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O ESTÁGIO ATUAL DOS

SISTEMAS ADESIVOS
Weider de Oliveira Silva
Paula Stéffani de Aguiar Duarte
Gil Montenegro
Tarcisio Pinto
Paulo Frederico Pereira

INTRODUÇÃO
A adesão de materiais resinosos aos tecidos dentais está presente em grande parte dos
procedimentos restauradores realizados na prática clínica odontológica. Pelas observações
e pesquisas feitas por diversos estudiosos, surgiu o desenvolvimento da “Odontologia ad-
esiva”.

Buonocore, em 1955, pela primeira vez, propôs a possibilidade de adesão ao esmalte. Ele
observou o uso de ácido para melhorar a adesão de tintas e resinas a superfícies metálicas
no âmbito industrial e, com esse conhecimento, percebeu a possibilidade de melhorar a
união entre a resina acrílica e a estrutura dental. Seus estudos trouxeram novos conceitos de
preparo cavitário, prevenção e estética na Odontologia, pois permitiram melhor adesão dos
materiais restauradores às superfícies dentárias.

A ideia de adesão ao esmalte permaneceu simples, consistente e confiável ao longo de


várias décadas, assim garantindo sucesso clínico ao procedimento realizado. Essa previsibili-
dade ocorreu devido ao fato de que o esmalte é um substrato uniforme, composto basica-
mente por cristais inorgânicos, bem organizados em prismas. Entretanto, a adesão à dentina
mostrou-se bastante imprevisível, resultando em inúmeras modificações dos sistemas adesi-
vos, com o objetivo de superar as dificuldades que o substrato dentinário úmido apresenta.
Fato esse explicado pela grande quantidade de água e matéria orgânica, constituída, princi-
palmente, por fibras colágenas.

Durante as últimas décadas, a filosofia restauradora tem sido continuamente revista, e as


técnicas adesivas têm-se tornado cada vez mais importantes.

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Os materiais adesivos foram inicialmente chamados de agentes de união, gradualmente
foram aperfeiçoados para “sistemas adesivos” em múltiplos passos e, com procedimentos
para aplicação, muitas vezes considerados complexos.19

A união de materiais restauradores com as estruturas dentárias ainda é motivo


de pesquisa, pois a falta de adesão pode ocasionar diversos problemas, como in-
filtração marginal, sensibilidade pós-operatória, manchamentos das margens da
restauração e consequente diminuição da longevidade.

Atualmente, o mecanismo de adesão à dentina comumente utilizado se faz com


base no condicionamento ácido total,24 somado à técnica de hibridização da den-
tina desmineralizada.21

Nakabayashi e colaboradores (1982) descreveram a camada híbrida como uma combinação


resultante da dentina e do polímero que pode ser definida como a impregnação de um
monômero à superfície dentinária desmineralizada, formando uma camada ácidorresistente
de dentina reforçada por resina.21

Nakabayashi e colaboradores (1982) relataram que o mecanismo de adesão à dentina ocorre


após o pré-tratamento do substrato dentinário com substância ácida por 10 a 30 segun-
dos,21 para remover totalmente a smear layer, ou seja, trata-se de um mecanismo micro-
mecânico, no qual ocorre a infiltração e a polimerização dos monômeros nas fibras coláge-
nas expostas, por meio de desmineralização superficial da dentina, criando assim a camada
híbrida. A camada híbrida é uma zona de transição entre a resina polimerizada e o substrato
dentinário, formada por uma mistura de componentes dentinários, monômeros resinosos e
resina polimerizada ao nível molecular.

Devido às características morfológicas e fisiológicas do substrato dentinário, os sistemas


adesivos são constituídos por monômeros hidrofílicos, comportáveis ao tecido úmido, e
com fluidez necessária para penetrar nas microporosidades, criadas pelo condicionamento
ácido, além de monômeros hidrofóbicos, de maior peso molecular e maior viscosidade,
responsáveis pela estabilidade e pela resistência mecânica do produto.

Diversos fatores podem dificultar a adesão dentinária. Pesquisas mostram que as for-
ças de união em dentina profunda são mais baixas do que na dentina superficial, pois a
penetração do primer e do adesivo pode ser afetada pela constituição e pelas propriedades
nas diversas partes do dente. Os elementos biológicos e clínicos, como dentina esclerosada,
permeabilidade e umidade da dentina, influenciam diretamente na adesão.

10 O ESTÁGIO ATUAL DOS SISTEMAS ADESIVOS


Para tentar minimizar as diferenças entre os dois substratos mineralizados, esmalte e den-
tina, e conseguir um sistema adesivo ideal, diversos tipos de sistemas adesivos são coloca-
dos, constantemente, à disposição no mercado odontológico. Esses, por sua vez, podem ser
classificados de acordo com a geração a que pertencem, a forma de tratamento da smear
layer, ou pelo número de passos clínicos. Acredita-se que, para melhor aprendizado, a clas-
sificação pela técnica do tratamento da smear layer seja a ideal, assim, ela será detalhada
mais adiante.

Os procedimentos adesivos odontológicos implicam na aplicação de diferentes substâncias:


ácido, solventes e monômeros que modificam a morfologia e fisiologia da estrutura den-
tária. A constituição dos diversos sistemas adesivos, seu mecanismo de ação nos substratos
dentários, a forma de aplicação clínica e suas implicações frente à incorreta utilização e aos
desafios existentes na cavidade oral compõem pontos primordiais para o sucesso e a dura-
bilidade das ligações adesivas.

OBJETIVOS
Ao final da leitura deste artigo, o leitor será capaz de
§ identificar a forma de utilização mais precisa dos agentes de união;
§ utilizar meios para que o procedimento adesivo mostre durabilidade e sucesso clínico
a longo prazo;
§ reconhecer a importância dos sistemas adesivos na união dos materiais restauradores
às estruturas dentárias;
§ reconhecer que a união adesiva só será correta quando executada sob rigoroso con-
trole e com um protocolo bem definido;
§ identificar o melhor sistema adesivo frente aos diferentes passos clínicos e cuidados
a serem observados durante a sua utilização.

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ESQUEMA CONCEITUAL
Condicionamento ácido

Sistemas adesivos Primers

Adesivos dentinários

Esmalte
Condicionamento nas respectivas estruturas dentais
Dentina

Lama dentinária ou smear layer

Sistemas adesivos que não tratam a smear layer

Classificação dos sistemas adesivos quanto ao Sistemas adesivos que removem a smear layer
tratamento da smear layer
Sistemas adesivos que modificam ou removem
parcialmente a smear layer

Adesivos autocondicionantes de dois passos


“primer autocondicionante”
Sistemas adesivos autocondicionantes
Adesivos autocondicionantes de passo único
“adesivo autocondicionante” ou “all-in-one”

Camada híbrida

Camada de integração

Caso clínico 1
Aplicação clínica dos sistemas adesivos
Caso clínico 2

Conclusão

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SISTEMAS ADESIVOS
A técnica convencional dos sistemas adesivos baseia-se na aplicação de ácido, lavagem, re-
moção do excesso de água, seguida do primer, um leve jato de ar, e finalmente pelo adesivo
e pela fotopolimerização.

Os sistemas adesivos compreendem:


§ condicionamento ácido;
§ primers;
§ adesivos dentinários.

CONDICIONAMENTO ÁCIDO
Com o passar dos anos, houve um avanço na Odontologia, particularmente das técnicas res-
tauradoras, sendo Buonocore, em 1955, o introdutor da chamada “Odontologia adesiva”
(Figura 1), quando relatou que a resina acrílica seria capaz de ser unida ao esmalte que fosse
antes condicionado com ácido fosfórico a 85% por 30 segundos. O que permitiu inúmeras
vantagens dentro da Odontologia.1

Substrato uniforme,
Sucesso na composto basicamente
adesão ao por cristais inorgânicos,
esmalte bem organizados em
BUONOCORE prismas
(1955)
“Pai da
Odontologia
Adesiva” Substrato dentinário
Insucesso úmido: resultando
na adesão à em inúmeras
dentina modificações dos
sistemas adesivos

Figura 1 – Odontologia adesiva.


Fonte: Arquivo de imagens do Dr. Weider de Oliveira Silva.

Boa parte dos procedimentos existentes atualmente na Odontologia envolve as


técnicas adesivas.2 Porém o desafio dessa técnica encontra-se no objetivo de con-
seguir adesão igualmente eficaz para dois tecidos que possuem naturezas diferen-
tes: esmalte e dentina.

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Fusayama, em 1978, desmitificou o ataque ácido em dentina, o denominado all-etch, ou ai-
nda, total-etch, foi preconizado. No tratamento total da dentina com ácido fosfórico, ocorre
a remoção integral da lama dentinária e abertura das entradas dos túbulos dentinários.
Nakabayashi, em 1982, apresentou a presença da interpenetração dos adesivos na dentina
desmineralizada pelo ataque ácido, ao que chamou de “camada híbrida”.3

Duas observações sobre o condicionamento ácido da dentina são fundamentais e devem ser
levadas em consideração:
§ o tempo de condicionamento com o ácido fosfórico pode variar de 15 a 20 segundos
na dentina;
§ a concentração do ácido fosfórico aplicado sobre a dentina pode variar de 30 a 40%.

