Você está na página 1de 26

RESUMO DIREITO PENAL

AULA 00 – PRINCÍPIOS DO DIREITO PENAL

1. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO DIREITO PENAL:

1.1. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE

- ART. 5º, XXXIX, CF/88


-ART. 1º, CP
- CONCEITO: NÃO HÁ CRIME SEM LEI PENAL ANTERIOR QUE O DEFINA.
- SEGURANÇA JURÍDICA

LEGALIDADE -------------- RESERVA LEGAL


-------------- ANTERIORIDADE DA LEI PENAL

1.1.1. RESERVA LEGAL

- SOMENTE LEI PENAL EM SENTIDO ESTRITO PODE DEFINIR CRIMES.

LEI (DEFINE CRIMES E COMINA PENAS) = DO PODER LEGISLATIVO


OBS.: MEDIDA PROVISÓRIA, DECRETOS, PORTARIAS, ETC., NÃO
DEFINEM CRIMES.

OBS1.: HÁ DISCORDÂNCIA A RESPEITO DE QUE MEDIDA PROVISÓRIA


NÃO PODE DEFINIR CRIMES.
1ª CORRENTE: MP NÃO PODE DEFINIR CRIMES.
2ª CORRENTE: PODE, DESDE QUE BENEFICIE O RÉU. (ADOTADA PELO
STF)
EX.: DESCRIMINALIZAÇÃO DE UMA CONDUTA.

OBS2.: PRINCÍPIO DA TAXATIVIDADE DA LEI PENAL = A LEI TEM QUE


APONTAR PRECISAMENTE O QUE ESTÁ SENDO CRIMINALIZADO.

OBS3.: NORMAS PENAIS EM BRANCO = SÃO AQUELAS QUE PRECISAM


DE COMPLEMENTAÇÃO POR OUTRA LEI. ELAS PODEM SER:
A) HOMOGÊNEAS: OUTRA LEI FEITA PELO MESMO ÓRGÃO.
B) HETEROGÊNEAS: OUTRA LEI FEITA POR ÓRGÃO DIFERENTE.
EX.: LEI DE DROGAS E O CONCEITO DE ENTORPECENTES PROIBIDOS
(PORTARIA ANVISA).

OBS4.: É PROIBIDA A ANALOGIA IN MALAM PARTEM (QUE PREJUDIQUE O


RÉU).

1.1.2. ANTERIORIDADE DA LEI PENAL

- A CRIMINALIZAÇÃO DA CONDUTA DEVE SER ANTERIOR AO FATO


PRATICADO.

OBS.: ANTERIORIDADE E IRRETROATIVIDADE


- SINÔNIMOS
- COMINAÇÃO DE CRIME ANTERIOR
- LEI NÃO RETROAGE
******EXCEÇÃO: A LEI SOMENTE RETROAGE (RETROATIVIDADE) SE FOR
PARA BENEFICIAR O RÉU.
- ART. 5º, XL, CF/88
- ABOLITIO CRIMINIS: CONDUTA DEIXA DE SER CRIME.
- LEI TEMPORÁRIA: POSSUI LAPSO TEMPORAL DE VIDA.

1.2. PRINCÍPIO DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA

- ART. 5º, XLVI, CF/88


- PODE SER DE TRÊS TIPOS:
A) LEGISLATIVA: CRIAÇÃO DE CRIMES E COMINAÇÃO DE PENAS
PROPORCIONAIS
B) JUDICIAL: ANÁLISE DAS CIRCUNSTÂNCIAS DO CRIME PELO JUIZ
C) ADMINISTRATIVA: A EXECUÇÃO DA PENA EM SI

1.3. PRINCÍPIO DA INTRANSCENDÊNCIA DA PENA

- ART. 5º, XLV, CF/88


- A PENA NÃO PODE ULTRAPASSAR A PESSOA DO CONDENADO.
- A PENA ACABA COM A MORTE.

OBS.: OS HERDEIROS, MESMO COM A MORTE, FICAM RESPONSÁVEIS


PELOS EFEITOS EXTRAPENAIS DA PENA, COMO POR EXEMPLO O
PAGAMENTO DE INDENIZAÇÃO CÍVEL (QUE NÃO PODE SER CONFUNDIDA
COM A MULTA, PORQUE ESTA É LIGADA COM A PENA).

1.4. PRINCÍPIO DA LIMITAÇÃO DAS PENAS OU HUMANIDADE

- ART. 5º, XLVII, CF/88


- CLÁUSULA PÉTREA
- ALGUMAS PENAS SÃO PROIBIDAS CONSTITUCIONALMENTE NO BRASIL:
A) PERPÉTUA
B) DE MORTE (EXCETO EM CRIMES MILITARES EM GUERRA)
C) TRABALHOS FORÇADOS
D) BANIMENTO

1.5. PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA OU PRESUNÇÃO DE NÃO


CULPABILDADE

- ART. 5º, LVII, CF/88


- PILAR DO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO
- CONCEITO: NINGUÉM PODE SER CONSIDERADO CULPADO ANTES DE
SENTENÇA PENAL TRANSITADA EM JULGADO (IRRECORRÍVEL).

- DECORRE DISSO:
A) ÔNUS PROBATÓRIO DO AUTOR, ACUSADOR
B) TRATAMENTO DO RÉU:
B.1. INTERNO: DENTRO DO PROCESSO.
B.2. EXTERNO: FORA DO PROCESSO.
EX.: NÃO PODE SER ELIMINADO DE UM CONCURSO PORQUE ESTÁ
SENDO ACUSADO EM UM PROCESSO CRIMINAL QUE AINDA NÃO
ACABOU.

OBS.: A PENA PROVISÓRIA NÃO FERE A PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA, É


SÓ UMA MEDIDA DO JUIZ PARA ASSEGURAR O BOM ANDAMENTO DO
PROCESSO.
EX.: PRISÃO CAUTELAR.

OBS1.: SÚMULAS E ENTEDIMENTOS JURISPRUDENCIAIS IMPORTANTES

A) SÚMULA 444, STJ: INQUÉRITO POLICIAL E PROCESSO CRIMINAL EM


CURSO NÃO PODEM SER CONSIDERADOS MAUS ANTECEDENTES.

B) STF, STJ: PARA PASSAR DO REGIME MAIS BRANDO PARA O MAIS


SEVERO BASTA O COMETIMENTO DE UMA FALTA GRAVE (CRIME
DOLOSO), E NÃO PRECISA OBRIGATORIAMENTE DE UMA SENTENÇA
PENAL TRANSITADA EM JULGADO.

C) STF, STJ: A REVOGAÇÃO DO BENEFÍCIO DA SUSPENSÃO


CONDICIONAL DO PROCESSO NÃO NECESSITA DE UMA SENTENÇA
TRANSITADA EM JULGADO, BASTA O COMETIMENTO DE UM NOVO
CRIME.

D) HC 126.292/STF: AQUI HOUVE RELATIVIZAÇÃO DO PRINCÍPIO DA


PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA (O CUMPRIMENTO DA PENA POR SER
INICIADO PELA CONDENAÇÃO EM 2ª INSTÂNCIA).

1.6. DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS RELEVANTES:

1.6.1. VEDAÇÕES CONSTITUCIONAIS APLICÁVEIS À CRIMES GRAVES

- ART. 5º, XLIII A XLIV, CF/88:


A) INAFIANÇÁVEIS: TODOS
B) IMPRESCRITÍVES: RACISMO E AÇÃO DE GRUPOS ARMADOS
C) VEDAÇÃO À GRAÇA E ANISTIA: TTTH

QUAIS SÃO?
RACISMO
AÇÃO DE GRUPOS ARMADOS
TORTURA
TERRORISMO
TRÁFICO
CRIMES HEDIONDOS
1.6.2. TRIBUNAL DO JÚRI

- ART. 5º, XXXVIII, CF/88 ------ PLENITUDE DE DEFESA


------ SIGILO DAS VOTAÇÕES
------ SOBERANIA DOS VEREDICTOS
------ CRIMES DOLOSOS CONTRA A VIDA

OBS.: TEM ATUAÇÃO TANTO NOS CRIMES DOLOSOS CONTRA A VIDA,


MAS TAMBÉM AOS CONEXOS.

