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eHICA DA SllVA- Carmosina Araújo ;~ ,

·Notícias.do SERViÇO NACioNAL DE." TEATRO


': MOVIMENTO ,TEATRAL
DOS JORNAIS
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mostraram partlcuiarmente resistentes. ~o correr do ~i.
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: 1917, esses elementos pagãos, à medida que se ~te·
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1 .••• ~ POPULAR DENTRO DO nuavam gradualmente, permanecer,am n~s, jo~os e.n~os
, , TEATRO SOVIÉTICO das festas sincronizadas como ntmo liturgIco cnstao.
Entretanto, diferentementedo teatro do tipo grego, esses
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jogos camponeses não foram, na Rússia, oberço do teatro


literário e profissional, como também não o foram ~s
primeiros atares populares, introduzidos no país por Bi-
NINA GoURFINKEL (*) sâncio, ao mesmo tempo que o Cristianismo e as artes. .
Eram charlatães chamados tkomorokhi, nomede ongem
incerta: equih'bristas, farsantes, lutadores fantasiados que
estão representados, desde 1037, nos afrescos queornam
ARevolução de 1917 não apanhou desprevenidos as escadas do mais antigo monumento da arquitetura
os novos dirigentes. Estes, durante os longo~ anos pas- russo-bizantina, a Catedral de Sta. Sofia, de Kiev. Du-
sados no exílio, a maior parte na França, SUI~a e In,g!a- rante séculos, serãoos únicos atares populares russos_
terra tinhamnão só meditado sobre a reversao pohtica nãose esquecendo quedesdeoinício doséculo 13 epor
com~ também sobre arevoluçãocultural quelhes ircam- mais deduzentos anos, a Rússia, ocupada pelos tártaros,
bia efetuar na Rússia. será totalmente separada do ocidente. Foi somente após
a liberação do jugo tártaro que os saltimbancos-skomo-
: ..__ _. -, -.;: ~: : : .':~ : . ... .. Particularmente, AnataI Lounatcharski, futuro co-
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" .: : missário do povo para a Instrução Pública, homem de rokili, cerca do final doséculo 15, entraram em contato
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~'O!i" DE :t ~AtR~' N. 70 vasta cultura, ele próprio autor dramático, pressentira o comseus confrades dooeste, os Spielmann alemães. Mais
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.~ tarde, depois da União das Igrejas católica polonesa e
CADE~Ni
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enorme papel que caberia ao teatro, com,seus recursos
" J: ,.: ' '" ,. . " por assim dizer áudio-visuais, no acesso a cultura por ortodoxa russa, em1596, os skomorokhi, comediantes
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'"rúlho:ag~ro:se~nibro-'976 , ' . uma população de 150 milhões de habitantes, com 70% ambulantes, semi-vagabundos e semi-profissionais, reen-
de analfabetos. Desde os primeiros dias da tomada do contraram imprevistos professores nos confins do su-
' .. FUNARTE poder, uma tarefa educativa e de propaganda política e doeste polono-ukraniano da Moscóvia: seminaristas, alu-
. • " LADO patrocinada pela . ' nos das "Academias Espirituais", das quais a mais
Publicaçao d? TAB ; ai de ,Teatro (MEC) cultural incumbiu ao teatro assim como à escola.
DAC e Sel'Vlço NaClOn . . . importante era a Academia eslavo-Iatino-grega de Kiev.
Mas é necessário encontrar as vias de aproxima-
Foi aí que clérigos ortodoxos de espírito aberto, conpa-
ção mais eficazes desse novo meio educativo junt? auma
Redação e. pesquisa d'OTABLADO massa ignorante das seduções do teatro profiSSIOnal. O
nheiros de Pedro, o Grande, importarampara Moscou
as lições do teatro jesuíta, suas peças e suas técnicas.
. NUNES mais simples parecia ser buscar no tesouro subsistente
, el ..;. JoÃo SÉRG~ MARINHO Mas isto só vai acontecer no fim do século XVII
Diretor-re.l'po~ 'MARIA CLARA MACHADO das tradições populares o que melhor podia convir aos
e início do século XVIII. Muito antes, os clérigos, 0\
Diretor-a~~o - "C"'1Y REZENoE NUNES novos tempos. Comoem todosospaíses detipo europeu,
skomoroki terão aprendido as lições da arte teatral jesuí-
tesourelTO - DJIJ '. . . os jogos populares dramáticos remontam, na.Rússia, às
.. 'LrVALu.
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Duetor- " . origens de sua história. Esses jogos se enrazaramnos ta, não deseu repertóriosabia e edificante, mas de seus
Redator.chefe-~ VIRGIN " _ . ..,
Fucs . ritos religiosos pagãos, nas encantações propiciatórias di- imermezzos burlescos que os seminaristas intercalavam,
Secretária - ~lL~
o I.
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rigidas às divindades que, noespírito das populações pri- para alegrá-los, emsuas representações.
mitivas, regemas forçasdanatureza, osucesso d~s caça- Muito pobres, os seminaristas desciam à rua 00\
Redação: OTABL~°cbad~79S _~ 20 dores otrabalhodoscriadores eagricultores. MUlto cedo dias de festa ou de feira, representavam seus entreatos.
Av, Uneu de Paula ~ Br~ " esses 'ritosmágicos tomaramaformadejogosdramáticos. abandonando o latim eo eslavo em benefício da língua
Rio de Janeiro - 20. · . Quando, em988, a Rússia kieviana. ~n~tro~, sob os vulgar. Na rua, encontravam os skolllorokhi e intacam-
auspícios de Bisâncio, nas vias da .cnsoaOlzaça~ e. que, biavam seus processos artísticos. No curso dessas trocas
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aqui como em outras partes, a IgreJ~ procedeu,a.smcre- fecundas, delinearam-se os tipos ("máscaras") fam~iares,
OJ tatOJpublicadoJ no ati mediante outoriLllfiJo tização de elementos cristãos e pagaos, estes ultimas se característicos dessas breves comédias populares mpre-
JÓ poderão sa repreJent OJ • (SUl I
, . Bra.rileira de Autoru Tea1r~
da S~ 97 Rio de lanelro.
AY. A/mirante BarrOJO,
v~adas: o nobre arrogante, o cam~nês. ~st~to, o.ciga. isto é, da instauração do teatro literário, se não. russo
rios da cena ou criados que, tendo acompanhado seus Pedro tratou o filho como traidor, entregou-o à justiça
no .ladrãodecavalos, o moleiro meio felllcelTo, o Judeu pelo menos na Rússia: 17.10, 1672, ano do nascl~ento
amosnobres ao espetáculo, conseguirampenetrar na pla- e deixou-o morrer na prisão.
dono de cabaré, o diabo etc. dePedro oGrande. Daí em diante, sob Pedro,e as ~mpe­
téia, contando emseguida o que viram. O fato é que
ratrizes que reinaram noséculo 18, o teatro Imp~nal, o Ojogo do CzarMaximiliano é, assim, uma peça po-
Esses personagens eram utilizadosprincipalmente pe. não existe ainda repertório nacional, e as peças _ ou
único ex~tente, foi animado por grupos es~geIT?s - lítica, além disso, comalgumas variantes, segundo as
los apresentadores de bonecos - Petroushka, talv~z to- alemães, italianos, franoeses, grupos de bale, de opera, antes roíeiros depeças, se transmitemdeboca emboca.
quais A1exis "se entendia com bandidos". Aí se unem
mado deempréstimo aos Spielmann que, lambem, ~nham Durante muito tempo oteatro popularse contentará com
de ópera-romica, raramentedramáticos. dois temas, o dos '~alteadores" formando a trama de
seu Hanswurst (João Chouriço). Personagem umversal improvisações.
que, na Itália; se chama Puldnelle, na~glaterra, Punch, As primeiras obrasdramáticas ~ foram imitações outro ciclo de dramas populares. Como nos cantos po-
na Pérsia Ketchel.Pakniiavan, naTurqUIa, Karagoz, eque concebidas conforme os cânones c1asslcos fran~eses~ ,e Esse repertório ainda se alimenta de romances de ca- pulares - assim comoem Schiller - a palavra "saltea-
a lndia conhece sobo nome de Vidouchak. Petrouchka essa dependência durou, com raras exceções, ~te o 101- valaria ocidentais, maciçamente traduzidos em russo, ou dor" temaqui o sentido de "justiceiro". Eram os !l:rvos
conqu~ta rapidamentetoda aRússia. Aí, como emo~tras cio do século XIX. Uma ds primeiras obras-pnmas rus- de peças decompanhias alemãs com as qaas se fundiram evadidos quebuscavam a liberdade nas imensas estepes
re~ões, ele se apresenta como o porta-voz do povinho sas acomédiadeGn1Joiédov: Adesventura deter muito os comediantes ingleses que, expulsos outrorapor Cromo da Rússiameridional,daUcrânia ou Ura!. Ligadosaaven.
oprimido. B1efador, destruidor, valentão, sabendo. tocar es~írilo, comum conteúdo nacional transbordante .de well (1642), se refugiaram nocontinente. tureiros evagabundos, organizavam-seem formações cos-
uma forma comportando anda a marca das convençoes sacas (do kirghize: nômades). t do Don, do Volga, das
no ponto fraco. Petrouchka ridiculan;a a~ autond ad~s,
o papa, o médico, onobre, engana ateoCIgano e, pm- clássicas, estepes cáspias que partiam os inúmeros levantes dos
Os amadores mais instruídos representamMoliere. camponeses Contra os senhores, com seus heró~ Sunka
cipalmente, para alegria dosespectadores, surraoguarda. Foi opondoao classic~mo ocident~ dos temas eper· Assim, esse grupo de filhos de mercadores e de ambu.
sonagens tirados diretamente das realIdades russas, ~o. ouPoug. As mais famosas dessas iacqueries russas foram
Quaisquer que sejam as influências sofridas pe~os lantes que descobriu, por acaso, emlaroslav, no Volga, as deStenka Razine (1667-1670) e a de Emelião Pcu-
skomorokhi, restava-lhes uma caraderstica bem nacIo- tando-as de uma simplicidade natural de forma e de lin- um funcionário dosenado emmissãonessacidade. Como gatchev, que durante mais de dois anos (1773/5) con-
nal: eram apresentadores de ursos domesticados ede ca- guagem, que se afirmaram aliteratura e ~ estilo do ato~ eleelo~asse esses amadoresàimperatrizElisabeth, aman-
russos. Esta "naturalização"- se ouso dIZer - sedara seguiu desafiar os exércitos regulares de Catarina II.
bras. Os ursos eram- e o são sempre, como o atesta
a um nível não popular II1\S literário, em conseqüência
te de teatro, esta fez vir a Petersburgo esses jovens pro- S~nka. Razine é o herói favorito de canções populares.
o circo soviético que trouxe a Paris toda uma troupe vincianos. Havia entre eles talentos notáve~: . Volkov, . .. .Quanto aPoutgatchev, Pouchkine fez dele'um U;qui~ .
deuma luta longa econsciente.
- excelentes mímicos, a tal ponto que a ~tória do Dmitrevski. Eles formaramo núcleo da primeira trol/pe tante retrato não só num estudo histórico como em sua
teatropopular russo compreende uma"comédia ursina", Isto explica porque orta1isnw, promovido como'uma dramática russa dacorte, oquepermitiu aElisabeth insti.
reivindicação nacional, se toma na Rús~a - no romano novela - AFilha do Capitão. Esses bandidos-justiceiros
Entretanto, ao contrário daevolução dosteatros oci- tuir, por ukaze de 30.8.1756, o teatro dramático na- foram também os heróis de um ciclo hecóico-romântico
ce, no drama eno palco- o estilo nacional por ere- cional. Oamadorismo sempre representouum papel pre-
dentais, não são essas formas populares que foram o de dramasdosquaiso nss conhecido é A Barca.
lência. ponderante na hisôria do teatro russo.
berço do teatro profissional literário. Foi a ópera russ~ Anotaram-se dele dezenas de variantes. De carátcc
que, no século XIX - Glinka, Borodine, Moussorgski, Isto explica, igualmen~ , oencarniçamento com que QUanto ao essencial, o repertóriodos amadores po- menos dramático mas de espírito satírico cortante sãoas
Rimiski-Korsakov - ia se inspirar tanto pelos libretos o re~me soviético, após as fases de reammo romântico, pulares i; assim, isabelino, ma~ ou menos modificado. peças populares de que temos exemplo curioso em Re-
como pelos temas musicais folclóricos. Quandoda insta- crítico e p~coló~co do século XIX, põe-se a defender TIrarn-se daí numerosos temas e os nomes "exóticos"
seu último avatar: o realismo socialista, aliás em via de cor~ações da Casa do.1 Mortos, de Dostoiewski, a pri-
lação de seus embahadores nos pass do ocidente, o dospersonagens. É assim queuma das peças maisdifun- mera dessas obras "concentracionárias" que hoje pu-
czar Alem, paide Pedro, oGrande, por questãodepres- desintegração, didas era ojogodo CzarMaximiliano edeseu filho te- lulam.
tí~o como também por gosto pessoal, decidiu cri~r um Paracompreender oetonne domínio do teatro sobre belde, Adolfo, dequeforamencontradas mais de200 ver-
teatro de corte, ele não se diri~u aos skolllorokhi, ~as o público soviético, é necessário, mais uma vez, voltar Dostoiewski cometeraum delitodeopinião semimo
sões equeainda erarepresentada nofim do século XIX.
portânciaexpressandosua admiraçãopelosocialismoutó-
aos estrangeiros ,emsua maioria holand~s~. e ~emaes, rapidamente atrás. No século XVIII, par~ela~ente, o Oassunto era o seguinte: o terrível czar Maximi- picodeFeurier: oque lhe valeu, sobNicolau I, quatro
. convidadosà Rússia comoinstrutoresem clvlhzaçao euro- amadorismo, soboimpulso do teatro escolar Jes~lta,. e,x~r' liano, apaixonado por uma bela feiticeira, se converte anos de banho siberiano (de 1850/54). Foi aí que ele
péia. Elesseinstalaram, numa espéci~ degueto,l~ p?rt~s ce-se assiduamente nas escolas militares e UDIversltanas ao culto de deuses estrangeiros. Mas seu filho Adolfo
de Moscou, num subúrbio denommado de suburblO russas, espalha-se também largamente nos meios popu- assistiu a uma comédia montada pelos condenados: Ke-
se recusa a seguí-Io e Maximiliano o manda executar. dri/l . Comilão, onde se via um servidor·servo caçoar
alemão". lares urbanos. Formam·se numerosos grupos de amado·
Esse conflito remonta às vidas lendárias dos santo) (0 largamente de seusenhor imbecil.
Foi o pastor alemão, Gregol)' que,.instruído na res. (Pode-se julgar oseunúmero pelos arquivos ~e p~­ mártir Nikita) que serviram de roteiro a diversas peças
lícia àqual se endereçavam os pedidos de autoTlZaçao Porque esse servidor tipicamente russo tem o nome
experiência do teatro escolar jesuí~a, orgamzou na corte teatrais escolares. Mas também se prendea uma situação
de Alexis, a primeira representaçao: OJogo de Ester, par; representação). São artesãos, impr~o~~,s, peque,n~s histórica determinada: a rebelião do czarevitch Alexis,
fantasioso de Kedri/l? indaga Dostoiewski. Porque não
funcionários. Há também as "pessoas de bbre . Estes ultI· simplesmente Kirill, isto é, Cirilo?Hojepodemos respon-
drama bíblico que ele própriocompôs e fez.representar apoiada pelo clero ortodoxoconservador, contra seu pai,
mos representam aí umpapel de fornecedores de reper: deressa pergunta: Kedrill éuma deformaçãodePedrillo,
em alemãopelos jovens do subúrbio..Epor IS,SO que.co- Pedro, oGrande, promotor daocidentalizaçãoda Rússia, personagemda comédia italiana, um dos precursores de
Z nhecemosexatamente adatado primClToespetaculolaico, tório: carpinteiros encarregados de trabalhos de operá oque quer significar seu"cultodosdeusesestrangeiros". Scapin. Velhaco, baderneiro, insolente mas eficaz, esse 3
Às vezes, comas bênçãos, m~turavam-se fó~ulas inquietude dasociedade russa contemporânea. Oteatro de
Kedril1 é uma expressão satírica da revolta do. pov~. -Dantcjeoko defazer deseuTeatro de Arte, queabriria
má~cas de feitiçaria. Do mesmo modo, lamentaçoes d,a Ostrovski era também dessetipo: escreveuumas cinqüen- as portas o ano seguinte, um teatro "acessível", isto é,
Encontra-se o mesmo tema, por exemplo, na mais anu- noiva prevendo a sorte que lhe reservava a nova íami-
ga comédia do gênero: Jogodos boiardoj quese tomou ta peças, tratando das sobrevivências tirânicas na vida debaixar o preço dos lugares a fin decolocar o espe·
Como os Criados desancam os Amos, título bastante lia, talvez hostil. quotidiana, do despotismo do chefe de família, da triste táculo aoalcance dopúblico modesto. Ao mesmo tempo,
Essa reconstituição teve muito sucesso, mas apenas situação deescrava damulher. Comumgrupo de litera- Stanislavski pedia que seu grupo fosse autorizado a re-
eloqüente. tos e de atores, Ostrovski conseguiu realizar seu sonho
como curiosidadeetnográfica e estética. Num regimeque presentar nas casas periféricas deMoscou, para os ope·
proclamava a emancipação da mulher e a.i~aldade . d~s organizando, em1872, na ExposiçãoPolitécnicadeMos- rários. Isso também foi proibido. Pelo menosStanislavski
No início deste século, os amadores do povinho sexos e quecombatia todas as crenças religosss, cnstas cou, uma sala deteatro que, destinada aos mais pobres, pôde instituir em seuteatro freqüentes espetáculos a pre-
urbano continuavam a se inspirar nessas obra~, em par- e pagãs, não tinha :ientido. era entretanto dotada de bom elenco ede um repertório ços reduzidos.
ticular os comediantes ciganos. Nada de admirar que a sério. Essa experiência teve grande repercussão e atraiu
Omesmo acontecia com a reconstituição dos jogos Finalmente, em 1903, as autoridades impediram
censura depurasse severamente .esses te~os. ,!das se, nos em massa opovo. Mas ogovernonão permitiu quecoa-
dramatizados que figuravam, sincronizados com as fes- Gorki de criar um teatro a preços acessíveis, emNijni-
teatros, um funcionáriodapolida, tendo ~ ~ao u~ exem- tinuasse além daduraçãoda exposição. Mas as autorida-
tas pascais, a vitória do sol sobre o inverno malfeitor Novgorod. É verdade que o escritor estava "condenado
plar censurado, podia acompanhar as réplicas, IStO e~ des czaristas queconheci3lD apaixão do espectador russo
contudo difícil nos tablados ciganos em que os atares na?
ouquepovoava 'defantasmas pagãosa noite de S. João. a r~dir" nessa cidade como suspeito político. Acensura
Equecontn'buição podiam trazer as rondas camponesas pelo teatro, receiavam oefeito quepeças inteligentes pu- cza~ta do repertório dos teatros populares foi sempre
deixavam de improvisar às vezes num anda~~nto vertI- dessem exer.cer sobre os espíritos, efeito acentuado pelo mUito severa.
giroso, recheiando o texto comalusões saüncas a seu repetindo os antigosgestos da semeadura ouda colheita, " poder emOCIOnal do teatro. As autoridades tinham uma
num re~me idólatra dotrator?
gosto. ~lít!ca teatral .rigorosa: tratava-se apenas de distrair o
• Não édemasiado dizer que esses espetáculosde ama- Por outro lado, utilizaram-se amplamente peças de publi~, nos deis sentidos do termo: divertí-lo etambém Todos esses pro~tos acabaram finalmente em outu-
dores populares erammuito espalhados no país inteiro~ rev olta social e de sátira contra os senhores. Essa dra- afasta-lo dos pensamentos sérios suscetíveis dedesembo- bro de 1917, quando a revolução proletária declarouos
do Báltico ao Pacífico. Um pequeno exemplo: TolstOi m aturgia popular recebeu o nome de "democrática". Os car emreivindicações políticas e sociais. teatros bens in~lienáve~ do povo e instaurou a gratui-
primeiros anos do novo rsgimeconheceram inúmeras pe- dad.~ ~os espetaculos. Após umano e meio, o governo
evadiu-se do campo siberiano aproveitando de um mo- ?~ que a oriinuação do~ espetá~uios destinados ' sovletlco percebeu quenem as finanças do Estado nem a
mento de descuidodos guardas, que justamente estavam ças sobreas jacqlleries, sobreStenkaRazineePougatchev. ao ~ublico popular eraconfiado seja ao patronato seja à
dando um espetáculo. Mas o grandeherói do novo teatro foi Petrouchka, SOCiedade deLuta contra oAlcoolismo. (A propósito não
psicolo~a do público estavamaptas a fazer fac: a essa
vingador dos oprimidos, distribuidor depancadas e tam- se deve esquecer que a venda de vodka era monopólio gratuidade. Defato, ohomem éfeito dessamaneira, quei-
Assimé, emresumo, o ativo do teatro popular às
do ~stado e um dos ramos mais remuneradores da eco- xando-se do preço das coisas, experimenta, entretanto,
vésperas da Revolução. Pode-sedesigná-lo, para retomar bémde ferozes caçoadas endereçadas aos ricos, baliza- um certo desprezo por tudo aquilo que lhe é oferecido
nonua).
a terminolo~a de Romain Rolland, como "teatro pelo dos de "capitalistas" ou de polidas, estes, guardas cza- gratuitamente. Tamb ém se passouàdistribuição nas usi-
povo". ristas pois quenãoficariabem falar danova milícia so- Es~e: .espetáculos se compunham de féeries ou de nas, sindicatos, escolas, exércitoetc. deentradas paoas a
viética, se bem queesta não valesse às vezesmais do que peças dldatlcas edificantes. As tentativas sinceras de fazer preços módicos.
b natural também que, após a Revolução, os propa- o

