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NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO

NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
 Ausência de sistematização de conhecimentos em gestão.
Professora Silvana Guimarães
Vamos estudar detalhadamente cada uma das principais abor-
Formada em Direito. Especialização em Gestão Empresarial.
dagens.
Consultora em Gestão de Projetos e Desenvolvimento Comporta-
mental
Abordagem Clássica –
A abordagem clássica da administração se divide em:
 Administração Científica – defendida por Frederick
1 NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO. Taylor
1.1 ABORDAGENS CLÁSSICA,  Teoria Clássica – defendida por Henry Fayol 
BUROCRÁTICA E SISTÊMICA DA Os dois autores acima citados partiram de pontos distintos
ADMINISTRAÇÃO. 1.2 EVOLUÇÃO DA com a preocupação de aumentar a eficiência na empresa.
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA NO BRASIL Taylor se preocupava basicamente com a execução das tarefas
APÓS 1930;REFORMAS ADMINISTRATIVAS; enquanto Fayol se preocupava com a estrutura da organização.
A NOVA GESTÃO PÚBLICA.
1.3 PRINCÍPIOS E SISTEMAS DE  Administração Científica - Pressupostos de Frederick
ADMINISTRAÇÃO FEDERAL. Taylor
• Organização Formal.
• Visão de baixo para cima; das partes para o todo.
• Estudo das Tarefas, Métodos, Tempo padrão.
• Salário, incentivos materiais e prêmios de produção.
1. NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
• Sistema fechado: foco nos processos internos e operacionais.
• Padrão de Produção: eficiência, racionalidade.
Administração é o ato de administrar ou gerenciar negócios, 
• Divisão equitativa de trabalho e responsabilidade entre di-
pessoas ou recursos, com o objetivo de alcançar metas definidas.
reção e operário.
A gestão de uma empresa ou organização se faz de forma que
• Ser humano egoísta, racional e material: homo economicus;
as atividades sejam administradas com planejamento, organização,
• Estudo de Tempos e Movimentos e Métodos;
direção, e controle. Segundo alguns autores (Montana e Charnov)
• Desenho de Cargos e Tarefas;
o ato de administrar é trabalhar com e por intermédio de outras
• Seleção Científica do Trabalhador (eliminação de todos que
pessoas na busca de realizar objetivos da organização bem como
não adotem os métodos);
de seus membros.
• Preocupação com Fadiga e com as condições de trabalho;
A administração tem uma série de características entre elas:
• Padronização de instrumentos de trabalho;
um circuito de atividades interligadas tais como busca de obten-
• Divisão do Trabalho e Especialização;
ção de resultados, proporcionar a utilização dos recursos físicos e
• Supervisão funcional: autoridade relativa e dividida a depen-
materiais disponíveis, envolver atividades de planejamento, orga-
der da especialização e da divisão de trabalho.
nização, direção e controle.
Administrar, independente do nível organizacional, requer al-
Princípios da Administração Científica
gumas habilidades, que podem ser classificadas em três grupos:
• Desenvolvimento de uma ciência de Trabalho: uma inves-
 Habilidades Técnicas – requer conhecimento especia-
tigação científica poderá dizer qual a capacidade total de um dia
lizado e procedimentos específicos e pode ser obtida através de
de trabalho, para que os chefes saibam a capacidade de seus ope-
instrução.
rários;
 Habilidades Humanas – capacidade de relacionamento
• Seleção e Desenvolvimento Científicos do Empregado: para
interpessoal, envolvem também aptidão, pois interage com as pes-
atingir o nível de remuneração prevista o operário precisa preen-
soas e suas atitudes, exige compreensão para liderar eficazmente.
cher requisitos;
 Habilidades Conceituais – trata-se de uma visão pa-
• Combinação da Ciência do trabalho com a Seleção do Pes-
norâmica das organizações, o gestor precisa conhecer cada setor,
soal: os operários estão dispostos a fazer um bom trabalho, mas os
como ele trabalha e para que ele existe.
velhos hábitos da administração resistem à inovação de métodos;
• Cooperação entre Administração e Empregados: uma cons-
1.1 ABORDAGENS CLÁSSICA, BUROCRÁTICA E
tante e íntima cooperação possibilitará a observação e medida sis-
SISTÊMICA DA ADMINISTRAÇÃO
temática do trabalho e permitirá fixar níveis de produção e incen-
tivos financeiros
Alguns fatores contribuíram para o surgimento das teorias da
administração, entre eles podemos citar:
Princípios de Taylor
 Consolidação do capitalismo (lógica de mercado) e de
novos modos de produção e organização de trabalho, que levou
• Princípio da separação entre o planejamento e a execução;
ao processo de modernização da sociedade (substituição da auto-
• Princípio do preparo;
ridade tradicional pela autoridade racional-legal);
• Princípio do controle;
 Crescimento acelerado da produção e força de trabalho
• Princípio da exceção.
desqualificada;

Didatismo e Conhecimento 1
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
 Teoria Clássica – Pressupostos de Henry Fayol  • Legal, racional ou burocrática: impessoal, formal, merito-
• Anatomia – estrutura. crática.
• Fisiologia – funcionamento. Além disso, Weber faz uma distinção entre os conceitos de
• Visão de cima para baixo; do todo para as partes. Autoridade e Poder:
• Funções da Empresa: Técnica, Comercial, Financeira, Segu- • Autoridade: probabilidade de que um comando ou ordem
rança, Contábil, Administrativa (coordena as demais). específica seja obedecido – poder oficializado.
• Abordagem Prescritiva e Normativa. • Poder: potencial de exercer influência sobre outros, imposi-
ção de arbítrio de uma pessoa sobre outras.
Funções da Administração Clássica - processo organiza- A Burocracia surge na década de 40 em razão da fragilidade
cional da teoria clássica e relações humanas; necessidade de um mode-
• Prever: adiantar-se ao futuro e traçar plano de ação; lo aplicado a todas as formas de organização; racionalização do
• Organizar: constituir o organismo material e social da em- direito e consolidação da sociedade em massa e capitalista. Ela
presa; busca organizar de forma estável, duradoura e especializada a coo-
• Comandar: dirigir o pessoal; peração de indivíduos, apresentando uma abordagem descritiva
• Coordenar: ligar, unir e harmonizar os esforços; e explicativa, mantendo foco interno e estudando a organização
• Controlar: tudo corra de acordo com as regras. como um todo.

Princípios Gerais da Administração Clássica Principais características:


• Divisão do Trabalho: especializar funções; • Caráter legal das normas;
• Autoridade e Responsabilidade: direito de mandar e poder • Caráter formal das comunicações;
de se fazer obedecer; • Divisão do trabalho e racionalidade;
• Disciplina: estabelecer convenções, formais e informais com • Impessoalidade do relacionamento;
seus agentes, para trazer obediência • Hierarquização da autoridade;
e respeito; • Rotinas e procedimentos padronizados;
• Unidade de comando: recebimento de ordens de apenas um • Competência técnica e mérito;
superior – princípio escalar; • Especialização da administração – separação do público e
• Unidade de direção: um só chefe e um só programa para um privado;
conjunto de operações que tenham • Profissionalização: especialista, assalariado; segue carreira.
o mesmo objetivo; Vantagens Principais:
• Subordinação do particular ao geral: O interesse da empresa • Racionalidade
deve prevalecer ao interesse • Precisão na definição do cargo
individual; • Rapidez nas decisões
• Remuneração do pessoal: premiar e recompensar; • Univocidade de interpretação
• Centralização: concentrar autoridade no topo; • Continuidade da organização:
• Cadeia escalar ou linha de comando: linha de autoridade que • Redução do atrito entre pessoas
vai do topo ao mais baixo escalão; • Constância
• Ordem: um lugar para cada coisa e cada coisa em seu lugar; • Confiabilidade
• Equidade: tratar de forma benevolente e justa; • Benefícios para as pessoas
• Estabilidade: manter as pessoas em suas funções para que • O nepotismo é evitado, dificulta a corrupção.
possam desempenhar bem;
• Iniciativa: liberdade de propor, conceber e executar; A maior vantagem é a democracia: em razão da impessoalida-
• Espírito de equipe: harmonia e união entre as pessoas. de e das regras legais, que permitem igualdade de acesso.

Comparativo entre Administração Científica e Escola Clás- Desvantagens


sica
• Internalização das normas;
Enquanto a administração científica preocupava-se na melho- • Excesso de formalismo e papelório;
ria da produtividade no nível operacional a gestão administrativa • Resistência a mudanças;
preocupava-se com a organização em geral e a busca da efetivi- • Despersonalização do relacionamento;
dade. • Categorização do relacionamento;
• Superconformidade às rotinas e procedimentos;
Abordagem Burocrática – Trata-se de uma teoria que tam- • Exibição de sinais de autoridade;
bém tem por escopo a estrutura organizacional. Foi defendida pelo • Dificuldades com clientes.
sociólogo e economista alemão Max Weber que é considerado o
“pai da burocracia”. Abordagem Sistêmica – Trata-se da teoria de Sistemas por
Weber distingue três tipos de sociedade e autoridades legíti- Ludwig Von Bertalanffy, onde defende que os sistemas existem
mas: dentro de sistemas; apresenta a Teoria da forma ou Gestalt; os Sis-
• Tradicional: patrimonial, patriarcal, hereditário e delegável. temas abertos; tem um objetivo ou propósito; e as partes são inter-
• Carismática: personalística, mística. dependentes, provocando globalismo.

Didatismo e Conhecimento 2
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
Características: máquina administrativa utilizando como instrumentos a afirmação
• Sistema é um conjunto ou combinação de partes, formando dos princípios do mérito, a centralização, a separação entre público
um todo complexo ou unitário; e privado, a hierarquia, a impessoalidade, a rigidez e universali-
• Organização como sistema vivo: orgânico dade das regras e a especialização e qualificação dos servidores.
• Comportamento não determinístico e probabilístico;
• Interdependência entre as partes; 2) 1956 a 1960 – A administração paralela de JK: A admi-
• Entropia: característico dos sistemas fechados e orgânicos, nistração paralela foi um artifício utilizado pelo governo JK para
estabelece que todas as formas de organização tendem à desordem atingir o seu Plano de Metas e seguir seu projeto desenvolvimen-
ou à morte; tista. Surgiu com a criação de estruturas alheias à Administração
• Negentropia ou Entropia negativa: os sistemas sociais se Direta.
reabastecem de energia, assegurando suprimento contínuo de ma-
teriais e pessoas; 3) 1967 – A reforma militar: Durante a ditadura militar, a
• Homeostase dinâmica ou Estado Firme: regula o sistema in- administração pública passa por novas transformações, tais como:
terno para manter uma condição estável, mediante múltiplos ajus- A ampliação da função econômica do Estado com a criação de
tes de equilíbrio dinâmico de ruptura e inovação; várias empresas estatais, a facilidade de implantação de políticas
• Fronteiras ou limites: define a área da ação do sistema e o – em decorrência da natureza autoritária do regime, e o aprofunda-
grau de abertura em relação ao meio ambiente; mento da divisão da administração pública, mais especificamente
• Diferenciação: os sistemas tendem a criar funções especiali- através do Decreto-Lei 200/67, que distinguiu claramente a Ad-
zadas – Integração (coordenação); ministração Direta (exercida por órgãos diretamente subordinados
• Equifinalidade: um sistema pode alcançar o mesmo estado aos ministérios) da indireta (formada por autarquias, fundações,
final a partir de diferentes condições iniciais; empresas públicas e sociedades de economia mista). Essa reforma
• Resiliência: determina o grau de defesa ou vulnerabilidade trouxe modernização, padronização e normatização nas áreas de
do sistema a pressões ambientais externas. pessoal, compras e execução orçamentária, estabelecendo ainda,
• Holismo: o sistema só pode ser explicado em sua globali- cinco princípios estruturais da administração pública: planejamen-
dade; to, coordenação, descentralização, delegação de competências e
• Sinergia: o todo é maior que a soma das partes; controle.
• Morfogênese: capacidade das organizações de modificar a si
4) 1988 – A administração pública na nova Constituição:
mesmo e a estrutura;
A nova Constituição da República Federativa do Brasil voltou a
• Fluxos: componentes que entram e saem do sistema (infor-
fortalecer a Administração Direta instituindo regras iguais as que
mação, energia, material);
deveriam ser seguidas pela administração pública indireta, princi-
• Feedback: é a retroalimentação, como controle do sistema,
palmente em relação à obrigatoriedade de concursos públicos para
no qual os resultados retornam ao indivíduo, para que os procedi-
investidura na carreira e aos procedimentos de compras públicas.
mentos sejam analisados e corrigidos;
• Homem Funcional: desempenha um papel específico nas or- 5) 1990 – O governo Collor e o desmonte da máquina pú-
ganizações, inter-relacionando-se com os demais indivíduos. blica : Essa etapa da administração pública brasileira é marcada
pelo retrocesso da máquina administrativa, o governo promoveu
A teoria dos sistemas desmistifica a “ótima solução adminis- a extinção de milhares de cargos de confiança, a reestruturação e
trativa” para a ideia de “soluções alternativas satisfatórias”. a extinção de vários órgãos, a demissão de outras dezenas de mi-
lhares de servidores sem estabilidade e tantos outros foram coloca-
1.2 EVOLUÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA NO dos em disponibilidade. Segundo estimativas, foram retirados do
BRASIL (APÓS 1930). REFORMAS ADMINISTRATIVAS. serviço público, num curto período e sem qualquer planejamento,
A NOVA GESTÃO PÚBLICA. cerca de 100 mil servidores.

A estruturação da Máquina Administrativa veio de um modelo 6) 1995/2002 – O gerencialismo da Era FHC: A reforma
patrimonial percebida até década de 30, na sequencia veio a Era administrativa foi o ícone do governo Fernando Henrique Cardoso
Vargas, onde vemos o modelo burocrático e na segunda metade em relação à administração pública brasileira. A reforma gerencial
da década de 90, deu início a implementação do modelo gerencial. teve como instrumento básico o Plano Diretor da Reforma do Apa-
relho do Estado (PDRAE), que visava à reestruturação do aparelho
Podemos dividir essa estruturação em sete etapas, quais se- do Estado para combater, principalmente, a cultura burocrática.
jam:
1) 1930 a 1945 – Burocratização da Era Vargas: Nessa 7) Nova Administração Pública: O movimento “reinven-
primeira etapa, em decorrência do Estado patrimonial, da falta de tando o governo” difundido nos EUA e a reforma administrativa
qualificação técnica dos servidores, da crise econômica mundial e de 95, introduziram no Brasil a cultura do management, trazendo
da difusão da teoria keynesiana, que pregava a intervenção do Es- técnicas do setor privado para o setor público e tendo como carac-
tado na Economia, o governo autoritário de Vargas resolve moder- terísticas básicas:
nizar a máquina administrativa brasileira através dos paradigmas ● O foco no cliente
burocráticos difundidos por Max Weber. O auge dessas mudanças ● A reengenharia
ocorre em 1936 com a criação do Departamento Administrativo do ● Governo empreendedor
Serviço Público (DASP), que tinha como atribuição modernizar a ● Administração da qualidade total

Didatismo e Conhecimento 3
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
O modelo de administração pública burocrática, ou racional- ministração Pública em todo o mundo vem experimentando um
-legal, foi adotado em muitos países visando a substituição aque- processo de profundas transformações, que se iniciou na década
le tipo de administração onde patrimônio público e privado eram de 70, formado por um conjunto amplo de correntes de pensamen-
confundidos. O modelo burocrático visava o combate do cliente- to, que formam a chamada “Nova Gestão Pública”. Esse processo
lismo, nepotismo, empreguismo e, até mesmo, da corrupção também ocorre no Brasil. Para entender o que é a gestão pública
Ocorre que o modelo burocrático sofreu o ataque natural do hoje, precisamos retroceder no tempo e analisar sua evolução ao
tempo, não sendo o mais apropriado para gerir as estruturas do longo das décadas.
Estado. Para responder a essas limitações do modelo burocrático, Nos últimos anos assistimos em todo o mundo a um debate
houve a adoção de certos padrões gerenciais na administração pú- acalorado – ainda longe de concluído – sobre o papel que o Estado
blica. Esses novos modelos teóricos acerca da gestão do Estado foi deve desempenhar na vida contemporânea e o grau de interven-
chamado de Nova Administração Pública. ção que deve ter na economia. Nos anos 50, o economista Richard
Trata-se de um modelo mais flexível e mais próximo das práti- Musgrave enunciou as três funções clássicas do Estado:
cas de gestão do setor privado, conhecido como administração pú- • Função alocativa: prover os bens e serviços não adequada-
blica gerencial. No Brasil, a tentativa de se implantar tais teorias se mente fornecidos pelo mercado
deu com a publicação do Plano Diretor da Reforma do Aparelho, • Função distributiva: promover ajustamentos na distribui-
ção da renda;
com uma série de diretrizes a serem implementadas na administra-
• Função estabilizadora: evitar grandes flutuações nos níveis
ção pública denominando esse modelo de pós-burocrático.
de inflação e desemprego.
A partir da década de 90, o foco central das discussões de po-
De fato, entre o período que vai de 1945 (final da segunda
líticos e formuladores de políticas públicas passou a ser a reforma guerra mundial) e 1973(ano do choque do petróleo), a economia
administrativa. Com isso, deu-se início à implementação de novas mundial experimentou uma grande expansão econômica, levando
formas de gestão, com modelos mais próximos daqueles emprega- este período a ser denominado de “era dourada”.
dos na iniciativa privada. Desenvolveu-se a figura do Estado-Provedor de bens e servi-
Assim, a denominação de gerencialismo na administração ços, também chamado de Estado de Bem-Estar Social. Houve uma
pública seria referente ao desafio de realizar programas direcio- grande expansão do Estado (e, consequentemente, da Administra-
nados ao aumento da eficiência e melhoria da qualidade dos ser- ção Pública), logicamente com um crescimento importante dos
viços prestados pelo Estado. O gerencialismo seria um pluralismo custos de funcionamento da máquina pública. A partir dos anos
organizacional sob bases pós-burocráticas vinculadas aos padrões 70, o ritmo de expansão da economia mundial diminui, e o Estado
históricos (institucionais e culturais) de cada nação, não se cons- começa a ter problemas no desempenho de suas funções, perdendo
tituindo num novo paradigma capaz de substituir por completo o gradativamente a capacidade de atender às crescentes demandas
antigo padrão burocrático. sociais. Esta situação, aliada a um processo de crescente endivi-
Esse novo modelo não se materializou de modo completo, de damento público, acarretaria mais tarde, principalmente nos anos
forma a poder ser reconhecido um novo mecanismo de governança 80, a chamada crise fiscal do Estado: a perda de sua capacidade de
do Estado, capaz de atuar totalmente independente da burocracia. realizar os investimentos públicos necessários a um novo ciclo de
Autores mais recentes definem o tipo organizacional pós-bu- expansão econômica. Da crise fiscal passamos à crise de gestão do
rocrático como organizações simbolicamente intensivas, produto- Estado, uma vez que a percepção dos cidadãos sobre a disponibi-
ras de consenso através da institucionalização do diálogo. Essas lidade de serviços públicos se deteriora gradativamente, à medida
organizações seriam mais especificamente caracterizadas por: que o Estado perde a capacidade de realizar suas funções básicas,
 constituir grupos de trabalho flexíveis e forças-tarefa e não consegue acompanhar as pressões crescentes por mais saú-
com objetivos claros; de, educação, segurança pública, saneamento, etc…Essa crise de
 criar espaços para diálogo e conversação; gestão implica na tentativa de superar as limitações do modelo de
 enfatizar confiança mútua; gestão vigente até então, conhecido como “modelo burocrático”,
 usar o conceito de missão como ferramenta estratégica; transformando-o em algo novo, mais parecido como o modo de
gestão do setor privado, conhecido na área pública como “modelo
 disseminar informação;
gerencial”.
 criar redes de difusão e recuperação de conhecimento;
Assim, a redefinição do próprio papel do Estado é um tema
 criar mecanismos de feedback e avaliação de performance
de alcance universal nos anos 90. No Brasil, essa questão adquiriu
 criar capacidade de resiliência e flexibilidade na organi- importância decisiva, tendo em vista o peso da presença do Estado
zação na economia nacional: tornou-se um tema constante a questão da
reforma do Estado, uma vez que o mesmo não conseguia mais
No entanto, organizações baseadas em princípios como esses atender com eficiência a sobrecarga de demandas a ele dirigidas,
são particularmente raras e, na verdade, mesmo os defensores do sobretudo na área social. Em resumo, a Crise do Estado define-se
conceito de pós-burocracia concedem que, como tipo ideal, orga- como:
nizações verdadeiramente pós-burocráticas não existem. 1. Uma crise fiscal, caracterizada pela deterioração crescente
das finanças públicas, sendo o déficit público um fator de redução
A evolução dos modelos de gestão na Administração Pú- de investimentos na área privada;
blica 2. Uma crise do modo de intervenção do Estado na economia,
Vamos a partir de agora tratar da Administração Pública no com o esgotamento da estratégia estatizante; as empresas públicas
Brasil, considerando a evolução histórica do modo pelo qual a não mais teriam condições de alavancar o crescimento econômico
gestão das organizações governamentais vem sendo praticada em dos países; o paradigma do Estado interventor, nos moldes da eco-
nosso país. A importância do tema reside no fato de que a Ad- nomia Keynesiana estava cada vez mais ultrapassado;

Didatismo e Conhecimento 4
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
3. Uma crise da forma de administrar o Estado, isto é, a supe- sabilidade pela defesa dos direitos sociais e crescia em dimensão, os
ração da administração pública burocrática, rumo à administração custos dessa defesa passaram a ser mais altos que os benefícios do
pública gerencial. controle. Por isso, neste século as práticas burocráticas vêm cedendo
lugar a um novo tipo de administração: a administração gerencial.
No Brasil, a principal repercussão destes fatos foi a Reforma Assim, partindo-se de uma perspectiva histórica, verifica-se
do Estado nos anos 90,cujos principais pontos eram: que a administração pública evoluiu através de três modelos bá-
1. O ajuste fiscal duradouro, com a busca do equilíbrio das sicos: a administração pública patrimonialista, a burocrática e a
contas públicas; gerencial. Essas três formas se sucedem no tempo, sem que, no
2. A realização de reformas econômicas orientadas para o entanto, qualquer uma delas seja inteiramente abandonada.
mercado, que, acompanhadas de uma política industrial e tecnoló-
gica, garantissem a concorrência interna e criassem as condições Administração Pública Patrimonialista
para o enfrentamento da competição internacional; Nas sociedades anteriores ao advento do Capitalismo e da De-
3. A reforma da previdência social, procurando-se dar susten- mocracia, o Estado aparecia como um ente “privatizado”, no sen-
tabilidade à mesma, equilibrando-se os montantes de contribui- tido de que não havia uma distinção clara, por parte dos governan-
ções e benefícios;
tes, entre o patrimônio público e o seu próprio patrimônio privado.
4. A inovação dos instrumentos de política social, proporcio-
O Rei ou Monarca estabelecia seu domínio sobre o país de
nando maior abrangência e promovendo melhor qualidade para os
forma absoluta, não aceitando limites entre a res publica e a res
serviços sociais;
5. A reforma do aparelho do Estado, com vistas a aumentar principis. Ou seja, a “coisa pública” se confundia com o patrimô-
sua “governança”, ou seja, sua capacidade de implementar de for- nio particular dos governantes, pois não havia uma fronteira muito
ma eficiente as políticas públicas. bem definida entre ambas.
A reforma do Estado envolve múltiplos aspectos. O ajuste fis- Nessas condições, o aparelho do Estado funcionava como
cal devolveria ao Estado a capacidade de definir e implementar po- uma extensão do poder do soberano, e os seus auxiliares, servido-
líticas públicas. Através da liberalização comercial, o Estado aban- res, possuiam status de nobreza real. Os cargos eram considerados
donaria a estratégia protecionista da substituição de importações. prebendas, ou seja, títulos passíveis de negociação, sujeitos à dis-
Nesse contexto, o programa de privatizações levado a cabo nos cricionariedade do governante.
anos90 foi uma das formas de se perseguir tais objetivos. Por esse A corrupção e o nepotismo eram inerentes a esse tipo de ad-
programa, transferiu se para o setor privado a tarefa da produção, ministração. O foco não se encontrava no atendimento das neces-
dado o pressuposto de que este, a princípio, realizaria tal atividade sidades coletivas mas, sobretudo, nos interesses particulares do
de forma mais eficiente. soberano e de seus auxiliares.
Finalmente, por meio de um programa de publicação, preten- Este cenário muda no final do século XIX, no momento em
dia-se transferir para o setor público não-estatal a produção dos que o capitalismo e a democracia se tornam dominantes. Mercado
serviços competitivos ou não-exclusivos de Estado, estabelecen- e Sociedade Civil passam a se distinguir do Estado. Neste novo
do-se um sistema de parceria entre Estado e sociedade para seu momento histórico, a administração patrimonialista torna-se ina-
financiamento e controle. ceitável, pois não mais cabia um modelo de administração pública
Portanto, segundo a idéia da reforma, o Estado reduziria seu que privilegiava uns poucos em detrimento de muitos.
papel de executor ou provedor direto de serviços, mantendo-se, As novas exigências de um mundo em transformação, com o
entretanto, no papel de regulador e provedor indireto ou promo- desenvolvimento econômico que se seguia, trouxeram a necessi-
tor destes, principalmente dos serviços sociais como educação e dade de reformulação do modo de gestão do Estado.
saúde, etc. Como promotor desses serviços, o Estado continuará a
subsidiá-los, buscando, ao mesmo tempo, o controle social direto Administração Pública Burocrática
e a participação da sociedade. Surge na segunda metade do século XIX, na época do Esta-
Nessa nova perspectiva, busca-se o fortalecimento das fun-
do liberal, como forma de combater a corrupção e o nepotismo
ções de regulação e de coordenação do Estado, particularmente
patrimonialista. Constituem princípios orientadores do seu desen-
no nível federal, e a progressiva descentralização vertical, para os
volvimento a profissionalização, a ideia de carreira, a hierarquia
níveis estadual e municipal, das funções executivas no campo da
prestação de serviços sociais e de infra-estrutura. funcional, a impessoalidade, o formalismo, em síntese, o poder
Considerando essa tendência, pretende-se reforçar a gover- racional legal.
nança, a capacidade de governo do Estado, através da transição Os controles administrativos implantados visam evitar a cor-
programada de um tipo de administração pública burocrática, rí- rupção e o nepotismo. A forma de controle é sempre a priori, ou
gida e ineficiente, voltada para si própria e para o controle inter- seja, controle dos procedimentos, das rotinas que devem nortear a
no, para uma administração pública gerencial, flexível e eficiente, realização das tarefas.
voltada para o atendimento do cidadão, melhorando a capacidade Parte-se de uma desconfiança prévia nos administradores pú-
do Estado de implementar as políticas públicas, sem os limites, a blicos e nos cidadãos que a eles dirigem suas diversas demandas
rigidez e a ineficiência da sua máquina administrativa. sociais. Por isso, são empregados controles rígidos dos processos
como, por exemplo, na admissão de pessoal, nas compras e no
As três formas de Administração Pública atendimento aos cidadãos.
No plano administrativo, a administração pública burocrática Uma consequência disto é que os próprios controles se tornam
surgiu no século passado conjuntamente com o Estado liberal, exa- o objetivo principal do funcionário. Dessa forma, o Estado volta-
tamente como uma forma de defender a coisa pública contra o pa- -se para si mesmo, perdendo a noção de sua missão básica, que é
trimonialismo. Na medida, porém, que o Estado assumia a respon- servir à sociedade.

Didatismo e Conhecimento 5
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
A principal qualidade da administração pública burocrática é No caso da autoridade legal, a obediência é devida às normas
o controle dos abusos contra o patrimônio público; o principal de- impessoais e objetivas, legalmente instituídas, e às pessoas por
feito, a ineficiência, a incapacidade de voltar-se para o serviço aos elas designadas, que agem dentro de uma jurisdição. A autoridade
cidadãos vistos como “clientes”. racional fundamenta-se em leis que estabelecem direitos e deveres
Esse defeito, entretanto, não se revelou determinante na épo- para os integrantes de uma sociedade ou organização. Por isso, a
ca do surgimento da administração pública burocrática porque os autoridade que Weber chamou de racional é sinônimo de autori-
serviços do Estado eram muito reduzidos. O Estado limitava-se a dade formal.
manter a ordem e administrar a justiça, a garantir os contratos e a
propriedade. O problema começou a se tornar mais evidente a par- Uma sociedade, organização ou grupo que depende de leis
tir da ampliação da participação do Estado na vida dos indivíduos. racionais tem estrutura do tipo legal-racional ou burocrática.
Valem aqui alguns comentários adicionais sobre o termo “Bu- É uma burocracia.
rocracia”. A autoridade legal-racional ou autoridade burocrática substi-
Max Weber, importante cientista social, ocupou-se de inúme- tuiu as fórmulas tradicionais e carismáticas nas quais se baseavam
ros aspectos das sociedades humanas. Na década de 20, publicou as antigas sociedades. A administração burocrática é a forma mais
estudos sobre o que ele chamou o tipo ideal de burocracia, ou seja,
racional de exercer a dominação. A burocracia, ou organização bu-
um esquema que procura sintetizar os pontos comuns à maioria
rocrática, possibilita o exercício da autoridade e a obtenção da obe-
das organizações formais modernas, que ele contrastou com as so-
diência com precisão, continuidade, disciplina, rigor e confiança.
ciedades primitivas e feudais. As organizações burocráticas seriam
máquinas totalmente impessoais, que funcionam de acordo com Portanto, todas as organizações formais são burocracias. A
regras que ele chamou de racionais – regras que dependem de ló- palavra burocracia identifica precisamente as organizações que se
gica e não de interesses pessoais. baseiam em regulamentos. A sociedade organizacional é, também,
Weber estudou e procurou descrever o alicerce formal-legal uma sociedade burocratizada. A burocracia é um estágio na evolu-
em que as organizações reais se assentam. Sua atenção estava di- ção das organizações.
rigida para o processo de autoridade obediência (ou processo de De acordo com Weber, as organizações formais modernas ba-
dominação) que, no caso das organizações modernas, depende de seiam-se em leis, que as pessoas aceitam por acreditarem que são
leis. No modelo de Weber, as expressões “organização formal” e racionais, isto é, definidas em função do interesse das próprias pes-
“organização burocrática” são sinônimas. soas e não para satisfazer aos caprichos arbitrários de um dirigente.
“Dominação” ou autoridade, segundo Weber, é a probabilida- O tipo ideal de burocracia, formulado por Weber, apresenta
de de haver obediência dentro de um grupo determinado. Há três três características principais que diferenciam estas organizações
tipos puros de autoridade ou dominação legítima (aquela que conta formais dos demais grupos sociais:
com o acordo dos dominados): • Formalidade: significa que as organizações são constituídas
com base em normas e regulamentos explícitos, chamadas leis,
Dominação de caráter carismático que estipulam os direitos e deveres dos participantes.
Repousa na crença da santidade ou heroísmo de uma pessoa. • Impessoalidade: as relações entre as pessoas que integram
A obediência é devida ao líder pela confiança pessoal em sua re- as organizações burocráticas são governadas pelos cargos que elas
velação, heroísmo ou exemplaridade, dentro do círculo em que se ocupam e pelos direitos e deveres investidos nesses cargos. Assim,
acredita em seu carisma. o que conta é o cargo e não a pessoa. A formalidade e a impes-
A atitude dos seguidores em relação ao dominador carismá- soalidade, combinadas, fazem a burocracia permanecer, a despeito
tico é marcada pela devoção. Exemplos são líderes religiosos, so- das pessoas.
ciais ou políticos, condutores de multidões de adeptos. O carisma • Profissionalismo: os cargos de uma burocracia oferecem a
está associado a um tipo de influência que depende de qualidades seus ocupantes uma carreira profissional e meios de vida. A parti-
pessoais. cipação nas burocracias tem caráter ocupacional.
Apesar das vantagens inerentes nessa forma de organização,
Dominação de caráter tradicional
as burocracias podem muitas vezes apresentar também uma série
Deriva da crença quotidiana na santidade das tradições que
de disfunções, conforme a seguir:
vigoram desde tempos distantes e na legitimidade daqueles que
são indicados por essa tradição para exercer a autoridade. • Particularismo – Defender dentro da organização interesses
A obediência é devida à pessoa do “senhor”, indicado pela de grupos internos, por motivos de convicção, amizade ou interes-
tradição. A obediência dentro da família, dos feudos e das tribos é se material.
do tipo tradicional. Nos sistemas em que vigora a dominação tradi- • Satisfação de Interesses Pessoais – Defender interesses
cional, as pessoas têm autoridade não por causa de suas qualidades pessoais dentro da organização.
intrínsecas, como acontece no caso carismático, mas por causa das • Excesso de Regras – Multiplicidade de regras e exigências
instituições tradicionais que representam. É o caso dos sacerdotes para a obtenção de determinado serviço.
e das lideranças, no âmbito das instituições, como os partidos po- • Hierarquia e individualismo – A hierarquia divide respon-
líticos e as corporações militares. sabilidades e atravanca o processo decisório. Realça vaidades e
estimula disputas pelo poder.
Dominação de caráter racional • Mecanicismo – Burocracias são sistemas de cargos limita-
Decorre da legalidade de normas instituídas racionalmente e dos, que colocam pessoas em situações alienantes.
dos direitos de mando das pessoas a quem essas normas respon- Portanto, as burocracias apresentam dois grandes “proble-
sabilizam pelo exercício da autoridade. A autoridade, portanto, é a mas” ou dificuldades: em primeiro lugar, certas disfunções, que as
contrapartida da responsabilidade. descaracterizam e as desviam de seus objetivos; em segundo lugar,

Didatismo e Conhecimento 6
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
ainda que as burocracias não apresentassem distorções, sua estru- privado, para a maximização dos interesses dos acionistas, espe-
tura rígida é adequada a certo tipo de ambiente externo, no qual rando-se que, através do mercado, o interesse coletivo seja atendi-
não há grandes mudanças. A estrutura burocrática é, por natureza, do, a administração pública gerencial está explícita e diretamente
conservadora, avessa a inovações; o principal é a estabilidade da voltada para o interesse público.
organização. Neste último ponto, como em muitos outros (profissionalis-
Mas, como vimos, as mudanças no ambiente externo determi- mo, impessoalidade), a administração pública gerencial não se
nam a necessidade de mudanças internas, e nesse ponto o paradig- diferencia da administração pública burocrática. Na burocracia
ma burocrático torna-se superado. pública clássica existe uma noção muito clara e forte do interesse
público. A diferença, porém, está no entendimento do significado
Administração Pública Gerencial do interesse público, que não pode ser confundido com o interesse
do próprio Estado. Para a administração pública burocrática, o in-
Surge na segunda metade do século XX, como resposta à ex-
teresse público é frequentemente identificado com a afirmação do
pansão das funções econômicas e sociais do Estado e ao desenvol-
poder do Estado.
vimento tecnológico e à globalização da economia mundial, uma A administração pública gerencial vê o cidadão como con-
vez que ambos deixaram à mostra os problemas associados à ado- tribuinte de impostos e como uma espécie de “cliente” dos seus
ção do modelo anterior. serviços. Os resultados da ação do Estado são considerados bons
Torna-se essencial a necessidade de reduzir custos e aumentar não porque os processos administrativos estão sob controle estão
a qualidade dos serviços, tendo o cidadão como beneficiário, resul- seguros, como quer a administração pública burocrática, mas por-
tando numa maior eficiência da administração pública. A reforma que as necessidades do cidadão-cliente estão sendo atendidas.
do aparelho do Estado passa a ser orientada predominantemente O paradigma gerencial contemporâneo, fundamentado nos
pelos valores da eficiência e qualidade na prestação de serviços princípios da confiança e da descentralização da decisão, exige for-
públicos e pelo desenvolvimento de uma cultura gerencial nas or- mas flexíveis de gestão, de estruturas, descentralização de funções,
ganizações. incentivos à criatividade. Contrapõe-se à ideologia do formalismo
A administração pública gerencial constitui um avanço, e até e do rigor técnico da burocracia tradicional. À avaliação sistemá-
certo ponto um rompimento com a administração pública burocrá- tica, à recompensa pelo desempenho, e à capacitação permanen-
tica. Isso não significa, entretanto, que negue todos os seus princí- te, que já eram características da boa administração burocrática,
pios. Pelo contrário, a administração pública gerencial está apoia- acrescentam-se os princípios da orientação para o cidadão-cliente,
da na anterior, da qual conserva, embora flexibilizando, alguns dos do controle por resultados, e da competição administrada.
seus princípios fundamentais, como:
1.3 PRINCÍPIOS E SISTEMAS DE ADMINISTRAÇÃO
• A admissão segundo rígidos critérios de mérito (concurso
FEDERAL
público);
• A existência de um sistema estruturado e universal de remu- Os conceitos, princípios e técnicas que se constituem no ob-
neração (planos de carreira); jeto da Ciência da Administração dizem respeito às funções admi-
• A avaliação constante de desempenho (dos funcionários e de nistrativas clássicas (planejamento, organização, direção e contro-
suas equipes de trabalho); le) aplicadas às atividades envolvidas com a produção de um bem
• O treinamento e a capacitação contínua do corpo funcional. e/ou à prestação de um serviço. No setor público, elas precisam
A diferença fundamental está na forma de controle, que deixa ter o aspecto legal, isto é, de um instrumento normativo que, por
de basear-se nos processos para concentrar-se nos resultados. A ri- natureza, as apresenta de forma técnica, sem explicações. Cabe,
gorosa profissionalização da administração pública continua sendo portanto, ao gestor público saber identificá-las, interpretá-las e
um princípio fundamental. aplicá-las corretamente quanto à forma de utilizar os recursos da
organização para conseguir os melhores resultados para o público-
Na administração pública gerencial a estratégia volta-se para: -alvo e para os cofres públicos.
1. A definição precisa dos objetivos que o administrador públi-
co deverá atingir sua unidade; Abaixo veremos a classificação desses princípios e suas apli-
2. A garantia de autonomia do administrador na gestão dos cações;
recursos humanos, materiais e financeiros que lhe forem colocados
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS OU BÁSICOS -
à disposição para que possa atingir os objetivos contratados;
Constam no Art. 37 da Constituição Federal:
3. O controle ou cobrança posterior dos resultados.
Adicionalmente, pratica-se a competição administrada no in-
terior do próprio Estado, quando há a possibilidade de estabelecer LIMPE - é uma combinação das letras iniciais dos princípios
concorrência entre unidades internas. encontrados em nossa Constituição Federal que facilitará
No plano da estrutura organizacional, a descentralização e a a memorização dos mesmos na hora do estudo. São eles,
redução dos níveis hierárquicos tornam-se essenciais. Em suma, respectivamente, os princípios da: Legalidade, Impessoalidade,
afirma-se que a administração pública deve ser permeável à maior Moralidade, Publicidade e Eficiência.
participação dos agentes privados e/ou das organizações da socie-
dade civil e deslocar a ênfase dos procedimentos (meios) para os Como regra geral, a Administração direta e indireta de qual-
resultados (fins). quer dos Poderes a União, Estados, Distrito Federal, Municípios,
A administração pública gerencial inspira-se na administra- assim como as Autarquias, Fundações Públicas, Agências regula-
ção de empresas, mas não pode ser confundida com esta última. doras e executivas, Empresas Públicas e Sociedades de Economia
Enquanto a administração de empresas está voltada para o lucro Mista estão submetidas a esses princípios.

Didatismo e Conhecimento 7
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
Princípio da Legalidade Princípio da Impessoalidade
Importância - O Princípio da legalidade é fundamento do Es- Conceito - A Administração deve manter-se numa posição de
tado democrático de direito, tendo por fim combater o poder arbi- neutralidade em relação aos administrados, ficando proibida de es-
trário do Estado. Os conflitos devem ser resolvidos pela lei e não tabelecer discriminações gratuitas. Só pode fazer discriminações
mais através da força. que se justifiquem em razão do interesse coletivo, pois as gratuitas
Conceito - “Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer caracterizam abuso de poder e desvio de finalidade, que são espé-
alguma coisa senão em virtude de lei” (art. 5º, II da CF). cies do gênero ilegalidade.
O Princípio da legalidade aparece simultaneamente como um Impessoalidade para ingressar na Administração Pública: O
limite e como uma garantia, pois ao mesmo tempo que é um limite administrador não pode contratar quem quiser, mas somente quem
a atuação do Poder Público, visto que este só poderá atuar com passar no concurso público, respeitando a ordem de classificação.
base na lei, também é uma garantia a nós administrados, visto que O concurso pode trazer discriminações, mas não gratuitas, deven-
só deveremos cumprir as exigências do Estado se estiverem pre- do assim estar relacionada à natureza do cargo.
vistas na lei. Se as exigências não estiverem de acordo com a lei Impessoalidade na contratação de serviços ou aquisição de
serão inválidas e, portanto, estarão sujeitas a um controle do Poder bens: O administrador só poderá contratar através de licitação. O
Judiciário. edital de licitação pode trazer discriminações, mas não gratuitas.
Segundo o princípio da legalidade, o administrador não pode Impessoalidade na liquidação de seus débitos: A Administra-
fazer o que bem entender na busca do interesse público, ou seja, ção tem que respeitar a ordem cronológica de apresentação dos
tem que agir segundo a lei, só podendo fazer aquilo que a lei ex- precatórios para evitar privilégios. Se for quebrada a ordem pode
pressamente autoriza e no silêncio da lei esta proibido de agir. Já gerar sequestro de verbas públicas, crime de responsabilidade e
o administrado pode fazer tudo aquilo que a lei não proíbe e o que intervenção federal.
silencia a respeito. Portanto, tem uma maior liberdade do que o “À exceção dos créditos de natureza alimentar, os pagamentos
administrador. devidos pela Fazenda Federal, Estadual ou Municipal, em
Assim, se diz que no campo do direito público a atividade virtude de sentença judiciária far-se-ão exclusivamente na ordem
administrativa deve estar baseada numa relação de subordinação cronológica de apresentação dos precatórios e à conta dos créditos
com a lei (“Administrar é a aplicar a lei de ofício”, “É aplicar a lei respectivos, proibida a designação de casos ou pessoas nas dota-
sempre”) e no campo do direito privado a atividade desenvolvida ções orçamentárias e nos créditos adicionais abertos para este fim”
pelos particulares deve estar baseada na não contradição com a lei. (art. 100 da CF).
Teoria do órgão - Esta Teoria atribui a responsabilidade pelos
danos causados a terceiros, em vista de atos administrativos, não
Conceito de Lei – Quando o princípio da legalidade menciona
ao agente que o praticou, mas à pessoa jurídica por ele represen-
“lei” quer referir-se a todos os atos normativos primários que te-
tada.
nham o mesmo nível de eficácia da lei ordinária. Ex: Medidas pro-
“As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado
visórias, resoluções, decretos legislativos. Não se refere aos atos
prestadoras de serviço público responderão pelos danos que seus
infralegais, pois estes não podem limitar os atos das pessoas, isto
agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o di-
é, não podem restringir a liberdade das pessoas.
reito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa”
(art. 37, §6º da CF).
A Administração, ao impor unilateralmente obrigações aos Publicidade nos meios de comunicação de atos do governo:
administrados por meio de atos infralegais, deverá fazê-lo dentro “A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas
dos limites estabelecidos por aquela lei à qual pretendem dar exe- dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo, ou
cução. “Compete privativamente ao Presidente da República san- de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos
cionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir de- ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridade ou
cretos e regulamentos para sua fiel execução” (art. 84, IV da CF). servidores públicos” (art. 37, §1º da CF).
“Cabe ao Congresso Nacional sustar os atos normativos do Poder A publicidade dos atos de governo deve ser impessoal em ra-
Executivo que exorbitem o poder regulamentar ou dos limites da zão dos interesses que o Poder Público representa quando atua. Tal
delegação legislativa” (art. 49, V da CF). publicidade é uma obrigação imposta ao administrador, não tendo
qualquer relação com a com a propaganda eleitoral gratuita.
Princípio da legalidade em outros ramos do direito:
* No direito penal (Princípio da estrita legalidade): Também Princípio da Moralidade
aparece como limite à atuação do Estado e como garantia dos ad- Conceito - A Administração deve atuar com moralidade, isto
ministrados contra os abusos do direito de punir, visto que uma é de acordo com a lei. Tendo em vista que tal princípio integra o
conduta só poderá ser considerada como crime e punida, se estiver conceito de legalidade, decorre a conclusão de que ato imoral é ato
prevista previamente em lei. ilegal, ato inconstitucional e, portanto, o ato administrativo estará
“Não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem sujeito a um controle do Poder Judiciário.
prévia cominação legal” (art. 5º, XXIX da Constituição Federal). Instrumento para se combater a imoralidade dos atos admi-
* No direito tributário: Também se apresenta como limite à nistrativos:
atuação do Estado, visto que a União, os Estado, o Distrito Federal Ação Civil Pública: Só pode ser promovida por pessoa jurídi-
e os Municípios não poderão exigir, nem majorar tributos, senão ca. Ex: Ministério Público, Associação de Classe e etc.
em virtude de lei (art. 150 da CF). Há exceções que serão estuda- Ação Popular: Só pode ser promovida por pessoa física que
das em direito tributário. esteja no pleno exercício dos direitos políticos.

Didatismo e Conhecimento 8
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
“Qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular Na hipótese dos atos de improbidade administrativa que cau-
que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou entidade de sem prejuízo ao erário (art. 12, II da Lei 8429/92):
que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio am-  Ressarcimento integral do dano.
biente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo  Perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao pa-
comprovada má fé, isento de custas judiciais e ônus de sucumbên- trimônio, se concorrer esta circunstância.
cia” (art. 5º, LXXIII da CF). Tendo em vista que só se anula o que  Perda da função pública.
é ilegal, confirma-se a ideia de que ato imoral é ato ilegal.  Suspensão dos direitos políticos de 5 a 8 anos.
“Pessoa jurídica não tem legitimidade para propor ação popu-  Pagamento de multa civil de até 2 vezes o valor do dano.
lar” (súmula 365 do STF).  Proibição de contratar com o Poder Público ou receber
O prazo prescricional para propositura da ação de improbida- benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indireta-
de administrativa é de 5 anos a contar do término do exercício do mente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja
mandato, cargo em comissão ou função de confiança (art. 23, I, da sócio majoritário, pelo prazo de 5 anos.
Lei 8429/92)
Na hipótese dos atos de improbidade administrativa que aten-
Hipóteses exemplificativas de imoralidade administrativa:
tem contra os princípios da Administração Pública (art. 12, III da
Lei 8429/92):
Atos de improbidade administrativa que importem em enri-
quecimento ilícito (art. 9º da Lei 8429/92). Ex: Utilização em obra  Ressarcimento integral do dano, se houver.
ou serviço particular, de veículos, materiais ou equipamentos pú-  Perda da função pública.
blicos.  Suspensão dos direitos políticos de 3 a 5 anos.
Atos de improbidade administrativa que importem em prejuí-  Pagamento de multa civil de até 100 vezes o valor da
zo ao erário (art. 10 da Lei 8429/92). Ex: Aquisição, permuta ou remuneração percebida pelo agente.
locação de bem ou serviço por preço superior ao do mercado.  Proibição de contratar com o Poder Público ou receber
benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indireta-
Atos de improbidade administrativa que atentem contra os mente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja
princípios da Administração (art. 11 da Lei 8429/92). Ex: Fraude à sócio majoritário, pelo prazo de 3 anos.
licitude de concurso público.
Princípio da Publicidade
É crime de responsabilidade o ato do Presidente da República Conceito - A Administração tem o dever de manter plena
que atente contra a Constituição Federal, especialmente contra transparência de todos os seus comportamentos, inclusive de ofe-
probidade administrativa (art. 85, V da CF). recer informações que estejam armazenadas em seus bancos de
dados, quando sejam solicitadas, em razão dos interesses que ela
Sanções aos agentes públicos que pratiquem atos imorais - representa quando atua.
“Os atos de improbidade administrativa importarão na suspensão “Todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações
dos direitos políticos, a perda da função pública, a indisponibilida- de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que
de dos bens e ressarcimento ao erário (cofres públicos), na forma serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, res-
e gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível” salvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da
(art. 37, §4º da CF). sociedade e do Estado” (art. 5º, XXXIII da CF).
Estas sanções podem ser aplicadas simultaneamente, prece- O prazo para que as informações sejam prestadas é de 15 dias
dendo de instrumentos que apurem as irregularidades praticadas (Lei 9051/95).
pelo servidor, ou seja, de processo administrativo disciplinar ou “A lei disciplinará as formas de participação do usuário na
sindicância, garantindo o contraditório e a ampla defesa.
Administração direta e indireta, regulando especialmente o acesso
Cabe ao legislador infraconstitucional estabelecer a forma e a
dos usuários a registros administrativos e a informações sobre atos
gradação dessas sanções.
de governo, observado o disposto no art. 5º, X e XXXIII” (art. 37,
§3º, II da CF).
Cominações previstas na Lei 8429/92:
Na hipótese dos atos de improbidade administrativa que im-
portem em enriquecimento ilícito (art. 12, I da Lei 8429/92): Exceções ao princípio da publicidade - Tendo em vista que
 Perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao pa- algumas informações deverão permanecer em sigilo, podemos
trimônio concluir que o princípio da publicidade não é absoluto.
 Ressarcimento integral do dano, quando houver  Informações que comprometam o direito a intimidade
 Perda da função pública das pessoas (art. 37, §3º, II da CF): “São invioláveis a intimidade,
 Suspensão dos direitos políticos de 8 a 10 anos a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o di-
 Pagamento de multa de até 3 vezes o valor do acréscimo reito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua
patrimonial violação” (art. 5º, X da CF).
 Proibição de contratar com o Poder Público ou receber  Informações de interesse particular ou coletivo quando
benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indireta- imprescindíveis para a segurança da sociedade ou do Estado (art.
mente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja 5º, XXXIII da CF).
sócio majoritário, pelo prazo de 10 anos

Didatismo e Conhecimento 9
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
Garantias contra a negativa injustificada de oferecimento  O servidor público estável poderá perder o cargo em ra-
pelo Poder Público: zão de insuficiência de desempenho, mediante procedimento de
 “Habeas data”: Tem cabimento quando a informação ne- avaliação periódica de desempenho, na forma da lei complemen-
gada injustificadamente é personalíssima (a respeito do requeren- tar, assegurada a ampla defesa e contraditório (art. 41, III da CF):
te). Toda informação ao meu respeito é de meu interesse particular, Trata-se de uma norma de eficácia limitada, pois está na inteira
mas nem toda informação de meu interesse particular é ao meu dependência da lei.
respeito.  “A despesa com pessoal ativo e inativo da União, dos
 Mandado de segurança: Tem cabimento quando a infor- Estados, do Distrito Federal e dos Municípios não poderá exceder
mação negada injustificadamente é de meu interesse privado ou aos limites estabelecidos em lei complementar” (art. 169 da CF).
coletivo ou geral.
Cabe mandado de segurança, pois tenho direito líquido e certo A LC 101/00 estabeleceu que a União não pode gastar com
a obter informações de meu interesse privado ou coletivo e geral. seu pessoal mais de 50% do que arrecada. Já os Municípios e os
Ex: Informação sobre o número em que está o precatório; Sobre Estados não podem gastar mais de 60% do que arrecadam. Para
um parente que desapareceu; sobre plano de desapropriação em cumprimento destes limites acima o Poder Público pode tomar al-
determinado imóvel; Sobre transferência de um preso para outra gumas medidas (art. 169, §3º da CF):
penitenciária.
A negativa de publicidade aos atos oficiais caracteriza im-  Redução de pelo menos 20% as despesas com servidores
probidade administrativa. Improbidade administrativa que atenta que titularizem cargo em comissão e função de confiança (art. 169,
contra os princípios da Administração Pública (art. 11, IV da Lei §3º, I da CF).
8429/92).  Exoneração dos servidores não estáveis (art. 169, §3º, II
O não oferecimento de certidões de atos ou contratos munici- da CF).
pais, dentro do prazo estabelecido em lei, gera como consequência  Se as medidas acima não forem suficientes, dispensa-
a caracterização de crime de responsabilidade do prefeito (art.1º, rão servidores estáveis, desde que o ato normativo especifique a
XV do Decreto-lei 201/67). atividade funcional, o órgão ou unidade administrativa objeto de
redução de pessoal (art. 169, §4º da CF). O Poder Público deve de-
Princípio da Eficiência monstrar porque a escolha recaiu em determinado servidor, tendo
Conceito - A Administração Pública deve buscar um aperfei- em vista que os critérios não são livres, isto é, que deve considerar
çoamento na prestação dos serviços públicos, mantendo ou melho- o tempo de serviço, a remuneração percebida o número de depen-
rando a qualidade dos serviços, com economia de despesas. - Bi-
dentes, a idade do servidor e etc. Assim, o servidor público pode
nômio: qualidade nos serviços + racionalidade de gastos.
perder o cargo por excesso de quadro ou despesa, quando o Poder
É relevante lembrar que mesmo antes da inclusão deste
Público estiver gastando mais do que lhe for permitido, sendo as-
princípio na Constituição com a emenda constitucional 19/98, a
segurado o contraditório e ampla defesa.
Administração já tinha a obrigação de ser eficiente na prestação de
 “A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos
serviços. Ex: Lei 8078/90; Lei 8987/95.
órgãos e entidades da administração direta e indireta poderá ser
Princípio da eficiência na Constituição: ampliada mediante contrato, a ser firmado entre seus administra-
dores e o poder público, que tenha por objeto a fixação de metas de
 “A investidura em cargo ou emprego público depende desempenho para órgão ou entidade, cabendo à lei dispor sobre: o
de aprovação prévia em concurso público de provas ou provas e prazo de duração do contrato; os controles e critérios de avaliação
títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou de desempenho, direitos, obrigações e responsabilidade dos diri-
emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para gentes, a remuneração do pessoal” (art. 37, §8º, I, II e III da CF):
cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exonera- Trata-se do contrato de gestão através do qual se oferece maior
ção” (art. 37, II da CF). Também presente no princípio da impes- autonomia às Autarquias e Fundações em troca do atingimento,
soalidade. durante prazo certo e determinado de novas metas de desempenho
 “A União, os Estados, e o Distrito Federal manterão es- (Agências executivas).
colas de governo para formação e aperfeiçoamento dos servidores  “Lei da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
públicos, constituindo-se a participação nos cursos como um dos Municípios disciplinará a aplicação de recursos orçamentários
requisitos para a promoção na carreira, facultada, para isso, a ce- provenientes da economia com despesas decorrentes de cada ór-
lebração de convênios ou contratos entre os entes federados” (art. gão, autarquia e fundação, para aplicação no desenvolvimento de
39, §2º da CF). programas de qualidade e produtividade, treinamento e desen-
 O servidor nomeado para cargo de provimento efetivo volvimento, modernização, reaparelhamento e racionalização do
em virtude de concurso público submete-se a um estágio proba- serviço público, inclusive sob a forma de adicional ou prêmio de
tório de 3 anos, em que o administrador irá apurar a eficiência na produtividade” (art. 39, §7º da CF).
prática (art. 41 da CF). Ex: O administrador verificará a frequên-
cia, o rendimento do trabalho, o cumprimento de ordens emitidas PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS - Estão regulados no Art.
pelo superior. 6º do Decreto Lei 200/67:
 “Como condição à aquisição de estabilidade, o servidor
está submetido à avaliação de desempenho por uma comissão - Planejamento: Consta também no Art. 174 da Constituição
constituída para essa finalidade” (art. 41, §4º da CF): Trata-se de Federal. Consiste em um conjunto de ações intencionais, integra-
uma norma de eficácia limitada, pois esta na inteira dependência das, coordenadas e orientadas para tornar realidade um objetivo
de uma lei que dirá quem vai integrar a comissão, quais serão os futuro, de forma a auxiliar o processo de tomada de decisão. O
critérios, quais matéria serão avaliadas e etc. resultado final é a elaboração de um plano organizacional.