OBS.: NÃO SE APLICA


A) LATROCÍNIO COM RESULTADO MORTE (CRIME PATRIMONIAL)
B) LESÃO CORPORAL COM RESULTADO MORTE (MORTE CULPOSA)
- O QUE IMPORTA AQUI É A INTENÇÃO PRINCIPAL DO CRIME.

1.6.3. MENORIDADE PENAL

- ART. 228, CF/88: OS MENORES SÃO INIMPUTÁVEIS PENALMENTE,


ESTANDO SUBMETIDOS AO ESTATUTO DA CRIANÇA E DO
ADOLESCENTE.
OBS.: A ELES SÃO APLICÁVEIS MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS (QUE NÃO
SÃO CONSIDERADAS PENAS).

2. OUTROS PRINCÍPIOS DO DIREITO PENAL

2.1. OFENSIVIDADE

- SÓ HÁ OFENSA AOS BENS JURIDICAMENTE RELEVANTES DE MANEIRA


GRAVE.
EX.: CRIAÇÃO DE UMA LEI PARA CRIMINALIZAR O ATO DE CUSPIR NA RUA
(QUE NÃO EXISTE, POIS ISSO NÃO É JURIDICAMENTE RELEVANTE,
APENAS MORALMENTE).

2.2. ADEQUAÇÃO SOCIAL

- A LEI PENAL DEVE TER ACEITAÇÃO SOCIAL.


EX.: HOJE O ADULTÉRIO NÃO É MAIS CONSIDERADO CRIME.

2.3. ALTERIDADE/LESIVIDADE

- O FATO PARA SER MATERIALMENTE CRIME DEVE CAUSAR LESÃO À


BENS JURÍDICOS DE TERCEIROS.
- NÃO É PUNÍVEL A AUTOLESÃO
EX.: UMA PESSOA SE DÁ 100 CHIBATADAS
EX.: SUICÍDIO

2.4. FRAGMENTARIEDADE

- SÓ OS FATOS EXTREMAMENTE RELEVANTES AO DIREITO PENAL


PODEM SER CRIMES.
2.5. SUBSIDIARIEDADE

- O DIREITO PENAL NÃO DEVE SER USADO A TODO O MOMENTO.


- SÓ É USADO QUANDO OUTRAS ÁREAS DO DIREITO NÃO CONSEGUEM
TUTELAR A SITUAÇÃO.

2.6. INTERVENÇÃO MÍNIMA/ULTIMA RATIO

- O DIREITO PENAL É A ÚLTIMA OPÇÃO PARA UM PROBLEMA.

2.7. NE BIS IN IDEM

- NINGUÉM PODE SER PUNIDO PELA MESMA CONDUTA DUAS VEZES.


- NINGUÉM PODE SER PROCESSADO PELO MESMO FATO.

OBS.: SÓ OCORRE EM CASO DE COISA JULGADA MATERIAL.

EX.: SE JÁ USOU A TORPEZA COMO QUALIFICADORA EM CRIME DE


HOMICÍDIO, NÃO PODE USAR ELA NOVAMENTE COMO AGRAVANTE NO
MESMO FATO.

NE BIS IN IDEM ----- VEDAÇÃO DUPLA CONDENAÇÃO


----- VEDAÇÃO DUPLO PROCESSO PELO MESMO FATO
----- VEDAÇÃO DUPLO USO DO MESMO FATO NA
DOSIMETRIA DE PENA

2.8. PROPORCIONALIDADE

- AS PENAS DEVEM SER APLICADAS DE MODO PROPORCIONAL À


GRAVIDADE DO FATO.

2.9. CONFIANÇA

- SE DEVE ACREDITAR QUE AS PESSOAS VÃO AGIR DE ACORDO COM AS


REGRAS.

2.10. INSIGNIFICÂNCIA OU BAGATELA

- AS CONDUTAS QUE OFENDEM MINIMAMENTE OS BENS JURÍDICO-


PENAIS TUTELADOS NÃO PODEM SER CONSIDERADOS CRIMES.
EX.: FURTO DE LEITE EM SUPERMERCADO.

OBS.: DEPENDE DA SITUAÇÃO


EX.: FURTO DO ÚNICO SANDUÍCHE DE UM MENDIGO.

OBS1.: STF – REQUISITOS OBJETIVOS


A) MÍNIMA OFENSIVIDADE DA CONDUTA
B) AUSÊNCIA DO PERICULOSIDADE SOCIAL DA AÇÃO
C) GRAU REDUZIDO DE REPROVABILIDADE DA CONDUTA
D) INEXPRESSIVIDADE DA LESÃO JURÍDICA

OBS2.: STJ – REQUISITOS SUBJETIVOS


- IMPORTÂNCIA DO OBJETO PARA A VÍTIMA.

OBS3.: NÃO É CABÍVEL EM


A) FURTO QUALIFICADO
B) MOEDA FALSA
C) TRÁFICO DROGAS
D) ROUBO
E) CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

OBS4.: BAGATELA IMPRÓPRIA = O QUE IMPORTA AQUI É A INTENÇÃO DO


AGENTE.
EX.: O AGENTE COM BONS ANTECEDENTES E RÉU PRIMÁRIO FURTA UM
BEM DE VALOR SIGNIFICANTE, SE ARREPENDE, DEVOLVE O BEM E
TENTA MANTER UMA BOA RELAÇÃO COM A VÍTIMA.

OBS5.: DESCAMINHO = POR MAIS QUE ESTEJA NO ROL DE CRIMES


CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, NA VERDADE É CRIME CONTRA A
ORDEM TRIBUTÁRIA E PODE TER A BAGATELA APLICADA, DESDE QUE
SEJA ATÉ O MONTANTE DE R$ 20.000,00 (STJ E STF).

OBS6.: REINCIDÊNCIA ESPECÍFICA (PRÁTICA REITERADA DE CRIMES DA


MESMA ESPÉCIE) – AFASTA A APLICAÇÃO DA BAGATELA.

3. CONCEITO E FONTES DO DIREITO PENAL

3.1. CONCEITO

- RAMO DO DIREITO PÚBLICO RESPONSÁVEL QUE PROTEGE BENS


JURÍDICOS RELEVANTES PARA A SOCIEDADE.

3.2. FONTES

A) MATERIAL: OS ÓRGÃOS QUE PRODUZEM O DIREITO PENAL (UNIÃO,


ART. 22, I, CF/88)

B) FORMAL: MODOS PELO QUAL O DIREITO PENAL SE EXTERIORIZA


B.1. IMEDIATA: LEI ORDINÁRIA (ORIUNDA DO PODER LEGISLATIVO
FEDERAL).
B.2. MEDIATA: AJUDAM DE FORMA SECUNDÁRIA OU PERIFÉRICA O
DIREITO PENAL.
EX.: COSTUMES, ATOS ADMINISTRATIVOS, PRINCÍPIOS GERAIS DO
DIREITO.

4. SÚMULAS PERTINENTES

4.1. STJ
- SUM. 09, STJ: PRISÃO CAUTELAR NÃO VEDA A PRESUNÇÃO DE
INOCÊNCIA
OBS.: SUPERADA!!!
OBS1.: SUM. 347, STJ: NÃO PRECISA ESTAR PRESO PARA RECONHECER
UM RECURSO.

- SUM. 444, STJ: INQUÉRITOS POLICIAIS E PROCESSOS CRIMINAIS EM


CURSO NÃO PODEM SER UTILIZADOS COMO MAUS ANTECEDENTES.
OBS.: HC 126.292, STF: RELATIVIZAÇÃO DA PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA
COM A UTILIZAÇÃO DA PRISÃO JÁ POR CONDENAÇÃO EM SEGUNDA
INSTÂNCIA.

- 492, STJ: ATO INFRACIONAL ANÁLOGO AO TRÁFICO DE DROGAS NÃO


CONDUZ OBRIGATORIAMENTE À APLICAÇÃO DE MEDIDA
SOCIOEDUCATIVA DE INTERNAÇÃO DO ADOLESCENTE.
OBS.: INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA AOS MENORES POR MAIS QUE A
MEDIDA SOCIOEDUCATIVA NÃO SEJA PENA.

- 502, STJ: AFASTA A APLICAÇÃO DA ADEQUAÇÃO SOCIAL PARA A VENDA


DE CDS E DVDS PIRATAS (ART. 184, §§ 1º e 2º, CP).

AULA 01 – APLICAÇÃO DA LEI PENAL. INFRAÇÃO PENAL. DISPOSIÇÕES


PRELIMINARES DO CP.

