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ADMINISTRAÇÃO

Administração
Interdisciplinar

U413.08
Administração
Interdisciplinar
Autor: Prof. Manuel Meireles
Colaboradores: Prof. Flávio Celso Müller Martin
Prof. Fábio Gomes da Silva
Professor conteudista: Manuel Meireles

Manuel Meireles atua como administrador e consultor de empresas nos seguintes campos: competitividade,
estratégia competitiva, instrumentos de gestão e indicadores. É graduado em Administração com ênfase em Análise
de Sistemas pela Faculdade de Administração de São Paulo – FASP (1982), mestre em Administração de Empresas pela
Universidade Paulista – UNIP (2000), doutor em Ciências na área de Gestão em Saúde pela Universidade Federal de
São Paulo/Escola Paulista de Medicina – Unifesp/EPM (2005) e doutor em Engenharia de Produção pela Universidade
de São Paulo – USP (2006). Como presidente de empresas e responsável pelo planejamento estratégico, percebeu a
importância da interdisciplinaridade para as organizações, pois o fato de manejar um aspecto do empreendimento
implica necessariamente mudanças em outras partes conexas.

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

M515a Meireles, Manuel

Administração interdisciplinar / Manuel Meireles. – São Paulo:


Editora Sol, 2012

p. 188, il.

1.Administração. 2. Administração interdisciplinar. 3. Mercado


de capitais. I. Título.

CDU 658.01

© Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou
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Dra. Valéria de Carvalho (UNIP)

Apoio:
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Profa. Betisa Malaman – Comissão de Qualificação e Avaliação de Cursos

Projeto gráfico:
Prof. Alexandre Ponzetto

Revisão:
Juliana Maria Mendes
Andréia Andrade
Sumário
Administração Interdisciplinar

Apresentação.......................................................................................................................................................7
Introdução............................................................................................................................................................7

Unidade I
1 RACIONALISMO TÉCNICO................................................................................................................................9
1.1 Estudo de caso: equipe de vendas................................................................................................. 14
1.2 Interdisciplinaridade............................................................................................................................ 15
2 CUSTOS E LOGÍSTICA...................................................................................................................................... 16
2.1 Redução de custos................................................................................................................................ 16
2.2 Custos logísticos.................................................................................................................................... 21
2.3 Interdisciplinaridade............................................................................................................................ 23
3 ACIDENTES DE TRABALHO............................................................................................................................ 24
3.1 Entendimento jurisprudencial......................................................................................................... 25
3.2 Cipa – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes............................................................ 27
3.3 EPI – Equipamento de Proteção Individual................................................................................ 30
3.4 Análise de Acidente de Trabalho..................................................................................................... 33
3.4.1 O Método Árvore de Causas (ADC)................................................................................................... 33
3.5 Estudo de caso: acidente na empresa........................................................................................... 36
3.6 Interdisciplinaridade............................................................................................................................ 40
4 CUSTOS AMBIENTAIS...................................................................................................................................... 40
4.1 Conceitos de custos e custos ambientais.................................................................................... 41
4.2 Identificação de custos ambientais............................................................................................... 43
4.2.1 Despesas e perdas ambientais............................................................................................................ 44
4.2.2 Ativos ambientais.................................................................................................................................... 44
4.2.3 Passivos ambientais................................................................................................................................ 45
4.3 Prática de gestão da responsabilidade socioambiental......................................................... 45
4.3.1 Gestão da responsabilidade socioambiental................................................................................ 49
4.3.2 Planejamento das ações....................................................................................................................... 50
4.3.3 Execução das ações................................................................................................................................. 51
4.3.4 Controle das ações.................................................................................................................................. 52
4.3.5 Ações corretivas....................................................................................................................................... 53
4.4 Estudo de caso: gestão socioambiental....................................................................................... 53
4.5 interdisciplinaridade............................................................................................................................. 56
Unidade II
5 Decisão multicritério.............................................................................................................................. 68
5.1 T‑ODA – Trade‑Off Decision Analysis........................................................................................... 68
5.2 Tomada de decisão............................................................................................................................... 69
5.2.1 Tomada de decisão.................................................................................................................................. 70
5.2.2 Etapas do Modelo Racional de Tomada de Decisão.................................................................. 70
5.2.3 Estabelecer os pesos............................................................................................................................... 74
5.3 Estudo de caso: escolha de um carro............................................................................................ 81
5.4 Interdisciplinaridade............................................................................................................................ 87
6 Lógica paraconsistente......................................................................................................................... 87
6.1 Operações da inteligência.................................................................................................................. 87
6.2 Tipos de lógica........................................................................................................................................ 89
6.3 Lógica formal.......................................................................................................................................... 90
6.4 Lógica paraconsistente....................................................................................................................... 91
6.4.1 Plano cartesiano....................................................................................................................................... 92
6.4.2 Redes lógicas............................................................................................................................................. 97
6.4.3 Sensores para crença e descrença.................................................................................................... 98
6.5 Estudo de caso: processo criativo................................................................................................... 99
6.6 Interdisciplinaridade..........................................................................................................................104
7 Mercado de capitais...............................................................................................................................105
7.1 Investimentos no mercado de capitais.......................................................................................106
7.2 Como o mercado funciona..............................................................................................................107
7.3 Escolas de investidores......................................................................................................................112
7.3.1 A escola fundamentalista...................................................................................................................112
7.3.2 A escola técnica......................................................................................................................................117
7.4 Premissas das escolas........................................................................................................................122
7.5 Técnicas para seleção de ações......................................................................................................125
7.6 Filosofia orientativa de atuação na Bolsa.................................................................................126
7.7 Quase todo especulador toma decisões irracionais..............................................................128
7.8 Estudo de caso: a filosofia do dançarino...................................................................................130
7.9 Interdisciplinaridade..........................................................................................................................131
8 INFORMAÇÃO E MERCADO DE CAPITAIS..............................................................................................132
8.1 Regras para seguir..............................................................................................................................132
8.2 Necessidade de informação............................................................................................................134
8.3 Bolsas & Bolsas....................................................................................................................................135
8.4 BDI.............................................................................................................................................................136
8.4.1 Índices de ações.................................................................................................................................... 137
8.4.2 Assembleias............................................................................................................................................. 140
8.4.3 Demonstrações financeiras............................................................................................................... 143
8.4.4 Cotações................................................................................................................................................... 144
8.4.5 Empresas concordatárias e em recuperação judicial............................................................. 146
8.4.6 Direitos e Recibos................................................................................................................................. 147
8.4.7 Segmento de BM&F............................................................................................................................ 147
8.5 Estudo de caso: é possível viver de dividendos?....................................................................148
8.6 Interdisciplinaridade..........................................................................................................................150
Apresentação

A interdisciplinaridade é a grane mola para a preparação da era pós‑industrial,


eliminando compartimentos estanques, limitadores do ato de educar.
Estamos diante da complexidade a qual exige novas maneiras de perceber,
nova postura e novo parâmetro de pensar. O complexo nos convida a um
novo modo de pensar e a uma ordem nova, de grande beleza, profunda,
irreversível (WERNECK, 1998, p. 20).

Esta disciplina tem como objetivo geral percorrer o conceito de aprendizado multidisciplinar e
chama a atenção para as diferenças dos aspectos e das teorias e processos da Administração, entre
outros assuntos. A diversidade de tópicos mostra o caráter da presente disciplina, que objetiva um
diálogo interdisciplinar, verificando áreas de intersecção, de complementação e de transferência de
conhecimento no campo da Administração.

A presente disciplina é útil para o estudante das áreas de Administração e Contabilidade na medida
em que explora conceitos do cotidiano do profissional, chamando a atenção para o fato de que
“interdisciplinaridade não se ensina nem se aprende, apenas vive‑se e exerce‑se” no dizer de Fazenda
(1996). Acreditando que a prática é fundamental, o presente curso contém inúmeros desafios que devem
ser enfrentados pelo aluno.

Introdução

A Unidade I começa abordando o racionalismo técnico, chamando a atenção para os aspectos da


eficácia e da eficiência que se baseiam na redução de custos (Tópico 2) hoje fundamentalmente buscada
na Logística. O terceiro tópico chama a atenção para aspectos relacionados a acidentes de trabalho e
discorre sobre a análise de acidente de trabalho por meio do Método Árvore de Causas. Por fim, são
abordados os custos ambientais e destaca‑se a prática de gestão da responsabilidade socioambiental.

A Unidade II inicia‑se tratando da decisão multicritério por meio do software T‑ODA e segue
discorrendo sobre outro tipo de tomada de decisão, desta vez por meio da Lógica Paraconsistente. Uma
aplicação desse tipo de decisão é exibida no tópico “Mercado de capitais”, que mostra como o mercado
funciona e também apresenta técnicas para seleção de ações, além de discorrer sobre a racionalidade
do investidor. Por fim, complementando esse tópico, mostra‑se como o aluno pode obter informações
completas sobre o mercado de capitais (por meio do BDI).

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8
Administração Interdisciplinar

Unidade I
Nesta unidade convido‑o a discutir alguns tópicos e conceitos referentes à disciplina Administração
Interdisciplinar, que busca desenvolver a reflexão sobre a comunicação entre disciplinas e possibilitar aos alunos
atividades práticas nas quais possam vivenciar os conteúdos abordados. Essa disciplina trata também de provocar
a reflexão sobre a diversidade de tópicos na área da Administração e da forma como estes se inter‑relacionam.

Os tópicos que a disciplina aborda, portanto, são multifacetados, mostrando o cariz (aspecto) da
Administração como interdisciplinar. A disciplina percorre o conceito de aprendizado multidisciplinar
abordado por Tarapanoff (2010), chama a atenção para as diferenças (BIANCHETTI e FREIRE, 2010),
considera os aspectos das teorias e processos da Administração (CARAVANTES, PANNO e KLOECKNER,
2010), aborda reflexões e racionalidade (ALARCÃO, 2001), entre outros assuntos. A diversidade de tópicos
mostra o caráter da presente disciplina, que, de fato, objetiva um diálogo interdisciplinar, verificando áreas
de interseção, de complementação e de transferência de conhecimento no campo da Administração.

Cabe observar que não existe um conceito único para interdisciplinaridade. Lück (2002)1 afirma
que a interdisciplinaridade não é a superação apenas de uma visão fragmentada das disciplinas, mas
também da realidade, e atribui como causa dessa visão fragmentada o racionalismo técnico.

Observação

Racionalismo é uma forma de pensamento que se preocupa em


procurar, estabelecer e propor caminhos fundamentados na lógica, na
razão para alcançar determinados fins.

1 RACIONALISMO TÉCNICO

Pode‑se afirmar que a Administração de Empresas orienta‑se pela busca de eficácia e eficiência.
Processos e projetos são pensados e repensados de forma que alcancem seus objetivos (eficácia) com
o menor uso possível de recursos (eficiência), sejam estes humanos, patrimoniais, tecnológicos ou
informacionais. Ser eficaz e eficiente é ser racional, orientar‑se pela razão.

O racionalismo técnico é uma proposta econômico‑administrativa que busca prover a eficiência com
a concomitante redução de custos. Daí a visão anatômica da organização em termos formais, isto é, a
síntese dos diferentes órgãos que compõem a estrutura organizacional, suas relações formais (que podem
ser vistas no organograma) e suas funções (atividades) dentro do todo, que assegurem a máxima eficiência.

1
“Lück (2002)” é uma forma de exprimir que esse autor (Lück), em um trabalho publicado em 2002, o qual está
mencionado nas Referências, afirmou algo.
9
Unidade I

Uma visão anatômica da organização considera apenas os seus órgãos, seus departamentos. Um
órgão é um conjunto de pessoas que tem um chefe e cumpre uma dada função. Qualquer divisão da
empresa, por menor que seja, é um departamento. É o que afirma a teoria da departamentalização, que
é mais uma forma de especialização: as pessoas são agrupadas em departamentos.

Observação

Estrutura é a forma como as pessoas se ligam umas às outras na organização.


A estrutura empresarial é expressa pelo organograma. À parte física da empresa,
isto é, às instalações e máquinas, pode‑se dar o nome de infraestrutura.

A divisão do trabalho como forma de obter mais eficiência está descrita por Smith no primeiro capítulo
de A Riqueza das Nações que aborda a descrição do funcionamento de uma manufatura de alfinetes.

Divisão do
trabalho

Especialização
Princípios Organização Máxima
gerais de formal eficiência
administração
Unidade de
comando

Amplitude
de controle

Figura 1 – Abordagem prescritiva e normativa da teoria clássica

Em nome de uma maior eficiência, a Administração cria funções (por exemplo: Marketing, Produção,
Vendas, RH, Logística, entre outras). Henri Fayol (1841‑1925) expôs sua Teoria de Administração no livro
Administration lndustrielle et Générale, publicado em 1916, que o elevou à condição de um dos maiores
colaboradores da Teoria Administrativa. Fayol (1975) apontava as seguintes funções na Administração:

• técnicas (produção, fabricação ou transformação);

• comerciais (compra e venda, mercadologia);

• financeiras (procura e gerência de capitais);

• de segurança (proteção e preservação dos bens e das pessoas);


10
Administração Interdisciplinar

• contábeis (inventários, balanços, custos e estatísticas);

• administrativas (previsão, organização, comando, coordenação e controle).

A evolução da Teoria da Administração, sempre em busca da maior eficiência, culminou naturalmente em


apresentar um conjunto de disciplinas, já que a especialização contribui para a eficiência. Segundo Alarcão (2001), a
educação está fortemente marcada pela disciplinaridade (divisão em disciplinas), o que dificulta a preparação para
viver a complexidade contemporânea, não potencializando o desenvolvimento global do ser humano.

Uma abordagem prescritiva e normativa significa uma forma de descrever a organização como
esta deveria funcionar, uma espécie de “receituário”, sem explicações sobre o seu funcionamento. A
abordagem normativa e prescritiva da Teoria Clássica2, basicamente a de Taylor e Fayol, fundamenta‑se
em princípios gerais de Administração, uma espécie de descrição de como o administrador deve proceder
em todas as situações organizacionais.

• Princípios Gerais da Administração: basicamente expressam o pensamento de Taylor em


Administração Científica. Esses princípios básicos são:

— cada trabalhador faria, de acordo com suas aptidões, a tarefa mais elevada possível;

— cada trabalhador deveria produzir em quantidade igual ou superior a um padrão estabelecido


(com base na produção de um trabalhador hábil, não excepcional, da sua classe e no horário
normal de trabalho);

— remuneração por unidade produzida.

Esses princípios gerais continham implicitamente os seguintes pressupostos:

— planejamento, o que implicava substituir a improvisação pela ciência;

— decisão para selecionar os trabalhadores (além de máquinas, equipamentos e ambiente),


treinando‑os para produzir mais e melhor;

— controlar cientificamente a produção, de acordo com as normais estabelecidas;

— na execução, dividir atribuições e responsabilidades.

2
A Teoria Clássica se caracterizava pela ênfase na estrutura que a organização deveria possuir para ser eficiente.
Partia da organização e da estrutura como um todo, para garantir a eficiência de todas as partes envolvidas, fossem elas
departamentos, seções ou pessoas como executores de tarefas e ocupantes de cargos. A Teoria Clássica teve o seu início na
França e 1916, tendo como fundador o francês Henri Fayol, engenheiro que se baseava em princípios e técnicas para o seu
trabalho. Nos Estados Unidos, Taylor desenvolvia a Administração Científica, com ênfase nas tarefas, no operário em si. O
objetivo principal das duas teorias era o mesmo: a busca da eficiência das organizações. (Fonte: <http://professorwellington.
adm.br/tga16.html>. Acesso em: 15 out. 2012).
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Unidade I

• Divisão do trabalho: para Adam Smith (1983), o sistema econômico é, na sua essência, uma vasta
rede de inter‑relações de produtores especializados, fundamentada na propensão (tendência) à
troca, ao intercâmbio e à transação. O trabalho é dividido em várias etapas, buscando‑se, por meio
da simplicidade de cada tarefa, aumento de produtividade e remuneração proporcional ao volume
produzido. A divisão do trabalho leva ao aumento da produtividade, e, portanto, ao aumento do
volume da produção.

Observação

Enquanto produção é a medida do que foi produzido num


certo tempo (exemplo: uma fábrica produz oitenta camisas ao dia),
produtividade considera os fatores (causas) da produção. Fatores
típicos são máquinas e homens. Uma fábrica com quatro máquinas
e dez homens tem produtividade de vinte camisas/máquina‑dia e
oito camisas/homem‑dia. A produtividade também se expressa em
hora‑máquina ou homem‑hora. Elevá‑la quer dizer aumentar a
produção do fator no mesmo período.

