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Sinopse

Eu fui de um futuro de possibilidades para nada em um único tiro. Sem-teto,


sem dinheiro e sem o homem que eu amo, meu desespero me domina e eu procuro
conforto inesperado de pessoas há muito tempo ausentes na minha vida. Não
posso perder Sean — não agora, nem nunca — e vou fazer de tudo para recuperá-
lo de volta, mesmo que isso signifique usar-me como isca.
Capítulo 1

Enquanto eu ando para a frente e para trás, envolvo meus braços


firmemente ao redor da minha cintura, cobrindo o rasgo do meu bodysuit
ensanguentado. O figurino estúpido ainda está agarrado a mim e eu tremo, mas
não por causa da temperatura. Por Sean.

Desde que cheguei ao hospital, eu estive presa na sala de espera da


emergência. Está repleto de pessoas; algumas são da imprensa, tentando descobrir
o que aconteceu. A segurança do hospital expulsou qualquer um que não deveria
estar aqui. Estou coberta de sangue e é óbvio que eu estava com Sean, então eles
me deixaram ficar, mas a equipe do hospital não me deixa vê-lo. Desde que eu não
sou sua parente mais próxima, eles não me dirão porra nenhuma também. A única
coisa que eu sei é que ele foi levado às pressas para a cirurgia. Ouvi por acaso o
paramédico dizer que Sean poderia sangrar até a morte antes mesmo de chegar
aqui. Se eu tivesse mantido o seu anel, talvez eles iriam ter pena de mim. Agora, eu
pareço um palhaça louca. Minha maquiagem de palco está manchada em todo o
meu rosto por enxugar muitas lágrimas.

Andando pelo chão, eu olho para o espaço. Minha mente está em


sobrecarga. O que eu vi não pode ser, mas não vou me permitir pensar nisso, não
agora. Existem assuntos mais urgentes na mão, mais extremamente dolorosos que
eu possa ter que enfrentar.

A morte não pode me visitar de novo, não hoje. Eu não posso perder
Sean. Eu não poderia suportar isso.

Depois de todo esse tempo, eu não tinha certeza de como me sentia sobre
ele - sobre seu bom e seu mal, sobre a luz e as trevas dentro deste homem. Mas
agora que o tempo de Sean foi reduzido, eu sei exatamente como me sinto. Não é
justo. Algumas pessoas da minha idade não perderam uma única pessoa e eu estou
perdendo todo mundo que amo. Minha garganta aperta com o pensamento.
Pare com isso! Eu me repreendo e tento fazer isso funcionar. Ele não está
morto. Ele vai sobreviver, Sean é um lutador e lutará. É o que ele faz de melhor. Isso
me faz sorrir um pouco. Lutar é tão coisa de Sean.

Há uma explosão de ruídos e então alguém empurra as portas para a Sala de


Emergência. O cabelo castanho de Trystan cai em seus olhos, molhado da chuva. O
pavimento atrás dele brilha como flashe de fogo e a imprensa tenta descobrir se ele
também está machucado. Eles lhe jorram perguntas sobre armas de fogo. Seus
guarda-costas empurram as pessoas para trás, e logo conseguem segui-lo para a
sala. Trystan examina o espaço até pousar seus olhos em mim. Sem dizer uma
palavra, ele corre e abre os braços.

Eu caio contra seu peito e soluço. Os braços de Trystan envolvem ao redor


dos meus ombros enquanto ele beija o topo da minha cabeça. — Ele vai ficar bem.

— Você não sabe disso! — Eu consigo dizer as palavras entre soluços.

Trystan me empurra para trás e me olha nos olhos. — Você está certa. Eu
não sei nada. Eu não sei se ele vai ficar bem ou não, mas sei que você pode
sobreviver a qualquer coisa, Avery. — Quando ele diz meu nome, me sinto mais
forte. A maneira como ele olha para mim me desafia a reunir a força que está
escorrendo rapidamente para fora de mim. Eu quero desmoronar em seus braços,
mas não posso fazer isso, não com ele olhando para mim como se eu fosse um pilar
de pedra.

Sean foi acusado muitas vezes de ser nada além de pedra. É isso que a vida
faz?

Minha garganta está tão apertada que eu mal posso falar. — As pessoas
quebram. Elas não podem suportar algo parecido com isso sozinhas.

— Você não está sozinha. Você nunca vai estar sozinha, não enquanto eu
estiver por perto. Você entende? Este não é o fim. — Eu não posso olhar para
ele. Ele está tão certo e eu estou tão assustada. Abaixo o meu olhar para o chão,
mas ele não permite que fique lá. Trystan segura meu rosto entre as mãos e levanta
até que estamos olhando um para o outro. — Eu sei o que você está pensando, o
que está sentindo. Ela está aqui e se isso acontecesse com ela, Deus... — Ele aperta
os olhos fechados, piscando com força. — Algumas pessoas vão dizer que sabem,
mas não sabem. A coisa é, com a gente - somos tão parecidos - ele é o seu raio de
luz em um lugar escuro, ele é a brisa fresca no calor sufocante. Eu conheço você. Eu
sei o que você passou. Não importa o que aconteça hoje à noite, eu sei que você
pode passar por isso também. Avery, sua história é épica e este não é o fim. — Ele
oferece um sorriso preguiçoso.

Minhas mãos encontraram as suas e nesse momento, eu acredito nele. Eu


quero que as coisas fiquem bem. Quero Sean vivo e quero me casar com ele. — Eu
não sabia como me sentia e agora que sei, é tarde demais. — Um sorriso puxa em
meus lábios, mas não posso mantê-lo no lugar. Eu sou tão estúpida, tão
perfeitamente estúpida. Permiti que seu lado negro ditasse o que aconteceu com a
gente, mas esta é a fatia de esperança de Sean, o homem por trás da máscara,
aquela que me ligou a ele em primeiro lugar. Eu o abandonei quando ele precisou
de mim. Soluços irrompem até que mal posso respirar.

Trystan tira o meu cabelo do meu rosto, espalhando as lágrimas. — Nunca é


tarde demais. — Ele deixa cair as mãos e caminha até o balcão, onde uma
enfermeira está totalmente chocada com a estrela. Os guarda-costas de Trystan
estão alguns metros de distância, mas desde que ele entrou, ninguém teve a
audácia de incomodá-lo. Não existem fãs tentando chamar sua atenção. Eles
permaneceram em seus assentos e um silêncio tranquilo ultrapassou a sala. A
principal fonte de ruído vem dos televisores presos nas paredes. As notícias do
tiroteio viajaram rápido e no momento em que cheguei ao hospital, havia câmeras
na frente, lutando para obter mais informações.

Um Ferro levar um tiro em um show de Trystan Scott. É como um


dispositivo de localização para cada canal de notícias do país e mais deles estão
chegando a cada segundo. Policiais uniformizados estão guardando a porta,
certificando-se que apenas os pacientes e funcionários podem ir e vir.

A jovem enfermeira está lá, boca aberta, seu cabelo loiro bagunçado puxado
para trás em um coque com uma caneta furando pelo meio. Seu uniforme roxo faz
sua pele parecer intocada. Se eu não estivesse tão chateada, sua expressão seria
cômica.

Trystan pega a mão dela e mostra seu charme. Aquele emaranhado de


cabelo escuro brilha conforme ele o coloca para o lado e lhe dá o seu sorriso mais
encantador. — Você vê aquela mulher ali? Ela é a noiva de Sean Ferro. Ela também
é um das minhas melhores amigas. Ela está tão preocupada com Sean que não
consegue parar de chorar. Qualquer possibilidade que você possa nos ajudar e
dizer a ela se ele está vivo?
A enfermeira não se move. Um barulho estridente sai de sua boca, e eu
tenho certeza que ela vai desmaiar.

Trystan continua, inclinando-se, dizendo palavras horríveis suavemente. —


A coisa é, nós dois somos amigos da família. Se ele não for sobreviver a isso, por
favor, lhe dê a chance de dizer adeus.

Uma enfermeira corpulenta mais velha com pele escura e lábios vermelhos
brilhantes está franzindo a testa para ele. Ela finalmente levanta, repreendendo a
enfermeira loira, fazendo-a pular de volta à vida e sair correndo. A enfermeira
Meany balança a cabeça. — Só porque você é uma celebridade acha que pode sair
por aí quebrando regras? Bem, você não pode. Aqui não. Eu sou a enfermeira-chefe
e digo que não. — É claro que ela pensa que Trystan leva uma vida fácil - se ela
soubesse.

Trystan sorri e se inclina para a frente em cima do balcão, com o cabelo


pingando sobre seus papéis. — Escute. — Ele sussurra: — Eu conheço pessoas aqui
que podem tornar sua vida muito mais fácil. Além disso, eu consegui esconder... —
Sua voz abaixa tanto que eu não consigo ouvi-lo. A enfermeira e Trystan olham
para mim. — Ela não pode saber.

O olhar da enfermeira chicoteia para baixo no peito nu de Trystan. Ele está


vestindo uma jaqueta de couro gasto que está encharcada. Quando ela levanta os
olhos, balança a cabeça e levanta a mão para pressionar o botão nos deixando
passar pela porta. A coisa vibra e quando ele se vira para olhar para mim, seu alívio
é evidente.

— Venha.

Um rosto familiar está de pé no lado oposto das portas, com o rosto branco
como papel. — Trystan?
Capítulo 2

— Mari — Eu digo o nome dela e graças a Deus não havia alguém parado lá.

— Avery? — Ela olha para mim e em seguida retorna o olhar para Trystan.
E parece que alguém deu um soco em seu estômago.

Trystan vira-se para ela, lentamente, os ombros tensos e seus olhos se


arregalam. Antes que ela possa ver, ele pega o anel pendurado no pescoço e puxa,
quebrando a corrente, empurrando no bolso. Ou ele o pegou antes de vir aqui ou
estava em seu bolso durante o show. O sorriso falso que ele usa com muita
frequência aparece conforme ele retorna a sua postura relaxada normal. —
Dra. Jennings, como você está esta noite?

Ela engole em seco e mesmo com tudo o que aconteceu esta noite, eu posso
vê-los juntos. Esta é a mulher por quem Trystan se apaixonou, a mulher pela qual
ele está de luto. Ela também é a mulher que ajudou a Sean e a mim quando Logan
não podia - eu gosto dela. Eu dormi com seu Trystan? Eu tremo só de pensar.

Trystan percebe e me dá a sua jaqueta. Eu pego para cobrir meu corpo


escassamente vestido, mas isso o deixa com o peito nu. Alguém suspira, e soa um
pouco como um orgasmo. Foi quando, um belo homem alto passa e para no meio
do caminho. Seu olhar bloqueia em Trystan e estreita-se instantaneamente. Sua
voz pinga com malícia: — Você. — É claro que ele odeia Trystan também.

Trystan ergue suas mãos e recua para trás como se estivesse tentando
evitar uma briga. — Ele a salvou. Não faça isso, Logan.

— Sean quase morreu sua causa! — O homem caminha em direção a


Trystan. Ele é, obviamente, um Ferro, apesar da falta de introdução. A maneira
como ele anda, sua postura, a maneira como odeia Trystan me lembra de Sean. Em
outras circunstâncias eu me perguntaria por que a família Ferro odeia Trystan -
bem, todos exceto Bryan e Jon - mas vou me preocupar com uma coisa de cada vez.
— Sean está vivo? — Eu suspiro. Minhas mãos voam para minha boca e eu
deixo escapar um soluço.

O homem de jaleco se vira e olha pra mim. Trystan faz as apresentações. —


Logan Ferro, Avery Stanz. Este é o irmão de Bryan e primo de Sean. Você pode ver
a enlouquecida semelhança, além disso, ele tem aquela arrogância dos Ferros que
vestem tão bem. Você não diria isso, Dra. Jennings? —Ele olha para ela, mas Mari
perdeu a capacidade de falar. Seus olhos congelam com os dele e ela o olha como se
estivesse vendo um fantasma.

Logan sorri desdenhosamente para mim, mas responde. — Sim, ele teve
uma fodida sorte. — Ele olha para mim por um momento e, em seguida,
acrescenta: — Você não pertence a este lugar. Você não é da família e não posso
dizer que Sean está perguntando por você. Na verdade, ele disse o contrário.

— O quê? — Eu não posso respirar. Sean não quer me ver? Eu sinto uma
dor surgir por dentro, e quase quebro com o choque do que ele diz.

— Avery. — Mari começa a dizer baixinho, tentando me consolar. — Ele


passou por muita coisa hoje à noite, e muitas pessoas dizem coisas que não
significam nada. Não leve isso a sério.

Eu não posso fazer isso, mas não há outra maneira de fazê-lo. Balançando a
cabeça lentamente, digo-lhes: — A última vez que ele esteve no pronto-socorro, ele
arrancou seu acesso venoso. Se ele precisa ficar, certifique-se que esteja medicado,
porque se ele puder andar, vai tentar sair. — Espero que o Dr. Ferro me diga se
Sean pode andar, mas ele não diz nada. O homem olha para mim como se eu fosse o
diabo.

Trystan abre a boca, como se estivesse pronto para repreender Logan, mas
o médico o agarra pelo pulso e empurra-o para uma sala vazia antes que ele possa
dizer algo. A porta se fecha atrás deles e começam a gritar, mas está muito abafado
para ouvir.

Mari me observa, os olhos mergulhando na minha roupa rasgada e sangue


seco. — Você está ferida?

Meus lábios tremem, eu balanço minha cabeça e puxo o casaco de Trystan


mais apertado em volta da minha cintura. — Não, eu acho que não .
— Venha e deixe-me dar uma olhada em você.

Eu balanço minha cabeça novamente, incapaz de falar. Parece que eu


apunhalei essa mulher pelas costas. Eu não posso tirar proveito de sua bondade. É
errado.

— Eu provavelmente não deveria perguntar, mas tenho que saber - você


está com ele? — Seus lábios apertam juntos e se contorcem, como se ela estivesse
tentando sorrir, mas não pode.

Eu não consigo responder. O olhar em seu rosto é horrível, como se eu a


tivesse apunhalado no peito. Ela ainda ama Trystan, tenho certeza disso, mas
Trystan está aqui comigo. Eu pisco rapidamente e esfrego meus olhos. — Não, eu
não estou. — Depois de uma pausa, eu digo a ela: — Certifique-se de que Sean não
vá sair. Ele ficará puto quando perceber que está no hospital. Ele odeia este
lugar. Por favor, ajude-o. Eu tenho que ir.