PRIMERS
Os primers são conhecidos por promoverem a adesão. Eles contêm monômeros resinosos
com propriedades hidrofílicas e hidrofóbicas, tendo ao mesmo tempo afinidade pelas fibras
colágenas expostas e capacidade de copolimerizar com o segundo componente adesivo.
São compostos, basicamente, por moléculas de metacrilato, como monômeros hidrofílicos
(hidroxietilmetacrilato [HEMA]), monômeros hidrofóbicos (bisfenol glicidilmetacrilato [Bis-
GMA]) e solventes (álcool, acetona e água), que têm como propriedade característica a
fluidez necessária para penetrar na dentina desmineralizada. Distribuem-se também na hi-
droxiapatita irregular sob o colágeno.5

Os primers são os agentes de infiltração e os primeiros formadores da camada


híbrida.

São os primers que se infiltram por entre as fibras colágenas e ocupam os espaços
que anteriormente eram ocupados pela porção mineral, e sua aplicação é indispen-
sável dentro da técnica onde se faz o condicionamento ácido da dentina. Os pri-
mers possuem uma tensão superficial que se assemelha à energia livre de superfície
da dentina condicionada, facilitando o molhamento e a consequente infiltração na
sua intimidade. Para melhor resultado da união adesiva, é necessária a aplicação
do primer sobre a superfície pré-condicionada e mantida úmida.6

Segundo Jacobsen e Soderholm (1995),20 o objetivo da aplicação do primer é a difusão


pelos espaços interfibrilares de toda a dentina desmineralizada, substituindo ali a água
existente.

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Para facilitar a infiltração do primer por toda a dentina desmineralizada, frequentemente, os
monômeros resinosos são diluídos em solventes orgânicos, como acetona ou etanol, que,
pela característica volátil e alta miscibilidade com a água, têm a capacidade de deslocar a
água presente na superfície dentinária e na rede colágena, simultaneamente à infiltração de
monômeros resinosos.

Logo após a aplicação do primer, devem-se aplicar leves jatos de ar, nem água e
nem resíduos do solvente devem permanecer na intimidade da dentina desminera-
lizada, pois ambos irão ocasionar uma má polimerização dos monômeros resinosos
contidos no primer ou na resina, aplicada posteriormente.

Os primers que contêm solvente como acetona e álcool são mais sensíveis quanto ao
manuseio clínico. Os frascos deixados abertos pelo profissional podem ter seu solvente
evaporado, em especial a acetona e, quando for utilizado na cavidade, pode não conter
solvente suficiente que permita sua infiltração pela área desmineralizada, o que não produz
uma apropriada camada híbrida e gera sensibilidade pós-operatória em muitos casos.

Existem também primers que contêm água como solvente. A melhor aplicação desses
­primers encontra-se nos casos em que o profissional seca muito as áreas do preparo cavitá­
rio. Dessa forma, a água contida no primer agiria como um “autoexpansor”, revertendo o
colapso das fibras colágenas, hidratando-as novamente.19

ADESIVOS DENTINÁRIOS

Os adesivos devem ser aplicados logo após o primer.

O adesivo é uma resina fluida com pouca ou nenhuma carga, com características
hidrofóbicas, que se une quimicamente ao primer na porção mais superficial da
camada híbrida.

Os adesivos possuem como principais funções:


§ penetrar nos espaços criados pelo ácido no esmalte e na dentina;
§ aliviar as tensões da contração de polimerização das resinas.

A aplicação do adesivo deve ser feita em camadas finas, apenas o suficiente para cobrir o
esmalte e a dentina.

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Quando o adesivo é colocado no preparo cavitário em grande quantidade e tenta-se espal-
há-lo com a utilização de jatos de ar para reduzir a espessura da sua camada, pode resultar
na adição de oxigênio, o que pode prejudicar a sua polimerização e, como consequência,
também a adesão. O acúmulo do adesivo nos ângulos e pontos internos deve ser evitado,
pois pode ser interpretado como infiltração em radiografias.

Caso o adesivo seja aplicado e imediatamente fotoativado, sem que haja um tempo de
pausa necessário para a sua correta evaporação, ele não irá polimerizar adequadamente,
conseguindo levar sequelas negativas que podem prejudicar a união, com ação na resistên-
cia adesiva e no selamento, na sensibilidade pós-operatória e na degradação precoce da
interface adesiva.8

Nos sistemas adesivos mais modernos, o primer e o adesivo vêm juntos em um mesmo
recipiente, tornando a aplicação simplificada.

ADESIVOS COM FLUORETOS


As consequências do forramento com fluoretos sempre foram consideradas como benéfi-
cas, porque caso a restauração possibilitasse a penetração, o flúor impediria a reincidência
de cárie. Por isso, alguns produtos adesivos disponíveis no mercado têm incorporado fluo-
reto na sua composição, procurando responder aos profissionais que se sentem mais segu-
ros ao usarem produtos com essa composição, haja vista que, nos dias atuais, a utilização
de adesivos exclui a necessidade de forramento, sendo eles próprios responsáveis por um
selamento perfeito, que é a camada híbrida.17 Pesquisas realizadas exibem que os adesivos
com fluoretos podem liberar flúor nos locais de microinfiltração de uma restauração.16

ADESIVOS COM CARGA


A junção de carga no adesivo aumenta consideravelmente sua viscosidade e faz com que
diminua o seu escoamento, além de fazer uma camada híbrida mais espessa, capacitada
para absorver a tensão de contração da resina. Considerando algumas contraindicações
dessa espessura, muitos fabricantes iniciaram a produção de adesivos com nano carga, ou
seja, com partículas de tamanho minúsculo.17

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ATIVIDADE

1. Observe as afirmações sobre sistemas adesivos.


I – A união de materiais restauradores com as estruturas dentárias ainda é motivo de
pesquisa, pois a falta de adesão pode ocasionar diversos problemas, como infiltra-
ção marginal, sensibilidade pós-operatória, manchamentos das margens da restau-
ração e consequente diminuição da longevidade.
II – Atualmente, o mecanismo de adesão à dentina comumente utilizado se faz com
base no condicionamento ácido total, somado à técnica de hibridização da dentina
desmineralizada.
III – Devido às características morfológicas e fisiológicas do substrato dentinário, os
sistemas adesivos são constituídos por monômeros hidrofílicos e por monômeros
hidrofóbicos.
Quais estão corretas?
A) Apenas a I e a II.
B) Apenas a I e a III.
C) Apenas a II e a III.
D) A I, a II e a III.
Resposta no final do artigo

2. Como pode variar o tempo de condicionamento na dentina com o ácido fosfórico?


A) De 10 a 15 segundos.
B) De 15 a 20 segundos.
C) De 20 a 25 segundos.
D) De 25 a 30 segundos.
Resposta no final do artigo

3. Qual o objetivo da aplicação do primer?


A) Remover integralmente a lama dentinária e abertura das entradas dos túbulos
dentinários.
B) Evitar a formação da camada híbrida.
C) Difundir-se pelos espaços interfibrilares de toda a dentina desmineralizada, substi-
tuindo ali a água existente.
D) Penetrar nos espaços criados pelo ácido no esmalte e na dentina e aliviar as tensões
da contração de polimerização das resinas.
Resposta no final do artigo

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4. Observe as afirmações sobre os adesivos dentinários.
I – Os adesivos devem ser aplicados logo após o primer.
II – Pesquisas realizadas mostram a ineficácia dos adesivos com fluoretos para liberar
flúor nos locais de microinfiltração de uma restauração.
III – A junção de carga no adesivo aumenta consideravelmente sua viscosidade e faz
com que diminua o seu escoamento, além de fazer uma camada híbrida mais es-
pessa, capacitada para absorver a tensão de contração da resina.
Quais estão corretas?
A) Apenas a I e a II.
B) Apenas a I e a III.
C) Apenas a II e a III.
D) A I, a II e a III.
Resposta no final do artigo

CONDICIONAMENTO NAS RESPECTIVAS


ESTRUTURAS DENTAIS
Analisa-se a seguir o condicionamento do esmalte dental e da dentina em relação à união
dos materiais restauradores às estruturas dentais.

ESMALTE
O esmalte dental é o mais resistente e também o tecido mais mineralizado do corpo, e, em
virtude dessa característica, é friável, sendo translúcido em condições normais.

A coloração normal do esmalte pode variar de amarelo claro a branco acinzentado. Nas
bordas incisais do dente, onde não há presença de dentina subjacente ao esmalte, a cor, por
diversas vezes, pode ser levemente azulada.

A espessura do esmalte varia ao longo da superfície do dente, podendo ser frequentemente


mais espesso nas cúspides e mais estreito na junção amelodentinária.

A composição química do esmalte está apresentada na Figura 2.

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Orgânico
(protéinas) e
água – 4%

Mineral
(hidroxiapatita) –
96%

Figura 2 – Composição química do esmalte.


Fonte: Arquivo de imagens do Dr. Weider de Oliveira Silva.

Diferentemente da dentina e do tecido ósseo, o esmalte não possui em sua com-


posição o colágeno, e, devido a essa composição química, a adesão torna-se mais
eficaz na região.

As proteínas que compõem a estrutura do esmalte são:


§ enamelina.
§ amelogenina.

Sobre a estrutura do esmalte, é importante considerar que:


§ a superfície externa do esmalte é formada por uma camada fina e heterogênea onde
os cristais de hidroxiapatita são paralelos entre si;
§ a estrutura, quando olhada com o auxílio de um microscópio, lembra muito um “bu-
raco de fechadura”;
§ a disposição dos cristais de hidroxiapatita é complexa;
§ a maior parte do esmalte é formada por prismas ou bastões. Cada prisma se origina
na junção entre a dentina e o esmalte, junção amelodental, e segue até a região
próxima à superfície do esmalte;
§ a camada mais superficial do esmalte é dita aprismática.