Didatismo e Conhecimento 10
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
- Coordenação: Visa entrosar as atividades da administração, Plurianual (PPA) que é uma lei que define as prioridades do Gover-
de modo a evitar a duplicidade de atuação, a dispersão de recursos, no pelo período de 4 (quatro) anos, contendo diretrizes, objetivos
a divergência de soluções e as disfunções da burocracia. e metas para as despesas de capital e outras delas decorrentes e
- Descentralização: É a existência de um ente, distinto do para as relativas aos programas de duração continuada; a Lei de
Estado, a qual, investido dos necessários poderes de administração, Diretrizes Orçamentárias (LDO) que é uma lei que define as metas
exercita atividade pública ou de utilidade pública. Diversa da e prioridades em termos de programas a executar, estabelecendo
descentralização é a desconcentração administrativa, que significa metas e prioridades para o exercício financeiro subsequente; e a
repartição de funções entre os vários órgãos de uma mesma Lei Orçamentária Anual (LOA) que disciplina os programas e
administração, sem quebra de hierarquia. Na descentralização, a ações do governo federal no exercício considerado.
execução de atividades ou a prestação de serviços pelo Estado é Também pode ser encontrado no Art. 2º da Lei 10.180/01 ex-
indireta e mediata; na desconcentração é direta e imediata. pressa que “O Sistema de Planejamento e de Orçamento Federal
- Delegação de Competência: É a aplicação de uma forma tem por finalidade:
do princípio da descentralização, ou seja, uma técnica de I - formular o planejamento ESTRATÉGICO nacional;
descongestionamento da administração. II - formular planos nacionais, setoriais e regionais de desen-
- Controle: É qualquer ação tomada pela administração com o volvimento econômico e social;
objetivo de atingir metas estabelecidas. Sob o aspecto contábil, visa III - formular o plano plurianual, as diretrizes orçamentárias e
os orçamentos anuais;
a proteção de bens, confiabilidade e veracidade de informações.
IV - gerenciar o processo de planejamento e orçamento fede-
Sob o aspecto gerencial, visa a observância de planos e normas,
ral;
atingir os objetivos estabelecidos e o uso econômico e eficiente
V - promover a articulação com os Estados, o Distrito Federal
dos recursos. e os Municípios, visando a compatibilização de normas e tarefas
De acordo com o autor NOGUEIRA, a importância na iden- afins aos diversos Sistemas, nos planos federal, estadual, distrital
tificação dos princípios da administração pública nos dispositivos e municipal”.
legais em vigor e do seu perfeito entendimento pelo gestor públi- Portanto, a estratégia constitui um processo de aprendizagem
co, está no fato de que eles norteiam a estruturação e o funciona- através do qual a direção da organização tenta atingir níveis de
mento das atividades administrativas públicas. aspiração, objetivos e metas, fazendo uso mais eficiente dos seus
recursos frente a um meio cada vez mais imprevisível.
Em razão disso, além dos princípios constitucionais e dos - Eficiência:
fundamentais já analisados acima, que são os princípios consti- É, também, um princípio constitucional, considerando o
tucionais ou básicos e princípios fundamentais, ele cita ainda os disposto no Art. 37 da Constituição: «a administração pública
princípios gerenciais e, acrescenta mais dois grupos. Um que trata direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados,
dos princípios do processo de Licitações & Contratos, porque nor- do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios
teiam as atividades de compras e contratações no setor público. E de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade
outro que aborda os princípios da contabilidade aplicada ao setor e EFICIÊNCIA e...”, bem como no Art. 74 vê-se que “Os Poderes
público, porque tratam de aspectos e métodos relacionados às va- Legislativo, Executivo e Judiciário manterão, de forma integrada,
riações patrimoniais públicas. sistema de controle interno com a finalidade de: II - comprovar a
legalidade e avaliar os resultados, quanto à eficácia e EFICIÊN-
PRINCÍPIOS GERENCIAIS CIA , da gestão orçamentária, financeira e patrimonial nos órgãos
Referem-se à aplicação de princípios da Ciência da Adminis- e entidades da administração federal, bem como da aplicação de
tração e constantes em dispositivos legais vigentes: recursos públicos por entidades de direito privado”.
- Estratégia: É a forma de fazer o que deve ser feito com o melhor emprego
Para FERNANDES e BERTON, é a forma de realizar o ma- de recursos.
peamento das futuras direções da organização a partir dos recursos A Lei de Responsabilidade Fiscal, no seu Art. 67, aplica esse
princípio ao expressar que o conselho de gestão fiscal, constituído
que possui, elaborando planos, estabelecendo políticas, definindo
por representantes de todos os Poderes e esferas de Governo, do
caminhos a serem percorridos e efetivando ações para viabilizar
Ministério Público e de entidades técnicas representativas da so-
esses desejos. Implica na realização de planejamento em três ní-
ciedade, deve realizar suas ações visando a disseminação de prá-
veis básicos: o estratégico, o tático e o operacional, pressupondo ticas que resultem em maior EFICÊNCIA na alocação e execução
uma perfeita correlação entre estes níveis e a hierarquia organiza- do gasto público.
cional. Desta forma, o planejamento estratégico refere-se ao nível O Art. 20 da Lei 10.180 também o aplica ao determinar a com-
institucional e elaborado numa perspectiva temporal de longo al- provação da legalidade e da avaliação dos resultados da gestão
cance. O tático corresponde ao nível intermediário, sendo de mé- orçamentária, financeira e patrimonial nos órgãos e nas entidades
dio prazo, e o operacional refere-se à execução e de curto prazo. da Administração Pública Federal, quanto à eficácia e EFICIÊN-
No setor público, no nível estratégia de Estado, o princípio é CIA da gestão.
aplicado conforme a publicação Cadernos NAE Nr 6 que apresenta O Ministério do Planejamento Orçamento e Gestão, por inter-
um projeto estratégico nacional de longo prazo, considerando três médio da Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação e do
grupos de informações referenciais necessárias: “onde” se encon- Departamento de Logística e Serviços Gerais, aplica o princípio
tra a sociedade brasileira, “para onde” se deseja ir e “como” che- na sua publicação “Sistema de Registro de Preços – Manual do
gar ao destino desejado. Nos níveis tático e operacional do Estado Usuário, 2006” tem investido na sistematização das rotinas e pro-
Brasileiro, considerando o previsto no Art. 165 da Constituição cedimentos destinados a melhorar a EFICIÊNCIA e a qualidade na
Federal e as dimensões de curto e médio prazo, têm-se o Plano utilização do sistema.

Didatismo e Conhecimento 11
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
A Secretaria de Gestão (SEGES), do Ministério do Planeja- A SEGES na publicação Guia Referencial para Medição de
mento, Orçamento e Gestão (MPOG), na publicação Guia Refe- Desempenho e Manual para Construção de Indicadores, apresenta
rencial para Medição de Desempenho e Manual para Construção um conceito de efetividade, considerando a metodologia de Cadeia
de Indicadores, 2009, apresenta um conceito de Eficiência, consi- de Valor: “Efetividade são os impactos gerados pelos produtos/
derando a metodologia de Cadeia de Valor: “Eficiência é a rela- serviços, processos ou projetos. A efetividade está vinculada ao
ção entre os produtos/serviços gerados (outputs) com os insumos grau de satisfação ou ainda ao valor agregado, a transformação
utilizados, relacionando o que foi entregue e o que foi consumido produzida no contexto em geral”.
de recursos, usualmente sob a forma de custos ou produtividade. Em síntese, efetividade é a relação entre os resultados (im-
Por exemplo: uma campanha de vacinação é mais eficiente quanto pactos observados) e os objetivos (impactos esperados). O valor
menor for o custo, ou seja, quanto menor for o custo da campanha, efetivo das ações governamentais deve ser medido com base nos
mantendo-se os objetivos propostos”. resultados qualitativos, ou seja, nos impactos socioeconômicos
produzidos.
Portanto, a eficiência impõe a todo agente público realizar
- Economicidade:
suas atribuições com presteza, perfeição, rendimento e rapidez.
É a avaliação das condições em que são adquiridos os recursos
Não basta desempenhar suas atividades com a observância da lei, organizacionais, suas necessidades e comparando-se com o que foi
é indispensável que o administrador público as desempenhe com adquirido ou vai se adquirir, os padrões de qualidade aceitáveis,
resultados positivos para o serviço público e com atendimento sa- o grau de utilização dos bens ou serviços a adquirir e os prazos e
tisfatório das necessidades coletivas. Deve ser avaliada do ponto condições da obtenção dos recursos.
de vista da quantidade e da qualidade do serviço prestado, obser- O Art. 70 da Constituição Federal emprega o princípio quan-
vando-se o seu rendimento efetivo, seu custo operacional e sua real do discorre sobre a fiscalização contábil, financeira, orçamentária,
utilização para os administrados e para a administração. operacional e patrimonial da União e das entidades da administra-
- Eficácia: ção direta e indireta.
É fazer o quê tem que ser feito. Ou seja, é a realização de - Otimização:
um conjunto de ações que garantam atingir os objetivos e metas Para SILVA, “é uma técnica para calcular a melhor distri-
determinadas no planejamento organizacional dentro do prazo buição de recursos para um determinado objetivo, levando-se em
estabelecido ou conveniado. conta determinadas restrições”. Este processo de se transformar
A Constituição Federal, no Art. 74, o aplica, discorrendo sobre os dados de um problema e organizá-los segundo as necessidades
as ações dos Poderes da União quanto à eficácia no controle e na organizacionais chama-se “modelagem”, utilizado pela Pesquisa
gestão orçamentária, financeira e patrimonial nos órgãos e entida- Operacional (PO). É um conceito sobre a busca da melhor utiliza-
des da administração federal, bem como da aplicação de recursos ção (técnica, econômica, social, política) de recursos e processos,
através da aplicação de métodos científicos, visando a maior satis-
públicos por entidades de direito privado.
fação do consumidor, definidos num contexto.
Também pode-se encontrá-lo no Art. 7o da Lei 10.180/01 A publicação Licitações & Contratos, do TCU, aplica o prin-
quando expressa que “compete às unidades responsáveis pelas cípio ao tratar da redução de custos operacionais e otimização dos
atividades de planejamento: III - acompanhar física e financeira- processos de contratação de bens e serviços pela Administração
mente os planos e programas referidos nos incisos I e II deste arti- possibilitados pelo Subsistema de Registro de Preços (SISRP).
go, bem como avaliá-los, quanto à EFICÁCIA e efetividade, com Também é aplicado na publicação “A política de governo ele-
vistas a subsidiar o processo de alocação de recursos públicos, a trônico no Brasil”, da Secretaria de Logística e Tecnologia da In-
política de gastos e a coordenação das ações do governo”. E no seu formação (SLTI), do MPOG, quando se refere ao poder de compra
Art. 20 onde consta que o Sistema de Controle Interno do Poder do Governo Federal para a obtenção de custos menores e a otimi-
Executivo Federal tem as seguintes finalidades: “II - comprovar a zação do uso de redes de comunicação.
legalidade e avaliar os resultados, quanto à EFICÁCIA (grifo meu) Pode-se verificar, ainda, na parte 3 – Modais de Transporte,
e eficiência, da gestão orçamentária, financeira e patrimonial nos do Tomo 3 – Base de Dados Geográfica, do Volume I – Base de
órgãos e nas entidades da Administração Pública Federal ...”. Dados, do Plano Nacional de Logística e Transportes (PNLT), do
A SEGES na publicação Guia Referencial para Medição de relatório elaborado pelo Exército Brasileiro e pelo Departamen-
Desempenho e Manual para Construção de Indicadores, 2009, to Nacional de Infra-estrutura de Transportes (DNIT) a aplicação
apresenta um conceito de eficácia, considerando a metodologia de desse princípio, referindo-se à utilização das informações georre-
Cadeia de Valor: “Eficácia é a quantidade e qualidade de produtos ferenciadas sobre pontos de transbordo para a otimização de rotas
e transporte de mercadorias e no desenvolvimento de projetos de
e serviços entregues ao usuário (beneficiário direto dos produtos e
infra-estrutura e direcionamento de investimentos.
serviços da organização)”.
- Produtividade:
A eficácia pode ser entendida como a adoção de um conjunto Em seu conceito clássico é o resultado da divisão da produção
de ações que garantam a o alcance dos planos, objetivos ou me- física obtida numa unidade de tempo por um dos fatores emprega-
tas determinados, para entidades, empresas ou projetos públicos a dos na produção. É comumente relacionada à eficiência. A produti-
custos razoáveis de maneira factível e dentro de um prazo estabe- vidade é entendida em “como fazer o quê tem de ser feito”.
lecido ou conveniado. A Constituição Federal faz referência ao princípio quando
- Efetividade: trata, no § 7º do Art. 39, da aplicação de recursos orçamentários
É a relação entre os resultados (impactos observados) e em programas de qualidade e produtividade e no § 4 do Art. 218,
os objetivos (impactos esperados). É aplicado: no § 1º do Art. quando discorre sobre investimento das empresas em formação e
145 da Constituição quando trata da capacidade econômica do aperfeiçoamento de recursos humanos, assegurando-lhes remune-
contribuinte em relação às características dos impostos; no Art. 7o ração, distinta do salário, conforme a produtividade de seu traba-
da Lei 10.180/01, visto anteriormente. lho.

Didatismo e Conhecimento 12
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
O Art. 30 da Lei 4.320/64 aplica o princípio, discorrendo so- - Princípio da continuidade: Está vinculado ao estrito cum-
bre a estimativa da receita com base em variáveis conjunturais que primento da destinação social do seu patrimônio, ou seja, a conti-
possam afetar a produtividade de cada fonte de receita. nuidade da entidade se dá enquanto perdurar sua finalidade.
A Lei 8.666, no Art. 48, emprega o princípio em relação às - Princípio da oportunidade: É a base indispensável à
propostas no processo de compras e contratações, exigindo que as integridade e à fidedignidade dos registros contábeis dos atos e
empresas comprovem, se os seus coeficientes de produtividade são dos fatos que afetam ou possam afetar o patrimônio da entidade
compatíveis com a execução do objeto do contrato. pública, observadas as Normas Brasileiras de Contabilidade
aplicadas ao Setor Público.
PRINCÍPIOS DO PROCESSO DE LICITAÇÕES E - Princípio do registro pelo valor original: Nos registros dos
CONTRATOS atos e fatos contábeis será considerado o valor original dos compo-
nentes patrimoniais que, ao longo do tempo, não se confunde com
A publicação “Licitações e Contratos” do TCU apresenta os
o custo histórico.
princípios do processo de Licitação & Contratos para a adminis-
- Princípio da atualização monetária: Torna a atualização
tração pública: monetária compulsória quando a inflação acumulada no triênio,
- Princípio da Legalidade: Esse princípio vincula os licitantes medida com base no Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM/
e a Administração Pública às regras estabelecidas nas normas e FGV), atingir 100% ou mais.
princípios em vigor, fazendo referência ao Art. 3o da Lei 8.666 e - Princípio da competência: É aquele que reconhece as
ao Art. 37 da Constituição. transações e os eventos na ocorrência dos respectivos fatos
- Princípio da Isonomia: Significa dar tratamento igual a to- geradores, independentemente do seu pagamento ou recebimento.
dos os interessados. É condição essencial para garantir competição - Princípio da prudência: Determina a adoção do menor valor
em todos os procedimentos licitatórios. para os componentes do ATIVO e do maior para os do PASSIVO,
- Princípio da Impessoalidade: Obriga a observância, nas sempre que se apresentem alternativas igualmente válidas para a
suas decisões, de critérios objetivos previamente estabelecidos, quantificação das mutações patrimoniais que alterem o patrimônio
afastando a discricionariedade e o subjetivismo na condução dos líquido.
procedimentos da licitação. Pode-se observar a obrigatoriedade da
observância desse princípio no Art. 37 da Constituição e no Art. 3o Sistemas da Administração Pública Federal
da Lei 8.666 tratados anteriormente.
- Princípio da Moralidade e da Probidade Administrativa: A Administração Pública Federal (APF) tem vários sistemas
A conduta dos licitantes e dos agentes públicos tem de ser, além de suporte para o andamento e funcionamento das atividades fins
dos órgãos e entidades, para a consecução de uma mesma finali-
de lícita, compatível com a moral, a ética, os bons costumes e as
dade.
regras da boa administração.
- Princípio da Publicidade: Qualquer interessado deve ter Sistemas do Poder Público
acesso às licitações públicas e seu controle, mediante divulgação Sistemas de suporte às atividades fins do Poder Executivo Fe-
dos atos praticados pelos administradores em todas as fases da li- deral:
citação. Vale lembrar que é, também, um princípio constitucional.
- Princípio da Vinculação ao Instrumento Convocatório:  Sistema de Controle Interno – SCI;
Obriga a Administração e o licitante a observarem as normas e  Sistema de Planejamento e Orçamento – SPO;
condições estabelecidas no ato convocatório.  Sistema de Administração dos Recursos de Informação e
- Princípio do Julgamento Objetivo: Significa que o adminis- Informática do setor Público – SISP;
trador deve observar critérios objetivos definidos no ato convoca-  Sistema de Serviços Gerais – SISG;
tório para o julgamento das propostas.  Sistema de Pessoal Civil – SIPEC;
- Princípio da Celeridade: Consagrado pela Lei nº 10.520,  Sistema de Organização e Modernização Administrativa
como um dos norteadores de licitações na modalidade pregão, bus- – SOMAD;
ca simplificar procedimentos de rigor e de formalidade desneces-  Sistema de Contabilidade Federal – SICON.
sários. As decisões, sempre que possível, devem ser tomadas no
momento da sessão. Sistemas de Escrituração na área pública:
Sistema Orçamentário: O sistema de contas orçamentá-
rio registra a receita prevista e as autorizações legais da despesa
PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DA CONTABILIDADE
constantes da Lei Orçamentária Anual e dos créditos adicionais,
PÚBLICA demonstrando a despesa fixada e a realizada no exercício, compa-
A PARTE II, Procedimentos Contábeis Patrimoniais, do Ma- rando, ainda, a receita prevista com a arrecadada;
nual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público, expressa que a Sistema Financeiro: Nesse sistema são registrados a arrecada-
Contabilidade Pública, sendo um ramo da ciência contábil, deve ção da receita e o pagamento da despesa orçamentária e extra-or-
observar os Princípios Fundamentais de Contabilidade, que repre- çamentária. Tudo o que movimenta o disponível (entrada e saída
sentam a essência das doutrinas e teorias consoantes o entendimen- de numerário) deve ser registrado no sistema financeiro;
to predominante nos universos científico e profissional do País. Sistema Patrimonial: No Sistema Patrimonial são registrados
- Princípio da entidade: Se afirma pela autonomia e respon- os bens patrimoniais do Estado, os créditos e os débitos suscetí-
sabilização do patrimônio a ele pertencente. A autonomia patrimo- veis de serem permanentes ou que sejam resultado do movimento
nial tem origem na destinação social do patrimônio e a responsabi- financeiro, as variações patrimoniais provocadas pela execução do
lização pela obrigatoriedade da prestação de contas pelos agentes orçamento ou que tenham outras origens e o resultado econômico
públicos. do exercício;

Didatismo e Conhecimento 13
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
Sistema de Compensação: Neste sistema são efetuados os re- Atualmente, o Sidor está sofrendo um processo de desativação,
gistros dos valores que direta ou indiretamente possam vir a ser sendo substituído, aos poucos, pelo Sistema Integrado de Planeja-
compensados. Serão mento e Orçamento do Governo Federal (SIOP).
registrados, entre outros, as responsabilidades contratuais do Página do SIOP: https://www.siop.planejamento.gov.br/siop/
Estado e os bens e valores em poder de terceiros.
SIGPLAN - Sistema de Informações Gerenciais e de Plane-
E abaixo, alguns softwares de sistemas utilizados com suas jamento do Plano Plurianual. Essa é a mais simples: é o sistema
respectivas funções: responsável pelo Plano Plurianual (PPA) do Orçamento Federal.
Página: http://www.sigplan.gov.br
SIAFI - É o Sistema Integrado de Administração Financeira
do Governo Federal; Órgão Gestor: Secretaria do Tesouro Nacio- SIEST - Sistema de Informações das Empresas Estatais
nal - STN / Ministério da Fazenda - MF; Função: registro, acom- O Sistema oferece suporte ao Departamento de Coordenação
panhamento e controle da execução orçamentária, financeira e pa- e Controle das Empresas Estatais (Dest), do Ministério do Plane-
trimonial do Governo Federal. jamento, Orçamento e Gestão, na captação de propostas de inves-
Página: https://www.tesouro.fazenda.gov.br/pt/siafi timentos das empresas estatais para o exercício financeiro subse-
quente. É constituído de cinco módulos: Programa de Dispêndios
SIORG - Sistema de Informações Organizacionais; Órgão Globais (PDG), Orçamento de Investimento, Cadastro Geral das
Gestor: Secretaria e Gestão - SEGES / MPOG. Função: Armaze- Empresas Estatais, Balanços Patrimoniais e Endividamento. 
nar as informações sobre a strutura Organizacional dos órgãos do
poder Executivo - administração direta, autarquias e fundações.
Ou seja, é um grande banco de dados das informações da organi- 2 PROCESSO ADMINISTRATIVO.
zação do executivo. 2.1FUNÇÕES DA ADMINISTRAÇÃO:
Página: http://www.siorg.redegoverno.gov.br/ PLANEJAMENTO, ORGANIZAÇÃO,
DIREÇÃO E CONTROLE.
SIAPE - Sistema de Administração de Pessoas - é o sistema 2.2 ESTRUTURA ORGANIZACIONAL.
informatizado de Gestão de Recursos Humanos do Poder Execu- 2.3 CULTURA ORGANIZACIONAL.
tivo Federal, que controla as informações cadastrais e processa
os pagamentos dos servidores da Administração Pública Federal
- APF - (ativos, pensionistas e aposentados). 
Responsável: Secretaria de Gestão Pública - SEGEP / MPOG.
Página: http://www.siapenet.gov.br 2. PROCESSO ADMINISTRATIVO

SIAPA - Sistema Integrado de Administração Patrimonial. O O processo administrativo apresenta-se como uma sucessão
Siapa é uma ferramenta específica de apoio à administração dos de atos, juridicamente ordenados, destinados todos à obtenção de
imóveis dominiais da União com o objetivo de manter atualizado um resultado final. O procedimento é, pois, composto de um con-
e operacional o cadastro dos imóveis e seus respectivos responsá- junto de atos, interligados e progressivamente ordenados em vista
veis, ocupantes ou foreiros. da produção desse resultado.
Assim, o sistema permite o gerenciamento da arrecadação de O devido processo legal simboliza a obediência às normas
receitas patrimoniais devidas pelo uso dos imóveis da União e pa- processuais estipuladas em lei; é uma garantia constitucional con-
dronizar os procedimentos operacionais das Gerências Regionais cedida a todos os administrados, assegurando um julgamento justo
do Patrimônio da União. e igualitário, assegurando a expedição de atos administrativos de-
Responsável: MPOG vidamente motivados bem como a aplicação de sanções em que
se tenha oferecido a dialeticidade necessária para caracterização
SIASG - Sistema Integrado de Administração de Serviços da justiça. Decisões proferidas pelos tribunais já tem demonstrado
Gerais - é o sistema informatizado de apoio às atividades opera- essa posição no sistema brasileiro, qual seja, de defesa das garan-
cionais do Sistema de Serviços Gerais. Sua finalidade é integrar tias constitucionais processuais no sentido de conceder ao cidadão
os órgãos da Administração Pública Federal direta, autárquica e a efetividade de seus direitos.
fundacional. O Siasg é o sistema onde são realizadas as operações Seria insuficiente se a Constituição garantisse aos cidadãos
das compras governamentais dos órgãos integrantes do Sisg (Ad- inúmeros direitos se não garantisse a eficácia destes. Nesse desi-
ministração Pública Federal direta, autárquica e fundacional). O derato, o princípio do devido processo legal ou, também, princípio
Sistema inclui a divulgação e a realização das licitações, a emissão do processo justo, garante a regularidade do processo, a forma pela
de notas de empenho, o registro dos contratos administrativos, a qual o processo deverá tramitar, a forma pela qual deverão ser pra-
catalogação de materiais e serviços e o cadastro de fornecedores. ticados os atos processuais e administrativos.
Cabe ressaltar que o princípio do devido processo legal res-
SIDOR - Sistema Integrado de Dados Orçamentários guarda as partes de atos arbitrários das autoridades jurisdicionais
O Sidor é um sistema que tem como objetivo aprimorar o pro- e executivas.
cesso orçamentário federal. Seu principal produto é o Projeto de O processo é composto de fases e atos processuais, que devem
Lei Orçamentária enviado, anualmente, ao Congresso Nacional ser rigorosamente seguidos, viabilizando as partes a efetividade do
para aprovação e consequente geração da Lei Orçamentária Anual.  processo, não somente em seu aspecto jurídico-procedimental, mas

Didatismo e Conhecimento 14
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
também em seu escopo social, ético e econômico. Razão pela qual, Planejamento: funciona como a primeira função administra-
pode-se afirmar que o princípio do devido processo legal reúne em dora, pois serve de base para as demais.
si todos os demais princípios processuais, de modo a assegurar o • É uma reflexão que antecede a ação;
cumprimento dos princípios constitucionais processuais, somente • É um processo permanente e contínuo;
aí, ter-se-á a efetivação de um Estado Democrático de Direito, no • É sempre voltado para o futuro;
qual o povo não se sujeita a imposição de decisões, mas participa • É uma relação entre as coisas a serem feitas e o tempo
ativamente destas. disponível para tanto;
Toda atuação do Estado há de ser exercida em prol do públi- • É mais uma questão de comportamento e atitude da
co, mediante processo justo, e mediante a segurança dos trâmites administração do que propriamente um elenco de planos e
legais do processo. programas de ação;
• É a busca da racionalidade nas tomada de decisões;
2.1 FUNÇÕES DA ADMINISTRAÇÃO: PLANEJA- • É um curso de ação escolhido entre várias alternativas de
MENTO, ORGANIZAÇÃO, DIREÇÃO E CONTROLE caminhos potenciais;
• É interativo, pois pressupõem avanços e recuos,
Administração é o ato de administrar ou gerenciar negó- alterações e modificações em função de eventos novos ocorridos
cios,  pessoas ou recursos, com o objetivo de alcançar metas de- no ambiente externo e interno da empresa.
finidas. • O planejamento é um processo essencialmente participa-
A gestão de uma empresa ou organização se faz de forma que tivo, e todos os funcionários que são objetos do processo devem
as atividades sejam administradas com planejamento, organização, participar.
direção, e controle. Segundo alguns autores (Montana e Charnov) • Para realizar o planejamento, a empresa deve saber onde
o ato de administrar é trabalhar com e por intermédio de outras está agora (presente) e onde pretende chegar (futuro).
pessoas na busca de realizar objetivos da organização bem como •
de seus membros. Para isso, deve dividir o planejamento em sete fases sequen-
A administração tem uma série de características entre elas: ciais, como veremos abaixo.
um circuito de atividades interligadas tais como busca de obten-
ção de resultados, proporcionar a utilização dos recursos físicos e Etapas do planejamento
materiais disponíveis, envolver atividades de planejamento, orga-
nização, direção e controle.
Administrar, independente do nível organizacional, requer al-
gumas habilidades, que podem ser classificadas em três grupos:

 Habilidades Técnicas – requer conhecimento especia-


lizado e procedimentos específicos e pode ser obtida através de
instrução.

 Habilidades Humanas – capacidade de relacionamento


interpessoal, envolvem também aptidão, pois interage com as pes-
soas e suas atitudes, exige compreensão para liderar eficazmente.

 Habilidades Conceituais – trata-se de uma visão pa-


norâmica das organizações, o gestor precisa conhecer cada setor,
como ele trabalha e para que ele existe.
O conceito de administração representa uma governabilidade,
gestão de uma empresa ou organização de forma que as atividades
sejam administradas com planejamento, organização, direção, e
controle.   1. Definir: visão e missão do negócio 

PLANEJAR Visão
É a função administrativa em que se estima os meios que É a direção em que a empresa pretende seguir, ou ainda, um
possibilitarão realizar os objetivos (prever), a fim de poder tomar quadro do que a empresa deseja ser. Deve refletir as aspirações da
decisões acertadas, com antecipação, de modo que sejam evitados empresa e suas crenças.
entraves ou interrupções nos processos organizacionais.
É também uma forma de se evitar a improvisação. Fórmula base para definição da visão:
Nesta função, o gerente especifica e seleciona os objetivos a Verbo em perspectiva futura + objetivos desafiadores + até
serem alcançados e como fazer para alcançá-los. quando.
Exemplos: o chefe de seção dimensiona os recursos necessá-  
rios (materiais, humanos, etc.), em face dos objetivos e metas a se- Missão
rem atingidos; a montagem de um plano de ação para recuperação A declaração de missão da empresa deve refletir a razão de ser
de uma área avariada. da empresa, qual o seu propósito e o que a empresa faz.

Didatismo e Conhecimento 15
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
Fórmula base para definição da Missão:
Fazer o quê + Para quem (qual o público?) + De que forma.

2. Analisar o ambiente externo 


Uma vez declarada a visão e missão da empresa, seus dirigentes devem conhecer as partes do  ambiente que precisam monitorar para
atingir suas metas. É preciso analisar as forças macroambientais (demográficas, econômicas, tecnológicas, políticas, legais, sociais e cul-
turais) e os atores microambientais (consumidores, concorrentes, canais de distribuição, fornecedores) que afetam sua habilidade de obter
lucro.
 
Oportunidades
Um importante propósito da análise ambiental é identificar novas oportunidades de marketing e mercado. 
 
Ameaças
Ameaça ambiental é um desafio decorrente de uma tendência desfavorável que levaria a deterioração das vendas ou lucro. 
 
3. Analisar o ambiente interno
Você saberia dizer quais são as qualidades e o que pode ou deve ser melhorado na sua empresa? Esses são os pontos fortes/forças e
fracos/fraquezas do seu negócio.

4. Analisar a situação atual 


Depois de identificados os pontos fortes e pontos fracos e analisadas as oportunidades e ameaças, pode-se obter a matriz FOFA (força ou
fortalezas, oportunidades, fraquezas e ameaças) ou SWOT (strengths, weaknesses, opportunities e threats). Inclua os pontos fortes e fracos
de sua empresa, juntamente com as oportunidades e ameaças do setor, em cada uma das quatro caixas:
 

A análise FOFA fornece uma orientação estratégica útil.

5. Definir objetivos e Metas


São elementos que identificam de forma clara e precisa o que a empresa deseja e pretende alcançar. A partir dos objetivos e de todos os
dados levantados acima, são definidas as metas.
As Metas existem para monitorar o progresso da empresa. Para cada meta existe normalmente um plano operacional, que é o conjunto
de ações necessárias para atingi-la; Toda meta, ao ser definida, deve conter a unidade de medida e onde se pretende chegar.
 
6. Formular e Implementar a estratégia 
Até aqui, você definiu a missão e visão do seu negócio e definiu metas e objetivos visando atender sua missão em direção à visão de-
clarada. Agora, é necessário definir-se um plano para se atingir as metas estabelecidas, ou seja, a empresa precisa de uma formulação de
estratégias para serem implantadas.

Após o desenvolvimento das principais estratégias da empresa, deve-se adotar programas de apoio detalhados com responsáveis, áreas
envolvidas, recursos e prazos definidos.

Didatismo e Conhecimento 16
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
7. Gerar Feedback e Controlar CONTROLAR
À medida que implementa sua estratégia, a empresa precisa Esta função se aplica tanto a coisas quanto a pessoas.
rastrear os resultados e monitorar os novos desenvolvimentos nos Para que a função de controle possa efetivamente se processar
ambientes interno e externo. Alguns ambientes mantêm-se estáveis e aumentar a eficiência do trabalho, é fundamental que o estabele-
de um ano para outro. O ideal é estar sempre atento à realização cido ou determinado esteja perfeito, claramente explicado.
das metas e estratégias, para que sua empresa possa melhorar a “O que perturba o bom entendimento não são regras do jogo
muito exigentes, mas sim regras esclarecidas após o jogo iniciado.”
cada dia.
É a função administrativa através da qual se verifica se o
 
que foi estabelecido ou determinado foi cumprido (sem entrar
Princípios aplicados ao planejamento especificamente nos méritos e se deu ou não bons resultados).
 
I-                    Princípio da definição dos objetivos (devem ser Um sistema de controle deve ter:
traçados com clareza, precisão) •um objetivo, um padrão, uma linha de atuação, uma norma,
II-                  Princípio da flexibilidade do planejamento (pode- uma regra “decisorial”, um critério, uma unidade de medida;
rá e deverá ser alterado sempre que necessário e possível). •um meio de medir a atividade desenvolvida;
  •um procedimento para comparar tal atividade com o critério
Com esta primeira função montaremos o plano teórico, com- fixado;
pletando assim o ciclo de planejamento: Estabelecer objetivos, to- •algum mecanismo que corrija a atividade como critério fi-
mar decisões e elaborar planos. xado. O processo de controle é realizado em quatro fases a saber:
a) Estabelecimento de padrões ou critérios;
ORGANIZAR b) Observação do desempenho;
c) Comparação do desempenho com o padrão estabelecido;
É a função administrativa que visa dispor adequadamente os
d) Ação para corrigir o desvio entre o desempenho atual e o
diferentes elementos (materiais, humanos, processos, etc.) que desempenho esperado.
compõem (ou vierem a compor) a organização, como objetivo de
aumentar a sua eficiência, eficácia e efetividade. 2.2 ESTRUTURA ORGANIZACIONAL

DIREÇÃO Para administrar nos mais variados níveis de organização é


Podemos dividir essa função em duas subfunções: necessário ter habilidades, estas são divididas em três grupos: as
Habilidades Técnicas são habilidades que necessitam de conheci-
COMANDAR mento especializado e procedimentos específicos e pode ser obtida
É a função administrativa que consiste basicamente em: através de instrução. As Habilidades Humanas envolvem também
aptidão, pois interage com as pessoas e suas atitudes, exige com-
Decidir a respeito de “que” (como, onde, quando, com que, preensão para liderar com eficiência. As Habilidades Conceituais
com quem) fazer, tendo em vista determinados objetivos a serem englobam um conhecimento geral das organizações, o gestor pre-
cisa conhecer cada setor, como ele trabalha e para que ele existe.
conseguidos.
De acordo com Chiavenato a estrutura garante a totalidade de
Determinar as pessoas, as tarefas que tem que executar. um sistema e permite sua integridade, assim são as organizações,
É fundamental para quem comanda desfrutar de certo poder: diversos órgãos agrupados hierarquicamente, os sistemas de res-
•Poder de decisão. ponsabilidade, sistemas de autoridade e os sistemas de comunica-
•Poder de determinação de tarefas a outras pessoas. ções são componentes estruturais.
•Poder de delegar – a possibilidade de conferir á outro parte Existem vários modelos de organização, Organização Empre-
do próprio poder. sarial, Organização Máquina, Organização Política entre outras.
•Poder de propor sanções àqueles que cumpriram ou não ás As organizações possuem seus níveis de influência. O nível estra-
determinações feitas. tégico é representado pelos gestores e o nível tático, representado
pelos gerentes. Eles são importantes para manter tudo sob contro-
COORDENAR le. O gerente tem uma visão global, ele coordena, define, formula,
É a função administrativa que visa ligar, unir, harmonizar todos estabelece uma autoridade de forma construtiva, competente, enér-
os atos e todos os esforços coletivos através da qual se estabelece gica e única. Fayol nomeia 16 diferentes atribuições dos gerentes.
Os gerentes são responsáveis pelo elo entre o nível operacional,
um conjunto de medidas, que tem por objetivo harmonizar recursos
onde os colaboradores desenvolvem os produtos e serviços da or-
e processos. Dois tipos de Coordenação:
ganização.
•Vertical/Hierárquico: É aquela que se faz com as pessoas As Organizações formais possuem uma estrutura hierárquica
sempre dentro de uma rigorosa observância das linhas de comando com suas regras e seus padrões. Os Organogramas com sua estru-
(ou escalões hierárquicos estabelecidos). tura bem dimensionada podem facilitar a autonomia interna, agi-
•Horizontal: É aquela que se estabelece entre as outras pes- lizando o processo de desenvolvimento de produtos e serviços. O
soas sem observância dos níveis hierárquicos dessas mesmas pes- mundo empresarial cada vez mais competitivo e os clientes a cada
soas. Essa coordenação possibilita a comunicação entre as pessoas dia mais exigentes levam as organizações a pensar na sua estrutu-
de vários departamentos e de diferentes níveis hierárquicos. Risco ra, para se adequar ao que o mercado procura. Com os órgãos bem
Básico: Desmoralização ou destruição das linhas de comando ou dispostos nessa representação gráfica, fica mais bem objetivada a
hierarquia. hierarquia bem como o entrosamento entre os cargos.

Didatismo e Conhecimento 17
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
As organizações fazem uso do organograma que melhor re- No processo de centralização a tomada de decisões é unila-
presenta a realidade da empresa, vale lembrar que o modelo pira- teral, deixando os colaboradores travados, sem poder de opinião. 
midal ficou obsoleto, hoje o que vale é a contribuição, são muitas Já no processo de descentralização existe maior estimulo por par-
pessoas empenhadas no desenvolvimento da empresa, todos con- te dos funcionários, podendo opinar eles se sentem parte ativa da
tribuem com ideias na tomada de decisão. empresa.
Com vistas às diversidades de informações, é preciso estar Existem benefícios assegurados por leis e benefícios espon-
atento para sua relevância, nas organizações as informações são tâneos. Um bom plano de benefícios motivam os colaboradores.
importantes, mesmo em tomada de decisões. É necessário avaliar a O funcionário hoje com todo seu conhecimento adquirido na em-
qualidade da informação e saber aplicar em momentos oportunos. presa tem sido tratado como ativo não mais como recurso. Dar
Para o desenvolvimento de sistemas de informação, há que estímulos como os benefícios contribuem para a permanência do
se definir qual informação e como ela vai ser mantida no sistema, funcionário na organização.  São inúmeras vantagens tanto para
deve haver um estudo no organograma da empresa verificando as- o empregado quanto para o empregador. Reduzindo insatisfações
sim quais os dados e quais os campos vão ser necessários para e aumentando a produção, gerando assim resultados satisfatórios.
essa implantação.  Cada empresa tem suas características e suas
A Estrutura Organizacional deve ser delineada de acordo com
necessidades, e o sistema de informação se adéqua a organização
os objetivos e estratégias estabelecidos pela empresa.
e aos seus propósitos.
É uma ferramenta básica para alcançar as situações almejadas
Para as organizações as pessoas são as mais importantes, por
pela empresa.
isso tantos estudos a fim de sanar interrogações a respeito da com-
plexidade do ser humano. Maslow diz que em primeiro na base da Funções dos executivos:
pirâmide vem às necessidades fisiológicas, como: fome, sede sono,
sexo, depois ele nomeia segurança como o segundo item mais im- O executivo tem a função de organizar toda a empresa para o
portante, estabilidade no trabalho, por exemplo, logo depois ne- seu perfeito funcionamento, além disso, três outras funções bási-
cessidades afetivo sociais, como pertencer a um grupo, ter amigos, cas fazem parte da sua vida. São elas:
família; necessidades de status e estima, aqui podemos dar como
exemplo a necessidade das pessoas em ter reconhecimento, por  Planejamento da empresa – objetivos esperados.
seu trabalho por seu empenho, no topo Maslow colocou as neces-  Direção da empresa – orientação, coordenação, motiva-
sidades de auto-realização, em que o indivíduo procura tornar-se ção, liderança das
aquilo que ele pode ser, explorando suas possibilidades.  atividades.
O raciocínio de Viktor Frankl “vontade de sentido”  também  Controle da empresa – acompanhamento, controle, ava-
é  coerente, ele nos atenta para o fato de que nem sempre a pirâmi- liação dos
de de Maslow ocorre em todas as escalas de uma forma sequencial,  resultados.
de acordo com ele, o que nos move é aquilo que faz com que nossa  Organização – ordem nas coisas.
vida tenha sentido, nossas necessidades aparecem de forma aleató-
ria, são nossas motivações que nos levam a agir. Os colaboradores Benefícios de uma estrutura adequada.
são estimulados, fazendo o que gostam, as pessoas alocam mais
tempo nas atividades em que estão motivados. Sendo assim um  Identificação das tarefas necessárias;
funcionário trabalhando em uma determinada tarefa, pode sentir  Organização das funções e responsabilidades;
autorealização sem necessariamente ter passado por todas as esca-  Informações, recursos, e feedback aos empregados;
las da pirâmide. Mas o que é realização para um, não é realização  Medidas de desempenho compatíveis com os objetivos;
para todas as pessoas. O ser humano é insaciável, quando realiza  Condições motivadoras.
algo que desejou intensamente, logo cobiçara outras coisas.
O comportamento das pessoas nas organizações afeta dire- Estrutura:
tamente na imagem, no sucesso ou insucesso da mesma, o com-
Toda empresa possui dois tipos de estrutura: Formal e informal.
portamento dos colaboradores refletem seu desempenho. Há uma
necessidade das pessoas de ter incentivos para que o trabalho flua,
A Estrutura Formal: É definida na empresa com todas as
a motivação é intrínseca, mas os estímulos são imprescindíveis
formalidades e padrões vigentes. Ela é feita por: manuais de proce-
para que a motivação pelo trabalho continue gerando resultados dimentos ou organização, comunicados, instruções, forma gráfica
para a empresa. (organograma), forma descritiva (descrição dos cargos).
Os lideres são importantes no processo de sobrevivência no A Estrutura informal: Organizações são conjuntos de pes-
mercado, Lacombe descreveu que o líder tem condição de exercer, soas e recursos que trabalham juntos para se alcançar um objetivo
função, tarefa ou responsabilidade quando é responsável pelo gru- comum. Elas não são estáticas, uma vez que são formadas por pes-
po. Um líder precisa ser motivado, competente, conseguir conquis- soas. Elas também possuem duas realidades: a interna e a externa.
tar   e conhecer as pessoas, ter habilidades e intercalar objetivos Para sobreviver, as organizações precisam se readaptar continua-
pessoais e organizacionais. O estilo do líder Democrático contribui mente. Trabalhar em grupo pode ajudar a multiplicar ideias e para
na condução das organizações, ele delega não só tarefas, mas po- alcançarmos resultados, precisamos da autuação simultânea de
deres, isso é importante para estimular os mais diversos profissio- forças – sinergia – e para que ocorra o sucesso é preciso observar
nais dentro da organização. os seguintes pontos:

Didatismo e Conhecimento 18
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
 O objetivo do trabalho em equipe;
 A associação, reunião de pessoas que partilhem os mesmos interesses;
 A autoimagem (motivações pessoais);
 A circunstância e o clima psicológico (ambiente propícios para realização do trabalho).
Para que este trabalho dê certo é preciso disseminar a ideia de que:
• Sozinhos somos incompetentes;
• Quando questionados, enriquecemo-nos;
• Quanto mais sabemos, mais amplo é nosso horizonte do não saber;
• Ás vezes é necessário retroagir para avaliar e corrigir rumos;
Em suma, a estrutura informal é a rede de relações sociais que não é estabelecida ou requerida pela estrutura formal. Surge da interação
social de pessoas, o que significa que se desenvolve espontaneamente quando as pessoas se reúnem entre si. Portanto, apresenta relações que
usualmente não aparecem no organograma.

TIPOS DE ESTRUTURA ORGANIZACIONAL

ESTRUTURA FUNCIONAL

São estruturas divididas por departamentos pelos critérios funcionais no primeiro nível. Segundo Fayol as funções principais do primei-
ro nível são: produção, comercialização, finanças e administração.
As estruturas funcionais são agrupadas na mesma unidade, pessoas que realizam atividades dentro de uma mesma área técnica ou de
conhecimento, como por exemplo a área financeira, a área de produção, a área comercial, a área de recursos humanos, entre outras. A ne-
cessidade de especialização por áreas técnicas e a existência de pouca variedade de produtos constituem as principais razões para a criação
deste tipo de estrutura. Trata-se do desenho que agrupa pessoas com base em suas habilidades e conhecimento ou na utilização de recursos
similares, para aumentar a efetividade da organização no alcance de seu principal objetivo, fornecer aos clientes produtos de qualidade a
preços razoáveis. As diferentes funções surgem em resposta ao aumento de complexidade das tarefas e à medida que as funções aumentam
e se especializam, as habilidades melhoram e as competências surgem, dando vantagem competitiva à organização.
A estrutura funcional é a primeira a se desenvolver porque fornece às pessoas a oportunidade de aprenderem umas com as outras. Reu-
nidas em um mesmo grupo funcional, elas podem aprender as melhores técnicas para realização de suas tarefas; as mais habilidosas podem
treinar os novos empregados e serem promovidas a supervisores ou gerentes. Assim vão aumentando as habilidades e o conhecimento da
organização.
As organizações são inicialmente organizadas por função para facilitar o gerenciamento do aumento de especialização e divisão do tra-
balho, mas à medida que elas continuam a crescer e se diferenciar, os problemas de controle vão surgindo. Com o aumento das habilidades
da organização para produzir melhores produtos e serviços, os clientes também aumentam suas demandas que por sua vez pressionam ainda
mais a capacidade de produzir mais e mais rapidamente. Os custos crescem e a pressão para se manter na liderança dos concorrentes causa
ainda mais exigência por produtos de mais qualidade. Os tipos de clientes atraídos pela empresa podem mudar com o aumento da oferta de
produtos e serviços, e pode ser difícil identificar e atender as necessidades de novos clientes numa estrutura funcional.
O desafio para as organizações é de como controlar o aumento de complexidade das atividades à medida que elas crescem e se diferen-
ciam.

Didatismo e Conhecimento 19
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
Quando as funções se desenvolvem e criam suas hierarquias AS DESVANTAGENS DAS ESTRUTURAS FUNCIONAIS
próprias, elas se distanciam umas das outras, ocasionando proble- A coordenação das diversas funções é feita no topo, e tende
mas de comunicação. a atrasar as decisões que envolvem coordenação entre funções a
O crescimento e aumento da quantidade e complexidade de ponto de prejudicar a empresa.
funções, produtos e serviços requerem informações para medir as A estrutura funcional não facilita a visão sistêmica da empre-
contribuições dos grupos funcionais; sem elas a organização pode sa, isto é, cada administrador de sua função não esta preparado
não estar fazendo o melhor uso de seus recursos. Pode também para assumir a função principal, pois é totalmente focado a sua
requerer o estabelecimento em regiões geográficas diversas, e com função, para que este quadro mude são necessárias medidas de in-
mais de uma localização, é preciso um sistema de informação para clusão à função principal como: treinamentos especializados, rodí-
balancear a necessidade entre centralização e descentralização de zios de funções, assessoria ao principal executivo, etc,.
autoridade. Se a alta gerência gastar muito tempo para solucionar Na estrutura funcional não é possível comparar o desempe-
problemas de coordenação do dia-a-dia, os problemas estratégicos nho de uma função com a outra, por serem de naturezas distintas.
de longo prazo ficam sem tratamento. Desta maneira a estrutura funcional dificulta o controle, a não ser
O redesenho da estrutura permitindo maior integração entre por comparações de outros períodos e com descontos para as pe-
funções pode auxiliar os gerentes a resolver problemas de controle culiaridades.
associados à estrutura funcional. O termo reengenharia tem sido No caso de empresas pequenas estas desvantagens não costu-
usado para se referir ao processo de redesenhar como as tarefas mam ser um problema grave, pelo fato de que cada responsável de
são agrupadas em papéis e funções, visando aumentar a efetivida- cada função estarem mais próximos uns dos outros e até mesmo
de da organização. A reengenharia envolve repensar e redesenhar com o principal executivo.
radicalmente os processos de negócios para se ter melhorias dra-
máticas em medidas de desempenho (custo, qualidade, serviço e QUANDO USAR A ESTRUTURA FUNCIONAL
velocidade). O foco de atenção está nos processos de negócio, que Geralmente ao iniciar, uma empresa simples adota o modelo
envolvem atividades entre funções. A habilidade dos grupos para de estrutura funcional, e à medida que vai diversificando seus pro-
trabalharem através das funções é o fator principal para garantir o dutos ou serviços ela irá analisar os sinais que indicam a mudança
fornecimento de produtos e serviços com qualidade e custo baixo. para outro tipo de estrutura, sinais como: a empresa deixa de ser
“As estruturas funcionais foram criadas com  uma visão volta- pequena, o grau da diversidade e alguns sintomas de exaustão do
da para a sua realidade interna, ou seja, para si própria”. Esse tipo modelo de estrutura funcional.
de pensamento dominou e ainda domina a maioria das empresas
que conhecemos. Nesse estágio as funções são todas divididas por VERTICALIZAÇÃO E HORIZONTALIZAÇÃO
etapas, onde são fragmentados processos de trabalho. Trata-se de Verticalização ou integração vertical é quando a empresa co-
um trabalho individual e voltado a tarefas.Esse tipo de estrutura- meça a atuar em mais um estágio produtivo, exemplo, ela deixa
ção tem sido padrão nas empresas. O agrupamento funcional dos de comprar para produzir, isto é, a substituição de transações de
grupos de trabalho, porém tem sido questionado a partir de ini- mercado por transações internas.
ciativas competitivas como: qualidade total, redução do tempo de Horizontalização ou integração horizontal, neste caso a em-
ciclo e aplicação da tecnologia da informação, que tem conduzido presa usa seus recursos para produzir outros produtos/serviços que
a organização funcional a mudanças fundamentais. não é o seu principal, por exemplo, a empresa usa seu parque de
máquinas para produzir produtos que não são insumos dos existen-
VANTAGENS DAS ESTRUTURAS FUNCIONAIS tes e nem usar os existentes como insumos.
A sua grande vantagem é, além da especialização técnica, o
fato de permitir uma eficiente utilização dos recursos em cada área SINTOMAS QUE INDICAM A EXAUSTÃO DO MODELO
técnica. Outra vantagem dessa estrutura é que pessoas agrupadas FUNCIONAL
por suas habilidades comuns podem supervisionar umas as outras. 1. Centralização excessiva no topo, quando a empresa deixa
Trabalhando juntas por um longo período, elas também desenvol- de ser pequena e passa a ser de médio ou grande porte, a comunica-
vem normas e valores, que as tornam membros mais efetivos de ção entre o responsável da função e o principal executivo torna-se
uma equipe comprometida com as atividades da empresa e que irá mais distante, pelo fato que deste principal executivo estar com
ocorrer a concentração de recursos onde vão resultar um elevado excesso de trabalho, isto ocasiona demora nas decisões e perde-se
grau de especialização e de controle das atividades. Esta especiali- a agilidade e flexibilidade no que pode gerar muitos problemas
zação permite um avanço na aprendizagem e na redução de custos como a tomadas de decisões erradas.
operacionais com o passar do tempo. A promoção na carreira tende 2. Excesso de especialização, por existir apenas profissio-
a ser mais fácil, pois, existe a possibilidade de desenvolvimento de nais totalmente dedicados as suas funções, perde-se a visão sistê-
competências profissionais em tarefas mais específicas. mica da empresa. Estes responsáveis são voltados exclusivamente
A organização funcional tenta tirar vantagem do conhecimen- em obter a otimização de suas funções e não tem a visão ampla de
to dos funcionários, agrupando todos aqueles que possuem o mes- todas as funções o que causa, se necessário, a falta de substituição
mo perfil e mesma formação técnica juntos em unidades altamente do executivo principal.
especializadas e produtivas. O plano de carreira neste tipo de or- 3. Dificuldade de coordenação, quanto maior a diversidade
ganização é claro e como esses funcionários só possuem um chefe dos produtos e serviços oferecidos pela empresa, maior é a dificul-
não há conflitos de autoridade. Isso faz da organização funcional dade de coordenar, existem instrumentos para auxiliar a coordena-
uma excelente executora de operações, ou seja, trabalho contínuo, ção, como , comitês, grupos de trabalhos, reuniões, etc. Quando a
repetitivo e produtivo. empresa utiliza de forma excessiva estes instrumentos, eles pró-

Didatismo e Conhecimento 20
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
prios podem-se tornar novos problemas, quando isto acontece esta quando existe uma elevada diferenciação entre os produtos
estrutura organizacional não é mais adequada. exigindo um elevado grau de especialização por tipo de produto.
4. Pirâmide alta: excesso de níveis, quanto maior a empresa Pode ser utilizada, por exemplo, num departamento comercial,
maior são os níveis da estrutura. O excesso de níveis torna-se cada através da criação de divisões comerciais para cada grupo de
vez mais distante a comunicação ou sentimento do executivo prin- produtos. Neste caso para cada produto existem todos os demais
cipal com os responsáveis pelas funções. departamentos envolvidos, por exemplo, o produto A é composto
5. Amplitude de supervisão alta: dificuldade de avaliação pelos departamentos de Finanças, Marketing, Administração e
de pessoas e resultados, com esta amplitude de supervisões gran- Produção assim sucessivamente para cada produto.
des, torna-se mais importante gerir e controlar os níveis do que os - Estrutura Divisional por Grupo de Clientes: São agrupadas na
próprios resultados das funções e das pessoas. mesma unidade pessoas que estão relacionadas com o mesmo tipo
Nos casos citados poderá haver situações que estes sintomas de cliente (por exemplo a criação de Departamentos Comerciais
não são tão graves, mas no caso de haver estes sintomas acredita- por tipo de cliente: um para grandes empresas, outro para pequenas
mos que a estrutura funcional não seja a melhor opção. e médias empresas e um outro para entidades públicas). Deve
ser utilizado este tipo de estrutura sempre que se verifique a
ESTRUTURAS DIVISIONAIS necessidade de tratamento especializado para cada tipo de cliente.
O chefe de divisão concentra-se principalmente nas opera-
ções de suas divisão, é responsável pelos lucrou ou prejuízos, e A Estrutura Divisional está indicada para empresas com dife-
pode até mesmo competir com outras unidades da mesma empre- rentes linhas de produtos e mercados sendo geridas por uma gestão
sa....” (por Stoner e Freeman) descentralizada. Vai existir um órgão central que vai gerir divisões
E os mesmos autores completam(....”Numa estrutura divisio- individuais assegurando assim o controle e a coordenação global
nal, vários produtos podem florescer enquanto a competência es- das tarefas. Nesta situação o planejamento é feito a longo prazo. A
pecializada tecnológica da organização como um todo pode conti- estrutura divisional justifica-se num ambiente dinâmico onde tem
nuar subdesenvolvida...”) de existir uma rápida adaptação, boa coordenação e comunicação.
Divisional é a separação da estrutura funcional para divisões Também vai permitir à empresa a diversificação para setores rela-
autônomas que passam a operar com relativa independência. cionados e não relacionados.
Estruturas divisionais são caracterizadas pela forma de admi- As grandes vantagens desta estrutura são o fato de a empresa
poder crescer sem constrangimentos organizacionais e ter capaci-
nistração descentralizada. É quando a empresa decide que cada
dade de fazer o acompanhamento da evolução de novas linhas de
setor agirá de forma “livre”, demonstrando independência nas suas
produtos ou de mercados. Neste tipo de estrutura vai ocorrer uma
tomadas de decisões e forma de gerenciamentos.
maior motivação nos membros que fazem parte da empresa.
Por outro lado vai aumentar a complexidade de gestão da em-
- Estrutura Divisional Geográfica: São agrupadas na
presa e vai ocorrer o conflito de interesses entre as divisões distin-
mesma unidade pessoas que realizam atividades relacionadas
tas por causa de avaliações internas e pode ocorrer mesmo o caso
com uma mesma área geográfica, através da criação de áreas
de competitividade interna o que vai prejudicar a performance da
ou departamentos específicos para cada região (por exemplo a empresa. Por último de referir que vai ocorrer o aumento de custos
divisão de um departamento comercial em Setor Comercial Norte, operacionais.
Setor Comercial Centro e Setor Comercial Sul). As condições
mais propícias à criação deste tipo de estruturas são a existência O QUE CABE ÀS DIVISÕES E À ADMINISTRAÇÃO CEN-
de elevada diferenciação entre regiões que exijam tratamento TRAL
especializado, a distância geográfica entre as regiões, a existência Os principais executivos de cada função das divisões repor-
de volume por região suficiente que justifique a existência de tam-se hierarquicamente ao principal executivo da sua divisão.
departamentos específicos. Neste caso para cada região existem Os executivos da administração central tem autoridade fun-
todos os demais departamentos envolvidos, por exemplo, a região cional sobre os executivos nas divisões
A é composta pelos departamentos de Finanças, Marketing,
Administração e Produção assim sucessivamente para cada VANTAGENS E DESVANTAGENS.
região. A principal vantagem deste tipo de estruturas é a elevada A principal vantagem é evitar a multiplicação de atividades,
especialização por área geográfica, o que permite lidar mais proporcionando redução de custos. Por estar concentrado os seto-
facilmente com os problemas de cada área. res de compras na administração central, o poder de barganha é
- Estrutura Divisional por Processo: São agrupadas na mesma muito maior.
unidade pessoas que realizam atividades relacionadas com a Por outro lado, se a divisão tiver poucas funções será difícil
mesma fase do processo produtivo (como por exemplo a divisão cobrar apuração de todos os resultados.
de uma fábrica em setor da fundição, setor de montagem e seção Entretanto existem algumas desvantagens na estrutura divi-
de pintura). A elevada diferenciação entre as diferentes fases sional. Os interesses da divisão podem ser colocados acima das
do processo e a consequente necessidade de especialização por necessidades e dos objetivos da organização como um todo, além
processo constitui a condição essencial para a utilização deste tipo disso as despesas administrativas aumentam.
de estruturas.
- Estrutura Divisional por Produto ou Serviço: São agrupadas FUNÇÕES DA ADMINISTRAÇÃO CENTRAL
numa mesma unidade pessoas que lidam com o mesmo produto ou A função de recursos humanos tem responsabilidade pelo pes-
linha de produto - cada unidade acaba por ser semelhante a uma soal de alto nível, tem autoridade funcional e é responsável pelas
pequena empresa auto-suficiente. É um tipo de estrutura utilizada normas de recursos humanos da empresa.

