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A PA L AV R A D O C A M P O

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Fe V

globorural.globo.com

Assista
na TV a esta
reportagem

BÚFALOS DA
CAATINGA
Fazenda adapta
rebanho ao
Semiárido

FLORESTA Patrick
Assumpção,
DE BAMBU que resgatou
o milho roxo
Bertioga (SP) no Vale do
Paraíba (SP)
forma coleção
de 200 espécies

Esta comida
tem história Cada vez mais as pessoas
querem saber de onde
vêm os alimentos que
asem

consomem – e se fazem
bem à saúde e ao planeta.
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SUMÁRIO NOVEMBRO 2017

58
PESQUISA
João Aparecido Nunes,
especialista no cultivo e
na utilização de bambus

©1

58 CIDADES BRASILEIRAS FORAM CITADAS NESTA EDIÇÃO: Araçatuba (SP), Augusto Corrêa (PA), Bagé (RS), Belém (PA), Belo Horizonte (MG),
Bertioga (SP), Bragança (PA), Brasília (DF), Campinas (SP), Campo Grande (MS), Campo Mourão (PR), Capitólio (MG), Cuiabá (MT), Eusébio (CE), Fernandes
Pinheiro (PR), Florianópolis (SC), Funilândia (MG), Iaciara (GO), Ilhabela (SP), Indaiatuba (SP), Jaboticabal (SP), Ji-Paraná (RO), Lago do Junco (MA), Londrina (PR),
Mogi das Cruzes (SP), Monte Santo de Minas (MG), Montes Claros (MG), Natal (RN), Nova Friburgo (RJ), Palotina (PR), Pantano Grande (RS), Paranaguá (PR),
Pindamonhangaba (SP), Piracicaba (SP), Piripiri (PI), Porto Alegre (RS), Presidente Epitácio (SP), Primavera (PA), Ribeirão Preto (SP), Santa Maria (RS), São Carlos
(SP), São Joaquim da Barra (SP), São José do Ouro (RS), São Luís (MA), São Miguel (RN), São Paulo (SP), Sapucaí-Mirim (SP), Sentinela do Sul (RS), Sertãozinho
(SP), Silveiras (SP), Silvianópolis (MG), Taipu (RN), Tatuí (SP), Tracuateua (PA), Teresina (PI), Uberaba (MG), Unaí (MG), Urutaí (GO)

119 PRODUTOS FORAM CITADOS NESTA EDIÇÃO: abacaxi, abóbora, açaí, açúcar, adubo, alface, alfafa, algodão, alho, ameixa, amêndoas, amendoim, arroz,
artemísia, asininos, aveia, azeite de dendê, bacuri, bambu, banana, batata, baunilha, beterraba, bezerro, biocarvão, bovinos, búfalos, cabra, cacau, cachaça, cães, café,
calcário, calêndula, camarão, cana, canola, capim, caprinos, carne, carvão, castanha, cavalos, celulose, cevada, coco, babaçu, codorna, cupuaçu, égua, equinos, ervilha,
etanol, eucalipto, fáfia, farelo de soja, farinha, feijão, feijão caupi, feno, fertilizantes, flores, frango, frutas, fumo, gado, galinhas, gatos, girassol, goiaba, grão-de-bico,
hortaliças, hortelã, jambu, kiwi, lácteos, laranja, leite, lótus, maçã, mamão, mamona, mandioca, manga, maniçoba, maracujá, melão, milho, miniporco, óleo de babaçu,
óleo diesel, ostra, ovinos, ovo, palma, pepino, pêssego, pimenta, pistache, porcos, pornunça, queijo, rabanete, ração, repolho, sal, sêmen, semente, silagem, soja, suco
de laranja, suínos, teca, tempero, tilápia, tomate, touros, trigo, tucupi, uva
Capa: Fabiano Accorsi/Ed. Globo

SEMPRE EM
NESTE MÊS
Globo Rural
16 ENTREVISTA
Pedro Machado, coordenador do Embrapa Labex Europe, fala sobre CARTA DO EDITOR................................ 6
como os alimentos sintéticos vão mudar a cara da agricultura ONLINE.................................................... 10

30 CAMPO
ABERTO
BABAÇU ............................................................. 19
RADAR.................................................................24
32 SEMENTES CAIPIRAS LIVROS................................................................ 26
Produtores resgatam IDEIAS ..................................................... 52
os cereais nativos

40 CENARGEN
JURIS......................................................... 61

Banco de germoplasma é TENDÊNCIAS......................................... 68


um dos maiores do mundo

42 GADO PANTANAL
Cria e engorda ajudam a LEILÕES
biodiversidade do bioma & CRIAÇÃO
46 ARROZ ESOTÉRICO CAVALOS ......................................................... 69
Produtor gaúcho colhe NEGÓCIOS....................................................... 72
o cereal biodinâmico VARANDA......................................................... 76
48 SABORES DO PARÁ MERCADO ...................................................... 78
Bragantina produz farinha,
ostras e flores de jambu
©2 PRODUTOS
E MERCADOS
54 PRÊMIO
A3corações foiaCampeãdas CampeãseaCargilla Maiorentreas500 CANOLA............................................................ 79
empresas do anuárioMelhoresdo Agronegócio da GR EMPRESAS E NEGÓCIOS .................... 82
MAPA DA SAFRA ....................................... 84

58 PESQUISA
Jardim em Bertioga, no litoral paulista, será centro de referência
TEMPO.............................................................. 86
AGENDA ........................................................... 88
ANÁLISE........................................................... 90
sobre cultivo do bambu e uso da madeira como matéria-prima
© 1 FABIANO ACCORSI/ED. GLOBO; 2 ANDRE DIB/WWF

62 FAZENDA SUSTENTÁVEL
Órgãos internacionais apontam soluções naturais e de baixo custo
VIDA NA
FAZENDA
como fundamentais para mitigar emissões de gases no planeta COMO PLANTAR.........................................93
COMO CRIAR .................................................98

64 BÚFALO SERTANEJO
Criador consegue adaptar o animal, que ama água, às condições
TABULEIRO.................................................. 100
GRU RESPONDE .......................................102

do Semiárido do Rio Grande do Norte FECHA ASPAS ................................... 106


CARTA DO
EDITOR

Comida boa e saudável Onde estivemos


Interior de São Paulo, Minas Gerais,

Q
Maranhão, Pará, Rio Grande do Norte ,
uando o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, lançou a cam- Paraná, Rio Grande do Sul e Alemanha
panha Natal sem Fome, em 1993, estudos indicavam que havia
cerca de 32 milhões de famintos no Brasil, ou 30% da população
da época. A Ação da Cidadania, movimento criado pelo
RR CAMILA MARCONATO E
irmão de Henfil, gerou uma comoção nacional e mobilizou a so- AP
VIVIANE TAGUCHI
FRANCISCO MAFFEZZOLLI JUNIOR
Lago do Junco (MA)
ciedade e o governo no combate à fome no país. Mas só em 2014 Taipu (RN)

o país conseguiu sair do mapa da fome da ONU, após duas dé- AM PA


MA
cadas de políticas governamentais para reduzir a miséria. CE
RN

O país que passava fome em 1993 hoje registra altas ta- TO


PI PB
PE
AL VENILSON FERREIRA
xas de obesidade. Indicadores do Ministério da Saúde mos- RO
BA
SE
E CARLOS BORGES
tram que, nos últimos dez anos, a prevalência de obesidade MT Bragança (PA)
DF
no Brasil aumentou em 60%, de 11,8% (2006) para 18,9% (2016). O exces- GO

MG
so de peso subiu de 42,6% para 53,8% no período. A cada cinco brasileiros, MS ES

um está obeso. Mais da metade da população está acima do peso. Anual- SP


RJ
FLÁVIA PINHO E CAIO
mente, 300 mil pessoas são diagnosticadas com diabetes tipo 2, doença PR
FERRARI
relacionada à obesidade. SC Pindamonhangaba e
Silveiras (SP)
“Temos uma guerra entre dois regimes alimentares, uma dieta tradicio- RS

nal, com alimentos de verdade, produzidos por agricultores locais, e os pro-


dutores de alimentos ultraprocessados, feitos para serem consumidos em
excesso”, disse Carlos Monteiro, professor de nutrição e saúde pública na CARMEN BARCELLOS E
FABIANO ACCORSI
Universidade de São Paulo, em uma reportagem publicada pelo jornal ame- Bertioga (SP)
ricano The New York Times, em setembro último.
A reportagem analisa registros de empresas, estudos epidemiológicos
GERALDO HASSE
e relatórios governamentais, além de entrevistar nutricionistas e especia- E MARCELO CURIA
listas em saúde do mundo todo, para concluir que o crescimento da obesi- Sentinela do Sul (RS) RAPHAEL SALOMÃO
E JOEL ROCHA
dade e da diabetes no Brasil está diretamente associado à forte expansão Fernandes Pinheiro (PR)
das vendas de alimentos ultraprocessados.
VINICIUS
“À medida que as multinacionais avançam nos países em desenvolvi- GALERA
Monheim
mento, elas alteram a agricultura local, estimulando agricultores a trocar as (Alemanha)
culturas de subsistência por commodities mais rentáveis, como cana, milho
e soja, a base de muitos produtos alimentícios industrializados.”
Nesta edição do 32o aniversário, G R traz exemplos de produ-
tores rurais e chefs de cozinha que propõem uma
alimentação saudável, prazerosa e sustentável, por
meio do resgate não só de ingredientes esqueci-
dos no tempo, como também das dietas regionais
e das tradições brasileiras. Essa conexão entre o
campo e a mesa é a proposta do Festival Origem,
evento que será realizado, no início de dezembro, CBN Agronegócio, com Bruno
Blecher. Às terças, às 13h05,
em São Paulo (SP). no CBN Brasil, comandado por
© FOTOS ARQUIVO PESSOAL

RÁDIO CBN Carlos Alberto Sardenberg

Programa Globo Rural:


aos domingos, às 8h
Bruno Blecher (reapresentação na Globo News,
Diretor de Redação – bblecher@edglobo.com.br TV GLOBO aos domingos, às 9h05)

6 GLOBO RURAL |  


DIRETOR-GERAL: Frederic Zoghaib Kachar
DIRETOR DE AUDIÊNCIA: Luciano Touguinha de Castro
DIRETORA DE MERCADO ANUNCIANTE: Virginia Any
DIRETOR EDITORIAL: Fernando Luna

DIRETOR DE GRUPO AUTOESPORTE, ÉPOCA NEGÓCIOS MULTIPLATAFORMA: Dominique Pietroni Marvin Medeiros e William Antunes.
NEGÓCIOS, GLOBO RURAL E PEQUENAS EMPRESAS de Freitas e Lilian de Marche Noffs
GRANDES NEGÓCIOS ESTRATÉGIA DE CONTEÚDO DIGITAL
Ricardo Cianciaruso SEGMENTOS — FINANCEIRO, IMOBILIÁRIO GERENTE: Silvia Balieiro
DIRETOR DE NEGÓCIOS MULTIPLATAFORMA:
DIRETOR DE REDAÇÃO Bruno Blecher Emiliano Morad Hansenn
EDITORES Cassiano Ribeiro, Sebastião Nascimento, EXECUTIVOS MULTIPLATAFORMA: Ana Silvia Costa,
Venilson Ferreira e Vinicius Galera Milton Luiz Abrantes
EDITORA-ASSISTENTE Viviane Taguchi
DESEJA FALAR COM A EDITORA GLOBO?
REPÓRTER Raphael Salomão ESCRITÓRIOS REGIONAIS
DIRETORA DE ARTE Sueli Issaka DIRETORA DE NEGÓCIOS MULTIPLATAFORMA:
ATENDIMENTO: 4003-9393 – www.sacglobo.com.br
ESTAGIÁRIOS Caio Patriani e Isabella Sarafyan Luciana Menezes Pereira;
ASSISTENTE DE REDAÇÃO Ana Paula Santana GERENTE MULTIPLATAFORMA: Larissa Ortiz
COLABORADORES Camila Marconato, Carmen VENDAS COORPORATIVAS E PARCERIAS: 11 3767-
Barcellos, Flávia Pinho, Geraldo Hasse, João Mathias, RIO DE JANEIRO 7226 – parcerias@edglobo.com.br
Joesandra Silva, Luiz Josahkian, Luiz Ernesto Oliveira, GERENTE DE NEGÓCIOS MULTIPLATAFORMA
Nina Horta e Roberto Rodrigues (texto); Caio Ferrari, RJ: Rogerio Pereira Ponce de Leon; EXECUTIVOS PARA ANUNCIAR: SP: 11 3736-7128 | 3767-7447 | 3767-
Carlos Borges, Fabiano Accorsi, Francisco Mafezzolli MULTIPLATAFORMA: Daniela Nunes Lopes Chahim, 7942 | 3767-7889 | 3736-7205 | 3767-7557 – RJ: 21 3380-
Junior, Marcelo Curia e Sylvia Gosztonyi (fotos); Diego Juliane Ribeiro Silva, Maria Cristina Machado e Pedro 5930 | 3380-5923 – BSB: 61 3316-9584
Cardoso (revisão) Paulo Rios Vieira dos Santos
NA INTERNET: www.assineglobo.com.br/
SERVIÇOS EDITORIAIS Pesquisa: CEDOC/Globopress BRASÍLIA sac – 4003-9393
GERENTE MULTIPLATAFORMA: Barbara Costa
ESTÚDIO DE CRIAÇÃO Freitas Silva; EXECUTIVOS MULTIPLATAFORMA: LICENCIAMENTO DE CONTEÚDO: 11 3767-7005 –
DIRETORA DE ARTE: Cristiane Monteiro Jorge Bicalho Felix Junior venda_conteudo@edglobo.com.br
DESIGNERS: Alexandre Ribeiro Zanardo,
Clayton Rodrigues, Felipe Yatabe, OPEC OFF LINE: Carlos Roberto de Sá, Douglas Costa ASSINATURAS: 4003-9393 – www.sacglobo.com.br
Marcelo Serikaku e Verúcio Ferraz e Bruno Granja
OPEC ONLINE: Danilo Panzarini, Higor Daniel Chabes, EDIÇÕES ANTERIORES: O pedido será atendido através
MERCADO ANUNCIANTE Rodrigo Pecoschi do jornaleiro ao preço da edição atual, desde que haja
SEGMENTOS — TECNOLOGIA, TI, TELECOM, disponibilidade de estoque. Faça seu pedido na banca
ELETROELETRÔNICOS, COMÉRCIO E VAREJO EGCN mais próxima.
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DIRETORA DE NEGÓCIOS MULTIPLATAFORMA: Marciano, Fernando Raatz, Fred Campos, Leandro
O G.LAB é o estúdio de branded content do
Sandra Regina de Melo Pepe; EXECUTIVOS DE Paixão, Marden Pasinato, Murilo Amendola,
Grupo Globo. Produz conteúdo customizado
para empresas que contratam os seus serviços.
Esses conteúdos – identificados pela expressão
G R é uma publicação mensal da EDITORA GLOBO S.A. – Av. 9 de Julho, 5229 – Jardim Paulista – São
“Apresentado por” e o logotipo da empresa
Paulo – SP – CEP 01407-907 – Tel. 11 3767-7769. Distribuidor exclusivo para todo o Brasil: Dinap – Distribuidora patrocinadora – são publicados em todas as
Nacional de Publicações. Impressão: Plural Indústria Gráfica Ltda. – Avenida Marcos Penteado de Ulhoa Rodri- plataformas dos títulos da Editora Globo e dos
gues, 700 – Tamboré – Santana de Parnaíba, São Paulo, SP – CEP 06543-001 jornais Valor Econômico, O Globo e Extra.

O Bureau Veritas Certification, com base nos processos e procedimentos descritos no seu Relatório de Verificação,
adotando um nível de confiança razoável, declara que o Inventário de Gases de Efeito Estufa - Ano 2012, da Editora
Globo S.A., é preciso, confiável e livre de erro ou distorção e é uma representação equitativa dos dados e informa-
ções de GEE sobre o período de referência, para o escopo definido; foi elaborado em conformidade com a NBR ISO
14064-1:2007 e Especificações do Programa Brasileiro GHG Protocol.
CENSO AGRO 2017. De outubro/2017
a fevereiro/2018.
NÓS VAMOS COLHER INFORMAÇÕES,
O PRODUTOR RURAL VAI COLHER RESULTADOS.
Com o Censo Agro 2017, o IBGE vai a campo para coletar
informações e criar um retrato fiel da nossa agropecuária,
que representa um dos setores mais importantes para o país,
porque movimenta a economia e a vida de todos nós. Assim,
a partir desses dados atualizados, o Brasil poderá criar políticas
e soluções para todo tipo, tamanho e característica de produtor
rural. Se desejar saber mais sobre o questionário ou outras
informações, visite nosso site. Receba bem o recenseador do IBGE
e responda corretamente as perguntas.

JUNTOS, VAMOS COLHER RESULTADOS PARA O BRASIL.

Saiba mais em
censoagro2017.ibge.gov.br
ou ligue 0800 721 8181
ONLINE globorural.globo.com
por Vinicius Galera vgalera@edglobo.com.br

DESTAQUES
NOVIDADE

G R e Somar lançam


serviço de meteorologia
Qual é o melhor mo- Brasil. A plataforma traz
mento para plantar? mapas, alertas de pra-
Como será o clima gas e geadas, histórico
durante toda a safra? climático, vídeos e bole-
As respostas estão no tins diários. Você pode
Agrosomar, um serviço ter tudo isso no com-
de meteorologia que putador e no celular.
fornece a previsão do A assinatura também
tempo para sua fazen- inclui o acesso a todo
da a partir das coor- o conteúdo da revista
denadas geográficas. G R, impresso
Os produtores podem e digital. Para conhecer,
monitorar chuvas e acesse: globorural.com.
temperaturas em todo o br/agrosomar
©1

ALIMENTAÇÃO

Brasileiros consomem
pouco hortifrútis
A cada dez brasileiros, somente quatro
consomem frutas e hortaliças diaria-
mente, de acordo com uma pesquisa
divulgada no Dia Mundial da Alimenta- ©4

ção. A Organização Mundial de Saúde


recomenda como quantidade ideal a MEIO AMBIENTE
©2

ingestão de no mínimo 400 gramas (ou


VÍDEO cinco porções) diariamente, e o Brasil
Nenhum a menos
Apenas 400 indivíduos formam a
está bem abaixo disso. Confira como foi
O futuro do agro população do cágado-do-paraíba
© 1 REPRODUÇÃO ; 2 SYLVIA GOSZTONYI/ED. GLOBO ; 3 THINKSTOCK ; 4

feita a pesquisa e saiba as consequên-


Todo ano, o Prêmio Melhores do Agro- no Brasil. “Criticamente em perigo”
cias da deficiência desses produtos na
negócio é entregue a empresas que se de extinção, segundo a União In-
dieta diária em: bit.ly/consumofrutas
destacaram em seus segmentos de ternacional para a Conservação da
atuação. Durante a cerimônia deste Natureza, a espécie é alvo também
ano, em outubro, o diretor de redação de um projeto de preservação en-
de G R entrevistou o pre- cabeçado por diversas instituições
sidente da Embrapa, Maurício Lopes, ligadas ao meio ambiente. Fizemos
que falou sobre pesquisa, tecnologia uma reportagem sobre os esforços
e inovação no agro. Veja a entrevista para salvar os animais do desapa-
completa em: recimento. Leia em:
bit.ly/talkshowmelhores bit.ly/cágadosameaçados
©3

10 GLOBO RURAL |  


DAF CF85 OFF-ROAD

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AS + LIDAS COMENTÁRIOS

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CONCURSOS
Mapa publica edital para contratar 300 veterinários ABELHAS ORGÂNICOS
bit.ly/mapaeditalveterinários Isso precisa ser incenti- O problema é que o governo
vado, talvez até a doação apoia o agronegócio, e não
por parte dos órgãos am- a agricultura familiar. Eu

2
CRIAÇÃO bientais aos produtores de sou um pequeno produtor
Confira cinco raças de cães ideais para pastoreio hortifrúti. (Criar abelhas familiar e é muito difícil ter
bit.ly/5raçaspastoreio sem ferrão na cidade aju- acesso a subsídio para
da o meio ambiente, diz um produção orgânica.
Embrapa)

3
PRESERVAÇÃO Jefferson Pereira Da
Abelhas sem ferrão ajudam o meio ambiente Venancio Pereira de Souza Silva Mendonça
via Facebook via Facebook
bit.ly/abelhassemferrão

LEITE MAIS ORGÂNICOS

4
ESPECIAL Muito triste para nós, pro- Os vilões dos orgânicos
As vencedoras dos Melhores do Agronegócio 2017 dutores. Só quem vive es- são as commodities agrí-
bit.ly/melhoresdoagro2017 sa realidade sabe como colas. Não tem como pro-
é. Trabalhar de segunda duzir, na escala necessá-
a segunda por mais de 12 ria, por exemplo, milho e so-

5
GR RESPONDE
horas por dia para receber ja, responsáveis por milhões
O que fazer quando suínos nascem sem ânus? apenas R$ 0,90 pelo litro. de outros produtos obti-
bit.ly/suínossemânus Chega ao final do mês e dos em sua industrializa-
você mal consegue pagar ção. (Artigo: É possível abas-
suas contas. Não se acha tecer o mundo apenas com
COLUNAS mão de obra na área, não
temos feriados, não te-
produtos orgânicos?)
Edsson Roberto Furtado
Bruno Blecher mos férias e não podemos via Facebook
TEMPO investir para produzir mais
Chuvas voltam domingo em recebendo esse valor. BEM-ESTAR ANIMAL
quase todo o país Mas o governo prefere dar Mas quais as soluções para
bit.ly/chuvasemtodoopaís valor para os países vizi- a alta mortalidade de leitões
nhos e importar. Produto- por esmagamento e a neces-
res desvalorizados cada sidade de temperaturas dife-
Sebastião Nascimento vez mais estão procuran- rentes? (Frimesa se compro-
BIOTECNOLOGIA do outros meios de ganhar mete a não usar mais gaio-
A revolução da inseminação artificial em dinheiro. Acabamos de- las de gestação de suínos)
tempo fixo sistindo da profissão que
bit.ly/revoluçãoiatf amamos. (Preço do leite Fernando De Pretto
ao produtor cai pelo quar- via Facebook
to mês consecutivo)
SORGO
Natália Amaral Gostaríamos de parabenizar
via Facebook
MOBILE ALIMENTAÇÃO
a revista pela matéria “Sorgo
matinal”, publicada em agos-
to. Esclarecemos que o sor-
É preciso dar condições go marsala não é uma culti-
para permanecer na zo- var desenvolvida pela Em-
TABLET na rural, pois o produ- brapa e que são necessários
A revista digital com tor sofre com o alto pre- novos estudos para com-
Google+ Facebook ço dos insumos e o baixo
conteúdo extra +globorural globo rural provação de seus efeitos
preço na comercialização. na redução de peso, coles-
iOS É preciso dar valor ao ho- terol e glicemia. Agradece-
bit.ly/1CPr2wK mem do campo. (FAO su- mos pela parceria de lon-
Android Twitter Instagram gere que jovens de paí- ga data. Sucesso e conti-
bit.ly/globorural-android @globo_rural globorural ses em desenvolvimento nuem contando conosco.
não deixem áreas rurais)
Aurélio Martins Favarin, geren-
Ana Paula Fernandes te de comunicação organizacio-
SPOTIFY via Facebook nal da Embrapa Milho e Sorgo
A seleção musical Sete Lagoas (MG)
da G R
http://bit.ly/tocaGR

12 GLOBO RURAL |  


ENTREVISTA

Pedro Machado, coordenador do Embrapa Labex Europe

Comida sintética vai mudar


a cara da agricultura

E
Por Vinicius Galera, de Monheim (Alemanha)

se toda a soja utili- Globo Rural Como você imagina GR Então a soja será um produto
o futuro das cadeias produtivas de sob demanda?
zada na ração ani- alimentos? Pedro Eu lembro que tinha um
mal fosse substi- Pedro Machado Hoje, já estão sin- produtor de soja que exportava pa-
tuída por um com- tetizando aminoácidos que um dia ra a indústria farmacêutica japo-
vão tornar desnecessária a utiliza- nesa. É claro, eu não sei exatamen-
posto sintético? E ção de soja ou farelo de soja na ali- te se vai ser na mesma magnitude
se a carne fosse em sua maio- mentação animal. Dependendo do de hoje, das grandes áreas de soja.
avanço desses aminoácidos sin- Você pode ter agora diferentes ma-
ria produzida em laboratório?
téticos, pode ser que eles pratica- tizes ou áreas com diferentes pro-
Como ficariam agricultores e mente substituam a soja. Vai de- duções. O produtor diz: “Vou fazer o
criadores nesse cenário? Ra- morar ainda um pouquinho, mas seguinte, eu vou produzir soja. Essa
a maioria dos aminoácidos já está vai para o biodiesel e ao lado eu vou
ção e carne sintéticas já são sintetizada, faltam um ou dois. En- plantar grão-de-bico, que é uma
realidade nos laboratórios e tão vamos ver um cenário espe- proteína importantepara aalimen-
podem mudar toda a produ- tacular, um cenário bastante im- tação, para levar para a Índia, on-
pactante, em que, praticamente, de eles precisam muito e não têm
ção rural nas próximas déca- os animais serão alimentados por área. Aqui vamos usar essa outra
das. É o que diz Pedro Macha- proteína sintética. área para girassol ou para plantar
do, coordenador da Embrapa. arroz de terras altas, sem ser irri-
GR E como ficará o produtor nes- gado, para abastecer um merca-
Atuando há um ano e meio na se cenário? do”. Você muda. A agricultura fica
Europa Central, onde gerencia Pedro A tarefa da Embrapa é ofe- multifuncional, você tem diferen-
parcerias com instituições recer alternativas desde já. O pro- tes finalidades.
dutor brasileiro é muito versátil,
públicas e privadas, Pedro não vejo com grande preocupação. GR Quais são essas áreas de apli-
acredita que a tecnologia vai A propriedade rural vai ter outra cação?
função, ela vai produzir para outros Pedro Gastronomia, energia de
provocar grandes transfor- fins. Não precisa ser mais para ge- biomassa, material básico que vai
mações na agricultura. Se, por rar farelo de soja para a ração ani- gerar bioplástico por intermédio
um lado, o impacto no campo mal. Ela vai gerar soja como subs- de nanotecnologia, materiais bio-
tituto de materiais sintéticos, co- lógicos para gerar biopesticidas.
será considerável, por outro, mo o que já existe em produtos de Você tem diferentes finalidades,
ele pode abrir nichos de mer- calçados ou mesmo produtos far- e inclusive pode ter a área rural
cado em uma atividade que macêuticos. Teremos, por exem- sendo produtora de determinado
plo, um produtor dedicado à soja alimento. É uma coisa combina-
será cada vez mais integrada como um ingrediente importante da que vem junto com o resgate do
à pesquisa e à tecnologia. para a farmácia. conhecimento da culinária regio-

