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2 – DESENVOLVIMENTO

2.1- O QUE É O INSTITUTO DA CONCESSÃO E QUAL A DEFINIÇÃO JURÍDICA

Neste tópico irei demosntrar de forma a desmistificar o que os leigos tem como
entendimento do que é a concessão dos serviços públicos e qual é a sua definição
jurídica buscando trazer luz aos menos informados e nos próximos tópicos aprofundar
me artigo mais especificamente dirigido aos transportes públicos urbanos.

Em minhas pesquisas busquei várias fontes norteadoras do tema, dentre ela uma
das que melhor conceituou o instituto da concessão dos serviços publicos que ao
contrario do que a maioria dos atendidos pelos serviços prestados à coletividade
entende, ser deprerrogativa das empresas de iniciativa privada, esse é um entendimento
equivocado.

Pois trata-se de serviços de competência pública delegada a particulares de


acordo com a Lei Infraconstitucional 8987/95 que veio regulamentar, a mesma veio
complementar o Art. 175 da Constituição Federal.

Aconcessão de serviços públicos pode ser classificada e divididas em várias


modalidades:

Serviços concedidos são todos aquele que o privado realiza em seu nome por sua
conta e risco, remunerados por uma tarífa, numa forma regulamentar,m mediante
delegação contratual ou legal do Poder Público concedente.

Segundo entendimento de Bandeira de Mello,

É o instituto através do qual o Estado atribui o


exercício de um serviço público a alguém que aceite
prestá-lo em nome próprio, por sua conta e risco, nas
condições fixadas e alteráveis unilateralmente pelo Poder
Público, mas sob garantia contratual de um equilíbrio
econômico-financeiro.

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II – concessão de serviço público: a
delegação de sua prestação, feita pelo poder concedente,
mediante licitação, na modalidade de concorrência, à
pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre
capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco
e por prazo determinado;

Uma das formas de modalidades de conscessão, inicialmente trago-lhes a


simples, conceituada pelo José dos Santos Carvalho Filho que qualifica da seguinte
forma:

È a classica modalidade em que o Poder Público delega seus serviços,


oficializando-se por meio de contrato administrativo transmitindo para pessoa jurídica
de iniciativa privada ou de consórcio de empresas a execução de certa atividade de
enteressse público coletivo.

O Objetivo da concessão simples pode ser vista de dois aspectos, mediato e


imediato.

Mediato significa a vontade administrativa de gerir de forma descentralizada


determinada atividade pública.

O objejivo imediato se destina a execução de determinado serviço público, a ser


desfrutado pela coletividade.

Além dessas modalidades nos traz o autor Bandeira de Mello.

III - concessão de serviço público precedida


da execução de obra pública:a construção, total ou
parcial, conservação, reforma, ampliação ou
melhoramento de quaisquer obras de interesse público,
delegada pelo poder concedente, mediante licitação, na
modalidade de concorrência, à pessoa jurídica ou
consórcio de empresas que demonstre capacidade para a

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sua realização, por sua conta e risco, de forma que o
investimento da concessionária seja remunerado e
amortizado mediante a exploração do serviço ou da obra
por prazo determinado;

(...).

Além destas, comporta ainda as espécies que estão na lei 11.079/04,


art. 2º, in verbis:

Art. 2o Parceria público-privada é o contrato


administrativo de concessão, na modalidade patrocinada
ou administrativa.

§ 1o Concessão patrocinada é a concessão


de serviços públicos ou de obras públicas de que trata
a Lei no 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, quando
envolver, adicionalmente à tarifa cobrada dos usuários
contraprestação pecuniária do parceiro público ao
parceiro privado.

§ 2o Concessão administrativa é o contrato


de prestação de serviços de que a Administração Pública
seja a usuária direta ou indireta, ainda que envolva
execução de obra ou fornecimento e instalação de bens.

CRFB/88 ART. 157

NORMA INFRACONSTITUCIONAL – L 8987/97

BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo.


São Paulo: Malheiros, 2004.

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CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de Direito
Administrativo. Rio de Janeiro: Lumen Juris.

https://jus.com.br/artigos/43919/a-concessao-de-servicos-publicos-e-
caracteristicas-de-seu-regime-juridico

2.2 - QUAL A DIFERENÇA ENTRE CONCESSÃO E PERMISSÃO

No tópico anterior vimos de vorma bem clara o que é o insntituto da concessão,


agora demosntrarei o que é a premissão para execução de serviços públicos e
diferenciarei da concessão.

