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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DA ___ VARA DO

TRABALHO DE SÃO BERNARDO DO CAMPO - SP.

JONAS xxxxxxxxxxxxxx, brasileiro,


casado, pintor, portador da CTPS n° 08835, série nº
00021-SP, RG n° xx.379.708-8, do PIS nº xxxxxxxxx,
inscrito no CPF/MF sob n° xxx.498.395-00, nascido em
31/03/1962, filho de Maria José Santos, residente e
domiciliado na Rua Nelson Rodrigues, n° xxxxx, casa
03, Jardim Calux, São Bernardo do Campo, SP, CEP:
09896-170, vem perante Vossa Excelência, por seus
advogados propor RECLAMAÇÃO TRABALHISTA em face
de:

1º Reclamada: JOSE WILSON LEITE ME (CONTEPORANEA


PINTURAS PREDIAIS E RESIDENCIAIS), inscrita no
CNPJ/MF sob n° 20.967.248/0001-33, estabelecida na ST
SHCS CR PELA W3, nº 51, Quadra 508 - Bloco B, Asa
Sul, Brasília, DF, CEP: 70351-525;

2º Reclamada: JOSE WILSON LEITE EIRELI ME


(CONTEPORANEA PRESTADORA DE SERVICOS), inscrita no
CNPJ sob nº 24.166.403/0001-73, estabelecida a Rua
Valentim Lorenzetti, nº 82 - S, Jardim Sipramar, São
Paulo, SP, CEP: 04851-370; e

3º Reclamada: JOSE WILSON LEITE, inscrito no CPF sob


nº 812.379.011-20 e RG sob nº 03716378488 SSP/DF,
estabelecido a Rua Valentim Lorenzetti, nº 82 - S,
Jardim Sipramar, São Paulo, SP, CEP: 04851-370, pelos
seguintes motivos:
I – DO CONTRATO DE TRABALHO

O Reclamante foi admitido aos serviços


da Reclamada em 03/06/2015, sendo registrado apenas
em 03/08/2016, para exercer a função de pintor,
cumprindo a jornada de trabalho das 07:00 às 17:00 de
2ª à 6ª-feira com 1 hora de intervalo para refeição e
descanso, percebia ultimamente R$ 1.657,53 por mês e
foi demitido em 06/10/2016 sem justa causa.

O reclamante trabalhava na obra


localizada na Rua do Cruzeiro, nº 215, Vila Dusi, São
Bernardo do Campo, SP, CEP: 09725-310.

II – DO PÓLO PASSIVO

DO GRUPO ECÔNOMICO
O reclamante foi contratado pela 1ª
reclamada.
Conforme comprovam os comprovantes da
Receita Federal e ficha cadastral da Jucesp juntados
aos autos, a 1ª e a 2ª reclamadas são administradas
pelo mesmo sócio, Sr. José Wilson Leite, possuem o
mesmo objeto social, o que comprova a atuação de
forma concertada.

Diante do exposto, entende o reclamante


que as reclamadas, por constituírem um grupo
econômico, devem responder de forma SOLIDÁRIA aos
créditos devidos pela 1ª reclamada, nos termos do
artigo 2º, §2º da CLT.

DA INCLUSÃO DO SÓCIO NO PÓLO PASSIVO


DA INSOLVÊNCIA DA RECLAMADA
DA RAZOÁVEL DURAÇÃO DO PROCESSO
DA EFETIVIDADE DESTA JUSTIÇA ESPECIALIZADA
O reclamante obteve informação de que as
reclamadas encerraram suas atividades.
O artigo 1.001 do Código Civil dispõe
que “As obrigações dos sócios começam imediatamente com o
contrato, se este não fixar outra data, e terminam quando, liquidada a
sociedade, se extinguirem as responsabilidades sociais”.

