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Perfect

Chaos
Série - Unyielding
Livro Um
Nashoda Rose
Equipe Pégasus Lançamentos:
Envio: Soryu
Tradução: Erika, Ana Oliveira, Camila, Marta, Maria Jose, Ale
Costa.
Revisão Inicial: Julia, Ana Beatriz, Susana Isabel, Marta, Camila
e Caroline T.
2ª Revisão Inicial – Karine
Revisão Final – Lyli Cunha
Leitura Final: Lola
Formatação: Lyli Cunha e Lola
Verificação: Mandy Marx, Carla C. Dias
Sinopse

GEORGIE
Eu minto para sobreviver.
Tenho feito isso desde que eu tinha dezesseis anos e meu mundo caiu
no caos. Mas encontrei uma maneira de suportar, ou melhor, ela me
encontrou. Agora eu sou uma prisioneira da minha própria missão, me
escondendo atrás de uma máscara de falsidade para que ninguém veja a
verdade. Nem mesmo o homem que quero, mas não posso ter - Deck. Mas eu
errei e as mentiras estão transbordando, fora de controle.
Deck é implacável e não vai se contentar com nada menos do que a
verdade. Ele exige tudo de mim - TUDO - ainda que isso me rasgue.

DECK
Eu mato para ter uma vida.
Inflexível - É como sobrevivo em minha linha de trabalho. Eu dobro
as pessoas à minha vontade... Exceto Georgie. Mas agora isso termina. Eu
joguei o seu jogo por muito tempo. Agora é hora de jogarmos o meu.

Aviso
Este é um romance erótico com alguns elementos obscuros. Se você
fica desconfortável com sexo explícito, linguagem dura e cenas
perturbadoras, então este livro pode não ser para você.

* Apenas para indivíduos maduros.


Dedicatória

Para os leitores.
Obrigado por todo vosso apoio.
Pelas mensagens reconfortantes.
Pelas amizades.
Por fazer minha jornada como autora tão incrível.
Este livro é para vocês.
Prólogo

Georgie

Alisei as dobras da minha colcha então coloquei meu


coelho de pelúcia marrom contra o travesseiro florido de
branco e rosa. Aos dezesseis anos, eu estava um pouco velha
para bichos de pelúcia, mas tinha sido um presente do meu
irmão, na primeira vez que ele foi embora para o Afeganistão,
com os militares.

Arrumei-o. Em seguida vi a folha pendurada no canto


direito e rapidamente coloquei-a de volta no colchão. Perfeito.
Eu gostei.... Não, eu era obcecada por organização. Tudo
tinha seu lugar, até eu. Continuei com o mesmo estilo,
roupas incolores, mesmo horário, e mesmo corte de cabelo.
Por que mexer com o que funciona? Meu irmão muitas vezes
brincou comigo e disse que eu deveria me juntar às forças
canadenses, como ele. Eu posso gostar de limpar e arrumar,
mas odiava luta, sangue, armas, e, sem dúvida, qualquer
assassinato.

Connor sabia disso. Ele me ajudou a enterrar meu


peixinho, Goldie, no quintal quando eu tinha sete anos, em
seguida, o hamster, Fiddlehead, quando eu tinha dez anos.
Para este dia, há uma pedra marcada, que Connor fez da
quina do muro. Eu podia vê-la sempre que olhava para fora
da janela da cozinha.

Estremeci quando a porta de um carro bateu e soou


como se fosse em nossa garagem. O sol tinha acabado de
aparecer acima do horizonte; seis da manhã era muito cedo
para quaisquer visitantes, além disso, era domingo e papai
tinha a regra que ele e minha mãe dormiam até mais tarde no
fim de semana. Eu sempre levantei de madrugada, querendo
encontrar o novo dia, outra razão para Connor dizer que eu
iria me sobressair no mundo militar. Embora, nós dois
soubéssemos que ele nunca teria me permitido chegar a
qualquer lugar perto do perigo, com o que eu estava muito
contente. Perigo para mim era meu shampoo ter acabado e eu
tivesse que usar o do meu irmão.

Mas Connor não deveria voltar por mais um mês, de


modo que isso quer dizer.... Um arrepio atravessou meu
corpo, mantendo meus pés no lugar quando percebi o porquê
alguém poderia estar em nossa casa às seis da manhã em um
domingo. Minha respiração ficou presa na garganta, como se
mãos estivessem me estrangulando.

Não.

Não. Balancei a cabeça para trás e para frente. Por


favor, não batam.
Era o menino do jornal. Cedo. Ele estava adiantado
uma hora, hoje. Em um segundo, eu ouviria o barulho da
cesta de jornal bater na porta de tela de metal.

Com os olhos bem fechados, esperei pelo som familiar.

Nada. Respirei várias vezes, tentando me acalmar.

Não ele. Por favor, não ele.

Connor.

Connor.

Meu coração bateu mais e mais forte e lágrimas se


formaram em meus olhos. Eu não podia ouvir seus passos,
mas sabia que as botas pretas, de combate, do seu chefe de
equipe estavam andando pelo caminho de pedra em direção a
casa.

Eu não posso perdê-lo. Por favor.

Corra.

Corra e não vai ser verdade.

Mas eu não podia me mover. Minhas pernas estavam


presas no lugar, enquanto eu esperava o pesadelo começar.

Tum.

Tum.

Tum.
Tum.

Era como se cada batida fosse um soco no meu


estômago. Sem ar. Eu não conseguia respirar. Eu estava
gritando silenciosamente e nada poderia parar o medo que se
agarrava em meu interior.

Por favor. Não. Eu preciso dele.

Eu ouvi a porta do quarto dos meus pais abrir e o


arrastar de pés pelo corredor, sobre o piso de madeira. O
clique distinto da fechadura e, em seguida, a porta da frente
sendo aberta, seguido do rangido da porta de tela.

Depois, o silêncio.

Pareciam horas, enquanto eu estava no meio do meu


quarto, com medo de olhar pela janela e ver o carro que eu
não queria ver. Estava com medo de correr. Medo de me
mover. Esperava que eu ainda estivesse dormindo e isso fosse
tudo um sonho.

Sim, era um sonho. Eu acordaria a qualquer segundo.


Eu ligaria para Connor hoje. Eu diria a ele o quanto sentia
sua falta e que o amava. Fazia semanas desde nossa última
conversa. Eu deveria ter enviado e-mails a ele com mais
frequência. Por que não tinha feito isso?

O alto gemido de minha mãe atravessou a casa, e meu


mundo perfeito caiu aos meus pés. Era como se eu estivesse
sendo enrolada pelo aperto da morte de uma anaconda e
arrastada para baixo d’água.

Eu caí de joelhos, com os braços em volta de mim, e


balançava para frente e para trás quando os gritos de minha
mãe se tornaram abafados como se ela estivesse sendo
apertada contra alguma coisa.

Havia mais passos. Não tranquilos e suaves como os da


minha mãe. Não lentos e pesados como os do meu pai.
Longos, passos confiantes.

Não. Vá embora. Basta ir embora. Não é real.

Os passos pararam do lado de fora da minha porta, e


ouvi o clique quando a maçaneta da porta girou. Estava
abrindo minha alma e arrancando meu coração.

Eu parei de balançar.

A porta se abriu.

Apertei meus olhos fechados, não querendo vê-lo. Não


era possível enfrentá-lo, enfrentar o que ele estava aqui para
me dizer.

— Georgie.

Eu reconheceria o tom rouco de Deck em qualquer


lugar. Isso me assustou. Ele me assustou, mas o que mais
me assustou foi à reação do meu corpo a ele. O estranho
formigamento entre as minhas pernas, o calor em minha pele
e o nó em meu estômago, como se eu estivesse caindo do céu.

Funguei meu nariz quando senti as lágrimas


deslizarem dos meus olhos.

— Olhe para mim, Georgie. — Se eu o ignorasse tudo


iria embora. — Georgie.

Foi a suavidade em sua voz, quando ele falou meu


nome, que me fez abrir os olhos.

Meu olhar bateu em suas pernas, em primeiro lugar, o


comprimento longo, magro coberto por calças cargo, pretas.
Havia um rasgo no tecido, um pouco acima do joelho. Sujeira.
Manchas... Como se tivesse vindo direto de algum lugar
secreto. Meu olhar se moveu para cima, hesitante, como se
meu cérebro estivesse lutando a cada segundo. Suas mãos
estavam fechadas ao lado do corpo, as pontas dos seus dedos
estavam brancos. Era estranho, porque suas mãos estavam
limpas, embora houvesse sujeira em seus braços e nas
tatuagens tinha... Sangue? Era seu sangue ou...

— Georgie.

O som alto e abrupto do meu nome me despertou e


meu olhar voou para o dele.

Sua mandíbula estava tensa. Olhos frios, sem emoção.


Ele olhava diretamente para mim, não tinha um pingo de
compaixão em seu olhar. Mas vi outras coisas. Havia, debaixo
de sua postura solida... O tormento, a dor e a escuridão que
logo iria se tornar a minha própria.

Comecei a tremer violentamente, e minha garganta se


apertou contra os soluços que sacudiam o meu corpo.

— Não. — Foi a única palavra que pude dizer.

Por favor, não.

Ele deu um passo para frente e me viu tremer e chorar,


de joelhos no meio do meu quarto, por alguns minutos antes
de voltar a falar.

— Eu não pude salvá-lo.

Suas palavras me cortaram, finalmente, com a verdade


e minha respiração parou quando mais lágrimas
escorregaram dos limites de minhas pálpebras. Apertei meus
braços em volta do corpo, como se isso fosse ajudar a aliviar
a dor.

Mas não ajudou.

Nada ajudaria.

Connor.

Ele se foi.

Eu nunca mais ouviria sua provocação. Sentiria o


toque de sua mão bagunçando meu cabelo. Ouviria sua voz
me chamando de 'Menina Georgie'.
Ele prometeu voltar. Eu sentia muitas coisas, mas
nenhuma era boa.

Dor.

Devastação.

'Caos'.

Minha cabeça gritou quando a imagem de Connor


entrou na minha mente. Essa imagem estava distorcida e
quebrada, era sugada para a escuridão.

Destruição. Eu tinha que destruir. Meu mundo não era


mais perfeito. Nada mais seria o mesmo, novamente. Eu,
nunca seria a mesma novamente.

Levantei-me, peguei meu edredom e puxei-o para fora


da cama, o travesseiro florido e o coelho foram jogados no
chão. Um som estranho saiu da minha garganta, quando
joguei o braço na minha cômoda, derrubando os livros,
minha caixa de joias e um vaso, tudo caiu e se quebrou no
piso de madeira. Eu podia ouvir o vidro se quebrando e
brincos de prata, pérolas e anéis se espalhando em todas as
direções.

Eu não parei. Eu não podia.

Destruição.

Peguei o abajur da minha mesa de cabeceira e joguei


do outro lado do quarto. O bulbo fez um estalo alto, uma vez
que bateu na parede. Eu precisava destruir. Tudo estava tudo
acabado. Nada seria perfeito novamente. Meu mundo tinha
acabado de se abrir e eu estava sangrando. Isso doía. Deus,
isso doía.

Tropecei em meu edredom quando eu fui para o


armário e caí de joelhos. Mas não parei por isso... A dor física
não era nada, comparada a dor emocional que estava me
devastando. Levantei-me, em seguida, cambaleei até o
armário e abri as portas.

Arranquei todas as minhas roupas dos cabides,


vestidos bonitos, em tons de amarelo claro, branco e preto.
Em seguida, as blusas simples, de botão e as calças pretas.
Os cabides vazios balançaram para frente e para trás na
barra de metal, quando cada peça de roupa foi jogada ao
chão. Quando o armário estava vazio, peguei o que estava ao
meu alcance e comecei a rasgar. Botões estouraram. Seda e
nylon rasgaram, mangas foram arrancadas dos núcleos –
igual a mim. Eu estava retalhada, em pedaços.

Descuidada, eu puxei e puxei qualquer peça que


minhas mãos tinham acesso.

Descanse Em Paz.

Lágrimas.

Tudo arruinado. Destruído.


Eu estava respirando com dificuldade, quando eu
terminei. Nada foi deixado inteiro, vivo. Assim como eu. Eu
não tinha mais nada a fazer a não ser correr.

Correr.

Correr.

Correr.

Corri para a porta. Não conseguia respirar. Eu tinha


que sair daqui. Ficar longe deste mundo perfeito destruído.
Ele se foi. Connor tinha ido embora.

Minha mente estava girando e frenética.

Escapar. Era o que eu queria.

Eu nem sequer o vi através da minha visão turva, de


lágrimas, raiva e dor. Ele bloqueou a porta, seu amplo corpo
impedindo meu caminho.

Corri de qualquer maneira, tentando passar por ele.

Ele me agarrou pela cintura com um braço e meus pés


deixaram o chão. Gritei e me contorci em seu abraço, como
uma boneca de pano. Ele me colocou para baixo, diretamente
na frente dele, com as mãos agarrando meus braços em um
aperto de gerar contusões.

— Georgie, olhe para mim.


Eu chutei e gritei, tentando sair, mas nada iria me
libertar. Eu sabia que nunca iria ser livre novamente. Meu
irmão. O meu melhor amigo. Ele estava morto.

— Deixe-me ir. Deixe-me ir. Deixe-me ir.

Correr. Fugir.

— Olhe. Para. Mim.

Desta vez, sua voz parou minha necessidade histérica


de escapar, parei de lutar e olhei em seus olhos resolutos.
Como ele poderia ficar aqui? Ele tinha acabado de destruir
minha vida, a vida da minha família. E ele estava aqui, me
olhando e sem nenhum traço de simpatia.

— Te odeio.

— Você vai ficar parada?

Com o peito arfante e o coração acelerado, percebi que


Deck tinha me visto destruir tudo no meu quarto. Ele não fez
nada para me impedir. A única coisa que eu sabia sobre esse
homem, era que ele era inflexível. Connor sempre disse que
Deck era o melhor líder, porque não importa que merda
acontecesse Deck nunca cedia a ninguém. Ele ficava na sua
posição, não importando o quê acontece. Imaginei que ele não
me deixaria ir até que eu me dobrasse à sua vontade.

Parei de lutar.
Ele esperou um segundo e depois me liberou. Enfiou a
mão no bolso de trás e tirou um livro pequeno, de capa de
couro, bordas desgastadas e um pouco torto.

— Ele queria que você ficasse com isso.

Eu não me mexi, enquanto olhava para o que eu sabia


que era o diário de Connor. Deck agarrou meu pulso e
empurrou-o em minha mão, a superfície dura bateu
abruptamente na minha palma.

O nome de Connor estava escrito no topo, em sua


familiar caligrafia bagunçada.

Eu quase caí, e provavelmente teria, se Deck não


tivesse agarrado meu braço. Ele guiou-me ainda mais, para
dentro do meu quarto e não fiz nenhuma objeção. Tudo que
fiz foi olhar para o livro encadernado. A última lembrança do
meu irmão. Não era o suficiente. Nunca seria o suficiente.

Senti a suavidade do colchão, quando Deck fez-me


sentar e, em seguida, o chão rangeu quando ele começou a se
afastar.

Olhei para a figura que se afastava.

— Eu queria que tivesse sido você, não ele.

Ele não esboçou nenhuma reação às minhas palavras,


e realmente, eu não esperava qualquer uma. Ele
simplesmente saiu. E eu odeio que esse Deck estivesse aqui,
em vez de Connor. Eu odiava que ele pudesse caminhar de
volta para sua família e rir e mantê-los e meu irmão não
pudesse.

Ele virou a cabeça e me olhou nos olhos. Por um


segundo, pensei ter visto remorso, mas foi tão rápido que eu
poderia ter imaginado ou talvez eu esperasse ver isso, do
melhor amigo do meu irmão.

— Sim. — Seu tom de voz sussurrado era quase


inaudível, quando a porta se fechou e escutei seus passos
constantes se afastarem.

A porta da frente se abriu e a porta de tela rangeu.


Ambas foram fechadas.

Eu não tinha ideia de por que eu fiz isso, mas andei até
a janela, abri as cortinas brancas e fiquei olhando, enquanto
ele caminhava, com tensão nas costas e passos rígidos.

Ele parou ao lado do carro e ficou parado por um


segundo. Eu não podia ver seu rosto ou o que ele estava
fazendo, até que ele bateu com as duas mãos no teto do
carro. Então, sua cabeça caiu para frente e seus ombros
largados descansaram na lateral do carro.

Meus dedos se enroscaram em torno do material


delicado das cortinas e eu não sabia o que segurava tão forte
até que a arranquei da haste e ela caiu no chão, deixando a
janela nua.
Como se tivesse ouvido isso, o que eu sabia que era
impossível, Deck se virou. Nossos olhos se encontraram.
Parecia que ele podia ver através de mim, com aquele olhar
direto. Senti-me nua e vulnerável, incapaz de desviar o olhar,
presa. Ele me deu essas feridas. Feridas que nunca
cicatrizariam. Deck era, agora, parte da escuridão que
habitava dentro de mim e que eu nunca teria como escapar.

Seu aceno mal se distinguiu antes dele se afastar e


abrir a porta do carro.

Assisti sua forma magra sentar no banco do motorista.

O motor ganhou vida com um ronronar alto.

Vida. Algo que Connor tinha perdido.

Afastei-me da janela, quando ouvi o barulho dos


pneus, na rua.

Meu mundo perfeito tinha acabado de virar um


completo caos.
Capítulo 1

Georgie

— Rylie, olha! O último bolinho do dia está aqui.

Rylie bufou e olhou por cima do ombro para o cara que


saía da Lexus azul.

— Georgie, seu parperfeito é Deck e aquele


definitivamente não é ele. Em segundo lugar, Tristan é um
idiota arrogante, ele apenas tem um corpo esculpido e
dinheiro. Um bobo total. — Ela apertou o botão da máquina
de cappuccino e assobiou quando o ar jorrou a espuma do
leite.

A campainha da porta soou.

Passei minha língua ao longo do lábio superior e


caminhei até a caixa registradora, em seguida, coloquei
minhas mãos no balcão e me inclinei para frente, para que
meus seios ficassem acentuados. Eles não eram nada
especiais, mas eram meus e eu sabia como usá-los, quando
necessário.
Tristan estava usando seu terno caro, habitual, que se
agarrava à sua forma impressionante como abelha no mel.
Quando começou a vir aqui, há algumas semanas atrás, ele
tinha sido um pedaço de pau no cu. Mal olhou para mim e
com certeza não tínhamos química. Isso era um problema
porque eu precisava que ele olhasse para mim, querendo-o ou
não.

Eu brincava com todos os clientes, para manter as


aparências, mas esse cara era... especial. Eu tive que chamar
sua atenção e, uma semana atrás, e eu consegui. Agora, ele
flertava comigo e eu suspeitava que em breve eu teria seu
número e um encontro.

Tristan se dirigiu para mim: alto, magro e com


confiança estampada sobre ele. Sua aparência combinava
com sua personalidade arrogante, cabelo preto curto,
combinando com sobrancelhas escuras e um queixo
quadrado. Olhar doce, cheio de intensidade iria assustar a
maioria das mulheres. Por sorte, eu não era a maioria das
mulheres.

— Tristan, você está procurando fazer uma saída


digna, como de costume, — Baixei a voz para que ela
parecesse meio rouca e apenas alta o suficiente para ele
ouvir. — Ah, se eu pudesse ser sua xícara de café.

Ele definitivamente escutou o que eu disse, porque sua


sobrancelha se levantou um pouco e sua boca se contorceu.
A faixa azul do meu cabelo caiu para frente, sobre meu
ombro e ele estendeu a mão e a levantou, acariciando os
longos e finos fios entre os dedos.

— Azul?

Ontem, eu tinha mexas rosas no cabelo, mas o azul é a


cor favorita de Tristan de acordo com sua escolha de carro e
camisas que sempre usava. Eu realmente não dou a mínima
para a cor do meu cabelo, só que eu nunca o deixaria laranja.
Não gosto da cor e, além disso, ele iria brigar com meus olhos
verdes.

Eu pisquei.

— Estava me sentindo um pouco triste ontem a noite,


decidir tingir de mexas azuis — Na verdade, isso não era uma
mentira. Minhas amigas Emily e Kat estavam fora da cidade,
e nosso café de domingo, normalmente na minha casa, foi
cancelado. E Deck... sim, ele estava em uma missão perigosa
no exterior e eu odiava isso. Minha vida seria mais fácil sem
ele — e era sem ele por perto — no entanto, me preocupava
com ele. Eu perdia-o constantemente, mas quando ele estava
aqui, era... doloroso.

Olhei por cima do meu ombro, para Rylie.

— O de sempre para Tristan, baby.

— Nada de azul para minha menina. — Minha menina?


Isso era novo. Ele poderia me chamar do que bem ele
quisesse, desde que eu tivesse o que precisava. — Talvez eu
tenha que fazer algo sobre isso. — Meu cabelo escorregou de
suas mãos quando ele enfiou a mão no bolso, tirou uma nota
de cinco e deslizou em direção a mim. — Jantar?

Finalmente. Progresso. Coloquei minha mão no meu


quadril e sorri.

— Você é quente, mas sair com você é contra as regras


do estabelecimento. — Tristan era um desafio, e, portanto, ele
gostaria de um desafio. Eu não poderia ser tão fácil e
acessível, perderia a graça.

— Este café não é seu?

Como ele sabia disso? Eu não publiquei em lugar


algum e não mencionei isso antes. Aposto que algum pobre
coitado ficou trancado em um escritório pesquisando as
vadias com quem Tristan queria transar.

— Meu lugar, minhas regras. Namoro com clientes está


no topo da lista de ‘sem chances’.

Idiota. Um café era um negócio e o meu era super bem-


sucedido. Enfiei minha mão sobre o balcão e peguei seus
cinco dólares, fazendo meu dedo roçar no dele. Então bati o
botão do caixa e a gaveta saltou aberta com um sonoro ding.

— E tenho orgulho do meu local de trabalho. Além


disso, se você me chupar, na cama, eu teria que pedir-lhe
para não vir aqui novamente. Você sabe... Lembretes são
realmente estranhos.
Ele colocou as mãos no balcão e seu sorriso brincalhão
desapareceu.

— Eu chupo na cama, Georgie. — Sua voz baixou


quando ele se inclinou mais perto. — Eu chuparei até você
gritar e implorar por mais.

Mordi o lábio inferior, a nota de cinco dólares, que


ainda estava na minha mão, agora estava amassada em uma
bola. Embora eu não quisesse, ele era gostoso para caralho.

— Isso não vai acontecer.

Uma voz profunda e familiar gritou atrás de Tristan e


meu coração bateu muito acelerado. Meu corpo se tornou
uma mistura de alívio, por ele estar de volta em segurança,
calor e desejo sexual. Deck perto de mim era uma relação de
amor e ódio. Jesus, minha vida era uma bola de fogo rolando
por um caminho muito perigoso.

Rylie riu quando deslizou o expresso de Tristan do


outro lado do balcão, então beliscou minha bunda. Olhei para
ela e ela sorriu, mostrando seus dentes branco-pérola
reluzentes. Ela estava rindo, quando sua bunda passou por
mim. Eu odiava isso, mas Deck poderia se mover
sorrateiramente.

— Você poderia ter me avisado. — Murmurei para ela.

Ela encolheu os ombros.

— Poderia, mas isso não seria divertido.


— Vaca.

Ela riu, então sorriu hesitante para Deck.

— Oi, Deck.

Embora seus olhos permanecessem em mim, ele


acenou para Rylie. E quando Deck olhou para mim, era como
se ele estivesse tocando meu corpo inteiro. Merda, esse é o
Deck, então tínhamos que ficar longe um do outro.

Empurrei a bola de dinheiro na gaveta, peguei uma


moeda, em seguida, fechei a gaveta de dinheiro com o
quadril. Passei o troco para Tristan, que agora estava meio de
lado e olhando para Deck.

Deck era cerca de uns cinco centímetros mais alto que


Tristan e mais musculoso, mas ainda magro e ágil. Ele tinha
tatuagens escorrendo por ambos os braços e um design tribal
desenhado até o lado de seu pescoço. Sua camiseta preta e
justa era confortável para as colinas e vales de seus
músculos, e eu sabia que por baixo da camisa estava uma
infinidade de músculos duros. Eu tinha, afinal, acordado em
sua cama depois que ele me arrastou para fora de algum bar
ou festa. Claro, Deck sempre ficava no sofá, mas eu o tinha
visto sem camisa várias vezes. Às vezes, desejo que não
tivesse visto, porque isso certamente não deixou minha vida
mais fácil.

Deck tinha esse fator intimidante. Confiante. Inflexível.


E o cara escondia suas emoções como se estivessem em um
cofre. Não saber ler o rosto dele, o fazia imprevisível, como
agora, por exemplo. Ele poderia querer fazer Tristan ir
embora, ou ele faria Tristan ir e, eu perderia um cliente e o
encontro, que eu precisava.

— Querido Bombom, você está de volta. — Basta olhar


para Deck e já quero beijá-lo. Tenho que usar toda a minha
força de vontade, para ficar aqui e não pular em seus braços.
Durante todos os anos que nos conhecemos, nunca senti
seus lábios em mim. Eu nunca faria isso, de qualquer jeito.
Eu sabia que seria perigoso. Tinham dito isso. Fui avisada
para manter as coisas assim.

Deck não tinha interesse em mim, de qualquer forma.


Eu era um pé no saco dele. Se ele soubesse o quanto eu era
perigosa.

Tristan franziu a testa e seus olhos brilharam com


aborrecimento.

— Namorado?

Eu ri.

— Não. Mestre. — As sobrancelhas de Tristan se


levantaram, mas as de Deck se juntaram ainda mais. —
Brincadeira. —Bem, mais ou menos. — O fodão aí é um
amigo de sorte. Você sabe, o tipo de amigo que você não pode
se livrar. Chuta-o na bunda e ele simplesmente continua
voltando, como um cachorrinho perdido. — Mas Deck não é
um cachorrinho. Está mais para um dragão que cospe fogo.
Tristan guardou sua moeda, em seguida, pegou seu
café expresso e tomou um gole, como sempre fazia.

— Analogia interessante. — Ele falou. — Não tenho


certeza que ele se encaixa. — Sim, Deck era mais como um
touro e eu era a capa vermelha. Tristan acenou para mim. —
Assim como o azul. Meu número está na nota de cinco
dólares.

E, sucesso.

Uma semana atrás, errei seu expresso, coloquei cinco


colheres de sopa de açúcar nele e metade do leite. O primeiro
gole acabou no meu rosto, num jato de líquido quente. Foi a
primeira vez que ele realmente olhou para mim; o cara
sempre teve os olhos em seu telefone. Eu pisquei para ele e o
aborrecimento em sua expressão desapareceu, sendo
substituído por uma carranca. Eu calmamente limpei o café
do meu rosto, com um guardanapo, em seguida, estendi a
mão e limpei sua boca. Entreguei-lhe seu verdadeiro expresso
e disse:

— Você tem olhos lindos. Pode usá-los de vez em


quando. — No começo, ele apenas me olhou intensamente,
por alguns segundos, como se estivesse me avaliando. Não
pisquei nem vacilei, apenas o olhei com um sorriso. Acho que
ele gostou disso, porque lentamente, um sorriso se formou e,
em seguida, ele riu.
Agora, ele vinha aqui todos os dias e sempre fazia
contato visual e conversava.

Olhei para Deck que não olhava para ninguém,


especificamente, parecia perturbado com o convite de Tristan.
Típico. Baixei a voz, mas sabia que Deck ainda podia me
ouvir.

— Só para que fique claro, eu não tenho


relacionamentos. Apenas uma noite.

Tristan começou a rir.

— Eu posso fazer isso. Ligue para mim. — Em seguida,


ele acenou para Deck e se dirigiu à porta. Fiquei
impressionada, Tristan não se sentiu ameaçado por ele.

Eu sorri, olhando para Deck. Sim, ele estava pronto


para me estrangular. O cara era super-protetor desde que
meu irmão morreu. Bem, dois anos depois, na verdade,
porque Deck desapareceu no dia em que me disse que
Connor estava morto. Vi-o brevemente no funeral, mas ele
não ficou muito tempo.

Todos os dias, esperei que ele voltasse. Se ouvisse uma


porta de carro do lado de fora da minha casa, meu coração
disparava e eu corria até a janela, para ver se era ele. Ou se
eu recebesse um e-mail de um endereço desconhecido, abria-
o com a respiração tensa, esperando que fosse de Deck.
Nunca era.
Então, as coisas mudaram, eu parei de esperar e parei
de me importar.

Quando ele finalmente voltou, eu tentei evitá-lo, mas


evitar Deck era como afastar um caminhão de cimento de um
bebê, com o dedo. Isso apenas não funcionou. Discutimos
sobre isso... Ok, eu argumentei, enquanto ele simplesmente
me ignorou. Ele disse que sumiu porque teve que voltar para
a sua equipe, no exterior. Não o culpei por isso. O que me
deixou chateada foi ele nunca ter entrado em contato comigo.
Então me senti estúpida, por que diabos ele iria manter
contato com a miúda irmã de seu melhor amigo?

Deck era destemido, algo que eu não era quando tinha


dezesseis anos, e aquilo me atraiu. Apesar de ser intimidante,
às vezes, quando ele olhava para mim, via uma certa
suavidade que fazia meu coração acelerar e meu e meu
estômago contorcer.

Connor me disse que Deck tinha passado um tempo no


reformatório, em seguida, nas ruas. Quando perguntei o que
ele tinha feito, Connor deu de ombros e não disse nada. Isso
o deixou um pouco misterioso, o que me intrigou.

A coisa era que, tecnicamente, o vi apenas três vezes


antes de meu irmão morrer. Uma vez, ele ficou conosco por
duas semanas, quando ele e Connor estavam de licença do
Exército. Então, outra vez antes deles irem para o
treinamento com o JTF2: Joint Task Force, uma unidade
antiterrorista de elite. E mais uma vez, quando chegaram em
casa, de Dever. Eu perguntei a Connor por que Deck sempre
vinha para nossa casa e ele me disse que ele realmente não
tinha qualquer outro lugar para ir. Perguntei o que aconteceu
com sua família, mas Connor apenas deu de ombros e disse
que a equipe era a família do Deck.

Então Connor morreu e tudo mudou.

Eu odiava que Deck tivesse me visto desmoronar,


naquele dia. Eu odiava que ele viveu e meu irmão morreu e
odiava querer que ele me segurasse e tirasse a dor. Então o
odiava ainda mais, porque ele não fez isso. Deck era tudo o
que eu não fui naquele dia - forte, controlado e destemido.

Então ele saiu e minha vida foi sugada a escuridão, a


mesma escuridão que eu tinha visto nos olhos de Deck. Não
havia dúvida de que eu estava completamente destruída
depois disso. Meus pais tinham estado tão presos em sua
própria dor que achavam que eu só estava de luto, e eu
estava, mas era muito mais do que isso. Era o inferno e eu
sofri por meses após a morte de Connor. Deck não sabia, mas
eram pensamentos sobre ele que me deram força para
sobreviver há tudo aquilo. Ele era minha força.

A porta se fechou depois que Tristan saiu, e eu o assisti


entrar em seu carro, em seguida, dirigir para longe. Deck não
tinha se movido, e senti um embrulho no estomago, enquanto
ele me observava. Depois de todos esses anos, ele ainda me
deixava nervosa. O homem poderia estar do outro lado de um
campo de futebol e ainda assim me fazia tremer. Eu só não
tinha certeza se ainda estava tremendo de nervoso ou porque
eu super excitada. Eu vivia com essa incerteza que poderia e
iria me destruir, se ele chegasse muito perto.

Olhei por cima do meu ombro, para Rylie, mas ela


tinha escapado para limpar as mesas, que não precisavam de
limpeza. Tanner, um velho amigo, estava sentado em uma
mesa afastada, digitando em seu laptop, com seus fones de
ouvido e chapéu puxado baixo, sobre seu rosto. Ele olhou
para mim, depois para Deck, franziu a testa e voltou à
digitação. Tanner realmente não gostava de Deck, embora
eles nunca tenham formalmente se conhecido e nunca o
fariam.

Eu sorri.

— Hey, baby, quando você voltou? — Ele odiava


quando o chamava de 'baby' e eu sabia disso pela forma
como os músculos de seus braços apertavam. — Matou
alguém nesta viagem? — Apostava que ele tinha.

— Você está pensando em sair com ele?

Direto ao ponto, como sempre. Levantei minhas


sobrancelhas.

— Quem?

Deck fez uma careta.

— Georgie.
— Vamos, Deck. Você já não sabia disso? — Suas
sobrancelhas suavizaram. — Bem, ele tem vindo aqui por três
semanas. — As câmeras de segurança teriam dito isso a ele.
Quando comprei o café, ele as instalou, disse que era um
impedimento para os assaltantes. Eu sabia que uma maneira
dele manter o olho em mim.

Seus homens vinham recolher as imagens de forma


aleatória e eu estava apostando que Deck tinha pesquisado
cada cliente regular que entrava em minha loja. Na semana
passada, dei a todos um deleite. Depois que fechei, coloquei
uma música e fiz uma dança erótica, em cima do balcão, bem
em frente à câmera. Meu palpite, Deck ainda não tinha visto
isso ou eu teria ouvido falar sobre a minha dança sensual.

— Você sabe quem é esse cara? — Perguntou.

Cruzei os braços, mais para cobrir os meus mamilos,


que eu sabia que estavam eretos pelos arrepios que
percorriam minha espinha.

— Em que contexto? Porque meu palpite é que ele no


quarto, é totalmente diferente de quando entra aqui. — Deixei
minha voz morrer no final, o que foi, provavelmente, uma boa
ideia porque a carranca de Deck era muito ameaçadora. —
Acho que descobrirei agora, já que tenho o número dele. —
Apertei o botão da caixa registradora, ela apitou e se abriu.
Então, peguei a nota de cinco dólares que Tristan me deu e a
alisei. — Que tal um ménage?
— Não estou interessado, Georgie.

Revirei os olhos.

— Você nunca está de bom humor.

Ele sabia exatamente à que eu estava me referindo, já


que eu sempre brincava com ele, sobre termos relações
sexuais. É claro que eu sempre estava fora do seu menu.

Ele foi pegar a nota da minha mão e eu rapidamente a


coloquei bolso.

— Essa é para uma noite desta semana.

— Você não terá uma noite e se você tivesse, eu estaria


impedindo-a.

Isso é uma meia verdade. Eu nunca tive um caso de


uma noite, mas na verdade essa era minha escolha, não dele.
Mas deixei-o pensar que era o que eu queria. Apertei meu
nariz, em seguida, fui pegar um pouco de café preto.

— Vagina bloqueada. — Murmurei, mas ele ouviu


porque vi seus lábios se contorcerem, quando o olhei por
cima do ombro. É bom saber que ele gostava, um pouco, do
meu humor.

Eu saí com vários homens ao longo dos anos, e Deck


sempre fazia sua coisa super-protetora e os checava. Ele
provavelmente sabia mais sobre os caras que eu saí do que
eu mesma. A coisa era que eu tinha que ter cuidado com os
homens que não queria que ele verificasse. Tristan... bem, até
onde eu sabia, não havia nada sobre ele, exceto que ele
possuía a Mason Desenvolvimento e namorou um monte de
mulheres.

Deck colocou uma nota de cinco no balcão, quando


voltei com seu café preto. Eu nunca recebia o dinheiro. Bem,
eu fazia porque ele insistia, mas eu colocava-o em um
cofrinho, de elefante cor-de-rosa, que ficava sob o balcão. Não
havia nenhuma razão para que eu fizesse isso, exceto que eu
não queria o dinheiro dele e ele se recusava a tomar café se
não pagasse. Então, eu colocava o dinheiro no cofrinho,
guardado. Ele sabia quando eu fazia merda, Deck sabia
praticamente tudo que eu fazia... A não ser o mais
importante. O que me incomodava era ser incomodada de
uma maneira que eu não podia aliviar a não ser com um
dispositivo funcional, com bateria, chamado “Deck”.

— Você sairá do trabalho agora?

— Isso é uma pergunta, Deck? Sério? — Ele não fazia


perguntas que já sabia as respostas e ele sabia exatamente o
horário que eu deixava o café, às terças-feiras. — Você deve
estar querendo alguma coisa de mim. Ah, eu sei, você faltou à
confraternização de bares nas últimas semanas que não
esteve aqui e está querendo fazer uma hoje? Bem, eu deixaria
você fazer isso aqui, mas minha clientela pode pensar que
você está me sequestrando.
— Eu quero que você pare de beber. — Sem rodeios,
Deck. Um tiro no alvo como de costume, eu sou seu alvo. —
Que porra é essa, Georgie? Todas as noites? O que diabos
está acontecendo com você?

— Nem todas as noites. E eu gosto de sair. — Eu


estava exagerando ultimamente, porque minhas amigas
estavam fora e Deck ou seus homens estavam a observar-me
mais de perto do que o habitual. Tanner tinha me avisado
para ir devagar sobre a coisa de beber.

— O que aconteceu no último fim de semana? — Ele já


deve ter ouvido falar sobre meu pequeno episódio, no último
sábado.

— Eu não estava tão bêbada. E a banda me pediu para


subir no palco e cantar com eles. — Meia verdade. A banda
me pediu para entrar no palco, mas a parte de cantar foi por
minha conta. Eu estava querendo chamar a atenção de um
cara que estava bebendo na parte de trás do bar. Eu sabia o
tipo de cara que ele era. Um que não gostaria de uma garota
se atirasse em cima ele, então eu teria que fazer isso de outra
maneira. E eu era boa no que fazia, mas ser tirada do palco,
por seguranças, não estava nos meus planos.

— Nós precisamos conversar. — Disse Deck.

Oh, isso não podia ser bom. Deck precisando conversar


significava que ele estaria falando, eu estaria ouvindo e, em
seguida, ele iria me impor mais regras. Felizmente, ele ainda
não tinha tirado meu telefone ou computador. Suspeito que
se isso acontecesse, toda a merda se espalharia. E não seria
uma coisa legal.

— Não será possível. — Peguei minha bolsa debaixo do


balcão e fui para a saída. —Marquei um encontro. Tenho que
lavar meu cabelo. — Uma mentira. Eu não ligaria para
Tristan por pelo menos uma semana.

— Georgie. — Esse tom de aviso me deixava arrepiada.


Sim, eu gostava. Que tipo de asneira era isso? Eu estava
bastante imune à maioria dos homens ... eu... estava
treinada sobre esse assunto e ainda assim, Deck era minha
kryptonita. A pior parte era que todos sabiam disso, o que
tornava tudo mais perigoso, para ele e para mim.

Eu não queria falar sobre a bebida. Era uma conversa


sem fim e que eu não iria mudar, não agora. Mas o que eu
não gostei foi que Emily tinha mencionado isso, antes dela
sair com seu noivo, o líder da banda, Dilacerados, há
algumas semanas. Ouvir isso dela me doeu muito, porque eu
sabia que sua mãe era uma porcaria e era alcoólatra. Eu
odiava preocupar Emily assim, mas foi o que eu me tornei,
para todos. Eu gostava de festas, tinha uma boca atrevida e
vivia na mira de Deck. Por enquanto, seria dessa forma.

Fui para o estoque, para a saída de emergência antes


de Deck agarrar meu braço, me forçando parar. Eu não lutei,
não havia sentido. Ele ia ganhar.
Suspirei e encostei-me à porta.

— Ok, Sexy. Vamos acabar com isso.

Deck se aproximou, com passos firmes. Tão perto, que


eu podia sentir a batida de seu coração contra meus seios e
seu hálito quente sobre minha pele. Ele afrouxou o aperto no
meu braço, em seguida, sua outra mão se aproximou e
segurou meu queixo. Eu estava fervendo e estava desejando
que eu não estivesse usando meu fio dental. Eu precisava de
uma calcinha da vovó, para o que estava acontecendo entre
minhas pernas. Sem controle, era assim que eu ficava
quando se tratava de Deck. Céus.

— Você não vai sair com ele.

Eu suspirei. Aqui vamos nós.

— Por que não?

— Porque ele é um idiota arrogante. — E ele


obviamente tinha verificado Tristan.

— Acho que esse tipo é quente. Além disso, você é um


idiota arrogante.

Deck não parecia impressionado. Na verdade, ele


chegou ainda mais perto, de modo que sua perna estava
entre as minhas.

— Isso não está em discussão.


— Não, não está. — Era inútil discutir com Deck, ele
sempre ganhava.

— Baby... — Jesus, eu seriamente odiava quando ele


me chamava assim. Isso me fazia querer pular em cima dele.
Ele também emitiu um som... parecido com um suspiro, bem
real e humano, não frio e sem compaixão. Mas acima de
tudo, fez parecer que eu era dele. — Eu não gosto do azul.
Mude-o.

Um grito de indignação escapou da minha boca, mas


eu não deveria ter ficado surpreendida. Quando Deck falava,
ele dizia a verdade. Com ele, nenhuma pretensão. O completo
oposto de mim.

Ia bater nele, mas ele bloqueou meus braços. Lutei, me


balançando pateticamente, considerando que ele era o dobro
do meu peso e muito mais alto.

—Eu vou sair com ele e desde quando ar cor do meu


cabelo é da sua conta? — Deck não tinha papas na língua,
assim como eu. Exceto que, o que eu falava era fantasia e
besteira, enquanto o que vinha dele era honesto e sério

— Você estava bêbada cantando em um palco? Será


que a segurança teve que arrastá-la para fora de lá? Será que
Matt te expulsou?

Merda, mudança total de tema e não a meu favor.


— Tyler tem uma boca grande. — Ele era um dos caras
do Unyielding Riot que Deck tem em sua companhia. Os
homens que trabalhavam para ele ou eram ex-militares, ex-
membros de gangues ou ex-desgraçados e perigosos. De onde
quer que eles viessem, todos tinham habilidades
especializadas de algum tipo, o que era necessário para o
trabalho que faziam, na maioria das vezes ilegal. Mas, pelo
que eu soube, ele estava eliminando esse mundo de alguns
idiotas.

Quando Deck partia em uma missão, na maioria das


vezes, um de seus homens ficava de olho em mim. Super-
protetor, maníaco por controle obsessivo-compulsivo. Eu
poderia ter aproveitado a liberdade quando ele me deixou por
dois anos.

— Você gritou, menina bonita?

As mãos de Deck caíram de mim, quando o som


constante de botas veio em nossa direção. Tyler tinha um
café na mão e um largo sorriso no rosto. Definitivamente ele
era um cara do tipo ‘agarre-me e me prove enquanto tiver
uma chance’. E as oportunidades com Tyler seriam rápidas,
considerando que ele não era do tipo de ficar para o café da
manhã.

— Eu disse que eu sairia em cinco minutos. — Disse


Deck.

Tyler deu de ombros, ignorando a carranca de Deck.


— Cinco, dois, dez; é a mesma coisa.

Eu ri, porque sabia que ele estava falando besteira.


Tyler também tinha estado na elite JTF2, onde um segundo
poderia significar a diferença entre a vida e a morte. Não
passou nem a metade do tempo que Deck pediu.

— Tyler vá. Eu apenas ia dizer a Deck sobre nós. — O


vi engolir seco e seus olhos azuis brilhantes se acentuaram,
em alarme, quando eu sorri e pisquei para ele mostrando que
estava brincando. O olhar de Deck voou para Tyler e reforcei
minha história. — Não foi nada grave, Deck. Apenas
brincamos algumas noites.

Tyler deu um passo para trás e apertou a mão em


torno do copo que segurava, o que fez a tampa cair e o café
derramar. Ele gritou quando o líquido quente queimou sua
pele e o copo caiu com o líquido negro espirrando no chão.

Eu assisti com divertimento, mordendo meu lábio


inferior para não rir alto, porque eu queria jogar isto um
pouco mais... até que eu vi a cara de Deck.

— Deck. — Falei quando ele avançou na direção de


Tyler. —Deck. Eu estava brincando. — Opa, eu não estava
esperando essa reação. Ele estava sempre no controle. Tyler
se moveu tarde demais, quando Deck deu um soco em seu
rosto e ele cambaleou para trás, aterrissando com força em
sua bunda.
— Porra. — Tyler balançou a cabeça. — Eu nunca a
toquei, chefe.

— Deck. — Eu corri para ficar na frente dele, colocando


minhas mãos em seu peito. — Você está nervoso, todo
machão, mas Tyler e eu... Ele está falando a verdade, isso
não aconteceu. Eu estava apenas brincando. — Olhei por
cima do meu ombro, para Tyler ainda sentado no chão e
esfregando o queixo. — E você não tinha que dizer a ele tudo
o que aconteceu na noite de sábado.

— Menina bonita, você sabe que eu tinha que dizer.

Sim, eu sabia. Afastei-me de Deck, que ficou em


silêncio e ainda encarando Tyler.

— Mas, você disse que não gostaria de mencionar a


parte dos seguranças.

— E você realmente se lembra do nosso bate-papo


naquela noite? — Disse Tyler, levantando as sobrancelhas.

Eu lembrava, mas é claro, ele não pensaria isso, fiz


meu teatro. Eu tinha pronunciando poucas palavras e
tropeçado.

— Rylie disse...

A regra número um de Deck era “não mexa com a irmã


do meu melhor amigo morto”. Eu ouvi-o dizer isso aos seus
homens, quando ele voltou pela primeira vez, quando eu
tinha dezoito anos... bem, acabado de completar dezenove.
Ele estava na parte de trás do meu café, com Josh,
Tyler e Vic depois de instalar todas as câmeras de segurança.
Eu estava trazendo-lhes café e o ouvi dizer: “Ninguém toca na
irmã de Connor”.

Tyler tinha rido.

— Porra, você está reclamando-a, Chefe?

— Porra, não, — respondeu Deck. — Ela é proibida


para todos nós.

Os cafés caíram no chão, várias emoções atravessaram


meu peito, enquanto suas palavras ecoavam na minha
cabeça.

Naquela época, eu ainda tinha esperanças sobre Deck e


eu, apesar de ser um pensamento perigoso, eu sabia que não
me envolver era o melhor. Mas ouvi-lo dizer que nunca
seríamos nada além de amigos me deixou completamente
atordoada.

Ele me destruiu. E eu que pensava que já tinha sido


destruída.

No momento que nossos olhares se cruzaram e que


ficamos nos encarando. Em seguida, seu olhar frio e sem
emoção me deixou sem ação.

Com certeza eu era uma senhora visão, com todo


aquele café derramado na minha frente. A bebida tinha
queimado a minha pele, mas não senti a dor; apenas captei a
dor emocional. Depois veio a raiva e eu chutei uma das
xícaras vazias, ao lado do meu pé.

— Por que diabos não? — Eu gritei.

Deck, em sua calma habitual, se limitou a dizer não.


Fiquei apavorada .Ainda estava tentando controlar as minhas
emoções. Caminhei até Josh, que estava em pé ao lado da
prateleira de estoque e o beijei.

As mãos de Josh foram para os meus quadris e senti


um leve empurrão, mas depois sua boca aliviou sob minha e
o ouvi gemer. Durou apenas alguns segundos, antes de
sermos puxados para trás, ao mesmo tempo.

Eu não tinha interesse em Josh, ou em qualquer um


dos homens de Deck. Esse era o ponto. Foi então que minha
raiva se transformou em nojo, de mim mesma, por ser tão
fraca quando estava tentando ser forte nos dois últimos anos,
tentando passar por esses sentimentos que eu tinha por
Deck.

Os caras deram escassos olhares, enquanto Deck e eu


olhávamos para o outro e, em seguida, ele disse:

— Meus homens estão proibidos para você, porque a


cada missão que ingressarmos, há uma boa chance de um de
nós poder não voltar. Seu irmão nunca quis isso para você. —
Então ele saiu e nós nunca discutimos isso novamente.
Deck passou a mão por cima da cabeça, em seguida,
pelo rosto. O desconforto em seus olhos era incomum para
ele. Firme como uma rocha, mas havia algo diferente nele.
Notei isso ao longo dos últimos meses. Ele ficava fora a maior
parte do tempo e quando estava aqui, estava distante. Bem,
ele estava sempre distante, mas algo não estava bem e eu
ainda tinha que descobrir o que era. O que me preocupava
era se isso tinha alguma coisa a ver comigo, e não era nada
sobre a bebida.

Deck balançou a cabeça.

— Jesus, esta merda é comigo.

— Que merda? — Eu olhei entre os dois homens, mas


eles permaneceram em silêncio. De repente senti medo, e
fiquei toda arrepiada. Eu odiava isso. Odiava que Deck
pudesse ser tirado de mim tão rapidamente e de repente,
como meu irmão foi. Ele fodeu com a minha cabeça... Era a
única coisa que ele ainda fazia. — O que está errado?

Tyler colocou a mão no ombro de Deck, que recuou.

—Vamos fazê-lo. — O que eles iriam fazer? Ele acenou


para a câmera, no teto, no canto da sala de estoque. — Oh, e
as gravações de segurança... Nove horas na segunda-feira.
Podemos vê-las no avião, depois. Vou levar pipoca.

Merda. Minha dança. Tyler piscou para mim, em


seguida, pegou seu copo vazio e voltou para a frente da
cafeteria onde pude ouvi-lo pedindo a Rylie um novo copo de
café.

— Eu não vou gostar, não é? — Disse Deck.

— Não. — Deck odiava minha escolha de roupas,


cabelo e o jeito que eu paquerava. Ele realmente vai odiar
minha dança sexy para a câmera, sabendo que Tyler tinha
visto isso. — Você está indo embora de novo? Você acabou de
voltar. — Perguntei, mas já sabia que ele estava indo para
Nova York.

— Apenas um par de dias.

— Quer dizer que você pode rastrear, torturar e matar


um cara em um par de dias? Impressionante. — Sempre que
ele voltava de algo ruim, ele tinha um olhar sombrio e frio em
seus olhos, o que levava alguns dias para voltar ao normal.
Eu sabia que essa viagem à Nova York não era assim.

— Não. Apenas negócios. Eu preciso de Tyler comigo e


os outros ainda estão no exterior, mas nos encontrarão lá.
Assim, você ficará sozinha.

Minhas sobrancelhas subiram.

— Sério Deck. Eu não sou mais uma criança.

— Então não aja como uma.

Jesus, às vezes eu só quero... Antes que eu pudesse


reagir, ele estendeu a mão para mim e segurou a parte de
trás do meu pescoço, me puxando para perto. Eu fiquei sem
ar sabia que percebeu, porque seus olhos escureceram.

— Essa coisa de beber, festejar... você está certa, você


não é uma criança. Essa merda tem que parar e.... — Ele
suspirou e sua mão apertou em meu pescoço. — Georgie, as
coisas podem estar mudando. Eu preciso que você esteja
pronta.

Porra. Será que ele descobriu? Eu não acho que ele


saiba. Ele não poderia. Tive cuidado.

— O que isso quer dizer? — Eu tremia, enquanto seus


dedos deslizavam no meu cabelo e por um segundo, eu estava
pensando que ele ia me puxar contra ele e me beijar.
Pensamento estúpido. Eu deveria estar pensando que merda
ele quis dizer com as coisas mudando.

De repente, ele me soltou e deu um passo atrás.

— Isso significa que eu preciso de todos os meus


homens comigo, e não podemos estar perto de você se entrar
em apuros. Então, arrume a situação.

Ele fez uma pausa e eu ainda estava me recuperando


de suas palavras. Eu odeio minha vida.

— E se eu descobrir que você encontrou Tristan, as


coisas vão mudar mais do que você pode querer que elas
mudem. A porra do cara tem uma porta giratória para as
mulheres na própria casa. Fique longe dele.
— Tristan? Quem é esse? — Perguntei inocentemente.

Ele deu um meio sorriso, balançou a cabeça e se virou,


caminhando em direção à porta, de volta para o café.

— Eu posso namorar quem eu quiser Deck. — Eu


gostava do lado protetor dele. Claro, ele fazia minha vida
difícil e às vezes me irritava, mas isso me fazia sentir como se
ele se importasse comigo e eu estava segurando isso com as
duas mãos.

— Tente-me. — Ele rebateu.

Agarrei a coisa mais próxima de mim, uma lata de café


moído, e joguei-a em cima dele. Ela bateu no batente da
porta, ao lado de sua cabeça e ele nem sequer piscou, quando
passou pela porta de vaivém.

Eu ouvi um grande estrondo e a campainha da porta


da frente tocou. Um segundo depois, Rylie veio correndo para
a sala de estoque.

— Merda, o que diabos foi isso? Oh, meu Deus, a cara


de Deck. Georgie, ele estava chateado. Eu nunca o vi acertar
alguma coisa antes. Ele é sempre assim... Centrado.

Sentei na minha bunda no chão, em seguida, deitei-


me, colocando o braço sobre os olhos.

— Eu estou malditamente exausta. — Eu estava. Eu


não podia mais fazer isso. Eu tinha que começar a colocar
Deck para fora da minha cabeça.
— Umm, Georgie? Você está bem?

— Nós ainda vamos sair amanhã à noite? — Perguntei.


Era quarta-feira à noite e eu tinha que ir ao Avalanche, o bar
o qual eu fui retirada de cima do palco, onde eu sabia que
havia uma boa chance de que houvesse lá alguém que eu
quisesse conhecer. Bem, queria era a palavra errada. Eu
tinha que encontrar alguém.

— Ah, sobre isso.

Sentei-me.

— Jesus. Ele falou com você?

Rylie assentiu.

— Eu não usaria a palavra – falar. Depois que ele deu


um soco no lado da máquina de café expresso, me disse para
eliminar a ideia de ir à bares com você.

— Merda. O que ele realmente disse?

Ela estendeu a mão; Peguei-a, em seguida, ela me


puxou para os meus pés.

— “Bares, essa porra está proibida para você Georgie”.

— Ele e seus “proibidos”.

Rylie colocou o braço em volta dos meus ombros e eu


sabia que ela estava salvando-me dos meus planos de
amanhã à noite. Deck realmente a assustou e acho que se ela
não o conhece como eu, então ela tem todo direito de ter
medo.

Rylie tinha a mesma altura que eu, de um metro e


sessenta e cinco, e ela era conservadora tanto quanto eu não
era. Seu cabelo estava sempre perfeitamente puxado para
trás, apertado em um rabo de cavalo, enquanto o meu estava
em todo o lugar, não tinha visto tesouras em anos e tinha
tido todas as cores do arco-íris. Eu usava roupas
provocativas, encontradas no mercado no centro de
Kensington, e ela comprava conjuntos elegantes no shopping.

Mas nós nos dávamos bem. Foi uma afinidade


instantânea, quando a contratei há alguns meses atrás, acho
que, em parte, porque eu costumava ser muito parecida com
ela. Com meus melhores amigos ocupados, Emily estava
fascinada com os rapazes da banda Tear Asunder, e Kat
também, eu precisava de outro grupo para festas. Rylie pode
ser certinha, mas ela gostava de dançar, beber e festejar, o
que era exatamente o que eu precisava.

— Deck não é meu dono. E eu vou sair. Você pode vir


ou não. De qualquer forma, eu estarei bebendo e tirando
Deck fora do meu sistema. — Já era tempo. Eu tinha que
tirá-lo de mim e parar de me agarrar a algo que ele nunca iria
me dar.

Rylie estremeceu.
— Talvez devêssemos deixar esfriar por alguns dias.
Estivemos em noitadas durante semanas. Além disso, estou
com pouco dinheiro. A menos que queira me dar um
aumento? — Ela sorriu.

Eu sorrio.

— Baby, eu te amo, mas você já teve um. E agora,


estou dando o fora daqui. Patrick chegará a qualquer minuto
para o turno da noite. — Suas bochechas estavam coradas e
eu, balancei minhas sobrancelhas. — E o que você precisa
para foder esse homem? Sério? Ele gosta de você e está
solteira, então, porque não transar no fundo da loja após o
fechamento. Isto é, se você não se importar de ficar diante
das câmeras.

Rylie riu, em seguida, me empurrou para longe.

— Eu não vou dormir com ele. Ele dormiu com todas as


garotas gostosas que já entraram nesse lugar.

— Bem, então ele deve saber o que está fazendo.

— Eu vou dormir com Patrick no dia em que você


dormir com Deck.

— Oh, eu durmo com Deck todas as noites.

Rylie riu e caminhou em direção à saída.

— Vibradores com nome de Deck não contam.


Eu mostrei a língua para ela antes dela sair do meu
campo de visão. Mas a ouvi rir.

Pegando minha bolsa do chão, perto da saída de


incêndio, abri-a, peguei meu celular e disquei o número dele.

Deck

Eu estava ferrado. Primeiro essa merda acontecendo e


agora ter que deixá-la sem um dos homens em sua cola... eu
não gostei. Não quando tenho um emprego que pode afetá-la.
Se qualquer informação do que fazemos vazar, ela se tornará
um alvo. A última vez que isso aconteceu, Georgie quase se
matou, pulando do sótão em cima de um cara que tinha a
merda de uma arma apontada para sua melhor amiga, Emily.
O bastardo doente, Alfonzo, sequestrava as meninas e depois
as vendia para o comércio sexual. Georgie tinha sido drogada
e levada para um armazém onde o transportador estava
despachando-a, juntamente com Emily e outra menina, a tal
de Raven ‘cujo nome real é London’ para Deus sabe onde.
Jesus sabe o que teria acontecido... Meninas raramente
voltavam dessa merda. Elas desapareceriam.

Aquele dia tinha sido o segundo pior dia da minha vida.

Eu era controlado e eu raramente o perdia o controle.


Hoje, eu perdi. Soquei o idiota do Tyler. A raiva me tomou
depois de ouvir a merda da “brincadeira”... Aquilo me deixou
louco. Meu controle foi completamente destruído com o
pensamento de Georgie gritando o nome de Tyler, enquanto
ele a tomava. Perder o controle não era algo que eu fazia. Eu
não podia. Perdi uma vez e parei no reformatório por seis
meses e, em seguida, ouve uma bagunça nas ruas e perdi
mais dois anos, até que completei dezoito anos e juntei-me às
forças armadas canadenses.

Andei para fora do café de Georgie, chamado Perk


Avenue, e o vento do verão atingiu minha pele aquecida,
pouco me ajudando a esfriar a raiva, latente, dentro de mim.

Tyler estava encostado contra a parede de tijolo, com


uma folha de grama em sua boca e uma perna dobrada com o
pé descansando na parede. Ele se afastou e se aproximou de
mim, cuspindo a grama para a calçada.

— Tudo bem?

Olhei para ele e ele sorriu. Idiota. Ele sabia muito bem
que nada, nunca, estava bem quando o assunto era Georgie.
E agora era pior. Esta não era apenas uma jovem garota que
ia a festas e bebia demais. Georgie estava tendo problemas
com a bebida.

Pelo menos ela nunca teve a porra de um namorado –


obrigado por isso. Verifiquei cada cara que ela encontrou o
que era como Tyler dizia, 'a porra-louca', mas eu fiz uma
promessa ao seu irmão e nunca quebrei minha palavra.
Alguns dos homens eram cachorrinhos, outros uns
otários endividados, ou tinham empregos de merda e eu
queria impedi-la de namorá-los. Mas mantive minha opinião
para mim mesmo, na maioria das vezes. Não era o caso de
quando um cara como Tristan, que tinha uma mulher
diferente a cada dia da semana, queria namorá-la.

Isso era eu, protegendo-a contra a escória, os idiotas e


os mulherengos. E sim, os homens gostam dela. O que deixa
meu tormento ainda maior.

É claro que houve momentos, como agora, quando eu


não tinha um homem tomando conta dela, então não tinha
ideia do que ela estava fazendo e Georgie, muita das vezes
gostava de fazer o que não era bom.

Eu não conseguia descobrir porque diabos ela estava


agindo dessa forma, ultimamente.

A bebedeira... Porra, eu não consigo compreendê-la ou


interrompê-la. Era a única parte de Georgie que eu não tinha
controle. No início, ela tinha tido noitadas nos fins de
semana, em seguida, lentamente, ao longo dos últimos
meses, essas noitadas também ocorriam durante a semana
até que eu encontrei pequenas garrafas de bebida em sua
bolsa.

A merda era que isso não se encaixava com quem ela


era. Eu sabia que ela era melhor do que isso. Ela era muito
teimosa e determinada, porra, muito segura de si mesma
para ser uma alcoólatra, mas nesses últimos meses eu
arrastei seu rabo para fora dos bares várias vezes.

A merda era que Georgie se achava indestrutível. E ela


era, porque eu estava lá, ou um dos meus homens, para
transportar sua bunda fora de qualquer problema que ela
arrumasse.

Abri a porta do meu Audi e entrei. Tyler pulou no lado


do passageiro, liguei o carro e me dirigi para o aeroporto. Eu
tive que ficar longe de Georgie nos últimos meses, tomando
certa distância. Eu não gostava de ela estar longe e odiava vê-
la. Sentia que ela estava indo embora e eu ainda não sabia
como pará-la.

— Eu não entendi. O jeito que ela olha para você... —


Tyler suspirou balançando a cabeça. — Ela te ama, Chefe.

Apertei minhas mãos em torno do volante.

— Ela adora a ideia de eu salvar sua bunda o tempo


todo, para que ela possa se embebedar até entrar em um
maldito coma. Ela não sabe nada sobre quem eu sou.

— Claro que ela sabe. Ela pode não saber dessa merda
toda, o que você é capaz de fazer..., mas ela sabe que você se
importa com ela. Ela sabe que você a protege com seus
homens e com sua vida. Chefe, Georgie te conheceu antes de
você começar o Unyielding Riot. Essa menina se apaixonou
por você há milhares de anos e Connor também sabia disso.
Dirigi meus olhos para Tyler.

— Você ouviu o que você disse?

Tyler inclinou a cabeça para trás e fechou os olhos.

— Foda-se. Connor não voltará. Todas as ligações são


falsas. Não sei por que estamos perseguindo um fantasma.

— E você ouviu o que acabou de dizer?

Tyler suspirou, balançando a cabeça.

Se Connor estava vivo ou morto, isso não importava, eu


não iria quebrar minha promessa a ele. Minha palavra era
uma parte da minha alma, que não havia sido contaminado
pela sujeira da minha vida. Todos os dias isso estava
piorando. Eu sentia certa letargia, quando eu torturava
alguns doentes desgraçados, que se envolviam com pessoas
erradas.

Quando eu assisti Vic retirar os dentes de um homem


ou arrancar suas unhas, eu não ouvi os gritos, ou senti o
cheiro da urina, ou vi o sofrimento. Tudo que eu vi foi um
rato nojento e eu não dava à mínima nem cedia a ninguém.

Mas eu cedi.

Eu cedi à Georgie.

Deixei-a contaminar minha alma e não importa


quantos homens eu mato ou quantas mulheres eu fodo, não
podia tirá-la de mim.
— Você tem certeza que é seguro?

Eu sabia exatamente do que Tyler estava falando. O


local em Nova York era seguro? O cara que nos encontraria
era seguro?

— Não. — Eu não confiava no bastardo. Kai tinha um


monte de dinheiro e uma história inexistente. Ele estava
escondido e isso era perigoso. — Mas eu devo a ele. — Kai me
ajudou com uma situação envolvendo tráfico sexual. Ele
apareceu e nos ajudou a identificar o transportador
responsável pelo envio das mulheres. Nós colaboramos,
porque houve uma reunião com Alfonzo. Kai disse que
gostaria de um favor em troca da ajuda naquele dia.

Dois dias atrás, ele entrou em contato.

— O que você acha que ele quer?

— Um cara como Kai... — Kai era conhecido por ser o


homem contratado no submundo para fazer os trabalhos que
ninguém mais queria - nem mesmo eu. Eu não arrisco meus
homens sem a porra de uma boa razão, mesmo por uma
avalanche de dinheiro. Eu sabia quais eram os trabalhos a
tomar e os únicos a passar. Kai era desconhecido e sua moral
precária o faziam perigoso. — Sei lá que porra ele quer.
Capítulo 2

Georgie

— Mhmm, doçura. — Murmurei sob sua boca. Ele


colocou a mão no meu cabelo e me puxou para mais perto,
assim meu corpo estava contra ele com os seios pressionados
em seu peito duro.

Ele me apoiou contra o bar. Ouvi a cerveja tombar, em


seguida, um gotejamento lento, uma vez que a bebida
derramou no chão.

Eu gemi com a pressão, mas a dor em minha espinha


me fez bem. Eu gostava de dor, ela me deixava viva, como
se... como se eu estivesse em liberdade. Era uma merda total,
mas toda minha vida foi uma merda, por isso não me
incomodava.

