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Universidade Federal do Paraná - UFPR

Resumo de Políticas Sociais baseado do Livro “O Estado e os


problemas contemporâneos” (pág. 109 – 135)

Órgãos Colegiados Das Políticas de Assistência Social e Segurança


Alimentar

O Ministério do Desenvolvimento Social nesse âmbito é estruturado com


base em quatro órgãos colegiados, o Conselho Nacional de Assistência Social
(CNAS); o conselho Gestor do programa Bolsa Família; o Conselho Consultivo
de Acompanhamento do Fundo de combate e Erradicação da pobreza; e o
Conselho de Articulação de Programas Sociais.

O conselho de maior importância nesse Ministério é o CNAS como órgão


deliberativo instituído pela Lei Orgânica da Assistência Social, nº 8.742/93, que
replica-se ao nível dos estados e municípios, através dos Conselhos Estaduais
e Municipais de Assistência Social, e é composto por 18 membros nomeados
pelo Presidente da República para mandato de 2 anos. Nove desses
representantes são governamentais e nove da sociedade civil.

O CONSEA - Conselho Nacional de Segurança Alimentar - é formado


por 57 conselheiros e tem caráter consultivo e assessora o Presidente da
República na formulação da política alimentar. Seu presidente é nomeado pelo
chefe do executivo e tem mandato de 2 anos. Sua secretaria é subordinada ao
Ministro do Desenvolvimento Social.

Políticas Públicas De Trabalho e Geração de Renda

No Brasil, a informalidade decorrente do modelo de industrialização e


modernização adotado no país, desde os anos 1930, torna difícil o acesso ao
trabalho digno, que vinculam o indivíduo aos benefícios de proteção social.
Enquanto a evolução das políticas trabalhistas nos países europeus foram
amplamente discutidas e negociadas entre entidades, trabalhadores e
empresários, no Brasil as ideias chegaram para valer uma agenda política
liberal no governo FHC, com mudanças na legislação trabalhista do País,
dando ensejo ao desemprego e à atividade informal.

Há um consenso entre os estudiosos de que o nosso mercado de


trabalho não apresenta grandes barreiras a demissões e contratações, tendo
como principais características a heterogeneidade e a segmentação. Como
características de heterogeneidade das relações de trabalho temos a grande
multiplicidade de relações contratuais e uma enorme variedade de formas de
apropriação de renda pela População Economicamente Ativa. Já como
característica da segmentação temos a heterogeneidade da estrutura das
ocupações, que ocorre devido à grande diversidade de formas de organização
do setor produtivo.

Para designar os diferentes segmentos da população em função de sua


participação no processo produtivo, são utilizados alguns conceitos:

 População em Idade Ativa (PIA): as pessoas aptas a exercerem


uma atividade econômica. É composta por toda população com
10 anos ou mais de idade e subdivide-se em População
Economicamente Ativa e População Não Economicamente Ativa.

 População Economicamente Ativa (PEA): compreende o potencial


de mão de obra e dividi-se em População Ocupada e
Desocupada.

 População Ocupada: subdivide-se em empregados, ou que


trabalham por Conta Própria, ou Empregadores ou pessoas que
trabalham, mas, não são remuneradas.

 População Desocupada: pessoas que não tem trabalho, mas


estão dispostas a trabalhar e que tomam uma providência a
respeito.

 População Não Economicamente Ativa (PNEA): também pode ser


denominada População Economicamente Inativa (PEI), faz
referencia às pessoas não classificadas como ocupadas ou
desocupadas. São pessoas incapacitadas para o trabalho ou
desistiram de buscar trabalho, ou não querem trabalhar. Estão
inclusos nesse grupo, além dos incapacitados, os estudantes, as
pessoas que fazem trabalho doméstico e as pessoas em idade
ativa que estão desempregadas e há mais de um mês não
buscam trabalho.

 População em Idade Economicamente Não Ativa (PINA): pessoas


com menos de 10 anos de idade.

Para classificar os segmentos do setor produtivo, temos a seguinte


subdivisão:

 Segmento ESTRUTURADO: onde se dão as relações


empregatícias baseadas em contratos legais, regulamentadas
pela legislação trabalhista e social – Setor Formal.

 Segmento POUCO ESTRUTURADO: onde prevalecem as


relações trabalhistas informais e precárias, além de boa parte das
ocupações autônomas – Setor Informal.

