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BÍBLICAS

LIÇÕES

REVISTA PARA ESTUDOS NAS ESCOLAS BÍBLICAS


2 TRIMESTRE 2008 Nº 282

OSEnsinos
dasParábolas
Jesus
de
MISSÃO DA ESCOLA BÍBLICA
————————————————————————————
Transformar as pessoas
em discípulas de Cristo,
através do ensino e da prática
da palavra de Deus.
BÍBLICAS
LiçÕeS

REVISTA PARA ESTUDOS NAS ESCOLAS BÍBLICAS


2 TRIMESTRE 2008 Nº 282

Copyright © 2008 – Igreja Adventista da Promessa


Revista para estudos na Escola Bíblica. É proibida a reprodução parcial
ou total sem autorização da Igreja Adventista da Promessa.

DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO E CULTURA RELIGIOSA

Diretor Pr. Genilson Soares da SIlva

Conselho editorial Pr. Williams Corrêa Soares


Pr. Gilberto Fernandes Coelho
Pr. Sebastião Lino Simão
Pr. José Lima de Farias Filho
Pr. Izaias dos Reis
Pr. Otoniel Alves de Oliveira
Pr. Hermes Pereira Brito
Pr. Manoel Pereira Brito
Pr. Genilson Soares da Silva
Pr. Valdeci Nunes de Oliveira
Pr. Genésio Mendes
Pr. Aléssio Gomes de Oliveira
Dsa. Rute de Oliveira Santos

EXPEDIENTE
REDAÇÃO Editoração Márcio de Souza Rodrigues

Jornalista responsável Pr. Elias Pitombeira de Toledo Seleção de hinos Pr. Alan K. P. da Rocha
MTb. 24.465 e leituras diárias

Autores desta série Pr. Alan K. P. da Rocha Capa Márcio de Souza Rodrigues
Pr. Genilson Soares da Silva
Foto Capa Getty Images
Pr. Hugo A. Espínola
Pr. Valdeci Nunes de Oliveira
Pr. Manoel Lino Simão Atendimento e tráfego Geni Ferreira Lima
Pr. Enéias Manoel dos Santos Fone: (11) 6955-5141
Pr. Guilherme Nunes
Assinaturas Informações na página 104
Dá. Genésio Mendes Junior

IMPRESSÃO
Redação e preparação Pr. José Lima de Farias Filho HAVAII GRAFICA E EDITORA
de originais Pr. Genilson Soares da Silva Av. Araguaia 180
Revisão de textos Eudoxiana Canto Melo Fone: (11) 4220-2202 – São Caetano do Sul – PR
REDAÇÃO – Rua Boa Vista, 314 – 6º andar – Conj. A – Centro – São Paulo – SP – CEP 01014-030
Fone: (11) 3104-6457 – Fax: (11) 3107-2544 – www.portaliap.com – secretariaiap@terra.com.br
OS Ensinos dasParábolas
Jesus
de

SUMÁRIO

ABreViATUrAS 4
APreSeNTAçÃO 5

1 NiNGUÉM eNTeNDe 6

2 A SePArAçÃO É CerTA 12

3 A GrAçA É PArA TODOS 19

4 O AVANçO DO reiNO 26

5 APreNDA A eSPerAr 32

6 FiQUe ATeNTO! 38

7 A BÊNçÃO DA HUMiLDADe 45

8 O PreçO De Ser DiSCÍPULO 54

9 eLOGiO À PrUDÊNCiA 61

10 A VeZ DO POBre 68

11 SOMOS SerVOS iNÚTeiS! 75

12 NÃO DeSiSTA DA OrAçÃO 82

13 A MOrTe DO FiLHO AMADO 88


ABREVIATURAS DE LIVROS DA BÍBLIA
UTILIZADAS NAS LIÇÕES

Antigo Testamento NOVO Testamento


Gênesis Gn Mateus Mt
Êxodo Ex Marcos Mc
Levítico Lv Lucas Lc
Números Nm João Jo
Deuteronômio Dt Atos At
Josué Js Romanos Rm
Juízes Jz I Coríntios I Co
Rute Rt II Coríntios II Co
I Samuel I Sm Gálatas Gl
II Samuel II Sm Efésios Ef
I Reis I Re Filipenses Fp
II Reis II Re Colossenses Cl
I Crônicas I Cr I Tessalonicenses I Ts
II Crônicas II Cr II Tessalonicenses II Ts
Esdras Ed I Timóteo I Tm
Neemias Ne II Timóteo II Tm
Ester Et Tito Tt
Jó Jó Filemon Fm
Salmos Sl Hebreus Hb
Provérbios Pv Tiago Tg
Eclesiastes Ec I Pedro I Pe
Cantares Ct II Pedro II Pe
Isaías Is I João I Jo
Jeremias Jr II João II Jo
Lamentações Lm III João III Jo
Ezequiel Ez Judas Jd
Daniel Dn Apocalipse Ap
Oséias Os
Joel Jl
Amós Am
Obadias Ob
Jonas Jn
Miquéias Mq
Naum Na
Habacuque Hc
Sofonias Sf
Ageu Ag
Zacarias Zc
Malaquias Ml

ABREVIATURAS DE TRADUÇÕES E VERSÕES


BÍBLICAS UTILIZADAS NAS LIÇÕES
BLH – Bíblia na Linguagem de Hoje BV – Bíblia Viva
RA – Revista e Atualizada BJ – Bíblia de Jerusalém
RC – Revista e Corrigida TEB – Tradução Edumênica da Bíblia
NVI – Nova Versão Internacional NTLH – Nova Tradução na Ling. de Hoje
APRESENTAÇÃO

No dia 06 de julho de 2002, teve início uma nova série de treze lições,
com o título de Parábolas Vivas – Reflexões sobre as parábolas de Jesus. Ao
longo daquele trimestre, os participantes da Escola Bíblica foram grande-
mente edificados pelas verdades e pelos desafios transmitidos através das
parábolas da insistência, dos talentos, do tesouro, da prudência, da compai-
xão, da pregação, dos perdidos, do próximo, da prontidão, da paciência, da
ganância e do infrutífero.

Quase seis anos depois, temos outras treze lições baseadas nas parábolas,
cujos títulos são os seguintes: Ninguém entende (Lc 7:31-35); A separação
é certa (Mt 13:24-30, 47-50); A graça é para todos (Mt 20:1-16); O avanço
do reino (Mc 4:30-32); Aprenda a esperar (Mc 4:26-29); Fique atento! (Mc
13:33-37); A bênção da humildade (Lc 14:7-1); O preço de ser discípulo (Lc
14:28-32); Elogio à prudência (Lc 16.1-13); A vez do pobre (Lc 16:19-31);
Somos servos inúteis! (Lc 17:7-10); Não desista da oração (Lc 18:1-8), e A
morte do filho amado (Lc 20:9-16).

A presente série segue a mesma estrutura da anterior, publicada em


2002, que é composta de três partes. Na primeira parte, O propósito da pa-
rábola, o estudante saberá o que levou Jesus a contar determinada parábola.
Na segunda parte, A verdade da parábola, vamos descobrir o ensino central
que Jesus desejou transmitir, ao contar a parábola. E, na parte final, Os
desafios da parábola, seremos instados a rever e mudar algumas de nossas
atitudes, à luz do que foi estudado.

Para escrever esta série, Os Ensinos das Parábolas de Jesus, o DEC, a pe-
dido de seu Conselho Editorial, convidou os pastores Hugo A. Espínola,
Alan K. Pereira Rocha, Manoel Lino Simão, Valdeci Nunes de Oliveira,
Enéias Manoel dos Santos, Guilherme Nunes, Genilson Soares da Silva e
o irmão Genésio Mendes Júnior, pela vida dos quais damos graças a Deus,
que os iluminou a produzirem um conteúdo que, certamente, nos fortale-
cerá espiritualmente.

Ao Rei eterno sejam dadas a honra e a glória, para todo o sempre! Amém!

Pr. Genilson Soares da Silva


Diretor o DEC

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1
05 ABRiL 2008
Ninguém
Entende Autor: Pr. Genilson Soares de Oliveira

Hinos sugeridos: BJ 295 – CC 239 / BJ 34 – CC207

LEITURA DIÁRIA OBJETIVO


Domingo, 30 de março: Mt 11:16-19 Mostrar ao estudante da palavra
Segunda, 31 de março: Mt 11:25-27
Terça, 1º de Abril: Rm 12:1-2
de Deus que, mesmo que as
Quarta, 2: Gl 5: 22-25 pessoas desta geração não nos
Quinta, 3: Fl 2:12-18 entendam, devemos insistir
Sexta, 4: I Jo 3:11-13
Sábado, 5: Mt 3:1-2 em proclamar o julgamento,
anunciar a generosidade e
pregar o arrependimento,
segundo o evangelho de Jesus.

TexTO BáSiCO: A que, pois, compararei os homens da presente geração, e


a que são eles semelhantes? São semelhantes a meninos que, sentados na praça,
gritam uns para os outros: Nós vos tocamos flauta, e não dançastes; entoamos
lamentações, e não chorastes. (Lc 7:31-32)

iNTrODUçÃO: Esta é a primeira lição de uma série de treze, cuja


base são algumas parábolas contadas por Jesus. Nosso Senhor foi um
Mestre paciente, que soube adaptar seus ensinamentos à capacidade de
compreensão de seus ouvintes, cuja maioria era formada por pessoas
simples. Esse esforço didático resultou nas escolhas das parábolas como
meios de transmitir suas instruções acerca do reino de Deus. O evangelho
declara que, sem parábolas, Jesus não lhes ensinava. A parábola do presente
estudo está registrada tanto no Evangelho de Mateus (11:16-19) quanto
no de Lucas (7:31-35). Antes de estudarmos o seu propósito, a sua verdade
e os seus desafios, é importante familiarizarmo-nos com o seu conteúdo.

I – O PROPóSITO DA PARÁBOLA
Os judeus da época de Cristo encontravam falta em qualquer mestre
que Deus lhes enviasse. Primeiramente, apareceu João Batista, um homem
que se mantinha afastado da sociedade e pregava o arrependimento. Ele se

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empenhou, de corpo e alma, na tarefa de preparar o povo para a chegada
do Messias. A firmeza exemplar do Batista fazia dele um autêntico homem
de Deus. Nada o movia a se comportar como um caniço agitado pelo
vento, nem mesmo a violência de Herodes. Sem receio de desagradar, sua
pregação convocava as pessoas à conversão. Ele sabia indicar, para cada um,
o que devia fazer para concretizar o desejo de ser julgado digno do Messias
vindouro. Mas isso não satisfez os judeus. Antes, estes acharam falta, e
disseram: “Tem demônio”.
Então, veio Jesus, o próprio Filho de Deus, pregando o evangelho,
vivendo como o faziam outros homens quaisquer. A presença do Filho
de Deus, na história humana, tinha uma finalidade bem concreta: trazer
salvação a toda a humanidade. Fiel à missão recebida do Pai, Jesus foi em
busca dos mais necessitados de salvação: publicanos e pecadores, com
quem comia e bebia. E isso não satisfez os judeus. Novamente, acharam
falta e disseram: Eis ai um glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos
e pecadores. Para ilustrar a atitude irracional e perversa dos judeus, Jesus
contou a parábola das crianças brincando na praça.
Um grupo de crianças reuniu-se na praça, talvez vazia. Uma delas
perguntou: Do que vamos brincar? Algumas sugeriram: Vamos brincar de
casamento. De início, todas aceitaram a sugestão. Rapidamente, definiram
quem faria o papel da noiva e do noivo. Mas ainda faltava o flautista.
Logo, alguém se dispôs a fazer este papel. Qual seria o papel das demais
crianças? Elas teriam papel de convidadas. O que elas iriam fazer? Apenas
dançar. Iniciou-se, então, a brincadeira. De repente, surgiu a confusão:
o grupo da dança recusou-se a dançar. A irritação foi geral. “Vocês não
querem dançar?”, quis saber uma criança. “Não. Não vamos brincar disso”,
responderam. Outra criança disse: “Vamos brincar de funeral? Quem
concorda?” Todas as crianças concordaram.
O que cada criança faria, na brincadeira, começou a ser definido. Uma
tinha de se fingir de morta, enquanto outras cantavam músicas fúnebres.
As demais tinham apenas de chorar. Após tudo acertado, foi perguntado:
“Podemos começar?” Todas responderam: “Podemos!” As músicas fúnebres
começaram a ser cantadas. Havia, porém, alguma coisa errada. O grupo
do choro ficou quieto. Alguém explicou novamente: “Quando a gente
cantar, vocês devem chorar. O grupo começou a cantar de novo. E o choro?
Nada. Então, uma criança levantou-se nervosa e perguntou: “Vocês não
vão chorar?” “Não, não vamos. Não queremos brincar de funeral”. Então, as
crianças gritaram umas para as outras: Nós vos tocamos flauta, e não dançastes;
entoamos lamentações, e não chorastes (Lc 7:32). Todas ficam insatisfeitas,
desgostosas e descontentes.

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II – A VERDADE DA PARÁBOLA
A presente parábola enfatiza a seguinte verdade: Não importa o quanto
a sua pregação seja reta e a sua conduta, santa; o discípulo de Jesus jamais
conseguirá escapar da crítica e da censura das pessoas que o escutam,
qualquer que seja a sua geração. João e Jesus são os maiores exemplos disso.
Eles, porém, são também exemplos de ousadia. Embora se defrontando
com forças hostis a sua pregação e sua conduta, João e Jesus não se deixaram
intimidar. A intrepidez de João Batista revelou-se na coragem com que
se defrontou com um governante ímpio. Reconhecidamente prepotente,
Herodes apoderou-se, sem escrúpulos, da esposa de seu irmão, tomando-a
como mulher. Sem medo, o profeta João denunciou a injustiça cometida e
sofreu as conseqüências de sua ousadia: foi preso e, depois, morto.
Com Jesus, a situação não foi diferente. À medida que avançava, no seu
ministério, levantava-se, para ele, toda espécie de barreiras. Seus adversários
sentiam-se questionados por ele, e não sabiam como enfrentá-lo, na base
do diálogo. Os argumentos do Mestre deixavam-nos desarmados. Eles não
tinham a quem apelar, mesmo recorrendo à sabedoria que pensavam possuir.
A decisão de matar Jesus visava eliminar o mal pela raiz. Seria uma maneira
de fazer calar, para sempre, aquela voz incômoda, de bani-lo do meio do
povo. Apesar de precaver-se para não morrer antes da hora certa, o Mestre
não se deixou levar pelo medo. Antes, mostrou-se suficientemente corajoso
para defrontar-se, cara-a-cara, com quem ameaçava tirar-lhe a vida.
Sempre existirão pessoas tão insensatas quanto aqueles judeus que ficaram
insatisfeitos, primeiramente, com João e, posteriormente, com Jesus; são pessoas
tão perversas quanto difíceis de se contentar. Em tudo que os discípulos de
Jesus ensinam ou pregam, elas encontram alguma falha. Se se fala da salvação
mediante a graça e da justificação pela fé, imediatamente, clamam contra a sua
doutrina, como se fosse licenciosa. Se se fala da santidade que o evangelho
requer e que afeta o intelecto (Cl 3:2; Fp 1:9; Rm 12:2), as emoções (Gl
5:22; I Pe 2:11; Ef 4:31), a vontade (Fp 2:12) e o corpo (Rm 6:4; I Co 6:12),
prontamente, dizem que são por demais estritos e exigentes.
Se há alguém alegre, como ordena a carta de Paulo aos Filipenses, no
capítulo 4, versículo 4, essas pessoas o acusam de leviandade. Se alguém se
mostra grave e sério, então elas o taxam de azedo. Se se mantém afastado
dos eventos sociais, elas o denunciam como exclusivista, bitolado, puritano.
Se alguém come, bebe e se veste como as demais pessoas, freqüenta eventos
sociais e outras atividades seculares, elas insinuam, zombeteiramente, que
não vêem qualquer diferença entre ele e aqueles que não servem a Deus. A
verdade incontestável é que os discípulos de Jesus não devem esperar que a

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geração incrédula esteja satisfeita, seja com a sua fé, seja com a sua conduta.
O discípulo de Jesus não precisa torturar sua mente com a fantasia de
que, se tivesse menos defeitos e mais coerências, todos ficariam satisfeitos.
Devemos lembrar que nunca houve homem perfeito na terra, senão um
só, e ele não foi amado, mas, sim, odiado. Que maldade havia praticado
nosso Senhor para ser tratado com desprezo? Nenhuma, de modo algum.
Os judeus não podiam fazer qualquer acusação legítima contra ele. Jesus
era santo, inocente, sem mácula e separado dos pecadores. Os seus dias
passavam-se inteiramente na prática do bem. Nenhuma acusação sincera
podia ser levantada contra a sua doutrina. Ele havia provado que a sua
doutrina concordava com as Sagradas Escrituras. Não obstante, pouco
importava quão perfeitamente vivesse ou ensinasse. Ele era odiado.
O discípulo de Jesus precisa preparar-se mentalmente para ouvir objeções,
argumentos ardilosos e desculpas tolas; não importa quão santa seja sua vida.
O melhor a fazer é não se deixar atingir por essas objeções. Assim é a natureza
humana. O coração não convertido odeia a Deus e mostrará esse ódio sempre
que tiver oportunidade favorável. Sempre perseguirá as testemunhas de Deus.
Nem mesmo a coerência mais perfeita ou o caminhar mais chegado a Deus
isentarão o crente da inimizade do homem ou da mulher natural. Afinal, o que
dizem as Escrituras? Dizem que o homem natural não aceita as coisas de Deus
(I Co 2:14). Irmãos, não vos maravilheis se o mundo vos odeia (I Jo 3:13).

1. Após ler Lc 7:31-32, comente a parábola das crianças na praça.


Utilize o primeiro comentário.

2. Leia Lc 7:24-30,33-35 e responda: Por qual razão Jesus


contou a parábola das crianças na praça? Baseie-se também
no primeiro comentário.

3. Que verdade é enfatizada na parábola das crianças na praça.


Fundamente-se no segundo comentário.

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4. De que modo João e Jesus nos ensinam a lidar com aqueles que
sempre estão insatisfeitos com a nossa atitude e o nosso ensino?

III – OS DESAFIOS DA PARÁBOLA


1. Mesmo que as pessoas desta geração não nos entendam, continuemos
proclamando o julgamento anunciado pelo evangelho.
Mesmo rejeitados e criticados, João e Jesus pregavam a respeito do
julgamento. Acerca de João, lemos: Dizia ele, pois, às multidões que saíam para
serem batizadas: Raça de víboras, quem vos induziu a fugir da ira vindoura?
(Lc 3:7). Acerca de Jesus, lemos: ... quem crê no Filho tem a vida eterna; o
que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele
permanece a ira de Deus ( Jo 3:36). Precisamos anunciar mais, pregar mais,
cantar mais sobre a ira vindo ura. Somos incrivelmente inclinados a evitar
pregar sobre esse assunto. Falamos sobre o amor e sobre a misericórdia de
Deus, mas não destacamos a sua justiça e a sua santidade. É bom que todos
saibam que há uma ira vindoura – que é aquele solene e inescapável acerto de
contas. É aquele encontro do pecador ainda pecador com o Deus santo.

5. Após ler Lc 3:7; Jo 3:6, responda: Mesmo sob oposição das pessoas
desta geração, que mensagem devemos insistir em proclamar?

2. Mesmo que as pessoas desta geração não nos entendam, continuemos


ensinando a generosidade requerida pelo evangelho.
Mesmo rejeitados e criticados, João e Jesus pregavam a respeito da
generosidade. Do Jordão, João dizia: Quem tiver duas túnicas, reparta com
quem não tem; e quem tiver comida, faça o mesmo (Lc 3:11). Do monte, Jesus
dizia: Dá a quem te pede e não voltes as costas ao que deseja que lhe emprestes
(Mt 5:42). A visão estreita do egoísta não lhe permite ir muito além do
limitado círculo de seus interesses; ele vive fechado em seu pequeno mundo,
cultivando seus projetos mesquinhos. O sofrimento e a necessidade dos
outros são de nenhuma importância para ele. O “outro” não existe. Os
discípulos de Jesus, todavia, não procuram apenas praticar a generosidade,
mas também pregam contra o egoísmo.

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6. Com base em Lc 3:11; Mt 5:42, responda: De acordo com
esses textos, que mensagem devemos insistir em ensinar
a esta geração egoísta?

3. Mesmo que as pessoas desta geração não nos entendam, continuemos


pregando o arrependimento exigido pelo evangelho.
Mesmo rejeitados e criticados, João e Jesus pregavam a respeito do
arrependimento. Acerca de João, afirma-se: Naqueles dias, apareceu João
Batista pregando no deserto da Judéia e dizia: Arrependei-vos, porque está
próximo o reino dos céus (Mt 3:1-2). Quase o mesmo é dito acerca de
Jesus: Daí por diante, passou Jesus a pregar e a dizer: Arrependei-vos, porque
está próximo o reino dos céus (Mt 4:17). Precisamos pregar que toda a
humanidade, sem exceção, necessita do arrependimento, que envolve uma
completa mudança do coração, com relação ao pecado, uma transformação
que se demonstra mediante uma santa contrição e humilhação, uma
sincera confissão de pecados, diante do trono da graça, e uma quebra total
de hábitos pecaminosos, bem como um ódio permanente a todo pecado.

7. Após ler o comentário, explique esta afirmação: Mesmo que


as pessoas desta geração não nos entendam, continuemos
pregando arrependimento exigido pelo evangelho.

CONCLUSÃO: Nunca deveríamos surpreender-nos, se horrorosas


acusações são feitas contra os melhores homens e as melhores mulheres,
sem causa. É a velha estratégia: Quando os argumentos de um discípulo
de Jesus não podem ser respondidos e as suas boas obras não podem ser
negadas, o último recurso dessa geração incrédula é tentar denegrir o
caráter do crente. Se a nossa conduta e a nossa doutrina não são somente
entendidas, mas, também, criticadas, suportemos tudo com paciência.
Falsas acusações não permitirão nossa entrada nos céus. Lembremos das
palavras de Jesus: Basta ao discípulo ser como seu mestre, e ao servo ser como
seu senhor. Se chamaram Belzebu ao pai de família, quanto mais aos seus
domésticos? (Mt 10:25).

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2
12 ABRiL 2008
a Separação é
Certa Autor: Pr. Hugo Alves Espínola

Hinos sugeridos: BJ 156 – HC 334 / BJ 310 – HC 323

LEITURA DIÁRIA OBJETIVO


Domingo, 6: Mt 13:24-30 Mostrar ao estudante da palavra
Segunda, 7: Mt 13:37-43 de Deus que a separação entre
Terça, 8: Mt 13:47-50
Quarta, 9: II Pd 3:9-13 o justo e o ímpio é certa;
Quinta, 10: Jo 15:18-19 porém, enquanto ela não ocorre,
Sexta, 11: Ml 3:13-18
Sábado, 12: I Tm 2:3-4
devemos perceber a malignidade
do mundo, proclamar a
mensagem do reino e aguardar a
misericórdia de Deus.
TexTO BáSiCO: Assim será na consumação dos séculos: virão os anjos e se-
pararão os maus dentre os justos. E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali, haverá
pranto e ranger de dentes. (Mt 13:49-50)

iNTrODUçÃO: A lição de hoje se baseia em duas outras parábolas


contadas por Cristo: a parábola do joio entre o trigo e a da rede, com pei-
xes bons e ruins. Ambas se encontram registradas em Mt 13:24-30,47-50.
Através delas, Jesus alerta os crentes de seu tempo e de todos os tempos
sobre o caráter misto das coisas do reino. O bem e o mal sempre estarão
juntos no mundo, a boa e a má semente “o trigo e o joio”, “os bons e ruins
peixes” permanecerão juntos, até a consumação dos séculos. Elas nos en-
sinarão, ainda, que o reino de Deus é espiritual e não temporal; por isso,
o bem e o mal continuarão a existir no mundo, até que chegue a ceifa e o
supremo juiz faça a separação.