• Especialização: para Taylor, a especialização elimina todos os elementos estranhos, a fim de


que a atenção esteja concentrada na tarefa essencial. A divisão do trabalho consiste em uma
especialização para aumentar a eficiência.

• Unidade de comando: o agente deve receber ordens de um único chefe e, para tal, deve estar
vinculado a um determinado departamento.

Observação

Para elevar a eficiência da empresa, procede‑se à departamentalização,


reunindo‑se as pessoas em grupos com funções específicas. Esses
grupos são denominados de: departamentos, unidades, plantas, fábricas,
divisões, seções, setores, chefias, diretorias etc. Lamentavelmente, não há
uniformidade nessa nomenclatura.

• Amplitude de controle: ou amplitude administrativa ou ainda amplitude de supervisão refere‑se


ao número de subordinados que um chefe pode supervisionar pessoalmente, de maneira efetiva
e adequada. Gerenciar de maneira efetiva significa ter um modo de agir que é, ao mesmo tempo,
eficaz e eficiente. Ser eficaz quer dizer atingir o objetivo; ser eficiente quer dizer usar o menor
número possível de recursos.

De acordo com Graicunas (1933), há três tipos de combinações de relações entre superiores e
subordinados (considerando n = número de subordinados):

12
Administração Interdisciplinar

• relações simples diretas (superior com subordinado):

a=n

• relações cruzadas (subordinado com subordinado):

b = n(n – 1)

• relações grupais diretas (superior com qualquer combinação de subordinados):

2n
c = n.[ + n − 1]
2

• Organização formal: estruturada de acordo com normas e regulamentos escritos, rígidos,


nos quais se estabelece uma hierarquia de autoridade e as responsabilidades são claramente
definidas. Todas as organizações, públicas e privadas, com fins lucrativos ou não, constituem
exemplos de organizações formais. A organização informal, geralmente, é formada por poucas
pessoas, e seus objetivos não estão definidos de forma rígida nem são expressos por meio de
algum documento. Também não possui um conjunto de regras e procedimentos escritos que
determinam sua ação.

Observação

Uma organização é um conjunto de pessoas que, balizado por crenças


e valores, fazendo uso de recursos materiais e patrimoniais, busca um
resultado. Às organizações cujo objetivo é o lucro, dá‑se o nome de empresa.

• Eficiência: podemos definir eficiência como a relação existente entre o resultado obtido e os
recursos consumidos para consegui‑lo. Trata de como fazer, não do que fazer. Outro conceito é
o de eficácia: ser eficaz é atingir os objetivos propostos. A eficácia está ligada ao objetivo em si.
Quando ao mesmo tempo se é eficaz (atinge‑se a meta) e eficiente (faz‑se uma boa utilização dos
recursos), dizemos que se é efetivo.

Saiba mais

A obra Iniciação à Teoria das Organizações, de Chiavenato (2010), mostra


a necessidade de se conhecer a natureza das organizações, especialmente
para quem pretende trabalhar nelas.

Esse título está disponível na Biblioteca Virtual.

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Unidade I

1.1 Estudo de caso: equipe de vendas

Neste estudo de caso, abordamos o conceito de amplitude de controle. Boussy (2011) afirma que é
um eterno debate o tamanho certo de uma equipe comercial dirigida por um único chefe de vendas.
Quando se justifica o tamanho, costuma‑se fazer isso com base em experiências prévias, pouco ou
maldefendidas ante os superiores.

A pergunta é: Qual é o número certo?

É nesse ponto que se pode recorrer a uma teoria matemática, o Teorema de Graicunas (francês),
que demonstrou e quantificou o seguinte: conforme aumenta o número de subordinados, amplia‑se
geometricamente a complexidade das relações.

Observação

Progressão geométrica é uma sucessão de números obtida, com exceção


do primeiro, multiplicando‑se o número anterior por uma quantidade fixa
q, chamada razão. Admita‑se o número inicial 3, com q = 2. A progressão
geométrica seria: 3, 6, 12, 24... Difere da progressão aritmética, uma
sequência numérica em que cada termo, a partir do segundo, é igual à
soma do termo anterior com uma constante r. Admitindo‑se o número
inicial 3, com r = 2, a progressão aritmética seria: 3, 5, 7, 9, 11...

Esse teorema identifica três tipos de relações, como visto anteriormente:

• relações simples diretas: se o chefe de vendas A tiver três vendedores (B, C e D), existirão
três relações simples diretas (chamaremos de n o número de vendedores e de r o número
de relações);

• relações grupais diretas: existirão entre o chefe de vendas A e cada uma das combinações de
subordinados, as quais serão, nesse caso, nove, a saber:

— A relaciona‑se com:

‑ B em presença de C;

‑ B em presença de D;

‑ C em presença de B;

‑ C em presença de D;

‑ D em presença de B;
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Administração Interdisciplinar

‑ D em presença de C;

‑ B em presença de C e D;

‑ C em presença de B e D;

‑ D em presença de B e C.

• relações cruzadas: produzem‑se entre os vendedores que possuem um chefe comum; nessa
hipótese, abaixo do chefe de vendas A, podem existir seis relações desse tipo entre os vendedores
B, C e D, que seriam:

— B com C;

— B com D;

— C com B;

— C com D;

— D com B;

— D com C.

Para calcular o número de relações que se estabelecem em função do tamanho da equipe de vendas,
Graicunas (1933) estabeleceu a seguinte fórmula:

2n
c = n.[ + n − 1]
2
Assim, para uma equipe de um chefe de vendas e um vendedor, o número de relações é 1; para uma equipe
de dois vendedores, o número de relações é de 6; e para três vendedores, o número de relações corresponde a 18.

O que se conclui é que, a partir de oito, o número de relações é tão elevado (1.080) que se desaconselha,
costumando‑se recomendar seis como um número bastante adequado e sete como máximo. Com 18
vendedores a cargo de um chefe, o número de relações seria muito grande.

1.2 Interdisciplinaridade

Que disciplinas estão envolvidas nos assuntos apresentados?

Foram diversos os assuntos abordados neste tópico, a começar pela Escola Clássica da Administração,
incluindo Princípios Gerais da Administração, divisão do trabalho, especialização, unidade de comando,
amplitude de controle, organização formal e máxima eficiência.
15
Unidade I

Esses assuntos remetem à Teoria da Administração, à Economia e à Gestão de Recursos Humanos.


Cabe a esta gerir assuntos referentes a desenvolvimento de competências, remuneração, planejamento,
recrutamento, seleção, treinamento, avaliação de desempenho, benefícios e relações trabalhistas, entre
outros.

O caso apresentado ocupa‑se do dimensionamento de uma equipe comercial dirigida por um chefe
de vendas. Trata‑se, objetivamente, de definir o número ideal de subordinados. Para se dar a resposta,
recorreu‑se ao Teorema de Graicunas, que quantifica a complexidade das relações. Nesse caso, temos,
pelo menos, as seguintes disciplinas envolvidas:

• Vendas ou Comercial: aplicação específica;

• Recursos Humanos: dimensionamento de subordinados;

• Sociologia e Psicologia: complexidade das relações;

• Matemática: análise combinatória e permutações;

• Decisão: critério para definir;

• Teoria da Administração: divisão do trabalho; especialização; unidade de comando; amplitude


de controle.

2 CUSTOS E LOGÍSTICA

O presente tópico destaca a importância do porte da empresa na redução de custos e como a


Logística pode contribuir também para isso.

2.1 Redução de custos

De acordo com Porter (1986), a competição entre empresas intensificou‑se de forma drástica ao longo
das últimas décadas, em praticamente todas as partes do mundo. Poucos são os setores remanescentes
em que a competição ainda não interferiu na estabilidade e na dominação dos mercados. Por razões de
sobrevivência, as empresas tornam‑se maiores.

Saiba mais

Para conhecer mais sobre Michael Porter, leia o artigo de Andrei Lima,
intitulado Michael Porter: o estrategista da academia. Disponível em: <http://
www.administradores.com.br/informe‑se/artigos/michael‑porter‑o‑
estrategista‑da‑academia/20297/>. Acesso em: 24 set. 2012.

16
Administração Interdisciplinar

Há algumas economias originadas pelo crescimento das empresas:

• Economia de escala: por produzirem em maior quantidade, as empresas maiores conseguem ter
um custo menor por unidade produzida.

Diz‑se que há economias de escala quando o aumento do volume da


produção de um bem por período reduz os seus custos. Esta redução
pode se dar pela possibilidade de utilização de métodos produtivos mais
automatizados ou mais avançados, mas também pode estar relacionada a
ganhos em propaganda, marketing, P&D, financiamento, enfim, qualquer
etapa da produção e comercialização. Até recentemente a ocorrência de
economias de escala de grande porte era em geral associada à produção, por
meio de processos contínuos, de insumos de uso generalizado, para os quais
não cabe diferenciação de produto (POSSAS, 1993, p. 70‑1).

Observação

O Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) tem por


objetivo criar e desenvolver novos produtos ou serviços.

• Economia de escopo: nesse contexto, a palavra escopo tem o sentido de conteúdo, variedade.
Segundo Pindyck e Rubinfeld (1992, p. 222), “economias de escopo estão presentes quando a
produção conjunta de uma única firma é maior do que a produção que poderia ser obtida por
duas firmas diferentes, cada uma produzindo um único produto”. A economia de escopo é também
conhecida como economia de gama. Para Kupfer e Hasenclever (2002), a economia de gama
ocorre, por exemplo, pela presença de matérias‑primas comuns na fabricação de dois ou mais
produtos, assim como de outras complementaridades na sua produção.

Suportar objetivos a longo prazo é uma vantagem destacada por Ansoff (1990),3 além da
rentabilidade a curto prazo. Os objetivos a longo prazo que uma empresa poderia buscar, quando se
torna maior, seriam:

• flexibilidade: refere‑se à capacidade de ajustar‑se às necessidades dos clientes. Por exemplo: uma
empresa não flexível em horário faz entregas apenas de segunda a sexta; uma mais flexível pode
entregar seus produtos aos sábados e domingos; uma empresa pouco flexível só vende peças em lotes
mínimos de cem unidades; uma mais flexível vende de cinco em cinco unidades, e assim por diante.

3
Igor Ansoff é um autor clássico da literatura sobre estratégia. Nunes (2011) afirma que é o principal responsável
pela formulação do conceito de gestão estratégica, com base no trabalho desenvolvido por Alfred Chandler. O seu principal
contributo para a gestão foi a criação do modelo ou Matriz Ansoff de planejamento estratégico, baseado na expansão
e diversificação empresariais através de uma sequência de decisões. Na base do modelo estão os conceitos de análise de
desvios – diferença entre o previsto e o realizado – e de sinergia – aproveitamento das competências combinadas de dois
departamentos ou empresas.
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Unidade I

• diversificação de riscos: uma empresa diversifica riscos quando amplia seus tipos de negócio:
em linguagem coloquial, diz‑se que “não coloca todos os ovos na mesma cesta”;

• estabilidade geral;

• reputação: é a opinião do público em relação à empresa.

Essas oportunidades não são encontradas em pequenas empresas, que precisam concentrar seus
recursos em objetivos mais imediatos.

Uma das formas de uma organização obter economia tanto de escala quanto de escopo e ter
flexibilidade é por meio da logística.

É comum a ideia de que logística é o mesmo que transporte, mas esses termos têm significados
diversos. Felizmente, a diferença está bem‑traçada pela Fiesp (2011):

Logística é o processo de planejar, implementar e controlar eficientemente, ao custo


correto, o fluxo e armazenagem de matérias‑primas e estoque durante a fabricação
de produtos acabados, e as informações relativas a essas atividades, desde o ponto de
origem até o local de consumo, visando atender aos requisitos do cliente.

Transporte é o deslocamento de bens de um ponto a outro da rede logística,


respeitando as restrições de integridade da carga e de confiabilidade de prazos. Não
agrega valor aos produtos, mas é fundamental para que os mesmos cheguem ao seu
ponto de aplicação, de forma a garantir o melhor desempenho dos investimentos
dos diversos agentes econômicos envolvidos no processo (FIESP, 2011).

De acordo com Kotler e Armstrong (1999, p. 285), as empresas estão valorizando cada vez mais a
logística, por várias razões, tais como: ser um elemento essencial no que se refere aos serviços prestados
aos clientes; produzir consideráveis reduções de custos para a empresa e para os consumidores; a imensa
variedade de produtos, criando a necessidade de um aprimorado gerenciamento de logística; e, por fim, o
aprimoramento da Tecnologia da Informação, criando a oportunidade de maior eficiência na distribuição.

Para Fleury (2000), a relação entre as várias áreas funcionais de logística com um contexto de
integração pode ser representada por meio de um conjunto de trade‑offs (“escolhas forçadas”) entre as
atividades que compõem todo o contexto de logística. Na Figura 2, essas relações estão representadas
por um conjunto de setas relacionando tais atividades.

Observação

Área funcional corresponde a departamento na organização. As áreas


funcionais mais comuns são: Produção, Finanças, RH, Marketing, Comercial,
Jurídica, Contábil etc.
18
Administração Interdisciplinar

Produto

Preço Promoção
Marketing

Praça
serviço ao cliente

Custo Custo
estoque transporte

Custo Custo Logística


compras armazenagem

Custo
tecnologia da
informação

Figura 2 – Representação da relação entre as áreas funcionais com o conceito de Logística Integrada

Lembrete

Trade‑off tem, entre outros sentidos, o de “escolha forçada”. Por


exemplo: um restaurante tem de optar por uma clientela de luxo ou por
uma popular, pois não pode ter as duas.

A logística de suprimentos ocupa‑se da matéria‑prima e dos insumos. Considera o


desenvolvimento, a especificação e o projeto do produto, a previsão de demanda (quanto os
clientes devem comprar), o planejamento das necessidades de novas fontes de fornecimento,
as compras, o recebimento, a estocagem de matérias‑primas e componentes e seus respectivos
controles (FLEURY 2000).

Observação

Matéria‑prima é o material processado para fabricar o produto,


enquanto insumo é o bem ou serviço utilizado no processo de transformação
(mão de obra, máquinas, instalações e outros).

A logística de produção é observada na etapa de transformação dos insumos em produto final.


Inclui o planejamento, a programação e o controle da produção, e, em alguns casos, o planejamento dos
19
Unidade I

recursos da distribuição, além de ocupar‑se da estocagem: providencia estoque de produtos acabados,


embalagem (unitização) e processo de pedidos (FLEURY, 2000).

Saiba mais

Para saber mais sobre unitização, leia o artigo Unitização de carga,


de Alan Simões. Disponível em: <http://www.administradores.com.br/
informe‑se/artigos/unitizacao‑de‑carga/32333/>. Acesso em: 24 set. 2012.

A cadeia de abastecimento, que vai até o consumidor final, inclui três grandes tipos de logística,
como mostra a Figura 3.

Cadeia de abastecimento

Logística

Armazém
Almoxarifado
Armazenagem de Central
Fornecedores de matérias-
Estocagem produtos acabados Centro de
primas
em processo distribuição Varejo

Distribuidor
Recebimento Fabricação Montagem Expedição atacadista
Terceiros

Consumidor

Logística da produção Montadora

Logística de suprimentos Logística de distribuição

Administração Movimentação Distribuição


de materiais de materiais física

• Suprimentos Planejamento • Planejamento, Planejamento • Armazenagem produto


• Transportes
e controle de programação e controle dos recursos acabado
estoques da produção da distribuição
• Armazenagem • Transportes
matéria‑prima • Estocagem em processo
• Processamento de pedido
• Embalagem

Figura 3 – Tipos de logística

A logística de distribuição e transporte ocupa‑se do que foi produzido: efetua o planejamento da


distribuição por meio de centros de distribuição, depósitos, atacadistas, varejistas, revendedores, lojas e
representantes. Define as modalidades de transporte (rodoviário, ferroviário, aéreo, marítimo e fluvial)
e rotas (com utilização de roteirizadores) de transporte (próprio ou de terceiros), sendo responsável
20
Administração Interdisciplinar

por todo o processo, desde a expedição, a partir da retirada dos estoques, até a entrega ao cliente final
(consumidor) (FLEURY 2000).

Observação

Roteirizadores ou Sistemas de Roteirização e Programação de


Veículos são sistemas computacionais capazes de dar soluções para
problemas de rotas e programação de veículos.

Lembrete

O termo cadeia de abastecimento (do inglês supply chain – que se


pronuncia /suplai cheinn/) abrange todas as organizações do início ao fim
da cadeia logística.

