Você está na página 1de 22

See discussions, stats, and author profiles for this publication at: https://www.researchgate.

net/publication/319451285

AVALIAÇÃO DO SISTEMA DE COMBATE A INCÊNDIO POR EXTINTORES: estudo


em uma empresa de produtos de limpeza em São Luís -MA

Research · September 2017


DOI: 10.13140/RG.2.2.33308.80001

CITATIONS READS

0 63

1 author:

E.J.P. Miranda Jr.


Federal Institute of Maranhão, Brazil
62 PUBLICATIONS   56 CITATIONS   

SEE PROFILE

Some of the authors of this publication are also working on these related projects:

Influência da Adição de Resíduo de Borracha de Pneu no Coeficiente de Absorção Acústica do Concreto Leve Auto Adensável (CLAA) e
Construção de um Tubo de Impedância com Materiais Alternativos View project

Phononic Crystal and Elastic/Acoustic Metamaterial Modeling View project

All content following this page was uploaded by E.J.P. Miranda Jr. on 02 September 2017.

The user has requested enhancement of the downloaded file.


AVALIAÇÃO DO SISTEMA DE COMBATE A INCÊNDIO POR
EXTINTORES: estudo em uma empresa de produtos de limpeza em São Luís -
MA

Edson Jansen Pedrosa de Miranda Júnior1


Orientador: Msc. Gerisval Alves Pessoa2

RESUMO

A maioria das empresas e indústrias brasileiras possuem uma política de


redução de custos na área de segurança ao incêndio e muita das vezes não
atendem aos requisitos mínimos exigidos pela legislação. Este não
atendimento a legislação colabora para um dimensionamento incorreto do
sistema de combate a incêndio por extintores, consequentemente, maior a
probabilidade de um princípio de incêndio se propagar e não ser extinto. O
objetivo deste trabalho foi avaliar o sistema de combate a incêndio por
extintores da empresa Laboratório Jesus Ltda (referência no segmento de
produtos de limpeza na cidade de São Luís – MA) com base na Norma
Regulamentadora (NR) 23, Norma Brasileira (NBR) 12693 e nas determinações
do Código de Segurança Contra Incêndio e Pânico (COSCIP) do estado do
Maranhão (lei nº 6.546 e resolução nº 001). Através de visitas de campo, foi
feito o levantamento fotográfico de todos os extintores de incêndio do parque
fabril da empresa, nos seus respectivos setores, para analisar as
conformidades e desconformidades dos mesmos em relação às exigências da
legislação quanto à sinalização, localização, área máxima protegida por
unidade extintora e distância máxima a ser percorrida pelo trabalhador. Os
resultados mostraram um precário sistema de combate a incêndio por
extintores, em que todos os extintores analisados não atenderam às exigências
da legislação, sendo sugerido como solução um redimensionamento deste
sistema.

Palavras-chave: Combate a incêndio. Extintores. Empresa. Produtos de


limpeza. Dimensionamento.

1 INTRODUÇÃO

O Brasil é um país em que a maioria das empresas não possuem


uma política prevencionista no que tange a segurança e combate a incêndios.

1
Graduado em Engenharia Mecânica Industrial pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia
do Maranhão – IFMA. Mestrando em Engenharia de Materiais pelo Instituto Federal de Educação,
Ciência e Tecnologia do Maranhão – IFMA. Aluno do Curso de Pós-Graduação em Engenharia de
Segurança do Trabalho da Faculdade Atenas Maranhense - FAMA. E-mail: edson.jansen@hotmail.com
2
Professor mestre em Gestão Empresarial. Responsável pela disciplina de Metodologia da Pesquisa da
Faculdade Atenas Maranhense – FAMA. E-mail: gerisval@terra.com.br