O alto conteúdo mineral do esmalte o torna propenso a um processo de desmineralização.

O ácido fosfórico é, atualmente, o agente mais comumente usado para se realizar


o condicionamento da superfície do esmalte e, comercialmente, ele é encontrado
tanto na forma de gel quanto em solução aquosa.

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O uso do ácido fosfórico em forma de gel tem a mesma eficiência da solução, a diferença
está no manuseio e no maior controle de aplicação do gel nas áreas desejadas. Isso se deve
à sua viscosidade, que permite delimitar a área a ser condicionada sem causar danos a out-
ras partes do dente. A concentração pode variar de 30 a 60%, pois acima ou abaixo dessa
faixa o produto formado da ação do ácido na superfície do esmalte é um sal insolúvel que
permanece nos microporos, obstruindo-os mesmo após a lavagem, o que pode causar sen-
sibilidade ou comprometimento da restauração. O tempo de utilização do ácido em esmalte
varia de 30 a 60 segundos.

A utilização do ácido fosfórico promove uma dissolução seletiva dos prismas de esmalte, cri-
ando microporosidades que serão posteriormente preenchidas pelo adesivo, dando origem
aos prolongamentos adesivos ou tags. Sendo os tags então polimerizados, é estabelecida
uma união micromecânica. O processo de união do adesivo ao esmalte também pode ser
esclarecido pelo aumento da energia superficial do esmalte de 28 para 72dinas/cm após o
condicionamento com ácido.

Para que se obtenha uma correta união entre o esmalte e o adesivo (Figura 3), é impre-
scindível que o ângulo de contato do adesivo aplicado sobre o esmalte seja pequeno,
proporcionando uma excelente capacidade de umedecimento. Desse modo, o condi-
cionamento do esmalte com ácido é primordial para aumentar a energia superficial e,
assim, alcançar uma área mais receptiva, que aproxime o adesivo.22

Retenção
micro-mecânicas

União dos adesivos ao “TAGS” ou


ESMALTE Prolongamentos adesivos

União duradouda, estável,


efetiva e confiável

Figura 3 – União dos adesivos ao esmalte.


Fonte: Arquivo de imagens do Dr. Weider de Oliveira Silva.

20 O ESTÁGIO ATUAL DOS SISTEMAS ADESIVOS


DENTINA

A dentina é um tecido conjuntivo avascular, mineralizado, especializado, que forma


a maior parte do dente, dando suporte ao esmalte.

A dentina é revestida pelo esmalte na sua parte coronária e pelo cemento na sua
parte radicular. Na sua porção interna, a dentina delimita a cavidade pulpar onde
fica a polpa dentária. Possui células especializadas e substância intercelular.

A composição da dentina está apresentada na Figura 4.

Água – 20%

Orgânico – 30%

Mineral – 50%

Figura 4 – Composição da dentina.


Fonte: Nakabayashi (1992).4

Devido à constituição úmida estrutural da dentina, os mecanismos de adesão à estrutura


dentinária sempre foram um desafio.

As estratégias de adesão à dentina são baseadas nos trabalhos feitos por Nakabayashi, que
descreveu a técnica de condicionamento ácido da dentina seguida pela aplicação de um
monômero hidrofílico previamente à aplicação de um agente resinoso a ser polimerizado,
estabelecendo a união com o material restaurador.

A superfície dentinária é bastante permeável às substâncias químicas, especialmente aos


ácidos. A principal peculiaridade da dentina que a difere dos demais tecidos calcificados do
organismo é a presença dos túbulos dentinários.

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Os túbulos dentinários são pequenos canais que se estendem perpendicularmente
à superfície dental desde o limite com a polpa até o limite com o esmalte, na coroa,
ou com o cemento, na região da raiz.

Os túbulos dentinários possuem prolongamentos chamados odontoblastos em seu inte-


rior. O odontoblasto é a célula encarregada pela síntese da dentina e cujo corpo celular se
localiza na periferia da polpa. Durante a síntese da dentina, os odontoblastos sintetizam
inicialmente a matriz proteica, que forma uma camada entre os odontoblastos e a dentina
mineralizada. Essa camada é denominada de pré-dentina, a qual será transformada na
dentina propriamente dita.

A estrutura da dentina está representada na Figura 5.

Odontoblastos

Presença de túbulos
DENTINA
dentinários

Pré-dentina

Figura 5 – Estrutura da dentina.


Fonte: Arquivo de imagens do Dr. Weider de Oliveira Silva.

Os tipos de dentina são:


§ primária: dentina formada até o término da formação da raiz;
§ secundária ou fisiológica: dentina formada após a formação da raiz, durante toda a
vida;
§ terciária ou reacional: dentina formada em resposta a um estímulo físico ou químico
na dentina ou na polpa. Essa dentina tem sua formação em ritmo acelerado, por isso
é mais calcificada e menos organizada. Subdivide-se da seguinte forma:
– esclerosada;
– reparadora.

A dentina é uma estrutura branca amarelada. A intensidade do amarelo pode variar com
a idade e de um indivíduo para o outro. Quanto maior a translucidez do esmalte, mais irá
aparecer a cor amarelada. A dentina é um tecido mole e bastante radiolúcido. Apresenta

22 O ESTÁGIO ATUAL DOS SISTEMAS ADESIVOS


uma boa elasticidade, devido à rede de colágenos que possui e, com isso, confere a ela o
papel de amortecer as forças mastigatórias impostas sobre o esmalte.

Quanto à sua localização, a dentina classifica-se em:


§ superficial: a dentina superficial é a menos permeável;
§ média;
§ profunda: a dentina profunda é a mais permeável;
§ intertubular: a dentina intertubular compõe a massa dentinária, e a metade de seu
volume é composta de matriz orgânica representada por fibras colágenas envolvidas
por substância amorfa;
§ peritubular: a dentina peritubular compõe a periferia dos túbulos dentinários, apre-
senta-se mais radiopaca devido ao seu grau de mineralização;
§ intratubular: a dentina intratubular está localizada dentro dos túbulos dentinários.

A Figura 6 apresenta esquematicamente as dentinas intertubular, peritubular e intratubular.

Intratubular

Peritubular

Intertubular

Figura 6 – Dentinas intertubular, peritubular e intratubular.


Fonte: Arquivo de imagens do Dr. Weider de Oliveira Silva.

ADESÃO À DENTINA COM LESÃO DE CÁRIE

A dentina infectada por cárie possui alterações morfológicas e histológicas decor-


rentes da desmineralização. Os seus componentes minerais diminuem na área da
dentina cariada quando comparada à dentina sadia, devido ao ciclo de desremine-
ralização. Contudo, essas alterações na estrutura dentinária não só interferem no
procedimento de condicionamento ácido, como também na infiltração dos monô-
meros resinosos, resultando em falhas na interface adesiva.7

A dentina acometida por cárie possui maior permeabilidade na dentina intertubu-


lar e baixa permeabilidade na dentina intratubular.

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A mais eficaz permeabilidade da dentina intertubular está intimamente ligada ao fato de
que o ataque ácido age mais profundamente nesse substrato, o qual já está parcialmente
desmineralizado e é mais poroso do que a dentina normal,25 induzindo à maior penetração
do sistema adesivo. Contudo, a penetração do adesivo na dentina intratubular é dificultada,
já que há presença de resíduos de minerais nos canalículos dentinários, que são ácido-
rresistentes,7 impede a penetração do ácido e do sistema de união.

A utilização de ácidos na dentina afetada por cárie é muito agressiva, uma vez que ela
já se encontra desmineralizada. Porém, ácidos fortes ou períodos longos de ataque áci-
do foram preconizados para remover os resíduos presentes nas entradas dos canalícu-
los, permitindo assim a formação dos tags de resina, o que aumenta a força de união
entre a dentina e a resina.

Verificou-se que, mesmo depois de longos períodos de exposição ao ácido, os cristais


ainda se mantinham relutantes à diluição. Os longos períodos de condicionamento
ácido apenas formam uma camada desmineralizada mais profunda na dentina peritu-
bular. Dessa maneira, muitos estudiosos relataram que a união à dentina acometida
pela doença cárie necessita de tratamentos específicos de condicionamento ácido que
ainda são desconhecidos.7

ADESÃO À DENTINA ESCLERÓTICA

A dentina esclerótica é um substrato que possui inúmeras alterações fisiológicas e


patológicas que ocorrem devido a estímulos do próprio organismo, por meio do
processo natural de defesa e também em resposta à colonização oral, o que faz
com que se torne cristalina e translúcida.23

A dentina esclerótica é comumente encontrada nas lesões cervicais não cariosas e em pa-
cientes idosos. A principal característica da dentina esclerótica é o processo de obliteração
parcial ou completa dos canalículos dentinários,23 que acontece pela formação de dentina
peritubular ou pela existência de uma camada hipermineralizada (dentina esclerótica), o que
prejudica a constituição dos tags de resina. Assim, a barreira de superfície impossibilita a
penetração do sistema de união na dentina subjacente,26 fazendo com que a força de união
dos adesivos com a dentina esclerótica sejam baixos se comparados à dentina normal.

