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Direito Penal III

Resumo para AV1

Dos crimes contra a pessoa

DOS CRIMES CONTRA A VIDA


 O direito à vida é ABSOLUTO e ninguém pode dispor da sua própria vida, onde as únicas exceções
devem advir da lei. (Legitima defesa, nos tempos de guerra, casos permitidos de aborto)
 Os crimes dolosos contra a vida são julgados pelo TPJ (Tribunal Popular de Júri)
 Tutela-se tanto a vida extrauterina como também a vida intrauterina (aborto)
 Prevalece para fins penais que a vida extrauterina começa com as dores típicas do parto ou com o início
da cirurgia cesariana.
 Quanto a vida intrauterina esta tem início com a nidação (fixação do óvulo fecundado na parede do útero
materno)
 A vida termina quando houver morte cerebral

Homicídio Art. 121, C.P (Matar alguém. Pena: Reclusão, de 6 a 20 anos)

 É a injusta supressão da vida humana praticada por outra pessoa


 Bem jurídico tutelado = vida extrauterina
 Sujeito ativo = crime comum (qualquer pessoa viva pode cometer)
 Sujeito passivo = qualquer pessoa viva
Obs: caso a vítima já esteja morta o fato será atípico por se tratar de crime impossível
 Conduta ou tipo subjetivo= suprimir a vida de alguém após o seu nascimento
Obs: Homicídio é um crime de ação livre por ação ou omissão
 O crime de homicídio é um crime de forma livre, podendo ser praticado por ação ou omissão.
 Oode ser praticado utilizando meios diretos ou indiretos não sendo obrigatório uso de meios materiais.
CUIDADO!
- Não confunda a participação em suicídio com homicídio
- Só haverá participação em suicídio se a vítima tiver capacidade de se autodeterminar. Não havendo essa
capacidade, haverá homicídio.
 Tipo subjetivo: animus necandi (dolo de matar)
 Basta o dolo genérico de matar, a depender do motivo poderá haver uma qualificadora ou uma
privilegiada.
 Homicídio admite tanto dolo direto quanto dolo eventual
 Homicídio preterdoloso (dolo no antecedente e culpa no consequente) é a lesão corporal qualificada pelo
resultado morte.
- Art. 129, §3º do CP
- Não vai a júri
 Consumação = Homicídio é um crime material (Exige resultado naturalístico)
 Homicídio é um crime não transeunte (crime que deixa vestígio “o corpo”, que deve ser submetido a um
exame de corpo de delito ou exame necroscópico) – Art. 158, CPP
 Eventualmente, desaparecendo os vestígios a prova testemunhal poderá suprir-lhe a falta (art. 167, CPP)
 É possível a tentativa do homicídio, pois o mesmo é um crime plurisubsistente crime que pode fracionar
o inter criminis)

HOMICÍDIO PRIVILEGIADO

 Art. 121, §1º do CP – “Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou
moral, ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o juiz
pode reduzir a pena de um sexto a um terço”.
Hipóteses que privilegiam

1-Relevante valor moral


 É uma motivação nobre de natureza individual (particular)
Ex: namorado que sofreu um acidente e ficou tetraplégico e a namorada a mata por não aguentar ver o
sofrimento dele ou o pai que mata o estuprador de sua filha.

2-Relevante valor social


 É uma motivação nobre de toda coletividade
 Não diz respeito ao agente individualmente considerado, mas à sociedade como um todo.
Ex: matar o estuprador da região

OBS: Não é qualquer motivo que é nobre, devendo o este ser relevante.
 Não há requisito temporal (independem do tempo)

HOMICÍDIO EMOCIONAL OU EM CURTO CIRCUITO


Requisitos:

1-Domínio de violenta emoção


Não confundir com a mera influência que é uma atenuante
2-Reação imediata
3-Injusta provocação da vítima
Não confundir injusta provocação com injusta agressão (legítima defesa)
CUIDADO!
 Aproveitar-se de provocação para matar desafeto não configura privilégio.
 O privilégio uma vez reconhecido pelo júri gera obrigatoriamente a redução da pena.

O privilégio se comunica para coautores e partícipes?