Ela estende a mão para mim, mas hesita. Seus dedos não tocam no meu
ombro como havia planejado. Sua mão paira por um segundo. — Espere! — Eu me
viro para olhar para ela. — Ele está bem? Trystan, quero dizer.

Concordo com a cabeça uma vez, mesmo que ele não esteja. Ele precisa dela,
mas eu não tenho nenhuma ideia do que a sua história seja ou por que eles estão
separados. O olhar de Mari suaviza e ela sorri. — Eu estou feliz que ele esteja com
você, então. Você parece boa pra ele.

— Eu não estou com ele. — Minha voz está instável e fraca. Mari olha para
mim como se ela soubesse mais. Meu olhar cai, antes de conseguir forçar um
sorriso. — Sim, eu acho que tudo acontece por uma razão, certo?

— Eu acho que sim.

Eu acreditava nisso, até este ponto, mas depois de Sean levar um tiro por
mim e correr para a ex de Trystan, eu não vejo como a noite pode ficar pior. Isto foi
quando eu ouço a apresentadora. Lentamente, eu me viro e olho para a TV. —
Marty Masterson foi identificado como o possível atirador no Madison Square
Garden no show de Trystan Scott desta noite. A polícia de Nova York está
realizando uma caçada humana por toda a cidade enquanto falamos.
Capítulo 3

Bob corre em minha direção. Ele vê o que está acontecendo antes que eu
possa sentir. De repente, minha cabeça está leve e sei que estou caindo. O guarda-
costas de Trystan me pega em seus braços musculosos enquanto eu oscilo. Eu me
seguro ao seu enorme bíceps e gaguejo: — Marty? Ela disse que Marty que fez isso?
— Eu vi a arma em sua mão, pelo menos pensei ter visto, mas continuei pensando
que estava errada, eu tinha que estar errada.

Com tudo o que aconteceu, eu não vou permitir que a verdade venha à tona
em minha mente. Eu não posso lidar com isso. Marty é um dos meus melhores
amigos e nos segundos provenientes do tiroteio, fazia sentido que todas aquelas
pessoas foram mortas por minha causa.

— Senhorita Stanz, você precisa se deitar. — Bob tenta me acalmar, mas eu


o vejo sem saber o que preciso ou quero.

Eu vou desmoronar. Eu não posso lidar com isso. Sean não quer me ver,
Mari é o antigo amor de Trystan e Marty é um maníaco homicida. Não! Isso não
pode estar certo.

— Eu estou bem. — Eu fico olhando para as minhas unhas sentindo a


traição infiltrar-se em meu coração, mesmo que eu não possa aceitar no que estou
ouvindo na televisão. Marty é o meu melhor amigo, como ele poderia fazer isso
comigo? Eu começo a movimentar as peças do quebra-cabeça. Isso significa que ele
matou Amber e o cara pelado, e todos os outros. Ele continuou apontando para
mim, ou Sean, e eles ficaram no caminho.

Mari diz palavras de conforto, mas eu não posso ouvi-la. Meu coração está
batendo no meu ouvido, soando como uma buzina de trem após a explosão. —
Avery. — Ela diz meu nome em voz alta, e eu olho para ela. — Venha deitar-se.
Eu balanço minha cabeça e recuo. Levantando minhas mãos, eu digo: — Eu
não posso. Eu tenho que ir. Sean não me quer aqui de qualquer maneira. Eu ouvi
Logan. Basta mantê-lo seguro. Prometa-me.

Mari parece confusa. No momento em que ela descobre que eu estava aqui
por Sean, não Trystan, eu vou embora. Correndo através das portas da frente, eu
empurro meu caminho passando pelas câmeras e luzes estridentes. Eu não
respondo a ninguém, e não paro até que esteja no estacionamento e em pé na
frente do Hummer de Trystan. Eu me atiro pela porta aberta e entro.

O motorista me reconhece. Olhando pelo retrovisor, ele pergunta: — Será


que o Sr. Scott se juntará a nós?

— Não, não hoje à noite. Por favor, me leve para a Estação Babilônia, e
depois volte aqui.

Sua sobrancelha levanta com o pedido estranho. — A estação de trem?

— Sim. Eu posso encontrar meu caminho de lá. — Eu não quero explicar


para onde estou indo. Não é a minha casa mais, mas meu cérebro não parece saber
disso. Quando minha vida desmorona e queima até se converter em cinzas, acabo
sentada na calçada assistindo o auge do sol sobre as copas das árvores. Isso me
acalma quando nada mais pode, quando Jones Beach ou o cemitério são
insuficientes.

O homem acena com a cabeça e guia o carro no tráfego. Tomamos a via


expressa e depois cortamos até a Deer Park Avenue, seguindo-a até chegar à
estação de trem. Quando eu abro a porta para escapar, o motorista diz: — Você
tem certeza que não quer que eu a leve para outro lugar? — Está bastante escuro,
exceto pelo brilho da plataforma acima e as luzes de estacionamento.

— Não há nenhum outro lugar que eu prefira ir. — Agradecendo-lhe e fecho


a porta. O motorista hesita e depois se afasta, deixando-me sozinha na noite escura.
Capítulo 4

Eu vago, sem pensar para onde estou indo, deixando minha mente
subconsciente assumir. Em pouco tempo, eu me sento no meio-fio em frente à casa
dos meus pais. Há uma placa de imobiliária no gramado da frente com a palavra
VENDIDO pendurada embaixo. Meu estômago torce quando percebo que está
mudando de proprietários novamente. Eu gostaria de poder tê-la comprado, mas
eu não tenho dinheiro. Eu sou uma garota de programa muito cara, me ofereceram
para ser uma senhora de relacionamentos — se é isso mesmo o que é chamado
quando uma estagiária de prostituta sobe para ser uma senhora — e aqui estou
sem-teto, impotente.

O vazio agita dentro de mim. Eu preciso de algo para me agarrar, algo que
pareça sólido. Eu pensei que havia algo com Sean. Eu o amava. Eu continuo a fazer,
e agora ele não vai me ver. Por que ele disse isso?

Talvez Logan tenha feito. Talvez ele não me quisesse perto de seu primo,
por algum motivo, mas nenhuma explicação lógica vem à mente. Parece algo que
Sean diria, especialmente se ele não confia em si mesmo em torno de mim. Se eu
tivesse levado o tiro, eu teria pedido por ele o mais rápido possível. Mas isso não
foi o que aconteceu. Ele me empurrou para fora do caminho, a bala entrou nele,
não em mim.

Sean estava agindo aterrorizado antes do show. Eu sabia que ele estava
preocupado que alguém tentaria me machucar. De muitas maneiras ele está certo
sobre tudo. Eu estava errada e fui ingênua. Fiz promessas e, em seguida, as
quebrei. Eu disse que estaria lá para ele e eu não estava. Culpa volta dentro de mim
até que eu estou pronta para vomitar no gramado. Eu era o pior tipo de amiga para
ele. Eu não mantive minha palavra. Eu prometi a ele que eu queria tudo dele, o
escuro, a luz, e o monstro dentro. Ele finalmente confiou em mim e deu-se a mim, e
eu não podia lidar com isso. Ele tinha razão para se esconder de mim, para me
afastar. Ele sabia que seus demônios eram maiores do que eu imaginava.

Mas agora, quase perdê-lo, eu não posso suportar a ideia da minha vida sem
ele. O fato de que ele está tão quebrado, tão miserável que ele precisa exercer
controle sobre uma mulher para escapar me assusta. O que acontece quando isso
não for o suficiente? Essa foi à razão pela qual eu recuei, a razão pela qual eu o
deixei. Parecia que eu estava alimentando sua escuridão em vez de salvá-lo com
isso. Eu queria ser a pessoa que o levou através da escuridão e de volta para a luz.

Eu queria salvá-lo. Eu continuo a fazer.

Fácil, Avery. Ele ainda está respirando. Isso é suficiente para esta noite, ele
está vivo. Seja grata pelo que você tem. Apegue-se no momento.

Apegue-se no momento. Eu disse para mim tantas vezes. Quando a vida está
pronta para me esmagar, quando o enorme martelo paira sobre minha cabeça, eu
digo a mim mesma para viver a cada respiração. Isso funciona, mas é uma forma
dolorosa de viver. Às vezes parece que um final feliz não é algo que eu vou
conseguir. Meus cartões não foram tratados dessa maneira, mas eu não vou dar
mais do que posso suportar. Posso lidar com isso. Eu posso passar por isso.

Eu fico olhando fixamente por horas, vendo o sol nascer sobre as casas até
as raias de rosa e ouro se misturam e afugentam a noite de tinta. Quando o
primeiro raios de luz atinge meu rosto, eu quero chorar. As palavras de Trystan
voltam e percebo o quanto eu perdi hoje.

Levantando, eu decido ir espiar em uma janela. A grama debaixo dos meus


pés flexiona quando eu perscruto minha antiga casa. Está vazia. A casa permanece
em silêncio lembrando-me de tempos melhores. Este lugar era minha âncora na
tempestade, e agora eu não tenho nenhuma. Conforme eu caminho pela parte de
trás, forma-se uma ideia. Eu não tenho onde morar. Eu não posso voltar para o
dormitório. Não há nenhum lugar para dormir e eu não estou segura de ir para
qualquer dos meus lugares habituais. Ninguém irá me procurar aqui, e não dentro
da casa.

Antes de eu ter tempo para pensar sobre isso, o meu punho quebra através
de um painel de vidro da porta da cozinha. Eu chego a desbloqueá-lo, escorregando
para dentro antes que alguém me note.

Recuso-me a flutuar mais. Eu me recuso a aceitar que esta é a minha vida e


eu não tenho nada para mostrá-la.

Entrando, eu vejo como o sol da manhã penetra através das cortinas,


mostrando raios de luz sobre o tapete. A casa tem a mesma aparência que tinha
quando meus pais estavam aqui. Os últimos proprietários nem sequer mudaram o
papel de parede. Eu ando para a sala vazia e sento-me. Não muito antes de eu
deitar de costas e olhar para o teto.

Fechando os olhos, eu a chamo, apesar de saber que ela não pode me ouvir
— Mãe, eu preciso de você.

O silêncio da casa me fecha em um casulo até que eu adormeça.


Capítulo 5

Ninguém sabe onde estou e eu mantenho assim. Trystan ainda tem meu
celular, por isso ninguém pode me acompanhar. O mais próximo que eles tem é a
estação de trem e eu poderia ter ido a qualquer lugar a partir de lá. Está de noite na
hora que eu acordo. Meu rosto está marcado em um lado da pilha do tapete. Eu o
esfrego e estico, olhando para o relógio do micro-ondas. O sangue secou nas
minhas roupas amassadas e faz minha pele coçar e eu estou com tanta sede que eu
poderia beber uma vaca. Eu daria tudo por um copo de leite frio agora. Minha
garganta está tão seca que me sinto como se tivesse engolido um lança-chamas.

Piscando lentamente, me dou conta — eles deixaram ligado. Talvez tenha


água também. Levantando, eu ando pelo corredor até o meu antigo banheiro e ligo
a torneira. Espero que nada aconteça, mas a água fria limpa vem
derramando. Sim! Após inclinar para frente, eu engulo avidamente até que meus
lábios rachados não piquem e minha garganta seca fica melhor.

Eu endireito e olho para o espelho na escuridão. Um poste de luz dourada


lança uma auréola em cima do meu cabelo castanho frizado, e naquele momento eu
pareço tão velha. Olhando para o vidro, eu observo meu reflexo – vendo o rosto de
minha mãe aparecer, feliz e contente. Sua voz toca no fundo da minha mente como
uma memória distante, meio esquecida. Eu não consigo ouvir mais. Não me lembro
do jeito que ela falava ou do sotaque de Long Island. Está desaparecendo. Estou
perdendo-a. A visão desaparece atrás na minha aparência abatida e eu me afasto.
Eu quero ver Sean, mas eu não posso ir a qualquer lugar com este
aspecto. Eu preciso de dinheiro. Eu me recuso a chamar Black, embora eu saiba
que ela dará para mim. Eu quero evitar o dia o maior tempo possível. Como tenho
certeza que Gabe está à procura de seu investimento. Aposto que ela mata Marty se
os policiais não encontrá-lo, talvez eles já tenham. Meu estômago dói conforme o
meu coração torce. Eu não posso suportar isso, o que Marty fez.

Depois de vagar até a cozinha, sento-me na única cadeira deixada na casa. O


assento do metal é frio e duro, mas eu não me importo. Eu me inclino para trás e
estico, arqueando minhas costas e olhando para os armários. Mamãe subia em um
banquinho para limpar os armários superiores tantas vezes. Ela me disse que era
um terreno fértil para a sujeira. Eu fico olhando para aquele lugar, olhando para as
portas de madeira e o beiral acima. Eles não vivem aqui por um tempo, mas não há
nenhuma poeira lá em cima. Faz com que eu me incline para frente e olhe mais de
perto. Talvez os antigos proprietários limpassem, mas não é por isso que eu estou
olhando. Os armários superiores são feitos de painéis de madeira, um
remanescente de uma antiga cozinha. O último armário pendurado no final de uma
série de armários projetava-se um pouco do resto. É o estilo do tempo em que a
casa foi construída. Eu continuo olhando, sem entender o que eu estou vendo que
me incomoda. Algo não está certo.

A necessidade de tocar o painel me supera. Eu deslizo minha cadeira para o


local, sentindo a minha mãe me chamando enquanto eu faço. Minha pele arrepia
como as pontas dos meus dedos tocam o ponto que ela tocou tantas vezes antes. Eu
deslizo meus dedos em toda a madeira, sentindo uma pancada atrás da
outra. Quando minha mão chega ao final do armário eu deslizo sobre a moldagem
no canto. Eu faço isso de novo, então mais uma vez. Eu rio de mim mesma por ser
idiota. É como se eu quisesse abraçar essa coisa. A compulsão para passar minha
palma da mão sobre a madeira surge em mim novamente, assim como por
capricho faço uma última vez. Estou pronta para sair da cadeira, mas o painel sob a
minha mão move ligeiramente.