I – O PROPóSITO DA PARÁBOLA
As multidões que se ajuntavam em torno de Jesus para ouvir o seu en-
sino eram impressionantemente numerosas. O que havia no Mestre que o
tornava tão cativante? Muita coisa: a sua personalidade, a sua inteligência,
a sua autenticidade, a sua misericórdia. Para ele, todos que o procuravam
e o escutavam eram igualmente preciosos e valiosos. No seu coração, não

12 | Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2008


havia lugar para preconceitos sociais nem discriminações raciais. Diferen-
temente dos mestres do seu tempo, que eram incoerentes e contraditórios,
Jesus vivia tudo que pregava e ensinava. Era fiel à vontade de Deus, em
todas as circunstâncias. Por mais adverso e opressivo que fosse o ambiente,
Jesus se mantinha sereno e tranqüilo e respondia com perspicácia as per-
guntas que apareciam.
Esse seu jeito atraía para si o povo, que era como ovelha sem pastor.
Para alcançar mais gente com o seu ensino, Jesus saiu de casa para um
lugar mais amplo, junto ao mar: E ajuntou-se muita gente ao pé dele, de sorte
que, entrando num barco, se assentou; e toda a multidão estava em pé na praia
(Mt 13:2). Jesus, ao ver aquela multidão presente, falou-lhe de muitas coisas por
parábolas (Mt 13:3b), com o intuito de ensinar-lhe verdades ignoradas, po-
rém, preciosas acerca do reino de Deus. Foi nesse contexto que ele contou
a parábola do joio no meio do trigo. Já a parábola da rede foi contada aos
seus discípulos, em particular, logo após as parábolas do tesouro escondido
e da pérola de grande valor.
Na primeira parábola, Jesus narra a história de um agricultor que semeia
grãos de trigo em seu campo e, mais tarde, descobre que seu inimigo, se-
cretamente, visitou seu campo e plantou joio por entre o trigo. Os servos
do proprietário ficaram grandemente surpresos, ao constatarem o joio no
meio do trigo, no campo do seu senhor. Eles perguntam: queres, pois que
vamos arrancá-lo? O dono, porém, não deixou arrancar o joio (Mt 13:29-30),
pois sabia que, se tentasse arrancá-lo, feriria também o trigo. Ele sabia que
as raízes do joio e do trigo estavam tão entrelaçadas que quem puxasse o
joio arrancaria também o trigo. Então, tomou a decisão de esperar até o
tempo da colheita, quando separaria o joio do trigo e o queimaria.
Na segunda parábola, a da rede, a última de uma série de sete, intima-
mente relacionada à do joio entre o trigo, Jesus conta a história de um
pescador que pega uma rede cheia de peixes, tanto bons, quanto ruins.
Nos dias de Jesus, usava-se para pescar o arrastão, que era um tipo de rede
muito grande, capaz de pegar uma grande variedade e uma enorme quan-
tidade de peixes. Uma vez lançado, os pescadores puxavam todos os peixes
de toda a natureza e de todo o tamanho. Separavam-se, então, os peixes
bons dos ruins. Assim, os peixes ruins, tanto os imundos (impróprios para
o consumo) como os menores (inadequados para o comércio), eram, ime-
diatamente, lançados de volta à água.

II – A Verdade da Parábola
O principal ensino das parábolas estudadas nesta lição é que a separa-

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ção entre os que praticam a iniqüidade e os que procuram a santidade irá
acontecer somente na consumação dos séculos, isto é, na volta de Jesus,
e não antes. Essa verdade principal foi enfatizada muito claramente por
Jesus, tanto para aqueles que o ouviam, quanto para aqueles que o seguiam:
o juízo de Deus é adiado por um tempo, mas, certamente, acontecerá. A
respeito disso, temos esta promessa:

O Senhor não demora a fazer o que prometeu, como alguns pensam. Pelo
contrário, ele tem paciência com vocês porque não quer que ninguém seja des-
truído, mas deseja que todos se arrependam dos seus pecados. (II Pe 3:9)

Antes de isso ocorrer, o bem e o mal estarão juntos no mundo, que é vis-
to como “um grande campo”, em que crescem plantas boas e plantas ruins,
e como uma “grande rede”, em que existem peixes bons e peixes ruins. Por
causa disso, neste mesmo mundo, devemos estar preparados para encontrar
igrejas com cristãos e incrédulos, convertidos e não convertidos, os filhos
do Reino e os filhos do diabo, todos misturados uns com os outros. Desde
que a igreja existe é assim. Nem mesmo a mais pura e sadia pregação do
evangelho conseguiu ou consegue impedir esse estado ou essa mistura de
coisas.
O joio sempre será encontrado no meio do trigo e peixes ruins sem-
pre serão achados no meio dos peixes bons. Nunca houve um lugar em
que todos fossem “trigo”, ou peixes bons. Há crentes verdadeiros e falsos
crentes, falsos mestres, falsos profetas, falsos apóstolos e falsos cristos. O
pior de tudo é que esta falsidade está temporariamente escondida atrás de
uma capa bonita e atraente, atrás da capacidade de profetizar, de expelir
demônios e de fazer milagres (Mt 7:32, 24:23-24). Sendo assim, é preciso
ter muita paciência e esperar o tempo da colheita do trigo ou o tempo da
seleção dos peixes. Não pode haver precipitação.
Haverá um dia de separação entre os membros piedosos e os membros
ímpios. O Senhor Jesus enviará seus anjos, no dia da sua segunda vinda, os
quais recolherão os verdadeiros cristãos, formando dois grupos distintos:
um para a vida eterna e outro para a morte eterna. Esses poderosos cei-
feiros, os anjos celestiais, não se enganarão no que estiverem fazendo. Eles
discernirão, com juízo infalível, entre o justo e o ímpio, colocando cada
um no seu próprio grupo. Os mundanos, os ímpios, os descuidados e os
não-convertidos serão lançados dentro da “fornalha acesa”, onde receberão
morte eterna. Os santos e fiéis servos de Cristo receberão glória, honra e
vida eterna.

14 | Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2008


O escritor do livro Parábolas de Jesus1 observa que o ensinamento de
Cristo, neste aspecto, reflete direta e indiretamente as Escrituras do Antigo
Testamento:

Jesus parece se referir à profecia de Sofonias: “De fato, consumirei todas as


coisas sobre a face da terra (...), os homens e os animais” (1.2,3), quando fala de
extirpar de seu reino tudo aquilo que traga escândalo e todo aquele que pratique
a iniqüidade. A frase “os lançarão na fornalha acesa” lembra DanieI 3.6: “... lan-
çado na fornalha de fogo ardente”. O próprio conceito se assemelha a Malaquias
4.1: “Pois eis que vem o dia e arde como fornalha; todos os soberbos e todos os
que cometem perversidade serão como o restolho”. A passagem: “Então os jus-
tos resplandecerão como o sol” lembra Daniel 12.3: “Os que forem sábios, pois,
resplandecerão como o fulgor do firmamento; e os que a muitos conduzirem à
justiça, como as estrelas, sempre e eternamente”. E para completar, devemos ler,
também, Malaquias 4.2: “Mas para vós outros que tem eis o meu nome nascerá
o sol da justiça”.

De fato, o reino de Deus já foi inaugurado e estabelecido por Jesus, e


está em vitoriosa expansão; todavia, ainda não está consumado. O mundo
vindouro já chegou e já temos provado seu poder, mas o mundo antigo
ainda não cessou. Do Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e os que nele
habitam (Sl 24:1), mas o mundo jaz no maligno (I Jo 5:19). Já somos filhos
e não mais escravos, mas ainda não entramos na liberdade da glória dos
filhos de Deus. Satanás já está vencido, mas ainda não aniquilado. Já fo-
mos salvos do castigo do pecado (a justificação) e estamos sendo salvos do
seu domínio (a santificação), mas ainda não fomos salvos da sua presença
(a glorificação). Ainda que a plenitude da salvação demore, continuemos
esperando.

1. Resuma, com suas palavras, a parábola do trigo e do joio e


a parábola da rede?

1. Kistemaker, ( 2002:56)

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2. Após ler Mt 13:1-3, responda: O que levou Jesus a contar
essas duas parábolas? Que fatos as antecedem?

3. Baseie-se em Mt 13:36-43 e responda: Qual a explicação de


Jesus sobre o joio entre o trigo?

4. Após ler Mt 13:30,39,45, exponha a verdade principal


ensinada por Jesus nessas duas parábolas.

III – os Desafios da Parábola


1. Enquanto o tempo da separação não chega, percebamos a malignidade
do mundo.
No campo daquele patrão, foi semeado o trigo. Mas, sem que ele quises-
se, também foi semeado o joio, pelo inimigo. Este é o Diabo e o joio são os
filhos do maligno. Essa é uma realidade inquestionável. O trigo, os “filhos
do Reino”, e o joio, os “filhos do Diabo”, agora, estão misturados, ou seja, co-
existem no mesmo terreno. O que Jesus quer dizer é que este é um mundo
de transgressões, iniqüidades e contradições, porque o mistério da iniqüida-
de já está em ação (II Ts 2:7a). Não nos admiremos, nem nos espantemos,
se o mundo nos odeia, pois muitos que habitam nele estão sob a influência
do maligno. Os “filhos do Reino” e os “filhos do diabo” são opostos entre
si e estão permanentemente em conflito aberto, pois um deles se baseia na
verdade ( Jo 1:17) e o outro, na mentira ( Jo 8:44).

5. Leia Jo 3:19, 15:18-19; I Jo 5:19; II Ts 2:7; e responda: O que


esses textos nos ensinam sobre a malignidade do mundo?

16 | Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2008


2. Enquanto o tempo da separação não chega, proclamemos a mensagem
do Reino.
De acordo com Cristo, o reino do céu é ainda como uma rede que, lan-
çada ao mar, apanha toda sorte de peixes. Se lançamos a nossa rede ao mar,
iremos pegar peixes bons e ruins. Mas não devemos nos preocupar com
a possibilidade do ingresso no reino de Deus de pessoas com intenções
impuras e atitudes erradas. Preocupemo-nos, sim, com os milhares de sin-
ceros e abertos à verdade que ainda necessitam ser apanhados pelas redes
do amor de Deus. Além do mais, somente Deus conhece os que lhe pertencem
(II Tm 2:19b – RA). Sendo assim, que a nossa decisão seja aquela expressa
naquele cântico: Vou lançar a minha rede ao mar / Muitas almas também vou
ganhar / Tantas que eu não poderei contar / Almas como as areias do mar.

6. Com base em Mt 4:16, o que devemos fazer, enquanto o tem-


po da separação não chega? Leia também o comentário anterior.

3. Enquanto o tempo da separação não chega, aguardemos a misericórdia


de Deus.
Já vimos que o tempo presente é o tempo da coexistência do joio com
o trigo, da virtude com o pecado, da bondade com a maldade. Mas Jesus
quer dizer também que este tempo de coexistência deve ser, igualmente,
tempo de aguardar a manifestação da misericórdia de Deus. No campo da
graça, pode acontecer um milagre que não acontece na ordem da natureza.
E o milagre é este: no «campo» da misericórdia e do amor de Deus, por
incrível que pareça, o joio também pode tornar-se trigo. Para o ser huma-
no, é impossível que o joio se torne trigo, mas para Deus, o nosso Salvador,
que quer que todos sejam salvos e venham a conhecer a verdade (I Tm 2:3-4 –
NTLH), tudo é possível. A graça de Deus pode resgatar o joio do poder
aparentemente irresistível das trevas e o transportar para o reino do seu
Filho amado (Cl 1:13).

7. Com base no comentário anterior, explique a seguinte


afirmação: “Enquanto o tempo da separação não chega,
aguardemos a misericórdia de Deus”.

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Conclusão: Tremam e estremeçam os maus, ao lerem a parábola do
joio e do trigo, pois, nela, encontraram sua própria condenação, a não ser
que se arrependam e lembrem que, se continuarem a viver separados de
Deus, estarão lavrando a sua própria sentença, e, no fim, serão ajuntados
ao joio e lançados no fogo. Para o verdadeiro cristão, essa parábola é muito
consoladora. Esse grande e terrível Dia do Senhor será um dia de felici-
dade. O cristão não se sentirá amedrontado com a voz do arcanjo ou com
o soar da trombeta. Quão maravilhoso será o aspecto do Corpo de Cristo,
a Igreja, quando, afinal, tiver sido separado dos ímpios! Que bonito será,
então, o trigo, recolhido no “celeiro” de Deus, quando, finalmente, todo o
joio tiver sido retirado do meio dele! Assim, naquele dia, “os justos resplan-
decerão como o sol, no reino de seu pai”.

18 | Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2008


3
19 ABRiL 2008
a gRAÇA É
pARA tODOS Autor: Pr. Alan K. Pereira Rocha

Hinos sugeridos: BJ 138 – HC 15 / BJ 238 – HC 169

LEITURA DIÁRIA OBJETIVO


Domingo, 13: Mt 19:16-22
Segunda, 14: Mt 19: 27-30 Desafiar o estudante da
Terça, 15: Mt 20:1-16 palavra de Deus a combater
Quarta, 16: Ef 2:1-9
Quinta, 17: Rm 5:1-11 a discriminação espiritual,
Sexta, 18: Tg 2:1-4 celebrar a generosidade divina
Sábado, 19: I Pe 1:18-19
e reconhecer o desmerecimento
pessoal.

TexTO BáSiCO: Assim, os últimos serão primeiros e os primeiros serão


últimos. (Mt 20:16)

iNTrODUçÃO: O reino dos céus é um reinado de generosidade, em


que o mais importante não é o que a pessoa faz por merecer, mas o que
recebe sem mérito algum. Na parábola dos trabalhadores da vinha (Mt
20:1-16), veremos a atitude do senhor da vinha em relação aos que nela
trabalharam por um dia; observaremos como Deus manifesta sua mise-
ricórdia para conosco. Com essa parábola, que é encontrada apenas no
evangelho narrado por Mateus, aprenderemos que o recebimento das bên-
çãos divinas e a salvação não são motivados por nosso merecimento, nem
por tempo de serviço ou condição moral, condição financeira, mas, única e
exclusivamente, pela graça de Deus.

I - O PROPÓSITO DA PARÁBOLA
Para se interpretar uma parábola corretamente, alguns princípios
devem ser observados; um deles é este: examinar o contexto no qual
a parábola está inserida, isto é, o lugar, as circunstâncias, as pessoas
para quem ela foi contada e o problema em questão. Sendo assim,
para captarmos a mensagem da parábola dos trabalhadores na vinha,
precisamos perguntar: O que levou Jesus a contar esta parábola? Exa-

www.portaliap.com.br | 19
minando o contexto anterior, isto é, os versículos que a antecedem,
encontramos a narrativa do encontro de Jesus com o jovem rico (Mt
19:16-22). Este, embora fosse escravo da cobiça e adorador da ri-
queza, considerava-se um observador dos mandamentos estabelecidos
por Deus.
Diante da proposta feita pelo Mestre, de renegar ou renunciar a sua ri-
queza, ele se abateu e desistiu de o seguir. Enquanto aquele jovem se afas-
tava, entristecido, Jesus deixou os seus discípulos espantados, ao declarar
o seguinte: Em verdade vos digo que é difícil entrar um rico no Reino dos céus
(Mt 19:23). Assombrados com a declaração do Mestre, os discípulos per-
guntaram: Quem poderá, pois, salvar-se? (Mt 19:25). Eis a animadora res-
posta do Senhor: Aos homens é isso impossível, mas a Deus tudo é possível (Mt
19:26). Tão poderoso é o domínio das riquezas sobre o coração humano
que apenas o poder de Deus pode libertá-lo da tirania do materialismo.
Foi, então, que, o sempre impulsivo Pedro, que se sentia cheio de
méritos, 1 aproveitou a ocasião para saber o que seria dele e dos ou-
tros onze que, ao contrário do jovem rico, foram capazes de aten-
der ao chamado, abandonar tudo para se tornarem discípulos de
Jesus: Eis que nós deixamos tudo e te seguimos; que receberemos? (Mt
19:27). Em resposta, Jesus não repreendeu o discípulo, mas, bondosa-
mente, explicou-lhe que, embora os doze apóstolos tivessem lugar de
destaque no reino de Deus, não eram, em nada, melhores aos tantos
outros, que também haviam sido alcançados pelo evangelho salvador.
Todos teriam o mesmo galardão: ... cem vezes tanto nesta vida e por f im
a vida eterna (Mt 19:29).
Entretanto, Jesus os alertou sobre o perigo de entenderem que o
galardão poderia ser conquistado por meio de critérios humanos. O
Mestre desejava mostrar-lhes que essa recompensa prometida não seria
dada por merecimento da parte deles, mas por causa da generosidade
do Pai. Para os discípulos, não era fácil aceitar que a graça de Deus
era para todos, pois, desde muito cedo, haviam sido, criteriosamente,
instruídos pelos fariseus na doutrina da salvação pelo mérito ou pelo
esforço próprio.
Se não mudassem seus conceitos de salvação, teriam dificuldade, não
somente para apreciar, mas, também, para anunciar inteiramente a mara-
vilhosa manifestação da graça de Deus. Sendo assim, ao contar a parábola
dos trabalhadores na vinha, Jesus quis mostrar, especialmente aos doze,
como a salvação se processa no reino de Deus.

1. Tasker (1999:150)

20 | Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2008


II – A VERDADE DA PARÁBOLA
Qual a verdade principal ensinada por Jesus, na parábola dos trabalhado-
res na vinha? Antes de tratarmos dessa verdade principal, vamos relembrar
o conteúdo da parábola: Jesus compara o reino dos céus a um dono de terras que
contrata homens para trabalharem em sua vinha. Ao longo do dia, cinco grupos
de trabalhadores foram contratados (Mt 20:1b-7). O 1º grupo trabalhou das
06 às 18 horas; o 2º grupo, das 09 às 18; o 3º grupo, das 12 às 18 horas; o
4º grupo, das 15 às 18h, e o 5º grupo, das 17 às 18h.2
Ao fim do dia, o dono da vinha orientou o administrador a pagar seus
salários, começando pelo último contratado, até o primeiro (Mt 20:8).
Cada trabalhador recebeu um salário idêntico: um denário. Os trabalhado-
res que começaram a trabalhar às seis horas alegam que deveriam receber
mais do que os demais, que começaram a trabalhar mais tarde. O dono da
vinha lembrou aos murmuradores duas coisas: (1) Ele lhes pagou o que fora
combinado (Mt 20:13). E qual fora o combinado? Um denário. Ao serem
chamados para trabalhar, esses homens consentiram em ganhar esse valor.
(2) Ele paga o que quiser a quem quiser (Mt 20:14-15).
Agora, vamos responder à pergunta levantada no início: Qual a verdade
principal ensinada nesta parábola? Jesus não a narrou para ensinar lições so-
bre economia ou negócios. Ele não narrou essa história para mostrar como
devem ser as relações entre empregador e empregado. A verdade principal
ensinada na parábola é: a graça de Deus é para todos!

Ao ensinar a parábola, Jesus mostrou que Deus não trata os homens de acordo
com o princípio do mérito, da justiça ou da economia. Deus não está interessa-
do em lucros. Deus não trata o homem na base do “toma lá dá cá”, ou “uma boa
ação merece recompensa”. A graça de Deus não pode, simplesmente, ser dividi-
da em quantidades proporcionais ao mérito acumulado pelo homem. Havia em
circulação, na época, uma moeda chamada pondion, que valia a duodécima par-
te de um denário. Na graça de Deus, no entanto, não circulam porcentagens,
porque “todos nós temos recebido da sua plenitude e graça sobre graça” ( Jo 1.16).3

O senhor da parábola, que convida trabalhadores para a sua vinha, re-


presenta o próprio Deus. Pela graça divina, fomos salvos, perdoados de
nossos pecados e libertos da condenação da morte, para vivermos em no-
vidade de vida. Além disso, através da mesma graça que agiu para a nossa

2. Willmington, (2001:482)
3. Kistemaker, (2002:90)

www.portaliap.com.br | 21
salvação, também fomos chamados para trabalharmos no reino de Deus.
Poderíamos trabalhar inteiramente de graça, apenas por gratidão, pelo tan-
to que ele nos fez. No entanto, o Pai decidiu recompensar-nos, ainda que
não merecêssemos coisa alguma. Deste modo, a graça é o critério usado
por Deus para recompensar-nos.
Mas o que é graça? “É ação imerecida de Deus para com o homem. É
um fluir único da bondade e generosidade de Deus”.4 É a resposta divina
à necessidade humana. No passado, não éramos dignos de coisa alguma.
Andávamos pela vida, sem propósito, éramos insignificantes, tristes e per-
didos; mas, agora, por sua graça, além de a nossa vida encher-se de signifi-
cado especial, fomos também chamados para servir-lhe em seu reino, com
a promessa de uma grande recompensa; isso porque Deus simplesmente
nos ama. O autor Philip Yancey diz a seguinte frase: Não há nada que eu
possa fazer para que Deus me ame mais. Não há nada que eu possa fazer
para que Deus me ame menos.5
Logo, é necessário entendermos que não existe, de nossa parte, mereci-
mento algum e não há o que possamos fazer que nos coloque em condição
de merecimento (Ef 2:1-9; Rm 5:1-11). Em Rm 8:32, lemos: Aquele que
não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura,
não nos dará graciosamente com ele todas as coisas (grifo nosso). Então, até as
bênçãos que recebemos não vêm por nossos esforços, mas, sim, pela miseri-
córdia de nosso Senhor. Afirmamos, com base na palavra de Deus, que não
é necessário nem um tipo de sacrifício ou oferenda, nem um tipo de ritual,
para que Deus nos dê algo.
Então, o que significa a expressão os últimos serão primeiros e os primei-
ros serão últimos? De fato, toda a parábola está sintetizada nessa frase, que
aparece tanto no início quanto no final dela (Mt 19.30, 20:16). De acordo
com Tasker,6 ela expressa a idéia de igualdade e, neste contexto, significa
que os que chegarem por último no reino de Deus serão tratados em iguais
condições, como os que chegarem primeiro. No reino de Deus, não há dixs-
criminação, nem favoritismo. Os judeus não terão nenhuma vantagem sobre
os gentios. Logo, em sua essência, a parábola mostra que a graça é para todos,
pois todo aquele que se aproximar de Jesus, mediante a fé, tornando-se filho
de Deus, terá os mesmos direitos assegurados pela Cruz.

1. Com base no comentário e em Mt 19:16,27-30, responda: De


acordo com o contexto, quais foram os motivos que levaram

4. Erickson (1991:75).
5. Yancey (2002:31).
6. Tasker (1999:151).

22 | Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2008


Jesus a contar a parábola dos trabalhadores da vinha? Qual
era o objetivo do mestre com essa narrativa?

2. Leia Ef 2:1-9; Rm 5:6,8,10; Mt 20:6-9 e responda: O que é a


graça de Deus e como ela se manifesta nessa parábola?

3. Com base no comentário e em Mt 19:30, responda: O que


significa a expressão “os últimos serão primeiros e os
primeiros serão últimos”?

4. Leia Mt 20:10-15 e responda: Que atitude tiveram os


primeiros trabalhadores, quando receberam o mesmo valor
que os demais? Que lições podemos tirar disso?

5. Leia Rm 3:22-26 e responda: Por que, aos olhos humanos, a


justiça de Deus é considerada injusta?

III - OS DESAFIOS DA PARÁBOLA


1. A parábola dos trabalhadores na vinha desafia-nos a combater a
discriminação espiritual.
No reino de Deus, não há filho preferido. Os trabalhadores da undécima
hora são tão importantes quanto os da primeira, pois Deus não faz distin-
ção de pessoas (At 10:34). Sendo assim, a igreja, como a maior expressão
do reino, deve viver esse princípio em seus relacionamentos; deve combater

www.portaliap.com.br | 23
todo preconceito racial e toda distinção das pessoas, seja pela condição
econômica, pelo grau de escolaridade, pelo sexo ou pela idade. Não pode-
mos medir as pessoas pela quantia de seus dízimos, nem pelo tempo em
que elas estão na igreja, pois todos são iguais diante do Senhor (Rm 2:11,
10:12; Gl 3:28). O apóstolo Tiago exorta a igreja a não fazer diferença
entre as pessoas, a não as tratar com parcialidade (Tg 2:1-4).

6. Leia Tg 2:1-4; Gl 3:28 e responda: Por que a vinha do Senhor


nos desafia a combater as discriminações?

2. A parábola dos trabalhadores na vinha desafia-nos a celebrar a


generosidade divina.
Os trabalhadores da primeira hora sentiram-se injustiçados, pelo exces-
so de bondade do dono da vinha para com os outros. Eles foram incapazes
de celebrar a manifestação da generosidade. Não houve celebração, mas
murmuração. Assim, somos desafiados a nos alegrar com o que Deus tem
feito na vida de outras pessoas, ou através delas. Devemos eliminar todas
as possíveis raízes de insatisfação ou inveja em relação ao outro. Peçamos
ao Senhor que nos dê um coração generoso, para sempre buscar o cresci-
mento de outras pessoas, e humilde, para nunca se julgar mais merecedor
do que elas. Que o Senhor nos ajude a evitar a inveja para com as bênçãos
espirituais dos outros.

7. Com base em II Co 9-14; Fp 2:3-4 e no comentário, responda:


Por que a vinha do Senhor nos desafia a sermos generosos?

3. A parábola dos trabalhadores na vinha desafia-nos a reconhecer o


desmerecimento pessoal.
A vida eterna e as bênçãos que recebemos não são comércio com Deus,
como pensavam os fariseus. Eles esperavam que Deus os recompensasse
por suas obras e se recusasse a abençoar os pecadores indignos. Diziam,
também, que o homem, por seus atos, faz que Deus seja o seu devedor.
Esse pensamento, sorrateiramente, tem invadido as igrejas evangélicas, em
nossos dias. Temos ouvido que, se fizermos o sacrifício, a corrente, o ritual,

24 | Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2008


ou se participarmos da “fogueira santa”, podemos exigir e Deus tem que
nos dá, porque é nosso direito. Deus nunca será nosso devedor. Nós é que
lhe devemos tudo. Fomos graciosamente resgatados da miserável servidão
do pecado, por preço incalculável (I Pe 1:18-19). Somos para sempre de-
vedores a Deus.

8. Leia Lc 17:10; Ef 2:8-10 e responda: Por que devemos


reconhecer que não há merecimento em nós?

CONCLUSÃO: Na parábola dos trabalhadores na vinha, o Mestre mos-


tra como, rapidamente, podemos esquecer que não merecemos sequer o
denário prometido. Facilmente esquecemos que éramos perdidos pecado-
res, que, pela graça, fomos elevados a uma posição de servos, e nos torna-
mos amigos do Rei ( Jo 15:15). Com facilidade, somos tentados a olhar
para o que os outros receberam ou têm recebido e a achar que merecíamos
também. Pior, ainda, é quando nos imaginamos melhores, superiores, mais
santos que os outros, e passamos a menosprezar e a julgar as pessoas, es-
quecendo que tudo o que temos e somos é pela misericórdia de Deus.
Todavia, o Senhor nos ensina que nenhum cristão é desprovido do amor
de Deus. Jamais conseguiríamos pagar-lhe todo o bem que ele nos concede.
Por isso, ao invés de murmurar, devemos celebrar sua maravilhosa graça.