16 GLOBO RURAL |  


nal, de uma receita que só tem em ral para outros cultivos ou outras
determinado lugar. A Embrapa es- finalidades. E aí entra a Embrapa
tá trabalhando com isso. Nós es- nesses estudos para tentar ajudar
tamos querendo montar um cen- produtores ou regiões a saber que
tro de pesquisa chamado Embra- caminhos tomar, o que é mais ade-
pa Aromas, que busca trabalhar quado em cada região. Isso é tare-
os aspectos culturais, de receitas fa nossa, juntamente com os es-
tradicionais acopladas a produtos pecialistas locais, com os conhe-
da biodiversidade. Isso pode fo- cedores de desenvolvimento rural.
mentar o turismo ou o desenvol-
vimento local. É um outro forma- GR A que pode levar essa recom-
to de produção. posição da paisagem rural?
Pedro Nossa esperança é que
GR Com ficará a pecuária nesse também haja a transformação dos
cenário? municípios, porque é nos municí-
Pedro Com a carne sintética, vo- pios que as coisas se transformam,
cê pode dizer: ninguém vai comer é na municipalidade. É ali que vo-
carne, vai acabar. Não, você pode cê tem, se há uma boa gestão ad-
ter outro formato de produção de ministrativa e planejamento, a
carne bovina. Você pode produzir identificação de seu perfil. Se vo-
uma carne específica de uma ra- cê tem isso, passa a ter um mu-
ça para uma exigência de deter- nicípio participando e buscando
minado sabor. Eu quero comer da- atender aos objetivos do desen-
quela raça. Por exemplo, os fran- volvimento sustentável da agen-
ceses têm uma conduta com uma da 2030 e mais para a frente. Você
raça de boi em que, na primavera, tem transformação local. Temos 5 A carne de laboratório
eles abatem os melhores animais
escolhidos por um concurso que
mil municípios no Brasil. Imagine
cada cidade tendo sua vocação ou será direcionada para
envolve muita gente. Veja como é atuando conjuntamente, estabele- o atendimento de
o formato da comercialização e da
disseminação do alimento. “Essa
cendo microrregiões. Por isso que
lutamos, que sonhamos. Aí vem a grandes demandas”
carne aqui vai ser servida agora Embrapa com seus conhecimen-
em determinados restaurantes da tos, com ferramentas de planeja-
nossa rede, nós vamos anunciar: mento territorial ou de conheci- mento, uma velocidade menor, e,
chegou a carne desse animal”, e mento. Qual é a vocação daque- ao mesmo tempo, você continua
você paga 80 euros em um prato. la região? É determinada planta buscando as parcerias, o financia-
Fica uma coisa de alto valor, por- ou cultivar. Então a Embrapa vê o mento conjunto.
que tem por trás um tratamento que tem disponível para atender
de produção um pouco mais so- a região. GR As parcerias com instituições
fisticado do que você colocar no de pesquisa internacionais e com
pasto e mandar para o abatedouro. GR Como está o orçamento da empresas privadas são uma for-
Embrapa para identificar essas ma de compensar essa contenção?
GR E a carne sintética? vocações e desenvolver pesqui- Pedro Você tem a parceria, um
© ADAM WALKER / JAMES HUTTON INSTITUTE

Pedro A carne sintética será di- sas e projetos? trabalho conjunto que propicia
recionada para o atendimento de Pedro Estamos em um momen- resiliência a distúrbios. Você re-
grandes demandas. Você libera a to de contenção, é um momen- cebe um impacto, você tem mais
área de criação para outros culti- to de você dar uma freada, vo- rapidez de recuperação. Esse é o
vos. Você tem uma transforma- cê tem uma velocidade mais len- objetivo dessas parcerias interna-
ção dos modos de criação, uma ta, mas você mantém a agenda. cionais, seja com empresa privada,
recomposição da paisagem ru- O que pode haver é um desloca- seja com empresa pública.

  | GLOBO RURAL 17


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Quebradeiras
do Maranhão
Elas já enfrentaram os coronéis e hoje têm uma cooperativa
que fatura em euros com a exportação do óleo de babaçu
© DIVULGAÇÃO

Texto Viviane Taguchi, de Lago do Junco (MA)

  | GLOBO RURAL 19


CAMPO
ABERTO BABAÇU

O
s finais de tarde em mulheres, agricultoras, empre- enfrentaram os coronéis por-
Lago do Junco, cidade endedoras e cientes do nosso que não tinham outra forma de
distante 300 quilôme- papel na sociedade e do com- sobreviver. “Dissemos que en-
tros de São Luis (MA), promisso com o planeta”, diz, or- quanto fosse proibido a gen-
são marcados por um ritual que gulhosa, Maria das Dores Lima, te catar o coco (o babaçu cres-
se repete há décadas: grupos de a Dôra, de 46 anos, presidente da ce em cachos e, quando maduro,
mulheres adentram as matas Associação das Mulheres Traba- cai no chão) iríamos matar um
entoando cantos e versos para lhadoras Rurais (AMTR) de La- boi deles por dia para dar de co-
quebrar coco babaçu. Nas mãos, go do Junco. “Somos agricultoras mer aos nossos filhos.” Tamanha
ferramentas e, nas costas, o co- empoderadas”, diz. ousadia rendeu-lhe chicotadas,
fo, um cesto de palha. Maria, Fá- Dôra é a voz das quebradei- surras de arame farpado e até
tima, Diocina, Ivete e tantas ou- ras. Mãe de quatro filhos, que- mortes. “Foi uma luta sangrenta.
tras passam boa parte da vida bra coco desde os 7 anos, é afi- Em 1986, alguns permitiram que
enfiadas no mato. A história de nadíssima, cria músicas, e cole- a gente quebrasse coco, mas di-
uma é quase a mesma da ou- ta até 16 quilos de amêndoas por tavam as regras da venda.”
tra. Juntas, lutaram pela terra e dia, sozinha. Tinha 21 anos quan- “Os homens falam: cuida-
amamentaram filhos se esqui- do começou a empreender. “Um do com elas porque são bravas,
vando do relho dos coronéis. paulista comprou nosso óleo e conseguem o que querem”, diz.
Quem quer que se ponha a mostrou para um executivo da “Mas esse apelido foi dado por-
escutar suas histórias percebe Inglaterra”, lembra. O tal execu- que criamos o Movimento Inte-
como a vida delas mudou nos úl- tivo era funcionário da compa- restadual das Quebradeiras de
timos 25 anos. Saíram da opres- nhia inglesa de cosméticos The Coco Babaçu (MIQCB)”. A inicia-
são econômica e cultural no nor- Body Shop, que na mesma épo- tiva citada resultou na aprovação
deste brasileiro para brilhar na ca já rodava o mundo em bus- da Lei do Babaçu Livre, em 1997,
Europa e nos Estados Unidos. ca de fornecedores sustentáveis que estabeleceu o livre acesso
“Antes, a gente vivia de catar co- para seus produtos, um progra- e o uso comum dos babaçuais e
Palmeira com co, obedecer homem, fosse ma- ma chamado Community Trade. proibiu a derrubada das palmei-
cacho de
babaçu rido ou coronel. Agora, somos “Não sabíamos o que era econo- ras. Hoje, a lei é aplicada em 11
mia solidária, sustentabilidade, municípios brasileiros.
bônus, e a proposta dele incluía Até o final dos anos 1980, o
isso tudo”, lembra Dôra. comércio de babaçu obedeceu
ao “quebra-metade”. João Valde-
Mulheres bravas ci Viana Lima, presidente da Co-
A maioria das famílias ru- operativa dos Produtores do La-
rais de Lago do Junco chegou lá go do Junco (Coopalj), conta que,
nos anos 1940. Migraram para a ao permitir a entrada nas terras,
Mata dos Cocais, bioma onde os o fazendeiro exigia metade da
babaçuais são abundantes, pa- colheita. “Dez quilos de amêndoa
ra ganhar a vida. “Essas terras valiam 1 de arroz. O que sobrava
não tinham dono até 1964, quan- dava para fazer sabão.”
do foram subdivididas e dadas Em 1989, o quilo da amêndoa
de presente aos coronéis”, con- custava o equivalente a R$ 0,04.
ta Diocina dos Reis, de 64 anos. Atualmente, o mesmo volume
“Derrubaram as matas para for- custa R$ 2,50 e o quilo do óleo,
mar pastos e nos proibiram de 3,15 euros. “Por ano, as mulhe-
catar coco”,diz a quebradeira. res coletam cerca de 700 tone-
Diocina relata que as mulhe- ladas de amêndoas. A coopera-
© DIVULGAÇÃO

res, grávidas, com mais duas ou tiva compra, processa, extrai o


três crianças na barra da saia, óleo e exporta”, explica Valdeci,

20 GLOBO RURAL |  


1 2

1. Diocina dos Reis


3 4 mostra cosmético
feito com o óleo,
em Unaí (MG)
2. Maria das Dores,
a Dôra, presidente
da AMTR
3. João Valdeci
Viana Lima, da
Coopalj
4. Fábrica de
extração de óleo,
em Lago do Junco
(MA)

que negociou 350 toneladas de tudo e, principalmente, vivem final do ano passado, distribuiu
óleo de babaçu com indústrias nos incentivando a expandir os R$ 88 mil em sobras. “A diver-
de cosméticos no ano passado. negócios, a buscar outros par- sificação é necessária, mas o
O restante da produção, vai pa- ceiros”, admite. babaçu ainda é nosso ouro”, diz
ra uma fábrica de sabonetes que Até 2020, a companhia in- o agricultor.
elas montaram. Produzem12 mil glesa quer ampliar essas par- Segundo ele, do babaçu é
unidades por ano. Cada um é cerias e chegar a 40 comuni- possível aproveitar tudo: o epi-
vendido por R$ 3, mas, em lojas dades ao redor do mundo. Mark carpo (fibras), para fazer xa-
de São Luís, Rio de Janeiro e São Davis diz que o objetivo é asse- xim, o mesocarpo (polpa), para
Paulo, custam R$ 10. gurar que todos os ingredientes preparar alimentos, o endocar-
Esse espírito empreendedor, naturais usados por eles sejam po (casca), para gerar energia
contam elas, ganhou força com rastreados e de origem susten- (carvão), e a amêndoa, usada
a chegada da The Body Shop e tável. Ele estima que essa po- para a extração do óleo.
do Community Trade. Mark Da- lítica possa preservar 10.000 A palmeira chama-se pin-
vis, diretor global de abasteci- hectares de florestas no plane- dova nos primeiros anos de vi-
mento da marca, explica que a ta. “Nossa ambição é ser o ne- da. “Os grandes fazendeiros
empresa mantém parcerias com gócio global mais ético e sus- não podem mais derrubar as
28 comunidades em diversos tentável do mundo”, diz árvores porque está na lei, mas
países (só o Brasil possui três eles trabalham para não deixar
comunidades) e elas fornecem Salvem as pindovas as pindovas crescerem”, expli-
os ingredientes que a empresa A Coopalj tem 160 associa- ca Valdeci. Na região, é comum
precisa para fabricar cosméti- dos. Além do babaçu, vem tes- encontrar pindovas queimadas
cos naturais. tando, junto com a Embrapa com óleo diesel, diz ele. “É tris-
João Valdeci diz que, para fa- Cocais, alguns tipos de cultivos te, mas a consciência sustentá-
zer o negócio fluir, a The Bo- consorciados para reduzir as vel tem se espalhado pelas fa-
dy Shop teve de adiantar US$ 5 áreas de pastagens degradadas mílias rurais de forma rápida e
mil para os agricultores. “Eles com hortaliças, frutas, reflo- eles estão atuando como vigias
nos ensinaram praticamente restamento e gado de leite. No da natureza.”

  | GLOBO RURAL 21


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Chove e não molha Cientistas


inserem GIF
S uplementos bovinos
que permanecem se-
produzidos com “dry-te-
chnology”, técnica ultra- animado em
cos nos cochos instalados moderna voltada para a ali- DNA de
nos pastos, mesmo após mentação. “O suplemento
as chuvas, já são uma re- não absorve água da chu-
bactérias vivas
alidade em fazendas bra- va, não dissolve e não lixi-
sileiras. A Trouw Nutrition,
empresa que atua no se-
tor de alimentação bovina,
via os minerais”, diz Josia-
ne Lage, da área de P&D
da companhia. Em uma si-
C ientistas da Universida-
de de Harvard, nos Es-
tados Unidos, inseriram um
através de fotos tiradas em
1878. Na ocasião, o fotógra-
fo queria provar que, por um
anunciou que alguns su- tuação comum, as chuvas GIF animado (formato grá- instante, o animal tirava as
plementos já estão sendo molham os cochos cheios fico que permite movimen- quatro patas do chão. Se-
de ração, fazendo com que tos) no DNA de bactérias gundo Church, a finalidade
o descarte do produto seja para “dar vida” a fotogra- do trabalho é mostrar como
inevitável. “O suplemento fias antigas de uma égua. O os seres vivos poderão, no
apresenta crosta e em- geneticista George Chur- futuro, ser usados na com-
blocamento e o gado ch, líder da pesquisa, conta putação para armazenar in-
não se alimenta”, aler- que cinco imagens em se- formações. “Foi uma de-
ta Lage. “A deficiência quência da égua Annie ga- monstração de como codi-
alimentar pode reduzir lopando foram introduzidas ficar imagens substituindo
o potencial de produ- no genoma de grupos de pixels por nucleotídeos de
ção e a imunidade, além Escherichia coli e permiti- DNA que ficam integrados
de gerar falhas reproduti- ram ao grupo presenciar os ao código genético das bac-
vas no rebanho.” movimentos reais do animal térias”, disse.

SOLO

Lixo transformado em biocarvão


E
studo da Embrapa Silvopastoril (MT) mercial, a experiência gerou mudas maio-
apontou que pó de serra, cama de res e mais rústicas que aquelas cultiva-
frango e lixo podem ser transforma- das apenas em substrato. De acordo com
dos em biocarvão, produto usado com su- a pesquisadora Fabiana Rezende, parte
cesso como condicionador de solo. A pes- dos testes foi realizada com biocarvão fei-
quisa testou a eficiência do biocarvão para to com pó de serra. “Mas o biocarvão pode
melhorar as características físicas, quí- ser obtido a partir de resíduos da agroin-
micas e biológicas do solo em viveiros de dústria, de restaurantes e até da lama de
©THINKSTOCK

mudas de eucalipto, teca e de maracujá. esgoto. Podemos ter um novo passivo am-
Utilizado em conjunto com substrato co- biental muito eficiente”, diz ela.
CAMPO
ABERTO LIVROS
por Vinicius Galera vgalera@edglobo.com.br O QUE
ESTOU LENDO
O senhor Brasil Pedro Ronca, gerente do Programa Brasil de
Sustentabilidade da Plataforma Global do Café (GCP)
Aos 80 anos de vida e 58 de carreira,
Rolando Boldrin ganha biografia ‘‘P lantas e civilização

R
– Fascinantes histó-
olando Boldrin é um velho conhecido do pú- rias da etnobotânica fala,
blico brasileiro. Com 58 anos de carreira e de maneira bem resumida
trabalhos no teatro, cinema e principalmen- e simplificada, sobre a ori-
te na televisão, o artista se tornou referên- gem das plantas que con-
cia quando o assunto é a cultura popular do interior sumimos no nosso dia a
do Brasil. Essa longa história há algum tempo preci- dia. Cada capítulo é dedicado a uma plan-
sava de uma biografia. A tarefa coube aos jornalistas ta – batata, cacau ou café – que faz parte
Willian Corrêa e Ricardo Taira, colegas de Boldrin na do nosso cotidiano e como foi incorporada
TV Cultura de São Paulo, onde, há à dieta humana, com curiosidades, fatos
12 anos, o ator, cantor, compositor históricos, doenças, referências.
e contador de causos comanda o Eu recomendo para todo mundo. Para
Sr. Brasil, um palco para a celebra- quem não é da área, o livro é interessante
ção da música brasileira do pas- porque aproxima o consumidor da história
sado e do presente. dos alimentos. É possível entender o que é
Partindo da infância em São Jo- uma planta e a necessidade de ela ser cul-
aquim da Barra (SP), onde nasceu, tivada. Eu acho que um de nossos desa-
até chegar a São Paulo, onde co- fios é romper essa grande distância entre
meçou a carreira atuando na TV o consumo e o mundo da produção. Este li-
Tupi, os autores resgatam a traje- vro ajuda a diminuir esse abismo de uma
tória marcante, que teve seu au- forma bem tranquila. A leitura é agradável
A HISTÓRIA DE ROLANDO
ge no programa Som Brasil, na TV e não é nada científica. O próprio autor fala
BOLDRIN - SR. BRASIL Globo, no começo dos anos 1980. na introdução sobre o desafio de respon-
AUTOR: Willian Corrêa e
Ricardo Taira Quem viu não se esquece. Nem da der quando lhe perguntavam e queriam
EDITORA: Contexto
PREÇO: R$ 45 atração nem do refrão da música entender sobre plantas. Ele um dia com-
de abertura (“Vide vida marva- preendeu que as pessoas sabiam muito
da”), composta pelo próprio Bol- pouco. Então fez muita pesquisa e escre-
drin: “É que a viola fala alto no meu peito humano/E veu um livro gostoso de
toda mágoa é um mistério fora desse plano”. ler e muito acessível.”
Tanto tempo depois, o trabalho de Rolando Boldrin
segue vivo e imprescindível, como agora também es- PLANTAS E CIVILIZAÇÃO –
FASCINANTES HISTÓRIAS
te livro para quem quiser conhecer mais dessa vida DA ETNOBOTÂNICA
AUTOR: Luiz Mors Cabral
em que, desde menininho, o artista vem ruminando EDITORA: Edições de Janeiro
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a ração da estrada. E bota estrada nisso.

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26 GLOBO RURAL |  


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APRESENTADO POR

Mariana Vasconcelos,
CEO da Agrosmart,
vencedora da
categoria Raça Forte
do Prêmio Melhores
do Agronegócio

Empresária revoluciona
agronegócio com aplicativo
Projeto de cultivo inteligente, que proporciona
uma economia de 60% da água usada na irrigação, vence a categoria
Raça Forte do 13º Prêmio Melhores do Agronegócio

O
agronegócio corresponde hoje as 20 empresas que se destacaram em Ela é filha de um produtor rural, o que
por cerca de 1/3 do PIB na- suas respectivas áreas de atuação. foi uma coincidência com a campanha
cional, representando quase Além das premiações tradicionais do Ford Ranger, que tem foco na tra-
50% das exportações brasileiras. Isso do evento, como bioenergia, saúde ani- dição familiar e no relacionamento
significa que qualquer iniciativa que mal e fertilizantes, há dois anos a Ford entre as pessoas”, disse Natan Vieira,
provoque mudanças no setor afeta di- patrocina a categoria Raça Forte, que vice-presidente de marketing, vendas
retamente a economia do Brasil. E reconhece iniciativas revolucionárias e serviços da Ford América do Sul, que
nada é tão valioso quanto ideias inova- para o setor do agronegócio. Em 2017, entregou o prêmio para Mariana no
doras capazes de impactar positiva- o aplicativo Agrosmart foi o escolhido evento realizado em São Paulo, na noi-
mente um mercado dessa grandeza. por seu caráter transformador, capaz te do dia 17 de outubro.
Por isso, a administradora Mariana de criar um modo de cultivo inteligen- Natural de Itajubá, em Minas Ge-
Vasconcelos, CEO da Agrosmart, ven- te ao conectar o agricultor a detalhes rais, Mariana cresceu acompanhando
ceu a categoria Raça Forte, categoria em tempo real sobre sua plantação. de perto as dificuldades do pai em to-
do 13º Prêmio Melhores do Agronegó- “Buscamos projetos que tenham re- mar decisões à frente da plantação de
cio patrocinada pela Ford. A premiação lação com o que acreditamos. E a es- café. “Ele dependia da intuição, dos
da Globo Rural em parceria com a Se- colha da Mariana foi vinculada a sua vizinhos e do conhecimento passado
rasa Experian contempla anualmente criatividade e inovação no agronegócio. por gerações para optar pelo que fazer”,
recorda ela, que aos 23 anos decidiu tivo ao mesmo tempo. Criamos uma
auxiliá-lo trazendo ao campo seu co- ferramenta para ajudar produtores
nhecimento em tecnologia. como o meu pai a melhorar a qualida-
“Eu e meu sócio trabalhávamos com de de vida no campo e queremos ser
coleta de informações e percebemos, uma plataforma líder na América La-
no fim de 2014, que podíamos aplicar tina”, revela a CEO, celebrando o prê-
isso no agronegócio”, relembra a jovem, mio Raça Forte como um novo estímu-
que usou as terras da família para tes- lo a expansão do negócio. “É incrível
tar todos os sensores disponíveis no ser jovem, ter uma empresa jovem e
mercado. “Muitos não aguentavam o poder participar de um evento renoma-
ambiente pesado do campo, o clima. E do como o Melhores do Agronegócio.
havia a barreira da conectividade, pois Temos muito orgulho de sermos brasi-
Natan Vieira,
não tinha internet nem sinal de celular vice-presidente de leiros e de exportarmos tecnologia nos-
na plantação”, explica Mariana. Marketing, Vendas e sa para países como Estados Unidos,
Após desenvolver uma rede de longo Serviços da Ford América Israel e nossos vizinhos da América
do Sul, entrega o
alcance que permitisse a coleta de prêmio para Mariana Latina”, completa a vencedora.
dados em tempo real, ela decidiu focar
no processo de irrigação das lavouras
devido à crise hídrica que o país
enfrentava no período. Para isso, ela bus-
cou o conhecimento de meteorologistas
e agrônomos, promovendo experimentos
com diferentes culturas e em regiões
distintas do país.
Com sensores espalhados em pontos
estratégicos, o Agrosmat mede dados
como a umidade do solo, a temperatu-
ra ambiente e a presença de pragas. As A Ford Ranger
informações são processadas por um conta com o maior
algoritmo especial e enviadas em tem- pacote de
segurança do
po real para o aplicativo instalado no segmento
celular ou computador do agricultor,
que estabelece os intervalos de irriga-
ção com precisão, evitando o desper- FORD RANGER
dício de recursos, como a água. Superar os obstáculos do dia a dia com base na confiança.
Em 2016, a empresa passou a operar Foi assim que Mariana Vasconcelos fez da plantação do pai
o laboratório que resultou na criação do Agrosmart.
comercialmente e, graças aos impactos
positivos, como 60% na economia de E é com esse espírito que a de transpor terrenos acidentados
água, 40% na diminuição de energia Ford trabalhou para criar a nova e sujeitos a atolamento -
gasta e um aumento de produtividade Ranger, sabendo que é preciso reforçando o DNA off-road
de até 20%, Mariana recebeu um con- mais que um bom desempenho da marca nas condições
vite para estudar no Graduate Studies para proporcionar ao agricultor mais severas de uso.
Program da Singularity University, nos a confiabilidade necessária a Seus sete airbags de série
Estados Unidos. E integrou o programa um veículo preparado para as conferem à Ford Ranger o maior
de transferência de tecnologia da Nasa, adversidades do campo. Por isso, pacote de segurança do segmento.
a agência espacial norte-americana a Ford Ranger conta com controle Ela conta ainda com exclusivo
onde desenvolveu o uso de tecnologias eletrônico de estabilidade, sistema de permanencia em faixa,
que resultaram na criação de sua pró- tração e com exclusivo sistema um piloto automático adaptativo
pria previsão do tempo com imagens anticapotamento, reduzindo com alerta de colisão, que ajusta
geradas por satélites. E descobriu que riscos de acidente. automaticamente a velocidade
a missão da Agrosmart era tornar-se A pick-up também é capaz de para manter uma distância segura
uma empresa global com capacidade enfrentar 800mm de imersão. Nas do veículo da frente. Inovação e
de impactar a vida de muitas pessoas. versões Diesel 4x4, possui um confiança. Tudo assegurado pela
“Entendi que é possível fazer um diferencial traseiro blocante capaz família Raça Forte.
bem social e montar um negócio lucra-

PRODUZIDO POR
PATROCÍNIO REALIZAÇÃO

U
m caldeirão fervilhante de história e cultura. Assim o fol-
clorista e escritor Câmara Cascudo definiu a cozinha bra-
sileira. Dos indígenas, herdamos a mandioca, o pirão, o bei-
ju, a paçoca, a moqueca e o caruru. Da África, os navios
negreiros trouxeram à mesa o coco, a banana, a pimenta
malagueta e o azeite de dendê. Mas sua maior contribui-
ção à culinária brasileira foi o modo de preparar e temperar os alimentos, ta-
refa que as escravas africanas desempenharam com maestria nas cozinhas
dos engenhos – para deleite dos patrões.
A cozinha brasileira, a quem o escritor dedicou vários livros e artigos, é
descrita como uma miscelânea de alimentos e costumes, muitos deles do pe-
ríodo colonial, quando teria ocorrido a fusão de três grupos formadores: in-
dígena, africano e português. Não por acaso, a deliciosa doçaria portuguesa
chegou ao auge ao longo do século XVIII, como consequência da grande pro-

30 GLOBO RURAL |  


FESTIVAL ORIGEM
1, 2 e 3 de dezembro
Memorial da América Latina

dução açucareira da colônia além-mar. A conexão entre o campo e a mesa


faz parte da alma brasileira e vem resistindo aos progressos científico-tec-
© CARLOS BORGES MOIRE, ERNESTO DE SOUZA, JOEL ROCHA / ED. GLOBO, ANDRE DIB/WWF

nológicos que trouxeram toda sorte de inovações, como os alimentos ultra-


processados e as chamadas dietas equilibradas.
Está em curso um movimento que prega a volta às origens e uma alimen-
tação saudável, prazerosa, sustentável e comunitária. É isso que você vai ler
nas próximas páginas: histórias de agricultores que estão resgatando lavou-
ras esquecidas no tempo, de chefs de cozinha que fortaleceram seus laços
com os produtores rurais que lhes fornecem os ingredientes, de comunida-
des ribeirinhas que valorizam sua produção agrícola.
Esse também é o espírito do Festival Origem, evento que vai reunir G R-
, Época e Casa e Jardim, no início de dezembro, em São Paulo. Juntas, essas
marcas vão promover palestras, shows, minicursos e degustação de produtos,
além de narrarem as origens dos alimentos que chegam a sua mesa. Bom apetite!

  | GLOBO RURAL 31


Sementes
caipiras
Com o apoio de chefs de cozinha, produtores rurais resgatam
ingredientes e sabores que estavam esquecidos no tempo
Texto Raphael Salomão e Flávia Pinho
Fotos Fabiano Accorsi e Joel Rocha
Edição Bruno Blecher e Venilson Ferreira

U
m milho de grãos graúdos e colo- de cinco anos, ele fez a seleção genética do milho:
ração escura – um vermelho que separou os grãos maiores e mais vermelhos e os
puxa para o vinho – foi resgatado plantou novamente. Conseguiu até duas safras por
no Vale do Paraíba, interior de São ano, em dezembro e março. Com 90 dias, as espi-
Paulo, após ter sumido por déca- gas estão secas, no ponto para ser colhidas. “São
das. Ele está sendo vendido por R$ de encher os olhos. Além de muito nutritivo, por-
8 o quilo, enquanto o cereal amarelo convencional que alimentos vermelhos têm alta concentração
vale cerca de R$ 0,30. Os compradores são chefs de de betacaroteno, o milho vermelho é muito sabo-
cozinha e gastrônomos, encantados pelo sabor in- roso”, diz ele. A produtividade não é tão alta quan-
tenso dessa iguaria. Quem reencontrou esse mi- to a do milho convencional – de 5 a 6 toneladas por
lho crioulo foi Patrick Assumpção, proprietário da hectare. Em compensação, o produto se destaca no
Fazenda Coruputuba, em Pindamonhangaba (SP). mercado da gastronomia.
Entusiasta da recuperação de lavouras caipiras es- Em Fernandes Pinheiro, no centro-sul do Para-
quecidas, ele estava atrás dos milhos típicos da re- ná, o agricultor Silvestre de Oliveira Santos herdou
gião. Em 2010, Patrick encontrou o milho roxo em do pai a paixão pelas sementes crioulas. O Sítio São
uma feira de troca de sementes, no município de Silvestre, de apenas 4 alqueires, abriga um verda-
@ FABIANO ACCORSI/ED. GLOBO

Sapucaí-Mirim (SP). deiro tesouro da biodiversidade. Tem milho ama-


“Uma senhora plantava espigas de várias cores relo, branco, vermelho e preto; feijão de várias co-
para fazer artesanato com a palha. Escolhi o milho res e tamanhos; e uma rica variedade de hortaliças.
da Bocaina, que tem espigas maiores e grãos gran- Santos prepara a terra à moda antiga, com arado
des, para o primeiro teste. A planta, bem rústica, movido por dois cavalos mestiços. “Minha área é
chega a 3 metros de altura”, diz Patrick. Ao longo pequena, e o trator seria muito custoso. O cavalo

32 GLOBO RURAL |  


São de encher os
olhos. Além de
muito nutritivo, o
milho roxo é muito
saboroso”
PATRICK ASSUMPÇÃO
Minha área é
pequena, e o
trator seria muito
custoso. O cavalo
come a ração que
produzo aqui”
SILVESTRE DE OLIVEIRA SANTOS
A Revolução Verde provocou um grande salto na
produção agrícola, mas causou erosão genética
come a ração que produzo aqui”, diz ele. Parte da
produção é para consumo do sítio e uma parcela
dos grãos é reservada como semente.

