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A Guerra do Paraguai e as disputas da região do

Prata
O domínio da região do rio da prata é um dos principais fatores
de conflitos territoriais na América do Sul. Localizado entre Uruguai
e Argentina o Rio da Prata é o estuário dos importantes rios, Paraná
e Uruguai, esses dois rios dão acesso ao interior do continente, e
passam por cinco países diferentes, Argentina, Brasil, Bolívia,
Paraguai e Uruguai. Sua importância tanto geopolítica quanto
econômica era alvo de disputas entre Brasil e Argentina.
Neste texto iremos apresentar os fatos e acontecimentos
prévios e posteriores a Guerra do Paraguai, como formou a tríplice
aliança, os tratados e acordos. Analisaremos os motivos de cada
país envolvido nos acontecimentos, dos interesses nacionais, das
causas e consequências. Para compreender quais razões levaram
a esta guerra devemos dar uma breve atenção no contexto histórico
passado, desde o surgimento do Uruguai em 1828, a chegada de
Rosas no poder em 1829 e os conflitos entre Brasil e Argentina, e o
Paraguai dos Lopez (pai e filho), e por fim os tratados assinados.
A Argentina na época se chamava de Províncias Unidas do
Prata, era constituída de várias províncias resultantes da
desagregação do Vice-Reinado do Rio da Prata com uma
autonomia pouco centralizada. As disputas entre Portugal e a
Espanha fomentaram para as divergências entre Brasil e Argentina,
onde ambas conviviam com desconfiança.
Garantir o acesso a região da Prata era tão importante que em
1816 o Brasil invade o Uruguai, assim formando a Guerra contra
Artigas e em 31 de julho de 1821 foi anexado ao Brasil como
Província Cisplatina. A Guerra levava o nome de José Gervasio
Artigas, comandante da independência do Uruguai a Coroa
Espanhola em 1811 e governador até o fim da disputa com Brasil.

Guerra da Cisplatina

Províncias Unidas do Prata uma ex-colônia independente via o


recém-formado Brasil Imperial como uma possível ameaça a sua
segurança territorial, tinham o receio, de que como haviam feito
com o Uruguai poderiam também invadir seu território. Em abril de
1825 um exercito liderado por Juan Antonio Lavalleja conhecido por
33 orientales, invadiu a região da cisplatina, financiados pelos
argentinos, estavam dispostos a realçar o movimento de
independência e resistência ao domínio brasileiro. O movimento foi
aceito por grande parte dos fazendeiros uruguaios. Com o apoio de
Buenos Aires, Lavalleja fez com que o Congreso de la Florida
anulassem a incorporação da Cisplatina ao Brasil, também pediam
a independência do território, junto com o desejo de fazer parte das
Províncias Unidas do Prata. Em 29 de outubro a consulado
brasileiro em Buenos Aires foi atacado, e em 10 de dezembro D.
Pedro I decretava estado de guerra entre o Império do Brasil e a
Argentina, dando inicio a Guerra da Cisplatina.
“O Brasil era comandado pelo Gen. Carlos Frederico Lécor,
onde ocupou as tropas brasileiras em Montevidéu, em 1826 Lécor é
substituído pelo Marechal Felisberto Caldeira Brant Pontes, O
Marquês de Barbacena. O Exército Brasileiro de 1826 contava com
10.000 homens, 6.000 deles na Banda Oriental do Uruguai: 2.500
em Montevidéu, 1.100 em Colônia do Sacramento, 1.100
espalhados em guarnições ao longo dos rios Uruguai e Negro. A
Argentina apresentou problemas para erguer um exército. O
caudilho Juan de las Heras, governador da Província de Buenos
Aires, levantou um exército de 800 homens sob o comando do
General Martín Rodriguez”1.
Durante os três anos a guerra se demonstrava indeterminada.
A indefinição da guerra fez com que aumentassem as críticas dos
liberais contra D. Pedro I, tornando-o impopular, além disso, a
guerra prejudicava o comercio da Inglaterra que por fim decidiu
intervir. Em 1828 com a intervenção inglesa Argentina e Brasil
entraram em acordo, o tratado firmava: a independência do
Uruguai, e nenhum estado poderia anexa-lo como seu território,
assim surgia a República Oriental do Uruguai.