Ele sabia beijar, não era um daqueles beijos babados


em que o cara nem sabe o que fazer com a língua. Muito pelo
contrário, ele sabia exatamente o que fazia, era um beijo
doce. O problema é que doçura não me fazia bem.
— Deslumbrante, vamos continuar isso na minha casa.
— Ele se afastou e acariciou minhas costas e minha bunda,
onde ele também deu um apertão.

Bingo. Eu gemi, apoiando-me nele, em seguida,


coloquei meus dedos em seu cabelo, na parte de trás do seu
pescoço. Era hora. Tinha que ser hoje à noite, Deck tinha ido
embora e seus homens também se foram. Eu planejava ter
duas coisas acontecendo hoje à noite e tudo estava se
encaixando.

Colocando a mão entre nossos corpos, deslizei-a por


cima da calça jeans e senti seu inchaço, seu pau duro.

— Tem potencial, definitivamente tem. Ok, Doce,


vamos fazer.

Ele riu.

— Soa como uma tarefa.

Ele não tinha ideia. Apertou sua mão no meu cabelo e


me puxou para outro beijo. Não foi intenso e exigente, como
eu ansiava, mas serviria até que eu tivesse o que queria. Ele
me soltou com um gemido profundo, em seguida, pegou
minha mão e me puxou pela multidão, em direção à porta.

— Georgie!

Virei-me para ver Matt, saindo da parte de trás do bar,


com o telefone no ouvido. Merda. Eu sabia exatamente com
quem ele estava falando, mas não havia nada que eu pudesse
fazer sobre isso. Eu não conseguia ouvir o que ele disse,
antes de desligar e empurrar seu celular no bolso de trás,
mas a rigidez de seu passo me mostrou que ele estava
chateado. Matt era meu amigo, irmão de Kat, e proprietário
do Avalanche. Era minha morada local e ultimamente eu
estava aqui com mais frequência do que estava em casa. Matt
estava no grupo de homens gostosos, alto, magro, austero e
de características firmes. Em todos os anos que o conhecia,
porém, ele permaneceu solteiro. Tinha visto as meninas em
cima dele dando seu numero de telefone, mas se ele ligou,
ficou em segredo.

A mão de Lionel apertou em torno da minha, quando


eu parei. Ele olhou para mim, em seguida, para o Matt, se
aproximando.

— Não me diga que você tem um namorado?

— Relaxe, Luther.

— Lionel. — Ele corrigiu, franzindo a testa.

Balancei a mão no ar e ri.

— Seja como for, Docinho. — Eu sabia o seu nome; só


não me importei. Além disso, era suposto eu estar bêbada e
pronunciando as minhas palavras sem sentindo.

Matt parou em nossa frente, levou um segundo para


olhar o cara, então olhou para mim.
— Você precisa de uma carona para casa? — Seus
lábios se contraíram quando ele olhou minha mão na de
Lionel. — Pensei que você provavelmente iria querer. Dê-me
cinco minutos e vou levá-la.

Merda, meus planos iam por água abaixo.

— Não, eu estou bem. — Pisquei para ele. Sua carranca


se aprofundou e seus olhos se estreitaram no meu
acompanhante.

— Georgie, você já bebeu demais. — Sim, sem dúvida


Inspetor Bugiganga. Eu pedi a Brett, o barman, cinco doses e
quatro uísques, mas isso não significa que bebi todos eles.
Bebi mais do que eu costumava fazer, mas ainda estava
sóbria o suficiente para começar a fazer meu trabalho. Eu
tinha certeza que Lionel bebeu muitas doses. Quando ele
ficou com o olhar semicerrado, eu sabia que era hora de ir.

O queixo de Matt ergueu-se para Lionel.

— Ouça cara, acho melhor você ir embora.

— Sim, isso é o que estamos fazendo. — Disse Lionel.

E obrigada, Lionel.

— Sozinho. — Disse Matt.

Agora, isso me irritou. Eu não ficava, normalmente,


nervosa com o que eu tinha que fazer, mas esta noite era
diferente e eu já estava tendo dúvidas.
—Oh, vá chupar uma boceta, Matt. Só porque você não
achou uma não significa que você tem que arruinar minha
noite. — Eu me virei e comecei a andar para a porta, mas a
mão de Lionel ainda estava na minha e ele estava parado,
então eu só dei dois passos antes de colidir com o peito de
Matt.

— Georgie, não é uma boa ideia. Você está bêbada. — A


voz de Matt estava alta, o que eu completamente ignorei.

— Sim, bem, eu não gosto de boas ideias. E foda-se,


vamos, Lionel. — Um arrepio passou por mim, com minhas
palavras. Dane-se. Eu estava deixando Deck de lado. Tinha
que ser assim.

Lionel deu de ombros, em seguida, enlaçou o braço em


volta da minha cintura, me levou para fora e pegamos um
táxi. Antes que Matt tivesse a chance de fazer qualquer coisa,
nos afastamos do ambiente.

A corrida de táxi teve mais beijos e uma mão


levantando minha saia. Eu suspeitava que o taxista estivesse
tendo um bom show da minha calcinha de renda preta, pelo
espelho retrovisor.

Quando o táxi parou, Lionel atirou-lhe algum dinheiro,


em seguida, me ajudou. Ele me pegou em seus braços,
balançando um pouco para os lados, envolvi minhas pernas
em volta de sua cintura e meus braços ao redor de seu
pescoço. Nossos lábios estavam trancados e eu o ouvi gemer.
Ele estava bêbado, me queria e estávamos em sua casa,
isso era perfeito.

Meu coração batia forte quando ouvi o som da chave,


em seguida, a abertura da porta e ela batendo atrás de nós.
Dei uma rápida olhada ao redor, reparando em tudo, então
mentalmente tomei notas. Antes que ele percebesse,
sussurrei em seu ouvido.

— Destrua-me. — E seria ‘destruir’ completamente.


Patético, realmente patético, mas eu estava finalmente
fazendo algo sobre meu estado patético.

— Eu pretendo. — Ele me colocou de pé em seu quarto,


mas manteve o braço apertado em volta da minha cintura.
Joguei minha cabeça para trás e gemi quando sua mão
acariciou debaixo da minha camisa, levantou meu sutiã e
brincou com meus mamilos.

— Oh, cara, você é incrível. — Ele esfregou meu


mamilo e me senti... violada, a camisa de lã, que eu usava
deixaria meu mamilo irritado pelo contato direto. Realmente,
eu queria que ele estivesse beliscando-os, chupando-os, mas
Lionel era todo suave e doce. Meu estômago deu um nó. Era
como se cada toque fizesse um nó no meu estomago. Eu
tinha que fazer isso. Eu estava ferrada de qualquer maneira.
O que importava se eu resolvesse foder? Já estava na hora.
Ele colocou-me sobre a cama, em seguida, montou em
mim. Olhei o layout do quarto: cama, mesa de cabeceira,
cômoda, nenhum computador.

Uma vez que ele desmaiasse, eu poderia fazer o que


vim fazer aqui esta noite.

— A camisa, lindo. — Ele me ajudou a tirar minha


blusa de gola V, em seguida, gemeu quando se inclinou sobre
mim, tomando meu mamilo em sua boca, sugando, depois
rodando sua língua ao redor do bico rosado.

— Mais forte. — Eu queria dor. Era uma lembrança de


que eu era real.

Ele puxou-o na boca e eu arqueei minhas costas para


ele, esperando que ele mordesse, mas não o fez. Em vez disso,
ele colocou beijos em um peito, no outro e apertou-o como se
fosse uma 'bola de tênis maldita’.

— Eu preciso estar dentro de você. — Assim que ele


disse isso, eu sabia que não ia acontecer. Pensei que talvez
eu pudesse, mas não desse jeito. Este não era o cara certo,
hora certa ou razão certa.

Eu teria que viver com minha patética virgindade um


pouco mais.

Ele deslizou para fora da cama e por um breve


segundo, pensei em correr. Escapar. Mas foi nesse breve
segundo que percebi que eu não tinha minhas coisas, nem
sequer minha blusa.

Apoiei-me sob meu cotovelo e vi quando Lionel baixou o


zíper. Merda, eu precisava do plano B em ação, agora.

— Que tal você esperar aqui e ficar nu enquanto


arrumo algumas bebidas para nós.

Uma imagem de Deck passou diante de mim. Sua


decepção. Sua expressão gelada. O pior era eu estar molhada
só de pensar nele. Deck sempre me fez sentir segura,
protegida e ele ainda não tinha ideia que eu não tinha estado
segura desde que ele me deixou, quando eu tinha dezesseis
anos.

Eu saí da cama em um segundo e ouvi um barulho na


porta da frente.

— Você tem um companheiro de quarto? — Merda, que


porra era essa ? Ele disse que morava sozinho.

Ele balançou a cabeça.

— Porra. — Sem companheiro de quarto. Isso


significa... peguei minha blusa no chão, ao mesmo tempo em
que a porta do quarto se abriu, quebrando a madeira onde a
dobradiça encontrava a moldura da porta.

— Jesus. — Lionel virou e cambaleou para trás,


batendo na cama e caindo sobre ela.
Fiquei boquiaberta, com Deck, de pé na porta e seus
olhos percorrendo o quarto, fazendo o reconhecimento.
Sempre no modo militar, mesmo quando quebrava a casa de
algum pobre coitado para arrastar a irmã de seu melhor
amigo morto para fora. Merda, que porra ele está fazendo
aqui? Ele deveria estar em Nova York. Isso foi planejado, por
mim, para quando ele estivesse em Nova York.

— Se vista.

Sua voz tinha o som habitual, profunda, abrupta, mas


notei uma ligeira vibração sobre ela. Eu era viciada nele, sua
escuridão e dor sempre persistia nas profundezas de seus
olhos, que era a minha também. No entanto, esse estrondo
em sua voz eu nunca tinha ouvido antes.

Eu fiquei toda arrepiada, como se eu tivesse acabado


de tocar uma cerca elétrica.

— Você supostamente não estava em Nova York,


docinho? — Meu palpite, Matt estava no telefone com Deck,
assim que apareci no Avalanche esta noite. Cheguei lá as sete
e era uma hora e meia de voo de volta a Toronto. Esta era um
problema. Um aviso seu teria sido bom.

— Ah, porra. Namorado? Ei, cara, eu não a toquei. —


Disse Lionel, como o covarde que era. Ele se arrastou para o
lado oposto da cama, tão longe de Deck como podia.

Merda, eu não podia culpar o cara. Deck estava


pirando, intimidante e, sem dúvida, carregando uma arma ou
faca ou os dois... ou três. Deck nunca ia à parte alguma sem
uma arma, mesmo que fosse contra a lei transportar uma
arma em Toronto. Não acho que Deck se importa muito com
as leis, no entanto. Além disso, ele sabia que as pessoas lhe
dariam um passe.

— Agora. — A voz de Deck trovejou através do quarto.

Puxei meu sutiã para baixo, em seguida, coloquei


minha blusa. Estava de trás para frente, a etiqueta branca
aparecia embaixo do meu queixo. Eu estava tentando dar a
volta sem tirá-la, novamente e, estava tendo dificuldade
porque eu realmente estava um pouco assustada por Deck
ter me pegado seminua com um cara. Isso não era para
acontecer. Sempre fui cuidadosa.

Caramba. Eu tinha a roupa sobre o meu rosto,


cegando-me, mas eu não conseguia tirar meus braços para
fora.

Dedos tocam a pele nua de meu abdômen quando


segurou a barra da camisa. Prendi a respiração. Eu conhecia
seu toque, seu cheiro... eu reconheceria em qualquer lugar, já
era parte de mim.

De repente, minha camisa foi arrancada. Então, antes


que pudesse me concentrar ou dizer 'que merda', ela estava
de volta.

Droga, ele cheirava bem. Em minhas fantasias, ele


também cheirava bem, e eu tinha um monte de fantasias a
respeito dele. No início, lutei contra elas, mas agora eu
implorava para que elas assombrassem minhas noites. Era a
única maneira que eu podia tê-lo. Qualquer garota iria
romantizar Deck. Alto, olhos escuros, braços tatuados e
musculosos, abdômen tanquinho, sarado. Na verdade, você
seria estúpida por tocar Deck, mas eu era boa em ser
estúpida e muitas vezes o provoquei, propositadamente
tocando-o.

Agora, porém, com ele me encarando, seu corpo tenso


como um poste de metal... Sim, eu mesmo sabia quando era
hora de não provocar. Ele havia me jogado por cima do ombro
e me arrastou para fora de bares, inúmeras vezes e cada vez
que ele fez isso, senti a culpa atingir minha alma.

— Escuta, cara, eu não sabia que ela era sua. Eu fui...

Isso chamou a minha atenção.

— Sua? Você acha que eu pertenço a ele? Como uma


porra de um hamster? Ouça aqui, bolo de queijo... — Porque
ele realmente era um bolo de queijo, suave, sem firmeza... eu
me dirigi a Lionel, com meus olhos brilhando e punhos
prontos para bater nele, numa boa. Eu estava cansada de
homens que eram insignificantes. — Eu não sou um animal
de estimação. Eu sou.... — Gritei, quando senti meu corpo
voar no ar e minha barriga bater duramente encima do
ombro de Deck.

— Cala a boca.
Eu calei, porque fiquei sem ar e não consegui respirar.
Além disso, me senti doente com meu estômago revirando
com as bebidas que consumi. Então, eu estava um pouco
bêbada esta noite, nada de errado com isso.

Merda, eu ia vomitar e seria nas costas de Deck.


Coloquei minha mão sobre a boca e engoli várias vezes.

— Ela é minha. Isso significa que se você a tocar


novamente, você estará em um saco de cadáver. — Ele
abruptamente girou nos calcanhares, o que só me deixou
mais enjoada.

Ainda Peguei um vislumbre de Lionel, pálido e se


encolhendo no canto da sala.

— Porra. — Soltei, então coloquei a mão sobre a boca,


novamente, quando Deck saiu do quarto. Esta noite foi um
fracasso total e eu ainda ouviria sobre isso.

Acordei com as cores familiares das paredes lisas e o


mobiliário preto no quarto do Deck. Virei minhas pernas para
o lado da cama e vi a garrafa de água na mesa de cabeceira,
pela metade. Ele tinha me obrigado a tomar dois
comprimidos e beber água, antes de me colocar na cama e me
cobrir. Sempre que ele pensava que eu estava muito bêbada,
ele me trazia de volta para o seu lugar. Quer dizer, isso
sempre que ele estava por perto.

Peguei a garrafa, a abri, joguei a tampa no chão e bebi


o resto. Não importa o quanto eu era imune às bebidas, ainda
me sentia uma merda na parte da manhã, depois de ter
tomado algumas.

Coloquei a garrafa vazia na mesa de cabeceira, ela caiu


em seguida rolou para o chão. Um pouco de bagunça faria a
Deck algum bem. Além disso, ele provavelmente tinha ido
embora, considerando que tinha que ser..... Olhei pela janela
e vi o sol radiante e alto no céu... Meio-dia. Eu tinha
acordado na cama de Deck, vezes o suficiente para saber que
ele raramente estava nela pela manhã.

Arrastei-me para o banheiro, inclinei as palmas das


mãos contra o balcão e me olhei no espelho. Maquiagem
borrada... O delineador preto no canto dos meus olhos era
mais exagerado do que de costume, com um azul brilhante e
dourado, agora desbotados, sobre as minhas pálpebras. Uns
pontos brilhantes estavam em meu rosto, da sombra de olho.
Tentei passar os dedos pela minha massa de cabelos azuis,
mas ficaram presos, eu gemi, enquanto tentava desembaraçá-
los.

Eu não me reconheci e realmente não me importei.


Sem expectativas. Essa era a melhor maneira de viver. Eu
tinha feito isso por tanto tempo que agora era uma segunda
natureza.
Desviei o olhar e roubei a escova de dente azul, de
Deck, pendurada no suporte de metal na parede. Abri a
gaveta, coloquei pasta de dente na ponta e a enfiei na minha
boca.

Perguntei-me se ele sabia que eu usava sua escova de


dente, cada vez que eu ficava aqui. Ha... Deck sabia de tudo.
Ele era mestre em saber tudo, exceto o que estava bem na
frente dele – Eu. Ele não me conhecia. Embora, não fosse
culpa dele. Eu fiz tudo o que podia para ter certeza que ele
não conhecesse.

Cuspi na pia, em seguida escovei um pouco mais,


tentando me livrar do sentimento de lixa na minha língua e
garganta. Cuspi novamente, enfiei a boca sob a água corrente
e silvei.

— O que você estava pensando?

Cuspi água por toda a pia.

— Jesus, Deck. Faça algum barulho quando entrar em


algum lugar, ok?

Segurei sua escova de dente e sorri. Ele arqueou as


sobrancelhas, mas não disse nada. Coloquei-a de volta no
lugar, em seguida, virei-me para as torneiras.

— Eu lhe fiz uma pergunta.

Peguei uma toalha de rosto, na cesta de metal em cima


do balcão.
— Você ouviu, também. Só não estou me sentindo bem
para responder a sua bunda sexy agora. — Liguei a água
novamente, molhei o pano em seguida, olhei no espelho,
enquanto limpava as manchas de maquiagem sob meus
olhos.

Eu estava prestando atenção na grande marca de rímel


preto debaixo do meu olho esquerdo, quando deveria prestar
atenção em Deck, porque você deve, sempre, prestar atenção
em Deck. Ele era rápido, ágil e me lembrava uma pantera. Ele
tinha aqueles olhos penetrantes também, que sabia para
onde você ia e sempre dava o golpe na direção certa.

Ele estava atrás de mim antes que tivesse a chance de


ficar nervosa ou ereta.

— Meu espaço pessoal, sexy. Não vai recuar? — Antes


de o meu corpo me denunciar e ficar ofegante, ansiando que
me beijasse, como em uma das minhas fantasias.

Deck nunca me beijou e me irritava a maneira como


meu corpo reagia perto dele. Quando tive a oportunidade de
ter uma vida amorosa, ele a destruiu. Sempre foi assim. O
amor não pode ser interrompido. Eu deveria saber.

Eu estava vivendo com Deck em meu coração desde


que eu tinha dezesseis anos. Mesmo quando minha vida
mudou para algo que não era real, meus sentimentos por ele
nunca vacilaram.
Ele não recuou. Em vez disso, o calor de seu corpo me
penetrou, eu queria enterrar a cabeça no vaso sanitário e dar
descarga. Mas isso significaria um movimento. Se eu fizesse
isso, a minha bunda estaria contra seu pau.... Não, ele era
alto.... Seu pênis ficaria contra o inferior das minhas costas.
Qualquer que seja não era uma boa ideia.

— O que você fez foi imprudente.

Suspirei e joguei a toalha de rosto na borda da pia.


Imprudente não. Ter sido pega por Deck foi estupidez. Uma
mancha de creme dental ficou presa no fundo da pia e desejei
limpá-la, mas eu não podia.

— Ele poderia ter te estuprado.

Dificilmente. Eu tinha minha faca comigo, apenas no


caso de que alguma merda acontecesse.

— Oh, vamos lá, Deck. Luther é um marica.

— Estupradores e assassinos tem estratégias com


mulheres sedutoras. Eles fingem que são efeminados e em
seguida as amarram rapidamente e já não são maricas.

Bufei e revirei os olhos. Coloquei minhas mãos na


borda do balcão e olhei para o espelho. Grande erro. Os olhos
de Deck encontraram os meus e eles estavam firmes. No
entanto, nas profundezas havia um calor tão quente que eu
estava me fundindo neles.

— Lionel. — Disse ele.


— O quê?

— O nome dele. Lionel Harrington. Vinte e oito anos.


Programador. Nunca foi casado e tem conexões com homens
que você não quer perto de você. — Obviamente, Matt sabia
sobre as conexões de Lionel, também e, foi por isso que ele
tinha chamado Deck. O plano teria funcionado muito bem se
o Avalanche não tivesse sido o ponto de encontro de Lionel.

As mãos de Deck fizeram algo que nunca tinham feito


antes. Elas baixaram para os meus quadris e ele estava me
olhando como se fosse me foder, por trás, aqui mesmo em
seu banheiro. Eu estava acordada? Eu tinha que continuar
com o que estava fazendo e ter um sonho molhado do
caralho.

Deck mantinha suas emoções sob controle e raramente


deixava transparecer alguma coisa. Mas terça-feira, ele deu
um soco em Tyler, na minha loja.

Deveria ter sabido que Deck teria verificado o cara.


Provavelmente fez isso no avião de volta cá, na noite passada,
depois que Matt me entregou. Merda, Deck estava ficando
muito perto. Ao longo dos últimos meses, seus homens
tinham estado na minha bunda a cada segundo. Fingir
estava ficando cada vez mais difícil.

— O serviço de babá é grande, Deck. Muito bem feito


por você. Meu irmão ficaria orgulhoso. Mas é hora de seguir
em frente. — Eu precisava que ele recuasse, por uma série de
razões. Uma delas é que logo seria o aniversário da morte de
Connor e eu não poderia tê-lo por perto. — E eu tenho que ir
embora. Rylie vai precisar da minha ajuda. — Eu precisava
respirar e colocar meu coração de volta no lugar, porque ele
tinha saltado pela minha caixa torácica e estava livre,
dançando ferozmente em toda minha pele.

Eu o empurrei com o ombro, mas ele não se mexeu.


Em vez disso, seus dedos apertaram meus quadris e uma
corrente de eletricidade percorreu todo meu corpo.

— Não desta vez.

— Como? — Alerta vermelho. Alerta vermelho! Alguma


coisa estava fora de controle e ele estava de pé, pressionado
contra mim. Deck nunca tinha me tocado, ou me beijado,
nunca fez nada de sexual e de repente isso era tudo sexual.

Mas estar com Deck.... Seria a libertação do meu


mundo desmoronando. E o que eu faria depois?
Definitivamente não sobreviveria a outro colapso.

— Você vai me beijar, Deck? Ou apenas vai ficar aí


deixando minha calcinha molhada, sem fazer nada?

Ele me virou tão rápido, que bati meu quadril na pia.

— O que você fez foi estúpido e tolo.

— Sim, você já disse isso.

— Não, eu disse imprudente.


Hmm, sim, verdade.

— Bem, eu acho que você disse ontem à noite,


enquanto estava forçando pílulas na minha garganta. — Na
verdade, eu acho que foi quando eu estava vomitando e não
tinha sido divertido.

Ele arqueou as sobrancelhas.

— Não. Foi quando eu estava segurando seu cabelo


para trás, enquanto você vomitava no meu banheiro. — Que
imagem linda; tipo perfeito para destruir a tensão sexual. Ok,
talvez não. Eu estava cheia de desejo e nada iria destruir
isso. — Você ia transar com ele, Georgie?

Isso era Deck, direto no ponto.

— Não é da sua conta.

— É sempre da minha conta. — Suas mãos


escorregaram para cima da minha cintura, então senti seus
dedos, lentamente, acariciando minha caixa torácica.

Puta merda. Deck tinha estado perto de mim durante


dez anos, nunca tinha me tocado intimamente, mas agora ele
estava. Agora ele estava despertando um desejo incontrolável
em paixão em mim.

— Cuidado para não me tentar demais. — Foi uma de


observação idiota, mas eu já não tinha mais nada a perder.
Capítulo 3

Georgie

— Você sabe que isso não vai acontecer, Georgie.

Sim, eu sabia. Talvez eu tenha fantasiado sobre Deck,


mas ele sempre manteve uma barra separadora de pernas 1
entre nós. Ha.... Agora, não seria essa uma doce visão? Deck
e uma barra para separar minhas pernas.

Eu estava completamente louca pensando em coisas


assim, mas eu não estava prejudicando ninguém além de
mim e mesmo assim era discutível.

— Já pensou em provar a minha boceta, Deck? —


Decidi que o melhor era ataca-lo, quem sabe se afastasse.
Suas mãos caíram da minha cintura e eu bufei. Missão
cumprida com sucesso.

De repente fiquei totalmente decepcionada. Eu não


sabia o porquê. Eu estava tão acostumada com isso, deveria
estar imune. Eu estava. Para todo o resto. Eu me empurrei
um pouco mais, colocando a mão sobre seu peito, duro como
uma rocha, enquanto passava o dedo, lentamente, para

1
Dispositivo usado em BDSM para aumentar a vulnerabilidade das partes inferiores, amarrando os
tornozelos (ou joelhos) no extremo oposto, impedindo de proteger/ocultar os órgãos genitais.
baixo, entre seus peitorais. Ele permaneceu frio e imóvel
como uma pedra – o típico Deck, não revelando nada.
Irritava-me, enquanto eu era um livro aberto com páginas
sendo arrancadas – que ele que estava lendo. Pelo menos
quando se tratava de minha atração sexual com ele. Ele não
lia nada mais do que eu havia me tornado. Deck perdeu as
páginas mais importantes, quando desapareceu, durante
esses dois anos.

Eu o empurrei um pouco mais, por que.... Bem, foi o


que eu fiz.

—Você já pensou como seria a sensação de ter seu pau


dentro de mim? Deslizando suavemente. Não, não seria
suave, não é? Seria grosseiro, rude e com muita força. —
Olhei para Deck e ele congelou. Jesus, seus olhos estavam
em chamas e não com raiva; eles estavam ardendo de desejo.

Talvez...

— O que eu preciso na cama não é você, Georgie.

Que balde de água fria. O rubor em meu rosto deve ter


denunciado. Que bastardo. Eu queria tanto dar um tapa
naquela cara fria e confiante, nem que fosse apenas para
obter alguma reação dele. Para pô-lo a fazer alguma coisa....
Qualquer coisa. Agarrar-me. Machucar-me. Para seu
distanciamento parar de crescer, como uma erva daninha.

Em vez disso, eu sorri e pisquei. Foi um pouco


estranho e me matou fazer isso, mas eu não podia deixá-lo
ver o quanto suas palavras me machucaram.
— Oh, queridinho, eu não disse que eu queria você na
cama. — Não, isso seria contra a parede, sobre uma mesa, no
chuveiro. — A não ser, é claro, que você estivesse me
amarrando. Então nós poderíamos fazer na cama. — Merda,
aquilo mexeu com Deck, porque seus olhos se estreitaram e
ele agarrou meu braço, forte, com certeza iria formar
hematomas.

— Nunca vai acontecer. Você precisa parar com isso.

— Parar o quê?

— Essa besteira. A bebida. A atitude. Fingindo ser


alguém que você não é.

A coisa era... Ele estava tão perto da verdade que isso


me assustou. Eu não podia imaginar o que Deck faria se ele
descobrisse isso. Mas eu era cuidadosa e só havia duas
pessoas que sabiam sobre mim. Eu tinha que manter isso
assim. Eu não tive escolha. Eu tinha tomado essa decisão há
muito tempo e não havia como escapar. Além disso, eu não
sabia como ser outra coisa mais.

Deck acreditava que eu bebia por causa da morte do


meu irmão e ele estava parcialmente certo. Eu estava assim
por causa do que aconteceu depois que meu irmão morreu,
mas não era a única razão.

Esta era eu. Havia muitas contradições porque eu me


escondia atrás de uma cortina de falsidade fingindo ser
alguém que eu não era para fazer Deck ter pena de mim. No
entanto, se ele soubesse a verdade, provavelmente me
odiaria. Eu sairia perdendo de qualquer maneira.

Olhei para longe dele. Não pude deixar de pensar sobre


os riscos que Deck corria, no que ele fazia para viver. Toda
vez que ele saia, eu me perguntava se era a última vez que
iria vê-lo. Às vezes, eu me perguntava se seria melhor se eu
não visse mais Deck, então eu não tinha que passar por isso.
Não que ele fosse permitir isso de qualquer maneira.

— Oh, sexy, eu não estou fingindo qualquer coisa. —


Mentiras. Elas fazem meu estômago dar uma guinada.
Achatei a palma da mão em seu peito e senti a batida
constante de seu coração. Alguma vez ele acelerou, ou esteve
sempre tão calmo e sereno como agora? Ele colocou a mão
por cima da minha e por um flash, pensei que ele ia acariciá-
la, prendê-la e arrastar-me para mais perto. Esse flash durou
meio segundo, enquanto ele puxou minha mão dele.

— Tome um banho. — Ele se virou e caminhou até a


porta, em seguida, parou, olhando por cima do ombro. — E
Georgie.... Se você tornar a fazer uma merda como essa, de
novo, vou trancá-la.

A porta se fechou e eu agarrei sua escova de dente e


joguei-a no vaso sanitário.
Saí do quarto de Deck com meu cabelo molhado e
pingando nas minhas costas. Eu estava usando uma de suas
camisas como vestido, que chegava ao meio da minha coxa.
Quem sabia que ele tinha uma camisa? E branca. Invadir seu
armário tinha sido divertido, visto que só o via de camisetas e
calças de combate ou jeans.

Eu parei.

Josh, Tyler e Vic estavam sentados nos bancos do bar,


com Deck. Eles estavam conversando calmamente até que
repararam em mim, em seguida, todos eles se viraram e
olharam. Seus olhos foram para minhas coxas nuas e na
camisa do Deck que eu abotoei ao meu corpo, parcialmente.
Não era como se Deck reparasse em mim de qualquer
maneira.

Deck se moveu e sua cadeira raspou o piso de madeira.


Os homens baixaram a cabeça e evitaram me olhar. Ele se
levantou e agora eu estava me perguntando por que eu não
tinha me masturbado no chuveiro. Teria aliviado um pouco a
tensão sexual que eu tinha presa dentro de mim.

Deck estava quente, não há dúvida, mas não era isso


que me deixou tão sedenta dele. Era ele. A maneira como
seus olhos me olharam, como se ele pudesse ler cada maldito
pensamento na minha cabeça. Ele caminhava em minha
direção e, como sempre, não demonstrava nenhum tipo de
inquietação. E como sempre eu ficava inquieta e excitada...
Ele me fazia sentir tomada. Protegida. Querida. Sua.
Sim, eu estava ferrada. Não só Deck não me via desse
jeito, mas era a última coisa que eu precisava.

Levantei meu quadril e coloquei a mão sobre ele,


sabendo muito bem que quando eu fazia isso, empurrava a
camisa um pouco mais acima da minha perna.

— Parece uma reunião de cupcakes. Olá, Tyler, Josh,


Vic. — Os meninos assentiram, mas ainda não olhavam para
mim. Bem, Tyler olhou, piscou, e, em seguida, levantou-se e
serviu-se de mais um café.

— Eu pensei que vocês estavam no exterior.

— Nós estávamos. Encontrei Deck e Tyler em Nova


York, em seguida, voei de volta para cá, — disse Josh. — Nós
estamos voltando para o exterior.

— O que havia em Nova York para todos os meninos?


— Eu já sabia, mas era melhor perguntar. O que eu não
sabia era o que havia do outro lado do oceano. Eles estavam
indo muito para lá.

— Um bar de strip com mulheres quentes. — Tyler


ofereceu. É claro que eles nunca iam me dizer.

Fui até a cozinha, peguei uma caneca, em seguida,


deslizei na frente de Tyler.

— Abasteça-me, coisa quente.

Tyler me serviu café, em seguida, encostou-se no


balcão, segurando o café em suas mãos, na altura do peito.
Ele tinha um olhar diabólico, bonito, com uma pitada de
molho picante. No início dos trinta, nunca foi casado, tinha
pais ricos, os quais estavam afastados. O braço esquerdo de
Tyler estava coberto de tinta, seus olhos verdes penetrantes,
que contradiziam com seus cachos cor de nogueira escura,
preguiçosamente caindo em todas as direções.

Deck acenou para os homens, Josh e Vic levantaram-


se, cada um dando suas desculpas e foram até o escritório de
Deck. Houve um momento de hesitação antes de Tyler decidir
se era melhor seguir o exemplo, mas não antes que ele me
desse seu sorriso torto.

Tomei um gole de café, com as sobrancelhas


levantadas, enquanto aguardava o martelo bater.

— Vic vai ficar na sua casa com você.

— O quê? — Agora, isto era novo. Seus homens nunca


ficavam comigo, nunca. Merda, isso não era nada bom. Muito
má hora. Além disso, eu não tinha certeza sobre Vic. Ele não
era um ex-militar, mas eu ouvi dizer que ele tinha
habilidades com táticas de tortura. Ele era malditamente
assustador; como se tivesse um armário cheio de corpos
mortos e gostasse de olhar para eles antes de dormir, apenas
para que tivesse um sono melhor. — Isso não vai acontecer,
Deck. Vic é assustador e eu gosto do meu espaço. — Eu
lambi o lábio superior para pegar os restos de café, embora
tenha sido mais por causa do Deck. Ele me observou, mas
fiquei desapontada, como de costume, não houve qualquer
reação dele.
Intocável. Eu não tinha qualquer efeito sobre ele?

— Ou isso ou você vai ficar com seus pais no fim de


semana, com Vic como seu guarda-costas. Após essa merda
que você fez a noite passada... — Deck se aproximou e eu
pulei em cima do balcão, a camisa subiu nas minhas coxas,
uma sugestão da minha calcinha apareceu. Ele continuou
chegando e eu prendi minha respiração, quando ele parou a
centímetros de distância de mim. Ele agarrou meu braço e
me puxou para baixo. — E se você se vestir assim na frente
dos meus homens, mais uma vez, eu vou bater em sua
bunda.

Engoli seco. Eu não queria imaginar o que Deck


pensaria se soubesse como estava excitada. Fiquei calada,
porque só de pensar em Deck me batendo me deixava assim.

— Eu não sei quanto tempo eu vou ficar fora desta vez.

Dei de ombros, mas de forma rígida.

— Não precisa me dizer. Eu não sou sua esposa ou


namorada. Sou apenas uma promessa feita ao meu irmão
morto. E eu não vou ficar com meus pais. — Claro que não.
Eu amava-os e tinha carinho por eles, mas com sua
preocupação sobre a minha bebida... Era o último lugar que
eu precisava estar.

Deck estava malditamente me olhando bem firme, com


sua postura sólida e olhos sérios e fixos. Ok, eu precisava
ceder aqui; caso contrário, ele poderia fazer algo drástico
como me trancar.
— Bem. Vic pode ficar comigo. — Merda, Vic me odiava.
Eu vi isso na maneira como ele olhou para mim com aqueles
olhos cinza escuros, cheios de desprezo. — Quem sabe,
talvez, nós nos entendemos e vou começar a saborear um
delicioso chocolate. Você sabia que homens negros têm paus
maiores? Eu li....

— Ele vai levá-la ao cemitério.

Porra. Eu sempre desaparecia no dia da morte de


Connor e faltava uma semana. Ninguém sabia aonde eu ia.
Eu sempre levava uma garrafa de scotch e depois sumia. Era
o único dia do ano que ninguém, nem mesmo Deck, poderia
me encontrar. Parecia que ele estava tentando acabar com
isso. Bem, eu era muito boa no que eu fazia e Vic não ia me
parar.

— Fique e venha comigo. — Pedi isso todos os anos,


uma espécie de ritual e eu já sabia a resposta. Cada vez, eu
dava um suspiro de alívio quando ele se recusava. Eu estaria
ferrada se ele dissesse sim.

Durante o primeiro ano após a morte de Connor, eu


odiava Deck. Então aprendi a aproveitar esse ódio. Encontrei
a minha saída, e o ódio que eu pensei que tinha para o Deck,
não era para ele, em tudo. Era para mim. Eu me odiava. Por
quem eu era. Por estar com medo o tempo todo. Eu
costumava me sentir como se estivesse caindo e que a única
maneira que eu iria sobreviver era se Deck me pegasse. A
coisa era que eu sabia que se ele tivesse estado ao redor, ele
teria me pegado, me salvado e então me jogado de lado, como
uma pedrinha que ele tinha encontrado em sua bota de
combate.

Então, eu fiz algo sobre isso. Encontrei uma maneira


de sobreviver. Ou melhor, isso me encontrou.

— Eu não preciso de uma lápide para me lembrar dele.


— Ele sempre disse isso. — Deixe o scotch em casa este ano.
— Deck olhou por cima do ombro, em direção ao escritório. —
Vic.

E foi isso.

Deck

Eu assisti Georgie voltar para o meu quarto, com


minha camisa cobrindo apenas sua bunda. Porra. Meu pau
quase arrebentou meu jeans, com a visão dela saindo do meu
quarto, de cabelo molhado, pele brilhante depois do banho e
aquele sorriso atrevido em sua boca. A boca que eu sonhava
em ter em torno do meu pau, enquanto ela ficava de joelhos,
no chão, na minha frente.

Em seguida, eu quase explodi quando percebi que o


que eu estava olhando, os meus homens estavam vendo,
também. Eu não podia culpá-los. Georgie era gostosa. Ela
tinha quadris para agarrar, um corpo lindo e a atitude capaz
de fazer um cara curvar à sua vontade, e isso era o que fodia
com a minha cabeça. Eu queria que ela se curvasse à minha
vontade e, no entanto, isso nunca tinha sido uma
possibilidade. Não com minha promessa a Connor. Além
disso, eu não a queria desse jeito. Também não queria outro
cara, tocando-a, porra. Mas não podia fazer nada a respeito
disso. Minha promessa foi para protegê-la e isso incluía
certificar-me que os homens com quem saía eram bons o
suficiente para ela.

Quem eu estava enganando? Nenhum cara seria bom o


suficiente para Georgie, porra.

— Chefe?

Tyler me deu um tapa no ombro.

— Quando é que você vai dar o que ela quer? Homem,


seu controle é épico, porra. Aquela coisinha gostosa... — Sua
voz sumiu quando olhei para ele. — Sim, eu vou pegar o
carro.

— Faça isso. — Eu ainda estava olhando na direção


que Georgie desapareceu. Eu estava preocupado. Emily e Kat
estavam fora com a Tear Asunder, e depois de ontem à noite,
não gosto da ideia de deixá-la.

Ao vê-la no quarto de um cara, sem sua blusa e com o


sutiã todo lascado.... Sim, eu ainda estava me recuperando.
Georgie nunca tinha dado um golpe como esse, pelo menos
que eu soubesse. Mas a ligação de ontem à noite, com Matt
dizendo que ela apareceu no Avalanche quando eu
especificamente a pedi que não fosse.... Isso me pôs num
avião, voltando para casa. A merda piorou quando Matt ligou
de volta antes que eu desembarcasse dizendo que ela estava
saindo com um cara chamado Lionel Harrington, que
frequentava o bar e foi visto, muitas vezes, com alguns caras
decadentes. Fui capaz de desenterrar informações sobre ele e
descobri que o programador, superinteligente, pode não ser
um problema, mas seus conhecidos, certamente eram.

Sim, eu era cuidadoso. Estava vivo, porque tinha


cuidado, porra, e Georgie era minha responsabilidade.
Prometi a Connor que se alguma coisa acontecesse com ele,
eu tomaria conta de sua irmã. E agora as coisas estavam
tensas. Cacete, eu tinha que mantê-la longe da bebida.

Passei a mão por cima da cabeça. Se Matt não me


ligado, ela teria fodido com um marica que quase se mijou no
segundo que entrei na porta. Mais eu irrompi pela porta.
Georgie não precisa de um cara que fizesse de gato e
cachorro. O cara iria sobreviver um dia do seu atrevimento e,
em seguida, ele estaria rastejando, de joelhos, fazendo
qualquer coisa que ela pedisse. Ele odiaria isso, mas mais
ainda, ela iria odiá-lo para caralho.

— O piloto foi chamado. Está pronto para quando você


estiver. — Disse Josh, depois seguiu Tyler pela porta.

Virei-me para Vic, que estava encostado na porta de


correr, de vidro, para o terraço, com os braços cruzados. Sim,
ele estava chateado por ter que fazer o serviço de babá, em
vez de vir com a gente. Mas Vic era o único cara que eu
confiava para não cair em qualquer uma das besteiras de
Georgie.

— Mantenha-a contida. Eu não quero que ela


desapareça. Está bebendo muito mais do que o habitual e....
— Eu parei. Não poderia colocar o dedo sobre o que estava
acontecendo com ela. Ela bebeu, festejou , ficou fora até tarde
e ainda assim, algo não parecia certo. Eu também não sabia
ao certo o que havia, apenas sentia como se a verdadeira
Georgie estivesse escondida atrás de todas as besteiras com
esse lance de bebida. Eu queria a Georgie que eu conhecia,
porra, que era esperta, determinada, forte e ainda vulnerável
e suave.

Vic balançou a cabeça e bufou.

— Eu te disse o que deveria fazer.

Sim, Vic pensava que eu deveria prendê-la.

— Não posso fazer isso. Não vou.

— Então, você prefere vê-la se matar lentamente?


Melhor ainda, ser morta ou estuprada ou encontrada morta
na rua, porque ela tropeçou e caiu de tão bêbada e nem
sequer conseguiu puxar a cabeça para fora de uma poça de
água?

— Porra, Vic. — Este era um ponto sensível entre nós.


Vic pensava que eu deveria colocar Georgie, à força, numa
clínica de reabilitação. É claro que não seria legal porque
tinha mais de dezoito anos, mas isso não era o problema. O
problema era que eu não faria isso. Não. Sem chance. Eu ia
protegê-la, ajudá-la de qualquer maneira que eu pudesse,
mas eu não iria trancá-la com pessoas que eu não conhecia,
enquanto eu estava do outro lado do oceano, sem saber
quando voltaria.

Georgie saiu do quarto, vestindo a saia preta, justa,


que usava na noite passada e minha camisa - sem a porra de
um sutiã. Eu podia ver os mamilos através do material e
silenciosamente praguejei.

— Estou pegando emprestada a camisa. — Disse ela.


Puxando-a até seu nariz e respirando fundo. Jesus, se isso
não me excita e deixa meu pau duro. — Posso até me
masturbar enquanto a uso.

Respirei fundo e controlei o sorriso que ameaçava


surgir. A menina vivia para me excitar. Tudo que eu
conseguia pensar era em como ela ficaria nua, no meu colo,
enquanto eu a batia, até que ela pedisse para parar.

Eu tinha que dar o fora daqui.

— Seja boa, Georgie. — Fui em direção à porta.

— Definição de boa: Desejável. — Ela gritou.

Minha mão ficou tensa em torno da maçaneta.

— Significa, também, ser aprovada. Não me


decepcione.
Ouvi a respiração forte e sabia que a tinha afetado, em
algum lugar nesse oásis entorpecido em que ela estava se
afogando. Eu poderia salvá-la? Já não sabia mais.
Capítulo 4

Georgie

Vic era uma dor de dente, e eu estava começando a


pensar que ele gostava de me irritar. Normalmente, eu
poderia trocar uma ideia com os homens de Deck, na
verdade, com qualquer homem, mas Vic era como um
besouro, com uma casca externa dura que se recusava a
rachar sob pressão. Eu percebi porque Deck tinha o
escolhido para ficar comigo esta semana.

Meus pais tinham ligado, querendo que fossemos ao


cemitério juntos, mas realmente eu não poderia lidar com
mamãe e papai me mimando e com pena. Este era o dia do
ano que deixava os demônios entrar e me tornava alguém que
eu odiava, alguém do qual eu me escondia.

Eu precisava me focar, porque o que eu precisava fazer


não era algo que Deck poderia descobrir e o pit-bull Vic
estava tornando isso realmente difícil.

Ele dormiu no sofá durante toda a semana o que não


deixou nenhuma opção de fuga pela porta da frente, na noite
passada. Eu já tinha tentado a desculpa patética de ir
comprar um pouco de leite, no início desta manhã. Vic
realmente revirou os olhos, o que parecia muito engraçado
para um cara de dois metros, grande como um maldito
caminhão Mack. Ainda consegui tirar um sorriso debochado
dele. Não tinha certeza se era porque ele pensou que era
engraçado ou porque estava se preparando para me trancar
no armário.

Peguei um suco de laranja, que eu deliberadamente


deixei no balcão, em seguida, fui até o armário e tirei os Froot
Loops2. Enfiei a mão na caixa, tirei um punhado de
rosquinhas e coloquei-as na boca.

— Quer um pouco? — Eu segurei a caixa.

Vic não olhou para cima de seu iPad. Aproximei-me,


olhando por cima do ombro, vendo seus e-mails, ele se virou
e o colocou na mesa da cozinha, em seguida, levantou-se e foi
até o liquidificador, que ele estava usando todas as manhãs,
para fazer um shake . Tudo que eu sabia era que a vitamina
era verde e parecia vômito.

Serviu-se de um copo, em seguida, agarrou meu suco


de laranja, despejou-o na pia e encheu meu copo com sua
mistura.

Deus, ele era tão previsível.

— Ouh. Que porra é essa?

2
Froot Loops São rosquinhas de cereal à base de milho, aveia e trigo, com sabor de frutas.
— Você quer me dizer que o suco de laranja não tem
vodca nele?

Ele tinha. Providenciei isso desde o primeiro dia que ele


veio para cá.

— O que é um drinkzinho na parte da manhã? E dizem


que o álcool te põe para baixo.... Eu discordo totalmente.

Ele deslizou o copo da gosma verde ao longo do balcão


de mármore, em minha direção.

— Beba-o. Em seguida, tome um banho. Vamos nos


encontrar com seus pais no cemitério, em uma hora.

Ignorei o material verde e coloquei minhas mãos nos


quadris.

— Que tal pular o vômito? Esqueça o cemitério, meus


pais e tire suas roupas e se junta a mim no chuveiro.

Eu esperava choque. Talvez se eu tivesse sorte, um


sorriso leve. Não tive nenhum dos dois. Na verdade, levei uma
bronca do senhor mauzão e assustador. Eu não era corajosa
o suficiente para rir; em vez disso, hesitei e Vic acabou
comigo.

— Deck pode suportar seu lixo, mas eu com certeza


não irei. — Vic se aproximou, até que estava bem na minha
frente e eu, estava apoiada na parede. As mãos dele bateram
na parede, acima da minha cabeça.

— Você quer foder, cupcake? — Ele foi rápido,


agarrando meu pescoço, os dedos formando hematomas. —
Uma transa rápida no chuveiro? Eu não vou dizer a Deck.
Merda, ele está muito ocupado levando bala na bunda, de
qualquer maneira.

Levantei os braços e coloquei minhas mãos em cima


das dele, tentando soltar os dedos para trás. Eu realmente
não queria ter que usar o joelho na virilha, mas eu faria se ele
não tirasse as mãos de cima de mim em dois segundos.

— Vic, tire suas mãos.

Levou um segundo, para ele, abruptamente, me deixar


ir.

— É melhor aprender a morder a língua, antes que um


cara não tire as mãos quando você pedir. — Ele se afastou,
virou as costas, em seguida, voltou para a cozinha. — Tome
um banho, porra, e então vamos para o cemitério.

Eu não disse nada. O que havia para dizer realmente?


Só que eu sabia que não iria tomar um banho e nós
certamente não estaríamos indo a qualquer lugar juntos.

**************
Pular da janela do segundo andar deveria ter sido fácil,
exceto quando há um galho de árvore para se segurar e ele
acaba quebrando. Eu nunca tive que fugir da minha própria
casa antes. Só esperava que Vic ouvisse o chuveiro ligado e
não ficasse desconfiado, por pelo menos dez minutos. Depois
disso.... Bem, ninguém iria me encontrar até que eu quisesse
ser encontrada.
Só eu e minha dor.

Parei em Perk Avenue e peguei a garrafa de scotch que


eu mantinha lá, para este dia especial, a cada ano, e, em
seguida, fiz o taxista me deixar a um par de quilômetros de
onde eu estava indo.

Eu juro que os homens de Deck tinham dispositivos de


rastreamento GPS em suas cabeças, pela forma como eles
poderiam localizar pessoas. Eu não tinha dúvida que Vic
estaria chamando cada serviço de táxi na cidade para ver se
alguém correspondia à minha descrição.

Claro, dei dinheiro ao motorista, para ele não


responder perguntas sobre mim, mas isso só serviria até
certo ponto. Deck tinha muito dinheiro. Merda, eu não podia
sequer começar a imaginar o quanto ele arrecadou para
localizar, matar e torturar a escória da Terra.

— Você tem certeza, senhora? — Disse o motorista,


quando puxou para o acostamento. — Não há nada por aqui.

Debrucei-me sobre o banco e passei-lhe um maço de


dinheiro.

—Sim. Obrigada. — Abri a porta. — Boa sorte com a


festa. — Ele e sua esposa estavam recebendo vinte crianças
durante esta tarde, para o quinto aniversário de sua filha.

Ele riu.

— Boa sorte para você, também, Goldie.


Esperei até que ele desse meia-volta e estivesse fora de
vista, antes de atravessar a rua e entrar no mato. Demorou
15 minutos, para o carro parar na estrada, do meu lado. A
porta do passageiro se abriu e eu entrei.

— Algum problema?

Dei de ombros, olhando para o jovem de boa aparência,


com tatuagens que cobriam todo seu braço esquerdo e um
piercing em sua sobrancelha direita. Olhos verde-
acinzentados, com traços escuros e bem definidos franziam, o
que faziam do olhar dele triste.... Ou sedutor. Ambos
funcionavam.

Eu tinha quatorze anos quando Tanner e eu nos


conhecemos. Connor tinha dado sua moto suja para esse
garoto magricela que não podia sequer comprar um jeans. A
alegria em meu rosto havia me denunciado e Connor riu de
mim, especialmente porque eu era uma menina certinha, que
usava um vestido numa pista de Motocross, cheia de
meninos. Eu estava muito fora do meu ambiente, mas estava
com meu irmão e ele adorava, por isso meio que se tornou a
nossa coisa a fazer quando ele estava por perto.

Tanner era um par de anos mais jovem do que eu,


apesar de sempre agir como se fosse muito mais velho. Foi
depois de Connor morrer e eu ter sido trazida para baixo, que
descobri por que Tanner era tão maduro para sua idade.

Ele estendeu a mão e bagunçou meu cabelo.

— Azul? Qual a razão para isso?


Havia sempre uma razão para minhas ações.

— Tristan gosta de azul.

— Ah, o cara do café. Presumo que ele é uma das


suas... Tarefas? — Eu assenti. — Você ainda tem um
encontro? Parecia que alguma coisa estava acontecendo...
Antes de Deck chegar.

A maneira como ele moeu fora o nome do Deck fez


minhas costas endurecerem, enquanto meu instinto de
proteção sobre Deck subia à superfície. Não reagi, no
entanto. A Georgie bêbada teria, mas eu não era ela agora.
Eu tinha aprendido a controlar minhas emoções e minha
língua, quando necessário.

— Tenho o número dele. Encontro pendente.

— É melhor ter cuidado com isso. Há algo estranho


sobre ele, o jeito que ele te olha. Não acho que a coisa do
álcool vai funcionar.

Sim, eu estava pensando a mesma coisa. Tristan era


descolado e inteligente, quando olhava para mim, era como se
ele soubesse exatamente o que eu fazia. É claro que ele não
sabia, mas eu sabia que ele não era um marica como Lionel.
Ele irradiava intrepidez e me fez manipulá-lo de uma forma
um pouco diferente.

Tanner estendeu a mão e pegou na minha.

— Eu sei que hoje é difícil para você, mas você precisa


fazer isso, Georgie.
Eu retirei minha mão da dele e olhei para fora da
janela, observando como os pinheiros passavam por mim.
Sim, eu sabia. Se não o fizesse, as emoções lentamente iriam
voltar.

— Não me chame assim.

Eu estava tensa e com dúvidas. Quase não vim aqui no


ano passado, mas Tanner apareceu para me trazer e minha
indecisão foi rapidamente apagada. Esta foi à única coisa que
ajudou a liberar todas as emoções reprimidas que eu mantive
escondidas sobre meu passado, sobre meus segredos.

O couro no volante rachou sob suas mãos.

— Eu odeio isso, porra. É como entregar um cordeiro


para o abate.

Eu bufei.

— Eu não sou um cordeiro, Tanner. Longe disso.

— Sim, bem, hoje você é.

Sim. Vulnerável e sozinha com minha dor. Mas, isso


nunca poderia acabar. Eu precisava desse lembrete, do que
foi feito para mim. Eu queria sentir a dor de hoje que eu
pudesse ir embora e viver o amanhã, sem essas emoções. Era
perigoso e arriscado para todos nós, se eu não conseguisse
manter o que eu estava fazendo em segredo.

— Se ele descobrisse...

Eu sabia exatamente de quem ele estava falando.


— Deck. Pode falar o nome dele. Eu já te disse antes,
nunca vou dizer a ele, e ele não vai descobrir. — Tanner
estava sempre preocupado que Deck fosse descobrir e
depois... Bem, eu não tinha certeza do que iria acontecer,
mas fui advertida por ele que a vida de Deck era ‘frágil’. Um
pouco contraditório em relação ao que Deck era, mas eu
sabia que não era uma ameaça vã. Isso me fez ter muito
cuidado, sobre como eu vivia cada dia. A coisa era certa, este
ano seria um pouco mais complicado, com Vic no meu pé.

— Vamos precisar de uma história, para nos dar


cobertura.

Tanner assentiu.

— Sim. Ele tem uma ideia que se encaixa com a sua...


Bebida. Não deve ser um problema.

Bati meus dedos em minhas coxas, sem dizer nada.

— Eu não gosto dele.

— Eu sei. — Tanner teve problemas com Deck e queria


que eu rompesse com ele. Não era tão simples,
principalmente porque tínhamos os mesmo amigos. Além
disso, deixar Deck era como decepar um membro; eu poderia
fazê-lo, mas com certeza não queria. Tanner não entendia,
então tentei manter a conversa sobre Deck ao mínimo
possível.

Tanner assentiu, mas eu podia ver o brilho de irritação


no seu rosto. Ele era bom no que fazia, mas eu o conhecia,
praticamente, durante toda minha vida e ele mostrava suas
emoções nos padrões de respiração. Se ele estava chateado,
desacelerava. Preocupado, tornava-se arrítmico. Calmo,
regular, mas fundo.

Os pneus bateram no cascalho e Tanner entrou num


caminho longo e estreito, que não parecia grande coisa. Meu
coração batia forte e senti os tremores no meu corpo. Ele
sabia o que estava por vir; a coisa era que eu não tinha
certeza se ele batia de medo ou alívio. Eu nunca soube.

Ele parou o carro em frente a um portão de arame


farpado, empurrou-o e abriu. Tanner voltou e olhou para
mim, em seguida, para as minhas mãos que estavam
torcidas, juntas.

Porra. Eu rapidamente coloquei-as em minhas coxas,


sentindo o calor na minha pele, através do meu jeans.

Silêncio.

Ele estendeu a mão para mim e colocou meu cabelo


atrás da orelha, seus dedos permaneceram alguns segundos
a mais do que era um simples afago, de amigo. Depois
suspirou, jogou o carro em marcha e dirigiu-se para o velho
barraco. Quando chovia no dia que eu vinha aqui, era uma
merda porque a dor era insuportável, com minha pele úmida
e fria.
— Georgie... — Ele parou abruptamente, quando o
olhei. Ele não podia me chamar assim... Não aqui. — Chaos3,
talvez se você me deixasse fazê-lo, novamente, então...

— Não. — Minha voz tremeu e isso me irritou porque


Tanner ouviu isso. A primeira vez que vim aqui, Tanner tinha
sido o único a fazer isso comigo.

Ele abaixou a cabeça.

— Merda. Se seu irmão fosse...

— Cale a boca, — eu gritei. — Ele não é. Ele nunca vai


ser.

Todos os dias, eu vivia uma mentira. Fingia ser alguém


que não era. Eu rompia o vínculo de confiança com o único
homem que me protegia, não importa quanta besteira eu
jogava em cima dele. Se ele soubesse, nunca entenderia por
que fiz isso. Estávamos todos destruídos de alguma forma.
Era como se vivêssemos com nossos pedaços quebrados, o
que nos fazia ser quem éramos. E eu apenas estava mais
machucada do que a maioria das pessoas.

— Eu vou estar aqui quando você terminar.

Balancei a cabeça e caminhei em direção ao barraco, o


rangido das minhas sapatilhas sobre o chão soava como
nozes sendo quebradas. Parei na porta, olhei para o céu e
respirei fundo, fechando os olhos. Um ritual que eu fazia

3
Chaos - em alguns momentos essa palavra não foi traduzida, quando se refere a nome próprio. Porém seu
significado é caos.
todos os anos antes de entrar na escuridão da dor
insuportável, onde o passado se juntava ao presente.

Em breve, meus sonhos assombrados seriam lavados,


com o sangue que escorreria pelas minhas costas. Eu estaria
livre. Pelo menos até que a dor voltasse a crescer e eu
precisasse disso novamente. Eu não sabia como parar e às
vezes, gostaria de ficar aqui. Parar de fingir e me afogar nas
trevas que permaneciam em minha mente. Eu vivia com o
pano preto, sujo, que ele usou para me manter em silêncio,
ainda me sufocando.

O cheiro do riacho e o som do canto dos pássaros me


acalmou. Os tremores cessaram e meu coração desacelerou.

Paz.

Eu abri a porta.

— Olá, Chaos.
Capítulo 5

Georgie

Endireitei os ombros e senti o calafrio que percorreu


minha espinha, quando encontrei seus olhos. Eram diretos,
sem piedade ou compaixão, como o que aconteceria. Era
irônico perceber que ele me salvava da mesma coisa que fazia
comigo, a cada ano.

Ele usava um terno preto, perfeitamente cortado, em


seu corpo esculpido. Ele era da mesma altura que Deck e
moreno como ele, mas isso era onde a semelhança terminava.
Quando ele sorria, era encantador, com um toque arrogante,
mas havia uma pitada de algo sinistro, que poderia fazer uma
menina pensar duas vezes antes de se aproximar dele.

Eu entrei em seu domínio aos dezesseis anos e ele me


deu de volta o que eu tinha perdido. Não havia mimo,
nenhuma simpatia para o que tinha acontecido comigo. Deck
sempre foi um problema entre nós, pois ele me disse que
Deck era minha maior fraqueza, mas ele também era a parte
de mim, que me impediu de ficar complemente destruída. A
minha rocha.
Ele se encostou na parede de metal enferrujada,
tornozelos cruzados, assim como os braços, ignorando o calor
sufocante do ambiente.

Foi meses após o funeral de Connor, quando ele me


pegou andando para casa, da casa de Robbie. Esse foi o dia
que o abuso parou, mas para mim ele nunca realmente
terminou. A dor.... Eu precisava do lembrete. A dor me
libertava da memória.

Não havia necessidade de conversar, então caminhei


para o centro do barraco, o piso de madeira rangia a cada
passo. Não chovia há algum tempo e o lugar tinha pó em
todos os lugares.

Isso iria me deixar quebrada por alguns dias. Deck era


observador, mas, felizmente, a cada ano, neste momento, ele
tinha que estar em algum trabalho. Isso tornava mais fácil
manter minha dor escondida. Eu sabia que Deck se sentia
responsável por Connor; ele tinha sido seu chefe de equipe, e
Deck sentia-se responsável por todos.

Ajoelhei-me no chão e abaixei a cabeça.

Respirei profundamente.

Lentas e rítmicas.

Eu sabia como pôr minha mente em outro lugar. Foi


uma das primeiras coisas que aprendi quando a dor se
tornou insuportável. Eu costumava chorar, implorar e lutar,
mas nada disso funcionou. Separar-me de meu corpo e viver
dentro da quietude foi o que restou.

Mas isso era diferente. Agora, eu procurava a dor. Eu


queria sentir toda a tensão muscular. Minha carne rasgando,
queimando. Ouvir meus próprios gritos. Cada um, era a
liberação do passado. Era arrependimento. Era para as
mentiras. E quando tudo acabava, ele me trazia de volta ao
ódio e a letargia. Mas .... Nenhuma quantidade de dor poderia
me deixar dormente para Deck. Minha rocha também era
minha maior falha.

Puxei minha camisa sobre a cabeça, dobrei-a


cuidadosamente e coloquei-a na minha frente. Senti a
mudança sutil no ar, ouvi seus passos tranquilos, enquanto
se movia em minha direção.

Ele nunca perguntou se eu queria mudar de ideia.

Ele nunca perguntou se eu tinha certeza.

Ele fazia o que eu pedia.

Eu não sabia do seu passado, mas eu via escuridão


sombria, vagando nas profundezas de seus olhos.

Ele me encontrou quando eu estava perdida. Trouxe-


me de volta a partir do poço de medo e desolação o qual eu
estava afundada.

Ele me mostrou como sobreviver. Como enterrar o


medo e substituí-lo pela força. A única coisa que ele nunca
poderia me fazer era deixar Deck ir.
Deck estava incorporado, esculpido em meus ossos.
Era uma parte de mim, que não iria ser reprimida.

Uma lágrima caiu do meu olho e arrastou pela minha


bochecha. Eu não estava envergonhada ou tentando escondê-
la. Foi por isso que vim aqui.

Ele chegou mais perto.

Fechei os olhos e caíram mais lágrimas.

Ele agachou atrás de mim. Engoli em seco e mantive


minhas mãos perfeitamente no meu colo. Foi o barulho
familiar de seu cinto sendo solto que fez a bílis subir na parte
traseira de minha garganta. Eu respirei fundo, várias vezes.

Senti que ele hesitou, como se me dando um momento,


em seguida, segurou um dos meus braços e o colocou em
minhas costas. Então, pegou o outro. Inspirei com a pressão
em meus braços, depois relaxei novamente, quando ele
apertou o cinto ao redor dos meus pulsos. Eu caí para frente,
com o rosto pressionado contra as tábuas ásperas,
exatamente como antes. Não demorou muito para que a
memória me inundasse.

O primeiro corte sempre doía mais e era mais profundo


e, maior; o arrastar lento da sua faca cega, foi do meu quadril
à parte inferior das minhas costas, curvando-se até abaixo da
minha axila. Ele manteve a palma da mão no meu pescoço,
segurando-me para baixo, mantendo meu rosto pressionado
contra o chão. Senti a chuva de sangue escorregar por minha
pele aquecida. Ele a limpou grosseiramente, com um pedaço de
tecido, como se estivesse limpando gotas de tinta fora de uma
tela.

Ele praguejou. Eu empurrei. Sua palma pressionou com


mais força no meu pescoço e eu podia sentir a dor em minhas
articulações, enquanto eu me enrolava, expondo-lhe ainda
mais minhas costas nuas.

Segurei meus soluços. Era pior quando eu me mexia e


tinha que ficar o mais quieta possível. Ele ficaria bravo se eu
arruinasse sua obra.

Eu sabia o que vinha a seguir. Meu corpo sabia e eu não


conseguia controlar o tremor. Ele me deu um soco na costela e
eu ofeguei, caí em seguida, rapidamente me endireitei, ficando
na posição correta, novamente.

— Sua estúpida. Fique quieta, porra!

Eu senti a batida do material molhado na ferida fresca.


Eu não consegui me impedir de gritar. Eu sempre chorava
quando ele fazia isso. Eu nunca poderia bloquear a dor.

Ele riu, o som era como o grito de um banjo mal tocado.

Em seguida, um pano preto imundo, que tinha gosto de


óleo foi empurrado na minha boca, com tanta força, que eu
engasguei.

— Nem um som. Eu te disse. Sem chorar. Sem se mexer.


— Ele se inclinou sobre mim para que eu pudesse ver o brilho
em seus olhos marrom claros. — Seu irmão mais velho não
está por perto para protegê-la agora, não é? Ouvi dizer que ele
queimou até a morte. — Ele balançou a cabeça, estalando a
língua. — Realmente uma forma dolorosa de morrer.

Eu silenciosamente chorei, tentando bloquear sua voz,


mas suas palavras me cortaram, tão dolorosamente quanto à
faca.

Ele baixou a voz, a respiração batia no meu rosto.

— Uma tela em branco. Isso é o que você era. Não mais.


Agora, você está manchada.

Sua faca fez algum tipo de desenho em minhas costas e


depois picou como se ele estivesse fazendo flocos de neve.

— A pequena princesa perfeita já não é mais perfeita. —


Meus olhos estavam fechados com tanta força que as lágrimas
não poderiam escapar. O cheiro forte de álcool atingiu minha
carne e deslizou em meus cortes novamente. Uísque. Era
sempre uísque. Eu nunca esqueceria aquele cheiro.

Sua respiração tocou meu pescoço e eu ofeguei,


tremendo de dor e de medo.

— Você sabe que eu tenho um A em arte? O professor


disse que eu tinha uma imaginação singular.

De repente, ele me puxou para cima, pelo meu cabelo.

— Você sabe por que você foi escolhida, Georgie?