2.2 Custos logísticos

Machado e Rodrigues (2006) apresentaram um trabalho que discute os custos totais com logística
sob a ótica da Teoria de Custos. Desenvolveram uma pesquisa em uma empresa de médio porte, em Goiás,
com três unidades fabris e mais seis lojas. Foi um estudo de caso, com o objetivo de verificar como a
contabilidade participa no processo de identificação e mensuração dos custos logísticos. Como resultado,
observaram que a contabilidade pouco contribuía, naquela empresa, para a identificação, a mensuração e
a comunicação dos custos logísticos, para fins de tomada de decisão. Além disso, perceberam que um dos
principais entraves era a falta de integração entre os demais departamentos e a área contábil, fazendo que
as informações fossem geradas tardiamente, prejudicando, assim, a gestão da empresa. Como provável
solução para um maior e melhor tratamento dos custos logísticos, os autores sugeriram a formatação
de um dos demonstrativos contábeis, a Demonstração de Resultados do Exercício (DRE), na qual o gestor
identificará de forma clara os custos logísticos, contribuindo para a formação da tomada de decisão.

A DRE refere‑se a um dado período (por exemplo, um ano) e apresenta basicamente as seguintes contas:

Receitas com Vendas

– Custo das mercadorias vendidas (ou dos produtos vendidos)


= Lucro bruto
– Despesas (gerais, administrativas, financeiras, com vendas)
= Lucro Líquido antes do Imposto de Renda (LAIR)
– Provisão para o Imposto de Renda (reserva do que deve ser pago como imposto)
= Lucro líquido à disposição dos proprietários

21
Unidade I

Observação

A Teoria dos Custos determina a forma de se produzir com custo


mínimo. Aborda conceitos como: custo econômico, custo total, custo
marginal e custo médio.

Machado e Rodrigues (2006) propuseram ainda que os custos associados à logística fossem
criteriosamente apurados, como mostra o Quadro 1. Para os autores, a demonstração de
resultados gerencial resultará em uma importante ferramenta para o gestor, na qual este verá
com clareza as áreas logísticas que demandam maior custo, podendo analisar os dados e tomar
medidas cabíveis à redução de custos, bem como providências para alcançar melhores resultados
empresariais.

Quadro 1 – Custos logísticos nos processos

Custos de logística de abastecimento


Materiais nacionais:
‑ Fretes
‑ Outros
Materiais importados:
‑ Fretes
Custos de logística de planta (fábrica)
Custos dos produtos fabricados
Custos de manutenção de inventário
Custos financeiros
Custos de propriedade
Custos de riscos
Perdas com obsolescência
Produtos defeituosos
Perdas no processo de logística
Outros
Custo de TI e processamento de pedidos
Custo de logística de distribuição
Custos decorrentes da movimentação de estoques
Custos decorrentes da entrega de mercadorias a clientes
Despesas com embalagem (vendas)
Transporte

Fonte: Machado e Rodrigues (2006, p. 21).

22
Administração Interdisciplinar

Observação

Custo de propriedade ou Custo Total de Propriedade (Total Cost


of Owership) é o gasto total com planejamento, aquisição, operação e
manutenção do produto.

Risco é a possibilidade de perda. Uma forma de evitar os custos de


perdas é contratar seguros.

Obsolescência é a perda quando algo se torna obsoleto, ou seja,


ultrapassado ou desatualizado.

Saiba mais

O termo global sourcing significa fornecimento global e corresponde


à adoção, pela empresa, de fornecedores de todo o mundo, especialmente
para contratos de grande porte, o que tende a reduzir os preços e a aumentar
a concorrência.

A obra Logística Empresarial no Brasil: tópicos especiais, de Razzollini


Filho (2007), aborda temas como logística de resposta rápida, plataformas
logísticas e práticas de global sourcing, que podem complementar o assunto
do presente tópico. Essa obra está disponível na Biblioteca Virtual.

2.3 Interdisciplinaridade

As disciplinas envolvidas nos assuntos apresentados estão expostas a seguir:

• Planejamento e Estratégia, Economia, Produção, Custos, Pesquisa de Mercado, Marketing


e Vendas: referentes às economias de escala e de escopo;

• Produção, Logística, Propaganda e Marketing, Relações Públicas, Segurança e Gestão do


Relacionamento com o Cliente: referentes a flexibilidade, diversificação de riscos, estabilidade
geral e reputação;

• Logística, Custos, Gestão do Relacionamento com o Cliente, Tecnologia de Informação e


Gestão de RH: para assuntos referentes ao nível do serviço; ao atendimento a clientes em relação
a serviços prestados; a reduções de custos para a empresa e para os consumidores; à variedade
de produtos; ao gerenciamento aprimorado de logística; e ao aprimoramento da Tecnologia da
Informação;

23
Unidade I

• Gestão de Custos, Contabilidade, Logística e Tomada de Decisão: referentes a redução de


custos, DRE, demonstrações contábeis e custos logísticos.

3 ACIDENTES DE TRABALHO

Fundada em 1919 com o objetivo de promover a justiça social, a Organização Internacional do


Trabalho (OIT) é a única das agências do Sistema das Nações Unidas que tem estrutura tripartite, na qual
os representantes dos empregadores e dos trabalhadores têm os mesmos direitos que o governo. Uma das
funções mais importantes da OIT é estabelecer e adotar normas internacionais de trabalho sob a forma de
convenções ou recomendações. Esses instrumentos são adotados pela Conferência Internacional do Trabalho,
com a participação de representantes dos trabalhadores, dos empregadores e dos governos (OIT, 2012).

Segundo dados da OIT, que, desde 2003, adotou 28 de abril como Dia Mundial da Segurança e
Saúde no Trabalho, ocorrem anualmente 270 milhões de acidentes de trabalho em todo o mundo.
Aproximadamente 2,2 milhões deles resultam em mortes. No Brasil, são 1,3 milhão de casos, que têm
como principais causas o descumprimento de normas básicas de proteção aos trabalhadores e más
condições nos ambientes e processos de trabalho. De acordo com estudo da OIT, o Brasil ocupa o quarto
lugar em relação ao número de mortes, com 2.503 óbitos. O país perde apenas para a China (14.924), os
Estados Unidos (5.764) e a Rússia (3.090) (CAUSA OPERÁRIA ON‑LINE, 2009).

De acordo com Pantaleão (2011a),

Acidente do trabalho é aquele que ocorre no exercício de atividade a


serviço da empresa e provoca lesão corporal ou perturbação funcional, que
pode causar a morte, a perda ou a redução permanente ou temporária da
capacidade para o trabalho (PANTALEÃO, 2011a).

Ainda de acordo com esse autor:

Consideram‑se, também, como acidente do trabalho:

• A doença profissional ou do trabalho, produzida ou desencadeada


pelo exercício do trabalho peculiar a determinada atividade;

• Acidente típico, que é aquele que ocorre pelo exercício do trabalho a


serviço da empresa;

• Acidente de trajeto, que é aquele que ocorre no percurso do local de


residência para o de trabalho ou desse para aquele, considerando a
distância e o tempo de deslocamento compatíveis com o percurso do
referido trajeto (PANTALEÃO, 2011a).

Um exemplo de trabalho peculiar é a atividade de digitador, cuja prática constante causa a Lesão
por Esforço Repetitivo (LER).
24
Administração Interdisciplinar

Para Pantaleão (2011a), “o prejuízo material decorrente do acidente de trabalho se caracteriza pela
diminuição das possibilidades em obter os mesmos rendimentos por meio da força de trabalho de que
dispunha o empregado antes do fato ocorrido”. Anota‑se que “essa redução diz respeito à profissão ou
ofício então desenvolvidos”, não a qualquer atividade remunerada (art. 950, Código Civil de 2002).

O autor prossegue:

O dever de indenizar surgiu da teoria do risco gerado, ou seja, se é o empregador quem


cria o risco através de sua atividade econômica (empresa), a ele caberá responder pelos
danos causados, independente de dolo ou culpa. A este contexto atribuímos a teoria da
responsabilidade objetiva.

Assim dispõe o art. 927 do Código Civil ao determinar que haverá obrigação de reparar
o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade
normalmente desenvolvida pelo autor do dano (empregador) implicar, por sua natureza,
risco para os direitos de outrem.

Se o empresário se propõe a estabelecer uma empresa que pode oferecer riscos na


execução das atividades, se contrata pessoas para executar estas atividades e se os benefícios
(lucros) gerados a este (empregador) devem ser atribuídos, logo, o risco do negócio, assim
como os resultantes dos acidentes, também deverão ser por ele suportados.

Por outro lado, há entendimento de que se deveria aplicar, nestes casos, a teoria da responsabilidade
subjetiva, ou seja, somente após comprovar que houve dolo ou culpa do empregador é que lhe
imputaria a responsabilidade pelo acidente e, consequentemente, o dever de indenizar.

[...]

Como se pode observar, há uma norma constitucional direcionando para a responsabilidade


subjetiva e uma norma infraconstitucional direcionando para a responsabilidade objetiva.

Fonte: Pantaleão (2011a).

Observação

Dolo é uma ação feita com a intenção de prejudicar ou fraudar outro


propositadamente.

3.1 Entendimento jurisprudencial

Pantaleão (2011a) afirma que tal como em diversos outros assuntos trabalhistas, “a questão fica para
ser solucionada pelo entendimento jurisprudencial”, em que os juízes tomam as decisões diante dos
fatos probatórios apresentados no processo.
25
Unidade I

Observação

Entendimento jurisprudencial é a forma como os juízes entendem


certas partes da lei, geralmente não muito claras, bem como as decisões
que tomam em função disso.

Continua o autor:

Ora pode‑se comprovar que houve culpa do empregado no acidente de


trabalho pela falta de cuidado ao manusear o equipamento ou executar
a tarefa, mesmo com todas as orientações e treinamentos necessários,
ora pode‑se comprovar que houve culpa do empregador que, por não
observar as normas de segurança ou por obrigar o empregado a laborar
frequentemente em horas extras, causando‑lhe desgaste físico e mental,
proporcionou o acidente (PANTALEÃO, 2011a).

Portanto, acidentes podem ser causados pela falta de manutenção nos equipamentos ou até pelas
condições físicas do empregado, por exaustão decorrente de jornadas de trabalho muito longas e
distração ocasionada pela monotonia da atividade.

Pantaleão (2011a) também afirma:

Assim, o acidente do trabalho, por si só, é insuficiente para gerar a obrigação


indenizatória por parte do empregador, pois, somente se verificará a obrigação
de ressarcir os danos quando na investigação da causa, ficar comprovado
que este dano é consequência direta e imediata (nexo de causalidade) de
uma atuação dolosa ou culposa do empregador (PANTALEÃO, 2011a).

Esse autor destaca também que “a Constituição Federal dispõe em seu artigo 7º, inciso XXVIII, que é
direito dos trabalhadores o seguro contra acidentes do trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a
indenização a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa” (PANTALEÃO, 2011a).

Pantaleão (2011a) explica ainda que “o dolo é a intenção de agir contra a lei ou contrariamente às
obrigações assumidas; agir de má‑fé, é enganar mesmo com pleno conhecimento do caráter ilícito do
próprio comportamento”, enquanto “a culpa é a negligência, a falta de diligência (cuidado) necessária
na observância de norma de conduta, isto é, não prever o que é previsível, porém sem intenção de agir
ilicitamente e sem conhecimento do caráter ilícito da própria ação”.

Quando ocorre um acidente de trabalho, este deve ser comunicado.

A Lei nº 8.213/91 (BRASIL, 1991) determina, no seu artigo 22, que todo acidente do trabalho ou doença
profissional deverá ser comunicado pela empresa ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), sob

26
Administração Interdisciplinar

pena de multa em caso de omissão. Cabe ressaltar a importância da comunicação, principalmente o


completo e exato preenchimento do formulário, tendo em vista as informações nele contidas, não
apenas dos pontos de vista previdenciário, estatístico e epidemiológico, mas também do trabalhista e
do social.

3.2 Cipa – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes

A legislação sobre segurança, higiene e saúde do trabalhador no Brasil é relativamente nova. Após
a edição do Decreto‑Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, que criou a Consolidação das Leis do Trabalho
(CLT), são fatos marcantes:

• criação da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa), por meio do Decreto‑Lei nº 7.036,
de 10 de novembro de 1944;

• criação da Fundação Centro Nacional de Segurança, Higiene e Medicina do Trabalho, hoje


Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro), instituída
pela Lei nº 5.161, de 21 de outubro de 1966 (BRASIL, 1966);

• integração do seguro de acidentes do trabalho à previdência social, por meio da Lei nº 5.316, de
14 de setembro de 1967;

• criação obrigatória dos Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do


Trabalho pelas empresas, por meio da edição da Portaria nº 3.237, de 17 de julho de 1972;

• aprovação das Normas Regulamentadoras (NR) do Capítulo V, título II da CLT, por meio da Portaria
nº 3.214, de 8 de junho de 1978 (MTE, 1978);

• edição da Portaria nº 8, de 23 de fevereiro de 1999 (MTE, 1999), que alterou a Norma


Regulamentadora nº 5 (NR 5) – Cipa.

De acordo com a NR 5, conforme texto dado pela Portaria SSST nº 8, de 23 de fevereiro de 1999
(MTE, 1999), a Cipa “tem como objetivo a prevenção de acidentes e doenças decorrentes do trabalho,
de modo a tornar compatível permanentemente o trabalho com a preservação da vida e a promoção da
saúde do trabalhador”.

Diniz (2010) afirma que

muitas pessoas acham que a Cipa é invenção brasileira, mas não é: ela
surgiu de uma recomendação da OIT (Organização Internacional do
Trabalho), em 1921 e transformou‑se em determinação legal no Brasil
no ano de 1944. E só depois de vinte e três anos surgiu um decreto‑lei
7.036, artigo 82 com caráter obrigatório nas empresas com mais de 100
funcionários (DINIZ, 2010).

27
Unidade I

A NR 5 (MTE, 1999), alterada por algumas portarias, determina que

a Cipa será composta de representantes do empregador e dos empregados


[...]. Os representantes dos empregadores, titulares e suplentes, serão por eles
designados. Os representantes dos empregados, titulares e suplentes, serão
eleitos em escrutínio secreto, do qual participem, independentemente de
filiação sindical, exclusivamente os empregados interessados [...]. O mandato
dos membros eleitos da Cipa terá a duração de um ano, permitida uma
reeleição (MTE, 1999, p. 1).

Os membros da Cipa adquirem uma determinada estabilidade, já que a NR 5 (MTE, 1999) dispõe que:

É vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa do empregado eleito para


cargo de direção de Comissões Internas de Prevenção de Acidentes desde o
registro de sua candidatura até um ano após o final de seu mandato.

Serão garantidas aos membros da Cipa condições que não descaracterizem


suas atividades normais na empresa, sendo vedada a transferência para outro
estabelecimento sem a sua anuência, ressalvado o disposto nos parágrafos
primeiro e segundo do artigo 469, da CLT (MTE, 1999, p. 2).

A CLT é a legislação que rege as relações de trabalho, individuais ou coletivas, e foi instituída pelo
governo de Getúlio Vargas por meio do Decreto‑Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943.

O artigo 469 da CLT determina que “ao empregador é vedado transferir o empregado, sem a sua
anuência, para localidade diversa da que resultar do contrato, não se considerando transferência a que
não acarretar necessariamente a mudança do seu domicílio” (BRASIL, 1943). Os parágrafos aos quais a
NR 5 se refere determinam:

§ 1º – Não estão compreendidos na proibição deste artigo os empregados


que exerçam cargos de confiança e aqueles cujos contratos tenham como
condição, implícita ou explícita, a transferência, quando esta decorra de real
necessidade de serviço;

§ 2º – É lícita a transferência quando ocorrer extinção do estabelecimento


em que trabalhar o empregado (BRASIL, 1943).