— Mãe, o que você fez? — Enquanto eu digo as palavras, eu pressiono a


palma da mão sobre a madeira e o desloco, fazendo-o deslizar para fora em uma
extremidade. Ela mal se move, mas é o suficiente para que eu não precise de mais
estímulo. Agarrando o acabamento sobre o pedaço de revestimento que agora se
apega do lado de fora do gabinete, eu puxo com força. A peça se move e se abre,
revelando um esconderijo na parte superior do gabinete. Eu fico olhando,
boquiaberta.

Atrás do revestimento, sob camadas de poeira, estão velhas garrafas de


vinho, papéis e uma lata de café. Eu desloco através de coisas e reconheço
instantaneamente a letra da minha mãe. Dentro de um vidro de conservas, acho
uma carta selada em um envelope que nunca foi enviado. Eu observo e rasgo o
selo, sentindo instantaneamente o toque suave da minha mãe no meu ombro.

É a letra dela. Meus olhos digitalizam as palavras:

Minha querida,

Eu não sei se você vai encontrar isso, mas se assim for, isso significa que é
tarde demais para mim. Sinto muito, meu amor. Pegue o que está aqui e não deixe
eles encontrá-la. Sinto muito, meu amor. Por favor, me perdoe.

No começo eu estou chocada ao ver a letra dela, mas minha surpresa não
anima. Suas palavras parecem em pânico e a letra dela normalmente elegante,
parece confusa e escrita às pressas. A carta era para outra pessoa, porque eu não
sei o que ela quer dizer. Eu achava que estava escrito para o papai, fazendo a “sua”
me notar.
Eu viro o papel, esperando mais na parte de trás, mas não há
nada. Rapidamente, eu pego o resto dos frascos e latas do espaço e as empurro
próximo. Sentada no chão da sala, eu esvazia cada lata, uma por uma. Não há mais
cartas para explicar, apenas frascos cheios de dinheiro e um conjunto de
identidades falsas, uma com a foto de minha mãe. Ela se parece comigo. Esta deve
ter sido tirada anos antes de morrer, talvez até mesmo antes de eu nascer. Eu pisco
para ela, sem saber o que pensar.

— Mãe, o que é isso? — Eu embaralho através de vários documentos, e


quando abro o último envelope eu suspiro. Está recheado com milhares de
dólares. Eu puxo um pouco para fora e olho para eles. Eles são do estilo antigo, mas
eles são reais. Deve haver alguns milhares de dólares aqui, fáceis.

Por que ela não me contou sobre isso? Será que ela tentou alguma vez? Eu
me lembro dela pegando o banquinho, e ela sempre tinha um pano na mão,
equilibrando sobre esse ponto, mas o conteúdo é como se ela deixou intocado por
anos.

Eu não sei o que pensar. Minha primeira reação é de falar com Sean — ele
sabe o que fazer, o que este material significa. Eu me sinto oprimida. Minha mãe
escondeu isso, e pelo que parece, papai não sabia. Esta carta deve estar endereçada
a ele.

Eu tenho que gastar algum do dinheiro. Eu não posso andar por aí coberta
por um traje rasgado manchado de sangue. Eu ainda tenho a jaqueta de Trystan,
mas não distrairá as pessoas do sangue, mesmo em Babylon. Eu preciso me
misturar. Enchendo meu bolso com algumas notas, eu decido caminhar pela rua
para a pequena linha de lojas. Eu tenho que comprar algumas roupas e eu preciso
tentar ver Sean. Eu preciso dizer que eu fui uma idiota, mas eu estou pronta
agora. A caçada a Marty provavelmente já terminou. Pela primeira vez, estamos
seguros.
Capítulo 6

Eu sei como ser frugal quando necessário, mamãe me ensinou


bem. Algumas horas mais tarde, eu estou andando com determinação através da
entrada do hospital e me perguntando o quão longe vou chegar antes de alguém
interferir. Não há um Ferro à vista e Trystan está desaparecido.

Entro no elevador como se eu soubesse o que estou fazendo. Sean deve ter
sido internado na noite passada. Eu só espero que ele ainda esteja aqui. Eu saio no
quarto andar e tento passar pelo balcão, quando uma enfermeira me para.

— Desculpe-me, querida, você tem permissão para estar aqui? — A


enfermeira é de meia-idade, com bolsas sob os olhos de uma vida de trabalho do
turno da noite.

Eu ando até ela, pronta para chorar. O nó na garganta aperta. — Acho que
sim. Sean Ferro é está neste piso, certo? — Quando ela só olha para mim com
aqueles olhos castanhos escuros, eu gaguejo, tornando-me um pouco estranha. —
Peter me ligou e me contou o que aconteceu. Ele disse que eu poderia vir para cá
agora. Eu tenho o tempo certo? A não ser, oh Deus, alguma coisa deu errado? — Eu
começo a tremer e cubro a boca para abafar um soluço.

A enfermeira vem ao redor do balcão. Ela enrola um braço por cima do meu
ombro. — Não, querida, eu não queria assustá-la. Ele está estável, mas não está
neste andar mais. Moveram-no para a ala leste no quinto. Você gostaria que eu a
levasse para ele? Sua mãe ainda pode estar lá. Ela esteve aqui mais cedo.
— Constance estava aqui? — A enfermeira acena e começa a me levar em
direção ao elevador.

— Martha, eu volto logo. — Ela chama a outra enfermeira.

Quando as portas do elevador deslizam e fecham atrás de nós, ela diz: — É


terrível que ninguém saiba a verdade todos esses anos. O que o homem deve ter
vivido. — Ela balança a cabeça. — É claro que você é uma amiga da família, porque
ninguém chama Pete Ferro de Peter.

— Eu sou. Na verdade, Sean e eu estávamos noivos. — Digo-lhe a verdade


porque está me pressionando tanto que eu poderia estourar. — Eu terminei com
ele e depois isso aconteceu.

O maxilar da enfermeira cai. Por um segundo, ela não faz nada. Então, de
repente, estou em um abraço de urso e bato contra o seu corpo mole. — Oh,
querida! A culpa que você deve sentir. Eu não posso nem imaginar isso. — Ela
tagarela sobre a forma como isso não é culpa minha, e que há uma chance para
cada casal, algo sobre estrelas, e eu sair da zona, porque é tudo uma mentira. Tudo
o que ela assume é errado.

Estou limpando lágrimas silenciosas, que rolam pelo meu rosto, até que
paramos em frente a sua porta. O nome da placa diz S Ferr. Ela sorri para mim. —
Tiramos a última letra para que as pessoas o deixassem em paz. — Quando eu não
alcanço a maçaneta, ela me fala. — Vá em frente querida.

Eu levanto minha mão, mas ela treme. Meus dedos repousam sobre a
alavanca, mas não empurro para baixo. Eu não consigo. — E se ele não quiser me
ver?
— E se, é uma pergunta horrível. Além disso, a única maneira de descobrir a
verdadeira resposta é caminhar para aquele quarto. Se você quiser, vou esperar
aqui, mas eu não acho que ele vá protestar, não com a quantidade de medicamento
que ele teve. Essa bala acertou sua costela e desalojou um pedaço de osso. Eles
passaram a maior parte da manhã em cirurgia para remover o fragmento por isso
não perfurou seu pulmão. Ele é um homem de sorte em relação a isso, de qualquer
maneira. Vá em frente e eu espero aqui, caso ele te jogue para fora.

— Sério? — Ela não deveria estar falando comigo. Eu não tenho família e eu
duvido que o meu nome esteja em seus papéis. Por alguma razão, essa mulher está
sendo gentil comigo, Avery Ninguém, no meu jeans e camiseta, com jaqueta de
couro de Trystan por cima do meu braço. Eu não me pareço com um Ferro. Eu não
me pareço com alguém que pudesse conhecê-lo, mas ela é boa para mim de
qualquer maneira.

— Claro, querida. As pessoas agem como verdadeiros estranhos depois de


terem passado por algo assim, por isso dê-lhe tempo. A sensação de perda muda as
pessoas.

Eu ofereço um meio sorriso. — Nada muda para Sean.

— É aí que você está errada. Essa bala muda tudo. Você vai ver. Vá em
frente, eu espero. — Eu não sei o que isso significa, mas preciso falar com ele. Eu
preciso dizer-lhe que me desculpe, que eu deveria ter ficado com ele.

Eu abro a porta e espio. Há uma luz brilhante, lançando sombras sobre o seu
rosto. Os olhos de Sean vibram abertos e bloqueiam no meu. Ele me olha, sem dizer
nada. Meu coração bate mais forte quando eu abro toda a porta. — Posso entrar?
O olhar de Sean passa para a enfermeira no corredor e, em seguida, de volta
para mim. Ele acena com a cabeça uma vez e levanta uma mão, indicando que eu
deveria entrar e sentar-me em frente a sua cama.

— Veja, eu lhe disse. Seja qual for à briga que você teve, é passado. Vá fazer
as pazes com o seu homem e coloque o anel de volta no dedo. Algumas pessoas
nunca terão uma segunda chance. Vocês têm sorte. — Ela fecha a porta e assim que
ouço um estalido, eu quero correr para Sean e envolver meus braços em torno
dele. Eu estava tão assustada que ele tivesse ido embora. O tiro ainda ressoa em
meus ouvidos e todas as horríveis coisas repassam atrás dos meus olhos uma e
outra vez.

Sean está com uma túnica de hospital com um IV no braço. Seu cabelo
escuro é confuso, mas aqueles olhos azuis estão atentos e cautelosos. — Sente-se.
— Sua voz é áspera, como se ele precisasse de água.

Eu tomo o assento à sua frente. As palavras e os medos que eu estava


segurando vêm correndo para fora. — Estou tão feliz que você está bem. Quando
ouvi o tiro, pensei que ele tivesse me acertado, mas então você não se mexeu. Eu
pensei que ele tivesse matado você. Sean, as coisas são tão complicadas, mas eu sei
que quero você na minha vida. Se você já desistiu de nós, vou sair por aquela porta
e nunca incomodá-lo novamente, mas se por algum motivo não desistiu, se você
ainda me ama. — Pressionando meus lábios, eu saio da minha cadeira e me ajoelho
ao lado de sua cama. — Eu quero ficar com você.

Nós dois ficamos em silêncio por um momento. Apesar de seu olhar serio,
eu consigo dizer o resto: — Você me ama? Depois de tudo que nos fiz passar, e
todas as promessas que quebrei, eu só posso perguntar. Eu abandonei você quando
você finalmente confiou em mim. Sean, eu estava com tanto medo, mas ontem à
noite me assustei muito. Eu quero você, em qualquer nível que me deixar ter. Eu
não posso viver sem você, você não vê? Você é a minha outra metade. — Lágrimas
estão escorrendo pelo meu rosto enquanto eu falo e a minha voz se torna mais
macia e suave, mas Sean não responde. Seu olhar penetrante escuro permanece
firme no meu, duro e implacável.

Continuando, eu digo: — Isso foi culpa minha e eu estava tentando. Eu só


não sabia o que fazer, naquele dia na caixa, a maneira como você parecia
desaparecer. Isso me assustou. Eu não vou mentir para você, foi a coisa mais
assustadora que já me aconteceu. A única coisa que me assustou mais, foi vê-lo cair
na noite passada. Eu pensei que você tivesse ido embora para sempre. A vida sem
você é impossível. Por favor me diga que não perdi você. Sean, por favor, diga
alguma coisa. De qualquer forma, me coloque para fora da minha miséria. — Eu
aperto a mão dele e começo a retirar a minha quando ele aperta, segurando-me
com força.

— A culpa é minha. Ele se foi, Avery. Eu estraguei tudo. — Sean inclina a


cabeça para trás contra os travesseiros e olha para o teto. — Eu não achei que era
capaz de malditas coisas como essa, mas sou. Eu estou tão fodido que eles
deveriam ter me deixado sangrar no chão do palco. Eu mereço. Não há mais nada o
que fazer.

— O que você está falando? Sean... — Eu me levanto e sento na beira da


cama, pensando que ele não está tão coerente quanto eu pensava. Examino seu
rosto para detectar sinais de uma lesão na cabeça, mas não vejo. Meus dedos
tomam posse de sua ficha. Eu puxo para baixo lentamente, esperando que ele me
pare, mas ele não o faz.

Sean tenta respirar fundo e estremece. Quando ele olha para mim eu
congelo. — Vá em frente e olhe. Isso é o que você quer, certo? Para ver se eu sou
repugnante por fora, agora, também.

— Sean!— Eu não posso acreditar que ele disse isso.


Ele ergue seu manto revelando-se, juntamente com um torso enfaixado. —
Eu sobrevivi e ele morreu, é tão errado. — Ele deixa cair o robe e por um momento
eu estou com medo. Sean não parece certo. Ele está lúcido, mas sua voz está
desligada. — A maldita bala é culpa minha, mas eu sinto muito. Eu tinha um plano,
mas esse idiota não me deu a chance e a arma. Ele estava com a porra da arma. —
Os grandes olhos azuis de Sean encontram com os meus. — Diga-me que você não
deu a ele. Por favor, diga-me que não foi você.

Bryan, estamos falando de Bryan. Eu não entendo nada do que ele acabou
de dizer, exceto pela a arma. Eu tirei-a da cabine. Eu estava com medo que iriam
encontrar o piloto que eu matei e culpassem Sean, então eu guardei. Eu menti na
cara dele outra vez. A arma que disparou em Amanda. Essa arma foi amarrada a
tantas coisas ruins, mas quando Bryan pediu, me disse que tinha um plano. Ele
também disse que não contaria a Sean que ele tinha.

Engolindo em seco, eu digo: — Bryan disse? — Oh merda. Eu endureço e


tento me afastar, mas Sean agarra meu pulso.

— Eu sabia que Bryan tinha pedido. Pete pediu para ele também, mas as
coisas eram melhores do meu jeito. Eu sabia o que estava fazendo, Avery. Eu
confiei em você e você deu a arma para ele? Foda-se. Eu sabia como viver com o
desprezo e o público pronto para me rasgar, mas não isto. Eu não posso suportar
isto. Avery, eles acham que Bryan fez, pensam que ele matou Amanda. Minha mãe
passou aqui alguns momentos atrás, e me contou tudo, por isso não finja que eu
não posso lidar com isso. Não me manuseie com luvas de pelica e vem aqui
fingindo querer consertar as coisas quando você está realmente aqui para ver se é
verdade.