gandistas politicos assim como certos homens de teatro


aantiga. Petrouchkareinou na rua: caminhões cuja parte melho~ eram raras. Possuímosarespeito informações por-
posterior se abria constituíam uma excelente cena de menonzadas deum inspetor dos teatros populares, amigo Detoda maneira, pelo menos, oproblema do teatro
tenham querido utilizar essas peças em que o elemento para opúblico nãoeramais postoem questão: todosos
gllignol. Petrouchkafoi triunfalmente acolhido na escola de Chec?v, Ivan Chtcheglov. Opróprio Checov enrer-
social era tão nitidamente acentuado. Eles esperavam, teatros pertenciam aopovo e lhe eram acessíveis. Hoje,
e nos teatros infantis, cuja proliferação o novo regime ga~a ma.ls,~onge. Em 1897, ele imaginouum projetoque
graças a esse repertório familiar, encontrar uma aproxi- favorecia largamente. O teatro de bonecos atin~u na os lugares nos melhores teatros custam na União Sovié-
sena a Ideia das casas de cultura Escreveu ele' "Reu-
mação com o povo. Rússia umnível artístico tão elevado que ele é também nir-se-âsob o mesmo teto, num belo ecuidado ~difício tica mais barato que uma entrada de cinema entre nós.
Logono inícioda Revolução, assisti, em,Lenin~ado, freqüentado por adultos. Chega a rivalizar comos tea- um teatro, uma sala de conferências, uma biblioteca ~ Só faltava resolver, depoisde 1917, aquestãodore-
à reconstituição de um casamento campones, realizado tros debonecoschecos, reputadososmelhoresdomundo. uma sala deleitura. Oplano está pronto, está-se elabo- pertório adaptado às grandes massas que recentemente
sob adireçãode sábios einólogos. Oespetácu.lo: ro.up.as, Isto quanto ao teatro pelo povo. Mas durante o século rando .os e.sta!Ulos, e resta apenas encontrar a bagatela acorriam ao teatro. Mas istoé outro problema.
cantigas, danças - era colorido epitoresco. Ri~os CrIStãOS XIX, a intelligentsiaprogressista não cessou de reclamar de meo mllhao de rublos. Constituir-se-á uma sociedade
se misturavam às reminiscências pagãs, estas aJnda extra- acriação deum teatro para opovo. por ações que nadatenha a ver com beneficência. Espe-
ordinariamente nítidas nopovo russo. Assim, via-se, após Existe indiscutivelmente uma relação entre a ação
Essa exigência foi formulada com.n~ais vigor p:lo ra-se que o governo autorizará a emissão de ações de política que conduz as massas, e os jogos dramáticos
amercância dos casamenteiros arespeito dodote- uso dramaturgo Ostrovski (1823/86).Ele enga aadaptaçao, cem rublos. Estou tão entusiasmado com esse projeto
aindaconhecido em nosso tempo - eapós ab.ênção d.a no centr~ e na periferia das grandes cidades, de salas aos quais se entregam essas massas, para desgastar sem
que jácreio nele.. ." (CartaaA. Souvorine, 1.3 .1897). dúvida seu excesso deenergia. Ofatoé que logo após
noivapelosparentes, com oraçõese ícon~, onOIVO, aUXI- convenientes em quebons atores representasse~ boas,p~­
~ claro queo goremo não autorizou nada absolu- 1917, ainda em plena guerra civil, aRússiaconhece uma
liado pelos amigos, simular o raptoda jovem, ato abs~­ ças escolhidas no repertório russo ou estrangeiro, c1assl-
tamente. Nesse mesmo ano de 1897, amunicipalidadede teatralização, até uma teatromalliasemexemplo na his-
lutamenteinjustificado, masqueremontadostemposann- co emoderno, peças que colocariam problemas, temasde
Moscou repelia o pro~to de Stanislavski e Nemirovãch- tória. Certos funcionários soviéticos não hesitaram em
4 gose nos conduzem ao rapto das Sabinas.
tico original, correspondendo às necessidades dos espec-
comparar essa paixão geral pelo teatro com cer~ leu- variedade(em russo: dtrada) em clu~s, casas ~e cultura, tadores cujo nível se elevara sensivelmente. Uma nova
curas coletivas como as conhecidas naIdade Média. . d ante as refeiçoes- eIC. O mas conhecido desses intelligentsia, soviética, está anascer.
usmas ur . lo Jornal
grupos foi o das Blusas AZUIS. Co~eçou pe
Por toda parte se formam círculos de amadores: no Falado: as notícias politicas ou locais eram adornadas Esse estado de coisas repercute na arte teatral p0-
exército, na usina, nos estabelecimentos esehre, nas pular. Qualquer que seja sua espontaneidade, sua intui.
com evoluções ritmicas, esquetes e danças. Os a~or~
admin~trações, na cidade, no campo, nas mmas. ção, sua engenhosidade, é claro que os métodos auto-
cantavam ou declamavam em coro poemas revoluClona-
Ogoverno mantém ativo o movi~nto: Em 192~ , -atiI'OS não são mais funcionais. Um novo desvio se apre-
rios, considerando-se os coros, ne:ses início~ .do teatr.o
segundo as estatísticas oficiais do Comlssanado de FI- popular, como a melhor expressao do espmío colell- senta: os teatros proftssionais socorrem ativamente os
nanças, oteatro, compreendido oteatro amador, absorve amadores. Cada teatro se proclama "modelo" de uma ou
vista.
somas mais vultosas que o conjunto de outros setores muitas coletividades, às vezes de toda uma re~ão, e dele.
ga aos grupos auto-atil'os seus atores eseus técnicos, mui-
de instrução pública. A BlUJa Azul teve numerosos imitadores no pa~
tas vezes os melhores. Cursos dramáticos sistemáticos se
A palavra "amadorismo" parece dem.asiado fraca inteiro. BlUJas vermelhas, verdes, amarelas ~lc:, m?l.lt- organizam nos clubes, e apresença nesses cursos é obri-
Para traduzir o valor do elemeoto co.nstru.ltVO e educ~- plicaram-se. Entretanto, àfalta de trabalho artlstl.co seno, gatória. Sob uma forma um tanto simplificada, propaga.
tivo do movimento que abreaonovo cldadao ~ f~rmaçao as Blusas sofreram de diletantismo, de esquematismo, de -se por toda parte o ensino de Stanislaviski sobre a arte
cultural e politica. Assim, cria-se, para substitUI-lo, um didatismo. Nascidas em 1923, se estiolaram cerca de 19~0,
dando lugar às Variedades profi~s.ionais, gênero mUlt.o
.' do.ator; .isto é,. o essencial: treino COrporal e psíquico
neologismo: auto-atil'O. As coletividades auto-ativas com- ~P~I~O-:,ISICO) VIsando a uma interpretação aprofundada.
portam seções de dramaturgia, técnicas de. f~rmação de apreciado naUnião Soviética. ~atmcas, fortemente pO!l- VIVIda do personagem.
ateres etc. Omovimento, que arrebanba mI1hoes de pes- tizadas, derivando dos cançonetistas franceses edo 1.n/lSle-
. .Ao mesmo t~~po grupos allto-ativoJ' começama se
soas, é demasiado geral para não se tornar caótico. A -hall, essas variedades não deixavamde dever mUIto ao
Inspirar norepertono dos teatros profissionais. Diminuí.
qualidadetambém falha. Numerosas coletividades conhe- movimento das Blusas.
do mas.não.detidopela guerra, esse movimento dequase-
cem apenas umaexperiência efêm~ra· Mais oumenos em1925, em Leningrado, apareceu -profisslOnahzação retoma com vigor após 1945, para
Entretanto, em nenhum momento o fluxo seca. Os umoutro gênero auto-alil'o: o Telltro das JlI1'entudes chegar a uma Regulamentação do Teatro DramLÍtico
círculos se integram aos clubes junto das usinas, das uni- Operárias (TRAM) aparentado tambémà ~roletkult e ~~or) feita pelo Ministério da Cultura da União So-
dades do exército, dos kolkhozes, das escolas, das for- às Camisas. Esses grupos ~ espalharam rapIdamente, a VIetica em 1959.
mações juvenis, dos estabelecimentos de todos os tipos. ponto de contar, em 1930, 70.~_adere~~es. Os TRAM
.~e acordo com essa regulamentação, as melhores
Omovimento auto-alil'o foi largamente encorajado programavam finalidades de ~gItaçao poUlIca. Montavam COletiVIdades auto-atil'/l3 se acham promovidas ao nível
esquetes, a metade imprcVlsados, tentavam des~~ar
pela Organização Cultural Proletária, ou Proletkult, for- o espírito revolucionário dos t~b~lhadores pe~a satira de teatros populares. Entre as primeiras coletividades a
madaantesdeoutubro de1917 por intelectua~ eartistas, ou pelos exemplos heróico-romanticos. Esse genero se ob.t:r.essa distinção temos, em Moscou, a do Metrô eda
enreainas impenitentes, inimigos jurados do teatro tra- tornoumuito apreeiado na China, ondese formaram, ~b MiliCl~ : ' em Leningrado, a de uma grande usina (do
dicional. Eles acreditavam poder fazer surgir formas iea- esse modelo, numerosos teltros de juventude rereluio- q~a~lelfao de ~yborg) , assim comoalguns grupos depro-
trais inéditas fiando-se no gênio e na intuição do povo. vnoa nas regIões de Voronege, de Astracan elc. Essa
nária. promoção de teatros populares não visava a transformá-
Esta tentativa não podia deixar de fracassar. Logo Entretanto, aindaaqui, sefazia sentir afraqueza do .
a Proletkult foi posta delado por Lenine queselevantou trabalho artístico edos roteiros dramáticos. No.final dos -los em teatros.profISsionais. Ao contrário, permaneciam
contra a própria idéia de uma "cultura proletária". A anos 30, ao fim de vinte anos do novo regime,. uma no local, no seio de seus estabelecimentos _ kolkhozes
. cultura é una, proclamava Lenine, e ele já seria muito nova geração de espeetadcres se fo~ara, escolanzada, usinas, marinha, exército etc. Os ateres só osão ànoite:
feliz se o proletariado assimilasse olegado cultural b,u~- mais exigente As autoridades encorajavam essa tomada de dia, exercem a profissão. Mas essa "vida dupla" co-
guês sem se deixar desl1ar pelas elocubrações de íeon- d ' .. 'a' poll't'lca e ·Intelectual. 1938 viu o fim do loca numerosos problemas que suscitampolêmicas agu.
. . . . .t e conSClenCI das. Resumamos os pontos principais. Entretanto desde
cos Ianíssisas, futunstas ou lmagmls as . amadorismo fácil. Os melhores TRAMs, aptos a uma
já, digamosqueao final de uma experiênciade de~ anos
Entretanto no tempo de Lenine ede seus sucessores fi rzaça-o séria, foramtransformados emteatros cujas vantagens e inconvenientes foramlongamente dis:
' , . ' do pro sscna I . t t ara
imediatos, o Estado, seguindo.suas propna~ ~I~S no. . do KOlI/solI/ol, a juventude comumsla, ou ea ros p cutidos, a partida parece ganha.
mínio da instrução, não eieroa qualquer dmglsmo mte- I .
, id adae~ .1931-, cnanças.
lectual ouartístico. AProle/kul~ 50, fOI. lqui . De início, coloca-se a questão do tempo, dos laze-
oito anos após a morte de Lenme. Alguma.s col.etlVldades I D mdiante o teatro soviético encontrana res. Depois de 1964, a semana de trabalho na Rússia
auto-ativas tinham tendência a se profisslOnaJ~r. Seus .e agora e:tilo dispunha de um repertório dramá- de 5 dias e 35 horas. Assim éimpossível ao trabalhado;
5 grupos ambulantes se especializavamem espetaculos de sua via e seu , • 7
Quais são as relações entre o teatro profissional e ..".Por isso aescolha do direror.edeseus ass~tentes é
os teatros populares? Seria erroneo crer que'os'segundos ponto crucial. Mais o teatrupopular se afasta dos cen- ~Plhu~ação indicada pelo último recenseamento' 240
tros urbanos, mais essa escolha ê importante. Omesmo mi oesde almas. .
são simplesmente teatros profissionais de qualidade infe-
rior. A Regulamentação mencionada, reclamando deles acontece com os teatros populares das repúblicas dife- Há local e trabalho para todo mundo. Isto ex lica
um esforço artístico sério, coloca esse esforço num con- rentes. Se a Armênia possui uma sólida tradição teatral, po~~ue ~OOsteat~os _profissionais que contam anUalment~ em
antiga de2000 anos, os teatros de certas re~ões autôno- m la mIlhoes de espectador -
texto menos artístico que social.
mas foram chamados à vida somente após 1917, pelo pelo. número de espectadores dos t~tro~o ultrapassados
Citemos algumas dessas disposições (Note-se o em- exemplo em Kirghizie, na Mongólia, na Ásia central e explIca porque o repert" d ' . po~ulares. Isto
prego da palavra "amador", outrora odiada). de 80%d ' ~no estes ultImas e composto
no Grande Norte siberiano. , ~ obras
ras ecmêías m dramalIcas
. . esomente de 20/lf70 deope-
'
"§ I. Oteatro dramático amador auto-ativo é a Aformação dos diretores-pedagogos representa um ri~ades. USICaIS, concertos ou espelácuIos de va-
forma superiordaauto-atividadeartística teatral. É aex- grande papel que, para esses quadros, faculdades espe-
pressão de uma atividade social dos trabalhadores, cha- ciais têm sido criadas nos institutos de arte dramática. ._ :ora, es~ dois, ofestival de arte aJáo-at;va po
mada a representar um papel importante na educação Mas se os teatros populares aceitam especialistas para a Slao ocInquentenário da Revolu - d roca-
socialista do povo. organização e treinamento dos grupos, repugna-lhes con- 500.000 coletividades artísticast ça~ e O~tu~ro, reuniu
§ 2. Assim como o teatro profissional, o teatro mais de 10 milhões d rti eatras, mUSleats etc., com
vidar atores profissionais, sobretudo de certa idade, re- epa IClpantes.
auto-ativo aspira a refletir emimagens amsticas sinceras ceiosos de que tragam consigo tiques e clichês de basti- Paraque obom entendim
e aprofundadas a edificação da sociedade comunista e dores. os teatros populares façam u e~t\selhPossa manter eque
oesforço criador heróico dos trabalhadores." cessário que predomine oes ~. rada .o produtivo, é ne-
Os teatros populares se fundam de agora em diante por um esforço I pmto esmteressado mantido
Outro parágrafo (§ 8) sublinha o caráter benévolo no repertório dos teatros profissionais. Estabelece-se, mora constante' é '.
da arte aut?"a~vae sua natureza por excelência social, arte para consagrar-lhe lon .. nec~f1o amar a
então;uma competição entre uns eoutros. Bem orientada, balho fatigantes' épred gas nOItes apos dias de tra-
o que erdui qualquer remuneração. essa competição reveste-se de uma forma de interação. .. " so que cada um se sf
. Os lugares são pagos, e se bem que os preços mó- eqUIlibrar seu trabalho ind tri J e orce para
De fato, se os atores profissionais são mais ricos em pro- e sua vida pessoal Cad us da, seu t~abalho artístico
~~s~ o afluxo do público étal que as receitas são apre- cessos e emtécnica, os atores populares, estes, trazem à ,. . a ama or devena te 'd
ClavelS. Mas elas servem apenas para cobrir as despesas etico aquele que Stanislaviski r por I eaI
sua interpretação sua experiência da vida e do trabalho mandamento: expressou em seu famoso
do teatro. fora do teatro: e istodá vida aos personagens.
Somente são remuneradosodiretor·metleur enscene Por outro lado, eles não representam para omesmo
e s~us ~iste?t~s, que trabalham em tempo integral. To- "Que o atar ame a arte em si
público. Certamente os trabalhadores urbanos freqiientam
daria, eISto eIDlpOrtante, elessãopagos não pelo teatro largamenteas casas de teatro profissional, menos que sens c não a si mesmo na arte".
~as ~Ia~ CasasdeCultura oupelo Ministério daInstru- proprios teatrosentretanto, oque não exige deslocamento.
çao PublIca, por queelessãoconsiderados essencialmente Eles fazemcomo esses espectadores de televisão que se
como pedagogos. Incumbe-lhes, defato, um vasto traba- contentamdefilmes transpostos para a pequena tela.
lh~ ped~g~~~o, pois ~ue aboamarchada empresa teatral
eXigedlsclplma, eratidão e sobretudo um espírito de ca- . Em resumo,faz-se tudo na União Soviética para con-
maradagem - todo oculto da vedetle éexcluído. Todos SIderar os teatros profISsionais e os teatros populares
.os atores, quando estão ocupados na peça, representam como dois ramos de uma mesma árvore.
como figurantes ou executam o trabalho dos operários Segundo os dados da obra mais recente sobre os
de cena. Em troca, os participantes tiram de seu esforço teatros populares, aparecida em 1968, há atualmente na
benefícios culturais concretos, graças à análise da peça União Soviética, 650 teatros profissionais e 900 teatros
edos personagens, graças àsquestões artísticas propostas populares. Mais da metade dos teatros populares se en-
pela direção, graças aos comentários sobre aépoca eas contram em aglomerações desprovidas de teatros profis-
circunstâncias da ação ,quer se trate de peças históricas sionais permanentes. Atarefa cultural dos teatros popu-
ou contemporâneas. lares é, portanto, deservir essas re~õe s : seus caminhões
Os teatros populares são, portanto, um importante transportam omaterial cénicoportátil epenetram em bu-
fator deimplantação decultura geral e Oe educaçãoesté- racos perdidos, aqueles que em russo são chamados de
tica eideológica "tocasursinas". Quese pense na imensidão do país ena
(*) Prof. da Univel5idade de Pans
. (N anlerre)

----------±------ 9
I
Chica da Silva foi escrita nos idos de.1962,.estrutu-
rada nos moldes de My Foir 1Ady que, en~~, f~~a::~
T CHICA DA SILVA Grupo de "inconfidentes' (amigos
do Desembargador)
Tais foram as circunstâncias que
enquadraram o episódio histórico
so no Teatro Carlos Gomes. Como esta, ca e 'uco- marcado pela bizarra personalidade
história de uma Cinderela - a Cin~re1a. do Ti]" , .
a. d época um dos mais sigmficaliVos epIsódIOS Época: Brasil colonial (1755-1760) da mulata Chica da Silva, ex-escrava
:~ri~sn:o Bra~ colonial: avolta !o?da ,e .repentina COMÉDIA MUSICAL DE
e amante de João Fernandes, viven-
Lugar: Arraial do Tijuco (Diaman- do num ambiente de luxo e féerie a
do seu príncipe João Fernandes de Oliv~lra (~?mo ~n­ tina)
tratador de Diamantes) aPortugal, por lmposlçao pohlica faseculminante de sua vida - misto
do Marquês do Pombal. .
CARMOSINA MONTEIRO de lenda e realidade - tal como
DE ARAOJO dela se tem notícia, pesquisando os
Ao escrever. Chi"a da Si/va'baseei-me
. "na verdade di historiadores da época.
I QUADRO
histó"nca das Memórias do Distrito DIamantmo, . r'
scor- I