Patrimônio genético
Patrick e Silvestre são conhecidos no campo
como guardiões da vida, agricultores que conser-
vam e cultivam as sementes crioulas, variedades
que não passaram por melhoramento industrial ou
em laboratório, mas, com o uso ao longo do tem-
po, foram se adaptando ao ambiente em diversas
regiões do Brasil.
Trata-se de um patrimônio genético e cultural,
mantido e selecionado por várias décadas pelos
produtores, que resistiu à Revolução Verde.
Introduzida nos anos 60 do século passado, pa-
ra combater a fome e fazer frente à explosão de-
mográfica, a Revolução Verde mudou radicalmen-
te o sistema de produção agrícola por meio do uso
intensivo de fertilizantes, defensivos e cultivares recentemente, pela biotecnologia. Com isso, per- Em Fernandes
Pinheiro, no
de alto rendimento. Esse modelo, que prevalece deu-se a variabilidade genética encontrada nas Paraná, Silvestre
até hoje em quase todo o mundo, foi responsável populações das plantas desenvolvidas pelos pe- cultiva a terra com
arado movido a
por um grande salto na produtividade das safras, quenos agricultores, geração após geração, ao lon- tração animal
mas gerou também impactos negativos, como a go de milhares de anos. Dados da FAO (Organização
erosão genética. das Nações Unidas para Agricultura e Alimenta-
As sementes híbridas de alto rendimento, pou- ção) mostram que 75% da diversidade de plantas
cas e extremamente uniformes, passaram a ser foram perdidos ao longo do século XX, enquanto
desenvolvidas por melhoramento genético e, mais 30% das raças de gado estão em risco de extinção.

A redução da variedade de sementes nos EUA


BETERRABA REPOLHO MILHO VERDE ALFACE MELÃO ERVILHA RABANETE ABÓBORA TOMATE PEPINO

288 544 307 497 338 408 463 341 408 285
1903*

1983**
@ JOEL ROCHA/ED. GLOBO

17 28 12 36 27 25 27 40 79 16
Fonte: Rural Advancement Foundation International
*1903 | Sementes oferecidas nas lojas (Estados Unidos)
**1983 | Variedades dessas sementes encontradas no National Seed Storage Laboratory

  | GLOBO RURAL 35


O Instituto ATÁ, fundado por Alex Atala, conseguiu
salvar alimentos que estavam à beira da extinção
©1

“Já perdemos muito com a erosão genética. As


variedades crioulas são muito importantes porque
têm a ver com questões culturais e tradições”, diz o
representante da FAO no Brasil, Alan Bojanic. Essa
também é a preocupação de chefs de cozinha co-
mo Rodrigo Oliveira (Mocotó), Helena Rizzo (Ma-
ní) e Alex Atala (D.O.M.), que resolveram fortalecer
as relações entre a cozinha e o produtor rural para
descobrir novos ingredientes e resgatar alimen-
tos que estavam esquecidos no tempo. O Institu-
to ATÁ, fundado por Alex Atala, Milho vermelho, farinha e casca após a moagem do grão
levanta a bandeira da biodiver-
Milhos da Fazenda sidade e conseguiu salvar vários de fácil manejo, e iniciei minha criação”, conta. O
Coruputuba alimentos que estavam à beira passo seguinte foi descobrir qual era a alimenta-
da extinção, entre eles a pimen- ção do caruncho no tempo de seus avós. Deu mi-
ta jiquitiaia, da tribo baniwa (Rio lho vermelho na cabeça. A partir de um punhado
Negro), uma baunilha selvagem de sementes, que ganhou de presente de Patri-
dos cerrados e os arrozes preto ck Assumpção, Rafa plantou uma pequena roça.
e vermelho do Vale do Paraíba. Mas ele gostou tanto dos grãos que não entre-
1 Chef formado pelo Senac, o gou a colheita toda aos porcos. Levou-os para a
paulista Rafael Cardoso tem cozinha, onde tem testado receitas tradicionais
PIPOCA
Originário de uma tribo indígena ajudado a disseminar a cultu- da região. O fubá, processado em moinho de pe-
de Mato Grosso do Sul, é diferente ra do milho vermelho pelo Vale dra, mantém pontinhos vermelhos mesmo de-
dos convencionais e ainda
necessita de adaptação à região do Paraíba. Depois de conquis- pois de peneirado. “Na panela, o pigmento assu-
tar prêmios e trabalhar em cozi- me um tom azulado. Por isso, o angu típico da Bo-
nhas importantes – entre elas a caina, feito totalmente sem sal, fica meio cinza.”
do Mugaritz, na Espanha, consi- As famílias comem como acompanhamento
derado um dos melhores restau- de pratos salgados ou de manhã, com leite e café.”
rantes do mundo –, Rafael trocou Nem mesmo o subproduto da moagem, o farelo da
as panelas pela vida rural, assu- casca vermelha, é desperdiçado: vira matéria-pri-
2 miu o codinome Rafa da Bocai- ma dos pães rústicos que Rafa serve aos clientes.
VERMELHO na e, desde 2013, vive com a fa- Se depender de Rafa da Bocaina, o milho ver-
É uma planta menos rústica de grão mília em Silveiras (SP), em um melho logo estará dominando a paisagem do Vale
menor, que vem originalmente da
Serra da Mantiqueira, a mais de 1.500 sítio que era do bisavô. do Paraíba. “Tenho distribuído sementes aos vizi-
metros de altitude e clima mais ameno Nos almoços que promove sob nhos e falado bastante sobre suas propriedades,
reserva, o milho vermelho já faz para convencê-los a plantar também.” Mas não é
parte do cardápio. Mas ele não é preciso ser amigo do chef para adotar a lavoura.
comprador, virou produtor.
© FABIANO ACCORSI/ED. GLOBO; 1 CAIO FERRARI

Tudo começou com uma cria- Tradições e mitologias


ção de porcos, em 2013. Na épo- Patrick, da Coruputuba, vende as sementes se-
ca, Rafa começava uma peque- lecionadas a R$ 10 o quilo. Para que a cultura tome
3 na produção de embutidos arte- corpo e retome a importância do passado, ele sa-
ROXO sanais e pesquisava a raça suína be que é preciso investir em divulgação. Por isso,
Originário da Serra da Bocaina, é a típica da Serra da Bocaina, onde ele costuma participar de eventos em São Paulo
cultivar que desperta interesse de
muita gente, tanto produtores rurais o sítio está localizado. “Encontrei junto com seu amigo Rafa da Bocaina, que serve
da região quanto cozinheiros o porco caruncho, bem rústico e porco caipira assado com angu de milho vermelho.

36 GLOBO RURAL |  


Tenho distribuído
sementes aos
vizinhos para
convencê-los a
plantar também”
RAFA DA BOCAINA
Nas feiras de troca, os agricultores compartilham
sementes e informações sobre conservação e uso
ao uso e à conservação das sementes crioulas –
tribos indígenas, assentados da reforma agrária,
remanescentes de quilombos e produtores orgâ-
nicos. Para esses grupos, a agrobiodiversidade é
uma forma de autonomia e também de preserva-
ção da identidade cultural.
O milho é mais que um simples alimento para os
índios krahôs, do nordeste do Tocantins. O cereal
integra as tradições e a mitologia da tribo. Mas, por
uma série de fatores, o cultivo tradicional foi se per-
dendo. A recuperação dessas sementes iniciou uma
histórica união entre comunidades tradicionais e
cientistas no Brasil que dura até hoje. No final da
década de 1970, técnicos do então Centro Nacional
de Recursos Genéticos da Embrapa fizeram coletas
de sementes indígenas em aldeias xavantes pelo
país. O material ficou guardado durante quase 20
©
anos. Até que, em 1994, lideranças krahôs e indi-
genistas recorreram à instituição para recuperar
Menino da tribo Os guardiões da vida costumam trocar infor- e replantar seu típico cereal.
dos índios krahôs,
de Tocantins mações e sementes pelo Brasil afora. O Coletivo “Xavantes e krahôs pertencem ao mesmo tron-
Triunfo reúne agricultores do centro-sul do Para- co linguístico. Era muito grande a probabilidade de
ná e do Planalto Norte catarinense. As atividades cultivarem a mesma semente”, explica Terezinha
começaram em 2010, com apenas nove pessoas. Dias, pesquisadora da Embrapa que trabalha com
Atualmente, são cerca de 40, realizando atividades indígenas e comunidades tradicionais.
como feiras de sementes, intercâmbios e eventos De posse de uma pequena amostra, os krahôs
de formação. As ações são apoiadas pela AS-PTA puderam retomar o cultivo da semente que, para
- Agricultura Familiar e Agroecologia, organiza- eles, é um símbolo de força. E parte do material re-
ção não governamental que presta assessoria a produzido foi devolvido para o banco genético da
agricultores familiares. Embrapa. A partir daí, começou a ser discutido um
As feiras de troca de sementes são organizadas convênio de cooperação, que levou cerca de cinco
pelos próprios agricultores. Eles fazem o inter- anos para ser constituído entre os pesquisadores
câmbio do material e do conhecimento associa- e os indígenas.
do àquela semente com a finalidade de aumentar Terezinha conta que o convênio – também
o uso e o número de guardiões. com participação da Fundação Nacional do Índio
Os eventos também servem para a troca de in- (Funai) – envolveu a assinatura de um contrato
formações sobre a melhor maneira de armazenar que definia como seriam feitos o resgate do mate-
sementes crioulas e até para debater sobre políti- rial, o acesso e a troca de conhecimentos. A parce-
cas públicas para o segmento. ria entre a Embrapa e povo krahô começou a ser
A armazenagem de sementes crioulas no campo executada no início dos anos 2000.
© JEFF HUTCHENS/GETTY IMAGES

é curiosa. No Sítio São Silvestre, além do paiol onde “A chegada dos krahôs à Embrapa identificou
a colheita é guardada, as sementes são conserva- outra possibilidade de atendimento à sociedade”,
das em garrafas PET, aquelas de refrigerantes de diz a pesquisadora. Esse diálogo foi o embrião de
3 litros, que conservam os grãos em plenas condi- ações da Embrapa com outras tribos de diversas
ções por pelo menos dois anos. Além dos agricul- etnias e comunidades tradicionais, como ribeiri-
tores familiares, outras comunidades se dedicam nhos e quilombolas.

38 GLOBO RURAL |  


O banco da
biodiversidade
Centro da Embrapa tem
uma das maiores coleções de
germoplasmas do mundo
Texto Raphael Salomão ©

U
m tesouro imensurável está guardado duras. Nos anos 90, agregou o trabalho em biolo-
em um moderno prédio de mais de 2.000 gia molecular, como o sequenciamento de genoma.
metros quadrados, divididos em dois pa- O material em posse do Cenargen começou a ser
vimentos, inaugurado em abril de 2014, levado das outras instalações da unidade para o
no final da Asa Norte, próximo ao Lago Paranoá, prédio do novo banco em 2015. A expectativa da di-
em Brasília (DF). É a “caixa-forte” da Embrapa Re- reção é que ainda neste ano essa migração interna
cursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen), que das coleções esteja completa.
abriga uma das maiores coleções de germoplas- Na visão de uma instituição como a Embrapa,
mas do mundo. deter esse tipo de conhecimento é fundamental,
Obancofuncionacomogranderepositóriodabio- devido à importância da conservação em si e tam-
diversidade utilizada pela pesquisa agropecuária. bém para garantir a chamada variabilidade genéti-
O Cenargen também é responsável pela quarente- ca, por meio da maior quantidade de características
na vegetal, um procedimento importante para evi- das espécies usadas na pesquisa. O material arma-
tar a entrada de pragas e doenças exóticas no país. zenado, que muitas vezes não chega ao campo, po-
O chefe-geral da unidade, José Manuel Cabral, de servir para aprimorar as lavouras comerciais.
explica que o objetivo é ter cópias de todo material “O melhoramento afunila a variabilidade por-
genético guardadas nos 170 bancos de germoplas- que foca em uma característica em detrimento de
ma existentes nas 35 unidades da Embrapa. outras que, em um momento, são menos importan-
O banco genético do Cenargen tem mais de 200 tes. Por isso é fundamental a conservação de lon-
mil amostras. A maior parte é vegetal. Na década de go prazo. Um aspecto pode voltar a ter importân-
1980, a unidade passou a trabalhar com a genética cia, e é preciso ter o material para desenvolvê-lo”,
animal e microrganismos, como bactérias e leve- explica José Cabral.

Banco genético © ERNESTO DE SOUZA/ED. GLOBO

SEMENTES VEGETAIS IN VITRO DNA CRIOPRESERVAÇÃO MICRORGANISMOS


O acervo acumula mais Na coleção cultivada in vi- O banco animal tem mais O material genético é guarda- Milhares de bactérias e leve-
de 126 mil amostras de tro, em meio de cultura, estão de 95 mil doses de sêmen, do em tubos de alumínio e con- duras, utilizadas na pesquisa,
1.012 espécies. O maior é guardados 312 materiais de 451 embriões e quase 12 mil servado em tanques abaste- são conservadas por crio-
de cevada (23 mil). Feijão mandioca, 266 de fáfia, 239 amostras de DNA de bovi- cidos com nitrogênio líquido. preservação. Outros pro-
são 20 mil; trigo, 5 mil; e de batata, 155 de abacaxi e 19 nos, caprinos, ovinos, equi- A temperatura dentro desses cessos são a secagem (liofili-
milho são 4.500 de outros produtos nos, suínos e asininos tanques é de 196 oC negativos zação) e o cultivo in vitro

40 GLOBO RURAL |  


A pecuária
natureba
do Pantanal
Onde o boi come capim nativo há mais
de 200 anos, remédios alopáticos e
produtos químicos não são utilizados
Texto Sebastião Nascimento

A
pecuária de corte é fundamental animal e a qualidade de vida do homem. O produ-
para a conservação do meio am- to é distribuído pela Korin, empresa brasileira que
biente do Pantanal e uma das ativi- opera somente com alimentos naturais. A partir do
dades que auxiliam a sobrevivên- mês passado, a ABPO deu um passo decisivo ao con-
cia e a manter o homem na região quistar um protocolo de certificação que irá valori-
há mais de dois séculos. Estudio- zar ainda mais a pecuária do Pantanal. Comanda-
sos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária ram a iniciativa a ABPO e o WWF, ONG ambiental,
(Embrapa Pantanal) são unânimes: a maneira como e o documento foi assinado por Leonardo Leite de
a criação e a engorda de bois são praticadas permite Barros, que preside a entidade de Mato Grosso do
a preservação de 82% da planície pantaneira – ne- Sul, e pela Confederação da Agricultura e Pecuária
Tuiuiú nhum outro bioma do país perdeu apenas 18% de sua (CNA). A fiscalização cabe ao Ministério da Agricul-
e jacarés área natural. É que a boiada cresce no pasto e come tura e Pecuária.
O Pantanal é a o mesmo capim nativo há mais de 200 anos. As boas É o primeiro protocolo de certificação sustentável
maior planície práticas produtivas excluem a utilização de produtos com esse foco no Brasil, diz Leonardo. “Para nós, foi
alagável da Ter-
ra, com cerca de químicos no solo e de remédios alopáticos e antibi- a realização de um sonho: aumentar a presença no
200.000 quilôme- óticos na cura do gado. A homeopatia é largamen- mercado e valorizar o homem pantaneiro, sua cul-
tros de extensão, te utilizada. Rios e igarapés são mais protegidos e o tura e os processos produtivos que há mais de 200
dos quais 80% no
interior do Brasil. boi fornece carne saudável e saborosa. anos preservam o bioma.”
A região dá abri- “Não há agressão à natureza na planície. Ani- Segundo ele, as regras são assentadas em três
go à maior diver- mais convivem pacificamente entre si e com o ho- pilares: 1) o animal tem de nascer no Pantanal; 2) o
sidade de aves do
mundo: 650 es- mem sem ameaça à biodiversidade”, afirma Jorge gado deve comer pasto nativo. São 12 tipos de gra-
pécies, entre elas Antonio Ferreira de Lara, chefe-geral da Embrapa míneas que só vicejam na região; 3) conservação do
o tuiuiú, símbolo Pantanal, de Corumbá (MS). Já na parte alta do Pan- meio ambiente e foco no bem-estar do gado.
da bonita região, e
a arara-azul. Além tanal, a ocupação do solo pelas lavouras de grãos e A ABPO é formada por 18 propriedades espalha-
disso, são 80 tipos pela cana provoca danos como a redução de biodi- das pelo Pantanal. O rebanho total é de 80 mil animais
diferentes de ma- versidade e o comprometimento das nascentes, di- e o abate ao mês gira em torno de 500 a 600 animais.
míferos, 260 es-
pécies de peixes e zem os especialistas. Segundo Leonardo de Barros, a ABPO atua em uma
50 de répteis, que Há anos, a Associação Brasileira de Produtores área certificada de 110.000 hectares no Pantanal. “A
incluem uma gi- Orgânicos (ABPO), de Campo Grande, capital de Ma- tendência é aumentarmos cada vez mais o espaço,
gantesca popula-
ção de 32 milhões to Grosso do Sul, produz uma carne orgânica e sus- por conta da demanda acentuada pela carne”, diz ele.
de jacarés. tentável respeitando o meio ambiente, o bem-estar A carne sustentável do Pantanal é distribuída pela

42 GLOBO RURAL |  


CURRALEIRO PÉ-DURO

Do sertão para o mercado

D
epois que, no final de Deu certo. A Embrapa faz um
2012, foi reconhecida trabalho de conservação amplo.
oficialmente pelo Mi- O banco de germoplasma possui
nistério da Agricultura, Pecuá- hoje16.853dosesdesêmende51
ria e Abastecimento como raça reprodutores. Destas, 12.010 do-
bovina, a curraleiro pé-duro, pri- ses, de 35 touros, estão na Em-
meira surgida no Brasil, há mais brapa Recursos Genéticos e Bio-
de 400 anos, e que quase foi ex- tecnologia (DF) e 4.843 doses, de
tinta recentemente, passou a ser 16touros,naunidadeMeio-Norte.
Boiada é divulgada com mais intensidade O banco tem ainda 148 embriões
transportada pelo
Pantanal, região e a se espalhar por outros Esta- de 13 acasalamentos distintos.
que tem 82% dos, além dos da Região Nordes- A curraleiro surgiu de uma se-
de sua planície
preservada te, onde o rebanho foi aprimora- leção dos primeiros bovinos tra-
©1 do e tornou-se bastante rústico. zidos de Portugal e Espanha nas
Hoje, há sêmen de touros dis- naus; portanto, é taurina-euro-
Korin para casas como Zaffari, Wessel e outras. São ponível em centrais de insemina- peia. “Extremamente rústica, ela
nichos de mercado, portanto, e que pagam um per- ção, enquanto experimentos de é adaptada ao clima tropical e à
centual a mais que varia de 2% a 12%. cruza com o nelore, conduzidos alimentação nativa, resistente a
De acordo com Reginaldo Morikawa, superinten- pelaEmbrapaMeio-Norte,sedia- carrapatoseberneseproduzcar-
dente da Korin, a procura pelo produto realmente tem daemTeresina(PI),deramorigem nemaismaciadoqueadoszebu-
aumentado. “Começamos distribuindo 5 toneladas de ao denominado boi tropical, um ínos”, diz Geraldo Magela Cortês
carne ao mês, em 2015. Hoje, estamos em 100 tone- tipo mestiço afeito aos trópicos Carvalho, pesquisador da Em-
ladas mensais.” Reginaldo afirma que a marca Pan- e de carne saborosa. Ele é mais brapa Meio-Norte e autor do li-
tanal também funciona como um poderoso atrativo. precoce que o zebuíno nelore e vro Germoplasma estratégico.
A previsão da empresa é crescer o dobro dentro pesa 45 quilos de carne a mais EmTeresina,funcionaaAsso-
de dois anos. O executivo acrescenta que houve um nas mesmas condições de pas- ciação Brasileira de Criadores de
incremento na comercialização de carne orgânica to. O tropical vem sendo pesqui- Curraleiro Pé-Duro, com cerca de
e sustentável após a Operação Carne Fraca, defla- sado há sete anos. 3 mil animais registrados. O reba-
grada pela Polícia Federal em março deste ano e que Acurraleiropé-duroéoexem- nho do país é de 10 mil cabeças.
acusou algumas marcas de adulteração do produto. plo da interação bicho-natureza. Neste ano, a empresa Alta
No Pantanal, o gado é criado no meio de animais Fundamental na vida do serta- Brasil, de Uberaba (MG), fez uma
selvagens e come junto com outros herbívoros. É co- nejo, tem dupla aptidão (forne- parceria com a Embrapa e trouxe
mum ver o boi dividindo espaço nas pastagens com ce leite e carne). Mas nem mes- doistouroscurraleirosdoNordes-
antas, capivaras e veados. “Quando o consumidor faz mo os predicados favoráveis ao te: Duende e Mussun.
a opção pela carne saudável que produzimos, ele es- curraleiropé-durolivraram-noda ©2
tá também ajudando a conservar o Pantanal e sua ameaça de extinção. É que as ra-
tradição cultural”, afirma Leonardo. çaszebuínasforamconquistando
A parceria entre uma ONG e o setor produtivo é espaço no Brasil. A partir de 2011,
bastante comentada, afinal, ambos deixam de la- porém, instituições como a Em-
do antigas diferenças. “Trabalhar em conjunto com brapa, a Associação Brasileira de
© 1 ANDRE DIB/WWF; 2 DIVULGAÇÃO

a produção é importante para que nossa missão de Criadores de Curraleiro e a Uni-


produzir em harmonia com a natureza seja alcan- versidade Federal de Goiás de-
çada, garantindo a sustentabilidade socioambiental ram início a um trabalho de con-
e econômica das futuras gerações”, diz Júlio César servação de animais e genética
Sampaio, coordenador do Programa Cerrado Pan- e para mostrar a importância da
tanal do WWF. A ONG atua na região desde 1998. raçaparaocruzamentoindustrial. Touro da raça curraleiro pé-duro

  | GLOBO RURAL 43


Arroz
esotérico
Cereal biodinâmico
chega a ser vendido por
R$ 16 o quilo nas lojas
de produtos naturais
Texto Geraldo Hasse
Fotos Marcelo Curia, de Sentinela do Sul (RS)

N
o sábado, dia 7 de maio, o agricultor proximidades das casas, 1.600 chifres cheios de es-
João Batista Volkmann dividiu em trume recolhido na véspera nos pastos da fazenda.
duas turmas o pessoal da Fazen- Na segunda semana de outubro, menos de seis
da Capão Alto das Criúvas, no inte- meses depois do “enterro”, os chifres foram desen-
rior de Sentinela do Sul, a 100 quilô- terrados e cada um deles continha uma pasta preta
metros de Porto Alegre. A primeira, (húmus puro) que imediatamente passou a ser usada
com duas colheitadeiras, um trator com reboque e como adubo na propriedade, especializada na produ-
um caminhão basculante, foi despachada para o ar- ção de arroz biodinâmico. Esse produto, o Composto
rozal na várzea, onde devia concluir a colheita, tare- 500, é um dos oito preparados na fazenda, onde não
fa só iniciada às 11 horas, após o sol ter secado o se- entram os insumos químicos da agricultura empre-
reno dos cachos dourados do cereal. A outra turma, sarial. Entre os compostos usados na fazenda e cedi-
incluindo três alunos do curso de agricultura biodi- dos a adeptos da agricultura biodinâmica, destaca-se
nâmica ministrado por João, dedicaria a manhã e um o feito com pó de quartzo. A recomendação é que os
pedaço da tarde a encher de esterco fresco cente- compostos sejam diluídos em água e aspergidos ho-
nas de chifres de vaca obtidos por doação ou escam- meopaticamente nos solos – o de húmus, na propor-
bo em frigoríficos vizinhos. No meio da tarde, enfim, ção de 500 gramas por hectare; o de quartzo, 5 gramas
seria cumprida a tarefa singela de enterrar, um por por hectare. O objetivo é “vivificar” a terra doente ou
um, com a ponta para cima, numa vala aberta nas desgastada. De acordo com a agrobiodinâmica, o chi-

44 GLOBO RURAL |  


Alguma vez os senhores
já consideraram por
que as vacas têm chifre
ou por que certos
animais têm galhada?
Esta é uma questão
extraordinariamente
importante”
RUDOLF STEINER*,
em palestra
a agricultores
alemães em 1924

Chifres de vacas
são enchidos
com esterco
para repouso
por seis meses

* Rudolf
fre de vaca (o de boi não serve, tampouco o do veado) É natural que haja uma diferença de preços, pois
é considerado uma perfeita síntese da ligação animal- o arroz integral orgânico tem rendimento agrícola
Steiner
A quem quiser se
-vegetal-cosmos. É uma visão de difícil assimilação 50% abaixo do arroz “normal”, produzido com apli- aprofundar nos con-
pelo senso comum, mas na Fazenda Capão Alto das cação mais ou menos intensa de insumos químicos. ceitos e conselhos de
Criúvas tudo é explícito e sem segredos, pois é inte- No Rio Grande do Sul, a média da produção arrozei- Rudolf Steiner, vale a
pena ler o livro Funda-
resse de João Volkmann difundir os princípios e prá- ra aproxima-se de 8.000 quilos por hectare; na ter- mentos da agricultu-
ticas apregoados pelo filósofo austríaco Rudolf Stei- ra dos Volkmann, que usam sementes próprias, de ra biodinâmica. Edita-
ner* (1861-1925), pai da antroposofia, dentro da qual menor potencial produtivo do que as sementes co- do pela Antroposófica,
de São Paulo, resu-
se aloja a agricultura biodinâmica. merciais, o rendimento não passa de 4.000 quilos me um curso técnico
Seja como for, o resultado de todo esse minucio- por hectare. Além disso, se o sistema orgânico exi- ministrado pelo guru
so trabalho essencialmente artesanal aparece a ca- ge cuidados especiais do preparo do solo à semea- a agricultores reuni-
dos em Koberwitz, na
da descarregamento do caminhão basculante no silo dura e à colheita, o biodinâmico é ainda mais com- Alemanha, em 1924,
da Volkmann Alimentos, que produz a cada ano cer- plicado, pois segue uma doutrina diferenciada que um ano antes de sua
ca de 1.000 toneladas de arroz integral sem agrotóxi- dá ênfase especial à ligação dos seres vivos da Ter- morte. A linguagem
técnica contém for-
cos. Bom negócio, sem dúvida. Segundo João Volk- ra com o cosmos. tes pitadas esotéri-
mann, o custo médio de produção de 1 tonelada é de Se a receita do arroz biodinâmico é universal, cas. Além de estu-
cerca de R$ 2.500. Na venda do arroz beneficiado, ele não se pode ignorar o vínculo ancestral da família dar o alemão Goethe
e ser amigo da russa
obtém uma receita média de R$ 3 mil por tonelada. Volkmann com a ideia originária da Europa. O ale- Madame Blavatsky,
Várias marcas de arroz orgânico disputam a pre- mão Paul Erdmann Volkmann (1882-1946), que che- Steiner conhecia a fi-
ferência dos consumidores brasileiros, mas até agora gou ao Brasil com 15 anos, foi toda a vida floricultor. losofia hindu, o que
explica a importância
nenhuma alcançou o prestígio do Arroz Volkmann Além de uma chácara no atual bairro Rio Branco, que atribuiu aos chi-
Biodinâmico. Fora das várzeas de Sentinela do Sul, manteve uma loja de flores e plantas na Rua dos An- fres bovinos femini-
ele é vendido entre R$ 10 e R$ 16 por quilo em lojas dradas, 505, no centro de Porto Alegre. Casado com nos, entre outros de-
talhes singulares.
de produtos naturais – acima do preço do arroz or- Elsa Wendisch (1886-1979), Paul teve duas filhas e
gânico das cooperativas de assentados em colônias três filhos. Desses, o mais apegado à agricultura foi
gaúchas da reforma agrária (R$ 8 por quilo) e de três Edgar Volkmann (1913-1999).
a cinco vezes mais caro do que as diversas marcas Em 1954, quando era gerente do Banco do Bra-
de arroz branco polido tipo 1, segundo a classifica- sil no município de Tapes, ele comprou no interior
ção do Ministério da Agricultura. do então distrito de Vasconcelos, hoje município de

  | GLOBO RURAL 45


Sentinela do Sul, uma decadente propriedade rural
Colheita de arroz cortada pelo Arroio Velhaco, que desce para a Lagoa
na Fazenda Capão
Alto das Criúvas, em dos Patos protegido por espessa mata ciliar.
Sentinela do Sul (RS) Mesmo nas longas temporadas em que esteve
arrendada a agricultores e criadores de gado, essa
fazenda nunca deixou de ser ponto de lazer e tra-
balho para a maioria dos oito filhos de Edgar. Pas-
sadas três décadas, somente o caçula João Batista
Volkmann decidiu abraçar a atividade agrícola: em
1983, recém-formado agrônomo e recém-casado
com a professora de educação física Helena Kessler,
ele se mudou para o Capão Alto das Criúvas – criúva
é uma árvore da Mata Atlântica.
“Quando chegamos aqui, as terras estavam bas-
tante contaminadas pelos agrotóxicos usados por
arrendatários que cultivavam lavouras de arroz e
fumo”, conta João, que desde estudante se voltou
para o estudo e a prática da agricultura ecológica.
No curso de agronomia na Universidade Federal do
Rio Grande do Sul (UFRGS), seu guru foi o professor
José Lutzenberger (1926-2002), agrônomo que li-
derou o movimento ambientalista brasileiro a par-

Chás e temperos tir dos anos 1970.