Eu balancei minha cabeça. Ele estava no último ano, e


eu nunca o tinha visto antes do mês passado, quando ele me
arrastou para o galpão de manutenção da escola.
— Pensei que não. Apenas considere-se com sorte, por
eu não ter ido buscá-la, eu mesmo. — Ele passou o dedo entre
os meus seios, em seguida riu, quando eu me contorci para
escapar de seu toque. Ouvi um barulho do lado de fora da
janela, na parte de trás do galpão e ele endureceu e olhou para
cima, em seguida, riu. — Garoto estúpido. — Ele agarrou meu
queixo, inclinando a cabeça em um ângulo estranho, então eu
estava olhando diretamente para ele. — Sem ninguém
comentando sobre nossa pequena sessão de arte, certo? Você
não quer perder outro... Membro da família, não é?

Eu soluçava, apertando os olhos fechados, enquanto


silenciosamente rezava para ele me deixar ir.

O respingo repentino de uísque bateu nas feridas


frescas. Eu me contorci e empurrei e gritei, mas era inútil da
forma que ele me segurou.

— Não é?

Eu balancei a cabeça.

Ele me empurrou com força e eu caí para frente. Ele


desatou o cinto dos meus pulsos e o ouvi deslizar o couro de
volta através de suas presilhas. Esperei o ranger da porta se
abrir e fechar antes de puxar o pano da minha boca e vomitar,
até que meu estômago não tivesse mais nada.

— Chaos? Volte, amor.


Deck? Não, Deck não sabia de Chaos. Ele nunca
saberia de Chaos. Eu mantive isso dele. Fiz isso para o nosso
bem.

Mas havia uma pequena parte de mim que ele queria


ver. Em vez disso, ele acreditava na mentira em que eu me
tornei. Como ele poderia pensar que eu era aquela garota
bêbada que desperdiçava sua vida? Porque eu tinha feito
tudo para ele acreditar nisso. Eu fiz tudo ao meu alcance
para esconder minhas mentiras.

Afastei-me das mãos que lentamente me ajudavam a


levantar do chão. Ele gentilmente desfez o cinto, em seguida,
removeu o pano e eu lambi a saliva acumulada ao redor da
minha boca. Mantive meus olhos bem fechados, precisando
de tempo para voltar a realidade. E conter a dor revisitada.

Ouvi-o caminhar para o outro lado do barraco e o


rangido da parede de metal quando ele se inclinou contra ela.
Ele ia ficar e me assistir, como sempre fazia. Eu não sabia se
ele fazia isso para ter certeza que eu estava bem, ou porque
ele gostava de me assistir me abraçar e chorar, até que eu
não tinha mais nada em mim.

Lágrimas por Connor. O irmão que eu tinha perdido e


que sentia falta a todo momento. Lágrimas pelas outras
meninas que Robbie tinha machucado. Lágrimas por Deck.
Sim, eu chorei por ele, porque eu sabia que por trás do
homem inflexível estava a dor do que ele tinha visto em sua
vida.
Emoções me atravessaram.

Culpa. Dor. Raiva.

Então, finalmente, aceitação.

Era por isso que eu precisava disso, para provar que eu


era forte. Para deixar a fraqueza que eu odiava tanto, ir
embora. Para me lembrar quem eu era agora.

Foi um longo tempo antes que as emoções cruas


passassem a ser controladas novamente e eu fosse capaz de
respirar tranquilamente, sem ter o ar preso em minha
garganta. Eu senti o alívio, como um balão sendo libertado no
ar. Estava eufórica e completamente fodida, mas era o meu
jeito e o que aconteceu aqui funcionava para mim. Eu poderia
ir embora, forte e imune ao pesadelo que destruiu quem eu
tinha sido.

Era minha maneira de manter meu passado afastado


de toda a minha mente, para não ser liberado novamente, até
que eu viesse aqui.

Sentei-me em meus calcanhares e o ouvi se aproximar,


suavemente e cuidadosamente ele aplicou ataduras sobre os
cortes. Eles não eram profundos, e muito provavelmente não
iria, nunca, me ferir. Robbie tinha tido certeza disso,
também. Feridas que se curassem para que minhas costas
pudessem se tornar uma tela em branco, de novo, mas minha
memória nunca vai se curar.
Esperei pacientemente para ele terminar e, em seguida,
peguei minha camisa e a coloquei sobre a minha cabeça. Eu
podia sentir o cheiro de uísque. Deve ter caído sobre o tecido.
Ele apertou os dois botões superiores e, em seguida, segurou
meu queixo e levantou minha cabeça para que o olhasse.

Ele sempre fazia isso. Olhava-me nos olhos como se


estivesse lendo o que estava acontecendo na minha cabeça.
Ele nunca disse nada, e eu suspeitava que fosse para ter
certeza que eu estava bem.

Ele pegou minha mão, me ajudou a levantar, então


caminhamos para fora. O sol raiou no meu rosto tão
brilhantemente que eu não consegui ver por alguns
segundos, enquanto minha visão se ajustava. Cada passo que
eu dava, os cortes nas minhas costas esfregavam sob as
bandagens. Aprendi a usar roupas folgadas quando viesse
aqui. Desta vez.... Eu tinha usado a camisa de Deck.
Cheirava a ele, apesar do uísque que agora salpicava o
material. Ainda assim, se eu inclinasse meu queixo para
baixo, conseguia respirar Deck, e me sentia.... Inteira,
novamente.

— Mais rápido do que o habitual. — Ouvi Tanner dizer


quando nos aproximamos do carro.

Ele bufou e quando olhei para ele, através das


madeixas azuis do meu cabelo, eu peguei o olhar feroz
enviado a Tanner. Tive a impressão de que ele não gostava
muito dele, mas Tanner esteve conosco desde o início. Era
estranho. Se ele não gostava dele, por que Tanner ainda era
parte disto?

— Concentre-se no trabalho, Chaos. — Disse ele.

Abri a porta do passageiro e entrei, com cuidado para


impedir as minhas costas de tocarem o assento de couro.
Como sempre, minha mente era uma névoa de emoções
tentando bloquear as memórias e me trazendo de volta para a
dormência que era sobreviver.

— Você tem um plano?

Balancei a cabeça.

— É melhor ser convincente. Vic não é estúpido. — Ele


olhou para Tanner, em seguida, de volta para mim. — Você
precisa encontrar um equilíbrio para o que está fazendo.

Eu sabia o que aquilo significava. Cortar o consumo de


bebida.

Ele colocou a garrafa na minha mão e fechei a porta.


Porra. Eu detestava o gosto de uísque. Odiava o cheiro e
odiava tudo sobre ele. Eu abri a tampa e virei-o, firme,
ignorando a dor escaldante na minha garganta e bebi tanto
quanto eu podia.

— Whoa, Chaos. Se acalme. Você não ouviu o que ele


disse? Você precisa estar bêbada não em coma. — A porta de
Tanner fechou e ele ligou o carro.

Era apenas meia hora de volta à cidade e eu precisava


estar muito bêbada no momento que chegássemos. Era o
único dia do ano que eu realmente ficava bêbada. Todas as
outras vezes.... Sim, era uma fachada, um disfarce, mas hoje
não foi por escolha. Ficar bêbada na lápide de Connor, então
ir de táxi para casa era nossa fachada. Eu iria me esconder
no meu quarto e ninguém me incomodaria por dias.

Mais um ano se foi. Mais um ano cheio de mentiras.

Isto era onde eu precisava estar.

O caos perfeito.

Deck

Eu tinha que relaxar, conscientemente, antes que eu


quebrasse a porra do celular. Georgie. Porra. Eu deveria
saber que ela faria algo estúpido como isso. Merda, eu sabia.
Foi por isso que deixei Vic com ela. Todos os anos, ela se
embebedava no túmulo de Connor e todos os anos, eu
desaparecia, não querendo estar por perto, para vê-la
destruída. Eu não como parar sua dor e me feria
profundamente que eu não conseguia respirar direito se
pensasse nisso.

Eu sabia exatamente o que aconteceria se a visse


chateada — faria com ela o que eu sempre quis e o que
nunca poderia acontecer.
Tyler, Josh e Sam encostaram-se na parede da casa em
ruínas e observaram, enquanto digeria calmamente as
notícias de Vic.

Eles me conheciam bem o suficiente que eu pudesse


parecer calmo por fora, mas por dentro estava furioso.

— Quanto tempo? — Perguntei a Vic.

— Algumas horas. Ela passou por seu café, pegou uma


garrafa de scotch e, em seguida, entrou em um táxi. Localizei
a empresa, o motorista estava na festa de aniversário de seu
filho. Ela queria sua descrição e disse que seu nome era
Goldie. Não sei por que iria lá, porra.

Goldie.

— Jesus. — O nome do maldito peixinho que Connor


tinha enterrado no quintal. — Siga a pista. É ela.

— Entendi.

Eu ouvi os pneus cantando como se Vic estivesse


fazendo uma rápida inversão de marcha.

— E Vic?

— Sim, Chefe.

— Encontre-a. Tranque-a. — Estava piorando. Era


como se ela não desse a mínima para ela mesma. Isso não
era ela e ainda... Georgie tinha se tornado uma pessoa
diferente quando voltei, dois anos após seu irmão morrer.
Mais dura. E a doçura que eu costumava ver em seus olhos,
desapareceu.

— Entendi.

Encerrei a ligação, em seguida, joguei o telefone em


cima da mesa improvisada. Um mal estar fez meu estômago
revirar e meu coração acelerar. Por que eu não poderia
chegar até ela, porra? Isto não era apenas sobre seu irmão.
Alguma outra coisa estava perturbando a sua mente para
fazê-la beber até desmaiar. Não fazia sentido. Ela não fazia
sentido.

Ela era mais forte do que isso. Onde estava a menina


que eu conhecia? Era como se ela estivesse à deriva, cada vez
mais longe de mim ano após ano. Ela estava se escondendo;
eu sabia disso há anos. Mas o que eu não sabia era do quê.

Que porra eu ia fazer com ela? Esta merda já durava


tempo demais. Talvez fosse hora de cortar relações, como Vic
disse. Será que eu estava permitindo isso por protegê-la?
Provavelmente, mas o pensamento de perder Georgie era
como ter que cortar minha perna. Eu não poderia fazê-lo
lento e suave; teria que ser brutal.

— Porra. — Esta missão era importante demais para


não ter todos os homens que eu tinha disponíveis, e eu já
tinha um dos meus melhores homens vigiando Georgie.

Passei a mão pelo meu rosto e, em seguida, reuni meus


pensamentos. Eu não estava fodendo isso.
— Tudo bem, Chefe? — Perguntou Tyler.

Eu olhei em seus olhos e em seguida, olhei para Josh.

— O fracasso é inaceitável. Vamos trazer nosso rapaz


para casa.

Mas apenas duas horas depois, tudo fodeu. O


informante apareceu sangrando e torturado. Com olhos bem
abertos, arregalados e sem vida. Havia uma nota fixada em
sua camisa, escrita com sangue.

— Jesus Cristo. — Disse Tyler, agachando-se ao lado


do corpo mutilado. — Chefe, você realmente acha que foi
Connor que escreveu a nota? E quem diabos é Chaos?

Se eu acho que era ele? Porra, sim, eu achava. Apenas


eu sabia quem era Chaos, porque Connor a tinha chamado
disso e também de Menina Georgie.

— Sim, é ele.

Eu conhecia a tortura. Eu sabia a merda que ela fazia


com sua cabeça. Mas dez anos dela? Mesmo Connor poderia
enlouquecer com isso. Qualquer homem ficaria.
Isto não era besteira.

Caralho. Porra! Eu soquei a parede de pedra e o sangue


saiu pelos meus dedos. Fiz isso de novo e de novo, até que
Josh me puxou com o braço em volta da minha cintura e me
segurou.

Isso não me impediu. Nada conseguiria, quando


levantei a mesa, o laptop caiu no chão, nosso mapa ondulou
pelo ar, antes de se pousar no chão. Joguei a mesa na parede
e o alto barulho da madeira quebrando, parecia eu. Eu estava
arrasado. Partes de mim foram rasgadas e queimadas quando
minha raiva explodiu.

Mas não era só raiva. Era medo, uma emoção que eu


tinha mantido trancada toda minha vida, mas vendo essa
palavra, quebrou a barreira e eu não podia controlá-la.

Eu destruí cadeiras, rasguei planos, esmaguei o laptop


com os punhos. Senti os homens observando e eu não dava à
mínima. Isso era ruim.

Toda minha esperança de trazê-lo para casa


desapareceu. Não admira que tenha levado tanto tempo para
localizá-lo.

Ele não queria ser encontrado, porra.

— Chefe.

Eu ouvi as vozes, mas elas foram abafadas por minha


insanidade temporária. Isso era minha culpa. Eu deveria ter
encontrado ele antes, mas porra, como eu poderia? Achei por
anos, que ele estava morto. Cristo, eu tinha visto o caminhão
explodir. A memória. A angústia ainda estava viva na minha
mente, mesmo sabendo que ele viveu.

— Chefe.

Agora, ele estava ameaçando Georgie? Caralho, a


Georgie? Sua irmã? Como isso era possível? A pessoa que ele
mais amava no mundo.

Porque ele me conhecia muito bem. Essa foi minha


falha. Ele sabia que eu não daria à mínima se ele me
ameaçasse ou aos meus homens, mas Georgie... Ele sabia
que eu desistiria se a vida de Georgie fosse de alguma forma
ameaçada.

— Deck!

Tyler segurou seu telefone.

— Você precisa atender isso.

Eu realmente não precisava ouvir em que besteira


Georgie tinha conseguido se meter desta vez. Minha paciência
com ela estava mais fina do que uma asa de mariposa. Mais
uma merda e eu estava me livrando dela. Foda-se minha
palavra. Foda-se Connor.

Peguei o telefone.

— O Quê?

— Houve um acidente.
Era como se todas aquelas palavras que eu tinha
acabado de pensar explodissem como uma granada. Meu
coração batia forte e eu tinha dificuldade em engolir.

Mantenha a compostura.

Eu tinha sido treinado pelo melhor, para suportar a


tortura, nas piores circunstâncias possíveis, dor, agonia e eu
iria testar tudo isso, agora.

Afastei-me dos caras para que não pudessem ler minha


expressão. Eu precisava de um segundo para colocar minha
cabeça em ordem e me controlar.

— Ela está no hospital. Um cara a encontrou


inconsciente e em convulsão, no cemitério.

Eu não sabia o que dizer.

— Deck. — Vic nunca me chamava de Deck. — É o


fundo do poço.

Sim, era. Bati minha mão contra a parede acima da


minha cabeça e fechei os olhos.

— Eu vou te encontrar lá. Dez horas.

— E sobre Connor?

— A missão está morta. — Apertei 'Terminar' antes que


ele pudesse responder. Falar estava me irritando e eu tinha
que resolver minha merda, rápido.

— Chefe? Ela está bem? — Tyler questionou.


— Não, mas ela vai ficar. — Porque essa merda estava
terminando.
Capítulo 6

Georgie

Ouvi vozes chamando meu nome.

Pare com isso.

Era como se eu estivesse num cilindro e os sons


ecoavam, perfurando minha cabeça. Eu queria colocar
minhas mãos nos meus ouvidos, mas não podia me mover.
Por que eu não podia me mover?

Eu estava com frio.

Estava tremendo e ainda assim eu não sentia meu


corpo tremer. Não, estava sacudindo...forte. Tentei abrir
meus olhos, mas não conseguia ver nada.

— Ela está tendo convulsões novamente.

Convulsão? Eles estavam falando sobre mim? A última


coisa que eu me lembrava era de estar no galpão - com dor.
Machucada. Em seguida, dormência.

Um guincho alto soou, uma e outra vez. Eu tentei


gemer e acho que eu abri minha boca, mas não saiu nada.
Por que eu não podia me mover? Era como estar imersa em
areia movediça, com os membros pesados.

— Você vai ficar bem, senhorita.

Senhorita? Por que ele iria me chamar de senhorita?


Reconheci a voz e ainda assim não poderia colocar o dedo
sobre quem era. Onde estava Deck? Ele estava aqui comigo?
Ele estava sempre comigo quando eu me fodia.

O medo me invadiu como uma horda de vespas. O que


eu fiz? Por que eu não podia me mover?

— Senhor, você sabe o que aconteceu com ela?

Senti mãos em mim e queria sacudi-las, mas não


consegui.

— Não sei. Encontrei-a assim. — Sua voz sumiu e tudo


que eu ouvia era um murmúrio de sons indistinguíveis.

Senti uma sessão de forte dor, em seguida, foi como se


eu estivesse caindo em um buraco negro. Com meus braços
amarrados, incapaz de agarrar-me a algo e parar.

Estava ficando mais escuro e frio.

Eu gritava e gritava.

Mas eu continuava a cair, deslizando pelo túnel escuro


até que bati no chão e depois, nada.
Pisquei, ajustando os olhos para as luzes fluorescentes
e o sol radiante pela janela. Ontem à noite, meus pais tinham
sido os primeiros a me ver, mas minha garganta estava tão
dolorida, que mal conseguia falar. Eles se sentaram comigo
um tempo até que a enfermeira entrou e disse-lhes que o
horário de visitas acabou. Meu pai alisou meu cabelo, como
ele costumava fazer quando eu estava em casa, doente da
escola e, em seguida, disse que ia me ver amanhã.

Enquanto eu me sentei e peguei o copo sobre a mesa


ao lado da cama do hospital, ouvi o leve movimento do outro
lado da sala.

Olhei para cima, assumindo que era uma enfermeira, e


meus olhos se arregalaram e meu coração começou a bater
mais rápido, o que fez a máquina estúpida a que eu estava
ligada a apitar mais rápido. Porra. Deck estava encostado na
parede, com os braços cruzados, estava muito lindo em sua
calça cargo preta e.... Estava furioso.

Eu tive que me recompor rápido.

Vi a contração na mandíbula dele.

— Não gostei de receber esta ligação, Georgie.

— Sim, bem, não foi lindo para mim também. E Vic não
tinha que perturbá-lo. E você não tinha que vir. — Mas é
claro que ele viria. Deck imprevisível era previsível quando se
tratava de manter sua palavra. E não importa o quanto mais
difícil tornava a minha vida.... Eu o amava por isso.

Ele franziu o cenho e se aproximou da cama.

— As coisas vão mudar.

Evitei seus olhos, o que eu raramente fazia, mas agora


eu me sentia um lixo e estava um pouco nervosa sobre o que
Deck sabia.

Mentira. Eu estava muito nervosa.

— Você sabe se meus pais estão aqui? — Eles


poderiam ser meu tampão com Deck.

— Seus pais não virão hoje. Eles concordam comigo. As


coisas vão mudar, porra. — Oh, Deus, ele conversou com
meus pais e eles gostavam de Deck. O respeitavam. Meu pai
até riu quando Deck me jogou por cima do ombro e ameaçou
bater em minha bunda quando eu estava bêbada na casa de
Emily e Logan, no jantar na fazenda. — A partir de agora.

— Eu posso cuidar de mim mesma. — Coisa estúpida


de dizer, mas minha cabeça estava bastante embaçada e eu
estava me debatendo.

— Você está vivendo no mundo das maravilhas. — Sim,


isto era um pouco mais do que Deck estar chateado. Isto era
Deck tomar o controle de uma situação que ele não gostava, a
minha situação.
Deck suspirou e foi um som estranho vindo dele. Na
verdade, isso não combinava com ele, em tudo.

— Georgie, eu tenho observado a situação e não fiz


nada sobre isso durante muito tempo. Agora, eu vou agir.
Não existem opções, agora.

Minha respiração parou. Uma parte de mim sabia


exatamente do que ele estava falando. Eu fui longe demais.
Ele me alertou ontem para encontrar um equilíbrio. E eu fiz
justamente o contrário. Porra. Eu bebi tanto que me
envenenei. O que eu estava pensando ao beber até apagar?
Eu não estava pensando, mas eu realmente tinha exagerado
por que.... Bem, porque eu realmente queria me afogar na
escuridão.

Vic deveria me achar bêbada no cemitério, me levar


para casa e, em seguida, eu deixaria de funcionar por alguns
dias.

— Você bebeu toda a garrafa de uísque?

Oh, merda. Eu não me lembro, mas com certeza me


sentia como se tivesse. Bebi no carro, antes de Tanner chegar
ao cemitério. Lembro-me que ele a tirou de mim, em algum
momento.

— Deck...

— Jesus, Georgie. — Deck virou-se e eu mais uma vez


tentei me levantar, mas ele me ouviu e disse: — Não se mova.
Parei e caí, o que me fez estremecer por causa dos
cortes nas minhas costas. Ele percebeu e me olhou por cima
do ombro, em seguida, fez uma careta.

— Deck, foi por Connor. — Ele se aproximou e agarrou


a ficha do médico. Merda.

— Eu não dou a mínima para a porcaria que estava


fodendo sua cabeça. Eu deveria ter visto isso chegando. Eu vi
isso acontecer. — Ele virou a página, leu, em seguida, olhou
para mim. — Você deveria estar morta.

— Mas não estou. — Foi uma resposta insolente e eu


deveria ter ficado quieta, agora mesmo. Precisava tirá-lo da
sala. — Ei queridinho, você pode pegar um sorvete? Minha
garganta está tão áspera e eu amo... — Eu soube exato
momento em que ele leu as notas do médico sobre os cortes
em minhas costas.

Ele congelou. Vi o aperto de seus músculos e a maneira


como suas mãos apertaram a prancha. Então ele jogou-a na
cadeira de plástico e sem dizer uma palavra, caminhou em
direção à cama. Peguei as bordas do lençol e puxei-o para o
meu queixo.

Com um puxão, ele o arrancou de mim e jogou-o ao pé


da cama.

—Deck...

— Vire ou eu vou fazer isso.


Eu nunca tinha visto-o tão louco como quando ele se
inclinou, seus punhos estavam pressionados contra o
colchão, nas minhas laterais. Eu posso viver essa vida de
mentiras, mas Deck era real. Ao contrário de mim, cada
palavra que saia de sua boca era a verdade. Se eu não me
virasse, ele ia me virar.

Assim que me virei, ele soltou o laço fino do vestido e o


abriu. Então senti uma das ataduras sendo levantadas e foi
como se eu pudesse sentir seu choque, vibrando através do
colchão, em mim.

— Deck, não é o que você pensa. — Merda, como eu


poderia explicar os cortes? Eu tinha que fazer meu papel,
mas tudo que eu queria fazer era dizer a verdade.

Mas eu não podia. Havia regras e consequências graves


para quem quebrar essas regras.

Ele ficou quieto e completamente imóvel. Não havia


nada para lutar ou mentir ou fingir. Ele sabia que era
impossível eu fazer esses cortes em mim mesma. Caralho.
Que merda.

— Quem fez isso?

Afastei a dormência, desesperada para me esconder na


segurança de seu escudo, mas com Deck, era como se
tentasse derrubar uma barra de aço que pesava 500 quilos.
Minha única saída era minha boca atrevida.
— O nome dele é Pinheiro e ele cheira delicioso, mas ele
é um pouco pegajoso em seu núcleo. — Ele fez uma careta e
eu rapidamente tentei explicar. — Sexy, eu pulei da janela do
segundo andar do meu quarto, em um pinheiro. Você pode
querer derrubá-lo por me machucar, mas estou pensando
que não foi culpa dele e a polícia florestal irá atrás de você.

Seus olhos se estreitaram.

— Você está mentindo. — Eu sabia que era um tiro no


escuro. Tyler ou Josh podiam deixar isso passar, mas Deck....
Sem chance. Ele não olhou por cima o relatório do médico;
ele leu, palavra por palavra e, sem dúvida, ele sugere que as
feridas foram feitas com uma faca. — Quem diabos fez isso
com você?

Minha melhor defesa, agora, era o silêncio. Eu não tive


escolha. Eu odiava mentir para ele. Ver a raiva em seus
olhos. Mas eu nunca arriscaria perdê-lo, nunca. Eu faria o
que fosse preciso.

— Você vai procurar ajuda. — As palavras de Deck me


atingiram como um soco no estômago e meus olhos se
arregalaram, em pânico.

— O quê? — Sua expressão permaneceu imóvel. Merda,


ele estava falando sério. Ele ia me trancar. — É ilegal. Eu
tenho mais de dezoito anos e....

— Você acha que as leis importam para mim, Georgie?


Eu mato para viver, porra.
Merda, ele poderia me trancar e jogar a chave fora. Mas
ele havia me passado esse plano quando Deck voltou, quando
tinha dezoito anos.... Porque ele não podia me prender.

— Deck, por favor. Não faça isso comigo. —As teias


começaram a me cercar em sua substância pegajosa quando
o medo tomou conta de mim. Tudo estava se desvendando e
isso estava acontecendo rápido. Muito rápido. Eu estava
perdendo o controle aqui.

— Você bebeu até essa merda te envenenar. — Seu tom


endureceu. — Você tem cortes horríveis em suas costas.
Feitos com uma faca. Como os conseguiu, Georgie?

Eu nunca diria a ele.

— Eu não sei. — Ele sabia que eu estava mentindo. Era


a primeira vez que achei que ele suspeitava de algo. Merda,
eu fiz merda. — Eu bebi demais ontem e eu estava...

— Como? — Ele gritou.

Olhei para minhas mãos.

— Olhe para mim. — Quando eu não olhei, ele repetiu


pausadamente cada palavra. — Olhe. Para. Mim.

Eu não podia.

— Porra. — Deck caminhou até a janela e olhou para a


rua. — E é isto todos os malditos dias.

— Eu vou ficar sóbria. — Porra, eu fui longe demais.

— É tarde demais.
Eu arranquei o monitor cardíaco e, em seguida, a
intravenosa, sai da cama e corri para a porta, virando para o
corredor. Eu não tinha ideia de onde estava indo, exceto que
a palavra correr se mantinha em mim, como se eu fosse
aquela menina de dezesseis anos de idade, novamente.

Ouvi Deck praguejar e eu fui agarrada por trás. Eu


chutei e lutei, mas para Deck, eu era uma folha frágil de
papel de alumínio. Eu não iria para a reabilitação. No
momento em que isso acontecesse, ele iria descobrir a
verdade e então...

Entrei em pânico ao pensar e reagi soltando meu peso,


em seguida, empurrei o cotovelo de volta para acertá-lo na
cabeça. Ele me soltou quando cambaleou dando um passo
para trás, sua mão foi para sua bochecha, onde o meu
cotovelo acertou. Devia latejar porque meu cotovelo com
certeza doía para caralho. Era um movimento de defesa
clássico para quando alguém te agarrava por trás, um dos
vários que eu tinha sido ensinada. Só que ele não deveria
saber disso.

Nós dois congelamos.

Eu vi seu rosto, mostrando a surpresa com o que eu


tinha acabado de fazer e, em seguida, a suspeita. Eu não
devia saber como fazer esse movimento. Eu me surpreendi
por consegui fazê-lo com Deck, de todas as pessoas. Mas não
durou muito tempo. Ele se lançou em mim e minha
respiração acelerou, quando seus braços me bloquearam e ele
segurou minhas costas contra seu peito. Desta vez, eu não
tentei me mover.

Sua voz era um sussurro baixo, quanto ele rosnou em


meu ouvido.

— Onde diabos você aprendeu a fazer isso?

Eu tive que me acalmar, ter de volta o controle. Deck


era meu maior desafio ao longo dos anos, porque ele me
conhecia. Esconder quem eu era requeria talento, e acho que
a razão por que eu consegui isso foi porque ele estava fora, na
maioria do tempo. Mas Deck sabia muito bem que eu nunca
tinha tido aulas de autodefesa, nunca fui uma lutadora e
nunca fui capaz de conseguir dar um soco nele.

— Responda-me.

Eu não tinha uma resposta. Pela primeira vez, não


houve uma resposta atrevida.

— Responda-me. Porra.

Eu estava afundando. Eu sabia quando manter a boca


fechada. E este era um desses momentos, mas sentir a fúria
de Deck e ouvir a confusão em sua voz.... Deixava tudo que
eu estava fazendo, sem valor.

— Eu não sei o que diabos está acontecendo com você,


mas eu vou descobrir. Nesse meio tempo, você ficará
trancada. As merdas acabaram.

— Deck!
— Não, Georgie. Terminei.

Oh, Deus. Eu preciso do meu telefone. Eu tinha que


telefoná-lo.

— Não faça isso.

— Está tudo bem aqui? — A enfermeira veio correndo e


olhou de mim para Deck e vice-versa.

— Deck. Por favor. — implorei. Eu não tenho acesso a


um telefone, nenhuma forma de contato com Tanner para ele
me tirar daqui. Merda, ele sequer saberia onde Deck estava
me levando. Bem, ele o saberia, mas a questão era o tempo
que seria necessário e até lá...

— Senhor, ela devia estar na cama...

Deck ignorou a enfermeira.

— Você bebeu tanto que você quase morreu. Você tem


cortes no corpo e diz que eles vieram de uma árvore, mas um
médico diz que são provavelmente causados por uma faca.
Você escapou de Vic e desapareceu por horas, apenas para
ser encontrada em convulsão na frente do túmulo de Connor.
E você executou um movimento de defesa, quando você
nunca foi a uma única aula. Que porra é essa que você quer
que eu faça, Georgie? — Sua voz era a de um tambor,
batendo através da sala, tão alta que fez minha cabeça vibrar.

Então Tyler estava lá.

— Tudo bem, chefe?


A enfermeira tocou meu braço.

— Srta. Eu já alertei o médico. Volte para o seu quarto


e deite-se.

Tirei a sua mão de mim.

— Como você pode me descartar assim?

Deck me segurou pelos ombros.

— Porra, Georgie, eu estou te descartando. Estou te


trazendo de volta para mim.

Mas não havia volta, não é?

Se ele me colocar numa clínica de reabilitação,


descobrirá rapidamente que eu nunca tive um vício. Não
haveria ressaca, nem tremores, nem nada. Eu não poderia
fingir isso. Merda. Merda. Merda. Eu joguei muito bem. Deck
pensou que eu era uma alcoólatra patética que quase se
matou.

O celular do Deck tocou, vi o nome Kai no visor e ele


me passou para Tyler. Inteligente, ambos sabiam que eu iria
fugir. A enfermeira ficou ali, um pouco atordoada, em
seguida, ela passou por nós, correu para o posto de
enfermagem, pegou o telefone.

— Por que você está falando com Kai?

Minha respiração ficou presa, mas rapidamente tentei


controlá-la, fingindo que a ferida nas minhas costas doía,
enquanto a tocava e fazia uma careta.
Deck prendeu os olhos em mim e depois se afastou
alguns passos. Puta merda. Eu fiquei apavorada. Eu ainda
estava lascada depois de minha limpeza anual, acordar no
hospital e depois, ter Deck perguntando-me sobre coisas que
eu não poderia lhe explicar a menos que lhe dissesse a
verdade.

— Você poderia ter morrido, querida. — Disse Tyler.


Arrastei-me para longe dele e me apoiei contra a parede, mas
ele ficou a poucos centímetros de mim. — Você não o viu. —
Ele manteve a voz baixa enquanto se inclinou para mim, com
as mãos em ambos os lados da parede azul, acima da cabeça
dela. — Ele estava com medo, Georgie. Receber aquela ligação
de Vic.... E ele estava a dez horas de distância... — Tyler
abaixou a cabeça, balançando-a lentamente para trás e para
frente. — E se estivéssemos em uma missão? E se ele não
pudesse chegar até aqui? Querida, se alguma coisa
acontecesse com você... Jesus, eu não sei o que ele faria. —
Eu olhei para o lado, evitando seus olhos. Ele não me deixou
e segurou minha cabeça com as duas mãos. — Não sei o que
está acontecendo com você, mas você precisa ficar bem.

Isso era o melhor que eu podia ser. Nada me mudaria.


Mas aprendi a aceitar isso e viver com esses pedaços
indecifráveis de mim mesma.
Deck

Olhei por cima do ombro e vi Tyler muito mais perto de


Georgie do que eu gostava.

— Por que você está ligando?

— Ouvi que Georgie arrumou algum problema.

— Eu não vou perguntar como você sabe sobre isso.


Mas quero saber por que ela se importa que eu esteja falando
com você. — Vi o olhar em seu rosto quando ela viu o nome
dele na tela do telefone. Ela o conheceu quando ele ajudou a
matar o traficante de sexo. Georgie ficava nervosa com Kai?
Ela devia saber que eu nunca ia deixá-lo chegar perto dela
novamente.

— Ela está bem?

— Eu não tenho tempo para conversas ociosas com um


cara que eu não gosto. Então, por que diabos você está
ligando?

— Ah, então Georgie é conversa ociosa?

— Georgie e tudo o que tenha a ver com ela, está


proibido para você. — O desgraçado teve a ousadia de rir e eu
apertei o telefone com mais força. — Eu disse para nunca me
ligar, a menos que fosse uma emergência.

— É. — Eu esperei. — Eu preciso da menina que


encontramos.
— Jesus. Como eu lhe disse, em Nova York, isso não
está acontecendo. Eu não tenho tempo para essa merda. —
London, a garota que eu resgatei do leilão de tráfico sexual
anos atrás. Ela tinha ficado na casa de Georgie até que
descobri quem ela era e de onde veio. Descobri que ela é de
uma família muito rica. Tinha sido uma fugitiva constante
desde que voltou. Última vez que ouvi, ela estava
desaparecida há quase um ano.... Ou mais tempo ainda. Kai
estava interessado em encontrá-la. Família abastada,
provavelmente, lhe pagaria muito dinheiro para trazê-la para
casa. O problema é que isso não encaixava com o tipo de
trabalho que Kai fazia.

— É uma questão de tempo.

Tossi numa minha meia-risada.

— Por quê? Os pais pagam um extra se você a


encontrar antes de um ano? — Quando ele arrastou meus
homens e eu para Nova York, tive a impressão que era algo
grande, mas não era. Mas eu lhe devia um favor, então
vistoriamos a área onde London tinha sido vista pela última
vez. Em seguida, veio à ligação de Matt sobre Georgie e
voamos de volta.

— O favor era para dois dias.

— Sim, bem, você teve um. — Eu tinha problemas


suficientes querendo saber o que fazer sobre Georgie. Vic
sabia de um lugar que ela poderia ir para ficar sóbria, ter
ajuda, mas não importa o que eu disse há dois minutos, eu
estava seguindo meu instinto e recuei. Algo não estava certo.
E eu estava cismado. Seus cortes. Sua atuação sobre o
desaparecimento. Esse movimento de autodefesa. Merda, a
garrafa de uísque que ela bebeu em outro lugar e não no
túmulo de Connor, porque Vic tinha jurado que ela não
esteve lá durante todo o dia. Mas, de repente apareceu por lá,
desmaiada e algum cara chamou uma ambulância.

Quem era o cara? Disse que por coincidência a


encontrou, desmaiada e em convulsão no túmulo de Connor.
Eu não acredito em coincidências.

Vi o momento em que Tyler colocou as mãos em cada


lado de sua cabeça, como se ele fosse beijá-la. Eu sabia que
ele não iria, mas ainda assim, não gosto disso. Eu tinha que
acabar com essa conversa, rápido. Chutei a cadeira de
plástico, laranja, na minha frente e ela tombou. Ambos
Georgie e Tyler olharam para mim, ele deixou cair às mãos e
uma enfermeira atrás da mesa fez uma cara má para mim.

Senti como se um fusível tivesse sido aceso dentro de


mim e estivesse lentamente queimando. Logo eu ia perder a
cabeça, e na frente de estranhos, isso não acontecia. A minha
paciência havia se esgotado e eu explodiria a qualquer
momento. Eu não conseguia tirar da minha cabeça o olhar
em seus olhos, depois que ela me atingiu com o cotovelo, na
bochecha. Foi o movimento de um especialista. Quando ela
teve alguma aula para aprender isso? Georgie estava
festejando e muito ocupada para ter uma aula. Não fazia
sentido.
Ouvi os sons do elevador, em seguida, vi dois homens
corpulentos, vestindo uniformes de segurança saindo e havia
também um médico com eles. Kai estava dizendo algo sobre a
porra do favor, mas eu estava focado no que estava prestes a
acontecer. Meus olhos foram para a enfermeira atrás da
mesa, que estava olhando para mim e falando ao telefone. Os
homens que vieram em nossa direção tinham os olhos fixos
em Georgie e Tyler.

— Tyler. — fechei meu telefone, deixando Kai em


espera.

Ele ficou instantaneamente em alerta, colocando-se na


frente de Georgie, como uma armadura. Eu caminhei em
direção ao médico e os dois palhaços, para interceptá-los. A
enfermeira me chamou, mas eu sabia o suficiente sobre as
políticas do hospital para saber o que acontecia.

O médico parou na minha frente, com um sorriso de


escárnio no rosto. Eu estava impedindo-o de chegar perto de
Georgie, embora suspeitasse, por sua expressão e os idiotas
ao seu lado, que ele pensava de forma diferente.

— Senhor, apenas os membros da família estão


autorizados a visitá-la.

— Eu não estou visitando.

Ele limpou a garganta e se mexeu, inquieto, enquanto


ajustava os óculos, que não necessitavam de ajuste.
— Nós vamos ter que pedir que você e seu amigo
saiam. A enfermeira vai ajudar a paciente a voltar para o
quarto. — De lado vi a enfermeira e, claro, seu nome no
crachá, Belinda. Ela saiu de trás do balcão.

— Deck, — Tyler advertiu. E foi um aviso, porque eu


tinha a mão sobre a arma debaixo de minha jaqueta. — Não
aqui, Chefe.

— Nós vamos cuidar dela. Ela pode sair depois de uma


avaliação psiquiátrica marcada para amanhã e depois da
polícia questioná-la sobre as feridas em suas costas. É
obrigatório depois de algo assim. Nós também gostaríamos de
voltar a analisar seu sangue, por precaução.

Eu olhei para ele por alguns segundos, em seguida,


para Georgie, que ficou em silêncio atrás de Tyler. Não
gostava disso. E eu com certeza não gostava do médico, mas
começar uma briga no hospital iria nos causar problemas.
Além disso, Georgie estava melhor aqui, por mais uma noite
e, eu queria ouvir o que ela diria à polícia, sobre os malditos
cortes nas costas.

Balancei a cabeça para Tyler. Tudo bem, uma noite.

— Quando é que podemos buscá-la? — Perguntou


Tyler.

A enfermeira deu instruções sobre a alta a Tyler e me


aproximei de Georgie. Ela ainda estava contra a parede e não
disse uma palavra durante todo o diálogo.
— Amanhã, você virá comigo. Precisamos resolver isso.
Ok? — Ela assentiu com a cabeça e a senti tremer, quando
corri minhas mãos por seus braços. Lá estava aquilo... em
seus olhos. A vulnerabilidade e suavidade que tinha ficado
escondida durante anos. Porra, eu queria envolvê-la em meus
braços e beijá-la e muito. Limpei a garganta. —Passe no
exame psiquiátrico, está bem?

Ela sorriu e foi à primeira vez, em mais de dez horas,


que senti que podia respirar. Ela pegou minha manga antes
que eu fosse embora.

— Deck. Eu preciso te dizer... — Ela parou, endireitou


os ombros e olhou em volta, como se procurasse alguém.
Então seus olhos foram para o chão, ela parecia... com medo.
Georgie raramente parecia assustada e isso me lembrou do
momento que contei a ela sobre Connor. — Por favor, não me
coloque na reabilitação.

Jesus. Então ela diz coisas assim.

Fiz uma pausa. Madeixas azuis caiam em seu rosto,


sem maquiagem, de pé contra a parede e vestindo uma roupa
azul-claro, do hospital. Inocente. Eu a conhecia. Georgie era
muito mais do que inocente. Era teimosa e determinada,
tinha uma atitude arrogante, que fazia parte dela, mas por
algum motivo, estava mais exagerada do que pensava que lhe
convinha.

Mas seu olhar para mim, incerto, exposto e ainda


assim com confiança.... Esta era a Georgie que eu conhecia.
Esta era quem eu lutava para trazer de volta.

— Eu não vou. — Balancei a cabeça para a direita,


onde o médico estava me observando. — Não deixe o cara te
tocar. — Ela sorriu com isso e eu coloquei o cabelo longe de
seu rosto. —Vamos conversar amanhã. Descanse um pouco,
baby.

A enfermeira colocou a mão no braço de Georgie e a


guiou de volta para o quarto.
Capítulo 7

Georgie

Eu gemi, meu mundo girava, enquanto eu repetia em


minha cabeça, uma única palavra - Não. Uma aranha
rastejou sobre minha pele, mas não era uma aranha, eram
gotículas de sangue. Eu não podia me mover para afastá-las,
enquanto o medo me fazia sentir como se um tambor de óleo
estivesse no meu peito. Óleo. O pano. Ele estava me
sufocando.

Eu não conseguia respirar.

Eu não podia cuspi-lo. O material arranhando o fundo


da minha garganta me fazia engasgar.

Meu estômago revirou e rodou, enquanto a brisa varreu


meu rosto, junto com um bafo de uísque. Era ele. Eu tinha
que correr, mas estava nebuloso. O galpão era um corredor
longo e estreito e agora eu corria e corria, mas não me movia.

Não.

Pare. Não mais.


As palavras estavam na minha cabeça e eu tentei
formá-las, mas os sons ficaram presos em minha garganta.
Gemidos. Gemidos estrangulados. Eles eram meus?

Eu caí de joelhos e chorei.

Uma sombra pairou sobre mim. Vi o brilho da faca.

Congelei. O terror me agarrou, enquanto eu esperava


pela dor. O temor. O cheiro do meu sangue no ar.

Eu arranhei meus joelhos quando ele me derrubou, em


seguida, me arrastou para o porão, com cortadores de grama e
ferramentas de jardinagem da escola. A porta rangeu e fechou,
fazendo algumas das ferramentas de metal penduradas na
parede bater umas contra as outras, pela vibração.

Estava apavorada, completamente.

Lutando contra seu aperto, como um tubarão capturado


numa rede fora d’água, eu me debati, atingindo-o nos dentes
com meu punho. Eu mesmo consegui escapar e chegar a
poucos metros da porta, antes dele mergulhar em mim e
cairmos com força no chão duro, minha respiração falhou.

— Eu não esperava ser tal lutadora.

Ele me virou e segurou minhas mãos acima da minha


cabeça, mas eu ainda tentei fugir. Desesperada. Esperando
que alguém fosse ouvir meus gritos, mas o galpão estava longe
o suficiente da escola principal e poucas pessoas iriam andar
por ali.
Eu não sabia quem ele era exceto que estava no último
ano. Ele tinha cabelos loiros claros e um grande e torto nariz,
como se tivesse sido quebrado algumas vezes. Era uma figura
grande com um olhar severo e rígido, como se tudo o que eu
fizesse fosse inútil para mudar esse olhar antipático.

Ele levantou meu vestido, sobre minha coxa e me


apavorei, gritando, esperneando e chorando. Ele apertou a
mão sobre minha boca e, em seguida, usou seu peso em cima
de mim para me impedir-me de tentar lutar. A borda fria da
lâmina tocou minha garganta e eu me encolhi para longe,
inclinando a cabeça para o lado, chutando meus pés, mas
incapaz de mover qualquer outra coisa.

— Fique quieta, porra. Eu não quero te machucar, não


muito, de qualquer maneira. — Ele correu a lâmina pela minha
pele até que a descansou no oco da minha garganta. — Não é
permitido. Eu poderia entrar em apuros. — Eu soluçava. Ele
pressionou a ponta da faca na minha carne e eu tentei me
afastar. Ele fez uma careta e eu parei. — Você sabe o que
acontecerá se não se comportar?

Não, eu não sabia. Eu não tinha ideia do que esse cara


queria de mim, mas suspeitava e isso fez meu sangue gelar.

Ele riu, em seguida, estalou a língua enquanto se


sentava. Eu me mexi e ele fez um corte com a faca em meu
braço. Gritei e ele calou minha boca com um pano, que estava
no chão, ao lado da máquina de cortar grama.
Ele lentamente desfez a fivela de seu cinto, eu comecei a
chorar e soluçar, debaixo do pano embebido em óleo. Ele puxou
o cinto da calça jeans.

Engoli a bile, sabendo que se eu vomitasse ia engasgar.

— Talvez da próxima vez você não vá tentar fugir. — Ele


saiu de cima mim, puxou-me com tanta força que o meu
pescoço estalou, e então eu estava de joelhos, com as costas
para ele. Ele puxou meu vestido sobre minha cabeça e jogou-o
de lado, em seguida, puxou meus braços atrás das costas e
enrolou o cinto em volta dos meus pulsos, com tanta força que
eu não senti meus dedos, durante alguns segundos.

— Isso, seja uma boa menina. Relaxe e não vai doer.

Ele passou a mão nas minhas costas, de forma gentil e


suave, como se estivesse acariciando minha pele.

— Uma tela em branco. Eu vi você. Tão perfeita, doce e


tranquila. E então... — Ele suspirou. — E então a oportunidade
perfeita veio e me foi dada a oportunidade de repará-la. — Sua
mão nas minhas costas se tornou áspera.

Então senti a picada afiada da faca na minha espinha.


Eu arquei e tentei me afastar, mas ele me empurrou com força
com a palma de sua mão e eu caí para frente, com meu rosto
pressionado contra o chão de madeira.

— Agora, não se mova, princesa.

Em seguida começou o corte.


Eu soluçava em silêncio, o tempo todo. Era como se ele
estivesse desenhando sobre minha pele, com a faca. Ele
cantarolava enquanto fazia isso, uma melodia alegre, ele
repetiu o movimento da faca uma e outra vez. Não era muito
profundo, como se quisesse me marcar, mas não me ferir.

De repente, tudo mudou e Deck estava lá. Então era


Connor. Eles estavam lutando contra ele, tentando chegar até
mim. Eu estava gritando e chorando, mas não conseguia ficar
livre.

Eu não conseguia me libertar.

Eu não poderia fugir.

— Deck! — Eu me debati, chutei e solucei.

— Segure-a.

Mãos seguraram meus pulsos. Não. Era o cinto. O


cinto estava amarrado em torno dos meus pulsos.

Eu não conseguia distinguir o que era real.

— Me solta. Me solta. Me solta! — Eu gritei tão alto


quanto pude.

Tudo se misturou. Vozes. Imagens.

— Droga, temos que sedá-la.

Gritei de novo e de novo, conforme as imagens giravam


em minha mente.
Ele estava correndo atrás de Deck, com a faca na mão
e sorrindo. Deck ficou apenas ali, olhando para mim. Ele
estava balançando a cabeça, decepcionado. Ele ficou
desapontado comigo.

Por que ele não estava olhando para o rapaz que ia


matá-lo?

— Deck. Deck.

A ansiedade tomou conta de mim e eu corri em câmera


lenta em direção a eles. Eu não ia chegar a tempo. Não, não
iam levá-lo de mim, também.

— Por Favor. Não.

A faca foi na direção do peito de Deck em câmera lenta.


Eu soluçava histericamente, mas ele só ficou ali, olhando,
enquanto a faca continuou chegando.

— Nããão. — Eu não podia perdê-lo.

— Senhor. Senhor. Você não pode entrar...

— Sai da minha frente antes que eu a empurre,


caralho.

Deck?

Eu gemia.

O que estava acontecendo? Eu não podia mais vê-lo.


Estava escuro e..... Eu lutei novamente. Mexi-me e virei,
tentando encontrá-lo.
— Shh. Acalme-se. — Eu não reconheci a voz. Mas ouvi
o arrastar de pés. Quem estava aqui? — O que diabos está
acontecendo lá fora?

— Você precisa se mover. Agora.

Meus olhos se abriram quando ouvi sua voz. Deck. Ele


estava vivo. Robbie não o matou. Eu tentei sentar, mas não
podia. Me impulsionei novamente para cima, de novo, meu
cérebro estava nublado, membros fracos e..... Olhei para
baixo e vi as tiras em torno de meus pulsos.

Empurrei violentamente elas, enquanto o pesadelo do


cinto se tornou real.

— Apenas relaxe. Vamos te soltar, assim que se


acalmar.

Engasguei, enquanto tentava entender as palavras do


médico.

— Não. — Eu chorei e puxei as tiras, mas tudo estava


muito pesado e lento. Não conseguia me concentrar,
enquanto o quarto rodou e o homem de pé ao lado da cama
pareceu aquele que atormentava meus pesadelos.

Ouvi algo bater na parede do lado de fora da porta e,


em seguida, o que parecia ser uma bandeja de metal batendo
no chão.

Havia a voz de mulher,

— Oh, meu Deus. Por Favor. Não atire em mim.


— Então, saia da porra do meu caminho. — A porta se
abriu e o brilho das luzes do corredor me cegaram, por
alguns segundos. Tudo o que eu vi foi uma grande sombra,
de pé, na porta.

Deixei os soluços me dominar e lágrimas escorriam


pelo meu rosto.

Seus passos largos me alcançaram, em segundos e eu


mantive meus olhos sobre ele, com medo que se eu os
fechasse, ele desapareceria.

— Senhor, ela estava agitada e nós...

— Que porra é essa que você deu a ela? — Deck


colocou a mão no meu braço, e com um puxão, ele arrancou
a fita que prendia o cateter e o jogou para o lado. Ele se
inclinou e ouvi o som elegante da faca sendo tirada do seu
estojo de couro.

— Foi um sedativo leve, mas você não pode...

Ele interrompeu em direção a enfermeira, sem dizer


nada, apenas a olhando, intensamente. Não havia medo em
Deck. Ele não pensava sobre as consequências; em vez disso,
reagiu ao seu instinto e não recuou. Era uma das coisas que
eu amava nele.

— Deck. — Eu chorei.

— Sim, querida. — Ele cortou as tiras em meus pulsos


com um movimento rápido.
— Eu sinto muito. — Eu não sabia mais o que dizer,
porque era tudo que eu tinha.

Deck nunca disse uma palavra, quando me levantou


em seus braços. Minha cabeça caiu em seu ombro, fraca
demais para se manter erguida, quando a sedação começou a
produzir efeitos. Senti braços apertados em volta de mim, me
sentia uma boneca de pano, pendurada, mole, em seus
braços rígidos e familiares.

Notei que ele nunca olhou para mim.

Ele saiu do quarto, mas eu podia ouvir passos correndo


vindo em nossa direção.

— Senhor. Ryan. — Os braços de Deck me apertaram,


mas seu passo nunca vacilou, enquanto a voz cortante do
médico nos seguiu através do ar.

— Senhor Ryan, ela não pode sair. É o meio da noite.


Nós não lhe demos alta...

— Georgie, você pode se sentar? — Eu suspirei


enquanto uma sensação de conforto me atingiu com o som
familiar de sua voz.

Balancei a cabeça.

Ele me colocou em uma das cadeiras de plástico,


laranja, contra a parede e segurou meus quadris, como se
quisesse ter certeza que eu estava firme. Então me soltou e
enfrentou o médico.
Vi seu olhar frio e penetrante, enquanto ele puxava
lentamente a arma do coldre. Eu podia ver o médico
tremendo e, em seguida, colocando as mãos para cima e
dando um passo atrás. Também ouvi vários suspiros dos
enfermeiros.

— Opa. Você não pode fazer isso.

— Eu posso fazer o que diabos eu quero. Sou o único


com a arma.

— A polícia foi chamada... — Eu ouvi o tremor em sua


voz e seus olhos nunca saíram do cano da arma.

Deck pegou seu telefone, apertou alguns números e


colocou-o no ouvido, enquanto mantinha a arma apontada
para o médico.

— Ligue para o nosso cara. Diga-lhe que o incidente no


hospital fui eu, levando minha garota para casa. — Ele fez
uma pausa. — Diga a ele que eu sou seu contato de
emergência e ela queria ir embora. Ele pode me ligar e
verificar, se precisar. — Ele empurrou o telefone de volta no
bolso e deu dois passos para chegar ao médico, que ainda
tinha as mãos para cima e as costas para a parede. Deck
deslizou a arma de volta no coldre, depois ficou cara a cara
com ele.

Eu não podia ver o rosto de Deck, mas sua postura era


intimidante. Os olhos do médico estavam arregalados como
pratos e sua pele estava branca.
— Se ela me disser alguma coisa que aconteceu aqui e
eu não gostar, vou voltar para você.
Deck caminhou para onde eu estava me pegou em seus
braços, em seguida, seguiu pelo corredor, até o elevador e,
apertou o botão.

Eu vi Tyler - bem, uma forma borrada de Tyler -


esperando junto ao carro, com braços cruzados e rosto
pensativo.

— Jesus. Que porra é essa? — Tyler abriu a porta do


carro e Deck gentilmente me colocou no banco da frente, de
couro. — Drogada?

— Sedada. — Disse Deck.

— Que porra é essa? Por quê?

— Tyler, esquece. — Foi um fim abrupto, e eu poderia


dizer por suas sobrancelhas abaixadas e lábios franzidos que
ele mal estava se controlando. Tyler acenou para ele, olhou
para mim e assentiu.

Ele pegou o cinto de segurança e começou a puxá-lo


em meu colo. Eu balancei a cabeça.

— Não.
Os olhos de Deck se fecharam por um breve momento,
em seguida, ele deixou o cinto de segurança, endireitou-se e
fechou a porta. Ele se virou e falou alguma coisa com Tyler,
embora eu não pudesse ouvir. Tyler acenou com a cabeça,
olhou para mim e em seguida, sentou no banco de trás, com
o telefone no ouvido.

Assisti a forma alta e magra de Deck caminhando em


torno da frente do carro. Todos os músculos estavam
flexionados e havia uma fúria pulsante fora dele. Era como
uma bomba-relógio, quieto e paciente, mas a rigidez do seu
corpo era um lembrete de que, eventualmente, haveria uma
explosão.

A porta do carro bateu e ele ligou o motor. Pedrinhas


dispersaram sob os pneus enquanto dirigia. O rádio estava
desligado. Tyler estava em silêncio e até mesmo o som sutil
da nossa respiração pareceu ofensivo para a tensão no carro.
Cruzei os braços sobre o peito e olhei para fora da janela,
para a lufada de carros em alta velocidade no sentido oposto.

Senti-me como um peixinho se debatendo em um mar


de tubarões, sempre tentando escapar de alguma coisa. Eu
não sabia mais o que eu estava fazendo. O plano que eu tinha
desenhado para mim sempre pareceu tão claro, mas de
repente.... De repente, tudo estava ferrado.

— O que aconteceu?

O som da voz áspera de Deck rompeu o silêncio e então


abri meus olhos. Em seguida, uma sensação de conforto
percorreu meu corpo. Ele sempre teve esse efeito, como se
estivesse protegida em seus braços. Não no início. Quando ele
voltou, tentei escapar, lutar com ele, mas eu só estava
lutando comigo mesma. Deck era parte de mim, fosse isso
certo ou errado, bom ou ruim. Ele morava em mim, e eu faria
qualquer coisa para manter essa parte de mim viva.

Sua voz cortou meus pensamentos.

— O que aconteceu?

— Eu.... Eu tive um pesadelo.

— Foi mais do que isso. — Uma afirmação.

Assenti com a cabeça. Foi meu passado voltando para


me encontrar. Após a purificação, as lembranças me
inundavam, mas normalmente, eu estava sozinha em casa,
por alguns dias, onde ninguém poderia ver como meu corpo e
mente se curavam.

— Os cortes. A bebida. O pesadelo. Eu quero tudo.

Meus olhos foram para os dele.

— Você tem um dia para começar a me contar a


história. — Ele me olhou, brevemente. — E Georgie, a história
vai ser a verdadeira. — Ele ainda estava furioso, lábios
apertados, sobrancelhas franzidas, mas já não estava
apertando sua mandíbula. Ele olhou pelo espelho retrovisor.
— Tyler?

— Tudo bem, chefe.


Olhei por cima do ombro, para Tyler e ele estava
digitando em seu telefone. Ele olhou para mim como se
sentisse meus olhos nele e não havia a piscadela habitual ou
o sorriso, mas sim os lábios para baixo. Ele voltou para a
digitação e eu olhei para frente.

— A polícia... — Eu comecei.

— Já está tratado.

Balancei a cabeça. Deck conhecia pessoas, mas me


tirar de um hospital com uma arma...

— Para onde vamos? — Por favor, não diga reabilitação.


Por favor, não diga reabilitação.

— Minha casa.

Eu respirei fundo, em seguida, inclinei a cabeça contra


a janela. Não quero fechar meus olhos novamente. Eu estava
com medo do pesadelo voltar, mas as drogas não estavam me
dando uma escolha.

—Não me deixe cair no sono. — Sussurrei.

— É seguro dormir, Georgie. Você sempre está segura


comigo.

Balancei a cabeça. Sim, eu estava. Deck teria a certeza


disso; ele sempre fez.

— Eu estava com medo. — Acho que foi a primeira vez


que já admiti isso.
Deck naturalmente pensou que eu estava falando sobre
o hospital, mas eu não estava. Estava falando sobre o meu
passado. Os dias em que eu caminhava da escola para casa,
olhando por cima do meu ombro, com medo que ele me
pegasse. Meu coração batia tão forte no peito, que eu podia
vomitar. Eu nunca sabia quando ele ia me levar para o
galpão. Poderia ser semanas ou dias antes dele me agarrar.

Meus pais ficaram preocupados, porque eu tinha


perdido peso, mas eles assumiram que tinha a ver com a
morte de Connor. Pensei em dizer-lhes o que estava
acontecendo. Então, muitas vezes, abri minha boca para
deixar escapar, então eu me calava, com medo de perder
mais alguém na minha vida. Robbie estava doente. Ele faria o
que prometeu. Ele mataria meus pais se eu contasse a
alguém.

— Eu sei. — Deck olhou para mim e seus olhos


disseram tudo. Não houve bloqueio daquele olhar. Foi ele me
dizendo que sempre estaria lá. Dizendo-me que ele se
importava. Em seguida, o escudo desceu novamente e ele
desviou o olhar.

Este homem... eu nunca o teria, mas eu também sabia


que nunca iria merecê-lo. Deck era tudo o que eu não era e
mais.

Ele era altruísta.

E eu sabia que ele me protegia porque Connor pediu


que ele o fizesse, mas Connor estava morto, há muito tempo.
Deck aturava toda minha merda, e era um monte de merda.
Eu sabia que em breve ele iria explodir e eu não seria capaz
de detê-lo. Tentei durante a maior parte da minha vida
proteger Deck das minhas mentiras. Não era por mim, mas
sim por ele. Se alguma coisa acontecesse com ele...

O carro ficou escuro enquanto entramos no


estacionamento subterrâneo e fez uma parada. Deck saiu,
deu a volta e abriu minha porta. Ele me levantou nos braços
e eu me enrolei nele. Meu corpo ficou aliviado quando senti o
cheiro dele. Não havia dúvida, drogada ou não, cada molécula
minha, reconhecia Deck. Eu o reconheceria até enterrado sob
o solo.

— Até mais tarde, menina Georgie. — Tyler foi para a


porta do motorista. Sem esperar uma resposta, ele pulou no
banco do motorista e partiu.

Olhei para Deck. Nossos olhos se encontraram e os


meus lábios ficaram entreabertos, prestes a dizer algo, eu só
não sabia o quê.
Deck

Eu nunca me senti tão perdido na minha vida. Eu


estava à beira de perdê-la. Quem eu estava enganando; eu já
tinha perdido, quando saquei uma maldita arma para uma
enfermeira e, em seguida, para um médico. Merda, eu podia
imaginar o que o Chefe de Polícia gritou nos ouvidos de Tyler.
A polícia poderia ignorar minhas indiscrições, mas eu não era
imune.

Que diabos estava acontecendo com ela? Eu estava


puto de raiva. Estava tão chateado que tinha medo de falar.

Naquela noite, incapaz de dormir, voltei para o


hospital, para me sentar com ela. Isso até que eles tentaram
me impedir de vê-la e, em seguida, vi as tiras prendendo-a
como um animal, porra.

Senti seus olhos em mim, enquanto eu caminhava para


o elevador e apertava o botão da cobertura.

Merda, eu sentia como se uma arma estivesse


apontada para mim a quilômetros de distância. Segui meu
instinto, e eu nunca tinha deixado me abater, até agora.
Agora, estava puto comigo mesmo porque a tinha deixado no
hospital quando não deveria. Eu odiava a incerteza do que
aconteceria com Georgie. Eu vivia agindo e nunca tentando
adivinhar. Você está morto, se tentasse adivinhar.
Era um lema que seguíamos quando coisas ruins
aconteciam. Não podíamos perder tempo perguntando o que
poderia ou não ser feito. Coisas ruins acontecem. Merdas
acontecem. Devemos lidar com isso e seguir em frente.

Mas, de repente, lidar com o que estava acontecendo


com Georgie não era tão simples e fácil.
Capítulo 8

Georgie

Eu acordei na cama dele, depois de ter dormido


durante todo o dia devido ao sedativo. A última coisa que eu
lembrava era de estar em seus braços no elevador. Quando
me sentei, vi Deck sentado na cadeira de couro preto no
canto da sala, um livro na mão e uma perna casualmente
cruzada sobre a outra. Ele parecia completamente relaxado o
que não parecia nada com ele.

Ele calmamente fechou o livro e colocou-o sobre a


cômoda ao lado dele, antes de um ranger de couro soar
enquanto ele se levantava. Eu não conseguia tirar os olhos de
cima dele, enquanto ele caminhava em minha direção,
parando quando seus joelhos tocaram o lado da cama. Ele
estendeu a mão e meu coração acelerou, quando ele colocou
a mão na minha cabeça e alisou meu cabelo para trás.

Foi a mais doce e calma que eu já tinha experimentado,


e o calor do meu corpo subiu, enquanto eu o aceitava. Ele
também me assustou por que estava muito calmo.
— Eu vou preparar algo para você comer, enquanto
toma banho.

Eu esperava que ele me inundasse com perguntas.


Isso.... Isso me deixou desequilibrada.

Não havia literalmente nada neste mundo que


cheirasse melhor que ele. Era como se inalar o cheiro dele
envolvesse meus pulmões no conforto de casa. Eu odiava me
sentir assim, mas depois de todos esses anos concluí que
nada mudaria isso.

Eu amava Deck. Amava-o desde que eu tinha dezesseis


anos e não importa a merda que estava na minha cabeça, eu
sempre o amaria. Mas nossa chance havia sido destruída pelo
mundo de merda em que vivemos. E também, pelas escolhas
que eu tinha feito.

Antes que ele pudesse se afastar, segurei em sua mão.


A sensação áspera de sua pele despertou o meu desejo. Eu
precisava dessa conexão com ele. Senti-lo. Para saber que ele
era real, que isso era real. Porque minha vida não era nada e,
de repente, eu precisava que fosse.

— Por que você continua a me salvar, quando tudo que


eu faço é decepcioná-lo?

As sobrancelhas de Deck baixaram e ele tentou tirar a


mão da minha, mas eu apertei mais forte. Sua carranca se
intensificou.
—Georgie. Não. — Deixei-o tirar a mão da minha. —
Tome um banho. Tyler trouxe mais algumas coisas para você,
enquanto dormia. Elas estão no banheiro.

Senti cada palavra atingir meu coração. Era Deck


pisando no meu peito com sua bota de combate e vendo como
meu coração esmagava. Ele nem sequer queria tocar minha
mão. Sim, bem, o que eu esperava?

Ele caminhou até a porta.

Talvez fosse por isso que era mais fácil ser alguém
diferente de quem realmente era. Ele rejeitou aquela pessoa,
não meu verdadeiro eu. Mas agora, era como se meus dois
mundos colidissem e eu não tinha escapatória.

Ele parou na porta e, em seguida, sem se virar, disse:

— Acabaram as mentiras.

Respirei fundo e ele deve ter ouvido, porque os seus


ombros ficaram tensos. Mas ele não olhou para trás; em vez
disso, se afastou.

A água quente correu sobre minha pele como um lençol


de seda aquecida caindo aos meus pés. Debrucei-me contra a
parede de azulejos e fechei os olhos, repetindo suas palavras
em minha cabeça.

Dizer a verdade não era tão simples. Nunca seria e


ainda...

A porta do banheiro foi aberta.

Obriguei-me a permanecer quieta, enquanto Deck


entrava.

Engoli, em seguida lambi os lábios, enquanto meu


coração começava a bater forte. Ele encostou-se no balcão,
cruzou os braços, com sua cabeça estava ligeiramente
inclinada para baixo, como se ele estivesse olhando seus pés.
Nada normal para Deck; já que ele enfrentava tudo de cabeça
erguida, sem hesitação.

A água atingiu meus seios e meus mamilos


endureceram. A parte entre minhas pernas se agitou,
começou a formigar e eu sabia que se eu me tocasse, sentiria
a umidade escorregadia do que Deck fazia para mim, sem um
único toque.