Em sede trabalhista as obrigações dos


sócios subsistem mediante terceiros mesmo após a
dissolução da sociedade (artigos 10, 448 e 449 da
CLT).
O que, s.m.j., justifica a inclusão do
sócio no pólo passivo da ação, o qual deverá
responder quanto aos eventuais créditos trabalhistas
do autor advindos do contrato com a 1ª reclamada,
bem como para que conste do título executivo
judicial, evitando discussões desnecessárias na fase
de execução.
Importante ressaltar que o direito do
trabalho acolhe a figura da desconsideração da
personalidade jurídica do empregador (disregard of
legal entity ou lifting the corporate veil).

O NCPC (Lei 13.105/15) autoriza a


desconsideração da personalidade jurídica do
empregador na fase de conhecimento, podendo ser
requerida já na petição inicial, hipótese em que será
dispensada a instauração de incidente e a suspensão
do processo, conforme determinam os artigos 133 e 134
do NCPC.
Vejamos:
“Art. 133. O incidente de desconsideração da
personalidade jurídica será instaurado a pedido da parte ou
do Ministério Público, quando lhe couber intervir no processo.
...”
“Art. 134. O incidente de desconsideração é cabível em
todas as fases do processo de conhecimento, no
cumprimento de sentença e na execução fundada em título
executivo extrajudicial.
...
§2º. Dispensa-se a instauração do incidente se a
desconsideração da personalidade jurídica for requerida
na petição inicial, hipótese em que será citado o sócio ou a
pessoa jurídica.
...” (destaque do autor)
No presente caso deve ser aplicada a
Teoria Objetiva da Desconsideração da Personalidade
Jurídica, a qual segundo o entendimento do
Ilustríssimo Dr. Mauro Schiavi 1
é plenamente
justificável, vejamos:
“No processo do Trabalho, o presente se justifica em
razão da hipossuficiência do trabalhador, da dificuldade
que apresenta o reclamante em demonstrar a má-fé do
administrador e do caráter alimentar do crédito
trabalhista.”

Se não bastasse todo o acima exposto,


aplica-se, ainda, por analogia, o disposto no artigo
28, §5º, do CDC, que autoriza a Desconsideração da
Personalidade Jurídica sempre que esta constituir
obstáculo ao ressarcimento de prejuízos. Vejamos:
“Art. 28. O juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da
sociedade quando, em detrimento do consumidor, houver abuso de
direito, excesso de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito ou
violação dos estatutos ou contrato social. A desconsideração
também será efetivada quando houver falência, estado de
insolvência, encerramento ou inatividade da pessoa jurídica
provocados por má administração.
...
§5° Também poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre
que sua personalidade for, de alguma forma, obstáculo ao
ressarcimento de prejuízos causados aos consumidores.”
(grifos do autor)

O C.TST, através da Resolução nº 203/16,


determinou, em seu artigo 6º, que se aplica ao
Processo do Trabalho o incidente de desconsideração
da personalidade jurídica regulado no Código de
Processo Civil.

O artigo 134, §2º, do referido diploma


legal dispõe que fica dispensada a instauração do
incidente se a desconsideração da personalidade
jurídica for requerida na petição inicial, hipótese
em que será citado o sócio ou a pessoa jurídica.

1
SCHIAVI, Mauro. Manual de Direito Processual do Trabalho. 10. ed. de acordo com o novo CPC – São Paulo: LTR, 2016.
Ressalte-se que a referida medida tem
como finalidade evitar a transferência maliciosa do
patrimônio da pessoa jurídica para as pessoas
naturais, com o intuito de prejudicar os
trabalhadores, bem como busca atender aos princípios
da celeridade e efetividade que norteiam esta Justiça
Especializada.

Razão pela qual, requer o reclamante que


seja deferida a DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE
JURÍDICA já na fase de conhecimento, com a
conseqüente inclusão do sócio no pólo passivo da
ação, sendo considerado responsável solidário pelos
débitos trabalhistas devidos ao reclamante, ou
sucessivamente, responsável subsidiário.

A referida medida visa inclusive


possibilitar ao sócio se valer mais amplamente do
direito ao contraditório.