No setor formal/estruturado estão os trabalhadores com carteira


assinada, regidos pela CLT, inclusive domésticos, além dos servidores
públicos, civis e militares. No setor informal/pouco estruturado, estão os
trabalhadores assalariados sem carteira e os não remunerados. Este
último constitui a grande base do mercado de trabalho brasileiro e é um
dos principais fatores de desigualdade de renda da população,
culminando na desigualdade social do país.

As Instituições do Mercado de Trabalho no Brasil

Foram registradas, na década 90 e ao longo dos últimos anos,


dinâmicas particularmente relevantes nos quesitos emprego, formalidade e
renda dos trabalhadores, o que exigiu mudanças substantivas na atuação das
instituições que regulam as relações trabalhistas.

A Consolidação das Leis do Trabalho, cuja sigla é CLT, regulamenta as


relações trabalhistas, tanto do trabalho urbano quanto do rural. Desde sua
publicação já sofreu várias alterações, visando adaptar o texto às nuances da
modernidade. Apesar disso, ela continua sendo o principal instrumento para
regulamentar as relações de trabalho e proteger os trabalhadores. Dentre seus
principais direitos encontram-se: jornada de trabalho de 44 horas semanais,
décimo terceiro salário, isonomia de salários para funções iguais etc, a lei
aborda também as indenizações para os casos de demissões sem justa causa,
dentre outras garantias ao trabalhador.

Nota-se que o mercado de trabalho brasileiro se ajusta facilmente em


momentos de crise seja reduzindo salários ou demitindo os trabalhadores.
Pode-se deduzir que o trabalho precário no setor privado brasileiro não se deve
exatamente a essa flexibilização das leis trabalhistas, mas sim, segundo
Cardoso e Lage, à burla da legislação trabalhista, somada à fragilidade dos
mecanismos de vigilância e punição das condutas irregulares dos
empregadores. Segundo o presente estudo, nota-se que a fiscalização de
grandes empresas do setor formal é privilegiada pela Secretaria Nacional de
Inspeção do Trabalho, enquanto as pequenas empresas possuem uma baixa
fiscalização.

A partir dos convênios entre o Ministério de Trabalho e os governos


estaduais, foram criados postos de atendimento ao trabalhador, tais como SINE
e SENAI, esses que somente a partir de 1990, com a criação do FAT, esses
programas tomaram impulso, apesar de terem suas bases ainda limitadas.

O Governo Federal Brasileiro, empenhado em corrigir as distorções


características à evolução do mercado de trabalho, vem desenvolvendo
programas de incremento ao emprego e ao trabalho e de proteção e
assistência ao trabalhador, contando com recursos do Fundo de Amparo ao
Trabalhador – FAT. Seu objetivo é criar mecanismos que permitam a melhoria
das condições de trabalho e da qualidade de vida do trabalhador, destacando-
se as ações nas áreas de qualificação profissional, seguro-desemprego, abono
salarial, geração de emprego e renda, inspeção do trabalho e legislação
trabalhista.
Já o Programa de Geração de Emprego e Renda – PROGER vem se
consolidando como um dos principais instrumentos de que dispõe o Governo
para incrementar a política pública de geração de emprego e renda e melhoria
da qualidade de vida do trabalhador. Sua operacionalização ocorre mediante
concessão de créditos em condições especiais, destinados ao financiamento
de atividades produtivas nos setores formal e informal da economia, nas áreas
urbana e rural.

O PROGER Urbano possui como públicos-alvo as micro e pequenas


empresas, cooperativas e associações de produção, bem como os
profissionais liberais, recém-formados, trabalhadores autônomos, prestadores
de serviço em geral, artesãos e pequenos e micro negócios familiares.

O PROGER Rural, por sua vez, atende prioritariamente aos pequenos


produtores rurais, de forma individual ou coletiva, inclusive às atividades
pesqueira, extrativa vegetal e de aquicultura. Essas são as linhas gerais de
estruturação do mercado de trabalho brasileiro e de atuação do Governo
Federal nos últimos anos. Os impactos no mercado de trabalho inerentes ao
processo de integração da economia nacional à economia global são
consideráveis.

Nesse contexto, o Governo brasileiro, ciente dos desafios que lhe são
postos, está empenhado em criar e manter as condições macroeconômicas
favoráveis e em implementar as políticas públicas de promoção do emprego e
da renda necessárias para a construção de um futuro mais próspero para
todos.