Didatismo e Conhecimento 21
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
A função controle é responsável pela parte de contabilidade e Pelo motivo dos profissionais estarem constantemente na bus-
auditoria da empresa. ca por projetos é que as organizações acabam tendo um quadro de
Na  tesouraria ou finanças o responsável também tem profissionais altamente qualificados, pois para fazer parte de um
autoridade funcional, a tesouraria é como um “banco” da empresa projeto os interessados tendem a se especializar cada vez mais, tra-
e o responsável é quem controla este fluxo. zendo com isso mão-de-obra de alto nível, por outro lado a busca
Função qualidade ou técnica é o padrão desejado de seus pro- constante do profissional por projetos cada vez mais desafiadores é
dutos ou serviços pela empresa. o que resulta a não lealdade à empresa.
A função informações é de autoridade funcional e demons- Os participantes destes projetos são geralmente pessoas fle-
trará as informações necessárias através de sistemas operacionais xíveis que necessitam de fácil adaptação em qualquer ambiente
e manutenção e preservação destas informações através de redes. de trabalho, acomodados ou burocratas não tem vez neste tipo de
A função compras é que tem o poder de barganha devido ao estrutura.
volume desejado de compras. Na estrutura matricial existe descentralização quando:
A função jurídica ocupa-se de assuntos de origem societários • O gerente do projeto tem plenos poderes pelo projeto e
e da orientação às divisões nos casos complexos. pelas pessoas envolvidas, mas no caso de pessoal técnico, deve
A função comunicação social é o que diz respeito da projeção ouvir os gerentes dos órgãos permanentes;
correta da imagem da empresa. • Os gerentes dos projetos decidem quando e como será
A função pesquisa é a função que busca informações para me- realizado os projetos, que podem ser alterados ou decididos tam-
lhor atender a suas necessidades de produção e desenvolvimento. bém pelos gerentes de órgãos permanentes;
A função marketing efetua a pesquisa mercadológica, a análi- Os conflitos podem ser resolvidos pelos gerentes, somente os
se dos competidores, a quantificação da demanda, e as formas de mais graves deverão ser encaminhados à direção.
distribuição. Embora o gerente do projeto seja autoridade de linha, os ge-
O planejamento refere-se ao planejamento estratégico da em-
rentes das áreas funcionais têm também autoridade com vantagens
presa, como a empresa atuará em determinado período.
de serem permanentes. Um especialista que trabalha em um proje-
to sabe que seu chefe de linha é provisório, enquanto o gerente da
ESTRUTURAS MATRICIAIS
área funcional da sua especialidade é permanente. Caracterizando,
A estrutura matricial designa especialistas de departamentos
em muitos casos o duplo comando. Isso enfraquece a autoridade
funcionais específicos para trabalharem em uma ou mais equipes
linha e obrigam as pessoas a saberem trabalhar de forma eficaz em
interdisciplinares, as quais são conduzidas por líderes de projetos.
Basicamente, a matriz combina duas formas de departamentaliza- clima de incerteza e ambigüidade.
ção – funcional e por produto. Modelo de estrutura matricial é o desenho que agrupa as
A estrutura matricial se baseia nos projetos voltados a realizar pessoas e recursos simultaneamente por função e por produto. A
as atividades por período determinado, e as pessoas que compõem matriz é uma grade retangular onde no eixo vertical está a respon-
estes projetos ficam neles somente enquanto são necessárias. sabilidade funcional e no horizontal, a responsabilidade de produ-
O projeto é uma unidade organizacional que envolve recursos to. Com essa estrutura, a organização é diferenciada em funções
humanos e materiais, sob a coordenação de um líder, desenvolve de acordo com seus objetivos, tem poucos níveis hierárquicos em
atividades visando o resultado definidos em prazos estabelecidos. cada função e autoridade descentralizada. Os empregados funcio-
A estrutura matricial é composta dos órgãos principais de tra- nais se reportam aos gerentes de suas funções, mas trabalham num
balho que atuam até à duração do projeto e dos órgãos de apoio, que time de produto sob a supervisão de um gerente de produto. Por
ficam orientando permanentemente os projetos em assuntos espe- isso, são chamados empregados de dois chefes, pois se reportam a
cializados como prestadores de serviços. Na estrutura matricial as dois superiores. A organização é a principal unidade da matriz e o
pessoas são deslocadas de um projeto para outro de maneira flexível. principal mecanismo de coordenação e integração. O controle ver-
O projeto tem prazo estabelecido a partir de sua origem. tical é mínimo, ao contrário do controle horizontal, que é máximo.
A estrutura matricial é temporária e provisória, apesar dos A estrutura matricial tem vantagens significativas: as equi-
órgãos de apoio que permanecem permanentes em assuntos espe- pes interfunções devem reduzir as barreiras funcionais e superar
cializados. os problemas de orientação a subunidade; facilita a comunicação
Geralmente esta estrutura contém os chamados grupos-tarefa entre os especialistas dando oportunidade aos membros das equi-
que mantêm relacionamento intenso e permanente, cada grupo- pes de diferentes funções aprenderem uns com os outros podendo
-tarefa esta em permanente contato com o órgão de apoio funcio- produzir inovações; permite a organização maximizar o uso de
nal que lhe presta apoio técnico desejado e trocas de informações competências profissionais; o foco duplo para função e produto
sobre o projeto. favorece o cuidado com custo e qualidade.
Para a criação de projetos é possível fazer o recrutamento in- Na prática, a estrutura matricial tem também alguns proble-
terno de líderes do projeto, muitas vezes é necessária a contratação mas:
externa de pessoas especializadas para compor o quadro desejado. • falta de uma estrutura de controle que lidere os emprega-
Quando o projeto chega ao fim os membros dos projetos vol- dos diminuindo conflitos e ambiguidades;
tam para seus quadros de origens para redesignação de tarefas, • falta de uma definição clara da hierarquia de autoridade
treinamento, indicação a outros projetos ou dispensa da empresa. causando conflito entre as equipes funcionais e de produtos.
A empresa que adota este tipo de estrutura esta sempre em Ela precisa ser bem gerenciada para manter sua flexibilidade.
constante busca de profissionais especializados para compor seu A Estrutura Matricial é adaptada por norma em grandes em-
quadro, e também esta em constante busca por novos projetos, presas que oferecem um vasto conjunto de produtos parecidos em
uma vez, que as atividades exercidas são totalmente dependentes vários mercados simultaneamente. Este tipo de empresas está em
de projetos. melhores condições de captar sinergias estratégicas.

Didatismo e Conhecimento 22
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
A vantagem deste tipo de estrutura é que facilita a partilha de Para concluir, podemos resumir que os três tipos de estruturas
recursos e de informação com o objetivo de explorar as sinergias organizacionais têm vantagens e desvantagens. Poucas organiza-
captadas. Também podemos referir que consegue fazer a concilia- ções dependem exclusivamente de um tipo, e a maioria adapta e
ção entre a flexibilidade organizacional com uma elevada estabili- combina esses padrões genéricos para refletir as estratégias e pes-
dade operacional. As grandes empresas tendem a adaptar este tipo soal peculiares à sua organização. A melhor forma de se organizar
de estrutura, pois, conseguem garantir a adaptação aos mercados uma empresa é aquela que lhe proporcione maior performance de
existentes sem perder a eficiência interna da mesma. preparo e flexibilidade diante das mudanças do mercado, propor-
Mas a estrutura matricial não é de rápida implementação em cionando-lhe competência na aceitação de desafios e aproveita-
nível das orientações estratégicas pois podem ocorrer diferentes mento de oportunidades, na garantia da satisfação não só de sua
clientela potencial, mas inclusive dos seus empregados, parceiros
perspectivas entre os membros dando origem a divergências e con-
indispensáveis para uma empreitada bem-sucedida.
flitos de interesses só sendo posteriormente resolvidas com a inter-
venção de membros da hierarquia superior da empresa. O controle 2.3 CULTURA ORGANIZACIONAL
operacional e o apuramento de responsabilidades nem sempre é
feito de maneira rigorosa devido à dualidade de linhas de coman- A cultura organizacional  é um conceito desenvolvido por
do. Por isso esta estrutura funciona melhor quando os membros da pesquisadores para explicar os valores e as crenças de uma
empresa têm um elevado grau de formação e de autonomia para organização. De um modo geral, ela é vista como as normas e
poder executar as suas tarefas. atitudes comuns de indivíduos e grupos dentro de uma organização.
A estrutura matricial combina as estruturas funcionais e divi- Através deste conjunto de entendimentos mútuos, a Cultura
sionais que se cruzam e se complementam. Organizacional controla a maneira como os indivíduos interagem
uns com os outros dentro do ambiente laboral, bem como com
VANTAGENS E DESVANTAGENS DA ESTRUTURA MATRI- clientes, fornecedores e outras partes interessadas existentes fora
CIAL dos limites da empresa.
Vantagens como o máximo aproveitamento do pessoal, com
redução nos custos, flexibilidade, facilidade de apuração de resul- Todas as empresas, independentemente do tamanho, do seg-
tados e de controle de prazos e de custos por projetos e o destaque mento em que atuam e dos bens ou serviços que produzem, pos-
do pessoal técnico de alto nível, estas são as vantagens em se optar suem cultura organizacional, formalmente instituída ou não. As-
pela estrutura matricial. sim, cultura organizacional é um sistema de valores compartilha-
dos pelos seus membros, em todos os níveis, que diferencia uma
A vantagem da matriz reside em sua capacidade de facilitar
organização das demais. Em última análise, trata-se de um conjun-
a coordenação quando a organização possui múltiplas atividades
to de características-chave que a organização valoriza, compartilha
complexas e interdependentes. Quando uma organização se torna e utiliza para atingir seus objetivos e adquirir a imortalidade. 
maior sua capacidade de processamento da informação pode ficar
sobrecarregada. A título organizacional, várias pesquisas sugerem que uma
Uma das vantagens da estrutura matricial reside em sua ca- Cultura Organizacional saudável e vigorosa é capaz de proporcio-
pacidade de facilitar a distribuição eficiente dos especialistas. Por nar vários benefícios, incluindo os seguintes:
que, quando os indivíduos com habilidades altamente especiali- • Vantagem competitiva derivada de inovação e serviço ao
zadas são alocados em um departamento funcional ou grupo de cliente;
produto, seus talentos são monopolizados e subutilizados e além • Maior desempenho dos empregados;
de ter a vantagem em obter da economia de escala proporcionar à • Coesão da equipe;
organização os melhores recursos e um modo eficaz de assegurar • Alto nível de alinhamento na busca da realização de ob-
sua articulação eficiente. jetivos.
A principal desvantagem deste tipo de estrutura é a pouca leal-
dade por parte do pessoal de nível técnico, por sempre buscarem Características
projetos que possam realizá-los intelectualmente, também tem a De acordo com pesquisadores do assunto, existem sete carac-
falta de contato de especialistas da mesma área porém com pro- terísticas básicas que, em conjunto, capturam a essência da cultura
jetos distintos. Outra desvantagem são os conflitos causados pelo de uma organização: 
Inovação e assunção de riscos: o grau em que os funcioná-
motivo de os resultados serem avaliados pelos gerentes do projetos
rios são estimulados a inovar e assumir riscos.
que geralmente não são especialistas em suas áreas, o que ocasiona
Atenção aos detalhes: o grau em que se espera que os funcio-
conflitos entre gerentes dos projetos e gerentes funcionais. nários demonstrem precisão, análise e atenção aos detalhes.
Orientação para os resultados: o grau em que os dirigentes
QUANDO USAR A ESTRUTURA MATRICIAL focam mais os resultados do que as técnicas e os processos empre-
Quando há projetos de magnitudes, neste caso quando a orga- gados para seu alcance.
nização se depara com eventualidades, algo fora da rotina e, tam- Orientação para as pessoas: o grau em que as decisões dos
bém, quando há projetos interdisciplinares que são estabelecidos dirigentes levam em consideração o efeito dos resultados sobre as
prazos e que tenha grande interdependência entre as atividades. pessoas dentro da organização.
O projeto existe quando se tem a necessidade de operar como Orientação para as equipes: o grau em que as atividades de
uma entidade que tenha vida própria e objetivos definidos ao invés trabalho são mais organizadas em termos de equipes do que de
de operar dividido em partes entre os órgãos. indivíduos.

Didatismo e Conhecimento 23
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
Agressividade: o grau em que as pessoas são competitivas e EXERCÍCIOS
agressivas em vez de dóceis e acomodadas.
Estabilidade: o grau em que as atividades organizacionais 01 - CESPE - 2009 - MCT-FINEP - Administração - Mate-
enfatizam a manutenção do status quo em contraste com o cres- riais e Licitações  - Quanto à evolução histórica do pensamento
cimento. administrativo, assinale a opção correta. 
Tipos de cultura:  a) Weber propõe que uma das principais vantagens da buro-
Culturas adaptativas: Caracterizam-se pela sua maleabilida- cracia consiste em conferir rapidez à tomada de decisões. 
de e flexibilidade e são voltadas para a inovação e a mudança. São  b) A organização que busca mensurar e analisar as atitudes de
organizações que adotam e fazem constantes revisões e atualiza- seus empregados de modo a conseguir a sua satisfação no trabalho
ções, em suas culturas adaptativas se caracterizam pela criativida- está alinhada aos pressupostos da administração científica. 
de, inovação e mudanças. De um lado, a necessidade de mudança  c) A organização que ressalta o papel dos gerentes como co-
e a adaptação para garantir a atualização e modernização, e de ou- nhecedores dos detalhes das tarefas desenvolvidas por seus empre-
tro, a necessidade de estabilidade e permanência para garantir a gados alinha-se aos pressupostos da teoria clássica. 
identidade da organização. O Japão, por exemplo, é um país que  d) A abordagem contingencial se preocupa em analisar as fun-
convive com tradições milenares ao mesmo tempo em que cultua
ções da organização, dividindo-as em seis funções clássicas, que
e incentiva a mudança e a inovação constantes.
incluem as comerciais, as financeiras e as contábeis. 
Culturas conservadoras: Se caracterizam pela manutenção
 e) A teoria de sistemas adota uma visão reducionista e analí-
de idéias, valores, costumes e tradições que permanecem arraiga-
dos e que não mudam ao longo do tempo. São organizações con- tica da administração. 
servadoras que se mantêm inalteradas como se nada tivesse muda-
do no mundo ao seu redor. 02 - CESPE - 2007 - TSE - Analista Judiciário - Adminis-
Culturas fortes: Seus valores são compartilhados intensa- trativa - A respeito das novas tecnologias gerenciais que cau-
mente pela maioria dos funcionários e influencia comportamentos sam impacto nas organizações, assinale a opção correta. 
e expectativas. a) Reengenharia é o processo sistemático, planejado, geren-
Culturas fracas: São culturas mais facilmente mudadas. ciado, executado e acompanhado sob a liderança da alta adminis-
Como exemplo, seria uma empresa pequena e jovem, como está tração da instituição, envolvendo e comprometendo todos os ge-
no início, é mais fácil para a administração comunicar os novos rentes e responsáveis e colaboradores da organização. 
valores, isto explica a dificuldade que as grandes corporações tem b) Qualidade é o repensar fundamental e é a reestruturação
para mudar sua cultura. radical dos processos empresariais que visam alcançar drásticas
melhorias em indicadores críticos e contemporâneos de desempe-
Com base nesse conjunto, pode-se dizer que a cultura organi- nho, tais como custos, atendimento e velocidade. 
zacional onde você está inserido é representada pela forma como c) Gestão estratégica está relacionada a propriedades ou ca-
os colaboradores em geral percebem as características da cultura racterísticas de um produto ou serviço que influenciam relaciona-
da empresa. das à sua capacidade de satisfazer as necessidades explícitas ou
Por que é importante entender a cultura organizacional? Acei- implícitas dos que o utilizam. 
tar melhor a sua existência, compreender os seus meandros, en- d) Empreendedorismo governamental significa a capacidade
tender como ela é criada, sustentada e aprendida, pode melhorar de promover a sintonia entre os governos e as novas condições
a sua capacidade de sobrevivência na empresa, além de ajudá-lo a sócio-econômicas, políticas e culturais. 
explicar e prever o comportamento dos colegas no trabalho.
03 - (UnB/CESPE / TJ-AL/ 2012) Acerca das diferentes
Fontes: CHIAVENATO, Idalberto. Recursos humanos na abordagens da administração, assinale a opção correta.
empresa/CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à Teoria Geral da
A - A abordagem sistêmica pressupõe uma alta especialização
Administração/ Administração  MUDANÇAS E PERSPECTIVAS,
no desenvolvimento de uma tarefa específica de modo que o tra-
Stephen P. Robbins/ Stoner A. F. James, Freeman R. Edward, AD-
balhador consiga ter uma visão holística do processo produtivo.
MINISTRAÇÃO/ OLIVEIRA, Djalma de Pinho Rebouças de. Siste-
mas, organização e métodos: uma abordagem gerencial/ ROCHA, B - A abordagem clássica da administração tem como princí-
Luiz Osvaldo Leal da. Organização e Métodos: uma abordagem pio aumentar o nível de entropia da organização.
prática/Jefferson M. G. Mendes /Por Prof. Elisabeth Mendes Viei- C - A abordagem burocrática considera as pessoas em primei-
ra/Jose Roberto Marques/www.administradores.com.br/https:// ro plano por serem as responsáveis pela aplicação de suas normas
www.serpro.gov.br/conteudo-solucoes/produtos/administracao- e regras.
-federal/http://sitenovo.ceart.udesc.br/BRASIL, Constituição Fe- D - A visão mecanicista proposta por Bertalanffy revela que,
deral de 1988. Disponível: www.planalto.gov.br/ para compreender a realidade, é preciso analisar não apenas ele-
BRASIL, Plano Diretor da Reforma do Estado. Presidência mentos isolados, mas também suas inter-relações.
da República, Câmara da Reforma do Estado, 1995. Disponível: E - De acordo com os princípios da administração científica
www.planalto.gov.br/BRASIL. Licitações e contratos: orientações descritos por Taylor, o objetivo da boa administração é pagar altos
e jurisprudência do TCU/Tribunal de Contas da União. Disponí- salários e ter baixos custos.
vel: www.tcu.gov.br/CATELLI, Armando. SANTOS, Edilene San-
tana. Mensurando a Criação de Valor na Gestão Pública/FER- 04. (UnB/CESPE / TJ-AL/ 2012) Um dos objetivos da ad-
REIRA, A.A.; REIS, A.C.F.; PEREIRA, M. I. Gestão Empresarial: ministração é estudar os processos produtivos. Nesse contexto,
de Taylor aos nossos dias/GOMES, Adhemar Martins Bento. Atua- o ser humano, peça fundamental na maioria dos sistemas or-
lidade e perspectivas da administração pública/ ganizacionais, deve ter seu comportamento e as relações que

Didatismo e Conhecimento 24
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
estabelece com o meio em que vive estudados. As variáveis que 08 - Dados do concurso: CESPE - 2009 - MCT-FINEP -
influenciam o seu desempenho devem ser conhecidas e assimi- Administração - Processos Organizacionais, Planeja - A orga-
ladas de modo a encontrar mecanismos de estímulo cada vez nização CPC Construções, do ramo de construção civil desa-
melhores e, assim, incrementar a sua capacidade de produção. gregou suas principais funções, transferindo-as para empresas
Tendo o texto acima como motivador, assinale a opção correta separadas, ficando responsável exclusivamente pela coordena-
a respeito da gestão de pessoas e das teorias administrativas. ção dos serviços de engenharia, vendas, controle de estoque,
A - A autocracia é um modelo de liderança voltado para o contabilidade, entre outros. Em tal contexto, é correto afirmar
indivíduo, elemento central do processo de liderança. que a nova estrutura da organização é essencialmente:
B - O enfoque comportamental se divide inicialmente em dois
grandes grupos, aquele que estuda as pessoas como indivíduos e ou-  
tro que busca compreender as pessoas como membros de grupos. a) funcional, pois as demais organizações assumiram as fun-
C - A estima corresponde ao topo da pirâmide de Maslow. ções principais da CPC Construções. 
D - O enfoque sistêmico coloca a gestão de pessoas em pri- b) matricial, pois a CPC Construções passou a ser a matriz das
meiro plano por compreender que as relações de uma organização demais organizações. 
dependem diretamente da interferência humana. c) por equipe, pois as demais organizações passaram a compor
E - O experimento de Hawthorne, apesar de insignificante a equipe da CPC Construções. 
para a gestão de pessoas, conseguiu comprovar a relação direta d) de estrutura de assessoria, pois as organizações vinculadas
entre as variações na iluminação e a produtividade do grupo estu- são altamente especializadas. 
dado, evento já conhecido na teoria. e) de redes, pois transfere a terceiros as atividades principais
da organização, vinculadas sob contratos e conectadas, geralmen-
05. (UnB/CESPE / TJ-AL/ 2012) De acordo com a abor- te, por meio de tecnologias da informação ( TI ). 
dagem neoclássica da administração, as principais funções do
processo administrativo são: 09 - Julgue as sentenças a respeito do paradigma pós-bu-
A - fiscalização, comunicação, correção e ação. rocrático, da administração pública gerencial e da nova admi-
B - planejamentos estratégico, tático e operacional. nistração pública.
C - comunicação, direção, controle e avaliação. I. O ideal do movimento da nova administração pública nos
D - planejamento, organização, direção e controle. anos 60 era a superação da burocracia no sentido do resgate da
E - organização, direção, avaliação e controle. racionalidade substantiva dos sistemas administrativos.
II. O termo “pós-burocrático” está mais associado à relativa
06. (UnB/CESPE / TJ-AL/ 2012) Como proposto por Hen- perda de poder das organizações públicas contemporâneas que
ry Fayol, o princípio geral da administração que estabelece a às emergentes novas formas organizacionais discrepantes do tipo
necessidade de especialização de empregados, desde a alta hie- ideal weberiano.
rarquia até os trabalhadores operários, como forma de apri- III. A abordagem do new public management é mais um recur-
morar a eficiência da produção e, consequentemente, aumen- so estruturador da discussão sobre as transformações ocorridas na
tar a produtividade, é o princípio da: gestão pública nas duas últimas décadas que um paradigma pres-
A - ordem. critivo de reforma do estado.
B - equidade. IV. A “administração pública gerencial” busca diferenciar-se
C - divisão do trabalho. da burocrática no sentido de que se proclama orientada para resul-
D - unidade de comando. tados, focada no cidadão, flexível e aberta ao controle social.
E - disciplina. V. A implementação da “administração pública gerencial”,
conforme proposta pelo Plano Diretor da Reforma do Aparelho do
07 - CESPE - 2009 - MCT-FINEP - Administração - Pro- Estado, requer prévia implementação da administração burocrática
cessos Organizacionais, Planeja - O grau de descentralização e completa eliminação da administração patrimonial.
administrativa de uma organização será tão maior quanto  Estão corretos apenas os itens
a) menor for o número de decisões tomadas nas escalas mais a) I, II e I 
baixas da hierarquia administrativa.  b) I, III e IV 
b) mais importantes forem as decisões tomadas nas escalas c) I, IV e V
mais baixas da hierarquia administrativa.  d) II, III e V 
c) maior for o número de funções afetadas pelas decisões nas e) III, IV e V
escalas mais altas. 
d) maior for a supervisão da decisão.  10 - Sobre cultura organizacional, assinale a opção correta.
e) menor for a desconcentração da autoridade das mãos de um a)  Uma forte cultura organizacional é aquela onde predomina o
só executivo no topo da organização.  autoritarismo e a centralização das decisões.
b) A realização de convenções, reuniões anuais e premiações
são instrumentos utilizados para reforçar aspectos da cultura
organizacional.
c) Os valores, princípios e crenças organizacionais devem ser
definidos no planejamento estratégico.

Didatismo e Conhecimento 25
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
d) As organizações são como pequenas sociedades com 14. (AL-SP/2010 – FCC – Agente técnico legislativo) A res-
padrões distintos e homogêneos de cultura. peito dos princípios da administração  pública é correto afir-
e) Não é possível alterar-se a cultura organizacional. mar que:
a) se aplicam também às entidades integrantes da Adminis-
11 - Ao longo de sua história, a administração pública tração indireta, exceto àquelas submetidas ao regime jurídico de
assume formatos diferentes, sendo os mais característicos o direito privado.
patrimonialista, o burocrático e o gerencial. Assinale a opção b) possuem uma ordem de prevalência, situando-se em pri-
que indica corretamente a descrição das características da ad- meiro lugar os princípios da legalidade e da supremacia do interes-
ministração pública feita no texto a seguir.O governo carac- se público sobre o privado.
teriza-se pela interpermeabilidade dos patrimônios público e
c) o princípio da eficiência com o advento da Emenda Cons-
privado, o nepotismo e o clientelismo. A partir dos processos de
titucional no 19/98 ganhou acento constitucional, passando a so-
democratização, institui-se uma administração que usa, como
instrumentos, os princípios de um serviço público profissional brepor-se aos demais princípios gerais aplicáveis à Administração.
e de um sistema administrativo impessoal, formal e racional. d) se aplicam, em igual medida e de acordo com as ponde-
a) Patrimonialista e gerencial rações determinadas pela situação concreta, a todas as entidades
b) Patrimonialista e burocrático integrantes da Administração direta e indireta.
c) Burocrático e gerencial e) o princípio da moralidade é considerado um princípio pre-
d) Patrimonialista, burocrático e gerencial valente e a ele se subordinam o princípio da legalidade e o da efi-
e) Burocrático  ciência.

12 - Um dos aspectos mais relevantes do processo de re- 15.  (Senado Federal/2008 –  FGV  – Técnico legislativo –
forma do Estado que vem ocorrendo desde a década de 80 Administração) Assinale a afirmativa incorreta.
em grande parte dos países ocidentais é a mudança do mo- a) O princípio da supremacia do interesse público prevalece,
delo de gestão pública, do paradigma burocrático para o ge- como regra, sobre direitos individuais, e isso porque leva em con-
rencial.  Não se incluem entre os atributos característicos do sideração os interesses da coletividade;
paradigma gerencial na administração pública os itens: b) O tratamento isonômico por parte de administradores pú-
1 - Ênfase na eliminação das rotinas, na flexibilidade dos pro- blicos, a que fazem jus os indivíduos, decorre basicamente dos
cedimentos e na qualidade dos bens e serviços. princípios da impessoalidade e da moralidade.
2 - A orientação para a busca de resultados em atendimento às
c) O princípio da razoabilidade visa a impedir que adminis-
demandas dos cidadãos.
3 - A responsabilização por resultados segundo critérios de tradores públicos se conduzam com abuso de poder, sobretudo nas
prioridade política. atividades discricionárias.
4 - A profissionalização e capacitação contínua dos servidores d) Constitui fundamento do princípio da eficiência o senti-
públicos. mento de probidade que deve nortear a conduta dos administra-
5 - A gestão participativa, com o envolvimento dos membros dores públicos.
das agências públicas e da sociedade na escolha dos seus dirigen- e) Malgrado o princípio da indisponibilidade da coisa pública,
tes e na avaliação do desempenho e dos resultados das atividades bens públicos, ainda que imóveis, são alienáveis, desde que obser-
realizadas. vadas certas condições legais.
a) 3 e 5  
b) 4 e 5 16.  (TRE-PA/2011 – FGV – Técnico Judiciário – Seguran-
c) 3 e 4 ça Judiciária) De acordo com a Constituição Federal de 1988,
d) 2 e 4 a Administração Pública obedecerá aos seguintes princípios:
e) 1 e 2 a) legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e efi-
ciência.
13. (TRT1/2013 – FCC – Analista judiciário – Execução de b) legalidade, impessoalidade, moralidade, probidade e exter-
mandados) A propósito dos princípios que informam a atuação nalidade.
da Administração pública tem-se que o princípio da:
c) legitimidade, impessoalidade, moralidade, probidade e ex-
a) eficiência e o princípio da legalidade podem ser ex-
ternalidade.
cludentes, razão pela qual cabe ao administrador a op-
ção de escolha dentre eles, de acordo com o caso concreto. d) razoabilidade, proporcionalidade, improbidade e persona-
b) tutela permite que a administração pública exerça, em algum lismo.
grau e medida, controle sobre as autarquias que instituir, para ga- e) discricionariedade, ponderação, isenção e separação de po-
rantia da observância de suas finalidades institucionais. deres.
c) autotutela permite o controle dos atos praticados pelos en-
tes que integram a administração indireta, inclusive consórcios
públicos.
d) supremacia do interesse público e o princípio da lega-
lidade podem ser excludentes, devendo, em  eventual confli-
to, prevalecer o primeiro, por sobrepor-se a todos os demais.
e) publicidade está implícito na atuação da administração, uma vez
que não consta da constituição federal, mas deve ser respeitado nas
mesmas condições que os demais.

Didatismo e Conhecimento 26
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
GABARITO Uma correta administração financeira permite que se visua-
lize a atual situação da empresa. Registros adequados permitem
1 A análises e colaboram com o planejamento para otimizar resultados.
A falta da administração financeira adequada pode causar os
2 D seguintes problemas:
3 E - Não ter as informações corretas sobre saldo do caixa, va-
4 B lor dos estoques das mercadorias, valor das contas a receber e das
contas a pagar, volume das despesas fixas e financeiras. Isso ocorre
5 D porque não é feito o registro adequado das transações realizadas;
6 C - Não saber se a empresa está tendo lucro ou prejuízo em suas
7 B atividades operacionais, porque não é elaborado o demonstrativo
de resultados;
8 E - Não calcular corretamente o preço de venda, porque não são
9 B conhecidos seus custos e despesas;
10 B - Não conhecer corretamente o volume e a origem dos recebi-
mentos, bem como o volume e o destino dos pagamentos, porque
11 B não é elaborado um fluxo de caixa, um controle do movimento
12 A diário do caixa;
13 B - Não saber o valor patrimonial da empresa, porque não é ela-
borado o balanço patrimonial;
14 D - Não saber quanto os sócios retiram de pró-labore, porque
15 D não é estabelecido um valor fixo para a remuneração dos sócios;
16 A - Não saber administrar corretamente o capital de giro da em-
presa, porque o ciclo financeiro de suas operações não é conhecido;
- Não fazer análise e planejamento financeiro da empresa,
Prof. Natália Troccoli Marques da Silva porque não existe um sistema de informações gerenciais (fluxo de
caixa, demonstrativo de resultados e balanço patrimonial).
Graduada e licenciada em Administração de Empresas. Muitas empresas começam com pessoas que trabalham ou
Graduada em Ciências Contábeis. trabalharam em outras empresas. Isso acontece também em outros
Professora de cursos técnicos no Centro Paula Souza. setores da economia. Poucas pessoas têm experiência em admi-
Analista Financeiro em empresa privada. nistração financeira, e isso interfere nos resultados. Muitas vezes,
as atividades são iniciadas com pequena dimensão e, conforme os
negócios se desenvolvem, a administração financeira não acompa-
3 ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA E nha o crescimento da empresa porque os gestores não têm conhe-
ORÇAMENTÁRIA. 3.1 ORÇAMENTO cimentos necessários nesta área de gestão e se envolvem excessi-
PÚBLICO. 3.2PRINCÍPIOS vamente com a produção.
ORÇAMENTÁRIOS. 3.3 DIRETRIZES As principais funções da administração financeira são:
ORÇAMENTÁRIAS. 3.4 SIDOR,SIAFI. - Análise e planejamento financeiro: analisar os resultados fi-
3.5 RECEITA PÚBLICA: CATEGORIAS, nanceiros e planejar ações necessárias para obter melhorias;
FONTES, ESTÁGIOS E DÍVIDA ATIVA. - A boa utilização dos recursos financeiros: analisar e negociar
3.6 DESPESA PÚBLICA: CATEGORIAS, a captação dos recursos financeiros necessários, bem como a apli-
ESTÁGIOS. 3.7 SUPRIMENTO DE cação dos recursos financeiros disponíveis;
FUNDOS.3.8 RESTOS A PAGAR. - Crédito e cobrança: analisar a concessão de crédito aos clien-
3.9 DESPESAS DE EXERCÍCIOS tes e administrar o recebimento dos créditos concedidos;
ANTERIORES. 3.10 CONTAÚNICA - Caixa: efetuar os recebimentos e os pagamentos, controlan-
DO TESOURO. do o saldo de caixa;
- Contas a receber e a pagar: controlar as contas a receber
relativas às vendas a prazo e contas a pagar relativas às compras a
prazo, impostos e despesas operacionais;
As primeiras providências que a empresa deve tomar em re-
lação às finanças são:
Gestão financeira é um conjunto de ações e procedimentos - Organizar os registros e conferir se todos os documentos es-
administrativos que envolvem o planejamento, a análise e o con- tão sendo devidamente controlados.
trole das atividades financeiras da empresa. O objetivo da gestão - Acompanhar as contas a pagar e a receber, montando um
financeira é melhorar os resultados apresentados pela empresa e fluxo de pagamentos e recebimentos.
aumentar o valor do patrimônio por meio da geração de lucro lí- - Controlar o movimento de caixa e os controles bancários.
quido proveniente das atividades operacionais. No entanto, é mui- - Classificar custos e despesas em fixos e variáveis.
to comum que empresas deixem de realizar uma adequada gestão - Definir a retirada dos sócios.
financeira. - Fazer previsão de vendas e de fluxo de caixa.

Didatismo e Conhecimento 27
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
- Acompanhar a evolução do patrimônio da empresa, conhe- - o cunho material da lei orçamentária;
cer lucratividade e rentabilidade. - demonstrar a diferença entre o cunho autorizativo ou impo-
sitivo do orçamento;
3.1 ORÇAMENTO PÚBLICO. - confirmar se se criam direitos subjetivos na lei do orçamento.

O Orçamento Público é um documento legal de previsão de A maioria das doutrinas converge no sentido de que a Lei do
receitas e estimativa de despesas, a serem realizadas por um Go- Orçamento é uma Lei formal, pois passa por um processo legisla-
verno em um determinado período de tempo (geralmente um ano). tivo específico.
Os primeiros Orçamentos que se têm notícia eram orçamentos A Lei do Orçamento é uma Lei cuja natureza jurídica é de
tradicionais, que concebiam apenas ênfase ao gasto do setor públi- efeitos concretos. Desta forma, ela não é Lei Material, pois não
co. Eram simples documentos de previsão de receita e autorização tem caráter genérico e abstrato como é o caso do Código Civil.
de despesas, sem nenhum vínculo ou ligação com um sistema de Não podemos esquecer que o projeto de lei é de iniciativa do
planejamento governamental. Simplesmente se fazia uma estima- Poder Executivo, passa pelo Poder Legislativo e volta para sanção,
tiva de quanto se ia arrecadar no ano e decidia-se onde gastar, sem a fim de se tornar Lei do Orçamento.
nenhuma prioridade ou senso de equidade na distribuição de ri- Sob outro aspecto, a maior parte dos doutrinadores defende
quezas. que a lei orçamentária é ato-administrativo ou ato-condição.
O Orçamento evoluiu, ao longo do tempo, para o conceito Entende-se por ato-condição aquele que em nada amplia o que
de Orçamento-Programa, segundo o qual o orçamento é um con- contém a lei e que não dá base para se obrigar a obter receita ou a
junto de ações vinculadas a um processo de planejamento público realizar gastos. Assim, o orçamento é apenas indicativo, ou seja,
com objetivos e metas a alcançar durante um período de tempo (a um rumo a se seguir.
ênfase no Orçamento-Programa é nas realizações). Vamos fazer um “alongamento” em Direito Constitucional e
O Orçamento Geral da União é um documento elaborado pelo rever um assunto.
Poder Executivo e entregue ao Poder Legislativo para discussão, Para atacarmos atos administrativos, temos o Mandado de Se-
aprovação e conversão em lei, contendo a previsão da arrecadação gurança. Já para Leis de natureza jurídica MATERIAL, ou seja,
de receitas federais para o ano seguinte e a previsão da realização
com caráter abstrato e genérico, utilizamos as ADINs.
de despesas nos programas de Governo.
A LOA é predominantemente uma lei de efeitos concretos,
O Orçamento Geral da União (OGU) é constituído pelo Orça-
mas o PPA e a LDO possuem alguns aspectos de Lei Material.
mento Fiscal, Orçamento da Seguridade Social e pelo Orçamento
Desta forma, temos que ficar atentos a esse aspecto e verifi-
de Investimento das empresas estatais federais. Existem princípios
carmos o comando da questão, antes de respondermos na prova.
básicos que devem ser seguidos para elaboração e controle dos
Queremos dizer que é possível recair uma ADIN sobre as leis
Orçamentos, que estão definidos na Constituição, na Lei 4.320, de
orçamentárias, desde que o objeto impugnado da lei tenha caráter
17 de março de 1964, no Plano Plurianual e na Lei de Diretrizes
abstrato e genérico, apesar delas possuírem natureza predominante
Orçamentárias.
Os objetivos da política orçamentária são corrigir as falhas de de lei de efeitos concretos.
mercado e as distorções, visando manter a estabilidade, além de
melhorar a distribuição de renda, e alocar recursos com mais efi- Das corrente que temos, ora se discute o caráter autorizativo,
ciência nos gastos. O Orçamento também visa regular o mercado ora o impositivo.
e coibir abusos, reduzir as falhas e as externalidades negativas (fa- No Brasil, o pensamento dominante é a de que as autorizações
tores adversos causados pela produção, como poluição, problemas que constam na lei do orçamento são fronteiras que o administra-
urbanos, etc.), proporcionar o acesso de todos aos produtos, cons- dor ou gestor público possui para a obediência quanto à aplicação
truir obras públicas, assegurar o cumprimento das funções elemen- dos recursos em prol da sociedade.
tares do Estado como justiça, segurança, saúde, educação, etc. Mas há outros autores que defendem que somente uma lei po-
deria desautorizar um gasto, já que uma lei o autorizou. Assim, se-
Orçamento público evoluiu ao longo do tempo. Isto decorreu ria necessário outro “processo legislativo inverso” para desabonar
da maior atenção que se deu à economia como um todo, bem como o que se autorizou anteriormente.
no aumento do tamanho da participação dos governos na vida do A doutrina, na parte final do aspecto jurídico do orçamento,
país. define que a lei orçamentária não gera direitos subjetivos para os
Em termos conceituais, existem dois gêneros de orçamento: o que sejam seus destinatários. Assim, não há como se socorrer ao
TRADICIONAL e o MODERNO. Judiciário se determinada autorização no orçamento não se cum-
prir.
O ORÇAMENTO TRADICIONAL tem como função prin- Poderíamos assentar o seguinte, quanto ao aspecto jurídico
cipal o controle político e destaque nos aspectos contábil e finan- do ORÇAMENTO TRADICIONAL:
ceiro, pois tal controle decorre desses aspectos. A Lei Orçamentária é:
De acordo com alguns doutrinadores, o orçamento público • Lei Formal;
apresenta algumas características. Estas variam sob os enfoques • Ato-Condição; e
administrativo, técnico, jurídico, político, econômico, financeiro, • Não cria Direitos Subjetivos.
contábil, etc. Interessante destacar que o ORÇAMENTO TRADICIONAL
Desses aspectos, o mais relevante é o jurídico, que se divide definiu o Orçamento Público como a “Lei dos Meios”, termo mui-
em 3 elementos: to usado nas provas de concursos.

Didatismo e Conhecimento 28
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
É que o orçamento possui um caráter de inventário dos b) os mecanismos de mensuração de custos.
“meios” que os governos possuem para poderem alcançar suas Após essa explanação, vamos nos deter em 4 tipos ou técnicas
tarefas. Em outras palavras, é como se utilizam os meios para se de orçamento mais cobradas nas provas de concurso, conforme
atingirem os devidos fins. resumimos nos quadros a seguir.

ORÇAMENTO MODERNO CARACTERÍSTICAS DO ORÇAMENTO TRADICIO-


Os Estados evoluíram de tal forma que passaram a intervir no NAL
sistema para corrigir distorções e impulsionar programas de de- • “versão refeita” do orçamento do ano anterior;
senvolvimento. • ocasiona diversos vícios administrativos;
Como o orçamento era disposto em uma pauta de autoriza- • a alocação de recursos tem como referência as demandas
ções, o modelo tradicional não acompanhava essa nova função do financeiras das unidades administrativas;
Estado. • dissociação do conceito de planejamento e alocação de re-
Assim, alguns países desenvolveram a linha do ORÇAMEN- cursos;
TO MODERNO. Sua função principal passou a ser a de um ins- • inexistência de mensuração dos resultados das atividades
trumento de administração. desenvolvidas;
Surge então o conceito do Orçamento de Desempenho. Nele • alocam-se recursos para se obterem os meios;
se apresentam: • foco nos aspectos contábeis da gestão e no controle externo
• intenções e objetivos para os quais os créditos se fazem ne- das despesas;
cessários; • despesas se classificam sob os aspectos institucional e por
• os custos dos programas propostos para o alcance dos res- elementos;
pectivos objetivos; e • não se medem os resultados;
• informações quantitativas que possam mensurar as realiza- • objetivo do controle: avaliação da probidade dos agentes pú-
ções e a efetividade de cada programa. blicos e da legalidade ao seu cumprir o orçamento;
• direitos adquiridos sobre verbas orçamentárias anteriormen-
No ORÇAMENTO MODERNO, dá-se muita importância te outorgadas;
ao aspecto econômico do país, pois o orçamento passou a ser
• aumentam-se os gastos em relação ao orçamento anterior.
constantemente usado como instrumento da política fiscal dos
governos.
CARACTERÍSTICAS DO ORÇAMENTO DE DESEM-
Em síntese, age-se para que se estabilizem ou se ampliem os
PENHO
índices da atividade econômica de um país.
• busca identificar as realizações do governo, no que é feito;
E como se integrar planejamento e orçamento?
• é uma evolução do Orçamento Tradicional;
Com o surgimento, na década de 1960, do que se chamou de
• as despesas se classificam de acordo com funções, atividades
PPBS, sigla de Program-Planning-Budgeting System, que se tra-
e projetos;
duz em Sistema de Planejamento, Programação e Orçamento.
O PPBS trabalha com três elementos: Planejamento, Pro- • foco na realização, no processo, no objetivo;
gramação e Orçamentação. • instrumentalizar a ação gerencial dos governos;
Estes constituem os procedimentos pelos quais os objetivos • apresenta:
e os recursos, e suas inter-relações, são considerados, a fim de se - informações quantitativas que mensuram o que fora realiza-
obter um programa de ação coerente e compreensível para toda a do e o esforço para realizar cada programa.
Administração do governo. - a ligação e os objetivos para a utilização dos recursos ne-
Apesar da semente de ideias, o PPBS fracassou, mas não sig- cessários.
nificou um retrocesso ao Orçamento Tradicional, nem abalou o - o esforço/dispêndio dos programas para alcançar os objeti-
conceito de orçamento moderno. vos estabelecidos.
Para os governos ficou a ideia de que se a fase for expansio-
nista, o planejamento ganha importância. Se a fase é de con- CARACTERÍSTICAS DO ORÇAMENTO BASE-ZERO
tração, dá-se ênfase para o controle. Reparem que este aspecto – OBZ
deve compor qualquer processo orçamentário, mas em épocas de • justificativa, em cada ano, de todas as atividades a serem
retração, ele ganha maior importância. desenvolvidas;
O conceito de Orçamento Base-Zero – OBZ surge nos EUA. • revisão crítica dos gastos tradicionais de cada unidade orça-
Ele foca na avaliação e na tomada de decisões sobre as despe- mentária;
sas. Desta forma, o OBZ não significa uma técnica de organizar ou • cada unidade da Administração Pública deve justificar anual-
apresentar o orçamento público pura e simplesmente. mente por que deve gastar os recursos que estão sendo pleiteados;
No início da década de 1990, surge o Novo Orçamento de • benefícios:
Desempenho em que se dá importância aos resultados alcançados - melhoria do processo orçamentário;
sob os aspectos econômicos e sociais. - aperfeiçoamentos posteriores; e
Nesta técnica, também se dá ênfase na responsabilização dos - desenvolvimento de pessoal.
agentes. Vejamos os 2 elementos básicos desta técnica: - só precisa justificar o aumento que estão pedindo em relação
a) a compreensão de programa e o delineamento da estrutura à dotação do ano anterior;
programática; - o que já se gasta geralmente é aceito como necessário;

Didatismo e Conhecimento 29
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
- a não existência de direitos adquiridos da unidade orça- O PPA é dividido em planos de ações, e cada plano deverá
mentária em relação às verbas autorizadas no orçamento anterior, conter: (i) objetivo, órgão do Governo responsável pela execução
cabendo a ela justificar todas as atividades que desenvolverá no do projeto, (ii) o valor, (iii) o prazo de conclusão, (iv) as fontes de
exercício corrente. financiamento, (v) o indicador que represente a situação que o pla-
no visa alterar, (vi) a necessidade de bens e serviços para a correta
CARACTERÍSTICAS DO ORÇAMENTO-PROGRAMA efetivação do previsto, (vii) a regionalização do plano, etc.
• o objetivo da classificação econômica deste tipo de orçamen- Cada um desses planos (ou programas) será designado a uma
to programa é indicar a natureza do gasto, se despesa corrente ou unidade responsável competente, mesmo que durante a execução
de capital; dos trabalhos várias unidades da esfera pública sejam envolvidas.
• constitui um dos instrumentos do planejamento governa- Também será designado um gerente específico para cada ação pre-
mental; vista no Plano Plurianual, por determinação direta da Administra-
• o objetivo da classificação funcional no orçamento-progra- ção Pública.
ma é indicar a ação do governo que se pretende implantar com o O Decreto nº 2.829, 29.10.1998, que regulamentou o PPA
recurso; prevê que sempre se deve buscar a integração das várias esferas
• o controle orçamentário tem por objetivo avaliar a eficiência do poder público (federal, estadual e municipal), e também destas
e a eficácia das atividades; com o setor privado.
• integra-se ao processo administrativo e de planejamento; A cada ano, deverá ser realizada uma avaliação do processo de
• alocam-se recursos para o atingimento de metas e objetivos; andamento das medidas a serem desenvolvidas durante o período
• tomam-se decisões baseadas na avaliação de todas as alter- quadrienal – não só apresentando a situação atual dos programas,
nativas disponíveis; mas também sugerindo formas de evitar o desperdício de dinheiro
• enfatizam-se, nas decisões, os custos dos programas, incluí- público em ações não significativas. Com base nesta avaliação é
dos os que passam do exercício financeiro; que serão traçadas as bases para a elaboração do orçamento anual.
• despesas se classificam sob o aspecto funcional-programá- A avaliação anual poderá se utilizar de vários recursos para
tico; sua efetivação, inclusive de pesquisas de satisfação pública, quan-
• possui indicadores e padrões de medição dos esforços, bem do viáveis.
como dos resultados; Embora teoricamente todos os projetos do PPA sejam impor-
• quantificam-se metas e objetivos; tantes e necessários para o desenvolvimento socioeconômico do
• permite uma relação entre o fator de produção (insumo) e o ente, dentro do mesmo devem ser estabelecidos projetos que de-
produto; têm de maior prioridade na sua realização.
• estudam-se alternativas para o alcance dos objetivos dos pro-
gramas; A LEI ORÇAMENTÁRIA ANUAL
• há acompanhamento físico-financeiro e avaliação de resul- A Lei Orçamentária Anual (“LOA”) ou orçamento anual visa
tados; concretizar os objetivos e metas propostas no PPA, segundo as di-
• atribuem-se responsabilidades ao gestor público; retrizes estabelecidas pela LDO, em conformidade com o princípio
• objetivo do controle: avaliar a eficiência, eficácia e efetivida- da unidade do orçamento público. É uma lei, em sentido formal,
de das ações de governo. elaborada pelo Poder Executivo e aprovada pelo Poder Legislati-
vo, que estabelece as despesas e as receitas que serão realizadas
O Plano Plurianual (“PPA”), no Brasil, previsto no artigo 165 em determinado ano (princípio da anualidade do orçamento). A
da Constituição Federal de 1988, e regulamentado pelo Decreto nº Constituição determina que o Orçamento deve ser votado e apro-
2.829, de 29.10.1998, em plena compatibilidade com o princípio vado até o final de cada Legislatura, sendo competência do Chefe
do orçamento investimento, estabelece as medidas, gastos e obje- do Poder Executivo de cada ente público enviar ao órgão legislati-
tivos a serem seguidos pela Administração ao longo de um período vo a proposta do orçamento.
(exercício) de quatro anos. A proposta da LOA compreende os três tipos distintos de or-
É aprovado por lei quadrienal, sujeita a prazos e ritos çamentos, a saber: (i) o Orçamento Fiscal, que compreende os po-
diferenciados de tramitação e tem vigência do segundo ano de deres da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios,
um mandato do Poder Executivo até o final do primeiro ano do os Fundos, Órgãos, Autarquias, inclusive as especiais, e Funda-
mandato seguinte. ções instituídas e mantidas pelo ente público; abrange, também, as
Nele se prevê a atuação do Governo, durante o período men- empresas públicas e sociedades de economia mista em que o Po-
cionado, em programas de duração continuada já instituídos ou a der Público, direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital
instituir no médio prazo, buscando o cumprimento do princípio da social com direito a voto e que recebam desta quaisquer recursos
continuidade da prestação do serviço público, em prol do interesse que não sejam provenientes de participação acionária, pagamentos
público. de serviços prestados, transferências para aplicação em programas
Com a obrigatoriedade do PPA, tornou-se obrigatório o Go- de financiamento atendendo ao disposto na alínea “c” do inciso I
verno planejar todas as suas ações e também seu orçamento de do art. 159 da CF e refinanciamento da dívida externa; (ii) o Or-
modo a não ferir as diretrizes nele contidas, somente devendo efe- çamento de Seguridade Social, que compreende todos os órgãos
tuar investimentos em programas estratégicos previstos na redação e entidades a quem compete executar ações nas áreas de saúde,
do PPA para o período vigente. A Constituição, também, sugere previdência e assistência social, quer sejam da Administração Di-
que a iniciativa privada volte suas ações de desenvolvimento para reta ou Indireta, bem como os fundos e fundações instituídas e
as áreas abordadas pelo plano vigente. mantidas pelo Poder Público; compreende, ainda, os demais sub-

Didatismo e Conhecimento 30
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
projetos ou subatividades, não integrantes do Programa de Trabalho “A Lei do Orçamento conterá a discriminação da receita e
dos Órgãos e Entidades mencionados, mas que se relacionem com as despesa, de forma a evidenciar a política econômico-financeira e
referidas ações, tendo em vista o disposto no art. 194 da CF; e (iii) o o programa de trabalho do governo, obedecidos os princípios da
Orçamento de Investimento das Empresas Estatais: previsto no inciso unidade, universalidade e anualidade”.
II, parágrafo 5º do art. 165 da CF, que abrange as empresas públicas
e sociedades de economia mista em que o Estado, direta ou indireta- PRINCÍPIOS ORÇAMENTÁRIOS
mente, detenha a maioria do capital social com direito a voto. Unidade  – Só existe um orçamento no exercício para cada
ente federativo (Um para a União, um para cada Estado, e um para
Execução Orçamentária cada Município). Cada entidade de direito público deve possuir
A execução orçamentária ocorre concomitantemente com a apenas um orçamento, fundamentado em uma única política orça-
financeira. Esta afirmativa tem como sustentação o fato de que a mentária e estruturado uniformemente. Assim, existe o orçamento
execução tanto orçamentária como financeira estão atreladas uma da União, o de cada Estado e o de cada Município.
a outra. Havendo orçamento e não existindo o financeiro, não po- Universalidade – o Orçamento agrega todas as receitas e des-
derá ocorrer a despesa. Por outro lado, havendo recurso financeiro, pesas dos Poderes, fundos, entidades diretas ou indiretas. A Lei
mas não se podendo gastá-lo, não há que se falar em disponibili- orçamentária deve incorporar todas as receitas e despesas, ou seja,
dade orçamentária. nenhuma instituição pública deve ficar fora do orçamento.
Em consequência, pode-se definir execução orçamentária Anualidade / Periodicidade – o Orçamento cobre um perío-
como sendo a utilização dos créditos na LOA. Já a execução finan- do limitado de um ano. No Brasil, este período corresponde ao
ceira, por sua vez, representa a utilização de recursos financeiros, exercício financeiro, de 01/01 a 31/12. Estabelece um período li-
visando atender à realização dos projetos e/ou atividades atribuí- mitado de tempo para as estimativas de receita e fixação da des-
das às Unidades Orçamentárias pelo Orçamento. pesa, ou seja, o orçamento deve compreender o período de um
Na técnica orçamentária, inclusive, é habitual se fazer a dis- exercício, que corresponde ao ano fiscal.
tinção entre as palavras crédito e recursos. O primeiro termo de- Legalidade – O Orçamento é uma peça legal, e como tal, é
signa o lado orçamentário e o segundo, o lado financeiro. Crédito sempre objeto de uma lei específica.
e Recurso são duas faces de uma mesma moeda. O crédito é a do- Exclusividade – O Orçamento só versa sobre matéria orça-
tação ou autorização de gasto ou sua descentralização, e o recurso mentária, podendo conter autorização para abertura de créditos
é o dinheiro ou saldo de disponibilidade bancária. suplementares e operações de crédito, ainda que por antecipação
Uma vez publicada a LOA, observadas as normas de execu- da receita.
ção orçamentária e de programação financeira para o exercício, Especificação ou discriminação ou especialização – São ve-
e lançadas as informações orçamentárias, cria-se o crédito orça- dadas autorizações globais no Orçamento. As despesas devem ser
mentário e, a partir daí, tem-se o início da execução orçamentária especificadas, no mínimo, por modalidade de aplicação.
propriamente dita. Publicidade  – O Orçamento deve ser divulgado no Diário
Executar o orçamento é, portanto, realizar as despesas públi- Oficial da União.
cas nele previstas, ressaltando que para que qualquer utilização Equilíbrio – As despesas autorizadas no Orçamento devem
de recursos públicos seja efetuada, a primeira condição é que esse ser sempre iguais às Receitas Previstas (se possível). Não pode
gasto tenha sido legal e oficialmente previsto e autorizado pelo haver um desequilíbrio acentuado nos gastos.
Poder Legislativo e que sejam seguidos à risca os três estágios Orçamento-Bruto - A receita e a despesa, constantes do Or-
da execução das despesas previstos na Lei nº 4.320/64, isto é, (i) çamento, exceto as constitucionais (transferências constitucionais),
o empenho, (ii) a liquidação e (iii) o pagamento – atualmente se devem aparecer pelo valor total ou valor bruto, sem deduções.
encontra em aplicação a sistemática do pré-empenho antecedendo Não-afetação ou não-vinculação – É vedada a vinculação de
esses estágios, já que, após o recebimento do crédito orçamentá- impostos a órgão, fundo ou despesa, exceto as transferências cons-
rio e antes do seu comprometimento para a realização da despesa, titucionais, para manutenção e desenvolvimento do ensino, FPE,
existe uma fase geralmente demorada de licitação obrigatória jun- FPM, etc. e as garantias às operações de crédito por antecipação
to a fornecedores de bens e serviços que impõe a necessidade de se da receita.
assegurar o crédito até o término do processo licitatório. Programação  – Na elaboração do Orçamento, há que se
Todo esse processo ocorre observando, estritamente, os prin- obedecer a determinadas classificações orçamentárias previamen-
cípios constitucionais orçamentários, bem como aqueles que re- te existentes. Em primeiro lugar é preciso identificar a função a
gem a Administração Pública, dentre eles a moralidade, a publici- que pertence à despesa do Governo (Educação, Saúde, Ciência e
dade e a eficiência, de modo que o interesse público seja sempre Tecnologia, Transportes, etc.). A função é o nível mais elevado
garantido. de uma das classificações orçamentárias denominada classificação
funcional da despesa. As funções, na classificação funcional, se
3.2 PRINCÍPIOS ORÇAMENTÁRIOS. dividem em subfunções, que se dividem, por sua vez, em progra-
mas, com projetos, atividades ou operações especiais a realizar no
Existem princípios básicos que devem ser seguidos para tempo. Programar uma despesa nada mais é do que enquadrá-la
elaboração e controle do orçamento, que estão definidas na Cons- em classificações, de maneira a ficar claramente definido o que
tituição, na Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, no Plano Plu- a despesa corresponde, se ela é um projeto do Governo, ligada a
rianual e na Lei de Diretrizes Orçamentárias. qual programa, dentro de qual função, etc. Esta classificação da
A Lei nº 4.320/64 estabelece os fundamentos da transparên- despesa em funções, subfunções, programas, projetos, atividades e
cia orçamentária (art. 2º): operações especiais, é a própria programação do Orçamento. Ago-

Didatismo e Conhecimento 31
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
ra, nem sempre uma subfunção precisa corresponder a uma função estimativa orçamentária; (ii) estabelecer controles operacionais e
da classificação, por exemplo. Nem um programa necessariamente suas regras de atuação para avaliação das ações desenvolvidas ou
precisa estar classificado na subfunção correspondente. Ou seja, em desenvolvimento; (iii) estabelecer as condições de ajudar ou
nem sempre a programação da despesa precisa corresponder a uma subvencionar financeiramente instituições privadas, fornecendo o
regra típica. Quando uma despesa é classificada em um programa nome da instituição, valor a ser concedido, objetivo etc., sendo im-
não correspondente a uma subfunção ou função da classificação, portante ressaltar que serão nulas as subvenções não previstas na
dizemos que ocorreu uma regra de atipicidade na classificação da LDO, excluindo casos de emergência; (iv) estabelecer condições
despesa. para autorizar os entes a auxiliar o custeio de despesas próprias
de outros entes, como por exemplo, gastos de quartel da Polícia
3.3 DIRETRIZES ORÇAMENTÁRIAS. Militar, de Cartório Eleitoral, Recrutamento Militar, de atividades
da Justiça etc.; (v) estabelecer critérios para o início de novos pro-
A Lei das Diretrizes Orçamentárias está prevista na constitui- jetos, após o adequado atendimento dos que estão em andamento;
ção no artigo a seguir: (vi) estabelecer critérios de programação financeira mensal; (vii)
Art. 165. Leis de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão: estabelecer o percentual da receita corrente líquida a ser retido na
I - o plano plurianual; peça orçamentária, como Reserva de Contingência.
II - as diretrizes orçamentárias; Além do estabelecimento e definição dos itens acima, a LDO
III - os orçamentos anuais. deverá ser acompanhada dos chamados Anexos de Metas Fiscais.
§ 2º - A lei de diretrizes orçamentárias compreenderá as Esses Anexos deverão conter: (i) metas anuais para receitas, des-
metas e prioridades da administração pública federal, incluindo pesas, resultados nominal e primário e montante da dívida para o
as despesas de capital para o exercício financeiro subsequente, exercício a que se referirem e para os dois exercícios seguintes; (ii)
orientará a elaboração da lei orçamentária anual, disporá sobre a avaliação do cumprimento das metas relativas ao ano anterior;
as alterações na legislação tributária e estabelecerá a política de (iii) o demonstrativo das metas anuais, instruído com memória e
aplicação das agências financeiras oficiais de fomento. metodologia de cálculo que justifiquem os resultados pretendidos,
§ 3º - O Poder Executivo publicará, até trinta dias após o comparando-as com as fixadas nos três últimos exercícios, eviden-
encerramento de cada bimestre, relatório resumido da execução ciando a consistência delas com as premissas e os objetivos da
orçamentária. política vigente; (iv) o demonstrativo da evolução do patrimônio
§ 4º - Os planos e programas nacionais, regionais e setoriais líquido nos últimos três exercícios, destacando a origem e a aplica-
previstos nesta Constituição serão elaborados em consonância ção dos recursos obtidos com a alienação de ativos; (v) a avaliação
financeira e atuarial de todos os fundos e programas de natureza
com o plano plurianual e apreciados pelo Congresso Nacional.
atuarial; (vi) o demonstrativo da estimativa e compensação da re-
núncia de receita e da margem de expansão das despesas obriga-
A LEI DE DIRETRIZES ORÇAMENTÁRIAS
tórias de caráter continuado; (vii) a avaliação dos passivos contin-
A Lei de Diretrizes Orçamentárias (“LDO”) tem a finalida-
gentes e outros riscos capazes de afetar as contas, informando as
de precípua de orientar a elaboração dos orçamentos fiscal e da
providências, caso se concretizem, como por exemplo, é importan-
seguridade social e de investimento das empresas estatais. Busca
te verificar os processos judiciais de devolução de tributos ques-
sincronizar a Lei Orçamentária Anual (“LOA”) com as diretrizes,
tionáveis, ou demanda de reivindicações salariais não concedidas.
objetivos e metas da administração pública, estabelecidas no PPA, Enfim, o Anexo de Metas Fiscais compreenderá: (i) a previ-
em estrita observância aos princípios do orçamento investimento e são trienal da receita, da despesa, estimando, assim, os resultados
da unidade orçamentária. nominal e primário; (ii) a previsão trienal do estoque da dívida
De acordo com o parágrafo 2º, do art. 165, da Constituição pública, considerando os passivos financeiro e permanente; (iii) a
Federal de 1988, a LDO (i) deverá trazer as metas e prioridades avaliação do cumprimento das metas do ano anterior; (iv) a evo-
da administração pública, incluindo as despesas de capital para lução do patrimônio líquido ou passivo real descoberto (resulta-
o exercício financeiro subsequente, (ii) orientará a elaboração da do patrimonial negativo); (v) a avaliação financeira e atuarial dos
LOA, (iii) disporá sobre as alterações na legislação tributária e (iv) fundos de previdência dos servidores públicos; (vi) a Estimativa
estabelecerá a política de aplicação das agências financeiras ofi- de compensação da renúncia de receitas (anistias, remissões, isen-
ciais de fomento. ções, subsídios etc.) e da margem de expansão das despesas obri-
Em observância do princípio da anualidade orçamentária, a gatórias de caráter continuado.
LDO será elaborada, anualmente, pela Administração e aprovada
pelo Poder Legislativo que, após aprovação, devolverá ao Exe- 3.4 SIDOR,SIAFI.
cutivo para sanção. É importante destacar que a Constituição de
1988 não prevê a possibilidade de rejeição do projeto de lei de di- Sidor - Sistema Integrado de Dados Orçamentários
retrizes orçamentárias, uma vez que prescreve, em seu art. 57, §2º,
que a sessão legislativa não será interrompida sem a aprovação do O Sidor é um sistema que tem como objetivo aprimorar o pro-
projeto, logo, o projeto após entregue pelo Executivo deverá ser cesso orçamentário federal. Seu principal produto é o Projeto de
analisado e encaminhado para aprovação. Lei Orçamentária enviado, anualmente, ao Congresso Nacional
A Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar nº 101, para aprovação e consequente geração da Lei Orçamentária Anual.
de 04.05.2000) ampliou a importância da LDO, determinando a
previsão de várias outras situações, além das previstas na Cons- Atualmente, o Sidor está sofrendo um processo de desativa-
tituição. São elas (i) estabelecer os critérios para o congelamento ção, sendo substituído, aos poucos, pelo Sistema Integrado de
de dotações, quando as receitas não evoluírem de acordo com a Planejamento e Orçamento do Governo Federal (Siop).

