesse poemado queexpli-
cá-loracionalmente.
qualquer fiodeligação entre eles. Vagasassociações bru-
xoleam através da colagem; desponta eventualmente no T~davia, isto não é impossível. Oambíguo fio de
espectador que Simão Pedro, emsua denúncia, está di- fabulaçaodeApocalypsis temaver com avolta de Cristo,
zendo as palavras do Grande Inquisidor de Irmãos Ka- a Segunda Volta, aqui e agora, entre nós. OCristo é
ramazov e que quando o Simpkírio se defende, patética
e amargamente, ele está dizendo Eliol. Mas esses textos
não foram estruturados em qualquer coisa que se asse-
1- representado por cinco pessoas escolhidas acidentalmente
aparentemente por escámeo - ou mesmo ele éfalso?
Esse Cristo em nova via-sacra, em uma jornada evan~é-
mclhe a uma intriga; são simplesmente apoios, umdos lica inteira eque termina perdendo. Ou será que def;to
~c.es~rios. Toda a tex~ura do poe~ cênico de .?r~tolVski ele pe~de? Como podemos ter wteza? Opoder emocio-
emtelrame,nteconstruIdo com as açoes e eipeneauas dos nal e mtelectual de Apocalypsis está condensado n~sscs
atores; e ~ so~ente .neles que o tema e a estória de símbolosde interrogação.Se Grotowski estavaapenas íen-
Apoca/YPsls esíá conlJda. tandodizer que Deus está morto, estaria repetindo Dos-
EIas são, uma e outra ,oblíquas, confusas e anlbí· toiewski erefazendo aquilo que éagora um lugar comum
guas. São as leis da poesia, não da prosa, que imperam que não vale a pena repetir. Ele podeirritar alguns pau-
aqui: associações distantes, metáforas sobrepostas. qua- cos católicos sensíveis; o resto da platéia ficará indife-
dros, açóes esignificados que seconfundem continuamen· rente.Mas indagar se Deus está morto éagitar um münte
te um no outro. Também aqui aimaginação está todanos de problemas que não são ninharia. Etanto mais que na
atares. Ela écorporizada em gestos emímica, movimento linguagem metafórica de Apoca/ypsis, Deus ou Cristo não
eentonação, agrupamentos edeslocamentos, reações iate- têm que significar necessariamente a divindade judaico-
riores e contra-reaçães. Sugerem cenas bíblicas e cosn- -cristã. Podesignificar muita coisa, muitas referênciashu-
mesaldeães contemporâneos, símbolos litúrgicos, e bebe- manas diferentes. Opalcoé nu. Não quehaja um palco
deir~s .de mar~nais, um j.an~t~ de subúrbio .e .0 rei realmente. Mas justamenteumespaço vazio, sem janelas,
TENHO A CONViCÇÃO PROFUNDA DE QUE ESSE DaVI diante da Arca. Os SIgnIficados são multiplIcados com paredes escuras. De umcanto do chão dois spols
TEATRO INCOMODO, ESSE TEATRO DE FRAGMENTA· e aumentados; o rosto do atar expressará uma coisa, o I voltados para cima. Quatro filas de bancos estão ereos-
çÃOQUE, POR DEFINiÇÃO, P. NÃOCALMANTE, QUE P. ~ovimento da ~ão outra, arespostadeseuparceiro algo tados às pare~s. São ~aca o público e podem se sentar
(I) Isse interesse não esperou a Nova Crítica para definir SEM CATARSE, CONSflTUI PARA O FUTURO IMEDIATO dIferente também; a voz ruge ameaçadoramente, seus I exatamente tnnta: serao espectadores ou talvez vão IC
seus objelos. Aesse respeito, a estética precede a Nova Crítica
de cerca de quarenta anos. I UMA DAS ONICAS POSSIBIIlDADES DE UM NOVOTEA·
ROPOPUUR. olhos brilham exultantemente, o corpo se contrai de
dor.Avirtuosidadeda representação éespantosa, aesíam-
I transformar em testemunhas? &palhados amontoados
deitados no chão, estão os atores, exausto; como se esti~
(Cahim Thiálres Loul'ain- 7/8/69; BERNARD DORT

,-'-~~==-=-"---""","", """_ _lIÕIIIiiiiiiilíliiil• •iiiiiiii iiiiiii= = = = =--- - - - - - - - - - - - - _._--- -----


vessem saindo de uma bebedeira. Estão de branco, roupas
modernas, absolutamente indefInidas, às vezes com um to-
de costas apertando o pão contra o ventre, os movi-
mentos de bacia são repetidos, tensos e contraídos até o
1 ce ter também entrado no papel, ou talvez ele apenas dsse-
je participar, ainda que à sua própria custa. Mas isto não
éfácil: eles às vezes oatacam, orepelem ou oignoram,
mar de repente: "E vejo água correndo do lado direito
do templo, aleluia!", quando todos se acotovelam em di-
reção ao Obscuro, descobrem suas costelas e um após
que ocasional que os diversifica: ohomem que será Judas momento do orgasmo. Por um momento, permanece dd-
tem um aspecto de galo de aldeia, mas a camisa lhe sai tado, ofegante. Amoça lhe toma o pão, foge, coloca-o divertindo-se ostensivamente uns com os outros. Ele então outros, colocam aboca em seu flanco, sugando-o ruidosa-
das calças desleixadamente e o futuro Simão Pedro está no chão, fere-o duas vezes com afaca - a cada golpe o se põe a correr em volta deles, parando diante de um mente. Enquanto sugam parecem chupar grotescamente
agachado como um pastor no meio de seu rebanho, envol- homem deitado geme como se fosse atingido pelo golpe. ou de outro, olhando-os nos olhos, fungando levemente como sangue-sugas. Oúltimo deles se abaixa, gorgole-
to numa espécie de poncho branco que lhe dá o signifI- Esta é uma breve seqüência da interpretação c fão de modo suplicante. Oque não leva a nada, ele perma- jando, como se estivesse lavando a boca em alguma poça
cado de veste sacerdotal quando ele se toma oofIciante passagens como esta que constroem o espetáculo. É tam- nece de fora, ele permanece apenas fIsicamente do lado dágua: "Esse liquido em suas veias não ésangue". Ares· .
e principal antagonista de Cristo. Amoça se levanta e bém oexemplo do simbol~mo ambíguo. Opão aqui re- exterior do círculo. Durante todo tempo, é tratado de surreição de Lazaro é uma intrincada simulação de um
começa asussurrar docemente, avoz começa aaumentar presenta o alimento, a criança, a hóstia, enquanto uma maneira provocante, torturando-o, imitando-o, com olha· completo despertar com lamentações em estilo oriental. O
até que percebemos que está cantando algo em espanhol. refeição primitiva, improvisada em alguma sala de espera res ternos e zombarias. Eventualmente, Simão Pedro em Simplório oobserva, fascinado. Ele então diz, enfática e
As palavras são repetidas em polonês por João: "Em de estação se transforma numa orgia erótica que culmi- suas costas, cavalga-o, sua capa branca esvoaçando, e ini· gravemente: "Lázaro, eu te ordeno, levanta-te". Lázaro
verdade em verdade eu vos digo, se não comerdes a na num assassinato de quem? - da criança, do homem, cia uma cavalgada no meio dos gritos dos outros. se levanta e aproxima dele ameaçadoramente, como um
carne do Filho do Homem enão beberdes seu sangue, não de Deus? Aprofanação da hóstia reanima o grupo, que Agora o Simplório começa a ficar furioso. Atira desordeiro pronto para brigar. Recita uma parte do [irro
tere~ vida em vós." Edepois: "Porque a minha carne procura novas emoções eaidéia de convocar oSalvador Simão Pedro ao chão e continua cavalgando sozinho, de lob e suas palavras soam ressentidas pela sua res-
éna \'erdade um alimento emeu sangue bebida" - lite- .
ou relDventá-lo, uma vez que não há nada de melhor a' csispado, contorcendo-se e estremecendo em êxtase, os surreição, ainterrupção de um processo natural de morte
ralmente assim. Por extensão, também o amor - um fazer para ver o que acontece. iI pés nus ressoando num ritmo sinropado, como se suas
cabriolas fossem uma dança ao mesmo tempo dionisíaca
pela intervenção de um imbecil. Enquanto fala, pega opão
que lhe fora lançado antes. Divide-o em dois, cava-o como
conceito básico na estória do Cristo - é tratado liierel- "Levmten-e", diz Simão Pedro e começa a ds-
mente como sexo. Oerotismo é de certo místico como tn'buir papéis, indicando: "Maria Madalena", "Judas, que I edesesperada. É uma dança, e ele éDionisos, etambém se estivesse abrindo uma cova,burila amassa, rela-a entre
nos escritos de João da Cruz, onde misticismo ee;otismo o indique". Ohomem indicado para Judas aponta para Davi diante da Arca ra Aliança, sem deixar de ser ao os dedos eatira as duas no rosto do Obscuro. Ele oestá
estão fundidos etodo oproblema adquire um sabor muito Lázaro. Não, com esse não vai. Simão Pedro vai até o mesmo tempo oCristo. Lembro-me de Grotowski falando lapidando com opão, ecom seu próprio corpo, com sua
estranho: Deus é o amante (Ele), João, o amante (Ela, canto da sala eda sombra puxa um personagem que não sobre um dos Testamentos apócrifos .qte se referem à .polpa cinza, amorfa. Seus ,olhos,brilham como,se, esa ....,
a alma). Essa tradição remonta ao Cântico de Salomiío. fora percebido ainda; um rústico assustado, débil mental. dança de Jesus. represália por uma infração idiota do direito humano à
o poema reli~oso mais sensual que conhecemos; Ap; Este é o Simplório, I interpretado por Ryszard Ciesiak. Adança se interrompe bruscamente. OObscuro cai sepultura fosse um alívio.
ca1ypsis, de fato, se valeu de muitas de suas passagens Encolhido numa capa preta maior do que ele, pós des- extenuado. Algo se a~ta nele, eestá prestes a acreditar Oataque,entretanto,continua.Opróximo argumento
mais picantes. Certamente, aantítese do amor, oódie se calços, uma bengala branca na mão, mesmo não sendo no seu papel. Aação agora se dissoh'e em episódios des- contra Cristo eoObscuro se aproxima com Maria Mada-
toma também erótico nesse contexto. É este o fundo cego. OSimplório ou Obscuro quer apenas dizer: oúnico conexos, sem ligação, como se todos, interpostos pelo lena. Aqui, entretanto, inesperadamente aação falha. Em
sugestivo sobre o qual, por outro lado, se tece toda a que tem vestes escuras, mas também enigmático, desco- jogo que começaram, procurassem uma maneira de ree- certo momento, João (e pelo erotismo equívoco da cena é
dialética de provocação e sacrilégio e, de outro, a fasci- nhecido; cego, aquele que não vê omundo real, efinal- meçá-Io. Aação, ainda que caprichosa econfusa, que se importante que seja João) aproxima-se da prostituta.
nação eodesejo. Adissecação integral do mito. mente "inculto", aquele que não compreende a vida à desenrolava até agora, começa abifurcar, ase desfazer e Mostra-lhe amoça: "Vem, eu te mostrarei adanação de
maneira das pessoas "esclarecidas". Ele contrasta com ralentar a falha. Oambíguo Judas começa uma anedota uma grande pecadora que, sentada junto à água, espera
Todos os atores estão deitados ao chão, esgotados os outros em tudo, da cor da ronpa à interiorização do incoerente, meio absurda sobre as virgens loucas eas vir- aqueles que querem se entregar ao \inho da fornicação".
não só física como moralmente. Omundo está vazio, não papel;sua diferente escala de valores, obem eomal são genssábias;refrões casuais da Bíblia são introduzidos com OObscuro se aproxima dela e eles se olham nos olhos.
há como esperar Godo!. Alguém se a~ta, entretanto: a instintos simples e espontâneos, ele é "incorrupto". Tal- pedaços de brinquedos infantis. Todos repentinamente Ele a acaricia ternamente e dirige-se ao canto de laia
moça que estava cantando. Ela vagueia entre as figuras vez seja também um daqueles idiotas de aldeia, "tocados", cantam a Guantanamera, um dos sucessos no ano passado onde os dois refletores no chão atira seus feixes de luz
~ue estão deitadas, apertando ao peito o pão como se ou até o próprio Satanás. Todos esses signifIcados são tocado quase todas as noites no Hotel Monopol de I para o alto. Permanecem diante dele, iluminados e ra-

fosse um bebê, e isso desperta o interesse dos outros. dados pela interpretação de Cieslak. É uma grande per/oro Wroclaw e todos se entregam a uma dança frenética c I diantes de luz, e a sala de repente escurece. Seus mo-
Jnão acorre, espalha uma toalha branca no chão, amoça mance provavelmente mais bnlhante do que seu Príncipe orgíac; Há momentos de total enervamento quando não vimentos são deliberadamente lânguidos como se estives·
coloca aí o pão e oembrulham. João tira alguma coisa Constante, ainda que menos espetacular. acontece nada. Mas oefeito combinado se destina a pro- sem descobrindo seus próprios corpos, surpresos, sem VO'L
di cintura, a moça se abaixa e chupa com ruído aquilo De início ele éa vítima de um ataque provocador. duzir um efeito e preparar a seqüência seguinte e cons- Parecem uma escultura móvel. João arranca a própria
que poderia ser uma garrafa, então João se abaixa efaz Vagas de risos de deboche acada palavra de Simão Pedro truir o climax emocional de cada seqüência de ação se- túnica, fica no meio da sala semi-nu c, então, andando,
amesma coisa. Amoça enfia-lhe uma faca na mão, João tentando "criar" opersonagem. "Nasceste em Nazaré. És guinte. Aqui eali intermpõem-se cenas do evangelho que mas no mesmo lugar, avança para eles, tenso, espectante.
fere o chão com ela, pega o pão, coloca sob o corpo e uma criança. Por eles éque morres na cruz. Tu és Deus. funcionam cronologicamente como reminiscências foríui- Assemelha-se ao corno no 59g Soneto de Ronsard, em
deita sobre ele fazendo sobre ele espasmódicos movimen- Morreste por eles. Eeles, eles não Te reconheceram." O tas dos aluais eventos da vida de Cristo. Amores de Cassandra. O Obscuro e Maria Madalena
tos inconfundíveis. A moça se a~ta à sua volta, ele coro entoa ocântico conhecido: Pendendo da cruz. Agora Reminiscências para a platéia, mas principalmente lentamente se dobram em direçóes opostas, o corpo dela
fIca de pé esai correndo com opão,ela opersegue ten- todos entram no jogo mas atrás do escároeo pode-se sentir para o Obscuro. Por exemplo, Simão Pedro relembra a formando um arco, João apressa opasso, começa acor-
tando tomá-lo. Lutam eele a joga ao chão. Ele se deita uma ponta de tensão: ese entretanto... OObscuro pare- cena do trespassar do flanco de Cristo na cruz, ao excla- rer, ouve-se sua respiração ofegante, obater dos pés eo

- - -- -- - - ----- - - -
sopro do vento apenas perceptlvel. Ao longe, os cães I Há sombra. Simão Pedro se senta num dos Spotl I num meio movimento contra ele. Afala apaixonada de
latem, o mundo parece se ampliar e calar. No escuro é e cobre o outro com a capa Ees se apagam e mergu- João, tirada de Simone Weil, conta a respeito de uma
impossível perceber quais dos atores estão criando esse
fundo sonoro. Ocorpo de Maria Madalena, repentinamen-
te, se amolece eos dos se relaxam; oque está correndo
Ihamos no escuro. Alguém se movimenta, há som de
passos e assovio, e de novo o silêncio. Segue-se longa 1 mansarda onde Ele uma vez bateu, e é uma rejeição do
amor do Obscuro. Edo amor de Crsic certamente' mis-
pausa. Então, a gente vê um feixe de velas cintilantes tic~mo e sexo são aqui ainda uma m~rna coisa'Num
para eles se detém bruscamente e se curva como se uma que são colocadas diante do Obscuro. Oresto da repre- novo acesso de raiva ele enxota João, e cai ao chão de-
flera o atingisse, Ele passa à outra extremidade da sala sentação continua à luz de velas. Antes de podennos samparado. As velas estão acesas diante dele e uma a
erecomeça lentamente sua corrida em direção aos aman- apreender o ponto de mudança e a cesura do escuro
ouvimos as palavras: "Eis que obem-amado se aproxi~
uma elas vão desaparecendo. No canto da sal;, também
tes, enquanto estes de novo progresivamente se afastam.
com uma vela na mão, Simão Pedro está sentado. Apenas
Agora é o Obsc.uro ~ue delineia o arco, enquanto ela é ma. Vai de encontro a ele." E o Obscuro, respoode à ele permanece. Eles se olham. Oduelo final vai acon-
aC?rda, ambos ID~e~ormente tensos, entrelaçados na luz, maneira de Cristo. Mas agora ele é o Cristo, a encar- tecer.
radiosos, quase mIsticos. Oque é notável nessa seqüên- nação écompleta. "Um de vocês me trairá", diz ele. A
cia, não étanto aassociação perfeita entre acaça eosexo, convite de Simão Pedro, João pergunta: "Quemé ele, I V~lta novamente Dostoiewski, em suas mais amargas
mas ~ trêmula pur~za qu~ brilha através de sua sugestão. Cristo?" OObscuro pega a cham~ da vela e faz com I acusaçoes: "Em vez da antiga lei de ouro, ohomem teve
Isto e, acho, onas arrojsdo do ponto de vista de atua- o dedo um sinal na testa de Simão Pedro. "Senhor" - I que decidir na liberdade de seu coração o que é o bem
ção eamais lírica cena de amor que jamais vi em teatro. diz Judas - "eeu?" ESimão Pedro responde: "Judas, eoque éomal, com aimagem da sua semelhança dentro
~ele. Mas não te ocorreu que ele poderia r*itar a tua
Apartir dessa cena, oObscuro começa a se impor. fJ1ho de Iscariote, estamos juntos." Porque éSimão Pedro
llDagem e a t~a verdade se lhe deixaste uma carga tão
Através de sua inocência, pureza, humildade e bondade. ?sacerdote-acusador, que éotraidor; Juda é apenas nm pesada como liberdade de escolha?" OSimplório não res-
Ele éinvulnerável. Otema principal volta ao primeiro pia- IDstrument~ s.e mimportância. "Senhor, aonde vais?" -
ponde" olhando par~ Simão Pedro, enquanto no espdço
no, que éaprovocação de Simão Pedro, ese intensifica, pergunta Slmao Pedro. OGólgota começa que .ha entre os dOIS acontece uma estranha procissão..
da provocação àacusação. Ouvem-se pequenos fragmen- APaixão começa com hinos cantados: Glória ao É f~lta por João cMaria Madalena Eles carregam uma
tos do Grande Inquisidor: Grande eao lllsto Cordeiro de DeU$. Depois vem agrande bada, que enchem de água, e metem dentro o pé nu
"Vinte séculos passaram desde que ele prometeu vol- l~e~tação do Ob~cu~o: É de.fato aagonia no Horto das u~ após outro, lavam-nos, enxugam-nos, apanham aba-
tar e fundar seu reinado. Vinte séculos passaram desde Ol~vel~. Aalegna e Imp~lslonada com ~ p~lavras, de oa esaem cantando: "Elesabe que tormento é, ele sabe
que o profeta escreveu que ele logo voltaria, mas não Eltot IDtercaladas com geml~os. As velas sao dlstn'butdas quanta tristeza nas lágrimas"; duas camponesas, orepa-
sabia a hora e o dia de sua vinda, somente seu pai no entre, os ~~tadores e brilh~ pela sala. Uma ~Ias ~~as .para um funeral, dspcsías, resolutas, fero~s. Há
céu osabia. Mas ahumanidade tem estado esperando por ficara solitan~, plantada no m~IO da sa!a E então o silenCIO. Simão Pedro volta a atacar: "Escuta-me então'
ele com imutável fé e antiga emoção. Não, com grande O~s~ro iemína sua lamentaçao num extase de dor, -
nos, nao estamos.
contigo, mas com outro. É este onosso'
fé, talvez, porque talvez a comunhão do homem com o cara por terra, braços abe~.os com avela ao lado de sua segredo, há muito, muito tempo, há muitos séculos."
céu acabou." Seu ataque cresce: "O homem nasceu re- cabeça. Eles afinal o crucificaram. Ag~ra oObscuro mergulha em sua segunda grande fala:
belado. Poderá um rebelde ser feliz?" Ede novo: '~fal- Ocântico recomeça, solene e ritual. Os assistentes o ~o ?e Eiol, .ai?~a mais trá~co e desesperador que
dito sejas por teres vindo nos perturbar." OObscuro se andam sem ru~do, c.om respeito. Mas uma nota de júbilo o pnnero. Ahsíéria "oferece demasiado tarde aouilo
defende quase inaudivelmente eestoicamente: despon.ta: Kyne elelSon,SlIrslIm Corda. Uma vez ~ue eles em que há muito tempo não se crê mais." A vol~ de
o crucficarsm, eles ganharam: conseguiram um mártir Cristo só pode ser um sonho. Ela nunca se realizará.
um objeto de culto. Ganharam Deus. E tendo tomad~
Becallse Ido not IlOpe to tlim again ~sse não só de Deus mas de um rito e de um templo,
BecallSe I do not hope Simão Pedro começa a apagar as velas uma por
enatural que se faça ali um local de mascatear. Ouve-sc,
Becal/se I do nol hope lo tlim uma quando de repente o Obscuro começa a cantar.
então, como num mercado: "Uma mulher àvenda!" "Um
Ino longer slrive to s/rive 101l'ards SlIch Ihings Cogi/ao:it Domilllls dissipare... Aúltima vela se apaga
intestino. À venda, à venda". ''Minha mãe à venda". "Eu
IJVhysho/lld lhe aged eagle s/retch i/s lI'ings?) no meio do ca~to . Sua voz aumenta e se amplifica, en-
estou à venda". "A carne de Deus está à venda". "Carne
chendo a escundão, em tom claro, reverberando com o,
fresca à venda". As coisas começam a ter sentido nova-
lamentos de Job: "JeTIIsa/em, Jemsalem, convertere ad
Isto éEliol. OObscuro está começando afalar como mente. As coisas prosperam. Mas agora que ele crê, o
Dnmilllllll, pelllll /1111111." Silêncio. Agora, no escuro, soa . (I) ~m polonês, o.Personagem se chama Cicnl/l)', que quer
Cristo, mas ele ainda é o Obscuro: ele recusa, interior- Obscuro não pode deixá-los continuar com isso. Ele salta aordem fna e severa de Simão Pedro: "Vai enão ap,- ~! também o~ro, ~mple5, ~nculto, cego. No programa, em
mente não aceita odesafio ebate em retirada.Sua respos- com raiva, chicoteia-os com uma toalha enrolada, enfure-
rece mais". As luzes se acendem. Asala está vazia So· mgles, do espelaculo, fOI tradUZIdo por Simpltlon.
ta não édada diretamente ehá cenas que se intercalam. cido de dor e sofrimento. Com seu açoite, enxota os ven-
mente os espectadores estão ali.
Narrando o poema de Grotowski, simplifiquei bastante dilhões do templo, e eles se afastam um a um. Apenas (Transcrito de The Thealre in Poland 511971. Referências
sua estrutura dramática,mesmo tendo me alongado muito. João resiste de repente e o braço do Obscuro se ergue a ~ espetáculo, o único que ainda é apresentado por Grotowski
Konstanty PlIzyna veja também cr n. 66n) I