1
Isso ocorre principalmente pela falta de conscientização dos empregadores em
relação aos riscos de incêndio e explosão envolvidos em cada etapa do
processo industrial. Além disso, a fiscalização pelo corpo de bombeiros ainda é
insuficiente, se restringindo principalmente às grandes empresas.
Um dos equipamentos de combate a incêndio necessário em todo e
qualquer estabelecimento, quer seja comercial, escolar, industrial ou
residencial, é o extintor de incêndio. Atualmente, no Brasil, os extintores de
incêndio estão presentes nos mais variados segmentos da sociedade, como
por exemplo, nos veículos automotores, condomínios, edificações, empresas,
centros comerciais, escolas, etc.
Uma série de normas devem ser levadas em consideração para um
dimensionamento adequado do sistema de combate a incêndio por extintores.
As principais normas que devem ser levadas em consideração são: NR 23
(2001), NBR 12693 (1993) e as determinações do COSCIP (Código de
Segurança Contra Incêndio e Pânico). Para o estado do Maranhão, as
determinações do COSCIP são a lei nº 6.546 de 29 de dezembro de 1995 e
resolução nº 001 de 15 de setembro de 1997.
Por meio destas normas, uma série de exigências devem ser
atendidas para que se tenha um sistema de combate a incêndio por extintores
dimensionado corretamente. As principais exigências dizem respeito a
localização e disposição dos extintores, distância máxima a ser percorrida pelo
trabalhador, exercício de alerta do funcionário em situação de incêndio, número
de extintores e sinalização.
De acordo com a NR 23, todos os estabelecimentos, mesmo os
dotados de chuveiros automáticos, deverão ser providos de extintores
portáteis, a fim de combater o fogo em seu início. Tais aparelhos devem ser
apropriados a classe do incêndio a extinguir.
Com relação as empresas que trabalham com produtos de limpeza,
uma atenção especial atenção deve ser dada, pois determinadas substâncias,
dependendo da temperatura e da presença de uma fonte de calor externa,
podem dar origem a uma queima através da combustão dos gases liberados. A
facilidade com que ocorre esta queima, depende do ponto de fulgor, ponto de
combustão e ponto de ignição do material ou substância em questão.

2
Diante disso, esta pesquisa teve como objetivo avaliar o sistema de
combate a incêndio por extintores da empresa Laboratório Jesus Ltda
(referência no segmento de produtos de limpeza na cidade de São Luís – MA)
em relação as normas: NR 23, NBR 12693 e determinações do COSCIP do
estado do Maranhão (lei nº 6.546 e resolução nº 001).

2 REVISÃO DA LITERATURA

2.1 Incêndio

O fogo é um elemento que foi indispensável à sobrevivência e


desenvolvimento do homem primitivo, sendo o seu domínio uma ferramenta
determinante para que a evolução da humanidade. Entretanto, da mesma
maneira que o fogo se tornou uma fonte geradora de energia e
desenvolvimento industrial, quando utilizado de forma errônea se transforma
em um agente causador de incêndios, explosões e destruições, trazendo danos
tanto ao homem, quanto à natureza.
O incêndio é um risco iminente do uso do fogo, podendo ocorrer e se
propagar em qualquer estabelecimento, atingindo grande dimensão se não for
extinto no início. De acordo com Gonçalves (2007), para a ocorrência do
incêndio ou fogo é necessário a combinação adequada de três componentes
básicos: combustível, comburente e calor. A falta de qualquer um dos três inibi
a formação ou persistência do fogo.
A evolução do incêndio, na maioria das vezes, ocorre em diversos
estágios como pode-se observar na Figura 1.
A partir da Figura 1, pode-se observar no eixo das abscissas que o
aumento o tempo gera um aumento do perigo, uma vez que quanto mais tempo
se demorar para extinguir o incêndio, maior será a sua abragência.

3
Figura 1. Os quatro estágios da evolução de um incêndio.
Fonte: Seito et al. (2008).

Normalmente nos incêndios, com o crescimento de suas dimensões,


a taxa de energia liberada aumenta até um pico, como ilustra a Figura 2. Este
aumento da taxa de calor liberada aumenta em função dos seguintes fatores:
características do combustível, calor incidente e fornecimento de ar disponível.