Didatismo e Conhecimento 32
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
O Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento - SIOP é Informações técnicas
o sistema informatizado que suporta processos de planejamento e O SIOP é totalmente desenvolvido utilizando software livre,
orçamento do Governo Federal. destacando-se a linguagem Java e o banco de dados PostgreSQL e
Por meio do acesso à internet, os usuários dos diversos Órgãos sua hospedagem é feita em servidores que utilizam sistema opera-
Setoriais, Unidades Orçamentárias e Agentes Técnicos integrantes cional Linux, servidor de aplicações JBOSS e servidor Web Apache.
do Sistema de Planejamento e Orçamento da União, bem como ou-
tros sistemas automatizados, registram suas operações e efetuam Público-alvo
suas consultas on-line. Servidores da Administração Pública que exercem atividades
O SIOP é um sistema estruturante composto por módulos, de- nas áreas de planejamento, orçamento, finanças, compras, convê-
senvolvido e colocado em operação pela Secretaria de Orçamento nios e controle, além de cidadãos interessados nos temas orçamen-
Federal - SOF/MP, em parceria com a Secretaria de Planejamento to público e políticas públicas.
e Investimentos Estratégicos - SPI/MP, e o Departamento de Coor-
denação e Governança das Empresas Estatais - DEST/MP, para: Compromissos
I - elaboração do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias I - prover mecanismos adequados ao registro e controle dos
- PLDO: ferramentas para que todos os envolvidos no processo processos de planejamento e orçamento;
possam propor alterações ao texto do Projeto de Lei; II - fornecer meios para agilizar os processos de elaboração do
II - elaboração do Projeto de Lei Orçamentária Anual - PLOA:
Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias - PLDO, do Projeto de
ferramentas para estimativa de receitas, revisão dos cadastros
Lei Orçamentária Anual - PLOA, do Projeto do Plano Plurianual -
(Ações, Localizadores e Planos Orçamentários), captação da pro-
PPPA e tramitação de pedidos de alterações orçamentárias;
posta e formalização dos Volumes do Projeto de Lei;
III - elaboração e revisão do Projeto de Lei do Plano Pluria- III - fornecer fonte segura e tempestiva de informações orça-
nual - PLPPA: ferramentas para revisão dos cadastros (Programas, mentárias, destinada a todos os níveis da administração pública;
Indicadores, Objetivos, Iniciativas, Medidas Institucionais e Fi- IV - integrar e compatibilizar as informações disponíveis nos
nanciamentos Extra orçamentários), captação da proposta pluria- diversos órgãos e entidades participantes; e
nual e formalização dos Anexos ao Projeto de Lei; V - permitir aos segmentos da sociedade obterem a necessária
IV - alterações orçamentárias: ferramentas para permitir os transparência das informações orçamentárias.
ajustes necessários ao orçamento durante a execução: créditos su-
plementares, créditos especiais, créditos extraordinários e ajustes SIAFI
em classificações;
V - acompanhamento das Estatais: ferramentas para permitir Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo
acompanhar a execução orçamentária das Empresas Estatais; e Federal - SIAFI é um sistema contábil que tem por finalidade rea-
VI - acompanhamento orçamentário: ferramentas para permi- lizar todo o processamento, controle e execução financeira, patri-
tir o registro físico das Ações orçamentárias da União. monial e contábil do governo federal brasileiro.
O sistema foi desenvolvido pelo Serviço Federal de Proces-
Módulos samento de Dados - (SERPRO). Foi implantado oficialmente no
SIOPLegis – É o sistema de consulta à legislação que reú- ano de 1987. Até o ano de 1986 o governo federal convivia com
ne documentos oficiais publicados, como leis, decretos, portarias, uma série de problemas de natureza administrativa inviabilizando
instrumentos normativos, regulamentos, decisões, declarações, co- a correta aplicação dos recursos públicos.
municações e outros cujo assunto seja relacionado direta ou indire- Uma das principais vantagens do Siafi é a descentralização da
tamente ao orçamento público ou sobre ele cause impacto. entrada, consulta, execução orçamentária, financeira e patrimonial
Qualquer cidadão pode acessar o conteúdo, sem necessidade da União, isto com a supervisão da Secretaria do Tesouro Nacio-
de cadastro prévio. nal.
SIOP Relatórios – Disponibiliza uma série de informações O SIAFI – Sistema a Integrado de Administração Financeira
sobre o Orçamento da União, suas alterações e execução no ano
do Governo Federal é um Sistema de teleinformática criado para
corrente e dados históricos de forma gerencial ou operacional, fa-
promover a modernização e a integração dos sistemas de acom-
cilitando a análise e o acompanhamento da execução orçamentária
panhamento e controle da execução orçamentária, financeira e
por meio de relatórios pré-formatados. Para acessar as informa-
ções é necessário acesso identificado. patrimonial do Governo Federal de forma integrada, objetivando
SIOP Gerencial-BI – Permite acesso amplo e facilitado às in- minimizar custos, e dar eficiência e eficácia na gestão dos recursos
formações do SIOP, SIAFI e a outras bases de dados sobre planos e alocados na Lei Orçamentária Anual - LO A.
orçamentos públicos por meio de uma única ferramenta de consulta O s dados inseridos no SIAFI são centralizados em Brasília,
de Business Intelligence – BI. O módulo disponibiliza informações sendo disponibilizados por teleprocessamento aos Órgãos/Entida-
do Orçamento da União, suas alterações, execução do ano corrente des do Governo Federal distribuídos no país e no exterior.
e restos a pagar, e também dados históricos desde 1994. O SIAFI é o sistema informatizado que processa e controla
Para acessar os dados é necessário acesso identificado. a execução orçamentária, financeira, patrimonial e contábil da
SIOP Acesso Público – Tem como objetivo fornecer acesso a União, através de terminais instalados em todo o território nacio-
todos os cidadãos que tenham interesse de acompanhar as infor- nal. Tem com o premissa básica a contabilização de todos os atos
mações sobre a Lei Orçamentária Anual - LOA, utilizando a base e fatos praticados pelos Gestores públicos (pagamentos, recebi-
de dados do SIOP. Qualquer cidadão com acesso à Internet pode mentos, compras, baixa de itens patrimoniais etc.), e praticam ente
consultar as informações atualizadas sobre a LOA, sem necessi- todas as consultas gerenciais do sistema se baseiam em registros
dade de autenticação, autorização ou mesmo um cadastro prévio. contábeis para serem obtidas.

Didatismo e Conhecimento 33
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
HISTÓRICO DO SIAFI Esta integração das informações proporciona transparência
O SIAFI, com o sistema computacional, foi implantado em sobre o total dos recursos movimentados pela Administração Pu-
1987, tornando-se, desde então, em importante instrumento para o blica, tanto no que se refere a origem quanto à aplicação destes
acompanhamento e controle da execução orçamentária, financeira recursos a nível nacional.
e contábil do Governo Federal. Mesmo sem utilizar o Sistema de forma plena, um número
Atualmente é o maior e m ais abrangente instrumento de ad- crescente de entidades estão interligadas ao SIAFI na forma on-
ministração das finanças publica, dentre os seus congêneres conhe- -line para a realização da execução e acompanhamento de suas
cidos no mundo. rotinas internas, destacando-se, neste particular, a interação com
Até o exercício de 1986, o Governo Federal enfrentava um a a Conta Única do Tesouro Nacional e com a Conta Única Institu-
série de problemas de natureza administrativa que impedia a ade- cional, que agilizam os recebimentos e pagamentos entre unidades
quada gestão dos recursos públicos e dificultava a preparação do do Sistema, com imediata identificação das liquidações efetuadas.
orçamento unificado, que passaria a vigorar em 1987. Desde sua implantação, o SIAFI vem recebendo otimizações e
Dentre os inúmeros problemas, enumeram os a seguir, alguns adequações, de forma a acompanhar a evolução técnica, de ordem
dos m ais relevantes: emprego de métodos inadequados de traba- legal e conjuntural, com processos/subsistem as que permitem sua
lho, sendo que, na maioria dos casos, os controles de disponibilida- utilização em escala crescente, tais com o a Conta Única, DARF
des orçamentárias e financeiras eram exercidos a partir de registros E GRPS Eletrônicos, além do COMUNICA, que permite a trans-
m anuais; utilização da contabilidade com o simples instrumento missão de mensagens no terminal entre todos os usuários, tendo
de registros formais, pela dificuldade de acesso as modernas téc- se revelado um poderoso meio de comunicação, substituindo, com
nicas de administração financeira; defasagem de, pelo menos 45 eficiência, os contatos por telefone, telex, fax e correspondências
dias entre o encerramento do mês e o levantamento das demons- formais.
trações Orçamentárias, Financeiras e Patrimoniais, inviabilizando
o uso das informações com fins gerenciais; incompatibilidade dos OBJETIVOS
dados em decorrência da diversidade de fontes de informações, O SIAFI é o principal instrumento utilizado para registro,
com prometendo o processo de tom ada de decisões; falta de in- acompanhamento e controle da execução orçamentária, financeira
tegração dos sistemas de informações; e existência de inúmeras e patrimonial do Governo Federal. Desde sua criação, o SIAFI tem
alcançado satisfatoriamente seus principais objetivos :
contas-correntes bancaria, no âmbito do Governo Federal, criando
a) prover mecanismos adequados ao controle diário da execu-
estoque ocioso de moeda e dificultando a administração de caixa.
ção orçamentária, financeira e patrimonial aos órgãos da Adminis-
tração Pública;
IMPLANTAÇÃO
b) fornecer meios para agilizar a programação financeira, oti-
A implantação do SIAFI foi viabilizada a partir da criação da
mizando a utilização dos recursos do Tesouro Nacional, através da
STN, vinculada ao Ministério da Fazenda, através do Decreto n.
unificação dos recursos de caixa do Governo Federal;
92.452, de 10 de m arco de 1986, com o objetivo de promover a
c) permitir que a contabilidade pública seja fonte segura e
modernização e a integração dos sistemas de programação finan-
tempestiva de informações gerenciais destinadas a todos os níveis
ceira, de execução orçamentária e de contabilidade dos Órgãos e da Administração Pública Federal;
Entidades Publicas do Governo Federal. Para desincumbir-se de d) padronizar métodos e rotinas de trabalho relativas à gestão
suas atribuições, recebeu competente autorização para contratar, dos recursos públicos, sem implicar rigidez ou restrição a essa ati-
junto ao Serviço Federal de Processamento de Dados - SERPRO , vidade, um a vez que ele permanece sob total controle do ordena-
a implementação de um sistema computacional, que fornecessem dor de despesa de cada unidade gestora;
todas as informações necessárias, de maneira segura e tempestiva. e) permitir o registro contábil dos balancetes dos estados e
Superando dificuldades de toda ordem, a STN em conjunto municípios e de suas supervisionadas;
com o SERPRO , Em presa Publica prestadora de serviço na área f) permitir o controle da dívida interna e externa, bem com o
de informática, criou as condições para que o SIAFI fosse implan- das transferências negociadas;
tado em tempo reconhecidamente curto (cerca de 6 meses), entran- g) integrar e compatibilizar as informações no âmbito do Go-
do em operação a partir de 01 de janeiro de 1987. verno Federal;
O SIAFI foi utilizado inicialmente apenas pelo Poder Exe- h) permitir o acompanhamento e a avaliação do uso dos re-
cutivo, se expandido de forma gradual pelos demais Poderes a cursos públicos; e
partir da percepção, pelos usuários, das vantagens oferecidas pelo i) proporcionar a transparência dos gastos do Governo Fede-
Sistema. Atualmente, utilizam -se do SIAFI todos os Órgãos da ral.
Administração Direta, inclusive os pertencentes aos Poderes Le-
gislativo e Judiciário, e grande parte da Administração Indireta, VA NTA GENS
faltando apenas as Em presas Publicas e Sociedades de Economia O SIAFI representou tão grande avanço para a contabilidade
Mista que não com põem o Orçamento Geral da União - O GU, e pública da União que ele é hoje reconhecido no mundo inteiro e
as Instituições Financeiras Oficiais. recomendado inclusive pelo Fundo Monetário Internacional. Sua
A Entidade que ainda não utilizam o SIAFI tem seus saldos performance transcendeu de tal forma as fronteiras brasileiras e
contábeis integrados periodicamente, para efeito de consolidação despertou a atenção no cenário nacional e internacional, que vários
das informações econômico-financeiras do Governo Federal, a países, além de alguns organismos internacionais, têm enviado de-
exceção das Sociedades de Economia Mista, que tem registrada legações à Secretaria do Tesouro Nacional, com o propósito de
apenas a participação acionaria do Governo. absorver tecnologia para a implantação de sistemas similares.

Didatismo e Conhecimento 34
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
Veja os ganhos que a implantação do SIAFI trouxe para a Ad- É o montante total em dinheiro recolhido pelo Tesouro
ministração Pública Federal : Nacional, incorporado ao patrimônio do Estado, que serve para
Contabilidade: o gestor ganha tempestividade na informação, custear as despesas públicas e as necessidades de investimentos
qualidade e precisão em seu trabalho; públicos.
Finanças: agilização da programação financeira, otimizando a Em sentido amplo, receita pública é o recolhimento de bens
utilização dos recursos do Tesouro Nacional, por meio da unifica- aos cofres públicos, sendo sinônimo de ingresso ou entrada.
ção dos recursos de caixa do Governo Federal na Conta Única no Diferencia-se da receita tributária pois ao contrário desta, não
Banco Central; está limitada à arrecadação de tributos e multas, sendo que a recei-
Orçamento: a execução orçamentária passou a ser realizada ta tributária é um dos tipos de receita pública.
tempestivamente e com transparência, completam ente integrada a A receita pública também embarca as receitas das empresas
execução patrimonial e financeira; estatais, a remuneração dos investimentos do Estado e os juros das
Visão clara de quantos e quais são os gestores que executam o dívidas fiscais.
orçamento: os números da época da implantação do SIAFI indica- Ingresso – outras entradas que não se consideram receita, é a
vam a existência de aproximadamente 1.800 gestores. Na verdade, receita que não foi arrematada, operações de curso anormal. Ex:
eram mais de 4.000 que hoje estão cadastrados e executam seus Antecipação de Receita Orçamentária.
gastos através do sistema de forma “on-line”; As receitas públicas stricto sensu são as receitas orçamen-
Desconto na fonte de impostos: hoje, no momento do paga- tárias, que são aquelas que entram em caráter definitivo para os
mento, já é recolhido o imposto devido; cofres públicos para aplicação em programas e ações governa-
Auditoria: facilidade na apuração de irregularidades com o mentais. Em contrapartida as receitas lato sensu englobam além
dinheiro público; das orçamentárias as receitas extraorçamentárias, que são aqueles
Transparência: poucas pessoas tinham acesso às informações recursos pertencentes a terceiros, arrecadados pelo ente público
sobre as despesas do Governo Federal antes do advento do SIAFI. exclusivamente para fazer face às exigências contratuais e legais
A prática da época era tratar essas despesas com o “assunto sigi- para posterior devolução.
loso”. Hoje a história é outra, pois na democracia o cidadão é o Dessa forma, receitas públicas, em sentido restrito, são os re-
grande acionista do estado; e cursos instituídos e arrecadados pela Administração Pública com a
Fim da multiplicidade de contas bancárias : os números da finalidade de atender as necessidades da sociedade, recursos esses
época indicavam 3.700 contas bancárias e o registro de aproxima- com fontes e fatos geradores próprios que são incorporados defi-
damente 9.000 documentos por dia. Com a implantação do SIAFI, nitivamente ao patrimônio do Estado, sem, contudo, gerar obriga-
constatou-se que existiam em torno de 12.000 contas bancárias e
ções ou quaisquer reservas ou reivindicações de terceiros.
se registravam em média 33.000 documentos diariamente.
Atenção: o orçamento de receita tinha, até a Constituição
Hoje, 98% dos pagamentos são identificados de modo instan-
de 1967, a característica de autorização, significando que todo e
tâneo na Conta Única e 2% deles com um a defasagem de, no
qualquer tributo só poderia ser lançado se estivesse previsto na lei
máximo, cinco dias.
orçamentária. Com o advento da Emenda Constitucional 01/69, e
Além de tudo isso, o SIAFI apresenta inúmeras vantagens que
preservada na Constituição de 1988, passou a bastar que a lei que
o distinguem de outros sistemas em uso no âmbito do Governo
Federal : houvesse instituído ou aumentado o tributo fosse aprovada antes
Sistema disponível 100% do tem o e on-line; do início do exercício (princípio da anterioridade tributária).
Sistema centralizado, o que permite a padronização de méto-
dos e rotinas de trabalho; CLASSIFICAÇÃO DE RECEITA PÚBLICA
Interligação em todo o território nacional; A receita pública lato sensu, de acordo com a doutrina, classi-
Utilização por todos os órgãos da Administração Direta (po- fica-se quanto à (ao):
deres Executivo, Legislativo e Judiciário); • natureza;
Utilização por grande parte da Administração Indireta; e • afetação patrimonial;
Integração periódica dos saldos contábeis das entidades que • regularidade;
ainda não utilizam o SIAFI, para efeito de consolidação das in- • coercitividade;
formações econômico-financeiras do Governo Federal - à exceção • poder de tributar.
das Sociedades de Economia Mista, que têm registrada apenas a
participação acionária do Governo - e para proporcionar transpa- A classificação legal, por outro lado, desmembra a classifica-
rência sobre o total dos recursos movimentados. ção da receita:
• por categoria econômica;
3.5 RECEITA PÚBLICA: CATEGORIAS, FONTES, ES- • por fontes de receita;
TÁGIOS E DÍVIDA ATIVA. • institucional;
• por fontes de recursos.
A receita é a expressão monetária resultante do poder de tri-
butar e/ou do agregado de bens e/ou serviços da entidade, vali- Classificações doutrinárias da receita
dada pelo mercado em um determinado período de tempo e que As receitas, quanto à natureza, dividem-se em orçamentária e
provoca um acréscimo concomitante no ativo ou uma redução do extraorçamentária.
passivo, com um acréscimo correspondente no patrimônio líquido, Os recursos arrecadados pelo Estado, e que se incorporam de-
abstraindo-se do esforço de produzir tal receita representada pela finitivamente ao patrimônio do Estado, são chamados de receitas
redução (despesa) do ativo ou acréscimo do passivo e correspon- orçamentárias, estejam estas receitas previstas ou não no orça-
dente redução do patrimônio líquido. mento.

Didatismo e Conhecimento 35
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
São exemplos de receitas orçamentárias: receitas tributárias, Receita Orçamen- Receita extraorça-
de contribuições, patrimonial, agropecuárias, industrial, de servi- tária mentária
ços, transferências correntes, operações de crédito e alienação de
bens, amortização da dívida, transferências de capital. Contabilização Registrada como re- Registrada como
Observação: a receita para ser orçamentária não precisa estar ceita corrente de ca- passivo financeiro
prevista na LOA. pital
Os recursos arrecadados pelo Estado, mas que geram um LOA Pode ou não estar pre- Não está prevista na
passivo, ou seja, terão que ser restituídos posteriormente, são de- vista na LOA LOA
nominados receitas extraorçamentárias. Assim, são receitas a que Características Custeia despesas orça- Custeia despesas ex-
corresponde uma entrada de recurso, em caráter transitório, e que mentárias traorçamentárias
geram para o Estado a obrigação de posterior devolução. Ex.: de-
pósitos diversos, restos a pagar, serviço da dívida a pagar, ARO Recursos Do Estado De terceiros
etc.
Atenção: as receitas extraorçamentárias, por serem apenas Observação: as receitas, quanto à afetação patrimonial, divi-
entrada de recursos com caráter devolutivo, não são consideradas dem-se em efetivas e não efetivas.
receitas stricto sensu, tendo em vista que são registradas como re- As receitas orçamentárias podem causar aumento no patrimô-
ceitas somente para controle e posterior devolução. nio, ou seja, podem causar variação na situação líquida, nesse caso
Depósitos diversos são as receitas que entram no Estado por são chamadas de receita efetiva. Essas receitas integram o patri-
determinação legal ou contratual, mas que pela sua natureza deve- mônio sem quaisquer condições, restrições ou correspondências
rão, em regra, ser devolvidas. São exemplos de depósitos diversos: no passivo, inserindo-se no conceito de fato contábil modificativo
depósitos em caução, depósitos judiciais. aumentativo. Exemplos: receita tributária, receita de serviços etc.
Exemplificando: recebimento de caução em dinheiro para ga- Há, no entanto, casos em que os ingressos de recursos orça-
rantia de contrato, o fornecedor deposita um montante na conta mentários não provocam afetação no patrimônio líquido por serem
bancária do Governo, no entanto, esse recurso não pertence ao Es- oriundos de fatos permutativos, essas receitas são denominadas
tado, assim, no momento de contabilizar esta receita, será registra- receitas não efetivas ou receitas por mutações patrimoniais. Exem-
do um débito no banco e em contrapartida um crédito em conta do plo: receitas de operações de crédito, receita de amortização de
passivo, evidenciando o caráter devolutivo do recurso. empréstimos concedidos etc.
IPC: as operações de crédito por antecipação de receita são Importante: em regra toda receita corrente é receita efetiva e
receitas extraorçamentárias, conforme artigo 3.º da Lei 4.320/64. toda receita de capital é receita não efetiva. Há, entretanto, exceções.
Mas por que uma operação de crédito por antecipação da re- As receitas de capital via de regra são receitas não efetivas,
ceita é extraorçamentária e uma operação de crédito normal é orça- pois toda vez que se registra uma receita de capital faz-se o registro
mentária, sendo que as duas geram uma obrigação para o Estado? de uma mutação patrimonial, a exceção são receitas de transferên-
Fácil, o próprio nome da operação de crédito por ARO (Antecipa- cias de capital, que não geram uma mutação patrimonial, decor-
ção da Receita Orçamentária) já mata essa questão. A ARO não rente da incorporação de um direito ou de um bem ou da baixa de
é uma receita nova que se incorpora ao Estado, é simplesmente obrigações.
uma antecipação da receita orçamentária prevista no orçamento e As receitas correntes, em regra, são receitas efetivas, porém
que, no entanto, ainda não se realizou. O procedimento normal é também existe uma exceção, a dívida ativa, que apesar de ser re-
o Governo esperar a receita se realizar para aí sim gastá-la, mas às gistrada como receita corrente dentro da subcategoria “outras re-
vezes por problemas de indisponibilidade de caixa o Estado não ceitas correntes”, causa uma mutação patrimonial referente à baixa
pode esperar essa realização acontecer. Assim o Governo faz um do direito.
empréstimo e se compromete a pagá-lo com a receita orçamentária Tome nota: as receitas, quanto à regularidade, se classificam
que se realizará, por isso é preciso contabilizar a ARO como ex- em ordinárias e extraordinárias.
traorçamentária sob pena do Estado duplicar sua receita.
Interessante lembrar que uma receita extraorçamentária pode- Receitas ordinárias: ingressos permanentes e estáveis do
rá se converter em receita orçamentária, a partir do momento que Estado, arrecadados regularmente em cada período financeiro, ou
se constatar que não caracteriza mais uma obrigação a pagar. seja, possuem caráter de continuidade, sendo fonte perene de re-
cursos para o Estado.
Características dos ingressos orçamentários Receitas extraordinárias: ingressos com caráter de não con-
Registrados como receita orçamentária corrente ou de capital; tinuidade, a sua arrecadação acontece de maneira excepcional,
financiam as despesas orçamentárias; geram desembolsos orça- provenientes de calamidade pública, doações etc.
mentários; seguem as classificações econômicas, institucionais e Tome nota: as receitas, quanto à coercitividade, classificam-
por fonte de recursos; tem caráter permanente; pertencem ao Es- -se em originárias e derivadas.
tado.
Receita originária: consiste na receita proveniente da explo-
Características dos ingressos extraorçamentários ração do patrimônio público, ou seja, é produzida pelos ativos do
registrados como passivo financeiro; não financiam as despe- Estado. O Estado atua como particular por meio da exploração de
sas orçamentárias; geram desembolsos extraorçamentários; não atividades privadas, exemplos: serviços comerciais, industriais,
passam pelos estágios da receita; seguem classificação contábil; aluguéis etc. A receita originária também é classificada na catego-
tem caráter temporário; pertencem a terceiros. ria receita corrente.

Didatismo e Conhecimento 36
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
Receitas derivadas: consiste na receita proveniente do exer- 7 – Transferências correntes;
cício do poder de tributar, do Estado, os rendimentos ou o patrimô- 9 – Outras receitas correntes.
nio da coletividade, essa receita é obtida pelo Estado em função da
sua soberania, por meio de tributos, indenizações e restituições. A Importante: o superávit do orçamento corrente, resultante do
receita derivada é classificada na categoria receita corrente. balanceamento dos totais das receitas e despesas correntes, apura-
Tome nota: as receitas, quanto ao poder de tributar, classifi- do no balanço orçamentário, não constituirá item de receita orça-
cam-se em federal, estadual e municipal. mentária.
Classifica as receitas segundo o poder de tributar que compete A Lei 4.320/64 não definiu os conceitos das origens de re-
a cada ente da federação, considerando e distribuindo as receitas ceitas correntes ou de capital, como, por exemplo, das receitas
obtidas como pertencentes aos respectivos entes, quais sejam: Go- tributárias, de contribuições, de alienações etc. Esses conceitos,
verno Federal, Estadual, do Distrito Federal e Municipal. bem como a classificação da natureza da receita, são atualmente
estabelecidos no manual de receita nacional.
Classificações legais da receita No entanto é importante destacar que a Lei 4.320/64 definiu o
A Lei 4.320/64, em seu artigo 11, classificou a receita orça- conceito de tributos como:
mentária em duas categorias: receitas correntes e receitas de ca- Art. 9.º [...] receita derivada instituída pelas entidades de di-
pital. reito público, compreendendo os impostos, as taxas e contribui-
ções nos termos da constituição e das leis vigentes em matéria
Observação: as receitas, quanto à categoria econômica, clas- financeira, destinando-se o seu produto ao custeio de atividades
sificam-se em: receitas correntes e receitas de capital. gerais ou específicas exercidas por essas entidades.
Receita tributária: são os ingressos provenientes da arreca-
Receitas correntes: são os recursos recebidos de outras pes- dação das receitas de impostos, taxas e contribuições de melhoria.
soas de direito público ou de direito privado, quando destinados a É uma receita privativa das entidades competentes para tributar:
atender despesas classificáveis em despesas correntes. As receitas União, estados, Distrito Federal e os municípios.
correntes se dividem em: tributárias, de contribuições, patrimonial, Receita de contribuições: são os ingressos provenientes de
agropecuárias, industrial, de serviços, de transferências correntes e contribuições sociais de intervenção no domínio econômico e de
outras receitas correntes. interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instru-
Receitas de capital: são recursos recebidos de outras pessoas mento de intervenção nas respectivas áreas.
de direito público ou de direito privado destinados a atender des- Receita patrimonial: é o ingresso proveniente de rendimen-
pesas classificáveis em despesas de capital e ainda o superávit do tos sobre investimentos do ativo permanente, de aplicações de dis-
orçamento corrente. Exemplo: alienação de bens, operações de ponibilidades em opções de mercado e outros rendimentos oriun-
crédito e amortização da dívida. dos de renda de ativos permanentes.
Atenção: o §2.º, artigo 11, da Lei 4.320/64 traz um conceito Receita agropecuária: é o ingresso proveniente da atividade
de receita de capital bastante explorado em provas, o que justifica ou da exploração agropecuária de origem vegetal ou animal.
a sua reprodução: Receita industrial: é o ingresso proveniente da atividade in-
§2.º São Receitas de Capital as provenientes da realização dustrial de extração mineral, de transformação, de construção e
de recursos financeiros oriundos de constituição de dívidas; da outras, provenientes das atividades industriais definidas como tal
conversão, em espécie, de bens e direitos; os recursos recebidos de pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
outras pessoas de direito público ou privado, destinados a atender Receita de serviços: é o ingresso proveniente da prestação
despesas classificáveis em Despesas de Capital e, ainda, o superá- de serviço de transporte, saúde, comunicação, portuário, armaze-
vit do Orçamento Corrente. nagem, de inspeção e fiscalização, judiciário, processamento de
Observação: as receitas correntes, por fonte, classificam-se dados, vendas de mercadorias e produtos inerentes a atividades da
em: receita tributária, de contribuição, patrimonial, agropecuária, entidade e outros serviços.
industrial, de serviços, transferências correntes e outras receitas Transferências correntes: é o ingresso proveniente de outros
correntes. órgãos ou entidades referentes a recursos pertencentes ao ente ou
entidade ou ao ente ou entidade transferidora, efetivados mediante
Importante: apesar de ser um pouco chato ficar decorando condições preestabelecidas ou mesmo em qualquer exigência, des-
essas classificações isso é um assunto bastante cobrado em con- de que o objetivo seja aplicação em despesas correntes.
cursos, então tente memorizá-las fazendo esquemas e lembre-se de Importante: para o ente, ou órgão transferidor, a transfe-
revisá-las antes da prova. rência do recurso é classificada como despesa e para o recebedor
A Lei 4.320/64, no seu artigo 11, §4.º estabelece que a classi- como receita.
ficação da receita deve obedecer ao seguinte esquema: Outras receitas correntes: são os ingressos provenientes de
outras origens não classificáveis nas subcategorias econômicas an-
Receitas correntes teriores.
1 – Receita tributária; Tome nota: as receitas de capital, por fonte, classificam-se
2 – Receita de contribuições; em: operações de crédito, alienação de bens, amortização da dívi-
3 – Receitas patrimoniais; da, transferências de capital e outras receitas de capital.
4 – Receita agropecuária; RECEITAS DE CAPITAL
5 – Receita industrial; 1 – Operações de crédito;
6 – Receita de serviços; 2 – Alienação de bens;

Didatismo e Conhecimento 37
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
3 – Amortização de empréstimos; considerada como orçamentária no exercício em que houve o re-
4 – Transferências de capital; sultado positivo ela é contabilizada como extraorçamentária para
5 – Outras Receitas de capital. que não haja duplicidade de receita.

Operações de crédito: é o ingresso proveniente da colocação Classificação institucional


de títulos públicos ou da contratação de empréstimos e financia- A classificação institucional da receita objetiva identificar as
mentos obtidos junto a entidades estatais, instituições financeiras, entidades ou unidades orçamentárias que, respondendo pela arre-
fundos etc. cadação, são detentoras das receitas. O fundamento legal da clas-
Regra de ouro: muito cobrada em concurso! O montante sificação está na disposição constitucional, que estabelece que o
previsto para as receitas de operações de crédito não poderá ser orçamento fiscal e o da seguridade social se referem aos poderes
superior ao das despesas de capital constantes do projeto de lei da União, seus fundos, órgãos e entidades da administração direta
orçamentária. e indireta.
Apesar do §2.º do artigo 12 da Lei 101/2000 (LRF) estar sus- Na União a classificação institucional da receita se divide em:
penso por força da ADI 2238, do STF, a regra de ouro continua • receitas do Tesouro são as receitas arrecadadas e admi-
em vigor porque ela está prevista também no artigo 167 da Cons- nistradas pelo Tesouro;
tituição Federal. Inclusive o motivo da ADI do §2.º do artigo 12 da • receitas diretamente arrecadadas por órgãos, unidades e
LRF é justamente porque a LRF extrapolou a CF, ou seja, a própria fundos da administração direta, são os recursos próprios dos ór-
constituição prevê exceção à regra de ouro e a LRF foi mais restri- gãos que podem ser arrecadados por eles mesmos ou pelo Tesouro;
ta e não observou nenhuma exceção. • receitas de órgãos, unidades e fundos da administração
A finalidade da regra de ouro é evitar o endividamento do Es- indireta, são as receitas das autarquias, fundações públicas, em-
tado, porém a regra comporta exceção. presas públicas e os fundos que integram os orçamentos, mesmo
Atenção: a CF prevê exceção à regra de ouro: as receitas de dependentes de transferência de recursos do Tesouro.
operações de crédito poderiam ser superiores às despesas de ca-
pital, desde que autorizadas, durante o exercício financeiro, me- Classificação por fontes de recursos
diante créditos suplementares ou especiais com finalidade precisa, A classificação da receita por fontes de recursos não está pre-
aprovados pelo Poder Legislativo por maioria absoluta. vista na Lei 4.320/64. Hoje essa classificação da receita é encon-
Alienação de Bens: é o ingresso de recursos provenientes da
trada na 1.ª edição do Manual da Receita Pública2. As fontes são
alienação de componentes do ativo permanente, ou seja, é a con-
divididas em cinco grupos:
versão em espécie de bens e direitos.
• Recursos do Tesouro – exercício corrente;
Atenção: o artigo 44 da LRF traz regra de suma importância
• Recursos de outras fontes – exercício corrente;
para concursos:
• Recursos do Tesouro – exercícios anteriores;
Art. 44. É vedada a aplicação da receita de capital derivada
• Recursos de outras fontes – exercícios anteriores;
da alienação de bens e direitos que integram o patrimônio público
• Recursos condicionados.
para o financiamento de despesa corrente, salvo se destinada por
lei aos regimes de previdência social, geral e próprio dos servido-
res públicos. Estágios da receita
Amortização de empréstimos: é o ingresso proveniente da A receita orçamentária passa por quatro estágios ou fases, que
amortização, ou seja, recebimento de valores referentes a parce- são: previsão, lançamento, arrecadação e recolhimento.
las de empréstimos ou financiamentos concedidos em títulos ou Atenção: os estágios da receita são: previsão, lançamento, ar-
contratos. recadação e recolhimento.
Transferências de capital: é o ingresso proveniente de outros
entes ou entidades referentes a recursos, pertencentes ao ente ou Previsão
entidade recebedora ou ao ente ou entidade transferidora, efetivado A previsão da receita, também conhecida como receita orçada,
mediante condições preestabelecidas ou mesmo sem qualquer é a estimativa de quanto se espera arrecadar durante o exercício
exigência, desde que o objetivo seja a aplicação em despesas de financeiro. Com base na estimativa da receita, o Governo planeja e
capital. define os gastos que comporão a LOA.
Outras receitas de capital: são os ingressos provenientes de A previsão começa com as definições das estimativas da re-
outras origens não classificáveis nas subcategorias econômicas ceita, no momento de elaboração da LOA, e encerra-se com o lan-
anteriores. çamento fiscal. No SIAF a previsão da receita é contabilizada pela
Atenção: o superávit do orçamento corrente é receita de capi- Nota de Lançamento por Evento (NL).
tal extraorçamentária. A Lei 101/2000 trouxe, em seu artigo 12, algumas regras que
O §3.º, do artigo 11, da Lei 4.320/64 estabelece que o superá- deverão ser adotadas quando da elaboração da previsão da receita:
vit do orçamento corrente, resultante do balanceamento dos totais • observar normas técnicas e legais;
das receitas e despesas correntes, apurado no balanço orçamentá- • considerar os efeitos das alterações na legislação, da va-
rio, não constituirá item da receita orçamentária. riação do índice de preços, do crescimento econômico ou de qual-
Mas por que o superávit do orçamento corrente é receita de quer outro fator relevante;
capital e ainda por cima receita extraorçamentária? Simples, o • acompanhar demonstrativos de evolução, nos últimos
superávit é considerado receita de capital porque normalmente é três anos, da projeção para os dois seguintes àquele a que se referi-
utilizado para cobrir déficit de capital. Como essa receita já foi rem, bem como da metodologia e das premissas utilizadas.

Didatismo e Conhecimento 38
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
Lançamento da arrecadação, segundo estágio da receita, é que deverá ocorrer
Em conformidade com o artigo 52 da Lei 4.320/64, as receitas a sua contabilização. A contabilidade pública apresenta diversas
previstas, referentes a impostos diretos e quaisquer outras rendas particularidades, entre as quais podemos citar o regime contábil
com vencimento determinado em lei, regulamentos ou contratos, misto, dessa forma adota-se o regime de caixa para a receita e o re-
sofrerão lançamentos. gime de competência para a despesa. Por hora basta sabermos que
Ainda o artigo 53, da citada lei, define lançamento como: diferentemente da contabilidade privada, a contabilidade pública
Art. 53. Ato da repartição competente, que verifica a proce- adota o regime de caixa para a receita, e que a inscrição da dívida
dência do crédito fiscal e a pessoa que lhe é devedora e inscreve o ativa constitui exceção ao regime de caixa da receita, voltaremos a
débito desta. este assunto em momento oportuno.
Porém esses artigos se tornaram ultrapassados, pela maior O regime contábil adotado pela contabilidade pública é o mis-
amplitude dada pelo artigo 142 e seguintes, da lei 5.172/66, que re- to, sendo de caixa para a receita e de competência para a despesa.
gula com maior amplitude a fase de lançamento, conforme segue: Os créditos da Fazenda Pública, de natureza tributária ou não
Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa tributária, serão escriturados como receita do exercício em que fo-
constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o rem arrecadados, nas respectivas rubricas orçamentárias.
procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do
fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tri- Recolhimento
butável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito O recolhimento compreende a entrega do produto da arreca-
passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. dação pelas referidas repartições e estabelecimentos bancários ao
Contudo, para efeitos de concurso, é bom conhecer as defini- Banco do Brasil para crédito da conta única do Tesouro, referente
ções constantes dos artigos 52 e 53 da Lei 4.320/64. à receita da União no Tesouro Nacional.
Assim, o estágio do lançamento consiste no procedimento ad- Importante: o recolhimento de todas as receitas far-se-á em
ministrativo onde se verifica a procedência do crédito fiscal, quem estrita observância ao princípio de unidade de tesouraria, vedada
e quando se deve pagar e inscreve em débito o contribuinte. qualquer fragmentação para criação de caixas especiais.
Portanto, pode-se concluir que somente as receitas tributárias
apresentarão o lançamento como estágio da receita, conquanto isso Dívida ativa (Lei 4.320/64, artigo 39 e Portaria 564/2004
torne compreensível o posicionamento de alguns doutrinadores, da STN)
A dívida ativa constitui-se em um conjunto de direitos ou cré-
sobre o lançamento não ser um estágio da receita, deve-se levar
ditos de natureza tributária ou não tributária, em favor da Fazenda
em conta, para efeito de concurso, o posicionamento das bancas
Pública, com prazos estabelecidos na legislação pertinente, venci-
examinadoras que entendem que dentre as receitas orçamentárias
dos e não pagos pelos devedores, ou seja, são os créditos da Fazen-
a mais expressiva é a receita de tributos – impostos, taxas e con-
da exigíveis pelo transcurso do prazo para pagamento.
tribuições – admitindo-se, portanto, falar em lançamento como
Atenção: dívida ativa são os créditos da Fazenda Pública ven-
estágio da receita.
cidos e não arrecadados.
Atenção: na 1.ª edição do Manual de Receita Nacional o lan-
Dívida ativa tributária: é o crédito da Fazenda Pública pro-
çamento é considerado estágio da receita, porém o próprio manual veniente da obrigação legal relativa a tributos e respectivos adicio-
faz a seguinte ressalva: “Algumas receitas não percorrem o está- nais e multas.
gio do lançamento, conforme se depreende pelo artigo 52 da Lei Dívida ativa não tributária: são os demais créditos da Fa-
4.320/64: são objeto de lançamento os impostos diretos e quais- zenda Pública tais como os provenientes de empréstimos compul-
quer outras rendas com vencimento determinado em lei, regula- sórios; contribuições estabelecidas em lei; multas de qualquer ori-
mento ou contrato.” Portaria Conjunta 02/2007-STN/SOF, atuali- gem ou natureza, exceto as tributárias; foros; laudêmios; aluguéis
zada pela Portaria Conjunta 01/2008-STN/SOF, p. 32. ou taxas de ocupação; custas processuais; preços de serviços pres-
Então: na prova deve-se ter cuidado com a forma como a tados por estabelecimentos públicos; indenizações; reposições;
questão aborda o tema, se a questão afirmar que todas as receitas alcances dos responsáveis definitivamente julgados, bem como os
passam pelo estágio do lançamento, entendemos que a questão es- créditos decorrentes de obrigações em moeda estrangeira, de sub-
tará incorreta, porém se a questão falar de forma genérica entende- -rogação de hipoteca, aval, outras garantias de contratos em geral
mos que a questão está correta. e outras obrigações legais.
Importante: o estágio de lançamento aqui tratado não pode Importante: a dívida ativa goza da presunção de certeza e
ser confundido com o lançamento contábil. liquidez, e equivale a prova pré-constituída contra o devedor.
Esses créditos somente serão inscritos, na forma da legislação
Arrecadação própria, como dívida ativa depois de apurada a sua liquidez e cer-
Atenção: a arrecadação e o recolhimento são estágios de exe- teza. Essa certeza não é absoluta, mas sim relativa, ou seja, admite
cução da receita. prova em contrário por parte do sujeito passivo, contribuinte de
A arrecadação é o momento em que os contribuintes compare- fato ou de direito.
cem perante os agentes arrecadadores e realizam o pagamento dos O §5.º, do artigo 39, da Lei 4.320/64 determina que a dívida
seus tributos ou outros débitos com o Estado. Considerando que o ativa será apurada e inscrita na procuradoria da Fazenda Nacional
artigo 35 da Lei 4.320/64 define que pertencem ao exercício finan- e, por força da CF, na União, a Procuradoria-Geral da Fazenda Na-
ceiro as receitas nele legalmente arrecadadas, conclui-se que é no cional (PGFN) é responsável pela apuração da liquidez e certeza
momento da arrecadação que se inicia a realização da receita. Des- dos créditos da União, tributários ou não; já a LC 73/93 atribuiu
sa forma, em atendimento ao regime de caixa adotado pela conta- aos órgãos jurídicos das autarquias e fundações públicas a mesma
bilidade pública para o registro da receita, somente no momento competência em relação à sua dívida ativa.

Didatismo e Conhecimento 39
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
Atenção: a inscrição da dívida ativa é um fato de natureza Pode-se definir Despesa Pública, no gasto ou no dispêndio de
extraorçamentária e provoca um aumento no patrimônio líquido bens por parte dos entes públicos para criarem ou adquirirem bens
representado por uma conta de variação patrimonial aumentativa, ou prestarem serviços susceptíveis de satisfazer necessidades pú-
como uma superveniência ativa (acréscimo patrimonial). blicas; elas concretizam o próprio fim da atividade financeira do
Depois de inscrita a dívida ativa na respectiva repartição pú- Estado – satisfação de necessidades.
blica esse direito poderá ser recebido ou cancelado. Caso a dívida
ativa seja recebida, ela será escriturada como receita orçamentária Evolução e efeitos económicos
corrente em rubrica própria, mais precisamente como outras re-
De modo com a natureza económica das despesas e tendo em
ceitas correntes, desdobradas em tributárias e não tributárias. Em
decorrência do recebimento da receita da dívida ativa será neces- conta as interfaces entre economia e as finanças podemos falar de
sário registrar a baixa do direito, cujo título é dívida ativa, a baixa três tipos de despesa pública, a saber:
desse direito será um fato orçamentário, uma mutação patrimonial. a) Despesas de Investimento, são as que contribuem para a
Caso ocorra o cancelamento, anistia, ou quaisquer outros valo- formação de capital – técnico – do Estado;
res que representem diminuição dos valores originalmente inscri- b) Despesa de Funcionamento, consubstanciam os gastos ne-
tos em dívida ativa, mas que não decorram do efetivo recebimento, cessários ao normal funcionamento da “máquina” administrativa.
o direito será baixado como desincorporação extraorçamentária, c) Despesas em Bens e Serviços, são as que asseguram a
provocando uma redução no patrimônio líquido representado por criação de utilidades, através da compra de bens e serviços pelo
uma conta de variação patrimonial diminutiva, ou seja, uma insub- Estado; enquanto que as Despesas de Transferências, se limitam
sistência do ativo ou superveniência passiva. a redistribuir recursos a novas entidades, quer do sector público,
A contabilização da dívida ativa é uma das questões com alta
quer do sector privado.
incidência em concurso, mesmo naqueles não voltados para for-
mados em contabilidade. d) Despesas Produtivas criam diretamente utilidade; as Des-
É sempre bom lembrar que a dívida ativa faz parte do ativo, ou pesas Reprodutivas, contribuem para o aumento da capacidade
seja, não é uma dívida do Estado, mas um direito seu. Possui esse produtiva, gerando pois, utilidades acrescidas, mas no futuro.
nome porque é uma dívida dos contribuintes com o Estado.
Classificação das despesas públicas
3.6 DESPESA PÚBLICA: CATEGORIAS, ESTÁGIOS. a) Despesas Ordinárias, são as que, com grande
verossimilhança, se repetirão em todos os períodos financeiros; as
Despesa pública  é o conjunto de dispêndios realizados Despesas Extraordinárias, são as que não se repetem todos os anos,
pelos entes públicos para custear os serviços públicos (despesas são difíceis de prever, não se sabendo quando voltarão a repetir-se.
correntes) prestados à sociedade ou para a realização de
b) Despesas Correntes, são as que o Estado faz, durante um
investimentos (despesas de capital).
As despesas públicas devem ser autorizadas pelo Poder legis- período financeiro, em bens consumíveis, ou que vão traduzir
lativo, através do ato administrativo chamado orçamento público. na compra de bens consumíveis; as Despesas de Capital, são as
Exceção são as chamadas despesas extraorçamentárias. realizadas em bens duradouros e no reembolso de empréstimos.
As despesas públicas devem obedecer aos seguintes requisi- c) Despesas Efetivas, são as que se traduzem, sempre, numa
tos: diminuição do património monetário do Estado, quer se trate de
• utilidade (atender a um número significativo de pessoas) despesas em bens de consumo, quer em bens duradouros, impli-
• legitimidade (deve atender uma necessidade pública real) cam sempre uma saída efetiva e definitiva de dinheiros da tesoura-
• discussão pública (deve ser discutida e aprovada pelo Po- ria; Despesas Não Efetivas, são as que, embora representem uma
der Legislativo e pelo Tribunal de Contas) diminuição do património da tesouraria, têm, como contrapartida,
• possibilidade contributiva  (possibilidade da população o desaparecimento de uma verba de idêntico valor do passivo pa-
atender à carga tributária decorrente da despesa)
trimonial.
• oportunidade
• hierarquia de gastos d) Despesas Plurianuais são aquelas cuja efetividade se pro-
• deve ser estipulada em lei longa por mais de um ano; as Despesas Anuais são as que se não
prolongam por mais de um ano.
É a aplicação de certa quantia, em dinheiro, por parte
da autoridade ou agente público competente, dentro de uma Classificação orçamental das despesas
autorização legislativa, para a execução de fim a cargo do governo. São quatro as classificações orçamentais, art. 8º/2 Lei 6/91:
• Nem todo desembolso de recursos do caixa do governo re- a) Orgânica: as despesas repartem-se por departamentos da
presenta despesa. Pois a restituição de ingresso extraorçamentário, Administração; por serviços, etc.
tem natureza de desembolso extraorçamentário, como exemplo: b) Económica: distinguem-se as despesas correntes e de ca-
devolução de depósito em caução.
pital, umas e outras descriminadas por agrupamentos, suba grupa-
• Observação: Desembolso extraorçamentário: restituição de
tributos, em regra. mentos e rubricas.
c) Funcional: as despesas são aqui agrupadas de acordo com
Obter e dispor de dinheiros públicos, como afetá-los, distin- a natureza das funções exercidas pelo Estado, tendo-se adoptado
gui-los ou despendê-los não é mais do que a realização da receita para o efeito o modelo do Fundo Monetário Internacional.
e da despesa orçamental, já que, ao nível da gestão financeira pú- d) Despesas por Programas: um programa de despesas é um
blica, é esta terminologia – a das receitas e despesas – que está conjunto de verbas destinadas à realização de determinado objeti-
legalmente consagrada. vo, abrangendo um ou vários projetos.

