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Cultura Indígena

Os povos indígenas, pela diversidade étnica, contribuíram de formas diferentes em


relação a muitos aspectos culturais.

Calcula-se que existam mais de 230 povos indígenas no Brasil, com hábitos, línguas e
crenças diversas. Eles estão espalhados em mais de 670 Terras Indígenas que já foram
identificadas e homologadas ou encontram-se em processo de homologação.

Veja abaixo as principais características da cultura indígena.

Religião e Crenças
As crenças religiosas e superstições tinham um importante papel dentro da cultura
indígena.

Fetichistas, os indígenas temiam ao mesmo tempo um bom Deus – Tupã – e um espírito


maligno, tenebroso, vingativo – Anhangá, ao sul e Jurupari, ao norte.

Algumas tribos pareciam evoluir para a astrolatria, embora não possuíssem templos, e
adoravam o Sol (Guaraci – mãe dos viventes) e a Lua (Jaci – nossa mãe).

Tupã

O culto dos mortos era rudimentar. Algumas tribos incineravam seus mortos, outras os
devoravam, e a maioria, como não houvesse cemitérios, encerrava seus cadáveres na
posição de fetos, em grandes potes de barro (igaçabas), encontrados suspensos tanto nos
tetos de cabanas abandonadas como no interior de sambaquis.

Os mortos eram pranteados obedecendo-se a uma hierarquia. O comum dos mortais era
chorado apenas por sua família; o guerreiro, conforme sua fama, poderia ser chorado
pela taba ou pela tribo. No caso de um guerreiro notável, seria pranteado por todo o
grupo.

Moradia
Como sabemos os indígenas tem costumes bem diferentes dos costumes de nos urbanos,
um deles é morar em ocas ou malocas, que medem mais ou menos 20 metros de
comprimento por 10 metros de largura e 6 metros de altura, feitas de madeira e cobertas
por folhas de palmeiras.

Fazem uma espécie de parede dupla com um espaço entre ambas o que permite uma
ventilação adequada, tornando o ambiente, no seu interior bastante agradável, seja no
frio ou no calor.

Uma aldeia é composta de várias malocas, onde habitam várias famílias. Cada maloca
possui um chefe daquele grupo, que quando reunidos formam uma espécie de
“colegiado”.

As casas eram construídas em volta de um pátio, local de festas e de reunião.


O conjunto de casas formava uma aldeia. Os moradores de várias aldeias,
unidos por laços familiares e interesses comuns, formavam um povo
ou uma nação.

Modo de vida
Um outro costume que os índios tem de diferente de nós, é o modo de viver deles:
vivem da caça, da pesca e coleta de vegetais silvestres, obedecendo aos ciclos de
atividades de subsistência da Floresta Tropical: chuvas, enchentes, estiagem e seca.

Reúnem-se em grupos que podem ser: de casais, consanguíneos (parentesco),


intercasamento e relações de servidão. Na maioria dos grupos o casamento pode ser
dissolvido.
Preservam a infância da mulher que só pode se tornar esposa após a primeira
menstruação (acompanhada de ritual especial, de acordo com a tribo). Não existem
padrões morais de virgindade ou adultério, tudo se resolve com conversas entre parentes
próximos e com acordos entre as famílias.

Temos tribos matriarcais, patriarcais, monogamia (um só esposo ou esposa – com


uniões que podem ser dissolvidas) e poligamia (um esposo com várias esposas, ou uma
esposa com vários maridos).

A chefia
Cada nação indígena tem um líder, que comanda a tribo nas caçadas e nas guerras ou na
resolução de alguma disputa interna. Ele costuma conversar com as pessoas e ouvir suas
opiniões e, sempre que precisa tomar uma decisão importante, pede conselhos aos mais
velhos.

Além dele, há o pajé, que é o líder espiritual e possuí grande prestígio e poder entre os
nativos, pois ele conhecia e manipulava as ervas curativas, faz as oferendas aos deuses e
se comunica com as divindades.

O trabalho
Os índios trabalham para conseguir alimento, fazer uma casa, uma rede, uma festa, ou
seja, para satisfazer às necessidades básicas do grupo.

O trabalho nas aldeias é coletivo, dividido entre todos os membros que moram na tribo.
Essa divisão era feita de acordo com o gênero (homens e mulheres) e por idade.

Em geral, as tarefas masculinas são: caçar, pescar, preparar a terra para o plantio e
defender a comunidade.

As atividades femininas são: plantar, coletar frutos e raízes, cozinhar, fazer utensílios de
cerâmica e cestos, além de cuidar dos filhos.
Assim como outros povos, eles modificam o espaço geográfico para sobreviver e o
fazem de acordo com a sua cultura, isto é, com o seu modo de viver, agir e pensar.

Acessórios e armas
Os índios costumam construir seus próprios acessórios, como suas armas, fabricam
arcos perfeitos, instrumentos cortantes feitos com bicos de aves e enfeites plumários.

A caça feita pelos índios é composta geralmente por venenos aplicados nas armas
usadas. Dentre as armas, destaca-se a zarabatana, tubo comprido que funciona por
compressão de ar. Suas setas são untadas com um veneno chamado curare, extraído da
casca de cipós.