1. INFRAÇÃO PENAL

- CONDUTA PRATICADA POR PESSOA HUMANA QUE OFENDE UM BEM


JURÍDICO DE UM TERCEIRO QUE É JURIDICAMENTE TUTELADO PELO
DIREITO PENAL.

OBS.: PRINCÍPIO DA LESIVIDADE (SÓ SE HAVER OFENSA A BEM JURÍDICO


DE TERCEIRO).

OBS1.: INFRAÇÃO É GENERO COM DUAS ESPÉCIES


A) CRIME
B) CONTRAVENÇÃO

1.1. CONCEITO DE CRIME

- TRÊS ASPECTOS:
A) MATERIAL: AÇÃO HUMANA QUE LESIONA OU EXPÕE A PERIGO UM
BEM JURÍDICO PENALMENTE PROTEGIDO DE TERCEIRO.
B) LEGAL: INFRAÇÃO QUE COMINA PENA DE RECLUSÃO OU DETENÇÃO
CUMULATIVAMENTE COM MULTA OU NÃO (ART. 1º, LEI INTRODUÇÃO AO
CP)
OBS.: SE FOR PRISÃO SIMPLES OU MULTA É CONTRAVENÇÃO PENAL.
C) ANALÍTICO: TEORIA TRIPARTIDA DO CRIME
EX.: CRIME É = FATO TÍPICO
= ILÍCITO
= CULPÁVEL
1.2. CONTRAVENÇÃO PENAL

- CONCEITO: INFRAÇÕES PENAIS QUE TUTELAM BENS MENOS


RELEVANTES PARA A SOCIEDADE E, PORTANTO, SÃO MAIS BRANDOS.

2. APLICAÇÃO DA LEI PENAL

2.1. APLICAÇÃO DA LEI PENAL NO TEMPO

- PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE DAS LEIS: UMA LEI REVOGA A OUTRA,


TRATANDO O ASSUNTO COM ABORDAGEM DIFERENTE, NÃO PODE SER
IGUAL.

- REVOGAÇÃO: SUBSTITUIÇÃO PODE SER


A) TOTAL (AB-ROGAÇÃO)
B) PARCIAL (DERROGAÇÃO)

- REVOGAÇÃO: PODE SER TAMBÉM


A) EXPRESSA
B) TÁCITA

2.1.1. CONFLITO DE LEIS PENAIS NO TEMPO

2.1.1.1. LEI NOVA INCRIMINADORA

- A NOVA LEI ATRIBUI CARÁTER CRIMINOSO AO FATO QUE, ATÉ ENTÃO,


NÃO ERA CRIME.

2.1.1.2. LEX GRAVIOR

- NÃO HÁ INOVAÇÃO EM RELAÇÃO AO FATO, PORÉM ESTABELECE UMA


SITUAÇÃO MAIS GRAVOSA AO RÉU.
EX.: HOMICÍDIO PASSA DE 06 A 20 ANOS PARA 10 A 30 ANOS DE PENAS.
OBS.: BASTA TER ALGUM PREJUÍZO AO RÉU.

2.1.1.3. ABOLITIO CRIMINIS

- A NOVA LEI REVOGA ANTERIOR, DEIXANDO O FATO DE SER CRIME.

OBS.: POSSUI EFEITOS RETROATIVOS, POIS TRAZ BENEFÍCIOS AO RÉU.


OBS1.: FAZ CESSAR A PENA E OS EFEITOS PENAIS DA CONDENAÇÃO.

2.1.1.4. LEX MITIOR OU NOVATIO LEGIS IN MELLIUS

- LEI POSTERIOR REVOGA A ANTERIOR, TRAZENDO UMA SITUAÇÃO MAIS


BENÉFICA AO RÉU.

OBS.: TEM RETROATIVIDADE

2.1.1.5. LEI POSTERIOR QUE TRAZ BENEFÍCIOS E PREJUÍZOS AO RÉU


EX.: FOI PRATICADO UM FURTO, CUJA PENA É DE 01 A 04 ANOS DE
RECLUSÃO E MULTA. VEIO NOVA LEI QUE A PENA PASSA A SER DE 02 A
06 ANOS DE DETENÇÃO, SEM MULTA. A LEI NOVA É MAIS BENÉFICA
PORQUE EXTINGUIU A MULTA, PORÉM AUMENTOU A PENA MÍNIMA E
MÁXIMA.

OBS.: ADOTA-SE A TEORIA DA PONDERAÇÃO UNITÁRIA PELO STF E STJ,


OU SEJA, NÃO É POSSÍVEL COMBINAR LEIS PENAL PARA SE EXTRAIR OS
PONTOS FAVORÁVEIS DE CADA UMA DELAS, POIS AÍ O JUIZ ESTARIA
CRIANDO UMA TERCEIRA LEI (LEX TERTIA).

OBS1.: QUEM DEVE APLICAR A NOVA LEI PENAL MAIS BENÉFICA OU


ABOLITIVA:
A) PROCESSO EM CURSO – O JUIZ QUE CONDUZ O PROCESSO
B) PROCESSO JÁ TRANSITADO EM JULGADO – JUÍZO DA EXECUÇÃO
PENAL
- SÚMULA 611, STF

OBS2.: LEIS INTERMITENTES (O FATO DELAS SEREM REVOGADAS É


IRRELEVANTE)
A) EXCEPCIONAIS: PRODUZIDAS PARA VIGORAR EM DETERMINADA
SITUAÇÃO.
EX.: ESTADO DE SÍTIO, ESTADODE GUERRA, ETC.
B) TEMPORÁRIAS: FICA EM VIGOR POR DETERMINADO PERÍODO.
- ART. 3º, CP.

2.1.2. TEMPO DO CRIME

- O QUE VALE AQUI É A TEORIA DA ATIVIDADE, OU SEJA, O CRIME SE


CONSIDERA PRATICADO QUANDO DA AÇÃO OU OMISSÃO, NÃO
IMPORTANDO QUANDO OCORRE O RESULTADO.
- ART. 4º, CP.
- É A TEORIA APLICADA NO CÓDIGO PENAL.

OBS.: NO CASO DE CRIMES PERMANENTES, APLICA-SE A LEI EM VIGOR


AO FINAL DA PERMANÊNCIA DELITIVA.
O MESMO OCORRE EM RELAÇÃO AOS CRIMES CONTINUADOS (LEI DO
ÚLTIMO ATO PRATICADO).
- SÚMULA 711, STF.

2.2. APLICAÇÃO DA LEI PENAL NO ESPAÇO

- REGRA: SE APLICA A LEI DO TERRITÓRIO DO PAÍS EM QUE FOI EDITADA.

2.2.1. TERRITORIALIDADE

- REGRA
- APLICA-SE A LEI PENAL AOS CRIMES COMETIDOS NO TERRITÓRIO
NACIONAL.
- SE OCORREU NO BRASI, APLICA-SE A LEI PENAL BRASILEIRA.
- ART. 5º, CP

OBS.: EXCEÇÕES (PRINCÍPIO DA TERRITORIALIDADE TEMPERADA OU


MITIGADA)
- O TERRITÓRIO BRASILEIRO ESTENDE-SE PARA
A) MAR TERRITORIAL
B) ESPAÇO AÉREO
C) SUBSOLO
D) NAVIOS E AERONAVES PÚBLICOS
E) NAVIOS E AERONAVES PARTICULARES, QUE SE ENCONTREM EM
ALTO-MAR OU ESPAÇO AÉREO

OBS1.: PRINCÍPIO DA PASSAGEM INOCENTE


- CONVENÇÃO DE MONTEGO BAY – 1982
- EMBARCAÇÕES DE PROPRIEDADE PRIVADA DE QUALQUER
NACIONALIDADE PODEM PASSAR NO MAR TERRITORIAL DESDE QUE
NÃO AMEACEM A PAZ, SEGURANÇA E A ORDEM.
- NÃO APLICA-SE A LEI BRASILEIRA A ESTE CRIME, DESDE QUE NÃO SE
AFETE NENHUM BEM JURÍDICO NACIONAL.
EX.: UM AMERICANO MATA UM HOLANDÊS DENTRO DE UM NAVIO
ARGENTINO EM MAR TERRITORIAL BRASILEIRO, SEM OFENSA A BEM
JURÍDICO PENALMENTE RELEVANTE NO BRASIL.
- SE ESTENDE ÀS AERONAVES PRIVADAS.
- HÁ SITUAÇÃO DE “MERA PASSAGEM” E NÃO DE DESTINO FINAL.