Didatismo e Conhecimento 40
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
ESTÁGIOS DA DESPESA A finalidade do suprimento de fundos é de atender a despesas
Estágios da despesa são etapas que devem ser observadas na que não possam aguardar o processo normal, ou seja, é exceção
realização da despesa pública. São estágios da despesa pública o quanto à não realização de procedimento licitatório. O suprimento
empenho, a liquidação e o pagamento. de fundos (adiantamento) está pautado na seguinte legislação:
O empenho é o primeiro estágio da despesa pública. É ato - arts. 68 e 69, da Lei nº 4.320/1964;
emanado de autoridade competente que cria, para o Estado, obriga- - art. 74, § 3º, do Decreto-Lei nº 200/1967;
ção de pagamento pendente, ou não, de implemento de condição. - arts. 45 a 47 do Decreto nº 93.872/86 com as alterações do
É a garantia de que existe o crédito necessário para a liquidação Decreto nº 95.804/1988;
de um compromisso assumido. O empenho da despesa não poderá - Decreto nº 941/1993
exceder o limite dos créditos concedidos. É vedada a realização de - Decreto nº 5.355/2005;
despesa sem prévio empenho. - Portaria nº 492/1993 do Ministério da Fazenda.
A Nota de Empenho é o documento utilizado para registrar as Conforme estabelece o Decreto nº 93.872, de 23 de dezem-
operações que envolvem despesas orçamentárias realizadas pela bro de 1986, Capítulo III, Seção V, o suprimento de fundos é um
Administração Pública federal, ou seja, o comprometimento de instrumento de exceção que, a critério do ordenador de despesas e
despesa, seu reforço ou anulação, indicando o nome do credor, sob sua inteira responsabilidade, poderá ser concedido suprimento
a especificação e o valor da despesa, bem como a dedução desse de fundos (adiantamento) a servidor, sempre precedido de empe-
valor do saldo da dotação própria. nho na dotação própria às despesas a realizar, e que não possam
A liquidação é o segundo estágio da despesa pública. É o pro- subordinar-se ao processo normal de aplicação. Poderá ser conce-
cedimento realizado sob a supervisão e responsabilidade do orde- dido nos seguintes casos:
nador de despesas para verificar o direito adquirido pelo credor, ou - para atender despesas eventuais, inclusive em viagens e com
seja, que a despesa foi regularmente empenhada e que a entrega serviços especiais, que exijam pronto pagamento em espécie;
do bem ou serviço foi realizada de maneira satisfatória, tendo por - quando a despesa deva ser feita em caráter sigiloso, con-
base os títulos e os documentos comprobatórios da despesa. Essa forme se classificar em regulamento; e - para atender despesas de
verificação tem por fim apurar: a) a origem e o objeto do que se pequeno vulto, assim entendidas aquelas cujos valores, em cada
deve pagar; b) a importância exata a pagar; e c) a quem se deve caso, não ultrapassar os limites estabelecidos em Portaria do Mi-
pagar a importância, para extinguir a obrigação. nistério da Fazenda.
A Nota de Lançamento é o documento utilizado para registrar
a apropriação/liquidação de receitas e despesas, bem como outros OBJETO
atos e fatos administrativos. O regime de adiantamento, suprimento de fundos, é aplicável
O pagamento é o último estágio da despesa pública. É quan- aos casos de despesas expressamente definidos em lei e consiste
do se efetiva o pagamento ao ente responsável pela prestação do na entrega de numerário a servidor, sempre precedida de empenho
serviço ou fornecimento do bem, recebendo a devida quitação. Ca- na dotação própria, para o fim de realizar despesas que pela excep-
racteriza-se pela emissão do cheque ou ordem bancária em favor cionalidade, a critério do Ordenador de Despesa e sob sua inteira
do credor, facultado o emprego de suprimento de fundos, em casos responsabilidade, não possam subordinar-se ao processo normal
excepcionais. O pagamento da despesa só será efetuado quando de aplicação, nos seguintes casos:
ordenado após sua regular liquidação. • para atender despesas eventuais, inclusive em viagem e com
A Ordem Bancária é o documento utilizado para o pagamento serviços especiais, que exijam pronto pagamento em espécie;
de compromissos, bem como à liberação de recursos para fins de • quando a despesa deva ser feita em caráter sigiloso, confor-
adiantamento (suprimento de fundos). me se classificar em regulamento; e
• para atender despesas de pequeno vulto, assim entendidas
3.7 SUPRIMENTO DE FUNDOS. aquelas cujo valor, em cada caso, não ultrapassar limite estabeleci-
do em Portaria do Ministro da Fazenda;
SUPRIMENTO DE FUNDOS Os valores de um suprimento de fundos entregues ao suprido
Trata-se de considerações acerca dos procedimentos quanto à poderão relacionar-se a mais de uma natureza de despesa, desde
utilização de suprimento de fundos (adiantamentos) para despesas que precedidos dos empenhos nas dotações respectivas, respeita-
de pequeno vulto, no âmbito da Administração Pública. dos os valores de cada natureza.
Em face da necessidade de se haver um efetivo planejamento A concessão de suprimento de fundos deverá ocorrer por meio
quanto à gestão pública dos recursos diante das demandas surgi- do Cartão de Pagamento do Governo Federal, utilizando as contas
das, planejar é preciso. Porém, como em muitas vezes não se pode de suprimento de fundos somente em caráter excepcional, onde
imaginar todas as possibilidades dessas demandas, poderá ocor- comprovadamente não seja possível utilizar o cartão.
rer eventualidades (excepcionalidades) que terão de ser atendidas,
uma vez que o seu não atendimento poderá ocasionar prejuízos ou VALORES LIMITES PARA DESPESA DE PEQUENO
consequências desastrosas à Administração. VULTO
Ao ocorrer uma eventualidade, e houver a necessidade de Limites para suprimento de fundos mediante Cartão de Paga-
atendê-la, de maneira rápida, não podendo aguardar o processo mento do Governo Federal:
normal (procedimento licitatório), uma das possibilidades é aten- O limite máximo para a concessão de suprimento por meio
dê-la por meio de um procedimento denominado concessão de su- do Cartão de Pagamento do Governo Federal, quando se tratar de
primento de fundos. despesa de pequeno vulto:

Didatismo e Conhecimento 41
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
• para obras e serviços de engenharia será o correspondente a LIMITES ORÇAMENTÁRIOS E FINANCEIROS
10% (dez por cento) do valor estabelecido na alínea “a” (convite) do Do Limite Orçamentário e Financeiro de Suprimento de Fun-
inciso “I” do artigo 23, da Lei 8.666/93, alterada pela Lei 9.648/98; dos - Cartão de Pagamento do Governo Federal - CPGF
• para outros serviços e compras em geral, será o correspon- O limite definido pelo Ordenador de Despesa para registro no
dente a 10% (dez por cento) do valor estabelecido na alínea “a” Cartão de Pagamentos do Governo Federal, referente ao limite de
(convite) do inciso “II” do artigo 23, Lei 8.666/93, alterada pela gasto total da Unidade Gestora Titular e de cada um dos portado-
Lei 9.648/98. res de cartão por ele autorizado, deverá subordinar-se ao limite
O limite máximo para realização por despesa de pequeno vulto orçamentário.
em cada NOTA FISCAL/FATURA/RECIBO/CUPOM FISCAL: A unidade gestora não poderá realizar despesas sem a previ-
• na execução de obras e serviços de engenharia, será o cor- são de recursos financeiros que assegurem o pagamento da fatura
respondente a 1% (um por cento) do valor estabelecido na alínea no seu vencimento.
“a” do inciso “I” (convite) do artigo 23, da Lei 8.666/93, alterada Os valores pagos referentes à multa/juros por atraso no pa-
pela Lei 9.648/98; gamento da fatura deverão ser ressarcidos ao erário público pelo
• nos outros serviços e compras em geral, será de 1% (um por ordenador de despesa ou quem der causa, após apuração das res-
ponsabilidades.
cento) do valor estabelecido na alínea “a” (convite) do inciso “II”
O limite orçamentário fundamenta-se na existência de dota-
do artigo 23, Lei 8.666/93, alterada pela Lei 9.648/98.
ção orçamentária nas naturezas de despesa específicas do objeto
Limites para suprimento de fundos mediante depósito em con-
da concessão do suprimento de fundos. É irregular a concessão
ta corrente: de suprimento utilizando-se natureza de despesa diferente do ob-
O limite máximo para a concessão de suprimento por meio jeto do suprimento de fundos, sendo fato de restrição contábil e
de conta corrente, quando se tratar de despesa de pequeno vulto: apuração de responsabilidade, mesmo que haja posteriormente a
• para obras e serviços de engenharia será o correspondente a regularização.
5% (cinco por cento) do valor estabelecido na alínea “a” (convi-
te) do inciso “I” do artigo 23, da Lei 8.666/93, alterada pela Lei PROPOSTA DO SUPRIMENTO DE FUNDOS
9.648/98; A proposta de concessão de suprimento de fundos deverá con-
• para outros serviços e compras em geral, será o correspon- ter:
dente a 5% (cinco por cento) do valor estabelecido na alínea “a” • a finalidade;
(convite) do inciso “II” do artigo 23, Lei 8.666/93, alterada pela • a justificativa da excepcionalidade da despesa por suprimen-
Lei 9.648/98. to de fundos, indicando fundamento normativo;
O limite máximo para realização de despesa de pequeno vulto • a especificação da ND - Natureza da Despesa e do PI – Plano
em cada NOTA FISCAL/FATURA/RECIBO/CUPOM FISCAL: Interno, quando for o caso; e
• na execução de obras e serviços de engenharia, será o cor- • indicação do valor total e por cada natureza de despesa.
respondente a 0,25% (vinte e cinco centésimos por cento) do valor
estabelecido na alínea “a” do inciso “I” (convite) do artigo 23, da CONCESSÃO DO SUPRIMENTO DE FUNDOS
Lei 8.666/93, alterada pela Lei 9.648/98; Concessão do Suprimento de Fundos – Cartão de Pagamento
• nos outros serviços e compras em geral, será de 0,25% (vinte do Governo Federal - CPGF
e cinco centésimos por cento) do valor estabelecido na alínea “a” O limite de gasto do cartão será concedido de acordo com o
(convite) do inciso “II” do artigo 23, Lei 8.666/93, alterada pela valor constante no ato de concessão de suprimento de fundos e
Lei 9.648/98. revogado tão logo o prazo de utilização seja expirado.
Considerações comuns acerca dos limites da despesa de pe- Na concessão serão estabelecidos os valores de gasto para a
queno vulto: modalidade de fatura e de saque, necessitando de justificativa, se
autorizado algum valor na modalidade de saque.
• É vedado o fracionamento de despesa ou do documento
Todo o procedimento de concessão de suprimento de fundos
comprobatório, para adequação dos valores constantes dos limites
por meio de limite de gasto do cartão deve ser repetido a cada nova
máximos para realização de despesa de pequeno vulto em cada
concessão, bem como a revogação do limite de gasto do cartão,
FISCAL/FATURA/RECIBO/CUPOM FISCAL. após expiração do prazo de utilização.
• O fracionamento da despesa não é caracterizado pela mesma
classificação contábil em qualquer dos níveis, mas por aquisições Concessão do Suprimento de Fundos – depósito em conta cor-
de mesma natureza física e funcional. rente
• Considera-se indício de fracionamento, a concentração ex- Quando, em caráter excepcional, o suprimento de fundos for
cessiva de detalhamento de despesa em determinado subitem, bem concedido na modalidade de depósito em conta corrente, o valor
como a concessão de suprimento de fundos a vários supridos si- da Ordem Bancária para crédito na conta corrente de suprimento
multaneamente. de fundos será concedido com fundamento na autorização da so-
• O valor do Suprimento de Fundos inclui os valores referen- licitação de concessão de suprimento de fundos, devendo o saldo
tes às Obrigações Tributárias e de Contribuições, não podendo em residual ser devolvido pelo suprido, por meio de GRU, tão logo o
hipótese alguma ultrapassar os limites estabelecidos, seus subitens prazo de utilização seja expirado.
e incisos, quando se tratar de despesas de pequeno vulto. Todo o procedimento de concessão de suprimento de fundos
• Excepcionalmente, a critério da autoridade de nível minis- por meio de depósito em conta corrente deve ser repetido a cada
terial, desde que caracterizada a necessidade em despacho funda- nova concessão, bem como a devolução do saldo residual existen-
mentado, poderão ser concedidos suprimentos de fundos em valo- te na conta corrente de suprimento de fundos, após expiração do
res superiores aos fixados neste capítulo. prazo de utilização.

Didatismo e Conhecimento 42
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
Considerações comuns acerca da concessão de suprimento de Se o valor do saque exceder ao da despesa a ser realizada, o
fundos• Ao conceder o suprimento de fundos a autoridade com- valor excedente deverá ser devolvido, por intermédio da GRU, có-
petente determinará a emissão do empenho, ou fará referência ao digo de recolhimento 68808-8 – anulação de despesa no exercício,
empenho estimativo, solicitando a anexação de uma cópia da NE no prazo máximo de três dias úteis a partir do dia seguinte da data
- Nota de Empenho - à proposta de concessão de suprimento. do saque, diminuindo o valor do suprimento a ser utilizado.
Em se tratando de suprimento de fundos para contratação de Caso algum valor em espécie permaneça com o suprido sem
serviços prestados por pessoa física, deve ser emitida nota de em- justificativa formal, por prazo maior que o indicado no item acima,
penho, na natureza de despesa 3.3.90.47 – Obrigações Tributárias autoridade competente deverá apurar responsabilidades.
e de Contribuições, visando atender as despesas com contribuição Nos casos em que o suprido ausentar-se por prazos extensos
previdenciária patronal, observando que o valor do suprimento de ou estiver impossibilitado de efetuar saques por períodos longos,
fundos inclui os valores referentes às Obrigações Tributárias e de poderá permanecer com valores em espécie acima do prazo de três
Contribuições, não podendo, em hipótese alguma ultrapassar os dias úteis a partir do dia seguinte da data do saque, justificando
limites estabelecidos para a concessão do Suprimento de Fundos, formalmente as circunstâncias que impediram os procedimentos
quando se tratar de despesas de pequeno vulto. normais.
Do ato de concessão de suprimento de fundos constará, obri-
gatoriamente: RESTRIÇÕES AO SUPRIDO
• Prazo máximo para utilização dos recursos; Não se concederá suprimento de fundos:
• Prazo para prestação de contas; e • a responsável por dois suprimentos;
• Sistemática de pagamento, se somente fatura, ou também • a servidor que tenha a seu cargo a guarda ou a utilização
saque, quando for movimentado por meio do Cartão de Pagamento do material adquirir, salvo quando não houver na repartição outro
do Governo Federal. servidor;
• A cada concessão de suprimento de fundos, seja qual for o • a responsável por suprimento de fundos que, esgotado o
meio de pagamento, deverá haver a identificação da motivação do prazo, não tenha prestado contas de sua aplicação; e
ato, esclarecendo as demandas da unidade, e a definição de valores • a servidor declarado em alcance, entendido como tal o
que não prestou contas no prazo regulamentar ou o que teve suas
compatíveis com a demanda, vinculando o gasto com o suprimen-
contas recusadas ou impugnadas em virtude de desvio, desfalque,
to de fundos.
falta ou má aplicação dos recursos recebidos.
ENTREGA DO NUMERÁRIO
3.8 RESTOS A PAGAR.
Entende-se por entrega do numerário a disponibilização de re-
curso financeiro para realização dos gastos, seja por limite lança-
Os restos a pagar constituem compromissos financeiros exi-
do no Cartão de Pagamento do Governo Federal, por depósito em
gíveis que compõem a dívida flutuante e podem ser caracteriza-
conta corrente ou por posse de valor em espécie.
dos como as despesas empenhadas, mas não pagas até o dia 31
de dezembro de cada exercício financeiro. A Inscrição em Restos
UTILIZAÇÃO DOS RECURSOS a Pagar decorre da observância do Regime de Competência para
Na utilização do Suprimento de Fundos observar-se-ão as as despesas.
condições e finalidades previstas no ato da concessão. Portanto, as despesas empenhadas, não pagas até o dia 31 de
O prazo máximo para aplicação do suprimento de fundos será dezembro, não canceladas pelo processo de análise e depuração
de até 90 (noventa) dias a contar da data do ato de concessão do e, que atendam os requisitos previstos em legislação específica,
suprimento de fundos, e não ultrapassará o término do exercício devem ser inscritas em Restos a Pagar, pois se referem a encargos
financeiro. incorridos no próprio exercício.
A entrega do numerário, sempre precedida de empenho (or- De acordo com o art. 36 da Lei nº 4.320, de 17 de março de
dinário ou estimativo) na dotação própria das despesas a realizar, 1964, que estatui normas gerais de direito financeiro para elabora-
será feita: ção e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados,
• mediante crédito em conta corrente específica (OBC); dos Municípios e do Distrito Federal, consideram-se Restos a Pa-
• em espécie e pelo seu valor total (OBP); garas despesas, nos seguintes termos:
• mediante concessão de limite de gasto no Cartão de Paga- “Art. 36. Consideram-se Restos a Pagar as despesas empenha-
mento do Governo Federal. das mas não pagas até o dia 31 de dezembro, distinguindo-se as
Quando a entrega do numerário for mediante limite do Cartão processadas das não processadas.”
de Pagamento, a despesa deve ser efetuada por meio de pagamento Há uma grande diferença entre restos a pagar e obrigações a
a um estabelecimento afiliado, utilizando-se a modalidade de fatu- pagar. A classificação obrigações a pagar é “gênero”, envolvendo
ra. Somente na impossibilidade da utilização em estabelecimento qualquer valor que represente uma exigibilidade de terceiros con-
afiliado é que deve haver o saque, desde que autorizado em cada tra o patrimônio do órgão. Podem ser oriundas da execução do
concessão de suprimento de fundos, sempre sendo evidenciado orçamento da receita, da despesa e de fatos extraorçamentários.
que se trata de procedimento excepcional e carente de justificativa Restos a Pagar é um termo utilizado pela Lei nº 4.320/64 para re-
formal. presentar os valores pendentes de pagamento oriundos da emissão
Quando o suprido efetuar saques da conta corrente ou por de empenhos, ou seja, os Restos a Pagar têm origem no orçamento
meio do Cartão de Pagamento do Governo Federal, o valor do sa- da despesa, devendo esse termo ser utilizado apenas para repre-
que deverá ser o das despesas a serem realizadas. sentar os valores da despesa empenhada e não paga ao final do

Didatismo e Conhecimento 43
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
exercício financeiro de emissão do empenho. Dessa forma podem Aquelas dívidas que dependem de requerimento do favore-
representar Restos a pagar as seguintes contas: fornecedores, pes- cido para reconhecimento do direito do credor, prescreverão em
soal a pagar e encargos sociais a recolher, conforme estabelecido cinco anos, contados da data do ato ou fato que tiver dado origem
no Manual do Sistema Integrado de Administração Financeira do ao respectivo direito.
Governo Federal - SIAFI.
No entanto, seu uso tem sido desvirtuado por grande parte dos Forma de Solicitação:
entes governamentais, que acabam por inscrever entre eles valores Cabe ao Secretário de Orçamento, Finanças e Contabilidade
de bens e serviços a serem adquiridos no futuro, não sendo ade- reconhecer a dívida a ser paga à conta de recursos alocados no
quado, neste caso, o registro da obrigação, ainda que derivantes de elemento de despesa 92 - Despesas de Exercícios Anteriores, con-
contratos já assinados, pois há um direito incondicional de com- forme subdelegação de competência contida na Portaria nº1/2003
pensação, haja vista que comprador e vendedor ainda não desem- da Secretária-geral de Administração – SEGEDAM. A autorização
penharam os serviços. para pagamento de DEA deverá ser dada no próprio processo de
Cumpre lembrar que o não pagamento no exercício de despe- reconhecimento da dívida, sendo que os seguintes elementos são
sas nele empenhadas não compromete o equilíbrio orçamentário indispensáveis ao trâmite do processo:
estabelecido no art. 35 da Lei nº4.320, de 1964. • nome do favorecido;
“Art. 35. Pertencem ao exercício financeiro: I - as receitas nele • importância a pagar;
arrecadadas; II - as despesas nele legalmente empenhadas.” • data do vencimento do compromisso (nota fiscal, por
Assim, as despesas legalmente empenhadas, não pagas até exemplo);
o dia 31 de dezembro, não canceladas pelo processo de análise • causa da inobservância do empenho, se for o caso;
e depuração e que atendam os requisitos previstos em legislação • objeto.
específica, devem ser inscritas contabilmente como obrigações a
pagar do Estado junto a seus credores. Após encaminhamento do processo pela unidade de origem
à SECOF para reconhecimento da dívida e publicação do extrato
3.9 DESPESAS DE EXERCÍCIOS ANTERIORES. do BTCU, o mesmo é dirigido, mediante despacho, ao serviço de
Programação Orçamentária e Financeira - SPR para análise e ins-
trução do pleito.
As Despesas de Exercícios Anteriores (DEA) referem-se às
dívidas reconhecidas para as quais não existe empenho inscrito
Unidade Responsável
em Restos a Pagar, seja pela sua anulação ou pela não emissão da
A Secretaria de Orçamento, Finanças e Contabilidade – SE-
nota de empenho no momento oportuno. Originam-se, assim, de
COF é responsável pelo reconhecimento.
compromissos gerados em exercício financeiro anterior àquele em
O conceito de dívida pública está relacionado com o conceito
que deva ocorrer o pagamento, para o qual o orçamento continha
de défice orçamental. Aliás, é em parte devido aos défices orça-
crédito próprio, com suficiente saldo orçamentário, mas que não
mentais que existe dívida pública.
tenham sido processados naquele momento. Imaginemos o caso de um Estado que, num determinado ano,
Assim, conforme especifica o Art. 37 da Lei nº 4.320/64, po- gasta 140 unidades monetárias, mas recebe apenas 100 unidades
derá ser pago a conta de dotação específica consignada no orça- em impostos. Feitas as contas no final do exercício, há um défice
mento da entidade devedora e discriminadas por elemento, obede- de 40 unidades que alguém terá que pagar.
cida, sempre que possível, a ordem cronológica: Como não tem receitas suficientes, o Estado recorre ao crédito
• as despesas de exercícios encerrados, para os quais o or- através da emissão de títulos de dívida designados por obrigações
çamento respectivo consignou crédito próprio, com saldo suficien- de dívida pública. Na prática, o que o Estado faz é pedir dinheiro
te para atendê-las, que não se tenham processado na época própria; emprestado em troca do pagamento periódico de uma taxa de juro
• Os restos a pagar com prescrição interrompida; até à maturidade do empréstimo, data em que devolverá também o
• Os compromissos reconhecidos após o encerramento do dinheiro emprestado. É uma mecânica ligeiramente diferente dos
exercício financeiro. créditos concedidos aos particulares, mas traduz-se no mesmo:
uma dívida. Só que neste caso é pública porque foi o Estado que
De acordo com o § 2º do Art. 22 do Decreto 93.872/86, con- a contraiu. Na prática, pode-se dizer que a dívida pública é todo o
sidera-se: dinheiro que o Estado deve a terceiros.
• despesas que não tenham sido empenhadas em época Não é necessariamente mau que o Estado tenha dívidas. O
própria – aquelas cujo empenho tenha sido considerado insub- crédito é uma fonte de crescimento económico se for gerido com
sistente e anulado no encerramento do exercício correspondente, prudência. Senão, vejamos: para financiar o défice, o Estado emite
mas que, dentro do prazo estabelecido o credor tenha cumprido dívida há 10 anos, por exemplo, e até lá paga apenas juros. Se a
sua obrigação; economia crescer a uma taxa superior à paga pelo empréstimo, este
• Restos a Pagar com prescrição interrompida – a despesa país não terá dificuldades em pagar a sua dívida. No entanto, num
cuja inscrição em Restos a Pagar tenha sido cancelada, mas em país já endividado e com fraco crescimento económico, os encar-
relação à qual ainda vige o direito do credor; gos com juros podem comprometer o crescimento da economia e
• Compromisso reconhecido após o encerramento do exer- o pagamento da dívida.
cício – a obrigação de pagamento criada em virtude de lei, mas
somente reconhecido o direito do reclamante após o encerramento
do exercício correspondente.

Didatismo e Conhecimento 44
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
3.10 CONTA ÚNICA DO TESOURO. Toda a receita arrecadada pela União deverá ser recolhida ao
caixa único do tesouro nacional;
A Conta Única do Tesouro Nacional, mantida no Banco Cen- Todas as receitas próprias, orçamentárias e extraorçamentá-
tral do Brasil, acolhe todas as disponibilidades financeiras da rias, de todos os órgãos e poderes da União também deverão ser
União, inclusive fundos, de suas autarquias e fundações. Consti- recolhidos á conta única do tesouro nacional;
tui importante instrumento de controle das finanças públicas, uma A STN é a responsável pela movimentação dos recursos e pela
vez que permite a racionalização da administração dos recursos regulamentação da conta única (programação finaceira);
financeiros, reduzindo a pressão sobre a caixa do Tesouro, além de A movimentação da conta única será efetuada pelos seguintes
agilizar os processos de transferência e descentralização financeira documentos do SIAF: Ordem Bancária - OB, DARF-Eletrônico
e os pagamentos a terceiros. - DF, GRPS – Eletrônica, Nota de Sistema - NS ou Nota de Lan-
O Decreto-Lei nº 200, de 25 de fevereiro de 1967, que pro- çamento - NL;
moveu a organização da Administração Federal e estabeleceu as O pagamento das despesas será feito mediante saques contra a
diretrizes para Reforma Administrativa, determinou ao Ministério conta do Tesouro Nacional.
da Fazenda que implementasse a unificação dos recursos movi-
mentados pelo Tesouro Nacional, através de sua Caixa junto ao Exercícios
agente financeiro da União, de forma a garantir maior economia
operacional e a racionalização dos procedimentos relativos a exe- 1. (ESAF/MPU – ANALISTA ORÇAMENTO/2004) No que
cução da programação financeira de desembolso. diz respeito à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) não se pode
Tal determinação legal só foi integralmente cumprida com afirmar que:
a promulgação da Constituição de 1988, quando todas as dispo- a) Orienta a elaboração da Lei Orçamentária Anual (LOA),
nibilidades do Tesouro Nacional, existentes nos diversos agentes bem com a sua execução;
financeiros, foram transferidas para o Banco Central do Brasil, em b) Estabelece diretrizes, objetivos e metas da Administração
Conta Única centralizada, exercendo o Banco do Brasil a função Pública para programas de duração continuada, sendo componente
de agente financeiro do Tesouro. básico do planejamento estratégico governamental;
As regras dispondo sobre a unificação dos recursos do Tesou- c) Compreende metas e prioridades da administração incluin-
ro Nacional em Conta Única foram estabelecidas pelo Decreto nº. do as despesas de capital para o exercício financeiros subsequente;
93.872, de 23 de dezembro de 1986. d) Dispõe sobre as alterações na legislação tributária;
Para atender ao princípio da unidade de tesouraria (ou unidade e) Estabelece a política de aplicação das agências de fomento;
de caixa) previstos nos decretos 200/67 (art. 92 e 93) e 93872/86
(arts. 01 a 08), na Lei 4320/64 (art. 56) e na CF 88 (§3º, art. 164), 2. (ESAF/ACE – TCU/2006) No que se refere à matéria or-
a União implantou a conta única do tesouro nacional. çamentária, a Constituição de 1988, em seu art. 165, determina que
A conta única é mantida no *Banco Central do Brasil (e não leis de iniciativa do Poder Executivo estabeleçam o Plano Pluria-
mais no banco do Brasil conforme previsto no decreto 200/67)* nual, as diretrizes orçamentárias e os orçamentos anuais. Identifi-
tendo a finalidade de acolher as disponibilidades financeiras da que a opção falso com relação ao tema.
União a serem movimentadas pelas Unidades Gestoras - UG da a) A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) consiste na lei
Administração Federal, Direta e Indireta e outras entidades in- que norteia a elaboração dos orçamentos anuais, compreendidos o
tegrantes do Sistema Integrado de Administração Financeira do orçamento fiscal, o orçamento investimento das empresas estatais
Governo Federal - SIAFI, na modalidade “on-line”. A operacio- e o orçamento da seguridade social.
nalização da Conta Única do Tesouro Nacional será efetuada por b) A Lei Orçamentária Anual (LOA) objetiva viabilizar a rea-
intermédio do Banco do Brasil S/A, ou, excepcionalmente, por lização das ações planejadas no Plano Plurianual e transformá-las
outros agentes financeiros autorizados pelo Ministério da Fazenda. em realidade.
Assim a conta única é mantida no Banco Central do Brasil, c) A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), sob forma de
tendo o Banco do Brasil S/A como agente financeiro e é adminis- projeto, deve ser encaminhada pelo Poder Executivo ao Poder
trada pela STN (secretaria do Tesouro Nacional. Legislativo, na esfera federal, até oito meses e meio antes do en-
A finalidade da conta única é acolher todas as disponibilida- cerramento do exercício financeiro (15 de abril) e devolvida para
des de caixa da União, porém existem algumas receitas que não sanção até o final do primeiro período da sessão legislativa (17 de
transitam nessa conta única, como por exemplo os rendimentos julho).
de aplicações financeiras de fundos e convênios que deverão ser d) O Plano Plurianual corresponde a um plano, por meio do
revertidas para as respectivas contas correntes. qual se procura ordenar as ações do governo que levem ao alcance
Por força do art. 5º, do decreto 93872/86 o pagamento de to- dos objetivos e das metas ficados para um período de três anos.
das as despesas deverá ser feito mediante saques contra a conta e) A Lei do Orçamento, sob forma de projeto, deve ser en-
do Tesouro Nacional, dentro dos limites autorizados pelo Ministro caminhada, no âmbito federal, até quatro meses antes do encer-
da Fazenda ou autoridade delegada (§ único do art. 92, do decreto ramento do exercício financeiro (31 de agosto) e devolvida para
200/67). sanção até o final da sessão legislativa.

A operacionalização da conta única será efetuada pelo Banco 3. (ESAF/TCE-GO/2007) O orçamento é um instrumento
do Brasil e, excepcionalmente, por outros agentes financeiros au- fundamental de governo e seu principal documento de políticas
torizados pelo Ministério da Fazenda; públicas. Por meio dele, os governantes selecionam prioridades,
decidindo como gastar os recursos extraídos da sociedade e como

Didatismo e Conhecimento 45
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
distribuí-los entre diferentes grupos sociais, conforme seu peso ou 6. (TCE-PI Auditor Contábil 2002) De acordo com a Consti-
força política. No que diz respeito a orçamento, indique a opção tuição Federal, a Lei de Diretrizes Orçamentárias tratará:
falsa. a) das despesas de capital, desde que mantidas em limites in-
a) O Plano Plurianual é um instrumento de planejamento no feriores às despesas de custeio.
qual são apresentados, de quatro em quatro anos, os objetivos e as b) das metas e prioridades da administração pública federal.
metas governamentais. c) dos limites à concessão de créditos adicionais.
b) A Constituição de 1988 trouxe inegável avanço na estrutura d) das alterações na legislação tributária a serem observadas
institucional que organizou o processo orçamentário brasileiro. após a aprovação da Lei Orçamentária do ano subsequente.
c) A Constituição de 1988 não só introduziu o processo de e) da política de aplicação das agências financeiras oficiais de
planejamento no clico orçamentário, medida tecnicamente impor- fomento vinculadas as políticas de saúde e educação.
tante, mas sobretudo, reforçou o Poder Legislativo.
7. (TCE-PI Auditor Contábil 2002) As seguintes frases: “o
d) Nas decisões orçamentárias, os problemas centrais de uma
que será feito além de manter o que já funciona”, “estima a receita
ordem democrática como representação estão presentes.
e despesa de toda a administração pública, inclusive a indireta,
e) A Constituição de 1988 indica que, por iniciativa do Poder dentre outras questões” e “detalha metas e prioridades para o exer-
Legislativo, devem ser estabelecidas, além do Plano Plurianual cício seguinte, dentre outras questões”, se referem, respectivamen-
(PPA), a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei Orçamen- te, a:
tária Anual (LOA). a) LOA, LDO e LDO.
b) LOA, PPA e LDO.
4. (ESAF/TCE-GO/2007) Sobre o orçamento anual, é correto c) PPA, LOA e LOA.
afirmar que: d) LDO, LDO e LOA.
a) Ele compreenderá, entre outros, o orçamento fiscal referen- e) PPA, LOA e LDO.
te aos três Poderes, seus fundos, órgãos e entidades da Adminis-
tração direta e indireta, inclusive fundações instituídas e mantidas 8. (ESAF/ANALISTA – ÁREA CONTROLE INTERNO –
pelo Poder Público; MPU/2004) No que diz respeito à Lei de Diretrizes Orçamentárias
b) O respectivo projeto de lei é de iniciativa privativa de cada (LDO) não se pode afirmar que:
um dos Poderes, relativamente ao seu próprio orçamento; a) dispõe sobre as alterações na legislação tributária.
c) O respectivo projeto de lei poderá ser acompanhado de de- b) orienta a elaboração da Lei Orçamentária Anual (LOA),
monstrativo regionalizado do efeito, sobre as receitas e despesas, bem como sua execução.
decorrente de isenções, anistias, remissões, subsídios e benefícios c) compreende as metas e prioridades da administração, in-
cluindo as despesas de capital para o exercício financeiro subse-
de natureza financeira, tributária e creditícia;
quente.
d) A sua respectiva lei não conterá dispositivo estranho à pre- d) estabelece diretrizes, objetivos e metas da administração
visão da receita e à fixação de despesa, incluindo-se nesta proi- pública para programas de duração continuada, sendo componente
bição a autorização para abertura de créditos suplementares e básico de planejamento estratégico governamental.
contratação de operações de crédito, ainda que por antecipação de e) estabelece a política de aplicação das agências oficiais de
receitas, nos termos da lei; fomento.
e) No caso da União, as emendas ao respectivo projeto de lei
somente podem ser aprovadas caso, ademais de compatíveis com 9. (ESAF/ANALISTA DE PLANEJAMENTO – SEFAZ-
o Plano Plurianual e com a Lei de Diretrizes Orçamentárias, indi- -SP/2009) O modelo de elaboração orçamentária, nas três esferas
quem os recurso necessários, excluindo aqueles provenientes de de governo, foi Sensivelmente afetado pelas disposições introduzi-
anulação de despesa. das pela Constituição Federal de 1988. Anualmente, o Poder Exe-
cutivo encaminha ao Poder Legislativo o projeto de Lei de Diretri-
5. (TCE-PI Auditor Contábil 2002) A afirmação “os créditos zes Orçamentárias (LDO), que contém:
adicionais, concedidos durante o exercício fiscal, visam a assegurar a) a receita prevista para o exercício em que se elabora a pro-
a continuidade dos programas previstos na Lei de Orçamento” é posta.
a) correta, somente para os casos em que a Lei de Orçamento b) a receita arrecadada nos três últimos exercícios anteriores
aprovada para o exercício preveja a concessão de créditos adicio- àquele em que se elaborou a proposta.
c) as metas e prioridades da administração pública, incluindo
nais.
as despesas de capital para o exercício financeiro subsequente.
b) parcialmente correta, pois há casos em que os créditos adi-
d) o orçamento fiscal, o orçamento da seguridade social e os
cionais são concedidos para atender a situações imprevistas ou investimentos das empresas.
emergenciais. e) a despesa realizada no exercício imediatamente anterior.
c) errada, uma vez que os créditos adicionais após a edição da
Lei de Responsabilidade Fiscal estão proibidos. 10. (ESAF/ANALISTA DE PLANEJAMENTO – SEFAZ-
d) errada, pois os créditos adicionais, quando aprovados, vi- -SP/2009) A Constituição da República confere ao orçamento a
sam exclusivamente atender às obrigações advindas de operações natureza jurídica de:
de crédito. a) lei de efeito concreto.
e) parcialmente correta, pois os créditos adicionais não são b) lei material.
concedidos durante o exercício fiscal, mas ao término deste. c) lei formal e material.
d) lei extraordinária.
e) lei abstrata.

Didatismo e Conhecimento 46
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
11. (ESAF/ANALISTA DE PLANEJAMENTO – SEFAZ- GABARITO
-SP/2009) O orçamento público pode ser entendido como um con-
junto de informações que evidenciam as ações governamentais, 1 B
bem como um elo capaz de ligar os sistemas de planejamento e 2 D
finanças. A elaboração da Lei Orçamentária Anual (LOA), segun- 3 E
do a Constituição Federal de 1988, deverá espelhar:
a) exclusivamente os investimentos. 4 B
b) as metas fiscais somente para as despesas. 5 B
c) a autorização para a abertura de créditos adicionais extraor- 6 B
dinários.
d) as estimativas de receita e a fixação de despesas. 7 E
e) a autorização para criação de novas taxas. 8 D
9 C
12. (FCC/ TÉCNICO JUDICIÁRIO – TJ-PI/2009) O Plano
10 A
Plurianual de um
Estado da Federação: 11 D
a) somente pode ser aprovado por lei complementar estadual. 12 C
b) deve ser elaborado por iniciativa da Assembleia Legislativa
13 C
Estadual, que o submeterá à sanção do Governador do Estado.
c) tem vigência até o final do primeiro exercício financeiro do 14 A
mandato governamental subsequente. 15 C
d) deve ser elaborado de cinco em cinco anos.
e) conterá as diretrizes, objetivos e metas da administração
pública estadual para as despesas correntes dos quatro anos de sua Prof. Bruna Pinotti Garcia.
vigência.
Advogada e pesquisadora. Sócia da EPS&O Consultoria
13. (FCC/ANALISTA – ÁREA ADMINISTRATIVA – Ambiental. Mestre em Teoria do Direito e do Estado pelo Centro
MPU/2007) É característica do orçamento base-zero: Universitário Eurípides de Marília (UNIVEM) - bolsista CAPES.
a) ênfase no acréscimo de gastos em relação ao orçamento Membro dos grupos de pesquisa “Constitucionalização do Direito
anterior. Processual” e “Núcleo de Estudos e Pesquisas em Direito e In-
b) decisões considerando as necessidades financeiras das uni- ternet”. Professora de curso preparatório para concursos. Autora
dades operacionais. de diversos artigos jurídicos publicados em revistas qualificadas e
c) justificativa, em cada ano, de todas as atividades a serem anais de eventos, notadamente na área do direito eletrônico.
desenvolvidas.
d) dissociação do conceito de planejamento e alocação de re-
cursos. 4 ÉTICA NO SERVIÇO PÚBLICO:
e) inexistência de mensuração dos resultados das atividades COMPORTAMENTO PROFISSIONAL,
desenvolvidas. ATITUDES NO SERVIÇO, ORGANIZAÇÃO DO
TRABALHO, PRIORIDADE EM SERVIÇO.
14. (FCC/TÉCNICO – ÁREA CONTROLE INTERNO -
MPU/2007) O tipo de orçamento cujas principais características
são a decisão de alocações de recursos baseada no volume de ne-
cessidades financeiras das unidades administrativas e o controle da De início, elaboramos uma nota explicativa a respeito do edi-
legalidade do cumprimento do disposto na lei orçamentária anual tal deste concurso público: ele opta por trazer conceitos genéricos
é o orçamento: correlatos à ética profissional em vez de delimitar as legislações
a) tradicional. específicas que tratam da matéria. Tais conceitos são extremamen-
b) base-zero. te ligados um ao outro, razão pela qual é mais coerente, em termos
c) programa. metodológicos, abordá-los em conjunto, não em divisões de sub-
d) de desempenho. tópicos. Determinadas regras deontológicas que serão estudadas se
e) pragmático. relacionam mais a uma ou outra dimensão deste conceito, embora
abranjam o todo da ética profissional ao menos indiretamente. No
15. (FCC/TÉCNICO – ÁREA CONTROLE INTERNO - entanto, vale trazer um breve conceito de cada um dos elementos
MPU/2007) O objetivo da classificação econômica no orçamento- descritos no título do tópico 10 do edital em estudo:
-programa é indicar: a) Comportamento profissional: conjunto de atitudes es-
a) o tipo de receita que financiará o gasto. peradas do servidor no exercício da função pública, consoli-
b) a unidade orçamentária beneficiária do recurso. dando a ética no cotidiano das atividades prestadas.
c) a natureza do gasto, se despesa corrente ou de capital. b) Atitudes em serviço: ações que o servidor toma quando
d) a ação do governo que se pretende implantar com o recurso. no desempenho de suas funções, acarretando benefícios quan-
e) as pessoas encarregadas de gerir os projetos. do cumpridoras da ética e prejuízos quando não.

Didatismo e Conhecimento 47
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
c) Organização do trabalho: estabelecimento de uma es- da ação dos homens e a consideração de valor como equivalente
trutura organizacional, inclusive com divisões de funções de uma medição do que é real e voluntarioso no campo das ações
numa cadeia hierárquica, de forma a otimizar a eficiência do virtuosas”2.
serviço público. É difícil estabelecer um único significado para a palavra ética,
d) Prioridade em serviço: atenção que o servidor público mas os conceitos acima contribuem para uma compreensão geral
deve dar àquele que o busca quando no exercício de suas fun- de seus fundamentos, de seu objeto de estudo.
ções de forma a gerar o sentimento de bem-estar e satisfação Quanto à etimologia da palavra ética: No grego existem duas
do cidadão e da própria sociedade, dado que sua ação deve vogais para pronunciar e grafar a vogal e, uma breve, chamada
estar voltada à promoção do bem comum. epsílon, e uma longa, denominada eta. Éthos, escrita com a vo-
Estabelecido isto, podemos partir para o estudo da ética pro- gal longa, significa costume; porém, se escrita com a vogal breve,
fissional, desde suas premissas históricas. éthos, significa caráter, índole natural, temperamento, conjunto das
A ética é composta por valores reais e presentes na socieda- disposições físicas e psíquicas de uma pessoa. Nesse segundo sen-
de, a partir do momento em que, por mais que às vezes tais valo- tido, éthos se refere às características pessoais de cada um, as quais
res apareçam deturpados no contexto social, não é possível falar determinam que virtudes e que vícios cada indivíduo é capaz de
em convivência humana se esses forem desconsiderados. Entre praticar (aquele que possuir todas as virtudes possuirá uma virtude
tais valores, destacam-se os preceitos da Moral e o valor do justo plena, agindo estritamente de maneira conforme à moral)3.
(componente ético do Direito). A ética passa por certa evolução natural através da história,
Se, por um lado, podemos constatar que as bruscas transfor- mas uma breve observação do ideário de alguns pensadores do
mações sofridas pela sociedade através dos tempos provocaram passado permite perceber que ela é composta por valores comuns
uma variação no conceito de ética, por outro, não é possível negar desde sempre consagrados.
que as questões que envolvem o agir ético sempre estiveram pre- Entre os elementos que compõem a Ética, destacam-se a Mo-
sentes no pensamento filosófico e social. ral e o Direito. Assim, a Moral não é a Ética, mas apenas parte dela.
Aliás, uma característica da ética é a sua imutabilidade: Neste sentido, Moral vem do grego Mos ou Morus, referindo-se
a mesma ética de séculos atrás está vigente hoje. Por exemplo, exclusivamente ao regramento que determina a ação do indivíduo.
respeitar o próximo nunca será considerada uma atitude antiética. Assim, Moral e Ética não são sinônimos, não apenas pela
Outra característica da ética é a sua validade universal, no sentido Moral ser apenas uma parte da Ética, mas principalmente porque
de delimitar a diretriz do agir humano para todos os que vivem no enquanto a Moral é entendida como a prática, como a realização
mundo. Não há uma ética conforme cada época, cultura ou civili- efetiva e cotidiana dos valores; a Ética é entendida como uma “fi-
zação. A ética é uma só, válida para todos eternamente, de forma losofia moral”, ou seja, como a reflexão sobre a moral. Moral é
imutável e definitiva, por mais que possam surgir novas perspecti- ação, Ética é reflexão.
vas a respeito de sua aplicação prática. Em resumo:
É possível dizer que as diretrizes éticas dirigem o comporta- - Ética - mais ampla - filosofia moral - reflexão
mento humano e delimitam os abusos à liberdade, estabelecendo - Moral - parte da Ética - realização efetiva e cotidiana dos
deveres e direitos de ordem moral, sendo exemplos destas leis o valores - ação
respeito à dignidade das pessoas e aos princípios do direito natural, No início do pensamento filosófico não prevalecia real distin-
bem como a exigência de solidariedade e a prática da justiça1. ção entre Direito e Moral, as discussões sobre o agir ético envol-
Outras definições contribuem para compreender o que signi- viam essencialmente as noções de virtude e de justiça, constituindo
fica ética: esta uma das dimensões da virtude. Por exemplo, na Grécia antiga,
- Ciência do comportamento adequado dos homens em socie- berço do pensamento filosófico, embora com variações de abor-
dade, em consonância com a virtude. dagem, o conceito de ética aparece sempre ligado ao de virtude.
- Disciplina normativa, não por criar normas, mas por desco- Aristóteles4, um dos principais filósofos deste momento histó-
bri-las e elucidá-las. Seu conteúdo mostra às pessoas os valores e rico, concentra seus pensamentos em algumas bases:
princípios que devem nortear sua existência. a) definição do bem supremo como sendo a felicidade, que
- Doutrina do valor do bem e da conduta humana que tem por necessariamente ocorrerá por uma atividade da alma que leva ao
objetivo realizar este valor. princípio racional, de modo que a felicidade está ligada à virtude;
- Saber discernir entre o devido e o indevido, o bom e o mau, b) crença na bondade humana e na prevalência da virtude so-
o bem e o mal, o correto e o incorreto, o certo e o errado. bre o apetite;
- Fornece as regras fundamentais da conduta humana. Deli- c) reconhecimento da possibilidade de aquisição das virtudes
mita o exercício da atividade livre. Fixa os usos e abusos da liber- pela experiência e pelo hábito, isto é, pela prática constante; d)
dade. afastamento da ideia de que um fim pudesse ser bom se utilizado
- Doutrina do valor do bem e da conduta humana que o visa um meio ruim.
realizar.
“Em seu sentido de maior amplitude, a Ética tem sido enten-
dida como a ciência da conduta humana perante o ser e seus seme- 2 SÁ, Antônio Lopes de. Ética profissional. 9. ed.
lhantes. Envolve, pois, os estudos de aprovação ou desaprovação São Paulo: Atlas, 2010.
3 CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. 13. ed.
1 MONTORO, André Franco. Introdução à ciên- São Paulo: Ática, 2005.
cia do Direito. 26. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 4 ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. Tradução
2005. Pietro Nassetti. São Paulo: Martin Claret, 2006.

Didatismo e Conhecimento 48
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
Já na Idade Média, os ideais éticos se identificaram com os Já a discussão sobre o conceito de justiça, intrínseca na do
religiosos. O homem viveria para conhecer, amar e servir a Deus, conceito de ética, embora sempre tenha estado presente, com
diretamente e em seus irmãos. Santo Tomás de Aquino5, um dos maior ou menor intensidade dependendo do momento, possuiu di-
principais filósofos do período, lançou bases que até hoje são in- versos enfoques ao longo dos tempos.
vocadas quanto o tópico em questão é a Ética: Pode-se considerar que do pensamento grego até o Renasci-
a) consideração do hábito como uma qualidade que deverá mento, a justiça foi vista como uma virtude e não como uma carac-
determinar as potências para o bem; terística do Direito. Por sua vez, no Renascimento, o conceito de
b) estabelecimento da virtude como um hábito que sozinho é Ética foi bifurcado, remetendo-se a Moral para o espaço privado
capaz de produzir a potência perfeita, podendo ser intelectual, mo- e remanescendo a justiça como elemento ético do espaço público.
ral ou teologal - três virtudes que se relacionam porque não basta No entanto, como se denota pela teoria de Maquiavel8, o justo na-
possuir uma virtude intelectual, capaz de levar ao conhecimento quele tempo era tido como o que o soberano impunha (o rei pode-
do bem, sem que exista a virtude moral, que irá controlar a facul- ria fazer o que bem entendesse e utilizar quaisquer meios, desde
dade apetitiva e quebrar a resistência para que se obedeça à razão que visasse um único fim, qual seja o da manutenção do poder).
(da mesma forma que somente existirá plenitude virtuosa com a Posteriormente, no Iluminismo, retomou-se a discussão da
existência das virtudes teologais); justiça como um elemento similar à Moral, mas inerente ao Di-
c) presença da mediania como critério de determinação do reito, por exemplo, Kant9 defendeu que a ciência do direito justo é
agir virtuoso; aquela que se preocupa com o conhecimento da legislação e com o
d) crença na existência de quatro virtudes cardeais - a prudên- contexto social em que ela está inserida, sendo que sob o aspecto
cia, a justiça, a temperança e a fortaleza. do conteúdo seria inconcebível que o Direito prescrevesse algo
No Iluminismo, Kant6 definiu a lei fundamental da razão pura contrário ao imperativo categórico da Moral kantiana.
prática, que se resume no seguinte postulado: “age de tal modo que Ainda, Locke, Montesquieu e Rousseau, em comum defen-
a máxima de tua vontade possa valer-te sempre como princípio diam que o Estado era um mal necessário, mas que o soberano não
de uma legislação universal”. Mais do que não fazer ao outro o possuía poder divino/absoluto, sendo suas ações limitadas pelos
que não gostaria que fosse feito a você, a máxima prescreve que o direitos dos cidadãos submetidos ao regime estatal.
homem deve agir de tal modo que cada uma de suas atitudes reflita Tais pensamentos iluministas não foram plenamente seguidos,
aquilo que se espera de todas as pessoas que vivem em sociedade. de forma que firmou-se a teoria jurídica do positivismo, pela qual
O filósofo não nega que o homem poderá ter alguma vontade ruim, Direito é apenas o que a lei impõe (de modo que se uma lei for
mas defende que ele racionalmente irá agir bem, pela prevalência injusta nem por isso será inválida), que somente foi abalada após o
de uma lei prática máxima da razão que é o imperativo categóri- fim trágico da 2ª Guerra Mundial e a consolidação de um sistema
co. Por isso, o prazer ou a dor, fatores geralmente relacionados ao global de proteção de direitos humanos (criação da ONU + decla-
apetite, não são aptos para determinar uma lei prática, mas apenas ração universal de 1948). Com o ideário humanista consolidou-se
uma máxima, de modo que é a razão pura prática que determina o Pós-positivismo, que junto consigo trouxe uma valorização das
o agir ético. Ou seja, se a razão prevalecer, a escolha ética sempre normas principiológicas do ordenamento jurídico, conferindo-as
será algo natural. normatividade.
Quando acabou a Segunda Guerra Mundial, percebeu-se o Assim, a concepção de uma base ética objetiva no comporta-
quão graves haviam sido as suas consequências, o pensamento mento das pessoas e nas múltiplas modalidades da vida social foi
filosófico ganhou novos rumos, retomando aspectos do passado, esquecida ou contestada por fortes correntes do pensamento mo-
mas reforçando a dimensão coletiva da ética. Maritain7, um dos derno. Concepções de inspiração positivista, relativista ou cética
redatores da Declaração Universal de Direitos Humanos de 1948, e políticas voltadas para o homo economicus passaram a descon-
defendeu que o homem ético é aquele que compõe a sociedade e siderar a importância e a validade das normas de ordem ética no
busca torná-la mais justa e adequada ao ideário cristão. Assim, a campo da ciência e do comportamento dos homens, da sociedade
atitude ética deve ser considerada de maneira coletiva, como im- da economia e do Estado.
pulsora da sociedade justa, embora partindo da pessoa humana in- No campo do Direito, as teorias positivistas que prevaleceram
dividualmente considerada como um ser capaz de agir conforme a partir do final do século XIX sustentavam que só é direito aquilo
os valores morais. que o poder dominante determina. Ética, valores humanos, justiça
são considerados elementos estranhos ao Direito, extrajurídicos.
Pensavam com isso em construir uma ciência pura do direito e
5 AQUINO, Santo Tomás de. Suma teológica. garantir a segurança das sociedades.10
Tradução Aldo Vannucchi e Outros. Direção Gabriel C. Atualmente, entretanto, é quase universal a retomada dos es-
Galache e Fidel García Rodríguez. Coordenação Geral tudos e exigências da ética na vida pública e na vida privada, na
administração e nos negócios, nas empresas e na escola, no espor-
Carlos-Josaphat Pinto de Oliveira. Edição Joaquim Pe-
reira. São Paulo: Loyola, 2005. v. IV, parte II, seção I, 8 MAQUIAVEL, Nicolau. O príncipe. Tradução
questões 49 a 114. Pietro Nassetti. São Paulo: Martin Claret, 2007.
6 KANT, Immanuel. Crítica da razão prática. Tra- 9 KANT, Immanuel. Doutrina do Direito. Tradu-
dução Paulo Barrera. São Paulo: Ícone, 2005. ção Edson Bini. São Paulo: Ícone, 1993.
7 MARITAIN, Jacques. Humanismo integral. 10 KELSEN, Hans. Teoria pura do Direito. 6. ed.
Tradução Afrânio Coutinho. 4. ed. São Paulo: Dominus Tradução João Baptista Machado. São Paulo: Martins
Editora S/A, 1962. Fontes, 2003.