Fiz a única coisa com a qual eu ficava confortável


quando uma situação me deixava inquieta - usei o meu
atrevimento.

— Você vai ficar aí ou vai se juntar a mim? — Fiquei


meio surpresa por que mesmo através da porta enevoada, vi
sua mandíbula se contrair.

— Você tem mentido para mim.


Congelei por um segundo, engoli, então, peguei o frasco
de xampu e fingi estar despreocupada, enquanto eu
esguichava o líquido com cheiro de coco na minha mão.

— Jesus, Deck, você realmente vai falar nisso,


enquanto estou no chuveiro, nua, com você em pé a dois
passos de distância?

Fechei os olhos e comecei a massagear minha cabeça.

A porta do chuveiro se abriu e de repente ele estava a


um pé de distância.

— O que diabos está acontecendo?

Agora, este era o Deck que eu conhecia, mas eu ainda


não estava preparada, especialmente nua, no chuveiro e com
sabonete em cima de mim. Talvez o atrevimento não tenha
sido uma boa ideia.

Não tinha certeza do que ele sabia, não sabia sobre que
mentiras ele estava se referindo. Havia tantas que eu já nem
sequer sabia que parte de mim era verdade e o que não era.
Mas revelar qualquer uma das verdades tinha consequências
das quais ele me avisou e eu sabia as regras, quando tudo
começou. Na época, eu nunca pensei que Deck fosse voltar.

Seu olhar percorria meu corpo nu, brilhando pela água


e eu sentia como se fosse às pontas dos seus dedos
estivessem me tocando. Fiquei arrepiada e meus joelhos
enfraqueceram. Nossos olhos se encontraram e eu reconheci
o desejo, nas profundezas do seu olhar.
Eu o queria tanto que era patético, e me odiava por
isso. Olhamos um para o outro por alguns segundos; o único
som era a água, salpicando na minha pele corada.

Ele entrou debaixo do chuveiro e bloqueou a água,


quando chegou mais perto, parando apenas quando suas
coxas vestidas de jeans roçaram as minhas. Olhei para seus
pés descalços e em seguida, voltei meus olhos para cima,
lentamente. Ele estava me observando. E foi preciso usar
cada parte da minha força para resistir.

— Deck...

— Não. — As mãos dele desceram sobre os meus


ombros e os dedos me apertaram. Estremeci sob a pressão. —
Quando você abrir a boca, eu quero que as palavras me
expliquem por que diabos você não está com os sintomas de
abstinência.

Merda. Eu fiquei tão assustada sobre a desintoxicação,


em seguida, o hospital e o sonho, que eu ainda não tinha
considerado a realidade, que Deck iria perceber que minha
bebedeira tinha sido uma mentira. Eu pensei que ele estava
se referindo aos cortes no meu corpo. Mas, depois de não
beber por mais de 30 horas.... Um alcoólatra teria os
sintomas de abstinência, tremores eram um deles.

Abri a boca para negar, para inventar alguma merda


que eu sabia que ele não ia acreditar, mas eu não tinha nada.
Eu não conseguia pensar em história que explicaria
remotamente a situação, exceto a verdade, e eu não poderia
dizer o que ele queria. O que eu queria.

Ele socou a parede de azulejos em cima da minha


cabeça. O olhar em seu rosto era um que eu nunca tinha
visto antes, devastado.

— Caramba. Fale comigo.

Oh, Deus. Eu queria desesperadamente contar-lhe


tudo. Estava morrendo por isso, infelizmente não podia fazer
nada. Não posso. Poderia matá-lo, e eu nunca ia querer isso.

A água escorria por seu rosto, suas roupas estavam


encharcadas, os lábios apertados e ainda assim, quando olhei
em seus olhos, o vi ferido. Ele foi ferido e isso era pior do que
o desapontamento e a raiva.

Eu não ligava para o que acontecia comigo. Estou


acima disso. O que me importava era a ameaça ao Deck,
porque era real. Ela foi realizada nos meus dezesseis anos, eu
sabia o que aconteceria se eu contasse a alguém. Então,
quando Deck voltou, todas as ameaças foram reiteradas,
especificamente, para Deck. E ele era a única pessoa neste
mundo, que eu conhecia, que era capaz de matar Deck.

— Não me pergunte. Por Favor.

— Cristo. — Ele se empurrou para fora da parede e se


virou para sair. Estendi a mão para ele; eu não sabia o
porquê. Deveria deixá-lo ir embora, mas eu precisava dele. Eu
sempre precisei e agora mais do que nunca, porque eu estava
desmoronando. Não era justo o que eu estava fazendo com
ele, mas descobri, muito jovem, que a vida não era justa e
você tem que aguentar e fazer o que precisa para manter
aqueles que você ama seguros.

No segundo em que a minha mão enrolou em torno de


seu braço, ele virou-se violentamente. Pensei que ele ia me
afastar dele, mas em vez disso, empurrou-me contra a
parede, em seguida, pressionou seu corpo duro contra o meu.
Suas mãos bloquearam meus pulsos em ambos os lados da
minha cabeça, sobre os azulejos.

Ele gemeu pouco antes de sua boca esmagar a minha.

Foi uma invasão. Foi ele querendo me machucar. Era


Deck tomando-me e submetendo-me. Dor e Desejo. Ele
estava sendo alimentado, depois de passar fome por anos.
Minha sede por ele era extremamente forte e incapaz de ser
extinta. Senti as lágrimas nos meus olhos, enquanto ele
continuava a me beijar, conduzindo a língua em minha boca.
Sem perdão. Sem piedade.

Nada me preparou para esse beijo, para a maneira


como ele me fez sua, tomando de mim cada grama e dando-a
a si mesmo. Cedi a ele, com minha boca ferida e dolorida por
sua agressão.

Era o que eu queria. O que eu esperava de Deck. E


sim, eu merecia que fosse doloroso. Eu queria que fosse
doloroso, porque isso o tornaria real.
Ele abruptamente liberou meus lábios, mas seu peito
permaneceu contra o meu, enquanto respirávamos com
dificuldade. Apertando meu pulso. Respirei e olhei para ele,
minha visão estava turva, pelas lágrimas e pela água, que
continuava a bater em nós. Fechei os olhos, incapaz de
encará-lo sabendo que eu iria perder o único homem que eu
não sobreviveria sem, se não lhe contasse a verdade. Mas se
eu não falasse... eu ia perdê-lo de qualquer maneira.

— Olhe. Para. Mim.

Levei algum tempo para abrir os olhos e quando fiz,


mais lágrimas escaparam, deslizando pelo meu rosto. Foi
então que vi seus ombros caírem e foi como se algo se
partisse, nele. Eu não sei como eu sabia, mas Deck... Eu
conhecia Deck, e vi a maneira como a tensão em torno de sua
boca aliviou. Como suas mãos aliviaram seu aperto sobre
meus pulsos. Como seus olhos se suavizaram de um marrom
escuro para um chocolate quente.

— Baby, eu não posso ajudá-la, sem saber o que está


acontecendo.

Foi a gota d’agua. Um soluço escapou e abaixei minha


cabeça. Eu nunca esperei pelo seu toque quando ele se
moveu e me abraçou. O conforto que ele me deu, liberou os
gritos. Seus braços eram quentes e protetores quando ele me
envolveu em seu casulo de proteção. Tornou-se uma
libertação de tudo.
Foi como quando fui para o galpão e deixei todas as
emoções partirem, exceto... não houve corte. Não houve
memórias. Apenas Deck. Eu me senti segura com ele, sempre
estive. Não importa o que me assombrava, que mentiras eu
vivia, Deck era a minha realidade.

O peso no meu peito começou a aliviar, enquanto ele


me segurava e chorava. Não era por mim. Era por ele e pelo
que estava fazendo com ele. Eu tinha que protegê-lo. Este
homem que roubou meu coração em uma idade tão jovem.
Mas não sabia como. Eu estava com mais medo do que
imaginava e isso... me apavorava.

Não houve palavras, enquanto ele me segurou contra o


peito por um longo tempo, sua mão acariciando meu cabelo,
a água batendo em suas costas e encharcando a sua camisa.

— Eu não posso te perder. — Murmurei contra ele.

Seus braços me apertaram e ele manteve a mão na


parte de trás da minha cabeça, para me impedir de olhar
para ele. Ele não disse nada, e isso me assustou, porque
Deck nunca mentiria. Ele era sua palavra. Ele era o tipo de
pessoa que iria dizer a uma garota que ela parecia uma
merda se achasse que ela parecia.

E eu era uma mentira completa.

Novas lágrimas derramaram, independentemente da


água. Ele se afastou e eu observei seu rosto, antes que ele se
virasse. Assombrado. Arrasado. Deus, havia medo em seus
olhos? Então sua máscara de aço esta sendo refeita, ele se
tornou o Deck eu estava tão familiarizada. Ele estava se
fechando.

Éramos muito parecidos. Eu me escondia atrás de uma


falsa pessoa e, ele bloqueava a sua dentro dele.

Fiquei no chuveiro por alguns minutos, depois que ele


saiu, a água agora estava fria, mas eu não sentia nada. Nada,
exceto a boca de Deck, ainda formigando na minha.

Deck

Tirei minhas roupas molhadas, joguei-as ao lado da


cama, então caminhei até o meu armário, peguei uma
camiseta limpa e um jeans. Ouvi a água desligar e a torneira
da pia ser aberta.

Sentei-me na beira da cama e inclinei a cabeça,


colocando-a em minhas mãos. Porra. Eu a beijei. Eu a tinha
afastado por dez malditos anos. Dez anos. No entanto,
quando tudo saiu dos trilhos... a beijei.

Jesus, tudo estava um caos e eu odiava o caos. Eu


grunhi a palavra caos. Má escolha de palavras. Foda-se
Connor. Estava me matando para não ir atrás dele. Ele
estava vivo em algum lugar e ainda assim, não queria ser
encontrado. Bem, ele estava realizando seu desejo. Eu tive
que lidar com Georgie, então, talvez, se eu pudesse encontrar
uma maneira de mantê-la a salvo das ameaças de Connor, eu
poderia ir atrás dele. Talvez eu mesmo pedisse a Kai para
ajudar. Ele conhecia a escória do mundo e podia ser um
trunfo.

Minha cabeça fervia.

Assisti Georgie dormir o dia todo. Sem tremores. Ela


tinha mãos firmes quando acordou. Nenhum sintoma de
abstinência. Eu tinha esperado muito por isso. Eu tinha
chamado o médico, que usava para meus homens, só para ter
certeza, porque eu não podia acreditar no que eu estava
vendo. Ela estava deitada pacificamente durante todo o
maldito dia.

Georgie deveria estar como uma máquina de lavar, no


ciclo de centrifugação, por não ter uma bebida há algum
tempo. Não houve oportunidade para ela conseguir alguma, o
que significava...

O alívio que ela não era uma alcoólatra foi esmagador.


Mas então... então a realidade esmagadora do que isso
significava explodiu. A confusão a respeito do por que ela se
fazia passar por alcoólatra não passava. Mágoa. Sim, porra,
doeu para caralho que ela estivesse agindo como uma. As
garrafas em sua bolsa. As festas constantes, as palavras
arrastadas e os tropeços.

Que diabos estava acontecendo? Eu não tinha a


intenção de falar com ela nua, no chuveiro. Não tinha a
intenção de abrir a porta do chuveiro. Merda, eu não tinha a
intenção de um monte de coisas com ela.

Eu queria estrangulá-la e gritar e forçá-la a me dizer


tudo. Eu tinha ido até o banheiro para fazer exatamente isso,
mas então abri a porta do chuveiro e a vi. Ela parecia tão...
vulnerável e frágil. Eu a odiava por toda a besteira que ela
tinha me contado. Mas o instinto de proteção em segurá-la e
tirar a dor que vi rodando nas profundezas de seus olhos...

Falhei. Falhei malditamente.

Beijei-a e derrubei a última parede que havia


construído durante anos.

Meu pau nunca tinha estado tão duro, e ainda assim


eu não estava nem pensando em sexo. Estava pensando
sobre ela, a menina, a mulher, a garota atrevida e sabichona.
Eu queria tirar a dor que ela sentia com meus beijos. Levá-la
para a minha cama e segurá-la, até que ela adormecesse nos
meus braços. E depois, acordar com seu bagunçado cabelo
com mechas azuis e seus comentários espertinhos. Então, eu
queria a garota que eu tinha perdido há muito tempo. Eu
sabia que ela ainda fazia parte da Georgie. A menina doce e
inocente que tentava agradar a todos, que não estava
destruída e cheia de tanta raiva e dor e, tentando entorpecer-
se com todas essas besteiras.

Jesus. Se eu tivesse conduzido ela a isso? Por que ela


fingia ser algo que não era? Eu a desejava há tanto tempo.
Ela era quase uma obsessão. Eu sabia disso, e meus homens,
desgraçadamente, sabiam disso.

A razão pela qual eu nunca poderia tê-la estava tão


desgastada que eu já duvidava se o motivo ainda era real. No
início, tentei fazer o que era certo e manter a minha palavra
com Connor, mas agora... agora, a certeza estava
desaparecendo. Ele estava vivo. Não havia mais certeza.
Exceto, que direito eu tinha de arrastá-la para o meu mundo
de merda?

A porta rangeu e levantei minha cabeça. Georgie estava


de pé, vestindo calças cinza, largas e uma camisa solta, rosa
claro e de gola V. Vi sua transformação. Ela se recompôs e
vinha agora, no modo toda atrevida, mas eu a abalaria
novamente. Eu precisava da verdade e, se não conseguisse
isso, então sabia que minha outra opção era afastar-me.

— Sério, Deck? — Ela apontou para suas roupas.

Senti um sorriso aparecer em meus lábios. Toda essa


merda acontecendo e ela ainda conseguia me fazer sorrir.

— Isso é tudo que você tem? — Havia sempre um


propósito para o que eu fazia pedir que Tyler trouxesse um
saco de calças folgadas e camisetas largas foi muito bom.
Mas realmente não funcionou; ela ainda estava muito
gostosa.

Observei-a por um instante. Ela ignorava o que era


realmente importante. Ela pensava se resolvia o problema ou
o deixava para lá. Georgie era boa em pressionar, mas ela era
muito inteligente e sabia quando fechar a boca, também.

— Eu me sinto como um sorvete.

E ela decidiu deixar o assunto morrer, provavelmente


com medo que eu fosse começar a questioná-la, novamente.

E eu ia. Só não iria fazer isso agora.

Ela inclinou seu quadril e colocou a mão sobre ele.


Calças como aquelas não deviam fazer nada para seu corpo e
ainda...

— De morango. Você tem algum? Eu estava pensando


em colocá-lo em todo o meu corpo e fazer você lamber. — E lá
estava o toque de atrevimento onde ela se escondia.

Olhei para ela por alguns segundos, enquanto meu pau


inchava, apenas pensando nessa imagem. Ela deitada de
costas, com as mãos acima da cabeça e se contorcendo
embaixo de mim, enquanto eu cobria seu corpo com sorvete,
centímetro por centímetro, eu lamberia até que faltasse
apenas um lugar - entre suas coxas. Ela estaria arqueando-
se para mim, implorando para dar-lhe o que queria, eu iria
negar, até que ela se submetesse a mim, completamente.

Submissão completa e absoluta de Georgie.

Sim, eu ia conseguir isso dela.

Eu vivia por instinto. Ele me encaminhou, me protegeu


e ia ser meu ponto de ruptura. Porque com Georgie ali,
sóbria, bonita e.... Jesus, ela parecia inocente, doce, atrevida
e teimosa.

— Ou nós podemos substituir por seu pau. Minha


boca...

— Pare. — Eu precisava que ela parasse antes que eu a


jogasse na cama e a pegasse.

Tentar encobrir sua vulnerabilidade não ia dar mais


certo Eu era um especialista em conseguir a verdade das
pessoas. Eu conhecia as táticas e ia usá-las contra ela. Eu ia
deixá-la provocar. Sentir-se inquieta. Incerta e, quando
chegasse o momento certo, eu ia atacar. E eu ia gostar de dar
o bote, seria certeiro.

— Está no congelador.
Capítulo 9

Georgie

Ele tinha meu sorvete de morango? Deck não comia


sorvete, mas ele tinha o meu favorito no seu congelador.
Duas possibilidades me vieram à mente: ou Deck comprou-o
por saber que eu amava sorvete de morango ou ele era um
ávido comedor de sorvete de morango.

Abri o congelador e lá estava ele. Foi como abrir um


presente na manhã de Natal, por duas razões. Uma delas,
porque era o meu favorito e a segunda, porque Deck tinha o
meu favorito no seu congelador. Encontrei uma colher de
sorvete na segunda gaveta e coloquei-a em cima do balcão,
quando Deck entrou na cozinha. Ele estava vestindo calça
jeans, baixas na cintura e uma camiseta preta, lisa, que
mostrava todos seus músculos e acentuava suas tatuagens.
Ele chegou perto... Muito perto de mim, então foi até o
armário e tirou uma tigela. Ouvi a dispersão dos utensílios e
o bater da gaveta sendo fechada.

A colher soou no fundo da tigela enquanto ele colocou-


a na minha frente.
— Você tem meu sorvete favorito. — Foi uma
declaração, mais para mim do que para ele. Uma revelação
que Deck conhecia este pequeno detalhe sobre mim.

Ele pegou o recipiente, tirou a tampa, rasgou o plástico


em seguida, pegou a colher e começou a colocar sorvete de
baunilha e morango na taça. Ele empurrou a taça em minha
direção.

— Vou fazer massa. Coma seu sorvete.

Olhei para ele, em seguida, para o sorvete, por alguns


segundos, em seguida, deslizei para o outro lado do balcão e
sentei-me num banquinho de bar.

Mantive minha cabeça baixa enquanto comia, não


tendo certeza por que isso me atingia tanto. Qual era o
problema? Deck me conhecia há anos, então deveria saber.
Não era uma grande coisa. Mas, era um grande negócio para
mim. Porque não apenas sabia, mas fez questão de ficar aqui
comigo, depois de tanta merda acontecer. Ele sabia que era
meu conforto e eu precisava disso, porque o que estava
fazendo... Deck se manteve perto... sem me confrontar...
tentando me desequilibrar... e estava dando resultado.

Havia somente o som dos pés descalços de Deck, entre


os ladrilhos de cerâmica, enquanto ele se movia pela cozinha,
completamente à vontade, enquanto eu entrava em pânico,
em silêncio. Ele me disse que eu nunca poderia ser Chaos,
quando estivesse com Deck. Pois se isso acontecesse eu seria
a garota que se apaixonou por ele. A mulher que ainda o
amava e que um dia isso seria minha destruição. É claro que
ele ia dizer isso. O cara era reservado, desconfiado e sua
moral era questionável, mas não houve uma única vez que ele
tivesse me prejudicado. Mesmo os cortes que ele me fazia,
uma vez por ano, tinha sido algo que ele se recusou a fazer
em primeiro lugar. Isso até que ele descobriu que Tanner
tinha me feito os cortes, na primeira vez, depois de Robbie e
haviam sido muito ruins. Depois disso, a cada ano ele me
encontrou, no mesmo dia.

A voz de Deck cortou os meus pensamentos.

— Você chegou em casa da escola, um dia, vestido


manchado com o que parecia ketchup e tinha umas batatas
fritas no cabelo. — A minha colher tilintou na tigela e olhei
para ele, mas ele não estava olhando para mim; estava
cortando os cogumelos e pimentão numa placa de corte, de
costas para mim. —As molas do seu cabelo tinham se
desfeito, pelo vento e parecia estar cheio de nós.

Eu costumava ser provocada, por ser perfeita o tempo


todo. Roupas sempre limpas e arrumadas, cabelo sempre
preso. Eu era a preferida dos professores, a menina que
ficava quieta na sala de aula e sempre tirava “A”. Mas, muitas
vezes, eu chegava em casa chorando, porque os valentões
tinham feito alguma coisa para mim.

Lembrei-me do dia que Deck estava falando. Um grupo


de meninos da minha turma esperou que eu saísse pela porta
lateral da escola. Eu sempre usei a porta lateral para evitá-
los, mas eles descobriram. Assim que a porta se abriu e eu vi,
todos de pé e me olhando com grandes sorrisos em seus
rostos, eu sabia. Era tarde demais, no entanto. Um balde
caiu em cima de mim, de uma janela. Era o lixo da cafeteria e
eu fiquei coberta pelos restos do almoço de toda a escola.
Comecei a chorar, com o riso soando em meus ouvidos,
enquanto eles gritavam 'Georgie porca'. Este se tornou meu
novo apelido durante o resto do ano. O pior foi que algumas
pessoas pensaram que esse apelido era também por outra
razão e por isso eu era considerada uma prostituta, também.

Quando eu cheguei em casa, fiquei do lado de fora,


durante vários minutos, secando os olhos e limpando-me, ou
pelo menos tentando me limpar. Estava grata que pelo menos
não teve qualquer tipo de molho na hora do almoço naquele
dia. Entrei em casa, vi Deck sentado no sofá, jogando um
jogo de tiro com Connor e eu quase corri para fora. Eu não
queria que ele visse meu rosto manchado e olhos
avermelhados.

— Eu sabia que você estava chorando no segundo que


você entrou pela porta. Eu também sabia que você estava
tentando esconder isso. — Deck jogou os legumes na
frigideira e eles chiaram sob o calor.

—Eu não quero falar sobre isso.


— Connor viu isso, também. — Sim, mas tinha sido
Deck que o tinha tocado no ombro e chamado sua atenção
para longe do jogo de vídeo game, para que ele olhasse para
mim. Demorou dois segundos para que Connor me
alcançasse. Ele me deu um abraço e em silêncio me
perguntou o que estava errado. Eu lhe disse que tropecei e
cai com minha bandeja de almoço.

Eu sabia que ele não acreditou em mim, mas ele viu


meus olhos suplicantes e deixou passar. Meu irmão era bom
em me ler e sabia que se insistisse, eu desabaria chorando e
eu odiava isso.

Deck não fez o mesmo. Não, ele levantou-se do sofá e


caminhou em minha direção, como se ele fosse um leão
avaliando sua presa. Quando ele parou na minha frente,
olhou para o meu vestido, pegou as batatas fritas do meu
cabelo e me olhou nos olhos.

Eu acho que me apaixonei por ele logo em seguida. Na


verdade, eu sei que sim. Foi à maneira que o calor de seus
olhos me pegou, era como se ele estivesse me enrolando em
seu escudo protetor e nada pudesse chegar até mim.

— Você pegou uma tigela de sorvete de morango.

Ele assentiu com a cabeça.

— E você sentou com as pernas cruzadas na cadeira na


mesa da cozinha, tentando se esconder atrás do seu cabelo.
Você tinha uma mancha de algo em seu rosto, logo acima da
bochecha.
— Eu fiquei mortificada mais tarde, quando fui ao
banheiro e vi a bagunça que estava... bem, uma bagunça
para meus padrões, mas a merda não tinha feito muito dano
a não ser ao meu bem-estar emocional. A pior parte foi Deck
me ver daquele jeito. — Você comeu o sorvete tão rápido que
eu juro que você deve ter sentido seu cérebro congelar um
milhão de vezes.

Eu fiz. Mas eu queria tomar o sorvete tão rápido


quanto podia e fugir das perguntas de Deck. Mesmo no outro
cômodo, o vi falando baixinho com Connor, mas seus olhos
nunca me deixaram.

— O que você estava dizendo a ele? — Eu sempre quis


saber.

— Que aquilo, de jeito nenhum aconteceu porque você


tropeçou, e se ele não chutasse o traseiro de quem fez
bullying com você, eu o faria.

Mas eu nunca disse a Connor quem foi o responsável,


apesar dele ter me atormentando com aquilo. Uma semana
depois, eles embarcaram para o exterior.

E eu nunca vi Connor novamente.

— Você tinha dezesseis anos, —, disse o Deck. — E eu


não deveria ter querido você, mas porra... — Puxei o meu
olhar para ele. Ele me queria? A menina quieta, espigada, que
tinha medo de sua própria sombra? — Connor viu isto,
também. Havia apenas algo sobre você... tão teimosa...
determinada a ser forte. Porra, no entanto, vulnerável e,
gata... assim, muito bonita.

Ele pensou que eu era linda.

— Eu não era teimosa ou determinada.

— Sim, baby. Você era.

Fiquei rígida.

— Eu não era. Eu era uma covarde. Fui torturada por


meses e nunca fiz nada a respeito.

— Você era.

— Eu não era, droga.

— Olha bem o que você está fazendo agora. Está


discutindo? — Ele olhou para mim por cima do ombro, com o
braço tatuado flexionado e tenso, enquanto segurava a
frigideira.

— Sim. — Eu estava me sentindo trêmula e insegura...


não, era muito mais do que isso. Eu estava totalmente fodida,
porque Deck tinha me desejado, naquela época. — Você
nunca me viu como uma irmã mais nova?

Deck bufou.

— Porra, não. Jesus. Eu acabei de beijar você.

— Eu sei, mas naquela época...

— Não. Nunca. Agora, vá pôr a mesa.


Olhei para as costas dele, os músculos do ombro
flexionando, enquanto mexia os legumes, a tinta em seu
braço, capturando os raios do sol através das grandes janelas
em cima da pia. Eu conhecia cada uma das tatuagens. Ao
longo dos anos, ele estendeu o desenho tribal do cotovelo até
o lado de seu pescoço. Senti um calor subir em minhas
bochechas, enquanto pensava sobre meus dedos deslizando
sobre os contornos de seus braços, traçando cada linha e
então beijando o lado de seu pescoço onde...

— Georgie.

Tirei meu olhar do seu pescoço, até seus olhos. Merda,


seus olhos se estreitaram e os lábios apertaram e Jesus, era
como se seus olhos estivessem em chamas. Meu coração
acelerou e meu peito subia a cada respiração irregular.

Ele estava me olhando como se fosse me devorar e, me


excitou tanto, que a umidade entre minhas pernas aumentou
e arrepios tornaram-se tremores por minha pele.

— Mesa. — Era uma palavra abrupta e ainda vibrava


através de mim, como se ele tivesse acabado de me fazer
gozar, com o toque de seu dedo.

Engoli em seco. Então, estava com minhas pernas


tremendo e tentei me recompor, porque não obedecer a Deck,
era perigoso.

— Sim, senhor. — Acenei e pisquei para ele, tentando o


meu melhor para esconder tudo o que eu estava sentindo
com o meu atrevimento habitual. Ele fez uma careta e se
voltou para o fogão.

Pus a mesa, enquanto Deck terminava de cozinhar.


Quando terminei, o assisti do outro lado, o que não me
ajudou de qualquer maneira, quando a imagem dele nu
vestindo um avental branco veio à minha mente. Então ele se
virou, me pegou olhando e senti um calor no meu rosto.
Merda, ele estava me deixando fora de equilíbrio com tudo
que estava fazendo.

Ele foi em minha direção, com uma tigela de macarrão


quente e olhos fixos em mim.

Lambi meus lábios secos e seu olhar seguiu a ação da


minha língua, enquanto ele colocou o prato sobre a mesa. Eu
sabia que não poderia estar errada, Deck me queria, naquele
momento.

— Mmm, parece delicioso. — Debrucei-me sobre a


mesa para olhar o macarrão. — Eu não sabia que você podia
cozinhar, Docinho.

Os olhos de Deck passaram nos meus seios que,


apesar da camiseta grande demais, ficaram acentuados, pela
maneira que debrucei sobre a mesa e porque eu estava
excitada. Eu sabia que meus mamilos estavam visíveis,
porque eu não tinha colocado sutiã.

Ele colocou uma grande quantidade de massa no meu


prato, muito mais do que eu poderia comer.
— Porque você não me conhece. Assim como eu,
obviamente, não a conheço.

Porra. Eu tinha que afastar esta conversa. Sentei-me


na minha cadeira, cruzando os braços.

— E de quem é a culpa? Você nunca me disse nada


sobre si mesmo. — Eu tinha parado de perguntar sobre sua
família há muito tempo.

— Não há nada a dizer.

— Eu sei que tipo de pessoa você é. Isso é tudo o que


realmente importa, de qualquer maneira.

Deck suspirou e balançou a cabeça, enquanto enchia o


seu prato.

Eu disse baixinho:

— Eu sei quem você é, Deck. Eu sei que você gosta de


controle. Que você não consegue ficar numa situação onde
você não tem isso. Eu sei que você organiza suas camisas no
armário por cor. Tudo tem que estar em ordem. Sei que você
tem uma empregada que vem limpar o seu apartamento uma
vez por semana, que ela está aqui ilegalmente e você paga a
mais para que ela possa cuidar da família. — Esse pequeno
detalhe eu tive que vasculhar porque Deck manteve esse fato
bem escondido. Ela sequer tem um horário fixo, para
aparecer — completamente imprevisível.
Deck pegou o garfo e a colher e começou a girar a
massa, como se não estivesse ouvindo uma única palavra que
eu estava dizendo.

— Saber como mantenho minhas roupas e como pago


minha empregada não é me conhecer.

— Você me protege porque não aceita quebrar a


promessa que fez ao meu irmão. Você sempre diz a verdade,
seus homens são como sua família e você daria sua vida por
eles.

O som estridente do garfo bateu em seu prato quando


ele o deixou cair.

— Se você quiser seguir esse caminho, podemos. Eu


estava lhe dando tempo para se recompor, mas podemos
fazer isso agora.

Abaixei minha cabeça e comecei a comer minha massa.


Ele não estava me dando tempo. Ele tinha um método para
obter suas respostas. Merda, ele torturou homens por
respostas ou observou como Vic fazia e pelo que eu ouvi, ele
nunca falhou.

— Isso é o que eu pensava.

Olhei para cima a partir do canto do meu olho e o vi


pegar o garfo, girá-lo na massa, em seguida, soltá-lo
novamente e empurrar o prato. Ele levantou-se de forma tão
abrupta que sua cadeira caiu, e então ele foi até a porta de
vidro, abriu-a e saiu para o terraço.
Meu corpo queria ir atrás dele, para acalmar a raiva
pulsando por todos os poros em seu corpo, mas eu conhecia
Deck. Eu o conhecia bem o suficiente para saber se o
empurrasse quando ele estava assim, eu teria o efeito
contrário.

Sentei-me e esperei ele voltar, mas ele desapareceu no


terraço, onde eu não podia vê-lo através das janelas.
Empurrei meu prato, morrendo de fome, mas incapaz de
comer mais nada.

Finalmente limpei a mesa, quando percebi que Deck


não tinha intenção de voltar e comer comigo. Limpei a
cozinha, apreciando a tarefa tediosa, desde que eu estava em
silêncio e em pânico. Deus, eu queria tanto contar tudo, que
me fazia mal. Eu estava presa e de alguma forma, eu sabia
que esse dia chegaria, eu só pensei... Merda, eu não pensei.
Eu me escondi. Deck partido durante dois anos. Eu nunca
pensei que ele iria voltar e aí, já era tarde demais.

Eu estava inclinada sobre a pia, esfregando a frigideira


quando o senti atrás de mim. Então suas mãos repousaram
sobre meus quadris e eu fechei meus olhos, imaginando
como seria ele se afundado em mim. Meu coração batia forte
e eu estava toda arrepiada.

Senti sua respiração em meu pescoço enquanto ele


falava:

— Ele me pediu para protegê-la e....


Eu sabia exatamente de quem ele estava falando - meu
irmão.

— Eu terminei meus dois anos com JTF2, depois que


ele morreu. As missões... elas me ajudaram com o luto. Elas
aliviaram a raiva, que ameaçava me enlouquecer. Saí assim
que me deixaram.

Ele se inclinou para mais perto, suas coxas estavam


entre as minhas.

— Connor também me fez prometer que nunca te


tocaria. Suas palavras exatas foram, fique com as suas mãos
longe da minha irmã mais nova. Não pode namorá-la, beijá-la
e com toda a certeza, não pode transar com ela'.

Minha respiração falhou e deixei cair a frigideira na


pia, a água ainda escorria.

— Ele sabia que eu sentia algo por você. — Oh, Deus,


lágrimas encheram meus olhos. — Connor queria um cara
para você que não tivesse uma alta probabilidade de morrer.
E eu mato para viver. Eu não tenho uma família. E
provavelmente irei morrer em uma dessas missões.

Uma lágrima caiu.

— Deck. — Minha voz tremeu. — Eu prefiro ter você


por um dia a nunca o ter.

Ele me virou.

— Ele está certo, Georgie. Eu não sou o que você


precisa.
— Você não sabe o que eu preciso, droga. — Eu não
tinha a intenção de gritar, mas eu estava chegando ao meu
limite, sem caminho de volta. Eu era a única que tinha sido
má para Deck e eu ia machucá-lo se ele soubesse a verdade.
Minha vida inteira foi uma mentira. Exceto meu amor por ele.
Isso nunca foi uma mentira.

Ele agarrou meus braços antes que eu pudesse colocar


minhas mãos em seu peito. E fez uma careta quando ele
olhou para mim.

—Connor queria o melhor para você. Eu quero o


melhor para você.

Olhei em seus olhos escuros atormentados e disse


baixinho:

— Você é o meu melhor, Deck. — Antes que ele


pudesse responder, passei por baixo de seu braço e eu fui
embora.

E ele deixou.
Capítulo 10

Georgie

Adormeci na espreguiçadeira no terraço, com vista para


a piscina, mas quando acordei de manhã, estava na cama de
Deck, com as costas contra seu peito. Sua mão estava sob
minha camisa e seus dedos, suavemente, acariciavam meu
abdômen. Notei também que eu não estava com as calças
largas, apenas a calcinha, o que significa que ele a deve ter
tirado, em algum momento. Senti o peso de sua coxa quente
e dura por cima da minha e seus lábios se aninharam na
curva do meu pescoço.

Eu nunca me senti tão completa como naquele


momento. Era assim que devia ser. Dez anos sem nunca ter
isso por que... porque cada um de nós viveu pela nossa
palavra. Ele para o meu irmão. E eu por.... ele. Mas manter
minha palavra era diferente de Deck, eu era obrigada a ficar
calada.

E agora... eu tinha que lhe dizer algo. Deck não


aceitaria algo diferente, e Deus, eu queria dizer-lhe tudo,
mas... Eu não podia perdê-lo. Mas como não poderia? Ele
descobriria isso de qualquer maneira e então... eu não quero
pensar em Deck ser morto, especialmente por minha causa.

Ele já sabia que eu não era uma alcoólatra, mas o


resto... Deck era imprevisível e eu não tinha ideia de como ele
iria reagir. Aterrorizava-me pensar que eu nunca ficaria com
ele desse jeito de novo. Que esse momento fosse perdido para
as mentiras. Que ele ia sair, mas acima de tudo, que ele
ficaria magoado. E eu fui a única que fiz isso com ele. Seria
culpa minha.

Seu braço apertou em volta da minha cintura.

— Se seu coração bater mais rápido, vou te levar para o


hospital.

Claro que iria. Eu poderia fingir para qualquer um,


exceto para Deck. Daí a ideia de beber ser um grande álibi.
Se eu estivesse bêbada ou fingindo estar bêbada, então
aliviava um pouco a pressão, de Deck descobrir o que eu
realmente estava fazendo.

Tudo tinha mudado. Eu não tinha nada para me


agarrar, para me defender do desespero inevitável que estava
por vir.

— Preciso de respostas, querida. — Ele sussurrou, sua


voz rouca, de manhã, vibrava contra o meu pescoço.
Eu estava certa que isso era algum tipo de tática. Ter-
me em sua cama, em seus braços, toda grogue e me
aconchegando nele. Merda, era uma boa tática.

— Sim. Eu... eu não quero que você se machuque. —


Em mais de um sentido. Emocionalmente por causa das
mentiras e fisicamente, porque ele deixou as regras muito
claras.

— Sou bastante forte.

Eu dei uma meia-risada e ele apertou seu poder sobre


mim. Quem teria pensado que Deck poderia ser doce, ele
beijou o topo da minha cabeça, em seguida, delicadamente
acariciou meu abdômen, enquanto sua outra mão,
lentamente, acariciava meus cabelos. Calma. Serenidade. Não
era nada que eu já tive em minha vida.

— Não o suficiente para isso. — Pelo menos não


pensava assim.

— Georgie, você precisa começar a falar. Você sabe


disso. Não podemos ficar nessa merda por mais tempo. Eu sei
que é grande, e sei que não vou gostar, mas vamos lidar com
isso e seguir em frente.

— Eu não suportaria se alguma coisa acontecesse com


você. — Se ele morresse por minha causa, eu nunca iria a
sobreviver isso.

— Se você não me disser, eu vou descobrir. E então


será pior.
Ele estava certo. Eu sabia disso e ainda assim, eu nem
sabia por onde começar. Talvez, se eu lhe contasse apenas
algumas delas? Iria satisfazê-lo e ainda manteria a verdade
oculta, o que iria proteger Deck contra ele.

— O que aconteceu depois de Connor morreu? Depois


que eu saí?

Fiquei rígida e me virei um pouco, para que eu pudesse


olhar para ele.

— Como você sabe?

Ele suspirou e beijou minha testa.

— Eu não sei. Mas tenho a sensação que tudo começou


quando ele morreu. Quando voltei, você estava diferente.
Mais fria. A inocência tinha desaparecido. Estava mais dura e
atrevida para caralho. Muito atrevida. Eu percebi que você
estava tentando se libertar da perfeição, a qual vivia antes,
mas você girou cento e oitenta graus na direção oposta.

Balancei a cabeça. Sim, isso foi porque eu tinha sido


destruída e tinha que conviver com os pedaços de mim.

Sua mão acariciou meu abdômen, de forma lenta e


constante e, sua respiração sussurrou em meu ouvido.

— Deixe-me entrar, querida.

Entrelaçamos as mãos. Se eu contasse sobre Robbie,


talvez deixasse o outro quieto e fora disso e, eu ainda o
manteria seguro.
— Eu estava numa bagunça depois que Connor
morreu. Sei que você sabe disso. Eu não me importava com
mais nada. Meus pais queriam que a vida voltasse à rotina o
mais breve possível, mas a realidade foi totalmente diferente.
Minha mãe chorava o tempo todo. Eu raramente falava e
quando fazia, era... Bem, sarcástica e má. — Engoli em seco e
respirei fundo. Deck continuou a acariciar meu abdômen,
suave e rítmico. — Ele estava no último ano, na minha
escola. — A mão dele parou de se mexer e eu podia sentir seu
coração bater mais rápido e, em seguida, acelerar ainda mais.
— Eu não sei por que ele me escolheu..., mas ele o fez. Talvez
eu parecesse vulnerável. Uma presa fácil. — Parei por alguns
segundos, odiando que eu tivesse que dar a Deck esta parte
de mim que era fraca e patética.

— O que ele fez para você, Georgie? — Suas palavras


eram grosseiras, como se ele tivesse dificuldade em dizê-las.

Eu contei-lhe sobre Robbie, as palavras saíram como se


eu estivesse lendo-as de um livro. Era a única maneira que
eu poderia falar. Senti a tensão nele, a quietude. Ele
continuou a me acalmar, mas eu não precisava disso. Eu
sabia, sem olhar para ele, que cada palavra que falei o deixou
com mais raiva do que eu já o tinha visto, ou imaginado.

— Quando ele parou? — Sua voz estava tensa.

— Ele foi preso por vender drogas na escola. Nunca


mais o vi. — Quando a polícia chegou à escola, com as luzes
piscando do lado de fora da janela, eu sabia. Eu sabia que
Robbie estaria sendo preso e, dez minutos depois, o vi
algemado e sendo levado para o carro. Eu sabia quem tinha
chamado à polícia e eu sabia que Robbie teria drogas pesadas
em seu armário, como prova, porque eu as tinha colocado lá.
Era o suficiente para ele ser considerado um traficante.

O carro da polícia foi embora e foi como se a porta de


uma armadilha tivesse sido aberta e eu estivesse em
liberdade. Coloquei a cabeça na minha mesa e chorei com
tanta força que o professor acabou me levando para a
enfermaria e chamou meus pais. Minha mãe veio buscar,
mas eu disse a ela que estava chorando por causa das
minhas dores menstruais. Ela acreditou em mim, e por que
não o faria? Eu sempre fui sua pequena princesa.

Depois daquele dia, eu pude respirar novamente.


Durante meses, ainda fiquei com medo. Aterrorizada de
medo, em falar com alguém, em correr, ou não correr. Para
fazer qualquer coisa, exceto sofrer. Eu nunca correria o risco
de alguém que eu amasse morresse, nunca.

— Seus pais sabem?

Balancei minha cabeça.

— Não. Eu nunca disse a eles.

Ele tinha sido o único a chamar a polícia. Ele também


foi o único que me deu a droga para colocar no armário de
Robbie. Ele me disse que ir atrás de Robbie pelo que fez
significava fazer justiça para mim e outras meninas. Ir aos
tribunais seria uma batalha longa, arrastada e eu teria que
dizer a todos o que aconteceu comigo. Além disso, havia
sempre a possibilidade de não terem provas o suficiente e ele
seria libertado. Então, Robbie foi para a cadeia, por tráfico de
drogas e eu estava finalmente livre dele. Isso era tudo o que
me interessava naquele momento.

— Por quê? Por que você não disse a eles? Jesus, você
poderia ter chamado minha unidade. Alguém teria me
contatado. — Ele virou de costas, levando-me junto, para que
ficasse por cima dele. Seu braço ainda estava por perto,
impedindo qualquer fuga.

— Ele ameaçou minha mãe, disse que iria cortar sua


garganta se eu contasse a alguém. Eu tinha dezesseis anos,
Deck... eu acreditei nele. Isso começou apenas uma semana
depois que Connor morreu e eu estava vulnerável, deprimida
e, eu me sentia... sozinha. — Meu rosto repousava sobre a
tatuagem tribal desenhada em seu peito. — E com medo. —
Deck me apertou.

— Eu o teria matado. — Esse era o problema. Eu sabia


disso. Mesmo aos dezesseis anos, eu sabia que Deck ou
Connor, se ele estivesse vivo, teriam apanhado Robbie e
acabariam na prisão, eles mesmos. Não era algo que eu
estava disposta a arriscar, mesmo que eu tenha considerado
tentar contatar Deck.

Balancei a cabeça e meu rosto esfregou sobre seu peito.

— Onde ele está agora?

— Eu não sei. — Eu não sabia. Ele estava à procura de


Robbie desde que deixou a prisão.
Senti seu corpo enrijecer.

— Eu vou encontrá-lo.

Sentei-me na posição vertical, colocando minhas mãos


em seu peito.

— Deck, não. Você não entende.

Suas sobrancelhas subiram e sua expressão escureceu.

—Oh, eu entendo perfeitamente. Um cara torturou você


por meses, quando você tinha dezesseis anos. A porra de um
canalha nojento que não merece respirar. — Ele jogou as
pernas para o lado da cama e pegou o celular.

— Droga, não. — Eu pulei em cima dele e tirei o


telefone de suas mãos, fazendo-o deslizar pelo chão. — Você
não pode.

— Que porra é essa, Georgie? Você espera que eu ouça


que algum merda torturou você durante meses, e em seguida,
sente e não faça nada? De jeito nenhum essa porra vai
acontecer.

Ele tentou se levantar e agarrei o braço dele com as


duas mãos. Ele me ignorou e continuou andando e eu
arrastei-me junto a ele. Anos de mentira, engano, fazendo
coisas que eu não queria fazer, tudo isso estava se esvaindo.
Tudo o que eu conseguia pensar era em Deck sendo morto,
por causa disso. Se ele começasse a escavar...

— Deck. Eu preciso fazer isso.


Ele estava no meio do caminho, abaixando para pegar
seu telefone quando me ouviu. Ele congelou e se endireitou,
enquanto olhava para mim, ainda segurando seu braço.

— Fazer o quê?

Minhas mãos lentamente deslizaram dele e me senti


como se eu estivesse sendo sufocada por minha própria
respiração. Será que ele ia entender? Será que ele iria embora
e nunca mais me veria novamente? Eu não podia suportar
pensar nisso.

Falei a única coisa que me veio à mente e que era


verdade, apenas a omissão de algumas coisas.

— Eu tenho alguém procurando por ele. Por favor,


Deck. Eu não quero você envolvido.

Seus olhos se arregalaram, com surpresa e choque. Por


que não estaria? Deck não tinha ideia que andávamos a
procura de Robbie, há anos. Que eu era Chaos e fiz...
algumas missões para ele.

— Fique aí. — Deck pegou o telefone e começou a


caminhar, saindo do quarto, com o telefone no ouvido. —
Tyler. — Ele rosnou.

Eu estava desmoronando na frente do homem que amei


durante toda a minha. Eu me senti fraca, vulnerável e ele
estava tirando o meu poder.
— Porra, eu esperei que você voltasse, — eu gritei. —
Esperei ver seu carro, parado, em frente à minha casa, a cada
manhã quando eu olhava pela janela. Mas você não estava lá.
Você nunca apareceu. — Eu respirei fundo e tentei acalmar
minha voz para o que seria o grande golpe. Seria um grande
golpe para Deck, mas ele estava indo atrás de Robbie e logo
descobriria tudo. Eu não podia deixá-lo mergulhar nisso
cegamente. Ele seria morto. Eu tinha que dizer a ele. — Mas
Kai estava lá.

Ele parou. Baixou o telefone e ouvi Tyler gritando na


outra extremidade. Ele chutou a porta do quarto, fechando-a,
em seguida, virou-se lentamente. Por um segundo, vi o
choque, seus olhos arregalados e boca aberta; e em seguida,
ele mudou completamente. Seus olhos escureceram e
estreitaram-se, inflexíveis e com um pouco de nojo. Não
houve nada de sexy nele porque seu olhar intimidador
apagou o sexy.

— Kai?

Engoli em seco e assenti, mas eu realmente queria


negar e correr para a porta.

— Você transou com ele, Georgie? — Pela maneira


como as suas mãos estavam abrindo e fechando, sua
mandíbula cerrada e os olhos intensos... Deck estava se
segurando por um fio.

Eu balancei minha cabeça.

— Não. Não é assim.


— Então, como? Com Kai? O filho da puta instável que
estava num leilão para comprar escravos sexuais? Que tem
uma história fodida? Que ninguém confia? Que lida com uma
faca como se fosse parte de sua mão? Que não vale nenhum
centavo... — Ele parou de repente, seus olhos me olhavam
tão ferozmente que desviei o olhar. Um profundo, grunhido
saiu de sua garganta. Ele jogou o celular em cima da cômoda
e eu pulei, quando um ruído alto foi feito. — Diga-me que ele
não fez esses cortes em você.

Merda.

— Diga-me. — Ele gritou. Este era Deck fora de


controle. O Deck que eu nunca quis conhecer. O Deck que
acho que ninguém queria encontrar, todos seus músculos
estavam tensos, suas mãos fechadas, tensa, queixo firme,
determinado e o calor de sua fúria parecia pulsar fora dele.

— Eu não posso. — Sussurrei.

Deck assentiu e não era a reação que eu esperava. Na


verdade, eu não sabia mais o que esperar. Este Deck era
imprevisível. Ele caminhou até a cômoda, abriu a gaveta e
tirou uma faca e, em seguida, uma arma. Ouvi os estalos,
enquanto ele verificava a arma, em seguida, deslizou-a na
parte de trás da calça.

— Deck? — Ele me ignorou, pegou seu celular e


colocou-o no bolso, em seguida, se dirigiu para a porta. —
Deck. O que você está fazendo?
— Que porra você acha que estou fazendo, Georgie?
Fique aqui. Se você sair do meu apartamento, não vai gostar
do que acontecer. —Ele abriu a porta e saiu.

Corri atrás dele.

— Deck, eu pedi a ele. Pedi a Kai para me fazer os


cortes. Por favor, eu sei que parece loucura e é, mas, por
favor, não vá atrás dele. Por favor.

Ele parou e se virou para mim.

— Você pediu-lhe o quê, porra? Jesus. Por que diabos


você faria isso? Por que, diabos?

Olhei para os meus pés, enquanto respondia.

— Os cortes fazem a dor ir embora.

— Não, porra, não. Manteve-a presente. Manteve-a viva


e lhe fez reviver isso. — Ele chegou perto de mim e agarrou
meus braços. — Olhe para mim.

Eu fiz, porque eu apenas o queria, para me dar algo


para agarrar, porque ele estava certo. Eu estava segurando o
que aconteceu comigo, então eu nunca ia esquecer. Eu o
queria para liberar todas as emoções que eu havia construído
em mim, num dia.

— Eu a perdi há muito tempo, porra. — Seus dedos


apertaram e ele me olhou por alguns segundos, antes de dizer
baixinho: — Volte para mim, Georgie.

Minha respiração parou.


Seus olhos se suavizaram.

— Baby, volte para mim. Pare de fingir. Pare de se


esconder. Confie em mim.

Eu gostaria de poder, mas nada na minha vida era


simples, desde que Connor morreu. Se ele fosse atrás de
Kai...

— Por favor, não vá atrás de Kai.

Ele suspirou e de repente me empurrou para longe.

— Por quê? Você o ama? Você não pode suportar vê-lo


machucado? Bem, não se preocupe; eu não vou machucá-lo,
Georgie. Vou matá-lo.

— Não! — Eu gritei quando ele abriu a porta da sua


cobertura. Corri atrás dele e bati em seu peito, enquanto ele
apertava o botão do elevador. — Não. Ele vai te matar, Deck.

O elevador apitou e as portas se abriram.

Ele me empurrou para o lado e entrou no elevador.


Capítulo 11

Georgie

Assim que as portas do elevador se fecharam, corri de


volta para o apartamento e procurei dentro do saco que Tyler
tinha deixado para mim. Senti a familiar forma na parte
inferior e agarrei o meu celular. Três chamadas não
atendidas. Uma de Emily, outra de Kat, e uma de um número
desconhecido.

Merda. Desconhecido, “Kai”. Pressionei o código para


chegar até seu número e disquei.

Por favor, responda. Por favor.

— Um pouco dramático, não é? Talvez quisesse, de


fato, limitar a bebida, Chaos. Eu preferiria, se você
sobreviver.

Não tinha tempo para um jogo de palavras com ele.

— Ele sabe.

Silêncio.
Parecia que ele estava abrindo uma porta e depois ouvi
o barulho do tráfego.

— Sabe o quê, Chaos?

— Sobre Robbie e então... — Merda, Kai sempre disse


que iria acabar comigo em seguida, matar Deck se eu o
contasse o que eu estava fazendo. Não sei o que ele queria
dizer com “acabar”, mas com Kai isso pode significar matar,
torturar, destruir-me emocionalmente ou colocar-me em uma
nave espacial e me lançar no espaço. Não me importava. Ele
podia fazer o que quisesse comigo... desde que deixasse Deck
vivo.

— Então?

Ele estava calmo, mas o charme que eu, muitas vezes,


tinha ouvido em sua voz tinha desaparecido.

— Ele me viu no hospital, Kai. Ele viu a ficha. Os


cortes.

— E você lhe deu uma explicação plausível.

— Deus, Kai... Deck não é estúpido. A única razão de


eu ter conseguido escapar durante todo esse tempo foi por
que ele pensava que eu era uma bêbada irresponsável. Agora
ele sabe que não sou uma bêbada.

— E como ele descobriu esse pequeno detalhe, Chaos?

— Descubra isso, seu idiota. Eu fiquei com ele. Eu não


tive um único sintoma de abstinência. — Segurei o telefone
entre a orelha e o ombro e vesti minha calça. — Kai, ele está
indo atrás de você.

— Você realmente fodeu tudo, não é, Chaos? — Ouvi


Kai mexer em alguma coisa e, em seguida, uma porta de
carro bateu e o vento assobiou através do celular. — Eu te
disse o que ia acontecer se ele descobrisse.

Eu fiquei congelada no lugar, com meus olhos cheios


de lágrimas.

— Por favor, Kai. Não. Vou fazer tudo que você quiser.
Por favor, não o mate. Não é culpa dele, é minha. Faça o que
você quiser comigo, mas com ele não. Por favor, não com
Deck. — Respirei fundo, tentando me acalmar, minhas
entranhas estavam enroladas como fios emaranhados.

Kai riu, eu sempre odiei quando ele fazia isso. Era


como se nada o incomodasse, mesmo quando eu estava
implorando por uma vida. Mesmo depois de eu lhe contar que
Deck, um ex-JTF2, a força-tarefa mais importante do mundo,
estava indo atrás dele, ele ri?

— Estou magoado, Chaos. Onde está sua preocupação


comigo?

Depois de vestida, peguei a minha carteira e corri para


a porta.

— Não seja um idiota. Ele sabe onde você está? Você


fica de olho nele, não é? Talvez use um GPS?
— Você pensa muito bem de mim. Mas não, eu não o
vigio. Eu a vigio e sempre que Deck está na cidade, ele está
com você. Então, é muito fácil saber onde ele está. — Não era
realmente verdade. Bem, é mais ou menos verdade. Eu ficava
aqui sempre que ele me tirava de algum bar ou de alguma
festa, e nós tínhamos os mesmos amigos, então se ele
estivesse por perto, ele estava comigo.

Quando ele estava na cidade, sempre ia ao meu café.


Kai tinha um rastreador no meu telefone, no meu carro e eu
suspeitava que em outros lugares. Acabou sendo realmente
útil no dia que o safado do traficante sexual, Alfonzo raptou a
mim, Emily e a garota London. Se não fosse pelo GPS Kai não
teria sido capaz de nos encontrar nem convencer o tal Alfonzo
a conhecer o cara responsável pelo tráfico de meninas.

Eu parei de reclamar sobre isso, depois daquele dia.


Então, eu vivia com dois homens perigosos que mantinham o
controle sobre mim... pensariam que eu me sentiria segura.
Sim, bem, nada sobre Kai era seguro.

Eu bati a porta do apartamento e pressionei o botão


para chamar o elevador.

— Chaos, acalme-se. — Eu estava ofegando no celular.


— Pense no que está fazendo. — O elevador soou e as portas
se abriram. —Chaos, sente-se. Agora. Não entre nesse
elevador.

Olhei as portas se fecharem e, então, deslizei


lentamente para baixo, encostada à parede do corredor, até a
minha bunda bater no chão. Eu dobrei as minhas pernas e
deixei cair a minha cabeça entre elas enquanto eu respirava
devagar, tentando controlar o pânico.

Nunca fiquei tão assustada como neste momento. Mas


quando o assunto era Deck e o pensamento de perdê-lo, era
como se um interruptor de luz se ligasse e todas as minhas
emoções ficassem descontroladas. A voz de Kai passou
através de mim.

— Lembre-se de tudo o que lhe ensinei, Chaos. Você


precisa fazer isso agora. — Ele manteve sua voz baixa, suave
e rítmica. — Nada será feito você se entrar em pânico. Você
sabe disso.

Eu não sabia o que eu estava fazendo. Não sabia onde


Deck tinha ido, e queria ir atrás dele. Não fazia sentido. Eu
não fazia sentido. O que diabos eu estava fazendo?

— Não o machuque. — Disse calmamente. — Não o


machuque.

— Volte para dentro e o espere.

A minha respiração ficou presa na garganta.

— Você disse que o mataria se ele soubesse.

— Sim. E isso era verdade, mas as coisas mudaram um


pouco. Eu vou passar aí amanhã e nós podemos ter uma
conversa.

Agarrei o celular com mais força.


— O quê? Você está louco? — Sim, Kai era um pouco
louco.

Kai suspirou.

— Eu prefiro ser o caçador a ser presa, minha querida.

— Ele vai te matar. Jesus, você vai matá-lo.

Ele riu.

— Chaos, você tem muita imaginação. Em primeiro


lugar, Deck não vai me matar, e, em segundo lugar, não o
matarei... ainda. Além disso, eu gosto de você, Chaos. Estou
pensando que se eu o matar, você provavelmente vai tentar
me matar. E, realmente, não quero ter que te matar.

Em seguida, o celular ficou silencioso.

Sentei-me do lado de fora do elevador por um longo


tempo. Toda vez que ouvia o elevador soar nos outros
andares, olhava para cima, com o meu coração acelerado.
Esperando que ele estivesse de volta, rezando para que ele
não fizesse nada imprudente. Mas Deck nunca foi
imprudente ... até hoje. A cara dele era como se eu o tivesse
esfaqueado no estômago, com uma lâmina cega e lentamente
a tivesse torcido dentro dele. O choque... A sua descrença...

Numa única frase, destruí tudo o que ele pensava


sobre mim. Disse a ele que outro homem me cortou e que eu
tinha pedido para ele me fazer isso. Deus, a cara dele.
Surpresa e raiva inflamaram seus olhos. Eu merecia seu
ódio. Seu desgosto. Merda. Fiquei enojada comigo mesma.
Passava da meia-noite, quando as portas do elevador
se abriram e Deck saiu. Eu estava meio dormindo, meu
pescoço estava dolorido de ter ficado inclinado contra a
parede. Me endireitei e, em seguida, levantei.

— Deck. — Ele parecia perfeitamente contido: roupa


limpa e arrumada, rosto fechado, mas isso era habitual. Ele
tinha um curativo em seu braço, mas o resto dele... Sem
sangue. Ele tinha todos os seus membros e estava de pé.

Senti o familiar nó no estômago ao vê-lo. Não importa


o que acontecia entre nós, sempre que eu colocava meus
olhos sobre ele... Era a mesma sensação.

O único homem que valia a pena e ainda assim... seu


olhar passou por cima de mim com desdém, como se eu fosse
um ornamento que não gostou de ver no seu Hall de entrada.

Ele caminhou e abriu a porta, deixando-a entreaberta.


Isso era um bom sinal; pelo menos, não me deixou trancada
do lado de fora. Eu o segui, e em seguida, fechei a porta atrás
de mim e me inclinei contra ela.

Ele me ignorou por vários minutos, enquanto tirava


uma garrafa de água da geladeira, a bebia e deixava o
recipiente vazio em cima do balcão. Isso era estranho em
Deck; Ele sempre mantinha a ordem. Sua casa era impecável
e ele colocava tudo em seu lugar.

Ele caminhou até à janela e ficou quieto, parado,


olhando para o céu escurecido. Eu esperei, sabendo que ele
podia me chutar para fora a qualquer momento e nunca mais
quisesse me ver de novo. Fiquei enjoada pensando nisso, me
perguntando como eu poderia fazer com que as coisas
melhorassem. Mas tudo o que ele decidisse, eu merecia. Eu
merecia seu ódio. Apenas tinha de me assegurar que ele
ficaria bem.

Sua voz era áspera e dura, quando ele falou.

— Tire a camisa, Georgie.

— O quê? — Que porra é essa? Um milhão de


pensamentos surgiram em meu cérebro, enquanto eu tentava
pensar qual era o seu objetivo. Ele queria ver os cortes? Ver o
que Kai tinha feito?

Ele lentamente se virou e olhou para mim.

— Tire... A... Camisa.

Meus olhos pareciam que tinham sido acertados por


um raio, enquanto se alargavam de surpresa. Houve aquela
onda de felicidade me atravessando, me aquecendo com uma
tocha.

Ele caminhou na minha direção. Pensei em correr, mas


eu faria qualquer coisa que Deck quisesse. Eu estava
excitada e aterrorizada ao mesmo tempo. A minha mão na
maçaneta da porta torceu.

Ele continuou vindo até que estava a centímetros de


distância, e quando respirou, pude sentir sua camisa me
tocando. Ele se inclinou para mim e repousou as mãos sobre
a porta acima da minha cabeça, prendendo-me.
— Alguma vez você ouve as instruções?

Tremi, porque eu estava pensando nele me beijando,


quando eu deveria estar pensando sobre o que ele estava
fazendo.

— Vou transar com você, Georgie. — Minha respiração


acelerou, e uma dor intensa me atravessou e segurou tão
forte, que me mexi, inquieta. A batida do meu coração era tão
violenta que pensei que talvez ele fosse sair pela minha
garganta.

— Eu... eu não entendo. — Por que ele estava fazendo


isso? Durante dez anos eu quis dormir com ele. Dez anos e,
de repente, depois que falei toda a merda... A horrível
merda... Merda que ainda não terminei de contar... Ele quer
quebrar a palavra que deu ao meu irmão e dormir comigo?

Ele sorriu, mas não era um sorriso agradável. Era


meio cruel e arrogante, com os lábios franzidos e ligeiramente
puxados para cima. Não parecia o Deck.

— Você não entende o transar? Ou você não entende o


que eu disse?

— Não entendo por que você quer.

— Oh, você vai. Você vai entender tão claramente que


sua cabeça vai girar.

Oh, merda, sua voz era baixa e rouca e me fez lembrar


o rugido abafado de um potente Mustang, preto e brilhante.
O tecido bruto de seus jeans esfregava em toda minha pélvis
e eu queria rasgá-lo e sentir sua pele aquecida contra a
minha.

— Nunca a vi sem palavras. — Ele ainda não tinha me


tocado ... bem, se eu não levasse em conta seus olhos, que
sem dúvida estavam me perfurando. — Você quer isso,
Georgie? Porque eu tive a impressão que você queria. Este
sou eu. — Ele se inclinou para mais perto, seus lábios
estavam quase no meu ouvido. — Faça o que eu disse e tire a
porra da camisa ou saia por aquela porta e nunca mais volte.

Jesus. Eu estava tão atordoada que fiquei ali mesmo,


quando ele empurrou a porta e se afastou. Eu conhecia Deck.
Ele não fazia ameaças vãs, e suspeitei que ele tinha aberto a
porta para mim, para caso eu o recusasse.

Não havia qualquer chance de isso acontecer.

Peguei as bordas da minha camisa, puxei-a pela cabeça


e deixei-a deslizar dos meus dedos para o chão. Eu o ouvi
inspirar, quando olhou para mim. Mas sua expressão
permaneceu a mesma, firme, dura e deixou minhas pernas
bambas. Inclinei-me sobre a porta para apoio e ele empurrou
meu peito, o que acendeu uma chama ardente em seus olhos.

— Sutiã.

Por que ele não me beijou? Tocou-me? Por que estava


fazendo eu me despir, enquanto ele estava completamente
vestido, até usando suas botas? O que era isto?

— Deck, por que...


Ele levantou as sobrancelhas e eu engoli, então estiquei
as mãos para trás e agarrei o fecho do meu sutiã. O gancho
foi desfeito e as alças deslizaram para baixo, pelos meus
braços, enquanto meu sutiã caia para frente. Os olhos dele
estavam nos meus até que deixei o sutiã cair. Arrepios
espalharam-se por minha pele, enquanto seus olhos
percorreram meus seios, de repente, me senti vulnerável. Eu
não gostei disso, comecei a cruzar os braços quando ele
agarrou meus pulsos.

— Não. — Deck me largou, e, em seguida, acenou para


minha calça.

Engoli, inclinei-me e as tirei, deixando-as no chão, ao


meu lado.

Ele esperou.

Eu estava quase pelada, contra a porta, enquanto me


olhava. Era emocionante, quase inquietante. Eu estava
completamente confusa, por me sentir excitada.

Ele não precisava dizer nada. Ele apenas olhou para


minha calcinha.

Eu não queria que fosse assim. Eu queria paixão, ele


me agarrando e arrancando as minhas roupas, não ele ali, de
pé, enquanto eu me despia. Isto não era sequer remotamente
parecido com minhas fantasias. Bem, exceto pelo fato que eu
estava ardendo e tão dolorida com a expectativa de seu toque
que tive medo de entrar em colapso.
— Beije-me, Deck. — Eu o queria nos meus braços,
para me segurar, ouvi-lo gemer, sentir suas mãos em mim.

— Se não pode fazer o que eu digo, então pode sair. —


Deck virou-se sobre seu calcanhar e caminhou pelo corredor.

Porra. Deus, o que eu estava fazendo? Mas me


encontrei correndo atrás dele e dizendo:

— Está bem. Ok, eu vou fazer isso.

Ele já estava na porta do quarto e eu suspirei, quando


minhas palavras o pararam e ele se virou. A minha pele
estava em chamas, e não era de vergonha, quando seus olhos
percorriam meu corpo como se ele estivesse ponderando se
eu era digna dele.

Quando ele se inclinou contra o batente da porta e


cruzou os braços, eu sabia exatamente o que ele estava
esperando. Escorreguei os dedos nas laterais da minha
calcinha branca, lentamente as arrastei para baixo e sai
delas. Levantei minha cabeça e me endireitei, erguendo o
quadril, enquanto colocava uma mão sobre ele.

