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Arbitragem

Professora: Mara Lívia Moreira Damasceno


ARBITRAGEM

É uma forma extrajudicial e privada de


resolução de conflitos, com a participação de


um ou mais árbitros privados, escolhidos
segundo a vontade das partes.

Regulamentada pela Lei nº9.307/1996.


Princípio da Autonomia da Vontade das


partes.
Princípio da autonomia da vontade

DECISÃO BASEADA EM:


Direito ou equidade?
Quais regras de Direito? Regras Internacionais de Comércio?
Princípios gerias de Direito? Usos e costumes?

TODO O PROCEDIMENTO É PERMEADO


POR ESSE PRINCÍPIO.
ARBITRAGEM
Semelhança com o Poder Judiciário:

Decisão dos árbitros (as partes não tem poder de


decisão, depois de escolhida a arbitragem);
Sentença arbitral – não precisa de homologação
pelo PJ desde advento da lei; Natureza Jurídica
idêntica à sentença judicial. (Art.31 da lei de Arb.)
Título executivo judicial, segundo art515, VII do
CPC (em caso de descumprimento pode-se executar
imediatamente. Exceto as sentenças arbitrais
estrangeiras – STJ);
Benefícios da Arbitragem

Rápida e sem burocracia, a arbitragem garante igualdade de


tratamento entre os litigantes e assegura o direito de defesa.
E, como as partes podem escolher o árbitro de comum acordo e
podem estabelecer as normas procedimentais a serem observadas,
a tramitação do litígio não fica presa ao sistema de prazos e
recursos do Código de Processo Civil.
A crescente adesão das empresas à arbitragem também se deve
à morosidade do Poder Judiciário. Em geral, as câmaras de
arbitragem oferecem uma solução definitiva em menos de dois anos.
E, como os árbitros são especialistas nas questões em discussão,
as partes confiam na consistência técnica de suas decisões.
Casos
Contratos assinados pela Companhia do Metrô de São Paulo com
as empreiteiras escolhidas para atuar na construção de novas linhas e
novas estações. E é também o caso da Agência Nacional do Petróleo,
nos contratos de concessão de blocos de exploração de petróleo.
Quase todos os contratos da Petrobrás que envolvem fornecedores e
seguros internacionais contêm cláusulas para resolução de conflitos por
via arbitral. Por causa da entrada de novos investimentos estrangeiros
no País e da crescente internacionalização das empresas brasileiras,
também cresce a participação do Brasil nas arbitragens internacionais,
principalmente em matéria de direito societário e pendências comerciais.
Em 2011, 10% dos contenciosos na Câmara de Comércio Internacional,
sediada em Paris, e que é a maior e a mais tradicional do mundo,
envolviam empresas brasileiras. Em 2009, as cinco maiores câmaras de
arbitragem em funcionamento no Brasil , atuaram em 134 casos
envolvendo litígios com o valor total de R$ 2,4 bilhões.
No Brasil, vários árbitros são ministros aposentados do Supremo
Tribunal Federal ou professores titulares de grandes universidades.
Que problemas podem ser
solucionados por arbitragem? Arbitrabilidade
objetiva
Quaisquer disputas envolvendo direitos patrimoniais
disponíveis, ou seja, direitos que tenham valor econômico e
que possam ser comercializados ou transacionados livremente
por seus titulares.
“Art. 1º As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da
arbitragem para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais
disponíveis.”
Ex: violação de contratos dos mais variados tipos, passando por
disputas entre sócios de empresas, até conflitos entre vizinhos.
Não podem ser solucionados os litígios relativos a Direito
Tributário, Direito Criminal, Direito de Família (filiação, pátrio
poder, casamento, alimento) e Sucessão.
Arbitrabilidade subjetiva
Podem utilizar a arbitragem todas as pessoas físicas
dotadas de capacidade civil e também as pessoas jurídicas.