Didatismo e Conhecimento 49
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
te, na política, na justiça, na comunicação. Neste contexto, é rele- O descumprimento das diretivas morais gera sanção, e caso
vante destacar que ainda há uma divisão entre a Moral e o Direito, ele se encontre transposto para uma norma jurídica, gera coação
que constituem dimensões do conceito de Ética, embora a tendên- (espécie de sanção aplicada pelo Estado). Assim, violar uma lei
cia seja que cada vez mais estas dimensões se juntem, caminhando ética não significa excluir a sua validade. Por exemplo, matar al-
lado a lado. guém não torna matar uma ação correta, apenas gera a punição
Dentro desta distinção pode-se dizer que alguns autores, entre daquele que cometeu a violação. Neste sentido, explica Reale13:
eles Radbruch e Del Vechio são partidários de uma dicotomia rigo- “No plano das normas éticas, a contradição dos fatos não anula a
rosa, na qual a Ética abrange apenas a Moral e o Direito. Contudo, validez dos preceitos: ao contrário, exatamente porque a normati-
para autores como Miguel Reale, as normas dos costumes e da vidade não se compreende sem fins de validez objetiva e estes têm
etiqueta compõem a dimensão ética, não possuindo apenas caráter sua fonte na liberdade espiritual, os insucessos e as violações das
secundário por existirem de forma autônoma, já que fazem parte normas conduzem à responsabilidade e à sanção, ou seja, à concre-
do nosso viver comum.11 ta afirmação da ordenação normativa”.
Em resumo: Como se percebe, Ética e Moral são conceitos interligados,
- Posição 1 - Radbruch e Del Vechio - Ética = Moral + Direito mas a primeira é mais abrangente que a segunda, porque pode
- Posição 2 - Miguel Reale - Ética = Moral + Direito + Cos- abarcar outros elementos, como o Direito e os costumes. Todas
tumes as regras éticas são passíveis de alguma sanção, sendo que as in-
Para os fins da presente exposição, basta atentar para o binô- corporadas pelo Direito aceitam a coação, que é a sanção aplicada
mio Moral-Direito como fator pacífico de composição da Ética. pelo Estado. Sob o aspecto do conteúdo, muitas das regras jurí-
Assim, nas duas posições adotadas, uma das vertentes da Ética é a dicas são compostas por postulados morais, isto é, envolvem os
Moral, e a outra é o Direito. mesmos valores e exteriorizam os mesmos princípios.
Tradicionalmente, os estudos consagrados às relações entre A área da filosofia do direito que estuda a ética é conhecida
o Direito e a Moral se esforçam em distingui-los, nos seguintes como axiologia, do grego άξιος “valor” + λόγος “estudo, tratado”.
termos: o direito rege o comportamento exterior, a moral enfatiza Por isso, a axiologia também é chamada de teoria dos valores. Daí
a intenção; o direito estabelece uma correlação entre os direitos e valores e princípios serem componentes da ética sob o aspecto da
as obrigações, a moral prescreve deveres que não dão origem a di- exteriorização de suas diretrizes. Em outras palavras, a mensagem
reitos subjetivos; o direito estabelece obrigações sancionadas pelo que a ética pretende passar se encontra consubstanciada num con-
Poder, a moral escapa às sanções organizadas. Assim, as principais junto de valores, para cada qual corresponde um postulado cha-
notas que distinguem a Moral do Direito não se referem propria- mado princípio.
mente ao conteúdo, pois é comum que diretrizes morais sejam A área da filosofia do direito que estuda a ética é conhecida
disciplinadas como normas jurídicas.12 como axiologia, do grego “valor” + “estudo, tratado”. Por isso, a
Com efeito, a partir da segunda metade do século XX (pós- axiologia também é chamada de teoria dos valores. Daí valores
-guerra), a razão jurídica é uma razão ética, fundada na garantia e princípios serem componentes da ética sob o aspecto da exterio-
da intangibilidade da dignidade da pessoa humana, na aquisição da rização de suas diretrizes. Em outras palavras, a mensagem que a
igualdade entre as pessoas, na busca da efetiva liberdade, na reali- ética pretende passar se encontra consubstanciada num conjunto
zação da justiça e na construção de uma consciência que preserve de valores, para cada qual corresponde um postulado chamado
integralmente esses princípios. princípio.
Assim, as principais notas que distinguem Moral e Direito De uma maneira geral, a axiologia proporciona um estudo dos
são: padrões de valores dominantes na sociedade que revelam princí-
a) Exterioridade: Direito - comportamento exterior, Moral - pios básicos. Valores e princípios, por serem elementos que permi-
comportamento interior (intenção); tem a compreensão da ética, também se encontram presentes no
b) Exigibilidade: Direito - a cada Direito pode se exigir uma estudo do Direito, notadamente quando a posição dos juristas pas-
obrigação, Moral - agir conforme a moralidade não garante direi- sou a ser mais humanista e menos positivista (se preocupar mais
tos (não posso exigir que alguém aja moralmente porque também com os valores inerentes à dignidade da pessoa humana do que
agi); com o que a lei específica determina).
c) Coação: Direito - sanções aplicadas pelo Estado; Moral - Os juristas, descontentes com uma concepção positivista, es-
sanções não organizadas (ex: exclusão de um grupo social). Em tadística e formalista do Direito, insistem na importância do ele-
outras palavras, o Direito exerce sua pressão social a partir do mento moral em seu funcionamento, no papel que nele desempe-
centro ativo do Poder, a moral pressiona pelo grupo social não nham a boa e a má-fé, a intenção maldosa, os bons costumes e
organizado. ATENÇÃO: tanto no Direito quanto na Moral existem tantas outras noções cujo aspecto ético não pode ser desprezado.
sanções. Elas somente são aplicadas de forma diversa, sendo que Algumas dessas regras foram promovidas à categoria de princí-
somente o Direito aceita a coação, que é a sanção aplicada pelo pios gerais do direito e alguns juristas não hesitam em considerá-
-las obrigatórias, mesmo na ausência de uma legislação que lhes
Estado.
concedesse o estatuto formal de lei positiva, tal como o princípio
que afirma os direitos da defesa. No entanto, a Lei de Introdução
11 REALE, Miguel. Filosofia do direito. 19. ed. às Normas do Direito Brasileiro é expressa no sentido de aceitar a
São Paulo: Saraiva, 2002. aplicação dos princípios gerais do Direito (artigo 4°).14
12 PERELMAN, Chaïm. Ética e Direito. Tradução 13 REALE, Miguel. Filosofia do direito. 19. ed.
Maria Ermantina Galvão. São Paulo: Martins Fontes, São Paulo: Saraiva, 2002.
2000. 14 PERELMAN, Chaïm. Ética e Direito. Tradução

Didatismo e Conhecimento 50
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
É inegável que o Direito possui forte cunho axiológico, diante setor público. O mais relevante princípio da ordem jurídica bra-
da existência de valores éticos e morais como diretrizes do orde- sileira é o da dignidade da pessoa humana, que embasa todos os
namento jurídico, e até mesmo como meio de aplicação da norma. demais princípios jurídico-constitucionais (artigo 1°, III, CF).
Assim, perante a Axiologia, o Direito não deve ser interpretado Claro, o Direito não é composto exclusivamente por postu-
somente sob uma concepção formalista e positivista, sob pena de lados éticos, já que muitas de suas normas não possuem qualquer
provocar violações ao princípio que justifica a sua criação e estru- cunho valorativo (por exemplo, uma norma que estabelece um pra-
turação: a justiça. zo de 10 ou 15 dias não tem um valor que a acoberta). Contudo, o
Neste sentido, Montoro15 entende que o Direito é uma ciência é em boa parte.
normativa ética: “A finalidade do direito é dirigir a conduta hu- A Moral é composta por diversos valores - bom, correto, pru-
mana na vida social. É ordenar a convivência de pessoas humanas. dente, razoável, temperante, enfim, todas as qualidades esperadas
É dar normas ao agir, para que cada pessoa tenha o que lhe é devi- daqueles que possam se dizer cumpridores da moral. É impossível
do. É, em suma, dirigir a liberdade, no sentido da justiça. Insere-se, esgotar um rol de valores morais, mas nem ao menos é preciso:
portanto, na categoria das ciências normativas do agir, também de- basta um olhar subjetivo para compreender o que se espera, num
nominadas ciências éticas ou morais, em sentido amplo. Mas o Di- caso concreto, para que se consolide o agir moral - bom senso que
reito se ocupa dessa matéria sob um aspecto especial: o da justiça”. todos os homens possuem (mesmo o corrupto sabe que está con-
A formação da ordem jurídica, visando a conservação e o pro- trariando o agir esperado pela sociedade, tanto que esconde e nega
gresso da sociedade, se dá à luz de postulados éticos. O Direito sua conduta, geralmente). Todos estes valores morais se consoli-
criado não apenas é irradiação de princípios morais como também dam em princípios, isto é, princípios são postulados determinantes
força aliciada para a propagação e respeitos desses princípios. dos valores morais consagrados.
Um dos principais conceitos que tradicionalmente se relacio- Segundo Rizzatto Nunes18, “a importância da existência e do
na à dimensão do justo no Direito é o de lei natural. Lei natural cumprimento de imperativos morais está relacionada a duas ques-
é aquela inerente à humanidade, independentemente da norma im- tões: a) a de que tais imperativos buscam sempre a realização do
posta, e que deve ser respeitada acima de tudo. O conceito de lei Bem - ou da Justiça, da Verdade etc., enfim valores positivos; b) a
natural foi fundamental para a estruturação dos direitos dos ho- possibilidade de transformação do ser - comportamento repetido e
mens, ficando reconhecido que a pessoa humana possui direitos durável, aceito amplamente por todos (consenso) - em dever ser,
inalienáveis e imprescritíveis, válidos em qualquer tempo e lugar, pela verificação de certa tendência normativa do real”.
que devem ser respeitados por todos os Estados e membros da so- Quando se fala em Direito, notadamente no direito constitu-
ciedade.16 cional e nas normas ordinárias que disciplinam as atitudes espe-
O Direito natural, na sua formulação clássica, não é um con- radas da pessoa humana, percebem-se os principais valores mo-
junto de normas paralelas e semelhantes às do Direito positivo, rais consolidados, na forma de princípios e regras expressos. Por
mas é o fundamento do Direito positivo. É constituído por aquelas exemplo, quando eu proíbo que um funcionário público receba
normas que servem de fundamento a este, tais como: “deve se fa- uma vantagem indevida para deixar de praticar um ato de interesse
zer o bem”, “dar a cada um o que lhe é devido”, “a vida social deve do Estado, consolido os valores morais da bondade, da justiça e do
ser conservada”, “os contratos devem ser observados” etc., normas respeito ao bem comum, prescrevendo a respectiva norma.
essas que são de outra natureza e de estrutura diferente das do Di- Uma norma, conforme seu conteúdo mais ou menos amplo,
reito positivo, mas cujo conteúdo é a ele transposto, notadamente pode refletir um valor moral por meio de um princípio ou de uma
na Constituição Federal.17 regra. Quando digo que “todos são iguais perante a lei [...]” (art.
Importa fundamentalmente ao Direito que, nas relações so- 5°, caput, CF) exteriorizo o valor moral do tratamento digno a to-
ciais, uma ordem seja observada: que seja assegurada individual- dos os homens, na forma de um princípio constitucional (princí-
mente cada coisa que for devida, isto é, que a justiça seja realizada. pio da igualdade). Por sua vez, quando proíbo um servidor público
Podemos dizer que o objeto formal, isto é, o valor essencial, do de “Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indire-
direito é a justiça. tamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em
No sistema jurídico brasileiro, estes princípios jurídicos fun- razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vanta-
damentais de cunho ético estão instituídos no sistema constitucio- gem” (art. 317, CP), estabeleço uma regra que traduz os valores
nal, isto é, firmados no texto da Constituição Federal. São os prin- morais da solidariedade e do respeito ao interesse coletivo. No
cípios constitucionais os mais importantes do arcabouço jurídico entanto, sempre por trás de uma regra infraconstitucional haverá
nacional, muitos deles se referindo de forma específica à ética no um princípio constitucional. No caso do exemplo do art. 317 do
Maria Ermantina Galvão. São Paulo: Martins Fontes, CP, pode-se mencionar o princípio do bem comum (objetivo da
2000. República segundo o art. 3º, IV, CF - “promover o bem de todos,
15 MONTORO, André Franco. Introdução à ciên- sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer ou-
tras formas de discriminação) e o princípio da moralidade (art. 37,
cia do Direito. 26. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais,
caput, CF, no que tange à Administração Pública).
2005.
16 LAFER, Celso. A reconstrução dos direitos
humanos: um diálogo com o pensamento de Hannah
Arendt. São Paulo: Cia. das Letras, 2009.
17 MONTORO, André Franco. Introdução à ciên- 18 NUNES, Luiz Antonio Rizzatto. Manual de in-
cia do Direito. 26. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, trodução ao estudo do direito. 6. ed. São Paulo: Sarai-
2005. va, 2006.

Didatismo e Conhecimento 51
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
Conforme Alexy19, a distinção entre regras e princípios é uma Alguns cidadãos recebem poderes e funções específicas den-
distinção entre dois tipos de normas, fornecendo juízos concretos tro da administração pública, passando a desempenhar um papel
para o dever ser. A diferença essencial é que princípios são normas de fundamental interesse para o Estado. Quando estiver nesta con-
de otimização, ao passo que regras são normas que são sempre dição, mais ainda, será exigido o respeito à ética. Afinal, o Estado
satisfeitas ou não. Se as regras se conflitam, uma será válida e ou- é responsável pela manutenção da sociedade, que espera dele uma
tra não. Se princípios colidem, um deles deve ceder, embora não conduta ilibada e transparente.
perca sua validade e nem exista fundamento em uma cláusula de Quando uma pessoa é nomeada como servidor público, passa
exceção, ou seja, haverá razões suficientes para que em um juízo a ser uma extensão daquilo que o Estado representa na sociedade,
de sopesamento (ponderação) um princípio prevaleça. Enquanto devendo, por isso, respeitar ao máximo todos os consagrados pre-
adepto da adoção de tal critério de equiparação normativa entre
ceitos éticos.
regras e princípios, o jurista alemão Robert Alexy é colocado entre
os nomes do pós-positivismo. Todas as profissões reclamam um agir ético dos que a exer-
Em resumo, valor é a característica genérica que compõe de cem, o qual geralmente se encontra consubstanciado em Códigos
alguma forma a ética (bondade, solidariedade, respeito...) ao passo de Ética diversos atribuídos a cada categoria profissional. No caso
que princípio é a diretiva de ação esperada daquele que atende cer- das profissões na esfera pública, esta exigência se amplia.
to valor ético (p. ex., não fazer ao outro o que não gostaria que fos- Não se trata do simples respeito à moral social: a obrigação
se feito a você é um postulado que exterioriza o valor do respeito; ética no setor público vai além e encontra-se disciplinada em de-
tratar a todos igualmente na medida de sua igualdade é o postulado talhes na legislação, tanto na esfera constitucional (notadamente
do princípio da igualdade que reflete os valores da solidariedade no artigo 37) quanto na ordinária (em que se destacam o Decreto
e da justiça social). Por sua vez, virtude é a característica que a n° 1.171/94 - Código de Ética - a Lei n° 8.429/92 - Lei de Impro-
pessoa possui coligada a algum valor ético, ou seja, é a aptidão bidade Administrativa - e a Lei n° 8.112/90 - regime jurídico dos
para agir conforme algum dos valores morais (ser bondoso, ser servidores públicos civis na esfera federal).
solidário, ser temperante, ser magnânimo). Em geral, as diretivas a respeito do comportamento profis-
Ética, Moral, Direito, princípios, virtudes e valores são
sional ético podem ser bem resumidas em alguns princípios ba-
elementos constantemente correlatos, que se complementam
silares. Tais comportamentos basilares demonstram a atitude em
e estruturam, delimitando o modo de agir esperado de todas as
pessoas na vida social, bem como preconizando quais os nortes serviço esperada do servidor público e, de maneira específica, a
para a atuação das instituições públicas e privadas. Basicamente, prioridade em serviço que ele deve ter em mente no desempe-
a ética é composta pela Moral e pelo Direito (ao menos em sua nho de suas atividades, entendendo-se por prioridade em serviço
parte principal), sendo que virtudes são características que aqueles a satisfação e o bem-estar do atendido (ou seja, acima de tudo,
que agem conforme a ética (notadamente sob o aspecto Moral) deve-se buscar que o atendido receba um tratamento adequado e
possuem, as quais exteriorizam valores éticos, a partir dos quais é compatível com a dignidade humana, sendo satisfeito na medida
possível extrair postulados que são princípios. do possível em seus interesses).
A ética está presente em todas as esferas da vida de um indi- Segundo Nalini21, o princípio fundamental seria o de agir de
víduo e da sociedade que ele compõe e é fundamental para a ma- acordo com a ciência, se mantendo sempre atualizado, e de acordo
nutenção da paz social que todos os cidadãos (ou ao menos grande com a consciência, sabendo de seu dever ético; tomando-se como
parte deles) obedeçam os ditames éticos consolidados. A obediên- princípios específicos:
cia à ética não deve se dar somente no âmbito da vida particular,
- Princípio da conduta ilibada - conduta irrepreensível na
mas também na atuação profissional, principalmente se tal atuação
vida pública e na vida particular.
se der no âmbito estatal.
O Estado é a forma social mais abrangente, a sociedade de fins - Princípio da dignidade e do decoro profissional - agir da me-
gerais que permite o desenvolvimento, em seu seio, das individua- lhor maneira esperada em sua profissão e fora dela, com técnica,
lidades e das demais sociedades, chamadas de fins particulares. O justiça e discrição.
Estado, como pessoa, é uma ficção, é um arranjo formulado pelos - Princípio da incompatibilidade - não se deve acumular fun-
homens para organizar a sociedade de disciplinar o poder visando ções incompatíveis.
que todos possam se realizar em plenitude, atingindo suas finali- - Princípio da correção profissional - atuação com transparên-
dades particulares.20 cia e em prol da justiça.
O Estado tem um valor ético, de modo que sua atuação deve - Princípio do coleguismo - ciência de que você e todos os
se guiar pela moral idônea. Mas não é propriamente o Estado que demais operadores do Direito querem a mesma coisa, realizar a
é aético, porque ele é composto por homens. Assim, falta ética ou justiça.
não aos homens que o compõem. Ou seja, o bom comportamento - Princípio da diligência - agir com zelo e escrúpulo em todas
profissional do funcionário público é uma questão ligada à ética funções.
no serviço público, pois se os homens que compõem a estrutura
- Princípio do desinteresse - relegar a ambição pessoal para
do Estado tomam uma atitude correta perante os ditames éticos há
buscar o interesse da justiça.
uma ampliação e uma consolidação do valor ético do Estado.
- Princípio da confiança - cada profissional de Direito é dota-
19 ALEXY, Robert. Teoria dos direitos fundamen- do de atributos personalíssimos e intransferíveis, sendo escolhido
tais. Tradução Virgílio Afonso da Silva. 2. ed. São Paulo: por causa deles, de forma que a relação estabelecida entre aquele
Malheiros, 2011. que busca o serviço e o profissional é de confiança.
20 SPITZCOVSKY, Celso. Direito Administrativo. 21 NALINI, José Renato. Ética geral e profissional. 8.
13. ed. São Paulo: Método, 2011. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2011.

Didatismo e Conhecimento 52
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
- Princípio da fidelidade - Fidelidade à causa da justiça, aos QUARTO: “Zelar pelo preparo próprio, moral, intelectual e,
valores constitucionais, à verdade, à transparência. também, pelo dos subordinados, tendo em vista o cumprimento da
- Princípio da independência profissional - a maior autonomia missão institucional.”
no exercício da profissão do operador do Direito não deve impedir A missão institucional envolve a obtenção de lucros, em regra,
o caráter ético. mas sempre aliada à promoção da ética. Na missão institucional
- Princípio da reserva - deve-se guardar segredo sobre as in- serão estabelecidas determinadas metas para a empresa, que deve-
formações que acessa no exercício da profissão. rão ser buscadas pelos funcionários. Para tanto, cada um deve se
- Princípio da lealdade e da verdade - agir com boa-fé e de preocupar com o aperfeiçoamento de suas capacidades, tornando-
forma correta, com lealdade processual. -se paulatinamente um melhor funcionário, por exemplo, buscan-
- Princípio da discricionariedade - geralmente, o profissional do cursos e estudando técnicas.
do Direito é liberal, exercendo com boa autonomia sua profissão.
- Outros princípios éticos, como informação, solidariedade, QUINTO: “Acatar as ordens legais, não ser negligente e
cidadania, residência, localização, continuidade da profissão, li- trabalhar em harmonia com a estrutura do órgão, respeitando a
berdade profissional, função social da profissão, severidade consi- hierarquia, seus colegas e cada concidadão, colaborando e acei-
go mesmo, defesa das prerrogativas, moderação e tolerância. tando colaboração.”
Dentro de tais princípios genéricos depreendem-se noções Existe uma hierarquia para que as funções sejam desempe-
de organização do trabalho, pois todo o aparato estatal deverá nhadas da melhor maneira possível, pois a desordem não permite
funcionar em conjunto, cada qual lidando com sua competência que as atividades se encadeiem e se enlacem, gerando perda de
da melhor maneira possível, permitindo que se preste um servi- tempo e desperdício de recursos. Não significa que ordens contrá-
ço eficiente. Uma melhor organização do trabalho exige muitas rias à ética devam ser obedecidas, caso em que a medida cabível
vezes pequenas mudanças de um processo ou procedimento que é levar a questão para as autoridades responsáveis pelo controle
resolvem importantes problemas relacionados ao trabalho. Por da ética da instituição. Cada atividade deve ser desempenhada da
exemplo, a redistribuição de carga de trabalho entre vários presta- melhor maneira possível, isto é, não se pode deixar de praticá-la
dores de serviços, a eliminação de passos desnecessários nos pro- corretamente por ser mais trabalhoso (por negligência entende-se
cedimentos, ou a realização de certas tarefas ao mesmo tempo (ao uma omissão perigosa). No tratamento dos demais colegas e do
invés de uma de cada vez) podem melhorar o nível dos serviços e público, o funcionário deve ser cordial e ético, posto que somente
economizar tempo e recursos. assim estará contribuindo para a gestão ética da empresa.

Ainda, destacam-se os dez mandamentos da gestão ética nas SEXTO: “Agir, na vida pessoal e funcional, com dignidade,
empresas públicas: decoro, zelo, eficácia e moralidade.”
O bom comportamento não deve se fazer presente somente no
PRIMEIRO: “Amar a verdade, a lealdade, a probidade e a exercício das funções. Cabe ao funcionário se portar bem quando
responsabilidade como fundamentos de dignidade pessoal”. estiver em sua vida privada, na convivência com seus amigos e
Significa desempenhar suas funções com transparência, de familiares, bem como nos momentos de lazer. Por melhor que seja
forma honesta e responsável, sendo leal à instituição. O funcio- como funcionário, não será aceito aquele que, por exemplo, for
nário deve se portar de forma digna, exteriorizando virtudes em visto frequentemente embriagado ou for sempre denunciado por
suas ações. violência doméstica.
Dignidade é a característica que incorpora todas as demais,
SEGUNDO: “Respeitar a dignidade da pessoa humana.” significando o bom comportamento enquanto pessoa humana, tra-
A expressão “dignidade da pessoa humana” está estabelecida tando os outros como gosta de ser tratado. Decoro significa discri-
na Constituição Federal Brasileira, em seu art. 3º, III, como um ção, aparecer o mínimo possível, não se vangloriar com base em
dos fundamentos da República Federativa do Brasil. Ao adotar um feitos institucionais. Zelo quer dizer cuidado, cautela, para que as
significado mínimo apreendido no discurso antropocentrista do atividades sempre sejam desempenhadas do melhor modo. Eficá-
humanismo, a expressão valoriza o ser humano, considerando este cia remete ao dever de fazer com que suas atividades atinjam o
o centro da criação, o ser mais elevado que habita o planeta, o que fim para o qual foram praticadas, isto é, que não sejam abandona-
justifica a grande consideração pelo Estado e pelos outros seres hu- das pela metade. Moralidade significa respeitar os ditames morais,
manos na sua generalidade em relação a ele. Respeitar a dignidade mais que jurídicos, que exteriorizam os valores tradicionais conso-
da pessoa humana significa tomar o homem como valor-fonte para lidados na sociedade através dos tempos.
todas as ações e escolhas, inclusive na atuação empresarial.
SÉTIMO: “Jamais tratar mal ou deixar à espera de solução
TERCEIRO: “Ser justo e imparcial no julgamento dos atos e uma pessoa que busca perante a Administração Pública satisfazer
na apreciação do mérito dos subordinados.” um direito que acredita ser legítimo.”
Retoma-se a questão dos planos de carreira, que exteriorizam O bom atendimento do público é necessário para que uma ges-
a imparcialidade e a impessoalidade na escolha dos que deverão tão possa ser considerada ética. Aquele que tem um direito merece
ser promovidos, a qual se fará exclusivamente com base no mé- ser ouvido, não pode ser deixado de lado pelo funcionário, espe-
rito. Não se pode tomar questões pessoais, como desavenças ou rando por horas uma solução. Mesmo que a pessoa esteja errada,
afinidades, quando o julgamento se faz sobre a ação de um funcio- isto deve ser esclarecido, de forma que a confiabilidade na institui-
nário - se agiu bem, merece ser recompensado; se agiu mal, deve ção não fique abalada.
ser punido.

Didatismo e Conhecimento 53
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
OITAVO: “Cumprir e fazer cumprir as leis, os regulamentos, Logo, as regras éticas do setor público são mais do que regu-
as instruções e as ordens das autoridades a que estiver subordi- lamentos morais, são normas jurídicas e, como tais, passíveis de
nado.” coação. A desobediência ao princípio da moralidade caracteriza
O Direito é uma das facetas mais relevantes da Ética porque ato de improbidade administrativa, sujeitando o servidor às penas
exterioriza o valor do justo e o seu cumprimento é essencial para previstas em lei. Da mesma forma, o seu comportamento em rela-
que a gestão ética seja efetiva. ção ao Código de Ética pode gerar benefícios, como promoções, e
prejuízos, como censura e outras penas administrativas. A discipli-
NONO: “Agir dentro da lei e da sua competência, atento à na constitucional é expressa no sentido de prescrever a moralidade
finalidade do serviço público.” como um dos princípios fundadores da atuação da administração
Não basta cumprir o Direito, é preciso respeitar a divisão de pública direta e indireta, bem como outros princípios correlatos.
funções feitas com o objetivo de otimizar as atividades desempe- Assim, o Estado brasileiro deve se conduzir moralmente por von-
nhadas. tade expressa do constituinte, sendo que à imoralidade administra-
tiva aplicam-se sanções.
DÉCIMO: “Buscar o bem-comum, extraído do equilíbrio en- O paradigma da Ética Pública parte da noção de liberdade so-
tre a legalidade e finalidade do ato administrativo a ser pratica- cial, envolta nos valores da segurança, igualdade e solidariedade.
do.” Neste sentido, cada pessoa deve ter espaço para exercer indivi-
Bem comum é o bem de toda a coletividade e não de um só dualmente sua liberdade moral, cabendo à ética pública garantir
indivíduo. Este conceito exterioriza a dimensão coletiva da ética. que os indivíduos que vivem em sociedade realizem projetos mo-
Maritain22 apontou as características essenciais do bem comum: rais individuais.
redistribuição, pela qual o bem comum deve ser redistribuído às A Ética Pública pode ser vista sob o aspecto da moralidade
pessoas e colaborar para o desenvolvimento delas; respeito à auto- crítica e sob o aspecto da moralidade legalizada: quando estuda-se
ridade na sociedade, pois a autoridade é necessária para conduzir a a lei posta ou a ausência de lei e questiona-se a falta de justiça,
comunidade de pessoas humanas para o bem comum; moralidade, há uma moralidade crítica; quando a regra justa é incorporada ao
que constitui a retidão de vida, sendo a justiça e a retidão moral Direito, há moralidade legalizada ou positivada.
elementos essenciais do bem comum. Sobre a Ética Pública, explica Nalini23: “Ética é sempre ética,
poder-se-ia afirmar. Ser ético é obrigação de todos. Seja no exercí-
Em suma, respeitar a ética profissional é ter em mente os prin- cio de alguma atividade estatal, seja no comportamento individual.
Mas pode-se falar em ética realçada quando se atua num universo
cípios éticos consagrados em sociedade, fazendo com que cada
mais amplo, de interesse de todos. Existe, pois, uma Ética Pública,
atividade desempenhada no exercício da profissão exteriorize tais
e apura-se o seu sentido em contraposição com o de Ética Privada.
postulados, inclusive direcionando os rumos da ética empresarial
Um nome pelo qual a Ética Pública tem sido conhecida é o da
na escolha de diretrizes e políticas institucionais.
justiça”
Vale destacar que, se a Ética, num sentido amplo, é composta
Assim, ética pública seria a moral incorporada ao Direito,
por ao menos dois elementos - a Moral e o Direito (justo); no caso
consolidando o valor do justo. Diante da relevância social de que
da disciplina da Ética no Setor Público a expressão é adotada num
a Ética se faça presente no exercício das atividades públicas, as
sentido estrito - ética corresponde ao valor do justo, previsto no regras éticas para a vida pública são mais do que regras morais,
Direito vigente, o qual é estabelecido com um olhar atento às pres- são regras jurídicas estabelecidas em diversos diplomas do orde-
crições da Moral para a vida social. Em outras palavras, quando se namento, possibilitando a coação em caso de infração por parte
fala em ética no âmbito do Estado não se deve pensar apenas na daqueles que desempenham a função pública.
Moral, mas sim em efetivas normas jurídicas que a regulamentam, Os valores éticos inerentes ao Estado, os quais permitem que
o que permite a aplicação de sanções. Veja o organograma: ele consolide o bem comum e garanta a preservação dos interes-
ses da coletividade, se encontram exteriorizados em princípios e
regras. Estes, por sua vez, são estabelecidos na Constituição Fede-
ral e em legislações infraconstitucionais, a exemplo das que serão
estudadas neste tópico, quais sejam: Decreto n° 1.171/94, Lei n°
8.112/90 e Lei n° 8.429/92. Fato é que todas as diretivas destas leis
específicas partem da Constituição Federal, que estabelece alguns
princípios fundamentais para a ética no setor público. Em outras
palavras, é o texto constitucional do artigo 37, especialmente o
caput, que permite a compreensão de boa parte do conteúdo das
leis específicas, porque possui um caráter amplo ao preconizar os
princípios fundamentais da administração pública. Estabelece a
Constituição Federal:

Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer


dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Mu-
22 MARITAIN, Jacques. Os direitos do homem e nicípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade,
a lei natural. 3. ed. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: [...]
Editora, 1967. 23 NALINI, José Renato. Ética geral e profissional. 8.
ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2011.

Didatismo e Conhecimento 54
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
São princípios da administração pública, nesta ordem: cação em órgãos da imprensa e a afixação de portarias. Por exem-
Legalidade plo, a própria expressão concurso público (art. 37, II, CF) remonta
Impessoalidade ao ideário de que todos devem tomar conhecimento do processo
Moralidade seletivo de servidores do Estado. Diante disso, como será visto,
Publicidade se negar indevidamente a fornecer informações ao administrado
Eficiência caracteriza ato de improbidade administrativa. Somente pela pu-
Para memorizar: veja que as iniciais das palavras formam o blicidade os indivíduos controlarão a legalidade e a eficiência dos
vocábulo LIMPE, que remete à limpeza esperada da Administra- atos administrativos. Os instrumentos para proteção são o direito
ção Pública. É de fundamental importância um olhar atento ao sig- de petição e as certidões (art. 5°, XXXIV, CF), além do habeas
nificado de cada um destes princípios, posto que eles estruturam data e - residualmente - do mandado de segurança.
todas as regras éticas prescritas no Código de Ética e na Lei de e) Princípio da eficiência: A administração pública deve
Improbidade Administrativa, tomando como base os ensinamentos manter o ampliar a qualidade de seus serviços com controle de
de Carvalho Filho24 e Spitzcovsky25: gastos. Isso envolve eficiência ao contratar pessoas (o concurso
a) Princípio da legalidade: Para o particular, legalidade sig- público seleciona os mais qualificados ao exercício do cargo), ao
manter tais pessoas em seus cargos (pois é possível exonerar um
nifica a permissão de fazer tudo o que a lei não proíbe. Contudo,
servidor público por ineficiência) e ao controlar gastos (limitando
como a administração pública representa os interesses da coleti-
o teto de remuneração), por exemplo. O núcleo deste princípio é
vidade, ela se sujeita a uma relação de subordinação, pela qual só
a procura por produtividade e economicidade. Alcança os serviços
poderá fazer o que a lei expressamente determina (assim, na esfera públicos e os serviços administrativos internos, se referindo dire-
estatal, é preciso lei anterior editando a matéria para que seja pre- tamente à conduta dos agentes.
servado o princípio da legalidade). A origem deste princípio está Além destes cinco princípios administrativo-constitucionais
na criação do Estado de Direito, no sentido de que o próprio Esta- diretamente selecionados pelo constituinte, podem ser apontados
do deve respeitar as leis que dita. como princípios de natureza ética relacionados à função pública a
b) Princípio da impessoalidade: Por força dos interesses que probidade e a motivação:
representa, a administração pública está proibida de promover dis- a) Princípio da probidade:  um princípio constitucional
criminações gratuitas. Discriminar é tratar alguém de forma di- incluído dentro dos princípios específicos da licitação, é o dever de
ferente dos demais, privilegiando ou prejudicando. Segundo este todo o administrador público, o dever de honestidade e fidelidade
princípio, a administração pública deve tratar igualmente todos com o Estado, com a população, no desempenho de suas funções.
aqueles que se encontrem na mesma situação jurídica (princípio Possui contornos mais definidos do que a moralidade. Diógenes
da isonomia ou igualdade). Por exemplo, a licitação reflete a im- Gasparini26 alerta que alguns autores tratam vêem como distintos
pessoalidade no que tange à contratação de serviços. O princípio os princípios da moralidade e da probidade administrativa, mas
da impessoalidade correlaciona-se ao princípio da finalidade, pelo não há  características que permitam tratar os mesmos como pro-
qual o alvo a ser alcançado pela administração pública é somente cedimentos distintos, sendo no máximo possível afirmar que a
o interesse público. Com efeito, o interesse particular não pode in- probidade administrativa é um aspecto particular da moralidade
fluenciar no tratamento das pessoas, já que deve-se buscar somente administrativa.
a preservação do interesse coletivo. b) Princípio da motivação: É a obrigação conferida ao
c) Princípio da moralidade: A posição deste princípio no administrador de motivar todos os atos que edita, gerais ou de efei-
artigo 37 da CF representa o reconhecimento de uma espécie de tos concretos. É considerado, entre os demais princípios, um dos
moralidade administrativa, intimamente relacionada ao poder pú- mais importantes, uma vez que sem a motivação não há o devido
blico. A administração pública não atua como um particular, de processo legal, uma vez que a fundamentação surge como meio
modo que enquanto o descumprimento dos preceitos morais por interpretativo da decisão que levou à prática do ato impugnado,
parte deste particular não é punido pelo Direito (a priori), o or- sendo verdadeiro meio de viabilização do controle da legalidade
dos atos da Administração.
denamento jurídico adota tratamento rigoroso do comportamento
Motivar significa mencionar o dispositivo legal aplicável ao
imoral por parte dos representantes do Estado. O princípio da mo-
caso concreto e relacionar os fatos que concretamente levaram à
ralidade deve se fazer presente não só para com os administrados,
aplicação daquele dispositivo legal. Todos os atos administrativos
mas também no âmbito interno. Está indissociavelmente ligado à devem ser motivados para que o Judiciário possa controlar o méri-
noção de bom administrador, que não somente deve ser conhece- to do ato administrativo quanto à sua legalidade. Para efetuar esse
dor da lei, mas também dos princípios éticos regentes da função controle, devem ser observados os motivos dos atos administrati-
administrativa. TODO ATO IMORAL SERÁ DIRETAMENTE vos.
ILEGAL OU AO MENOS IMPESSOAL, daí a intrínseca ligação Em relação à necessidade de motivação dos atos administra-
com os dois princípios anteriores. tivos vinculados (aqueles em que a lei aponta um único comporta-
d) Princípio da publicidade: A administração pública é obri- mento possível) e dos atos discricionários (aqueles que a lei, den-
gada a manter transparência em relação a todos seus atos e a todas tro dos limites nela previstos, aponta um ou mais comportamentos
informações armazenadas nos seus bancos de dados. Daí a publi- possíveis, de acordo com um juízo de conveniência e oportuni-
dade), a doutrina é uníssona na determinação da obrigatoriedade
24 CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de de motivação com relação aos atos administrativos vinculados;
direito administrativo. 23. ed. Rio de Janeiro: Lumen juris, todavia, diverge quanto à referida necessidade quanto aos atos dis-
2010. cricionários.
25 SPITZCOVSKY, Celso. Direito Administrativo. 26 GASPARINI, Diógenes. Direito Administrativo. 9ª
13. ed. São Paulo: Método, 2011. ed. São Paulo: Saraiva, 2004.

Didatismo e Conhecimento 55
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
Meirelles27 entende que o ato discricionário, editado sob os Parágrafo único. A constituição da Comissão de Ética será
limites da Lei, confere ao administrador uma margem de liberdade comunicada à Secretaria da Administração Federal da Presi-
para fazer um juízo de conveniência e oportunidade, não sendo dência da República, com a indicação dos respectivos membros
necessária a motivação. No entanto, se houver tal fundamentação, titulares e suplentes.
o ato deverá condicionar-se a esta, em razão da necessidade de ob-
servância da Teoria dos Motivos Determinantes. O entendimento Art. 3° Este decreto entra em vigor na data de sua publicação.
majoritário da doutrina, porém, é de que, mesmo no ato discricio-
nário, é necessária a motivação para que se saiba qual o caminho Brasília, 22 de junho de 1994, 173° da Independência e 106°
adotado pelo administrador. Gasparini28, com respaldo no art. 50 da República.
da Lei n. 9.784/98, aponta inclusive a superação de tais discussões ITAMAR FRANCO
doutrinárias, pois o referido artigo exige a motivação para todos Romildo Canhim
os atos nele elencados, compreendendo entre estes, tanto os atos
discricionários quanto os vinculados. Os principais elementos que podem ser extraídos do preâmbu-
lo do Código de Ética são:
Quando se fala num comportamento profissional conforme Trata-se de um diploma expedido pelo Presidente da Repúbli-
à ética busca-se que a atitude em serviço por parte daquele que ca à época e, como tal, permanece válido até que seja revogado,
desempenha o interesse do Estado atenda aos ditames éticos. Pode isto é, até sobrevir outro de conteúdo incompatível (revogação tá-
parecer um conceito genérico, mesmo com os esclarecimentos an- cita) ou até outro decreto ser expedido para substituí-lo (revogação
teriormente expostos, razão pela qual nos ateremos ao conteúdo da
expressa). O decreto aceita, ainda, reformas e revogações parciais:
legislação específica a respeito do comportamento dos servidores
no caso, destaca-se o Decreto n° 6.029/07, que revogou alguns
esperado no respeito à ética.
incisos do Código e que será estudado oportunamente.
Parâmetros para o conteúdo do decreto: os incisos do arti-
Considerados os princípios administrativos basilares do art.
37 da CF, destaca-se a existência de um diploma específico que go 84, já citados anteriormente, remetem ao poder regulamentar
estabelece a ação ética esperada dos servidores públicos, qual seja o Executivo; os artigos da Lei n° 8.112/90 referem-se aos deve-
o Decreto n° 1.171/94. Embora o edital do concurso em questão res e proibições do servidor público federal; os artigos da Lei n°
não tenha estabelecido o Decreto como matéria na disciplina ética, 8.429/92 tratam dos atos de improbidade administrativa.
é com base nele que se pode compreender as atitudes esperadas do A partir da aprovação do Código de Ética, ele se tornou obri-
funcionário no desempenho adequado de suas funções. gatório a todas as esferas da atividade pública. Daí a obrigação de
A adoção da forma de decreto não significa, de forma alguma, instituir o aparato próprio ao seu cumprimento, inclusive mediante
que suas diretrizes não sejam obrigatórias: o servidor público federal criação das Comissões de Ética, as quais não podem ser compostas
que desobedecê-las estará sujeito à apuração de sua conduta perante por servidores temporários.
a respectiva Comissão de Ética, que enviará informações ao proces- O decreto conferiu um prazo para cada uma das entidades da
so administrativo disciplinar, podendo gerar até mesmo a perda do administração pública federal direta ou indireta para constituir
cargo, ou aplicará a pena de censura nos casos menos graves. em seu âmbito uma Comissão de Ética que irá apurar as infrações
ao Código de Ética. Com efeito, não há nenhuma facultatividade
DECRETO N° 1.171 DE 22 DE JUNHO DE 1994 quanto ao dever de respeito ao Código de Ética, pois ele se aplica
Aprova o Código de Ética Profissional do Servidor Público tanto na administração direta quanto na indireta. A Comissão de
Civil do Poder Executivo Federal. Ética será composta por: três servidores ou empregados titulares
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições de cargo efetivo ou emprego permanente. A constituição (quando
que lhe confere o art. 84, incisos IV e VI, e ainda tendo em vista o foi criada) e a composição (quem a compõe) da Comissão deverão
disposto no art. 37 da Constituição, bem como nos arts. 116 e 117 ser informadas à Secretaria da Administração Federal da Presidên-
da Lei n° 8.112, de 11 de dezembro de 1990, e nos arts. 10, 11 e 12 cia da República.
da Lei n° 8.429, de 2 de junho de 1992,
ANEXO
DECRETA:
Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do
Art. 1° Fica aprovado o Código de Ética Profissional do Servi- Poder Executivo Federal
dor Público Civil do Poder Executivo Federal, que com este baixa.
CAPÍTULO I
Art. 2° Os órgãos e entidades da Administração Pública Fe- Seção I
deral direta e indireta implementarão, em sessenta dias, as provi- Das Regras Deontológicas
dências necessárias à plena vigência do Código de Ética, inclu-
sive mediante a Constituição da respectiva Comissão de Ética, O Direito como valor do justo é estudado pela Filosofia do
integrada por três servidores ou empregados titulares de cargo Direito na parte denominada Deontologia Jurídica, ou, no plano
efetivo ou emprego permanente. empírico e pragmático, pela Política do Direito29. Deontologia é
27 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo uma das teorias normativas segundo as quais as escolhas são
brasileiro. São Paulo: Malheiros, 1993. moralmente necessárias, proibidas ou permitidas. Portanto
28 GASPARINI, Diógenes. Direito Administrativo. 9ª 29 REALE, Miguel. Filosofia do Direito. 19. ed. São
ed. São Paulo: Saraiva, 2004. Paulo: Saraiva, 2002.

Didatismo e Conhecimento 56
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
inclui-se entre as teorias morais que orientam nossas escolhas I - A dignidade, o decoro, o zelo, a eficácia e a consciência
sobre o que deve ser feito, considerada a moral vigente. Por sua dos princípios morais são primados maiores que devem nortear
vez, a deontologia jurídica é a ciência que cuida dos deveres e o servidor público, seja no exercício do cargo ou função, ou fora
dos direitos dos operadores do Direito, bem como de seus funda- dele, já que refletirá o exercício da vocação do próprio poder esta-
mentos éticos e legais, conoslidando o valor do justo. Por isso, os tal. Seus atos, comportamentos e atitudes serão direcionados para
incisos que se seguem traduzem o comportamento moral esperado a preservação da honra e da tradição dos serviços públicos.
do servidor público não só enquanto desempenha suas funções, Primeiramente, vale compreender o sentido de algumas pala-
mas também em sua vida social. vras do inciso: por dignidade, deve-se entender autoridade mo-
Deontologia é, assim, a teoria do dever no que diz respeito ral; por decoro, compostura e decência; por zelo, cuidado e aten-
à moral; conjunto de deveres que impõe a certos profissionais o ção; por eficácia, a produção do efeito esperado.
cumprimento da sua função. Pode-se dizer ainda que a deontologia Na verdade, tudo isto abrange o que o inciso chama de cons-
consiste no conjunto de regras e princípios que regem a conduta ciência dos princípios morais: sei que devo agir de modo que ins-
de um profissional, uma ciência que estuda os deveres de uma de- pire os demais que me rodeiam, isto é, exatamente como o me-
terminada profissão. O profissional brasileiro está sujeito a uma lhor cidadão de bem; no desempenho das minhas funções, devo
deontologia própria a regular o exercício de sua profissão confor- me manter sério e comprometido, desempenhando cada uma das
atribuições recebidas com o maior cuidado e atenção possível, evi-
me o Código de Ética de sua classe. O Direito é o mínimo de moral
tando erros, de modo que o serviço que eu preste seja o melhor
para que o homem viva em sociedade e a deontologia dele decorre
que eu puder prestar.
posto que trata de direitos e deveres dos profissionais que estejam
Não basta que o funcionário aja desta forma no exercício de
sujeitos a especificidade destas normas.
suas funções, porque ele participa da sociedade e fica conhecido
O Código de Ética cria regras deontológicas de ética, isto nela. O desempenho de cargo público, por sua vez, faz com que
é, cria um sistema de princípios e fundamentos da moral, daí ele seja visto de outra forma pela sociedade, que espera dele uma
porque não se preocupa com a previsão de punição e processo conduta ilibada, ou seja, livre de vícios e compulsões. Discri-
disciplinar contra o servidor antiético, apesar de, na maioria das ção é a palavra-chave para a vida particular do servidor público,
vezes, haver coincidência entre a conduta antiética e a necessi- preservando a instituição da qual faz parte. Por exemplo, quem se
dade de punição administrativa. A verdadeira intenção do Código sentiria bem em ser atendido por um funcionário que é sempre vis-
de Ética foi estimular os órgãos e entidades públicas federais a to embriagado em bares ou provocando confusões familiares, por
promoverem o debate sobre a ética, para que ela, e as discussões mais que os serviços por ele desempenhados sejam de qualidade?
que dela se extrai, permeie amiúde as repartições, até com natu- O comportamento ético do servidor público na sua vida parti-
ralidade. cular só é exigível se, pela natureza do cargo, houver uma razoável
“Muitas são as virtudes que um profissional precisa ter para exigência do servidor se comportar moralmente, como invariavel-
que desenvolva com eficácia seu trabalho. Em verdade, múltiplas mente ocorre nas carreiras típicas de Estado. O que dizer então do
exigências existem, mas entre elas, destacam-se algumas, básicas, Decreto nº 1.171, de 1994, que impõe o comportamento ético e
sem as quais se impossibilita a consecução do êxito moral. Quase moral de todo e qualquer servidor, na sua vida particular, indepen-
sempre, na maioria dos casos, o sucesso profissional se az acompa- dentemente da natureza do seu cargo? Quando tal Código estabele-
nhar de condutas fundamentais corretas. Tais virtudes básicas são ce, logo no Capítulo I do Anexo, algumas “Regras Deontológicas”,
comuns a quase todas as profissões [...]. Virtudes básicas profissio- quer dizer que o servidor público está envolto em um sistema onde
nais são aquelas indispensáveis, sem as quais não se consegue a a moral tem forte influência no desenvolvimento da sua carreira
realização de um exercício ético competente, seja qual for a natu- pública. Assim, quem passa pelo serviço público sabe ou deveria
reza do serviço prestado. Tais virtudes devem formar a consciência saber que a promoção profissional e o adequado cumprimento das
ética estrutural, os alicerces do caráter e, em conjunto, habilitarem atribuições do cargo estão condicionados também pela ética e, as-
o profissional ao êxito em seu desempenho” 30. sim, pelo comportamento particular do servidor.
Para bem compreender o conteúdo dos incisos que se seguem,
II - O servidor público não poderá jamais desprezar o ele-
é importante pensar: se eu fosse a pessoa buscando atendimento no
mento ético de sua conduta. Assim, não terá que decidir somente
órgão público em questão, como eu gostaria de ser tratado? Qual o
entre o legal e o ilegal, o justo e o injusto, o conveniente e o in-
tipo de funcionário que eu gostaria que fosse responsável pela so-
conveniente, o oportuno e o inoportuno, mas principalmente entre
lução do meu problema? Enfim, basta lembrar da regra de ouro da
o honesto e o desonesto, consoante as regras contidas no art. 37,
moralidade, pela qual eu somente devo fazer algo se racionalmente caput, e § 4°, da Constituição Federal.
desejar que todas as pessoas ajam da mesma forma - inclusive em Este inciso traz alguns binômios abrangidos pelo conceito de
relação a mim, ou seja, “age de tal modo que a máxima de tua ética que se contrapõem. Com efeito, o servidor deve sempre esco-
vontade possa valer-te sempre como princípio de uma legislação lher o conveniente, o oportuno, o justo e o honesto. No caso, par-
universal”31. te-se das escolhas de menor relevância para aquelas fundamentais,
que envolvem a opção pelo justo e honesto. Estes são os principais
valores morais exigidos pelo inciso. Quando se fala que é preci-
30 SÁ, Antônio Lopes de. Ética profissional. 9. ed. so escolher acima de tudo entre honesto e desonesto, evidencia-se
São Paulo: Atlas, 2010. que o Código busca mais do que o respeito à lei, e sim a efetiva
31 KANT, Immanuel. Crítica da Razão Prática. ação conforme a moralidade.
Tradução Paulo Barrera. São Paulo: Ícone, 2005, p. 32.

Didatismo e Conhecimento 57
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
Vale destacar o artigo 37 da Constituição Federal, ao qual o Fascinado pela preocupação monetária, a ele pouco importa o que
inciso em estudo faz remissão e que foi estudado em detalhes na ocorre com a sua comunidade e muito menos com a sociedade.
introdução ao tópico. [...] O egoísmo desenfreado pode atingir um número expressivo
de pessoas e até, através delas, influenciar o destino de nações,
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer partindo da ausência de conduta virtuosa de minorias poderosas,
dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Mu- preocupadas apenas com seus lucros. [...] Sabemos que a conduta
nicípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, do ser humano tende ao egoísmo, repetimos, mas, para os interes-
moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: [...] ses de uma classe, de toda uma sociedade, é preciso que se aco-
§ 4º Os atos de improbidade administrativa importarão mode às normas, porque estas devem estar apoiadas em princípios
a suspensão dos direitos políticos, a perda da função pública, a de virtude. Como só a atitude virtuosa tem condições de garantir o
indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma bem comum, a Ética tem sido o caminho justo, adequado, para o
e gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível. benefício geral” 32.

Nota-se que o inciso faz referência ao §4°, que traz as conse- V - O trabalho desenvolvido pelo servidor público perante a
comunidade deve ser entendido como acréscimo ao seu próprio
quências dos atos de improbidade administrativa, que poderão
bem-estar, já que, como cidadão, integrante da sociedade, o êxito
variar conforme o grau de gravidade (uma das sanções possíveis é
desse trabalho pode ser considerado como seu maior patrimônio.
a de obrigar o servidor a devolver o dinheiro aos cofres públicos, o
O cidadão paga impostos e demais tributos apenas para que
que se entende por ressarcir o erário). o Estado garanta a ele a prestação do melhor serviço público pos-
sível, isto é, a manutenção de uma sociedade justa e bem estrutu-
III - A moralidade da Administração Pública não se limita à rada. O mesmo dinheiro que sai dos bolsos do cidadão, inclusive
distinção entre o bem e o mal, devendo ser acrescida da ideia de do próprio servidor público, é o que remunera os serviços por ele
que o fim é sempre o bem comum. O equilíbrio entre a legalidade prestados. Por isso, agir contra a moral é insultante, mais que um
e a finalidade, na conduta do servidor público, é que poderá con- aproveitamento da máquina estatal, é um desrespeito ao cidadão
solidar a moralidade do ato administrativo. honesto que paga parte do que recebe ao Estado.
Bem e mal são conceitos que transcendem a esfera particular. Assim, para bem aplicar o Direito é preciso agir conforme a
O servidor público não deve pensar por uma pessoa, mas por toda moralidade administrativa, sob pena de mais que violar a lei, tam-
a sociedade. Assim, não se deve agir de uma forma para beneficiar bém desrespeitar o bem comum e prejudicar a sociedade como um
um particular - ainda que isso possa ser um bem para ele, é injusto todo - inclusive a si próprio.
para com a sociedade que uma pessoa seja tratada melhor que a No mais, chama-se atenção à vedação de que o servidor re-
outra. O fim da atitude do servidor é o bem comum, ou seja, o ceba do particular qualquer verba extra: sua remuneração já
bem da coletividade. O coletivo sempre deve prevalecer sobre o é paga pelo particular, por meio dos impostos, não devendo pre-
particular. tender mais do que aquilo. Isto não significa que o patrimônio do
Por isso, o servidor deve equilibrar a legalidade, que é o res- servidor seja apenas o seu salário - há um patrimônio inerente à
peito ao que a lei determina, e a finalidade, que é a busca do fim da boa prestação do serviço, proporcionando a melhoria da sociedade
preservação do bem comum. Assim, o respeito à lei é fundamental, em que vive.
mas a atitude do servidor não pode cair numa burocratização sem
sentido, ou seja, o respeito às minúcias da lei não pode prejudicar VI - A função pública deve ser tida como exercício profissio-
o bem comum, sob pena de violar a moralidade. nal e, portanto, se integra na vida particular de cada servidor
público. Assim, os fatos e atos verificados na conduta do dia-a-
IV - A remuneração do servidor público é custeada pelos tri- -dia em sua vida privada poderão acrescer ou diminuir o seu bom
butos pagos direta ou indiretamente por todos, até por ele próprio, conceito na vida funcional.
Reiterando o que foi dito no inciso I, o Código de Ética lembra
e por isso se exige, como contrapartida, que a moralidade admi-
que um funcionário público carrega consigo a imagem da admi-
nistrativa se integre no Direito, como elemento indissociável de
nistração pública, ou seja, não é servidor público apenas quando
sua aplicação e de sua finalidade, erigindo-se, como consequên-
está desempenhando suas funções, mas o tempo todo. Por isso, não
cia, em fator de legalidade. importa ser o melhor funcionário público da repartição se a vida
O servidor público deve colocar de lado seus interesses egoís- particular estiver devassada, isto é, se não agir com discrição, coe-
ticos e buscar a aplicação da moralidade no Direito, lembrando que rência, compostura e moralidade também na vida particular. Isso
quem paga pelos seus serviços é a sociedade como um todo. “Pa- implica em ser um bom pai/mãe, uma pessoa livre de vícios, um
rece ser uma tendência do ser humano, como tem sido objeto de cidadão reservado e cumpridor de seus deveres sociais.
referência de muitos estudiosos, a de defender, em primeiro lugar,
seus interesses próprios, quando, entretanto, esses são de natureza VII - Salvo os casos de segurança nacional, investigações
pouco recomendável, ocorrem seriíssimos problemas. Quando o policiais ou interesse superior do Estado e da Administração Pú-
trabalho é executado só para auferir renda, em geral, tem seu valor blica, a serem preservados em processo previamente declarado
restrito. Por outro lado, nos serviços realizados com amor, visan- sigiloso, nos termos da lei, a publicidade de qualquer ato adminis-
do ao benefício de terceiros, dentro de vasto raio de ação, com trativo constitui requisito de eficácia e moralidade, ensejando sua
consciência do bem comum, passa a existir a expressão social do omissão comprometimento ético contra o bem comum, imputável
mesmo. O valor ético do esforço é, pois, variável de acordo com a quem a negar.
seu alcance em face da comunidade. Aquele que só se preocupa 32 SÁ, Antônio Lopes de. Ética profissional. 9. ed.
com os lucros, geralmente, tende a ter menor consciência de grupo. São Paulo: Atlas, 2010.

Didatismo e Conhecimento 58
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
Como visto, a publicidade é um princípio basilar da adminis- A responsabilidade civil, assim, difere-se da penal, podendo
tração pública, ao lado da moralidade. Como tal, caminha lado a recair sobre os herdeiros do autor do ilícito até os limites da heran-
lado com ela. Não cabe ao servidor público negar o acesso à infor- ça, embora existam reflexos na ação que apure a responsabilidade
mação por parte do cidadão, salvo em situações especiais. Nota-se civil conforme o resultado na esfera penal (por exemplo, uma ab-
que “quando benefícios morais se fazem exigíveis, especificamen- solvição por negativa de autoria impede a condenação na esfera
te, para um desempenho de labor, forçoso é cumpri-los; só pode- cível, ao passo que uma absolvição por falta de provas não o faz).
mos justificar o não cumprimento quando fatores de ordem muito Genericamente, os elementos da responsabilidade civil se en-
superior o possam impedir, pois o descumprimento será sempre contram no art. 186 do Código Civil: “aquele que, por ação ou
uma lesão à consciência ética” 33. omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e
ATENÇÃO: O dispositivo autoriza que os atos administrati- causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete
vos não sejam públicos em situações excepcionais, quais sejam ato ilícito”. Este é o artigo central do instituto da responsabilidade
segurança nacional, investigações policiais e interesse superior do civil, que tem como elementos: ação ou omissão voluntária (agir
Estado e da Administração Pública.
como não se deve ou deixar de agir como se deve), culpa ou dolo
do agente (dolo é a vontade de cometer uma violação de direito e
VIII - Toda pessoa tem direito à verdade. O servidor não pode
culpa é a falta de diligência), nexo causal (relação de causa e efeito
omiti-la ou falseá-la, ainda que contrária aos interesses da pró-
entre a ação/omissão e o dano causado) e dano (dano é o prejuízo
pria pessoa interessada ou da Administração Pública. Nenhum
Estado pode crescer ou estabilizar-se sobre o poder corruptivo do sofrido pelo agente, que pode ser individual ou coletivo, moral ou
hábito do erro, da opressão ou da mentira, que sempre aniquilam material, econômico e não econômico).
até mesmo a dignidade humana quanto mais a de uma Nação. Prevê o artigo 37, §6° da Constituição Federal: “As pessoas
Mentir é uma atitude contrária à moralidade esperada do ser- jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de
vidor público, ainda mais se tal mentira se referir à função desem- serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa
penhada, por exemplo, negando a prática de um ato ou informando qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso
erroneamente um cidadão. Não existe uma hipótese em que mentir contra o responsável nos casos de dolo ou culpa”. Este artigo deixa
é aceito: não importa se dizer a verdade implicará em prejuízo clara a formação de uma relação jurídica autônoma entre o Esta-
à Administração Pública. do e o agente público que causou o dano no desempenho de suas
Se o Estado errar, e isso pode acontecer, não deverá se eximir funções. Nesta relação, a responsabilidade civil será subjetiva, ou
de seu erro com base em uma mentira, pois isto ofende a integri- seja, caberá ao Estado provar a culpa do agente pelo dano causado,
dade dos cidadãos e da própria Nação. Para ser um bom país, não ao qual foi anteriormente condenado a reparar. Direito de regresso
é preciso se fundar em erros ou mentiras, mas sim se esforçar ao é justamente o direito de acionar o causador direto do dano para
máximo para evitá-los e corrigi-los. obter de volta aquilo que pagou à vítima, considerada a existência
de uma relação obrigacional que se forma entre a vítima e a insti-
IX - A cortesia, a boa vontade, o cuidado e o tempo dedicados tuição que o agente compõe.
ao serviço público caracterizam o esforço pela disciplina. Tratar Assim, o Estado responde pelos danos que seu agente causar
mal uma pessoa que paga seus tributos direta ou indiretamente aos membros da sociedade, mas se este agente agiu com dolo ou
significa causar-lhe dano moral. Da mesma forma, causar dano a culpa deverá ressarcir o Estado do que foi pago à vítima. O agente
qualquer bem pertencente ao patrimônio público, deteriorando-o, causará danos ao praticar condutas incompatíveis com o compor-
por descuido ou má vontade, não constitui apenas uma ofensa ao tamento ético dele esperado.35
equipamento e às instalações ou ao Estado, mas a todos os ho- A responsabilidade civil do servidor exige prévio processo
mens de boa vontade que dedicaram sua inteligência, seu tempo, administrativo disciplinar no qual seja assegurado contraditório e
suas esperanças e seus esforços para construí-los. ampla defesa.
Quem nunca chegou a uma repartição pública ou cartório e
Trata-se de responsabilidade civil subjetiva ou com culpa.
recebeu um tratamento ruim por parte de um funcionário? Infeliz-
Havendo ação ou omissão com culpa do servidor que gere dano ao
mente, esta é uma atitude comum no serviço público. Contudo, o
erário (Administração) ou a terceiro (administrado), o servidor terá
esperado do servidor é que ele atenda aos cidadãos com atenção e
o dever de indenizar.
boa vontade, fazendo tudo o possível para ajudá-lo, despendendo
o tempo necessário e tomando as devidas cautelas. Mais do que incômodo, maltratar um cidadão que busca aten-
O instituto da responsabilidade civil é parte integrante do di- dimento pode caracterizar dano moral, isto é, gerar tamanho aba-
reito obrigacional, uma vez que a principal consequência da prá- lo emocional e psicológico que implique num dano. Apesar deste
tica de um ato ilícito é a obrigação que gera para o seu auto de dano não ser econômico, isto é, de a dor causada não ter meio de
reparar o dano, mediante o pagamento de indenização que se re- compensação financeiro que a repare, o juiz estabelecerá um valor
fere às perdas e danos. Afinal, quem pratica um ato ou incorre em que a compense razoavelmente.
omissão que gere dano deve suportar as consequências jurídicas Por sua vez, deteriorar o patrimônio público caracteriza dano
decorrentes, restaurando-se o equilíbrio social.34 material. No caso, há um correspondente financeiro direto, de
modo que a condenação será no sentido de pagar ao Estado o equi-
33 SÁ, Antônio Lopes de. Ética profissional. 9. ed. valente ao bem destruído ou deteriorado.
São Paulo: Atlas, 2010.
34 GONÇALVES, Carlos Roberto. Responsabili- 35 SPITZCOVSKY, Celso. Direito Administrativo.
dade Civil. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 2005. 13. ed. São Paulo: Método, 2011.