1
I ENCONTRO NACIONAL DE dos educandos eeducadores, aassembléia do I Encontro
Nacional de Professores de Artes Cêlúcas julgou oportu·
1 ração plena (habilitação em artes cênicas), recomendan-
do às Universidades urgência na preparação de recuNls
efeito de contratação de pessoal não habilitado, mas com
experiência comprovada no selor. Muitos desses preís-
humanos necessários ao cumprimento da determinação sionais são preteridos em favor de pessoal r~ém-treina­
PROFESSORES DE no recomendar:
1. Ampla difusão de diretrizes, objetivos e ~té­
do art. 7da Lei n. 5.692/1971, que estabelece aobriga- do esem experiência na área.
toriedade da educação artística para o ensino de 19 c
ARTES CÊNICAS rios metodoló~cos relativos àinserção das artes cêrnc.1s 29 graus.
Em alguns Estados, inclusive, tais profissionais estão
impossibilitados de lecionar.
no quadro nonnal das atividades discentes anível de 19
e29 graus, de acordo com afundamentação pedagó~ca 3. Possibilidade de regularizar, a curto prazo, a 5. Constituição de uma'comisão mista, composta
interente aesses dois graus de eusino, visando a: situação de professores com experiência de longos anos de elementos representativos de órgãos públicos e par-
em teatro na educação, muitos deles com vários cursos ticulares representantes do SNT, para o detalhamento
a) esclarecer educadores de modo geral e, em par· no país e no estrangeiro e com obras publicadas. Seria
Realizou-se em Brasflia nos dias l1m de junho ticular administradores de educação, desde os operacional dos itens neste documento. Este documento
necessário encaminhar ao egré~o Conselho Federal de
de 1975 sob opatrocínio do Serviço Nacional de Tea- escaIõ~ mais altos de hierarquia administrativa Educação as considerações abaixo, a fim de se descobrir
final do I Encontro Nacional de Professores de Artes
tro co~ o apoio do Programa de Ação Cultural do até diretores de escolas, quanto ao potencial glc- Cénicas, baseado nas propostas dos grupos de trahalho,
urna fonna legal de creditamento, pelas Universidades,
Departamento de Assuntos Culturais do MEe, da ~­ balizador das atividades teatrais na ação edu- foi elaborado por Aldomar Conrado, Ivo Biásio Barbieri,
dos estudos eexperiências desses professores: Teresinha Rosa Cruz, Carlos Murtinho, Fanny Abramo-
cretaria de Educação e Cultura do DF e da Fundaçao cativa, independente de área de estudo e de
Educacional do DF, e com a participação de represen- disciplinas; vich, Helena Barcelos, Hilton Carlos Araújo, Roberto
a) as Universidades estão tendo dificuldade em de Cleto, e vai assinado pelos professores que colabo-
tantes dos Estados da Bahia, Espírito Santo, Goiás, Ma- b) despertar as Secretarias de Educação e respec- encontrar professores graduados para oferecer raram para sua elaboração.
ranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraíba, ~a. tivos Conselhos para a importância das artes as disciplinas de habilitação em artes cênicas
raná, Pernambuco, PiauÍ, Rio de Janeiro, Santa Cat~rma cênicas no conjunto das atividades da edu.ca- por não ter existido, anteriormente à Lei n.
eSão Paulo teve como ob~tivo olevantamento da situa- ção art~tica como recur:o de fundam~ntallm­ 5.692, habilitação específica nesta área;
ção do teat~o na educação nas várias re~~s do país e portância para afonnaça? ~a personalidade do .
o encaminhamento de sugestões que equacIOnassem so- . b) os especial~tas em teatro na educação que
educando, a fim de que prevejam, para aedu- atualmente preparam, a título precário, profes-
luções para os problemas existentes. cação art~tica, cargas horárias compatíveis com sores para oensino de 19 grau, na sua maioria
Segundo odepoimento dos representantes dos vári~s os requisitos pedagó~cos inerentes acada grau não têm curso de graduação emuitos deles, en-
Estados, verificou-se que, apesar dos quatro ano~ de ~I­ de ensino; bera profissionais de teatro, possuem cursos
gência da Lei n. 5.692, que estabeleceu a obngatone- c) alertar diretores de estabelecimentos de ensino ainda não reconhecidos;
dade da educação artística no sistema de ensino do 19 sobre as condições essenciais ao exercício das
e 29 graus, ela não está senda aplicada ~~, nos casos c) as Universidades não creditam a favor desses
artes cênieas no 19 grau, como fonna de inte- professores, que necessitam da habilitação, nem
de sua aplicação, funciona de fonna precana. grar as dem~s fonn~ de expressão artística, e cursos de treinamento e aperfeiçoamento 'Iem
Aprecariedade dessa aplicação manifesta-se .p.rinci- no 2Q grau, como atividade aser ofertada den- muito menos conhecimentos advindos deestu-
palmente pela carência de r:cu~sos huma~o~ suflcle~te­ tre oelenco das disciplinas de arte que devem dos eexperiências extra-universitários;
mente preparados epela ausnna de condlçoes que Im- compor o currículo pleno das escolas;
pulsionem oseu desenvolvimento. d) a necessária abertura para urna habilitação a
d) demonstrar as possibilidades que as artes céni- curto prazo, como, por exemplo, acomplemen.
No que se refere especificamente às Artes Cênicas, cas oferecem para aexploração e vivência das tação de estudos em grau universitário, após
o problema assume maiores proporções. Ae:cassez ~e manifestações culturais, anível re~onal elocal, exames e provas de disciplinas do conteúdo
tursos de licenciatura nesse campo, acolocaçao da pra- com osentido de preservar erevitalizar asraí- específico do curso de educação artística (Res.
tica corno atividade extracurricular, a incorr.eta c~m· zes da nossa cultura, condição indispensável n. 36/73), que poderão ser feitas pelas Uni-
preensão do significado real do t~atro na ed,ucaçao, mUl~as para se atin~r a integração nacional; versidades ou por comissões especiais constitUÍ-
vezes transfonnado numa tentativa deeshmulo voanc- e) alertar os óruãos públicos, federais, estaduais e das para esse fim pelo MEC, é algo que ainda
nal àmargem de um planejamento pedagógico inte~r~do, municipais s~bre a responsab.ilidade e. ~o.m~ro­ não foi cogitado e que poderia solucionar a
o amplo desconhecimento das virtualidades das ahvlda- misso de incentivar e valonzar as lDlcmtivas curto prazo oproblema de pessoal para aedu-
des cênicas no desenvolvimento integral do educando, a isoladas na área das artes cênicas, criando me- cação artística, principalmente para lecionar
falta de continuidade de experiências iniciadas de forma canismos de articulação para se evitar afrag- nos cursos superiores.
promissora são obstáculos evidentes que dificultam otra- mentação e adispersão dessas iniciativas.
balho.
2. Prioridade na formação de professores de educa- 4. Recomendação nos conselhos estaduais de eda- (Teat,o na EduCIlção _ Subsídios para seu estudo _ Pu-
Diante desse quadro de carências, do interesse ds cação para a utilização de critérios mais flexíveis para blicação do SNT Brasflia/1976)
autoridades responsáveis eda grande demanda por parte ção art~tica
em licenciatura de curta duração ede du-
.-=-==-= = = õiiiiiiiiioiiiiiiiiiiiliiiiiiiiiiiiiliilIllilililiiÍlllllllillliÍiiiiiliill± iiiiiiiiiiii~;;;;:::::===
TEATRO NA
~ ,.
CENA 1 Porque ganhar outro vestido, não te-I
nho a menor esperança.
maior amigo do falecido senhor seu
pai do que eu. Deus dê ~ória à sua
IDADE MÉDIA I .PATIIELlN- Por Deus, Guilher- PATlIE~I N - Pois você ganhará I alma Que santo homem era ele.Mas
I· mma! Por mais que dê tratos àbola
não consigo descobrir um meio de
um, ehOJe mesmo.
GUILHERlllNA - O que? Você
osenhor é oretrato vivo dele.. .
GUILHERllE - Todos dizem
i ganhar um vintém. Houve tempo, nu enlouqueceu? isso ...
entanto, em que não me faltavam
. PATlIELI.N,- umge disso. Nunca PATIlELIN- E é coisa evideote.
clientes nem belos escudos. tive tanto JUIZO. Mas, como vão os negócios?
GUILHERMINA - Pois é esse PATHELIN - É isso mesmo. Aca- GUILHERME - Hum... Assim
'
Na Idade Média, o teatro se caracterizou por dois tempo Ja" vaI. longe. Para mim, aadvo-
bo de ter uma idéia magnífica assim. O senhor sabe, comércio é
cacia é a pior profissão do mundo.
princípios essenciais: Um dia bem, um dia mal, ora enga- GUILHERMINA - Minba Nossa profissão ingrata.
Senhora! Suas idéias magníficas já o
nando, ora enganado. Nunca vi coisa PATHELIN- Sem dúvida, mas

I
1. Aconexão entre espectadores eatares, haven- assim. leva~ ~o pelourinho. Será que o para umhomem honesto, inteligente
do às vezes até uma mansão especial construída, entre lugar ~ tao bom que deseje voltar eativo como osenhor, as coisas não
PATHELIN- E posso jurar que
as da peça, para espectadores privile~ados e, na produ- para la? podem deixar de irbem.
! não há nesta cidade melhor advooa-
ção dos interlúdios, os que estão assistindo estão mis- do do que eu.Ninguém conhece co~o PATHELI)l -- Deixe-se de tolices. GUlLIIERlIE - Bom, sempre dá
turados com os que representam. Como platea significa Oque pret~.~do. fazer não terá ame-
eu as manhas, as molas, as engreua- para viver, mas os negócios podiam
o local onde o atar evolui, em frente à sua mansion e gens dos processos. Não há quem nor consquema 11 melhor...
não tem limites definidos, ela se confunde com o local seja mais esperto do que o doutor GUILHERMINA - Hum! PATHELIN - Certamente... En-
onde poderão es~r sitUados os espectadores. 000 o o o 00 oo

Pathelin em torcer as leis. Sou um PATHELIN- Vamos, de que cor f~~, quando s~ tem suas qualidades
verdadeiro mestre... e de que fazenda vocêquer seu vs- flSlcas e moras, quando se é assás
2. Oestilo emblemático, não ilusionista, da re- GUILllElUllNA,inlerrompendo-o -tido? bem feito de corpo para atrair os
presentação.Mesmo nas mais espetaculares produçõesdos ... detrapaça! Nesse dominio você GUILHERYIN_ Da corefazenda olhares femininos e bastante inteli-
ciclos dos ~fistérios medievais, não há qualquer tenta- não cede aninguém oprimeiro lugar.que você conseguir extorquir do cc- ~ente para se tirar proveito de uma
tiva de pintar realisticamente qualquer cena. As mansions merciante quefor bastante tolo para Impressão causada auma rica senho-
(de cada protagonista) são feitas mais para sugerir do MESTRE PATnELIN- Não confunda os
nomes nem as coisas. Sou simples-
lhe vender fiado. ra. .. vendendo-lhe a bom preço
que reprtoduzir a realidade, e mesmo essas mansions ti- PATllELIN_ Está bem. Você verá uma fazenda que ela não e~amina
nham às vezes uma simples cortina; até a parede de PEDRO PATHELlN I
mente hábil.
que oespírito émais forte que ama- porque tem o olhar embevecido no
GUILHERllINA - Bela habilida-
fundo de um hall ou vestíbulo podia servir de fUQdo te'n'a, eque o hornem deespmto
de ... Enfim, tudo neste mundo pode
' . nao
. vendedor.. .
para os atores.Sua ação ou palavras bastavam para esti- t precisa de dinheiro para vestir sua GUILHERME - Qual nada, doutor
ter dois nomes.
mular a imaginação dos espectadores a aceitar as con- (de autor anônimo) cara-metade ea si próprio. Até já. Pedro... .
venções sugeridas. PATHELIN - Isso não vem ao GUILHERYINA _ Vá com Deus PATlIELIN- Ora vamos,eu oco-
caso.Oque precisamos éachara121lm Se encontrar alsum otário não ~ nheço .. . Seriapreciso que neste pon-
Quandooteatro abandonou aigreja, isto é,foi para modo de ganhar dinheiro. Veja~ em
apraça, as peçaseram apresentadas em plataformas com esqueça debebe;com ele. ' to osenhor não parecesse nadacom
uma parte encortinada, ondeos atares se vestiam,eoutra
tradução de Lmz HASSELMANN i'
I
que estado estão o seu vestido e a
minha roupa Até parece que esta-
o senhor seu pai - queDeustenha
sua alma! Aliás, é muito justo. As
I
destinada à ação. Cada confraria ou guilde possuíasua
plataforma, geralmente sobre rodas para poder se deslo-
mosvestidos de gase, como anjos de
CENA 2
I belas coisas devem ser pagas.SeDeus
procissão. lhe deu belos dotes foi para que o
car de um local a outro, durante os ciclos ou festivais.
Da Moralidade ao interlúdio - que era a parte cômica PERNOSAGENS: GUILRERMINA - Ê verdade. Cada
PATlIELIN- Deus oguarde se-
I senhor tirasse proveito deles.
vez que sento ou encosto cm alam nhor Guilherme. ' GUILl.IERIIE - Osenhor está me
do espetáculo - o teatro se afastou cada vez mais da lugar, tenho medo de deixar colado confundmdo.. .
influência religiosa, eos pequenos entreatos cômicos co- PATllELIN
GUILllERlIINA um pedaço da minha saia Odia em bém, GUILHERME - Eaosenhor tam- .
meçaram ater mais importância que os temas tirados da
Bíblia ouda vida dos santos. Uma reminiscência desas GUILllERME queisto acontecer, só me resta ore- '.
doutor Pedro
cursode fin~r de paralítica e espe- PATIlELIN- Amda bem que o
I PATIlEL!N- Dizer averdade, con-
funde-{)? Mas, meu Deus, quanto
mais o olho mais o acho parecido
TEOBALDo
peças, representadas nos festivaisreligiosos, é aFarsa do rar passar o resto da vida sentada. senhor me reconhece. Não houve com o senhor seu pai. Os mesmos
OJUIZ
AdvogadoPathelin.
GUILHERME - Farenda nunca é sar ~ o senhor me julga de tal P PATHELIN
de i f - Eu· na~ Ih e d"?
ma. I GUILHERMlNA - Aeterna bistó-
olhos, a mesma boca, o mesmo lha pegará pejo menos umas boas manerra. oeJogar ora seu vestido velho. ria da raposa edo corvo.
horas no pelourinho. demais. Está aí a peça. São nove
nariz... Ah, duas gotas d'água não GUlLHE~E -;- Não julgo, não. GUILHERMINA -- Que diabo é PATHELIN~mm~~ Se t'
escudos. ~
seriam mais parecidas. PATHELIN - Se o senhor precisa Enfim, se nao ha outro meio... Enfim, prometi-lhe pagar aqui na
PATHELIN - Osenhor virá rece-
GUILHERME - Osenhor conhe- de um advogado, estou às suas bê-los em ruinha casa, onde jantará PATHELIN - Está claro que não PAT~ELlN, ~esdobrando afazenda hora do ja~tar, copiosamente re~ado
ceu muito omeu pobre pai? ordens. Não é para me gabar, mas comigo um admirável pato que mi- h~ outro meio. Venha sem falta às - Veja ecreia. com um vmho que ainda está nas
PATHELIN - Se o conheci! Não não sou dos piores. Luiquido em um nha mulher está cozinhando. seIS horas. Posso garantir que o se- GUlLHERMINA _ Virgem Nossa uv~. Eu prometi um pato que ainda
havia dois amigos mais inseparáveis instante oseu caso. Se o senhor qui- nhor não terá comido em sua vida Senhora! Algum cliente deixou isto estano ovo. Agora chegou avez de
GUILHERME - Mas eu não pos-
nesta cidade. Eugostava de sair com ser posso mandar enforcá-lo. m~itos patos como o que o senhor como penhor? Você comprou fiado? trabalhar.
so, estou ocupado. V3I comer em minha casa.Quanto ao
ele porque todas as moças. o olha- GUILHERME - Não quero tanto, Meu Deus, quem pagará? GUlLHERMINA - Que devo farer?
PATHELIN - Ora, deixe de beba- vinho, prefIro nem falar. O senhor
vam, e eu ia recebendo as sobras. o pelourinho basta.. . Mas, voltan·
gemo Às seis horas o senhor éobri- mesmo ojulgará. Apropósito, como ., PA~HELIN _ Quem pagará? Mas PATHELlN - Coisa muito simples.
Que homem era ele! Bom comer- do à fmnda, tudo isso faz com que Ja esta paga ebem paga. Posso afIr_ J~rar por todos os santos do céu que
gado a deixar a loja. Osenhor não i
quer que lhe pague? Em ouro ou em
ciante' e finório como ele só. N'm- o preço dos tecidos tenha subido I mar-lhe que o comerciante que m'a ha onze meses estou de cama, doeu-
guém oenganava. Exatamente como é judeu para trabalhar de noite. I prata?
prodi~osamente. vendeu não é nenhum tolo. te, louco furioso, fazendo o deses-
GUILHERME - Está bem. Quando
ofilho! PATHELIN - Estou tentado com eu for levarei a fazenda. I
, GUILHERME - Prefiro em ouro GUILHERMINA _ Já sei. Você pero d~ todos os médicos. Oresto é
GUILHERME - Osenhor sabe, no esta fmnda. Que maravilha de te- se for de bom peso. ' prometeu, mediante uma assinatura por minha conta. Você saberá fazer
comércio, se não se abre os olhos, PATHELIN - De modo algum. PATHELlN - Meu ouro é antigo. . ISSO?
cido! Só numa casa de primeira Então vou deixar um comerciante ou um Juramento, pagar a fazenda .
todos nos roubam. ordem se poderia encontrar tal conceituado como osenhor, ftlho de É do tempo do falecido rei. dentro de algum tempo. Belo naba- .GU~LHEF.,lJ!HA - E muito mais.
PATHELIN - Naturalmente . coisa. um grande amigo meu, carregar uma GUILHERME - Então não se lho !Quando chegar o termo, como Nao e ~m,v~o que sou sua esposa.
Mas que linda fazenda é esta . GUILHERME - Leva-a. OSenhor peça de fmnda? Absolutamente! esqueça de fê-lo à mão quando eu não haverá dinheiro eles virão e ChorareI lagnmas de sangue, hei de
GUILHERME - É fazenda de lá chegar. levarão tudo.' co~vencer o comerciante de. que ele .....
não se arrependerá. É um tecido for- Isso é para gente sem importância.
Ruão, muito bem tecida, veja. ,PATHELlN - Sim,..mas o senhor PA.THELIN _ Deixe estar que não está louco ou que ~iu o diabo.
te de cor firme. GUILHERME - Mas". não se-
PATHELIN - É muito cara? so receberá depois do jantar. Por levanam grande coisa... Mas não PATHEUN - Útimo! Vamos pre-
PATHELIN - Estou vendo, estou nhor." eu posso levar. Está bem se preocupe, tomo a repetir que a par.ar afarsa~ Vou deitar-me, porque
GUILHERME - Nem tanto ... do- Deus, mestre Guilherme, só assim o
vendo. Só acho um pouco caro. Se assim. senhor conhecerá o caminho de ni- faz~n~a já está paga e que eu nem GUIlherme na~ dev~ tardar. (Sai)
re soldos a vara... o senhor deL~asse a vara a dez sol· PATHELIN, apanhando a fazenda ~a C3;1a. Seu falecido pai o conhe- assne contrato nem fiz juramento GUlLHERMINA, so - Valha-me
PATHELIN - Eo senhor diz que dos. .. - Não consinto de modo algum. cia mudo bem. Nunca deixava de me algum. ~eus~ E Santo Onofre milagroso,
não é cara? GUILHERME - Juro que não pes- Só assim osenhor virá à minha casa. cumprimentar quando passava. Mas GUlLHERMINA _ Vá enganar a aJudaI-me nessaempresa, que eu vos
GUILHERME - Atosquiaestá tão sooDoze soldos foi quanto ela me GUILHERME - Mas eu posso ir o senhor não se dá com gente po- outra. Não se esqueça de que esta- promet~ dar u~a v~la de cera... se
dificil. O senhor não sabe como a custou. Estou lhe vendendopelo pre- levandoa fazenda bre... (SOl) mos casadas já há alguns anos. CD- acaso tiver.o dinheIrO que ela custa
fmnda tem subido de preço ... ço de custo. GUILHERME - Será que osenhor GUILHERME, SÓ - Pobre sou nh.eço você como apalma da minha antes de niaha morte. (Sai)
Tenho tido tanto prejuízo! Os tece- PATHELIN - Bem, vá lá. Não desconfia de mim? eu... Eu..• Odinheiro que ele vai mao.
lões aumentaram o preço do traba- vou brigar com ofilho do meu me- GUILHERME - Não, mas acho ~e pagar ficará bem guardado. Bem PATHELIN - Não temos tempo a CENA 4
lho, os carneiros têm morrido de lhor amigo por tão pouco. Osenhor inconveniente que osenhor ande com dIZ o.ditado que não há um esperto perder, por isso vou lhe contar o
.peste ou então pela falta de cuidado pode cortar. fmndas debaixo do braço pela que nao encontre outro mais esperto. caso em duas palavras. Você conhece Primeirolia rua, diante da casa
dos pastores. Eu mesmo estou agora Esse advogado, mestre da trapaça, o mestre Guilherme Côvado? Pois
GUILHERME - Quantas varas? cidade. de Pathelill. Depois no interior.
com um caso desses. le:ou por doze soldos um tecido que bem, é ocomerciante mais avarento Sala. Entardecer.
PATHELlN _ Para mim, uma PATHELIN - E o senhor ficaria
PATHELIN - Qual? nao vale nem nove... e, ladrã~ que já vi, tal qual seu fale-
duas. .. três e meia. Para minha bem carregando fazendas? Não con-
GUILHERME - Um patife de um cldo pai. Pois muito bem eu com ., GU~LHERME, na rua - Creio que
mulher, duas e meia. Ela é alta. .. sentirei nunca em tal coisa. . •
pastor que eu próprio criei, matava- a m~nha lábia, abordei-o f~zendo mil Ja esta na hora de beber o vinho e
e, éisso mesmo. Cinco varas emeia. .GUILHERME - Nada de cenmo- CENA 3 elogIOS aum e a outro, assinalando comer o pato lá do tal doutor Pa-
me os carneiros para comê·los ou Não seis. D1~, doutor Pedro, eu posso levar
vendê.los. Depois vinha dizer que
tinham morrido de peste. Acabei des-
,
GUILHERME - Porque não leva
Imuto bem.
PATHELIN - Seosenhor não tem
Casa de Pathelin. Sala.
a semelhança entre ambos, fazendo- th;lin! Ah! Meu querido dinheiro,
lhe tantas cortesias, que quando che- ate que enfim vou te ver. Meu cora-
cobrindo, eabrincadeira vai lhe sair
cara. FIz queixa ao meirinho e ele
toda a peça? São sete varas. Iconfiança em mim, se acha que sou PATHELlN, ell/rando - Então?
gou a hora de me fiar a fazenda, ção quase para quando me lembro
apesar de gemer, não teve coragem que vendi fiado uma peça de fmn·