A exemplo da concessão a permissão ambos são contratos para execução de


serviços públicos e tem a mesma natureza juridica por meio de contrato administrativo.

Em pesquisa encontrei um autor que melhor me esclareceu essa mínima


diferença em sua obra e aqui vou transcreve-la.

Carvalho Filho por sua vez interpreta a Lei n.º 8.987, no art. 2º, incisos II, III e
IV, define as modalidades de delegação:

Art. 2º Para os fins do disposto nesta Lei, considera-se:

II - concessão de serviço público: a delegação de sua prestação, feita pelo poder


concedente, mediante licitação, na modalidade de concorrência, à pessoa jurídica ou
consórcio de empresas que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e
risco e por prazo determinado;

V - permissão de serviço público: a delegação, a título precário, mediante licitação,


da prestação de serviços públicos, feita pelo poder concedente à pessoa física ou
jurídica que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco. (grifo
nosso)

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Conforme definição legal, destacam-se os principais aspectos da permissão e da,
permanecendo a titularidade com o poder público; b) a prestação do serviço é por conta
e risco da permissionária, sob fiscalização do poder público; c) sempre é precedida de
licitação, sem determinação legal de uma modalidade específica; d) natureza contratual
(contrato de adesão); e) prazo determinado, com possibilidade de prorrogação nas
condições estipuladas no contrato; f) celebração com pessoa física ou jurídica, sem
previsão de permissão a consórcio de empresas; g) delegação a título precário; h)
revogabilidade unilateral do contrato pelo poder público.

A concessão, por sua vez, é: a) delegação da prestação do serviço público,


permanecendo a titularidade com o poder público; b) a prestação do serviço é por conta
e risco da concessionária, sob fiscalização do poder concedente; c) sempre precedida de
licitação, na modalidade concorrência; d) natureza contratual; e) prazo determinado,
com possibilidade de prorrogação nas condições estipuladas no contrato; f) celebração
com pessoa jurídica ou consórcio de empresas, mas não com pessoa física; g) não
precária; h) não cabimento da revogação do contrato.

As principais diferenças entre concessão e permissão são: 1) embora ambas sejam


precedidas de licitação, a permissão pode se dar por qualquer modalidade enquanto que
concessão deve se dar, obrigatoriamente, por concorrência; 2) a celebração não pode ser
concretizada com pessoas físicas na concessão, o que é possível na permissão; 3) a
delegação, na concessão, não é a título precário, ao contrário do que acontece na
permissão; 4) não é possível a revogação do contrato de concessão, mas o é na
permissão.

Assim sendo José dos Santos Carvalho Filho, considera que a concessão e a
permissão de serviços públicos são praticamente idênticas. Assim,

Tradicionalmente, a diferença residia em que a concessão de serviço público era


caracterizada como contrato administrativo, ao passo que a permissão de serviço
público se qualificava como ato administrativo. Dessa distinção quanto à
caracterização formal dos institutos emanavam nitidamente algumas consequências

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jurídicas diversas, como as relativas à indenizabilidade, à precariedade, à estabilidade da
delegação etc.

Entretanto, a Lei n.º 8.987/95, de modo surpreendente e equivocado, atribuiu à


permissão de serviço público a natureza de contrato de adesão (art. 40), provocando
justificável confusão sobre essa forma de delegação. Com essa fisionomia, atualmente
inexiste, na prática, distinção entre a concessão e a permissão de serviço público.

MELO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo, São Paulo:
Malheiros, 17 ed., 2004.

PISETTA, Francieli. Responsabilidade civil das prestadoras de serviço público:


um enfoque sobre o não usuário. São Paulo: LTR, 2013, p.17.

CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de Direito Administrativo. 11.


ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2009.

http://www.conteudojuridico.com.br/artigo,concessao-e-permissao-de-servico-
publico-no-ordenamento-juridico-brasileiro,50714.html

2.2 – DE QUEM É A RESPONSABILIDADE CIVIL NOS TRANSPORTES


PÚBLICOS

Como já demosntramos nos tópicos anteriores os serviços tercericados de


natureza coletiva são cedidos através de Concessões ou Permições que nada mais é que
delegar um serviço público que é de obrigação do estado e através do seu poder
discricionário o concede através de processos licitatórios, até aí tudo bem entendido,
mas desse ponto ponderamos.