24 O ESTÁGIO ATUAL DOS SISTEMAS ADESIVOS


Kwong e colaboradores (2002) relataram que a melhora na união da dentina escleróti-
ca pode ser adquirida quando se remove a camada hipermineralizada com brocas que
irão proporcionar uma retenção mecânica, ou pela utilização de ácidos muito fortes.26
Outra opção para se obter melhora na adesão desse substrato seria o uso do cimento
de ionômero de vidro, que apresenta adesão química e mecânica à estrutura do dente.

ATIVIDADE

5. Sobre o esmalte dental, assinale a alternativa correta.


A) O esmalte dental é o tecido mais resistente, mas o menos mineralizado do corpo, e,
em virtude dessa característica, é friável, sendo translúcido em condições normais.
B) Nas bordas incisais do dente, onde existe presença de dentina subjacente ao es-
malte, a cor, por diversas vezes, pode ser levemente azulada.
C) A espessura do esmalte varia ao longo da superfície do dente, podendo ser fre-
quentemente mais espesso nas cúspides e mais estreito na junção amelodentinária.
D) Diferentemente da dentina e do tecido ósseo, o esmalte possui em sua composição
o colágeno, o que torna a adesão mais eficaz nessa região.
Resposta no final do artigo

6. Sobre a estrutura do esmalte, assinale V (verdadeiro) ou F (falso).


( ) A superfície interna do esmalte é formada por uma camada espessa e heterogênea
onde os cristais de hidroxiapatita são paralelos entre si.
( ) A estrutura, quando olhada com auxílio de um microscópio, lembra muito um “bu-
raco de fechadura”.
( ) A disposição dos cristais de hidroxiapatita é complexa.
( ) A maior parte do esmalte é formada por prismas ou bastões. Cada prisma se origina
na junção entre a dentina e o esmalte, junção amelodental, e segue até a região
próxima à superfície do esmalte.
( ) A camada mais profunda do esmalte é dita aprismática.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.
A) V – F – F – F – V.
B) F – V – V – V – F.
C) V – F – V – F – V.
D) F – V – F – V – F.
Resposta no final do artigo

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 3 | 25


7. Observe as afirmações sobre a dentina.
I – A dentina é revestida pelo cemento na sua parte coronária e pelo esmalte na sua
parte radicular.
II – A dentina, na sua porção interna, delimita a cavidade pulpar, onde fica a polpa
dentária.
III – A dentina possui células especializadas e substância intercelular.
Quais estão corretas?
A) Apenas a I e a II.
B) Apenas a I e a III.
C) Apenas a II e a III.
D) A I, a II e a III.
Resposta no final do artigo

8. Defina túbulos dentinários.


__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
Resposta no final do artigo

9. Observe as afirmações em relação aos tipos de dentina.


I – A dentina primária é a dentina formada até o término da formação da raiz.
II – A dentina secundária é a dentina formada após a formação da raiz, durante toda a
vida.
III – A dentina reacional é a dentina formada em resposta a um estímulo físico ou químico.
IV – A dentina peritubular compõe a massa dentinária, sendo que a metade de seu vol-
ume é composta de matriz orgânica representada por fibras colágenas envolvidas
por substância amorfa.
Quais estão corretas?
A) Apenas a I, a II e a III.
B) Apenas a I, a II e a IV.
C) Apenas a III e a IV.
D) A I, a II, a III e a IV.
Resposta no final do artigo

26 O ESTÁGIO ATUAL DOS SISTEMAS ADESIVOS


10. Considerando a classificação da dentina quanto à sua localização, qual a mais p
­ ermeável?
A) A dentina superficial.
B) A dentina profunda.
C) A dentina intertubular.
D) A dentina intratubular.
Resposta no final do artigo

11. Quanto à adesão à dentina com lesão de cárie, assinale a alternativa correta.
A) A dentina infectada por cárie possui alterações morfológicas e histológicas decor-
rentes da remineralização.
B) A dentina acometida por cárie possui baixa permeabilidade na dentina intertubular
e alta permeabilidade na dentina intratubular.
C) A utilização de ácidos na dentina afetada por cárie é essencial, uma vez que ela já
se encontra remineralizada.
D) Muitos estudiosos relataram que a união à dentina acometida pela doença cárie
necessita de tratamentos específicos de condicionamento ácido que ainda são
desconhecidos.
Resposta no final do artigo

12. O que vem a ser a dentina esclerótica?


__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
Resposta no final do artigo

LAMA DENTINÁRIA OU SMEAR LAYER


Quando o dente é acometido pela doença cárie, há necessidade de se remover todo o tecido
cariado, realizando-se um preparo cavitário que segue princípios específicos. Quanto mais
profundo o corte, maior será o número de túbulos expostos, maior o seu diâmetro e maior
a área dos canalículos por superfície.

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 3 | 27


A smear layer é formada a partir do corte ou desgaste com instrumentos rotatórios
ou manuais de qualquer estrutura dental. São microfragmentos que são deposita-
dos sobre a dentina durante o preparo cavitário. Sua espessura pode variar de 1 a
3 micrômetros.

Patterson e Watts (1987) definiram smear layer como a camada de resíduos ou


fragmentos deixados sobre o esmalte, a dentina ou o cemento após a instrumen-
tação e o uso de métodos convencionais de limpeza de cavidades.27

O termo smear layer foi mencionado pela primeira vez por Boyde, Switsur e Stewart, em
1963, a partir de análise com microscopia de varredura. Segundo esses autores, o calor fric-
cional gerado durante o preparo das cavidades foi o mais importante fator na formação da
lama dentinária.

Alguns estudos relacionaram a formação da smear layer mais como um fenômeno físico-
químico do que térmico. O calor de 600 graus Celsius gerado no preparo cavitário apenas
provocaria a deformação plástica dos cristais de apatita, uma vez que a sua fusão só ocor-
reria entre 1.500 a 1.800 graus Celsius. Definiram a composição da smear layer como um
filme orgânico de menos de 0,5 micrômetros de espessura contendo partículas de apatita
que atingem uma média de 0,5 a 15 micrômetros.28

O diâmetro das partículas da smear layer variava de 50 micrômetros a menos de 2 micrô-


metros. As partículas menores obstruem e selam parcialmente os túbulos dentinários seccio-
nados, formando plugs que diminuem a permeabilidade da dentina. Entretanto, partículas
de pó de dentina de tamanho médio repousam sobre a superfície dentinária, que poderiam
interferir na adaptação de materiais restauradores ou na cimentação de peças protéticas.

A lama dentinária é um substrato dinâmico, produzido clinicamente, e consiste de duas


camadas:
§ smear on: camada externa superficial e amorfa, agregada sobre superfície dentinária.
§ smear in ou plug: camada interna, formada por micropartículas que forçadamente
penetram por alguns micrômetros o interior do complexo tubular da dentina.

A smear layer é constituída de pequenas partículas de matriz de colágeno, partícu-


las inorgânicas do dente, saliva e várias bactérias.

Nakabayashi (2000) relatou que a penetração de resíduos nos túbulos leva à formação de
uma camada que se une apenas mecanicamente à dentina após o preparo da cavidade.12
Medindo essa força de união, o autor diz ter encontrado valores variáveis, podendo ser forte
em algumas áreas e até ausente em outras.

28 O ESTÁGIO ATUAL DOS SISTEMAS ADESIVOS


A importância da smear layer de partículas aumenta quando se sabe que ela pode abri-
gar microrganismos que, por sua vez, podem favorecer a reincidência da cárie, a infla-
mação pulpar e a menor adesão. No entanto, para muitos pesquisadores, o completo
conhecimento da relevância da smear layer está ainda longe de ser alcançado, pois sua
remoção das paredes cavitárias pode trazer, ao mesmo tempo, benefícios e prejuízos
para as técnicas restauradoras, em função do tipo do procedimento restaurador.

CLASSIFICAÇÃO DOS SISTEMAS ADESIVOS QUANTO


AO TRATAMENTO DA SMEAR LAYER
Os sistemas adesivos, quanto ao tratamento da smear layer, são classificados em:
§ sistemas adesivos que não tratam a smear layer;
§ sistemas adesivos que removem a smear layer;
§ sistemas adesivos que modificam ou removem parcialmente a smear layer.

SISTEMAS ADESIVOS QUE NÃO TRATAM A SMEAR LAYER


Os sistemas adesivos que não tratam a smear layer (Figura 7) são aqueles que possuem em
sua composição ésteres fosfatados em uma resina sem carga (Bis-GMA). Sugeriam que sua
utilização sobre a dentina deveria ser feita sem nenhum tratamento prévio, ao contrário
do esmalte, que deveria passar por um condicionamento ácido primeiro. Esse processo de
união era compreendido basicamente por ligações iônicas entre os grupos fosfato e o cálcio
da dentina. Porém esse tipo de adesão não obteve sucesso devido ao seu baixo valor de
resistência de união, próximo a 1MPa.

INSUCESSO
desse sistema
ADESÃO

SISTEMAS
ADESIVOS QUE Sem tratamento
NÃO TRATAM A prévio
SMEAR LAYER
A baixa união entre
lama dentinária e dentina
Ligações inônicas não é suficiente para
diminuir o stress da
polimerização

Figura 7 – Sistemas adesivos que não tratam a smear layer.


Fonte: Arquivo de imagens do Dr. Weider de Oliveira Silva.

