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A DIFICULDADE DA ORAÇÃO

Jó 23:3

Introdução:

Não há como pensar em algo excelente que também seja fácil. Portanto, a oração é uma
das coisas mais difíceis do mundo, e talvez reconhecer isto pode ser encorajador. Se
alguém tem dificuldade em orar, saiba que isto não é algo comum!

Os Obstáculos

1. Estou ocupado demais para orar – atividades, trabalho, distrações, divertimentos,


vivemos numa época frenética.

Uma das maiores utilidades do Twitter e Facebook será provar no Último Dia que a
falta de oração não era por falta de tempo. [John Piper]

Muitos querem viver a vida cristã sem oração! Como se fosse possível! Como alguém
que quer chegar algum lugar passa por postos de gasolina, está com o tanque na reserva,
mas não para, para abastecer. É um tolo!?

2. Pecados não confessados. O pecado não confessado é um obstáculo [Sl 66:18, I


Pe 3, Js 7:10-13]. O pecado pode causar vergonha de Deus e consequentemente
fuga [Gn 3:8], a vergonha nos leva a nos esconder. É vão fugir de Deus.

3. Uma mortal satisfação. Eles se sentem bem com a mediocridade. Eles são “bons
cristãos”, ortodoxo, vão aos cultos, são religiosos, mas não querem ir além disso,
não querem se aprofundar na Palavra e na oração. Eles não estão preocupados
com sua vida de oração. Principalmente eles não sem a necessidade de orar.
Cheios de autoconfiança e independência – eles olham para sua vida e dizem:
“Ah está tudo bem, as coisas estão bem....então para que orar??? Eu estou bem
sem muita oração.”

4. Esgotamento espiritual. Um desânimo pode tomar conta de nosso coração,


sentimos desanimados espiritualmente. Pode estar relacionado com o nosso
estilo de vida física ou relacional, dormir pouco, vida sedentária, feridos por
uma crítica, decepcionados com alguém, estressados, esgotados espiritualmente.

O Senso da Ausência de Deus

Mas há um aspecto que pode se apossar de nós, de nossos corações. É o senso da


irrealidade de Deus. Deus parece estar escondido de nós! Um senso de completo vazio.

Você já tentou orar alguma vez e nada sentiu, nada viu, nada percebeu? Esse senso da
“ausência divina” pode nos levar desistir de orar. Obviamente não falo de uma ausência
real, mas da sensação de ausência. Falo sobre a experiência de deserto, de solidão na
oração.
No livro “A Hora Silenciosa”, um clássico sobre a oração de Austin Phelps [século 19]
trata em seu primeiro capítulo esse assunto: “A Ausência de Deus na Oração”. É um
obstáculo que podemos nos deparar nas orações, a ausência de Deus. É o sentimento
que Jó se depara [Jo 23:3]. É a consciência da ausência de Deus que pode ser até
comum na vida cristã.

Mesmo diante das nossas devoções regulares, o senso da presença de Deus, como amigo
invisível cuja a companhia é alegria, não é algo contínuo. Não há alegria, nem paz, nem
gozo, nem satisfação. Ele não tem senso de estar na casa com Deus. A quietude mortal!

No livro ele fala desta aridez e de como suportar esse senso da “irrealidade” de Deus.
Esse vazio espiritual vem ao tentarmos orar e nada! É aumentado ou ampliado diante
outras experiências tanto nossas como de outras pessoas na vida de oração que são
absolutamente contrastantes.

Pessoas que ouvimos, biografias que lemos ou mesmo nossa própria experiência na vida
de oração revelam que as coisas não devem ser assim!

Lemos sobre as "horas doces" que Edwards desfrutou nas margens do rio Hudson, em
conversas secretas com Deus, e ouvir sua própria descrição da maravilhosa comunhão
com Cristo e que ele não sabia nem como expressar. Era êxtase!