No começo, foi difícil convencer os trabalhadores

S
obrinho do che- res de sementes da erva. da eficácia da agricultura ecológica. Nas primeiras
fe da Fazenda Na última colheita, cada colheitas, o arroz foi vendido a uma indústria de San-
Capão Alto das hectare rendeu pelo me- ta Catarina. Somente depois de 20 anos João Volk-
Criúvas, Jorge Furtado nos R$ 30 mil líquidos. mann montou um secador, depois um descascador
Volkmann foi urbano até Ele também cultiva hor- e, por fim, um sistema de empacotamento. Hoje, já
dez anos atrás. Com uma telã, artemísia, calên- exporta para alguns países e continua a dar aulas e
formação acadêmica dula, lótus e ervas co- consultoria sobre os conceitos agrobiodinâmicos, o
eclética (direito, turismo lhidas no campo ou nos que inclui a observação do calendário lunar e o uso
e publicidade), manteve 250 hectares de matas da alelopatia, entre outras práticas exclusivas.
uma agência de propa- da propriedade. No to- Além de cultivar o arroz na própria fazenda, ele
ganda até enveredar fir- tal, embala 150 itens. A arrenda áreas vizinhas. E mantém uma parceria no
memente pela antropo- indústria de chás é uma município de Guaíba com o sitiante vizinho Juarez
sofia. Em parceria com o construção térrea onde Soares Pereira, que todo sábado vende arroz a gra-
pai, Leonardo Volkmann, se destaca uma estu- nel na feira de orgânicos do bairro Bom Fim, em Por-
e o irmão Pedro, aplicou fa aquecida (a 26 ºC) por to Alegre, onde é conhecido como “Juarez do Arroz”.
suas economias numa energia solar. Em cima Aos 57 anos, João mantém perto de si os quatro
indústria de chás e tem- da fábrica, ele ergueu filhos adultos e aderiu à Community Supported Agri-
peros batizada com a uma pousada capaz de culture (CSA), movimento internacional que busca
palavra Edka, que repro- acomodar 45 pessoas. “neutralizar” as propriedades, substituindo, quando
duz o som do chamado Hospedam-se ali pesso- possível, a herança imobiliária pelo legado cultural.
da avó Elsa pelo mari- as que querem aprender Ou seja, a ideia é que os agricultores atuem como ze-
do Edgar, seu avô. O car- os conceitos da agricul- ladores da terra, e não como donos, mantendo víncu-
ro- chefe do negócio de tura biodinâmica ou bus- los permanentes com os consumidores de seus pro-
Jorge é a camomila. Em cam um contato rege- dutos. Uma frase sintetiza seu pensamento “A hu-
maio, ele encerrou a se- nerador com a natureza. manidade não terá futuro se não cuidarmos melhor
meadura de 2 hecta- A diária mínima com re- das terras onde produzimos nossos alimentos”.

46 GLOBO RURAL |  


#AoSeuLadoSempre

FORÇA E PRECISÃO
QUE FAZEM CRESCER.
Sabemos que o trabalho no campo não é fácil. Por isso
nosso compromisso é estar sempre ao lado do agricultor.

Desse compromisso nasce mais uma inovação no


campo desenvolvida pela Jacto.

UNIPORT 5030 NPK


• Calibração e regulagens simples
• Faixa de aplicação ampla e uniforme
• Permite trabalhar no rastro do pulverizador
• Possibilidade de aplicar produtos em pó

2design
• Menor desperdício de fertilizantes devido
ao controle de aplicação na bordadura
Sabores
de Bragança
Farinha empaneirada, ostra e cachaça de jambu, produzidos na divisa
dos Estados do Pará e Maranhão, vêm conquistando chefs do Sudeste
Texto Venilson Ferreira* | Fotos Carlos Borges Moire, de Brangança (PA)

Paneiro de
farinha feito com
fibra vegetal e
folha de uma
planta chamada
guarumã

48 GLOBO RURAL |  


Ao lado, Seu Bené na lida para produção da farinha d’água; acima, a flor do jambu;
e, abaixo, as ostras produzidas pelos moradores da comunidade de Nova Olinda

S
eu Bené é uma referência na região der como se faz a farinha d’água empaneirada de
de Bragantina, no nordeste paraen- Bragança. Assim é chamada a iguaria, que leva o
se, que fica bem em cima do mapa do nome do maior município da região, uma das ci-
Brasil, na divisa com o Maranhão. dades mais antigas do Pará.
Com toda sua modéstia, Seu Bené é Seu Bené, que mora na vizinha Tracuateua, ex-
conhecido nas redondezas e reco- plica que a expressão farinha d’água se deve ao
nhecido nas rodas gastronômicas mais sofistica- modo paraense de preparar a mandioca, que pas-
das do país como o “professor da farinha”. sa horas de molho até ser prensada, para extrair o
Aos 70 anos, os olhos do mestre ainda mare- caldo, que dá origem ao tucupi, a base da culinária
jam ao lembrar que começou a aprender o ofício amazônica. Ele explica que a massa fica mais leve e
aos 12 anos, quando perdeu o pai e teve de tra- esse é um dos segredos para a farinha de Bragan-
balhar para ajudar a mãe viúva a sustentar seus ça não provocar azia nem má digestão.
oito irmãos. Desde então, é só labuta na roça, no A expressão farinha empaneirada vem da emba-
preparo da mandioca para processamento e em lagem, o paneiro, um pequeno cesto onde o produto é
torno do forno – de onde sai a farinha que fez su- enrolado nas folhas de uma planta chamada guaru-
cesso num festival gastronômico de Turim, na mã. Mestre Bené é um dos dez produtores da região
Itália. A viagem rendeu um documentário, Seu que sabem confeccionar o paneiro. Ele diz que tentou
Bené vai para a Itália. ensinar a arte, mas as pessoas têm dificuldades, in-
Ele conta com orgulho que, mesmo tendo ape- clusive o filho dele, que também é produtor de farinha.
nas o primeiro grau, recebeu 60 estudantes uni- Pelo menos ele conseguiu ensinar vários produtores
versitários que foram a sua humilde casa apren- a fazer farinha no mesmo padrão que o dele, o que

  | GLOBO RURAL 49


facilita na hora de atender às encomendas do Rio de Outra atividade que conta com o apoio do Sebrae
Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte – e até do exterior. é o cultivo de ostras por moradores da comunida-
Na área de 2,5 hectares onde cultiva cinco va- de de Nova Olinda, que fica em Augusto Corrêa. São
riedades de mandioca, Seu Bené faz a capina ma- 16 produtores associados, que nas margens do Rio
nual, aduba com esterco e não usa agrotóxicos. Emboraí Velho produziram 157 mil ostras em 2016.
Tudo é natural. O volume representa 55% do molusco produzido
Um trabalho realizado na região pelo Serviço no Pará, gerando um faturamento de R$ 105 mil.
Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empre- Uma das lideranças do grupo é seu Miguel Ed-
sas (Sebrae), em parceria com órgãos dos gover- son da Silva Reis, de 50 anos. Hoje, ele tira 30% de
nos federal, estadual e municipal, deve resultar, sua renda anual da criação de ostras e o restante
nos próximos anos, na obtenção do selo de Indi- do sítio de 7 hectares onde produz milho, banana,
cação Geográfica para a farinha de Bragança, que coco, laranja, cupuaçu, açaí e mandioca. Sua prin-
sofre concorrência com as imitações, principal- cipal fonte de receita é a produção de farinha de
mente na região de Belém. mandioca, que seu Miguel garante ser uma das
O produto já começa a ganhar escala comercial, melhores do Pará, em pé de igualdade com a pro-
com a implantação da primeira agroindústria de duzida pelo mestre Bené.
farinha de mandioca, no município de Bragança. A As ostras produzidas pelos pequenos produ-
fábrica fica na Fazenda Fênix, onde David Pereira tores de Augusto Corrêa fazem sucesso no mês
Produtor maneja
a criação de Júnior, junto com a esposa, Ingrid, e a mãe, Nazaré, de julho, que é o período de veraneio nos princi-
ostras durante investiu R$ 100 mil de capital próprio para produzir pais balneários da região bragantina. Outra épo-
a vazante do rio
Emboraí Velho a farinha com todas as características da região. ca quando o consumo aumenta é em outubro, nos

Com apoio do Sebrae, produtores cultivam


ostras e produzem jambu, usado na cachaça
Agricultoras em plantação de jambu; abaixo, Miguel da Silva maneja uma gaiola
de ostras; e, ao lado, dona Nazaré prepara a mandioca para produção de farinha

Ostras cultivadas
em cativeiro
por produtores
do município
paraense de
Augusto Corrêa

Seu Miguel, que


festejos do Círio de Nazaré, que atrai milhares de Outra fabricante da pinga com jambu é a Cacha- cultiva ostras
pessoas para Belém. çaria Genuína, que começou em 2015. A cachaça num braço do
Rio Emboraí
O jambu, também conhecido como agrião-do- é produzida artesanalmente por Rosana Braga e Velho
pará, é outro produto que vem ganhando espaço seu filho Ivan Braga. Um aspecto interessante é
na gastronomia. Além de acompanhar o tucupi em que metade do jambu utilizado pela cachaçaria
diversos pratos, como o tacaca, o jambu vai bem vem de uma pequena comunidade de produtores
na infusão com cachaça e já caiu no gosto de con- rurais do município de Primavera, que fica na re-
sumidores de diversas cidades brasileiras. gião de Bragantina.
Um dos atrativos da folha de jambu é a dor- O projeto surgiu a partir da política de com-
mência que provoca nos lábios. Leandro Melo, um pensação do passivo social da Votorantim, pois
piauiense de Piripiri, que trabalhou na construção a fábrica de cimento instalada na cidade desalo-
civil em São Paulo e há 23 anos foi morar em Be- jou vários produtores que não tinham registros
lém, é um dos pioneiros na fabricação da pinga com de propriedade da terra. Com apoio da empre-
jambu. Ele começou a produzir em casa, em 2011, sa, que doou uma área de 22 hectares, foi criado
para abastecer o bar Meu Garoto, de sua proprie- um agropolo que reúne 30 famílias. Os alimentos
dade, e hoje não dá conta dos pedidos da cachaça, orgânicos são vendidos em feiras livres, para a
que, além do jambu, tem sabores como açaí, ba- merenda escolar e na fábrica da Votorantim.
curi e castanha. *O repórter viajou a convite do Sebrae Pará

  | GLOBO RURAL 51


IDEIAS LUIZ JOSAHKIAN

Temos tudo para dar certo

O
planeta para nós – talvez sos 852 milhões de hectares,
71% são florestas, Reservas Le-
porque tenhamos nos acostu- gais, APPs e cidades. Contudo, é
mado a chamá-lo de Mãe Terra – complexo produzir alimentos no ©

LUIZ JOSAHKIAN
sempre nos pareceu eterno, imu- Brasil. Com uma pesada carga de
é zootecnista,
taxas, impostos, custos sociais e
tável e pronto para nos socorrer ao menor ausência completa de subsídios,
especialista
em produção
tropeço. A metáfora de mãe talvez não se- o produtor brasileiro ainda tem de ruminantes
e professor de
ja mesmo um exagero, porque essa matriar- de lidar com as questões agrá- melhoramento
ca, do alto de seus 4 bilhões de anos, conti- rias e ambientais, o que o torna genético, além de
superintendente
um alvo fácil nas mãos dos com-
nua frutificando e abrigando seus rebentos, petidores internacionais.
técnico da Associação
Brasileira dos
sem preconceito de espécie, cor ou gênero. O Brasil incomoda. Incomoda Criadores de Zebu
porque segue crescendo mesmo (ABCZ)
Todos cabem nesse berço em face a tantas vicissitudes. In-
planetário: de vírus a bactérias, comoda porque apresenta 66,3%
de vermes a pássaros, de peixes de seu território preservado, algo
a mamíferos, o que nos inclui, os muito expressivo, especialmen-
seres transformadores da paisa- te quando comparados aos 25,1%
gem. Nosso planeta é vivo, abso- da União Europeia, aos 14,6% da
lutamente vivo, com suas monta- Austrália, aos 13,9% dos EUA e
nhas, planícies, rios, cidades e se- aos 6,8% da Argentina. Com ape-
res vivos. Seres vivos distribuídos nas 29% do país, produzimos e li-
em 8,7 milhões de espécies que deramos os mercados mundiais
interagem no planeta, formando de soja, café, açúcar, suco de la-
um único grande organismo in- ríamos surgido nos últimos dois ranja, carne bovina, carne suína e
terconectado, que recebeu o su- segundos do dia 31 de dezembro. ainda somos vice-líderes na ex-
gestivo nome de Gaia pelo pes- Somos uma espécie muito recen- portação de etanol e milho.
quisador britânico James Love- te e provavelmente a mais evolu- Nosso agronegócio respon-
lock, em uma referência à deusa ída entre todas que surgiram so- de por 30,4 milhões de empre-
grega da Terra e mãe de todos os bre a superfície do planeta, mas gos (33% do total) e por 24% da
seres vivos. estamos acelerando o processo formação do PIB. Nossos superá-
Gaia, durante sua existência, de nossa própria extinção e tam- vits na balança comercial se acu-
coevoluiu com seus filhos e, nes- bém a de outras espécies. mulam desde 1995, movimentan-
se período, 99,9999% das espé- Entretanto, não vale a pena do, somente em 2016, US$ 84,9 bi-
cies que já existiram foram extin- nos determos nesse cenário apo- lhões, o que representa 46% das
tas ou recriadas, e estima-se que calíptico, pois naturalmente tudo nossas exportações. Poucos cida-
dezenas de outras passem pelo que um dia começa um dia termi- dãos no mundo podem se vanglo-
mesmo processo a cada ano. É a na. É a lei universal. Mas podemos riar de viver em um país em que
seleção natural ajustando as for- usufruir da nossa existência da não há intolerância religiosa, que
mas de vida aos novos ambientes, melhor forma possível, atenden- não prima pelo poder bélico, que
o que nos mostra que a Terra nun- do a nossas demandas sem ace- não sofre com catástrofes natu-
ca foi um sistema estático. lerar a chegada do fim. rais. Como diz a canção: “Um pa-
Existem simulações mostran- Nesse contexto, o produtor ís tropical, abençoado por Deus e
do que, se toda a história do pla- brasileiro, por sua própria natu- bonito por natureza”. Tudo a favor
© DIVULGAÇÃO

neta Terra fosse compartimenta- reza e pelas exigências legais, é e uma grande chance de darmos
da em um ano, nós, humanos, te- um ambientalista nato. Dos nos- certo de uma vez por todas.

52 GLOBO RURAL |  


PRÊMIO

Melhores do agro
Empresas do setor foram homenageadas pelos resultados obtidos
em 2016, num cenário de retração econômica e de quebra de safra

A
capacidadedosetoragropecuário
de resistir à crise e trazer resul-
tados positivos para a economia
nacional foi, mais uma vez, evi-
O agronegócio
denciada durante o 13o Melhores
demonstrou
do Agronegócio, evento realiza- que é o melhor
do em São Paulo, no último dia 17, e promovido pe- exemplo de como
la G R, com dados da Serasa Experian. a economia pode
As empresas que atuam nos diferentes setores se descolar da
que compõem o agronegócio foram homenage- política”
adas pelo desempenho econômico e pelos seus FREDERIC KACHAR
DIRETOR-GERAL
indicadores de sustentabilidade social e ambien-
tal. “Celebramos números espetaculares do agro,
que, seguramente, permitiram que chegássemos
até aqui sem maiores danos à economia”, disse o
diretor-geral de mídia impressa do Grupo Globo,
Frederic Kachar. Além do destaque em cada setor
(20 categorias), três empresas foram premiadas
por suas atuações em Sustentabilidade, Peque-
nas e Médias e a Maior entre as 500. A 3corações
foi a grande vencedora da noite.
Kachar abriu o evento, destacando que o agro-
negócio demonstrou ser um exemplo de como
a economia pode se descolar da crise política e,
mesmo tendo enfrentado dificuldades na safra
2015/2016, as empresas melhoraram suas recei-
tas, a rentabilidade e a redução de dívidas. O execu- Bruno Blecher, diretor da GLOBO RURAL, e Maurício Lopes, presidente da Embrapa
tivo ainda comentou a discussão em torno da fis-
calização do trabalho escravo no país. “É um deba-
te com um objetivo em comum: assegurar que não
haja trabalho escravo no agronegócio”, afirmou.
A queda da
Durante o evento, também foi entregue o 2o
Prêmio Raça Forte, uma iniciativa da Ford que ho-
inflação foi a
menageia uma pessoa que teve forte atuação no
grande safra
do agronegócio
© SYLVIA GOSZTONYI/ED. GLOBO

setor durante o ano. A premiada foi Mariana Vas-


concellos, CEO da startup Agrosmart. brasileiro”
Na ocasião, foi lançado o 13o Anuário do Agro- GERALDO ALCKMIN
GOVERNADOR DE SÃO PAULO
negócio, publicação que traz as 500 maiores com-
panhias do setor e os perfis das campeãs em ca-
da segmento.

54 GLOBO RURAL |  


Representan-
tes das empresas
campeãs

ENQUETE
Previsão de crescimento do Sua empresa pretende investir
1 PIB em 2018: 2 Dólar médio em 2018: 3 em 2018:
O setor produtivo
brasileiro está De 1,5% a 2% 35,9% R$ 3,20 52% Mais que em 2017 59,4%
otimista, apesar De 1% a 1,5% 33,1% R$ 3,40 26,8%
Mesmo que em 2017 26,6%
da crise e das De 0,5% a 1% 29,7% R$ 3,00 16,3%
incertezas políticas Estabilidade 1,4% R$ 3,60 4,9%
Menos que 2017 14%

As 20 empresas
CARGILL
Maior entre as 500
Luiz Antonio Pretti,
campeãs
presidente da Cargill LDC Sucos Minerva Foods
Alimentos e Bebidas Indústria de Carne Bovina
C. Vale Cargill
Atacado e Varejo Indústria de Soja e Óleos
BRF La Sereníssima
Aves e Suínos Laticínios
Copersucar M. Dias Branco
Bioenergia Massas e Farinhas
DURATEX
Campeã Sustentabilidade Copersucar S.A. Cargill Alimentos
Henrique G. Marcondes, vi- Comércio Exterior Nutrição Animal
ce-presidente da unidade de Ihara SLC Agrícola
negócio madeira da Duratex Defensivos Agrícolas Produção Agropecuária
Irrigabrasil Klabin
Ferramentas e Reflorestamento, Celulose
Implementos Agrícolas e Papel
Fertipar Paraná Phibro
Fertilizantes Saúde Animal
Agro Schio Sementes Goiás
Frutas, Flores Sementes
VENCO e Hortaliças
Campeã Pequenas e Médias Jacto
Sérgio Eigi Takano, diretor- CAMPEÃ DAS CAMPEÃS 3corações Tratores e Máquinas
presidente da Venco Pedro Lima, presidente da 3corações Indústria de Café Agrícolas

  | GLOBO RURAL 55


PRÊMIO

Campeã das campeãs


Líder de mercado e com história cheia de aquisições, a
3corações é a vencedora dos Melhores do Agronegócio

A
Texto Márcio Ferrari

3corações, que iniciou sua traje- aquisições frequentes e ambiciosas, e isso trouxe
tória em 1984 como uma peque- a seu portfólio uma grande variedade de marcas e
na torrefação em São Miguel, no produtos: além do café, saem de suas fábricas deri-
interior do Rio Grande do Norte, vados de milho, temperos, achocolatados e refres-
foi eleita Campeã das Campeãs do cos. No segmento específico de café, a empresa é
Prêmio Melhores do Agronegócio, responsável por 20 marcas, as mais recentes vin-
promovido pela G R. “Só não mudaram a das com a compra da Cia. Iguaçu de Café Solúvel,
xícara e o modo de beber.” Eis como o presidente da no fim de 2016. Um destaque no leque de marcas é o
3corações, Pedro Lima, resume as transformações Café Santa Clara, líder nas regiões Norte e Nordeste.
ocorridas nas últimas décadas na indústria do café. Mas Pedro Lima não esconde seu entusiasmo es-
A empresa é testemunha e protagonista de mu- pecial com um produto relativamente recente, a má-
danças que incluem a qualidade da matéria-prima, quina Tres, de multibebidas em cápsulas, que entrou
a tecnologia de fabricação e os mecanismos para em fabricação – por meio de uma parceria com a ita-
consumir a bebida. E a inquietação continua muito liana Caffitaly – em 2013 e já detém 32% de seu seg-
forte. “Em 2016, fechamos um ciclo estratégico para mento, respondendo por uma receita de R$ 200 mi-
cinco anos”, diz Pedro, à frente da companhia desde lhões em 2016. As expectativas da 3corações com o
seu início. “Durante esse período, foram investidos caminho aberto pelas máquinas se traduz na inau-
R$ 500 milhões em inovação e novos negócios.” Se- guração, em janeiro de 2017, de uma fábrica de cáp-
FUNDAÇÃO gundo ele, o acerto das decisões empresariais que sulas em Montes Claros (MG). Há também um pro-
1984 tornaram a 3corações líder nacional no segmento de jeto de pesquisa em andamento para produzir cáp-
SEDE café torrado e moído se deve à capacidade, desen- sulas “verdes”, totalmente biodegradáveis.
Eusébio (CE) volvida ao longo de toda sua história, de “apreender Além das cápsulas, Pedro diz que a empresa “es-
FUNCIONÁRIOS a expectativa do consumidor” e atendê-la. tá apostando muito” na linha de cafés especiais. Em
5.700 A 3corações tem uma trajetória marcada por dezembro, por exemplo, foi lançada uma edição limi-
tada de cápsulas com a nova safra de grãos do Cer-
rado Mineiro, com combinação à base de uma reser-
va especial de sacas da safra 2015/2016 destinadas
ao preparo de expresso. Anteriormente, havia sido
lançada outra edição limitada, a do café da Mogia-
© 1 DIVULGAÇÃO; 2 ILUSTRAÇÃO DE TATO ARAÚJO SOBRE FOTO

No período de na Paulista. “Modéstia à parte, contribuímos nes-


ses mais de 30 anos para melhorar a qualidade do
cinco anos até café consumido no Brasil e demos a oportunidade
2016, investimos ao consumidor de entender mais do produto”, afir-
R$ 500 milhões ma. De fato, são contribuições nada desprezíveis, es-
em inovação e pecialmente em um país onde são consumidos 4,9
quilos de café por habitante a cada ano.
novos negócios” Pedro, potiguar de 52 anos, acompanha esse mer-
PEDRO LIMA cado desde 1984, quando largou a faculdade de agro-
Presidente nomia e, com seus irmãos Vicente e Pedro, assumiu
©1

56 GLOBO RURAL |  


©2

o pequeno negócio fundado pelo pai, que processa- “Hoje, trabalhamos com duas grandes
va e comercializava o Café Nossa Senhora de Fátima, competências: criar valor para nossas
marca rebatizada de Santa Clara no ano seguinte. marcas e criar valor para as adquiri-
Em pouco tempo, a empresa já dominava o mer- das”, afirma Pedro. Para manter es-
cado em seu Estado e, com a inauguração da fábri- sa política, a empresa tem recorrido,
ca em Eusébio, no Ceará, em 1989, passou a se cha- do ponto de vista da gestão, à meto-
mar Santa Clara Indústria e Comércio de Alimentos dologia criada pelo consultor Vicen-
– a adoção do nome institucional Grupo Santa Cla- te Falconi. Ela estabelece o gerencia-
ra ocorreu em 1995 e, quatro anos depois, criou-se mento por diretrizes em torno de um
a São Miguel Holding e Investimentos, para geren- plano de negócios compartilhado com to-
ciar os negócios da família Lima. dos os funcionários e reforçado por técnicas
Em 2005, deu-se o grande salto da história da em- de motivação e bônus por meta.
presa, uma joint venture entre a Santa Clara e a isra- Diante de uma tradição expansiva como a da 3co-
elense Strauss (50% cada). Seguiu-se uma série de rações, chega a surpreender que o atual ciclo estra-
aquisições, das quais a primeira e mais significati- tégico de seu plano de negócios, de 2017 a 2021, se
va foi a da concorrente mineira 3corações. Como se caracterize por “crescer um pouco menos, mas me-
tratava de uma marca mais conhecida em escala lhorar a margem de lucro”. No ano passado, o gru-
nacional, passou a designar o grupo todo. Entre as po faturou R$ 3,1 bilhões e aumentou seu lucro em
aquisições que marcaram os anos seguintes estão a cerca de 10% em relação a 2015. As expectativas são
do Café Letícia, em 2009, que consolidou a liderança fechar 2017 com faturamento de R$ 3,6 bilhões e,
em Minas Gerais, e a entrada no ramo de sucos em aproveitando a penetração da Café Iguaçu, ampliar
pó, com a compra das marcas Frisco e Tornado, da a presença no Rio Grande do Sul e abrir fronteiras na
Unilever, no mesmo ano. Bolívia, no Paraguai e no Chile.

  | GLOBO RURAL 57


PESQUISA

João Aparecido
Nunes, especialista
no cultivo e na
utilização de bambus

A floresta
de
bambu
OBambooGarden, em formação
emBertioga(SP), será umcentro
dereferênciadaplanta

Texto Carmen Barcellos | Fotos Fabiano Accorsi, de Bertioga (SP)


