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PSICOLOGIA DA SAÚDE

Ana Paula Amaral

Licenc Psicologia
Mestre Psicologia Clínica
Doutorada Ciências Biomédicas (Stress/Saúde)
Módulo 2
A importância da Psicologia nos Serviços de Saúde

Objectivos

1. Estudar o papel da Psicologia na vivência e no tratamento


da doença (ex: doença oncológica, SIDA);
2. Compreender a relação entre os sintomas psicológicos,
como a ansiedade e a depressão, e a evolução da doença;
3. Analisar a relação entre o tratamento dos aspectos
psicológicos e a longevidade do indivíduo.
Módulo 2
A importância da Psicologia nos Serviços de Saúde

Doença física Estado emocional perturbado

1. A literatura sugere que situações de stress crónico


(elevada ansiedade e, por vezes, sintomatologia depressiva
associada) facilitam o aparecimento de determinadas
doenças (ex: úlceras duodenais);
2. Por outro lado, a vivência de determinadas doenças (ex:
cancro, esclerose múltipla) gera sintomas ansiosos e
depressivos.
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A importância da Psicologia nos Serviços de Saúde

Doença física Estado emocional perturbado

Dois importantes factores mediadores:


1. Percepção da doença
 Personalidade
 Experiências prévias com situações de doença (vivências, relatos)
 Meio sociocultural
 Informação

2. Forma como o indivíduo lida com a doença


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A importância da Psicologia nos Serviços de Saúde

Na situação de doença o indivíduo:


 Sente-se inseguro;
 Perde, habitualmente, o auto-controlo;
 Sente-se incapaz de influenciar os acontecimentos;
 Sente a auto-estima ameaçada

MEDO, ANSIEDADE E DEPRESSÃO


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Perturbações emocionais mais relevantes em


contexto hospitalar:

1. Perturbações Ansiosas;
2. Perturbações Depressivas.
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A importância da Psicologia nos Serviços de Saúde

1 - Perturbações Ansiosas
Ansiedade – Activação generalizada dos recursos individuais
dirigida contra um estímulo bem conhecido e real.

Potencia a capacidade
operacional do indivíduo Alterações; Mal-estar.
na resolução da situação

Ansiedade Normal ≠ Ansiedade Patológica


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A importância da Psicologia nos Serviços de Saúde

Ansiedade (algumas definições)

 Noção subjectiva de uma desproporção entre as


capacidades do indivíduo e a entidade que tem que
enfrentar.
 Estado afectivo que faz parte da natureza humana.
 Complexo de emoções negativas (cólera, amargura,
vergonha, culpa, …) das quais a emoção central é o
MEDO.
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A importância da Psicologia nos Serviços de Saúde

Componentes da Ansiedade
 Componente cognitiva (pensamentos referentes à
situação geradora de ansiedade);
 Componente vegetativa (conjunto de sintomas que
decorrem da activação do SNV): taquicardia, tremores,
sudação, dificuldade em respirar, alterações gastro-
intestinais, etc.;
 Componente motora: fuga ou evitamento da situação
ansiógena.
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A importância da Psicologia nos Serviços de Saúde

O controlo respiratório e a prática de relaxamento permitem


diminuir os níveis de ansiedade.
Respiração:
 Lenta (inspira pelo nariz, expira pela boca);
 Profunda;
 Abdominal.
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A importância da Psicologia nos Serviços de Saúde

Tarefa para alunos: Pesquisar literatura sobre a relação entre


ansiedade e bem-estar físico.
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A importância da Psicologia nos Serviços de Saúde

Perturbações Depressivas

Sintomas depressivos ≠ Episódio depressivo major


O que é a depressão...

 Como identificar

 Como compreender

 Como lidar com


Como identificar a depressão…

1. Alterações no estado de ânimo;

2. Deficiências específicas de comportamento;

3. Excessos específicos de comportamento;

4. Queixas somáticas;

5. Manifestações de natureza cognitiva.


Como identificar a depressão...

1 - Alterações no estado de ânimo

 tristeza
 perda de interesse
 incapacidade de mostrar alegria
 aborrecimento
 ausência da “capacidade de sentir” (por vezes)
Como identificar a depressão...

2 - Deficiências específicas de comportamento

 deixa de conviver;
 deixa de se rir;
 isola-se;
 deixa de cuidar do seu aspecto geral;
 diminui a sua capacidade para o trabalho;
 diminui o interesse sexual;
 lentificação.
Como identificar a depressão...

3 - Excessos específicos de comportamento

 choro fácil (gritos, gemidos);

 culpa por actos insignificantes;

 queixas desproporcionadas;

 hipersensibilidade ao comportamento dos outros;

 ideias e tentativas de suicídio.


Como identificar a depressão...

4 - Queixas somáticas

 disfunções dos ritmos biológicos (sono, apetite, peso,


libido e humor);

 sintomas vegetativos próprios da angústia


(taquicardia, secura de boca, transtornos gastro-intestinais,
cefaleias, tonturas);

 fadiga, mesmo depois do sono nocturno ou


descanso diurno.
Como identificar a depressão...