Figura 2. Taxa de calor liberada em um incêndio em função do tempo.


Fonte: Madrzykowski (1996) apud Milke (2002).

4
O incêndio pode ser classificado em diversas classes, dependendo
do material combustível envolvido. Pode-se observar no Quadro 1, as
principais classes de incêndio e alguns exemplos.

Classe Tipo de Material Exemplo


A Materiais sólidos que queimam em superfície Madeira, papel,
e profundidade e deixam resíduos. tecido, papelão.
B Líquidos combustíveis e inflamáveis, Gasolina, álcool,
queimam somente na superfície e não deixam graxa.
resíduos.
C Equipamentos elétricos energizados. Motores, fios.
D Materiais pirofóricos – metais que queimam. Magnésio, titâncio.

Quadro 1. Classes do incêndio e alguns exemplos.


Fonte: Oliveira et al. (2011), COSCIP (lei nº 6.546), com modificações do autor.

Para cada classe de incêndio, existe um agente extintor específico


que extingui o fogo através, principalmente, de um dos três processos:
abafamento, reação química e resfriamento, como pode ser observado a partir
do Quadro 2.

Agente Extintor Classe de Incêndio Princípio de Extinção


Espuma mecânica AeB A*, R*
Dióxido de carbono (CO2) A (em início), B e C A, R
Pó químico seco ABC A, B e C A, RQ*, R
Pó químico seco BC BeC A, RQ
Água pressurizada A R
Compostos halogenados A, B e C A, R, RQ
* A = abafamento, RQ = reação química e R = Resfriamento.

Quadro 2. Relação entre agente extintor, classe de incêndio e princípio de


extinção.
Fonte: Sasaki (2007), Viola (2006), com modificações do autor.

5
2.2 Combate a Incêndio por Extintores

O surgimento dos extintores de incêndio se deu por volta do século


XV de forma bastante primitiva, sendo constituído por uma espécie de seringa
metálica provida de um cabo de madeira, sendo que esta seringa possuía
dimensões exageradas. Jacob Besson, no século XVI, inventou um extintor
que era constituído por um grande recipiente de ferro montado sobre-rodas,
provido de um enorme gargalo curvo para poder penetrar mais facilmente nas
aberturas dos edifícios em chamas (SEITO et al., 2008).
O protótipo do extintor de incêndio portátil, similar ao que é utilizado
hoje, foi criado pelo Capitão George Manby, por volta de 1816. O extintor
consistia em um recipiente cilíndrico de cobre, com capacidade de 13,6 litros e
continha no seu interior uma solução de carbonato de potássio (K 2CO2)
pressurizada com ar (VIOLA, 2006).
Os extintores de incêndio têm como principal função o combate a
princípios de incêndios, ou seja, quando o fogo ainda está na sua fase inicial e
os mesmos possuem agentes extintores específicos, que são as substâncias
contidas no seu interior.
Segundo a apostila do estágio probatório para oficiais do quadro de
saúde do Rio de Janeiro (Corpo de bombeiros, 2008), o êxito no emprego dos
aparelhos extintores de incêndio depende basicamente dos seguintes fatores:
aplicação correta do agente extintor para o tipo de combustível (sólido ou
líquido) e sua composição química; manutenção periódica adequada e
eficiente; bombeiro-militar com conhecimentos específicos de maneabilidade
do equipamento e técnicas de combate a incêndio.

2.3 Legislação

Em todas as empresas e locais de trabalho do Brasil só devem ser


utilizados extintores que obedeçam às normas brasileiras (NR 23, nomas da
ABNT) e os regulamentos técnicos do Instituto Nacional de Metrologia,
Normalização e Qualidade Industrial (INMETRO), garantindo assim um melhor
desempenho do equipamento e uma identificação de conformidade com as
exigências dos órgãos legais.