2.2.2. EXTRATERRITORIALIDADE

- APLICA-SE A LEI PENAL BRASILEIRA A UM FATO CRIMINOSO QUE NÃO


OCORREU NO TERRITÓRIO NACIONAL.

2.2.2.1. PRINCÍPIO DA PERSONALIDADE OU DA NACIONALIDADE

- PERSONALIDADE ATIVA: APLICA-SE A LEI BRASILEIRA A CRIME


COMETIDO POR BRASILEIRO NO EXTERIOR.
- ART. 7º, I, d, II, b, CP.
EX.: GENOCÍDIO (I, d)
EX.: II, b, CP

- PERSONALIDADE PASSIVA: APLICA-SE A LEI BRASILEIRA A CRIME


COMETIDO CONTRA BRASILEIRO NO EXTERIOR
- ART. 7º, §3º, CP (NÃO FOI PEDIDA OU NEGADA A EXTRADIÇÃO, HOUVE
A REQUISIÇÃO DO MINISTRO DA JUSTIÇA).

2.2.2.2. PRINCÍPIO DO DOMICÍLIO

- APLICA-SE A LEI BRASILEIRA AO CRIME COMETIDO POR PESSOA


DOMICILIADA NO BRASIL, NÃO HAVENDO QUALQUER OUTRA CONDIÇÃO.
- ART. 7º, I, d, CP
- APLICA-SE SOMENTE AO GENOCÍDIO.
2.2.2.3. PRINCÍPIO DA DEFESA OU DA PROTEÇÃO

- DEVE HAVER OFENSA A BENS JURÍDICOS NACIONAIS, POUCO IMPORTA


O LUGAR E O AGENTE.
- ART. 7º, I, a, b, c, CP
EX.: CONTRA A VIDA OU LIBERDADE DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA;
CONTRA PATRIMÔNIO OU FÉ PÚBLICA DA U, E, DF OU M, ÓRGÃOS DO
PODER PÚBLICO; CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA OU QUEM
ESTIVER A SEU SERVIÇO.

OBS.: DETRAÇÃO PENAL (ART. 8º, CP) = CASO O AGENTE TENHA SIDO
CONDENADO NO EXTERIOR, A PENA NO BRASIL DEVE SER ABATIDA,
PARA EVITAR O BIS IN IDEM.

2.2.2.4. PRINCÍPIO DA JUSTIÇA UNIVERSAL

- SE O BRASIL SE COMPROMETEU A RECRIMINAR UMA CONDUTA POR


TRATADO INTERNACIONAL, APLICA-SE A LEI BRASILEIRA.
- ART. 7, §2º, CP

2.2.2.5. PRINCÍPIO DA REPRESENTAÇÃO OU DA BANDEIRA OU DO


PAVILHÃO

- APLICA-SE A LEI BRASILEIRA AOS NAVIOS OU AVIÕES QUE CARREGAM


A BANDEIRA BRASILEIRA.
- ART. 7º, II, c, CP

2.2.3. LUGAR DO CRIME

- TEORIA DA UBIQUIDADE OU MISTA: O LUGAR DA CONDUTA E TAMBÉM


O DO RESULTADO SÃO CONSIDERADOS COMO LOCAL DO CRIME.
- ART. 6º, CP

OBS.: LUTA
LUGAR = UBIQUIDADE
TEMPO = ATIVIDADE

2.2.4. EXTRATERRITORIALIDADE CONDICIONADA, INCONDICIONADA E


HIPERCONDICIONADA

- INCONDICIONADA: SEM CONDIÇÕES, BASTA QUE O CRIME TENHA SIDO


COMETIDO NO ESTRANGEIRO.
- ART. 7º, I, CP

- CONDICIONADA: HÁ CONDIÇÕES
- ART. 7º, II e §2º, CP.

- HIPERCONDICIONADA: ART. 7º, §3º, CP

2.3. APLICAÇÃO DA LEI PENAL EM RELAÇÃO ÀS PESSOAS


- 2.3.1. SUJEITO ATIVO

- QUEM PRATICA O DELITO.


OBS.: EXISTEM PESSOAS QUE AJUDAM A COMETER O DELITO SEM
EFETIVAMENTE REALIZAR A CONDUTA DO TIPO PENAL (CONCURSO DE
CRIMES).

OBS1.: RESPONSABILIDADE PENAL DA PESSOA JURÍDICA = SE TEM


ADMITIDO, DESDE QUE SEJA EM RELAÇÃO AOS CRIMES AMBIENTAIS
(STF, STJ – LEI N. 9.605/98).

2.3.1.1. IMUNIDADES DIPLOMÁTICAS

- EM RAZÃO DO CARGO, CARÁTER FUNCIONAL.


- DIPLOMATAS, CHEFES DE GOVERNO, MINISTROS DAS RELAÇÕES
EXTERIORES, FUNCIONÁRIOS EM SERVIÇO E AOS SEUS FAMILIARES.
- CONVENÇÃO DE VIENA DE 1969.
- É IRRENUNCIÁVEL.

OBS.: EM RELAÇÃO AOS CÔNSULES E SEUS FUNCIONÁRIOS EM


EXERCÍCIO, SÓ SE APLICA EM RAZÃO AO OFÍCIO E NÃO SE ESTENDE ÀS
SUAS FAMÍLIAS.

2.3.1.2. IMUNIDADES PARLAMENTARES

A) MATERIAL
- ART. 53, CF
- OS DEPUTADOS E SENADORES SÃO INVIOLÁVEIS CIVIL E PENALMENTE
POR SUAS OPINIÕES, PALAVRAS E VOTOS.
- STF: NÃO HÁ NECESSIDADE QUE AS PALAVRAS SEJAM PROFERIDAS
SOMENTE NO RECINTO DE TRABALHO.
- OS FATOS SÃO ATÍPICOS

OBS.: IMUNIDADE MATERIAL DOS VEREADORES (ART. 29, VIII, CF) =


DENTRO DA CIRCUNSCRIÇÃO DO MUNICÍPIO.

B) FORMAL

- RELACIONADA ÀS QUESTÕES PROCESSUAIS


- ART. 53, §3º, CF: OS AUTOS DEVEM SER ENCAMINHADOS À CASA DE
ORIGEM DO PARLAMENTAR EM 24H PARA QUE OS MEMBROS POR
MAIORIA ABSOLUTA RESOLVAM PELA PRISÃO.

OBS.: A SUSTAÇÃO DA AÇÃO PENAL É FEITA POR PARTIDO POLÍTICO


QUE POSSUA ALGUM REPRESENTANTE NAQUELA CASA, COM DECISÃO
EM 45 DIAS PELA MESA DIRETORA DA CASA.

OBS1.: EM CRIMES ANTES DA DIPLOMAÇÃO DO PARLAMENTAR, NÃO HÁ


NECESSIDADE DISSO!!!
OBS2.: AS IMUNIDADES PARLAMENTARES CONTINUAM MESMO EM
ESTADO DE SÍTIO, PODENDO SER SUSPENSAS POR 2/3 DOS MEMBROS
DA CASA.

OBS3.: O ESTADO TAMBÉM PODE SER SUJEITO PASSIVO, O QUE NÃO SE


ESTENDE AOS MORTOS E ANIMAIS.

3. DISPOSIÇÕES PRELIMINARES DO CP

3.1. CONTAGEM DE PRAZOS

- ART. 10, CP
- O DIA DO COMEÇO INCLUI-SE NO CÔMPUTO DO PRAZO.
- PRAZOS CORREM PELO CALENDÁRIO COMUM.
OBS.: TANTO FAZ SE O MÊS FOR DE 28, 29, 30 OU 31 DIAS.

3.2. FRAÇÕES NÃO COMPUTÁVEIS DE PENA

- ART. 11, CP
- NÃO SE COMPUTAM AS FRAÇÕES DE HORAS E NEM DE CENTAVOS.

3.3. EFICÁCIA DA SENTENÇA ESTRANGEIRA

- ART. 9º, CP
- SETENÇA ESTRANGEIRA NÃO PODE CONDENAR À PENAS, SOMENTE A
REPARAÇÕES CÍVEIS OU MEDIDA DE SEGURANÇA.
- O STJ QUE DEVE HOMOLOGAR ESSA SENTENÇA (ART. 105, I, i, CF)
- DEVE HAVER PROVA DO TRÂNSITO EM JULGADO (SÚMULA 420, STF).

