Você está na página 1de 19

CECE - CENTRO DE ENGENHARIAS E CIÊNCIAS EXATAS

CURSO DE QUÍMICA BACHARELADO


FÍSICA I

CAROLINE CLARE

SISTEMAS DE MEDIDA, VETORES, CINEMÁTICA UNIDIMENSIONAL,


BIDIMENSIONAL E TRIDIMENSIONAL

TOLEDO – PR
2016
Introdução

O homem sempre foi curioso a propósito do mundo onde vive. Desde os mais remotos
registros do seu pensamento, sempre se evidenciou a tentativa de impor ordem à espantosa
diversidade de eventos que se podem observar. Esta procura de ordem assumiu variadas
formas: uma delas é a religião, outra a arte e uma terceira a ciência. Embora o termo
‘’ciência’’ tenha origem no verbo latino que significa ‘’conhecer’’, a ciência não é apenas
conhecimento mas, particularmente, conhecimento do mundo natural. E, o que é importante, é
conhecimento que se organiza de maneira sistemática e racional.1
A ciência é dividida em vários campos separados, mas inter-relacionados. Por exemplo: a
biologia é o estudo dos organismos vivos. A química aborda a interação dos elementos e
compostos. A geóloga é o estudo da terra. A astronomia, o estudo do sistema solar, das
estrelas e galáxias, do universo como um todo. A física trata da matéria e da energia, dos
princípios que governam o movimento das partículas e das ondas, das interações das
partículas, das propriedades das moléculas, dos átomos e dos núcleos atômicos, e das
propriedades de sistemas macroscópicos como os gases, os líqudos e os sólidos. Alguns
consideram a física como a ciência mais fundamental, por constituir a base de todos os outros
campos da ciência.1
A física está fundamentada em medidas. Descobre-se a física através da aprendizagem em
medir as grandezas que estão envolvidas na física. Dentre essas grandezas pode-se destacar o
comprimento, a massa, a temperatura, a corrente elétrica, o tempo e a pressão. Cada grandeza
física são medidas através de comparação com um padrão. A unidade é um nome único que é
atribuído a medidas de grandezas como por exemplo metro (m) para grandeza comprimento.2
O padrão corresponde a exatamente 1,0 unidade da grandeza. O padrão de comprimento que
corresponde a exatamente 1,0 m é a distância percorrida pela luz no vácuo durante uma certa
fração de um segundo. Pode-se definir uma unidade e seu padrão como quisermos. Entretanto,
deve-se fazê-lo de tal modo que os cientistas ao redor do mundo concordem que essas
definições sejam sensatas e práticas. Uma vez estabelecido um padrão, ainda utilizando o
exemplo do comprimento, deve-se elaborar procedimentos através dos quais qualquer que
seja o comprimento, seja ele o raio de um átomo de hidrogênio, uma mesa ou a distância até
uma estrela, ele pode ser expresso em termos do padrão. Para nos fornecer comprimentos que
são próximos do nosso padrão, as réguas são úteis. Já para medir o raio de um átomo ou a
distância até uma estrela não é recomendável utilizar uma régua. 2
Existem tantas grandezas físicas que organizá-las é um problema. Felizmente, elas não são
todas independentes. Por exemplo, a velocidade é a razão entre um comprimento e um tempo.
Assim, o que pode-se fazer é selecionar por acordo internacional, um pequeno número de
grandezas físicas, como comprimento e tempo, e estabelecer padrões apenas para eles.
Definimos então todas as outras grandezas físicas em termos destas grandezas fundamentais e
de seus padrões que são chamados padrões fundamentais. Os padrões fundamentais devem ser
acessíveis a invariáveis. Se fomos definir o padrão de comprimento como a distância entre o
nariz de uma pessoa e o seu dedo indicador mantendo um braço estendido, temos certamente
um padrão acessível (mas que varia de pessoa para pessoa). A exigência de precisão em
ciência e engenharia nos leva a almejar em primeiro lugar invariabilidade. Depois fazemos
um grande esforço para produzir cópias dos padrões fundamentais que sejam acessíveis
àqueles que deles necessitam.2
Outro tema importante da descrição do universo físico, são os movimentos dos corpos. Na
realidade, é o tema mais importante do desenvolvimento da ciência, de Aristóteles até Galileu.
As leis do ‘’como’’ da queda dos corpos foram descobertas muito antes de Newton descrever
o ‘’porquê’’ da queda. Um dos enigmas científicos mais remotos era o do movimento
aparente do sol no céu e do movimento sazonal dos planetas e das estrelas. Um grande triunfo
da mecânica newtoniana foi a descoberta de que o movimento da terra e de outros planetas,
em torno do sol, se explicam em termos de uma força de atração entre o sole os planetas.
Neste trabalho não será estudado por enquanto o porquê das respectivas causas. Será estudado
apenas a discussão do movimento unidimensional, bidimensional e tridimensional. Ao
analisar o movimento unidimensional, só existem duas direções possíveis, que distinguimos
identificando uma delas como positiva e a outra, como negativa.2
Os vetores são grandezas que tem deslocamento, velocidade e aceleração pois tem direção no
espaço, além de magnitude. As grandezas que só tem magnitude, mas não tem uma direção,
como distância, massa ou temperatura, são denominadas escalares. Também será discutido
neste trabalho as propriedades gerais dos vetores e das propriedades particulares dos vetores
deslocamento, velocidade e aceleração. Muitos traços interessantes do movimento em três
dimensões também estão presentes no movimento bidimensional por ser mais fácil de ilustrar
sobre uma filha de papel, ou num quadro negro.2

Objetivos

Discutir sobre as medidas de unidades bem como os movimentos de uma dimensão, duas e
três dimensões.
Teoria

1 – Introdução as grandezas físicas


1.1 – Unidades
As leis da física exprimem relações entre grandezas físicas como comprimento, tempo, força,
energia e temperatura. Por isso, uma exigência da física é a capacidade de definir
precisamente estas grandezas e medi-las com exatidão. A medida de qualquer grandeza física,
envolve a comparação da grandeza com um valor unitário da grandeza definido com
precisão.2
A medida que qualquer grandeza física envolve sempre um número e uma unidade. Todas as
grandezas físicas podem ser expressas em termos de um pequeno número de unidades
fundamentais. A escolha das unidades padrões destas grandezas fundamentais determina um
sistema de unidades. O sistema usado universalmente na comunidade científica é o Sistema
Internacional (SI) que foi formado em 1971 pela 14ª Conferência Geral sobre Pesos e
Medidas1. A Tabela 1 mostra as unidades para as três grandezas fundamentais (comprimento,
massa e tempo). Estas unidades foram definidas para estarem em uma escala humana.1

