História da Política Exterior do Brasil

(Amado Cervo e Clodoaldo Bueno) Capítulo 1 – 1822-1889 1. Política Externa à Época da Independência A soberania não foi efeito abrupto da declaração de independência. Quatro variáveis condicionaram a elaboração e execução da política externa brasileira no período inicial: 1) O jogo de forças que compunham o sistema internacional no período. Após o Congresso de Viena, em 1815, as alianças de retorno ao absolutismo – Santa Aliança e Quádrupla Aliança – e o concerto europeu – hegemonia coletiva que propiciou paz duradoura no continente – serviram ao interesse do capitalismo industrial. O endurecimento da mão estatal serviu-se a reprimir movimentos sociais derivados da acumulação capitalista, a paz permitiu os desenvolvimentos locais. Inglaterra, à frente no processo de industrialização, via nas Américas livres possibilidade de, primeiro, furar o bloqueio continental napoleônico. Depois, a possibilidade de expandir o comércio exterior sem intermediação das colônias. Em contrapeso, havia o legitimismo monarquista, defendido, sobretudo, pela Rússia czarista e cujo exército, sob o estandarte da Santa Aliança, fora bemsucedido em intervenções na Espanha e Nápoles. A influência da aliança, no entanto, não alcançava as Américas. O sistema internacional, assim, determinado pela evolução material e ideológica e pela liderança inglesa, era favorável aos ideais americanos e por si só impediria o retorno ao colonialismo clássico pretendido pelas nações conservadoras. 2) A inserção do continente americano no sistema. Os EUA, cuja política externa no tocante às independências no continente se orientava para a fixação de uma área de influência e de desafio ao poderio inglês, ofereciam ao mesmo tempo um paradigma da ex-colônia e apoio político. A mensagem do presidente Monroe, mais tarde justificativa para políticas intervencionistas, veio em primeiro momento reconhecer e sustentar as independências. Por outro lado, as Américas tornaram-se área de disputa internacional dentro do crescente sistema capitalista. 3) A herança colonial brasileira. Na transição de colônia para Estado independente, a política externa constituía um instrumento apto a transformar as condições de vida material dos povos. Os EUA souberam preservar, nos embates exteriores, os interesses sócio-econômicos e políticos, tirando proveito da favorável conjuntura. No outro extremo, Brasil e Colômbia cederam mais que o necessário e criaram, por meio de tratados com as potências, condições de dominação que se perpetuaram. A esse respeito, conforme algumas análises, pesa a influência política das elites herdadas da colônia nos processos de decisão: o Estado brasileiro, cooptado por grandes comerciantes de exportação e por grandes latifundiários, manteve a antiga fórmula: manter a pauta primária de exportação e importar produtos industrializados.

a manutenção do abastecimento de mão-de-obra para a economia agrícola. sua submissão à potência inglesa. o rompimento foi uma decisão política sem apoio externo nem entravas de uma coligação. Espanha e França em 1823 e conferências da Quádrulpa Aliança. . Além disso. . conclui-se que o reconhecimento a ser obtido a qualquer preço foi um grave erro de cálculo político. Foi a principal meta e paralisou decisões até a década de 1840.Para atacar: Conversas entre Portugal. luta pelo reconhecimento da nacionalidade e concessões aos estrangeiros. em 1822. a inglesa e a ocidental. O enquadramento brasileiro no sistema internacional do capitalismo industrial como dependente A política internacional à época da independência produziu as situações de dependência e dominação entre o Brasil e as potências. A Aliança histórica que permitiu a ingerência inglesa sobre Portugal foi herdada pelo país. Confronto entre interesse nacional e interesses externos. por outro. Marquês de Paranaguá – Secretaria de Negócios Exteriores. e obter empréstimos para saldar dívidas de guerra. Pressões externas e metas nacionais José Bonifácio de Andrada e Silva – Negócios Estrangeiros. pelo lado brasileiro. Silvestre Rebelo. Entre 1822 e 1828 – rompimento político. guerras de independência.Outras preocupações: 1) Nas Américas: defesa da monarquia constitucional perante o republicanismo no continente e da unidade nacional nas escaramuças de fronteira. no entanto.Dado o quadro político da época. foi negociar apoio estadunidense. opondo-se à proibição inglesa ao tráfico de escravos. e tomando medidas de imigração livre. por um lado. foi a Buenos Aires negociar apoio Argentino. cedeu a outras nações o poder de barganha nas relações internacionais. . de lado algum. Mas havia outras preocupações na política externa. Houve três fases para a integração brasileira ao sistema internacional: a portuguesa. sobretudo ao sul. proteger a navegação e os comércios interno e externo do país dos domínios português e inglês. Portanto. onde estavam em jogo o fornecimento do charque ao mercado brasileiro e o controle das vias fluviais da bacia do Prata. jurídico e econômico com Portugal. 1822. ao definir os papéis dentro do sistema capitalista internacional. Articulações internacionais para defender ou atacar a independência nunca passaram das fases de negociação.4) O enquadramento luso-brasileiro no sistema. em 1824. 1823. . 2) Na Europa: abrir mercados aos produtos brasileiros. . que elas não teriam de outra forma. e as pretensões argentinas e os movimentos nacionais internos da banda oriental. = Não houve. O Estado teve importância preponderante nas decisões do período. tomada de armas para sustentar acordos.Para defender a independência: Correa da Câmara.