— Se o que é verdade? Sean, eu não sei o que você está falando. — A


máquina atrás dele começa a apitar. Seu coração está correndo muito rápido. Falo
rapidamente, com uma voz suave, percebendo que alguma coisa o tem chateado,
mas sem acesso ao resto do mundo por um dia, eu não sei o que aconteceu. —
Shhhh, está tudo bem. Sinto muito. Vai ficar tudo bem.

O sinal sonoro para e ele olha para mim. — Bryan não fez isso. Eu não posso
deixá-lo assumir a culpa por isso, mas eles não escutam e minha mãe os deixa
pensar isso. Hallie. Deus, o olhar em seu rosto... Não era suposto ir por esse
caminho. A culpa foi minha, o meu erro, e ele tomou o golpe. Agora ele se foi.

O entendimento finalmente aparece. Eu pisco uma vez, tornando-me


plenamente consciente de tudo. — Você está dizendo que Bryan está morto?

Sean olha para mim com cara de tristeza e remorso. — A culpa foi minha. Na
outra noite, quando eu te deixei com Trystan, havia um motivo. Isso não deu
certo. Eu estava tentando ajudá-lo e eu estraguei tudo, Avery. Tudo que toco
morre. Todos ao meu redor estão envenenados. Não posso suportar isso. A culpa é
minha que ele se foi cedo demais. É minha culpa que ele tinha a minha arma e
todos pensam que ele matou Amanda.

— Eu poderia viver com isso, você sabe. Tinha uma ideia sobre a minha
identidade, mesmo que ninguém mais soubesse. Era bom - eles não tinham que me
conhecer. Deixei todos para fora, cada um, até mesmo você. Você fez bem em ir
embora. Era sua única chance. Não posso aceitá-la de volta. Eu não vou. Eu te amo
muito. Não posso fazer isso de novo, Avery - não posso. — Sua voz falha nas duas
últimas palavras e ele cobre o rosto com o braço, escondendo as lágrimas em seu
rosto.

Seguro seu pulso, levanto o braço levemente do mesmo nível para


ele. Aqueles olhos azuis encontram os meus, e vejo tanta tristeza que mal posso
manter seu olhar. — Eu também te amo e não vou embora. Nem agora, nem nunca.

Seu braço desliza a seu lado e sua voz pega um tom de súplica. — Você tem
que ir. Eu não vou me casar com você, não hoje, não amanhã. Não consigo entender
a vida que estou prestes a ter, e puxá-la para baixo comigo é cruel. É injusto com
você, Avery, e não vou fazer isso. Eu quero que você tenha a vida que sonhou com a
cerca branca e o bebê brincando no quintal. Eu posso te ver lá. Vou ajudá-la a
chegar lá, mas você vai ter que ir sem mim. Não posso lhe causar mais dor, eu não
poderia viver comigo mesmo.
Apesar das palavras, a forma como ele diz que eu preciso ficar longe, estou
atraída por isso. Sua franqueza é rara e nesses momentos eu me sinto mais ligada a
ele do que antes. Inclinando-me mais perto, meu coração bate cada vez mais forte,
até que estamos lábios com lábios. Sean para e eu olho em seus olhos, certa de que
possa ver sua alma. Ele tem medo, tão cheio de medo que não pode falar.

Deslizo meus dedos ao longo de sua bochecha, enxugo uma lágrima. — Você
disse que me ama?

Sean tenta desviar o olhar, mas eu não deixo. Levanto o queixo na minha
mão, puxo de volta para mim. — Avery, não.

— Eu sei que você está em seu ponto de ruptura. Eu vejo isso, meu
amor. Confie em mim, só um pouquinho, só por esta noite. Diga qualquer coisa,
sonhe com algo, e finja que você tem a mim.

Sean parece esperançoso. — Você vai passar a noite?

Concordo com a cabeça. — Se você me deixar.

— E quanto a Scott?

Sorrindo para o seu ciúme, eu digo: — Eu te amo. Trystan é apenas meu


amigo. Ele não é você. — Nossos olhos se encontram e algo muda no
momento. Vejo as paredes caírem e o alívio inunda seu coração. A culpa inunda
dentro de mim. A coisa com Trystan não é clara, não posso dizer que seja possível
que dormimos juntos e agora não é o momento. Sean precisa de alguém. Parece
que sua terrível mãe entrou, disse-lhe que ele foi o responsável pela morte de seu
primo e saiu.

— Scott disse que ia te perder se eu não tivesse cuidado, e então ele levou
você para longe de mim. Eu pensei que tinha perdido você.

— Você não perdeu. — Sorrio para ele.

— Eu não posso mantê-la. — Ele levanta a mão e gentilmente acaricia a


minha bochecha. Ele quase nunca me tocou dessa forma e envia um arrepio pelo
meu corpo. Preciso de calor e quero estar perto dele, então quero deitar em seu
peito, mas isso não é possível. Ele está enfaixado e iria machucá-lo se pressionar.

— Você pode, por esta noite. Eu sou sua. Sou sua amiga, sua confidente,
talvez até mesmo a sua compra, se você quiser. — Brinco com a última parte, mas
ele ainda parece desconfiado. — Sean, aceita minha ajuda pela primeira vez. Você
não tem que lutar contra seu passado sozinho, e Deus sabe que não quero estar
sozinha também. Deixe-me ficar. — Jogo as minhas sandálias baratas e deito na
cama com ele. Eu deito de lado e puxo o cobertor sobre minha calça jeans, e depois
sustento minha cabeça com o braço até que estamos olhos nos olhos. — Diga-me
para ficar, Sr. Jones.

Os cantos de seus lábios se contorcem como se quisesse sorrir. — Eu não


posso. Eu quero, mas não posso.

O IV faz um barulho e um dos saquinhos começa a esvaziar. As pálpebras de


Sean vibram e eu sei que ele está bombeando cheio de algo que vai nocauteá-
lo. Acariciando o lado de seu rosto, sussurro de novo, ordenando-lhe: — Diga-me
para ficar, Sean Ferro. Você precisa de mim aqui. Diz.

— Não. — Seus cílios escuros fecham e depois abrem e seus olhos de safira
bloqueiam nos meus.

— Você precisa de mim.

Sua voz está lá mal. — Sim.

— Então, me diga para ficar.

— Eu não vou.

— Você irá.

Sean sorri para mim e seus ombros relaxam. Os medicamentos afetaram


bastante e parece que ele pode respirar mais fácil novamente. — Eu sempre te
amei. Você sabe disso, mas temos também muitos demônios.
— Eu tenho uma caixa que pode empurrar isso para dentro. — Sean ri uma
vez e então estremece. É tão bom vê-lo sorrir, mas provavelmente não deveria
estar fazendo-o rir agora. — Eu sinto muito. Você está bem?

— Sim, mas não posso fazer isso, foda-se isso dói.

Algo estranho me ocorre e eu sei o que é. O que eu fiz com ele, é como se o
poder que ele sente segurando uma mulher dentro de seu medo é uma coisa, mas o
controle é mais do que isso. É erótico. Eu me sinto horrível por pensar isso, mas
quero fazê-lo rir novamente. Quero fazê-lo se contorcer de prazer ou dor. Talvez os
dois. Vejo de perto e arrasto o dedo sobre o peito levemente. — É isso o que
é? Sentir o que você sente? Fazendo o que você faz? Eu poderia fazer você dizer
qualquer coisa agora, fazer qualquer coisa.

Ele me olha, e sei que ele está tentando ser cuidadoso, mas o medicamento
prejudica seu julgamento. Ele fala livremente. — É força bruta, controlar alguém
assim.

Eu hesito, não é certo que quero cruzar essa linha. — É. Agora, diga a eles
que posso ficar.

— Eu não posso. Eu quero você, mas eu te amo muito. Você precisa ir. Fique
longe de nós, todos nós. Deixe Long Island, Avery. Comece de novo. Por favor, eu
imploro. — E ele está, pela primeira vez em muito tempo, Sean Ferro está me
implorando para fazer alguma coisa, mas não há nenhuma maneira que vou deixá-
lo assim. Nem agora, nem nunca.

Inclinando-me para baixo, pressiono meus lábios em seu ouvido, beijando-o


suavemente. — Diga-lhes que posso ficar. É uma ordem, Sean. Diga. Agora. —
Pressiono o botão de chamada na cama e um interfone acende. Zumbido.

Sean me observa atentamente, com os olhos em silêncio me implorando


para não cruzar a linha, mas eu já tenho. Na minha mente, posso vê-lo fazendo
isso. Meus dedos já estão na costela enfaixada. Eu vejo seus olhos quando começo a
pressionar lentamente, causando dor atirando através dele. Ele endurece e cerra o
maxilar, mas seu olhar permanece bloqueado no meu.

Uma voz feminina pergunta: — Sim?


Eu respondo: — Sean quer que eu fique esta noite. Está tudo bem?

— Se isso é o que o Sr. Ferro gostaria, sim, ele pode ter um convidado
permanecendo com ele. Você quer que eu avise o pessoal que ela vai ficar com
você?

Sean não fala então eu pressiono com mais força. Ele faz uma careta,
tentando não ceder. Sussurro em seu ouvido, fazendo com que meus lábios toquem
os pontos sensíveis, me sentindo horrível e maravilhosa ao mesmo tempo. — Diga
a ela, sim. Diz. — Eu aperto forte, uma vez.

A voz de Sean vem alta e clara, quase um grito ansioso. — Sim! — Eu retiro
minha mão de suas ataduras e o vejo, sentindo-me cruel e mais alguma coisa, algo
que me assusta, mas isso me excita, também. A enfermeira diz que vai trazer
cobertores daqui a pouco e o porteiro fica em silêncio.

Sean está me observando de perto com os olhos cheios de dor e luxúria.


— Você não deveria ter feito isso.

— Você teria.

Ele não nega isso. Em vez disso, seu olhar se move lentamente sobre mim,
levando-me. — A dor é poder, e excita algumas pessoas.

— Algumas pessoas, ou seja, você?

Ele balança a cabeça. — E possivelmente você. Confira e veja.

Sorrio sem jeito. — O que você quer dizer?

— Você está molhada, Avery? Essa demonstração de poder te excitou? — Eu


bocejo, não querendo responder, mas mesmo drogado ele reconhece a minha
demora. — Mostre-me. Coloque os dedos em sua calcinha e depois leve-os à minha
boca. Deixe-me ver por mim mesmo.

— Não.
— Passamos por essa parte. Faça isso. — Ele é duro, mas não há nenhuma
maneira ele possa fazer comigo, não gosto disso.

Eu sei o que fiz, mas eu não quero compartilhar essa informação. De


qualquer maneira, já é tarde demais. Quando eu deixo de me mover, Sean desliza a
mão por baixo da barra da minha camisa. Seus olhos de safira bloqueiam enquanto
a palma de sua mão desliza sobre meu estômago, então passando a minha cintura e
descendo. Minha boca se abre e eu suspiro quando ele me toca, tão sensível como
se eu tivesse sido cobiçada por horas. Seus dedos se movem e ele leva a mão para
fora, trazendo os dedos à boca e lambendo-os um por um.

Eu rio. — Você está exagerando, Sr. Jones.

— Você não tem ideia do que acende senhorita Smith. Eu acho que você
pode ser uma viciada em poder, porque está muito molhada para que toda essa
exibição tiver tido qualquer efeito sobre você. — Ele sorri ligeiramente.

— O que é que foi isso? Você acha isso engraçado? — Eu me inclino mais
perto do seu rosto, tomando cuidado para não inclinar-me sobre ele. Deus, ele é
lindo. Seu perfume enche minha cabeça e eu amo momentos como este, quando ele
diz que o que está pensando e não se contém. Eu não mereço essa chance. A última
vez que ele colocou sua confiança em mim, eu o empurrei. Eu me sinto mal por um
segundo, como se estivesse se aproveitando dele. Ele poderia estar chateado com
isso manhã, mas eu não posso me afastar dele. Eu sou gananciosa e vou levar o que
posso. A vida é muito curta para não fazer.

— Não. — A voz dele é leve e ele sorri para mim. — Estou feliz por nosso
relacionamento estar em frangalhos e não é tudo minha culpa. Parte do problema
é, eu tenho certeza, mas não tudo. Você não pode estar tão molhada, que ativada
por um segundo monitor de dor dois, se ele não está programado em você.

— Isso não é verdade. Eu estava apenas brincando.

— Não, você não estava. E foi isso que fez isso, certo? Foi intencional e há
algo errado com isso, certo? Baby, eu sei tudo sobre isso. Você pode me dizer. Você
não tem que ter medo. — Sua mão afaga meu rosto enquanto ele me puxa para
perto e me beija suavemente.
Suas palavras me assustam, mas algo vibra no meu estômago e está
liberando. — Foi cruel. — Vergonha libera meu rosto e eu vou para empurrar para
fora da cama, mas ele me agarra.

— Eu disse que você poderia ficar, fique. Use-me, se é isso que você
quer. Faça-me gritar de dor. Eles vão me dar mais remédios, e então você pode
fazer isso novamente. — Seus olhos brilham de alegria, como se ele quisesse que
eu fizesse isso.

Mas eu fujo. — Eu nunca vou fazer nada assim novamente. Eu te machuquei


o suficiente para durar uma vida. — Eu me afasto, mas as palavras que ele semeou
em minha mente giram em meu estômago e partes de mim formigam, mesmo que
não deveria.

— Se ficarmos juntos - vai acontecer de novo, para você, para mim. Você não
pode esconder isso para sempre, Avery. Isso vai rasgar você por dentro. — Os
olhos de Sean vibram e sei que ele não é capaz de ficar acordado. — Eu cometi
erros que não posso corrigir e isso me mata. Toda vez que olho para você, eu me
vejo alguns anos antes de Amanda morrer e levar o bebê com ela. A culpa foi
minha, por isso eu deixei me culpar. Eu morri naquele dia e não quero você esteja
vivendo com o fantasma do homem.