dando entretanto, do retrato físico e pSICO ogIco que • I

J quim FeUcio dos Santos pintou da ex-escrava da ~ae t Ruas estreitas, sinuosas e aciden- I Quadro: na praça,
t Padre Rolim procurando contrabalançar a for~a ra- Chica da Si/va,
:ática desses fatos com as cenas líri~s onde realidade e I. PERSONAGENS:
tadas, descendo até o largo, comple-
tam com a igreja eochafariz, cená-
em frente à Igreja.
Manhã de domingo àhora da mis-
f tas' e confundem. Oresultado fOI um enredo alegre A Vênus que afaga, CHICA DA SILVA rio comum à maioria das cidades sa. Na praça, pequenos grupos de
and la Str "do _ próprio do gênero _ centrado n~ figu- DESEMBARGADOR JOÃo FERNANDES mineiras do interior, construídas nos
e escon aI ' li de nqueza soberba erisonha populares enfatiotados, movimentam-
ra lendária do personagem-titulo num c ma, . DE OLIVEIRA idos de setecentos, nas quais aforça -se inconseqüenles ou entregues às
plástica favorecendo amontagem de um espetaculo Visual- as luzentes vagas plástica da arquitetura barroca por-
Mordomo "CABEÇA" atividades peculiares à vida daquele
mente belo. do JequitiWlonha (Cecília Meireles), tuguesa, adaptada ao período colonial
Irmã Diretora do Recolhimento tempo, inclusive ocomércio, que tam-
Apeça Chica da Silva concorreu em alguns concur- Irmã Porteira brasileiro, contrasta com aatmosfera bém era pernütido nos diassiliJiifi~
os mas somente em I975 ,mscn ' 'ta no Concurso anual édedicada àatriz Ruth de Souza. Baronesa de CoSTAl? LARGAS de poética tranqüilidade, que ainda cados. Em seguida o sino toca e o
s~movido pela Academia Brasileira de Letras, o~teve o MUCAMA da Baronesa hoje parece envolver-lhes os con- pOI'O canta:
~. Artur Azevedo para textos de teatro. OJ.un que a FILHAS 'DE CHICA (7 crianças de tornos - esbatidos pelo tempo, no
;;: iu era composto pelos acadêmicos Adomas Fd~o, Acena se passa no Br~il colonial, de 1!55 a 1760, 7a 13 anos) espaço de dois séculos.
Aentrada da missa
GenoWno Amado, Josué Montelo eRaimundo Magalhaes no arraial do Tijuco (Diamantina). Compoe-se de 15 TRAVESTIDO Acena 'sedesenrola no arraial do osino tocou.
Júnior. OS . quadros eédividida em du2S partes. MARQUESA DE CARAVAL Tijuco - h* cidade de Diamantina Osanto ofício
Aacolhida do meu texto pelos CADE~ POSSl: EFIGÊNCIA - alocalidade mais próspera do Bra- já começou.
bitita a tomada de contato, P?~ PW: de JOve~s e d. I Quadro - Praça, em frente àIgreja . CONDE DE VALADARES sil colonial, na gestão do Desembar-
estudantes com um tema histonco cUJo aprov:ltamento II " - Salão de ,isitas da casa de Chlca ArunWE-DE-oRDEM do CoNDE gador João Fernandes de Oliveira, na Odoce cordeiro
dramático'pode ter muito rendimento, C?ntnoumdo para FEITOR qual a extração de diamantes, atin- vai se imolar,
a desejada integração do teatro no cumculo escolar. III " - No mesmo local, à tarde ,
gindo o auge do desenvolvimento e àvista de todos
IV - No RecoIbimento de Macaubas produção o lomou um dos homens
FIGURANTES: sobre oaltar!
Carmosina Monteiro de Araújo V " - No mesmo do II quadro mais ricos do seu tempo eatraiu para
VI - No parque da Chácara, à tarde. Grupo de populares (na praça) angião aatenção do mundo inteiro. Seu sangue divino
VII - Na praça da Igreja Séquito de CHIeA (dez escravas) Estranha multidão de fidalgos, ne- irá derramar
Grupo de Músicos (da banda) gociantes, índios e aventureiros de na cruz do Calvário
VIII - No salão da Chácara Grupo de Fidalgos (no chá e no
IX - Na alcova de Chica toda aespécie, para ali acorrera sôfre- pra nos salvar!
convescote)
ga, ecirculava a~tada pelo arraial e
X - Numa ante-câmara qualquer Bispo e2Padres
pelas lavras, identificada pelo o*tivo Do fogo do inferno
XI - No boudoir de Chica Grupo de Oficiais (comitiva de comum a alcançar - uns pelos pró- na hora final
XII - Nas lavras de diamantes Valadares)
prios esforços, outros por meio do de todo pecado
Grupo de Atares (teatro da chá- trabalho escravo de negros trazidos original!
XIII " - Na senzala e na rua cara)
XIV - No salão da Chácara da costa africana - enriquecimento
Grupo de moleques (na rua) fácil erápido mesmo à custa de qual-
XV - Na sala de baile Grupo de escravos (nas lavras) Algumas escravas, ricamente ala-
o quer sacrifício. viadas, alravessam a cena acompa-
EscRAVA- Mas agora só enxerga - onde havia uma lindacapelapar- car águade flor delaranjeira pra Si-
_ Omoleque João estava perto e CHICA e pessoa de sua inteira con-
T DEUSno céu e CmCA na terra! Pa-
rece até coisa feita!
ticular, jardins com plantas exóticas nhá beber! Depressa! Que fazem aí
nhando a"cadeirinha" em que CHICA fiança. transplantadas da Europa,iluminados paradas, bando de negras vagabun-
DA SILVA é conduzJda. por quatro assistiu a tudo. Lá vem ele correndo - Estás com ciúme! à noite, e também uma ampla sala, das?!
escravos delibréacaminho do tem- para cá. _ Isso é obra dos fidalgos que - EoDesembargadorsabe disso? devidamente aparelhada, destinada
plo. Opovo se divert~ c?m a arro: _ Ele vai contar o que aconte- exclusivamente ao teatro.
cheoaram aqui corridos do terremoto! EscRAVA - Se ainda não sabe, vai As Escravas obedecem, saindo pre-
gante ostentação do seqllltO da anti- ceu! Que foi moleque? o .
saber quando (pondo os dedos juntos Vestida como uma grandedama do cipitadas.
ga escrava, transformada na mulher _ Que houve com CHICA? _ Pois é! Querem obngar os
à testa) eles começarema apontar. seutempo- embora excessivamente
mais rica e adulada do arraial do outros a seguirem o estilo da Corte!
ataviada- CHICA DA SILVAdesce da DESEMBARGADOR (temo) Chiqui-
Tijuco. MOLEQUE - Falaram tão baixi- EscRAVA - Bem feito! Quem "cadeirinha", sobe correndo a esca-
manda ela não conhecer o seu lu- Populares riem ainda, quando o nha, que houve contigo? Conta!
nho que eu não OUVI. na da.I sino repica encerrando o ofício reli- da da porta de sua casa, entra no sa·
_ Chica mandona vai chegar gar! Além de preta, amancebada e Ião e, atirando chapéu e luvas para CmCA (tensa)- Nem que eu viva
- Quem? . da quer viver toda se mostrando, gioso. Todos se ajoelham erezam por cem anos em cima desta terra mise-
atrasada! MOLEQUE - OIrmão do Carmo feito am CL ' alguns instantes. Depois os fiéi9 co- oar, cai sobre osofá, chorando con-
sinhá branca! (Imita nIca, pro- vulsivamente. rável, nunca esquecerei a vergonha
_ Meu Deus! Há quanto tempo e Nhá Chica. Quando ele tinha su- meçam a deixar o templo. A pé ou que passei hoje, naquela igreja amal-
vocando gargalhadas) .
tocou a entrada damissa! bido doisou três degraus, ele de~u CABEÇA (pegando-a pelopul:o)-
.' em "cadeirinhas", desfilam ante o As escravas que acompanharam diçoada!
_ Ela quer rezar? Saiu apenas outros tantose cochichou no ousido povo irreverente. Oúltimo a passar CmCA, revoluteiam em tomo dela,
Para com esse deboche! Eu nao ~d; éum velho coxo. obedecendo aumalinhacoreográfica
DESEMBARGADOR- Não blasfeme,
para mostrar a sua grandeza pela dela. Só vi anegra ficar branca como mito que lhe faltes com o respeito. infeliz!
rua! a cal. .. que permita realçar toda a plastici-
EsCRAVA - Respeito! Ela não é dade do conjunto. ODesembargador CHICA - Mas aqueles bandidos
_ Precisavadaquele aparato todo, (inrerrompe) - Branca como a - Dizemque este era fidalgo e me pagam! ..
minha senhora! entra depois, atraído pelo alvoroço
minha gente? cal! rico mas o terremoto acabou com DESEMBARGADOR - Quem manda
CABEÇA - É minha e em minha ludo que ele tinha! das escravas epelo choro histérico da
_ Se não for assim não dá na _ Cinzenta como oborralho,que- mulher. seres tão teimosa? Não sabes que é
frente ninguém caçoa dela! Estas
vista! res dizer. Deixa ele contar! - Até com o ~ito dele andar! proibido às pessoas de cor freqüen-
ouvindo?
- Escuta! DESEMBARGADOR- Oque tens tu, tarem igrejas?
EsCRAVA - Ai, me larga! Eunão
Ao chegar ao templo,CH/CA , ajl~­ MOLEQUE (continuando) .. . Tr~­ Todos acham graça. Fazendo evo- mulher de Deus? Estás doente, Chi- CmCA - Aquele bando de ca-
disse nada demais! luções características,abanda de mú- quinha? Fala criatura! (Às escravas)
dada pelas escravas, sai da serpenti- mia que nem vara verde! Não podia chorros vive noiteedia socadonesta
na esobealguns degrallS da entrada. nemfalar! CABEÇA - E se disser se arre- rica encerra a flmção. A pequena Oque acontereu à Sinhá? Ela caiu? casa, me lambendo a mão. Por que
Um "irmão" da Ordem, que estava - Coitada! pende! mulridão irá aos pOI/COSse dispersan- Machucou-se? (Berrando) Respon- équelánão podem se misturar comi-
à porta, desce para encontrá-Ia falan- . EsCRAVA - Pois eu não tenho do para voltar tudo à pachorrice de dam! go?Responde?
MOLEQUE- Olhou firme para o medo valente! Por causa dissoéque um dia feriado, perdido lá nos con-
do em I'OZ baixa. Imediatamente ela homem, agarrou o rabo da saia, deu , ~, . EscRAVAS (quase todas ao mesmo DESEMBARGADOR - Eeu sei? Ora.
volta e toma a entrar na "cadeiri- meia volta, meteu-se de no~o naquela estão dizendo por aí que vocee am- fins do Tijuco, há precisamente dois tempo) - Ela ficou assim depois que ora! Quemsabe lá explicar a razão
réculosatrás. oIrmão da Ordem . ..
nha" que os negros carregam para geringonça emandou oscabvos seda- gado com ela! . desses tolos preconceitos?Tu mesma
fora, sempre acompanhada pelo ~u narem~ no oco do mund'o. CABEÇA (dando-Ihe ~m tapa ~ En- DESEMBARGADOR(aos gritos) Fala ésculpada. Se andasses pela rua com
séquito. gole essa língua, atreVIda! (Sm) uma de cada vez! Como é que eu um certo recato... Mas só podes
_ Lá vão pelo caminho da Palha!
II QUADRO vou entender esse papaguear de to- andar com um rancho de negras atrás,
_ Eu não disse? Eles não ~n; dos os diabos?! chamando a atenção de todo o
_ Uai! CHICAdesistiu de entrar sentiramque ela entrasse na Igreja. Populares, rindo, acodem a negra
o cenário, que antes representava EscRAVA - Ninguémsabe o que mundo!
naigreja? MOLEQUE- Ela não é da cor da caída. afachada, deve mostrar agora osun- ele disse. Mas quando acaboude fa- alICA- E eu serei alguma des-
- Desistiu ou foi barrada? gente, uai! luoso salão de visitas da famosa chá- lar, Nhá Chica desceu a calçada da
_ Estás brincando?Onegro ficou valida, para sair de casa desacom-
- Pareceque oIRMÃOdaORDEM cara da Palha, que o Dfj'embarga- Igreja chorando. Meteu-se na berlin- panhada, semcontar com ninguém
não deixou ela en'rar' Nessaa/II/ra, aopinião popular.se fulo de raiva! dor mandara especialmenteconstruir da e mandou os negros tocarem de pra me servir, num caso de necessi-
_ Mas que deaíoro' Aquel.a divide contra e a fal'or da antiga _ Aquele não é Q que chamam para vil'er com asuaamante - ver- volta. dade?
loreja foi toda construída como di- escrava. Somente IUll personag~m que Cabeça, mordomode Chica? dadeiro solar no estilo da época- DESEMBARGADOR (compreenden- DESEMBARGADOR - Eque neces-
nheiro do homem dela! chegara atrasado, ~e manté~1 .a par~e EsCRAVA - Mordomo emaisalgu- tal como se podeter idéia pelas mÍnas do) - Ah,então ela tinha ido àIgre- sidade tinhas de sair para rezar? Já
_ Não sabe como esses lisboetas calado , demonstrando pela flSlOnomza . . ma coisa! que durante algum tempo existiram jadoCarmo? (Aos berros) Vão bus- não havias assistido auma missaesta 13
são" Dinheiro é o que eles não en- aindignação que lhe causara o mCI-
2 jeitam, venha deondevIer. . 1
l/enle. t "CABEÇA", mordolllo_d~e
_ Ele já não foi teu homem?
=========
i
manhã, em nossa capelinha psr- mar essa porcaria! E sumam-se de DESEMBARGADOR (tomde brinca-
. """ CHlCA - Eu sei disso. CHICA - Mando botar notronco MORDOMO (põe amão sob;eade
ticular? minhavista! deira) - Vais mandar envenenar o
chá das fidalgas? Cuidado com afor- I DESEMBARGADOR - Sabes, mas oprimeiro quese atrever abatercomChica, que está nocorrimão}.
CmCA - Mas eu não matei nin- nãocessas com osteus desatinos de alínguanosdentes!
ASinhá está zangada, ca, lein? CHICA(perturbada) - Que que-
guém,paravivertrancada nestasqua- alimentar oódio que essagente fem DESEMBARGADOR (zangado) - rcs? Dizelogo!
tro paredes, sem ao menos ter odi· mas ela não tem razão. ÜlrcA- Qual! Vou fazer coisa de nós.
pior! Mandar bater com a porta na Não, se já tiver no bolso acarta de MORDOMO - Quem levea ousa-
reito demedistrair, como todo muno Se entrasse na Igreja, alíerria com que os estimulama nos
caradelas! anCA-Eu?! ... diade causar-lhelanto aborrecimen-
do tem? ia haver perturbação. denunciar e trair!
DESEMBARGADOR (esutp ~ato) - O DESEMBARGADOR - Oque fazes tohojedemanhã, naquela Igreja?
DESEMBARGADOR - Poisestás er- quê? quando ameaças afrontar a socieda- ( mcA(comol'ida! --:- Nãofoi nin-
Opadrelogoperdia
rada, minhacara. Igreja não élugar de doTIjuco? Cena 3 - Entra Umescravo guém. Não foi nada. Eu resolvi não
ofio do seusermão. C'dICA - Enxotá-las a ponta-pé,
dedistração, mas de contrição. trazendo uma carta. tocar mais no assunto. Compreendes?
Os fiéis não acertavam comJ se fossem um bando de ca· anCA - Oque tem a ver uma
anCA - Evosmicêestá pensando ler olivro de oração. chorras vadias! coisa com outra? Depois tedirei por quê. (Sobe o tes-
que aqueles carolas vão lá por de- j. &cRAVO - Louvado seja Nosso tanteda escada que leva aseus apa-
DESEMBARGADOR - Estásficando DESEMBARGADOR - Nada! Basta- Senhor Jesus Crist(l!
voção? Vão é mostrar os trajes que Sacristão não atinava ria esse escândalo para justificar a sentos).
doida?
recebem diretamentedeLisboa! aSanta Missaajudar. campanha de difamação que ora de- anCA - Para sempre seja leu-
QncA- Deh* em diante, ne- o'
vado!
DESEMBARGADOR(abraçando-a) - Devotosnãomais podiam nhuma cruzará maisos batentes de- sencadeiam na Corte contra mim! O Mordomo segue Chica com a
Etufazesquestão éir exibir osteus, no seurosáriorezar. ta casa! Pode ser até a mulher do anCA(preocupada)- Quem lhe DESEMBARGADOR - Quem te cha- I'Üla até I'ê-la desaparecer na porta.
à moda de Paris! rei! disse isso? mou aqui? Vai para o raio que te Depoiscanla.
Os Irmãosnão conseguiam parta!
CmCA (amuada) - Não éda tua de nós, os olhos tirar, DESEMBARGADOR (furioso) - Bas- DESEMBARGADOR - Uma carta
conta! Eu sou ou não, mulher igual ta! Nãoestás vendo queeu não ccn- anânima que recebi de Lisboa, coa- CmCA - Espera! (A o escravo) Aminha vidaeudaria
cuidando quefossem santas Que queres?
às outras? que estavamavenerar. sintoquefaçasüniaéoisadeSsas? ... .. .tando tudo. Talvez escrita por um para saber se ela sabe,
ÜlICA(sarcástica) - Eu não digo, amigo quetema seridentificado. SCRAVO - Entregar esta carta do deste amor semesperança,
.DESEMBARGADoR(beijando-a) - Intendente. Oportador está lá fora desta secretaamizade.
Igual a quem? Tu és única, minha Aténo torre sozinho, JoãoFernandes, quevosmicê só tem anCA - Carta anônima?Mas de
fingJllento? Nahorade me dar mão queoacusam? esperandoresposta.
flor! Nunca houve mulher igual, nem osino iria tocar.
forte, fica do lado dessa corja que DESEMBARGADOR (depois de ler a Se sabe, porque simula
antes nem depois de ti! Prevendo que acontecia, DESEMBARGADOR - De várias irre-
oraio do terremoto de Lisboa devia carta)- Vou ao gabinete responder- meu afeto ignorar?
CmCA (repele-o amuada) - Eu quiseram, então, evitar! gularidades relativas ao Contrato,
ter varrido para sempre, da face da lhe. (Sai) Se não sabe, porque muda
hoje não estou para brincadeiras! além de uma série decalúnias levan- quandotentorevelar.
tem! anCA- Vai dizer aCABEÇAque
Depois de contracenarem com tadas sobre a nossa vida particular.
DESEMBARGADOR- Podesdizer as venhater comigo.
Cena2- Escravas entram trazendo Chica, as escravas saem. CHICA - Infames!Eles teméinve- Quecruel ansiedade
besteirasquequiseres. Eunão te da- ja devocê! EsCRAVO - Nhora sim. (Sai) esta incerteza me traz!
numa enorme bandeja de prata um rei ouvido, nem estou mais disposto
finocopo decristal com água, e um DESEMBARGADOR (Apanhando as DESEMBARGADOR - Disto sei eu, Mas euprefiro à verdade,
a tolerar tuas loucuras. É por causa se desgraçado mefaz.
vidro desais. coisas que Chica atirou ao chão) - ora, ora! Cena 4- Entra oMordomo fitando
destas atitudes que se está a criar
Tu estás afazeruma tempestadenum Chica Com indisfarçável ternura.
esse clima de hostilidade emtomo CHICA - Querem tirar ocargo de Se traduz aindiferença
&cRAVAS - Tomeesta mezinha, copo d'água. lmsgina só, que ainda deli! Contratador de suas mãos.
Sinhá, quevosmicê melhora logo, se está semana, aqui estarão todas as MORDOMO - Vosmicê precisa de daquelapor quem padeço.
Deusquiser!Cheire istoaqui! C!ncA - Euque me importa! DESEMBARGADOR- É. Etalvezo mim? Seme tira toda crença
damas cujos maridos não tedeixaram consigam. Não levaram meu pai à CHICA - Quero saberparaque foi
a nCA(Emerge do gmpo com tal entrar na igreja, a tomar chá com DESDlBARGADOR - Não ignoras deque seubemnãomereço.
que mil olhos, noite e dia, nos es- ruinae à loucura? que o Intendente escreveu a João
violência que as escral'as, despreve· bolinhos, na maior intimidadecom a
nidas, rolam pelo chão) - Saiam de senhoradona Franciscada Silva. preitam, a fim deobterem por meio CHICA - Covardes! Pela frente Fernandes.
cima de mim, bando denegrasfedo- de intrigas mesquinhasosfavores que não têm coragem de atacar! MORDOMO - Vosmicê saberá. Não
anCA - Ai, JoãoFernandes! Eu autoridades portuguesas concedem III QUADRO
rentas! Vão comesse ''budum'' da- DESEMBARGADOR - Claro! Mas é sepreocupe.
nado para as profundas dos infer- não me lembravadisso! Minha Nossa em troca demantê-Ias cientes doque melhor te absteres de comentar esses
aqui se passa, mais queos próprios anCA(subindo aescada) - Avisa Ainda no salão da Chácara da Palha.
nos! (Joga a bandeja, copo, vidro Senhora! Encontrei um jeito de me fatos. Osescravos podemouviresair às mucamas que vou precisar delas O Desembargador andade um lado
14 tudo sobreelas) - Eu nãoquero to- vingar daquelagente! moradoresdo lugar. esp~hando ... láem cima. para outro. Depois entra o &01'0. 1~
esCRAVO .; Ocarro está pronto, DESEMBARGADOR - Procura des- CHlCA (retribuindo-lhe os afagos) ..,.' CHICA - "Sua Excelência"! "Sua
Excelência"! Não sabe nem comoo
CHICA- Deixa comigo,João Fer- CHlCA- Então para com essa
nhôr sim! cobrir por meio dos teus espias! - Estou tão alegre! Assim que eu I' infeliz se chama!
nandes. Agora criei gosto. Eu mesma
ajudarei a cuidar dos preparativos.
conversa comprida, que eu preciso
despachar esse pessoal pra Macaúba!
chegar ao Recolhimento, vou pagar
DESEMBARGADOR - Pergunta àSi- CHlCA - Ora! Não me aborreça! a promessa que fiz à milagrosa pa- DESEMBARGADOR - D. José Luiz Vou mostrar a esses fidalgos bestas
nbá se quer descer para irmos jm- Doque mediz respeito, nãopreciso droeira de lá. Se não fosse aquela deMenezes AbrantesCastelo Branco que na colônia a gente goza omes- Cena 2- Batepalmas edetriÍr do
tosaMacaúbas. indagar. Eles vêm correndo cobrar de Noronha, Conde de Valadares! mo luxo e conforto que se desfruta
as alvíssaras,comohá pouco fizeram. santa, ia ficar por baixodas branco- na Corte.
reposteiro saem seteescravas trazen-
CHlCA(do alto daescada) - Já sas daqui, nas festas que certamente CHIeA - Credo! Só onomedele do cada uma um cesto etiquetado
DESEMBARGADOR - Sim?Equais os fidalgotes vão oferecer ao Gover-
vou. (Em baixo, ao escravo)- Vai dá para encher a casa! E se aind~ DESEMBARGADOR - Então, dessa com onome das sete filhas da ama.
dizer aelas queaguardem osin'al. são as novidades? nodor quando elechegar. Bem enten- preocupação estou livre! Eu sei do
." trouxerum magote de guarda-costas? Desfilam mostrando à p(J1roa ocon-
DESEMBARGADOR - Que foi que OueA- Chegaramos canqueiros dido, se eu for convidada! Eunão gosto desses lisboetas! Você que és capaz, quando está em jogo a teúdodos mesmos.
de Vila do Príncipe e finalmente nbe disso. tua vaidade.
disse? DESEMBARGADOR- Tua presen- DESEMBARGADOR - OquevãoIa-
trouxeram aquelascargas nossas que OueA - Eoque mais está pre-
CHleA (desentendida) - Cuidei estavam retidas lá, desdequedesem- ça será das poucas indispensáveis, DESEMBARGADOR - Então terás zerlá?
que havia desistido! enquanto durar avisitade Sua Exce· que forçar a natureza para tratá-los ocupando vosmicê?
barcaram do porto do Rio de Ia- lência ao Tijuco! CHIeA- Levar umas coisinhas
damelhormaneira!OCondede Va- DESEMBARGADOR - O que se
DESEMBARGADOR (consultaoreló- neiro. !adares, além de ser o Governador que as meninas precisam.
gio) - É um poucotarde, masva- DESEhlBARGADOR - Vindas da CHICA- Porque insiste em dizer esconde por trás dessavisita...
isso? da Capitania, vem como embaixador H NEGRA - Bolachinhade ara-
mos estrear aberlinda. Europa? OuCA- Uai! Nãocompreendo!
deSuaMajestade eenviado especial ruta.. .
CHIeA- É mesmo? CHIeA - Da França. São as pe- DESEMBARGADOR - Vê se adivi· doMarquês de Pombal! DESEMBARGADOR - Que virá Ia-
nbas, já que teus olheiros fracassa- zer esse homem ao Tijuco, investido 2~ NEGRA - Doce de leite com
DESEMBARGADOR - Preciso ver as ças de vestuárioque havíamos enco- OueA(amuada) - É muita coisa de poderes tão especiais? ovos ...
raa
meninas hoje, porque durante a se- mendado há quase uili' ano: Lem- mesmo!
OuCA- Sei lá! Eunão entendo D~EMBAR~ADOR - Chica, quan-
mana não terei tempo para visitá- bra-se? OuCA(aborrecida) - João Fer- DESEMBARGADOR- É como se de política! do e que vas perder a mania de
-las. DESEMBARGADOR- A duas ou nandes, eu não gostode mistério!Se fosseoReiem carne eosso, Chiqui- andar com um exército de negras
CHlCA - Por causa da vinda do três casas de modas deParis, se não sabe, diga logo onde esse danado vai nha! Será que não compreendes? DESEMBARGADOR - Só pode vir atrásde ti?
tal Governador? estouenganado. se hospedar! desincumbir-se de alguma missão
CHICA- Arre! Também nãosou extraordinária. Quem ;abe se não é CHICA- Não posso levar tudo
DESEMBARGADOR- Comojá sou- CHIC A- E"{atamente! Graças a DESEMBARGADOR - No solar do tio tapada assim.
Deusaconteceu uma coisa paracom- SextoContratador deDiamantes! ~r ~usa das infâmias que os nossos q~e ~l~s carregam. Ouqueres queeu
beste disso? Quem te contou? DESEMBARGADOR - É a maior va VISItar as meninas comas mãos
pensar aquela raivaque eu tive hoje IDlmIgos têmassacado, junto a El-
CHlCA - Gente, decara edente, OuCA - Aqui emcasa? .. Não prova de consideração e apreço que -Rei, contra mim? abanando?
demanhã!
nariz pra frente ". Não foi por isso épossível! Estábrincando? j:Ode receber um vassalode D. José! CHICA - Será?(Noutro tom) Mas DESEMBARGADOR - Mas para que
que o "mocó" mandou chamá vos- DESEMBARGADOR - Felizmente! DESEMBARGADOR - Não costumo (Para atingir a vaidade da mulher) não háde sernada, JoãoFernandes. lanta coisa?
micê? Quantas caixas vieram?
brincar comassunto sério. O lníen- Quanta gente vai ficar a roer-se de Mesmoque esse tal Governador ve- 3~ NEGRA - Gostosos pastéis de
DESEMBARGADOR- Mas conver- CHICA- Maisde vinte! Mais de inveja! Ima~na o despeito de certas
dente m andou me chamar para sa· nh~ prevenido contra nós, podemos nata...
samos a sós, emparticular e tu já vinte bausentupidinbosde coisasbo- ber se eu aceitava ohonroso encar- damas por haver sido escolhida a faze-lo mudar de opinião ... Não há
sabes do que se tratou? É demais! nitas para eu usar! go dehospedar Sua Excelência. nossa casa! coração duro que umas folhetas de 4~ NEGRA - Geléia de ameixas
, Parece que neste lugar se ouve tudo DESEMBARGADOR- Quecoisas? pretas ...
CHIeA(aderindo) - Chi... Vou ouro e ~Iguns diamantes especial.
através das paredes! CHICA(com dellgues) - Ai, João CHICA- Evocê aceitou? Era só mentelapIdadosnão amoleçam!Dei- CHICA- Por que eu tenho sete
oquefaltava! Agente se incomodar fICar cheia de dedos, hospedando
CHICA- Que exagero! Então Fernandes! Um verdadeiro enxoval esses reinóis. Quandoéque eles che- xa que me encarrego disso, Eu co- filhas! Queméoculpado?
para que servemos reposteiros? Es- denoiva! Tudotãofinoebonito que por causa de umsujeito que nem nheçoa manhadessagente!
glm? DESEMBARGADOR- Elas têm de
cuteaqui, João Fernandes: pramim, sómedávontadede usi-lotodode sequer conhece! DESEMBARGADOR - Então posso
DESEMBARGADOR - Por esses dias. tudo lá. Para isso eupagoàs irmãs
tanto faz essetal Condechegaraqui, uma vez. Quando as negras acaba- DESEMBARGADOR- Não é preci- confiar em li? do Recolhimento! -
como ficar lá, nos mundos dele. remde passar a ferro, mostro a vis- soconhecer umaautoridadequequal- Adata certanãofoi marcada ainda
DESEMBARGADOR- Pois eu ga- micê. quer cidadão temobrigação de ser-
mas ébomreunir opessoal demaio; CHIeA- Quantasvezes já mepe- 5: NEGRA - Compotadecidra e
responsabilidade no serviço da casa, gou dormindo comoutro homem?! manJar...
ranto que vai interessar-te mais do DESEMBARGADOR (abraçando-a e vircomtodoodevotamentoqueeii- para que possam ir tomando provi- ~ESEMBARG~DOR - Mas quem 6~ NEG RA - Biscoitinhosdepol-
queimaginas! beijando-a) - Prefiro vê-lo no teu ge oelevadocargoqueSuaExcelên- dências... esta falando DISSO, criatura?
corpo! --~r :, ciaocupa! vilho.. . 17
16 CHICA- Porque motivo?
CHICA - Eu sei quem são aque- DESEMBARGADOR - Não é possí- Chica lhedera.Segundo os documen- ~,1 PORTEIRA (olhando pelo visor) -
É amucama de Vossa Mercê que está
BARONESA - RIta cabeça de ven- DIRETORA (apresenta) - ABaro-
las beatas! Se eu não vivesse de olho vel!Eu não sabia .. . tos da época, maridos ciumentos ali to, não presta atenção ao que se lhe nesa de Costas Largas, oDesembar-
em cima, as crianças já teriam até costwnavam deixar as esposas quan· de volta. (A negra entra e a Irmã manda fazer, Irmã!
CHICA - Eu sei de tudo. Mas essa do necessitavam ausentar-se do Ti· gador João Fernandes e D. Fran-
volta àleitura). MUCAMA - Peça àIrmãzinha que csca
passado fome. história de véu preto, não tolero!
DESEMBARGADOR - Nunca em juco. MUCAMA (Com precaução entrega ela me deixa ir buscar oseu xarope.
Vou mandar aquelas cadelas no cio
uma carta à Baronesa, cochicha com DES~MBARGADOR - Muito prazer,
minha vida ouvi tamanho dispa· humilharem o diabo que as carre- À esquerda, porta de entrada com Num átimo, negra velha vai e volta. senhorinha! Tenho a honra de co-
rate! ela, que ri, lendo a carta em voz PORTEIRA - Não pode ser! Você
gue! É assim que as mal-agradeci- baten/(s internos. Ao fundo, (l jar- baira.) nhecer obarão seu pai!
CHICA - Disparate? Você não das pagam os favores que nos devem! dim daustral de onde se avista a não conseguiria chegar antes da hora
BARONESA - Aquele homem tem de fechar oRecolhimento. BARONESA (divertindo-se) - OBa-
sabe de naqa! Hoje mesmo vou dis- Já se esqueceram que foi você quem outra parte da cOllStrução. Em cena,
cada idéia! BARONESA - Pois é! E eu vou rão de Costas Largas é meu esposo,
posta a dizer umas verdades àquelas construiu a maior parte do Recolhi- aIrrnt encarregada da portaria, len- Desembargador!
condenadas! mento. Mas eu vou passar tudo na do um livro de orações. MUCAMA - Ele disse que não suo passar anoite toda acordada, tossin-
DESEMBARGADOR - Ai, ai, ai! Se cara delas. porta mais esperar que oBarão volte do, como aconteceu ontem! (Tosse) DESEMBARGADOR (encabulado) _
va~ com intençãode fazer escândalo, BARONESA (entrando no jardim) - para poder vê-Ia de novo! Mas tu me pagas! Perdoe-me, senhora Baronesa. Mas é
DESEMBARGADOR - Deixa estar Boa tarde, irmã. MUCAMA(chorando) - Valha-me tão jovem ainda!
ou des~to deacompanhar-te. que eu me entendo direlamente com BARONESA (guardando a carta no
CmcA - Pois eu vou sozinha!Elas PORTEIRA (levanta-se) - Boa tar- seio) - Não sei o que faça. Tenho Nossa Senhora! CHICA - Que bobagem, João Fer-
oprior. Vou exi~-lhe uma explica-
vão me dizer porque as meninas ção! de , senhora Baronesa. Deseja alguma medo que as beatas descubram. Se PORTEIRA - Esperem. Vou falar nandes! Ela tem idade bastante para
estãode luto, se eu ainda não morri, coisa? houver escândalo e o velho quando com a Irmã Diretora. Como se trata ser casada!
nem você! CHICA - Bravos! Até que enfim BARONESA - Neste momento, nin- chegar, souber, ele me mata! de um caso de doença, talvez ela dê
você resolve tomar uma explicação. guém poderia satisfazer aminha von- BARONESA - Oh! Não se incomo-
DESEMBARGADOR - De luto? Que MUCAMA - Descobrem não, Nha- permissão para você entrar um pou- de, dona Francisca! Oequívoco do
história é esta? DESEMBARGADOR - Agora prome- tade; Irmã. Obrigada. co mais tarde. (Sai) seu... marido, até me lisonjeia.
nhã. Odoutor é quase do meu ta-
" 7~ NEGRA ~ Arroz doce com ca· te nada dizer às Irmãs, por enquanto. PORrEIRA - Quem sabe? Pode di- manho, do meu corpo, com a cara MUCAMA (deixando de fingir) _
Tá vendo, Nhanã? Se Deus quiser,
DESEMBARGADoR-(âssanhãdõf-
nela... CHICA - Pelo meu gosto, as me- zer oque é? pintada de graxa, chegando à boca. ,Permita-me então que o transforme
-da-noite, ninguém desconfia! vai dar tudo certo.
CHICA (às negras) - Vão depres- ninas não ficavam nem nas um dia BARONESA - Fazer o tempo pas- num respeitoso cumprimento àbeleza
sa para não chegarem depois de to- internadas naquela porcaria! sar tão rapidamente, que eu pudesse BARONESA - Eamanhã? BARONESA - Cala aboca, burra! eàjuventude de V. Excelência.
car aAve-Maria. (A João Fernandes) voltar hoje mesmo para oTijuco!
DESEMBARGADOR - Eu sei! Que- MUCAMA - Sai com o escuro BARONESA - Se ~to lhe apraz, De-
Eu não digo que você não sabe o PORTEIRA - Tenha paciência, se- Entram aPorteira eaDiretora sembargador!
res arranjar um pretexto para trazê- como se fosse eu a mando de vos:
que sepassa por lá? As Irmãs estão nhora. OBarão prometeu regressar micê. Ai, fica e eu volto no lugar
obrigando-as ausarem mantilhas pre- -las para casa. Prometo pensar nisso, CHICA (ciumenta) - Acho melhor
depois que oGovernador for embora. até ao fim do mes. Portanto, faltam dele! . PORTEIRA - Pode ir, minha filha.
tas na Igreja! Mas faça tudo para voltar logo. vosmicê tratar logo de avistar-se com
Agora, avia-te! Está ficando tarde. poucos dias .. . BARONESA - Oplano foi bem ín- oPrior afim de resolver ocaso das
DESEMBARGADOR - Ora bolas! O Vamos. (Sai puxando Chica pela BARONESA - Que para mim sigo MUCAMA - Sim, Irmãzinha.
que tem isso? Deve ser coisa da re- çado, hein negra? Prometeu-te uma meninas.
mão). nificam séculos de aborrecida especo gorgeta? DIRETORA - Custou-me obter a
li~ão ou então uma nova regra do DIRETORA - Ele já se recolheu
tativa. licença do Padre Prior, que só acon·
Recolhimento. MUCAMA (fazendo tilintar as moe. aos seus aposentos. Mas se oassunto
PORTEIRA (ingénua) - Como a das de um saquinho que tira do bol- cedeu em consideração à Senhora éurgente...
anCA - Eé! Mas acontece que
onovo regulamento só atin~u as nos- IV QUADRO saudade pode aumentar a distância so da saia) - Pagou adiantado Baronesa. (Afasta-se com aPorteira).
e o tempo! Não é verdade, senhora Nhanã. ' BARONESA - Muito obrigada, DESEMBARGADOR - Não tem im-
sas filhas. portância, Irmã! Posso deixar para
Baronesa? Irmãs. (À Mucama) Põe-te a cami-
DESEMBARGADOR - Por que? Parlatório do Recolhimento de Ma- BARONESA (fala baixo, depois alto) outro dia.
caúbas, espécie de convento fun- BARONESA (rindo) - Saudade? - Não sei onde estou que não te nho, doida, anda! (À parte) Cuida.
CHICA ....:. Ainda pergunta? Para
dado por irmãos leigos quese encar- Quem lhe disse, Irmã, que eu sinto dou uns tabefes, negra velha demio- do! Explica tudo direitinho para não CHICA - Nada disso! Tem que ser
não se confundirem com as recolhi·
regavam da educação de meninas saudades dele? Estou é farta de fi- lada! haver nenhum engano. (Alto) Volta agora! Se você não for, eu irei!
das de"sangue puro"!
procedentes de famílias abastadas,em car pre sa neste lugar, como se fosse cedo! Você sabe como eu tenho DESEMBARGADOR - Está certo,
DESEMBARGADOR - Tens a cer- MUCAMA (fingechorar) - Não foi medo de dormir sozinha!
regime de internato. Grande parte uma rondenada às galés! Chiquinha. Já que insistes .. .
teza? por gosto, não, Nhanã!
CHICA - Também não permitem desse estabelecimento fora construí· DIRETORA (ao Desembargador) _
do pelo desembargador João Fernan- Batem à porta. A Irmã vai ver PORTEIRA (aproximllndo-se) - De Cena 2- Mucama sai. Entram
que elas façam parte da comunidade que se trata, senhora baronesa? Tenha abondade de acompanhar-me.
18 por não serem brancas ... des enele viviam as sete filhas que quem é. Chica e João Fernandes Vou lerá-lo àpresença do Reverendo. 19
DESEMBARGADOR - ÀS suas
ordens, Irmã! (Ã Baronesa) Até mais
vê-Ia, encantadora senhora!
CHICA - Só quando tiverem mo-
dos de gente. Assim, não vai ninguém.
(Beija as meninas)
Enquanto fica,
no quente ninho,
afilharada
r Cest ainsi qui font les dames
d'une fine éducatioa
quand elles font courbettes et mines
PORTEIRA - Não, minhasenhora!
Tenho que ajudar esta pobre! (Ã ne-
gra) Não pode levantar-se?
- Mamãe, nós vimos uma muca·
ma com fala grossa de homem!
PORTEIRA - Fiquem quietas, me- toda a piar. - Com sapato igual ao do papai,
BARONESA - Até logo, Desem- aux messieurs dans un salon.
ninas. D. Francisca vai ficar triste TRAVESTIOO (com a cnheça entre eu vi!
bargador! Eu vou permanecer aqui Piu, piu, piu, piu,
com vocês. as pernas, nega com movimento ne- - Eocabelo comprido também.
até o Barão voltar da Europa. Ele piu, piu, piu, piu. CHlCA (rindo) - Elas querem dar gativo)
dei.~ou-meaos cuidados dessas bon- umpasseio de carruagem! DmETORA - Queconversa éesta,
dosas Irmãs! Meninas, rindo, tomam aabraçar PORTEIRA - Nãó pode nem falar? meninas?
Omeuouvido DESEMBARGADOR- Peçam liceu- (Travestido faz o mesmo gesto)
DESEMBARGADOR(rindo) - Não eabeijar amãe, que as afMtacom ça à irmã Diretora.
azucrinar! - Nós a encontramos no ca-
se pode negar-lhe a razão que tem carinho. PORTEIRA (à Baronesa) - Vamos minho, Irmã.
- Podemos ir, Irmã?
para ser tão precavido! (Sai com a ver se conseguimos sentá-la no
DESEMBARGADOR (chegando quase DIREIORA - Uma voltinha SÓ, pe- banco? - Pergunte à Baronesa se émen-
Diretora) CHlCA (rindo) - Quem nunca viu los arredores do Recolhimento!
ao final) - Bravos! Bravos! Minhas tira Ela estava lá eviu!
um bando de moças tão assanhadas? - Merci, Madame! BARO~;ESA (irritada) - Que impero
BARONESA(anteo olhar hostil de filhas são sete prima-donas! CHlCA (estarrecida) - Onde?
Chica) - Ai, ai! Tem razão, dona - Que foi que nos trouxe hoje? - Vamos, papai! Au revoir, ma- tinência! Vá-se embora! Já não lhe
Geléia de amoras? disSe? - Coitada! Quase desmaia de
Francisca. Oseu... marido é uma \' mãe! (Saem lel'ando o pai de arras· susto!
criatura adorável! - Biscoitos de polvilho? As meninas, debandando, atiram- I tão) PORTEIRA (sem ligar, levanta otra.
- Rebuçados de caramelo? -se sobre o pai, abraçando-o e bei- DmEToRA - Não quer visitar a vestido, ajudada pela Baronesa) _ - Ficou branca como papel e ia
CHlCA - Espero algum dia poder jando-o quase todas ao mesmo tempo. levando um tombo.
dizer-lheomesmo emrelação aoseu. anCA - Touxe tudo mas vou capelinhade Nossa Senhora? Tome conta dela enquanto vou bus.
mandar as negras levaremde volta. CHlCA - Ia pedir-lhe para fazê· car umcopo d'água comamica. (Sai - Sepapai não lheacode tão de-
BARONESA(rindo) - Tudo pode pressa, teria beijado o chão.
Vocês não se comportam direito. DESEMBARGADOR (emergindo de ·10. Vou pagar promessa feita por apreJsada)
acontecer! Mas esteja certa de que DIRETORA(entra) - Não querem entre elas) - Ósenhora, dona Fran- - Foi mesmo! (Riem todas, agar·
uma graça alcançada hoje! (Saem) BARONESA- Levanta·te! Faz um
eu não me aborrecerei por isso! Boa cantar para a mamãe ouvir? cisca! Seria para ficar assim, amar- rando-se umas às outras)
tarde! esforço, anda! Temos que sair daqui
MENINAS - Queremos, sim! Que- rotado, que eu pago professor de esti- Cena Quarta - Carregando os sete antes que ela volte. CHlCA (indignada)- Quem?!
PORTEIRA - Vou mandar avisar as remos! (Começam acantarolar) lo para estas gajas?
ces10S, chegam as escravas de Chica TRAYESTIDO - Mas eu não posso - ABaronesa, mamãe. Juro!
meninas que asenhora está aqui. Elas DlREIORA - Esperem! Assim,
que se dirigem através do jardim à andar. Parece que quebrei uma per- - Depois correu para dentro, tre-
estão do outro lado do jardim, jo- não! Em coro! Deixe-me organizá-lo. Como se repetissem lições de eti- outra ala do prédio que se vê ao fun- na! Veja como está inchando! mendo como se tivesse visto alma pe-
gando àpela! (Agrupa a.1. meninas, chamando-as queta, elas cantando em francês, con- nada (Riem, riem)
do. Atrás delas vem otraves1ido,que BARONESA- Deixa de moleza!
pelo nome) Ana! Rita! Helena! Lui- tracenam com oDesembargador que tropeça e cai. As negras riemdele Precisamos aproveitar a ausência da CmCA (com ódio) - É verdade,
Cena 3 - Sai aPorteira, mas logo za! Mariana! Antônia eQuitéria! as acompanha com salamalequespró- mas continuam oseu caminho.Aba- Irmã.Queres que ela descubra, desas- João Fernandes?
volta empurrada por um bando de D IREIORA - Os pardaizinbos. prios da época. ronesa, entrando pelo lado oposto, trado?
Atenção. Comecemos. DESEMBARGADOR(perdendo apa-
sete meninas, de 7a13 anos, alegres corre para acudi-lo. TRAVESTlDO - Ora bolas! Eu sou
Qu'il en soit comme vous dites: ciênàa) - Ó raparigas tagarelas!
e alvoroçadas, que se atiram ao pes- TRAVESTIDO - Ai! lá culpado de haver tropeçado na. Será preciso puxar-lhes as orelhas
coço de Chica, quase asufocando de Depois de esforçar·se para contê· nous voulons vous faire plaisir
-Ias nos u/gares indicados, adiretora et trouver que d'Étiquelte BARONESA - Meu Deus, que hor- quele maldito batente? (Sai manque. para fazê-Ias calar-se?
beijos eabraços. ror! (Tenta levantá-lo) jando, amparado pela Baronesa) DIRETORA (intervindo) - Obede.
rege a canção que elas entoam em nous savons nous eu servir.
PORTEIRA (vindo ajudar) - Coi- PORTEIRA (Entratrazendo um copo çam ao papai que eu vou contar uma
- Mãezinha! Nós vimos quando coro.
Que la tête en s'inclinant tada! Tropeçou no batente! Deixe- na mão) Como? Não quiseram espe- história para vocês. Ouçam: era uma
asua berlinda chegou!
de la main suive le geste, meajudá-Ia, Baronesa. rar por mim? Forte coisa! vez sete negras cativas, trazendo cada
- Avistamos de longe, quando Pela manhã,
quand celle-ei soulcve la robe BARONESA - Não se incomode, uma umcesto cheio de coisas gosto-
ainda vinha pela estrada! os passarinhes
et le pied .. . Qu'il soit bien leste! Irmã! Cella 5 - Elltram C!lica e a Dire- sas. Atravessaramo jardim a cami-
cantando, alegres,
- Eu nunca tinha visto umacaro nho do refeitório ...
vão apanhar, PORTEIRA - Machucou-se? Onde tora. Em seguida as Meninas, num
ruagem! Achei asua tão bonita! MENINAS (interrompem) - Ah!
por entre as flores, Si du pied on voit la pointe, está doendo? Diga! (Ã Baronesa) frouxo de riso ,acompanhadas pelo
- Se é a primeira vez que apa- tenras migalhas, le regard sera baissé; Estará sem fala? Desembargador. Irmã! Já sabemos! São as cativas lá
rece uma por aqui! para os filhinhos une main tiendra la jupe . BARONESA - Ela tem é manha. CHICA (para as fiUlllS) - Que des·
decasa. Vamos ter com elas. Abên-
ção, mamãe! Abênção, papai (Saem
20 - Podemos dar um passeio nela? alimentar. I'autresue Ie coeur portée.
I Volte para o seu poso, Irmã.