Circunstâncias subjetivas, relacionadas aos motivos, logo são incomunicáveis – Art. 30 do CP

QUALIFICADORAS – Art. 121, § 2° do CP

I - Qualificadora da TORPEZA (Mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo


torpe)
Paga e promessa de recompensa caracterizam o homicídio mercenário ou homicídio por mandato
remunerado, motivado pela cupidez, isto é, pela ambição desmedida, pelo desejo imoderado de riquezas.
Na paga o recebimento é prévio. Já na promessa de recompensa o pagamento é convencionado para
momento posterior à execução do crime.
Motivo torpe: torpeza é aquele motivo repugnante, merecedor de maior reprovação
Ex: Homicídio mercenário – cobrar para matar alguém
Prova: O homicídio mercenário e a qualificadora da torpeza incidem para o mandante e para o
executor?
Em se tratando de promessa de recompensa, o homicídio será qualificado apenas em relação ao
executor do crime, não qualificando automaticamente para o mandante.
A incidência da torpeza para o mandante, só poderá ocorrer se o motivo que o levou a encomendar o
crime for torpe também.
OBS: A vingança ou ciúme é motivo torpe?
Nem sempre, depende o que motivou tal vingança ou ciúme.

II - MOTIVO FÚTIL
 É uma reação desproporcional a uma ação ou omissão da vítima.
Ex: Age com motivo fútil o cliente que mata o dono do bar pelo fato de este ter lhe servido cerveja quente.
OBS: A ausência de motivo em tese não qualifica o homicídio, pois viola o princípio da legalidade estrita a
equiparação com a futilidade.
 Anote-se ainda que motivo fútil e motivo injusto não se confundem: todo crime é injusto, pois o sujeito
passivo não é obrigado a suportá-lo, embora nem sempre seja fútil.

III - Meio Insidioso ou Cruel ou de que possa resultar perigo comum


OBS: Se o dolo do agente for torturar e acabar matando?
O crime vai ser de tortura qualificada pela morte. (Art. 1, §3º da Lei 9455/97)
Crime preterdoloso (Dolo na tortura e culpa no homicídio)
OBS: Em se tratando de venefício poderá ser utilizada qualquer substância que seja letal para a vítima.

IV - Qualificadora que dificulta ou impossibilita a defesa da vítima


OBS: A pré-meditação e amizade configura meio para qualificar o crime?
Nem sempre premeditação, amizade ou parentesco por si só qualifica um homicídio.

V - Homicídio Finalístico
Conexão teleológica, conexão consequencial
OBS: Os crimes visados ou que visam praticar ou esconder, não necessariamente precisa ser praticado pelo
autor do homicídio.
OBS: A conexão meramente ocasional não qualifica o homicídio (não basta matar por ocasião de outro
crime, é preciso que exista uma relação entre os 2).
 É irrelevante o tempo entre os crimes.

FEMINICÍDIO
VI - Contra a mulher por razões da condição de sexo feminino
 O feminicídio foi criado em 2015 para coibir a violência de gênero contra a mulher.
 Para configurar violência contra a mulher é preciso que exista uma relação de vulnerabilidade (relação
de submissão), no ambiente doméstico, da família ou em qualquer relação íntima de afeto,
independentemente de coabitação.
 Independe de orientação sexual e o agressor não necessariamente tem de ser um homem.
 Feminicídio é o homicídio doloso cometido contra a mulher por razões da condição do sexo feminino.
 Art. 121, §2 – A - Considera-se que há razões de condição de sexo feminino quando o crime envolve:
I- Violência doméstica familiar;
II- Menosprezo ou discriminação à condição de mulher.

OBS: Feminicídio ≠ Femicídio


Feminicídio – Em razão de ser mulher
Femicídio – Simples homicídio de uma mulher
Ex: Se uma mulher matar outra mulher no contexto de uma briga de trânsito, estará configurado o femicídio,
mas não o feminicídio.