3.4. CONFLITO APARENTE DE NORMAS

- DUAS OU MAIS NORMAS PENAIS SÃO APARENTEMENTE APLICÁVEIS A


MESMA SITUAÇÃO.

3.4.1. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE

- A NORMA ESPECIAL ABSORVE A NORMA MAIS SIMPLES, POR TER


TODOS OS ELEMENTOS DESTA MAIS ALGUNS MAIS ESPECIALIZANTES.
EX.: JOSÉ FURTA COM DESTREZA O CELULAR DE MARIA. AQUI HÁ
CONFLITO ENTRE O FURTO SIMPLES E O FURTO QUALIFICADO PELA
DESTREZA, SENDO QUE ESTE ÚLTIMO É O QUE VALE.
- ART. 12, CP

3.4.2. PRINCÍPIO DA SUBSIDIARIEDADE

- NO CONFLITO, UMA DAS NORMAS É MAIS ABRANGENTE QUE A OUTRA.


EX.: CRIME DE DANO E CRIME DE FURTO QUALIFICADO PELO
ROMPIMENTO DE OBSTÁCULO, APLICANDO-SE ESTE ÚLTIMO. O DANO É
O CRIME SUBSIDIÁRIO.
3.4.3. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO (ABSORÇÃO)

- UM FATO CRIMINOSO ABSORVE OS DEMAIS


A) CRIME PROGRESSIVO: O AGENTE QUER PRATICAR UM CRIME, MAS
PRA ISSO DEVE PRATICAR UM MENOS GRAVE.
EX.: JOSÉ QUER MATAR MARIA, COMEÇANDO A DESFERIR GOLPES,
ACABANDO POR CAUSAR A MORTE. A LESÃO CORPORAL É ABSORVIDA
PELO HOMICÍDIO.
B) PROGRESSÃO CRIMINOSA: O AGENTE ALTERA A SUA INTENÇÃO.
EX.: JOSÉ QUER LESIONAR MARIA, MAS NO DECORRER DOS GOLPES
COM BARRA DE FERRO NELA, RESOLVE MATA-LA. O HOMICÍDIO
ABSORVE A LESÃO CORPORAL.

3.4.4. PRINCÍPIO DA ALTERNATIVIDADE

- UMA MESMA NORMA DESCREVE VÁRIAS CONDUTAS.


EX.: ESTUPRO (ART. 213, CP) = CONSTRANGIMENTO À CONJUNÇÃO
CARNAL OU A PRATICAR ATO LIBIDINOSO.

3.5. SÚMULAS DO STF

- 611, STF: TRANSITADO EM JULGADO O PROCESSO, CABE AO JUIZ DAS


EXECUÇÕES PENAIS APLICAR A LEI MAIS BENIGNA.

- 711, STF: NO CASO DE CRIME CONTINUADO OU PERMANENTE, SE


APLICA A LEI MAIS GRAVE QUE ENTROU EM VIGOR DURANTE A PRÁTICA
CRIMINOSA.

- 420, STF: SÓ SE HOMOLOGA SENTENÇA ESTRANGEIRA QUANDO HÁ


PROVAS DO TRÂNSITO EM JULGADO.

3.6. SÚMULAS DO STJ

- 501, STJ: EM CASO DE CONFLITO NO TEMPO NO TRÁFICO DE DROGAS,


NÃO HÁ POSSIBILIDADE DE COMBINAÇÃO DE LEIS
OBS.: APLICAÇÃO DA TEORIA DA PONDERAÇÃO UNITÁRIA (SE USA UMA
OU OUTRA LEI, PARA EVITAR A CRIAÇÃO DE UMA TERCEIRA LEI – LEX
TERTIA – SOB PENA DE FERIR A SEPARAÇÃO DE PODERES, JÁ QUE
CRIAR LEIS NÃO É UMA COMPETÊNCIA TÍPICA DO JUDICIÁRIO).

AULA 02 – DO CRIME (CONCEITO. ELEMENTOS – PARTE I – FATO TÍPICO,


CLASSIFICAÇÃO DOS CRIMES – DOLOSO, CULPOSO, CONSUMADO,
TENTADO E IMPOSSÍVEL. ILICITUDE)

1. CRIME

O Crime pode ser entendido sob três aspectos: Material, formal (legal) e
analítico:
- Formal (legal) – Crime é a conduta prevista em Lei como crime. No Brasil, mais
especificamente, é toda infração penal a que a lei comina pena de reclusão ou
detenção
- Material – Crime é a conduta que afeta, de maneira significativa (mediante lesão
ou exposição a perigo), um bem jurídico relevante de terceira pessoa.
- Analítico – Adoção da teoria tripartida. Crime é composto por fato típico, ilicitude
e culpabilidade.

2. FATO TÍPICO E SEUS ELEMENTOS

- O fato típico também se divide em elementos, são eles:


a) Conduta humana (alguns entendem possível a conduta de pessoa jurídica) –
Adoção da teoria FINALISTA: conduta humana é a ação ou omissão voluntária
dirigida a uma determinada finalidade.
b) Resultado naturalístico – É a modificação do mundo real provocada pela
conduta do agente. Apenas nos crimes materiais se exige um resultado
naturalístico. Nos crimes formais e de mera conduta não há essa exigência. Além
do resultado naturalístico (que nem sempre estará presente), há também o
resultado jurídico (ou normativo), que é a lesão ao bem jurídico tutelado pela
norma penal. Esse resultado sempre estará presente.
c) Nexo de causalidade – Nexo entre a conduta do agente e o resultado. Adoção,
pelo CP, da teoria da equivalência dos antecedentes (considera-se causa do
crime toda conduta sem a qual o resultado não teria ocorrido). Utilização do
elemento subjetivo (dolo ou culpa) como filtro, para evirar a “regressão infinita”.
Adoção, subsidiariamente, da teoria da causalidade adequada, na hipótese de
superveniência de causa relativamente independente que produz, por si só, o
resultado.
OBS.: Teoria da imputação objetiva não foi expressamente adotada pelo CP,
mas há decisões jurisprudenciais aplicando a Teoria.
d) Tipicidade – É a adequação da conduta do agente à conduta descrita pela
norma penal incriminadora (tipicidade formal). A tipicidade material é o
desdobramento do conceito material de crime: só haverá tipicidade material
quando houver lesão (ou exposição a perigo) significativa a bem jurídico
relevante de terceiro (afasta-se a tipicidade material, por exemplo, quando se
reconhece o princípio da insignificância).
OBS.: Adequação típica mediata: Nem sempre a conduta praticada pelo agente
se amolda perfeitamente ao tipo penal (adequação imediata). Às vezes é
necessário que se proceda à conjugação de outro dispositivo da Lei Penal para
se chegar à conclusão de que um fato é típico (adequação mediata).
Ex.: homicídio tentado (art. 121 + art. 14, II do CP).

3. CRIME DOLOSO E CRIME CULPOSO

3.1. Crime Doloso

a) Dolo Direto de 1º Grau


- Composto pela consciência de que a conduta pode lesar um bem jurídico + a
vontade de violar (pela lesão ou exposição a perigo) este bem jurídico.
Ex.: Madonna quer eliminar a rival Lady Gaga e, para isso, resolve mata-la a
tiros no Met Gala, o que efetivamente o fez.
b) Dolo Direto de 2º Grau
- Dolo com efeitos colaterais necessários
Ex.: Jay-Z e Beyoncé querem matar Aaliyah e se certificam pessoalmente que a
bagagem está com 300kg a mais da capacidade, bem como alcoolizaram e
drogaram o piloto do avião. O avião cai nas Bahamas matando Aaliyah e toda a
tripulação.
c) Dolo Eventual
- Consiste na consciência de que a conduta pode gerar um resultado criminoso
+ a assunção desse risco, mesmo diante da probabilidade de algo dar errado.
Ex.: Rihanna, chefa do tráfico, tem uma propriedade em Barbados e resolve
praticar tiro esportivo (mesmo sabendo que as balas podem atravessar o alvo).
Rihanna não quer atingir ninguém, porém, acabou por alvejar Nicki Minaj,
matando-a. Rihanna responderá por homicídio doloso por dolo eventual.

d) Dolo genérico – É, basicamente, a vontade de praticar a conduta descrita no


tipo penal,
sem nenhuma outra finalidade.
e) Dolo específico, ou especial fim de agir – Em contraposição ao dolo genérico,
nesse caso o agente não quer somente praticar a conduta típica, mas o faz por
alguma razão especial, com alguma finalidade específica.
f) Dolo geral, por erro sucessivo, ou aberratio causae – Ocorre quando o agente,
acreditando ter alcançado seu objetivo, pratica nova conduta, com finalidade
diversa, mas depois se constata que esta última foi a que efetivamente causou
o resultado.
Trata-se de erro na relação de causalidade, pois embora o agente tenha
conseguido alcançar a finalidade proposta, somente o alcançou através de outro
meio, que não tinha direcionado para isso.
g) Dolo antecedente, atual e subsequente – O dolo antecedente é o que se dá
antes do início da execução da conduta. O dolo atual é o que está presente
enquanto o agente se mantém exercendo a conduta, e o dolo subsequente
ocorre quando o agente, embora tendo iniciado a conduta com uma finalidade
lícita, altera seu ânimo, passando a agir de forma ilícita.