A Cipa, de acordo com a NR 5 (MTE, 1999), tem por atribuição:

a) identificar os riscos do processo de trabalho, e elaborar o mapa


de riscos, com a participação do maior número de trabalhadores,
com assessoria do SESMT [Serviço Especializado em Engenharia de
Segurança e em Medicina do Trabalho], onde houver;

28
Administração Interdisciplinar

b) elaborar plano de trabalho que possibilite a ação preventiva na


solução de problemas de segurança e saúde no trabalho;

c) participar da implementação e do controle da qualidade das medidas


de prevenção necessárias, bem como da avaliação das prioridades de
ação nos locais de trabalho;

d) realizar, periodicamente, verificações nos ambientes e condições de


trabalho visando à identificação de situações que venham a trazer
riscos para a segurança e saúde dos trabalhadores;

e) realizar, a cada reunião, avaliação do cumprimento das metas fixadas


em seu plano de trabalho e discutir as situações de risco que foram
identificadas;

f) divulgar aos trabalhadores informações relativas à segurança e saúde


no trabalho;

g) participar, com o SESMT, onde houver, das discussões promovidas pelo


empregador, para avaliar os impactos de alterações no ambiente e
processo de trabalho relacionados à segurança e saúde dos trabalhadores;

h) requerer ao SESMT, quando houver, ou ao empregador, a paralisação


de máquina ou setor onde considere haver risco grave e iminente à
segurança e saúde dos trabalhadores;

i) colaborar no desenvolvimento e implementação do PCMSO [Programa


de Controle Médico de Saúde Ocupacional] e PPRA [Programa de
Prevenção dos Riscos Ambientais] e de outros programas relacionados
à segurança e saúde no trabalho;

j) divulgar e promover o cumprimento das Normas Regulamentadoras,


bem como cláusulas de acordos e convenções coletivas de trabalho,
relativas à segurança e saúde no trabalho;

l) participar, em conjunto com o SESMT, onde houver, ou com o empregador,


da análise das causas das doenças e acidentes de trabalho e propor
medidas de solução dos problemas identificados (MTE, 1999, p. 2).

O Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT) está


estabelecido no artigo 162 da CLT e é regulamentado pela NR 4, de 1983. Dependendo da quantidade
de empregados e da natureza das atividades, o serviço pode incluir os seguintes profissionais: médico
do trabalho, enfermeiro do trabalho, técnico de enfermagem do trabalho, engenheiro de segurança do
trabalho e técnico de segurança do trabalho.
29
Unidade I

3.3 EPI – Equipamento de Proteção Individual

Vejamos o que diz Pantaleão (2011b) a respeito do Equipamento de Proteção Individual (EPI).

O Equipamento de Proteção Individual (EPI) é todo dispositivo ou produto, de uso


individual utilizado pelo trabalhador, destinado a proteção contra riscos capazes de ameaçar
sua segurança e sua saúde.

O uso deste tipo de equipamento só deverá ser feito quando não for possível tomar
medidas que permitam eliminar os riscos do ambiente em que se desenvolve a atividade, ou
seja, quando as medidas de proteção coletiva não forem viáveis, eficientes e suficientes para
a atenuação dos riscos e não oferecerem completa proteção contra os riscos de acidentes
do trabalho e/ou de doenças profissionais e do trabalho.

Os equipamentos de proteção coletiva (EPC) são dispositivos utilizados no ambiente de


trabalho com o objetivo de proteger os trabalhadores dos riscos inerentes aos processos, tais
como o enclausuramento acústico de fontes de ruído4, a ventilação dos locais de trabalho, a
proteção de partes móveis de máquinas e equipamentos, a sinalização de segurança, dentre
outros.

Como o EPC não depende da vontade do trabalhador para atender suas finalidades,
este tem maior preferência pela utilização do EPI, já que colabora no processo
minimizando os efeitos negativos de um ambiente de trabalho que apresenta diversos
riscos ao trabalhador.

Portanto, o EPI será obrigatório somente se o EPC não atenuar os riscos completamente
ou se oferecer proteção parcialmente.

Conforme dispõe a Norma Regulamentadora 6, a empresa é obrigada a fornecer aos


empregados, gratuitamente, EPI adequado ao risco, em perfeito estado de conservação e
funcionamento, nas seguintes circunstâncias:

a) sempre que as medidas de ordem geral não ofereçam completa proteção contra os
riscos de acidentes do trabalho ou de doenças profissionais e do trabalho;

b) enquanto as medidas de proteção coletiva estiverem sendo implantadas; e

c) para atender a situações de emergência.

4
Enclausuramento acústico significa isolar a fonte de ruído. Nas indústrias observa‑se a aplicação de softwares
e ferramentas especial para controle dos ruídos. O Cadna‑Sak é uma ferramenta poderosa para calcular o ruído interno
de plantas industriais. O ruído é calculado em função da potência sonora emitida pelas máquinas no chão de fábrica, e
considerando a geometria do local.
30
Administração Interdisciplinar

Compete ao Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do


Trabalho (SESMT), ou à Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa), nas empresas
desobrigadas de manter o SESMT, recomendar ao empregador o EPI adequado ao risco
existente em determinada atividade.

Os tipos de EPIs utilizados podem variar dependendo do tipo de atividade ou de riscos


que poderão ameaçar a segurança e a saúde do trabalhador e da parte do corpo que se
pretende proteger, tais como:

• Proteção auditiva: abafadores de ruídos ou protetores auriculares;

• Proteção respiratória: máscaras e filtro;

• Proteção visual e facial: óculos e viseiras;

• Proteção da cabeça: capacetes;

• Proteção de mãos e braços: luvas e mangotes;

• Proteção de pernas e pés: sapatos, botas e botinas;

• Proteção contra quedas: cintos de segurança e cinturões.

O equipamento de proteção individual, de fabricação nacional ou importado, só poderá


ser posto à venda ou utilizado com a indicação do Certificado de Aprovação (CA), expedido
pelo órgão nacional competente em matéria de segurança e saúde no trabalho do Ministério
do Trabalho e Emprego.

Dentre as atribuições exigidas pela NR 6, cabem ao empregador as seguintes obrigações:

• adquirir o EPI adequado ao risco de cada atividade;

• exigir seu uso;

• fornecer ao trabalhador somente o equipamento aprovado pelo órgão nacional


competente em matéria de segurança e saúde no trabalho;

• orientar e treinar o trabalhador sobre o uso adequado, guarda e conservação;

• substituir imediatamente o EPI, quando danificado ou extraviado;

• responsabilizar‑se pela higienização e manutenção periódica; e

• comunicar o MTE qualquer irregularidade observada.


31
Unidade I

O empregado também terá de observar as seguintes obrigações:

• utilizar o EPI apenas para a finalidade a que se destina;

• responsabilizar‑se pela guarda e conservação;

• comunicar ao empregador qualquer alteração que o torne impróprio ao uso; e

• cumprir as determinações do empregador sobre o uso pessoal;

Os Equipamentos de Proteção Individual, além de essenciais à proteção do trabalhador,


visando à manutenção de sua saúde física e proteção contra os riscos de acidentes do
trabalho e/ou de doenças profissionais e do trabalho, podem também proporcionar a
redução de custos ao empregador.

É o caso de empresas que desenvolvem atividades insalubres em que o nível de ruído,


por exemplo, está acima dos limites de tolerância previstos na NR 15. Neste caso, a empresa
deveria pagar o adicional de insalubridade de acordo com o grau de enquadramento,
podendo ser de 10%, 20% ou 40%.

Com a utilização do EPI a empresa poderá eliminar ou neutralizar o nível do ruído, já


que, com a utilização adequada do equipamento, o dano que o ruído poderia causar à
audição do empregado5 será eliminado.

A eliminação do ruído ou a neutralização em nível abaixo do limite de tolerância isenta


a empresa do pagamento do adicional, além de evitar quaisquer possibilidades futuras de
pagamento de indenização de danos morais ou materiais em função da falta de utilização
do EPI.

Entretanto, é importante ressaltar que não basta o fornecimento do EPI ao empregado


por parte do empregador, pois é obrigação deste fiscalizar o empregado de modo a garantir
que o equipamento esteja sendo utilizado.

São muitos os casos de empregados que, com desculpas de que não se acostumam ou
que o EPI os incomoda no exercício da função, deixam de utilizá‑lo e [...] passam a sofrer as
consequências de um ambiente de trabalho insalubre.

Nestes casos o empregador deve utilizar‑se de seu poder diretivo e obrigar o empregado
a utilizar o equipamento, sob pena de advertência e suspensão num primeiro momento e,
havendo reincidências, sofrer punições mais severas como a demissão por justa causa.

5
São inúmeros os danos que as pessoas sofrem quando submetidas a fontes de ruídos muito fortes. Os principais
efeitos negativos são: distúrbios do sono; estresse; perda da capacidade auditiva, surdez; dores de cabeça; alergias;
distúrbios digestivos; falta de concentração e aumento do batimento cardíaco (MMA/IBAMA, 2010).
32
Administração Interdisciplinar

Para a Justiça do Trabalho, o fato de comprovar que o empregado recebeu o equipamento


(por meio de ficha de entrega de EPI), por exemplo, não exime o empregador do pagamento
de uma eventual indenização, pois a norma estabelece que o empregador deva garantir o
seu uso, o que se faz através de fiscalização e de medidas coercitivas, se for o caso.

Fonte: Pantaleão (2011b).

Observação

No Brasil, em 2011, as principais causas de morte durante o trabalho foram:


acidentes de trânsito, quedas de edifícios, exposição à corrente elétrica e o
impacto causado por objetos lançados, projetados ou em queda (MELLO, 2012).

3.4 Análise de Acidente de Trabalho

Binder e Almeida (1997, p. 750) afirmam que “os acidentes do trabalho ainda constituem importante
problema de saúde pública em nosso país”.

Os autores afirmam ainda que:

Dada a gravidade do problema, assume grande importância a detecção a


priori de riscos, isto é, antes que os acidentes aconteçam. Há vários métodos
desenvolvidos com esta finalidade, cabendo destacar que, para sistemas de
menor complexidade, o método de escolha é constituído pelas inspeções
de ambientes e de condições de trabalho (MONTEAU e FAVARO, 1990b;
MONTEAU, 1992), capazes de identificar perigos decorrentes, entre outros,
de problemas de segurança de máquinas, postos de trabalho, layout,6
limpeza, ambiente físico, presentes – e visíveis – de maneira permanente
nos ambientes de trabalho (BINDER e ALMEIDA, 1997, p. 750).

3.4.1 O Método Árvore de Causas (ADC)

Binder e Almeida (1997) com base em Cuny e Krawsky (1970) e Monteau (1980, 1983), afirmam:

Sua aplicação exige reconstrução detalhada e com a maior precisão


possível da história do acidente, registrando‑se apenas fatos, também
denominados fatores de acidente, sem emissão de juízos de valor e sem
interpretações, para, retrospectivamente, a partir da lesão sofrida pelo
acidentado, identificar a rede de fatores que culminou no acidente de
trabalho (AT) (CUNY e KRAWSKY, 1970; MONTEAU, 1980, 1983 apud
BINDER e ALMEIDA, 1997).

6
Layout é um desenho que mostra a localização física de máquinas, equipamentos e instalações.
33
Unidade I

De acordo com Binder e Almeida (1997):

O método utiliza o conceito de variação, entendida como mudança ocorrida


em relação ao funcionamento habitual do sistema (indústria, oficina etc.),
considerada indispensável à ocorrência do acidente. Utiliza também o
conceito de atividade, constituída de quatro componentes: indivíduo (I),
considerado em seus aspectos físicos e psicofisiológicos; tarefa (T), entendida
como a sequência de operações executadas pelo indivíduo e passível
de observação; material (M), representado por máquinas, instrumentos,
ferramentas, matérias‑primas e insumos necessários ao desenvolvimento
do trabalho; meio de trabalho (MT), entendido em seus aspectos físicos e em
suas relações sociais (BINDER e ALMEIDA, 1997, p. 751).

Massoco (2008) afirma:

No Brasil foi adotado o Método Árvore de Causas de origem francesa que


é utilizado para investigar as causas dos acidentes sem buscar os culpados,
mas sim encontrar os fatores que provocaram o mesmo, sendo muito
utilizado na investigação de acidentes ocorridos nos setores secundários e
terciários (MASSOCO, 2008, p. 7).

Saiba mais

Para conhecer melhor os setores primário, secundário e terciário, leia o


artigo Setores da Economia, disponível em: <http://www.suapesquisa.com/
geografia/setores_economia.htm>. Acesso em: 2 out. 2012.

Leia, a seguir, o que diz Massoco (2008) a respeito do Método Árvore de Causas.

O Método Árvore de Causas foi criado no início dos anos 1970, pelo Institut National
de Recherche et de Sécurité (INRS) na França. Ele surgiu através de pesquisas patrocinadas
pela Comunidade Europeia do Carvão e Aço (Ceca) onde começaram os estudos buscando
conhecimentos sobre fatores causais envolvidos na gênese dos acidentes de trabalho.
Seus primeiros fundamentos foram apresentados no texto de Cuny e Krawsky de 1970
intitulado Pratique de l’analyse d’accidents du travail dans la perspective sócio‑technique
de l’ergonomie dês systémes (Prática de análise de acidentes de trabalho na perspectiva
sociotécnica da ergonomia de sistemas). Em 1983 a publicação dos fundamentos do
método foi difundida internacionalmente pela Encyclopaedia of Occupational Health and
Safety e, em meados dos anos 1980, torna‑se de domínio público (BINDER, ALMEIDA e
MONTEAU, 2000).

[...]

34
Administração Interdisciplinar

No ano de 1994, texto publicado pelo Diário Oficial da União em 2 de janeiro torna
obrigatório o uso do Método Árvore de Causas para investigação de acidente do trabalho
pelos membros das Cipas (BRASIL, 1994). A nova redação propõe a mudança dos termos ato
inseguro e condição insegura e a substituição da busca por culpados por identificação de
fatores causais de acidentes.

A nova redação também propõe a concepção de que o acidente de trabalho não é um


acontecimento de natureza monocausal, e sim, pluricausal, demonstrando um avanço em
relação à investigação de acidentes.

[...]

Organização e análise dos dados

[...]

Os fatos habituais (o) são aqueles característicos da atividade efetuada pelo acidentando,
configurando como rotineiros. Os fatos Variações (¡) são os que de alguma forma interferiram
na rotina da atividade causando mudanças imprevistas que alteram o compasso de trabalho.

[...]

Construção da árvore

A representação do acidente [é] demonstrada através da construção da Árvore de Causas


(ADC). A mesma [representa] a sequência gráfica e lógica do acidente. Sendo assim, para que
ocorra a elaboração correta da árvore é necessário que as informações obtidas e a descrição
do acidente sejam precisas, permitindo com isso sua reconstituição efetivamente real.

Para não ocorrerem erros de construção da árvore algumas configurações da mesma


que podem ocorrer [...] são apresentados na Figura 4.

Figura 4 – Possibilidades de configuração da árvore

35
Unidade I

No entanto, não devem existir configurações onde variações originem fatos habituais e
formas habituais promovam variações. Para melhor exemplificar, observe a Figura 5.

Variação dando origem a uma


foto habitual

Tudo ocorreu de forma habitual, não


sugere variação

Dificilmente uma antecedente variação


da origem a um fato habitual

Figura 5 – Configurações que não podem acontecer

Fonte: Massoco (2008, p. 42; 44; 50‑2).

Saiba mais

Segurança, saúde e ergonomia é uma obra de Marta Wachowicz que


aborda questões pertinentes à segurança e à saúde no trabalho.

O título está disponível na Biblioteca Virtual.

3.5 Estudo de caso: acidente na empresa

Binder e Almeida (1997) apresentam o seguinte caso:

Sr. F., 40 anos, ajudante de limpeza da empresa há um ano e meio. Sua tarefa,
realizada com o auxílio de um colega, consiste na retirada de tambores com resíduos e
sucata em diversos setores da fábrica, habitualmente executada utilizando‑se carreta
tracionada por veículo motorizado (jipinho). Quando da ocorrência do acidente, o
veículo estava em pane, aguardando conserto, há um mês. Por esta razão, vinha sendo
utilizada uma carreta reserva com as seguintes características: 2,40 m de comprimento;
1,20 m de largura; 0,91 m de altura; quatro rodas com 0,20 m de diâmetro; peso de
cerca de 100 kg (vazia) e tração manual. Deixada no pátio, sujeita a intempéries, tal
carreta apresentava mau estado de conservação, com diversas equipes fazendo uso
dela, sem designação de responsável e com manutenção genericamente atribuída aos
ajudantes de limpeza.
36
Administração Interdisciplinar

Utilizando diariamente a carreta reserva há um mês, o Sr. F. e seu colega (Sr. Y), na
manhã do acidente, iniciaram sua reparação pela troca das laterais. Prevendo que, pela
ação da chuva, a carreta poderia deteriorar rapidamente, Sr. F. havia decidido fixar tiras de
plástico rígido na face superior das laterais, material esse previamente obtido por ele em
tambores de lixo e cortado nas dimensões das partes a proteger. Não há prescrição sobre
como executar esse tipo de conserto e tampouco provisão de materiais necessários. Não
possuindo caixa de ferramentas, o Sr. F. apanha um martelo que encontra no lixo na manhã
do dia do acidente.

Durante a jornada, iniciada às 7h, o Sr. F. e seu colega retiram o lixo até por volta de 16h,
quando essa tarefa, realizada em duplas, é interrompida em virtude da ausência não suprida
do Sr. Y., que vai ao dentista.