Eu esperei. Não havia mais nada que eu pudesse fazer,


porque eu queria Deck. Tinha que ser ele. Esperei dez anos
para que fosse ele, então esperaria os próximos dez anos se
Deck olhasse para mim como fazia neste momento.

Ele abriu os braços. — Perfeito.


Meu estômago agitou quando ele caminhou em minha
direção. Poderia um corpo ficar em chamas por causa de um
mero olhar? Sim. Porra, sim, estamos falando de Deck.

Ele parou a 10 centímetros e eu estava gritando para


que ele chegasse mais perto. Eu queria implorar. Jesus, eu
disse isso? Todos os meus pensamentos internos estavam
enrolados e não sabia o que estava pensando exceto – ‘me
beije’.

— Olhe para mim.

Pensei que eu estava olhando, mas meus olhos


estavam colocados em seu peito tatuado, desejando que ele
chegasse mais perto. A espertinha em mim queria desafiá-lo,
depois de todas as ordens que ele me deu. No entanto, o
desejo também era avassalador e, eu sabia que se dissesse
alguma coisa errada, ele iria se virar e ir embora, sem um
único olhar para trás. Eu não ia arriscar.

Mirei seus olhos e estavam iluminados, com uma


chama ardente. Ok, eu poderia conseguir algum poder de
volta. Abri minha boca. Suas sobrancelhas baixaram e eu
rapidamente fechei a boca. Talvez não.

— Se isto acontecer, não haverá volta. — O rangido do


assoalho soou, e um arrepio percorreu meu corpo.

— O que você quer dizer com 'não vai haver volta'? O


que exatamente isso significa?
Ele franziu seus lábios e eu sabia que ele estava um
pouco chateado. Adicione a súbita tensão em seus ombros e
ele estava irritado. Ok, por quê?

— Significa tudo. — Ele chegou mais perto, e quando


as suas mãos seguraram os meus braços, a dor entre as
minhas pernas se tornou insuportável. — Está pronta para
isso?

Decidi que queria ser corajosa, porque estava me


sentindo insegura e precisava sentir alguma segurança.

— Beija-me e eu deixarei que saiba.

Seus lábios se contraíram e seus dedos correram pelos


meus braços lentamente, a aspereza de seus dedos contra
minha pele suave era como seda e lixa. Elas subiram
novamente e apertaram. Eu não podia lê-lo, droga. Deck
tinha uma complexidade que eu não tinha ainda percebido e
provavelmente nunca iria perceber.

Sua mão me acariciou, até meu ombro e, em seguida,


seguiu para a curva do meu pescoço, até seus dedos ficarem
em concha na minha nuca. Perdi o equilíbrio, enquanto
balançava contra ele, com cada molécula sendo atraída por
ele.

Com um puxão rápido, ele arrastou-me para ele, sua


cabeça se inclinou, e meus lábios encontraram os dele. Foi
duro e macio e, puta merda, era assustadoramente melhor
que o beijo no chuveiro. Sua língua deslizou através de meus
dentes e então empurrou, entrando no calor da minha boca.
Seu braço segurou minhas costas, impedindo qualquer fuga,
apesar de eu não querer fugir.

Minhas mãos o encontraram e acariciei as suas costas,


até meus dedos tocarem em seu pescoço. Foi emocionante
quando ouvi o seu gemido e a sensação espalhou pela minha
pele, concentrando-se entre minhas pernas. O beijo se
aprofundou, se isso fosse possível. Ele puxou meu cabelo e
não tive nenhuma escolha, a não ser inclinar minha cabeça
para trás.

Seu beijo era uma invasão. Percebi o que ele quis dizer
com 'não haver volta'. Ele me perguntou se eu tinha certeza,
porque Deck estava tomando-me e, eu tinha de dar ou ser
devorada. O pensamento me excitou, ainda mais e, eu o beijei
avidamente, como se tivesse fome dele.

Eu estava faminta por ele.

Tinha dez anos. Há dez malditos anos este homem


estava na minha cabeça, me atropelando e agora estava me
provando, me sentindo. Eu sabia que Deck não fazia nada
pela metade; era tudo ou nada.

Ele gemeu e, em seguida, se afastou. Tentei puxá-lo de


volta, mas ele não deixou e, em vez disso, corri minhas mãos
por suas sólidas costas, até seus jeans e depois coloquei as
minhas mãos em sua bunda.

Deck era oito anos mais velho que eu e eu posso ser


inexperiente quando se trata de fazer sexo, mas eu tinha feito
outras coisas com os caras e, sabia o que eles gostavam.
Seus olhos me encontraram, quando ele segurou meu
cabelo.

— Tudo.

Não sabia o que responder por que eu não sabia o que


ele queria dizer, mas faria, ou diria qualquer coisa, que ele
pedisse. Eu queria que ele se deitasse em cima de mim e me
tomasse, rápido e cru, antes que eu derretesse.

— Baby, eu preciso de você.

— Eu gosto quando me chama assim.

Mordi meu lábio.

— Eu sei.

Ele deu um aceno lacônico e me empurrou para trás,


até que senti a cama atrás de mim e caí, saltando sobre o
colchão. Recuei quando bati com as costas na cama.

Ele viu isso.

— Os cortes?

Balancei a cabeça.

— Não, eles estão bem.

Ele me olhou por um segundo como se estivesse


avaliando minhas palavras.

— Eu não vou ser gentil.

Não pensei que ele fosse.


— Eu sei.

Então ele disse.

— Suas piadinhas ficam fora do quarto esta noite.

Levantei-me nos cotovelos, o que fez com que os meus


seios se destacassem, e notei que os seus olhos se alargaram.
Esta reação foi rapidamente disfarçada, mais uma vez, com
sua firme determinação. Eu sabia que Deck tinha umas
cicatrizes emocionais, e me perguntava se, mesmo no calor
da paixão, ele as iria deixar ir embora. Se seria possível eu
ver um pouco do verdadeiro Deck.

Puta merda, isto estava acontecendo. Lambi meu lábio


superior quando ele tirou a camisa e os meus olhos miraram
os profundos vales e colinas de seu peito e abdômen nu.
Havia uma sugestão de uma trilha de pelos que levava a...
Oh! Seus dedos abriram o botão da calça jeans. O zíper abriu,
e, com o som, senti uma onda de arrepios em meu ventre.

Eu veria Deck nu. Porra, a fantasia estava se tornando


realidade. Eu precisava de oxigênio, rápido. Vi-o puxar sua
calça para baixo e sair delas.

Coxas musculosas, com uma dispersão de pelos


escuros e músculos tensos. Eram as pernas que eu precisava
em torno de mim. Mas mais do que isso, eu tremi, quando
meus olhos atingiram seu pênis duro e inchado empurrando
contra o material preto da sua cueca boxer. Não houve
nenhuma hesitação quando ele as tirou e seu pau saltou
livre. Por um segundo, pensei em fugir da cama. Como é que
algo assim cabe dentro de uma garota?

— Abra as pernas, Georgie.

A voz dele interrompeu meus pensamentos de seu pau


empurrando contra mim e eu o encarei, pasmada.

— Huh?

Não havia nenhuma incerteza nele, quando ele ficou


ereto, confiante e completamente nu na minha frente. Eu não
pensava que pudesse ser diferente. Quer dizer, Deck era o
líder de uma força de elite, comandava homens que eram tão
perigosos quanto ele. Merda, ele matava os homens maus -
homens muito maus, que tinham amigos muito maus, e
ainda assim Deck nunca pareceu emocionalmente exposto,
nem por um segundo.

A sua postura ficou mais intensa e ele estava olhando


para mim, esperando por uma resposta. Uma resposta...
certo, pernas. Abrir as pernas. Ele colocou um joelho na
cama, entre minhas pernas, abaixou o corpo sobre mim e
fechei os meus olhos, sentindo um alívio total, conforme o
peso dele finalmente vinha para cima de mim. Isso era
libertador. Era de verdade. Era real e, por um momento, me
esqueci de quem eu me tornei ao longo dos anos e voltei a ser
a menina inocente que se apaixonou por um homem, o qual
ela pensou que nunca poderia ter.

As suas mãos imediatamente pegaram as minhas,


colocou-as acima da minha cabeça e as prendeu lá. Era uma
posição de poder e acho que sempre soube que isto era como
seria com Deck. Ele nunca iria se render a alguém, isso
incluía o sexo.

Ele me beijou e minhas pernas enrolaram ao redor de


sua cintura. Uma das suas mãos manteve meus braços
presos acima da minha cabeça, enquanto a outra me
acariciava, até que ele estava agarrando minha coxa,
prendendo-a mais acima na sua cintura. A tensão sobre
meus músculos me fez tremer e agitar.

Deck não abrandou quando sua boca pegou a minha,


invadindo e abrindo-me para ele. Era a rendição completa e
era... um salvamento. Entreguei-me e dei-lhe tudo que
recusei a dar aos outros homens.

— Jesus. — O barulho de sua voz atravessou a neblina


do meu desejo e eu suspirei em sua boca. — É isso. Ceda. —
Ele espalhou beijos em meu pescoço, até entre meus seios e
apertou a minha coxa. — Relaxa. — Ele moveu sua mão
sobre o meu peito, seu polegar revirava meu mamilo.

— Oh, Deus. — Eu gemi, cada parte de mim tremia e


doía com o calor tentador de Deck. Ele beliscou meu mamilo,
com força. Eu arquejei, fechando os olhos. Doeu muito, mas
depois... O calor da sua boca aliviou a dor e eu gemi. Seus
dentes puxaram e depois morderam e eu fiquei boquiaberta.

— Relaxa! — Ele puxou a protuberância sensível em


sua boca e se amamentou.
— Deck. — Eu não sabia por que estava dizendo seu
nome em voz alta. Talvez porque precisava ouvir a minha
própria voz, para saber que isto era real. — Por favor. Foda-
me. — O latejar entre minhas pernas estava me empurrando
contra ele, querendo mais.

— Nunca pensei que ouviria essas palavras dos seus


lábios, Georgie. — Deck mudou-se para o meu outro seio e
deu-lhe o mesmo tratamento e eu juro que eu estava
ofegante, como um corredor após a maratona.

— Eu sempre o amei. — Ao ouvir minhas palavras, ele


ergueu a cabeça e houve um aperto de seus lábios, enquanto
sua sobrancelha arqueou.

— Georgie... — Sua voz era grossa, implacável, fiquei


sem saber o que ele quis dizer, falando meu nome como se
fosse uma oração. Mas minha confusão durou pouco tempo.
Ele colocou a mão entre as minhas pernas e seu dedo
deslizou em minha umidade. —Porra. — Ele gemeu, depois
escorregou dois dedos dentro de mim, firme e
profundamente.

A intrusão súbita foi desconfortável. Eu tinha um


vibrador, mas nunca o coloquei dentro de mim. Isto eram
dois dedos, e eu não sabia como algo maior, como o pau dele,
ia caber ali, sem me rasgar.

Ele congelou. Cada músculo seu enrijeceu. Até os


dedos que mantinha dentro de mim estavam parados. Ele
soltou meus pulsos e agarrou meu queixo.
— Você é virgem, Georgie?

— Bem, se isso quer dizer se já tive um pau dentro de


mim... A resposta é não. Nunca tive.

Seus olhos se estreitaram, cerrou a mandíbula, ele


parecia intenso. Apertou ainda mais meu queixo.

— Por quê?

Porque eu era uma garota apaixonada e nunca


consegui me entregar à outra pessoa. Eu tinha tentado fazer
sexo, antes, mas sempre parei antes de chegar muito longe.
Nunca me senti bem.

Ele empurrou o dedo em mim, um pouco mais.

— Isto... — disse ele. — Você ia dar isso para Lionel?

Dei de ombros. Isso tinha sido a ideia naquela noite,


juntamente com minha missão. Eu tinha que lhe dar
algumas explicações sobre o Lionel, mas com os dedos dele
dentro de mim, eu não conseguia pensar em nada.

— Georgie. — Ele me advertiu.

Eu estava perdendo a paixão, e ela estava sendo


substituída por irritação.

— Sério, Deck. Você está falando nisso agora? Com


seus dedos dentro de mim e um pau duro contra minha coxa.

— Ia dar? — Ele manteve sua voz calma, embora


estivesse misturada à raiva. Eu conhecia Deck o suficiente
para saber que isto realmente estava irritando-o. — Estarei
colocando meu pau em você, não importa o quê, mas quero
ouvir de você isso.

— Deus, você tem que me tomar cada gota de orgulho?

— Não é orgulho que eu estou tomando, Georgie. É...


Tudo. Eu lhe disse isso. Não vamos voltar atrás. As besteiras
que você esteve fazendo terminam aqui. As mentiras... — Ele
fez uma pausa e vacilei sob ele. — Agora eu vou parar com
tudo isso.

— Parar o quê?

Ele me ignorou.

— Ia dar?

Seus dedos enrolaram, ligeiramente, dentro de mim e


eu me apertei em torno dele. Suas sobrancelhas baixaram e
ele fez uma carranca.

— Tudo bem. Sim. Eu pensei isso, mas não consegui...


eu queria que fosse você. Tinha que ser você. Eu sabia disso
desde o dia que cheguei em casa, da escola e, você me deu
aquela tigela de sorvete. No início você me assustou, mas
naquele momento... Vi algo em você. Era tão claro para mim,
a doçura persistente em seus olhos e, sim, a preocupação, a
raiva, tudo estava lá e era tudo para mim.

Deck largou meu queixo, sua boca veio para baixo e os


nossos lábios se uniram, em uma união quente. Seu polegar
circulou meu clitóris e eu gemi, quando a dor se tornou
intensa.
O peso dele ficou ainda mais pesado e a sua mão
percorreu toda a minha pele, tocando cada parte de mim,
enquanto ele me beijava. Mordi seu lábio e ele rosnou, a
pressão do seu polegar parou. Eu me arqueei em sua direção,
deslocando-me para o lado, tentando convencê-lo a se
esfregar em mim, novamente.

Ele se levantou e, de repente, fiquei com frio quando ele


me deixou e saiu da cama. Ele pegou sua calça jeans, enfiou
a mão no bolso e puxou um pacote quadrado. Abriu-o e,
fiquei olhando, enquanto ele cobriu seu pau com o
preservativo.

Nossos olhos se encontraram.

— Você confia em mim? — Ele perguntou.

Ele era a única pessoa na qual eu confiava.

— Preciso ouvir você dizer isso.

Porra, Deck.

— Sim. Eu confio em você.

Ele me deu um breve aceno com a cabeça e então me


levantou, colocando-me próximo à cabeceira da cama. Seu
calor me cobriu novamente, e enrolei, instintivamente,
minhas pernas ao redor dele, enquanto ele me provocava com
a ponta do seu pau, antes de o esfregar contra minha
abertura. Então, ele flexionou seus quadris para frente e
escorregou para dentro de mim.
Seus olhos nunca me deixaram, enquanto ele entrava
ainda mais. Fechei os olhos, com a estranha intrusão.

— Relaxa. — Era uma ordem e eu queria bater nele,


mas, em vez disso, fiz exatamente como ele falou.

Ele empurrou ainda mais e eu gemi, com o prazer e o


desconforto. Seus dedos começaram a brincar comigo outra
vez, uma tensão começou se construir em minha barriga.
Logo, comecei a arquear meu quadril, querendo tomar mais
dele.

Eu tinha me dado vários orgasmos, ok, milhares deles,


mas ter Deck dentro de mim era completamente diferente.
Avassalador. Jesus, Deck era avassalador.

Ele me beijou e eu suspirei, amando o ataque severo.


Então seus quadris foram jogados para a frente e meu grito
vibrou em sua boca.

Era como se uma faca me rasgasse. Tentei fugir.


Queria que ele saísse de cima de mim; doía, era
desconfortável e não gostei.

Mas Deck permaneceu parado, em cima de mim e me


beijou. Então, quando parei de lutar, ele distribuiu beijos no
meu rosto.

— É isso aí. Respire. — Ele acariciou meu cabelo e foi o


gesto mais doce que já tive de Deck. Pressionei meu corpo
contra o dele e fechei os olhos, deixando meu corpo ajustar-
se à espessura de seu enorme pau, dentro de mim.
— Você está bem?

Eu ainda latejava, mas não tanto, e quando o seu dedo


começou a brincar comigo novamente, a dor e o desconforto
foram substituídos prazer e excitação. Inclinei minha pélvis e
ele entendeu a dica, movendo-se lentamente e firmemente
dentro de mim.

— Baby. — Gemi, enquanto ele escorregava para


dentro e para fora, minha umidade agarrava-se a ele.

Ele colocou as suas mãos ao lado da minha cabeça,


então saiu e entrou em mim, com força, uma e outra vez. Eu
gemia e sentia todo o meu corpo formigar, como se fosse um
mini orgasmo.

Ele fez de novo... Era incrível a sensação, sua


penetração intensa na minha suavidade de veludo, nossos
corpos batiam um no outro, avidamente.

— Cacete. — Deck me penetrou mais rápido, eu estava


imersa na sua paixão.

Eu segurei os braços dele.

— Mais forte.

Ele atendeu, me penetrando cada vez mais intenso.


Uma e outra vez. Gritei quando uma onda de sensações
tomou meu corpo e eu gozei, foi o mais incrível orgasmo da
minha vida. Eu estava caindo e Deck continuava
empurrando, enterrando. De repente, ele gemeu, enquanto
empurrava fundo uma última vez.
Permaneci deitada debaixo dele por alguns segundos,
tomando consciência do que aconteceu.

— Épico. — Eu disse, com um áspero sussurro.

Seu corpo estremeceu e a tensão na cara dele


desapareceu quando ele me olhou, como se eu fosse uma
estranha.

Levantei minha mão e acariciei seu rosto.

— Baby?

Ele virou a cabeça, beijou a palma da minha mão, em


seguida saiu de mim e se levantou. Ele entrou no banheiro,
depois voltou, não sentindo nenhuma vergonha por seu
estado de nudez.

Ele parou ao lado da cama e me olhou. Senti sua


tensão; como se um véu gelado tivesse descido sobre ele. Ele
pegou a calça jeans e as colocou.

— Suas costas estão bem?

— Está tudo bem, Deck. Os cortes são pequenos, não é


uma coisa grande. — Kai foi insistente em certificar-se de que
eles fossem pequenos, ao contrário de Tanner, no primeiro
ano.

Suas sobrancelhas desceram sobre seus olhos. Não


creio que ele tenha gostado dessa resposta. Ele não disse
nada por alguns segundos e então disse:

— Porra! Você está me dizendo tudo, porra.


Sentei-me.

Uma faísca de medo percorreu meu corpo satisfeito e


agarrei o lençol para cobrir-me, não de desconforto, mas
porque estava frio. Todo o calor tinha me deixado e o sangue
em minhas veias corria frio.

Ele correu a mão por cima da cabeça. Merda. Ele


parecia nervoso. Então seus olhos encontraram os meus,
novamente. Um arrepio correu pela minha espinha, quando
vi seus olhos rígidos e determinados.

— Você se entregou para mim?

Eu não sabia onde ele estava indo com isto, mas


concordei.

—Sim.

Ele fez uma pausa como se estivesse pensando em suas


próximas palavras. Não era frequente Deck hesitar. Ele era
direto e honesto, nunca se preocupou em ter cuidado com as
palavras.

— Você entende o que isso significa?

— Não realmente. — Porque agora eu não tinha ideia do


que estava acontecendo na cabeça dele. Fizemos sexo. Deck
quebrou sua palavra perante o meu irmão e eu tinha umas
mentiras graves que ele ainda estava mantendo e outras das
quais ele nem imaginava.

— Devia ter entendido tudo, antes de abrir as pernas


para mim.
— Jesus, Deck. — Eu queria insultá-lo, e, em seguida,
pedir-lhe para me beijar. Ambos não era uma boa ideia
naquele momento.

— Isso significa que você é minha... completamente.


Não há possibilidade de fuga. Não pode voltar atrás. E sem
mentiras. Se você tem uma questão, nós conversamos. Se
você tem um problema, eu vou lidar com isso. Se eu precisar
que você faça alguma coisa, espero que o faça.

— Ei, vá mais devagar.

Ele levantou as sobrancelhas.

— Perguntei se tinha certeza. Você disse que sim. Não


há nenhuma possibilidade de voltar atrás. Eu não andei
torturando-me por oito malditos anos só para possuí-la uma
vez e você pedir para eu recuar. Comigo é sempre avançar.
Você sabia o que estava fazendo. Eu não vou deixar você cair
fora e, isso envolve me contar tudo. — Ele caminhou em
direção à porta. — E eu quero tudo.

Eu não sabia por que eu estava tremendo. Excitação?


Medo? Acho que era por tudo.

— Qual o nome completo dele? — Ele perguntou.

Merda. Esta era a última coisa que eu queria, mas abri


esta lata de minhocas e agora elas estavam rastejando por
cima de mim. Deck estava tomando conta do assunto.

— Robbie Krovakov.
Seu corpo enrijeceu e ele colocou a mão no bolso de
trás, puxando o celular.

— O que você vai fazer?

Ele tinha o celular no ouvido quando se virou e me


olhou.

—Fique aqui. Quando eu voltar, espero que esteja me


esperando, pelada e na cama.

Meus olhos se arregalaram.

— Você tem algo a dizer?

Balancei minha cabeça.

Então ele saiu.


Capítulo 12

Deck

Saí do quarto.

— Robbie Krovakov. Ele frequentou a escola pública de


Georgie, em German Mills. Encontre sua localização. Gostaria
que verificasse primeiro a penitenciária local. E Vic, esse cara
é meu. — Desliguei e empurrei o celular no bolso.

Entrei no meu escritório e liguei o meu computador


portátil, vendo toda a correspondência que eu tinha de Kai.

A verdade era que eu estava no meu escritório para me


afastar dela, antes que eu caísse e perdesse todo controle.
Consegui o que eu queria. A fiz minha. Não havia nenhuma
forma de recuar agora, mas me questionava se íamos ser
capazes de lidar com isto. Eu estava me sentindo tão fodido
depois de tudo… Jesus, estar dentro dela, senti-la, beijá-la,
era como se uma explosão de cores surgisse através da
minha escuridão.

Tentei me concentrar, mas tudo o que eu conseguia


pensar era sobre como me enterrei dentro dela. Sentindo seu
aperto em torno do meu pau, como ela ficou na minha frente
e se despiu. Como ela cavou as unhas nas minhas costas,
enquanto eu penetrava nela uma e outra vez.

Ela era uma maldita virgem. Uma virgem. Inesperado


e.... foi um presente. Apesar de todas as mentiras que a
rodeava... ela guardou isso para mim. Jesus. Eu podia nunca
ter.... Foda-se Connor. Foda-se tudo. Agora, ela era minha e
eu nunca a deixaria ir embora.

Meu pau endureceu quando pensei nela, deitada na


minha cama agora, insegura e com um pouco de medo, como
devia estar. Eu ainda sentia raiva dela, de Kai e de mim
mesmo, por não ter visto isto. A bebida tinha sido uma
mentira? Inferno. Eu estava tão determinado em mantê-la a
uma distância que não vi o que estava à minha frente? Eu
conhecia Georgie, pelo menos, eu pensava que conhecia.
Nunca aceitei bem o fato de ela beber. Ela era mais forte que
isso.

— Droga. — Fechei meu laptop e me recostei na


cadeira, o couro rangeu e soltei um gemido.

Não fechei a porta quando entrei e quando olhei para


cima, vi Georgie, de pé, usando as roupas largas e o moletom
que lhe comprei. Ela inclinou-se contra o batente da porta,
para que eu pudesse ver seu perfil, sua perna estava
dobrada, de forma que o pé estava descansando na parede. E
ela estava linda demais.
Ela também não fez o que eu disse. Na verdade, fez
exatamente o oposto do que pedi. Escondi meu sorriso, por
que tinha certeza que não queria que ela o visse.

Mesmo com mecha azul, ou com a cor maluca com que


ela tingiu o cabelo, pensei que ela era linda. Não tinha
mudado, desde o dia que a conheci. Ela era jovem demais
para eu fazer qualquer coisa sobre a atração que sentia por
ela e eu, me tornei um assassino que tinha visto coisas ruins
demais para deixar uma garota tão inocente entrar na minha
vida.

Meus homens na Unyielding Riot eram iguais, viram e


fizeram mais do que a maioria dos humanos poderia suportar
ouvir falar, tiveram a experiência em primeira mão. O
caminho que seguíamos era difícil e eu achava que Connor
estava em um caminho do qual não havia maneira dele sair.

Merda. Georgie nunca poderia saber que seu irmão


estava vivo. Eu, com certeza, não gostaria de começar nossa
história com um segredo tão grande como este, mas Connor
já não era seu irmão. Dizer-lhe a verdade, agora, serviria
apenas para magoá-la.

Ela estava brincando com as mãos. Sem o seu ar


arrogante e atrevido de costume. Lembrei-me da menina que
eu tinha visto comendo o sorvete.

— Disse-lhe que ficasse no quarto. — Eu também


sabia que Georgie raramente seguia as instruções.

Silêncio.
— Também disse para você ficar nua.

Vi seus dentes prenderem o lábio inferior e depois


lentamente o deixar solto.

— Por que você me quer agora? Eu menti para você.


Fingi ser alguém que eu não era...

— Pare.

Ela fechou a boca ao ouvir o tom grosseiro da minha


voz. Eu a queria novamente, de uma forma tão intensa que
nublava o meu pensamento sobre o que precisava fazer aqui
e ainda assim... Os anos de espera, nunca pensando que a
teria, ultrapassaram a necessidade de respostas.

O meu pau inchou tanto, que era doloroso. Jesus, sim.


Eu a foderia durante a próxima semana, sem parar, se
pudesse. Ela levantou a cabeça e o véu de cabelo se separou
quando ela se virou para olhar em minha direção. Droga, ela
sabia exatamente o que estava fazendo com essa expressão.

— Vem cá.

Ela caminhou até mim, apreciei o balanço de seus


quadris e, os lábios, ligeiramente separados. A verdade era
que Georgie era sexy para caralho e ela nem sabia disso. Sim,
ela interpretou seu papel usando sua insolência, mas, sob
essa capa, estava uma garota vulnerável que se escondia
atrás de uma teia de mentiras.
Mas o que Georgie precisava saber, agora, era quem
estava no controle, por que essa merda toda de mentiras
tinha terminado.

— Sente na minha mesa. — Empurrei o meu laptop


para o lado e então empurrei a minha cadeira para trás
quando ela se colocou à minha frente. Ela apoiou as palmas
na beira da mesa, e, em seguida, deslizou a bunda para cima,
até à superfície de mogno. Movi minha cadeira para frente,
até que eu pudesse tocar seus quadris e então, coloquei-a na
beira da mesa. — Você está dolorida?

Ela balançou a cabeça. Levantei minhas sobrancelhas e


ela alterou sua resposta.

— Um pouco.

— Então, não transarei com você. — Seu olhar de


decepção me fez sorrir, e, por um segundo, senti o prazer
inundar minhas veias. Era desconhecido e quente. Porra, eu
gostei... muito. — Suba. — Dei um tapinha no lado direito da
bunda dela e ela a levantou, então consegui puxar as calças
de moletom de sua bunda, fiz o mesmo do outro lado.
Arrastei a calça, lentamente, por suas pernas, deixando a
ponta dos meus dedos roçar sua pele macia.

Reparei que a pele dela ficou arrepiada e seus olhos se


fecharam, brevemente, quando ela inclinou a cabeça para
trás. Deixei as calças no chão e depois corri minha mão por
sua perna, até o interior da coxa.

— Deite-se. Com olhos fechados.


Ela estava ofegante agora, antecipando meus próximos
movimentos. Eu não gostava que soubessem o que eu ia
fazer; isso me fazia previsível e era perigoso.

Levantei-me e ouvi sua respiração parar. Porra, nada


me agradaria mais do que enfiar meu pau nela, agora, ou ter
sua boca em mim, enquanto eu o empurrava para baixo, em
sua garganta.

Mas ela precisava de uma lição e eu pretendia dar-lhe


uma.

Eu me afastei.

Ouvi o movimento, nem tive que me virar para ver que


ela estava começando a se levantar e dizer algo.

— Olhos fechados. Não se mexa até eu mandar. E se as


instruções não forem seguidas desta vez... você sabe onde é a
porta.

Então, fechei a porta do escritório, para parecer que eu


tinha deixado-a e silenciosamente, sentei-me no canto do
escritório e, esperei.

Georgie

Eu tremia e me arrepiava, enquanto estava deitada na


mesa, com minhas pernas nuas e penduradas sobre a borda.
Mantive meus olhos fechados, porque se os abrisse, eu iria
me levantar, e correr atrás dele, e Deck estava fazendo isto
por uma razão. Eu sabia que ele nunca me machucaria.
Sabia que ele iria olhar por mim e, de certa forma, a
antecipação dele deixar-me aqui, me fez querê-lo ainda mais.

Senti a dor entre minhas pernas aumentar, enquanto


estava ali, deitada. Eu sabia que estava ficando mais úmida
e, de repente, desejei estar usando calcinha. Minha mente
estava cambaleando com pensamentos de Deck, seu pau
dentro de mim, suas mãos na minha pele, seus lábios na
minha boca, percorrendo minha pele, me provando.

Meu corpo teve um espasmo e abri minhas pernas um


pouco mais, desejando que uma janela estivesse aberta e
uma brisa tocasse entre minhas coxas. Eu estava morrendo
para ser tocada, coloquei minha mão sobre meu seio e estava
prestes a circular meu mamilo, quando seu tom abrupto,
atrás de mim, me parou.

— Não pode se tocar.

Merda, pensei que ele tinha me deixado sozinha. Abri


os olhos, mas não consegui vê-lo. Abri a minha boca para
suplicar, mas ele deve ter suspeitado.

— Shhh. — O som de sua voz grossa enviou uma onda


de desejo por mim e eu gemi e coloquei minhas mãos abertas
contra a superfície dura da mesa, querendo agarrar-me a
alguma coisa, qualquer coisa.

— Mantenha os olhos fechados. — Então, ouvi o


farfalhar das roupas. Ele estava se despindo? Mordi meu
lábio tão forte que provei sangue. Algo foi jogado no chão.
Sapatos? Ele estava usando sapatos? Ou um cinto? Um
calafrio passou por mim e quase fiquei na vertical para olhar.
Não gosto da ideia de um cinto perto de mim e eu tive que me
esforçar para não começar a correr. Eu confiava em Deck,
mais do que em qualquer outra pessoa na minha vida.
Mantive alguns segredos, mas foi para protegê-lo.

Então, seus passos atravessaram a sala, o andar fácil,


confiante, que eu conhecia tão bem e que mesmo cega eu
poderia reconhecer.

Um trinco soou. Ouvi o deslizar da madeira e o cheiro


de cloro da piscina flutuou no local, nas asas da brisa do
verão. Fez cócegas no meu rosto e eu gemi novamente,
enquanto as minhas pernas tremiam.

— Está muito molhada, Georgie?

Eu sabia que estava muito molhada. Podia até sentir


um gotejamento na minha coxa e ele ainda não tinha sequer
me tocado.

— Preciso que me responda.

— Molhada. Estou realmente molhada.

Quase pulei quando ele apareceu de repente e seu dedo


deslizou na minha umidade, como se estivesse verificando se
eu estava falando a verdade. Ele deve ter antecipado minha
reação, por que ele colocou uma mão no meu peito para
manter-me segura, enquanto eu tentava levantar as costas da
mesa.

— É bom ver que você não está mentindo para mim.

Então seu toque desapareceu até que senti seu dedo


traçando o meu lábio superior.

— Abra. — Abri a boca e me provei, enquanto chupava


o dedo dele. Ele, de repente, retirou o dedo e substituiu-o por
sua boca. Por um momento, foi suave, enquanto sua língua
rodava e eu provei a mim mesma, então o peso dele estava
em cima de mim e ele, verdadeiramente, possuiu minha boca.

Tomando.

Reivindicando.

Feroz e quase zangado.

Seu peito estava nu contra o meu, mas o tecido áspero


do seu jeans estava friccionado contra mim e eu queria senti-
lo, todo ele. Seus dedos enrolaram em meu cabelo, puxando,
quando ele inclinou minha cabeça, ligeiramente, num severo
ataque, como se não conseguisse beijar-me com a força
necessária.

Ele foi agressivo quando me empurrou contra a mesa, a


borda quase cortava a parte superior das minhas coxas, mas
não me importei por que queria um Deck como este. Isto era
ele estando fora de controle e Deck nunca estava
descontrolado. Eu fiz com que ele perdesse o controle e isso
não podia ter me excitado mais.

Ele rosnou baixo e então se afastou.

— Mantenha os olhos fechados. — Parecia que ele


tinha recuperado algum controle quando seu peso saiu de
cima de mim, mas eu ainda podia ouvir sua respiração
pesada e sabia que ele não tinha me deixado, outra vez. O
que eu não sabia era o que ele ia fazer a seguir.

Então ouvi o couro ranger quando ele se sentou, de


novo, em sua cadeira e ele a movimentou. Era para mais
longe ou mais perto de mim? O que ele iria fazia?

— Abra mais as pernas para que eu possa ver sua


boceta brilhar.

Engoli e fiz o que ele pediu, meu estômago dando


saltos.

— Mais.

Eu abri e senti a pressão em minhas coxas, por causa


da posição em que estava. Não era doloroso, apenas
desconfortável, quando tudo o que eu queria fazer era colocar
minhas pernas em volta da cintura dele e sentir seu pau
dentro de mim, novamente.

— Boa menina. — Senti seus lábios beijar a parte


interna da minha coxa e quase pulei da mesa e me joguei em
cima dele. Em vez disso, respirei fundo e gemi, prestes a dizer
seu nome e implorar quando ele se afastou novamente. —
Gosta disto, Georgie?

Balancei a cabeça. Eu nunca tinha estado tão excitada


na minha vida e eu tinha um monte de livros e um vibrador,
que eu usava para minhas fantasias sobre Deck. Mas nunca
tive uma fantasia assim.

— Você me quer?

— Sim. — Era uma súplica, sem fôlego.

— Você nunca mais vai mentir novamente, não é?

Balancei minha cabeça. Ele sabia muito bem que eu


diria qualquer coisa agora.

— Uma mentira e isto termina. Eu vou embora. E


Georgie, eu não vou voltar.

Fiquei tensa. Agora que eu tinha Deck, não podia


imaginar não o ter, mas ia ser muito difícil explicar a
purificação e todo o resto. Ele nunca entenderia porque tive
de fazê-lo. Merda, nem eu entendi bem. Kai parecia entender.
O encantador bastardo tinha uma mente doentia. Não quero
nem saber o que aconteceu com ele, para deixa-lo assim.

— Você quer gozar? — Deck perguntou.

— Querido, meu clitóris é uma granada com o pino


puxado.
Ele riu e quase abri os olhos com o som desconhecido.
Deck raramente ria e o calor que encheu meu peito parecia
como se ele tivesse me levado para o céu.

Então a língua dele entrou no meu corpo e, eu suspirei


de alívio. Suas mãos agarraram as minhas coxas, e ele
começou a lamber minha boceta, provando, enquanto o
barulho de seu gemido vibrava contra mim e me fazia arquear
contra ele. Suas mãos apertaram minhas coxas e as abriram
ainda mais.

Ele estava circulando, sugando, tomando devagar e


intensivamente minha umidade. Sua mão deixou minha
perna e ele enfiou um dedo dentro de mim, dei um grito
misturado com suspiro. A pressão aumentou rapidamente,
enquanto ele tirava e colocava seu dedo dentro de mim, ao
mesmo tempo em que a sua língua me lambia e sugava,
repetidamente, até que eu gritei. Arqueando em direção a ele
e agarrando sua cabeça, enrolando os dedos em seu cabelo.

Ele continuava prolongando meu orgasmo, até que eu


estava tão sensível que afastei a cabeça dele. Ele rosnou para
mim e agarrou meus pulsos, forçando-os para baixo, com
força, em cima da mesa e prendendo-os no lugar. Nem por
um segundo sua língua parou.

Minhas pernas tremiam e estavam se fechando sobre


os seus ombros, enquanto eu balançava para me afastar da
sua boca.
— Deck... — Estava me machucando. Desconfortável.
Quase doloroso até que, de repente, todo incomodo parou e
senti a pressão familiar se construindo dentro de mim,
novamente.

— Oh, Deus. Oh, Deus! — Outro orgasmo me atingiu,


como um raio e bati a minha cabeça contra a mesa, quando
gozei, de novo. Eu lutava contra suas mãos, enquanto meu
corpo arqueava e tentava enrola-se nele.

Finalmente, ele deu uma longa e lenta lambida e me


largou.
Capítulo 13

Deck

Eu queria tanto enfiar meu pau nela que era como


tentar parar de beber um copo de água no meio do deserto.
Eu tinha certeza que ela não iria reclamar, mas eu sabia que
ela estava dolorida, depois de eu ter transado com ela como
um animal enlouquecido e, ela era virgem.

Jesus. Uma virgem. Mantive os meus homens a


vigiando, mas nunca suspeitei que ela não fez sexo. Ela falava
como se transasse. Eu odiava quando sua boca ficava falando
sobre foda, chupada ou qualquer coisa sexual. Ela até se
enxeriu com Crisis, o guitarrista da banda Tear Asunder.
Quase perdi a cabeça quando vi o braço dela em volta dele.

Crisis poderia ser um flertador e um vagabundo, mas


ele não era estúpido e tinha apoiado Georgie apesar dos seus
protestos. Na verdade, eu me perguntava se ela já tinha
dormido com ele. Agora, que eu sabia que não, percebi que o
aperto no meu peito se foi. Ela era minha. Completamente.
Sentei-me na cadeira e a olhei, enquanto ela deslizava
da minha mesa e colocava sua calça. Olhar para ela agora,
não era doloroso como tinha sido, durante anos. Agora, era...
Liberdade. Para hoje, amanhã. Para sempre.

Ela subiu no meu colo, colocando uma perna de cada


lado e ligou os braços em torno do meu pescoço. Coloquei
minhas mãos sob o bumbum dela e a segurei. Já tinha
percebido que ela ia ser atrevida. Georgie tinha um brilho nos
seus olhos que era como a estrela mais brilhante no céu.
Agora, esse pequeno sorriso dos seus lábios era sutil e eu
gostava mais assim. Às vezes, eu a olhava e achava
exagerado; pois parecia forçado. Agora... agora, ela parecia à
vontade, mesmo depois de ter se sujeitado ao jogo de
paciência da negação sexual. Esse maldito jogo quase me
destruiu e minhas bolas ficariam azuis para o resto da noite.

Eu aguento isso. Faço qualquer coisa para vê-la


daquele jeito, molhada, com as pernas abertas, tremendo e
peito subindo e descendo, enquanto esperava que eu lhe
desse o que seu corpo estava implorando.

Ela enrolou os dedos no meu cabelo, atrás da minha


nuca.

—Você já não é mais um biscoito, ou um Cupcake. Você


é um bolo com cobertura de coisinhas vermelhas.

Eu ri.
— Cerejas? — Não sabia de onde ela tirou a ideia de
comparar homens a sobremesas, mas era Georgie... E eu
achava aquilo adorável. Porra, eu disse adorável. Merda.

— Antes eu achava que você precisava de umas formigas


vermelhas... mas retiro o que disse.

Arqueei as sobrancelhas.

— Formigas vermelhas?

Ela deu de ombros.

— Sim, você estava muito tenso e eu poderia usar


algumas formigas vermelhas na sua bunda. Bem, você ainda
está tenso, só que é um tipo diferente de tensão.

Eu ri jogando a cabeça para trás e meu peito fez um


som profundo, áspero. Georgie estava me encarando com os
olhos arregalados e a boca aberta.

— O que mais você andou dizendo ou pensando sobre


mim?

— Bom o julgamento ainda não terminou.

Apertei as minhas mãos na bunda dela e espremi. Ela


gritou, eu sorri.

— Tudo bem. Posso ter dito que eu pensava que você


era um tipo chato que só gostava da posição pai e mamãe.

Eu nunca ri tanto na minha vida, porque isso era o mais


longe da verdade e tinha sido uma das muitas razões pelas
quais eu tinha me mantido afastado de Georgie. Eu era
exigente, controlador e, na maioria das vezes, eu gostava de
sexo selvagem, com força. Me perguntei se isso era parte da
razão pela qual Connor nunca me quis com Georgie.

Uma onda de dor me atravessou quando pensei em


meu amigo que já não era o cara despreocupado e risonho
que conheci. Em seguida, puxei-a para perto e beijei a testa
dela. Jesus, eu queria fazer isso há tanto tempo. Eu não
sabia quanto até este momento. Ela sempre tinha sido
minha, mas agora eu a possuía e nenhum outro receberia
qualquer pedaço dela. Kai, eu teria que lidar com ele “rápido”.

— Eu preciso ver Robbie novamente, Deck.

Fiquei tenso.

— Não.

— Você não pode tirar isso de mim. — Ela recuou um


pouco e sua mão acariciou meu braço, sobre a tatuagem, seu
dedo traçando as imagens.

— Georgie. — Me levantei, trazendo-a comigo e a


coloquei de pé, antes de ir embora. — Não.

— Deck...

Voltei até ela e a segurei pelos ombros. Eu sabia que


meus dedos estavam machucando-a, mas eu estava muito
furioso, só de pensar em Georgie perto daquele bastardo. Eu
iria cuidar daquele bastardo doente.
— Fora de questão. Não é uma discussão. Sei que você
acha que precisa vê-lo, mas a resposta é não. Não quero você
perto daquele desgraçado.

A voz dela era suave quando na minha frente ela


encontrou meus olhos, nunca oscilando sob minha
intensidade.

— Preciso disso.

Abruptamente a larguei e me afastei, depois bati na


pequena mesa de café, de vidro. O vaso no centro balançou
por um segundo e depois tombou.

— Porra, Georgie, você já está em terreno movediço.


Convém refrear seus desejos e necessidades.

Ela colocou as mãos nos quadris e me olhou.

— Meu terreno está movediço há anos; estou me


acostumando a isso. Você não pode me dizer o que eu posso
ou não fazer.

— Claro que sim, eu posso.

— Por que está tão zangado por causa disto?

Caminhei até à porta. Não sabia por quê. Ela dizer que
queria estar perto de Robbie o tinha tornado muito real. O
medo no qual ela tinha vivido. A dor. E depois sua
necessidade de se libertar. Jesus, eu não a tinha protegido. E
sabia que essa era a razão pela qual eu estava tão irritado.
— Qualquer merda que você tem com Kai terminou.
Ideias sobre chegar perto do desgraçado que te machucou,
“terminaram”. E este é o fim da discussão.

Ela ficou com o rosto todo vermelho e se não estivesse


tão brava, eu pensaria que era adorável. Merda, ainda era
adorável. Lá vou eu outra vez com o adorável. O que estava
acontecendo comigo?

— Eu não sou a garota que você acha que sou, Deck.

E aquilo me irritou para caralho. Por que não importa as


mentiras que ela contou, ela é a garota que eu conhecia. A
garota fraca, bêbeda e insensível, nunca foi a Georgie. Foi por
isso que eu sempre consegui resistir a ela. Eu não gosto
daquela garota.

— Sim, você é. Você é a mesma garota que conheci, mas


esteve se escondendo de mim, porra. — Eu mantive minha
voz calma e controlada.

Ela veio na minha direção e, por um segundo, pensei


que ela me ia dar um tapa - ou, pelo menos, tentar. Mas vi o
fogo nos olhos dela e não era apenas raiva, era calor.

Georgie pulou em cima de mim e envolveu suas pernas


na minha cintura e então os seus lábios estavam contra os
meus. Era muito gostoso. Não tive escolha senão agarrá-la
sob a bunda ou ela escorregaria dos meus braços e eu, com
certeza, não a deixaria partir.
Retribui o beijo, numa sede por ela, tão poderosa, que
era como se tivesse estado sem água há anos. Era impossível
me cansar dela. Impossível parar o desejo. A necessidade.
Isto me tinha sido negado durante tantos anos que
interrompê-lo agora, era como tentar parar uma manada de
elefantes.

— Baby... — Georgie murmurou contra a minha boca.

Eu amava que me chamasse assim. Nunca pensei que


gostaria, pensei que era cafona, mas vindo dos seus lábios,
era o paraíso. Pressionei minha boca na dela, sugando o ar
dos seus pulmões, tornando-o meu. Vacilei contra a parede, e
então, rapidamente, me virei para que as costas dela ficassem
contra a parede e fosse mais fácil segurá-la.

— Quando Kai encontrar o Robbie, preciso estar lá. —


Ela murmurou contra os meus lábios.

— Não. — Eu rosnei.

— Nós podemos...

— Nós? Quer dizer, você e quem - Kai? Porra, não. Você


está vivendo em outro planeta se acha que vai ver novamente
qualquer um desses bastardos.

— Eu não vou me machucar.

— Porra, pare de falar.

— Coloque seu pau dentro de mim e vou me calar.


Eu poderia ter rido dela, mas estava muito chateado e
excitado para fazer qualquer coisa que não fosse beijá-la mais
forte, para ela se calar. As mãos dela deslocaram-se para
frente da minha calça e enquanto eu beijava seu pescoço e
mordia o seu ombro, ela abriu meu jeans e tentou tirar meu
pau.

— Baby, ajude-me.

Sabia muito bem que tínhamos passado do ponto onde


eu tinha qualquer controle sobre mim, para conseguir parar
esta situação. A carreguei para fora do escritório e a levei
para o meu quarto, onde a joguei na minha cama.

Ela estava já sem calças no momento que fiquei nu, com


o preservativo colocado no meu pau e subi em cima dela. Ela
nem me deixou beijá-la, antes de agarrar meu pau
endurecido e o colocar entre suas pernas.

Ela inclinou os quadris para cima e a ponta entrou.

— Jesus, Georgie. — Eu entrei lentamente, sem querer


machucá-la, mas ela tinha outras ideias e agarrou meu
quadril, dobrando os joelhos ao colocar os pés sobre a cama.
Então, empurrou para cima e afundei nela, com força e
profundo.

— Oh, Deus. Sim. — Ela voltou a colocar a cabeça no


travesseiro e deslocou as mãos para agarrar a cabeceira da
cama. — Foda-me.
Eu estava tão excitado que congelei, enquanto a olhava
se contorcer debaixo de mim com meu pau embrulhado no
seu calor. Os olhos dela se abriram, ela sorriu e, meu coração
disparou.

Deus, ela era minha. Nunca pensei que teria essa


chance. Merda, eu tinha sido cuidadoso em manter a
promessa a Connor e, quando ela começou a beber e a
frequentar as festas, eu sabia que nunca poderia ficar com
aquela garota.

E agora... ela teria que aceitar tudo sobre mim, por que
ela estava trancada a mim, e não havia nenhuma chance dela
receber a chave de saída.

— Deck?

Eu nunca tinha estado tão, literalmente, congelado.


Nunca tinha acontecido. Era muito perigoso na minha linha
de trabalho e, ainda assim, olhando para ela, sentindo meu
pau aninhado, apertado, seu corpo esticado... até os
destaques azuis no cabelo, caído no travesseiro branco...
tudo. Este momento era... perfeito.

— Baby? — Ela estendeu a mão e acariciou a cabeça,


seus olhos eram macios e ardentes, ainda com o desejo. — O
que há de errado? Você está bem? Você não quer fazer isto?

E ali estava a Georgie que ela tinha mantido escondida.


A parte dela que eu estava querendo ver novamente. Sua
vulnerabilidade, seu carinho, doçura. Tudo tinha estado
enterrado sob as mentiras.
Porra, eu a amava. Sempre a amei. Eu faria qualquer
coisa por ela, e talvez fosse loucura amar alguém tanto
quanto eu a amava, mas Georgie era minha melhor parte.
Sem ela, eu tinha certeza que iria afundar na escuridão da
minha mente e nunca emergiria. Ela me deu luz para
continuar voltando. Para afastar para longe o mal do qual eu
estava rodeado, dos pesadelos, da frieza e ela me fez humano
novamente. Ela continuou me trazendo para cá - para ela.

E talvez ela tivesse razão e realmente precisasse rever


Robbie. Eu sabia o que era precisar terminar um assunto.
Não queria manchar sua vida com essa merda, mas este
assunto já tinha contaminado-a. A única coisa que eu não
podia permitir era que ela me visse torturando o bastardo.
Porque ele iria sofrer pelo que fez com ela.

— Tudo bem. Mas eu irei encontrá-lo. Não Kai.

Seus olhos se arregalaram, com surpresa.

— Sério? Você está bem com isso?

Balancei minha cabeça.

— Não, querida. Não estou bem com isso. Mas você


precisa disso, então nós vamos tratar disso.

— Está bem. Agora, pare de perder tempo e foda-me de


uma vez por todas. Estou quente e tensa e você está pesado
em cima de mim.

Eu a calei com beijos e então fiz o que ela queria, a fodi


mais duas vezes.
Capítulo 14

Georgie

— O que você está fazendo com isso?

Virei-me rapidamente, a arma caiu das minhas mãos e


bateu no chão.

— Oops.

— Oops? — Deck, meio nu e molhado do banho, com


uma toalha enrolada na cintura, caminhou através do quarto
e pegou a arma. Ouvi alguns cliques antes dele a jogar na
cama, então, abriu a gaveta da cabeceira e colocou as balas
dentro. — Uma arma carregada. Você estava o quê... vendo se
atirava no pé?

Eu ri, revirando os olhos, e então o olhei de cima a


baixo. O cara realmente não sabia como ser mau.

— Baby, você está tão gostoso em uma toalha. Eu estava


pensando... — Deitei na cama e me estiquei. Passamos o dia
fazendo sexo e não falamos em porcaria. Ele insistiu para eu
ficar por cima, por causa das minhas costas, mas não
importa qual posição começávamos, sempre terminávamos
com ele em cima de mim.

Ele até me trouxe um sanduíche na cama e me


prometeu uma surra se eu deixasse migalhas em sua cama.
Claro que deixei migalhas e o castigo foi ele empurrando seu
pau dentro de mim.

— Talvez pudéssemos ir nadar e fazer um pouco de sexo


na piscina. — Sugeri, tentando aliviar o momento.

Sua carranca se aprofundou.

— Você tinha uma arma na mão, apontada para o pé e


ela estava carregada.

— Então, isso é um não? — Ronronei e depois deslizei


da cama, fazendo questão de expor minhas pernas nuas. Eu
estava vestindo a camisa dele, que caia até o início da minha
bunda. Ela podia esconder os meus seios, mas eu suspeitava
que Deck era um homem de perna.

— Em primeiro lugar, me diga por que diabos estava


com uma arma. — Ele jogou a toalha na cama, sem vergonha
de sua nudez e fiquei feliz em ver que ele tinha um baita
tesão. A questão era ver como eu poderia fazê-lo deixar esta
questão e se concentrar em coisas mais produtivas.

Me joguei na cama, ficando sobre a minha barriga e me


apoiei nos cotovelos, com a camisa agrupada ao redor da
minha cintura. Eu estava dando-lhe uma bela vista da minha
bunda, pois ainda não tinha colocado calcinha, porque
pretendia nadar e fazer sexo na piscina. Mas Deck estava
tomando banho no chuveiro e eu fiquei curiosa sobre a arma
dele, deitada sobre a cômoda.

Balancei as minhas pernas para trás e para frente,


cruzando-as.

— Você sabe, eu estava pensando sobre o quanto eu


gostaria de te provar. As minhas fantasias ainda estão muito
longe da realidade. Quero sentir o gosto salgado do seu pré-
sémem e então quando você vem na minha boca... —
Continuei enquanto olhava para ele.

Ele estava vestindo uma calça preta. Agora, estava com


elas a meio caminho das coxas e seu pau espreitando para
fora, enorme. Ele se acomodou dentro das calças, as puxou e
caminhou direto para mim, puxando-me até que eu estivesse
sentada em seu colo.

Eu sorri.

— Você acha que eu poderia toma-lo em minha boca?

— Georgie.

— Porque ele é monstruoso. — Ele estava me ignorando,


embora eu estivesse elogiando seu pau.

— Nós agora, estamos resolvendo um assunto, caralho.

Suspirei. Parecia que eu estava perdendo esta batalha.

— Quem recusa um boquete?


— Eu amo sua boca atrevida, querida. Provavelmente a
amaria ainda mais em volta do meu pau, mas vamos
esclarecer uma coisa. Faço uma pergunta... quero a resposta.
Não respostas engraçadinhas. Sem tretas. É assim, para não
termos problemas. Tenho sido justo com você? Dando-lhe
tempo para endireitar sua cabeça?

— Minha cabeça não está bem. Ela agora meio que está
na terra dos doces.

Ele levantou as sobrancelhas.

— Terra dos doces?

— Sim, você sabe, Bombom, fantasias doces. Você é a


minha terra dos doces. Finalmente estou começando a sentir
o gosto e quero mais. — A tensão em torno de seus lábios
aliviou e seus olhos ficaram suaves. Sim, ele era minha terra
dos doces. — Deite aqui. — Apontei para o lado da cama. Ele
me tirou de seu colo, se jogou em cima da cama, inclinou-se
contra a cabeceira, colocou os pés para cima e cruzou os
tornozelos. Arrastei-me até ao lado dele e, ele agarrou a
minha coxa, colocou a minha perna em cima dele e então
descansou a mão nela.

—Terra de doces ou não, nós precisamos conversar,


Georgie.

Posição de conversar. Não posição sexual. Ele era


inabalável sobre isto; era como tentar excitar um tronco de
árvore.
— Vamos começar com uma coisa simples... por que
quis ficar com Kai?

Eu ri porque essa foi a mais difícil.

— Eu não usaria o termo “ficar”...

— Você está certa, péssima escolha de palavras. Como


Kai encontrou você?

Isso era mais parecido com Kai. Ninguém o encontrava,


ele sempre encontrava as pessoas.

— Robbie. — Meu peito se apertou quando pensei


naqueles meses, quando eu estava tão perturbada e
devastada que cedi completamente a Robbie. —Passaram-se
uns três meses, com ele fazendo merda comigo, no barracão,
mas, um dia, ele me agarrou e me levou para a casa dele,
depois da escola. Eu não lutei. Só caminhei ao lado dele como
um cachorrinho na coleira. — Senti as lágrimas picarem
meus olhos por ter sido tão fraca. Eu me odiava tanto.

— Foi onde conheci o Kai. Ele estava conversando com


um dos irmãos de Robbie, na sala de estar. Robbie tinha
posto o braço em volta dos meus ombros e me puxado para
ele, então beijou o topo da minha cabeça, como se eu fosse
sua namorada ou algo assim. Eu quase vomitei seu tapete.
Ele me levou para o quarto dele, onde me cortou e depois
tirou fotos de seu trabalho. Ele tinha um fichário. Era onde
guardava todas as fotos. Eu não era a única. — Inalei uma
respiração instável quando a memória voltou, juntamente
com o sentimento de impotência, de estar separada do meu
corpo e de desespero. — Quando Robbie me deixou ir para
casa, eu estava andando pela rua quando Kai parou e me
disse para eu entrar. Não pensei sobre isso. Apenas fiz o que
ele pediu. Não é como se as coisas pudessem piorar. Acho
que queria que Kai me matasse, me machucasse, qualquer
coisa para parar o que eu estava sentindo. Tinha tanta
saudade de Connor, rezei para que ele voltasse e me
ajudasse. Eu sei que se ele estivesse vivo...

Olhei para o Deck e seus olhos estavam em mim. Eu


esperava raiva, mas, ao invés disso, eles estavam calmos,
como se ele estivesse me dando essa parte dele, para eu
conseguir dizer-lhe isto.

— Mas Kai sabia. Não sei como, mas ele sabia o que
Robbie estava fazendo comigo, e me deu uma saída. A
princípio, eu recusei. Eu estava tão perdida e imune à dor
que não me importava com nada. E eu tinha pavor de Robbie
descobrir e ir atrás de minha mãe, como disse que faria.
Connor tinha sumido e você...

— ... estava no exterior.

Balancei a cabeça.

— Eu te odiei por muito tempo, por ir embora. — Ele


gentilmente empurrou o meu cabelo para trás e beijou o topo
da minha cabeça. — Eu sei que era burrice, mas acho que
uma parte de mim esperava que você... Merda, não sei o que
eu esperava. Mas agora sei que você teve que voltar para sua
equipe.
— Teria ficado se eu... — Ele suspirou, juntando os
nossos dedos. — Não sei se isso é verdade. Se me tivessem
dado a escolha de deixar o JTF2 naquela época... Querida, eu
não teria ficado. Não podia estar perto de você. Eu precisava
de tempo para tentar te esquecer..., mas porra, eu não tinha
ideia disso.

Balancei a cabeça. Sim e eu nunca o culpei por não me


salvar de Robbie. Culpei-o por não lutar pelo que existia entre
nós.

— Os irmãos de Robbie estavam metidos com um moto


clube. Kai foi contratado por eles para recuperar o dinheiro
deles... quando ele viu o que estava acontecendo comigo,
disse que faria o trabalho, para mim, gratuitamente. — O
corpo de Deck estava tenso. — Kai incriminou Robbie, no
Outono, com as drogas na escola.

— Então, ele foi preso.

— Sim e ele tinha acabado de fazer 18 anos.

— E os irmãos?

Dei de ombros.

—Kai nunca disse e, nunca perguntei.

— O que Kai queria era te dar algo que lhe fizesse


confiar nele. — Sim. Eu confiei nele, porque ele me salvou de
Robbie, quando eu pensava que ninguém mais podia fazer.

— E ele me ofereceu uma forma de recuperar o que


perdi. — Deck não disse nada. Então continuei.
— Eu estava muito mal depois disso. — Senti-me como
um pedaço de carne, sangrando. — Kai me ajudou. Acho que
era uma espécie de formação. Principalmente psicológica.
Você sabe, aprender a esconder suas emoções, controlar o
que pessoas pensam de você, lendo seus movimentos, gestos,
sinais de fraqueza. Ele me ensinou autodefesa e como usar
uma faca. E certas habilidades no computador.

— Não uma arma?

Balancei a cabeça.

— Não. Kai não gosta de armas. Ele disse que elas são
perigosas. — Deck zombou disso. — E eu nunca tive a
intenção de usar uma.

— E Robbie?

— Ele desapareceu quando foi libertado da prisão. Eu


acho que ele tinha medo de Kai.

Deck pegou meu queixo com o polegar e o indicador.

— Por que não me disse, Georgie? Por que, depois de


todos estes anos, guardou isso de mim? Você sabe que eu
teria te ajudado. Merda, eu teria encontrado Robbie e o teria
feito sofrer pelo que fez a você.

— Kai... Havia uma condição. Eu nunca poderia contar


a ninguém sobre ele. Ele sabia sobre você. Sobre a morte de
Connor. E ele sabia que... Ele sabia que você era o meu ponto
fraco. — Deck largou meu queixo e desviou o olhar. — Mas se
eu te dissesse... — Hesitei. —Deck, se tivesse te contado, o
que você faria?

— Você sabe muito bem o que eu faria.

Concordei, não dizendo nada. Deck teria tentado


terminar as coisas e Kai teria matado ele. Ele ainda poderia.

— Eu fiz pequenos trabalhos para ele. Lionel era um


emprego. Eu deveria entrar em seu computador e copiar seu
disco rígido.

— Porra.

— Nunca sei os detalhes. Kai diz que é mais seguro


assim.

— Então, foi à casa de um cara para roubá-lo?

Balancei a cabeça.

— Jesus, Georgie. Você sabe como isso é perigoso? E se


ele descobrisse? E se ele a pegasse? — Ele socou o colchão.
— Merda.

— Lionel é um fraco, Deck. Eu conseguiria lidar com ele.

Ele bufou, saiu da cama e começou a andar.

— Kai estava envolvido com o tráfico sexual. Não sei de


que forma, mas foi o suficiente para levá-lo para o México.
Você sabe disso.

Não sei os detalhes do envolvimento do Kai nisso.


Merda, Kai manteve tudo o que ele fez de mim.
— Ele não machucaria...

— Ele é perigoso para caralho.

— E você, não é?

Ele não disse nada.

— Quando você resgatou London do leilão e a trouxe


para minha casa... — Os olhos do Deck se fixaram em mim.
— Liguei para Kai. Disse-lhe que ela estava comigo, mas ele
já sabia. Ele estava tentando obter informação sobre o
transportador do comércio de sexo, Jacob. A única maneira
de chegar perto dele foi através de Alfonzo, então ele fez um
acordo com Alfonzo, ia trocar London por dinheiro.

— E ele não pretendia cumprir com o combinado.

Balancei a cabeça.

— Ele queria ser levado até ao transportador.

— Jesus Cristo. Você quase morreu. Eles te drogaram


e....

— Kai não deixaria nada acontecer comigo.

— Parece muito segura sobre um homem que estava te


usando. Porra. E ele a convenceu a não me dizer nada, por
que sabia que eu nunca deixaria esta merda acontecer.

— Eu estava usando-o também, Deck. Queria que


Robbie parasse. Não o deixaria magoar outras garotas e Kai
está procurando uma maneira de chegar até ele.
— E isso levou o quê… Sete anos? — Deck zombou. —
Bobagem. Ele está te usando e criando a ilusão que um dia
vai pegar Robbie para te manter cooperante, porra. Isso é o
que ele faz, Georgie. Ele usa as pessoas. É tudo o que ele
sabe fazer. Você já se perguntou o que ele vai fazer com você
quando Robbie estiver morto?

Eu não estava realmente certa, por que eu já tinha


perguntado isso ao Kai, e ele disse que primeiro tínhamos
que encontrar Robbie.

—Não sei.

— Sim, por que ele não quer que você saiba.

— Kai não compartilha muita coisa com a gente.

— Nós? Quantas pessoas trabalham para ele?

Dei de ombros, porque sinceramente não sabia.

— Tanner e eu somos tudo que sei. Mas eu suspeito que


tenha outras, em outro lugar. Ele não fica quieto por muito
tempo, e, às vezes, fico sem saber dele durante meses.
Quando ele estava cuidando de London, ficou desaparecido
durante alguns meses. Pensei que ele tinha morrido.

— E essa história de você estar bebendo?

— Kai pensou que eu precisava de um disfarce... —


Respirei profundamente. — Se eu te mantivesse focado na
minha bebedeira e no fato de eu estar sempre festejando,
você não veria o que eu realmente estava fazendo, em minhas
missões. Ou com meus alvos.
— Jesus Cristo. Eu vou matar aquele filho da puta.

— Ele nunca me forçou. Eu fiz essa escolha.

— Se eu não tivesse agido mal, isto nunca aconteceria.


Nada disto.

Provavelmente não, mas...

— Você não agiu mal. Apenas voltou para sua equipe,


Deck. — Mas dois anos foi muito tempo e, a essa altura, eu
estava tão envolvida com Kai que, mesmo quando Deck
voltou, sabia que parar era impossível. Esta conversa era
exatamente como eu sabia que ele iria reagir. Ele iria querer
ir atrás de Robbie, Kai. E depois? Kai iria matá-lo, como
sempre ameaçou fazer. Eu não ignorava que Deck era capaz
de cuidar de si mesmo, mas de jeito nenhum, eu o perderia
por causa de uma coisa que eu poderia evitar que
acontecesse.

Durante anos, eu tentei evitar este resultado, e, mesmo


assim, aconteceu. Só que algo tinha mudado. Kai não queria
matar o Deck. Por quê? O que Kai queria?

Eu disse baixinho.

— Preciso de Kai.

Seus olhos escureceram, quando ele olhou para mim.

— Diga-me que não “te ouvi dizer que precisa de Kai”.


— Você me ouviu bem. E você sabe o que eu quero dizer.
— Eu precisava de Kai, para ele conseguir encontrar Robbie e
o impedir de ferir outras pessoas.

Eu nunca desistiria, não importava quanto tempo


demorasse. O desgraçado tinha de ser encontrado. Havia
uma razão pela qual ele estava escondido. Sem chance de ele
ser um cidadão exemplar e, se por algum milagre, ele fosse...
bem, então eu ia estar lá para ver por mim mesma.

— Não acredito que você disse isso depois que transei


com você. — Dei um pequeno sorriso, por que Deck estava
agindo com ciúmes. —Georgie... Isto não é um jogo. Kai não
dá a mínima para ninguém, nem para si mesmo. Você não
precisa dele, porra.

Sentei-me, colocando as pernas na lateral da cama.

— Ele está procurando por ele há anos, Deck. Eu sei


que você tem contatos e pode procurá-lo, também, mas Kai
vai fazer o que precisa ser feito. — Ele vai matar Robbie.

