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EXMO SR(A) DR(A) JUIZ(A) DE DIREITO DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL

DE NOVA FRIBURGO – RJ

FÁBIO CHRISTENSEN DE CARVALHO, brasileiro, solteiro, autônomo, portador


do RG nº 011472777-9 e do CPF 083.120.507-52, com residência à Rua Aymoré, s/n lt
06, Cônego, Nova Friburgo – RJ, vem por intermédio de seus advogados com
instrumento de procuração anexado propor a seguinte AÇÃO DE REPARAÇÃO DE
DANOS MATERIAS C/C DANOS MORAIS em face de Grupo HU Viagens e
Turismo S.A, inscrito no CNPJ nº 12.954.744/0001-24, com endereço na Av. João
Cabral de Mello Neto, nº 400, 7º Andar, Península Corporate, Barra da Tijuca,
Rio de Janeiro - RJ

Dos Fatos

O autor contratou um pacote de viagem com a empresa reclamada em 17 de julho de


2017 que incluía os seguintes destinos europeus: Roma (Itália), Paris (França), Lisboa
(Portugal), Londres (Inglaterra) e Amsterdam (Holanda). Estando o mesmo
acompanhado de sua esposa Tatiana Duarte Moraes, de sua filha Julia Moraes Carvalho
e de uma amiga de sua filha Isabelly de Carvalho Costa Leite, sendo sua filha e a
citada amiga menores de idade, estando sim, o autor responsável pelas mesmas.

Mesmo tendo contratado o referido pacote turístico há mais de um ano, a empresa ré


apenas confirmou a viagem no dia 01/08/2018, ressaltando que o início do roteiro se
deu no dia 13/08/2018, ou seja, com prazo exíguo.

Ocorre que a viagem, que era para ser um sonho realizado, tornou-se um pesadelo com
os problemas que vieram a seguir.

Nos traslados de Paris para Lisboa, Lisboa para Londres e por fim Londres para
Amsterdam foi cobrado uma taxa de bagagem, na qual não fora informado ao autor,
tendo mesmo dispendido do valor de 200,00 Euros nos dois primeiros translados
anteriormente citados, o que totaliza 400,00 Euros, o que em valores nacionais
corrigidos totalizam R$ 1.910,91 (Dois mil, oitocentos e oitenta e seis reais e nove
centavos), conforme o câmbio de atual de R$ 4,81 (quatro reais e oitenta e um
centavos) o Euro. Sendo o ultimo traslado – Londres x Amsterdam – a cobrança de 83,
96 Libras Esterlina, que convertido para Reais totaliza R$ 493,61 (quatrocentos e
noventa e três reais e sessenta e um centavos).

Como se não bastasse o autor não ter sido informado sobre as taxas de bagagens, sendo
que a própria empresa ré admite o erro, conforme se verifica nos e-mails anexados aos
autos, a empresa ainda cometeu outro erro absurdo, inaceitável.

O autor com sua família e cia, ao chegarem no destino Amsterdam uma outra
“desagradável surpresa” veio a ocorrer. A empresa ré havia dado entrada no hotel que
ficariam para o dia 26/08/2018, EXATAMENTE O DIA DE RETORNO AO
BRASIL, conforme consta da confirmação da viagem acostada aos autos.

Cabe ressaltar que o reclamante chegou ao referido destino acima citado no dia
23/08/2018, às 21:25, do horário local e por este novo equívoco, estiveram que aguardar
por aproximadamente 3 (três) horas no saguão do hotel, sendo este fato agravado pois o
autor não domina o idioma holandês, tendo sido posteriormente encaminha para outro
hotel na qual foi compelido a pagar uma taxa de hospedagem no valor de 68 Euros, que
convertido totaliza R$ 324,85 (trezentos e vinte quatro reais e oitenta e cinco
centavos)

Por fim, o autor ainda teve como revés os localizadores de voo com exceção dos
localizadores da empresa Alitália. No entanto os demais foram resolvidos através de
“chat” on-line, o que ocasionou dificuldades de fazer o check-in, sendo que alguns só
foram possíveis dentro do aeroporto. Todos esses fatos ocorridos em outros países, o
que demonstra que todo o ocorrido NÃO FOI MERO ABORRECIMENTO.