===-- __
, PATHEUN - É, está bem. Sobe desonesto, é outra coisa. Mas neste
mandou buscar o pastor para apre-
18 sentá-lo ho~ diante do juiz. Ocana-
Ium pouco, mas não faz mal. caso não lhe faço a injúria de peno
GUILHERMINA - Então o que? de negar. - da. Ho! Ho! Doutor Pedro Pathelin.

~ IIiiIiiiiiioiii~==____-- - -
ÚUlLHERMINA- Que barulho é GUlLHERMINA - Que brincadeira
mais sem graça !Não se estáem hora
GUlLHERMINA- Só um bêbado
pode dizer que um homem doente,
l como fel, fazem uma tal revolta no
meu ventre que parece que tenho um
exército na barriga.
PATHELIN - Não ria assim, ele senhora pensa que tomo gato por
pode escutar.
GUILHERMINA _ Não posso me
lebre?
PATHELIN - Vamos, rápido! De
esse? Se o senhor tem alguma coisa paralsado pelo sofrimento, saiu para
dediversões. GUILHERME - Que é isso? Sou conter quando me lembro da cara pé. Arainha das guitarrasdeu àluz
a dizer, fale baixo. comprar fazenda. Só se fosse uma
GUILHERME - São nove escudos. eu quem está louco ou é o senhor? dele. Enfim, consegui pô-lo para vinte e quatro guitarrinhas. Ela está
GUILHERME - Deus a guarde, mortalha! Mas, o meu dinheiro onde está? fora daqui. aí, façam-na entrar. Ela vem me
minha senhora. Quero já o meu dinheiro!
GUILHERME - Essa estória vai PATHELIN- Corram! Corram!Aí PATHELIN _ Silêncio, que ele po- convidar para o batismo. Quero ser
GUlLHERMINA- Fale bairo. GUlLHERMINA- O senhor está
continuar? vêm eles! Socorro! Estão me ma- de voltar... seu compadre.
doido? Vá contar suas lorotas a
GUILHERME- Mas oque há? outra, ou se é uma brincadeira ela GUlLHERMINA- Vamos, falebai- tando! GUILHERME _ Será possível que G~LHER1UNA ~ ~' pense em
GUlLHERMINA- Eu lhe peço, está muito fora de hora. xo ou vá embora. GUlLHERMINA - Coitadinho, em eu tenha sido enganado por um ado su~~ ai meu bem. DeIXe em paz as
pelo amor de Deus, não grite! GUILHERME - Faça o favor de PATHELIN, de dentro- Guilher· que estadoestá! vogado de água doce? Um joão-nin- gul as.
GUILHERME - Ondeestáseuma- acabar com as suas loucuras, e vá mina, um pouco de água de rosa. GUILHERME - Não sei oquediga guém?Não, voltolá e hei de arraa- I G~LHE~.ME - Qu.e?contadores de
rido? chamar odoutor Pedro. Meu Deus, você me deixa sozinho nemo que pense. Foi ele que veio car o meu dinheiro custe o que ~ndi~es sao esses dOIS. Vamos, meu
aqui! Água, venha depressa! à minha loja? Foi outro?Só se fosse custar. Vejam só, a tal mulher dele dinheuo em ouro ou praIa.
GUlLHERMINA- Meu Deus, onde GUlLHERMINA- Diabos levemo
é que o senhor queria que ele esti- senhor. Então éomomentodefazer GUlLHERMINA- Aí está oque o odiabo. Vamos, minha senhora, di- está rindo ... Esperem aí. Estou GUlLJIERMINA - Será possível
um homem agonizante sair dacama? senhor fez. Opobre homem acordou. ga-me, a senhora não tem um pato muito grossopara pavio. ~ue o senhor ainda não se conven-
vesse? cozinhando?
GUILHERME - O doutor Pedro GUILHERME - Mas nãoé aqui a
GUILHERME - Aindahemo GUlLHERMINA - Meu Deus ele ceu doseu engano.?
não está aí? casa do doutor Pedro Pathein? PATHELIN ., Guilhermina, vem GUlLHERMINA - Ora veja, que me ouviu. Está voltando. .. De~res- GUILHERME - Asenhora jápen-
depressa expulsar toda essa gente pergunta! Havia eu de ter um pato sa, vá se deitar! sou, bela dama, oque significa tudo
GUlLHERMINA - Quisera Deus GUlLHERMINA - Quantas vezes o preta que está aqui fazendo caretas cozinhando, quando meu marido está f.
que ele estivesse com bastante saú- senhor quer que lhe diga que sim? nesse estado? Mestre Guilherme, GUILHERME - He, ho! Abram isso? Nunca UI enganado. Mas, pa-
para mim. Socorro! precure um médico, o senhor não a porta! lavra de hon~a,. ou a faze~da será
de para não estar aqui. Está louco, vá para o hospício.
GUlLHERMlNA - Queé isso, meu está bom da cabeça. G Q 'ta . , paga ou restiluIda, ou então a se-
GUILHERME- Mas o que quer GUILHERME - Asenhora mediz bem?Você não tem juízo de levantar UILHERMINA- ue gn na. nhora e o seu marido serão eníor-
dizer isto? para falar baixo, e grita mais que assim? GUILHERME - É possível, épes- GUILHERME - A senhora está cados. Juro por Deus!
GUlLHERMINA- Coitado do ho- um general em manobras... PATHELIN- Olha esse frade pre- sível, a senhora me estonteou tanto rindo. Ou pensa que não ouvi? G Q
que já nem sei onde estou. Foi ele? . UILHERMINA - ue coragem,
mem... Ele está na cama.. . Onze GUlLHERMINA- É que o senhor to que está voando. Peguem! Pe- GUILHERMINA - Tenho mUIto atormentar assim um doente! Estou
meses de martírio! me faz perder a paciência. Não sei, meu Deus! Ah, meu rico
guem! Ponham-lhe uma estola!Para, dinheiro!Que pesadelo! Enfim, creio motivo para rir, na verdade. vendo, vendobempelos seus modos
GUILHERME- Quem? GUILHERME-'- Basta de estórias. gato! MeuDeus, comoele voa! que não há mais nada a fazer... GUILHERME- Meudinheiro, exi- que osenhor está fora doseu ~ízo.
GUlLHERMINA - Desculpe, mas Já lhe disse queo doutor Pedro me GUlLHERMlNA- Veja como ele Adeus... Será possível? (Sai) jo meu dinheiro. Valha-me Deus! Não bastava meu
.1·
não posso ficar aqui muito tempo. comprousete varas de fazenda hoje, sofre, coitado! I
PATHELIN - Ele já foi? GUILHERMINA - Lá vemosenhor marido.
Tenhoque voltar para perto domeu agora mesmo. GUILHERME - Mas ele caiu GUILHERMINA- Psiu! Ele está comsua estória. É para me divertir? GUILHERME - Que raiva que
doente. GUILHERMlNA- Que? Osenhor doente ao voltar da feira? perto. Rosna maisque um velhocão Escolheu muito mal omomento.Meu tenho de perder assim o meu di-
GUILHERME - Mas quem éoseu continuana sua loucura? Meupobre GUlLHERMINA - Quefeira? de caça. Parece que está sonhando marido já me dá bastante diversão nheiro ...
.doente? marido há onzemeses queestá doen· GUlLHERMINA- Ondetenho mi- .acordado. de um outro gênero. Elecanta, cho- GILHERMINA - Queloucura! Fa-
GUlLHERMINA- Quem háde ser te, pregado na cama, gemendo de nha loja de fazenda? PATHELIN - Quero me levantar. ra, ri, dança falaem línguas diferen- ça o sinal da cruz. Osenhor deve
senão meu marido? cortar o coração, havia de ter hoje PATHELIN- Ah, éosenhor dou- GUlLIIERMINA _ Espere um pcu- íes, de maneira que choro e rio ao estar com uma legião de demônios
GUILHERME - O doutor Pedro
que comprar fazenda na sua loja? tor João? Chegou a tempo. Seus re- co, ele pode ouvir. mesmo tempo. avarentos no corp~, Abrenúncio!
Meu Deus! Como omundo está cheio médios me deram tanta cólica que PATHELIN - Ele, tão desconfia- GUILHERM ~ - Não tenho nada GUILHERME- Quero ser esquar-
Pathelin? degente perversa! estouque não posso. do, acabou caindo como um patinho. que a ~aça nr ou cho~r, o que eu tejado se tornar a vender fazenda
GUlLHERMINA- Não me consta fila do em mm. ha VIida.
que eu tenha outro marido.
GUILHERME- Vamos! meu di- GUILHERME - Que éisso? Ose- GUILHERMINA - É para descon- quero e ser pago o,
OUVIU?

GUILHERME - Masnão háquin-


nheiro! nhor não se lembra de mim? Meu I
tar o que ele rouba dos outros. O . GUILIlERMINA- O. ~nhor ccn- PATHELIN- Madre de Dios, por
GUILIlERMINA - O senhor está dinheiro? homem só falava de pato, sem per- tinua com sua extravaganCIa? mi fé, quiero irme. Que me quieres,
ze minutos que ele esteve comigo e PATHELIN- Eu não tomo mais
bêbado? Só pode ser isso. ceber que ele era um, e de que ta- GUILHERME - Não estou habi- niiía? Venga. Vote monstro. Quie
por sinalmecomproufiado umaJlI.'Ça nenhum remédio que o senhor me manho! tuado a ser pago com palavras. A dinero? No lo tengo, no lo tengo.
de fazenda. Vimaqui para receber GUILHERME- Bêbado eu? Que
desaforo? receitar. Além de serem amargos
O odinheiro.
.1·

GUILHERMINA - Ele tem um tio PATHELIN - Bt bona dies sit vo- a minha fazenda que a minha alma. ,. PATüELlN - Bem, bem, bem... Guilherme e, por fim, PatheM, segui- PATHELIN - Qual nada, senhor
do do pastor.
isto não vem ao caso. Diga sem men· Juiz, opobre pastor não recebia um
espanhol, que era irmão do fIlho da bis. Mag~ter amantissime. Pater AfIna~
ébem verdade que quem faz
aDeus, paga ao Diabo. Meus pobres tir oque fez. vintém.
tia-avó dele, por isso ele fala espa- reverendissime. Quomode bralis,quae
nova? Parisius non sunt ova. lucros, já se foram em boa parte. TEOBALDO - Eu andei matando PATHELIN - Deus vos dê toda a GUILHERME, reconhecendo Pathe-
nhol...
GUILHERMINA - Meu Deus, ele EnfIm, seja tudo pelo amor de Deus. uns carneirinhos... ceisa sem impor-
felicidadeque o vosso coração dse- lin - Seja eu her* se não for ele.
GUILHERME- Ele veio de man- tância.. .
está falando latim, é sinal próximo TEOBAlDO, entrando - Deus o ja, senhor Juiz. Não há erro possível! (Pathelin tapa
sinho e carregou a peça debaixo do o rosto com amão)
braço. Será possível? da morte. Que os anjos e serafms guarde, mestre Guilherme. PATHELIN - Onegócio é grave. OJUIZ - Seja benvindo, doutor.
da corte celeste o assistam... GUlLHERM- Como, seu canalha, Roubo, extorsão, dolo. Estás mal Tome oseu lugar. OJUIZ - Por que osenhor levanta
PATHELIN - Komme ruer.Komme parado.
GUILHERME - Mas que será isso, você tem coragem de aparecer na assim a mão, doutor Pathelin? Está
her, Ach! Was ist das? Mein Gatt! PATHELIN - Salvo vosso respeito,
meu Deus? Ele vai morrer falando, minha frente? TEOBAlDO - Meu Deus, eeu que com dor de dentes?
Wie ist hart dieses Kaufmann! estou bem aqui.
não há sombra de dúvida, ele está TEOBALDO - Mas oque h~ meu não pensei fazer mal algum.•• PATHELIN - Sim, nunca tive uma
GUILHERME - Mas como ele OJUIz - Se há alguma coisa a dor igual. Mas... continuemos o
fala tantas línguas, meu Deus! muito mal. Pobre homem. É melhor bondoso patrão? PATHELIN - Me responde: você debater, vamos depressa com ela para debate.
que eu me v~ ele pode dizer segre- GUlLHER1IE - Como? Você me tem dinheiro para pagar oadvogado
GUlLHEllllNA- Sua mãe era s0- que possa levantar a sessão.
dos que eu não deva ouvir. Certa- mata os carneiros,come acarne,ven- que odefender? OJUIZ, a Guilherme - Vamos,
brinha de um neto de alemão. É por mente não foi ele quem me tirou GUILHERME - Meu advogado continue, acabe depressa.
essa razão que ele fala essa língua. de a lã e ainda tem a petulância de TEOBALDO - Tenho sim, uns es-
a fazenda. Deusvos guarde, belada- cudos de ouro, daqueles quetêm uma vem já. Ele está acabando um negá-
aparecer na minha frente? GUILHERME- Éele, não há dúvi-
PATHELlN- Hc, signore mio, que ma. Desculpe-me pelo incômodo. coroa marcada. cio rápido. Peçoo favor de esperar
TEOBALDO - Porquenão, patrão? da, foi aele que vendi sete varas de
me vol cose mercatore? Argento? Mas jurava que era ele quem tinha umpouquinho.
Eu sei que osenhor éo melhor dos PATHEllN - Ah, então sua causa fazenda.
Nonabiamo noi,esi volio unopicco- mecomprado afazenda Iisdo .. . OJUIZ - Não pode ser. Tenho
loasso, lo daré, stupido huomo! homens. é boa. É ótima mesmo. .. Vou lhe O JUIZ - Porque o senhor fala
GUILHER1I1NA - Adeus, que os ensinar um excelente meio para suaoutras causas para ouvir. Se a parte defazenda?
GUlLHER1IE- Queé isso? Deu· anjos oacompanhem. Reze por mim. GUILHElllE- Chega! Só falarei contrária está presente, exponha o
contigo diálltedojuiz: (Sai) . defesa.· Venha cá. (Cochichando) PATHELIN - Ele delira, senhor -
lhe na teima de falar todas as lín- Osenhor bem vê em que sofrimento caso rapidainente. Osenhor não éo Juiz, porque não sabe concluir. Natu-
Você.. . entendeu?
guas do mundo? Se ao menos ele estou. (Guilherme sai) Então, sou TEOBAlDO, só - Estou bem arran- queixoso?
me desse meu dinheiro eu ia embora. TEOBALDO - Nãoé difícil. Farei ralmente ensinaram-lhe a lição para
ou não sou uma digna esposa? Meu jado. Desta vez o negócio é sério. GUlLHElll - Sim, senhor.
exatamente oque osenhor está mano recitar diante do tribunal, e ele se
GUlLHERMINA- Que homem o Deus, como conseguimos enganá. Tenho que arranjar um advogado.Me
dando. OJUIZ - Quemé odefensor do esqueceu.Porisso vaidando por paus
senhor é! Já se viu maior maldade? lo.. . disserarn que por aqui há um. Se não epor pedras.
réu? Está presente?
quando se há de convencer da ver- PATHELlN- Elesaiuresmungan- me engano éessa casa... Ô de dea- PATHELIN - Então, fique tran-
GUILHElllE- Sim, ei·lo que não GUILHERME - Seja eu enforcado,
dade? do, estonteado, jurando ter visto o tro! qüilo. Garanto o bom resultado do
diz uma palavra, sóDeus sabeoque sefoiaoutro quevendiminha fazen-
PATHELIN - If you please, sir, diabo em meu lugar. Bom proveito PATHELIN, dedentro - Quem é? seuprocesso - (Olhando em torno)
.. pensa da de Ruão.
what you wiIl? Money? Money? I lhefaça. TEOBALDO - Deus oguarde, meu
"