VII - Homicídio Funcional


 Visa punir a morte de policiais em razão do fato de serem integrantes do Sistema de Segurança.
 Ler: Art. 142 e 144 da CF
 Acontece mais com policiais, membros da marinha, do exército, da aeronáutica, agentes prisionais,
membros de suas famílias, etc.
OBS: Também visa proteger parentes dos integrantes das forças de segurança.
CUIDADO!
 Tal qualificadora exige que o crime tenha sido praticado contra o agente no exercício da função ou em
decorrência dela, ainda que esteja fora da função.
OBS: Tal qualificadora protege também guardas municipais.
 Não abriga/protege agentes de trânsito nessa qualificadora.

É possível um homicídio privilegiado qualificado?


Sim, desde que a qualificadora seja de natureza objetiva (aquela que diz respeito ao meio ou modo de
execução do crime), pois o privilégio é sempre subjetivo (motivo) e ele é sempre quesitado antes das
qualificadoras.
Existe homicídio duplamente, triplamente qualificado?
O crime ele é apenas qualificado uma vez. Havendo outras qualificadoras elas poderão ser utilizadas como
agravantes na 2ª fase ou circunstâncias judiciais do art. 59.

O homicídio privilegiado qualificado é crime hediondo?


Todas as qualificadoras do homicídio são crimes hediondos.
O HPQ não se encontra previsto na LCH. Sem falar que o motivo é sempre preponderante conforme o art.
67 do CP.

Art. 121, § 3° - HOMICÍDIO CULPOSO


 IMPRUDÊNCIA (MANEIRA DESCUIDADA)
 NEGLIGÊNCIA (DEIXAR DE FAZER)
 IMPERÍCIA (NÃO OBSERVAR NORMA TÉCNICA)
 Dolo Eventual: assume os riscos de produzir o resultado.
 Não existe compensação de culpas em D. Penal. Todavia, caso a vítima tenha contribuído para o
resultado haverá uma circunstância judicial favorável.
Art. 59 do CP = comportamento da vítima
CUIDADO!
 Culpa exclusiva da vítima gera absolvição.
 Art. 121, §4º do CP

Nemo tenetur se detegere


 Ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo.
OBS: Em relação a omissão de socorro não haverá a majorante quando a morte for evidente.
 Sendo doloso o homicídio, a pena é aumentada/majorada em 1/3 (um terço) se a vítima for menor de 14
anos e maior de 60 anos.
 Nessa situação o agente deve ter ciência das características da vítima, sendo aplicado em quaisquer das
modalidades do homicídio doloso (simples, privilegiado e qualificado).

Perdão Judicial – Art. 121, §5º do CP


 Somente em se tratando de H. Culposo é admissível o perdão judicial que não cabe no H. Doloso, ainda
que privilegiado.
. Trata-se de causa de extinção de punibilidade aplicável nos casos em que o sujeito produz culposamente a
morte de alguém, mas as consequências desse crime lhe são tão graves que a punição desponta como
desnecessária. Em outras palavras, o próprio resultado naturalístico já exerceu a função retributiva da sanção
penal.
Ex: Pai que matou a filha ao sair escondida para balada e chegou em casa de madrugada. O pai pensou que
fosse um bandido e saiu atirando.
Pai que por negligência esqueceu seu filho de pouca idade dentro do carro, matando-o.
. A desnecessidade da sanção deve ser provada não havendo in dúbio pro réu, também chamado favor rei.

Art. 121, §6º do CP


. A majorante do homicídio praticado em atividade típica de grupo de extermínio ou milícia.
. Praticado muito nos morros e favelas do RJ que chegam e dominam.
CUIDADO!
 Trata-se da única hipótese de homicídio hediondo que não é qualificadora.
Grupos de extermínios: Pessoas que matam mendigos

Artigo 121, §7º do CP


Aumento de pena no feminicídio em se tratando de crime praticado:
I- Durante a gestação ou nos 3 (três) meses posteriores ao parto;
II- Contra pessoa menor de 14 (quatorze) anos, maior de 60 (sessenta) anos ou com deficiência;
III- Na presença de descendente ou ascendente da vítima
Majorado de 1/3 até a metade (1/2)
Artigo 122 do CP