Alegando não gostar de parecer desocupado, Sr. F. retoma sozinho a reparação da carreta
pela colocação das tiras de plástico na face superior das laterais. A primeira delas tem
dimensões de 240 cm (comprimento) por 3,5 cm (largura) e 0,3 cm (espessura). Para fixá‑la,
usa pregos tamanho 28 x 24, reaproveitados de embalagens (reaproveitamento praticado
com frequência na empresa).

Após colocar a tira de plástico sobre a face superior de uma das bordas laterais,
o Sr. F. posiciona o primeiro prego em uma das extremidades, segurando‑o com o
polegar e indicador esquerdos e firmando o plástico com os demais dedos e palma
da mão. Ao desferir o golpe com o martelo para completar a operação, Sr. F. está
com o corpo fletido [dobrado] e com o rosto próximo ao ponto de fixação. Colocado
esse primeiro prego, dirige‑se à outra extremidade para repetir a operação, com
a dificuldade adicional de ter de manter tracionada a tira de plástico com a mão
esquerda. Ao ser martelado com força, esse segundo prego entorta, não penetra no
plástico e é lançado em direção ao rosto do Sr. F, chocando‑se com a lente esquerda
de seus óculos de segurança. A armação e a lente quebram‑se e o olho esquerdo do Sr.
F., atingido por seus fragmentos e pelo prego, sofre perfuração. A lente remanescente
(direita) é submetida a testes que revelam estar fora das especificações em relação à
resistência a impactos.

Trata‑se de acidente ocorrido durante realização de atividade eventual de


manutenção de equipamento utilizado para execução de tarefa secundária ou anexa,
e o Quadro 2 apresenta o rol de fatos contidos na descrição, reelaborados sob forma
de frases curtas, classificados como variação (¡) ou fato habitual (o) e de acordo
com o componente da atividade (Indivíduo – I, Tarefa – T, Material – M, Meio de
Trabalho – MT).

A árvore de causas do acidente descrito é apresentada na Figura 6.

37
Unidade I

Quadro 2 – Organização dos fatos ou fatores de acidentes segundo o


componente da atividade e seu caráter habitual ou não, referentes ao caso

Fator de acidente Componente o/¡


1. O Sr. F. sofre perfuração ocular (olho esquerdo) I ¡
2. O Sr. F. não gosta de parecer ocioso I o
3. O prego e fragmentos da lente atingem o olho esquerdo do Sr. F. T ¡
4. A lente esquerda dos óculos de segurança quebra com o impacto T ¡
5. O prego atinge a lente esquerda dos óculos (EPI) do Sr. F. T ¡
6. O prego é projetado em direção ao rosto do Sr. F. T ¡
7. O rosto do Sr. F. está perto do ponto de fixação do prego T ¡
8. O prego não perfura o plástico T ¡
9. O Sr. F. martela o prego com força T ¡
10. O Sr. F. segura prego e plástico com a mão esquerda T ¡
11. O Sr. F. retoma sozinho a atividade de conserto do carrinho T ¡
12. O Sr. F. fixa uma peça de plástico na borda superior do carrinho T ¡
13. O Sr. F. está momentaneamente desocupado T ¡
14. O Sr. F. conserta o carrinho reserva T ¡
15. A retirada do lixo é interrompida T ¡
16. O Sr. F. utiliza o carrinho reserva há um mês T ¡
17. Na véspera do AT, o Sr. F. apanha restos de plástico no lixo T ¡
18. O Sr. F. corta os plásticos no tamanho das bordas do carrinho T ¡
19. As lentes dos óculos (EPI) do Sr. F. estão fora de especificação M o
20. A borda superior do carrinho está a 0,91 m de altura M o
21. O martelo está em mau estado M o
22. O prego já foi utilizado M o
23. O prego é grosso M o
24. O plástico é resistente M o
25. O carrinho reserva está em mau estado M o
26. O carrinho reserva é pesado e manual M o
27. Os recipientes de lixo são pesados M o
28. O carrinho motor está em pane há um mês M ¡
29. A manutenção do carrinho reserva é tarefa do pessoal da limpeza MT o
30. Não há responsável pelo carrinho reserva MT o
31. O carrinho reserva é usado por várias equipes MT o
32. O carrinho reserva fica estacionado ao ar livre MT o
33. O colega do Sr. F. (Sr. Y.) está no dentista MT ¡
¡: variação; :fato habitual; I: indivíduo; T: tarefa; M: material; MT: meio de trabalho.

38
Administração Interdisciplinar

Árvore de causas – caso nº 1 ?

M
O martelo está em
mau estado

M T
O prego já foi usado O prego
(reutilização) não perfura
o plástico
M
O prego é
grosso

MT M
O colega do Sr. O plástico
F. está ausente é resistente T T
O Sr. F. martela O prego é
M T T ? o prego com projetado em
força direção ao
Os recipientes A remoção O Sr. F. está rosto do Sr. F.
de lixo são do lixo é momentaneamente
pesados interrompida desocupado

M T
O carrinho O Sr. F. retoma
reserva é pesado sozinho a T
e manual reparação do
carrinho, iniciada O prego
? T pela manhã T atinge a lente
M I esquerda dos
Com a mão
O Sr. F. usa O Sr. F. não óculos de
O “Jipinho” o carrinho esquerda o
está em pane gosta de parecer Sr. F. segura o segurança do
reserva há ocioso Sr. F.
há um mês um mês plástico e o prego, T T I
simultaneamente
?
MT T T A lente O prego e O Sr. F. sofre
O Sr. F. O Sr. F. fixa esquerda dos fragmento perfuração
O pessoal da óculos de da lente ocular
limpeza é conserta uma tira de T
o carrinho plástico no segurança se atingem o
encarregado da quebra com olho esquerdo
manutenção reserva bordo superior O rosto do
MT do carrinho Sr. F. está o impacto do do Sr. F.
do carrinho M próximo do MA prego
Não há reserva
responsável pelo O bordo superior ponto de As lentes dos
carrinho reserva M do carrinho fixação do óculos de
está a 0,91m de prego segurança do Sr.
O carrinho altura F. estão fora das
MT reserva está em especificações
O carrinho mau estado quanto à
reserva é usado resistência a
por várias impactos
equipes

MT
O carrinho
reserva é deixado
ao ar livre

I: indivíduo; T: tarefa; M: material; MT: meio de trabalho

Figura 6 – Árvore de causas referente ao caso

Fonte: Binder e Almeida (1997, p. 751‑4).

39
Unidade I

3.6 Interdisciplinaridade

Que disciplinas estão envolvidas nos assuntos apresentados?

O presente capítulo aborda algumas, entre elas:

• Comunicação: comunicado do acidente pela empresa ao INSS;

• Cultura Organizacional e Integração: cultura prevencionista, atividades programadas, palestras,


jogos, atividades extraempresa etc.;

• Economia e Empreendedorismo: risco da atividade econômica;

• Estatística: informações de cunho epidemiológico, trabalhista e social.

• Ética e Direito: com questões que incluem o dever de o empregador indenizar, Direito
Constitucional, responsabilidade subjetiva e responsabilidade objetiva.

• Lógica: referente à metodologia para análise de acidente de trabalho, o Método Árvore de Causas
(ADC), que determina os fatores de acidente e estabelece o nexo de causalidade.

• Segurança: Equipamento de Proteção Individual e prevenção de acidentes e doenças ocupacionais


decorrentes do trabalho.

• Sociologia e Psicologia: abordagem de acidentes de trabalho, mortes e atividade a serviço da


empresa, resultados de lesão corporal ou perturbação funcional e diminuição da capacidade de
trabalho do acidentado.

4 CUSTOS AMBIENTAIS

Para Otávio (2000, p. 3) “a gestão de custos ambientais tornou‑se um importante instrumento


gerencial para a capacitação e criação de condições para as organizações, qualquer que seja o seu
segmento econômico”.

Segundo Moura (2000), a gestão dos custos ambientais somente pode ser realizada com sucesso caso
se consiga que três áreas da empresa tenham uma boa compreensão comum das variáveis envolvidas no
processo, motivação para realizar um bom trabalho no assunto e apoio da Direção. Essas áreas englobam:

• o pessoal de gestão ambiental (são especialistas no assunto e servem de interface com todas as
outras áreas da empresa no tocante ao meio ambiente);

• a área financeira (que provê os recursos para investimentos e para o caixa);

• a área contábil (que processa os dados dos custos ambientais, fornecendo elementos para análise e decisão).
40
Administração Interdisciplinar

Para Moura (2000) a qualidade ambiental, integrada ao sistema global da organização, pode e
deve ser mensurada em termos de custos, embora existam no início do processo dificuldades em se
quantificar, significando realmente que a qualidade ambiental é difícil de ser enquadrada nos sistemas
contábeis normais da empresa.

4.1 Conceitos de custos e custos ambientais

No que tange aos custos ambientais, é necessário ter bem presentes os conceitos de: despesas
ambientais, perdas ambientais, custos ambientais, além de ativos e passivos ambientais.

Há muita confusão entre custos, despesas e perdas, e é recomendável saber distinguir esses três
termos no âmbito da Administração.

Custos, despesas e perdas são dispêndios ou gastos, isto é, representam saídas no fluxo de caixa. Se
o dispêndio for feito no setor da Produção, será reconhecido como custo; se for realizado fora desse
setor, em qualquer outro que não pertença ao setor de transformação, será reconhecido como despesa.

Despesas
Negócio
Alta
administração Apoio

Necessidades
Custos

Produto/
Serviço Clientes

Processo da
produção

Pesquisa e
desenvolvimento Marketing

Despesas

Figura 7 – Áreas dentro de uma empresa onde ocorrem tipicamente custos e despesas

Observação

Uma empresa fabrica produtos ou fornece serviços. Ao departamento que


fabrica os produtos usualmente se dá o nome de Departamento da Produção;
o que fornece os serviços se designa por Departamento de Operações.

41
Unidade I

Tecnicamente, são semelhantes: são departamentos de transformação, pois


convertem os insumos em produto ou serviço final.

Entretanto, tanto em custos como em despesas, a empresa tem o dispêndio, mas recebe algo em
troca (um produto ou serviço). A perda é um dispêndio, isto é, representa uma saída involuntária no
fluxo de caixa, não recebendo a empresa nada em troca. A Figura 8 mostra tais conceitos.

Direitos
(apropriados diretamente a cada P/S
produzido)
Variam com a quantidade produzida
Custos
(na esfera da produção) Indiretos
(apropriados por rateio a cada P/S produzido)
Despesas Não variam com a quantidade produzida
Dispêndios
ou gastos Fora da esfera da produção
(geralmente são fixas: variam muito pouco com a quantidade produzida)
Perdas
(involuntárias, sem contrapartida)

Figura 8 – Tipologia dos diversos dispêndios ou gastos de uma organização

Para Sá (1995), os custos podem ser definidos como tudo o que se investe para conseguir um produto, um
serviço ou uma utilidade (no processo de transformação). Já Leone (1997) afirma que custos dizem respeito
ao valor dos fatores de produção consumidos por uma firma para produzir ou distribuir produtos ou serviços,
ou ambos. Observar que, neste caso a distribuição se insere no setor de transformação ou de produção.

Observação

Os fatores de produção são as causas, e os produtos ou serviços são


os resultados. Geralmente os fatores são divididos em seis categorias:
matéria‑prima, mão de obra, máquinas, métodos, medidas e meio ambiente.
Como todas as categorias começam pela letra M, são designadas de “seis emes”.

Distribuição e montagem são subdepartamentos da Produção.

Para Martins (2000), custos são gastos relativos a bens ou serviços utilizados na produção de outros
bens e serviços, ou seja, o valor dos insumos usados na fabricação dos produtos da empresa.

Segundo Carvalho, Matos e Moraes (2000, p. 15) os custos ambientais compreendem

todos aqueles gastos relacionados direta ou indiretamente com a proteção


do meio ambiente e que serão ativados em função de sua vida útil, ou seja:
42
Administração Interdisciplinar

• amortização, depreciação e exaustão;

• aquisição de insumos para controle, redução ou eliminação de


poluentes;

• tratamento de resíduos de produtos;

• disposição dos resíduos poluentes;

• tratamento de recuperação e restauração de áreas contaminadas; e

• mão de obra utilizada nas atividades de controle, preservação e


recuperação do meio ambiente (CARVALHO, MATOS e MORAES,
2000, p. 15).

É importante observar que os custos ambientais descritos por Carvalho, Matos e Moraes (2000)
estão todos associados ao processo de transformação.

Conceitos importantes:

• depreciação é a diminuição do valor de um bem integrado ao ativo permanente, por desgaste ou


perda de utilidade pelo uso;

• amortização é a recuperação econômica do capital aplicado em:

despesas que contribuam para o resultado de mais de um exercício social (como despesas
pré‑operacionais e com pesquisa e desenvolvimento de novos produtos);

direitos cuja existência ou exercício tenha duração limitada ou bens cuja utilização tenha prazo legal
ou contratual limitado, e desde que em nenhuma hipótese caiba indenização.

• exaustão: é a perda de valor ou de bens aplicados na exploração de recursos minerais ou florestais


e refere‑se a recursos que se esgotam com o tempo (por exemplo: minas).

4.2 Identificação de custos ambientais

Os custos ambientais podem ser classificados sob diversas perspectivas. A seguir, duas possíveis
classificações.

Soler (1997) apresenta a seguinte subdivisão para os custos ambientais:

• diretos: transporte, tratamento e eliminação dos resíduos;

• ocultos: notificações, análises, declarações, medidas de segurança, etiquetas, seguros de acidentes;


43
Unidade I

• intangíveis: qualidade do produto, impacto ambiental, imagem da empresa, higiene;

• futuros: responsabilidade de saneamento do solo, substituição de recursos, causas civis e criminais,


danos sanitários.

Muralha (1999) apresenta a seguinte classificação:

• custos ecológicos: destinados a evitar e prevenir os efeitos nocivos ao meio ambiente, quer os
relacionados com pesquisa e desenvolvimento ou com o ciclo produtivo, de distribuição e de
aprovisionamento, quer os dos sistemas de controle e informação; normalmente são fáceis de
determinar e a sua contabilização não gera grandes problemas;

• custos ambientais: custos externos que incluem não só as indenizações pagas ou a pagar a
terceiros e determinadas por cálculo exato ou estimativa, mas também os relacionados com a
reposição do ambiente, afetado pela atividade da empresa, e com outros prejuízos causados
à sociedade; esses custos serão depois trabalhados e imputados de forma que preparem os
elementos necessários às informações para a gestão.

Já foi abordada a diferença entre despesas, custos e perdas. Agora esses conceitos são retomados
com foco nas questões ambientais.

Observação

Um custo intangível tem uma grande dificuldade para ser avaliado,


medido, quantificado, embora se perceba claramente a sua existência.
Normalmente um custo intangível não pode ser associado diretamente a
um produto ou a um processo.

4.2.1 Despesas e perdas ambientais

Despesas e custos ambientais, de acordo com Ribeiro (1998), são aqueles empregados em atividades inerentes
à proteção ambiental, por exemplo, os insumos envolvidos no processo de definição da política ambiental da
empresa, na movimentação e estocagem de material utilizado no processamento dos efluentes e dos resíduos
sólidos, seja para reaproveitamento, reciclagem ou venda, e ainda os gastos com auditorias ambientais.

Perdas ambientais, de acordo com Carvalho, Matos e Moraes (2000), são os recursos empregados
sem beneficio algum. Podem ser as multas punitivas, em virtude de inadequação à legislação vigente,
ou perdas decorrentes do dever de recuperação de áreas degradadas.

4.2.2 Ativos ambientais

Para De Luca e Martins (1994), os ativos ambientais são fatores de produção a serem consumidos
visando à preservação ambiental, ou seja, bens de longa vida útil empregados para preservação ambiental,
44
Administração Interdisciplinar

investimentos em tecnologia de reparação ambiental, “reservas” para desvalorização de bens sujeitos à


ação ambiental; são bens ou direitos intangíveis da empresa relativos ao desempenho ambiental.

4.2.3 Passivos ambientais

Representam o ato de sacrificar benefícios econômicos para preservar, recuperar e proteger o meio
ambiente, de forma que permita a compatibilidade entre o desenvolvimento econômico e o meio
ecológico ou em decorrência de conduta inadequada em relação às questões ambientais (RIBEIRO e
LISBOA, 2000).