— Há dias em que eu não posso olhar no espelho. Eu causei dor de cabeça


horrível para tanta gente. Eles nunca me perdoaram, e não devem. Eu não posso
me perdoar também. Eu deveria ter ido para casa naquele dia. Eu deveria ter
notado, mas eu não fiz. Isso é o que acontece comigo - tudo que eu toco se
transforma em cinzas. Eu tentei tanto em não me transformar no meu pai, que
nunca vi que estava me tornando em minha mãe. Ela está morta por
dentro. Quando ela veio me visitar mais cedo, a sua ideia de uma saudação foi
chutar a cama e me perguntar se eu ainda estava vivo. Ela pareceu desapontada
quando eu respondi.

Sean pisca lentamente para mim. — O dia em que você pulou na parte de
trás da minha moto, meu mundo estava inclinado para um lado. Eu nunca vi
ninguém lutar pela vida do jeito que você luta. Eu gostaria de poder ser o cara que
você toma em seus braços e lhe permite descansar. Eu gostaria de poder aliviar sua
dor e fazer as suas lutas diminuírem, mas a vida é dor e agora eu sei mais. Eu não
posso voltar ao que eu era, quem eu era. Se eu fosse um pouco mais leve e você
fosse um pouco mais escura, talvez pudéssemos encontrar no meio e ter uma
verdadeira chance, mas você é o sol e eu sou a lua. Nós perseguimos um ao outro
no céu, mas nunca se encontramos por muito tempo. Não é pra ser, não importa o
quanto eu te ame. Eu tenho que deixar você ir. Sinto muito.

Suas palavras rompem a barragem que eu estive escondendo e fluem


livremente com as lágrimas dos meus olhos. Ele não percebe e continua falando,
apontando cada palavra mais funda nas feridas abertas. Ele me entende mais do
que eu sabia, e ele sente isso muito mais do que eu pensava. Sean não é feito de
gelo, como Constance. Eles não são a mesma coisa, não importa o que ele pense.

— Eu sinto muito, muito, por tudo. — Deitada ao lado dele na cama, eu


acaricio seu cabelo escuro enquanto ele adormece. Eu duvido que ele vá se lembrar
disso pela manhã, mas vou ter essa lembrança para sempre. É a confissão de um
homem quebrado em pedaços com os demônios rasgando sua alma dia e noite. Não
há paz, não há liberação da dor que o atormenta. Ele está me empurrando para
longe, porque ele não quer que eu me torne ele.

A coisa é, já é tarde demais, porque eu já sou.


Capítulo 7

Sean se agita no início da manhã, coerente e com palavrões. Ele para de


repente. — Avery?

Estou tonta de ficar acordada a noite toda, derramando a minha alma a


ele. Ele sorria e derivava o tempo todo, feliz que eu estava lá, mas eu duvido que
ele se lembre de uma palavra ou qualquer um dos beijos suaves que
compartilhamos. — Bom dia, Sean. — Empurrando-me no meu cotovelo, eu sento-
me ao lado da cama. — Essa enfermeira quatro horas foi má.

Ele está no piloto automático e sua voz soa cauteloso. — Você só está
dizendo isso porque ela tentou jogá-la para fora.

Vou de sonolenta esfregando os olhos a sentar-me direito e


boquiaberta. Como é que ele se lembra disso? Toda a noite deveria ser um
borrão. Eu tento esconder o meu medo e cubro isso com um alongamento. Que
Sean não percebe, ou pelo menos eu não acho que ele o faça. Eu rio com isso. —
Pura sorte. Todo mundo vai tentar me jogar para fora uma vez que acontecem as
mudanças de turno, então é melhor eu ir. Além disso, eu não quero abusar da
hospitalidade.

Ele está lúcido, com o maxilar tenso e os ombros mantidos firmemente no


lugar, mas seus olhos azuis profundos são ilegíveis. — Avery, você precisa ficar
longe de mim por um tempo. Eles não deveriam ter deixado você ontem à noite.

— Parece que você se lembra dessa parte. — Dobro os braços sobre o peito,
e olho para ele. — O que mais você se lembra, Sr. Jones?

— Só que eu disse coisas que não deveria. Este não é o soro da verdade. —
Seus arrepios estão subindo enquanto aponta para os sacos de IV. Algo que ele
disse tem lhe preocupado. Ou talvez ele não tenha ideia de tudo o que disse.
— Eu não vou contar os seus segredos.

— Eu não quero que você saiba tudo.

— O quê? De onde veio isso? Coerente Sean está dizendo algo sincero? — Eu
rio, tentando aliviar o clima, mas ele não cai nessa.

— Quero dizer. Há coisas que você não deve saber. A ignorância


protege. Algumas pessoas foram feitas para andar sozinhas. Eu sou uma delas.

É isso aí. Eu tive-o com a sua parede e não vou ser empurrada para longe
novamente. — Besteira. Ontem à noite você disse que me amava. — Sean olha para
o lado, seus olhos desviando desesperadamente, evitando o meu olhar. — Você me
disse um monte de coisas e eu disse-lhe um monte de coisas. Eu não tenho ideia do
que você ouviu. É disso que se trata, certo? Que você não sabe o que disse? Bem, o
fato é que eu não sei do que se lembra e eu disse coisas que normalmente não teria
dito a você, então estamos quites.

A mão de Sean pega a chave e ele aperta o botão de chamada. O interfone


clica. — Sim?

— Eu gostaria de ficar sozinho. Por favor, escolte essa mulher para fora e
não a deixe subir mais. Eu preciso descansar. — Sean diz as palavras sem rodeios,
me observando.

Minha mente tem flashes de ontem à noite, a dor que eu causei a ele e me
pergunto se isso é parte disso.

— Certamente, Sr. Ferro. Alguém vai estar aí em um momento. — O som fica


estático e eu sei que ninguém está escutando.

Inclinando-me perto de seu rosto, eu mordo os lábios e tento não explodir


de raiva. — Isso foi uma coisa desagradável de fazer.

— Eu sou uma pessoa desagradável. — Ele possui as palavras quando caem


de seus lábios.
— Eu também. — Meus lábios deslizam nos dele na última palavra e, em
seguida, eu faço isso, eu me inclino sobre ele o suficiente para fazê-lo
gritar. Quando seus lábios abrem, eu arremesso minha língua dentro de sua boca,
beijando-o com força.

A porta se abre e eu ouço uma enfermeira gritar. — Não se apoie em cima


dele! O que há de errado com você? — Ela me puxa.

Os olhos de Sean são de cristal azul e vívido com dor, emoção e algo
mais. Eu o observo por um segundo quando eu limpo o gosto dele da minha
boca. — Então, eu acho que você quer que eu aceite aquele trabalho, afinal? Está
tudo bem. Eu vou, Sean. Se precisar de mim, você sabe para quem ligar. — É um
blefe, mas eu não posso ir embora com ele pensando que estou ferida. Usando Miss
Black é baixo, mas não tenho outra carta para jogar.

A enfermeira está me xingando, mas Sean fala sobre ela. — Avery, não. —
Isso é tudo o que ele diz, duas palavras.

Eu me viro bem antes de sair do quarto e sorrio. — O que te interessa?

— Eu disse não. — Ele rosna para mim do outro lado do quarto. A


enfermeira olha de Sean para mim, como uma partida de tênis.

O meu olhar está bloqueado no seu, totalmente desafiador. — Desde quando


eu ouço que você diz? Na verdade, você disse que eu deveria ficar longe de
você. Parece um bom plano para mim. Não é como se eu pudesse voltar para a
faculdade, desde que eu perdi essa coisa toda de formatura.

Seu rosto afrouxa. — Você perdeu?

— A formatura é na próxima semana. Não há nenhuma maneira no inferno


de eu ter passado. Eu perdi o semestre inteiro, então não vou pegar meus créditos
e sem eles, sem diploma. Sem pós-graduação. Nenhum ponto de toda a minha
porra existência, então por que não aproveitar essa oferta de emprego? Depois que
tudo estiver dito e feito, a vida se resume a dor e dinheiro. Eu tenho muita dor,
então é hora de fazer algo sobre o último.

— Avery, não me teste.


— Sean, não é um teste. Nós terminamos. Você mesmo disse. — Eu saio pela
porta e olho pelo corredor, passando pelos guardas de segurança indo para o
quarto de Sean. Eles não têm ideia de que eu sou a causadora de problemas, então
eu escorrego por eles. Uma vez que desço pelo elevador e saio pela porta da frente,
eu desacelero e recupero o fôlego.

Segurando meu rosto em minhas mãos eu me dobro até a cintura e mordo


de volta em um grito. Como ele pode fazer isso? Por que ele não pode ver o quanto
precisamos um do outro? Ontem à noite, deveria ter mudado tudo isso, mas isso
não aconteceu. Eu me inclino para trás contra a parede de tijolos, e coloco a cabeça
para o céu.

Comoção irrompe dentro. Assim que empurro a parede, estou de volta para
ele. Sean está ali, furioso, com seu manto hospital e o IV arrancado de seu
braço. Sangue espirra para baixo do seu antebraço como fitas vermelhas.

Quando eu entendo o que está acontecendo, ele está no meu rosto,


assobiando e me segurando na parede. — Você não vai trabalhar para ela, nem
agora, nem nunca mais. Você me entende? Você é minha, Avery. Eu não posso
deixar você fazer isso. Eu não posso deixar você jogar tudo fora, não por isso - não
por mim - não por qualquer um. — Seu aperto afrouxa e eu suspiro, olhando para
ele.

Enfermeiros e médicos estão tentando tirá-lo de cima de mim e convencê-lo


a voltar para a cama, mas o homem é um boi. Ele não se move se não quiser. Eles
estão prestes a esfaqueá-lo com uma agulha e arrastar sua bunda de volta para
cima. Sem dúvida, a família Ferro terá que fazer uma contribuição enorme para
esse hospital por seu comportamento.

Minha voz é suave, implorando. Estou cansada de fazer jogos. Eu só quero


estar com ele. — Então, pare de me afastar.

— É tarde demais. Você está com Scott.

— Não, eu não estou. — Eles apunhalam Sean com uma agulha e ele ruge. Os
movimentos das pessoas vacilam e alguns visivelmente recuam. Eu sou a única
maluca que quer estar mais perto. Tomando seu rosto em minhas mãos, eu movo-o
em direção a mim. — Eu lhe disse isso ontem à noite. Eu não estou com ele, nunca
estive. — Bem, espero que essa parte seja verdade. Eu não queria mentir, mas
escapou. Eu rogo a Deus, na esperança de que não tenha mentido sobre Trystan e
eu, nós nunca estivemos juntos. Isso vai machucá-lo muito, e eu não posso deixá-lo
pensar que dei em cima dele e segui em frente, e não quando ele ainda estava
apaixonado por mim. — Sean, eu te amo. Eu quero você. A única razão que me faria
trabalhar para ela é porque você não me quer.

— Eu quero você. Eu quero o que você quer. Eu quero a cerca branca. Eu


quero o bebê. Eu quero você. Eu só estou... Com medo. — Ele pisca lentamente e,
em seguida, acorda novamente. Ele está lutando contra o sedativo, mas não
consegue. — Isso vai acabar. Eu não posso viver por isso novamente. Avery... —
Sean cambaleia e os médicos e enfermeiros corpulentos o agarram quando ele fica
mole. — Fique.

Eu o observo por um momento. Uma enfermeira me diz que eles têm que
levá-lo de volta para sua cama. — Você não pode sair correndo daqui, antes que
esteja pronto.

Sean sorri torto para mim. — Eu já fiz. Por você, eu faria qualquer coisa. Não
vá para Black - não aceite o emprego. Prometa-me. — Ele chega para mim, e pega a
minha mão.

— Eu não vou aceitar o trabalho. Eu prometo.


Capítulo 8

Poucos dias depois, eu estou sentada na lanchonete em frente a Peter. Tem


sido uma semana infernal. O funeral de Bryan foi na parte da manhã. Eles
atrasaram o maior tempo possível para que Sean pudesse participar. Estamos
tentando descobrir como chegar lá, uma vez que ele ainda está muito fraco para
fazer muita coisa.

A morte precoce de Bryan me pegou desprevenida. Sean me disse sobre


isso, mas foi o rescaldo da notícia de que a tornou ainda mais hedionda. — O que
aconteceu?

Peter balança a cabeça e olha para o café. — Ninguém sabe. O melhor que
podem juntar é que Bryan e Sean se odiavam e que foi intencional.

Eu faço uma cara. — O que, como se Bryan tivesse cometido suicídio?

— Mais ou menos, mas não. Mais como Bryan tivesse se jogado na linha de
fogo para evitar outras coisas.

— Você acredita nisso?

Peter balança a cabeça. — Não se ele estava com Sean. O homem protege
sua família, não importa o que as pessoas dizem ou ouçam. Sean não iria deixar
Bryan cometer suicídio e não há como Bryan ter matado Amanda. Isso é
simplesmente ridículo. Ele não tem motivo e as pessoas estão especulando
descontroladamente. Uma teoria é que Amanda estava grávida de Bryan e não
poderia assumir a culpa. Ela ia dizer a Sean, então Bryan atirou nela. É ridículo.

Eu estou olhando para ele com meu queixo caído. — Isso é a coisa mais
estúpida que eu já ouvi.

Peter dá de ombros. — As pessoas acreditam no que querem. De qualquer


maneira, faz Sean parecer como um mártir por todos esses anos, nunca disse uma
palavra sobre isso, lamentando silenciosamente suas perdas. As mesmas pessoas
que estavam cuspindo nele anteriormente, estão agora lhe enviando cartas de fãs.

— O quê? Sério? — Eu quase larguei a minha xícara de chá.

— Sim, é estranho. Há mais cartas todos os dias. Você não pode ligar a
televisão sem ver como Sean foi terrivelmente prejudicado todos esses anos e seu
primo escapou com o assassinato. Ninguém parece se importar que Bryan pegou
um mafioso.

— Isso é horrível. Bryan era um bom homem. — Eu engasgo quando digo


seu nome. — Eu ainda não posso acreditar que Sean iria colocá-lo em perigo.