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Se é dever do Estádo fornecer o serviço de interresse público da coletividade,
quem é responsável civilmente pelos atos e ações decorrentes da prestação desses
serviços?

Agora aprofundaremos mais na seara da responsabilidade civil dos transportes


públicos urbanos no concernete aos contratos de concessão e exploração de serviços em
especifico ônibus coletivo.

Em pesquisa só pude encontrar a letra fria da lei de responsabilidade contratual,


onde se destaca que a empresa que detem a concessão de determinada linha é
responsável por manter os ônibus em condições plenas de seguraça para os passageiros,
mantendo um numerário suficiente a atender plenamente a população em horários pré
determinados de forma contínua a prestação de serviço a população.

O que como usuário desse tipo de serviço não consigo visualizar a obediência
desse requisitos, no qual a obrigação de fiscalizar é dos orgão do governo concedente.

Apartir desse ponto trago a legislação vigente para consseção de serviços de


transporte urmano e responsabilidade civil dos contratos.

ESPONSABILIDADE CIVIL NAS RELAÇÕES DE CONSUMO NO


CONTRATO DE TRANSPORTE

Denomina-se responsabilidade civil a obrigação imposta a uma pessoa a ressarcir,


indenizar ou reembolsar, os danos sofridos por alguém.

A responsabilidade civil tem natureza contratual, baseado nos princípios gerais do


contrato(autonomia da vontade; supremacia da ordem pública; obrigatoriedade entre as
partes) e natureza extracontratual,

No direito civil a culpa abrange o dolo, até pela própria etimologia da palavra, o dolo já
está embutido na culpa.

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Dever de Reparar

O artigo 986 do Código Civil preceitua que “Aquele que, por ato ilícito, causar dano a
outrem, fica obrigado a repará-lo.”

Já no Código de Proteção e Defesa do Consumidor nos artigos 18 a 20 traz


expressamente a responsabilidade sobre os produtos e serviços pelo fornecedor, o qual
responde solidariamente pelos vícios causados ao consumidor quando ocorrer alguma
lesão e violação nas relações de consumo.

Cumpre ressaltar que aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou
imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral,
comete ato ilícito.

O transporte é um serviço de utilidade pública e está disponível aos consumidores,


abrangendo não só as pessoas, mas coisas, bens móveis, produtos e serviços.

Responsabilidade Civil no Contrato de Transporte – Regra Geral

De acordo com o atual Código Civil Brasileiro, a responsabilidade contratual encontra-


se disposta no art. 389 em diante, e, entre diversas espécies de contratos, existe o
contrato de adesão, aplicado no caso do transporte de passageiros.

Neste tipo de contrato as partes envolvidas não discutem de forma aprofundada as


cláusulas dispostas no mesmo, visto que tais cláusulas são previamente estipuladas por
uma das partes, às quais a outra simplesmente adere.

Destarte, no momento em que alguém toma um ônibus, ao efetuar o pagamento da


passagem, celebra um contrato com a empresa responsável pelo transporte, de forma
que a mesma assume a obrigação de transportar o passageiro ao seu destino, são e salvo.

No entanto, caso ocorra algum acidente, ocorre o inadimplemento contratual, ensejando


a responsabilidade civil de indenizar o passageiro.

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A responsabilidade do transportador pode ser quanto aos seus empregados, em relação a
terceiros ou em relação aos passageiros.

Pelo contrato de transporte alguém se obriga, mediante retribuição, a transportar, de um


lugar para outro, pessoas ou coisas.

O transporte exercido em virtude de autorização, permissão ou concessão, rege-se pelas


normas regulamentares e pelo que for estabelecido naqueles atos, sem prejuízo do
disposto neste Código.

Aos contratos de transporte, em geral, são aplicáveis, quando couber, os preceitos


constantes da legislação especial e de tratados e convenções internacionais.

Nos contratos de transporte cumulativo, cada transportador se obriga a cumprir o


contrato relativamente ao respectivo percurso, respondendo pelos danos nele causados a
pessoas e coisas.

O dano, resultante do atraso ou da interrupção da viagem, será determinado em razão da


totalidade do percurso.

Se houver substituição de algum dos transportadores no decorrer do percurso, a


responsabilidade solidária estender-se-á ao substituto.