Para a identificação dos passivos ambientais das empresas, entre as formas possíveis, segundo Ribeiro
e Lisboa (1999), estaria o uso das informações contidas tanto no Estudo de Impacto Ambiental (EIA)
quanto no Relatório de Impacto ao Meio Ambiente (Rima):

• EIA: pode ser exigido no licenciamento de projetos de empreendimentos e atividades considerados


efetivos ou potencialmente causadores de significativa degradação do meio ambiente;

• Rima: deve refletir as conclusões do EIA, contendo, entre outros aspectos, os objetivos e as
justificativas do projeto; as alternativas tecnológicas e locacionais; uma síntese dos resultados
dos estudos de diagnósticos ambientais; a descrição dos prováveis impactos ambientais de
implantação e operação da atividade; a caracterização da qualidade ambiental futura; a descrição
do efeito esperado das medidas mitigadoras previstas em relação aos impactos; o programa de
acompanhamento e monitoramento dos impactos; e, por fim, recomendações quanto à alternativa
mais favorável.

4.3 Prática de gestão da responsabilidade socioambiental

Custos e despesas relacionados à gestão do ambiente, pela sua importância, exigem que a empresa
tenha o que se pode identificar como gestão da responsabilidade socioambiental.

Observação

Ética empresarial é o conjunto de valores morais e princípios


que norteiam a conduta da empresa com seus fornecedores, clientes,
funcionários, a comunidade e outras partes interessadas.

Leia o texto a seguir, de Sanches, Marietto e Paixão (2011):

A práxis de gestão da responsabilidade socioambiental destina‑se tão somente a ter


uma postura ética e responsável com relação aos potenciais danos que os produtos, serviços
ou instalações da empresa possam causar à Comunidade ou à Natureza. Apenas isto, sem
outros fins. Tudo o que se colocar além disso, com outras ações não diz respeito à gestão
socioambiental mas à gestão da imagem da empresa, como consideram Vasconcelos e
45
Unidade I

Menezes (2002), ao afirmar que as ações de responsabilidade social são uma maneira de
agregar valor à imagem institucional, levando as empresas a adotar referenciais de mudança
de seus valores e repensar seus modelos gerenciais, competências e habilidades, direcionando
suas práticas para novos formatos de relacionamentos com seus públicos interno e externo.
A concepção [...] adotada associa‑se, portanto, à ética empresarial (business ethics) que
é, no dizer de Schommer e Rocha (2007), “um ramo da ética aplicada: trata da ação das
empresas como uma questão normativa, baseada em valores e julgamentos morais. As
empresas, como os indivíduos, estariam sujeitas a regras morais que devem pautar suas
ações, independentemente dos resultados em termos de negócios”. A concepção de
responsabilidade socioambiental que norteia a construção do questionário fundamenta‑se
na chamada visão liberal que considera que a responsabilidade primordial das empresas é
gerar maiores lucros para seus acionistas, por meio de suas funções produtivas, de maneira
eficiente e competitiva, utilizando o potencial das tecnologias. Dessa maneira, as empresas
produzem benefícios à sociedade na medida em que geram empregos, pagam impostos e
ofertam bens e serviços que a sociedade demanda (LOGAN, ROY e REGELBRUGGE, 1997;
KREITLON, 2004). Outro argumento desta visão é que lidar com problemas sociais não é
uma competência típica do setor empresarial: tais problemas devem, pois, ser resolvidos por
atores cuja finalidade está voltada para questões públicas – Estado e sociedade civil.

A práxis gerencial é aqui considerada sob a ótica do método PDCA – planejar, executar,
controlar e atuar corretivamente, como se pode ver em Meireles (2004, p. 613). Desta forma,
[...] são inicialmente consideradas as atividades referentes ao planejamento (P de Plan)
concernentes ao processo de planejar processos, produtos e serviços com mínimo nível
tecnicamente possível de danos ou agressões à sociedade e ao meio ambiente; executar (D
de Do), isto é, operar e fazer permanentes esforços para evitar e reduzir danos ou agressões
à sociedade e ao meio ambiente decorrentes dos produtos, serviços e funcionamento
da mesma, atividades que são executadas complementarmente com o C de Check, bem
como corrigir em caso de eclosão e compensar (A de Action) os danos e as agressões à
Comunidade e à Natureza.

Considera‑se, desta forma, que as ações de planejar e operar, evitar e reduzir, corrigir e
compensar com o intuito de minimizar danos ou agressões à sociedade e ao meio ambiente
decorrentes dos produtos, serviços e funcionamento da empresa constituem o que se pode
denominar práxis de gestão de responsabilidade socioambiental. Esta concepção
de práxis de gestão socioambiental exige essencialmente da empresa uma postura de
responsabilidade pelos danos que cause ou potencialmente possa causar à Comunidade e
à Natureza em decorrência de seus produtos, dos seus serviços ou instalações. A Figura 9
sintetiza este conceito.

46
Administração Interdisciplinar

Práxis de gestão da
responsabilidade socioambiental

Planejar e Evitar e
operar reduzir Corrigir Compensar

Com mínimo nível Em caso


tecnicamente de eclosão
possível

Danos ou agressões à sociedade


e ao meio ambiente

Figura 9 – Prática da gestão da responsabilidade socioambiental

Neste sentido, não é papel da empresa desenvolver uma série de ações assumindo o
papel das instituições governamentais tais como:

• desenvolver campanhas de conscientização e educação ambiental dirigidas à


comunidade local;

• desenvolver projetos que contribuam para o desenvolvimento dos filhos dos


empregados;

• apoiar projetos focados nas crianças e adolescentes da comunidade;

• oferecer bolsas de estudos ou similares, de forma a melhorar a empregabilidade dos


funcionários;

• manter programa de erradicação do analfabetismo (absoluto e/ou funcional), de


ensino supletivo ou de conclusão da educação básica pelos empregados;

• possuir políticas formais com o objetivo de contribuir para a erradicação do


trabalho infantil e do trabalho forçado, discutindo a questão com os fornecedores e
estimulando‑os a cumprir a lei;

• apoiar – técnica ou financeiramente – políticas públicas e ações (governamentais ou


de entidades do terceiro setor) focadas na melhoria da saúde pública e da educação,
na erradicação do trabalho infantil e em outras ações de fortalecimento da cidadania.

[...]
47
Unidade I

A questão da responsabilidade socioambiental da empresa associa‑se à discussão do


papel da empresa. Abramovay (2008) discute esse problema e afirma:

A responsabilidade socioambiental do setor privado envolve um paradoxo


básico, em torno de cuja explicação a literatura científica se polariza e os
atores sociais se dividem. Para uns trata‑se de contradição nos termos,
ilusão que ignora a essência mesmo do que é o sistema capitalista. A
expressão emblemática deste ponto de vista está na célebre afirmação do
prêmio Nobel de Economia, Milton Friedman, segundo o qual qualquer
companhia voltada a controlar a poluição além do exigido por lei, para
contribuir com a melhoria do meio ambiente, estaria praticando socialismo
puro e simples.

Porter e Kramer (2006) afirmam que muitas companhias só acordaram para a importância
do tema sob pressão e isso lhes trouxe (como no célebre caso da Nike, acusada de fazer uso de
trabalho infantil ou das empresas petrolíferas diante de seus sucessivos acidentes) imensos
prejuízos. Com frequência, a resposta a estas pressões foi episódica, cosmética e, sobretudo,
sem horizonte estratégico. O grande desafio para a empresa é medir as consequências de
suas ações não só em seu entorno imediato, mas numa perspectiva de longo prazo, em que
sejam criadas capacidades para antecipar resultados.

Em suma: o paradoxo básico a que se refere Abramovay (2008) é que a questão


de responsabilidade socioambiental da empresa se opõe à sua sobrevivência,
especialmente num mercado dinâmico e competitivo como o de hoje. A despeito
deste paradoxo a discussão da responsabilidade social da empresa continua em pauta,
como mostram os trabalhos de Vaaland, Heide e Grønhaug (2008), Sotorrío e Sánchez
(2008), Pava (2008), Lakshman (2009), Lorenzo‑Molo (2009), Salam (2009) e Nelling
e Webb (2009).

De acordo com Valle (1995), gestão ambiental consiste em um conjunto de medidas e


procedimentos bem‑definidos e adequadamente aplicados que visam reduzir e controlar
os impactos introduzidos por um empreendimento sobre o meio ambiente. Harrington
e Knight (2001) complementam que a gestão ambiental ocorre quando a organização
gerencia sistematicamente suas questões ambientais, integrando‑as, frequentemente,
à administração global: identificam‑se nos aspectos ambientais e nos impactos de
suas atividades, produtos e serviços; desenvolvem políticas, objetivos e metas para
administrá‑los; alocam os recursos necessários para uma implementação eficaz; medem
e avaliam o desempenho, além de rever e examinar suas atividades com vistas ao
aperfeiçoamento.

Estes dois últimos conceitos se confrontam com os de autores que destacam uma
linha assistencialista para as empresas adotando uma noção de responsabilidade social
corporativa que, de acordo com Reich (2007) é uma espécie de cortina de fumaça que
obscurece o papel imprescindível do Estado na organização social.
48
Administração Interdisciplinar

Uniethos (2011) aponta diversos padrões que podem ser adotados pelas empresas
quanto ao tema:

• Metas do Milênio: oito metas para se estabelecer as condições mínimas necessárias


ao Desenvolvimento Sustentável Global;

• Declaração Universal dos Direitos Humanos: proclamação dos direitos político,


econômico e social dos indivíduos;

• Projeto Sigma: conjunto de princípios para as empresas que buscam a


sustentabilidade, integrando temas sociais, ambientais e econômicos;

• Diretrizes do GRI – Global Reporting Initiative: diretrizes para as empresas que


desejam apresentar o balanço econômico, social e ambiental elevando a qualidade
dos relatórios de atividades empresariais;

• SA 8000: certificação com padrão global para empresas interessadas em avaliar


e certificar práticas trabalhistas em suas dependências ou em seus fornecedores e
distribuidores;

• AA 1000: norma que monitora a relação entre a empresa e a comunidade definindo


as melhores práticas para a prestação de contas;

• OHSAS 18001 – Occupational Health and Safety Assessment Series: a norma


estabelece que a empresa deve periodicamente analisar e avaliar seu Sistema de
Gestão da Segurança e Saúde do Trabalho visando identificar e implementar
melhoras;

• Padrões ISO: certificações que facilitam as negociações entre os países nas bases
técnica para Saúde, Segurança e Legislação Ambiental, auxiliando na transferência
de tecnologia.

Fonte: Sanches, Marietto e Paixão (2011, p. 2‑3; 5‑6)

4.3.1 Gestão da responsabilidade socioambiental

Para uma empresa gerir as suas responsabilidades socioambientais, ela necessita praticar um
conjunto de atos. Um dos modelos de administrar é o PDCA: gerir implica planejar (Plan), fazer ou
mandar fazer (Do) o que foi planejado, controlar (Check) a execução do plano, isto é, comparar os
resultados obtidos com o que foi planejado e atuar corretivamente (Action), se for o caso, ou seja,
buscar solução para os problemas caso os resultados sejam inferiores ao que foi planejado. Isso é
gerir, administrar.

49
Unidade I

Sanches, Marietto e Paixão (2011), tendo por fundo esse modelo de gerir, elaboraram um questionário
para verificar se uma empresa realmente faz a gestão dos custos ambientais. O questionário proposto
por esses autores divide‑se em quatro partes e estabelece um conjunto de práticas que uma empresa,
de qualquer porte, deve realizar para gerir corretamente seus custos sociais.

Esse questionário é do tipo escala Likert, com cinco colunas. Estas possuem letras cujo significado é
o seguinte:

• DT: Discordo Totalmente;


• D: Discordo;
• I: Indiferente;
• C: Concordo;
• CT: Concordo Totalmente.

4.3.2 Planejamento das ações

Uma empresa que busca ter responsabilidade socioambiental, evitando custos ambientais no que
concerne às atividades de planejamento, deve fazer que o projeto das instalações e dos produtos ou
serviços cause o menor nível de danos à comunidade ou à natureza.

Idealmente a empresa, para gerar produtos ou serviços e ter instalações que não agridam a sociedade
ou a natureza, deve responder CT a todas as proposições. Dessa forma, quanto ao planejamento das
atividades, uma empresa que tem uma prática de gestão da responsabilidade socioambiental deve,
concordar atender a todos os itens apresentados no Quadro 3.

Quadro 3 – Questionário de práxis de gestão de responsabilidade


socioambiental: atividades de planejamento

P – Plan (planejamento) DT D I C CT
1. A empresa estimula e recompensa empregados que apresentam sugestões para a melhoria dos
processos internos
2. Ao projetar um produto a empresa busca reduzir o impacto poluidor durante seu uso
3. Ao projetar‑se um produto se busca utilizar materiais que possam ser reciclados ou
reutilizados por meio de um mercado secundário
4. Ao projetar‑se um produto se leva em conta o não uso de CFC
5. Ao projetar processos a empresa busca promover a substituição de insumos e materiais por
produtos que provoquem menos danos ao meio ambiente
6. A empresa investe na atualização ou mudança do seu padrão tecnológico com o objetivo de
reduzir a utilização de recursos naturais ou substituir insumos não renováveis por outros menos
danosos ao ambiente
DT – Discordo Totalmente; D – Discordo; I – Indiferente; C – Concordo; e CT – Concordo Totalmente.

Fonte: Sanches, Marietto e Paixão (2011, p. 14‑5).

50
Administração Interdisciplinar

Observação

O CFC é um composto baseado em carbono e causa a redução da camada de


ozônio. Era utilizado como gás de geladeira e atualmente seu uso está proibido.

4.3.3 Execução das ações

As atividades referentes à operação da empresa, de modo geral, também não devem causar danos
à sociedade e à natureza, ou, pelo menos, esses danos devem ser mínimos. O Quadro 4 mostra o
questionário proposto por Sanches, Marietto e Paixão (2011) que averigua se o gestor atua de forma
responsável na operação das suas instalações e no uso dos seus produtos:

Quadro 4 – Questionário de práxis de gestão de responsabilidade


socioambiental: atividades de execução

D – Do (execução) DT D I C CT
7. A comunicação da empresa com os clientes sobre seus produtos e serviços é específica, correta e justa
8. A empresa aplica técnicas eficientes para administrar o uso de energia inteligente
9. A empresa faz a destinação de perdas ou sobras de produtos para programas sociais
10. A empresa instalou acessórios e dispositivos para economizar água
11. A empresa promove o uso dos seus produtos ou serviços com segurança
12. A empresa dá destino adequado, de acordo com o que determina a legislação, aos resíduos
sólidos resultantes de processos industriais
13. É feito um esforço contínuo para reduzir a geração de efluentes líquidos
14. É feito um esforço contínuo para reduzir a geração de emissões atmosféricas
15. É feito um esforço contínuo para reduzir a geração de resíduos sólidos
16. É feito um esforço contínuo para reduzir a geração de ruídos
17. É feito um esforço contínuo para reduzir a geração de vibrações
18. Faz parte da cultura da organização combater o desperdício
19. Na empresa há o processo de coleta seletiva de lixo
20. Há um processo ágil para ouvir e responder às reclamações da comunidade local quanto a
potenciais impactos poluidores do processo de produção dos produtos ou serviços
21. Há uma operação sistemática para prevenção de acidentes ambientais
22. Mantém equipes treinadas para enfrentar situações de emergência ambiental que relaciona
todos os produtos, serviços ou aos processos que envolvam riscos à saúde e ao meio ambiente
23. Mantém programas de gerenciamento e/ou minimização de impactos pós‑consumo de seus produtos
24. Mantém programas para a reutilização de insumos e materiais no próprio processo produtivo ou
para a reciclagem e aproveitamento desses materiais por outras empresas
25. O processo de melhoria contínua sempre busca a minimização de resíduos
26. Possui iniciativas ou programas específicos para o reúso da água nos processos produtivos
27. Possui sistema de gerenciamento e coleta de materiais tóxicos ou potencialmente danosos ao
ambiente e à saúde, incluindo pilhas e baterias
28. São utilizados fornecedores não poluidores

51
Unidade I

29. Sempre que possível são utilizados recursos renováveis


30. Sempre que possível é feita a reciclagem de produtos
31. Sempre se busca fazer uso de matérias‑primas não poluidoras
32. Todas as licenças ambientais são obtidas de forma estritamente legal
DT – Discordo Totalmente; D – Discordo; I – Indiferente; C – Concordo; e CT – Concordo Totalmente.
Fonte: Sanches, Marietto e Paixão. (2011, p. 15‑6).