— E eu não? Esse é o meu trabalho.

— Não, Deck. Não é isso. — Bem, eu não queria nada


disto para Deck.

Ele se virou, caminhou até ao banheiro e o ouvi


quebrando uma gaveta, então ouvi a porta do chuveiro bater -
violentamente. Quando ele voltou, seu rosto estava protegido
com uma máscara fria, das trevas. Ele estava indo para o
lado escuro.
— Você não vai ser manchada por esta merda, não mais.
Tudo o que precisa ser feito, eu farei. — Ele andou e passou a
mão pelo cabelo. Eu nunca tinha visto o Deck tão
perturbado. Ele era sólido como uma pedra... Ele era a minha
força, e não gostei de tê-lo colocado nesta posição.

— Deck. — Deus, eu fiz isso.

— Minha garota não chegará perto de um homem que


lhe colocou cortes nas costas.

Eu suspirei, então deslizei para fora da cama, e fui em


sua direção. Ele me ignorou. Fui para trás dele, enrolei meus
braços ao redor da sua cintura e coloquei a minha cabeça em
suas costas.

— Eu amo te ouvir me chamando de sua garota. — Senti


a tensão deixar seu corpo, como se ele estivesse se afundando
em mim. Ele estava tentando me proteger, onde pensou que
falhou. — Não importa o que eu fiz, você nunca me deixou.
Você me protegeu e aturou todas as minhas besteiras. Mesmo
agora... as mentiras... você não me deixou. Nunca falhou
comigo, Deck. Você me salvou, mais uma vez. Por favor,
deixe-me tentar mantê-lo seguro disto.

Ele estava quieto, mas minhas palavras não aliviaram


sua tensão, pelo menos não tanto como eu queria.

— Onde está Kai? Liguei e ele não me atendeu.

Suspirei. Ele obviamente não quer falar sobre isso.


— Ele muda de celular constantemente exceto o número
que tenho. — Sempre era Kai que chamava as pessoas.

Escorreguei para longe dele, caminhei até à mesa de


cabeceira e peguei meu celular. Coloquei a senha, e depois
outra, para chegar ao número dele. Apertei o botão da
chamada. Quando Kai respondeu, ele não estava charmoso,
como era seu costume; ele era o bastardo duro, frio e tinha
muitos demônios em seu passado. Não tive tempo de falar
nada antes de Kai me mandar passar o celular para Deck. Eu
passei.

Eu conhecia Deck o suficiente para saber que tentar


ouvir e descobrir o que ele estava dizendo à Kai era
impossível.

Saí da sala, e, a cada passo, senti os olhos do Deck em


mim. Quando olhei de relance para trás, por cima do ombro,
vi o seu rosto, enquanto ele segurava o celular junto ao
ouvido - pura ira.

Lágrimas concentraram-se em meus olhos quando


fechei a porta atrás de mim.
Capítulo 15

Georgie

Depois de ter dito tudo a Deck, eu estava realmente


arrasada… parecia que tinha sido atropelada por um touro e
depois partida em pedaços. Eu não gosto que minhas
emoções estejam todas embaralhadas. Eu estava escondendo
isso de Deck – e de todos – por tanto tempo que agora eu
estava sobrecarregada, por tanta culpa. Era como ácido
manchando minha alma, uma alma que já havia sido
danificada, mas eu consegui sobreviver com isso fazendo o
que eu fiz. No entanto, eu tinha dúvidas. Não sobre ir atrás
de Robbie, nunca. Eu queria que ele se mijasse de medo. O
que eu duvidava era quem eu era agora. Sentia-me como se
eu fosse parte Chaos, parte Georgie e parte a menina
inocente que uma vez eu fui. Eu não sabia quem era meu
verdadeiro eu, não mais.

Deck tinha entrado em seu escritório, ainda


conversando com Kai, há três horas atrás. Assisti um filme,
descobri que Deck não tinha canais de televisão, apenas
filmes, e, em seguida, me sentei ao lado da piscina esperando
que ele saísse do escritório e se juntasse a mim. Fiquei à
escuta de sons, batidas ou gritarias, mas tudo permaneceu
em silêncio; não tenho certeza se isso era uma coisa boa ou
não. Com Deck, algumas vezes, o silêncio mortal era pior.

Eu já havia tentado abrir a porta de seu escritório e ela


estava trancada. Após o filme, tentei de novo, ainda fechada.
Como eu estava realmente entediada e nervosa, com o que
diabos ele estava fazendo, na terceira vez eu bati. Sua
resposta?

— Agora não.

A minha resposta?

— Quando?

— Quando eu tiver terminado.

Então, eu fiz o jantar, um feito surpreendente para mim,


considerando que eu não sabia cozinhar.

A banda Tear Asunder vinha todos os domingos, quando


eles estavam na cidade e eu ajudava a fazer a refeição e isso
era tudo o que eu sabia de cozinha. Era um grupo muito
grande agora que Kat e Emily estavam com dois dos membros
da banda, Ream e Logan, era como uma reunião de uma
grande família. Mesmo meus pais, muitas vezes, se juntavam
a nós. Crisis tinha uma coisa por minha mãe, bem, Crisis
tinha uma coisa por todas as mulheres. Ele era o guitarrista,
era um Deus do sexo... Pelo menos ele achava que era. Sendo
loiro, com uma bunda sexy e olhos diabólicos.
Eu tinha me atirado sobre ele... mais foi para fazer
ciúmes em Deck, foi quando eu estava bêbada, e naquela
noite não era uma bebedeira fingida - Eu estava realmente
bêbada. Deck acabou me jogando por cima do ombro e me
levou de volta à sua casa, onde o habitual aconteceu ... nada.

Puxei a tilápia para fora do forno e polvilhei um pouco


mais de pimenta limão, então distribui os feijões verdes
quentes. Depois derramei um pouco de molho de manteiga
sobre a coisa toda.

— Você fez o jantar.

Eu não tinha ouvido-o sair do escritório ou se aproximar


de mim. Levei um baita susto e quase deixei a panela cair.
Ela bateu ruidosamente sobre o balcão e salpicou restos de
molho.

— Se você quiser chamá-lo assim.

Ele agarrou meus quadris por trás, em seguida, se


inclinou e beijou o lado do meu pescoço, abaixo da minha
orelha direita.

Eu derreti, me afundando em seu toque como um caule


frágil de um dente de leão. Uau. Ele estava sendo doce. Eu
realmente não entendo, principalmente depois dele ter falado
com Kai. Mas eu estava tendo Deck, doce e depois de toda a
merda que eu lhe disse, eu ia aproveitar.

Ele levou os pratos para o terraço e eu peguei dois copos


de água gelada com limão. Quando nos sentamos e comemos,
o clima ainda era doce e..... Confortável. Deck realmente se
abriu e me contou sobre como ele e Connor competiram na
formação JTF2. Ambos estavam no topo da classe e Connor
se destacou em tudo que envolvia água, enquanto Deck se
destacou em planejamento tático. Estavam taco a taco, tudo
em aberto.

— E eu aposto que ele se gabava de tudo que fazia


melhor que você.

Deck riu.

— Claro que sim. Connor era um bastardo arrogante e


fazia todo mundo rir. — Sim, meu irmão era assim. Mesmo
quando estava chateada com alguma coisa boba, ele vinha ao
meu quarto e dentro de cinco minutos, me fazia rir. —
Quando estávamos focados em uma missão... — Deck fez
uma pausa como se pensando nisso. — Ele poderia colocar
um sorriso no rosto dos homens. Até mesmo em Vic.

Eu ri, e a tensão que eu estava sentindo saiu dos meus


ombros. Eu não tinha percebido como eu ainda estava tensa.
Olhei para Deck, sentado em sua cadeira, a dureza em torno
de seus lábios não estava lá... bem, era como se não
houvesse escudos entre nós. Éramos duas pessoas normais
conversando.

E eu o amava ainda mais por fazer isso. Me dar um


pedaço do meu irmão que eu não tinha visto.

— Seu irmão era bom no que fazia, Georgie. O melhor


homem na equipe. E ele adorava o que fazia, também. —
Notei um lampejo de inquietação em seus olhos, mas
desapareceu rapidamente, quando ele agarrou um feijão
verde e jogou-o na boca. — Nós estávamos em uma missão
disfarçada por três malditos dias. Sentados no deserto,
suando nossas bundas. Sem comunicação, exceto sinais de
mão. Mijar era o maior movimento que fazíamos. Nosso alvo
estava dentro de um paiol e ainda não tinha feito qualquer
movimento, mas tínhamos a informação que ele nunca ficava
em um lugar por mais de cinco dias. Por isso esperamos. —
Um lampejo de sorriso dançou em sua boca. — Seu irmão, ele
adorou. Era como um desafio para ver o quão longe ele
poderia empurrar a si mesmo. Enquanto o resto dos homens
estavam no limite e só queriam terminar aquela merda,
Connor estava relaxado. Nem sequer se perturbava. — Vi o
lampejo de algo em seus olhos, novamente. — Ele era bom
em seu trabalho, porque o amava, muito.

— E você?

Deck pareceu um pouco assustado com a pergunta, ele


colocou o garfo para baixo e olhou para mim.

— Sim, eu também. Ele foi minha casa, Georgie. Ele era


meu irmão. Agora os caras do Unyielding Riot4 são.

— Você é Inflexível e Connor um causador de Motim. É


por isso que colocou esse nome?

Ele assentiu com a cabeça.

— E sua casa de verdade? Irmãos? Irmãs?


4
Unyielding Riot – sig. Motim Inflexível
Ele deu de ombros.

— Nunca tive uma casa de verdade. Não tenho família.


— Ele fez uma pausa antes de dizer: — Eu matei o meu pai.

Puta merda. Tentei manter o choque fora do meu rosto,


mas eu sabia que ele deve ter visto meus olhos se arregalem,
em surpresa, porque ele estava me olhando quando disse
isso. Connor tinha dito que ele tinha ido para o reformatório,
depois para as ruas antes de entrar para o Exército. Foi por
isso?

— Eu tinha quinze anos. Ele estava batendo na minha


mãe, como sempre fazia. Porra, era uma coisa semanal em
nossa casa. Ele parou de me bater quando revidei, no ano
anterior. Na verdade, ele parou de bater em todos nós, por
algum tempo, depois disso. Então ... ele nos deixou. Não sei
por que, mas não me importei. Ele simplesmente desapareceu
e não o voltamos a ver por cinco meses. Minha mãe chorou
durante semanas. Acho que ela de alguma maneira o amava;
quero dizer, ele trazia-lhe presentes o tempo todo, depois que
batia nela. Aquilo me deixava doente, vê-lo agir todo
arrependido, enquanto o rosto de minha mãe estava preto e
azul e ela não podia sair de casa por semanas, sem um
chapéu e óculos de sol.

Eu sabia o que estava por vir. Um cara como aquele não


se afasta simplesmente.

— Ele voltou, com uma arma. Ele atirou nela, bem entre
os olhos, em seguida, chutou-a uma e outra vez. Foi no meio
da noite. Acordei com o tiro e fui correndo pelas escadas para
vê-lo batendo em seu corpo morto e sem vida. — Oh, Deus.
Eu me senti mal do estômago e coloquei a mão sobre a boca.
Eu não tinha percebido que eu estava chorando até que senti
uma gota lágrima quente na minha mão.

Deck estendeu a mão.

— Vem aqui.

Eu não hesitei, tomei sua mão e rastejei para o seu colo,


colocando minha cabeça em seu ombro. Ele apertou os
braços em volta de mim e acariciou meu braço com as pontas
dos dedos.

— Ele estava tão concentrado em minha mãe que nem


percebeu que eu desci as escadas. Eu pulei nele e nós caímos
no chão. Então eu comecei a dar socos. Eu não me lembro
por quanto tempo fiz isso, mas quando finalmente parei, ele
estava morto.

Eu sabia que infelizmente não era o suficiente ou até


mesmo apropriado. Eu estava começando a entender por que
Deck era tão protetor comigo. Ele cresceu tentando proteger
sua mãe e não conseguiu uma e outra vez. Até mesmo a
última vez, tinha sido tarde demais.

— Você era apenas uma criança.

A mão de Deck parou de acariciar meu braço, em


seguida, começou novamente.
— Você sabe, Connor mantinha uma foto sua com ele.
— E então ele terminou de falar sobre seu passado. —
Mantinha-a escondida na carteira. Ele nunca disse isso, mas
se preocupava com você, o tempo todo. — Ele fez uma pausa
e olhou diretamente para mim. — Eu também.

Minha respiração engatou quando nossos olhos se


encontraram.

— Já leu o diário dele, Georgie?

Balancei minha cabeça.

— Não. São os pensamentos privados dele e parece... eu


não sei - errado, eu acho. Mas eu costumava dormir com ele
debaixo do meu travesseiro. Quando a merda com Robbie
estava acontecendo, era a forma de eu me sentir segura... na
cama e a mão em seu diário.

Deck abaixou a cabeça e a balançou.

— Deck. — Esperei ele olhar para mim. — Você também


se foi. E também era algo que você tinha me dado.

Então ele me beijou. Foi súbito e inesperado a maneira


como ele agarrou a parte de trás do meu pescoço e me puxou
para ainda mais perto dele. Sua boca tomou a minha num
calor feroz. Um cobertor de formigamento caiu sobre mim,
conforme eu me enroscava nele, a invasão de sua língua me
alimentava, onde eu estava carente. E então eu entendi.
Tínhamos fome um do outro.
Ele se afastou e seus dedos no meu cabelo começaram a
massagear meu couro cabeludo, lentamente, enquanto ele
apenas me olhava. Ele parecia relaxado e contente. Nunca vi
esse lado de Deck; era mais quente do que o lado durão.
Hmmm, talvez não. Isso era questionável, porque ficar
pensando nele, trancado em seu escritório esta tarde, me
deixou impaciente e doente, para ter suas mãos em mim,
novamente.

— Vire-se, querida. — Ele colocou as mãos sob minhas


axilas e me ajudou a mudar de posição, para que minhas
pernas ficassem uma de cada lado dele. Meu estômago torceu
quando senti seu pau duro debaixo de mim. Coloquei minhas
mãos em seu peito, amando sentir seu batimento cardíaco
sob minha palma. Era como se ele se tornasse uma parte de
mim, me alimentando, acendendo alguma coisa que não
poderia ser apagado.

Deck me puxou para frente e beijou a ponta do meu


nariz. Era doce e eu gostei muito.

Olhei para o seu peito, lentamente desenhando círculos


sobre a parede dura do músculo.

— Eu amo estar aqui com você.

— Isso é por causa dos múltiplos orgasmos.

Eu ri.

— Também. — Deslizei meu dedo por seu peito e fui


descendo, até tocar entre suas pernas. Logo o senti tenso.
Seu pênis empurrou contra a palma da minha mão, mordi
meu lábio inferior e sorri, enquanto abria o zíper da calça.
Sua mão apertou meu quadril e ouvi um leve estrondo em
seu peito. Sorri ainda mais largamente. — Eu quero a
sobremesa.
Capítulo 16

Deck

Eu estava sofrendo por ter lhe dito aquela merda. A


única pessoa que eu já tinha contado sobre meu pai era
Connor. Mas por alguma razão, ao dizer tudo aquilo a Georgie
senti... que fazia sentido. Eu precisava que ela visse esse meu
lado. Não que eu a deixaria ir, mas ela precisava ver todas as
partes fodidas da minha vida e essas partes eram muito,
muito grandes.

Eu nunca me arrependi de matar meu pai. Nem uma


vez. Talvez tenha sido errado aos olhos da lei ou de um
psicólogo, mas eu não dou a mínima. Ele mereceu.

Georgie caiu do meu colo e todos os pensamentos,


estavam desaparecendo, exceto os referentes a ela. Ela
ajoelhou-se entre minhas pernas e então suas mãos foram
para minha calça e, ela desfez o zíper.

Quando ela puxou meu pau para fora, tinha uma


expressão petulante no rosto... puta merda, isso era algo que
eu imaginava ela fazendo, há anos.
Sua língua saiu e tocou a ponta. Enrolei minha mão em
seu cabelo.

— Querida.

Fechei meus olhos e minha cabeça caiu para trás,


quando ela agarrou meu pau e, em seguida, o deslizou para o
calor de sua boca. Apertei seu cabelo, tentando controlar a
vontade de forçá-la a ir mais profundo. Ainda não era a hora.

Ela chupou e sua língua sacudia em cima de mim,


enquanto sua mão agarrou meu pau, lento e com força. Ela
se moveu para cima e para baixo algumas vezes, em seguida,
o tirou da boca meus olhos se abriram. Vi-a ajoelhada no
chão, em frente a mim, faces coradas, os olhos curiosos e
fumegantes... meu controle vacilou.

Ela segurou minhas bolas, seus dedos acariciando


tentadoramente. Tentei trazer sua boca de volta para o meu
pau, mas ela resistiu e eu não gostei. Eu odiava não ter
controle e Georgie literalmente me tinha pelas bolas.

— Ponha a sua boca em mim. — Eu rosnei.

Ela apertou uma mão em minhas bolas enquanto a


outra me bombeou, com força, algumas vezes.

— Oh, baby não é hora de estar dando ordens. — Ela


sorriu e sua língua saiu e lambeu a cabeça mais uma vez.

Porra. Eu me mexi na cadeira, lutando contra a vontade


de jogá-la de costas e empurrar meu pau em sua garganta.
Então ela me tomou profundamente e eu podia sentir a parte
de trás de sua garganta, enquanto ela me chupava. O aperto
e o calor me causavam arrepios, provocando uma erupção e
fazendo meu peito apertar. Apenas quando pensei que eu iria
gozar tão forte como nunca tinha gozado em minha vida, ela
se afastou e sentou-se sobre os calcanhares.

— Ensina-me a usar uma arma.

— Jesus Cristo. — Eu estava sentado, com meu pau


duro como uma barra de aço, pulsando entre minhas pernas,
na frente da garota que eu queria há tanto tempo que se
tornou doloroso estar perto dela. No entanto, eu nunca
poderia ir embora. Então, ela vem com essa conversa e depois
coloca as mãos nas minhas coxas.

— Baby, por favor. Eu quero aprender. E eu quero que


você me ensine. É melhor do que aprender de algum gostoso
em um clube de tiro.

Merda. Eu nunca quis Georgie perto de armas ou da


merda que eu tinha no meu mundo escuro, mas vê-la
atrapalhada com minha arma me assustou pra caralho.

— Tudo bem.

Ela chegou para mais perto com as mãos acariciando


para cima e para baixo nas minhas coxas.

— Está dizendo isso porque quer que eu te chupe?


— Eu estou dizendo tudo bem porque eu não quero os
braços de outro homem em torno de você, te ensinando a
utilizar a merda de uma arma.

Ela riu, em seguida, agarrou meu pau na base e


apertou. Eu gemi, em seguida, observei como minha menina
colocou a boca de volta no meu pau. E parecia se deliciar.

Georgie

Deck e eu levamos os pratos de volta para dentro e ele


esfregou os potes e a panela enquanto eu secava. Eu estava
certa; ele era enorme e meu maxilar estava um pouco
dolorido por chupá-lo, mas ele sabia muito bem o que estava
fazendo e quando gozou na minha garganta, foi muito mais
que isso. Era sobre Deck estar vulnerável, era o que ele tinha
me contado sobre seu pai e sobre quando ele me deixou
tomar o controle sexualmente.

Ele me entregou o último pote e eu estava indo guardá-


lo quando ele me agarrou e me puxou com força contra ele.

— Seu irmão disse que sua cama era sua ilha


imaginária e que era ali que você e seus bichos de pelúcia
viviam.

Jesus, Connor tinha uma boca grande.


— As crianças tinham monstros no armário... eu tinha
tubarões nadando no meu quarto.

Ele colocou meu cabelo atrás da orelha.

— Eu vou matar todos para você, querida.

— Mmm, um pirata quente.

— Um pirata com uma prisioneira. — Deck beijou o lado


do meu pescoço e eu tremi, uma dor familiar estava
crescendo entre minhas pernas. — Quem precisa andar na
prancha?

Ele me virou em seus braços e fui recebida com um


sorriso brincalhão. Era como se nossos demônios estivessem
adormecidos, por apenas estarmos um com o outro.

— E isso significa?

Seu sorriso caiu.

— Significa que eu te quero na piscina em dois


segundos.

Eu levantei minhas sobrancelhas e coloquei minhas


mãos em cima das dele, que descansavam firmemente em
meus quadris.

— Bem, um pirata nem sempre consegue o que quer,


não é?

— Este consegue. — Antes que eu pudesse fazer


qualquer coisa, que não fosse gritar como uma menininha,
ele me jogou por cima do ombro e estava caminhando pela
casa, em direção ao terraço. Sem hesitar um segundo e ainda
com minhas roupas, ele me jogou na piscina.

Eu subi toda molhada. Deck estava em pé, na beira e eu


joguei água nele. Ele não se moveu, nem sorriu, mas ele não
era louco. Havia um calor em seus olhos que fazia meu
estômago embrulhar. Este era o Deck do escritório, tomando
o controle.

— Vai ficar aí ou vai ser o pirata que foderá comigo?

Seus olhos brilharam da mesma maneira quando


coloquei a mão em seu pênis.

Assim que ele me olhou, meu estômago ficou agitado.


Ele era meu. Depois de tantos anos fantasiando sobre ele e
tentando me convencer de que ele seria um saco na cama,
Deck era meu.

Nadei até o meio da piscina e vi quando ele tirou um


pequeno pacote prata, quadrado, do bolso e rasgou-o. Então,
ele lentamente tirou sua calça jeans e seu pênis saltou livre,
já duro. Ele arrancou a camiseta, colocou o preservativo,
então caminhou para o lado da piscina e olhou para mim.

— Na parte rasa. Joelhos na segunda escada, mãos no


degrau de cima.

Engoli em seco. Seus olhos estavam escuros e


apertados, me observando, ousado e inflexível, enquanto
esperava que eu obedecesse. Eu queria ser marota e
provocadora, mas me segurei. Algo em mim me fez segurar a
língua. E eu estava totalmente ligada por sua ordem,
pensando sobre o que ele ia fazer.

Suas sobrancelhas baixaram ainda mais e sua carranca


era como a que ele tinha no escritório. Eu sabia que ele iria
se afastar, caso eu recuasse. Deck estava no controle, eu ia
ser seu fantoche e esse pensamento ganhou força, enquanto
eu nadava até a outra extremidade da piscina.

Eu fiz o que ele pediu e minha bunda estava meio fora


da piscina. Eu o ouvi a aproximar, com pés descalços
andando de forma lenta e deliberada, enquanto caminhava
em direção a mim. Meu coração batia forte e foi ficando mais
rápido, quando olhei para cima para vê-lo de pé, na beira da
piscina em frente de mim.

— Cabeça para baixo.

Eu baixei. Só então que ele veio por trás de mim. Ele


puxou minha calcinha para baixo e eu levantei uma perna de
cada vez, enquanto ele a puxava e jogava de lado. Olhei por
cima do meu ombro e logo que eu fiz, eu senti uma palmada
contra a minha bunda.

— Olhos para a frente.

Merda. Isso doeu. Minha pele estava molhada, seu tapa


tornou-se pior, mas depois senti o calor de sua mão,
acariciando, onde a palmada picou. Suspirei e me forcei
relaxar, enquanto minha cabeça caia para frente.
Senti seu dedo, levemente, traçar um dos cortes. Eu mal
os sentia, agora que tinham cicatrizado.

— Isto não vai voltar a acontecer.

Eu não sabia o que dizer.

— Eu sei por que fez isso, Georgie. Usou a dor física


para mascarar a dor emocional. Mas podemos encontrar
outra maneira. Outra saída.

Suspirei e fechei os olhos. Sim. E eu já estava


começando a encontrá-la. Isto é o que eu queria. Necessitava.
Isso me libertou, me deu a liberdade de ser quem eu era.
Deck fez isso.

Eu sabia que ele ainda estava lutando para se libertar


da sua palavra para o meu irmão, mas eu esperava que com
o tempo a culpa fosse desaparecer e ele perceberia que isso,
que nós, éramos o certo. Sempre estivemos destinados um ao
outro. Nossos caminhos correram em paralelo por muito
tempo, tentando se cruzar, mas o fantasma de Connor e
Robbie e até mesmo Kai, nos manteve separados.

Suas mãos agarraram minha cintura, com força. Seus


dedos cavaram minha pele e me puxaram para trás, em
direção a ele, com força, quando seu pênis bateu em mim. A
água bateu com força, espirrando para fora e para a escada.

Meus joelhos doíam do degrau em cimento. Ele não


parecia se importar e seu corpo se inclinou sobre mim,
enquanto sua mão me empurrara mais para baixo, então eu
estive a arquear as costas.

— Eu vou te foder com tanta força, que você vai me


pedir para parar.

Puta merda. Uma onda de desejo se espalhou através de


mim.

—Ok.

— Sem falar. — Ele agarrou a parte de trás do meu


cabelo e puxou. — Mas gritar... é permitido.

Eu podia sentir seu pau na fenda da minha bunda e


queria empurrar de volta para ele, mas não me atrevi a me
mexer. Ele largou meu cabelo e deslizou a mão pelas minhas
costas até chegar a minha bunda. Em seguida, seu corpo se
moveu um pouco para trás e eu respirei profundamente, não
gostando dele se afastando. Eu queria me aproximar, olhá-lo,
senti-lo, mas sabia que ele não estava no clima para que eu
não seguisse suas instruções. Então esperei,
impacientemente, a humidade escorregadia crescia entre
minhas pernas. Então sem qualquer aviso seu dedo
escorregou na humidade boceta e depois pairou sobre a carne
enrugada da minha bunda.

—Um dia vou te foder aqui. — Ele circulou e eu gemi


com a sensação incomum de um dedo me tocando, lá. Eu
nunca pensei que iria gostar, mas ele me excitou ainda mais
quando começou a empurrar. Sua voz rosnou. —Relaxe.
Eu não podia. O sentimento era estranho e eu
instintivamente resisti à sua intrusão. Ele se afastou e eu
senti a água espirrar. Oh, Deus, ele estava indo embora. Eu
sabia que eu não podia dizer nada, então mexi minha bunda
e abaixei minha cabeça até que minha testa estava na
superfície da água.

— Vai me dar tudo de você? Cada parte, Georgie? — Sua


voz era grossa e severa. Um arrepio passou por mim e eu
assenti.

Ele não me deu qualquer aviso quando colocou o dedo


na minha bunda apertada e enrugada, novamente e,
empurrou. Fechei os olhos e lutei contra a vontade de apertar
aqueles músculos desconhecidos. Seu dedo deslizou dentro
de mim e eu suspirei com a sensação erótica.

Então, ele começou a se mover dentro e fora e meus


quadris começaram a balançar com ele.

— É isso aí. — Ele me acalmou, respirando contra o lado


do meu pescoço.

Sem aviso prévio e no ritmo de seu dedo dentro da


minha bunda, ele empurrou seu pênis dentro de mim e eu
gritei, jogando a cabeça para trás, em choque, com a invasão
repentina. Ele não parou. Com um dedo na minha bunda e a
outra mão segurando meu quadril, ele continuou se
movendo, movimentando a água entre nós e fazendo um
barulho alto. Seus impulsos ficaram mais fortes, mais rápido
e meu desejo crescia a cada empurrar e deslizar.
— Você pertence a mim. Toda você. — Seu dedo
escorregou de mim e ele agarrou do meu outro lado do
quadril e empurrou com mais força.

Arqueei minhas costas, contra seu abdômen. Querendo


mais forte. Precisando disso, da dor e do prazer girando em
torno de mim. Eu queria pedir-lhe que me tocasse. Pegar sua
mão e fazê-lo me tocar até que eu gozasse.

— Shh. — Deck murmurou, enquanto ele diminuía a


velocidade e as ondas na água acompanhavam o ritmo. Ele
sabia o que eu queria, ele deslizou a mão para baixo, sobre
meus quadris, em seguida, através de meu abdômen e a
afundando sob a água.

— Ahhh... — Eu gemi, no segundo que seus dedos me


tocaram e começaram um movimento circular. Meu corpo
estremeceu de volta contra ele e ele parou de se mover.

— Fica quieta!

Balancei a cabeça. Merda, eu faria qualquer coisa que


ele quisesse naquele momento. Ele esperou alguns segundos,
como se para ter certeza que eu estava obedecendo e então
seu dedo pressionou com força, meu clitóris e com uma
sacudida, eu já era. Ele fez isso várias vezes, em seguida,
começou a se mover dentro de mim, novamente, seu pênis ia
tão profundo que era perto de doloroso, quando ele
empurrava seus quadris para frente.

—Ninguém vai te tirar de mim.


Ele rosnou as palavras no meu ouvido, mas eu não
tinha certeza se ele estava dizendo isso para mim ou para si
mesmo. Minha respiração parou, quando seu dedo se moveu
mais rápido para trás e para frente, cada músculo meu
apertava. Ele colocou o braço em volta da minha cintura e me
puxou para mais perto dele.

Meu corpo gritava de prazer, uns formigamentos e um


brilho de fogos de artifício explodiu por mim. Seu braço
apertou e ele empurrou. Uma vez. Duas vezes. Três vezes e,
em seguida, ele gemeu baixo e estremeceu ao meu redor.

As ondas desaceleraram, assim como nós e, assim


ficamos eu de joelhos, ele por trás, me segurando perto dele.
Eu nunca me senti tão completa. Deck me trouxe de volta a
partir da dormência e das mentiras, me fez sentir viva.

Coloquei minha mão para trás e a deslizei para baixo,


em sua perna, debaixo da água. Ele beijou a minha nuca, em
seguida, encheu minha coluna com pequenos beijos, o que
eram doces e sedutores. Em seguida, sem dizer uma palavra,
ele me pegou em seus braços e me levou para dentro da casa.

Envolvi meu braço em torno de seu pescoço e ele ainda


não olhava para mim. Não até que ele me jogou na cama,
então eu tive um vislumbre do rosto dele. Seus olhos estavam
quentes e cheios de suavidade. As linhas duras em seu rosto
tinham ido embora, os seus lábios estavam relaxados e isso
me fez querer beijá-lo ainda mais do que eu já queria.

Estendi a mão.
Deck se ajoelhou na cama e montou em mim.

Então ele me beijou e eu estava perdida no beijo mais


tomador de alma que uma mulher jamais poderia ter. Estava
cheia de anos de desejo e querer... E nunca ser capaz de ter.
Era ele e, encontramos nossa paz juntos. Eram nossos
demônios sendo unidos e reduzidos a cinzas.

Era a sua promessa de amanhã, a demanda de hoje e


todos os dias depois.
Capítulo 17

Georgie

Eu acordei com a mão de Deck, aberta, sob meu


estômago, seu corpo nu pressionado contra as minhas
costas, uma perna por cima da minha e seu queixo apoiado
na minha cabeça. Ele respirava de forma constante e eu
fechei os olhos novamente conforme a sensação reconfortante
tomou conta de mim. Eu queria ficar aqui por dias, nos seus
braços e aproveitar cada parte dele.

O momento de pureza foi rapidamente interrompido


quando meu celular tocou. Tentei me mover para estender a
mão e agarrá-lo da mesa de cabeceira, mas o braço do Deck
me apertou e puxou-me para trás.

—Baby, meu telefone.

— Deixe-o tocar. — Ele resmungou.

— E se uma manada de elefantes cor de rosa invadiram


a cafeteria e Rylie estiver surtando? — Sorri, quando senti o
estrondo em seu peito enquanto ele ria.
— Josh está tomando conta do café. Se algo estiver
errado, ele vai me ligar.

Eu devia saber.

— Talvez Emily esteja pirando por causa do seu homem


não ser capaz de atuar e ela precise conversar.

— Logan não ser capaz de atuar no palco não é uma


emergência.

— Oh, eu não estava falando esse tipo de atuação.

Deck resmungou.

— Duvido que isso alguma vez tenha sido um problema


para Logan. — Ele se aconchegou para mais perto de mim e
sussurrou em meu ouvido: — E se for, não é problema seu.
Eu nem quero que pense nessa merda.

O meu telefone parou de tocar depois começou


novamente.

— Oh, eu aposto que é aquela doçura, Crisis. Eu estava


pensando que...

Eu gritei quando Deck me virou sobre minhas costas e


ficou em cima de mim com seu peso me prendendo para
baixo.

— Você se lembra o que eu disse a você na primeira vez


que fizemos sexo?

— Que ia me fazer gozar?


— Que isso, — Ele agarrou meu queixo, seu polegar
acariciando-o, — Isso implicava tudo. Eu perguntei se estava
pronta para isso. O que você disse, Georgie?

— Eu disse que sim, querido.

Ele balançou a cabeça, em seguida, estendeu a mão e


agarrou meu telefone.

— Tudo. — Repetiu ele. Eu pensei que ele ia passar o


telefone para mim, mas ao invés disso ele atendeu. — Sim.

— Ele está me sequestrado, — eu gritei, — e está me


dando grandes quantidades de orgasmos. — Eu ri.

Deck disse ao telefone:

— Sim, a segunda parte é verdade.

Eu realmente esperava que não fosse meus pais no


telefone. Merda, eu não tinha falado com eles desde o
hospital. Mas eu estava apostando que Deck tinha. O cara
não deixava nada por fazer. Não me admira que ele se
destacou em tática.

— Sim, Emily. Ela está bem. — Ele fez uma pausa e eu


podia ouvir suas palavras abafadas no fundo. — Eu não disse
que ela está bem? — Eu estava adivinhando, Emily descobriu
sobre o excesso de álcool e a internação.

Ele passou o telefone para mim, em seguida, saiu da


cama, apanhou seu telefone e já estava conversando com
Tyler, antes que entrasse no banheiro. Que foi uma decepção,
porque eu estava assistindo sua bunda caminhar por todo o
quarto e eu queria que ele andasse mais devagar. Muito,
muito lento. Ouvi Emily chamando meu nome e parei,
olhando para a porta fechada.

— Você e Deck? Sério? Como, como juntos ... juntos?

Eu ri e deitei-me sobre o travesseiro branco de pelúcia.


Deus, eu sentia falta dela e de Kat. Eu senti falta de todos da
Tear Asunder. É meio chato que eles agora fossem famosos e
nunca estavam por aqui. Eu tinha conhecido alguns dos
rapazes desde que começaram a vir para o café, antes de eu
mesmo ser a dona. Meninos do ensino médio tentando fazer
sua banda.

— Tipo, eu não sou mais virgem.

Silêncio, então.

— Você era uma virgem?

Ela disse isso alto e então ouvi os caras no fundo, o que


me pareceu como Crisis e Ream. Eu ri. Nós conversamos
sobre a turnê da banda e como Ream estava sendo um
maníaco por controle sobre a super-Kat. Em seguida, sobre o
quão louco era agora que a banda era tão popular. Eles
tiveram que contratar segurança e Logan insistiu em Emily
ter um guarda-costas pessoal, mas ele rapidamente desistiu
da ideia quando viu quão atraente era o cara. Ele acabou por
contratar um guarda-costas do sexo feminino.

Eu perguntei sobre Crisis, o baixista, quando ouvi o


chuveiro ser desligado. Então eu não estava realmente
concentrada em ouvir Emily, mas sim pensando em Deck,
encharcado e quando saiu do banheiro, ainda nu, gotas de
água deslizavam para baixo de sua pele brilhante...

— Tenho que ir, Eme. Te amo. — Joguei o telefone de


lado, quando Deck caminhou em minha direção. De repente,
ele parou, com as costas endurecidas e seus olhos se
estreitaram. Então, ouvi, como algo arranhar...

Ele me alcançou em dois passos, agarrou meu braço e


me puxou para fora da cama e me escondeu atrás da porta
do quarto. Soltei um gemido quando fui atingida por uma dor
aguda no meu quadril direito. Ele colocou a mão na minha
boca e me manteve presa contra ele enquanto ele sussurrava:

— Fique abaixada e não se mova. — Ele agarrou seu


jeans no pé da cama e o colocou, antes de pegar minhas
calças de moletom, camiseta e entrega-los para mim.

— Merda. — E murmurei sob sua mão.

Ele tirou a mão da minha boca, em seguida, agarrou-me


por trás do pescoço e antes que eu pudesse dizer alguma
coisa, ele me beijou. Foi intenso e rápido e terminou quando
eu tive que respirar.

Eu estava um pouco assustada sobre quem teria


coragem de invadir a casa de Deck. Ele era ou super corajoso
ou super estúpido.

Ele calmamente abriu a gaveta do criado mudo onde


tinha colocado as balas quando eu estava brincando com a
arma e, em seguida, ele foi para o armário, pegou a arma e
voltou.

Vi quando ele colocou as balas no lugar e me entregou.

Ele colocou as mãos por cima da minha.

— Ambas as mãos. — Sua voz era baixa e constante,


totalmente no controle. Era por isso que ele era ótimo no que
fazia. — Qualquer pessoa que vier em sua direção... — Ele
enrolou o meu dedo no gatilho. — Dispara.

— Essa é a minha lição? Jesus, Deck. Não recebo


nenhuma prática de alvo?

— Sim, o idiota que está invadindo minha casa é o alvo.


— Deck me puxou de volta, até que cheguei perto da cama. —
Não se mexa. Eu preciso saber onde você está em todos os
momentos. Atire em tudo que se mover.

— E se for você?

— Você não vai atirar em mim.

— Como você pode ter tanta certeza?

— Você não vai atirar em mim. — Deck estava chegando


perto do pé da cama.

Eu disse em um sussurro alto:

— Mas eu poderia se você me surpreendesse e....


Deck olhou para mim e sua expressão era feroz. Não um
feroz comum. Não, isso era imensurável e grave. Este era o
Deck que ia atrás a escória da Terra.

— Então, não se surpreenda. — Em seguida, ele se foi.

Eu não sabia como lidar com uma arma, mas eu não era
estúpida e tinha estado em torno de Deck toda minha vida.
Acho que eu estava recebendo minha lição mais cedo do que
eu pensava.

Mudei-me para o outro lado da sala, para atrás da porta


e espiei pela fresta. Eu ainda tinha um problema com as
ordens.

Deck

Quem diabos estava invadindo minha casa e como


diabos eles passaram pela portaria? Passei pelo meu
escritório, peguei minha arma e me arrastei pelo corredor.

Tyler estava vinho para aqui, mas ele teria batido.


Nunca teria entrado assim na minha casa, embora ele tivesse
uma chave. Eu tinha cancelado a faxineira por duas
semanas, até que toda essa merda estivesse resolvida.

Arrastei-me para o quarto de hóspedes, que era o mais


próximo da porta da frente. Não ouvi nada. Nada. Porra.
Esperei mais dois minutos e então deslizei ao longo da
parede do corredor novamente, olhando em torno do canto,
para a sala. Notei a porta da frente aberta...

Senti-o atrás de mim, um segundo tarde demais e, então


ele tinha o gume afiado da faca na minha garganta.

— E você é considerado o melhor.

Porra. Deixei cair minha mão e tirei meu dedo do gatilho


quando ele apertou a faca na minha garganta. Jesus, eu
estava muito focado em Georgie e não sobre no que diabos eu
tinha sido treinado para fazer.

— Você me deve uma fechadura nova.

— Fechadura? Tudo que fiz foi clicar e virar. Já ouviu


falar de segurança? Minha menina é um bem bastante
valioso.

Eu me virei e dei-lhe um soco na cara, fiquei um pouco


decepcionado quando ele não caiu. Teria lhe dado outro soco
se Tyler não tivesse vindo correndo pela porta e me agarrado.
Eu acho que eu teria, na verdade, matado o bastardo, ele
sabia disso.

Meu dedo, no entanto, estava de volta, no gatilho da


minha arma e apontei para ele.

— Calma. — Ele abaixou a faca, inclinou-se e colocou-a


em um coldre amarrado à perna. Kai endireitou-se e acenou
com a cabeça. —Acho que eu merecia isso.
— Deck, homem, precisamos dele. — De repente, eu
desejei que eu não tivesse chamado Tyler para vir esta
manhã. Que merda. Mais dois minutos e eu teria um corpo
morto para ele me ajudar a se livrar.

Tudo o que eu conseguia pensar era nos cortes em


Georgie. Suas palavras, ‘eu pedi para ele’, me devastaram e
foderam meu controle. Eu sabia por que ela tinha feito isso,
era uma forma de lidar com o seu passado. Sentir a dor e
manter-se forte, não fraca como costumava se sentir quando
ela tinha dezesseis anos. Era uma maneira clássica de lidar
com a merda na sua cabeça. Sinta a dor física, a fim de lidar
com a emocional.

Porra. Eu deveria ter estado lá. Eu deveria ter sido o


único a ajudá-la e o caralho do Kai estava lá, em vez de mim.
Eu estava cheio de fúria, mas baixei minha arma.

Assim que Tyler se afastou de mim, balancei novamente,


desta vez pegando Kai desprevenido e o joguei para o chão.
Ele balançou a cabeça, como se para limpá-la, em seguida,
levantou-se e nossos olhares se chocaram.

— Terminou agora?

O cara não tinha medo. Eu era o único com uma arma.


Cristo, ainda mais perigoso era alguém que não se importava
se vivia ou morria.

Kai era uma arma letal em pele de cordeiro como um


cavalheiro rico. Fingindo ser alguém que ele não era, assim
como fez Georgie ser. Seu leve sotaque Inglês era o toque final
à sua caricatura falsa.

Ele atravessou a sala e abriu a porta do corredor como


se fosse o dono do lugar ou um convidado bem-vindo. Que
filho da puta arrogante. Quando conversamos na noite
passada, eu disse a ele que nos encontraríamos hoje, mas eu
não tinha a intenção que fosse aqui ou com Georgie ao redor.
Kai, obviamente, tinha outros planos.

O bastardo saiu para o terraço, completamente à


vontade. Eu o segui.

— Onde está Chaos?

Levantei minha arma e apontei-a para ele, minha mão


estava firme como uma rocha, enquanto eu tentava me
impedir de matar o imbecil.

Ela tinha dezesseis anos quando o conheceu. Dezesseis


quando ele pressionou ela, uma menina vulnerável que
estava sendo abusada por um menino da escola e tinha
acabado de perder seu irmão. O filho da puta merecia uma
bala entre os olhos. Meu dedo se contraiu no gatilho.

— Deck. — A sua voz veio atrás de mim e sua mão se


estabeleceu na minha cintura. Eu abaixei a arma. Tentei
mantê-la a salva de situações como essa, durante toda a sua
vida, e a ironia era que ela estava em torno dela o tempo todo,
de qualquer maneira. — Hey, Tyler. — Ela fez uma pausa,
seu olhar caiu sobre Kai e ela levantou as sobrancelhas e
inclinou o quadril. — Já pensou em bater, idiota?
Senti um sorriso aparecer em meus lábios. Eu não tinha
certeza de como Georgie agiria com Kai, se ela tinha medo
dele ou não. Isso era um bom argumento para mim.

— Eu gosto de drama. — Disse Kai, puxando uma


cadeira da mesa do pátio, se sentando e esticando as pernas.
Ele pegou a caneca de café que Georgie tinha deixado ali,
mais cedo, cheirou-a, em seguida tomou um gole e pousou-a
para baixo.

Ela bufou.

— Isso é besteira.

— Mais como traumático. — Disse Tyler, puxando uma


cadeira próxima de Kai e sentando.

Eu mantive a mão na minha arma, descansando ao lado


da minha perna. Kai viu isso e um sorriso leve emergiu dele.

— Você não é muito confiante, não é?

— Eu descobri que minha menina tem cortes em suas


costas, que foram causados por você. Não, não é questão de
confiança, apenas quero explodi-lo em pedaços, neste
momento. — Mas isso seria muito fácil, em primeiro lugar eu
o torturaria e ia fazer ele sofrer por oh, por cerca de dez anos.
Senti a mão de Georgie deixar minha cintura. Ok, ela tinha
seus motivos para deixá-lo fazer isso, mas eu não tinha que
gostar, porra. Isso com certeza não aconteceria novamente.
Eu tinha demônios, também, só que os venci, matando a
escória da Terra. Bem, então eu ia foder os demônios dela.
— Por quê? — Eu sabia que Kai saberia exatamente o
que eu estava perguntando. Independentemente de quanto eu
o odiava naquele momento, nós pensávamos muito parecido.

— Se você estivesse por perto, você saberia.

Eu fui para cima dele e o puxão de Georgie no meu


braço não me impediu, nem a tentativa de Tyler. Kai lutou; a
mesa cedeu e caiu na direção da piscina, nós dois
aterrissamos com força nas pedras do pátio. Rolamos, eu
senti um clip duro no meu rosto e lhe dei uma cotovelada no
queixo antes de acertá-lo com o meu punho, em seu nariz.
Eu ouvi um crack e um grunhido satisfeito surgiu em mim.
Não durou muito, o seu punho me atingiu na parte inferior
das costas e eu arqueei de dor, assim como quando ele me
chutou na parte de trás das pernas. Eu saí voando para
frente, agarrando sua camisa e levei-o comigo, caímos os dois
na piscina.

Foi a água fria e os gritos de Georgie, que finalmente me


levou a parar. Ela estava em pé na borda da piscina, com as
mãos nos quadris e um rosto furioso. Tyler estava em seu
telefone e eu estava adivinhando que ele estava falando com
Vic, que era mais do que provável que estava no carro
esperando por ele, sem ter ideia que Kai estava aqui.

Bati a água com a mão enquanto olhava para Kai.

— Ela já não trabalha para você. — Saí da piscina. —


Mate-o se ele chegar perto dela. — Eu disse a Tyler e entrei
para me trocar.
Georgie

Eu assisti Kai sair da água, olhando de forma arrogante


e confiante, mesmo com o nariz sangrando e o jeans molhado
pendurado em seu quadril. Sua camiseta branca foi o que me
chamou a atenção, enquanto eu olhava para o seu peito, de
boca aberta.

Cicatrizes atravessavam sua carne. Não havia um


centímetro que não tivesse uma cicatriz, e elas eram óbvias,
mesmo com as tatuagens que ele tinha por cima delas. Ele
devia saber que Tyler e eu podíamos vê-las, mas permaneceu
impassível, enquanto endireitava a cadeira que ele tinha
anteriormente ocupado e se sentou.

— Você terminou de olhar?

Balancei a cabeça. Merda, eu não sabia o que dizer. Eu


sabia que ele tinha algo escuro em seu passado, mas as
cicatrizes eram... Mesmo através da camiseta molhada
parecia doloroso.

Ele sorriu, mostrando os dentes de cor de pérola.

— Então, ele finalmente fodeu você.


— Ei, cara, você vê que estamos no trigésimo andar
aqui, — disse Tyler. — Pode querer parar antes que você
chegue no piso térreo, muito rápido.

Kai riu e puxou uma cadeira do seu lado.

— Sente-se, Chaos. Você está me deixando nervoso, aí


de pé. — Foi minha vez de rir, porque a ideia de Kai sempre
estar nervoso era hilariante. — Preciso de um favor.

Tyler bufou.

Merda. Favores de Kai geralmente me envolvia flertando


com um cara e tomar informações dele. Se algum dia eu
precisasse ir à casa de algum cara, me fingiria de bêbada e
desmaiaria antes que ele tirasse as calças e não ficasse
desconfiado. Assim que ele adormecesse, eu poderia procurar
em sua casa e sair, antes que ele acordasse. O único que eu
tinha considerado dormir foi Lionel e foi puramente porque
eu tinha cansado de me guardar para o Deck.

Havia um cara que eu tinha levado para a exibição na


galeria de arte da minha amiga, Kat, em quem realmente
estava interessada... bem, interessada em ter relações
sexuais. No entanto Hottie se transformou em um homem
rico, porém sem nenhum atrativo físico.

Ouvi Deck vir atrás de mim, então ele descansou as


mãos sobre meus ombros. Vic chegou e acenou para mim e
não havia o brilho habitual de ódio. Agora, na verdade ele
sorriu para mim e sua sexy pele cor de chocolate, fazia seus
dentes parecerem muitos brancos e o deixava gostosão. Então
ele olhou para Kai e o sorriso caiu, todo tranquilo. Deck
obviamente disse a seus meninos sobre minhas atividades
extracurriculares.

— Eu estava apenas dizendo a Chaos sobre um... Favor


que eu preciso.

Merda. As mãos de Deck apertaram meus ombros e ele


se moveu para mais perto, de modo que seu corpo estava
encostado na cadeira.

— Chaos? — Disse Vic.

— Apelido. — Esclareci.

Vic resmungou.

Kai parecia bastante descontraído, considerando que ele


estava em desvantagem e nem sequer tinha uma arma.

— Lionel...

— Ela não vai chegar perto daquele cara de novo. —


Deck gritou. Na verdade, ele realmente gritou. Deck
raramente gritava.

Vic inclinou-se contra o vidro da janela e cruzou os


tornozelos. Tyler olhou de Kai para Deck e, em seguida, para
o aperto de Deck sobre a arma.

Levantei minha mão, como na escola e Kai riu. Deck


colocou a mão na minha e baixou meu braço.
— Kai, momento errado, — eu disse. — Você deveria ter
batido ou ligado, não aparecer por aqui desse jeito. — Inclinei
a cabeça e olhei para Deck. — O Lionel é inofensivo.

— Não. — Deck estava inabalável e eu teria batido o pé


se eu estivesse de pé, mas como eu não estava, pareceria
bobo.

— Querida, isso não vai acontecer. — Tyler piscou para


mim e eu zombei. — Desiste.

Kai suspirou ao bater com os dedos na mesa.

— Você fodeu a cena toda. — Suas palavras foram para


Deck e ele provavelmente estava certo. Lionel quase se mijou
nas calças quando Deck invadiu seu lugar. — Você já disse a
ela o que você esteve fazendo no exterior nos últimos meses?

Foi Vic que se descontrolou e foi até Kai, mas Deck o


parou, bloqueando-o com a mão no peito dele.

— Agora não.

— O que estavam fazendo no exterior? — Os homens


estavam tranquilos e Tyler nem sequer olhava para mim.

— Leve-a para fora daqui. — Deck ordenou a Vic.

— O quê? — Eu gritei quando Vic agarrou meu braço. —


Que diabos? O que é? Kai? Deck? — Vic sem esforço me
carregou e me levou para dentro. Eu gritei o caminho inteiro,
até o quarto.
Deck
Esperei até que Georgie estivesse fora do alcance da
minha voz antes de eu falar.

— Quero ela fora disso.

— Você já disse isso.

Ontem à noite, por telefone, dei-lhe um relatório


detalhado sobre como eu iria torturá-lo.

Kai não era facilmente abalável, se era que fosse


abalável. Eu suspeitava que ele não tinha família, nada para
dar-lhe uma fraqueza e pelas cicatrizes sob sua camisa, o
homem conhecia a dor e estava imune a ela.

— Para quem você trabalha, Kai?

A mudança na sua expressão foi praticamente


imperceptível. Somente alguém tão experiente quanto os
meus homens e eu poderíamos ler. Era tudo que eu
precisava. Kai trabalhava para alguém e isso significava que
eram mais poderosos do que ele.

— E eu acho que não tem a ver com ela ou você... é


isso? Tem a ver com quem você trabalha. — Kai olhou em
meus olhos e não disse nada. O sorriso arrogante
desapareceu e seus olhos estavam inexpressivos. Era o olhar
que eu odiava ver ao tentar extrair informações de uma
pessoa, porque eu sabia que não importava o que eu fizesse,
nunca iria conseguir fazê-lo falar.

— Por que você realmente veio aqui, Kai? — Mantive


minha voz firme e calma, observando cada mudança de
movimento de Kai, que era quase nenhum.

— Lionel está morto.

— Caralho. — Eu sabia o que aquilo significava, assim


como Tyler. Olhamos um para o outro.

— Sua casa foi invadida. A polícia diz que foi um assalto


que deu errado.

Eu não acredito em coincidências. Sem chance de ser


um assalto que deu errado. Era mais como um assassinato
que tinha dado certo.

Senti a tensão ondulando meus músculos e meu


coração batia tão forte que parecia que havia um tumulto
dentro de mim. Lionel estava morto. Georgie tinha estado
com ele. Eles tinham sido vistos juntos, no Avalanche, de
acordo com Matt.

— Porra, você colocou Georgie bem no meio disso! — Eu


coloquei minha arma em sua cabeça, Kai não se moveu.
Puxei o gatilho e ainda assim Kai não fez nada. Eu odiava
homens como este. Ele não tinha dúvidas se eu puxaria o
gatilho. Eu até perguntei se ele queria que eu puxasse.
Homens como ele não tinham nada para viver e tudo para
morrer.

— Chefe. — Tyler lentamente colocou a mão sobre a


parte superior do cano da arma.

Eu sabia muito bem que Kai tinha uma faca sob a mesa,
pronta para cortar a artéria femoral na minha coxa no
segundo que parecesse que eu ia puxar o gatilho. Tyler viu
isto, também.

— Ela precisa concluir uma tarefa.

— Para você ou para quem você trabalha?

— Será que isso importa?

— Você realmente é um filho da puta de coração frio. —


Disse Tyler. Ele bufou e chutou a cadeira vazia ao lado dele.
— Atire nele, chefe. Eu não tenho problemas de limpar a
bagunça.

Kai descruzou os tornozelos e se inclinou em sua


cadeira, baixando a voz.

— As consequências de ela ter lhe falado sobre mim...


sua vida. Ela sabia disso. Aqueles com quem trabalho não
são tão... compreensivos como eu.

Eu bufei.

— Você não está entendendo, Kai. Isso é besteira.


Vamos deixar isto simples para você. Se você ou qualquer um
dos seus amiguinhos sequer respirar perto dela, estarei indo
atrás de todos vocês. Cada um de vocês.

Kai deu um único aceno, como se com respeito. Eu não


gostava disso. Merda, eu não gostava nada disso, pois eu não
tinha controle sobre nada. Eu pesquisei. Eu planejei. Entrei e
saí de uma situação antes que eles sequer soubessem que
meus homens ou eu estávamos lá. De repente, eu estava no
escuro e porra, eu odiava. O pior era que Kai era um mistério.
Eu não sabia se ele era bom, ruim ou indiferente.

— Por que você acha que me foi dado a tarefa de ganhar


a confiança de Georgie? Você não é o tipo de homem que
acredita em coincidências. Nem eu.

Que porra é essa? De repente, meu cérebro começou a


juntar as peças do quebra-cabeça.

Connor morrendo, ou, como fomos levados a acreditar.

Poucos meses depois, Kai aparecendo em Toronto.

Kai esbarrar em Georgie na casa de Robbie.

Kai pegar um trabalho para matar alguns traficantes de


drogas que roubaram dinheiro de um clube.

Mas onde tudo isso começou? Meu queixo apertou,


quando eu disse.

— Connor.

Tyler gemeu.

— Puta merda.
Kai disse:

— Sim. Eles o tem. As pessoas para quem trabalho.

— Quem são eles, Kai? — Perguntei.

Ele me ignorou.

— Tudo o que você achava que sabia sobre Connor está


errado. Ele até mesmo o matará se tiver que fazer. — Eu vi as
cicatrizes em Kai e eu sabia, sem dúvida que Connor agora
tinha umas similares. Com quem diabos estava Kai afiliado?
— Georgie não está livre deles, agora que eles têm Connor.
Eu dei-lhe pequenas tarefas, de modo que ela ficasse segura.
Ela tem apenas sorte deles não terem a levado, também. —
Kai riu. — Meu palpite é que eles não querem lidar com você,
se Georgie desaparecesse. — Ele ficou sério novamente. — Ou
é uma tática para ajudar Connor... A ver as coisas do jeito
deles. Meu palpite é que é por isso que eles deixaram-no viver
em vez de matá-lo, desde o início. Apesar da aparência disso,
matar não é como eles geralmente veem as coisas. Coerção,
sim. Tortura -definitivamente. A morte é demasiadamente
bom.

Quem diabos eram essas pessoas? Como chegaram a


Connor? Por que ele? Acima de tudo, como eu poderia manter
Georgie longe disso?

— E Robbie?

— Morto. Eu o matei no segundo que ele saiu da prisão.


— Disse Kai.
— Jesus Cristo. Ela acha que ele está vivo. Que você
está tentando encontrá-lo. Você tem mentido para ela.

— E você não? — Kai bufou. — Vamos, Deck. Você sabe


que Connor está vivo há uns meses e ainda assim não disse a
ela.

— Você está mantendo-a em uma trela, dizendo-lhe que


Robbie está vivo. Você está usando-a. — Eu tenho que dizer a
ela sobre Robbie e Connor. Porra, não vai ser uma boa
conversa.

Kai deu de ombros.

— Você pode ver isso da forma que quiser. Mas no final


das contas, estou salvando-a deles. — Então, sua voz baixou
e perdeu o leve sotaque. — Eu estava lá quando ela tinha
dezesseis anos e foi danificada por aquele filho da puta. Você
não estava. — Isso foi a porra de uma facada direita no
intestino. — Eu vi o que ele fez com ela, o que ainda faz com
ela, eu não o deixaria livre depois disso.

— Os cortes. — Eu fechei meus olhos, uma onda de


indisposição rompeu minha calma habitual. Então, em um
movimento brusco de repente, coloquei tudo para fora, e
soquei o Kai. Desta vez, Tyler ficou para trás e apenas
assistiu. — Eu não me importo se ela implorou. E foda-se
para quem você trabalha e foda-se Connor. Georgie não vai se
envolver nisso.
Kai estava no chão e um segundo depois estendeu a
mão. Bastardo arrogante. Puxei-o para ficar de pé e ele
sorriu.

— Tarde demais para isso. Ela está envolvida há 10


anos.

— Des-envolve-a.

Kai balançou a cabeça para trás e para frente.

— Lionel está morto. Quem você acha que é o


responsável? Não sei ao certo ainda, mas estou pensando que
é quem eu trabalho. — Merda. — Se Georgie deixar de fazer
as atribuições, eles saberão e vão mandar alguém atrás dela.
Meu palpite é que será Connor. Você pode imaginar como vai
ser para ela, tendo seu irmão morto aparecendo para matá-
la.

— Jesus Cristo. — Tyler se levantou e foi embora, com


as mãos em seu cabelo como se estivesse puxando-o.

Eu não disse nada. Eu não podia; minha garganta


estava trancada.

Kai levantou-se e o raspar da cadeira contra a pedra


ecoou.

— E só para você saber o quão sério são essas pessoas,


— Notei sua mandíbula cerrar e suas mãos se fecharem ao
lado do corpo, gestos que normalmente Kai não exibia. — A
menina, London, que eu lhe pedi para encontrar em Nova
York... agora está com eles. Eles não gostaram que eu
contratei vocês para encontrá-la.

Porra. Foi por isso que Kai não tentou encontrá-la por si
mesmo. Por isso ele nos levou para Nova York e nos pediu
para procurar de forma dissimulada London, para que a
escondêssemos até que ele entrasse em contato conosco. Ele
não queria deixá-la para quem ele trabalhava. Eles saberiam
que ele estava vigiando por London. Merda, foi por isso que
ele a deixou no México, quando ele poderia ter facilmente ido
buscá-la, ele mesmo.

— Por que eles a querem?

Kai deu de ombros.

Mas eu sabia o porquê. Eu sabia como as pessoas


funcionavam. Kai mostrou uma fraqueza pela menina e isso
não seria tomado de bom ânimo. Fraqueza levava ao fracasso.

Não havia muita escolha aqui. Para quem seja que ele
trabalhasse era mais poderoso e tinha mais contatos do que
eu. Não havia nenhuma chance que eu começasse a escavar
em alguma organização que falsificou a morte de um oficial
JTF2.

— Eu não vou esconder isso dela, Kai.

— E eu não vou te matar.

Eu suspirei e balancei a cabeça.


— Por que disse a ela que faria? Georgie parecia pensar
que se ela me dissesse algo, você tentaria me matar. Isso foi
uma mentira para mantê-la na linha?

—Não. Eu teria te matado. Mas agora eu quero uma


coisa.

— London. — Disse sob a minha respiração.

Kai assentiu.

— Sim. Mas se houver qualquer indicação que eu disse


a você sobre eles... Que Georgie sabe mais do que devia,
estamos todos... eu gostaria de dizer morto, mas ele vai fazer
muito mais que apenas nos matar. — A mão de Kai alisou à
frente de sua camisa e as cicatrizes acentuadas através do
material. — E isso não vai ser bonito.
Capítulo 18

Georgie

Meia hora mais tarde, Deck entrou no quarto. Ele


acenou para Vic que tinha ficado em silêncio durante todo o
tempo. Eu estava andando pelo quarto e atirando-lhe olhares
mortais. O cara teve a ousadia de rir de mim, então me
desafiou a tentar passar por ele quando olhei para a porta.

Eu não o fiz, é claro. Não importa que Deck e eu


estávamos juntos agora, eu não teria tentado passar por Vic,
para ele me amarrar e jogar no armário, pois era isso que ele
faria. Depois iria me fazer calar a boca, colocando a minha
cabeça no vaso sanitário.

Vic, no entanto, sorriu para mim quando saiu, mas seu


sorriso me fez lembrar de um bicho papão, quente.

Deck fechou a porta atrás de Vic e eu não queria perder


tempo.

— Então, você vai me dizer o que Kai estava falando?

Deck demorou antes de responder.


— Sim.

Eu esperei.

Deck não parecia feliz em tudo. Na verdade, ele parecia


desconfortável e tenso. Merda, algo estava mal. Muito mal.
Eu preferia quando ele estava com raiva, porque então eu
poderia facilmente falar umas besteiras e tentar fazê-lo
esquecer. Isso... isso era um Deck que eu não conhecia.
Caminhei até ele e não parei até que eu estava pressionada
contra ele.

— Baby, o que há de errado?

Ele inclinou a cabeça para baixo, levantou meu queixo


com a ponta do seu dedo e me olhou nos olhos. Eles eram
suaves e gentis.

— Eu não posso corrigir isso.

— Deck...

— Georgie. — Merda. Do jeito que ele disse meu nome


me fez chorar. — Eu não posso corrigir isso. — Repetiu ele.
Então se inclinou para mais perto, passou o braço em volta
da minha cintura e me beijou.

Era o começo de algo novo entre nós. A verdade estava


na forma como nossas bocas se encontraram e se
vincularam. Não era nada parecido com a forma como ele já
tinha me beijado. Não, isso era puro, era ele me fazendo sua e
muito mais.
— Eu não posso corrigir isso. — Disse ele mais uma vez,
entre beijos.

Enrolei-me nele, sentindo a dor em suas palavras.


Sabendo que tudo o que ele não poderia corrigir era ruim,
realmente ruim, porque Deck pensava que poderia resolver
tudo.

Ele se afastou e descansou a testa contra a minha.

— Precisamos resolver isso para você.

Sim, eu percebi isso, mas sentir o tormento de Deck era


como se eu estivesse sendo separada de mim mesma e fosse
incapaz de juntar os pedaços. Eu precisava juntá-los. Eu
tinha que resolver o tormento no qual ele estava lidando. Era
o meu tormento também.

— Você me ama?

Seus olhos se fecharam e estávamos abraçados.

— Eu sempre amei você, Georgie. Sempre. — De uma só


vez, ele me pegou em seus braços e me levou para a cama.
Ele me deitou no colchão e logo seu peso estava sobre mim.
Ele escondeu a mão entre meu cabelo e depois colocou
minhas mechas azuis atrás da orelha. — Você é meu arco-
íris. Sua cor brilhante me faz completo. Sem suas cores, eu
sou apenas um homem que vive no escuro.

Uma lágrima caiu do meu olho e ele se inclinou e beijou-


a, em seguida, encheu-me de doces beijos no meu rosto, do
outro lado do meu nariz e minha boca, onde permaneceu.
Coloquei minhas mãos em seus cabelos e puxei-o para
mais perto, aprofundando o beijo. Sua língua forneceu calor e
nós derretemos, em uma melodia suave. Era beleza e um
despertar. Era a descoberta de uma parte um do outro, que
foi mantida velada, atrás de cortinas de segredos.

Minhas mãos foram sob sua camisa e a levantei. Ele se


deslocou para o lado e a puxou, jogando-a no chão. Então ele
tirou a minha blusa e meu sutiã. Suas mãos foram até meus
braços, que eu os mantinha em cima da minha cabeça.

Sua cabeça desceu no meu seio e eu tremi, arqueando-


me para ele, quando sua boca tomou conta de meu mamilo e
chupou. O calor que espalhava sobre mim era como um
cobertor aquecido, era como o conforto de casa.