Participação em suicídio

. Caso não exista mortes ou lesões graves a participação em suicídio é fato atípico.
. É uma condição objetiva de punibilidade.
. Suicídio é quando alguém diretamente e conscientemente elimina a própria vida, de modo que não haverá
punição para os suicidas. (Princípio da alteridade)
. Direito penal só pune aquilo que afeta o bem jurídico de terceiro.
. O que se pune é o terceiro que concorre para o suicídio
. Bem jurídico tutelado = Vida extrauterina.
CUIDADO!
. O suicida não comete crime algum.
. Sujeito ativo = qualquer pessoa (que é autor do 122 e não participe)
. O suicida não se enquadra no crime .
. Sujeito passivo = Qualquer pessoa capaz (que tem capacidade de autodeterminação)
OBS: Não haverá crime se o induzimento for genérico destinado a pessoas incertas. CONDUTAS: (induzir,
instigar, auxiliar)
CUIDADO!
. O auxílio ele é sempre acessório.
Tipo subjetivo = Dolo
. Em regra existe dolo direto ( sendo cabível a depender do caso, dolo eventual )
. Consumação = Trata-se de crime material exige ou resultado morte ou lesão corporal grave.
Majorantes = motivo egoístico, vítima menor ou tem diminuída, por qualquer caso, a capacidade de
resistência.
. Ação Pública Incondicionada

INFANTICÍDIO

. Art. 123 do CP
. Trata se de uma forma especial de homicídio que ocorre quando a mãe sob a influência do estado puerperal
mata o próprio filho.
. Homicídio : 6 a 20 anos
. Infanticídio : 2 a 6 anos
ESTADO PUERPERAL: É um transtorno que ocorre na mulher em razão do parto provocando alterações
psíquicas e/ou físicas.
OBS: O estado puerperal deve ser provado através de perícia e a depender do grau de desequilíbrio ela
poderá ser declarada inimputável.
CUIDADO!
. Infanticídio exige um nexo de causalidade e existe um nexo temporal durante ou logo após o parto -
ESTADO PUERPERAL
. Clinicamente não a consenso sobre a duração do estado puerperal, daí por que o CP estabeleceu o nexo
temporal.
. Infanticídio é crime bipróprio - Existe uma condição própria de sujeito ativo.
. O sujeito ativo necessariamente tem que será mãe e o sujeito passivo necessariamente tem que ser o filho.
. O infantício é a destruição de uma pessoa, o aborto é a destruição de uma esperança.

Crime próprio admite coautoria?


Sim, admite coautoria e participação. Quando a mãe instiga alguém a matar por ela a doutrina compreende
que os 2 devem responder, ela como partícipe e o outro com o autor. Os dois respondem por infanticídio.
Isso é uma exceção na doutrina.
Quando o 3º mata o recém nascido influenciado pela mãe que se encontra no estado puerperal prevalece que
ambos responderão pelo art. 123, pois não a proporcionalidade no fato dela ser autora de infanticídio e
participe de homicídio.
Aberratio ictus = Artigo 20, §3º do CP.

. No caso da mãe que mata outra criança diferente do seu filho pensando ser ele haverá infanticídio putativo
(Não será considerada a vítima real mas sim a vítima virtual)
Tipo subjetivo = Exige Animus Necandi (dolo de matar)
E se a mãe sob influência do estado puerperal mata o neném sufocado?
Haverá homicídio culposo. Não existe infanticídio culposo de modo que caso a mãe mate culposamente o
próprio filho.
Consumação = Trata se de crime material e crime de tentativa.
Não confunda artigo 123 com o artigo 133 do CP.

Aborto

Conceito : Aborto é a interrupção da gravidez com a destruição do produto da concepção.