Didatismo e Conhecimento 59
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
X - Deixar o servidor público qualquer pessoa à espera de XIII - O servidor que trabalha em harmonia com a estrutura
solução que compete ao setor em que exerça suas funções, per- organizacional, respeitando seus colegas e cada concidadão, co-
mitindo a formação de longas filas, ou qualquer outra espécie de labora e de todos pode receber colaboração, pois sua atividade
atraso na prestação do serviço, não caracteriza apenas atitude pública é a grande oportunidade para o crescimento e o engran-
contra a ética ou ato de desumanidade, mas principalmente grave decimento da Nação.
dano moral aos usuários dos serviços públicos. O bom desempenho das funções a o agir conforme o esperado
Este inciso é um desdobramento do inciso anterior, descreven- pela sociedade implica numa boa imagem do servidor público, o
do um tipo específico de conduta imoral com relação ao usuário do que permite que ele receba apoio dos demais quando realmente
serviço público, qual seja a de deixá-lo esperando por atendimento precisar.
que seja de sua competência. Claro, a espera é algo natural, nota- “É inequívoco que o trabalho individual influencia e recebe
damente quando o atendimento estiver sobrecarregado. O que o influências do meio onde é praticado. Não é, pois, somente em seu
grupo que o profissional dá sua contribuição ou a sonega. Quan-
inciso pretende vetar é que as filas se alonguem quando o servidor
do adquire a consciência do valor social de sua ação, da vontade
enrola no atendimento, enfim, age com preguiça e desânimo.
volvida ao geral, pode realizar importantes feitos que alcançam
repercussão ampla” 37.
XI - O servidor deve prestar toda a sua atenção às ordens le-
gais de seus superiores, velando atentamente por seu cumprimen- Seção II
to, e, assim, evitando a conduta negligente. Os repetidos erros, o Dos Principais Deveres do Servidor Público
descaso e o acúmulo de desvios tornam-se, às vezes, difíceis de
corrigir e caracterizam até mesmo imprudência no desempenho XIV - São deveres fundamentais do servidor público:
da função pública. Embora se trate de outra seção do Código de Ética, há conti-
Dentro do serviço público há uma hierarquia, que deve ser nuidade no tratamento do agir moral esperado do servidor público.
obedecida para a boa execução das atividades. Seria uma desor- No caso, são elencados alguns deveres essenciais que devem ser
dem se todos mandassem e se cada qual decidisse que função iria obedecidos.
desempenhar. Por isso, cabe o respeito ao que o superior determi- “Todas as capacidades necessárias ou exigíveis para o desem-
na, executando as funções da melhor forma possível. penho eficaz da profissão são deveres éticos. Sendo o propósito do
“A razão pela qual se exige uma disciplina do homem em seu exercício profissional a prestação de uma utilidade a terceiros, to-
grupo repousa no fato de que as associações possuem, por suas na- das as qualidades pertinentes à satisfação da necessidade, de quem
turezas, uma necessidade de equilíbrio que só se encontra quando requer a tarefa, passam a ser uma obrigação perante o desempe-
a autonomia dos seres se coordena na finalidade do todo. É a lei nho. Logo, um complexo de deveres envolve a vida profissional,
dos sistemas que se torna imperiosa, do átomo às galáxias, de cada sob os ângulos da conduta a ser seguida para a execução de um
indivíduo até sua sociedade. [...] Cada ser, assim como a somatória trabalho” 38.
deles em classe profissional, tem seu comportamento específico, a) desempenhar, a tempo, as atribuições do cargo, função ou
guiado pela característica do trabalho executado. Cada conjunto emprego público de que seja titular;
Cabe ao servidor público desempenhar todas as atribuições
de profissionais deve seguir uma ordem que permita a evolução
inerentes à posição de que seja titular.
harmônica do trabalho de todos, a partir da conduta de cada um,
b) exercer suas atribuições com rapidez, perfeição e rendi-
através de uma tutela no trabalho que conduza a regularização do mento, pondo fim ou procurando prioritariamente resolver situa-
individualismo perante o coletivo” 36. ções procrastinatórias, principalmente diante de filas ou de qual-
Negligência é a omissão no agir como se deve, isto é, é dei- quer outra espécie de atraso na prestação dos serviços pelo setor
xar de fazer aquilo que lhe foi atribuído. As condutas negligentes em que exerça suas atribuições, com o fim de evitar dano moral
devem ser evitadas, de modo que os erros sejam minimizados, a ao usuário;
atenção seja uma marca do serviço e a retidão algo sempre pre- O desempenho de funções deve se dar de forma eficiente.
sente. Imprudência, por sua vez, é o agir sem cuidado, sem zelo, Situações procrastinatórias são aquelas que adiam a prestação do
causando prejuízo ao serviço público. serviço público. Procrastinar significa enrolar, adiar, fugir ao dever
de prestar o serviço, lerdear. Cabe ao servidor público não deixar
XII - Toda ausência injustificada do servidor de seu local de para amanhã o que pode fazer no dia e agilizar ainda mais o seu
trabalho é fator de desmoralização do serviço público, o que qua- serviço quando houver acúmulo de trabalho ou de filas, inclusive
se sempre conduz à desordem nas relações humanas. para evitar dano moral ao cidadão.
O servidor público tem obrigação de comparecer religiosa- c) ser probo, reto, leal e justo, demonstrando toda a integri-
mente em seu local de trabalho no horário determinado. Todas as dade do seu caráter, escolhendo sempre, quando estiver diante de
ausências devem ser evitadas e, quando inevitáveis, devem ser duas opções, a melhor e a mais vantajosa para o bem comum;
justificadas. Honestidade, retidão, lealdade e justiça são valores morais
Os demais funcionários e a sociedade sempre ficam atentos às consolidados na sociedade, refletindo o caráter da pessoa. O ser-
atitudes do servidor público e qualquer percepção de relaxo no de- vidor público deve erigir tais valores, sempre fazendo a melhor
sempenho das funções será observada, notadamente no que tange escolha para a coletividade.
a ausências frequentes. 37 SÁ, Antônio Lopes de. Ética profissional. 9. ed.
São Paulo: Atlas, 2010.
36 SÁ, Antônio Lopes de. Ética profissional. 9. ed. 38 SÁ, Antônio Lopes de. Ética profissional. 9. ed.
São Paulo: Atlas, 2010. São Paulo: Atlas, 2010.

Didatismo e Conhecimento 60
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
d) jamais retardar qualquer prestação de contas, condição O Supremo Tribunal Federal decidiu que os servidores públi-
essencial da gestão dos bens, direitos e serviços da coletividade cos possuem o direito de greve, devendo se atentar pela preserva-
a seu cargo; ção da sociedade quando exercê-lo. Enquanto não for elaborada
Prestar contas é uma atitude obrigatória por parte de todos uma legislação específica para os funcionários públicos, deverá ser
aqueles que cuidam de algo que não lhe pertence. No caso, o ser- obedecida a lei geral de greve para os funcionários privados, qual
vidor público cuida do patrimônio do Estado. Por isso, sempre seja a Lei n° 7.783/89 (Mandado de Injunção nº 20).
deverá prestar contas a respeito deste patrimônio, relatando a sua l) ser assíduo e frequente ao serviço, na certeza de que sua
situação e garantindo que ele seja preservado. ausência provoca danos ao trabalho ordenado, refletindo negati-
e) tratar cuidadosamente os usuários dos serviços aperfei- vamente em todo o sistema;
çoando o processo de comunicação e contato com o público; m) comunicar imediatamente a seus superiores todo e qual-
A atitude ética esperada do servidor público consiste em exer- quer ato ou fato contrário ao interesse público, exigindo as provi-
cer suas funções de forma adequada, sempre atendendo da melhor dências cabíveis;
forma possível os usuários. n) manter limpo e em perfeita ordem o local de trabalho, se-
f) ter consciência de que seu trabalho é regido por princípios guindo os métodos mais adequados à sua organização e distri-
éticos que se materializam na adequada prestação dos serviços buição;
públicos; Os três incisos acima reiteram deveres constantemente enu-
Os funcionários públicos nunca podem perder de vista o dever merados pelo Código de Ética como o de comparecimento assíduo
ético que eles possuem com relação à sociedade como um todo, e pontual no local de trabalho, o de comunicação de atos contrários
que é o de respeito à moralidade insculpida no texto constitucio- ao interesse público (inclusive os praticados por seus superiores)
nal. “A consciência ética busca ser cidadã e, por isso, faz da ho- e o de preservação do local de trabalho (mantendo-o limpo e or-
nestidade pessoal um caminho certo para a ética pública. Vivendo ganizado).
numa República, estamos tratando da ‘coisa pública’, do que é de o) participar dos movimentos e estudos que se relacionem
com a melhoria do exercício de suas funções, tendo por escopo a
todos; isso requer vida administrativa e política transparente, numa
realização do bem comum;
disposição a colocar-se a serviço de toda a coletividade”39.
Frequentemente, são promovidos cursos de aperfeiçoamento
g) ser cortês, ter urbanidade, disponibilidade e atenção, res-
pela própria instituição, sem contar aqueles disponibilizados por
peitando a capacidade e as limitações individuais de todos os
faculdades e cursos técnicos. Cabe ao servidor público participar
usuários do serviço público, sem qualquer espécie de preconcei-
sempre que for benéfico à melhoria de suas funções.
to ou distinção de raça, sexo, nacionalidade, cor, idade, religião,
“O valor do exercício profissional tende a aumentar à medida
cunho político e posição social, abstendo-se, dessa forma, de cau-
que o profissional também aumentar sua cultura, especialmente em
sar-lhes dano moral;
ramos do saber aplicáveis a todos os demais, como são os relativos
Para bem atender os usuários, é preciso tratá-los com igual-
às culturas filosóficas, matemáticas e históricas. Uma classe que se
dade, sem preconceitos de qualquer natureza. Vale lembrar que o sustenta em elites cultas te garantida sua posição social, porque se
tratamento preconceituoso e mal-educado caracteriza dano moral, habilita às lideranças e aos postos de comando no poder. A espe-
cabendo reparação. cialização tem sua utilidade, seu valor, sendo impossível negar tal
h) ter respeito à hierarquia, porém sem nenhum temor de re- evidência [...]”40.
presentar contra qualquer comprometimento indevido da estrutu- p) apresentar-se ao trabalho com vestimentas adequadas ao
ra em que se funda o Poder Estatal; exercício da função;
i) resistir a todas as pressões de superiores hierárquicos, de A roupa vestida pelo servidor público também reflete sua au-
contratantes, interessados e outros que visem obter quaisquer fa- toridade moral no exercício das funções. Por exemplo, é absurdo
vores, benesses ou vantagens indevidas em decorrência de ações chegar ao local de trabalho utilizando bermuda e chinelo, refletin-
imorais, ilegais ou aéticas e denunciá-las; do uma imagem de descaso do serviço público. As roupas devem
O respeito à hierarquia é algo necessário ao setor público, pois ser sóbrias, compatíveis com a seriedade esperada da Administra-
se ele não existisse as atividades seriam desempenhadas de forma ção Pública e de seus funcionários.
desorganizada, logo, ineficiente. Isso não significa, contudo, que o q) manter-se atualizado com as instruções, as normas de ser-
servidor deva obedecer a todas as ordens sem questioná-las, nota- viço e a legislação pertinentes ao órgão onde exerce suas funções;
damente quando perceber que a atitude de seu superior contraria A regulamentação das funções exercidas pelos órgãos admi-
os interesses do bem comum, nem que deva ter medo de denunciar nistrativos está sempre mudando, cabendo ao servidor público se
atitudes antiéticas de seus superiores ou colegas. manter atualizado.
São atitudes que não podem ser aceitas por parte dos supe- r) cumprir, de acordo com as normas do serviço e as instru-
riores ou de pessoas que contratem ou busquem serviços do poder ções superiores, as tarefas de seu cargo ou função, tanto quanto
público: obtenção de favores, benefícios ou vantagens indevidas, possível, com critério, segurança e rapidez, mantendo tudo sem-
imorais, ilegais ou antiéticas. Ao se deparar com estas atitudes, pre em boa ordem.
deverá denunciá-las. A alínea reflete uma síntese do agir moral esperado do ser-
j) zelar, no exercício do direito de greve, pelas exigências es- vidor público, refletindo a prestação do serviço com eficiência e
pecíficas da defesa da vida e da segurança coletiva; respeito à lei, atendendo ao bem comum.
39 AGOSTINI, Frei Nilo. Ética: diálogo e compromis- 40 SÁ, Antônio Lopes de. Ética profissional. 9. ed.
so. São Paulo: FTD, 2010. São Paulo: Atlas, 2010.

Didatismo e Conhecimento 61
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
s) facilitar a fiscalização de todos atos ou serviços por quem c) ser, em função de seu espírito de solidariedade, conivente
de direito; com erro ou infração a este Código de Ética ou ao Código de Ética
As atividades de fiscalização são usuais no serviço público e, de sua profissão;
por isso, os ficais devem ser bem atendidos, cabendo ao servidor Como visto, é dever do servidor público denunciar aqueles
demonstrar que as atividades atribuídas estão sendo prestadas con- que desrespeitem o Código de Ética, bem como obedecê-lo estrita-
forme a lei determina. mente. Não deve pensar que cobrir o erro do outro é algo solidário,
t) exercer com estrita moderação as prerrogativas funcionais porque todos os erros cometidos numa função pública são preju-
que lhe sejam atribuídas, abstendo-se de fazê-lo contrariamente diciais à sociedade.
aos legítimos interesses dos usuários do serviço público e dos ju- d) usar de artifícios para procrastinar ou dificultar o exer-
risdicionados administrativos; cício regular de direito por qualquer pessoa, causando-lhe dano
Prerrogativas funcionais são garantias atribuídas pela lei ao moral ou material;
servidor público para que ele possa bem desempenhar suas fun- O trabalho não deve ser adiado, mas sim prestado de forma
ções. Não cabe exercê-las a torto e direito, é preciso ter razoabi- rápida e eficaz, sob pena de causar dano moral ou material aos
lidade, moderação. Assim, quando invocá-las, o servidor público usuários e ao Estado.
será levado a sério. Na esfera penal, pode incidir no crime de prevaricação (art.
u) abster-se, de forma absoluta, de exercer sua função, po- 319, CP):
der ou autoridade com finalidade estranha ao interesse público,
mesmo que observando as formalidades legais e não cometendo Prevaricação
qualquer violação expressa à lei; Art. 319. Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato
O servidor público deve agir conforme a lei determina, ob- de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para
servando-a estritamente, preservando assim os interesses da so- satisfazer interesse ou sentimento pessoal:
ciedade. Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.
v) divulgar e informar a todos os integrantes da sua classe so-
bre a existência deste Código de Ética, estimulando o seu integral e) deixar de utilizar os avanços técnicos e científicos ao seu
cumprimento. alcance ou do seu conhecimento para atendimento do seu mister;
O Código de Ética é o principal instrumento jurídico que trata A incorporação da tecnologia aos serviços públicos, aproxi-
das atitudes do servidor público esperadas e vedadas. É preciso mando-o da sociedade, é chamada de governança eletrônica. Cabe
obedecer suas diretrizes e aconselhar a sua leitura àqueles que o ao servidor público saber lidar bem com tais tecnologias, pois elas
desconheçam. melhoram a qualidade do serviço prestado.
f) permitir que perseguições, simpatias, antipatias, caprichos,
Seção III paixões ou interesses de ordem pessoal interfiram no trato com o
Das Vedações ao Servidor Público público, com os jurisdicionados administrativos ou com colegas
hierarquicamente superiores ou inferiores;
XV - É vedado ao servidor público; O funcionário público deve agir com impessoalidade na pres-
Nesta seção, são descritas algumas atitudes que contrariam as tação do serviço, tratando todas as pessoas igualmente, tanto os
diretrizes do Código de Ética. Trata-se de um rol exemplificativo, usuários quanto os colegas de trabalho.
ou seja, que pode ser ampliado por um juízo de interpretação das g) pleitear, solicitar, provocar, sugerir ou receber qualquer
regras éticas até então estudadas. tipo de ajuda financeira, gratificação, prêmio, comissão, doação
ATENÇÃO: não será necessário gravar todas estas regras se o ou vantagem de qualquer espécie, para si, familiares ou qualquer
candidato se atentar ao fato de que elas se contrapõem às atitudes pessoa, para o cumprimento da sua missão ou para influenciar
corretas até então estudadas. Por óbvio, não agir da forma estabe- outro servidor para o mesmo fim;
lecida caracteriza violação dos deveres éticos, o que é proibido. A remuneração do servidor público já é paga pelo Estado, fo-
a) o uso do cargo ou função, facilidades, amizades, tempo, mentada pelos tributos do contribuinte. Não cabe ao servidor bus-
posição e influências, para obter qualquer favorecimento, para si car bônus indevidos pela prestação de seus serviços, seja solicitan-
ou para outrem; do (caso que caracteriza crime de corrupção - art. 317, CP), seja
O cargo público é para a sociedade, não para o indivíduo. Por exigindo (restando presente o crime de concussão - art. 316, CP).
isso, ele não pode se beneficiar dele indevidamente. A esta descri- Caso o faça, se sujeitará às penas cíveis, penais e administrativas.
ção corresponde o tipo criminal da corrupção passiva, prescrito no h) alterar ou deturpar o teor de documentos que deva encami-
Código Penal em seu artigo 317 nos seguintes termos: nhar para providências;
Caso o faça, além das sanções cíveis e administrativas, incorre
Corrupção passiva na prática do crime de alterar ou deturpar (modificar, alterar para
Art. 317 - Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta pior; desfigurar; corromper; adulterar) dados de documentos pode
ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, configurar o crime previsto no artigo 313-A, do Código Penal:
mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal
vantagem: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. Inserção de dados falsos em sistema de informações
Art. 313-A. Inserir ou facilitar, o funcionário autorizado, a
b) prejudicar deliberadamente a reputação de outros servido- inserção de dados falsos, alterar ou excluir indevidamente dados
res ou de cidadãos que deles dependam; corretos nos sistemas informatizados ou bancos de dados da Ad-
Causar intrigas no trabalho, fazer fofocas e se negar a ajudar ministração Pública com o fim de obter vantagem indevida para si
os demais cidadãos que busquem atendimento é uma clara viola- ou para outrem ou para causar dano: Pena - reclusão, de 2 (dois)
ção ao dever ético. a 12 (doze) anos, e multa.

Didatismo e Conhecimento 62
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
i) iludir ou tentar iludir qualquer pessoa que necessite do n) apresentar-se embriagado no serviço ou fora dele habi-
atendimento em serviços públicos; tualmente;
Como visto, o funcionário público deve atender com eficiên- Trata-se de ato típico de falta de decoro e retidão, valore mo-
cia o usuário do serviço, prestando todas as informações da ma- rais inerentes à boa prestação do serviço público.
neira mais correta e verdadeira possível, sem mentiras ou ilusões. o) dar o seu concurso a qualquer instituição que atente contra
j) desviar servidor público para atendimento a interesse par- a moral, a honestidade ou a dignidade da pessoa humana;
ticular; p) exercer atividade profissional aética ou ligar o seu nome a
Todos os servidores públicos são contratados pelo Estado, de- empreendimentos de cunho duvidoso.
vendo prestar serviços que atendam ao seu interesse. Por isso, um O servidor público, seja na vida privada, seja no exercício das
servidor não pode pedir ao seu subordinado que lhe preste serviços funções, não deve se filiar a instituições que contrariem a moral,
particulares, por exemplo, pagar uma conta pessoal em agência por exemplo, que incitem o preconceito e a desordem pública. Afi-
bancária, telefonar para consultórios para agendar consultas, fazer nal, o servidor público é um espelho para a sociedade, devendo
compras num supermercado. refletir seus valores tradicionais.
l) retirar da repartição pública, sem estar legalmente autori-
zado, qualquer documento, livro ou bem pertencente ao patrimô- CAPÍTULO II
nio público; DAS COMISSÕES DE ÉTICA
Os bens que se encontram no local de trabalho pertencem
à máquina estatal e devem ser utilizados exclusivamente para a XVI - Em todos os órgãos e entidades da Administração Pú-
prestação do serviço público, não podendo o funcionário retirá-los blica Federal direta, indireta autárquica e fundacional, ou em
de lá. Se o fizer, responde civil e administrativamente, bem como qualquer órgão ou entidade que exerça atribuições delegadas
criminalmente por peculato (art. 312, CP). pelo poder público, deverá ser criada uma Comissão de Ética,
encarregada de orientar e aconselhar sobre a ética profissional
Peculato do servidor, no tratamento com as pessoas e com o patrimônio
Art. 312 - Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, va- público, competindo-lhe conhecer concretamente de imputação ou
lor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que de procedimento suscetível de censura.
tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio “Estabelecido um código de ética, para uma classe, cada indi-
ou alheio: víduo a ele passa a subordinar-se, sob pena de incorrer em trans-
Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa. gressão, punível pelo órgão competente, incumbido de fiscalizar o
§ 1º - Aplica-se a mesma pena, se o funcionário público, exercício profissional. [...] A fiscalização do exercício da profissão
embora não tendo a posse do dinheiro, valor ou bem, o subtrai, ou pelos órgãos de classe compreende as fases preventiva (ou edu-
concorre para que seja subtraído, em proveito próprio ou alheio, cacional) e executiva (ou de direta verificação da qualidade das
valendo-se de facilidade que lhe proporciona a qualidade de práticas). Grande parte dos erros cometidos derivam-se em par-
funcionário. te do pouco conhecimento sobre a conduta, ou seja, da educação
insuficiente, e outra parte, bem menor, deriva-se de atos propo-
Peculato caracteriza-se pela subtração ou desvio, por abuso de sitadamente praticados. Os órgãos de fiscalização assumem, por
confiança, de dinheiro ou de coisa móvel apreciável economica- conseguinte, um papel relevante de garantia sobre a qualidade dos
mente, para proveito próprio ou alheio, por servidor público que o serviços prestados e da conduta humana dos profissionais” 41.
administra ou guarda. Com efeito, as Comissões de Ética possuem função de orien-
tação e aconselhamento, devendo se fazer presentes em todo ór-
m) fazer uso de informações privilegiadas obtidas no âmbito gão ou entidade da administração direta ou indireta.
interno de seu serviço, em benefício próprio, de parentes, de ami- A Comissão de Ética não tem por finalidade aplicar sanções
gos ou de terceiros; disciplinares contra os servidores Civis. Muito pelo contrário: a
As informações que são acessadas pelo funcionário público sua atuação tem por princípio evitar a instauração desses proces-
somente devem ser aproveitadas para o bom desempenho das fun- sos, mediante trabalho de orientação e aconselhamento. A finalida-
ções. Não cabe fazer fofocas, ainda que sem nenhum interesse de de do código de ética consiste em produzir na pessoa do servidor
obter privilégio econômico, ou seja, apenas para aparentar impor- público a consciência de sua adesão às normas ético-profissionais
tância por mera vaidade pessoal. É possível que caracterize crime preexistentes à luz de um espírito crítico, para efeito de facilitar
de violação de sigilo funcional pois utilizar-se de informações ob- a prática do cumprimento dos deveres legais por parte de cada
tidas no âmbito interno da administração, nos casos em que deva um e, em consequência, o resgate do respeito ao serviço público
ser guardado sigilo pode caracterizar crime, previsto no artigo 325, e à dignidade social de cada servidor. O objetivo deste código é a
do Código Penal: divulgação ampla dos deveres e das vedações previstas, através
de um trabalho de cunho educativo com os servidores públicos
Violação de sigilo funcional federais.
Art. 325 - Revelar fato de que tem ciência em razão do cargo
e que deva permanecer em segredo, ou facilitar-lhe a revelação: XVII - Revogado pelo Decreto n° 6.029/07 (art. 25).
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa, se o fato 41 SÁ, Antônio Lopes de. Ética profissional. 9. ed.
não constitui crime mais grave. São Paulo: Atlas, 2010.

Didatismo e Conhecimento 63
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
XVIII - À Comissão de Ética incumbe fornecer, aos organis- c) Instituição ou órgão de prestação: ligado à administração
mos encarregados da execução do quadro de carreira dos servido- direta ou indireta, isto é, a qualquer órgão que tenha algum vín-
res, os registros sobre sua conduta ética, para o efeito de instruir culo com o poder estatal. O conceito é o mais amplo possível,
e fundamentar promoções e para todos os demais procedimentos abrangendo autarquias, fundações públicas, empresas públicas,
próprios da carreira do servidor público. sociedades de economia mista, enfim, qualquer entidade ou setor
Além de orientar e aconselhar, a Comissão de Ética fornecerá que vise atender o interesse do Estado.
as informações sobre os funcionários a ela submetidos, tanto para
instruir promoções, quanto para alimentar processo administrativo Outro diploma legal que permite compreender questões ine-
disciplinar. rentes ao comportamento ético do servidor público é a Lei nº
8.112/1990 – Regime Jurídico dos Servidores Públicos Civis da
XIX a XXI - Revogados pelo Decreto n° 6.029/07 (art. 25). União, que no título IV aborda o regime disciplinar aplicado a es-
tes servidores.
XXII - A pena aplicável ao servidor público pela Comissão de
Ética é a de censura e sua fundamentação constará do respectivo Título IV
parecer, assinado por todos os seus integrantes, com ciência do Do Regime Disciplinar
faltoso.
A única sanção que pode ser aplicada diretamente pela Co- Capítulo I
missão de Ética é a de censura, que é a pena mais branda pela Dos Deveres
prática de uma conduta inadequada que seja praticada no exercício
das funções. Nos demais casos, caberá sindicância ou processo ad- Art. 116.  São deveres do servidor:
ministrativo disciplinar, sendo que a Comissão de Ética fornecerá Os deveres do servidor previstos na Lei n° 8.112/90 são em
elementos para instrução. muito compatíveis com os previstos no Código de Ética profissio-
Censura é o poder do Estado de interditar ou restringir a livre nal do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal (Decreto
manifestação de pensamento, oral ou escrito, quando se considera n° 1.171/94). Descrevem algumas das condutas esperadas do ser-
que tal pode ameaçar a ordem pública vigente. vidor público quando do desempenho de suas funções.
I - exercer com zelo e dedicação as atribuições do cargo;
XXIV - Para fins de apuração do comprometimento ético, II - ser leal às instituições a que servir;
entende-se por servidor público todo aquele que, por força de lei, III - observar as normas legais e regulamentares;
contrato ou de qualquer ato jurídico, preste serviços de natureza IV - cumprir as ordens superiores, exceto quando manifesta-
permanente, temporária ou excepcional, ainda que sem retribui-
mente ilegais;
ção financeira, desde que ligado direta ou indiretamente a qual-
V - atender com presteza:
quer órgão do poder estatal, como as autarquias, as fundações
a) ao público em geral, prestando as informações requeridas,
públicas, as entidades paraestatais, as empresas públicas e as so-
ressalvadas as protegidas por sigilo;
ciedades de economia mista, ou em qualquer setor onde prevaleça
b) à expedição de certidões requeridas para defesa de direito
o interesse do Estado.
ou esclarecimento de situações de interesse pessoal;
Este último inciso do Código de Ética é de fundamental im-
c) às requisições para a defesa da Fazenda Pública.
portância para fins de concurso público, pois define quem é o ser-
vidor público que se sujeita a ele. VI - levar as irregularidades de que tiver ciência em razão do
“Uma classe profissional caracteriza-se pela homogeneidade cargo ao conhecimento da autoridade superior ou, quando houver
do trabalho executado, pela natureza do conhecimento exigido suspeita de envolvimento desta, ao conhecimento de outra autori-
preferencialmente para tal execução e pela identidade de habili- dade competente para apuração; 
tação para o exercício da mesma. A classe profissional é, pois, um VII - zelar pela economia do material e a conservação do pa-
grupo dentro da sociedade, específico, definido por sua especiali- trimônio público;
dade de desempenho de tarefa” 42. VIII - guardar sigilo sobre assunto da repartição;
Elementos do conceito de servidor público: IX - manter conduta compatível com a moralidade adminis-
a) Instrumento de vinculação: por força de lei (por exemplo, trativa;
prestação de serviços como jurado ou mesário), contrato (contra- X - ser assíduo e pontual ao serviço;
tação direta, sem concurso público, para atender a uma urgência ou XI - tratar com urbanidade as pessoas;
emergência) ou qualquer outro ato jurídico (é o caso da nomeação XII - representar contra ilegalidade, omissão ou abuso de poder.
por aprovação em concurso público) - enfim, não importa o ins- Em resumo, o servidor público deve desempenhar suas fun-
trumento da vinculação à administração pública, desde que esteja ções com cuidado, rapidez e pontualidade, sendo leal à instituição
realmente vinculado; que compõe, respeitando as ordens de seus superiores que sejam
b) Serviço prestado: permanente, temporário ou excepcio- adequadas às funções que desempenhe e buscando conservar o pa-
nal - isto é, ainda que preste o serviço só por um dia, como no caso trimônio do Estado. No tratamento do público, deve ser prestativo
do mesário de eleição, é servidor público, da mesma forma que e não negar o acesso a informações que não sejam sigilosas. Caso
aquele que foi aprovado em concurso público e tomou posse; com presencie alguma ilegalidade ou abuso de poder, deve denunciar.
ou sem retribuição financeira - por exemplo, o jurado não recebe Parágrafo único.  A representação de que trata o inciso XII
por seus serviços, mas não deixa de ser servidor público; será encaminhada pela via hierárquica e apreciada pela autorida-
42 SÁ, Antônio Lopes de. Ética profissional. 9. ed. de superior àquela contra a qual é formulada, assegurando-se ao
São Paulo: Atlas, 2010. representando ampla defesa.

Didatismo e Conhecimento 64
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
Caso o funcionário público denuncie outro servidor, esta re- IX - valer-se do cargo para lograr proveito pessoal ou de ou-
presentação será encaminhada a alguém que seja superior hierar- trem, em detrimento da dignidade da função pública;
quicamente ao denunciado, que terá direito à ampla defesa. O cargo público serve apenas aos interesses da administração
pública, ou seja, da coletividade, não aos interesses pessoais do
Capítulo II servidor.
Das Proibições X - participar de gerência ou administração de sociedade
privada, personificada ou não personificada, exercer o comércio,
Art. 117.  Ao servidor é proibido:  exceto na qualidade de acionista, cotista ou comanditário;
Em contraposição aos deveres do servidor público, existem Não cabe ao servidor público administrar sociedade privada,
diversas proibições, que também estão em boa parte abrangidas o que pode comprometer sua eficiência e imparcialidade no exer-
pelo Decreto n° 1.171/94. A violação dos deveres ou a prática de cício da função pública.
alguma das violações abaixo descritas caracterizam infração admi- XI - atuar, como procurador ou intermediário, junto a repar-
nistrativa disciplinar. tições públicas, salvo quando se tratar de benefícios previdenciá-
I - ausentar-se do serviço durante o expediente, sem prévia rios ou assistenciais de parentes até o segundo grau, e de cônjuge
autorização do chefe imediato; ou companheiro;
Violação do dever de assiduidade. Não cabe atuar como procurador perante repartições públicas
II - retirar, sem prévia anuência da autoridade competente, de forma profissional. Daí a limitação à atuação como representan-
qualquer documento ou objeto da repartição; te de parente até segundo grau (irmãos, ascendentes e descenden-
Violação do dever de zelo com o patrimônio público. tes, cônjuges e companheiros).
III - recusar fé a documentos públicos; XII - receber propina, comissão, presente ou vantagem de
Violação do dever de transparência. qualquer espécie, em razão de suas atribuições;
IV - opor resistência injustificada ao andamento de documen- A percepção de vantagem indevida gerando enriquecimento
to e processo ou execução de serviço; ilícito também caracteriza ato de improbidade administrativa de
Não cabe impedir que o trâmite da administração seja alte- maior gravidade.
rado por um capricho pessoal. Violação ao dever de celeridade e XIII - aceitar comissão, emprego ou pensão de estado estran-
eficiência. geiro;
V - promover manifestação de apreço ou desapreço no recinto Indicia a intenção de praticar atos contrários ao interesse do
da repartição; Estado ao qual esteja vinculado.
Violação do dever de discrição. XIV - praticar usura sob qualquer de suas formas;
VI - cometer a pessoa estranha à repartição, fora dos casos Usura significa agiotagem.
previstos em lei, o desempenho de atribuição que seja de sua res- XV - proceder de forma desidiosa;
ponsabilidade ou de seu subordinado; Desídia é desleixo, descuido, preguiça, indolência.
Quem é designado para o desempenho de uma função públi- XVI - utilizar pessoal ou recursos materiais da repartição em
ca deve desempenhá-la, não podendo designar outra pessoa para serviços ou atividades particulares;
prestar seus serviços ou de seu subordinado. O aparato da administração pública pertence ao Estado, não
VII - coagir ou aliciar subordinados no sentido de filiarem-se cabendo ao servidor utilizá-lo em atividades particulares.
a associação profissional ou sindical, ou a partido político; XVII - cometer a outro servidor atribuições estranhas ao car-
O direito de associação é livre, não podendo um funcionário go que ocupa, exceto em situações de emergência e transitórias;
forçar o seu subordinado a associar-se sindical ou politicamente. Cada servidor público tem sua atribuição legal, não cabendo
VIII - manter sob sua chefia imediata, em cargo ou função de designá-lo para desempenhar funções diversas salvo em caso de
confiança, cônjuge, companheiro ou parente até o segundo grau extrema necessidade.
civil; XVIII - exercer quaisquer atividades que sejam incompatíveis
É a chamada prática de nepotismo. Do latim nepos, neto ou com o exercício do cargo ou função e com o horário de trabalho;
descendente, é o termo utilizado para designar o favorecimento O exercício de atividades incompatíveis propicia uma viola-
de parentes (ou amigos próximos) em detrimento de pessoas mais ção ao princípio da imparcialidade.
qualificadas, especialmente no que diz respeito à nomeação ou ele- XIX - recusar-se a atualizar seus dados cadastrais quando
vação de cargos. O Decreto nº 7.203, de 4 de junho de 2010 dispõe solicitado.
sobre a vedação do nepotismo no âmbito da administração pública A atualização de dados cadastrais é necessária para manter a
federal. administração ciente da situação de seu servidor.
Súmula Vinculante nº 13: “A nomeação de cônjuge, compa- Parágrafo único.  A vedação de que trata o inciso X do ca-
nheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o put deste artigo não se aplica nos seguintes casos: 
terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da I - participação nos conselhos de administração e fiscal de
mesma pessoa jurídica, investido em cargo de direção, chefia ou empresas ou entidades em que a União detenha, direta ou indire-
assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de con- tamente, participação no capital social ou em sociedade coopera-
fiança, ou, ainda, de função gratificada na Administração Pública tiva constituída para prestar serviços a seus membros; e 
direta e indireta, em qualquer dos Poderes da União, dos Estados, II - gozo de licença para o trato de interesses particulares, na
do Distrito Federal e dos municípios, compreendido o ajuste me- forma do art. 91 desta Lei, observada a legislação sobre conflito
diante designações recíprocas, viola a Constituição Federal.” de interesses. 

Didatismo e Conhecimento 65
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
Nestes casos, é possível participar diretamente da administra- Parágrafo único.  O disposto neste artigo não se aplica à re-
ção de sociedade privada, pois o interesse estatal não será com- muneração devida pela participação em conselhos de administra-
prometido. ção e fiscal das empresas públicas e sociedades de economia mis-
ta, suas subsidiárias e controladas, bem como quaisquer empresas
Capítulo III ou entidades em que a União, direta ou indiretamente, detenha
Da Acumulação participação no capital social, observado o que, a respeito, dispu-
ser legislação específica. 
Art. 118.  Ressalvados os casos previstos na Constituição, é O exercício de função em determinados conselhos de adminis-
vedada a acumulação remunerada de cargos públicos. tração e fiscais aceita remuneração. Trata-se de exceção ao caput.
Estabelece o artigo 37, XVI da Constituição Federal:
É vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, ex- Art. 120.  O servidor vinculado ao regime desta Lei, que acu-
ceto, quando houver compatibilidade de horários, observado em mular licitamente dois cargos efetivos, quando investido em cargo
qualquer caso o disposto no inciso XI.  de provimento em comissão, ficará afastado de ambos os cargos
efetivos, salvo na hipótese em que houver compatibilidade de ho-
a) a de dois cargos de professor; 
rário e local com o exercício de um deles, declarada pelas autori-
b) a de um cargo de professor com outro técnico ou científi-
dades máximas dos órgãos ou entidades envolvidos.
co; Se o servidor já cumular dois cargos efetivos e for investido
c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de de um cargo em comissão, ficará afastado dos cargos efetivos a não
saúde, com profissões regulamentadas; ser que exista compatibilidade de horários e local com um deles,
Segundo Carvalho Filho43, “o fundamento da proibição é im- caso em que se afastará de somente um cargo efetivo.
pedir que o cúmulo de funções públicas faça com que o servidor
não execute qualquer delas com a necessária eficiência. Além Capítulo IV
disso, porém, pode-se observar que o Constituinte quis também Das Responsabilidades
impedir a cumulação de ganhos em detrimento da boa execução
de tarefas públicas. [...] Nota-se que a vedação se refere à acumu- Art. 121.  O servidor responde civil, penal e administrativa-
lação remunerada. Em consequência, se a acumulação só encerra a mente pelo exercício irregular de suas atribuições.
percepção de vencimentos por uma das fontes, não incide a regra Segundo Carvalho Filho44, “a responsabilidade se origina de
constitucional proibitiva”. uma conduta ilícita ou da ocorrência de determinada situação fáti-
§ 1o  A proibição de acumular estende-se a cargos, empregos ca prevista em lei e se caracteriza pela natureza do campo jurídico
e funções em autarquias, fundações públicas, empresas públicas, em que se consuma. Desse modo, a responsabilidade pode ser ci-
sociedades de economia mista da União, do Distrito Federal, dos vil, penal e administrativa. Cada responsabilidade é, em princípio,
Estados, dos Territórios e dos Municípios. independente da outra”.
A proibição vale tanto para a administração direta quanto para É possível que o mesmo fato gere responsabilidade civil,
a indireta. penal e administrativa, mas também é possível que este gere
§ 2o  A acumulação de cargos, ainda que lícita, fica condicionada apenas uma ou outra espécie de responsabilidade. Daí o fato das
responsabilidades serem independentes: o mesmo fato pode gerar
à comprovação da compatibilidade de horários.
a aplicação de qualquer uma delas, cumulada ou isoladamente.
Se o Estado pretende que o desempenho de atividade cumula-
da não gere prejuízo à função pública, correto que exija a compro-
Art. 122.  A responsabilidade civil decorre de ato omissivo ou
vação de compatibilidade de horários; comissivo, doloso ou culposo, que resulte em prejuízo ao erário
§  3o   Considera-se acumulação proibida a percepção de ou a terceiros.
vencimento de cargo ou emprego público efetivo com proventos § 1o  A indenização de prejuízo dolosamente causado ao erário
da inatividade, salvo quando os cargos de que decorram essas somente será liquidada na forma prevista no art. 46, na falta de
remunerações forem acumuláveis na atividade. outros bens que assegurem a execução do débito pela via judicial.
Exterioriza-se, por exemplo, a proibição de que o agente se § 2o  Tratando-se de dano causado a terceiros, responderá o
aposente do serviço público e continue o exercendo, recebendo servidor perante a Fazenda Pública, em ação regressiva.
aposentadoria e salário. § 3o  A obrigação de reparar o dano estende-se aos sucessores
e contra eles será executada, até o limite do valor da herança
Art. 119.  O servidor não poderá exercer mais de um cargo em recebida.
comissão, exceto no caso previsto no parágrafo único do art. 9o, O instituto da responsabilidade civil é parte integrante do di-
nem ser remunerado pela participação em órgão de deliberação reito obrigacional, uma vez que a principal consequência da prá-
coletiva.  tica de um ato ilícito é a obrigação que gera para o seu auto de
Cargo em comissão é aquele que não exige aprovação em con- reparar o dano, mediante o pagamento de indenização que se re-
curso público, sendo designado para o exercício por possuir um fere às perdas e danos. Afinal, quem pratica um ato ou incorre em
vínculo de confiança com o superior. Somente é possível exercer 1, omissão que gere dano deve suportar as consequências jurídicas
salvo interinamente. Da mesma forma, não cabe remuneração por decorrentes, restaurando-se o equilíbrio social.45
participar de órgão de deliberação coletiva. 44 CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de
43 CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 23. ed. Rio de Janeiro: Lumen juris,
direito administrativo. 23. ed. Rio de Janeiro: Lumen juris, 2010.
2010. 45 GONÇALVES, Carlos Roberto. Responsabili-

Didatismo e Conhecimento 66
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
A responsabilidade civil, assim, difere-se da penal, podendo Art. 124.  A responsabilidade civil-administrativa resulta de
recair sobre os herdeiros do autor do ilícito até os limites da heran- ato omissivo ou comissivo praticado no desempenho do cargo ou
ça, embora existam reflexos na ação que apure a responsabilidade função.
civil conforme o resultado na esfera penal (por exemplo, uma ab- Quando o servidor pratica um ilícito administrativo, a ele é
solvição por negativa de autoria impede a condenação na esfera atribuída responsabilidade administrativa. O ilícito pode verificar-
cível, ao passo que uma absolvição por falta de provas não o faz). -se por conduta comissiva ou omissiva e os fatos que o configuram
Genericamente, os elementos da responsabilidade civil se en- são os previstos na legislação estatutária. Por exemplo, as san-
contram no art. 186 do Código Civil: “aquele que, por ação ou ções aplicadas pela Comissão de Ética por violação ao Decreto n°
omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e 1.171/94 são administrativas.
causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete
ato ilícito”. Este é o artigo central do instituto da responsabilidade Art. 125.  As sanções civis, penais e administrativas poderão
civil, que tem como elementos: ação ou omissão voluntária (agir
cumular-se, sendo independentes entre si.
como não se deve ou deixar de agir como se deve), culpa ou dolo
Se as responsabilidades se cumularem, também as sanções
do agente (dolo é a vontade de cometer uma violação de direito e
culpa é a falta de diligência), nexo causal (relação de causa e efeito serão cumuladas. Daí afirmar-se que tais responsabilidades são in-
entre a ação/omissão e o dano causado) e dano (dano é o prejuízo dependentes, ou seja, não dependem uma da outra.
sofrido pelo agente, que pode ser individual ou coletivo, moral ou
material, econômico e não econômico). Art. 126.  A responsabilidade administrativa do servidor será
Prevê o artigo 37, §6° da Constituição Federal: “As pessoas afastada no caso de absolvição criminal que negue a existência do
jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de fato ou sua autoria.
serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa Determinadas decisões na esfera penal geram exclusão da
qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso responsabilidade nas esferas civil e administrativa, quais sejam:
contra o responsável nos casos de dolo ou culpa”. Este artigo deixa absolvição por inexistência do fato ou negativa de autoria. A ab-
clara a formação de uma relação jurídica autônoma entre o Esta- solvição criminal por falta de provas não gera exclusão da respon-
do e o agente público que causou o dano no desempenho de suas sabilidade civil e administrativa.
funções. Nesta relação, a responsabilidade civil será subjetiva, ou A absolvição proferida na ação penal, em regra, nada preju-
seja, caberá ao Estado provar a culpa do agente pelo dano causado, dica a pretensão de reparação civil do dano ex delicto, conforme
ao qual foi anteriormente condenado a reparar. Direito de regresso artigos 65, 66 e 386, IV do CPP: “art. 65. Faz coisa julgada no
é justamente o direito de acionar o causador direto do dano para cível a sentença penal que reconhecer ter sido o ato praticado em
obter de volta aquilo que pagou à vítima, considerada a existência estado de necessidade, em legítima defesa, em estrito cumprimen-
de uma relação obrigacional que se forma entre a vítima e a insti- to de dever legal ou no exercício regular de direito” (excludentes
tuição que o agente compõe. de antijuridicidade); “art. 66. não obstante a sentença absolutória
Assim, o Estado responde pelos danos que seu agente causar no juízo criminal, a ação civil poderá ser proposta quando não tiver
aos membros da sociedade, mas se este agente agiu com dolo ou
sido, categoricamente, reconhecida a inexistência material do
culpa deverá ressarcir o Estado do que foi pago à vítima. O agente
fato”; “art. 386, IV –  estar provado que o réu não concorreu para
causará danos ao praticar condutas incompatíveis com o compor-
a infração penal”.
tamento ético dele esperado.46
A responsabilidade civil do servidor exige prévio processo Entendem Fuller, Junqueira e Machado47: “a absolvição du-
administrativo disciplinar no qual seja assegurado contraditório e bitativa (motivada por juízo de dúvida), ou seja, por falta de pro-
ampla defesa. vas, (art. 386, II, V e VII, na nova redação conferida ao CPP), não
Trata-se de responsabilidade civil subjetiva ou com culpa. empresta qualquer certeza ao âmbito da jurisdição civil, restando
Havendo ação ou omissão com culpa do servidor que gere dano ao intocada a possibilidade de, na ação civil de conhecimento, ser
erário (Administração) ou a terceiro (administrado), o servidor terá provada e reconhecida a existência do direito ao ressarcimento,
o dever de indenizar. de acordo com o grau de cognição e convicção próprios da seara
civil (na esfera penal, a decisão de condenação somente pode ser
Art. 123.  A responsabilidade penal abrange os crimes e con- lastreada em juízo de certeza, tendo em vista o princípio constitu-
travenções imputadas ao servidor, nessa qualidade. cional do estado de inocência)”.
A responsabilidade penal do servidor decorre de uma conduta
que a lei penal tipifique como infração penal, ou seja, como crime Art. 126-A. Nenhum servidor poderá ser responsabilizado ci-
ou contravenção penal. vil, penal ou administrativamente por dar ciência à autoridade su-
O servidor poderá ser responsabilizado apenas penalmente, perior ou, quando houver suspeita de envolvimento desta, a outra
uma vez que somente caberá responsabilização civil se o ato tiver autoridade competente para apuração de informação concernente
causado prejuízo ao erário (elemento dano). à prática de crimes ou improbidade de que tenha conhecimento,
Os crimes contra a Administração Pública se encontram nos ainda que em decorrência do exercício de cargo, emprego ou fun-
artigos 312 a 326 do Código Penal, mas existem outros crimes ção pública.
espalhados pela legislação específica.
47 FULLER, Paulo Henrique Aranda; JUNQUEIRA,
dade Civil. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 2005. Gustavo Octaviano Diniz; MACHADO, Angela C. Cangiano.
46 SPITZCOVSKY, Celso. Direito Administrativo. Processo Penal. 9. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais,
13. ed. São Paulo: Método, 2011. 2010. (Coleção Elementos do Direito)

Didatismo e Conhecimento 67
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
Este dispositivo visa garantir que os servidores públicos de- Se for inconveniente para a administração pública abrir mão
nunciem os servidores hierarquicamente superiores. Afinal, todos do servidor, poderá multá-lo em 50% de seu vencimento/remu-
teriam receio de denunciar se pudessem ser responsabilizados ci- neração diário pelo número de dias de suspensão. O servidor não
vil, penal ou administrativamente por tal denúncia caso no curso poderá se recusar a permanecer em serviço.
da apuração se verificasse que ela não procedia.
Art. 131.  As penalidades de advertência e de suspensão te-
Capítulo V rão seus registros cancelados, após o decurso de 3 (três) e 5 (cin-
Das Penalidades co) anos de efetivo exercício, respectivamente, se o servidor não
houver, nesse período, praticado nova infração disciplinar.
Art. 127.  São penalidades disciplinares: Parágrafo único.  O cancelamento da penalidade não surtirá
I - advertência; efeitos retroativos.
II - suspensão; O bom comportamento posterior do servidor faz com que o
III - demissão; registro de advertência (após 3 anos) ou suspensão (após 5 anos)
IV - cassação de aposentadoria ou disponibilidade; seja apagado de seu registro, o que não significa que o servidor
V - destituição de cargo em comissão; poderá requerer, por exemplo, o pagamento referente aos dias que
VI - destituição de função comissionada. ficou suspenso.
A advertência é a pena mais leve, um aviso de que o funcio-
nário se portou de forma inadequada e de que isso não deve se Art. 132.  A demissão será aplicada nos seguintes casos:
repetir. A suspensão é uma sanção intermediária, fazendo com que I - crime contra a administração pública;
o funcionário deixe de desempenhar o cargo por certo período. Na Artigos 312 a 326 do Código Penal.
demissão, o funcionário não mais exercerá o cargo, sendo assim II - abandono de cargo;
sanção mais grave. Outras sanções são cassação da aposentadoria III - inassiduidade habitual;
ou disponibilidade, destituição do cargo em comissão, destituição Deixar totalmente de exercer o cargo ou faltar em excesso.
da função comissionada. IV - improbidade administrativa;
Atos descritos na Lei n° 8.429/92.
Art. 128.  Na aplicação das penalidades serão consideradas V - incontinência pública e conduta escandalosa, na repar-
a natureza e a gravidade da infração cometida, os danos que dela tição;
provierem para o serviço público, as circunstâncias agravantes ou Ausência de discrição no exercício das funções.
atenuantes e os antecedentes funcionais. VI - insubordinação grave em serviço;
Parágrafo único.  O ato de imposição da penalidade mencio- Violação grave do dever de obediência hierárquica.
nará sempre o fundamento legal e a causa da sanção disciplinar.  VII - ofensa física, em serviço, a servidor ou a particular, sal-
De forma fundamentada, justificada, se escolherá por uma ou vo em legítima defesa própria ou de outrem;
outra sanção, conforme a gravidade do ato praticado. Ofensa física a servidor ou administrado que não para se de-
fender.
Art. 129.  A advertência será aplicada por escrito, nos casos VIII - aplicação irregular de dinheiros públicos;
de violação de proibição constante do art. 117, incisos I a VIII e IX - revelação de segredo do qual se apropriou em razão do
XIX, e de inobservância de dever funcional previsto em lei, re- cargo;
gulamentação ou norma interna, que não justifique imposição de X - lesão aos cofres públicos e dilapidação do patrimônio na-
penalidade mais grave. cional;
Vide comentários aos incisos I a VII e XIX do art. 117. A nor- XI - corrupção;
ma é genérica, envolvendo ainda qualquer outra violação de dever XII - acumulação ilegal de cargos, empregos ou funções pú-
funcional que não exija sanção mais grave. blicas;
Na verdade, são atos de improbidade administrativa, então
Art. 130.  A suspensão será aplicada em caso de reincidência nem precisariam ser mencionados.
das faltas punidas com advertência e de violação das demais proi- XIII - transgressão dos incisos IX a XVI do art. 117.
bições que não tipifiquem infração sujeita a penalidade de demis- Vide comentários aos incisos IX a XVI do art. 117.
são, não podendo exceder de 90 (noventa) dias.
A suspensão é uma sanção administrativa intermediária, apli- Art. 133.  Detectada a qualquer tempo a acumulação ilegal
cável se as práticas sujeitas a advertência se repetirem ou em caso de cargos, empregos ou funções públicas, a autoridade a que se
de infração grave que ainda assim não gere pena de demissão. refere o art. 143 notificará o servidor, por intermédio de sua chefia
§  1o   Será punido com suspensão de até 15 (quinze)  dias o imediata, para apresentar opção no prazo improrrogável de dez
servidor que, injustificadamente, recusar-se a ser submetido a dias, contados da data da ciência e, na hipótese de omissão, ado-
inspeção médica determinada pela autoridade competente, cessando tará procedimento sumário para a sua apuração e regularização
os efeitos da penalidade uma vez cumprida a determinação. imediata, cujo processo administrativo disciplinar se desenvolve-
Trata-se de hipótese específica em que será aplicada suspensão. rá nas seguintes fases:
§ 2o  Quando houver conveniência para o serviço, a penalidade I - instauração, com a publicação do ato que constituir a co-
de suspensão poderá ser convertida em multa, na base de 50% missão, a ser composta por dois servidores estáveis, e simultanea-
(cinquenta por cento) por dia de vencimento ou remuneração, fi- mente indicar a autoria e a materialidade da transgressão objeto
cando o servidor obrigado a permanecer em serviço. da apuração;