além disso. Houve três momentos nas negociações: 1822 e 24.1) A portuguesa. 3) A ampliação do sistema. Em 1825. O rompimento com Portugal foi feito em três dimensões – políticojurídica. . criando o esboço de um estado nacional. a promessa de que o Brasil não se envolveria politicamente com as colônias africanas e o pagamento de 2 milhões de esterlinos. Anistiaram antigos opositores. José Bonifácio e dom Pedro tomaram medidas no sentido de reafirmar sua autonomia e rejeitar a autoridade portuguesa. militar e diplomática – e aconteceu em duas fases: uma nacionalista e outra contra-revolucionária. abrindo-se o Brasil para a concorrência industrial. Eram eles: o comércio favorecido. b) As guerras de independência. independentemente da procedência. 2) A Inglaterra. Era a universalização dos tratados desiguais. pois o projeto de supremacia também não se alterara. a manutenção da monarquia na América do Sul. Conduzidas por Caldeira Brant. em Londres. entre outros. A aproximação da Europa fazia emergir os aspectos mais retrógrados da formação nacional. tratou-se de uma mediação inglesa ao conflito gerado pelos interesses portugueses de restaurar a colônia e a independência brasileira. Essa dualidade correspondia à própria natureza do Estado: uma monarquia constitucional e liberal exercida com autoritarismo e assentada sobre o modo de produção escravista. a Inglaterra conseguiu. c) A diplomacia. Em 1824. um chamado à integração ideológica e à cooperação econômica em bases igualitárias. Até 1828. A posição da Inglaterra: a manutenção dos Bragança no trono brasileiro. George Canning enviou representação ao Rio para garantir a vigência do acordo até novo tratado e uma resolução do problema. a reciprocidade fictícia e privilégios para os súditos. Constituídas mais de demonstrações de força que de conflitos. empreendidas entre 1822 e 1823. em que o Parlamento estabeleceu a igualização dos direitos de todos os produtos importados. liberal e constitucional. Uma das primeiras medidas contra esse sistema de privilégios foi a lei de 24 de setembro de 1828. Em 29 de agosto de 1825. As tentativas de aproximação da América levava no bojo ideais do sistema americano.A diplomacia brasileira atuava em duas frentes que comportavam uma dualidade política. as negociações de 1822 não chegaram a termo pela imposição inglesa quanto ao fim do tráfico de escravos. patrocinada pelos ingleses). o governo firmou acordos cedendo benefícios comerciais às principais potências. a) Desde o início de 1822. instituíram um conselho dos procuradores-gerais das províncias e a Constituinte. mas sacrificando-se os instrumentos internos de defesa. o reconhecimento português à independência. Novo impasse. diante da perspectiva de ver expirar o acordo comercial que beneficiava a Inglaterra. Foram financiadas com recursos internos. Os planos da potência industrial para o Brasil não se alteraram desde 1808 (a vinda dos Bragança. salvo o de mercenários estrangeiros. . expulsaram funcionários portugueses em cargos no Brasil. o fim da escravidão. sem apoio direto externo. e 1825 no Rio de Janeiro.

de constituir um império americano. que não chegou a tempo. O Brasil chegou a enviar representante. Houve três tipos de americanismo. Os planos de Dom João. e estadunidense e pelos movimentos internos argentinos e uruguaios. à Grã-Bretanha. tocou a guerra também no terreno diplomático. as relações BrasilEUA. tratou-se de iniciativas práticas em 1822-23 e 1828. obstado pelas oposições européia. sem as presenças de Brasil. enviando missões a Bolíviar. Mas. cujo governo insistia em manter uma neutralidade. apregoado por Simon Bolívar. desenvolveu-se o germe da nacionalidade uruguaia. 4) A relação com os EUA. limitou-se a incluir em 1821 a província Cisplatina. recorreram então à mediação britânica. de não intervir em questões européias e não permitir que as colônias americanas já livres fossem re-colonizadas. Buenos Aires decretou a incorporação da Cisplatina. Mais tarde. e a Grã-Colômbia de Bolívar rivalizava com a Grã-Argentina. que unificasse a conduta externa e garantisse o entendimento das nações americanas. a utilidade paraguaia e os primeiros contatos com outras nações hispano-americanas. havia o desejo de integração para a defesa da independência. As duas zonas de pressão consistiam nas relações com a Europa e na região do Prata. manter neutralidade . Buenos Aires. a partir de 1808. em resposta a uma declaração de independência uruguaia (congresso da Flórida). Os espaços periféricos: o americanismo. O monroísmo limitava-se a um conjunto de intenções. incluíam a anexação de Buenos Aires e Montevideo. mas tiveram menos importância nas relações interamericanas de fato. a possibilidade africana. articulou-se o Congresso do Panamá (1826) que naufragou. eram coerentes quanto às coordenadas de uma política externa que pouco se alterou no período: não se envolver nos conflitos entre colônias e metrópoles. Em meio ao conflito entre os dois grandes latinoamericanos. já desgastados. A paz de 27 de agosto de 1828 obrigava Brasil e Argentina a reconhecerem a independência uruguaia e assegurava a livre navegação do Prata e de seus afluentes para os súditos das partes. 3) O bolivarismo e a doutrina Monroe (monroísmo) tiveram um ponto em comum: a percepção das Américas como esfera jovem e moderna e da Europa como espaço retrógrado. Primeiro. sob José Bonifácio. 2) O americanismo é um grupo de movimentos distintos que agitaram o universo sóciopolítico. Para isso. baseada no compartilhamento de um sistema americano de instituições liberais. à época das independências. Os estadistas norte-americanos. Dom Pedro reagiu com a declaração da Guerra e com o bloqueio naval. aos EUA. embora divergissem. pouco mencionado. que não conseguiu aliciar. Argentina e EUA. defendia a integração americana e a construção de um sistema jurídico supra-nacional. aconteceu a reação parlamentar contra o sistema de vinculações européias baseadas nos tratados desiguais. Em 1825 a situação regional se agravou. 1) Os conflitos platinos. Tratava-se de postura afinada aos interesses ingleses. O bolivarismo.O espaço das relações periféricas A política externa brasileira dos primeiros tempos se balizava entre duas zonas de pressão e algumas aberturas periféricas. a quem não interessavam guerras no continente. O brasileiro. Os países.