Houve também o gasto de 89,20 Libras Esterlina, referente ao serviço de transporte por
aplicativo para trasladar até o aeroporto e Londres e que convertido o valor totaliza R$
482,91 (quatrocentos e oitenta e dois reais e noventa e um centavos)

O autor tentou resolver administrativamente diversas vezes via e-mail, e via chat,
(Protocolo de atendimento: #20924367), no entanto todas as tentativas foram
infrutíferas. Conforme consta dos protocolos nº 1265458 e 1265457. Não possuindo
assim alternativa senão resolver pela via judicial.

Dos Direitos

Tendo em vista os fatos acima descritos, o autor pleiteia o a reparação do danos


materiais dispendido, bem como os danos morais.

O código civil de 2002 especifica em seu artigo 186, que:


Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária,
negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a
outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.

Bem como fica explícito no artigo 14 do Código de Consumidor:

Art. 14. O fornecedor de serviços responde


independentemente da existência de culpa, pela reparação dos
danos causados aos consumidores por defeitos relativos à
prestação dos serviços, bem como por informações
insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos.

Toda prestação de serviço deve ser eficiente, entendendo assim que o serviço quando
contratado deve ser claro quanto aos ônus, o que definitivamente não ocorreu.

O autor se viu em condição de vulnerabilidade em sua viagem, ao ser informado, em


outro país, sobre os gastos referentes às bagagens.

Tal fato comprova cabalmente que a empresa ré praticou ato ilícito, devendo, desta
forma, reparar o dano ocasionado. Assim reza o artigo 927 do código civil.

Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar
dano a outrem, fica obrigado a repará-lo.

De tal sorte que o autor contratou o referido pacote de viagem pelo valor R$ ...

Conforme assinala a doutrina a respeito do dano material:

Todo prejuízo resultante da perda, deterioração ou


depreciação de um bem é, em princípio, indenizável. Nesse
sentido, não há diferença entre dano contratual e
extracontratual.
Para que ocorra o dever de indenizar não bastam, portanto,
um ato ou conduta ilícita e o nexo causal; é necessário que
tenha havido decorrente repercussão patrimonial negativa
material ou imaterial no acervo de bens, no patrimônio, de
quem reclama. A culpa pode ser dispensada nos caso sem
que se admite a responsabilidade objetiva.

Da Responsabilidade Objetiva
Conforme exposto acima, a necessidade de reparação é clara, mas a sua
responsabilização é diferenciada. Trata-se da chamada responsabilidade objetiva,
descrita no artigo 927 parágrafo único, que dispõe que haverá obrigação de reparar o
dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a
atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza,
risco para os direitos de outrem. Isto significa que haverá a responsabilização pelo
dano, mesmo que não haja culpa, nos casos previstos em lei.

No artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor está prevista a responsabilidade civil


do fornecedor de serviços.

Dispõe que há o dever de reparação, independente de culpa, quando o dano for causado
aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por
informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos.

Assim, está clara a responsabilidade da empresa requerida, pois, por óbvio defeito em
sua prestação de serviço, colocando funcionário despreparado para atender o público
adequadamente.

Observa-se também, e primordialmente, que não houve transparência ao informar o


autor sobre os gastos.

É direito de o consumidor ser informado em toda prestação de serviço sobre todos


possíveis ônus e bônus. Faltando a informação, fere-se o princípio norteador do direito
consumerista, qual seja, o princípio da transparência.

Assim a Doutrina é clara em relação ao respectivo direito supracitado.

O direito à informação, previsto no inciso III, do art. 6º, obriga o


fornecedor a explicar, de forma clara e pormenorizada, ao
consumidor a quantidade, as características, a composição e a
qualidade dos produtos ou serviços, bem como os tributos
incidentes e o respectivo preço. Além disso, deve expor sobre os
riscos que o produto ou serviço apresentem.
Trata-se do princípio da transparência, que permite ao
consumidor saber exatamente o que pode esperar dos bens
colocados à sua disposição no mercado, evitando-se que adquira
“um produto que não é adequado ao que pretende ou que não
possui as qualidades que o fornecedor afirma ter”.7