6
A NR 23, NBR 12693 e as determinações do COSCIP do estado do
Maranhão (lei nº 6.546) trazem uma série de exigências para o sistema de
combate a incêndio por extintores no estado do Maranhão, por exemplo, a
localização dos extintores, área máxima protegida por unidade extintora,
sinalização, distância máxima a ser percorrida pelo trabalhador, exercício de
combate ao fogo, entre outras. Essas normas acabam por se completar,
entretanto com relação a área máxima protegida por unidade extintora e
distância máxima a ser percorria pelo funcionário, elas divergem um pouco
entre si, como mostra a Tabela 1.

Tabela 1. Comparação entre as normas NR 23 e COSCIP em relação a área


máxima protegida por unidade extintora e distância máxima a ser percorrida de
acordo com o risco.
Fonte: NR 23 (2001), COSCIP (lei nº 6.546), com modificações do autor.
Risco NR 23 COSCIP - MA
Área Distância Área Distância
2 2
Pequeno 500 m 20 m 300 m 20 m
2 2
Médio 250 m 10 m 200 m 15 m
Grande 150 m2 10 m 150 m2 10 m

Vale ressaltar, que a NBR 12693 não está na tabela acima, pois a
mesma classifica a área máxima protegida por unidade extintora e a distância
máxima a ser percorria pelo funcionário de forma distinta para cada tipo de
classe de incêndio. Além disso, o conceito de unidade extintora para a NR 23 e
COSCIP está relacionado com a quantidade de extintores, e para a ABNT este
conceito está relacionado com a capacidade extintora do extintor.
Devido a essas divergências entre as normas, cabe ao engenheiro
de segurança do trabalho, optar pela norma que seja mais exigente, para que
se tenha um sistema de combate a incêndio por extintores mais eficiente e bem
dimensionado.

7
3 METODOLOGIA

3.1 Tipo de pesquisa

A pesquisa se caracterizou por um estudo de caso do tipo


quantitativo e exploratório, em que se verificou as conformidades e
desconformidades do sistema de combate a incêndio por extintores da
empresa Laboratório Jesus Ltda com as normas: NR 23, NBR 12693 e
determinações do COSCIP do estado do Maranhão (lei nº 6.546 e resolução nº
001).

3.2 Universo e amostra

Foram observados nos seus respectivos setores, todos os extintores


de incêndio do parque fabril da empresa Laboratório Jesus Ltda. Pode-se
observar no Apêndice A o layout do parque fabril da empresa com os extintores
de incêndio.

3.3 Coleta de dados

A coleta de dados foi feita através do levantamento fotográfico de


todos os extintores de incêndio do parque fabril da empresa, nos seus
respectivos setores, para que se fossem relatadas as conformidades e
desconformidades dos mesmos para com as normas NR 23, NBR 12693, lei nº
6.546 e resolução nº 001. Nos setores onde não havia a presença de
extintores, também foi avaliada a necessidade de novos extintores, conforme o
tipo de classe de incêndio e demais características específicas de cada setor.

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Após uma inspeção minunciosa de todos os extintores do parque


fabril da empresa, observou-se que nenhum possuía uma ficha técnica de
inspeção, uma das exigências da NR 23, e que todos possuíam o selo de
Marca de Conformidade do Instituto Nacional de Medidas (INMETRO), seja de

8
vistoria ou de inspecionado, respeitadas as datas de vigência, conforme
determinações do COSCIP e NR 23.
A Figura 3 mostra o primeiro extintor de incêndio observado no setor
de produção de desinfetante.

Figura 3. Extintor de pó químico seco BC de 6 kg, localizado no setor de


produção de desinfetante.