Agora vá-se embora. Não convém


PATHELIN- Onde esse malvado
don't Get oul. .. Get oul... Oh GUILHERMINA - Ra-ha-ha-ha! queo vejam comigo (Teobaldo SIIl) OJUIZ - Jáque todos estão pre-
senhor. Osenhor não é advogado? vai buscar essas invenções para
(Entra e vira-se meio confl/sa para sentes, comecemos logo.
A!guma coisa há de vir. Esse pastor
God... God! PATHELIN - Sim, e você com aumentar a culpa do pastor que é
Patlrelin) Você não acha que o que nao me marece tão inocente como GUILHERME - Eis minha queixa: sua vítima? Ele quer dizer, eu coa-
GUlLHElllE - Que língua rene- isso? se faz, mas enfIm... Se ele não tem
gada! Será possível que ele não se nós fizemos foi muito feio? eduquei por caridade este pastor aqui preendo muito bem,que opastor ven-
TEOBALDO, hwnilde- É que que· escudos de ouro, alguma coisa há de
presente, equando ojulguei bastante deu alã de quefoi feita minha roupa.
·cale? PATHELIN, embaraçado - Bem.. . ria consultá-lo sobre um caso muito ter. Ena situação em que estou, tudo
forte, mandei-o para o campo para Vejam que maldade! Não basta a
GUILHERMINA - Oavô do irmão eu.., Ora, ladrão que rouba ladrão. grave... que cai na rede épeixe. apascentar meus rebanhos. Juro por acusação mentirosa de que o pastor
do cunhado dele era in~ês, e lhe PATHELIN - Bem, vejamos... Deus, senhor Juiz, queétão verdade lhe roubou só os carneiros, épreciso
ensinouafalar alíngua. TEOBALDO - Eu recebi hoje, por como estar o senhor sentado nessa acusá·lo de ter roubado uma fazenda
CENA 5
GUILHERME- Minha Nossa Se· umhomem de roupa riscada, aordem CENA 6 cadeira eesse miserável, abusando da que comprei há mais de três anos!
nhora, estarei sonhando? Foi ele ou de comparecer diantedojuiz. minha confIança fez tal morticínio GUILHERME- Deus me dêfebres
foi outro que foi àminha loja, ou Rua. Anoitece.
PATHELIN- Iii... o negócio é OTribunal entre os meus carneiros que.. . quartãs se o senhor não tem o meu
foi o demo por ele? Juraria que foi mau. Quefoi que você fez? OJUIZ - Vejamos, ele era seu tecido.
ele quem esteve comigo há meia GUILHERME, - só - Foi sem
TEOBALDO - Nada de mais.. . i Entram primeiro ojuiz eoescrivão, empregado? O senhor lhe pagava OJUIZ - Calma. Onde estamos
hora... estou tonto... não sei o dúvida odiabo que veiometentar na
forma daquele advogado. Antes tenha Meu patrão éum miserável sovina...
I que tomam seus lugares. A seguir, ordenado? nós? Osenhor não sabe o que diz.
2 que pense. I

+
Volte àsua causa semfazer o tribu- o caso me faz enraivecer. .. Porém
meus lábios nãose abrirãom ais sobre
GUILHERME - Nada, senhor juiz.
Isso não vem ao caso.Oque eu posso
r PATHELlN- Não há nada afazer.
O pob~ezinho é idiota mesmo. Veja
minha conc~usõ es. Juro-Ihe que em
tudo que disse não houve mentira
OJUIZ- É verdade, eujá havia
me esquecido. Deus o guarde. (Sai)
nal perder tempo com suas asneiras. V. Ex~a. senhor Juiz, até que ponto nemdesejo de caçoada.
afirmar é que o doutor Pedro é o GUILHERME- Ah, doutor Pedro,
PATHELIN, rindo - Esou louco essa questão. Por hoje ao menos, por- maior trapaceiro, mas isso fica para mode Ir a maldade humana. Esse OJUIZ- Oque prova queose· queodiabo me leve se osenhor não
de dor dedentes,e não possodeixar que isso não ficará assim. Eis, por- outra vez; trata-se agora dos meus homem.tem corajem detrazer perante nhor é realmente louco, e eu não é o maior trapaceiro do mundo!
de rir. Ele está tão embaraçado que tanto, ocaso do pastor: eudizia que carneiros. este tnbunal respeitável um pobre estou aqui para perder tempo com Então. .. minhafazenda,meudinhei-
não sabe mais o que dizer. Senhor ele guardava sete varas de fazenda, idiota, vítima de seus maus tratos loucos. ro, sua doença?
OJUIZ - Vamos, trate de lea-
Juiz, é preciso lembrar-lhe onde ele quer dizer, meus rebanhos, perdão, paraacusá-lo de umcrime que ocoi:
foi um engano. Esse senhor pastor, brar-sebemdosfatoseconclua logo. tado nunca poderia ter cometido e GUILHERME - Eeles vão-se em- ! ATHELIN- Sempre a mesma
estava.
quando devia estar nos campos, dis- i~to porquenão quer lhe pagar o s~lá. bora semque eu seja ouvido? cosa Osenhordeviamudarde nota
OJUIZ- Vamos, volte aos seus se-me que eu teria em pagamento GUILHERME - Estouconfuso, se-
nhor Juiz, peço-vos que interrogueis no de anos de trabalho. Ele, que .,OJUIZ - Osenhor não acha que porque esta já está monótona. E~
carneiros. Oque équeaconteceu? escudosdeouro.. . não, quero dizer, novamente esse patife. Vejamos o doente? Esa é grande!
GUILHERME- Ele comprou sete quando ele começou a guardar os devia ser o réu, traz ao banco dos JafezotnlJUnal perder muito tempo?
que ele tem para dizer. Elebem que culpados um inocente como ave de GUILHERME - Não está doente?
varas enove escudos. meusrebanhos, mrometeu-meum ex- sabe falar... ./: . . '
rapma que não quer soltar a presa
GUILHERME - Que a causa seja
Ispee, aí, vou já, j~ à sua casa.
OJUIZ - Estsmos todos loucos? celente jantar com pato... Mas o I ao menos adiada .. . (Sai)
OJUIZ, irritado - Mas... por nada. (A Guilherme) Masenga-
Ondeosenhor pensaqueestá? queestou dizendo? Desculpe-me, se- na-se, homem perverso!OJuiz, diante O JUIZ- Adiada para que? O PATHELIN- É isso, vá ver se eu
PATHELIN- Senhor Juiz, esse nhor Juiz, queria dizer que esse paíi- PATHELlN- Opobre pastor não senhor é um louco e esse rapaz um
podefalar por si mesmo, nem saberá dequem está,jamais se deixará enga- estou doente. (A Teobaldo) Então,
homem toma V. Excia., com perdão fe do pastor jurou-me guardar sem nar pelos malvados. Sua alta inteli· sandeu. Com tal gente é impossível Teobaldo, teveounão teve sucessoa
da palavra, por um tolo. A julgar traição nem dolo os meus carneiros. responder às acusações quelheforam um processo.
feitas. Se V. Excia. permitir, eu fala- gênc!a, seu profundo saber, já des- minha idéia?
pelo seu exterior, no entanto, parece Pois bem, eleos matava sem piedade, ..c~bnralll naincoerência de sua quei- PATHELIN - V. Excia. diz bem. TEOBALDO - Bé!
um homem debem. Proponho que se e agora nega tudo: dinheiro efazen- rei por ele.
xa, como na idiotice do pastor onde Não é poss!vellidar-secom tais pes-
i.nterrogue oacusado. da. Ah, doutor Pedro, isso não OJUIZ - Osenhor quer assistí· soas, por ISSO peço a quitação de PATIlLIN - Vamos,fale direito -
está averdade.. . ' Jáacabou afarsa. .
OJuIZ - Osenhor tem razão. Ele se faz! Sim, senhor Juiz, esse canalha lo? Creio que só terá aborrecimentos meu cliente.
O JUIZ - O senhor tem razão. TEOBALDO - Bebé!
deve conhecê·lo poisoqueixoso éseu de pastor m atava-me sem temor de sem proveito nenhum. Este pastor é um débil mental. Não O JUIZ - Com toda razão. (A
patrão. Adiante-se. Fale. Deus todos os carneiros; quandoele PATHELlN- Nem quero ter lucro. TEOBAI.DO - Beé!
pode, portanto, responder aprocesso. Teobaldo) Vá, você está livre, otrio
se pilhou com apeça defazendade- Tenho pena de ver um pobrezinho PATHELlX- Já lhe dissequefale
TEOBALDO - Béé! Dementis non sunt sl/bjeetis jl/ris. bunal reconhece sua inocência. Não
baixo dobraço, disse-me que fosse à sem defesa, exposto às malévolas
OJUIZ- Está aí um outro caso. sua casa .. .
O que quer dizer bé? Eu sou por acusações de um perverso. Quando se
acaso cabra ou bode? Vamos, fale deasneiras. Sua queixanãotem rima ~~!q, .Q_l.u.q9-.~~O in~ Com
OJUIz - Cale·se! Cale-se! Basta
I GUILHERME- Juro queV. Excia.
se engana. Juro que esse patife tem
mais bom sensodo queeu.
se preocupe mais com as calúnias
levantadas contra sua pessoa. Não
v~lt~ ~~ que um oficial de justiça
direito. Vamos, meupagamento.
TEOBALDO - Beé!
PATlfELIN- Que é isso? Você
direito. permissão de V. Excia. vou interro- PATHELIN- Só estareflexãomos- va mlIma·lo. quer me burlar, a mim o homem
nem razão.Osenhor éum louco!Ora gar oacusado.Aproxime-se meu ami· + '. . '
mas esperto desta cidade? Vamos
TEOBALDO - Bé! vejam: só fala de carneiros, depois go. Você me entende? Vamos, fale! Ira bem o queéo queixoso. Diante GUILHERME - Masistonãopode
de um tribunal quereconheceadebi- ser, se~hor Juiz. Esse pastor é um meu dinheiro, já, senão vou busca;
OJUIZ- Você está caçoando de emendacom fazenda, com pato, com um soldado.
jantar,comescudosdeouro... Qual! TEOBALDO - Beé! lidade mental do pobre pastor ele tratante, um ladrão. .. Eu posso ...
mim? ousa proclamar o perfeito juizo do
PATHELIN - Oqueé? Explique-se TEOBALDO - Beé!
PATHELIN - Pobrezinho! Não, Só mesmo umlouco. Isto aqui não é acusado. Senhor Juiz, paraevitar de-
PATHELlN- Osenhor persiste na
sua loucura? . ~ATHELIN - Não tirarei nada.
senhor Juiz, jamais ele faria isso. É manicômio. melhor.
longas ineptas, mande emboraopas-
PATHELIN- Naturalmenteépor- Sera mossível queeu tenha caido no
porque ele é um atoleimado pelos TEOBALDO - Beé! toro GUIL HER~t E - Osenhordeviater
que ele tem a consciência pesada de meu. próprio ardil? Eque um cam-
maus tratos do patrão. PATHELlN- Sempre a mesma O Jniz - Sim, é o que resta a ver~onha .e não falar mais comigo,
pores, uma criança, uma raposinha
GUILHERME - Quero ser apedre- não pagar ao pobre mastor e ainda coisa. Você não está vendo que os fazer. OUVIU? Mmhafazenda,onde estáela?
engane uma velha raposa matreira?
jado se não foi aosenhor que vendi por cima inventar um processo ao seus interesses estão em jogo? Res- GUILHERME - Eleseráabsolvido OJUIZ- Vamos, eutenho mais Espere um pouco, miserável. eu vou
minha fazenda! (Ao Juiz) V. Excia. coitado. panda direito. sem que eu tenha pleiteado? que fazer do que estar ouvindo lou- buscar quem faça você faiar. Olá.
não sabe com que malícia... GUILHERME - O senhor faria TEOBALOO - Beé. ~uras. Dou.lor Pedro, o senhor quer soldado! Olá, soldado! (Sai)
OJUIz- Porquenão? Seosenhor
OJUIZ- Cale-se! Osenhor está bem em calar-se, ouviu? Minhafazen· PATIIELlN - Diga ao menos sim
I '
I
além delouconão diz coisa com roi- Jantar comigo? T:OBALDO - Se ele me agarrar,
louco? Deixe de parteofatoacessó- da, onde está ela? Não é o senhor ou não. Não me entende? (Baixo) sa, e eleé um enfermomental? GUILHERME - Janlar? consmto emser preso.
rio e venha aofato principal. que a tem?
Muito bem, continue adizer isto.. . ~UILHERME - Suplico a V. PATHELIN- Agradeço-Ihe muito, PATIlELlN, voltando - Oque?
GUILHERME- &tábem, juro não OJUIZ- Oque é queo doutor
TEOBALOO - Beé. ExCla, que medeixeaomenosexpor mas os meus dentes... TEOBALDO - Beé!
tocar mais no caso da fazenda. Mas Pedro tem?
oPASTELÃO BALANDROr - Mas se enforca
muita gente por não poder pagar o
que deve! Eeu, se não teDtar q~al-
'"
CENA 2 GAUTHIER - Útimo! Só entregue
opastelão à pessoa que lhe fizer um
BALANDROr - De comer? Vá
dizendo!
E ATORTA quer coisa, só meresta ficar aqu., ,de
GAUTHIER (Aparecendo à porta)
Meu amigo, eu não tenho dinheiro.
certo sinal.
JULIÃO (Pausadamente) B o se-
boca aberta, àespera de algum plte~, MARION - Equal será esse sinal? guinte: Vá Desse seu passinho em
b minha mulher quem guarda abolsa GAUTHIER - Nem bilhetes, nem
que não tem razão nenhu~a de Vir direção daquela casa onde mora a
e, no momento, ela Dão está. Mas conl'ersa. Arranjarei um moleque ou
parar sorinho no meu estomago... encantadora pasteleira. (À parte)
passe lá por volta do Natal enós lhe um yelhote qualquer desempregado.
pobre estômago. .. Ah! meu pobre Cruzes!Encantadora!Uma fechadura
PERSONAGENS: daremos uma boaesmola.
estomagorinho... Meu mensageiro se dará a conhecer de cadeia tem melhor aspecto. Supo-
BALANDROr JULIÃo - Avida é dura mesmo. segurando o dedo mindinho assim nhamos que você lhe diga...
Balandrot resmunga ese afasta. (númica). Aeste sinal você entregará BALANDROT - Inútil! Ela já me
JuLIÃo Em vez de falar do seu estômago,
GAUTHIER faríamos melhor negócio se descobris- opastelão eodespacha logo. deu um bruto fora!
MARION semos um meio de comer sem ir para l
MARION (Repete a mímica sov- JULIÃO - &cote aqui. Suponha-
a forca. (Cada um procura de um
L t,
CENA 3 nha) Até logo. mos que você lhe diga: venho da
lado). parte do seu Gauthier buscar um cer-
JULIÃO (Aproxima-se da casa ge- Ele sai eMarion repete mais uma to pastelão que ele espera para um
BAUNDROT - Ah! mendo) Boa gente, uma esmola, pois banquete.
vezamímica eentra em casa.
CENA 1 JULIÃO - Ah! sou muito desgraçado. (Pausa. Grita BALANDROr - Bem...
BALANDROr - Não. (Continua com raiva) Estou dizendo que sou JULIÃo - Compreendeu?
BALANDROT (Passeando pela cena procurando) um desgraçado eque preciso dequal-
com as mãos no bolso e a cabeça CENA 5 BALANDRor - Sim:Venho da par-
JuLIÃo- Ah! quer coisa para por no estômago. te do seu Pastelão...
enterrada nos ombros) Brrrr...
BALANDROr - Ah! MARION (Aparece) Meu marido JULIÃo (Gritando) Venho da par-
BIT... BAUNDROT (Entrando, observa
JULIÃO - Diabo! Não vejo nada não está em casa eéele quem guarda um pouco Juliãoque está deitado nO te de um certo senhor gordo... Não.
JULIÃO (Sentado no banco, com ar
a fazer a não ser ir a um albergue ocofre. Volte lá por S. João que nós Venho da parte do seu Gauthier bus-
triste) Oque éque h~ compadre? lhe daremos uma boa esmola. (Fecha
banco, imóvel, sonhador) Como?
BALANDROr - Este frio me mata, qualquer onde se coma aregalar sem Arranjou alguma coisa? car um certo gordo pastelão...
ajanela)
compadre! Se ao menos tivesse um soltar os cordões da bolsa. 'II JULIÃO (Parodiando) Volte lá por
JULIÃO (Sentado) Bolas! Me ali· BALANDROT - Isso não édifícil.
bom casaco.. . BIT.. . BALANDROr - Eu não conheço ne- I mentaram com palavras. Evocê? JULIÃO - Epara provar que você
JULIÃO - Omeu foi feito num nhum albergue assim. Em toda parte I S. João que lhe daremos uma boa
BAUNDROr - Também. bsempre é mesmo o portador, você tem que
sepaga para comer. b curioso,mas é esmola! Bum oficio engraçado este segurar odedinho de D. Marion assim
grande alfaiate. amesma coisa. b amulher que guar-
assim.
. t'.
de comer sem trabalhar. Ora! Deixe- da abolsa, mas volte pelo Natal que (múnica) . Ande depressa!
BALANDROT - Oque é que h~ mos essa tarefa para o compadre
compadre? JULIÃO (Suspirando) Só nos resta nós lhe daremos uma boa esmola. BALANDROT (Aproxima-se da por-
Balandrot... (Senta no banco) ta, faz o gesto, interroga Julião)
JULIÃO - Este frio também ~e mesmo mendigar de porta em porta. JULIÃO (imitando) Bmeu marido
mata. Também com este casaco tão Saem cada qual para um lado. que tem odinheiro. Nós lhe daremos JULIÃO - Isso mesmo.
ralo. Bem se vê que não sou nenhum BALANDROT (Voltando-se) É! uma boa soma, lá por S. João. BALANDROr (Aproxima-se e torna
CENA 4 avoltar) Mas.. .
ricaço. JULIÃO (Voltando-se) É! BALANDRor - Esta vida é um
BALANDROr - Eeu? Sou por sca- AMBOS - É. buraco! . JULIÃO - Vá, vá!
so milionário? Tenho frio .. . etenho Durante esta cena Julião perma-
nece escondido atrás do banco. BALANDROT - Vou tentar...
fome.. " Estou furioso por não .t~r Juliãocomeça aandar. (Valia subitanlente para Julião) Ese
umsó vintém na bolsa! Isto, deCIdi- Julião sai.
omaridonão tiver saído ainda?
damente não é situação para um GAUTHlER (Saindo da casa) Mu.
JULIÃO- Eu ovi sair com meus
homem 'de minha idade. A m~nos BALANDRor - Tem piedade, meu lher, jantarei na cidade, hoje. Ares- JULIÃO - Que vida, meu Deus! própriosolhos.
No teatro medieval os cenários er~ bom senhor deum pobre fenômeno peito do pastelão,fica combinado que (Pausa) Tive uma idéia!
simultâneos, isto é, todos os 10CillS que... eu arrisque opescoço pedmdo
que tem fo~e duas vezes por dia e mandarei uma pessoa buscá-lo. BALANDROr - Oque?
BALANDROT - Está bem, vou lhe
necessários 110 desenvolvimento da emprestado. .
até três. Uma monstruosidade da na· apertar o dedinho. (Aproxima-se da
ação eram colocados 110 mesmo tem- JULIÃO - Mas não se enforca nn- MARION - Está bem, você sabe JULIÃO - Nada! (Continua andan. casa) Aque ponto chegamos! (Alto)
guém por pedir emprestado. tureza que tenho no estômago. que sem sua ordem não faço nada. do) Se eu lhe indicar um meio...
!6 po em cena. Olá! (Bate) Ú de casa!
~ ~-' --
-- --- -
JULIÃO (Saí esfregando as mãos)
telão) Um pastel. ., um rico pase- I JULIÃO - Miam.. , Miam. : .. ..
,", '.
GAUTHIER (Inquieto) Que é que CENA 10 está mesmo aseu gosto. Mas ele não
lãozinho... (Dança como pastelão) BALANDROr - O pastelamsslmo você quer dizer? mandou buscar também a bebida?
Comeremos regaladamente, antes de
Santo pastel, abençoai opasteleiro, a Pastelão! MARION- O seu portador não BALANDROT (Com volúpia) Ab... JULIÃO - É verdade, já ia mees-
S. João! sua pombinha e asua prole! (Ollia~. JULIÃO _ Miam... Miam... não posso mais nem respirar.
entregou opastelão? quecendo... Esqueço sempre alguma
do o pastelão) Um pastelão nsco JULIÃO - Estou cheio. Uf! Que coisa. Dê-me um vinhozinho ...
que faria descer para oinferno todos GAUTHIER - Que portador?
CENA 6 Saem babando de entusiasmo, jantar! MARION- Quantas garrafas?
o habitantes do paraíso. (Coloca o MARION - Oque veio cá e que,
nl/ma autêntica dança degulodice. BALANDROT - Pois eu (aponta JULIÃO - Quantas? Uma, duas.
BALANDRor - Senhora ... Senho- pos/elão no banco) Senhor pa~tel!
como tinhamos combinado, apertou
para abarriga) tenho um lugarzinho Uma e depois outra.
ra! Senhora! Realíssimo pastelão! Eu te .sa~d~! o meu dedinho.
onde ainda há uma vaga. Uma torta
(Inclina-se respeitosamente) Dlg~lSSl. GAUTHIER (Contendo-se) Às vezes MARION - Vou buscar três.
MARION- Que éque há? com creme, por exemplo, encheria
mo e saborosíssimo senhor. Balan- CENA 9 é contra a vontade que um marido JULIÃO - Estão me tratando como
BALANDROr (De I/ma vez) Venho drol, opobre diabo vos convida esta muito bem este cantinho.
chega ao ponto de dar uma surra na se eu fosse um príncipe. Esses p~s­
d. parte do seu P~te ... do. seu noite para jantar. (Rola ao ciJão,per· mulher. Mas há casos em que isso é
JULIÃO (Eufórico) Talvez, sem for-
teleiros estão nos arranjando um bano
Gauthier. Ele me diSse que viesse nas para oar, de alegria) Um pasíe- GAUTHIER (Entra furioso) Sim çar muito ...
senhor! Que desaforo! Com? é ~ue se preciso para asegurança do lar. (FI/- quete!
buscar um certo pastelão que todos Ião para mim! Um pastelão só para BALANDROT - Então vá bater à
estão esperando para ojantar. dei.~a na porta, esperando lDutilmen: rioso) Você pensa que sou tolo?
mim! (Levantando-se lentamente) te um convidado como eu? Nunca VI porta da pasteleira e traga... Gautliier sai, se aproxima sem ba·
MARION (Desconfiada) Mas antes Um pastelão dentro de mim! (Amo- MARION (Irritada) Mas o que é
g~nte tão grosseira. Chego t~o ale- JULIÃO - Pode deixar, conheço rulho de Julião eUledá uma bofetada.
delhe mandar,não lhe disse ele algu- rosamente) Eu omorderei lentamen- isso? Você sabe muito bem que o
gre, toco a campainha, ensao u~a bem o terreno.
ma palavra.. . algum sinal para eu te, comerei devagarinho.. . ele é pastelão.. .
linda saudação .. . e nada! Gnto BALANDROT - Bem,vá então bus- GAUTHIER - Meu pastelão! Que
saber que o senhor veio mesmo da meu... émeu.. . muito meu ... GAUTHIER (Interrogando-a) Você car a sobremesa desta refeição de
Olá!, digo omeu nome, tomo atocar, fez do meu pastelão? Responda ou ·
parte dele? ocomeu? arcebispo. (Vaí saindo e para) Mas
tomo a saudar e a berrar meu hcn- mando enforcá-lo.
BALANDROr (Confiante) Não disse Julião entra enquanto Balandrot rado nome... enada! (Ameaçador) MARION(SI/focada) Oh! lembre·sê deque somos sócios eque JULIÃO (Defendendo-se) Senhor,
nada,mandou que eu fizesse assim... Mas saberei me vingar. (Bate na Po!- GAUTHIER - Se você o comeu, tudo que arranjar deve ser dividido mentiram·lhe. Nunca vi pastelão
termina aúltima frase.
MARION - É esse o sinal coabi- ta) Agora vou saborear o.pastela? esganada, farei digerí-lo aporretadas! com ooutro. algum em minha vida.
nado. Espere um pouco que vou lá com a minha pequena Manon. (SI; Que fez do pastelão? Vou lhe... JULIÃO - Combinado, meu com- GAUTHIER - Ladrão, canalha!
dentro por opastelão num prato.para BALANDRor (Vendo-o) Ele é nos-
lêncio. Bate com mais força) Sera MARION (Interrompendo) Como padre. Metade para cada um. Toma, patife! (Bate)
que não se perca nenhum pedacmho. so, muito nosso. De nós dois, Julião que hoje todas asportas estão ferha-
ousa me fazer de palhaça, depois de JULIÃO - Meu bom senhor, meu
BALAliDRor - Oh! Fique tranqui· e eu. das para mim? (Bate) ter enchido essa enorme barriga? Balandrot sai. honrado senhor!
la.Teremos ocuidado de comê·lo até MARION- Ué! Porque todo esse Bandido, ordinário, vilão... GAUTHlER - Que fez do meu pas-
a última migalha. barulho? Já de volta? Eojantar com
CENA 8 GAUTHIER - Cale aboca, mulher! telão?
MARION (Voltando) Que d~se? os amigos? CENA II
MARloN - Mentiroso! Patife! JULIÃO - Informaram mal ao meu
BALANDRor - Disse ... disse que GAUTHIER (Mal liwlwrado) Ba~, caro senhor. Nunca vi esse tal pas-
JULIÃO - Você! Ecom o pasíe- bati ninguém respondeu. Meus am- Celerado!
não havia perigo. MARIOl-l (Dedentro) Ai ... ai... telão. Não estou entendendo.. .
Ião! gos 'devemter se esqu:cido ~o dia. I GAUTHIER - Que fez do meu pas- ai... mamãe, estou morta de panca- GAUTHIER - Já vou fazer você
Marion entregao paste/ão. : BALANDROr - Senhor Julião, (Com vozdoce) Mas nao tem I~por­ . f
I
telão, responda! da! Tratar assim sua Marionzinha ... entender. (Bate) Então, comeu ou
apresento-Ihe Sua Alteza, .0 Pastelão, tância, farei afesta sem eles, so com ai... ai .. .
MARION - Já disse que vieram ...
BALANDRor - Terei tanto cuidado nosso convidado desta neite. a minha Marionzinha. I não comeu?
i GAUTHIER - Você insiste em me JULIÃO (Batendo) Óde casa! Abra JULIÃO - Ai! ai! Pare, por favor.
com ele, bela senhora, quanto um JULIÃO - Então? Não disse? E MARIol\' - Pena queanossa mesa I
a parla, boa senhora!
fazer de idiota, quando chego de bar- Sim, comi tudo. Dois, três, quatro,
caolho com seu único olho. você fez um bom trabalho! esteja tão pobre. Só nos resta uma riga vazia e não encontro nada para MARIO~ (Aparecendo) Que de- dez.
BALANDRor (Segurando opaste1ão torta. comer?Vai ver agoraoque é um ma- seja? GAUTlIIER - Não, foi um só. Um
respeitosamente) OSereníssimo Pas- GAurlllER - He! He! Brincalho- rido furioso. JULIÃO - Parece que o pastelão
CENA 7 soberbo pastelão. Toma! Responda!
telão... na.., está se esquecendo do paste- esteve suculento.. . Vim agora bus- Quero o meu pastelão. Onde está
Ião?
BALANDROT (Só ) Ela poderia ao
JULIÃo-Miam... Miam ... Puxa-a para dentrodecasa. Ouve- car a torta. Odedinho, faz favor! ele?
BALANDRor - O pastelaníssimo MARION- Opastelão? Queeu sai- se barulho de pancada e gritos de MARIO ~ - Não é preciso. Você JULIÃO - Ui! Ui! Escondido, se-
menos me desejar bom apetite. ba não existem dois pastelóes. Marion. meparece sincero. (À parte) Atorta nhor.
28 (Olliandoamorosamente para o pas· pastelão .. .
.I