Cumpre destacar que consumidor não é somente aquele que adquire produtos, mas
também contrata diversos tipos de serviços, o que também abrange o transporte.

Há diversos tipos de serviços de transporte como: a) transporte coletivo de passageiros


seja por via terrestre, marítima, aérea (transporte de pessoas) e b) transporte de coisas
(produtos, cargas) que abrange bens e serviços a serem usufruídos pelo consumidor.

Transporte Coletivo de Pessoas ou Passageiros

Regra Geral há previsão na legislação civil brasileira em relação ao consumidores que


usufruem do transporte coletivo, seja municipal, estadual, federal, e internacional, o que
deve exclusivamente ser observado os artigos 734 a 742 do Código Civil.

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Responsabilidade do Transportador

O transportador responde pelos danos causados às pessoas transportadas e suas


bagagens, salvo motivo de força maior, sendo nula qualquer cláusula excludente da
responsabilidade.

É lícito ao transportador exigir a declaração do valor da bagagem a fim de fixar o limite


da indenização.

A responsabilidade contratual do transportador por acidente com o passageiro não é


elidida por culpa de terceiro, contra o qual tem ação regressiva.

Não se subordina às normas do contrato de transporte o feito gratuitamente, por amizade


ou cortesia.

O transportador não pode recusar passageiros, salvo os casos previstos nos


regulamentos, ou se as condições de higiene ou de saúde do interessado o justificarem.

Não se considera gratuito o transporte quando, embora feito sem remuneração, o


transportador auferir vantagens indiretas.

O transportador está sujeito aos horários e itinerários previstos, sob pena de responder
por perdas e danos, salvo motivo de força maior.

Interrompendo-se a viagem por qualquer motivo alheio à vontade do transportador,


ainda que em conseqüência de evento imprevisível, fica ele obrigado a concluir o
transporte contratado em outro veículo da mesma categoria, ou, com a anuência do
passageiro, por modalidade diferente, à sua custa, correndo também por sua conta as
despesas de estada e alimentação do usuário, durante a espera de novo transporte.

O transportador, uma vez executado o transporte, tem direito de retenção sobre a


bagagem de passageiro e outros objetos pessoais deste, para garantir-se do pagamento
do valor da passagem que não tiver sido feito no início ou durante o percurso.

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Artigos 730 a 742 do Código Civil Brasileiro.

http://www.normaslegais.com.br/guia/clientes/responsabilidade-civil-relacoes-
consumo-contrato-transporte.htm

2.4 – QUAIS SÃO AS SANÇÕES APLICADAS EM DESCUMPRIMENTO DOS


TERMOS DE CONCESSÃO

Nesse último tópico trago o instituto da aplicação de sanção no descumprimento


das clausulas contratuais estabelecidas para concessão dos serviços, que muita das vezes
são descumpridas, são aplicadas multas milhonárias que não são pagas e as empresas
continuam a descumprir determinações por o caráter punitivo na produz eficácia, a
exemplo das linhas ferroviárias (SUPER VIA), (BARCAS SA.) e muitas outras.

A inexecução do contrato administrativo ou a sua execução deficiente pode ensejar a


aplicação de uma, ou mais, das penalidades administrativas elencadas no artigo 87 da
Lei 8.666/93, quais sejam: a) advertência, b) multa, c) suspensão temporária e, d)
declaração de inidoneidade.

A aplicação de quaisquer destas penalidades exige um prévio ato administrativo


punitivo, conforme ensinamentos de José Dos Santos Carvalho Filho: “...o Estatuto
relacionou uma série de atos administrativos, de caráter punitivo, que traduzem sanções
pela inexecução total ou parcial do contrato."

Ao contrário do Direito Penal, aqui, não há, em regra, uma tipicidade fechada, ou seja, a
lei não prevê as hipóteses infracionais e as possíveis sanções a serem aplicadas, não
determinando qual sanção aplicar para cada caso, deixando esta margem de liberdade
para o administrador, baseado no caso concreto, aplicar a sanção que melhor atenda à
situação.

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Assim, quando da aplicação da sanção administrativa, o administrador deve atuar
pautado nos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, aplicando a pena de
acordo com a gravidade da infração e ainda, seguindo os parâmetros traçados no editou
e no próprio contrato, conforme ensinamento de Lucas Rocha Furtado:

Deve ser observada, ademais, regra de proporcionalidade na aplicação das sanções.