ao contrário. O comércio bilateral era intenso. mas vigorosa. sobretudo no plano dos discursos políticos. quando não inexistentes. buscar facilidades comerciais que neutralizassem privilégios britânicos. Administrando o imobilismo O período de 1828 a 1844 envolve uma contradição fundamental. em 1825. Os interesses unilaterais das nações mais desenvolvidas prevaleceram devido à eleição de uma meta nacional de natureza política – o reconhecimento – que não era um contrapeso às metas econômicas estabelecidas de fora. o Peru e o Chile. A administrar a dependência. Chegou a haver alvoroço ano continente. as relações se reduziram a contatos. Em suma. o Estado pôde fechar-se e não ser enquadrado no Sistema internacional. Por um lado.em guerras de independência. após a sublevação brasileira. As colônias portuguesas na África à época da independência estavam mais ligadas ao Brasil que a Portugal. Sem política de reconhecimento. Navegação e Comércio foi firmado em 1828. cujo prestígio declinara depois dos tratados desiguais. A abertura dos portos em 1808 foi o início do interesse estadunidense pelo Brasil. A função estratégica de manter-se o Paraguai independente da Argentina foi percebida desde 1822 por Correa da Câmara. limitando-se a vigiar. atraindo para si . 2. dissuadir a reconquista européia. Essa reação preparou a base da autonomia externa inaugurada em 1844. 5) A África. em que o Brasil comprometeu-se a não interferir na África. o número de navios americanos só perdia para o de ingleses e portugueses. No decorrer dos anos. sociais e humanos. Dom Pedro. Ainda que não tenha havido estreitamento político entre as nações. Em 1816. no entanto. as relações originais entre Brasil e Paraguai não correspondiam a uma política de boa-vizinhança. mas não foram consentidas pelas elites representadas no Parlamento. bem como os laços culturais. Um balanço negativo e pedagógico: interpretações disponíveis As decisões políticas que regularam as relações externas por meio do sistema de tratados viabilizou a submissão ao esquema de desenvolvimento capitalista desigual. As boas disposições recíprocas tiveram início na efetividade dos contatos com a Grã-Colômbia. porque eram. o reconhecimento deu-se em 1824 e o tratado de Amizade. 6) O Paraguai. Após a assinatura do acordo mediado pela Inglaterra. Por outro lado. também não houve conflito. de seu envolvimento na sucessão do trono português e de se mostrar dissociado do Brasil. houve distanciamento e esforço português para readaptar a colônia africana. a política externa se movia pelas regras do jogo. As explicações devem ser procuradas em outras instâncias. ditadas por interesses estratégicos e concretos. que em 1825 foi o primeiro representante estrangeiro oficialmente recebido em Assunção. foi o tempo em que ocorreu uma reação lenta. aberto em 1826. 7) Com os outros países do Continente as relações eram precárias.

visto o re-ordenamento interno que se processava. . Lei de Terras e a reforma da Guarda Nacional. o Brasil ficou em posição desfavorável. renunciou em 1831.1842: primeiro regulamento da Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros. . . sobretudo no Parlamento. . com impulsos de forças liberais e de forças conservadoras. O retraimento internacional era conseqüência de iniciativas mal conduzidas. . que define a competência dos regentes. mas permanece no Parlamento por tempo suficiente para que o sistema original fosse destruido.Com os EUA – exportações eram mais que o dobro das importações.1834: primeiro regimento consular e das legações. da política externa. em 1841.Os conservadores – defendiam a manutenção da ordem e a autoridade do poder central – fundaram o Partido Conservador.Com a Inglaterra – 48% das importações provinham de lá. . sob o comando de Bernardo Pereira de Vasconcelos. O jogo das regras Desde os acordos de independência até 1844.Primeiro passo: Parlamento estabelece mais controle sobre a política externa a) lei de 15 de dezembro de 1830. . Depois da maioridade de Dom Pedro II. .Centralização e fortalecimento do Estado nacional: interpretação do Ato Adicional. essa atribuição passa ao Conselho de Estado.Em termos de política externa – evolução institucional não adveio do embate entre os partidos. que estabelece o Relatório da Repartição de Negócios Estrangeiros. Erradicação das revoltas regionais (1848-49). à participação de americanos e portugueses no comércio e na abstenção do governo brasileiro em tomar providência enérgica contra a prática. mas mantido devido à opinião pública ser favorável. As ações eram esmiuçadas no momento de votar os gastos.grande oposição. Tratados passam pela aprovação da Assembléia antes da ratificação. Em dois terrenos a diplomacia do Brasil enfrentou a prepotência das nações desenvolvidas: a) No conflito com a Inglaterra quanto ao tráfico de escravos. mas do fortalecimento do Estado nacional. que tinha suas receitas diminuídas devido às baixas tarifas.Influências liberais no quadro institucional: a criação da Guarda Nacional em 1831. que se verificará até o fim do império. Instalou-se um regime de gabinete que prevaleceria até o fim do império. proclamação da maioridade de Dom Pedro II em 1840. O déficit do comércio contribuía para o do Tesouro. que chegou ao poder em 1837. O documento instruía o debate sobre o orçamento do órgão. pelo Parlamento. . . do Código Criminal em 1832 e na reforma Constitucional de 1834. A regência que se seguiu foi um período de amadurecimento institucional. proibido em 1830 nos termos da convenção de 1826. Era também aconselhável. . quando os direitos alfandegários eram a maior fonte de receita. a restauração do Conselho de Estado e a reforma do Código de Processo Criminal. b) lei de 14 de junho de 1831. e com isso se estabelecem mecanismos de pressão e controle.O liberalismo não foi favorável ao comércio exterior brasileiro. apenas 28% das exportações iam para lá.