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 3 | 29


O insucesso dos sistemas adesivos que não tratam a smear layer sucedeu porque,
apesar de haver uma boa adesão química inicial, a fraca união entre a lama dentinária
e a dentina não era suficiente para contrapor o estresse de polimerização reproduzido
pelos compósitos, o que gerava a produção de fendas nas margens das restaurações,
seguida de microinfiltração. Junto a esses fatores, acontecia a hidrólise da ligação
química que antes existia entre o adesivo e a smear layer.22

Como exemplos demonstrativos dessa categoria de adesivos, existem as seguintes marcas


comerciais: Scotchbond (3M) e Bondlite (Kerr).

SISTEMAS ADESIVOS QUE REMOVEM A SMEAR LAYER


Os sistemas adesivos que removem a smear layer (Figura 8) na sua totalidade descalcificam a
dentina peritubular e intertubular, abrindo os túbulos dentinários e expondo a rede de fibras
colágenas, alargando a entrada deles. Isso ocorre por meio da aplicação prévia do ácido no
esmalte e na dentina, acompanhada da aplicação de um primer e de adesivo que constituem
frascos diferentes ou, nas formulações mais atuais, do primer e do adesivo contidos em um
mesmo frasco.

1o PASSO: aplicação
Descalcificam a prévia de ávido na
dentina dentina e no esmalte
peritubular e
intertubular
SISTEMAS
ADESIVOS QUE
REMOVEM A
SMEAR LAYER
2o PASSO: aplicação
de um primer e
Abrindo os túbulos adesivo, que podem ser
dentinários de frascos únicos
ou separados

Figura 8 – Sistemas adesivos que removem a smear layer.


Fonte: Arquivo de imagens do Dr. Weider de Oliveira Silva.

30 O ESTÁGIO ATUAL DOS SISTEMAS ADESIVOS


O primeiro passo dos sistemas que removem a smear layer é o condicionamento com áci-
dos, com o objetivo de remover a lama dentinária e promover a desmineralização superficial
da dentina, expondo uma rede de fibras de colágeno. O segundo passo é a aplicação do
primer, que contêm monômeros que possuem propriedades hidrofílicas, que têm afinidade
com as fibras colágenas e que possuem propriedades hidrofóbicas para copolimerizar com o
adesivo, o qual formará a camada híbrida por meio dos resin-tags nos canalículos dentinári-
os desobstruídos. Os tags de adesivo colaboram não somente para a adesão, como também
para o selamento dos canalículos dentinários contra a invasão bacteriana.

A desmineralização que ocorre na primeira etapa dessa categoria, condicionamen-


to com ácidos, não deve ser profunda e nem excessiva, podendo ser motivada
por fatores como potencial hidrogeniônico (ph), tempo de aplicação, viscosidade e
concentração do ácido.13

Recomenda-se que após a retirada do condicionador ácido pela limpeza com água,
a dentina deva manter-se úmida para beneficiar a ação do primer. O primer então,
penetra na dentina desmineralizada e na rede de colágeno exibida, aumentando a
energia livre da superfície da dentina que, devido ao conteúdo rico em proteínas,
fica diminuída após o condicionamento ácido.

Para aumentar a atividade do solvente, o primer deve ser secado levemente com um jato de
ar, para que a água evapore, possibilitando a posterior polimerização do sistema adesivo.
Com isso, o adesivo é colocado e atinge a dentina preenchida pelo primer, dando origem
à camada híbrida. Como exemplos demonstrativos dessa categoria de adesivos, existem as
seguintes marcas comerciais: ScotchbondMultiPurpose® (3M Espe), Solobond® (Voco), All
Bond 2® (Bisco), Optibond® (Kerr), PermaQuick® (Ultradent) e Paama 2® (SDI).

Devido à dificuldade, à sensibilidade técnica e ao tempo de execução na aplicação desses


sistemas, o mercado lançou novos sistemas que associam o primer e o adesivo, dando re-
sultado a somente dois passos clínicos. Pesquisas apresentam que é similar à resistência de
união à dentina e ao esmalte dos adesivos de remoção total da smear layer de três ou dois
passos, e que a resistência adesiva atinge valores altos.

Outra tendência do mercado é a incorporação de micropartículas com o objetivo de criar


concepção de união elástica que pode absorver em parte o estresse causado pela contra-
ção de polimerização do compósito, evitando assim que ocorram fendas nas margens das
restaurações.

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 3 | 31


SISTEMAS ADESIVOS QUE MODIFICAM OU REMOVEM
PARCIALMENTE A SMEAR LAYER
Os sistemas adesivos que modificam ou removem parcialmente a smear layer (Figura 9) se
desenvolveram a partir do conceito de que a camada de lama dentinária proporciona uma
barreira natural para a polpa, protegendo-a contra a invasão bacteriana e limitando a saída
de fluido pulpar, o que poderia diminuir a adesão. Assim, esses sistemas adesivos procuram
associar a smear layer no processo de adesão. A força de adesão dos adesivos com a
dentina é de aproximadamente 6MPa.

Lama dentinária Associação da


lama dentinária
no processo de adesão
SISTEMAS
ADESIVOS QUE
MODIFICAM OU
REMOVEM
PARCIALMENTE
A SMEAR LAYER
Ácido somente no
Barreira natural esmalte e adesivo
para a polpa em todo o dente

Figura 9 – Sistemas adesivos que modificam ou removem parcialmente a smear layer.


Fonte: Arquivo de imagens do Dr. Weider de Oliveira Silva.

Clinicamente, os sistemas adesivos que modificam ou removem parcialmente a


smear layer requerem o ataque ácido somente do esmalte e aplicação de adesivo
em todo o dente.

Mesmo com o desenvolvimento quanto à capacidade de selamento marginal e


à resistência de união comparado aos sistemas adesivos anteriores, os resultados
apresentados pelos sistemas adesivos que modificam ou removem parcialmente a
smear layer ainda eram insatisfatórios.

Como exemplos da categoria de adesivos que modificam ou removem parcialmente a smear


layer, há as seguintes marcas comerciais: Scotchbond 2® (3M), XR Bond® (Kerr), Syntac®
(Ivoclar), Prisma Universal Bond 3® (CaulkDentsply) e Denthesive II® (Heraeus).

Passados alguns anos, na década de 90, o conceito de remoção parcial ou modificação da


smear layer reapareceu com novos sistemas adesivos que faziam uso de um primer auto-

32 O ESTÁGIO ATUAL DOS SISTEMAS ADESIVOS


condicionante, com capacidade de desmineralizar mais, seguido da aplicação de um ade­
sivo, os denominados autocondicionantes.

ATIVIDADE

13. Defina smear layer.


__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
Resposta no final do artigo

14. Observe as afirmações sobre lama dentinária ou “smear layer”.


I – A smear layer é formada a partir do corte ou desgaste com instrumentos rotatórios
ou manuais de qualquer estrutura dental.
II – A espessura da smear layer pode variar de 1 a 3 micrômetros.
III – A smear layer é constituída de pequenas partículas de matriz de colágeno, partícu-
las inorgânicas do dente, saliva e várias bactérias.
Quais estão corretas?
A) Apenas a I e a II.
B) Apenas a I e a III.
C) Apenas a II e a III.
D) A I, a II e a III.
Resposta no final do artigo

15. Em relação à classificação dos sistemas adesivos quanto ao tratamento da smear layer,
correlacione a primeira coluna com a segunda.
(1) Sistemas adesivos que não tra- ( ) A força de adesão desses adesivos com a den-
tam a smear layer tina é de aproximadamente de 6MPa.
(2) Sistemas adesivos que remo­ ( ) Executados em dois passos: (1) condiciona-
vem a smear layer mento com ácidos e (2) aplicação do primer.
(3) Sistemas adesivos que modifi­ ( ) Esse tipo de adesão não obteve sucesso devi-
cam ou removem parcialmente do ao seu baixo valor de resistência de união,
a smear layer próximo a 1MPa.

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 3 | 33


Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.
A) 3 – 2 – 1.
B) 2 – 3 – 1.
C) 3 – 1 – 2.
D) 2 – 1 – 3.
Resposta no final do artigo

16. Quais sistemas adesivos requerem o ataque ácido somente do esmalte e a aplicação de
adesivo em todo o dente?
A) Sistemas adesivos que não tratam a smear layer.
B) Sistemas adesivos que removem a smear layer.
C) Sistemas adesivos que modificam ou removem parcialmente a smear layer.
D) Sistemas adesivos que removem totalmente a smear layer e os que modificam ou
removem parcialmente a smear layer.
Resposta no final do artigo

17. Observe as afirmações sobre a dentina e a lama dentinária.


I – Os primers são os agentes de infiltração e os primeiros formadores da camada híb-
rida.
II – A lama dentinária consiste de duas camadas: smear on e smear in ou plug.
III – A dentina acometida por cárie possui maior permeabilidade na dentina intertubular
e baixa permeabilidade na dentina intratubular.
IV – Os sistemas adesivos que removem a smear layer se desenvolveram a partir do con-
ceito de que a camada de lama dentinária proporciona uma barreira natural para a
polpa.
Quais estão corretas?
A) Apenas a I, a II e a III.
B) Apenas a I, a II e a IV.
C) Apenas a III e a IV.
D) A I, a II, a III e a IV.
Resposta no final do artigo

34 O ESTÁGIO ATUAL DOS SISTEMAS ADESIVOS


SISTEMAS ADESIVOS AUTOCONDICIONANTES
Os sistemas adesivos autocondicionantes são compostos por monômeros hidrófilos ácidos,
água, HEMA e dimetacrilatos bifuncionais. Um acréscimo na concentração de monômeros
ácidos é preciso para diluir a smear layer e tratar a dentina subjacente, e a água é usada
como meio de ionização desses componentes resinosos ácidos. O HEMA é agregado como
um tipo de “solvente”, visto que alguns dos monômeros ácidos não são solúveis direta-
mente em água.15

Os agentes autocondicionantes removem a necessidade de tratamento da dentina


com ácido fosfórico pelo uso do primer ácido, estando à disposição tanto com
primers autocondicionantes como adesivos autocondicionantes de passo único.