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4
26 ABRiL 2008
O Avanço do
Reino Autor: Pr. Manoel Lino Simão

Hinos sugeridos: BJ 179 – SH 329 / BJ 171 – CC 434

LEITURA DIÁRIA OBJETIVO


Domingo, 20: Mt 13:31-32 Conscientizar o estudante de
Segunda, 21: II Co 5:17-20 que o avanço do reino de Deus
Terça, 22: Mt 28:18-20
Quarta, 23: Mc 16:15-16 é a principal missão da Igreja
Quinta, 24: At 2:42-47 como representante de Cristo
Sexta, 25: Sl 22:27-28
Sábado, 26: Gl 1:14-17 na terra.

TexTO BáSiCO: Disse mais: A que assemelharemos o reino de Deus?


Ou com que parábola o apresentaremos? É como um grão de mostarda, que,
quando semeado, é a menor de todas as sementes sobre a terra; mas, uma vez
semeada, cresce e se torna maior do que todas as hortaliças e deita grandes
ramos, a ponto de as aves do céu poderem aninhar-se à sua sombra. (Mc
4:30-32)

iNTrODUçÃO: A lição desta semana baseia-se na parábola da


semente de mostarda, registrada em Mateus 13:31-32 e Marcos 4:30-32.
Como temos constatado, nesta série de estudos, as parábolas fazem parte
da pedagogia que Jesus usou para ensinar aos seus discípulos e a todos os
seus seguidores. Só no capítulo 13 de Mateus Jesus contou as parábolas
da semente de mostarda, do fermento, do joio, do tesouro escondido, da
pérola, da rede.
Jesus contou essas parábolas com o propósito de ensinar verdades
inseridas e vivenciadas no cotidiano das pessoas da sua época. A sua proposta
era facilitar-lhes a compreensão do que seria o seu reino. Não precisamos
de muito esforço para entender a lição da parábola hoje em pauta; ela nos
ensina que Jesus nos trouxe o reino de Deus, que ele nos escolheu e nos
nomeou para que déssemos frutos ( Jo 15:16). Por fim, aprenderemos que
compete aos servos de Cristo semear a palavra, a semente que traz dentro
de si o milagre da vida.

26 | Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2008


I – O PROPÓSITO DA PARÁBOLA
Quando Jesus contou a parábola da semente de mostarda, o reino ainda
estava em projeção. Encontramos o Mestre enviando doze homens com
uma missão específica, ir às ovelhas perdidas do provo de Israel (Mt 10:6).
Assim, entendemos que a temática desta parábola é o crescimento do reino
de Deus.
A preocupação de Jesus com o avanço do reino é visível nos evangelhos.
Em sua primeira pregação pública, ele declarou enfaticamente: O tempo
está cumprido, e o Reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no
evangelho (Mc 1:15). Isso equivale a dizer que não podemos negligenciar
a semeadura da palavra. Por outro lado, podemos entender que o Mestre
espera que seus discípulos priorizem o reino. Fomos chamados a servir na
embaixada do reino, como representantes de Deus (II Co 5:18-20). Jesus
assegurou que o reino precisa ser prioridade na vida dos seus seguidores: ...
buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos
serão acrescentadas (Mt 6:33).
No versículo 32, Jesus faz questão de ampliar a visão de seus servos, mostrando-
lhes que a pequena semente cresceu, transformando-se em uma grande árvore.
Como a massa que cresce, ao receber o fermento, o reino de Deus cresce com
a pregação da palavra. Esta, uma vez semeada, cresce no coração das pessoas
que a recebem e promove, de maneira integral, as mudanças, tornando essas
pessoas cada vez mais parecidas com Cristo. O apóstolo Paulo refere-se a essa
transformação, afirmando: Quem está unido com Cristo é uma nova pessoa; acabou-
se o que era velho, e já chegou o que é novo (II Co 5:17 – NTLH).
Todos os cristãos que, verdadeiramente, amam a Cristo, anseiam por
esse crescimento; sabem que Jesus colocou as sementes em suas mãos e
ordenou-lhes que as semeassem, dizendo: Portanto, vão a todos os povos do
mundo e façam com que sejam meus seguidores, batizando esses seguidores em
nome do Pai do Filho e do Espírito Santo (Mt 28:18-20). Semear é cultivar!
Jesus procura pessoas com esse desejo.

II – A VERDADE DA PARÁBOLA
Ao contar a parábola da semente de mostarda, Jesus ensina e ilustra
a verdade de que fazer o reino se espalhar-se por toda a terra e alcançar
as pessoas, tanto de longe quanto de perto, é responsabilidade da igreja.
Crescer faz parte do reino e da igreja. Muitos admitem que a parábola deva
ser interpretada apenas na perspectiva do crescimento espiritual. Contudo,
o contexto imediato e amplo revela que Jesus está falando da expansão

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espiritual e numérica de seu reino.
Alcançar os perdidos foi e sempre será a preocupação do Pai celeste. De
Gênesis a Malaquias, a mensagem do crescimento do reino aparece com
destaque. No Antigo Testamento, muitos textos revelam a visão missionária dos
profetas. Contudo, bastam os dois seguintes para constatarmos que eles miravam
o avanço da obra de Deus: E há de ser que todo aquele que invocar o nome do Senhor
será Salvo ( Jl 2:32). Depois disto, ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e
quem há de ir por nós? Disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim (Is 6:8).
Por sua vez, o Novo Testamento revela o ápice da vontade salvadora do
Pai: Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito,
para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna ( Jo 3:16). Ainda
garante que, apesar das terríveis adversidades e ataques, a igreja será vitoriosa,
nessa santa missão: Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei
a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. (Mt 16:18)
Nesse sentido o avanço do reino é um projeto do coração do Pai para nós,
seus redimidos; cabe-nos cumprir a ordem do Mestre: Então ele disse: Vão pelo
mundo inteiro e anunciem o evangelho a todas as pessoas. (Mc 16:15 – NTLH).
Contudo, a parábola é apenas o ponto de partida, porque o grande manual
de crescimento da igreja é, de fato, o livro de Atos, em que Jesus deixa claro
que o reino já chegou, através da igreja e que ela tem a responsabilidade de
levá-lo aos mais distantes lugares e pessoas da terra: E recebereis a virtude
do Espírito Santo e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda
Judéia e Samaria e até os confins da terra (At 1:8).
O que encontramos, em Atos, é uma igreja envolvida na proclamação
do reino, cumprindo o ide de Jesus: E todos os dias, no pátio do templo, e de
casa em casa, eles continuavam a ensinar e a anunciar à boa noticia a respeito
de Jesus o Messias (At 5:42 – NTLH). Enquanto eles semeavam a palavra,
acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos (At 2:47).
A verdade é que o chão não produzirá, se a igreja não semear, mas, se
ela semear, o chão produzirá. Por essa razão é que a Bíblia adverte: Semeia
pela manhã a tua semente e à tarde não repouses a mão, porque não sabes qual
prosperará; se esta, se aquela ou se ambas igualmente serão boas (Ec 11:6; cf. Sl
126:5-6; Rm 10:13-14).

1. Leia Mt 13:31-32; Mc 4:30-32 e responda: Qual a melhor


receita para a expansão do reino, na lição da parábola,
contada por Jesus?

28 | Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2008


2. Com base em II Co 5:17-19; Mt 28:18-20; Jo 6:33, responda:
Como membro do corpo de Cristo, o que você tem feito
para que o reino de Deus avance? Você se envolve no
trabalho missionário?

3. Leia Mt 13:32; Mc 16:15 e responda: Qual a verdade principal


ensinada por Jesus, na parábola da semente de mostarda?

4. Leia Jo 3:16; At 1:8, 2:47, 5:42 e responda: O que fez a igreja


primitiva para que o reino avançasse com tanto sucesso?
Qual tem sido sua participação no crescimento da igreja
em que você serve a Cristo?

III – OS DESAFIOS DA PARÁBOLA


1. Fazer o reino de Deus avançar é mandamento de Deus para a igreja.
Na mensagem da parábola, encontramos impresso o desejo de Cristo
de ver o seu reino avançando, entre todas as nações, raças, tribos e
línguas. Os patriarcas e os profetas comungaram com essa visão de
Cristo.
Davi orou a Deus pelo avanço do reino: Todas as nações que f izeste
virão, prostrar-se-ão diante de ti, Senhor, e glorif icarão o teu nome (Sl
86:9). Jesus orou ao Pai para que seu reino avançasse: Eu não rogo
somente por estes, mas também por aqueles que, pela sua palavra, hão de
crer em mim. ( Jo 17:20) Portanto, é pecado a igreja passar o ano inteiro
envolvendo-se, espiritualmente, com programações internas que não
visam colocar a semente no coração dos não-salvos. Se quisermos ser
uma igreja abençoada e aprovada por Deus, temos que obedecer ao seu
ide, ou seja, temos de orar, pedindo ousadia do Espírito Santo, para que
realizemos programações em que a palavra seja semeada eficazmente
aos não-salvos.

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5. Leia Sl 22:27-28, 67:2; Jo 17:20 e responda: O que a igreja
pode fazer para cumprir o mandamento do ide e fazer o
reino de Deus avançar?

2. Fazer o reino de Deus avançar é mandamento de Deus para cada cristão.


Não temos dúvida de que a igreja tem sido instrumento de Deus na
propagação mundial do evangelho; mas, também, não podemos negar
que, tanto no Antigo como no Novo Testamento, há um chamado
pessoal para cada cristão. Foi assim com Ezequiel: Filho do homem, eu
te envio aos f ilhos de Israel, ás nações rebeldes que se rebelaram contra mim.
(Ez. 2:3). Foi assim, também, com Isaías: Em seguida, ouvi o Senhor
dizer: — Quem é que eu vou enviar? Quem será o nosso mensageiro? Então
respondi: — Aqui estou eu. Envia-me a mim! (Is 6:8 – NTLH) Foi assim
com os apóstolos:

Não foram vocês que me escolheram; pelo contrário, fui eu que os escolhi para que vão
e dêem fruto e que esse fruto não se perca. Isso a fim de que o Pai lhes dê tudo o que
pedirem em meu nome. ( Jo 15:16 - NTLH)

Ezequiel, Isaías e os apóstolos obedeceram a Deus e foram pregar


aos não-salvos. Da mesma forma, todo aquele que foi alcançado pelo
evangelho da graça de Deus deve ser obediente ao comando de pregar
a palavra aos pecadores, sentindo, no coração, a mesma responsabilidade
que Paulo sentiu, isto é, o dever de pregar a todos, tanto aos civilizados
como aos não-civilizados, tanto aos instruídos como aos sem instrução (Rm
1:14 - NTLH).

6. Com base em Ez 2:3; Is 6:8; Jo 15:16, responda: Como


podemos demonstrar, de fato, gratidão pela nossa salvação?

3. O reino de Deus não virá, definitivamente, enquanto a palavra


não for semeada a todos os pecadores.
Quando os discípulos questionaram Jesus sobre a suntuosidade do
templo de Jerusalém, o Mestre respondeu que tudo aquilo seria destruído.

30 | Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2008


Mas Jesus não respondeu quando isso aconteceria; em vez disso, o Senhor
passou a relatar alguns sinais da proximidade da sua vinda e do fim de todas
as coisas. Isso tem duas implicações, na vida dos salvos, e é o próprio Jesus
quem revela essa realidade espiritual: A primeira implicação tem a ver com
a nossa perseverança cristã: Quem ficar firme até o fim será salvo (Mt 24:13
- NTLH). Já a segunda tem a ver com o nosso compromisso na expansão
do reino: E a boa noticia sobre o Reino será anunciada no mundo inteiro como
testemunho para toda humanidade. Então virá o fim (Mt. 24:14 – NTLH).
Se considerarmos que, quando Jesus contou a parábola que estamos
estudando, a pregação do evangelho estava restrita, exclusivamente, aos
Judeus, constataremos que essa realidade se assemelha muito a nós, pois
gostamos de ficar enclausurados em nossas igrejas, ouvindo boa música,
presenciando boa liturgia, o que, em princípio, não é pecado. Contudo,
quando fazemos isso ignorando o princípio espiritual ensinado por Jesus,
em Mt 23:23, tornamo-nos pecadores, pois o Mestre declara: ... estas coisas,
porém, deveis fazer, sem omitir aquelas.
O ensino pessoal da palavra, o discipulado, através dos cursos bíblicos, o
cuidado com o testemunho aos nossos amigos, com a retenção dos novos
convertidos, devem ser praticados, para que o reino avance e Jesus logo
venha buscar seu povo.

7. Leia Gl 1:15-16, 3:8; Ef 3:8 e responda; Como você vê essa


relação do avanço do reino e a vinda de Cristo? Isso
preocupa você?

CONCLUSÃO: Assim como o pai me enviou, também eu vos envio. Mesmo


não pertencendo aos evangelhos Sinóticos, o escritor João não difere dos
demais evangelistas (Mateus, Marcos e Lucas), nem do Mestre, quanto
à visão de crescimento do reino. Cristo foi comissionado pelo próprio
Pai para trazer a salvação por meio do seu próprio sacrifício. No calvário,
ouvimos Jesus dizer: “Pai está consumado”! Com a mesma autoridade do
Pai, ele envia seus discípulos para levarem a mensagem de salvação até os
confins da terra. Isso é possível, pois ele já nos deu o Espírito Santo. O que
precisamos é seguir o conselho de Paulo: Vocês são filhos queridos de Deus e
por isso devem ser como Ele. (Ef 5:1-2 – NTLH).
Que a vida de cada servo do Senhor seja dominada pelo amor aos
perdidos; só assim veremos o avanço do reino de Deus. Amém!

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5
03 mAio 2008
Aprenda A
Esperar Autor: Pr. Valdeci Nunes de Oliveira

Hinos sugeridos: BJ 12 – CC 176 / BJ 189 – CC 304

LEITURA DIÁRIA OBJETIVO


Domingo, 27: Mc 4:26-29 Mostrar ao estudante, com
Segunda, 28: Sl 146:5-6
Terça, 29: I Co 2:1-5 base na parábola da semente, que,
Quarta, 30: Ec 3:1-8 em muitos casos, precisamos de
Quinta, 1º de maio: Sl 40:1-3
Sexta, 2: Ec 11.1,6
muita paciência, enquanto espe-
Sábado, 3: Tg 5:7-11 ramos o cumprimento das bên-
çãos de Deus em nossas vidas.

TexTO BáSiCO: Disse ainda: O reino de Deus é assim como se um homem


lançasse a semente à terra; depois, dormisse e se levatasse, de noite e de dia, e a
semente germinasse e crescesse, não sabendo ele como. (Mc 4:26-27)

iNTrODUçÃO: Uma das principais preocupações de Cristo, ao trans-


mitir suas mensagens, era fazer-se entendido. Para que isso acontecesse,
ele costumava lançar mão de técnicas e recursos que facilitavam o enten-
dimento de seus ouvintes. Em sua comunicação com o público, além de
usar uma linguagem simples e convencional, não poucas vezes, empregava
ilustrações, envolvendo os lírios do campo e as aves do céu.
No texto de Marcos 4:26-29, que vamos analisar, o exemplo usado por
ele foi o do semeador e o da semente. No decorrer da presente lição, o
estudante acompanhará o processo de desenvolvimento da semente, desde
o momento em que é semeada, até o aparecimento dos frutos, destacando-
se, neste particular, o comportamento do semeador, sua paciência e sua
capacidade de esperar, até que tudo aconteça conforme o esperado.

I – O PROPóSITO DA PARÁBOLA
Como pudemos constatar, na introdução e nas quatro lições anteriores
desta série de estudos, a parábola foi uma técnica pedagógica freqüente-
mente usada por Jesus Cristo em seus ensinos. Os evangelhos registram
mais de cinqüenta exemplos nos quais Jesus a utilizou. Ao usá-la, ele tinha

32 | Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2008


como objetivo simplificar o conteúdo de suas mensagens, de modo que
pudesse ser entendido por todas as pessoas, independentemente do grau
de instrução que tivessem. Ele costumava ilustrar seus ensinamentos com
experiências tiradas da vida e das atividades cotidianas das pessoas; daí o
sucesso de seu trabalho.
No texto em pauta, Jesus aparece proferindo a parábola da semente. Ele
diz: O reino de Deus é assim como se um homem lançasse semente à terra. O
exemplo é extraído da vida do campo, de onde, provavelmente, procedia
boa parte das pessoas a quem ele se dirigia, ao ministrar tais ensinamentos.
Sendo Jesus a própria sabedoria de Deus em pessoa (I Co 1:24), soube,
no entanto, comunicar essa sabedoria aos homens, usando linguagem e
conceitos que podiam ser perfeitamente entendidos por eles. Inspirado no
mesmo exemplo de Cristo, Paulo diria, mais tarde:

E eu, irmãos, quando foi ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não
fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria (...). A minha palavra, e a minha
pregação, não consistiu em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em de-
monstração de espírito e de poder. (I Co 2:1,4)

Nisso residiu o segredo do sucesso da pedagogia de Jesus Cristo.


Ao contrário do homem da cidade, cujo sustento depende do salário,
o homem do campo depende das condições do tempo e da providência
divina. Deita na terra a sua semente; ao chegar a noite, deita-se e dorme,
na esperança de que Deus proverá as condições de que a semente necessita
para nascer, crescer e dar furtos. É um exemplo que precisa ser seguido por
todas as pessoas crentes, no exercício de qualquer profissão. É uma prova
de confiança em Deus.
Para o homem do campo, o importante não é saber “como” as coisas
acontecem; e nisto consiste a sua fé e a sua confiança. Para ele, o importan-
te mesmo não é saber como algumas coisas acontecem, mas a certeza que
tem de que vão acontecer, mesmo não estando em condições de explicá-
las. Ao semear a semente, ele tem firme a esperança de que esta vai nascer,
crescer e dar frutos. E assim acontece. Ele não conhece a ciência e, por isso,
não conhece também os caminhos que levam à origem das coisas. Porém,
tem fé no resultado do seu trabalho, e espera por ele.
No ensino da semeadura, ministrado por Jesus, por primeiro, a semente
é lançada no campo; em seguida, vem o crescimento daquilo que foi se-
meado; depois disso, vêm os frutos. Depois dos frutos maduros, vem a co-
lheita. Cada uma dessas etapas acontece no seu devido tempo; nem antes,
nem depois. Cabe, portanto, ao semeador, esperar e ter paciência. A fé e a

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confiança do homem do campo serveriam de exemplo para o ensinamento
de Cristo, cujo propósito, ao proferir essa parábola, foi incentivar o crente
a cultivar a esperança.

II – A VERDADE DA PARÁBOLA
A grande verdade da parábola é que o cristão precisa aprender a esperar. Te-
mos demonstrado, com a maioria de nossas atitudes, que somos imediatistas, ou
seja, não gostamos de esperar, a não ser que essa espera nos seja, de algum modo,
humanamente conveniente. Jesus, porém, nos mostra, por meio dessa parábola,
que devemos ser esperançosos. As Escrituras estão cheias de ensinamentos que
nos induzem ao dever de esperar. Esperar no Senhor é confiar em suas promes-
sas e crer que, no tempo determinado por ele, se cumprirão em nossas vidas. É
confiar a ele nossos cuidados, nossas ansiedades e preocupações.
Davi disse de si mesmo: Esperei com paciência no Senhor, e ele se inclinou
para mim, e ouviu o meu clamor (Sl 40:1). Em outra parte, recomenda o
mesmo homem de Deus: Espera no Senhor, anima-te, e ele fortalecerá o teu
coração; espera, pois, no Senhor (Sl 27:14). Essa recomendação de Davi en-
contra ressonância no que foi dito pelo profeta Isaías: Mas os que esperam
no Senhor renovarão as suas forças, subirão com asas de agias; correrão, e não
cansarão; caminharão, e não se fatigarão. (Is 40:31)
Sejam quais forem as circunstâncias pelas quais tenhamos de passar,
devemos conservar firme a nossa confiança no Senhor, certos de que ele
estará sempre vigilante para nos proteger, na saúde ou na doença, quando
tudo corre bem ou quando tudo parece difícil e incerto, na bonança ou na
adversidade. Em qualquer situação, a paciência ainda é o remédio mais efi-
ciente contra as incertezas da vida. Nenhum mal físico ou espiritual poderá
abater o nosso ânimo, se tivermos esperança. Esta esperança precisa estar
sempre presente na vida do crente, sobretudo, nas horas mais difíceis.
Atentemos para a recomendação e o exemplo dados pela Escritura:

Sede pois irmãos, pacientes até a vinda do Senhor. Eis que o lavrador espera o precioso
fruto da terra, aguardando-o com paciência, até que receba a chuva temporã e serôdia
(...). Ouvistes qual foi a paciência de Jó, e vistes o fim que o Senhor lhe deu; porque o
Senhor é muito misericordioso e piedoso. (Tg 5:7,11)

Mais uma vez, a figura do lavrador é usada como exemplo de paciência:


Porque em esperança somos salvos. Ora a esperança que se vê não é esperança;
porque o que alguém vê como o esperará? Mas, se esperamos o que não vemos,
com paciência o esperamos (Rm 8:24-25).

34 | Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2008


É a Paulo que devemos as expressões de alento e conforto que reprodu-
zimos a seguir:

Sendo justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo; pelo qual
também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na
esperança da glória de Deus. E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tri-
bulações; sabendo que a tribulação produz a paciência. E a paciência a experiência e a
experiência a esperança. E a esperança não traz confusão porquanto o amor de Deus está
derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. (Rm 5:1-5)

Nem sempre o que gostaríamos que acontecesse em nosso favor, aconte-


ce no tempo e do modo como desejamos. Como já dissemos, há um tempo
determinado para cada coisa, debaixo do céu. Portanto, se as nossas orações
ainda não foram respondidas e os nossos projetos ainda não foram reali-
zados, é porque o tempo certo para isso ainda não chegou. Cumpre-nos o
dever de trabalhar e esperar um pouco mais. Quando Deus demora a nos
atender, é como se nos pedisse para esperarmos um pouco mais.

1. Leia o primeiro comentário anterior e explique o motivo


por que Jesus usou linguagem simples e muitas ilustrações,
enquanto ministrava os seus ensinamentos.

2. Como pôde Jesus, que era a própria sabedoria de Deus em


pessoa, comunicar essa mesma sabedoria a homens do
campo? Leia o primeiro comentário.

3. Mesmo não sabendo como as coisas acontecem, que exemplo


nos deixa o semeador, descrito em Mc 4:27? Leia também Jó 11:18.

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4. Leia Sl 127:2; At 12:6 e responda: Que exemplos podem
ser extraídos desses dois textos?

III - OS DESAFIOS DA PARÁBOLA


1. Quando temos esperança em Deus, seguimos o exemplo do
semeador: semeamos e esperamos que Deus dê o crescimento.
A lição da semeadura, quando aplicada à evangelização, por exemplo,
tem muitas lições a nos ensinar. A primeira delas é a que nos ensina a es-
perar. Todos nós gostaríamos de que a boa semente do evangelho, uma vez
lançada no coração das pessoas, nascesse, crescesse e desse frutos o mais
rapidamente possível. Mas isso nem sempre acontece assim. Em muitos
casos, quem semeia, nem sempre é o mesmo que colhe os frutos. Observe-
mos o que Paulo diz: Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento (I
Co 3:6). O importante mesmo é semear, se possível, cedo e à tarde, porque nunca
se sabe qual das semeaduras prosperará ou se todas, igualmente, prosperarão (Ec
11:6). Em alguns casos, os frutos resultantes daquilo que foi semeado só
aparecerão depois de muitos dias (Ec 11:1). Por isso, quem semeia deve ser
paciente e perseverante. Nunca devemos desistir de semear e esperar.

5. Leia Ec 3:1, 11:1, I Co 3:6 e responda: Relacionando esses


textos com o de Mc 4:28, que deve fazer o semeador, até
que venham os frutos de sua semeadura?

2. Quando temos esperança em Deus, podemos dormir seguros.


Quando um homem tem esperança em Deus, pode repousar seguro (cf. Jó
11:18). No Salmo 127, atribuído a Salomão, está escrito: Inútil vos será levan-
tar de madrugada, repousar tarde, comer o pão que penosamente granjeastes; aos
seus amados ele o dá enquanto dormem (Sl 127:2). Foi isso que aconteceu com
Pedro, que, a despeito de estar preso e sentenciado à morte, dormia tranqüilo,
enquanto muitos aguardavam a sua execução (At 12:5-6). É provável que, na
situação em que Pedro se encontrava, bem poucos crentes tivessem condições
de dormir, assim como Lutero não dormiu, na noite seguinte ao seu compa-
recimento à Dieta de Worms, em abril de 1521, quando teria de responder, no

36 | Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2008


dia seguinte, a segunda das duas perguntas que lhe foram feitas, como parte do
processo de seu julgamento. Pedro, porém, ciente de que, humanamente, nada
podia fazer em sua defesa, decidiu confiar inteiramente em Deus. E, fazendo
isso, não perdeu sua noite de sono. Deus se encarregou de prover a sua liberta-
ção (At 12:6). Enquanto espera a resposta de Deus, durma em paz irmão.

6. Leia Jó 11:18; Sl 127:2; At 12:6, o comentário e responda:


O que nos ensinam esses textos da Escritura?