Didatismo e Conhecimento 68
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
II - instrução sumária, que compreende indiciação, defesa e Art. 135.  A destituição de cargo em comissão exercido por
relatório;  não ocupante de cargo efetivo será aplicada nos casos de infração
III - julgamento. sujeita às penalidades de suspensão e de demissão.
§ 1o  A indicação da autoria de que trata o inciso I dar-se-á pelo Parágrafo único.  Constatada a hipótese de que trata este ar-
nome e matrícula do servidor, e a materialidade pela descrição dos tigo, a exoneração efetuada nos termos do art. 35 será convertida
cargos, empregos ou funções públicas em situação de acumulação em destituição de cargo em comissão.
ilegal, dos órgãos ou entidades de vinculação, das datas de ingresso, Logo, a destituição do cargo em comissão por quem não ocu-
do horário de trabalho e do correspondente regime jurídico. pe um cargo efetivo é aplicável quando o comissionado aplicar não
§  2o   A comissão lavrará, até três dias após a publicação só os atos sujeitos à pena de demissão, mas também os sujeitos à
do ato que a constituiu, termo de indiciação em que serão pena de suspensão.
transcritas as informações de que trata o parágrafo anterior, bem
como promoverá a citação pessoal do servidor indiciado, ou por Art. 136.  A demissão ou a destituição de cargo em comissão,
intermédio de sua chefia imediata, para, no prazo de cinco dias, nos casos dos incisos IV, VIII, X e XI do art. 132, implica a indis-
apresentar defesa escrita, assegurando-se-lhe vista do processo na ponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, sem prejuízo da
repartição, observado o disposto nos arts. 163 e 164. ação penal cabível.
§  3o  Apresentada a defesa, a comissão elaborará relatório Nos casos de demissão e destituição do cargo em comissão, os
conclusivo quanto à inocência ou à responsabilidade do servidor, bens ficarão indisponíveis para o ressarcimento do prejuízo sofrido
em que resumirá as peças principais dos autos, opinará sobre pelo Estado, cabendo ainda ação penal própria.
a licitude da acumulação em exame, indicará o respectivo
dispositivo legal e remeterá o processo à autoridade instauradora, Art. 137.  A demissão ou a destituição de cargo em comissão,
para julgamento. por infringência do art. 117, incisos IX e XI, incompatibiliza o
§  4o   No prazo de cinco dias, contados do recebimento do ex-servidor para nova investidura em cargo público federal, pelo
processo, a autoridade julgadora proferirá a sua decisão, aplicando- prazo de 5 (cinco) anos.
se, quando for o caso, o disposto no § 3o do art. 167. O ex-servidor que tenha se valido do cargo para lograr pro-
veito pessoal ou de outrem, em detrimento da dignidade da função
§  5o  A opção pelo servidor até o último dia de prazo para
pública ou que tenha  atuado como procurador ou intermediário,
defesa configurará sua boa-fé, hipótese em que se converterá
junto a repartições públicas, salvo em hipóteses específicas, não
automaticamente em pedido de exoneração do outro cargo.
poderá ser investido em cargo público federal pelo prazo de 5 anos.
§  6o   Caracterizada a acumulação ilegal e provada a má-
Parágrafo único.  Não poderá retornar ao serviço público fe-
fé, aplicar-se-á a pena de demissão, destituição ou cassação de
deral o servidor que for demitido ou destituído do cargo em comis-
aposentadoria ou disponibilidade em relação aos cargos, empregos
são por infringência do art. 132, incisos I, IV, VIII, X e XI.
ou funções públicas em regime de acumulação ilegal, hipótese em
Vide incisos I, IV, VIII, X e XI do artigo 132. Nestes casos,
que os órgãos ou entidades de vinculação serão comunicados. 
não caberá jamais retorno ao serviço público federal, diante da gra-
§  7o  O prazo para a conclusão do processo administrativo
vidade dos atos praticados.
disciplinar submetido ao rito sumário não excederá trinta dias,
contados da data de publicação do ato que constituir a comissão, Art. 138.  Configura abandono de cargo a ausência intencio-
admitida a sua prorrogação por até quinze dias, quando as nal do servidor ao serviço por mais de trinta dias consecutivos.
circunstâncias o exigirem. Conceito de abandono de cargo: ausência intencional por mais
§ 8o  O procedimento sumário rege-se pelas disposições deste de 30 dias seguidos. Gera pena de demissão.
artigo, observando-se, no que lhe for aplicável, subsidiariamente,
as disposições dos Títulos IV e V desta Lei. Art.  139.    Entende-se por inassiduidade habitual a falta ao
O artigo descreve o procedimento em caso de violação do serviço, sem causa justificada, por sessenta dias, interpoladamen-
dever de não acumular cargos ilicitamente. No início, o servidor te, durante o período de doze meses.
será notificado para se manifestar optando por um cargo. Se ficar Conceito de inassiduidade habitual, que também gera demis-
omisso ou se recusar fazer a opção, será instaurado processo ad- são: ausência por 60 dias num período de 12 meses de forma in-
ministrativo disciplinar. Nele, o servidor poderá apresentar defesa justificada.
no sentido de ser lícita a cumulação. Mas até o último dia do pra-
zo para defesa o servidor poderá optar por um caso, caso em que Art. 140.  Na apuração de abandono de cargo ou inassiduida-
o procedimento se converterá em pedido de exoneração do cargo de habitual, também será adotado o procedimento sumário a que
não escolhido, presumindo-se a boa-fé do servidor. se refere o art. 133, observando-se especialmente que: 
I - a indicação da materialidade dar-se-á: 
Art. 134.  Será cassada a aposentadoria ou a disponibilidade a) na hipótese de abandono de cargo, pela indicação precisa
do inativo que houver praticado, na atividade, falta punível com do período de ausência intencional do servidor ao serviço supe-
a demissão. rior a trinta dias; 
Supondo que o servidor tenha praticado ato punível com de- b) no caso de inassiduidade habitual, pela indicação dos dias
missão e, sabendo disso, se demita. Isso não evitará que sua apo- de falta ao serviço sem causa justificada, por período igual ou
sentadoria seja cassada, assim como ele seria demitido se no exer- superior a sessenta dias interpoladamente, durante o período de
cício das funções. doze meses;

Didatismo e Conhecimento 69
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
II - após a apresentação da defesa a comissão elaborará re- Se a infração disciplinar for crime, valerão os prazos prescri-
latório conclusivo quanto à inocência ou à responsabilidade do cionais do direito penal, mais longos, logo, menos favoráveis ao
servidor, em que resumirá as peças principais dos autos, indicará servidor.
o respectivo dispositivo legal, opinará, na hipótese de abandono Interrupção da prescrição significa parar a contagem do prazo
de cargo, sobre a intencionalidade da ausência ao serviço supe- para que, retornando, comece do zero. Da abertura da sindicância
rior a trinta dias e remeterá o processo à autoridade instauradora ou processo administrativo disciplinar até a decisão final proferi-
para julgamento. da por autoridade competente não corre a prescrição. Proferida a
Por indicação de materialidade, entenda-se demonstração do decisão, o prazo começa a contar do zero. Passado o prazo, não
fato. É preciso indicar especificamente os dias faltados. caberá mais propor ação disciplinar.
Adota-se o procedimento do art. 133.
Por fim, a Lei n° 8.429/92 trata da improbidade administra-
Art. 141.  As penalidades disciplinares serão aplicadas: tiva, que é uma espécie qualificada de imoralidade, sinônimo de
I - pelo Presidente da República, pelos Presidentes das Casas desonestidade administrativa. A improbidade é uma lesão ao prin-
do Poder Legislativo e dos Tribunais Federais e pelo Procurador- cípio da moralidade, que deve ser respeitado estritamente pelo ser-
-Geral da República, quando se tratar de demissão e cassação de vidor público. O agente ímprobo sempre será um violador do prin-
aposentadoria ou disponibilidade de servidor vinculado ao res- cípio da moralidade, pelo qual “a Administração Pública deve agir
pectivo Poder, órgão, ou entidade; com boa-fé, sinceridade, probidade, lhaneza, lealdade e ética”48. A
legislação em estudo, por sua vez, divide os atos de improbidade
II - pelas autoridades administrativas de hierarquia imediata-
administrativa em três categorias:
mente inferior àquelas mencionadas no inciso anterior  quando se
a) Ato de improbidade administrativa que importe enriqueci-
tratar de suspensão superior a 30 (trinta) dias; mento ilícito;
III - pelo chefe da repartição e outras autoridades na forma b) Ato de improbidade administrativa que importe lesão ao
dos respectivos regimentos ou regulamentos, nos casos de adver- erário;
tência ou de suspensão de até 30 (trinta) dias; c) Ato de improbidade administrativa que atente contra os
IV - pela autoridade que houver feito a nomeação, quando se princípios da administração pública.
tratar de destituição de cargo em comissão. ATENÇÃO: os atos de improbidade administrativa não são
Presidente da República/Presidentes da Câmara dos Depu- crimes de responsabilidade. Trata-se de punição na esfera cível,
tados ou do Senado Federal/Presidentes dos Tribunais Federais - não criminal. Por isso, caso o ato configure simultaneamente um
TRF, TRE, TRT, TSE, TST, STJ e STF/Procurador-Geral da Repú- ato de improbidade administrativa desta lei e um crime previsto na
blica - demissão ou cassação de aposentadoria/disponibilidade do legislação penal, o que é comum no caso do artigo 9°, responderá
servidor vinculado ao órgão (sanções mais graves). o agente por ambos, nas duas esferas.
Autoridade administrativa de hierarquia imediatamente infe- Em suma, a lei encontra-se estruturada da seguinte forma: ini-
rior às do inciso I - suspensão por mais de 30 dias (sanção de sus- cialmente, trata das vítimas possíveis (sujeito passivo) e daqueles
pensão, de gravidade intermediária, por maior período). que podem praticar os atos de improbidade administrativa (sujeito
Chefe da repartição e outras autoridades previstas no regu- ativo); ainda, aborda a reparação do dano ao lesionado e o ressar-
lamento - advertência e suspensão inferior a 30 dias (sanção de cimento ao patrimônio público; após, traz a tipologia dos atos de
suspensão, de gravidade intermediária, por menor período). improbidade administrativa, isto é, enumera condutas de tal natu-
Autoridade que houver feito a nomeação, em qualquer cargo reza; seguindo-se à definição das sanções aplicáveis; e, finalmente,
de comissão, independente da pena. descreve os procedimentos administrativo e judicial.
Para fins de compreender o comportamento ético esperado do
Art. 142.  A ação disciplinar prescreverá: servidor público, interessante se ater aos atos que caracterizam ato
de improbidade administrativa.
I - em 5 (cinco) anos, quanto às infrações puníveis com demis-
são, cassação de aposentadoria ou disponibilidade e destituição
LEI N° 8.429 DE 2 DE JUNHO DE 1992
de cargo em comissão;
II - em 2 (dois) anos, quanto à suspensão; Dispõe sobre as sanções aplicáveis aos agentes públicos nos
III - em 180 (cento e oitenta) dias, quanto á advertência. casos de enriquecimento ilícito no exercício de mandato, cargo,
§ 1o  O prazo de prescrição começa a correr da data em que o emprego ou função na administração pública direta, indireta ou
fato se tornou conhecido. fundacional e dá outras providências.
§ 2o  Os prazos de prescrição previstos na lei penal aplicam-se [...]
às infrações disciplinares capituladas também como crime.
§ 3o  A abertura de sindicância ou a instauração de processo CAPÍTULO II
disciplinar interrompe a prescrição, até a decisão final proferida Dos Atos de Improbidade Administrativa
por autoridade competente.
§ 4o  Interrompido o curso da prescrição, o prazo começará a Como não é possível ser desonesto sem saber que se está agin-
correr a partir do dia em que cessar a interrupção. do desta forma, o elemento comum a todas as hipóteses de impro-
Prescrição é um instituto que visa regular a perda do direito de bidade administrativa é o dolo, que consiste na intenção do agente
acionar judicialmente. em praticar o ato desonesto (alguns entendem como inconstitucio-
No caso, o prazo é de 5 anos para as infrações mais graves, 2 nais todas as referências a condutas culposas - inclusive parte do
para as de gravidade intermediária (pena de suspensão) e 180 dias STJ).
para as menos graves (pena de advertência) - Contados da data em 48 LENZA, Pedro. Curso de direito constitucional
que o fato se tornou conhecido pela administração pública. esquematizado. 15. ed. São Paulo: Saraiva, 2011.

Didatismo e Conhecimento 70
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
Os atos de improbidade administrativa foram divididos em ATENÇÃO: todas as condutas descritas abaixo são meros
três grupos, nos artigos 9°, 10 e 11, conforme a gravidade do ato, exemplos de condutas compostas pelos elementos genéricos da
indo do grupo mais grave ao menos grave. A cada grupo é aplicada cabeça do artigo. Com efeito, estando eles presentes, não importa
uma espécie diferente de sanção no caso de confirmação da prática a ausência de dispositivo expresso no rol abaixo.
do ato apurada na esfera administrativa. I - receber, para si ou para outrem, dinheiro, bem móvel ou
Nos três artigos do capítulo II, enquanto o caput traz as con- imóvel, ou qualquer outra vantagem econômica, direta ou indire-
dutas genéricas, os incisos delimitam condutas específicas, que ta, a título de comissão, percentagem, gratificação ou presente de
nada mais são do que exemplos de situações do caput, logo, os quem tenha interesse, direto ou indireto, que possa ser atingido
incisos são uma relação meramente exemplificativa49, sendo sufi- ou amparado por ação ou omissão decorrente das atribuições do
ciente bem compreender como encontrar os requisitos genéricos agente público;
para fins de provas. Significa receber qualquer vantagem econômica, inclusive
presentes, de pessoas que tenham interesse direto ou indireto em
Seção I que o agente público faça ou deixe de fazer alguma coisa.
Dos Atos de Improbidade Administrativa que Importam II - perceber vantagem econômica, direta ou indireta, para
Enriquecimento Ilícito facilitar a aquisição, permuta ou locação de bem móvel ou imóvel,
ou a contratação de serviços pelas entidades referidas no art. 1°
Art. 9° Constitui ato de improbidade administrativa impor- por preço superior ao valor de mercado;
tando enriquecimento ilícito auferir qualquer tipo de vantagem III - perceber vantagem econômica, direta ou indireta, para
patrimonial indevida em razão do exercício de cargo, mandato, facilitar a alienação, permuta ou locação de bem público ou o for-
função, emprego ou atividade nas entidades mencionadas no art. necimento de serviço por ente estatal por preço inferior ao valor
1° desta lei, e notadamente: de mercado;
O grupo mais grave de atos de improbidade administrativa se Tratam-se de espécies da conduta do inciso anterior, na qual
caracteriza pelos elementos: enriquecimento + ilícito + resultante o fim visado é permitir a aquisição, alienação, troca ou locação de
de uma vantagem patrimonial indevida + em razão do exercício bem móvel ou imóvel por preço diverso ao de mercado. Percebe-se
de cargo, mandato, emprego, função ou outra atividade nas enti- um ato de improbidade que causa prejuízo direto ao erário.
dades do artigo 1°: No inciso II, o Estado que compra, troca ou aluga bem móvel
a) O enriquecimento deve ser ilícito, afinal, o Estado não se
ou imóvel para sua utilização acima do preço de mercado; no inci-
opõe que o indivíduo enriqueça, desde que obedeça aos ditames
so III, um bem móvel ou imóvel pertencente ao Estado é vendido,
morais, notadamente no desempenho de função de interesse es-
trocado ou alugado em preço inferior ao de mercado.
tatal.
IV - utilizar, em obra ou serviço particular, veículos, máqui-
b) Exige-se que o sujeito obtenha vantagem patrimonial ilíci-
nas, equipamentos ou material de qualquer natureza, de proprie-
ta. Contudo, é dispensável que efetivamente tenha ocorrido dano
dade ou à disposição de qualquer das entidades mencionadas no
aos cofres públicos (por exemplo, quando um policial recebe pro-
art. 1° desta lei, bem como o trabalho de servidores públicos, em-
pina pratica ato de improbidade administrativa, mas não atinge di-
retamente os cofres públicos). pregados ou terceiros contratados por essas entidades;
c) É preciso que a conduta se consume, ou seja, que realmente Todo aparato dos órgãos públicos serve para atender ao Estado
exista o enriquecimento ilícito devido a uma vantagem patrimonial e, consequentemente, à preservação do bem comum na sociedade.
indevida. Logo, quando um servidor público utiliza esta estrutura material
d) Como fica difícil imaginar que alguém possa se enriquecer ou pessoal para atender aos seus próprios interesses, causa prejuí-
ilicitamente por negligência, imprudência ou imperícia, todas as zo direto aos cofres públicos e obtém uma vantagem indevida (a
condutas configuram atos dolosos (com intenção). natural vantagem decorrente do uso de algo que não lhe pertence).
e) Não cabe prática por omissão.50 V - receber vantagem econômica de qualquer natureza, direta
Entende Carvalho Filho51 que no caso do art. 9° o requisito ou indireta, para tolerar a exploração ou a prática de jogos de
é o enriquecimento ilícito, ao passo que “o pressuposto exigível azar, de lenocínio, de narcotráfico, de contrabando, de usura ou
do tipo é a percepção de vantagem patrimonial ilícita obtida pelo de qualquer outra atividade ilícita,
exercício da função pública em geral. Pressuposto dispensável é Nenhum ato administrativo pode ser praticado ou omitido para
o dano ao erário”. O elemento subjetivo é o dolo pois fica difícil facilitar condutas como lenocínio (explorar, estimular ou facilitar
imaginar que um servidor obtenha vantagem indevida por negli- a prostituição), narcotráfico (envolver-se em atividades no mundo
gência, imprudência ou imperícia (culpa). Da mesma forma, é in- das drogas, como venda e distribuição), contrabando (importar ou
compatível com a conduta omissiva, aceitando apenas a comissiva exportar mercadoria proibida), usura (agiotagem, fornecer dinhei-
(ação). ro a juros absurdos) ou qualquer outra atividade ilícita. Se, ainda
por cima, se obter vantagem indevida pela tolerância da prática do
49 CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de ilícito, resta caracterizado um ato de improbidade administrativa
direito administrativo. 23. ed. Rio de Janeiro: Lumen juris, da espécie mais grave, ora descrita neste art. 9° em estudo.
2010. VI - receber vantagem econômica de qualquer natureza, di-
50 SPITZCOVSKY, Celso. Direito Administrativo. reta ou indireta, para fazer declaração falsa sobre medição ou
13. ed. São Paulo: Método, 2011. avaliação em obras públicas ou qualquer outro serviço, ou sobre
51 CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de quantidade, peso, medida, qualidade ou característica de merca-
direito administrativo. 23. ed. Rio de Janeiro: Lumen juris, dorias ou bens fornecidos a qualquer das entidades mencionadas
2010. no art. 1º desta lei;

Didatismo e Conhecimento 71
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
Da mesma forma, é vedado o recebimento de vantagens para a) Perda patrimonial é o gênero, do qual são espécies: desvio,
fazer declarações falsas na avaliação de obras e serviços em geral. que é o direcionamento indevido; apropriação, que é a transferên-
VII - adquirir, para si ou para outrem, no exercício de manda- cia indevida para a própria propriedade; malbaratamento, que sig-
to, cargo, emprego ou função pública, bens de qualquer natureza nifica desperdício; e dilapidação, que se refere a destruição.53
cujo valor seja desproporcional à evolução do patrimônio ou à b) É preciso que seja causado dano a uma das pessoas do art.
renda do agente público; 1° da lei. No entanto, o enriquecimento ilícito é dispensável.
A desproporção entre o rendimento percebido no exercício das c) O crime pode ser praticado por ação ou omissão.
funções e o patrimônio acumulado é um forte indício da percepção O objeto da tutela é a preservação do patrimônio público, em
indevida de vantagens. Claro, se comprovada que a desproporção todos seus bens e valores. O pressuposto exigível é a ocorrência de
se deu por outros motivos lícitos, não há ato de improbidade ad-
dano ao patrimônio dos sujeitos passivos.
ministrativa (por exemplo, ganhar na loteria ou receber uma boa
Este artigo admite expressamente a variante culposa, o que
herança).
VIII - aceitar emprego, comissão ou exercer atividade de con- muitos entendem ser inconstitucional. O STJ, no REsp n° 939.142/
sultoria ou assessoramento para pessoa física ou jurídica que te- RJ, apontou alguns aspectos da inconstitucionalidade do artigo.
nha interesse suscetível de ser atingido ou amparado por ação ou Contudo, “a jurisprudência do STJ consolidou a tese de que é in-
omissão decorrente das atribuições do agente público, durante a dispensável a existência de dolo nas condutas descritas nos arti-
atividade; gos 9º e 11 e ao menos de culpa nas hipóteses do artigo 10, nas
O agente público não pode trabalhar em funções incompatí- quais o dano ao erário precisa ser comprovado. De acordo com o
veis com as que desempenha para o Estado, notadamente quando ministro Castro Meira, a conduta culposa ocorre quando o agente
isso influenciar nas atitudes por ele tomadas no exercício das fun- não pretende atingir o resultado danoso, mas atua com negligência,
ções públicas. Afinal, aceitando uma posição que comprometa sua imprudência ou imperícia (REsp n° 1.127.143)”54. Para Carvalho
imparcialidade, o agente prejudicará o interesse público. Filho55, não há inconstitucionalidade na modalidade culposa, lem-
IX - perceber vantagem econômica para intermediar a libera- brando que é possível dosar a pena conforme o agente aja com
ção ou aplicação de verba pública de qualquer natureza; dolo ou culpa.
Para que as verbas públicas sejam liberadas ou aplicadas há O ponto central é lembrar que neste artigo não se exige que o
todo um procedimento estabelecido em lei, não cabendo ao servi- sujeito ativo tenha percebido vantagens indevidas, basta o dano
dor violá-lo e muito menos receber vantagem por tal violação. Há ao erário. Se tiver recebido vantagem indevida, incide no artigo
improbidade, por exemplo, na fraude em licitação. anterior. Exceto pela não percepção da vantagem indevida, os tipos
X - receber vantagem econômica de qualquer natureza, direta
exemplificados se aproximam muito dos previstos nos incisos do
ou indiretamente, para omitir ato de ofício, providência ou decla-
ração a que esteja obrigado; art. 9°.
A percepção de vantagem econômica para omitir qualquer ato I - facilitar ou concorrer por qualquer forma para a incorpo-
que seja obrigado a praticar caracteriza ato de improbidade admi- ração ao patrimônio particular, de pessoa física ou jurídica, de
nistrativa. bens, rendas, verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial
XI - incorporar, por qualquer forma, ao seu patrimônio bens, das entidades mencionadas no art. 1º desta lei;
rendas, verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das II - permitir ou concorrer para que pessoa física ou jurídi-
entidades mencionadas no art. 1° desta lei; ca privada utilize bens, rendas, verbas ou valores integrantes do
XII - usar, em proveito próprio, bens, rendas, verbas ou valo- acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. 1º desta
res integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas lei, sem a observância das formalidades legais ou regulamentares
no art. 1° desta lei. aplicáveis à espécie;
Como visto, todo o aparato material e financeiro propiciado III - doar à pessoa física ou jurídica bem como ao ente des-
para o desempenho das funções públicas pertencem à máquina es- personalizado, ainda que de fins educativos ou assistências, bens,
tatal e devem servir ao bem comum, não cabendo a utilização em rendas, verbas ou valores do patrimônio de qualquer das entida-
proveito próprio, o que gera uma natural vantagem econômica, sob des mencionadas no art. 1º desta lei, sem observância das forma-
pena de incidir em improbidade administrativa. lidades legais e regulamentares aplicáveis à espécie;
Todos os bens, rendas, verbas e valores que integram a estru-
Seção II
tura da administração pública somente devem ser utilizados por
Dos Atos de Improbidade Administrativa que Causam Pre-
ela. Por isso, não cabe a incorporação de seu patrimônio ao acervo
juízo ao Erário
13. ed. São Paulo: Método, 2011.
Art. 10. Constitui ato de improbidade administrativa que cau-
53 CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de
sa lesão ao erário qualquer ação ou omissão, dolosa ou culposa,
que enseje perda patrimonial, desvio, apropriação, malbarata- direito administrativo. 23. ed. Rio de Janeiro: Lumen juris,
mento ou dilapidação dos bens ou haveres das entidades referidas 2010.
no art. 1º desta lei, e notadamente: 54 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Improbida-
O grupo intermediário de atos de improbidade administrativa de administrativa: desonestidade na gestão dos recursos
se caracteriza pelos elementos: causar dano ao erário ou aos cofres públicos. Disponível em: <http://www.stj.gov.br/portal_stj/pu-
públicos + gerando perda patrimonial ou dilapidação do patri- blicacao/engine.wsp?tmp.area=398&tmp.texto=103422>.
mônio público. Assim como o artigo anterior, o caput descreve Acesso em: 26 mar. 2013.
a fórmula genérica e os incisos algumas atitudes específicas que 55 CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de
exemplificam o seu conteúdo.52 direito administrativo. 23. ed. Rio de Janeiro: Lumen juris,
52 SPITZCOVSKY, Celso. Direito Administrativo. 2010.

Didatismo e Conhecimento 72
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
de qualquer pessoa física ou jurídica e mesmo a simples utiliza- XII - permitir, facilitar ou concorrer para que terceiro se en-
ção deve obedecer aos ditames legais. Quem agir, aproveitando da riqueça ilicitamente;
função pública, de modo a permitir tais situações, incide em ato de Como visto, quanto o agente público obtém vantagem própria,
improbidade administrativa, ainda que não receba nenhuma vanta- direta ou indireta, incide nas hipóteses mais graves do artigo ante-
gem por seu ato (havendo enriquecimento ilícito, está presente um rior. Caso concorde com o enriquecimento ilícito de terceiro, por
ato do art. 9°, categoria mais grave). exemplo, seu superior hierárquico, ou colabore para que ele ocor-
Aliás, nem ao menos importa se o ato é benéfico, por exem- ra, também cometerá ato de improbidade administrativa, embora
plo, uma doação. O patrimônio público deve ser preservado e sua de menor gravidade.
transmissão/utilização deve obedecer a legislação vigente. XIII - permitir que se utilize, em obra ou serviço particular,
IV - permitir ou facilitar a alienação, permuta ou locação de veículos, máquinas, equipamentos ou material de qualquer natu-
bem integrante do patrimônio de qualquer das entidades referidas reza, de propriedade ou à disposição de qualquer das entidades
no art. 1º desta lei, ou ainda a prestação de serviço por parte de-
mencionadas no art. 1° desta lei, bem como o trabalho de servidor
las, por preço inferior ao de mercado;
público, empregados ou terceiros contratados por essas entidades.
V - permitir ou facilitar a aquisição, permuta ou locação de
bem ou serviço por preço superior ao de mercado; Não se deve permitir que terceiros utilizem do aparato da má-
Incisos diretamente correlatos aos incisos II e III do artigo quina estatal, tanto material quanto pessoal, mesmo que não se
anterior, exceto pelo fato do sujeito ativo não perceber vantagem obtenha vantagem alguma com tal concessão.
indevida pela sua conduta. Aliás, é exatamente pela falta deste ele- XIV – celebrar contrato ou outro instrumento que tenha por
mento que o ato se enquadra na categoria intermediária, e não mais objeto a prestação de serviços públicos por meio da gestão asso-
grave, dentro da classificação das improbidades. ciada sem observar as formalidades previstas na lei;
VI - realizar operação financeira sem observância das nor- XV – celebrar contrato de rateio de consórcio público sem
mas legais e regulamentares ou aceitar garantia insuficiente ou suficiente e prévia dotação orçamentária, ou sem observar as for-
inidônea; malidades previstas na lei.
VII - conceder benefício administrativo ou fiscal sem a ob- A celebração de contratos de qualquer natureza compromete
servância das formalidades legais ou regulamentares aplicáveis diretamente o orçamento público, causando prejuízo ao erário. Por
à espécie; isso, deve-se obedecer as prescrições legais que disciplinam a cele-
A realização de operações financeiras, como a liberação de bração de contratos administrativos, deliberando com responsabili-
verbas e o investimento destas, e a concessão de benefícios são dade a respeito das contratações necessárias e úteis ao bem comum.
papéis muito importantes desempenhados pelo agente público, que
deverá cumprir estritamente a lei. Seção III
VIII - frustrar a licitude de processo licitatório ou dispensá-lo
Dos Atos de Improbidade Administrativa que Atentam Con-
indevidamente;
tra os Princípios da Administração Pública
Processo licitatório é aquele em que se realiza a licitação, pro-
cedimento detalhado prescrito em lei pelo qual o Estado contrata
serviços, adquire produtos, aliena bens, etc. A finalidade de cum- Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que aten-
prir o procedimento legal de forma estrita é garantir a preservação ta contra os princípios da administração pública qualquer ação
do interesse da sociedade, não cabendo ao agente público passar ou omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialidade,
por cima destas regras (Lei n° 8.666/93). legalidade, e lealdade às instituições, e notadamente:
IX - ordenar ou permitir a realização de despesas não autori- O grupo mais ameno de atos de improbidade administrativa
zadas em lei ou regulamento; se caracteriza pela simples violação a princípios da administra-
Todas as despesas que podem ser assumidas pelo Poder Pú- ção pública, ou seja, aplica-se a qualquer atitude do sujeito ativo
blico encontram respectiva previsão em alguma lei ou diretriz or- que viole os ditames éticos do serviço público. Isto é, o legislador
çamentária. pretende a preservação dos princípios gerais da administração pú-
X - agir negligentemente na arrecadação de tributo ou ren- blica.56
da, bem como no que diz respeito à conservação do patrimônio a) O objeto de tutela são os princípios constitucionais;
público; b) Basta a vulneração em si dos princípios, sendo dispensáveis
A arrecadação de tributos é essencial para a manutenção da o enriquecimento ilícito e o dano ao erário;
máquina estatal, não podendo o agente público ser negligente (se c) Somente é possível a prática de algum destes atos com dolo
omitir, deixar de ser zeloso) no que tange ao levantamento desta
(intenção);
renda.
d) Cabe a prática por ação ou omissão.
XI - liberar verba pública sem a estrita observância das nor-
mas pertinentes ou influir de qualquer forma para a sua aplicação Será preciso utilizar razoabilidade e proporcionalidade para
irregular; não permitir a caracterização de abuso de poder, diante do conteú-
Para que as verbas públicas sejam aplicadas é preciso obede- do aberto do dispositivo.
cer o procedimento previsto em lei, preservando o interesse estatal. Na verdade, trata-se de tipo subsidiário, ou seja, que se aplica
Dos incisos VI a XI resta clara a marca desta categoria inter- quando o ato de improbidade administrativa não tiver gerado ob-
mediária de atos de improbidade administrativa: que seja causado tenção de vantagem indevida ou dano ao erário.
prejuízo ao erário, sem que o agente responsável pelo dano receba I - praticar ato visando fim proibido em lei ou regulamento ou
vantagem indevida. A questão é preservar o interesse estatal, ga- diverso daquele previsto, na regra de competência;
rantindo que os bens e verbas públicas sejam corretamente utiliza- 56 SPITZCOVSKY, Celso. Direito Administrativo.
dos, arrecadados e investidos. 13. ed. São Paulo: Método, 2011.

Didatismo e Conhecimento 73
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
II - retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofí- 2. (ASPERH - 2010 -   Professor auxiliar ética profissional)
cio; Sobre moral e ética é incorreto afirmar:
III - revelar fato ou circunstância de que tem ciência em razão a) A moral é a regulação dos valores e comportamentos consi-
das atribuições e que deva permanecer em segredo; derados legítimos por uma determinada sociedade, um povo, uma
IV - negar publicidade aos atos oficiais; religião, uma certa tradição cultural etc.
V - frustrar a licitude de concurso público; b) Uma moral é um fenômeno social particular, que tem com-
VI - deixar de prestar contas quando esteja obrigado a fazê- promisso com a universalidade, isto é, com o que é válido e de
-lo; direito para todos os homens. Exceto quando atacada: justifica-se 
VII - revelar ou permitir que chegue ao conhecimento de ter- se dizendo universal, supostamente válida para todos.
ceiro, antes da respectiva divulgação oficial, teor de medida po- c)  A ética á uma reflexão crítica sobre a moralidade. Mas
lítica ou econômica capaz de afetar o preço de mercadoria, bem ela não é puramente teoria. A ética é um conjunto de princípios e
ou serviço. disposições voltados para a ação, historicamente produzidos, cujo
É possível perceber, no rol exemplificativo de condutas do objetivo é balizar as ações humanas.
artigo 11, que o agente público que pratique qualquer ato contrário d) A moral é um conjunto de regras de conduta adotadas pelos
aos ditames da ética, notadamente os originários nos princípios indivíduos de um grupo social e tem a finalidade de organizar as
administrativos constitucionais, pratica ato de improbidade relações interpessoais segundo os valores do bem e do mal.
administrativa. e) A moral é a aplicação da ética no cotidiano, é a prática
Com efeito, são deveres funcionais: praticar atos visando o concreta.
bem comum, agir com efetividade e rapidez, manter sigilo a res- R: B. A Moral, embora seja mais subjetiva que a Ética, reflete
peito dos fatos que tenha conhecimento devido a sua função, tor- o seu conteúdo, logo, também possui universalidade. O sentimento
nar públicos os atos oficiais, zelar pela boa realização de atos ad- moral é uno e repousa no seio social, sendo assim universal. Logo,
a Moral é válida para todos, não supostamente válida.
ministrativos em geral (como a realização de concurso público),
prestar contas, entre outros.
3. (ASPERH - 2010 -   Professor auxiliar ética profissional)
Sobre a ética, moral e direito é incorreto afirmar:
ATENÇÃO: Para resolver com facilidade as questões a res-
a) Tanto a moral como o direito baseiam-se em regras que vi-
peito da ética pública é preciso, acima de tudo, bom senso. Se o
sam estabelecer uma certa previsibilidade para as ações humanas.
candidato for capaz de utilizar a razoabilidade e a prudência para
Ambas, porém, se diferenciam.
compreender qual a atitude que é esperada dele em seu serviço,
b) O direito busca estabelecer o regramento de uma sociedade
ficará muito mais fácil acertá-las. Afinal, embora a maioria dos tes-
delimitada pelas fronteiras do Estado.
tes exija do candidato uma boa memorização de conteúdo, se este
c) As leis têm uma base territorial, elas valem apenas para
for sistematizado e compreendido será difícil errar uma questão, aquela área geográfica onde uma determinada população ou seus
pois a memória pode ser traiçoeira, mas o raciocínio não. Tal ob- delegados vivem.
servação é ainda mais válida quando o edital do concurso propõe d) Alguns autores afirmam que o direito é um subconjunto da
tópicos genéricos para estudo. ética. Esta perspectiva pode gerar a conclusão de que toda a lei é
moralmente aceitável. Inúmeras situações demonstram a existên-
EXERCÍCIOS cia de conflitos entre a ética e o direito.
e)  A desobediência civil ocorre quando argumentos morais
1. (CESPE - 2010 - Caixa - Advogado) A respeito das classi- impedem que uma pessoa acate uma determinada lei. Este é um
ficações da ética como campo de estudo, assinale a opção correta. exemplo de que a moral e o direito, apesar de referirem-se a uma
a) Na abordagem da ética absoluta, toda ação humana é boa mesma sociedade, podem ter perspectivas discordantes.
e, consequentemente, um dever, pois se fundamenta em um valor. R: D. O Direito é um subconjunto da Ética e, por isso mesmo,
b) De acordo com a ética formal, não existem valores uni- suas normas devem refletir o conteúdo ético sempre que possível,
versais, objetivos, mas estes são convencionais, condicionados ao o que ocorre pela presença do valor do justo. Tomar como correta
tempo e ao espaço. a afirmativa d seria entender que o Direito pode não ser justo e
c) Segundo a ética empírica, a distinção entre o certo e o erra- ainda assim ser válido, premissa positivista refutada no contexto
do ocorre por meio da experiência, do resultado do procedimento, pós-guerra.
da observação sensorial do que de fato ocorre no mundo.
d) Quanto ao aspecto histórico, a ética empírica possui a razão 4. (CESPE - 2010 - Caixa - Advogado) A respeito das classi-
como enfoque para explicar o mundo, na medida em que ela cons- ficações da ética como campo de estudo, assinale a opção correta.
trói a teoria explicativa e vai ao mundo para ver sua adequação. a) Na abordagem da ética absoluta, toda ação humana é boa
e) Em todas as classificações da ética, ela se torna equivalente e, consequentemente, um dever, pois se fundamenta em um valor.
à moral porque direciona o comportamento humano para ações b) De acordo com a ética formal, não existem valores uni-
consideradas positivas para um grupo social. versais, objetivos, mas estes são convencionais, condicionados ao
R: C. Empirismo é a observação prática de um fenômeno. En- tempo e ao espaço.
quanto que numa ética teórica bastaria a reflexão para conhecer o c) Segundo a ética empírica, a distinção entre o certo e o erra-
certo e o errado, por uma ética empírica é preciso vivenciar o con- do ocorre por meio da experiência, do resultado do procedimento,
tato direto com situações que permitam compreender estes valores. da observação sensorial do que de fato ocorre no mundo.

Didatismo e Conhecimento 74
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
d) Quanto ao aspecto histórico, a ética empírica possui a razão e) Carlos poderá ser exonerado do serviço público pelas práti-
como enfoque para explicar o mundo, na medida em que ela cons- cas dos crimes de atentado violento ao pudor e calúnia.
trói a teoria explicativa e vai ao mundo para ver sua adequação. R: D. Nos termos do inciso VI do Decreto n° 1.171/94, “a
e) Em todas as classificações da ética, ela se torna equivalente função pública deve ser tida como exercício profissional e, portan-
à moral porque direciona o comportamento humano para ações to, se integra na vida particular de cada servidor público. Assim,
consideradas positivas para um grupo social. os fatos e atos verificados na conduta do dia-a-dia em sua vida
R: C. Empirismo é a observação prática de um fenômeno. En- privada poderão acrescer ou diminuir o seu bom conceito na vida
quanto que numa ética teórica bastaria a reflexão para conhecer o funcional”. Embriagar-se, comportar-se de maneira inadequada,
certo e o errado, por uma ética empírica é preciso vivenciar o con- independentemente do horário, é algo que compromete a institui-
tato direto com situações que permitam compreender estes valores. ção, sendo assim uma atitude antiética. Tanto é que as atitudes de
Carlos se encontram entre as proibições estabelecidas pelo Código
5. (ASPERH - 2010 -   Professor auxiliar ética profissional) de Ética no inciso XV: “f) permitir que perseguições, simpatias,
Sobre moralidade administrativa e a constituição federativa é in- antipatias, caprichos, paixões ou interesses de ordem pessoal inter-
correto afirmar: firam no trato com o público, com os jurisdicionados administrati-
a) A carta magna faz menção em diversas oportunidades ao vos ou com colegas hierarquicamente superiores ou inferiores; [...]
princípio da moralidade. Uma delas, prevista no art. 5º, LXXIII, n) apresentar-se embriagado no serviço ou fora dele habitualmen-
trata da ação popular contra ato lesivo à moralidade administrativa te; o) dar o seu concurso a qualquer instituição que atente contra a
b) Em outra, o constituinte determinou a punição mais rigoro- moral, a honestidade ou a dignidade da pessoa humana”.
sa da imoralidade qualificada pela improbidade (art. 37, §4º)
c) Há ainda o art. 14, §9º, onde se visa proteger a probidade e 7. (FCC - 2010 - DPE-SP - Agente de Defensoria) Parte supe-
moralidade no exercício de mandato, e o art. 85, V, que considera rior do formulário
a improbidade administrativa como crime de atividade adminis- O servidor público quando instado pela legislação a atuar de
trativa forma ética, não tem que decidir somente entre o que é legal e
d) O princípio da moralidade, com o advento da Carta Cons- ilegal, mas, acima de tudo entre o que é
titucional de 1988 foi alçado, pela vez primeira em nosso direito a) oportuno e inoportuno.
b) conveniente e inconveniente.
positivo a princípio constitucional, nos termos do artigo37, caput,
c) honesto e desonesto.
o qual estabelece diretrizes à administração pública
d) público e privado.
e) Também o artigo 5º, inciso LXXIII, da Constituição Fede-
e) bom e ruim.
ral, prevê a possibilidade de anulação de atos lesivos à moralidade
R: C. É o que destaca o inciso II do Decreto n° 1.171/94: “O
administrativa
servidor público não poderá jamais desprezar o elemento ético de
R: C. Embora o artigo 85, V faça referência à probidade admi-
sua conduta. Assim, não terá que decidir somente entre o legal e
nistrativa como um dos objetos de violação, caracterizando crime
o ilegal, o justo e o injusto, o conveniente e o inconveniente, o
de responsabilidade pelo Presidente da República, o ato de im-
oportuno e o inoportuno, mas principalmente entre o honesto e
probidade administrativa praticado pelos servidores em geral tem o desonesto, consoante as regras contidas no art. 37, caput, e § 4°,
natureza cível e está regulado na Lei nº 8.429/92. da Constituição Federal”.
6. (CESPE - 2010 - UERN - Agente Técnico Administrativo) 8. (FCC - 2012 - INSS - Perito Médico Previdenciário) Con-
Parte superior do formulário sidere duas hipóteses:
Carlos, servidor público, excede-se na bebida aos fins de se- I. Fernanda, servidora pública civil do Poder Executivo Fede-
mana, quando costuma frequentar bares e casas noturnas de sua ral, tem sido vista embriagada, habitualmente, em diversos locais
localidade. Nessas ocasiões, Carlos costuma falar palavras de bai- públicos, como eventos, festas e reuniões.
xo calão, fazer gestos obscenos e dirigir impropérios contra a vida II. Maria, também servidora pública civil do Poder Executi-
conjugal de seus colegas de trabalho. Diante da situação hipotética vo Federal, alterou o teor de documentos que deveria encaminhar
acima e considerando a regulamentação ética do serviço público, para providências.
assinale a opção correta. Nos termos do Decreto n° 1.171/1994,
a) Os excessos cometidos por Carlos referem-se aos períodos a) ambas as servidoras públicas não se sujeitam às disposições
de folga e fora de seu local de trabalho, portanto não afetam o previstas no Decreto n° 1.171/1994.
serviço público. b) apenas o fato descrito no item II constitui vedação ao servi-
b) Embora não haja nenhuma disposição no Código de Ética dor público; o fato narrado no item I não implica vedação, vez que
do Servidor Público quanto aos excessos cometidos por Carlos, ele a lei veda embriaguez apenas no local do serviço.
praticou o crime de difamação contra seus colegas, podendo, em c) apenas o fato descrito no item I constitui vedação ao servi-
razão, disso, ser por estes processado. dor público, desde que ele seja efetivo.
c) O problema de Carlos é a propensão ao alcoolismo. Isso d) ambos os fatos não constituem vedações ao servidor públi-
não é crime nem imoralidade, pois se trata de um distúrbio que co, embora possam ter implicações em outras searas do Direito.
deve ser devidamente tratado no Sistema Único de Saúde. e) ambos os fatos constituem vedações ao servidor público.
d) Ao prejudicar deliberadamente a reputação de seus colegas R: E. Nos termos do inciso I do Decreto, “a dignidade, o de-
e apresentar-se embriagado com habitualidade, Carlos viola as dis- coro, o zelo, a eficácia e a consciência dos princípios morais
posições do Código de Ética do Servidor Público. são primados maiores que devem nortear o servidor público, seja

Didatismo e Conhecimento 75
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
no exercício do cargo ou função, ou fora dele, já que refletirá o e) A boa vontade deve estar sempre presente no comporta-
exercício da vocação do próprio poder estatal. Seus atos, compor- mento do servidor público em quaisquer situações e em qualquer
tamentos e atitudes serão direcionados para a preservação da honra tempo de seu cotidiano.
e da tradição dos serviços públicos”. Ambas condutas violam estes R: D. A alternativa a) está incorreta pois diferenciar aqueles
princípios, uma dentro do espaço de trabalho e outra fora dele, de com que se tem familiaridade é violar o princípio da moralidade; a
forma que ambas se sujeitam ao Decreto n° 1.171/92. alternativa b) está incorreta pois moralidade é o principal valor que
norteia a ética do servidor público; a alternativa c) está incorreta
9. (ESAF - 2006 - CGU - Analista de Finanças e Controle - porque o servidor não pode se limitar a distinguir bem e mal (mas
Área - Correição) De acordo com o Código de Ética Profissional principalmente honesto e desonesto); a alternativa e) está incorreta
do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal, aprovado porque a prioridade deve se dar em serviço (fora dele o servidor
pelo Decreto nº 1.171, de 22.6.1994, é vedado ao servidor público: deve zelar por sua imagem, mas não é obrigado a atender pessoas
I. receber gratificação financeira para o cumprimento de sua que não em seu expediente). Obviamente, a d) está correta porque
missão. a hierarquia é essencial em termos de organização do trabalho, em-
II. ser sócio de empresa que explore jogos de azar não-auto- bora não caiba ao servidor atender ordens contrárias à ética.
rizados.
III. informar, a um seu amigo de muitos anos, do conheci- 11. (CESPE - 2012 - TJ-AL - Técnico Judiciário) Em sua atua-
ção profissional, o servidor público deve
mento que teve, em razão das funções, de uma minuta de medi-
a) prestar informações sigilosas à sociedade, visto que toda
da provisória que, quando publicada, afetará substancialmente as
pessoa tem direito à verdade.
aplicações financeiras desse amigo.
b) colaborar com seus colegas apenas quando solicitado.
IV. permitir que simpatias ou antipatias interfiram no trato
c) realizar suas atividades com afinco e resolutividade.
com o público. d) realizar suas atividades com rapidez, mesmo que ocorram
V. ser, em função do seu espírito de solidariedade, conivente algumas imperfeições ou erros.
com seu colega de trabalho que cometeu infração de natureza ética. e) abster-se de exercer sua função em situações de inseguran-
Estão corretas: ça profissional.
a) apenas as afirmativas I, II, IV e V R: C. O comportamento profissional esperado do servidor é
b) as afirmativas I, II, III, IV e V. que ele haja com afinco, ou seja, dedicação, e resolutividade, isto
c) apenas as afirmativas I, II, III, e V. é, buscando resolver todos os problemas que se apresentarem nos
d) apenas as afirmativas I, II e V. limites de sua competência. Não cabe ao servidor violar o sigilo
e) apenas as afirmativas I e II. profissional, deixar de se atentar aos momentos em que pode co-
R: B. São todas vedações previstas no inciso XV, respectiva- laborar no trabalho (independente de solicitações), cometer erros
mente, nas alíneas g, o, m, f e c: “g) pleitear, solicitar, provocar, e imperfeições ou deixar de exercer suas funções fora dos casos
sugerir ou receber qualquer tipo de ajuda financeira, gratificação, aceitos em lei.
prêmio, comissão, doação ou vantagem de qualquer espécie, para
si, familiares ou qualquer pessoa, para o cumprimento da sua mis- 12. (CESPE - 2012 - TJ-AL - Técnico Judiciário) O compor-
são ou para influenciar outro servidor para o mesmo fim; o) dar tamento profissional do servidor público deve ser orientador por
o seu concurso a qualquer instituição que atente contra a moral, princípios e valores orientados a
a honestidade ou a dignidade da pessoa humana; m) fazer uso a) ganhar sempre para o crescimento e engrandecimento da
de informações privilegiadas obtidas no âmbito interno de seu nação.
serviço, em benefício próprio, de parentes, de amigos ou de tercei- b) resolver os problemas imediatos e depois pensar nos futu-
ros; f) permitir que perseguições, simpatias, antipatias, caprichos, ros.
paixões ou interesses de ordem pessoal interfiram no trato com o c) aproveitar as oportunidades, mesmo com incidência de ris-
público, com os jurisdicionados administrativos ou com colegas co de improbidade.
hierarquicamente superiores ou inferiores; c) ser, em função de seu d) agir, se comportar e demonstrar atitudes relacionadas à tra-
espírito de solidariedade, conivente com erro ou infração a este dição dos serviços públicos.
e) realizar suas atribuições em um ritmo confortável para si e
Código de Ética ou ao Código de Ética de sua profissão».
buscar ter qualidade de vida sempre.
R: D. Não cabe ao servidor esquecer de si e pensar somente na
10. (CESPE - 2012 - TJ-AL - Técnico Judiciário) Consideran-
nação, mas o inverso também não é aceito. Aquele que desempe-
do a ética no serviço público, assinale a opção correta.
nha função pública deve ter consciência de suas responsabilidades
a) O servidor público deve demonstrar cortesia em situações e servir de espelho para a sociedade como um todo.
de atendimento ao público, com destaque para aquelas pessoas
com quem já tenha familiaridade. 13. (FCC - 2010 - DNOCS - Agente Administrativo) No que
b) A dignidade é o principal valor que norteia a ética do ser- concerne às Regras Deontológicas estabelecidas no Código de
vidor público. Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo
c) Com relação à administração pública, a moralidade limita- Federal, é correto afirmar que
-se à distinção entre o bem e o mal. a) o trabalho desenvolvido pelo servidor público perante a co-
d) Espera-se que o servidor público sempre atue com respeito munidade deve ser entendido como obrigação, independentemen-
à hierarquia. te do seu próprio bem- estar, já que, como funcionário público,

Didatismo e Conhecimento 76
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
integrante do Poder Executivo, o êxito desse trabalho é requisito b) O servidor penalizado com suspensão pode optar por con-
essencial à manutenção de seu cargo, não dizendo respeito ao seu verter a pena em multa, na base de 50% do salário por dia de ven-
patrimônio e a sua vida particular. cimento ou remuneração e, assim, continuar trabalhando.
b) a remuneração do servidor público é custeada pelos tributos c) A pena máxima prevista para o servidor que proceder de
pagos direta ou indiretamente por todos, até por ele próprio, e por forma desidiosa é a suspensão por cento e vinte dias.
isso se exige, como contrapartida, que a moralidade administrativa d) É vedado ao servidor público federal exercer o comércio,
se integre no Direito, sendo dissociável de sua aplicação e de sua inclusive na qualidade de acionista ou cotista.
finalidade. e) A pena disciplinar para a acumulação ilegal de cargos pú-
c) a moralidade da Administração Pública não se limita à dis- blicos é a de suspensão.
tinção entre o bem e o mal, devendo ser acrescida da ideia de que R: A. Neste sentido: “Art. 117.  Ao servidor é proibido:  [...]
o fim é sempre o bem comum. O equilíbrio entre a legalidade e a VIII - manter sob sua chefia imediata, em cargo ou função de con-
finalidade, na conduta do servidor público, é que poderá consolidar fiança, cônjuge, companheiro ou parente até o segundo grau civil;
a moralidade do ato administrativo. [...] Art. 129.  A advertência será aplicada por escrito, nos casos
d) toda pessoa tem direito à verdade, sendo que o servidor po- de violação de proibição constante do art. 117, incisos I a VIII e
derá omiti-la, caso seja contrária aos interesses da própria pessoa XIX, e de inobservância de dever funcional previsto em lei, re-
interessada ou da Administração Pública. Nenhum Estado pode gulamentação ou norma interna, que não justifique imposição de
crescer ou estabilizar-se sobre o poder corruptivo da opressão, que penalidade mais grave”.
sempre aniquilam até mesmo a dignidade humana quanto mais a
de uma Nação. 16. (ESAF - 2012 - MF - Assistente Técnico - Administrativo)
e) deixar o servidor público qualquer pessoa à espera de solu- Assinale a opção que contenha o fundamento do dever de obe-
ção que compete ao setor em que exerça suas funções, permitindo diência do servidor público, disposto no inciso IV, art. 116 da Lei
a formação de longas filas, ou qualquer outra espécie de atraso na n. 8.112/90.
prestação do serviço, é comum e normal e, portanto, não causa a) Publicidade.
dano moral aos usuários dos serviços públicos e nem mesmo con- b) Disciplina.
figura atitude contra a ética ou ato de desumanidade. c) Hierarquia.
R: C. Tudo, em termos de ética no serviço público, é uma d) Moralidade.
questão de equilíbrio. Moralidade é mais do que distinguir o bem e) Eficiência.
do mal: é preciso ter em vista o interesse difuso que repousa no R: C. A violação do dever de hierarquia caracteriza ofensa à
seio social. Por vezes, respeitar a lei não bastará: será preciso re- organização do trabalho necessária para que o serviço público seja
lativizá-la em vista do interesse público e da promoção do bem prestado de maneira eficiente.
comum.
17. (FCC - 2013 - TRT - 1ª REGIÃO - Analista Judiciário -
14. (FCC - 2012 - TRT - 1ª REGIÃO - Juiz do Trabalho) De Execução de Mandados) Quando se determina ao servidor público
acordo com as disposições da Lei nº 8.112/90, a alternativa que que ele exerça com zelo e dedicação as atribuições de seu cargo e
apresenta a correlação correta é: atenda com presteza o público, está-se diante de
a) Conduta de servidor público - inassiduidade habitual = a) obrigação legal implícita, na medida em que são decorren-
Sanção aplicável - demissão tes da interpretação dos direitos e deveres dos servidores que cons-
b) Conduta de servidor público - manter sob sua chefia ime- tam na legislação vigente.
diata, em função de confiança, cônjuge ou parente até o segundo b) deveres morais, que somente podem ser utilizados para
grau = Sanção aplicável - demissão punição disciplinar na hipótese de haver positivação da regra na
c) Conduta de servidor público - cometer à pessoa que não unidade de classificação do servidor.
integra a repartição, fora dos casos previstos em lei, o desempenho c) recomendação disciplinar implícita, punível, na reiteração,
de atribuição de sua responsabilidade = Sanção aplicável - sus- com demissão.
pensão d) recomendação moral a todos os servidores públicos, não
d) Conduta de servidor público - coagir subordinado a filiar- havendo possibilidade de punição disciplinar em decorrência do
-se a sindicato = Sanção aplicável - demissão desatendimento, a não ser pela análise de desempenho.
e) Conduta de servidor público - participar de gerência ou e) deveres legalmente expressos, de modo que o desatendi-
administração de sociedade privada = Sanção aplicável - demissão mento possibilita a adoção de providências por parte da Adminis-
e inabilitação para investidura em novo cargo público pelo prazo tração pública.
de 5 anos R: E. O dever de atendimento à ética, para o servidor público,
R: A. Nos termos do art. 132, “a demissão será aplicada nos vai além de cumprir regras morais, subjetivas, ingressando na es-
seguintes casos: [...] III - inassiduidade habitual [...]”. fera do Direito, da realização do justo no caso concreto. Por isso, o
servidor que viola as normas éticas acaba por violar a própria lei.
15. (CESPE - 2013 - TRE-MS - Analista Judiciário) No que se
refere às vedações e penalidades previstas para o servidor público 18. (FCC - 2013 - TRT - 1ª REGIÃO - Técnico Judiciário)
federal, assinale a opção correta. Paulo, servidor público federal, deixou de praticar, deliberadamen-
a) O servidor público federal não pode manter sob sua chefia te, ato de ofício que era de sua competência. A referida conduta
imediata, em cargo ou função de confiança, cônjuge, companheiro a) poderá caracterizar ato de improbidade administrativa, des-
ou parente até o segundo grau civil, sob pena de sofrer pena de de que comprovado que o servidor auferiu vantagem indevida para
advertência. a sua prática.

Didatismo e Conhecimento 77
NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
b) configura ato de improbidade administrativa que atenta
contra os Princípios da Administração pública, passível da aplica- ANOTAÇÕES
ção da pena de perda da função pública.
c) não configura ato de improbidade administrativa, sendo
passível, contudo, punição disciplinar.
d) não configura ato de improbidade administrativa, salvo se
comprovado, cumulativamente, enriquecimento ilícito e dano ao
erário. —————————————————————————
e) configura ato de improbidade administrativa, passível de —————————————————————————
aplicação de pena de multa, exclusivamente.
R: B. Neste sentido: “Art. 11. Constitui ato de improbidade —————————————————————————
administrativa que atenta contra os princípios da administração
pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de hones- —————————————————————————
tidade, imparcialidade, legalidade, e lealdade às instituições, e no-
—————————————————————————
tadamente: [...] II - retardar ou deixar de praticar, indevidamente,
ato de ofício”. —————————————————————————

19. (FCC - 2013 - TRT - 1ª REGIÃO - Analista Judiciário) —————————————————————————


Determinado administrador público adquiriu, sem licitação, dois
—————————————————————————
veículos para uso da repartição pública que chefia. Em decorrência
dessa aquisição, obteve desconto considerável na aquisição de ou- —————————————————————————
tro veículo, com recursos próprios, para sua utilização. Em razão
dessa conduta, —————————————————————————
a) pode restar configurado ato de improbidade, desde que reste
—————————————————————————
comprovado prejuízo pecuniário.
b) não poderá ser configurado ato de improbidade, salvo no —————————————————————————
que concerne à aquisição do veículo com recursos próprios, pois
se valeu de vantagem obtida em razão do cargo. —————————————————————————
c) pode restar configurado ato de improbidade, independente-
mente da ocorrência de prejuízo pecuniário. —————————————————————————
d) não pode configurar ato de improbidade, mas pode confi- —————————————————————————
gurar ilícito penal, independentemente da ocorrência de prejuízo
pecuniário. —————————————————————————
e) fica configurado ato de improbidade, devendo ser responsa-
bilizado o agente estatal independentemente de dolo ou culpa, mas —————————————————————————
devendo ser comprovado prejuízo pecuniário. —————————————————————————
R: C. No caso descrito, o autor obteve enriquecimento ilícito,
pois somente às custas da administração obteve o benefício do des- —————————————————————————
conto no carro próprio. Havendo enriquecimento ilícito, caracteri-
za-se o ato de improbidade administrativa do artigo 9º, modalidade —————————————————————————
mais grave, independente de prejuízo ao erário. —————————————————————————
20. (COPESE - UFT - 2012 - DPE-TO - Analista Jurídico) —————————————————————————
Conforme previsto na Lei nº 8.429/92, NÃO constitui ato de im-
probidade administrativa que causa prejuízo ao erário: —————————————————————————
a) Permitir ou facilitar a aquisição permuta ou locação de bem —————————————————————————
ou serviço por preço superior ao de mercado.
b) Qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honesti- —————————————————————————
dade, imparcialidade e lealdade às instituições.
c) Realizar operação financeira sem observância das normas —————————————————————————
legais e regulamentares ou aceitar garantia insuficiente ou inidô-
—————————————————————————
nea.
d) Frustrar a licitude de processo licitatório ou dispensá-lo in- —————————————————————————
devidamente.
R: B. Trata-se de ato de improbidade administrativa que —————————————————————————
atenta contra os princípios da administração pública, conforme o
—————————————————————————
artigo 11, caput: “[...] ação ou omissão que viole os deveres de
honestidade, imparcialidade, legalidade, e lealdade às instituições —————————————————————————
[...]”.

Didatismo e Conhecimento 78