Tabela 1 – Unidades fundamentais do SI


Grandeza Nome da Unidade Símbolo da Unidade
Comprimento metro m
Tempo segundo s
Massa quilograma kg

Na investigação da termodinâmica e eletricidade, serão necessárias três outras unidades


físicas fundamentais: a unidade de temperatura, o kelvin (K); a unidade de quantidade de uma
substância, o mol; e a unidade de corrente elétrica, o ampère (A). Há uma outra unidade
fundamental, a candela (cd), para a intensidade luminosa, que geralmente é pouca utilizada.
Estas sete unidades fundamentais (o metro (m), o segundo (s), o quilograma (kg), o kelvin
(K), o ampère (A), o mol (mol) e a candela (cd)) constituem o SI.2
As unidades de toda grandeza física podem ser expressas em termos das unidades
fundamentais. Algumas combinações frequentemente usadas recebem nomes especiais. Por
exemplo, a unidade SI de força, kg.m/s2 é denominada newton (N). Analogamente, a unidade
SI de potência, kg.m2/s3 = N.m/s, é denominada watt (W).2
Para expressar as grandezas muito grandes e as muito pequenas que encontramos
frequentemente em física, usamos a notação científica que emprega potências de 10.
Exemplo: 3.560.000.000 m = 3,56 x 109 m. A notação científica em computadores as vezes
assume um aspecto ainda mais breve, como em 3,56 E9 e 4,92 E-7, onde E representa o
‘’expoente de dez’’. Em algumas calculadoras a notação é mais concisa ainda substituindo-se
o E por um espaço em branco.1
Os prefixos listados na Tabela 2 são também convenientes de serem usados ao lidarmos com
medidas muito grandes ou muito pequenas. Como se pode ver, cada prefixo representa uma
certa potência de 10, como um fator. Acrescentando um prefixo a uma unidade SI produz o
efeito de multiplicá-la pelo fator associado. Assim, podemos expressar uma dada potência
elétrica como: 1,27 x 10-9 watts = 1,27 gigawatts = 1,27 GW.1 Alguns prefixos como os
usados em mililitro, centímetro, quilograma e megabyte, são familiares ao leitor de língua
portuguesa.

Tabela 2 – Prefixos para as Unidades SI


Fator Prefixo* Símbolo
1024 yotta- Y
21
10 zetta- Z
1018 exa- E
15
10 peta- P
1012 tera- T
10 9 giga- G
106 mega- M
103 quilo- K
2
10 hect(o)- h
101 dec(a)- a
-1
10 deci- d
10-2 centi- c
10-3 mili- m
10-6 micro- µ
10-9 nano- n
10-12 pico- P
10-15 femto- f
10-18 atto- A
10-21 zepto- z
10-24 yocto- y
*Os prefixos mais comumente utilizados são mostrados em negrito.

Outro sistema decimal ainda em uso, mas gradualmente substituído pelo SI é o sistema cgs,
baseado no centímetro, no grama e no segundo. Além desse sistema, é utilizado outro sistema
de unidades em países de língua inglesa, o qual é o sistema inglês de unidades, no qual a
unidade de força, a libra-força, é escolhida como unidade fundamental. A libra-força é
definida em termos da atração gravitacional da terra, num certo local, sobre um corpo padrão.2
A unidade fundamental de comprimento, neste sistema, é o pé (ft). O pé se define como
exatamente um terço da jarda (yd), que por sua vez se define, nos dias de hoje, em termos do
1
metro: 1yd = 0,9144 m; 1ft = 3 yd = 0,3048 m. 2
Com isto, a polegada (in) é exatamente igual a 2,54 cm. A unidade fundamental de tempo é o
segundo, definido como no SI. Este sistema não é um sistema decimal. É menos conveniente
que o SI ou outros sistemas decimais, em virtude de os múltiplos comuns das unidades não
serem potências de 10. Por exemplo, 1yd = 3 ft e 1 ft = 12 in. 2
1.2 – Conversão de Unidades

Frequentemente é preciso mudar as unidades nas quais está expressa uma grandeza física.
Essa mudança é feita através do método conhecido como conversão encadeada. Quando se
adicionam ou subtraem, ou multiplicam-se ou dividem-se essas grandezas, numa equação
algébrica, a unidade pode ser tratada como qualquer outra grandeza algébrica.2 Exemplo:
Suponhamos que se queira encontrar a distância percorrida em 3 horas (h) por um carro que
se desloca com a velocidade constante de 80 quilômetros por hora (km/h). A distância é o
produto da velocidade (v) pelo tempo (t).2

80 𝑘𝑚
𝑥 = 𝑣𝑡 = .3ℎ = 240 𝑘𝑚

A unidade de tempo (hora) é cancelada, exatamente como seria feito com qualquer outra
grandeza algébrica, a fim de ter a distância percorrida na unidade apropriada de comprimento,
o quilômetro. Este método de tratar as unidades torna fácil a conversão de uma unidade em
outra. Suponhamos que se queira converter a nossa resposta, 240 km, a milhas (mi).2
Utiliza-se a informação:

1 mi = 1,61 km

Se dividirmos cada membro desta equação por 1,61 km, pode-se obter:

1 𝑚𝑖
=1
1,61 𝑘𝑚

Em virtude de ser possível multiplicar qualquer grandeza por 1 sem alterar o seu valor,
podemos agora transformar os 240 km em milhas multiplicando pelo fator (1mi/1,61km):

1 𝑚𝑖
240 𝑘𝑚 = 240 𝑘𝑚 . = 149 𝑚𝑖
1,61 𝑘𝑚

O fator (1 mi)/(1,61 km) pode ser chamado de fator de conversão. Todos os fatores de
conversão têm o valor de 1 e são utilizados para converter a grandeza expressa numa unidade
de medida na sua equivalente expressa em outra unidade de medida. Escrevendo-se
explicitamente as unidades e cancelando-as apropriadamente, não precisamos ficar hesitantes
se devemos fazer a multiplicação por 1,61, para transformar quilômetros em milhas, pois as
unidades que restarem do cancelamento nos drão se escolhemos o fator correta ou
incorretamente.2

Exemplo:
Quando Pheidippides correu de Maratona a Atenas em 490 a.C. para trazer a notícia da vitória
grega sobre os persas, ele provavelmente correu a uma velocidade de cerca de 23 passeios por
hora (passeios/h). O passeio (que corresponde a ride em inglês) é uma antiga unidade grega de
comprimento, como são o estádio de plethron: 1 passeio foi definido como sendo igual a 4
estádios, 1 estádio foi definido como sendo 6 plethra (plural de plethron), e, em termos de
uma unidade moderna, 1 plethron é 30,8 m. A qe velocidade Pheidippides correu em
quilômetros por segundo (km/s)?