Os índios também utilizam a prática de envenenar os peixes por sufocação com o uso
do timbó, cipó que é jogado em uma determinada parte do rio e, força os peixes a vir à
tona e, assim, eles são facilmente capturados.

Artesanato
Hábeis artesãos, os índios produzem diversos tipos de artefatos para atender suas
necessidades cotidianas e rituais, que assumem, hoje, o importante papel de gerador de
recursos financeiros, beneficiando as Comunidades com uma renda complementar.

Assim surgem fantásticos trançados que tomam a forma de cestos, bolsas e esteiras,
moldam a cerâmica que dá origem a panelas e esculturas, entalham a madeira da qual
nascem armas, instrumentos musicais, máscaras e esculturas, além das plumárias e
adornos de materiais diversos como cocos, sementes, unhas, ossos, conchas que, com
habilidade e tecnologia, são transformados em verdadeiras obras de arte.

A produção de variados objetos da cultura indígena, como material, ferramentas,


instrumentos, utensílios e ornamentos, com os quais um grupo humano busca facilitar
sua sobrevivência, está ligada à escolha e utilização das matérias-primas disponíveis; ao
desenvolvimento da técnica adequada de manufatura; às atividades envolvidas na
exploração do ambiente e na adaptação ecológica; à utilidade e finalidade prática dos
objetos e instrumentos produzidos.

Pintura
Os índios pintam seu corpo, sua cerâmica e seus tecidos com um estilo que podemos
chamar “abstrato”. Observam a natureza mas não a desenham, mas ao contrário do que
se pensa, não devemos chamá-la de primitiva. Partem do elemento natural para torná-lo
geométrico.

Usam diversos tipos de cocares, braceletes, cintos, brincos. Geralmente não matam as
aves para comer, usam apenas suas penas coloridas, que guardam enroladas em esteiras
para conservar melhor, ou em caixas bem fechadas com cera e algodão.
A Arte Plumária é exuberante e praticamente restrita aos homens. Nas tribos, onde as
mulheres usam penas, são discretas, colocadas nos tornozelos e pulsos, geralmente em
cerimônias especiais.

Tecidos
Alguns índios, como os Vaurá, plantam algodão e fazem vários enfeites, como os
usados em seus pentes. Usam uma tinta preta extraída do suco de jenipapo.

As vestimentas usadas pelos índios estão relacionadas às necessidades climáticas, à


observação da natureza e aos seus ritos e festas. Esta é a razão de usarem quase nada
para se cobrirem, uma vez que vivemos em país tropical.

A sua vestimenta não está associada à aspectos morais. Algumas tribos como a dos
índios tucuna (praticamente extintos) na região do Acre, recebiam correntes frias dos
Andes e usavam o “cushmã” uma espécie de bata (as índias eram ótimas tecelãs).

Em algumas tribos como a dos VAI-VAI (transamazônica) as mulheres tecem e usam


uma tanga de miçangas.

Canoas
O indígena usa o leito dos rios ou o mar para transportar com rapidez, navegando em
canoas ou em jangadas.

 As canoas maiores são construídas de troncos de árvores rijas e chamam-se


igaras, igaratés ou igaraçus.
 As canoas ligeiras – ubás – eram feitas de grossas cascas vegetais, e movidas a
remo de palheta redonda ou oval ou ainda a vela.
 As jangadas, pequenas e velozes, constituíam-se de vários paus amarrados uns
aos outros por fibras vegetais.

Música
São amantes da música, que praticam em festas de plantação e de colheita, nos ritos da
puberdade e nas cerimônias de guerra e religiosas. Os instrumentos musicais são: toró
(flauta de taquara), boré (flauta de osso), o mimbi (buzina) e o uaí (tambor de pele e de
madeira).

Alimentação
A contribuição indígena para a dieta alimentar é enorme. Inúmeros alimentos
consumidos pelos nativos são hoje levados às mesas de todo o mundo e, principalmente,
às brasileiras. A seguir, citaremos alguns alimentos que foram contribuições das
populações nativas:

Mandioca (também chamada de macaxeira ou aipim) – no início da colonização foi


chamada de “pão da terra” devido à sua importância e abundância.
Milho – foi cultivado na América e existem inúmeros tipos cultivados. Batata-doce – é
um alimento fácil de cultivar e que se reproduz em abundância. Os índios conhecem
vinte variedades.

Amendoim – originária do Brasil, seu consumo hoje se espalhou pelo mundo inteiro.
Era cultivado e colhido pelas índias para grandes cerimônias.

Abacaxi – fruta totalmente desconhecida dos europeus, foi muito comentada por
cronistas em razão de seu aroma. Os índios a usavam para curar feridas e também para
fazer bebidas fermentadas.

Caju – foi muito cultivada e utilizada pelos índios para a fabricação do cauim, bebida
fermentada. Foi muito apreciada pelos europeus. Além da fruta, a castanha do caju tem
grande aceitação nos mercados mundiais.

Os indígenas também desenvolveram conhecimentos sobre plantas medicinais, as quais,


atualmente estão presentes nas diversas áreas da América e algumas são amplamente
difundidas pelo mundo, tais como a erva-mate, o guaraná, o tabaco e coca.

Por: Maissa Ferreira Alves

Fonte: https://www.coladaweb.com/cultura/cultura-indigena