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INSTITUTO SUPERIOR DOM BOSCO

DEPARTAMENTO DE PSICO-PEDAGOGIA

MÓDULO: ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL


TEMA Nº 12: O PSICODRAMA NA ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL

1.1 O uso do psicodrama na OP

O psicodrama é uma psicoterapia de grupo desenvolvida por Jacob Levy Moreno.


Moreno (1953, citado por Cornaton, 1979), considera que cada qual desempenha um
determinado papel (role) que é largamente determinado pelas normas socioculturais.
A perspectiva de Moreno era de que se o indivíduo toma verdadeiramente consciência
dos seus papéis, atinge uma melhor compreensão de si e dos outros, e aprenderá
artificialmente a desempenhar melhor os seus papéis. Portanto, parafraseando
Cornaton (Op. Cit.), essa tomada de consciência só pode processar-se através de uma
verdadeira experiência sociológica que recorre à acção dramática teatral. Lucchiari
(1992), salienta que Moreno via o psicodrama como um método que procura a fundo a
verdade através da acção, o que constitui verdade, pois Moreno (1953:35 citado por
Cornaton, 1979: 63), define o psicodrama como “a ciência que busca a verdade
recorrendo a métodos dramáticos.”

De acordo com Cornaton (1979), este método emprega cinco instrumentos:


1º - O palco, que dá ao paciente um espaço vital multidimensional e amplas
possibilidades de movimento. O espaço cénico permite ao paciente libertar-se das
inibições.

2º - No palco encontra-se um segundo instrumento: o sujeito ou protagonista.


O seu papel não é o de um actor que deva sacrificar a sua personalidade. Deve ser
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igual a si mesmo, no palco, agindo segundo o seu humor, portanto é necessário que
disponha de liberdade de expressão, de espontaneidade.

3º - O terceiro instrumento é o monitor que é simultaneamente encenador,


terapeuta e analista.

4º - Os ego auxiliares. Esses ego, ou eu-auxiliares, ou ainda actores terapeutas,


têm um duplo papel: estão associados ao trabalho do monitor, mas ajudam também o
paciente figurando os personagens reais ou imaginários do drama vivido.

5º - O quinto instrumento é o público ou auditório, que também desempenha


um duplo papel: pode auxiliar o paciente na sua acção dramática ou então, ajudado
pelo sujeito em cena, torna-se, por seu turno, paciente.

Na prática o psicodrama desenvolveu-se em duas direcções: por um lado no domínio


da terapêutica psiquiátrica; por outro lado no domínio da formação e da selecção
dando lugar ao role-playing (Cornaton, 1979).

Moreno deu uma grande importância ao psicodrama, como valor terapêutico,


buscando o florescimento da espontaneidade e a eliminação dos “papéis crónicos”,
que fazem das pessoas “uns inadaptados” (conservas culturais) Minicucci, 2002).

A proposta de trabalho de orientação profissional com metodologia psicodramática


divide-se em quatro fases:

1ª) Fase de estruturação do grupo - é a fase de levantamento de necessidades


e identidade do grupo. Nesta fase deve ser feito o aquecimento para o trabalho
subsequente, bem como a criação de um clima de confiança e motivação para o
processo de orientação profissional. São utilizados basicamente os jogos dramáticos,
onde a problemática da orientação é apresentada sob a forma de uma colocação
pessoal de um membro do grupo que se anima a expor-se.
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2ª) Fase de treinamento de papéis (Role-Playing) - é a fase de dramatizações
de papéis profissionais escolhidos pelo protagonista, ou seja, o membro do grupo que
apresenta a problemática de todos. Nesta fase geralmente é percebido pelo grupo que
os rótulos que possuem sobre as várias profissões estão esvaziados de conteúdo e que
todos necessitam buscar para si informações sobre as mesmas.

3ª) Fase das informações profissionais – nesta fase os membros do grupo


organizam-se e saem à procura de profissionais ou literatura para responder aos seus
questionamentos. Também são feitos role-playing da situação de busca de
informações. Neste ponto, através dos jogos dramáticos e dramatizações, o grupo
percebe a importância do autoconhecimento para se poder equacionar o problema da
escolha profissional.

4ª) Fase da elaboração das informações profissionais e pessoais - nesta fase os


membros do grupo já devem ser capazes de reconhecer suas características básicas e
mobilizar seus próprios recursos pessoais, analisar as alternativas viáveis de carreiras e
terem condição de iniciar o seu processo de decisão.

1.1 O role-playing

O role-playing, é uma técnica que significa “jogar o papel” (Santos, 1963). É muitas
vezes associado ao psicodrama, e de facto é uma forma reduzida, acessível para fins de
exames psicológicos, selecção profissional e nas secções de formação de quadros
(Cornaton, 1979).

Minicucci (2001), considera que no role-playing

Duas ou mais pessoas representam, na sala de aula, na

empresa, na indústria, uma situação de vida real, assumindo

papéis (roles) do caso, com o objectivo de que possa a situação

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(ou a personagem) ser mais bem compreendida e tratada pelo

grupo (p. 157).

Minicucci (Op. Cit.), salienta que no role-playing não se realizam ensaios e os papéis
são desempenhados espontaneamente.

O jovem pode imaginar uma situação na qual tenha que desempenhar um papel
profissional e vivenciá-lo no grupo, enquanto isto seus colegas participam
representando outros papéis definidos pelo protagonista (Cornaton, Op. Cit.). A partir
dessa altura o jovem está em melhores condições de imaginar-se no futuro
desempenhando ou não aquela profissão.

Para a preparação é necessário que o grupo seja suficientemente maduro para aceitá-
la, sem que isso provoque intimidação, vergonha ou riso dos participantes (Minicucci,
2001).

Relativamente aos membros deve haver um director que possua experiência com esse
tipo de actividade e possa coordenar a acção e estimular o grupo. Este director
preparará de antemão o problema ou a situação, se for o caso, ou orientará o role-
playing se ele surgir espontaneamente numa reunião do grupo (Ibidem).

O director deverá definir claramente o objectivo da representação, o momento em


que se deve representar, a situação que interessa ver, bem como suspender a
representação quando julgar conveniente. Fará também a escolha das personagens,
isto é, dos actores aos quais se vão atribuir os papéis (Ibidem).

Quanto aos actores entre os membros do grupo escolhem-se os actores que irão
desempenhar os papéis. Cada personagem receberá um nome fictício ou o nome da
pessoa que está representando, o que, de certa forma, ajuda o desempenho. Os
actores deverão representar espontaneamente sem ensaio prévio, de acordo com a
própria técnica em si.

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Os observadores, escolhidos pelo grupo, observam a actuação de cada membro
(actor), conclusão da representação, contradições, fidelidade à situação interpretada,
explicações psicológicas que possam fundamentar o comportamento etc.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

Cornaton, M. (1979). Grupos e sociedade: introdução à psicossociologia.


Portugal: Editorial Vega.

Lucchiari, D. H. P. S. (1992). Pensando e vivendo a orientação profissional.


São Paulo-Brasil: Summus editorial.

Minicucci, A. (2001). Técnicas do trabalho em grupo. 3ª Edição. São Paulo: Editora Atlas
S.A.

__________. (2002). Dinâmica de grupo: teorias e sistemas. 5ª Edição. São Paulo:


Editora Atlas S. A.

Santos, O. De B. (1963). Psicologia aplicada à orientação e selecção


profissional. São Paulo: Livraria Pioneira Editora.

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