no período. estabeleceu consenso em torno da política externa e despertou o desejo pela autogestão nesses assuntos. pacificar o Rio Grande do Sul. Parâmetros: a) A decisão de controlar a política comercial – que gerou o debate quanto a proteger a produção interna ou abrir o país ao liberalismo internacional. população e política externa A ruptura dos anos 1840 e a nova política externa Com o fim do sistema de tratados. o Brasil estabeleceu suas metas de urgência em relação à região: concluir o tratado definitivo de paz. prevalecendo pedidos de indenização relativos às presas feitas na época do bloqueio do Prata. com o fechamento dos rios. em 1842. até que o país passou a negar alguns dos pedidos por improcedentes e designou ao Conselho de Estado. a posição brasileira em relação à região platina foi de neutralidade. reconhecidos pelo Parlamento. em 1844 e até 1876. Um dos maiores inconvenientes. assegurar a livre navegação e o comércio com a Argentina. A reação no discurso Nessa fase. que devia expirar em novembro. A partir de 1835. a tarefa de decidir sobre o assunto. e em 1842. Ele promoveu uma nova leitura do interesse nacional. em 1828. As lições que ficavam: era preciso resistir à prepotência das nações fortes e sobretudo não compactuar com elas. Economia. Entre a independência do Uruguai. Em suma. o discurso flui livremente. governador de Buenos Aires. de comércio e navegação. estabeleceu um protecionismo rigoroso e o monopólio sobre o interior. Preparava-se o terreno para as conquistas da fase posterior: a destruição do sistema de tratados desiguais. de definir uma política externa de comércio que preservasse a autonomia do tesouro e pudesse influir no sistema produtivo interno. Várias nações reclamaram e receberam. do sistema original do primeiro reinado. o discurso político reivindicava a ruptura com o sistema estabelecido desde a época da independência em função de diretrizes distintas. e 1843. . um período caracterizado pelo rompimento com a fase anterior e pelo robustecimento da vontade nacional. restava em vigor apenas o tratado inglês. foi a impossibilidade. mas foi prorrogado por dois anos depois da pressão inglesa. Ao longo da década de 30 os tratados foram derrubados. inaugurou-se. definir os limites do Uruguai. Essa nova política orientou-se por quatro grandes parâmetros e uma estratégia. quando Rosas. o fim da influência externa direta sobre o processo decisório. restabeleceu a unidade do Estado cindido ante à política externa desde as concessões à Independência. 3. fim dos privilégios a súditos estrangeiros. autonomia alfandegária.b) Reclamações diversas. previsto em 1828.

Que ao dominar a porção norte do continente expandiu-se para a América Central e chegou a cobiçar a Amazônia. Que pressionava para tratados de abertura das economias mais frágeis. d) As relações do Brasil com a Argentina de Rosas. força e vontade. houve a conciliação de partidos antagônicos (cujas diferenças ideológicas eram pequenas e. Para realizar as missões. o conservadorismo político predominou. era voltado para ações e movido pela força de vontade. Os dois grupos pouco divergiam e muito se articulavam.b) A decisão de equacionar o fornecimento de mão-de-obra. O Estado não era um produto da Nação. havia uma quase-unanimidade). que levaram. b) A penetração do ocidente na Ásia. políticos e de segurança. Havia dois tipos gerais de concepções de política externa. e manteve-se o enquadramento dependente no sistema capitalista. com interesses econômicos. com autonomia. A estratégia foi o uso intenso da diplomacia. voltado para a negociação e o superdimensionamento da diplomacia. Que instituiu na China. pelo fim do tráfico escravista e estímulo às imigrações. O embate entre o protecionismo e o liberalismo produziu oscilações na condução da política. O segundo. c) O expansionismo norte-americano. c) Sustentar as posses territoriais. por um lado. para a política externa. e em áreas onde houvesse possibilidade de vitória – para conduzir as tensões entre a vontade de resistir a toda forma de ingerência externa e as pressões dos interesses externos. Algumas características do período eram condições ideais para a definição e sustentação das diretrizes externas: as instituições eram estáveis. diante de questões internacionais. 1851. maximizando os ganhos nacionais e evitando a toda custa conflitos armados – salvo em última instância. mas pairava sobre ela. d) Presença decisiva no subsistema do Prata. é a constatação da sua coesão. Indochina e Japão uma dominação ainda mais predatória que a sofrida pela América. mais realista. 1852. O Ministério de Negócios Estrangeiros adaptou-se e. ao processo de modernização desencadeado nos anos 1850. com sucessivas reformas (1847. O importante. O primeiro era contrário à ação pela força. Quatro fatos eram variáveis importantes na política exterior da época: a) O liberalismo econômico. expansionista. Que. Os mesmos nomes perpetuavam-se nos quadros institucionais. O imperador não tinha autonomia para conduzir pessoalmente a política externa. consistia o único obstáculo Latino-Americano. Por outro lado. movendo-se pela hierarquia e pelos órgãos. o Brasil contava com um corpo permanente e missões especiais. regulamentar em definitivo as fronteiras nacionais e defender a Amazônia. o processo de elaboração da política externa passou a envolver o conjunto das instituições. acabou prevalecendo o liberalismo radical nas relações econômicas. As relações econômicas com o exterior: dúvidas de opção Propostas fundamentais do projeto de 1844: . 1859). obteve normas adequadas e quadros qualificados.