JULIÃO (Entra, rnantando) E a


GAUTIllER - Onde? telão tem que ser omesmo que vem
buscar atorta. Se quisermos comer a torta? DOS JORNAIS presente, faziam no palco do cinema, diante do público
e do Ministro - temos o direito de existirl Dias atrás,
JULIÃo - Num lugar nada fácil de I"'"--.-................,...........
torta, évocê quem deverá buscá·la. BALANDROT (Levantando-se com ECA ~ USP um representante direto do Ministério da Educação (Car-
achar.
BALANDROT - Sempre eu (com ar dificuldade) Não é tão boa quanto o B tb uo t ec a los Alberto Direito, diretor do Conselho Nacional de
GAUTIllER (Levantando abengala) Direito Autoral), numa reunião com representantes de
SlIperior). Você me deixa louco. Soupastelão. Você me jogou num belo
Vou te ajudar, bandido. Onde escon· amassador de pão. Bale como um dublagem, teatro e da televisão, afirmou que provave~
deu opastelão? eu oúnico que sabe oque quer dizer
apalavra trabalho. louco! Mas era preciso dividir, não? BRASIL mente dentro de um ou dois meses (e teve o cuidado c
JULIÃo - Numa barriga... Na a honestidade de não fazer desta estimativa uma nova
JULIÃO - Você tem razão, Balan- JuLIÃo - Era preciso dividir, não
minha senhor pastelão... senhor promessa) a profissão estará finalmente regularizada.
drot. Fará melhor trabalho que eu. era?Não seja ciumento, tive também
Gauthier. Na barriga de meu cea- Ou seja, um pro~to de difícil elaboração, já esta-
Vá buscar a torta. omeu quinhão.
panheiro... Por favor, afaste esse ria praticamente pronto. E mesmo que eventualmente
bastão de mim, que eu conto tudo. BALANDROT - Sim, irei. Ela vale BALANDROT - Que apeste leve o
Ouvi, por acaso, quando estava de- a amolação. Oh! Atorta! Opaste- pasteleiro, a mulher e aquela torta! ATO R EXISTE? contenha lacunas, seria uma aproximação necessária (o
JULIÃO - Opastelão era melhor. que, ~m razão n~m todos ~ncordam) pouco a pouco
cansando ali, ahistória do mensagei· leiro deve ter a mão leve...
podena ser aperfeIçoado. HOJe emendas ou reivindica·
ro e do dedinho de sua senhora. JULIÃo - Ah! Sim, a mão leve. BALANDROr - Melhor? Era sim. ções não podem mais ser incluídas no projeto. É um
GAUTIllER - Edepois? Isso você vai ver logo... Sagrado pastelão! FERNANDO PEIXOTO curioso dilema, que os profissionais já se colocaram: e
JULIÃO - Então minha fome cen- JULIÃO - E depois, não custou se a emenda for picr que osoneto?
vidou meu companheiro para vir bes- nada. Existem exemplos notórios, num passado recente:
car opastelão. CENA 13 BALANDRor - O diabo, a sua Basta lembrar neste sentido um projeto, felizmente já
GAurlllER - Ah, já sei. Eagora, torta! Há muito tempo atares e atrizes de cinema, teatro engavetado, do deputado Léo Simões, que em março de
você veio buscar a torta. BALANDROT (Batendo com força) JULIÃo - Console-se, compadre. .e televisão travam, no Brasil, uma in~ória e quase qui. 1974, chegou a ser aprovado pelo Conselho Federal de
JULIÃO - Mas não sou culpado, Olá! Depressa, minha senhora. (Ma- Comemos antes das festas de S. João. xotesca batalha secular, e profundamente misterio- Educaçãi>:Já no primeiro artigo, procurando definir
meu caro senhor. :a o meu compa· rion aparece) Venho da parte deseu sa, em busca da regulameutação da profissão que exercem pessoas físicas e jurídicas para efeitos legais e discrimi·
BALANDROT - Se agente pudesse
nheiro. Ele viu a torta quando veio marido, para lel'3f a torta. e~ difíceis C?ndições. Luta secular porque, efetivamente, n~do. as categorias ~roflssionais, o projeto começa, sig-
comer mais um pouco até oNatal .. . nificativamente, refenndo-se ao diretor de televisão (e
buscar opastelão emandou·me apa· MARlON - Pois não. Entre. Ose- n~guém mas consegue localizar seus primeiros passos.
nhá-la. Havíamos combinado dividir Ainda no governo de João Goulart, oentão Ministro do nem menciona o diretor de teatro) enumera uma série
nhor deve estar cansado. OIIJam-se como se acabassem de de categorias vazias e nunca definidas no texto da lei,
tudo. BALANDRor - Obrigado, estou decidir qualquer coisa. Trabalho tinha nas mãos um pro~to elaborado por grupo
de atares de São Paulo e Rio, e prometia para dentro eem seu ítem 3, chega a citar: "artistas, atares, cant0-
GAUTIllER - Ahi compreendo, com pressa. I
te, músicos etc:', criando sérias dúvidas na consciência
celerados! Já que dividem tudo, vá MARJON - Oh, sim! Mas tome Os DOIS - Piedade, meu bom I
I-
de poucas semanas sua aprovação definitiva. Oprojeto
certamente caiu com o Ministro. de qualquer um: oque será "artista" (já que não éator
buscar seu companheiro para que ele
alguma coisa. senhor! Alguma coisa para matar a ne~ cantor nem músico; procurar regulamentar uma ~
receba a sua parte nas pancadas. fome de dois pobres diabos que ainda Os governosque se seguiram se mantiveram fiéis à ~o .se~ nem m~o procurar deflní·la já éuma tolice
Senão te mando enforcar. tradição: ~rome ssas, simpatia e encontros, e mais pro- ~nadID1ss1vel) e ~nnC1palmente que profissão será a que
JULIÃO - Muito justo, senhor. Ele entra. Ouve-se avoz de Gaut- não jantaram! messas. DIversos Presidentes da República assumiranl
!Iier. BaruJJw e gritos de Balandrot. e ~agamente des~gnada como "etc:' Assim, é justo que
porque não terá ele oseu quinhão na repetidamente o mesmo compromisso em ocasionais
hOJe, atares e aínzes de teatro. televisão ecinema, aguar.
surra, se eu tive o meu no pastelão? encontros com os representantes da chamada "classe íea-
dem a regulamentação com um misto de entusiasmo e
Voz - Ai, piedade! Ai! ai! Por tral". Em janeiro deste ano, no encerramento do Festival
deCinema de Gramado, no Rio Grande do Sul oatual apatia, desconfiança e esperança, indiferença e ironia. .
piedade!
Ministro do Trabalho, Arnaldo Prieto, reafinn~u publ~ Por outro lado, a regulamentação tem seus inimi.
CE!'{A 12 camente, num cinema lotado, que a lei estaria em vigor gos concretos. Por isso a luta por sua existência possui
Vê-se somente o pé de Gallt!lier dentro do mais curto espaço de tempo possível. Aliás, conotações misteriosas. Os projetas existem esão anuncia·
que oatira para fora. um dos pontos mais significativos do referido festival foi dos (e prometidos) com a mesma freqüência que desa·
BALANDROr (Entrando) Eentão,
eatorta de amêndoas? aexibição de um vigoroso curta·metragem realizado pelo parecem e são providencialmente esquecidos.
GAUTIllER - Eis a íoría, mensa- jovem atar Stepan Necessian sobre a vida do veterano Quem será olobo mau? Os contratados sabem que
JULIÃO - Ah! era de amêndoas?
Meu bom Balandro ~ a senhora é geiro .do diabo! atar Rodolfo Arena: um testemunho dilacerante um por trás de tudo estão as empresas de televisão, que pos-
quem está cuidando dela e me disse: BALANDROT (No chão) Socorro! corajoso e inteligente ato de denúncia. Que, na tela: gri- suem interesses contrários à regulamentação. Atelevisão
Omensageiro que veio buscar opas- Estou morto! Ai! I tava amesma reivindicação que atares eatrizes, de corpo explora seus contratados de maneira aberta, impondo
contratos leoninos, exercendo a in~ória arte da pressão . AMÉRICA DO NORTE
..... cialmente se nãosão membros dogrupo. OFestival foi característico oteatro chicano, istoé, máscaras, corridos,
e da coerção (quem não aceita não trabalha) e .burla realmente criado pelos participantes que estavam orga· fantasia, humor vulgar, num burlesco da militância chi-
as leisexistentes com omaior des~ento. Isto, indu- nizados em brigadas de três a cinco grupos teatrais. As cana, da 1J1Jeração feminina, leninismo marxista e do
sive por que as leis que existem preClS3Il1 ser urgente- respectivas brigadas se revesavam servindo comida, colonialismo cultural Ohumor negro do ado focalizou
me~te reformuladas; deixam margem àesperteza dos que limpando, mantendo debates, laboratórios e críticas. A a co-opção dos lideres chicanos, o heroismo de revolu-
deliberadamente optam pela trapaça. Quem procu~r obra era dividida entre todos assim como o sucesso ou cionários corno Che Guevara e o machismo. Em tudo
examinar o contrato de algum ídolo da Glo~o d~bn­ VI FESTIVAL DE fracasso do festival. houve um senso teatral dentro do teatro que falou dire-
tamente aos participantes do festival que viram a si pró-
rá a triste e ridícula verdade dos des~rotegIdos Ido!os: Ainda que o barrio seja urna das principais razões
obrigação deceder "gentilmente ede livre e espontanea TEATROCIDCANO da existência dos teatros chicanos, o VI Festival foi o prios satirizados em seus próprios recursos.
vontadi' o direito de intérprete sem qualquer re~un e- primeiro a repreenstar para público de bairros ese con- Odécimo ano de existência do Teatro Campesino
ração ( e os tapes são exibidos, com lucro exclUSIVO .e centrar na representação para o bairro como um ob~tivo marca a volta ao seu estilo original e à sua função.
gigantesco para aempresa, em todoo pas, " as ve•zes nas político e estético. Defato, no primeiro dia dofestival, César Chávez pediu que o teatro ajude adifundir a pala-
de urna Vtl em cada Estado, eagora as novelas sao ven- as brigadas trabalharam as vizinhanças em que iriam vra entre os trabalhadores rurais acerca das eleições de
didas para outros paísesdaAmérica do Sul ,e mesmo da representar de modoadislnDuir folhetos e convidar pes- uma união oficial pararepresentá-losna Califórnia. Para
VFestival dos Teatros Chicanos, q~e teve l~g~r
Europa; não custa repisar o caso da repnse do com- na cidade do México em 1974 (verão), foi u~ negocIo soalmente os residentes para o espetáculo. Cada grupo isto eles desenvolveram urna série denovos aclos no estilo
pacto de Sell'(J de Pedra, que a Globo col~c~ u. no ar, ~gantesco e às vezes caótico, envo~vendo mais de 60,0 teatral representou duas vezes: uma na comunidade, e antigo: simples, curto, humorístico, proselitizador. Sua
com grande lucro para si própria, c~m a prOlb.lçao, pela pessoas e mais de 70 grupos teatrais de tod~ ~s Am~. outra para os participantes dofestival que estavam alo- dramatização rápidadalutados trabalhadores rurais com
Censura, de Roque Santeiro, de Dias Gomes . :na casa ricas. Oencontro do ano passado com. a Amenca ~lJ' jadosnaCasade RetiroS.Josédo Colégio Oblata. Desse a Gallo lVines foi um modelo para os teatros no Festi-
detodos os telespectadores estavam atores e atnzes que na patenteouinfelizmente muitos rompImentos, po1Jlicos modooespetáculo da comunidade foi assistidopor uma val, especialmente para aqueles que logo se colocarão a
haviamsido afastados da televisão, outros que traba}~a­ e artísticos, não só entre os tea~os chicanos mas tam· platéia mais .tipica.de bairro.do que pelos savants do serviço da união dos trabalhadores rurais.
vam em outrasemissoras, outros qu~ ~ta~am e~ fenas bém entre os grupos latino-amencanos. ~ encerramento teatro chicano. Finalmente, sábado, oúltimo dia do fes- Umaspecto corrente que muitos teatros enfatizaram
e até mesmo um ator, num dos pnncpas papeis q,u~, do festival da cidade do México foi segUido de batalhas tival, quatro ou cinco teatros representaram ao ar livre foi o da queixa do trabalhador sem documento e seu
na mesma ocasião, passava fome em São Paulo), o dec~­ entre CLEIA e Mascarones no México, assim.como um no Parque de Brackenridge, um lugar predileto de Raza. relacionamento com o trabalhador doméstico, especial-
mo terceiro salário é descontado mensalmente do sala- esfriamento da parte de alguns dos t:atr~s ch~c~no s em As críticas dos espetáculos predominantemente concen- mente o chicano. O Tealro de la Gente (EI Cuenlo de
rio do ator etc. trados na habilidade do teatro particular em contar para la Migra) desenvolveu melhor o tema através de um
relação ao Teatro Campesino por razoes IdeologJ~. , opúhlico do bairro.
Mas porque atores e atr~es se submetem, a ess.e Em contraste com a devastação, os ataques Ideolo- estilomuito similar ao aperfeiçoado pelo Teatro Campe-
tipo de humilhação? Porque ainda se apeg~m a teleVI- ~cos econtra·ataques que caracterizaram a extravaganza Novembro de 1975 marca oficialmente o décimo sino em obras como LA gran carpa de los rascuachis. A
são como uma tábua de salvação, consentmdo e~ se~ na cidade doMéxico, o VI Festival, de j~lho de 1975, aniversário do teatro chicano; foi há dez anos atrás que narração corrida através dos corridos dá a estrutura
explorados para continuar a trab~har e sobreviver. evidenciou disciplina, dedicação eumdese]? decur.ar as o TealTO Campesino foi fundado corno um teatro dcs básica da estória do personagem eseus irmãos chicanos
Para eles a regulamentação poderá VIr a ser um pre~n­ feridas abertas pelo encontro do ano ante~IO:. Abngad.o trabalhadores rurais nos campos de Delano, Califórnia. lutando contra as forças da agri·business, da Imigração
te dos deuses (se atender às suas escondidas pelo Tealro de los Barrios, de Santo Antomo, o Festi- Dessa forma, muitos dos participantes do teatro est~c edo Serviço de Nacionalização, inflação etc. Ouso fun-
agora em seus trinta anos e criando familia. OFestival cional de máscaras, mímicas e caricatura enriquece essa
espectativas). . val teve como assunto dominante ':0 enc?~tro com o refletiu maturidade na direção e também na parte artís-
Por outro lado é evidente que tentar reduz~r _o bairro", um temaque manteve num mvel'pra~co oaspec- sátira dos efeitos do capitalismo sobre os trabalhadores
tica. Trabalho duro e disciplina se evidenciaram não só mexicanos e chicanos.
problema do ator, hoje, à necessidade de t~r proflssao to básico do teatro chicano: a comb~n~çao de ,arte,
nos espetáculos como tambémna participação limitada.
regulamentada, é esconder osol com a p~netra. Apro- política e pensamento social paraum p~b1Jco ~spe~fic? Guadalupe, peça documentária criada e apresentada
. fis'São é um salto de obstáculos numa pista (mercado Um outro aspectofoi emprestar um efeito m~lto sobn? Dos vinte e cinco teatros realizando espetáculos, pelo Tealro de la Esperanza aproveitou os diversos ele-
de trabalho) cada vez maisestrangulada. às festividades: a luta dos trabalhadores rurais na Cal~. quatro dos veterànos apresentaram trabalho indicativos mentos do teatro chicano com perfeição. Oestilo fluido,
fórnia alcançara nível crítico. e logo os grupos teatrais de sua maturidade eodesejo de rever os caminhos per- usode máscaras emímica, criaçãode caricaturas memo-
foram profundamente envolvldo.s. nes:a luta. ~mb~s. as corridosduranteos últimos dezanos. Seuimpacto ~obrc ráveis, assim como a mensageme o impacto da repre-
preocupações produziram a.umflcaçao dos dllerslÍlca- os participantes do festival está fadado a deixar traços sentação fez da peça urna obra-prima dogênero.
dos teatros chicanos no festival de TENAZ. . para o próximo ano e solidificar o profissionalismoque Guadalupe, agora em seu segundo ano de apresen-
OVI Festival foi oprimeiro a reletir e~ seuobr garantirá o futuro do teatro chicano. tação, provavelmente tem os papéis mais difíceis de
tivo, uma prática fundamental. n~ teatro Chlcano:, cr;:l~ OFestival abriu com urna sátirabrincalhona emoro qualquer acto, e o Teatro de la Esperanza exibiu urna
tividade coletiva. Isto é, a malona ~os teatros chlcano, daz sobre os vários estágios do movimento estudantil extraordinária representação deles. Oespetáculo foi um
(De ;\!Ol'illlrnlo, 21/6/76) atualmente cria seu próprio matenal como grupos, e chicano. Os quatro anos decolégio, pelo Tealro Mesliço exemplo de rigorosa disciplina e dedicação por parte
raramente representam peças escritas por autores, espe- de San Diego, incorporou os elementos que tomaram do teatro chicano.
32 Sobre o nesmo assunto, V. cr n. 60
I