Assim, para pequenas infrações que não tenham causado qualquer dano, a
Administração deve aplicar a pena de advertência. Para a eventualidade de reincidência
no cometimento de pequenas infrações, e para as hipóteses de infrações mais rigorosas,
mas que não justifiquem a rescisão do contrato, a pena indicada é a multa. Sempre que
houver violação de cláusula do contrato que justifique sua rescisão, deve ser aplicada a
pena de suspensão temporária. Em hipótese de fraude praticada pelo contratado, de que
seria exemplo a juntada ao processo de declarações falsas com o propósito de receber
pagamento por serviços não executados, deve ser aplicada a pena mais rigorosa, a
declaração de inidoneidade. De se observar que a aplicação das duas últimas penas, a
suspensão temporária e a declaração de inidoneidade podem ser acumuladas com a
aplicação de multa.

Trata-se de um rol taxativo, sendo vedado inovar, no edital ou no contrato, com novas
punições, além daquelas previstas no art. 87 da Lei de Licitações, como bem observou
Jesse Torres Pereira Junior: "Poderia o contrato ampliar ou diversificar tal elenco: Não,
porque o poder de punir há de ter fundamento legal; só a lei pode estabelecer as sanções
que a Administração estará autorizada a aplicar".

Com estas considerações iniciais, a próxima etapa do estudo será analisar os contornos
de cada sanção em espécie. Vou elencar algumas delas abaixo:

ADVERTÊNCIA:

Dentre as sanções previstas a advertência é a mais tênue. Utilizada para punição de


infrações leves. Trata-se de uma censura moral que deve ser adotada diante de pequenas
falhas no decorrer da execução do contrato.

De acordo com Jessé Torres:

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...a advertência cabe em faltas leves, assim entendidas aquelas que não acarretam
prejuízo de monta ao interesse do serviço, o qual, a despeito delas, será atendido;
prevenir que a falta venha a inviabilizar a execução do contrato ou obrigue a
Administração a rescindi-lo é a prioridade da advertência.[iv]

A princípio não acarreta a rescisão contratual, todavia, o cometimento reiterado


de faltas que ensejam a aplicação da advertência poderá culminar com a rescisão
unilateral do vínculo.

MULTA:

A multa é a sanção pecuniária que atinge o patrimônio do contratado,


normalmente estabelecida em um determinado percentual do valor do contrato e deve
estar prevista no edital e no instrumento contratual, sob pena de tornar inviável sua
aplicação.

Isso porque, como já observado no tópico “1” deste estudo, a legislação não
estabelece tipicidade fechada, logo, a ausência de cláusula contratual listando as
infrações e a correspondente sanção pecuniária, impossibilitará uma futura punição ao
contratato, pois a Administração Pública não terá parâmetros a serem seguidos.

De acordo coma Lei 8.666/93, a multa pode ser aplicada em duas situações. Pelo atraso
em executar o contrato ou pela inexecução do contrato

SUSPENSÃO TEMPORÁRIA:

A aplicação da sanção “suspensão temporária” acarreta a proibição de participar de


licitações e de contratar com a Administração Pública pelo prazo de até 2 (dois) anos.

Deve ser utilizada quando apurada falta grave do contratado, assim entendidas por Jessé
Torres: “capaz de deixar pendente, total ou parcialmente, a prestação acordada, com
prejuízo ao interesse do serviço”

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Em face da gravidade dos fatos que ensejam a aplicação desta sanção, normalmente, o
contrato também é rescindido unilateralmente.

Dúvida existe sobre os limites desta penalidade: se o particular estaria impedido de


licitar ou contratar com qualquer ente público ou apenas com o ente público que o
suspendeu temporariamente.

Para o Superior Tribunal de Justiça a sanção é plena, acarreta a impossibilidade de


participar de licitaçãoou de contratar com qualquer ente público:

EMENTA: ADMINISTRATIVO – MANDADO


DE SEGURANÇA – LICITAÇÃO – SUSPENSÃO
TEMPORÁRIA – DISTINÇÃO ENTRE
ADMINISTRAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA -
INEXISTÊNCIA – IMPOSSIBILIDADE DE
PARTICIPAÇÃO DE LICITAÇÃO PÚBLICA –
LEGALIDADE – LEI 8.666/93, ART. 87, INC. III.