5 - Manifestações de natureza cognitiva

 recriminação;

 sentimentos de inadequação, incapacidade e fracasso;

 espera que tudo lhe corra sempre mal;

 sente-se interiormente desprezível;

 visão negativa de si, do seu mundo e do seu futuro.


Como identificar a depressão...

 A variabilidade das manifestações clínicas

Consoante a cultura, a educação e outros factores, assim


podemos encontrar sintomas predominantemente:

– cognitivos;
– somáticos....
Ou
– relação perturbada consigo próprio;
– relação perturbada com os outros.
Como identificar a depressão...

 Desvio Funcional Depressivo

As manifestações biológicas podem ser consideradas o elemento


unificador das várias manifestações clínicas.

Pollitt mencionou, desde 1960, os seguintes transtornos:

– sono;
– apetite;
– peso;
– líbido;
– variação diurna do humor.
(particularmente resistentes a fenómenos de natureza cultural)
Como compreender a depressão...

 Modelos biológicos
– factores genéticos
– factores neuroquímicos
– factores endócrinos

 Modelos psicossociais
– teorias psicanalíticas
– teorias comportamentais
– teorias cognitivas
– teorias construtivistas
Como compreender a depressão...

Modelos biológicos
 factores genéticos
Os factores genéticos influenciam o risco do começo da
depressão, alteram a sensibilidade do indivíduo ao efeito
depressivo dos acontecimentos de vida.

 factores neuroquímicos
Mais provável que um défice nas aminas biogénicas será a
hipótese de um desiquilíbrio neuroquímico cerebral.

 factores endócrinos
Várias hormonas aparecem alteradas, destacamos a secreção
do cortisol e a função tiroideia.
Como compreender a depressão...

Modelos psicossociais - teorias cognitivas


Teoria cognitiva de Beck
Centrada na premissa de que os sintomas da depressão podem
ser concebidos como o resultado directo do enviezamento
cognitivo negativo.
Construtos básicos:
 Pensamentos automáticos
 Distorções cognitivas
 Esquemas
Como compreender a depressão...

Face à natureza multifactorial da etiologia da depressão


e apesar dos consideráveis avanços na compreensão
das suas bases biológicas e psicossociais

Nenhum modelo actual nos permite compreender toda


a diversidade dos fenómenos depressivos.

As diferentes teorias causais parecem mutuamente


exclusivas explicando faces diferentes de uma mesma
realidade
Como lidar com a depressão...

 A nível das cognições

 A nível do comportamento

• Restabelecer rotinas
• Actividades gratificantes
• Prática de exercício físico
Como lidar com a depressão...

Não esquecer:

 Ser um bom ouvinte!


Caso 1

 Maior irritabilidade

 Respostas hostis e agressivas

 Menor concentração e memória

 Maior ansiedade

 Insónia

 Evita sai com os amigos, alegando dor de cabeça

 Deixa o ginásio

 Refere não se sentir triste


Caso 2

 Choro fácil

 Culpabilidade

 Cansaço permanente

 Hipersensibilidade aos comentários dos outros

 Procura sair mas parece estar ausente

 Abatimento e tristeza visíveis


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Tarefa para alunos: Pesquisar literatura sobre a relação entre


sintomas depressivos e bem-estar físico.
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DOENÇA ONCOLÓGICA
I – Confronto com o diagnóstico
A intensidade, duração e consequências do grande impacto
emocional do diagnóstico dependem:
 Informação
 Vulnerabilidade
 Coping
 Aprendizagens prévias.
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DOENÇA ONCOLÓGICA
Estratégias de coping habitualmente utilizadas pelo doente:
 Busca de informação;
 Busca de apoio e conforto nos profissionais de saúde
e/ou pessoas em situações semelhantes;
 Acções impulsivas;
 Evitamento do confronto;
 Confronto activo e busca de alternativas.
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DOENÇA ONCOLÓGICA
Estratégias de coping mais adequadas:
 Aceitação da doença;
 Respostas para lidar com a situação e problemas
associados, de acordo com expectativas realistas;
 Procura de soluções alternativas;
 Estratégias flexíveis.
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DOENÇA ONCOLÓGICA
Estádios de Kubler-Ross:
 Negação (não, não posso ser eu);
 Revolta (porquê eu?);
 Negociação (sim, sou eu, mas…);
 Depressão (sim, sou eu);
 Aceitação (a minha hora chegou e está tudo bem).
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DOENÇA ONCOLÓGICA
Perto do fim, os 4 receios mais frequentes são:
1. Medo da morte;
2. Medo de morrer sozinho (medo de ser abandonado);
3. Medo das dificuldades respiratórias (sensação de
asfixia);
4. Medo da dor.
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DOENÇA ONCOLÓGICA - fase terminal


Não há uma fórmula única, ideal de abordar o doente terminal, deve
adoptar-se uma atitude aberta e flexível.
Deve-se ter em conta os seguintes aspectos:
1. A atenção (o controlo satisfatório dos sintomas, ex: dor; o
apoio de pessoas significativas;
2. O controlo (permitir ao doente fazer perguntas e tomar
conhecimento do que vai acontecendo);
3. A serenidade (indicada por uma atitude de equilíbrio e
aceitação);
4. A comunicação (o mais franca possível, de acordo com o
desejo do doente).