Esse dever de informação clara não se limita às qualificações do


produto ou serviço, mas obriga, também, à informação clara
quanto ao conteúdo do contrato a ser celebrado, às obrigações que
estarão sendo assumidas pelo consumidor, evitando que seja
surpreendido por cláusulas abusivas ou que não consiga cumprir

A respeito do direito de informação do consumidor, já se


pronunciou a jurisprudência do STJ:
1. O Código do Consumidor é norteado principalmente pelo
reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor e pela
necessidade de que o Estado atue no mercado para minimizar essa
hipossuficiência, garantindo, assim, a igualdade material entre as
partes. Sendo assim, no tocante à oferta, estabelece serem direitos
básicos do consumidor o de ter a informação adequada e clara
sobre os diferentes produtos e serviços (CDC, art. 6º, III) e o de
receber proteção contra a publicidade enganosa ou abusiva (CDC,
art. 6º, IV).

4. Derivação próxima ou direta dos princípios da transparência,


da confiança e da boa-fé objetiva, e, remota dos princípios da
solidariedade e da vulnerabilidade do consumidor, bem como do
princípio da concorrência leal, o dever de informação adequada
incide nas fases pré-contratual, contratual e pós-contratual, e
vincula tanto o fornecedor privado como o fornecedor público.

Desta forma, não há dúvidas quanto o direito de ser ressarcido pelos danos materiais
causados pela empresa ré.

Nesta esteira, há de se reparar também quanto aos danos morais.

Importante ressaltar que o ocorrido não foi caso de mero aborrecimento, em que por
diversas sentenças, se verifica a dispensabilidade de tal dano.

Ocorre que o autor foi surpreendido com um erro grave ocorrido em país estrangeiro,
estando como responsável de duas menores de idade conforme se depreende dos fatos.

Além de todo transtorno vivenciado pelo autor, o mesmo ainda possuía a dificuldade de
idiomas, para, no próprio local, tentar resolver problemas ocasionados pela negligência
da ré. Aponta Clayton Reis que:

“há componentes de natureza axiológica, se atentarmos para


o fato de que o ato de reparar ou refazer o patrimônio do
ofendido não representa apenas um dever funcional da
responsabilidade civil, especialmente no plano das
indenizações situadas na esfera dos danos não patrimoniais.
Aqui, o que se repara é a dignidade da pessoa ofendida.
Nesse caso, a indenização assume uma importante função em
defesa de novos valores”
(2003:71).

Importante lembrar que a viagem em família, fato este considerável, e um sonho a ser
realizado, por vezes raro, em relação à realidade financeira, foram sumariamente
assolados pelo descaso da empresa reclamada.

Portanto, não restam dúvidas que houve danos à dignidade do autor, devendo o
mesmo ser indenizado substancialmente pelos fatos ocorridos.

Do pedido:

Ante o exposto requer o autor:

a citação da empresa ré, para que responda aos termos da presente ação, contestando-
a, caso queira, no prazo legal, sob pena de revelia e confissão quanto a matéria de fato

Que seja ressarcido o valor de R$ 20.556,00 (vinte mil, quinhentos e cinquenta e seis
reais) referentes ao pacote contratado, além dos gastos citados que não foram
informados pela reclamada no valor de R$ 3.212,28 (três mil duzentos e doze reais e
vinte oito centavos). Totalizando R$ 23.768,28 (vinte e três mil e setecentos e sessenta
e oito reais e vinte oito centavos)

Que empresa reclamada seja condenada a indenizar os danos morais ocorridos durante a
viagem.

Protesta provar o alegado por todos os meios em direito admitidos, especialmente a


documental, pericial e testemunhal.

Requer ainda, que Vossa Excelência se digne determinar a inversão do ônus da


prova, conforme dispõe o artigo 6º, inciso VIII, do CDC, tendo em vista a presença de
verossimilhança das alegações e hipossuficiência do consumidor.

Requer a condenação dos requeridos às custas e honorários advocatícios

Requer ainda seja deferida a gratuidade da justiça, nos termos da Lei 1060/50.
Dá-se a causa o valor de R$ 33.400,00 (trinta e três mil e quatrocentos reais).

Nesses termos,

Pede e espera deferimento.

Nova Friburgo, 26 de setembro de 2018.

Janice Rocha do Couto


OAB-RJ 093318

Igor Ramos Teixeira


OAB-RJ 170.529