— Eu não acho que ele faria, mas Sean ainda está medicado, de modo que os
fatos estão borrados. O tiroteio ocorreu em seguida, Sean foi direto da delegacia de
polícia para encontrá-lo. Ele não tinha dormido. É incrível que ele bloqueou a bala.
— Peter empurra para trás o cabelo escuro e despenca em sua cadeira. Seus olhos
azuis escuros fazem um furo dentro de mim, me prendendo no lugar. — Diga-me
como ele conseguiu.

Meus olhos vagueiam ao redor e eu finjo confusão. — Eu não sei o que você
quer dizer.
— Eu acho que sim. Essa arma está conectada a outro homicídio, havia um
homem encontrado na floresta. Ele ainda não foi identificado. Bryan perguntou-lhe
por isso, não foi? Ele nunca lhe disse por que ou se fez alguma besteira que você
não diria a Sean. Avery, tudo foi jogado para Bryan e ele está morto. Se você fez
alguma coisa, se alguém tentou prejudicá-lo e você disparou, não é crime.

Eu sorri muito. — Peter, você está assistindo muita TV. Nada disso
aconteceu.

— Sério? — Ele levanta uma sobrancelha escura. — Porque aconteceu de eu


estar na antiga casa de Sean e descobrir que alguém atirou pela janela um tempo
atrás. Você não sabe nada sobre o que foi, certo?

Eu fico olhando para ele, o coração batendo. Por um segundo, nenhum de


nós disse nada. — Você tem outras pessoas para cuidar e sabendo o que sei, é
como colocar uma bomba em sua sala de estar. Não pergunte sobre coisas que não
quer saber.

O olhar de Peter cai e ele fica em silêncio por um tempo. Quando olha de
volta, ele diz: — Eu fiz algo uma vez, bem, mais de uma vez. A culpa corrói você, se
não deixar isso sair. Diga para alguém, quando alguém é coerente.

Eu sorrio. — Alguém está tentando sair daqui toda vez que seus remédios
acabam. Ele odeia este lugar.

— Eu posso acreditar. — Peter diz. — Avery, se você precisar de alguma


coisa é só pedir. Tanto quanto estou preocupado, você é uma de nós. Sean te ama,
não importa o que ele diga. Nós não vamos deixar nada acontecer com você.

Eu sorrio. — Obrigada. Aonde você vai agora?


— Delegacia. Eles estão à prospecção da área para Masterson e ele ainda
não apareceu. Escondendo a cara ou desaparecido. Eles precisam sacudi-lo para
fora antes de perdê-lo.

Eu assusto-me. — Eles não pegaram Marty? — Toda vez que eu ligo a TV,
faz Sean ficar com raiva, então eu não tenho assistido. Eu achei que o tivessem
pego.

— Não. — Peter enfia seu cabelo atrás da orelha e olha em volta. — Você
tem alguma ideia de por que ele queria que você morresse? Parece tão aleatório.

— Ele disse que me amava há algum tempo. Ele fingiu ser gay para estar
perto de mim. Eu não tinha ideia, Peter. Supondo que Marty fez isso, para começar,
a única coisa que posso pensar é que ele estava apontando para Sean. A coisa toda
é tão estranha. Não parece como ele – é horrível.

— E a sua outra amiga? A menina tagarela com o cabelo grande.

— Mel? Mel não tinha nada a ver com isso! — Estou na defensiva quando eu
não deveria estar.

Peter coloca as mãos em sinal de rendição. — Tudo bem, estou apenas


apontando o óbvio.

Mas não é claro para mim. — Soletre para mim, Peter.

— As únicas pessoas que você conhece que não estão mortas são acusadas
de assassinato. Mel é uma anomalia.

— Eu só conhecia duas pessoas.


Ele me dá uma olhada. — O vídeo de sexo surgiu de volta à vida. Você sabe
que mais de duas pessoas viram isso, muito mais. Eu sei que Sean pode ser difícil,
mas fique aqui até que eles o liberem esta noite. Pelo menos aqui, eu sei que você
tem um pouco de segurança.

Mari entra no refeitório. Ela sorri para mim e eu sinto culpa e a vergonha
inunda a boca do meu estômago. Desde que descobri que ela era a mulher por
quem Trystan é apaixonado, eu me sinto horrível. Peter sorri. — O caso em questão
é - você conhece mais do que duas pessoas.

— Hey, Avery. Como está Sean? — Mari já sabe como ele está, mas ela é
doce o suficiente para perguntar para que eu possa falar sobre isso, se eu quiser.

— Está melhor, obrigada.

— Eu ouvi sobre Bryan. — Ela olha para suas mãos. — Eu sinto muito pela
sua perda. De ambos. — Mari olha para Peter, que fica ali congelado. — Eu o
conhecia um pouco, pelo menos. Ele era gentil.

Peter se encaixa com isso. — Você é bem-vinda para participar da vigília


hoje à noite, se quiser.

Ela acena com a cabeça lentamente. — Eu vou... — Depois de um segundo,


ela pergunta: — Se Trystan não vai estiver lá. Eu não quero deixá-lo mais chateado.

— Eu sei que não deveria perguntar, mas o que aconteceu com vocês? — Eu
não posso evitar isso. Os dois parecem perfeitos juntos, e ainda assim evitam um
ao outro.

Ela sorri suavemente. — Nós namoramos há muito tempo. Isso parece ser
numa vida passada. Isso é tudo. Acho que ainda há alguns pontos doloridos, mas
também há compaixão. Eu não quero fazer isso mais difícil para ele.
Peter oferece. — Se o Hummer não estiver lá, então Trystan não está. O
carro está geralmente com o homem. Espero vê-la mais tarde. Muitas pessoas não
podem dizer nada sobre Bryan com convicção nos dias de hoje. Eles se perguntam
se o homem que eles conheciam era uma mentira.

— Não, o Bryan que eu conhecia era real. — Mari parece certa. — Ele estava
sofrendo, mas colocou os seus amigos e família em primeiro lugar.

— Como você sabe disso? — Eu pergunto, deixando escapar.

— A forma como ele de repente ficava silencioso e tenso. Ou ele estava


muito chateado ou estava sofrendo. Eu assumi o último, porque Bryan não deixava
as coisas para ele. Ele riria da doença, se pudesse. Eu nunca vi um cara sorrir tanto.
— Parece que ela está se lembrando dele. Nós três ficamos em silêncio por um
momento.

Peter olha então para mim. — Se precisar de ajuda com Sean, estou
aqui. Ligue-me. Ah, e me dê o seu número de celular.

— Uh, eu não tenho um agora. — Peter olha para mim como se tivesse
crescido um testículo no meu rosto ou algo igualmente estranho. — Sean e Trystan
pegaram meu telefone para que eu não pudesse ser rastreada. Eu não sei onde
está, por isso eu não tenho um no momento.

Mari diz: — Aqui, use o meu. — Ela me entrega.

— Tudo bem. Eu estou bem, de verdade. — Eu o empurro de volta para ela.

— Eu tenho três. — Agora ela tem bolas em seu rosto. Suspirando, ela
explica. — Um é para o trabalho, um é pessoal, e outro é um número apenas que
uma pessoa tem, e desde que nós duas sabemos quem é essa pessoa, você pode
usá-lo.
— Trystan tem esse número? — Eu pergunto olhando para o telefone.

Ela acena com a cabeça. — Eu nunca mudei. A vida é difícil às vezes. Eu


queria ter certeza de que ele tinha alguém, se precisasse. Cale-se e pegue-o, tudo
bem. — Mari se levanta afobada. — Eu vou andando, Dr.... uh Ferro... Granz... Uh, eu
vou saindo com o Dr. Peter. Se você quiser falar, você sabe onde me encontrar. —
Mari me disse onde seu escritório ficava no primeiro dia.

— Obrigada, Mari.

— Não tem problema. — Ela vai embora com Peter, dando a ele o número
antes de dizer qualquer outra coisa.

Quando eu olho para cima na TV, não há mais notícias sobre a família Ferro
e Marty. A mãe de Marty está pedindo para ele sair e conversar. Ela tem medo de
que um franco-atirador vá derrubá-lo antes que ele possa dizer que é
inocente. Entorpecida, eu olho para o show, observando-a chamar por seu filho,
pedindo-lhe para vir para a frente.
Capítulo 9

A semana seguinte, corre em um borrão de lágrimas e tristezas. Eu ainda


não posso acreditar que Bryan se foi, e que não seja a manifestação de emoção que
eu ouvi de Sean a noite depois que Bryan foi morto, ninguém sabe ao certo o que
aconteceu e por quê. Eu me sinto horrível por dar-lhe a arma. Bryan me disse que
poderia mudar as coisas para Sean, que o público não iria desprezá-lo mais. Não, e
foi agora que eu percebi que ele queria fazer isso o tempo todo.

Funcionou. A notícia está em todo o lugar, repetindo velhos clips de Sean


entrando no tribunal para o julgamento, a clipes mais atuais dele, tanto com aquela
expressão estoica em seus lábios, ambas aparente após uma perda. Em vez de
atacá-lo, eles estão fazendo de Sean esse homem misterioso, sensível que todos se
enganaram. O fato de que ele silenciosamente levou a culpa pelo assassinato de sua
esposa para proteger alguém, só alimenta o frenesi da mídia. Era Ferro sem
parar. A imprensa está parada na mansão e na casa luxuosa de Elizabeth Ferro.

Para minha sorte, ninguém sabe onde estou, de cócoras na antiga casa dos
meus pais. Eu consegui a data de fechamento da empresa realty. Eu mantenho as
luzes e tenho certeza que ninguém me vê ir e vir. Troquei o vidro quebrado na
janela traseira. Não é tecnicamente correto, mas é o suficiente para que, se alguém
vier por eles não vão ver vidros quebrados. O painel de forma descuidada foi
colado no local com tinta líquida. Se alguém se aproximar, eles podem dizer, mas
ninguém veio à procura. O corretor de imóveis não vem por que a casa já
vendida. Sua comissão está ao seu alcance. Eu só tenho que estar fora antes do
passo a passo final. Até então, eu deveria ter uma ideia melhor do que fazer a
seguir.
Sean me implorou para não trabalhar para Black e sei que seria o cúmulo da
estupidez, mas o pensamento pula na minha mente como um coelho bêbado. E se
eu tivesse todo o dinheiro que precisasse? E se eu tivesse o poder de fazer os
homens caírem aos meus pés e implorar? Eu não gosto desses pensamentos, mas
eles continuam surgindo. Gostaria de saber se estou me perdendo, se a vida se
tornou tão difícil que a verdadeira Avery afundou sob as ondas para sempre.

O telefone de Mari vibra. Estou deitada de costas na sala de estar vazia,


olhando para o teto. É uma mensagem de texto de Peter.

Você já viu Sean?

Essa é uma pergunta estranha. Eu digito volta.

Não, desde a outra noite. Ele queria um pouco de tempo para fazer
coisas de homem, sozinho.

A que horas foi isso?

Penso por um momento e respondo.

Por volta de 09h00min uns dias atrás. Sean já fez isso antes. Ele está
bem.

Mas quando eu digito as palavras, um arrepio atira na minha espinha,


fazendo-me pensar que algo está errado. Ele não deveria ter ido a qualquer lugar
em sua condição, mas ele disse que tinha negócios que deveriam ser feitos. Eu
prometi me esconder com Trystan, mas eu vim aqui em vez de ir. Eu não posso
imaginar Sean sumindo do mapa a não ser que ele quisesse.
Estou com a minha mãe e tia Lizzie fingindo não perceber. Elas sabem
que algo está acontecendo, mas nenhuma delas vai dizer nada. Sean está em
apuros. Encontre-me no IHOP em 20 minutos.

Isso explica por que Sean não ligou, mas eu não ia me preocupar com
isso. Eu imaginei que ele caiu no sono ou algo assim. Eu envio a mensagem de volta
com uma confirmação rápida. Peter deve saber alguma coisa que eu não sei.

Levantando, eu fico de pé, com cuidado para não ficar na frente da


janela. Normalmente eu não iria sair a esta hora do dia. Há muitas pessoas indo e
vindo, alguém pode me ver. Mas estou preocupada com Sean.

Eu digito seu número neste telefone velho e espero. Ele toca muito. No
correio de voz. Sem nada. Estranho. Eu envio mensagem a ele e não recebo uma
resposta.

— Onde está você, Sean? — A boca do meu estômago afunda e por meio
segundo eu acho que sei onde ele está, mas descarto o pensamento. Não há
nenhuma maneira que ele estaria lá.
Capítulo 10

Quando vejo Peter, ele está em uma cabine com uma xícara de café na
mão. — Você já comeu?

Eu balanço minha cabeça. — Eu não quero.

— Que pena, eu pedi pra você. — Ele sorri. — Virá em um segundo.

— Então, o que significa o que você está me perguntando?

Seu sorriso tímido se transforma e ele suspira. — Você é difícil ler, então eu
fiz uma pergunta direta, e você respondeu como eu imaginei que diria. Se Sean não
a viu em uns dias, eu duvido seriamente que você comeu, especialmente com tudo
o que está acontecendo. Aqui e agora. — Peter se inclina para trás quando várias
garçonetes aparecem uma após a outra, em fila única, colocando prato após prato
em cima da mesa.

— Você pediu tudo do cardápio? — Eu fico salivando enquanto olho para


uma pilha de panquecas. O cheiro de bacon me bate e meu estômago resmunga.

— Eu não sabia do que você gostava. — Peter diz sério, o que me faz rir.

— De tudo, exceto café.


— Sim, eu só compartilho café com Sidney. — Ele cora e mergulha sua
cabeça, pegando um prato de ovos.

— Você acabou de fazer uma piada suja? — Eu não posso evitar, sorrio e
sinto-me bem. Sinto os músculos duros e sem uso.

— Talvez. Coma e vamos falar sobre Sean. — Ele aponta um garfo para mim
e começamos a fazer uma retrospectiva através de seus dias, tentando descobrir o
que estava fazendo ou onde ele foi.

Eu finalmente deixo escapar, porque ele tem que estar pensando isso
também. — E se Sean foi atrás de Marty?

Peter olha para cima. — Sean não iria, não em sua condição e não sem mim.

— Ele tentou assumir Campone sozinho.

— Ele tinha Bryan. — A voz de Peter fica dura. Ele deixa cair o garfo e olha
para mim. — O que você acha que está acontecendo?