antes. e as elites políticas alienaram-se em ideologias desviantes. Por quê? Para cobrir os déficits. A força propulsora era o café. resultante do trauma com os tratados da independência. apesar de se colocarem do lado dos interesses agrícolas. que desestimulava a expansão e diversificação dos empreendimentos. e o pensamento industrialista. A proteção ao trabalho nacional. o projeto de alavancar o Brasil a potência econômica definhou. O fracasso do projeto de 1844 deu-se não por pressões internas . Foi lenta e contínua. Com o tempo. como a ocorrida no Japão a partir de 1868. entretanto. o ensaio de uma autonomia política. economicamente hegemônicos. As atitudes liberais. A origem projeto não tem explicação na demanda sócio-econômica. a imigração e a formação de novos centros urbanos. A modernização brasileira. A explicação tem. O quadro reverte-se e o saldo é positivo nas últimas três décadas do império. c) Estabelecer os princípios da reciprocidade real nas relações comerciais. desviou-se do caminho do mercado e tomou a forma de subsídios às unidades de produção – a fábrica. a companhia. Em suma. não uma revolução. ainda assim. os ingleses responderam à concorrência internacional e tornaram-se agentes da modernização. o quadro no comércio exterior era favorável ao modelo conservador e escravocrata. teve início nessa época. Debates protecionistas: política alfandegária não teve constância. chegaram a 40 milhões de esterlinos. com a queda da indústria açucareira. os empréstimos com a Inglaterra eram pequenos – cerca de 5 milhões de esterlinos. a empresa – e estabeleceu o paternalismo estatal e o sistema de privilégios. Até 1844. A balança comercial foi deficitária da independência até 1860. decorriam mais de convicções doutrinais e políticas que de pressões sociais.a) Preservar autonomia alfandegária para controlar a política comercial e as rendas públicas. Em suma. três dimensões: a tradição antitratados. b) Refutar ingerências exteriores ou interferências via acordos bilaterais. já que não havia indústrias a proteger. mas oscilações bruscas que prejudicavam a indústria. nem tão protecionista a ponto de a alavancar de forma sustentada. a política de comércio exterior não foi tão liberal a ponto de impedir surtos de industrialização. modernizar o país e sustentar a política platina. As principais causas: a vontade de mudar cedeu à percepção de que a situação era confortável e desaconselhava mudanças. baseado no reconhecimento da revolução industrial que acontecia na Europa e Estados Unidos. d) Lançar as bases da indústria nacional por meio do protecionismo. Entre 1852 e 1889. A cafeicultura proporcionou o surgimento de bancos e a construção de estradas de ferro. entrava livre de impostos e foi responsável desde a década de 1830 por boa parte do saldo comercial. nos EUA. O café. Despidos de privilégios.

A decisão brasileira de extinguir o tráfico em 1850 explica-se por razões de política interna e cálculos de política externa. enquanto a imigração não o substituísse. as lideranças e a marinha inglesa. marcada por cooperação difícil. Em 1845. o governo brasileiro comunicou a cessação. que ameaçava evoluir para o conflito armado. existia desde 1839 uma lei permitindo a prisão e julgamento. a interiorização econômica e a modernização estavam condicionadas ao fornecimento externo de trabalho. e. mas por ter sido abandonado pelos homens de Estado sujeitos a uma situação que lhes parecia confortável. a expansão da economia agrícola. Ruptura nas relações e protestos. pelo almirantado britânico. Paulino José Soares de Souza (barão do Uruguai) calculou que convinha eliminar o tráfico por razões humanitárias e sociais. com ruptura e conflito. com base na convenção de 1826. que tinha o apoio do representante britânico. de navios portugueses destinados ao tráfico. mas também: a) dissipar a fonte de tensão com a Inglaterra. Imigrantes foram trazidos como tropas para mitigar levantes internos e depois se assentarem nas regiões.irresistíveis ou conluio das elites. também. c) eliminar o principal obstáculo ao incremento da imigração livre. A política migratória O Império não foi bem sucedido em promover a imigração livre em grande escala até o período 1880-1889. mas sujeitando certos interesses nacionais ao liberalismo comercial. O tráfico de escravo no Brasil. e as seqüelas posteriores do conflito. no processo de substituição da mão-de-obra escrava por assalariada. foram estimulados a formar colônias autônomas. Lei semelhante foi aprovada contra o Brasil em 1845. . ação inglesa unilateral – ineficiente e violenta –. foram atraídos pelo sistema de parcerias nas fazendas de café e contratados como mão-de-obra. O tráfico e o conflito com a Inglaterra Houve duas grandes fases: da independência até 1845. a seu favor. quando 450 mil estrangeiros livres chegaram ao Brasil – mais que em todo o período anterior. e a partir de 1845. Na Inglaterra. mas prosseguia. ao negarse a renovar os expirados acordos comerciais e de privilégios aos ingleses firmados em 1827. O fornecimento externo de mão-de-obra Na percepção de toda a sociedade brasileira e do próprio governo. b) viabilizar os planos de intervenção contra Rosas (governador de Buenos Aires). Por isso não podia cessar o tráfico de escravos. os lucros e os apoios de fazendeiros. pela ação unilateral brasileira em 1850. e desde 1831 por decisão interna. tendo contra si as leis. pressões e decisões até 1831. da convenção sobre o tráfico de 1826. proibido desde 1830. e fracasso posterior.