tempero éeste, minha gente? correndoatravés dojardim) 21
DIRETORA (condescendente) talvez das feras beatas.
I
Ista noite não terão apetite para uma tunda ainda levasse.
- Três bien! Tres joli! (Balem
palmas) 'l - (Em vozbaixa) Não seria pelo
que aconteceu no Recolhimento?
MORDOMO - Aduqueza de Ca- - Como parte dos festejos de ani-
raval, abaronesa de Costas Largas e versário da dona desta casa.
jantar. - Senhora dona Francisca, sua - Coitada da Baronesa! É tão sua enteada, a senhorinha Efigênia. EFIGÊNIA - Deveras?
DESEMBARGADOR (consulta oreló- CoRO - voz faria inveja ao próprio rouxi- assanhada! Também o marido tem CARAVAL - Desculpem o atraso, BARONESA _ Ouvi dizer que as
gio) - Está na hora de nos despe- Foi castigo. Foi castigo! nol. .. idade de ser seu avô!
dirmos, Chiquinha. Queriamos avisá- queridas! (À parte, à Chica) Acul- festas que se realizam aqui nada dei.
- Tão fresca etão suave como a - Mas não se casou com ele? pada foi ela. Fiz tudo para não vir. xam a desejar às melhores que assis-
-Ia, Irmã, de que só voltaremos aqui brisa que perpassa entre as folhas do
depois que oGovernador da Capita· Mas é tão teimosa. (Apresenta E/i. timos na Corte.
VQUADRO arvoreno! - Casaram-na, querida. Obarão gênio)
nia deixar oArraial. é riquíssimo. Compreende? - Talvez em requinte, só possam
CHICA - Oh! Muito obrigada! CHlCA (à moça) - Eu já a co- sem comparadas às de Versalhes.
DIRETORA - Ah, sim. Ouvi falar Salão de visitas do Solar da Palha, - Negócio de famflia. Natural- nhecia de nome. Sua madrinha fala
da próxima visita que Sua Excelência - (Cantarolando) Esa melodia
onde, em determinado dia da sema- mente. tanto em você! BARONESA - Felizmente! Pensei
faz-me lembrar certa ária de uma
fará ao Tijuco. na Chica da Silva recebia para chá - Levarão muito tempo para che- BARONESA - Suponho que tam- que estivessem ~estinados a mofar
ópera que assisti na Corte... I
CHICA - É que ele vai hospedar- as damas da sociedade local. Costu- gar? bém me reconhece. Encontramo-nos nas_ arcas ~s ves,lIdos que usava nos
-se em nossa chácara. Sendo assim, maVa-se então cantar, tocar edecla-
- Ai, nem fale nisso! Eu sinto
tanta falta do teatro lírico!
I
CHICA - Dentro de uns cinco ou domingo, no Recolhimento. Lembra- saloes de LIsboa.
não poderemos vir durante esse mar àmaneira dos famosos serões da dez minutos... -se? CHJCA - Eu e João Fernandes
tempo. época. A anfitriã, acompanhando-se CHICA - Por falar em teatro, te- CHICA - Perfeitamente, Baro- tudo fazemos afim de tornar menos
à viola, cantava uma modinha em nho uma boa notícia para quem, - Refiro-me aos atares, dona nesa! enfadonha a vida cá do Tijuco. Mas
DIRETORA - Não há dúvida, dona
Francisca. voga, enquanto as convidadas canta- como fU, oaprecie. Francisca.
BARoNESA - Aliás foi naquela não.ésomente em nossa casa que se
vam em coro orespectivo estribilho. - Então fale, dona Francisca! Se- CHICA - Estão viajando para cá. tarde que o Desembargador ins~tiu realizam festas.
remos Iodasouvidos! Se os nossos cálculos não falharem, para que eu comparecesse hoje aeste - Não. Mas as melhores, sim.
Cena 6 '7"":' Ocasal se despede e sai.
A diretora entra e as escravas, de Por mais que tente apagar CJuCA - Oencarregado dos negó- deverão estrear no dia do meu ani- chá! Preciso agradecer-lhe o convit~. _ Apoiado!
do pensamento, o teu nome, cios de João Fernandes no Rio de versário.
volta, contracenam com otraveJtido. Onde está ele? CH B dd d .• I
não consigo sufocar Janeiro nos comunicou haver contra- - Asenhora tem a relação das • ' ) - Perca a espe- .
CHICA (IrOll/ca ICA - on a e evosmlCes. .
TRAVESTIDO -
este amor que me consome. tado um grupo de comediantes de Lis- peças do repertório? rança, Baronesa. João Fernandes EFIGENIA - Mas a repero da
Porque a tempo eu não vi
aquele maldito batente,
boa qre acaba de exibir-se naquela CHICA - Sim. Deixe-me ver se a nunca perdeu tempo ass~tindo às galera?
EstnlJilho: praça com muito sucesso.
vinha alegre, volto triste, sei de cór: OAnfitrião, Os Encan- nossas reuniões. Mas acomodem-se, CHICA - Vou satisfazer a sua
Sentimento impossível, - Que notícia mais agradável! tos de Medéia... por favor. Vou mandar servir olan- curiosidade. Foi um desejo que ma-
desiludido e doente! che. nifestei há tempos. Simples capricho
desvairada paixão, Deve sr amesma companhia que a
filha dJ Barão de Costas Largas - - Essa é ótima! Eu a a;,isti em de mulher...
EsCRAVAS - eu queria expulsá-los Coimbra.
do meu coração. quando vinha da Europa - assistiu Chica bate palmas e aparece o BARONESA ( àparte) - Irna~nem!
Foi castigo! Foi castigo! e ficou entusiasmada! CHICA - Porfiar Amando, Chiqui- Mordomo, aquem ela dá ordens em
nha, pelo Amor de Deus, e outras vozbaixa. Depois volta ao grupo. CHICA - Não sei se sabem que no
Fecho os olhos pra não ver CHICA - Sim? Daqui apouco ela
TRAVESTIDO - que não me lembro agora. fundo do parque existe um lago...
quando estás a me fitar. nos dará melhores informações. Adu-
Vejam só em que findou mas sinto pesandó em mim - Dá licença Com barquinhos em
queza de CARAVAL, que é sua ma- - Vai ser uma bela temporada. - Dona Francisca, responde aso-
minha aventura galante. aforça do teu olhar. drinha, prometeu trazê-la à reunião.
, " forma de gôndolas a deslisarem so-
ra a pergunta que fiz sobre a galera bre ele...
CHICA - Assim espero.
Além de coxo, voltar - E a madrasta virá também? dourada!
brigado com minha amante. As palavras de ternura - Por ter falado em aniversário, CmcA - Pois não! Com prazer! EFIGÊNIA (encantada) Oh! Ao luar,
(Maliciosas) dona Francisca, quando será inaugu-
que finjo não escutar, EFIGÊNIA - Referem-se a al.um deve ser delicioso dar um passeio
dentro do meu coração CHICA (finge não perceber) - Eu rada agalera dourada? e
ass~lI!
CORO - novo romance?
continuam a ecoar! não aconvidei. Ouvi dizer que oBa-
Foi castigo! Foi castigo! rão é muito ciumento e receei pro- - Um conto de fadas, rapariga! - Vê-se que a menina é român-
vocar uma questão entre os dois. Cena 2 - O Mordomo an//ncia a EFIGÊNIA - Vosmicê leu-o há tica.
Com muito esforço logro chegada das retardatárias. Ao ol/l'i- pouco tempo?
TRAVESTIDO - tua presença evitar, - Fez muito bem. (Confidencial, - Gosto mais do mistério que íl
rem o nome da Baronesa, as damas CARAVAL - Não se trata de lei- envolve quando as luminárias cla-
Ese a fugir forçado, mas permanece a lembrança à vizinha) A razão é outra. Chica mostram-se s//rpre~s . CHICA também, tura, minha filha. Mas de uma coisa reiam ojardim, em noites escuras de
1 quem me ajudar não achasse, que me fica a torturar! enxerg~ o perigo longe ... 4 mas levanta-se para recebê-las. maravilhosa quevai acontecer breve. verão! 23