Os novos sistemas adesivos autocondicionantes modificam a smear layer do dente


e não precisam ser lavados. São capazes de atuar ao mesmo tempo como condicio-
nadores de esmalte dental e dentina e como primers, impossibilitando que ocorra
uma camada desmineralizada e não penetrada por adesivo, entendendo que a
desmineralização e a infiltração do adesivo na dentina ocorrem simultaneamente.
Por não existir a etapa de lavagem, a lama dentinária e a hidroxiapatita diluída pelo
adesivo autocondicionante fica a ele incorporada.17

Os sistemas autocondicionantes possuem acidez intrínseca, o que faz com que aumente a
permeabilidade da dentina, facilitando a infiltração dos monômeros resinosos nas micropo-
rosidades feitas na dentina. Com isso, esses sistemas são mais simples de serem utilizados
que os outros adesivos já existentes, podendo criar uma opção mais fácil e eficiente.14

Devido à circunstância de os sistemas autocondicionantes serem ácidos e não serem lavados


após sua aplicação, poderia supor-se que motivam uma desmineralização sem limites dos
tecidos do dente. Porém, isso não acontece, porque os tecidos desmineralizados do dente
são capazes de tamponar as substâncias ácidas do material, neutralizando, após alguns
segundos, sua ação desmineralizante.11

Os adesivos autocondicionantes têm valores de união à dentina equivalente aos ad-


esivos de condicionamento ácido prévio.13,17 No entanto, o mesmo não acontece no
esmalte dentário, no qual os adesivos autocondicionantes mostraram valores de união
pequenos e também no qual não promovem retenções habituais como as alcançadas
com o uso prévio do ácido fosfórico.

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 3 | 35


Leinfelder e Kurdziolek (2003)14 observam que os sistemas autocondicionantes, por serem
colocados diretamente na smear layer proporcionalmente seca, previnem alguns problemas
ligados aos adesivos de passos separados, como a sensibilidade pós-operatória. Também
favorecem o selamento marginal efetivo, tanto nas margens dentinárias como nas margens
do esmalte. Entretanto esses tipos de adesivos ainda precisam ser bastante estudados, a fim
de que se comprove o seu sucesso clínico.

Nakabayashi e Pasheley (2000)12 relataram que a smear layer possui uma capacidade tampão
que unida ao firme agregamento de suas partículas seriam capazes de limitar a profundidade
de infiltração do monômero ácido dos sistemas autocondicionantes para aproximadamente
2,0 micrômetros. Com isso, se a espessura da lama dentinária for de 2,0 micrômetros, o
sistema autocondicionante poderá não penetrar completamente no tecido subjacente.

Os autores destacam ainda que os adesivos dessa geração, para obterem sucesso clínico,
devem penetrar 2,0 micrômetros na smear layer – para unirem-se às paredes da dentina
subjacente numa profundidade de aproximadamente 1,0 micrômetro, oferecendo força re-
tentiva suficiente e um bom selamento, mesmo se a smear layer falhar.

Como exemplos de adesivos autocondicionantes, existem as seguintes marcas comerciais


de sistemas adesivos de dois passos ou primers autocondicionantes: Clearfil SE Bond® e
ClearfilLiner Bond 2® (Kuraray) AdheSE® (Ivoclar), Optibond Solo como self etch primer®
(Kerr). Alguns exemplos comerciais de adesivos autocondicionantes “all-in-one”: Xeno III®
(Dentsply), AdperPrompt® (3M ESPE) e One-up Bond F® (J. Morita).

ADESIVOS AUTOCONDICIONANTES DE DOIS PASSOS “PRIMER


AUTOCONDICIONANTE”
Os dois passos dos adesivos autocondicionantes de dois passos são:
1. colocação do primer ácido. O primer autocondicionante é colocado em todo o prepa­
ro, sendo esmalte e dentina, de forma ativa por 20 a 30 segundos, com posterior
aplicação de jatos leves de ar;
2. colocação do adesivo. Coloca-se uma camada uniforme do adesivo, com posterior
aplicação de jatos leves de ar e polimerização por 20 segundos.

ADESIVOS AUTOCONDICIONANTES DE PASSO ÚNICO “ADESIVO


AUTOCONDICIONANTE” OU “ALL-IN-ONE”
Quando apenas uma única solução possui monômeros ácidos, solventes, diluentes e água,
que são colocados diretamente sobre a camada dental não condicionada, o adesivo auto-
condicionante desempenha a função de desmineralização, penetração e em seguida ligação
com o material restaurador.

36 O ESTÁGIO ATUAL DOS SISTEMAS ADESIVOS


A diminuição dos passos clínicos fez com que houvesse maior complexidade nas
fórmulas adesivas, comprometendo a eficiência desses passos.

Os adesivos de passo único são colocados sobre o substrato por, no mínimo, 15 segundos,
com posterior aplicação de jatos leves de ar. Então, outra camada é aplicada, seguida de
novos jatos de ar, e com posterior polimerização por 40 segundos. Para que haja melhor
desempenho desses adesivos, alguns trabalhos sugerem a colocação de uma camada de
resina adesiva hidrofóbica sobre os sistemas autocondicionantes de passo único, o que os
modificaria para autocondicionantes de dois passos.8,9

CAMADA HÍBRIDA

A camada híbrida ou zona de interdifusão dentina-resina é a camada que se forma


após o ataque ácido da dentina e a penetração dos componentes adesivos.

Nakabayashi descreveu a formação da camada híbrida como sendo resultante da infiltração


de monômeros resinosos entre as fibras colágenas, formando assim uma camada ácidor-
resistente de dentina reforçada por resina (Figura 10).

Nakabayashi (1982)

CAMADA HÍBRIDA

Penetração e impregnação
de um monômero na
superfície dentinária
desmineralizada,
formando uma camada
ácido-resistente

Figura 10 – Camada híbrida.


Fonte: Arquivo de imagens do Dr. Weider de Oliveira Silva.

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 3 | 37


A obtenção da camada híbrida parece ser a principal responsável pela retenção
micromecânica das restaurações adesivas, tanto diretas quanto indiretas.

Durante algum tempo, acreditou-se que os tags, túbulos dentinários preenchidos


por resinas de baixa viscosidade, fossem os mais importantes no sistema retentivo.
As evidências científicas, apoiadas no microscópio eletrônico de varredura, têm
mostrado, entretanto, que a camada híbrida é mais importante nesse contexto do
que os próprios tags.

A composição da camada híbrida é de aproximadamente 70 a 80% de fibrilas colágenas, e


somente 20 a 25% de adesivos nos espaços interfibrilares.

Existem inúmeros fatores que podem afetar a infiltração adequada dos monômeros resino-
sos na dentina desmineralizada, entre eles podem-se citar:
§ o condicionamento ácido da dentina irregular;
§ as mudanças relevantes entre extensão de desmineralização, tempo de aplicação e
extensão de infiltração dos monômeros resinosos;
§ a penetração da resina intertubular encarregada pela maior parte da força de união,
pois a dentina superficial contém poucos canalículos dentinários;
§ as modificações fisiológicas e patológicas do substrato dentinário.

O condicionamento ácido da dentina irregular pode acontecer em virtude das variações


regionais de composição e morfologia da dentina e de smear layer associado a um pos-
sível superaquecimento durante o preparo cavitário. A ação não eficaz do condicionamento
ácido formará áreas na qual a porosidade superficial necessária para penetração do agente
resinoso ficará ineficiente, o que prejudicaria a adesão, ocasionando em selamento marginal
deficiente e possível sensibilidade pós-operatória.

Na relação entre extensão de desmineralização, tempo de aplicação e extensão de infilt-


ração dos monômeros resinosos podem ocorrer mudanças relevantes, pois um tempo ex-
tremamente longo de condicionamento ácido proporcionará origem a uma extensão de
desmineralização superior, com maior quantidade de primer para removê-la, o que não
assegurava que toda a área desmineralizada seria penetrada pelos monômeros resinosos.
Promoveria uma discrepância entre zona desmineralizada e zona infiltrada, a umidade da su-
perfície: dentina extremamente seca ou úmida é prejudicial à adesão. A umidade dentinária
deve ser compatível com o sistema adesivo usado.

38 O ESTÁGIO ATUAL DOS SISTEMAS ADESIVOS


Como a dentina superficial contém poucos canalículos dentinários, a penetração da resina
intertubular será encarregada pela maior parte da força de união. Em dentina profunda,
na qual existe uma grande quantidade de túbulos dentinários, a infiltração intratubular da
resina será, provavelmente, responsável por uma enorme fração de retenção e selamento.
No entanto, é provável que os monômeros sejam capazes também de infiltrar-se na rede de
colágeno desmineralizada por difusão radial da luz do canalículo dentinário que foi condi-
cionado, livre da dentina peritubular. O processo de penetração da resina intertubular em
dentina profunda, na qual os túbulos estão mais juntos, do que em dentina superficial.