Foi observado, que o extintor de pó químico seco BC estava


cumprindo as exigências da legislação no que tange a sinalização exigida, que
são: ter sua parte superior a mais de 1,60 m acima do piso (NR 23, NBR
12693), ser fixado de maneira que nenhuma de suas partes fique acima de
1,80 m (COSCIP) do piso, a área de 1 m2 do piso localizada abaixo do extintor
será pintada em vermelho e, em hipótese alguma, poderá ser ocupada (NR 23
e COSCIP).
Outras exigências, quanto à sinalização e localização, também
foram cumpridas, quais sejam: facilidade de acesso ao extintor, fácil
visualização, pequena probabilidade do fogo bloquear seu acesso, identificação
do tipo de extintor por meio de uma placa acima do extintor. Com relação ao
estado de conservação do extintor, os lacres, manômetros (quando o extintor
for do tipo pressurizado), bico e válvulas de alívio (não entupidos)
encontravam-se em bom estado.
Como apresentado anteriormente na Tabela 1, em relação a área
máxima protegida por unidade extintora e distância máxima a ser percorrida
pelo funcionário não existe uma concordância entre as determinações do

9
COSCIP e da NR 23, consequentemente adotou-se o item de cada norma que
fosse mais exigente.
Levando-se em consideração que a empresa é classificada como
sendo de risco médio de acordo com Resolução nº 001 de 15 de setembro de
1997, uma vez que é considerada uma indústria de produtos incombustíveis, e
observando a Tabela 1, pode-se adotar a área máxima protegida por unidade
extintora de 200 m2 (COSCIP) e a distância máxima a ser percorrida pelo
trabalhador de 10 m (NR 23).
Constatou-se que este primeiro extintor atende facilmente ao setor
de produção de desinfetante, se estendendo também ao setor de expedição de
desinfetante (risco de incêndio classe A), sala do químico (risco de incêndio
classe A e C), sala de retém (risco de incêndio classe A) e laboratório (risco de
incêndio classe B e C).
As principais classes de incêndio presentes neste primeiro setor
analisado (setor de produção de desinfetante) foram as classes A e C, devido a
presença de uma máquina de envase e de materiais combustíveis sólidos,
principalmente as embalagens plásticas de desinfetante.
Os extintores de incêndio mais adequados para esta situação seria
um contendo CO2 de 6 kg e outro contendo água de 10 L, entretanto devido a
presença de um extintor de água no setor de expedição de desinfetante, torna-
se suficiente um extintor contendo CO2 de 6 kg, que seria o extintor mais
adequado para não danificar a máquina de envase. O extintor contendo pó
químico seco BC, extintor presente no setor, não é ideal para esta situação,
pois pode causar algum dano a máquina de envase.
O segundo extintor de incêndio analisado está ilustrado na Figura 4.
Pode-se observar a partir da Figura 4, a primeira desconformidade bastante
visível é no que tange ao bloqueio da área de 1 m 2 delimitada abaixo do
extintor. Em caso da ocorrência de um princípio de incêndio, qualquer
trabalhador que tente utilizar o extintor de incêndio, terá bastante dificuldade,
devido a armazenagem inadequada das caixas de desinfetante.

10
Figura 4. Extintor de água de 10 L, localizado no setor de expedição de
desinfetante.

Quanto à sinalização e estado de conservação do extintor, o mesmo


cumpriu todas as exigências legais das normas em questão. Quanto a área
máxima protegida e distância máxima a ser percorrida pelo trabalhador, o
extintor atende facilmente ao setor de expedição de desinfetante, se estendo
para outros setores: depósito de polietileno (risco de incêndio classe A), sala de
retém, sala do químico, laboratório, depósito de embalagens (risco de incêndio
classe A) e depósito de recolhido (risco de incêndio classe A).
Neste setor de expedição de desinfetante, o principal risco de
incêndio presente era da classe A, devido ao estoque de caixas de papelão,
contendo embalagens de desinfetante, logo este extintor foi corretamente
selecionado.
O terceiro extintor de incêndio analisado foi de pó químico seco BC,
capacidade 6 kg e estava localizado no depósito de embalagens, como pode-
se observar na Figura 5. A primeira desconformidade que pode-se observar no
terceiro extintor analisado é quanto à sinalização, uma vez que a área
delimitada de 1 m2 abaixo do extintor estava em condições inadequadas.
Outros critérios quanto à sinalização foram atendidos, como: altura, placa de
identificação e fácil visualização. É importante também ressaltar que o extintor
encontrava-se em estado de conservação satisfatório e em conformidade com
as normas.