Pós-Guerra

1
https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_da_Cisplatina
Ainda em 1828 foi eleito Futuoso Rivera o primeiro presidente
uruguaio, onde disputou as primeiras eleições contra Levalleja, da
qual saiu vitorioso. Com as disputas entre Rivera e Levalleja,
nasceram os dois partidos políticos: o Blanco, liderado por
Levalleja, e o Colorado, da qual Rivera fazia parte. A disputa entre
os dois líderes uruguaios chegou ao auge quando os Blancos de
Levalleja tentou tomar o poder à força de Rivera. Em 1834 é eleito
para a presidência Manuel Oribe, indicado pelo próprio ex-
presidente Rivera.
Na Argentina, após o tratado assinado com o Brasil o
Governador de Buenos Aires é deposto, e em 1829 chega ao poder
João Manuel Rosas, principal chefe dos federalistas. Com a
chegada ao poder, aliou-se com Levalleja e o ajudou
financeiramente junto com Coronel Bento Gonçalves, também
aliado de Rosas.
Em 1835 Rosas é reeleito e cria aliança com o novo presidente
uruguaio Oribe. Junto com Bento Gonçalves, Rosas orquestrou a
rebelia do Rio Grande do Sul ao Império do Brasil da qual queria
anexa-lo a seu território. Rosas tinha o desejo de anexar a Bolívia,
Paraguai e o Uruguai e o Rio Grande do Sul ao seu território e
tornar a Argentina uma potencia na América do Sul, governou o país
como um verdadeiro ditador.
Rivera, vendo Oribe se aliando com Levalleja seu inimigo, se
aliou com a milícia dos farrapos no Rio Grande do Sul, e invade o
Uruguai e conquista a maior parte do país, com a exceção de
Montevidéu. Oribe foge derrotado para Buenos Aires e renuncia a
presidência, no ano seguinte em 1838, Rivera e reeleito a
presidente do Uruguai, descontente Rosas envia um exército,
formado por tropas argentinas e uruguaias sob o comando de
Oribe, derrotando Rivera, onde foge para o Rio de Janeiro. O
Governo de Uruguai elege Joaquín Suárez como novo presidente,
afim de combater as tropas de Oribe.
Ameaçados, Brasil, Uruguai e as províncias de Entre Rios e
Corrientes se unem, o Paraguai também se alia, porem com a
condição de reconhecimento de país independente por meio de um
tratado em 1844. Tratado de Aliança, Comércio e Limites entre os
dois países. A guerra contra as forças de Oribe e Rosas se forma.
Quando as tropas de Oribe são derrotadas, Rosas perde muita
força política, com isso o Governador da Província Justo José de
Urquiza, redireciona suas tropas a caminho de Buenos Aires e
derrotou o enfraquecido exercido do ditador. Derrotado em 1852
Rosa foge com a ajuda dos ingleses para a Inglaterra por onde
passa o resto de sua vida.

Fontes:

 Artigo: A Guerra Cisplatina no contexto da formação dos


estados nacionais na região platina (1825-1828)
Junqueira, Lucas de Faria
Universidade Federal do Oeste da Bahia – UFOB

 CARNEIRO, David. História da Guerra Cisplatina. São Paulo:


Companhia Editora Nacional, 1946.
 HOLANDA, Sergio Buarque de. História Geral da Civilização
Brasileira (v.5). DIFEL/Difusão Editorial S.A., 1976

 Furtado, Joaci Pereira A guerra do Paraguai. São Paulo:


Saraiva, 2000.
 Borga, Ricardo Nunes. Questões do Prata 1ª edição, Edição
do Autor (e-book), 2016