por comissões mistas. b) as negociações. e Oribe. As posses territoriais ou a intransigência negociada A política brasileira de limites O Brasil herdou da época colonial uma situação de facto confortável. com a rendição dos textos jurídicos aos fatos: Tratados de Tordesilhas. irão aceitá-lo. A diplomacia encarregava-se por sua vez. assumiu as relações exteriores em 1849.No entanto. A lei de terras de 1850 previa a venda das terras públicas e não pôde vencer a resistência dos grandes proprietários à sua distribuição mais facilitada. não havia princípios e uma doutrina clara para a apolítica territorial brasileira. Visconde do Uruguai. por exemplo. Duarte da Ponte Ribeiro foi o diplomata de maior responsabilidade na doutrina e no conseqüente abandono dos tratados coloniais. Pela lógica. assim como a convicção de que a manutenção da paz com os vizinhos passava pela resolução do problema. e consolidou-se já no início do segundo reinado. pretendia estreitar os vínculos com os vizinhos. que triunfou sobre revoltas regionais e tentativas separatistas. Paulino José Soares de Souza. Mas os sucessivos incidentes de fronteira trouxeram a questão à tona. como em outros países. Até 1838. o conceito-chave é o de nacionalidade. pela primeira vez ficou assentada a doutrina brasileira do uti possidetis. de 1841. c) o tratado de limites. no Brasil. O fato de a diplomacia empregada no período ser bilateral foi exigência estratégica. mas de jure delicada. A expansão das fronteiras deu-se naquele período. paz e amizade. Não existiu. a idéia de nacionalidade foi um dado original. navegação. com exceção da Argentina e Colômbia. No tratado com o Peru. 4. Ele: equacionou o contencioso com a Inglaterra acerca do tráfico de escravos. Desencadeou uma política americanista: tratados de limites. Até meados do século XIX. No Brasil. Argentina. E criou o seu mito: o da grandeza nacional. A processualística envolvia quatro fases: a) a vontade bilateral de delimitar as fronteiras. de melhorar a imagem de país escravista que o Brasil tinha no exterior. d) a demarcação sobre o terreno. comércio. tendo em vista manter o Brasil em posição de força e impedir o surgimento de força equivalente por uma frente de países vizinhos. Na Europa. . decidiu pelas armas a tranqüilidade no Prata (contra Rosas. para estimular a imigração. a definição dos limites não era uma das preocupações maiores da diplomacia. o acesso à terra não era um estímulo consistente como o fora nos EUA. Manteve inalterado o princípio norteador da política de fronteiras: o uti possidetis. No país. de Madri (1750) e Santo Idelfonso (1777). Os vizinhos. a política de limites deveria portanto ser a de defesa do intransigente do patrimônio legado: o uti possidetis. fez passar a lei de terras. um mito da fronteira. os mitos de fronteiras legítimas orientaram o Congresso de Viena. Uruguai).

As tensões internas nos EUA. reivindicação também apoiada pelas potências européias. Estadistas e diplomatas avaliaram: a) a experiência norte-americana de fronteiras baseada em quatro etapas: penetração demográfica.Portanto. pública e coerentemente mantida de 1851 a 1889. . anexação – que sugeria a primeira medida política. a não ser em última instância. iii) permuta ou cessão de territórios em favor de fronteiras mais naturais e interesses comerciais e de navegação. mediante convenção. c) Opção pela negociação bilateral como método para implementá-la. A defesa da Amazônia e o conflito com os EUA O plano norte-americano de ocupação na Amazônia na década de 1850 representava uma saída para a crise da economia escravista – com o traslado de colonos e escravos que se ocupariam de produzir borracha e algodão. a política brasileira de limites no século XIX definiu-se: a) Hesitações doutrinais e práticas até a metade do século. ii) ocupação colonial prolongada à independência como geradora de direito. a menos que seja situada num quadro de estratégia regional. na ausência de ocupação efetiva. entretanto. e) Determinação ocasional de corolários à doutrina: i) referência aos tratados coloniais. O êxito da ocupação dependia de uma condição prévia: a abertura do rio Amazonas à navegação internacional. Fatores externos que colaboraram para o sucesso brasileiro: . no sistema americano. que ditava a política de limites. A partir de 1850 – pressão dos vizinhos ribeirinhos e das potências. ou seja. e) protelar a abertura do Amazonas até desaparecer o risco de dominação estrangeira. provocação. a proibição da vinda de imigrantes. O mito da grandeza. . d) Exclusão do arbitramento. que a fronteira representou o maior interesse e esforço principal da diplomacia brasileira no período. Estratégia defensiva: a) criar companhia brasileira de navegação para garantir a exclusividade do comércio e da colonização e impedir a ocupação estrangeira. Também contribuiria no reequilíbrio da balança comercial americana. d) confrontar a ação americana pela diplomacia. para excluir os estrangeiros não-ribeirinhos. também permitia usá-la como instrumento útil a outros fins de política exterior. b) Definição da doutrina do uti possidetis. b) as novas doutrinas políticas de caráter expansionista adotadas pelo governo dos EUA. . c) conceder navegação aos ribeirinhos superiores.As importantes relações comerciais e políticas entre EUA e Brasil. b) estudar a fundo o direito internacional dos rios para armar-se no campo jurídico. Não se pode afirmar. que levariam à guerra civil.As revoluções na Europa (1848). conflito.