- É irrelevante a distinção entre os termos Administração Pública e Administração, por


isso que ambas as figuras (suspensão temporária de participar em licitação (inc. III) e
declaração de inidoneidade (inc. IV) acarretam ao licitante a não-participação em
licitações e contratações futuras.

- A Administração Pública é una, sendo descentralizadas as suas funções, para melhor


atender ao bem comum.

- A limitação dos efeitos da “suspensão de participação de licitação” não pode ficar


restrita a um órgão do poder público, pois os efeitos do desvio de conduta que inabilita
o sujeito para contratar com a Administração se estendem a qualquer órgão da
Administração Pública.

- Recurso especial não conhecido.( REsp 151567 / RJ - SEGUNDA TURMA - STJ -


Relator: Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS. Publicação: DJ 14/04/2003 p.
208.)

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BRASIL. Constituição Federal, de 05 de outubro de 1988. Disponível em:
<htpp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituição/constituição.htm>Acesso: 28 ago.
2013.

BRASIL. Lei 8666, de 21 de Junho de 1993. Regulamenta o art. 37, inciso XXI da
Constituição Federal, instituiu normas para licitações e contratos da Administração
Pública e dá outras providências. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8666cons.htm> Acesso: 27 ago. 2013.

BRASIL. Lei 9784, de 29 de Janeiro de 1999. Regula o processo administrativo no


âmbito da Administração Pública Federal. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9784.htm.>Acesso: 27 ago. 2013.

CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de Direito Administrativo. 16ª Edição,
Rio de Janeiro: Editora Lumen Juris, 2006.

FURTADO, Lucas Rocha. Curso de Licitações e Contratos Administrativos. Belo


Horizonte: Editora Fórum, 2009.

PEREIRA JÚNIOR, Jesse Torres. Comentários à Lei das Licitações e Contratações da


Administração Pública. 6º Edição, Rio de janeiro: Renovar, 2003.

http:///jus.com.br/artigos/25512/sancoes-administrativas-em-contratos-publicos

2.4.1 – DESTINAÇÃO DAS MULTAS APLICADA

Neste sub-tópico demosntro através da minha empenhada pesquisa o que


acontece com as multas aplicada as concessionárias, a que são destinadas e assim o farei
através da lei transcrita abaixo:

LEI Nº 6320 DE 16 DE JANEIRO DE 2018.

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Cria o Fundo de Mobilidade Urbana Sustentável do Rio de Janeiro e dá outras
providências.
O PREFEITO DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO

Faço saber que a Câmara Municipal decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º Fica criado o Fundo Municipal de Mobilidade Urbana Sustentável, tendo por
objetivo criar condições financeiras e gerenciar os recursos destinados ao
desenvolvimento das ações de controle, fiscalização e policiamento do trânsito e
tráfego, nas vias, estradas e logradouros do Município, dando suporte financeiro às
políticas públicas municipais de melhoria da mobilidade urbana, a fim de proporcionar
o acesso amplo e democrático ao espaço de forma segura, socialmente inclusiva e
sustentável, priorizando a implementação de sistemas de transportes coletivos, dos
meios não motorizados, da integração entre diversas modalidades de transportes, bem
como implementação do conceito de acessibilidade universal para garantir a mobilidade
de idosos, pessoas com deficiências ou restrição de mobilidade.

Parágrafo único. O Fundo de que trata o "caput" deste artigo tem natureza orçamentária,
sem personalidade jurídica, rege-se pela legislação pertinente e se vincula à Secretaria
Municipal de Transportes.

Art. 2º Constituirão receitas do Fundo:

XII - recursos decorrentes de multas oriundas de aplicação de infração administrativa


praticada pelos operadores do sistema de transporte coletivo de passageiros e pelos
autorizatários e permissionários dos demais modais que integram o Sistema Municipal
de Transportes, assim como os recursos oriundos da exploração da atividade de
transporte remunerado irregular de passageiros, sem a prévia autorização, concessão ou
permissão do Poder Público Municipal, na forma do Decreto nº 40.518, de 12 de agosto
de 2015.