Resumindo, o VI Festival de Twros Chícanos exi-


juventude está na base deste impulso porque no teatro .. -

biu o amadurecimento do teatro chicano assim como a


sente encontrar uma forma de comunicação social como
em mais nenhuma arte, Não é de espantar que assim
DEPOIMENTOS
consolidação deestilos euma unidade de espírito senão aconteça, pois a forma de relação direta entre quem faz
de ideologia Junto com esse amadurecimento eviden- e quem assiste é exaltante e cria um entusiasmo febril
ciou-se também uma nova ênfase sobreapreparação para
que responde aos desejos de quem pretende fazer ouvir
o futuro, um apelo pela criação de ma~ teatros para
a sua voz e acha que tem alguma coisa séria a trans- GIANID RA'ITO
crianças e pelamaior integração de crianças nos grupos
de teatro chicana. OFestival desse anoviua volta dos mitir.
grupos deteatroporto-riquenhos da costa leste eaexten- Outros setores não menos importantes com vista à
sivaparticipação de grupos de chicanos eporto-riquenhos formação humana e artística dos nossos jovens são os
do meio-oeste. A expansão avança Os futuros terão que se referem ao teatro infantil e ao teatro de fanto-
ches. Também aqui o impulso começa a ser sensível Afirmando que o "teatro está reassumm'd
lugar em Chicago etalvez em Nova Iorque. Planos em íusar q o ,seu
tanto mais que ele reforça ocampo didático, conferindo ca duedo autor volta a. falar e que a pa
b , I !é"laesláse
estudo para osétimoFestival incluem Seattle como sede "-:
ao teatro uma posição nobre e relevante. nsan o e ver somente Imagem de TV ou barulhe'
possível. nos palcos e est'a afi!DI deescutar novamente a palavra, Ira
NIKOLAS KANELLOS AAssociação portuguesa do Teatro de Amadores
eencarar o teatro co I ar, d
tem contribuido com a sua quota parte no crescimento deiros problemas" o:etourgG e.dR ebate de seus verda-
de todos estes vastos campos mas não pode deixar de , lanm atto preston d .
menta no SNT, sendo entrevistado epol-
tenegro, Fernando Torres e Aldomar~~;rndanda Mon-
(Latin American TheoJrt Rrdew - 9/1/1975) reconheoer que as suas forças são limitadas e as suas
Sobre Teatro Chicana, V. CT n, 59. estruturas insuficientes para tão vastas tarefas, Por tal G' ao.
razão fazemos dois apelos, Oprimeiro, que a juventude la~?i Ra~to nasceu em Millão, em 1916 Send
que agora dá os primeiros passos na descoberta da velha sua famllia mUito ligada ao mundo cultural de Milã o
esempre nova arte que éoTeatro, oprocure fazer uain- rnaturalmente foi se encaminhando para mteresses ' artíso,
do o seu entusiasmo a uma cada vez maior capacidade lCOS..Ce?o entrou em contato com Gordon Crai -
de realização. Osegundo, que todos os amadores comi- fez inclinar-se para a cenografi-- M g que o
Gianni Ratto . Ia. as logo depois
PORTUGAL nuem a colaborar com a APTA para que esta, por 'eu d ~assou amteressar-se pelo cinema chegan
turno, possa igualmente corresponder às exigências oa ser preaiado num concurso de roteiros M .
a guerra foi bringad . . as com
sempre mais constantes eprementes que diariamente lhe no qual servi: d o a ~gressar no exército Italiano,
são postas, Unidos, pois, venceremos e abriremos novos urante mUitos anos ate' que transt 'd
caminhos, sempre empenhados numa harmoniosa e pro- Para a G" reCIa, fu'gm lOdo
. unir-se aos ' . . len o
Mensagem funda ligação com opovo dequesomos parte integrante Na suavoltapara aItália, COm ofinal ~artlsams ~egos,
ao movimento teatral .al aguerra, lIga-se
da Associação Portuguesa de Teatro de· edo qual provimos. lendo trabalbado d tespeC1 mente como cenógrafo
Amadores no Dia do Teatro Amador * Que esta data marque um passo em frente na açãe , uran e sete anos no P' I 'I' '
di Milano e no Scala di M'IIano. lCCO o 1 eatro
dos amadores eos conduza afazerem um teatroque seja
ao mesmo tempo um alimento cultural e uma força no Através de um convite de Mari DeU C
despertar das consciências de todos os portugueses para Sa,ndr? Polonio, vempara o Brasil :nd ~ . osta e
A extraordinária importância que como fenômeno o mundo que os rodeia!
pnaena vez. Sua estréia no Teatro 'b ile, dmge, pel.a
se num verdadeiro suc ras em COnstituI-
MariaDeUa Costa: Can~odat~~:~vfaardaeeAle qu:mlh!O para
social oteatro amador tem tido no nosso país não é de
agora, mas podedizer-sequea alteraçãopolitica provo- APTA - 21 de Março de 1976 , noUl .
cada a partir do dia 25 de Abril de 1974 marcou uma ,/at~ participou ainda do Teatro Brasileiro de COo
nova fase na sua evolução. Esta é caracterizada pela ;~~l: edea CEshcola depTeatro da Bahia, onde dirigiu Três
erupção de grupos de teatro, um pouco por todo o lado, * A Associação Portuguesa de TeatTO de Amadores co- , ecov. ar causa de pr bl .
a que a liberdade para a sua constituição deu origem. memorou o dia do Teatro Amador (21 de março) com uma volta para a Itáli M . o emas pescas,
exposição denominada 'Panorama do Teatro Amador depois de a. as, um convite de Fernanda Mon-
Assim, para além, da formação espontânea de grupos 25 de abril de 1974', com espetáculos de bonecos dedicados às ~enet Ue Fe:ando, !orres, trá-lo de volta novamente
nas tradicionais Colectividades de Cultura eRecreio, têm crianças do Centro de Cultura e Recreio de Ferreira de '!mre, ?d ras , on e parüdpa de Teatro das Sete. Desse pe-
sur~do conjuntos de amadores em clubes desportivos, além de AMãe (Brceht-Gorki), Súplica da Cananiia e Autoda no ' o resultam
A montagens de grandes sucesso do teatro
34
empresas comercia~ , escolas, casas do povo, associações
culturais de variado tipo e muitos independentes. A
LuJilânia. de Gil Vicenle pelos grupos de Inter\'enção Cultural
APkbe eSATI, SNT can.oca: fambembe, de Arthur Azevedo Com a ui a
atras da orelha, de Feydeau; A profissão de s« W~~, 3~
I
... ~ovembro de 1908, na rua da Constituição próximo à
ingressar no teatro de comédi~ pelo atar Palmerim Silo raça Trradentes.
cartazes do . fTeve a sua volta desde a' 10. f'aaoa. os I ai . - A Francesa do Con~ado e "Não
ORIGINAIS
te Exalt
de Bernard Shaw, e Festival de Comédia, reunindo va. Peça: Ofilho sobrenatural. Pedro oSãs ~aI~ requentados teatros da cidade: oSão Maria es, z tmo - Nino Mello em São Paulo Ana
Moliere, Cervantes eMartins Pena. Imediatamente participa do elenco da Companhia
Desligando-se do Teatro das Sete, Ratto dirige ainda Teixeira Pinto nas peças Quando o amor vem, O sol
o Lucind~ ~ ~:~~nC:;~~m~ ~raçaD Tir~~entes,
rua Pedro I o A I
na
,o ecrel? ramaltco na
promovido P~I~ b:~c~Ç~u
ceu um elceio '
tio 3; lugar,num co~curso
mas co ortugues e que mere-
Secorrer o bicho pega, se ffcar o bicho come, de Odu- ea IUll, Rosário, Mimosa, Noite de Carnaval, Aditado-
valdo Vianna Filho e Ferreira Guiar, Dlua leI sed leI, ra. B despedido dessa Companhia por ter adoecido Carioca.
t
na Avenida' Goro': o rua do La~adlo, o República
reire e o Lmco no Largo da
Vianna. Cor~ão a/: do membro do juri, Oduvaldo
de Caboclo (Ri ) e oelo - burleta estreada na Casa
de Oduvaldo Vianna Filho, A grande imprecação diante durante três dias. . C . o por Jararaca eRatinho A Vidn B.
gou onugo - 3 atos com J 'w·
amava o teatro ' . ~n o, portugues solteirão, que sentada em todo o pa~ R~seolIoanderley - repre·n-
das muralhas da cidade, de Peter Weiss, Ralé, de Gorki, Um tio paterno o Bt "
Aconvite de Abel Pera, faz teste para oespetáculo
o Jogo do Poder, seleção de textos de Shakespeare. Iaiá boneca, com direção de Oduvaldo Viana, pai, mon-
Atualmente diri~u Gota d'agua, de Chico Buarque de tagem da Companhia Delorges Caminha e Olga Navar-
bistas, porteiro~ ;coC:~VJa co~.~m bilheteiros, caa- Oliveira e Delorges ~~a E Mayer. Amélia de
espetáculo teatral, " as - , ImClou-se no gosto pelo gabundo - com Jo ' W . ra U/IUl Vez Um Va-
Holanda ePaulo Pontes. ro. Firma então sua posição de galã. Com o sucesso las Gomes do Luc:~ti~~ ~as ?~rai~
do Apolo, do Car- país, por MesquitiU: ::r~~ rep~ntada em todo
"Não sei ainda se vou continuar a dirigir. No mo- alcançado em Iaiá boneca é convidado por Procópio ,_, do São P~ro as ornnhas" do Lírico, ou Especialista em Cora~ão com \;~ d lanoel Pe~ etc.
mento, só me interessa participar de um espetáculo que Fereira para integrar o elenco de sua Companhia. São Oirmão' . pela Cia. Delorges Caminha A an er ey representada
transmita uma idéia. Mesmo que seja um espetáculo des- vários os seus trabalhos com Procópio: Maria Cachucha,
pojado, com um único refletor. O grande espetáculo Oavarento, Ocoração manda, 1830, Obadejo, O bur·
;,. Vasco) empol:~~ ;~~O't J~sé (ddepois Presidente do - co~ Wanderley represeniad:o~~~odN~re~ Noite
. ona,. ~~tuslasta de Leopoldo Froes d
habilidade oral' . o.ea re, emonstrando grande Cazarre. Amo Todas as Mulhe o o ayer c
pelo grande espetáculo não me interessa mais", disse guês fidalgo, O inimigo das mulheres, Escola de mari- Chab representada ela C' tes - com Wanderley,
Gianni Ratto finalizando seu depoimento. dos, Médico à força, Deus lhe pague, Cura da aldeia, tiva, ~J:i,':"~U~ no~ ""00 da me"". ~Fe lhno pcr A;gel c:.,~~p::::~ para c ca~"·
Beijo na face. ve, José de Alencar e ss~d ~ de Qu ércz, João Gra- pela Cia. Luiz Arata OCasca G na a na ArgentIna
Afasta-se da Companhia de Procópio Ferreira, para kespeare eMoliere de as uçoes portuguesas de Shil-
, sua estante.
,leyrepresentada pela' Cia. Dela
Família e OD d
ro~ ': com Wander-
rges mmha. Maluco da
formar uma própria ao lado de Alma Flora e Saiu de
FRANCISCO MORENO Carvalho. Oprojeto frust~ eFrancisco Moreno afasta·se sava V
oltando definitivame t Ri
o~ ano aCasa - ambas com W d I
s~tisfazer pate~~ ~a Ve~elha, Sil~ ~~
na Escola de Med/ e ao em 1926, ingres- representadas por Jayme Costa. Eu eVocê an er ey e
de uma vida regular teatral, passando a participar even·
Entrevistado pelos jornalistas Jota Efegê, José a vontade Praia para fderle y representada pela Cia Palmeirim Wpan-
Arrabal, epelos atares Oswaldo Lourada ePedro Cdes- tualmente de espetáculos.
Delorges Caminh~fulhe~a~~el~ ~p~esenta.da pela Cia.
filho doutor D. rvorosa aspirante a um etem os Carecas sem ' , re·
tino, o atar e atual Presidente da Casa dos Artistas, Em 1950 é eleito Presidente da Casa dos Artistas, continuar. . os anos depois se provava que era inútil
por um mandato de cinco anos. Recebe o maior apoio , sentada no Ginástico Portugues'. er a e- Idem, repre-
Francisco Moreno, em seu depoimento no SNT, deda-
rou ter estreado no teatro como figurante, em 1927, na do então Presidente da República, Getúlio Vargas. No Na verdade deixou a c
Companhiade Operetas Armando Vasconcelos, no espe- término do mandato é substituído por Colé, mas em emprego antes que lhe asa paterna e buscou um
1966 é mais uma vez eleito, onde permanece como Pre- já não lbes eram muito ;~~~~e:n:o:~ d,a. rua, pois
táculo O príncipeOrlofl.
sidente até os dias de h*.
A . d maticas. HELOISA HELENA
Pu~lista, mecânico e jogador do Fluminense, Fran-
cisco Moreno fez sua estréia profissional, a convite do
Francisco Moreno tem participado intensamente de tro COI:: ede Carlos Bittencourt veio aoseu encon-
bailarino Carlos Lisboa, como boy da revista Ondeestá programas de televisão.
na vaga de Chefe do Se rnÇQ
da ,SBAT, em0-01930. . Nacional teatroCa~oca de nasc~:nto, Heloisa Helena, atriz de
Correspo d . ,CInema e teleVlSao foi educada
o gato? Sua carreira foi interrompida, já que a senhora Trabalhei em 180 peças. H* em dia dedico-me n eu-se com representant d I m~esa, sendo orientada ar . por governante
sua mãe dona Concetta Setta Vilar retirou-o do teatro aos velhinhos da Casa dos Artistas. Minha vida foi toda políci~ autoridades e .es, eegados de da vida artística N p a um cammbo bem diverso
aut~r ~a, ~ostrava~lhe bra~leir~s ~~ro
com o auxI1io de dois policiais. Só no início ds década no mundo do espetáculo. Não queria outra. país defendend outras personahdades de todo o Dó . . o entanto, um seu vizinbo G I
eao 01 o e propagando o respeito ao direito de fotos de artistas e
de 30, quando atin~u a maioridade, consegue norma-
lizar sua vida profissional teatral, participando dos
os maoies esmo tempo, em cantata diariamente com ~aCIOnaI~, orgamzando também um teatrinh •
Daniel Roc;a070
se~iço adole~c~~teClO~.~nos
es. do teatro e da música no Brasil _ lina. DaI o entusiasmo desd . o de carto-
espetáculos No, no Nanetle, Flores à clmha, onde fazia DANIEL ROCHA dessa causa ha' rJOu udma mentalidade, posta a pela vida do teatro. Já de idade
odueto com oatar Oswaldo Louzada. cerca e 50 anos. táculos de caridade no Teatro M . ?a IClpoU de espe-
Em 1935 pede a Pedro Celestino para ingressar na Conviveu intensam.nl R dançou. Dessas atua( ,umclpal, onde cantou e
Afirmando que deve ao teatro as "alegrias e segu·
sua companhia deopeertas, em excursão ao sul do país. rança que agora desfruto", a autor Daniel Rocha gra- quinha Gonzaga Gastã~ ~ ~o,m ~I Pederneiras, Chi- Roulien, recém-chegadooe~osP~:u o co?vite de Raul
Participa então de A princero do circo, Viúva alegre vou seu depoimento no Serviço Nacional de Teatro, doso de Men~es, Oduva~elr~. arqu~.s. Porto, Car- ticipar da comédia musicada AI ~~os ~mdos, .para par-
Conde de Lllxemburgo, Sonho de valsa, MOZllrka azul, sendo entrevistado por Olavo de Barros, João Bethen· Armando Gonzaga J o nna, \ mato Correa, getti. A famfiia tentou' . ai u, .e Hennque Pon-
Cabocla bonita, Mano de Minas, Baiadera. Bastos Tigre Carl ' B?racy Camargo, Renato Vianna proíssienal mas" h Impeddl-la de mgressar na vida
court, Raimundo Magalhães e Aldomar Conrado. , os Ittencourt e tantos out ' , o c arme e Raul Roulien co .
Robe~e~~
Deixando a Companhia de Pedro Celestino, traaa- Carioca de nascimento, filho de Carlos da Silva aprendeu a admirar e estimar. ros a quem envolver meus pais e meu avô", declarou Helois:SCgulU
lha em três filmes: Bobo do rei, BombonziniJo e Jovem Rocha e Dna. Dalila Vieira Rocb~ nascido a 14 de na aos seus entrevistadores, Flávio Marinho, 3i
36 lalaravÔ. Pela sua atuação nesses filmes, é convidado a