3. Quando temos esperança em Deus, aceitamos o fato de que há um


tempo determinado para cada coisa.
A Escritura afirma: Porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará.
Essa é uma verdade que não pode ser contestada. Entretanto, entre a seme-
adura e o fruto daquilo que se espera, como resultado do que foi semeado,
há um bom caminho a ser percorrido (cf. Mc 4:28-29). Nem sempre se
obtém, imediatamente, o resultado do que se semeou. Daí a razão por que
o semeador é considerado um homem de fé, confiante e esperançoso, por-
que, depois de semear, passa a esperar que venha a chuva e fertilize o solo, a
semente germine, cresça, floresça e dê frutos, sem se importar em entender
como tudo isso vai acontecer. Nesse sentido, o cristão, eue tem esperança
em Deus, precisa imitar o semeador. Há um tempo determinado para cada
coisa debaixo do céu, e que nem sempre o tempo do homem coincide com
o tempo de Deus. As coisas só acontecem no tempo de Deus. O que você
está esperando, irmão, vai chegar, mas no tempo certo.

7. Leia Ec 13:1; Mc 4:28-29, o comentário anterior e responda:


O que nos revelam os textos indicados nesta pergunta?

CONCLUSÃO: Concluindo este estudo, que aponta para o dever que


o crente tem de esperar e ter paciência, lembramos, aqui, as palavras do
salmista, que dizem: Bem-aventurado aquele que tem o Deus de Jacó por seu
auxílio, e cuja esperança está posta no Senhor seu Deus (Sl 146:5).
Que a oração de cada um seja: “Sustenta-me, conforme a tua palavra, para
que viva, e não me deixes envergonhado da minha esperança”. Amém!

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6
10 mAio 2008
Fique
Atento!
Autor: Pr. Enéias Manoel dos Santos

Hinos sugeridos: BJ 49 – H.A 49 / BJ 61 – MV 72

LEITURA DIÁRIA OBJETIVO


Domingo, 4: Mc 13: 33-37 Advertir, encorajar e motivar o
Segunda, 5: Mt 24:32-44
Terça, 6: I Ts 5:1-6 estudante, promovendo nele a
Quarta, 7: Ap 3:1-4 atitude de vigilância, enquanto
Quinta, 8: Ap 3:11-13
Sexta, 9: I Pd 3:8-13
aguarda o advento de Cristo.
Sábado, 10: Ap 22:20-21

TexTO BáSiCO: Olhai, vigiai e orai, porque não sabeis quando chegará o
tempo. (Mc 13:33)

iNTrODUçÃO: Dificilmente encontramos Jesus se referindo a sua


segunda vinda, sem acrescentar a recomendação “vigiai”. Ele sabe que aqueles
que esperam o seu retorno estão sujeitos a adormecer espiritualmente.
Os atrativos e prazeres da vida, o acúmulo exagerado de bens materiais,
a liberação dos instintos egoístas são todos elementos que corrompem o
coração e o deixam insensível e desatento às realidades espirituais. Disso
vem a necessidade da vigilância. Como deve ser a vigilância do discípulo?
Essa pergunta é respondida ou ilustrada na parábola do porteiro (Mc
13:33-37). Vejamos, na seqüência, o propósito, a verdade e os desafios dessa
pequena, mas instrutiva, parábola, contada por nosso Senhor e Mestre.

I – O PROPóSITO DA PARÁBOLA
Na saída do pátio do templo, um dos doze discípulos elogiou a beleza
daquele edifício. De fato, era quase impossível não se espantar com a beleza
do templo. Ainda que Herodes não tenha feito nenhuma modificação nas
suas dimensões, ele fez mudanças significativas e deslumbrantes em sua
ornamentação. A luz refletida pelos adornos de ouro deixava qualquer
pessoa arrebatada. Jesus, porém, não se deixou levar pelo esplendor
daquele santuário. Logo após as palavras elogiosas do discípulo, ele fez

38 | Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2008


uma afirmação impressionante: Vês estes grandes edifícios? Não ficará pedra
sobre pedra que não seja derribada (Mc 13:2). O templo era o centro do culto
a Deus, para todo judeu. Parecia irracional que uma destruição completa
poderia sobrevir a um lugar historicamente tão sagrado e, aparentemente,
tão estável.
Logo depois, no Monte das Oliveiras, Pedro, Tiago, André e João,
admirados com aquele comentário surpreendente, disseram-lhe: Dize-nos
quando serão essas coisas e que sinal haverá quando todas elas estiverem para se
cumprir (Mc 13:4). Teve início, então, o apocalipse de Jesus. Vale lembrar
que apocalipse é uma palavra técnica aplicada a escritos que revelam os
propósitos e atuações de Deus num futuro próximo e distante. Nesse seu
sermão, Jesus revela aos doze alguns eventos que ocorreriam num futuro
próximo e num futuro distante: destruição do templo, aparição de falsos
messias, guerras mundiais, terremotos, fome, perseguição política, religiosa
e familiar dos piedosos, pregação universal do evangelho, falsos rumores
sobre a sua volta, terríveis acontecimentos nas esferas celestiais, a sua
segunda vinda.
Após a predição, veio a exortação. Nesta parte, Jesus utiliza duas
parábolas: respectivamente, “a parábola da figueira” (Mc 13:28-31) e “a
parábola do porteiro” (Mc 13:32-37). Na primeira, ele fala da necessidade
de se observar e de se interpretar corretamente os acontecimentos preditos.
Quando a figueira mostrava sinal de renovação, todos sabiam que o inverno
havia terminado e que uma nova estação estava a caminho (Mc 13:28).
Assim, quando os discípulos vissem ocorrerem aqueles eventos preditos
por Jesus, deveriam entender que estaria próximo o glorioso retorno
do Senhor. Na segunda parábola, Jesus insta a que seus discípulos
permaneçam vigilantes, uma vez que não saberão a data, nem a hora
da sua volta.
Com essa parábola, Jesus responde à indagação dos discípulos (Mc 13:4),
mostrando-lhes que mais importante do que saberem “quando” e “como”
será o fim era estarem dentro do propósito de Deus e permanecerem
atentos sobre como o cristão deve se comportar, enquanto o aguarda. A
alusão aos acontecimentos futuros foi usada como meio para falar de fé
e obediência aos discípulos e da necessidade de estarem sempre atentos,
preparados e confiantes nas promessas divinas. Os ensinamentos contidos
na parábola visam construir uma igreja de pessoas firmes, constantes,
perseverantes, trabalhadoras e alertas, não anestesiadas pela influência do
mundo presente; eles são aplicáveis a todos os crentes, em todas as épocas,
conforme dito pelo próprio Cristo: O que, porém, vos digo, digo a todos;
vigiai! (Mc 13:37).

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II - A VERDADE DA PARÁBOLA
Antes de Jesus contar a parábola do porteiro, ordenou aos discípulos o
seguinte: Estai de sobreaviso, vigiai (e orai); porque não sabeis quando será o
tempo (Mc 13:33). É a quarta vez, nesse capítulo, que Cristo os orienta a
ficarem atentos (Mc 13:5,9,23,33). Isso é reforçado no versículo 33, pela
ordem vigiai. No início da parábola, Jesus mostra ao crente a necessidade
de estar de sobreaviso, prestar atenção e ter cuidado; depois, mostra que
o vigilante é diligente e cauteloso. O mandamento vigiar, em Marcos
13:35,37, tem o significado de estar alerta. Esse mandamento é lembrado
em outras partes do Novo Testamento: há recompensa para quem vigia
(Lc 12:37); perseverar na oração e vigiar com ações de graças (Cl 4:2);
vigiar e ser sóbrio (1 Ts 5:6); vigiar e guardar as vestes; o que vigia é bem-
aventurado (Ap 16:15).
Não saber quando será o tempo é a razão principal apresentada pelo
Mestre para se ficar alerta. O versículo 32 de Marcos 13 diz que nem Jesus,
em sua humanidade, sabia: Mas a respeito daquele dia ou da hora ninguém
sabe; nem os anjos no céu, nem o Filho, senão o Pai.
Que tempo é esse? É verdade que os discípulos desconheciam o tempo
cronológico (kronos), que pode ser medido e calculado. Porém, a palavra
traduzida como tempo, aqui, é Kairós (tempo de Deus), cujo sentido é a
ocasião apropriada que Deus, em sua soberania e providência, vai determinar.
Os discípulos deveriam usar essa incerteza para encorajamento e incentivo
a uma vida cristã saudável e equilibrada, pautada pela palavra de Deus.
Nenhum servo sabe quando o mestre retornará; portanto, é necessário
atenção constante. Além do tempo, Jesus apresenta outro motivo para que
seus servos estejam atentos: a tarefa (Mc 13:34-35). Deus designa a cada
crente uma tarefa específica a ser cumprida.
Jesus inicia a parábola assim: É como um homem que, ausentando-se do
país, deixa a sua casa, dá autoridade aos seus servos, a cada um a sua obrigação,
e ao porteiro ordena que vigie (Mc 13:34). Um homem, também chamado
de dono da casa, refere-se claramente a Jesus Cristo, que, no momento de
sua ascensão, separou-se dos seus; antes, porém, deu-lhes autoridade para
que testemunhassem dele (Lc 24:46-47; At 1:8); confiou aos discípulos
a tarefa de anunciar o evangelho do reino, para que o mundo fosse
construído de acordo com valores eternos (Mt 28:18-20). Os servos
podem ser os doze apóstolos e, de maneira mais ampla, todos os
discípulos com quem Jesus falava em particular e, depois, todos que
foram salvos pela graça de Cristo.
O Porteiro é referido também em Mc 13:34; Jo 10:3, 18:16. Trata-se

40 | Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2008


daquele que guarda uma porta ou uma portaria, controla a entrada e a saída,
cuida da segurança de um determinado patrimônio. O Antigo Testamento
fala de porteiros da cidade (II Reis 7:9-11) que recebiam e repassavam
notícias de perigos e boas novas para dentro da cidade. Porteiros à porta
do rei cuidavam da segurança do palácio (I Cr 9:17-18,23). Porteiros dos
arraiais dos filhos de Levi (I Cr 9:18,19) eram guardas postados junto às
portas do tabernáculo e do templo; havia porteiros em todos os pontos
cardeais (I Cro 9:24), encarregados de vigiar os utensílios do ministério,
móveis e objetos do santuário (I Cr 9:27-29); Samuel ocupou essa função
(I Sm 3:15).
Jesus prossegue, dizendo:

Vigiai, pois, porque não sabeis quando virá o dono da casa; se à tarde, se à meia-noite,
se ao cantar do galo, se pela manhã; para que vindo ele inesperadamente, não vos ache
dormindo. (Mc 13:35-36)

Aí estão relacionadas as quatro vigílias da noite, de acordo com o sistema


romano. A vigília da tarde era das seis às nove horas da noite; a da meia-
noite, das nove às doze horas; a do o cantar do galo, da meia-noite às três
horas da manhã, e a da manhã (ou alvorada), das três horas da manhã às
seis. Quando olhamos para a confusão que reina no mundo, parece-nos
que o dia não pode estar muito longe, em que aquele que prometeu voltar,
virá e não tardará. Podemos dizer que estamos prontos para saúda-lo e
dizer: Eis aqui o Senhor a quem aguardávamos? O evangelho convida os
discípulos a enfrentarem a história com esperança, animados pela certeza
de que o Senhor vem.

1 . Entendido o propósito do ensino de Jesus, há algo mais


importante do que saber “quando” e “como” será o fim. O que é?

2. Cristo usou acontecimentos futuros para falar de fé e


obediência. O que Jesus pretendia com os ensinamentos
contidos na parábola?

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3. Quantas vezes, no capítulo 13, Jesus nos orienta a ficarmos
atentos? Qual o significado do mandamento “vigiar”, e o
que ele exige?

4. Como o mandamento “vigiar” é lembrado, em outras partes


do Novo Testamento? (Lc 12:37; Cl 4:2; I Ts 5:6; Ap 16:15.

5. Comente em classe sobre “os servos” e a autoridade dada


pelo Senhor da casa. Na prática, o que significa? (Mc 3:15,
16:15-18; I Co 15:58).

III – OS DESAFIOS DA PARÁBOLA


1. O crente deve vigiar e orar, enquanto aguarda a volta do Senhor.
Aprendemos que a volta de Jesus e suas implicações, principalmente os
acontecimentos que antecederão o advento requerem uma vigilância toda
especial. Não podemos errar na interpretação dos sinais dos tempos e nem
nos descuidar da preparação para o grande dia. O não sabermos o dia e a
hora faz crescer a nossa responsabilidade, motiva-nos a permanecermos em
alerta, sermos cuidadosos, diligentes e cautelosos. A oração é companheira
inseparável da vigilância (Cl 4:2). Conforme Jesus ensinou, a vigilância
e a oração vão nos ajudar a alcançar forças espirituais para vencermos as
tentações (Mt 26:15). A vigilância requer, também, uma comunhão íntima e
diária com a palavra de Deus, que também nos ajudará a vencer (I Jo 2:14).

6. Enquanto esperamos o Senhor voltar, que eficácia tem para


os crentes “vigiar e orar”? (Mt 26:15; I Jo 2:14)

42 | Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2008


2. O crente deve trabalhar, enquanto aguarda a manifestação do Senhor,
nas nuvens dos céus.
A vigilância ordenada e desejada por Jesus não é somente zelosa e piedosa,
mas, também, operosa e produtiva. A cada um de nós, o Senhor deu uma
obrigação (Mc 13:34). A tarefa do discípulo de Cristo é testemunhar, sem
desanimar, e continuar, assim, a ação de Jesus (Mt 28:18-20). Paulo disse que
a esperança no Deus vivo é que nos faz trabalhar (I Tm 4:10). Cristo e os
apóstolos incentivaram os discípulos a enfrentarem a história com esperança,
animados pela certeza de que o Senhor virá. Esse tempo de espera deve ser
de vigilância e compromisso com a construção do reino, pois o trabalho para
o Senhor não é vão (I Co 15:58). A autoridade dada à igreja, no momento
da ascensão, para testemunhar dele (Lc 24:46-47; At 1:8), estende-se a nós,
também. Recebemos a tarefa de anunciar o evangelho do reino, a fim de
construirmos um mundo de acordo com os valores eternos (Mt 28:18-20).

7. Após ler Mt 28:18-20; I Tm 4:10; I Pe 2:9, responda: O que


devemos fazer, enquanto aguardamos a manifestação do
Senhor nas nuvens?

3. O crente deve permanecer na luz de Cristo, enquanto aguarda o soar


da última trombeta.
A longa espera da segunda vinda do Senhor pode levar o discípulo a
esmorecer e a desanimar. Quanto maior a incerteza da data e da hora, tanto
maior a tentação de debandar para o pecado. Como filhos da luz, porém,
não podemos deixar que idéias errôneas venham anestesiar nossa mente
e ofuscar o brilho da luz do conhecimento que nos foi revelado. Temos
de valorizar a santificação (Ap 16:15; I Ts 5:23), a sobriedade (I Ts 5:6).
O crente não pode desistir nunca, mesmo em meio às perseguições e às
tribulações. Precisamos andar como filhos da luz (Ef 5:8), deixando as obras
das trevas e revestindo-nos das armas da luz (Rm 13:12). Se andarmos na
luz, o sangue de Cristo nos purifica de todo o pecado (I João 1:7).

8. Leia Ef 5:8; Rm 13:12; Ef 6:11; I Jo 1:7 e responda: Como deve-
mos agir para permanecermos na luz de Cristo, até que ele venha?

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CONCLUSÃO: Os sinais proféticos indicam que Jesus está para vir.
Nunca se viram e ouviram tantos sinais de que o fim se aproxima como
em nossos dias. Resta-nos aguardar, com muita expectação, o retorno do
Salvador, que transformará os nossos corpos mortais em corpos gloriosos,
imortais e incorruptíveis, para vivermos para sempre com ele. Aguardemos,
orando, vigiando, estudando e vivendo a palavra, pregando com ousadia o
evangelho da salvação.

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7
17 mAio 2008
A Bênção da
Humildade Autor: Pr. Guilherme Nunes

Hinos sugeridos: BJ 272 – HC 175 / BJ 176 – CC 226

LEITURA DIÁRIA OBJETIVO


Domingo, 11: Lc 14:7-11 Demonstrar que a humildade
Segunda, 12: Mc 12: 38-40 é uma das virtudes cristãs que
Terça, 13: Jo 13:12-16
Quarta, 14: Fl 2:3-7 mais contribuem para a exalta-
Quinta, 15: Ef 4:1-2 ção diante de Deus, enquanto a
Sexta, 16: I Pd 5:5-6
Sábado, 17: Tg 4:6-10 soberba é o caminho mais curto
para a vergonha total.

TexTO BáSiCO: E disse aos convidados uma parábola, reparando como


escolhiam os primeiros assentos, dizendo-lhes: Quando por alguém fores convi-
dado às bodas, não te assentes no primeiro lugar, não aconteça que esteja con-
vidado outro mais digno do que tu: e vindo o que te convidou a ti e a ele, te
diga: Dá o lugar a este; e então com vergonha, tenhas de tomar o derradeiro
lugar. Mas quando fores convidado, vai, e assenta-te no derradeiro lugar, para
que quando vier o que te convidou, te diga: amigo, sobe mais para cima. Então
terás honra diante dos que estiverem contigo à mesa. Portanto qualquer que a
si mesmo se exaltar será humilhado, e aquele que a si mesmo se humilhar será
exaltado. (Lc 14:7-11)

iNTrODUçÃO: A parábola apresentada em Lc 14:7-11 traz à tona um


dos grandes problemas dos seres humanos: a falta de humildade. O ho-
mem pós-moderno vive à caça dos primeiros lugares, da fama, do sucesso.
Desenvolveu-se a idéia de que o importante não é o meio para se atingir
o topo, mas, sim, chegar lá. Para atingir tal objetivo, muitas pessoas usam
de todos os artifícios, até mesmo os ilícitos. Essa conduta pecaminosa foi
presenciada por Jesus Cristo, conforme o texto já mencionado.
Com base nesse texto sagrado, estudaremos a visão de Cristo sobre a
exaltação própria e suas conseqüências. Examinaremos as orientações de
alguém que deixou toda a sua glória para viver humildemente entre os
mortais. Conheceremos os meios pelos quais poderemos evitar e até fu-
gir da soberba, do orgulho e da vanglória. Aprenderemos que o melhor

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lugar – o que devemos almejar – é ao lado do Mestre, desfrutando de sua
companhia. Veremos que, diante de Deus, o que vale mais é a humildade, a
sinceridade e a manutenção de uma fé simples, solidificada em Jesus Cristo
e orientada pelas Sagradas Escrituras.

I – O PROPÓSITO DA PARÁBOLA
Lucas testemunha que, em uma determinada festa, Jesus observou que
os convidados escolhiam os primeiros lugares (Lc 14:7). O escritor sagrado
menciona o costume vigente que impulsionava os convidados a escolherem
os melhores lugares. Por certo, havia disputa pelos melhores assentos. Todos
queriam assentar-se em lugar de destaque, próximo ao anfitrião. Segundo
Champlin, os primeiros lugares referiam-se aos divãs. Ele assegura, ainda,
que esses lugares “usualmente continham três pessoas, em que o lugar do
meio era considerado preferível aos demais. Os lugares mais próximos do
dono da casa eram os mais procurados”.1 Os demais Evangelhos informam
que os fariseus e escribas tinham predileção pelos melhores lugares (cf. Mt
23:2,6; Mc 12:38-39). Isso acarretava rivalidade, predileções e até desafe-
tos. Jesus observou tudo isso. Seu olhar captou todo aquele momento.
Em seu comentário sobre as parábolas de Jesus, Lockyer faz o seguinte
comentário:

As pessoas observavam Jesus, mas ele reparou ou observou como os convidados


se esforçavam ansiosamente, para conseguir os melhores lugares na festa. Luta-
vam para conseguir um lugar em que fossem considerados os mais importantes
e destacados. Havia uma rivalidade pelos principais lugares; tudo isso deixava
em segundo plano o propósito apropriado e o prazer do convívio social. 2

Embora a narrativa de Lucas não declare, certamente Jesus Cristo es-


tava fora dessa disputa, pois a sua índole era de um servo. Lockyer declara
que Jesus era a pessoa mais honrada entre as pessoas “naquela reunião de
sábado à tarde e, sem dúvida, tomara o lugar mais humilde da sala, para
ilustrar assim, na prática, a lição de sua parábola”.3 Melhor do que qualquer
pessoa, Jesus sabia qual a sua posição, uma vez que sua sagrada missão o
levou a tomar a forma de servo (Fp 2:7), a humilhar-se ou rebaixar-se (Fp
2:8 – BLH). Jesus Cristo é o nosso maior exemplo de humildade: nasceu
em uma estrebaria, na inexpressiva cidade de Belém, levou uma vida hu-
____________________________
1 Champlin (2002:144).
2 Lockeyer (2005?315).
3. Idem

46 | Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2008


milde, como filho de um carpinteiro, e morreu na cruz, entre dois malfei-
tores (Lc 2:4,7; Mt 13:55; Mc 6:3; Mt 27:38).
Em suma, Jesus se tornou o mais indigno entre os homens (Is 53:3).
Mais do que qualquer pessoa presente naquela festa, ele tinha condições
morais, sociais e espirituais para avaliar os convidados e ensinar-lhes. Sem
se darem conta de que eram observados, os participantes do banquete
achavam normal toda aquela concorrência, e, talvez, nunca tivessem ques-
tionado o impacto de suas atitudes sobre o dono da casa e da festa e sobre
os demais convidados. Eles desconsideravam a possibilidade da existência
de outros convidados mais dignos; por isso, estavam apáticos às predileções
do anfitrião.
Jesus se envolveu na situação, ao mostrar verdades espirituais a pessoas
que menosprezavam o bom senso e as mais básicas e saudáveis regras de
convivência social. Ele aproveitou aquele momento para dar ensinamentos
que ultrapassavam a realidade social da época, sobre o convívio social ade-
quado, e correlacionou o assunto à dimensão espiritual, mostrando que a
verdadeira humildade manifesta-se em todos os aspectos da vida.
O verdadeiro cristão demonstra seu caráter humilde em todas as áreas de
sua vida: estudantil, profissional, familiar, social, enfim, no viver diário. As
Escrituras Sagradas nos aconselham a revestir-nos de toda humildade (I Pe
5:5). Ela é uma das características dos eleitos de Deus e deve estar aliada à
benignidade, à mansidão e à longaminidade (cf. Cl 3:12). Segundo o apósto-
lo Paulo, a humildade é um dos sinais da vocação e do chamado divino:

Rogo-vos, pois, eu, preso do Senhor, que andeis como é digno da vocação em que fostes
chamados, com toda a humildade e, mansidão, com longaminidade, suportando-vos
uns aos outros em amor. (Ef 4:1-2)

Com sua mensagem, Cristo contrariou os padrões da época. Para ele,


a verdadeira honra consiste no reconhecimento que vem de fora. Em sua
parábola, o Senhor aconselha que o convidado se contente com os últimos
lugares, não busque exaltação ou vanglória própria, mas espere que o dono
da casa reconheça o seu valor e o convide para trocar de lugar e se achegar
mais à frente, próximo a si. Jesus ensina que o reconhecimento e a distin-
ção não vêm do convidado, mas de quem convidou: o anfitrião; e assim
deve ser para que, quando vier o que te convidou, te diga: Amigo, senta-te
mais para cima (Lc 14:9).
A distinção concedida pelo proprietário da casa produz maior honraria
diante dos demais convidados: ... então terás honra diante dos que estive-
rem contigo à mesa (Lc 14:10). O vocábulo “amigo”, presente no texto, tem

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o sentido de “um afeto de grande amizade”. A idéia é a de um hóspede
humilde, de um convidado que é elevado pelo anfitrião a uma posição
mais importante, ao mesmo tempo em que a amizade do dono da casa por ele
aumenta ainda mais. “E assim o convidado humilde é elevado não apenas a uma
posição mais próxima do dono da casa, mas também na estima do mesmo.”4
Jesus aconselhou aqueles convidados a frearem seus impulsos na busca
dos primeiros lugares e evitarem a vergonha pública de serem enviados
para o último lugar. O mesmo pensamento de Cristo deve dirigir nossa
conduta; a exemplo dele, devemos evitar a busca desenfreada pela fama e
por tudo que é efêmero. A vanglória, o orgulho, a soberba também devem
estar longe do nosso viver.

II - A VERDADE DA PARÁBOLA
Muito mais que uma simples orientação social, que regras para com-
portamento em eventos sociais, Jesus proferiu verdades sublimes que
transcenderam as importantes reuniões sociais. A humildade ensinada por
Cristo deve opor-se a toda e qualquer soberba humana. Devemos afastar
de nossas mentes os desenfreados desejos de glorificação pessoal ou de
exaltação própria. Não nos esqueçamos de que a origem do pecado e da
queda humana veio do ardente desejo de Adão e Eva por serem além do
que lhes foi permitido (cf. Gn 2:16-17).
A revelação bíblica informa, também, as causas da queda de Lúcifer: ele
ambicionou posição mais elevada. Isso está dito da seguinte forma: ... acima
das estrelas de Deus exaltarei meu trono (Is 14:13). Sua soberba levou-o a tra-
mar a deposição do próprio Deus: ... serei semelhante ao altíssimo (Is 14:14).
Sua ambição e sua falta de humildade levaram-no à ruína e à desgraça eter-
na (cf. Ap 12:7-8). Ele foi lançado da presença de Deus, e, por isso, nem
mais o seu lugar se achou nos céus. Isso acontece toda vez que alguém tenta
sobrepor-se aos desígnios divinos. Realmente, Melhor é ser humilde de espírito
com os mansos, do que repartir os despojos com os soberbos (Pv 16:19).
Há um grande contraste entre as pessoas que se humilham e as que se
exaltam. Jesus Cristo deixou claro que a exaltação e a humilhação depen-
dem do procedimento de cada um. No final da parábola, ele garantiu aos
convidados: Porque qualquer que a si mesmo se exaltar será humilhado, e aquele
que a si mesmo se humilhar será exaltado (Lc 14:11). Destaca-se, nas palavras
de Cristo, Deus, que é a fonte da exaltação e da humilhação. Ele exalta e
humilha a quem quer:
____________________________
4. Champlin (2002:144).