11
Figura 5. Extintor de pó químico seco BC de 6 kg, localizado no depósito de
embalagens.

O extintor abrange todo o setor de depósito de embalagens quanto a


área máxima protegida e distância máxima a ser percorrida pelo trabalhador, se
estendendo para outros setores também: sala de retém, sala do químico,
laboratório e depósito de recolhido.
A principal classe de incêndio presente neste setor, como dito
anteriormente era a classe A, uma vez que neste setor encontrava-se um
acúmulo elevado de embalagens plásticas, logo o extintor de pó químico seco
BC, localizado neste setor, foi locado incorretamente. Entretanto, o extintor de
água do setor de expedição de desinfetante se estende até este setor, não
havendo necessidade de um extintor específico para o mesmo.
O quarto extintor de incêndio analisado estava localizado no setor de
produção de embalagens plásticas, como está ilustrado na Figura 6.
Quanto à sinalização, observou-se uma pequena obstrução da área
de 1 m2 abaixo do extintor e a necessidade de remarcar esta área. Outros itens
com relação a sinalização foram respeitados, como: fácil visualização, placa de
identificação, altura. O estado de conservação do extintor também estava
adequado.

12
Figura 6. Extintor de pó químico seco BC de 6 kg, localizado no setor de
produção de embalagens plásticas.

O extintor abrange todo o setor de produção de embalagens em


relação a área máxima protegida e distância máxima a ser percorrida pelo
trabalhador, se estendendo para outros setores, como: sala dos compressores
(risco de incêndio classe C), almoxarifado (risco de incêndio classe A), depósito
dos carros (risco de incêndio classe A), oficina mecânica (risco de incêndio
classe B e C), depósito de embalagens e depósito de recolhido.
Neste setor, as principais classes de incêndio presentes eram A e C,
pois este setor continha máquinas para fabricação das embalagens e acúmulo
de embalagens plásticas, que seriam posteriormente armazenadas nos carros
(de madeira) para serem envasadas, rotuladas e serigrafadas.
Consequentemente, o extintor de incêndio de pó químico seco BC
presente neste setor não atende completamente aos riscos de incêndio classe
A e C, podendo ainda danificar as máquinas e equipamentos. O mais correto
seria um extintor de água de 10 L e um de CO 2 de 6 kg para este setor de
produção, que se estenderia também para os demais setores citados
anteriormente.
O quinto extintor de incêndio estava ausente do almoxarifado no
momento da inspeção, como mostra a figura abaixo.

13
Figura 7. Ausência do extintor de pó químico seco BC de 6 kg no almoxarifado.

De acordo com a direção da empresa, o extintor havia sido retirado


para recarregar. O procedimento correto, seria a substituição temporária por
um outro extintor de mesmo agente extintor e mesma capacidade. Em relação
a sinalização, verificou-se a necessidade de remarcar a área delimitada abaixo
do extintor. Outros itens com relação a sinalização foram respeitados. O estado
de conservação do extintor não pôde ser avaliado.
A principal classe de incêndio presente neste setor, como dito
anteriormente é a classe A, uma vez que neste setor encontrava-se um
acúmulo de polietileno (matéria-prima para a fabricação das embalagens
plásticas), assim como no depósito de polietileno citado anteriormente, logo o
extintor de pó químico seco BC, localizado neste setor, foi locado
incorretamente. O extintor de água de 10 L que deveria ser colacado no setor
de produção de embalagens já atenderia também a este setor, não havendo
necessidade de um extintor específico para o mesmo.
O sexto extintor de incêndio estava localizado no setor de depósitos
dos carros, como mostra a Figura 8. Observa-se por meio desta figura, que a
área abaixo do extintor está totalmente obstruída, inviabilizando a utilização do
extintor. Em relação a sinalização e estado de conservação, o extintor atende a
todos os requisitos das normas.