“AGRAVO DE INSTRUMENTO - PRELIMINAR DE


INÉPCIA DA INICIAL - RESPONSABILIDADE
SOLIDÁRIA No tópico, o recurso fundamenta-se
unicamente em divergência jurisprudencial. Dessa
forma, os arestos colacionados são inespecíficos,
porquanto não identificam a situação fática do acórdão
recorrido. Inteligência da Súmula n° 296 desta Corte.
RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS -
DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE
JURÍDICA - POSSIBILIDADE - FASE DE
CONHECIMENTO Este Eg. Tribunal Superior já
firmou entendimento de que é possível a inclusão
do sócio no polo passivo da demanda, ante a
aplicação da teoria da desconsideração da
personalidade jurídica, na fase cognitiva.
Precedente. Agravo de Instrumento a que se nega
provimento.”2 (grifo do autor)

2
TST - AIRR - 1022-62.2013.5.03.0153, Relator Desembargador Convocado: João Pedro
Silvestrin, Data de Julgamento: 29/04/2015, 8ª Turma, Data de Publicação: DEJT 04/05/2015
[.....]

XV – DOS PEDIDOS:
Diante do exposto, pleiteia o Reclamante
a procedência dos pedidos da Reclamação Trabalhista
para reconhecer e declarar a nulidade do contrato de
experiência e o reconhecimento do contrato por prazo
indeterminado no período de 03/06/2016 a 06/11/2016
(OJ 82 da SDI 1 do TST), com a conseqüente
retificação de sua CTPS (sob pena de multa diária),
bem como sejam as reclamadas condenadas
SOLIDARIAMENTE (item “II”) ao pagamento das seguintes
verbas e obrigações de fazer:

01) Salário de Setembro de 2016..............a apurar

02) Saldo de salário de outubro (6 dias).....a apurar

03) Aviso prévio indenizado 30 dias..........a apurar

04) 13º salário proporcional de 2015 (5/12)..a apurar

05) Férias proporcionais 5/12 + 1/3..........a apurar

06) FGTS + 40% sobre as verbas acima (do item 01 ao


item 05).....................................a apurar

07) Multa do artigo 477, §8º da CLT..........a apurar

08) Multa do artigo 467 da CLT...............a apurar

09) FGTS + 40% referente ao período sem registro,


conforme descrito no item “VI”...............a apurar

10) Entrega das Guias TRCT para a percepção do FGTS e


para o caso do não cumprimento pela empresa, requer o
obreiro a expedição de Alvará Judicial.
11) Multa de 40% sobre a item acima..........a apurar

12)Pagamento da diferença do vale transporte durante


todo o contrato de trabalho, nos termos descritos no
item “VII”...................................a apurar

13)Pagamento de vale refeição no valor de R$ 20,00


por dia, durante todo o contrato de trabalho,
conforme descrito no item “VIII”.............a apurar
Reflexos em:
13.1) Reflexo em DSR’s................................a apurar
13.2) Reflexo nas férias + 1/3........................a apurar
13.3) Reflexo no 13º salários.........................a apurar
13.4) Reflexo no aviso prévio.........................a apurar
13.5) Reflexo nas horas extras........................a apurar
13.6) FGTS + 40% sobre a integralidade das verbas.....a apurar

14)Pagamento do vale alimentação (supermercado) no


valor de R$ 265,00 até o mês de agosto/2016 e a
partir de setembro/2016 R$ 275,00 por mês, conforme
descrito no item “IX”........................a apurar

Reflexos em:
14.1) Reflexo em DSR’s................................a apurar
14.2) Reflexo nas férias + 1/3........................a apurar
14.3) Reflexo no 13º salários.........................a apurar
14.4) Reflexo no aviso prévio.........................a apurar
14.5) Reflexo nas horas extras........................a apurar
14.6) FGTS + 40% sobre a integralidade das verbas.....a apurar