Substratos dentinários com modificações fisiológicas e patológicas são substratos que se


caracterizam por exibirem alterações na estrutura e nas composições que mostram uma
reação de defesa diante do agente agressor. Essas reações são comumente demonstradas
pela obliteração gradual dos canalículos dentinários e pela hipermineralização da dentina
intertubular.

Na dentina subjacente aos mecanismos cariosos, achou-se uma diminuição na permeabili-


dade associada à redução da dureza. A resistência da união de inúmeros sistemas adesivos à
dentina esclerótica e afetada por cárie é, aproximadamente, 40% menor do que a adquirida
em dentina normal. Essa diminuição, provavelmente, deve-se à reduzida produção de tags
de resina no interior dos túbulos e a pequena eficiência dos ácidos em desmineralizar a
dentina esclerótica.

CAMADA DE INTEGRAÇÃO

A camada de integração é formada a partir da utilização dos adesivos autocondi-


cionantes, que não removem completamente a smear layer.

A camada produzida com os adesivos autocondicionantes é pouco espessa, entretanto, o


local condicionado pode ser ocupado com adesivo, diminuindo o perigo de hidrólise da
área de colágeno não encapsulado. Nessa atual perspectiva de obtenção de união, não há
utilização de condicionamento ácido prévio. O primer é composto por monômeros ácidos
que realizam o condicionamento sem a necessidade de se realizar a lavagem, tendo como
consequência menor profundidade de desmineralização. Dessa forma, a rede de colágeno
mantém-se mais flexível e permeável para a propagação do monômero e a formação da
camada de integração.

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 3 | 39


ATIVIDADE

18. Sobre os novos sistemas adesivos autocondicionantes, assinale a alternativa correta.


A) Os novos sistemas adesivos modificam a smear layer do dente e precisam ser lavados.
B) Os novos sistemas adesivos são capazes de atuar ao mesmo tempo como condicio-
nadores de esmalte dental e dentina e como primers.
C) Por existir, nesses sistemas, a etapa de lavagem, a lama dentinária e a hidroxiapatita
diluída pelo adesivo autocondicionante fica a ele incorporada.
D) Os adesivos autocondicionantes têm valores de união ao esmalte equivalente aos
adesivos de condicionamento ácido prévio.
Resposta no final do artigo

19. Quais os dois passos dos adesivos autocondicionantes de dois passos?


__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
Resposta no final do artigo

20. Qual parece ser o principal responsável pela retenção micromecânica das restaurações
adesivas, tanto diretas como indiretas?
A) A manutenção parcial da smear layer.
B) O desenvolvimento dos adesivos de passo único.
C) A obtenção da camada híbrida.
D) A camada de integração.
Resposta no final do artigo

21. Em relação ao condicionamento da dentina, assinale a alternativa correta.


A) A camada formada por restos de bactérias, restos de dentina e esmalte oriundos
do preparo da cavidade, por meio de brocas de alta e baixa rotação e instrumentos
cortantes manuais, é chamada de camada de integração.
B) O condicionamento da dentina para remover a camada híbrida e receber o sistema
adesivo é feito com ácido fosfórico com concentração entre 30 e 40%.
C) A lama dentinária é um elemento que facilita a adesão do sistema adesivo à dentina.
D) A dentina esclerosada é um tecido histologicamente alterado, comumente encon-
trado em pacientes jovens.
Resposta no final do artigo

40 O ESTÁGIO ATUAL DOS SISTEMAS ADESIVOS


22. Atualmente, há no mercado diferentes sistemas adesivos. Em relação a esses sistemas,
assinale a alternativa correta.
A) A técnica convencional baseia-se pela aplicação de ácido, lavagem, remoção do
excesso de água, seguida do primer, um leve jato de ar e finalmente o adesivo e
fotopolimerização.
B) Existem sistemas simplificados, no qual o primer e o ácido estão juntos no mesmo
frasco.
C) Os adesivos autocondicionantes de passo único são tidos como os que apresentam
a técnica mais simplificada, por terem em sua composição o primer e o adesivo em
apenas um frasco.
D) A camada híbrida é formada a partir da utilização dos adesivos autocondicionantes.
Resposta no final do artigo

23. Sobre os sistemas adesivos, assinale V (verdadeiro) ou F (falso).


( ) A secagem excessiva da dentina pode levar a um colapso das fibras colágenas,
favorecendo a difusão do sistema adesivo e podendo gerar sensibilidade pós-oper-
atória.
( ) Os sistemas autocondicionantes são considerados mais seguros por eliminar a etapa
do condicionamento ácido e apresentar uma resistência de união similar à dos siste-
mas adesivos convencionais.
( ) Em dentina profunda, na qual existe uma grande quantidade de túbulos dentinári-
os, a infiltração intratubular da resina será, provavelmente, responsável por uma
enorme fração de retenção e selamento.
( ) A aplicação do adesivo deve ser feita em camadas espessas, cobrindo esmalte e a
dentina.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.
A) V – F – V – F.
B) F – V – F – V.
C) V – F – F – V.
D) F – V – V – F.
Resposta no final do artigo

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 3 | 41


APLICAÇÃO CLÍNICA DOS SISTEMAS ADESIVOS

CASO CLÍNICO 1

No caso clínico a seguir, foram realizadas reconstruções em dentes vitais com resina
composta. Não houve desgaste da camada de esmalte, o que facilita o sistema adesi-
vo, porém, caso ocorra o desgaste colocando exposta a dentina, recomenda-se iniciar
a aplicação do ácido fosfórico pela margem de esmalte, e em seguida estender para a
superfície dentinária, dessa forma previne-se o condicionamento da dentina. (Figuras
11-18)

Figura 11 – Aspecto inicial das estruturas den-


tárias.
Fonte: Arquivo de imagens do Dr. Weider de Oliveira
Silva.

Figura 12 – Aspecto inicial das estruturas den-


tárias.
Fonte: Arquivo de imagens do Dr. Weider de Oliveira
Silva.

42 O ESTÁGIO ATUAL DOS SISTEMAS ADESIVOS


Figura 13 – Aspecto inicial das estruturas dentárias.
Fonte: Arquivo de imagens do Dr. Weider de Oliveira Silva.

Figura 14 – Condicionamento com ácido fos-


fórico a 37% (Condac37 – FGM [FGM Produtos
Odontológicos]) no esmalte. O tempo de aplica-
ção foi de 30 segundos, seguido da lavagem com
água por 1 minuto.
Fonte: Arquivo de imagens do Dr. Weider de Oliveira
Silva.

Figura 15 – Aplicação em toda estrutura dentá-


ria de uma camada abundante de adesivo (Am-
bar – FGM) em frasco único, remoção do excesso
de solvente, com aplicação de um leve e cons-
tante jato de ar, por 10 segundos. Fotopolime-
rização da camada de adesivo por pelo menos
40 segundos.
Fonte: Arquivo de imagens do Dr. Weider de Oliveira
Silva.

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 3 | 43


Figura 16 – Aplicação de uma muralha de re-
sina (Opallis VL – FGM) translúcida, seguida de
camadas de resinas de corpo (Opallis DA1- FGM)
e esmalte (Opallis T YELLOW, E BLEACH – FGM)
na técnica incremental. Cada camada foi polime-
rizada por 20 segundos.
Fonte: Arquivo de imagens do Dr. Weider de Oliveira
Silva.

Figura 17 – Aplicação da camada final de resina


(Opallis EA1- FGM), com posterior polimerização
final por 60 segundos.
Fonte: Arquivo de imagens do Dr. Weider de Oliveira
Silva.

Figura 18 – Aspecto final após acabamento e po-


limento das reconstruções em resina ­composta.
Fonte: Arquivo de imagens do Dr. Weider de Oliveira
Silva.

44 O ESTÁGIO ATUAL DOS SISTEMAS ADESIVOS


ATIVIDADE

24. Justifique a afirmação dos autores de que se ocorrer o desgaste colocando exposta a
dentina, recomenda-se iniciar a aplicação do ácido fosfórico pela margem de esmalte, e
em seguida estender para a superfície dentinária.
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CASO CLÍNICO 2

Foi realizada uma restauração em cerâmica, em uma cavidade profunda de um dente


vitalizado. Nesse caso, foi aplicado ácido fosfórico somente no esmalte, pois foi usa-
do na sua confecção o adesivo autocondicionante, que dispensa o condicionamento
ácido da dentina, já que os adesivos autocondicionantes possuem monômeros ácidos
capazes de realizar a desmineralização da dentina. (Figuras 19-23)

Figura 19 – Aspecto inicial da cavidade dentária


a ser restaurada.
Fonte: Arquivo de imagens do Dr. Weider de Oliveira
Silva.

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 3 | 45


Figura 20 – Condicionamento com ácido fosfóri-
co 37% (Condac37 – FGM) somente em esmalte.
O tempo de aplicação foi de 30 segundos.
Fonte: Arquivo de imagens do Dr. Weider de Oliveira
Silva.

Figura 21 – Aspecto da cavidade após lavagem


com água por 30 segundos e remoção do exces-
so de água com jato de ar.
Fonte: Arquivo de imagens do Dr. Weider de Oliveira
Silva.

Figura 22 – Aplicação em toda a cavidade de


uma camada abundante de adesivo autocondi-
cionante (OptiBond “all-in-on” – KERR) e remo-
ção do excesso de solvente com a aplicação de
um leve jato de ar. Posterior fotopolimerização
da camada de adesivo por 30 segundos.
Fonte: Arquivo de imagens do Dr. Weider de Oliveira
Silva.