Solução:

A idéia fundamental em conversões encadeadas é escrever os fatores de conversão como


relações que eliminarão unidades que não queremos. Neste caso,

𝑝𝑎𝑠𝑠𝑒𝑖𝑜𝑠 4 𝑒𝑠𝑡á𝑑𝑖𝑜𝑠 6 𝑝𝑙𝑒𝑡ℎ𝑟𝑎 30,8 𝑚 1 𝑘𝑚 1ℎ


23 𝑝𝑎𝑠𝑠𝑒𝑖𝑜𝑠 = (23 ).( ).( )𝑥 ( ).( ).( )
ℎ 1 𝑝𝑎𝑠𝑠𝑒𝑖𝑜 1 𝑒𝑠𝑡á𝑑𝑖𝑜 1 𝑝𝑙𝑒𝑡ℎ𝑟𝑜𝑛 1000 𝑚 3600 𝑠

𝑘𝑚 𝑘𝑚
23 𝑝𝑎𝑠𝑠𝑒𝑖𝑜𝑠 = 4,7227𝑥10−3 ≈ 4,7 𝑥 10−3
𝑠 𝑠

1.3 – Dimensões das Grandezas Físicas

A área de uma superfície se encontra pela multiplicação de um certo comprimento por outro.
Por exemplo, a área de um retângulo cujos lados são 2 m e 3 m é A = (2 m)(3 m) = 6 m 2. A
unidade de área é o metro quadrado. Em virtude de a área ser o produto de dois
comprimentos, diz-se que a área tem as dimensões de comprimento vezes comprimento, ou
comprimento ao quadrado, que se escreve freqüentemente, como L2. A idéia de dimensões se
entende, com facilidade, às grandezas que não são geométricas. Por exemplo, a velocidade
tem as dimensões de comprimento dividido pelo tempo, ou L/T. As dimensões das outras
grandezas, como força ou energia, escrevem-se em termos das grandezas fundamentais de
comprimento, de tempo e de massa. A adição de duas grandezas físicas só tem sentido se as
grandezas adicionadas têm as mesmas dimensões. Por exemplo, não podemos somar uma área
a uma velocidade e chegar a um resultado que tenha sentido. Se tivermos uma equação
como:2

A=B+C

As grandezas A, B e C devem ter todas as mesmas dimensões. A adição de B e de C também


exige que estas grandezas estejam expressas nas mesmas unidades. Por exemplo, se B for uma
área de 500 in2 e C uma área de 4 ft2, devemos ou converter B a pés quadrados, ou C a
polegadas quadradas, a fim de poder somar as duas áreas.2
Muitas vezes podemos verificar a ocorrência de enganos num cálculo pela verificação das
dimensões, ou das unidades, das grandezas que figuram no cálculo.2

1.4 – Notação Científica

Para simplificar os números muito granges, ou muito pequenos, utiliza-se a notação científica.
Nesta notação, um número se escreve como o produto de um número entre 1 e 10 e uma
potência de 10, como 102 (=100) ou 103 (=1.000). Por exemplo, número 12.000.000 se
escreve 1,2 x 107. O número 7, na potência 107 é o expoente. Para números menores que 1 o
expoente é negativo. Na multiplicação os expoentes se adicionam; Na divisão, subtraem-se.2

1.5 – Algarismos Significativos e Ordens de Grandeza

Muitos números que aparecem na ciência são o resultado de medições e, por isso, são
conhecidos dentro dos limites de uma certa incerteza experimental. A grandeza da incerteza
depende da habilidade do experimentador e do aparelho usado na medida e, muitas vezes, só
pode ser estimada. Uma indicação grosseira da incerteza de uma medição está implícita no
numero de algarismos usados para exprimi-la.2
Um algarismo conhecido com confiança é um algarismo significativo. O número 2,50 tem três
algarismos significativos. (Os três primeiros zeros não são algarismos significativos, pois
simplesmente localizam a vírgula decimal). O número de algarismos significativos no
resultado da multiplicação, ou da divisão, de vários números não pode ser maior que o menor
número de algarismos significativos de qualquer dos fatores, ou divisores.2
O resultado da adição, ou da subtração, de dois números não tem algarismos significativos
além da última casa decimal na qual os dois números originais têm algarismos significativos.2

1.6 – Comprimento

Em 1792, a recém-nascida república francesa estabeleceu um novo sistema de pesos e


medidas. Sua base era o metro, definido como um décimo de milionésimo da distância do
pólo norte ao equador. Posteriormente, por razões práticas, este padrão terrestre foi
abandonado e o metro passou a ser definido como a distância entre duas linhas finas marcadas
próximo aos extremos de uma barra de platina iridiada, a barra do metro padrão que foi
mantida na Agência Internacional de Pesos e Medidas próximo a Paris. Foram enviadas
cópias precisas da barra a laboratórios de padronização em todo o mundo. Estes padrões
secundários foram usados para produzir outros padrões, ainda mais acessíveis, de forma que
no final das contas todo dispositivo de medição devia a sua autoridade à barra do metro
padrão por meio de uma cadeia complicada de comparações.1
A ciência e tecnologia modernas acabaram exigindo um padrão mais preciso do que a
distância entre duas riscas finas feitas sobre uma barra metálica. Em 1960, adotou-se um novo
padrão para metro, baseado no comprimento de onda da luz. Especificamente, o padrão para o
metro, foi redefinido como 1.650.763,73 comprimentos de onda de uma luz vermelha-
alaranjada particular emitida por átomos de criptônio-86 (um isótopo ou tipo particular de
criptônio) em um tubo de descarga de gás. Este número estranho de comprimentos de onda foi
escolhido para que o novo padrão estivesse próximo ao antigo padrão da barra do metro
padrão.1
Entretanto, antes de 1983, a necessidade de maior precisão avia alcançado tal ponto que nem
mesmo o padrão de criptônio-86 bastava e naquele ano foi dado um passo corajoso. O metro
foi redefinido como a distância percorrida pela luz durante um intervalo de tempo
especificado. Nos termos da 17ª Conferência Feral sobre Pesos e Medidas:
Este intervalo de tempo foi escolhido para que a velocidade da luz c fosse exatamente
𝑐 = 299.792.458 𝑚/𝑠