3.2. Crime Culposo

- Violação a um dever de cuidado


- Pode se dar por:
a) Negligência: falta de cautela na conduta que gerou lesão a bem de terceiro
b) Imprudência: afoito (prática de atos temerários), sem prudência
c) Imperícia: não prestou atenção a um dever técnico profissional na conduta

- É composto por:
a) Conduta voluntária
b) Resultado involuntário
c) Nexo
d) Tipicidade: previsão expressa neste sentido
e) Previsibilidade Objetiva: resultado ocorrido dentro do previsível, esforço
intelectual razoável. Previsibilidade do “homem médio”.

- Modalidades de culpa:
a) Culpa Consciente e Inconsciente
- Consciente: previsibilidade subjetiva (prevê o resultado, mas não acha que vai
ocorrer)
Ex.: Caçador que, avistando um companheiro próximo do animal que deseja
abater, confia em sua condição de perito atirador para não atingi-lo quando
disparar, causando, ao final, lesões ou morte da vítima ao atirar.
OBS.: É DIFERENTE DO DOLO EVENTUAL, POIS NESTE O AGENTE PREVÊ
O RESULTADO E NÃO SE IMPORTA SE ELE OCORRER.
- Inconsciente: previsibilidade objetiva (não prevê o resultado, mas acaba
ocorrendo)
Ex.: Indivíduo que atinge involuntariamente a pessoa que passava pela rua,
porque atirou um objeto pela janela por acreditar que ninguém passaria naquele
horário.

b) Culpa Própria e Imprópria


- Própria: não quer o resultado. É A CULPA PROPRIAMENTE DITA.
- Imprópria: o agente quer o resultado, mas, por erro inescusável, acredita que o
está fazendo amparado por uma causa excludente da ilicitude ou da
culpabilidade. A culpa, portanto, não está na execução da conduta, mas no
momento de escolher praticar a conduta.
Ex.: O pai, que ao perceber um barulho de madrugada, se levanta, avista um
vulto e determina sua parada. Dispara três tiros (o vulto não parou), acreditando
estar defendendo sua família (legítima defesa). Porém, na verdade era o seu
filho que tinha fugido para ir a um show.

c) Crime preterdoloso: O crime preterdoloso ocorre quando o agente, com


vontade de praticar determinado crime (dolo), acaba por praticar crime mais
grave, não com dolo, mas por culpa.
Ex.: Luciana agride Mariana com intenção apenas de lesiona-la (dolo de praticar
o crime de lesão corporal). Contudo, em razão da força empregada por Luciana,
Mariana cai e bate com a cabeça no chão, vindo a falecer.
Neste caso, Luciana praticou crime de lesão corporal seguida de morte, que é
um crime preterdoloso (dolo na conduta inicial, mas resultado obtido a título de
culpa).

4. CRIME CONSUMADO, TENTADO E IMPOSSÍVEL

a) Consumado: alcançou o resultado com todos os elementos da conduta


criminosa. CRIME COMPLETO E ACABADO.

b) Tentado: o resultado não ocorre por circunstâncias alheias à vontade do


agente.
Ex.: Marcelo quer matar Rodrigo, dispara 05 tiros, porém, Rodrigo consegue
sobreviver, mas fica paraplégico.

- Adoção da teoria objetiva da punibilidade da tentativa: como regra, o agente


responde pela pena do crime consumado, diminuída de um a dois terços. -
EXCEÇÃO:
(1) crimes em que a mera tentativa de alcançar o resultado já consuma o delito.
Ex: art. 352 do CP (Evasão mediante violência contra a pessoa);
(2) outras exceções legais.
c) Impossível (crime oco): o resultado não ocorre por ser absolutamente
impossível sua ocorrência, em razão: (1) da absoluta impropriedade do objeto;
ou (2) da absoluta ineficácia do meio. Adoção da teoria objetiva da punibilidade
da tentativa inidônea: a conduta do agente não é punível.
Ex.: TENTAR MATAR ALGUÉM QUE JÁ ESTÁ MORTO!!!!

d) Desistência Voluntária: AQUI O AGENTE NÃO TERMINA TODOS OS ATOS


EXECUTÓRIOS
- Na desistência voluntária o agente, por ato voluntário, desiste de dar sequência
aos atos executórios, mesmo podendo fazê-lo.
Ex.: O agente AA, com vontade de matar seu inimigo BB, agride-o com faca e
nele causa várias lesões corporais. A vítima foge e, na perseguição, cai
prostrada em razão dos ferimentos. Prestes a receber o golpe mortal, a vítima
suplica pela vida. Sensibilizado, o agente afasta-se do local. A vítima, socorrida,
é levada a um hospital onde se restabelece.
Ex.: Uma pessoa dá um tiro na outra, guarda a arma e vai embora, isto é uma
hipótese de desistência voluntária.

FÓRMULA DE FRANK:
(1) Na tentativa – O agente quer, mas não pode prosseguir;
(2) Na desistência voluntária – O agente pode, mas não quer prosseguir. Se o
resultado não ocorre, o agente não responde pela tentativa, mas apenas pelos
atos efetivamente praticados.

e) Arrependimento Eficaz: AQUI O AGENTE TERMINA TODOS OS ATOS


EXECUTÓRIOS
- Aqui o agente já praticou todos os atos executórios que queria e podia, mas
após isto, se arrepende do ato e adota medidas que acabam por impedir a
consumação do resultado. Se o resultado não ocorre, o agente não responde
pela tentativa, mas apenas pelos atos efetivamente praticados.
Ex.: Joelma quis matar Chimbinha, desferindo vários tiros, porém, se arrepende
e resolve leva-lo ao hospital para que seja salvo.
Ex.: Se a pessoa dá um veneno e depois dá um antídoto depois de envenenar,
isto seria hipótese de arrependimento eficaz.

f) Arrependimento Posterior: NÃO EXCLUI O CRIME PORQUE ELE JÁ SE


CONSUMOU.
Ex.: Imagine o crime de dano (art. 163 do CP), no qual o agente quebra a vidraça
de uma padaria, revoltado com o esgotamento do pão francês naquela tarde.
Nesse caso, se antes do recebimento da queixa o agente ressarcir o prejuízo
causado, ele responderá pelo crime, mas a pena aplicada deverá ser diminuída
de um a dois terços.
- Não exclui o crime, pois este já se consumou. Ocorre quando o agente repara
o dano provocado ou restitui a coisa.
- Consequência: diminuição de pena, de um a dois terços.
- Só cabe:
*Nos crimes em que não há violência ou grave ameaça à pessoa;
*Se a reparação do dano ou restituição da coisa é anterior ao recebimento da
denúncia ou queixa.
INSTITUTO RESUMO CONSEQUÊNCIAS
TENTATIVA Agente pratica a Responde pelo crime,
conduta delituosa, mas com redução de pena de
não ocorre o resultado 1/3 a 2/3 da pena.
por circunstâncias
alheias à sua vontade.
DESISTÊNCIA O agente INICIA a Responde apenas pelos
VOLUNTÁRIA prática da conduta atos já praticados.
delituosa, mas se Desconsidera-se o “dolo
arrepende, e CESSA a inicial”, e o agente é
atividade criminosa punido apenas pelos
(mesmo podendo danos que efetivamente
continuar) e o causou.
RESULTADO NÃO
OCORRE.
ARREPENDIMENTO O agente INICIA a Responde apenas pelos
EFICAZ prática da conduta atos já praticados.
delituosa E COMPLETA Desconsidera-se o “dolo
A EXECUÇÃO DA inicial”, e o agente é
CONDUTA, mas se punido apenas pelos
arrepende do que fez e danos que efetivamente
toma as providências causou.
para que o resultado
inicialmente pretendido
não ocorra. O resultado
NÃO ocorre.
ARREPENDIMENTO O agente completa a O agente tem a pena
POSTERIOR execução da atividade reduzida de 1/3 a 2/3.
criminosa e o resultado
efetivamente ocorre.
Porém, após a
ocorrência do resultado,
o agente se arrepende E
REPARA O DANO ou
RESTITUI A COISA.
1. Só pode ocorrer nos
crimes cometidos sem
violência ou grave
ameaça à pessoa
2. Só tem validade se
ocorre antes do
recebimento da
denúncia ou queixa.
5. ILICITUDE (ANTIJURIDICIDADE)

- Condição de contrariedade da conduta perante o Direito.