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Art. 3º Os recursos do Fundo serão aplicados nas seguintes finalidades:

I - desenvolvimento de projetos vinculados ao desenvolvimento de medidas destinadas à


melhoria do trânsito e do transporte no âmbito do Município do Rio de Janeiro;
II - execução de programas e projetos destinados a garantir melhor eficiência do
transporte coletivo de passageiros e maior fluidez do trânsito, garantindo maior
mobilidade urbana, tais como:
a) execução de obras destinadas a atender a demanda de trânsito, com a expansão da
malha viária, seja abrindo novas vias ou ampliando as já existentes, ou ainda
construindo obras de artes como túneis, mergulhões, viadutos e elevados, dentre outros;
b) execução de obras para fins de construção de equipamentos públicos vinculados ao
sistema de transporte coletivo de passageiros, tais como rodoviárias, terminais, estações
de passageiros;
c) aquisição de equipamentos ou realização de serviços para a melhoria da sinalização
viária, tais como sinalização semafórica, vertical e horizontal, bem como a fiscalização
eletrônica, monitoramento e o controle operacional do tráfego, trânsito e do transporte,
mediante o competente procedimento licitatório.
III - desenvolvimento e execução de projetos e obras destinados a garantir a mobilidade
de idosos, pessoas com deficiências ou restrição de mobilidade; conforme estabelecido
pela Lei nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000.
IV - desenvolvimento e execução de projetos e obras destinadas à mobilidade com vista
à implantação do Sistema de Transporte Aquaviário no Complexo Lagunar da Baixada
de Jacarepaguá;
V - desenvolvimento e execução de projetos e obras destinadas à mobilidade dos
pedestres e do transporte não motorizado;
VI - investimentos na criação da malha cicloviária no Município do Rio de Janeiro,
mediante prévia consulta ao órgão gestor das ciclovias - Secretaria Municipal de
Conservação e Meio Ambiente, recuperação de vias públicas e custeio de parte do valor
das tarifas do transporte coletivo urbano, conforme previsão do contrato de concessão
respectivo;

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VII - realização de publicidade institucional, campanhas educativas, pesquisas,
realização e participação em palestras, cursos, seminários e eventos relacionados à
acessibilidade, mobilidade, prevenção ao assédio sexual nos transportes públicos,
transportes e trânsito, formação e qualificação de profissionais, formação de agentes
multiplicadores;
VIII - aquisição de bens móveis e imóveis relacionados à acessibilidade, mobilidade e
transporte, mediante o competente procedimento licitatório;
IX - custeio de despesas com trânsito que visem à otimização do sistema viário do
Município;
X - cooperação com organismos vinculados ao Estado e à União no que compete a
fiscalização de trânsito e do transporte no Município;
XI - seleção de valores humanos que se dediquem à Engenharia de Tráfego e promover
o seu aperfeiçoamento, observado o art. 37, II, da Constituição Federal;
XII - financiamento da participação de servidores em cursos, palestras, seminários e
encontros cujo tema seja relacionado ao trânsito, engenharia de tráfego, transporte e
demais temas relacionados à mobilidade urbana;
XIII - promoção de palestras, seminários e encontros sobre temas relacionados ao
trânsito e ao transporte;
XIV - custeio de projetos relacionados ao trânsito, ao sistema viário e ao transporte
público;
XV - aquisição e implantação de infraestrutura para operação de trânsito e de transporte;
XVI - aquisição e implantação de equipamento de auxílio ao controle e fiscalização do
trânsito e do transporte;
XVII - VETADO;
XVIII - VETADO.
Art. 4º Os recursos do Fundo serão depositados em conta especial, que será aberta pela
Secretaria Municipal de Fazenda.
§ 1º Os recursos destinados ao Fundo de Mobilidade Urbana do Município do Rio de
Janeiro serão automaticamente transferidos, depositados ou recolhidos em conta única,
aberta em estabelecimento bancário oficial.
§ 2º Os recursos incorporados ao Fundo com destinação mais específica do que os
previstos no art. 3º desta Lei serão depositados em contas individualizadas, vinculadas

