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colegio arte fissil ANDREAS HUYSSEN Culturas do passado-presente modernismos, artes visuais, politicas da meméria TRADUGAO, Vera Ribeiro CONTRAPONTO Sumario Apresentagio Geografias do modernismo em um mundo globalizante Guillermo Kuitca: pintor do espago O teatro de sombras como veiculo da meméria em William Kentridge e Nalini Malani O jardim como ruina A nostalgia das ruinas Figuras da meméria no correr do tempo: © modernismo e o apés-guerra A-cultura da meméria em um impasse: ‘memoriais em Berlim e Nova York Resisténcia memdria: uusos € abusos do esquecimento piblico Usos tradicionais do discurso sobre 0 Holocausto € 0 colonialismo Os direitos humanos internacionais ¢ limites e desafios ul rt 39 s7 83 91 139 195 Guillermo Kuitca: pintor do espaco e- [ Guillermo Kuitea é um |moderista posterior 20 modemnismo, sem ser pés-mo- > dernista; um artista qué.confia na pintura como modo de conhecer 0 mundo | através da(forma estética estruturada) £ um pintor posterior a pintura, tradu- zindo explosdes subjetivas neoexpressionistas ¢ uma arte conceituals é argentino & maneira de Borges e do tango, mas sem estampar uma carteira de identidade Jatino-americana; € um artista internacional que decidiu continuar a trabalhar ‘em sua cidade natal, Buenos Aires, em vez de levar uma vida de exilio nas me- trépoles do norte em que seu trabalho fez sucesso. Sio contradigdes e mais contradigées, todas constitutivas de sua producio artistica, sumamente versatil. ‘As miileiplas sézies de pinturas, desenhos e objetos que ele produziu nas liltimas duas décadas e meia, e que o catapultaram a primeira fila de artistas da América Latina, sio instigantes pela intensidade serena de suas formas espaciais, suas cores vibrantes e seu uso deliberado e sugestivo da repetigio ¢ da transformagio seriada. Apesar das muitas influéncias literdrias, musicais, teatrais, filos6ficas ¢ visuais em seu trabalho — ¢ ele absorve a arte produzida em outros lugares com a mesma voracidade que seu conterrineo Borges -, ‘Yeua producao é inconfundivelmente sua, interligada pela conviego de que a ; ¥ pintura é “um meio muito resistente”, a0 mesmo tempo um beco sem saida | um lugar de novas possibilidades.’ Kuit@i'reconhece a natureza precéria da ;pintura como meio primario, num mundo mercantilizado eGaturado de ima= gens? Mas, em vez de abandona-la por completo, trabalha para transforma- sla, Para Kuitca, que evita(explicitamentea arte politica, a pintura ndo é um J. meio de cesisténcia ~ resistencia tantas vezes reivindicada por movimentos antipictorais desde a década de 1960. F, antes, um meio resistente, isto é, duravel, que sobrevivera as muitas declaracées de sua morte, tendo sua per * | sisténcia assegurada, paradoxalmente, pelo fato de ja no ocupar o centro do \__ | paleo nas artes plisticas,/Tal conviecao talvez seja mais facil de manter ¢ de~ | fender na periferia do cenério artistico internacional do que na agitagio dos centros artisticos das metrépoles, movidos pelo mercado, Ela dota a obra de | Kuitea, fria e formalmente rigorosa como parece, de certa melancolia e de | uma argticia estética parcialmente silenciada. Na Argentina, o legado do mo- dernismo também tem um peso macico) Guilerme Katee pitordoespago 39