- TODA A CONDUTA TÍPICA É ILÍCITA.
- Causas de exclusão da ilicitude:
a) Genéricas: Art. 23, CP (APLICADO EM TODO E QUALQUER CRIME)
b) Específicas: específicas de determinado crime.

6. CAUSAS GENÉRICAS DE EXCLUSÃO DA ILICITUDE

6.1. ESTADO DE NECESSIDADE

- ART. 24, CP
- TEORIA UNITÁRIA
Ex.: Marcos e João estão num avião que está caindo. Só há uma mochila com
paraquedas. Marcos agride João até causar-lhe a morte, a fim de que o
paraquedas seja seu e ele possa se salvar. Nesse caso, o bem jurídico que
Marcos buscou preservar (vida) é de igual valor ao bem sacrificado (Vida de
João). Assim, Marcos não cometeu crime, pois agiu coberto por uma excludente
de ilicitude, que é o estado de necessidade.
- Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de
perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar,
direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável
exigir-se.

Obs.: Se o bem sacrificado era de valor maior do que o bem protegido: NÃO HÁ
JUSTIFICATIVA. A CONDUTA É ILÍCITA. O agente tem a pena diminuída de 1
a 2/3.

- Requisitos:
a) Não ter sido criada voluntariamente pelo agente: ou seja, se foi ele mesmo
quem deu causa, não poderá sacrificar o direito de um terceiro a pretexto de
salvar o seu.
b) Perigo atual: O perigo deve estar ocorrendo. A lei não permite o estado de
necessidade diante de um perigo futuro, ainda que iminente.
c) Exposição à lesão de bem jurídico próprio ou de terceiro
d) O agente não tem dever de impedir o resultado
e) Bem jurídico sacrificado deve ser de valor igual ou inferior ao bem protegido:
Se o bem sacrificado era de valor maior que o bem protegido, não há justificação.
A conduta é ilícita. O agente, contudo, tem a pena diminuída de um a dois terços.
f) Atitude necessária: O agente deve agir nos estritos limites do necessário. Caso
se exceda, responderá pelo excesso (culposo ou doloso).

- Espécies:

a) Agressivo – Quando para salvar seu bem jurídico o agente sacrifica bem
jurídico de um terceiro que não provocou a situação de perigo.
b) Defensivo – Quando o agente sacrifica um bem jurídico de quem ocasionou a
situação de perigo.
c) Real – Quando a situação de perigo efetivamente existe.
d) Putativo – Quando a situação de perigo não existe de fato, apenas na
imaginação do agente.
Ex.: Imaginemos que no caso do colete salva-vidas, ao invés de ser o último,
existisse ainda uma sala repleta deles. Assim, a situação de perigo apenas
passou pela cabeça do agente, não sendo a realidade, pois havia mais coletes.
Nesse caso, o agente incorreu em erro, que se for um erro escusável (o agente
não tinha como saber da existência dos outros coletes), excluirá a imputação do
delito (a maioria da Doutrina entende que teremos exclusão da culpabilidade).
Já se o erro for inescusável (o agente era marinheiro há muito tempo, devendo
saber que existia mais coletes), o agente responde pelo crime cometido, MAS
NA MODALIDADE CULPOSA, se houver previsão em lei.

Obs.: STJ = A SIMPLES ALEGAÇÃO DE MISERABILIDADE NÃO GERA


ESTADO DE NECESSIDADE PARA QUE SEJA EXCLUÍDA A ILICITUDE DO
FATO.

6.2. LEGÍTIMA DEFESA

- ART. 25, CP
- Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos meios
necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de
outrem.
Ex.: Se o animal estiver sendo utilizado como instrumento de um crime (dono
determina ao cão bravo que morda a vítima), o agente poderá agir em legítima
defesa. Entretanto, a legítima defesa estará ocorrendo em face do dono (lesão
ao seu patrimônio, o cachorro), e não em face do animal.

- Requisitos:

a) Agressão Injusta – Assim, se a agressão é justa, não há legítima defesa.


b) Atual ou iminente – A agressão deve estar acontecendo ou prestes a
acontecer.
Ex.: se Paulo encontra, em local ermo, Poliana, sua ex-mulher, que por vingança
ameaçou matá-lo, e esta saca uma arma, Paulo poderá repelir essa agressão
iminente, pois ainda que não tenha acontecido, não se pode exigir que Paulo
aguarde Poliana começar a efetuar os disparos.
c) Contra direito próprio ou alheio – A agressão injusta pode estar acontecendo
ou prestes a acontecer contra direito do próprio agente ou de um terceiro.
Ex.: Se Paulo agride Roberto porque ele está agredindo Poliana, não comete
crime, pois agiu em legítima defesa da integridade física de terceiro (Poliana).
d) Reação proporcional – O agente deve repelir a agressão injusta, valendo-se
dos meios.
necessários, mas sem se exceder. Caso se exceda, responderá pelo excesso
(culposo ou doloso).

OBS.: NA LEGÍTIMA DEFESA, DIFERENTE DO ESTADO DE NECESSIDADE,


O AGREDIDO NÃO É OBRIGADO A FUGIR DO AGRESSOR, AINDA QUE
POSSA.

- Espécies:
a) Agressiva – Quando o agente pratica um fato previsto como infração penal.
b) Defensiva – O agente se limita a se defender, não atacando nenhum bem
jurídico do
agressor.
c) Própria – Quando o agente defende seu próprio bem jurídico.
d) De terceiro – Quando defende bem jurídico pertencente a outra pessoa.
e) Real – Quando a agressão a iminência dela acontece, de fato, no mundo real.
f) Putativa – Quando o agente pensa que está sendo agredido ou que esta
agressão irá ocorrer, mas, na verdade, trata-se de fruto da sua imaginação.

- Tópicos importantes:
 Não cabe legítima defesa real em face de legítima defesa real: pois se o
primeiro age em legítima defesa real, sua agressão não é injusta, o que
impossibilita reação em legítima defesa.
 Cabe legítima defesa real em face de legítima defesa putativa
Ex.: se A pensa estar sendo ameaçado por B e o agride (legítima defesa
putativa), B poderá agir em legítima defesa real.
Isto porque a atitude de A não é justa, logo, é uma agressão injusta, de
forma que B poderá se valer da legítima defesa (A até pode não ser
punido por sua conduta, mas isso se dará pela exclusão da culpabilidade
em razão da legítima defesa putativa).
 Cabe legítima defesa sucessiva
 Sempre caberá legítima defesa em face de conduta que esteja
acobertada apenas por causa de exclusão da culpabilidade
 NUNCA haverá possibilidade de legítima defesa real em face de qualquer
causa de exclusão da ilicitude real.

6.3. ESTRITO CUMPRIMENTO DO DEVER LEGAL

- Art. 23, III, CP


- Ocorre quando o agente pratica fato típico, mas o faz em cumprimento a um
dever previsto em lei.
Ex.: O Policial tem o dever legal de manter a ordem pública. Se alguém comete
crime, eventuais lesões corporais praticadas pelo policial (quando da
perseguição) não são consideradas ilícitas, pois embora tenha sido provocada
lesão corporal (prevista no art. 129 do CP), o policial agiu no estrito cumprimento
do seu dever legal.