~===~~-~--
aeto e Aldomar Conrado, em seu depoimento, gravado
para o Brasil, onde estréia no Teatro Recreio com o ...I ensin?u japones e ingles a D Pedro
agraCIOu-lhe com otitulo de Do'
.
II. OImperador possue uma tal ge 'd de
no Serviço Nacional de Teatro.
espetáculo Salada RlISsa. Nessa temporada brasileira, d de F m. Dessa forma ., b . mula-o com apJaus~~~Slte~~ qu~ se o artista erra, esti-
briga com seu marido e resolve permanecer, assinando o ranco na Europa T ki h ,)a atiza- . maIS uma vez e acertar
Tendo participado do filme Alô, Alô, Carnaval, contrato com a Empresa Pascoal Segreto. Seu primeiro se em Dom Franco Olimec~ra ~, Gayataka transformou· Quenamse os Olimech d .
Heloisa Helena em teatro fez: Feia, de Paulo Magalhães, funda oCirco Olimech u~ ~ )a c~do, ~m sete filhos, alual que difIculta a as • o exce~o de burocracia
espetáculo brasileiro éarevista musical Reco-Reco, onde
Carlota JOaljuÍ1Ul, de Raimundo Magalhães, Filomena, tais do Brasil; segundo~ I os m31S.anügos e tradicio- As exigências são de :~~~taçao dos ~lrcOS nas cidades.
estréiaocantor Francisco Alves.
qual é o meu? (Fdomena Marturano) de Eduardo di Pepa Ruiz participa então degrandes sucessos musi· cha, os dois re ec ar~~ Luiz eEdson Olime· desistem de excu .
monar.
m, que muitas vezes os circos
Fdippo, tendo recebido por esses dois últimos espetá- cha, em depoim~tntantes maIS Jovens da fanu1ia Olime·
cais, ou em revistas ou em burletas. Ao lado de Alda T no prestado no Se' N ' - "Mas, diz Luiz Olimech .
cuJos oprêmio de Melhor Atriz do Ano. Na fase dourada Garrido, apresenta várias peças de Freire Júnior, sendo ~tro, sendo entrevistados po r L' .. fVI~ a,c~onal de vitalidade. Ogrande c' a, ocirco está em plena
dos shows de Carlos Machado, foi lady-aooner. inclusive a lançadora da famosa marcha-rancho Luar de DIa, Aldomar Conrado eR be lCUlIO Rios, crííico de O pequenos circos, que eu:~em sempre ,seu público. Os
Tendo acompanhado a televisão, desde o seu iní· Paljuetá, também titnlo do espetáculo.
" . o rto de Cleto. agora unindo-se em tomo dmgran~es dificuldades, estão
Abn meus olhos dentro do' . eum circo só".
cio, é convidada pelo Departamento de Estados Unidos Outros sucessos de Pepa Ruiz nessa época: Cabocla eu e meu primo Edson 'á e .CYCO' aos quatro anos,
para um está~o em Nova Iorque. Em sua volta para o Bonita, Olha àdireita, A malandrinha, l/ha dos amores, fazíamos parte do eJenc~ JT nsaI~vamos: Aos cinco já
Brasil, é convidada por João Calmon para organizar Opoder dos homens e Vamos lá, primeira revista ear- dentro do circo Pude t .t oda minha VIda foi passada
uma equipe de televisão em Recife. Na capital pemam- de . . es emunhar a ascen -
navalesca de Freire Júnior. CIfCOS muito importantes N ca . çao e queda
bucana permanece 7 anos, trabalhando sempre em tele- Com a Companhia Margarida Max fez Bonecas da de outro tipo de profissão Em: penseI em participar
visão. Voltando para o Rio, trabalha em Quarenta Qui- Avenida, Odiamante azul, ingressando depois na Com· desde criança nunca de' :d f ra trabalhando no circo
lates, Tudo no Jardim, OJogo do Sexo e Fal1úlia pouco d ' lxel e requentar a I
panhia Vicente Celestino, onde participa de Alvorada do .e uma lei de Getúlio V esco a.Através
Família, além de participar do elenco de novelas da TV amor, Ben Hur, Opríncipe e o estudante. Terminando CIrCO podia freqüentar qual argas, o filho de artistas de
Globo. Atualmente trabalha na peça de João Bethen- seu contrato com Vicente Celestino, ingressa para a Coa- que ocirco eslivesse atuand~e~li em qualquer lugar
court, Cinderela do Petróleo. panhia Alma Flora, em excursão pelo Norte do país, estava numa escola diferente' a ?rma em cada mês TEATRO DE FRANÇA JUNIOR
apresatsndaos espetáculos: ' Bom que doi, ·de j(lracy " garotos me tratavam com , ~uma CIdade diferente Os
. omaior c 'nh .
Cle de ídolo que lhes' an o.Era uma espé. O SERVIço NACIONAL
prosseguimento ao seu rcsra DE ~TRO, dando
Camargo, A ditadora, de Paulo Magalhães, Amor, de
cias", disse Luiz. ennnava adar saltos, fazer acroba-
PEPA RillZ Oduvaldo Vianna, entre outras. Depois de grande suc.:-sso mente empenhado na edi~ Cd m\de edlçoes, está atual·
dessa excursão, Pepa Ruiz participa da Companhia Procó- • Edson conta que num dete . d ' diógrafo França l' . o as o ras completas do come-
pio Ferreira, em Beijo na Face, DelIS lhe pagul, ecom a çoes .mais famosas circenses muna openodo as atra- àlocar . d unier, Encontrando difIculdades t
A 13 de agosto de 1904, nascida em Malaga, Companhia Jaime Costa, em Cala a boca Etelvina, A pelo Interior, preferindo fica recusa~a~.se a excursionar so!lclta " /Z3çao ealgumas peças tÓvÓr quan o
Espanha, de origem andaluza, Pepa Ruiz foi balizada 9uando o Circo Olimech rnas ~PltaIS. Por causa disto raIS. As colaboração de . ' apos m?m~ra~ pesquisas,
pensão de dona SteIla. peças não localiza~artídcula:es ou mslltulçõcs cultu-
Josefa Maria do Rosário de la Santíssima Trindad Ruiz Jácom Luiz I~ésias , permanece um ano em Portu- IDcluir uma peça de teat a excumonava, foi obrigado ~ as sao:
Puebla. Seu pai possuía uma adega de vinho e como ro em seus espetá' 1
gal, onde surge para Pepa uma nova am~dade: a de peI tar otempo de espelácul cu os, para eoa-
todo bom andaluz dançava e cantava. Por causa disto empresária. A partir dessa longa temporada, passa a Entre os dramas q o, de duração de duas horas 1- Repúblicll modelo
Pepa, desdemuito criança, queria ser bailarina. Por mo- ue apresentamos Ie b .
empresar espetáculos brasileiros em Ponuel e também mulh er que veio de Lo dr ' mro-me de A 2 - Portugueses às direitas
tivos de trabalho, Don José foi para Havana, afim de b A n es, Honraras tlla - F
fixar residência, morrendo na capital cubana. Afamma,
nas antigascolonias portuguêsas da Africa. jáhá 26 anos,
C.
rasa, rosa do Ad~o 1/- A d
' mae, S uas 'rI- P"
mae, erro em 3 - Tnmfo às 1l1'essas
Pepa divide-se entre empresária e administradora, tendo nsto. Em todo circo f h o,las, IlUIlO de 4 - Duas pragas fwniliares
regava de fazer as adapt~~su~.intelectual que se encar-
com odesaparecimento do chefe, vai para Lisboa. administrado durante 14 anos a Companhia Eva Todor,
Pepa começa a estudar dança com uma amiga de sendo atualmente administradora de Dercy Gonçalves. eadaptava para ocirco H . ~a um fIlme ou uma peça 5 - Obeijo de Judas
sua mãeepor causa do progresso alcançado, entra para Tendo estreiado em 1916, Pepa Ruiz comemora Ben Hl/l, Os dez mand. OUI'C CIrco' que chegou amontar 6 - Bendito chapéu
o Conservatório de Lisboa onde, aos 12 anos, obtém o agora 60 anos de teatro, sem nunca ter deixado de íra- ções d ' . amentos. Alem dess 7- De Paris aPetrópolis
.ramabcas, existiam també as representa-
primeiro prêmio: uma Bolsa de Estudos para o Scala balhar somente em teatro. transmItidos de geração m pequenos esquetes 8 - Entrei para oClube Jácome
de Milão. Mas, por ser época de guerra, a família de para geração sem
çam seus autores originais". ,que se conhe-
Pepa prefere enviá·la para a Espanha onde entra para
Qualquer informação sobr
plateia muito especial q , apatéIa do circo euma minhado ao Serviço Nacional de a~ mesmas pod~ ser enca-
o Curso de Bailes Intemacionales. Já participando de "Para Edson eLuiz Olimecha I ,. . ,
espetáculos, apesar da pouca idade, Josefa Maria do Ro- OS OLIMECHAS t' I . ue esta a fIm de 179 _ 79 andar ou . e eatro, Av. RIO Branco,
sário de la Santissima Trindad Ruiz Puebla, passa ausar acu oIngênuo, feérico. Os es ' . ver um espe- ou 242.4436 a~ ~~uDlcadas pelo telefones 252-7361
A tradicional familia circence OIimecha teve sua se recusam a apresentar i pelacu~os Clr~e.nses sempre tião Uchoa Le't S:I a os de ~arlos Miranda ou Sebas·
onome de Pepa Ruiz.
origem num avô Japonês Torakich Gayataka, que depois cunho político. Oadulto ~:df~~ ~als mah~osas ou de e devolvidas ~:'p s ~s .Iocahzadas serão fotografadas
Depois de uma carreira proflS~onal intensa entre detrabalhar em circo na Europa, veio para oBrasil onde quentar
busca das seusações experim en tadas em sua o CI.r~ v~i emE, SNT pelo colabora~~~~~~~da~m o agradecimento do
mfancJa.
38 a Espanha e Portugal, Pepa Ruiz vem, em temporada
_ _ _........ . 3~
PEÇAS DO TEATRO BRASILEIRO
8NT PREMIA VENCEDORES DE 75 r.
I
realizando significa um grande .
o governo do Presidente Ge' tvançodno estImulo que
brasileiro". ise vem ando ao Teatro .
Ianeiro) com apeça "Voce• se lembra daque-
Iede vizinh
oque ficou de cueca na sala de jantar?"
o Serviço Nacional de Teatro está elaborando um O Ministro da Educação Ney Braga entregou 03 E conCluiu, se •refenn. do a' entrega dos prêmios'
L/Ilz Carlos Moreira, 19 lugar da 53 Coo de :
" A•• " Regional (São Paulo) com a ' ./ naçao
fichário abrangente de peças do teatro brasileiro do passa- prêmios
ConcursoServiço Nacional deInfantil
de Dramaturgia Teatroe -Concurso
Concurso 1975,
Universi- mias dosmto-me
ro:>lm N' armente fe1iz. ao entreoar os prê-.
Se ' particul fulgor das estrelas existe". peça ... E o
roço adoaal de T e
do edo presente, com leitura eanálise dos textos, em seu tário de Peças Teatrais, no seu gabinete do Palácio da Concurso Univers't'· d eatro aos laureados do Marcos Caroli Re nd °
Banco de Peças. Encontrando dificuldades quanto àloca- Cultura, no Rio de Janeiro, no último dia lO de junho.
I ano e Peças Teatrais. Re~onal (Paz:au ,e, 1. lugar da.6ª Coordenação
• ~ quando, para mãos certas a, Santa Catanna, Rio Grande
lização de vários textos do passado, pede a colaboração Aesta solenidade estiveram presentes diversas auto- do Sul)
prelDJOs, desejo renovar um ' se. transferem estes Ed G com a peça "Cli temnestra Vive"
de particulares ou entidades quetenham esss textos, ou ridades como o Dr. Manuel Diegues Júnior, Diretor do sempre as atividades teatrais :::~sso : o de apoi~r san uedes de Mo . 10 .
ção R~ona\ ;1I1S'. ' lu~ da 7ª Coordena-
informação sobre a localização dos mesmos. Os textos Departamento de Assuntos Culturais, do Ministério da abrangente, pois vamos multi li ocada vez maIS com a peça "M( rasília, GOlas, Mato Grosso)
procurados são: I) Autos sacramentais, de Gonçalo Educação e Cultura; Sr. Roberto Parreira, Diretor-Exe- fizado até agera". p car oque vem sendo rea- . onstro' Besta-Fera, co mo saiu. nos
jomais",
Ravasco Cavalcanti de Albuquerque (1639-1725); 2) cutivo da FUNARTE (Fundação Nacional de Arte);
Aconstância do triunfo, de José Borges de Barros (1657- além de inúmeros representantes da classe teatral que pres- São os seguintes os autores premiados: Oprimeiro colocado em d
1715); 3) textos perdidos de Tomás do Couto, Jesuíta ti~aram oacontecimento.
(1668-1715); 4) Santa Felicidade eseus filhos, de Frei Abrindo a solenidade, o Diretor do SNT, Orlando
r' Regionais receberá um . .ca auma das Coordenações
Cr$ 15 00000 ( . pre.lDJo em dinheiro no valor de
. , qumze mil cru' ) al '
Francisco Xavier de Santa Teresa (1686-1737); 5) Miranda afrrmou que "o texto teatral merece todo oapoio DRAMATURGIA INFANTIL 1975 para amontagem do te t
xo. zeros), em do auxílio
Sacrificium Jephte sacrum, eoutras tragédias de Salvador teatro,
possível,irádesde que, sendoàsoelemento
testemunhar gerações que permanece
futuras, sobre noo Maria Arminda Fauue
l_L IIadeSouza Aguiar 10 1
de Mesquita (1646-1); 6) Amor mal compreendido, demomento..que .vivemos, sobre as nossas inquetaçóes, com oAuto Pastoril "Azul ' . ugar
R' ou encarnado" PI®.tIO SERVIÇO NACIONAL
Luís Alves Pinto (Século XVlI); 7) a marido confundido, angústias e alegrias"~ .. . . lcardo Mack Filgueiras 20 I .
cas de Papiro". " ugar com a peça "Pipó- DE TEATRO-I975
de Alexandre de Gusmão (1695-1753); 8) Parnaro E acrescentou, como medidas a serem tomadas na
obsequioso, de Cláudio Manuel da Costa (1729-1789) ; área teatral, a criação no segundo semestre de 76 do João das Neves, 3°. Iugarcom a "AI Marco Venício de Andrade 10 I
9) Enéas no úício, deAlvarenga Peixoto; 10) texto de Prêmio MEC de Teatro para estimular os elementos inte- Vale da Luz". peça enda do "Domingo, Zeppelin".' . ugar com a peça
Sotério Silva Ribeiro (Frei Manuel da Madre de Deus) grantes do espetáculo,que se destaquem nos seus melhores Aos 19, 29 e 39 coube . adir Ramos da Costa ?O Iumcom a pe "So h
publicado na Revista do Instituto Histórico eGeográfico trabalhos"; além "da criação do Projeto-Criança com o em dinheiro de cs 15 Cr$ iorespectlVame~te o prêmio i » :

de uma noite de V( " ça no


Brasileiro, tomo 99, vaI. 153, Rio, 1928; 11) a dia de ob~tivo de uma integração do fenômeno teatral com o
, eCr$ 5, (mI! cruzeiros).
"Boca de Leão". eano ou "Bambaia" ou
júbilo para osamantes da liberdade ou A queda do tira- mundo infantil"; do "projeto-Memória, com o re~stro Ricardo Meireles Vieira' 30. Iugarcom "Opalácio dos
no, de Camilo José do Rosário Guedes (início do Século definitivo dos acontecimentos que eimpulsionam o teatro CONCURSO UNIVERSITmO
. urubus".
brasileiro";"a aquisição, reforma construção de casas DE PEÇAS
XIX) ; 12) Prólogo dramático, Angélica, Firmino e Está- de espetáculos nas diversas áreas do nosso país" e, por TEATRAIS O . .
. . prunelro colocado receberá •.
/lia anlOzônica, de Manuel Araújo Porto Alegre; 13) a fim,"avolta da Companhia Dranuítica Brasileira que terá dmhelfO no valor de CrS 50 00 .um.. preme em
zeiros), osegundo os 30 000 0,00 (cmque.ntamil cru-
grandecalifa da Bagdad, de Luis Vicente di Simoni (1792- como característica especial a montagem de textos cujas João ::~~s~:~:~ W(Amureiro, 19luga~ da HCoorde-
188\); 14) Clitemestra e Amador Bueno, de Joaquim dificuldades de produção e investimento dificultam sua • . I>' azonas Para, Acre Am ' eoterceiro Cr$ 15.00000'( ;,00 (t~nta m!J cruzeiros)
, qume mil cruzeiros).
Rondoma e Roraima) co'm :. apa,
Norberto (1820-1891); 15) Femandes Vieira ou Per- execução. Ira". a peça Ilha da
nambuco libertado, de Luis Antonio Burgain; 16) Comé· OMinistro Ney Braga, antes de entregar os prêmios,
lia ou a cavaleiro teutônico, de Teixeira e Souza; 17) também fez uso da palavra destacando opapel do teatro Luiz r:noco Filho: José ~dmir Maciel, 19 luoai da
q",~U" peça de Agrário Meneses, erteto Cala'''; 1&) q~
d<dacando "oteatro é povo, éo,"coalro, é alegi- cear~o~~ndao Regional (Maranhão oPi~uí MEC PAGA PRÊMIOS
Tigre:. 10 rande do Norte) com a ~ça "O
Oromance de II1n moço rico e Joana de Flandres ou A tima expressão da cultura, é a sintonia de vibração inte-
rior do atar com aplatéia que recebe eparticipa do sea-
O Serviço Nacional de T .. ,
volta do cn/zado, deSalvador de Mendonça. timento da alma do autor. Seja clássico ou popular, no Maria d~ Soco~ro Mal/oso, 19 lugar da 3ª Co d Educação e Cultura em . t d eatro do MIDlsterio da
Qualquer informação deve ser diri~da ao Serviço teatro está osentimento das gentes, oretrato das épocas, ~çao RegBlon~1 (Paraíba, Pernambuco, Se~~pee- os restos apagar relativos a 1975 f c I o l'Irados
, vir ue de terom sid be
agoas, ahia) com a peç "D ,. ' dos prêmios referentes ao' m ' eetu~u opagamento
Nacional de Teatro, Av. Rio Branco, 179,79 andar, ou asintese da cultura de cada povo". renço". a orotêia Lou-
comunicada pelos telefones: 252-7361 e 142-44-36, pro- Ressaltou ainda o Ministro "O trabalho - com nais einfantis nos Estado~ deI~re~ espeta~ulos profissio-
curando Carlos Miranda ou Sebastião Uchoa Leite. O resultados gratificantes para todos nós - que oDiretor Ricar~o Mei~eles Vieira, 19 lugar da 4ª Coo d Paraná, Rio Grande do Sul °B hl~ e Jla~eIro, São Paulo,
40 SNT agradecerá acolaboração. . do Serviço Nacional de Teatro, Orlando Miranda, está
çao Re010nal
I>'
(Mi nas Geras, Rio os premias
. Espírito Santo,r ena- •. ' a la e IItinas be
relativo ao FestivaIde Teatro Amador.
, mcomo, 41
COR DE ROSA de LeHah Assumpção
RIO DE JANEIRO 4, RODA AS CRIANÇAS NO PODER de Roger 2. A HISTORIA DE LENÇOS E VENTOS de Ilo
5, VICTOR ou Krugli 2~ Coordenação: TEMPO DE ESPERA de A1do Leite
Vitrac P u1ista de - Associação Maranhense de Artistas
Teatro para adultos: Comissão Julgadora: João Augusto de Azevedo, Intelectuais
Comissão Julgadora: Associação a
CINCO MELHORES FSPETÁCULOS Críticos de Arte Juarez Paraiso, Dulce de 3~ Coordenação: OSOL FERIU ATERRA EACHA.
- 1975 Aquino e Rinaldo Rossi
GA SE ALASTROU de ViW Santos
Prêmio de Cr$ 30.000,00 Teatro para crianças: ÁCULOS - Grupo de Cultura Teatral de
CINCO MELHORES ESPET Caruaru
I ANOITE DOS CAMPEÕES de Jason MHler CURITIBA
-1975 4~ Coordenação: PEWS CAMINHOS DE MINAS de
2: CORPO ACORPO de Odu~do Vianna FIlho Prêmio de Cr$ 10.000,00 Jota Dangelo - OGrupo (ex-Teatro
3 MOCKINPOTT de Peter WelSS DOIS MELHORFS ESPETÁCULOS ExperimenW)
4: OVOO DOS PASSARaS SELVAGENS de Aldornar 1. AS AVENTURAS DO PALHAÇO PIMPÃO de Vera INFANTIS - 1975
5~ Coordenação: AS AVENTURAS DE RlPlO LA.
Conrado Andrade IDd Prêmio de Cr$ 5,000,00
CRAIA de Chico de Assis - Teatro
5 PANO DE BOCA de Fauzi Arap .
' Comissão Julgadora: Associação Canoc~
de Criticos TeatraIS
2, ENCONTRO CRIRIBICOMFLAUTICO de Ron o
Ciambroni
3 ERA UMA VEZ, .. EAINDA É de Alceu Nunes
..I 1. CHAPEUZINHO VERMELHO de Adair T. C. de
Souza
de Artes de Santo André
6~ Coordenação: OS DEUSES RIEM de 1. A. Cro~in­
4' OREINO DO CONTRÁRIO de Maria Helena ~a1s~e 2, VWA OLEÃO GASPAR de Fátima Ortiz eMara Grupo Diocesano de Lajes
Teatro para crianças: 5', VAMOS BRINCAR DE TEATRINHO - direçao Maron 7~ Coordenaçao: O VASO SUSPIRADO de Francisco
CINCO MELHORES FSPETÁCULOS de Paulo Lara , Comissão Julgadora: Luciana Cherubin, Lucia Maria Pereira da Silva - Grupo Ariano
- 1975 . Suassuna de BrasOia,
Comissão Julgadora: Clovis Gar~ia, MHil~antge~anna Gluck eFernando Veloso
P~mio de Cr$ 10.000,00 · Alves de LlDIa e on