4.3.4 Controle das ações

A etapa seguinte é a referente ao controle (Check). Controlar nada mais é que comparar se os resultados
obtidos são iguais aos planejados ou melhores que estes. Uma boa administração do controle da gestão da
responsabilidade socioambiental pressupõe correspondência às proposições do Quadro 5, a seguir:

Quadro 5 – Questionário de práxis de gestão de responsabilidade


socioambiental: atividades de controle

C – Check (controle) DT D I C CT
33. A geração de efluentes líquidos é controlada
34. A geração de emissões atmosféricas é controlada
35. A geração de resíduos sólidos é controlada
36. A geração de ruídos é controlada
37. A geração de vibrações é controlada
38. Continuamente é feito o monitoramento do tratamento de resíduos e efluentes
39. Há um processo contínuo para reavaliar produtos e processos com critérios relacionados ao meio ambiente
40. Mantém um sistema de monitoramento com metas específicas para reduzir a geração de resíduos sólidos
41. Mantém um sistema de monitoramento com metas específicas para reduzir a emissão de CO2 e
outros gases do efeito estufa
42. Mantém um sistema de monitoramento com metas específicas para reduzir o consumo de
combustíveis fósseis no processo produtivo ou no transporte de bens
43. Nos últimos dois anos, a empresa não sofreu sanções, multas ou processos – na Justiça,
Ministério Público ou órgãos ambientais – por problemas relacionados ao meio ambiente
44. Nos últimos dois anos, não ocorreu nenhum acidente ambiental no âmbito interno da empresa
por sua responsabilidade
45. Nos últimos três anos, a empresa não recebeu nenhuma reclamação ou manifestação da
comunidade (petições, abaixo‑assinados, protestos) por problemas como poluição sonora, mau
cheiro, despejo de efluentes ou excesso de lixo gerado
46. Nos últimos três anos, não recebeu qualquer anulação por violação das normas ambientais e de
saúde ocupacional
47. Mantém um sistema de monitoramento com metas específicas para reduzir o consumo de
energia elétrica
48. Periodicamente são feitas pesquisas para ouvir a comunidade local quanto a danos da empresa
causados pelo processo de produção de produtos ou serviços
49. Possui sistema de monitoramento das potenciais agressões à Comunidade e à Natureza
(emissões atmosféricas e da geração de efluentes líquidos e sólidos, ruídos etc.)
DT – Discordo Totalmente; D – Discordo; I – Indiferente; C – Concordo; e CT – Concordo Totalmente.

Fonte: Sanches, Marietto e Paixão (2011, p. 16)

52
Administração Interdisciplinar

4.3.5 Ações corretivas

O ciclo de gerenciamento PDCA estipula que depois da etapa de controle vem a etapa de ação
corretiva (Action), caso os resultados não sejam satisfatórios. Nessa etapa, a gestão da responsabilidade
socioambiental cuida de corrigir distorções e desvios, o que compreende atender ao exposto no
Quadro 6:

Quadro 6 – Questionário de práxis de gestão de responsabilidade


socioambiental: atividades corretivas

A – Action (ação corretiva) DT D I C CT


50. Caso ocorram acidentes, a empresa está preparada para tomar todas as medidas necessárias para
minorar os efeitos da ocorrência e reparar os danos/prejuízos socioambientais
51. A empresa possui plano de emergência ambiental que relaciona todos os produtos, serviços ou aos
processos que envolvam riscos à saúde e ao meio ambiente
52. A empresa possui procedimentos formais para recebimento, registro e resposta aos
questionamentos por terceiros relacionados ao meio ambiente
53. A empresa discute com a Comunidade local formas de compensar os danos/prejuízos que lhes causa
54. A empresa implementa as formas de compensar os danos/prejuízos que causa à Comunidade
DT – Discordo Totalmente; D – Discordo; I – Indiferente; C – Concordo; e CT – Concordo Totalmente.

Fonte: Sanches, Marietto e Paixão (2011, p. 16)

Saiba mais

Leia a obra Gestão Socioambiental no Brasil, de Rodrigo Berté, a qual


retrata as questões socioambientais que desafiam os brasileiros. O autor
demonstra que simples soluções podem ser alternativas eficientes para o
controle de nossos problemas sociais e ambientais mais alarmantes. Título
disponível na Biblioteca Virtual.

4.4 Estudo de caso: gestão socioambiental

A empresa Resinax – Materiais Compósitos foi fundada em 1976; formula e industrializa materiais
compostos. Estes são obtidos a partir da mistura de substâncias simples ou compostas. Os compósitos
são uma classe especial desses materiais e possuem algumas propriedades:

• são materiais estruturais;

• têm fases distintas e visíveis macroscopicamente;

• a resistência mecânica é superior ao de cada componente considerado de forma isolada.

53
Unidade I

O principal produto da empresa é o fiberglass, um material estrutural leve que não enferruja e pode
ser moldado em peças complexas de qualquer tamanho.

Para avaliar a sua práxis de gerência no que concerne ao planejamento da responsabilidade social,
a empresa aplicou a si o questionário proposto por Sanches, Marietto e Paixão (2011). Esse questionário
solicita que seja feita uma marca “X” na coluna mais adequada, conforme segue:

• DT: Discordo Totalmente;

• D: Discordo;

• I: Indiferente;

• C: Concordo;

• CT: Concordo Totalmente.

As marcas foram feitas por consenso entre três gestores da área de transformação (Produção,
Logística e Controle Estatístico do Processo). O resultado da análise, no que se refere ao planejamento,
encontra‑se no Quadro 7:

Quadro 7 – Avaliação do planejamento da responsabilidade social

P – Plan (planejamento) DT D I C CT
1. A empresa estimula e recompensa empregados que apresentam sugestões para a melhoria dos X
processos internos
2. Ao projetar um produto a empresa busca reduzir o impacto poluidor durante seu uso X
3. Ao projetar‑se um produto se busca utilizar materiais que possam ser reciclados ou reutilizados X
por meio de um mercado secundário
4. Ao projetar‑se um produto se leva em conta o não uso de CFC X
5. Ao projetar processos a empresa busca promover a substituição de insumos e materiais por X
produtos que provoquem menos danos ao meio ambiente
6. A empresa investe na atualização ou mudança do seu padrão tecnológico com o objetivo de
reduzir a utilização de recursos naturais ou substituir insumos não renováveis por outros menos X
danosos ao ambiente
Quantidade de ocorrências em (DT + D) e em (C+ CT) 2 3
DT – Discordo Totalmente; D – Discordo; I – Indiferente; C – Concordo; e CT – Concordo Totalmente.

Fonte: Sanches, Marietto e Paixão (2011, p. 14‑5).

Com base nos resultados mostrados no Quadro 7, os gerentes calcularam o grau de concordância
(GC) da empresa com o questionário que avalia a etapa de planejamento da responsabilidade social
(GCp) pelo oscilador estocástico de Wilder Jr. (1981), também conhecido como indicador de força
relativa:

54
Administração Interdisciplinar

 
 
100
GC = 100 −  
 ∑ Concordantes 
 + 1
 ∑ Discordantes 

O valor do grau de concordância obtido pela fórmula anterior cai sempre entre zero e cem. (Se necessário,
para evitar erro de divisão por zero, aos valores concordantes e discordantes acrescenta‑se 0,000001)

O valores concordantes são as quantidades de afirmações marcadas com “X” nas colunas (C + CP), e
os valores discordantes são as quantidades de afirmações marcadas com “X” nas colunas (DP + D).

No presente caso, temos:

 
 
 100 
GCp = 100 −   = 100 −  100  = 100 −  1000  = 100 − 40 = 60
 Cp  3   2. 5 
+ 1  + 1
D  2 
 p 

Os gerentes consultaram a Tabela 1 para interpretar o valor obtido. Como esse valor foi 60, a
interpretação corresponde a concordância moderada, o que significa que a empresa em questão não
tem práticas adequadas de planejamento da gestão da responsabilidade social.

Tabela 1 – Interpretação de valores do grau de concordância

Valor de GC Frase adequada


90 ou mais Concordância muito forte
70 a 89 Concordância substancial
50 a 69 Concordância moderada
30 a 49 Concordância baixa
10 a 29 Concordância desprezível
9 ou menos Nenhuma concordância

Fonte: Davis (1976, p. 70).

O desempenho fraco deve‑se à avaliação discordante (“X” na coluna D) de duas práticas:

• ao projetar‑se um produto se busca utilizar materiais que possam ser reciclados ou reutilizados
por meio de um mercado secundário;

• ao projetar processos a empresa busca promover a substituição de insumos e materiais por


produtos que provoquem menos danos ao meio ambiente.
55
Unidade I

4.5 interdisciplinaridade

Estão envolvidas nos assuntos apresentados as seguintes disciplinas:

• Gestão Ambiental e Responsabilidade Social: com temas como ativos e passivos ambientais;
custos ambientais; despesas ambientais; gestão da responsabilidade socioambiental; meio
ambiente; danos e agressões à Comunidade e à Natureza; perdas ambientais; preservação
ambiental e tecnologia de reparação ambiental;

• Teoria da Decisão: referente a análise e decisão nas questões ambientais;

• Ética e Responsabilidade Social: com os temas ética empresarial (business ethics); papel das
instituições governamentais; postura ética e responsável com relação aos potenciais danos
que os produtos podem causar; regras morais que devem pautar as ações gerenciais; valores e
julgamentos morais; e visão liberal;

• Administração Financeira e Contabilidade: com os problemas referentes às áreas contábil e


financeira;

• Gestão e Gestão de Processos: com temas como controle das atividades que são executadas;
método PDCA – planejar (Plan); executar (Do); controlar (Check) e corrigir (Action); e instrumento
gerencial.

Resumo

Nesta Unidade foram abordados quatro tópicos que mostraram o


contexto de multidisciplinaridade da Administração.

O primeiro tópico discorreu sobre o racionalismo técnico que permeia


as ações administrativas orientadas pelos critérios de efetividade: máxima
eficiência e máxima eficácia. Foi enfatizada a amplitude de controle, que
refere‑se ao número de subordinados que um chefe pode supervisionar
pessoalmente, de maneira efetiva e adequada. Verificou‑se que a relação
quantitativa entre superiores e subordinados é definida de acordo com a
fórmula de Graicunas (1933).

Já o segundo tópico destacou a importância do porte da empresa na


redução de custos e como a logística pode contribuir também para isso.
Mostrou que as economias de escala e de escopo auxiliam as empresas na
redução dos custos. A primeira reduz custos por possibilitar produzir em
maior quantidade, permitindo às empresas conseguir ter um custo menor
por unidade produzida; a segunda, também conhecida como economia de
gama, proporciona a redução de custos em razão da presença de fatores
56
Administração Interdisciplinar

comuns (matérias‑primas, máquinas ou homens) na fabricação de dois ou


mais produtos, assim como outras complementaridades na sua produção.

Estudou‑se que uma das formas de uma empresa obter economia


de escala e de escopo, além de ter flexibilidade, é por meio da logística.
Verificou‑se também que a cadeia de abastecimento, que vai até o
consumidor final, inclui três grandes tipos de logística: a de suprimentos, que
se ocupa da matéria‑prima e dos insumos; a de produção, referente à etapa
de transformação dos insumos em produto final; e a de distribuição, que
efetua o planejamento da distribuição por meio de centros de distribuição,
depósitos, atacadistas, varejistas, revendedores, lojas e representantes.

Dada a sua importância, foram vistos os custos totais com logística


sob a ótica da Teoria de Custos. Foi abordado que, para um maior e melhor
tratamento dos custos logísticos, é recomendada a formatação de um
dos demonstrativos contábeis, a demonstração de resultados do exercício
(DRE), em que o gestor identificará de forma clara os custos logísticos,
contribuindo para a tomada de decisão. Foi estudado o trabalho dos autores
Machado e Rodrigues (2006) propondo que os custos associados à logística
fossem criteriosamente apurados, o que resultaria em uma importante
ferramenta ao gestor, permitindo‑lhe ver com clareza as áreas logísticas
que demandam maior custo.

O terceiro tópico, por sua vez, tratou da segurança no trabalho. Nele foi
abordado que, de acordo com a OIT, ocorrem anualmente 270 milhões de
acidentes de trabalho em todo o mundo, dos quais 2,2 milhões resultam em
mortes. No Brasil, são 1,3 milhão de casos. Segundo estudos da OIT, o Brasil
ocupa o quarto lugar em relação ao número de mortes, perdendo apenas
para China, Estados Unidos e Rússia.

Também foi abordado que considera‑se acidente do trabalho


aquele que ocorre no exercício de atividade a serviço da empresa e
provoca lesão corporal ou perturbação funcional, podendo a morte, a
perda ou a redução permanente ou temporária da capacidade para o
trabalho. Foi exposto que o prejuízo material causado por esse tipo de
acidente caracteriza‑se pela diminuição das possibilidades de obter os
mesmos rendimentos por meio da força de trabalho de que dispunha o
empregado antes do fato ocorrido.

Viu‑se que o dever do empregador de indenizar o empregado vítima


de acidente surgiu da Teoria do Risco Gerado, ou seja, se é o empregador
quem cria o risco por meio de sua atividade econômica, a ele caberá
responder pelos danos causados, independentemente de dolo ou culpa (a
esse contexto se dá o nome de Teoria da Responsabilidade Objetiva).
57
Unidade I

Estudou‑se também que deveria ser considerada a Teoria da


Responsabilidade Subjetiva: somente após comprovar que houve dolo ou
culpa do empregador é que se poderia responsabilizá‑lo pelo acidente e,
em consequência, pela indenização ao dano causado.

Observou‑se que há uma norma constitucional direcionando para a


responsabilidade subjetiva e uma norma infraconstitucional direcionando
para a responsabilidade objetiva.

Esse tópico permitiu ainda tomar conhecimento de que o acidente do


trabalho, por si só, é insuficiente para gerar a obrigação indenizatória por
parte do empregador, pois somente se verificará a obrigação de ressarcir
os danos quando, na investigação da causa, ficar comprovado que este
é consequência direta e imediata (nexo de causalidade) de uma atuação
dolosa ou culposa do empregador.

Ressaltou‑se a determinação legal de que todo acidente do trabalho


ou doença profissional deverá ser comunicado pela empresa ao INSS,
sob pena de multa em caso de omissão. Destacou‑se a importância
dessa comunicação, principalmente do completo e exato preenchimento
dos formulários, tendo em vista que as informações neles contidas são
importantes não apenas dos pontos de vista previdenciário, estatístico e
epidemiológico, mas também do trabalhista e do social.

Foi possível aprender também que a legislação sobre Segurança,


Higiene e Saúde do Trabalho no Brasil é relativamente nova. Por exemplo,
a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa) foi criada apenas
em 1944.

A seguir, o texto versou sobre o Equipamento de Proteção Individual


(EPI), que é todo dispositivo ou produto de uso individual utilizado pelo
trabalhador, destinado à proteção contra riscos capazes de ameaçar sua
segurança e sua saúde.

Por fim, foi descrita uma metodologia para análise de acidentes


de trabalho: o Método Árvore de Causas (ADC). A aplicação deste exige
reconstrução, detalhada e com a maior precisão possível, da história do
acidente, registrando‑se apenas fatos, também denominados fatores
de acidente, sem emissão de juízos de valor e sem interpretações, para,
retrospectivamente, a partir da lesão sofrida pelo acidentado, identificar a
rede de fatores que culminou no acidente de trabalho (AT).

Verificou‑se que o método utiliza o conceito de variação, entendida


como mudança ocorrida em relação ao funcionamento habitual do sistema
58
Administração Interdisciplinar

(indústria, oficina etc.), considerada indispensável à ocorrência do acidente.


Adota também o conceito de atividade, constituída de quatro componentes:
indivíduo (I), considerado em seus aspectos físicos e psicofisiológicos; tarefa
(T), entendida como a sequência de operações executadas pelo indivíduo
e passível de observação; material (M), representado por máquinas,
instrumentos, ferramentas, matérias‑primas e insumos necessários ao
desenvolvimento do trabalho; e meio de trabalho (MT), entendido em seus
aspectos físicos e em suas relações sociais.

O quarto e último tópico da Unidade I abordou a gestão de custos


ambientais, que tornou‑se um importante instrumento gerencial para a
capacitação e a criação de condições para as empresas, qualquer que seja
o seu segmento econômico. Essa gestão somente pode ser realizada com
sucesso se três áreas da empresa tiverem uma boa compreensão comum das
variáveis envolvidas no processo, motivação para realizar um bom trabalho
no assunto e apoio da Direção. Essas áreas englobam: o pessoal de gestão
ambiental (são especialistas no assunto e servem de interface com todas as
outras áreas da empresa no tocante ao meio ambiente); a área financeira
(que provê os recursos para investimentos e para o caixa); e a área contábil
(que processa os dados dos custos ambientais, fornecendo elementos para
análise e decisão).

No que se refere aos custos ambientais, verificou‑se que é necessário ter


em conta alguns conceitos, como despesas ambientais, perdas ambientais e
custos ambientais, além de ativos e passivos ambientais.