C
om a expansão do uso de bambu o trabalho que ele desenvolve. Esteve em oito cida-
em edificações, substituindo ma- des, onde conheceu universidades, florestas e es-
teriais como concreto, outras ma- tufas com exemplares de bambus do mundo todo
deiras, gesso e plástico, seus pro- e acompanhou a produção em indústrias. Um des-
dutos apresentam um grande po- ses locais foi o Kunming Botanical Garden, ligado ao
tencial de crescimento no mercado Instituto de Botânica da cidade de Kunming e à Aca-
global. E o Brasil poderá ingressar nesse roteiro de demia Chinesa de Ciências. Também visitou a sede
produção, beneficiando-se de um futuro aumen- do International Network for Bamboo and Rattan
to da demanda, pois possui solo e clima apropria- (Inbar), que fica em Beijing, organização criada em
dos para centenas de espécies. A constatação é 1997 que se dedica a desenvolver e promover solu-
de João Aparecido Nunes, especialista no cultivo ções inovadoras com o uso de bambu.
e na utilização de bambus, que acaba de retornar “Existeumaportaamplaparaserabertaeumlongo
da China, onde visitou centros de estudos e fábri- caminho para percorrer nesse mercado. Os chineses
cas voltados para essa cultura. têm interesse em desenvolver estudos e intercâmbio
Entusiasmado diante do interesse dos chineses deinformaçõessobreobambucomváriospaíses,para
em fomentar a ampliação do mercado de bambus no compreender a aplicação das diversas espécies e am-
mundo, João retornou ao Brasil com um novo plano: pliar a produção, uma vez que não dão conta de aten-
montar no país o Bamboo Garden, em Bertioga, no li- der à exportação e ao mercado interno”, avalia João.
toral paulista, semelhante aos que conheceu na Chi- Tambémenxergamnessasplantações,deacordocom
na. “Será um local com uma floresta onde predomi- ele, soluções para problemas relacionados às mudan-
nam os bambus e com um centro de estudos para ças climáticas, uma vez que o bambu é um grande se-
desenvolver técnicas de plantio, cultivo e utilização questradordecarbonodaatmosferaeatuanadescon-
dessas plantas. Também funcionará como um polo taminação e recuperação do solo.
de disseminação de conhecimentos, por meio de vi-
sitas monitoradas, cursos e oficinas, para brasileiros Milhares de aplicações
e estrangeiros”, explica. Na China, João verificou que o bambu já é muito
Nos locais que utilizará para implantar o Bamboo usado nas estruturas das construções, com tendên-
Garden, João conta com uma floresta com 40 espé- cia de crescimento em sua aplicação como alterna-
cies e afirma que iniciará o plantio de mais 200 origi- tiva para materiais como areia, pedra, cimento, tijo-
nárias do Brasil e do exterior, complementando com lo, plástico e gesso. “As fibras são prensadas e for-
um bosque de plantas da Mata Atlântica. Também já mam toras mais nobres do que de outras madeiras,
existem salas, onde realiza cursos e oficinas, e um podendo ser cortadas em peças finas ou mais ma-
showroom de móveis e objetos produzidos pelos alu- ciças para vigas. O amido da planta é utilizado para
nos – espaços que serão aperfeiçoados. Além disso, dar liga, resultando na produção de placas com alta
planeja a instalação de laboratório, estufas, biblioteca resistência e durabilidade, comparáveis ao metal, que
e alojamentos para receber visitantes do mundo todo. podem compor paredes, pisos e telhados. Já o bam-
“Com um bamboo garden no Brasil, os chineses bu processado em massa dá origem ao bambucre-
poderão contribuir para ministrar treinamentos e to, que substitui o concreto no fechamento das pa-
expandir o conhecimento sobre o bambu para um redes”, explica, observando que essas tecnologias
público muito maior, sem necessidade de levar os ainda não chegaram ao Brasil.
brasileiros para lá”, acredita João. Como integrante Entre as inúmeras indústrias chinesas que pro-
da Rede Paulista de Bambus (Rebasp), formada por cessam bambu, João encontrou também a produção
pesquisadores e professores, ele teve sua viagem de essências para perfumes e cosméticos, a par-
patrocinada pelo governo chinês, que convidou es- tir de uma resina da planta, além de tecidos, tape-
pecialistas de vários países para ministrarem pales- tes, tubos e dutos, canoas e instrumentos musicais.
tras em universidades e bamboo gardens e conhece- “Outro grande negócio na China é a destinação dos
rem as tecnologias do setor. brotos para alimentação, com o processamento de
Durante os 25 dias que passou na China, o espe- 16 toneladas por dia, enquanto as folhas podem ser
cialista apresentou para estudantes, em simpósios aproveitadas para produzir chá”, destaca.
e convenções, as espécies que existem no Brasil e Combinando leveza, flexibilidade e maleabilida-

  | GLOBO RURAL 59


PESQUISA

A RESERVA DE BERTIOGA TEM MAIS DE 300 ESPÉCIES


NATIVAS E OUTRAS 300 TRAZIDAS DE OUTROS PAÍSES
©
de com durabilidade, o bambu possui mais de 4 mil gando-as como uma praga e pensam apenas em
indicações de uso no mundo, conforme lembra João. eliminá-las, uma vez que muitas espécies prolife-
Em seu showroom, em Bertioga, os visitantes sur- ram como gramíneas.
preendem-se com a quantidade, a variedade e a cria- Em Ilhabela, no litoral paulista, João desenvolve
tividade dos objetos e móveis, que incluem camas, um projeto, em parceria com a Secretaria Munici-
sofás, mesas, bancos, luminárias, utensílios de cozi- pal de Ação Social, na Ilha de Vitória, onde os bam-
nha, instrumentos musicais, entre outros, produzi- bus estavam se alastrando sem que os moradores
dos durante as oficinas. Ele também exibe exempla- soubessem o que fazer. Com suas orientações, os
res das placas de revestimento para paredes, tetos 4 hectares da planta ganharam utilidade, gerando
e pisos que produz em sua fábrica, em Nova Fribur- resultados financeiros melhores do que os da pesca
go, no Rio de Janeiro, e vende para arquitetos e de- para a comunidade. “Ensinamos as 16 famílias a co-
signers de interiores. lher os bambus e criar produtos que podem vender
A vantagem do Brasil na produção de bambus es- no comércio local, além de preparar os brotos para o
Uma das
1.200 espécies tá na fácil adaptação de inúmeras espécies ao clima setor de alimentação. Podem colher cerca de 4 tone-
de bambus que e solo, segundo ele. “Temos mais de 300 espécies ladas de brotos por ano, o que gera uma boa renda.”
existem no
mundo nativas e outras 300 trazidas de outros países. No
mundo, já foram catalogadas mais de 1.200”, relata. Longa convivência
Ele conta que algumas se identificam tão bem com Aos 57 anos, João convive com bambus desde a
as condições do ambiente que se desenvolvem me- infância. Confessa que chegava a ter pavor deles. Na
lhor do que em seus locais de origem. fazenda dos avós, em Monte Santo de Minas (MG),
É o caso da Dendrocalamus asper, originária do ele ouvia histórias de que havia uma cobra gigan-
Sudeste da Ásia, que atingiu 40 metros de altura, em te no bambuzal que engolia as pessoas e ficava as-
seis anos, na reserva de João em Bertioga, enquanto sustado com o barulho das árvores. Depois, o medo
o normal seria entre 25 e 30 metros. Outro exemplo passou, e ele começou a elaborar os próprios brin-
é o de espécies trazidas da Colômbia, que se desen- quedos com bambus.
volveram bem e ornamentam sua floresta em Mo- Quando adulto, tornou-se judoca e instrutor de ati-
gi das Cruzes (SP), formando desenhos de espirais vidades físicas, ficando distante dos bambus duran-
e argolas, a partir de uma técnica de desvio da di- te décadas. Mas retomou o contato, a partir de 1992,
reção do broto. criando instrumentos musicais, arranjos, luminárias
De acordo com João, é possível gerar mais em- e utensílios de cozinha como atividade de lazer. Des-
pregos e renda a partir das muitas plantações de tinava os objetos para presentear amigos e familiares
bambu que já existem espalhadas aleatoriamente e decorar a casa, até que, em 1995, foi convidado pa-
pelo país. Para isso, no entanto, é necessário dis- ra expô-los no evento de uma construtora no litoral
seminar o conhecimento sobre o manejo e a uti- paulista. A exposição gerou uma grande demanda e
lização dessas plantas de forma sustentável. Des- João passou a dedicar-se comercialmente à ativida-
conhecendo seu valor, as pessoas acabam enxer- de, incluindo a produção de móveis.

Modelos das
© ACERVO PESSOAL

placas produzidas
na fábrica de Nova
Friburgo (RJ) para
revestimento

60 GLOBO RURAL |  


JURIS LUIZ ERNESTO OLIVEIRA

Prazo para inscrição no


©

Cadastro Ambiental Rural

O Cadastro Ambiental Ru- meramente declaratórios e, para


evitar equívocos, é recomendá- LUIZ ERNESTO
ral (CAR), instituído pelo Códi- vel que sejam levantados e lan-
OLIVEIRA
é advogado, sócio
go Florestal – lei no 12.651/2012, çados no sistema por um profis- responsável pela
área de direito
consiste em um sistema eletrô- sional qualificado. Os dados serão
empresarial e
analisados pelo órgão ambiental
nico de dados de imóveis rurais com infor- competente para aprovação final
contratos da Guedes
Nunes, Oliveira e
mações de propriedade, posse, limites, áre- e o declarante poderá ser respon- Roquim - Sociedade
de Advogados
as de Reserva Legal, Preservação Perma- sabilizado civil e penalmente em
nente e vegetação nativa remanescente. caso de declarações falsas.
Com a informatização e a inte-
A inscrição no CAR é obrigató- gração de dados, os órgãos com-
ria para todos os imóveis rurais e petentes terão mais facilidade e
proporciona o direito aos benefí- acesso às informações de cada
cios previstos no Código Florestal, imóvel rural e de seu proprietá-
como o Programa de Regulariza- rio ou possuidor, proporcionan-
ção Ambiental (PRA), que visa re- do maior controle, fiscalização e
gularizar as supressões irregula- combate aos desmatamentos.
res ocorridas em Áreas de Preser- O senso mais recente do CAR,
vação Permanente, Reserva Le- apurado em 31 de agosto de 2017,
gal e de uso restrito. E ainda, caso indicou que foram cadastrados
o imóvel possua áreas remanes- mais de 4,3 milhões de imóveis
centes de vegetação nativa, tam- der crédito agrícola, em qualquer rurais, resultando em uma área
bém poderá ser feita a compensa- modalidade, aos produtores ru- total de 413.249.830 hectares. Os
ção de Reserva Legal em benefí- rais que não tenham inscrito seus biomas com menor taxa de ade-
cio de outras propriedades que se imóveis rurais no CAR. são são Cerrado e Caatinga, em
apresentem deficitárias de Re- Além disso, as propriedades razão do menor índice de adesão
serva Legal, desde que situadas rurais que não estiverem inscritas da Região Nordeste ao programa,
no mesmo bioma. no CAR até essa data estarão su- com percentual de 77%.
O prazo final para adesão ao jeitas a pena de multa e lavratu- Por fim, o CAR também é im-
CAR finda em 31 de dezembro de ra de auto de infração, com conse- portante na esfera tributária, pois
2017, conforme previsto na lei fe- quentes entraves para concessão está integrado aos sistemas do In-
deral no 13.295/2016, sendo pas- de crédito rural e vedação da prá- cra e da Receita Federal para fins
sível de prorrogação por mais um tica de quaisquer atos de registro de vinculação de dados. Após a
ano mediante ato do chefe do po- na matrícula do imóvel. No Estado total implementação do CAR, es-
der executivo. Esse prazo já foi de São Paulo, por exemplo, a Po- te também será utilizado para o
prorrogado duas vezes e até o lícia Ambiental já está orientando cômputo de áreas de RL e APP
presente momento não foi aberta os proprietários a manter na sede que são consideradas áreas não
discussão para nova prorrogação. dos imóveis os documentos que tributáveis no cálculo do valor de
Desta vez, parece que o prazo será comprovem a inscrição no CAR e, Imposto Territorial Rural (ITR).
realmente fatal. no começo de 2018, devem come-
Assim, após 31 de dezembro çar a autuar quem não esteja com Colaborou Viviane Castilho, advogada
© DIVULGAÇÃO

responsável pela área de direito


de 2017, as instituições financei- essa documentação em ordem. fundiário da Guedes Nunes, Oliveira
ras estarão proibidas de conce- Os dados inseridos no CAR são e Roquim - Sociedade de Advogados

  | GLOBO RURAL 61


4O PRÊMIO

Simples
e eficiente
Estudo científico que será apresentado na COP 23
indica que ações naturais, como a restauração florestal,

© 1 JOAO MARCOS ROSA / AGENCIA NITRO; 2 DAVE LAURIDSEN; 3 FERNANDA BERNARDINO; 4 MARCELO CURIA / EDITORA GLOBO
podem ser tão eficientes como o fim do uso de petróleo
Texto Viviane Taguchi

R
©1

estaurarflorestas,recuperarsolos Agricultura, da The Nature Conservancy (TNC),


e proteger os mananciais podem do Centro de Pesquisa Woods Hole, entre outros,
ser ações tão impactantes para a a própria natureza pode oferecer, de forma econo-
mitigação das mudanças climáti- micamente viável (que são aquelas soluções cli-
cas quanto a eliminação comple- máticas que custam menos de US$ 100 por tone-
ta da queima de petróleo por to- lada de CO2), reduções de emissões equivalentes
dos os países do mundo. Essa é a conclusão de um a 11,3 bilhões de toneladas por ano até 2030. Esse
estudo feito por cientistas de 15 instituições glo- volume corresponde a mais de um terço (37%) da
bais, que será oficialmente apresentado na COP 23 redução total que os países precisam obter (me-
– Conferência das Partes da Convenção-Quadro ta do Acordo de Paris) para manter o aumento da
das Nações Unidas sobre as Mudanças do Clima, temperatura média global em bem menos de 2 °C
que começa a partir do dia 6 deste mês, em Bonn, acima dos níveis pré-industriais.
na Alemanha. Ações como o uso de tecnologias avançadas, a
De acordo com a pesquisa, que contou com a transição para matrizes energéticas renováveis e
participação de pesquisadores do Ministério da o incentivo ao uso de carros elétricos são aponta-

62 GLOBO RURAL |  


Metodologia e visitas técnicas: Metodologia: Patrocínio: Realização:

das no estudo como iniciativas válidas para o fu-


turo, mas o foco do trabalho, segundo Mark Ter-
cek, CEO da organização The Nature Conservancy
(TNC), será mostrar aos cerca de 200 governantes
presentes na COP 23 como ações muito simples e
naturais podem contribuir de maneira mais signi-
ficativa para o cumprimento da meta de cada país. As metas
O estudo aponta soluções naturais específi-
cas para cada país. Os cientistas descobriram,
©2 de Paris
por exemplo, que, se o Brasil conseguir apenas Em 2015, durante a
evitar o desmatamento em seu território, obte- realização da COP 21,
rá uma redução de emissões em volume quase em Paris, foi adotado um
igual ao produzido pela Alemanha, considerado acordo, aprovado por 195
um dos países mais avançados do planeta em re- países, com o objetivo
dução de emissões. Já nos Estados Unidos, pro- de fortalecer as ações
jetos de reflorestamento poderiam remover um de combate às ameaças
quarto das emissões ou quase o mesmo que pro- climáticas, entre as quais
©3

duzem os setores de navegação e aviação juntos a redução das emissões


Acima, Mark Tercek,
em todo o mundo. “Para cumprir as metas, será CEO da organização
de gases de efeito estufa
necessário investir em tecnologias futuras, sim, The Nature (GEE). O compromisso
Conservancy (TNC),
mas também e principalmente na natureza sim- e Roberto Rodrigues,
tem a intenção de manter
ples”, aponta Mark Tercek. coordenador o aumento da temperatura
do Centro de
De acordo com o executivo, um quarto das Agronegócios da
média global em bem
emissões de gases de efeito estufa no mundo, atu- FGV-EESP menos de 2 °C acima dos
almente, está associado ao uso do território. “Se níveis pré-industriais e de
estamos falando sério sobre conter as mudanças envidar os esforços para
climáticas, teremos de pensar em investir na na- limitar esse aumento da
tureza, bem como em energia renovável e trans- temperatura a 1,5 °C.
porte limpo. Vamos ter de aumentar a produção de
alimentos e de madeira para atender à demanda
de uma população em crescimento, mas sabemos
que precisamos fazer isso de forma a considerar Placas de
energia solar
as mudanças climáticas”, afirma.
Roberto Rodrigues, coordenador do Centro de
Agronegócios da FGV-EESP e membro do conse-
lho consultivo da TNC no Brasil, diz que a pesqui-
sa traz desdobramentos importantes para o país.
“Esse estudo confirma que o uso mais produtivo e
sustentável das áreas agricultáveis, além de am-
pliar a oferta de alimentos para uma população
mundial crescente, pode contribuir substancial-
mente para a redução dos gases de efeito estufa.
Países emergentes e desenvolvidos que queiram
despontar como líderes globais precisam agir com
base nessa nova realidade”, afirma. ©4

  | GLOBO RURAL 63


MANEJO

Búfalo sertanejo
Criador consegue adaptar animal – que ama água –
às condições do Semiárido no Rio Grande do Norte
Texto Camila Marconato e Phelipe Siani | Fotos Francisco Maffezzolli Junior

A
gente vai contar agora duas histó- falos, 150 funcionários e muita, muita tecnologia. Tu-
rias que se fundem em uma só. De do isso em Taipu, terra onde o sol e a seca castigam
uma fazenda e de seu dono. Os dois mais do que a chuva afaga, especialmente nos últimos
têm nomes superbrasileiros. O de- seis anos. No Rio Grande do Norte, não se tem notícia
le, bem popular, é Francisco. O dela, de fazenda como essa. Mas nem sempre foi assim.
indígena, é forte: Tapuio. O Francis- Francisco Veloso é agrônomo e trabalhava numa
co diz que Tapuio significa “guerreiro valente”. Seria usina de cana-de-açúcar quando decidiu comprar
uma justa homenagem ao dono? Há grandes chan- a Tapuio. No comecinho da década de 1990, ele pe-
ces de, ao longo deste texto, você dizer que sim. Mas gou dinheiro no banco para financiar o plantio de 100
Francisco garante que não: “Sou só teimoso mesmo”. hectares de cana. A ideia era vender o produto para a
Bom, se for isso, foi teimosia suficiente para fazer própria usina onde ele trabalhava. Mas não deu certo.
surgir meio que um oásis em pleno Semiárido poti- “Em média, temos aqui 850 milímetros por ano de uma
guar. Porque Francisco de Assis Veloso Junior tem, em chuva muito, muito irregular. A cana não aguentou”,
470 hectares, 100 mil galinhas, 1.100 cabeças de bú- lembra. Com 100% de prejuízo, ele continuou traba-
lhando na usina tentando digerir todo o prejuízo. Di-
gestão que só veio com uma ideia estranha. Se a ca-
na não é resistente, que tal investir em algo também
frágil? Frágil como uma casca de ovo. Ele pediu a ajuda
de um amigo do ramo para começar a produzir ovos e
vender nas cidades vizinhas. O negócio deu tão cer-
to que Francisco saiu da usina para se dedicar exclu-
sivamente à fazenda, que chegou a ter 150 mil aves.
Só que ele não foi o único a ter essa ideia. A concor-
Francisco Veloso rência aumentou, e o criador logo percebeu que aquele
e, ao fundo, o
rebanho de búfalos
mercado estava ficando saturado. O prejuízo começou
da Fazenda Tapuio de novo a bater na porta. Ele, então, se desfez de parte

64 GLOBO RURAL |  


dos animais e tentou fazer diferente de todo mundo. las para diminuir a insolação, aliviada também pelos Acima, a criação
de galinhas
Começou a criar as aves soltas, para vender ovo cai- ventos fortes da região. Afinal, a gente está falando de caipiras e,
pira em larga escala. “As pessoas achavam que eu era um bicho que ama água e que foi parar no Semiárido. abaixo, a palma
que alimenta e
louco. Aqui na região, galinha caipira é para ser cria- Se por lá faltava água para beber, Francisco resolveu mata a sede do
da ali no quintal, coisa pequena. Apanhei no come- “plantar” água para o bicho comer. Assim vieram os rebanho

ço. Mas o negócio deslanchou. Estamos com 70 mil 40 hectares de palma – velha conhecida do sertanejo.
galinhas caipiras hoje e eu ainda não atendo a toda a Com 90% de água e uma fibra de qualidade, ela hidrata
demanda que existe por esse tipo de ovo. Em breve, e dá a energia que os animais precisam. Junto com a
as 30 mil que ainda estão na gaiola vão virar caipiras pornunça – um híbrido de mandioca e maniçoba –, a
também”, comemora. alimentação do rebanho virou banquete. “Apesar de
ser uma planta ainda pouco estudada, já se sabe que
Corte e leite a pornunça tem 20% de proteína só na parte aérea.
Mas ele ainda não estava satisfeito. Queria melho- É perene – não precisa ficar replantando – e, por ser
rar também a produção das 200 cabeças de um ga- uma planta da nossa Caatinga, também resiste mui-
do anelorado que ele mantinha na fazenda. Conver- to bem à seca”, diz o professor Ricardo Pessoa, que é
sando com um especialista, recebeu uma sugestão zootecnista da Universidade Federal de Pernambuco
que parecia estranha: trocar boi por búfalo. Pronto. e parceiro da fazenda.
Agora, sim, a fama de maluco ia se espalhar de vez. E Aliás, Francisco credita parte do sucesso da Ta-
daí? Deixe que se espalhe. Francisco estudou bem o puio às boas parcerias que faz. O trabalho de melho-
bicho e fez um teste: “Em 2000, trouxe um primeiro ramento genético da fazenda, por exemplo, virou re-
lote com 20 búfalos. Criei igualzinho eu criava os bois. ferência no Brasil. A equipe do professor Humberto
Eles renderam 27% mais. Aí eu não tive mais dúvida. Tonhati, da Unesp de Jaboticabal, em São Paulo, há
Assista na TV
São animais muito rústicos, resistentes, que se adap- cinco anos trabalha para identificar e selecionar os a esta reportagem,
tam a diferentes condições”. animais mais produtivos: “Usamos os dados do re- domingo, 12/11, às
8h; na Globo News,
Com o tempo, o rebanho de corte virou rebanho de banho do Francisco e, em troca, fazemos a avaliação às 9h05
leite e várias adaptações foram feitas no campo. Te- genética dos animais e monitoramos os acasalamen-

  | GLOBO RURAL 65


MANEJO

EM PARCERIA COM UNIVERSIDADE, A FAZENDA


REDUZIU O INTERVALO ENTRE OS PARTOS
O sistema tos para conseguir uma geração de búfalas genetica- um laticínio que está dentro da própria fazenda. Os
de carrossel mente superior, que vai produzir mais leite, e um leite 2.200 litros de leite que chegam todo santo dia viram
de ordenha
automática das de melhor qualidade. Todo mundo ganha”. queijo mussarela em barra, bolinha, manta, burrata,
búfalas e, ao Numa outra parceria de sucesso, desta vez com a ricota, queijo coalho... Quase 3 toneladas de queijo de
lado, a produção
de queijo equipe do professor e veterinário Cláudio Coutinho búfala por semana. Uma produção certificada, que já
Bartolomeu, da Universidade Federal Rural de Per- começou a ser exportada, com marca própria e tudo.
nambuco, a Tapuio já conseguiu reduzir o intervalo Por trás de toda essa produção há um projeto que
entre os partos e acabar com a sazonalidade do cio foi pensado para ser o mais sustentável e integrado
das búfalas. “Com tratamento hormonal, temos par- possível. A água, que vem de dois poços, é trazida por
to o ano todo e, consequentemente, leite o ano to- uma bomba até as cinco cisternas da fazenda – que
do também. Essa parceria já gerou uma série de tra- recebem também a água da chuva captada nos 18.000
balhos, que foram publicados e apresentados até em metros quadrados de telhado que a Tapuio tem. Um
congressos internacionais”, explica. aerogerador – um tipo de ventilador gigante – pro-
Recentemente, mais um grande investimento duz e supre cerca de 60% da necessidade de energia
trouxe agilidade, economia e ainda mais qualidade da propriedade, que tem ainda um biodigestor, a fim
para o leite produzido na Tapuio. Francisco comprou de produzir gás metano com as fezes dos animais e
um sistema de carrossel para fazer a ordenha das bú- fornecer o biogás que alimenta a caldeira do laticínio.
falas, que é o único da marca no mundo instalado pa- Os resíduos que sobram da lavagem da sala de orde-
ra a produção de leite de búfala. nha são reutilizados para fazer a fertirrigação do pasto.
A plataforma rotatória tem 40 postos e é um robo- Impressionante, não? Percebeu como nesse su-
zão que calcula o tempo de ordenha de cada lote, pe- cesso todo tem teimosia, sim, mas muita eficiência
sa e registra a produção individual e fornece ração de também? “Apesar de as pessoas me chamarem de
acordo com o volume produzido de cada animal. Faz louco, sempre soube que com conhecimento, tec-
quase tudo sozinha, só lendo os dados de um brinco nologia e informação era possível. Trilhar caminhos
que todo bicho tem. José Carlos Coutinho, gerente de que ninguém trilhou, quebrar paradigmas, estar no
pecuária da propriedade, só vê vantagens: “Isso per- Semiárido, uma região difícil, com uma irregularida-
mite que a gente dê um tratamento bem individua- de tremenda, é desafiador, mas isso me moveu”, diz
lizado para cada búfala. Ganhamos tempo também. um emocionado Francisco. Sem dúvida, um guerrei-
Fazemos em 15 minutos o que fazíamos em 50, e com ro muito valente.
menos mão de obra”, diz.
Cada búfala de Francisco produz, em média, 7 li- *Camila Marconato é repórter do Programa Globo Ru-
tros de leite por dia. Tudo cai direto nos tanques de ral, da TV Globo

66 GLOBO RURAL |  


TENDÊNCIAS ROBERTO RODRIGUES

Farol ou holofote? ©

T odos os anos, a Escola Superior vo de conectividade, de TI e de IT


que está aí às nossas portas? Es-
de Agricultura Luiz de Queiroz, a pecialista ou generalista?
Esalq da USP, com a parceria de Há uma tendência em torno
uma atuante associação de ex- da especialização, o que faz sen-
ROBERTO
alunos, realiza, na semana que incorpora o tido para profissionais que se de- RODRIGUES
dicarão ao ensino e à pesquisa, é coordenador
Dia do Engenheiro Agrônomo, 12 de outubro, por exemplo. Mas e o empreen- do Centro de
uma série de eventos destinados a valorizar dedor, o empresário, o produtor
Agronegócio da
FGV, embaixador
os atores e fatos ligados às ciências agrárias rural e agroindustrial? Se for um especial da FAO para
as cooperativas e
em São Paulo e no Brasil, com ênfase para o grande produtor de 100.000 hec-
presidente do LIDE
tares para cima, ele poderá mon- Agronegócios
desenvolvimento sustentável de tar uma equipe de especialistas
nosso agronegócio. É a Semana nas várias áreas que terá de ge-
Luiz de Queiroz, que culmina com rir. Mas e um produtor de menos
uma emocionante solenidade que de 1.000 hectares, que deve gerir
homenageia os esalqueanos for- sozinho seu negócio? Que dirá
mados nos quinquênios múltiplos um pequeno? Ficou claro na fei-
do ano em curso. ra que o produtor rural do futuro
Mas, neste ano, a centenária imediato deverá trabalhar com
instituição de ensino, colocada sistemas produtivos integrados,
entre as cinco mais importan- evento mostrou o resultado das em que toda a tecnologia conhe-
tes do mundo em ciências agrá- startups. Trenzinhos circulavam cida deve ser usada de maneira
rias, inovou e criou uma feira de sem parar levando visitantes aos articulada para se obter o máxi-
tecnologia, chamada EsalqShow. estandes das mesmas. mo de resultados. Mas como será
A região de Piracicaba abriga Além disso, foram realizados possível conhecer e acessar esse
grande quantidade de startups li- dois encontros: o primeiro, no dia universo de novidades e usá-las
gadas ao setor agro, até mesmo 10 à tarde, reuniu lideranças da todas acertadamente? Sem dú-
por influência da Esalq, incuba- agropecuária para discutir os hori- vida, será preciso também for-
dora de muitas dessas iniciativas, zontes do setor rural. E o segundo, mar generalistas com noções
em que jovens empreendedores no dia 11 inteiro, com a presença de amplas de gestão. E ainda preci-
desenvolvem tecnologias agro- expositores categorizados do Bra- saremos de instrumentos ágeis
pecuárias, florestais e agroindus- sil e do exterior, foi o AgTech Val- de comunicação, para que a in-
triais, inclusive no delicado tema ley Summit, quando, em seis dife- formação chegue aos produtores
da gestão rural. Essas pequenas rentes painéis, foram discutidas as que não têm tempo de buscá-la.
empresas expuseram seus tra- soluções biológicas em agricultura, Há um novo mundo que tem
balhos na EsalqShow nos dias 10 desde a bioeconomia até a agricul- na sustentabilidade sua coluna
e 11 de outubro passado. tura de precisão. dorsal e que deve ser ensinado,
A feira, eminentemente téc- Em todos os eventos da feira, renovadamente. O farol ace-
nica, sem nenhum apelo comer- saltou aos olhos a imensidão de so em Piracicaba se tornou um
cial, foi chamada de “um farol novidades tecnológicas que es- verdadeiro holofote gigantesco,
para o futuro”, exatamente pe- tão chegando muito rapidamen- e não mais para o futuro, e sim
la quantidade de inovações ali te, o que levantou uma questão para o agora. Vai ser difícil dor-
apresentadas. Com o propósi- instigante: como deve ser for- mir em paz com toda essa cla-
© DIVULGAÇÃO

to de aproximar mais e melhor mado o profissional de ciências ridade enquanto não dominar-
a academia do setor privado, o agrárias para esse mundo no- mos o novo...