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aos respectivos projetos.
§ 3º O órgão gestor do Fundo diligenciará para assegurar que os recursos mencionados
no § 2º sejam utilizados de acordo com a legislação aplicável, especificamente no caso
das multas de trânsito e demais recursos com destinação específica.
§ 4º Fica destinada a importância de cinco por cento sobre o total da arrecadação mensal
proveniente das multas de trânsito ao Fundo Nacional de Segurança e Educação de
Trânsito - FUNSET, conforme dispõe o art. 320, parágrafo único, da Lei nº 9.503, de 23
de setembro de 1997 - Código de Trânsito Brasileiro e respectiva Resolução
CONTRAN nº 263, de 14 de dezembro de 2007.
§ 5º Os saldos porventura existentes ao término de um exercício financeiro constituirão
parcela de receita subsequente, até sua integral aplicação.
§ 6º Fica expressamente vedada a utilização dos recursos financeiros do Fundo de
Mobilidade Urbana Sustentável do Município do Rio de Janeiro em finalidades
estranhas às atividades diversas das de trânsito e transporte, bem como o
remanejamento para outros fins.
§ 7º Toda movimentação financeira do Fundo Municipal de Mobilidade Urbana
Sustentável será divulgada através de página específica no Portal da Prefeitura na Rede
Mundial de Computadores, com atualização mensal, indicando a origem dos depósitos e
a destinação das aplicações.
Art. 5º Fica criado, sem aumento de despesa, na estrutura básica da Secretaria
Municipal Transportes, o Conselho do Fundo Municipal de Mobilidade Urbana
Sustentável, órgão incumbido das seguintes atribuições:
I - estabelecer diretrizes e normas para gestão do Fundo Municipal de Mobilidade
Urbana Sustentável;
II - coordenar as ações e projetos que tenham por finalidade específica as políticas de
mobilidade urbana;
III - convocar audiências públicas para tratar de temas e discussões relacionadas às
políticas públicas de mobilidade urbana;
IV - opinar, sugerir, orientar, fiscalizar e acompanhar os planos, programas e projetos
financiados com recursos do Fundo Municipal de Mobilidade Urbana Sustentável;
V - elaborar o Orçamento e o Plano de Aplicação dos Recursos do Fundo, a ser
submetido à apreciação do Chefe do Poder Executivo Municipal;

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VI - submeter anualmente à apreciação do Chefe do Poder Executivo relatório das
atividades desenvolvidas pelo Fundo Municipal de Mobilidade Urbana;
VII - opinar, sugerir, orientar, fiscalizar e acompanhar os atos e procedimentos
necessários à gestão do Fundo Municipal de Mobilidade Urbana.
§ 1º O Conselho do Fundo Municipal de Mobilidade Urbana será integrado pelo:
I - Secretário Municipal de Transportes, que o presidirá;
II - Chefe de Gabinete do Prefeito;
III - Secretário Municipal de Fazenda;
IV - Secretário Municipal de Conservação e Meio Ambiente;
V - Secretário Municipal de Urbanismo, Infraestrutura e Habitação;
VI - Procurador Geral do Município;
VII - Diretor Presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego do Rio de Janeiro -
CET RIO;
VIII - um representante da Câmara Municipal;
IX - um representante de entidades civis que atendam aos pressupostos do inciso V do
art. 5º da Lei nº 7.347, de 24 de julho de 1985; e
X - um representante indicado pelo Ministério Público Estadual, em atendimento ao
disposto no art. 13 da Lei nº 7.347/1985.
§ 2º As despesas correntes necessárias à administração do Fundo com pessoal, material
de consumo e outros não poderão ser realizadas com recursos do Fundo, devendo estar
vinculadas ao orçamento do órgão da Administração Pública Municipal que o gerencia.
§ 3º Fica proibido aos membros do Conselho do Fundo Municipal de Mobilidade
Urbana o recebimento de retribuição pecuniária através de jeton.
Art. 6º O Conselho do Fundo Municipal de Mobilidade Urbana elaborará, anualmente,
o Orçamento e o Plano de Aplicação de Recursos do Fundo, aprovando a aplicação dos
recursos para posterior aprovação definitiva do Chefe do Poder Executivo.
Art. 7º O Fundo Municipal de Mobilidade Urbana Sustentável poderá ser utilizado para
implementação de campanha permanente de conscientização e enfrentamento ao assédio
e à violência sexual nos transportes públicos do Município do Rio de Janeiro.
Art. 8º O Poder Executivo, mediante Decreto, regulamentará as normas
complementares e necessárias ao bom funcionamento do Fundo Municipal de

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Mobilidade Urbana e do Conselho do Fundo Municipal de Mobilidade Urbana.
Art. 9º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

MARCELO CRIVELLA D.O.RIO 17.01.2018

https://leismunicipais.com.br/a/rj/r/rio-de-janeiro/lei-ordinaria/2018/632/6320/lei-
ordinaria-n-6320-2018-cria-o-fundo-de-mobilidade-urbana-sustentavel-do-rio-de-
janeiro-e-da-outras-providencias

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