— Baby, — eu gemi quando ele beliscou meu mamilo


sensível, então o lambeu. Ele fez o mesmo com o outro, em
seguida distribuiu beijos até o centro do meu núcleo. — E
quanto a Kai, Tyler e Vic?

— Eles se foram. — Ele puxou minha calça e eu levantei


minha bunda para ajudar. O toque de suas mãos sobre a pele
nua dos meus quadris enviou uma dor intensa entre as
minhas coxas e eu arqueei em direção a ele, fechando os
olhos e enrolando as mãos no travesseiro. Eu esperava que
ele me tocasse.

Ele não o fez.

Abri os olhos e encontrei seu olhar pairando sobre mim.


Era como se ele estivesse me vendo pela primeira vez,
enquanto seus olhos percorriam meu corpo nu, centímetro
por centímetro. Senti-me... sim, ele me fez sentir bonita.

Robbie me fez um resumo da confusão e da escuridão,


enquanto agia como se eu fosse sua tela. Deck não poderia
apagar a dor emocional incorporada a quem me tornei, mas
ele fez melhor.

Seus olhos encontraram os meus e os tormentos que eu


vi, mais cedo, cedeu lugar para o desejo.

— Eu nunca vou deixar você sair da minha vida.

Eu sabia por que ele disse isso. Seja qual for o tormento,
não era bonito, ele estava deixando claro não importa o que
acontecesse, ele nunca me deixaria partir.

Engoli em seco quando seu dedo escorregou em minha


umidade e, em seguida, sua língua. Eu gemi.

— Deck.

Ele dirigiu seu dedo dentro de mim, enquanto sugava


meu clitóris. Sua outra mão ficou no meu quadril, me
prendendo, então eu não podia me mover, enquanto ele me
torturava com a boca. O êxtase foi crescendo e crescendo até
que eu estava me contorcendo embaixo dele.

Ele movia seu dedo em mim, cada vez mais rápido.


Minhas pernas se abriram mais. Foi quando abri meus olhos
e o vi entre as minhas coxas, o que me fez atingir meu limite.
— Deck. Deck! — Eu gritei quando meu corpo se
despedaçou, e o prazer me consumiu. Ele não parou sua
língua até que meu corpo parou de tremer e ficar mole.

Eu ouvi o farfalhar das roupas, ele tirou da calça um


preservativo em seguida, o rasga e a antecipação encheu-me,
mais uma vez.

Estendi-lhe a mão, quando ele voltou para a cama,


coloco minha mão em seu pescoço, puxe-o para mim e o
beijo. Queria ser tudo o que eu tinha escondido. Queria ser
de verdade e real... Era um pedido de desculpas. E era
apenas eu, amando-o por tudo o que ele era.

— Eu sinto muito, Deck. Deus, eu sinto muito.

— Eu sei que você sente. Mas você não tem nada que se
desculpar.

Senti seu pau duro contra minha coxa, estendi a mão e


o segurei, querendo guiá-lo até meu núcleo latejante.

— Eu preciso de você. — Eu toquei seu pau, a espessura


inchou ainda mais. — Eu sempre vou precisar de você.

Deck gemeu quando coloquei seu pau na minha entrada


molhada. Ele agarrou minha mão, puxando-a para longe de
seu pênis e colocou meus braços acima da minha cabeça. Eu
estava presa e ele gostava disso. Da posição de poder.
Controle, e sim, isso me excitava ainda mais. Não porque ele
estava me controlado, mas porque estava me libertando.
Seria possível Deck me dar o que eu precisava? Que a dor
física que procurava pudesse acabar? Deck estava me dando
isso. Ele me deixava ser livre.

— Enrole suas pernas em volta de mim. — Ele estava


cutucando minha abertura e eu queria tanto empurrá-lo para
dentro de mim que eu estava tremendo.

— Por Favor. Deck, eu preciso...

Ele me calou, tomando minha boca em um beijo de


paixão ardente. Este beijo não era doce e gentil. Foi um
assalto, levando absolutamente tudo. Ele separou seu corpo
do meu, em seguida, num impulso dos seus quadris, ele
empurrou seu pau duro dentro de mim. Eu gritei sob seu
beijo, fazendo um som abafado.

Ele retirou-se e fez novamente. Desta vez, ele não estava


me beijando, mas olhando para mim.

— Mantenha seus olhos em mim. — Ele ordenou.

Ele se afastou de novo, eu estava tensa, prendi a


respiração, pouco depois ele empurrou de volta em mim. A
intensidade do seu olhar aumentou a paixão, me segurou e
não me deixou ir. Ele moveu-se mais e mais rápido, a ligação
entre nós era infinita, enquanto ele mantinha uma mão
trancada em meus pulsos, acima da minha cabeça e a outra
no colchão para dar-lhe mais poder para se dirigir dentro de
mim.

— Caralho. — Disse ele enquanto empurrava com mais


força. Mais rápido. Mais profundo. Até que eu estava
conhecendo cada movimento como meu próprio. Lutei contra
suas mãos me segurando, queria tocá-lo, mas ele não me
deixou.

— Toda você. — Deck resmungou. Era como se ele não


conseguisse profundidade suficiente.

Seus olhos estavam fechados agora e havia tensão ao


redor dos seus lábios, como se ele estivesse com dor. Em
seguida, seu aperto afrouxou e ele me soltou. Minhas mãos
imediatamente foram ao redor dele e eu senti seus músculos
tensos, enquanto ele segurava o controle.

Sua mão deslizou entre nós e ele me tocou.

— Agora, querida. Agora.

Ele continuou me tocando até que gozei. Ele colocou as


mãos no colchão acima da minha cabeça e então bombeou
algumas vezes, antes de se juntar a mim no turbilhão de
prazer.

Deck tirou o preservativo, jogou-o no chão e deitou de


costas, levando-me com ele, então eu estava deitada com
metade do meu corpo sobre ele. Seu braço estava em volta de
mim, o outro ligando nossos dedos e descansando em seu
peito. Nós dois ficamos em silêncio, por alguns minutos, com
nossos peitos subindo e descendo à cada respiração pesada.

— Eu amo você, Georgie.


Inclinei a cabeça, olhei para ele e ele sorriu. Era um
sorriso verdadeiro, aquele que me iluminava de dentro para
fora.

— Eu sempre te amei.

Ele me deu um pequeno sorriso antes de dizer:

— Eu sei, querida.

Tentei bater-lhe no peito, mas sua mão estava


segurando a minha, não me deixando ir. Então ele começou a
rir e me trouxe para mais perto dele, e me abraçou. Este não
era o Deck duro, frio e sem emoção. Era o Deck me deixou
entrar e ver uma parte de si mesmo que ele sempre escondeu
dos outros.

E sim, ele provavelmente sabia que eu o amava desde o


início, mesmo naquele dia que ele destruiu meu mundo,
trazendo a notícia sobre meu irmão. Eu tinha a sensação que
isso ia acontecer de novo, só que desta vez, eu tinha ele.

Eu senti isso, antes mesmo que ele dissesse qualquer


coisa. Pela forma como seus músculos estavam tensos, como
ele me segurou mais apertado contra ele e como seu coração
acelerou sob nossas mãos, presas juntas.

O que eu nunca esperava eram as palavras que ele falou


em seguida.

— Connor está vivo.


Capítulo 19

Georgie
Eu fiquei desorientada, enquanto eu tentava
compreender o que ele tinha dito. Eu não acreditava nisso,
mas ... Deck nunca mentia.

Eu não consegui controlar minha respiração quando


comecei a hiperventilar. Deck se sentou e me levou com ele,
assim eu estava de frente para ele, montada em seu colo. Ele
segurou meu queixo e obrigou-me a encontrar seus olhos.

— Respire, Georgie. Respire profundamente.

Olhei sua calma e olhar firme, enquanto ele acariciava


minhas costas e me forçava a manter meus olhos nos dele,
até que eu estava respirando melhor.

— Onde ele está? — Não queria saber como era possível


ou por que... tudo o que eu conseguia pensar era em ter o
meu irmão de volta. Quando eu poderia vê-lo? Ouvir sua voz?
Sentir o toque de sua mão, enquanto ele bagunçava meu
cabelo... eu não me importava como isso era possível. Nada
importava, exceto que ele estava vivo.
— Eu não sei. — Disse Deck.

Lutei com as palavras, meus pensamentos fervilhavam


com confusão e descrença.

— Meus pais. Eu tenho que ligar...

Ele abanou a cabeça.

— Não, Georgie. Eles não podem saber. — Fui para


argumentar, mas sua mão apertou meu queixo e seus olhos
escureceram. — Não.

— Mas...

Os olhos de Deck disseram tudo e eu senti meu coração


apertar. Não havia nada de bom sobre Connor estar vivo.

— Oh, Deus. Deck. Não. Por favor, me diga que ele está
bem. —Lágrimas encheram meus olhos, enquanto o imaginei
queimado demais para ser reconhecido e sentado em um
hospital em algum lugar, durante os últimos dez anos, sem
ninguém com ele. — Você o viu morrer. Você disse que ele
estava em um veículo que você viu explodir. — Eu tremi
incontrolavelmente, quando as perguntas e a urgência de
encontrar respostas me invadiram. — Como é que você
descobriu? — Então lembrei sobre Kai perguntando se eu
sabia no que ele estava trabalhando nos últimos meses. —
Kai? Kai sabia sobre Connor? Ele te contou?

Deck parecia um pouco desconfortável quando suas


mãos pararam de acariciar minhas costas.
— Sim, Kai sabia. Eu tinha uma suspeita, há algum
tempo, mas não tinha certeza, até algumas semanas atrás.

Eu congelei.

— A algum tempo? Você sabe disso a semanas? Você


sabia que meu irmão estava vivo a semanas? — Eu repeti.
Empurrei seu peito e tentei sair de seu colo, mas ele estava
pronto para isso e me virou de costas, para que ele ficasse em
cima de mim. — Fique longe de mim. Saia de cima de mim,
Deck.

— Não.

Eu o encarei. Ele me encarou de volta.

— Droga. — Lágrimas deslizaram dos meus olhos. —


Puta que pariu, Deck. Por que você não me contou?

—Você está me questionando sobre porque não te contei


essa merda? Você escondeu muita merda de mim, durante
anos. Anos, Georgie.

Fechei minha boca. Porra. Ele estava certo, mas eu


estava cheia de confusão e perguntas sem respostas, eu não
estava pensando direito.

— Eu não podia te contar, — eu disse calmamente. —


Kai disse... que se eu te contasse ele iria matá-lo.

— E você acha que uma ameaça como essa é importante


para mim?
— Droga, Deck. É importante para mim. Você é tudo
que eu tenho.

— Isso não é verdade, Georgie.

Eu tinha os meus pais e Emily e Kat e a banda, mas


Deck... Ele era parte de mim.

Deck ficou em silêncio. Acho que ele estava pensando no


que iria me dizer a seguir, porque eu sabia que havia mais.
De repente, ele saiu de cima de mim, saiu da cama e foi para
o banheiro. Sentei-me quando ouvi a torneira ser aberta.

Connor tinha sido seu melhor amigo, seu irmão. Isso


não era apenas eu sofrendo, éramos nós dois... me arrastei
para o lado da cama, levantei, peguei minha calcinha e uma
camiseta. Então fui para o banheiro e, o vi se olhando no
espelho, com as mãos na borda da pia e o rosto molhado.

Eu andei por trás dele, passei meus braços em volta de


sua cintura e me inclinei sobre ele.

— Nós vamos encontrá-lo.

Ele endureceu.

— Não, Georgie. Ele não quer ser encontrado.

— O quê? — Eu me afastei e ele aproveitou a


oportunidade para caminhar de volta para o quarto onde se
sentou na beirada da cama e colocou a cabeça entre as mãos.
Cruzei os braços e me apoiei no batente da porta. Então
esperei ele me dar mais informações. Foi a mais longa espera
e ainda assim foram meros segundos.
Deck começou a falar e foi depois que contou sobre
Connor ter sido levado pelos homens que Kai trabalha que
me sentei no chão, cruzando as pernas. Ele me contou tudo...
Como ele e seus homens tinham ido para o exterior porque
um conhecido deles, um SEAL da Marinha, disse que pensou
ter visto Connor, enquanto estavam em uma missão.

Deck e seus homens estavam atrás dele a quase um


ano, até que encontraram um cara que também disse que
sabia sobre Connor. Foi quando o cara foi entregue a eles
morto e, com um bilhete colado ao peito escrito com seu
próprio sangue. Ele e seus homens acreditam que Connor
matou o homem e escreveu o bilhete.

Eu estava descrente. Eu não podia acreditar que o


mesmo Connor que eu conhecia tenha escrito algo assim e
ameaçou minha vida. Deck não parou, para dar-me tempo de
respirar ou aceitar o que ele estava me dizendo. Ele
continuou me jogando verdades, até que me contou sobre
Robbie.

Eu parei de tremer quando meu olhar correu para ele.

— Ele está morto?

Deck assentiu.

— Kai o matou no segundo em que foi libertado da


prisão.

— Mas isso foi... Há sete anos.


Deck não disse nada. Eu fiquei furiosa, pensei em todas
as vezes que Kai me disse que tinha uma pista sobre Robbie e
onde ele poderia estar. Por quê? Por que diabos ele faria isso?
Por que me manter pensando que Robbie estava vivo e
fazendo mal à outras meninas?

— Bastardo. — Dei a volta e saí da porta do quarto,


antes que Deck pudesse me parar. Fui para o elevador e
apertei o botão antes de me dar conta que eu usava apenas
calcinha e uma camiseta por cima. Deck ficou na porta da
frente com a mão estendida.

Quando eu não me mexi, ele suspirou e abaixou a mão.

— Baby, ele fez o que eu teria feito. Deveria ter feito.


Robbie nunca mereceu andar livre e se Kai tivesse deixado,
ele teria ferido outras mulheres.

— Ele me usou todos estes anos. Me fez acreditar que


ele estava tentando encontrá-lo. — Gritei.

Deck assentiu.

— Sim. É o que Kai faz, baby. Mas eu não acho que


encontrar Robbie é o que você está buscando todos esses
anos.

Suspirei e olhei para os meus pés. Eu realmente não


sabia o que pensar agora. Robbie estava morto e era o que eu
queria. Mas não havia nenhuma satisfação saber disso. Eu
pensei que iria sentir um imenso alívio..., mas não havia
nada.
— Você quer encontrar-se, Georgie? Obter essa parte de
você que deixou para trás e perdeu? Então, pare de correr.
Tudo que Kai fez foi ensiná-la a sobreviver. Mas, baby, agora
eu tenho que lhe ensinar como viver.

Uma lágrima caiu do meu olho e deslizou pela minha


bochecha.

— Como é que você sempre faz isso?

— Fazer o que?

— Me faz te amar mais.

Ele sorriu e, em seguida, o elevador apitou.

— Baby, traga seu traseiro aqui. Eu não quero ter que


bater em um cara porque ele te viu seminua.

Eu sorri.

Ele fez uma careta.

Eu andei rapidamente até ele, Deck me puxou para


dentro e fechou a porta. Então me pegou e me levou para o
terraço, onde me disse o resto do que Kai tinha revelado,
enquanto eu me enrolava em seus braços.

— O que eles farão com London?


Nós estávamos no carro do Deck, um Audi preto, indo
para o escritório do Unyielding Riot onde Vic, Tyler e Josh
estavam procurando tudo o que podiam em cada organização
secreta, conhecida, em todo o mundo. É claro que o trabalho
não era tão fácil. Eu tentei chamar Kai para tentar obter mais
informações dele, mas ele não estava colaborando.

— Torturá-la até ela fica totalmente destruída, o mais


provável.

Eu perguntei a ele. Deck não amacia ou faz as coisas


parecerem mais bonitas do que são. Eu estava um pouco...
tudo bem, ... eu estava muito apavorada, por saber que eu
estava sob o domínio de alguma poderosa Organização
Secreta sobre a qual eu não sabia nada e nem Deck.

— Você acha que Kai vai tentar tirá-la de lá? — Merda,


ele foi o responsável por ela ter se tornado um alvo. London já
tinha passado por bastante coisa.

Deck estacionou e desligou o carro.

— Não. E ele seria estúpido de tentar.

Fechei os olhos, sentindo meu coração rachar quanto


pensei na menina destruída que se recusava a encarar
alguém e tremia ao som da voz de um homem.

— Então isso significa que Connor... — Eu não consegui


terminar. Ele estava perdido para nós, para sempre, também?

Deck alcançou através do espaço entre nós, pegou a


minha mão e apertou.
— Provavelmente. Mas eu nunca vou desistir dele.

Eu balancei a cabeça. Sim, isso era Deck.

— Mas manter sua segurança vem em primeiro lugar,


Georgie. Não só porque eu te amo, mas porque Connor pediu
isso a mim. — Eu abri minha boca e, em seguida, a fechei
porque já tinha estado nessa situação. Argumentei que
Connor era mais importante e Deck se recusou a ouvir. Não
houve discussão. Sem clemência. Sem ceder. Deck não iria
atrás de Connor se isso significasse minha segurança.

Ele me soltou e abriu a porta do carro.

Eu saí e caminhamos para o seu escritório, onde seus


homens estavam sentados na sala de reuniões envidraçada.
Parecia estranho, três homens lindos vestindo jeans ou calças
sociais e camisetas sentados ao redor de uma mesa de mogno
escuro em um prédio de escritórios.

Quando entramos, todos os olhos se voltaram para mim


e eu sabia que eles estavam olhando para ver se eu ainda
estava pirando sobre a notícia de Connor.

Eu não estava. Eu tinha a cabeça no lugar e eu sabia


que tinha a ver com Deck. Ele me mantinha com os pés no
chão.

— Delícias, três bolinhos e uma máquina de café. — Fui


até a máquina e comecei a fazer um cappuccino. Eu podia
sentir seus olhos em mim e me virei. —Eu estou bem. Parem
de me olhar. Jesus.
Isso obteve um grunhido de Vic, um riso de Tyler e Josh
simplesmente desviou o olhar. Deck, por outro lado, fechou a
porta com mais força do que o necessário, em seguida, se
aproximou de mim, pegou o cappuccino que eu tinha
acabado de fazer, então me sentou ao lado de Tyler e colocou
a caneca na minha frente, em seguida, sentou-se na outra
extremidade da mesa.

Tyler agarrou minha caneca e tomou um gole.

— Hey.

—Você acha que eu estou quente, hein?

Revirei os olhos.

— Você estava até abrir a boca. — Eu peguei minha


caneca, mas ele a ergueu no ar, para fora do alcance.

— Boa roupa. — Ele olhou para a minha calça larga e


camiseta. — Fácil acesso, eu acho.

— Tyler. — Deck advertiu em um tom tranquilo. Mas


seco. A risada de Tyler morreu e ele começou a falar sério
novamente, quando me passou o meu cappuccino. — O que
descobrimos?

Josh deslizou uma folha sobre a mesa, para Deck.

— Lista das organizações que conhecemos. Com sete


delas tivemos relações, então eu descartei. Duas são filiadas
a crimes de ódio, também riscadas. A última é uma
possibilidade, mas improvável. De acordo com o que eu
descobri, foi criada há dez anos e não teriam sido capazes de
fazer algo tão elaborado como o sequestro de um oficial JTF2
durante uma missão no Oriente Médio.

Era onde Connor, supostamente, havia sido morto em


uma explosão de carro-bomba. Deck tinha visto isso
acontecer. Pelo menos ele tinha pensado que tinha. Para
conseguir algo tão bem executado, essas pessoas tinham que
ter homens que eram tão bons quanto ou melhor que os do
JTF2.

Tyler afastou a cadeira e esticou as pernas.

— Nós fomos mais fundo, levantamos bandeiras


vermelhas que...

— Coloquem Georgie em risco. — terminou Deck. —


Tudo bem, o que acontece com o cara, Tanner? Quem é ele?
De onde veio?

Endireitei-me na cadeira.

— Deck, Tanner não sabe de nada. Kai o trouxe para


cuidar de mim, quando ele foi embora.

— Sim. — Tyler disse e olhou para mim. — Mas por que


ele? Por que um garoto que Connor costumava conhecer?

Eu encolhi os ombros.

— Porque ele me conhecia. Quando eu descobri que


Tanner também trabalhava para Kai, minha confiança nele
cresceu, porque eu tinha familiaridade com Tanner.
— E a quanto tempo Tanner estava envolvido com Kai,
antes dele ser trazido até você? — Perguntou Vic.

Eu não sabia. Bem, na verdade eu realmente não sabia.


Quando eu não respondi, Deck disse:

— Traga-o.

Eu congelei.

— O que isso significa? Você vai machucá-lo?

— Não se ele falar. — Disse Vic.

Eu olhei para o Deck que não estava olhando para mim.

— Deck? Droga, Deck. Tanner é meu amigo. Connor o


conhecia. — Eu sabia que pelo silêncio na sala, o que
planejavam fazer era uma verificação do que esses homens
realmente faziam. E no que estavam envolvidos.

— Amigos não deixam você ser cortada, enquanto


esperam do lado de fora. — As palavras de Deck me
chocaram e levei um momento para recuperar o fôlego. Como
ele sabia que Tanner tinha estado lá? Quem lhe disse? Kai?
Mas por que Kai ia fazer isso? E a partir do olhar nos rostos
dos homens, eles não sabiam nada sobre o acontecido. Achei
que era algo Deck manteve para si mesmo. Ele ergueu o
queixo para Vic e o raspar da cadeira soou nos pisos de
madeira, quando ele se levantou, agarrou o celular e saiu.

Deck virou toda sua atenção para mim e seus olhos


suavizaram um pouco; não muito, mas eles não eram tão
ameaçadores quanto a alguns segundos atrás.
— Você tem duas opções, Georgie. Eu não lhe digo nada
e você não me pergunta nada ou você aceita com o que
precisamos fazer aqui. O que escolherá?

Ouvi-lo ser tão duro, me fez entender a realidade. Eu


suspeitava que era o que tentava fazer. Eu não disse nada
por um segundo, ainda chocada pela pergunta brusca,
embora não devesse estar, afinal, era Deck. Tyler me chutou
por baixo da mesa e me assustei. Ele ergueu as sobrancelhas
e bateu a mão na mesa, impaciente.

— Ok.

Josh bufou e abaixou a cabeça como se eu tivesse dito


algo errado. Tyler me chutou novamente, eu olhei para e ele
murmurou.

— O quê?

— Ok, o que, Georgie? — Perguntou Deck.

— Ok. Eu aceito.

— Agora, que temos essa merda esclarecida, podemos


voltar para o negócio? — Perguntou Josh e, em seguida,
empurrou seu tablet sobre a mesa, para Deck. — Eu compilei
uma lista de trabalhos que Kai fez e ficamos sabendo. O
gráfico mostra os links para as pessoas que conhecemos e
com quem estão envolvidas.

Deck estava quieto enquanto examinava. Eu assisti sua


intensidade. A maneira como ele se sentou no final da mesa e
analisava a lista, como se nada pudesse tocá-lo. Focado.
Concentrado. Foda-se, eu trouxe toda essa merda para cima
dele e ele ainda me amava. Ele ainda queria me proteger
disso.

Os homens conversavam sobre os diferentes contatos,


por um tempo e depois Deck tentou ligar para Kai
novamente. Quando ele não recebeu nenhuma resposta me
pediu para ligar, mas Kai não estava atendendo.

Deck levantou-se e olhou para Josh.

— Continue tentando o número de Kai que eu tenho.


Tyler, ligue para Rylie no café. Diga a ela que Georgie estará
de volta amanhã. Precisamos manter as coisas tão rotineira
quanto possível. Contate-me se você descobrir qualquer outra
coisa.

Ele se aproximou de mim, em seguida, pegou minha


mão e me puxou de pé. Então, me arrastou para fora da sala
da diretoria. Eu pensei que estávamos indo para o carro, mas
Deck me levou para outra sala no final do corredor, esta não
tinha nenhum vidro, exceto uma janela a qual ele foi até ela,
torceu o bastão branco pendurado e fechou a cortina.

Então, ele caminhou em minha direção e foi totalmente


uma caça. Como se eu fosse sua presa e ele estivesse vindo
para devorar cada centímetro de mim. Eu estava presa, sem
ter para onde correr. Só que eu não queria correr.

— Eu não consigo estar na mesma sala que você e não


querer te foder. — Ele me abraçou e senti meu corpo
formigar.
Eu não tive tempo para tomar fôlego, quando sua boca
esmagou a minha, com as mãos uma em cada lado da minha
cabeça, segurando-me imóvel, enquanto me beijava. Mas
tudo acabou rápido quanto me soltou para arrancar minha
calça, juntamente com a calcinha.

Meu estômago se contraiu e meus joelhos


enfraqueceram quando seus olhos escuros e ardentes
encontraram os meus. Em seguida, ele tirou sua calça jeans e
me empurrou contra a dura parede.

— Pernas. — Ele me levantou pela bunda e envolvi


minhas pernas em volta de sua cintura. No segundo que fiz
isso ele me penetrou dentro de mim.

— Oh, Deus. — Eu gritei, minha cabeça caindo para


trás e batendo na parede.

Eu já estava molhada e eu podia ouvi-lo quando ele


empurrou violentamente dentro de mim, a parede dava a
tração para fazer seus impulsos mais selvagens. O som era
rítmico, como um martelo sendo batido. Só que não era um
prego, era eu e eu estava certa que se Tyler e Josh estivessem
no corredor, eles ouviriam exatamente o que estava
acontecendo.

Seus lábios estavam em mim novamente, sugando meu


pescoço e mordiscando, antes de passar pelo meu pescoço,
até que ele tomou minha boca novamente. Era tudo animal,
irracional e fora de controle. Eu senti o aperto na minha
barriga e gemi. Ele empurrou dentro de mim com mais força.
Mais rápido.

Eu gritava contra sua boca, quando cheguei no limite.

— Oh, Deus, Deck. Deck! — Eu tremia ao seu redor e


dentro de segundos, ele se juntou a mim. Seu gemido
profundo rugiu de seu peito e empurrou uma última onda no
meu corpo, enquanto eu respirava pesadamente em seu
ombro. Eu não tinha forças, quando ele me segurou entre ele
e a parede e seu pênis ainda pulsava dentro de mim.

Quando ele saiu de dentro de mim, senti um líquido


quente, escorrer por minha coxa. Eu congelei e bati no peito
de Deck. Ele me colocou de pé, franzindo a testa.

— Camisinha. Deck, nós não usamos camisinha.

— E?

— E? Jesus, Deck, eu poderia ficar grávida.

Ele deu um passo para trás e me olhou nem um pouco


preocupado, pelo fato que eu poderia engravidar. Ele
casualmente colocou seu jeans e sem olhar para mim disse:

— Eu não tenho um problema com isso.

— Você não tem um problema com isso?

Ele ergueu as sobrancelhas.

— Não. Você tem?


— Ummm... Deck. Estamos falando de um bebê. E você
deveria ser o único responsável. Ter um bebê é....

— O que, Georgie?

Coloquei minhas mãos em meus quadris e tentei olhá-lo


zangada, sem calças e com as pernas imóveis e trêmulas do
espetacular sexo, incrivelmente gostoso contra a parede.

— Irresponsável. E mais, você também esteve com


outras mulheres. Você deveria fazer alguns exames antes de
ter relações sexuais desprotegidas. — Isso não prestava, mas
é a realidade. Eu não tinha dúvida que Deck tinha dormido
com muitas mulheres.

Ele se inclinou, pegou minha calça e a passou para


mim. Eu rapidamente coloquei-a, enquanto ele caminhou até
a mesa, se apoiou nela e cruzou os tornozelos e os braços.

Mordi o lábio. Merda, ele estava lindo, satisfeito e


relaxado. Eu também estava pensando, apesar da dor entre
as minhas pernas, que eu gostaria de me enrolar em torno
dele novamente.

— Eu estou limpo.

— O Quê? Quando?

— Quando deixei você no meu apartamento depois que


você me contou sobre Robbie. — Passei horas sentada no
corredor esperando ele voltar. Band-Aid. Ele tinha um Band-
Aid em seu braço e então ele me fodeu pela primeira vez. —
Se você pagar o suficiente, você pode ter seus resultados
dentro de horas. E Georgie, eu nunca fodi alguém
desprotegido, até agora. Você deveria saber disso.

— Oh. — Uau. Como eu poderia amá-lo mais do que eu


já amava? Mas eu amei.

De repente, ele estava em pé, na minha frente e sua mão


estava enrolada em torno da minha nuca. Ele foi gentil
quanto se moveu e beijou a ponta do meu nariz.

— Eu não estou preocupado com a possibilidade de você


engravidar. Você está comigo e isso não mudará. Nunca. —
Ele suspirou e senti seu calor aliviar o meu argumento. —
Mas se você não quer crianças, então nós não as teremos.

— Sério? Só assim?

Ele assentiu com a cabeça.

— Sim, só assim.

— Eu quero usar preservativos - por agora.

Ele assentiu com a cabeça.

— Eu vou comprar preservativos. — Ele pegou minha


mão e se dirigiu para a porta. — Eu vou te levar para casa.
Depois vou te manter na minha casa, mas teremos que
manter nosso relacionamento secreto. Eu não quero que esta
organização suspeite que sei sobre você trabalhar para Kai.

Eu bufei.

— É, não será segredo se de repente eu aparecer


grávida.
Ele parou e me puxou com força contra ele.

— Jesus. Essa imagem... meu bebê crescendo dentro de


você... você engordando e reclamando dos pés inchados... —
Ele me beijou e foi doce, gostoso e fez meus dedos dos pés se
enrolarem. — Eu quero isso com você, Georgie.

Olhei para aquele homem que eu amei minha vida


inteira. Eu queria isso também, mas não agora. Não quando
tudo estava tão fodido.

— Ok.

Ele sorriu e foi como se eu iluminasse sua escuridão,


com uma única palavra.

Então nós estávamos andando novamente.


Capítulo 20

Georgie

Deck me deixou em casa e, por enquanto, eu estaria


fazendo o que eu normalmente fazia e, isso significava que eu
fingiria beber quando estivesse em público e no trabalho iria
paquerar os caras. Eu ri quando Deck disse a palavra
paquerar, soou como um rosnado. Eu parei de rir quando ele
fez uma careta, porque ele realmente parecia ferido ao dizer
isso e eu gostava do meu doce Deck. Havia uma regra que
veio com a paquera – proibido tocar. Nem mesmo um toque
de mão. Então ele se inclinou, abriu minha porta e disse que
me amava.

Observei-o sair com o carro, me perguntando se em


algum momento eu me acostumaria com a ideia de que
estávamos juntos. Abri a porta da frente, pus minha bolsa
com moletons e camisetas no chão e entrei na cozinha.

Acendi a luz e parei, quando o ar foi sugado dos meus


pulmões.
— Tanner. O que você está fazendo aqui? — Ele nunca
veio aqui; era muito arriscado. Bem, tinha sido demasiado
arriscado quando Deck não sabia sobre mim. Será que
Tanner sabe que Deck já sabia? Será que Kai teria dito a ele?
Eu realmente não acreditava nisso.

Ele estava sentado, cerveja na mão e olhos vidrados e


vermelhos. Ele levantou a garrafa e inclinou-a ligeiramente.

— Ahhh, ela finalmente chegou em casa. Estava


esperando por um tempo.

Havia uma camada branca sobre o balcão que parecia


açúcar de confeiteiro, mas não havia nenhuma chance de
Tanner vir aqui fazer um bolo. Só de olhar para ele, suas
pernas batendo para cima e para baixo, os olhos vermelhos e
um pouco selvagem, eu sabia que ele estava alto de cocaína.
Droga, ele não havia tocado nessa merda desde que era
criança.

— Kai sabe que você está aqui?

Ele balançou a cabeça e seu cabelo desleixado caiu


sobre os olhos.

— Não... Ele não gosta de nós sermos amigos. Diz que


eu estou muito perto de você.

Sim, isso era algo que Kai diria, agora mais do que
nunca. Sentei-me no banco ao lado dele, toquei seu ombro e
apertei. Eu não tinha ideia do que estava acontecendo com
ele, mas era ruim.
— Você não deveria estar aqui. — Jesus, Vic estava
procurando Tanner, agora mesmo. Eu tinha que chamar
Deck. Eu não queria, porque sabia muito bem o que eles
fariam com ele. Mas eu também sabia que se Tanner
estivesse no escuro, tanto quanto eu, então eles não iriam
machucá-lo.

Nunca tive medo de Tanner. Ele sempre foi bom para


mim, mas eu também sabia que algo estava errado com ele e
não era apenas as drogas. Ele estava apavorado sobre algo.

— Sabe aquele alvo de quem você estava pegando


informações de seu disco rígido? — Disse Tanner.

— Lionel.

Ele balançou a cabeça, enquanto olhava para sua


cerveja.

—Morto.

— Kai me disse. — Na verdade, tinha sido Deck.

— Eu o matei.

Uma onda de inquietação me bateu e eu engoli seco, em


seguida mudei de posição, assim, meus pés estavam no chão
e não descansando no pé do banquinho. Algo não se
encaixava. As mãos de Tanner sobre a cerveja estavam
inquietas enquanto ele tomava um gole e em seguida,
colocou-a para baixo novamente.

— Talvez eu devesse chamá-lo.


Ele moveu-se tão rápido, que sua banqueta tombou.

— Não.

Eu pulei e dei um passo para trás. Ele olhou para mim,


com os olhos arregalados e dançando de um lado para o
outro, a parte branca dos seus olhos estavam vermelha.

— O que está acontecendo com você, Tanner? Por que


você iria matar Lionel?

— Eu terminei o trabalho para você.

— Tanner, meu trabalho era pegar o disco rígido dele e


não o matar.

Sua respiração estava irregular e ele batia os dedos,


insistentemente, na coxa. Ele estava tão alto quanto uma
pipa e o que fosse que o estava assustando, estava piorando.

— Eles vão me matar. Eu sou o próximo, você sabe.

— Tanner. — Eu mantive minha voz suave e calma,


dando um meio sorriso. — Ninguém vai matar você. — Uma
onda de pavor começou a se espalhar no meu estômago e eu
sabia que eu tinha que ligar para do Deck o mais rápido
possível. Tanner devia saber sobre a organização. Mas por
que eles viriam atrás dele? Por que agora? Será que eles lhe
pediram para matar Lionel? — Vamos nos sentar e eu vou
fazer algo para você comer. — E ligar para Deck.

Levei-o para a sala e lhe pedi para sentar no sofá. Virei-


me, para ir para outra sala e fazer o telefonema, quando ele
agarrou meu braço. Eu olhei para sua mão, depois para os
seus olhos, fiquei apavorada.

— Doce, me larga. Estarei de volta em um segundo.

Seus olhos ficaram duros.

— Você vai ligar para ele. Não vai?

— Não, eu juro. Eu não vou telefonar para o Kai. —


Seus dedos apertaram e eu cerrei os dentes. — Você está
tentando quebrar meu braço? Porque se for você está no
caminho certo. — Eu puxei. Ele puxou com força e eu voei em
cima dele.

— Deck. Você esteve com ele desde o hospital. — Sua


mão foi para o meu cabelo, na parte de trás do meu pescoço.
Tentei me afastar, mas ele fechou a mão nos fios azuis da
ponta e puxou. — Eu sinto o cheiro dele em você. Agora, você
está transando com ele? Depois de todos esses anos?

Que diabos era isso?

— Tanner, me larga. — Seu aperto ficou mais forte e eu


não acho que ele realmente percebia o quão forte estava se
segurando com todas as drogas bombeamento através dele.
—Jesus, acalme-se.

Em vez de aliviar, no entanto, ele me puxou para mais


perto e depois lançou sua boca sobre a minha, com tanta
força, que seus dentes bateram nos meus. Foi um beijo
desleixado e me deixaria com hematomas, meu estômago
revirou ao sentir o gosto de cerveja no hálito dele. Tentei
empurrar seu peito, mais não adiantou o seu aperto no meu
braço continuava tão forte que eu sentia como se tivesse
fundido minha pele e músculos no meu osso.

Sua língua passou por meus lábios apertados e ele


gemeu. Mordi-o com tanta força e Tanner saltou para trás
gritando, sangue escorreu de sua boca. Reagi, usando a
lateral de minha mão para acertá-lo, com força, no pescoço.

Seus olhos se arregalaram quando ele me soltou e


segurou o pescoço, ofegante. Sai de seu colo e cai de joelhos.
Levantei-me e dei dois passos, antes de senti seu peso sendo
jogado sobre mim e nós dois caímos contra o piso de madeira.
Chutei sua rótula e acertei sua canela, então o soquei na
pescoço, novamente, mas ele empurrou de volta, esperando
isso. Tanner tinha sido treinado também; ele sabia o que eu
estava indo fazer com ele, também sabia como obter a
posição de ataque.

Tanner me deu um soco tão forte no lado da face que


minha visão ficou turva e eu congelei por um segundo,
tentando me reorientar. Ele montou em mim, suas mãos
foram para meu pescoço e ele me apertou. Meu instinto foi de
reagir, mas eu relaxei em baixo dele, esperando que ele
relaxasse o aperto para que eu pudesse respirar.

Ele fez e eu descontroladamente suguei suspiros de ar.

— Eu sou aquele que esteve lá para você, não ele. Eu sei


de seus segredos. Eu sei o que Robbie fez com você.
— Tanner. O que diabos você está fazendo? — Eu
segurei seus pulsos. —Tanner, maldição. Não faça isso. Nós
somos amigos. — Bem, não mais. Kai estaria recebendo uma
bronca sobre essa merda.

Ele bateu minha cabeça no chão e eu não esperava isso,


não que isso teria feito alguma diferença. O choque da dor
acertou minha espinha e foi direto para os meus dedões dos
pés. Ele se inclinou para perto de mim e eu engasguei, com
sua respiração no meu rosto.

— Eu vi você babar aquele pedaço de merda por anos.


Ele não é nada. Ele ainda não sabe quem você é. Eu sei. EU.
Ele não merece você. Eu mereço. Eu cuidei de você. Eu sou o
único que fez com que Robbie não fosse longe demais. Eu sou
o único que te protegeu. Eu estava lá para você, quando você
ia para a purificação. Não ele.

Minha bile subiu em minha garganta, enquanto suas


palavras ecoavam na minha cabeça uma e outra vez. Ele fez
com que Robbie não fosse longe demais? Ele tinha malditos
14 anos.

— Do que diabos você está falando?

Deitei mole debaixo dele, em choque e protelando minha


luta, enquanto olhava para ele. Ele matou Lionel. Ele sabia
sobre Robbie me machucando?

Um lento sorriso surgiu e meu medo se elevou para


outro nível.
— Não foi fácil para mim também, saber que Robbie
estava cortando-a e eu em pé, na margem, assistindo. Mas
tinha que ser feito. Eles precisavam de você, lascada.

— Seu filho da puta. — Eu tentei fugir, lutando debaixo


dele, quando fúria me dominou.

— Relaxe. Não foi tão ruim assim. Você não tem ideia do
que é ruim, mas logo vai... — Seus olhos eram mais calmos
agora, a respiração mais lenta, quase rítmica, o que era uma
coisa boa. — Eles enviaram Kai, quando eu lhes disse que
você estava pronta.

— Pronta?

Tanner assentiu.

— Sim, devastada. Pronta para fazer qualquer coisa


para detê-lo. Mesmo confiar em um completo estranho.

— Kai. — Eu respirei. Fechei os olhos e meu corpo


tremeu debaixo dele, quando a traição me apunhalou. Ele
colocou-me nisso.

— Os irmãos de Robbie precisavam do dinheiro e Robbie


recebeu um monte de dinheiro para fazer isso. — Tanner riu.
— O garoto era um bastardo doente. Ele queria estuprá-la
como fez com outras meninas, que ele pegava, mas Kai não
iria deixar.

Lágrimas rolaram dos meus olhos quando eu senti o


peso da cruel verdade. Tudo era uma mentira. Robbie foi
pago para me machucar. Tanner sabia o que Robbie estava
fazendo comigo. Foi tudo uma mentira, a fim de me destruir.
Para eu confiar em Kai e juntar-me a eles, para o quê... para
facilitá-los a coagir Connor para trabalhar para eles porque
eu estava em seu alcance? Para manter-me perto?

— Eles têm seu irmão, você sabe? Ele está vivo e bem.
— Ele riu. — Bem, eu não sei sobre bem, mas ele está vivo.

Fingi um suspiro de choque e esperava


desesperadamente que ele acreditasse. Não preciso que ele
saiba, que eu já sabia sobre Connor.

Tanner deu de ombros.

— Não sei por que eles se arriscaram levando-o. Deck


teria sido uma escolha melhor. Nenhuma família. Sem laços.
— Ele suspirou e seu aperto no meu pescoço afrouxou. —
Mas agora... Agora, Georgie, acho que está tudo ferrado por
sua causa. Você disse a Deck sobre Kai e eu, não é?

— Não, — eu menti. — Tanner, isso é ridículo. Você sabe


que eu nunca faria isso. — Eu mantive meus olhos
diretamente sobre ele, sabendo que ele seria capaz de dizer
que eu estava mentindo, se eu desviasse o olhar.

Ele fez uma pausa e senti suas mãos apertar meu


pescoço, enquanto ele pensava sobre isso.

— Eu vi você beijar Deck no carro, Georgie.

Estava ferrada.

— Se você disser a ele, eles vão matá-lo, você sabe. —


Eu assenti. — Eu sei que você nunca quis que isso
acontecesse com ele. — Ok, ele estava indo acreditar em mim.
— Kai não concorda, mas você está enfraquecida. Eu vi isso
quando você estava bebendo, após o expurgo. Sabe quantas
vezes você chamou por Deck? — Merda, eu não conseguia me
lembrar de nada. — Você precisa ser levada, agora, Georgie.
É muito arriscado você ficar do lado de fora — Pensei em
London. Deck disse que ela foi torturada até que se quebrou.

— Tanner. Não. Isso vai estragar tudo. Se eu


desaparecer, Deck vai começar uma guerra.

Ele riu, jogando a cabeça para trás.

— A guerra já começou.

Foi o meu momento. Agarrei seu pulso com a mão


oposta e a outra coloquei acima do cotovelo e juntei meu pé
em torno dele, levantei meu quadril para frente, ao mesmo
tempo que puxei o cotovelo.

Foi um movimento sólido que o atingiu e lhe fez


balançar. Nós rolamos, então eu estava em cima dele, e não
parei enquanto espetava meus dedos em seus olhos. Ele
gritou e contorceu-se debaixo de mim, com as mãos indo
para os olhos. Eu me levantei e, ao mesmo tempo, coloquei a
mão no meu bolso de trás e tirei meu celular, enquanto corria
para a porta da frente.

Ouvi ele gritando e seus passos rangendo atrás de mim.

Minha mão estava na maçaneta da porta e virando-a


quando seu corpo bateu em mim, roubando meu ar. Meu
rosto ficou pressionado na porta, puxei meu braço para fora o
suficiente para olhar o meu celular, que ainda segurava na
minha mão. Eu selecionei rediscar, então derrubei-o no chão,
antes que ele percebesse que eu tinha feito uma chamada.

— Você transou com ele. Não é?

Senti seu pau duro contra a minha bunda e ele me


segurou, presa entre ele e a porta.

— Tanner. Deixe-me ir embora. — Gritei. Eu precisava


que quem quer que seja que eu tinha ligado me ouvisse. —
Você está me machucando. Saia da minha casa. — Eu
esperava desesperadamente que alguém tivesse atendido o
telefone e estivesse escutando.

Tanner sabia exatamente o que eu tinha feito e me


puxou de volta, com o braço enganchado no meu pescoço, em
seguida, com o pé, esmagou o celular, quebrando a tela.

— Para quem você ligou?

— Eu não sei. — Eu estava tentando pensar na última


pessoa com quem conversei, mas minha mente estava em
modo de fuga e não me lembrava de nada.

Seu punho foi em minha direção, eu desviei para a


direita e ele acertou minha testa.

— Para quem você ligou?

— Foda-se, Tanner.
Ele me tinha por ambos os braços e seu corpo estava
muito perto de mim. Eu não tinha espaço suficiente para
uma joelhada nas bolas, e minha cabeça ainda estava se
recuperando, da dor da pancada.

— Não importa. Nós vamos sair daqui e não vamos estar


de volta, por um longo tempo. Quando eles tiverem desistido
de você, você estará bem. E Deck... — Ele riu no meu ouvido
e eu senti calafrios percorrem meu corpo, como pequenas
lâminas me esfaqueando. — Ele não vai querer você. Você vai
estar tão danificada, que ninguém vai querer. — Ele beijou o
lado do meu pescoço. — Exceto eu. Eu vou, Georgie. Eu vou
cuidar de você, como eu sempre fiz.

A raiva tomou conta de mim, com as suas palavras e eu


queria gritar que ele era um mentiroso, um nojento
desgraçado, um pedaço de merda. Em vez disso, mantive
minha voz calma e controlada.

— Eu não vou deixar você. Podemos fazer o que sempre


fizemos. Nada vai mudar. Pense sobre o que você está
fazendo. Você vai estragar tudo. — Quem quer que seja essas
pessoas, eles devem tê-lo em seu alcance desde que ele tinha
quatorze anos, talvez ainda mais jovem. Ele estava me
vigiando por dez anos. Eu era sua atribuição, desde Robbie.

Só de pensar que Connor estava sob o controle dessas


pessoas... por quê? Qual o propósito? Quantos eles pegaram,
assim, como Connor? Quantas crianças, homens e mulheres
desapareceram? Quando Kai tinha sido levado?
— Deck virá atrás deles, Tanner. Eles não querem isso,
certo? Eles vão te odiar por você colocar isso sobre eles. Nós
podemos apenas deixar isso para lá. Esqueça que isso já
aconteceu. — Nunca! Se Kai ou Deck não o matasse, então eu
iria.

— Então, você não sabe sobre a organização?

Porra.

Eu congelei. Merda, eu lembrava muito bem o que


Robbie fez comigo. Eu também sabia que Tanner era
realmente bom com uma faca; Kai o treinou e eu estava
começando a pensar quem mais teria. Será que ele tem
cicatrizes em seu corpo, como Kai?

— Kai tem pegado muito leve com você. Veja o que


aconteceu com essa menina London. Ele deveria ter trazido
ela para eles quando lhe foi dito, ao invés de escondê-la.

— Escondê-la? — Eu queria mantê-lo falando, tanto


tempo quanto possível.

Se nós saíssemos daqui quem eu chamei não iria


encontrar-nos.

— O que quer dizer, Tanner?

Ele riu.

— Kai apareceu no leilão, porque ele estava indo tirá-la


dessa merda. Então Deck a tirou e Kai pensou que ela estaria
segura. Mas eles descobriram sobre ele estar lá. — O quê?
Puta merda, eu estava chocada, me senti mal quando percebi
o quão poderosas essas pessoas eram. — Kai foi ordenado a
trazê-la para eles. O engraçado é que... ela fugiu.
Coincidência? Não.

Acho que Kai levou-a e escondeu-a deles. Até que ela


escapou dele e a encontramos. Claro, isso é apenas eu
adivinhando, mas eles vão saber em breve.

— Por que eles se importam? Ela é inofensiva.

Ele resmungou.

— Kai se preocupa com ela. Isso faz dela mortal. — Sua


respiração soprou em meu ouvido, quando ele se inclinou
sobre mim. — E eu sei o que você está fazendo. Hora de ir.

Reagi, não ligando se ele cortaria o meu rosto ou me


esfaquearia. Eu não iria com ele. Mas ele estava preparado e
bateu a coronha da faca na minha cabeça, com tanta força,
que cai no chão, então apaguei.
Capítulo 21

Deck

— Nós temos um problema. — A voz de Kai foi ouvida,


um lembrete de que agora nadávamos entre os tubarões.

— Sim, uma carga de merda. E você é o único


responsável por isso. Onde está Tanner? — Vic o procurava,
há horas. Mesmo com os possíveis locais de Kai, o cara tinha
desaparecido, deixando-me com uma sensação desconfortável
de que ele sabia que algo estava acontecendo.

— Recebi uma ligação da Georgie. Ele está com ela. —


Minha mão apertou o telefone quando uma onda de frio
tomou conta de mim. Eu imediatamente coloquei minha mão
para cima e sinalizei para os caras. Josh e Tyler e já
estávamos correndo do escritório, enquanto Vic foi para o
armário na parede oposta e teclou uma combinação. Um
clique soou no lado oposto da sala e ele andou a passos
largos, pressionando a parede e uma porta se abriu,
revelando um armário fechado.
— Onde? — Eu perguntei quando entrei e Vic começou a
se vestir para a guerra. Coloquei meu coldre com minhas
armas e faca, em seguida, peguei os de Josh, enquanto Vic
fez o mesmo e agarrou os de Tyler. Eles teriam o carro
correndo e esperando por nós do lado de fora.

— Eu estou no caminho da casa dela. É lá que ela tinha


dito no telefone, mas eu suspeito que não ficará lá por muito
tempo. — A voz de Kai não tinha o tom arrogante habitual e
isso me ferrou.

Porra. Vic e eu corremos para o carro, enquanto


continuei falando.

— Para onde ele vai levá-la?

— Para dentro. — Disse Kai.

Eu parei, com a minha mão na porta e o carro em


marcha lenta. Tyler me viu pela janela quando eu congelei
por um segundo.

— Para dentro? — Porra, não.

— Melhor palpite... Ele descobriu que vocês estavam


transando. Eu avisei a eles que ele estava muito perto dela.
Tentei tirá-lo da tarefa, mas ela confiava nele, por isso era
fácil ele manter um olho sobre ela.

Bati minha mão na porta de vidro e sai correndo para o


carro.

—Quem diabos são eles, Kai?


Silêncio.

— Kai. Jesus. Você sabe melhor do que ninguém o que


acontecerá se ela for levada para essa organização. — Eu
tremi. — Georgie. — Falei para Tyler que saiu do
estacionamento.

— Eu já estou aqui. — Ouvi a porta do carro de Kai e


parecia que ele estava correndo. Houve um grande estrondo
e, em seguida... —É tarde demais.

Foi como se minha alma se despedaçasse e em seguida


sangrasse, quando suas palavras me atingiram. Fechei os
olhos, enquanto inalei o medo.

— Porra. — Eu tive que segurar a onda ou Georgie


estaria tão perdida para mim quanto Connor. Eu não me
enganava sobre quem eram aquelas pessoas. Mesmo com
todas as minhas habilidades, contatos e poder... as chances
eram malditamente pequenas.

— Kai, — disse em voz baixa. — Eu sei que você não é


como eles. Você tentou salvar London. Você sabe do que eles
são capazes. Não deixe que eles fodam a Georgie, também.

— Se Tanner disse-lhes alguma coisa, é tarde demais


para parar. — Ele parecia resignado — Estamos todos
acabados.

— Onde é que ele a levaria?


— O galpão talvez? Mas ele sabe que eu vou encontrá-lo
lá. — Kai ficou em silêncio por alguns segundos e eu podia
ouvi-lo voltar para o seu carro. — A escola.

— A escola?

— A antiga escola de Georgie. Tanner foi levado por eles


quando era pequeno. Ele foi treinado, se você quiser chama-
lo assim, e Connor foi sua primeira missão. Ele frequentava a
pista de motocross, onde conheceu Connor e Georgie.
Tornaram-se amigos. Quando Connor morreu, sua nova
missão era Georgie. Tanner costumava assistir Robbie cortá-
la.

— Jesus.

— Ele deveria nos dizer quando Georgie estava...


vulnerável o suficiente para confiar em mim.

Eu com tanta fúria, que eu pensei que ia enlouquecer.


Vic deve ter visto isso porque ele se inclinou sobre o assento e
apertou meu ombro.

Nós conhecemos um ao outro muito bem e agora, eu


estava volátil, caralho.

Kai me deu as instruções e eu as repeti para Tyler, que


tinha feito a volta e se dirigiu para a rodovia.

— Deck. Eu suspeito que Tanner matou Lionel. Ele


colocou isso em movimento.

— E isso significa?
— Isso significa que ele quer que eles o levem e Georgie
para dentro.

— Por que ele faria isso?

— Então você não poderia tê-la.

— Porra. — Eu passei a mão por cima da minha cabeça,


para frente e para trás e em seguida, pelo meu rosto.

— Encontro vocês no local.

A linha ficou muda.

Joguei o celular no painel.

— Diga-me, você encontrou algo sobre esse garoto


Tanner? Qualquer coisa, caralho. — Olhei para fora da
janela, mas não vi nada. O medo tinha se transformado em
raiva, e a raiva em uma fria determinação, para destruir e
conquistar qualquer um ou qualquer coisa, que me impedisse
de encontrar Georgie.

Vic sentou-se na frente de modo que cada cotovelo


repousava sobre os encostos, meu e de Tyler.

— Eu o reduzi a um menino desaparecido um ano antes


que o garoto Tanner apareceu na pista de motocross, onde
conheceu Connor e Georgie. Uma criança de dez anos de
idade, Michael Donald, desapareceu de sua casa em Toronto,
e nunca mais foi visto. Ele se encaixa na descrição de Tanner.
O tempo bate. Estou supondo que, qualquer que seja a
organização com a qual estamos lidando, sequestrou,
torturou, treinou e fez uma lavagem cerebral nessa criança.
Tyler balançou a cabeça.

— Jesus, ele era uma criança.

Eu olhei para Tyler.

— Sim, que pode fazer Georgie desaparecer.

— Eu sei, chefe. Mas quem quer que sejam essas


pessoas, eles estão levando crianças. Precisam ser parados.
Porra, Connor faria o que fosse preciso para derrubar esses
caras.

Sim, ele faria. Connor era o cara que sempre ajudou as


crianças, onde quer que nossas missões nos levasse. E agora
ele fazia parte de uma organização que as destruía.

— E nós o faremos.

Josh falou do banco traseiro.

— Por que ele iria querer levá-la para eles? Kai diz que
ele tem uma queda por ela. Eu acho que se fosse verdade ele
gostaria de levá-la para longe desses idiotas. Sem chance que
eu iria deixar esses filhos da puta perto da minha menina. —
Josh pigarreou. — Desculpe, chefe.

— Se ele sabe que ela e eu estamos juntos, a única


maneira de conseguir nos separar é levá-la. Se Kai está certo,
não há como escapar dessas pessoas, de modo que tentar
correr seria estúpido.

Nossa vantagem, era que eles não tinham ideia do que


Kai tinha-nos dito. Se Tanner ainda tinha de fazer contato
com a organização, então havia uma chance que pudéssemos
parar essa bola de neve que estava se tornando uma porra de
um pesadelo.

Dirigimos por meia hora antes de Tyler parar e acenar


para uma quadra da escola.

— Parece que é isso.

Depois de dois minutos Kai parou atrás de nós. Tyler se


aproximou e colocou a mão no meu braço.

— Eu sei que você gostaria de explodir o cérebro de Kai


agora. Porra, chefe, eu também quero. Mas ele quer London,
o que lhe dá um motivo para ir atrás deles.

Eu não iria matá-lo, mas porra, eu queria. Apenas o


pensamento do envolvimento de Kai nisso... eu soltei o cinto
de segurança e saí. Kai estava de pé com uma faca na mão e
sem seu habitual ar de arrogância.

— Nós vamos levá-la para casa. — Eu falei. Porque se


não fizermos, minha escuridão iria sufocar as únicas partes
boas que eu tenho e, eu nunca ia voltar, nem que eu
quisesse.

Georgie

— Você sabe, eu costumava ficar sentada em uma caixa


de leite do lado de fora do galpão, olhando pela janela. — Ele
acenou com a cabeça para a esquerda, em uma janela
empoeirada na parte de trás do galpão. — Gostava de ver
Robbie com você. Ouvia seus soluços... eu queria acalmá-la,
segurar sua mão, mas eles não me deixaram.

Eu soluçava contra o pano preto que ele tinha enfiado


na minha boca.

— Foi assim que eu sabia o que fazer quando fui cortá-


la no galpão. Então Kai recusou-se a me deixar fazê-lo
novamente. Mas eu sabia que eu era melhor nisto. Eu sabia
como ajudá-la, Georgie. — Ele estendeu a mão e eu vacilei,
querendo distância, mas ele conseguiu acariciar o lado do
meu rosto. — Estamos conectados, você sabe. Partilhamos a
mesma dor. Nós somos iguais.

Meus olhos se arregalaram. Eu não tinha ideia do que


diabos ele estava falando. Meus joelhos doíam de ficar
ajoelhada no piso duro de madeira e ele tinha meus braços
atrás das costas, amarrado com um cinto, exatamente como
Robbie tinha feito.

— Você já viu as cicatrizes de Kai? Elas são horríveis.


Ele deve ter lutado com eles, há muito tempo. Eu.... Eu tinha
apenas dez anos, então não lutei com eles por muito tempo,
fui mais ou menos como você, que não lutou com Robbie.

Isso é porque eu já estava devastada, seu desgraçado.


Connor morreu, Deck se foi... isso já tinha me destruído.

— Eles não vão gostar de saber que Kai não conseguiu


manter você e Deck afastados. Você sabia que foi por isso que
ele não pode deixar JTF2 por aqueles dois anos? Eles
puxaram algumas cordas, o que fez com que ele fosse
mantido no serviço militar até que Kai tivesse você,
completamente imersa com a gente. — Eu gemia contra
minha mordaça. Ele inclinou a cabeça para o lado. — Kai...
Ele vai ser levado também. Eles não vão matá-lo por isso,
mas ele vai ser torturado. Ou talvez eles apenas torturem a
menina, enquanto ele assiste. Ele deveria ter feito o que eles
pediram e levado a menina para eles, quando teve a
oportunidade. Eles vão fazê-lo sofrer. Ele provavelmente já
sabe disso. — Ele riu, enquanto corria um dedo nas minhas
costas. — Vault ficará satisfeito comigo por levá-la a eles,
assim que descobri que você estava com Deck. E se eles não
ficarem... — Ele deu de ombros. — Pelo menos Deck nunca
terá você.

Vault?

Ele se agachou na minha frente, segurando uma faca.


Inclinou-se para trás, deslizando o dedo pela lâmina afiada,
para frente e para trás.

— Nós vamos ficar aqui por um tempo. Minha


mensagem não vai chegar à França até que passe através dos
canais daqui. — Ele passou a mão sobre a minha cabeça
como se eu fosse seu cachorrinho. — Mas eu posso ajudá-la.
Eu vou tirar sua dor, como você quer, Georgie.

— Seu filho da puta. — Eu gritei contra a mordaça, mas


tudo o que saiu foi um rugido de gemidos. Eu rolei para o
lado, mas eu não podia levantar com as mãos atadas atrás
das costas. Ele me puxou para trás, até eu ficar de joelhos e
veio para atrás de mim, pressionando com força minhas
costas até o meu rosto ficou pressionado contra o chão.

A faca perfurou a parte inferior das costas, do lado


direito e começou a se arrastar. Senti minha pele ser cortada,
o sangue escorrendo e tentei me mover, mas seu peso não
permitia isso. Ele não me cortou profundo, apenas o
suficiente para me fazer sangrar. O que eu não sabia era o
quão pior iria ficar.

— Oh, não é tão ruim assim. Espere até Vault ter você.
Então você vai saber o que é dor. — Ele passou o dedo na
minha espinha, como uma carícia suave e senti seus lábios
tocarem minhas costas. — Eu vou apagá-lo de você. Fazer
você esquecê-lo, Georgie.

Seu desgraçado, você nunca poderá fazer isso. Não


importa o que fosse feito para mim, eu nunca iria parar de
amar o Deck.

— Quando nós formos...

Houve um grande estrondo quando a porta se abriu, ao


mesmo tempo que a pequena janela de vidro foi estilhaçada e
voou por toda parte. A porta arrancou das dobradiças
enferrujadas e balançou duas vezes antes de cair no chão.

Meus olhos se arregalaram quando vi Kai e Deck de pé


na porta e, Vic e Tyler subindo pela janela, todos com armas
apontadas para Tanner. Exceto Kai, ele tinha uma faca, mas
era tão bom quanto uma arma. Ele poderia jogá-la, rápido e
com precisão e Tanner sabia disso.

Tanner anelou seu braço no meu e me arrastou para


trás, uns dois passos até que bateu na parede. Uma pá
balançou e caiu do gancho. Ele segurou a faca no meu
pescoço e seu outro braço travou em torno do meu peito.

Eu estava babando na mordaça e tentava respirar pelo


nariz. Meu olhar bateu em Deck, mas ele não estava olhando
para mim. Ele estava preso em Tanner.

Kai baixou a faca, colocou-a de volta no coldre e deu um


passo para a frente. O aperto de Tanner ficou mais forte e eu
senti a ligeira punção da ponta da faca.

— O que você está fazendo, Tanner?

— Isso é mais como o que você está fazendo, Kai?


Contou-lhes sobre Vault? Parece que você fez ou não estaria
aqui agora. Não importa, eles vão lidar com você, assim que
receberem minha mensagem.

Notei os músculos dos braços de Deck se contorcerem e


ainda assim ele permaneceu completamente imóvel, como
pedra, os olhos estavam no seu alvo, à espera do momento
em que ele poderia dar um tiro.

Kai riu e soou estranho na situação tensa.

— E você acha que eles vão deixá-lo viver? Você


sequestrando um dos nossos para o que... levá-la para eles?
Se eles a quisessem 'dentro' eles teriam feito isso anos atrás.
Mas não quiseram, Tanner. Eles não vão matá-la. E se você
fizer, eles vão fazer você implorar pela morte. — A mão de
Tanner balançou e a faca arranhou meu pescoço. Tentei me
inclinar para trás, para ele, tanto quanto eu podia para evitar
a lâmina, mas ele não estava prestando atenção em mim; ele
estava olhando para Kai e eu sabia que ele estava com medo.

— Deixe-a ir e nós podemos parar com isso. — Disse


Kai, dando mais um passo em nossa direção.

Eu respirei fundo quando ele me puxou para mais perto.

— Não. Ele não pode tê-la. — Tanner olhou para Deck.


— Eu fui o único a olhar por ela.

— Sem conexões, Tanner. Você sabe disso. Eles nunca


vão permitir isso.

— Você também deveria saber. Eu ouvi falar da menina


London. Ouvi dizer que ela está ‘bem’, ainda. Gostaria de
saber quanto tempo eles levaram para destruí-la.

Deck adiantou-se e agarrou o braço de Kai.

Tanner riu.

— Sim, eu acho que é por isso que eles não gostam de


nós em relacionamentos, porque você reage como um tolo.

Olhei para Tyler e Vic, que estavam em um lado da


janela. Eu sabia que eles não estavam bloqueando-a porque
Josh era um franco-atirador e, provavelmente, estava do lado
de fora, esperando o momento certo, para poder dar somente
um tiro, certeiro, em Tanner. Eu só esperava que, se o
fizesse, a faca de Tanner não cortasse meu pescoço, quando
ele caísse.

— Abaixem as armas. — Tanner ordenou. Deck acenou


para seus homens e eles colocaram as armas no chão. Não
havia chance de eles entrarem aqui sem um plano. Eram de
operações táticas. —Chute-as para cá. — Ouvi o raspar de
metal deslizar para Tanner. Ele teve o cuidado de me manter
diretamente na frente dele. — A faca, Kai. É tão mortal
quanto as balas.

— Mais do que isso. — Disse Kai. Havia a petulância


que ele sempre teve e de certa forma, isso me fez sentir
melhor. Ele não estava preocupado, não que ele estive
alguma vez preocupado. Kai abaixou-se, em seguida, jogou a
faca no chão.

Olhei para Deck, implorando-lhe com meus olhos para


ele me olhar e me dizer que isso ia dar certo. Mas ele não o
fez. Seu olhar estava preso à figura atrás de mim e eu sabia o
porquê. Deck era o assassino agora. O caçador. O homem
que pegava e matava.

Kai se endireitou.

— O que você vai fazer? Esperar aqui por horas, até que
eles façam contato?

— Chaves. — Tanner ordenou.

Notei uma mudança na posição deles, Deck agora estava


à frente de Kai e, em seguida, ele finalmente olhou para mim.
Ele não teve que dizer nada. Ele mal teve que se mover.
Eu o li, assim como seus homens fizeram. Seus olhos
deslocaram para a direita e, em seguida, seus dedos
começaram a se encolher na palma da mão, um por um.

Cinco.

Quatro.

Kai pôs a mão no bolso e tirou as chaves.

— Aqui.

Três.

Dois. Kai jogou as chaves do carro para Tanner.

Um.