68 GLOBO RURAL |  


LEILÕES
&CRIAÇÃO
NEGÓCIOS +GESTÃO+ GENTE + GENÉTICA+ MERCADOS

Leveza e
elegância são
virtudes da
milenar raça
puro-sangue
árabe

Belo e resistente
© ROGÉRIO SANTOS/DIVULGAÇÃO

Pai das outras raças equinas, o puro-sangue árabe concorre em


dez provas de pista na exposição nacional, em Indaiatuba (SP)
Edição Sebastião Nascimento

  | GLOBO RURAL 69


LEILÕES
&CRIAÇÃO CAVALOS

I
ndaiatuba, no interior pau- daiatuba. Afora os visitantes do lo árabe lembram de um tem-
lista, recebe os melhores Oriente Médio, criadores chilenos po em que os melhores exem-
exemplares de cavalos ára- e uruguaios trazem seus campe- plares, muitos deles importados,
bes do Brasil. Até há pouco ões para concorrerem sob o forte eram negociados por até US$
tempo, a beleza e a elegância da calor do Brasil. 1 milhão em leilões estrelados.
raça mais antiga do mundo eram Os selecionadores nacionais Alguns criadores diziam que os
preponderantes nas exposições comemoram também o retorno preços eram exagerados. Como
por todo o país. Agora, além do do cavalo árabe às corridas, que na pecuária de corte, no entanto,
tradicional julgamento de con- aconteceu em 2013, no Jockey os exemplares de elite esparra-
formação (biotipo), os animais Club de São Paulo. Importan- maram genética pelos criatórios
competem em provas árduas de te lembrar que, décadas atrás, a e hoje bons cavalos de sangue
salto, de rédeas, de tambores, de raça concorria no turfe brasilei- árabe podem ser encontrados a
balizas e em outras modalida- ro. Hoje, os criadores mantêm 30 preços acessíveis – entre R$ 30
des, como o cross country. Pelo cavalos da raça no jóquei e, so- mil e R$ 40 mil.
menos 1.000 animais são espe- mente neste ano, houve 16 pro- Nas provas de enduro, por
rados para a 36a Nacional do Ca- vas, ou seja, mais de uma a cada exemplo, cujos competidores
valo Árabe, que será realizada de mês, com prêmios totais de R$ são oriundos da classe média,
15 a 19 deste mês naquela cidade. 240 mil. os árabes são os mais utiliza-
Como as exportações tam- Dois páreos no dia 20 deste dos, segundo Almir Ribeiro, dire-
bém têm aumentado nos últimos mês fecham a programação da tor de provas da Associação Bra-
anos – graças, justamente, a seu Nacional. No primeiro, são ma- sileira dos Criadores do Cavalo
desempenho em provas –, o ára- chos no Grande Prêmio Cava- Árabe, que promove a Nacional
be atrai para a 36a Nacional im- lo Árabe. Depois, somente fême- de Indaiatuba. “O maior efetivo
portadores de países distantes as no GP Arabian 2017. Ambas as nos enduros é de sangue árabe.
No enduro rural, como Emirados Árabes, Kuwait corridas serão realizadas no Jo- Acredito que mais de 500 cava-
cuja distância
é longa, a raça e Arábia Saudita. A presença ckey Club de São Paulo. los árabes participem atualmen-
mostra resistência de sheiks árabes é certa em In- Vários criadores de cava- te das diversas etapas do endu-

70 GLOBO RURAL |  


DOIS PÁREOS NO JOCKEY CLUB DE SÃO PAULO, AMBOS NO
DIA 20 DESTE MÊS, FECHAM A NACIONAL DE INDAIATUBA
ro”, diz. “É que, no decorrer dos Dentre as diversas caracte- expectativas dos pecuaristas Premiação de
processos de melhoramento ge- rísticas e habilidades do árabe, da Região Centro-Oeste. É o corrida e prova de
pista com o cavalo
nético realizados ao longo de dé- uma é fundamental para o en- que garante também a opção árabe
cadas, o cavalo árabe tornou-se duro e traduz sua supremacia pelo árabe para o enduro ru-
uma raça de múltiplas habilida- nas provas: a resistência. Ori- ral, diz Almir. É que a raça foi
des, com capacidade de partici- ginário dos desertos do Oriente forjada no deserto e serviu de
pação em alto nível em provas Médio, o árabe suporta tempe- montaria em guerras. No Bra-
tanto de conformação quanto raturas altas durante o dia e bai- sil, ela foi introduzida entre as
funcionais”, explica. xas à noite, resultando num de- décadas de 1930 e 1950 e as
As competições de enduro sempenho superior a outras ra- primeiras importações vieram
unem o homem, o cavalo e a na- ças em competições de longa do vizinho Uruguai.
tureza em percursos que desa- distância, segundo Almir. E todo esse movimento
fiam a resistência dos animais do mercado – o cavalo de eli-
ao máximo. Trata-se de uma Lida com o gado te continua também bastan-
prova de longa distância, atin- O emprego do cavalo árabe te procurado – é refletido na
gindo 160 quilômetros em sua nas fazendas para o trabalho di- Nacional. Para a prova de três
versão mais extensa. Cada vez ário com a boiada também am- tambores, por exemplo, no sá-
mais comuns no Estado de São pliou o mercado para a raça, ob- bado, dia 18, 40 animais vão à
Paulo, essas provas são difíceis, serva Almir Ribeiro. Ele acredi- disputa por R$ 60 mil em prê-
duram horas, mas são supera- ta que pelo menos 5 mil animais mios. Há as provas de salto, ba-
das com valentia. Os vencedores estão na lida em Estados nos liza e outras que reunirão 400
não são os que chegam na fren- quais o rebanho bovino tem cavalos no total e serão realiza-
te, mas sim os que mantêm a re- crescido bastante e se consoli- das do dia 17 ao dia 19. Para as
gularidade durante o percurso e dado como os maiores do Brasil, provas de conformação, estão
até o batimento cardíaco do ca- como em Mato Grosso. inscritos 250 animais e os juí-
valo é controlado. Cerca de 85% Para o dirigente, que man- ses são americanos.
dos animais têm sangue árabe, tém seu plantel na cidade de
© DIVULGAÇÃO

Informações:
o que evidencia a forte presença Tatuí (SP), a resistência da ra- ABCCA, tel. (11) 3674-1744 ou abcca@
da raça na modalidade. ça árabe tem correspondido às abcca.com.br

  | GLOBO RURAL 71


LEILÕES
&CRIAÇÃO NEGÓCIOS
BOI

InterCorte SP fecha circuito da pecuária 2017


A
InterCorte São Paulo, que Segundo Carla Tuccilio, exe- as gôndolas de oferta para o pú-
será realizada de 15 a 17 cutiva que organiza a InterCor- blico consumidor. Serão três dias
deste mês, no WTC Gol- te, uma das inovações na progra- intensos, e a programação envol-
den Hall, fecha o circuito itinerante mação em São Paulo é o chamado ve os diversos elos da cadeia. E no
que discute a cadeia produtiva da Caminhos da Genética. Os visi- período de 11 a 19 restaurantes da
carne e cujas etapas já foram rea- tantes farão um percurso com- cidade de São Paulo oferecerão ao
lizadas em outras cidades que são posto de estações e nelas serão consumidor pratos especiais com
Palestras e
debates são polos importantes da pecuária no explicadas as metodologias de corte de angus (leia abaixo).
destaques na país, como Cuiabá (MT), Ji-Paraná melhoramento genético de ani- A edição da InterCorte em São
programação (RO) e Campo Grande (MS). mais, cujo processo de expansão Paulo terá ainda uma feira de ne-
corre acelerado. Será mostrada gócios com a participação de em-
também a importância da inte- presas que lançarão no evento su-
gração entre a genética e a sus- as inovações tecnológicas para
tentabilidade, afirma Carla. tornar a atividade cada vez mais
Outra atração da InterCorte produtiva e rentável. São empre-
é o projeto Caminhos do Boi, que sas de nutrição, de genética, má-
mostra aos visitantes o proces- quinas e equipamentos, além de
so integral da produção de car- associações de gado.
ne, desde a fase pré-porteira até Informações: intercorte.com.br

ANGUS

Cortes especiais no prato


D e 11 a 19 deste mês, vários
restaurantes da cidade de São
Paulo servirão pratos especiais
à InterCorte. “Será uma semana
em que a carne bovina estará em
evidência na cidade de São Pau-
A estratégia vai ainda ao en-
contro dos projetos de expansão
da raça. “A Associação Brasilei-
preparados com cortes de angus. lo, seja com a cadeia produtiva ra de Angus viu a Beef Week como
Será a Angus Beef Week, cujo ob- se reunindo para discutir como uma oportunidade de se comuni-
jetivo é levar informações e au- aprimorar a qualidade do produ- car com o consumidor de São Pau-
mentar a percepção dos consumi- to, seja com o consumidor sendo lo e apresentar a carne gourmet de
dores urbanos em relação à quali- convidado a conhecer mais so- excelência - a do angus é uma das
dade e origem da carne bovina. bre esse setor e saborear diferen- mais saborosas - e ainda mostrar
A iniciativa é da Associação tes cortes da raça angus e formas que a atividade é sustentável” , diz
© DIVULGAÇÃO

Brasileira de Criadores de Ga- de preparo”, informa a diretora do o gerente do Programa Carne An-
do Angus e ocorrerá em paralelo evento Carla Tuccilio. gus Certificada, Fábio Medeiros.

15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15
NOVEMBRO QUA QUI SEX SÁB DOM SEG TER QUA QUI SEX SÁB DOM SEG TER QUA QUI DEZEMBRO SEX SÁB DOM SEG TER QUA QUI SEX SÁB DOM SEG TER QUA QUI SEX

18
Touros Nelore Santa
19
Shopping Elite Sabiá
20
Shopping Coberturas
Cruz Capitólio (MG) Crioulos
Iaciara (GO) Programa, tel. (43) Trajano Silva, tel.
Programa, tel. (43) 3373-7077 (51) 3018-2828
3373-7077

72 GLOBO RURAL | NOVEMBRO 


LEILÕES
&CRIAÇÃO NEGÓCIOS
PECUÁRIA COLUNA DO PH
Modernização leva a parcerias
68 municípios. São 28 mil asso-
ciados. “Seremos os únicos for-
necedores de sêmen bovino de
corte e de leite para a cooperati-
va”, afirma Luís Adriano Teixeira,
gerente da CRV Lagoa. Ele adian-
Somos
ta que a previsão é comercializar sustentáveis

T
pelo menos 260 mil doses a ca- em-se falado tanto
da ano. Segundo Luís Adriano, a da utilização do so-
Coamo trabalha com grãos. “São lo e do agronegócio.

O
Paul crescimento acelera- agricultores, porém, uma boa Uma discussão que fecha
Vriesekoop, do da pecuária brasileira parcela deles tem em conjunto a os olhos aos números, ma-
presidente da
CRV Lagoa está levando as grandes atividade pecuária”, diz. pas, satélites e tem foco na
empresas a buscar novas parce- Com a Casa Branca, a parce- predefinição do que é ver-
rias. A mais recente é a da CRV ria testará tourinhos angus nas- dadeiro ou falso. O fato é que
Lagoa, empresa de inseminação cidos de embriões importados em quase 50 anos saímos
artificial de Sertãozinho (SP), dos Estados Unidos, da Argenti- da monocultura do café para
com a gigante Coamo Agroin- na e do Canadá, num centro de sermos os maiores exporta-
dustrial Cooperativa, de Cam- performance semelhante ao que dores mundiais de soja, fran-
po Mourão (PR), e a Casa Bran- a CRV tem em Sertãozinho. go, açúcar, suco de laranja e
ca Agropastoril, de Silvianópo- A CRV Lagoa destacou outras tantos outros produtos. Re-
lis (MG), pertencente a Paulo de novidades com as quais come- duzimos o uso de fertilizan-
Castro Marques. A CRV Lagoa ça a trabalhar, como o programa tes químicos com técnica
comunicou também novidades genômico intitulado HerdOpti- pioneira no mundo, o plan-
no campo da genômica. Aqui, em mizer. Segundo Paul Vriesekoop, tio direto. Ocupamos ape-
parceria com a Neogen, que atua presidente do grupo, o novo pro- nas 10% do território nacio-
na área de eficiência reprodutiva grama vai contemplar também nal com área cultivada e com
de bovinos. avaliações de rebanhos comer- gado outros 20% e, mesmo
Para se ter ideia, a Coamo pos- ciais. “É uma novidade”, ressalta assim, temos essa posição
sui 118 unidades espalhadas por o executivo. privilegiada de quantidade e
qualidade de produção por
conta da tecnologia. Os nú-
meros são oficiais, não dos
EXPOINEL ruralistas. Nossa área pre-

Melhores entre os melhores servada é mais que o dobro


da mundial: dois terços das

A Associação dos Criadores de ária, grande campeã e Thamara terras do Brasil. Não ame-
Nelore do Brasil premiou, no FIV, da CRL, reservada. No nelo- açamos, construímos um
mês passado, os grandes campe- re mocho, Udelson Nunes Franco mundo melhor, mais rico,
ões da 46a Expoinel, em Uberaba fez a dobradinha entre os gran- mais sustentável e garanti-
(MG). Os grandes campeões são: des campeões com o touro Ga- mos a segurança alimentar.
nelore aspado, Rima Magistra- maham Angico e a matriz Quiev Mais que reconhecimento,
do, da CRL Agropecuária, grande da Louz. A reservada grande buscamos respeito.
campeão; reservado, Fort Dodge campeã foi Formiga Neta da Car PAULO HORTO
HVP, da Vila dos Pinheiros; fême- e o reservado foi Setubal da Car, é presidente da Programa
Leilões, de Londrina (PR)
as, Nali IDM, da Rima Agropecu- ambos de Dalila Cleopath C. B. M.

74 GLOBO RURAL | NOVEMBRO 


LEILÕES
&CRIAÇÃO VARANDA
Projeto amazônico
Carne Vando Telles de Oliveira,
diretor da Pecsa
de Zebu (Pecuária Sustentável
da Amazônia), conduz
A Fazenda 3R, do Rubinho um projeto na floresta
Catenacci, em Figueirão, norte que une toda a cadeia
de Mato Grosso, foi palco do da carne: produção,
©2

lançamento do projeto Carne de indústria, varejo e até o setor


Zebu, da ABCZ de Uberaba, que irá financeiro. A parceria deu certo e
estudar os índices zootécnicos do explora a pecuária nas fazendas
gado, pesá-lo à desmama, mais amazônicas sem agredir o ambiente
tarde abater os animais e avaliar e com foco também no mercado.
a carcaça. A proposta da ABCZ é
levar para a pecuária comercial a
eficiência genética e a qualidade Contratação
dos touros POs (puros de origem). O zootecnista Wecksley Souza é
o novo coordenador comercial da
Agropecuária Jacarezinho, líder
na produção de touros nelore no
Brasil. Wecksley, de 30 anos, quer
Aftosa Genoma ampliar o relacionamento com o
A Semex do Brasil lançou, no mês mercado nacional e também os do
Escolhido pelo
passado, o catálogo virtual de Paraguai e da Bolívia.
ministro da
Agricultura, Blairo reprodutores angus, com informações
atualizadas sobre o novo sistema de
©3
Maggi, Sebastião Costa
Guedes é o novo presidente Diferença Esperada na Progênie (DEP)
da Câmara Setorial da Carne Bovina. do programa de avaliação de touros da
Entre as prioridades de Guedes estão Associação Americana
a soma de esforços para a retirada da de Angus. Segundo
vacina conta a febre aftosa, trabalho seu gerente, Antonio
que deve ser concluído em 2023. Ele é Carlos Sciamarelli
também vice-presidente do Conselho Júnior, o uso de dados
©6
Nacional da Pecuária de Corte. genômicos triplicou. ©4

CURTAS
NO SUL - Vendendo gado
hereford e braford, o Remate São
A retomada Jorge e Rio Negro, em Bagé (RS),
© 1, 2, 3 ROGERIO ALBUQUERQUE/ED. GLOBO; 4, 5, 6 DIVULGAÇÃO

faturou R$ 718.500. Os touros


Ricardo Merola, de 67 anos, é pecuarista desde
hereford obtiveram média de R$
1976. Ele é ex-presidente da Associação Nacional 11.500, enquanto os braford saíram
da Pecuária Intensiva (Assocon). Sobre a pecuária, por R$ 10.400.
Ricardo acredita que a pior fase já passou. “O
mercado está começando a se normalizar e o TOUROS - O leilão Sant’Anna, no
mês passado, em Rancharia (SP),
consumo interno aumenta pouco a pouco, assim
vendeu 8 touros brahman à média
como as exportações. Apesar de um ano atípico de R$ 20.070, 124 touros nelore pela
para o setor, as expectativas são positivas, e espero média de R$ 10.610 e 5 touros gir
©5
retomada forte do consumo de carne no Brasil.” leiteiro à média de R$ 5.664.

76 GLOBO RURAL |  


w w w. f e s t i va l o r i g e m . e c o

AULAS E PALESTRAS HORTA ORGÂNICA EM CASA, BIODIVERSIDADE NA


COZINHA E OUTROS TEMAS LIGADOS AOS IMPACTOS
DOS ALIMENTOS SOBRE A SAÚDE E O PLANETA.

RESTAURANTES E FOOD TRUCKS OPÇÕES GASTRONÔMICAS PARA QUEM SE


PREOCUPA COM A ORIGEM DO QUE VAI À MESA.

FEIRA DE PRODUTORES UMA OPORTUNIDADE DE COMPRAR


ITENS SUSTENTÁVEIS, DIRETO COM QUEM FAZ.

memorial 01, 02 E 03 DEZEMBRO DE 2017


da américa Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664
latina Barra Funda, São Paulo – SP

patrocínio Realização
LEILÕES
&CRIAÇÃO MERCADO
BOI GORDO

Último bimestre do ano preocupa Alta nos custos


de produção
A
pós as altas de preços re- meses do ano, de 2007 a 2016.
gistradas em agosto e
setembro e a perda de
sustentação em outubro, a preo-
Nesse período, em média, de
outubro a novembro, a cotação
do boi subiu 3,5% (mínimo: que-
E m outubro, a alta do custo
de produção da pecuária de
corte que adota alta tecnologia
cupação é com o último bimestre. da de 3,5%, em 2009; máxima: al- foi de 0,8%. Para a pecuária lei-
Veja na figura 1 uma retros- ta de 13,1%, em 2007). teira, o aumento foi de 2,3%.
pectiva do comportamento da De 2007 a 2016, de novembro a O reajuste dos alimentos
cotação da arroba do boi gor- dezembro, em média, as cotações energéticos, dos suplementos
do em São Paulo nos dois últimos do boi caíram 1,5% em São Paulo minerais e dos produtos para
(mínimo: queda de 7%, em 2010; sanidade fez o custo subir.
máxima: alta de 4,4%, em 2013). Por serem consumidos em
Preço do boi gordo em Araçatuba (SP)
Como ressalva, além das maior escala nos sistemas tec-
(em R$/@, a prazo) maiores altas terem sido vistas nificados, a alta do custo para
153,7 nas fases de alta do ciclo (que não esse perfil produtivo foi maior.
152
151,3 151,3
149,1 é a realidade de 2017), a amplitu- Desde o mês de agos-
146,1 145,2 143,3 de das variações diminuiu bas- to, com o aumento do preço
138,6 138,6 tante nos dois últimos anos. desses componentes, a al-
135,1 Assim, a não ser que haja uma ta acumulada para a pecuá-
131,5 forte recuperação do consumo ria de corte de alta tecnolo-
127,2 neste fim de ano, deve-se espe- gia e para a leiteira foi de 2% e
OUT NOV DEZ JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT*
rar apenas variações moderadas 3,2%, respectivamente.
*Até o dia 17/10 Fonte: Scot Consultoria nesta reta final de 2017.

LEITE

Produção crescente pressiona o mercado

A
produção em alta e a di- No pagamento de setembro, nor nos próximos meses, poden-
ficuldade de escoamento referente ao leite entregue em do o mercado ganhar sustenta-
da produção pressionam agosto, a cotação caiu 3,6% em ção a partir de novembro.
o mercado. Foi o quarto mês de relação ao pagamento anterior. São esses os fatores de sus-
queda do preço ao produtor. A média nacional ficou em R$ tentação: recuperação nos preços
Desde junho, quando a cota- 1,087 por litro. dos lácteos no atacado e varejo,
ção começou a cair, a desvalori- A produção brasileira cresceu estoques enxutos nas indústrias,
zação soma 7,5%. 2,1% em agosto em comparação preços com tendência de esta-
a julho. Para setembro, os dados bilidade no mercado spot, redu-
Preço do leite pago ao produtor parciais apontam para aumento ção da margem para o produtor,
(em R$/litro) de 0,5% no volume captado. que repercute na produção, além
Para o pagamento de outu- da expectativa de retomada do
1,17 1,17 1,17
bro (produção de setembro), 70% crescimento da economia, o que
1,15 1,15
1,13 1,13 dos laticínios acreditam em que- seria positivo para o consumo em
1,12 da no preço ao produtor, 28% em médio e longo prazos.
1,11
1,10 1,10 manutenção e 2% em alta.
1,08 Gustavo Aguiar (boi
1,07 Ou seja, continua a pressão gordo) e Juliana Pila
de baixa em curto prazo, mas al- (leite e custos de produção da pecuária)
scotconsultoria.com.br
OUT NOV DEZ JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT* guns fatores nos mostram que o Tel. (17) 3343-5111
*Estimativa Média nacional ponderada Fonte: Scot Consultoria ritmo de queda deverá ser me-

78 GLOBO RURAL |  


PRODUTOS E
MERCADOS
ECONOMIA + NEGÓCIOS + ANÁLISES + TENDÊNCIAS

O agricultor Enio
Eidt em lavoura
de canola, em
Pantano Grande
(RS)

“Soja” de inverno
Mais rústica do que o trigo, a canola, também conhecida
como colza canadense, é uma opção de cultivo no Sul
Texto Geraldo Hasse | Fotos Marcelo Curia, de Pantano Grande (RS)

  | GLOBO RURAL 79


PRODUTOS E
MERCADOS CANOLA

A
florada da canola es- em Pantano Grande, no centro- “A gente põe o adubo jun-
palha grandes man- leste do Rio Grande do Sul, onde to com a semente e depois é só
chas amarelas pela mantém com o irmão, Elton Eidt, torcer para que o tempo cor-
paisagem castigada uma sociedade em terras com- ra favoravelmente até a colhei-
pelo frio de julho-agosto. Via- pradas há 30 anos com dinheiro ta”, diz Enio. Fora o vento ba-
jantes param na beira das es- ganho com o milho. tendo nas vagens secas, o único
tradas do Rio Grande do Sul pa- Nas colheitadeiras, por problema sanitário é o chama-
ra fotografar esse vegetal pouco exemplo, é preciso desativar o do “mofo branco”, causado pe-
conhecido na região, pontilha- ventilador que sopra para fo- lo fungo esclerotina, que apare-
da por trigais e por pastagens ra a palhada dos grãos maiores ce em situações de calor com-
de inverno. como arroz ou soja. Nos silos, o binado com chuva ou umidade
Passado o período da flora- grãozinho se infiltra nas frestas excessiva – como ocorreu neste
ção, as lavouras de canola co- e some, engolido pela terra ou inverno no Rio Grande do Sul.
meçam a secar e, em 30 a 40 por passarinhos. Situada numa elevação bem
dias, ficam prontas para a co- O valor de mercado equipa- ventilada no caminho entre
lheita – a operação mais deli- ra-se ao da soja. A canola ren- Pantano Grande e Encruzilha-
cada no ciclo de cerca de 120 a de óleo de cozinha, mas tem si- da do Sul, o canolal de Enio Ei-
130 dias desde a semeadura, em do usada principalmente co- dt quase não foi atingido pe-
abril. Pequeninas esferas mar- mo matéria-prima do biodiesel, lo mofo branco, de modo que ele
rons de 1 a 2 milímetros de di- produzido em poucas destila- mantém a expectativa de colher
âmetro, os grãozinhos brilhan- rias brasileiras. as 40 sacas por hectare pro-
tes da canola “desaparecem” no Tirando o tamanho da se- metidas pelo fornecedor da se-
solo se um vento forte – coisa mente, que precisa ser impor- mente canadense (o rendimen-
comum na primavera – chaco- tada da Argentina, Austrália ou to médio no Rio Grande do Sul
alha as delgadas vagens secas, Canadá, a R$ 75 por quilo – se- tem sido de 25 sacas por hecta-
que se abrem com facilidade. meiam-se apenas 3 quilos por re). Se esse resultado for alcan-
“A canola é complicada por- hectare –, trata-se de uma la- çado, os irmãos Eidt ganharão
que, sendo tão pequeno, o grão voura de manejo bem mais sim- o suficiente para custear com
Gustavo Dornelles dificulta a colheita”, diz o fazen- ples do que qualquer outra cul- recursos próprios seu princi-
Nicoli, agrônomo
da Cotribá, e a flor
deiro Enio Eidt, que cultivou es- tura tradicional de inverno, co- pal cultivo de verão – a soja, que
da canola te ano 90 hectares de canola, mo o trigo ou a cevada. substituiu o milho, afetado por

80 GLOBO RURAL |  


estiagens severas. “Nós fomos Produção brasileira de canola
campeões de produtividade Área (em mil hectares) Produção (em mil toneladas)
de milho durante vários anos”,
conta Enio. 71,9
A 30 quilômetros dali, numa 60,5 61,6
encosta úmida próxima à bai- 54,9
44,7 47,5 48,1
xada do Rio Jacuí, o agrônomo 45,5 44,4
36,3
Gustavo Dornelles Nicoli, da Co-
tribá, estima em 30% as per-
das causadas pelo mofo bran-
co na única plantação de ca-
nola que supervisiona em sua
área de atuação, no município 2013 2014 2015 2016 2017
Fonte: Conab
de Rio Pardo, a 130 quilômetros
de Porto Alegre. Ainda assim,
a lavoura de 40 hectares per- Com seu irmão Tulio, mais Sul. Por ser plantada em abril,
tencente a Renê Astolfo Gassen afeito à parte financeira, Geraldo um mês antes do trigo e dos ou-
Guimarães prometia bom re- Eidt cultiva cerca de 700 hectares tros cereais de inverno (centeio,
sultado, pois seu custo de pro- de soja e arroz no verão. Aban- cevada), a canola acaba sendo
dução ficou em apenas 17 sacas donou temporariamente as cul- colhida em setembro, deixan-
por hectare, tomando-se como turas de inverno por conta dos do a área livre para o plantio das
referência a cotação de R$ 60 percalços de mercado. Este ano, culturas de verão.
por saca, idêntica à da soja. parou com o trigo porque o bai- Formado em 2015, na Fede-
Bancário em São José do Ou- xo preço (R$ 30 a saca) está mais ral de Santa Maria, o agrônomo
ro ( RS), Renê tem apenas feria- perto do prejuízo do que do lucro, Gustavo Nicoli afirma que a ca-
dos e fins de semana para vi- visto que o rendimento oscila ao nola pode melhorar as condi-
sitar sua lavoura, cultivada em sabor dos eventos climáticos. ções fisiológicas dos solos. “Ao
terras arrendadas pela Fazenda penetrar mais fundo no sub-
Santa Apolônia, pertencente à Mercado solo, a raiz pivotante da cano-
sua sogra, Beatriz, que lhe em- “Se a qualidade do grão cai la ajuda na retenção da umidade
presta o maquinário e o olho vi- devido à geada ou à chuva fora na terra, favorecendo o sistema
gilante do capataz Miguel Cas- de hora, é aí que o preço cai mes- radicular de outras plantas cul-
siano Campos da Silveira, que mo”, diz Geraldo. Quanto à cano- tivadas no verão”, explica.
zela pelos 600 hectares da pro- la, largou-a pela falta de opção de Essa qualidade fisiológica
priedade, especializada na pe- comercialização após a colheita. tem outro lado: como as raízes
cuária de carne. Em 2016, ele colheu bem em 100 da canola demoram um pou-
A colheita foi acertada com o hectares, mas teve sua produ- co mais para apodrecer no so-
agricultor vizinho Geraldo Eidt, ção rejeitada por duas indústrias. lo, é preciso dar um intervalo
que possui todo o equipamento “Alegaram que não haviam for- de 15 a 20 dias antes de seme-
mecânico necessário e um ope- necido as sementes.” Quatro me- ar soja ou milho. “Se não for ob-
rador antenado com as peculia- ses depois, entregou sua canola servado esse prazo, as raízes da
riedades da canola. “Se eu não a uma terceira empresa compra- canola podem exercer um efei-
desligar o ventilador da máqui- dora de grãos, que lhe pagou um to alelopático negativo sobre as
na, o vento sopra fora os grãozi- preço de ocasião. Foi ruim. sementes da nova lavoura”, ex-
nhos da canola junto com a pa- Por essas e outras, a cano- plica Gustavo, que está acos-
lhada”, diz Robson Moraes de la quase não prospera fora de tumado com as manhas dos
Souza, de 27 anos, que pega jun- sua região original, uma faixa vegetais porque vem de uma
to com o patrão na gestão das la- que vai de Passo Fundo a Santa família de agricultores de San-
vouras em terras arrendadas. Rosa, no norte do Rio Grande do tiago, no oeste gaúcho.

  | GLOBO RURAL 81


PRODUTOS E
MERCADOS EMPRESAS E NEGÓCIOS
por Cassiano Ribeiro cassianor@edglobo.com.br

MELITTA NETAFIM-AGRONOW

Quarta unidade Venda


casada
D epois de adquirir a Ca-
fé Barão, em abril, o grupo
rais, e deve entrar em operação
no segundo semestre do ano A Agronow,
startup pau-
lista, e a Neta-
alemão Melitta acaba de anun- que vem. A fábrica produzirá
ciar a constru- os itens de café torrado fim, israelense
ção de sua quar- e moído. Segundo Mar- de irrigação, fir-
ta fábrica no celo Del Nero Barbieri, maram parce-
Brasil. Com in- presidente para a Amé- ria para oferecer
vestimento ini- rica do Sul, a aquisição suas soluções em conjun-
cial de R$ 8 mi- no começo do ano foi o to. Produtores que inves-
lhões, a unidade pontapé inicial para o tirem nos produtos de ir-
ficará em Vargi- plano de crescimento rigação terão também os
nha, Minas Ge- da companhia no país. serviços da Agronow, co-
mo a projeção de produ-
tividade da lavoura. “Ve-
mos a parceria como uma
SANTA MÔNICA oportunidade para demo-

Ao sabor do varejo cratizar nossa ferramenta,


tornando-a acessível pa-

A Santa Mônica, que atua do dois anos, a meta é que o varejo ra os clientes da Netafim”,
plantio à comercialização represente metade do fatura- afirma Walkiria Sassaki,
de cafés no Brasil, está com um mento total no ano. A estraté- diretora da Agronow.
plano audacioso para ganhar gia principal da marca é apos-
espaço no mercado varejista. tar no mercado de monodoses ABCS
Para este ano, a empresa espe-
ra que 20% de seu faturamen-
(sachês e cápsulas) com novos
sabores. A companhia foi uma Direção
to venha das vendas diretas ao das primeiras a apostar no ca- paulista
consumidor final e, dentro de fé gourmet.