Medições da velocidade da luz haviam se tornado extremamente precisas, passando a fazer


sentido adotar a velocidade da luz como uma grandeza definida e usá-la para redefinir o
metro. A tabela 3 mostra uma vasta gama de comprimentos, desde o correspondente ao
universo àqueles de alguns objetos muito pequenos.1

Tabela 3 – Alguns comprimentos aproximados


Medida Comprimento em Metros
Distância até as galáxias que se formaram 2 x 1026
primeiro
Distância até a galáxia de Andrômeda 2 x 1022
Distância até a estrela mais próxima 4 x 1016
(Próxima Centauri)
Distância até Plutão 6 x 1012
Raio da Terra 6 x 106
Altitude do Monte Everest 9 x 103
Espessura da página do original deste livro 1 x 10-4
em inglês (Halliday)
Comprimento de um vírus típico 1 x 10-8
Raio de um átomo de hidrogênio 5 x 10-11
Raio de um próton 1 x 10-15

1.7 – Tempo

O tempo possui dois aspectos. Para fins civis e alguns fins científicos, queremos saber a hora
do dia para que possamos seqüenciar eventos. Em boa parte do trabalho científico, queremos
saber qual a duração de um evento. Portanto, qualquer padrão de tempo deve ser capaz e
responder a duas perguntas: ‘’Quando aconteceu?’’ e ‘’Qual é a sua duração?’’ A tabela 4
mostra alguns intervalos de tempo.1

Tabela 4 – Alguns intervalos de tempo aproximados


Medida Intervalo de Tempo em Segundos
Tempo de vida do próton (previsto) 1 x 1039
Idade do universo 5 x 1017
Idade da pirâmide de Quéops 1 x 1011
Expectativa de vida humana 2 x 109
Duração de um dia 9 x 104
Tempo entre batimentos cardíacos de um ser 8 x 10-1
humano
Tempo de vida do múon 2 x 10-6
Pulso de luz de menor duração em 6 x 10-15
laboratório
Tempo de vida da partícula mais instável 1 x 10-23
A constante de Planck 1 x 10-43
1.8 – Massa

O Quilograma Padrão
O padrão SI de massa é um cilindro de platina iridiada mantido na Agência Internacional de
Pesos e Medidas próximo a Paris e definido, por acordo internacional, com a massa de 1
quilograma. Cópias precisas foram enviadas a laboratórios de padronização em outros países,
e as massas e outros corpos podem ser determinadas equilibrando-os contra uma cópia. A
tabela 5 mostra algumas massas expressas em quilogramas, varrendo aproximadamente 83
ordens de grandeza.1

Tabela 5 – Algumas Massas Aproximadas


Objeto Massa em Quilogramas
Universo conhecido 1 x 1053
Nossa galáxia 2 x 1041
Sol 2 x 1030
Lua 7 x 1022
Asteróide Eros 5 x 1015
Montanha pequena 1 x 1012
Transatlântico 7 x 107
Elefante 5 x 103
Uva 3 x 10-3
Partícula de poeira 7 x 10-10
Molécula de penicilina 5 x 10-17
Átomo de Urânio 4 x 10-25
Próton 2 x 10-27
Elétron 9 x 10-31

Um Segundo Padrão de Massa


As massas dos átomos podem ser comparadas entre si mais precisamente do que elas podem
ser comparadas com o quilograma padrão. Por isto, temos um segundo padrão de massa. É o
átomo de carbono-12 que, por acordo internacional, teve atribuída uma massa de 12 unidades
de massa atômica (u). A relação entre as duas unidades é:1

1 u = 1,6605402 x 10-27 kg

Com uma incerteza de +- 10 nas duas últimas casas decimais. Cientistas podem determinar
experimentalmente, com razoável precisão, a massa de outros átomos em comparação com a
massa do carbono-12. O que nos falta atualmente é um meio confiável de estender essa
precisão a unidades mais comuns de massa, como um quilograma.1

2 – Vetores

2.1 – Vetores e Escalares


Uma partícula movendo-se ao longo de uma linha reta pode se deslocar em apenas dois
sentidos. Podemos arbitrar o seu movimento como positivo em um destes sentidos e negativo
no outro. Para uma partícula que se movimenta em três dimensões, no entanto, um sinal de
mais ou um sinal de menos não é mais suficiente para definir a direção e o sentido do
movimento. No lugar dos sinais devemos usar um vetor. Um vetor possui módulo, direção e
sentido, e os vetores seguem certas regras (vetoriais) de combinação. 1
Uma grandeza vetorial é uma grandeza que possui módulo, direção e sentido e, portanto, pode
ser representada por um vetor. Como exemplos de algumas grandezas físicas que são
grandezas vetoriais podemos citar o deslocamento, a velocidade e a aceleração.1
Nem todas as grandezas físicas envolvem direção e sentido. Temperatura, pressão, energia,
massa e tempo, por exemplo, não ‘’apontam’’ para nenhum lugar. Chamamos tais grandezas
de escalares, e lidamos com elas usando as regras da álgebra elementar. Um único valor, com
um sinal (como em uma temperatura de -40ºF), especifica um escalar.1
A grandeza vetorial mais simples é o deslocamento, ou mudança de posição. Um vetor que
representa um deslocamento é chamado de vetor deslocamento, o que é razoável
(analogamente, tem os vetores velocidades e aceleração).1
Um vetor pode ser transladado sem mudar seu valor, se o seu módulo (comprimento), direção
e sentido não forem alterados. O vetor deslocamento não diz nada a respeito da trajetória que
a partícula realmente segue.1