Aconteceu muito rapidamente. Ao mesmo tempo, que


Tanner pegou as chaves, virei minha cabeça para a direita,
tanto quanto pude, nos desequilibrando. O som de uma faca
ecoou pela estrutura do telhado, pelo ar e direto em seu peito,
ao lado do meu braço, por um centímetro. Tanner caiu e eu
com ele.

Em poucos segundos, fui arrastada dele e o pano foi


arrancado de minha boca. Os braços de Deck vieram ao meu
redor quando ele me segurou contra o peito. Eu podia sentir
as mãos de alguém em meus pulsos, desfazendo o cinto, e no
instante que eu estava livre, eu os envolvi ao redor dele e
solucei contra sua camisa.
Eu soluçava pelo o que eu tinha feito. Pelas mentiras.
Pelas besteiras. Por trazer Deck e os seus homens para isso.
Eu chorei por nós; pelos anos que tínhamos perdido. Mas
acima de tudo, eu chorei por meu irmão, porque eu estava
finalmente percebendo o quão ruim isto era e a esperança
que eu tinha quando Deck me disse que ele estava vivo, agora
estava se afogando no temor do que ele estava envolvido.

Vault... Eu pertenço a eles. Eles possuem Connor e Kai


e, agora London.

— Eu não posso sair. Eu posso?

Deck endureceu, quando sua mão que acariciava minha


nuca parou.

— Não.

E isso era Deck. Ele não iria me dar falsas esperanças.


Ele sabia no que eu estava envolvida e como isso era muito
grande para ele.

—Mas eu não vou deixá-los ter você. Se precisarmos


desaparecer, eu vou fazer isso acontecer.

Sim, e isso era Deck, também. Ele faria o que fosse


preciso. Tanner estava morto. Ele era o único que sabia que
Kai disse a Deck sobre eles. Que eu sabia a verdade. Até que
a mensagem que ele enviou fosse lida.

— Tanner enviou uma mensagem.

— Kai disse que ele faria. Vamos lá, Baby. Vamos levá-la
para fora daqui.
Os homens se colocaram em torno de nós e senti cheiro
de gasolina, em seguida, Deck me levantou nos braços e saiu
da escola.

A meio caminho do estacionamento, escutei uma forte


explosão e, em seguida, Kai, Vic, Tyler e Josh estavam ao
nosso lado.

Havia nuvens cinza no ar. O fogo crepitava. Respirei o


cheiro de fumaça. Era a queima de todas as mentiras. Era a
purgação que procurava o tempo todo. Eu finalmente me
senti livre de Robbie. A partir das partes de mim que eu
odiava, que eram fracas e ainda perdi a dor do que eu tinha
mantido vivo.

As cinzas de parte de mim estavam girando em torno de


nós e, em seguida, foram perdidas na brisa. Eu olhei para
Deck e acariciei o lado do seu rosto.

— Eu sou um arco-íris, apenas porque você me fez


dessa forma. — Seus olhos ainda estavam escuros e
assombrados pelo que aconteceu, mas havia uma sugestão
do homem doce que eu tinha encontrado em Deck e, eu sorri.
— Amo você, baby.
Capítulo 22

Georgie

Deck me manteve trancada em seus braços, no banco de


trás, enquanto Tyler dirigia e Josh estava sentado no banco
da frente. Vic estava com Kai.

Estremeci quando o corte nas minhas costas esfregou


no braço de Deck e ele imediatamente afrouxou o aperto e
olhou para mim, as sobrancelhas franzidas, em preocupação.
Estendi a mão e toquei-lhe o queixo, como se fosse o mais
delicado e caro diamante.

— Eu já agradeci por salvar a minha bunda, meu


Brigadeiro?

Eu acho que ele estava muito preocupado comigo para


se contrapor ao meu atrevimento, porque ele apenas me
olhou. Suspirei e descansei minha bochecha contra seu
ombro.

— Chefe? — Josh olhou por cima do ombro, para nós.


Notei ele me dar um excessivo olhar, como se estivesse
verificando, para ter certeza, que eu não estava sangrando
até a morte. Como se Deck fosse deixar isso acontecer; eu dei
um meio sorriso quando seus olhos atingiram meu rosto. Ele
resmungou. Josh era um cara estranho. Tranquilo e sem
senso de humor e eu ainda via algo persistente nele, como se
estivesse lutando contra a necessidade de rir ou sorrir. —
Você quer que nosso cara dê uma olhada nela?

Isso chamou a minha atenção. Eu era a única ela.

Deck assentiu.

— Ei, espere um segundo. Que cara? Quem é ele Deck?


E por que ele vai me verificar? — Josh se virou.

— Rick, — Deck disse. — Um médico. E você será


verificada porque eu disse isso.

— Você sabe, às vezes, seria bom se você não fosse tão...


direto. Você não poderia possivelmente me perguntar como
eu me sinto sobre isso? Talvez jogar um 'baby, eu te amo,
mas...'

Deck bufou, obviamente, não tão imune a brincadeira,


pois deu até mesmo um ligeiro sorriso.

— Josh, traga-o para minha casa, o mais rápido


possível.

— Eu estou bem, Deck. É apenas um par de arranhões e


contusões.

— Você viu seu rosto?

— Bem, não. Não é como se eu estivesse muito


preocupada em como eu pareço no momento.
— Você precisa de um médico.

Inclinei-me e olhei no espelho retrovisor. Encontrei os


olhos de Tyler, que franziu os lábios e balançou a cabeça. Eu
sabia o que significava, eu não estava ganhando um presente.
Eu tinha um pequeno arranhão no pescoço e um hematoma
muito feio na minha testa.

Deck me observava, com os olhos tensos. Eu sabia que


ele estava esperando, pacientemente, meu argumento.

Cruzei os braços e olhei para fora da janela.

— Tudo bem, mas você me deve copiosas quantidades


de orgasmos.

Tyler caiu na gargalhada. Josh grunhiu. Deck ficou em


silêncio.

Ele colocou o braço em volta de mim, em seguida,


empurrou minha cabeça para o seu ombro. Estendi a mão e
juntei meus dedos nos dele. Ele apertou e era tudo que eu
precisava, sentir seu conforto penetrando em mim.

Dentro de meia hora, o carro de Kai parou ao lado da


estrada e ele e Vic saíram, parecendo realmente infelizes. E
Vic infeliz era realmente muito assustador.

Claro, todo mundo saiu dos carros. Deck me disse para


ficar parada, o que eu não fico. Ele fez uma careta para mim,
mas não interrompeu Kai, que estava dando a má notícia,
dizendo que não foi capaz de interceptar a mensagem de
Tanner na da internet.
— Merda. — Disse Tyler e chutou o pneu ao mesmo
tempo em que ele bateu no teto do carro. Ver Tyler reagir
assim, de alguma forma não combinava com ele.

— Alternativas? — Perguntou Vic.

— Ir manualmente e excluí-la do computador principal,


antes dela ser revisada e enviada para a França.

— França? — Perguntou Deck.

— Onde Vault está localizado.

Eu sabia que Kai nos dando uma localização, era algo


preocupante.

— O que é que Vault faz, Kai? — Deck perguntou. —


Além de sequestrar e torturar as pessoas.

— Tudo, — Kai suspirou. — Vault é como uma religião.


Ele prega crenças que foram definidas por um grupo de nove
pessoas, há muitos anos. Poder. Dinheiro. Drogas.
Corrupção. Vamos atrás de alguns dos piores criminosos. Nós
também protegemos alguns dos piores. É tudo uma questão
de controle e informação.

— Porra. — Disse Tyler.

Kai assentiu.

— E eles vão mandar alguém atrás de todos nós, se eu


não interceptar a mensagem.
— E eu estou apostando que nenhum de nós pode
chegar perto do computador principal. Pelo menos não rápido
o suficiente. Certo? — Perguntou Josh.

Kai não precisava dizer nada, porque nós sabíamos a


resposta. A questão era se algum deles, realmente, podia
confiar em Kai. Seria mesmo possível confiar em um cara
como esse? Ele estava envolvido com uma organização
secreta que sequestrava homens, mulheres e crianças,
utilizando-os para seus próprios fins.

Kai falou diretamente com Deck, com olhos inabaláveis.

— Se eles recebem essa mensagem e estou eliminado ou


pior, serie 'sequestrado' como Georgie. É nosso interesse é ter
certeza de que isso não aconteça. — Kai acenou para mim e
encontrei seus olhos que se mantiveram fixos em mim. Eu
sabia exatamente o que ele ia dizer. —Acabei de receber uma
mensagem do Vault; eles querem que ela saia em uma
missão, esta noite.

— Não. — Deck respondeu imediatamente.

Coloquei minha mão sobre o braço dele.

— Faz sentido. Eu tenho que ir.

— Não. — Reiterou Deck.

Foi Vic que interrompeu, cruzando os braços sobre o


peito largo.

—Ela desaparece e é uma bandeira vermelha. Ela está


certa. Você sabe disso também, chefe.
Ele ficou tenso ao meu lado e assisti sua mandíbula
apertar, então abrir, antes dele finalmente concordar.

Mas quando Kai disse a ele com quem eu tinha de fazer


contato... bem, essa foi outra luta. Kai tinha os homens de
Deck do lado dele, agora. Eu precisava ir ao bar, beber e fazer
o habitual. Kai iria para a residência de Vault aqui e apagar a
mensagem do computador principal, antes de ser distribuído
para os líderes da organização na França. Porém tinha que
ser hoje à noite, porque todas as manhãs, alguém entrava e
analisava as correspondências para ver quais eram
importantes, para ser enviado para a França. Essa era uma
informação e tanto. Ainda tínhamos uma chance.

— Porcentagem de sucesso? — Perguntou Deck.

Kai deu de ombros, enquanto caminhava para seu carro


e abria a porta.

— Depende. Se minha mãe estiver lá... — Engoli em seco


e os olhos dos homens se arregalaram. — Cai
exponencialmente. A cadela me odeia.

Eu não tinha percebido que eu tinha minha mão sobre a


minha boca, até Deck segurá-la e abaixá-la. Pensei nas
cicatrizes de Kai e não podia imaginar uma mãe permitindo
que isso acontecesse com seu próprio filho. Kai estava mais
fodido do que eu percebi e isso me assustou, porque se uma
mãe podia assistir seu filho passar por algo assim, então o
que eles fariam com Connor?
Capítulo 23

Georgie

Meu alvo - Tristan. Eu iria encontrá-lo no Avalanche.

Quando liguei para ele, ele não parecia surpreso ao


ouvir minha voz e concordou em me encontrar para uns
drinques, que foi perfeito para mim, desde que eu aparecesse
bêbada e tentasse descontraí-lo, Tristan realmente precisava
se soltar. Eventualmente, Vault me pediria para obter algo
dele, como arquivos de seu computador ou do telefone. Mas
eles estavam, obviamente, sem pressa com Tristan.

Eu fiz isso muitas vezes. Mas de alguma forma... Agora


eu não queria fazer isso. Eu não estava com medo, estava
muito confiante na minha capacidade de desempenhar meu
papel. Era o fato que eu tinha que flertar com outro cara. Mas
eu não tinha escolha e Kai estava arriscando sua bunda para
apagar a mensagem de Tanner. Eu poderia encontrar um
cara para algumas bebidas para ajudar a manter Deck e
todos nós mais seguros.

Naturalmente, Deck não estava feliz.

— O médico disse que você deveria descansar.


O médico de Deck estava esperando por nós no
apartamento. Ele tinha me verificado, disse que eu poderia
ter uma concussão, então tratou e limpou o corte nas minhas
costas. Não houve perguntas a respeito de quem eu era ou
como me machuquei. Suspeito que o médico tenha sido
muito bem pago para não fazer perguntas.

— Você concordou com isso.

— Isso foi antes do médico te ver.

— Eu estou perfeitamente bem. Já fiz isso antes. Não é


grande coisa. Além disso, não temos uma escolha. Sem
bandeiras vermelhas, lembra.

— Eu odeio isso, porra.

Ele estava preocupado e eu gostava que ele estivesse


preocupado comigo, mas não havia escolha.

— Você sabe que eu tenho que fazer isso, Deck. Você


de todas as pessoas entende do que se trata.

Ele me olhou de cima a baixo, apertando os lábios. Ele


sabia que eu estava certa. Este argumento tinha sido
discutido no carro, ainda com os meninos.

— Você não vai usar isso. Troque-se.

Aqui vamos nós. O top era como uma segunda pele,


com lantejoulas azuis, decote em V e alças finas. Eu usava
calças pretas, leggins. Combinava.

— Ele gosta de azul.


— Então use aquele pijama azul. — Ele saiu do quarto
como se fosse o fim da conversa.

Ele se lembrava da minha blusa do pijama azul de


cachorrinho? Aquele pijama me dava uma sensação de
conforto, como a que eu sempre tinha quando via o coelho
marrom que Connor tinha me dado, que ainda estava
sentado na minha cama, até hoje. Era apenas... Legal que ele
prestasse atenção, considerando que havia anos que tinha
me visto nele.

Eu fui atrás dele, meus saltos clicavam sobre o piso de


madeira. Ele estava na cozinha, se sentindo completamente
em casa, enquanto pegava o pano de prato e começava a
limpar o balcão. Ele não estava usando uma camisa e a calça
jeans que estava pendurada, baixo, em seus quadris revelava
a trilha de pêlos espalhados, que ia até seu pau.

Engoli em seco. Ele me ignorou, de pé a poucos metros


de distância, flexionando seus músculos enquanto se movia,
as tatuagens brilhavam. Jesus, eu queria que ele me despisse
e me fodesse no balcão da cozinha.

— Se você já estiver satisfeita em olhar, vá se trocar.

Merda, ele tinha os olhos na parte de trás de cabeça?


Sim, ele era Deck. Ele tinha os olhos em todos os lugares.

— Se eu não estiver sexy, ele não vai gostar de mim.

— Bom.
Eu suspirei. Sim, essa atribuição de merda ia ser um
problema permanente. Ele veio por trás, quando jogou o pano
na pia.

— Baby... — Senti a tensão nele, acariciei seus braços


e, em seguida suas costas. —Eu sei o que estou fazendo.
Você tem que confiar em mim.

— Eu confio em você, Georgie. Eu não confio nele. —


De repente, ele me agarrou pela cintura, me pegou e se
sentou na banqueta. Eu coloquei minhas pernas em cada
lado dele e seu braço me impediu de cair para trás. — Você
está diferente.

— Merda. — Eu desisti, por que discutir com Deck, não


rolava. — Eu vou quebrar seu cofrinho e irei fazer compras
com seu dinheiro. Talvez algumas algemas, para mantê-lo na
linha.

Ele não riu como eu esperava que fizesse; em vez disso,


passou o dedo sobre a minha clavícula, com a expressão
séria.

— Pensar em você fazendo isso... Querida, eu tentei


protegê-la durante anos. E agora, eu tenho que,
voluntariamente, deixar você entrar em uma situação, que
poderia deixá-la ferida. Vai contra tudo o que eu sou. — Ele
inclinou meu queixo para cima e seu polegar acariciou-o. —
Eu amo você, Georgie. Eu não vou te perder.
Jesus, e então ele tinha que dizer a merda assim e eu
sabia exatamente o que ele estava dizendo, porque me sentia
da mesma forma.

— Você me protegeu, Deck. E você nunca vai me


perder. Eu sou sua. Sempre fui. — Então eu o beijei até que
senti sua tensão aliviar.

Quando ele se afastou, colocou uma mecha azul de


cabelo atrás da minha orelha.

— O elefante cor de rosa sob o balcão?

Eu sorri.

— Sim. Eu já o esvaziei cinco vezes. O dinheiro está


escondido, para o dia do nosso casamento.

Ele riu e me chocou. A seriedade do seu rosto foi


substituita por uma expressão de alegria.

— Nosso casamento?

Eu dei os ombros.

— Caralho, eu te amo. — Disse ele. Então beijou meu


pescoço e eu gemi. — Compre uma lingerie sexy para nossa
noite de núpcias. — Ele sussurrou em meu ouvido, em
seguida, mordiscou o lóbulo.

Eu descansei minha cabeça em seu ombro.

— Deck? — Ele não disse nada, apenas apertou seu


abraço em mim. — Obrigado por sempre estar lá, para o meu
irmão. — Senti sua respiração hesitar em seguida, expirar. —
E por mim.
Então ele me beijou cheio de intensidade e estávamos
puxando a roupa um do outro. Ele teve cuidado para não
ferir minhas costas. Mas não foi cuidadoso ao me foder. Foi
quente e rápido e, provavelmente, tinha um propósito, porque
Deck arrancou o top de cima de mim.

Deck concordou que eu vestisse um top preto, que era


menos revelador, menos apertado e menos sexy. Claro, eu
tinha passado por outros cinco tops antes que ele finalmente
concordasse com um, foi porque eu já estava meia hora
atrasada, para me encontrar com Tristan.

Tyler e Vic já estavam no Avalanche e mandaram uma


mensagem dizendo que Tristan estava lá, no bar. Deck não
foi permitido de ir, porque todos nós sabíamos que ele iria
foder com tudo. Em vez disso, ele estava esperando do lado
de fora, em seu carro.

Kai me mandou uma mensagem, no caminho, para ter


certeza de que eu estava encontrando-me com Tristan. Em
seguida, disse que estava em seu caminho para eliminar a
mensagem, o que me deixou nervosa. Por ele. Por Deck. Por
todos nós. Kai era destemido e ainda assim senti algo
diferente nele, antes que ele nos deixasse, mais cedo. Não era
medo exatamente, mas era como se ele estivesse ausente,
delisgado.

— Uma bebida, depois você sai. — Deck ordenou.

Eu balancei a cabeça.

— Uma hora... No máximo.

Deck agarrou minha mão antes de eu sair do carro.

— Eu estou orgulhoso de você, Georgie. Você é a


pessoa que eu sempre soube que era. — Ele suspirou. — Eu
não vou desistir, nunca. Eu vou encontrar uma maneira de
mantê-la segura.

Arrepiei-me toda e senti meus olhos se encherem de


lágrimas. Jesus, como eu poderia amar este homem mais do
que já amava? Eu não tinha o que falar. Beijei-o e, foi um
beijo lento e quente com uma promessa de sempre estarmos
juntos. Depois fui para o Avalanche e fiz o que eu tinha que
fazer.
Deck

Fiquei meia hora, esperando, no carro. Eu sabia o que


poderia acontecer comigo, ao ver Georgie com outro cara.
Porra, eu a assisti com outros caras durante anos e isso me
arruinou. Agora, ela era minha e eu ainda tinha que assistir
isto.

— Não é uma boa idéia, chefe. — Tyler veio ao meu


lado. — Vic e eu estamos a vigiando.

Eu sabia que eles estavam e eu confiava neles, sabia


que eles nunca deixariam nada de ruim acontecer. Mas eu
era um idiota controlador e tinha que dar uma olhada.

— Eu não vou embora.

Tyler riu.

— Sim, bem, você deveria ter estado aqui mais cedo.


Eu perdi cinqüenta dólares para Vic. Não achei você iria
demorar tanto à vir aqui. Dei-lhe 10 minutos, para você por
seu traseiro aqui.

Porra, esses caras me conheciam muito bem. Ele me


passou uma cerveja e andamos através da multidão, para
uma cabine com um bom ponto de vista para o bar, onde
Georgie estava sentada ao lado de Tristan.

Vi minha menina tocar seu braço, a leveza de seus


dedos em sua pele. E não foi ciúme o que eu senti, pois para
ter ciúmes, você tinha que ser inseguro. Georgie era minha.
Nenhum outro homem jamais a tiraria de mim. Eu era
obsessivamente protetor.

Eu também estava excitado. Meu pênis esticava na


minha calça jeans, ameaçando sair, livre, de seus limites
apertados. Eu sabia o que as pontas dos seus dedos faziam
na minha pele, no meu pau e eu tinha o desejo de ir até lá e
transar com ela, no bar.

— Você está bem? — Perguntou Vic.

Balancei a cabeça. Porra, sim, eu estou bem. Eu era a


pessoa que a levaria para casa esta noite e afundaria o pau
dentro da sua boceta molhada. Segurei a cerveja na mão,
apesar de não beber. Eu queria que cada molécula do meu
corpo estivesse pronta para reagir.

Tristan era elegante, o que significa que tinha um


monte de dinheiro. Estava nos jornais constantemente, seja
sobre sua empresa de desenvolvimento ou sua vida de
solteiro. Ele foi generoso com várias instituições de caridade,
envolvidas em ajudar as crianças e no papel era um cidadão
íntegro, mas Vic não conseguia encontrar nada sobre sua
família. Sem passado. E a ausencia de um passado
significava que estava escondendo algo.

O que eu realmente não gostei foi o fato dele ir ao café


de Georgie, quando havia outros dois, mais perto de seu
escritório. Mas não havia nada para indicar que ele estava
envolvido em atividades ilegais de qualquer tipo.
Então por que Vault quer Georgie o verificando? Qual o
propósito? E por que Kai recebeu uma mensagem para
Georgie se encontrar com Tristan hoje à noite?

Não me sentia bem com isso. Como uma equipe, nós


entramos em cada situação com o máximo de detalhes
possível. Nós tínhamos um plano para cada possibilidade
possível e nós sabíamos o que fazer se as coisas corressem
mal. Este era um negócio arriscado. Não tínhamos ideia de
quem estava envolvido com Vault, o que eles queriam ou se
Kai estava do nosso lado ou do Vault.

Eu assisti Georgie... Não, Chaos. Ela fazia um papel e


sim, ela estava muito gostosa. Porra, eu odiava que Chaos
fosse parte dela, mas era algo que eu tinha que aceitar, era
parte de quem ela era, agora. E qualquer porra de cara iria
ficar excitado por sua garota, corajosa o suficiente para fazer
o que fez todos estes anos. Eu não tenho que gostar dessa
merda, eu não gostava, mas minha menina era durona e
gostosa para caralho.
Georgie

Tristan era osso duro de roer. Ele não bebeu sua


cerveja e não reagiu ao meu leve toque em seu braço. Ele era
frio como gelo e lembrou-me um pouco de Kai. Bem, meu
trabalho esta noite era apenas fazer contato e, ele estava
obviamente interessado porque concordou em me encontrar
aqui.

Nós conversamos sobre a cafeteria, sua empresa,


Mason Desenvolvimento e, acabamos falando sobre como eu
conheci os membros da banda Tear Asunder. Então ele me
atingiu com:

— Ele está muito passivo. — O aperto de Tristan sobre


sua cerveja, intocada, era leve, não havia nenhuma centelha
de tensão nele.

— Quem? — Um arrepio passou pela minha espinha.


Eu tinha certeza do que ele estava falando, mas não gostei de
onde isso estava indo.

Tristan não olhou para a cabine onde Deck, Tyler e Vic


estavam sentados, mas fez um gesto com a cabeça,
inclinando-a na direção deles.

— Você sabe exatamente do que estou falando, Chaos.


E eles também.

Porra, que porra. Usei todo o meu controle para


permanecer relaxada e não reagir.
— Eu assumo que Tanner está morto? — Disse Tristan.
— Será que foi Kai ou Deck?

Jesus. Como ele sabia? Eu não tive que fingir que


tomava um gole da minha cerveja, porque eu tomei, eu
precisava. Eu também sabia quando calar a boca. Não havia
como esconder isso. Tristan, obviamente, sabia sobre Vault.
Merda, foi por isso que me deram ordens para chegar à ele?
Será que eles já suspeitam que ele sabe sobre eles?

— Kai não terá um final diferente do dele, apesar de


quem sua mãe é. — Ele deu de ombros. —Eles vão saber, em
breve, a quem pertence a lealdade dele.

— E a sua? — Eu queria que ele me disesse isso. Ele


deve saber que eu era parte do Vault, embora não fosse por
vontade própria.

Foi a primeira vez que testemunhei um ligeiro sorriso


dele, era como se ele tivesse ficado impressionado pela minha
pergunta e por eu permanecer centrada. Bem, eu era boa em
fingir, porque na verdade agora eu estava literalmente
pirando.

— Minha lealdade pertence a mim mesmo. — Ele se


inclinou para frente, colocando os braços sobre o bar e a
cerveja entre as mãos. — Se eles descobrem que seu
namorado, ali, sabe sobre Vault, eles vão matá-lo... E você...
Você vai ser levada para eles e será lhe mostrado o que
acontece com aqueles que os traem.
Eu realmente não dava a mínima para mim, mas ainda
sentia certo medo.

Ele ficou quieto por um segundo, antes de me olhar e


encontrei seus olhos frios e insensíveis, novamente.

— Eu tenho certeza que eles sabem que você está com


Deck e, por enquanto, estão permitindo.

Permitindo? Merda. E fodam-se. Eles acham que Deck


permitiria que eu flertasse com Tristan, quando eu era sua
namorada? Deck não era o tipo que compartilhava. Agora que
eu não entendia nada.

— Ele então devem saber o que eu disse a Deck no


segundo que liguei para me encontrar com você esta noite.
Deck nunca me deixaria namorar outro cara quando eu estou
com ele. Isso é ridículo.

Ele sorriu e peguei um vislumbre de seus dentes cor de


pérola.

— Ah, mas eles não sabem que estou me encontrando


com você. A ordem que Kai recebeu, para você me encontrar
esta noite, foi minha.

Foi esse comentário que me fez perder a compostura e


meus olhos se arregalaram quando me virei para encontrar
seus olhos.

—Como? Por quê? E como é que você sabe sobre eles?


Sobre a morte de Tanner? — Eu tinha tantas perguntas
voando na minha cabeça que nem sabia por qual começar.
— Foi uma pena o que aconteceu com você.

— Comigo? Você sabia que Tanner me raptou?

Ele assentiu com a cabeça.

— Tinha que acontecer. Tanner foi muito leal ao Vault


e sequestrando você, ele deu a Kai um motivo para matá-lo.
Embora, eu suspeite que foi o seu homem, ali, que o matou.
E antes que ele perca a calma e venha para cá, é melhor
acabarmos com isso agora. O que você precisa saber, Chaos,
é o que estamos abatendo Vault. — Ele sorriu para minha
expressão de choque, em seguida, levantou-se e colocou uma
nota de cinqüenta no bar. — Aja discretamente por um
tempo, tá? Precisamos que essa merda com Tanner e Kai seja
resolvida. Entrarei em contato.

Levantei-me e agarrei o braço dele, antes que ele


pudesse sair. Do canto do olho, vi Deck sair da cabine, mas
ele não veio em nossa direção.

— Tristan. — Ele olhou para minha mão em seu braço,


mas me recusei a recuar. — Quem diabos é você?

Ele arqueou as sobrancelhas.

— Eu sou exatamente quem eu digo que sou, Tristan


Mason, dono de Mason Desenvolvimento.

— Se você está me dizendo a verdade, então me dê algo


para me fazer acreditar em você. Pelo que suspeito, você é
Vault, armando para me pegar.
Ele ficou quieto um minuto, em seguida, corajosamente
se virou e olhou diretamente para Deck.

— Ele é bom no que faz, e nós precisamos disso. —


Tristan se inclinou para mais perto, seu peito quase tocando
o meu. — Eu conheço alguém muito próximo à Vault. Foi
meu contato, que sugeriu a eles, manter um olho em mim.

— O Quê? Por que você faria isso? Eles vão te matar se


descobrir.

— Eu precisava conhecê-la e precisava que fosse ideia


deles colocá-la no meu caminho, não minha. — Ele olhou de
volta para minha mão, ainda segurando seu braço e eu o
soltei. — Eu sou importante. Eles não vão me tocar, a menos
que seja absolutamente necessário. Eu não tenho nada, no
momento, que iria fazê-los vir atrás de mim.

— Exceto seu contato. — Ele confiava em alguém de


Vault? Ele conhecia alguém de lá, alguém que se importava…
— Meu irmão? Você sabe alguma coisa sobre ele? — Segurei
minha respiração, esperando, coração batendo. Por favor,
diga que ele ainda está vivo.

— Connor. Ele está na França. Vivo. — Fechei os olhos


e respirei fundo. — Eu sinto muito, isso é tudo que eu posso
dizer a você agora.

Balancei a cabeça, olhando para os meus pés, tentando


segurar as lágrimas. Minhas emoções eram conflitantes. Eu
queria tanto meu irmão vivo, mas a que custo? O que eles o
fizeram passar? O que eles estavam fazendo com ele agora?
— Eu quero ele de volta. — Eu sussurrei, mais para
mim do que para Tristan.

— Você não vai tê-lo de volta. — Meu olhar correu para


ele, meu peito parecia que ia explodir. — Se ele sair, ele
nunca será o mesmo irmão que você conhecia.

— Você não sabe disso.

— Eu sei. — Tristan ficou tenso e sua mandíbula se


contraiu. —Porque eu nunca mais fui o mesmo.

— O quê?

— Vault me sequestrou quando eu tinha oito anos.


Destruíu qualquer infância que eu tive. Hoje em dia, meus
pais e irmã não sabem que estou vivo. Eles nunca podem
saber. Os perdi no segundo que me tornei parte de Vault.

— Mas você não faz parte, agora.

— Não. Eu escapei quando tinha quinze anos. Alguém


lá de dentro me ajudou... meu contato. — As sobrancelhas
de Tristan baixaram ainda mais, sobre seus olhos
escurecidos. — Agora, eu tenho dinheiro e recursos para tirar
meu contato de lá e destruir Vault. — Ele acenou com a
cabeça em direção a Deck. — Seu namorado e seus homens
têm um motivo para ir atrás de Vault. Você tem uma razão
para ir atrás Vault e agora Kai tem um motivo para ir atrás
de Vault. Está na hora.

— Você acha que podemos realmente fazer isso?

— Não, mas eu vou morrer tentando. — Então ele saiu.


Capítulo 24

Kai

Eu odiava vir aqui.

Era como se eu fosse despido e forçado a andar nu em


um lugar onde haviam lupas e todos estavam olhando cada
parte de mim. E olha que não havia ninguém aqui. A pior
parte realmente era que, se eles não gostassem de alguma
coisa, eles tinham todo o direito de fazer algo a respeito. E
esse algo sempre era foda.

Imunidade não existia, nem mesmo para o filho de um


dos membros do Vault. Merda, minha mãe matou meu pai,
depois de ter espancado-o, até que ele vomitou sangue. Ela
fez minha irmã e eu assistir tudo – tinhamos cinco e sete
anos. Em seguida, caminhou até ele, pendurou-o pelos
pulsos no meio da sala, onde os membros do conselho
ficaram em volta e assistiam. E ela levou a faca sob sua caixa
torácica e matou-o.

Há alguns anos, minha irmã foi levada para a França,


onde foi torturada publicamente durante dias. Ela tentou
escapar. Eu avisei a ela para não fazê-lo.
Eles a encontraram. Agora, ela está em alguma cela
imunda em um calabouço de horrores, na França. A morte
era muito rápida. Muito fácil. Não, eles fariam dela um
exemplo. Ela apodreceria até a morte e então eles mostrariam
tudo o que aconteceria, se alguém tentasse sair.

Nada era simples aqui. A morte vinha com um preço. A


morte era um privilégio. Aprendi desde cedo a bloquear os
rostos, os gritos e o cheiro de sangue, urina e vômito.

E eu sobrevivi, porque eu era bom nisso.

Até ela.

A garota.

London.

Foi a primeira vez na minha vida que senti alguma


coisa.

Apertei o código de segurança e caminhei pela casa


enorme, de sala em sala, até que encontrei a pintura a óleo.
Eu a odiava. Muito irônico, dois amantes abraçados com o sol
irradiando entre eles. Bastardos, doentes desgraçados.

Fui para a direita, em seguida, pressionei um código


em uma tela de alarme. Ouvi um estalo e a porta se abriu, ao
lado da pintura. Entrei e ela se fechou atrás de mim. Era
como se eu tivesse entrado no inferno.

Eu raramente vinha aqui, exceto uma vez por mês,


para uma reunião com Brice ou quando minha mamãe
querida estava na cidade e queria me ver. A mulher podia ver
uma mentira antes mesmo dela ser falada. Eu pratiquei
durante anos, como uma criança, na frente do espelho,
treinando com cuidado, meus gestos, meu movimento
muscular, manter os olhos sem emoção. Respirar era
primordial, constante e uniforme. Eu tinha mentido para ela
sobre a garota London.

Disse-lhe que não tinha visto-a, desde quando ela


fugiu. É claro que isso era uma mentira.

Mentiras estavam por toda parte. A arte era saber se


você poderia transformá-las em verdades.

Meus sapatos estalavam nos pisos de cimento, estava


andano pelo porão. Eu usava um terno e gravata, como
sempre usava, quando vinha aqui. Seria desrespeitoso não
usar algo que fosse o seu melhor.

Parei na porta de aço cinza.

— Glen. — Abordei o guarda.

— Não estava esperando você.

Eu sorri.

— É melhor você não esperar nada. Dessa forma, você


nunca vai se decepcionar. — Baixei a voz e fiquei sério. —
Abra a porta.

Glen obedeceu e caminhei para o inferno. O corredor


escuro era um que eu nunca iria me acostumar. Sem dúvida,
eles projetaram este lugar para isso, se qualquer um de nós
tivesse que caminhar pelo corredor, estaríamos lembrando do
que aconteceria se cometéssemos um erro.

As células de tortura. Havia cinco delas e cada uma


tinha sua finalidade. Teríamos sorte se fossemos trazidos
para cá e não para a propriedade na França, no entanto.

Coloquei meu dedo no scanner. Ele buzinou, ficou


verde e uma porta se abriu. Eu entrei e fui diretamente para
o computador. Eles sabem que eu estava aqui e eu tinha que
ter uma boa desculpa sobre o por quê. Estava esperando que
minha mãe viesse me questionar, eventualmente.

Levou apenas alguns minutos para eu entrar nos e-


mails. O truque estava dando certo, qualquer vestígio do que
Tanner tinha enviado foi limpo e eu passei 40 minutos
rastreando, para ter certeza que a mensagem tenha sido
excluída de todas as formas possíveis. Bem, eu apostava que
algum hacker poderia encontrá-lo, se eles estivessem
suspeitando de mim. Caso contrário não estariam
procurando.

Desliguei o computador, levantei e sai.

Tinha sido mais fácil do que eu pensava. Ainda tinha


que explicar a morte de Tanner, eu teria que ir para a França
e enfrentar minha mãe, mas eles não ficariam chateados pela
perda. Além disso, dizer-lhes que o matei por causa de seu
relacionamento com Georgie só iria reforçar a confiança deles
em mim. Isso tinha estado um pouco abalado, desde London.

Fechei a porta e começei a andar.


Então a ouvi.

Era um som fraco, mas nunca esquecerei a ligeira


cadência de sua voz. Porra. Fechei os olhos e me forcei a
continuar caminhando. A cada passo, meu coração batia
mais forte. Minha mente expandida em um acesso de raiva e
agonia.

Eu não esperava que ela estivesse aqui, mas agora eu


sabia por que estava.

Porque eu estava.

Um teste.

Lealdade.

Eles sabiam que eu vinha aqui uma vez por mês para
atender Brice, o imbecil. Que eu tinha que caminhar por este
corredor. Que, eventualmente, eu ouviria seus gritos.
Perceberia sua presença.

Jesus. A crueldade deles era interminável.

Parei na porta, minha mão fechada, levantada e pronta


para bater e Greg me deixar sair. Eu poderia fazer isso. Eu
poderia sair e não olhar para trás. Eu poderia esquecer. Eu
sabia como parar os pesadelos.

Mas não este.

Minha cabeça caiu para a frente, quando abaixei meu


braço. Eu me virei. O que eu estava fazendo? Eu sabia que
não poderia tirá-la daqui. Qual era o motivo de vê-la? Eles
querem que eu faça isso.
Como eu disse a Deck, não havia nenhum lugar para
se esconder de Vault. Minha irmã era prova disso.

Meus pés continuaram pelo corredor, até onde eu tinha


ouvido a voz dela. Eu sabia o que ia ver. Eu sabia como eles a
quebraram. Eu era um deles.

Eles tiravam toda a esperança de você até que você se


tornava morto vivo.

Eu não podia entrar na cela, já que todos os acessos


eram por impressão digital. Eles saberiam que era eu.

Aproximei-me. Então levantei minha cabeça e olhei


através da pequena janela gradeada.

Tive que me apoiar nas barras, meus joelhos ficaram


enfraquecidos quando meus olhos bateram nela.

Eu pensei que eu tinha sido destruido, mas agora.

Agora estava aniquilado.

Como se sentisse que alguém a estava olhando, London


levantou a cabeça, afastando os seus cabelos para revelar
olhos secos e assombrados, havia sangue coagulado em sua
testa e boca. Eu não conseguia engolir. Tinha dificuldade em
respirar e a agonia em meu peito doía tanto, que estremeci.
Naquele momento, eu rezei para que o ser frio e morto que eu
tinha crescido em mim, assumisse o comando do meu corpo,
porque sentir essa dor era pior do que qualquer tortura que
eu já tenha sofrido.

— London. — Eu respirei.
Em seguida, seu olhar assombrado e morreu me
encarou. Ela desistiu. Mais um dia e ela seria ou faria
qualquer coisa que lhe pedissem, para o resto de sua vida.
Tinham denotado toda sua esperança de ser salva.

Sua cabeça para baixo, como se ela estivesse fraca


demais para me olhar.

— Jesus. — Eu tive que ir embora. Eu precisava.

Eu não poderia fugir com ela. Iria lhe causar um


sofrimento muito maior se eu fizesse. Estaria condenando o
que sobrou de nós dois.

Mas eu sabia como acabar com a dor. E como ajudá-la.

Era a única coisa que eu podia fazer ... agora.

— Você não é nada, London. — Ela não se mexeu,


então aumentei minha voz, um pouco. — Olhe para mim. —
Vi seus dedos se contorcer e ela olhou. Senti-me mal,
enquanto me forcei a olhá-la sério. Estou morto. Não sinta.
Não deixe que os monstros te peguem. Mas os monstros já
estavam em mim. Eu sentia-os viver e respirar. Tornaram-nos
monstros, fomos treinados para eliminar emoções. — Você
nunca vai escapar deles. Melhor saber agora. Você pertence a
eles e quanto mais rápido você aceitar, mais rápido a dor e o
sofrimento vão acabar. Desista.

Por um segundo, vi um brilho de raiva bater em seus


olhos e, em seguida, sua cabeça caiu e ela parecia apenas
uma carcaça morta.

Porra. Porra. Caralho.


Mas eu tinha que fazer isso. Eu tinha que eliminar
qualquer esperança que ela tinha de sair. Porque se ela
perdesse a esperança, então seria como acabar com a tortura.

Fechei os olhos, em seguida, virei-me e caminhei pelo


corredor. Eu vou voltar para você, London.
Capítulo 25

Georgie

Após Tristan sair do Avalanche, Deck, Tyler e Vic


vieram até mim e sem dizer uma palavra, saímos, a mão de
Deck pairava na parte inferior das minhas costas, enquanto
ele me levava para fora.

Em seguida, entramos no carro, então eu lhes contei


tudo. Palavra por palavra.

— Você acha que ele falou a verdade? Que ele é quem


diz ser? — Perguntou Tyler.

Dei os ombros. Deck não disse nada, apenas manteve


os dedos entrelaçados nos meus e olhava para fora do
parabrisa.

— Não importa quem ele é. — Disse Vic. — Ele


obviamente tem alguém lá dentro, que é leal a ele, de outra
forma Vault já o teria matado. Ele também é bastante
confiante sobre eles não terem idéia de quem ele é. Ele pediu
que seu informante sugerisse a Vault que o investigasse. Isso
foi algo inteligente ou estúpido ao extremo. Eu voto para
fazermos o que ele disse. Deixar acalmar a tempestade.
— Eu concordo, — disse Deck. — Mas nós
pesquisaremos de forma acurada o passado de Tristan. Vic,
você fará contato com ele. Eu quero saber quem são seus
pais e se eles acham que ele ainda está vivo. Quaisquer
relatórios policiais sobre quando Vault levou-o, quando era
criança. Tudo o que ele disse a Georgie deve ser verificado. Se
ele cooperar com a gente, então vamos começar a planejar
nosso próximo passo.

— E Kai? — Perguntou Tyler.

— Ele me mandou uma mensagem há dez minutos. A


mensagem de Tanner foi excluída. — A voz de Deck estava
tensa e eu sabia que havia mais do que isso. Pela forma como
os caras olharam um para o outro, também sabiam disso.
Mas ninguém disse nada, exceto eu.

— O que está errado?

Vic saiu do banco de trás e fechou a porta.

A mão de Tyler caiu no meu ombro.

— Você agiu muito bem, princesa. — Então ele deu um


tapa no braço de Deck. — Você, também, chefe. Pensei que
você ia pirar quando ela tocou no braço dele.

Deck resmungou.

Tyler riu, então piscou para mim, caiu fora e correu


para o carro de Vic.

— Deck?

— Kai viu London.


Eu não queria saber, mas sabia que era importante,
para enfrentar o que estávamos entrando, com a cabeça
limpa. Enterrar essa merda não me faria nenhum bem.

— Será que isso foi tudo o que ele disse? — Deck pode
tentar me proteger, mas ele não iria mentir.

— Não. Nós não temos muito tempo. Ela precisa sair de


lá, em breve.

— Oh, Deus. — Isso não era bom.

Deck esticou o braço e apertou minha mão.

— Kai está indo para a França. Ele diz que precisa


fazer alguma coisa antes de ir atrás de Vault. Eu não sei o
quê, mas até que ele volte achamos que é melhor manter
Tristan sob sigilo. Eu não confio em nenhum deles.

Nem eu.

Fomos de volta para seu apartamento e foi tranqüilo.


Eu acho que nós dois estávamos pensando em London e
Connor, o que aconteceria com eles. Querendo saber se
poderíamos tirá-los de lá, se seríamos capazes de parar Vault.
Sinto-me um pouco mais esperançosa com Tristan do nosso
lado. Se ele escapou, então talvez, os outros também possam.

Logo que cheguei fui trocar de roupa, quando voltei


para a sala, vi Deck de pé, olhando para o terraço. Fui até ele
e ele me puxou, para que ficasse na frente dele, em seguida,
passou os braços em volta de mim.

— Você foi ótima esta noite. Estava super linda.


— Surpreendente, desde que alguém me fez usar uma
folgada camisa preta. — Eu sorri, ele rosnou e eu podia sentir
seu pau duro, contra as minhas costas.

— Perdi cinqüenta dólares hoje à noite, também.

Ele me virou em seus braços, em seguida, me


pressionou contra a porta de vidro deslizante.

— O quê?

Corri meus dedos sobre seu queixo tenso.

— Vic venceu. Eu apostei que você entraria em três


minutos, no máximo.

— Jesus. — Deck murmurou.

— Você não estava com ciúmes? — Eu esperava que


Deck mantesse a calma porque... Bem, Deck é bom pra
caralho em manter a calma. Mas eu tinha antecipado um
pouco de ciúmes nele. Pelo que percebi até agora, ele ainda
não tinha sido afetado.

Ele agarrou meu queixo com força, imitando o olhar em


seus olhos.

— Quando você vai entender que nada nos atingirá?


Não há um homem neste universo que poderia levá-la de
mim. — A tensão em seus olhos mudou, eu o desejo queimou
sobre ele. — Eu não fiquei com ciúmes, porque isso nunca vai
acontecer. Você nunca me deixará e eu tenho certeza
absoluta que nunca a deixarei.

Eu sorri.
— Muito seguro de si mesmo.

Ele se apertou contra mim.

— Tenho certeza, sobre nós dois.

Enrolei minha mão ao redor da parte de trás do seu


pescoço.

—Assim como eu, baby.

Então sua boca tomou a minha em um beijo


apaixonado e eu me submeti a isso, a ele. Existia o gentil e
carinhoso Deck e, também o duro implacável Deck.

Este era o implacável. Eu ansiava por cada parte dele,


enquanto sua mão se emaranhava no meu cabelo e puxava
minha cabeça para trás, para que ele pudesse beijar meu
pescoço e depois morder minha pele, tão forte que eu gritei.
Sua língua rapidamente lambeu o local, com um beijo
gostoso, aconchegante e aveludado.

Ele me puxou para longe da porta e caímos agarrados


no chão, Deck tendo o cuidado de amortecer o impacto da
queda. Ele arrancou meu top e eu tirei sua camisa. Não havia
gentileza, apenas a aspereza que tanto eu quanto ele
precisávamos; era urgência selvagem. Era somente a
confiança um no outro. Que poderíamos nos entregar um ao
outro sem reservas, era tudo, era completo. Dei cada parte de
mim para ele e ele estava fazendo o mesmo.

Eu adorava que tínhamos isso. A ferocidade e a


afetuosidade... A paixão louca que se recusava a ser saciada.
— Baby, calça. — Eu tinha minhas mãos em suas
calças, segurando seu pênis e puxando-o para cima.

Ele gemeu.

— Fácil. — Ele estava longe de mim num segundo,


tirando minha calça preta e jogou-a de lado. Minha calcinha
fio dental rosa, foi junto e ele me olhou por um segundo,
antes de agarrar minhas pernas e colocá-las em seus ombros.

— Você está bem?

— Porra, sim. — Sua língua varreu meu clitóris e então


ele começou a chupar e me degustar. Tremores intensos me
atravessaram. — Deck. Foda-me. — Eu estava
enlouquecendo muito rapidamente, muito excitada que eu
estava à beira do orgasmo.

— Sempre. — Ele colocou dois dedos dentro de mim e


eu arqueei, pela dor com a intrusão repentina, mas, ao
mesmo tempo, eu amei cada segundo dela. — Goze para
mim, baby. — Ele sugou meu clitóris com força e eu gritei,
quando meu corpo liberou, minhas pernas tremiam quando
onda após onda passava por mim.

Ele lentamente empurrou seus dedos dentro e fora de


mim, enquanto choques elétricos ainda pulsavam dentro de
mim.

— Porra. — Ele tirou os dedos de dentro de mim e eu


abri meus olhos, ainda respirando com dificuldade, enquanto
colocava os dedos sobre meus lábios. — Prove. Essa porra é
sua.
Eu não hesitei, abri minha boca para que ele pudesse
deslizá-los para dentro, com meu doce aroma sobre eles.

— Mmmm.

— Porra, Georgie. Isso é gostoso para caralho. — Ele


arrancou os dedos da minha boca, e depois se empurrou para
trás e teve tirou rapidamente seu jeans. Ele segurou minhas
mãos e puxou meus braços acima da minha cabeça, então eu
estava esticada. — Suas costas?

— Porra, está tudo bem. Apenas me foda.

Então, ele estava me beijando novamente, o movimento


de nossas bocas eram arduo, meu gosto em nossos lábios era
tão erótico e quente e, eu queria que ele me fodesse de forma
muito selvagem.

Eu fui rápida e ele não esperava por isso, quando eu


empurrei meu quadril direito nele e mandei-o para a frente,
soltando seu aperto de meus pulsos. Mantendo meu impulso,
eu rolei para que ficasse em cima dele.

— Estou fodendo você esta noite. — Então eu peguei


seu pau, segurei-o e sentei em cima dele. Ele gemeu. Fiz isso
de novo e de novo, até que ele me obrigou a ficar em cima
dele, balançando os quadris.

— Georgie. Baby. — Seus dedos estavam cavados em


meus quadris, enquanto eu me movia para cima e para baixo
em seu pênis, o bater da nossa pele, a respiração ofegante e
nossos gemidos nos empurrava mais rápido e com maior
intensidade.
— Basta! — Deck gritou e dentro de um segundo, ele
me tinha sob minhas costas, novamente, presa sob o seu
peso. Ele agarrou meu queixo e encontrei seus olhos. — Você
e eu... Isto não acabará. Nunca.

— Eu sei. — sorri. Eu sabia que ele dizia isso porque


eu sentia o mesmo... Então, meu sorriso se transformou em
um suspiro quando ele colocou seu pênis dentro de mim.

— Geme pra mim. — Ele ordenou, enquanto empurrava


ferozmente, seus olhos sempre presos nos meus.

Eu não precisava dele para me pedir para gemer.

— Deck! — Eu gritei, quando uma explosão de êxtase


atravessou cada centímetro de mim. Deck bombeou mais três
vezes antes de se juntar a mim, gemendo alto. Senti seu
corpo tremer e sacudir, em cima de mim e vi como sua
expressão ficou tensa, olhos fechados e cabeça para trás,
como se sentisse dor.

Ele preguiçosamente escorregou dentro e fora de mim


algumas vezes mais, enquanto eu acariciava de cima para
baixo os braços. Quando ele abriu os olhos, a minha
respiração falhou.

Era a leveza. Eu raramente via isso. Toda a merda que


ele tinha visto, a perda, as mortes, foi apagado por aqueles
poucos segundos, ele estava em meus braços. Em seguida,
ele estava beijando meus lábios machucados, de novo, mas
desta vez, era gentil e doce, um calor lento trazía-nos de volta
para onde precisávamos estar.
Quando parou de me beijar, ele rolou de costas e me
trouxe com ele, delicadamente. Mee mantendo presa ao seu
lado. Nós ficamos em silêncio, enquanto a nossa respiração
desacelerou e nossas emoções ficaram controladas.

Coloquei meu rosto em seu peito, minha mão


descansando em seu abdômen, desenhando pequenos
círculos.

— Eu consegui nos colocar num grande problema.

Ele bufou e senti suas mãos no meu cabelo,


acariciando.

— Nada disso é culpa sua. Eles escolheram Connor a


dedo. Você é um dano colateral. Não importa qual decisão
que você tomasse, teria sido o mesmo resultado. Tudo isso foi
para ter a certeza que Connor tornasse deles e ter a certeza
que continuasse assim. O que precisamos saber é porque ele.

— Você acha que podemos, algum dia, trazê-lo de


volta? — Eu sabia que Deck não iria mentir para mim e
prendi a respiração à espera de sua resposta.

— Mesmo que nós fizermos, eu não sei se você ainda o


reconhecerá mais, Georgie. Connor era um bom rapaz. Ele se
preocupava com cada vida inocente na porra de mundo cruel.
Ele teria dado sua vida por um perfeito desconhecido. Merda,
ele arriscava sua vida por estranhos a cada dia. Inúmeras
vezes ele arriscou sua vida por um garoto apanhado no meio
de uma tempestade de merda. Esse era ele. — Ele hesitou e
eu inclinei minha cabeça para olhá-lo. —Baby, as chances
são que ele não queira sair, agora.

Tentei engolir, mas minha garganta estava tão apertada


que doía. Lágrimas encheram meus olhos e eram pela perda
de Connor, porque ele tinha morrido pela segunda vez. Meu
irmão estava morto, e Deck estava me preparando para se
nós nunca mais o víssemos.

— Precisamos ler seu diário.

— Sim. — Eu sussurrei, enquanto beijava seu peito.

— Nós ficaremos quietos por enquanto. Nós


planejaremos. Então, quando for a hora certa, vamos atrás
deles.

Eu ergui meu corpo, por cima dele, até que minha boca
estava a centímetros da sua.

— Prometa-me que não vai deixá-los ter você, também.

— Não é possível fazer esse tipo de promessa, Georgie.

Fechei os olhos e balançei a cabeça.

Ele beijou a única lágrima que escapou.

— Baby, eu esperei 10 anos por nós. Vou fazer o que


for preciso para nos manter juntos. — Ele beijou a ponta do
meu nariz. — E só uma pessoa pode realmente me ter,
Georgie, e é você.
Epílogo

Lanche de domingo,
quatro semanas mais tarde.

Georgie

— Docinho de coco?

— Arco Íris... — Deck respondeu.

Eu ri e bati-lhe no peito. Ele começou a me chamar


assim quando pintei meu cabelo de novo. Eu sabia que ele
não gostava do azul, então o surpreendi, há algumas
semanas. Agora, eu tinha pontas-de-rosa com alguns fios
soltos roxo.

— Você precisa de um terraço maior.

As sobrancelhas de Deck levantaram e sua boca se


contorceu, o que me fez ficar na ponta dos pés e beijá-lo. Seu
braço enrolou na minha cintura e ele me puxou com força
contra ele. Sussurrou em meu ouvido e arrepios floresceram
através da minha pele.

— Uma cobertura com uma piscina não é grande o


suficiente para você?
Eu estava sendo sarcástica e ele sabia disso. Eu
praticamente vivia aqui agora. Na verdade, estávamos
procurando alugar minha casa, desde que eu nunca ia lá.
Realmente não tinha sido uma discussão sobre onde
viveríamos. Foi apenas Deck me dizendo que eu estaria
vivendo aqui, com ele e merda, quem não gostaria de viver em
uma cobertura com uma piscina?

— Não realmente. Há algo acima de uma cobertura?


Algo um pouco mais agradável. Mais... Eu não sei, mais
classudo.

Ele bufou e mordeu o lóbulo da minha orelha.

— Sim, existe e é chamado Céu. E você não estará indo


para lá. Vai ter que se contentar com nossa cobertura
humilde. — Eu adoro que ele a chame de nossa. Ele acenou
para o terraço, onde nossos amigos estavam. — E eles não
parecem se importar com a nova localização do nosso lanche
de domingo.

— Isso é porque eles tem muito medo de você dizer


qualquer coisa.

Ele resmungou, mas se transformou em uma risada.

— Porra. Risadas? Eu preciso soprar uma corneta.


Precisamos de um anúncio. — Crisis, o baixista do Tear
Asunder, caminhou até cozinha. — Bom acho que não vou
mais apertar sua bunda perfeita. Vou ter que me contentar
com Haven, que é a única que sobrou no grupo.
Eu ri porque tocar Haven era proibido. Ream iria matá-
lo, porque Haven era sua irmã gêmea e Crisis era um
mulherengo arrogante. Em segundo lugar, desde que eu
conheci Haven, eu estava apostando que ela agarraria o
pescoço dele se ele tentasse fazer isso. A menina era tão fria,
quanto um cubo de gelo, embora enganasse bem,
considerando que ela parecia um anjo.

— Eu desafio você a tentar, sabe-tudo. — Eu disse.

Crisis mexeu as sobrancelhas e seu sorriso arrogante


se ampliou.

— Oh, eu fiz isso quando voltamos, há alguns dias. —


Ele apontou para a maçã do rosto, um pouco machucado. —
Ela tem um puta soco. Mas eu sou bom com mulheres
instaveis e confusas. Vou estar saboreando-a antes de uma
semana... — Sua voz sumiu quando notou Deck balançando
a cabeça e eu me encolhendo.

Crise xingou baixinho e suspirou.

— Você vai se foder se chegar perto de minha irmã,


você estará morto. — Ream socou a parte traseira do ombro
de Crisis. — Cale a boca sobre isso, cara.

— Precisa de ajuda... — Kat entrou e parou


abruptamente quando olhou para Crisis. Em seguida, ela
suspirou, foi até seu noivo e passou os braços ao redor da
cintura dele, por trás, antes de beijar seu pescoço. — Baby,
pegue o suco de laranja.
Sorri quando vi a tensão de Ream aliviou. Ele jogou um
olhar na direção a Crisis antes de ir para a geladeira, pegar o
suco de laranja e caminhar de volta para o terraço, onde
Logan, Emily, Kite, Vic, Tyler e Matt estavam. Josh esquivou-
se do convite e esta foi a primeira vez que Vic e Tyler haviam
aparecido.

Deck me beijou, em seguida, me soltou, pegou a


bandeja de frutas e levou-a para fora. Kat afundou num
banquinho do bar, sorrindo de canto a canto.

— Menina, eu nunca pensei que veria esse dia. Você e


Deck... Santo Deus. Deck sempre me assustou pra caralho.
Merda, ele ainda assusta, mesmo quando a beija e é todo
gentil. — Ela pulou em seu assento. — Oh, meu Deus e Vic...
— Ela baixou a voz. — Você vê aquelas armas? Juro que ele
tem um abdomen definido embaixo daquela camiseta. Estou
quase disposta a empurrá-lo na piscina para que possa vê-lo
com a camisa molhada. — Ela baixou a voz. — Mas Jesus, eu
juro que ele é...

— É realmente assustador, — Emily terminou, quando


ela saiu do banheiro. O braço dela veio em torno de mim e ela
beijou minha bochecha. — Eu não quero nem saber o que
esse cara faz para Deck.

Era ótimo ter Kat e Emily de volta, especialmente agora


que eu me sentia... Bem, livre para ser eu mesma. Elas
nunca souberam sobre Vault ou Connor — isso as colocaria
em risco. Precisávamos de tempo. Kai não estava satisfeito,
mas Deck disse que era a melhor maneira, pelo menos por
enquanto. Precisávamos ter o máximo de chances de
resultados positivos. O que não tínhamos agora.

— Pedi-lhe para me foder no chuveiro.

Ambas Kat e Emily ficaram de boca aberta e olharam


para mim como se eu tivesse duas cabeças.

— Você acha que ele parece assustador agora... precisa


ver o que ele fez com minha vagina. Ele me empurrou contra
a parede, em seguida, colocou a mão em volta do meu
pescoço e apertou. — Eu tinha a atenção delas. — Estou
pensando que ele não gosta de provocação.

— Merda.

— Jesus.

— Deck sabe? — Perguntou Emily.

Eu balancei a cabeça.

— Você está brincando comigo? Deck deu um soco em


Tyler, porque eu... — Eu estremeci, pensando no meu
comentário estúpido. — Isso foi antes de estármos juntos e
eu estava chateada com ele.

— Como de costume. — Disse Kat.

Eu sorri.

— Então, eu disse algo sobre Tyler e eu termos tido


algumas brincadeiras sexuais.

Emily engasgou. Kat riu.

— Tyler comeu sua bunda?


— Rato, você vem? — Logan colocou a cabeça no
terraço. Ele piscou para mim e eu sorri.

— Garota fofoqueira essa, Logan. Você e Ream


roubaram minhas meninas por meses. Estamos ocupadas
comparando paus.

— Porra, — ele gemeu. Em seguida, bateu a porta de


tela, fechando-a, ainda falou alto: — Elas estão comparando
nossas malditas picas lá dentro.

Tyler e Crisis riram e vi Deck carrancudo, mas quando


seus olhos encontraram os meus, ele sorriu.

Ele me conhecia. Ele sabia que eu falava besteira o


tempo todo e ele me amava de qualquer jeito. Deck me
amava. Sempre amou. Mordi o lábio inferior quando eu
pensei em seu pênis dentro de mim esta manhã. Foi assim
que acordei: ele atrás de mim, empurrando seu pau dentro de
mim. Eu ficava tão excitada acordando do seu lado.

— Terra para Georgie. — Emily apertou meus ombros.

— Ela está pensando sobre o pênis de Deck,— disse


Kat. —Então, ele é controlador na cama?

— Ream é? — Eu sabia a resposta. Ream era louco por


Kat, a ponto de precisar de terapia, tipo obsessão, mas ele
cuidando isso.

Kat gemeu.

— Ele me trata como uma música de hard rock e isso é


tudo o que vou dizer.
Emily e eu rimos.

— Baby. Agora. A carne está pronta. — Deck estava na


porta de tela agora. Ele ergueu as sobrancelhas, em seguida,
voltou para o churrasco, onde Logan e Ream estavam tirando
a carne da churrasqueira.

Suspirei, quando uma onda de calor me possuiu. Eu


precisava de um mergulho na piscina. Eu acho que eu nunca
iria parar de querer ou precisar dele. Merda, eu queria ele
desde que eu tinha dezesseis anos e isso nunca tinha
mudado, apesar de meus esforços.

Emily se aproximou e pegou a jarra de café.

— Eu não me importo se ele parece menos tenso agora


que está com você. Esse cara me assusta e eu não escondo
isso.

Kat se levantou e pegou as placas.

— E Vic parece estar com fome.

Com isso nos movemos e fomos nos juntar aos


homens. Tyler e Crisis que se deram bem, provavelmente
porque ambos adoravam falar sobre si mesmos: Tyler e sua
capacidade de pegar mulheres e Crisis com a maneira como
ele acariciava seu violão. Todos nós sabíamos que ele não
estava falando sobre acariciar uma guitarra.

Nós comemos e rimos, e até mesmo Vic conseguiu um


meio-sorriso-bobo ou talvez fosse um tique.
— Então, finalmente conseguimos visitar o Deck. Você
está seguro conosco, Deck. — Disse Emily.

— Sim, cara. Somos pessoas que inspiram segurança.


—Disse Crisis, em tom de brincadeira.

— Vivemos em uma fazenda. — Disse Kite. Ele


brincava com seu piercing na sobrancelha e estava sentado
relaxado com as pernas para cima, jeans gastos e descalço.
Ele era tatuado da cabeça aos pés, bem, não seu rosto, mas
tinha uma em seu pescoço, em seu cabelo. Kite era tranqüilo
e sexy pra caramba. Tipo misterioso e desconhecido porque
raramente falava e não era porque fosse tímido. Na verdade,
eu tinha a impressão de que Kite era mais confiante do que
qualquer um dos caras da banda.

— E eu tenho um bar, — Matt acrescentou. — Irmã,


convença Logan para tocar no Avalanche novamente. Em
nome dos velhos tempos. Ele me deve.

Kat riu.

— Sim, bem, você quase o destruiu por ele namorar


Emily. Em seguida, atacou Ream no estacionamento do
escritório do meu médico. Não é realmente uma boa maneira
de convencer uma banda a entrar no seu bar, batendo nos
membros da banda.

— Baby, ele não me bateu, — protestou Ream,


agarrando-a pela cintura e puxando-a para o seu colo. — Se
me lembro, eu chutei a bunda dele.
Matt zombou e empurrou o prato, em seguida,
recostou-se na cadeira, cruzando os braços sobre o peito
largo.

— Você chutou toda a merda.

— Merda está tudo certo. Pode querer reforçar um


pouco, amigo. Da próxima vez, não serei tão gentil. — Ream
riu.

Matt era alto, um corredor e tinha braços enormes.


Ream era rápido, ágil e quando ele queria alguma coisa, era
extremamente tenaz.

— Meus músculos é o que conta. E eu sei como usá-


los.

Tyler soltou uma gargalhada, juntando-se a Emily que


já estava rindo, enquanto Logan revirava os olhos.

Enfiei minha mão debaixo da mesa, até a coxa de Deck


e acariciei lentamente até que cheguei a seu pênis, já duro,
quando cheguei nele.

— Vocês querem brigar aqui em casa, eu vou ser o juiz.


— Pelo grunhido do Deck, eu sabia que ele não gostava da
idéia de eu olhar para qualquer pau. Com exceção do dele, é
claro.

— Georgie... — Deck sussurrou em um tom rouco,


controlado, que fez meu deixou toda arrepiada.

Continuei esfregando-o, enquanto bebia meu café e


ouvia Matt e Ream sobre quem poderia chutar a bunda de
quem. Kat sentou-se contra o peito de Ream e disse a seu
irmão que desistir. Matt era tão teimoso como Kat e ele nunca
voltava atrás.

— Baby... — Deck rosnou.

Senti que ele ficava cada vez mais duro e mordi meu
lábio inferior, silenciosamente rindo, porque eu sabia que ele
estava tentando desesperadamente se manter controlado.

— Fora. — Disse Deck.

— Huh? — Disse Crisis, colocando as mãos para cima.


— Fora? Como sair?

Eu pisquei quando Crisis olhou para mim,


completamente ofendido, por estar sendo expulso. Crisis
pensava que ele era amado e querido por toda parte. E era,
pela maioria das mulheres.

Tyler e Vic foram os únicos que se levantaram


imediatamente e suspeito, que era por que sabiam ler Deck,
muito bem. Emily e Kat olharam para mim, sorrindo,
sabendo exatamente por que eles estavam sendo convidado a
sair. Parecia que a única pessoa que se ofendeu foi Crisis.

— Porque você não pode ir transar com ela e depois


voltar? Nós não nos importamos. — Crisis tomou um tapa na
cabeça, de Kite. — Georgie, eu nem sequer dei um mergulho
ainda.

— Sim é uma linda piscina. E nós estivemos aqui por


duas horas, agora já é hora de foder. — Matt disse, em
seguida, levantou-se, beijando sua irmã na bochecha, em
seguida, Emily e eu.

Depois de uma rodada de despedidas, Deck e eu


estávamos sozinhos e eu estava em seus braços, de costas na
mesa de café. Ele estava em cima de mim, olhando para
baixo.

Não havia mentiras entre nós. Apenas as verdades


cruas que tinha nos unido.

— Indo transar com você, agora.

Eu sorri.

— Ok.

— Eu não estava pedindo.

Então, ele fez mais do que me foder, ele fez amor


comigo.

Duas horas mais tarde. Mensagem de texto de Kai.

Voltando da França. Precisamos fazer nosso movimento.

Fim