R afael Otto, diretor e


professor da Esalq/
USP, acaba de assumir a
MOCOFFEE liderança do núcleo pau-
lista da Associação Bra-
Troca de ações sileira de Ciência do Solo
(ABCS). Eleito para o perí-

R icardo Flores aumentou


sua participação na so-
ciedade da Mocoffee, que atua
miu as cotas da Wine, e-com-
merce de vinho e cerveja, que
saiu totalmente do negócio
odo 2017-2019, Rafael te-
rá entre as prioridades au-
mentar o número de asso-
na produção e ven- de café. Administra- ciados no Estado, que vem
da de máquinas de dor de empresas, Ri- caindo nos últimos anos.
café em cápsula. O cardo, de 33 anos, lide- “São Paulo é muito in-
empresário, que era ra a Mocoffee ao lado fluente na área de ciência
acionista minoritá- do Grupo Tristão, que do solo, devido às inúme-
rio, tem agora 50% continua com sua par- ras universidades e ins-
© DIVULGAÇÃO

das ações da com- ticipação no quadro titutos de pesquisa aqui


panhia. Ele assu- societário da empresa. existentes”, diz.

82 GLOBO RURAL |  


PREMIX
INVESTIMENTOS
Nova gestão
US$ 1 bilhão
é quanto o Rabobank vai colocar à
disposição no mercado para estimu-
O zootecnista Mário Oli-
veira Rodrigues é o mais
novo contratado do Gru-
área, com passa-
gens por outras
empresas de nu-
lar a produção sustentável de alimen-
tos onde atua. A meta do banco é li- po Premix, de Ribeirão Pre- trição animal. No
berar o valor em três anos e viabilizar to (SP). Ele chega à empresa Estado do Cen-
projetos que estejam de acordo com para liderar o time de ven- tro-Oeste, ficará
os objetivos da Organização das Na- das em Mato Grosso. Forma- responsável pelo
ções Unidas (ONU).
do no Rio Grande do Sul, Má- atendimento aos pecuaris-
US$ 100 milhões rio acumula experiência na tas da região central.
serão investidos pela Bayer e pela
Ginkgo Bioworks na criação de uma
nova empresa, com foco no micro-
bioma de plantas. O objetivo das duas
companhias é desenvolver soluções SCANIA
para melhorar a capacidade das plan-
tas na fixação de nitrogênio. Diretoria renovada
R$ 110 milhões
foram desembolsados pela coopera-
tiva paranaense C. Vale na constru-
R icardo Vitorasso é o no-
vo diretor de vendas de
caminhões da Scania no Bra-
da marca. Com a
mudança, a Sca-
nia contratou Ro-
ção de um abatedouro de peixes, em
Palotina (PR). A planta foi inaugurada sil. Ele assumiu o cargo antes drigo Clemente
mês passado com a participação do ocupado por Victor Carvalho, para liderar a área
presidente Michel Temer e deve aba- que deixou a companhia. Ad- de consórcios. O
ter inicialmente 75 mil tilápias por dia.
ministrador, Ricardo traba- executivo era ge-
R$ 8 milhões lha na Scania há 17 anos. An- rente comercial
é a quantia investida pela Isla Semen- tes da atual posição, era di- de uma das concessionárias
tes na construção de um novo cen- retor de vendas de consórcio em Santa Catarina.
tro de armazenagem, em Porto Ale-
gre (RS). O pavilhão de 1.300 metros
quadrados amplia em 40% a capaci-
dade de estocagem da empresa, para
2.000 toneladas de sementes. ABAG
R$ 2,2 milhões
foram investidos pelo fundo SP Ven-
De olho na logística
tures na Bart Digital, uma fintech
(empresa de tecnologia para o setor
financeiro) do agronegócio que pro-
mete agilizar os trâmites burocráticos
O Comitê de Logística e
Competitividade da As-
sociação Brasileira do Agro-
do setor, propor projetos es-
pecíficos de melhorias nas
áreas de logística, armaze-
em operações de barter (troca de in- negócio (Abag) tem um novo nagem, telemática e capi-
sumos por produtos).
presidente: Claudio Graeff. tal humano, além
R$ 1 milhão Engenheiro químico por for- de apoiar políticas
serão investidos pela Monsanto, por mação, ele é sócio-diretor do públicas para ar-
meio da BR Startups, na Tbit, empre- Berkeley Research Group e mazenamento, lo-
sa de análise de imagem que atua no à frente do cargo terá a res- gística e infraes-
agronegócio brasileiro. O valor é para
ponsabilidade de coordenar trutura de trans-
acelerar o desenvolvimento da star-
tup. A multinacional americana ainda os trabalhos de diagnóstico porte e fomentar
compartilhará conhecimento e expe- da logística e infraestrutu- pesquisa e desen-
riência com a investida. ra do país para atendimento volvimento.

  | GLOBO RURAL 83


PRODUTOS E
MERCADOS MAPA DA SAFRA

Exportações do agronegócio crescem


9,8% e atingem US$ 73,9 bilhões
Os dados são relativos aos embarques realizados de janeiro a setembro deste ano,
o melhor desempenho das vendas externas do setor nos últimos quatro anos

RR

Algodão AP
Maior produtor nacional,
Mato Grosso nesta
safra deve ampliar o
plantio em 10%, podendo PA
AM
atingir cerca de 690.600 MA
hectares, a maior área
dos últimos cinco anos
PI

AC
TO
RO
Laranja MT BA
São Paulo produziu neste ano 320 milhões de
caixas de 40,8 quilos, graças aos investimentos
em manejo, que elevaram a produtividade dos DF
pomares em 3,4%. A área colhida recuou 2,2% GO

MG
ES
MS
SP
RJ

Pêssego PR
No início da colheita no Rio Grande
do Sul, os frutos apresentam médio SC
calibre e sabor abaixo do esperado,
por causa do baixo acúmulo de RS
horas de frio durante o inverno

24,7 milhões de toneladas


É O VOLUME RECORDE DE FERTILIZANTES ENTREGUE
PELA INDÚSTRIA DE JANEIRO A SETEMBRO DESTE ANO
© THINKSTOCK

84 GLOBO RURAL |  


Soja Calendário rural NOVEMBRO
A área cultivada no Maranhão
deve crescer entre 2% e 4% em REGIÃO
relação à safra passada, para até Colheita Plantio
854.600 hectares. O plantio no
Estado se estende até dezembro CENTRO-OESTE
Goiás
Mato Grosso
Mato Grosso do Sul
NORDESTE
Bahia
Ceará
Maranhão
Sergipe
NORTE
Pará
CE Melão Rondônia
RN O Cepea prevê que o plantio em Roraima
Pernambuco e Bahia deve ser
PB menor neste ano, por causa da Tocantins
PE restrição hídrica. O reservatório
AL de Sobradinho está próximo de SUDESTE
SE alcançar o volume morto Espírito Santo
Minas Gerais
T
São Paulo
SUL
Paraná
Alho
Minas Gerais consolida sua Rio Grande do Sul
posição como maior produtor, Santa Catarina
respondendo por 36,4%
da produção nacional. Nos *VARIEDADES DE LARANJA - P (precoces): hamilin, pineapple, rubi e westin; M (meia-estação): pera; T (tardias): valência e natal
últimos cinco anos, o volume 1ª, 2ª e 3ª se referem à 1ª safra, 2ª safra e 3ª safra respectivamente

colhido cresceu 27,6%, para CULTURAS


52.000 toneladas
algodão café feijão laranja* milho
amendoim cana fumo mamona soja
arroz cacau girassol melão trigo

Mundo
TURQUIA COREIA DO SUL
A falta de chuvas provocou queda na A previsão é de queda de 2,8%
produção de pistache, de 155.000 na safra de maçã, para 560.000
toneladas, na safra passada, para 80.000 toneladas, devido às perdas
toneladas, no ciclo atual provocadas pelo granizo na província
de Gyeongsang

ZÂMBIA TAILÂNDIA
A produção de açúcar deve Apesar das inundações, a produção
diminuir 6%, para 388.000 de arroz se mantém em 20,4 milhões
toneladas, por causa da estiagem, de toneladas. Os níveis de água nos
que provocou queda de produção e reservatórios estão 43% maiores que no
perda de qualidade da cana ano passado, o que favorece a irrigação

  | GLOBO RURAL 85


PRODUTOS E
MERCADOS TEMPO
por Joesandra Silva

Falta de chuvas atrasa


plantio da safra de verão
A
primavera 2017 segue contribuiu para a boa umidade da lavoura de verão, e
influenciada pelas do solo na instalação das cultu- até o momento os modelos
águas mais frias que ras de verão na região. meteorológicos não indicam
o normal no Oceano Pacífico. Mas o produtor deve ficar aler- compensação da chuva. As
Em 2016 também se observou ta, pois, com o cenário de possível precipitações devem cessar
o Pacífico frio, inclusive com a La Niña, há riscos de períodos de em março.
formação de um fenômeno La estiagens regionalizadas em no- No Matopiba, região que
Niña de fraca intensidade. vembro e dezembro, porém, para compreende parte dos Estados
Mas o que diferencia os cená- o verão, os modelos não indicam do Maranhão, Tocantins, Piauí
rios de 2016 e 2017 é que, este ano, períodos longos de seca. e Bahia, em geral, só deverá
além do resfriamento da parte Já no Sudeste e Centro-Oeste, chover quando aparecerem as
central, a parte leste do Pacífico a preocupação dos produtores é estiagens do Sul. Isso quer dizer
também está mais fria, e esse com o plantio, que segue atra- que a chuva começa a partir de
fator tem causado o atraso na re- sado. No entanto, a demora na novembro, mas a regularidade
gularização das chuvas nas regi- regularidade das chuvas não só será atingida em dezembro.
ões Sul, Sudeste e Centro-Oeste compromete a lavoura de soja, Mas, com o cenário de La
e consequentemente atrapalhado pois, segundo os especialistas, a Niña, os indicativos para o verão Brasil
o plantio da safra de verão. partir de novembro a chuva irá são de uma ligeira melhora em Água disponível
Na Região Sul, os modelos regularizar e durante o verão os relação ao ano anterior, pois a no solo (%)
meteorológicos indicam uma volumes serão suficientes para o chuva não deve ir e voltar como (em 13/10/2017)
redução das chuvas a partir de bom desenvolvimento da safra. de costume; a tendência é que
novembro, o que é benéfico para Fica o alerta para a lavoura seja contínua até o fim do pe- Níveis
a fase final do trigo. Já o excesso de segunda safra, que terá sua ríodo úmido, o que favorece o críticos
de chuva observado em outubro janela reduzida, devido ao atraso desempenho da safra de verão. 0%
10%
20%

Meteorologia mantém chances de La Niña Níveis


deCensfavoráveis

C omo previsto, os centros


internacionais de meteoro-
logia confirmaram para os pró-
La Niña entre o decorrer deste
segundo semestre de 2017 e os
primeiros meses de 2018.
quando foi observado um La
Niña de fraca intensidade”.
Em 2017, as consequências
30%
40%
50%
ximos meses que a temperatura Para Celso Oliveira, mete- desse resfriamento diferenciado
do Pacífico equatorial nas partes orologista da Somar Meteo- são vistas há alguns meses, com
Níveis
central e leste permanecerá rologia, independentemente o atraso na regularização das confortáveis
mais fria do que o normal. do rótulo, o que importa para chuvas no Sul, no Sudeste e no 60%
No relatório divulgado em 12 a tomada de decisão do pro- Centro-Oeste. 70%
de outubro, a NOAA (Agência dutor é que o Oceano Pacífico Para o trimestre outubro, 80%
Americana de Meteorologia equatorial está mais frio que o novembro e dezembro, a simu- 90%
e Oceanografia) manteve a normal desde agosto, “inclusi- lação americana indica chuva 100%
chance entre 55% e 65% de ve na sua porção mais oriental, inferior à média e calor exces-
desenvolvimento do fenômeno algo que não foi visto em 2016, sivo no Nordeste, no leste da Fonte: Somar

86 GLOBO RURAL |  


Cheia (4/11) Minguante (10/11) Nova (18/11) Crescente (26/11) Fonte: Simepar

Região Norte,
nos Estados de ARGENTINA
Tocantins, Pará e
Amapá, e no norte
das regiões Sudeste Clima deve ser mais seco
e Centro-Oeste, onde
estão os Estados do Es-
pírito Santo, Minas Gerais,
D epois de um setembro com ex-
cesso de chuva nas províncias
de Pampa Úmido, Córdoba, Santa
as frentes frias e consequentemente
as chuvas entre a Argentina e o sul
do Brasil.
Goiás e nordeste de Mato
Fé e no sul de Entre Ríos, outubro Para o verão com um possível
Grosso. Por outro lado, a
confirmou a expectativa do padrão fenômeno La Niña, a tendência é que
chuva permanecerá acima
típico de primavera, com a elevação seja semelhante à safra passada,
da média no sul do país e nos
gradual das temperaturas e a redu- porém, com um ligeira inclinação pa-
Estados de São Paulo e de Mato
ção das precipitações. ra ser um pouco mais seco. “E volta
Grosso do Sul.
Já para os meses de novembro e a se pronunciar o efeito decadal, que
A temperatura permanecerá
dezembro, os modelos meteoroló- favorece os episódios de chuva na
mais elevada que o normal na
gicos indicam uma menor incidên- Argentina entre janeiro e fevereiro e
costa do Rio Grande do Sul e de
cia de chuvas e risco de estiagens atenua os possíveis efeitos de secas
Santa Catarina, muito em fun-
regionalizadas, posto que neste e estiagens causadas pelo La Niña”,
ção da temperatura do Atlânti-
período as chuvas migram para as destaca Paulo Etchichury, climatolo-
co (mais elevada que o normal).
lavouras do sudeste, centro-oeste e gista da Somar Meteorologia.
No interior da Região Sul e de
nordeste do Brasil. Essas condições, combinadas
São Paulo, em Mato Grosso
Vale lembrar que, neste momen- com a capacidade de armazena-
do Sul e no sudoeste de Mato
to, vivencia-se uma condição de mento de água do solo argentino,
Grosso, o calor não será tão
fase fria do Pacífico, com indicativos contribuem para diminuir o risco
excessivo neste trimestre.
de configuração de um La Niña ainda para a safra de verão de milho e soja.
Vale destacar que, além dos
em 2017. Para a Argentina, o fenô-
fenômenos climáticos El Niño/
meno está associado a uma redução
La Niña, o comportamento das
das chuvas e, em tese, isso repre-
águas do Oceano Pacífico equa-
senta risco de estiagens prolonga-
torial também é influenciado
das e secas.
pela Oscilação Decadal do Pa-
Mas, contrariando essa projeção,
cífico (OPD), que são períodos
o efeito da Oscilação Decadal do Pa-
de cerca de 30 anos com predo-
cífico (OPD), na fase fria, potencializa
minância de fases mais frias ou
mais quentes.
Entre as décadas de 1975 e
2005, vivenciou-se uma fase Argentina
de águas aquecidas, mas, ago- Umidade do solo
ra, o que se evidencia é uma (OUTUBRO/2017)
fase fria, que no Brasil impacta
na redução da qualidade e da Saturado
quantidade de chuva observada Regular
nos últimos anos.
Seco

As informações são da Somar Fonte: Serviço Nacional de Meteorologia da Argentina


Meteorologia
assessoria@somarmeteorologia.com.br|
tempoagora.com.br

  | GLOBO RURAL 87


PRODUTOS E
MERCADOS AGENDA

Novembro/Dezembro 2017
Eventos que você não pode perder nestes meses

NOVEMBRO

24
Seminário de
Agricultura de
Precisão
Profissionais, estudantes,
empresas e prestadores
de serviços debatem as
principais tecnologias
Piracicaba (SP)
http://www.sap.pecege.com/
(19) 3375-4251

NOVEMBRO 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30
QUA QUI SEX SÁB DOM SEG TER QUA QUI SEX SAB DOM SEG TER QUA QUI

15 a 18 22 28 a 30
Feira Nacional do Curso Básico de III Encontro
Camarão Manejo de Pastagens Internacional de
Natal (RN) São Carlos (SP) Revitalização de Rios
http://fenacam.com.br/index https://www.embrapa.br/pecuaria- Belo Horizonte (MG)
(84) 3231-6291/9786 sudeste http://cbhvelhas.org.br/
(16) 3411-5625 (31) 3207-8525

16 e 17 25 29
Simpósio Latino- I Simpósio Desafios Simpósio Inovação em
Americano sobre da Tomaticultura Lácteos: Oportunidades
Bioestimulantes na Piracicaba (SP) e Desafios 2017
http://cursosfundag.com.br/
Agricultura (19) 3739-8035
Campinas (SP)
Florianópolis (SC) http://eventos2.fundepag.br/
http://www.bioestimulantes.ufsc.br/ (19) 3743-1758
(48) 3721-5423/4814

88 GLOBO RURAL | NOVEMBRO 


1o e 2
Simpósio de Integração
Lavoura-Pecuária-Floresta
do Estado de São Paulo
São Carlos ( SP)
http://fealq.org.br/
(19) 3417-6600 DEZEMBRO

6a9
3a7 Simpósio de Ciência Animal e
IV Simpósio Brasileiro de
Biologia da Conservação Fórum de Veterinária e Zootecnia
Belo Horizonte (MG)
http://www.biologiadaconservacao.com.br/
Os eventos possibilitarão a interação e a troca de
(31) 3409-3861 conhecimento entre alunos, produtores e profissionais
Urutaí (GO)
https://www.even3.com.br/scaifgoiano
(62) 99983-0551

DEZEMBRO 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15
SEX SÁB DOM SEG TER QUA QUI SEX SÁB DOM SEG TER QUA QUI SEX

NOVEMBRO
4a8
Curso Sobre Tecnologia 7e8
de Produção de Semente Simpósio sobre
de Soja de Alta Qualidade Bovinocultura de
Londrina (PR) Corte: Nutrição e
http://www.tecsementes.agr.br/
(43) 3025-5223 Manejo de Bovinos em
21 a 23 Confinamento
Piracicaba (SP)
Seminário Nacional http://www4.esalq.usp.br/eventos/
(19) 3417-6604
Milho Safrinha 4a8
Encontro reúne produtores, Congresso Internacional
empresários e cientistas ligados à das Ciências Agrárias
cadeia produtiva do cereal Natal (RN)
http://cointer-pdvagro.com.br/
Cuiabá (MT) (84) 4005-9923
© THINKSTOCK

http://snms2017.fundacaomt.com.br/
(66) 3439-4100

NOVEMBRO  | GLOBO RURAL 89


PRODUTOS E
MERCADOS ANÁLISE
Scot Consultoria www.scotconsultoria.com.br

MILHO

Mercado deve se manter firme até 2018

A
cotação do milho está em ainda assim a cotação está 29% redução de 6,1% a 10,1% em rela-
alta no mercado brasilei- menor frente a outubro de 2016. ção à safra passada.
ro, em função do aumen- Para este último bimestre e Entretanto, os estoques maio-
to da exportação e da redução na começo de 2018, a expectativa res no mercado interno deve-
área semeada com milho de ve- é de preços firmes e em alta. Em rão limitar as altas de preços ou
rão em 2017/2018. O atraso na outubro, até a segunda sema- até mesmo impor, pontualmente,
chuva e a incerteza acerca do cli- na, o desempenho da exportação uma pressão de baixa. Depende-
ma colaboram com esse cenário. foi, em média, de 239.330 tonela- rá também do clima e do desen-
Segundo levantamento da das por dia, 334,4% maior que a volvimento da primeira safra.
Scot Consultoria, na região de média diária em outubro do ano Outro ponto importante é
Campinas (SP), a saca de 60 qui- passado (MDIC). a concorrência com o milho
los ficou cotada, em média, em No relatório de outubro, a Co- americano nos próximos me-
R$ 29,45 na primeira quinzena do nab estimou a área com mi- ses. O aumento da oferta, com
mês de outubro. lho de verão entre 4,93 milhões o avanço da colheita nos Esta-
O aumento foi de 8% em re- e 5,15 milhões de hectares em dos Unidos e preços competiti-
lação à média de setembro, mas 2017/2018, o que representa uma vos, poderá prejudicar os em-
barques brasileiros.
Preço médio em Campinas (SP) Segundo o USDA, até o dia 15
(em R$/saca de 60 kg) de outubro, 28% da área nos Es-
tados Unidos havia sido colhida.
38,05 2016 O ritmo está atrasado em relação
37,40
36 35,70
2017 ao mesmo período de 2016 (44%)
e à média das últimas cinco tem-
33,20
poradas (47%).
29,45
A produção americana es-
27,81 27,37 tá estimada em 360,3 milhões de
27,27
26,01 toneladas, 6,4% – ou 24,48 mi-
25,48 25,54
lhões de toneladas – menor que o
NOV DEZ JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT*
colhido na temporada anterior.
Fonte: Scot Consultoria (*até o dia 18/10)

SUÍNOS FRANGO ETANOL


Mercado em alta Recuperação de preço Demanda firme
79,50

Até meados de outubro, a co- Depois de seis meses de A paridade favorável do


1,51
2,60
78,74

tação da arroba subiu 2,5% estabilidade da cotação etanol frente à gasolina e o


1,42
2,50
2,50

1,40

em relação a setembro. A do frango na granja, o feriadão de 12 de outubro


77,55

oferta ajustada contribuiu mercado reagiu. A reação impulsionaram o consumo


para esse cenário. A expor- do preço da carcaça no mercado paulista na
tação também ajudou. Na de 5,3%, em 30 dias, primeira quinzena de
OUT*
OUT*

OUT*
AGO
AGO

AGO

parcial do mês, a média di- certamente foi o fator que outubro. Com a demanda
SET
SET

SET

ária embarcada aumentou permitiu esse cenário. A firme, o preço reagiu.


5,8% em relação a outubro Preços médios cotação de R$ 3,73 por Preços médios da De agosto até meados Preço médio mensal do
do suíno carcaça de frango etanol hidratado em
de 2016. A cotação do suí- terminado, em quilo é a maior do ano. em São Paulo - de outubro, a cotação São Paulo, na usina -
no subiu, mas a alta do preço São Paulo - Apesar da valorização, R$/kg subiu 7,8% no Estado. A R$/litro, com impostos
R$/kg *Até 16/10 e sem frete
do milho neste mesmo perí- *Até 16/10 em 12 meses a cotação expectativa do mercado *Até 13/10
odo reduziu o poder de com- da carne de frango caiu 18,4% no atacado, é de firmeza no último
pra do criador. Na parcial de outubro, com enquanto a bovina caiu 1,9% e a suína subiu bimestre do ano, devido
a venda de 1 quilo de suíno, foi possível 1,7%, garantindo a competitividade do à demanda sazonalmente aquecida
adquirir 8,5 quilos do grão, queda de 2,2% produto e impulsionando as vendas. Esse nesse período, em função dos feriados
em comparação a setembro. foi o elemento de sustentação do mercado. de final de ano.

90 GLOBO RURAL | 


SOJA

Início do plantio no Brasil

A
pesar das chuvas irregu- 106,01 milhões e 108,26 milhões 120,59 milhões de toneladas, um
lares em setembro e ou- de toneladas, frente ao recorde de recorde de produção (USDA).
tubro, a semeadura da sa- 114,07 milhões de toneladas colhi- No mercado brasileiro, as cota-
fra 2017/2018 de soja começou. das em 2016/2017. ções se mostraram mais firmes,
A Conab estima um aumen- Com relação à cotação, a de- em função do clima adverso e do
to entre 1,6% e 3,8% na área em manda mundial firme, o atraso atraso no plantio, especialmente
relação à temporada passada, das chuvas e as incertezas climá- na Região Centro-Oeste.
podendo a semeadura atingir ticas no Brasil se contrapõem à Na Região Sul, com a chuva em
entre 34,47 milhões e 35,21 mi- maior disponibilidade do grão nos maior volume e mais bem distri-
lhões de hectares. Estados Unidos, com o avanço da buída, os trabalhos no campo têm
Entretanto, a produção poderá colheita americana. avançado dentro da normalidade.
cair, devido à expectativa de uma Segundo o USDA, até o dia 15 Em Paranaguá (PR), segundo
produtividade menor no ciclo atu- de outubro, 49% da área semea- levantamento da Scot Consulto-
al, por conta das condições climá- da nos Estados Unidos havia si- ria, a saca de 60 quilos ficou cota-
ticas adversas, comparativamen- do colhida. A produção americana da, em média, em R$ 71, para en-
te com a safra anterior. foi revisada para cima no relató- trega imediata. Houve alta de 1,6%
A colheita deverá oscilar entre rio de outubro e está estimada em na comparação mês a mês.