48 | Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2008


O Senhor empobrece e enriquece; abaixa e também exalta. Levanta o pobre, do pó,
e desde o esterco exalta o necessitado, para o fazer assentar entre os príncipes, para o
fazer herdar o trono de glória. (I Sm 2:7)

São inúmeras as desvantagens para as pessoas que pendem para a sober-


ba ou a exaltação própria. Vejamos algumas:
1. O que exalta a si mesmo sofrerá humilhação (Lc 14:11): Jesus exem-
plificou esse caso advertindo os convidados daquela festa de que o proceder
soberbo poderia trazer desprezo, por parte do anfitrião, e vergonha, diante
dos demais presentes. A humilhação terrena não se compara à humilhação
vinda de por Deus, pois a soberba precede a ruína, e a altivez de espírito
precede a queda (Pv 16:18). A Bíblia ainda alerta: Vindo à soberba, virá
também a afronta (Pv 11:02). Também diz: A soberba do homem o abaterá,
mas o humilde de espírito obterá honra (Pv 29:23).
2. Deus resiste aos soberbos (I Pe 5:5): O Senhor nosso Deus não com-
pactua com pessoas soberbas ou exaltadas. Diante dele, os soberbos são
humilhados (cf. Is 13:11, 23:9); ele lhes retribui segundo suas obras (cf. Sl
94:2). Foi assim que Deus agiu com Moabe (Is 16:6), Judá, Jerusalém ( Jr
13:9), Egito (Ez 30:18), Filístia (Zc 9:6) e tantos outros. Será assim com
todos que se esquecem dos retos e santos ensinamentos do Deus vivo e
pendem para a arrogância e a presunção (cf. Sl 31:23).
3. A soberba provoca contenda (Pv 13:10): Quantos desafetos, quantas
disputas, quantas inimizades e rivalidades surgem em decorrência da falta
de humildade! A Bíblia Sagrada apresenta o clássico exemplo de Hamã,
o agagita, que, por sua soberba, para se vingar de Mardoqueu, quase pro-
vocou o extermínio de milhares de judeus, no reinado de Assuero (cf. Et
3:1-6). Encontramos outro exemplo negativo em Roboão, filho de Salo-
mão, que, por seu orgulho e sua presunção, provocou a separação entre as
tribos israelitas (cf. I Rs 12:1-17). Nos nossos dias, pessoas soberbas têm
causado grandes tragédias, no meio social em que convivem.
No seu clássico convite, Jesus chamou os cansados e oprimidos para ex-
perimentarem o alívio espiritual, e apresentou-se como aquele que é manso
e humilde de coração (Mt 12:10-11). Essa é a constante mentalidade e a
conduta de Jesus. Os verdadeiros cristãos têm a mentalidade de Cristo (I
Co 2:16), e, por isso, procuram desvencilhar-se da arrogância, da contenda,
do ódio, da inveja e do orgulho desmedido. Devemos compreender que,
na visão divina, quem quiser ser o primeiro, será o último e servo de todos
(Mc 9:35). Aí está o segredo para se alcançar o primeiro lugar na presença
do Pai eterno: servir a todos, com o santo intuito de ver manifestada a
vontade e a glória de Deus na vida do irmão, na igreja e em nós.

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A glória e a exaltação não devem vir de nós, mas do nosso Senhor. So-
mente ele deve nos contemplar em nossa sincera humildade e nos convidar
para que ocupemos os primeiros assentos, pois toda honra que possamos
desfrutar aqui e no porvir provém somente dele; portanto, aquele que se
gloria, glorie-se no Senhor. Porque não é aprovado quem a si mesmo se louva, e
sim a quem o Senhor louva (I Co 10:17-18).
Nunca permitamos que nossa posição social e financeira, nossa escolaridade e
nossa cultura nos afastem da simplicidade que há em Cristo Jesus, ou que os pri-
vilégios e as bênçãos que Deus nos concedeu nos impeçam de ter comunhão com
o nosso irmão. Deixemos que o amor de Deus fale mais alto, pois onde há o amor
divino, não há espaço para o ciúme, o orgulho ou a vaidade (cf. I Co 13:4).
Evitemos buscar a glória dos homens, pois esta passará; o mundo e suas
concupiscências terão fim. A igreja em Laodicéia, composta por pessoas de
posição social elevada, pensava ter alcançado o auge e gloriava-se de sua
“honrada” situação; seus membros diziam: ... somos ricos, estamos muito bem
e temos tudo o que precisamos. Contudo, Jesus lhes garantiu: ... não sabem que
são miseráveis e desgraçados! Vocês são pobres, nus e cegos (Ap 3:17 – NTLH).
Aquilo que eles mais prezavam e de que se gloriavam era o motivo da sua
ruína espiritual, pois aquilo que tem muito valor entre os homens é detes-
tável aos olhos de Deus (Lc 16:15). Por isso, Jesus se sentiu incomodado
na casa daquele fariseu, pois observou que as pessoas procuravam a glória
entre os homens; queriam destacar-se entre a multidão.
Hoje, não é muito diferente! Há muita gente, dentro e fora da igreja,
buscando fama, espaço, os primeiros lugares. O Deus que nos contempla,
nos ensina o melhor caminho para o sucesso: a humildade. João Batista, o
maior profeta, precursor de Jesus, demonstrou sua humildade, quando se
declarou indigno de desatar as sandálias do mestre ( Jo 1:27). Sua grandeza
espiritual manifestou-se quando ele afirmou: É necessário que ele cresça e que
eu diminua ( Jo 3:30). Devemos seguir seu exemplo.

1. Baseado na introdução e no relato do evangelho de Lucas 14:7-


11, explique que fato levou Jesus a proferir a parábola dos pri-
meiros lugares.

2. Leia Fp 2:7-8; Lc 2:7-7; Mt 13:55, 37:38; Mc 6:3 e responda: Que


exemplos de humildade podemos extrair da vida e do ministé-
rio de Jesus?

50 | Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2008


3. O costume social, na época de Cristo, incentivava os convida-
dos em uma recepção a buscarem os melhores lugares, próxi-
mos ao anfitrião, como forma de destaque social. Entretanto, que
nova conduta ética e espiritual Jesus propôs aos presentes? (Lc 14:8-11)

4. Leia Pv 13:10; Is 14:13-14; Lc 14:11; I Pe 5:5; Ap 12:7-9 e expli


que: Quais as nefastas conseqüências da soberba e de que for-
ma ela contribuiu para a queda de satanás e pode contribuir
para a queda de muitas pessoas?

III - OS DESAFIOS DA PARÁBOLA


1. Estejamos certos: Deus exalta os humildes.
A Bíblia declara: Antes ele dá maior graça; pelo que diz: Deus resiste aos soberbos,
mas dá graça aos humildes (Tg 4:6). Mesmo que sejamos desprezados por todos,
humilhados pela sociedade, abandonados pelo poder público, e até nos consi-
deremos insignificantes para um mundo de valores relativos, temos certeza de
que o nosso Deus não se esquece dos seus filhos. Diante dele, a humildade é
considerada riqueza, honra e vida (cf. Pv 22:4). A humildade antecede a honra
(Pv 15:33). Aos humildes, Deus concede graça (Pv 3:34). Ele se agrada quan-
do mantemos nossos princípios cristãos e, em sinceridade, procuramos manter
nossa fé centrada em Cristo e orientada pela Bíblia Sagrada.
José foi um grande exemplo do que nosso Deus pode fazer com quem é
humilde e se entrega aos cuidados divinos. Ele foi retirado à força do meio
de sua família, traído pelos seus irmãos, lançado em um poço, vendido
como escravo aos midianitas, levado à casa de Potifar, falsamente acusado
de adultério, lançado no cárcere; contudo, não perdeu a sua fé e ainda man-
teve sua humildade; como recompensa, tornou-se governador do Egito.
Realmente, o Senhor eleva os humildes (Sl 147:6).

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5. Leia Tg 4:6; Sl 147:6; Pv 15:33, 22:4 e explique: Qual a visão de
Deus sobre a humildade e que recompensa ele destina aos hu-
mildes?

2. Estejamos certos: Deus ouve os humildes.


No Salmo 10:17, a Bíblia declara: Ó Deus Eterno, tu ouvirás as orações dos
humildes e lhes darás coragem (NTLH). Esse salmo foi escrito num momen-
to de grande angústia e tribulação. O salmista questiona a prosperidade
e a maldade dos ímpios (vv. 2-3); porém, tem a plena convicção de que o
Senhor saberá distinguir o humilde do soberbo (v. 18) e não desamparará
o humilde (v. 10). Por isso, devemos descansar em Deus e crer que, a todo
momento, contaremos com sua preciosa atenção.
Nossas orações não se perdem num vácuo, mas chegam diante do Senhor
de toda terra (cf. Ap 8:3-4) que, no momento certo, as responderá, pois ainda
que o Senhor é excelso, atenta para o humilde; mas ao soberbo conhece-o de
longe (Sl 138:6). Ele não escuta orações feitas por quem se deixa dominar
pela arrogância, pelo orgulho, pela soberba. A Bíblia garante que, quando
pessoas orgulhosas clamam, ele não responde, por causa da arrogância dos
ímpios. Aliás Deus não escuta a vã súplica que fazem ( Jó 32:12-13). Contu-
do, mesmo sendo eterno, onipotente, onisciente, onipresente e santo, nosso
Deus atenta para a humildade de seu povo. Ele mesmo diz:

Pois o altíssimo, o Santo Deus, o Deus que vive para sempre, diz: Eu moro num lugar
alto e sagrado, mas moro também com os humildes e os aflitos, para dar esperança aos
humildes e aos aflitos, novas forças. (Is 57:15 – NTLH)

6. Leia Sl 10:17; Is 57:15, 138:6; Jó 32:12-13 e responda: Que certeza os


humildes podem ter sobre as orações que fazem a Deus?

3. Estejamos certos: Deus guia os humildes.


A Bíblia declara: Deus guia os humildes no caminho certo e lhes ensina a sua
vontade (Sl 25:9 – NTLH). Na parábola dos primeiros lugares, Jesus não
se omitiu de conduzir os seus ouvintes a uma nova realidade, marcada por

52 | Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2008


uma mentalidade ética e responsável. Jesus enfatiza que o dono da casa viu
o convidado humilde e o conduziu ao lugar de destaque, próximo a si. Deus
também guia seus filhos na verdade; por isso, ele enviou o seu Espírito
Santo para nos conduzir em toda a verdade (cf. Jo 16:13) e disponibili-
zou a sua palavra, a Bíblia Sagrada, para que conheçamos a verdade ( Jo
17:7). Através do Espírito Santo e das Sagradas Escrituras, temos acesso
à vontade do Pai. Por amor aos seus, ele conduz sua igreja neste mundo
corrompido e destinado à condenação eterna.
Tenhamos confiança em que o nosso Deus está conosco, nessa caminhada
rumo ao lar eterno. No tempo determinado por ele, logo ouviremos o seu
convite para entrarmos no seu reino (Mt 25:34). Sairemos de nossa condição
humilde para uma posição jamais sonhada por qualquer um de nós, pois as
coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiu ao coração do
homem, são as que Deus preparou para os que o amam. (I Co 2:9). Ele é
nosso eterno guia! Estaremos com ele para sempre ( Jo 14:3; I Ts 4:17).

7. Leia Mt 25:34; Jo 14:3; I Co 2:9; I Ts 4:17 e comente: À semelhança


do anfitrião da parábola, o que Deus fará aos humildes que nele
esperam?

CONCLUSÃO: Como salvos pela graça de Jesus e eleitos segundo a


vontade de Deus, devemos estar revestidos de humildade. Através dessa
parábola, Jesus nos ensinou que o importante não são os primeiros lugares,
ou seja: a fama, a vanglória ou a exaltação própria. Ele nos mostrou que
o servo do Senhor deve manter-se humilde, confiando que a verdadeira
glória vem do Pai celeste. Cientes disso, devemos orar como o salmista e
pedir a Deus que nos livre da soberba, para que ela não venha nos dominar
(Sl 19:13). Também devemos estar em constante humilhação, diante de nosso
Senhor, porque, no tempo determinado por ele, virá a nossa exaltação (I Pe 5:6).
Portanto, buscar a glória dos homens significa deixar que nossa vida e
nosso caráter sejam moldados por um mundo que jaz no maligno. Nosso
viver deve ser marcado não somente pela humildade, mas, também, pela
mansidão, pela longaminidade e pelo amor. Nossas atitudes devem ser ca-
racterizadas pela humildade que nos induz ao respeito ao irmão (Fp 2:3).
Estejamos atentos às instruções de nosso Mestre e mantenhamos firme-
mente nossa humildade.

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8
24 mAio 2008
O Preço de Ser
Discípulo Autor: Ir. Genésio Mendes Junior

Hinos sugeridos: BJ 312 – HC 212 / BJ 165 – HC 115

LEITURA DIÁRIA OBJETIVO


Domingo, 18: Lc 14:25-27 Mostrar ao estudante que ser
Segunda, 19: Lc 14:28-35 discípulo de Cristo não é uma
Terça, 20: Jo 6:26-27
Quarta, 21: Jo 15:7-8 aventura,mas um relacionamento
Quinta, 22: Mc 8:34-38 que exige avaliação e renúncias
Sexta, 23: Jo 8:31-32
Sábado, 24: Rm 8:31-39 pessoais.

TexTO BáSiCO: Se alguém vem a mim e ama o seu pai, sua mãe, sua
mulher, seus filhos, seus irmãos e irmãs, e até sua própria vida mais do que a
mim, não pode ser meu discípulo. E aquele que não carrega sua cruz e não me
segue não pode ser meu discípulo. (Lc 14:26-27)

iNTrODUçÃO: Todo produto tem o seu preço, de maneira geral,


definido pela relação de custos para sua produção e lucros almejados pelo
produtor, sempre regulado pelo mercado nas variáveis de oferta e procura,
isto é: imagine um produto que custou para a fábrica R$ 2,50, e a empresa
prevê um lucro de 100%; então tentará vendê-lo a R$ 5,00. Só que,
dependendo das relações com o mercado, esse preço pode cair ou mesmo
subir. Alta procura, alta no preço; baixa procura, baixa no preço, para
desovar o estoque em oferta. Toda escolha também traz um preço; muitas
vezes, material. Outras também trazem um custo ético. Casar, mudar de
cidade ou país, emagrecer, etc. Cada escolha tem um custo que precisa ser
calculado. Ser discípulo de Jesus também tem um preço. A parábola desta
semana apresenta-nos uma noção de como calculá-lo.

I – O PROPóSITO DA PARÁBOLA
As parábolas do construtor e do rei que faz guerra são duas, mas, dentro
de um mesmo objetivo. Toda parábola está dentro de um contexto. Cada
autor do evangelho encaixa as parábolas em seus textos com propósitos

54 | Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2008


específicos e, geralmente, o contexto deixa claro o motivo de cada uma. Isso
porque Jesus contou cada parábola dentro de uma situação específica, para
esclarecer, através de uma comparação, determinado assunto. No nosso caso, ler
ao menos o capítulo 14 de Lucas ajuda a posicionar a parábola em um ambiente
maior. Duas parábolas sobre banquetes são contadas (cf. Lc 14:7-14,16-23). Estar
em um banquete é um prazer e, mesmo assim, escolhas erradas são tomadas
nas duas narrativas. E escolhas, naturalmente, trazem conseqüências. Estar no
banquete do reino de Deus requer aprendizado sobre postura humilde (cf. Lc
14:8-10) e sobre prioridades (cf. Lc 14:17-18), dentre tantas outras coisas. É aqui
que entra nossa parábola sobre o preço de ser discípulo.
Jesus, a partir do versículo 25, direciona o assunto para o custo de segui-lo.
O banquete é deixado para o seu momento, o final. O que está em discussão
é o aqui e o agora. Estar na festa do reino de Deus depende da graça
divina, mas o que temos, então, a traçar uma caminhada de aprendizado, a
tornarmo-nos discípulos sempre em busca de nos parecermos mais e mais
com o Mestre. Aproximando-nos cada vez mais da parábola, percebemos
que o versículo 25 é fundamental: Uma grande multidão ia acompanhando
Jesus. A multidão poderia estar sedenta de tudo aquilo que Jesus poderia
fazer por ela. Motivação errada gera atitude errada. Então, Jesus desloca a
motivação do que ele poderia oferecer e lança luz sobre o relacionamento
de amor e total confiança que quer estabelecer com aqueles que o seguem.
Amor (v. 26) e confiança (v.27) estão representados no amar mais a Jesus
do que tudo e em carregar uma cruz, ainda que pesada. Aqui está o preço
do discipulado. Em algumas versões, a palavra do v. 26 é aborrece pai e mãe.
A idéia do aborrecer não tem nada a ver com desprezar. O “aborrecer” tem
uma tradução mais condizente com o significado do texto: “amar mais”.
Implicitamente, está, aqui, o mandamento de “amar a Deus acima de todas
as coisas”. O que o texto diz é: seguir a Jesus sem o amar acima de tudo, não
é realmente o seguir. Escolher andar com Jesus requer amor e confiança em
seus ensinos. Por outro lado, segui-lo, sem essa abnegação, é acompanhá-lo
como a multidão: somente em busca do que ele pode oferecer.
Mais do que uma relação utilitária, Jesus propõe discipulado: andar com
ele, aprender com suas palavras, suas ações e, assim, assumir as mesmas
palavras e ações como modo de vida (carregar a cruz). A família não será
desprezada por Jesus, nem as necessidades serão desprezadas; afinal, é ele
mesmo quem diz: ... buscai primeiro o Reino de Deus e todas estas coisas vos
serão acrescentadas. Com isso em mente, chegamos à parábola. O preço
está praticamente apresentado: amor e confiança em Jesus. O que ela quer
ensinar é como calcular o custo para que a escolha de ser discípulo seja
consciente e não haja frustração no meio do caminho.

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II - A VERDADE DA PARÁBOLA
Uma construção requer cálculos de custos e materiais. Uma obra
residencial pode levar meses. Nas grandes cidades do Brasil, não é muito
difícil ver, em meio à paisagem urbana, construções inacabadas de altos
prédios. Vários são os motivos de uma obra ser interrompida pela metade,
mas nada depõe mais contra a imagem de uma construtora do que uma
obra nesse estado. Está lá, exposta aos olhos dos que passam, a incapacidade
de terminar o que começou. Quem de nós compraria um imóvel de uma
empresa assim? Deixando de lado a má fé de alguns, um dos grandes
motivos de não terminar uma construção é um mau planejamento. Os
custos, se é que foram calculados, não foram confrontados com o capital
reservado para o empreendimento. É essa a verdade apresentada nos vv.
28-30. O custo precisa ser calculado.
Uma guerra requer cálculos de custos. Enquanto a primeira parte do
texto trata de construção, a segunda traz a idéia de destruição pela guerra.
O envolvimento em uma guerra traz custos irremediáveis. Vidas serão
tiradas. No caso da parábola, Jesus diz que nenhum rei vai à guerra sem
analisar as possibilidades de vitória. Ninguém entra para perder. O rei
da parábola tem um exército menor (10.000 homens contra 20.000 do
outro exército) e precisa analisar o potencial bélico de seus comandados, as
estratégias que serão utilizadas, o campo onde a batalha acontecerá, para,
então, decidir ir à guerra ou mandar uma comitiva de paz. Um exército
derrotado não implica somente uma imagem ruim para um rei, mas, talvez,
sua própria vida. É isso que os vv. 31-32 tratam. Assim, antes de tomar a
decisão, o custo deve ser calculado.
A construção de uma vida apresenta altos custos. Uma vida ao lado de
Jesus traz o custo do amor e da confiança nele, acima e apesar de qualquer
coisa. Jesus olhou para a multidão, naquele dia, e perguntou: Vocês estão
calculando o preço de me seguir? Em uma economia estabilizada, é possível
calcular e programar toda uma obra, mesmo assim, imprevistos acontecerão
e por mais paradoxo que pareça precisam estar previstos! Amar e confiar é
estar preparado para o imprevisto, não no sentido de pronto e certo que ele
acontecerá, mas pronto e certo de que, mesmo que o imprevisto aconteça, a
obra da vida não vai parar. A construção do relacionamento com o Mestre
não será abandonada como um prédio sem acabamento. O preço de amar
e confiar continuará a ser mantido.
Da mesma forma, a batalha da vida está diante de nós, todos os dias.
Jesus calculou o custo da batalha: sua própria vida ( Jo 3:16) e foi até o
fim. A aparente derrota mostrou-se estratégia vitoriosa, pois ele ressurgiu

56 | Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2008


e vivo está! Como soldados nessa batalha, precisamos estar cientes de
que a vida está em jogo. A multidão, mais uma vez, é confrontada: Vocês
estão calculando o preço? Estamos dispostos a dispor da própria vida, se
necessário? Decisões terminais só são possíveis em situações terminais.
É difícil medir o custo de entregar a própria vida quando estamos em
situação confortável.
Jesus lança luz sobre o cálculo e, como dissemos anteriormente, até o
imprevisto precisa ser calculado. Não se quer um mártir com prazer em
morrer. Nem mesmo Jesus teve tal prazer, pois chorou amargamente no
Getsêmani, antes de ser entregue aos seus acusadores. O foco não está no
tamanho da construção ou em sua beleza; o destaque é o cálculo condizente
com a obra, para que nada impeça que ela seja concluída. Jesus está dizendo:
Que ninguém ria por causa de uma obra inacabada, que ninguém chore por
uma guerra perdida; façam o cálculo para que tais coisas não aconteçam.

1. Comente com a classe o contexto geral (Lc 14) e o contexto


imediato (Lc 14:25) em que a parábola de Lucas 14:28-32 está inserida.

2. A partir de Lc 14:25, estabeleça as diferenças básicas entre


estar na multidão acompanhando a Jesus e ser um discípulo
que segue seus passos. Para fomentar a discussão, leia João 6:26-27,57.

3. Uma construção planejada precisa de firmes alicerces, bem


como precisa ser concluída. Comente estes dois aspectos
(alicerces e término da construção), com a ajuda de Mateus 7:24-27.

4. Em Lucas 14:31-32, o foco está na vitória ou no cálculo dos


riscos de entrar na batalha?

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5. Analise, com base na parábola, as conseqüências para a
vida de alguém que segue a Jesus, sem o compromisso do
discipulado.

III – OS DESAFIOS DA PARÁBOLA


1. Não basta estar na multidão; é preciso seguir a Jesus.
Ao olhar para a multidão Jesus procura os discípulos. Por sua vez, a
multidão não procura o Mestre, aquele que ensina o caminho da vida,
mas alguém que resolva seus problemas imediatos ( Jo 2:23). Jesus quer
transformar as pessoas em discípulas, mas as pessoas querem apenas
fazer parte da multidão abençoada por ele. Essa é uma postura altamente
perigosa, porque a vontade de Deus é tornar-nos parecidos com ele. Por
isso é que a Escritura declara que Jesus olhou a multidão e não se confiava a
eles, porque os conhecia a todos ( Jo 2:24; cf. v. 25). Nos dias de hoje, há muita
gente se aproximado de Jesus em busca do que vai ganhar com isso; a
maioria tem se esquecido da parte mais importante, que é segui-lo, isto é,
viver como Jesus viveu. Saia da multidão! Seja um seguidor de Cristo.

6. Após ler o comentário acima, explique a diferença entre


estar na multidão e seguir a Jesus.

2. É preciso calcular o preço integral do discipulado.


Ser discípulo de Cristo não é uma aventura; é uma missão que precisa ser
bem avaliada. Jesus diz que é preciso assentar-se e calcular os custos: Pois qual
de vós, pretendendo construir uma torre, não se assenta primeiro para calcular a
despesa e verificar se tem os meios para a concluir? (Lc 14:28; cf. vv. 29-31). A
idéia de assentar-se é a de fazer um “cálculo” com calma, analisando todos
os fatores envolvidos, inclusive os possíveis imprevistos (cf. II Co 11:23-28).
Isso é calcular integralmente, para que consigamos ir até o fim da jornada
cristã. Em outras palavras, não dá para começar e parar; é preciso ir até o
fim, independentemente das circunstâncias, uma vez que Ninguém que, tendo
posto a mão no arado, olha para trás é apto para o reino de Deus. (Lc 9:62)

58 | Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2008


7. Após ler o comentário anterior , explique esta declaração de
Jesus: Ninguém que, tendo posto a mão no arado, olha para
trás é apto para o reino de Deus. (Lc 9:62).