. Bem jurídico tutelado = Vida intrauterina
. Quanto mais desenvolvido estiver o feto maior a reprovabilidade da conduta.
. Sujeito ativo = Trata-se de crime próprio, pois só pode ser praticado por mulher grávida.
CUIDADO!
. Eventual coautor irá responder pelo artigo 126 (trata se de uma exceção pluralista a Teoria Monista do
artigo 29)
. Sujeito passivo = Feto (ser nascente, produto da concepção)
OBS: Em havendo vários fetos haverá concurso de crimes.
Aborto ----------------- Auto aborto (124)
Aborto consentido (124 e 126)
. Tipo subjetivo = O aborto só é punível a título de dolo, não admitindo culpa. (Não existe aborto culposo)
. Obs: Há quem admita dolo eventual no autoaborto.
Ex: Consumo excessivo de álcool
Gestante que resolve praticar esportes radicais
. Consumação = Trata-se de crime material pouco importando se a morte ocorre dentro ou fora do ventre
materno, desde que haja nexo de causalidade.
Ex: Mulher que toma Citotec.
. É possível a tentativa desde que as circunstâncias alheias da gestante o feto não morra.
. Caso ocorra o nascimento com vida e a gestante pratique nova ação para matar a criança haverá homicídio
ou infanticídio a depender do caso, ficando absolvido a tentativa de aborto.

Artigo 125 do CP = Aborto praticado sem o consentimento da gestante.


. Bem jurídico = vida intrauterina
. Sujeito passivo = Tanto a mãe quanto o feto
Crime de dupla subjetividade passiva
Necessariamente 2 vítimas
CUIDADO!
. No artigo 126, §único, existem situações em que o consentimento não é válido respondendo o agente pelo
artigo 125.
. Tipo subjetivo = Dolo de matar o feto, sendo possível a responsabilização daquele que tem dolo de matar
a mãe e termina por matar o feto.
. É possível concurso de aborto com homicídio.
124: Mãe/Feto (participe)
125: Terceiro/ Mãe+Feto
126: Terceiro/Feto
O artigo 126 é crime comum punindo-se qualquer pessoa com o consentimento da gestante que responderá
pelo artigo 124.
Ninguém pode ser ao mesmo tempo participe no 124 e autor no 126 em relação ao mesmo feto.
OBS: Caso a gestante que inicialmente consentiu com o aborto desista de praticá-lo fará com que o terceiro
que opte continuar cometa o artigo 125.
. Em relação à gestante será enquadrado no fato atípico se não houver morte do feto.
. Se houver a morte do feto ela responderá pelo 124, sendo irrelevante a sua desistência.

Artigo 127 = Qualificadora

. Aplicável apenas aos artigos 125 e 126, pois autolesão pelo princípio da alteridade não é punível para
gestantes.
. Aplicada somente para os terceiros (seja aquele que praticou com ou sem o consentimento da gestante)
. Ambos os resultados devem advir de culpa, de modo que a qualificadora é preterdolosa (Dolo no
antecedente e culpa no conseqüente).
. Se houver dolo de matar ou lesionar haverá concurso entre aborto sem a qualificadora com homicídio ou
lesão.
. Partícipes do artigo 124 não se enquadram no artigo 127, pois não há prática nem ato executório.
CUIDADO!
. A qualificadora não exige que o aborto se consume, mas sim que a gestante sofra lesão grave ou morte em
razão dos meios empregados para praticar o aborto.
Ex: Uma pessoa se dirige a uma clínica clandestina e no meio do procedimento rompe uma veia da
paciente, ela começa a sangrar, ele liga para o samu, a vítima morreu e o feto sobreviveu.
O cara vai responder por tentativa de aborto qualificado pela morte da gestante. Ele não teve dolo de praticar
a morte da gestante.

Hipóteses de aborto permitido

ARTIGO 128

I- Aborto necessário
 Aquele em que o aborto é essencial para salvar a vida da gestante.
 Sacrificou um bem menor para salvar um bem maior.
 Deve ser necessariamente praticado por um médico, independentemente, do consentimento da gestante
ou autorização judicial, devendo ficar claro para o médico que há perigo de vida para a gestante e não há
outro meio para salvá-la.
 Não pode haver recusa do médico em fazer o aborto

II- Aborto sentimental ou aborto humanitário ou aborto ético


 Deve ser praticado por médico.
 A gravidez deve ser resultante de estupro.
 Independe de autorização judicial e instauração de inquérito ou decisão reconhecendo o estupro,
devendo o médico agir com cautela e podendo inclusive se negar a fazer o procedimento.
 Exercício regular de um direito - Necessita do consentimento da gestante.

 Essas duas situações são consideradas causas especiais de excludente de ilicitude.