Foi possível aprender que despesas e custos ambientais, são aqueles


empregados em atividades inerentes à proteção ambiental, por exemplo,
os insumos envolvidos no processo de definição da política ambiental
da empresa, na movimentação e estocagem de material utilizado
no processamento dos efluentes e dos resíduos sólidos, seja para
reaproveitamento, reciclagem ou venda, e ainda os gastos com auditorias
ambientais.

Perdas ambientais, por sua vez, são os recursos empregados sem


benefício algum. Podem ser as multas punitivas, em virtude da inadequação
à legislação vigente, ou perdas decorrentes do dever de recuperar áreas
degradadas.

Foram abordados ainda os conceitos de ativos ambientais e passivos


ambientais.

Ativos ambientais são fatores de produção a serem consumidos


visando à preservação ambiental, ou seja, bens de longa vida útil
59
Unidade I

empregados para essa finalidade, investimentos em tecnologia de


reparação ambiental, “reservas” para desvalorização de bens sujeitos à
ação do ambiente; são bens ou direitos intangíveis da empresa, relativos
ao desempenho ambiental.

Passivos ambientais, por sua vez, representam o sacrifício de vantagens


econômicas realizado para a preservação, recuperação e proteção do meio
ambiente, de forma que permita a compatibilidade entre o desenvolvimento
econômico e o meio ecológico, ou em decorrência de conduta inadequada
em relação às questões ambientais.

Esse tópico abordou ainda que custos e despesas relacionados à gestão


do ambiente, pela sua importância, exigem que a empresa adote um modelo
de gestão da responsabilidade socioambiental. Alguns autores afirmam
que a práxis de gestão da responsabilidade socioambiental destina‑se tão
somente a ter uma postura ética e responsável com relação aos potenciais
danos que produtos, serviços ou instalações da empresa possam causar à
Comunidade ou à Natureza.

Verificou‑se que essa concepção associa‑se à ética empresarial


(business ethics), que trata da ação das empresas como uma questão
normativa, baseada em valores e julgamentos morais. Segundo essa
abordagem, as empresas, como os indivíduos, estariam sujeitas a
regras morais que devem pautar suas ações, independentemente
dos resultados em termos de negócios. Foi apresentada a concepção
de responsabilidade socioambiental que norteou a construção do
questionário apresentado no tópico. Essa concepção fundamenta‑se
também na chamada visão liberal, que considera responsabilidade
primordial das empresas gerar maiores lucros para seus acionistas, por
meio de suas funções produtivas, de maneira eficiente e competitiva,
utilizando o potencial das tecnologias.

Foi abordada a práxis gerencial exercida por meio do método PDCA


(planejar, executar, controlar e atuar corretivamente), conforme Meireles
(2004). Viu‑se que nesse modelo são consideradas as atividades referentes
a: planejamento (P de Plan) concernente ao processo de planejar
processos, produtos e serviços com mínimo nível tecnicamente possível
de danos ou agressões à sociedade e ao meio ambiente; execução (D de
Do), isto é, operações e esforços contínuos para evitar e reduzir danos
ou agressões à sociedade e ao meio ambiente decorrentes de produtos,
serviços e funcionamento da organização; controle das atividades que
são executadas complementarmente, com o C de Check; e correção (A de
Action), em caso de necessidade, compensando os danos e as agressões à
Comunidade e à Natureza.
60
Administração Interdisciplinar

Nesse sentido, também foi abordado que, para muitos autores apoiados
na visão da ética empresarial (business ethics), não é papel da empresa
desenvolver uma série de ações assumindo o papel das instituições
governamentais.

Exercícios

Questão 1. Graicunas (1933) afirma que se costuma recomendar um chefe para seis vendedores; no
máximo, um chefe para sete vendedores.

A) Qual o número de relações estabelecidas nesses casos?

B) E quando um chefe tem 18 vendedores?

Resolução:

A) Qual o número de relações estabelecidas nesses casos?

2n 26
c6 = n * [ + n − 1] = 6[ + 6 − 1] = 6(32 + 5) = 6 * 37 = 222
2 2
2n 27
c7 = n * [ + n − 1] = 7[ + 7 − 1] = 7(64 + 6) = 7 * 70 = 490
2 2

B) E quando um chefe tem 18 vendedores?

2n 218
c18 = n * [ + n − 1] = 18[ + 18 − 1] = 18(131072 + 17) = 18 * 181089 = 2359602
2 2

Questão 2. Silva (2002), no seu trabalho Gestão estratégica de custos para a tomada de decisão em
logística, apresenta, entre outros, estes estudos de caso:

Caso 1

Uma empresa no sul do país distribui seus produtos para o mercado de São Paulo.
O transporte normalmente utilizado é o ferroviário, que custa R$ 1,00 a tonelada por
quilômetro, e seu tempo de trânsito é de 4 dias. Poderiam, também, ser utilizados os
modais (tipos de transportes) aeroviário e rodoviário, com os seguintes custos, para as 300
toneladas, e seus tempos de trânsito, respectivamente: aeroviário, R$ 390.000,00 e meio
dia, rodoviário, R$ 620.000,00 e 3 dias. Sabendo que cada remessa do produto corresponde
a 300 toneladas, que o custo de armazenagem em trânsito é de R$ 0,40 o quilograma por
dia e que a distância percorrida é de 1.200 quilômetros, quais os custos envolvidos nos
modais e qual seria o mais vantajoso?
61
Unidade I

Caso 2

A Cooper Corporation produz uma linha de malas de viagem que são transportadas
para os depósitos regionais da empresa, por intermédio de transportadoras comuns. Para
abastecer o mercado da costa oeste a partir da fábrica situada na costa leste, a empresa
utiliza o modal ferroviário, com trânsito de 21 dias. Em cada ponto de armazenagem são
mantidas, em média, 100 mil unidades do produto com valor médio de R$ 30,00/unidade.
O custo anual de manutenção de estoque é de 30% do valor do produto. A empresa deseja
selecionar o modo de transporte que minimiza o custo total. O depósito da costa oeste
vende 80 mil unidades por ano. A empresa pode usar os seguintes serviços:

Tabela 2 – Características dos serviços

Tipos de Frete Tempo de Total de viagens


transporte (R$/unidade) trânsito(dias) por ano
Ferrovia 0,10 21 10
Piggyback * 0,15 14 20
Caminhão 0,20 5 20
Aéreo 1,40 2 40

(*) Transporte integrado entre rodovia e ferrovia.

Qual serviço de transporte minimiza o custo total e maximiza o lucro total?

Fonte: Silva (2011, p. 9; 13).

Resolução:

Caso 1

Tabela 3 – Custos dos modais

Ferroviário Aeroviário Rodoviário


Custo de transporte 1 x 300 x 1.200 = R$ 360.000 R$ 390.000 R$ 620.000
Custo de armazenagem 120.000 x 4 = R$ 480.000 R$ 60.000 120.000 x 3 = R$ 360.000
Custo total – R$ 840.000 450.000 980.000

Fonte: Silva (2002, p. 9).

Cálculos adicionais: 0,40 dia/1 kg, onde 300.000 kg serão R$ 120.000.

Conclusão: O transporte aeroviário apresenta o menor custo, ou custo mínimo.

62
Administração Interdisciplinar

Caso 2

Tabela 4 – Custos dos modais

  Ferrovia Piggyback Caminhão Aéreo


Transporte 2.100.000 4.200.000 2.000.000 11.200.000
Manutenção dos estoques 900.000 900.000 900.000 900.000
Custo total R$ 3.000.000 5.100.000 2.900.000 12.100.000
Vendas 24.000.000 24.000.000 24.000.000 24.000.000
‑ Custo total 3.000.000 5.100.000 2.900.000 12.100.000
= Lucro 21.000.000 18.900.000 21.100.000 11.900.000

Fonte: Silva (2002, p. 14).

Conclusão: O transporte via caminhão minimiza o custo e maximiza o lucro.

Questão 3. Analise a ocorrência de acidente de trabalho exposta a seguir.

Alexandre Godoy, técnico de segurança da Construteka Ltda., relatou um acidente ocorrido no dia
17 de agosto de 2012, às 17 horas, na construção da residência do Sr. Gervásio. O acidentado foi o
técnico eletricista Fernando Zagonel Mallmann, solteiro, nascido aos 24 de abril de 1986, funcionário
da empresa desde 12 de março de 2005, há seis anos na função atual. O acidente é típico, com
afastamento.

O acidentado estava fazendo a instalação nova de rede elétrica na residência para levar energia até
a casa. Nessa atividade, passava a espia de aço e depois emendava os fios necessários na outra ponta e
puxava. Para tal, fazia uso de alicate, isolante e chave Phillips. Ao realizar a atividade, foi surpreendido
por uma descarga elétrica que deixou seu braço esquerdo queimado, sendo necessário um tratamento
com três meses de recuperação.

O acidentado atribui as causas do acidente à pressa do seu superior e à falta de comunicação.


Acredita que a possibilidade de o acidente se repetir será reduzida ou remota se forem tomadas
precauções. Recomenda‑se realizar treinamentos, bem como estabelecer a seguinte rotina: quando
alguém pretender ligar ou desligar a rede, deverá, instantes antes, avisar.

Preencha o seguinte formulário de acidente, com base nas informações dadas anteriormente:

63
Unidade I

Quadro 8 – Modelo de formulário para


investigação e análise de acidente
Relatório de investigação e análise de acidente
Cipa
Acidentado
Nome: ____________________________________________________________
Setor: _____________________________________________________________
Função: __________________________ Estado civil: ______________________
Data de admissão: _______ Tempo na empresa: ___ anos ___ meses e ___ dias
Tempo na função: __________________ Turno de trabalho: ________________
Data de nascimento: ________________ Idade: ____________________ anos

Acidente
Data do acidente: __________________ Horário do acidente: _______________
Horário de entrada do acidentado: __________________
Local do acidente: _______________________________
Característica do acidente
Típico sem afastamento Típico com afastamento
Trajeto sem afastamento Trajeto com afastamento

Descrição do acidente
Que trabalho era feito? Com qual objetivo?
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
Como era feito? Cite: máquinas, equipamentos e ferramentas utilizadas.
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
Quais foram as consequências e a parte do corpo atingida?
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
Qual é a duração provável do tratamento? ______________________________________

Investigação do acidente
Causas que contribuíram diretamente para a ocorrência:
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
Quais as razões para a existência dessas causas?
___________________________________________________________________
Qual a probabilidade de repetição do acidente?
___________________________________________________________________

Ações a serem implantadas para evitar acidentes semelhantes e prazo


___________________________________________________________________
Responsáveis pelas ações e cargo
_______________________

64
Administração Interdisciplinar

Resolução:

Quadro 9 – Preenchimento adequado do formulário


para investigação e análise de acidente

Relatório de Investigação e Análise de Acidente


Cipa

Acidentado
Nome: Fernando Zagonel Mallmann______________________________________
Setor: Funções elétricas_______________________________________________
Função: Técnico___________________ Estado civil: solteiro________________
Data de admissão: 12/03/2005 Tempo na empresa: 7 anos, 1 mês e 14 dias____
Tempo na função: 6 anos_____________ Turno de trabalho: diurno___________
Data de nascimento: 24/04/1986_____________ Idade: 26 anos______________

Acidente
Data do acidente: 17/08/2012_________ Horário do acidente: 17h00min_
Horário de entrada do acidentado: 7h30min_________________
Local do acidente: construção da residência do Sr. Gervásio_______
Característica do acidente
Típico sem afastamento Típico com afastamento X
Trajeto sem afastamento Trajeto com afastamento

Descrição do acidente
Que trabalho era feito? Com qual objetivo?
Instalação nova de rede elétrica na residência para levar energia até a casa.__________________
Como era feito? Cite: máquinas, equipamentos e ferramentas utilizadas.
Passava‑se a espia de aço, depois emendavam‑se os fios necessários na outra ponta e puxava‑se. Alicate, isolante,
chave Philips. __________________________
Quais foram as consequências e a parte do corpo atingida?
Braço esquerdo queimado._____________________________________________ ___________________
Qual é a duração provável do tratamento? Três meses de recuperação._______

Investigação do acidente
Causas que contribuíram diretamente para a ocorrência:
Pressa do superior.___________________________________________________
Quais as razões para a existência dessas causas?
Falta de comunicação.________________________________________________
Qual a probabilidade de repetição do acidente?
Reduzida/remota se forem tomadas precauções.____________________________

Ações a serem implantadas para evitar acidentes semelhantes e prazo


Realizar treinamentos, e quando alguém pretender ligar ou desligar a rede, deverá, instantes antes, avisar.________
Responsáveis pelas ações e cargo
Alexandre Godoy, técnico de segurança.

65
Unidade I

Questão 4. O objetivo das questões que seguem é verificar se você sabe aplicar o questionário de
práxis de gestão de responsabilidade socioambiental a uma empresa e determinar o grau de aderência
ou grau de concordância.

Considere o Quadro 10, que mostra as proposições referentes à parte Do (fazer). Os gerentes da
Resinax avaliaram proposição por proposição e anotaram com “X” a coluna escolhida.

Tomando como exemplo a forma de calcular para Plan (planejamento), calcule o grau de concordância
da empresa Resinax às práticas de gestão da responsabilidade socioambiental.

A) Qual é o grau de aderência, numa escala de zero a cem?

B) Como esse grau de aderência é interpretado?

Quadro 10 – Avaliação da execução da responsabilidade social

D – Do (execução) DT D I C CT
7. A comunicação da empresa com os clientes sobre seus produtos e serviços é específica, correta e justa X
8. A empresa aplica técnicas eficientes para administrar o uso de energia inteligente X
9. A empresa faz a destinação de perdas ou sobras de produtos para programas sociais X
10. A empresa instalou acessórios e dispositivos para economizar água X
11. A empresa promove o uso dos seus produtos ou serviços com segurança X
12. A empresa dá destino adequado, de acordo com o que determina a legislação, aos resíduos X
sólidos resultantes de processos industriais
13. É feito um esforço contínuo para reduzir a geração de efluentes líquidos X
14. É feito um esforço contínuo para reduzir a geração de emissões atmosféricas X
15. É feito um esforço contínuo para reduzir a geração de resíduos sólidos X
16. É feito um esforço contínuo para reduzir a geração de ruídos X
17. É feito um esforço contínuo para reduzir a geração de vibrações X
18. Faz parte da cultura da organização combater o desperdício X
19. Na empresa há o processo de coleta seletiva de lixo
20. Há um processo ágil para ouvir e responder às reclamações da comunidade local quanto a X
potenciais impactos poluidores do processo de produção dos produtos ou serviços
21. Há uma operação sistemática para prevenção de acidentes ambientais X
22. Mantém equipes treinadas para enfrentar situações de emergência ambiental que relaciona todos X
os produtos, serviços ou aos processos que envolvam riscos à saúde e ao meio ambiente
23. Mantém programas de gerenciamento e/ou minimização de impactos pós‑consumo de seus produtos X
24. Mantém programas para a reutilização de insumos e materiais no próprio processo produtivo ou X
para a reciclagem e aproveitamento desses materiais por outras empresas
25. O processo de melhoria contínua sempre busca a minimização de resíduos X
26. Possui iniciativas ou programas específicos para o reúso da água nos processos produtivos X
27. Possui sistema de gerenciamento e coleta de materiais tóxicos ou potencialmente danosos ao X
ambiente e à saúde, incluindo pilhas e baterias
28. São utilizados fornecedores não poluidores X
29. Sempre que possível são utilizados recursos renováveis X

66
Administração Interdisciplinar

30. Sempre que possível é feita a reciclagem de produtos X


31. Sempre se busca fazer uso de matérias‑primas não poluidoras X
32. Todas as licenças ambientais são obtidas de forma estritamente legal X
Quantidade de ocorrências em (DT + D) e em (C+ CT)
DT – Discordo Totalmente; D – Discordo; I – Indiferente; C – Concordo; e CT – Concordo Totalmente.

Fonte: Sanches, Marietto e Paixão. (2011, p. 15‑6).

Resolução:

Se forem contadas as ocorrências em (DT+D), tem‑se 12, e em (C+CT), tem‑se 8. Aplicando‑se o


cálculo do oscilador:

   
 100   100   100 
GCd = 100 −   = 100 −   = 100 −   = 100 − 59, 88 = 40,12
Cd 8 1, 67
 + 1  + 1
 Dd  12

A) Qual é o grau de aderência, numa escala de zero a cem?

O grau é de 40,12.

B) Como esse grau de aderência é interpretado?

Trata‑se de uma concordância baixa. A prática da empresa, no que concerne à operação da gestão
da responsabilidade, está longe de ser a ideal.

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