3. O preço é alto, mas é possível pagá-lo.


Jesus pagou o alto preço, e todos devemos estar cientes disto:

... não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do
vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como
de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo. (I Pe 1:18-19)

Ao garantir a nossa vitória, pelo alto preço que pagou, Cristo tornou
possível imitarmos a sua maneira de viver e sermos seus discípulos,
praticarmos o amor e a entrega confiante a ele. Jamais conseguiríamos
pagar o preço que ele pagou lá na cruz, mas, pela fé absoluta na sua pessoa,
podemos andar como ele andou. Enfim, é possível arcarmos com o preço
de sermos discípulos de Jesus, porque ele já o pagou por nós.
Devemos, portanto, nos alegrar e nos considerar felizes, pois seguir a
Cristo, além de já ser uma honra, tem uma recompensa, que é esta:

Felizes são vocês quando os odiarem, rejeitarem, insultarem e disserem que vocês são
maus por serem seguidores do Filho do Homem. Fiquem felizes e muito alegres quan-
do isso acontecer, pois uma grande recompensa está guardada no céu para vocês. (Lc
6:22-23 – NTLH).

8. Leia Lc 6:22-23 e responda: Como devemos reagir, quando


formos insultados por sermos seguidores do Filho do Homem?

CONCLUSÃO: Voltando à relação de oferta e procura, citada na


introdução, é triste notar que a procura pelo discipulado sério, ao lado de
Cristo tem caído muito e que alguns têm barateado o preço de ser discípulo.

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É uma pena. O preço não mudou: amor, fé e abnegação. O Versículo 33
continua lá: ... qualquer de vocês que não renunciar a tudo que possui, não pode
ser meu discípulo.
Faça o cálculo e conclua que, quando chegar a hora do grande banquete,
apesar de não poder pagar tamanho prazer, você será convidado por Cristo
a assentar-se com ele à mesa, pois não será mais um na multidão, mas
discípulo e amigo do Mestre Jesus. Calcule o que ele pagou para garantir a
festa e você verá que vale a pena o preço de ser discípulo.

60 | Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2008


9
31 mAio 2008
Elogio à
Prudência Autor: Pr. Alan K. Pereira Rocha

Hinos sugeridos: BJ 175 – CC 410 / BJ 309 – HC 93

LEITURA DIÁRIA OBJETIVO


Domingo, 25: Lc 16:1-9 Levar o estudante a entender
Segunda, 26: Lc 16:10-13 a importância da prudência na
Terça, 27: Mt 25:1-13
Quarta, 28: Lc 12:13-21 vida cristã e levá-lo a refletir so-
Quinta, 29: Mt 6:19-21 bre o uso honesto, fiel e prudente
Sexta, 30: Mt 7:24-27
Sábado, 31: Ef 5:14-17 de seus bens materiais.

TexTO BáSiCO: Louvou aquele senhor o injusto administrador por haver


procedido prudentemente. Pois os filhos deste mundo são mais prudentes na sua
geração do que os filhos da luz. (Lc 16:8)

iNTrODUçÃO: O estudo de hoje baseia-se na parábola do mordomo


infiel (Lc 16:1-13). Esta é bem diferente das que Jesus costumava contar,
a ponto de causar estranheza aos que procuram interpretá-la. O Mestre
conta a história de um homem desonesto, para ensinar uma lição. Mas
cabe, aqui, um questionamento: Podemos aprender alguma coisa com um
homem totalmente desonesto? Jesus nos mostrará que sim. Veremos que,
neste mundo, ninguém é tão perverso que não tenha nada a ensinar e
que ninguém é tão perfeito que não tenha nada a aprender. Ao examinar
esta parábola, entenderemos que Jesus desejava ensinar a importância da
prudência, fazendo a constatação de que, muitas vezes, os filhos deste mundo
são mais prudentes com as suas coisas, do que os filhos de luz são em relação
as coisas espirituais. Aprenderemos, ainda, que devemos ter cuidado quanto
ao uso de nosso dinheiro e dos bens materiais, pois devemos usá-los com
honestidade, fidelidade e prudência.

I - O PROPóSITO DA PARÁBOLA
É possível que a parábola do mordomo infiel não seja apenas uma
história imaginária, mas um fato ocorrido nos dias de Jesus e conhecido

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das pessoas a quem ele estava falando. Se assim é, Jesus simplesmente
tomou um assunto corrente da conversação deles e usou-o para dar-
lhes um importante ensinamento.1 O Mestre se dirigiu aos discípulos;
entretanto, os fariseus, a quem as parábolas do capítulo anterior haviam
sido destinadas, continuavam presentes e seriam também atingidos pela
parábola que ele passava a contar.
A leitura do contexto dá-nos algumas pistas de qual era o propósito de
Jesus ao contar esta história. O dinheiro é o elemento presente em todas as
parábolas dos capítulos 15 e 16 de Lucas. Observe estes títulos: A dracma
perdida, O filho esbanjador e O rico e Lázaro. No meio destas, está a parábola
do mordomo infiel, através da qual Jesus desejava ensinar a seus discípulos
sobre a importância da prudência, a atitude correta para com a riqueza e o
seu uso acertado.
O Mestre contava que um homem rico contratou um oikonomon, que
significa administrador ou mordomo, de total confiança, para cuidar de seus
negócios. No entanto, logo que ouviu boatos de que este desperdiçava seus
bens, chamou-o e exigiu uma explicação. Ao ficar claro que o administrador
não tinha como se justificar, o proprietário despediu-o, solicitando antes,
que trouxesse os livros da contabilidade e que prestasse conta. Diante
das terríveis perspectivas do desemprego, o mordomo infiel previu uma
verdadeira crise, em futuro imediato. Assim, muito preocupado, pensou
consigo mesmo: Meu Senhor está me despedindo. Que farei agora? Para
trabalhar não tenho força, e tenho vergonha de mendigar (Lc 16:3). Então,
pensativo, enquanto ainda preparava os livros para entregar ao patrão,
teve uma idéia súbita: Eu sei o que farei! Decidiu manipular os negócios de
maneira que os devedores de seu senhor ficassem lhe devendo favores, para
que, após a sua demissão, o recebessem, em suas casas, e o ajudassem.
Chamou um a um dos devedores, que, possivelmente, eram arrendatários
das terras de seu patrão. A parábola apresenta apenas dois exemplos;
todavia, é certo que negociou com todos os demais devedores. Ao chegar o
primeiro homem, ele lhe perguntou: Quanto deves ao meu senhor? Observe
que a expressão meu senhor indica que ele fala como se não estivesse perdido
o seu emprego, dando a entender que estava fazendo aquilo a mando do
patrão. A resposta é a seguinte: Cem batos de azeite. Era um grande débito,
cerca de três mil e trezentos litros.2 Então, o administrador diminuiu a
dívida pela metade. Agiu de forma semelhante, com um segundo devedor
que tinha uma dívida de Cem coros de trigo, isto é, próximo a quarenta

1. Comentário Bíblico Broadman (1987:156)


2. Morris (1987:223).

62 | Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2008


mil litros deste produto.3 O administrador reduziu, também, as obrigações
deste, com um desconto de 20%. Assim, com os livros agora “em ordem”,
entregou-os ao proprietário.
Quando o proprietário entendeu o que havia ocorrido, ficou sem
poder agir, pois todos estavam elogiando tanto o administrador quanto
o proprietário por aquele ato de tamanha generosidade. Se ele contasse a
verdade e voltasse a cobrar os valores originais, sua reputação iria a zero.
Então, não tendo o que fazer, decidiu tirar proveito daquela situação de
grande prestígio. É possível que ele tenha dito: Que esperteza deste vigarista!
De fato, o texto informa-nos que o ex-patrão elogiou o mordomo infiel,
não por sua trapaça ou por ser tão desonesto, mas por sua esperteza, sua
sagacidade e prudência; em outras palavras, por preparar “sua cama” e
encontrar um meio pelo qual suas necessidades materiais fossem supridas
por longo tempo; talvez, pelo restante de sua vida.
Ao terminar de contar a parábola, Jesus não apenas concordou com o
elogio que homem rico faz àquele administrador desonesto, mas acrescentou
uma aplicação:

Pois os filhos deste mundo são mais prudentes na sua geração do que os filhos da luz.
Eu vos digo: Granjeai amigos com as riquezas de injustiça, para que, quando estas
vos faltarem, vos recebam eles nos tabernáculos eternos. (Lc 16:8b-9)

Essa afirmação de Jesus é, sem dúvida, um dos textos mais difíceis a


serem interpretados na Palavra de Deus, e, por isso, é submetido a diversas
explicações e interpretações fantasiosas. O problema é, exatamente, usar um
homem tão desonesto como exemplo. Como Jesus, que é personificação de
tudo que é correto, pode concordar com um elogio a um sujeito de atos tão
reprováveis? É para entendermos isso que precisamos conhecer o ensino
que há por detrás da narrativa que estamos estudando.

II - A VERDADE DA PARÁBOLA
De fato, o principal personagem da parábola do mordomo infiel é um
homem de péssimo caráter, sem escrúpulos morais, e completamente
dedicado ao seu próprio bem-estar. Logo, não devemos pensar que Jesus o
estava considerando como um homem que deva ser imitado ou admirado,
mas devemos entender que se trata de uma parábola, no seu sentido mais
restrito. Há uma lição que podemos aprender com um velhaco como esse.

3. Idem.

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Portanto, a nossa tarefa é descobrir o ponto específico que Jesus queria
ensinar com essa história.
O que Jesus está fazendo é usar exemplo de astúcia do mundo para
ensinar uma lição de prudência espiritual. O Senhor Jesus não está
elogiando aquele mordomo infiel por sua falta de honestidade, mas apenas
por sua prudência, pelo fato de ele olhar para frente e fazer provisão para as
suas necessidades materiais no futuro. Jesus não está dizendo que devemos
ter a mente mundana ou ser desonestos. Entretanto, está dizendo uma
verdade obvia de que, muitas vezes, os mundanos têm mais zelo, sagacidade
e prudência com coisas do mundo do que os filhos de Deus, com as coisas
relacionadas ao reino de Deus e à vida eterna.
De acordo com o dicionário, a pessoa prudente é aquela que age
com moderação e busca evitar tudo o que acredita ser fonte de erro ou
dano; é uma pessoa cautelosa, sensata, que age de forma preventiva. O
nosso Senhor deseja que sejamos assim, porque, conforme a sua Palavra,
quando agimos com prudência: agimos com cautela (Pv 14:15); temos
discernimento espiritual (Os 14.9); conseguimos prever o problema (Pv
22:3); construímos nossa casa sobre a rocha (Mt 7:24); temos as nossas
lâmpadas sempre preparadas (Mt 24:4) e estamos sempre em alerta para a
volta de Jesus (Mt 24:42-44).
Passemos, então, a analisar Lucas 16.9: A expressão as riquezas [mamom]
da injustiça, à luz do contexto da passagem em análise, deve ser entendida
como as riquezas deste mundo passageiro, possessões materiais, riquezas falsas
e ilusórias. A riqueza é amoral, ou seja, não é boa nem má em si mesma;
mas pode tornar-se moral ou imoral, dependendo do valor que lhe é dado
e do uso que lhe é empregado. Aqui, Jesus está ensinando o bom uso do
dinheiro e dos bens materiais. Ele quer que seus discípulos aprendam a usar
os seus recursos materiais para ajudar as pessoas que ele veio libertar. Usar
o dinheiro para “fazer amigos”, como diz o texto, não significa comprá-los,
como fez o administrador desonesto, mas usar os bens materiais nesta vida
de tal maneira, honrada e fiel, que conquistemos amigos e não inimigos.
Devemos estar cientes de que o dinheiro é limitado e temporário; todavia,
quando o usamos para um bem maior, como fazer amigos, por exemplo,
damos-lhe um significado perene e transcendente a esta vida.
Quando lemos a expressão tabernáculos eternos, devemos ter em mente
que a vida dos filhos da luz não se limita a este mundo, pois aguardam a
vinda de Cristo e crêem na ressurreição. Portanto, eles devem viver, neste
mundo, com prudência, lembrando sempre das palavras do Senhor Jesus:
Não ajunteis tesouro na terra (...) Mas ajuntais tesouros nos céus (Mt 6:19-
20). “As riquezas, a influência, a posição, o conforto ou as oportunidades

64 | Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2008


deve ser usadas aqui na terra de maneira que nunca sejam esquecidas na
eternidade”.4 Na realidade, há muitos cristãos que andam desatentos pela
vida, como se Cristo nunca fosse voltar, vivem como as virgens imprudentes,
que não prepararam suas lâmpadas para a chegada do noivo (Mt 25:1-13).
Em Lucas 16:10-13, Jesus faz algumas considerações sobre esta história
que acabara de contar. Ele deixa claro que não aprova, nem sequer justifica
a desonestidade e a infidelidade; mostra que o caráter do mordomo de
Deus deve ser totalmente diferenciado do mordomo infiel. Sobre isso, o
Mestre afirma: Quem é fiel no pouco, também é fiel no muito, e quem é desonesto
no pouco, também é desonesto no muito (Lc 16:10). Ele mesmo explica que,
se não somos capazes de usar as riquezas deste mundo com prudência,
fidelidade e honestidade, não conseguiremos lidar com as verdadeiras
riquezas, que são as celestiais.
Jesus conclui mostrando que é necessário fazer uma escolha quanto às
prioridades de nossa vida: ou devotamos nosso coração a Deus ou a Mamom
(riquezas), pois, nenhum servo pode servir a dois senhores. (Lc 16:13).

1. Leia o primeiro comentário e responda: Qual era o propósito


de Jesus, ao contar a parábola do mordomo infiel? Qual a
importância da prudência na vida do cristão?

2. Com base em Lc 16.3-8a, responda: Qual foi a atitude do


mordomo infiel, ao saber que havia perdido o seu emprego?
Por que o homem rico o elogiou?

3. Em Lc 16:8b, lemos: “Pois os filhos deste mundo são mais


prudentes na sua geração do que os filhos da luz”. O que
significa essa expressão?

4. Lockyer (2001:336).

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4. Em Lucas 16:9, lemos:”... granjeai amigos com as riquezas de
injustiça, para que, quando estas vos faltarem, vos recebam
eles nos tabernáculos eternos”. O que o Senhor Jesus queria
ensinar aos seus discípulos com estas palavras? Leia também
o segundo comentário e Mt 6:19-20; Lc 12:15-21.

III - OS DESAFIOS DA PARÁBOLA


1. O cristão prudente observa a prudência dos filhos deste mundo.
A parábola do mordomo infiel convida-nos a observamos o quanto os filhos
deste mundo são prudentes, dedicados e zelosos com as suas coisas, embora
sejam fúteis e passageiras; também nos desafia a agirmos de forma melhor, no
que diz respeito a nossa vivência cristã. Observe, por exemplo, o atleta que se
dedica ao máximo, apenas para ganhar um prêmio corruptível (I Co 9:24-25),
ou um soldado que é capaz de sacrificar sua própria vida por sua pátria (II
Tm 2:4); ou os foliões das escolas de samba, que se dedicam totalmente e se
preparam o ano inteiro para carnaval. Não deveríamos nós, que somos servos
de Deus, agir com mais dedicação e entrega com as coisas do reino? Sejamos,
então, fervorosos no espírito servindo ao Senhor (Rm 12:11).

5. Leia I Co 9:24-25; II Tm 2:3-4; Rm 12:11 e responda: Por que


o cristão prudente deve observar a prudência dos filhos
deste mundo?

2. O cristão prudente prepara-se para o futuro.


Na parábola, o homem rico elogiou o mordomo infiel por sua astúcia
em preparar-se para o futuro. Este mordomo, com base em seus valores,
necessidades e condições, agiu com sagacidade. A pessoa sagaz é alguém
cujas ações presentes visam ao futuro. É evidente que aquele homem
tinha um conceito de futuro bastante limitado e, por isso, agiu como o rico
insensato (Lc 12:13-21), preparando-se apenas para esta vida.
Não devemos usar as mesmas armas ou métodos; entretanto, baseados
nos princípios e valores da palavra de Deus, devemos, também, planejar o
futuro. O apóstolo Paulo afirma que os filhos de Deus devem ser prudentes

66 | Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2008


em toda maneira de viver (Ef 5:15). O Pai celestial quer que seus filhos
apliquem a prudência em todos os aspectos de suas vidas e, muito mais, no
que diz respeito ao reino de Deus e à vida eterna.

6. Com base Lc 14:28-32; Lc 12:13-21; Ef 5:15, responda: Por que


o cristão deve preparar-se para o futuro? Qual a importância
do planejamento em nossa vida?

3. O cristão prudente usa seus bens materiais para a glória de Deus.


O Senhor Jesus encerra as aplicações sobre a parábola com a seguinte
afirmação: Não podeis servir a Deus e as riquezas. É necessária uma escolha.
Logo, se escolhemos servir a Deus, devemos usar tudo que temos nesta vida
para a glória dele, inclusive, os bens materiais; em primeiro lugar, porque
tudo o que temos pertence a Deus e é um presente que ele nos concede
para administrarmos (Ec 5:19); em segundo lugar, porque as riquezas são
passageiras, e, por isso, não podem dar-nos segurança e garantir-nos a
eternidade (Mt 16.26b). Portanto, o cristão deve usar suas riquezas e seus
bens com sabedoria, prudência e fidelidade ao Senhor.

7. Leia Ec 5:19; Mt 16:26b, o comentário e responda: Por que


o cristão prudente usa seus bens materiais para a glória de Deus?

CONCLUSÃO: Com este estudo, aprendemos que Jesus, ao contar a


parábola do mordomo infiel, não estava enaltecendo a personagem por sua
falta de honradez, mas, simplesmente, pela sua prudência, por ter olhado
para o futuro e se planejado.
O Senhor Jesus deseja que vivamos, neste mundo, com prudência e
sabedoria, que nos preparemos para o futuro, com base nos princípios
bíblicos. Aprendemos, também, que as riquezas deste mundo são falsas;
por isso, o cristão prudente é aquele usa seu dinheiro e bens materiais
para glória de Deus, pois, o uso honesto, fiel e prudente desses bens nos
capacitará a lidarmos com as riquezas espirituais.

www.portaliap.com.br | 67
10
07 JUnHo 2008
a veZ dO
pOBREAutor: Pr. VALDECI NUNES DE OLIVEIRA

Hinos sugeridos: BJ 208 – HC 447 / BJ 180 – H.A 68

LEITURA DIÁRIA OBJETIVO


Domingo, 1º de junho: Lc:19-31 Mostrar ao estudante que a
Segunda, 2: Ec 9:5-6 retribuição de Deus independe
Terça, 3: Rm 9:4-5
Quarta, 4: Ef 2:11-16 da condição de riqueza ou
Quinta, 5: Ef 3:1-6 pobreza, mas que, sendo pobre,
Sexta, 6: Gl 3:26-29
Sábado, 7: At 10:28, 34-35 o crente terá a sua oportunidade
de ser feliz, um dia.

TexTO BáSiCO: Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te que recebeste os


teus bens em tua vida, e Lázaro igualmente, os males; agora, porém, aqui, ele está
consolado; tu, em tormentos. (Lc 16:25)

iNTrODUçÃO: A parábola do rico e Lázaro, que vamos analisar, já


foi objeto de muitos comentários, ao longo do tempo. Os que acreditam
na imortalidade já interpretaram essa parábola como se favorecesse a idéia
de retribuição imediata para aqueles que morrem. Outros, com base na
mesma parábola, admitem a possibilidade de diálogo entre pessoas que já
morreram, como se isso fosse possível. A parábola aqui descrita envolve
dois personagens, um rico e outro pobre, e a ênfase, no ensinamento de
Jesus, através dela, é dada ao contraste entre a riqueza de um e à pobreza
do outro, assim como à sorte final de cada um, ao morrer (Cf. Lc 16:19-31).
Através deste estudo, iremos descobrir, entre outras coisas, qual o propósito
de Jesus ao proferi-la. Advertimos, porém, ao estudante a não perder de
vista o fato de que as parábolas têm caráter simbólico. Normalmente,
dizem uma coisa para significar outra.

I - O PROPóSITO DA PARÁBOLA
O relato da parábola começa assim: Ora, havia um homem rico (...). Havia
também um certo mendigo, chamado Lázaro (Lc 16:19-20). Ao mencionar
esses dois personagens, Jesus enfatiza o contraste existente nas condições

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sociais de ambos, pois são extremamente opostas. Um deles era rico, e o
outro, pobre. O rico vestia-se de púrpura e de linho finíssimo e todos os
dias regalava-se esplendidamente. A situação do pobre, que era também
doente, era oposta à do rico: ele mendigava à porta deste, desejando
alimentar-se das migalhas que caíam da mesa do rico, enquanto os cães
lhe lambiam as chagas (Lc 16:21). Antes de abordar o propósito principal
desse ensinamento, julgamos oportuno tecer algumas considerações gerais
em torno desses personagens mencionados na parábola.
O rico e o pobre são figuras representativas. O rico representa os judeus
e o pobre, os gentios. A afirmação de que o rico representa os judeus está
fortalecida no tratamento que ele dá a Abraão, chamando-o de pai, por nada
menos que três vezes no texto (vv. 24,27,30). O próprio Abraão também o
reconhece como filho (v. 25). Como a riqueza e a pobreza nem sempre são
formadas por valores materiais, a riqueza do rico pode significar apenas a
condição religiosa privilegiada dos judeus, comparada à dos outros povos
(Rm 9:4-5), assim como a pobreza do pobre pode significar a condição de
distanciamento de Deus, como viviam os gentios, do ponto de vista dos
judeus (Ef 2:11-12).
Em razão da diferença de condições entre essas duas pessoas e da ênfase
que lhe é dada por Jesus, é de se supor que, na riqueza de um e na pobreza de
outro, resida o aspecto mais importante e mais significativo a ser considerado
nessa parábola. No texto, não há indicações sobre se o rico foi punido apenas
por ter sido rico e se o pobre foi premiado apenas por ter sido pobre. O que o
texto efetivamente diz é que, em vida, viveram realidades sociais e financeiras
diferentes e que, depois da morte, a situação de cada um deles foi invertida.
Cada um teve o seu tempo de glória: o rico, antes da morte; o pobre, depois
dela. Nisto ficou manifesta a justiça de Deus.
Na presente lição, procuramos enfatizar, principalmente, a vez dos
gentios, representados pelo “pobre”, a respeito dos quais está escrito:

Mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo che-
gastes perto. Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e derribando
a parede de separação que estava no meio, na sua carne desfez a inimizade, isto é,
a lei dos mandamentos, que consistiam em ordenanças, para criar em si mesmo um
novo homem, fazendo a paz, e pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo,
matando com ela as inimizades. (Ef 2:13-16)

Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus. Porque todos quantos fostes
batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo. Nisto não há judeu nem grego; não
há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo
Jesus. E se sois de cristo, então sois descendência de Abraão, e herdeiros conforme a
promessa. (Gl 3:26-29)

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Os personagens morrem e, ao morrerem, o pobre é conduzido ao seio
de Abraão, enquanto o rico é levado para a sepultura. Achando-se em
tormento, o rico, erguendo os olhos, viu ao longe Abraão, e Lázaro no
seu seio e, clamando, diz: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e manda
a Lázaro, que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua,
porque estou atormentado nessa chama. A este pedido, Abraão responde:
Filho, lembra-te de que recebestes os teus bens em tua vida, e Lázaro somente
males; e agora este é consolado e tu atormentado. Na declaração feita
por Abraão, depreende-se que havia chegado a vez do pobre que, ao
contrário da situação antes ostentada pelo rico, vivera na mais absoluta
pobreza.
Não podemos deixar de reconhecer, também, um outro ensinamento de
Cristo contido nessa parábola: A advertência aos seus ouvintes a viverem
a vida presente certos de que, um dia, terão de prestar contas dela. A vida
futura vai depender da escolha que o indivíduo fizer, enquanto vive a vida
presente; e isto independentemente de ser rico ou pobre, judeu, grego, ou
de qualquer outra nacionalidade.
A advertência é feita, principalmente, àqueles que levam uma vida de
extravagância, acumulando riquezas e bens, sem pensarem nas demais
pessoas. A riqueza não é má, desde que seja bem administrada. Portanto,
ninguém deixará de ser salvo por ser rico, assim como também ninguém se
salvará por ser pobre. A retribuição de Deus independe dessas condições,
mas o pobre crente tem de Deus a promessa de um dia ser feliz.

II. A VERDADE DA PARÁBOLA


Através dessa parábola, Jesus queria mostrar aos judeus que o simples
fato de serem descendentes de Abraão não lhes garantia o acesso à bem-
aventurança eterna. Só por Jesus Cristo esse direito pode ser assegurado.
Jesus os Chamou à atenção também para o fato de que chegara aos gentios
a oportunidade de se converterem e serem salvos pela fé em Jesus Cristo
(Ef 3:1-6). Agora, a perspectiva para os judeus que rejeitaram a Cristo era
a expressa no evangelho:

Mas eu vos digo que muitos virão do oriente e do ocidente, e assentar-se-ão à mesa
com Abraão, e Isaque, e Jacó, no reino dos céus; e os filhos do reino serão lançados nas
trevas exteriores: Ali haverá pranto e ranger de dentes. (Lc 8:11-12)

Quando isso acontecer, no dizer de Cristo, derradeiros há que serão os


primeiros; e primeiros há que serão os derradeiros (Lc 13:29).