2.2 – Adição e subtração de vetores

Suponha que, uma partícula se mova de A para B e depois de B para C. Pode-se representar
seu deslocamento resultante por dois vetores deslocamento sucessivos, AB e BC. O
deslocamento resultante desses dois deslocamentos é um único deslocamento de A para C.
Chama-se de AC a soma (ou resultante) vetorial dos vetores AB e BC. Esta soma não é a
soma algébrica usual.1
Para representar os vetores utiliza-se uma seta sobre um símbolo em itálico, 𝑑⃗. Por exemplo,
um deslocamento de 42 m no sentido nordeste seria representado, numa escala de 1 cm para
cada 10 m, por uma flecha de 4,2 cm, desenhada a um ângulo de 45º acima da linha que
aponta para leste e com a ponta da flecha na parte superior direita. De modo geral, um vetor é
representado em textos impressos por um símbolo em negrito, tal como d. Frequentemente
estamos apenas interessados no módulo (ou comprimento) do vetor e não em seu sentido. O
módulo de d às vezes é escrito como d ; mas frequentemente é representado o módulo apenas
pela letra d em itálico. O símbolo em negrito representa as propriedades do vetor: módulo,
direção e sentido. Quando manuscrito, o módulo do vetor é representado pelo símbolo sem a
flecha. 1
b
s
a
Fig. 3 – O vetor soma a + b = s
Considerando-se a fig.3 na qual, A relação entre estes vetores pode ser escrita como
a+b=s

As regras a serem seguidas para se realizar esta soma vetorial são as seguintes: (1) Em um
diagrama desenhado em escala trace o vetor a com sua direção e seu sentido corretos no
sistema de coordenadas. (2) Desenhe b na mesma escala, com sua origem colocada na ponta
de a, certificando-se de que b tenha sua própria direção e sentido corretos (geralmente
diferentes da direção e sentido de a). (3) Desenhe uma linha da origem de a à ponta de b para
construir o vetor soma s. Se os vetores representarem deslocamento, então s será o
deslocamento equivalente, em comprimento, direção e sentido, aos deslocamentos sucessivos
a e b. Esse procedimento pode ser generalizado para obter a soma de qualquer número de
vetores. Como os vetores diferem de números ordinários, utilizamos regras diferentes em sua
manipulação. O símbolo ‘’+’’ na equação anterior, tem um significado diferente do que
possui na aritmética ou álgebra escalar; ele nos diz para efetuar um conjunto diferente de
operações.1

2.3 – Vetor unitário

Um vetor unitário é um vetor que possui um módulo exatamente igual a 1 e que aponta em
uma direção particular. Ele não possui nem dimensão nem unidade. Seu único propósito é
apontar – ou seja, especificar uma direção e sentido. Os vetores unitários nos sentidos
positivos dos eixos x,y e z são chamados de 𝑖̂, 𝑗̂ e 𝑘̂, em que o chapéu ^ é usado no lugar da
seta sobre a letra empregada em outros vetores (fig. 1). A disposição dos eixos da fig.1 é
chamada de sistema de coordenadas dextrogiro. O sistema permanece dextrogiro se ele for
girado rigidamente até uma nova orientação. 1

Fig. 1 – Os vetores unitários, 𝑖̂, 𝑗̂ e 𝑘̂ definem as direções e sentidos de um sistema de


coordenadas dextrogiro.

2.4 – Decomponentes dos vetores

A soma geométrica de vetores pode ser tediosa. Uma técnica mais organizada e mais fácil
envolve álgebra, mas exige que os vetores sejam colocados em um sistema de coordenadas
retangulares. Os eixos x e y são normalmente desenhados no plano da página. O eixo z aponta
para fora da página (as na direção perpendicular à página) e passa pela origem; por enquanto
ignoramos este eixo e tratamos apenas de vetores bidimensionais.1
Uma componente de um vetor é a projeção do vetor sobre um eixo. O processo de encontrar
as componentes de um vetor é chamado de decomposição do vetor (em componentes). Uma
componente de um vetor possui o mesmo sentido (ao longo de um eixo) que o vetor.
2.5 – Produto escalar e vetorial

Produto Escalar
⃗⃗⃗⃗ e ⃗⃗⃗⃗
O produto escalar dos vetores 𝑎 ⃗⃗⃗⃗ . ⃗⃗⃗⃗
𝑏 da fig. 2, escrito como 𝑎 𝑏 , é definido como

⃗⃗⃗⃗ . ⃗⃗⃗⃗
𝑎 𝑏 = 𝑎𝑏 𝑐𝑜𝑠𝜃

Fig. 2 – Dois vetores 𝑎 ⃗⃗⃗⃗, fazendo um ângulo 𝜃 entre si.


⃗⃗⃗⃗ e 𝑏

Onde a é o módulo de 𝑎 ⃗⃗⃗⃗, b é o módulo 𝑑e ⃗⃗⃗⃗ ⃗⃗⃗⃗ e ⃗⃗⃗⃗


𝑏 e 𝜃 é o ângulo entre 𝑎 𝑏 (ou, mais
corretamente, entre as direções de 𝑎 ⃗⃗⃗⃗).
⃗⃗⃗⃗ e 𝑏 1

Existem na verdade dois destes ângulos, 𝜃 e 360º - 𝜃. Qual quer um pode ser utilizado na
equação anterior, pois seus cossenos são iguais. 1
Um produto escalar pode ser considerado como o produto de duas grandezas: 1 – o módulo de
um dos vetores e (2) a componente escalar do segundo vetor ao longo da direção positiva do
primeiro vetor.1

Produto Vetorial
⃗⃗⃗⃗ e ⃗⃗⃗⃗
O produto vetorial de 𝑎 ⃗⃗⃗⃗ X ⃗⃗⃗⃗
𝑏 , escrito como 𝑎 𝑏 , produz um terceiro vetor 𝑐⃗⃗⃗ cujo módulo é
dado por:
𝑐 = 𝑎𝑏 𝑠𝑒𝑛𝜃

Onde 𝜃 é o menor dos dois ângulos entre 𝑎 ⃗⃗⃗⃗ e ⃗⃗⃗⃗


𝑏 . (Deve usar o menor dos dois ângulos entre
os vetores porque sen𝜃 e sem(360-𝜃) diferem pelo sinal algébrico). Por causa da notação
⃗⃗⃗⃗ também é conhecido como produto cruz, e é lido como ‘’a cruz b’’.1
⃗⃗⃗⃗ X 𝑏
𝑎
⃗⃗⃗⃗ e ⃗⃗⃗⃗
Se 𝑎 𝑏 forem paralelos ou antiparalelos, 𝑎 ⃗⃗⃗⃗ X ⃗⃗⃗⃗
𝑏 = 0. O módulo de 𝑎⃗⃗⃗⃗ X ⃗⃗⃗⃗
𝑏 , que pode ser
escrito como [𝑎 ⃗⃗⃗⃗ X ⃗⃗⃗⃗ ⃗⃗⃗⃗ e ⃗⃗⃗⃗
𝑏 ], é máximo quando 𝑎 𝑏 são perpendiculares entre si. 1