46 O ESTÁGIO ATUAL DOS SISTEMAS ADESIVOS


Figura 23 – Aspecto final da restauração em
cerâmica. Cimentada com cimento resinoso (All-
cem CORE – FGM).
Fonte: Arquivo de imagens do Dr. Weider de Oliveira
Silva.

ATIVIDADE

25. Você concorda com os procedimentos adotados nesse caso? Justifique.


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| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 3 | 47


CONCLUSÃO
A evolução da Odontologia culminou com o surgimento de materiais e técnicas restaura-
doras inovadoras. Em virtude da grande exigência por padrões cada vez mais estéticos, os
conhecidos sistemas adesivos viraram primordiais, com o objetivo de favorecer a adesão
entre a resina composta e as estruturas dentárias.

Diante da possibilidade de uso dos vários sistemas adesivos existentes no mercado


odontológico, o profissional tem dificuldade de escolher o material ideal e, muitas
vezes, falha na execução do procedimento. Portanto, é necessário o verdadeiro
conhecimento das limitações e vantagens sobre os materiais que atualmente estão
presentes em mais de 90% dos procedimentos no consultório.

Espera-se que os materiais adesivos possuam biocompatibilidade, facilidade de manuseio,


união considerável com a dentina, ausência de contração de polimerização, união resistente
às forças mastigatórias e, principalmente, não possuam microinfiltração marginal. Para isso,
faz-se necessário um bom domínio da técnica pelo profissional, que pode evitar futuras fal-
has de selamento, colocando em primeiro lugar a excelência de um trabalho bem executado.

Pode-se concluir que o desempenho clínico dos atuais adesivos dentinários tem melhorado
consideravelmente, possibilitando obter restaurações com alto padrão de sucesso. A utiliza-
ção dos adesivos fortalece muito o esmalte e a dentina comprometidos. Os adesivos que
removem a camada híbrida demonstram maior desempenho clínico comparado aos que
apenas modificam a camada híbrida. Nenhum adesivo atualmente disponível no mercado
pode garantir restaurações perfeitamente seladas e com margens livres de infiltração.

RESPOSTAS ÀS ATIVIDADES E COMENTÁRIOS


Atividade 1
Resposta: D

Atividade 2
Resposta: B
Comentário: O tempo de condicionamento com o ácido fosfórico pode variar de 15 a 20
segundos na dentina.

Atividade 3
Resposta: C
Comentário: O objetivo da aplicação do primer é a difusão pelos espaços interfibrilares de
toda a dentina desmineralizada, substituindo ali a água existente.

48 O ESTÁGIO ATUAL DOS SISTEMAS ADESIVOS


Atividade 4
Resposta: B
Comentário: As afirmativas I e III estão corretas. A afirmativa II está incorreta, pois pesquisas
realizadas exibem que os adesivos com fluoretos podem liberar flúor nos locais de microin-
filtração de uma restauração.

Atividade 5
Resposta: C
Comentário: O esmalte dental é o mais resistente e também o tecido mais mineralizado do
corpo, e, em virtude dessa característica, é friável, sendo translúcido em condições normais.
A coloração normal do esmalte pode variar de amarelo claro ao branco acinzentado. Nas
bordas incisais do dente, nas quais não há presença de dentina subjacente ao esmalte, a cor,
por diversas vezes, pode ser levemente azulada.
Diferentemente da dentina e do tecido ósseo, o esmalte não possui em sua composição o
colágeno, e, devido a essa composição química, a adesão torna-se mais eficaz na região.

Atividade 6
Resposta: B
Comentário: A segunda, a terceira e a quarta afirmativas são verdadeiras. A primeira afir-
mativa é falsa, pois a superfície externa do esmalte é formada por uma camada fina e het-
erogênea, na qual os cristais de hidroxiapatita são paralelos entre si. A quinta afirmativa é
falsa, pois a camada mais superficial do esmalte é dita aprismática.

Atividade 7
Resposta: C
Comentário: As afirmativas II e III estão corretas. A afirmativa I está incorreta, pois a dentina
é revestida pelo esmalte na sua parte coronária e pelo cemento na sua parte radicular.

Atividade 8
Resposta: Os túbulos dentinários são pequenos canais que se estendem perpendicularmente
à superfície dental desde o limite com a polpa até o limite com o esmalte na coroa ou com
o cemento na região da raiz.

Atividade 9
Resposta: A
Comentário: A dentina peritubular compõe a periferia dos túbulos dentinários e apresenta-
se mais radiopaca devido ao seu alto grau de mineralização.

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 3 | 49


Atividade 10
Resposta: B
Comentário: A dentina profunda é a mais permeável.

Atividade 11
Resposta: D
Comentário: A dentina infectada por cárie possui alterações morfológicas e histológicas
decorrentes da desmineralização.
A dentina acometida por cárie possui maior permeabilidade na dentina intertubular e baixa
permeabilidade na dentina intratubular.
A utilização de ácidos na dentina afetada por cárie é muito agressiva, uma vez que ela já se
encontra desmineralizada.

Atividade 12
Resposta: A dentina esclerótica é um substrato que possui inúmeras alterações fisiológicas
e patológicas que ocorrem devido a estímulos do próprio organismo, por meio do processo
natural de defesa e também em resposta à colonização oral, o que faz com que se torne
cristalina e translúcida.

Atividade 13
Resposta: A smear layer é definida como a camada de resíduos ou fragmentos deixados
sobre o esmalte, a dentina ou o cemento após a instrumentação e o uso de métodos con-
vencionais de limpeza de cavidades.

Atividade 14
Resposta: D

Atividade 15
Resposta: A

Atividade 16
Resposta: C
Comentário: Clinicamente, os sistemas adesivos que modificam ou removem parcialmente
a smear layer requerem o ataque ácido somente do esmalte e a aplicação de adesivo em
todo o dente.

50 O ESTÁGIO ATUAL DOS SISTEMAS ADESIVOS


Atividade 17
Resposta: A
Comentário: Os sistemas adesivos que modificam a smear layer se desenvolveram a partir
do conceito de que a camada de lama dentinária proporciona uma barreira natural para a
polpa, protegendo-a contra a invasão bacteriana e limitando a saída de fluido pulpar, que
poderia diminuir a adesão.

Atividade 18
Resposta: B
Comentário: Os novos sistemas adesivos autocondicionantes modificam a smear layer do
dente e não precisam ser lavados. São capazes de atuar ao mesmo tempo como condi-
cionadores de esmalte dental e dentina e como primers, impossibilitando que ocorra uma
camada desmineralizada e não penetrada por adesivo, entendendo que a desmineralização
e a infiltração do adesivo na dentina ocorrem simultaneamente. Por não existir a etapa de
lavagem, a lama dentinária e a hidroxiapatita diluída pelo adesivo autocondicionante fica a
ele incorporada.

Os adesivos autocondicionantes têm valores de união à dentina equivalentes aos adesivos


de condicionamento ácido prévio.

Atividade 19
Resposta: Os dois passos dos adesivos autocondicionantes de dois passos são: (1) colocação
do primer ácido – o primer autocondicionante é colocado em todo o preparo, sendo esmalte
e dentina, de forma ativa, por 20 a 30 segundos, com posterior aplicação de jatos leves de
ar; (2) colocação do adesivo – coloca-se uma camada uniforme do adesivo, com posterior
aplicação de jatos leves de ar e polimerização por 20 segundos.

Atividade 20
Resposta: C
Comentário: A obtenção da camada híbrida parece ser o principal responsável pela retenção
micromecânica das restaurações adesivas, tanto diretas quanto indiretas.

Atividade 21
Resposta: B
Comentário: A camada formada por restos de bactérias, restos de dentina e esmalte oriun-
dos do preparo da cavidade, por meio de brocas de alta e baixa rotação e de instrumentos
cortantes manuais, é chamada de camada híbrida.

A lama dentinária é um elemento que dificulta e impede a adesão do sistema adesivo à


dentina.

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 3 | 51


A dentina esclerosada é um tecido histologicamente alterado, comumente encontrada em
pacientes idosos.

Atividade 22
Resposta: A
Comentário: Existem sistemas simplificados, no qual o primer e o adesivo estão juntos no
mesmo frasco. Os adesivos autocondicionantes de passo único são tidos como os que apre-
sentam a técnica mais simplificada, por terem em sua composição o ácido, o primer e o
adesivo em apenas um frasco.

A camada de integração é formada a partir da utilização dos adesivos autocondicionantes.

Atividade 23
Resposta: D
Comentário: A segunda e a terceira afirmativas são verdadeiras. A primeira afirmativa é
falsa, pois a secagem excessiva da dentina pode levar a um colapso das fibras colágenas,
impedindo a difusão do sistema adesivo e podendo gerar sensibilidade pós-operatória. A
quarta afirmativa é falsa, pois a aplicação do adesivo deve ser feita em camadas finas,
apenas o suficiente para cobrir o esmalte e a dentina. Quando o adesivo é colocado no
preparo cavitário em grande quantidade e tenta-se espalhá-lo com a utilização de jatos de
ar para reduzir a espessura da sua camada, pode resultar na adição de oxigênio, o que pode
prejudicar a sua polimerização e, como consequência, também a adesão. O acúmulo do
adesivo nos ângulos e pontos internos deve ser evitado, pois podem ser interpretados como
infiltração em radiografias.

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