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Como já dissemos anteriormente, os judeus desfrutavam de uma
posição altamente privilegiada, no cenário religioso mundial, começando
por serem depositários dos oráculos divinos. Paulo, que também era
judeu, afirma:

deles é a adoção de filhos, e a glória, e os concertos, e a lei, e o culto e as promessas;


dos quais são os pais, e dos quais é Cristo segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus
bendito eternamente. Amém. (Rm 9:4-5)

Em outra parte, o mesmo Paulo afirma: Qual é logo a vantagem do judeu? Ou


qual a utilidade da circuncisão? Muita, em toda a maneira, porque, primeiramente, as palavras
de Deus lhe foram confiadas. (Rm 3:1-2)
Tudo isso era para eles uma grande riqueza. O próprio Jesus reconheceu
o grande privilégio que tinham, ao afirmar que a salvação vem dos judeus
( Jo 4:22).
Os judeus formavam um povo diferente de todos os demais povos.
Suas leis, seus costumes e suas tradições acabaram por fazer deles
um povo diferente. Porém, muitos se prevaleceram dessa condição
privilegiada e foram levados a discriminar os outros povos, criando,
contra eles, um grande preconceito. Nos dias de Cristo, por exemplo,
reinava, entre os judeus, um forte sentimento nacionalista. O fato de
serem, biologicamente, descendentes de Abraão, era entendido por eles
como uma espécie de reserva de domínio sobre as bênçãos de Deus.
Assim pensando, consideravam todos os outros povos como separados
da comunidade de Israel, e estranhos aos concertos da promessa, não tendo
esperança e sem Deus no mundo (Ef 2:12).
Mas Deus planejava pôr fim a esse tipo de separação. De acordo com o
concerto que fez com Abraão, era propósito seu abençoar todas as famílias
da terra:

E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome; e tu serás


uma bênção. E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoa-
rem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra. (Gn 12:2-3)

Cumprindo-se o tempo determinado por Deus, essa antiga promessa


feita a Abraão deveria cumprir-se em toda a sua plenitude. Portanto, ao
enviar seu Filho ao mundo, Deus fez dele o instrumento de conciliação,
capaz de unir todos os homens entre si, fazendo deles um só povo (Ef
2:13-18).

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1. Leia Lucas 16:19-21, o primeiro comentário e responda: Em
que consistiam as diferenças existentes entre os dois
personagens mencionados na parábola e para quem
apontavam essas diferenças?

2. Leia Rm 9:4-5; Ef 2:11-12, o primeiro comentário e responda:


Como Paulo descreve a situação religiosa dos judeus,
quando comparada à situação em que viviam os não-judeus?

3. Leia Ef 2:13-16; Cl 1:20-22, o segundo comentário e


responda: Ao vir a este mundo, que missão trouxe o Senhor
Jesus Cristo?

4. Leia Ef 3:1-6; Gl 3:26-29 e responda: Que diz Paulo sobre o


plano de Deus revelado em Jesus Cristo?

III. OS DESAFIOS DA PARÁBOLA


1. Precisamos fazer distinção entre o literal e o alegórico.
Com base no diálogo aqui descrito entre o rico e Abraão, muitas pessoas,
esquecendo-se de que as parábolas têm sentido figurado, acreditam na
possibilidade de comunicação entre os mortos, e entre os mortos e os vivos.
A propósito disto, o que as Escrituras dizem é o seguinte: ... os vivos sabem
que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma (Ec 9:5-6). Se
tanto o rico quanto o próprio Abraão já tinham morrido, quando a parábola
foi proferida, como seria possível conversarem entre si, considerando-se
que os mortos não falam? Às pessoas que pensam assim, lembramos que,
nos poucos casos em que a Escritura menciona pessoas mortas falando,

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como nos textos de He 11:4 e Ap 6:9-10, a linguagem usada é simbólica.
Para entendermos certos textos da Escritura é importante que saibamos
fazer distinção entre o que é literal e o que é alegórico (Gl 4:22-31). No
diálogo contido na parábola, Abraão não desconhece a condição de pai, em
relação ao rico, pois o chama de filho. Essa é mais uma prova de que o rico
representava os judeus.

5. Leia Ec 9:5 e 6, o comentário e responda: É possível a


comunicação entre os mortos e entre os mortos e os vivos?

2. Precisamos quebrar a barreira da discriminação.


Na conversa com a mulher samaritana, junto ao poço de Jacó, Jesus
deixou claro que Deus não reconhece as barreiras sociais que separam as
pessoas ( Jo 4:23-24), e que, em seu plano redentor, incluiu a todos, sem
qualquer distinção. É preciso reconhecer isso. Foi essa a revelação dada a
Pedro, na visão do lençol, pois, justificando a atitude que demonstrara ao
entrar na casa de um gentio, comer com ele e pousar em sua casa, Pedro
declarou:

Vós bem sabeis que não é lícito a um varão judeu ajuntar-se ou chegar-se a estrangei-
ros; mas Deus mostrou-me que a nenhum homem chame comum e imundo. Reconheço
por verdade que Deus não faz acepção de pessoas; mas que lhe é agradável aquele que,
em qualquer nação, o teme e obra o que é justo. (At 10:28,34-35)

A conversão de Cornélio e a conseqüente inserção do evangelho no


mundo gentio, pôs fim ao período de graça para os judeus como povo
privilegiado. Agora era a vez dos gentios.

6. Leia At 10:28,34-35, o comentário e responda: Com


base nesses textos indicados, que diz a Escritura sobre a
discriminação e a acepção de pessoas?

3. Precisamos acatar o propósito divino, mesmo que ele nos contrarie.


Deve ter sido muito difícil para os judeus dos dias de Cristo aceitarem

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a idéia de que, um dia, os gentios, como eles, desfrutariam os mesmos
benefícios espirituais que, antes, eram exclusivamente seus. Mas foi essa
a missão de Cristo, ao vir a este mundo. Aqui, ele cumpriu o propósito
divino e a bênção de Abraão já pode ser estendida a todas as famílias da
terra (Gl 3:8; Ef 2:13). Era de se esperar que a forma como Deus executou
essa sua decisão causasse nos judeus um grande impacto, uma vez que
estavam arraigados em seu preconceito. Daí a razão pela qual Jesus usou as
parábolas (Lc 20:9-18) e até visões (At 10:1-14), para convencê-los dessa
nova realidade.
A parábola do rico e Lázaro, com certeza, contribuiu muito para que
refletíssemos seriamente sobre essa questão. A lição que tiramos deste
ensinamento é a seguinte: Precisamos acatar o propósito de Deus em
nossas vidas, mesmo que a maneira como o executa nos contrarie.

7. Resuma o capítulo 11 de Atos, lendo os versículos 1-4,12, 15-


17, o comentário e responda: Com base no exemplo de
Pedro, qual deve ser a nossa atitude, diante do propósito de Deus?

CONCLUSÃO: Cumpre-nos reafirmar a idéia de que a parábola do rico


e do pobre teve como objetivo, em primeiro lugar, combater a discriminação
com que muitos judeus tratavam os não-judeus. Foi como se João Batista
repetisse, através de Jesus, o que dissera no início de seu ministério:

Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento; e não presumais, de vós mesmos,


dizendo: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que mesmo destas pedras Deus
pode suscitar filhos a Abraão. (Mt 3:8-9)

Embora, na parábola do rico e do pobre, o resultado final tenha sido


favorável ao pobre, isso não significa, de modo algum, que a riqueza, em
si mesma, seja condenada perante Deus. As Escrituras Sagradas não
condenam a riqueza. O que ela ensina é o seguinte:

Manda aos ricos deste mundo que não sejam altivos, nem ponham a esperança na
incerteza das riquezas, mas em Deus que abundantemente nos dá todas as coisas para
delas gozarmos; que façam bem, enriqueçam em boas obras, e sejam comunicáveis;
que entesourem para si mesmos um bom fundamento para o futuro, para que possam
alcançar a vida eterna. (II Tm 6:17-19)

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11
14 JUnHo 2008
sOMOS seRVOS
iNÚTEIS! Autor: Pr. Genilson Soares da SIlva

Hinos sugeridos: BJ 170 – CC 298 / BJ 173 – CC 469

LEITURA DIÁRIA OBJETIVO


Domingo, 8: Lc 17:7-10 Mostrar ao estudante que o
Segunda, 9: Lc 17:1-6
Terça, 10: Rm 3:10-12 Senhor espera que todos nós o
Quarta, 11: Rm 5:6-10 sirvamos incansável, humilde e
Quinta, 12: Ef 2:8-10
Sexta, 13: II Co 4:1-7
desinteressadamente.
Sábado, 14: I Tm 1:12-16

TexTO BáSiCO: Assim também vós, depois de haverdes feito quanto


vos foi ordenado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos apenas o que
devíamos fazer. (Lc 17:10)

iNTrODUçÃO: A pequena parábola que analisaremos na seqüência


é a parábola das perguntas. Dizem que sábio não é aquele que sabe todas
as respostas certas, mas aquele que sabe fazer as perguntas certas. Isto se
aplica perfeitamente a Jesus, sabedoria de Deus (I Co 2:7). Além de saber
todas as respostas certas, ele também sabia fazer as perguntas certas.
Estas podem ser penetrantes, conduzindo a respostas reveladoras ou a
descobertas maravilhosas. Elas podem, ainda, expor motivos ocultos, bem
como capacitar a pessoa a enfrentar a verdade que não havia admitido
nem para si mesma. Vamos, então, iniciar o nosso estudo, procurando,
primeiramente, compreender o propósito da parábola.

I – O PROPóSITO DA PARÁBOLA
O que teria feito Jesus contar esta parábola aos discípulos? Ela parece não
ter conexão alguma com os versículos que a antecedem. Deve-se, porém,
frisar que o evangelho de Lucas não é somente uma exposição inspirada,
mas, também, exposição ordenada dos fatos (Lc 1:3). Logo, a parábola
está relacionada com os versículos que a precedem (Lc 17:1-6). Nestes
versículos, Jesus ensina, de modo muito claro, como os seus discípulos

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deveriam se relacionar com os “irmãos pequeninos” e com os “irmãos
arrependidos”, que eram abertamente desprezados pelos fariseus.
Na relação com os pequeninos, os discípulos deveriam evitar provocar
escândalos. A radicalidade com que Jesus tratou o tema do escândalo tem
a sua razão de ser. Escandalizar, no evangelho, significa tornar-se ocasião
de pecado para alguém, levando-o a afastar-se do projeto salvador de Deus.
Os discípulos poderiam ser motivos de escândalo de vários modos: pela
severidade e pelo moralismo exagerado, pelo preconceito segregador, pela
falta de paciência, em se tratando de ajudar os mais fracos, pela omissão,
em caso de desvio grave, por não serem firmes, quando necessário. Essas e
outras atitudes afins poderiam resultar no afastamento dos pequeninos do
caminho da verdade, com graves conseqüências.
Na relação com os pecadores, os discípulos deveriam evitar cultivar
ressentimento. Jesus sabia que a sua igreja não seria feita de pessoas
incapazes de pecar. Ao contrário, comportaria, entre os seus membros, gente
afetada pelo egoísmo e sempre disposta a romper os laços da comunhão.
Daí a exigência de os seus discípulos se predisporem, continuamente, a
refazer os laços rompidos. Isso deve acontecer da seguinte maneira: Quem
peca, deve ter consciência de suas faltas e das conseqüências negativas
para a comunidade. O passo seguinte consiste em ser capaz de declarar-
se arrependido e pedir perdão. Quem foi vítima da ofensa alheia, deve
estar sempre pronto a perdoar, sem conservar ressentimento ou rancor no
coração.
Aparentemente, os discípulos verificaram que muita fé seria
necessária para “viver sem provocar escândalos” e “perdoar sem agasalhar
ressentimentos”. Sendo assim, pediram ao Senhor: Aumenta-nos a fé.
Jesus, então, frisou que, quando o assunto é fé, o que importa não é a sua
quantidade, mas, sim, a sua autenticidade, dizendo: Se tiverdes fé como um
grão de mostarda, direis a esta amoreira: Arranca-te e transplanta-te no mar;
e ela vos obedecerá (Lc 17:6). Se tivessem uma fé autêntica, os discípulos
poderiam cumprir facilmente as instruções do Senhor. Isto, porém, poderia
conduzi-los ao orgulho espiritual. Para adverti-los sobre esta questão, Jesus
lhes contou a parábola dos servos inúteis, cuja verdade principal é mostrada
logo a seguir.

II – A VERDADE DA PARÁBOLA
Vamos, então, à primeira pergunta da parábola: E qual de vós terá um
servo a lavrar ou a apascentar gado, a quem, voltando ele do campo, diga:
Chega-te e assenta-te à mesa? Não há, nos evangelhos, indicação alguma

76 | Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2008


de que os discípulos fossem donos de terras ou de servos. Jesus estava
apenas apelando para a imaginação deles. Qual deve ter sido a reação dos
discípulos à pergunta de Jesus? A narrativa não registra, mas é possível
imaginá-la. Pedro, o mais afoito dos doze, talvez tenha dito: “se fosse dono
de um servo, nunca diria isto, Mestre”. Se Pedro reagiu desse modo, reagiu
de acordo com os padrões da época.
Jesus prossegue o diálogo, fazendo uma segunda pergunta: E não lhe diga
antes: Prepara-me a ceia, e cinge-te, e serve-me, até que tenha comido e bebido,
e depois comerás e beberás tu? (Lc 17:8). Pedro, de novo, diria: ... sim, Mestre.
Eu diria isto para o servo. De fato, um senhor, quer gentio, quer judeu, por
melhor que fosse, jamais convidaria o escravo para tomar lugar à mesa de
jantar. O senhor não comia com o servo. Após chegar do campo, onde
trabalhara arduamente, lavrando a terra e cuidando do gado, o servo ainda
teria muitas outras coisas a serem feitas na casa do seu senhor, antes de
poder sentar-se ou deitar-se. Um desses trabalhos adicionais era preparar
a refeição do seu senhor.
A última pergunta da parábola é: Porventura, dá graças ao tal servo,
porque fez o que lhe foi mandado? (Lc 17:9a). O próprio Jesus responde:
creio que não (Lc 17:9b). Das três perguntas, esta é a que mais merece
atenção e análise. Se o conteúdo desta pergunta não for bem entendido,
a verdade principal da parábola não será adequadamente captada pelo
estudante. Então, por favor, observe a expressão dá graças. Qual o sentido
desta expressão? Você dirá: agradecer. Na verdade, todas as versões trazem
este sentido. De acordo Bailey1, porém, o texto grego transmite um sentido
mais profundo e precioso:

O verbo grego eucharisteo (agradecer) ocorre (...) quatro vezes em Lucas. Ele é
usado na narrativa da cura dos dez leprosos em Lucas 17:16. Desta forma, Lu-
cas conhece esta palavra e a usa mais do que os outros evangelistas. No entanto,
nesta parábola as palavras constantes do texto são me echei charim to doulo. Lite-
ralmente esta frase pode ser assim traduzida: “terá ele alguma graça/favor pelo
servo? A palavra charin é o vocábulo que o Novo Testamento comumente tem
o significado de graça (...). No entanto, em Lucas esta palavra graça relaciona-se
primordialmente com crédito (6:32-34) e favor (1:30).

Jesus conclui a parábola, aplicando-a aos discípulos: Assim também


vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somos servos inúteis,
porque fizemos somente o que devíamos fazer. Mas como entender a expressão
____________________
1. Bayley (1989:299)

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somos servos inúteis? A palavra servos foi traduzida da palavra grega doulos,
que significa também escravo. A outra palavra, “inúteis”, é uma tradução
de “achreios”, cujo sentido literal não é “sem utilidade”, mas, sim, “sem
necessidade” (a = sem + chreios = necessidade). Dizem que, ainda hoje,
quando um trabalhador de uma aldeia do Oriente Médio presta algum
pequeno serviço a um dono de casa, tem lugar o seguinte diálogo: O
dono da casa pergunta ao trabalhador: “Há alguma necessidade? (Devo-te
alguma coisa?)”. O trabalhador responde: “Não há necessidade? (Não me
deves nada)”.
Após cumprirem o duplo dever, ou seja: de um lado, evitar que os
pequeninos tropecem por sua causa, e, do outro, estar sempre dispostos
a perdoar os arrependidos, os discípulos deveriam estar cientes de que o
Senhor não lhes deveria absolutamente nada, nem tratamento diferente,
nem recompensa especial. Eles deveriam ser como escravos que serviam
aos seus senhores, não tendo em vista receber presentes ou salários. O
discípulo é constituído para o serviço do reino. É na vocação de servidor
que se realiza e encontra um sentido para sua vida. Sua alegria consiste
em entregar-se, sem reservas, à missão recebida, sem nada exigir em troca.
Basta-lhe a consciência do dever cumprido.

1. Leia Lc 17:1-6 e responda: Que instruções são encontradas


nos versículos que antecedem a parábola dos servos inúteis?
Observe o primeiro comentário.

2. Como a parábola dos servos inúteis se relaciona com as


instruções registradas que acabamos de analisar, em Lc 17:1-6?
Recorra ao primeiro comentário.

3. Leia Lc 17:9-10 e explique: Como as expressões “dá graças” e


“servos inúteis” podem ser entendidas?

78 | Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2008


4. Após ler o segundo comentário, responda: Qual é a verdade
principal ensinada pela parábola dos servos inúteis?

III – OS DESAFIOS DA PARÁBOLA


1. O Senhor espera que os seus servos e as suas servas cumpram o seu
dever, incansavelmente.
Na parábola, vimos que, antes de o servo sentar-se para comer, tinha
outra tarefa a cumprir, ou seja, preparar a refeição de seu senhor. No reino
de Deus, o trabalho de um servo e de uma serva também não termina
nunca. Não importa se já pregamos bastaste, se já ensinamos bastante, se
já visitamos bastante, se já cantamos bastante, se já ajudamos bastante, se
já dirigimos bastante. Se recebemos outro trabalho do Senhor, devemos
realizá-lo sem reclamar. O nosso tempo pertence totalmente a ele, e não
há dias de folga ou férias no seu serviço. Nosso maior objetivo deve ser
sempre atender e suprir as necessidades da casa do Senhor.

5. Leia Lc 17:7-9 e responda: O que significa servir ao Senhor


incansavelmente?

2. O Senhor espera que os seus servos e as suas servas cumpram o seu


dever, humildemente.
Não devemos orgulhar-nos de nossa realização ou obediência, mas
devemos nos lembrar sempre que não fizemos nada mais do que o nosso
dever. Em outras palavras, o servo possui humildade. Ele não compete,
não sobe na tribuna principal, não lustra sua imagem ou agarra o refletor.
O servo não gosta de receber louvores, não gosta de receber glórias, não
gosta de receber os créditos pelo serviço prestado, não gosta de tapinhas
nas costas, não gosta de ver pessoas exclamando de admiração, não pre-
cisa receber agradecimentos para continuar servindo. O servo conhece o
seu dever, admite suas limitações, cumpre suas tarefas silenciosa e con-
stantemente. Se alguém quer fazer dele seu ídolo, ele não permite nem
fantasia tal insensatez.

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6. Leia Lc 17:9-10; Ef 6:6; Cl 3:22 e responda: De acordo com
esses textos, como devemos servir?

3. O Senhor espera que os seus servos e as suas servas cumpram o seu


dever, desinteressadamente.
A Bíblia ensina que quem serve ao Senhor, será recompensado, na vida
presente e na vindoura. Na carta aos Hebreus, está escrito que Deus não é
injusto para ficar esquecido do vosso trabalho e do amor que evidenciastes para
com o seu nome, pois servistes e ainda servis aos santos (Hb 6:10). O próprio
Cristo, quando instruía os doze para uma vida de serviço, prometeu-lhes
uma recompensa eterna, para quem desse um copo de água fria a outrem:

Eu afirmo a vocês que isto é verdade: quem, apenas por ser meu seguidor, der ainda
que seja um copo de água fria ao menor dos meus seguidores, certamente receberá a sua
recompensa. (Mt 10:42 – NTLH)

Todavia, não trabalhamos para o nosso Senhor simplesmente para


receber recompensas. Nós lhe servimos porque o amamos.

7. Leia o comentário e explique: O que é servir desinteressadamente?

CONCLUSÃO: Nesta era da autopromoção, da defesa dos próprios


direitos, do cuidar apenas de si mesmo, do vencer pela intimidação, do
esforçar-se para obter o primeiro lugar e das várias outras estratégias
interesseiras, não podemos esquecer que Deus nos chamou para sermos
conformes à imagem de seu Filho (Rm 8:29b), que não veio para ser servido,
mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos (Mc 10:45). Depois
de nos incluir em sua família, o Senhor Deus se empenha para colocar em
nós a mesma qualidade que tornou Jesus diferente de todos os outros em
sua época. Ele está envolvido em produzir em nós as mesmas qualidades de
serviço e doação que caracterizaram seu Filho, que sempre serviu incansável,
humilde e desinteressadamente. Que ele continue essa boa obra em nós.

80 | Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2008


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12
21 JUnHo 2008
Não Desista da
Oração Autor: Pr. Genilson Soares da SIlva

Hinos sugeridos: BJ 88 – CC 162 / BJ 86 – CC 159

LEITURA DIÁRIA OBJETIVO


Domingo, 15: Lc 18:1-8 Mostrar ao estudante da palavra
Segunda, 16: Lc 18:9-14 de Deus que é através da oração
Terça, 17: II Cr 19:6-7
Quarta, 18: Mt 6:5-8 perseverante que se obtém força
Quinta, 19: Lc 11:1-4 espiritual para aguardar a vinda
Sexta, 20: Mt 7:6-12
Sábado, 21: Mt 26:40-45 triunfal do reino de Deus, sem
cair na tentação da heresia, da
indolência e da dúvida.

TexTO BáSiCO: E Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a
ele de dia e de noite, ainda que tardio para com eles? (Lc 18:7)

iNTrODUçÃO: De todos os evangelhos, o de Lucas é o que mais


contém ensinos e alusões sobre a oração. Ele mostra Jesus não somente
praticando a oração, em momentos cruciais do seu ministério (Lc 3:21,
6:12-13, 9:29, 10:21, 22:32, 39-46, 23:46), mas também ensinando acerca
da oração (Lc 11:1-4). Além da parábola do juiz iníquo (Lc 18:1-8), que
serve de base para a lição de hoje, duas outras parábolas sobre oração são
encontradas no evangelho de Lucas: a do amigo importuno (Lc 11:5-8)
e a do fariseu e o publicano (Lc 18:9-14). Elas são encontradas apenas
em Lucas. Mas o que levou Jesus a contar a parábola do juiz iníquo? Esta
e outras questões são esclarecidas na seqüência, em que descobriremos o
propósito da parábola do juízo iníquo, bem como a sua verdade e os seus
desafios para a vida cristã.

I - O PROPóSITO DA PARÁBOLA
Nesta parte da lição, vamos tratar do conteúdo e do propósito da
parábola. Vejamos, então, o conteúdo da “parábola do juiz iníquo”.
Jesus conta a história de uma viúva de certa cidade que apela a certo
juiz por justiça contra um homem que a prejudicara. O caráter desse

82 | Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2008


juiz era descaradamente impiedoso e insensível, pois nem a Deus temia,
nem respeitava homem algum (Lc 18:2b). Se ele conhecia as inspiradas
palavras de orientação e de advertência, proferidas por Josafá aos juízes
(II Cr 19:6-7), definitivamente, não as observava, nem as praticava (II Cr
19:6-7). Ele também não respeitava os direitos das pessoas mais humildes,
visto que agia apenas por interesse próprio, sendo as suas sentenças sempre
determinadas pelo tamanho do suborno que as partes interessadas em
justiça lhe ofereciam.
É a este juiz, em cujo coração não havia o reconhecimento de que
há um Juiz de instância superior – o Deus grande, poderoso e temível, que
não faz acepção de pessoas, nem aceita suborno; que faz justiça ao órfão e à
viúva (Dt 10:17b-18a) –, a quem todos os juízes da terra terão de prestar
contas, que a viúva, fraca demais para exigir, pobre demais para comprar
justiça, se dirige. Ela não possui protetor para pressionar, nem dinheiro
para corromper aquele homem perverso e corrupto, mas possui algo muito
nobre: um caráter perseverante. Sendo assim, o juiz, por algum tempo, não
quis fazer justiça à viúva, mas, depois, acabou ouvindo e atendendo a causa
dela, apenas para se ver livre dos seus insistentes e constantes apelos.
Vejamos, agora, o propósito da parábola. Os versículos iniciais do
capítulo dezoito estão profundamente relacionados com os versículos
finais do capítulo dezessete. Desta forma, não há como entender o
propósito da parábola, sem conhecer o conteúdo dos versículos que a
precedem (Lc 17:20-37). Vamos, então, de modo breve, analisá-los. Após
explicar aos fariseus a natureza espiritual e universal do reinado divino
(Lc 17:20-21), Jesus se volta para os doze e passa a ensinar-lhes sobre
a sua vinda, que ocorrerá de maneira visível, porém, súbita – enquanto
as pessoas desenvolvem atividades cotidianas normalmente. Antes de
isso tudo ocorrer, Jesus frisa o que virá sobre ele, na cidade de Jerusalém:
perturbadoras angústias e inimagináveis rejeições.
A vinda de Jesus seria visível, súbita, mas não seria imediata, como os
discípulos imaginavam. Jesus estava ciente de que essa aparente demora
poderia produzir desmotivação e esmorecimento em seus discípulos,
especialmente quando se deparassem com os escarnecedores questionando
abertamente: Onde está a promessa da sua vinda? Porque desde que os pais
dormiram todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação (II
Pe 3:4). Eles, de fato, poderiam ser levados a duvidar da palavra e da
promessa de Jesus, a respeito do seu retorno glorioso. Por essa razão é
que, logo após o ensino sobre a sua vinda, ele lhes conta a parábola do
juiz iníquo, com o intuito de lhes ensinar sobre o dever de orar sempre e
nunca desfalecer (Lc 18:1).