A direção de 𝑐⃗⃗⃗ é perpendicular ao plano formado pelos vetores 𝑎⃗⃗⃗⃗ e ⃗⃗⃗⃗


𝑏 . Para se determinar o
⃗⃗⃗⃗ X ⃗⃗⃗⃗
sentido e a direção de 𝑐⃗⃗⃗ = 𝑎 𝑏 utiliza-se a regra da mão direita. Disponha os vetores
𝑎 e ⃗⃗⃗⃗
⃗⃗⃗⃗ 𝑏 fazendo coincidir as suas causas sem alterar as suas orientações, e imagine uma reta
perpendicular ao plano formado pelos dois vetores passando por este ponto no qual eles se
interceptam. Faça de conta que você coloca a sua mão direita em torno desta reta, de tal forma
que os seus dedos girem ao vetor 𝑎 ⃗⃗⃗⃗ , descrevendo o menor ângulo
⃗⃗⃗⃗ em direção ao vetor 𝑏
entre eles. Seu polegar esticado aponta na direção e sentido de 𝑐⃗⃗⃗. 1
A ordem da multiplicação vetorial é importante. A questão é determinar a direção e sentido de
𝑐⃗⃗⃗ = ⃗⃗⃗⃗
𝑏 X𝑎 ⃗⃗⃗⃗ , então os dedos estão dispostos para deslocarem ⃗⃗⃗⃗
𝑏 em direção a 𝑎
⃗⃗⃗⃗ descrevendo
o menor ângulo. O polegar acaba na mesma direção, mas no sentido contrário ao produto
anterior, e assim devemos ter 𝑐⃗⃗⃗ = −𝑐⃗⃗⃗ ; ou seja, 1
⃗⃗⃗⃗
𝑏𝑋𝑎 𝑎 𝑋⃗⃗⃗⃗⃗
⃗⃗⃗⃗ = −( ⃗⃗⃗⃗ 𝑏)

3 – Cinemática Unidimensional

3.1 – Posição e deslocamento

Localizar um objeto significa determinar a sua posição relativa a algum ponto de referência,
frequentemente a origem (ou ponto zero) de um eixo. O sentido positivo de um eixo está no
sentido dos números crescentes (coordenadas). O sentido oposto é o sentido negativo. Por
exemplo, uma partícula poderia estar situada em x = 5 m, o que significa que ela estaria a 5 m
da origem no sentido positivo. Se ela estivesse em x = -5 m, ela estaria exatamente à mesma
distância da origem só que no sentido contrário. No eixo, uma coordenada de -5 m é menor do
que uma de -1 m, e ambas são menores do que uma coordenada de +5 m. Um sinal de mais
para uma coordenada ao precisa ser mostrado, mas um sinal de menos sempre deve ser
explicitado. Uma mudança de uma posição x1 para outra posição x2 é chamada de
deslocamento ∆𝑥, onde:1
∆𝑥 = 𝑥2 − 𝑥1
(O símbolo ∆ , a letra grega maiúscula delta, representa a variação de uma grandeza, e é igual
ao valor final dessa grandeza menor o valor inicial). Ao se atribuir números para os valores
das posições 𝑥1 e 𝑥2 , um deslocamento no sentido positivo sempre resulta positivo, e um no
sentido contrário é negativ. Por exemplo, se a partícula se move de 𝑥1 = 5 𝑚 para 𝑥2 =
12 𝑚 , então ∆𝑥 = 12 𝑚 − 5 𝑚 = +7 𝑚. O resultado positivo indica que o movimento é no
sentido positivo. Se a partícula depois volta para x = 5 m, o deslocamento para o percurso
completo é nulo. O número de metros efetivamente percorridos no percurso completo é
irrelevante; o deslocamento envolve apenas as posições inicial e final.1
Um sinal positivo para um deslocamento não precisa ser mostrado, mas um sinal negativo
deve ser sempre mostrado. Se ignorarmos o sinal (consequentemente o sentido) de um
deslocamento, resta o módulo (ou valor absoluto) do deslocamento. No exemplo anterior, o
módulo de ∆𝑥 = 7 m. 1
O deslocamento é um exemplo de grandeza vetorial, que é uma grandeza que possui módulo,
direção e sentido. O deslocamento possui duas características: 1 – Seu módulo é a distância
(como o número de metros) entre as posições inicial e final. 2 – Sua direção e sentido, de uma
posição inicial até uma posição final podem ser representados por um sinal de mais ou menos
se o movimento for ao longo de um único eixo.1

3.2 – Velocidade média e instantânea

Uma forma compacta de descrever a posição é com um gráfico da posição x plotada em


função do tempo t - um gráfico de x(t). (A notação x(t) representa uma função x de t, e não o
produto x vezes t). A velocidade média é a razão entre o deslocamento ∆𝑥 e o intervalo de
tempo ∆𝑡 durante o qual ocorre esse deslocamento1:
∆𝑥 𝑥2 − 𝑥1
𝑣𝑚é𝑑 = =
∆𝑡 𝑡2 − 𝑡1
A notação significa que a posição é 𝑥1 no tempo 𝑡1 e depois 𝑥2 no tempo 𝑡2 . Uma unidade
usual de 𝑣𝑚é𝑑 é o metro por segundo (m/s). Outras unidades também podem ser vistas nos
problemas, mas eles estarão sempre na forma de comprimento/tempo.1
A velocidade instantânea é a velocidade que se refere mais frequentemente com que a rapidez
uma partícula está se movendo em um dado instante. A velocidade em qualquer instante é
obtida a partir da velocidade média, encolhendo o intervalo de tempo ∆𝑡, fazendo-o tender a
0. À medida que ∆𝑡 diminui, a velocidade média se aproxima de um valor limite, que é a
velocidade naquele instante.1:
∆𝑥 𝑑𝑥
𝑣 = lim =
∆𝑡→0 ∆𝑡 𝑑𝑡
Esta equação mostra duas características da velocidade instantânea v. Primeiro, v é a taxa com
que a posição da partícula x está variando com o tempo em um dado instante; ou seja, v é a
derivada de x em relação a t. Segundo, v em qualquer instante é a declividade da curva (ou
coeficiente angular da reta tangente à curva) posição-tempo da partícula no ponto que
representa aquele instante. A velocidade é outra grandeza vetorial e assim possui dreção e
sentido associados.1

3.3 - Equações para aceleração constante

Em muitos tipos de movimento, a aceleração é constante ou aproximadamente constante.