Depois. o Brasil autorizou a abertura do rio a todas as nações. como queriam os ingleses. f) retorno à política intervencionista (1865-1876). Tanto o Brasil quanto o Paraguai buscavam contatos alternadamente entre si. b) estratégicos. com as potências estrangeiras e ainda não descartavam aliança a Rosas. em primeiro momento. e não tardaria a levar a cabo as intenções expansionistas na região. e a ausência de definição de uma política brasileira clara em relação à região. o recuo diante da intervenção franco-inglesa em 1845 e a derrota e retirada destas em 1849. que se confundia com neutralidade. mas também em relação a empréstimos ao Uruguai. o então chanceler visconde do Uruguai (Paulino de Souza) decidiu intervir. para derrubar Oribe e atrair a intervenção de Rosas. 5. o Império chegou a firmar tratado com o Paraguai. a passagem ruma à intervenção teve três curtos períodos: o desejo de mudanças e iniciativas de 1844. ao abolir o tráfico de escravos. no entanto. excluídas apenas as embarcações de guerra. g) retraimento vigilante (1876-1889). Considerou que Rosas estava fortalecido pelas vitórias contra os europeus e pela aliança com Oribe. mas não o ratificou. e voltar a aliança contra ele. Para ser efetivo. com vistas a restabelecer o vice-reino do Prata. O Brasil então se movia no Prata com objetivos: a) econômicos. que não veio. e) presença ativa (1852-1864). fechou alianças na região (Paraguai e outras províncias uruguaias). em segundo. Com a aliança entre Rosas e Oribe (Uruguai). a partir de 1849. Rosas caiu na cilada e aguardou pela ajuda inglesa. O controle do Prata Fases da política brasileira para o Prata entre 1822 e 1889: a) tentativa de cooperação e entendimento para defesa das independências (18221824). e acionar. Acabou destituído por Urquiza e o Brasil. já distante do risco invasor. por causa do acesso ao Mato Grosso pelo estuário. tornar-se-ia insustentável. Em 1844. c) políticos. A concessão era útil. as pretensões hegemônicas argentinas (com Rosas) e brasileiras em relação ao Prata chocaram-se. Assim. d) passagem rumo à intervenção (1844-1852). a manutenção de uma economia liberal e suas instituições era do interesse brasileiro. c) política de neutralidade (1828-1843). temporariamente hegemônico na região (1852). a diplomacia familiar. para garantir a isolação de Rosas no continente. notadamente em relação ao comércio do charque e à navegação dos rios interioranos. b) guerra da Cisplatina (1825-1828). Paulino tratou de melhorar as relações com os ingleses. Na década de 1840. . com o imperador Pedro II.Finalmente. em 1866. pela indefinição jurídica das fronteiras. considerada a guerra que o país travava no sul. e a decisão de intervir diretamente e as operações de 1851-52.

uma próspera economia e efetivos militares extraordinários. superestimou os aliados blancos. A guerra foi bancada com recursos do próprio tesouro brasileiro e de banqueiros ingleses. por outro. Por isso. em 1882. o país precisava de paz para voltar-se aos problemas internos (abolição da escravatura. franqueou-se o uso da estrada de ferro MadeiraMamoré. 6. armouse acima das conveniências. campanhas republicanas. em 1862. necessidade de mão-de-obra e o reaparelhamento do Estado em conformidade com os novos grupos hegemônicos. envolver-se em um pan-americanismo com os EUA e destacar-se como potência regional. havia os acordos firmados com Uruguai e Peru (1851). ameaças e demonstrações de força se sucediam. participar de conferências. com o Paraguai as relações deterioravam. Com a Argentina. a intenção era melhorar relações com os vizinhos (sem novas guerras). Bolívia (1867. decorrentes da expansão do café). Distensão e Universalismo – a política externa ao final do império Por um lado.Enquanto isso. adotou o discurso do equilíbrio dos Estados do Prata e aceitou o convite dos blancos uruguaios para compor um eixo. e dispersou o exército. Só foi resolvido via o arbitramento norte-americano em 1895. Mitre venceu Urquiza na Argentina em 1861. a ser construída) e Paraguai (1872). feiras. não convinha retrair-se da época de apogeu da expansão colonial européia. subestimou a facilidade com que seria fechada a Aliança Argentino-Brasileira-Uruguaia. Os tratados de limites eram assinados e quebrados. as ações foram muito ruins – desviaram da modernização enorme fluxo de capital. Somava-se a isso o rancor paraguaio ao pequeno papel conferido a ele nas relações internacionais. Isso deu a Solano Lopez a ilusão de que Urquiza interferiria. A paz veio em 1870 e a desocupação em 1876. Venezuela (1857). o conflito se dava pela região de Palmas (missões). o Brasil exigia a liberdade de navegação. as duas tendências do título da sessão. Por um lado. e isso significou a vitória do liberalismo unitário de Buenos Aires sobre o Confederalismo do interior. Quando Solano Lopez ascendeu. em vez de tomar Montevidéu. não seria coercitivamente cobrada. Do ponto de vista econômico. Ao declarar a guerra. Buenos Aires e negociar em condições de força. por outro. . no Uruguai. A dívida do Paraguai estabelecida nos tratados de 1872. Em termos de limites.