Preço médio em Paranaguá (PR)


(em R$/saca de 60 kg)
2016
79,24 2017
78,55 Juliana Pila, zootecnista (frango, suíno, leite
76,76 e custo de produção da pecuária); Gustavo
Aguiar, zootecnista (boi gordo); Rafael Lima,
73,67 zootecnista (milho e soja); Estefânia Polli,
72,52 engenheira agrônoma (etanol e arroz); e
70,37 71 Felippe Reis, zootecnista (algodão e café)
69,32 69,17 69,78 69,90
Coordenação: Alcides Torres, engenheiro
66,47 agrônomo; Marina Zaia, médica-veterinária
scotconsultoria.com.br
Tel. (17) 3343-5111
NOV DEZ JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT*
Fonte: Scot Consultoria (*até o dia 18/10)

ALGODÃO ARROZ CAFÉ


Área maior Cai a cotação Queda na exportação
39,65

458,77

Os preços da pluma caíram O cenário é de poucos ne- Em setembro, o volume


80,70
80,48

2,5% na primeira quinzena gócios e pressão de baixa. embarcado caiu 21% frente a
37,35

de outubro em comparação Em outubro, a cotação ce- agosto. Em 2017, apenas em


451,68
449,96
36,26

à média de setembro. Além deu 2,9% no Rio Grande do maio a exportação foi maior
78,69

da boa disponibilidade, com a Sul em relação a setembro. (5,9%) na comparação ano a


colheita da safra 2016/2017 As indústrias têm da- ano. No mercado interno, a
concluída em Mato Grosso no do preferência ao arroz demanda, que continua pa-
OUT*

OUT*

OUT*
AGO

AGO

final de setembro, a expec- próprio, pois há desacor- tinando, e a queda da cota-


AGO
SET

SET

SET

tativa de aumento da área e do com a ponta vendedo- ção têm deixado os produ-
da produção em 2017/2018 Média mensal** ra no tocante à cotação Médias mensais tores retraídos, o que resulta Indicador Cepea/Esalq
do algodão em do indicador diário mercado físico de café
contribuiu com esse cenário. pluma Cepea ofertada. A expectativa é arroz em casca em volume reduzido de ne- arábica – em R$ por saca
A Conab estima um aumen- - em R$/arroba que, à medida em que os Cepea/Esalq/ gócios. Apesar disso, a bron- de 60 kg líquido, bica
*Até 17/10 BM&FBovespa corrida, tipo 6, bebida dura
to entre 5,5% e 15,4% na área **Média dos estoques das beneficia- por saca de 50 kg, ca maior é com a chuva, que, para melhor, valor
semeada. Já a produção de- principais doras diminuam, o ritmo tipo 1, 58/10, posto até o momento, tem deixa- descontado o prazo de
Estados indústria RS, prazo pagamento pela taxa da
verá ficar entre 1,61 milhão e produtores de negócios melhore, in- de pagamento do a desejar, o que poderá NPR, posto-praça da
1,76 milhão de toneladas, vo- vertendo a tendência de descontado pela comprometer a produção do cidade de São Paulo
taxa CDI/Cetip (média mensal)
lumes 5,1% e 14,9% maiores. queda vigente. *Até 17/10 próximo ciclo. *Até 17/10

  | GLOBO RURAL 91


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VIDA NA
FAZENDA CULINÁRIA + CRIAÇÃO + CULTIVO + CULTURA

Alfafa
Cultivada principalmente
para a alimentação
animal, a planta tem
funções diversificadas
como componente na
fabricação de cremes e
medicamentos, além do
uso dos brotos no preparo
de receitas culinárias
Texto João Mathias
© THINKSTOCK

  | GLOBO RURAL 93


VIDA NA
FAZENDA COMO PLANTAR

M
uito produtiva e de proteínas, minerais, carboidratos diversas receitas culinárias. Cru
alto valor nutritivo, e vitaminas, usados na fórmula ou no preparo de diferentes pra-
a alfafa (Medicago de rações para animais de esti- tos e bebidas, tem sabor leve e é
sativa) é uma das mação – mas não é exclusiva pa- muito nutritivo. O broto pode ser
forrageiras mais indicadas pa- ra criações. A planta tem utiliza- cultivado em sistema hidropô-
ra a engorda de animais. Aqui, o ção na indústria cosmética, com nico, utilizando pouco espaço e
cultivo da planta tem como des- adoção de seu extrato na compo- demandando baixo investimen-
tino principal a produção de feno, sição de cremes para redução de to em equipamentos, sendo uma
que tem elevado valor comercial. rugas, melhoria da pele e maciez ótima alternativa para peque-
Também é fornecida como sila- dos cabelos, e na farmacêutica, na nos empreendimentos.
gem, alimento exclusivo a pasto elaboração de medicamento para Como volumoso, o feno de al-
ou como complemento na forma combate de distúrbios estomacais. fafa é um produto com comércio
verde picada para a dieta de bo- Com muitos benefícios à saú- garantido para quem tem dis-
vinos, equinos e caprinos. de, o broto da alfafa vem sendo ponível um espaço de terra pa-
A alfafa ainda é fonte natural de apreciado como ingrediente de ra plantar e lucrar. Por ser de al-

94 GLOBO RURAL |  


Como volumoso, o feno de alfafa é um produto com comércio garantido
para quem tem disponível um espaço de terra para plantar e lucrar”

ta qualidade, ao ser adicionado beu muitos recursos em pesqui- alfafa tem sido o cultivo rotacio-
nas refeições de rebanhos pos- sa. Na América Latina, a cultura nado, intercalando a cada ciclo
sibilita diminuir a quantidade de destaca-se na Argentina, Chile, de produção com uma gramínea,
concentrado, em especial o fa- Uruguai e, mais recentemente, usualmente o milho.
relo de soja, reduzindo os custos no Brasil, podendo ser plantada
de produção. Quando fornecido na maior parte do território na- *Duarte Vilela é pesquisador da Embrapa Gado
de Leite, Rua Eugênio do Nascimento, 610, Dom
aos animais em sistemas inten- cional, desde que seja irrigada e Bosco, CEP 36038-330, Juiz de Fora (MG), tel.
(32) 3311-7400, embrapa.br/fale-conosco;
sivos de produção de leite a pasto, o solo bem drenado. e Reinaldo de Paula Ferreira, pesquisador da
Embrapa Pecuária Sudeste, Caixa Postal 339, CEP
apresenta muitas características Os tratos culturais e o mane- 13560-970, São Carlos (SP), tel. (16) 3411-5600,
embrapa.br/fale-conosco
favoráveis a sua recomendação. jo, contudo, são importantes na
Onde adquirir: sementes de alfafa podem ser
Oriunda da Ásia, principal- persistência da plantação, de- adquiridas em lojas de produtos agropecuários com
referências
mente do Irã e do Afeganistão, a finindo se é viável economica-
Mais informações: o link a seguir dá acesso ao
alfafa encontrou seu hábitat na- mente mantê-la por mais tem- livro Pecuária de leite no Brasil: cenários e avanços
tecnológicos, o qual contém um capítulo exclusivo
tural nas terras férteis da Europa po, cuja vida útil é de três a cin- sobre alfafa, https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/
bitstream/item/164236/1/Pecuaria-de-leite-no-
e dos Estados Unidos, onde rece- co anos. O mais indicado para a Brasil.pdf

MÃOS À OBRA
>>> INÍCIO A cultivar crioula é a cia no estabelecimento do alfa- rar calcário é muito importante, por
mais indicada para o plantio de al- fal no campo. Se necessário, apli- ser uma planta de grande sensibili- RAIO X
Solo: profundo, fértil,
fafa. Adquira sementes já inocula- que herbicidas pré e pós-emer- dade à acidez do solo. O uso do rolo bem drenado e sem
encharcamento
das com a bactéria Rhizobium me- gentes. Áreas planas formadas por compactador após o plantio é reco- Clima: temperado,
liloti, que é responsável pela fixação solos profundos, férteis, bem dre- mendado para dar maior aderência mas adapta-se bem
ao clima tropical
de nitrogênio e assegura a econo- nados, livres de encharcamen- das sementes ao solo, favorecen- Área mínima:
recomenda-se
mia em fertilizantes nitrogenados. to e com pH entre 6,5 e 7 sãos do a uniformidade da plantação. densidade de 15 a 20
quilos de sementes
Porém, caso não haja disponibilida- as preferidas da forrageira. Após >>> PRODUÇÃO Para que a popu- plantadas por hectare
de da versão do material, o proces- cinco dias, normalmente ocor- lação inicial atinja 400 plantas por Colheita: primeiro,
corte ocorre após
so de inoculação pode ser feito até re a germinação. O preparo ade- metro quadrado, é necessário que 70 dias do plantio,
com 80% de
um dia antes da semeadura. Siga as quado do solo é fundamental pa- o primeiro corte, feito a 5 centíme- florescimento; os
instruções do fabricante. ra a persistência da plantação. tros do nível do solo, seja realiza- demais podem ser
feitos com 10% das
>>> AMBIENTE Embora seja uma >>> ESPAÇAMENTO O mais indi- do somente quando o florescimento plantas florescidas
Custo: cerca de R$ 45
planta muito difundida em países de cado no plantio de alfafa é de apro- da planta atingir 80%, o que favore- pelo quilo da semente
clima temperado, a alfafa também ximadamente 20 centímetros en- ce a formação da coroa e o acú-
apresenta bom desempenho em tre sulcos. Porém, também pode mulo de carboidrato. Em geral, is-
áreas tropicais, normalmente com ser utilizado o sistema a lanço, des- so ocorre após 70 dias do plantio ou
temperaturas elevadas e solos in- de que a distribuição das sementes assim que as brotações basais al-
temperizados – que foram desen- seja uniforme. Lembre-se que, em cancem de 2 a 3 centímetros de al-
volvidos a partir de rochas e exigem ambas as opções, as sementes não tura. Os cortes subsequentes de-
correções para a realização de culti- devem ser enterradas a uma pro- vem ser executados quando a for-
vos, como calagem, adubação, con- fundidade superior a 2 centímetros. rageira estiver com 5% a 10% de
trole de plantas daninhas e irrigação. >>> CUIDADOS Após definir a área, floração, condição em que há me-
>>> PLANTIO Recomendado en- recorrer à análise de solo e, se cons- lhor equilíbrio entre produção e qua-
tre abril, maio e junho, para favore- tatar acidez ou qualquer outro de- lidade da alfafa. Faça os cortes pre-
cer a menor incidência de plantas sequilíbrio de nutrientes, fazer a ferencialmente pela manhã e após a
© THINKSTOCK

invasoras e reduzir a concorrên- correção antes do plantio. Incorpo- evaporação do excesso de orvalho.

  | GLOBO RURAL 95


VIDA NA
FAZENDA COMO CRIAR

©1
Miniporco
A graciosidade do pequeno animal conquista os compradores e a
criação se torna mais uma alternativa no rentável mercado pet
Texto João Mathias | Consultor Roberto Alcarpe*

P
ode ainda parecer um nho. Curioso e brincalhão, convive dência de sol forte. Recomenda-se,
tanto exótico para bem com outros bichos. Não solta inclusive, o uso de protetor solar e,
quem vê pela primeira pelos e pode ser treinado para defi- em dias frios, de hidratante, para
vez, mas já não é novi- nir um local para realizar as neces- evitar ressecamento.
dade que miniporcos são tratados sidades. Com expectativa de vida Para criadores interessados em
como animais de estimação. Co- de 25 anos, o porquinho não ultra- aumentar o orçamento mensal, o
mo cães e gatos, a versão minia- passa 40 centímetros de altura e o miniporco é uma ótima alternati-
tura de suínos vive em ambien- peso varia de 35 a 50 quilos. va de diversificação em um seg-
te doméstico, passeia por ruas e Para que não engorde e se tor- mento comercial que não para de
parques. Dócil, comportado e in- ne obeso, contudo, é importante crescer. Nos últimos anos, o mer-
teligente, de pernas curtas e cor- controlar a alimentação e adotar a cado pet vem registrando expan-
po e focinho compridos, o peque- prática de exercícios. Caminhadas são significativa mesmo em um
no mamífero ganhou a simpatia de diárias são indicadas para o mini- período de crise severa para vá-
© 1 AFP ; 2 THINKSTOCK

muitas crianças e adultos. porco se movimentar e combater o rios setores da economia.


Ao contrário do estereótipo que estresse. Mas, como tem pele sen- Por ser resistente, o miniporco
se tem dos porcos em geral, o mini- sível, é necessário escolher as ho- tem capacidade de se adaptar a di-
porco é limpo e gosta de tomar ba- ras mais frescas do dia e sem inci- ferentes lugares e locais com con-

98 GLOBO RURAL |  


Se houver na propriedade uma instalação abandonada e que possa ser
aproveitada, a opção contribui para reduzir os custos da lida com o animal”

dições climáticas variadas. De por- MÃOS À OBRA


te pequeno, também não demanda
muito espaço, permitindo o manejo >>> INÍCIO Para evitar o risco de rias para as várias etapas de cria-
até em quintais de residências. Co- comprar exemplares comuns em ção, como baias para matrizes, re- RAIO X
Criação mínima:
mo cada exemplar equivale a 20% vez de miniporcos, assegure-se produção, maternidade e desma- 1 macho para 6 fêmeas
do tamanho de um porco conven- sobre a procedência do plantel do me das crias. Custo: cerca de R$ 12 mil
para as instalações e R$
cional, calcula-se que um total de fornecedor. Assim, para começar a >>> CUIDADOS Com a higiene do 14 mil para a aquisição
dos sete animais
seis minis possa dividir uma área atividade, dê preferência para ad- local de criação são exigidos para Retorno:
destinada a um suíno grande. quirir animais de estabelecimentos manter os animais saudáveis. La- aproximadamente dois
anos
Se houver na propriedade uma idôneos e que tenham referências. ve calhas, fossa e todos os equi- Reprodução: média
de quatro filhotes por
instalação ociosa e que possa ser A qualidade genética dos peque- pamentos envolvidos na rotina da gestação
aproveitada, a opção contribui para nos mamíferos é muito importante atividade. O uso de lança-chamas
reduzir os custos da lida com o ani- para a saúde da criação e o comér- é uma opção para desinfetar toda
mal.Noentanto,gastoscomasaúde cio do novo empreendimento. a infraestrutura envolvida no ma-
doplantelnãopodemsereconomi- >>> AMBIENTE A rusticidade dos nejo. É obrigatório que os mini-
zados. Tal qual seus pares maiores, suínos permite que os animais to- porcos sejam vacinados contra as
o miniporco deve ser medicado por lerem diferentes condições climá- principais doenças da espécie, de
um veterinário profissional. ticas e apresentem bom desen- acordo com os órgãos da Secreta-
Para começar uma criação com volvimento em qualquer região do ria de Agricultura do município ou
um macho e seis fêmeas jovens, país. Contudo, é indicado que ha- da região.
contando com terreno para recin- ja boa ventilação natural em lo- >>> ALIMENTAÇÃO Deve ser ba-
to individual para o reprodutor, três cais quentes e cortinas para bar- lanceada, seguindo uma rotina de
maternidades e cercado para con- rar ventos em lugares frios. Tam- horários. Forneça ração própria pa-
vívio, o investimento soma cerca bém recomenda-se que a área de ra suínos três vezes ao dia e com-
de R$ 26 mil. Com vendas previs- criação seja seca e iluminada. Para plemente com hortaliças e frutas.
tas para iniciar a partir do desma- reduzir custos, espalhe pelo chão >>> REPRODUÇÃO Só depois de
me dos leitões, que ocorre com 45 maravalha, palha e casca de ar- um ano de idade, embora os mini-
dias de vida, o retorno pode ser ob- roz, mistura que substitui a neces- porcos sejam considerados adul-
tido em dois anos. sidade de ter esterqueiras e lago- tos ao atingirem o oitavo mês de
Conta-se que a origem dos mi- as para eliminação dos excremen- vida. Após cerca de 115 dias de
niporcos ocorreu em países do He- tos do plantel. gestação, as pequenas mães che-
misfério Norte, devido à possibili- >>> INSTALAÇÃO Pode ser uma gam a gerar, em média, quatro fi-
dade de seu uso na realização de construção nova de alvenaria ou lhotes, em dois partos por ano.
análises da área de biomedicina. madeira, com telha de barro e piso Após 45 dias, as crias já podem
Dadas as similaridades de algumas de terra batida ou cimentado. Uma ser desmamadas.
partes dos suínos com os órgãos alternativa é usar alguma estrutu- ©2

humanos, a miniatura do animal ra já existente na propriedade, fa-


pode ser adotada como cobaia para zendo adaptação em uma pocilga
estudosemlaboratóriosdeinstitu- ou galpão. A posição mais adequa-
tos e empresas de pesquisa. da para o abrigo é a leste-oes-
te, porém, o mais necessário é que
*Roberto Alcarpe é proprietário da Micropig, Rod. seja um espaço seco, limpo e pla-
Bunjiro Nakao, km 53,5, Vargem Grande Paulista
(SP), tel. (11) 4717-4081, micropig.com.br no ou levemente inclinado, com até
Onde adquirir: de criadores já estabelecidos no 6% de declividade. Adote o mesmo
mercado e com referências
modelo utilizado para a criação de
Mais informações: Fazenda Angolana, Rod. Prefeito
Quintino de Lima, Km 5, Estrada da Angolana, 257, suínos convencionais, com divisó-
Caixa Postal 235, CEP 18130-970, São Roque (SP),
tel. (11) 4711-1640

  | GLOBO RURAL 99


VIDA NA
FAZENDA TABULEIRO por Nina Horta

Demasiadamente humano

A
o se ganhar um Prêmio zy, de cabelo ruivo e olhos verdes,
que precisa de um tratamento de
Nobel, as ideias defendidas sobrevivência, podem estar cer-
aparecem com vigor em todos os tos de que ela receberá milhões de
jornais e revistas e ficamos achando envelopes com dinheiro, com vo- NINA HORTA
é cozinheira,
o premiado a maior novidade. Quase nunca é tos de saúde, pois podemos visu-
escritora e
alizá-la, temos empatia com ela,
assim, ao chegar lá o ganhador já tem por trás nós a conhecemos.
proprietária do
bufê Ginger. É
décadasedécadasdetrabalho.Pois,nesteano Percebo isso em todos os lu- autora dos livros
de 2017, Richard Thaler apareceu com toda gares, até a caixa de água de co-
Não é sopa (uma
mistura saborosa
a força como economista comportamental. co que tomo de manhã quer bater de crônicas
Lembro um dos primeiros conceitos que papo comigo e me pergunta sobre e receitas) e
Vamos comer
inventou – o nudge, ou cutucada, cutucão. a novela das oito. Acho que estão
exagerando, tenho um pouco de
medo de conversar com água de
Era um modo de ajudar as pes- coco, principalmente na caixa.
soas a fazer melhores escolhas, No fim das contas, é a psicolo-
sem obrigá-las a nada. A ideia de- gia sendo usada nas finanças para
le era que nem todas nossas esco- que tenhamos um comportamen-
lhas são racionais, mas, como são to que nos leve a mais vantagens.
muito previsíveis, é fácil, com um Parece muito óbvio, mas america-
pequeno cutucão, nos fazer pen- no é assim, gosta de coisas óbvias
sar melhor. que na realidade são as mais difí-
Um pequeno exemplo. Não se ceis de serem percebidas.
deve sujar o chão da cidade jogan- la, que tudo amansa e um ar de E se nossa felicidade ou suces-
do lixo. Qual o modo pelo qual vo- exotismo e talvez transgressão. so depende das pequenas coi-
cê evitaria isso? E simplesmente contar quan- sas que Robert Thaler nos ensi-
Multando? tas pessoas estão fazendo aque- na, vamos a elas, afinal não cus-
Pagando as pessoas que usas- le tipo de festa mais informal e ta seguir os conselhos ou cutuca-
sem a lata? mais barata também é um modo das de um Nobel. E, quando ele foi
Desenhando no chão passos de influenciar sem precisar obri- avisado de sua vitória, os jornalis-
verdes a serem seguidos até o li- gar seu cliente a fazer a festa que tas logo o atacaram perguntando
xo? Claro que o último. você prefere. São pequenas coi- de que modo gastaria todo aque-
Nesse mundo confuso, preci- sas, mas que observadas ajudam le dinheiro. Ao que nosso cientista
samos simplificar, fazer atalhos. a vida de todo mundo. brincalhão respondeu: “Do modo
Gestos simples podem mudar Outra moda que já pegou é mais irresponsável que eu conse-
seu comportamento. personalizar a sua história para guir”. Ah, impossíveis esses eco-
Sem querer já usei muito es- que ela cause mais efeito. Os mais nomistas comportamentais!
ses pequenos golpes ao organi- velhos, que liam Eça de Quei- Mas se descobriram que somos
zar cardápios de casamentos. O roz, vão se lembrar da história humanos, demasiadamente hu-
poder da linguagem em mudan- do mandarim chinês, nosso ilus- manos, e que nem todas as nor-
ças de comportamento é enorme. tre desconhecido, e como era fá- mas servem para todos e que um
© ILUSTRAÇÃO: FELIPE YATABE

Sempre caçoo que, se você prefe- cil matá-lo apenas apertando um pequeno cutucão pode nos ajudar
re um menu a outro, coloque nele botão. Dane-se o mandarim, já se mais que um livro grosso cheio de
a palavra “papoula”, que tem po- foi e ninguém percebeu. termos esdrúxulos, vamos a eles,
deres mágicos. É misteriosa, com Mas, se no oeste da Austrália conversemos com a caixa de água
dois “pp” explosivos, um final, la, há uma menininha chamada Su- de coco! Qual é o problema?

100 GLOBO RURAL |  


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VIDA NA
FAZENDA GLOBO RURAL RESPONDE
Trato no Galinha com
cajueiro pneumonia
Gostaria de saber em que mês e Minhas galinhas deitam de uma
se devo podar, deixando-os bem hora para outra, têm febre, liberam
baixos, os cajueiros amarelo e uma gosma pelo bico e soltam as
vermelho que tenho plantados no penas com facilidade. O que faço?
quintal de casa. Quanto de altura Sirley Martins Miranda
Santo Antônio do Monte (MG)
devem ter para atingir frutos de
ENTRE AS várias causas que pro-
qualidade?
Rogério Pedro Lourenço vocam os diversos sintomas iden-
de nutrientes. As aves também po-
Jaboticabal (SP) tificados nas galinhas, a mais pro-
dem ter sido infectadas por agrotó-
O CAJUEIRO é uma planta tipi- vável é a insuficiência respiratória
xicos usados na propriedade ou em
camente tropical e, assim, exi- promovida por uma pneumonia. A
produtos que tiveram contato com a
ge bastante luz. Porém, não gos- doença ocorre com mais frequên-
criação. O tratamento para recupe-
ta muito de podas drásticas. No cia em aves que são criadas soltas,
rar as galinhas necessita do uso de
Estado de São Paulo, onde é ele- mais sujeitas diretamente às va-
antibióticos, que devem ser receita-
vada a umidade para a frutei- riações do tempo, como incidência
dos por um médico-veterinário.
ra, facilitando a maior incidên- de sol forte, chuva, vento e umida-
cia de doenças fúngicas nas flo- de. São ainda suscetíveis animais CONSULTORA: MARIA VIRGÍNIA F. DA SILVA, membro
da Associação Brasileira dos Criadores de Aves de Ra-
res da planta, como antracnose com falta de vitaminas e alimen- ças Puras (ABC Aves); endereço para correspondên-
cia: Rua Ferrucio Dupré, 68, CEP 04776-180, São Paulo
e oídio, recomenda-se deixar a tação inadequada, com ausência (SP), tel. (11) 5667-3495, abcaves.com.br
copa com boa insolação e ae-
ração. Para isso, um mês após
o término da colheita, retire os
ramos ladrões, os que estão in-
do em direção ao solo e os se-
cos. Também desbrote os ramos Mangas mais eficiente, no entanto, é o ensaca-
mento de mangas desenvolvidas e ini-

podres
existentes na base dos cajuei- ciando a maturação. Mas como é difícil
ros. Na pré-florada, aplique pro- ensacar frutos em mangueira, por
dutos à base de cobre e enxofre ser uma árvore alta, a indicação é
O que leva ao apodrecimento os frutos trocar a cultivar por uma mais re-
para prevenção contra o ataque
do pé de manga do meu pai? sistente, como espada vermelha,
de fungos nas flores. Ivana Viana
via Facebook espada stahl, alfa, choc anan, im-
CONSULTOR: LUIZ AUGUSTO LOPES SERRANO, perial e azenha.
pesquisador da área de sistemas de produção A Anastrepha obliqua é uma espécie
sustentáveis da Embrapa Agroindústria Tropical
(CNPAT), Rua Dra. Sara Mesquita, 2270, Pici, CEP de bicho-das-frutas ou mosca-das- CONSULTOR: CARLOS JORGE ROSSETTO, pesquisador
60511-110, Fortaleza (CE), tel. (85) 3391-7363, aposentado do Instituto Agronômico (IAC) de Campi-
luiz.serrano@embrapa.br frutas que infesta mangas, que po- nas (SP), da Secretaria de Agricultura e Abastecimen-
de ser controlada com o uso de iscas to do Estado de São Paulo, tel. (19) 2137-0613, rosset-
to1939@gmail.com
envenenadas ou com o próprio suco
da fruta a 5% misturado a um inse-
ticida. Pulverize a solução em 1 me-
tro quadrado no interior da copa da
fruteira. Contudo, em quintais ou pe-
quenos pomares, para onde a mosca
vem pronta para ovipositar, já ten-
do se alimentado em locais vizinhos,
© THINKSTOCK

adote armadilhas feitas com garra-


fas plásticas com suco de fruta pa-
ra monitorar a população. O método

102 GLOBO RURAL |  


Verrugas
utilizado na propriedade, gera-se
uma combinação de variáveis que

em bezerro
tornam difícil a indicação de um tra-
tamento padronizado para a maioria
dos animais. Embora não haja ga-
Já foram utilizados vários remédios, rantia de solução, algumas opções
mas nada consegue curar as verrugas incluem remoção cirúrgica, uso de
que surgiram no bezerro do sítio do medicamentos comerciais e aplica-
meu tio. O que ainda é possível fazer? ção de vacinas autógenas. Se o be-
Frederico Rocha zerro não apresentar melhora em,
via Facebook no máximo, seis meses, a eutanásia
A PAPILOMATOSE bovina é uma do- pode ser considerada. Por se tratar
ença também chamada de verru- de uma doença transmissível, é
ga ou figueira e provoca lesões com necessário adotar medidas de
características diferentes, de acordo controle para evitar a dis-
com o tipo de vírus envolvido (BPV- seminação no rebanho.
1 a BPV-6). Somadas a condições
nutricionais e imunológicas, faixa CONSULTORA: VANESSA FELIPE,
pesquisadora da Embrapa Gado de
etária e predisposição genética do Corte, Av. Rádio Maia, 830, Zona Rural,
CEP 79106-550, Campo Grande (MS), tel.
animal, além do sistema de criação (67) 3368-2000, embrapa.br/fale-conosco
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“A adesão
da iniciativa
O alimento privada só ©2

desperdiçado virá mediante


é como se metas claras sobre cada
fosse o biocombustível por
alimento parte do governo”
roubado da Plinio Nastari, presidente da consultoria Datagro

mesa do pobre,
de quem tem “As pessoas
fome” estão cada vez
Papa Francisco, mais distantes
em visita à FAO, em Roma
do campo e
de como os
alimentos são
produzidos”
©1

Hugh Grant, CEO da Monsanto,


durante o Global Food
Forum, em Nova York
“Prefiro os que me criticam,
porque me corrigem, aos
que me adulam, porque
me corrompem”
Santo Agostinho

©3

“Encaminhei ao ministro do Trabalho


Ninguém quer ou deve
a recomendação conjunta assinada ser favorável ao trabalho
pelo Ministério Público Federal
e Ministério Público do Trabalho escravo, mas ser
penalizado por questões
© 1 E 3 GETTY IMAGES ; 2 CARLA ROMERO/VALOR

que assinalava que a adoção deste


ideológicas ou porque
conceito de trabalho escravo pela
portaria do Ministério do Trabalho o fiscal está de mau
viola a lei penal brasileira” humor não é justo”
Blairo Maggi, ministro da Agricultura, sobre a
Raquel Dodge, procuradora-geral da Portaria 1.129, do Ministério do Trabalho, que
República, sobre a Portaria 1.129 mudou a definição de trabalho escravo

106 GLOBO RURAL |  


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