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II – A VERDADE DA PARÁBOLA
Antes de falar sobre a perseverança na oração, Jesus tratou de duas questões
acerca do reino de Deus. Num primeiro momento, ele tratou da natureza do
reino de Deus. Os que seguiam a Jesus o ouviram pregar e ensinar sobre a
vinda do reino de Deus, várias vezes. Ao falar sobre o reino de Deus, ele tinha
uma idéia muito clara em mente: um reino de natureza espiritual e universal.
Os discípulos tinham em mente uma outra idéia de reino: um reino exterior,
visível, político, terreno, onde teriam um lugar de honra e poder. A idéia era
a de que o Messias derrotaria os inimigos de Israel e estabeleceria seu trono
em Jerusalém. Jesus enfatizara que o seu reino não era deste mundo, mas os
seus discípulos tiveram dificuldade em entender esse conceito.
Num segundo momento, Jesus tratou da realidade do reino de Deus,
também incompreendida pelos discípulos. Ele lhes ensinou que esse reino
não era somente uma realidade presente, mas, também, uma realidade
futura. Afirmou, em primeiro lugar, que, com a sua primeira vinda, teve
início “a inauguração do reino de Deus”. Deus estava presente nele, fazendo
maravilhas, ensinando realidades espirituais, reconciliando o mundo
consigo mesmo. Desse modo, Jesus podia dizer que o reino de Deus estava
entre as pessoas. Ele, por outro lado, deixou claro que o seu reino não havia
ainda chegado com toda a sua plenitude. O governo de Deus ainda não
havia alcançado toda a extensão da terra. Os homens e as mulheres ainda
eram rebeldes ao projeto divino.
Ele ensinou, em segundo lugar, que, com a sua segunda vinda, teria
início a consumação do reino de Deus. No livro do Apocalipse, que é a
revelação de Jesus, a qual Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as coisas que
brevemente devem acontecer (Ap 1:1a), o próprio Jesus, não mais em estado
de humilhação, mas em estado de glorificação, revela, em detalhes, o que
ocorrerá nessa ocasião. Após o milênio, todos os poderes hostis, tanto os de
natureza humana quanto os de natureza maligna, serão, definitivamente,
destruídos pelo Senhor. Então, ouvir-se-á a estrondosa e maravilhosa
declaração: ... os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do seu Cristo,
e ele reinará para todo o sempre (Ap 11:15).
Jesus, porém, sabia que os tempos que sucederiam a inauguração do
reino e precederiam a consumação do reino, seriam tempos marcados por
intensa perseguição. No âmbito judaico, eles sofreriam terríveis pressões
das autoridades religiosas ligadas à sinagoga, furiosas por serem incapazes
de reconduzi-los aos rígidos padrões das tradições religiosas do judaísmo.
Por isso, os discípulos começariam a ser julgados em tribunais, flagelados
em sinagogas e denunciados, diante das autoridades civis. Tudo por causa

84 | Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2008


da fé! No âmbito pagão, teriam sorte semelhante: seriam vítimas dos
próprios familiares, movidos por um ódio tão incontrolado, a ponto de
fazê-los morrer (Mt 10:17, 24:9; Mc 4:17, 13:9; Lc 21:12; Jo 15:20, 16:2).
Em meio a toda essa forte pressão e grande aflição, eles clamariam
intensamente pela manifestação e pela intervenção da justiça divina contra
os inimigos. Sob intensa aflição, orariam: Venha o teu reino! Este clamor
angustiante e perturbador, porém, não seria atendido de imediato. Os
injustiçados por causa da palavra de Deus perguntariam, assombrados: Até
quando, ó Soberano Senhor, santo e verdadeiro, não julgas, nem vingas o nosso
sangue dos que habitam sobre a terra? (Ap 6:10). Diante disso, era grande
o risco de muitos da igreja serem consumidos pelo desapontamento e
derrotados pelo esmorecimento. Muitos poderiam não somente deixar de
clamar a justiça divina, mas, também, deixar de aguardá-la.
Por essa razão, Jesus concluiu a parábola enfatizando, claramente,
que, no tempo próprio, o Juiz dos juízes também fará justiça aos seus
escolhidos, desde que estes não percam a fé (Lc 18:7-8). Esta é a verdade
principal ensinada pela parábola: ainda que a justiça do governo ou do
reinado divino demore a se manifestar plenamente, os discípulos de Cristo
precisam continuar clamando e esperando por ela, de maneira perseverante
e determinada. Jesus garante que, embora pareça para os seus discípulos
que Deus demore a fazer valer a sua justiça, ela se estabelecerá plenamente.
Cabe aos discípulos de Cristo continuar a esperar. Esperar com fé, para que
o Filho do Homem os ache aguardando por ele, quando vier.

1. Com suas próprias palavras, resuma o conteúdo da parábola


do juíz iníquo.

2. O que motivou Jesus a contar a parábola do juiz iníquo?

3. Que questões Jesus tratou, acerca do reino de Deus, antes


de contar a parábola do juiz iníquo?

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4. Qual a verdade principal ensinada na parábola do juiz iníquo?

III - Os Desafios da Parábola


1. Quem aguarda o triunfo final do reino de Deus, deve orar para não
cair na tentação da heresia.
Jesus ensina que os tempos que antecedem o triunfo final do reino de Deus
serão tempos de heresia! Não devemos esperar um tempo universal de pureza
doutrinária, antes que venha o fim. Jesus adverte que, nos últimos tempos,
surgirão muitos falsos mestres, inspirados por espíritos malignos, ensinando
doutrinas extravagantes, com o objetivo de obscurecer a gloriosa doutrina
da segunda vinda. Quem aguarda o triunfo final do reino de Deus precisa
estar alerta e atento para não estar entre aqueles que se recusarão a dar ouvidos à
verdade, entregando-se às fábulas (II Tm 4:4). Se este alerta de Jesus não tivesse
sido tão negligenciado, a igreja teria tido uma história muito mais feliz. Oremos
perseverantemente: Senhor, não nos deixes cair na tentação da heresia.

5. Com base em Lc 17:22-24, responda: Em que consiste


a tentação da heresia e como podemos enfrentá-la? Leia
também o comentário.

2. Quem aguarda o triunfo final do reino de Deus, deve orar para não
cair na tentação da indolência.
Jesus ensina que os tempos que antecedem o triunfo final do reino de
Deus serão tempos de indolência! As pessoas estarão comendo, bebendo,
plantando, casando, construindo, comprando, vendendo (Lc 17:26-30).
Alguém pode questionar: o que há de errado em comer, beber, plantar,
casar, construir, comprar, vender? Não há nada de errado! Por meio dessas
coisas, podemos até glorificar a Deus (I Co 10:31). Se, porém, a nossa alma
se tornar tão absorvida e tão dominada por estas atividades, a ponto de nos
tornarmos indolentes, insensíveis, descuidados, desleixados, negligentes,
indiferentes para com deveres espirituais, elas se tornam uma grande
ameaça para quem aguarda o triunfo final do reino de Deus. Oremos
perseverantemente: Senhor, não nos deixes cair na tentação da indolência.

86 | Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2008


6. Com base em Lc 17:26-30, explique como fica quem cai na
tentação da indolência.

3. Quem aguarda o triunfo final do reino de Deus, deve orar para não
cair na tentação da dúvida.
Jesus ensina que os tempos que antecedem o triunfo final do reino de
Deus serão tempos de dúvida! Como Jesus termina a aplicação da parábola?
Termina com uma pergunta para reflexão: Quando, porém, vier o Filho do
Homem, porventura, achará fé na terra? (Lc 18:8). Nosso Senhor conhecia bem a
incredulidade natural da natureza humana. Jesus sabia que, quando retornasse,
a fé seria rara entre os seres humanos. Não é isso que vemos ao nosso redor?
Sim, vivemos numa época de muita e grande incredulidade. Assim como
poucos creram no relato da primeira vinda do Senhor, poucos crêem no relato
da sua segunda vinda (Is 53:1). Acautelemo-nos dessa infecção e creiamos nas
predições sobre a vinda do Senhor, para a salvação de nossa alma. Oremos
perseverantemente: Senhor, não nos deixe cair na tentação da dúvida.

7. Após ler Lc 18:8, explique a seguinte afirmação: Quem


aguarda o triunfo final do reino de Deus, deve orar para não
cair na tentação da dúvida.

CONCLUSÃO: Não desistamos de suplicar a vinda triunfal do reino de


Deus! Não desistamos de aguardar a vinda triunfal do reino de Deus! Os
servos e as servas do Senhor podem esperar com paciência a consumação
do reino de Deus. Seu Mestre será, um dia, reconhecido como Rei dos reis,
por todo mundo. Jamais nos esqueçamos disso.
Não importa o que homens e mulheres nos possam fazer no presente,
não permanecerá zombaria alguma, nem permanecerá injustiça alguma,
sem julgamento e castigo de Jesus, juiz dos vivos e dos mortos. Diante
dele, toda boca se calará, todo joelho se dobrará e toda língua confessará
que ele é o Senhor, para a glória de Deus Pai. Enfim, todas as nações, povos
e tribos se prostrarão diante dele, porque os seus juízos serão manifestos!
Amém!

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13
28 JUnHo 2008
A Morte do
Filho Amado Autor: Pr. Valdeci Nunes de Oliveira

Hinos sugeridos: BJ 106 – H.A 121 / BJ 82 – CS 323

LEITURA DIÁRIA OBJETIVO


Domingo, 22: Lc 20:9-18 Levar o estudante a com-
Segunda, 23: Is 5:1-7 preender que o povo de Deus,
Terça, 24: Mt 23:37-39
Quarta, 25: At 3:12-15 tanto do passado como do pre-
Quinta, 26: Jo 3:16-18 sente, é comparado a uma “vinha”
Sexta, 27: Jo 1:10-14
Sábado, 28: Rm 11:19-22 e os que o lideram são compara-
dos aos que trabalham nela. Se o
Senhor não for glorificado com
os frutos da vinha, ainda assim,
continuará com ela, mas substi-
tuirá os trabalhadores.

TexTO BáSiCO: E disse o Senhor da vinha: Que farei? Mandarei o meu


filho amado; talvez que, vendo-o o respeitem. Mas vendo-o os lavradores, ar-
razoaram entre si, dizendo: Este é o herdeiro; vinde, matemo-lo, para que a
herança seja nossa. (Lc 20:13-14)

iNTrODUçÃO: A parábola dos trabalhadores maus retrata a situação


de Israel, desde a sua organização no deserto (Sl 80:8-9), até a primeira
vinda de Jesus Cristo a este mundo. Um paralelo da situação narrada nessa
parábola, nós encontramos em Isaías 5:1-7, em que Israel aparece como a
vinha do Senhor. Como Senhor da vinha, Deus sempre ouviu e atendeu seu
povo nas suas necessidades; sempre enviou profetas para alertá-lo contra o
perigo de um desvio do plano original.
O escritor da epístola aos Hebreus afirma:

Havendo Deus, outrora falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos
profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de
todas as coisas, pelo qual também fez o universo. (Hb 1:1-2)

Porém, o próprio Israel, a quem o Senhor trata como seu povo (II Cr

88 | Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2008


7:14), encheu-se de orgulho e de arrogância, a ponto de não reconhecer o
próprio Messias, o enviado de Deus. O presente estudo tem como propósito
esclarecer como tudo isto aconteceu, e como foi a reação manifestada pelo
Senhor da vinha, ante a conduta demonstrada pelos seus trabalhadores.

I - O PROPÓSITO DA PARÁBOLA
Para entendermos o propósito da parábola que estamos estudando, pre-
cisamos, primeiramente, entender seu significado. Leiamos, então, o início
da narrativa:

E começou a dizer ao povo esta parábola: Certo homem plantou uma vinha, e ar-
rendou-a a uns lavradores, e partiu para fora da terra por muito tempo; e no tempo
próprio mandou um servo aos lavradores, para que lhe dessem dos frutos da vinha;
mas os lavradores, espancando-o, mandaram-no vazio. (Lc 20:9-10)

Como as parábolas, normalmente, têm sentido simbólico, a vinha rep-


resenta o povo de Deus; o dono da vinha, Deus, e os trabalhadores, os
líderes religiosos do povo de Deus. Os versículos 11 e 12 demonstram que,
não sendo bem-sucedido, junto aos trabalhadores, quando lhes enviou o
primeiro emissário, o dono da vinha ainda lhes enviou outros, na esperança
de que, por meios destes, pudesse obter os frutos esperados.
Os trabalhadores deram igual tratamento a todos os que lhes foram
enviados, isto é, desprezaram, espancaram e até feriram alguns deles. Isso
constrangeu o dono da vinha a lhes enviar seu próprio filho, em mais uma
demonstração de boa vontade, imaginando que, sendo este o filho, talvez
o respeitassem. A este, mataram, sob a alegação de que era o herdeiro. O
texto básico de nossa lição afirma:

E disse o Senhor da vinha: Que farei? Mandarei o meu filho amado; talvez que,
vendo-o o respeitem. Mas vendo-o os lavradores, arrazoaram entre si, dizendo: Este
é o herdeiro; vinde, matemo-lo, para que a herança seja nossa. (Lc 20:13-14)

E assim fizeram. Chegou, portanto, o momento de o dono da vinha


tomar uma decisão, no sentido de punir esses trabalhadores.
Quando Jesus proferiu a parábola dos lavradores maus, a parte final dela,
a que dizia respeito à morte do filho do dono da vinha, ainda não havia se
cumprido. Jesus é o Filho do dono da vinha, que, no “tempo próprio”, foi
enviado ao mundo, com a finalidade de resgatar para Deus os frutos dela.
Porém, mesmo sendo Jesus o Filho, não o respeitaram. Assim, cumpriu-se

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o que fora dito: Veio para o que era seu, e os seus não o receberam ( Jo 1:11).
Cumpriu-se, também, o que Pedro declararia, algum tempo depois, no to-
cante aos judeus:

Vós sois os filhos dos profetas e do concerto que Deus fez com nossos pais, dizendo a
Abraão: Na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra. Ressuscitando
Deus a seu Filho Jesus, primeiro o enviou a vós, para que nisso vos abençoasse, e vos
desviasse, a cada um, das vossas maldades. (At 3:25-26)

Como exemplo desse cuidado de Deus para com o seu povo, temos um
paralelo no Antigo Testamento:

E o Senhor, Deus de seus pais, lhes enviou a sua palavra pelos seus mensageiros,
madrugando, e enviando-lhos, porque se compadeceu do seu povo e da sua habitação.
Porém zombaram dos mensageiros de Deus, e desprezaram as suas palavras e mo-
faram dos seus profetas até que o furor do Senhor subiu tanto, contra o seu povo, que
mais nenhum remédio houve. (II Cr 36:15-16)

Depois de tantas tentativas mal-sucedidas, temos a pergunta: Que lhes


fará, pois, o senhor da vinha? E a resposta não poderia ser outra: Irá, e destru-
irá estes lavradores, e dará a outros a vinha (v.16).
Portanto, o propósito da parábola foi mostrar aos judeus e, especial-
mente, a seus líderes, duas coisas, entre outras: (1) O quanto Deus fora
misericordioso para com o seu povo e (2) o quanto esse mesmo povo fora
ingrato para com o Senhor.

II - A VERDADE DA PARÁBOLA
Se, quando Jesus proferiu a parábola dos trabalhadores, a parte final
desta narrativa ainda não havia se cumprido, os guias religiosos a quem Je-
sus especialmente se dirigira, ainda poderiam ter se arrependido e evitado
o desfecho que ela teve, já que haviam sido avisados. Porém, a despeito da
advertência que lhes fora dada pelo Senhor, continuaram com seus cora-
ções endurecidos e não se arrependeram. Então, lançaram mão do Filho
de Deus e o mataram. Entretanto, deveria ter ficado bem claro para esses
líderes que um crime tal como esse não poderia ficar impune. Daí a decisão
do dono da vinha de destruir os lavradores e confiar a outros essa respons-
abilidade. A resposta, neste caso, não poderia ser outra: Irá, e destruirá estes
lavradores, e dará a outros a vinha (v.16).
Quando Jesus fala dos “outros” lavradores (v. 16), a quem a vinha, fi-

90 | Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2008


nalmente, seria entregue, em razão da rejeição dos primeiros, faz alusão
aos novos líderes, constituídos por ele mesmo, para continuarem cuidando
da lavoura de Deus (Cl 1:6). A partir daí, o antigo Israel de Deus deixa
de ser reconhecido como o único povo de Deus, e a igreja, fundada por
Jesus Cristo e formada por judeus e não-judeus, passa a ser considerada
o verdadeiro Israel de Deus. Todos os privilégios de que, até então, Israel
era detentor, como povo peculiar de Deus, passam, agora, a ser da Igreja.
Começa, assim, uma nova fase na história do povo de Deus. Agora, fazem
parte da vinha do Senhor, os que aceitam o Filho de Deus. E foi justa-
mente isso que a maioria dos judeus não fez, com exceção de apenas alguns
que, depois, aceitaram a fé em Jesus Cristo (At 6:7).
Essa parábola denuncia o grave pecado cometido pelos guias religiosos
de Israel, e Jesus fala disso em outra ocasião, de maneira bem mais direta,
como lemos em Mateus 23:29-31:

Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que edificais os sepulcros dos profetas e
adornais os monumentos dos justos, e dizeis: Se existíssemos no tempo de nossos pais,
nunca nos associaríamos com eles para derramar o sangue dos profetas. Assim, vós mes-
mos testificais que sois filhos dos que mataram os profetas.

Há fortes indícios de que esses guias estavam bem próximos de Jesus,


quando ele proferiu a parábola dos trabalhadores maus. O versículo 16
termina assim: E, eles ouvindo eles isto, disseram: “Não seja assim”. Quando,
na parábola, Jesus se refere às diversas tentativas feitas pelo dono da vinha,
no sentido de obter os frutos que dela esperava, está se referindo ao amor
e à paciência de Deus, demonstrados para com o seu povo.
Esse amor e essa paciência de Deus atingiu o seu ponto mais alto, quan-
do o Senhor se dispôs a enviar o seu próprio filho para salvar o mundo:

Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que
todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o
seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse
salvo por ele. Quem crê nele não é condenado. ( Jo 3:16-18)

Na linguagem usada na Escritura, a transferência do arrendamento da


vinha para outros lavradores veio como resultado da ingratidão e da des-
obediência de muitos dos filhos de Israel, que, além de rejeitarem a men-
sagem trazida ao mundo por Jesus Cristo, o Filho de Deus, zombaram
dele, escarneceram-no e mataram-no. Ele foi a pedra que os edificadores
rejeitaram (Lc 20:17). A rejeição da pedra e a morte do Filho têm o mesmo

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significado. Tanto o herdeiro da vinha como a pedra rejeitada representam
o Filho de Deus.

1. A que o Senhor compara o seu povo e aqueles que cuidam


dele? (Is 5:1-7; Lc 20:9).

2. O que espera o Senhor de sua vinha e de quem ele cobra


esse resultado? (Lc 20:10).

3. Depois de algumas tentativas sem sucesso, que decisão


tomou o dono da vinha? (Lc 20:11-12).

4. Que fizeram os trabalhadores com o filho amado do dono


da vinha e qual foi a reação deste? (Lc 20:13-16).

5. Leia o segundo comentário e responda: Além da lição dada


aos líderes judeus, que advertência faz o Senhor aos novos
trabalhadores? (Rm 11:19-22).

III - OS DESAFIOS DA PARÁBOLA


1. O Senhor pedirá contas do que seus trabalhadores fizerem.
O trabalhador da vinha do Senhor não é o dono da vinha. O trabalhador
é apenas um “arrendatário”. A vinha pertence ao Senhor. Por isso, cada
trabalhador precisa estar ciente de que, certo dia, deverá prestar contas do que

92 | Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2008


realizou. Os líderes religiosos do povo de Israel não levaram a sério a tarefa que
lhes fora confiada por Deus, quando deixaram de ouvir aos profetas que, da parte
de Deus, lhes foram enviados. Então Deus os tratou como deveriam ser tratados:
foram punidos com a substituição. O Senhor da vinha tirou-os dos lugares que
então ocupavam, dando-os a outros. Isso ocorreu porque a vinha que lhes fora
confiada não produziu os devidos frutos. A lição ficou para os novos lavradores
e está expressa nesse texto: Se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus,
de modo nenhum entrareis no reino dos céus (Mt 5:20). Você é um trabalhador da
Igreja do Senhor? O Senhor lhe pedirá contas do seu trabalho.

6. Leia o conteúdo da aplicação acima e responda: Que


consciência precisa ter o trabalhador da seara do Senhor?

2. O Senhor acompanha com interesse a maneira como desempenhamos


a tarefa que nos deu.
É enganoso pensarmos que o Senhor não se importa com as coisas que
fazemos e como as fazemos. Aos que trabalham na vinha do Senhor, lembramos
que, ao nos atribuir uma tarefa qualquer, o Senhor acompanha, com o mais
absoluto interesse, a maneira como a desempenhamos. A advertência resultante
do ensino de Jesus, na parábola que ora estamos considerando, vale também para
os atuais líderes da igreja, que é considerada hoje como o “Israel de Deus”. Os
novos lavradores devem trabalhar denodadamente, para que a vinha do Senhor
produza muitos frutos, pois é com estes que o Senhor será glorificado: frutos de
paz, de justiça e de santidade. Jesus declarou: Nisto é glorificado meu Pai, que deis
muito fruto ( Jo 15:8). O Senhor em breve virá. Que contas lhe prestaremos?

7. Leia a Segunda aplicação e responda: Para que a vinha do


Senhor produza os devidos frutos, que é necessário ser feito
pelos trabalhadores?

3. O Senhor é paciente, mas também é justo.


A parábola que temos usado como objeto de apreciação ensina-nos
muitas coisas, e uma delas diz respeito aos cuidados que Deus tem para
com o seu povo. Pedro diz:

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Humilhai-vos pois debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo vos exalte;
lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós. (I Pe 5:7)

O salmista já dizia: Lança o teu cuidado sobre o Senhor, e ele te susterá (Sl
55:22). Mas tu, Senhor, és um Deus cheio de compaixão, e piedoso, sofredor,
e grande em benignidade e em verdade (Sl 86:15). Contudo, não podemos
abusar da piedade e da benignidade do Senhor. O texto de Gn 6:3 parece
indicar que a paciência e a benignidade do Senhor também têm limites:
Não contenderá o meu Espírito para sempre com o homem. Você é líder na
igreja do Senhor? Cumpra o seu ministério com santidade, integridade,
humildade, fidelidade e responsabilidade, pois, como Pai, o Senhor da
igreja é paciente, mas é, também, justo e não se deixa escarnecer.

8. Leia o conteúdo da terceira aplicação e, com base em suas


próprias experiências, responda: Que cuidados tem o Senhor
demonstrado para com o seu povo? (I Pe 5:7; Sl 86:15)

CONCLUSÃO: Que o ensinamento de Cristo configurado na parábola


dos trabalhadores maus nos sirva de exemplo. Muitos de nós fomos
constituídos como trabalhadores desta nova vinha do Senhor. Portanto,
uma das recomendações que temos na palavra de Deus é a seguinte:

Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força,
mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; nem como ten-
do domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho. E, quando
aparecer o Sumo Pastor, alcançareis a incorruptível coroa de glória. (I Pe 5:2-4)

Uma lavoura mal-cuidada não produz bons frutos. Por isso, em muitos
casos, para produzir os frutos desejados, a lavoura depende da habilidade
do lavrador.

94 | Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2008


BIBLIOGRAFIA REFERENCIADA

BAILEY, K. As parábolas de Lucas. São Paulo: Vida Nova, 1989.
Champlin, Russell Norman. O Novo Testamento Interpretado Versículo
por Versículo. São Paulo: Hagnos, 2002, vol 2.
Comentário Bíblico Broadman. Rio de Janeiro: Juerp, 1987, Vol. 9.
ERICKSON, Millard J. Conciso Dicionário de Teologia Cristã. Rio de
Janeiro: Juerp, 1991.
KISTEMAKER, Simon. As Parábolas de Jesus: uma análise prática e atual
para um estudo profundo do ensino de Cristo. São Paulo: Cultura Cristã,
2002.
LOCKYER, Herbert. Todas as parábolas da Bíblia: uma Análise detalhada
de todas as parábolas das Escrituras. São Paulo: Vida, 2005.
MORRIS, Leon L. Lucas: introdução e comentário. São Paulo: Mundo
Cristão, 1987.
TASKER, R. V. G. Mateus, Introdução e Comentário. São Paulo: Vida Nova,
1999.
Willmington, Harold. A Bíblia em esboços. São Paulo: Hagnos,
2001.
YANCEY, Philip. Maravilhosa Graça. São Paulo: Vida, 2002.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

BROADUS, John A. Comentário de Mateus. El Paso, Texas (USA): Casa


Baptista de Publicaciones, 1942, 2 Vol.
BOCK, Darrell L. Jesus segundo as Escrituras. São Paulo: Shedd Publicações,
2006.
CRABTREE, A. R. Introdução ao Novo Testamento. Rio de Janeiro: Casa
Publicadora Batista, 1960.
HENDRIKSEN, Willian. Comentário do Novo Testamento, Vol. 2, 1ª
Edição. Editora Cultura Cristã, 2001.
JEREMIAS, Joachim. As Parábolas de Jesus, São Paulo: Paulus, 1986.
MARSHALL, Howard. Teologia do Novo Testamento: diversos testemunhos,
um só evangelho. São Paulo: Vida Nova, 2007.
RYLE, J. C. Comentário Expositivo dos Evangelhos. São Paulo: Imprensa
Metodista, 1957, Vol. 4.

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