- - - - - - - - - - - - - - +- - - - - - - - - - - -
BARONESA - Ai, ai! Meu gosto é BARONESA (à parte) - Logo vi que CHICA - Um pouco mais desta ge-
modar o Conde e sua comitiva sem Por trás, as anúgas tecotucam eco- EFIGÊNIA - É verdade que ela já
diferente. Preferia vagar à superfície se tratava de um navio negreiro. léia? nos causar o menor atropelo. E há chichalll.
negra das águas, apenas vislumbran- EFIGÊNIA - Mas é tão grande - Aceito. Obrigada. Estas broas foi cativa?
escravos em número suficiente para
do o vulto de um amável compa- assim? de goma desmancham·se na boca! servir bem alodos. - Psiu! Do eito da mãe do pa-
nheiro! - Ochá da lndia tem um sabor CHICA - Dão-me licença por dre Rolim. João Fernandes encen-
CHICA - Mede vinte côvados de CARAVAL - Asenhora !em razão. alguns instantes?
comprimento por seis de largura Se mais apurado. Especial! trou-a lá, suando em bagas, vestida
As damas entreolham-se escanda- ovento ajudar, pode conduzir de oito - Mas há outros pontos a consi-
- Excelente! derar. - Pois não,dona Francisca.Ase. com uma saia de ganga e um cabe-
lizadas. a dez passageiros. nhora está em sua casa. ção de zuarte.
CHICA - Sirva-se destes biscoitos C!nCA - Quais são?
EFIGÊNIA - O que? Tem velas de polvilho! CHICA - Volto já. Agradecida. - Se não me engano, comprou-a
- Com apalavra, adona da casa! também? - As assembléias, as recep- (Sai COIII o Mordomo) pela quantia de dezoito cruzados. A
Perdôe-me a digressão, dona Fran- - Merci! ções...
negra nem valia tanto, mas a velha
cisca. Sua casa, porém, constitui um CHICA (rindo) - Velas, mastros, CHICA - Vosmicê não quer BARONESA - Não éesse oescravo
CHlCA - Pois essa éa tarefa que Ana Joaquina soube aproveitar aoca-
que dizem ser apaixonado por ela?
oásis em meio ao deserto que é este cabos. E tão completa, minha filha, provar deste creme? -:1-. mais me entusiasma. Pretendo fazer sião.
arraial! como qualquer outra embarcação. festas como jamais se teve notícia - Esse mesmo. Não notou como
- Não posso, dona Francisca, o BARONESA - Meu Deus! Mas que
- Bonita imagem! Bonita e ver- Um verdadeiro navio em ponto pe- meu fígado protesta. no Tijuco. a olhava? Pelo que vejo aBaronesa
graça achou nela? Mesmo agora, não
dadeira. queno. foi bem informada.
CHICA - Evosmicê? BARONESA (batendo palmas) _ ébonita nem simpática.
C!nCA - Como eu ia dizendo, sou EFIGÊNIA - É fabuloso! Já está Viva! Falou em festa ,é comigo. Se - (Ã Efigênia) Que tal lhe pare-
- Um pouquinho só. Obrigada. - Estamos por saber! Nem vir-
nascida e criada aqui. Por isso nun- pronto? quiser posso ajudá-Ia... ce Chica l;mandona", menina?
gem era quando veio para acompa-
ca tive ocasião de ver um navio. Não CHICA - Só faltando retoques. CARAVAL - E sobre a vinda do EFIGÊNIA - Maravilhosa! Um
Governador da Capitania?
CARAVAL - Ah, neste assunto nhia dele. Já tinh~ tidodois filhos
me envergonho... Convidamos o Bispo de Vila Rica dona Francisca éperita! Como anfi- verdadeiro personageriide conio-de: .de·outro.
CARAVAL - Não tem de quê. VJS· para vir benzê-Ia quando for posta - É verdade. Não se fala noutra triã éperfeita. Disto somos testemu- -fada! Aliás, neste solar, tudo parece BARONESA - Do padre?
micê não viaja por comodismo. Se a navegar, com toda a cerimôma, coisa no Arraial. Meu marido disse nhas. ter sido tocado por uma varinha de
quisesse já teria ido ao Rio de Ja- como se fosse um navio de verdade. que o fato é importante sob todos condão. - De um magistrado português.
CHlCA - Mil vezes agradecida.
neiro. os aspectos. BARONESA - Não diga! Como a
BARONESA (à parte) - Que coisa Mas desta vez trata-se do enviado BARONESA (irônica) - Não faltou
- Ou mesmo a Lisboa, Londres, mais ridícula! BARONESA - Quanto a nós por- negra tem sorte! Equantos filhos já
especial de D. José 1. Confesso que nem a bruxa perversa para enegre- teve do contratador?
Paris... que é sabido que a Condess~ n~o estou um pouco receosa.. . cer com suas magias apele da prin-
EFIGÊNIA - Que maravilha será! - Doze.
- Percorreria a Europa inteira, acompauhará o seu ilustre e smpa- CARAVAL - Ora... Porque? cesa!
Diga-me,dona Francisca: terei opra-
porque não? tico maridinho! EFIGÊNIA - Doze?
zer de assistir a essa festa de Mil e CHICA - É a mesma coisa Ql!C o - Mas como a história é real, o
BARONESA (à parte) - Esquece- Uma Noites? - Comenta-se também que ele próprio Rei, em carne eosso! Embo- sortilégio vai durar toda a vida. - Uma dúzia de moleques. Três
ram-se de citar a Costa d'Ãfrica. será seu hóspede, dona Francisca. É ra eu esteja acostumada a receber a - É pena! Desta vez afada ma- machos e nove fêmeas. Os meninos
Interrompemos outra vez dona Fran- C!nCA - Considere·se desde já certo? nobreza lisboeta (refere-se às damaJ1. drinha não lerá forças para desfazer estudam na Europa, duas morreram
cisca! convidada, menina!
CHICA - Assim odeseja João Fer- não me acho à altura de tamanha oencantamento. e as outras vivem internadas no Re-
EFIGÊNIA - Continue, por favor! CARAVAL - Eu lhe agradeço em nandes. OIntendente do Ouro e de- consideração! colhimento de Macaúbas.
nome de minha afilhada. Efigênia mais autoridades estão de pleno BARONESA - Nem opríncipe ena-
C!nCA - Vi uma estampa num li- veio para cá, considerando-se uma BARONESA - (à parte) - Que ne- BARONESA - Agora me lembro
vro equis saber como seria uma ga- acordo. morado, derramando sobre ela uma que as vi lá.
degredada. (Ã moça) E~tá v~ndo q~e gra mais pedante!
lera de verdade. CARAVAL - É uma grande honra! cornucópia de pedras preciosas, con-
não é tão difícil quanto ImaglOava VI- CARAVAL - Deixe-se de tanta mo- segue transferir-lhe a brancura dos EFIGÊNIA - Mas como consesuiu
- Imediatamente o Desembarga- ver-se aqui, na colônia? - (Despeia/da) Francamente, não déstia, dona Francisca. A senhora diamantes. ele transformá-Ia assim?
dor João Fernandes mandou cons- a invejo, dona Francisca. vaisair-se tão bem, quanto das outras - Apeso de ouro, menina. Man-
truir uma igualzinha! vezes. Ou melhor ainda, garanto! CARAVAL - Minha querida, creio dou vir da Corte professores de le-
Cena 3- Enquanto as damas con- - Nem eu! Imaginem o trabalho
C!nCA - Acópia fiel. que "ele" não faz a menor questão tras, de música, de estilo, de tudo
versam, algumas escravas muito bem que esta criatura vai ter. Nem terá CHICA - Que os anjos digam disso.
tempo de se divertir. amém! para fazer dela gente!
EFIGÊNIA - Mas vai navegar \'ejtidas, comandadas pelo Mordomo.
mesmo? entram para servir o chá numa des- CHICA (rindo) - Não será tanto - De acordo. Do contrário teria BARONESA - Mesmo assim não al-

:4
CHICA - Aremos. Dez escravos lumbrante baixela de ouro com chíca-
estão sendo adestrados para isso . ras de porcelana da [ndia.
assim. Anossa casa ébastante espa-
çosa. De maneira que podemos aro- .
\o escolhido uma bela fidalga enão se
o Mordomo elltra e faz discreto haveria apai.~onado por uma simples
Jillal à patroa, que vai ter com ele. ex-escrava.
cançou grande coisa.
EFIGÊNIA - Ela se traja com mui-
lo gosto. 25