“Art.1º, § 1o A administração pública direta e indireta


poderá utilizar-se da arbitragem para dirimir conflitos
relativos a direitos patrimoniais disponíveis. § 2o A
autoridade ou o órgão competente da administração
pública direta para a celebração de convenção de
arbitragem é a mesma para a realização de acordos ou
transações. § 3o A arbitragem que envolva a administração
pública será sempre de direito e respeitará o princípio da
publicidade.” (Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015).
Convenção de arbitragem
A instauração do procedimento de arbitragem depende do livre
consentimento dos envolvidos, que pode ser manifestado através de
duas formas:

CONVENÇÃO DE ARBITRAGEM (Art3º):


- Cláusula Compromissória (A cláusula arbitral é firmada antes do
conflito) Inserida em um contrato. (Arts.4º ao 8º)
- Compromisso Arbitral (compromisso arbitral depois dele
instaurado.) Judicial ou Extrajudicial (particular c 2 test; Ou
instrumento público) (Arts.9º ao 12)

Ambas possuem o mesmo efeito:


A) Levam as partes à arbitragem.
B) Excluem a participação do Poder Judiciário.
Cláusula arbitral cheia e vazia
A cláusula arbitral pode ser CHEIA, ou seja, aquela cláusula
que prevê a forma de instituição da arbitragem, seja referindo-
se às regras de uma entidade especializada (arbitragem
institucional ou administrada), seja ela mesma prevendo a
forma de instituição e desenvolvimento da arbitragem
(arbitragem ad hoc ou avulsa), com as regras do compromisso
(art. 10 da LA), dispensando a assinatura de posterior
compromisso.

Já a cláusula arbitral VAZIA (ou “em branco”), é aquela que,


embora preveja a arbitragem, não prevê a forma de sua
instituição, notadamente porque falta a indicação do árbitro ou
das demais condições obrigatórias do art. 10 da LA.
ARBITRAGEM
- Cláusula Compromissória
“Qualquer disputa oriunda deste contrato ou com ele relacionada
será definitivamente resolvida por arbitragem.

1.1- A arbitragem será administrada _______________ e obedecerá às


normas estabelecidas no seu Regulamento, cujas disposições integram
o presente contrato.

1.2- O tribunal arbitral será constituído por [um/três] árbitros, indicados


na forma prevista no Regulamento da _________.

1.3-. A arbitragem terá sede em [Cidade, Estado].

1.4-. O procedimento arbitral será conduzido em [idioma].

1.5-. [lei aplicável]”


Cláusula arbitral vazia
Qual a consequência de se firmar uma cláusula arbitral vazia?
Procedimento do art. 6º da Lei de Arbitragem.
Em razão dela, se as partes não chegarem a um acordo quanto à instituição da arbitragem,
firmando compromisso arbitral (que no caso é imprescindível), caberá execução específica da
cláusula arbitral, pelo procedimento dos arts. 6º e 7º da LA, que seguirá a via judicial.
Portanto, a cláusula arbitral vazia exige que as partes firmem um compromisso arbitral
quando o conflito entre elas se instaura. Não havendo acordo quanto ao compromisso, ou
seja, sobre a forma de instituição e desenvolvimento da arbitragem, as partes dependerão de
decisão judicial que estabeleça as condições do compromisso. Neste caso o interessado em
instituir a arbitragem providencia notificação da outra parte para em dia, hora e local
determinados para firmar o compromisso; havendo recusa ou não comparecimento, o
interessado elabora petição juntando cópia da notificação, do contrato com a cláusula arbitral
(vazia) e indicação da matéria objeto da arbitragem; o juiz determina a citação para
comparecimento da parte contrária à audiência de conciliação; na audiência tenta-se acordo
quanto ao mérito e, se impossível, quanto ao compromisso arbitral objeto do pedido; não
havendo acordo quanto ao mérito e sequer quanto à forma de instituir a arbitragem, o juiz
recebe a defesa na própria audiência; eventualmente, se houver outras provas a produzir,
será designada audiência de instrução, seguindo-se a sentença, cuja apelação não terá efeito
suspensivo (art. 520, VI, do CPC).
ARBITRAGEM Institucional ou
Ad hoc
A arbitragem institucional, também conhecida como arbitragem
administrada, é aquela em que as partes optam, na cláusula
arbitral ou no compromisso, por se submeter à arbitragem
perante uma entidade especializada, que tratará dos aspectos
formais, intimações, secretaria e, até, da escolha dos árbitros.

Na arbitragem “ad hoc” ou arbitragem avulsa, as partes não se


submetem a uma entidade especializada para administrar a
arbitragem e tratam de todo o procedimento e, neste caso, há
risco maior de nulidade em razão de desrespeito aos princípios
impositivos posto que não é uma entidade que administrará o
procedimento e o próprio árbitro e as partes deverão regular o
procedimento arbitral.
ARBITRAGEM
Quem pode atuar como árbitro?