Quando a aceleração é constante, a aceleração média e a aceleração instantânea são iguais:
𝑣 − 𝑣0
𝑎 = 𝑎𝑚é𝑑 =
𝑡 − 𝑡0
Aqui v0 é a velocidade no tempo t = 0, e v é a velocidade em qualquer tempo posterior t.
Podemos reescrever esta equação como:
𝑣 = 𝑣0 + 𝑎𝑡 (2.11)
A função v(t) é uma função linear, portanto o gráfico é uma linha reta. De forma análoga,
pode-se escrever a equação como
𝑥 − 𝑥0
𝑣𝑚é𝑑 =
𝑡−0
Que fornece
𝑥 = 𝑥0 + 𝑣𝑚é𝑑 𝑡 (2.12)
Na qual x0 é a posição da partícula em t = 0 e Vméd é a velocidade média entre t = 0 e um
tempo posterior t.1
Para a função linear da velocidade na Eq. 2.11, a velocidade média em qualquer intervalo de
tempo (digamos, de t = 0 até um tempo posterior t) é a média da velocidade no início do
intervalo (= v0) e a velocidade no fim do intervalo (= v). Então, para o intervalo de t = 0 até
um tempo posterior t, a velocidade média é:1

1
𝑣𝑚é𝑑 = (𝑣0 + 𝑣) (2.13)
2
Substituindo o lado direito da Eq. 2.11 no lugar de v obtemos

1
𝑣𝑚é𝑑 = 𝑣0 + 2 𝑎𝑡 (2.14)
Finalmente, substituindo a Eq. 2.14 na Eq. 2.12 obtemos
1
𝑥 − 𝑥0 = 𝑣0 𝑡 + 2 𝑎𝑡 2 (2.15)
A título de verificação, observe que fazendo t=0 obtevemos x = x0, como era de se esperar.
Como uma verificação adicional, tomando a derivada da Eq. 2.15 obtemos a Eq. 2.11,
novamente como deveria ser. As equações 2.11 e 2.15 são as equações básicas para
aceleração constante; elas podem ser usadas para resolver qualquer problema que envolva
aceleração constante. Entretanto, podemos deduzir outras equações que poderiam ser úteis em
certas situações específicas. Primeiro, observe que cinco grandezas podem aparecer em
qualquer problema relativo a aceleração constante: x – x0, v, t, a e v0. Normalmente, uma
destas grandezas não aparece no problema, nem como dado nem como incógnita. São
fornecidas então três das grandezas restantes e devemos achar a quarta.1
Cada uma das equações 2.11 e 2;15 possui quatro destas grandezas, mas não as mesmas
quatro. Na equação 2.11, o ‘’ingrediente que falta’’ é o deslocamento, x – x0. Na equação
2.15, é a velocidade v. Estas duas equações também podem ser combinadas de três maniras
para fornecerem três equações adicionais, cada uma delas envolvendo uma ‘’variável que está
faltando’’ diferente.1 Primeiro, podemos eliminar t para obtermos
𝑣 2 = 𝑣02 + 2𝑎(𝑥 − 𝑥0 ) (2.16)
Esta equação é útil se não conhecemos t e não precisamos achá-lo. Depois, podemos eliminar
a aceleração a usando as equações 2.11 e 2.15 para produzir uma equação na qual a não
aparece:
1
𝑥 − 𝑥0 = 2 (𝑣0 + 𝑣)𝑡 (2.17)

Finalmente, podemos eliminar v0, obtendo


1
𝑥 − 𝑥0 = 𝑣𝑡 − 2 𝑎𝑡 2 (2.18)
Perceba a sutil diferença entre esta equação e a equação 2.15. Uma envolve a velocidade
inicial v0; a outra envolve a velocidade v no tempo t.1
A tabela 6 lista as equações básicas para aceleração constante bem como as equações
especializadas que deduzimos.1

Tabela 6 – Equações para o movimento uniformemente acelerador


Número da Equação Equação Grandeza que falta
2.11 v = v0 + at x – x0
2.15 x – x0 = v0t + ½ at2 v
2 2
2.16 v = v 0 + 2ª(x-x0) t
2.17 x - x0 =1/2 (v0 + v)t a
2.18 x – x0 = vt - 1/2 at2 v0

3.4 – Queda livre


Se você arremessasse um objeto para cima ou para baixo e pudesse de alguma maneira
eliminar os efeitos do ar no seu vôo, você acharia que o objeto está acelerado para baixo a
uma certa taxa constante. Essa taxa é chamada de aceleração de queda livre, e seu módulo é
representado por g. A aceleração independe das características do objeto, tais como massa,
massa específica ou forma; ela é a mesma para todos os objetos.1
Suponha que você arremesse um tomate para cima exatamente na direção vertical com uma
velocidade inicial (positiva) v0 e depois agarre-o quando ele retornar ao nível de onde foi
solto. Durante o seu vôo de queda livre (imediatamente após ser lançado e imediatamente
antes de ser pego), as equações da tabela 6 se aplicam a seu movimento. A aceleração é
sempre a = -g = - 9,8 m/s2, negativa e, portanto para baixo. A velocidade, no entanto, varia,
como indicado pelas Eqs. 2.11 e 2.16; durante a subida, o módulo da velocidade positiva
decresce, até se tornar momentaneamente nulo. Como o tomate parou neste instante, ele está
na sua altura máxima. Durante a descida, o módulo da velocidade (agora negativa) cresce.1

4 – Cinemática Bidimensional e Tridimensional

4.1 – Deslocamento

Uma partícula (ou um objeto semelhante a uma partícula) pode ser localizada de uma forma
geral por meio de um vetor posição r, que é um vetor que se estende de um ponto de
referência (normalmente a origem de um sistema de coordenadas) até a partícula. Na notação
de vetor unitário, 𝑟⃗ pode ser escrito como1:
𝑟⃗ = 𝑥𝑖̂ + 𝑦𝑗̂ + 𝑧𝑘̂ (4.1)
Onde, 𝑥𝑖̂, 𝑦𝑗̂ e 𝑧𝑘̂ são as componentes vetoriais de 𝑟⃗ e os coeficientes x, y e z são as suas
componentes escalares. Os coeficientes x, y e z dão a localização da partícula ao longo dos
eixos coordenados e em relação à origem; ou seja, a partícula possui as coordenadas
retangulares (x, y e z).1
Se o vetor posição variar, digamos, de 𝑟⃗1 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑟⃗2 durante um certo intervalo de tempo, então
o deslocamento da partícula ∆𝑟⃗ durante esse intervalo de tempo será
∆𝑟⃗ = 𝑟̂2 − 𝑟̂1 (4.2)
Usando a notação de vetor unitário da Eq. 4.1, podemos reescrever este deslocamento como
⃗⃗⃗⃗⃗ = (𝑥2 − 𝑥1 )𝑖̂ + (𝑦2 − 𝑦1 )𝑗̂ + (𝑧2 − 𝑧1 )𝑘̂
∆𝑟 (4.3)