----------:::::====+---------==
BARON ESA - Só queria saber como
as suas mucamas conseguem pen-
onosso grupo
a abrilhantar!
- Não tenha dúvida! Lugar de
feitittiro é na fogueira! r
.,
BARONESA - Ah! Não se pre- BARONESA - Chegamos outra vez
ocupe,dona Francisca. Eu estou sem- atrasadas, dona Francisca.
dando obraço ao amonte) Se vosmi-
cê continuar dando atenção àquela
tear tão bem aquela gaforinha! - Orase é! Que falia está fazen· , i pre mudando de idéia. (Sai)
- Ela écareca, baronesa! Aquela Como lamento, do aqui um Tribun~ do Santo Ofí· . , CARAVAL (abraçando-a) - Nossos
parabénsevotospara que datas iguais
marafona, eu quebro a cara dela na
vsta de todo mundo! (Sai fazendo
cabeleira é postiça. senhoras minhas, cio! I Saem todoi. Depois, entra João se reproduzam por longos anos... pirraça à Baronesa)
BARONESA (escandalizada) - Ah! vosso convite CHICA (volta de repente) - Ajul- Fernandes apressado. Passando por EFIGÊNIA - .. . para alegria de BARÃO (oferecendo obraço à mu.
Desta eu não sabia! não aceitar. gar pelas úllimas palavras que ouvi, trás de Chica, beija-lhe de leve os lodos que a estimam. lher) - Vamos passear pelo jardim,
Otempo voa o aslunlo na minha ausência pren· ombros. CHICA - Muito agradecida por minha tetéia?
emeus deveres dia-se a reli~ão?
Inesperadamente, entra João Fer· estão lá fora, estas palavras epelos ricos presentes BARONESA (desapontada) - Obri.
nandes muito eufórico, todo rapapés - Iustamente. Acertou, dona DESEMBARGADOR - Obrigadopor que um escravo me entregou hoje, gada, Barão. :É melhor andar sozi.
minha atenção Francisca!
e salamaIf1lues, contracena comas aconvocar. haveres resolvido receber as damas. pela manh~ da parte de vosmicês. nha do que mal acompanhada.
damas edepois sai. fv. (Sai) BARONESA- Valha-me Deus! Por EFIGÊNIA (com aduquesa de Ca.
Orelógio da sala bate as horas.
Por tal motivo, CHICA (intrigada, nem presta aten- ~, .não precisa agradecer aquela raval) - Papai, vamos ver a galera
infelizmente,
Começa a eiCllrecer. Os criados ção) - Santo Ofício....De vez em IOS1gDlficante tabaqueira de ouro.
Meu respeitoso antes de ser lançada ao lago? (Saem)
deste convívio
entmm para acender as luzes do sa- " quando euouço falar no DOme desse
cumprimento, Ião. As damas se despedem. EFIGÊNIA - Agalera já foi inau-
santo! gurada?
que apresente
permitis,
me vou privar.
Ao despedir-me
? grupo de velhos fidalgos do qual
- Santo Deus!Como étarde! As CHIÇA - Estamos esperando o faZIam parte João Fernandes eoBo-
damas gentis, escusas peço Bispo de Vila Rica. Enquanto aguar- rão, continua aconversar, aspirando
e vênia vossa horas passam tão ligeiras nesteagra-
que nesta sala VI QUADRO damos achegada deSua Reverendís- oseurapé.
para, muito grato, dável serão!
vos reunís si~a, queiram servir·se de alguma
me retirar. BARONESA(Com malícia) - É
com tal encanto,
verdade! Foi tudo tão divertido! "Ao cair da noite iluminavam-se as COIsa. 19 FIDALGO - Começou aridícula
que um buquê cascatas eos lagosartificiais. Apare- CARAVAL - Não se incomode co- contradança do ciúme.
de flores vivas BARONESA - Meu Deus! Como CHIÇA - Não se vão ainda! Émui· ciam nos lagos barcos imitando as nosco. Bem sabemos quanto a sua
tradum, to cedo! ~9 F~ALGO - Coitado do Barão!
pode aquela desprezível criatura gôndolas de Veneza. Os convidados presença está sendo solicitada hoje. FOI obngado a deixar L~boa por
pelo perfume prender por tanto tempo um homem - Não repita essas palavras, dona vinham para a beira das águas ilu- CHICA - :É verdade. Então com causa da mulher, eela cá estáapro-
que o ar espalha, tãoencantador? Frandsca. Olhe que somos capazes minadas, etodo aquele rancho de fi. licença. João Fernandes está me fa- ~o~r uma inimizade capaz de pre-
pela beleza - Dizem que àcusta de feitiçaria. defi:ar. daiguinhas pretensiosas e fidalgotes zendo sinais. Parece que precisa Ia- JU.~lcar todos os seus interesses no
que exib~. CARAVAL- Até apróxima sema- pedantes dava gritinhos de alegria ao lar comigo. TlJUCO.
BARONESA - Ah, logo vi!Só pode
ser mandinga que ela faz. na, querida! vogar nas gôndolas à superfície dos BARONESA - Estáenganada dona
Lisonjeadas, 19 FIDALGO - Refere-se aChica?
CHiÇA - Se Deus quiser. Adeus! lagos fa~cantes ." Francisca. Foi para mim"que ele ace-
agradecemos, - Eis osegredo da estranha Ias- 59 FIDALGO - Aquem haveria de
- Até logo! (Vão saindo) nau e agora vem cumprimemtar-me.
retribuímos cinação que Chica da Silva exerce so- ser? Osque vêm de fora não podem
bre o Desembargador Ioão Fernan- EFlGÊNIA - Tive muito prazer em Festejando sua data natalícia, Chica contar com as boas graças do Con-
onobre saudar oferece um convescote à altasocie-
des de Oliveira. conhecê-la, dona Francisca. Chica deita as damas, ao //lesmo tratador sem obeneplácito da amante.
do cavalheiro dade do Tijl/co. Desta fez um acon- tempo que João Fernandes seafasia
cuja ausência EFIGÊNIA - Prefiro acreditar 113 CHIÇA - Muito agradecida, mi- tecimento excepcional excita acurio- do grl/pO de fidalg03 com os quais 39 FIDALGO - Se é ela quem
nós estivemos força do amor. nha ülha. Não falte à festa para a manda .. .
sidade geral: o lançamento ao lago palestrava. OBarão de CosIas Lar-
alamentar! - Como você é ingênua! qual a convidei. de sua famosa galera. Nessa especta- gas imita-o com aill/enção de frus- 49 FIDALGO - Apropósito, sou-
BARONESA- Pobre infeliz! Se não EFlGÊNIA - Não faltarei. Adeus! lil'a, grupos de escravos ricamente trar-lhe o encontro com aBaronesa, beram o que aconteceu àqueles ra-
Vossa presença alaviados, comandados pelo Mordo- cruzando com Chica, faz-lhe um ras- pazes que chegaram da Corte, íra-
tivesse metido nesta colônia imunda, BARONESA- Eamim, não con-
alegre e viva, mo, passamerepassam porentre os gado cumprimento. zendocana de recomendação direta-
talvez a Santa Inquisiçãoainda 11 li- vida?
é no salão convidados,conduzindo tabuleiroste- mente para ela? Depoisde recebê.los
complementar. vrasse das más influências dessa mu- anCA (sarcástica) - Está convi·
plelos das mais finas iguarias. CHICA (encontrando JoãoFernan- ede inteirar-se da pretensãodos mo-
Iher idabólica! dada,Baronesa. Embora não se trate
Pois almejamos des) - OMordomo mandou a\~sar ços, vIrou-se para oMordomo edis-
que nesta tarde - Perfeitamente! E ela teria o de uma mascarada. Sei que asenho- '!' Chegam mai3. três fidalgas condu- que o B~po acaba de apear-se no
se: "Cabeça, toma conta desses ma.
26 fiqueis conosco, destino que merece. raadara 11 travesti.. .
l zidas em suas "cadeirinhas". portão do parque. (Eliz I'OZbaixa, rolinhos .. ."
2
\'
tir~m. A galeIa se aflllta levando - Aquele antipático? Arrogante! Ocorlejo desemboca na praça,com
29FIDALGO (rindo alto)- Maruti- 39 FIDALGO - Equanto maisfa- enviaria como Embaixador especial t Chica ealguns convidadoJ, cantando. Enfatuado! grande acompanhamento, precedido
nhos! Marotinhos! E depois que fez vorecidopela fortuna, mais ambicio- apenas para respirar o ar puro do - Dá cobro à tua língua! Se ele pelo Arauto.
otal mordomo? so se toma. Vive procurando os lu- Tijuco! Minha galera dourada souber...
59FIDALGO - Sou da mesma opi-
19 FIDALGO - Mandou-os às la- gares mais fáceis de minerar, atéfora nião de V. Excelência. voga, voga àflor das águas, - Quer ir para a cadeia? ARAUTO - D. JoséLuis Abrantes
vras trabalhar com os negros no Ser- dos limites da Demarcação. 29 FIDALGO - O Marquês não levando em teubojo escuro. - &tá bêbado! Castelo Branco de Noronha, Conde
viço do Contrato. 29 FIDALGO - Estragando os ter- tem contemplação com ninguém. esco~dido, disfarçado, - (chegando) O Governador já d~ Valada~es , Governador da Capita-
59 FIDALGO - E Chica concor- renos, entulhando os córregos e difi- Agora mesmo fala-se que está dis- oemgma do meu futuro: chegou? ma, EmbaIXadorReal eEmissário do
dou? cultando assim futuras minerações, o posto a adotar nas lavras uma nova Será prazer? - Ora, há mais de duas horas! de Pombal!
49 FIDALGO - Ela detesta anação que é proibido pelo próprio Regula- políticaem relação à que vinha sen- Serão máguas? - Eonde está? - Benvindo seja! Viva!
portuguesa! mento da Extração. do seguida pelo Rei,contrária àinter- - Foi direto para a Casa dos
29 FIDALGO - Mas ao que se sabe, 49 FIDALGO - Aqui para nós, há ferência decertosbanqueiros de Ion- i
~eu na~io de brinquedo, Contratos!
quem afirme que ele emprega núme- dres e de Amsterdã, que abusam da minha VIda émesmo assim' O povo aclama a conúlil'a, que
já pariu nada menos de catorze crias, i" reinado de fantasia .
- As autoridades o receberam alravessa a cena acompanhada pela
só dosabraços que levoude dois va- ro superior ao de escravos capita- excessiva tolerância deD. JoséI. com discursos, vivas esaúdes! Ainda banda de mlÍsicaealguns populam.
rões lusitanos!
dos! ' 19 FIDALGO - Hum... Ese ficar ,.. que umdia estão nas falas.
59 FIDALGO - Manda e desman- provado que oDesembargador repre- - talvez breve - - Deusque nosproteja! Quando
19 FIDALGO - Por falar nisso, - Edepois para ondevai?
sentaaqui os interesses desses ~deus, terá fim!
onde andarão os filhos que ela teve da! OIntendente faz que não vê, e - Hospedar-se na Chácara da e~es reináis aparecem por aqui boa
os fiscais do Isndo nada podem Ia- ele está sujeito a perder o Contrato Palha. cosa não vêm fazer. '
doDr. PiresSardinha?
zer a fimde obrigá-lo a cumprir a de uma hora para outra. . - Vêm nos exi~r mais sacrili·
39 FIDALGO - Ouço dizer que 39 FIDALGO -Ora se esál - ,.,. - Na casa de Chica? OEmbai-
lei! VII QUADRO xador do Rei? CIOS! Impostos e mais impostos é o
ambos alisam as bancas das Univer- 49 FIDALGO - Ninguém se admire
29 FIDALGO - Tamanha ne~igên - que sabem pedir.
sidades da Europa e que João Fer- se estiver mais próximo do que se - Quetem isso?
cia concorre para queaumentem cada Opovo, as casas eas ruas do arraial - Para vi~erem como nababcs à
nandeslhes paga os gastos com toda
dia as suas arbitrariedades e, em con- supõe o fimdas escandalosas dissi- d~ . Tijuco, engalanados, recebem a .- . O,cortejo passa por aqui em nossa custa! A custa do suor alheio!
aliberalidade só porqueChicl dee-
seqüência, os prejuízos que causam pações desse casal de amancebados, vlSlla do Conde de Valadares,Gover- dl~eçao a casa de João Fernandes
nador tÚl CapilaTÚa das Minas GeraiJ. Nao há no Tijuco casa mais apare~
ja ver um deles colar grau dedoutor quenãose peja emimpor asua ton- - Só faltam nos esfolarem vivos!
eo outro ser ordenado padre! à Fazenda Real.
49 FIDALGO - Vossa Excelência vivência às honradas farm1ias deste Ao rufar estridenle das caixas, o Ihada para receber uma autoridade. O:uparem o nosso sangue! Malditos
49 FIDALGO - Ora! Mas onde já infeliz Arraial. A ~~uto que aprecedeanunciaaco- - Mas umGovernador naquela sejam!
se viutamanha extravagância? tem razão.
19 FIDALGO - Defato, éumaver- nllllva do illlStre viajanle, escoltada casa? - Calem a boca Estão doidos'!
29 FIDALGO - Afinal de cemas, 19 FIDALGO - Mas ninguém se gonha!
p~la Companhia de Dragões do Re- - João Fernandes não merece? Olhem os Dragões!
iluda! Enquanto o OU\idor se omite
ela tem lhedado muita sorte.Foi de- glmento local. Tem cozinheira que pertenceu ao R;i - Corram! Corram!
e o velho Chico Mendonça fecha os
pois que se amigaram, que ele se
olhos, muita gente não dorme, afim Cena 3 - Enlram o Bispo e dois de Portugal, acostumada a preparar
tomou onovoMidas da lenda. Tudo
de manter oTrono informado do que padres, acompanhados pejos donos O.po~o irrompe em nlidosas aclama- toda a sorte de iguarias finas para Soldados aproximam-se depressa.
emque põe a mão vira ouro! da casa e alguns convidados. ç~~ a,passagem do corlejo, que se agradar ao paladar dos fidalgos!
se passa. Seide fontesegura queem O POI'Odebanda, abaJldonando a
29 FIDALGO - V. Excelência tem Lisboa já se comentam abertamente dinge acasa do Conlratador, depois - Que vão ser servidas com vi- praça.
.59 FIDALGO - Vejam! Chegou o
toda razão. essas irregularidades, e as autorida· BISpo para benzer o "navio" de da recepção oficial na Casa dos Con- nhos estrangeiros, guardados na ade-
59 FIDALGO - Dizemque para des competentes têm ciência de tudo Chica! dIralos.' .Foguetes espocam, a banda ga cavada na pedra fria! Por um
tanto concorrem os deuses da mu- queestá acontecendo. 19FIDALGO - Quepalhaçada! e mli.1~ca toca um dobrado e popu- ~o~d~mo ensinadopor mestrede ce-
lata, invocadospela escravaria no re- 39 FIDALGO - E naturalmente 29 FIDALGO - É isso mesmo! À lares VIbram de enlllSiasmo. runoma francês! VIII QUADRO
cesso da senzala ... I - Isso é que é vida!
preparam-se para tomar asproeidên- teia de ouro da negra nemo clero I .- Festa na terra! Festa na terra!
29 FIDALGO - Lá isso eunão sei. cias... I
escapa! VIVa El-Rei! Viva.. . - EChica? No salão de recepção do Solar da
Ofato équenunca houvecoisaigual 29 FIDALGO - Quemsabe se o 49 FIDALGO - Infelizmente! Infe-
no Tijuco! Os diamantes brotam da Conde de Valadares não vem vcri- lizmente!
'i .- Viva o Marquês do Pombal! - Que équeChicatem? ~alha, o Conde de Valadares, cOllli-
I tl~'a e com'idados ouvem umlongo
Viva o Intendente do Ouro! .-:- (Chega correndo)Lá vem aco-
terra, como que tocados por artes ficaraprocedência detaisacusações'! dlscurs~ .de saudação, inlerrolllpell-
mágicas. Só nas gupiaras do Lava-pés i• - Viva o Ouvidor! Viva o Con- nntiva do Governador! ãoo I'anas vezes CO/ll ailllenção de
49FIDALGO - Aposto com quem Aproximam-se do lugar da eeri- (: tratador João Fernandes!
já foram extraídas mais de dez mil - Viva D. José I! Viva! fazerem o orador calar-se. 2:
quiser! O Primeiro Ministro não o mônia, finda aqual os padres sere- I
28 oitavas dessas pedras.
dz
ORADOR - ... para ficar bem . blantes em que transuda o entusias·
inteligível o verdadeiro conceito da mo pela visita (aplausos) ...
DESEMBARGADOR - À Província
das Minas Gerais eao seu digníssimo
Governador! ("Muito bem!" "Bra-
J EsCRAVO (entrando com preaJJJ-
ção) - Vamos por aqui. Esperem.
mo encanto, esses ávaros melindres
de repúdio?" (Repete diversas vezeJI)
ATRIZ - Mas a fala não é esta!
(Diz a faIa certa) 4Eu estou besta,
magnillcência, na contenciosa har- - Viva oGovernador! Viva! Vou antes verificar se há alguém pe-
vosr) ENSAIADOR - Vamos ensaiar a 2~ pois só a D. Fuas meti na caixa."
monia das galas, na multidão das ORADOR - ... pela visita...
cortes, na gravidade da politica, no ("Vival") pela visita... Tenho dito! INTENDENTE - Aos fiéis vassalos
II los ~rred~res. Nhá Chica não qúer cena da I parte. (I) Tomem posi- VELHA Ab! É mesmo. Valha-me
q~e mnguem os veja antes da panto-
mimo das cores da natureza, eem lâ· - Muito bem! (Palmas) do Tijuco! I ção. (A um ator) Hás de proceder Deus! Como está minha cabeça.
muna. Ela quer fazer surpresa aos como se estivesses a sak da caixa!
minas de ouro eprata, aluz do sol, - (À parte) Se pararmos de - Apoiado! Viva o Marquês do convidados. (Sai) ENSAIADOR - Caducando!
na re~ão das nuvens... (Palmas, aplaudir, ele recomeça. Pombal! Viva o Ouvidor! 29 AroR (como se saisse de uma
ENSAIAIlOR - Olha lá!Não demo- VELHA - Caduca éamãe! (Todos
acompanhadas de "muito bem"!), - É muito eloqüente. caixa imaginária) - "O tu, formosa
- Viva oIntendente! Viva oCon- res que ainda tenho que repassar os riem)
adornando o vaporoso empenho da
- Ora bolas! Não entendi patavi- nossos papéis. deidade, que no caIi~noso bosque
aparência que, sendo contínua bele- tratador! ENSAIADOR - Desisto! (Para outra
na. Viva oConde de Valadares! destas sombras brilhas, carbúnculo da
za para os olhos, a~ta a esfera das VALADARES - À beleza elouçania EsCRAVO - Volto já. (Sai) formosora, aqui tens segunda vez no atriz) Ensaia a tua ária.
riquezas, vário eamável aparato des· - Viva! (Palmas) da nobre mulher tijuquense, grato
k.
ENSAIAIlOR - Ainda mais esta! teatro de tua beleza, representante a Amz (depois de acertar o tom
tas festividades ... ("Bravos! Bra- - Os comes ebebes éoque mais motivo de respeitoso enlevo aos olhos Quem garante que odiabo deste ne- minha constância, tragí-eomédia de com o músico) 4Que tonto jarreta/
vos!) Fazendo da matéria vulgar pc- interessa! dos garbosos cavalheiros e fidalgos i gro vai cumprir oprometido? meu amor". que néscio pateta/ me fale de amor/
los empenhos da arte, brotar com· - Oque? É um orador de muito aqui presentes! ,I. - Isso élá com vosmicê. Eu vou
I ENSAIADOR - Repita com mais ou épara rir/ ou para chorar."/"Não
petência dos olhos, no teatro da vi- futuro. - Muito bem! Apoiado Goerna-
I
esperar sentada. cuido de amores/ que nesses ardo-
ardor. (O ator obedece) Entra agora.
tória, em esplendores de ouro e lu· - Que tipo cacete! dor! Às damas! Às damas! - Boa lembrança (Senta-se tem- (Ã atriz) Não ouviu adeixa? res/ se pode fri~r/ se pode abrasar!"
zes de diamantes! (Palmas demoradas - Otal doutorzinho, sobrinho do bém)
BARONESA(À Chica) Ai, que ga- ATRIZ (demá vontade) - "Já vou MORDOMO (entra) Psiu! Parecom
e "apoiados") Embora o conheci· Barão? lante ele é! Escute: enquanto cá esti- ENSAIADOR (depois dealgum tem- acreditando, meu bem, as tuas fine- isso. Está se ouvindo tudo no salão
mento que vai da vista à comp!een- - Viva D. José I! Viva! ver oVaIadares a senhora nãopre- po) - Com mil raios! Ogajo está zas, porém.. . do banquete!
....sãodas palavras e da forma à pe- - Sobrinho e sócio. cisa prexupa-se comigo por causa dem?rando: Vamos fazer umrápido
feição do estilo seja uma paríiala- ensaio sqm mesmo? ENSAIADOR - Mais devagar... ENSAIADOR - Que quer? Não po-
de João Fernandes.Vou conceder-lhe (~la repete mais ligeiro·ainda) "Po-
ridade necessária ao agradável cen- - Sócio deque? uma treguazinha... - É bom. Estamos atrasados.
demos ficar parados, esperando até
curso desta solenidade, não deve ser - Ora, não se faça de tolo! rem oteu engano (fazendo que sai de que apareça alguém que nos condu.
CHICA - Cínica! (A Baronesa - Para que? uma caixa), falsa, inimiga, segunda za ao palco!
mais suposição que juiw e nunca a - Viva o Ouvidor e seus Minis-
I
vã prolixidade da oração! (Novos tros! Viva oIntendente! Viva oMar·
afasta-se !lJrrindo)
MORDOlIO - Obanquete está ser-
ENSA/AIlOR - É necessário. vez se repele para desengano meu e
tua afronta!"
MORDOMO - Nhá Chica está fu-
riesa
bravos epalmas) Se abrevidade de- , quês de Pombal! - Repetir o quesabemos de cor
ta alocução permitisse, eu poderia - Viva o Contratador João Fer- vido! e salteado? ATRIZ - "Que é isto, Fagundes? ArOR (distraído, ensaia) "Ecomo
individualizar estes festivos aplausos, nandes! · - Vamos representar para gente Que tramóias são estas?" fedem os borrifos da velha! Amal.
evidenciando o propósito dos leais - Viva! (Palmas) FomlGJ1l-seos pares. OConde dá Importante. ENSAIADOR (para avelllG) - Está dita parece que tem apostema no
vassalos do Tijuco em presti~ar a o braço aChica e sai seguido pelos surda? É asua vez. bofe!"
- Já representei mais de dez ve.
presença de V. Excelência que vem demais convidados. MORDOMO (investe, furioso) _
zes pera~te acorte efui aplaudida até VELHA (sobressalta-se) - "Uma
em nome do Soberano, como depo- Escravos invadem /I salão servindo pelo ReI. Repita, se for homem, atrevido!
delas.tem os olhos verdes, cor de pi.
sitário do seu Poder eem nome da as bebidas para os brindeJ. mentao que não está maduro e a
- Parece que oConde não gosta - Olha a gabolice! ATOR (espantado) - Repetir?
Justiça eda Paz. outra olhospardos, como raiz de oli-
- Atenção! Vai falar oConde de da mulata! - Nunca mais hei de por os pés Para que? Quem é vocêpara me dar
- Fez uma cara enojada. veira. uma tem cova na barba e a ordens?
Interrompem com ntidosos aplau- Valadares! Tem apalavra Sua Exce- neste maldito buraco onde o dingo
lência! Silêncio! pergeu as botas! outra barba na cova, uma tem espio
MORDOMO- Vai saber, desaraça-
sos. - Pois sim! Não se cuide João
nhela caída, eaoutra um leicenço no
do.I V '
ou ensmar·lhe ti
a respeitar a
VALADARES (brindando) - Para Fernandes,que ele antes de deixar o · ENSAIADOR - Não podemos quei- braço".
qu e viva Sua Alteza Real, cujo zelo Tijuco ainda bate com Chica na xar-nos. Vamos ser pagos a peso de dona da casa! (Rolam ambos pelo
ORAIlOR- (sentindo-se estimlda- ouro.
amoroso para com seus povos é o cama! chão enquanto os outros procuram
do) ... calando fundonoânimo dos Os atores riem da Velha, que se
acabar com abriga)
habitantes deste Arraial, dos quaisjá principal ornato do seu magnânimo · - ~ude~a! Se não fosse, quem vi. zanga.
não se ouve mais que um só grito coração! Cena 2- Seguindoum escravo de li- na aqUI? So amaldita viagem! ENSAIAOOR (agarrando o Mordo-
de arrebatadora alegria... ("Muito - Viva E-Rei! Viva El·Rei! bré, entram os atores que atuarão no mo) - Você está enganado, rapaz.
19 ATOR (alheio à discussão, en-
bem", "apoiado", "brator') nos sem- (Palmas) teatro da Chácara após obanquete. i·
I
VELHA - Deque estão arir? Eu É o papel dele na peça. Afala faz
saiando) - "Para que são, belíssi- disse tudo certo,
parte da pantomima, 31
Jz
_ Coitado, estava apenas repre- Estou atrasada. João Fernandes deve CmCA - Vão mepagar justamen- .,...I - Sinhá não mandou agente Ia-
estar farto de me esperar lá em te pelo que não fizeram. CmCA - Tragam os pentes e bordadas e as colchas de chintz
sentando! zer o que fosse possível? grampos de tartaruga. Aquele com
' 'do.I baixo.! - Eo que foi que deixamos de inglês, completam oambiente.
ATOR (levantando-!e) - Eslúpl CHICA - Não odeixe mais entrar pingentes de pedras. (Faceira) Quero
MUCAMA (mexendo a água) - fazer, Sinhá?
MORDOMO (encabulado) - Des- em tua camarinha!Manda-o se apro- ficar bonita para tentar oConde. MUCAMA - Coitada de minha Si-
culpe. Porquenão meavisaram? Experimente agora, Sinhazinha. CmCA- Qual foi o nosso trato, veitar do diabo que o carregue!
antes desseConde chegar aqui. Não TODAS (rindo) - Sinhazinha tem nhá. Nem desconfiada desgraça que
ENSAIADOR - Você nos deu CmCA - Está muito boa. (Come- - Ese nãoquiser se conformar? cada uma! está para acontecer nesta casa.
çaadespir-se) se lembram mais?
tempo? CmCA - Ameaça contar tudo ao CmCA - b meu último recurso. - Oque é que há? Eu não sei
MUCAMA - Um instantinho só,Si- - Ninguém esqueceu nada,Sinha· .
MORDOMO - Meu Deus! Que con- Conde de Valadares! Ele está risco pra minha banda, mas de nada!
nhá! Ainda falta botar os sais ingle- zinha. Estamos cumprindo as ordens
fusão vai nesta casa hoje! Sigam-me, - Logo a quem! Aquele beato eu preciso fazê-lo soltar alíngua. - Nem eu! Estou inocente.
ses - (Mexe aágua) Agora sim! de vosmicê.
por favor. Vou deixá-losno salãodo que tem até medo de olhar pra
CHICA- Como?Atéhojenenhu· I - Eutambém! Conta pra nós.
teatro. (Sai seguido pelos atares) gente! Batem à porta. Escravaatende e
ma contou nada queouvisseda boca MUCAMA- Oque eu disser, vo-
Chica despe o roupão numa cena
desses marotos... (Grita) Ai! Não I, - ABaronesa de Costas Largas I'olta. cês não vão contar para os outros?
rápida, quase encoberta pela: aias iI faz tudo para conquistá-lo, mas ele
que arodeiam, entra na banhel~a, de aperta mais senão eu morro sufo- - Se for coisa ruim, podem sa-
IX QUADRO
onde sai ajudada por elas, apos um cada. 'I, nemdáfé. Aquela fidalga é doida. - Meu senhor manda pedir pra berpela boca dequem quiser.Eunão
-'- Perdão, minha Sinhá! Porque - Doidaousem vergonha? Opo- Sinhá se apressar porqueele vai sair gosto de dar má notícia a ninguém.
ligeiro banho. edeseja vê-Ia antes. .
Suntuosa canla, comdossel, domina até hojeeles nada disseram que va- bre do Barão... Mas do que se trata?
o ambiente. Porta ao fundo. Janela lesse a pena ser repetido. CmCA (interrompe, histérica) _ CmCA - João Fernandesvai sair?
decorativa. Conwdas com oratório, CmCA - Uma toalha, depressa! Manda dizer que eu desço já. _ MUCAMA- ODesembargador vai
Estou com frio! CmCA - Eu não acredito. Parem de falar naquela puta! (Ante voltar para a terra dele.
pequenas mesas, arcas, cadeiras, la- opasmo das eJcravas) Estou me zan- Estou acabando de me pentear. Os
vatório e espelhM, muitos espelhos MUCAMA- Aqui atem, Nhanhã! - Juramos, Sinhá!Só se a gente meus frascos de'perfumeondeestão? - Quem?OsenhorJoãoFernan-
gando à-toa.
completam o llLtIlOSOdormitório de inventasse. des? Sozinho?
Muc,u,1A - Bcansaço,Sinhá. Faz MUCAAIA - Aqui, minha Sinhá.
C/Uca da Silva. A cena passa-se de . Chica ergue-senua,'po;ém, as mu- CmCA- Tão engraçadinhas! Le- Escolha ode seu agrado. - Vai largar afamilia, porque?
manhã ealgumas mI/camas arrumam C1llTlIlS logo aenvoll'em num alva toa· vava uma dúzia de bolos cada uma. hoje um mês que vosmicê não tem
sossego. Pois é, tanta festa assim, CmCA- Nenhum destes. Não MUCAMA- Nãoépor gostodele,
oleito desfeito, enquanto outras cui- lha deponta3 bordadas. Aseguir co- Ai! Oalfineteestámefurando, negra quero extrato francês. Onde está o não. Foi o Rei de Já que mandou
meça oritualdaelegância aqueeram danada. tambémabusa!
danl da toaletedaama. Ela, envolta que veio do Oriente?Depressa. intimá-lo sobpena deprisão.
numroupão matinal, aguardao ba· submetidas as damas da época pelo MUCAMA- Minha Sinhazinha,me - Logo à noite tem serenata. MUC,u,IA- Pronto. Está aqui.
nho que está sendo aquecido com lISO do imenso enxoval - com ts- Amanhã é a cavalhada. Além das - Meu Deus. Oquefoi que ele
desculpe. CHICA- Agoraas minhasjóias. fez?
grandes caldeirões de água fervente, partilhos etudo inteiramente oma~o assembléias...
CHICA - Cadê aquele oficial que
que II1na legião de escravas carrega derendas, fitas ebordados queentao CHICA- Opior éque eu não te- MUCAMA- Quem sabe?Deveser
não te largava orabodasaiano dia As escravas rodeiam·na Com vá- encrencalá deles?
escada acima, despejando-os, a se- seusam. do convescote? nbo paz de espírito. Até agora nin- riosescrínios aberto!, de onde Chica
guir, numabacia. guém descobriu o que esse Conde retiraos adereços que I'ai colocando - Equando é que ele vai?
- Não houve jeito para largar
Enquanto as Mucamas a vestem, veio fazer no Tijuco. Ele não deixa sobresi. MUCAMA - Só sei que não de.
nada do que vosmicê precisa saber.
MUCAMA- Venha ver Nhanhã, Chica tagarela comelas a propósito transparecer nada, mas ocoração me mora muito. OConde que está aqui
Parece tudo de língua passada. Su-
.se a água está do seu gosto. da estada do Governador e sua to- diz que está tramando uma coisa foi encarregado de levá-lo, a mano
jeito-me até a ir comele no mato. ruim! CHICA (miralldo-se) - É hoje!
C1ncA(com apontadopé) Ainda mitiva 110 Chácara da Palha.
Tudo emvão! do de umtal Marquês de Pombal.
Vou aproveitar a ausência de João
está fria(espirra) MUCAMA(estremecendo) - Por- Fernandes para conquistar o Vala- - Como foi que você soube
CHICA - Não duvido. (A outrtl)
MUCAMA- Saúdepra vosmicê! CHICA- QuandooCondede Va- que minha sinhá não invoca a pro- dares! (Sai) disso?
Eobalofo queandavaagarrado con-
CHICA - Só faltava euficar ende- ladares der as costas, eu mando bo- tigo? teção dos orixás. Vosmicê não é fi-
lha desanto? TODAS (rindo)- Aquilo éhomem! MumlA- Vocês guardam se.
fluxada. tar vocês todas no tronco. gredo?
MUCAMA(com a tabaqueira de MUWIA (sem /el'ar em conta a - Aquele? Valha-me Deus. ~ebe CHICA- Sei lá! Vivotão sem fé.
ouro) - Tomeuma pitada de rapé, ameaça feita emtomde brincadeira)
como uma pipa, e quando cal na (Tira o lenço da cabeça diante do Cena2- As Mucamas tagarelando, TODAS - Juramos.
camadormeatéde manhã e, nemse- espelho) acabam de poroaposento em ordem MUCAMA - Meu filhoestá servin-
nhanhâ, que isso passa. - Misericórdia! PorqueSinhá? Que
nhando, diz nada que preste. comtodaasua suntuosa beleza. A do no quarto do Governador. Hoje
CHICA(aspira o pó e espirra) - fizemos paramerecer castigo Ião bra-
:2 Dê-me o lenço. Aviem-se, idiotas. bo?
CHICA - Estádormindocomigo'! ~, MUCAMA(pondo-lheaperuca) - mobília dourada emestilo francês, oS
Está bemassim, Nhanã? all'os lençóis de linho, as fronhas
demanhã ouviu eledizendo aos ofi-
ciais que ia mostrar ao Desembar- 3
Á
gador a ordem que trouxe do Rei
para levá-lo, "por bem ou por mal"l.
quer da água quer ~o ar.
Por piratas perseguIdos as
DESUIBARGADOR - Faz sozinh.a
honrns da casa. Eu não posso dei-
1 DESEMBARGADOR - Vossa Eice- (À parte, ao amante) Ai! Não me documento, depois dirige-Je aChica)
lência não acha que essa... Como belisca! .Quer fazer o favor de nos deixar a
direi? Imposição força um pouco a DESEMBARGADOR - Aí está o sós, dona Francisca?
etendo que revidar xar de acompanhá-los,
- Credo! Epor que você não avi- espontaneidade do culto?
sou a Sinhá? Por que não avisou? pra depois decombatê-los CHICA(chateada) - Afinal, João enigma de que falou o Conde, Chi- CmcA - Pois não, senhor Conde.
viagem continuar. Fernandes, o que foi queesse tal de CoNDE- Talvez. Mas acautela o quinha. (Ã parte) Muda de assunto, (Sai)
MUCAMA(chorando) - Não tive povo contra a lepra da heresia e do mulher. Jácomeças?
Valadares veio fazer aqui?
coragem... conseqüente desrespeito às leis do CoNDE (relêodocumento e faz-se
Coitados dos piratinhas! DESEMBARGADOR - Psiu! Fala CmCA(cínica) - Quer dizer que transtornado)- Não épossível! Não
- Mas ela precisasaber.Quebar- Quem nos dera os ajudar! Estado, quenaterra representa opo- oCondevai percorrer as margensdo
baixo! Ele deve estar chegando é possível! (A nda de um lado para
ror! der de Deus.
por aí. Jequitinhonha? É muito longe! V. outro fitando o desembargador de
- Mas será queele vai se sujei- Mulata de sol queimada, CHICA (irónica) - V. Excelência Excelência vai se cansar à-toa.
CmCA- Eu que me importa! vez em quando) - Que coisa mais
lar a isso? cheirando aflor tropical, Quero mesmo que ele ouça. Arre! tem toda razão. CoNDE (amuado)- Preciso fazer desagradável!
MUCAMA - Que pode fazer? obeijo de despedida Estou ficando exausta. Todo dia é CoNDE - Quando assim não se uma vistoria para concluir meu rela-
viemos para cobrar h DESEMBARGADOR - Parece que se
- Não éordem de Rei?Se ress- festa em cima de festa, banquete, bai- procede, verifica-se oque está acon- tório sobre as lavras. Tenciono antes
na hora de regressarmos le, teatm, caçada, tudo! É uma coisa, tecendo aqui, onde amaior parte da do fim da semana dar por encerra- refere à minha pessoa o escrito que
tir é pior. Vossa Excelência acaba de receber?
ao querido Portugal! éoutra,e odiabo desse homem nem ,I, população, presa às vis paixões que da aminha visitaao Tijuco.
MUCAMA - Vai obrigado. Leva- \
CONDE - Sinto muito dizer-lhe
do à força como o finado Caldeirá ata nemdesata! cegam a mocidade, vai se tornando
Então, por via das dúvidas, CmcA - Tão cedo assim? Ap» que éverdade. Tratase de um decre-
Brant foi, apodrecer na masmorra do CoNDE (aparece de repente) - tão abominável aos olhos de Deus,
as cortinas vamos fechar! to que alguma coisa está desgostando to de Sua Majestade no qual me
Limoeiro. Bons dias, dona Francisca! quanto desprezível aos do mundo.
V. Excelência. Sefor em nossa casa, ordena deixar o Tijuco dentro de
DESEMBARGADOR (abaixando·se, DESEMBARGADOR- Não resta a não se acanhe de dizer!
- É mesmo. Mas depois ele
menor dúvida. três dias diri~ndo-me diretamente a
volta. finge atar osapato da mulher) DESEMBARGADOR- É só abrir a Lisboa, levando-o comigo, sob pena
XQUADRO CHIeI. .; Chi! Paieéeqüe o Go- boca. Sua vontade será lei aqui!
MucAMA (benzendo-se às avessas) CHIe' (desmanchando-se) - Bons . de ser V. Senhoria considerado in-
olhos ovejam, senhor Conde! Acor- vernador não está lá muito satisfeito confidente! (Beija o documento e
- Daqui mais pra aqui. Dizem que Num recinto qualquer, desusado mo- CoNDE - Nem pensem em tal.
dou muito cedo hoje! com a conduta dos vassalos que vi- apresenta-o ao Desembargador, que
o meu senhor écasadoem Portugal. vimemo de servos indo evindo. Uma vemdesterrados por estas bandas.. . Vossas Senhorias têm me tratado à se teas: alê·lo)
Faz as pazes coma outra mulher e enorme mesa, inteiramente coberta CoNDE- É um velhohábito meu. altura. Mas eu não vimpassear, e
nunca mais pisa no Tijuco! Pobre- D. Francisca. Não o hasia notado Cm,llE- Pelo que me foi dado creio que apartemais importantede
porcomprida toalho, está repleta de DESEMBARGADOR - Dentro de
ainda?Costum olevmtar-mepara as- averiguar, este arraial transformou-se
zinhadanhá Chica! iguarias. minha missão ficará encerrada esta três dias? Não pode ser! Como po-
sistir à santa missa, antes de come- num verdadeiro antro de perdição! manhã.
TODAS - Os homens são assim deria fazer uma viagem tão demo-
CincA- Acha?
CmCA - Bons dias, João Fernan- çar os meus afazeres diários. CmcA (trocando olhares com o rada, sem antes por em ordem os
mesmo.
des! CHlCA - OsenhorCondejá ouviu I· CoNDE - Aqui há quem chegue amante) - Oh! Que pena! Vamos meus negóciosaqui? Não posso absn-
missa toje? ao cúmulo deentregar-se àprática da sentir tanto a falta de Vossa Exce- donar o Arraial precipitadamente.
Alguns oficiais da comitiva do DESEMBARGADOR (beijando-lhe as
feitiçaria, tão contrária ànossa raça, lência! Não éverdade, João Fernan- CONDE - Lamento, senhor Coa-
Conde invadem a alcol'a para con· mãos)- Dormiste bem, minha flor? CONDE - Asua perguntasó tem
quanto aos princípios morais da re- des? tratador. Mas não vejo alternativa.
tracenar COIII as lIIucamas, cantando. CmCA - Nem tanto! (Notando o cabimento, D. Francisca, porque os li~ão de Jesus Cristo.
movimento dos criados) Que signifi· nossos patrícios, ao se fixarem nas Eu partirei no prazo estipulado e
cam estes preparativos? colênia; costumam negligenciar os CHICA- Só não compreendo, se. Cena 2 - O ajudante.de-ordem espero que V. Senhoria não crie em.
Só para amar-te, querida, nhor Conde, é como N. Senhor, invés entraderepente, perfila-seeentrega baraços ao pesado encargo que aea-
valiaapena passar DESEMBARGADOR- É queiremos usostradicionaisda Iamiliaportugue-
às gupiaras. sa Em nossa terra, porém, é dife- de fazer tremer aterra cá do Tijuco, um canudo depapel ao Conde. bo dereceber.
dias e noites seguidas, renle. resolveu castigar ospiedosos habitan.
navegando semparar. CHICA - Iremos? íes deLisboa! DESEMBARGADOR - Mas é uma
OFICIAL - Oestafeta de Vila Rica intimação absurda! Afinal, não sou
Por tempestade colhidos DESEMBARGADOR - OConde de CHlCA - Quer dizer queem Por-
Valadares resolveu visitar as lavras tugal agente éobrigadaaouvir mis- CONDE - Os desígnios de Deus acaba de trazer este Prego destina- nenhum criminoso para ser tratado
desurpresa, em alto mar sãoum enigna, dona Francisca. Mui. do a Vossa Excelência. Está selado com tamanha desconsideração!
com alguns oficiais da comitiva.Maa- sa todos os dias?
CONDE- Lá as autoridades rel~ tas vezes pagam os justos pelos pe- com as armas reais.
Quepena queoslisboetas dei preparar um farnel. CoNDE - Devem ser bastante for-
cadores.
não chegassem a naufra· CHICA - Quer dizer quenão vol- ~osas velam para q.ue ~s pr~eitos CoNDE (fingindosurpresa) Hoje? les osmotivosquelevaram S. Majcs-
[gari) tará atempo de assistir àserenata do da Santa Madre Igreja sejamngoro- CHICA - Não entendo. Nesse Agora? Então deve ser algo inpcr- ladeatomar lal deliberação. Não me
bosque? samente cumpridos. caso, onde estaria a Justiça divina? tante e urgente. (Passa a vista pelo obrigue a recorrer ao emprego da
34 Luaado contra os perigos 3
1"
....
força, par~ fazer valer as determi-
nações reas,
DOS JORNAIS II
motivos, não prima pela clareza quando diz, para expli-
" a questão se arrastasse ao !o~go de todos esses anos
car que não se preocupa com aforma de executar oro- sem um encaminhamento objelivo.
Entra o Mordomo que, depois .d~ tulamento, que "a técnica le~lativa desaconselha ao le-
~slador descer a níve~ que desfigurem ainteligência qua- À primeira vista parece que oprojeto ~ão satisfaz à
ohtervar atensão do ambiente, dm-
ge-se ao Desembargador. lificativa das diferentes escalas de hierarquias normati- classe artística e que esta deverá pronunCIar-se a res-
peito por intermédio de seus síndicatos. Somente c~m a
MORDOMO - Os animais já estão
oEXERCíCIO DA zantes". Um pouco à Ionesco, o texto mostra que nem
sempre a palavra é uma forma de comunicação efetiva. deftnição dos direitos e obrigações dos que .se dedIcam
à carreira das artes é que se pode assegurar ao proís-
aparelhados eofamel carregado, meu
senhor.
PROFISSÃO DE ATOR Sem entrar na análise específica das diferentes ques-
tões suscitadas pelo texto, pos isso étarefa aque se entre-
sional agarantia do exercício pleno de seu ofício. Opro-
garão os artstas e os que, de uma forma ou de outra, jeto que o governo acaba de encaminhar ao Congress.o «;