Como escolher um árbitro? Não existe “Poder


Judiciário Arbitral”
Quanto custa uma arbitragem e quem arca com

as despesas?
As partes podem chegar a um acordo antes da

arbitragem?
Custas e Acordo
Art. 27. A sentença arbitral decidirá sobre a
responsabilidade das partes acerca das custas e
despesas com a arbitragem, bem como sobre verba
decorrente de litigância de má-fé, se for o caso,
respeitadas as disposições da convenção de
arbitragem, se houver.

Art. 28. Se, no decurso da arbitragem, as partes


chegarem a acordo quanto ao litígio, o árbitro ou o
tribunal arbitral poderá, a pedido das partes,
declarar tal fato mediante sentença arbitral, que
conterá os requisitos do art. 26 desta Lei.
Requisitos obrigatórios da sentença arbitral
(Art.26):
I - o relatório, que conterá os nomes das partes e um
resumo do litígio;

II - os fundamentos da decisão, onde serão analisadas


as questões de fato e de direito, mencionando-se,
expressamente, se os árbitros julgaram por eqüidade;

III - o dispositivo, em que os árbitros resolverão as


questões que lhes forem submetidas e estabelecerão
o prazo para o cumprimento da decisão, se for o caso;

IV - a data e o lugar em que foi proferida.


Existe recurso no procedimento arbitral?

Art. 29. Proferida a sentença arbitral, dá-se por finda a arbitragem, devendo o
árbitro, ou o presidente do tribunal arbitral, enviar cópia da decisão às partes,
por via postal ou por outro meio qualquer de comunicação, mediante
comprovação de recebimento, ou, ainda, entregando-a diretamente às partes,
mediante recibo.
Art. 30. No prazo de 5 (cinco) dias, a contar do recebimento da notificação ou
da ciência pessoal da sentença arbitral, salvo se outro prazo for acordado
entre as partes, a parte interessada, mediante comunicação à outra parte,
poderá solicitar ao árbitro ou ao tribunal arbitral que:
I - corrija qualquer erro material da sentença arbitral;
II - esclareça alguma obscuridade, dúvida ou contradição da sentença arbitral
ou se pronuncie sobre ponto omitido a respeito do qual devia manifestar-se
a decisão. (“EMBARGO DE ESCLARECIMENTO”)
Parágrafo único. O árbitro ou o tribunal arbitral decidirá no prazo de 10 (dez)
dias ou em prazo acordado com as partes, aditará a sentença arbitral e
notificará as partes na forma do art. 29.
ARBITRAGEM

A parte insatisfeita pode questionar em


juízo a sentença arbitral?
ARBITRAGEM

A sentença arbitral não pode ser modificada pelo Poder


Judiciário, e contra ela não cabe recurso.
Exceto se configurar alguma nulidade prevista no art.32 da Lei
9.307/96:
For nula a convenção de arbitragem
Sentença arbitral por quem não podia ser árbitro;
Falta de requisitos essenciais na sentença arbitral (art.26);
Sentença proferida fora dos limites da convenção de arbitragem;
Comprovação de que a sentença arbitral foi proferida por prevaricação,
concussão ou corrupção passiva; (Art.17);
Sentença arbitral proferida fora do prazo estipulado;
Inobservância no procedimento arbitral, dos princípios do contraditório, da
igualdade das partes, da imparcialidade do árbitro e de seu livre
convencimento.
ARBITRAGEM
Art. 33. A parte interessada poderá pleitear ao órgão do Poder
Judiciário competente a declaração de nulidade da sentença
arbitral, nos casos previstos nesta Lei.
§ 1o A demanda para a declaração de nulidade da sentença
arbitral, parcial ou final, seguirá as regras do procedimento
comum, previstas no CPC, e deverá ser proposta no prazo de
até 90 (noventa) dias após o recebimento da notificação da
respectiva sentença, parcial ou final, ou da decisão do pedido
de esclarecimentos.
§ 2o A sentença que julgar procedente o pedido declarará a
nulidade da sentença arbitral, nos casos do art. 32, e determinará,
se for o caso, que o árbitro ou o tribunal profira nova sentença
arbitral.