1. A ESTÓRIA D1 ,MOÇA PREGUIÇOSA de Maria


BELO HORIZONTE
de Lourdes Martim . PORTO ALEGRE
2 CRIANÇANDO de Marilda Kobachuki
DOIS MELHORES ESPETÁCULOS DOIS MELHORFS ESPETÁCULOS
3' DA MEI'ADE DO CAMINHO, AO PAIS DO INFANTIS - 1975
, OLTIMO CIRCUW de Do Krugli INFANTIS - 1975
Prêmio de Cr$ 5.000,00
4 MARIA MINHOCA de Maria Clara Machado Prêmio de Cr$ 5.000,00
5' VIAGEM DO BARQUINHO de Silvia Orthoff . 1. AMENINA DAS ESTREiAS de Jurandir Pereira 1. UM ELEFANTINHO INCOMODA MUITA GENTE
. Comissão Julgadora: Ana Maria.Machado, ,ClOVIS
Levi eluCia Benedetti 2 HA ALGO DE NOVO NO REI~O
, DO GALINHEIRO de Joyce Bnto eCunha
. • Julgadora.. A1do Obino" Decio Presser,
Comlssao Cl' d'
de Oscar Von Plul
2, LAMPlAÇO, REI DO CANGAO de W. José
Comissão Julgadora: Haydée Bittencourt, Charles
Luiz Carlos Lisboa e au 10 Magno, Lucia Maria Gluck e
SÃO PAULO
Heemann Fernando Veloso
Teatro para adultos:
CINCO MELHORFS FSPETÁCULOS
SALVADOR
- 1975 FESTIVAL BRASILEIRO DE TEATRO AMADOR:
Prêmio de Cr$ 30.000,00 DOIS MELHORES ESPETÁCULOS
INFANTIS - 1975 Sete Prêmios de Cr$ 30,000,00
1 EQUUS de Peter Shafer .,
2: PORANDUBAS POPULARES de Carlos Quelros Prêmio de Cr$ 5.000,00
HCoordenação: COBRA NORATO de Raul Bopp _
Telles 1. A MENINA QUE SONHAVA de Simone Hoffm:m Escola de Teatro da Universidade do
42 3, REVEILWN deHávio Mareio Pará, ..
43
- 1
Norma BluOl, Felipe Wagner, Berta Dinheiro pra que Dinheiro, de TEATRO DA PRAIA
Loran, Ari Leite e outros. Ingresso:
TEATRO SANTA ROSA
MOVIMENTO TEATRAL 50,00.
Domingos de Oliveira, direção do
autor. Ingresso: 15,00.
(267-7749 (247-8641)
Bonifácio Bilhões, de João Bethen- A Fanúlia que Mata Unida, de
court. Direção do autor. Ingresso: Jules Feiffer. Direção de Leo Jusi,
TEATRO GLAUCIO GIL TEATRO IPANEMA 50,00. com Sueli Franco, Patrícia Bueno,
(237-7003) (247-9794) Antonio Patino, Mario Gomes e
(ABRILjMAIO/JUNHO) outros. Ingresso: 50,00.
OPorco Ensanguenlado, de Cea- Síndica,qual éatua? de Luis Car- TEATRO SENAC
5Oelo de Castro. Direção de Carlos los Góis. Direção de Antônio Pedro, (256-2746)
Murtinho,com Aimée, Miriam Pérsia, com Marília Pera, Nelson Xavier, OUTROS ESPETACULOS:
TEATRO CARLOS GOMES Regha Vlana e outros. Ingresso: Jacqueline Laurence, D~nane Macha-
TEATRO ADOLFO BLOCH Os Filhos de Kennedy, de Robert OCordão, de Artur Azevedo, no
(222-7581) 40,00. do, Buza Ferraz, Flávio S. Tiago.
(285-1465) Dinheiro, prá queDinheiro?conê- Ingresso: 40,00. Patrick. Direção de Sér~o Brito, Teatro Conservatório. Direção de
Gola D'água, deCbico Buarq.ue ~ dia de Domingos de Oliveira. Dire- com Suzana Vieira, Vanda Lacerda, José Maria Rodrigues.
Tudo Bem no Ano que Vem, de Paulo Pontes. Direção de Gla.nm Otávio Augusto, José WlIker e Bric-à-Brac, de Jean Tardieu, dire-
ção do autor, com Lutero Luis, Cris-
Bernard S1ade. Direção de Flávio Ratto com Bibi Ferreira, Lafalete outros. Ingresso: 60,00. ção de EtienneLe Meur, naAliança
tina Achê. Eguardo Tornaghi, Stepan TEATROMAISON DE
Range\. Com Glória Menezes e Tar- Gaivão Roberto Bonfim, Francisco Nercessian, Miguel Oniga,Ginaldo de Francesa.
cisio Meira. Ingresso: 50,00 Milani' Isolda Cresta, Carlos Leite, Souza e outros. Ingresso: 20,00. FRANCE (252-3456) Chá deCaridade, criação coletiva,
Sonia Oiticica, Norma Sueli eoutros. TEATRO SERRADOR no Museu deArte Modema.
IngressO: 50,00. PUlz, de Murray Schisgal. Direção (232-8531) Peguem um Binóculo, deFernando
deOsmar Rodrigues Cruz, com Juca Melo, na AliançaFrancesa.
TEATRO DO BNH TEATRO DA GALERIA deOliveira, BeltyFariae Luis Gus-
TEATRO CASA GRANDE tavo. Ingresso: 50,00. OEstranho Casal, de Neil Simon. Sem Pé nem Cabeça, pelo Grupo
(224-9015) (225-8846) Direção de JôSoares, com Gracindo Quebra-Cabeça, naCasa daEstudan-
(227-6475) Júnior, Carlos Dolabela, Célia Couti· te Universitária.
Vestido de Noiva, de Nelson Boeing-Boeing, de Marc CamoUet· nho e outros. Ingresso: 40,00. No Tempodas BnlXas, de Ramos
Rodrigues. Direção de Ziembiniski,
Teatro deCordel, de Orlando Sena. ti. Direção de Carlos Kroeber, com TEATRO MESBLA Peixoto, na Paróquia Preciosíssimo
Direção de Ewerton de Castro. ln- Rubens de Falco, Françoise Forton, 242-4880) Sangue.
com Norma Bengel, Carlos Vereza, João Paulo Adour e outros. Itgres-
gresso: 30,00.
Camila Amado, Dirce Migliaccio e TEATROOPINIÃO
so: 20,00.
outros. Ingresso: 50,00. Um .Padre à Italiana, de Pedro
Mario Herrero. Direção de Antônio (235-2119) TEATRO INFANTIL
Equus, de Peter Shaffer. Direção TEATRO DULCINA Pedro, com Marco Nanini, Heloisa
de Celso Nunes. Com Rogério Fróis, (232-5817) TEATRO JOÃO CAETANO Helena. Amândio, Afonso Stuart e' OO!/imo Carro, deJoão das Ne- Durante o trimestre, foram os se-
Betina Viany, Marcus Toledo e outros. Ingresso: 50,00. ves. Direção do autor. Com Ivã guintes oscartazes infantis noRio de
outros. Ingresso: 60,00. Danação das Fêmeas, de Leslie (221-0305) Cândido, Ivã Seta, I1va Nino, João Janeiro,em teatrosou locaisdiversos:
Stevens.Direção de Derci Gonçalves~ das Neveseoutros. Ingresso: 50,00.
Caslro Alves Pede Passagem, de
com DG, Ribeiro Fortes, Lidia VaOl Andar, sem parar de tran~ormar,
e outros. Ingresso: 40,00. Gianfrancesco Guarnieri. Direçãodo TEATRO NACIONAL DE peça para bonecos de Maria Luiza
TEATROCACILDA autor, com Oton Bastos, Renato Bor- COMÉDIA (224·2356) Lacerda, pelo Grupo Revisão. No
ghi, Ester Góis e outros. Ingresso: TEATRO PRINCESA
BECKER (265-9933) Museu de Arte Moderna. Ingresso:
TEATRO GINASTICO 15,00. Dáuma EntradinhaRápida... de ISABEL (275-3346) 15,00.
O Dragão, de Eugen Echwartz. Luis Carlos Góis. Direção de Amir
Canção de Fogo, de Jairo Lima. (221-4484) Alice no País das Maravilhas, de
Direção de Maria Clara Machado, Hadad. Com Vera Seta, Luis Carlos Tudo noEscuro, dePeter Shaffer. Sér~o Roberto, direção de Roberto
Direção deLuiz Mendonça. com o elenco d'O TABLADO. ln-
Cinderela do Petróleo, de João Góis, Ivo Fernandes eoutros.Ingres- Direção de J Soares. Ingresso: Brito, no Cine Baronesa (Jscare-
ô

Solar, de Miguel Oniga.Direçãodo Bethencourl, direção do autor. Com gresso: 20,00. so: 40,00. 50,00. paguá). 4~
44 autor.
OGato, o Rato eaPantera Cor O Pirata Barba Azul, de Cesar
As Aventuras do Macaco Simão, Câmara, direçãode Bri~te Blair, no Textosàdisposição dosleitores na Sreretariad'O TABLADO
de Francisco Falcão e Carlos Pelosi, de Abóbora, deEI~eu Miranda, dire-
ção do autor,no Colégio Franco Bra- Teatro Bri~te Blair. Ingresso: 10,00.
no Teatro Bri~te Blair. Ingresso:
sileiro: Ingresso: 15,00. Pinóquw, o Boneco de Pau, de
10,00. Jair Pinheiro, direção do autor, no
Bigorrilho, aPrincesinha de Ouro, A Inacreditável Aventura na SeI-
vade Moça Maria, de Jack Stockes. Teatro de Bolso. Ingresso: 25,00.
de PauloMagalhães eDiln Melo, no
Teatro Galeria. Ingresso: 10,00. Direção de Maria Luiza Prates, no Perna1onga,um Coelho emApuros, Aman-Jean oGuarda dos Pássaros .. .. ... .... ...... .. .. 64
Teatro Isa Prates. Ingresso: 15,00. de DinoRomano, direção do antor, Anônimo (séc. 15) Todomundo ... .. ........ ..... ..... ... .... 62
ABrurinha que Queria ser Prince- pelo grupo Fantasia, no Teresa Ra-
Joãozinho e Maria na Casa da Andrade Oswald A Morta .
sa, autor não nomeado, direção de quel. Ingresso: 15,00. Piquenique no Front ... .... ..•...•.. .... .... 52
Sueli Poggio e produção de Paulo BnLta, de Jair Pinheiro, direção do Arrabal Fernando 54
Barcelos com o grupo Fantasia, no autor, no Teatro de Bolso. Ingresso: As Proezas do Macaco Simão, de
FranciSl:O Falcão eCarlos Pelosi, no Guemíca •......... ::::::::::::::::::::::: 50
Teresa Raquel. Ingresso: 15,00. 25,00. Brandão Raul
Teatro Bri~te Blair. Ingresso: 10,00. ODoido e a Morte 63
Brancade Nevee os Sete Anões, OLobo Pão Duro, de Esmeralda
Que-pe<oi-po-sa-pá, de Pemaa- Brecht Bertolt A Erceção e aRegra'::::: ::::::::::::::: :: 61
produção de RobertoCastro com o de Uma, direção de Eliseu Miranda,
Grupo Carrossel, no Teatroda Praia. pelo grupo Arco da Velha. No Ou· buco de Oliveira, pelo Colé~o Luso- Cervantes OTribunal dos Divórcios 63
be Ollmpico. Ingresso: 15,00. Carioca no auditório da Escola. En- ORetábulodas Maravilhas .... ........ . .. .. ·.
Ingresso: 15.00. 66
O Ladrão de Bagdá, de Carlos trada franca. Cocteau Jean
ABela Adormecida, deJairPinhei- tdipo Rei ... .. ... .... ... ....... .. .. .... . 58
ro, direção de Renato Castelo, no Nobre, direção de Bri~te Blair, no OSapo Dourado, de Dilu Melo,
Checov Anton OUrso .. .... .. , . 29
Teatro deBolso. Ingresso: 20,00. Teatro Bri~te Blair. Ingresso: 10,00. direção emúsica daautora noTeatro
da Galeria. Ingresso: 15,00. O Jubileu ............ ..... .. ..... ..... ... 46
Eu Chovo, tu Choves, Ele Chove, Lalá aRatinha Cantora, deCarlos
OSoldadinhode Chumbo, deSueli Os Males do Fumo . . 49
de Silvia Ortoff, direção da autora Nobre, direção de Bri~te Blair, no
no MAM. Ingresso: 15,00. Teatro Bri~te Blair. Ingresso: 10,00. Poggio, direçãode Rogério Frois, no França Júnior Maldita Parentela ... ...... ... .. .. ..... ..... 55
Teatro Teresa Raquel. Ingresso: Ghelderode Os Cegos . 68
Circo Mágico de Bonecos de Big Libel a Sapateirinha, de Jurandir 15,00. Kokoschka Oskar
Jones, show com palhaços e ventci· Pereira, direção de Jorge LúCio, no Assassino Esperança das Mlúheres . 66
OSapatinho de Cristal de Cinde·
loquos. Teatro Armando Gonzaga. Teatro João Caetano. Ingresso: Labiche Eugene A Gramática .. .... .... ..... ........ ... ... 47
rda, de Jair Pinheiro,direção de Re-
Ingresso: 10,00. 15,00. Macedo J Manuel ONovo Otelo . . 43
nato Castelo, no Teatro de Bolso.
Carrapicho, o PalJUIdnha Confuso, Maria Minhoca, de Maria Oara Ingresso: 25,00. Machado de ~ Lição deBotânica ... ... ...... ... ........... 61
de Carlos Nobre, direção de Bri~te Machado, direção de Maria Clara OsTrês Porquinhos eGasparzinho Machado MC Os Embrulhos ........ . ...... ... ...... . ... 47
Blair, noTeatro Bri~te Blair. Ingres- Machado, produção de Germano Pi- o Fantasma Legal, de Roberto de
so: 10,00. As Interferências . . 56
lho com o elenco no TABLADO, no Castro com ogrupo Carrossel.
Coelho Pitomba, de Milton Luis, Teatro Gláucio Gil. Ingresso: 15,00. Um Tango Argentino . 57
direção do autor, no Teatro da Gale- AVerdadeira Estória da Gata Bor-
As Malícias de Monsieur Arapuá, ralheira, de Maria Clara Machado di- Marinho Luiz A Derradeira Ceia ... . , . 59
ria. Ingresso: 15,00. Martins Pena
deBosco Scaffs, no Teatro da Nabe. reção de Wolf Maia, no Teatro Casa As Desgraças de uma Criança . 45
Dona Lua Quer Canção, musical Grande. Ingresso: 25,00.
Ingresso: 10,00. OCaixeiro da Taverna .... ... .... ....... .... 60
de Paulo Afonso Uma, direção de
Sér~o Dionísio, pelo Grupo Realejo, Marionetes eFantoches, festival de Viagem ao Faz de Conta, de Wal- Maeterlinck A Intrusa ......... ............ .. " . 65
no Teatro Dulcina. Ingresso: 20,00. bonecos pelo Carreia, no Parque do ter Quaglia, direção de Hamilton Qorpo-Santo Eu Sou a Vida . ... ..... .... ..... .... ..... 45
Flamengo. Entrada franca. Tostes, no MAM. Ingresso: 20,00.
Estória deLenços eVentos, de 110 Apesar deter obtido oPrêmioNari- Mateus & MatellSa ................. ..... .. . 65
Krugli, pelo Teatro Vento Forte, no AOnça eoBode, de Robertode Souto Almeida
zinho (SP) de 1965, foi considerado OJogoda Independência . 54
Glaudo Gil. Ingresso: 15,00. Castro, como Carrossel, no Clube
pelos críticos "espetáculopobre esem Synge JM A Sombra do De~iladeiro . 51
Grajau. Ingresso: 15,00.
A Fabulosa Estória de Melão ori~nalid ade" . Tardieu Jean COIll'ersação Sinfonieta . 48
City, autor não nomeado, direção de Palhaçadas, de JoãoSiqueira, pelo
Grupo Carreta, direção do autor no Viagem Sideral, de BenjaminSan- Um Gerto por Outro . 64
Marcos Ribas, peloGrupo Contado· tos, direção do autor, no TNC. In-
res de Estórias, ao ar livre. Entrada Teatro Cadlda Becker. Ingresso: Yeats OOnico Ciúme de Emer ............•.... ... 43
15,00. gresso: 15,00.
46 franca. Wedekind Frank AMorte eoDemónio .. .... .. ...... ... .. ... 66 47
Àvenda na Secretaria d'O TABLADO: ._ -- --
8 10 1l0 l ecii

eLAS, Jn~

No próximo nQ:
Autora: MARIA CLARA MACHADO
Chica da Sill'a, de Carmosina Araujo
Títulos: Plult OFantasminha (conto) .. .... 15,00
Como Fazer Teatrinho de Bonecos .. 30,00
A Menina e o Vento, Maroquinhas
FrufTll, A Gata Borralheira eMaria CADERNOS DE TEATRO
Minhoca ... ........ ....... ... 40,00
assinatura anual (4 n.") .. ... .... ... . 50,00
Pluft o Fantasminha, O Rapto das
Cebolinhas, Chapeuzinho Vermelho
OBoi e o Burroe A Bnuinhaque
eraBoa.. .. .. ... .. .. .. ... .. .. . 40,00
OEmbarquede Noé,AVolta de Cama-
leão Alface eCamaleão na Lua .,. 40,00
O Diamante de Grão Mogol, Tribobó
City e oAprendiz deFeiticeiro ... 40,00
Cem logos Dramáticos .... .... .... 15,00 Estas publicaçõcs poderãoser pedidas à Secretaria
Pluft (gravação) .. .. .... .. .. .. .. . 40,00 d'O TABLADO mediante pagamento comcheque
40,00 \isado, em nome de Eddy Rezende Nunes - O
EmbarquedeNoé(música-gravação) .
10,00 TABLADO, pagável no Rio de Janeiro.
48 Tribobó (gravação-música) ... ......