CoNDE - V. Senhoria quer nos tinha esse escopo, mas perdeu-se, ao que parece, em m~­
acompanhar ao lugar combinado? são atin~dos pelo projeto, oque parece certo éque muita
coisa há para ser emendada quando odocumento tramitar nudências e depende de regulamentação sobre ~ clasi-
DESEMBARGADOR - Estou às ficação dos artistas, a qual foi deixada para nas tarde.
pelas comissões, aguardando votação. Um ponto, con-
ordens de V. Excelência. Cabe agora aos interessados mostrar aos legisl~do­
Aguardado desde ocomeço do ~~, quando se ~un­ ,i. tudo, já levantou inúmeras controvérsias pela delicadeza
res aimportãncia eaordem priorit~ria de certas medidas
ciou que estava sendo concluído, fOI fmalmente enVl~~o
I
do assunto. É o que se insere no capítulo VI, artigos
Cena 3 - Saem os escravos que 15 a 25, que diz respeito à criação de Conselhos Federais que poderão ser incluídas no ~roj~to sob a fo!ma de
eJtavam escondidos em vários pontos ao Congresso oprojeto de lei dispondo :obre o ex~rClclo
eRegicnas de Artistas eTécoicos eàs suas atribuições. emendas, para que nãose fique, lroDlca.~ente, apos ,tanto
do aposento, inclusive embaixo da profissional dos integrantes das categonas de artistas e
De acordo com oque estabelece oprojeto, esses Conse- estardalhaço com a impressão transmllIda pela celebre
mesa. técnicos em espetáculos de diversões. Ou trClCaIldo .e;n comédia de'Shakespeare, de que se fez "tanto barulho
miúdos, o projeto que deveria regulamen~r a p~ofIssao lhos constituiriam autarquia vinculada ao Ministério do
Eu não disse? Trabalho, sendo sua composição, aeleição de seus mem- para nada".
de atar. Contudo, não obstante as boas mtenço~ ~ue
Eu não contei? devem ter presidido aelaboração do documento, r~l~do , bros esuas atribuições dependentes de regulamento a ser
Aquela presepada toda segundo se dizia no começo do ano, após,consulta as lIde- bstituído. Como se vê, amatéria édelicada, porque esses
foi combinada ranças da classe artística em tod~ ~ pas, 'parece que o Conselhos não só afetariam mas até mesmo extinguiriam
pela manhã. referido projeto não alcançou oobjetivo ~lIm~o. ~ten­ avida dos sindicatos de classe. Ma~ ainda, de tal modo
Verdadeira pantomima so em demasia, oprojeto se perde num Clpo~ mtnnca~o f:cariam esses órgãos \inculados ao ~tério do Traba-
dessa hipócrita gente fina, de pequenas ceias e deixa de lado o essen~tal, ou S~ja, lho e, em última instância, ao ministro, que caberia a
enviada de Satã! aregulamentação da profissão do ator propnamente dita. Clte ftscalizar o exercício da proftssão de artsta e tudo
aquilo que com ela se relacione. Se, por um lado, esses
OConde falso Conselhos podem defender egarantir oexercício da pro-
i/'
Aliás os ministros do Trabalho, da Educação eCul-
fin~u, tura e das Comunicações têm consciência dessa falha do fssão, podem, por outro, exorbitar de suas funções, com
mentiu e enganou! texto de lei conforme se pode ver pelo que afIrmam na achancela de um órgão governamental.
Trouxe o Prego quando veio, exposição d~ motivos com que encaminharam o ~ocume~­ Também na parte relativa àhabilitação para oexer-
mas na gaveta oguardou. to ao Presidente da República: "Cumpre adUZIr - di- cício da profissão de ator há, como notou um crítico, dis-
Só depo~ do bolso cheio, zem - que a minuta do projeto resultante ~esses estu- crepância entre oque pretende o pro~to eoque podem
ao João Fernandes mostrou! dos epesquisas retrata uma síntese das sugestoes aprese~­ eletivamente oferecer os currículos de nível médio. Dada
tadas no confronto artista-empregador, aqual, ante aflui- a natureza da profissão, que exige da parte de quem a
dez temática que envolve a matéria, por certo somente ela se dedica uma vocação inata par ao mister, é preciso
(Quadros 11 a 15 nos cr 71) complementar-se-á con~ ~s norm,as.emergentes.da regu: que o legislador ateníe para os diferentes aspectos da
lamentação mais enunciaíwa eelastica, sem ~Uglf aos pa realidade e não se prenda com rigor a preceitos que
radigmas legais." Quer isto dizer que o p~ojeto trata de poderão fazer malograr carreiras incipientes.
uma série de minúcias e parado!al.~ente fica .~penas em Sabemos que não se resolvem de uma só vez os pro-
generalidades sem definir com prCClsao, como ]J n~taram blemas de uma classe quevem aguardando há muitos anos
(I) De "As Gumas do Alecrim t da
os estudiosos do assunto, .cad.a. u~a das categ~n~ ~~ aregulamentação da profissão, sempre margi~alizada ou
Mallgtrona".
artistas e profissionais. A juslIflcatlva, na exposlçao sujeita a incompreensões de toda ordem. Ate mesmo a
desumão dos interessados pareCe ter contnbuído para que (Do Estado dt São Paulo, julbo/1976) 37
;+
homem, comunica-se, interliga-se, transmite, recebe, busca documentários, depoimentos, ensaios, P9r sociólogos, fu-
Im:z BARROS DE ALMEIDA trata exatamente do controle eprobabilidade dos elemen·
sínteses, organiza o caos, esforça-se pela harmonia turólogos, políticos, ecologistas, cientistas e todas as vo-
tos comunicativos - homens emáquinas.
Como vimos seguindo a trilha de Uvi-5trauss - zes influentes contemporâneas. Aqui será ocaso de per-
Ora, direis, ouvir St.rauss eWiener.. . Oque tudo
o problema é mais premente nas sociedades de está~os guntar: qual será neste contexto aperspectiva de um país
isto tem a ver com teatro. Eu vos direi que com um
avançados (quecontam com aescrita ea tecnolo~a) do que se automutile artisticamente?
pouco de lucidez e boa-vontade encontraremos juntos a
que naquelas em queoequilíbrio individual ecomunitá. Opropósito destas considerações e interrogações é
coerência de um e outre.
TEATRO ERELAÇÕES Lembraríamos em primeiro lugar a posição especia·
rio' émantido por relações concretas - mais profundas
evigorosas.
lamentar mais uma vez - e ainda não com a ener~a
merecida, porque avoz dos lamentadores ésempre débil
CONCRETAS líssima do teatro em rebção às outras artes. Teatro é a
mais socializante e sociivel das artes. Todas as outras Arriscamos então sugerir queéo ator - o teatro, - as coerções que vem sofrendo onosso íeatro, este tea·
artes (salvo talvez a arquitetura, mas falem os arquite· na sua forma especifica de espetácu10 - o último re- tro sempre a1imentadó por trabalhadores incansáveis e
tos) reaIizam-se independentemente do "outro", do lei- manescente, a última esperança e garantia, do saudável debilitado por diagnósticos retrógrados, mas ainda em
tor, do ouvinte, do receptor. É claro que um livro, um narrador dos grupos primitivos. Onarrador, transfundido ação, apesar de tudo e apesar mesino da impressão de
quadro, uma escultura, umacomposição musical não são em ator: aquele que chega, convoca uma platéia e CD- vitalidade com seus sessenta e tantos espetáculos postos
Uvi-Strauss, em seu livro Antropologia Estrutrua1,
chama a atenção para ohábito de se distinguir as carac-
produzidos para ficarem ocultos, mas como produtos du-
ráveis, resistirão ao tempo, podem aguardar o futuro. O .t meça acontar alguma coisa vital, concretamente, usando
seu corpo, sua voz, suando, gesticulando, desgastando-se
em cena no Rio de Janeiro, ex-Guanabara, em 1975.
Lembro que a quantidade poderá dissimular o "caráter
terísticas das sociedades primitivas por indicativos de pri-
Teatro _ e falo da relação palco/platéia _ vive do e renovando-se neste ato. E a platéia respondendo na indicativo de privação", pois as facilidades de verbas oíi-
vação. São elas não civilizadas, sem escrita, pré ou não momento em que se realiza. Nenhuma arte assemelha-se mesma onda afetiva. Podemos assim considerar a parti- das, aeuforia dos números, as campanhas de entradas a
mecânicas. No entanto, prossegue, estes qualificativos dis- ao teatro neste imediatismo. Atelevisão é também de- cipação ator-espectador como o elo sobrevivente desta preços reduzidos não suprem apouca informação, aaca-
simulam realidades positivas: estas sociedades estão fun- autenticidade perdida de que nos fala oantropólogo fran- nhada discussão da nossa realidade concreta postas hoje
ddaasemreaI çoes - pesso'as. ea
e l'ngaço'es concretas entre pendente do aqui edo agora, mas atelevisão terá ainda cês. Neste jogo de se encobrir, descobrindo-se, de se de- diante do público.
indivíduos, num grau muito mais importanteque às outras. . . que provar que éarte, embora possa ser veículo das artes personaIizar, recriando-se, realiza-se dos dois lados uma
Sob este aspecto - prossegue ele - são as sociedades eaelas recorrer para se tomar mais atraente eexpressiva. As opções de repertório das companhias estreitam-se
cerimônia mítico-eonscientizadora. Eeste é um ponto a ao limite do irrespirável no que diz respeito ao autor -.
do homem moderno que deveriam ser definidas por um No entanto - fato que tem feito correr muita tinta - ressaltar: as relações concretas não se esgotam no con-
indicativo de privação: nossas relações são ocasionais e entre emissor ereceptor de televisão, isto é, entre atores nacional. Os condicionamentos e imposições da censura
tato direto de pessoa para pessoa, mas revalorizam-se na chegam ao cúmulo de não deixar passar nada que revele,
fragmentárias, resultam de construções indiretas, através eespectadores, há distâncias: espaço, tempo (video-tape) dinamia de suas significações. Não estamos insinuando
de documentos escritos."Estamos ligadosao passado, não ehá o próprio aparelho, a máquina alienatória, a inter· ainda que superficialmente, os conflitos de uma socie-
gestos estéreis e revivências superficiais, mas justamente dade em transformação. É exemplar amutilação da peça
mais por uma tradição oral que implica um contato vi. ferência entre mensageiJo e destinatário. Ocinema, arte enfatizando ovalor de autenticidade potencialmente con-
vido com pessoas - sacerdotes, narradores, sábios, respeitabilíssima, vivetambém desta limitação. No teatro, Um Elefante no Caos, de MilIor Fernandes, escrita há
tida na participação teatral, esta profunda participação mais dequinze anos eque punha em foco, satiricamente,
anciãos - mas por livros amontoados em bibliotecas e dá-se justamente o oposto: a mensagem só existe por- de grupos que vivemseupróprio destino eseiluminam na
através dos quais a crítica seesmera - com dificulda- que existem espectador e ator. N'mguém pode conceber situações do quotidiano carioca: tomou-se irreconhecível
sua própria experiência. Uma sociedade modema, contra- para ser encenada Recorde-se Calabar, de Chico Buar-
des - em reconstituir a fisionomia dos autores. E, no um espetáculo sem que haja pelo menos um indivíduo na ditória e tensa, que recuse a si mesmo estes recursos li-
plano presente, comunicamo-nos com aimensa maioria de platéia eoutro no palco. Se falha um ou outro, estáinter- queeRui Guerra, em fins de 1974, com estréia marcada
beradores econscientizadores, estará certamenteocultan-
nossos contemporâneos por toda aespécie de intermediá- rompida a mensagem, lrustrada a comunicação. Beste e que jamais subiu à cena: tratava-se de uma visão be-
do seus impulsos e reprimindo sua eeergia
rios - documentos escritos ou organismos administrati- o poder do teatro, a participação íntima entre artista e róico-quixotesca, às vezes jocosa, de um período da nossa
vos - que ampliam, sem dúvida, imensamente nossos público, gente com gente. Qualquer pulsação, qualquer . Uma cultura que não propõe e não ilustra e não história há muito reconsiderado pelos nossos historiado-
recria suas verdades mais ásperas eantagônicas mistifica- res. Estamos sendo proibidos até de exercitar nosso sadio
contatos, mas que lhes conferem ao mesmo ~e~po um organização ou desorganização r~\izam.se ao. ní~el ~on-
-se asi própria epaga mais caro do que devia pagar em bom-humor brasileiro. ~, de fato, preciso ter uma larga
caráter de inautenticidade. Esta tomou-se apropna mar- creto, simultaneamente. É uma mterdependencra Vital,
termos de futuro. O teatro está destinado pelos seus margem de saúdepsicológica para deglutir proibições de
ca das relações entre os cidadãos eos Poderes." Faz ele emanada de relações humanas diretas, popanto, grand~.
processos diretos lógico-inconscientes a ser o elemento textos premiados por concursos oficiais) como odo SNT
a ressalva de não querer se entregar a.o paradoxo de mente satisfatória. Admitimos que nos de prazer e seja
cultural mais revelador e mais aberto. Sabem disto as que se viu impedido de cumprir com seus compromissos
negar a revolução introduzida pela esc~lta, mas sugere cômodo ligar um botão,acionar omotor do carro, discar
sociedades modernas desenvolvidas que, reconhecendo a de montagem de peças como as de Oduvaldo Vianna
uma reavaliação da perda da autono~la ~~ante da otelefone, mas é sempre a máquina obedecendo ou nós
sua alienação, procuram ererczá-la através de formas Filho e a divulgação de outras como a de Consuelo de
expansão das formas indiretas de comurucaçao: livro, fo- obedecendo à máquina. Eobedecer não tem se re~ela~o
sutis einteligentes, provocando acriatividade, estimulan· Castro. No Rio Grande do Sul chegou-se ao desatino
tografia, imprensa, rádio etc. Os.t~ricos e ob~ervadores a maior aspiração do homem. Ab1>erd~de de reallzaçao
do agenerosidade eincluindo oteatro como ener~a cel- de se anular um concurso patrocinado pelo Instituto
vêm insistindo nesta incomunicabilidade dos meios de CD- cm todos os planos parse ser ograndeImpulso provoca-
tural capaz decontribuir saudavelmente aalternativas ca- Estadual do Livro, pela Prefeitura Municipal epela Uni·
municação que inquietaram especialistas da qualidade de dor de diversidades expressivas dentro de um contexto
tastróficas enfatizadas diariamente em jornais, revistas, versidade Federal do Rio Grande do Sul. E já se CD-. 39
38 Norbert Wiener, ocriador da cibernética, disciplina que histórico. Epara serealizar ohomem conta com ooutro