Onde as coordenadas (x1, y1 e z1) correspondem ao vetor posição 𝑟̂1 e as coordenadas (x2, y2 e
z2) correspondem ao vetor posição 𝑟̂2 . Podemos também escrever o deslocamento substituindo
(x2 – x1) por ∆𝑥 (𝑦2 − 𝑦1 ) por ∆𝑦 (𝑧2 − 𝑧1 ) por ∆𝑧:1

⃗⃗⃗⃗⃗ = ∆𝑥𝑖̂ + ∆𝑦𝑗̂ + ∆𝑧𝑘̂


∆𝑟

4.2 – Velocidade média e instantânea

⃗⃗⃗⃗⃗ em um intervalo de tempo ∆𝑡 ,


Se uma partícula se move efetuando um deslocamento ∆𝑟
então a sua velocidade média vméd é
𝑑𝑒𝑠𝑙𝑜𝑐𝑎𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜
𝑣𝑒𝑙𝑜𝑐𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑚é𝑑𝑖𝑎 =
𝑖𝑛𝑡𝑒𝑟𝑣𝑎𝑙𝑜 𝑑𝑒 𝑡𝑒𝑚𝑝𝑜
Quando falamos da velocidade de uma partícula, normalmente queremos dizer a velocidade
instantânea 𝑣⃗ é o valor do qual 𝑣⃗𝑚é𝑑 se aproxima no limite quando contraímos o intervalo de
tempo ∆𝑡 até 0 em torno daquele instante.1

4.3 – Aceleração média e instantânea

Quando a velocidade da partícula varia de ⃗⃗⃗⃗⃗


𝑣1 para ⃗⃗⃗⃗⃗
𝑣2 em um intervalo de tempo ∆𝑡, sua
aceleração média ⃗⃗⃗⃗⃗⃗⃗⃗⃗⃗
𝑎𝑚é𝑑 durante ∆𝑡 é

𝑣𝑎𝑟𝑖𝑎çã𝑜 𝑑𝑎 𝑣𝑒𝑙𝑜𝑐𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒
𝑎𝑐𝑒𝑙𝑒𝑟𝑎çã𝑜 𝑚é𝑑𝑖𝑎 = (4.15)
𝑖𝑛𝑡𝑒𝑟𝑣𝑎𝑙𝑜 𝑑𝑒 𝑡𝑒𝑚𝑝𝑜
Se contrairmos ∆𝑡 para zero em torno de algum instante, então no limite ⃗⃗⃗⃗⃗⃗⃗⃗⃗⃗
𝑎𝑚é𝑑 se aproxima da
aceleração instantânea (ou aceleração) 𝑎⃗ naquele instante; ou seja,
⃗⃗⃗⃗⃗⃗
𝑑𝑣
𝑎⃗ = (4.16)
𝑑𝑡

Se a velocidade variar em módulo, direção ou sentido (ou em mais de um), a partícula deve
ter uma aceleração.

4.4 – Movimento em um plano

Uma partícula se move em um plano vertical com uma velocidade inicial ⃗⃗⃗⃗⃗ 𝑣0 , mas a sua
aceleração é sempre a aceleração de queda livre 𝑔⃗, que é dirigida para baixo. Tal partícula é
chamada de projétil (significado que ela é projetada ou lançada) e o seu movimento é
chamado de movimento de um projétil. Um projétil poderia ser uma bola de golfe ou uma
bola de beisebol se deslocando no ar, mas não um avião ou um pato voando. O objetivo é
analisar o movimento de um projétil usando as ferramentas desenvolvidas para o movimento
bidimensional e fazendo a hipótese de que o ar não possui nenhum efeito sobre o projétil.1
O projétil não possui aceleração horizontal.1

4.5 – Movimento circular uniforme

Uma partícula está em movimento circular uniforme se ela se desloca ao redor de um círculo
ou de um arco de círculo com velocidade escalar constante (uniforme). Embora a velocidade
escalar não varie, a partícula está acelerando. Esse fato pode ser surpeendente porque
frequentemente pensamos na aceleração (a variação da velocidade) como um acréscimo ou
decréscimo do módulo da velocidade. Entretanto, na verdade a velocidade é um vetor, não um
escalar. Assim, mesmo que a velocidade mude apenas de direção, ainda há uma aceleração, e
isso é o que acontece no movimento circular uniforme.1
4.6 – Velocidade relativas

Consideremos duas partículas em movimento em relação a uma origem O, que num dado
instante, ocupam as posições P1 e P2, correspondendo aos deslocamentos r1(t) e r2(t) em
relação a O. O deslocamento relativo r12(t) e P2 em relação a P1 no instante t é,1

𝑟12 (𝑡) = 𝑟2 (𝑡) − 𝑟1 (𝑡)

Derivando ambos os membros da equação anterior em relação ao tempo, obtem-se:

𝑑
𝑟 = 𝑣12 (𝑡) = 𝑣2 (𝑡) − 𝑣1 (𝑡)
𝑑𝑡 12
Ou seja, a velocidade relativa de 2 em relação a 1, dada por v12, é a diferença entre as
velocidades de 2 e 1 em relação à origem O. Podemos interpretar v12 como a velocidade da
partícula 2 num referencial com origem na partícula 1. Assim, no exemplo citado por Galileu
do corpo que cai do mastro de um navio em movimento na direção horizontal, as
componentes horizontais das velocidades do corpo e do navio são iguais e se cancelam na
segunda equação anterior, de forma que a velocidade do corpo relativa ao navio continua
sendo vertical (ele cai ao pé do mastro). 1

Referências Bibliográficas

1 – HALLIDAY, D.; RESNICK, R.; WALKER, J. Fundamentos de Física 1 - mecânica.


Editora LTC, 6ª Edição, Rio de Janeiro - RJ, 2002.

2 – TIPLER, P. A. Física para cientistas e engenheiros - mecânica. Vol 1. Editora LTC, 3ª


Edição, Rio de Janeiro – RJ, 1995.

Você também pode gostar