OBS.: Quando o policial, numa troca de tiros, acaba por ferir ou matar um
suspeito, ele não age no estrito cumprimento do dever legal, mas em legítima
defesa. Isso porque o policial só pode atirar contra alguém quando isso for
absolutamente necessário para repelir injusta agressão contra si ou contra
terceiros.

OBS.: É muito comum ver pessoas afirmarem que essa causa só se aplica aos
funcionários públicos. ERRADO! O particular também pode agir no estrito
cumprimento do dever legal. O advogado, por exemplo, que se nega a
testemunhar sobre fato conhecido em razão da profissão, não pratica crime, pois
está cumprindo seu dever legal de sigilo, previsto no estatuto da OAB. Esse é
apenas um exemplo.

OBS.:
 Se um terceiro colabora com aquele que age no estrito cumprimento do
dever legal, a ele também se estende essa causa de exclusão da ilicitude
(há comunicabilidade).
 O particular também pode agir no estrito cumprimento do dever legal.

6.4. EXERCÍCIO REGULAR DE DIREITO

- Art. 23, III, CP


- Ocorre quando o agente pratica fato típico, mas o faz no exercício de um direito
seu. Dessa forma, quem age no legítimo exercício de um direito seu, não poderá
estar cometendo crime, pois a ordem jurídica deve ser harmônica.
Ex.: Lutador de vale-tudo que agride o oponente.

Obs.: Excesso Punível


- Da mesma forma que nas demais hipóteses, o agente responderá pelo excesso
(culposo ou doloso). O excesso, aqui, irá se verificar sempre que o agente
ultrapassar os limites do direito que possui (não estará mais no exercício
REGULAR de direito).
Ex.: Ainda tomando o caso do pugilista, se o mesmo não cessar a luta após o
comando “Stop” ou “Break”, ou após soar o gongo, levando o adversário a óbito,
poderá ser processado por homicídio.

- PARA LEITURA:
- ART. 13, CP (NEXO DE CAUSALIDADE, OMISSÃO)
- ART. 14 A 17, CP (CONSUMAÇÃO E TENTATIVA)
- ART. 18, CP (DOLO E CULPA)
- ART. 23 A 25, CP (EXCLUSÃO DA ILICITUDE)

- SÚMULA 567, STJ: SISTEMA DE VIGILÂNCIA REALIZADO POR


MONITORAMENTO ELETRÔNICO OU POR EXISTÊNCIA DE SEGURANÇA
NO INTERIOR DE ESTABELECIMENTO COMERCIAL, POR SI SÓ, NÃO
TORNA IMPOSSÍVEL A CONFIGURAÇÃO DO CRIME DE FURTO.

AULA 03 – TEORIA GERAL DO DELITO (PARTE II): CULPABILIDADE


(IMPUTABILIDADE). ERRO.

1. CULPABILIDADE

- JUÍZO DE REPROVABILIDADE ACERCA DA CONDUTA DO AGENTE,


CONSIDERANDO-SE AS SUAS CIRCUNSTÂNCIAS PESSOAIS.

PSICOLÓGICA IMPUTABILIDADE
(PRESSUPOSTO) + DOLO OU
CULPA
PSICOLÓGICO-NORMATIVA IMPUTABILIDADE + EXIGIBILIDADE
DE CONDUTA DIVERSA + CULPA +
DOLO NATURAL (CONSCIÊNCIA E
VONTADE) + DOLO NORMATIVO
(CONSCIÊNCIA DA ILICITUDE)
EXTREMADA IMPUTABILIDADE + EXIGIBILIDADE
DE CONDUTA DIVERSA + DOLO
NORMATIVO (POTENCIAL
CONSCIÊNCIA DA ILICITUDE)
LIMITADA IMPUTABILIDADE + EXIGIBILIDADE
DE CONDUTA DIVERSA + DOLO
NORMATIVO (POTENCIAL
CONSCIÊNCIA DA ILICITUDE) +
DISCRIMINANTES PUTATIVAS
(ADOTADA PELO CP)

2. IMPUTABILIDADE

- CAPACIDADE MENTAL DE ENTENDER O CARÁTER ILÍCITO DA CONDUTA


E DE COMPORTAR-SE CONFORME O DIREITO.

- CRITÉRIOS

BIOLÓGICO CARACTERÍSTICA BIOLÓGICA


(DOENÇA MENTAL OU
DETERMINADA IDADE)
OBS.: ADOTADA PELO CP
(INIMPUTABILIDADE PENAL POR
MENORIDADE).
PSICOLÓGICO DEPENDE DA ANÁLISE DO CASO
BIOPSICOLÓGICO BIOLÓGICO (DOENÇA MENTAL OU
IDADE) + NECESSIDADE DE
AVALIAR O AGENTE.
OBS.: ADOTADA PELO CP
(INIMPUTABILIDADE POR
DOENÇA MENTAL E EMBRIAGUEZ
DECORRENTE DE CASO
FORTUITO OU FORÇA MAIOR).

3. CAUSAS DE INIMPUTABILIDADE PENAL (EXCLUSÃO DA


IMPUTABILIDADE)

- MENORIDADE PENAL: MENORES DE 18 ANOS


- DOENÇA MENTAL E DESENVOLVIMENTO MENTAL INCOMPLETO OU
RETARDADO – REQUISITOS:
A) QUE O AGENTE POSSUA DOENÇA
B) QUE O AGENTE SEJA INTEIRAMENTE INCAPAZ DE ENTENDER O
CARÁTER ILÍCITO DO FATO OU INTEIRAMENTE INCAPAZ DE
DETERMINAR-SE CONFORME ESTE ENTENDIMENTO (CRITÉRIO
PSICOLÓGICO).

Obs.: Se, em decorrência da doença, o agente tinha discernimento PARCIAL


(semi-imputabilidade), NÃO É ISENTO DE PENA (não afasta a imputabilidade).
Neste caso, há redução de pena (um a dois terços).

Embriaguez – Requisitos:
- Que o agente esteja completamente embriagado (critério biológico)
- Que se trate de embriaguez decorrente de caso fortuito ou força maior
- Que o agente seja inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato
OU
inteiramente incapaz de determinar-se conforme este entendimento (critério
psicológico)
Obs.: Se, em decorrência da embriaguez, o agente tinha discernimento
PARCIAL (semiimputabilidade), NÃO É ISENTO DE PENA (não afasta a
imputabilidade). Neste caso, há redução de pena (um a dois terços).

Obs.: Potencial Consciência da Ilicitude


- Possibilidade de o agente, de acordo com suas características, conhecer o
caráter ilícito do fato.
- Quando o agente atua acreditando que sua conduta não é penalmente ilícita,
comete erro de proibição.

Obs.: Exigibilidade de Conduta Diversa


- Não basta que o agente seja imputável e que tenha potencial conhecimento da
ilicitude do fato, é necessário, ainda, que o agente pudesse agir de outro modo.
Não havendo tal elemento, afastada está a culpabilidade.
Exemplos:
- Coação Moral Irresistível: Ocorre quando uma pessoa coage outra a praticar
determinado crime, sob a ameaça de lhe fazer algum mal grave.
- Obediência hierárquica: É o ato cometido por alguém em cumprimento a uma
ordem não manifestamente ilegal proferida por um superior hierárquico.
Obs.: só se aplica aos funcionários públicos.

4. ERRO

- Erro de tipo essencial: É a representação errônea da realidade.


 Escusável – Quando o agente não poderia conhecer, de fato, a presença
do elemento do tipo. Qualquer pessoa, nas mesmas condições, cometeria
o mesmo erro.
 Inescusável – Ocorre quando o agente incorre em erro sobre elemento
essencial do tipo, mas poderia, mediante um esforço mental razoável, não
ter agido desta forma.

- Erro sobre a pessoa: Aqui o agente pratica o ato contra pessoa diversa da
pessoa visada, por confundi-la com a pessoa que deveria ser o alvo do delito.
Obs.: O agente responde como se tivesse praticado o crime CONTRA A
PESSOA VISADA (teoria da equivalência).

- Erro sobre o nexo causal: O agente alcança o resultado efetivamente


pretendido, mas em razão de um nexo causal diferente daquele que o agente
planejou.
a) Erro sobre o nexo causal em sentido estrito: com um só ato, provoca o
resultado pretendido.
b) Dolo geral ou aberratio causae: dolo geral ou sucessivo

- Erro na execução:

Você também pode gostar