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menta que está em vigor uma rigorosa (não obstante,
subjetiva) seleçáo de membros de júris de concursos de
se impõem e nos deixa perplexos a idéia de infmito e
intemporalidadc. As nossas similitudes com a"aldeia glo-
1 PRÊMIO SERVIÇO NACrONAL
DE TEATRO - 1976
Osoriglna~não proeuraclosno Serviço Nado-
nal de Teatro, à Av. Rio Branco, 179, Rio
de Janeiro, até 60 (sessenta) dias após adivul-
dranntergia Em meio ao caos seletivo, há novos e ve- bal" estão postas; no entanto, onde estão as nossas opo- f
lhos casos, como o de Abajur Lilás, de Plínio Marcos, sições, as nossas particularidades, as nossas especificida- I gação dos resultados, serão incinerados.
cronicamente lamentado. Seria exaustivo enumerar e re- des, as nossas variantes idiossincráticas? Para que elas
lembrar, mas não desanimaremos de pôr em relevo os apareçam é preciso queos autores falem, e para que os 3 - DA INSCRIÇÃO
remendos, os desvios, ocerceamento que pesam sobre o autores falem cale-se a censura. E se se alegar que a
autor nacional. Asituação está a pedir um levantamento censura tem costas largas e que serve de pretexto para Os ori~ais deverão ser entregues ao Serviço
O SERVIço NACIONAL DE TEATRO, DO Nacional de Teatro - Divisão de Difusão
sério, pois através de poucas noticias de jornal, listas do nossa pobreza dramanirgea, evocaremos alguns fatos DEPARTAMENTO DE ASSUNTOS CULTURAIS DO
Diário OficiaI, informação oral, temos indícios que nos equívocos em se tratando de peças estrangeiras, celebra- CuItura1- àAv. Rio Branco, 179, 8Q andar,
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CULTURA, em nos dias úteis, das 14:00 às 18:00 horas medi.
levam acrer que nos últimos anos não haverá um único das e recomendadas no exterior. OTablado, grupo que Plano conjunto com a FUNDAÇÃO NACIONAL DE
autorbrasileiro que não tenha tido pelo menos uma peça ante protocolo, ou enviados, sob re~tro, pelo
ninguém ignora estar acima de qualquer suspeita contes- ARTE, (FUNARTE) faz publicar, para conhecimento Correio; contendo a seguinte especificação:
vetada ou podada pela censura. Etudo isto sem critérios tatória às tradições cristãs, teve problemas com a monta· dos interessados, o seguinte EDITAL que regulamenta, PMM!o SERVIço NACIONAL DE TEA.
estabelecidos, sem justificativas coerentes, ~ que escri- gem de ODragão, alegoria anti-estanilista. para oano de 1976, oVIII CONCURSO PERMANEN- TRO -1976.
tores de temperamento evisão-de-mundo os mais diversos Mockinpolt, encenada sob a chancela dos nossos TE DE PEÇAS-SERVIço NACIONAL DE TEATRO,
são igualmente eliminados. Não terá pouca significação, Uma cópia de cada texto inscrito ficará arqui-
amigos da República Federal da Alemanha, depois de instituido pela Portaria nQ 55, de 19 de dezembro de
é verdade, atemática das peças sobreviventes (nem estas vada no Serviço Nacional de Teatro eainscri-
meses em cartaz, foi ameaçada inexplicavelmente, caso 1963, oqual se regerá pelas seguintes normas:
ção do ori~nal neste concurso configura auto-
incólumes na sua integridade): a incomunicabilidade do semelhante ao do texto Os Rapazes da Banda, de autor rização expressa do autor no sentido de que
núcleo familiar, o desânimo da classe média, a incom· norte-americano, retirado de cena por ordem superior. I - DOS CONCORRENTES sua peça possa panidpar das leituras públicas
"""petênciada geração antiga e o i~~nfo~o. esté~ da Santa Joana dos Matadouros, de Brecht, autor expurgado esimpósios que vierem aser organizádos pelo
jovem, assim como impressões dilwdas emagicas, mvo- pelos comunistas, sofreu as mesmas restrições da nossa Os concorrentes deverão ser brasileiros natos
ou naturalizados. SNT.
cações afetivas de volta àinfância eao acalentador útero censura anticomunista. Isto só para apontar alguns eiem-
materno, quando não soluções redentoras-nibilistas como Os concorrentes poderão inscrever um ou Oautor, ao se inscrever neste concurso. ccn-
pIos e a incoerência dos métodos purgativos. Não nos cordará automaticamente com a isenção do
ademência e osuicídio. Refletirão estes textos a marca referimos a peças estrangeiras que a autocensura ou o mais textos de sua autoria desde que inéditos.
pagamento de direitos autorais pelo SNT no
das "relações entre os cidadãos eos Poderes", serão eles bom senso das companhias elimina com um "nem pen- caso das edições eleituras públicas de que tra-
oindicativo da alienação eda fragmentação entre as duas sar" , "nem sonhar", "cruz, credo", só de conhecer se~ 2:- DOS TEXTOS ta este EDITAL.
partes? Esta insistência no desalento, na rebeldia ~njusti- enredo pelo Time ou pelas crónicas novaiorquinas de
ficada no desencanto, no desencontro, este distanclamen· Considera·se inédito otexto não editado, não
Paulo Francis. 4 - DA COMISSÃO JULGADORA
to, estes acenos de paraíso, de fugas oníricas ,ilustram, representado ou submetido a leitura pública
Resta-nos, éverdade. osexo nas suas diversas ten- Será considerada como quebra do ineditismo
a meu ver, o pessimismo, a descrença, odesestimulo de dências (desde que tratado irresponsavelmente), aincons- A Comissão Julgadora será composta de 6
uma geração eserão elementos expressivos para.ulll;a 50- ciência do adultério, as comédias elegantes e "bemves- ., a divulgação, pelo autor, de elementos que
permitam a identificação do ori~nal através (seis) membros, sendo um oDiretor do Ser-
ciclegia da história deste período. Pela abu?da.nCla de tidas", os sofrimentos existenciais fora do tempo, os de- viço Nacional de Teatro, que exercerá a sua
sinais podem-se tirar conclusões de nossas csrenaas, Ha- da imprensa falada, escrita ou televisiva.
bates de problemas circunscritos ao entendimento de gru- presidência, com direito avotos de qualidade
verá quem alegue que as temáticas mencionadas acima pcs iniciados neste ou naquele sacerdócio. E resta-nos Oori~nal deverá possuir extensão que permi. e ~empate: Os demais serão designados pelo
são universa~ econtemporâneas eque reflelem nossa efi- igualmente agrande metáfora: avolta àposição fetal ou à ta um espetáculo de duração mínima de uma ServIço NaCIonal de Teatro, escolhidos dentre
ciente informação do que está se passando em países cul: ri~dez cadavérica. Aprimeira, eliminada a possibilidade
hora epoderá pertencer aqualquer gênero tea- nomes representativos ligados ao teatro.
turalmente maduros. Correlações entre oque se passa aqUI traI, exeeto ode teatro infantil.
de aborto ou nascituro deformado, encerraria esperança. AComissão Julgadora poderá selecionar até 10
elá são óbvias, mas as informações que nos estão sendo Mas, a segunda faz-nos lembrar apalavra de um grande Ooriginal deverá ser apresentado sob pseudô- (dez) textos para leituras públicas realizadas
fornecidas a este respeito tendem à exaustão e a nada escritor e poeta: "Por que éque o rumor de uma pan- nimo e sem título, em número de 6 (seis) pelo Serviço Nacional de Teatro.
mais informar. Eque fique bem claro: não estamos cri- cada sobre um túmulo aterroriza uma cidade inteira?" vias, datilografadas em espaço 2(dois) ;eserá
ticando nem selecionando oque está em cena, - seria (Herman Melvil!e, nascido e falecido em Nova York, acompanhado de envelope lacrado, contendo: 5 - DA PREMIAÇÃO
desrespeito ealienação desconhecer que todo trabalho tea- 1819-1891). a) titulo da peça
traI no Brasil representa coragem, amor, suor elágrimas Os prêmios atribuidos pelo presente Concurso
b) pseudónimo usado pelo autor
- - estamos, sim, clamando pelo que não está em denominar-se-ão PR~IO SERVIÇO NA-
cena. É a grande lacuna, o grande silêncio, a grande c) nome, endereço completo e assinatura CIONAL DE TEATRO - 1976 e terão os
(Trotro-i5, publ. de Associação Carioca de Críticos Teatrais, do autor.
40 ausência que nos deixam perplexos eque se impõem como p. 3844) seguintes valores: 41
a) ao primeiro colocado a importância de
Cr$ 60.000,00 (sessenta mil cruzeiros),
b) ao segundo colocado a importância de
AUXÍLIOS DE EXCURSÃO DE
COMPANHIAS PROFISSIONAIS
1 DOS ROTEIROS I10 - As companhias sediadas na cidade de São
Paulo quedesejarem apresentar seus espetáculos na cidade
Cr$ 40.000,00 (quarenta milcruzeiros), ?
. 1- Pro~to ~ul. compreenderá os roteiros que do Rio de Janeiro, e. ,~ce-versa, s,o~ente terão auxílio
I
c) ao. terceiro colocado a importância de mcluam, alem das capItaIS dos Estados do Rio Grande para transporte rodoVl3no dos cenanos e passagens por
Cr$ 20.000,00 (vinte mil cruzeiros). do Sul,SantaCatarina eParan~ mais 2 (dois) municípios via terrestre.
emcada umdos Estados.
Além da premiaçãoemdinheiro, poderão ser PROJRrOS SUL, NORTE E NORDESTE, II - As despesas realizadas no Estado onde for
indicados mais dois textos para publicação. ESPECIAL (CENTRO-OESTE) E CENTRO. 2 - O Pro~to Norte e Nordestecompreenderá os sediada aempresa econstantes em seu pro~to de excursão,
roteiros que incluam, alémdas Capitais dos Estados do nãoserão acobertadas pelo auxílio ob~to deste EDITAL.
Otexto colocado em primeirolugar será mon- Amazonas, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande
tadopelo SNT ou, se este assim odesejar, con- do Norte, Paraiba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia
cederá auxílio à empresa teatral por ele esco- e Espírito Santo mais 4 (quatro) municípios dentre 05
lhida, para arealização da montagem. Estadosmencionados. DA INSCRIÇÃO:
Ao SNT será atnlJUidodireito de edição, em 3- O Projeto Centro-Oeste, consi~rado como
um único volume, das peças premiadas. ODiretordoSERVIÇO NACIONALDE TEATRO Projeto Especial, compreenderá os roteiros que incluam I - Ao se inscfC\'erem, os interessados deverão
Aentrega dos prêmios será realizada emato do Departamentode AssuntosCulturais ~o ~inistéri~ da Brasília e, alémdas capitais dosEstados deGoiás, Mato apresentar:
público, emdata li ser fixada pelo SNT. Educação e Cultura, nouso de suas atnbUlçoes legaiSe
Grosso, Acre e Território de Rondônia, mais 5 (cinco) a) requerimento contendo, obrigatoriamente, nome
emplanoconjuntocomaFUNDAÇÃONACIONAL DE
municípiosdentreestas unidades federativas. daempresa, respectivoendereço enúmero doCGC, bem
6 - DOS PRAZOS ARTE, faz publicar paraconhecimento dos interessados,
o presente EDITAL, que regulamenta a inscrição para" 4 - O Projeto Centro compreenderá os roteiros como nome do responsável e respectivo CPF e número
As inscrições, no local ou enviadas pelo Ccr- Auxílios de Excursão de Companhias Profissionais", no que incluam, além deBrasilia, ascapitais dos Estados de dacarteira deidentidade;
reio, serão aceitas entre os dias 19 de agosto penado de julho a dezembro de 1976. Minas Gerais eGoiás emais três municípios dentre essas b) I (uma) cópia do texto dapeça;
e 15 de outubro do presente ano. uni.dades federativas. Também, serão consideradas; para c) atestado fornecido rela SBAT credenciando o
OAuxiliopara Excursão ob~li va divulgar oespetá· '. efeito dacontagem acima, as cidadessatélites do Distrito requerentea encenar o texto;
Oprazo paraojulgamento será de 90 (~ove~­ culo teatral emtodo o País, no sentido de atingir o
ta) dias a partir do encerramento das \Dscn· maior número de espectadores econtribuir para: Federal. d) alestado de liberação do texto pela Censura
5 - Acritério da empresa, a cidade de Brasília Federal;
ções, podendo, no entanto, omesmo ser.pro~­
ro2ado emfunção do número de textosmscn- a) a criação efetiva de ummercado nacional, de poderáser incluída no roieirodos pro~tos Sul e Norte- e) orçamento da excursão, consideradas as despe.
to~, ou qualquer outra razão de força maior teatro; Nordeste, não sendo, noentanto, as apresentações reali- sas de transporte de pessoal (terrestre ouaéreo), hospe-
plenamente justificada. b) a descentralização do espetáculo teatral; zadasnacapitaldo Paíscomputadas para efeito do mime. dagem (especificaodoonúmero de acomodações) e ali-
ro deapresentações obrigatórias emcada umdosProjetas. mentação. No orçamento, nãoserão consideradas as des-
c) o fortalecimento daempresateatral;
7- Oscasos omissos serão resolvidospela Comis- 6 - Aempresa poderá propor roteiro abrangendo pesasrelativas ao trarJ5porte de material, com exceção do
são Julgadora, comhomologação do Diretor d) a valorização do aspecto cultural da atividade mais de um Projeto. caso do ProjetoEspecial;
teatral. ..
do Serviço Nacional de Teatro. 7 --:- Aempresa se obriga aapresentar os espetáeulos f) certidão doregistro do contrato social daempresa
n~s lecais programados de modo a cumprir sempre o ou da firma individual do empresário;
Para melhor rendimento econômico, as empresas
Rio de Janeiro, 15dejulhode 1976 numerodeapresentações correspondentes acadaprojeto. g) atestado de quitação do Imposto Sindical do
deverãoplanejar racionalmente suas excursões.
No casodeimpossibilidade comprovadade apresen- pessoal e da empresa, fornecido pelo Sindicato compe-
ORLANDO MIRANDADE CARVALHO Será concedido amparo especial às empresas que se tar oespetáculoem uma ou mais das capitais proarama- I tente;
Diretor
dispuserem aalcançar :JS regiõesmaisdistantesdointerior
do Pais.
d~, aempresa,deveráincluir no roteiro mais um ~unicí- h) certificado de regularidadedesituação (SRS) _
piO. que.~evera pertencer ao Estado ou Território da INPS;
Para a habilitação de que trata este EDITAL, os capItal VISitada. i) comprovação de inscriçãono ISSe CGC;
roteiros deviagemserãoclassificadoscomo:
8 - ParaoProjeto Especial Centro-Oeste dearor- j) fichatécnica (os contratos registrados noMiqis-
do com a análise de custo do orçamento apre~ntado o tério do Trabalho deverão ser apresentados somente na
a) Projeto Sul;
b) Pro~to Norte e Nordeste;
I
SNT concederátambém .auxiliodetransportedematerial. ocasiãodaassinatura do termodecompromisso).
c) Projeto Especill (Centro-Oeste); 9 - P~~a os ~roJCtos Norte e Nordeste, Centro 2- Opedido deauxílio,de quetrataeste EDITAL,
e S~l, os auxilIOs seraoprestados levando-seemconside· I del'erá ser apresentado ao SERVIÇONACIONAL DE
42 d) Pro~to Cenlre. I
raçao acoberturadasdespesas emrelaçãoaos locaisque TEATRO - Avenida Rio Branco, 179 _ 39 andar _
poderãopropiciar maior ou menor bilheteria. I Seção Técnica. 4:
3 - As inscrições para a obtenção do auxilio de MOVIMENTO TEATRAL Amaio, Sueli Franco, Rubens de Fal-
que trata este ED IrAL serão encerradas no dia 19 de CO, André Vilon e Paulo Pinheiro.
outubro do corrente, podendo os pedidos serem julgados Ingresso 50,00.
antes do encerramento do prazo.
4 - Afichatécnica doespetáculo para aexcursão
deverácorresponder àapresentada no .iulg~ent o do pedi- T. GINAsTIco
do de auxílio e, na hipótese de modificaçoes na mesma,
opedido será reestudadopelo SNT. (julho-agasto-setembro) (TeL 221-4484)

Cinderela do Petróleo, de João Be-


thencourt Direção do autor, com
DO JULGAMENTO: I BIBLIOTECA DO SNT Norma BIum, Felipe Wagner, Milton
Carneiro, Berta Loran e outros
1- Oauxílio poderá, umavez aprovado, ser con-\ . ' . Ingresso 60,00.
cedido total ou parcialmente,deacordocom oorçamento ABiblioteca EdnulIldo Momz, do Sen:ço NaCIonal
aprovado. ' deTeatro"estáaberta para consultas
d' com nas. \'de d12.000
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2 - Opagamento do auxilio serarea lza oem uasd volumes , entre livros e peno ICOS especa za os em
teatro. TEATRO BNH T. CARLOS GOMES T. GLAUCIO GIL
parcelas, asaber: ABibliotecaestá localizadana Av. Rio Branco, 179 (TeL224-9015) (TeL 22-7581) (TeL237-7003)
a) 50%(cinqüenta por cento) 4~ (quaren.ta e.oito) _ 5.0 andar, no horário de 9 ~ às 11:45 he de14 às ....
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horas antes do inícioda excursão, apos a publicaçaono 18.00 h, de segunda a serta-íeira. I Equus, de Peler Shaffer. Direção Gota D'Agua, de Paulo Pontes e Trivial Simples, de Nelson Xavier.
DiárioOficial do presente TERMODECOMPROMISSO, I de Celso Nunes. ComRogérioFróis, Chico Buarque. Direção de Giani DireçãodeRui Guerra. Com Camila
cujas despesas correrão exclusivamente às expensas da Ricardo Blat, Antonio Patmo, Betina
empresa: Ratto. Com Bibi Ferreira, Roberto Amado ePauloCésar Pereio. lngres-
Viana, Monah Delacy e outros. Bonfim, Lafaiete Galvão, Francisco so50,00.
b) 50%(cinquenta porcentn) aofinal d~ excursão, Ingresso 60,00. Milani, Carlos Leite, Isolda Cresta,
medianteacomprovaçãoda realização do retere esta~. SoDia Oiticica e outros. Ingresso
lecido eprestaçãodecontas dasdespesas no total do ann- 60,00.
lio concedido, nos tennosde Relatórios elaborados coa-
fonne modelos apresentados pelo SNT. T. DE BOLSO T. IPANEMA
3 - A empresa comprometer-se-à a apresentar (TeL 287-0871) (TeL 247-9794)
espeiáculos comvenda deingressos comabatimento para t, T. DULCINA
estudantesemtodas ascidades constantesde seu projeto. Trame no 18, de Gene Stone e (TeL 232-5817) I Muro de Atrimo, de CMl. Quei-
4 - Onãocumprimento dequalquer dascláusulas Ron Cooney. Direção de Cecil Ihi- rós Teles. Direção de Antônio Abu-
r~. Com Milton Morais, Lucélia San- jamra. Com Antônio Fagundes.
do presente instrumento implicará no impedi~nto da Danação das Fêmeas, de Leslle Ingresso
. empresa beneficiada para firmar novos comprom ls~s de tos e Pedro Veras. Ingresso 60,00. 50,00.
Stevens. Direção de Derci GonçalveS.
igual natureza com oSNT,além deficar amesma obn~d a Com DG, Edson Guimarães, Ribeiro
a devolver a quantia já recebida, sob pena das sançoes Fortes eLídia Vani. Ingresso 50,00.
civis e penais. T. CACILDABECKER T. JOÃO CAETANO
Os casos omissos serão resolvidos pelo Diretor do (TeL265-9933) (TeL 221-0305)
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RiodeJaneiro, 16 dejunho de 1976. rés, direção de José Carlos deSouza (TeL225-8846) ne O'Neil!.Direção deFernando Tor-
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ORLANDO MIRANDA DE CARVALHO Grupo Teatral de Abertura Lúcida. Dose Dup/a, de Robert Thomas. Amaral, Zanoni Ferrite, Fernando
Ingresso 20,00. Direção de Leo Jusi. Com Teresa
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T. MAISON DE FRANCE IBente-altas: ücença para Dois, de ba, Oaudio Fonte eoutros. Ingresso
Textos àdisposição dos leitores na Secretaria d'O TABLADO
(Tel. 252-3456) Alcione Araujo. Direção de Aderbal 60,00.
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Eva rodar, Luis Armando Queiroz, (Tel. 256-2456) o Guarda dos Pássaros 64
Lutero Luis, Roberto Azevedo, 'Uzé Anônimo (séc. 15) TodomIUU1o .... ...... .. .. ... .. .. ... ... .. 62
Mota, Renato Pedrosa e Mario Ro- T. OPINIÃO Andrade OswaId A Morta ...... ...... ..... .... .. .. ...... . 52
Os Filhos de KelJlledy, de Robert
berto. Ingresso 50,00. (Tel. 235-2119) Arrabal Fernando
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oOltimo Carro, de João das Ne- \Vilker, Otávio Augusto, Helena Pa- Brandão Raul
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Cândido, Osvaldo Neiva, Uva Niõo,
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Cervantes
OTribunal dos Divórcios ................ 63
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Pedro. Com Marco Nanini, Heloisa O Urso 29
Helena, Amândio, Afonso Stuart, Exorsexy, de Emanuel Rodrigues. Olubileu 46
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Direção de Manoel Vieira. Com Cos-
Ingresso 30,00. (Tel. 267-7749) tinha, Aparecida Pimenta, Antonio França Júnior . . Maldita Parentela .;.. .. .. ...... .. .. ... ... .. 55
Duarte, Maria Quitéria e Mario Ghelderode Os Cegos .. .. .... ....... ....... .. ..... .. .. 68
BonifácioBilhõe!, de JoãoBethen- Ernesto. Ingresso 50,00. Kokoschka Oskar Assassino Esperança das Mul!leres 66
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Com PauloCésar deOliveira, Guida ArenaContaZumbi, deG. Guar-
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Viana, Sura Berditchevski, Toninha Marinho Luiz
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Lopes, José Lavigne, Valmir Rodri- Martins Pena
gueseoutros. Ingresso 25,00. A Noite doAntílope Dourado, de veia, Eleonora Rocha, \Volf Maia e As Desgraças de lU/UI Criança 45
Fernando Melo. Direção de Osvaldo outros. Ingresso 40,00. O Caixeiro da Tal'ema 60
Loureiro. Com Nestor Montemar, Maeterlinck A Intrusa ..'... .. .. .. .. .. .. .. ... .. ... ..... 65
AndréValli eMárioCardoso. Ingres- Qorpo-Santo Eu Sou aVida 45
TNe so 30,00.
OUTROS ESPETÁCULOS Mateus & Mateusa 65
(Tel. 224-2356) BarrosAlmeida Inêz Ologo dti Independência. ................... 54
BailesPublies (RenéObaldia), na Synge JM A Sombra do Desfiladeiro 51
VIII Sábado cm 30, deLuís Mari-
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nho. Direção de \Valdemar de Oli- (Paulo Grisolli), na Fonte da Sau-
veira. Com Dina de Oliveira, Clan- dade; OBanquetedos Abutres IIre- Um Gesto por Outro 64
dira Haliday, Clenira deMelo, Dul- Tudodo Escuro, dePeter Shaffer. mar Brito), naSala Moliêre eReal- YealS OOnieo CilÍme de Emer 43
cinéia de Oliveira, Enéas Alvarez e Direção de Jo Soares. Com Jaime mente é Unlll Curtição .. . (Martins \Vedekind Frank A Morte e o Demónio '.. ... 66
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Autora: MARIA CLARA MACHADO .' .
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P/uft (gravação) 40,00 d'O TABLADO mediante pagamento comcheque
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