comercial. com situação externa favorável. e geopolítica.litígio fronteiriço na região de Palmas. .Com a Argentina.armamentismo de ambas as partes. mais a Rússia.disputas de imagem. o Império Otomano e a Terra Santa. desestimula inversões diversificadas. e entre Itália. o Egito. Guerra do Pacífico (Chile X Peru e Bolívia. de 1877 (garantia de preservação da integridade e soberania do Paraguai). Paranhos (Brasil) e Alberdi (Argentina) indicavam caminho da cooperação. colaborou para não-envolvimento argentino e participou das comissões arbitrais do pós-guerra. . GrãBretanha. . Dom Pedro II e a diplomacia de prestígio Últimas décadas do império: expansão colonial européia e imperialismo. relações oscilavam entre tensão e distensão. Em 1889. a Grécia. até o protocolo de Montevidéo. importante para financiar outras despesas correntes.concorrência por imigrantes. Viagens: 1871. Estabelecimento de relações diplomáticas regulares com a China em 1881. Quase todos os países Ocidentais. nas duas últimas décadas do império. Por duas vezes. tensões persistiam em função dos seguintes fatos: . Aliança de 1865 foi acompanhada por tensão diplomática relativa a limites do Paraguai vencido. França e Chile (Guerra do Pacífico). e . 1887.inflamação das respectivas opiniões públicas. As relações entre Brasil e EUA e o pan-americanismo Brasil tinha enorme saldo comercial nas trocas com EUA. 1875. D. mas. 1879-83): Brasil manteve neutralidade bem vista pelos contendores. Em 1870. Pedro II busca resguardar interesses nacionais investindo seu prestígio pessoal: cientistas. Intenção inicial: resolver a questão da mão-de-obra. que acabou não se concretizando. escritores e cortes européias. Brasil buscou tratado desigual. EUA absorviam 75% das exportações de café. foi convidado para nomear árbitros em disputas entre França e EUA (Guerra de secessão). Alemanha. . Saldo excepcional auxilia e ao mesmo tempo cria obstáculos à diversificação pela indústria: gera excedentes. A partir de então. EUa absorviam 61% das exportações totais e colocavam no mercado brasileiro apenas 5% das importações. No entanto. Mas houve oposição interna – argumentos sociais e raciais – e externa – governo chinês era contra situação humilhante de seus emigrados no mundo. Bélgica. e o comércio bilaterial era ligeiramente maior que o entre os EUA e o resto da América Latina.

Tarifas protecionistas: 1844. 1874. Fim do projeto de 1844: Estado cedeu a pressões imediatas. Agenda dos EUA para congresso de Washington (1889): estabelecer as condições para o desenvolvimento capitalista no continente: garantir a paz. . etc.Tarifas liberais: 1860. Brasil nunca se opôs categoricamente ao pan-americanismo. com presença intensa dos EUA. em 1888-89. o Brasil conseguiu: . 1887. Relações EUA – América Latina: 1) época da independência. Relações EUA – Brasil: 1) Desconfiança (monarquia X república) 2) Singularidade compartilhada ante o bloco hispânico 3) Resistência à Inglaterra em comum 4) Relações bilaterais pragmáticas (comércio) Com isso. 2) desilusão entre 1826 a fim da guerra de secessão (1865) – distanciamento. 3) Vitória do norte – recriação da imagem dos EUA entre intelectuais latinos. esmoreceu a vontade de potência que se desviou para respostas altivas às provocações das potências e para a . para evitar formação de foro hispânico e antibrasileiro. Conclusão: a política exterior do império Até 1831: leitura do interesse nacional era feita sob ótica da herança social. Segundo reinado: consolidação das instituições. em desafio à preponderância européia. 1888.manter e ampliar exportação de café. usado pelos EUA de forma pragmática (melhorar comércio de exportação). navegação. Oscilação das política tarifária brasileira: . 1869. em 1895).manter EUA distante das ações brasileiras no Prata. tomou assento em congressos americanos. ressurgimento do pan-americanismo. nacionalização do Estado. contra a Espanha). . Brasil preferiu encaminhar problemas de relacionamento (limites. No entanto. Antes. 1879.Pressões externas por mercado brasileiro chocavam-se com interesses nacionalistas em favor das manufaturas. Com os outros países americanos. 1867. desinteresse brasileiro derivava das diferenças institucionais e da preocupação dos outros hispano-americanos com questões de segurança (marcadamente. 1882. Período Regencial: foi a gestão da política externa brasileira. uma união aduaneira. racionalidade e continuidade.benevolência para situações eventuais de arbitramento (Brasil X Argentina em relação às questões no Prata. segurança) e só então. . 1870. estabelecer infra-estrutura de comunicações. comércio.

2) Interesse britânico na guerra do Paraguai e intervencionismo brasileiro benéfico e civilizador. mas não foram determinantes. 3) Expansionismo de fronteiras. 4) Insuperável rivalidade Brasil-Argentina. Estratégia de potência sem amparo material e baseada no expansionismo: “o Brasil era uma Rússia tropical”. .hegemonia no Prata. e rivalizavam em concepções geopolíticas. Sujeição aos interesses britânicos e da economia fundiária escravista foi considerada conveniente. Política exterior da República Reações ao novo regime Não houve continuidade diplomática. Mitos das interpretações: 1) Fatalismo da dependência. Não era prioridade da ação externa brasileira. Podem ter figurado como elementos psicológicos ou paralelos. que buscava a manutenção da herança histórica. Repúblicas americanas acolheram rapidamente o novo regime: Uruguai e Argentina foram os primeiros países a reconhecê-lo. Nações tinham economia complementar. 7. após a instauração do novo regime. mas não era necessária nem inevitável.

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