15) Pagamento das horas extras excedentes à 8ª diária


e 44ª hora semanal com adicional normativo de 60%,
conforme item “X”............................a apurar
15.1) Reflexo das horas extras em DSR’s ...............a apurar
15.2) Reflexo das horas extras nas férias + 1/3.......a apurar
15.3) Reflexo das horas extras no 13º salários........a apurar
15.4) Reflexo das horas extras no aviso prévio........a apurar
15.5) FGTS + 40% sobre a integralidade das verbas.....a apurar

16) Pagamento da multa normativa prevista na cláusula


32ª da CCT, no importe de 2% do piso salarial
normativo por infração, conforme item “XI”:
16.1)pelo não cumprimento da Cláusula 09ª item 1......a apurar
16.2)pelo não cumprimento da Cláusula 09ª item 2......a apurar
16.3)pelo não cumprimento da Cláusula 11ª.............a apurar
16.4)pelo não cumprimento da Cláusula 17ª.............a apurar

17) Indenização por Danos Morais, conforme descrito


no item “XII”................................a apurar
18) Ressarcimento integral do autor no importe de 30%
sobre o total, conforme item “XIII”..........a apurar
19) Aplicação da correção monetária pelos índices dos
Preços ao Consumidor Amplo Especial (IPCA-E) do IBGE.

20) Condenação solidária entre a 1ª e 2ª reclamada,


em razão do grupo econômico.

21)Deferir a desconsideração da personalidade


jurídica já na fase de conhecimento, com a condenação
solidária do 3º reclamado, ou caso assim não entenda
V.Exa., seja este condenado de forma subsidiária,
conforme item II.

XVI – DOS REQUERIMENTOS:


Requer o Reclamante a concessão dos
benefícios da JUSTIÇA GRATUITA, por ser pessoa pobre na
acepção legal do termo, pois sua atual situação econômica
não lhe permite pagar as custas do processo sem prejuízo
do sustento próprio e de sua família, nos termos do art.
5º, LXXIV, CF, dos artigos 98 e 99 do NCPC, da Lei
1.060/50, do artigo 790 da CLT, da OJ 269 da SDI-1 do TST
e da súmula nº 05 do TRT da 2ª Região (doc.03).

Requer ainda, a aplicação da súmula 368


do TST quanto aos recolhimentos fiscais e
previdenciários, bem como da OJ 400 da SDI-I do TST e
súmula 19 do TRT da 2ª Região quanto a não incidência
de imposto de renda sobre os juros de mora.

Em face do exposto, pede e espera o


Reclamante, seja a presente ação julgada totalmente
procedente, condenando as Reclamadas no pagamento das
verbas pleiteadas, monetariamente atualizadas,
computados os juros de mora, além de custas e
despesas processuais.
Para tanto, requer se digne Vossa
Excelência, determinar a notificação das Reclamadas,
nos endereços declinados para que, querendo,
contestem a presente Reclamação, sob pena de sofrerem
os efeitos da revelia.
Finalmente, requer provar o alegado por
todos os meios em direito admitidos, especialmente
pelo depoimento pessoal dos representantes legais das
Reclamadas, sob pena de confissão, oitiva de
testemunhas, perícias e outros, se necessários.

XVII – DO VALOR DA CAUSA:

Atribui à causa, para efeito de custas e


alçada (súmula 71 do TST), o valor de R$ xxx.000,00
(xxxxxxx mil reais).

OBS: TODAS AS NOTIFICAÇÕES E INTIMAÇÕES DEVERÃO SER


FEITAS EXCLUSIVAMENTE EM NOME DO DR. xxxx, OAB/SP
xxx.xxx (SÚMULA 427 DO TST), COM ENDEREÇO NA RUA
NEWTON xxxx, 29, CENTRO, SÃO PAULO, SP, CEP: XXXXX-
370.

Nestes Termos,
Pede Deferimento.

São Paulo, 01 de fevereiro de 2017.

xxxxxxxxxxxxxxxxx
OAB/SP xxx.xxx