“Pouco tempo depois que comecei a experimentar estas coisas, falei com meu pai sobre
alguns pensamentos que passaram em minha mente. Fiquei muito afetado pela
conversa que tivemos. E, quando a conversa terminou, caminhei sozinho para fora,
num lugar solitário nos campos de pastagens de meu pai, para meditar. E, enquanto eu
estava andando lá, e olhei para o céu e nuvens, veio à minha mente uma sensação doce
da gloriosa majestade e graça de Deus, que não sei como expressar. Pareceu-me vê-las
em uma terna conjunção: majestade e mansidão se juntaram: era uma majestade santa,
doce e gentil, e também uma majestosa mansidão; uma ternura impressionante, uma
ternura elevada, grande e santa.

Após isso, meu senso das coisas divinas gradualmente aumentou, e se tornou mais e
mais vivo, e eu sentia mais daquela ternura interior. A aparência de tudo mudou:
parecia haver em quase tudo, por assim dizer, um molde ou aparência calma e terna da
glória divina. A excelência de Deus, sua sabedoria, sua pureza e amor, pareciam
aparecer em tudo; no sol, na lua e nas estrelas; nas nuvens e no céu azul; na grama,
nas flores, nas árvores; na água e em toda a natureza; as quais ele usou grandemente
para consertar minha mente… E, enquanto eu observava… como sempre parecia
natural para mim, eu cantava todas as minhas meditações, falando os meus
pensamentos em solilóquios, e falando-os com um canto.”

Diante desses relatos nos sentimos famintos e solitários! Como lidar com tudo isso?
Com essa sensação da irrealidade de Deus em nossas orações? Isto não é ruim
necessariamente, isto pode nos levar a termos mais comunhão com Deus!

CONSELHOS
1. Essa experiência já foi experimentada por muitos. Muitos trilharam esta
experiência!

(1) Jó, (2) O salmista [Sl 42:9] (3) Jeremias (4) Davi [Sl 22:1-2] (5) Jesus (Mt
27:46b). Anime-se você está em boa companhia! (Sl 13:1)

2. Nosso relacionamento com Deus é vivo – não mecânico. Ele é pessoa e tem
vontade, ele é soberano. Deus tem o direito e a liberdade de “ausentar-se”. Você
não pense que Deus é gênio a sua disposição e nem está a seu serviço para todas
as suas vontades. Deus é livre para ausentar-se e não o faz sem uma boa razão:
Talvez ele queria quebrar a falsa imagem de um deus manipulado ou dominado!

3. Essa sensação não é de todo ruim, ela pode ser útil em nossa caminhada e
maturidade. Talvez Deus esteja querendo firmar nossas convicções e nossa fé,
aprofundá-la! Coisas que são importantes, neste momento podemos pensar:
Oração é real ou um truque psicológico? A bíblia é verdadeira? Há um sentido
para vida? Deus me ama? Deus existe? Através disto Deus está purificando
minhas convicções se são reais ou não. E o fogo do teste de fé!!! É um exame
doutrinário!!! Através desta desolação Deus está produzindo desapego,
humildade, paciência e perseverança. O fim do deserto: ou a fé é renovada ou a
fé (falsa) é estraçalhada.

4. O que fazer quando Deus silencia?

Continue orando! Existe algum tipo de oração? Sim – Ore os Salmos de Lamentação:
Com reverência e com sinceridade: Sl 109:1, 13:1, 88:14, 42:9.

O que fazer mais quando somos esbofeteados pelo silencio de Deus. O que fazemos
quando estamos contagiados pela presença de Deus faremos no senso de sua ausência:
Adoração, meditação, busca, bater continuo embora a porta esteja fechada. Dizendo a
Deus que o amamos...Amamos mais dos que as dádivas que Ele nos dá. Como Jó
servimos a Deus mesmo que ele permita o mal em nossa vida.

O que fazer quando estamos no silêncio de Deus? Espere. Quieto e tranquilo. Atento e
sensível. Confiança é segurança no caráter de Deus. Diga: “Não entendo o que Deus
está fazendo nem mesmo onde Deus está, mas sei que Ele está conspirando para o meu
bem!” O deserto é necessário, mas não é eterno. O deserto dará lugar a um lugar que
mana leite e mel.