14
Figura 8. Extintor de pó químico seco BC de 6 kg, localizado no setor de
depósito de carros.

A principal classe de incêndio presente neste setor é a classe A, uma


vez que neste setor encontra-se um acúmulo de embalagens plásticas e carros
de madeira, logo o extintor de CO2 foi locado incorretamente. O extintor de
água de 10 L que deveria ser locado no setor de produção de embalagens já
atenderia também a este setor, não havendo necessidade de um extintor
específico para o mesmo.
O sétimo extintor de incêndio estava localizado no setor de
rotulagem, como mostra a Figura 9.

Figura 9. Extintor de pó químico seco BC de 6 kg, localizado no setor de


rotulagem.

15
Observa-se na Figura 9, inúmeros erros quanto a sinalização,
primeiramente a altura do extintor está abaixo da exigida pelas normas, além
disso, o extintor não possui placa de identificação e sua área delimitada inferior
de 1m2 está obstruída, dificultanto o acesso ao extintor.
O extintor também não encontrava-se bem localizado, pois estava
atrás de uma máquina de rotulagem das embalagens plásticas. As principais
classes de incêndio presentes neste setor são as classes A e C, uma vez que
neste setor encontrava-se um acúmulo de embalagens plásticas, rótulos,
alguns carros de madeira e duas máquinas de rotulagem, logo o extintor de pó
químico seco BC foi locado incorretamente. O extintor de água de 10 L e de
CO2 que deveriam ser colacado no setor de produção de embalagens já
atenderiam também a este setor, não havendo necessidade de um extintor
específico.

4 CONCLUSÃO

No Brasil, cada estado possui sua própria legislação referente ao


dimensionamento de sistema de combate a incêndio por extintores e na
maioria das vezes, essa legislação entra em conflito com a NR 23 e com as
normas da ABNT. Consequentemente, essas divergências acabam por
dificultar a elaboração de um projeto de combate a incêndio por extintores
adequado por parte das empresas.
Além disso, a falta de fiscalização do governo e de interesse das
empresas em investir na área de segurança do trabalho, mais especificamente
na área de proteção contra incêndios, colaboram para que se tenha cada vez
mais casos de incêndios e explosões.
Através dos resultados obtidos neste estudo de caso, pode-se
afirmar que a empresa em questão, possui um sistema defasado de combate a
incêndio por extintores, desrespeitando algumas das exigências das normas
NR 23, NBR 12693 e determinações do COSCIP do estado do Maranhão (lei nº
6.546 e resolução nº 001), principalmente no que tange a sinalização e
localização. Sendo que todos os extintores analisados não possuíam ficha
técnica de inspeção e não eram fiscalizados periodicamente.

16
Após a análise dos sete extintores, pode-se concluir que três
necessitam ter suas áreas de 1 m2, abaixo de cada extintor, remarcadas, um
não estava presente durante a inspeção, quatro estavam com suas áreas
bloqueadas e um não possuía placa de identificação e estava abaixo da altura
permitida.
Além destas desconformidades, a maioria dos extintores não estava
bem distribuída ao longo da empresa. A partir destes resultados negativos,
percebeu-se a necessidade de elaborar um novo projeto de combate a incêndio
por extintores, sendo sugerido um redimensionamento conforme o layout do
Apêndice B.
.
ABSTRACT