 Causa especial que exclui a ilicitude criada pela jurisprudência
 ADPF 54
 Ler informativo 661 STF
 Trata do caso de fetos acéfalos
 Nos casos de fetos acéfalos o STF entendeu que é possível o aborto, por se tratar nesse caso de uma
deformidade irreversível.
 A doutrina tem discutido a possibilidade de estender os efeitos da ADPF 54 aos casos de microcefalia.
Todavia, ainda não há posicionamento do STF, havendo quem enxergue eugenia, o que é verdade.
 EUGENIA: Prática de escolha de bebês aptos a viver. Praticada na Grécia, principalmente em Esparta.
Seleção de bebês fortes. Fetos com má-formação eram eliminados.
 A Eugenia no Brasil e na maior parte do mundo é vetada.

Aborto Honoris Causa


Aborto Econômico
Artigo 129 – Lesão Corporal

 Lesão corporal é toda e qualquer ofensa capaz de provocar danos no funcionamento do corpo humano,
abrangendo tanto a saúde corporal, fisiológica e mental.
 Não confundir a agressão que não causa qualquer dando à incolumidade física da vítima que configura
vias de fato com lesão corporal.
 Lesão corporal absorve vias de fato.
 Lesão corporal tem sangue.
 O dolo da lesão é ofender a integridade física de alguém.
 Lesão corporal seguida de morte é um crime preterdoloso.
 Enquanto a vida é um bem jurídico indispensável, a integridade física é relativamente dispensável, daí
porquê pequenas lesões podem ser consentidas.
 Pequenas lesões não configuram lesão corporal.
 Sujeito ativo = Qualquer pessoa, não se punindo a autolesão.
 Conduta = A lesão é simples sempre que não ocorrer resultados que a qualifique. Precisa de um
resultado naturalístico.
 O que qualifica a lesão é sempre o resultado; A dor influencia na dosimetria da pena, assim como a
pluralidade de ferimentos.
 Tipo subjetivo = animus vulnerandi (dolo de ofender a integridade física de alguém)
. O estado necessidade de terceiros exclui o crime.
. O exercício regular de direito (excludente de ilicitude) permite a realização de cirurgias, desde que haja
consentimento, lesões decorrentes de práticas esportivas (desde que não haja abuso) e também de doação de
órgãos.
. Em todos esses casos se ficar comprovado inobservância de regra técnica haverá lesão culposa.
. Se a lesão tiver por finalidade humilhar a vítima será crime de injúria real (art 140,§2º)
. Injúria real absorve lesão corporal a depender do dolo.
Ex: Dedadas no menino em Missão Velha.
Consumação = Trata-se de crime material exige resultado naturalístico.
. Precisa de um exame de corpo de delito.
. Ausentes os vestígios, a prova testemunhal poderá suprir a falta
. Arts. 158 e 167 do CPP
. Nos crimes cometidos com violência o artigo 129 será absolvido por conta do bis in idem.

QUALIFICADORAS

I- Incapacidade para as obrigações habituais por mais de 30 dias.


. Qualificadora a prazo que se consome quando completar o lapso de 30 dias.
. Artigo 129, §1º
. Ocupação habitual é qualquer atividade rotineira não necessariamente obrigada a trabalho. Tem que ser
lícita

CUIDADO!

. A lesão é que deve incapacitar a vítima e não a vergonha da lesão.


. O prazo de 30 dias contados da data do fato.

II- Perigo de vida


CUIDADO!
. Tal qualificadora é preterdolosa.
. Se houver dolo de matar a vítima, haverá tentativa de homicídio.
. O perigo de vida deve ser comprovado pericialmente, não podemos ser presumido .

III- Debilidade permanente


. Não confunda debilidade com perda ou inutilização.
. Debilidade é o funcionamento defeituoso.
. É aquela situação que você compromete um órgão ou membro sem perdê-lo.
. Não importa que o enfraquecimento possa ser atenuado ou reduzido com aparelho de prótese.
OBS: Tal qualificadora exige exame pericial para que seja determinado se a lesão causou debilidade ou
perda da função .
. O ideal é aguardar o resultado da perícia para saber se vai ser lesão grave ou lesão gravíssima.