— Eu acho que Marty o tem escondido em algum lugar. Talvez Sean tenha
ido atrás de Marty. Talvez Sean o tenha encontrado. Nós dois sabemos que Sean
não está no topo de seu jogo agora. Marty tem a vantagem. Então, se o plano de
Sean não deu certo, Marty pode estar mantendo-o em algum lugar, esperando por
mim. Ele está tentando chegar até mim todo esse tempo. É a isca perfeita. Ele sabe
que não vou deixar Sean. Ele até me disse para trabalhar... — Eu paro antes de eu
dizer o nome de Miss Black. Algo pisca no fundo do meu cérebro, mas eu não posso
colocar as peças juntas.

Peter pensa sobre isso e se inclina para trás na cabine antes de balançar a
cabeça. — Masterson não correria o risco.
— Você está errado. Ele correria totalmente. — Minha voz aumentou
suavemente e eu fico pensando como as pessoas quando estão tentando encontrar
a raiz quadrada de 3.

Um momento de silêncio se passa e uma garfada de panquecas está a meio


caminho entre o prato e minha boca. Existe uma conexão em algum lugar? Eu perdi
isso? Marty conhece Black? Ele não poderia.

— Quer compartilhar?

— Huh? — Eu largo meu garfo e faço barulho no prato, batendo os pedaços


do lanche. Eles caem sobre a mesa.

Peter sorri e se inclina para a frente. — Você sabe sobre algo e não quer me
dizer. Por favor, me diga que você não é tão teimosa quanto Sean. — Eu rio sem
querer. — Foda-se.

— Sim, eu sou mais teimosa do que Sean. E algo está saltando na minha
cabeça, mas é apenas uma sensação. Eu não consigo fazer uma conexão.

Peter estende sua mão, apontando para mim para compartilhar. —


Diga. Talvez possamos fazer a ligação juntos.

— Marty e minha antiga empregadora e se eles querem se vingar de mim?

Peter desloca em seu assento e se inclina para perto. Com uma voz baixa, ele
pergunta: — A senhora? Por que ela quer se vingar de você através de Sean?

— Eu não sei. Ela poderia ter ido direto para mim. Houve tantas vezes que
ela poderia ter me machucado se quisesse. — Já consegui a combinação certa. Eu
sei isso. Eu simplesmente não consigo ver como toda a confusão se encaixa. —
Você está certo, Peter. Alguma coisa está errada. — Sacudindo meus olhos até os
dele, eu pergunto: — O que sua mãe disse?

— Nada. Ela está agindo como se tudo estivesse bem, mas não é porque a tia
Lizzie está lá. Mamãe nunca a chama, a não ser que haja alguma coisa séria
acontecendo.

— Então, eles sabem de alguma coisa.

— Eu suponho que elas têm uma ideia, sim. A coisa é, elas não vão mostrar
as suas cartas até que a jogada seja feita.

— Então, nós vamos ter que obrigá-las a nos dizer.

Peter tem um olhar incrédulo no rosto. — Você não pode forçar minha mãe
a fazer uma maldita coisa. De onde você acha que Sean herdou isso? O conspirar e
tramar, o segredo, tudo isso faz parte da personalidade da nossa mãe. Quando as
coisas ficam difíceis, ela coloca-se uma barricada e ninguém passa. — Peter baixa
no resto do seu suco de laranja e deixa dinheiro na mesa. — Venha.

Eu fico em pé e o sigo para fora. Quando ele empurra a porta uma rajada de
vento pega e quase me acerta no rosto. — Peter!

— Desculpe, eu não queria fazer isso. — Ele segura a porta para mim e, em
seguida, caminha ao meu lado enquanto nós cruzamos o estacionamento para o
carro dele. — É só que Sean não iria abandonar qualquer um de nós, e nós dois
sabemos que algo está errado, então onde estaria Masterson?

Penso por um momento, e depois digo o único lugar que eu posso pensar. —
Captree, mas a marina vai ser ocupada agora. Marty gosta de ir para lá no inverno,
quando está tranquilo.
— Vamos tentar, de qualquer maneira. É a nossa única pista. — Peter abre a
porta para mim e eu escorrego em seu carro. É um pequeno coupé preto com uma
crise de identidade - eu não posso dizer se é um carro antigo ou um carro
esportivo. É conflituoso, como Peter. Ele não pode negar que ele é um Ferro, mas
não quer fazer parte dessa família. Eu posso dizer. Ele raramente menciona Sidney
e os dois tentam manter distância, mas quando algo acontece com a família e ele
está lá. Peter não pode deixá-los – e eu também.
Capítulo 11

É tarde na hora que chego as docas. Nós andamos por ai um tempo e


perguntamos às pessoas se alguém viu Sean aqui em baixo, ou Marty. Essa tática
não está funcionando e está ficando escuro. — Peter, ele não está aqui. Marty não
escolheria um lugar público como este. Eu simplesmente não consigo pensar em
nenhum lugar que ele possa se esconder.

Ao mesmo tempo, nós dois olhamos para cima do outro lado da água para
Oak Island e para as fileiras de casas vazias. — Eu aposto que ele está ali.

— Então, como é que vamos encontrá-lo? — Peter pergunta, recostando-se


contra o seu carro. O vento sopra e levanta o cabelo escuro do seu rosto, revelando
o mesmo olhar intenso que Sean usa com tanta frequência. — Eu não conheço
nenhuma escoteira vendendo biscoitos no momento.

Eu rio dele. — Marty não abrirá a porta para cookies. Isso é algo que uma
criança de cinco anos faria.

— Bem, eu abriria muito rapidamente, então, suponho que eu nunca vou


para a vida do crime. Eu não posso viver sem cookies. — Peter parece
completamente sério.

Sorrindo, eu olho para a água, vendo o sol poente brilhando na


superfície. Estamos em silêncio por alguns momentos, antes de perguntar: —
Espere, o que você disse?

— Eu não posso viver sem cookies. — Peter oferece aquele sorriso torto e
se desencosta do seu carro.

— Faz quase duas semanas desde o tiroteio. Ele terá que sair para comprar
comida em algum lugar.
Peter balança a cabeça. — Se o cara está se escondendo em uma dessas
casas, ele poderia ter escolhido uma que foi abastecida. E se o cara é um gênio do
mal, ele não vai sair para conseguir comida. Ele teria as escondido antes de ir para
o show e aparecer.

Falamos mais e, finalmente, entramos no carro novamente, subimos e


descemos a estrada. Conversamos, mas isso não leva a nada e o crepúsculo já
passou. Peter bate as palmas das mãos no volante e pragueja. Aí está o
temperamento dos Ferro. É difícil imaginar Peter sendo o cara que costumava ser,
o oposto do que ele é agora. Isso me faz pensar se Sean tem a chance de retomar
sua vida também.

Eu finalmente deixo escapar: — Eu posso ligar para ele.

— Quem? Marty Masterson?

— Você está preso no modo de professor ou algo assim? Marty Masterson.


— Eu o imito e sorrio. Encher o saco de Peter é divertido. — O cara era meu
amigo. Nós não temos de usar o seu sobrenome.

— Ele não esta com o telefone de jeito nenhum. — Peter balança a cabeça
enquanto dirige. A água passa rapidamente abaixo de nós quando passamos por
cima da ponte.

— Mas eu aposto que o seu telefone encaminha a ligação para algum


lugar. Se eu ligar para ele do meu telefone, ele vai responder. Posso saber se ele
está com Sean. — Eu olho para Peter. — Que outras opções temos?

— Onde está o telefone?

— Trystan escondeu.

Peter olha para mim. — Eu não quero Scott envolvido nisso, e você sabe que
se ligarmos para ele, não há maneira nenhuma de nos livrarmos dele.

— Eu sei. — Eu me sinto horrível sobre isso, mas preciso do telefone. — A


outra opção é fazer o trabalho com Black e ver o que acontece. Se isso for uma
vantagem para eles, me terão de qualquer jeito.
— Você realmente acha que eles estão juntos nessa?

— Eu não sei.

— Eu não vejo isso, mas você passou mais tempo perto deles que eu. Eu
digo que devemos tentar ligar para Marty primeiro.

— Vamos fazer isso.


Capítulo 12

Rastrear Trystan não é difícil. Ele está com Jon no clube. Quando chegamos
lá, Trystan nos deixa entrar e espera. Ele age como se fosse totalmente normal para
Peter estar aqui, dirigindo pra mim por aí. É possível que ele esteja com raiva de
mim, mas eu não posso ter certeza. É difícil ler Trystan quando ele está irritado. Ele
está tão acostumado a colocar uma máscara pública, que isso quase nunca sai. De
qualquer maneira, ele tem que estar se perguntando por que Peter está comigo.

Peter está tenso, mas ele tenta esconder isso, e Trystan está descansando
em uma cadeira como se estivéssemos em um cruzeiro. Peter não fala muito com
Trystan, já percebi isso. Alguns tabloides afirmam que ele não é tão brilhante, mas
Trystan esconde sua inteligência. É um cartão que ele joga, quando todo o resto
falhou. Entretanto, poucas pessoas o conhecem a fundo.

— Então, qual é o plano? Você vai mesmo deixá-la entrar onde quer que
estejam escondendo Sean? Se Black estiver...

Eu paro e fico olhando para ele, tentando lembrar se eu já disse o nome


dela. Não me lembro de mencionar isso, então como ele sabe o nome dela? —
Trystan! — Eu o repreendo; de repente estou preocupada que o alcance de Black é
maior ainda do que sonhei. — Diga-me que não!

— Eu não preciso de prostitutas, Call Girl.

Revirando os olhos, eu coloco minhas mãos nos quadris e dou-lhe o olhar


bem feio. — Eu sei que você não precisa, mas você usou seus serviços? Para alguma
coisa?

Ele olha para o lado e meu estômago cai nos meus sapatos. Boquiaberto,
Peter intercede. — Trystan vive aqui, e se ele pediu por uma prostituta de luxo, não
há mais ninguém além dela. Ele teria contactado Black. A razão não importa
agora. Quando foi a última vez que você usou seus serviços? — Peter tenta
encobrir, mas eu não consigo suportar isso.
Trystan tenta se levantar e ir embora sem responder, mas eu o seguro pelo
pulso. — Por que você não me contou?

— Será que isso importa? — Seu olhar está escondendo alguma coisa,
humilhação, talvez? Seu cabelo cai para a frente e Trystan o deixa cobrindo seus
olhos escuros.

— Sim, isso é importante. Você é outra conexão que volta para aquela
mulher horrível. Ela já tentou fazer você me contratar? Diga-me, Trystan, ela tem
as suas bolas em uma jarra de vidro, juntamente com as bolas de todos os outros
homens em Long Island? — Eu estou em seu rosto, sibilando as palavras. Trystan
não se afasta ou nega isso. Ao contrário, ele fica parado me olhando, esperando que
eu desista disso. É enfurecedor. — Pare com isso! — Eu balanço meu braço e
minha mão se conecta com sua bochecha. Eu tremo por um segundo e o
observo. Ele não revida, e isso me mata.

Ele sorri. — Você está feliz agora?

— Trystan, eu...

— Avery, ele não é a pessoa de quem você está com raiva. Deixe-o ir. —
Peter está de pé ao meu lado, pronto para me afastar.

— Mas ele...

— Deixe-o sozinho. Você está perdendo partes dessa história - qualquer um


pode ver isso. Trystan não está usando você, e se ele fosse um cliente fiel pedindo
por garotas de programa, a imprensa já o teria pego por isso. Deixe ir. Precisamos
encontrar Sean e nós não podemos fazer isso com vocês dois brigando, então pare.

Trystan está sorrindo. Ele se inclina para o lado para chamar minha
atenção. — Eu sei que Peter disse para deixar isso para lá, mas isso realmente me
faz pensar como você poderia ser tão hipócrita. Você me condena tão rapidamente,
mesmo que esteja no final deste negócio. Mentimos, distorcendo a verdade até que
nos convenha mais? A vida é uma merda, não é?

Peter dá a Trystan um olhar que promete um soco na cara, se ele não


parar. Mesmo assim, eu não posso deixá-lo pra lá.
— Eu não sou uma mentirosa ou uma hipócrita. Não é por isso que eu estou
chateada. É porque você conhece Miss Black. Admita isso. Você já a encontrou. Não
há nenhuma maneira de que você não o tenha feito. Então eu abro o meu coração
para você, já que não tem qualquer ligação com ela e durante todo o tempo você a
conhecia e não me corrigiu. Você sabia que ela conhece Sean, também? Você sabia
que toda vez que eu me viro, espero vê-la ali, esperando para me levar de
volta? Você sabe que eu não tenho escolha? Ela não vai me deixar sair,
Trystan! Estou presa no meio dessa porra de vórtice e eu não consigo sair. Mas
você já sabe de tudo isso, não é? — Há lágrimas nos meus olhos e eu desvio o olhar,
sentindo-me traída. Eu tento esconder isso. Eu não posso desmoronar agora, não
importa o que ele tenha feito.

Trystan passa as mãos pelos cabelos, revelando sua barriga tonificada, antes
de deixar escapar: — Eu uso os seus serviços, uma vez por ano. É para me
esquecer dela. Como é que vou confessar uma coisa assim, quando é tão
condenável? Agora Peter sabe, o que significa que não é mais um segredo. Ele vai
espalhar isso e da próxima vez que eu ver Mari, ela vai me odiar ainda mais. — Ele
está sorrindo como se fosse engraçado, mas suas palavras são tão sombrias que eu
sinto meu interior torcer dentro de mim.

Peter nos observa de perto, mas não comenta nada. Provavelmente parece
que estamos em um relacionamento, mas não estamos. Eu preciso de amigos, não
posso sobreviver sem eles e Trystan disse que sempre estaria lá para mim. Marty
pronunciou as mesmas palavras e agora, olha o que aconteceu. Em quem posso
confiar?

Trystan despenca com um baque no sofá, enquanto Peter começa a andar


pela sala. Peter para e olha para mim. Preocupação gravada em seu rosto,
aumentando a profundidade das rugas finas de preocupação. Ele acha que vai
perder seu irmão. Eu posso ver o medo; eu sei o que ele está pensando, porque os
mesmos pensamentos estão enchendo minha mente desde que Peter surgiu. Peter
não demonstra isso sem um motivo e tende a bloquear o mais rápido possível. Eu
não posso culpá-lo, não com a família Ferro. Não é nenhum mistério porque Sidney
não está aqui - Peter tem medo - e eu também.