The majority of the brasilian companies and industries have a reduction politic
of costs in fire security area and much of the times don’t attend to the minimum
requirements required by legislation. This nonattendance to legislation
contribute for a incorrect dimensionation of the fire combat system with
extinguisheres, consequently, bigger the probability of a principle of fire
propagates and doesn’t be extinct. The objective of this work was evaluate the
fire combat system with extinguishers of the Laboratório Jesus Ltda (reference
in the segment of cleaning products in the city of São Luís – MA) based in
Regulatory Norm (NR) 23, Brasilian Norm (NBR) 12693 and in determinations
of the Safety Code Against Fire and Panic (COSCIP) at Maranhão state (law n°
6.546 and resolution n° 001). Through field visits, a photographic survey of all
fire extinguishers of the park manufacter of the company was made, in its
respective sectors, to analyze the conformities and disconformities of the fire
extinguishers in relation to the requirements of the legislation as for the
signalling, localization, maximum area protected by extintora unit and maximum
distance to be covered by the worker. The results had shown a precarious
system of combat the fire with extinguishers, where all the extinguishers
analyzed had not attended to the requirements of the legislation, being
suggested as solution a redimensionation of this system.

Keywords: Fire combat. Extinguisheres. Company. Cleaning products.


Dimensionation.

17
REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 12693: Sistemas


de proteção por extintores de incêndio. Rio de Janeiro: 1993.

BRASIL. Corpo de bombeiros. Prevenção e Combate a Incêndio. Apostila do


Estágio Probatório para Oficiais do Quadro de Saúde (EPOQS). Rio de Janeiro:
2008.

BRASIL. COSCIP. CÓDIGO DE SEGURANÇA CONTRA INCÊNDIO E


PÂNICO. Lei n°. 6546, de 29 de dezembro de 1995, complementada pela
Resolução n°. 001, de 15 de setembro de 1997, do Comandante Geral do
Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Maranhão, Maranhão: COSCIP,
1997.

GONÇALVES, E. A. Manual de segurança e saúde no trabalho. 3 ed. São


Paulo: LTr, 2007.

MILKE, J.; KODUR, V.; MARION, C. Overview of fire protection in buildings.


In: MACALLISTER, T. (Ed.). World Trade Center Building Performance Study:
Data Collection, Preliminary Observations, and Recommendations. New York:
FEMA–&O–ASCE, 2002.

NORMA REGULAMENTADORA. NR 23: Proteção contra incêndios. 2001.

OLIVEIRA, C. A. D.; SCALDELAI, A. V.; MILANELI, E.; OLIVEIRA; J. B. C.;


BOLOGNESI, P. R. Manual prático de saúde e segurança do trabalho. 1 ed.
3 imp. São Paulo: Yendis, 2011.

SASAKI, L. H. Educação para segurança do trabalho. 1 ed. São Paulo:


Corpus, 2007.

SEITO, A. I.; GILL, A. A.; PANONI, F. D.; ONO, R.; SILVA, S. B.; CARLO, U.
D.; SILVA; V. P. A segurança contra incêndio no Brasil. 1 ed. São Paulo:
Projeto Editora, 2008.

VIOLA, E. D. M. Uma visão crítica da certificação de extintores de incêndio


portáteis. 2006. Dissertação de Mestrado (Mestrado em Engenharia de
Produção) – Escola de Engenharia da UFF, Universidade Federal Fluminense,
Niterói, 2006.

18
APÊNDICE

19
Apêndice A. Layout do parque fabril da empresa com os extintores de
incêndio.

Legenda:

1 = Extintor de CO2 de 6 kg

2 = Extintor de água de 10 L

3 = Extintor de pó químico
BC de 6 kg

20
Apêndice B. Layout do parque fabril da empresa com o sistema de combate a
incêndios por extintores redimensionado.

Legenda:

1 = Extintor de CO2 de 6 kg

2 = Extintor de água de 10 L

3 = Extintor de pó químico BC
de 6 kg

21

View publication stats