IV- Aceleração do parto


. Para incidir é essencial que o agente tenha ciência que a vida estava grávida.
. Tal qualificadora é necessariamente preterdolosa, de modo que o parto prematuro não pode ser o objetivo
do agente.
. Se além do parto prematuro ocorrer a morte do feto haverá lesão gravíssima pelo aborto. LESÃO
GRAVÍSSIMA: § 2º - PENA: reclusão 2 a 8 anos.

I- Incapacidade permanente para o trabalho


. Trata da incapacidade duradoura sem previsibilidade de cessar.
. A vítima deve ficar incapacitada para todo e qualquer tipo de trabalho.

II- Enfermidade incurável


. Diz respeito à transmissão intencional de uma doença sem cura .
. Também é considerada incurável doença cujo tratamento dependem de cirurgias arriscadas ou incertas.
. Ex: AIDS (HIV)
. Havendo recursos que permitem a cura da doença não incidirá a qualificadora se a vítima se recusar
injustificadamente a fazer o tratamento.

III- Perda ou inutilização de membro, sentido ou função


OBS: Tratando-se de órgãos duplos a qualificadora só incidirá se a lesão atingir ambos.
. Em se tratando de lesões que retiram a capacidade de reprodução haverá qualificadora, sendo que o
reimplante imediato descaracteriza a inutilização.

IV- Deformidade permanente


. Bastante criticada pela doutrina.
. É aquela que gera constrangimento, desconforto e uma impressão vexatória devendo ser irreparável ou
permanente.
. Filme: Os bastardos em gloria.
. A deformidade pode ser em qualquer lugar do corpo ainda que em um local intimo da pessoa.
. Cirurgia estética reparadora não afasta a qualificadora.

V- Aborto
. Trata se de qualificadora preterdolosa.
. O cara tem que ter ciência que a mulher se encontra grávida.
Tem que ter dolo.

É possível a coexistência entre lesão corporal de natureza grave e gravíssima?


O §2º absolve o §1º, devendo as circunstâncias do §1º. Serem utilizadas no artigo 59 CP.

Art. 129, §3º - Lesão corporal seguida de morte

. Também chamado de homicídio preterdoloso.


. Ocorre quando há dolo de lesionar alguém e por culpa ocorre o resultado: morte.
. Ela não tutela a vida daí porque não será julgada pelo tribunal do júri.

Art. 129, §4º

. Lesão corporal privilegiada


. Elainy dormindo ------- Rafael ------- Campainha -------- Elainy facada em Rafael
Art. 129, §5º

I.Aplicável apenas quando a lesão for leve. Permite a substituição da pena por multa, devendo ser observado
se houve legítima defesa.
II. Lesões recíprocas.
. Ambos se ferem e é comprovado que um deles agiu em legitima defesa e o outro condenado com a
substituição.
. Os 2 se ferem e não é legitima defesa, logo, os 2 serão condenados com a substituição.

Artigo 129, §6º

Lesão corporal culposa

Artigo 129, §9º

. Trata-se da qualificadora que somente se aplica a lesão corporal dolosa leve quando envolver os familiares
ou pessoas que convivem no mesmo ambiente doméstico.
CUIDADO!
. Tal qualificadora protege tanto homens quanto mulheres, desde que seja no ambiente familiar ou
doméstico. Em havendo qualquer das hipóteses de lesão corporal grave ou gravíssima o §9º deverá ser
utilizado como agravante do artigo 61 do CP.

Artigo 129, §12

. Enquanto no homicídio o caráter funcional qualifica na lesão corporal se trata de majorante. . Se a lesão
corporal for gravíssima ou seguida de morte haverá crime hediondo.

Ação Penal

. Em regra, lesão corporal é crime de ação penal pública incondicional.


. Exceções: Lei 9099/95, art 88. (JECRIM)
. Lesão corporal leves ou culposas são excluídas e a ação penal é pública condicionada à vítima.
CUIDADO!
. Tratando-se de violência doméstica contra a mulher a lesão corporal será sempre incondicional, ainda que
leve a lesão.
. SÚMULA 542 STJ.