Nós três estamos em silêncio por um momento. É quando Mel e Jon saem do
escritório. Jon está sombrio, mas sua expressão muda quando ele nos vê. — Que
porra é essa? — Jon tem estado tão irritado desde que Bryan morreu. Sua raiva
está sempre um pouco abaixo da superfície, pronta para entrar em erupção.
Trystan se recosta no sofá sem responder e Peter olha para seus sapatos
bicolores, então Mel e Jon voltam sua atenção para mim.

Mel está vestindo moletom e brincos de argola de ouro. Seu cabelo está duas
vezes o tamanho normal. A aparência é muito estranha para uma garota que está
sempre perfeitamente vestida. Ela parece uma vagabunda gostosa. — Olhando
para o chão significa que isso não é nada bom. Um grande pedaço estúpido caiu e
atingiu a cabeça deles, Jonny boy. De jeito nenhum que você vai me esconder o que
está acontecendo, só assim você pode muito bem despejar.

Jon está olhando para mim com uma expressão indecifrável. Eu não posso
dizer se ele está bravo ou algo pior. Finalmente, ele suspira e passa as mãos pelo
cabelo e pescoço. Ele olha para Peter. — É Sean, certo? — O olhar de Peter brilha,
surpreso. Jon revira os olhos. — Pete, eu percebo as coisas. Mamãe e tia Lizzie
estão muito juntas. Algo está acontecendo, e é grande. Além disso, Sean está
sinistramente ausente. É uma combinação muito estranha, especialmente desde
que Sean gosta de colocar o nariz em tudo. Mandando nas pessoas ao seu redor é
sua especialidade e, por algum motivo, ele não está aqui protegendo Avery da
maneira como deve e já que Bryan morreu, bem, nós sabemos que ele não é o
problema, também.

Eu não consigo evitar isso. Eu agarro-o: — Não foi culpa de Sean.

Jon olha para baixo e eu posso ver a parede subir, enquanto seus olhos
ficam duros. — Basta responder a porra da minha pergunta - o que há de errado?

Peter suspira e olha para mim. Concordo com a cabeça e agarro minha
cintura mais apertada quando Peter diz a eles a nossa suspeita, e depois sobre o
telefonema. Jon mantém seu olhar severo e o foco aguçado. — Deixe-o.

Peter, Trystan, Mel, e eu, todos falamos em uníssono. — O quê?

Jon dá de ombros, como se não fosse grande coisa. — Sean se meteu nisso,
agora ele que se livre.

— Jon. — Peter fala com aquela voz grave que soa quase como uma
reprimenda.
— Não fale assim comigo Pete. Sean fez isso. Foi erro dele e não há uma
porra de chance no inferno que qualquer um de vocês deve pagar por
isso. Masterson é um lunático. Ele matará vocês dois, Avery. Se ele é o responsável
por todos esses assassinatos...

Eu o interrompi: — Sim, se. Jon, ele não pode ser, Marty não é assim. Ele
não briga e quase nunca perde a paciência. É estranho.

— Como você pode dizer isso? Você viu a arma em sua mão! — O
temperamento de Jon está aumentando e parece que estou cutucando um urso
furioso, enquanto estou coberta de mel. É a coisa mais idiota a fazer, mas algo está
errado e temos de encontrar Sean.

— Eu vi, eu sei, mas não posso acreditar nisso. — Jon começa a rir de mim,
como se eu fosse muito ingênua para respirar. Entrando em seu rosto, eu
severamente acrescento: — Eu não posso acreditar, assim como eu não acredito
que Sean matou Amanda. Da mesma forma que não acredito nem por um segundo
que Bryan estava em uma trama, que era um homem mal-intencionado. Há algo
que você não sabe, algo que vai fazê-lo me odiar, mas eu tenho que dizer - você
precisa saber.

Os olhos de Peter estão enorme. Ele levanta as mãos e balança a cabeça. —


Avery, não!

— Eu preciso. A culpa é minha. — Olhando de volta para seu irmão, eu


confesso: — Jon, eu dei a arma para Bryan. Se você tiver que ficar bravo com
alguém por tudo o que aconteceu, fique comigo, não Sean. Fique com raiva de mim.
— O remorso quase rasga meu peito ao meio. Eu não suporto a maneira como
todos eles estão olhando para mim. Eu não sabia que Bryan faria aquilo. Sendo o
homem que era, Bryan teria feito isso de qualquer maneira, com a arma ou não. Ele
amava muito Hallie para deixá-la para Victor.

Os olhos de Jon cintilam como chamas gêmeas, azuis brilhantes e


mortais. — Você deu a ele? Quer dizer, toda a merda que está acontecendo ao
redor de Sean foi colocada no meu primo, porque você deu a ele a porra da arma!
— Jon está gritando, com o rosto vermelho de raiva.

Peter salta entre nós, porque Jon está muito perto. Trystan está de pé,
puxando Jon de costas, mas isso precisa acontecer. Jon quer culpar alguém pela
morte do seu melhor amigo e precisa culpar a mim. Gentilmente, eu coloco minha
mão no ombro de Peter e dou a volta nele.

— Avery. — Há um tom de advertência na voz de Pete.

Trystan dá um aceno suave com a sua cabeça, indicando que eu não deveria
dizer mais coisa alguma, mas eu tenho que fazer. Eu nunca disse a nenhum deles e
culpa está me destruindo. Além disso, direcionar a raiva para Sean está errado
quando sou eu a única culpada.

Minha voz é suave. Eu não vou discutir com ele. — Eu não posso deixá-lo
pensar que Sean fez isso, porque não fez. Se Bryan não tivesse a arma, nenhuma
das coisas com Victor teria acontecido. Eu fiz as coisas acontecerem. Jon, eu sinto
muito. Por favor, acredite em mim quando digo que Sean não sabia. Ele realmente
não sabia de nada.

Jon me observa de perto, tentando decidir se estou mentindo. Hallie chama


atrás dele, ela deveria estar no escritório também. — Jon, como você quer que isso
acabe? — Ele vira as costas para mim e olha para ela. Hallie parece cansada, mas
feroz, ali de pé em jeans e uma camiseta surrada, seu cabelo espesso puxado para
trás em um rabo de cavalo. — Você perdeu Bryan, mas não tem que perder Sean
também.

— Você realmente acha que Masterson está com ele? Se ele estiver, vai
matar Sean? É isso mesmo sobre Sean? — Jon pergunta, olhando para mim com os
olhos gelados se lançando para encontrar os meus. O lugar está estranhamente
silencioso. Eles querem saber o que iria transformar um cara adorável em um
maníaco homicida, mas a verdade é tão incompreensível para mim como é para
eles.

— Eu não sei. Marty mentiu para mim antes – tipo, uma puta mentira - e eu
o perdoei. Talvez ele pense que vou perdoar isso. Eu não sei, ninguém sabe o que
aconteceu naquela noite. Eles acham que Marty deu o tiro, porque ele tinha uma
arma e - mas ele fugiu. Por ele ter fugido não significa que ele tenha feito. — Eu
olho para Mel, que tem estado muito tranquila. Normalmente, ela teria
interrompido e dado o seu parecer. — O que você acha?

— Eu acho que Marty tem jogado com você, Avery. E eu duvido seriamente
que ele está com Sean. Pense nisso, mesmo ferido, eu não consigo ver Sean Ferro
sendo sequestrado por Marty. É muito improvável. O porra de um pacifista pego
atirando em um Ferro num show de um megastar? — Ela balança a cabeça,
fazendo seus enormes brincos idiotas balançarem. — Isso está fedendo a peixe,
irmã, e não o tipo de peixe fedorento que vai embora com alguma Monistat1.

Todos nós fazemos uma cara feia, mas Peter é o único que fala. — Adorável
comparação.

Ela sorri. — Isso não é uma poesia de garoto branco, mas eu poderia
escrever livros - romances sobre a merda que eu vejo - por isso não me julgue. Eu
falo desse jeito, porque esse é o meu verdadeiro eu. Eu nunca me esqueci de onde
morei antes da minha educação, e isso está enraizado tão profundamente em meus
ossos que estão gravadas conforme a vida passa. O que você está vendo agora é
uma manifestação do passado e do presente colidindo. — As expressões dos
garotos são de incredulidade, como se não acreditassem que Mel soubesse
palavras com mais de duas sílabas. Ela cruza os braços sobre o peito, faz bola com
o chiclete que eu nem sabia que ela estava mastigando e joga seu quadril para
fora. — Como eu estava dizendo, você não pode mudar quem você é. Ou nós
estamos atrelados ao filho da puta errado ou alguém esta brincando com a
gente. Eu, por exemplo, não dou a mínima para Sean, mas sei que Avery sim, por
isso estou aqui. O que quer que aconteça, nós vamos encontrá-lo. — Ela sorri
suavemente para mim e coloca a mão no meu ombro.

Ninguém diz nada por um momento. A mensagem de Mel é clara -Marty


Masterson poderia estar numa ação sem fim. Eu sei que Mel poderia dar uma de
mulher de cor corporativa se ela quisesse e lidaria com as merdas diárias que vem
com isso. Ela tem a inteligência; ela simplesmente opta por não mostrá-lo. Então,
aqui está ela com a gente, em um clube de strip em Long Island, em vez de em um
terno poderoso, incorporando uma empresária na cidade.

— Então, nós fingimos que Marty é inocente até que saibamos que ele não
é? — Pergunto a Mel, para ter certeza que peguei o significado.

— Regra número um: não fazemos inimigos — Ela levanta um dedo, em


seguida, levanta outro. — Regra número dois: Então você os derruba primeiro. E
Avery, é uma questão de quando, não se, porque é fácil para as pessoas se
odiarem. Mesmo que não haja nenhuma razão, alguns filhos da puta são obcecados
em encontrar uma. Marty não é o que parece e nunca foi. Ele brincou com a gente

1
Monistat – Creme vaginal que trata infecções que causam mal cheiro.
uma vez, então, por que não duas? Deveríamos ter cortado isso já. Eu não o fiz,
porque você não o fez também. Eu não dou às pessoas uma segunda
chance. Perdoar só vai machucá-la – ou matá-la. — O jeito que ela diz é tão
calejado, tão insensível. Estamos falando de alguém que compartilhei bebidas e
dormi. Marty me manteve segura quando não havia ninguém por perto. Eu dormi
nos braços dele e ele expulsou os meus demônios.

Balançando a cabeça, eu envolvo meus braços em volta da minha cintura e


digo para o chão. — É tão difícil de acreditar.

Jon se acalmou o suficiente para falar, mas não olha para mim. — Então
temos um homem caçando o Masterson e ele não foi ainda capturado. Isso diz que
o filho da puta é mais inteligente do que qualquer um pensava. O problema que
temos agora é Sean. Mantenham-se focados.

Trystan concorda. — Alguma coisa grande está acontecendo. Eu estou


querendo saber se sou parte disso, e até que ponto a coisa toda se espalhou. Eu
entendo porque Sean me pediu para tomar conta de você na outra noite. No
momento parecia uma jogada estúpida, mas ele foi ajudar Hallie e Bryan. Algo deu
errado. Bryan levou o tiro e o inocentou. Agora Sean está desaparecido. Alguma
chance de toda essa merda estar conectada? Eu sinto que está faltando alguma
coisa.

Meu ringtone enche o ar antes que alguém possa responder. Está vindo do
bolso de Trystan. Ele puxa-o para fora e a expressão em seu rosto me assusta. —
Eu acho que estamos prestes a descobrir. É Sean.

Enquanto ele fala o telefone soa através do ar alto. Eu o pego e olho para a
foto de Sean na tela. O nervosismo me atinge tão depressa que minhas mãos já
estão suando e meu estômago vira como se eu estivesse em queda livre. O telefone
toca novamente. Todos os olhos estão em mim esperando.
Capítulo 13

Eu tento esconder o medo que está me sufocando. Não há nenhuma maneira


que ele esteja bem - eu sei disso antes de responder. Esta chamada é um presságio,
e não há como escapar do que está por vir. Tremendo, eu movo a tela e pressiono o
telefone no meu ouvido. — Onde você esteve? Sean, eu estou passando mal de
preocupação. — Eu não posso esconder o tremor na minha voz. Espero que ele
responda e espero que alguém não o tenha machucado. Quem derrubou Sean deve
ser mais poderoso, mais hábil em enganar e um lutador melhor. Eu não posso
imaginar quem poderia ser. Black é a única pessoa que me vem à mente. Eu meio
que esperava que ele dissesse que ela está por trás de tudo, por isso, quando a voz
bate no meu ouvido, fico paralisada.

A voz de Marty é forte e clara. — Awh, como é doce. Você se importa, e eu


aqui pensando que isso nunca iria acontecer. Bobeira minha.

O lugar está tranquilo, todos os olhos em mim. Medo corre em minhas veias,
e vai direto para o meu coração. — Por que você está com o telefone de
Sean? Marty, eu juro por Deus, se você machucá-lo...

— O que, garota – vai me dar um soco? — Ele ri levemente, como se ainda


fossemos amigos antes de continuar. — Avery, querida, estou pronto para
qualquer coisa que você quiser jogar, mas eu preciso terminar o que começamos. A
coisa é que eu decidi viver um pouco, você sabe. Se por acaso eu for pego, eu
deveria ter a mulher que quero na mistura. Então, minha linda, consiga alguma
comida para nós, e algumas ataduras para o seu namorado aqui. Ele não estava
sendo muito lega, então eu posso ter aberto alguns pontos - mas só alguns. A coisa
é, ele está manchando o tapete. Algumas pessoas são tão imprudentes. De qualquer
forma, traga um saco de comida e sua linda bunda - e só sua linda bunda - para a
área de estacionamento do antigo Oak Beach Inn. Você tem uma hora. Não me
decepcione. — A linha cai e eu olho o telefone na minha mão.

Todo mundo está esperando que eu repita o que ouvi. A dormência me


consome quando a traição racha meu coração. Ele o fez. Ele deu os tiros, foi ele o
tempo todo e eu o defendi.
— Bem? — Mel impacientemente cutuca.

— Marty está com Sean.

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